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EPII Sebenta Eduardo Figueiredo

Economia Política II (Universidade Lusófona de Humanidades e Technologias)

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Ano Letivo 2013/2014


Dr. Luís Pedro Cunha

Economia
Política II

FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA


EDUARDO
FIGUEIREDO

Bibliografia:

NUNES, António José Avelãs, Economia Política – A Produção – Mercados e Preços, Coimbra
NUNES, António José Avelãs, Sistemas Económicos, Coimbra

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Eduardo Figueiredo 2013/2014

1. Os Elementos de Produção – Noções Preliminares

1.1. Noção e classificação de bens

Os bens podem ser obtidos de diversas formas: ou através da apropriação de coisas que, embora
escassas, a natureza espontaneamente oferece, ou através da produção. Porém, os próprios bens que a
natureza ofereceu já não são permutados hoje no seu estado primitivo, sendo bens parcialmente produzidos.
Este conceito de produção, prende-se com a criação de bens, isto é, de coisas úteis. Se admitirmos,
porém, que o que interessa não é a qualidade das coisas, mas a sua utilidade, produção pode ser entendida
como criação de utilidades.

Bens são objetos do mundo externo que servem para satisfazer necessidades. Podem ser de várias
espécies, podendo, porém, ser repartidos em classes homogéneas pondo em destaque as suas principais
características que tenham particular relevância económica.

Bem Material: São os que têm realidade física, que são coisas corpóreas, isto é, objetos do mundo
sensível. Ex: lápis.
Bem Imaterial: Ações dos homens que satisfazem imediatamente necessidades de outros homens.
Também chamados de serviços. Não têm, de facto, qualquer realidade física ou material.

Bens indiretos ou instrumentais: Bens utilizados na obtenção de outros bens. Não são aplicados
diretamente para satisfazer as nossas necessidades de consumo, sendo um mero instrumento para a
obtenção/produção de outros bens. Os bens que servem para produzir outros bens são os bens de produção.
Bens diretos ou de consumo: Bens que não se utilizam para a obtenção de alguma coisa, mas que se
destinam, eles mesmos, a satisfazer as nossas necessidades de consumo. São, portanto, bens que
satisfazem diretamente as necessidades dos consumidores.

Esta distinção é meramente funcional, pois agrupa os bens segundo o uso que deles se faz. Assim,
certos bens podem funcionar simultaneamente como bens diretos ou indiretos.

Bens Duradouros: Os bens que não desaparecem como bens da sua espécie pelo facto da sua
utilização, podendo ser utilizados, como bens de consumo ou como bens de produção durante um período de
tempo mais ou menos longo.
Bens Consumíveis: São aqueles que desaparecem, como bens da mesma espécie, em resultado de uma
única utilização.

Alguns bens indiretos ou diretos são oferecidos pela natureza sob a forma de matérias primas ou
matérias subsidiárias.
Matérias-primas: São bens que, não tendo sofrido qualquer transformação por parte do homem, se
destinam, todavia, a ulteriores transformações.
Matérias Subsidiárias: São bens que, podendo ser utilizados tal como a natureza no-los apresenta, não
se destina m a ser transformados, mas apenas a ajudar à transformação de outros bens.

Semi-produtos/ Produtos semi-acabados/ Produtos intermédios / Produtos intermediários / Bwns de


produção consumíveis: Bens que já iniciaram uma determinada escala de transformações – o processo
produtivo- mas ainda o não terminaram. Já não são matérias primas, mas também não são produtos
acabados.

Bem Final: São aqueles que já sofreram todo o processo produtivo que lhes estava adstrito. Todos os
bens de consumo são, por regra, finais. Já com os de produção não se verifica o mesmo.
Subprodutos: Restos ou resíduos da transformação.

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Bens substituíveis / Bens substitutos/ Bens Rivais: Bens que, na satisfação de uma determinada
necessidade ou no decurso do processo produtivo, se podem utilizar como alternativos.
 Quando o nível de satisfação proporcionada é igual: Bens fungíveis.
 Quando o nível de satisfação proporcionada é inferior, não satisfazendo tão completamente as
necessidades como os bens substituídos: Bens Sucedâneos. Estes bens são muito importantes
pois eles são como que uma defesa do consumidor, permitindo atenuar em certa medida os
efeitos de uma alta de preços ou a carência de certos produtos.

Bens Complementares: São aqueles que só satisfazem as necessidades quando associados a outros.
Esta é muito importante, pois quando aumenta o consumo de um dos bens complementares, aumenta o
consumo do outro.

Bens Perecíveis: São aqueles bens que se estragam rapidamente.


Bens Duráveis: São aqueles que não se estragam tão rapidamente, apesar de sofrerem uma
degradação.

1.2. Espécies de produção: as indústrias e os serviços.


Um dos principais processos que está na base da criação de utilidades é o da indústria, que comporta
várias modalidades:
 Indústria extrativa: Ocupa-se da extração dos bens que são oferecidos e disponibilizados pela
natureza sob a forma de matérias-primas.
 Indústria agrícola: Indústria que procede à transformação orgânica dos bens, tanto ao nível da
agricultura como da pecuária.
 Indústria Transformadora: Indústria que procede à transformação mecânica ou química dos bens.

A produção de utilidades pode depender, também, da deslocação de bens no espaço, atividade se


define como indústria transportadora.
Pode ainda falar-se de uma deslocação dos bens no tempo, que corresponde à chamada indústria
comercial.
São estes os cinco tipos de indústrias entendidos como criação de utilidades que ficam incorporadas
na matéria. Nem sempre, estas utilidades ficam, porém, incorporadas na matéria, podendo deparar-nos com
os chamados serviços – são ações do homem que satisfazem imediatamente as necessidades de outros
homens. São bens imateriais e incorpóreos, já que a sua utilidade não se consubstancia em qualquer objeto
material.

2. Elementos de produção
Os bens são total ou parcialmente produzidos, sendo que um homem não pode produzir bens sem se
servir de outros bens.
Para produzir determinado bem, são necessários vários recursos oferecidos pela natureza que o trabalho
humano vai ajudar a transformar. Porém, para esta transformação é necessário um conjunto de objetos que
não são bens dados pela natureza, nem são esforço do homem. Estes resultam do esforço do homem
exercido sobre a natureza ou combinado com ela, dando origem ao capital. São estes os três elementos da
produção: natureza, capital e trabalho.
Outros autores ainda falam de outros fatores de produção como o risco e a incerteza (Fazem parte da
atividade do empresário, mas não devem ser vistos como elementos de produção.), as instituições sociais
(condicionam a produção, mas não devem ser considerados como elementos de produção, da mesma
natureza que o trabalho ou o capital) e a organização ou capacidade organizativa (Defendida por Marshall
deve ser incluída no trabalho, como trabalho de direção.).
Até a própria natureza não se encontra no seu estado puro devido às sucessivas transformações do
homem, podendo hoje referir-se a natureza como algo que o homem produziu. Assim, entende-se a natureza
como uma condição geral para a atividade produtiva, um fator que favorece/complica a atividade produtiva,
mas não um fator de produção como o trabalho ou o capital.

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Teoria do Capital Humano


Conjunto de aptidões, competências e qualificações que cada pessoa dispõe. Este é, em parte, inato, e,
em parte, resultado do investimento em seres humanos através da escolaridade e de outros tipos de
qualificação profissional. Este investimento em capital humano será feito de acordo com as regras do cálculo
económico: as pessoas procuram maximizar o seu bem-estar económico, investindo em capital humano até
que a taxa marginal de rendimento esperada desse investimento se parifique com o custo marginal dos
recursos investidos.
Esta teoria é apoiada pelos apoiantes da explicação do salário como remuneração do serviço produtivo
prestado pelo capital humano e uma determinada conceção em matéria de distribuição do rendimento.
Poderíamos considerar que só o capital é, assim, fator de produção.

2.1. O Trabalho
2.1.1. Suas espécies. A produtividade e a organização do trabalho.

Trabalho é todo o esforço do Homem destinado à produção. É, assim, um esforço que se desenvolve
consciente e ordenadamente, com vista à obtenção de um resultado, objetivo que justifica se aceite o
esforço despendido e a própria disciplina do trabalho organizado implica.
Há várias formas de esforço:
 Trabalho de execução: Tarefas simples, realizadas sob direção alheia. Não se confunde com
o trabalho manual (este último caraterizado por exigir, essencialmente, esforço físico.)
 Trabalho de administração/direção: Coordenação e orientação das atividades de outros
trabalhadores. Este é inseparável das formas coletivas de trabalho.
 Trabalho de invenção: Qualquer descoberta útil – um bem, propriedades de um bem, novo
processo produtivo, etc…

O desenvolvimento da ciência tem trazido um esbatimento do conceito de trabalho manual e de


trabalho intelectual. Mesmo ao nível do trabalho de execução, cada vez mais, com o desenvolvimento
tecnológico, se exige qualificações elevadas aos trabalhadores, sendo que a preparação intelectual, cultural,
científica e técnica é, hoje, muito importante.
As formas de trabalho individual perdem a sua importância, destacando-se o carácter social da
produção, já que o trabalho será cada vez menos independente, para ser cada vez mais
subordinado/coletivo. As situações de trabalho coletivo são as mais correntes, mesmo no que toca ao
trabalho de invenção, nos chamados centros de investigação, onde grupos de trabalhadores desenvolvem
bens e outras técnicas para autênticas empresas de ciência e tecnologia.

Carácter penoso do trabalho: Quando as pessoas trabalham unicamente para viver, ou seja, para
ganharem a sua subsistência. A fadiga e o constrangimento não lhes permitem trabalhar por prazer. Marx
defende que este caráter penoso do trabalho só terminará numa “fase superior da sociedade comunista (…)
quando o trabalho não for apenas um meio para viver, mas for, em si mesmo, a primeira necessidade vital.
(…)[É necessário que] o trabalho produtivo, em vez de ser um meio de escravização, seja um meio de
libertação dos homens.”. Para tal é necessário que o trabalho tenha um carácter social e científico. E a
condição essencial deste desenvolvimento é a redução da jornada de trabalho.

2.1.2. O Rendimento do Trabalho


Este pode medir-se em bens (rendimento real) ou em moeda (rendimento monetário ou em valor). O
problema do rendimento do trabalho, isto é, da produtividade do trabalho, coloca-se ao nível da Economia do
Trabalho, tendo as suas raízes no século XVIII com a Revolução Industrial que potenciou a produtividade do
trabalho humano.
Adam Smith foi o primeiro a abordar o tema com a sua teoria da divisão do trabalho, defendendo que a
especialização interna, distinta da especialização externa (por setores de atividade) se iniciou com a
revolução neolítica. É na indústria que o tema da divisão do trabalho obteve mais visibilidade.

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A produtividade do trabalho depende das qualidades pessoais do trabalhador e da sua preparação


cultural, científica e profissional. Com o progresso técnico, este segundo fator acentuou-se muito. A
produtividade depende, ainda, de fatores naturais e do progresso técnico. É ao progresso técnico que se
deve a produção agrícola e industrial, novas fontes de energia, etc… surgindo este como principal fator para
o aumento da produtividade. Destaca-se o caso da automação e da automatização.
O Rendimento do trabalho depende, ainda, da duração da jornada de trabalho, já que a quantidade de
bens produzidos não é (sempre) proporcional ao tempo de trabalho. Pode mesmo falar-se de uma curva no
rendimento do trabalho:

B
A
C D

A: Fase de adaptação B: Fase do entusiasmo C: Fase do Cansaço D:Fase do esforço final.

Desde o século XIX que a jornada de trabalho tem vindo a diminuir por questões de evolução
tecnológica, convenções coletivas do trabalho e até outras questões de higiene no trabalho. Considera-se
mesmo que esta redução é necessária para garantir a criação de uma sociedade de consumo e como saída
para os problemas de desempego estrutural. Fala-se hoje, em direito a férias pagas e regalias para os
trabalhadores como forma de recuperar a capacidade de trabalho.

2.1.3. Organização do trabalho: Taylorismo e Fordismo (Ideias Básicas)

Taylorismo:

 Criado por Frederick Taylor no séc. XIX. Este acreditava que a origem da riqueza é o trabalho e só o
aumento da produtividade levaria a uma cumulação do capital.
 Consiste na supressão dos movimentos dos trabalhadores que são inúteis para procurar a
maximização dos resultados. Assenta na parcelização do processo produtivo em um número mais ou
menos grande de movimentos simples e uniformes.
 Desvantagens: monotonia e cansaço dos operários, automatização das funções humanas no
processo produtivo, aumento brutal da intensidade de trabalho, redução de salários, desvalorização da
qualificação técnica,etc…

Fordismo:

 Criado por Henri Ford, durante um período de monopolização das economias capitalistas e
massificação da produção de bens de consumo duradouros.
 Procura a produção em grandes séries que exigia a estandardização. Este era o objetivo das normas
de qualidade, da unificação da dimensão de produtos e das tolerâncias dos componentes.
 Os trabalhadores eram vistos como consumidores, sujos salários deviam ser utilizados na compra de
bens de consumo.

2.1.4. Formas de Remuneração do Trabalho

Truck system: Pagamento em espécie, isto é, em produtos cujo preço era determinado arbitrariamente
pelo patrão, que utilizava ainda muitas vezes em seu favor a prática de deteriorar a qualidade dos produtos
com que pagava aos trabalhadores.

Salário à peça ou à tarefa: O trabalhador recebe, mais ou menos, consoante a quantidade de bens por
ele produzidos. Procura aumentar a produtividade. Permite iludir a legislação social ao defender a duração do
trabalho, mas não a sua intensidade. Este sistema é enganador, já que a definição dos salários é feita
através da produtividade média.

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Salário ao Tempo: Toma-se por base o tempo de trabalho, fixa-se um salário-hora e os trabalhadores
recebem anual, quinzenal ou mensalmente, em função do número de horas de trabalho. Pode ser
compensado com prémios de salário.

2.2. Aspetos Demográficos (Breve Alusão)

População ativa: Conjunto de indivíduos que constituem mão-de-obra disponível para a produção de bens e
serviços económicos.

Critérios de análise: Critério do Sexo e Critério da Atividade profissional (Setor primário, secundário e
terciário. – Deslocação dos trabalhadores do setor primário e secundário para o terciário).

População não-ativa: Conjunto de indivíduos que, de um modo geral, não exercem uma atividade
remunerada.

Taxa de atividade: Relação entre a população ativa e a população total (número de pessoas ativas por cada
cem pessoas da população total). Depende da estrutura etária da população, da idade média da entrada no
mercado de trabalho, duração da escolaridade, idade de aposentação, etc…

Principais causas das alterações demográficas: Natalidade, Moralidade e Migrações.

População Ótima: A população que, com o estoque de terra, capital e conhecimentos existente, permite obter
a produção máxima per capita. Não é um conceito estático já que o desenvolvimento tecnológico e o estoque
de capital estão sujeitos a alterações constantes.

2.3. O Capital
2.3.1. Noção

A palavra capital pode ter vários sentidos, mas vamos trata-la como elemento de produção. A noção
teórica de capital como elemento da produção começou a elaborar-se com a categoria dos “avances” de
Cantillon. Assim o capital era entendido (por Adam Smith e outros autores) como fundo de bens, em stock.
Mas tal stock não abrangia todos os bens existentes em um dado momento. Excluíam-se, assim, os bens já
existentes como recursos naturais e os bens de consumo.

Adam Smith: Capital é os fundos destinados à manutenção do processo produtivo, destacando-se o


capital que fornece a semente, paga o trabalho e sustenta os animais e outros instrumentos de trabalho.

David Ricardo: Capital é a parte da riqueza de um país que se utiliza na produção e que consiste em
alimentos, vestuário, ferramentas (…) necessário para realizar o trabalho.

Marx: Capital Constante (A parte do capital convertida em matérias primas, materiais auxiliares e meios
de trabalho não altera a grandeza do seu valor no processo de produção.) e Capital Variável (A parte do
capital investida em força de trabalho muda o seu próprio valor de produção. Transforma-se, assim, uma
grandeza constante em grandeza variável.) Marx considera que os instrumentos de produção não são, em si,
capital. O capital são os equipamentos que são apropriados por uma classe exploradora e que os utiliza para
explorar o trabalho assalariado de forma a apropriar-se depois da mais-valia.

No curso, tratamos da definição de capital como o conjunto de bens de produção produzidos que existem
numa economia num determinado momento. Associamos esta definição ao conceito de capital produtivo. Por
outras palavras, este assume-se como o conjunto de bens de produção produzidos. Esta teoria é defendida
por Böhm Bawerk. Os bens produzidos que se destinam a uma produção ulterior são chamados de bens
capitais. [Exemplo do Homem da Cabana de Bawerk]. Conclui-se que os bens capitais resultam de desvios
introduzidos na produção de bens diretos. Um dos aspetos deste processo indireto de produção e o aumento
do rendimento de trabalho após um necessário alongamento do processo produtivo marcado por uma ideia
de abstinência.

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2.3.2. O aforro e o investimento

A sociedade não substitui todos os processos diretos de produção por processos indiretos já que o
interesse em fazer tal coisa é anulado pela desvantagem inicial de se ter renunciado aos bens de consumo
imediato ao desviarem-se recursos da produção atual para utilizações que só dão rendimentos algum tempo
mais tarde.
Para se verificar a criação de capital e a sua acumulação é necessário haver aforro e poupança,
renunciando-se ao consumo imediato. Considera-se que nas sociedades progressivas, sacrifica-se uma parte
do consumo atual a favor da formação líquida do capital, com vista a aumentar a produção futura.
Assim, pode-se dizer que a condição necessária para a produção de bens capitais é o aforro de bens
diretos. O aforro é a parte do rendimento líquido que não se destina ao consumo corrente. Fala-se ainda de
investimento que se traduz na aplicação do aforro à produção de bens capitais. O aforro pode ser real ou
monetário.
Distingue-se ainda, aforo voluntário e aforro forçado. Este aforro forçado verifica-se em três casos
distintos:
 Na constituição de reservas de sociedades comerciais. Se uma assembleia geral de uma sociedade
anónima decidir constituir reservas, os sócios que não tenham concordado com esta reserva, têm de
renunciar na mesma a parte dos lucros e são obrigados a forrá-los através da sociedade.
 No pagamento de impostos. Os contribuintes têm de renunciar à utilização do seu rendimento que
entregam ao estado a título de impostos.
 Sempre que se verifica inflação (Fenómeno monetário resultante do aumento de quantidade de
moeda em circulação a um ritmo superior ao do aumento da produção.) A inflação significa a subida
dos preços e não a subida dos preços de todos os bens e serviços. Assim, nem todos os preços
sobem, nem sobem na mesma proporção. Os vendedores das mercadorias cujos preços não sobem
sofrem de aforro forçado porque o rendimento que recebem representa um poder de compra menor,
tendo de sacrificar parte do consumo que faziam antes. Ex: trabalhadores por conta de outrem cujos
salários não sobem ou sobem menos que a inflação.

Qualquer aforro pode ser posto de lado como reserva de bens, para utilização futura, ou pode ser
empregado na produção de bens capitais, pelo próprio aforrador ou outrem. O aforro pode destinar-se,
assim: para o entesouramento (conservação do dinheiro em saldos líquidos) ou para o investimento
(utilização do dinheiro poupado na produção de bens capitais.)
É importante entender as diferenças da lógica do aforro e do investimento nas sociedades capitalistas e
socialistas, sendo que o que se pretende demonstrar quanto as relações sociais por detrás do aforro e do
investimento é mais nítido nos países onde uma grande maioria de pobres tem de sacrificar o seu consumo
para que uma elite de ricos possa aforrar e investir, criando riqueza que só mais tarde será distribuída
(Sociedades capitalistas). Já nas sociedades socialistas, podemos falar do exemplo de Robinson Crusoe, já
que, graças à propriedade coletiva dos meios de produção e à planificação da economia, cabe à mesma
entidade a qualidade de consumidor ou aforrador.

Pode, ainda, referir-se o surgimento de um capital lucrativo – bem que dá ao seu possuidor rendimento
sem trabalho. Ex: juros e rendas.

3. A organização da produção nas economias capitalistas

3.1. O produtor autónomo e a empresa


Se a produção pressupõe a existência de um conjunto de fatores de produção, é necessário reuni-los
para que se possa desenvolver a atividade produtiva. Esta reunião dos elementos de produção pode ser feita
por uma única pessoa- o seu dono. Assim, o organizador da produção é o dono de todos os elementos: dono
da natureza (propriedade), dono do capital e mesmo dono do trabalho. Surge assim, um produtor que, sendo
dono de todos os elementos de produção, não depende de ninguém: é o produtor autónomo.

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A produção também pode ser organizada por quem não seja dono de todos os elementos produtivos.
Assim, estamos perante um produtor que não possui todos os elementos produtivos (podendo, em casos
extremos, não possuir nenhum). Já não é um produtor autónomo, pois a sua produção já depende do
concurso de elementos alheios. Temos o caso da empresa e a quem toma a iniciativa de reunir os elementos
produtivos que não são todos seus – o empresário. Na generalidade dos casos, é o empresário que é dono
de parte do dinheiro com que adquire os bens capitais.

Principais diferenças:

EMPRESA CAPITALISTA PRODUTOR AUTÓNOMO


Procura o máximo lucro Procura a sua autossubsistência
Recorre ao trabalho assalariado Trabalha por conta própria
Procura produzir o que vende a custo mínimo
(Principio da racionalidade económica de Robbins)

3.2. Finalidades da produção


Já que o produtor autónomo é dono de todos os meios de produção, ele terá de ser necessariamente um
produtor pequeno. Mesmo que este possua grande quantidade de elementos naturais e dinheiro que lhe
permitam adquirir muitas máquinas e matérias-primas, há-de, pela própria força das coisas, dispor de pouco
trabalho. Pois o seu trabalho é fornecido por ele próprio e pelas componentes da família, sendo o esforço de
todos limitado, até porque a sua grande ambição é garantir a subsistência.
Com o empresário as coisas são diferentes, já que este pode aumentar exponencialmente, quer os seus
recursos, quer a quantidade de dinheiro e até trabalho que tem à sua disposição. Pretende vir a ser um
produtor em grande escala, tanto que os seus horizontes são vastos. Este procura alcançar o máximo lucro
para desenvolver a sua fábrica e ultrapassar os outros empresários.
Mas o estado também é produtor de serviços, etc… E este não se propõe a satisfazer as suas
necessidades de consumo nem, à partida, obter lucros. OS serviços públicos geram, muitas vezes, prejuízo.
A finalidade do estado é a de satisfazer as necessidades dos seus cidadãos.

