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Chagas – DEE/UFCG

Universidade Federal de Campina Grande


Centro de Engenharia Elétrica e Informática
Departamento de Engenharia Elétrica

Distúrbios de Corrente em Redes Elétricas


Notas de Aula

Francisco das Chagas Fernandes Guerra

Campina Grande - PB

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Capítulo I

Introdução

Os principais distúrbios relacionados à corrente elétrica nos sistemas de geração,


transmissão, distribuição e consumo de energia são originados das seguintes ocorrências:

▪ desequilíbrios;
▪ sobrecargas;
▪ curtos-circuitos;
▪ surtos de energização (inrush).

Os desequilíbrios e as sobrecargas são tratados neste capítulo. Os curtos-circuitos e os surtos


de energização constituem tema de estudo de capítulos subsequentes.

1. Desequilíbrios

Os desequilíbrios de corrente podem ser causados por desbalanceamento de tensão e/ou


carga. Nos sistemas de distribuição, a instalação de ramais monofásicos e bifásicos produz
desequilíbrio nos alimentadores trifásicos, o que pode ocasionar os problemas a seguir.

▪ Sobrecargas em equipamentos e condutores, inclusive no neutro, em face do aumento da


corrente de neutro, In = 3I0.
▪ Atuação indevida de dispositivos de proteção, principalmente os relés de sobrecorrente de
terra (51N), como é indicado na Fig. 1.1. Assim, há necessidade de alterações dos ajustes
desses dispositivos em face do aumento da corrente de neutro, In = 3I0.

Fig. 1.1. Ligação de TCs em estrela alimentando relés de sobrecorrente.


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▪ Aumento das perdas técnicas de energia. Isto fica evidente ao se considerar um alimentador
trifásico de 10 km de extensão, com cabos de alumínio #4/0 CAA, os quais apresentam uma
resistência ôhmica igual a 0,3679 Ω/km. Por exemplo, caso sejam conduzidas as correntes Ia
= 100 A, Ib = 150 A e Ic = 50 A, as perdas por efeito Joule aproximadas são:
   
P  R I a2  I b2  I c2  3,679 x 100 2  150 2  50 2  130 kW . (1.1)

Se as correntes fossem equilibradas, assumindo o valor de 100 A, as perdas seriam de


aproximadamente 110 kW. O mesmo efeito é ainda mais evidente na redução das perdas de
potência reativa, porque na maior parte dos condutores têm-se X > R.

Os transformadores trifásicos apresentam um desequilíbrio intrínseco de corrente uma vez


que a coluna central do núcleo tem comprimento inferior aos caminhos magnéticos laterais,
como é mostrado na Fig. 1.2 (lb < la = lc). Essa assimetria faz com que as correntes de
magnetização sejam diferentes. Entretanto, esse efeito é desprezível, pois a corrente de
magnetização representa algo em torno de 2% da corrente nominal do transformador.

Fig. 1.2. Núcleo de transformador trifásico com trajetória magnética central mais curta que as laterais.

Os desequilíbrios de corrente nas fases dos motores de indução têm origem no desequilíbrio
das tensões de alimentação, sendo a abertura de fases uma ocorrência comum. Os efeitos
indesejáveis mais importantes são citados a seguir.

▪ Aumento de perdas internas, implicando em redução do rendimento.


▪ Produção de torque eletromagnético que age no sentido de frear o motor, implicando
também em redução do rendimento.
▪ Elevação de temperatura de operação, o que constitui principal fator de redução de vida útil
do motor. Uma elevação de temperatura de 10oC na temperatura de isolação de um motor
reduz a sua vida útil pela metade.
▪ Redução do fator de potência.
▪ Alteração no tempo de partida no motor.

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Quando um gerador ou motor síncrono funciona com uma velocidade angular ω e fica
submetido a um desequilíbrio de corrente nas fases, as componentes simétricas de sequência
negativa produzem um campo magnético que gira com velocidade 2ω em sentido contrário ao
do rotor. Assim, são induzidas correntes de 120 Hz nos enrolamentos do rotor e no ferro,
ocasionando sobreaquecimento e vibração que podem acarretar em danos à máquina. Nesta
condição, o tempo que o rotor pode suportar é dado por:

I 22 t  K (1.2)

Nesta expressão, I2 é a componente se sequência negativa da corrente, t é o tempo máximo


de duração do defeito e K é a constante que depende do tipo de máquina.
Na proteção contra correntes desequilibradas em motores são usados relés de falta de fase.
Em geradores, são usados relés de sobrecorrente com característica inversa, alimentados
através de um filtro de sequência negativa, como é mostrado na Fig. 1.3.

Fig. 1.3. Proteção contra correntes desequilibradas nos enrolamentos de armadura de um gerador.

2. Sobrecargas

2.1. Considerações Gerais

As sobrecargas ocorrem quando o condutor ou equipamento é solicitado por correntes


superiores à máxima corrente que ele é capaz de suportar em regime contínuo de
funcionamento. As consequências são perdas por efeito Joule e acréscimos de temperatura nas
partes ativas afetadas, o que podem causar redução da vida útil dos isolamentos ou danos
imediatos, dependendo da intensidade e da duração da sobrecarga.
As sobrecargas podem ocorrer sem riscos durante períodos limitados, dependendo das
características térmicas dos materiais isolantes, da temperatura inicial e do tipo de refrigeração
utilizado no equipamento.
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2.2. Cabos de Energia

Nos cabos de energia nus (CAA ou ACSR) usados em linhas aéreas, as sobrecargas de elevada
intensidade atuam de modo a alterar a condutibilidade do material, contribuindo para agravar
os problemas de perdas dinâmicas, além de produzirem aumento da flecha no vão de linha
devido à dilatação térmica decorrente do aumento de temperatura.
Nos cabos isolados, os efeitos mais deletérios ocorrem no isolamento. Em nível de
transmissão, o tipo de cabo tradicionalmente utilizado é o que apresenta o isolamento de papel
impregnado em óleo. Em média e baixa tensão são usados os cabos com isolamento sólido de
material extrudado (aplicado ao condutor por processo de extrusão). Os isolantes sólidos se
dividem em duas famílias: termoplásticos (amolecem com o aumento da temperatura – PVC,
PET) e termofixos (materiais vulcanizados que não amolecem com o aumento da temperatura –
XLPE, EPR). Recentemente, observa-se crescente emprego dos isolamentos sólidos em linhas de
transmissão. A Tabela 1.1 apresenta os limites de temperatura para esses materiais.

Tabela 1.1. Limites de temperatura para isolamentos sólidos.

ISOLANTE REGIME SOBRECARGA CURTO-CIRCUITO


CONTÍNUO
PVC 70°C 100°C 160°C
PET 70°C 90°C 130°C
XLPE e TR XLPE 90°C 130°C 250°C
EPR e HEPR 90°C 130°C 250°C
EPR 105 105°C 140°C 250°C

2.3. Transformadores

No caso dos transformadores, o tempo de vida depende essencialmente do sistema de


isolamento, constituído por óleo e papel, face à relativa facilidade de se fazer a substituição do
óleo, que pode ocorrer várias vezes ao longo da vida útil de um transformador (o mesmo não
se passa com o isolamento sólido). A operação em temperaturas mais baixas proporciona
durabilidade e reduz os custos com manutenção. Mesmo transformadores que operam sem
ultrapassar suas características nominais, apresentam maior vida útil quando são menos
exigidos, estando a expectativa de vida útil diretamente condicionada aos fatores térmicos,
como pode ser visto no gráfico da Fig. 1.4.
Os transformadores de potência em geral, com capacidade superior a 2,5 MVA, são dotados
de radiadores e ventiladores acoplados ao seu tanque com a finalidade de refrigeração forçada
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do equipamento. Os ventiladores, normalmente ligados em estágios operam à medida que o


transformador adquire uma temperatura pré-determinada nos seus enrolamentos. Os
ventiladores são fixados ao lado externos dos radiadores, de forma a retirar a maior quantidade
de calor contida no óleo circulante. A refrigeração é feita através da circulação do óleo no
interior tanque do transformador, e da transferência de calor para o ar, ocorrida nos
radiadores. Quando a circulação do óleo se estabelece naturalmente, por convecção, é dita
natural. Quando bombas são utilizadas para induzir o movimento do óleo, dizemos que a
circulação é forçada. A mesma nomenclatura se aplica ao ar externo, que pode movimentar-se
de forma natural, ou ser forçado por ventiladores. Essas condições são indicadas por siglas, tais
como ONAN (óleo natural, ar natural) ou ONAF (óleo natural, ar forçado).
Os transformadores de grande porte possuem três estágios de ventilação, descritos a seguir.

▪ Ventilação natural.
▪ Ventilação forçada – Primeiro estágio, quando ocorre uma sobrecarga de 25%.
▪ Ventilação forçada – Segundo estágio, quando ocorre uma sobrecarga de 66,7%.

Fig. 1.4. Expectativa de vida útil de um transformador em função


da temperatura no ponto mais quente do enrolamento.
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Os sistemas de circulação de óleo e ventilação forçada são acionados por comando de um


termômetro do óleo, termômetro do enrolamento com imagem térmica ou controladores
microprocessados de temperatura.

2.4. Proteção contra Sobrecargas

Os fusíveis e disjuntores termomagnéticos são usados na proteção contra sobrecargas em


sistemas de baixa tensão. Nas redes de média e alta tensão, são empregados disjuntores
comandados por relés de sobrecorrente.

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Capítulo II

Curtos-Circuitos

Os curtos-circuitos constituem os distúrbios mais importantes que ocorrem nas redes


elétricas, em nível de geração, transmissão, distribuição e consumo. O estudo detalhado acerca
do tema é matéria do curso de Análise de Sistemas Elétricos. Este capítulo se limita a fazer uma
revisão sucinta do assunto, como é apresentado a seguir.

1. Considerações Gerais

Os curtos-circuitos têm como causa fundamental o contato através de baixa impedância de


duas ou mais fases entre si ou de uma ou mais fases para a terra. Os principais tipos de curtos-
circuitos são os seguintes: fase-terra, fase-fase; fase-fase-terra e trifásico.
As causas dos curtos-circuitos são as seguintes:

▪ Problemas mecânicos como a ação do vento, da neve, galhos de árvores, entre outros.
▪ Problemas elétricos, como descargas atmosféricas, surtos de chaveamento em manobras e
sobretensões no sistema.
▪ Problemas na isolação, como mau dimensionamento e má qualidade do material isolante
empregado nos equipamentos, nas estruturas ou nos isoladores, bem como envelhecimento
do mesmo.
▪ Contaminação dos isoladores por umidade e poluentes, como partículas metálicas e de sal.

▪ Outros fatores, como vandalismo, queimadas, inundações, desmoronamentos e acidentes.

Quanto à duração, os curtos-circuitos podem ser classificados em temporários e


permanentes. Os curtos permanentes são irreversíveis, necessitando de conserto na rede para
restabelecer o sistema. Os curtos-circuitos temporários são aqueles que após a atuação do
sistema de proteção, a normalidade usualmente pode ser restabelecida sem problemas através
do emprego de religamento automático.

As correntes de curto-circuito apresentam formas de onda típicas semelhantes à mostrada


na Fig. 2.1. Nela, observa-se uma componente alternada de 60 Hz superposta a uma
componente contínua com decaimento exponencial.

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60.00

40.00

Corrente ( kA )
20.00

0.00

-20.00

-40.00

0.00 0.05 0.10 0.15 0.20


Tempo ( s )

Fig. 2.1. Forma de onda típica de uma corrente de curto-circuito.

A assimetria dessa onda aumenta com a relação X/R do sistema (reatância/resistência série).
As consequências dos curtos-circuitos são citadas a seguir.

▪ Elevadas correntes e perdas ôhmicas nos condutores, com intensas solicitações térmicas e
consequente risco de dano nas linhas e equipamentos, tanto por efeito Joule como por
formação de arcos elétricos de alto poder destrutivo.
▪ Elevados esforços eletromecânicos nos equipamentos e linhas (lei de Laplace do eletromag-
netismo), com intensidade máxima durante o primeiro pico de corrente assimétrica.
▪ Possibilidade de perda de estabilidade do sistema, se o defeito não for rapidamente
eliminado, em face de oscilações eletromecânicas nas máquinas síncronas.
▪ Pronunciado atraso da corrente em relação à tensão fase-neutro correspondente, pois a
corrente passa a ser limitada apenas pelas impedâncias dos elementos do sistema, as quais
apresentam componentes fortemente indutivas. Em situação condições normais de
funcionamento, com as cargas inseridas no sistema, o ângulo de defasagem entre as
referidas grandezas é pequeno (as cargas têm fator de potência mínimo de 0,92). Assim, há
uma predominância de potência circulando na linha. Em caso de curto-circuito, predomina o
fluxo de potência reativa. Isso se torna mais acentuado em sistemas de geração e em linhas
de transmissão de extra alta tensão, onde as relações X/R são mais elevadas.

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Uma observação importante é que nem todas as correntes de falta apresentam todas essas
características. No sistema elétrico brasileiro, há subestações que apresentam correntes de
curto-circuito superiores a 30 vezes a corrente de serviço. Porém, em alguns sistemas de
distribuição, pode haver defeitos com correntes de valores pequenos, até abaixo da corrente
de carga (faltas de alta impedância). As causas principais desses defeitos são: contatos entre
fases e galhos de árvores ou outros objetos; isoladores com problemas; condutores de fases
partidos, criando-se um caminho para a terra através de superfície de alta resistividade, como
pavimentação de constituída de rochas e outros materiais graníticos. O valor baixo da corrente
pode não sensibilizar a proteção, não havendo desligamento da linha. Tal ocorrência
proporciona elevadíssimo risco para pessoas e animais.
Uma estatística relacionada à distribuição de curtos-circuitos por equipamento é mostrada a
seguir:

▪ Linhas aéreas: 50%


▪ Cabos subterrâneos: 9%
▪ Transformadores e reatores: 10%
▪ Geradores: 7%
▪ Disjuntores: 12%
▪ Equipamentos de controle, TPs e TCs: 12%

Nas linhas aéreas, têm-se os seguintes percentuais:

▪ Faltas monofásicas: 85%


▪ Faltas bifásicas: 8%
▪ Faltas bifásicas para a terra: 5%
▪ Faltas trifásicas: 2%

2. Curtos-Circuitos Trifásicos

2.1 Considerações Gerais

Neste tópico são estudados os curtos-circuitos trifásicos nos quais são assumidas condições
de equilíbrio entre fases (curtos-circuitos simétricos). Isso permite a utilização de circuitos
monofásicos equivalentes, como o mostrado na Fig. 2.2. Este circuito representa um trecho de
linha trifásica com uma fonte de tensão alternada no terminal receptor e uma carga no
extremo receptor, no qual se supõe o fechamento da chave no instante t = 0, quando o valor
instantâneo da corrente é i(0) = I0.
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Fig. 2.2. Circuito monofásico equivalente de alimentador com defeito trifásico simétrico junto à carga.

