Você está na página 1de 20

Oficina de Leitura e

Interpretação de Texto
Material Teórico
A Leitura no Contexto da Resolução de Questões Objetivas
de Múltipla Escolha: As Questões de Escolha Simples

Responsável pelo Conteúdo:


Profa. Dra. Sílvia Albert
Profa. Dra. Geovana Gentili Santos

Revisão Textual:
Prof. Ms. Luciano Vieira Francisco
A Leitura no Contexto da Resolução de
Questões Objetivas de Múltipla Escolha:
As Questões de Escolha Simples

• O que é Ler?
• Estratégias de Leitura de Enunciados
de Questões de Escolha Simples
• Para Aplicar o que Vimos Até Agora!

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Trabalhar a leitura como processo de atribuição de sentidos, em que
estão envolvidos aspectos sociocognitivos e interacionais – e não
apenas linguísticos;
· Desenvolver estratégias de leitura para questões objetivas de múltipla
escolha de prova, seguindo as competências e os parâmetros exigidos
nos diferentes contextos de exames;
· Praticar a autoavaliação dos estudantes quanto às suas competências
e habilidades necessárias ao desenvolvimento da proficiência leitora
por meio de atividades on-line.

Caro(a) aluno(a),

Nesta Unidade veremos o conceito de leitura em que está baseada a Oficina; as estratégias
de leitura para responder a questões objetivas de múltipla escolha, do tipo escolha simples, que
demandam interpretação direta de texto.

Além disso, praticaremos atividades on-line para que você possa se autoavaliar e desenvolver
a sua proficiência leitora, visando sempre seu aperfeiçoamento para obter bons resultados em
suas avaliações, sejam na Graduação, em concursos ou provas no modelo do Exame Nacional
de Desempenho dos Estudantes (Enade).

Vamos lá?!
UNIDADE A Leitura no Contexto da Resolução de Questões Objetivas
de Múltipla Escolha: As Questões de Escolha Simples

O que é Ler?
Para iniciar a nossa conversa, é preciso responder à pergunta: o que é ler? E
o faremos pela perspectiva dos estudos atuais da Linguística textual, baseados na
sociocognição e na interação.

Nessa perspectiva, então, ler não é simplesmente decodificar letras, é


compreender o mundo que nos cerca, é tomar contato com o pensamento
do outro para criar o próprio pensamento. Assim, não podemos ficar passivos
diante de um texto; devemos ser críticos, concordando ou discordando, criando
novas ideias a partir da leitura. Nesse sentido, ler não é compreender o que o
texto diz, mas atribuir sentidos ao qual.

Ler é a chave do conhecimento; tanto a leitura de um texto quanto a da


realidade mais ampla, a do mundo. Para Freire (1985, p. 22) “[...] a leitura do
mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade
da leitura daquela [...]”.

Essa citação nos remete à importância de nossos conhecimentos prévios e das


experiências vividas para a construção dos sentidos dos textos que lemos e reforça
a ideia de que a compreensão ocorre apenas quando estabelecemos relações entre
as informações do texto e os conhecimentos que já possuímos.

Na universidade, a leitura assume funções extremamente importantes para


o nosso desenvolvimento tanto acadêmico quanto profissional – em ambas as
esferas, ler não é uma ação gratuita. Assim, a leitura deve sempre ser orientada
por objetivos precisos: informar-se, selecionar e coletar informações, condensar e
reformular tais informações, produzir conhecimentos, enfim.

Em síntese, na universidade, ler significa se apropriar de informação, relacioná-


la aos próprios conhecimentos para produzir um novo saber. Dessa perspectiva, ler
não significa descobrir algo desconhecido, mas, ao contrário, partir de experiências
e conhecimentos para construir hipóteses a respeito do que se lê e, durante a leitura,
confirmá-las ou descartá-las. Ler é atribuir sentidos ao que tomamos contato.

