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04/10/2018 Legislação trabalhista e previdenciária: aspectos referentes à avaliação de riscos

Legislação trabalhista e previdenciária:


aspectos referentes à avaliação de
riscos
Atualmente, podemos dizer que as leis não acompanham as
mudanças sociais e de trabalho ocorridas no Brasil e no mundo, tanto pela
dinâmica dos acontecimentos como pela velocidade com que a evolução
tecnológica vem ocorrendo. Durante dois séculos, as leis trabalhistas estão
sendo aperfeiçoadas e modificadas, fazendo com que sejam consideradas
conquistas importantes dos trabalhadores.

A necessidade de reunir as normas trabalhistas em um único código


abriu espaço para unificação das leis trabalhistas em uma única matéria,
acarretando a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em
1943. Outro marco histórico importante é a criação da Portaria n° 3.214/78
que aprova as normas regulamentadoras do Capítulo V da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT).

O avanço das leis e a criação de


Portarias são importantes para a saúde e
segurança do trabalhador, pois em muitas
atividades ocupacionais existe exposição
a agentes físicos, químicos e biológicos
considerados perigosos a saúde. As
legislações trabalhistas, em suas
modificações, consideram estas
exposições do trabalhador e procuram

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ampará-lo caso sua saúde ou segurança


seja afetada pela atividade ocupacional.
Dentre as legislações e suas abordagens
referentes a saúde e segurança do
trabalhador apresentamos a Constituição
Federal, as Normas Regulamentadoras e
a Lei de Previdência Social.

Constituição federal
A Constituição Federal de 1988 refere-se ao tema saúde do
trabalhador através dos artigos 7° (direito dos trabalhadores urbanos e
rurais) e 200 (competências do Sistema Único de Saúde – SUS), aborda
também temas importantes como a redução dos riscos inerentes ao trabalho
por meio de normas de saúde, higiene e segurança, adicionais de
insalubridade e periculosidade, proteção em razão do processo de
automação, seguro contra acidentes de trabalho, proibição do trabalho
noturno ou insalubre para menores de 18 anos e atribuição de
competências do sistema único de saúde (SUS), como a execução de
ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como de saúde do
trabalhador.

Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)

A modificação do Capítulo V, Título II da Consolidação das Leis do


Trabalho (CLT), constitui responsabilidade ao Ministério do Trabalho e
Emprego através da implementação de disposições adicionais às normas
regulamentadoras, levando em conta as características de cada atividade e
setores de trabalho. Em 8 de junho de 1978 é aprovada a Portaria n° 3.214
que trata do detalhamento da aplicação dos artigos constantes na Lei n°
6.214/77.

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A CLT prevê a regulamentação da prevenção dos acidentes de


trabalho e constitui a base da legislação de segurança do trabalho e saúde
ocupacional no Brasil.

A Portaria 3.214 contempla as medidas relativas à segurança e


medicina do trabalho e, torna obrigatória sua adesão a todas as empresas
que contratem e empregados regidos pela CLT.

A responsabilidade pela elaboração das normas regulamentadoras


(atualmente 36) é de uma comissão tripartite, formada por representantes
do governo, empregadores e empregados. São elas:

NR1: disposições gerais (competências,


conceitos, obrigações, tutelas)
NR2: inspeção prévia
NR3: embargo ou interdição
NR4: serviços especializados em
engenharia de segurança e em medicina
do trabalho – SESMT
NR5: comissão interna de prevenção de
acidentes – CIPA
NR6: equipamento de proteção individual
– EPI
NR7: programa de controle médico de
saúde ocupacional – PCMSO

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NR8: edificações
NR9: programa de prevenção de riscos
ambientais – PPRA
NR10: instalações e serviços em
eletricidade
NR11: transporte, movimentação,
armazenagem e manuseio de materiais
NR12: máquinas e equipamentos
NR13: caldeiras e vasos de pressão
NR14: fornos
NR15: atividades e operações insalubres.
NR16: atividades e operações perigosas.
NR17: ergonomia
NR8: condições e meio ambiente de
trabalho na indústria da construção
NR19: explosivos
NR20: líquidos combustíveis e
inflamáveis
NR21: trabalho a céu aberto
NR22: segurança e saúde ocupacional na
mineração
NR23: proteção contra incêndios
NR24: condições sanitárias e de conforto
nos locais de trabalho
NR25: resíduos industriais
NR26: sinalização de Segurança
NR27: registro profissional do técnico de
segurança do trabalho no ministério do
trabalho
NR28: fiscalização e penalidades
NR29: segurança e saúde no trabalho
portuário
NR30: segurança e saúde no trabalho

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aquaviário
NR31: segurança e saúde no trabalho na
agricultura, pecuária, silvicultura,
exploração florestal e aquicultura
NR32: segurança e saúde no trabalho em
serviços de saúde
NR33: segurança e saúde nos trabalhos
em espaços confinados
NR34: condições e meio ambiente de
trabalho na indústria da construção e
reparação naval
NR35: trabalho em altura
NR36: segurança e saúde no trabalho em
empresas de abate e processamento de
carnes e derivados

As NR’s ou normas regulamentadoras, que fazem


referência aos riscos físicos, químicos e biológicos são da
NR9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e a
NR15 é a que comenta sobre as atividades e operações
insalubres.