3.3. As empresas capitalistas – Noção, Capital e Amortização


A economia capitalista é muito heterogénea, constituída por elementos de sistemas anteriores e novos
elementos que vai criando ao longo do tempo. Assim, as unidades de produção assumem ainda várias
espécies, desde produtores autónomos a empresários… Porém, a que se destaca é a da empresa
capitalista.

Uma empresa (isto é, uma unidade de produção organizada por quem não é dono de todos os elementos
produtivos) que apresenta várias características especifica:
 Combinação dos elementos produtivos em ordem aos preços da sua utilização. Na verdade, esta
combina os preços da força de trabalho (salários), da natureza (rendas) e do dinheiro (juros),
ambicionando a combinação económica, em termos de preços.
 Produção para o mercado. Trabalha para satisfazer a procura de um mercado, e não para
autoconsumo.
 Recurso substancial ao trabalho assalariado de outem.

Assim, empresa capitalista é a empresa que procede à combinação económica dos elementos de
produção, labora para o mercado e utiliza sobretudo a mão-de-obra assalariada.

O empresário não distingue os elementos de produção pelas suas características próprias, mas pelos
seus preços. A empresa capitalista considera o capital ´valor monetário dos bens destinados à produção, e
que correspondem ao dinheiro com que os adquiriu, ou se propõe adquiri-los, mais o dinheiro com que teria
de comprar os bens fornecidos pelo próprio empresário.

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Capital da empresa é o capital, enquanto dinheiro, gasto ou por gastar, ou ficticiamente gasto. Surge
sob a forma de capital lucrativo, porque é dinheiro que permite rendimentos sem trabalho.

Capital fixo: valor monetário dos bens que entrem em vários atos da produção. [Bens duradouros]
Capital circulante: valor monetário dos bens que se consomem num único ato de produção. [Bens
Consumíveis] Este capital é circulante porque de fato circula ao seu utlizado para a obtenção de matérias-
primas, força de trabalho, mas o seu valor transfere-se integralmente para o valor do produto obtido pela
empresa.

Tal não acontece com o capital fixo, já que o seu valor não transita integralmente para o valor de
cada produto, mas sim, por parcelas/frações. Isso é a amortização.
A amortização é necessária para reconstruir os capitais fixos, já que esses bens, apesar de
duradouros, vão sofrendo degradações que lhes diminuem o seu valor. É a realização do valor perdido pelos
bens duradouros da empresa que constitui a amortização dos capitais fixos. Como calcular a amortização?
1) Calcula-se a duração da máquina, isto é, o número de anos que esta presumivelmente estará em
laboração. Número de anos cujo máximo é a vida física, mas que tende a ser mais baixo, já que
a duração física excede normalmente a duração económica. À empresa só interessa a duração
económica.
2) Esta duração económica traduz-se no período durante o qual se julgue que a máquina esteja em
condições de laborar em concorrência com as máquinas das outras empresas.
3) Se a máquina vale 1000 euros e dura economicamente dez nos, correspondem 100 euros a cada
ano. Estes 100 euros são distribuídos pela produção total da máquina nesse ano.

A amortização é, de certa forma, arbitrária, assentando numa previsão muito incerta. Tende-se a
calcular a amortização por defeito, o que leva a que se transfira para o valor das mercadorias produzidas em
cada ano uma quota maior de capital fixo, aumentando o custo de produção.

4. A Produção Nacional. A Contabilidade Nacional.

4.1. O circuito económico


Procura demonstrar que a economia é um conjunto de interdependências entre agentes económicos. Na
época atual, a produção é organizada por empresas que reúnem os fatores de produção para produzir
mercadorias que serão posteriormente vendidas. Por outro lado, estas pagam as rendas aos proprietários, os
salários aos trabalhadores e os juros aos capitais. Recebem, ainda, a produto da venda das mercadorias e,
caso haja um excedente, os lucros para os empresários.
Há, assim, duas circulações: a dos bens, que é a circulação dos elementos produtivos das mãos dos
donos das empresas para os titulares dos rendimentos e das mãos dos compradores para as empresas. Por
isso é que os compradores das mercadorias são os próprios titulares dos rendimentos. A circulação de bens
e de moeda ocorre em sentido oposto, mas paralelamente.

2 – Rendimentos (Salários, juros, rendas e lucros Compra dos


Elementos
Produtivos
1 – Elementos Produtivos
Público Empresas
3 – Bens e Serviços
Compra das
Mercadorias
4 – Despesas dos Consumidores

1: Elementos de Produção 2: Rendimentos que os donos recebem, mais o lucro do empresário.


3: Mercadorias 4: Preços porque são vendidas (Despesas dos consumidores)

É o conjunto destas duas circulações, fluxos ou correntes – a dos bens (1 e 3) e a da moeda (2 e 4)


que se chama circuito económico.

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4.2. As três óticas do valor de produção nacional


O valor de produção nacional pode ser analisado de três perspetivas diferentes:
1) Computando o valor dos bens e serviços produzidos. (Seta 3) Ótica do Produto
2) Computando os rendimentos distribuídos pelas empresas aos participantes da produção (seta 2)
Ótica dos Rendimentos
3) Computando as despesas feitas pelos consumidores na aquisição de bens produzidos (seta 4) Ótica
das Despesas

3 Grandezas fundamentais:
Produção: Pode ser uma grandeza física (conjunto de bens produzidos) ou monetária (valor da produção
social/ nacional)
Despesa: Valor de todas as despesas feitas nma determinada economia num determinado período de
tempo.
Rendimento: É o valor acumulado pelas famílias ao longo de um ano.

Qualquer destas óticas levará sempre ao mesmo resultado, já que se fala num equilíbrio do sistema
derivado da equivalência dos agregados da contabilidade nacional.
Despesa = Produto (Despesa não pode ser maior que o produto)
Despesa = Rendimento (Os particulares gastam o dinheiro que recebem, sem lugar para aforro.)
Rendimento = Produto (Rendimento resulta do produto, tal como o produto – valor dos bens- resulta da
soma dos salários, rendas, juros e lucros, distribuídos na sequência da sua produção.

4.3. O valor da produção nacional analisado sob a ótica do produto

4.3.1. O produto bruto das empresas


O valor da produção nacional, sob a ótica do produto, calcula-se somando o valor dos bens produzidos
no período considerado. E o valor desses bens é apreciado através do seu preço. O produto nacional resulta
da atividade de todas as empresas nacionais e é o valor monetário global que se obtém multiplicando a
quantidade de bens (e serviços) produzidos em um dado período pelos respetivos preços.
O valor de produção de cada empresa é o valor criado por essa empresa e é igual ao valor por ela
realizado, menos o valor dos bens intermédios que adquiriu a outras empresas. Assim, o valor de produção
de uma indústria será a soma dos valores criados pelas empresas que constituem essa indústria. Distingue-
se, assim valor criado e valor realizado.
Certos bens podem funcionar como bens finais ou produtos intermédios. Ex: farinha. O valor de
produção, ou produto bruto de uma indústria é a soma dos valores criados pelas empresas que constituem
essa indústria. Mas é fácil de ver que a coma dos valores criados pelas empresas que integram uma
determinada indústria será igual ao valor dos bens finais ou acabados produzidos por essa indústria.
Concluindo, o produto bruto de uma indústria é o valor dos bens finais ou acabados dessa indústria.

4.3.2. Produto Nacional Bruto (PNB)


Produto Nacional Bruto (PNB) é a soma dos produtos brutos das várias indústrias, ou a soma dos valores
criados ou acrescentados pelo conjunto de empresas, ou ainda o valor dos bens finais produzidos em dado
país num determinado período, normalmente um ano. Há que introduzir duas qualificações:
1) Só contabiliza os bens acabados (para evitar dupla contagem),sendo que o valor dos bens
intermédios produzidos no período e transformados no seu decurso em bens acabados não pode ser
contabilizado. Mas é importante ter em conta que há que acrescentar ao valor dos produtos finais
obtidos durante o período, o valor dos bens intermédios existentes no seu termo. Este valor foi criado
no período que se está a considerar; e como não vem integrar-se no valor dos bens acabados, não
haverá dupla contagem pelo fato de os contabilizar autonomamente. Só assim esse valor, criado em
determinado ano, pode aparecer incluído no PNB desse ano.

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2) As empresas podem também, utilizar matérias-primas compradas a outros países. Estas não podem
ser incluídas no PNB do nosso país, mas apenas no do seu país de origem.

Assim, Produto Nacional Bruto é o valor dos bens finais obtidos durante determinado período, menos o
valor dos bens intermédios utilizados nesse período e provindos de períodos anteriores ou importados, e
mais o valor dos bens intermédios produzidos durante o período e existentes no fim dele.

PNB = preço de cada um dos bens finais ou acabados x quantidade produzida durante o período
considerado

Esses bens finais, são bens de consumo ou bens de produção. Para considerarmos os bens de
produção, estes não podem sofrer mais transformações materiais ou económicas, tendo de tratar-se de bens
de produção duradouros. Quando aos bens de produção consumíveis, são necessariamente bens
intermédios.

PNB ao preço de mercado = Valor dos bens finais = valor dos bens finais de consumo + valor dos bens
finais de produção

Alguns autores consideram que não devíamos incluir os bens finais de produção duradouros, já que
ninguém os quer por si mesmos e estes são utilizados para produzir outros bens finais. Este ponto de vista
ganharia mais peso, segundo Ackley, caso ocorressem duas condições:
1) Se a ‘morte económica’ dos bens de capital duradouros existente ocorresse uniformemente ao longo
dos anos.
Esta correspondência é difícil de se verificar. Para anular os efeitos da dupla contagem que se
reconhece nesta grandeza, é necessário deduzir a cada ano, a título de quota de amortização, o
montante correspondente ao desgaste efetivo das máquinas, obtendo-se o produto nacional líquido.
2) Se a produção de novos bens de capital acompanhasse o ritmo da ‘morte económica’ dos bens de
capital em uso e fosse apenas o bastante para substituir os bens de capital fora de uso.
As economias vão produzindo bens de capital duradouros em maior quantidade do que o necessário
para assegurar a substituição do capital que vai ficando fora de uso. Em condições normais, a
capacidade de produção vai aumentando. Só o poderemos saber, se soubermos o montante do
saldo líquido da produção de capitais fixos, isto é, se contabilizarmos a produção de bens finais de
capital no cálculo do produto bruto de cada ano, deduzindo depois a quota anual de amortização,
para obter o produto líquido.

4.3.3. Produto Nacional Líquido (PNL)


O PNB não nos diz se houve efetivamente um ganho económico líquido, isto é, se o valor dos bens de
produção obtidos no período é superior ao valor que se perdeu durante o período. Também não nos indica
se, pelo contrário, houve alguma perda ou estagnação. Pode haver interesse em conhecer a situação em que
a comunidade fica ao fim de cada período, no que respeita aos bens de produção duradouros.
Surge, assim, o PNL enquanto soma do valor dos bens finais de consumo, não se incluindo o valor de
todos os bens de produção obtidos no período considerado, mas apenas o do valor de bens de produção que
deva ser considerado um acréscimo, imputável à produção do período, ao estoque desses bens possuídos
pela comunidade. Assim, ao PNL deduz-se ao valor de todos os bens finais de produção obtidos num
período, o valor desses bens de produção que, nesse período, se perderam para a produção.

É preciso subtrair ao PNB, para se obter o PNL?


O que deve deduzir-se é o valor dos bens finais de produção que durante o período deixaram de
pertencer ao estoque de equipamentos possuídos pela comunidade. Como prever o valor que se perdeu dos
bens capitais num determinado período de tempo? Temos de computar as amortizações do capital fixo
constantes da contabilidade das empresas. Porém, há que ter em atenção que a política de amortizações
das empresas é informada por necessidades de ordem fiscal, etc…

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As amortizações são, porém, a única base para o cálculo do valor dos bens capitais que se esgotaram
durante o período.

PNL = PNB - Amortizações

Trata-se do desgaste efetivo dos recursos e não de uma amortização contabilística. A relação
capital/produto é a relação entre o valor do capital fixo necessário para produzir, em cada ano, bens de
determinado valor e o valor destes bens, em cada ano. Se o investimento em novo capital fixo aumenta em
termos líquidos, o aumento da produção que dele pode esperar-se será necessariamente maior.

5. Produto e rendimento: o Valor da produção nacional analisado sob a ótica do Rendimento

5.1. Grandezas a preços de mercado e grandezas a custo dos fatores


Simplificadamente, podemos considerar o produto igual a rendimento já que o produto é igual à
multiplicação do preço pelo número de unidades produzidas para cada um dos bens obtidos num dado
período e que o preço era a soma das rendas, salários, juros e lucros, que correspondem ao rendimento.
Porém, nem todo o produto é rendimento das empresas. Uma parte do produto é constituído por
impostos de consumo, enquanto impostos a entregar ao estado pelas empresas, mas que elas incluem no
preço de venda dos artigos.
Os impostos de consumo são produtos de empresas já que são realizados pela venda das suas
mercadorias, mas não são rendimento. Assim, o PNB e o PNL são grandezas a preços de mercado, pois os
bens são avaliados de acordo com os preços que tiveram no mercado.
Constroem-se agora grandezas a custos de fatores. Grandezas estas ligadas ao qualificativo de
rendimento e não de produto. O Rendimento Nacional parte da substração ao produto de todos os valores eu
não são rendimento, como os impostos de consumo. Para mais, as empresas podem auferir rendimentos de
outras grandezas que não o produto, como subsídios do estado à produção.

PNB ao custo dos fatores = PN – impostos de consumo + subsídios à produção.

5.2. O valor da produção nacional analisado sob a ótica do rendimento


Nesta perspetiva, o valor da produção nacional é igual ao somatório das rendas, lucros, salários e juros.
O valor dos bens acabados obtido num determinado período é constituído pelas verbas que as empresas
pagaram aos participantes na produção. Somando os salários, rendas, lucros e juros obtemos o rendimento
nacional a custo dos fatores, a partir do qual podemos obter o rendimento a preços do mercado, bastando
somar os impostos de consumo e subtrair os subsídios do estado à produção.

5.3. Rendimento a custo dos fatores, rendimento pessoal e rendimento disponível


Rendimento a custo dos fatores é aquele com que as empresas ficam a remunerar os participantes da
produção. Este não corresponde ao rendimento pessoal. Engloba salários, juros, rendas e lucros. Pode haver
lucros eu as empresas usam para constitutivo reservas para aplicar posteriormente
(autofinanciamento).Estes lucros não são entregues a unidades de consumo.
Rendimento Pessoal é aquele que, de fato, é distribuído aos participantes da produção, ou melhor,
aquele rendimento que é entregue às pessoas físicas, ás unidades de consumo (famílias). Exclui os lucros
para autofinanciamento e rendimentos de propriedades,etc…
Há pessoas que não participam em nenhuma forma de produção, mas auferem rendimentos que não
estão integrados no PNB, uma vez que não se traduzem em despesas ou serviços referentes ao ano em
questão. São as chamadas transferências, que são prestações gratuitas, sem contrapartidas. Estes também
integram o rendimento pessoal dos beneficiários. Ex: pensões, subsídios, etc…
Rendimento Disponível é o rendimento pessoal menos o montante global dos impostos diretos sobre os
rendimentos.

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5.4. Rendimento Nacional e Rendimento dos Habitantes


Nem todo o rendimento produzido dentro de um país é rendimento dos que residem num país. Assim, se
dispusermos das grandezas representativas do rendimento produzido dentro de um país
(PNB,PNL,RNB;RNL) e quisermos determinar o rendimento dos habitantes de um país, temos de subtrair o
rendimento produzido no país e pago a residentes no estrangeiro e haverá que somar o rendimento
produzido no estrangeiro e pago a resident6es no país.

Rendimento dos habitantes = Soma das grandezas representativas do rendimento produzido num país
- rendimentos produzidos internamente que revertem a favor do estrangeiro
+ rendimentos produzidos no estrangeiro que revertem a favor nacional.

A distinção das grandezas faz-se, não a nível da nacionalidade dos agentes produtivos, mas em termos
de residência.

6. O valor da produção nacional na ótica da despesa nacional

6.1. As componentes da despesa nacional


Os bens finais produzidos num certo período ou são bens de consumo ou são bens de produção
duradouros. Se são bens de consumo, o seu valor é igual à despesa que os particulares fazem na sua
aquisição. Esta despesa é o consumo. Se são bens de produção duradouros, o seu valor é igual à despesa
que os particulares fazem na sua aquisição. Esta despesa é o investimento em capital fixo. O valor dos bens
finais produzidos num determinado período é igual ao consumo mais o investimento em capital fixo.
O valor da produção nacional na ótica da despesa traduz-se na despesa nacional, quer feita em consumo
ou investimento. Só a compra de bens capitais produzidos no período considerado entra nesta ideia de
investimento.
O investimento em capital fixo pode ser tomado em termos brutos (toda a despesa que os empresários
fazem em bens capitais produzidos no período) ou em termos líquidos (como a despesa feita pelos
empresários na aquisição desses bens, depois de deduzidas as amortizações.).

Consumo + Investimento em capital fixo em termos brutos = Produto Bruto


Consumo + Investimento Líquido em capital fixo = Produto Líquido

Mas o valor do produto nacional não se reduz ao valor dos bens finais. Há que ter em atenção o conjunto
de bens intermédios utilizados nesse período e provindos de períodos anteriores (e subtrai-los) e os bens
intermédios produzidos no próprio período e existentes no seu fim ( e somá-los). Esses bens intermédios são
bens de produção consumíveis. E o valor liquido desses bens reflete-se na ótica das despesas, numa
despesa, não de consumo, mas de investimento. É o chamado investimento em estoques/variação das
existências – que são sempre uma grandeza líquida.

PN = C + I, C (Consumo) e I (investimento em capital fixo bruto ou líquido ou investimento em estoques


líquido)

As despesas determinantes do produto nacional são o consumo e o investimento.

6.2. As implicações da atividade estadual


Mas o estado, com vista à satisfação de necessidades coletivas, também faz despesas, em bens de
consumo e de produção. Assim, este compra impressos para os seus serviços – despesa de consumo – ou
constrói estradas e pontes – despesa de investimento. Estas despesas públicas que, numa economia
fechada, serão reflexo do produto de empresas nacionais, terão de ser computadas na despesa nacional.
Do ponto de vista das despesas, o rendimento nacional é igual ao consumo, mais o investimento, mais
as Despesas Públicas. Porém, estas podem ser despesas de consumo ou investimento. Assim:
PN = C(pr) + I (pr) + C(p) + I (p) pr (privados) p (públicos)

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Porque não falar só em Consumo e Investimento?


Para distinguir as despesas dos particulares e as despesas do Estado. O consumo e o investimento
público dependem das necessidades públicas e da forma como elas são interpretadas pelas entidades
responsáveis pela sua satisfação.
Consumo público ou despesas civis de funcionamento dos serviços: Despesas correntes do estado,
feitas pelos vários ministérios e departamentos. Esta componente é altamente estável.
Despesas militares: São caraterizadas pela sua irregularidade e dificuldades de previsão.
Despesas de investimento: Construção de infraestruturas. São marcadas pela sua instabilidade.

Ao computarmos o valor da produção nacional pela ótica das despesas, chegaremos a uma grandeza
tomada a preços de mercado. Para transformar esse rendimento num rendimento a custos de fatores basta
subtrair os impostos de consumo e somar os subsídios do estado à produção.
No investimento bruto em capital fixo não se deduz as quotas de amortização. Os valores de despesa
nacional correspondem ao PNB. Se lhe somarmos o saldo dos rendimentos com o resto do mundo, obtemos
o produto nacional bruto a preços de mercado.

6.3. As implicações do comércio internacional


As economias modernas são, em geral, abertas, havendo exportações e importações. O produto das
empresas exportadoras não tem correspondência na despesa nacional. Numa economia aberta teremos de
considerar:

PN = C + I + Exportações

Quando o consumidor nacional importa, estamos perante despesa nacional a que não corresponde
produto nacional. Assim:

PN= C+ I – Importações + Exportações

Quanto à estrutura:
Importações:
- Um grande número é função do rendimento, como as importações de bens de consumo, sobretudo os
não duradouros.
- Estabilidade

Exportações:
- Vendas de materiais primários são muito instáveis em volume e preços.
- Grande estabilidade de outras.
- Outras instáveis, consoante as flutuações da atividade económica nos grandes países importadores.

7. Rendimento Nacional e Bem-estar material das populações

7.1. O PNL como indicador do bem-estar


O nível de vida de um país num determinado ano costuma ser dado com base nos dados relativos ao
rendimento nacional. É assim que se compara a evolução do país e se tiram conclusões ao compará-lo com
outros países.
Os dados relativos ao PNL permitem saber o que pode ser gasto anualmente pela comunidade nacional
sem pôr em causa a reprodução do processo económico enquanto processo recorrente. Dando-nos
indicações sobre o fluxo de bens e serviços registado numa economia num certo período de tempo, o PNL
fornece a medida do que pode ser consumido pela comunidade sem diminuir o fundo de bens de capital
existentes, que representem a capacidade produtiva instalada.
O PNL depende da quota de amortização que aparecem na contabilidade das empresas que pode,
porém, acelerá-las, inflacionando as quotas de amortização para ocultar lucros e pagar menos impostos. O

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inverso pode acontecer caso as empresas procurem um aumento da cotação das suas ações na bolsa,
deflacionando as quotas de amortização. Por isso, os economistas usam em regra grandezas em termos
brutos, até porque, por vezes, só estas estão disponíveis.
Mas o PNL tem sempre de ser confrontado com o volume de produção de um país. Por isso, muitas
vezes, se usam os dados do produto per capita ou por família: grandeza que se obtém dividindo o produto
nacional pelo número de habitantes do país. (Ex: China e Suíça)

7.2. Dificuldades na leitura do bem-estar a partir do PNL


7.2.1. PNL é calculado e expresso em termos monetários
O rendimento nacional só pode ser calculado em termos monetários. Desde logo, os inconvenientes
prendem-se com o fato de não se refletirem as verdadeiras preferências dos consumidores. Para mais
excluem-se do rendimento nacional todos os bens que não têm mercado e, como tal, não têm preço. [“Se um
homem casa com uma governanta ou com uma cozinheira faz diminuir o rendimento nacional]
Estes problemas têm mais gravidade no que toca aos países subdesenvolvidos e economias de
subsistência, já que muitos dos trabalhos são feitos com base na entreajuda. As dificuldades ainda acrescem
no que toca aos serviços estaduais, já que a contribuição destes serviços para o produto nacional é avaliada
pelos seus custos, o que é um método deficiente de computar tal contribuição. Juntamos outros bens que
não estão no mercado e não têm preço atribuído, como uma floresta.
Para além do mais, podemos falsear as comparações no tempo. Um aumento de rendimento nacional
não significa necessariamente um aumento da quantidade de bens produzidos. Este aumento do rendimento
pode ser provocado pela inflação. Para evitar o erro recorre-se à correção dos dados do rendimento nacional
pelo coeficiente da alta ou baixa de preços, através dos chamados números índices, evitando a ilusão
monetária.