A diferença entre um leitor proficiente, isto é, competente, que possui bom


aproveitamento sobre o que lê, e um leitor inexperiente, não reside apenas no
processo de estabelecer sentidos a partir do texto, mas na maneira como cada um
dos quais dinamiza esse processo, tanto desenvolvendo estratégias – de seleção,
de predição e de inferência –, como utilizando os conhecimentos já adquiridos, ou
seja, os saberes prévios para compreender o que se lê.

Aprender a ler com eficiência implica, pois, o desenvolvimento de estratégias e


a utilização de conhecimentos prévios. O sentido é criado a partir do texto, entre-
tanto, conseguir atribuir sentidos ao texto depende do que o sujeito-leitor armazena
na memória e da maneira como ativa sua memória no momento da leitura.

6
A memória tem grande capacidade de armazenamento. Ou seja, tudo o que
aprendemos e vivemos fica “guardado”. Quando nos deparamos com situações
novas, ou com um texto inédito, nossa memória é ativada, fornecendo os dados
armazenados que podem ter relação com a informação nova e estabelecendo
as relações necessárias para, a partir da informação oferecida pelo texto e os
conhecimentos ativados pela memória, tornarmo-nos capazes de construir sentidos
na leitura de tal texto. Por isso, dizemos que nossa memória “trabalha”, pois
efetivamente nos ajuda a ler e a compreender.
Além disso, quanto mais atento o leitor estiver ao trabalho de sua mente durante
a leitura, quanto mais procurar conscientemente os conhecimentos necessários
para a construção dos sentidos, mais produtiva a experiência será. Essa atitude
diligente é essencial na leitura de textos acadêmicos, por exemplo.
Tudo isso ocorre porque a característica mais importante do processo da leitura
é a atribuição de sentidos ao texto. O sentido é construído e reconstruído durante
a leitura e releitura; a cada informação nova com que nos deparamos, a memória
ativa outros conhecimentos e estabelecemos inéditas relações e sentidos. Durante e
após a leitura, o leitor continuamente reavalia e reconstrói o sentido à medida que
obtém novas percepções.
Você já havia pensado a leitura nessa perspectiva? Como pudemos constatar,
a leitura é um processo dinâmico e muito ativo, que exige a postura interativa do
leitor que anseia por se tornar proficiente, ou seja, competente na transformação
da informação em conhecimento.
A compreensão de um texto somente é possível se o leitor já possuir previamente
algum conhecimento do qual possa partir para processar as informações ali
contidas. Ou seja, apenas se compreende o que não se conhece se baseando no
já conhecido. Não é interessante pensar que há sempre um aproveitamento de
nossas leituras anteriores para a que fazemos no presente?
Nossas leituras dependem, portanto, e em grande parte, dos conhecimentos
que já possuímos, ou seja, de nossos saberes prévios. As que precedem a leitura
em questão, os conhecimentos adquiridos de maneira formal, ou não, são fatores
que possibilitam uma boa interpretação e compreensão do texto e a atribuição
de sentidos ao que se lê. Um médico, por exemplo, tem mais facilidade em ler e
compreender os efeitos colaterais explicitados em uma bula de remédio do que um
leigo, pois estudou sobre o assunto e o conhece.
Ademais, o sentido de um texto não é construído somente por meio de elementos
explícitos; a compreensão constitui um processo que requer cálculo mental. As
inferências constituem um exemplo prototípico de cálculo mental, pois são o
processo pelo qual o leitor adquire informação, partindo de informações textuais
explicitamente apresentadas e levando em conta o contexto.
Podemos definir inferência como um processo que permite gerar novos sentidos
ou informações a partir do estabelecimento de relações entre as informações que
estão explícitas no texto e os nossos conhecimentos.

