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Técnica Operatória e

Cirurgia Experimental

Banco de Questões

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Fabiano Teixeira – MedUERJ 2020
Sumário
Introdução à Técnica Operatória .................................................................................................. 3
Ato Operatório I – Diérese ............................................................................................................ 5
Ato Operatório II – Hemostasia..................................................................................................... 6
Ato Operatório III – Síntese ........................................................................................................... 6
Anastomoses e Estomas no Sistema Digestório ........................................................................... 7
Ética na Experimentação Animal................................................................................................... 8
Acesso Venoso Central .................................................................................................................. 9
Suturas e Anastomoses Vasculares ............................................................................................... 9
Preparação do Paciente Para Cirurgia......................................................................................... 10
Grampeadores............................................................................................................................. 11
Princípios Básicos de Anestesiologia ........................................................................................... 11
Videolaparoscopia ....................................................................................................................... 13
Intubação Traqueal ..................................................................................................................... 13
Suturas Estéticas na Pele............................................................................................................. 14
Traqueostomia e Intubação Orotraqueal ................................................................................... 15
Outros Temas .............................................................................................................................. 15

Considerações: esse material foi feito com base no resumo da Carol Couto (MedUERJ
2015)

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Introdução à Técnica Operatória
1- Diferencie assepsia de antissepsia.
R: Assepsia: é a ausência de matérias sépticas em determinado ambiente.
Antissepsia: é o conjunto de procedimentos e práticas destinadas a atingir a assepsia,
em especial, com o uso de agentes químicos.
PS.: O campo cirúrgico e as luvas são estéreis. Gorro, máscara, pijama e sapatilhas não
são estéreis.
2- Cite 6 fatores que favorecem infecção em cirurgia.
R: Alcoolismo, tabagismo, obesidade, idade, malignidade e uso de esteroides.
3- Como podemos prevenir infecções?
R: No pré-operatório: tricotomia, banho, profilaxia antimicrobiana, retirada de adornos
e esterilização do material cirúrgico.
No per-operatório: preparação do ambiente, vestimentas esterilizadas, uso de luvas e
máscara.
No pós-operatório: proteger incisão e limpar com solução estéril.
4- Quais os diferentes tipos de ferida?
R: Limpa: decorrente de operações eletivas, com fechamento por 1ª intenção, não
traumáticas, sem contato com cavidades corporais colonizadas por microrganismos
(Ex.: tireoidectomias).
Potencialmente contaminada (ou limpa contaminada): não traumática, decorrente de
penetração de cavidade corporal habitual ou frequentemente colonizada por
microrganismos (Ex.: Gastrectomia).
Contaminada: traumática, com extensa contaminação da cavidade corporal (Ex.:
colectomia).
Infectada ou suja: manipulação de afecções supurativas, com abcessos, advinda de
perfuração pré-operatória da cavidade corporal colonizada por microrganismos ou
decorrente de ferida traumática penetrante (Ex.: perfuração de cólon).
5- Defina estratégia e tática cirúrgica.
R: Antes de iniciado o ato cirúrgico, deve-se planejá-lo inteiramente, em cada detalhe
de todos os aspectos pré-, per- e pós-operatórios, com o intuito de prevenir qualquer
complicação. A esse planejamento, denomina-se estratégia cirúrgica, e a sua execução
constitui a tática cirúrgica.
6- A aplicação de produtos químicos ao local a ser operado, visando a redução de
microrganismos que podem causar infecção pós-operatória, implica em dizer que foi
realizado:
R: Antissepsia
7- Antibioticoprofilaxia - critérios, indicações e exemplos.
R: A Antibioticoprofilaxia não substitui os requisitos absolutos da precisa técnica
cirúrgica. Os benefícios de sua administração devem ser maiores que os riscos
oferecidos. Deve-se adotar um antibiótico de acordo com a microbiota responsável
pela provável infecção do campo cirúrgico (por exemplo, se for uma cirurgia urológica,
levar em considerações microrganismos que habitam o trato urinário). Um esquema

