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Manual de Curso de licenciatura em Gestão Ambiental – 1o ano

Pedogeografia
GA107

Universidade Católica de Moçambique

Centro de Ensino a Distância

Centro de Informação Geográfica


Direitos de autor (copyright)
Este manual é propriedade da Universidade Católica de Moçambique, Centro de Ensino à Distância
(CED) e contém reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução deste manual, no
seu todo ou em partes, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico,
gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Universidade Católica de
Moçambique  Centro de Ensino à Distância). O não cumprimento desta advertência é passível a
processos judiciais.

Universidade Católica de Moçambique


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Website: www.ucm.ac.mz
Agradecimentos
A Universidade Católica de Moçambique - Centro de Ensino à Distância e o autor do presente manual,
Dr. Antonio dos Anjos Luis, gostariam de agradecer a colaboração dos seguintes indivíduos e
instituições na elaboração deste manual:

Pela maquetização e revisão final ............................................

Elaborado Por: Antonio dos Anjos Luis

Mestre em Planemento e Desenvolvimento Regional


Mestre em Sistemas de Informação Geográfica
Licenciado em Ensino de Geografia pela Universidade Pedagógica – Beira
Colaborador do Curso de Licenciatura em Ensino de Geografia no CED

Coordenação, Maquetização e Revisão Final: dr. Heitor Simão Mafanela Simão

Licenciado em Ensino de Geografia pela Universidade Pedagógica – Beira


Mestrando em Ciências e Sistemas de Informação Geográfica
Coordenador do Curso de Licenciatura em Ensino de Geografia no CED
Pedogeografia GA107 i

Índice
Visão geral 1
Bem-vindo a Pedogeografia ........................................................................................... 1
Objectivos do curso ....................................................................................................... 1
Quem deveria estudar este módulo ................................................................................ 1
Como está estruturado este módulo................................................................................ 2
Ícones de actividade ...................................................................................................... 2
Acerca dos ícones ........................................................................................ 3
Habilidades de estudo .................................................................................................... 3
Precisa de apoio? ........................................................................................................... 3
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) .............................................................................. 4
Avaliação ...................................................................................................................... 5

Unidade I 7
Introdução a Pedogeografia ........................................................................................... 7
Conceito e a História Pedogeografia .............................................................................. 7
Introdução ............................................................................................................ 7
Sumário ....................................................................................................................... 11
Exercícios.................................................................................................................... 12

Unidade II 13
Noção e Composição de Solo ...................................................................................... 13
Introdução .......................................................................................................... 13
Sumário ....................................................................................................................... 18
Exercícios.................................................................................................................... 18

Unidade III 19
Formação do Solo: Pedogênese ................................................................................... 19
Introdução .......................................................................................................... 19
Sumário ....................................................................................................................... 25
Exercícios.................................................................................................................... 26

Unidade IV 26
Evolução do Solo ........................................................................................................ 26
Introdução .......................................................................................................... 26
Sumário ....................................................................................................................... 31
Exercícios.................................................................................................................... 32

Unidade V 33
Características morfológicas do perfil .......................................................................... 33
Introdução .......................................................................................................... 33
Pedogeografia GA107 ii

Sumário ....................................................................................................................... 38
Exercícios.................................................................................................................... 38

Unidade VI 39
Outras Propriedades dos Solos..................................................................................... 39
Introdução .......................................................................................................... 39
Sumário ....................................................................................................................... 44
Exercícios.................................................................................................................... 44

Unidade VII 46
ALTERAÇÕES DOS SOLOS DEPOIS DA SUA FORMAÇÃO ................................. 46
Introdução .......................................................................................................... 46
Sumário ....................................................................................................................... 50
Exercícios.................................................................................................................... 50

Unidade VIII 51
Estruturas dos Solos .................................................................................................... 51
Introdução .......................................................................................................... 51
Sumário ....................................................................................................................... 59
Exercícios.................................................................................................................... 60

Unidade IX 61
Classificação dos Solos ............................................................................................... 61
Introdução .......................................................................................................... 61
Sumário ....................................................................................................................... 67
Exercícios.................................................................................................................... 67

Unidade X 68
Sistema Unificado de Classificação de Solos ............................................................... 68
Introdução .......................................................................................................... 68
Sumário ....................................................................................................................... 76
Exercícios.................................................................................................................... 76

Unidade XI 77
Importância do Solo e suas Funções ............................................................................ 77
Introdução .......................................................................................................... 77
Sumário ....................................................................................................................... 85
Exercícios.................................................................................................................... 85

Unidade XII 86
Importancia e funcao dos Solos (cont…) ..................................................................... 86
Introdução .......................................................................................................... 86
Pedogeografia GA107 iii

Sumário ....................................................................................................................... 93
Exercícios.................................................................................................................... 93

Unidade XIII 94
Erosão dos Solos ......................................................................................................... 94
Introdução .......................................................................................................... 94
Sumário ..................................................................................................................... 100
Exercícios.................................................................................................................. 100

Unidade XIV 101


Noções de Mineralogia .............................................................................................. 101
Introdução ........................................................................................................ 101
Sumário ..................................................................................................................... 105
Exercícios.................................................................................................................. 105

Unidade XV 106
Solos de Moçambique ............................................................................................... 106
Introdução ........................................................................................................ 106
Sumário ..................................................................................................................... 114
Exercícios.................................................................................................................. 114
Pedogeografia GA107 1

Visão geral
Bem-vindo a Pedogeografia

A cadeira de Pedogeografia é das que fornecem ao estudante os


meios necessários que o possibilitam a interpretar as diferentes
camadas que constituem o solo, sua composição e estrutura dos
minerais que fazem parte ou integram os componentes do solo. Do
mesmo modo o estudante terá a noção da grande utilidade que o
solo tem para o homem e a grande necessidade de o preservar como
parte do benefício humano.

O estudante deste nível poderá interpretar e explicar a origem do


solo e com ela interpretar o ciclo da matéria como parte das
grandes transformações que ocorrem no processo da formação do
solo. Para esta explicação o perfil do solo joga um papel
importante, dai a necessidade de o interpretar devidamente.

Objectivos do curso
Quando terminar o estudo de Hidrogeografia será capaz de:
 Definir os principais conceitos da Pedogeografia
 Caracterizar os principais componentes da Pedogeografia

Objectivos

Quem deveria estudar este


módulo
Este Módulo foi concebido para todos aqueles estudantes que queiram ser
professores da disciplina de Geografia, que estão a frequentar o curso de
Licenciatura em Ensino de Geografia, do Centro de Ensino a Distancia.
Pedogeografia GA107 2

Estendese a todos que queiram consolidar os seus conhecimentos sobre


a Pedogeografia.

Como está estruturado este


módulo
Todos os módulos dos cursos produzidos pela Universidade Católica de
Moçambique - Centro de Ensino a Distância encontram-se estruturados
da seguinte maneira:
Páginas introdutórias

 Um índice completo.
 Uma visão geral detalhada do curso / módulo, resumindo os
aspectos-chave que você precisa conhecer para completar o estudo.
Recomendamos vivamente que leia esta secção com atenção antes de
começar o seu estudo.
Conteúdo do curso / módulo

O curso está estruturado em unidades. Cada unidade ncluirá uma


introdução, objectivos da unidade, conteúdo da unidade incluindo
actividades de aprendizagem, um summary da unidade e uma ou mais
actividades para auto-avaliação.
Outros recursos

Para quem esteja interessado em aprender mais, apresentamos uma lista


de recursos adicionais para você explorer. Estes recursos podem incluir
livros, artigos ou sites na internet.
Tarefas de avaliação e/ou Auto-avaliação

Tarefas de avaliação para este módulo encontram-seno final de cada


unidade. Sempre que necessário, dão-se folhas individuais para
desenvolver as tarefas, assim como instruções para as completar. Estes
elementos encontram-se no final do modulo.
Comentários e sugestões

Esta é a sua oportunidade para nos dar sugestões e fazer comentários


sobre a estrutura e o conteúdo do curso / módulo. Os seus comentários
serão úteis para nos ajudar a avaliar e melhorar este curso / modulo.

Ícones de actividade
Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens das
folhas. Estes icones servem para identificar diferentes partes do processo
de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de texto, uma
nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc.
Pedogeografia GA107 3

Acerca dos ícones


Os ícones usados neste manual são símbolos africanos, conhecidos por
adrinka. Estes símbolos têm origem no povo Ashante de África
Ocidental, datam do século 17 e ainda se usam hoje em dia.

Habilidades de estudo
Durante a formação, para facilitar a aprendizagem e alcançar melhores
resultados, implicará empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os
bons resultados apenas se conseguem com estratégias eficazes e por isso é
importante saber como estudar. Apresento algumas sugestões para que
possa maximizar o tempo dedicado aos estudos:

Antes de organizar os seus momentos de estudo reflicta sobre o ambiente


de estudo que seria ideal para si: Estudo melhor em
casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à noite/de manhã/de
tarde/fins de semana/ao longo da semana? Estudo melhor com
música/num sítio sossegado/num sítio barulhento? Preciso de um intervalo
de 30 em 30 minutos/de hora a hora/de duas em duas horas/sem
interrupção?

É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado
durante um determinado período de tempo; Deve estudar cada ponto da
matéria em profundidade e passar só ao seguinte quando achar que já
domina bem o anterior. É preferível saber bem algumas partes da matéria
do que saber pouco sobre muitas partes.

Deve evitar-se estudar muitas horas seguidas antes das avaliações, porque,
devido à falta de tempo e consequentes ansiedade e insegurança, começa a
ter-se dificuldades de concentração e de memorização para organizar toda
a informação estudada. Para isso torna-se necessário que: Organize na sua
agenda um horário onde define a que horas e que matérias deve estudar
durante a semana; Face ao tempo livre que resta, deve decidir como o
utilizar produtivamente, decidindo quanto tempo será dedicado ao estudo e
a outras actividades.

É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será uma


necessidade para o estudo das diversas matérias que compõem o curso: A
colocação de notas nas margens pode ajudar a estruturar a matéria de
modo que seja mais fácil identificar as partes que está a estudar e Pode
escrever conclusões, exemplos, vantagens, definições, datas, nomes, pode
também utilizar a margem para colocar comentários seus relacionados
com o que está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a
seguir à compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura;
Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo significado
desconhece;

Precisa de apoio?
Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra situação, o
material impresso, lhe pode suscitar alguma duvida (falta de clareza,
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alguns erros de natureza frásica, prováveis erros ortográficos, falta de


clareza conteudística, etc). Nestes casos, contacte o tutor, via telefone,
escreva uma carta participando a situação e se estiver próximo do tutor,
contacteo pessoalmente.

Os tutores têm por obrigação, monitorar a sua aprendizagem, dai o


estudante ter a oportunidade de interagir objectivamente com o tutor,
usando para o efeito os mecanismos apresentados acima.

Todos os tutores têm por obrigação facilitar a interacção, em caso de


problemas específicos ele deve ser o primeiro a ser contactado, numa fase
posterior contacte o coordenador do curso e se o problema for de natureza
geral. Contacte a direcção do CED, pelo número 825018440.

Os contactos só se podem efectuar, nos dias úteis e nas horas normais de


expediente.

As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante, tem


a oportunidade de interagir com todo o staff do CED, neste período pode
apresentar duvidas, tratar questões administrativas, entre outras.

O estudo em grupo com os colegas é uma forma a ter em conta, busque


apoio com os colegas, discutam juntos, apoiemse mutuamente, reflictam
sobre estratégias de superação, mas produza de forma independente o seu
próprio saber e desenvolva suas competências.

Tarefas (avaliação e auto-


avaliação)
O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e
autoavaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é
importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues antes do
período presencial.

Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não


cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do
estudante.

Os trabalhos devem ser entregues ao CED e os mesmos devem ser


dirigidos ao tutor\docentes.

Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo os


mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os direitos do
autor.

O plagiarismo deve ser evitado, a transcrição fiel de mais de 8 (oito)


palavras de um autor, sem o citar é considerado plagio. A honestidade,
humildade científica e o respeito pelos direitos autoriais devem marcar a
realização dos trabalhos.
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Avaliação
Você será avaliado durante o estudo independente (80% do curso) e o
período presencial (20%). A avaliação do estudante é regulamentada com
base no chamado regulamento de avaliação.
Os trabalhos de campo por ti desenvolvidos, durante o estudo individual,
concorrem para os 25% do cálculo da média de frequência da cadeira.
Os exames são realizados no final da cadeira e durante as sessões
presenciais, eles representam 60%, o que adicionado aos 40% da média de
frequência, determinam a nota final com a qual o estudante conclui a
cadeira.
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira.
Nesta cadeira o estudante deverá realizar 3 (três) trabalhos, 2 (dois) testes
e 1 (exame).
Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizados como
ferramentas de avaliação formativa.
Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em
consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de cientificidade,
a forma de conclusão dos assuntos, as recomendações, a identificação das
referências utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros.
Os objectivos e critérios de avaliação estão indicados no manual.
consulteos.
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Unidade I
Introdução a Pedogeografia

Conceito e a História Pedogeografia

Introdução
Nesta unidade iremos discutir os aspectos introdutórios da
Pedogeografia, seu conceito, objecto de estudo e história.

É necessários que para o estudo de uma ciência iniciemos de


antemão com os conhecimentos de base de modo que o estudante
da disciplina saiba o que lhe espera.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Definir Pedogeografia;

 Dar o conceito de solo;


Objectivos
 Explicar a composição do solo

Introdução a Pedogeografia
Geografia de solos, também chamada Pedogeografia, estuda a
distribuição de solos, as associações características dos solos
com a vegetação, drenagem, relevo, rochas, clima e o
significado dos solos na economia e cultura de uma região. A
pedologia (ciência do solo) surgiu no século passado e os
geógrafos contribuíram muito para o seu desenvolvimento.

A real natureza do solo como uma entidade isolada, separada


Pedogeografia GA107 8

do material rochoso subjacente, do qual é originário, foi


descoberta por um geólogo russo, V. V. Dokuchaev, por volta
de 1875. Uma classificação apropriada dos solos, baseada em
suas características inerentes, ao invés de no material
geológico do qual são formados, foi criada em 1927 pelo
geógrafo americano C. F. Marbut.

Na relação do ambiente com o homem, o solo é de


fundamental importância. A agricultura ainda emprega os
esforços de aproximadamente dois terços da população
mundial, e a maior parte das matérias primas para a indústria é
proveniente do solo. Muitos problemas de uso da terra tais
como erosão, desertificação e plantações improdutivas
requerem, para serem solucionados, um estudo completo das
características e origens do solo.

Para alguns geógrafos, os solos são a expressão de todos os


outros factores do ambiente e como tal eles constituem indícios
da região natural. Para "ler" estes indícios, no entanto, o
geógrafo deve entender todos os vários factores — geológicos,
biológicos, físicos e químicos — que originam os solos, bem
como as forças naturais e humanas que os modificam.

Solo, cobertura exterior da maior parte da superfície


continental da Terra. É um agregado de minerais não-
consolidados e de partículas orgânicas produzidas pela acção
combinada do vento, da água e dos processos de desintegração
orgânica.

Histórico da Ciência do Solo


O conceito mais popular de solo vem a ser a capa mais
superficial do globo terrestre. Para uns, solo é tido como a
superfície inconsolidada que recobre as rochas e mantém a
vida animal e vegetal na terra.

Dependendo do seu uso, pode ser visto sob diversos aspectos


como: Para o geólogo, engenheiro de minas, engenheiro civil,
o solo constitui verdadeiro estorvo, visto o seu interesse pelo
subsolo onde são encontrados as riquezas minerais. Para a
Pedogeografia GA107 9

engenharia civil é visto também sob o aspecto de resistência e


estabilidade das construções, aspecto que deu origem a
mecânica de solos.

Para o Engenheiro Agrónomo o solo como a camada


superficial da litosfera constituindo o meio natural para o
crescimento das plantas.

O solo tem sido estudado e interpretado de diferentes maneiras


a medida que os conhecimentos do homem evoluem.

O cultivo de plantas começou quando o homem foi se


transformando de nómada em sedentário tendo isso ocorrido
nos primórdios da humanidade.
Foram descobertos escritos de 2500 a.C. onde se menciona a
fertilidade da terra.

Também Heródoto 2000 a.C. e Teofrasto 3000 a.C. deixaram


registros sobre fertilidade do solo. Entre os romanos vários
deixaram escritos sobre o tema sendo condensado por Petrus
Crescentuis, em 1240, em um livro intitulado "De Agriculture
Vulgare". Durante a idade média, um dos períodos mais
obscuros da ciência, pouco ou nenhum conhecimento foi
acrescentado sobre esse assunto.

No século XVIII apareceu a teoria fisiológica de Mitscherlich


dizendo que o solo era um mero reservatório passivo de
nutriente as plantas, considerando o solo como um objecto
estático, só como sustentáculo das raízes.