7
7
UNIDADE A Leitura no Contexto da Resolução de Questões Objetivas
de Múltipla Escolha: As Questões de Escolha Simples

O conceito de conhecimento prévio engloba, ainda, saberes de diversas ordens:


sobre a língua e seu funcionamento, acerca dos textos e suas estruturas, sobre
o mundo em geral, a especificidade da situação de comunicação, além daqueles
adquiridos por meio das experiências pessoais do leitor.

Podemos identificar, pelo menos, três grandes conjuntos de conhecimentos pré-


vios: linguístico, textual e de mundo. Obviamente, esses três grandes conjuntos de
saberes articulam-se e a ativação de todos permite ao leitor transformar uma estru-
tura isolada e fragmentada na memória em uma entidade mais completa e coerente.

O conhecimento linguístico representa a competência do falante em relação


à gramática de sua língua materna que, por sua vez, permite ao leitor perceber a
maneira pela qual o texto foi tecido: sua ligação interna, textualidade, unidade. É
um tipo de conhecimento no qual o indivíduo lança mão, por exemplo, quando se
depara com uma situação de ambiguidade. Além disso, permite-nos reconhecer
quando alguém fala um idioma que não é a língua portuguesa. Ao ler uma frase
como: “Questa bambina non é mai tornata a casa!”, sabemos que não está
escrita em português, mesmo tendo reconhecido a palavra casa.

O conhecimento textual é construído pela convivência com textos diferentes


em situações distintas. Kleiman (1997) ressalta que “[...] quanto mais conhecimento
textual o leitor tiver, quanto maior a sua exposição a todo tipo de texto, mais fácil
será a sua compreensão”. E o conhecimento de diferentes gêneros também é
essencial, pois é o que nos permite reconhecer um conjunto de enunciados como
um conto – e não como uma receita, por exemplo.

Esse saber permite ainda ao leitor direcionar suas expectativas frente aos textos,
tornando possível que, diante de um texto predominantemente narrativo, espere
encontrar personagens, conflito, ação, temporalidade; enquanto que diante de um
texto predominantemente argumentativo, procure encontrar a defesa de uma tese.

O conhecimento de mundo corresponde ao conjunto de saberes que


o leitor adquiriu em seu processo de aprendizado formal e informal, incluindo
suas experiências pessoais. É fato, por exemplo, que indivíduos de uma mesma
cultura compartilham conhecimentos que foram adquiridos, na maioria das vezes,
informalmente.

O que torna o conhecimento de mundo decisivo para o estabelecimento de


sentido de um texto é a necessidade de haver correspondência entre os saberes
ativados a partir do texto e de mundo, estes armazenados pelo leitor em sua
memória. Se essa correspondência não se efetiva, não se atribui sentidos ao texto,
pois não se estabelecem relações entre os elementos do texto e os de mundo.

8
Aliás, haverá mais dificuldade, por parte do leitor, de estabelecer tanto as
relações entre as informações do próprio texto, quanto à sua ampliação. Esse
conhecimento permite que o leitor possa completar, com segurança, as lacunas
de um texto e de fazer as relações necessárias entre o que leu nos textos e o que
se pede em um enunciado de questão objetiva de múltipla escolha, por exemplo.

Daí, portanto, a importância de se manter atualizado(a) em relação a temas


gerais, de formação geral – que mesclam diferentes áreas do conhecimento (inter-
disciplinaridade).

Vale destacar que nas avaliações em que são propostas questões de conhecimentos
gerais não se está avaliando o quanto o aluno conhece do tema ou conceito
de outras áreas, mas como consegue lidar ou circular em diferentes ramos do
conhecimento. Diz respeito às formações interdisciplinar e cidadã do profissional
que atuará em sua área de conhecimento na sociedade em que está inserido. É fato
que a principal competência que se quer aferir do estudante em avaliações dessa
natureza é a proficiência leitora.

