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Coletânea de Tecnologia

Criações

Animais Domésticos
Coletânea de Tecnologia de Criações de
Animais Domésticos

Produzido pela FUNDATER - Fundação de Desenvolvimento, Assistência


Técnica e Extensão Rural de Goiás
AGENCIARURAL – Agencia Goiana de Ddesenvolvimento Rural e Fundiário

• Elaboração: Mauro César Rodrigues

Goiânia - Goiás
FRANGO

O desenvolvimento de linhagens aumenta a velocidade de ganho de


peso e reduz a idade de abate, (42 dias)

LINHAGENS

Atualmente, as raças puras são utilizadas para o melhoramento genético e


funcionam como reserva genética para a formação de raças híbridas, também
conhecidas como linhagens.
Existem várias linhagens comerciais selecionadas por empresas
especializadas. São linhagens que apresentam maior precocidade para abate e maior
postura de ovos. Existem, ainda, as galinhas caipiras, que são mestiças, de fácil
adaptação alimentar e ao meio ambiente, além de terem boa rusticidade, embora
sejam menos produtivas.
Para uma criação industrial, é necessário adquirir linhagens que respondam
às seguintes características:
• resistência às doenças e rusticidade, o que significa menor
mortalidade;
• temperamento calmo, para facilitar o trabalho rotineiro dos
tratadores;
• crescimento uniforme, evitando-se lotes desiguais;
• rapidez no empenamento, garantindo melhor proteção no
desenvolvimento inicial;
• alta velocidade de ganho de peso, segundo a idade final de abate;
• excelente conversão alimentar (quantidade em quilos de ração
consumida por ganho de peso), 2,1 a 2,3.
As linhagens mais utilizadas atualmente são: Hubbard, Arbor Acres, Pilch
e Ross. Com essas linhagens é possível tirar um lote de frangos com 49 dias de
criação, podendo-se obter cinco a seis criações por ano, considerando um vazio
sanitário (espaço de dias no qual se faz a desinfecção do galpão) de sete a dez dias.