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de eficácia comprovada não deve ser substituído por outro que não tenha eficácia
comprovada e nem deve ser adicionado antibióticos a esse esquema eficaz. Deve ser
empregada a dose recomendada do antibiótico escolhido e caso a operação seja
prolongada, o mesmo pode ser administrado novamente de acordo com a meia vida
do medicamento. Antibióticos profiláticos não devem ser administrados no pós-
operatório a não ser que existam outras condições que o determinem.
Caso durante uma operação seja encontrado algum foco infeccioso o antibiótico
profilático deverá ser continuado no pós-operatório. Após algum tempo do uso do
medicamento profilático, podem surgir microrganismos resistentes.
Indicações: procedimentos considerados potencialmente contaminados (orofaríngeo,
gastrointestinal, ginecológico), cirurgias para colocação de próteses e enxertos, lesões
penetrantes em vísceras abdominais ocas e pacientes com comprometimento do
sistema imune, dentre outras indicações.
Exemplos: uso de cefoxitina em operações sobre o trato digestório baixo e
clindamicina em operações ginecológicas extensas, como ressecção de um tumor.
8- Diferencie clorexidina de álcool.
R: Clorexidina: apresenta largo espectro contra bactérias gram-positivas, gram-
negativas, fungos e vírus, mas tem pouca ação contra micobactérias. Suas principais
características são: atua mesmo na presença de sangue ou exsudatos, apresenta
atividade por até seis a oito horas, pode ser inativada, tem baixa toxicidade e
irritabilidade, dispõe de efeito cumulativo além de constituir alternativa para pacientes
com irritação a iodo.
Álcool: possui ação contra os principais fungos e vírus. É um dos mais seguros e
efetivos antissépticos, reduzindo rapidamente a contagem microbiana na pele. Tem
como desvantagens ser inflamável, possuir ausência de efeito residual e ter pequena
inativação por matéria orgânica.
9- No intuito de se evitarem complicações infecciosas, qual o melhor momento para
a realização da tricotomia?
R: A tricotomia deve ser realizada imediatamente antes da cirurgia, já na sala cirúrgica.
10- Que fatores podem predispor a ocorrência de corpos estranhos iatrogênicos pós-
operatório? Que aspecto radiológico pode mostrar se for um compressoma?
R: Procedimentos em caráter de emergência, pacientes com índice de massa corporal
elevado, procedimentos muito longos, presença de mais de uma equipe cirúrgica,
intercorrências em operações eletivas, troca de membros da equipe durante o ato
operatório, etc.
Aspecto em miolo de pão, devido as bolhas de ar.
11- Classifique os atos cirúrgicos quanto a necessidade de sua realização.
R: Operação em caráter de emergência: é aquela que deve ser realizada tão logo se
determine a indicação cirúrgica, por se tratar de um problema que ameace a vida do
paciente. Ex.: Intervenções decorrentes da ruptura traumática de vísceras maciças,
como fígado e baço.
Operação em caráter de urgência: é aquela que deve ser realizada nas próximas horas
ou dias após a indicação cirúrgica. A não realização do procedimento em caráter de

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urgência poderá propiciar a piora do quadro clínico do paciente a ponto de passar a
representar risco iminente de vida, o que mudaria o caráter da intervenção cirúrgica,
de urgência para emergência.
Operação eletiva: constitui o tipo de intervenção em que, embora esteja indicada a sua
realização, ela não precisa ser praticada naquele exato momento, ou mesmo nas
próximas horas ou dias. Pode ser programada para uma data que leve em
consideração o desejo do paciente, assim como a sua comodidade e a do cirurgião que
a realizará.
12- Paciente a 48h apresentando quadro de febre, náusea e vômito. Após os exames,
foi diagnosticado com apendicite. Quanto a necessidade da realização da cirurgia,
como pode ser classificada?
R: Urgência.

13- Classifique as cirurgias quanto ao porte.