 Os números índices
Segundo Teixeira Ribeiro, são números que exprimem as relações entre dois estados de uma
grandeza susceptivel de variar no tempo. O índice de preços é uma média ponderada de preços, uma
medida do preço médio de um cabaz selecionado de bens e serviços. O cálculo de um índice de preços seria
fácil se todos os preços variassem de acordo com a mesma percentagem. O problema complica-se quando o
preço de alguns bens sobe e o de outros baixa, podendo gerar-se uma ilusão monetária que supõe constante
o valor da moeda.
É necessária uma espécie de média das variações dos preços de vários bens, sendo cada um
ponderado de acordo com a sua importância económica aproximada. Os principais índices de preços para
medir a inflação são: o deflator de PNB; o índice de preços no produtor; o índice de preços no consumidor.
- Deflator de PNB
PNB nominal: medir o PNB para um ano em particular usando preços de mercado correntes desse
ano.
PNB Real: mede o PNB num conjunto de preços constantes e invariáveis, dividindo o PNB nominal
por um deflator de PNB (média ponderada dos preços de todas as mercadorias cujo valor constitui o PNB,
sendo o peso de cada mercadoria igual à percentagem da sua importância total no PNB.)

-Índice de preços no produtor (IPP)


Mede o nível de preços por grosso ou a nível do produtor. As ponderações fixas são as vendas
líquidas de cada bem. É pormenorizado e muito usado pelas empresas.

-Índice de preços do Consumidor (IPC)


A medida da inflação mais correntemente utilizado é o índice de preços do consumidor. Este mede o
custo de um cabaz de bens e serviços de consumo, sendo construído através da ponderação de cada preço
de acordo com a importância económica do bem em questão.
A cada bem é atribuída uma ponderação fixa proporcional à sua importância relativa nos orçamentos
de despesa do consumidor. Este é o mais importante de todos e a sua confiabilidade depende da escolha
acertada no ano-base, o que constitui um problema geral dos números-índices; representatividade da

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amostra das famílias; acompanhamento da evolução dos preços de um número suficientemente elevado de
bens e serviços; análise correta da estrutura das despesas de unidades de consumo; ponderação dos pesos
relativos dos vários bens e serviços na despesa total das unidades de consumo.
Mesmo para um índice bem elabora, há certas vicissitudes: refere-se à família média (o que pode
não coincidir com a família concreta); a alteração do nível de rendimentos e das modas provoca alterações
no padrão das despesas de consumo das famílias; A mesma exigência resulta de inovações tecnológicas
que levam a novas despesas e anulam outras; etc…

Este índice é muito utilizado no nosso país, sendo muito utilizado pelo INE e pelo Banco de Portugal
nas análises feitas à inflação.

7.2.2. O PNL compreende a ‘manteiga’ e os ‘canhões’


O teor de vida depende dos bens de consumo ao dispor dos habitantes de um país, já que são estes que
satisfazem as necessidades. Porém, há que entender que se tem em conta, tanto os bens mais baratos que
satisfazem as necessidades fundamentais, como os mais caros que satisfazem necessidades supérfluas dos
mais ricos.
Tendo em conta a produção de manteiga e canhões. Ambos são bens de consumo, mas propiciam
diferentes graus de satisfação ás populações.
Mas o rendimento nacional resulta tanto dos bens de consumo como dos bens capitais de produção, já
que o rendimento pode ter aumentado apenas por ter aumentado a quantidade de bens capitais. Não haverá
aumento de bem-estar nesse período, mas a economia fica com mais bens de produção que permitem a
produção de mais bens de consumo em períodos posteriores.
Problemas podem resultar da deficiente contabilização dos bens de consumo duradouros, os quais, são
inscritos, em regra, na contabilidade nacional, apenas no ano em que são produzidos, embora a sua
utilização e o bem-estar que dela resulta permaneçam durante o período da sua vida útil. O setor dos bens
de consumo duradouros é o mais afetado pela conjuntura, inseri-los na contabilidade nacional desta forma
pode levar a uma grande instabilidade do bem-estar.

7.2.3. O PNL, o PNL per capita e a distribuição do rendimento


Importa ter em consideração a forma como a quantidade dos bens de consumo de um país é posta ao
dispor da grande maioria da população. PNL per capita é um valor médio, compatível com os vários graus de
desigualdade na distribuição do rendimento e do consumo. Mas o mesmo PNL per capita pode não
representar um igual nível de bem-estar dos cidadãos.

7.2.4. O PNL e a contabilidade do lazer como elemento do bem-estar


O produto nacional não dá, nem pode dar, qualquer relevância ao lazer, que é um elemento importante
do bem-estar. Este não pode traduzir-se e termos monetários. As condições em que decorre o trabalho, o
ambiente de trabalho, são uma importante condição do bem-estar.
Assim, o bem-estar dos indivíduos não se reduz ao mero bem-estar material, mas este é um problema
diferente do que tem sido analisado. Só o bem-estar material pode colher-se a partir dos dados do PNL.

7.2.5. Dificuldades de comparação dos níveis de bem-estar dos vários países através do PNL
 A dificuldade que provém da necessidade de exprimir os valores calculados nas moedas
nacionais em uma única moeda através da taxas de câmbio. [Processos de correção: criar um
cabaz de compras internacionais ou criar um único sistema de preços]
 Ligações entre outros indicadores não monetários e os agregados das contas nacionais.
 Comparação dos níveis de bem-estar dos vários países com base no PNL per capita pode
induzir em erro por outras razões:
(a) Veja-se um país em que o PNL per capita atinge certo nível porque se produzem bens
de consumo duradouros para uma pequena minoria. Estes bens necessitam de
atividades económicas, aumentando o PNL global. Mas a poluição gerada pelas
indústrias desse país pode exigir a produção de dispendiosos equipamentos que

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aumentam, ainda mais, o PNL global. Não podemos dizer que o bem-estar destas
populações é maior que o de um país com um PNL mais baixo, porque neste último não
são precisos desses bens, já que o desenvolvimento não lhes provocou as
‘deseconomias’ que eles visam compensar.
(b) Nos países do Terceiro Mundo, pode dar-se o caso de o crescimento gerar
‘deseconomias’ que não são compensadas porque se trata de países pobres ou
dominados. Tais ‘deseconomias’ podem dever-se à poluição, esgotamento dos solos,
repressão politica, etc… Se países nestas condições tiverem um PNL per capita
semelhante ao de outros países onde não se verificam estas ‘deseconomias’, nunca
podemos achar idêntico o bem-estar destas populações.
(c) Acrescem ainda as diferenças entre países capitalistas e socialistas.

7.2.6. Outras considerações


Será que a diminuição da despesa levará a uma diminuição do bem-estar?
Relativamente a bens de consumo circulantes, podemos considerar que sim. Já, no que toca aos
bens de consumo duradouros, nem sempre. Vejamos o caso do guarda-roupa.

Externalidade: Uma atividade que influencia terceiros, positiva ou negativamente, sem que esses terceiros
tenham de pagar ou ser indemnizados por essa atividade. (Ex: Poluição)
Se for uma influência positiva, os benefícios sociais têm de ser superiores aos custos privados. – Economias
Externas – Caso de viver perto de uma esquadra
Se for uma influência negativa, os custos sociais ultrapassam os custos privados. – Deseconomias Externas
– Viver ao pé de uma fábrica poluidora.

2. Mercados e Preços

1. Lei da Oferta, Lei da Procura e Lei dos Preços


Hoje, as trocas são quase todas monetárias e a moeda funciona como intermediário geral das trocas,
sendo o preço, o valor dos bens expresso em moeda.

(a) Lei da Procura


Supondo que os fatores que influenciam a procura se mantêm estáveis – condição ceteris paribus –
podemos dizer que as quantidades procuradas variam no sentido inverso ao do preço.

Variável Ativa (A que varia em primeiro lugar): Preço


Variável Passiva (A que varia dependendo da outra): Procura

1
+ Preço / - Procura
- Preço / + Procura

(b) Lei da Oferta


As quantidades oferecidas variam no mesmo sentido do preço.

Variável Ativa (A que varia em primeiro lugar): Preço


Variável Passiva (A que varia dependendo da outra): Oferta

+ Preço / + Oferta
- Preço / - Oferta

1
Há casos em que o aumento do preço, pode levar a um aumento da procura, mas tal é muito
excecional, por exemplo, quando se encaminham produtos para o mercado dos produtos de luxo.

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(c) Lei dos Preços ou Lei da oferta e da procura


Os preços variam no mesmo sentido da procura e no sentido inverso da oferta.

Variável Ativa (A que varia em primeiro lugar): Oferta/Procura


Variável Passiva (A que varia dependendo da outra): Preço

+ procura / + preço
- procura / - preço
+ oferta / - preço
- oferta / + preço

2. A Procura
Procura é a quantidade que os compradores estão dispostos a adquirir aos vários preços possíveis, ao
longo de um certo período de tempo. Há uma relação funcional entre a procura e o preço: o preço é a
variável ativa e a procura a variável passiva.
Mas as quantidades procuradas não variam só em torno do preço. Vejamos outros casos importantes: as
necessidades, os rendimentos, os preços de outros bens, a expetativa acerca da evolução futura dos preços
e o preço dela própria. Este último pode variar mais rapidamente e exercer mais influência em curto prazo.
As necessidades, os rendimentos e o nível dos preços são variáveis, à partida, constantes, sendo
chamadas de parâmetros da função-procura.
Diz-se que a lei da procura é uma falsa verdade, já que as quantidades procuráveis variam no sentido
inverso do preço (mas nem sempre isso acontece).

2.1. A escala da procura e a curva da procura


É conclusivo que a quantidade de um bem que as pessoas procuram depende do seu preço,
principalmente em condições coeteris paribus. Porém, há, a todo o tempo, uma relação definida entre o preço
de um bem e a quantidade desse bem. Esta relação entre o preço e quantidade comprada chama-se escala
de procura ou curva da procura: a quantidade e o preço relacionam-se nesta de modo inverso, aumentando a
quantidade quando o preço baixa. Normalmente, esta curva da procura é descendente.

2.2. Lei da Procura Decrescente: Efeito Substituição e Efeito-Rendimento


Lei da procura decrescente: as quantidades procuradas de um bem variam em sentido inverso ao do
preço. Coeteris Paribus, quando o preço de um bem sobe, menor será a quantidade procurada dele. Mas o
que justifica esta lei?
 Bom Senso.
 Raciocínios tipo marginalistas: a descida dos preços provoca novos compradores; cada redução
dos preços pode levar os compradores a comprar unidades adicionais.

Mas porque a quantidade que eu procuro tende a descer à medida que o preço sobe?
 Efeito Substituição: Quando o preço sobe, tendo, naturalmente, a substituir esse bem por outro.
(que podem ser bens fungíveis/ sucedâneos próximos ou afastados.]
 Efeito Rendimento: Quando o preço sobe, fico efetivamente mais pobre do que antes dessa
subida, reduzindo o meu consumo de bens correntes quando sinto que estou mais pobre (e
tenho menos poder de compra) ou que o meu rendimento real é menor.
 Efeito Volume de Produção: É uma espécie de efeito de rendimento para a procura de capital. Se
os salários subissem, os custos de produção subiriam, aumentando o preço dos produtos. Isso
conduz a uma menor procura, o que leva a uma menor produção e menos oferta de emprego.

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A deslocação da curva da procura traduz-se na seguinte situação: se aumenta a série de


quantidades procuradas a cada um dos vários preços possíveis, a curva da procura desloca-se para cima e
para a direita. Se diminui a série das quantidades procuradas a cada um dos vários preços possíveis, a curva
da procura desloca-se para baixo e para a esquerda.

2.3. Exceções da Lei da Procura


Em certos casos, o efeito-rendimento age em sentido contrário ao do efeito-substituição. Assiste-se a
uma diminuição da procura quando o preço baixa.
1- Dá-se isso com os bens sucedâneos, como a margarina. A diminuição do preço da margarina pode
ter um efeito-rendimento que provoca a diminuição da sua procura e o aumento da procura de
manteiga.
2- Aumento da procura com a subida do preço, no que toca aos bens de primeira necessidade. Ex:
paradoxo de Giffen.

2.4. A Elasticidade-preço da procura


Este conceito elaborado por Alfred Marshall dá-nos a medida da variação da quantidade procurada
de um bem perante a variação do respetivo preço. O que importa são as variações percentuais do preço e
das quantidades procuradas. Assim, definimos elasticidade da procura como a relação entre as variações
percentuais do preço de um bem e as consequentes variações percentuais, em sentido contrário ao das
variações do preço, da quantidade procurada desse bem.
Se o resultado da equação criada for zero, a procura é rígida ou perfeitamente/absolutamente
inelástica- em que, qualquer que seja o preço, a procura mantém-se sempre. Se o resultado for infinito,
estamos perante uma procura infinitamente elástica ou de elasticidade perfeita – a um dado preço, a procura
faz-se sempre de acordo com a quantidade oferecida. Normalmente mede-se a elasticidade com valores um
pouco acima ou abaixo do 1.
A procura é elástica quando o quociente obtido é maior do que um. A procura é inelástica quando o
quociente obtido é menor que um. A procura é de elasticidade igual a um quando o quociente obtido é igual a
um, podendo dizer-se que revela elasticidade unitária.

2.4.1. Elasticidade da procura e receita total dos vendedores


Podemos verificar a existência de uma relação entre a elasticidade da procura e o comportamento da
receita total dos compradores.
(a) Se a procura é elástica: um aumento do preço provoca uma diminuição da receita total; uma
diminuição do preço provoca um aumento da receita total.
(b) Se a procura é inelástica: um aumento do preço provoca um aumento da receita total; uma
diminuição do preço provoca uma diminuição da receita total.
(c) Se a procura é de elasticidade igual a um, a variação do preço não provoca qualquer variação na
receita total.
A despesa total dos compradores corresponde à receita dos vendedores, sendo importante para
estes conhecer a elasticidade da procura para perspetivarem os efeitos das variações do preço do bem que
vendem sobre as suas receitas globais.

2.4.2. A inclinação da curva da procura


A elasticidade da procura não pode medir-se pelo declive da curva da procura. A regra geral é a de
que em uma dada curva da procura, a elasticidade-preço da procura é diferente a níveis de preços
diferentes. Há, porém, três situações em que a elasticidade-preço é igual para todos os níveis de preços.

A – Representa uma curva da procura absolutamente inelástica, uma linha vertical, já que as quantidades
procuradas são absolutamente insensíveis às variações do preço do bem em causa.

B – Representa uma curva da procura de elasticidade perfeita, uma linha horizontal, já que, ao preço corrente
do mercado, se procuram quaisquer quantidades do bem em causa. (ao preço dado, D= )

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C – Representa uma curva de elasticidade igual a um, uma curva perfeita, já que a receita total será sempre
constante ao longo da curva DD. Verifica-se uma hipérbole retangular.

2.4.3. Os fatores determinantes da elasticidade da procura


A elasticidade da procura é condicionada por vários fatores , como a existência de bens sucedâneos
próximos, a percentagem do rendimento que o consumidor gasta em certo bem, o fato de se tratarem de
bens de luxo ou de primeira necessidade, se forem bens duradouros ou consumíveis, etc…
Geralmente, são de procura inelástica e, por vezes, rígida:
a) Os bens de primeira necessidade, já que a variação do preço não leva, normalmente a
alterações significativas da procura desses bens necessários para a satisfação das necessidades
mais importantes.
b) Os bens cujo preço unitário é muito baixo e que representam uma despesa que corresponde a
uma parcela mínima do rendimento de cada comprador.
c) Os bens que são utilizados em conjunto com outros bens (os bens complementares) e que
representam uma pequena parte da despesa global.
d) Alguns bens que provocam habituação.

São bens de procura elástica:


a) Os bens que têm sucedâneos, já que podem ser substituídos por outros, sendo que as variações
do preço podem levar a variações sérias na procura. A procura será tanto mais elástica quanto
maior a quantidade dos bens sucedâneos existentes e quanto maior o grau de sucedaneidade
entre eles. Este fator pode atuar no caso de alguns bens de primeira necessidade, como o arroz,
carne ou peixe.
b) Os bens de luxo. Há, porém exceções. Há bens de luxo que apresentam procura inelástica já que
o seu preço elevado e só estão disponíveis aos mais ricos. Há até situações de procura
ostentação em que a procura aumenta quando o preço aumenta.

2.5. A elasticidade cruzada da procura


Apura a relação entre as variações do preço de um bem e as variações consequentes das
quantidades procuradas de outro bem. Por outras palavras, é a medida do grau de resposta da quantidade
procura de um bem face a uma modificação do preço de outro bem.
É especialmente importante quando apreciamos a variação da procura de bens sucedâneos face a
variações do preço de bens principais. Podemos, assim, apreciar o grau de sucedaneidade de um bem face
a outros bens. Esta obtém-se através do quociente de elasticidade cruzada da procura, ou seja, a relação
entre a variação relativa ou percentual da procura de um bem face a uma variação relativa ou percentual de
outro bem.
a) Se os bens forem sucedâneos, o aumento do preço de A provoca o aumento da quantidade
procurada do bem B. A elasticidade cruzada da procura é positiva e estamos perante uma curva
crescente ou de inclinação positiva. O seu valor será tanto mais elevado quanto maior for o grau de
sucedaneidade entre os bens.
b) Se os bens forem complementares, o aumento do preço de A leva a uma diminuição da quantidade
procurada de B. a elasticidade cruzada da procura é negativa e estamos perante uma curva
descendente ou de inclinação negativa. Será mais elevada quanto mais estreita a relação entre os
bens considerados.

2.6. A elasticidade-rendimento da procura


É a relação entre a variação percentual ou relativa dos rendimentos dos compradores de um bem e a
variação percentual da procura desse bem. No fundo, mede o grau de resposta da quantidade procurada de
um bem face a variação do rendimento dos compradores desse bem.
Para a generalidade dos bens, o rendimento dos compradores e a quantidade procurada variam no
mesmo sentido, falando-se de elasticidade-rendimento positiva. Para os bens de qualidade inferior dentro de
cada categoria, a sua procura tende a diminuir com o aumento dos rendimentos. Falando-se de uma

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elasticidade-rendimento da procura negativa. Diz-se que esta é igual a zero quando a quantidade procurada
não varia, qualquer que seja a variação do rendimento.
a) Os bens de primeira necessidade são, em regra, objetos de uma procura cuja elasticidade-
rendimento é negativa, isto é, inferior a um. Com o aumento dos rendimentos, tende a diminuir a
despesa em bens de primeira necessidade no conjunto da despesa total das famílias enquanto
unidades de consumo.
b) Os bens de luxo, são, em regra, objetos de uma procura cuja elasticidade rendimento é positiva,
isto é, superior a um. Verificada a condição coeteris paribus, a quantidade procurada destes bens
tende a aumentar com o aumento do rendimento.

2.7. A Procura à Empresa

A curva acima estudada reporta-se à indústria que fornece esse produto, dizendo-nos quais as diferentes
quantidades desse produto que poderão ser vendidas no mercado aos vários preços suscetiveis de ser
praticados. Mas os vendedores preocupam-se com a curva da procura no que toca à sua empresa, isto é,
aquela que lhes mostra a produção que ele venderá a cada preço no mercado.
Assim, a curva da procura à empresa reflete as deslocações da procura de um vendedor para outro no
seio da indústria. Depende, imenso, das relações de concorrência.
A curva da procura à empresa é comandada pelas características da curva da procura à indústria que
podem ser reduzidas a quatro fundamentais.
a) O número de vendedores que pertencem à indústria, determinando a medida em que os vendedores
individuais podem influenciar o comportamento global da indústria e dos seus rivais.
b) A diferenciação do produto no seio da indústria, determinando em que medida a empresa goza de
uma certa independência na fixação do preço do seu produto.
c) O grau de concentração da produção entre os vendedores.
d) O número de compradores que se dirigem à indústria.

A curva da procura à empresa não é mais que uma curva de vendas da empresa e a sua curva de recita
média.

1- Curva de Receita total mostra o montante das receitas da empresa a diversos níveis das suas
vendas.
2- Curva da receita média deduz-se da curva precedente, indicando a receita por unidade de produto ou
o preço da unidade de produto.
3- Curva da receita marginal mostra a adição à receita total proveniente da venda de uma unidade
suplementar do produto.

3. Oferta
3.1. A noção de oferta e da curva da oferta

Podemos, também aqui, distinguir oferta da empresa e oferta da indústria. O interesse de cada
vendedor em vender pode representar-se por um quadro que indique as quantidades que ele está disposto a
vender a vários preços possíveis – é a escala da oferta. Também aqui podemos apelar ao efeito-substituição
e ao efeito-rendimento para tentar explicar o comportamento da oferta.
Assim, o que explica a curva da lei da oferta será o bom senso, alguns raciocínios marginalistas e o
efeito-substituição e efeito-rendimento. Quanto ao efeito-substituição estamos a referir-nos a uma estocagem
de produtos, substituindo-se os produtos à venda por outros armazenados. Quanto ao efeito-rendimento
justifica alguns casos excecionais, havendo casos em que o preço baixa e a oferta sobe pela necessidade,
p.e. de certo montante de rendimentos. Geralmente, é o efeito-substituição que tem maior influência.
A escala da oferta pode representar-se por uma curva da oferta orientada de baixo para cima e da
esquerda para a direita. A oferta global no mercado exprime a vontade de vender de todos os participantes
nesse mercado. Representa-se por uma curva da oferta no mesmo sentido que a precedente. A curva da

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oferta mostra a relação entre o preço de uma mercadoria e a quantidade de mercadoria que a indústria está
disposta a vender no mercado, claro está, em condições coeteris paribus, variando a oferta no mesmo
sentido dos preços.
Em certas situações, a oferta varia em sentido inverso ao dos preços, podendo falar-se de um efeito-
rendimento negativo que se exprime através de uma curva da oferta atípica. Esta situação pode verificar-se
em situações em que a oferta apresenta, para o vendedor, caráter de primeira necessidade. Esta situação
também se pode verificar no mercado de trabalho, sendo a força de trabalho a única fonte de rendimento
daqueles que a vendem. Esta situação traduz-se numa diminuição da oferta quando o preço do salário
aumenta.