INSTALAÇÕES
Os galpões devem estar distante um do outro, pelo menos, 100 metros. Não
se deve criar na mesma granja frangos de corte com galinhas poedeiras. As aves
adultas podem contaminar as aves jovens, principalmente transmitindo o complexo
leucótico, doença causada por vírus, acarretando grandes prejuízos aos avicultores.
Na produção de frango de corte, as aves serão criadas desde pintos de um
dia até o abate no mesmo galpão, sem mudanças que causariam tensões (estresse)
prejudiciais ao ganho de peso e crescimento das aves. Esse método recebe o nome de
“tudo dentro, tudo fora”.
A localização dos galpões na propriedade é muito importante, devendo ser
levada em conta a facilidade nas operações de manejo, na entrada e saída de veículos
transportadores de rações e engradados com frangos e material avícola, a proteção
das aves das possíveis contaminações difundidas por esses materiais. É freqüente a
contaminação de aves jovens por aves mais velhas.
Instalar os galpões em terrenos secos, bem drenados e arejados, sem
obstáculos naturais, onde o vento possa circular livremente em todas as direções. A
conservação, em estado seco, do esterco incorporado à cama, bem como da ração e
do ambiente, depende exclusivamente da ventilação, do arejamento constante e bem
dirigido.
A orientação dos galpões em relação ao sol e aos ventos deverá ser na
direção leste-oeste, de forma que o percurso do sol seja paralelo à cumeeira do
galpão. Em regiões onde predominam ventos frios do Sul deverão ser feitos quebra-
ventos de bambu, pinus ou cedrinho.
Na maioria das regiões do Brasil, utilizam-se cortinas para proteger as aves
dos ventos frios do Sul. No extremo Sul do País, onde no inverno sopra o minuano,
devem ser utilizadas janelas que possam ser fechadas no lado Sul do galpão.
O galpão poderá ter de 8 a 12 metros de largura, no máximo, e a altura do
pé-direito pode ser de 2,80 a 3,20 metros. O comprimento do galpão varia de acordo
com o número de aves que se deseja criar. O recomendável é ter dez aves/metro
quadrado, no inverno. Portanto, um galpão para 10.000 frangos de corte, se a largura
for de 10 metros, terá 100 metros de comprimento (10 X 100 = 1.000m2 X 10
aves/m2 = 10.000 frangos).
Os galpões deverão ser construídos com duas-águas de alvenaria (tijolos
assentados com barro) e cobertos com telha francesa. O piso deverá estar em nível
superior ao piso do terreno, cerca de 20 centímetros, e ser revestido com tijolos
requeimados, assentados com barro e rejuntados com massa de cimento.
Os oitões das faces Norte e Sul deverão ser fechados até a cumeeira, mas as
paredes laterais deverão ter somente 60 centímetros de altura, sendo o restante
fechado com cortinas de pano ou de plástico resistentes, presas e enroladas embaixo,
e que deslizem de baixo para cima ao fechar, acionadas por simples fios de aço e
roldanas. As laterais deverão ser fechadas com tela de arame, até o teto, à prova de
pássaros.
O lanternim é indispensável em toda a extensão do galpão, é sua função é
proporcionar às aves melhores condições respiratórias, dar vazão ao ar quente e
carregado de gases, mantendo uma constante aeração. A largura do lanternim deverá
ser de 10% da largura do telhado. Assim, em um galpão de 10 metros de largura a
abertura do lanternim será de 1 metro.
As colunas que erguem o telhado poderão ser de tijolos ou mesmo de
troncos de eucalipto tratados. O beiral deverá ser feito em toda a extensão do galpão,
numa largura entre 80 centímetros e 1 metro de projeção, para proteger as paredes,
cortinas, calçadas e, principalmente, a cama, que deverá ficar isenta de qualquer
umidade. A calçada deverá ter 70 centímetros de largura, também em toda a extensão
do galpão, visando também a proteção das paredes, piso e o alicerce de infiltração de
água da chuva.
Deverá haver divisões internas no galpão e a recomendação é de divisões
para 2.500 aves cada, visando a facilidade de trato e a uniformidade no
desenvolvimento de lote. As divisões deverão ser feitas com telas. Haverá uma única
porta, que deverá estar no meio do galpão, é importante que abra para fora.
Internamente, cada divisão terá a sua porta de comunicação.
Os encanamentos devem ser, preferencialmente, de PVC e cada galpão ou
divisão terá uma caixa-d’água com um volume certo que permita a fácil dosagem de
medicamentos.
Os bebedouros de bóia ou de água corrente deverão estar ligados a
manilhas de esgoto que despejarão as águas servidas em fossas sépticas ou lagoas
afastadas do aviário. Cada divisão deverá ter uma tomada para as campânulas, caso
seja essa a opção para o aquecimento dos pintinhos, as lâmpadas de 40 m de altura. É
indispensável que o galpão esteja provido de lâmpadas para os programas de
iluminação.
Além dos galpões é necessária a construção de um depósito de ração.
Equipamentos e implementos. São necessários diversos equipamentos e
implementos numa criação de aves, todos fabricados por empresas especializadas.
Fontes de aquecimentos. Existem as campânulas elétricas, a carvão (não
recomendável) e a gás.
As campânulas elétricas, embora transmitam calor uniforme, são ainda
muito caras e o seu inconveniente é que, se houver falha no fornecimento, os pintos
ficam expostos ao frio. No entanto, quando adotada, deve-se colocar uma lâmpada
infravermelha para cada 100 pintos.
A campânula a gás tem sido a melhor e a mais usada, pois permite um
