Você está na página 1de 6

DIREITO

ADMINISTRATIVO
ROBSON FACHINI
Conteúdo
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO .....................................................................................................2
I. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................2
II. CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO .......................................................................................4
III. OBJETO DO DIREITO ADMINISTRATIVO ...........................................................................................4
IV. FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO ...........................................................................................4
LEI ................................................................................................................................................................4
JURISPRUDÊNCIA .....................................................................................................................................4
DOUTRINA ..................................................................................................................................................4
COSTUMES ADMINISTRATIVOS (PRAXE ADMINISTRATIVA) .............................................................. 5
V. SISTEMAS ADMINISTRATIVOS ...........................................................................................................5
SISTEMA FRANCÊS ...................................................................................................................................5
SISTEMA INGLÊS .......................................................................................................................................5
VI. REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO................................................................................................5
EXERCÍCIOS ...............................................................................................................................................5

Lei do Direito Autoral nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998: Proíbe a reprodução total ou parcial desse material ou divulgação com fins
comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na Internet, sem autorização da StartCon Concursos Públicos. 1
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
I. INTRODUÇÃO
Para uma boa compreensão do conceito de direito administrativo, ou seja o que é o direito
administrativo? E do objeto (qual a sua finalidade) do direito administrativo é importante em primeiro plano
compreender de forma objetiva o que é o direito.
Direito é um conjunto de normas impostas coativamente pelo Estado que vão regular a vida em
sociedade, possibilitando a coexistência pacífica das pessoas.
Por normas deve-se entender as regras escritas e positivadas em textos legais (Constituição Federal,
Leis, Tratados Internacionais, Medidas Provisórias, Decretos, Regulamentos, dentre outros) e também os
princípios que não necessariamente precisam estar escritos, mas que ainda assim representam os valores
da sociedade e vão orientar a atividade de criação das normas escritas, bem como a sua interpretação.
O direito deve obrigatoriamente ser obedecido pelas pessoas que coabitam no Estado, e para garantir
essa obediência, o Estado pode inclusive usar a força coercitiva 1.
O direito representa uma limitação à liberdade do homem, e essa limitação à liberdade decorre
diretamente do fato de que o exercício absoluto da liberdade pelos indivíduos é nocivo ao desenvolvimento
da sociedade.
Imagine por exemplo que de uma hora para outra não exista mais regra alguma regulando as relações
sociais, neste cenário, tudo pode acontecer, pois não há mais punição para conduta alguma, afinal de
contas, não há mais regras, o roubo, o homicídio, o estupro, por exemplo, não seriam mais punidos. Tal
cenário é quase que inimaginável, e caso algo assim ocorresse, provavelmente levaria este grupo social a
criação do direito, para defesa dos seus membros, pois caso contrário, este grupo seria levado à extinção.
Como os romanos já diziam “onde existem homens, existirá também o direito” (ubi homo, ibi jus), para
regular as relações decorrentes da vida em grupo. O direito então representa ao homem a perda do gozo
absoluto da liberdade em prol de uma vida social civilizada, onde a recompensa pela abdicação da
plenitude da liberdade se faz presente através das vantagens e privilégios que decorrem da vida social.
O direito é dividido em dois ramos distintos, são eles, o direito privado e o direito público.
O DIREITO PRIVADO é caracterizado pela regulamentação de interesses PRIVADOS, onde em um
dos lados da disputa tem um particular, seja este particular uma pessoa física ou uma pessoa jurídica e de
outro lado da disputa tem-se outro particular, também, tanto faz ser esse particular é pessoa física ou
pessoa jurídica.
Em regra então, o direito privado não regula relações entre particulares e o Estado e se preocupa este
somente com as relações que visam interesses privados. Eventualmente o Estado pode integrar um dos
polos regulados pelo direito privado, conforme veremos logo adiante.
Característica marcante do DIREITO PRIVADO é a RELAÇÃO JURÍDICA DE IGUALDADE
estabelecida entre as partes. Assim sendo, no direito privado as partes são tratadas com os mesmos
direitos e obrigações, afinal de contas cada uma das partes representa os seus próprios interesses, e não
há que se falar em relação de subordinação e hierarquia entre os interesses privados. Essa relação
jurídica de igualdade também é chamada de RELAÇÃO JURÍDICA HORIZONTAL.
O direito privado é governado pelo PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE humana que preconiza
que os particulares têm liberdade para escolher os seus objetivos pessoais e também definir os meios
para alcançar tais objetivos, desde que esses meios e objetivos não sejam proibidos em lei. De maneira
resumida a autonomia da vontade é o direito pessoal de cada um de fazer tudo que não é proibido pela lei.
O direito administrativo não faz parte do ramo do direito privado, e como exemplos desse ramo do
direito, temos direito civil, o direito empresarial.