A noção e o traçado da curva da oferta (que indica as quantidades de um produto que os vendedores
estão dispostos a lançar no mercado aos vários preços possíveis) pressupõe certas condições:
a) Os custos de produção são dados: se diminuíssem, os produtores aceitariam oferecer as mesmas
quantidades que anteriormente a preços mais baixos ou oferecer mais aos preços praticados.
b) Os preços dos substitutos do produto são dados.
c) Uma determinada variação do preço é considerada como a única possível pelos produtores.

Quando não se verifica a condição coeteris paribus, as variáveis consequentes da oferta traduzem-se
numa deslocação da curva da oferta: se se deslocar para baixo e para a direita estamos perante novas
condições de mercado em que os vendedores estão dispostos a vender mais quantidades do bem a cada um
dos preços possíveis; se se desloca para cima e para a esquerda, estamos perante condições de mercado
em que os vendedores só aceitam vender, a cada um dos preços possíveis, quantidades inferiores ás que
estariam dispostos a vender.

3.2. Elasticidade da Oferta


Elasticidade da oferta é a relação entre as variações percentuais do preço de um bem e as variações
percentuais das quantidades oferecidas desse bem, admitindo que se mantêm constantes todos os outros
fatores suscetiveis de influenciar as quantidades oferecidas. A curva da oferta é uma curva ascendente de
inclinação positiva, sendo a elasticidade da oferta sempre positiva.
a) A Oferta é elástica (maior que um) quando a oferta varia em maior proporção que aquela em que
varia o preço.
b) A Oferta é rígida ou inelástica (menor que um) quando a oferta varia em menor proporção que aquela
em que varia o preço.
c) Oferta com elasticidade monetária igual a um , isto é, o preço varia na mesma proporção que a
oferta.

Há vários casos excecionais de oferta infinitamente elástica (quando ao preço dado, os vendedores
dispõem-se a oferecer quaisquer quantidades ou a oferta totalmente ou absolutamente rígida quando a
variação do preço deixa a oferta insensível.

Fatores que determinam a elasticidade da oferta:


Em geral, podemos dizer que a oferta é elástica quando os vendedores podem aumentar fácil e
rapidamente a sua produção (oferta) para poderem aproveitar uma subida do preço ou reduzir rapidamente a
oferta para se defenderem de uma baixa dos preços. Esta só é absolutamente inelástica no caso dos bens
únicos existentes em quantidades fixas e insuscetiveis de aumentar. A elasticidade infinita pode verificar-se
se os bens puderem produzir-se a preço unitário constante.
Para mais, tende a ser elástica com a existência de recursos desempregados e inelástica em situações
de pleno emprego dos elementos de produção numa economia.

Podemos falar de três períodos relacionados com o aumento da oferta:


 Quando o período de tempo é demasiado curto para que a produção possa variar, diz-se que
estamos num período de mercado (ou infra-curto). Se o vendedor dispõe de uma quantidade fixa

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e determinada de um bem, tomará a sua decisão de oferta em função do preço corrente no


mercado e dos preços esperados.
 Período curto é aquele cuja duração e fazer variar a produção, mantendo-se embora constantes
o equipamentos.
 Período longo é aquele em que a capacidade produtiva e os custos de produção da empresa se
podem modificar, porque pode variar a natureza, e a quantidade e dimensão dos equipamentos,
a dimensão e organização da empresa.

A elasticidade da oferta tende a ser mais elevada consoante vamos avançando para cada período.

3.3. A oferta e os custos de produção


A oferta também depende do custo de produção. Mas de que depende o custo de produção? Este
depende do estado da técnica, do preço dos elementos produtivos e do volume de produção. Como
pretendemos saber de que dependem os custos de uma empresa em função do aumento ou diminuição do
preço vamos supor os dois primeiros fatores como inalteráveis.
Custo Psíquico é o sacrifício que se faz para obter uma determinada mercadoria, tanto daqueles que
realmente a fabricaram, como daqueles que aforraram para investir na sua produção.
Custo Monetário é o montante de despesas feitas com os bens e serviços utilizados na produção da
mercadoria. Engloba tudo o que se gasta em matérias-primas, salários, máquinas, transportes… Composto
pelo preço das matérias-primas, pelo preço das rendas, salários e juros. Ainda consideram as quotas de
amortização e prémios de seguro. No fundo podemos reduzi-los a juros, rendas e salários.
Custo Real é o conjunto de bens consumidos na produção da mercadoria.

3.3.1. Custos de produção em período curto


Todas as empresas têm custos fixos, isto é, aqueles custos que, independentemente do volume de
produção, deverão ser suportados pela empresa, se ela permanecer em atividade. Os custos variáveis são
aqueles cujo montante acompanha de algum modo o volume de produção; são os custos de todos os fatores
cuja quantidade pode ser modificada em período curto: salários, matérias-primas, energia e transportes.
Distinguem-se ainda os custos variáveis cuja variação é rigorosamente proporcional à da produção total
e os custos variáveis cuja variação não é rigorosamente proporcional. (Lei dos Rendimentos Decrescentes:
Mostra como varia a produção por unidade de custo real dispendida: o rendimento médio por unidade de
custo real começa a aumentar, para diminuir depois.)
O custo total global é a soma dos custos variáveis e dos custos fixos. Os custos médios obtêm-se em
relação a uma unidade do produto:
a) Custo Fixo Médio (CFM) calcula-se dividindo o custo fixo global pela produção correspondente.
b) Custo Variável Médio (CVM) calcula-se dividindo o custo variável global pela produção
correspondente.
c) Custo Total Médio (CTM) obtém-se, ou adicionando o custo fixo médio ao custo variável médio para
uma dada produção, ou dividindo o custo total pela produção correspondente.
d) O custo marginal é o custo de produção de uma unidade suplementar do produto, sendo composto
apenas por custos variáveis. À medida que a produção aumenta, o custo marginal tem tendência a
diminuir.

3.3.2. Custos de produção em período longo


Todos os custos são variáveis, já que empresa tem a possibilidade de escolher uma dimensão de
operações mais favorável ao mesmo tempo que modifica a taxa de utilização dos vários elementos de
produção. As curvas de custo do período longo fornecerão ás empresas indicações sobre a relação que
convém estabelecer entre a sua dimensão e uma situação média da procura durante um período de tempo
relativamente longo.
No período longo não há custos fixos, sendo que as curvas de custos da empresa serão, a curva do
custo total médio e a curva do custo marginal. A diminuição dos custos, numa primeira fase, explica-se pelas

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economias internas de escala: maior especialização da mão-de-obra, melhor utilização do capital técnico. A
elevação dos custos posteriormente verificada deve-se às deseconomias de direção e administração.
A baixa do custo total médio, numa primeira fase, deve-se ao fato de a empresa só poder utilizar os
elementos da produção indivisíveis ou em grandes unidades no caso de a produção ser suficientemente
importante para permitir a plena utilização desses fatores. Numa fase posterior, o custo total médio eleva-se
na razão do aumento dos custos de direção e administração da empresa, já que a dimensão das suas
operações cresce.

4. Os preços. Lei dos preços

Para que serve o preço?


Distinguimos duas grandes classes de bens: bens exuberantes, que existem em grandes quantidades
relativamente ás necessidades, e bens escassos – que existem em quantidade limitada e constituem a maior
parte dos bens. Se esses bens não chegam para todos, há que procurar sistemas de repartição dos bens
económicos. Os bens económicos podem ser distribuídos:
 Por via de autoridade: é a autoridade que atribui a cada individuo, segundo um critério, uma
parcela dos bens existentes – racionamento. [Direito do mais forte.]
 Pela ordem de procuras: os bens são entregues a quem os procura pela ordem de chegada.
[Direito do mais ágil]
 Pelo mecanismo do preço: os bens são entregues aos que por eles pagarem preço mais alto. É
uma forma de racionar, entre os seus potenciais compradores, através do funcionamento
impessoal da oferta e da procura, os bens escassos. [Direito do mais rico]

Podem repartir-se os bens pelos mecanismos do preço, já que este consiste numa quantidade de
moeda que cada um dispõe de forma limitada. Fica limitada pelo preço a procura de bens que cada um fará.
Os bens serão distribuídos por quem pagar mais preço por eles. Assim, o mecanismo do preço não
assegura uma repartição conforme necessidades, mas de acordo com o poder de compra de cada um.

O preço forma-se no mercado e são duas as forças que o integram: a procura e a oferta. A procura
varia no sentido inverso ao do preço (lei da procura) e a oferta varia no mesmo sentido que o preço (lei da
oferta). A lei dos preços diz-nos como se forma o preço no mercado em função das variações na oferta e na
procura.

O ponto O de cruzamento entre as duas linhas é o ponto de concordância entre as disposições de


compradores e de vendedores. Os primeiros, ao preço de Pe, dispõem-se a comprar a quantidade Qe. São
essas quantidades que as empresas se disporão a colocar à venda se o preço que defrontarem for Pe. Este
ponto de cruzamento é o ponto de equilíbrio do mercado e o preço a que se transaciona o produto é Pe.
 Como situação de procura/oferta, este ponto representa a quantidade que os
compradores/vendedores estariam dispostos a comprar/vender se o preço fosse aquele.

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 Mas, como situação de equilíbrio de mercado, significa que ele é o único par de situações que entre
si se pode conjugar, dando lugar a uma posição realizada, efetiva, de entre todas as possíveis
unilateralmente.

Como se afirma que a igualdade da oferta e da procura determina uma dado preço de equilíbrio se a
quantidade que uma pessoa vende é precisamente a que a outra compra? A quantidade comprada há-de
sempre igualar a vendida, seja qual for o preço. Porém, é certo que as grandezas medidas pela estatística da
Q comprada e da Q vendida têm de ser iguais. Mas a que preço P se igualará a quantidade que os
compradores desejam continuar a comprar e a quantidade que os produtos desejam continuar a vender? A
tal preço em que há igualdade entre os montantes planeados que os vendedores e os compradores desejam
continuar a vender e a comprar, e só a tal preço P, não haverá qualquer tendência para a alta ou a baixa dos
preços.
A qualquer outro preço, também as quantidades vendidas e compradas se vão igualar. Mas esta
igualdade estatística não nega de modo nenhum que, a preço tão alto, os vendedores estejam ansiosos por
vender mais do que os compradores que desejam continuar a comprar e que este excesso da oferta
planeada sobre a procura planeada exercerá uma pressão descendente sobre o preço até que este atinja por
fim o nível de equilíbrio em que as curvas se intersetam.
Assim, a lei da oferta e da procura considera que os preços variam no sentido inverso ao da
oferta e no mesmo sentido da procura.
Esta lei dá-nos indicações da deslocação da curva da oferta ou da deslocação da curva da procura de
certo bem sobre o preço de mercado desse bem, desde que verificada a condição coeteris paribus.

Deslocação da curva da oferta

Se a deslocação fosse feita para a cima e para a esquerda,


isso quer dizer que os vendedores estão dispostos a vender,
aos vários preços possíveis, menores quantidades do bem
considerado. Se a procura se mantiver, o preço sobe,
vendendo-se menores quantidades desse bem por outro mais
elevado. Deslocando-se a oferta de S para S1, o preço aumenta
de Pe para P1. O mesmo se pode fazer no sentido inverso,
deslocando-se a curva da oferta para baixo e para a direita,
mantendo-se a procura, P2 menor Pe.

Deslocação da curva da procura

Partindo do ponto de equilíbrio e mantendo-se a


oferta: o preço sobre de Pe para P1 no caso da curva da
procura se deslocar para cima e para a direita (de D para D1);
o preço baixa de Pe para P2, ao invés, se a curva da procura
se deslocar de D para D2,isto é, se os compradores estão
dispostos a adquirir, os vários preços possíveis, menores
quantidades do bem considerado.

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Esta lei dá-nos indicações seguras sobre o grau de variação do preço em consequência da alteração
das disposições de vendedores e compradores, desde que se verifique a condição coeteris paribus.

5. Os vários tipos de mercados


5.1. Mercado de concorrência pura e perfeita

Número de Empresas Dimensão da empresa Tipo de Produto Comportamento da Domínio sobre o preço Condições de entrada
a Vender Empresa no mercado
Muitíssimas Pequeníssima Homogéneo Ajustamento de Nulo Fácil
quantidade

Condições da concorrência perfeita:


a) Atomicidade do mercado – tanto do lado da oferta como da procura, existe um grande número de
unidades económicas sem poderio de influenciar a produção e o preço da indústria.
b) Homogeneidade do produto – Os produtos são idênticos ou homogéneos, não havendo razão para
preferir o produto de uma empresa ao produto de outra.
c) Livre acesso de indústria – Todo aquele que quer dedicar-se a uma determinada exploração pode
fazê-lo sem restrições nem demoras. As empresas não podem opor-se a nova concorrência no
mercado.
d) Perfeita transparência no mercado – Todos os participantes no mercado têm um conhecimento
completo de todos os fatores significativos do mercado, nomeadamente, o vendedores e os
compradores conhecem sempre as quantidades procuradas e oferecidas aos vários preços
possíveis.
e) Perfeita mobilidade dos agentes económicos – cada vendedor pode dirigir a sua oferta a qualquer
dos compradores e cada um dos compradores pode dirigir a sua procura a qualquer dos vendedores.
f) Perfeita mobilidade dos fatores de produção.

Formação do preço no mercado de concorrência perfeita

Período Infra-Curto
A produção não pode aumentar nem diminuir, e portanto a oferta dos vendedores há-de ser feita com
os bens que já se produziram. A alternativa é vendê-los ou estocá-los. Já sabemos que, pelo efeito
substituição os vendedores se dispõem a oferecer maiores quantidades a preços considerados altos do que
a preços baixos, isto é, que a sua oferta vai aumentando À medida que o preço sobe. Neste período é dada
a oferta total da mercadoria. Neste período também não se alteram as necessidades e rendimentos dos
compradores, sendo que a procura é feita com os rendimentos que possuem. A alternativa é gastá-los ou
entesourá-los. Tanto pelo efeito substituição, como pelo efeito rendimento, os compradores dispõem-se a
adquirir menores quantidades a preços considerados altos do que a preços considerados baixos, isto é, que
a sua procura vai diminuindo À medida que o preço sobe. Também nos é dada a procura total da mercadoria.

Lei da indiferença de Stanley Jevons: no mesmo mercado e no mesmo momento não pode haver mais do
que um preço para a mesma mercadoria. Se os bens são homogéneos, é indiferente adquiri-os a um ou
outro vendedor. Mas por que preço? Pelo preço de equilíbrio entre as quantidades que os vendedores estão
dispostos a oferecer e as quantidades que os compradores estão dispostos a comprar. Neste período, o
preço é único traduzindo o equilíbrio da oferta e da procura: preço de equilíbrio momentâneo ou preço
corrente.

Questão das rendas: Por virtude da unicidade do preço, os compradores economizam a diferença
entre o preço que estavam dispostos a pagar e aquele que efetivamente compram. Esta diferença, que é um
benefício, chama-se a renda dos consumidores. Os vendedores ganham a diferença entre o preço por que
estavam dispostos a vender a aquele que efetivamente vendem: rendas dos vendedores. A renda do

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consumidor é fugaz e efémera, enquanto que na renda dos vendedores o preço mínimo é determinado com
base num elemento objetivo – custos de produção. É, assim, duradoura. Porém, o aumento da produção
pode conduzir a uma descida do preço e a uma diminuição da renda dos vendedores.
Assim, o preço de equilíbrio realiza o equilíbrio do mercado, mas apenas momentaneamente.

Período Curto
Neste período as empresas podem aumentar ou diminuir a produção através de várias maneiras.
Este período é suficiente para a variação da produção, mas demasiado breve para a variação de
equipamento. Assim, a oferta e a procura de cada vendedor e de cada comprador são tão diminutas que, se
qualquer um abandonar o mercado, o preço não se modifica. Assim, o preço é encarado como um dado, isto
é, algo independente da ação dos vendedores e compradores.
Assim, neste período os vendedores e compradores contam com uma oferta infinitamente elástica,
ao preço dado, para a oferta e a procura de cada um. Cada empresa conta com este tipo de procura, o que
significa que qualquer das empresas presentes sabe que pode contar com uma procura que, ao preço de
mercado, absorverá todas as quantidades que a empresa consegue produzir. Assim, não faz sentido baixar o
preço nem subi-lo. Para maximizar o lucro, as empresas vão desenvolver a produção até ao ponto em que o
custo despendido na produção adicional (custo marginal) seja igual ao preço de mercado, que é a receita
média. Assim, a regra da maximização do lucro pode enunciar-se da seguinte forma: custo marginal = receita
marginal = preço de mercado.
A partir de que volume de produção arbitrário vale ou não produzir mais uma unidade? Mais uma
unidade trará um certo custo marginal adicional, mas também uma receita suplementar. Como a receita
marginal é superior ao custo marginal, a empresa tem interesse em produzir mais uma unidade, adquirindo
lucro adicional ou marginal. Porém, quanto o custo marginal das sucessivas unidades produzidas é superior
à receita marginal, surge um prejuízo marginal que aumenta com a produção de unidades suplementares.
Também o lucro global é afetado e vai diminuindo. Assim, a posição ótima da empresa é a que se alcança
quando a empresa produz as quantidades que obtêm a um custo marginal igual ao preço de mercado.
E quanto à oferta da empresa? A igualação do custo marginal ao preço só interessa quando
trabalham a custos médios crescentes. Nenhuma empresa pretenderá igualar o custo marginal ao preço
enquanto o custo marginal for inferior ao custo médio, pois, nesta situação, venderia os artigos fabricados a
preço igual ao custo marginal, mas inferior ao custo médio. O custo marginal só se torna superior ao custo
médio na fase dos custos médios crescentes. Toa a empresa quer produzir de forma a que os custos
marginais sejam iguais ao preço, logo a produção das empresas é maior a preços altos do que a preços
baixos.
Assim, os períodos custos oferecerão aquela quantidade de mercadorias cujo custo marginal se
parifica com cada preço. Assim, a oferta das empresas aumenta com a subida do preço. Falamos de uma
curva dos custos marginais.

Período Longo
A empresa atingirá a posição de equilíbrio quando a curva da receita média for tangente à curva do
custo total médio, num ponto de intersecção da curva do custo marginal e da curva do custo total médio.
A empresa realiza apenas lucros normais, isto é, os indispensáveis para decidir qualquer empresa a
continuar a laborar, na expetativa de que a situação seja passageira, procurando integrar o número das
empresas intramarginais, isto é, aquelas que auferem lucros anormais. A empresa marginal é aquela que tem
os custos suportados integralmente pelas receitas, numa quase limiar de subsistência. A indústria é atrativa
quando as outras indústrias que produzem a custos de produção mais baixos vendem ao preço praticado
pela empresa marginal.
Assim, nos períodos longos, os preços que acabam por se estabelecer nos mercados de
concorrência são preços de equilíbrio entre a procura e aquela oferta cujo custo marginal se parifica não só
com tais preços mas com o custo médio da empresa marginal. Este mecanismo de reajustamento até se
atingir a posição de equilíbrio só ganha sentido a longo prazo, falando-se de uma posição de equilíbrio
estável. (Se todas as empresas parificam o custo marginal e a receita marginal e se desaparece a tendência

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para a entrada/saída da indústria, porque todas as empresas realizam lucros normais e funcionam no ponto
mínimo da sua curva de custo total médio.

5.2. Mercado de Monopólio

Número de Empresas Dimensão da empresa Tipo de Produto Comportamento da Domínio sobre o preço Condições de entrada
a Vender Empresa no mercado
Uma única Enorme Homogéneo ou Monopolistica Total Difícil
Diferenciado

A noção de monopólio obtém-se com uma distinção essencial entre monopólio puro e monopólio
isolado: Monopólio puro é aquele que teria a possibilidade de obter todo o rendimento dos consumidores,
qualquer que fosse o seu nível de produção. Na realidade, este não existe, pois todo o produtor está em
concorrência graças à limitação do rendimento dos consumidores (por isso existem os monopolistas
isolados). Este torna-se um caso meramente teórico. Só acontece quando a curva da receita média da
empresa monopolista possuir uma elasticidade igual a um e se acharmos que todos os consumidores gastam
o seu rendimento total na compra de produtos dessa empresa, seja qual for o seu preço. Este monopolista
puro não pode, porém, de deixar de fixar simultaneamente o preço e o volume de produção. Sendo constante
a receita total em todos os níveis de produção, a receita marginal é sempre zero.
O monopolista é aquele que controla a oferta de um produto, que não tem sucedâneos próximos. A
elasticidade cruzada da procura entre o seu produto e os outros é muito fraca. Assim, o monopolista decide o
preço ou a quantidade, tendo em conta as reações de procura. A distinção entre empresa e indústria
desaparece na situação do monopólio, pois a empresa abrange toda a indústria e a curva da receita média
surge como imperfeitamente elástica.
Monópsonio é quando um único comprador pode controlar a procura de um produto, criando-se
monopólios de compra. Esta situação é difícil de se verificar porque os compradores são muitos e falta-lhes o
estímulo profissional para se associarem.

5.2.1. Origem dos Monopólios

 Monopólio Legal: Têm origem na lei que atribui a certa empresa o exclusivo da venda de
determinada mercadoria.
 Monopólio Natural: por virtude da escassez natural de certos elementos, como matérias-primas, só
uma empresa é vendedora deste ou daquele produto.
 Monopólio de Facto: deriva do funcionamento do próprio mercado, havendo uma empresa que
consegue eliminar todas as demais, ficando sozinha em campo. Ou porque uma empresa se dedica
à criação de um novo artigo e, enquanto só ela o produzir, detém o monopólio.