No entanto, como vimos, os conhecimentos prévios são importantes para o


desenvolvimento da competência leitora; por isso, procure manter-se informado(a)
sobre os diferentes temas que circulam na sociedade. Atualmente, a tecnologia
aliada às mídias digitais, às redes sociais e à portabilidade oferecem inúmeras
possibilidades de acesso às informações em jornais e revistas on-line, em sites
especializados, blogs e aplicativos como Facebook, Instagram, WhatsApp etc.

Faz parte de sua formação acadêmica estar atualizado(a) em relação ao que


acontece no Brasil e no mundo, mantendo-se informado(a) sobre as principais
questões que interessam ou atingem a sociedade e o meio em que se vive. As ques-
tões nas avaliações envolvem temas do âmbito social, político, atualidades, artes e
Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC).

Como vimos, a leitura é um processo dinâmico e colaborativo que exige do


leitor participação ativa, ou seja, que acesse na memória seus conhecimentos
prévios, suas experiências, crenças e julgamentos. Além disso, é preciso abordar
o texto de maneira estratégica, sobretudo quando se trata de lê-lo com o objetivo
de atender ao enunciado de uma questão objetiva de múltipla escolha, como é o
caso desta Oficina.

Por isso, a seguir você conhecerá algumas estratégias importantes que podem
auxiliá-lo(a) no momento de ler os textos de referência e os relacionar à demanda
do enunciado de uma questão objetiva de múltipla escolha.

Vamos lá?!

9
9
UNIDADE A Leitura no Contexto da Resolução de Questões Objetivas
de Múltipla Escolha: As Questões de Escolha Simples

Estratégias de Leitura de Enunciados


de Questões de Escolha Simples
Como exposto no tópico anterior, a leitura extrapola a simples decodificação de
signos linguísticos e se caracteriza por ser uma ação em que o leitor atua diretamente
sobre o texto, atribuindo-lhe sentidos com base em seus conhecimentos linguísticos,
textuais e de mundo. Por isso, quanto maior a bagagem de conhecimento desse
leitor e de sua familiaridade com os diferentes gêneros textuais, maiores serão as
suas chances de êxito na leitura.

Considerando o contexto de leitura proposto nesta Oficina – o de provas de


Graduação, de concursos e no modelo Enade –, em que o tempo é limitado e exige
uma administração eficaz para que não se converta em um fator contraproducente;
ao se deparar com uma questão objetiva de múltipla escolha que conta com um
fragmento de notícia ou artigo como apoio, algumas estratégias podem ser adotadas
a fim de otimizar a resolução da questão.

Tendo em conta que, nesta Unidade da Oficina, analisamos questões objetivas


de escolha simples, é relevante assimilar a estrutura desse tipo de pergunta. Note
que são compostas essencialmente por:
• Situação-problema/texto-base/contextualização: trata-se da situação-pro-
blema que se converte na motivação da questão. Normalmente, essa motiva-
ção tem como base textos, figuras, tabelas, gráficos etc.
• Enunciado: é a instrução clara e objetiva da tarefa a ser realizada pelo estudante.
Aqui se define o nível de habilidade cognitiva requerida e que será avaliada.
Pode ser uma pergunta, ou uma frase a ser completada ou respondida pelas
alternativas.
• Alternativas: são as possibilidades de respostas: o gabarito – alternativa cor-
reta – e os distratores – alternativas incorretas.
• Gabarito: a única alternativa correta.
• Distratores: são as alternativas incorretas. Devem ser redigidas com aparên-
cia de resposta correta, mas sendo inquestionavelmente incorretas. Devem
ainda parecer corretas para aqueles que não adquiriram a habilidade exigida.