Se v(t) = Vm sen(t + ), tem-se:


d i(t )
L  R i(t )  Vm sen(ω t  ) (2.1)
dt
Esta equação diferencial tem a seguinte solução:

Vm  Vm 
i (t )  sen( t  θ  )   I 0  sen(  θ) e ( R / L )t
R 2  2 L2  R 2  2 L2 
(2.2)
α  tan 1 ωL / R  (2.3)
Vê-se que a corrente resultante apresenta duas componentes: uma componente transitória,
com decaimento exponencial, e uma componente senoidal de estado estacionário, como é
mostrado na Fig. 2.3.

Fig. 2.3. Forma de onda típica de corrente de curto-circuito em uma rede elétrica.

No caso de um curto-circuito nos terminais de um gerador trifásico, o fenômeno físico é


mais complexo, mas há semelhança no que diz respeito à presença da componente contínua.
Na Fig. 2.4 é mostrado um oscilograma da corrente de curto-circuito trifásico nos terminais do

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enrolamento de armadura, no qual foi eliminada a componente contínua. É possível observar


três regimes: o subtransitório, o transitório e o estacionário.

Fig. 2.4. Forma de onda de corrente de curto-circuito trifásico em um gerador – Componente CC retirada.

O circuito monofásico equivalente de um gerador é mostrado na Fig. 2.5, no qual a


resistência dos enrolamentos é desprezada e o valor de pico da tensão interna é Em. Para os
valores de corrente da Fig. 2.5, podem ser obtidos três valores de reatância de eixo direto:
X d"  Em / I m" (2.4)

X d'  Em / I m' (2.5)

X d  Em / I m (2.6)

Esses valores de reatância dependem do estado de saturação magnética da máquina, sendo


fornecidos pelos fabricantes.

Fig. 2.5. Circuito monofásico equivalente de um gerador trifásico.

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O valores utilizado para Xg podem ser Xd”, Xd’ ou Xd, dependendo de quanto tempo após a
ocorrência do defeito se quer calcular a corrente.
Para cálculo de curtos-circuitos destinados à avaliação de esforços eletromecânicos bem
como estudos de proteção e ajuste de relés, a reatância subtransitória deve ser considerada
nos geradores e motores. Em estudos de estabilidade de máquinas síncronas, são usados os
valores de reatância transitória (NAGRATH & KOTHARI, 1980).

2.2. Potência de Curto-Circuito

O teorema de Thévenin estabelece que um sistema elétrico de potência pode ser reduzido a
uma associação equivalente composta por uma fonte de tensão em série com uma impedância.
Assim, se o sistema for visto de um par de terminais a-b, a tensão da fonte é igual à tensão de
circuito aberto UTH medida entre a e b; a impedância é a impedância equivalente ZTH medida
entre a e b com as fontes de tensão em curto-circuito. A impedância equivalente será dada pela
relação entre UTH e a corrente que circula entre os pontos quando existe um curto-circuito
entre eles, ou seja:
U TH
Z TH  (2.7)
I CC

A fim de promover a redução de um grande sistema elétrico a um equivalente de Thévenin,


as companhias de eletricidade fornecem os valores das correntes de curto-circuito que podem
ocorrer nos pontos de interligação dos sistemas. Mais usualmente, são fornecidas tabelas com
as potências de curto-circuito trifásico, dadas por:

SCC  3 U N I CC (2.8)

A tensão UN é a tensão nominal da rede elétrica (fase-fase). Também pode ser escrito:
U N2
Z TH  (2.9)
S CC

Para os valores base das grandezas, tem-se:

U B2
ZB  (2.10)
SB

Supondo que a tensão base é igual à tensão nominal e dividindo membro a membro (2.9)
por (2.10), tem-se em valores por unidade:
SB
Z TH. PU  (2.11)
S CC

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IB
Z TH. PU  (2.12)
I CC

2.3. Especificações de Disjuntores

Na especificação de disjuntores são considerados dois valores nominais de corrente: a


corrente instantânea do disjuntor e a corrente de interrupção nominal.
A corrente instantânea nominal é a corrente que o disjuntor deve ser capaz de suportar
imediatamente após a ocorrência da falta. Essa corrente é calculada considerando as reatâncias
subtransitórias dos geradores, motores síncronos e de indução. A fim de levar a componente
contínua da onda de corrente, deve-se multiplicar a corrente simétrica obtida pelo fator 1,6
(NAGRATH & KOTHARI, 1980).
A corrente de interrupção nominal, IIN, é a corrente que o disjuntor deve ser capaz de
interromper no instante em que seus contatos se abrem. Na determinação da mesma, as
reatâncias subtransitórias devem ser consideradas nos geradores. Nos motores síncronos e nos
motores de indução são usadas as reatâncias transitórias. A componente contínua da onda de
corrente é considerada multiplicando-se a corrente simétrica por um fator que varia de acordo
com a velocidade de abertura do disjuntor, conforme o indicado na Tabela 2.1 (STEVENSON,
1974).

Tabela 2.1. Fatores de multiplicação para dimensionamento de disjuntores

VELOCIDADE DO
DISJUNTOR 8 5 3 2
(CICLOS)
FATOR DE
MULTIPLICAÇÃO 1,0 1,1 1,2 1,4

Se a potência de curto-circuito no local do disjuntor, SCC, for maior ou igual a 500 MVA, os
fatores de multiplicação acima devem ser acrescidos de 0,1 cada.
O fator de multiplicação de disjuntores a ar usados em baixa tensão é 1,25.
Entretanto, é mais usual e realístico expressar a capacidade de interrupção nominal dos
disjuntores em termos de potência. Isto porque o processo de extinção do arco nas câmaras de
interrupção é função não apenas da corrente, mas também da tensão pré-falta. Assim, tem-se a
seguinte expressão:

S IN  3 U N I IN (2.13)

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Obviamente, a capacidade nominal de interrupção nominal de um disjuntor deve ser


superior à potência de curto-circuito no ponto de instalação do mesmo.

2.4. Cálculo de Correntes de Falta

Para ilustrar o processo de cálculo de correntes de falta, será considerado o sistema da Fig.
2.6, o qual consiste em um gerador que alimenta um motor através de uma linha, nos quais
Xg”= j 0,2 , XM”= j 0,2  e XL= j 0,1 , respectivamente. É suposto que ocorre um curto
circuito trifásico no ponto P, quando a tensão terminal é de 0,98 0o pu e a corrente de carga é
0,8840o pu.

Fig. 2.6. Gerador alimentando um motor através de uma linha.

As tensões internas dos geradores são:


EG"  U T  j ( X G"  X L ) I L  0,980 o  j (0,2  0,1) x 0,8840o  0,83514o pu

E "M  U T  j X "M I L  0,980 o  j 0,2 x 0,8840o  1,101  7,04 o pu


As contribuições individuais de corrente para a falta são:
E G" 0,83514 o
I "G    2,783  76 o pu
j ( X G"  X L ) j (0,2  0,1)

E "M 1,101  7,04 o


I "M  "
  5,505  97,04 o pu
j XM j 0,2

A corrente na falta é:
I F  I "G  I "M   j 8,16 pu

O problema será agora resolvido pelo teorema de Thévenin, tomando-se o circuito


equivalente visto do ponto P. A tensão e a impedância consideradas são:
U TH  0,980 o pu

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j 0,3 x j 0,2
Z TH   j 0,12 pu
j 0,3  j 0,2

A corrente na falta é:
U TH 0,980 o
IF     j 8,17 pu
Z TH j 0,12

A discrepância entre os resultados obtidos deve-se a erros de arredondamento. Para calcular


as correntes nas máquinas, procede-se da seguinte maneira:
j 0,2
Gerador: I G,TH   j 8,17 x   j3,27 pu
j 0,2  j 0,3

j 0,3
Motor: I M ,TH  j 8,17 x   j 4,90 pu
j 0,2  j 0,3
Apesar da soma dessas duas parcelas totalizar a corrente de falta, esses não são os valores
das contribuições das máquinas. Essas contribuições são calculadas somando-se esses dois
últimos valores com a corrente de carga, IL. Assim, tem-se:
I "G  I G,TH  I L   j 3,27  0,8840o  0,67  j 2,61  2,69475,6 o pu

I "M  I M,TH  I L   j 4,90  0,8840 o  0,67  j5,56  5,600  96,9 o pu

Vale observar que, no caso do motor, a corrente de carga é somada com sinal negativo.
O motivo de se somar a corrente de carga é explicado pela análise da Fig. 2.7. Em (a) tem-se
o circuito que representa a situação em que a falta é aplicada. Pelo teorema da superposição, o
mesmo é decomposto nos circuitos (b) e (c). O circuito (b) corresponde à situação pré-falta. O
circuito (c) corresponde àquele utilizado para o cálculo das correntes IG,TH .e IM,TH.

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Fig. 2.7. Aplicação do teorema da superposição.

3. Teoria das Componentes Simétricas

Em 1918 o Dr. C. L. Fortescue estabeleceu que um conjunto de n fasores desequilibrados


pode ser substituído pela composição de fasores descrita a seguir.

▪ Componentes de sequência positiva: são três fasores iguais em módulo, defasados de 120o
com a mesma sequência de fase dos originais.
▪ Componentes de sequência negativa: são três fasores iguais em módulo, defasados de 120o
com a sequência de fase oposta aos originais.
▪ Componentes de sequência zero: três fasores iguais (de mesmo módulo e fase).

A Fig. 2.8 ilustra a proposição do teorema de Fortescue.

Fig. 2.8. Proposição do teorema de Fortescue.

Diante do exposto, têm-se as seguintes relações:


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I a  I a1  I a 2  I a 0 (2.14)

I b  I b1  I b 2  I b 0 (2.15)

I c  I c1  I c 2  I c 0 (2.16)

Considerando o operador a = 1 120o, pode-se escrever:


Ia  I a1  I a2  I a0 (2.17)

I b  a 2 I a1  a I a 2  I a 0 (2.18)

I c  a I a1  a 2 I a 2  I a 0 (2.19)

Em termos matriciais, pode-se escrever:

Ia  1 1 1   I a 0 
I    2  
 b 1 a a   I a1  (2.20)
 I c  1 a a 2   I a 2 
 
Reciprocamente, tem-se:

 I a0  1 1 1   I a 
 I   1 1 a a 2   I  (2.21)
 a1  3   b 
 I a 2  1 a 2 a   I c 
 
De forma compacta, pode-se escrever (2.20) e (2.21) como:
I abc   T I 012  (2.22)

I 012   T 1 I abc  (2.23)

1 1 1 
T   1 a 2 a  (2.24)
1 a a 2 
 
1 1 1 
1  
T 1
 1 a a 2  (2.25)
3
1 a 2 a 
 
Nos circuitos trifásicos, a soma das correntes de linha é igual à corrente no caminho de
retorno pelo neutro, In; assim:
I a  Ib  Ic  I n (2.26)

De (2.21), tem-se:
1
I a0  I a  I b  I c  (2.27)
3
Assim, resulta:
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I n  3I a 0 (2.28)

Num sistema trifásico em que não há retorno pelo neutro, In é nula e as correntes de linha
não possuem componentes de sequência zero. Uma carga ligada em delta não tem retorno
pelo neutro; assim, as correntes que alimentam essa carga também não possuem componentes
de sequência zero.

4. Impedâncias de Sequência e Circuitos de Sequência

4.1. Considerações Gerais

Em qualquer parte de um circuito elétrico, a queda de tensão causada por uma corrente de
certa sequência depende da impedância daquela parte do circuito para a corrente de tal
sequência. A impedância de um circuito, quando circula apenas a corrente de sequência
positiva, é denominada impedância de sequência positiva. Essa correspondência também é
válida para as sequências negativa e zero, resultando na impedância de sequência negativa e na
impedância de sequência zero.
No cálculo de faltas desequilibradas, serão considerados circuitos compostos por
impedâncias de sequência dos diversos elementos do circuito, os quais são denominados
circuitos de sequência. Os valores das impedâncias de sequência dependem da natureza dos
elementos individuais. A forma de ligação dos circuitos de sequência depende do tipo de curto-
circuito (trifásico, fase-terra, etc).
A seguir, são descritas as formas de obtenção das impedâncias de sequência dos elementos
de circuito individuais.

4.2. Máquinas Síncronas

É mostrado na Fig. 2.9 um gerador síncrono em vazio, aterrado mediante uma impedância
Zn. Quando ocorre uma falta (não indicada na figura) nos terminais do gerador, circulam nas
linhas as correntes Ia, Ib e Ic. Se o defeito envolve a terra, circula uma corrente In no neutro.

19
Chagas – DEE/UFCG

Fig. 2.9. Gerador síncrono em vazio, aterrado mediante uma impedância Zn.

São mostrados na Fig. 2.10 os caminhos para a corrente de cada sequência e os circuitos de
sequência do gerador. Como ele funciona fornecendo tensões equilibradas, as forças
eletromotrizes Ea, Eb e Ec só estão presentes no circuito de sequência positiva. Os circuitos de
sequência negativa e zero não contêm forças eletromotrizes, mas incluem as componentes de
sequência negativa e zero, respectivamente.
É suposto que a resistência dos enrolamentos da máquina é desprezível. Para a impedância
de sequência positiva, dependendo do regime considerado (subtransitório, transitório,
permanente), tem-se, respectivamente:
Z1  jX d" (2.29)

Z1  jX d' (2.30)

Z1  jX d (2.31)

Os parâmetros Xd”, Xd’, e Xd são, respectivamente, as reatâncias de eixo direto nos regimes
subtransitório, transitório e permanente.

20
Chagas – DEE/UFCG

Fig. 2.10. Caminhos para a corrente de cada sequência e os circuitos de sequência do gerador.

Considerando a reatância subtransitória do eixo em quadratura, Xq”, a impedância de


sequência negativa é usualmente definida como:

X d"  X q"
Z2  j (2.32)
2
A impedância total de sequência zero é dada por:
Z0  Z g 0  3 Zn (2.33)
21
Chagas – DEE/UFCG

Considerando ainda os circuitos de sequência da Fig. 2.10, têm-se:


U a1  E a - I a1 Z1 (2.34)

U a2  - I a2 Z 2 (2.35)

U a0  - I a0 Z 0 (2.36)

4.3. Transformadores

Nas redes elétricas pode-se ter três transformadores monofásicos ligados de modo a
constituir um banco trifásico ou uma unidade trifásica do tipo núcleo envolvente ou núcleo
envolvido. O segundo tipo é mais comum nas redes elétricas por apresentar menor custo, peso
e volume, além de maior rendimento. As impedâncias em série de sequência positiva e
negativa zero são iguais entre si, diferindo levemente das impedâncias de sequência zero.
Porém, é comum se considerar todas as impedâncias de sequência iguais.
As impedâncias de sequência zero de transformadores com diferentes tipos de ligação
acham-se mostradas na Fig. 2.11.

