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T/lk.K Mica.

KÉi,

} ESPÍRITO E MA'LERIA

Tradução de

RAUL BEZERRA PEDREIRA FILHO


0

SUZANA JOFFnY (:hUZ

ZAHAR EDITORES
RIO DE JANEm.o
f

}
Título original
Z,e roga

Traduzidoda primeira edição francesa, publicada em 1975 por


EninoNS SUCílURS,
Paras, trança, na coleção CLEro. dirigida por
LUC DECAUNES

ÍNDICE

Copyright (E) 1975 bv Éditions Seghers PREFÁCIO DE JACQUES À4ASUI


7

Nota sobre a pronúncia do sânscrito 11


Modificação da transcrição das palavras sânscritas para adapta-las
às letras de imp-essão habituais 13
Lista de abrevíações t5
capa de INTKOOUÇÃO
17
EKico DKPiNiÇÃO
19
1. AS ORIGENS ]X) YOGA
21

Jt. AS BASES DOUTRINAIS IX) YOGA: o Sân7Tkhya 27

Edição para o Brasil


Não p(xle circular em outros países

111
O YOGA CLÁSSICO, DENOMINAID YOGA OE PATA&JALI (PÂ-
197 6 + TAÊIALA-YOGA)OU YOGA REAL(RÂ;Á-YOGA) 63

Direitos para a edição brasileira adquiridospor


z A iT A R E r) i T ORES
Caixa Postal 207, ZC-00, Rio
que se reservama propriedadedesta versão !

Ittti)russo lto Brasit


6 INOiCE

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: ;'.W
$:g#H:b$WMb:
O YOGA DA AÇÃO (KARMA-YOGA) 106

A B#agapad-Gira,106. Inevitabilidadeda ação, 107. 1. Confor-


midade com sua própria natureza, obediência à sua' própria lei de ação,
107. 1).A .ordem facial, 107. 2) As três dívidas, 110. 3) A fase de
vida, 1]2. 4) A obrigação sacrificial, 112. -- 11.' A ação desinteressa-
da, 1]3. -- 11T. A ação conscicnte, 115. -- IV. O heroísmo. 115. -- V. A
ação como sacrifício, 116. PREFÁCIO
V O YOGA DO AMOR (BnAKn-YOGA) 120

