Você está na página 1de 10

1

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA- UniCEUB

ÉRICA CRISTINA ALMADA GHIZONI

RESENHA CRÍTICA SOBRE


A INIMPUTABILIDADE NO DIREITO PENAL

BRASÍLI
A 2020
1

ÉRICA CRISTINA ALMADA GHIZONI

RESENHA CRÍTICA SOBRE


A INIMPUTABILIDADE NO DIREITO PENAL

Resenha Crítica a disciplina de Monografia 1


ao curso de graduação em Direito na
Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do
Uniceub.
Orientador: Prof. Rodrigo Augusto Lima de
Medeiros

BRASÍLI
A 2020
2

RESENHA

ÉRICA CRISTINA ALMADA GHIZONI

PONTE , Antônio Carlos da Ponte . Inimputabilidade e processo penal .Saraiva, 3º edição


2012, 200p.

O livro de Antônio Carlos da Ponte a qual tem por base esta Resenha é uma a
fruto da tese de doutorado do autor defendida na PUC/SP. Destina-se ao estudo da
inimputabilidade e da semi-imputabilidade, com suas consequentes implicações no campo do
Direito Penal e do Direito Processual Penal.
Este livro destina-se ao estudo da inimputabilidade e da semi-imputabilidade, com
suas conseqüentes implicações no campo do Direito Penal e do Direito Processual Penal.
Abordando conceitos de responsabilidade penal, imputabilidade e culpabilidade.
O estudo da inimputabilidade e da semi-imputabilidade na legislação penal brasileira.
Primeiro e necessário compreender o sentido de imputar significa atribuir a
alguém a responsabilidade de algum ato ou de alguma coisa. No campo do direito penal,
“imputabilidade é a capacidade de a pessoa entender que o fato é ilícito e de agir de acordo
com esse entendimento”(DELMANTO et al, 2000).
Hodiernamente tem-se visto a violência crescer em todos os níveis da sociedade,.
Em face desse fenômeno, cada vez que se noticia um ato infracional reabre-se o debate quanto
à necessidade de reformular a legislação e o código penal brasileiro que data de desde 1940 ,
para diminuir o sentimento de impunidade a qual os onsiderados Inimiputaveis a luz do direito
Penal Brasileiro a qual e relutado na presente obra com fim de submetê-los às sanções que
colocaria sob o alcance da lei penal ao impasse da consonância de uma sentimento de
inimputabilidade que assola a realidade brasileira.
A delinqüência juvenil sempre existiu e é inerente a qualquer sociedade, contudo,
constata-se uma recrudescência deste fenômeno todos os dias, sendo a responsabilidade penal
dos menores alvo de constantes discussões, gerando grande celeuma em nossa sociedade.
Diariamente são nos oferecidos inúmeros exemplos de infrações penais cometidas
por menores, observando serem eles cada vez mais jovens, o que faz com que muitos, diante
de fatos graves noticiados na TV, passem a acreditar na possibilidade de uma reforma
constitucional visando à redução da maioridade penal.
3