No início do século XIX esse conceito foi rejeitado com o


aparecimento da teoria Húmica de A. Von Thaer que dizia
serem apenas as substâncias orgânicas responsáveis pela
fertilidade do solo. Com o surgimento da teoria mineral de
Justus Von Liebig, em 1840, a anterior foi abandonada embora
hoje se saiba que ela é em parte verdadeira. Liebig determinou
que eram as substâncias minerais do solo, os alimentos das
plantas que entravam no metabolismo vegetal. Logo em
seguida Humphreey Davy apoiou a teoria de Liebig
Pedogeografia GA107 10

reconhecendo a importância da rocha matriz para a fertilidade


do solo. Só não soube explicar porque a mesma rocha
determinava mais de um tipo de solo.

Com Carl Sprengel de 1830-1840 apareceram os conceitos de


que o solo é função da influência do clima e dos seres vivos.

Vasilí V. Dokuchaev, em 1887, após observações de solos na


Rússia nas diversas latitudes estabeleceu relação entre o clima
e a génese e evolução do solo. Sua única falha foi dar valor
excessivo ao factor clima em detrimentos dos demais factores.
Estabeleceu a primeira classificação de solo denominada de
classificação climática.

Mais tarde, Nikolai M. Sibirtizev, discípulo de Dokuchaev,


modificou a classificação climática propondo a classificação
dos solos em três zonas climáticas: solos zonais, intrazonais e
azonais.
Glinka, em 1927, estabeleceu o estudo do solo a partir do
conhecimento do perfil. Em 1917, Wiegner definiu o solo
como um sistema disperso obedecendo as leis químicas de
dispersão passando o solo assim a ser um corpo activo e não
mais estático. Marbut estabeleceu em três metros a
profundidade do perfil de um solo, o que determinou
contestação por ser a profundidade variável em diferentes
solos.

G. Milne, em 1935, efectuando pesquisas nas colónias inglesas


mostrou existir agentes erosivos que atacaram a rocha
produzindo depósitos de materiais estabelecendo também a
importância do relevo na formação do solo.

Em 1945, Jenny sintetizou em um livro todos os


conhecimentos que se tinha do solo até aquela data tornando-se
um livro obrigatório de consulta para quem pretende estudar o
solo.
Edafologia é o estudo do solo do ponte de vista de sua
utilização pelas plantas. Resumindo, estuda a relação solo-
planta. Pedologia é a ciência que estuda o solo.
Pedogeografia GA107 11

Conceitos importantes
Solo
Conjunto de materiais minerais, orgânicos, água e ar, não-
consolidados, normalmente localizado à superfície da terra,
com actividade biológica e capacidade para suportar a vida das
plantas.

Solo tem o seu limite superior na atmosfera ou, quando


submerso, numa camada de água pouco profunda. Nos limites
laterais transita gradualmente para águas profundas ou áreas
estéreis constituídas por rocha ou gelo. O seu limite inferior é,
talvez, o mais difícil de definir. O solo inclui os materiais
próximos da superfície que diferem do material rochoso
subjacente como resultado da interacção, ao longo do tempo,
do clima, dos organismos vivos, do material originário e do
relevo. Normalmente, a sua variação é gradual até ao limite
inferior com o material originário, onde cessa a actividade
biológica, e coincide com a profundidade de enraizamento das
plantas perenes nativas.

Pedologia, do grego pedon (solo, terra), é o nome dado ao


estudo dos solos no seu ambiente natural. É um dos dois ramos
da ciência do solo, sendo o outro a edafologia. A pedologia
estuda a pedogénese, a morfologia dos solos e a classificação
de solos.

Sumário
A pedogeografia, estuda a distribuição de solos, as associações características
dos solos com a vegetação, drenagem, relevo,rochas, clima e o significado dos
solos na economia e cultura de uma região.
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Exercícios
1. Porque é o solo um corpo dinâmico?
2. Estabeleça a diferença entre chão e solo.
3. Explique o papel da matéria orgânica para o solo
4. Explique quando é que a água é um factor limitante para o
solo.

Entregar os exercícios: 1 e 3 desta unidade, trabalho com código T-


G- 0139
Pedogeografia GA107 13

Unidade II
Noção e Composição de Solo

Introdução
O conhecimento do conceito e da composição do solo e
importância dos seus constituintes é importante na medida em que
ajuda a compreender a necessidade de preservação do solo bem
como ajuda a escolher o melhor solo para a actividade agrícola

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Definir o papel do solo;


Objectivos

 Indicar e explicar a composição do solo

Definição do solo
Pode definir-se solo como uma formação móvel situada na
superfície da crosta terrestre, na qual se desenvolvem as
plantas. O solo tem, em relação à planta, um duplo papel:
- Serve-lhe de suporte(é o seu abstracto), devendo apresentar
um estrutura física conveniente, que permita a penetração das
raízes, a circulação do ar e a das soluções nutritivas;
- Fornece-lhe as substâncias químicas necessárias à sua
alimentação
Pedogeografia GA107 14

Composição volumétrica do solo

Se observarmos um determinado volume de solo,


verificaremos que o mesmo é constituído de partículas
sólidas, em íntimo contacto entre si, e de espaços entre
estas partículas. Estes espaços, denominados poros ou
vazios, permitem a constatação de que o solo é um corpo
poroso constituído de material sólido e de poros com
dimensões variadas.

Um solo agrícola ideal, na sua camada arável, deve ser


constituído de 50% de material sólido e 50% de poros. O
material sólido deve ser constituído de 45% de material
mineral e 5% de matéria orgânica, e os poros devem ser
constituídos de 25% para armazenamento de água e 25%
para aeração.

Nos diferentes solos a distribuição dos sólidos e poros


varia; da mesma forma esta distribuição também varia
em um mesmo solo, em função da profundidade, práticas
agrícolas, processos de formação, etc.

Componentes sólidos

Os componentes sólidos do solo são representados pela


Matéria Mineral e pela Matéria Orgânica.

 Matéria Mineral

A matéria mineral do solo é representada pelos minerais


constituintes do material de origem do solo, e pelos
minerais formados como resultado do seu intemperismo.
Tais minerais possuem dimensões variadas, sendo
classificados em função desse tamanho. Os minerais que
Pedogeografia GA107 15

constituíam o material de origem e que passam para o


solo sem sofrer alterações são denominados minerais
primários, enquanto que os minerais neoformados,
produtos do intemperismo, são denominados minerais
secundários.

Dentre os minerais secundários destacam-se os minerais


de argila, os quais, por apresentarem cargas eléctricas na
superfície, assumem uma importância muito grande no
que se refere ao armazenamento de cátions e ânions
nutrientes das plantas. Estes minerais não estão dispostos
no solo uns sobre os outros, mas encontram-se agregados
por agentes cimentantes, gerando, desta forma, um
volume bastante grande de poros.

Matéria Orgânica

A matéria orgânica é representada pelos restos animais


(excrementos e carcaças) e restos vegetais (folhas,
galhos, raízes mortas e restos de cultura) em todos seus
estágios de decomposição, sendo que os restos vegetais
tem um significado muito maior como fonte de matéria
orgânica para o solo. A matéria orgânica encontra-se
principalmente na camada superficial do solo, e seu teor
pode sofrer um acréscimo em função da adição feita pelo
homem. A matéria orgânica decompõe-se até constituir o
húmus, que é a matéria orgânica na forma coloidal, com
características benéficas e atribui ao solo uma coloração
mais escura.

No clima tropical, como é o nosso caso, a matéria


orgânica decompõe-se rapidamente, porém, de uma
maneira geral, seu teor não sofre muita alteração, uma
vez que , enquanto ela sofre decomposição, mais matéria
orgânica é adicionada ao solo. Em solos agrícolas o teor
Pedogeografia GA107 16

de matéria orgânica varia de 2 a 3% em peso, porém


quando os valores são muito altos ( acima de 30% ),o
solo é considerado solo orgânico. A matéria orgânica
coloidal (húmus) possui propriedades físicas e químicas
próprias, e propiciam ao solo uma melhoria em suas
propriedades físicas (estruturação, porosidade, retenção
de água, etc.) e químicas (aumenta a retenção de
nutrientes, fornece nutrientes ao solo, etc.).

Componente líquido

O componente líquido do solo vem a ser a água do solo,


porém na realidade trata-se de uma solução, uma vez que
a água contém minerais (cátions e ânions) dissolvidos, e
essa água e esses minerais serão absorvidos pelas plantas.
A água do solo fica retida nos microporos e é drenada
para as camadas mais profundas do solo, pela acção da
gravidade, quando está nos macroporos, os quais são
responsáveis pela aeração do solo. A água do solo esta
retida a tensões variáveis, porém, quando os valores de
tensão são muito elevados, mesmo existindo água no solo
a mesma não pode ser absorvida pelas plantas, que
murcham, às vezes de maneira irreversível.

Componente gasoso

O componente gasoso vem a ser o ar do solo, que possui


a mesma composição qualitativa do ar atmosférico
(possui os mesmos componentes), porém difere
quantitativamente, possuindo teores mais elevados de
dióxido de carbono ( CO2 ) e teores mais baixos de
oxigénio (O2 ), visto que os organismos do solo
respiram, consumindo oxigénio e liberando dióxido de
carbono. Processos naturais, como variações na pressão
barométrica e de temperatura, chuvas, etc., promovem a
Pedogeografia GA107 17

renovação do ar do solo, propiciando sempre um bom


suprimento de oxigénio para as raízes das plantas.

Composição das partículas

Pode parecer à primeira vista que a composição das


partículas de um solo é uma característica muito
importante deste. No entanto, não existem correlações
práticas entre a composição das partículas de um solo e
os seus comportamentos. O que é importante é que ajuda
na interpretação e a compreensão desse comportamento.

A natureza e arranjo dos átomos em uma partícula de


solo, isto é, a sua composição química, influencia de
forma significativa na permeabilidade,
compressibilidade, resistência ao cisalhamento e na
propagação de tensões nos solos, especialmente aqueles
de natureza mais fina.

Existem, com efeito, certos minerais que conferem


propriedades especiais. Já se referiu anteriormente que a
montmorilonita dá grande expansibilidade ao solo.
Também a haloisita, com as suas formas alongadas, dá
origem a solos com pesos específicos muito baixos. Estas
e muitas outras razões que serão referidas mais tarde
justificam que a base indispensável na compreensão dos
fundamentos do comportamento das argilas e em
particular como evolui no tempo, é afectado pela pressão
e “ambiente”. Apresentar-se-ão alguns elementos de
mineralogia das argilas e descrever-se-ão alguns minerais
de interesse para o engenheiro civil.

As partículas de solo podem ser orgânicas ou


inorgânicas. As partículas inorgânicas são minerais. Um
Pedogeografia GA107 18

mineral é um elemento ou um composto químico natural


(tem composição química que pode ser expressa por uma
fórmula) formado por processos naturais. Os minerais
classificam-se de acordo com a natureza e arranjo dos
seus átomos. Os mais importantes são os silicatos, pois
que mais de 90% do peso dos solos existentes na terra
são minerais de silicatos.

Sumário
Concluímos que, Dependendo do seu uso, pode ser visto sob diversos
aspectos .No geal, Solo é um corpo de material inconsolidado, que recobre a
superfície terrestre emersa, entre a litosfera e a atmosfera. Os solos são
constituídos de três fases: sólida (minerais e matéria orgânica), líquida (solução
do solo) e gasosa (ar).

O solo, contudo, pode ser visto sobre diferentes ópticas. Para um agrônomo,
através da edafologia, solo é a camada na qual pode-se desenvolver vida vegetal.
Para um engenheiro civil, sob o ponto de vista da mecânica dos solos, solo é um
corpo passível de ser escavado, sendo utilizado dessa forma como suporte para
construções ou material de construção.

O solo, também chamado terra, tem grande importância na vida de todos os seres
vivos do nosso planeta, assim como o ar, a água, o fogo e o vento. É do solo que
retiramos parte dos nossos alimentos e que sobre ele, na maioria das vezes,
construímos as nossas casas.

Exercícios
1. Os componentes do solo podem ser sólidos, líquidos e
gasosos. Caracterize um dos tipos.
2. A cor do solo reflecte por vezes o tipo de clima a que está
submetido> Qual é a relação?

Entregar o exercício: 2 desta unidade, trabalho com código T- G-


0139
Pedogeografia GA107 19

Unidade III
Formação do Solo: Pedogênese

Introdução
O conhecimento do conceito e da composição do solo e
importância dos seus constituintes é importante na medida em que
ajuda a compreender a necessidade de preservação do solo bem
como ajuda a escolher o melhor solo para a actividade agrícola.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Definir Pedogênese

 Indicar e explicar os factores de formação de solo


Objectivos

PEDOGÊNESE

Pedogênese vem a ser a formação do solo, incluindo os fatores e


processos de formação de solos, fazendo com que, em virtude da variação
desses fatores e processos, os vários solos apresentem propriedades e
características que diferenciam uns dos outros.

Fatores de formação de solos


Os fatores de formação de solos são: material de origem, clima,
organismos, relevo e tempo.
Pedogeografia GA107 20

Material de origem

Vem a ser o material que dá origem ao solo, podendo ser constituído de


rochas (magmáticas, metamórficas e sedimentares ), sedimentos e
material de decomposição de rochas transportados. Vários minerais
constituintes do material de origem permanecem inalterados, enquanto
outros sofrem decomposição, por ação química, transformando-se em
minerais extremamente úteis no solo, e liberando cátions e ânions que
poderão ser absorvidos pelas plantas. Materiais de origem diferentes
darão origem a solos diferentes, e mesmo material de origem pode dar
origem a solos iguais ou a solos diferentes, de acordo com os outros
fatores de formação de solos. O material de origem assume uma grande
importância, visto que as propriedades e características do solo
dependem, em primeiro lugar, da composição do material de origem,
bastando observar as diferenças existentes entre uma Terra Roxa
Estruturada (derivada de basalto) e de uma Areia Quartzosa ( derivada de
arenito ).

Clima

O clima assume uma importância bastante grande, uma vez que o solo,
sendo produto do intemperismo do material de origem, apresenta
propriedades e características diferenciadas em função do clima. Assim é
que solos formados sob clima tropical são solos bastante intemperizados,
enquanto aqueles formados sob clima temperado são bem menos
intemperizados. Quanto mais quente e úmido o clima, maior a lixiviação
de minerais, inclusive de bases, tornando o solo mais pobre e mais ácido.

Resumindo: a ação do clima traduz-se por alterações químicas que


ocorrem mais facilmente em climas quentes úmidos, pois são atenuadas
por baixas temperaturas e praticamente interrompidas com a falta de
água; e por alterações mecânicas favorecidas em regiões de variações
rápidas de temperatura ou com ação do gelo e predominam, portanto nas
regiões subpolares, em desertos e em áreas montanhosas.
Pedogeografia GA107 21

Assim, as regiões atuais de alteração podem diferenciar-se do seguinte


modo:

• Subpolar: alteração mecânica, principalmente devido à ação da


fragmentação produzida pelo gelo.

• Temperada: alterações físicas e químicas atuando conjuntamente

• Desértica: alteração mecânica, principalmente devida variação de


temperatura.

• Tropical: alterações químicas profunda, favorecidas por chuvas intensas


e temperaturas

altas.

Organismos

Os organismos influem na formação do solo, considerando-se que são


fornecedores de matéria orgânica, bem como contribuem com
determinados compostos orgânicos que podem promover diferenciação
entre alguns solos.

Relevo

O relevo influencia o solo resultante condicionando a penetração de água


no solo, e com isso interferindo na intensidade de intemperismo. A Figura
seguinte mostra essa influência. Em áreas planas, na parte alta do relevo
ocorre penetração de grande quantidade de água, com pequena formação
de enxurrada, ocasionado uma lixiviação interna bastante grande, com a
formação de solos profundos, altamente intemperizados, bastante ácidos e
pobres em nutrientes. Em áreas declivosas , a penetração de água é
menor, com formação de mais enxurrada, ocasionando uma lixiviação
menos intensa, e formando solos mais rasos, menos intemperizados,
menos ácidos e com mais nutrientes. Nas áreas de baixada , ocorre ganha
de material, seja por meio da enxurrada, seja através do lençol freático,
sem ocorrência de lixiviação, formando solos rasos, não muito
Pedogeografia GA107 22

intemperizados, porém não muito ácidos e normalmente ricos em


nutrientes.

Tempo

O tempo é um factor formador de solo, uma vez que essa formação é


resultado de reações químicas , bem como da acção das forças físicas de
atração de partículas, que demandam tempo para se manifestarem. Certas
reações demandam mais tempo que outras, fazendo com que haja solos
que demoram mais tempo para atingirem seu ponto de equilíbrio.