Veja cada uma das partes mencionadas no exemplo abaixo:

10
Modelo Enade, 2010, questão 1 – formação geral:
Morte e Vida Severina

[trecho]
Aí ficarás para sempre,
livre do sol e da chuva,
criando tuas saúvas.
— Agora trabalharás
só para ti, não a meias,
como antes em terra alheia.
— Trabalharás uma terra
da qual, além de senhor,
serás homem de eito e trator.
— Trabalhando nessa terra,
tu sozinho tudo empreitas:
serás semente, adubo, colheita.
— Trabalharás numa terra
que também te abriga e te veste:
embora com o brim do Nordeste.
— Será de terra Situação-
tua derradeira camisa: problema
te veste, como nunca em vida.
— Será de terra
e tua melhor camisa:
te veste e ninguém cobiça.
— Terás de terra
completo agora o teu fato:
e pela primeira vez, sapato.
— Como és homem,
A terra te dará chapéu:
fosses mulher, xale ou véu.
— Tua roupa melhor
Será de terra e não de fazenda:
não se rasga nem se remenda.
— Tua roupa melhor
E te ficará bem cingida:
como roupa feita à medida (fonte: MELO NETO,
Painéis da série Retirantes,
João Cabral de. Morte e Vida Severina. de Cândido Portinari
Rio de Janeiro: Objetiva, 2008). Fonte: Wikimedia Commons

11
11
UNIDADE A Leitura no Contexto da Resolução de Questões Objetivas
de Múltipla Escolha: As Questões de Escolha Simples

Analisando o painel de Portinari apresentado e o trecho destacado


Enunciado
de Morte e Vida Severina, conclui-se que

a) ambos revelam o trabalho dos homens na terra, com des-


taque para os produtos que nela podem ser cultivados.
[DISTRATOR]
b) ambos mostram as possibilidades de desenvolvimento do
homem que trabalha a terra, com destaque para um dos
personagens. [DISTRATOR]
c) ambos mostram, figurativamente, o destino do sujeito su-
cumbido pela seca, com a diferença de que a cena de Por- Alternativas
tinari destaca o sofrimento dos que ficam. [GABARITO]
d) o poema revela a esperança, por meio de versos livres,
assim como a cena de Portinari traz uma perspectiva prós-
pera de futuro, por meio do gesto. [DISTRATOR]
e) o poema mostra um cenário próspero com elementos da
natureza, como sol, chuva, insetos e, por isso, mantém uma
relação de oposição com a cena de Portinari. [DISTRATOR]

Conscientes dessas partes e estruturas, podemos proceder com algumas estraté-


gias para obtermos êxito na resolução da questão. Vamos lá!

Primeiramente, realize uma pré-leitura do texto – aquela “olhada” geral ou


“passada de olho” – a fim de acionar os seus conhecimentos prévios – linguístico,
textual e de mundo. Nesta etapa:
1. Reconheça a temática;
2. Identifique o gênero textual em questão;
3. Observe a fonte de onde o texto foi extraído, pois tal informação pode
auxiliar na descoberta da intenção do autor – lembre-se: não há neutralidade
no discurso, todo texto carrega uma ideologia;
4. Leia o comando do enunciado, sublinhando o que se pede;
5. Leia o início das alternativas.

Após esse primeiro e rápido contato com a questão, realize a leitura atenta
do texto, destacando as palavras ou fragmentos essenciais. Nesta etapa, é
importante que você sublinhe ou circule os termos-chave do texto no seu caderno
de questões, com o objetivo de demarcar visualmente as informações que são
relevantes de se deter ou fixar.

Com as partes principais do texto já destacadas, retome o comando da questão


e reveja as alternativas, localizando aquelas que divergem do que se afirma no
texto. Para que você não se confunda ou fique relendo alternativas já consideradas
como distratores, é válido riscá-las; pois, assim, ficarão visualmente descartadas.

12
Normalmente, ao final desta etapa eliminatória, restarão duas alternativas como
possíveis respostas corretas ao comando solicitado no enunciado. Trata-se de um
momento em que se deve estar muito atento(a), haja vista uma dessas ser uma
falácia, pois certamente apresenta uma informação parcialmente correta em
relação ao que se afirma no texto. Assim, a seguinte etapa final é crucial:

Releia, então, as duas alternativas restantes e procure identificar qual


possui maior relação com os termos-chave destacados no texto. Lembre-se:
uma das alternativas não possui uma informação totalmente coerente com o que
foi dito no texto, por esta razão, atente-se. Se necessário, circule os elementos
identificados na alternativa que se divergem das palavras destacadas – assim ficará
mais seguro chegar ao gabarito.