O Yoga como união, 120. Concentraçãopelo amor, 122. Intuição


da Realidade como Beatitude, 123. 1. O objeto de adoração, 124.
C)s livros sobre Voga se multiplicam, mu infelizmente
1).A Pessoa Divina, 125. 2) Uma encarnação divina, 126. 3) Um sím poucos merecem ser !idos. .A maioria é de segunda mão e alguns,
bolo ou.uma imagem,128. 4) Seupróprio'guru, 128. 5) O'mestre in- :tté, mais que duvidosos.. . Cama observava há pouco um emi-
terior, 129. 6) A humanidade inteira, 129. -- 11. O adorador. 129. -- 111.
A adoração, 131. -- IV. As etapas da ó/laklí, 134. -- V. Prima/z. 138. tente especialista, o Yoga é mais célebre do que conhecido. Sem
VI. Unificação, 139. ralar dos estudos dispersos em diversas revistas, o primeiro tra-
)alho sério na língua francesa sobre o usunto apareceu em
vl O YOGA ]X) CONHECIMENTO(JÊÂNA-YOGA) 141
1936 em Bucareste. Constituía a tese de Mircea 'Etiade, que
itepois a rePisou e completou.t Junto com os trabalhos de
1. As qualificações requeridas, 141. 11. O papel do Conhecimento
143. 1) Falsasconcepções
do Eu, 144. 2) Discriminação
entre o Es 1. Filtiozat. ê o melhor estudo sobre o Yoga que encontramos
pectador e o Espetáculo, 145. -- 111. Desidentífícação, 146. --t IV. Re lesse língua.z Não podemos entretanto esquecer outros traba-
vedação
de suaprópria e verdadeiraidentidade,148. ]) "Tu és Isso", 149 .hos como os de P. Masson-Ourselou de Alain Daniélou. nem
2) "Eu sou Brahman", 151. -- V. A prática do /Huna-Yoga, 151. -- VI
O Liberado-vivo, 154. is traduções do .sânscrito para o francês relativas ao Yoga.
I'ambém não podemos esquecer o trabalho de Thérêse Brosse.
Vll O YocA no DESPERTAR nA ENiERGIA ENpoi,AnA(Kundalíní-vaga) :ardiolagista,que foi a primeira a aborda o Yoga por métodos
E o YoGA oo EsFoRço VIOLENTO(/7at/za-roga) 156
:líricos que permitem apreciar seus efeitos sobre a fisiologia hu-
1. Kzznda/íní-roga,
156. Çiva e Çakti, 156. A Çakti, poderde oculta- mana.No entanto, faltava em francês uma obra sucinta e nre-
ção, 156. A Çakti, poder de projeção, 157. ](undaliní, 158. Os catre, 160. :tscl, escrita por alguém que tivesse acesso não apenas a todas
As nádí, 164. O despertarde Kundalini,165. Os métodos.166. -- 11.
/7atf/la-roga, 166. 1) A postura, 167. 2) O domínio do alento, 168. is fontes sânscritos, mas que pudesse também -- o que é mais
a) Purificação das nãdí, 168; b) Hs sair anões, 168; d/lazzfí, 170; basrí, mportante-- fatal' por experiênciaprópria. Eis aqui a obra. Eta
170; nerf, 170; frâtaka, 171; nau/1, 171; kapã/ab/iõfí, 171. c) Os diferentes em muitos méritos e. pwticularmente, o de ser clara e compte-
pránáya/na, 171; sz2ryab/zedana, 171; ujjáyín, 172: sf/.kórfn, 172; çí/a- :a Entretanto, a distribuição da matéria neste volume tão pe-
/í, 172; ó/zasfrfká,172; ó/zrámarin, 172; m12rccàá,172; p/apínf, 173. d)
Os três fechos, 173; já/and/lura-ba/zdAa,173; ziddíyâna-band/za,173; mú- }
:luena não toi nada fácil, citada mais porque M."' Tara Michaêl
/a-óandáa, 173. e) A retenção do alento, 174. 3) Os selos, 175; ma/iá-
mudrá, 176; ma/zãband/ia,176: /lza/zã);ed/za.176: k/zecarí-mudrá. 176: pí- l roga, immorfa/ffé ef /fóerfé. Payot, Paras, 1954.
/)arara..tara/7í,]78; vajrole-mzldrá, 178; ç'ak/í-calalza, 179. 4) O samád/ií.
]80; a /7zudráde Çâmbhavi, 181; o olhar entre as sobrancelhas,181; o
olhar da ponta do nariz, 181;concentraçãosobrea sonoridadeinterior. 182.
1]1BI.IO(;RAI?IA SUMÁRIA 185
bH;um'::i:Taül
r.'
ãB:}z.a,:i=
pa:alelos,principalmente
Anthony
com 1.;17éiycAasme
Bloom),
ou prlere du czar(pelo
com l,'dlcAfmfe (escondendo-se sob um pseudâ:
ÍNDICE DE PALAVI{AS SÂNSCRITAS 189 nimo, o .autor é hoje uma personalidadede primeiro plano dentro da
ortodoxia) etc
8 0 YoCA
PREFÁCIO 9