1
Constituição Federal: art. 5º inc. II: ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

Lei do Direito Autoral nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998: Proíbe a reprodução total ou parcial desse material ou divulgação com fins
comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na Internet, sem autorização da StartCon Concursos Públicos. 2
O DIREITO PÚBLICO é caracterizado pela regulamentação dos interesses públicos e o seu objetivo é a
resolução de conflitos que envolvam tais interesses, nestes casos em um dos lados da disputa está o
Estado, representante dos interesses da coletividade, e do outro lado da disputa tem-se o particular (tanto
faz ser esse particular pessoa física ou pessoa jurídica), representando os seus próprios interesses. No
direito público o Estado tem um tratamento privilegiado diante do particular, ou seja, as normas que
regulam o direito público conferem prerrogativas especiais ao Estado diante do particular, o que impede
um tratamento igualitário entre as partes.
Característica marcante do DIREITO PÚBLICO é a RELAÇÃO JURÍDICA DE DESIGUALDADE
estabelecida entre os polos. Assim sendo, no direito público as partes são tratadas com distinção de
direitos, obrigações e responsabilidades. Essa relação jurídica de desigualdade também é chamada de
RELAÇÃO JURÍDICA VERTICAL.
O fundamento dessa relação jurídica vertical entre o Estado e o particular, arbitrada pelo direito público
é encontrado no princípio da SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO, pois o Estado é o procurador
dos interesses da sociedade, e tal princípio preconiza que os interesses públicos (da coletividade) se
sobrepõem aos interesses privados. Mas para que os interesses públicos sejam atingidos é indispensável
que o seu representante (o Estado) tenha prerrogativas especiais.
Se o Estado tivesse o mesmo tratamento que o particular quando defendesse interesses públicos, não
lograria êxito em atingir a satisfação de tais objetivos, exemplo:
Imagine que um município pretenda ampliar um hospital para melhor servir a sua sociedade, entretanto
é necessário adquirir imóveis próximos ao hospital, pois não há terreno disponível nas adjacências deste.
Um dos proprietários ou todos se recusam a vender amigavelmente o seu imóvel ao município, então o
município tem plenos poderes para desapropriar o imóvel particular, desde que é claro, pague o valor
correspondente ao seu proprietário, mas nesse caso a vontade do particular em não dispor do seu imóvel
não é levada em consideração, pois o município representando a sociedade tem os poderes necessários
para fazer tal desapropriação, o que é impossível, sendo inadmissível tal hipótese, nas relações reguladas
pelo direito privado. Então aqui podemos observar que o direito público confere prerrogativas, privilégios
ao Estado, para que este tenha condições de lutar pelos seus objetivos. Caso prevalece a igualdade entre
as partes nesta hipótese, o município não poderia fazer a desapropriação do imóvel e nunca conseguiria
realizar a ampliação do hospital e melhor atender as necessidades da sua sociedade.
O direito público então é um conjunto de normas que regulam as relações entre o Estado e os
particulares e sua finalidade é determinar o modo de agir do Estado nestas relações e também assegurar
que o Estado atinja os interesses públicos, sua característica principal é o tratamento privilegiado
assegurado ao Estado que se manifesta uma relação jurídica de desigualdade entre este e os particulares.
Como dito acima, eventualmente o Estado pode ter suas relações regidas pelo direito privado, a
exemplo quando o Estado atua no domínio econômico, no exercício da atividade empresarial, mas nestes
casos é errado falar que o Estado está sendo integralmente regido por normas de direito privado, ou
exclusivamente regido por normas de direito privado. A expressão adequada para estes casos é que o
Estado está sendo predominantemente regido por normas de direito privado, mas ainda assim lhe é
assegurada algumas prerrogativas de direito público, o que não afasta a característica da igualdade entre
as partes no direito privado.
Concluímos então que o Estado pode ser integralmente regido por normas de direito público, afinal de
contas, é o que acontece na maioria das suas relações, mas ele não pode ser integralmente regido por
normas de direito privado, e quando o Estado se submete ao direito privado, dizemos que ele está sendo
predominantemente regido por normas de direito privado.
O direito administrativo faz parte do ramo do direito público, e como outros exemplos do direito público
temos o direito constitucional, penal, processual penal, tributário, dentre outras searas do direito e
conforme já foi dito, todas estas searas guardam em comum a regulação das relações do Estado.