Processos de formação de solos

Os processos de formação de solos são o resultado da combinação dos


factores de formação, e são os seguintes:

Adição
Diz respeito a tudo o que entra no corpo do solo, vindo de fora dele, seja
através da adição de compostos orgânicos, seja pela adição de
componentes minerais, trazidos pela erosão ou pela água do lençol
freático.
Pedogeografia GA107 23

Perda
Diz respeito a tudo o que sai do corpo do solo, seja pela erosão ou pelas
queimadas ( pela superfície ), seja pela lixiviação ( em profundidade ).

Transporte

Diz respeito a tudo o que é transportado dentro do corpo do solo, por


processos seletivos ( migração de argila , etc), ou por processos não
seletivos ( transporte por formigas, cupins, etc. )

Transformação

Diz respeito à transformação sofrida pelos minerais constituintes do


material de origem, dando origem aos minerais secundários,
principalmente aos minerais de argila, ou à transformação dos compostos
orgânicos adicionados ao material durante a formação do solo.

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DO SOLO

A principal característica física do solo é a textura que será descrita a


seguir, estando bastante relacionada com a utilização e produtividade do
solo.
Textura diz respeito às dimensões e características das partícula primárias
do solo. Essas partículas são agrupadas em função do tamanho, porém
apresentam características comuns.

Fração Areia
Compreende partículas de dimensões entre 2 e 0,05mm, é constituida
quase que essencialmente de quartzo, apresenta aspereza ao tato, é
responsável pelo aparecimento de macroporos, e portanto pela aeração do
solo, retem pouca água e poucos nutrientes.

Fração Silte
Compreende partículas de dimensões entre 0,05 e 0,002mm, é constituída
em sua maior parte por quartzo, apresenta a sensação de serosidade (
sensação de seda ) ao tato, promove o aparecimento de poucos poros,
podendo causar adensamento do solo, retém pouca água e poucos
nutrientes.

Fração Argila
Pedogeografia GA107 24

Compreende partículas com dimensões menores que 0,002mm.


Constituída em sua maior parte por minerais de argila, apresenta sensação
de untuosidade ( sensação de talco ) ao tato, promove a estruturação do
solo, fazendo com que ocorra o aparecimento de um alto volume de
poros, principalmente de microporos, retém muita água e muitos
nutrientes.

CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS DO SOLO

As principais características químicas do solo, descritas a seguir, são


aquelas utilizadas para fins de classificação de solos; no entanto essas
características químicas estão relacionadas com o uso do solo e o
desenvolvimento das plantas.

Determinações efetuadas

Numa análise química de solo determina-se: pH ( em água, KCl e CaCl2 ),


Matéria orgânica ( % ), hidrogênio (H), alumínio (Al), fósforo (P), cálcio
(Ca), magnésio (Mg), potássio (K), soma de bases (S), capacidade de
troca catiônica (CTC), saturação por bases (V%) e saturação por alumínio
(m).

PH:

mede a acidez do solo, isto e´, quanto menor o valor +( abaixo de 7 ),


mais ácido é o solo; valor igual a 7 indica neutralidade e valores
superiores a 7 indicam caráter alcalino
.
Matéria orgânica :

indica a porcentagem de matéria orgânica coloidal que ocorre no solo.


Valores muito altos ( acima de 30% ) indicam solo orgânico.

Hidrogênio:

determina a acidez do solo, de modo que quanto maior o teor de


Hidrogênio, menor o pH, e portanto maior a acidez.

Alumínio:
Pedogeografia GA107 25

solúvel em meio ácido, ocorre quando o solo está com acidez elevada, e é
tóxico para as plantas.

Cálcio, Magnésio, Potássio e Fósforo: macronutrientes das plantas,


determinados em meq/100g ( Ca, Mg, K ) e em ppm ( P ).

Soma de bases ( S ): representa a soma das bases presentes, isto é, a


soma dos teores de cálcio, magnésio e potássio.

Capacidade de troca catiônica ( CTC ): significa a capacidade que o


solo possui de armazenar nutrientes, é expresso em meq/100g, e
corresponde à somatória dos cátions presentes, isto é, a soma de bases
mais hidrogênio e alumínio ( S + H + Al ).

Saturação por bases ( V% ):


significa a relação entre as bases presentes com a CTC, é expressa em
porcentagem e determinada pela fórmula: S x 100 / CTC.
Saturação por alumínio ( m% ):
significa a relação entre o teor de alumínio em relação à somatória de
soma de bases e alumínio, é expressa em porcentagem e determinada pela
fórmula: Al x 100 / S + Al.

Sumário
O solo é formado a partir da rocha (material duro que também
conhecemos como pedra), através da participação dos elementos do clima
(chuva, gelo, vento e temperatura), que com o tempo, e a ajuda dos
organismos vivos (fungos, líquens e outros) vão transformando as rochas,
diminuindo o seu tamanho, até transformá-la em um material mais ou
menos solto e macio, também chamado de parte mineral.

Deste modo o solo é representado pela seguinte


expressão:

Logo que a rocha é alterada e é formado o material mais ou menos solto e


macio, os seres vivos animais e vegetais, como insetos, minhocas, plantas
Pedogeografia GA107 26

e muitos outros, assim como o próprio homem, passam a ajudar no


desenvolvimento do solo.

Eles atuam misturando a matéria orgânica (restos de vegetais e de


animais mortos) com o material solto e macio em que se transformou a
rocha. Esta mistura faz com que o material que veio do desgaste das
rochas forneça alimentos a todas as plantas que vivem no nosso planeta.

Além disso os seres vivos quando morrem também vão sendo misturados
com o material macio e solto, formando o verdadeiro solo.

Exercícios
1.Explique de maneira o clima participa na formação do solo

2. O homem pode ser considerado agente formador de solo?


Argumente

Entregar os exercícios: 2 desta unidade, trabalho com código T- G-


0139

Unidade IV
Evolução do Solo

Introdução
O conhecimento do conceito e da composição do solo e
importância dos seus constituintes é importante na medida que
ajuda a compreender a necessidade de preservação do solo bem
como ajuda a escolher o melhor solo para a actividade agrícola.
Pedogeografia GA107 27

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

1. Descrever a evolução do solo

2. Definir e explicar o perfil de um solo


Objectiv
os Evolução e Perfildo Solo
Quando efectuamos um corte vertical no solo(perfil do solo), podemos observar,
com frequência, uma sucessão de camadas horizontais ou horizontes, com
constituição e aspectos diferentes. Cada nível possui composição química,
textura e estrutura próprias.

A formação de horizontes está relacionada com a evolução do solo. Esta é


caracterizada essencialmente por migrações de substâncias que dependem dos
movimentos da água, nos sentidos ascendente e descendente. Estes movimentos
são responsáveis pela mobilização dos elementos solúveis e coloidais. Os
deslocamentos da água para baixo provocam a lixiviação e são frequentes nas
zonas de clima com forte pluviosidade. Os deslocamentos ascendentes são
dominantes nos climas onde predomina a evaporação.

A intensidade das migrações depende de numerosos factores, entre os quis a


pluviosidade, o teor do solo em cálcio e a natureza do húmus formado.
Se fizermos uma representação do perfil numa zona de lixiviação intensa, este é o
tipo ABC(fig.3).
Se estivermos em presença do perfil de um solo numa zona de clima quente e
seco, consequentemente com intensa evaporação, o perfil é do tipo BAC(fig.4).
Pedogeografia GA107 28

Fig. 3 Fig. 4

O horizonte de acumulação está, em geral, situado acima do horizonte de


lixiviação porque as águas profundas sobem, por capilaridade, e acabam por
evaporar-se á superfície, abandonando as substâncias dissolvidas.
Podemos considerar, em termos de evolução, dois grandes tipos de solo:
solos jovens ou pouco evoluídos, pouco profundos, não diferindo muito da rocha-
mãe de que provêm e constituídos, geralmente, por um só horizonte, acima da
rocha-mãe;
solos maduros, evoluídos, geralmente mais profundos, cujo perfil nos apresenta
vários horizontes.

PERFIL DO SOLO

A medida que o material de origem se transforma em solo, ele vai se


diferenciando em camadas, mais ou menos paralelas as superfícies, camadas
essas que denominamos Horizontes. O conjunto de horizontes, situados em uma
seção vertical que vai da superfície até o material originário, é o perfil do solo.

Os horizontes de um perfil de solo são formados por processos de adição, perdas,


transformações translocações devido ao fato de estes processos ocorrerem com
intensidade diferentes através do regolito. Entende-se por regolito todo material
inconsolidado ou começando a se decompor, que esta sobre uma rocha.

Os perfis mostram as características do solo numa direção, ou seja, em


profundidade. Se a estas características acrescentamos as que ocorrem nas duas
dimensões laterais da área teremos o corpo do solo.
Os horizontes de um perfil, para conveniência de descrição e de estudo, recebem
denominações com símbolos convencionais que tem significado genético. Os
principais símbolos usados são: H, O, A ,B, C, e R (Figura seguinte). Os
horizontes recebem o símbolo O são os que possuem feições mais afastadas do
material originário e o horizonte C é o que apresenta aspectos mais próximos da
rocha que, por sua vez, recebe a denominação R.
Pedogeografia GA107 29

Pode-se classificar os horizontes do solo de acordo com dois pontos de vista:


Horizontes morfológicos e Horizontes diagnósticos.

Horizontes morfológicos

Os horizontes morfológicos são aqueles que podem ser determinados no campo


através sua forma e suas características observadas a olho nu. Esses horizontes
são denominados por letras, conforme suas características.

O - horizonte superficial, com acúmulo de matéria orgânica total ou parcialmente


decomposta, ocorrendo em solos de mata ou em solos orgânicos, principalmente
em baixadas.

H – horizonte superficial ou não, de constituição orgânica pouco ou não


decomposta, típica de locais com estagnação de água.
A - horizonte superficial, constituído de material mineral escurecido por matéria
orgânica, podendo ser também o horizonte de perda de coloides minerais,
Pedogeografia GA107 30

apresentando, então, textura mais grosseira (mais arenoso).

B - horizonte de subsuperfície, que ganha o material perdido pelo horizonte A,


textura mais fina (mais argiloso) que o horizonte A, mais colorido e mais
estruturado.

C - horizonte de subsuperfície, parcialmente intemperizado, constitui transição do


solo para a rocha (material de origem).

R - rocha (material de origem).

A pode ser dividido em :


A1 - superficial, constituído de material mineral e escurecido por matéria orgânica;

E - subsuperficial, apresenta máxima perda de colóides minerais;

AB- transição entre horizontes A e B, com mais características do A.

O horizonte B pode ser dividido em:


BA- transição entre os horizontes A e B, com mais características do B;
B2 - apresenta ganho de material perdido pelo horizonte A, e máxima expressão
de cor e estrutura;
BC - transição entre os horizontes B e C, com mais características do B.

Subdivisões desses horizontes, como: A 11 , A 12 , A21 , A22 , B21 , B22 , B23 , C1 , C2 ,


C3, etc., indicam seqüência em profundidade.

Os horizontes morfológicos são utilizados para descrição do solo no campo,


fornecendo elementos muito valiosos para a classificação desse solo.
Pedogeografia GA107 31

Sumário
Assim como o nosso corpo, o solo também tem uma organização. Para
podermos entender esta organização, primeiro vamos imaginar um bolo de
aniversário que tem várias camadas, uma em cima da outra, como: uma camada
de chocolate, uma de morango e uma de baunilha. O solo também tem as suas
camadas que são chamadas de horizontes do solo.

Em cada uma destas fotos, podemos ver as diferentes camadas do solo, sendo
cada uma de uma cor diferente. Estas camadas são os horizontes do solo, assim
como as camadas do bolo de aniversário.
Pedogeografia GA107 32

Estes horizontes podem apresentar cores diferentes, como


nas fotos ou não. Quase sempre o primeiro horizonte é mais
escuro que os outros. Isso porque é nele onde normalmente
plantamos os nossos vegetais.

Os vegetais (frutas, verduras, legumes e árvores) e os


pequenos animais quando morrem vão se misturando com
este primeiro horizonte dando a ele uma cor escura.

Exercícios
1. Estabeleça a diferença entre horizonte A e C.
2. Caracterize o orizonte O

Entregar os exercícios: 1 desta unidade, trabalho com código T- G- 0139


Pedogeografia GA107 33

Unidade V
Características morfológicas do
perfil

Introdução

O conhecimento do conceito e da composição do solo e


importância dos seus constituintes é importante na medida que
ajuda a compreender a necessidade de preservação do solo bem
como ajuda a escolher o melhor solo para a actividade agrícola.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Caractrizar os perfis morfologicamnete


 Distinguir as análises morfologicas

Objectivos

As principais características morfológicas do perfil serão descritas


a seguir na seqüência que se descreve na análise morfológica.

Profundidade e espessura entre horizontes


Refere-se a espessura com que os horizontes estão expressos no
perfil.

Cor
A cor do solo é definida pela presença de diferentes componentes
do solo. Assim é que a cor vermelha ou amarela é devida à
presença de óxidos de ferro e a cor cinza ou preta é devida à
presença de matéria orgânica. A cor é uma característica tão
importante que é utilizada na própria nomenclatura dos solos.
Pedogeografia GA107 34

Pela cor pode-se avaliar no solo: conteúdo de Matéria Orgânica;


conteúdo de compostos de Ferro; conteúdo de Sílica; drenagem,
etc. A cor do solo é determinada pela carta de Munsell, composta
por matiz, valor e croma, como por exemplo 5YR 5/6, onde:

Matiz: é a relação com o vermelho e o amarelo. Todas as


quadrículas de uma carta de solo possuem a mesma matiz- 5YR
Valor: indica a tonalidade da cor (mais clara ou mais escura) sendo
que quanto mais alto o valor, mais clara a cor do solo - 5/
Croma: indica a intensidade da cor sendo que o croma aumenta da
esquerda para a direita - /6

Textura

Refere-se às dimensões e características das partícula primárias do


solo. Essas partículas são agrupadas em função do tamanho, porém
apresentam características comuns. Pode ser avaliada através do
tato, pela sensação ao esfregar um pouco de solo úmido entre os
dedos. A areia provoca sensação de aspereza, o silte de sedosidade
e a argila de pegajosidade.

Raramente um solo é constituído de uma só fração granulométrica,


daí a necessidade de classes de textura procurando definir
diferentes combinações de areia, silte e argila. A Figura quese
segue mostra o triângulo das classes texturais, adaptado do
americano proposto pelo Soil Survey Manual (1993).
Pedogeografia GA107 35

Estrutura

Estrutura do solo vem a ser o arranjamento das partículas unitárias,


unindo-se através forças de adesão e coesão, constituindo as
partículas secundárias do solo, denominadas unidades estruturais,
promovendo o aparecimento de espaços porosos (poros),
principalmente microporos. Quanto mais estruturado um solo,
maior o volume total de poros que ele possui, e portanto maior a
capacidade de armazenamento de água. A estruturação do solo é
promovida pelos minerais de argila, pelos óxidos de ferro e
alumínio e pela matéria orgânica coloidal (húmus).

Agregados são a junção de partículas primárias do solo com forças


variadas de coesão, quebrando-se em fragmentos sem conformação
específica.
Unidades estruturais são agregados que apresentam formas e
tamanhos definidos, comportando-se como partes individualizadas
que podem ser classificadas quanto ao tipo, grau de
desenvolvimento e classe de tamanho da estrutura.

Tipos de estrutura
- laminar;
- prismática ou colunar;
- blocos angulares e subangulares;
Pedogeografia GA107 36

- granular ou esferoidal.

Grau de desenvolvimento da estrutura


- sem estrutura;
- fraca;
- moderada;
- forte;
- maciça.

3. Classes de tamanho da estrutura


- muito pequena;
- pequena;
- média;
- grande;
- muito grande.
Exemplo de descrição de estrutura: forte muito pequena
granular.

Em suma
A escala mais usada é a que se mostra no quadro abaixo:

LOTES DIÂMETRO DAS


PARTÌCULAS
em Milímetros

Cascalho >2

Areia 2 -0,2
grossa

Areia 0,2 - 0,02


fina

Limo 0,02 - 0,002


Pedogeografia GA107 37

Argila < 0,002

A textura do solo depende de vários factores, sendo os mais


importantes a rocha-mãe, a topografia e o clima. O estudo das
propriedades do solo faz-se a partir de amostras de terra fina. No
entanto, é de assinalar que a fracção grosseira desempenha, por
vezes, um papel importante na protecção contra a erosão.

Cerosidade
É o aspecto um tanto brilhante e ceroso que ocorre por vezes na
superfície das unidades de estrutura, manifestada freqüentemente
por um brilho colorido.
É decorrente da película coloidal iluviada, constituída por minerais
de argila e óxido de ferro.
Quanto ao grau de desenvolvimento, pode-se classificar a
cerosidade em fraca, moderada e forte.
Quanto à quantidade pode ser: pouco, comum ou abundante.