perfeito controle de temperatura e uniformidade no calor e tem um custo de
manutenção bastante econômico. Coloca-se uma campânula para, no máximo, 500
pintos. Deve-se tomar o cuidado de acender as campânulas 24 horas antes da chegada
dos pintos, para aquecer o ambiente e também detectar possíveis defeitos no
equipamento.
Anteparo ou círculo de proteção. É uma chapa de duratex ou tela de arame
(utilizado no verão), colocada ao redor da campânula durante a primeira e no máximo
até o fim da segunda semana, cuja função é proteger os pintos contra as correntes de
ar e mantê-los dentro da área de calor, perto dos comedouros e dos bebedouros,
evitando que se percam em locais distantes da campânula, passando fome, frio e sede.
O círculo (para evitar que os pintos se amontoem nos cantos) terá de 50 a
60 cm de altura e ficará à distância de 1 metro da borda da campânula.
Termômetro e hidrômetro. Para cada grupo de 500 pintos ou para cada
campânula serão utilizados dois termômetros: um, pendurado na borda da campânula,
com o bulbo a 5 centímetros de altura da cama, e outro na parede, a 1,60 metro de
altura, colocado num lugar que possa indicar exatamente a temperatura ambiente.
Pelo comportamento dos pintos sob a campânula é possível saber se estão
ou não em condições confortáveis. Se estiverem agrupados em torno da campânula,
estão com frio; se estiverem encostados ao redor do anteparo, estão com calor; se
estiverem dispersos uniformemente em toda a área, então o aquecimento está
proporcionando as condições ideais de aquecimento e conforto.
Quebra-canto. É uma armação de madeira de forma triangular, com 0,80
metro de cada lado, na qual estão pregadas madeiras. Esses quebra-cantos são
colocados nos quatro cantos de cada repartição do galpão quando os anteparos de
proteção forem retirados. Sua função é proteger as aves, impedindo que elas se
amontoem nos cantos, causando perdas por asfixia.
Cortinado. As cortinas são necessárias para proporcionar proteção aos pintos
nos primeiros dias de vida, podem ser de plástico resistente ou de pano. São
colocadas nas laterais do galpão e fixadas na beira da mureta lateral de 60
centímetros. Essas cortinas serão manejadas facilmente, quando instaladas com
roldanas, cabos de aço e manivela de comando.
Comedouros. Podem ser dos tipos bandeja, copo de pressão, cocho e/ou
mecânico eletroautomático.
Os de bandeja e os de copo de pressão são os utilizados na primeira fase de
criações das aves. Pode-se também utilizar as próprias tampas das caixas de
transporte dos pintos, forradas com papel grosso ou papelão corrugado, não sendo
indicada a utilização de jornal. As bandejas são de 0,60 X 0,40 X 0,05m e podem
acomodar 100 pintos cada uma. Serão utilizadas nos cinco primeiros dias. No
entanto, os comedouros do tipo cocho devem estar entre os de bandeja, para que os
pintinhos se acostumem a comer também nos cochos.
Após a retirada dos anteparos, os comedouros serão substituídos pelos
definitivos; ou seja, tubulares ou mecânicos eletroautomáticos. Caso o avicultor
queira usar o do tipo cocho, deve calcular 5 centímetros de borda por ave, até o final
da fase de engorda.
Os comedouros tubulares devem ter 0,60m de diâmetro; deve-se utilizar
um para cada trinta aves.
Os avicultores têm certa preferência pelos comedouros automáticos, por
economizarem mão-de-obra. Esses comedouros são indicados para as granjas com o
mínimo de 5.000 aves. Eles são formados por um cocho estendido no galinheiro, em
circuito fechado, por onde desliza uma corrente chata, cujos elos são formados por
roletes que arrastam e revolvem a ração. O fluxo da ração começa na moagem do silo
e pode ser regulado com maior ou menor intensidade, assim como a velocidade da
corrente transportadora.
Bebedouros. Podem ser dos tipos copo de pressão, calha ou pendular.
Utilizam-se na primeira semana ou, no máximo, até a segunda semana bebedouros do
tipo copo de pressão, com prato, capacidade de 4 litros de água, suficientes para 100
pintinhos. Esse bebedouro inicial será substituído pelo tipo calha ou tipo pendular.
O bebedouro do tipo calha poderá ser de água corrente e o nível de água
não poderá ultrapassar 1,5 centímetro. Utilizar dois bebedouros de 2,50 metros de
comprimento para 1.000 frangos. No verão, deixar três desses bebedouros para 1.000
aves.
Atualmente, há preferência pelo uso do tipo pendular, por aumentar as
áreas livres de circulação, economizar água e dispensar esgotos.
Cama. É o material que forra o piso do galpão e deverá ter capacidade de
absorver a umidade, não formar poeira, não emplastar, proporcionar conforto, ser de
fácil aquisição e barato. Os melhores materiais para cama são serragem ou cepilho de
madeira e sabugo de milho moído em pedaços pequenos. A cama deverá ter, no
mínimo, 10 centímetros de altura, o que corresponde a 1 quilo de serragem por ave.
Fichas de controle. Essas fichas deverão conter a data do início da criação; a
origem; a mortalidade; o consumo diário de ração; o ganho periódico de peso;
vacinações; medicamentos empregados; custos de ração e medicamentos; além de
qualquer acidente ou anormalidade que possa influir no preço final do frango de
corte.
Equipamentos. São quatro os equipamentos necessários para a criação: o silo
graneleiro, para armazenagem do milho em grão, que deverá ser adquirido na safra
(maio a junho); o triturador, para misturar a ração concentrada; e a balança.

