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LINHA DO TEMPO DA DANÇA DO VENTRE NO BRASIL

A dança do ventre foi trazida para cá no final do século XIX pelos árabes, originários
principalmente da Síria e do Líbano. A partir de 1950, uma nova leva de imigrantes veio para o
Brasil, fugidos das guerras civis que assolavam seus países de origem. Muitos se concentraram
em São Paulo, enquanto uma parte foi para a região Norte ou para o Sul.

50s – A Pioneira

1954 – Zuleika Pinho foi a primeira bailarina a realizar uma apresentação de Dança do
Ventre no Brasil, em um clube árabe chamado Homs, ela tinha 14 anos. Ela se
apresentou em vários restaurantes, barmitvas, clubes e casamentos na colônia árabe e
participou de programas de televisão, assim como apareceu em muitos jornais da época.

70s – 1ª geração

1976 – Samira Mattar (Samira Samia), Rita Bianchi e Vera Bello (Najua) iniciaram
pequenas apresentações de dança do ventre, com música ao vivo, em festas e
celebrações particulares. Através de Anuar Uchoa, e com a presença de músicos da
família Mozayek, que até hoje é muito famosa no Brasil, os shows passaram a acontecer
em restaurantes e grandes clubes.
Conjuntos que faziam parte desta época:
Emilio Bonduk, Elias Almazar, Nabil Nage, Said Azzar e Ismaili.

A dança era propriamente um artigo de pouca divulgação, mas tinha seus pontos fixos.
Um deles um restaurante que já não existe há muitos anos, se tornou uma MECA para a
dança em SP, seu nome era Bier Maza. Foi o mais famoso restaurante nas décadas de 70
e 80.

Outros restaurantes que abrigavam as apresentações: Porta Aberta, Semiramis, Zorba o


Grego, Khan el Khalili e El Chalita.

Samira é autodidata e apesar da dificuldade de informação na época em que iniciou sua


carreira foi a introdutora de diversas modalidades da dança oriental árabe no Brasil: A
dança do Jarro, do Punhal, dos 7 véus, do pandeiro ... também foi a primeira bailarina
brasileira a dançar com uma espada e a tocar snujs durante a apresentação.

Começou a ministrar aulas em 1997 e hoje, juntamente com sua filha Shalimar Mattar,
organiza o maior festival de dança oriental do Mundo chamado Mercado Persa, que foi
idealizado em 1995, tem lugar em São Paulo, uma vez ao ano, sempre em abril, e traz
aproximadamente 6000 pessoas para visitação em 3 dias de duração.

1979 – Madeleine Iskandarian (Shahrazad Sharkey) iniciou sua carreira como


bailarina oficialmente no restaurante Bier Maza em SP. Trabalhou com músicos
famosos como o alaudista Wadi Koury e o percussionista libanês Fuad Calil Haidamus
– pioneiro da percussão árabe no Brasil.

Também foi parte integrante do restaurante Porta Aberta, um lugar extremamente


importante para a dança árabe até a decada de 90.

Nascida em 1 de setembro em Belém, Palestina. Criada em Aleppo na Síria e em


Beirute no Libano. Chegou ao Brasil em 1957 (19 anos), foi cabeleireira por 18 anos e
passou a dedicar-se à Dança do Ventre a partir do final da década de 70, embora já
dançasse profissionalmente desde os sete (7) anos em diversos países árabes. Foi
professora de muitas brasileiras incluindo Lulu.

Desenvolveu um método próprio de ensino visando a feminilidade e a relação da dança


com o parto e também como aliada para a vida sexual. Apesar de ter uma formação
libanesa, seus olhos se voltaram para o Egito. Dançava essencialmente improvisando e
acreditava que este era o caminho mais natural.