A NR9 aplica diversos critérios de medidas através de itens como


antecipação, avaliação e controle de riscos, com o objetivo de garantia da
saúde e integridade do trabalhador, além de manutenção do meio ambiente
e seus recursos.

As informações que devem estar presentes no PPRA na fase de


antecipação e reconhecimento dos riscos são:

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Riscos identificados

Fontes de origem dos riscos

Trajetória dos riscos até a área de influência do trabalhador

Relatório de estatísticas, indicadores biológicos de exposição,


alterações fisiológicas nos trabalhadores relacionadas aos
agentes, efeitos detectados e possíveis reclamações existentes

Medidas de controle atualmente adotadas (se houver)

NR15: Atividades e operações insalubres

Os limites de tolerância bem como os requisitos técnicos necessários à


caracterização da insalubridade nas atividades ou operações são definidos
por essa norma.

Os parâmetros para pagamento do adicional de insalubridade também


fazem parte da NR15, incidindo sobre o salário mínimo regional conforme
descrição que segue:

Grau máximo: insalubridade: 40%

Grau médio: insalubridade: 20%

Grau mínimo: insalubridade: 10%

Atenção: De acordo com a NR15 em seu item 15.3,


quando ocorrer a incidência de mais de um fator de
insalubridade, iremos considerar o de mais elevado grau,
sendo proibido a acumulação de recebimento.

A CLT apresenta aspectos da NR 15 nos seguintes artigos:

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Art. 189 – São Consideradas atividades


ou operações insalubres aquelas que, por
sua natureza, condições ou métodos de
trabalho, exponham os trabalhadores a
agentes nocivos à saúde, acima dos
limites de tolerância fixados, em razão da
natureza e da intensidade do agente, o
tempo de exposição e seus efeitos.

Art. 190 – Compete ao Ministério do


Trabalho e Emprego (MTE) a aprovação
do quadro das atividades e operações
insalubres, adotando normas sobre
critérios de caracterização da
insalubridade, limites de tolerância aos
agentes agressivos, meios de proteção e
tempo máximo de exposição dos
empregados.

Art. 191 – A eliminação ou neutralização


da insalubridade ocorrerá quando:
I – Com a adoção de medidas que
mantenham o ambiente laboral dentro
dos limites de tolerância;
II – Com a utilização de equipamentos de
proteção individual (EPI) que minimizem
a intensidade do agente agressivo até os
limites de tolerância adequados.

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Lei 8.213/91 da finalidade e dos princípios básicos da previdência


social

Essa lei tem relação direta com a legislação de segurança do trabalho,


pois trata entre outros temas da assistência por parte da previdência social
aos trabalhadores vítimas de acidentes ou doenças ocupacionais.

Em seu Artigo 1°, podemos verificar a


responsabilidade do Estado em
assegurar aos beneficiários os meios
indispensáveis para manutenção por
motivo de incapacidade ou morte
daqueles de quem dependiam
financeiramente.

No Artigo 18, existem prestações de


benefícios em razão de acontecimentos
envolvendo acidentes de trabalho como a
aposentadoria por invalidez, auxílio-
doença, auxílio-acidente e reabilitação
profissional.

O acidente de trabalho pode ser definido como aquele que acontece


através da prática de atividade que causa lesão ou dano funcional, podendo
causar morte ou perda temporária ou permanente de sua capacidade de
trabalho.

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É muito importante que os profissionais da área de SST saibam


identificar entidades mórbidas que, segundo a Lei 8.213/91, possam ser
consideradas como acidentes de trabalho (Artigo 20):

Doença profissional: produzida ou desencadeada pelo exercício


do trabalho peculiar a determinada.

Doença do trabalho: adquirida ou desencadeada em função de


condições especiais em que o trabalho é realizado.

Não são consideradas doenças do trabalho as doenças


degenerativas, inerentes ao grupo etário, as que não
produzam incapacidade de trabalho e doenças endêmicas
adquiridas pelo trabalhador que habita a região em que ela se
desenvolva, a não ser através de comprovação de que é
resultado de exposição ou contato direto pela natureza do
trabalho.

