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RESENHA COM ANÁLISE MERAMENTE CRÍTICA SOBRE O FILME UM SONHO


POSSÍVEL ACRESCIDOS DOS ASSUNTOS ABORDADOS NA CADEIRA
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

UM SONHO POSSÍVEL. Direção de John Lee Hancock. Produção de Broderick


Johnson ,Andrew Kosove ,Gil Netter. Estados Unidos: Alcon Entertainment, 2009
(120min).

TICIANO SAMPAIO
UNIVERSIDADE TIRADENTES

O filme apresenta a adoção tardia de um adolescente do ensino médio que


teve muito cedo suas garantias não efetivadas, a sua tríplice proteção (Estado,
família e sociedade) falhou, e pelo estado na sua infância embora tenha sido
afastado de sua mãe biológica, a criança demonstrou que fugiria de qualquer família
por aparente descuido das intervenções estatais.
O que aparente choca a população como um todo foi a idade do indivíduo
adotado pois os números mostram uma rejeição clara de pessoas nesta idade e
ainda por sua cor, ao menos à luz da análise da sociedade brasileira.

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 8,7 mil crianças e


adolescentes em todo o país estão aptas para receber uma família, em meio
a um total de 43,6 mil pessoas que constam como pretendentes no
Cadastro Nacional de Adoção [2]. Mais de 73,48% são maiores de 5 anos,
65,85% são negras ou pardas, 58,52% possuem irmãos, 25,68% têm
alguma doença ou deficiência. Já entre os adotantes cadastrados, 77,79%
só aceitam crianças até 5 anos, 17% querem apenas crianças brancas,
63,27% optam por não adotar aquelas que têm doenças ou deficiências e
64,27% não estão abertos a receber irmãos (DE FREITAS E SOUZA, 2019).

Michael, principal protagonista, submerge-se em um meio completamente


diferente do seu de origem ao mudar de escola, ressaltando claramente a
importância do professor para sua subsequente formação em acreditar junto com o
aluno sua capacidade de aprendizado e fomentando seu aprendizado de formas
dinâmicas, como por exemplo na aplicação de provas orais percebendo suas
divergentes habilidades.
É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao
adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária,
além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão. (CONSTITUIÇÃO FEDERAL,
1988) (Constituição Federal,1988 art. 227)

Iniciado ao descaso o que ocorreu com Michael, a morte de seu pai adotivo
que não se fazia presente em sua vida e sua ulterior adoção por uma família que lhe
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daria toda proteção que não havia tido até presente momento, foi de tamanha sorte
ter encontrado pessoas que o proveram sentimentos que o levaria a obter êxitos em
sua vida pessoal e futuramente profissional, sendo essa a real finalidade que o
legislador tenta passar as pessoas brasileiras, a capacidade de somar todo o apoio
necessário ao amadurecimento da criança, do jovem em suas respectivas fases,
assim, adquirindo o conhecimento e comportamento necessários para futuramente
ajudarem com o bem comunitário, fazendo assim sua parte.
Como visto na cadeira ECA , a convenção internacional considera como
criança até os 18 anos, porém no Brasil é estabelecido que dos 12 aos 18 anos
incompletos é considerado adolescente sendo este ouvido nos processos de
adoção, devendo ou não consentir com o procedimento.
O filme mostra ainda que o adolescente gozou de período de convivência com
a família, e logo depois concorda com a aquisição dos tutores legais, sendo este o
procedimento permitido na legislação brasileira, porém deve ser acompanhado pela
justiça com equipe interprofissional.
§ 4 o O estágio de convivência será acompanhado pela equipe
interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude,
preferencialmente com apoio dos técnicos responsáveis pela execução da
política de garantia do direito à convivência familiar, que apresentarão
relatório minucioso acerca da conveniência do deferimento da medida.
(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência (BRASIL, 1990).

REFERÊNCIAS

BRASIL. CONGRESSO NACIONAL. ECA n. 8069, de 13 de julho de 1990. Diário


Oficial da União. BRASILIA, 13 de julho de 1990.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL. SENADO FEDERAL. CRFB, de 05 de agosto de 1988.


Diário Oficial da União, 05 de agosto de 1988.

DE FREITAS E SOUZA, Maciana . A adoção tardia na realidade brasileira.


justificando. RIO GRANDE DO NORTE, 2019. Disponível em:
http://www.justificando.com/2019/05/25/a-adocao-tardia-na-realidade-brasileira/.
Acesso em: 24 Abr. 2020.

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