Lei do Direito Autoral nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998: Proíbe a reprodução total ou parcial desse material ou divulgação com fins
comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na Internet, sem autorização da StartCon Concursos Públicos. 3
II. CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO
O direito administrativo é o conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem órgãos, agentes e
atividades públicas que tendem a realizar concreta, direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado2.
A professora Maria Sylvia Di Pietro define o Direito Administrativo como "o ramo do direito público que
tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram a Administração
Pública, a atividade jurídica não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de
seus fins, de natureza política".
III. OBJETO DO DIREITO ADMINISTRATIVO
O objeto do direito administrativo são as relações da administração pública, sejam estas relações de
natureza interna entre as entidades que a compõe, seus órgãos e agentes; sejam estas relações de
natureza externa entre a administração e os administrados.
Além de ter por objeto a atuação da administração pública, também é foco do direito administrativo o
desempenho das atividades públicas quando exercidas por algum particular, como no caso das
concessões, permissões e autorizações de serviços públicos.
Resumidamente podemos dizer que o direito administrativo tem por objeto a administração pública e
também as atividades administrativas, independente de quem às exerça.
IV. FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO
O direito administrativo não é codificado, assim sendo não é possível encontrarmos um código que
contemple as normas de direito administrativo como acontece com o direito penal, civil, processual penal,
dentre outros. Mas encontramos as normas de direito administrativo, nos mais diversos institutos
normativos do ordenamento jurídico, e a interpretação de tais regras contemplam o conjunto de princípios
que compõe o regime jurídico administrativo brasileiro.
São fontes do direito administrativo a lei, a jurisprudência, a doutrina e os costumes (praxe
administrativa). Veja a seguir as características de cada uma das fontes do direito administrativo.
LEI
É fonte primária e principal do direito administrativo. Em decorrência do princípio fundamental da
legalidade, que orienta todo o direito administrativo, a lei vincula a atuação da administração pública dos
três poderes e de todas as esferas da federação. Em geral, a lei é abstrata e impessoal. Devemos
entender Lei em sentido Amplo, ou seja, a Constituição Federal, as normas infraconstitucionais (leis
complementares, ordinárias, delegadas, Medidas Provisórias), as normas infra legais, tais como as
resoluções, portarias, instruções normativas, regulamentos, dentre outros.
JURISPRUDÊNCIA
É o resultado de vários julgados realizados pelo poder judiciário sobre determinada matéria que
caminham num mesmo sentido, serve como paradigma para o julgamento de novas ações judiciais
referente aos mesmos temas.
A Jurisprudência, traduzindo a reiteração de variados julgamentos num mesmo sentido, influencia a
construção do Direito, e especialmente a do Direito Administrativo. Ela tem um caráter mais prático, mais
objetivo, mas nem por isso se aparta de princípios teóricos que, por sua persistência nos julgados, acabam
por penetrar e integrar a própria Ciência do Direito;
Em regra a jurisprudência não vincula a atuação de outros juízes, somente serve como ponto de
orientação, mas como exceção temos a sumula vinculante que foi criada pela emenda constitucional nº 45,
elas são publicadas pelo STF depois de reiteradas decisões num mesmo sentido e seu conteúdo vincula a
administração pública dos poderes legislativo, executivo e judiciário da União, Estados, DF e municípios.
DOUTRINA
É o resultado do trabalho dos estudiosos do direito administrativo. São livros que têm a finalidade de
tentar sistematizar e melhor explicar o conteúdo das normas de direito administrativo, podem ser utilizadas
como critério de interpretação de normas, bem como auxiliar a produção normativa.
2
Conceito de Direito Administrativo do professor Hely Lopes Meirelles