Ligação Y-Y, um neutro aterrado

Neste caso não circula corrente de sequência zero em nenhum dos enrolamentos. Assim,
obtém-se o circuito aberto no circuito de sequência.

Ligação Y-Y, ambos os neutros aterrados: Existe um caminho de corrente de sequência zero
em ambos os enrolamentos. Ambos os lados são ligados pela impedância de sequência zero.

Ligação Y-, Y aterrado: As correntes de sequência zero têm um caminho para a terra pelo Y,
pois correntes induzidas correspondentes podem circular no . A corrente de sequência zero
circula dentro do  mas não pode circular nas linhas ligadas ao . Logo, o circuito oferece um
caminho a partir do lado em Y até a barra de referência, através da impedância em série do
transformador. No lado em  existe um circuito aberto entre a linha e a barra de referência.

22
Chagas – DEE/UFCG

Fig. 2.11. Circuitos de sequência de transformadores.

Ligação Y-, Y não aterrado: Neste caso, como não há ligação para a terra, as correntes de
sequência zero não poderão circular nos enrolamentos do transformador. Assim, obtém-se o
circuito aberto no circuito de sequência.
23
Chagas – DEE/UFCG

Ligação -: Como a ligação em  não oferece caminho de retorno para a corrente de
sequência zero, só poderá haver circulação dessa corrente no interior do .

Uma observação importante é que, nos casos em que há neutro aterrado através de
impedância Zn, deve-se somar 3Zn à impedância Z0.

4.4. Linhas de Transmissão

As três fases de uma linha de transmissão transposta apresentam o mesmo valor para as
impedâncias em série. As impedâncias de sequência positiva e negativa da linha apresentam
esse mesmo valor de impedância.
No caso da impedância de sequência zero, deve-se observar que as correntes em cada fase
são iguais em módulo e fase. Parte dessas correntes retorna pela terra, enquanto que a outra
parte retorna pelos cabos para-raios. Assim, a impedância de sequência zero para linhas aéreas
varia entre 2 e 3,5 vezes a impedância de sequência positiva. Se a linha é de circuito duplo ou
se não possui cabo para-raios, essa impedância tende para o limite superior de 3,5.

5. Cálculo de Curto-Circuito por Componentes Simétricas

5.1. Circuitos Equivalentes de Sequência

O cálculo dos curtos-circuitos é feito através dos circuitos equivalentes de Thévenin vistos do
ponto de defeito, para as sequências positiva, negativa e zero, como é mostrado na Fig. 2.12.

Fig. 2.12. Circuitos equivalentes de Thévenin para as sequências positiva, negativa e zero.

E - Tensão de Thévenin de sequência positiva.


Z1 - Impedância de Thévenin de sequência positiva.

Z2 - Impedância de Thévenin de sequência negativa.

Z0 - Impedância de Thévenin de sequência zero.

Para estes circuitos, tem-se a seguinte equação matricial:

24
Chagas – DEE/UFCG

U a 0   0   Z 0 0 0   I a 0 
U    E   0 Z 0   I  (2.37)
 a1     1   a1 
U a 2   0  0 0 Z 2   I a 2 

Para o cálculo da corrente, esses circuitos são utilizados de diferentes formas, dependendo
do tipo de defeito. Isto é descrito a seguir.

5.2. Defeito Trifásico

A Fig. 2.13 ilustra um curto-circuito trifásico simétrico em uma linha de transmissão, sendo
as resistências no ponto de defeito consideradas nulas.
As condições de curto-circuito são:
U a U b U c  0 (2.38)

Fig. 2.13. Curto-circuito trifásico simétrico em uma linha de transmissão.

De maneira análoga a (2.21), tem-se:

U a 0  1 1 1  U a 
U   1 1 a a 2  U  (2.39)
 a1  3   b 
U a 2  1 a 2 a  U c 
 
Assim, Ua0 = Ua1 = Ua2, ou seja, os circuitos de Thévenin de sequência estão em curto-
circuito, como é indicado na Fig. 2.14. Portanto, faz-se necessário representar apenas o modelo
de sequência positiva, pois os outros dois modelos são passivos, ou seja, neles não estão
incluídas forças eletromotrizes.

Fig. 2.14. Circuitos de sequência equivalentes de Thévenin – Defeito trifásico.

25
Chagas – DEE/UFCG

Assim, a corrente de curto-circuito trifásico é:

E
I 3F  (2.40)
Z1

Em termos de módulo:
E
I 3F  I a  I b  I c  (2.41)
Z1

5.3. Defeito Monofásico

É suposto que a fase a da rede é posta em contato com a terra através de uma impedância
desprezível, como é indicado na Fig. 2.15. Neste caso, tem-se:
Ua  0 (2.42)

Ib  Ic  0 (2.43)

Fig. 2.15. Curto-circuito fase a – terra.

De (2.21), tem-se:

I a0  1 1 1   I a 
 I   1 1 a a 2   0  (2.44)
 a1  3   
 I a 2  1 a 2 a   0 
 
1
I a1  I a 2  I a 0  I a  I 0 (2.45)
3
Substituindo Ia2 e Ia0 por I0, tem-se de (2.37):

U a 0   0   Z 0 0 0   I 0 
U    E   0 Z 0   I  (2.46)
 a1     1  0 
U a 2   0  0 0 Z 2   I 0 

U a 0    Z 0 I 0 
U    E  Z I  (2.47)
 a1   1 0

U a 2    Z 2 I 0 

Multiplicando ambos os membros de (2.47) pelo vetor [ 1 1 1], obtém-se:

26
Chagas – DEE/UFCG

U a 0  U a1  U a 2   Z 0 I 0  E  Z1 I 0  Z 2 I 0 (2.48)

De (2.42), tem-se ainda:


U a1  U a 2  U a 0  U a  0 (2.49)

Substituindo (2.49) em (2.48), tem-se:


E
I0  (2.50)
Z1  Z 2  Z 0
De (2.45) e (2.50), resulta:
3E
I a  3I 0  (2.51)
Z1  Z 2  Z 0
As expressões (2.45) e (2.50) indicam que, no caso do defeito fase-terra, os circuitos de
sequência devem ser ligados em série, como é mostrado na Fig. 2.16.

Fig. 2.16. Circuitos de sequência equivalentes de Thévenin – Defeito fase-terra.

Considera-se que o defeito ocorre distante de geradores, onde preponderam os


componentes estáticos, nos quais Z1 = Z2; assim, pode-se escrever:

3E 3E 3 E / Z1
I 1F  I a    (2.52)
Z1  Z 2  Z 0 2Z1  Z 0 2  Z 0 / Z1
Considerando (2.40), tem-se:
3
I1F  I 3F (2.53)
2  Z 0 / Z1
Assim, são feitas as seguintes considerações:

▪ Se Z0 = Z1, então I1F = I3F, ou seja, as correntes de defeito monofásico e trifásico são iguais.
▪ Se Z0 < Z1, tem-se I1F > I3F. Isto ocorre para um defeito próximo ao lado em estrela de
transformadores com ligação delta-estrela com neutro solidamente aterrado.
▪ Se Z0 > Z1, então I1F < I3F. Isto ocorre para defeitos em pontos da linha mais distantes do
transformador acima citado. A explicação é a seguinte: a impedância de sequência zero da
27
Chagas – DEE/UFCG

linha é maior que a de sequência positiva (em linhas de 69 kV, Z0  3 Z1). Assim, à medida
que aumenta a distância entre o defeito e o transformador, a impedância de sequência zero
aumenta mais que a impedância de sequência positiva. Isto faz com que, em certo ponto da
linha, a corrente de defeito fase-terra se iguale à corrente de defeito trifásico, passando a
ser maior além desse ponto.

5.4. Defeito Bifásico

É suposto que as fases b e c da rede entrem em contato através de uma impedância


desprezível, como é indicado na Fig. 2.17. Neste caso, tem-se:
U b U c (2.54)

Ia 0 (2.55)

Ib   Ic (2.56)

Fig. 2.17. Curto-circuito fase b - fase c.

De (2.21), tem-se:

I a0  1 1 1   0 
1
 I   1 a a 2   I 
 a1  3   b  (2.57)
 I a 2  1 a 2 a    I b 
 
I a0  0 (2.58)

I a1   I a 2 (2.59)

Para as tensões:

U a 0  1 1 1  U a 
1
U   1 a a 2  U 
 a1  3   b  (2.60)
U a 2  1 a 2 a  U b 
 
U a1 U a 2 (2.61)

28
Chagas – DEE/UFCG

A corrente de sequência zero é nula porque o curto-circuito não envolve a terra. Pelas
expressões (2.59) e (2.61) conclui-se que o circuito de sequência positiva e o circuito de
sequência negativa estão em paralelo, como é mostrado na Fig. 2.18.

Fig. 2.18. Circuitos de sequência equivalentes de Thévenin – Defeito fase b - fase c.

Assim, tem-se para o curto-circuito bifásico:


 
I 2 F  I b  a 2 I a1  a I a 2  a 2  a I a1 (2.62)

E 3  j / 2
I 2 F  3 e  j / 2 I a1  3e  j / 2  e I 3F (2.63)
2 Z1 2

Para o módulo da corrente:

3
I 2F  I 3 F  0,866 I 3F (2.64)
2
Assim, a corrente de defeito bifásico é menor que a corrente de defeito trifásico (I2F < I3F).

5.5. Defeito Bifásico Envolvendo a Terra

A Fig. 2.19 ilustra um defeito entre as fases b e c, o qual envolve a terra. Para o mesmo,
pode-se escrever:

Fig. 2.19. Curto-circuito fase b - fase c envolvendo a terra.

Neste caso, tem-se:


29
Chagas – DEE/UFCG

U b U c  0 (2.65)

Ia 0 (2.66)

U a 0  1 1 1  U a 
U   1 1 a a 2   0 
 a1  3    (2.67)
U a 2  1 a 2 a   0 
 
Ua
U a 0  U a1  U a 2  U (2.68)
3
Substituindo Ua1, Ua2 e Ua0 por Ea - Ia1 Z1 em (2.24) e multiplicando ambos os membros por
Z-1, sendo
 Z 0 0 0  1 / Z 0 0 0 
Z   0 Z1 0    0 1 / Z 1 0 
  
1
(2.69)
0 0 Z 2   0 0 1 / Z 2 

obtém-se:
1 / Z 0 0 0   E a  I a1 Z1  1 / Z 0 0 0  0   I a0 
 0 1/ Z 0   E  I Z    0 1/ Z 0   E   I  (2.70)
 1  a a1 1   1  a   a1 
 0 0 1 / Z 2   E a  I a1 Z1   0 0 1 / Z 2   0   I a 2 

Multiplicando ambos os membros de (2.70) pelo vetor [1 1 1] e observando que Ia1 + Ia2 +
Ia0 = Ia =0, pode-se escrever:
Ea Z E E Z E
 I a1 1  a  I a1  a - I a1 1  a (2.71)
Z0 Z 0 Z1 Z2 Z 0 Z1

Finalmente, resulta;
Ea
I a1  (2.72)
Z Z
Z1  2 0
Z2  Z0
As expressões (2.68) e (2.72) indicam que os circuitos de sequência são interligados de
acordo com o mostrado na Fig. 2.20.

Fig. 2.20. Circuitos de sequência equivalentes de Thévenin – Defeito fase b - fase c - terra.
30
Chagas – DEE/UFCG

Tem-se ainda:

E E
I a1   (2.73)
Z Z Z Z
Z1  2 0 Z1  1 0
Z2  Z0 Z1  Z 0
Fazendo
Z0
K (2.74)
Z1  Z0
tem-se:
E / Z1 I
I a1   3F (2.75)
1 K 1 K
Da Fig. 2.14, pode-se escrever:
Z2 Z0 Z Z
U  I a1  I a1 1 0 (2.76)
Z2  Z0 Z1  Z 0
I 3F
U  I a1 Z1 K  K Z1 (2.77)
1 K
U U I
I a2       K 3F (2.78)
Z2 Z1 1 K

U I Z1
I a0     K 3F (2.79)
Z0 1  K Z0
Tem-se ainda:
I b  a 2 I a1  a I a 2  I a 0 (2.80)

Substituindo (2.75), (2.78) e (2.79) em (2.80):

I 3F  2 Z  I  Z1 
I 2 FT  I b   a  a K  K 1   3 F  a 2  a K   (2.81)
1 K  Z0  1 K  Z1  Z 0 
Assim, tem-se:
▪ Se Z0 = Z1, então K = 1 / 2 , e então:
 
I 2 FT  2 / 3I 3 F a 2  0,5 a  0,5  a 2 I 3 F (2.82)

Para o módulo da corrente, tem-se:


I 2FT  I 3F (2.83)

▪ Se Z0 tende para 0, então K também tende para 0, e então:

 
I 2 FT  I b  I 3F a 2 1  3e  j 5 / 6 I 3F (2.84)

31
Chagas – DEE/UFCG

Assim, resulta:

I 2 FT  3 I 3F (2.85)

Conclusão: Em sistemas solidamente aterrados, o defeito fase-fase-terra pode ser o mais


severo de todos.

6. Proteção contra Curtos-Circuitos

Os fusíveis e disjuntores termomagnéticos são usados na proteção contra curtos-circuitos


em sistemas de baixa tensão. Nas redes de média tensão são empregados disjuntores
comandados por relés de sobrecorrente, religadores e seccionadores. Nas redes de alta e extra
alta tensão utilizam-se disjuntores comandados por relés de diferentes tipos (sobrecorrente,
distância, diferencial, etc). Esta matéria será posteriormente abordada com detalhes.

32
Chagas – DEE/UFCG

Capítulo III

Surtos de Energização

Ao serem energizados, alguns componentes de redes elétricas ocasionam surtos de corrente


cujos valores de pico iniciais podem alcançar valores elevados, de modo a comprometer o bom
funcionamento, a vida útil e a integridade do sistema. Esse fenômeno tem como principais
causas os eventos abaixo relacionados:

▪ energização de transformadores e de reatores;


▪ energização de bancos de capacitores;
▪ partida de motores;
▪ energização de carga fria.

Cada uma dessas ocorrências é descrita a seguir.