R: Grande porte: cirurgias grandes, que demoram várias horas para sua execução
(geralmente mais de 4 horas) e que são realizadas no centro cirúrgico convencional.
Médio porte: são procedimentos mais complexos que os de pequeno porte e que
demoram até duas horas. Alguns procedimentos são realizados no ambulatório,
enquanto outros necessitam de centro cirúrgico e internação do paciente.
Pequeno porte: são cirurgias mais simples, que envolvem pouca profundidade de
penetração nos tecidos.
14- Por que a escova de cerdas duras foi substituída pela escova de cerdas moles
para antissepsia antes do ato cirúrgico?
R: As cerdas duras provocavam abrasões na pele do cirurgião, feridas, diminuindo a
barreira natural da pele aos microrganismos, aumentando a contaminação do ato
cirúrgico.

Ato Operatório I – Diérese


15- Como é denominado o ato realizado pelo cirurgião para provocar uma solução de
continuidade entre tecidos (ou uma via de acesso), pela utilização de conjunto de
manobras manuais e instrumentais, com finalidade terapêutica?
R: Diérese.

16- Defina cada tempo cirúrgico.


R: Diérese: trata-se do ato realizado pelo cirurgião para provocar uma solução de
continuidade entre tecidos, pela utilização de manobras e instrumentais, com
finalidade terapêutica. Hemostasia: consiste no conjunto de manobras destinadas a
prevenir ou coibir hemorragias. Pode ser dividida em hemostasia temporária e
hemostasia definitiva. Síntese: consiste no conjunto de manobras destinadas a
reconstituição anatômica e/ou funcional de um tecido ou órgão.

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17- Qual a tesoura do cirurgião?
R: Tesoura Metzenbaum curva e romba.

18- Quais são os componentes de uma tesoura?


R: Anéis/aros digitais, hastes, caixilho, laminas de corte e pontas.

19- Quais laminas acoplam aos cabos de bisturis nº 3 e 4?


R: Bisturi nº 3: laminas de número 10, 11, 12 e 15.
Bisturi nº 4: laminas de número 20 a 25.

Ato Operatório II – Hemostasia


20- Como é a posição de Trendelenburg?
R: É uma variação da posição de decúbito dorsal onde a parte superior do dorso é
abaixada e os pés são elevados.

21- Qual a diferença entre as pinças hemostáticas Kelly e Halsted?


R: A Kelly apresenta ranhuras apenas nos 2/3 distais da sua face interna, enquanto a
Halsted apresenta ranhuras em toda face interna. Além disso, a Halsted é bem menor
(e por isso também é chamada de pinça mosquito).

Ato Operatório III – Síntese


22- Quais as características gerais dos fios cirúrgicos? Exemplifique.
R: Absorvível x Não absorvível – Absorvíveis: categute, ácido poliglicólico (dexon),
poligliconato (maxon), polidioxanona (PDS), poliglactina 910 (vicryl), poliglecaprona
(monocryl). Não absorvíveis: seda, Algodão, Linho, Nylon, Polipropileno, poliéster,
PTFE e aço.
Absorção de líquido – capacidade de reter líquido.
Capilaridade – propagação de líquido pelo fio (propicia carregamento de
microrganismos).
Força tênsil – força que vence a resistência do tecido.
Memória – capacidade do material voltar à forma original depois de manuseado.
Flexibilidade
Plasticidade – pode expandir quando submetido à tração por estiramento.
Elasticidade – retornar a forma e comprimento originais, quando estirado.
Coeficiente de fricção – quanto maior, menor a facilidade do fio deslizar pelos tecidos,
maior será o arrasto tecidual.

23- Dê as características do fio ideal.


R: Baixo custo, flexível, fácil manuseio, grande resistência à tração e à torção,
facilidade para o nó cirúrgico, calibre fino e regular, baixa reação tecidual, facilmente
esterilizável e não deve servir de nicho para infecção.

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24- Quanto a segurança do nó, o que você espera de um fio com alto coeficiente de
fricção?
R: Uma fixação mais segura do nó.
25- Defina vídia.
R: Revestimento feito com uma fina camada de pó de diamante que confere maior
resistência ao instrumento e uma aderência mais segura, assim como uma melhor
manipulação de agulhas, fios e do próprio tecido.