Consistência

Diz respeito ao comportamento de solo a diferentes teores de


umidade. Assim considera-se o comportamento do solo quando
seco, úmido ou molhado. Quando seco, o solo apresenta a
propriedade da dureza; quando úmido, apresenta a da friabilidade; e
quando molhado as de plasticidade e da pegajosidade. Estas
propriedades são muito importantes quando se considera o trabalho
mecânico do solo, visto que ao se arar ou se gradear um solo duro
(seco) ou plástico e pegajoso (molhado) teremos sérios prejuízos
quando comparado ao trabalho efetuado quando o solo esta friável
(úmido).
Pedogeografia GA107 38

Sumário
A estrutura de um solo é a sua característica física expressa pela
forma, dimensão e arranjo das suas partículas sólidas e dos vazios
que a elas se associam. A estrutura do solo está relacionada com a
presença no solo de grandes moléculas minerais, como as das
argilas, e orgânicas, como as do húmus ou ácidos húmicos.
Dos diferentes aspetos estruturais característicos de um solo, uns
são observados à vista desarmada (a macroestrutura), e outros só
são visíveis ao microscópio (a microestrutura).

A estrutura do solo é importante sob o ponto de vista pedológico e


agronómico. Sob o ponto de vista pedológico, é importante para a
classificação dos solos; e agronomicamente é importante porque da
estrutura depende o movimento e retenção de água, o arejamento,
nos trabalhos de mobilização e na suscetibilidade do solo à erosão,
etc.

Exercícios
Entregar o exercício 1 desta unidade.

1. De que depende a cor do solo?


2. Define estrutura do solo
Pedogeografia GA107 39

Unidade VI
Outras Propriedades dos Solos

Introdução
O conhecimento do conceito e da composição do solo e
importância dos seus constituintes é importante na medida que
ajuda a compreender a necessidade de preservação do solo bem
como ajuda a escolher o melhor solo para a actividade agrícola.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Descrever as leis básicas dos movimentos das águas naturais; e

 Indicar as propriedades dos solos;


Objectivos

 Explicar as propriedades dos solos naturais

Densidade Aparente do Solo

Define-se densidade aparente do solo como a razão entre a massa


da parte sólida de um dado volume aparente do solo(volume
ocupado pelas partículas + volume ocupado pelos poros) e a massa
de igual volume de água.

A densidade aparente depende, como é óbvio, da porosidade. Varia


também com a textura e o teor do solo em matéria orgânica. A
porosidade é a razão entre o volume ocupado pelos poros e o
volume aparente do solo. Exprime-se em percentagem e varia de
Pedogeografia GA107 40

solo para solo. Varia também, em cada solo, com o estado do seu
complexo argilo-húmido.

O quadro seguinte mostra a relação entre a densidade aparente de


um solo e a porosidade:

DENSIDADE POROSIDADE
APARENTE

1 a 1,2 55 a 62%

1,2 a 1,4 46 a 54%

1,4 a 1,6 40 a 46%

1,6 a 1,8 40%

O cálculo da densidade aparente implica, geralmente, a secagem


prévia da amostra do solo recolhida por meio de sondas.

Humidade do Solo

Como já foi afirmado, a água é um factor determinante na génese


do solo, sendo indispensável à vida das plantas.

Em geral, o teor de água no solo exprime-se através da


percentagem de água em relação ao peso do solo, que foi seco a
105ºC.
Pedogeografia GA107 41

É importante, no entanto, notar que a quantidade de água existente


no solo só tem significado quando considerada em conjunto com a
força com que a água se encontra retida no solo. Este facto facilita
ou não a sua absorção pelas plantas(figs.5, 6 e 7).

Figura 5 - Esta água contida nos macroporos

escoa-se por acção da gravidade

Figura 6 - Esta água está retida em volta de

partículas terrosas ou nos espaços capilares

e é facilmente absorvida pelas raízes


Pedogeografia GA107 42

Figura 7 - Esta água está fortemente retida

em volta de partículas terrosas e não é

absorvida pelas plantas

A água existente no solo abrange:

água higroscopia - é fixada na superfície dos coloides, por


absorção;

água capilar - é sujeita a fenómenos de capilaridade no solo e


desloca-se nos espaços intersticiais;

água gravitacional - não é retida no solo, deslocando-se apenas nos


macroporos, por acção da gravidade.

PH do Solo

O pH do solo pode determinar-se em água, colorimetricamente ou


potenciometricamente, agitando-se, para isso, uma porção de solo
em água.

O resultado obtido depende da técnica usada no ensaio, não


podendo, portanto, supor-se que o valor medido corresponde
exactamente á concentração hidrogeniónica que os organismos vão
encontrar no solo.

Refira-se também que, no caso do solo, o pH não constitui um


valor constante e característico, sofrendo inúmeras variações
relacionadas, por exemplo, com o teor da água do solo.
Pedogeografia GA107 43

O pH da maioria dois solos situa-se entre 4 e 8,5.

O pH inferior a 4,5 +prejudica a nutrição e o desenvolvimento das


plantas pelas seguinte razões:

excesso de AI, Fe e Mn solúveis;

fraca assimilabilidade do P;

muito fraca assimilabilidade de S, Mo, Cu, Zn;

condições desfavoráveis a certas actividades biológicas, tais como:


decomposição da matéria orgânica, humidificação, nitrificação e
fixação simbiótica do azoto atmosférico.

Há, no entanto plantas que preferem solos muito ácidos, como a


hortênsia e o chá. Desconhece-se se trata de acidofilia ou de
exigências de alumínio. O valor do pH do solo é mais elevado, por
exemplo, nos solos de origem granítica, que são ácidos.

8 - Classificação dos solos quanto ao pH


Pedogeografia GA107 44

Em Suma:

Sumário
A princípio, a diversidade dos componentes minerais e orgânicos,
bem como a proporção entre estes existentes em um solo
determinam a densidade do material do solo.
Pedogeografia GA107 45

 Densidade do solo (ds): consiste na relação entre a massa e


o volume real, considerando os volumes da matriz sólida e
da porosidade total (g/cm3);
 Densidade das partículas (dp): é a relação entre a massa de
uma amostra de solo e o volume que ocupam as partículas
do solo, desconsiderando o volume dos poros (g/cm3);

Exercícios
1. Exlique a propriedade densidade dos solos
2. De que depende a densidade de um solo?

Entregar os exercícios: 1 desta unidade, trabalho com código T-


G- 0139
Pedogeografia GA107 46

Unidade VII
ALTERAÇÕES DOS SOLOS
DEPOIS DA SUA FORMAÇÃO

Introdução
O conhecimento do conceito e da composição do solo e
importância dos seus constituintes é importante na medida que
ajuda a compreender a necessidade de preservação do solo bem
como ajuda a escolher o melhor solo para a actividade agrícola.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Descrever as alterações dos solos apos a formação;

Objectivos

ALTERAÇÕES DOS SOLOS DEPOIS DA SUA FORMAÇÃO

Os engenheiros civis quando projetam as suas obras têm que ter em


atenção não só as condições e propriedades que estão presentes no
início dos trabalhos, mas também saber como evoluirão essas
propriedades ao longo da vida das obras.
Pedogeografia GA107 47

Quer as dimensões que as formas de um determinado depósito e de e as


respectivas propriedades podem alterar-se de maneira significativa. Essas
alterações podem ocorrer

independentemente da actividade do homem enquanto que outras são


conseqüências da própria construção. Com a prática o engenheiro
aprende que o solo não é inerte e que é bastante sensível ao ambiente, o
que se por um lado dificulta a resolução de muitos problemas, por outro os
torna bastante interessantes.
Pedogeografia GA107 48
Pedogeografia GA107 49
Pedogeografia GA107 50

Sumário

Exercícios
1.Explique o papel tempo como factor de alteração
2.De que maneira o ambiente altera os solos?
Entregar os exercícios: 2 desta unidade, trabalho com código T- G- 0139
Pedogeografia GA107 51

Unidade VIII
Estruturas dos Solos

Introdução
O conhecimento do conceito e da composição do solo e
importância dos seus constituintes é importante na medida que
ajuda a compreender a necessidade de preservação do solo bem
como ajuda a escolher o melhor solo para a actividade agrícola.

 Identificar as estruturas dos solos;


 Explicar cada tipo de estruturas

Objectivos

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:


Pedogeografia GA107 52
Pedogeografia GA107 53

b) ESTRUTURA ALVEOLAR. Esta estrutura se considera típica e


grãos de pequeno tamanho (0,02 mm de diâmetro ou algo
menores), que se depositam em um meio contínuo, normalmente
água e, algumas vezes, ar. Nestas partículas, a gravidade exerce um
efeito que faz com que tendam a se sedimentar, mas dada sua
pequena massa, outras forças naturais podem ter uma magnitude
significativa. A partícula, antes de chegar ao fundo do depósito,

toca a outra partícula já depositada, a força de aderência


desenvolvida entre ambas, pode neutralizar o peso, fazendo com
que a partícula seja detida antes de completar seu percurso: outra
partícula pode agora ter o mesmo comportamento e assim elas
poderão chegar a formar uma tela, com quantidade importante de
vazios, a modo de um painel. As forças de aderência, causadoras
destas estruturas são forças superficiais, já mencionadas
anteriormente.

c) ESTRUTURA FLOCULADA. Quando no processo de


sedimentação, duas partículas de diâmetros menores que 0,02 mm
Pedogeografia GA107 54

chegam a se tocar, se aderem com força e se sedimentam juntas;


assim, outras partículas podem unir-se ao grupo, formando um
grumo, com estrutura similar a um painel. Quando estes grumos
ficam ao fundo formam por sua vez painéis de dimensões muito.
Este mecanismo produz uma estrutura muito frágil e solta, com
grande volume de vazios, chamada floculenta, ou algumas vezes,
alveolar de ordem superior.

As partículas menores que 0,0002 mm (0,2 micra) já são


consideradas colóides; estas partículas podem permanecer em
suspensão indefinidamente, pois nelas o peso exerce pouca
influência em comparação com as forças elétricas desenvolvidas
entre as partículas carregadas negativamente, segundo já foi dito e
com as forças moleculares exercidas pela própria água; quando
duas destas partículas tendem a se aproximar, suas cargas exercem
uma repulsão que as afasta novamente; as vibrações moleculares da
água impedem que as partículas se precipitem; o resultado é um
movimento característico em rápido zig-zag, conhecido como
movimento browniano (observado pela primeira vez pelo botânico
inglês Brown ao estudar suspensões de clorofila no microscópio).
Por esse mecanismo, as partículas coloidais do solo em suspensão
não se sedimentam jamais. As cargas elétricas das partículas
coloidais podem, sem dúvida, neutralizar-se sob a influência da
adição de íons de carga positiva oposta: um eletrólito, por exemplo,
os ácidos clorídricos, quando se dissocia em água origina íons
positivos e negativos (Cl- e H+). Pelo efeito dos íons H- em
solução, os colóides neutralizam suas cargas e chocam entre si,
mantendo unidos pelas forças de aderência que se desenvolvem.

Desta maneira podem começar a formar flocos de massa maior, que


tendem a
Pedogeografia GA107 55

se depositar. Na água do mar, os sais contidos atuam como


eletrólito, fazendo possível a geração de mecanismo antes descrito:
nas águas naturais a dissociação normal de algumas moléculas
(H+,OH-) que sempre são geradas, as presenças de sais, etc, levam
ao mesmo efeito.

Os flocos se unem entre si para formar painéis, que se depositam


conjuntamente, formando novos painéis ao tocar o fundo e dando
lugar a uma forma extraordinariamente difusa de estrutura
floculenta, no qual o volume sólido pode não representar mais de 5
a 10%.

Conforme aumenta o peso devido a sedimentação contínua, as


capas inferiores expulsam a água aumentado a consolidação.
Durante esse processo, as partículas e grumos se aproximam entre
si e é possível que esta estruturação tão pouco firme no princípio,
alcance resistências de importância.

d) ESTRUTURAS COMPOSTAS. Considera-se que as estruturas


anteriores raramente se

apresentam “puras” na natureza,, pois a sedimentação compreende


partículas de todos os

tamanhos e tipos, para as que regem as leis da natureza de modo


diferente. Segundo as ideias até aqui expostas sobre estruturação,
seria comum encontrar nos solos reais estruturas como a ilustrada
abaixo. Nestas formações define-se um esqueleto constituído por
grãos grossos e massas coloidais de flocos que proporcionam união
entre elas.
Pedogeografia GA107 56

A estrutura é formada em condições que permitem a sedimentação


de partículas grossas e finas simultaneamente; isto ocorre
freqüentemente na água do mar ou lagos, com conteúdo apreciável
de sais, donde o efeito floculante dos sais coexiste com o arraste de
ventos, correntes de água, etc.

O processo de acúmulo de sedimentos acima de um certo nível faz


com que as camadas inferiores se consolidem sob o peso das
sobrejacentes; as partículas mais grossas se aproximam fazendo
com que a argila floculada ao tocar o fundo diminua de volume; a
compressão resultante da argila é maior nas zonas onde se encontre
mais confinada, isto é, nas regiões de aproximação entre os grãos
mais grossos, sempre que não haja fluxo lateral da massa nestas
regiões. Se o incremento da carga é rápido, existirá um fluxo lateral
e, conseqüentemente, a massa coloidal sofrerá um decréscimo de
volume mais uniforme; mas na natureza a carga cresce muito
lentamente, pelo que o fluxo lateral tende a se produzir em escala
muito menor e as propriedades tixotrópicas da matéria coloidal
podem ajudar eficazmente no impedimento quase por completo.
Assim se produz nas regiões de aproximação entre os grãos grossos
uma liga argilosa coloidal altamente consolidada, que define
fundamentalmente a capacidade do esqueleto para suportar cargas.
Estas ligas argilosas estão sujeitas a pressões muito maiores que o
meio da massa do solo, mesmo que a argila preencha os vazios do
esqueleto se mantenha branda e solta, sujeito a pressões
comparativamente muito menores.

Com as idéias anteriores é fácil entender a diferença que


apresentam as argilas nas propriedades mecânicas quando se
encontram nos estados indeformado e deformado. O amolgamento
destrói a liga de argila altamente consolidada entre as partículas
grossas e permite que a argila a cubra em volta, atuando como
Pedogeografia GA107 57

lubrificante entre elas; como resultado, a consistência no estado


amolgado será muito fraca. Embora não sejam destruídas as
ligações consolidadas, a argila se comporta elasticamente e possui
resistência à ação das cargas, que depende principalmente da
pressão a que foi consolidada na natureza; a deformação da massa
decresce a uma maior consolidação prévia e a uma maior diferença
entre a pressão nas zonas argilosas de envolvimento e a pressão
média em toda a massa: esta diferença é tanto maior quanto mais
complexa for a estrutura (argila marinha, por exemplo).

Alguns autores têm atribuído exclusivamente a diferença de


comportamento mecânico das argilas, entre o estado inalterado e
amolgado, às propriedades tixotrópicas destes materiais. Com
efeito, a tixotropia produz certa rigidez reversível na massa
plástica, aumentando a aderência nos pontos de contato: como este
aumento depende da posição relativa das partículas, existe uma
deformação crítica que rompe a aderência e devolve a fraqueza ao
material. É muito provável como dito anteriormente, que a
tixotropia coopere

com a formação da estrutura composta e a coerência de seu


esqueleto, impedindo o fluxo

lateral da massa coloidal nas regiões de predominância de grãos


grossos: assim quanto maior grau a propriedade se apresente nas
massas coloidais, é maior a possibilidade de manter-se no depósito
muito solto sob grandes cargas. Sem dúvida, a resistência do
material da liga de argila, não é função da tixotropia, senão da
intensa concentração da carga daquelas ligas, a qual, por sua vez,
depende da estrutura adotada e da carga máxima do extrato já tenha
suportado ao longo da sua história geológica.
Pedogeografia GA107 58

e) ESTRUTURA EM “CASTELO DE CARTAS”. Alguns


investigadores como Goldschmidt e Lambe tem sugerido uma
interpretação diferente sobre a gênese de uma estrutura floculenta e
a estrutura resultante entre si. Segundo estas idéias a forma lamelar
típica dos minerais de argila é fundamental no resultado da
estruturação dos solos finos.

As investigações realizadas em partículas de caulinitas, ilitas e


montmorilonitas demonstram que os seus comprimentos são da
mesma ordem das suas larguras e que as espessuras variam de
1/100 destas dimensões, nas montmorilonitas, a 1/10 nas caulinitas,
ocupando as ilitas uma posição intermediária. Com estes dados é
possível estimar a superfície específica destas partículas (metro
quadrado de área superficial por grama de peso) é da ordem de 10
em caulinitas, 80 nas ilitas e 800 nas montmorilonitas; estes valores
cobrem toda sua importância ao considerar a ação das forças
superficiais como fator que intervém na estruturação, não sendo
difícil conceber que tal fator chegue a ser determinante. Além
disso, nas investigações de referência permitiu notar que, embora a
partícula do solo tenha carga negativa parece certo que nas suas
arestas exista uma concentração de carga positiva que faz com que
essa zona localizada se atraia com outra superfície qualquer de uma
partícula vizinha. Tomando isto como consideração, os
investigadores mencionados propuseram para as argilas uma
estrutura tal como a que mostra a figura abaixo, na qual se
denominou “castelo

de cartas”.