1. Energização de Transformadores e de Reatores

1.1. Considerações Gerais

Em regime permanente, as correntes de excitação nos transformadores de potência variam


de 0,5% a 2% da corrente nominal. Porém, durante a energização, ocorrem surtos de corrente
com as seguintes características:

▪ Valor de pico inicial que pode alcançar mais de 20 vezes o valor de pico da corrente nominal,
nas condições mais desfavoráveis, (é comumente estimado um fator de 6 a 10).
▪ Duração de vários ciclos.
▪ Amplo espectro de harmônicos, predominando a de segunda ordem.

Este fenômeno é conhecido como inrush. Seus principais efeitos são:

▪ Atuação indevida de fusíveis e relés de proteção de atuação rápida.


▪ Afundamentos temporários de tensão (queda da qualidade de energia).
▪ Solicitações de natureza eletromecânica e térmica no transformador e demais componentes
do sistema, o que incorre em redução de vida útil.
▪ Sobretensões causadas por fenômenos de ressonância harmônica em sistemas que contêm
filtros elétricos passivos, como no caso de linhas de corrente contínua e alta tensão (CCAT).

33
Chagas – DEE/UFCG

A intensidade e a duração do inrush dependem dos seguintes fatores:

▪ Valor instantâneo da tensão aplicada no instante da energização. Ao ser energizado com o


secundário em aberto, o transformador representa para a rede um componente de elevada
predominância indutiva. Assim, o fluxo magnético está atrasado de 90° da tensão. Isso
significa que, quando a tensão está passando por zero, o fluxo imposto pela fonte está
assumindo valor máximo. Em síntese: chavear o transformador com a tensão próxima de
zero é a condição mais adversa em termos de valor da corrente inrush. A condição mais
favorável é quando a tensão acha-se próxima do valor de pico.
▪ Magnitude e sinal do fluxo residual (ou remanescente) no núcleo magnético. Devido à
propriedade de remanência, o transformador permanece com um fluxo residual no núcleo.
Durante a reenergização, se a taxa de crescimento do fluxo imposto pela fonte tiver mesmo
sinal do fluxo residual, e se este último for elevado, o fluxo resultante, , pode atingir valores
muito altos, levando o núcleo a um intenso estado de saturação. Assim, têm-se durante o
inrush um valor máximo de dado por  = 2 m + R, em que m é o fluxo de enlace de pico em
condições normais e R é o fluxo de enlace residual.
▪ Tamanho do transformador. Quanto menor o transformador, maior o valor de pico do surto,
em múltiplos do valor de pico da corrente nominal. Quanto maior o transformador, maior a
duração da corrente inrush.
▪ Impedância do sistema atrás do transformador. Quanto maior for a potência de curto-
circuito (ou menor a impedância de Thévenin) do sistema ligado ao primário do
transformador maior poderá ser a corrente inrush. A duração poderá aumentar se a
potência de curto-circuito for baixa.
▪ Propriedades magnéticas do material do núcleo. Quanto pior a qualidade da chapa Fe-Si
utilizada para a confecção do núcleo, maior é a tendência para se projetar um transformador
com indução de pico um pouco acima do ponto de joelho da curva de saturação  - i (fluxo
de enlace – corrente de magnetização). Isto é feito com o intuito de reduzir o tamanho do
transformador. Assim, transformadores com chapa de pior qualidade podem apresentar
correntes de inrush mais elevadas.
▪ Forma como o transformador é energizado: o valor da corrente inrush é inversamente
proporcional à área compreendida entre o núcleo e o enrolamento que está sendo
energizado, de forma que valores maiores são obtidos quando o enrolamento interno (de
menor diâmetro) é energizado primeiro. Por questões de isolação, os enrolamentos de
34
Chagas – DEE/UFCG

menor tensão são normalmente projetados para serem internos e os de maior tensão para
serem externos. Com esta filosofia, se os transformadores são abaixadores, a ordem de
grandeza das correntes de inrush situa-se entre 5 a 10 vezes a corrente nominal. Se os
transformadores são elevadores, a ordem de grandeza das correntes de magnetização varia
entre 10 e 25 vezes a corrente nominal (MARDEGAN, 2010).
▪ Impedância da carga ligada ao secundário. O inrush mais intenso ocorre quando o
transformar apresenta o secundário em vazio, pois nesse caso não há o efeito
desmagnetizante exercido pela corrente no enrolamento secundário, como determina a lei
de Lenz.
▪ Valor da resistência de pré-inserção do disjuntor. Quanto maior ela for, menores serão os
valores de pico da corrente e menor será a duração do inrush.
▪ Velocidade de fechamento dos contatos do disjuntor.

1.2. Análise Simplificada das Correntes de Inrush

O circuito da Fig. 3.1 representa um transformador monofásico com o secundário em aberto.

Fig. 3.1. Transformador monofásico e curva de saturação linearizada por partes.

O indutor não linear possui característica de magnetização i = f (), expressa em termos de


valores de pico de fluxo de enlace e corrente de magnetização. São desprezadas as perdas no
núcleo magnético. Após o fechamento da chave, tem-se a seguinte equação:
d
 R im  U m sen  t (3.1)
dt
A relação i = f () é não linear. Logo, a equação (3.1) só pode ser resolvida numericamente.
Porém, se for assumido que o núcleo não satura, pode-se supor que a função f se comporta
como uma função linear até o ponto de joelho da curva  - i. Isto permite fazer i = f() =  / Lm,
onde Lm é a indutância de magnetização do transformador, que corresponde à inclinação da
reta que passa pela origem e pelo ponto de joelho da curva  - i. Assim, pode-se escrever:

35
Chagas – DEE/UFCG

d R
   U m sen  t (3.2)
dt Lm

Assume-se a simplificação de que  (0) = 0; assim, a solução é:

 L2m U m  ( R / Lm ) R 
 t   2 2 
e  sen  t  cos  t  (3.3)
R  (Lm )   Lm 
Considerando R <<  Lm e fazendo m = Um / , resulta:


t    m e ( R / Lm )  cos t  (3.4)

Esta equação é composta por um termo com decaimento exponencial, relacionado ao


comportamento transitório de  logo após a aplicação da tensão, e por um termo senoidal
relacionado ao regime permanente.
No circuito da Fig. 3.2 é mostrada a variação de  durante o inrush. Observa-se que nos
instantes iniciais é estabelecido um sobrefluxo no núcleo magnético.

Fig. 3.2. Onda de fluxo de enlace no transformador monofásico durante energização.

Outro fator que determina o grau de assimetria de  é o valor da tensão da fonte no


momento da energização do transformador. Na análise anterior, considerou-se u (t) = Um sen
t, de modo que u(0) = 0. Porém, o caso mais comum ocorre quando u(0) ≠ 0. Para avaliar a
influência de um valor não nulo de u(t), considera-se agora u (t) = Um sen (t + ). Assim, em
u(0) = Um sen , onde  (ângulo de chaveamento) determina o valor inicial da tensão.
A fim de avaliar a influência do valor instantâneo da tensão u no instante de chaveamento e
do valor do fluxo residual o, os amortecimentos serão ignorados. Fazendo R = 0, obtém-se:
d
 U m sen ( t  ) (3.5)
dt
Considerando  (0) = o e m = Um / , a solução é:

   o   m cos   cos (  t   )  (3.6)

36
Chagas – DEE/UFCG

A onda de fluxo imposta ao núcleo apresenta valor máximo quando t = k ( k = 1, 3,.5,...) e


 = 0. Neste caso, a tensão da fonte é nula para t = 0. Assim, o máximo valor de  é:
 max   o  2  m (3.7)

Por outro lado, não ocorre assimetria na forma de onda de  para o = 0 e  = /2. A tensão
assume o valor de pico Um em t = 0. Esta é a condição mais favorável, pois são evitados
sobrefluxos no transformador, sendo o núcleo levado à saturação.
Durante os primeiros instantes da energização de um transformador, os elevados valores de
fluxo de enlace fazem o núcleo saturar. Para pequenas variações de , podem ocorrer grandes
variações de i. Isto pode ser entendido por análise da Fig. 3.3. Normalmente, a característica  -
i do transformador é representada pela curva de saturação (curva biunívoca que passa pela
origem), o que não permite considerar fluxo residual ou remanescente. A fim de avaliar a
influência do fluxo residual o, considera-se o núcleo com histerese.

Fig. 3.3. Ondas de fluxo de enlace e de corrente de magnetização durante energização do transformador.

Como é mostrado na Fig. 3.3, a trajetória descrita no plano  - i apresenta laços menores
assimétricos. O valor max não é atingido, pois  acha-se limitado pelo nível de saturação, S.
Se a taxa de crescimento do fluxo imposto pela fonte apresentar mesmo sinal do fluxo
residual no núcleo, a saturação pode ser atingida com maior intensidade, resultando em maior
37
Chagas – DEE/UFCG

assimetria de λ e em valores mais altos de pico de corrente. Se os sinais são opostos, a corrente
de inrush será atenuada. Assim, a representação da histerese é importante no caso de sistemas
com religamento automático. No instante do religamento, pode haver elevado valor de fluxo
residual que seja somado ao fluxo imposto pela fonte, implicando em maior corrente de inrush.

1.3. Cálculo das Correntes de Inrush em Transformadores Monofásicos

No circuito mostrado na Fig. 3.4 considera-se apenas a saturação no núcleo magnético do


transformador. A histerese e as perdas magnéticas são desprezadas.

Fig. 3.4. Circuito elétrico considerado no cálculo da corrente de inrush em transformador monofásico.

A curva de saturação pode ser aproximada por função ou linearizada por partes, segundo as
formas indicadas na Fig. 3.5 e na Fig. 3.6.

Fig. 3.5. Curva de saturação sem remanência. Fig. 3.6. Curva de saturação com remanência.

Na curva da Fig. 3.5, o fluxo residual não é considrado, o que é o caso das simulações de
regime permanente. Em regime transitório, pode-se representar o fluxo residual de acordo com
a curva da Fig. 3.6, onde, o é o fluxo de enlace residual e r é o fluxo de enlace correspondente
ao ponto de remanência. Assim, é escrita a seguinte equação para o circuito da Fig. 3.4:
d t  di t 
L  R i (t )  u (t ) (3.8)
dt dt

38
Chagas – DEE/UFCG

Fazendo i = f (), Lm = d/di (indutância diferencial de magnetização do transformador), e


aplicando-se a regra da cadeia, tem-se:
d( t ) u ( t )  R f ( )
 (3.9)
dt 1  L /Lm
Essa equação diferencial não linear pode ser resolvida pelos métodos de Euler ou Runge-
Kutta, com um passo de tempo de 1 µs.
As perdas histeréticas e parasíticas no núcleo podem ser consideradas da seguinte maneira:
1 d( t )
 ' ( t )  ( t )  (3.10)
R p dt

A constante Rp é a resistência de perdas dinâmicas no núcleo, determinada por ensaios.

Exemplo 1 - Um transformador pelo circuito da Fig. 3.4 possui os seguintes dados: 400 kVA,
(230/3) /(1153) V, R = 5  e L = 2,65 mH. Os pontos da curva de saturação (referida ao lado
de 70 V) são fornecidos na Tabela 3.1. A resistência de perdas é Rp = 1997,3 .

Tabela 3.1. Curva de saturação do transformador da Fig. 3.4.


i(A) 0 0,537 1,012 1,930 5,345 9,600 20,00
 ( V.s ) 0,460 0,570 0,626 0,682 0,831 0,975 1,270

16.00

12.00

8.00
Corrente ( A )

4.00

0.00

-4.00

0.00 0.04 0.08 0.12 0.16


Tempo ( s )

Fig. 3.7. Corrente de inrush num transformador monofásico.

Na Fig. 3.7 é mostrado o oscilograma da corrente, com (0) = 0,47 V.s, Um = 188 V e θ = 0o.
39
Chagas – DEE/UFCG

Na Fig. 3.8 é mostrado o afundamento de tensão (voltage sag) ocorrido no primeiro ciclo do
inrush, quando a corrente alcança o valor máximo de pico.

200.00

100.00
Tensão ( V )

0.00

-100.00

-200.00

0.00 0.04 0.08 0.12 0.16


Tempo ( s )

Fig. 3.8. Afundamento de tensão nos terminais do transformador (voltage sag) durante o inrush.

1.4. Simpathetic Inrush

Na Fig. 3.9 é mostrada uma situação em que pode haver interação de surtos de corrente
quando um transformador (T2) é ligado em paralelo com outro já energizado (T1). Este
fenômeno é denominado simpathetic inrush. Na Fig. 3.10 são mostradas as formas de onda das
correntes indicadas.

Fig. 3.9. Situação em que ocorre o simpathetic inrush.

Supõe-se que T2 é energizado com uma corrente de inrush i2 elevada. A componente


contínua decrescente de i2 causa uma pronunciada queda de tensão sobre a resistência
equivalente do sistema primário (a reatância não contribui de maneira significativa, pois a
40
Chagas – DEE/UFCG

derivada da componente contínua em relação ao tempo é baixa). Isto faz com que a tensão no
primário caia bruscamente e, em consequência, o grau de saturação e a corrente de inrush em
T2 decresçam. Porém, esta variação abrupta de tensão produz uma variação de fluxo
magnético em T1 e uma corrente de inrush em sentido oposto. Assim, a corrente total i
apresenta a forma de onda indicada na Fig. 3.10.
O simpathetic inrush é mais prolongado que o inrush convencional.

Fig. 3.10. Situação em que ocorre o recovery inrush.

1.5. Recovery Inrush

No sistema da Fig. 3.11, se ocorrer um defeito em um dos alimentadores, com atuação do


disjuntor C, a tensão do sistema sofre uma queda momentânea, retornando ao valor normal.
Isto causa um surto de corrente conhecido como recovery inrush.

Fig. 3.11. Situação em que ocorre o simpathetic inrush.

O recovery inrush é menos severo que o inrush convencional, pois a variação de tensão nos
terminais do primário é menor que a causada pela energização a partir do valor zero.

41
Chagas – DEE/UFCG

1.6. Considerações Adicionais

As correntes de inrush podem fazer com que relés de proteção rápidos atuem indevida-
mente durante a energização do transformador. Para evitar isto, os relés diferenciais utilizam
um critério capaz de distinguir as correntes de inrush das correntes de curto-circuito. O critério
tradicionalmente utilizado se baseia na avaliação do conteúdo de harmônicos mediante filtros
analógicos ou digitais. Uma corrente de inrush convencional apresenta um espectro onde
predomina a harmônica de segunda ordem, como é mostrado na Tabela 3.2.

Tabela 3.2. Composição de harmônicos de uma corrente de inrush típica.