Cabe mencionar ainda que, ao longo da leitura do texto, podemos nos deparar
com palavras ou termos desconhecidos. Como, no ato da prova, não dispomos de
qualquer recurso de consulta, uma técnica recomendada é a de extrair do próprio
texto o sentido dessa palavra.

O cumprimento dessas estratégias de leitura produz maior segurança na escolha


da alternativa que atende completamente ao comando do enunciado. Valendo-se
dessas etapas, abandonamos o plano do “achismo” e nos instrumentalizamos para
solucionar a questão de modo consciente e seguro.

Para Aplicar o que Vimos Até Agora!


Analisemos, então, uma questão do tipo escolha simples, que demanda trabalho
apenas com a linguagem verbal e verificação da intencionalidade do texto, ou seja,
do objetivo deste texto ao tratar de um dado tema.

Leia a questão, a seguir, e depois acompanhe a análise realizada para que pos-
samos chegar à resposta correta:
Isótopos radioativos estão ajudando a diagnosticar as causas da poluição
atmosférica. Podemos, com essa tecnologia, por exemplo, analisar o ar
de uma região e determinar se um poluente vem da queima do petróleo
ou da vegetação.
Outra utilização dos isótopos radioativos que pode, no futuro, diminuir a
área de desmatamento para uso da agricultura é a irradiação nos alimentos.
A técnica consiste em irradiar com isótopos radioativos para combater os
microrganismos que causam o apodrecimento dos vegetais e aumentar
a longevidade dos alimentos, diminuindo o desperdício. A irradiação de
produtos alimentícios já é uma realidade, pois grandes indústrias que
vendem frutas ou suco utilizam essa técnica.
Na área médica, as soluções nucleares estão em ferramentas de diagnóstico,
como a tomografia e a ressonância magnética, que conseguem apontar,
sem intervenção cirúrgica, mudanças metabólicas em áreas do corpo. Os
exames conseguem, inclusive, detectar tumores que ainda não causam

13
13
UNIDADE A Leitura no Contexto da Resolução de Questões Objetivas
de Múltipla Escolha: As Questões de Escolha Simples

sintomas, possibilitando um tratamento precoce do câncer e maior


possibilidade de cura (fonte: adaptado de Correio Popular de Campinas,
p. b9, 22 ago. 2010).
A notícia acima
a) comenta os malefícios do uso de isótopos radioativos, relacionando-os
às causas da poluição atmosférica.
b) elenca possibilidades de uso de isótopos radioativos, evidenciando, as-
sim, benefícios do avanço tecnológico.
c) destaca os perigos da radiação para a saúde, alertando sobre os cuida-
dos que devem ter a medicina e a agroindústria.
d) propõe soluções nucleares como ferramentas de diagnóstico em do-
enças de animais, alertando para os malefícios que podem causar ao
ser humano.
e) explica cientificamente as várias técnicas de tratamento em que se uti-
lizam isótopos radioativos para matar os microrganismos que causam
o apodrecimento dos vegetais.

Esta é a questão que devemos responder. Para isso, faremos uma pequena
análise, utilizando algumas estratégias em diferentes etapas – as quais chamamos
de “passos”, a saber:

1º passo:

Em uma primeira leitura, precisamos nos atentar ao gênero do texto, selecionar


o tema tratado e a especificidade da demanda do enunciado da questão:
• Gênero: notícia de jornal (portanto, um texto do tipo informativo, expositivo
descritivo; em geral, não argumentativo);
• Tema: isótopos radioativos.