   A questão da violência e de Inimputabilidade requer uma discussão profunda, e


neste consoante que procuro descrever e debater neste estudo sem adentrar na questão
sociológica, que requer espaço mais amplo para o debate – mas pela análise do Direito,
compreendendo-se o que significa, na dogmática do Direito, “responsabilidade” e
“atributividade” em relação ao injusto praticado.
O código penal não traz um conceito positivo de imputabilidade, mas fornece as
hipóteses em que esta é verificada.
Partindo do principio de que só é imputável o individuo que tem a capacidade de
entender e querer, nosso diploma legal funda a responsabilidade no elemento subjetivo da
vontade consciente, exigindo, para tanto, que o agente revele certo grau de desenvolvimento
mental, maturidade, normalidade psíquica, entendimento ético jurídico e faculdade de
autodeterminação.
Uma das grandes dificuldades do Direito Penal é classificar réus como
inimputáveis. Não só no Brasil, mas também em outros países do mundo. Na teoria, é bastante
simples. O artigo 26 do Código Penal define os inimputáveis como aqueles que, por conta de
doença ou deficiência mental, são incapazes de compreender o caráter ilícito do fato. Estes
são isentos da pena. Já aqueles que, por conta de perturbações mentais não compreendem
inteiramente a ilicitute dos seus atos, a pena pode ser reduzida de um a dois terços. Na prática,
no entanto, as coisas são diferentes.
É considerado inimputável aquele que não tem condições de autodeterminação na
data do crime ou que seja inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato. O
inimputável é isento de pena. Exemplo: portadores de doença mental totalmente incapacitados
de compreender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
As causas de inimputabilidade não permitem interpretação extensiva, em prejuízo
do réu, pois possuem rol taxativo, no Código Penal, sendo: a menoridade penal, a patologia
psíquica e a embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior.
O tema possui importância acadêmica e teórica. O conceito pressupõe um rigor
científico que reclama análises técnicas e consentâneas com a Constituição, uma vez constitui-
se de instrumento de garantia do indivíduo por estabelecer categorias razoavelmente seguras e
éticas de avaliação da conduta e do agente.
O trabalho em si proposto pela esta resenha e compreender os meadros
constituicionais e legais a luz de analise documental, partindo de uma investigação
bibliográfica séria, através da qual foi possível examinar os posicionamentos doutrinários e
4

jurisprudenciais a partir de uma perspectiva teoricamente atualizada, constitucional e crítica,


sem obstar da utilização dos enfoques hermenêutico e dialético sobre a Inimputablidade Penal
no Ordenamento penal brasileiro .
A teoria do delito, de acordo com as precisas lições de Souza e Japiassú (2011), “é
a parte do Direito Penal destinada ao estudo do crime como fato punível, do ponto de vista
jurídico, para estabelecer e analisar suas características gerais, bem como as formas especiais
de aparecimento”. (ZAFFARONI apud GRECO, 2007),
De forma geral, Rogério Greco (2007) identifica três conceitos de crime como
sendo os mais difundidos. Sob o aspecto formal, crime é toda conduta humana proibida pela
lei penal. Já no conceito material, o delito consiste na conduta humana lesiva a um bem
jurídico relevante para a sociedade. Por fim, buscando suprir a imprecisão das teorias
anteriores, há o conceito analítico de crime, que define o delito a partir dos seus elementos
estruturais.
Desenvolvido por mais de um século, o conceito analítico de crime significou um
relevante instrumento de contenção do poder punitivo estatal, trazendo uma razoável
segurança para o momento da responsabilização penal do indivíduo.
O referido autor leciona que no art. 23 do Código Penal estão previstas as
excludentes de antijuridicidade (estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento
do dever legal e exercício regular de direito), hipóteses de permissão incentivo ou imposição
da conduta típica, mas que se trata de um rol exemplificativo, haja vista a existência de
justificantes fora daquele artigo (como, por exemplo, nos arts. 128 e 142 do CP) bem como de
uma causa supra legal que é o consentimento do ofendido.
Pode-se dizer que a culpa passa a consistir na reprovabilidade da conduta ilícita
(típica e antijurídica) de quem tem capacidade genérica de entender e querer
(imputabilidade) e podia, nas circunstâncias em que o fato ocorreu conhecer a sua
ilicitude, sendo-lhe exigível comportamento que se ajuste ao direito.
Assim, são três os elementos ou requisitos da culpabilidade: (1) Imputabilidade; (2)
Potencial conhecimento da ilicitude; e (3) Exigibilidade de conduta diversa. [...] a
esses três elementos correspondem diversas hipóteses de exculpação (SOUZA;
JAPIASSÚ, 2011, p. 233).
Como demonstrado, após verificar se o fato é típico e ilícito, deve-se proceder à
análise da culpabilidade. O primeiro requisito é a imputabilidade, de modo que avalia-se se
aquele fato pode ser atribuído ao agente considerando a sua capacidade de entender o caráter
ilícito do fato e de determinar-se de acordo com esse entendimento (GRECO, 2007).
Como vimos, a regra da inimputabilidade penal aos menores de dezoito anos está
5