Deve ser notado que, segundo esta hipótese de estruturação,


também corresponde ao solo um importante volume de vazios e
que os reflexos anteriores sobre consolidação das zonas baixas sob
o peso das sobrejacentes conservam a sua validez.
Pedogeografia GA107 59

f) ESTRUTURA DISPERSA. Algumas investigações posteriores


têm indicado que uma hipótese estrutural do tipo de “castelo de
cartas”, na qual as partículas têm contatos mútuos, embora se possa
aceitar como real em muitos casos, talvez não seja a mais estável
no que poderia se pensar. Qualquer perturbação que possa existir,
como deformação por esforço cisalhante, tende em geral a diminuir
os ângulos entre as diferentes lamelas do material.

Conforme isso esteja ocorrendo, atuam entre as partículas pressões


osmótica inversamente proporcional ao espaçamento entre elas. As
pressões osmóticas tendem a fazer com que as partículas se
separem e assumam uma posição tal como mostrado
esquematicamente na na figura a seguir. Em (a) e (b) desta figura
mostra-se o mecanismo pelo qual a pressão osmótica

Sumário
l/kjh;jibg;uhbvjk.n
Pedogeografia GA107 60

Exercícios
1. Estebeleça a distinção entre estrutura simples e alveolar.

Entregar o exercício desta unidade, trabalho com código T- G-


0139
Pedogeografia GA107 61

Unidade IX
Classificação dos Solos

Introdução
O conhecimento do conceito e da composição do solo e
importância dos seus constituintes é importante na medida que
ajuda a compreender a necessidade de preservação do solo bem
como ajuda a escolher o melhor solo para a actividade agrícola.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Classificar o solo;

 Distinguir o tipo de classificação de solos

Objectivos

CLASSIFICAÇÃO QUANTO À PEDOLOGIA

Pedologia é o estudo do desenvolvimento do solo próximo à


superfície. O perfil do solo geralmente mostra uma seqüência de
camadas (chamadas de horizontes) que se estende de 1,5 m a 3,0 m
abaixo da superfície. As propriedades destes horizontes refletem
nos materiais que lhe deram origem e afeta fatores ambientais tais
como clima, inclinação do talude, e a vegetação sobre o processo
de formação. Este sistema classifica os solos de acordo com as
características dos horizontes sucessivos.

As características usadas para classificação incluem cor, textura,


espessura dos horizontes, etc. Aos solos são designados nomes
especiais, freqüentemente os nomes da localidade onde tais perfis
do solo foram primeiramente identificados. Perfis semelhantes
Pedogeografia GA107 62

encontrados subseqüentemente em outros locais são designados


pelo mesmo nome.

Pedologia é designação de um sistema de classificação dos solos e


que os considera como parte natural da paisagem e tem seu
interesse maior no estudo da origem e de sua evolução ao longo do
tempo. Após a intemperização da rocha o solo começa a sofrer
transformações e a se organizar em horizontes, de aspectos e
condições diferentes e aproximadamente paralelos à superfície do
terreno. O perfil de um solo bem desenvolvido possui quatro
horizontes, que poderão ser subdivididos e convencionalmente
identificados pelas letras O, A, B, C, e R.

Características que refletem a influência do clima e dos organismos


vegetais na sua formação:

Solos zonais:

• São bem desenvolvidos (maduros), pois houve tempo suficiente


para que o estado de equilíbrio final com a natureza fosse
alcançado;

• Profundos, com os horizontes A, B e C bem diferenciados e cujas


características são bem mais desenvolvidas em regiões altas com
taludes suaves e boa drenagem.

Solos intrazonais:

• Podem ser formados em locais de topografia suave com clima


úmido e nível de água próximo a superfície;

• Em regiões áridas ou próximas do mar resultando uma


concentração de sais solúveis multo grande;

• Alguns solos do grupo apresentam um alto teor de


montmorilonita, com comportamento não desejado na engenharia
geotécnica.

Solos azonais:
Pedogeografia GA107 63

• Características pouco desenvolvidas, devido a formação recente.


A natureza do relevo e do material original impede o
desenvolvimento de características típicas do clima onde ocorrem.

• Não possuem o horizonte B e os horizontes constituintes são


pouco espessos e apoiados sobre o horizonte C ou sobre a rocha.

Este sistema de classificação pedológica é muito usado em


agronomia, sendo pouco usado na engenharia civil, embora possa
ser de muita valia na fase de reconhecimento para uma obra de
grande porte.

CLASSIFICANDO QUANTO À MOVIMENTAÇÃO DOS


SEDIMENTOS

Assim que a ação do intemperismo se faz manifestar sobre uma


rocha, gerando os sedimentos, poderão estes permanecer em seu
local de origem ou serem movimentados para outros locais por
agentes da natureza. Se os sedimentos permanecem no local de
origem, com o processo de alteração que se seguirá, resultará um
solo com textura bem graduada, denominado de solo residual.
Embora para os geólogos não seja esta a melhor denominação, está
consagrada para os engenheiros de solos e deverá permanecer.
Pedogeografia GA107 64

Nos depósitos de solos residuais, as dimensões das partículas são


muito variadas por causa da diferença das resistências à ação do
intemperismo dos minerais constituintes da rocha matriz. Com isso
estes depósitos poderão ter blocos de grandes dimensões
denominados matacões. A sua existência pode impedir a
penetração das ferramentas utilizadas na investigação do subsolo e
podendo induzir o técnico responsável pelo serviço a uma
interpretação errada do perfil ao supor ter encontrado o manto
rochoso. Os sedimentos formados pela intemperização da rocha
poderão ser movimentados para outros locais originando os solos
de sedimentos transportados. Durante o transporte os sedimentos
poderão sofrer alteração na forma e dimensões iniciais, além de
sedimentos de origens diversas serem incorporados na massa em
movimentação.

Os agentes de transporte mais comuns são a gravidade, água,


geleira e vento, cada um deles originando a formação de solos com
características próprias.

Os sedimentos transportados por gravidade, devido a diferença de


nível entre dois pontos, se localizam na base de uma elevação,
originando os solos coluvionares (talus). São solos bem graduados
com ampla variação das dimensões partículas e com a fração grossa
mantendo a forma original em face da pequena distância de
transporte.

Quando os sedimentos são transportados pela água há uma seleção


natural dos mesmos, com os maiores sendo depositados a uma
distância menor e os menores a uma distância maior do local de
início do transporte. Esta seleção dependerá da velocidade da água.
Os solos assim originados são denominados aluvionares. Estes
solos apresentam partículas com dimensões que variam em um
intervalo menor do que os solos coluvionares. O transporte dos
sedimentos pela água permite que mesmo aqueles com dimensões
Pedogeografia GA107 65

maiores sejam rolados a uma distância que provoque alterações na


sua forma e dimensões iniciais.

Os sedimentos transportados por geleiras darão origem a solos


glaciários com textura bem graduada, podendo conter desde
matacões até partículas de dimensão argila. Em face do grande
volume de uma geleira, os sedimentos transportados preservam a
forma e dimensões iniciais, enquanto aqueles que se encontram no
plano de deslizamento têm face polida. Quando a geleira termina a
sua movimentação e inicia o processo de degelo, deixará no local
os sedimentos transportados para geração de depósitos de solos
denominados glaciários.

Os sedimentos transportados pelo vento dão origens aos solos


eólicos, que são mal graduados, porosos, pouco densos e
estruturalmente instáveis. Durante o transporte de sedimentos
ocorrerá sempre a possibilidade de serem agregados elementos de
fontes diferentes que poderão dificultar a identificação da fonte
principal de origem dos sedimentos. As dunas são o principal
exemplo deste tipo de solo.

CLASSIFICAÇÃO GRANULOMÉTRICA

A identificação de amostras de solo pela granulometria inicia na


classificação nas duas grandes divisões, solos grossos (ásperos) ou
solos finos (macios ao tato). O exame visual das amostras permite
avaliar a predominância do tamanho de grãos. Quando predominam
grãos maiores que 2 mm, o solo deve ser classificado como
pedregulho. Se percebida a predominância de grãos na faixa de 0,1
mm a 2 mm, deve ser classificado como areia. Um exame mais
acurado de areias permite a classificação em areias grossas (ordem
de grandeza 1mm), médias (0,5mm) ou finas (0,1mm). A
classificação em solos grossos ou solos finos também pode ser feito
com auxílio de lavagem da amostra em uma peneira de 0,075mm
(nº. 200) e avaliação da porcentagem retida.
Pedogeografia GA107 66

A composição granulométrica do solo determina, principalmente


para os solos grossos, as características de seu comportamento.
Nesta classificação os solos são designados pelo nome da fração
preponderante. Esta afirmação deve ser analisada com rigor, pois se
sabe que as definições não deveriam ser baseadas simplesmente nas
frações majoritárias, uma vez que nem sempre são elas que ditam o
comportamento de um solo. Assim, preferindo-se agrupar os solos
quanto ao comportamento e não quanto às constituições, a
classificação deveria denominá-lo de acordo com a fração mais
ativa no seu comportamento. Embora hoje recomendada mais para
os solos grossos (que não apresentam propriedades correlacionadas
com a plasticidade) a classificação granulométrica tomou-se
universalmente empregada.

Classificações granulométricas são prejudicadas por não existir


concordância universal quanto ao intervalo de variação dos
diâmetros de cada uma das frações que compõem os solos (escalas
granulométricas).

Para a classificação granulométrica podem-se utilizar as próprias


curvas granulométricas indicando a finura do solo e a forma da
curva, ou diagramas triangulares, como o de FERET, muito
utilizados para fins agrícolas, mas pouco em Mecânica dos Solos.

Nos diagramas triangulares, fazem-se corresponder aos três lados


do triângulo as porcentagens respectivas de argila, silte e areia. É
mais comum somar as porcentagens de pedregulho e areia antes de
utilizar o diagrama triangular, e mencionar após a classificação,
conforme o caso, a predominância de areia ou de pedregulho.
Havendo o improvável interesse em classificar a fração fina do solo
pela granulometria, se ocorrer pedregulho (grãos maiores que 2,0
mm), as porcentagens de areia, silte e argila são divididas pela
porcentagem de material passante na peneira de 2,0 mm. Isto faz
com que a soma das porcentagens do material fino se aproximem
Pedogeografia GA107 67

de 100% e o triângulo de Feret possa ser usado. Neste caso, é


preciso explicitar que a classificação se refere à fração fina do solo

Sumário
As características usadas para classificação incluem cor, textura,
espessura dos horizontes, etc. Aos solos são designados nomes
especiais, freqüentemente os nomes da localidade onde tais perfis
do solo foram primeiramente identificados. Perfis semelhantes
encontrados subseqüentemente em outros locais são designados
pelo mesmo nome.

Exercícios
1.Qual a diferença entre solos zonais e azonais

2.Caracterize a classificação granulométrica dos solos

Entregar os exercícios: 1 e 3 desta unidade, trabalho com código


T- G- 0139
Pedogeografia GA107 68

Unidade X
Sistema Unificado de
Classificação de Solos

TABELA III - Classificação Unificada dos Solos

Designação
Processo para identificação no campo Grupo
característica

Pedregulhos
bem
Grãos cobrindo toda a escala de graduados,
granulação com quantidade misturas de
GW
substancial de todas as partículas areia e
SOLOS DE
intermediárias pedregulho
GRANULAÇÃO PEDREGULHOS com pouco ou
GROSSA PEDREGULHOS nenhum fino.
Mais de metade
PUROS
Mais de da fração
metade é maior grosseira e (pouco ou
Pedregulhos
que a abertura maior que a # nº nenhum fino)
mal
da peneira de 4
malha nº 40 Predominância de um tamanho de graduados,
grão ou graduação falhada misturas de
GP
(ausência de alguns tamanhos de pedregulho e
grão) areia com
pouco ou
nenhum fino.
Pedogeografia GA107 69

Pedregulhos
siltosos,
misturas de
Finos não plásticos (ML ou MH). GF pedregulho,
areia e silte
PDREGULHOS mal
COM FINOS graduados.
(apreciável
quantidade de Pedregulhos
finos) argilosos,
misturas de
Finos plásticos (CL ou CH) GC pedregulho,
areia e argila
bem
graduados.

Areias bem
Grãos cobrindo toda a escala de graduadas,
granulação com quantidade areias
SW
substancial de todas as partículas pedregulhosas,
intermediárias com pouco ou
AREIAS PURAS nenhum fino.
(pouco ou
nenhum fino) Areias mal
graduadas,
AREIAS Predominância de um grão ou areias
SP
graduação falhada pedregulhosas,
Mais que
com pouco ou
metade da
nenhum fino.
fração grosseira
menor que a # nº
4 Areias siltosas,
misturas mal
Finos não plásticos (ML ou MH) SF
graduadas de
AREIA COM
areia e silte.
FINOS
(apreciável
quantidade de Areias
finos) argilosas,
Finos plásticos (CL ou CH ou OH) SC misturas bem
graduadas de
areia e argila.

SOLOS DE Processo de identificação executado sobre a fração < # nº 40 A abertura da malha #


Pedogeografia GA107 70

GRANULAÇÃO nº 200 corresponde


DILATÂNCIA RIGIDEZ
FINA RESISTENCIA aproximadamente à
(DILAÇÃO) (consistência menor partícula visível
Mais que a ENSAIO EXPEDITO a SECO
(sacudindo na a olho nu
metade do (esmagamento
material é na palma da proximidade
pelos dedos)
menor que a mão) do LP)
abertura de
malha da # 200
Siltes
inorgânicos e
areias muito
nenhuma rápida finas, alteração
de rocha,
a a nenhuma ML
areias finas,
pequena lenta siltosas ou
argilosas com
pequena
plasticidade

SILTES E ARGILAS Argilas


inorgânicas de
baixa e média
média plasticidade,
Limite de Liquidez a Nenhuma a argilas
média CL
menor que 50 muito lenta pedregulhosas,
elevada argilas
arenosas,
argilas siltosas,
argilas magras

Siltes
orgânicos e
Pequena à siltes argilosos
lenta pequena OL
média orgânicos de
baixa
plasticidade

Siltes
inorgânicos,
SILTES E ARGILAS
micáceos ou
Pequena a Lenta a Pequena a diatomáceos,
MH
média nenhuma média finos arenosos
Limite de liquidez maior
ou solos
que 50
siltosos, siltes
elásticos
Pedogeografia GA107 71

Argilas
inorgânicas de
Elevada a
nenhuma elevada CH alta
muito elevada
plasticidade,
argilas gordas

Argilas
Média a Nenhuma a Pequena a orgânicas de
OH
elevada muito lenta média média e alta
plasticidade

Solos com
Facilmente identificáveis pela cor, cheiro,
elevado teor
TURFAS porosidade e freqüentemente pela textura Pt
de matéria
fibrosa.
orgânica

(fonte: Milton Vargas, "Introdução à Mecânica dos Solos")


Pedogeografia GA107 72

Introdução
O conhecimento do conceito e da composição do solo e importância dos
seus constituintes é importante na medida que ajuda a compreender a
necessidade de preservação do solo bem como ajuda a escolher o melhor
solo para a actividade agrícola.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Distinguir os sistemas de classificação dos solos;

Objectivos

Para classificar uma amostra pelo Sistema Unificado de


Classificação de Solos, percorra a tabela III da direita para a
esquerda, e de cima para baixo.

O sistema SUCS (ou U.S.C.) é o aperfeiçoamento da classificação


de Casagrande para utilização em aeroportos, adaptada para uso no
laboratório e no campo pelas agencias americanas "Bureau of
Reclamation" e "U.S. Corps of Engenneers", com simplificações
que permitem a classificação sistemática. Foi proposto por Arthur
Casagrande no início da década de 40.

Pela primeira vez os solos orgânicos foram considerados como um


grupo de características e comportamento próprio e diferente dos
outros dois. As mais significativas mudanças e revisões, da norma
antiga, podem ser resumidas em 4 itens:

A classificação de um solo é feita através de um símbolo e de um


nome;
Pedogeografia GA107 73

Os nomes dos grupos, simbolizados por um par de letras, foram


normalizados;

Argilas e siltes orgânicos foram redefinidas;

Foi estabelecida uma classificação mais precisa.

Termos e símbolos utilizados:

SOLOSGROSSOS:

G = gravel (pedregulho)

S= sand (areia)

W = well graded (bem graduado)

P = poorly graded (mal graduado)

C = clay (com argila)

F = fine (com finos)

SOLOS FINOS:

L = low (baixa compressibilidade)

H = high (alta compressibilidade)

M = mo (silte em sueco)

O = organic (silte ou argila, orgânicos)

C = clay (argila inorgânica)

TURFAS (Pt):

Solos altamente orgânicos, geralmente fibrilares e muito


compressíveis.