26- Cite dois fios de sutura que podem ser usados para o fechamento do plano
aponeurótico em uma incisão operatória mediana supraumbilical. Justifique sua
resposta.
R: Poligliconato e Poliéster. Ambos possuem alta força tênsil, integridade duradoura e
provocam pouca reação tecidual.
27- Qual a vantagem do fio agulhado (sertix – o fio já vem montado na agulha) em
relação à agulha “nua” que precisa ter fio montado?
R: A agulha montada apresenta diâmetro muito semelhante ao fio anexado a ela.
Diferentemente, a agulha não fixada ao fio (“nua”), pela necessidade de fazer o nó
para fixar o fio à agulha, torna o buraco de passagem maior que o diâmetro do próprio
fio ou da agulha.
Obs.: Além das questões, é importante reconhecer os instrumentais cirúrgicos (se ater
aos mais “famosos”) , pois ele pode cobrar com imagens (dar algumas imagens e
perguntar qual é a tesoura do cirurgião ou simplesmente pedir o nome dos
instrumentais, por exemplo). Além disso, é importante saber interpretar “embalagem”
de agulha, porque ele também pode colocar uma imagem dessa “embalagem” e
perguntar as características da agulha.

Anastomoses e Estomas no Sistema Digestório


28- Defina “estomas” e dê exemplos.
R: Comunicação entre a porção luminal de um órgão e a superfície da pele para
nutrição ou derivação de secreções. Ex.: Esofagostomia e gastrostomia.
29- Como é feita a colostomia em alça?
R: 1) abertura do mesocólon 2) exteriorização do segmento 3) sustentação da alça com
um tubo 4) localização da tênia 5) abertura da parede pela tênia 6) fixação da parede à
pele com fios de absorção moderada.
30- Quais as características de cada órgão abaixo importantes para a cirurgia geral
anastomótica?
R: Esôfago: condições precárias à sutura pela ausência de serosa, muscular pouco
resistente e vascularização deficiente. Feita em 2 planos com pontos separados.
Estômago: mais resistente, impermeável e de cicatrização mais rápida pela existência

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de 3 camadas de músculo liso. Feita em 2 planos com pontos separados ou contínuos.
Duodeno, jejuno e íleo: diminuição gradual do lúmen; paredes finas, mas resistentes.
Camada interna circular e externa longitudinal. As incisões se alargam e oferecem boa
boca anastomótica. Feita em 1 ou 2 planos com pontos separados ou contínuos.
Cólon e Reto: entre as tênias, a parede colônica é extremamente fina. Existem muitos
organismos patogênicos, sendo primordial a esterilização do cólon com clisteres
evacuadores, manitol e antibióticos. Plano único seromuscular. Fio não absorvível ou
de absorção em médio prazo.
Vesícula biliar: vesícula tem parede fina. Plano único total. Fio não absorvível ou
absorção em médio prazo.
31- Defina enterectomia, esofagostomia e ileotomia.
R: Enterectomia é a retirada cirúrgica de um segmento do intestino. Esofagostomia é a
abertura de uma comunicação entre a porção luminal do esôfago e a superfície da
pele. Ileotomia é a secção cirúrgica do íleo.
32- Como podem ser classificadas as anastomoses no sistema digestório em relação
aos seus eixos?
R: Término-terminal (eixos ficam longitudinais), latero-lateral (eixos paralelos) e
termino-lateral (formam um ângulo reto).

33- Paciente apresenta um tumor obstrutivo irresecável do piloro. Cite duas cirurgias
que poderiam ser realizadas, identificando qual é a mais correta.
R: Gastrostomia e gastrojejunostomia (mais correta).

34- Paciente apresenta um tumor obstrutivo irresecável do piloro. Qual o


procedimento cirúrgico que pode ser feito para manter a continuidade do trânsito
gastrointestinal?
R: Gastrojejunostomia.