HARMÔNICA % EM RELAÇÃO À
FUNDAMENTAL
2ª 63,0
3ª 26,8
4ª 5,1
5ª 4,1
6ª 3,7
7ª 2,4

Quando o transformador é energizado em condições normais, essas harmônicas são


filtradas, exercendo uma ação de bloqueio que evita a operação do relé. Por outro lado, as
correntes de curto-circuito típicas são compostas por uma componente fundamental acrescida
de uma componente contínua com decremento exponencial, sendo o conteúdo de harmônicos
insignificante em comparação com os observados nas correntes de inrush. Assim, não se
verifica a ação de bloqueio que impede a atuação do relé.
As formas de atenuação das correntes de inrush são baseadas nas seguintes técnicas:
▪ Utilização de resistores de pré-inserção nos disjuntores.
▪ Chaveamento controlado ou síncrono (point-on-wave switching), em que o transformador é
energizado quando a onda de tensão atinge seu valor de pico.

2. Energização de Bancos de Capacitores

2.1. Energização de Banco Isolado

Quando um banco de capacitores é energizado, ocorre um surto de corrente de alta


frequência, também denominado inrush. Na análise a seguir, considera-se que:

▪ as perdas no circuito são desprezadas;


▪ antes da energização, o banco está carregado com uma tensão U0;

42
Chagas – DEE/UFCG

▪ o banco é energizado no instante em que a tensão da fonte é máxima;


▪ como a frequência do surto é da ordem de kHz (>> 60 Hz), pode-se supor que, no intervalo
de tempo considerado, u  Um.

No circuito da Fig. 3.12 é suposto que u = Um cos t. Para o mesmo, pode-se escrever:

di (t )
L  uC (t )  U m (3.11)
dt
1 t
uC (t )  U 0   i (t ) dt (3.12)
C 0
Substituindo (3.12) em (3.11), obtém-se:
di (t ) 1 t
L  U 0   i (t ) dt  U m (3.13)
dt C 0

Fig. 3.12. Circuito considerado no cálculo de inrush em banco de capacitores.

Considerando i(0)  0 e aplicando transformada de Laplace, obtém-se:

 1  U U0
 sL   I ( s)  m (3.14)
 sC  s
(U m  U 0 )C (U m  U 0 )C /( LC ) (U m  U 0 ) 0
I ( s)    (3.15)
s 2 LC  1 s 2  1 /( LC ) 0 L s 2  02
(U m  U 0 ) 
I (s)  2 2
(3.16)
L 1 /( LC ) s  0
U m U0
i (t )  sen 0t (3.17)
Z0
1
0  (3.18)
LC
L
Z0  (3.19)
C
0 - Frequência natural de oscilação do circuito.
Z0 - Impedância característica do circuito.
O valor de pico da corrente de inrush é dado por:

43
Chagas – DEE/UFCG

C
imax  U m  U 0  (3.20)
L
A pior condição surge quando o desligamento ocorre em um pico da onda de tensão e o
religamento no pico oposto; assim, o valor de pico máximo da corrente de inrush é dado por:

C
imax  2U m (3.21)
L
O valor de pico máximo da corrente de pode chegar a 15 vezes a corrente nominal do banco.
As resistências do circuito introduzem amortecimentos, o que reduz a duração do inrush. O
tempo necessário para o regime permanente ser atingido pode corresponder a uma fração de
ciclo ou até vários ciclos.

2.2. Energização Back-to-Back

A Fig. 3.13 ilustra a situação em que um capacitor é chaveado, estando outro já energizado
na mesma barra (chaveamento back-to-back). Neste caso, as correntes de inrush podem ser
ainda maiores, pois são limitadas pela indutância equivalente entre os bancos, L2, que é muito
menor que a indutância equivalente da rede, L1.

Fig. 3.13. Circuito considerado no cálculo de inrush back-to-back de um banco de capacitores.

Como L1 >> L2, a circulação de corrente é muito maior entre os dois bancos de capacitores,
sendo a contribuição do sistema desprezível. Assim, o circuito equivalente é simplificado para a
forma indicada na Fig. 3.14.

Fig. 3.14. Circuito simplificado para cálculo de inrush back-to-back de um banco de capacitores.

Como condições iniciais, considera-se uC1(0) = Um e uC2(0) = U0. assim, pode-se escrever:
44
Chagas – DEE/UFCG

di (t )
L  u C 1 (t )  u C 2 ( t )  0 (3.22)
dt
1 t
uC1 (t )  U m  i (t ) dt (3.23)
C1 0
1 t
uC 2 (t )  U 0   i(t ) dt (3.24)
C2 0

Combinando estas equações, aplicando transformada de Laplace e efetuando um


desenvolvimento semelhante ao do item anterior, obtém-se:
Um  U0
i (t )   sen 0t (3.25)
Z0
1
0  (3.26)
L2 C

L2
Ζ0  (3.27)
C
C1 C 2
C (3.28)
C1  C 2

O maior valor atingido pela corrente é dado por:

C
imax  U m  U 0  (3.29)
L2
Como a indutância L2 é muito baixa, a corrente inrush poderá exceder o valor da corrente de
curto-circuito no local dos capacitores, alcançando 20 a 250 vezes a corrente nominal do banco.
Normalmente a corrente inrush máxima suportada por um banco de capacitores em regime
transitório é de 100 vezes sua corrente nominal.
Ao se energizar apenas um capacitor a frequência de oscilação da tensão é da ordem de 300
a 1000 Hz. Tratando-se da corrente, esta oscilação varia entre 200 e 600 Hz. Quando é
chaveado um banco em configuração back-to-back, a frequência transitória da tensão pode ser
de 2 a 10 kHz, enquanto para corrente esta pode ficar entre 5 e 20 kHz (CHAVES, 2007).

Exemplo 1: Chaveamento de um banco trifásico de capacitores de 40 MVAr, 138 kV, 60 Hz,


ligado em estrela, instalado em uma subestação com potência de curto-circuito de 4 GVA.
Corrente de curto-circuito trifásico:
S CC 4 x 10 9
I CC    16734,8 A
3UN 3 x 138 x 10 3
Reatância e indutância de Thévenin do sistema alimentador:

U N / 3 138000/ 3
X   4,76 
I CC 16734,8
45
Chagas – DEE/UFCG

X 4,76
L   12,6 mH
ω 377

A capacitância do banco é:

Q 40 x 10 6
C   5,6 F
ωU N2 377 x 138000 2

A frequência natural de oscilação do sistema é:


1 1
f0    599 Hz
2 LC 2 0,0126 x 5,6 x 10 6
Supondo o banco inicialmente descarregado, o valor de pico da corrente de inrush é:

C 138000 x 2 5,6 x10 6


imax  U m  x  2375 ,4 A
L 3 0,0126

Na pior situação, na qual o desligamento tenha ocorrido em um pico da onda de tensão e o


religamento no pico oposto, a corrente pode teoricamente alcançar o dobro desse valor, ou
seja, 4750,8 A. Normalmente, isso não ocorre pelo fato de que os bancos de capacitores são
providos de resistores destinados a promover a sua descarga após o desligamento.
Em regime normal de operação, o valor de pico da corrente no banco de capacitores é:

40 x 106
Im  2 x  236,7 A
3 x 138 x 103
Assim, durante a energização, o valor de pico alcançado pela corrente de inrush é cerca de
10 vezes o valor de pico da corrente nominal do banco.
A seguir, são mostrados na Fig. 3.15 e na Fig. 3.16 resultados de simulações utilizando o ATP
nas quais foi estimada uma relação X/R = 4 para o sistema alimentador, considerando o banco
de capacitores inicialmente descarregado. Assim, tem-se R  1,19  para a resistência de
Thévenin.
O valor máximo atingido pela corrente é 2313,3 A. O desvio percentual em relação ao valor
calculado analiticamente por (3.20), é:
2313,3  2375,4
 %  100 x  2,6 %
2375,4
Vale lembrar que se o capacitor for energizado com uma tensão diferente de zero e com
polaridade oposta à tensão aplicada, a corrente de pico seria maior. Assim, se uC(0) = -138000 x
2/3, a corrente de pico seria o dobro do valor encontrado. O máximo valor alcançado pela
tensão na fase a com os capacitores descarregados é 217777 V (sobretensão de 1,93 pu).

46
Chagas – DEE/UFCG

Fig. 3.15. Corrente de inrush na fase a do banco de capacitores do Exemplo 1.

Fig. 3.16. Tensão na fase a do banco de capacitores do Exemplo 1.

Exemplo 2: Simulação de manobra de banco trifásico de capacitores de 30 MVAr em


subestação de 69 kV, com potência de curto-circuito de 1,8 GVA, estando um banco também de
30 MVAr já energizado na barra (chaveamento back-to-back).
Na Fig. 3.17 é mostrado o circuito considerado na simulação.

47
Chagas – DEE/UFCG

Fig. 3.17. Circuito considerado na simulação do inrush back-to-back.

Corrente de curto-circuito trifásico:


S CC 1,8 x 10 9
I CC    15061,3 A
3UN 3 x 69 x 10 3

Reatância e indutância de Thévenin do sistema alimentador:

U N / 3 69000/ 3
X1    2,64 
I CC 15061,3

X T 2,64
L1    7 mH
ω 377
A capacitância de cada banco é:

Q 30 x 106
C1  C 2    16,7 F
ωU N2 377 x 69000 2

Assim, de acordo com (3.28), a capacitância equivalente é C = 8,35 F.


Os demais parâmetros são: R1 = 2 , R2 = 0,5 , L2 = 0,3 mH,
A frequência natural de oscilação do sistema é:
1 1
f0    3180 Hz
2 L2 C 2 0,3 x 10 3 x 8,35 x 10 6

Supondo o banco C2 inicialmente descarregado, o valor de pico da corrente de inrush é:

C 69000 x 2 8,35 x10 6


imax  U m  x  9399 A
L2 3 0,3 x 10 3

Em regime normal de operação, a corrente no banco de capacitores é:

30 x 106
Im  2 x  395 A
3 x 69 x 103
Assim, durante a energização, o valor de pico alcançado pela corrente de inrush é quase 24
vezes o valor de pico da corrente nominal do banco.
A seguir, são mostrados na Fig. 3.18 e na Fig. 3.19 resultados de simulações utilizando o ATP,
supondo o banco C2 inicialmente descarregado.

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Chagas – DEE/UFCG

Fig. 3.18. Corrente de inrush na fase a do banco de capacitores do Exemplo 2.

O valor máximo atingido pela corrente é 8970,9 A. O desvio percentual em relação ao valor
calculado analiticamente por (3.29), é:
8970,9  9399
 %  100 x  4,5 %
9399
O máximo valor alcançado pela tensão na fase a com os capacitores descarregados é
81796,5 V (sobretensão de 1,45 pu).

Fig. 3.19. Tensão na fase a do banco de capacitores do Exemplo 2.


49
Chagas – DEE/UFCG

2.3. Formas de Redução das Correntes de Inrush

As correntes de inrush em bancos de capacitores podem ser reduzidas mediante utilização


das seguintes técnicas:

▪ chaveamento com resistência;


▪ instalação de reator em série;
▪ chaveamento controlado;
▪ divisão do banco capacitores em tamanhos menores.

Chaveamento com Resistência

Em subestações de alta tensão, os disjuntores são equipados com resistores de pré-inserção,


os quais, além de reduzirem os picos e a frequência da tensão de restabelecimento transitória,
agem no sentido de atenuar os valores as correntes de inrush. Em subestações de média
tensão, como os disjuntores não são equipados com os citados resistores, uma prática
alternativa consiste em usar dois disjuntores com os tempos de fechamento indicados na Fig.
3.20, em que um resistor é colocado em série com o banco por um curto período de tempo.

Fig. 3.20. Esquema para redução do inrush mediante chaveamento com resistência.

Durante o tempo em que o resistor permanece ligado, pode-se escrever para o circuito
equivalente da Fig. 3.21:
di (t ) 1 t
L  R i (t )  U 0   i(t ) dt  Um (3.30)
dt C 0

Fig. 3.21. Circuito considerando o chaveamento com resistência no cálculo de inrush.

50
Chagas – DEE/UFCG

A componente resistiva da impedância do sistema alimentador foi desprezada, o que é


admissível nos sistemas reais. Aplicando transformada de Laplace:

 1  U U 0
 sL  R   I ( s)  m (3.31)
 sC  s
U m U 0 U U 0 1
I (s)  2
 m 2
(3.32)
s L  Rs  1/ C L s  ( R / L) s  1 /( LC )
A seguir, é feito:
s 2  ( R / L) s  1 /( LC )  ( s   ) 2  02 (3.33)

Assim, (3.32) é escrita como:


U m U 0 0
I (s)  (3.34)
0 L ( s   ) 2  02
U m  U 0 t
i (t )  e sen0t (3.35)
0 L
De (3.33), obtém-se o fator de amortecimento e a frequência de oscilação.
1R
 (3.36)
2L
2
1 1 R
0    (3.37)
LC  2 L 

A frequência do transitório é reduzida para zero com um resistor do seguinte valor:

L
R 2 (3.38)
C
Essa equação pode ser convertida para a seguinte forma, mais conveniente:

U FN
R2 (3.39)
I CC  C

UFN é a tensão fase-neutro do sistema e ICC éorrente de curto-circuito no barramento.

Instalação de Reator em Série

As correntes de inrush podem ter amplitude e frequência reduzidas mediante emprego de


reatores em série com o banco de capacitores, como é mostrado na Fig. 3.22.
O reator faz com que a reatância capacitiva total (XC- XL) diminua. Porém, a potência reativa
líquida de caráter capacitivo (QC- QL) aumenta, pois a potência reativa gerada pelo capacitor
varia com o quadrado de UC (QC = CUC2) (DAS, 2005). Como é mostrado na Fig. 3.23, a queda
de tensão nos terminais do banco de capacitores cresce após a instalação do reator.

51
Chagas – DEE/UFCG

Fig. 3.22. Circuito considerando reator em série com o banco de capacitores.

Fig. 3.23. Diagrama fasorial referente ao circuito da Fig. 3.18;( a ) sem reator; ( b ) com reator.

Deve ser evitado que a associação LC apresente ressonância em frequências harmônicas


geradas por cargas não lineares.

Chaveamento Controlado

Nos casos anteriormente analisados, considerou-se a condição em os contatos do disjuntor


eram fechados quando a tensão assumia o valor de pico (pior caso). O emprego da técnica de
chaveamento controlado consiste em utilizar um módulo eletrônico de controle que permite
efetuar o fechamento de cada polo do disjuntor de modo independente durante a passagem da
onda de tensão de cada fase por zero, de modo a reduzir os valores de pico da corrente.
Com o chaveamento controlado, obtém-se melhoria na qualidade de energia elétrica e no
desempenho de disjuntores, aumento da vida útil dos equipamentos, bem como redução dos
custos de manutenção.