5.2.2. O Principio de Cournot e o preço ótimo de Monopólio

A empresa monopolista dispõe da oferta total e pode, aumentando-a ou diminuindo-a, fazer baixar ou
subir o preço, surgindo este como elemento a determinar. O preço depende da oferta e da procura.
Simplesmente, perante a curva da procura, a empresa monopolista pode estabelecer no mercado o preço a
que corresponda uma procura igual à sua oferta. E como esta é senhora das quantidades oferecidas, então,
conhecendo a procura, fica árbitro do preço.
Mas qual o preço ótimo? A empresa monopolista tem um espirito capitalista de obtenção do máximo
lucro, escolhendo o preço que lhe deixe maior excesso das receitas sobre as despesas totais. O lucro é igual
ao produto das quantidades vendidas pela diferença entre o preço e o custo total médio de cada unidade. O
preço vai fixar-se em função de dois elementos: procura e custo. Contudo, à medida que baixa ou sobe o
preço, aumentam ou diminuem as quantidades procuradas. Por isso, o monopolista não pode controlar os
dois indicadores simultaneamente. O princípio de Cournot diz-nos que o monopolista não é simultaneamente
senhor das quantidades e preços. É por isso que o preço ótimo não coincide com o preço máximo.

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O monopolista, para a determinação do preço ótimo, tem de ter em conta, além da reação da
procura, o custo maior ou menor por que produz as várias quantidades. Na concorrência, qualquer empresa
desenvolve a produção até que o seu custo marginal se pariique com o custo de mercado. E o preço do
mercado é o que a empresa recebe a mais para colocar nele uma unidade adicional. É assim porque a oferta
de qualquer empresa é tão pequena que, por muito que aumente ou diminua, não provocará abixa ou alta de
preços. A receita marginal é a diferença entre a receita obtida pela venda de n unidades e a obtida pela
venda de n+1. Em concorrência perfeita, essa diferença é sempre igual ao preço, pois a venda de mais
unidades faz-se ao preço porque se vendiam as anteriores. A empresa monopolista tem interesse em
desenvolver a produção enquanto o custo marginal for inferior à receita marginal. Como a oferta da empresa
monopolista coincide com a oferta total, o aumento é muito maior, provocando a descida do preço e afetando
as unidades vendidas a mais e as restantes. A receita marginal é sempre inferior ao preço. Porquê? Porque a
descida do preço afeta não apenas as unidades que se vendem a mais, mas também as que anteriormente
se vendiam. Assim, a curva da receita marginal situa-se abaixo da curva da procura, porque o produto das
unidades vendidas a mais pelo respetivo preço, que nos é dado por esta curva, excede sempre aquela
receita. A empresa monopolista vai desenvolver a produção até que o custo marginal se parifique com a
receita marginal.
Preço ótimo de monopólio é o preço de equilíbrio entre a procura e aquela oferta cujo custo marginal
iguala a receita marginal.

5.2.3. Receita Marginal


A receita marginal depende da redução do preço necessária para se venderem mais unidades da
mercadoria. A redução do preço depende da elasticidade da procura. Se for elástica, basta uma pequena
baixa do preço para que a procura aumente muito, vendendo-se as unidades adicionais. Se for pouco
elástica, tem de se reduzir muito o preço. Assim, a receita marginal varia no mesmo sentido da elasticidade
da procura.
Se a procura se torna absolutamente inelástica, a receita marginal é sempre negativa porque a
empresa não vende mais unidades. A receita marginal é ainda negativa quando a elasticidade da procura se
torna menor do que 1, porque o que a empresa recebe a mais pela venda de mais unidades não chega para
cobrir o que ela recebe a menos pela venda a preço mais baixo de unidades primitivas.

5.2.4. Moderadores do Preço


O Preço ótimo é aquele preço ao qual o mercado absorve uma oferta cujo custo marginal iguala a
receita marginal. Isto se o monopolista não verificar qualquer concorrência. Porém este tem de se deparar
com alguma concorrência, como a concorrência de sucedâneos. Se o preço do monopolista é muito elevado
em relação ao preço dos sucedâneos, é natural que se tente que a produção destas últimas mercadorias
para atraírem a clientela da mercadoria monopolizada.
Mas o monopolista de facto ainda conhece uma concorrência potencial, já que outras empresas
podem produzir a mesma mercadoria e entrar em concorrência com o monopolista. O lucro da empresa
monopolista pode vir a surgir como incentivo à formação de novas empresas, que venham partilhar do
mercado e façam perder o monopolista a qualidade de vendedor exclusivo. O monopolista procura fixar o
preço que lhe seja vantajoso e lhe permita lucros a longo prazo, sem que esse preço favoreça o
aparecimento de concorrentes: preço limite. O monopolista é obrigado a comedir-se, mas não muito, porque
a criação de novas empresas leva muito tempo e exige capitais avultados. Esta situação permite também
evitar uma intervenção do estado para sanear uma situação de abuso.

5.2.5. O Preço Múltiplo e a discriminação dos preços


Sendo a procura imóvel, o monopolista pode fazer o que está defeso a qualquer das empresas
concorrentes: exigir preços diversos aos diversos compradores, criando uma multiplicidade de preços.
Sempre que o preço é único, há rendas dos consumidores, pois há pessoas que adquirem a mercadoria a
preço mais baixo do que aquele que estavam dispostas a pagar, em caso de necessidade. O monopolista
consegue, através de preço múltiplo, transformar em lucro seu o que seria da renda dos consumidores, caso
tivesse fixado um preço único.~

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A circunstância de um monopolista vender a mesma mercadoria a preços diferentes aos diferentes


compradores – discriminação de preços – traduz-se no fracionamento do mercado, isto é, na divisão do
mercado em várias secções que equivalem, na prática, a outros tantos mercados. Para esta política de preço
múltiplo, era necessário que não houvesse comunicações entre os mercados fraccionários.

1) Fracionamento no tempo: Vender a mercadoria a preços diferentes em diferentes épocas.


2) Fracionamento no espaço: na mesma época, o monopolista vende a mercadoria a preços diferentes
consoante o espaço.

Serviços diretos são aqueles que só podem ser prestados às pessoas que deles imediatamente se
aproveitam. Não podem ser prestados através de intermediários.
O preço múltiplo permite ao monopolista aumentar os lucros, mas também pode surgir como fonte de
benefício social. (ex. monopólio legal)

5.2.6. Preços de concorrência e preços de monopólio: diferenças.


(1) Preços de concorrência são sempre únicos; o preço de monopólio pode ser único ou múltiplo.
(2) Preço de concorrência coincide com o custo marginal; o preço de monopólio é superior ao custo marginal.
(3) O preço de concorrência satisfaz o maior número possível de compradores; o mercado de monopólio não.
[se admitirmos curvas iguais de custos para as empresas em concorrência e em monopólio]

5.3. Mercado de Concorrência Monopolista

Número de Empresas Dimensão da empresa Tipo de Produto Comportamento da Domínio sobre o preço Condições de entrada
a Vender Empresa no mercado
Muitas Pequenas Diferenciado Polipolistico Reduzido Fácil

O elemento mais característico é o da diferenciação de produtos de acordo com o princípio da


diferenciação mínima de Boulding – Tornai o vosso produto tanto quanto possível similar aos produtos
existentes, mas sem destruir as diferenças. Há diferenciação do produto quando, no espírito do comprador, o
produto de uma empresa não é substituto perfeito do produto de uma empresa que se dedica À mesma
atividade que a primeira. Podemos falar de uma:
(1) Quanto ao próprio produto  Diferenciação material objetiva – natureza do produto – ou
diferenciação jurídica – atribuição de uma certa marca, com a especial proteção jurídica que
decorre da situação de marca registada e que se traduz na proibição legal de outra empresa
colocar no mercado produtos com a mesma marca.
(2) Quanto ás condições de venda  Diferenciação de facto – quando a s condições de venda são
independentes da vontade ou ação do empresário – e Diferenciação provocada – quando esta é
resultado de uma ação sistemática do empresário relativamente ao seu produto e ás condições
da sua venda.

Este fenómeno da diferenciação carateriza o comportamento deste tipo de empresas que tentam
fugir à concorrência das restantes, procurando criar preferências relativas aos compradores. Assim, cada
empresa terá uma certa posição de monopólio para o seu produto que se acentua com a existência de marca
registada. Na empresa monopolista torna-se necessário que cada empresa tenha em conta não só a
elasticidade da procura relativamente ao preço do seu produto mas também a elasticidade cruzada da
procura, pelo facto de que os bens concorrentes pertencem à mesma indústria, integrando o mesmo produto.
No mercado monopolista e no mercado de concorrência perfeita, só há publicidade institucional para tentar,
como um todo, aumentar a procura total do produto.
Na concorrência monopolista, cada comprador detém uma clientela que manifesta preferência pela
variante do produto que este apresenta e este detém o poder de fazer variar o preço desta variedade do
produto. Mas este tem de prestar atenção ás reações desta clientela, pois sabe que venderá mais ou menos
consoante o preço que fixar for mais baixo ou mais elevado – a curva de cada empresa torna-se

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imperfeitamente elástica, surgindo como curva de vendas decrescente, embora não afastada da horizontal:
uma pequena variação no preço, leva a uma grande alteração das vendas esperadas.
A publicidade é, assim, muito importante para a determinação da procura neste tipo de empresas, já
que este é um elemento a determinar em função do preço praticado pela empresa considerada e dos preços
dos bens que concorrem com o seu. Porém, ainda se contabiliza a política das empresas para criar razões
de escolha dos bens por ela vendidos em detrimento dos outros. As despesas dessa politica acrescem no
custo de produção do produto, sendo tanto mais pesadas quanto o grau de sucedaneidade dos bens
produzidos pelas empresas concorrentes. Distingue-se:
(1) Custos de Produção: despesas que é necessário suportar para criar a mercadoria, para a
encaminhar até ao comprador e pô-la à sua disposição, apta para satisfazer as necessidades.
(2) Custos de venda: existência de políticas de venda, dependentes da política de informação do
consumidor e de políticas de persuasão ou sugestão, fornecendo ao consumidor uma razão para
escolher certo bem, em detrimento dos bens concorrentes com este. Custos de venda são
aqueles que a empresa suporta para criar, ampliar ou segurar a procura de um produto.

5.3.1. Formação de preços em concorrência monopolista


O preço que convém a uma indústria será o preço de monopólio, isto é, aquele que lhe deixar mais
lucro – o preço de equilíbrio entre a procura e aquela oferta cujo custo marginal se parifica com a receita
marginal. Ao preço P1, a empresa a encontraria ma dada procura que igualaria a oferta obtida a um custo
marginal igual à receita marginal. Em face da curva do custo total médio, a empresa obtém lucros anormais
avultados, pois vende as quantidades que produz a um custo marginal igual à receita marginal, mas a preço
muito superior ao custo total médio de cada uma das unidades produzidas e vendidas.
Mas falamos de uma empresa de concorrência monopolística e, por isso, as outras empresas, face
aos lucros de uma determinada empresa, têm tendência a produzir mercadorias próximas concorrentes.
Essas empresas estão em condições para anular pela concorrência os grandes lucros anormais das outras
empresas. Assim, a indústria que surgiu com um novo produto primeiro, fica sem lucros porque o preço tem
tendência a fixar-se a um nível igual ao custo total médio.
Assim, com o lançamento de bens similares por parte de outras empresas, aumenta a oferta total do
produto e a procura que se dirigia a uma só empresa diminui e divide-se por outras empresas. Evoluirá esta
situação até a curva da procura for tangente à curva do custo total médio. Para uma empresa recuperar os
lucros tem de investir em publicidade ou criar um novo produto. O preço que a longo prazo acaba por se
estabelecer no mercado de concorrência monopolista é um preço de equilíbrio entre a procura que se dirige a
uma das empresas e a oferta de cada uma delas, cujo custo marginal iguala a receita marginal e o custo total
médio iguala o preço.
Pode acontecer que as empresas marginais acabem por vender os produtos a preço igual ao seu
custo médio, continuando as empresas mais eficientes a vender a preço superior ao custo médio (empresas
intra-marginais), recebendo lucros anormais.
A curva da receita média da empresa em concorrência monopolista pode ser mais elástica a longo
prazo do que a curto prazo. Isto deve-se ao facto de que nestes mercados, todos os bens fabricados pelas
empresas que integram a mesma indústria tendem a tornar-se similares com o correr do tempo, pois todas as
empresas procuram a criação dos bens mais lucrativos.

(1) Em concorrência monopolista, o preço é superior ao de concorrência perfeita.


(2) As quantidades oferecidas em concorrência perfeita são superiores ás oferecidas em
concorrência monopolista.
(3) Realiza-se, neste tipo de empresas, um equilíbrio de desperdício. (todas as empresas produzem
menos do que podiam produzir e produzem a um custo médio superior ao custo médio mínimo.)

A ineficiência social da concorrência monopolista deve-se: aos custos de produção que acrescem os
custos de venda; e o próprio custo de produção que virá já aumentado em consequência da diferenciação do
produto. Esta acarretará prejuízo social quando: (1) a elevação de custos e preços provocada por se estar a

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trabalhar longe da plena capacidade for muito grande, (2) os custos vierem sobrecarregados com encargos
de venda inúteis, (3) subsistirem preços exagerados em comparação com os custos.

5.4. Mercado de Oligopólio

Número de Empresas Dimensão da empresa Tipo de Produto Comportamento da Domínio sobre o preço Condições de entrada
a Vender Empresa no mercado
Poucas Grandes Homogéneo ou Oligopolistico Grande Difícil
Diferenciado

Há outros mercados, em que os bens continuam como diferenciados e em que as empresas


continuam a distinguir material e juridicamente os produtos, mas em que quase a totalidade da produção
cabe às grandes empresas. Esta situação traduz-se no mercado de oligopólio. A situação mais paradigmática
é o duopólio em que duas empresas se encarregam de toda a oferta. Assim, este carateriza-se pela
concorrência entre um pequeno número de grandes empresas, embora possam coexistir algumas empresas
mais pequenas. Há uma dificuldade de entrada das empresas no mercado e verifica-se uma
interdependência conjetural que acarreta indeterminação na procura.
O oligopólio pode justificar-se de duas formas:
(1) O número de produtores e, portanto, o número de vendedores é diminuto porque a dimensão
correspondente ao custo médio mínimo possível é grande em relação à procura total da mercadoria.
(2) Há obstáculos à formação de novas empresas:
a. Obstáculos legais – por exemplo, pela existência de processos de fabrico patenteados ou a
exigência de uma autorização dos poderes públicos para a constituição de novas empresas e
outros regimes de condicionamento industrial.
b. Obstáculos de fato
i. É uma indústria que requer grande quantidade de capitais que são difíceis de obter
em certa época, dificultando a criação de empresas.
ii. Existência de indústrias que reagem fortemente ao aparecimento de qualquer
competidor.
iii. A existência de produtos diferenciados dificulta a afirmação de novas empresas no
mercado, que terão de gastar avultadas quantias com a campanha publicitária que
lhes permita adquirir clientela já consolidada pelas empresas existentes.
iv. A nova empresa teria de lançar-se apenas com alguns tipos de produtos, enquanto
as empresas já existentes apresentam uma gama muito variada de produtos e
preços.
v. A estabilidade ou diminuição das taxas de crescimento da procura dos produtos
dessa indústria.
vi. A indivisibilidade dos recursos produtivos
vii. A importância dos sistemas de venda e distribuição, que implica que a nova empresa
suporte despesas iniciais elevadas para competir com as já existentes nesta área.
viii. Ação preventiva das empresas existentes:
1. Política do preço-limite (ou preço de exclusão): Fixação por parte das
empresas existentes de preços abaixo do nível do máximo lucro a curto
prazo, como forma de afastar, a longo prazo, eventuais concorrentes.
2. Estratégia de investimento em massa: a empresa aumenta o seu capital fixo
mais do que é exigido pelo aumento da procura, de modo a que o
equipamento não esteja nunca completamente utilizado. Assim, se a procura
aumentar, as empresas respondem imediatamente com o aumento da oferta.
3. Controlo do acesso a fatores de produção: as empresas existentes procuram
tornar impossível ou muito custosas para as novas empresas a obtenção de
matérias-primas, de equipamento, de recursos financeiros.

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Estes fatores permitem também compreender o desenvolvimento de formas especiais de entrada:


nas indústrias novas, as grandes empresas que já operam noutras indústrias estendem a sua esfera de
atuação; nas indústrias já estabelecidas, as grandes empresas diversificam os seus produtos e preços.~

5.4.1. O comportamento das empresas oligopolistas


a) Oligopólio perfeito ou sem diferenciação do produto – hipótese em que o produto é tão homogéneo
que uma redução do preço por uma empresa conduzirá imediatamente a idêntica redução por todas as
restantes empresas da indústria. Cada empresa age na suposição de que qualquer mudança de preços
iniciada por ela é seguida de uma mudança semelhante nos seus concorrentes. Os produtos das várias
empresas são tão semelhantes que não pode haver mais do que um preço no mercado.
b) Oligopólio imperfeito ou com diferenciação de produto – hipótese em que uma redução de preço
por uma empresa não atrairá imediatamente todos ou a maior parte dos clientes das outras empresas.
Nestas situações, cada uma das empresas oligopolistas conta com uma clientela mais ou menos segura para
o seu produto. A diferenciação do produto constituirá uma razão de escolha para a maior parte dos
compradores habituais desses produtos.
Cada empresa tem de ter em conta o efeito da sua ação sobre o comportamento das outras
empresas, uma vez que a sua própria situação e atuação serão influenciadas pelo comportamento das suas
concorrentes. Fala-se de uma interdependência conjetural de preços e de volumes de venda: a atuação de A
depende do que este pensa que B fará e vice-versa.
Em oligopólio, a curva de vendas de uma empresa não pode ser dada, isto é, cada empresa, em face
de uma pretendida variação do preço dos bens que ela vende, não pode contar apenas com a reação dos
compradores perante aquela variação do preço, pois ela depende do que as outras empresas dizerem,
especialmente das suas políticas de venda, sendo certo que as reações das outras empresas tem, neste tipo
de mercado, considerável influência sobre o preço.

5.4.2. A indeterminação da procura e a fixação do preço


Nenhuma empresa pode contar com uma determinada curva de vendas. Se uma empresa baixar o
preço, é provável que, devido à reação das restantes, não beneficie de nenhum aumento ou apenas de um
pequeno aumento da procura. Se subir o preço terá uma grande redução na procura. Assim, a preços
superiores aos estabelecidos no mercado, a procura é muito elástica; a preços inferiores, é pouco elástica.
Esta é representada por uma curva quebrada.
As empresas oligopolistas só podem determinar a curva da procura dos seus artigos depois de lhes
fixarem um preço, falando-se de uma indeterminação da procura. Assim, o equilíbrio de mercado não se
verifica através da luta de preços, nem através de mecanismos de atração de novas empresas.
Cada uma das empresas não pode, portanto, praticar preços muito afastados daquele que se fixar no
mercado. Cada empresa se norteia pela ideia de tentar cativar a clientela, aproveitando a sua fidelidade. No
oligopólio com diferenciação de produto, o perigo de uma guerra de preços é menor que no oligopólio
perfeito. É claro que sempre convém ás empresas evitar uma concorrência que signifique lutas de preços,
com as quais todas perderão. Nos oligopólios com diferenciação de produto, há tendência para o preço se
manter em período largo. Os preços rígidos e preços limite correspondem a preocupações com segurança
face, respetivamente, a concorrentes no seio da indústria e outros potenciais.
Com base no acordo entre empresas e a coordenação existente, poemos distinguir:
(1) Oligopólio completamente coordenado – sindicatos ou acordos que centralizam as vendas.
(2) Oligopólio parcialmente coordenado – existência de empresa leader que age como empresa
dominante, empresa barómetro ou empresa designada; cooperação voluntária entre empresas.

Destacam-se ainda fatores de ordem pessoal baseada na tentativa da administração das empresas
facilitar a coexistência pacífica. Os acordos podem ser expressos ou tácitos. A concorrência entre
oligopolistas verifica-se através da publicidade, condições de venda, acesso ás fontes de matérias primas,
controlo as redes de distribuição, inovação técnica e ocupação de posições em todo o espaço disponível.

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2º LIVRO
OS SISTEMAS ECONÓMICOS – GÉNESE E EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO

1. A teoria dos sistemas económicos


Cada período da história corresponde a um certo sistema de organização económica e social. No fundo,
toda a economia é um sistema, já que a entendemos como um conjunto de elementos, de processos e
relações interligados de acordo com um princípio orientador, um princípio de unidade, que assegura
coerência e estabilidade à estrutura constituída por aqueles elementos, processos e relações económicas.
Sistema económico ganhou estatuto científico na aceção de tipo de economia.
Forma económica são os vários modos tipificados de manifestação de um sistema, modos que se
distinguem segundo critérios como o grau de desenvolvimento das forças produtivas, a forma e a dimensão
das unidades de produção, a organização dos sujeitos económicos e o modo de coordenação da economia.
Destaca-se o modo de coordenação: em função dele que costumam distinguir-se as várias formas históricas
do capitalismo.
O conceito de forma económica não existe sem o conceito de sistema económico, porque forma
económica é sempre um determinado sistema. Também é certo que nenhum sistema económico existe em si
mesmo, apresentando-se historicamente sob determinadas formas. Cada economia corresponde à
combinação de vários sistemas, um dos quais surge como sistema dominante, definindo a ordem económica.
A problemática que se afirmará foi ignorada pela Escola Clássica inglesa que defendia que a ordem
económica era comandada por leis naturais de validade absoluta e universal, vendo no capitalismo o fim da
história. Posição diferente teve a Escola Histórica Alemã e Karl Marx.