Ética na Experimentação Animal


35- Defina o princípio dos 3 “R”.
R: A substituição (replacement) significa que, ao invés de usar animais superiores,
deve-se utilizar formas de vida filogeneticamente mais primitivas ou experimentos
simulados, com base em avanços tecnológicos. Já a redução sugere que as pesquisas
devem ser realizadas com o menor número de animais e procedimentos que permitam
alcançar os objetivos do trabalho. E, por fim, o refinamento, que diz respeito a
capacidade dos pesquisadores em desenvolver métodos que reduzam o sofrimento
dos animais, oferecendo-lhes o maior conforto possível.
36- Quais os tipos de substituição? Diferencie.
R: A substituição pode ser relativa ou absoluta. A substituição relativa é quando não se
pode abrir mão do uso de animais, assim utilizam-se aqueles mais inferiores possíveis
na escala zoológica. A substituição absoluta é quando pode-se trocar o uso do animal

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pelo uso de um animal não-vertebrado ou pelo uso de células ou tecidos em cultura,
evitando assim, a utilização animal.

37- A utilização de um mesmo grupo controle para mais de um experimento se


enquadra em qual dos “R”?
R: Reduction.

Acesso Venoso Central


38- Como pode ser feito o acesso venoso central?
R: Pode ser feito por uma punção ou dissecção de uma veia periférica e introdução do
cateter até o nível central; ou por uma punção ou dissecção direta em uma veia
central.

39- Cite as complicações das punções venosas centrais.


R: Pneumotórax, hemotórax, hidrotórax, hematoma, enfisema subcutâneo, lesão do
plexo braquial, lesão do ducto torácico (lado esquerdo), punção arterial, AVE, embolia
gasosa, trombose venosa, infecção, sepse, etc.
40- Cite as complicações dos acessos centrais por via periférica.
R: Hemotórax, hidrotórax, hematoma, lesão de nervos, trombose venosa, infecção,
sepse, etc.
41- Cite quatro complicações que podem ocorrer na punção de veia subclávia.
R: Pneumotórax, lesão de plexo braquial, embolia gasosa e enfisema subcutâneo.

Suturas e Anastomoses Vasculares


42- Dê as vantagens da sutura com ponto separado e da sutura contínua.
R: Sutura com ponto separado: o afrouxamento ou quebra de um nó não interfere no
restante da linha da sutura.
Sutura contínua: mais rápida e hemostática, porém usa mais fio e pode causar
deiscência pela abertura de um único nó.
43- Qual a vantagem do ponto simples invertido?
R: O paciente não sente o nó.
44- Um nó cirúrgico é formado por vários seminós. O primeiro seminó aproxima e
aperta os tecidos enquanto o segundo seminó serve para manter o entrelaçamento
do fio. Como são chamados esses seminós?
R: Primeiro seminó: nó de contenção.
Segundo seminó: nó de fixação.

45- Como é chamado o nó utilizado na sutura intradérmica?


R: Nó em roseta.

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46- Qual o fio utilizado para anastomoses vasculares?
R: Polipropileno monofilamentar é o mais usado (com grande resistência, durabilidade
e baixa reação tecidual). Em vasos de calibre pequeno ou crianças, usamos pontos
separados. No resto, usamos chuleio simples.
47- Defina manobra de Flush.
R: Ao final do reparo, abre e fecha-se rapidamente os clampes, um de cada vez,
permitindo sangramento para eliminar qualquer coágulo ou debris.

48- Defina fístula arteriovenosa para hemodiálise.


R: É uma anastomose arteriovenosa, principalmente entre a veia cefálica e a artéria
radial. Provoca hipertrofia dos segmentos próximos a anastomose com aumento do
fluxo. Tem-se, então, um acesso venoso periférico, mas que permite repetidas punções
com alto débito e baixo risco de infecção.