Lei do Direito Autoral nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998: Proíbe a reprodução total ou parcial desse material ou divulgação com fins
comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na Internet, sem autorização da StartCon Concursos Públicos. 4
COSTUMES ADMINISTRATIVOS (PRAXE ADMINISTRATIVA)
São práticas reiteradas observadas pelos agentes administrativos diante de determinada situação
quando a há lacuna da norma.
Em razão da deficiência da legislação, a prática administrativa vem suprindo o texto escrito, e,
sedimentada na consciência dos administradores e administrados, a praxe burocrática passa a suprir a lei,
ou atua como elemento informativo da doutrina 3.
V. SISTEMAS ADMINISTRATIVOS
São os regimes que dispõe o Estado para realizar o controle de legalidade dos seus atos
administrativos. E estes podem ser classificados em sistema francês ou inglês. Veja a seguir.
 SISTEMA FRANCÊS ⇒ DUALIDADE DA JURISDIÇÃO ⇒ CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
As decisões da administração pública, via de regra, tem a força de coisa julgada, o que impede o poder
judiciário de analisar os atos da administração pública, pois já existe uma justiça administrativa para
analisar tais atos e a decisão dessa justiça faz coisa julgada. O sistema francês não é adotado pelo Brasil.
 SISTEMA INGLÊS ⇒ JURISDIÇÃO ÚNICA ⇒ SISTEMA NÃO CONTENCIOSO.
Todos os conflitos entre a administração e o administrado e ainda entre a administração e os seus
agentes, podem ser levados até o poder judiciário, e só este tem o poder de decidir com força de coisa
julgada. É importante observar que neste sistema, a administração pode julgar conflitos, todavia mesmo
que ela já tenha julgado ou esteja julgando um conflito, o particular pode acionar o poder judiciário e este
poderá desfazer o resultado do julgamento feito pela administração pública, pois as decisões da
administração pública não tem força de coisa julgada.
Esse é o modelo de sistema administrativo adotado pelo Brasil.
VI. REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO
É o conjunto de normas e princípios de direito público que regulam a atuação da administração pública.
Tais regras se fundamentam nos princípios da supremacia do interesse público e da indisponibilidade do
interesse público, conforme estudaremos adiante.
O princípio da supremacia do interesse público é o fundamento dos poderes da Administração Pública,
afinal de contas, qualquer pessoa que tenha como fim máximo da sua atuação o interesse da coletividade,
somente conseguirá atingir esses objetivos se dotada de poderes especiais.
O princípio da indisponibilidade do interesse público é o fundamento dos deveres da Administração
Pública, pois a Administração pública tem o dever de sempre nunca abandonar o interesse público e de
sempre usar os seus poderes com a finalidade de satisfazer este interesse.
EXERCÍCIOS
1. (CESPE - 2011 - TCU - Auditor Federal de Controle Externo) Segundo a doutrina administrativista, o
direito administrativo é o ramo do direito privado que tem por objeto os órgãos, os agentes e as
pessoas jurídicas administrativas que integram a administração pública, a atividade jurídica não
contenciosa que esta exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins, de natureza
pública.
2. (CESPE - 2010 - INSS - Engenheiro Civil) Apenas a lei, em sentido lato, pode ser tida como fonte de
direito administrativo.
3. (CESPE – TRE-BA – ANALISTA JUDICIÁRIO – 2010) Como exemplo da incidência do princípio da
inafastabilidade do controle jurisdicional sobre os atos administrativos no ordenamento jurídico
brasileiro, é correto citar a vigência do sistema não contencioso ou sistema inglês.
GABARITO
1 - ERRADO
2 - ERRADO
3 - CORRETO
3
Prof. Hely Lopes Meirelles

Lei do Direito Autoral nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998: Proíbe a reprodução total ou parcial desse material ou divulgação com fins
comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na Internet, sem autorização da StartCon Concursos Públicos. 5