2. As soluções
2.1. A Teoria dos “Estádios Económicos”
A análise dos Estádios de evolução surge como a preocupação fundamental da Escola Histórica
Alemã que recusam à economia política a natureza de ciência teórica, reduzindo-a a uma ciência histórica.
Passaram a operar com critérios históricos defendendo a sucessão dos sistemas ao longo da história e do
seu processo evolutivo.
a) Friedrich List propôs o critério da atividade dominante, considerando que a vida económica se
desenvolveria em quatro fases: pastorícia; agricultura; agricultura e indústria; agricultura, indústria e
comércio. Esta última corresponde à nação normal.
b) Bruno Hildebrandt atende aos instrumentos de troca: economia natural (troca direta – produtos por
produtos); economia monetária (troca monetária – moeda como intermediário geral das trocas);
economia creditícia (recurso ás vendas a crédito e ao empréstimo bancário.)
c) Karl Bücher destaca o âmbito territorial, sendo o critério essencial a relação existente entre a
produção e o consumo de bens ou, para ser mais exato, a extensão do caminho que os bens
percorrem, na passagem do produtor ao consumidor. Teríamos três fases:
a. Economia Doméstica: confinada a um âmbito territorial muito restrito – família, domínio
senhorial, etc…
b. Economia Urbana: Centrada na atividade artesanal das cidades, que entravam em relações
de troca com as populações agrícolas vizinhas.
c. Economia Nacional: Resultante do desenvolvimento das relações de troca entre os vários
núcleos urbanos.
d. Economia Mundial (Schmöller): novo período de trocas entre as comunidades nacionais.

2.2. Teoria dos Modos de Produção


Iniciada por Marx, esta teoria defende que a estrutura fundamental de cada sistema económico
assenta nas relações sociais de produção, isto é, nas relações que entre si desenvolvem as várias categorias
de agentes económicos, podendo definir-se estas relações, no plano jurídico, pela relação que se estabelece
entre trabalhadores e meios de produção. Três situações paradigmáticas:
1) Produtos diretos são proprietários dos meios de produção – sistema de produção de mercadorias
simples ou independente.

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2) Meios de produção pertencem a outra pessoa diferente do produtor direto, permitindo que o
proprietário dos meios de produção assuma o controlo produtivo, contratando trabalhadores e
apropriando-se do sobreprodutos social. (Capitalismo)
3) Não há propriedade privada dos meios de produção e estes pertencem a toda a comunidade,
cabendo a esta a direção do processo produtivo, revertendo o produto social para a coletividade dos
produtores. (Socialismo)

2.2.1. A conceção de Marx


A evolução histórica dos meios de produção, para Marx, assentam no facto de o desenvolvimento
das forças produtivas conduziu a certa altura, a uma contradição entre estas e as relações sociais de
produção, por tal forma que estas passam a constituir obstáculos ao pleno desenvolvimento daquelas. Para
um determinado sistema económico ser coerente é necessário que as relações sociais de produção estejam
em correspondência com as forças produtivas. Se esta correspondência deixar de se verificar, o sistema
económico está prestes a desagregar-se, dando lugar a outro – lei da necessária correspondência entre a
natureza das relações de produção e o caráter das forças produtivas.

Meios de Produção: tudo aquilo sobre que vai incidir a força de trabalho do Homem.
Meios de trabalho: todos os objetos de que os homens se servem para transformarem a realidade
física sobre a qual atuam. Destacam-se os instrumentos de produção dos quais depende o domínio do
Homem sobre a natureza.
Forças produtivas: conjunto de instrumentos de produção, dos objetos de trabalho e do próprio
homem, com a sua força de trabalho, os seus conhecimentos e técnica. Para o marxismo, as forças
produtivas são o elemento mais dinâmico da produção, embora as relações de produção entre os homens
exerçam influência ativa sobre elas.
Relações de produção: São as relações que os homens mantêm entre si no quadro do processo
produtivo, as quais se manifestam na relação entre os sujeitos ou agentes económicos e os meios de
produção, e que têm a sua expressão jurídica nas formas de propriedade dobre os meios de produção. É a
natureza da propriedade sobre os meios de produção que determina a posição relativa dos homens no
sistema de produção social, marcando a divisão da sociedade em classes. A natureza das relações sociais
de produção é que determina a titularidade do poder de direção do processo produtivo, explicando o critério
em que preside essa direção, no qual se opera á distribuição do produto social, etc…

Toda a produção pressupõe qualquer tipo de propriedade, sendo que a distribuição do produto social
depende da forma como se apresenta essa apropriação dos meios de produção, embora se reconheça que
as formas de distribuição, troca e consumo, atuam sobre a produção, estimulando-a ou entravando-a. Marx
carateriza os sistemas económicos pelos modos de produção e distingue cada modo de produção pela
natureza das relações de produção: comunismo primitivo, esclavagismo, feudalismo, capitalismo e
socialismo.
O Marxismo é uma visão económica da história, mas também visão histórica da economia que faz da
luta de classes o motor da história e de sucessão dos vários sistemas económicos e sociais. Marx torna a
história uma histoire raisonee ao trazê-la para o seio da teoria económica. Marx defende que as categorias e
leis económicas são históricas que só ganham significado em relação a certo sistema historicamente
localizado, negando o seu caráter ahistórico e natural.
A construção teórica de Marx procura explicar o processo global da evolução social que resulta da
interação dialética de fatores de várias ordens, traduzindo um movimento dialético não linear em que cada
estádio do processo evolutivo é superior ao estádio que o antecede e em que cada novo modo de produção
encontra o seu fundamento e sua explicação no desenvolvimento histórico das contradições inerentes ao
anterior.
À luz da teoria marxista, a estrutura política faz parte da superestrutura, sendo esta determinada pela
base económica, a infraestrutura. (Explicação: A estrutura política goza de uma autonomia relativa. Porém,
não faltam trechos em que se faz repassar uma conceção economicista em que há uma determinação
absoluta da superestrutura pela infraestrutura.) Á visão economicista estreita opõe-se a conceção

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voluntarista, que atribui autonomia e eficácia absolutas á ação política e à luta de classes. Estes são os dois
polos extremos dentro dos quais se tem desenvolvido a discussão no quadro do pensamento marxista.

2.2.2. A conceção de Sombart


Sombart propõe outro critério histórico, apelando a três elementos que distinguiam os vários sistemas
económicos:
(1) O espírito (objetivo fundamental da produção)
(2) A forma (o conjunto de elementos sociais, jurídicos e institucionais que constituem o quadro dentro
do qual se desenvolve a atividade económica, as relações entre os sujeitos económicos…)
(3) A substância (técnica utilizada)

Defende a existência de um sistema de economia fechada; sistema de economia artesanal e sistema de


economia capitalista. A passagem do feudalismo para o capitalismo explicar-se-ia por um conjunto de fatores
que alterou o espirito da época. No caso do capitalismo, Sombart não procurou o elemento caraterizador em
qualquer dos aspetos da estrutura económica ou do funcionamento, nem considerou que a essência do
capitalismo reside na natureza das relações de produção que lhe são próprias. Na ótica de Sombart, o
capitalismo distingue-se pelo seu espírito da busca do lucro enquanto síntese do espirito burguês da Europa
Moderna, do artesanato medieval e do espírito de aventura e de empreendimento do homem moderno.
O homem pré-capitalista era um homem natural que satisfazia as suas necessidades naturais. O homem
capitalista veio alterar todos os valores do homem natural, orientando-se por um novo espírito e uma nova
atitude de procura sistemática e racional do lucro.

2.3. A Teoria dos “tipos de coordenação”


Eucken procura descobrir os tipos abstratos de organização económica, isto é, as ordens
económicas puras, às quais seriam suscetiveis de reconduzir-se todos os sistemas ou organizações
concretas, passados ou presentes. Este parte do princípio que a atividade do homem enquanto produtor se
desenvolver em torno de um plano orientador daquela atividade, defende que o importante é saber quem dita
o plano.
Nas economias de mercado, os indivíduos traçam autonomamente os seus planos, cuja coordenação
se opera no mercado, através da concorrência entre os vários operadores económicos. Nos mercados
formam-se os preços e é o sistema de preços relativos que serve de critério orientador das opções e
decisões de cada um dos agentes económicos. É no mercado que se define a lógica segundo a qual
funciona a economia. O mercado dita o plano.
Nas economias de direção central, esta é dirigida a partir do centro, com base num plano único
imposto pelo estado às unidades técnicas de produção e aos consumidores, cabendo ao estado determinar
os objetivos e prosseguir os meios a utilizar e preços a fixar.

3. Apreciação crítica
3.1. Escola Histórica
Estes denunciaram a construção da economia clássica em trono do homo Oecunomicus, provando a
sua fuga à realidade. Puseram, também, em causa certas leis absolutas, eternas e universais – leis naturais
reguladoras da vida económica – defendendo que os estudos económicos devem ser encarados numa
perspetiva histórica, sendo vistas como produtos históricos.
Estes defendem que a economia passa por um processo produtivo idêntico ao crescimento de um corpo
orgânico, reconhecendo uma evolução histórica, mas que é feita por fases, procurando leis que só seriam
válidas para determinada fase. Estas surgiam como critérios meramente descritivos, exteriores ao processo
evolutivo, incapazes de compreender os fatores que explicam a passagem de um sistema para outro.
Os critérios de List, Hildebrandt e Bücher, atendendo apenas a elementos da estrutura económica da
sociedade, somente dão conta da evolução das forças produtivas, mas não apreendem o processo de
evolução da economia nem explicam a sua dinâmica. Esta só resulta quando se tem em conta a relação
dialética entre o desenvolvimento das forças produtivas e a natureza das relações sociais de produção no

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seio das quais aquelas se desenvolvem e com as quais entram em contradição. É esta contradição que
conduzirá a um novo estádio superior de desenvolvimento.
As limitações do seu método impediram de ir além da mera acumulação de dados relativos à atividade
económica. A Escola Histórica negou a possibilidade de qualquer teoria de história. O método histórico
genético renuncia à elaboração teórica, criando-se fases independentes entre si pelas quais deviam passar
todas as sociedades. Limitam-se a uma história dos factos económicos.

3.2. Critério de Sombart


O problema da transição dos sistemas é encarado numa perspetiva culturalista e explicado, não a partir
de fatores económicos, mas de fatores de ordem cultural ou espiritual. No fundo antecipa, as linhas mestras
do Homo Oecunomicus cujo comportamento deriva da natureza humana. Também os homens do feudalismo
e do capitalismo extraem os seus princípios do seu comportamento do espírito da época. Esta situação gerou
discussão em torno dos fatores e acontecimentos que geraram a criação do espirito do capitalismo. A
esterilidade de tal debate reflete-se na teoria de Sombart ao sobrestimar os elementos espirituais e
subestimar os elementos materiais e económicos. Assim, este não consegue distinguir os aspetos essenciais
de cada sistema e o que distingue as leis históricas que regulam o processo social de produção e distribuição
dos bens necessários à satisfação das necessidades humanas. É ainda incapaz de compreender a dialética
da evolução das várias formações sociais e as leis que explicam o processo histórico de passagem de uma
forma de sociedade para outra.

3.3. Teoria dos tipos de coordenação


Esta teoria tem a vantagem de oferecer o conhecimento sobre o funcionamento global concreto da
economia. Uma economia de mercado, embora tolere um certo espaço de propriedade pública, não pode
dispensar o domínio da propriedade privada dos meios de produção – capitalismo- e uma economia de
direção central pode tolerar uma certa propriedade privada, mas não pode dispensar a propriedade coletiva
dos principais meios de produção, solos e recursos naturais – socialismo. A teoria de Eucken subordina a
propriedade dos meios de produção aos tipos de coordenação, fazendo depender aquela destes. Mas não
parece correto fazer do diferente modo de funcionamento de cada economia em concreto o elemento
distintivo dos sistemas económicos. Porque este tipo de coordenação é compatível com sistemas
económicos diversos – economias centralizadas foram diversas ao longo da história, desde o esclavagismo
ao nacional-socialismo alemão. Assim, a teoria dos tipos de organização não é capaz de fornecer um critério
de distinção entre sistemas tão diversos que podem incluir-se num dos dois tipos considerados.
O critério de Eucken afasta qualquer tipo de perspetiva histórica do desenvolvimento dos povos. Este
critério anti-histórico é incapaz de esclarecer acerca das causas e do sentido da evolução de um sistema
económico para outro, encarando o problema numa perspetiva funcional. Esta teoria permite entender a
dinâmica interna do sistema, mas não pode substituir a teoria dos sistemas económicos, porque as formas
económicas são sempre formas de um determinado sistema.

3.4. Posição do curso- Teixeira Ribeiro


O que distingue os sistemas é o modo de produção, isto é, a natureza das relações de produção e a
forma de repartição do produto. Só depois virá o móbil da atividade económica. Poderá mesmo dizer-se que
é a natureza das relações sociais de produção que distingue os sistemas.
Só assim se fala do socialismo como sistema caraterizado pela propriedade coletiva dos meios de
produção e do capitalismo como sistema que assenta na propriedade privada dos meios de produção – uma
propriedade perfeita absoluta, que exclui os não proprietários que têm de se tornar assalariados. Conforme a
natureza das relações de produção, varia a forma que assume o excedente social e a titularidade de controlo
desse excedente. (Capitalismo – lucro, proprietários dos meios de produção; Socialismo – fundo social,
instituições políticas).
Esta forma permite-nos caraterizar o modo como se processa a direção da economia e o critério que
preside À distribuição do produto social, a natureza e o destino do excedente social, e permite ainda explicar
o sentido da evolução histórica dos modos de produção. Esta tese é a mais adequada distinguindo os
sistemas pela afirmação de certas forças produtivas e formas de organização material da produção – a base

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económica no seio da qual se desenvolvem as relações sociais de produção a partir da qual se desenvolvem
as superestruturas.

CAPÍTULO 1 – DO COMUNISMO PRIMITIVO AO CAPITALISMO

Conclusões a alcançar:
(1) Transição de um sistema para outro é fruto de um processo contínuo de transformação.
(2) Cada sistema económico que a história regista é produto da evolução dialética do sistema que o
precedeu.
(3) Há uma racionalidade na ordem cronológica de sucessão.
(4) A evolução se verifica de tal modo que nenhum sistema consegue substituir integralmente o anterior,
falando-se apenas da existência de elementos definidores dominantes que não afetam a
sobrevivência de elementos de sistemas anteriores.

1. Comunismo Primitivo
A qualidade de produtor que cria os instrumentos de trabalho para produzir certos produtos a partir
da natureza para satisfazer as suas necessidades é exclusiva do ser humano. Durante séculos, as forças
produtivas eram muito rudimentares, pois a produção quase não chegava para a subsistência dos seres
humanos. Começou a confecionar instrumentos muito simples, tornando-se coletor. As tarefas eram levadas
a cabo em pequenas comunidades para caçar e se defenderem mutuamente, sendo a necessidade do
trabalho coletivo inerente às condições de vida próprias das comunidades primitivas que explicam a
propriedade comum da terra.
Não havia propriedade privada ou diferenciação social. A organização coletiva e a disciplina do
trabalho resultavam da força do costume, prestigio e poder de que gozavam certos membros, não havendo
lugar para o estado enquanto aparelho de poder. No período coletor, a única divisão do trabalho conhecida
era em função do sexo: os homens na caça e as mulheres nas colheitas. A lenta acumulação de invenções
aumentou a produtividade do trabalho e o homem começou a trabalhar os seus produtos, começando a
fixarem-se as tribos, abandonando-se o nomadismo. O sedentarismo ajuda ao aumento da produtividade,
começando a surgir excedente que se traduzia em reservas de alimentos, possibilitando uma divisão do
trabalho mais avançada e um aumento populacional.
Estas condições conduziram á revolução neolítica, com o aumento da agricultura, domesticação e
criação de animais. O excedente social tem grande importância, assim como a capacidade de o produzir de
forma regular e permanente, pois potenciou a capacidade de produção de alimentos e lançou as bases da
civilização. Nenhuma sociedade se podia desenvolver sem a existência de excedente, pois as pessoas
estariam ocupadas a tempo inteiro para garantir a sua subsistência. Assim, o desenvolvimento implica a
criação de excedente social, isto é, de uma produção superior ao que é necessário para renovar a produção
em períodos seguintes.
Com a sedentarização começaram as famílias a reservar as terras particulares para a agricultura,
embora a sua posse continuasse a ter como pressuposto a existência de uma comunidade e a propriedade
coletiva da terra. A agricultura desenvolve-se, com sementeiras, irrigação… O trabalho de metais deu origem
ao artesanato. O desenvolvimento dos instrumentos de trabalho e da técnica aumentaram a produtividade.
Assim, começa a ganhar sentido a exploração do homem pelo homem, começando a surgir os escravos que
eram obrigados a trabalhar para os senhores se apoderarem do excedente criado. Cada vez mais surge uma
divisão da sociedade em classes e o aparecimento do estado como instrumento de domínio de um grupo
social sobre outro.

2. O Esclavagismo
Assenta na produção do trabalho forçado de mão-de-obra escrava: os senhores alimentam os
escravos e aproveitam-se do produto do seu trabalho. Surge o estado esclavagista como aparelho de
coerção e de domínio, obrigando a maioria da população a trabalhar para uma maioria dona dos meios de
produção e do seu trabalho. O trabalho escravo criou grandes excedentes e acumulação de riquezas.

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Mas era a conquista de novos territórios capazes de fornecer novos escravos e mais impostos ao
fisco que aumentou as riquezas. As conquistas militares de Toma enriqueceram os grandes donos de
escravos e de grandes propriedades, porém arruinaram os pequenos proprietários livres e os artesãos das
cidades que eram entretidos na miséria com pão e circo. Os conflitos no seio dos homens livres começaram
a abalar as estruturas da sociedade romana, chegando a verificar-se movimentos de revolta dos escravos
contra os seus senhores.
Com Caracala, deixa de ser a aristocracia a classe dominantes, para passarem a ser os cobradores
de impostos que respondiam diretamente perante o imperador e cuja autoridade se transmites
hereditariamente. Diocleciano generaliza o pagamento em espécie aos funcionários, começando os grandes
proprietários a constituir economias fechadas, colocando-se os pequenos proprietários sob a sua proteção.
Para facilitar a cobrança de impostos, institui-se o regime de colonos, enquanto regime de grande
propriedade, mas sem bases técnicas capazes de proporcionar índices razoáveis de produtividade do
trabalho agrícola. O colonato não passou de um sistema próximo do esclavagismo e com os seus problemas.
Em virtude das suas contradições, o modo de produção esclavagista tornou-se incapaz de progredir,
deixando as relações de produção de acompanhar o desenvolvimento das forças produtivas. Uma crise
enorme no seio do estado romano foi-se desenvolvendo e os povos bárbaros começaram lentamente a
infiltrar-se pelo império ou perto das suas fronteiras. A invasão bárbara ajuda à destruição do sistema
esclavagista, conduzindo progressivamente ao feudalismo – primeiro com a criação de comunidades de
aldeia, baseadas no campesinato livre organizado em comunidades rurais; depois, com a criação de uma
aristocracia fundiária que vai ser sustentada pelos camponeses livres ameaçados pelo clima de insegurança
que, com um compromisso de fidelidade pessoal, passam a integrar as terras dos senhores e a prover o seu
sustento. Assim, surgem os servos e regressa-se a uma atividade económica quase exclusivamente rural.
Com as invasões normandas no século IX, os delegados de administrações reais constroem
fortificações a cuja proteção se acolhem as populações indefesas e que se tornam quase independentes do
poder real, considerando-se apenas vassalos a quem os reis concedem poderes sobre uma parte do seu
domínio, concedendo eles, por sua vez, direitos idênticos aos seus subordinados. Assim se constitui a
sociedade feudal e se desmembra o estado.

3. O feudalismo
3.1. Caraterização geral
Toda a vida pessoal era marcada pela dependência pessoal que caraterizava todo o tecido da
sociedade feudal, independentemente da natureza jurídica exata do vinculo de distinção de classes. No grau
inferior, as relações de dependência encontraram o seu enquadramento natural no senhorio rural, onde o
vínculo de dependência pessoal tinha uma aspeto económico. Feudalismo é um regime jurídico-politico que
assenta na agricultura e onde o poder político é exercido por uma classe de proprietários de terras. As terras
estavam divididas em:
(1) As terras que o senhor reservava para si e que explorava utilizando o trabalho não pago dos
servos e colonos obrigados à corveia.
(2) As terras à disposição dos camponeses para eles as cultivarem para satisfazer as susas próprias
necessidades.
(3) As terras comunais, utilizadas pelos camponeses e pelo senhor, para fornecer lenha, madeira,
etc…
Os proprietários tinham o domínio direito da terra pois decidiam que porção atribuir aos produtores
diretos e podiam exigir uma renda pelo uso da terra, não contando com outros poderes, como impor ou
proibir culturas, reservar para si moinhos, etc… Os camponeses tinham apenas o domínio útil das terras. Os
servos não podem abandonar as terras, tendo deveres de servidão. A propriedade feudal surge como
propriedade imperfeita, pois os proprietários não podem expulsar os servos das terras que lhe garantem o
sustento. Há, assim, uma relação de servidão pessoal, com direitos e deveres de ambas as partes. A força
de trabalho não é uma mercadoria autónoma, pois os homens não são livres de vender a sua própria força
de trabalho. O estatuto jurídico político da servidão faz com que nem a força de trabalho, nem o produto do
trabalho servil sejam mercadorias, pois não podem ser trocadas ou vendidas. E isto torna-se respeitado pois
os senhores assim o determinam, complementando a ideologia dominante.

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A exploração dos produtores é feita através de compulsão político-legal direta, por coerção
extraeconómica. A propriedade da terra surge como fundamento do poder económico e politico – que surgia
como descentralizado e fragmentado, não deixando, porém, de existir estado e a natureza política da sua
classe existe exercida pelas classes dominantes para garantir a apropriação do sobreproduto criado pelos
servos.
O excedente social foi apropriado pelos senhores sob a forma de rendas. As trocas eram
essencialmente internas e diretas entre os produtores. A economia feudal era bastante fechada, já que o
domínio senhorial era a unidade de produção e de consumo, produzindo-se o que se consome. A
inexistência de mercado leva a que os bens só tenham valor de uso, dando-se acumulação de valores de
uso.

