Você está na página 1de 8

FAGRI - Cuamba

Universidade Católica de Moçambique


Cuamba - Niassa
Tel: (+258) 27122121
E-mail: ucmcuamba@ucm.ac.mz

Aula prática de Teoria Geral De Direito Civil I- 2 ˚Ano Direito

CONCEITO E ESTRUTURA DA RELACAO JURIDICA

O homem vive em sociedade, è um ser eminentemente social e, enquanto tal, estabelece relações
sociais com os seus semelhantes, cuja importancia exige, por vezes, uma certa regulamentação.

Ora quando o Direito regula e tutela tais relações intersubjectivas, elas dizem-se relações
jurídicas. Esta è uma definição genérica e simples da relação jurídica que constitui um conceito
básico de todo Direito e da Teoria do Direito Civil em particular art.66 a396 C.C.

Para o Prof. Dr. Castro Mendes relação jurídica è toda relação da vida social disciplinada pelo
direito; ou seja, relevante para ordem jurídica, designadamente por produzir consequências de
direito.

Para Frederico de Castro relação jurídica è a situação em que se encontrão respectivamente


umas pessoas, organizada unitariamente dentro da ordem jurídica total por um principio
jurídico especial.

No conceito dado por Castro Mendes e extremamente amplo e vaga. Se procurarmos dar uma
ideia de relação jurídica mais restrita e precisa, temos que nos debruçar sobre o que uma relação
jurídica conte; e então diremos um è a relação de vida social regulado pelo direito, e que consiste
na atribuição a um sujeito de um direito subjectivo e na adstrição de outro sujeito a uma
vinculação jurídica.

ESTRUTURA DA RELACAO JURIODICA


Na relação jurídica encontramos duas posições de e lance normativo entre um direito e um dever,
na posição activa (poder) na posição passiva (dever ou vinculação), assim para Castro Mendes a
relação jurídica pode se definir como nexo de atribuição recíproca de um direito e uma
vinculação.

O lado activo resulta de atribuição a um direito subjectivo è o lado passivo, resulta da


vinculação melhor que um dever, pois essa posição jurídica a que ficam adstritos os sujeitos
passivos das relações jurídicas tem varias modalidades, alem da que consiste propriamente num
dever jurídico.

DIREITO SUBJECTIVO E DEVER JURIDICO

O direito subjectivo traduz se na ideia de um poder conferido pela norma a um sujeito para
realização por este de interesses.

Da noção da relação jurídica, constata se a integração de direitos subjectivos e deveres


jurídicos/ou sujeições (também designados por vinculação jurídica).

Assim, direito subjectivo “è o poder jurídico (reconhecido pela ordem jurídica a uma pessoa), de
livremente exigir ou pretender de outrem um comportamento positivo (acção) ou negativo
(omissão) ou por um acto livre de vontade só de per se, ou integrado por um acto de uma
autoridade publica, produzir determinados efeitos jurídicos que inevitavelmente se impõem a
outra pessoa contraparte ou adversário.
Só se nos depara um direito subjectivo quando o exercício do poder jurídico respectivo esta
dependente da vontade do seu titular” Mota Pinto, teoria geral do Direito Civil, 3 Edição, Pag.160.

Daqui se retira que um direito subjectivo só pode ser exercido se e quando o seu titular quiser, o
que significa que o exercício do poder conferido por esse direito depende da vontade do
respectivo titular (sujeito activo).

As situações em que falta a liberdade de actuação pois os interesses ai em causa são não só de
carácter geral, da sociedade, mas também interessem individuais, pelo que não podem ser
conotados como verdadeiros direitos subjectivos: o chamado poderes deveres, como é o caso do
poder paternal.
A relação jurídica pode ser classificada em: em sentido amplo e restrito; abstractas e concretas.
RELACAO JURIDICA EM SENTIDO AMPLO E RESTRITO

Pode ser entendido em sentido amplo, e em sentido restrito, sendo que a relação jurídica no
sentido amplo seja toda e qualquer relação da vida social disciplinada pelo direito, isto é,
juridicamente relevante, produtora de consequências jurídicas.

Ex: no mercado estabelecem se tipicamente relações jurídicas de compra e venda

Esta noção è extremamente abrangente, è algo vago apenas não podendo nela ser incluídas as
relações da vida real que não são juridicamente relevantes, ex: amizade, namoro gratidão etc…
dai a necessidade de recorrer a um outro sentido, que é mais restrito.

Relação jurídica no sentido restrito – é a relação da vida real disciplinada pelo direito, pela
qual se atribui a um sujeito (activo) um direito subjectivo e se impõem, em consonância a outro
sujeito (passivo) um dever jurídico ou uma sujeição.