ALIMENTAÇÃO

Não importa o tamanho da criação, a maior fatia dos custos da atividade é


representada pela alimentação, que pode chegar a 70% dos gastos de produção.
Portanto, é importante que o avicultor esteja sempre atento a este item, procurando
obter uma ração de qualidade, mas de baixo custo.
Atualmente, a nutrição animal tem um grande desenvolvimento científico e
tecnológico porque, ao criar aves em confinamento total, tornou-se necessário
fornecer todos os nutrientes requeridos para que os animais cresçam o mais rápido
possível e produzam o máximo de carne e ovos. Prova disso é a redução constante do
tempo e da quantidade de ração necessários para engordar um frango.

TABELA 2 – Conversão alimentar em avicultura de corte (frango)


Ano Peso do Tempo Quantidade de Conversão
frango (g) (dias) ração (g)

1940 1.590 91 6.000 3.7:1

1948 1.620 86 4.860 3,0:1

1951 1.640 84 4.000 2,4:1

1965 1.600 63 3.600 2,2:1

1972 1.800 57 3.600 2,0:1

As descobertas das vitaminas sintéticas, a disponibilidade de fontes baratas


de energia (milho e sorgo) e proteína vegetal (farelo de soja, farinha de peixe e
outras) foram responsáveis pela melhoria das rações das aves.
O organismo animal necessita de alimentos para a manutenção,
crescimento, reprodução e engorda. Por isso, os alimentos devem fornecer água,
carboidratos, gorduras, proteínas, minerais, vitaminas e aditivos. A ração a ser
fornecida às aves deve ser bem balanceada e a produção desta ração pelo criador,
normalmente, é antieconômica, porque ele não possui conhecimentos técnicos
necessários para uma boa formulação, que deve estar em constante transformação
para se ajustar aos custos, o que requer laboratório para analisar a matéria-prima.
Além disso, ele pagará mais caro pela matéria-prima, uma vez que irá adquiri-la em
quantidades bem menores.
Assim, no Brasil, é bastante comum - e o mais indicado - o criador adquirir
o concentrado e misturar ao milho na propriedade. Daí a importância de se localizar a
granja em regiões produtoras de milho. A ração pronta é mais cara.
As rações encontradas em casas especializadas são fabricadas conforme a
idade da ave e a finalidade da criação, para corte ou para postura; cada fabricante
estabelece e recomenda seu programa de alimentação.
Assim, temos freqüentemente:
a)ração inicial, de 0 a 28 dias; ração intermediária, de 0 a 35 dias, e ração final, de 29
a 49 dias ou de 36 a 56 dias;
b)ração inicial, de 0 a 21 dias; ração intermediária, de 22 a 35 dias, e ração final, de
36 a 50 dias;
c)ração pré-inicial, de 0 a 7 dias; ração inicial, de 7 a 28 dias; e ração final, de 29 a 49
dias.
Para a escolha do fabricante de ração e do programa a ser adotado, o mais
acertado será o avicultor fazer teste na sua granja e medir o resultado econômico.
Para o programa b o consumo médio de ração é de 800 gramas da ração
inicial (0-21 dias); 1,40 quilo de ração intermediária (22-35 dias); e 2,20 quilos de 36
dias até o abate, o que daria uma conversão alimentar de 2,20:1,0. Isso quer dizer
que, para cada 2,20 quilos de ração consumida, ganha-se 1 quilo de peso.
O avicultor deve ter como meta o índice de conversão 2,20:1, num período
de 49/50 dias. Sabe-se que quanto mais tempo passar após esta idade, as aves
aumentarão um pouco mais de peso, mas a conversão será pior a cada dia que passar
e os lucros diminuirão, consideravelmente.