Divisão do Banco de Capacitores em Bancos Menores

A divisão do banco de capacitores em bancos de menor tamanho acarreta em correntes de


inrush com menores valores de pico, uma vez que as quantidades de energia transferidas entre
os elementos do sistema são menores.

52
Chagas – DEE/UFCG

3. Partida de Motores

Na partida, os motores elétricos requerem corrente superior à de funcionamento em estado


estacionário. Isto se deve à inércia do rotor e da carga, bem como ao processo de magnetização
do núcleo, tal como acontece no caso de transformadores. Quando o motor parte sob carga
esta sobrecorrente pode persistir por vários segundos enquanto a máquina é acelerada, até
atingir a velocidade normal de operação. A magnitude e forma de onda da corrente dependem
do tipo de motor, do tipo de acionamento e da carga mecânica acoplada ao eixo. A corrente de
partida de um motor varia de 4 a 10 vezes a corrente nominal.
Simultaneamente ao surto de corrente, pode haver afundamento de tensão no ponto onde a
máquina é instalada.
São mostradas na Fig. 3.24 as formas de onda das tensões e correntes durante a partida de
um pequeno motor de indução trifásico, alimentado por um sistema elétrico com baixo nível de
curto-circuito.

Fig. 3.24. Formas de onda das tensões e correntes durante a partida de um motor de indução trifásico
53
Chagas – DEE/UFCG

Nos motores de corrente alternada, as formas de atenuação dos surtos de partida consistem
no uso dos seguintes dispositivos:

▪ Chave estrela-triângulo.
▪ Chave compensadora com autotransformador.
▪ Soft-starter com tiristores.
▪ Conversor de frequências.
▪ Reostato de partida no rotor.
▪ Partida do motor em vazio.

O penúltimo método não é aplicável a motores de indução com rotor em gaiola. O último
método não é aplicável a processos de acionamento onde a carga é acoplada ao eixo desde o
instante da energização do motor.
O estudo do processo de partida de máquinas e dos dispositivos acima citados constitui
assunto das disciplinas Máquinas Elétricas, Instalações Elétricas e Eletrônica de Potência.

4. Energização de Carga Fria

Considera-se um sistema de distribuição em que ocorre uma interrupção prolongada de


fornecimento de energia e, em seguida, o serviço é restabelecido. Isto faz com que todas as
cargas do sistema sejam energizadas simultaneamente, sem diversidade. Assim, ocorre um
surto de corrente no alimentador, resultante da soma das correntes de inrush de transforma-
dores, correntes de partida de motores e contribuições das demais cargas. Este surto pode
fazer com que a proteção de sobrecorrente atue indevidamente, caso os fusíveis e/ou relés não
sejam especificados e ajustados de maneira correta.

54
Chagas – DEE/UFCG

Capítulo IV

Proteção Contra Sobrecargas e Curtos-Circuitos

A ação dos dispositivos de proteção contra sobrecorrente consiste no desligamento mais


rápido possível da parte defeituosa do sistema, de modo a evitar que os componentes da
instalação sofram danos causados pela excessiva dissipação de calor produzido pelo efeito
Joule. Assim, quanto maior for a duração do defeito, maior é o risco de efeitos deletérios
imediatos ou de natureza progressiva. Em relação aos curtos-circuitos, a estabilidade do
sistema pode ser comprometida em face da perda de sincronismo das máquinas a ele ligadas,
fato este que também requer imediata eliminação do curto-circuito.
Na proteção contra os sobrecargas e curtos-circuitos são utilizados os seguintes dispositivos:

▪ Fusíveis (sistemas de baixa e média tensão).


▪ Disjuntores acionados por relés instalados no primário (baixa tensão).
▪ Disjuntores acionados por relés instalados no secundário (média, alta tensão, extra-alta
tensão).
▪ Religadores automáticos (média tensão).
▪ Seccionadores (média tensão).

Esses dispositivos são descritos de forma resumida nos itens seguintes.

1. Fusíveis

Como é mostrado na Fig. 4.1, os fusíveis são constituídos basicamente por um elo metálico
encapsulado em um tubo, que se funde ao ser percorrido por determinada corrente,
interrompendo o circuito. Com a sobrecorrente, o elo se funde. Entretanto, a corrente não é
imediatamente interrompida, pois se mantém através de um arco que se extingue no instante
de passagem natural por zero da corrente.
Na Fig. 4.2 são mostradas curvas tempo versus corrente para diferentes fusíveis de
diferentes valores nominais de corrente de atuação.
Entretanto, existem os fusíveis limitadores de corrente, como o mostrado na Fig. 4.3, que
apresentam capacidade de interrupção superior à dos fusíveis convencionais. Eles são capazes
de interromper a corrente em menos de meio ciclo, antes da passagem natural por zero.
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Chagas – DEE/UFCG

O elemento fusível é envolvido num corpo cilíndrico de porcelana, onde também há uma
porção de areia de quartzo de pequena granulometria que funciona como meio extintor.
Quando o elo se rompe, o arco funde a areia. É produzido um material de altíssima
resistividade que apaga o arco. Também na Fig. 4.3 são mostradas vistas lateral e superior da
base de encaixe do fusível, a qual é fixada no painel de instalação.

Fig. 4.1. Aspecto de um fusível convencional.


TEMPO ( s )

CORRENTE ( A )

Fig. 4.2. Curvas características de fusíveis convencionais com diferentes valores de corrente nominal.
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LÂMINA
ELEMENTO

AREIA
TUBO

BASE VISTA
VISTA LATERAL SUPERIOR

Fig. 4.3. Aspecto de um fusível limitador de corrente e base de instalação.

É mostrada na Fig. 4.4 a forma de onda da corrente interrompida por um fusível limitador,
onde se observa a interrupção prematura, antes da passagem natural da onda pelo valor zero.

Fig. 4.4. Aspecto de um fusível limitador de corrente e base de instalação.

Na fig. 4.5 é mostrada a característica tempo-corrente de um fusível limitador de corrente


típico.

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Chagas – DEE/UFCG

TEMPO TOTAL
DE INTERRUPÇÃO

TEMPO ( s )

TEMPO MÍNIMO
DE FUSÃO

CORRENTE ( A )

Fig. 4.5. Característica tempo-corrente de um fusível limitador de corrente

Na Fig. 4.6, refere-se a um fusível limitador de corrente nominal 100 A. Para uma falta que
produz uma corrente simétrica de aproximadamente 22 kA, o primeiro pico de corrente
assimétrica seria de aproximadamente 50 kA (ponto A). Com a ação do fusível, a corrente
máxima só atinge 9 kA (ponto B).
Os fusíveis limitadores são aplicados em baixa e média tensão, inclusive na proteção de
transformadores instalados em subestações de consumidores de pequeno porte.
Esses fusíveis não são adequados para operar em sobrecargas ( aproximadamente 2,5 vezes
a corrente nominal). Para correntes menores, o tempo de fusão é alto e a grande energia
liberada pode romper o corpo de porcelana. Isto é evitado com o uso de elementos adicionais
que proporcionem proteção contra sobrecargas, os quais devem atuar antes que o fusível seja
danificado.

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PICO DE CORRENTE NÃO LIMITADO SEM COMPONENTE CC


COM A MAIOR COMPONENTE CC

CORRENTE LIMITADA - PICO ( kA )

CORRENTE DE CURTO-CIRCUITO SIMÉTRICA - RMS ( kA )


Fig. 4.6. Curvas que descrevem a ação de um fusível limitador de corrente de 100 A.

Outro tipo de elemento destinado à proteção de sobrecorrente em circuitos primários de


distribuição, incluindo transformadores, são as chaves fusíveis, onde as corrente nominais não
excedam 200 A. Também são usadas em operações de manobra (abertura e fechamento do
circuito sem carga). Uma chave fusível típica é mostrada na Fig. 4.7.
Os principais componentes das chaves fusíveis são descritos a seguir.
▪ Isolador de porcelana vitrificada, com suporte de fixação à estrutura montada no poste do
circuito de distribuição, e terminais de ligação.
▪ Cartucho, porta-fusível ou canela. É em um tubo de fibra de vidro ou fenolite, no interior do
qual se acha o elo fusível. Possui um revestimento interno que se decompõe em altas
temperaturas. Durante a fusão do elo, há produção de gases que são subitamente expelidos
por uma das extremidades do cartucho, ou por ambas. Desta forma, este processo faz com
que o arco seja extinto mais facilmente.
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Chagas – DEE/UFCG

▪ Elo fusível, instalado no interior do cartucho e percorrido pela corrente do circuito


protegido. Tem como parte principal um elemento metálico (liga de estanho) que se funde
em um tempo que diminui à medida que aumenta a corrente que causa o processo de fusão.
▪ Sistema de articulação, com uma mola que pressiona o cartucho para cima quando se fixa o
elo fusível na sua parte inferior. A extremidade superior do cartucho penetra na parte
superior da chave fusível, com certa pressão. Quando o elo é rompido, a pressão cessa e o
cartucho desloca-se para baixo, girando em torno do ponto da articulação. Assim, o cartucho
fica suspenso, indicando à equipe de manutenção que a proteção atuou.
▪ Olhal para engate de uma vara de manobra constituída de fibra de vidro, que é manobrada
por um operador no solo, com a finalidade de abrir ou fechar o circuito sem carga.

Fig. 4.7. Chave fusível utilizada na proteção de circuitos de distribuição.

Na proteção de transformadores, é permitida a interrupção de correntes de excitação com o


secundário em vazio. A intensidade do arco produzido depende da velocidade de abertura dos
contatos. Porém, o uso de uma ferramenta acoplada à vara de manobra permite a operação em
carga.
Os elos fusíveis são classificados em três tipos: H, K e T, usados nas seguintes aplicações:
▪ Tipo H: Utilizado na proteção primária de transformadores de distribuição e fabricado para
correntes de até 5 A. Apresenta tempo de atuação elevado para altas correntes.

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Chagas – DEE/UFCG

▪ Tipo K: É muito usado em redes aéreas de distribuição urbanas e rurais. Apresenta rapidez
de atuação.
▪ Tipo T: Utilizado na proteção de ramais primários de redes aéreas de distribuição. Apresenta
atuação lenta.

2. Disjuntores Comandados por Relés Primários

Disjuntores são elementos de manobra e proteção que atuam como uma chave, devendo ser
capazes de interromper a corrente de um circuito, em condições normais como em condição de
curto-circuito. Também devem ser capazes de restabelecer a corrente sob as citadas condições.
Relés são elementos sensores e atuadores. São capazes de detectar condições anormais de
operação no circuito, como os curtos-circuitos, e enviar um sinal de atuação para o disjuntor
associado, fazendo-o atuar.
Em baixa tensão, o relé e o disjuntor estão contidos em um mesmo invólucro, sendo ligados
diretamente ao circuito primário. Um exemplo são os disjuntores termomagnéticos, cujo
aspecto construtivo é mostrado na Fig. 4.8.

BORNE
SUPERIOR

MECANISMO DISPARADOR
CONEXÃO TÉRMICO
DESCONEXÃO BIMETÁLICO

CONTATO
MÓVEL

CONTATO
FIXO

CÂMARA
EXTINÇÃO

DISPARADOR
ELETROMAGNÉTICO
ALAVANCA
MANOBRA
BORNE
INFERIOR

Fig. 4.8. Aspecto de um disjuntor termomagnético tipico.

As funções dos disjuntores termomagnéticos são as seguintes:

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▪ Manobra: Podem ser rearmados manualmente, depois da atuação.


▪ Proteção contra sobrecarga: Realizada por atuador bimetálico sensível ao calor, que abre o
circuito quando a corrente permanece por certo período acima da corrente nominal do
disjuntor.
▪ Proteção contra curto-circuito: Realizada por disparador magnético (solenóide), que abre o
circuito com aumento súbito da corrente.
Na Fig. 4.9 é mostrada a característica tempo-corrente de um disjuntor termomagnético.

Fig. 4.9. Chave fusível utilizada na proteção de circuitos de distribuição.

3. Disjuntores Comandados por Relés Secundários

3.1. Considerações Gerais

Os relés primários não são utilizados em média, alta e extra-alta tensão. Assim, como é
mostrado na Fig. 4.10, os principais componentes dos sistemas de proteção são os seguintes:
▪ Transformadores de potencial (TPs), destinados a isolação e condicionamento dos sinais de
tensão para 115 V ou 115/ 3 V.
▪ Transformadores de corrente (TCs), destinados a isolação e condicionamento dos sinais de
corrente para 5 A ou 1 A.
▪ Relés instalados no lado do secundário dos TPs e/ou TCs. Um relé de sobrecorrente é
alimentado por um TC; um relé diferencial, por dois ou mais TCs; um relé de distância, por
um TC e um TP.

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▪ Disjuntores e respectivos circuitos de acionamento comandado por relés, em caso de curto-


circuito. Operações de religamento automático também podem ser realizadas mediante
emprego de relés apropriados. Os disjuntores também podem receber comando manual
para abertura e fechamento.
▪ Circuito de comando e controle da proteção, em corrente contínua. Possui autonomia de
fornecimento de energia, conferida por um conjunto de baterias, cuja carga é mantida em
nível máximo através de carregadores controlados (não indicados na figura), utilizando a
energia fornecida pelo circuito principal. Normalmente, a tensão fornecida pelas baterias é
de 115 V (CC).

Fig. 4.10. Principais componentes dos sistemas de proteção.

3.2. Classificação dos Relés

A seguir, os relés são classificados de acordo com a grandeza de atuação. A numeração


atribuída é estabelecida pela norma americana ANSI (American National Standards Institute),
empregada internacionalmente.
▪ Relés de magnitude: Respondem à magnitude da grandeza de entrada. Exemplo: relés de
sobrecorrente instantâneos (50); sobrecorrente temporizados (51); sobretensão (59);
subtensão (27); subcorrente ou subpotência (37); frequência (81).
▪ Relés direcionais: Respondem à diferença de fase entre duas grandezas, corrente-corrente
ou tensão-corrente. Exemplo: relés direcionais de sobrecorrente (67); direcionais de
potência ativa reversa ou anti-motorização (32); direcionais de potência reativa reversa ou
de perda de excitação (40).
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▪ Relés de quociente: Respondem à razão de duas grandezas. Exemplo: relés de distância (21),
que operam segundo a razão entre o fasor tensão e o fasor corrente; relés de sobreexcitação
ou volts por hertz (24), que operam segundo a razão entre tensão e frequência.
▪ Relés diferenciais: Respondem à magnitude da soma fasorial de duas ou mais grandezas.
Exemplo: relé diferencial de transformador, de gerador e de barra (87).
Além desses, há vários outros tipos de relés, destinados a finalidades diversas. Exemplo: relé
de alarme (74), religamento (79), relé receptor de onda portadora ou fio piloto (85), relé de
bloqueio (86), etc.