preferiu expor \abas as tornas de Yoga. Se,tundamentatmente. o ;ão várias as conjecturas sobre a origem do Yoga. Sabentos
!gga.é.]l!!kQX.coilMilul uma cafegotia.]$eguliW..àlndia- sua .€1a- ;omente que ete já desfrutava grande prestígio no último milê-
boração -g.sgl4:.gper!eiçoamento .BO dçcu!:!g de milênios .provoca- rtio antesda era cristã, já que fina(furldador do jainismo)e
-am a apalkãg.de.W@erosaÍJ;ias (malga) :'ii;s$uiltd;'càã(i:iiãã Buddha o praticaram. hÍircea Etiade, depois de Pelliot. formu-
leias ..prótiçg! especiais Tornava-s;' indispe;tsável 'dis4ngui-las :ou a tese de que ete descenderia do xamanismo' da Sibéria
5em. iSOIQltdu uurrtq eã:pplsiião )iõiiÜiiiiiÍ:gii$iliã:4iit''==-o.. )rientat. Nada meras certo. De qualquerforma, é muito antigo,
) objetivoé o.iYlesmo-paro:lodos, ' ' '''--' ;e bem que não seja ettcontrado no Irã, que no entanto conhe-
O.s ocidentais alimentam muitas ilusões a respeito do Voga. ceu uma tradição irmã dos Vedes. Mais twde, porém, ete.seria
,4 nzaforía íman/na que a vía curro e "vío/e/zfa" do hatha-yoga a, =!4jjicadQ nulo texto .rude semelhante aos teorentas de Euclides:
)nde predominam os exercícios corporais, os levará. através"de ?!,l)Ioga-Sütla.: E; se tornaria .D3esmoum sistema metafísico que
:imptes ginástica, ao objetivo que todos buscam secretamente: o !ê baseia./z c!.Sâmkhyq:
zutodornínio. o controle do fluxo mental e. finalmente. a reinte- Na exposição que vamos ler, M."" Tara Michaêl aborda
gração (para .retomar o ternto utilizado por ,.41ain Daniélou). todos os aspectosdo Yoga. Nada {oi deixado à sombra e a.autora
grites de mais nada deveriamsaber que o Voga está resewado ndo cai no vício, muito {reqilerttenaquelesque o abordam,de l
a um ntunerotnuito pequeno,quandose trata de !evó-toa seu querer compara-lo às práticas ascéticos dos místicos ocidentais
.ermo, e não é de forma algumacerto que esteúltima convenha. Índia é um mundo à parte que, muito felizmente,nunca opôs
.exceção, a ocidentais. Não está, absolutamente. isento de :larameníe matéria e espírito, como temos feito desdeos gregos.
:rartdesriscos e muitos pagaramcam a saúde,tísica ou psíquica, também nos enganamoscompletamente quando utilizamos o
;ua ousadia por falta de uma preparação orientada. :ermo "espiritualidade" Q respeito do Yoga, bem como dm doutri-
É particutarmertte notáve! que uma sociedade tão fechada. nas indianas em geral. Aplicado à Ária, nada significa e deve-se
ãa hierárquicct
e hierarquizada comoa índia (en'lrazãodo sis- ier igualmente circunspecto no emprego da palavra "místico
:ente de castas,que é seu alicerce)tellha finalmente aceito e
o'Leal?loencorajado o excepciona\,concedendo uma espécie de
com re/anãoao roga, a menosqzlese fradeda /íóeração(Moksha) ,
lue é a arte de se reunir a seu Princípio.
l
t
status privilegiado aos yogues,que escapam às obrigações intan- I'erminarei com esta conclusão de Mmson-Ourset: "Esses
!íveis da casta etn que nasceram. Deve-se observar que os vitoriosos (esses )ogues) não foram enganados por seus sentidos
yogues provêm, etn sua- maioria, da aristocracia e não da casta
lent por seus pensamentos. .Autoridades no entpirisnto pragma-
los sacerdotes -- brâtnanes -- guardiães do ritual que sustenta sta: deles muito se orgulha a índia. sem invejar' o que a Europa
,oda a sociedade hindu desde os tempos védicos leve aos mestres do racioltalismo." {, ' ''
Irttensificmldo a energia vital ao seu ponto máximo. os
fogttes dcvcul ser considerados como avetttureiros ou pesquisado- JACQUES MASUI l
es. a unt só tempo obserx'odores
atentose críticos, da 'pide fisio-
.ógica e psíquica. .A soma de suas observações e os exercícios
taí decorrentes levariant a confundir os psicólogos europeus que
;e servem, segundo as palavras de Srt .Aurobindo a respeito de
=teud, de !alta tallterna de bolso para estudar nossos compor-
t ([t~temitos
4 Como. Maspero já ressaltara de maneira explícita. cncnrltram-se. no
qtn se chama tauísmo, p.ráticas muito semelhantesàs utilizadas no Yoga.
e:se.ver.nissouma'influênciada Índia na China?'Por outro lado.