Os solos estão distribuídos em 6 grupos: pedregulhos (G), areias


(S), siltes inorgânicos e areias finas (M), argilas inorgânicas (C), e
siltes e argilas orgânicos (O). Cada grupo é então dividido em
subgrupos de acordo com suas propriedades índices mais
significativos.
Pedogeografia GA107 74

Os pedregulhos e areias com pouco ou nenhum material fino são


subdivididos de acordo com suas propriedades de distribuição
granulométrica como bem graduado (GW e SW) ou uniforme (GP
e SP).

Se o solo (grosso) contém mais que 12% de finos, suas


propriedades devem ser levadas em conta na classificação. Como a
fração fina nos solos pode ter influência substancial no
comportamento do solo, os pedregulhos e areias têm outras duas
subdivisões.

Se o solo (grosso) contém 5% a 12% de finos, deverá ser


representado por símbolo duplo: primeiro o do solo grosso (GW,
GP, SW, SP), seguido pelo que descreve a fração fina:

Aqueles com fração fina silte são GM ou SM.

Se os finos contêm argilas plásticas, os solos são GC ou SC.

Se os finos são orgânicos, acrescentar "com finos orgânicos".

Se em pedregulho a areia >15%, acrescentar "com areia".

Se em areia o pedregulho ultrapassa 15%, acrescentar "com


pedregulho".

TIPOS COMUNS DE SOLOS

Alguns solos são mais férteis do que outros. As bacias dos rios e os
solos de origem vulcânica são férteis de forma natural. Alguns
solos podem ser ácidos. O Quadro 1 descreve os tipos de solos
geralmente encontrados em África, as suas características, os
melhoramentos possíveis e alguns dos aspectos da sua valorização.

QUADRO 1
Tipos comuns de solos e modos de os melhorar

Tipo de solo Características Métodos de


melhoramento
Pedogeografia GA107 75

Arenoso · Estrutura pobre · Juntar regularmente


· Fertilidade pobre matérias orgânicas e
· Não retém a água fertilizantes
· Utilizar adubo verde
· Juntar solo das
térmitas
· Praticar o mínimo de
lavoura

Limoso · Estrutura pobre · Juntar matéria


(Lamacento) orgânica grosseiras

Argiloso · Endurece secando · Juntar matérias


· Retém demasiada orgânicas, composto e
água gesso *

Subsolo · A camada de · Cultivar plantas com


ácido subsolo é tóxica para raízes pouco profundas
algumas plantas (legumes)
· Aplicar calcário em pó
(depois dos resultados
da análise do solo) e
estrume

Areno- · Mistura de areia, · Manter a fertilidade do


limoso sedimento e argila solo, aplicando
periodicamente
fertilizante e composto

* Se o solo for mantido em boas condições, isto é, protegido e


«alimentado» com os nutrientes de que as plantas necessitam, a
horta pode ser cultivada durante todo o ano e por muitos anos.
Pedogeografia GA107 76

Sumário
Tipo de solo Características Métodos de
melhoramento

Arenoso · Estrutura pobre · Juntar regularmente


· Fertilidade pobre matérias orgânicas e
· Não retém a água fertilizantes
· Utilizar adubo verde
· Juntar solo das
térmitas
· Praticar o mínimo de
lavoura

Limoso · Estrutura pobre · Juntar matéria


(Lamacento) orgânica grosseiras

Argiloso · Endurece secando · Juntar matérias


· Retém demasiada orgânicas, composto e
água gesso*

Subsolo · A camada de · Cultivar plantas com


ácido subsolo é tóxica raízes pouco
para algumas profundas (legumes)
plantas · Aplicar calcário em
pó (depois dos
resultados da análise
do solo) e estrume

Areno- · Mistura de areia, · Manter a fertilidade


limoso sedimento e argila do solo, aplicando
periodicamente
Pedogeografia GA107 77

fertilizante e composto

Exercícios
Entregar o exercício desta unidade.

1. Quais as diferenças entre solos Areno-limoso e Argiloso

Unidade XI
Importância do Solo e suas
Funções

Introdução
O conhecimento do conceito e da composição do solo e
importância dos seus constituintes é importante na medida que
ajuda a compreender a necessidade de preservação do solo bem
como ajuda a escolher o melhor solo para a actividade agrícola.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Indicar a importância do solo;

 Explicar as funções dos solos


Objectivos
Pedogeografia GA107 78

Importância do Solo e suas Funções

O solo é um recurso finito, limitado e não renovável, face às suas


taxas de degradação potencialmente rápidas, que têm vindo a
aumentar nas últimas décadas (pela pressão crescente das
actividades humanas) em relação às suas taxas de formação e
regeneração extremamente lentas. A formação de uma camada de
solo de 30 cm leva 1000 a 10000 anos a estar completa (Haberli et
al, 1991).

Os processos de degradação do solo constituem um grave problema


a nível mundial, com consequências ambientais, sociais e
económicas significativas. À medida que a população mundial
aumenta, a necessidade de proteger o solo como recurso vital,
sobretudo para produção alimentar, também aumenta.

Nos últimos 40 anos, cerca de um terço dos solos agrícolas


mundiais deixaram de ser produtivos do ponto de vista agrícola,
devido à erosão. Actualmente, cerca de 77% das terras da União
Europeia (UE) correspondem a áreas agrícolas e silvícolas,
evidenciando a importância da política agrícola no território.

Na UE, calcula-se que 52 milhões de hectares de solo, equivalendo


a mais de 16% da superfície terrestre total, estão afectados por
processos de degradação; nos países candidatos à adesão esta
percentagem ronda os 35%, de acordo com o mapa mundial do
estado de degradação do solo induzida pelo Homem (Projecto
GLASOD, 1992).
Pedogeografia GA107 79

Por outro lado, os solos com melhor qualidade encontram-se


dispersos e confinados muitas vezes a áreas com grande pressão
para o uso da terra, nomeadamente para construção imobiliária. As
zonas costeiras mediterrâneas completamente livres de construção
continuam a diminuir, representando, em 1996, apenas 29% das
zonas costeiras italianas. Evidencia-se assim a necessidade de
planificar devidamente a afectação dos solos e o ordenamento do
território.

O solo desempenha uma grande variedade de funções vitais, de


carácter ambiental, ecológico, social e económico, constituindo um
importante elemento paisagístico, patrimonial e físico para o
desenvolvimento de infra-estruturas e actividades humanas.

A agricultura e a silvicultura
dependem do solo para a fixação
de raízes, fornecimento de água e
nutrientes, sendo este também
fonte de outras matérias-primas
como a argila, areias, minerais e
turfa. Além disso, o solo
armazena e transforma
parcialmente minerais, água,
matéria orgânica e diversas
substâncias químicas, possuindo
uma capacidade

elevada de filtragem e efeito tampão, intimamente relacionada


com a sua carga de matéria orgânica, limitando a erosão e
difusão da poluição do solo para a água.
Pedogeografia GA107 80

O solo é um meio vivo e dinâmico, constituindo o habitat de


biodiversidade abundante, com padrões genéticos únicos, onde se
encontra a maior quantidade e variedade de organismos vivos, que
servem de reservatório de nutrientes. Uma grama de solo em boas
condições pode conter 600 milhões de bactérias pertencentes a
15000 ou 20000 espécies diferentes. Nos solos desérticos, estes
valores diminuem para 1 milhão e 5000 a 8000 espécies,
respectivamente.

A actividade biológica, dependente da quantidade de matéria


orgânica presente no solo, elimina agentes patogénicos, decompõe
a matéria orgânica e outros poluentes em componentes mais
simples (frequentemente menos nocivos) e contribui para a
manutenção das propriedades físicas e bioquímicas necessárias
para a fertilidade e estrutura dos solos.

Efeitos

A intensidade com que os solos realizam cada uma das suas


funções é extremamente importante para a sua sustentabilidade. A
degradação do solo reduz a sua disponibilidade e viabilidade a
longo prazo, reduzindo ou alterando a sua capacidade para
desempenhar funções a ele associadas. A perda de capacidade do
solo para realizar as suas funções, deixando de ser capaz de manter
ou sustentar a vegetação, é designada por desertificação.

A fertilidade dos solos depende de um conjunto de factores, uns de


natureza física, outros de natureza química. Da conjugação destes
Pedogeografia GA107 81

factores, resulta a capacidade de produção do solo, que,


dependendo do seu perfil (sucessão de horizontes) apenas atinge o
seu máximo quando o nível de todos os factores nutritivos e os
itinerários técnicos de mobilização, foram correctamente ajustados
em função das necessidades dos sistemas culturais.

As principais ameaças sobre o solo são a erosão, a mineralização da


matéria orgânica, redução da biodiversidade, a contaminação, a
impermeabilização, a compactação, a salinização, o efeito
degradante das cheias e dos desabamento de terras. A ocorrência
simultânea de algumas destas ameaças aumenta os seus efeitos,
apesar de haver diferentes intensidades regionais e locais (os solos
não respondem todos da mesma maneira aos processos de
degradação, dependendo das suas próprias características).

A nível mundial, a erosão é a principal ameaça ambiental para a


sustentabilidade e capacidade produtiva do solo e da agricultura
convencional. A erosão do solo pode apresentar diferentes níveis de
gravidade. Em mais de um terço do território da região
mediterrânea, historicamente a região europeia mais gravemente
afectada pela erosão (os relatos de erosão do solo nesta região
datam desde 3000 anos atrás), as perdas médias anuais de solo são
superiores a 15 ton/ha.

A erosão resulta da remoção das partículas mais finas do solo


por agentes como a água e o vento, que as transportam para
outros locais, resultando na redução da espessura deste, perda
de funções e, em caso extremo, do próprio solo, podendo ainda
implicar a contaminação de ecossistemas fluviais e marinhos,
assim como danos em reservatórios de água, portos e zonas
Pedogeografia GA107 82

costeiras.

Este fenómeno poderá ser desencadeado por uma combinação de


factores como fortes declives, clima (por exemplo longos períodos
de seca seguidos de chuvas torrenciais) e catástrofes ecológicas
(nomeadamente incêndios florestais). A erosão tem sido
intensificada por algumas actividades humanas, principalmente
pela gestão inadequada do solo, podendo também o solo ter
algumas características intrínsecas que o tornem propenso à erosão
(é o caso de este possuir camada arável fina, pouca vegetação ou
reduzidos teores de matéria orgânica).

A manutenção da matéria orgânica do solo é bastante importante,


do ponto de vista físico-químico, dado que contribui para a
manutenção da sua estrutura, melhora a infiltração e a retenção da
água, aumenta a capacidade de troca, contribuindo para o
acréscimo da produtividade.

O controlo da matéria orgânica do solo é um processo complexo,


devendo ser conduzido com vista a reduzir as perdas, embora seja
mais fácil alcançar essas perdas do que o seu aumento. Estes
objectivos podem ser facilitados pela racionalização dos itinerários
técnicos, com a oportunidade das épocas de intervenção,
mobilização reduzida, a sementeira directa, a agricultura biológica,
a introdução de prado, a incorporação de resíduos (estrume ou
composto).
Pedogeografia GA107 83

A mineralização da matéria orgânica do solo é particularmente


preocupante nas zonas de ecologia mediterrânea. Segundo o
Gabinete Europeu do Solo, cerca de 75% da superfície analisada no
sul da Europa tem solos com teores de matéria orgânica baixa
(3.4%) ou muito baixa (1.7%)1[1].

A matéria orgânica do solo desempenha uma função essencial no


ciclo global do carbono. De acordo com Lal, R., 2000, são
anualmente capturadas (sequestradas) aproximadamente 2
gigatoneladas (Gt 2[2]) de carbono na matéria orgânica do solo,
evidenciando o seu papel importante em termos de alterações
climáticas (anualmente são emitidos 8 Gt de carbono para a
atmosfera).

Actualmente, há uma tendência a favor da adopção de técnicas


agrícolas de conservação, a fim de aumentar o teor de carbono no
solo e simultaneamente evitar as perdas deste e as suas emissões
adicionais para a atmosfera, sob a forma de CO2. Há, todavia, um
limite para a quantidade de matéria orgânica e, por isso, de carbono
que poderá ser armazenada nos solos.

As práticas agrícolas e silvícolas têm assim um impacte importante


sobre o solo agrícola, podendo também ter impacte em solos
adjacentes não agrícolas e águas subterrâneas, nomeadamente em
termos de emissão de substâncias contaminantes.
Pedogeografia GA107 84

Os contaminantes podem ser armazenados no solo, mas a sua


libertação subsequente pode seguir padrões muito diferenciados.
Alguns, como os pesticidas, poderão vir a ultrapassar os limites da
capacidade de armazenamento e de efeito tampão do solo,
causando a danificação/perda de algumas das funções deste, a
contaminação da cadeia alimentar, dos vários ecossistemas e
recursos naturais, pondo em risco a biodiversidade e a saúde
humana. Para avaliar o potencial impacte dos contaminantes do
solo, há que ter em conta não só a sua concentração mas também o
seu comportamento no ambiente e o mecanismo de exposição ao
Homem. A contaminação do solo pode ser diferenciada, de acordo
com a sua fonte de origem, em local e difusa.

A contaminação local (ou pontual) está geralmente associada a


fontes confinadas, tanto em funcionamento como depois de
encerradas: exploração mineira, instalações industriais, aterros
sanitários, entre outras, representando riscos para o solo e água,
caso os solos não estejam devidamente impermeabilizados e a
descarga de contaminantes não seja controlada.

A poluição difusa (causada por fontes difusas) está geralmente


associada à deposição atmosférica, a certas práticas agrícolas,
reciclagem e tratamento inadequados de águas residuais e resíduos,
sendo o seu principal efeito o colapso do efeito tampão do solo.

A deposição atmosférica deve-se principalmente a emissões


provenientes da indústria, do tráfego automóvel e da agricultura,
libertando nos solos contaminantes acidificantes (como o SO2 e o
Pedogeografia GA107 85

NOx 3[3]), metais pesados (cobre, chumbo e mercúrio, entre outros)


e compostos orgânicos (como as dioxinas).

Sumário
Os solos apresentam funções estruturais enquanto suporte físico
dos ecossistemas e constituem várias funcionalidades ecológicas,
como a produção biológica e a regulação do ciclo hidrológico de
superfície. Vale dizer que os solos também representam um
importante meio fixador de carbono e depurador de efluentes,
minimizando possíveis impactos ambientais.

Já no aspecto antrópico pode-se dizer que os solos são geralmente


vistos como recursos naturais, fonte de matéria-prima para a
construção e indústria cerâmica, e fonte de nutrientes e água para as
atividades agrosilvipastoris. Estas atividades antrópicas
correspondem aos principais fatores da degradação dos solos.

Exercícios
1. De que depende a ferilidade dos solos?
2. Quais as principais funções dos solos?

Entregar o exercício 1desta unidade.


Pedogeografia GA107 86

Unidade XII
Importancia e funcao dos Solos
(cont…)

Introdução
O conhecimento do conceito e da composição do solo e
importância dos seus constituintes é importante na medida que
ajuda a compreender a necessidade de preservação do solo bem
como ajuda a escolher o melhor solo para a actividade agrícola.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Explicar as funções dos solos

Objectivos

Os metais pesados, incorporados nos adubos e na alimentação


animal, constituem um problema suplementar, nomeadamente
em termos das suas potenciais penetrações na cadeia alimentar.

Os sistemas de produção agrícola que não asseguram o


equilíbrio entre factores de produção e produtos, relativamente
ao solo e aos terrenos confinantes, geram desequilíbrios de
nutrientes no solo, conduzindo frequentemente à contaminação
das águas subterrâneas e superficiais, como é o caso da
contaminação por nitratos: a deposição de azoto (em resultado
de emissões provenientes da agricultura, do tráfego automóvel
Pedogeografia GA107 87

e da indústria) causa um enriquecimento indesejado deste


nutriente no solo e diminuição subsequente da biodiversidade,
podendo provocar a eutrofização das águas. De acordo com o
relatório do Estado das Florestas na Europa (2002), só se
encontram deposições de azoto superiores a 22.4 kg/ha/ano em
parcelas estudadas da Europa Central e Oriental. Relativamente
aos herbicidas, há indícios de que alguns destes suprimem
consideravelmente a actividade das bactérias e dos fungos do
solo.

Em 1992, eram produzidas 6.6 milhões de toneladas de lamas


(matéria seca), por ano, na UE. As lamas de depuração, produto
final do tratamento de águas residuais, contêm matéria
orgânica e nutrientes valiosos para o solo, como o azoto, o
fósforo e o potássio. No entanto, também estão potencialmente
contaminadas por organismos patogénicos (vírus e bactérias) e
poluentes, como metais pesados e compostos orgânicos pouco
biodegradáveis, podendo a sua aplicação no solo levar ao
aumento das concentrações destes compostos no solo, com
riscos subsequentes para a fauna e flora.