Sua marca reside nas mulheres que com ela aprenderam e depois compartilharam seus
conhecimentos com outras. Ela vive no corpo de muitas bailarinas hoje ativas e
presentes no mercado brasileiro e também exterior. Ela é o pedaço oriental que adotou o
Brasil e por essa razão carrega consigo um símbolo único de representatividade em
nosso pais.

Publicou em 1998 o livro intitulado “Resgatando a Feminilidade – expressão e


consciência corporal pela dança do ventre”.

80s – 2ª geração

1983 – Gisele Bomentre Formada em ballet clássico, se interessou por dança oriental
ainda bastante jovem. Em 1983 já se apresentava nos lugares que ofereciam dança no
Brasil: Porta Aberta e Khan el Khalili, que neste momento tinha acabado de abrir suas
portas.

Sempre teve grande carisma e foi a primeira brasileira a ingressar numa carreira
internacional, na cidade do México, no restaurante Adonis.

Depois do México sua vida ganhou rumo junto aos países árabes: num primeiro
momento a costa do Marfim, na Africa, em Abdjan e de lá para o Oriente Médio:
Libano, Dubai, Abu Dabi, Oman, Jordania, Tunísia e Siria.

Gisele participou da novela "O Clone". Dançou e cantou em vários episódios e gravou
canções em árabe para a trilha sonora, o cd: "O Melhor da Dança do Ventre de O
Clone", em produção com Marcus Viana.

1983 – Lulu Hartenbach (Lulu from Brazil/Lulu Sabongi) Iniciou suas aulas com
Shaharazad Sharkey, em 1983, com quem aprendeu os princípios da Dança Oriental.
Esta foi sua única professora no Brasil e uma fonte de incrível inspiração.

Em 1984 começou a dançar na casa que compartilhava com seu marido naquele
momento, Jorge Sabongi, a Khan el Khalili. Ela esteve a frente do ensino e da qualidade
artística da casa durante 23 anos, construindo a estrutura técnica e o estilo, no qual hoje
em dia é reconhecido em todo o Brasil.

Em 1990, iniciou a carreira como professora, dentro da Khan el Khalili. Após a


separação, em 2005, levou sua escola para um novo endereço e mudou o nome para
Centro Cultural Shangrila House.

Em 1992 iniciou sua trajetória internacional, tendo visitado 32 países em mais de 30


anos de carreira e, em 1993, lançou o primeiro vídeo didático de dança do ventre no
Brasil.
No ano de 2010, criou um sistema de avaliação em qualidade de dança, derivado de seu
primeiro projeto dentro da antiga companhia Khan el Khalili, para todas as bailarinas
que desejassem ter uma opinião abalizada e detalhada sobre sua performance, o Selo de
qualidade em Dança Oriental – Lulu from Brazil.

Conhecida por sua dedicação aos estudos, continua buscando por mais conhecimento e
tem em sua lista de professores as inspirações que a mantém ativa dentro da dança.

1986 – Patrícia Lima (Camelia) Foi em uma festa das nações em São Paulo, no final
dos anos 1980, que Patrícia Lima viu uma apresentação de dança do ventre e se
interessou por essa arte. Do alto dos seus 13 anos, os olhos da adolescente que já
dançava jazz e ballet clássico viram nas danças árabes uma nova e apaixonante
possibilidade.

Em pouco tempo ela estava matriculada em uma turma da Associação Brasileira de


Cultura Egípcia. Depois de três anos de aulas, as portas do mundo artístico árabe se
abriram para Patrícia, que se tornou Camelia, nome com o qual foi batizada pelo diretor
artístico libanês Abdel Halim Caracalla.

Aos 19 anos foi dançar na Costa do Marfim (África), de lá partiu para o Líbano e,
depois, voltou à África, dessa vez para o Egito, sendo a primeira brasileira a se
apresentar neste país. Em 20 anos dançando no mundo árabe, esteve em mais de 40
países, como Síria, Jordânia e outras regiões do Golfo Pérsico.