MIW:ãFÜ81,}:@XHW$ÜÜ{X $D :l:il.sg
Elii':ãi:n .k.:3:ilSl;h'ê:iq
1111
sobre o$ aspectos fundamentais da traílição hindu, 'principalmente 'sobre
as tradições (lo \'oga e do tantrismo etc.' '' ' ''''''''
/
/.se-lva/zg.
.l,e roga na colação Que sais-je? (n.' 643).
' - '
Excelente trabalho.
arguto e penetrante. ' ' ' ' ''' ''''-'''-'
'1
l

NOTA SOBRE A PRONÚNCIA DO SÂNSCRITO

VOGAIS. Além das vogais breves a, í, u e das vogais longas


á, i, t2 (pronunciar
estaúltimacomoum u longo,saúde;ex.:
sz2fra),o sânscrito possui um Z e um r vocálicos. O primeiro é
muito raro, já o segundose pronuncia como um r enroladose-
guido de um ligeiro apoio vocálico í: Rshi :: Rishi, vr/fl :; vritti.
DITONGOS.O e (formado de a + í) é longo e fechada, como
no português -- dedo: Veda :: Vêda. O o (formado de a + u)
é igualmentefechado e longo, como no portuguêsbobo.
CONSOANTrs. O g é sempre duro, mesmo quando seguido
de í oü de e: Gira :: Guita.O c se pronuncia
tch: caíra :=
:: tchakra. O j sepronunciadj: fará :: djapa.O r e o d pro-
nunciam-secom a ponta da língua voltada para cima como nas
dentais inglesas (por exemplo no inglês docror). KA, gA, cÀ, /A,
th, dh, rA, dA, ph, ó/z pronunciam-seda mesmaforma que k, g,
c, /, t, d, r, d, p e ó, mas seguidosde uma aspiração.O n depois
de vogal se pronuncia e não nasalizaa vogal precedente:yogín
:: yoguinn, Bra/íman := Brahmann. O H é nasal palatal, pro-
nunciado como o grupo nh em português: jHána := djnhâna. O n
cerebral em nada se diferencia do n dental. O m (distinto do
m que é nasal bilabial como no portuguêsmá) é uma nasaliza-
ção da vogal chamada anusvára (ressonânciaulterior) : samsárz
se pronuncia sansâra, Sâmkhya, Sânkhya. Há apenas uma ligeira
nuança entre a sibilante palatal ç, que se pronuncia como o ch
do alemão lch: Çípa :: Chova, fudra :: chudra, e a sibilante
cerebral s/z, que se pronuncia como o ch do português: Purzzs/za
:: Purucha. O s sempre se pronuncia como o grupo ss do por-
tuguês: ásana :: assana (e nunca âzana). O h, aspirado forte.
12
0 YoCA

.1 â,traço a:].m upas vogais é substituído por um circunflexo:


H
l
l

:=;3==F%l:i$1::='='=:.'%:

g
'iV

ESTA DE ABREVIAÇÕES

Bh.G. Bhagwad-Gttâ.
Brahmâna.
Br.A.Up. Bthad-Aran#aka-Upanishad.
Chârü. Up. ;. Chândog?a-Upanishad.
H.Y.P. Hat ha- Yoga-Pradipikâ.
M.Bh. = h4allâbll&ata.
N.B.S. = Nârada-Btwkti-Sütra.
Pw. Furada.
s.K. :. Samkh)a-Karikâ.
Upatúshaã.
y..B. = Voga-Bhâsh)a.
y.s. = roga-Si2fra.
INTRODU'ÇÃO