Desde que a contaminação seja prevenida e controlada na fonte,


a aplicação cuidadosa e controlada de lamas de depuração no
solo não deve causar problemas podendo até ser benéfica, pelo
aumento da carga de matéria orgânica do solo.

Dados os custos de extracção dos contaminantes presentes no


solo serem muito elevados, é imperativa a prevenção de novas
contaminações, nomeadamente através da gestão de resíduos e
implementação de sistemas de monitorização e alerta rápido.
Pedogeografia GA107 88

A impermeabilização consiste na cobertura do solo pela


construção de habitações, estradas e outras ocupações,
reduzindo a superfície do solo disponível para realizar as suas
funções, nomeadamente a absorção de águas pluviais. As áreas
impermeabilizadas podem ter grande impacte nos solos
circundantes por alteração dos padrões de circulação da água e
aumento de fragmentação da biodiversidade e seus
ecossistemas.

O aumento da impermeabilização do solo é inevitável, em


grande parte determinado pela ausência de estratégias de
ordenamento do território, que não tomam em consideração os
efeitos da perda de solos insubstituíveis, quer ao nível da
produção alimentar, quer ao nível da conservação da natureza e
controlo de cheias. As consequências da impermeabilização são
extremamente prejudiciais para o desenvolvimento sustentável,
não apenas para a agricultura. Tenha-se presente os efeitos
catastróficos da impermeabilização dos solos na periferia dos
grandes centros urbanos de construção efectuada em leitos de
cheia de cursos de água, que para além da perda de solos de
qualidade (veja-se o que se passa com os solos de mancha de
basalto da região de Lisboa), provocam periodicamente
acentuados danos para as populações.

A compactação do solo ocorre quando este é sujeito a uma


pressão mecânica devido ao uso de máquinas ou ao
sobrepastoreio, em especial se o solo não apresentar boas
condições de operabilidade e de transitabilidade, sendo a
compactação das camadas mais profundas do solo muito difícil
de inverter.
Pedogeografia GA107 89

A compactação reduz o espaço poroso entre as partículas do


solo, deteriorando a estrutura do solo e, consequentemente,
dificultando a penetração e o desenvolvimento de raízes, a
capacidade de armazenamento de água, o arejamento, a
fertilidade, a actividade biológica e a estabilidade. Além disso,
quando há chuvas torrenciais, as águas já não conseguem
infiltrar-se facilmente no solo compactado, aumentando os
riscos de erosão e de cheias. Estima-se que quase 4% do solo
europeu se encontra afectado pela compactação.

A redução da biodiversidade nos solos por deficientes


prácticas agrícolas ou por outras razões já apontadas, torna-os
mais vulneráveis à degradação. Por isso, a biodiversidade do
solo é frequentemente utilizada como indicador geral do estado
de saúde deste, tendo-se evidenciado a eficácia dos sistemas de
agricultura racionais na preservação e aumento da
biodiversidade. No entanto, a quantificação da biodiversidade
do solo é extremamente limitada, estando confinada a projectos
ao nível da parcela.

A salinização consiste na acumulação de sais solúveis de sódio,


magnésio e cálcio nos solos, reduzindo a fertilidade dos
mesmos. Este processo resulta de factores como a irrigação (a
água das regas apresenta maiores quantidades de sais,
sobretudo em regiões de fraca pluviosidade, com elevadas taxas
de evapotranspiração ou cujas características constitutivas do
solo impedem a lavagem de sais), manutenção das estradas com
sais durante o Inverno e exploração excessiva de águas
subterrâneas em zonas costeiras (causada pelas exigências da
crescente urbanização, indústria e agricultura nestas zonas),
conduzindo a uma diminuição do nível dos lençóis freáticos e à
intrusão da água do mar. A salinização do solo afecta cerca de 1
Pedogeografia GA107 90

milhão de hectares na UE, principalmente nos países


mediterrâneos, constituindo uma das principais causas de
desertificação.

As cheias e os desabamentos de terras são, na sua maioria,


acidentes naturais intimamente relacionados com a gestão do
solo, causando erosão, poluição com sedimentos, danificação
de edifícios e infra-estruturas e perda de recursos do solo, com
subsequente impacte sobre as actividades e vidas humanas. As
cheias podem, em alguns casos, resultar do facto de o solo não
desempenhar o seu papel de controlo dos ciclos da água devido
à compactação ou à impermeabilização, podendo também ser
favorecidas pela erosão causada pela desflorestação, abandono
de terras ou até pelas próprias características do solo.

Como os processos de degradação estão estreitamente


interligados, o efeito combinado de acções contra ameaças
específicas será benéfico para a protecção do solo em geral.
Todos os interesses existentes de conservação e exploração do
solo deverão assim ser harmonizados de forma a permitir o
desempenho total das suas funções.

Podemos assim constatar que, se por um lado, a variabilidade


do solo exige a incorporação de um forte elemento local nas
políticas respectivas, por outro, também é necessária a
incorporação de um componente global, pelas consequências
mais amplas do solo, nomeadamente em termos de segurança
alimentar, protecção das águas e biodiversidade, devendo ainda
ter-se em atenção o facto do solo, ao contrário do ar e da água,
estar geralmente sujeito a direitos de propriedade, dificultando
Pedogeografia GA107 91

a aplicação de políticas de protecção e conservação, pois requer


a aceitação de proprietários e gestores de terras.

Recolha de dados

O conhecimento dos problemas associados aos solos, apesar de


escasso, tem vindo a aumentar a nível mundial, graças a
instrumentos como inquéritos sobre o solo e sistemas de
monitorização.

Os levantamentos dos solos recolhem dados sobre as


propriedades físicas e químicas destes, os processos
pedogenéticos, a apreciação do perfil cultural, a fim de definir
os tipos de solos existentes e elaborar a respectiva cartografia.
Estas informações são estáticas, considerando que o solo e as
suas propriedades apenas se alteram ao longo de períodos
extremamente longos. Além disso, os conjuntos de dados sobre
o solo de diversos países são constituídos com base em
diferentes nomenclaturas e técnicas de apreciação, criando
problemas de comparabilidade entre eles.

Os sistemas de monitorização de solos fornecem informações


sobre a mudança de parâmetros do solo importantes para as
suas funções, como o estado dos nutrientes, a biodiversidade, a
matéria orgânica e a contaminação com metais pesados. A
monitorização do solo contribuirá também para limitar o
impacte ambiental na saúde humana, privilegiando a eliminação
da contaminação na fonte e podendo ser utilizada não só para
assegurar a protecção do solo em si mesma, mas também como
Pedogeografia GA107 92

medida de eficácia de outras políticas de protecção, para sua


adaptação e aperfeiçoamento.

Situação em Portugal

Em Portugal, as actividades agrícola e florestal desenvolvem-se


em cerca de 80% do território, sendo indispensável conservar o
solo e outros recursos naturais sobre os quais estas actividades
exercem pressão, para manutenção da qualidade do ambiente.

Portugal apresenta os valores mais desfavoráveis entre os países


do Sul da Europa, com 66% dos seus solos classificados de
baixa qualidade, de acordo com a Carta de Solos de Portugal.
São poucos os solos em Portugal com boa aptidão agrícola,
sendo a principal causa da degradação do solo em Portugal
Continental a erosão provocada pela precipitação (o clima
mediterrâneo é caracterizado por distribuição irregular de chuva
e ocorrência de secas, geralmente ocorrendo a precipitação
mais intensa em períodos não vegetativos).

As áreas semi-áridas e sub-húmidas secas do país apresentam,


em regra, terrenos de declives médios a acentuados, com baixa
a média capacidade de retenção e de armazenamento de água,
de fertilidade baixa a média, sendo zonas sujeitas a
escorrimentos superficiais por vezes altos. A maioria dos solos
em Portugal Continental, com excepção das áreas de agricultura
mais intensiva, como a região de Entre-Douro e Minho e nas
zonas aluvionares do Ribatejo, apresenta baixos níveis de
matéria orgânica, o que resulta dos sistemas de agricultura
Pedogeografia GA107 93

praticados, das técnicas culturais e da incidência dos factores


edáficos.

Por outro lado, a erosão costeira ou recuo da faixa litoral


assume aspectos preocupantes numa percentagem significativa
do litoral português, de acordo com o Programa Finisterra.

Sumário
Os solos apresentam funções estruturais enquanto suporte físico
dos ecossistemas e constituem várias funcionalidades ecológicas,
como a produção biológica e a regulação do ciclo hidrológico de
superfície. Vale dizer que os solos também representam um
importante meio fixador de carbono e depurador de efluentes,
minimizando possíveis impactos ambientais.

Já no aspecto antrópico pode-se dizer que os solos são geralmente


vistos como recursos naturais, fonte de matéria-prima para a
construção e indústria cerâmica, e fonte de nutrientes e água para as
atividades agrosilvipastoris. Estas atividades antrópicas
correspondem aos principais fatores da degradação dos solos.

Exercícios
Entregar todos exercícios desta unidade.

1. Defina a compactação do solo e explique o fenómeno como


forma de degradação

Entregar o exercício desta unidade, trabalho com código T- G-


0139
Pedogeografia GA107 94

Unidade XIII
Erosão dos Solos

Introdução

O conhecimento do conceito e da composição do solo e


importância dos seus constituintes é importante na medida que
ajuda a compreender a necessidade de preservação do solo bem
como ajuda a escolher o melhor solo para a actividade agrícola.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Caracterizar a erosão do solo

 Descrever as consequências da erosão dos solos


Objectivos

EROSÃO DO SOLO OU EDÁFICA

Sem a intervenção humana, os danos ao solo decorrentes da erosão


provavelmente seriam compensados pela formação de novos solos
na maior parte da Terra.

A sedimentação representa o termo final da erosão e do transporte


de fragmentos inorgânicos que, depositados, constituem as rochas
sedimentares. Estas, por sua vez, quando misturadas aos elementos
orgânicos (biológicos), transformam-se em solos. A sedimentação
representa, por conseguinte, um predomínio da força de gravidade
sobre a força transportadora, originando depósitos de rochas
desagregadas ou materiais orgânicos.

Fertilizante, substância ou mistura química, natural ou sintética,


Pedogeografia GA107 95

utilizada para enriquecer o solo e estimular o crescimento vegetal.

Os solos virgens contêm quantidades adequadas dos elementos


necessários para a correta nutrição das plantas. Porém, quando uma
determinada espécie é plantada, ano após ano, no mesmo lugar, o
solo pode esgotar-se. É quando se faz necessário repor os nutrientes
com fertilizantes.

Os três elementos presentes em quase todos os fertilizantes são o


nitrogênio, o fósforo e o potássio. Um fertilizante pode ser
considerado completo quando contém os três elementos. A
composição é codificada com a ajuda de três números. Assim, um
5-8-7 é uma fórmula (em geral preparada na forma de pó ou em
grânulos) que contém 5% de nitrogênio, 8% de fósforo e 7% de
potássio.

Desertificação, termo que se aplica à degradação das terras em


regiões secas, devida fundamentalmente ao impacto humano. Nesse
contexto preciso, "terras" inclui a superfície da terra, o solo e os
recursos hídricos locais e a vegetação ou as colheitas.

A desertificação tem sido identificada como uma série de processos


que afetam as terras secas de todo o mundo. Estes processos
incluem a erosão pela água e o vento, junto com as sedimentações
produzidas por ambos agentes, a diminuição a longo prazo da
diversidade da vegetação natural e a salinização.

Cabe dizer que a desertificação foi o primeiro problema ambiental


a ser considerado de caráter global, reconhecimento que foi
formalizado na Conferência sobre Desertificação das Nações
Unidas (ONU), realizada em Nairóbi em 1977. Nessa ocasião foi
elaborado um mapa dos desertos, no qual a Espanha foi o único
país da Europa Ocidental representado, com alto índice de
desertificação em todo o sudeste espanhol. Foi então, também,
quando ficou claro que as ameaças de desertificação no Brasil não
se limitavam ao semi-árido do Nordeste, mas incluiam regiões
Pedogeografia GA107 96

férteis, tais como porções dos estados do Rio Grande do Sul e


Goiás.

Terra roxa, constituída de solos lateríticos muito ricos em matéria


orgânica mas que, expostos à erosão quando aproveitados com
culturas abertas, sofrem degradação facilmente e apresentam difícil
recuperação.

Esta denominação popular foi dada pelos colonos imigrantes da


região sul às argilas férteis de coloração vermelha (ou rossa, em
italiano), resultante da decomposição da rochas basálticas. Sua
ocorrência é comum no sul do Brasil, onde os derrames basálticos -
trapps do Paraná - ocorreram no período Triássico, na era
Secundária ou Mesozóica.

Tchernozion, denominação do solo negro existente em regiões de


clima semi-árido, de verão seco e quente com inverno muito frio e
grandes precipitações de neve. Pertence ao grupo dos solos azonais
– aqueles em cuja formação o fator dominante é a desagregação da
rocha matriz, e não o clima. Tem coloração negra, proveniente da
abundância de conteúdo orgânico (húmus) e espessura média de 1
m; de modo geral, é um solo de topografia plana onde a cobertura
vegetal é constituída por gramíneas. Sua denominação provém do
russo (tcherno, negrume, e zion, terra), e também é aceita a forma
chernozen. Este tipo de solo é pouco alcalino, por ser a evaporação
muito superior à precipitação, e também pela existência no subsolo
de um lençol freático com profundidade constante, o que aumenta o
transporte dos sais da rocha para o solo, conferindo-lhe
extraordinária fertilidade.

Loess
Pedogeografia GA107 97

A importância econômica dos depósitos de loess está no fato de


enriquecer os solos para a agricultura. Seu comportamento em
mecânica dos solos, porém, é um problema concernente à
engenharia civil.

Segundo a definição clássica, loess é um siltito (depósito de limo)


homogêneo, de cor amarelada, não estratificado, geralmente
permeável, poroso, inconsolidado, que forma paredões abruptos.
Atualmente, essa definição não é totalmente aceita, pois verificou-
se que os depósitos de loess se compõem de uma sucessão cíclica
de membros, em que o loess verdadeiro, com espessura de um a
cinco metros, alterna-se com solos fósseis, material proveniente de
solifluxão e areias ou cascalhos.

A melhor classificação do loess é a que se baseia na distribuição


granulométrica. A análise mostra a presença de quarenta a
cinqüenta por cento de partículas entre 0,01 e 0,05mm, cinco a
trinta por cento de partículas argilosas (menos de 0,005mm) e cinco
a dez por cento de partículas arenosas (acima de 0,05mm). Os
depósitos de loess são particularmente importantes nas zonas semi-
áridas dos grandes desertos, como no norte da China, mas também
ocorrem em zonas temperadas, como no sul e leste da Europa, na
Patagônia e nas pradarias norte-americanas.

Várias hipóteses tentam explicar a origem do loess, porém a mais


aceita é a que o considera proveniente de material periglacial
transportado e depositado pelo vento. De composição mineralógica
bastante uniforme, o loess tem o quartzo como constituinte
principal, numa proporção de quarenta a oitenta por cento, com a
média situada em 65%. Logo depois vem o feldspato, com dez a
vinte por cento, e o magnésio, com até 35%, juntamente com o
cálcio, sob a forma de carbonatos. O conteúdo desses carbonatos e
a forma pela qual eles se apresentam são determinados pelas
condições ambientais. O conteúdo em calcário é maior nas regiões
secas, onde há mais camadas que nas regiões chuvosas, nas quais
Pedogeografia GA107 98

predominam minerais argilosos.

Massapê

Nome popular dado ao solo argiloso proveniente da alteração de


vários tipos de rochas, tanto graníticas quanto sedimentares. No
nordeste do Brasil, por sua composição em que predominam as
rochas calcárias, ficou conhecido por ser a base da cultura da cana-
de-açúcar, desde o século XVI. No sudeste, principalmente em São
Paulo, sua origem predominante foram as rochas graníticas. Na
região do Recôncavo Baiano, o massapê é oriundo da
decomposição de rochas sedimentares, como os folhelhos (rocha
argilosa em finas camadas) formados no período cretáceo.

Latossolos

são solos muito intemperizados, que evidenciam, também, elevada


perda de sílica e lixiviação de bases, sendo, portanto, bastante
pobres em nutrientes. De forma geral, são perfis profundos,
homogêneos, de boa drenagem, o que facilita os procedimentos da
mecanização agrícola

A EROSÃO DO SOLO(Conclusões)

A primeira etapa na conservação do solo consiste em impedir a sua


perda devida à erosão. A camada arável é particularmente
vulnerável à erosão se não for protegida por plantas ou por
folhagem seca de protecção ou por outras medidas. Depois da
perda da camada arável, o solo é geralmente menos produtivo, o
que resulta num rendimento fraco das culturas da horta. O desafio
consiste, pois, em proteger o solo das hortas, utilizando-o para a
produção alimentar e para outras actividades não alimentares.