Ex: a relação entre um senhorio e arrendatário, comprador e um vendedor, entre empreiteiro e


dono da obra, ect..

A empreiteiro construiu um prédio para B, A tem o direito de receber o respectivo valor da


empreitada e a obrigação de entregar o imóvel nas condições acordadas. Por sua vez B tem o
direito de receber o imóvel e pagar o valor acordado ao empreiteiro.

Esta relação toda no exemplo acima referido é regulada e titulada pelo Direito e é esta a relação
jurídica em sentido restrito que mais interessa ao longo do curso.

Relações jurídicas abstractas e concretas

Podemos distinguir relações jurídicas abstractas de relações jurídicas concretas

Relações jurídicas abstractas –(…) è a relação jurídica com referencia a um modelo paradigma
ou esquema contido na lei e definida em termos genéricos, pode ser aplicada a um numero
indeterminado de casos. Mota Pinto, teoria geral do Direito Civil, 3 Edicao, Pag.167.

Ex: A arrendou sua casa a B em que B deve pagar a renda estipulada no contrato de
arrendamento.
O exemplo acima exposto e uma relação jurídica abstracta pois esta definida em termos gerais,
podendo ser aplicada a uma infinidade de casos semelhantes.
Relações Jurídica concretas e a relação jurídica que existe na realidade, entre pessoas
determinadas sobre um objecto determinado, e procedendo de um factor jurídico determinado.
Mota Pinto, teoria geral do Direito Civil, 3 Edição, Pag.167
Ex: A arrenda sua loja comercial a B, A pode exigir de B a renda de 20.000.00mt pelo
arrendamento de sua loja comercial.

ELEMENTOS DA RELACAO JURIDICA

O conceito de relação jurídica pressupõe um conjunto de elementos, pois como vimos, toda e
qualquer relação se estabelece entre sujeitos(è intersubjectiva),recai sobre certo objecto, deriva
de certo facto e tem, normalmente, determinadas garantias.
Dai podemos dizer que são quatro os elementos da relação jurídica saber:
Sujeitos, objecto, facto jurídico e a garantia.

Sujeito: são as pessoas entre as quais a relação jurídica se estabelece, isto é, são os titulares do
direito subjectivo (sujeito activo) e da vinculação correspondente os titulares do dever jurídico e
sujeição (sujeito passivo);

De referir que os sujeitos referidos na relação jurídica são pessoas por isso a intersubjectividade,
mas essa pessoa se refere em sentido jurídico, sendo necessário possuir a personalidade
jurídica. Assim todo sujeito de direito tem personalidade jurídica e capacidade jurídica.

Personalidade Jurídica
“Entende-se pela aptidão que uma pessoa singular ou colectiva para ser titular autónomo de
relações jurídicas” Mota Pinto, teoria geral do Direito Civil, 3 Edição, Pag.191.
Ou
“ (…) e a susceptibilidade de ser titular de direitos e obrigações.” Castro Mendes, direito Civil, vol.I,
pag.169

O homem por natureza possui personalidade jurídica, embora no passado com a escravatura lhe
era negado esse direito, fazendo nos perceber que a personalidade jurídica è inerente ao ser
humano.
O Homem adquire a personalidade jurídica no momento do seu nascimento e perde-a com a
morte vide art.66,68 C.C, a pessoa é sempre titular de um numero de direitos absolutos, que
todos tem de respeitar, incluindo sobre a vida da pessoa, a sua saúde e integridade física, honra,
imagem, nome, reserva sobre a intimidade sobre a sua vida privada e mais patentes na
constituição da republica e o Cc. Vide os artigos 40,41 CRM conj art 70,74,72,80 C.C que
constituem um conteúdo mínimo e imprescindível da esfera jurídica de cada pessoa.
O art.70 C.C contem uma norma de tutela geral da personalidade, de acordo com a Lei protege
os indivisos contra qualquer ofensa ilícita ou ameaça de ofensa a sua personalidade física ou
moral.
Desde sempre toda pessoa tem direito ao nome art 72 C.C e ao pseudónimo se tiver notoriedade
art 74 C.C, o bem da identidade esta juridicamente tutelado. Do mesmo o retrato de uma pessoa
não pode ser exposto, reproduzido ou lançado no comercio sem o seu consentimento pois ela
goza do direito a imagem.,o código civil e prevê a obrigação de todos guardarem reserva quanto
a intimidade da vida privada de outrem art 80 C.C.
A violação de qualquer destes direitos de personalidade origina um dever de indemnizar o
prejudicado, que tem ainda, a possibilidade de requerer providencias adequadas a evitar ou
atenuar as ofensas.