O processo de avaliação

Essa etapa tem relação direta com a NR15 e tem como objetivo
proceder a avaliação dos agentes potencialmente agressivos utilizando
instrumentos e métodos adequados para determinar se o nível de exposição
dos trabalhadores encontra-se acima dos limites de tolerância estabelecidos
por lei.

Para isso, devemos utilizar os dois critérios técnicos de que são as


avaliações qualitativas e quantitativas.

Clique ou toque nos títulos para expandir o conteúdo.

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Avaliação qualitativa

É a inspeção ou avaliação do local de trabalho,no qual se observa as


características do ambiente, agentes ambientais presentes, funções e atividades
exercidas no local. É a fase de avaliação mais intuitiva, no qual podemos detectar
a presença de riscos, porém, ainda não é possível determinar os níveis de
exposição.

Avaliação quantitativa

Na avaliação quantitativa utilizamos equipamentos de medição com o objetivo de


quantificar os agentes ambientais presentes detectados na avaliação qualitativa.
Através do dimensionamento dos riscos é que poderemos estabelecer as medidas
de controle e parâmetros de permanência seguros aos trabalhadores.

Estimativa de risco
Critérios quantitativos

Podemos identificar critérios de insalubridade pela verificação da


concentração de limites de tolerância acima dos estabelecidos pela norma
através dos seguintes itens:

Anexos 1 e 2: ruído contínuo,


intermitente e impacto (grau médio)
Anexos 3: calor (grau médio)
Anexo 5: radiações ionizantes (grau
máximo), com base nos limites de
tolerância estabelecidos pela norma
Cnem-NN-3.01
Anexo 8: vibrações (localizadas ou de
corpo inteiro), com base nos limites de
tolerância das normas ISO 2631 e ISO
5349 (grau médio)

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Anexo 11: agentes químicos com limites


de tolerância estabelecidos conforme o
agente (graus mínimo, médio e máximo)
Anexo 12: poeiras minerais: sílica livre e
amianto (grau máximo)

Critérios qualitativos

A insalubridade é caracterizada por avaliação pericial da exposição ao


risco, via inspeção da situação de trabalho para os agentes listados nos
seguintes anexos:

Anexo 6: trabalho sob condições


hiperbáricas (grau máximo)
Anexo 7: radiações não-ionizantes (grau
médio)
Anexo 9: frio (grau médio)
Anexo 10: umidade excessiva (grau
médio)
Anexo 13: agentes químicos para os
quais não foram estabelecidos limites de
tolerância (graus mínimo, médio e
máximo)
Anexo 13-A: benzeno – Introduziu o
Valor de Referência Tecnológico (VRT)
descaracterizando o conceito de
insalubridade, determinando que não
existe exposição segura ao benzeno. O
benzeno é um produto inflamável
enquadrado no critério legal da

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periculosidade
Anexo 14: agentes biológicos de forma
genérica, relacionando apenas atividades
e não especificamente os agentes (grau
médio ou máximo)

O domínio dos aspectos legais das avaliações realizadas é de extrema


importância e servirá de apoio técnico e legal para constatação de
importantes fatores como a determinação de atividades insalubres ou
perigosas, indicações de modificações de processos, produtos ou até
mesmo o cancelamento de qualquer operação que constitua risco imediato
à saúde dos trabalhadores envolvidos.

Lembre-se, futuro profissional da área de Segurança e Saúde do


Trabalho, todos os conceitos e critérios básicos estudados até o momento
serão necessários em suas futuras atividades como técnico. Além disso, é
necessário o estudo e atualização constante de todo material disponível,
como as leis, portarias, decretos, cartilhas, normativas ou publicações
pertinentes.

Tenha acesso à legislação de interesse através


das seguintes fontes indicadas:

https://senac.blackboard.com/bbcswebdav/pid-3436889-dt-content-rid-61386776_1/institution/Senac%20RS/TST/UC02/conteudos/14_legislac… 12/13
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Portaria 3.214/78: site do Ministério do Trabalho e


Emprego <www.traablho.gov.br>, pesquise em
“central de conteúdos” e em seguida “legislação”.

CLT: site Planalto <www.planalto.gov.br>, pesquise


em “acervo”, depois “legislação”, busque em sua
pesquisa por CLT.

Constituição Federal: site Planalto


<www.planalto.gov.br>, pesquise em “acervo”,
depois clique diretamente em “Constituição
Federal”.

Princípios Previdência Social: site Planalto


<www.planalto.gov.br>, pesquise em “acervo”,
depois “legislação”, busque na pesquisa pela Lei
8.213/91.

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