Preparação do Paciente Para Cirurgia


49- Cite os exames pré-operatórios pedidos.
R: Cirurgia eletiva: hemograma; glicemia; coagulograma com TAP e PTT; fator Rh e
grupo sanguíneo; ureia e creatinina: >60 anos ou com doenças; sódio e potássio: >60
anos ou com doenças; exame de urina (EAS): sintomáticos, >60 anos ou operação
urológica; raio-X de tórax: >55 anos, tabagista, cirurgia de grande porte, doença
cardiovascular, CA prévio ou operação torácica; ECG: mulher >55 anos e homem
>40anos, operação torácica, HAS, DM, tabagista, em uso de antidepressivos ou doença
cardiovascular; transaminases, amilases, bilirrubina e outros para ver função hepática;
β-HCG: quando há possibilidade de gravidez. Politraumatizado: Raio-X da coluna
cervical, tórax e abdome.

50- Risco cirúrgico pela sociedade americana de anestesiologia (ASA).


R: I – Paciente sadio sem outras afecções: muito baixo.
II – Paciente com doença sistêmica leve a moderada: baixo.
III – Paciente com doença sistêmica grave sem risco de vida constante: muito alto.
IV – Paciente com doença sistêmica grave com risco de vida constante: excessivo.
V – Paciente moribundo. Difícil sobrevivência por 24h com ou sem cirurgia: excessivo.

51- O que os que critérios de Goldman avaliam e como é feita a classificação?


R: Avaliam: história do paciente, exame físico, ECG, se possui mau estado geral e o tipo
de cirurgia.
Classe I – 0-5 pontos: baixo.
Classe II – 6-12 pontos: intermediário.
Classe III – 13-25 pontos: elevado.
Classe IV – >25 pontos: excessivo.

52- Cite duas indicações para a prescrição de suporte nutricional pré-operatório.


R: Casos de desnutrição moderada ou grave e grandes operações no TGI.

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53- Nas operações em regime de urgência, a incisão abdominal preferida é?
R: Mediana.

Grampeadores
54- De acordo com seu formato, como podem ser classificados os grampeadores
cirúrgicos?
R: Lineares não cortantes, lineares cortantes e intraluminais.

55- Em relação aos grampeadores mecânicos, qual a explicação para a forma final em
“B” do grampo?
R: O formato em B final do grampo cirúrgico evita que capilares sejam obliterados e
que o tecido sofra isquemia.

Princípios Básicos de Anestesiologia


56- Cite os princípios básicos a serem atendidos pela anestesia.
R: Hipnose, analgesia, amnésia, imobilidade e relaxamento muscular.
57- Por que associam vasoconstritor à anestesia?
R: Diminui a perfusão e a absorção de anestésicos, aumentando a duração e a
intensidade destes. O principal vasoconstritor utilizado é a adrenalina.

58- Características ideais de anestésico.


R: - Rápido início de ação;
- Efeito analgésico importante;
- Não depender das vias hepática e renal;
- Não se acumular nos tecidos corporais;
- Permitir rápida recuperação de seu efeito clínico;
- Estabilidade;
- Não acarretar depressão respiratória;
- Não acarretar metabólitos tóxicos;
- Ser titulável;
- Não ser alergênico;
- Baixo custo.
59- Sobre anestesia local, cite vantagens, local da aplicação, indicação e como atua.
R: Vantagens: Imobilidade, relaxamento muscular, reduz sangramento, conforto ao
paciente e reduz tempo de internação. Local da aplicação: no subcutâneo adjacente a
área a ser operada. Indicação: procedimentos cirúrgicos pequenos. Como atua: inibe
de modo reversível a geração e condução de um potencial de ação, bloqueando as
funções sensitiva, motora e autonômica de uma fibra nervosa.