contida no artigo 228 da Constituição Federal, por se tratar de texto constitucional somente é
admitida a reforma, alteração ou supressão mediante emenda constitucional.
Em relação à inimputabilidade pela idade o Código Penal adotou o critério
biológico. Assim, basta que a pessoa tenha menos de 18 anos na data da conduta para ser
inimputável, sendo irrelevante se tinha pleno discernimento para compreender o caráter ilícito
do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
No primeiro caso, há uma presunção legal de que os menores de 18 anos não
possuem capacidade de entendimento para que lhes seja possível imputar um crime, razão
pela qual são julgados conforme as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente.
(GRECO, 2007).
Assim, direitos e garantias individuais são aqueles derivados da própria existência
humana e que se colocam acima de toda e qualquer norma, mesmo porque, para alguns
autores, baseiam-se em princípios supraconstitucionais, com o objetivo maior de proporcionar
e assegurar condições de liberdade individual, de sobrevivência e de valorização social.
As polêmicas em torno da definição do limite etário da inimputabilidade existem
em diferentes projetos no Congresso Nacional. Atualmente, busca-se no direito facultativo do
voto dos adolescentes a partir dos 16 anos, a base para a defesa dessa idade como limite penal.
Além desse argumento, os defensores dessa redução alegam que o limite em vigor
foi definido em um período no qual os adolescentes demoravam mais para atingir a
maturidade e não possuíam as condições de formação atuais.
Nesse sentido os adolescentes de hoje possuiriam suficiente discernimento de suas
ações, podendo responder penalmente pelos seus próprios atos a partir dos 16 anos. É óbvio
que vários segmentos colocam-se contra esses argumentos e defendem a não redução da
idade, sendo que parte da fundamentação dos defensores do atual limite etário está nas Regras
das Nações Unidas sobre essa questão.
Os argumentos acima estão sempre ligados a outros, de maior apelo popular.
Como a idéia de inimputabilidade não é de fácil assimilação, sem alguma noção sobre o
assunto, a divulgação de que os menores de 18 anos são inimputáveis sempre foi
acompanhada do discurso de que eles são impunes.
Da mesma forma, não é incomum nos depararmos com pessoas alegando que os
"menores" estão livres para cometerem qualquer tipo de ação sem precisarem se preocupar. 
Conforme a regra do art. 26, caput, do Código Penal, verificando-se a
inimputabilidade do agente, deverá ser o mesmo absolvido por ausência de culpabilidade,
aplicando-se-lhe, contudo, sanção penal consistente em medida de segurança (absolvição
6

imprópria) (CUNHA, 2013).

É que nada comprova que a idade de 18 anos é um marco determinante da


capacidade de compreensão do injusto e de autodeterminação. Apenas adotou-se o critério
por se entender razoável este limite, conforme orientação do Seminário Europeu de
Assistência Social das Nações Unidas, ocorrido em Paris, em 1949.

Ao estabelecer um tratamento diferenciado, a Constituição Federal, preocupada


com grupos mais vulneráveis da nossa sociedade, garantiu aos menores de 18 anos, a
inimputabilidade perante a Lei penal, sendo que, contudo, estabeleceu a responsabilidade
pelos atos cometidos perante a legislação especial, caracterizando um direito fundamental à
condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.

É cediço que a lei penal sujeita seu infrator à penas previamente definidas, com
caráter preventivo e repressivo, variando conforme os tipos legais de crimes, de acordo com
as modalidades previstas na Carta Política, ou seja, privação ou restrição da liberdade, perda
de bens, multa, prestação social alternativa, suspensão ou interdição de direitos, diante disso,
constata-se que a lei penal atinge a esfera da liberdade individual da pessoa e todos os bens
juridicamente tutelados: liberdade, propriedade, privacidade, entre outros, com exceção á
vida, pois não é permitido a pena de morte.