Especificidade da demanda do enunciado, que apenas conseguimos determinar


se lermos a comanda “Essa notícia” e o início de cada alternativa:
• Comanda: “Essa notícia”;
• Início de cada alternativa: comenta?; elenca?; destaca?, propõe soluções?;
ou explica cientificamente o tema isótopos radioativos?

É isso que precisamos descobrir para selecionar a alternativa correta. Essa no-
tícia: Comenta? Elenca? Destaca? Propõe soluções? Ou explica cientificamente o
tema isótopos radioativos?

Já sabemos o que procuramos... Então, vamos lá!

2º passo:

É necessária uma segunda leitura, então, para verificar na notícia o objetivo ao


se tratar do tema isótopos radioativos.

14
Para auxiliar essa verificação, devemos destacar, em cada parágrafo, as pa-
lavras-chave que explicitam o tema e os objetivos de se discorrer sobre o qual.
Sublinhe no texto do seu caderno de questões essas partes que são fundamentais,
dado que esse destaque visual auxilia o seu cérebro a focar nos pontos essenciais
do texto. Assim, observe os destaques que fizemos:
Isótopos radioativos estão ajudando a diagnosticar as causas da poluição
atmosférica. Podemos, com essa tecnologia, por exemplo, analisar o ar
de uma região e determinar se um poluente vem da queima do petróleo
ou da vegetação.

Outra utilização dos isótopos radioativos que pode, no futuro, diminuir a


área de desmatamento para uso da agricultura é a irradiação nos alimentos.

A técnica consiste em irradiar com isótopos radioativos para combater os


microrganismos que causam o apodrecimento dos vegetais e aumentar
a longevidade dos alimentos, diminuindo o desperdício. A irradiação de
produtos alimentícios já é uma realidade, pois grandes indústrias que ven-
dem frutas ou suco utilizam essa técnica.

Na área médica, as soluções nucleares estão em ferramentas de diagnósti-


co, como a tomografia e a ressonância magnética, que conseguem apon-
tar, sem intervenção cirúrgica, mudanças metabólicas em áreas do corpo.
Os exames conseguem, inclusive, detectar tumores que ainda não causam
sintomas, possibilitando um tratamento precoce do câncer e maior pos-
sibilidade de cura.
Fonte: adaptado de Correio Popular de Campinas, p. b9, 22 ago. 2010.

3º passo:

Confrontar as palavras-chave com as alternativas propostas. Para isso, deve-


mos ler cada alternativa e buscar nestas algum elemento que se contraponha ou
que afirme algo que não está nas palavras-chave que destacamos. Selecionamos,
pois, as seguintes alternativas que se contrapõem ou que afirmam algo que não
está no texto:
a) comenta os malefícios do uso de isótopos radioativos, relacionando-os
às causas da poluição atmosférica.

c) destaca os perigos da radiação para a saúde, alertando sobre os cuida-


dos que devem ter a medicina e a agroindústria.

d) propõe soluções nucleares como ferramentas de diagnóstico em


doenças de animais, alertando para os malefícios que podem causar
ao ser humano.

Veja que as palavras e expressões que destacamos se contrapõem ou não


expressam o que foi dito no texto. Em nenhum momento são mencionados os
supostos malefícios dos isótopos radioativos ou dos perigos da radiação; pelo
contrário, destacam-se, na notícia, seus benefícios. Embora a palavra benefício não
seja empregada diretamente no texto em questão, temos os seguintes resultados
do uso dos isótopos radioativos: “[...] ajudar a diagnosticar as causas da poluição

15
15
UNIDADE A Leitura no Contexto da Resolução de Questões Objetivas
de Múltipla Escolha: As Questões de Escolha Simples

atmosférica [...] aumentar a longevidade dos alimentos [...] possibilitar tratamento


precoce do câncer e sua cura [...]”.

Com esse terceiro passo, já eliminamos três alternativas, não é mesmo? Então,
vamos em frente para decidir entre as duas que restaram!