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60- Anestésicos locais podem ser classificados ou como aminoésteres ou
aminoácidos. Cite dois anestésicos locais que fazem parte da classe dos aminoácidos.
R: Lidocaína e bupivacaína.
61- Quais são os níveis de sedação?
R: Leve: paciente responde ao comando verbal.
Moderada: responde ao estímulo verbal isolado ou acompanhado de estímulo tátil.
Profunda: dificilmente despertado por comandos verbais, mas responde a dolorosos.
Ventilação espontânea pode ser insuficiente.
Sedação: para procedimentos desconfortáveis ou manutenção da posição.
62- Defina o bloqueio do neuroeixo (peridural e subaracnóideo).
R: Realizado no neuroeixo com administração de anestésico local nas proximidades da
medula espinhal e suas raízes nervosas, alterando ou impedindo transmissão de
impulso nervoso. Indicado para procedimentos no andar inferior do abdome, pele,
parede torácica e abdominal, mama e membros inferiores. Causa vasodilatação com
hipotensão e bradicardia.
63- Diferencie bloqueio peridural de bloqueio subaracnóideo.
R: Bloqueio Peridural: não perfura as meninges. É feito entre a dura-máter e as
estruturas que delimitam e fecham o canal vertebral.
Bloqueio Subaracnóideo: perfura as meninges. Passa a dura-máter e a aracnoide,
atingindo o líquor. Pode causar hipotensão severa, anestesia do tronco cerebral e
apneia, sendo necessário intubar o paciente.

64- Defina o caminho do bloqueio subaracnóideo.


R: Pele – tecido subcutâneo – ligamentos supraespinhoso e inter-espinhoso –
ligamento amarelo – dura-máter – aracnoide – espaço subaracnóideo.
65- Defina técnica de Dogliotti.
R: Perda da resistência do êmbolo da seringa acoplada à agulha, quando ultrapassa o
ligamento amarelo.
66- Defina a anestesia geral. Quais as suas vantagens?
R: Provoca depressão reversível do SNC com perda da resposta e percepção de todos
os estímulos externos. Características: Permite controle ventilatório ideal,
monitoramento de gases e relaxamento muscular ideal. Vantagens: inconsciência,
amnésia, analgesia, imobilidade e atenuação das respostas autonômicas à estimulação
nociva. Os anestésicos inalatórios são os únicos que provocam os efeitos de anestesia
geral, porém não têm analgesia pós-operatória.
67- Defina a técnica combinada e dê suas vantagens.
R: Anestesia geral + bloqueio.
Vantagens: reduz a quantidade de anestésico geral, despertar mais preciso, controle
da dor pós-operatória, diminui hormônios de estresse, diminui trabalho cardíaco e alta
precoce.

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68- Defina anestesia balanceada.
R: Agente hipnótico + opióide + bloqueador neuromuscular + agentes inalatórios
voláteis (com ou sem óxido nitroso).

Videolaparoscopia
69- Quais as vantagens da videocirurgia?
R: Pós-operatório menos doloroso, recuperação mais rápida, melhor preservação da
atividade imunológica e diminuição das complicações infecciosas pós-operatórias.

70- Quais são as contraindicações para videocirurgia?


R: Absolutas: coagulopatia severa, distensão abdominal maciça e insuficiência
cardiopulmonar grave.
Relativas: operação abdominal prévia, distensão abdominal moderada, insuficiência
cardiopulmonar moderada, peritonite difusa e hérnia encarcerada.
71- Cite as possíveis complicações da videocirurgia.
R: Perfuração visceral ou de vasos, introdução inadequada de CO2 em vísceras ocas e
parede abdominal, dificuldade ventilatória, arritmias, hipotensão, pneumotórax e
lesões pelos instrumentos.

72- Qual o equipamento necessário para a microcirurgia?


R: Microcâmera, fonte de luz, trocater e insuflador de CO2 (excelente solubilidade, não
inflamável e quimicamente estável).
73- Quais são as vantagens da utilização do gás carbônico para a criação de um
pneumoperitônio na cirurgia laparoscópica?
R: O CO2 é muito solúvel no plasma, não é inflamável e tem estabilidade química. Uma
alternativa para o CO2 é o óxido nitroso.
74- Qual a técnica anestésica indicada para procedimentos cirúrgicos através de
acesso videolaparoscópico?
R: Anestesia geral.

Intubação Traqueal
75- Dê os fatores que dificultam a ventilação por máscara facial.
R: Face emagrecida, barba, posicionamento inadequado da cabeça, macroglossia e
obesidade.
76- Quais as indicações para a intubação orotraqueal?
R: Insuficiência respiratória e proteção da via aérea.
77- Cite os critérios de Mallampati.
R: Classificação baseada na avaliação das estruturas da orofaringe, com paciente em

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posição neutra e sem fonação.
Mallampati 1: úvula, pilares, palato duro e mole visíveis.
Mallampati 2: base da úvula, parte dos pilares, palato duro e mole visíveis.
Mallampati 3: palato duro e mole visíveis.
Mallampati 4: somente palato duro visível.