3.2. Desagregação da sociedade feudal


3.2.1. Enunciado do problema
O problema da passagem do feudalismo para o capitalismo é um problema controvertido, desde logo
quanto à questão de saber se deve reconhecer-se autonomia ao sistema de economia artesanal de Sombart
e quanto à relevância a atribuir ao período do capitalismo comercial. Teixeira Ribeiro não reconhece como
modo de produção a economia artesanal, pois esta nunca teve um caráter dominante, afundada pela
economia rural dos domínios senhoriais. As novas atividades económicas desenvolvidas nas cidades e a
partir delas exigiam uma liberdade de movimentos incompatível com as regras da vida feudal. Por isso, os
habitantes começaram a lutar pela obtenção de direitos e privilégios, contra a oposição dos senhores.
Os privilégios das cidades eram territoriais e de natureza idêntica aos que os senhores feudais
tinham nas suas relações com o suserano. As cidades adquiriram estatuto jurídico político diferenciado. A
sociedade medieval surgia dividida em estados ou ordens, verificando-se uma fragmentação da política e do
direito. Com as revoluções burguesas, cada vez mais surge um estado centralizado no qual o individuo surge
como fundamento da sociedade. Destaca-se também o desenvolvimento da indústria urbana, das próprias
cidades e das relações comerciais e mercantis.

3.2.2. Produção para uso/produção para a troca


A ocorrência de conflitos e dificuldades vão minar as relações de servidão que eram a base do
sistema feudal. Estes conflitos internos, aliados aos fatores externos a ter em conta levaram à desagregação
do feudalismo. Há autores que defendem que a esta passagem se deve ao facto de o comércio ter originado
o aparecimento de um sistema de produção de troca que entra em conflito com um sistema de produção de
uso. Esta posição não parece correta porque a busca do que há de essencial num sistema não deve fazer-se
ao nível das relações de troca, mas ao nível das relações de produção. Não importa saber se numa
economia se verifica a produção de mercadorias e se a moeda é utilizada, mas a questão de saber como são
produzidas as mercadorias e qual a função que a moeda desempenha. Durante muito tempo, a moeda
funcionou como moeda-capital. Inicialmente, as mercadorias eram produzidas por escravos, e
posteriormente, por servos, existindo ainda trabalhadores livres e autónomos (uma minoria).
No funco, o que carateriza o feudalismo são as relações de produção de tipo servil, segundo as quais
os trabalhadores exploram a terra para si e para o seu senhor, entregando-lhe o sobreproduto. O
desenvolvimento do comércio e da economia monetária não têm de implicar uma diminuição da servidão.
Porém, foi o que se verificou em certas áreas da Inglaterra.

3.2.3. As contradições internas – fugas dos servos


O que fez ruir o feudalismo foi a sua ineficiência como modo de produção, perante as necessidades
crescentes de rendimento por parte das classes senhoriais. A produtividade do trabalho era baixa e a única
forma dos senhores enriquecerem era exigir um aumento do trabalho servil. Isto gerava conflitos entre
senhores e feudais. A necessidade de fortalecer militarmente, levou os senhores à prática do sub-
enfeudamento e o fausto e ostentação, assim como as campanhas militares (cruzadas) implicavam grandes
gastos que absorviam todo o sobreproduto. As populações sofriam de fome, miséria e carências alimentares
sérias. A crise levou os senhores a exigir mais impostos aos camponeses, o que gerou mais revoltas.
Verifica-se um êxodo rural enorme, diminuindo em grande escala o número de trabalhadores servis. O

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declínio do feudalismo deve-se, em grande parte, à incapacidade da classe senhorial dominante de


conservar o controlo sobre a força de trabalho servil.

3.2.4. Fatores externos: a expansão do comércio e o desenvolvimento das cidades


O movimento de fuga dos servos vai decorrer paralelamente com o desenvolvimento das cidades
medievais que ofereciam melhores condições de vida e liberdade, assim como ofertas por parte dos
burgueses que necessitavam de trabalhadores e soldados. No seio dos feudos, a indústria era escassa e
numa fase inicial surgia como meramente subsidiária e complementar da agricultura. Com o aumento da
produtividade agrícola, começaram a criar-se, dentro dos domínios senhoriais, núcleos de indivíduos que se
dedicavam exclusivamente ao trabalho industrial, fazendo dele os eu modo de vida. Foram estes artesãos
que fogem primeiro para as cidades.
As economias dos domínios rurais não eram exclusivamente economias para uso, verificando-se
algumas trocas diretas. As cidades funcionavam como entrepostos desse comércio a longa distância, que
fornecia aos senhores o que o domínio não lhes dava. O comércio desenvolveu-se pelas rotas
mediterrânicas, estimulando novas artes, técnicas de trabalho, forças de produção, etc… Para o advento do
capitalismo foi fundamental a libertação dos servos e da coação das corporações. Porém, o fator que abriu
caminho à nova classe capitalista foi a expropriação dos camponeses que os lançou ao mercado de trabalho.

3.2.5. Síntese
Perante a fuga dos servos, os senhores tiveram de lhes conceder mais liberdades, transformando as
rendas em dinheiro, as prestações de trabalho e as rendas em espécie. A maior liberdade trouxe a
separação dos produtores diretos dos meios de produção. A emancipação dos servos levou à libertação dos
proprietários fundiários que não tinham de respeitar os direitos dos servos e prover à sua subsistência,
passando a recorrer a contratos de arrendamento de duração curta, para poderem aumentar periodicamente
a renda. A renda em dinheiro continua a ser uma renda feudal, permitindo aos senhores beneficiar da maior
produtividade do trabalho não compulsório, através do aumento das rendas no momento de renovação do
contrato.
O pagamento das rendas trouxe a necessidade dos camponeses venderem os seus produtos no
mercado, surgindo as crescentes relações de comércio e surgindo uma produção para venda. A exploração
agrícola servil foi substituída pela exploração agrícola feita pelo rendeiro Surgia o embrião das relações
capitalistas. O desenvolvimento do comércio e artesanato gerava novos produtos e vontade de os adquirir, o
que explica as crescentes necessidades de rendimentos monetários por parte da classe dos senhores
feudais. O pagamento das rendas em dinheiro facilitou o acesso ao mercado e a realização de grandes
despesas.
Por fim, o desenvolvimento do comércio e a expansão e consolidação das cidades agravaram os
conflitos no seio da sociedade feudal e permitiram a cumulação de capitais que serão aplicados na produção,
mediante a contratação de trabalhadores assalariados – modo de produção capitalista.

Tese de Paul Sweezy  Desagregação da sociedade feudal tem a ver com a afirmação progressiva
de um sistema de valores de troca em detrimento de um sistema baseado em valores de uso.

Tese do Dr. Avelãs Nunes (Marxista)  A mudança de sistema verifica-se quando se mudam as
relações sociais de produção de uma forma massiva. Tal deve-se a fatores de ordem interna (fuga dos
servos para as cidades, diminuição da absorção do sobreproduto pelos senhores, crescimento da classe dos
trabalhadores duplamente livres) e fatores de ordem externa (desenvolvimento do comércio e da indústria
artesana).

4. A transição para o capitalismo


4.1. A acumulação primitiva do capital
Esta é uma designação dada ao processo de transição do feudalismo para o capitalismo. Há duas
teses fundamentais que procuram explicar este processo. A primeira é a de Adam Smith que explicou que a
cumulação do capital serve de base de arranque ao capitalismo. À partida, todos têm possibilidade de

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enriquecer. Porém, há trabalhadores que são frugais e parcimoniosos, capazes de gerir o dinheiro que
ganham. Fala-se de uma previous acumulation que depende da atividade económica e da parcimónia que
surge como característica endógena da burguesia, havendo tendência desta enriquecer.
O Dr. Avelãs Nunes segue esta marxista que defende duas condições que tornaram possíveis as
relações de produção capitalista:
- A acumulação de capitais nas mãos de uma nova classe social;
- A separação dos produtores dos meios de produção e a emergência de uma nova classe social de
trabalhadores livres.
Um conjunto de diversos fatores históricos tiveram influência crucial para a afirmação do capitalismo
como novo sistema. Destacamos:
 Acumulação de Capital
 Cruzadas: Desenvolveram um intenso tráfego comercial entre a Europa e o próximo Oriente,
enriquecendo mercadores com avultadíssimos lucros que permitiram a acumulação de capital. Um
grande conjunto de várias riquezas aflui à Europa.
 Capital usurário: Séc. XIV e XV verifica-se o enriquecimento de usurários, banqueiros,
especuladores, etc… A acumulação de dinheiro provinha dos empréstimos a juros elevados aos
camponeses e nobres.
 Especulação com os preços dos produtos, perante os frequentes períodos de penúria. A
especulação comercial também se foi afirmando pelo tráfego que, a partir da Península Ibérica se
estabeleceu com o Oriente e a América. Os produtos europeus eram pagos por enormes
quantidades de ouro e prata.
 Viagens atlânticas de portugueses e espanhóis abriram novos mercados e trouxeram novos
produtos para a europa. Criou-se um mercado mundial, com grandes oportunidades de lucro que
foram sugadas pelas grandes sociedades com atributos próximos da soberania. A mundialização do
comércio foi o primeiro passo em torno da globalização.
 Grande período de invenções que foi o século XV, com a invenção de fornos, progressos na
metalurgia, refinação, ciência náutica, etc… Grande desenvolvimento de conhecimentos
astronómicos, cartográficos, marítimos e de novas técnicas utilizadas na arte de navegar.
 A exploração colonial que trouxe para a europa riquezas dos povos autóctones que foram gastas
em despesas sumptuárias e militares, caindo nas mãos dos grandes mercadores e banqueiros,
poderosos intermediários dos negócios coloniais. Os povos colonizados foram dominados com a
coerção, tornando o fluxo de ouro e prata para a Europa enorme.
 O valor do ouro e da prata em relação ao valor dos outros bens era menor, assistindo-se a uma
fase de inflação crescente, devendo-se os lucros desta subida de preços à exploração das riquezas
mineiras do Novo Mundo e do trabalho das suas populações. A subida do custo do ouro no século
XVI conduziu a uma revalorização, baixa dos preços e diminuição da acumulação de capital.
 Desenvolvimento da classe da burguesia comerciante, em desfavor da nobreza rural e das classes
trabalhadoras. A nobreza vê-se arruinada com as rendas fixas a longo prazo. A riqueza passa a
residir nas ações das sociedades, nos títulos representativos de hipoteca,etc...
 Proletarização dos camponeses pobres
 Enclosures: A sorte das massas camponesas havia de sofrer as consequências do afluxo de
capitais À agricultura. Os campos foram ocupados por gado lanígero, especializando a agricultura
com vista à produção para o grande comércio, proletarização dos camponeses, enfim, em moldes
capitalistas. A nobreza entendia a riqueza como fonte de prestígio e de poder, constituindo
unidades agrícolas de grande dimensão, até ai dispersas por pequenos camponeses. Os grandes
proprietários de terras apropriaram-se das terras comunais e dão origem às enclosures. A
usurpação pela força da propriedade comunal e a apropriação privada dos domínios do estado
foram acompanhadas da transformação de terras de cultivo em terras de pastagem. As terras caem
nas mãos de uma aristocracia fundiária, transformando-se em objeto de comércio, como convinha à
burguesia. Com a Reforma, muitos camponeses foram separados das terras, passando a viver na
miséria, procurando trabalho como assalariados. A prática das enclosures teve vários efeitos:
acabou com o livre acesso ás terras comunais; reduziu as terras de cultivo; privou os camponeses

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de meios de subsistência; provocou a inflação alimentar; despovoamento de campos;


desenvolvimento da grande propriedade…
 Reforma Agrícola: Possibilitou o aumento do desenvolvimento económico, técnico e científico, com
a supressão do pousio, substituído por um sistema continuo de rotação de culturas; introdução de
culturas novas; melhoria técnica; seleção de sementes; melhoramento de terras aráveis; uso de
cavalos. O aumento da produtividade permitiu a criação de um grande excedente, alimentando uma
população crescente, mesmo sem aumento dos salários; libertando mão-de-obra para a indústria;
aumentando a população; potenciando a industrialização.

 Proletarização dos trabalhadores na indústria


 Indústria artesana: Séc. XII e XIII, desenvolveram-se as cidades em sentido económico. A atividade
industrial era levada a cabo em pequenas oficinas da propriedade do artesão, tratando-se de
negócios de família. A produção baseava-se numa produção de mercadorias simples ou de
pequena produção mercantil. Estes artesãos eram pequenos produtores autónomos que viviam dos
seus rendimentos, produzindo por encomenda ou para os mercados locais. A técnica era
rudimentar e pouco progressiva. A necessidade de defesa perante o mercado levava a que estes se
agrupassem em corporações de artes e ofícios.
 Indústria assalariada no domicílio: O desenvolvimento do comércio por toda a europa levou a um
aumento das relações entre cidades. A expansão do mercado dificultou o acesso dos pequenos
artesãos a este, quer pela sua distância, quer pela incapacidade produção maciça. Os artesãos
começam a vender os seus produtos por intermédio de um comerciante que está em constante
contacto com o mercado. O pequeno produtor perde o controlo do produto do seu trabalho. O
comerciante começa a atribuir ao artesão as matérias-primas e os instrumentos de produção
necessários. Assim, o artesão perde a sua independência como produtor, pois não dispõe os meios
de produção- passa ter um patrão. O produtor autónomo dá lugar ao assalariado, que trabalha para
um patrão em troca de um salário. A separação dos produtores dos seus meios de produção foi
mais cedo na atividade mineira e metalúrgica.
 Manufaturas: A iniciativa de produção por parte dos capitalistas verifica-se sobretudo a partir de
uma nova forma de organização da atividade produtiva, criando bases para a grande indústria
moderna – manufatura. As manufaturas é a reunião de operários que trabalham com meios de
produção que lhes são fornecidos e com matérias-primas que lhes são entregues, sendo pagos
através de um salário. Estas tinham inúmeras vantagens como a supressão dos intermediários que
o sistema de indústria no domicílio exigia; reduz os custos de produção e permitem o controlo
direito do patrão; aumentaram a produtividade em virtude da especialização interna e da sujeição
dos trabalhadores a um ritmo e a um horário de trabalho. Surge a empresa como organização
produtiva, subdividindo o processo produtivo em várias fases – especialização interna do trabalho,
que permite a utilização de toda a mão-de-obra, mesmo desqualificada. Assim, os custos de
produção diminuíram muito. Os assalariados ficaram completamente dependentes do seu patrão e
do salário que este lhes paga. A propriedade capitalista e as relações de produção capitalistas
penetram, assim, na indústria.
Chegaram mesmo a formar-se manufaturas reais, muitas delas com monopólios e privilégios,
concedendo o estado apoios e proteção aos centros onde se instalavam as manufaturas
capitalistas, garantindo-lhes proteção, com prémios, monopólios e direitos alfandegários.
O capitalismo só surge com a obtenção do poder político pela burguesia, instaurando uma estrutura
do poder que lhe permita aplicar na produção os capitais acumulados e a mão-de-obra disponível,
desenvolvendo a indústria à margem dos obstáculos do feudalismo.

4.2. A Reforma
A Igreja Católica, enquanto proprietária de terras era pedra angular na sociedade e economia
feudais. A derrota do feudalismo, passou também pela derrota do poder da Igreja Católica. O
desenvolvimento da ciência conduz a um questionamento da fé. A burguesia, das universidades e comércio,
revoltavam-se contra a igreja católica e os seus dogmas. O protestantismo ajudou a dar espirito ao

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capitalismo, deixando de se condenar o comércio como modo de vida, aceitando-se o desejo de enriquecer
como moral, permitindo-se o empréstimo de dinheiro a juros. Estas permissividades devem-se, em grande
parte, ao desenvolvimento do comércio. O trabalho passa a ser considerado como instrumento da realização
do plano divino. Os homens passam a esforçar-se para ser ricos, já que a riqueza é entendida como sinal da
bênção de deus Surge um self-made-man, conquistando a vida económica autonomia e à valorização de
capitais.

4.3. A formação dos Estados Modernos da Europa


Por volta dos séculos XV e XVI assiste-se à constituição dos estados nacionais, unificados e
centralizados que apoiavam a burguesia e ajudando as empresas e atividade industrial a prosperar e a
desenvolver-se. Os Estados modernos deram ainda grande apoio ao comércio e à indústria capitalista
nascente, apoiando burguesias nacionais, promovendo a exploração colonial e protegendo as manufaturas
capitalistas, perante as prerrogativas das cidades e dos produtores estrangeiros.

4.4. A ‘Revolução Inglesa’ e a Revolução Francesa


A Inglaterra foi a primeira grande potência capitalista, sendo eu esta revolução inglesa traduz-se num
longo e lento processo que levou a burguesia inglesa a tomar conta do comércio e a controlar a atividade
produtiva e a ocupar o poder político. Destacam-se os atos de navegação de Cromwell, com vista a defender
os interesses da burguesia inglesa, o pacto colonial, para estabelecer circuitos comerciais fechados entre as
colónias e a metrópole e a ocorrência da Glorious Revolution. Ao nível das relações com Portugal, destaca-
se o Tratado de Methwen que confere uma posição quase monopolista à Inglaterra no que respeita ao
comércio têxtil com Portugal. Assim, no séc. XVIII, a Inglaterra ficava senhora do grande comércio mundial.
Quanto à Revolução Francesa, esta deve-se a uma aceitação por parte da aristocracia a uma nova
ordem burguesa, comprometendo-se a partilhar o poder e os mesmos direitos. De uma forma bastante
violenta, vai-se afirmando a burguesia no plano social, económico e político, permitindo que o capitalismo se
afirme e se desenvolva nos termos em que o conhecemos. Chegamos a falar de um estado burguês,
emergente como estado de classe.

4.5. A Revolução Industrial


Há vários fatores que nos permitem compreender a revolução industrial, sendo importante destacar a
importância da revolução agrícola, a substituição da força humana e animal por outras formas de energia, o
aumento da produtividade e do ritmo de crescimento económico da época que esta potenciou, o crescimento
demográfico, o reconhecimento do capitalismo e de um novo proletariado, assim como a luta pela
organização desta nova classe (nomeadamente no plano sindical, com a sua legalização e reconhecimento
constitucional.).
Vários fatores explicam porque foi a Inglaterra o berço da primeira revolução industrial:
 A revolução agrícola facilitou a transferência de mão-de-obra para atividades económicas
não agrícolas e mais atrativas. Permitiu ainda uma grande produtividade agrícola, graças aos
landlords, tornando esta atividade altamente lucrativa e permitindo a quase autossuficiência
agrícola do país.
 A marinha mercante dominava o comércio mundial, sendo fortemente apoiada pelo estado e
representando uma ampla e sólida parte das atividades potenciadoras do desenvolvimento
tecnológico. Abria, ainda, um mercado alargado para as novas indústrias, facilitando a
obtenção de matérias-primas, desenvolvendo o sistema de transportes que unificava o
mercado interno…
 Desenvolvimento de políticas protecionistas levadas a cabo pelo Estado.
 Superioridade técnica inglesa no campo da construção naval. Destacam-se também as
grandes descobertas técnicas aplicadas à indústria, destacando-se a invenção da máquina a
vapor. A aplicação das máquinas à indústria leva à substituição das manufaturas pelas
fábricas – “oficinas onde a atividade dos operários se conjuga mediante a especialização
interna e é potenciada pelas máquinas.”.

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 Revolução energética assente na descoberta da força do vapor de água. Com a


generalização do uso das máquinas, o processo de produção torna-se coletivo, dando origem
à maquinofatura.

É de destacar a indústria têxtil inglesa, onde a produtividade foi extrema, principalmente com o
surgimento da máquina de fiar e a abundância de matérias-primas. É também de destacar o desenvolvimento
do setor mineiro, graças à força do vapor, permitindo a diminuição dos custos da extração de carvão utilizado
nas linhas de caminho-de-ferro crescentes. Amplia-se, assim, o mercado dos bens de consumo e dos bens
de capital em geral. A penetração de capital na esfera da produção, a introdução de máquinas na produção e
nos transportes marcam o triunfo do capitalismo centrado na fábrica e na separação definitiva e total do
produtor e dos trabalhadores assalariados.
As novas estruturas económicas do capitalismo obrigavam a uma constante valorização do capital,
tornando o sistema capaz de progredir em todas as direções. O excedente social assume a forma monetária
e é apropriado pelos proprietários dos meios de produção que podem contratar mão-de-obra, conseguindo
converter o dinheiro em capital. O excedente é destinado à acumulação e a concorrência das empresas e
lutas laborais transforma parte desse excedente em capital adicional. A concorrência obrigava a vender-se
em preços baixos e a falta de trabalhadores mantinha os salários altos. Surgem novas técnicas de produção,
aumentando exponencialmente a produtividade.

A Revolução industrial provocou uma explosão demográfica e a uma urbanização crescente. A


indústria deixou de absorver todos os trabalhadores, e as condições de trabalho, assim como os salários,
diminuíram. As condições laborais eram miseráveis e opressoras, surgindo pobreza, doenças laborais, etc…
Nas cidades, a poluição é imensa, assim como as epidemias. Surgem problemas sociais de criminalidade,
prostituição, etc… Ainda importa afirmar a utilização de trabalho infantil, em condições críticas e inseguras.
Nasce uma civilização de desigualdades, radicalizando a estrutura social.
As ideias liberais da Revolução Americana e Francesa influenciaram a Inglaterra, procurando que o
estado democrático gastasse menos dinheiro no setor armado e abolisse as sinecuras em benefício das
elites dominantes, combatendo a corrupção. Porém o Governo inglês procurou conter as insurreições das
classes baixas e das suas tentativas de adquirir benefícios. Surge, no entanto, a história da associação
sindical, primeiramente sob a forma da London Corresponding Society (muito punida pelo Governo), quer
através de lojas, clubes ou sociedades mutualistas – protegendo os seus aderentes e recorrendo à greve
para confrontar as dificuldades. A luta do operariado visava melhores salários, diminuição da jornada de
trabalho e melhores condições laborais. A aprovação das Corn Laws só confirmou que o Governo estava ao
serviço dos grandes proprietários, criando inúmeras revoltas.

Só por volta de 1830, começam a surgir sindicatos gerais e modernos que abrangiam membros de
todo o país. Rapidamente o movimento associativista se vai desenvolvendo em torno do socialismo e do seu
apoio à classe trabalhadora. Foi a Reform Bill de 1832 que permite a alteração do xadrez das forças políticas,
acabando com o monopólio político da aristocracia e da burguesia financeira, outorgando à nova classe
dirigente industrial o direito de representação no Parlamento. Esta reforma leva, porém, a uma reação dos
parte dos assalariados, criando-se um grande sindicato geral que, através de guerras e lock-outs, tenta fixar
um horário máximo de trabalho – só em 1840-1850, é que surge a Tem Hours Bill e a chamada Semana-
inglesa, começando a doutrina da época a defender que o bom desempenho do capitalismo poderá carecer
de uma intervenção do estado. Concluindo, afirma-se o poder da burguesia industrial e a defesa do
livrecambismo.