3.3. Considerações sobre Disjuntores

Segundo a norma ABNT NBR 5459:1987 - Manobra e Proteção de Circuitos, disjuntor é um


dispositivo mecânico de manobra e de proteção, capaz de estabelecer, conduzir e interromper
correntes em condições normais do circuito, assim como estabelecer, conduzir por tempo
especificado e interromper correntes anormais especificadas, tais como as de curto-circuito.
Os curtos-circuitos causam as seguintes solicitações sobre os disjuntores:
▪ Solicitações térmicas, causadas pelas perdas ôhmicas nas resistências de contato associadas
ao regime normal e/ou curto-circuito.
▪ Solicitações mecânicas, causadas por forças de reação do arco sobre o mecanismo de
operação, forças eletromagnéticas associadas às altas correntes, forças resultantes da massa
dos componentes acelerados e parados rapidamente (inércia).
▪ Solicitações elétricas, causadas pela TRT e TCTRT.
Os principais componentes dos disjuntores são os seguintes:
▪ Meio isolante e extintor: Ar, óleo, gás, vácuo.
▪ Câmara de extinção: Contatos móveis e fixos (partes condutoras); bocais e barreiras
isolantes (partes isoladoras).
▪ Mecanismo de operação: Acumuladores de energia (molas, pneumáticos, hidráulicos,
mistos).
▪ Componentes auxiliares: Capacitores de equalização, resistores de pré-inserção, varistores,
dispositivos de controle síncrono.
Quanto à classificação em relação ao meio de extinção do arco, tem-se:
▪ Ar livre.
▪ Grande volume de óleo – GVO (em desuso).

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▪ Pequeno volume de óleo – PVO.


▪ Ar comprimido.
▪ Hexafluoreto de enxofre (SF6).
▪ Vácuo.
O estudo detalhado dos disjuntores é matéria do curso de Equipamentos Elétricos.

4. Religadores Automáticos

Em sistemas de distribuição aéreos, grande parte dos defeitos são auto-extinguíveis


(contatos com galhos de árvores, arco através de isolador, etc). Assim, após ocorrer o
desligamento, pode-se realizar o religamento após certo intervalo de tempo, com grande
chance de que a normalidade tenha se restabelecido, não havendo necessidade de
interrupções de serviço prolongadas e mobilização de equipes de serviço.
Um religador é constituído pelos elementos descritos a seguir.

▪ Mecanismo automático projetado para abrir e fechar circuitos em carga ou em curto-circui-


to, comandado por relés, como nos disjuntores. Os meios de interrupção mais comuns são:
óleo isolante; câmara de vácuo; gás (SF6). Na atualidade, este último é o mais empregado.
▪ Relés de sobrecorrente alimentados por TCs, que realizam as funções sobrecorrente
instantânea (50) e sobrecorrente temporizada (51), além de um relé de religamento (79).
Nos religadores mais modernos, esses relés são microprocessados.

O funcionamento desses equipamentos compreende as seguintes operações, descritas na


Fig. 4.11.

▪ O religador ao sentir uma condição de sobrecorrente, interrompe o circuito, religando-o


automaticamente, após um tempo predeterminado.
▪ Se o defeito ainda persiste, ocorre uma sequência disparo-religamento, até três vezes
consecutivas. Geralmente, ocorrem 3 religamentos seguidos por 4 disparos, no máximo.
▪ Após o quarto disparo, o mecanismo de religamento é travado, abrindo definitivamente o
circuito (lockout).
▪ Os disparos podem ser rápidos (instantâneos) e lentos (temporizados).
▪ As operações podem ser todas temporizadas, todas rápidas ou um número escolhido de
operações rápidas, seguindo por outra quantidade escolhida de operações temporizadas.
▪ Para evitar queima de elos fusíveis, escolhe-se uma sequência com duas operações rápidas e
duas operações temporizadas, como é mostrado na Fig. 4.11.
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Chagas – DEE/UFCG

Fig. 4.11. Sequência de operações de um religador.

5. Seccionadores

Seccionador é um equipamento utilizado em sistemas de distribuição de energia elétrica,


associado a um religador. Ao ser sensibilizado (normalmente por uma sobrecorrente) o
seccionalizador prepara-se para contar a quantidade de desligamentos do circuito elétrico.
Quando esta contagem atingir o valor pré-programado o equipamento abre, interrompendo o
circuito.
A constituição básica desse equipamento é descrita a seguir.

▪ Mecanismo automático projetado para abrir e fechar circuitos em carga, não sendo
projetado para interromper correntes de curto-circuito. O meio de interrupção mais comum
é o óleo isolante.
▪ Dispositivos sensores e atuadores. Nos seccionadores mais modernos, esses dispositivos são
baseados em microprocessadores.
▪ É sempre instalado após outro equipamento de proteção automático (religador ou disjuntor)
e dentro da zona de proteção deste último equipamento, como é mostrado Fig. 4.12.

Fig. 4.12. Seccionador ligado a jusante de um religador.

Assim, o funcionamento dos seccionadores compreende as seguintes etapas, as quais são


ilustradas na Fig. 4.13.
▪ Quando uma corrente de curto-circuito circula pelo seccionadores, o mesmo é sensibilizado
e se prepara para contar o número de operações do religador.
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▪ Esta corrente também sensibiliza o religador, que abre o circuito.


▪ O seccionadores é sensibilizado pela queda da corrente e passa a contar o número de
operações do religador.
▪ Após o tempo determinado, o religador fecha o circuito.
▪ Se o defeito persiste, o processo se repete até que o seccionadores faça a contagem
ajustada (uma, duas ou, no máximo, três). Então, durante o tempo em que o religador
estiver aberto, o seccionadores abrirá os seus contatos principais.
▪ Quando o equipamento de retaguarda religar, o trecho com defeito estará isolado e o resto
da rede funcionará normalmente.
A figura a seguir mostra a sequência de operações de um religador e a abertura de um
seccionadores.

Fig. 4.13. Sequência de operações de um seccionador.

6. Requisitos da Proteção

Os requisitos básicos de um sistema de proteção são os seguintes:

▪ Confiabilidade - O sistema de proteção sempre deve atuar em caso de defeito, e apenas


neste caso. Tanto a não atuação como a atuação indevida pode acarretar em grandes
prejuízos.
▪ Sensibilidade - A faixa de incerteza entre as condições de operação e de não operação deve
ser a menor possível.
▪ Velocidade - O sistema de proteção deve atuar da forma mais rápida possível, de modo a
evitar danos aos componentes da rede elétrica (efeitos térmicos e eletrodinâmicos) ou
perda de estabilidade do sistema.
▪ Seletividade - O defeito deve ser eliminado desligando-se a menor parte possível da rede, de
modo a ser mantido o máximo índice de continuidade de serviço.
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▪ Economia - O custo do sistema de proteção deve ser compatível com o custo do


equipamento protegido e com a importância deste último em relação ao funcionamento do
resto do sistema.

7. Classificação da Proteção por Relés e Disjuntores

7.1. Hierarquia da Proteção

Quanto à hierarquia, os sistemas de proteção são classificados em três categorias:

▪ proteção primária ou principal;


▪ proteção de retaguarda;
▪ proteção alternada ou redundante.

7.2. Proteção Primária

A proteção primária ou principal constitui a primeira linha de defesa contra os defeitos no


sistema elétrico, atuando em primeira instância. A Fig. 4.14 ilustra seu princípio de
funcionamento.

Fig. 4.14. Sistema de proteção primária com zoneamento.

Observa-se que:

▪ Os disjuntores são localizados entre cada componente do sistema, de modo a ser desligado
o elemento em caso de defeito.
▪ O sistema é dividido em zonas estabelecidas por cada elemento protegido, as quais
compreendem conjuntos de relés e disjuntores. Assim, qualquer defeito que ocorra dentro

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de determinada zona causará a abertura de todos os disjuntores dentro dessa zona, e


somente deles.
▪ Há superposição de zonas em torno de cada disjuntor. Assim, pode haver abertura de mais
disjuntores que o necessário Exemplo: um defeito no ponto indicado deveria causar
abertura apenas de 1 e 2. Porém, 3, 4 e 5 também atuarão (à primeira vista, desnecessaria-
mente).
▪ O desligamento de 3, 4 e 5 é um mal necessário. Se não houvesse superposição de zonas em
torno dos disjuntores, restariam zonas desprotegidas no sistema.

7.3. Proteção de Retaguarda

A proteção de retaguarda tem duas finalidades:

▪ atuar em caso de falha da proteção principal;


▪ substituir a proteção principal em caso de manutenção desta última.

Os tipos existentes de proteção de retaguarda são citados a seguir.

▪ retaguarda local;
▪ retaguarda remota.

Retaguarda Local

Como é mostrado na Fig. 4.15, a proteção de retaguarda local acha-se instalada próximo à
proteção primária. Uma prática comum consiste em proteger transformadores de grande porte
(potência nominal igual ou superior a 5 MVA) por relés diferenciais (87). Na proteção de
retaguarda são utilizados relés de sobrecorrente temporizados (51).

Fig. 4.15. Proteção primária (87) e proteção de retaguarda local (51).

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Chagas – DEE/UFCG

São feitas as seguintes observações em relação à proteção de retaguarda local:

▪ Apresenta desempenho inferior e menor custo que a proteção primária.


▪ Para aumentar o grau de confiabilidade, deve-se usar o menor número possível de
elementos em comum (TCs, disjuntores, etc.).
Há um tipo especial de proteção de retaguarda local denominado proteção de falha de
disjuntor, o qual consiste em um conjunto de relés de sobrecorrente e um relé de tempo que é
energizado sempre que o circuito de disparo do disjuntor é energizado. Quando o disjuntor
opera normalmente, o relé de tempo é desenergizado. Se o disjuntor não abre, a corrente de
defeito persiste por um tempo maior do que o ajustado no relé de tempo. Assim, todos os
outros disjuntores dos circuitos adjacentes que contribuem com corrente de curto-circuito
serão abertos.

Retaguarda Remota

A proteção de retaguarda remota acha-se instalada em local distante da proteção primária.


Na Fig. 4.16, para um defeito no ponto P, os tempos de operação dos relés são t1 > t2 > t3 ...

Fig. 4.16. Proteção primária (51) e proteção de retaguarda remota (51).

São feitas as seguintes observações em relação à proteção de retaguarda remota:

▪ Os relés mais próximos da fonte constituem proteção de retaguarda para os mais distantes
(p. ex., se o disjuntor 3 não abrir, o disjuntor 2 abrirá).
▪ O custo é menor que o da proteção de retaguarda local, pois os mesmos elementos que
constituem proteção primária em 1 constituem proteção de retaguarda para defeitos que
ocorrem em 2 ou em 3.
▪ Geralmente é mais lenta que a proteção de retaguarda local. Para obter seletividade, os
tempos de atuação dos relés são cada vez maiores no sentido carga-fonte. Isto constitui uma
desvantagem, pois a corrente de curto-circuito é maior próximo à fonte.
▪ É menos seletiva que a proteção de retaguarda local. Exemplo: se ocorre uma falta no ponto
P e o disjuntor 3 não abre, a abertura de 2 faz com que uma maior parte do sistema seja
desligada. Assim, a carga ligada à barra 3 também deixa de ser suprida.

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Proteção Alternada ou Redundante

Consiste na duplicação completa de todo o instrumental da proteção a ser instalado em um


determinado local do sistema (disjuntores, relés, TPs, TCs, circuito de comando e controle, etc).
Apresenta custo muito elevado.

8. Coordenação da Proteção

A coordenação da proteção contra curtos-circuitos consiste na determinação dos ajustes dos


relés, os quais atendam de forma simultânea aos requisitos de velocidade e seletividade. Um
exemplo é mostrado na Fig. 4.17, em que se vê um alimentador longo com vários fusíveis em
pontos intermediários, em série. Para determinada corrente de curto-circuito no ponto P, os
tempos de operação dos fusíveis são t1 < t2 < t3 < t4

Fig. 4.17. Alimentador longo com vários fusíveis em pontos intermediários, em série.

Em sistemas simples como este, os requisitos velocidade e seletividade são conflitantes. Os


tempos de atuação dos fusíveis mais próximos da fonte tendem a ser mais elevados,
justamente onde a corrente de curto-circuito apresenta maiores valores, pois a impedância
interposta à fonte e ao defeito é cada vez menor. As curvas tempo de operação versus corrente
dos fusíveis devem estar dispostas da forma indicada na Fig. 4.18.
O critério utilizado para coordenar os dispositivos de proteção pode não consistir apenas em
graduação de tempo. Há casos em que a corrente de defeito recebe contribuição bilateral,
como no sistema mostrado na Fig. 4.19. Isto requer outro critério de coordenação: o de
direcionalidade. Um curto-circuito no ponto P deve causar apenas a abertura dos disjuntores B
e C. Porém, poderia haver abertura indevida do disjuntor D, uma vez que o gerador 3 contribui
para o curto-circuito. Para que D não abra, o relé que comanda o disparo desse disjuntor deve
ser capaz de distinguir a direção do fluxo de potência que segue em direção ao curto-circuito.
As setas indicadas junto aos disjuntores indicam os sentidos para os quais cada um atua. Esse
senso de direcionalidade faz com que D não atue em caso de falta na linha adjacente. O mesmo
ocorre em relação ao disjuntor B em relação à ocorrência de um curto-circuito na linha
adjacente DE.
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Fig. 4.18. Curvas característivas tempo-corrente dos fusíveis do alimentador da Fig. 4.17.

Fig. 4.19. Sistema em que há necessidade do critério de direcionalidade.

Outro critério utilizado para estabelecer maior grau de seletividade consiste em fazer com
que o sistema de proteção obtenha informações oriundas de locais remotos (não apenas do
local onde ele se acha instalado). Desta forma, pode existir um canal de comunicação (canal
piloto) destinado a transmitir um sinal de bloqueio ou permissão oriundo de outra subestação.
Esta técnica é denominada teleproteção. No sistema da Fig. 4.20 é improvável que o relé de
sobrecorrente da barra A seja capaz de distinguir se o curto-circuito ocorre antes ou depois da
barra B, pois as correntes de defeito são praticamente idênticas. O problema seria resolvido se
a operação do relé de A fosse condicionada ao recebimento de um sinal do relé de B, indicando
se a falta ocorreu em P1 ou em P2.

Fig. 4.20. Sistema em que há utilização da técnica de teleproteção.