78- Cite os critérios de Benumof.


R: Tamanho dos incisivos, distância interincisivos, retrognatismo, protusão da
mandíbula, complacência do espaço mandibular, Mallampati (> 2 dificulta),
conformação do palato, distância tireomentoniana, comprimento do pescoço, largura
do pescoço, mobilidade cabeça/pescoço.

Suturas Estéticas na Pele


79- O que é desbridamento?
R: Remoção de tecidos mortos, desvitalizados ou contaminados, assim como qualquer
corpo estranho no leito da ferida, ajudando a reduzir o número de microrganismos,
toxinas e outras substancias que prejudicam a cicatrização.
80- Sobre suturas estéticas, defina: melhor fio para sutura estética e cicatriz ideal.
R: Melhor fio para sutura estética: boa resistência tênsil e pouca reação tecidual
(monocryl).
Cicatriz ideal: plana, fina, com boa coloração, paralela ou dentro das bordas da pele.
81- Explique sucintamente os diferentes tipos de suturas estéticas.
R: Sutura subcutânea ou ponto sepultado: tem estabilidade, fecha o espaço morto,
everte as bordas e diminui a tensão.
Ponto simples: fecha feridas grandes, everte as margens de uma ferida média ou
pequena e fecha feridas com bordas de diferentes alturas.
Chuleio: rápido e hemostático, possui mínima tensão tecidual e é utilizado em pele
frouxa.
Donnatti: suturas de pequena tensão ou quando os lábios da ferida tendem a
invaginar. Maior suporte à cicatrização, redução da tensão e do espaço morto,
aposição delicada das bordas da ferida.
Intradérmica contínua: pode ser deixada por semanas, funciona como suporte extra
para ferida sem deixar impressões não-estéticas. Não deve ser usada em feridas com
muita tensão.
82- Qual o tipo de sutura cutânea que apresenta melhores resultados estéticos?
R: Sutura intradérmica.

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Fabiano Teixeira – MedUERJ 2020
Traqueostomia e Intubação Orotraqueal
83- Dê a classificação de traqueostomias.
R: Quanto à urgência: urgência ou eletiva.
Quanto ao anel traqueal seccionado: alta, média ou baixa.
Quanto ao tempo de permanência: temporária ou definitiva.

84- Defina: cricotomia, cricotireotomia e traqueostomia.


R: Cricotomia: abertura da cartilagem cricóide e dos primeiros anéis traqueais.
Cricotireotomia: incisão horizontal entre as cartilagens cricóide e tireoide (é a
escolhida em casos de emergência).
Traqueostomia: comunicação da traqueia com o meio exterior/pele, permitindo
estabelecer via área e aspiração de secreções.

85- Quais as possíveis complicações da traqueostomia?


R: Sangramento, broncoaspiração, edema traqueal, lesão esofagiana, fístulas
traqueo-esofagianas, estenose traqueal, hipóxia, dificuldade de extubação, etc.

86- Dê vantagens e desvantagens da traqueostomia.


R: Vantagens: garantia das vias aéreas mesmo com obstrução glótica, redução do
esforço respiratório pela diminuição do espaço morto anatômico, eliminação de
secreções.
Desvantagens: ausência de umidificação e aquecimento do ar inspirado, ausência de
fluxo aéreo para as cordas vocais impedindo a fonação, quebra da barreira
antimicrobiana natural, transtornos de deglutição.

Outros Temas
87- Descreva a principal diferença entre retalho e enxerto.
R: Enxerto: segmento de tecido com derme e epiderme, desprendida de suprimento
sanguíneo. Já o retalho é o transplante constituído de pele com irrigação provinda de
pedículo vascular.

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Fabiano Teixeira – MedUERJ 2020