Com relação aos menores de dezoito anos, a vontade do constituinte, devido a


tendências internacionais, foi fixar a imputabilidade penal em dezoito anos, excluindo-os da
esfera da punibilidade penal, com tratamento diferenciado em virtude da proteção especial,
com obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito quando da aplicação
de qualquer medida privativa de liberdade, consoante disposto no artigo 227, § 3, V, da
Constituição Federal.
. Um adulto que pratica um roubo à mão armada, em que a pena vai se situar
entre quatro e cinco anos de reclusão, observado os critérios do Código Penal. Dada a
sistemática da Lei de Execução Penal, o infrator cumprirá preso apenas parte desse tempo, ou
seja, aproximadamente dois anos.
Ao passo que o adolescente que perante ao olhos da lei são Inimputáveis , que
pratica o mesmo ato, sujeita-se à internação de até três anos e, sucessivamente, se for
necessário, de mais três anos de semiliberdade e mais três de liberdade assistida, se assim for
preciso para a sua reeducação, sendo passível de ficar sob a tutela da Justiça por nove anos
ininterruptos (CURY, 1998).
7

Dessa forma, é de se convir que a inimputabilidade não implica


irresponsabilidade ou impunidade, pois estão os adolescentes autores de atos infracionais
sujeitos às medidas sócio-educativas contidas no ECA, inclusive podendo ser submetidos à
medida de privação de liberdade, a qual, diferentemente das penas, que explicitamente
assumem um caráter retributivo e sancionador pelo crime ou contravenção penal, se disfarça
de pedagógica e educadora.
8

Referências

BRASIL. Art 26 (Decreto  Decreto Lei nº 2.848 de 07 de


Dezembro de 1940). Disponível
em:  https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10637082/artigo-28-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-
dezembro-de-1940. Acesso em:12/04/2020.

BRASIL. Art 28 (Decreto Lei 2.848/1940). Disponível


em:  http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.html. Acesso
em:12/04/2020.
BRASIL. Código Penal: Decreto Lei n.º 2.848, de 07 de dezembro de 1940. Porto Alegre:
Ministério Público do Rio Grande do Sul, Procuradoria-Geral de Justiça, 2012.

CUNHA, Rogério S. Manual de Direito Penal: Parte Geral, arts. 1 ao 120. 4. ed. Salvador:
Juspodivm, 2016.

CURY, Munir; SILVA, Antônio Fernando do Amaral; MENDEZ, Emílio Garcia (Coord.).
Estatuto da criança e do adolescente comentado. Comentários Jurídicos e Sociais. 2. ed.
São Paulo: Malheiros Editores Ltda, 1992.

DELMANTO. Celso Delmanto et al. Código Penal Comentado. 5.ed. Rio de Janeiro:


Renovar, 2000.

GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal. 4.ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2007.

LIBERATI, Wilson Donizeti. Imputabilidade: Medida Sócio-Educativa de Internação –


Prescrição – Questões do Estatuto da Criança e do Adolescente. Disponível em:

<http.//www.direitopenal.adv.br.artigos.html>. Acesso em: 12.04.2020

MENDES, Gilmar Ferreira. COELHO, Inocêncio Mártires. BRANCO, Paulo Gustavo


Gonet. Curso de direito constitucional.3.ed.rev.atual, São Paulo: Saraiva, 2008.

SILVA, Adriana Ferreira. Maioridade Penal aos dezesseis anos de idade: um estudo no
Projeto de lei nº 345/2004. Dissertação (Mestrado em Ciências Criminais) – Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: 2005.

SOUZA, Moacyr Benedicto. O problema da unificação da pena e da medida de


segurança. São Paulo Bushatsky, 2007.

SOUZA, Artur de Brito Gueiros; JAPIASSÚ, Carlos Eduardo Adriano. Curso de direito
penal: parte geral. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.

PONTE , Antônio Carlos da Ponte . Inimputabilidade e processo penal .Saraiva, 3º edição


9

2012, 200p.

VOLP, Mário; SARAIVA, João Batista. OS ADOLESCENTES E A LEI. Para Entender o


Direito dos Adolescentes, a Prática de Atos Infracionais e sua Responsabilização.
Programa Justiça Penal Juvenil e Direitos Humanos. ILANUD / COMISSÃO
EUROPÉIA. Brasília, dezembro de 1998;

ZAFFARONI, Eugênio Raúl. O inimigo no direito penal. 2ª edição Rio de Janeiro: Revan,
2007.

Você também pode gostar