MANEJO

O sucesso de uma criação depende em grande parte das condições sob as


quais as aves serão criadas. Por isso, há uma série de cuidados que devem ser
observados pelo avicultor antes da chegada dos pintos.
• O galpão deve estar limpo e desinfetado, com cama (10 centímetros
de altura de serragem de madeira ou sabugo de milho); cortinado, em
condições de uso, e montadas as unidades de manejo.
• A montagem das unidades de manejo é a seguinte: no centro, a
campânula, em sua volta um bebedouro (tipo copo de pressão), um
comedouro (tipo bandeja), dispostos alternadamente;
• Testar as campânulas 24 horas antes da chegada dos pintos;
Os pintinhos de um dia devem ser provenientes de granja de reprodução
idônea, na qual se observe rigoroso controle higiênico e profilático das doenças.
Na chegada dos pintinhos, observar algumas normas:
• que eles sejam entregues nas primeiras horas das manhã;
• deixá-los por uma a duas horas dentro das caixas de transporte, para,
depois, soltá-los no círculo de proteção, onde o ambiente já estará aquecido
e abastecido de água e ração;
• comunicar ao fornecedor qualquer anomalia, eliminando os fracos e os
defeituosos (patas tortas, bico cruzado, cegos, torcicolo e outras
anomalias);
• observar o comportamento dos pintos;
• a iluminação deverá ser mantida durante 23 horas por dia, com
ausência de luz apenas por 1 hora, à noite, para que as aves se acostumem
com a escuridão e não sofram pânico no caso de falta brusca de energia
elétrica.
Durante a criação deverão ser verificados os seguintes itens:
• as cortinas ficarão erguidas até 2/3 da altura do pé-direito,
principalmente na primeira semana, proporcionando uma temperatura
interna estável e sem correntes de ar. À medida que os pintos forem
crescendo, as cortinas vão sendo abaixadas;
• a temperatura da campânula deverá ser de 32º Celsius, na primeira
semana, e de 29ºC na segunda semana; normalmente não é necessário
acender a campânula após a segunda semana, a não ser no inverno quando,
então, será acesa à noite até a terceira semana;
• manter a água sempre limpa e fresca. Algas ou bolores que se formam
nas paredes podem provocar infecções, enterites e diarréias. Por isso, os
bebedouros deverão ser limpos e desinfetados diariamente;
• é conveniente que os bebedouros estejam sobre estratos de sarrafinhos,
5 centímetros acima da cama, para que não umedeça a cama. Caso ocorra
umidade na cama, removê-la e substituí-la por cama nova e seca;
• usar o anteparo de proteção, até as aves completarem oito/dez dias de
vida. À medida que os pintos forem nascendo, vai-se alargando o círculo
até unir as unidades de manejo;
• proporcionar o máximo de aeração, principalmente nas épocas quentes
do ano, tomando cuidados com abafamentos e correntes de ar. A aeração é
importante para eliminar os vapores de amônia que se formam na cama
provocados pelos excrementos das aves;
• durante a primeira semana, os pintinhos receberão a ração inicial nas
bandejas, que serão substituídas, gradativamente, pelos comedouros de
calha. Após a segunda semana, os pintos já poderão passar para os
comedouros tubulares;
• os comedouros de cocho deverão ser reabastecidos, pelo menos, três
vezes ao dia e nunca com ração acima de 1/3 da altura do comedouro, para
evitar desperdício;
• é preferível sobrar comedouros e bebedouros a faltar espaço, o que leva
os pintos a disputas, prejudiciais ao bom desenvolvimento e uniformidade
do lote;
• evitar causar estresse às aves, com mudanças bruscas nas práticas de
manejo;
• obedecer, rigorosamente, a um esquema de vacinação, preestabelecido
pelo técnico responsável ou pela assistência técnica da granja.