A erosão do solo é causada principalmente pelo vento e pela água,


mas também por práticas de cultivo incorrectas. A chuva e o vento
arrancam as partículas do solo, levando-as para longe. Quando o
solo está descoberto ou quando a vegetação é pobre, a água da
chuva escorre, em vez de penetrar no solo, levando consigo a frágil
Pedogeografia GA107 99

camada arável. Um solo em declive e um solo leve, contendo pouca


matéria orgânica, são ambos propensos à erosão. Uma vez
erosionado o solo está definitivamente perdido.

A erosão do solo é um problema em regiões com pouca vegetação,


particularmente nas zonas áridas e semi-áridas de África. Nas zonas
tropicais húmidas, a erosão não era considerada um problema
quando a terra estava no seu estado natural, porque uma vegetação
natural variada cobria o solo permanentemente. A situação agora é
diferente, desde que se começaram a limpar vastas extensões de
terra para fins agrícolas. As chuvas fortes associadas a uma má
gestão do solo nas áreas cultivadas são agora as causas comuns da
erosão do solo nas regiões húmidas.

FIGURA 1
Plantas de tamanhos diferentes protegem o solo
Pedogeografia GA107 100

Sumário
Erosão é a destruição do solo e das rochas e seu transporte, em
geral feito pela água da chuva, pelo vento ou, ainda, pela ação do
gelo, quando expande o material no qual se infiltra a água
congelada. A erosão destrói as estruturas (areias, argilas, óxidos e
húmus) que compõem o solo. Estas são transportados para as partes
mais baixas dos relevos e em geral vão assorear cursos d'água.

A erosão é um problema muito sério, devem ser adaptadas práticas


de conservação de solo para minimizar o problema.

Exercícios
1. Explique os principais factores de erosão dos solos

Entregar o exercício desta unidade.


Pedogeografia GA107 101

Unidade XIV
Noções de Mineralogia

Introdução
O conhecimento do conceito e da composição do solo e
importância dos seus constituintes é importante na medida que
ajuda a compreender a necessidade de preservação do solo bem
como ajuda a escolher o melhor solo para a actividade agrícola

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Definir mineralogia;

 Explicar o conceito de mineral sob várias veretentes


Objectivos

A mineralogia é a ciência que estuda os minerais, o que são eles,


como são formados e onde ocorrem. Uma vez que os minerais
estão por toda parte (são as substâncias formadoras das rochas,
solos e sedimentos) e fornecem uma grande parte das matérias
primas usadas em aplicações tecnológicas e industriais, o potencial
de aplicação deste

conhecimento é vasto. Na verdade, com exceção das substâncias


orgânicas, os demais materiais que usamos ou com os quais
convivemos no dia a dia são todos minerais ou de origem mineral.
Pedogeografia GA107 102

Embora sejam substâncias extremamente comuns, estabelecer um


conceito claro e preciso de mineral não é uma tarefa fácil. Abaixo
estão listadas algumas das muitas definições já propostas:

• Mineral é um sólido homogêneo natural, inorgânico, com uma


composição química definida e um arranjo atômico ordenado
(Mason et al. 1968)

• Mineral é um corpo produzido por processos de natureza


inorgânica, tendo usualmente uma composição química definida e,
se formado sob condições favoráveis, uma certa estrutura atômica
característica, a qual está expressa em sua forma cristalina e outras
propriedades físicas (Dana & Ford, 1932)

• Minerais são substâncias inorgânica naturais, com uma


composição química e propriedades físicas definidas e previsíveis
(O.Donoghue, 1990)

• Minerais podem ser distinguidos uns dos outros pelas


características individuais que são uma função direta dos tipos de
átomos que eles contém e dos arranjos que estes átomos fazem no
seu interior (Sinkankas, 1996)

• Mineral é um composto químico que é normalmente cristalino e


que foi formado como resultado de processos geológicos. (Nickel,
1995)

O conceito mais aceito, e que utilizaremos neste curso é o de Klein


& Hurlbut (1999):
Pedogeografia GA107 103

.Um mineral é um sólido, homogêneo, natural, com uma


composição química definida (mas geralmente não fixa) e um
arranjo atômico altamente ordenado. É geralmente formado por
processos inorgânicos..

Vejamos algumas implicações deste conceito em maior detalhe,


abaixo:

Sólido: as substâncias gasosas ou líquidas são excluídas do


conceito de mineral. Assim, o gelo nas calotas polares é um
mineral, mas a água não. Algumas substâncias que fogem a esta
definição ainda assim são objeto de estudo do mineralogista. É o
caso do mercúrio líquido, que pode ser encontrado na natureza, em
determinadas situações. Nestes casos, a substância é chamada de
mineralóide.

- Homogêneo: algo que não pode ser fisicamente dividido em


componentes químicos mais simples. Este conceito é obviamente
dependente da escala de observação, uma vez que algo que é
aparentemente homogêneo a olho nu pode ser constituído de mais
de uma substância, quando observado em escala microscópica.

- Natural: exclui as substâncias geradas em laboratório ou por uma


ação consciente do homem. Quando estas substâncias são idênticas
em composição e propriedades a um mineral conhecido, o nome
deste mineral pode ser usado, acrescido do adjetivo .sintético. (por
exemplo, esmeralda sintética). Acima, consideramos o gelo das
calotas polares como um mineral. Entretanto, para seguir o
conceito de mineral à risca, o gelo que fabricamos na geladeira não
constitui um mineral.
Pedogeografia GA107 104

- Composição química definida: significa que um mineral é uma


substância que pode ser expressa por uma fórmula química. Por
exemplo, a composição do ouro nativo é Au, a do quartzo é SiO2, a
da calcita é CaCO3, e assim por diante. Entretanto em muitos
minerais é possível a substituição de um ou mais elementos da
fórmula original por outros. Assim, a dolomita CaMg (CO3)2
admite a substituição de Mg por quantidades variáveis de Fe e Mn,
e a esfalerita ZnS admite a substituição de Zn por quantidades
variáveis de Fe. Em muitos casos, a composição química dos
minerais pode variar dentro de certos limites, sem que seja
necessário alterar o nome do mineral. Em outros casos as variações
são tão grandes que caracterizam uma espécie mineral distinta.

- Arranjo atômico ordenado: implica na existência de uma


estrutura interna, onde os átomos ou íons estão dispostos em um
padrão geométrico regular. Este padrão obedece às regras de
simetria que você estudou na disciplina de cristalografia, e os
sólidos assim constituídos pertencem a um dos sistemas cristalinos:
triclínico, monoclínico, ortorrômbico, tetragonal, hexagonal
(trigonal) e isométrico. Sólidos que possuem tal arranjo interno
ordenado são chamados de cristalinos. Os que não o possuem são
chamados de amorfos, e fogem á classificação estrita de mineral,
compondo o grupo dos mineralóides.

- Inorgânico: aqui o termo .geralmente. é incluído por Klein e


Hurlbut no conceito, para permitir o enquadramento de substâncias
que atendem a todos os requisitos acima, mas são geradas
naturalmente por (ou com a ajuda de) organismos. Estes minerais
são chamados de biogênicos e, à exceção da sua origem, são
idênticos aos minerais equivalentes formados por processos
inorgânicos. O exemplo mais comum de mineral biogênico é o
Pedogeografia GA107 105

carbonato de cálcio (CaCO3) presente nas conchas de moluscos na


forma dos minerais calcita, dolomita ou vaterita. Alguns outros
exemplos incluem alguns sulfetos, sulfatos, fosfatos, fluoretos,
óxidos, enxofre nativo e formas amorfas de SiO2.

Sumário
Mineralogia é a ciência da terra que se dedica ao estudo da
química, estruturas molecular e cristalina e propriedades físicas
(incluindo ópticas e mecânicas) de minerais, bem como a sua
génese, metamorfismo, evolução química e meteorização. A
mineralogia começou por ter um carácter marcadamente
taxonómico, isto é, baseada na nomenclatura e classificação dos
minerais, mas evoluiu para o campo da física aplicada, tendo hoje
grande peso as áreas da cristalografia, da óptica, da simulação
matemática e da nano-mecânica.

Exercícios
1. A água é considerada um mineral? Justifique

2. Qual a diferença entre solo e mineral?

Entregar o exercício 1 e 2 desta unidade.


Pedogeografia GA107 106

Unidade XV
Solos de Moçambique

Introdução

O conhecimento do dos tipos de solos do nosso país ajudanos a


compreender as actividades nela desenvolvida e

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Identificar os tipos de solos de Moçambique

 Explicar as características dos solos moçambicanos


Objectivos

Solos
Classificação Dominante (FAO 1988)
Pedogeografia GA107 107

Características de alguns solos predominantes em Moçambique

Fluvissolos

Depósitos aluvionares e flúvio-marinhos, lacustres, de textura


média a fina.

Características Gerais

Em geral férteis, pH neutro, sedimentos costeiros contêm CaCO3


(conchas), salinidade e sodicidade podem constituir um problema.

Principais Limitações para a Agricultura

drenagem;

inundações;

salinidade;

sodicidade.

Utilização
Pedogeografia GA107 108

Apto para uma grande variedade de culturas. Em geral o controle


de inundação, drenagem e rega são necessários.

Necessidades de Maneio

Alta fertilidade permite o cultivo duma grande variedade de


culturas de sequeiro. O cultivo de arroz é comum nos Fluvisols
tropicais. O arrozal deve ser seco algumas semanas por ano.

Arenossolos

Geralmente, material transportado e não consolidado;

Solos pouco evoluídos com textura grosseira.

Características Gerais

permeabilidade alta;

capacidade de retenção de agua baixa;

capacidade de troca catiónica e matéria orgânica baixa.

Principais Limitações para a Agricultura

Capacidade de retenção da água e fertilidade baixa.

Utilização

Solos marginais para grande parte das culturas alimentares e


industriais, mostrando aptidão moderada em regiões de maior
precipitação para a produção de fruteiras tropicais, e espécies
exóticas florestais de crescimento rápido.

Necessidades de Maneio

Nos trópicos húmidos a melhor opção é deixar sob vegetação


natural, em áreas áridas (< 300 mm/ano) pastagem extensiva; > 300
mm/ano agricultura de sequeiro possível.

Solos de Mananga (nome local do solo)

Depósitos de Mananga com cobertura arenosa de espessura


variável, e coluviões argilosos.
Pedogeografia GA107 109

Características Gerais

Solos franco-argilo-arenosos, amarelo-acastanhados,


imperfeitamente drenados, correspondendo a depósitos cimentados
sódicos do Pleistoceno.

Principais Limitações para a Agricultura

cimentação e impermeabilidade do solo;

sodicidade;

localmente salinos.

Utilização

Solos marginais para produção agrícola, normalmente com maior


potencial para pastagens extensivas.

Necessidades de Maneio

Devido a impermeabilidade e drenagem imperfeita a má,


associados à sodicidade, importa pois monitorar os teores de sais
no solo, e normalmente melhorar a drenagem interna.

Solonchaks

Depósitos não consolidados associados a sedimentos de Mananga.

Características Gerais

Solos salinos, de climas (semi) áridos, totalmente seco durante


parte do ano, com estrutura muito forte que colapsa quando
húmido.

Principais Limitações para a Agricultura

sodicidade;

salinidade alta;

o subsolo pode apresentar-se com horizontes compactos e o solo


pode tornar-se impermeável.
Pedogeografia GA107 110

Utilização

Pastagem extensiva ou normalmente com vegetação natural do tipo


savana arbustiva, e mata.

Necessidades de Maneio

Solos que devido às suas limitações não são utilizados para fins
agrícolas e são muito difíceis de recuperar.

Acrissolos

Solos de rochas ácidas, principalmente matéria meteorizada, rica


em sílica.

Características Gerais

pobre;

baixo conteúdo de bases;

toxicidade de alumínio ou manganês;

fixação alta de fósforo;

pH-H2O < 5,5 ;

Principais Limitações para a Agricultura

solos ácidos fortemente meteorizados;

uma baixa saturação com bases;

escoamento superficial nos declives expostos ao impacto directo


das chuvas.

Utilização

Limitações severas para o cultivo permanente, áreas extensivas


para agricultura de subsistência;

Necessidades de Maneio

conservação do solo;
Pedogeografia GA107 111

calagem;

adubação se a agricultura for permanente

Calcissolos

Na generalidade, sedimentos aluviais (lacustrinos) e depósitos


coluviais e eólicos.

Características Gerais

potencialmente fértil;

textura fina;

boa capacidade de retenção de água;

matéria orgânica moderada 1-2%;

C/N <10

pH da camada superficial 7-8

pH do subsolo 7,5-8,5;

CaCO3 > 25%;

CTC de camada superficial 10-25 cmol(+)/kg;

saturação em bases 100%.

Principais Limitações para a Agricultura

textura média a fina;

boa capacidade de retenção de água;

se a superfície for limosa, desenvolvem-se crostas, resultando em


escoamento superficial;

Solos com uma acumulação substancial de CaCO3, de climas


(semi) áridos;

Utilização
Pedogeografia GA107 112

aptidão agrícola limitada por aridez;

pedregosidade;

horizonte petrocálcico;

muitos Calcisols são usados para pastagem.

Necessidades de Maneio

Toda a capacidade produtiva efectivamente utilizada se os


Calcisols forem regados cuidadosamente.

Chernozens

Sedimentos eólicos (na maioria).

Características Gerais

solos pretos, ricos em matéria orgânica;

camada superficial: 5-15% húmus, C/N cerca de 10, pH-água 6,5-7,


0,2-0,5% N; 0,1-0,2% P;

subsolo: pH-água 7,5-8,5 (especialmente se contem cal);

saturação em bases cerca de 90%.

Principais Limitações para a Agricultura

ligeira sodicidade e possível presença de carbonatos;

susceptível à erosão principalmente nas encostas.

Utilização

Aptos para produção agrícola de sequeiro.

Necessidades de Maneio

Normalmente requerem adubação fosfórica, nos períodos secos


requerem medidas de conservação de humidade.

Ferralssolos
Pedogeografia GA107 113

Solos tropicais vermelhos e amarelos, alto conteúdo de


sesquióxidos de Fe e Al (Ferralsols), desenvolvidos sobre pré-
meteorizada.

Características Gerais

porosidade excelente;

permeabilidade boa e infiltração alta (micro-agregados estáveis,


muitos bio-poros);

estrutura estável (argilosa);

alta percentagem de óxidos de ferro (CTA) e caolinito (CTC);

pobre;

baixa CTC efectiva;

alta fixação de fósforo;

carências de N, K, Ca, Mg e S;

toxicidade de Al e/ou Mn;

Principais Limitações para a Agricultura

Fertilidade, e toxicidade de Al e/ou Mn.

Utilização

Solos físicamente bons e químicamente pobres; calagem e


adubação completa são obrigatórias para uma agricultura sedentária
sustentável.

Necessidades de Maneio

A maioria dos nutrientes encontra-se nos primeiros 10 a 50 cm; a


agricultura sedentária de subsistência com baixos níveis de insumos
leva a um esgotamento rápido de nutrientes. Manutenção de
matéria orgânica, tipo, modo e tempo de aplicação de adubo são
importantes.

E outros….
Pedogeografia GA107 114

Sumário
A constituição do solo de Moçambique é variável.

Na parte meridional é arenoso, avermelhado ou branco, excepto nos


vales dos rios, onde se encontram terras de aluvião.

Na zona central a terra é escura e argilosa, por vezes pantanosa.A


região de Tete, interior e bastante quente, tem bom solo e é também rica
sob o ponto de vista mineral, já que nela se encontram minas de carvão.

Na região de Nampula, o solo, nos intervalos das formações


montanhosas, é leve e escuro, bastante fértil.

Na região mais a Norte e até à fronteira da Tanzânia, aparecem de


novo as areias coradas de vermelho pelo óxido de ferro que contém.

Exercícios
1. Qual o tipo de solo com maior predominância no país

2. Caracterize os solos fluviais

Entregar o exercício 1e 2 desta unidade.

Referências bibliográficas

NAKATA, Hirome e COELHO, Marcos Amorim. Geografia


Geral: série sinopse.
Pedogeografia GA107 115

Geografia Física, Geografia Humana e Geografia Económica. S.


Paulo, Editora
Moderna, 1978.
OMBE, Zacarias, MANDALA, Sabil e MALAUENE, Apolinário.
Geografia dos solos:
Dicionário dos principais conceitos. Maputo, Universidade
Pedagógica, 2007.
PEREIRA, Diamantino, SANTOS Douglas e CARVALHO,
Marcos de. Geografia -
Ciência do espaço. 4. ed. rev. e actual,1999.
SILVA, Amparo Dias e GRAMAXO, Fernanda et. al. Terra,
Universo de Vida. Porto,
Porto Editora, 1995.
WILD, Alan, Soils and the enviroment, 1999

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