Para o pensamentotradicional indiano, a época anual não


representa um período de progresso da humanidade, e sim uma
fase de degenerescência, aquela em que "o touro da justiça",
tendo sido privado sucessivamente,em cada uma das idades pre-
cedentes, de cada uma de suas patas, primeiro a do "Esforço
sobre si mesmo" (lapas), depois a da Pureza (fatzca) e em se-
guida a da Compaixão(dáyá), apoia-seagora em equilíbrio ins-
tável sobre a única perna que Iho resta, a da Verdade (safra),
sobro a qual tenta penosamente manter-se, exposto aos ataques
do demónioKa/í, que, encorajadopela mentira, tenta derruba-lo
até deste último suporteo. Textos sânscritos que remontam às
proximidades da era cristã ' prevêem que, nesta última idade,
a "confusão das castas" será tal que aqueles que detêm o conhe-
cimento (os brâmanes) abandonarão os ensinamentos para se
entregarem a trabalhos lucrativos que não se relacionam com a
suavocação,ou melhor, "venderão os veda", quer dizer, pros-
tituirão Q seu saber, enquanto as pessoasnão-autorizadas, incom-
petentes (os çudra), os ignorantes e os charlatães se apropriarão
dos textos sagradose pretenderão interpreta-los.
Ninguém é forçado a adorar o ponto de vista indiano; to-
davia, deve-sereconhecerque, no que diz respeito ao Yoga, essa
predição não é sem fundamento: enquanto a índia se entrega à
perseguiçãodos interessesmateriais, cuja conquista deixa o Oci-
dente mais ou menos desiludido e insatisfeito, a popularidade que
o Yoga começaa desfrutar nos paísesocidentais não será talvez
o pior perigo que o espreita? Pois deve-se admitir que- essa po-
pularidade, mesmo que seja o símbolo de uma aspiração real a
0
BAágavafa-Purãna,
1, 17, 24-25.
7
Livros de leis, epopéias etc., entre 500 a.C. e 500 d.C
18 0 YOGA
uma autotranscendência pelos métodos que o Yoga é capaz de
oferecer, não deixa de apresentar uma' incessantee crescente
deformação. Qualquer um, desde que seja dotado do flexibilidade
física,de energiae de um conhecimento
superficial,
podese
improvisarem seismeses"professorde Yoga", e o Yoga de con-
sumo corrente que encontramosnada mais é do que uma
ginástica para manter a saúde.Não se trata de contestar os efei-
tos benéficos sobre o psiquismo de indivíduos que le.vam uma
vida sedentária, submetidos a tantas tensões nervosas e à ação
debilitante do. conforto moderno, porém de lastimar que ela seja DEFINIÇÃO
aras ada daqujio que é originariamente em sua totalidade o Yoga. 8
As páginas deste livro procuram recolocar o 'leitor dentm da
perspectiva indiana, e, arrancando-o às ambições limitadas do
A palavra Yoga vem da raiz sânscrita YUJ ", que significa
Yoga para manter-se em forma", alargar sua visão fazendo.-o
'atrelar, unir, juntar". Tradicionalmente existem duas interpre-
redescobrir o Yoga em sua amplitude, profundidade e múltiplas tações. Conforme a primeira, Yoga é "a união do ser individual
apucaçóes. '
(jõ .(2rnzan) ao Princípio supremo (Paramó/man)" í'. Conforme
a segunda, o Yo=a é a coordenação, a unificação dos diferentes
elementos do psiquismo humano, comparados a cavalos fogosos
que serão domadas e atrelados à mesma carroça.
Esseduplo sentidonão é acidental. O segundoé como o re-
flexo do primeiro sobre o plano manifestado,pois o perfeito do-
mínio do psiquismosó surge quando o indivíduo realizou a "jun-
ção" com o Eu universal. Mias na ordem cronológica, o segundo
deve preceder o primeiro, porque o homem não pode realizar
sua identidade com o Eu supremo enquanto não tiver dominado
seu ser mundano e harmonizado os diferentes níveis de sua per-
sonalidade. A união com o Eu incondicionado pressupõe o do-
mínio do Eu condicionado.O Yoga apont aao mesmotempo o
objetivo (a união) e o método (a unificação). Porém, na medida
em que se dirige não aos "perfeitos" (síddha), mas aos seres que
ainda não realizaram a sua razão do ser nesta vida, é portanto
como método que mais nos interessa conhecê-lo. Nesse sentido,
o Yoga ocupa-sedo homem tal como ele se apresenta em seu
modo do ser habitual: mutável, diverso, contraditório, incoeren-
te, disperso,
cegoe ]he propõeum ajustamentoprogressivo,
cul-
minandonum perfeito domínio de seu "veículo" psicofísico.Esse
ajustamento, essa integração colocam-no na posso de si mesmo
8 Empregamos essa palavra com maiúscula quando ela estiver situada e Ihe permitem conquistar um estado incomparavelmente supe-
dentro do contei:to indiano, pois o Yoga, aí figura, ao lado do Nyâya, do
Vaiçeshika,da hÍímâmsâ,
do Vedântae do Sámkhya,como um dos 9 Essaraiz se encontrano latim jugo/n,jungere,no inglêsrate, no
seis "pontos de vista" (darçana) válidos, um dos seis modos fundamentais }oug, joirtdre, jonctíon.
Francês
do conhecimentodentro da tradição bramânica. 10 Definição formulada pela primeira vez por Yâjnavalkya.

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