CAPÍTULO 2 – DO CAPITALISMO DE CONCORRÊNCIA AO CAPITALISMO MONOPOLISTA DO


ESTADO

O capitalismo só se afirmou como modo de produção autónomo quando as relações de produção


capitalistas penetraram na indústria, o que aconteceu com o surgimento da maquinofatura graças ás várias
industrializações que se foram verificando, acompanhadas do desmantelamento das fronteiras aduaneiras

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internas. Começaram, assim, a surgir os primeiros capitalismos nacionais do século XIX. Até aos nossos dias
assistimos a várias alterações no seio do capitalismo que importa caraterizar e explicar.

1. O Capitalismo de Concorrência
1.1. A economia, esfera de ação exclusiva dos particulares
O capitalismo de concorrência, liberal ou individual, utiliza-se para referir a realidade económica
característica dos países onde se verificou a revolução industrial. Carateriza-se por:
(1) Existirem um grande número de pequenas empresas, muitas vezes individuais ou familiares,
gozando os empresários de absoluta liberdade de iniciativa com vista à obtenção do máximo
lucro tendo em conta o preço formado no mercado.
(2) Há uma livre concorrência entre as empresas, já que nenhuma consegue exercer influência
sensível sobre a oferta e, sendo elas muito numerosas em cada indústria, é difícil estabelecer
acordos entre elas com vista ao controlo de preços e do mercado.
(3) Os bens vendidos são homogéneos e, por isso, a clientela não era segura, considerando-se
existir uma plena transparência no mercado. (compradores e vendedores dispõem das mesmas
informações sobre as condições dos mercados)
(4) A concorrência desenrola-se de forma a surgir um mecanismo pelo meio do qual os
consumidores orientam a produção. Assim, considera-se que o consumidor era o último detentor
do poder económico: soberania do consumidor. O mercado era um instrumento automático de
controlo e direção da economia. Como as empresas eram pequenas, os capitais necessários
para abrir uma nova fábrica não eram muito avultados e como o mercado era aberto, sempre
apareciam novas empresas no mercado enquanto a indústria fosse lucrativa para s investidores.
O aumento das empresas, conduz a uma maior oferta e consequente diminuição dos preços,
exigindo um constante esforço de inovação técnica.
(5) Nas condições de concorrência perfeita, o mercado e o mecanismo dos preços eram tidos como
garantes de eficiência social do sistema, sendo que o mecanismo dos preços forneceria aos
agentes económicos a informação necessária para que eles pudessem decidir racionalmente. O
respeito pelos princípios de cálculo económico garantiria que as empresas que permanecessem
no mercado produzissem a maior quantidade de mercadorias ao menor preço possível. Só assim
se satisfariam as necessidades e são os comportamentos errados das pessoas que conduzem a
crises no capitalismo.
(6) A economia funcionaria por si, segundo as suas próprias leis e à margem da política. A economia
é uma esfera totalmente particular e separada do estado. Defendia-se a tese da mão invisível de
Adam Smith, defendendo que se cada individuo procurasse prosseguir o seu bem-estar, as leis
naturais da economia e o livre jogo dos mercados conduziriam a um bem-estar social e á
eficiência e equilíbrio da economia.

1.2. O Estado enquanto pura instância política, separada da economia


Defende-se a separação rigorosa entre o estado e a economia, cabendo a política ao estado e
dizendo respeito a vida económica À esfera privada dos indivíduos. O estado era um mero estado guarda
noturno que só intervia para garantir a ordem social e assegurar o pleno desenvolvimento da liberdade
individual através das suas instituições. O estado é um estado mínimo que intervém o menos possível na
economia. O papel passivo atribuído ao estado não o impedia de desempenhar a função do estado
capitalista.
O estado legislava sobre as condições de trabalho, atuando no âmbito das suas funções de polícia,
nomeadamente para reprimir os movimentos coletivos dos trabalhadores – era a arma da ditadura da
burguesia face ás reivindicações operárias. Destaca-se o exemplo da lei de 1841 que admitia o trabalho
infantil e que foi visto como uma interferência do estado na economia que atentava contra a liberdade de
empresa. O estado continuou a levar a cabo a sua política colonial, a tomar medidas protecionistas da
economia e a impor ás colónias o livre-cambismo favorável ás indústrias da metrópole. Os moldes da
economia dispensavam a intervenção do estado na regulação dos conflitos de interesses entre o
empresariado. O estado policia sinaleiro não intervia de forma sistemática para regular o trânsito. Bastava

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que o fizesse esporadicamente. Devia apenas manter-se neutro e defender o capitalismo, garantindo
também a separação estado/economia.

1.3. O estado de direito liberal


Estado de direito assenta sobre três princípios: democrático (soberania popular); liberal (separação
do estado/economia); e de direito (sujeição do estado ao direito). Daqui decorrem os direitos fundamentais da
liberdade e propriedade. Destes princípios também decorre a reserva de lei, a legalidade da administração ou
a separação dos poderes. As leis exprimiam a vontade geral expressa no Parlamento e a ordem natural da
economia privada, mantendo o estado e a economia separados para que esta última, baseada na
propriedade burguesa e nas relações de produção que daí sairiam, se desenvolvesse sem interferências
externas., pondo-se fim à história e deixando as leis naturais guiarem os mercados e as sociedades.
O direito ocupava-se de definir as regras do jogo na ordem jurídica burguesa, surgindo um direito
positivo que era aprovado pelo Parlamento, procurando criar um clima de confiança indissociável de uma
ordem económica assente na liberdade individual e na propriedade privada. Surge o princípio da
generalidade das leis, da sua não retroatividade e da separação dos poderes e independência dos juízes.
O estado de direito surge como a bandeira da burguesia na luta contra o estado aristocrático-
absolutista, sendo, porém, uma arma para manter a chamada ditadura da burguesia.

2. O Capitalismo Monopolista
Surge no último quartel do século XIX e fica marcado pela concentração capitalista e consequente
monopolização da economia. Esta nova fase do capitalismo fica marcada pela alteração das estruturas
económicas do sistema, caraterizadas por poucas grandes empresas, à volta das quais existem pequenas
empresas sem capacidade de influenciar o mercado, substituído pela mão visível das empresas
monopolistas. Fala-se de concentração oligopolista já que a indústria é controlada por um pequeno número
de grandes empresas com condições de impor preços aos consumidores. Estas grandes empresas vieram
conferir um caráter social à propriedade dos meios de produção.
As novas técnicas implicariam a compra de equipamentos muito caros e as grandes empresas exigem
investimentos elevadíssimos, estando esta questão na base da expansão das sociedades dos ações,
começando a surgir as sociedades. As características deste período do capitalismo ficam marcadas pela
concentração monopolista ao nível das empresas privadas em vários dos mais importantes setores da
economia; exportação de capitais privados e recrudescimento do colonialismo e afirmação da importância do
capital financeiro, tanto no processo de concentração, como no movimento de exportação de capitais e na
exploração de colónias.

2.1. A concentração de capitais


Fatores que podem explicar o processo de concentração capitalista a partir dos anos 70 do século XIX:
(1) A concentração é consequência direta da concorrência. Esta centra-se na busca de novas condições
de produção, permitindo custos de produção mais baixos, para que se aumentem os lucros,
principalmente das pequenas empresas que não têm meios para exercer uma influência significativa
no mercado e nos preços. As empresas que não acompanhassem o progresso técnico desapareciam
ou iam sendo absorvidas por outras com mais capacidades de produção. As leis próprias do modo de
produção capitalista conduzem à concentração do capital.
(2) O progresso técnico é fundamental para a concentração capitalista, sendo que as novas tecnologias
capazes de produzir grandes quantidades de produtos exigiam capitais avultados. Esta inovação
favoreceu a concentração pois alargou o mercado, graças ao crescimento demográfico e ao
desenvolvimento de meios de comunicação e transporte que se revelariam num alargamento
geográfico, tornando o capitalismo sistema mundial.
(3) As crises cíclicas provocam o desaparecimento de empresas e estimulam a cartelização das
empresas maiores.
(4) O capital bancário é importante, dada a natureza de instituições de centralização de capitais, como
grandes bancos que forneciam à indústria os capitais que esta precisava. É o chamado capital
financeiro. Este asfixiou as pequenas empresas e promoveu a criação de grandes grupos financeiros,

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associando a atividade bancária à atividade industrial e comercial, permitindo, ainda, a centralização


e concentração dos meios financeiros indispensáveis à definição e execução da estratégia
imperialista do capitalismo. Muitas vezes, deve-se aos bancos a criação de monopólios
internacionais. Destaca-se ainda a sua importância na construção de linhas ferroviárias e constituição
de empresas coloniais.
(5) O fato da industrialização ter sido, em grande parte, na segunda metade do século XIX em alguns
países teve a sua importância na expansão da concentração a todo o mundo capitalista. Estes
países ficam marcados, não pela antiga burguesia, mas por um grupo de empresários que lançaram
mão das técnicas mais modernas e alicerçaram a sua industrialização em unidades de grande
dimensão, para poderem colher as vantagens inerentes à produção em grande escala. O caso dos
EUA, Alemanha e Japão são paradigmáticos de países cuja indústria nasceu já fortemente
concentrada.

2.2. A emergência do imperialismo: a corrida ás colónias e a exportação de capitais privados.


A segunda onda de globalização.
A concentração torna possível o entendimento entre as grandes empresas no sentido de não
baixarem os preços, o que muitas vezes implica a limitação da produção. Os lucros monopolistas constituem
capital em busca de campos de investimento que não podem ser os campos dos setores monopolizados.
Embora os monopolistas aufiram lucros globais elevados, podem não ter interesse em investir na sua
indústria pois tal pode resultar numa diminuição do preço. É necessário investir em setores ainda não
monopolizados ou procurar a exportação de capitais para outros territórios. O excedente de capitais que
procura novos campos de investimento acompanhou-se ainda de um apetite de capital novo. Inicia-se a
exportação de capitais privados que se iniciou no final do século XIX. A exportação de capitais privados, a
corrida às colónias e a partilha de territórios coloniais entre as grandes potências, num processo em que os
estados nacionais desempenharam um papel central, são as características do imperialismo no final do
século XIX.

Nos primeiros tempos de revolução industrial, a burguesia liberal era apoiante do livre-cambismo
externo. Sem terem de enfrentar grande concorrência externa, os países industriais procuraram novos
capitais para a produção. Conforme a concentração se afirma, a fome de capitais dá origem a um excesso de
capitais e carência de campos de investimento. Afirmam-se os territórios coloniais já que a expansão colonial
abria novos mercados e propiciava campos de ação, onde podiam ser construídas grandes empresas
exploradoras das matérias-primas e mão-de-obra baratas.
As potências europeias empenharam-se na grande campanha ideológica para apresentar o
imperialismo como uma espécie de desígnio nacional, capaz de resolver os problemas sociais das
metrópoles e reduzir a tensão entre as classes sociais. Foi o período da segunda revolução industrial, que
lançou as bases de uma segunda onda de industrialização, estabelecendo o capitalismo como sistema
mundial, facilitando a internacionalização do capital. Destaca-se a descoberta de novas fontes de energia
como a eletricidade e o petróleo que permitiram a racionalização e o melhoramento do trabalho
nomeadamente com a produção em série e a estandardização.
As novas indústrias surgiram a partir de grandes empresas, aquelas que melhor respondem às
exigências da amortização de enormes somas de capitais fixos, em período de acelerado desenvolvimento
tecnológico.
Desenvolve-se também a organização científica do trabalho e a investigação técnica e tecnológica.
Foi o incremento dos meios de transporte e as comunicações que se unificou definitivamente o mercado
mundial. As crises cíclicas tornam-se mundiais. Esta unificação do mercado mundial traz problemas às
potências capitalistas, pois são concorrentes umas das outras nos vários tipos de mercados. Assim, a
exportação de capitais não fez esquecer a exportação de mercadorias. Aquela é um meio para impulsionar
esta. Umas vezes, condicionam-se os empréstimos a conceder a governos ou a empresas privadas
estrangeiras à compra dos produtos necessários no país exportador de capitais. Outras vezes, a exportação
efetua-se sempre através do expediente da constituição de filiais que comprarão à empresa mãe ou a outras

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da metrópole a tecnologia e maquinaria de que careçam e até os bens de consumo para o seu pessoal.
Exemplo de tal são as relações entre a Inglaterra e a India.
Num contexto de um sistema mundial do capitalismo assente em economias nacionais com
interesses conflituantes, a concorrência entre as várias indústrias nacionais obrigou a adotar medidas
protecionistas do mercado interno e ainda a defender as empresas nacionais da invasão de capitais e
mercadorias estrangeiras nos territórios coloniais. Mais uma vez, o papel dos estados nacionais é
determinante. A corrida ás colónias no século XIX foi marcante pelos conflitos que gerou entre as potências
capitalistas e pela situação que criou aos territórios dominados, sejam ou não formalmente independentes no
plano político. Este regime colonial trouxe a divisão do trabalho à escala mundial que irá fazer dos países
dominados produtores de bens primários e meros exportadores de matérias primas, ficando totalmente
dependentes das metrópoles que absorvem a sua independência económica. Surgem os países
subdesenvolvidos e consigo uma civilização de desigualdades.

3- Capitalismo Monopolista do Estado


A Primeira Guerra Mundial é o marco que inaugura o capitalismo monopolista de estado, isto é, o período
em que o estado assume cada vez mais o estatuto de capitalista coletivo: numa economia monopolizada,
cabendo ao estado a função de proteger a estrutura económico-social dominante, o estado é o estado do
capitalismo monopolista, em correspondência com a nova estrutura do capitalismo: o capitalismo monopolista
de estado.
Assim, transformou-se a estrutura económica do capitalismo, apesar de se manterem poucas grandes
empresas quase monopolistas, as grandes sociedades anónimas e os sindicatos. Porém, agora verifica-se a
transformação no modo de articulação da estrutura económica com a estrutura política. O estado surge como
o agente que movimenta a parte mais importante do rendimento nacional. A própria política é hoje
económica, sendo até o próprio direito procura a regulação da economia. É este novo estatuto que se afirma
neste tipo de capitalismo.

3.1. Primeira Guerra Mundial


Os primeiros anos do século XX ficaram marcados pelo desenvolvimento industrial e pela conquista de
mercados internos e coloniais, desenvolvendo-se a produção e as técnicas. Porém, exigia-se ás empresas
que se alargasse a sua esfera de ação. Esta concorrência e conflito agudizou-se entre a Inglaterra e a
Alemanha, ambas grandes potências. Do jogo de interesses resultou a guerra, que viria a destruir as
estruturas económicas e sociais que poderiam dar algum sentido ás teses defendidas pelo liberalismo
económico.
As exigências da guerra no que toca à orientação da produção conduziram ao estreito controlo da
economia por parte do estado. A necessidade de disciplina pública da economia forçou a ampliação de
funções do estado e desenvolveu as estruturas organizatórias e administrativas. Terminadas as hostilidades,
a economia encontrava-se distorcida e direcionada para vertente militar. Muitos dos setores tiveram de ser
reestruturados para se adaptarem à nova realidade, obrigando à intervenção do estado.
A Europa imperial deixou de ser o centro financeiro do mundo, vendo-se obrigada a recorrer ao crédito
americano, sendo os países obrigados a abandonar o padrão-ouro. Desenvolveu-se uma atitude de
nacionalismo económico e de protecionismo, o que retraiu o comércio internacional.
O que mais importa deste tema é saber que a guerra alertou para o facto de que o estado não pode ser
sinaleiro e tem de intervir para evitar acidentes e manter o funcionamento da máquina capitalista. O Estado
era, agora, responsável pela economia. Esta questão foi provada com o caso do Sherman Act.

3.2. Revolução de Outubro


A Europa do pós guerra ficou marcada pela hiperflação, desvalorização da moeda e inviabilização do
funcionamento do mecanismo dos preços de mercado, destruindo a racionalidade do capitalismo. Recorre-se
á fuga da moeda que conduz mesmo ao surgimento de casos de troca direta. A Revolução de Outubro na
Rússia levou a uma expansão das ideias socialistas e comunistas. Foi o medo da expansão deste ideário,
que assolou as classes médias e altas, que vai abrir portas ao nacionalismo e ao ideário fascista. Enquanto
isso, surgem, na Rússia, as coletivizações por força dos planos quinquenais.

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3.3. A emergência do Estado Social


A vida negaria por si mesma que a tese da mão invisível estava incorreta graças ao progresso técnico,
ao aumento da dimensão das empresas, da concentração do capital, do fortalecimento do movimento
operário, etc… Falhado este pressuposto, impõe-se confiar no estado para controlar o plano social e
económico. Surge o estado social que procura a justiça social para todos, surgindo uma mão visível do
direito. O estado social aumentou a autonomia da instância politica sobre a economia, satisfazendo
aspirações sociais.
A generalização dos conflitos nos países capitalistas e a emergência do socialismo perturbam o equilíbrio
da ordem económica da liberdade individual e da propriedade, conduzindo a um novo papel do estado e do
direito. Procuraram-se soluções de compromisso e o qualificativo social assume, mesmo para a burguesia,
um ar protetor e tranquilizador. O direito social surge, assim, como o compromisso necessário para garantir a
paz social. Este compromisso era muito desenvolvido pelo ideário socialista, começando a criar opositores ao
capitalismo. A Grande Depressão confirmou a importância da intervenção estatal na economia, política e
sociedade.
Considera-se que rutura do sistema capitalista só pode ser evitada a partir do estado. O estado social
propõe-se os mesmos objetivos do estado liberal: assegurar a coesão social, isto é, o equilíbrio económico e
social. Assim, a economia torna-se um objeto susceptível de conformação pelas políticas públicas. Este
estado económico procura a justiça social, atenuando os conflitos de classe e devolvendo a paz ao
capitalismo. É assim que se forma um estado empresário e tecnocrático. Três notas básicas que provam esta
responsabilidade social coletiva:
(1) Estado cima das classes, procurando a prossecução da paz e o fornecimento de serviços e bens.
(2) Oportunidades iguais de acesso ao bem-estar
(3) Garante a possibilidade de todos participarem no poder social.

3.4. Constituição de Weimar e o seu compromisso


Terminadas as hostilidades da primeira guerra afirmam-se as estruturas representativas dos
trabalhadores, aumentando o seu peso politica e a sua capacidade de influenciar o sentido da intervenção do
estado. Daí o compromisso weimariano. Assim, esta constituição põe em causa a tese da autonomia das
forças económicas, assumindo que a intervenção do estado na economia deve visar não apenas a
racionalização da economia, mas também a transformação do sistema económico, integrando a economia na
esfera da política.
Surge um Estado Social na Alemanha, defendendo-se que certos setores de utilidade social devem
ser nacionalizados, assim como os monopólios. O compromisso weimariano marca a diferença entre o
estado social e o estado socialista, pois recusava o confisco puro da propriedade privada, garantindo aos
expropriados uma contrapartida. Introduz-se a ideia de programação económica, planificação urbanística e
do território e de direito sociais. É ainda reconhecida a liberdade de organização sindical.
Esta constituição ainda disciplinou a propriedade privada, realçando a função social da propriedade e
o princípio da co-gestão, num sentido de colaboração de classes – como meio de aumento de produtividade
e paz social. Por isso se diz que a Cosntituição de Weimar foi uma solução de compromisso.

3.5.A Situação noutros países.


Reino Unido: Perde a Hegemonia politica e económica e as más condições geram grande conflitualidade
económica.
França: São criados planos de reconstrução que foram concretizados pela ação estatal. A Grande
Depressão cria a Frente Popular que combate o fascismo e defende a paz, o emprego e as boas condições
de vida. Apesar de tudo, não se consegue afirmar o Estado social. As nacionalizações bastaram-se ao
armamento. No sistema bancário, a intervenção do estado foi modesta.

3.6. A Década de 1920


Foi a década de ouro do capitalismo mundial, nomeadamente com o inicio da sociedade de consumo
e da produção e consumo em massa. Cada vez mais se afirma a publicidade como forma de ciração de
necessidades aos consumidores, assim como aumenta a disponibilização de crédito para consumo . O

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fordismo diminui grandemente os custos de produção. Recorre-se á compra e venda de ações e a livre
concorrência dá lugar á luta oligopolistica. A concentração monopolista torna-se indisfarçável.
As atividades oligopolisticas favoreceram a concentração económica e as práticas oligopolistas.
Ficava, contudo, descoberta a instabilidade estrutural da economia capitalista.

3.7. A Grande Depressão. O New Deal.


A Grande Depressão foi a maior crise capitalista de sempre, confirmando que este não se segue pelo
objetivo da satisfação das necessidades, mas sim pela maximização do lucro. E quando este objetivo não é
atingido, interrompe-se a acumulação, baixa a produção, destrói-se o capital existente e deixam de se utilizar
recursos disponíveis, com sacrifício do consumo e da satisfação das necessidades de milhões de pessoas.
Perante o crash da bolsa e as dificuldades e problemas económicos e sociais gerados, a
administração americana continuava a acreditar na tese das finanças sãs que eram a primeira exigência de
confiança necessária para o regresso à prosperidade e de que a intervenção do estado equivaleria À
destruição do capitalismo.
Foi Roosevelt que defendeu uma política ativa – New Deal enquanto conjunto de operações de
salvamento da economia, procurando obter o apoio popular através de apoios sociais e económico-
financeiros. O New Deal procurou também satisfazer os grandes empresários regulando a atividade bancária
e o mercado financeiro e fazendo deles parceiros do estado no governo da economia. A economia americana
passa a ser organizada corporativamente.
A inviabilidade do primeiro New Deal conduziu a uma reformulação virada para a promoção do
emprego e do apoio aos trabalhadores. Roosevelt abandona, neste segundo New Deal, a tese do equilíbrio
orçamental, passando a adotar a proposta keynesiana de combater a crise compensando a quebra do
investimento e do consumo privados com o aumento das despesas públicas financiadas mediante recurso ao
défice.
O clima de euforia dará origem a outras teses defensoras da estagnação permanente que marcou a
década de 30. Alguns autores defendem que só se ultrapassou a grande depressão graças ao rearmamento
e à economia de guerra que marcou o mundo capitalista com a Segunda Guerra.

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Descarregado por Catarina Fernandes (scatarinabarbosa12@gmail.com)

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