Camelia teve a oportunidade de estudar também os folclores do Egito, do Líbano e da


Jordânia. Especializou-se em danças do Golfo (Khaliji) e estuda até hoje musicalidade
para bailarinas.
1986 – Mirela Najua Poletto (Nájua) iniciou com a dança clássica aos 9 anos de idade
e acabou deixando as classes de ballet ao 21 anos (1985), ano em que a dança árabe
invadiu sua vida sem chance de retorno a outras aulas de dança.

A partir de 1994 começou a viajar ao exterior (Egipto, Líbano, Turquia, Síria e


Emirados Árabes Unidos) acompanhada por seu empresario artístico Omar Naboulsi,
primeiro para conhecer e aperfeiçoar a dança e mais tarde para trabalhar
profissionalmente como bailarina estilo árabe.

O aprendizado da dança árabe foi autodidata, pois na época em que começou não havia
muitas opções de professoras e as bailarinas dessa época trocavam informações sobre a
dança quando se encontravam em shows ou se reuniam para um café aprendendo com
os poucos vídeos de bailarinas egípcias e libanesas que havia.

De 1999 a 2004 trabalhou profissionalmente nos Emirados Árabes Unidos (Dubai e


Abudabi) e seu ultimo contrato foi na cidade do México onde reside atualmente e tem
sua Escola de Dança Árabe.

Juntamente com Shams Sirham, Fátima Fontes e Karima Giz formaram a segunda
geração de dança no Brasil.

90s

1993 – Foi criada pela bailarina Hayat El Helwa e seu então esposo, Leonel Consorte, a
Rede de Escolas Luxor; na época, a principal concorrente da Casa de Chá Khan el
Khalili. A Rede Luxor criou uma metodologia de ensino sistematizada em módulos,
com conteúdos a serem trabalhados igualmente por todas as professoras, aula a aula, em
todas as suas franquias.
1993 – Foi lançado, pela Casa de Chá Khan el Khalili, tendo como professora a
bailarina Lulu (Sabongi) o primeiro vídeo didático sobre Dança do Ventre.
1995 – Samira Samia criou o Festival de Dança do Ventre Mercado Persa, em São
Paulo, e o primeiro jornal sobre o assunto, o “Oriente Encanto e Magia”.
1998 – Foi lançado o primeiro livro sobre o assunto, “Dança do Ventre – uma arte
milenar”, escrito pela bailarina e professora Málika.
1999 – Foi criado o primeiro “selo de qualidade” de dança do ventre pela bailarina Lulu
(Sabongi), quando ainda codirigia a Casa de Chá Khan el Khalili junto a seu ex-marido,
o empresário Jorge Sabongi.

Em 2001, foi exibida a novela O clone despertando o interesse nacional pela Dança do
Ventre.
Referências:
http://www.khanelkhalili.com.br/nobrasil.htm
http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:4yFS71BYJV4J:musidanca.blo
gspot.com/2011/01/samira-samia-uma-das-pioneiras-da-danca.html+&cd=1&hl=pt-
BR&ct=clnk&gl=br&client=firefox-b-d
http://jamalmarzuq.blogspot.com/2011/10/shahrazad-primeira-geracao-de.html
http://dancadoventrebr.blogspot.com/2010/02/shahrazad-sharkey.html
https://www.centraldancadoventre.com.br/a-danca-do-ventre/historia-da-danca-do-
ventre/13/a-danca-do-ventre-no-brasil/12
https://www.centraldancadoventre.com.br/publicacoes/entrevistas/28/zuleika-pinho/359
https://pt.scribd.com/document/328030110/Camelia-Wiki
http://www.lulufrombrazil.com.br/biografia/
http://www.centroculturalshangrila.com.br/dt_portfolio/354/
http://www.mosaicobrasilegito.com.br/professores/lulu/
http://www.qualidadeemdancaoriental.com.br/2015/item/najua/
http://diariodeumabellydancer.com/resiliencia-traduzida-em-bailarina/