4º passo:

Nesta etapa, analisaremos as alternativas restantes em relação às palavras-


chave que destacamos e selecionaremos aquela que mais se aproxima do que foi
destacado no texto. Releia a comanda e as alternativas que restaram:
[Comanda:] A notícia acima

a) 
elenca possibilidades de uso de isótopos radioativos, evidenciando,
assim, benefícios do avanço tecnológico.

e) explica cientificamente as várias técnicas de tratamento em que se


utilizam isótopos radioativos para matar os microrganismos que
causam o apodrecimento dos vegetais.

A favor da escolha da alternativa B, como correta, temos o fato de que o texto


afirma, no segundo parágrafo – “Outra utilização dos isótopos radioativos [...]”.
Portanto, podemos concluir que um dos objetivos do texto é mostrar as possibili-
dades de uso dos isótopos radioativos. Além disso, podemos verificar que, a cada
explicação dos diferentes usos dos isótopos radioativos, há sempre uma exposição
de seus benefícios. Veja:
• “[...] ajudando a diagnosticar as causas da poluição atmosférica [...]”;
• “[...] aumentar a longevidade dos alimentos, diminuindo o desperdício [...]”;
• “[...] possibilitando um tratamento precoce do câncer e maior possibilidade
de cura [...]”.

Em relação à alternativa E, podemos perceber que o texto não “explica


cientificamente as várias técnicas de tratamento em que se usam os isótopos
radioativos para matar os microrganismos que causam o apodrecimento dos
vegetais”, até porque se trata de uma notícia de jornal que se dirige, principalmente,
a leitores leigos no assunto, de modo que não caberia uma explicação científica
aprofundada; além disso – e o mais importante –, é que essa alternativa traz apenas
um dos usos dos isótopos radioativos e o texto aborda outros, não é mesmo?

Este é o tipo de alternativa a que devemos estar atentos para não a selecionar
como correta, uma vez que realmente apresenta uma informação que está expressa
no texto; no entanto, restringe o texto à sua informação, ou seja, a apenas um dos
usos dos isótopos radioativos – no caso, matar os microrganismos que causam o
apodrecimento dos vegetais. Tendo em vista tais observações, a alternativa E não
responde à demanda do enunciado, o qual solicita a abordagem da notícia como
um todo. Esse tipo de alternativa, que apresenta parcialmente o que se pede no
enunciado – ou comanda –, é frequente, por isso, olho vivo!

16
Após seguirmos esses quatro passos, podemos, então, escolher com se-
gurança a alternativa B como a correta, pois a notícia, de fato, “elenca possibi-
lidades de uso de isótopos radioativos, evidenciando, assim, benefícios do avanço
tecnológico”, sendo esta, portanto, a intencionalidade da notícia, ou seja, seu prin-
cipal objetivo.

Vale destacar que quanto mais seguirmos esses passos de forma consciente,
maior será a chance de não cairmos na escolha de uma alternativa que se aproxima
do que se pede, mas que não atende, de maneira completa e correta, à demanda
específica do enunciado da questão.

Ademais, ao realizarmos a leitura para responder a questões objetivas de múltipla


escolha, utilizando sempre estratégias para atender à demanda específica de cada
enunciado, vamos, aos poucos, internalizando esses passos de forma a desenvolver
e a aperfeiçoar as competências e habilidades exigidas para as avaliações que
se utilizam de questões como essas. Afinal, a ideia é aprimorarmos essa escrita
acadêmica e profissional, não é mesmo?

Assista à Videoaula e acompanhe a leitura de outras questões do tipo de escolha


simples! E para que você possa se autoavaliar e perceber, durante a Oficina, seu
desenvolvimento na leitura de enunciados de questões objetivas de múltipla escolha,
não deixe de fazer a Atividade de sistematização desta Unidade!

Participe e se empenhe!

Bom trabalho!

17
17