A pessoa em sentido jurídico não é apenas a pessoa singular, pois a ordem jurídica atribui
também a pessoas colectivas personalidade jurídica, para que estas possam ser titulares de de
relações jurídicas ou seja titulares de direitos, deveres e obrigações, para que estas prossigam os
fins sociais ou colectivos a que se propõem. Exemplo sociedades comerciais, associações,
institutos e fundações.

Pessoas colectivas - “colectividade de pessoas ou complexos patrimoniais organizados com


vista de um fim comum ou colectivo, a que o ordenamento jurídico atribui a qualidade de
sujeitos de direito.” Mota Pinto, teoria geral do Direito Civil, 3 Edição, Pag.124

O código civil identifica os sujeitos da relação jurídica com as pessoas estabelecendo o


respectivo regime das pessoas singulares art. 66 a 156 e o das pessoas colectivas art.157 a 194
.Neste sentido a relação jurídica pode estabelecer-se entre pessoas singulares ou entre pessoas
colectivas ou entre pessoas singulares e colectivas.

CAPACIDADE JURIDICA
Fala se da capacidade jurídica para exprimir a aptidão para se titular de um circulo, com mais ou
menos restrições, de relações jurídicas – pode por isso ter-se uma maior ou menor de capacidade,
segundo certas condições ou situações, sendo – se sempre pessoa, seja qual for a medida da
capacidade.

CAPACIDADE GOZO

Ẻ Aptidão para ser sujeito activo ou passivo de relações jurídicas. A aptidão para ser titular de
um círculo maior ou menor de ralações jurídicas. Mas a capacidade jurídica não è, apenas, a
susceptibilidade de uma pessoa ser titular de direitos e obrigações.
Ela tem também a acepção de capacidade de exercício de direitos, ou capacidade de agir,
encarada com susceptibilidade de praticar actos jurídicos, por si só, pessoal e livremente.

CAPACIDADE DE EXERCICIO

“E a idoneidade para actuar juridicamente, exercendo direitos ou cumprindo deveres, adquirindo


direitos ou assumindo obrigações, por acto próprio e exclusivo ou mediante um representante
voluntario ou procurador.” Mota Pinto, teoria geral do Direito Civil, 3 Edição, Pag.126
Aqui já não esta em causa a aptidão para ser titular de direitos, ou seja, uma posição estática do
sujeito, mas antes para o seu exercício, ou seja, uma posição dinâmica.
Assim temos sempre de distinguir estes tipos de capacidade jurídica.

Capacidade de gozo de direitos


CAPACIDADE JURIDICA

Capacidade de exercício de direitos

Vejamos agora, em que termo e conferida a capacidade jurídica as pessoas singulares e as


pessoas colectivas.

Pessoas singulares

Regra geral, as pessoas singulares adquirem a capacidade quando atingem a maioridade ou, com
algumas limitações, quando se emancipam. a essa limitação chamamos de incapacidade de
exercício

INCAPACIDADE DE EXERCICIO

A falta da capacidade de exercício de direitos de alguém, que assim fica impossibilitado de agir
com acto próprio, constitui uma situação de excepção que a lei reconhece: a incapacidade. A
pessoa e titular de direitos, tem capacidade de gozo, mas não pode exercer, pois falta lhe
idoneidade para praticar actos jurídicos – nem suma não tem capacidade de exercício.
Mas esta incapacidade pode, no entanto, ser suprida por alguém que actue em nome e no
interesse do incapaz, sob pena de se prejudicar gravemente a sua pessoa.
São quatro as situações em que existe incapcidade de exercício.

 Menoridade (artigos 12 ͦ, a 129, do Codico civil)


 Interdição (artigos 138, a 151, do codico civil)
 Inabilitação (artigos 152 a 156 do codico civil
 Incapacidade (artigos 257 do codico civil

Trata se de casos em que o grau de imaturidade ou impor a reparação do individuo afecta a


capacidade de governo da sua vida e/ou dos seus bens, pelo que se torna necessário proteger tais
pessoas, consoante a sua debilidade.

Dai que a incapacidade possa ser suprida, Aliás, se assim não fosse, o incapaz ficaria
completamente excluído de exercer seus direitos, o que seria inaceitável.

Assim, a ordem jurídica estabelece dois tipos de instituto para o suprimento dessas
incapacidades.

Próxima aula:
Continuação incapacidade de exercício e meios de suprimento da incapacidade de exercício

Manuais auxiliadores na matéria

Mota Pinto, teoria geral do Direito Civil, 3 Edição


Castro Mendes, direito Civil, vol.I