SAÚDE

Várias doenças podem ser transmitidas pela galinha ao pintinho pelo ovo;
as mais comuns são: pulorose, encefalomielite, tifo, onfalite e aspergilose, não sendo
hereditárias. Além dos cuidados de higiene, devem-se aplicar as seguintes vacinas:
• doença de marek ou complexo leucótico- vacinar os pintos no 1º dia
de vida;
• doença de newcastle- colocar a vacina na água de beber, do 7º ao
10º dia de vida; repetir a dose aos 35 e 120 dias e, depois, a cada
quatro e seis meses;
• bouba aviária (difteria)- vacinar entre a 3a e 5a semanas de idade;
• encefalomielite aviária- vacinar aves com três meses de idade.
As instalações, cochos e comedouros devem ser desinfetados; é preciso
cuidado com os parasitos externos e internos, fazendo-se pulverizações e dando-se
vermífugos periodicamente.
Algumas orientações gerais devem ser seguidas para evitar doenças em
aviário:
• observe as granjas de reprodução antes de adquirir os pintos para sua
propriedade;
• organize um programa de vacinação para suas aves, seguindo as
instruções dos fabricantes;
• evite visitas e visitantes desnecessários em sua granja, bem como a
circulação de veículos ou materiais que não tenham sido lavados ou
desinfetados;
• use bandejas de madeira com espuma embebida em desinfetante em
cada entrada de abrigo, para desinfecção dos calçados;
• faça desinfecção dos equipamentos, criatórios e das áreas próximas;
• utilize os meios de combate existentes contra moscas, piolhos,
baratas, pulgas e ratos, desde que não ocasionem problemas às aves;
• as aves doentes devem ser retiradas dos abrigos para um exame e,
quando mortas, deve-se encaminhar para necropsia (exame da ave
morta) e, após isto, enterrar ou queimar as carcaças;
• evite outras criações juntas ou próximas do aviário.

Doenças infecciosas

Vírus- Bouba aviária (Poxivirus); doença de marek/completo leucótico


(herpesvírus); doença de newcastle ou pneumoencefalite (paramixovirus); bronquite
(coronavirus); gumboro ou bursite (reovirus); leucose (oncornavirus).
Bactérias- cólera aviária (Pasteurella avicida ou multocida); coriza infecciosa
(Homophilus gallinarum); paratifo (Salmonella typhimurium); tuberculose
(Mucobacterium avium); toxoplasmose (Toxoplasma goudii); espiroquetose
(Borrelia gallinarum).
Protozoários- enterepatite (Histomonas melcagridis); coccidiose ou eimeriose
(Eimeriose sp);
Fungos- aspergilose (Aspergillus fumigatus); favo ou tinha (Achorion gallinae).

Doenças parasitárias

Externas- sarnas, carrapatoses, acarídeos, que produzem nas aves inquietação e


queda de penas.
Internas- ascaradiose (Ascaridia galli); heteraquiose (Heterakis gallinae);
singamose (Syngamus traquealis); tetramerose (Tetramere sp); aquaridose
(Cheilospirura bramulosa e Dispharyns spiralis); capilariose (Capillaria sp).

Afecções diversas

São ocasionadas por manejo, condições de instalações ambientais: gogo ou


pigarra; pevide; resfriado, empada, empachamento; constipação; diarréia, ascite;
reumatismo, artrites; esparavão; otites; conjuntivite; onfalite e uropigite, não tendo
um agente causador específico.

MERCADO

O consumo da carne de frango tem crescido, significativamente, no Brasil


nos últimos anos. Em 1978, o consumo per capita foi de 7,1 quilos; em 1987, subiu
para 11,8 quilos; em 1989, aumentou para 12,3 quilos. E espera-se para este ano um
aumento para até 14,0 quilos/per capita.
Para se ter uma idéia de como o consumo no Brasil ainda pode aumentar,
nos Estados Unidos hoje o consumo é de 35 quilos/percapita.
O consumo e o preço da carne de frango estão atrelados ao da carne
bovina. Assim, quando a carne bovina está escassa ou com preços altos, o consumo
da carne de frango e seu preço aumentam.
Um sistema de produção de frango de corte que vem crescendo é o da
integração que consiste no fornecimento, por parte das empresas e abatedouros
avícolas, dos pintos de um dia e de ração para o avicultor. Assim, o avicultor que tem
as instalações e a mão-de-obra fica com o encargo de criar o frango, entregando sua
produção para essas empresas ou abatedouros.
Estima-se que, atualmente, 50% do mercado está verticalizado, ou seja,
funcionando neste sistema de integração.Neste esquema, o avicultor também fica
com o esterco produzido, hoje cada vez mais procurado pelos fruticultores e
horticultores.

MAIS INFORMAÇÕES

Avicultura, Instituto Campineiro de Ensino Agrícola, Campinas, SP;


Manual de Criação de Frango de corte, de Gilberto Malavazzi, Editora Nobel, São
Paulo, SP.