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RAMOS, D. S., DIAS, E. M. (1982). Sistemas Elétricos de Potência – Regime Permanente – Vol. 1,
Guanabara Dois, Rio de Janeiro – RJ.
RUDENBERG, R. (1950). Transient Performance of Electrical Power Systems, McGraw-Hill, New
York.
SOUZA, B. A. (1997). Distribuição de Energia Elétrica (apostila), DEE/CCT/Universidade Federal
da Paraíba - UFPB, Campina Grande – PB.
STEVENSON Jr., W.D. (1974). Elementos de Análise de Sistemas de Potência, Editora McGraw-
Hill do Brasil Ltda, São Paulo – SP.

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Chagas – DEE/UFCG

Apêndice 1 - Questões Teóricas

1. Quais as principais ocorrências que geram sobrecorrentes em redes elétricas?


2. Quais as principais causas e consequências dos desequilíbrios de corrente? Citar as principais
formas de proteção contra essas ocorrências.
3. O que ocasiona uma sobrecarga e quais são suas principais consequências? Citar as principais
formas de proteção contra essas ocorrências.
4. Quais as principais causas e consequências dos curtos-circuitos? Citar as principais formas de
proteção contra essas ocorrências.
5. Quais as principais características das faltas convencionais e das de alta impedância?
6. Quais os principais fatores que ocasionam os surtos de energização em redes elétricas?
7. Quais as principais características dos surtos de energização em transformadores?
8. Quais os fatores que exercem influência na intensidade e na duração do inrush em transfor-
madores? Citar as principais formas de atenuação dessas ocorrências.
9. O que é simpathetic inrush e recovery inrush?
10. Qual a influência que as correntes de inrush exercem nos dispositivos de proteção das redes
elétricas? Qual a diferença fundamental entre elas e as correntes de curto-circuito?
11. O que normalmente é feito para evitar atuação da proteção diferencial durante a energiza-
ção dos transformadores?
12. Quais as principais características das correntes de inrush em bancos de capacitores? O que
é inrush back-to-back?
13. Citar as principais formas de redução das correntes de inrush em bancos de capacitores em
derivação.
14. Citar as principais formas de redução da corrente de partida de motores.
15. O que é surto de carga fria?
16. Quais os dispositivos usados na proteção contra sobrecargas? E em curtos-circuitos?
17. Qual a principal precaução a ser tomada no emprego de fusíveis limitadores de corrente?
18. O que são religadores e seccionadores?
19. Descreva o que é proteção primária ou principal, proteção de retaguarda e proteção
alternada ou redundante.
20. Cite as vantagens e desvantagens que a proteção de retaguarda local apresenta em relação
à proteção de retaguarda remota.
21. Quais as funções normalmente desempenhadas pelos chamados relés auxiliares?
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Chagas – DEE/UFCG

22. Em relação ao sistema da Fig. Q1, são listados na Tabela Q1 casos de ocorrência de curto-
circuito com atuação dos disjuntores indicados. Para cada caso, dizer onde ocorreu o curto-
circuito e também dizer se houve falha de relé ou disjuntor, indicando o local da falha.

Fig. Q1. Sistema elétrico em condição de falta.

Tabela Q1. Registro ocorrência de falha de disjuntores.


CASO DISJUNTORES ATUADOS
a 4,5,8
b 3,7,8
c 3,4,5,6
d 1,4,5,6
e 4,5,7,8
f 4,5,6

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Apêndice 2 - Simulações Computacionais Usando o Simscape/Matlab

As simulações a seguir devem ser realizadas através do toolbox Simscape/Matlab. É


conveniente que o aluno explore ao máximo as potencialidades do aplicativo mediante análise
e comentários dos resultados obtidos, variando as condições de operação do sistema.
O osciloscópio do Simscape apresenta algumas limitações para impressão dos resultados.
Nas simulações onde o multímetro não é usado, o aluno deverá usar no espaço de trabalho o
comando plot(variável), onde variável são as correntes e tensões de saída, Ia, Ib, Ic, Va, Vb ou
Vc, a fim de imprimir os gráficos em formato Matlab.

1. Considerar o circuito da Fig. 1, o qual representa o equivalente monofásico de um sistema


trifásico de 230 kV. O fenômeno a ser analisado é a ocorrência de um curto-circuito trifásico
na linha de 150 km, o qual ocorre a 5 km do terminal emissor. A linha deve ser simulada por
células em pi de 1 km de comprimento ligadas em série. Os dados são os seguintes:
▪ Um = 187,8 kV,  = 0o (valor de pico e ângulo de fase da tensão da fonte).
▪ RT = 0,51 Ω, LT = 19 mH (resistência e indutância da fonte).
▪ R = 0,032 Ω/km, L = 0,87 mH/km, C = 12,33 nF/km (resistência, indutância e capacitância de
sequência positiva da linha, por km).
▪ P = 100 MW, Q = 28 Mvar (potência ativa e potência reativa da carga).
▪ RF = 2 Ω (resistência da falta).
▪ Tempo transcorrido para fechamento da chave: 33,3 ms.
▪ Tempo total de simulação: 0,2 s.

2. Em relação ao circuito da Fig. 1, avaliar os resultados das simulações realizadas ao serem


variadas condições como ângulo de chaveamento, localização do defeito e resistência de
falta (faixa de variação típica de 0 a 10 Ω).

3. Na Fig. 2 é mostrado um sistema de 69/230 kV. Avaliar os resultados da simulação de um


curto-circuito trifásico na linha de 230 kV, representada com parâmetros distribuídos, o qual
ocorre a 15 km dos terminais do secundário do transformador ligado em delta-estrela com
neutro aterrado e núcleo de três colunas. Os dados são os seguintes:
▪ U = 69 kV,  = 0o (valor eficaz e ângulo de fase da tensão da fonte).
▪ RT1 = 0,18 Ω, LT1 = 7 mH (resistência e indutância de sequência positiva da fonte).
▪ RT0 = 0,21 Ω, LT0 = 5,12 mH (resistência e indutância de sequência zero da fonte).
▪ Rpri = 0,01523 pu, Lpri = 0,1977 pu (resistência e indutância do primário do transformador).
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▪ Rsec = 0,0051 pu, Lsec = 0,0659 pu (resistência e indutância do secundário do transformador).


▪ Rm = 636,7 pu (resistência de perdas no núcleo de ferro do transformador).
▪ Lm = 1,77 pu (indutância de magnetização do transformador).
▪ L0 = 0,5 pu (indutância de sequência zero do transformador).
▪ R1 = 0,098 Ω/km, X1 = 0,510 Ω/km, Y1 = 3,252 µS/km (resistência, reatância indutiva e
susceptância capacitiva de sequência positiva da linha, por km).
▪ R0 = 0,532 Ω/km, X0 = 1,541 Ω/km, Y0 = 2,293 µS/km (resistência, reatância indutiva e
susceptância capacitiva de sequência zero da linha, por km).
▪ RF = 2 Ω (resistência da falta).
▪ Tempo transcorrido para aplicação da falta: 0 ms.
▪ Tempo total de simulação: 0,3 s.

4. Em relação ao circuito da Fig. 2, repetir as simulações considerando diferentes locais de


ocorrência do defeito. Fazer também simulações para faltas fase-terra, fase-fase, fase-fase-
terra. Comparar os resultados obtidos

5. O circuito da Fig. 3 representa o equivalente monofásico de um sistema trifásico em que um


transformador é energizado, sendo produzida uma corrente de inrush cuja variação pode ser
avaliada mediante alteração de parâmetros como ângulo de chaveamento, fluxo residual no
núcleo e impedância da carga ligada ao secundário. Avaliar as formas de onda da corrente,
tensão e fluxo de enlace no primário para os seguintes dados:
▪ Um = 11267,6 V,  = 0o (valor de pico e ângulo de fase da tensão da fonte).
▪ RT = 0,06 Ω, LT = 0,64 mH (resistência e indutância da fonte).
▪ R = 10,1 Ω, L = 53,3 mH (resistência e indutância da linha).
▪ RD = 400 Ω (resistência de pré-inserção do disjuntor).
▪ t1 = 1000/60 s (tempo de fechamento da chave que liga o resistor de pré-inserção do
disjuntor, com Ron = Rs = Cs = 0). A resistência de pré-inserção RD não é considerada.
▪ t2 = 5/60 s (tempo de fechamento do disjuntor, com Ron = Rs = Cs = 0).
▪ SN = 150 kVA, U1N = 7967,4 V, U2N = 220 V (valores nominais do transformador).
▪ Rs = 0,32 x 1010 Ω, Ls = 0,24 mH (resistência e indutância da carga do transformador). Neste
caso, o enrolamento secundário acha-se praticamente em aberto.
▪ Rpri = 10,44 Ω, Lpri = 62,3 mH (resistência e indutância do primário do transformador).
▪ Rsec = Lsec  0 (resistência e indutância do secundário do transformador).

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▪ Conjunto de ordenadas da curva de saturação do transformador, em termos de valores de


pico de corrente e fluxo, expressos em A e V.s, respectivamente: [0, 0; 0, 24.1; 0.3, 27.1; 0.7,
29.2; 1.1, 30.6; 2.9, 32.2; 8.2, 33.4; 20, 34.4; 100, 39].
▪ 0 = 0 (fluxo de enlace primário residual no núcleo do transformador).
▪ Rm = 120 kΩ (resistência de perdas no núcleo de ferro do transformador).
▪ Tempo total de simulação: 0,3 s.

6. Repetir a simulação 5 para diferentes ângulos de chaveamento ( = 30o, 60o, 90o).

7. Com o ângulo de chaveamento igual a  = 0o, repetir a simulação 5 considerando agora 0 =


20 V.s (fluxo de enlace primário residual no núcleo do transformador).

8. Repetir a simulação 7 para t1 = 0 s (tempo de fechamento da chave que liga o resistor de pré-
inserção do disjuntor). Nesse caso, a resistência de pré-inserção RD = 400 Ω é considerada.

9. Repetir a simulação 5 considerando agora a carga nominal ligada ao secundário do


transformador, a qual apresenta Rs = 0,32 Ω e Ls = 0,24 mH.

10. O circuito da Fig. 4 representa um sistema trifásico em que é energizado um transformador


ligado em delta-estrela com neutro aterrado e núcleo de três colunas, sendo produzida uma
corrente de inrush cuja variação de magnitude e duração pode ser obtida mediante
alteração de parâmetros como ângulo de chaveamento e fluxo residual no núcleo. Avaliar as
formas de onda da corrente e tensão no primário do transformador para seguintes dados:
▪ U = 230 kV,  = 0o (valor eficaz e ângulo de fase da tensão da fonte).
▪ SCC = 15 GVA (potência de curto-circuito trifásico da fonte).
▪ X/R = 32 (relação reatância/resistência equivalente da fonte).
▪ ton = 5/60 s (tempo de fechamento dos polos do disjuntor).
▪ SN = 100 MVA, U1N = 230 kV, U2N = 69 kV (valores nominais do transformador).
▪ Rpri = 0,0051 pu, Lpri = 0,0659 pu (resistência e indutância do primário do transformador).
▪ Rsec = 0,0152 pu, Lsec = 0,1977 pu (resistência e indutância do secundário do transformador).
▪ Rm = 636,67 pu (resistência de perdas no núcleo de ferro do transformador).
▪ L0 = 0,5 pu (indutância de sequência zero do fluxo de retorno no núcleo do transformador).
▪ Conjunto de ordenadas da curva de saturação do transformador, em valores de pico de
corrente e fluxo, expressos em pu: [0, 0; 0, 1.06; 0.43, 1.24; 1.17, 1.33; 10, 1.46].
▪ Valores dos fluxos residuais por fase do transformador no instante da energização: [0, 0, 0].
▪ Tempo total de simulação: 2 s.
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11. Repetir a simulação 10 o ângulo de chaveamento  = 90o.

12. Com o ângulo de chaveamento  = 0o, repetir a simulação 10 considerando agora os seguin-
tes valores dos fluxos residuais por fase (a, b, c) no núcleo do transformador no instante da
energização, expressos em pu: [0.85, 0.5, -0.5].

13. Na Fig. 5 acha-se mostrado o diagrama simplificado de uma rede trifásica na qual é reali-
zado o processo de energização de um banco de capacitores ligado em estrela com neutro
aterrado, inicialmente suposto descarregado. Avaliar as formas de onda da corrente e
tensão para os seguintes dados:
▪ U = 138 kV,  = 90o (valor eficaz e ângulo de fase da tensão da fonte).
▪ SCC = 4 GVA (potência de curto-circuito trifásico da fonte).
▪ X/R = 16 (relação reatância/resistência equivalente da fonte).
▪ ton = 1/60 s (tempo de fechamento dos polos do disjuntor).
▪ C = 5,6 µF (capacitância do banco, por fase).
▪ Tempo total de simulação: 0,4 s.

14. Comparar o resultado obtido para o valor de pico da corrente na fase a na simulação 13
com o obtido mediante a expressão (3.20) do item 2.1. Qual o desvio percentual entre esses
valores? Calcular a relação entre o valor de pico no transitório e o valor em regime
permanente. Calcular a frequência da corrente transitória, em Hz.

15. Na pior condição de chaveamento do sistema da Fig. 5 qual seria o valor de pico da corren-
te da fase a?

16. O diagrama simplificado de uma rede trifásica é mostrado na Fig. 6, na qual é realizado o
processo de energização back-to-back de um banco de capacitores ligado em estrela com
neutro aterrado, inicialmente considerado sem carga. Avaliar as formas de onda da corrente
e tensão para os seguintes dados:
▪ U = 69 kV,  = 90o (valor eficaz e ângulo de fase da tensão da fonte).
▪ SCC = 1,8 GVA (potência de curto-circuito trifásico da fonte).
▪ X/R = 12 (relação reatância/resistência equivalente da fonte).
▪ RB = 0,5 Ω, LB = 0,3 mH (resistência e indutância das barras).
▪ ton = 0 (tempo de fechamento dos polos do disjuntor).
▪ C = 16,7 µF (capacitâncias dos bancos, por fase).
▪ Tempo total de simulação: 7 ms.
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17. Comparar o resultado obtido para o valor de pico da corrente na fase a com o obtido
mediante a expressão (3.29) do item 2.2. Qual o desvio percentual entre esses valores?
Calcular a relação entre o valor de pico no transitório e o valor em regime permanente.
Calcular a frequência da corrente transitória, em Hz.

18. Na pior condição de chaveamento do sistema da Fig. 6 qual seria o valor esperado para a
corrente de pico da fase a?

Figuras relacionadas às simulações

Fig. 1

Fig. 2

81
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Fig. 3

Fig. 4

Fig. 5

82
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Fig. 6

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Chagas – DEE/UFCG

Apêndice 3 -Numeração de Dispositivos de Proteção (ANSI)

O instituto norte-americano ANSI - American National Standards Institute - estabelece a


numeração abaixo indicada para os dispositivos usados na proteção dos sistemas elétricos, a
qual é usada em âmbito internacional.

Continua...
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