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MÓDULO INCIDÊNCIA E CRÉDITO TRIBUTÁRIO

SEMINÁRIO V – IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA FÍSICA E REGIME DE FONTE

Aluna: Maiana dos Santos Patrício

Questões

1.Antecedente:
- Critério material: auferir renda ou proventos de qualquer natureza;
- Critério temporal: no último dia do ano (31/12);
- Critério espacial: no território nacional;
2.Consequente:
Critério pessoal :
- Sujeito ativo: União Federal
- Sujeito passivo: as pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil.
Critério quantitativo:  
- Base de cálculo: rendimento bruto do contribuinte;
- Alíquota: alíquotas variáveis, de acordo com a renda do contribuinte, sendo que os de menor
renda não são alcançados pela tributação.

2. Pode-se dizer que renda seria um acréscimo positivo resultante do confronto entre
determinadas entradas e saídas relevantes, ocorridas ao longo de um certo lapso temporal.
Os proventos de qualquer natureza são os demais acréscimos patrimoniais não oriundos de
produto de capital, como, por exemplo, ganhos em loterias.
No que se refere à aquisição da disponibilidade econômica, esta ocorre quando a renda
auferida tiver sido materialmente recebida pelo seu titular, enquanto que a aquisição da
disponibilidade jurídica decorre do exato instante em que a renda for auferida,
independentemente de sua efetiva percepção em pecúnia.
Em outras palavras, a disponibilidade econômica, via de regra é entendida como a renda
recebida. Por outro lado, a disponibilidade jurídica representa um direito já adquirido, mas
ainda não recebido.
As verbas indenizatórias, apesar de consideradas como um acréscimo patrimonial, não são o
mesmo que renda, porque servem apenas para recompor o patrimônio do contribuinte em
virtude de algum evento e, sobre tais verbas não deve incidir a regra-matriz do imposto sobre
a renda, considerando a ausência de fato gerador.
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3. Entendo que sim. Tanto sinais exteriores de riqueza quanto depósitos bancários não
contabilizados, ainda que não declarados de forma expressa pelo contribuinte, podem ser
considerados para configurar a renda, por se enquadrarem nos seguintes requisitos: houver
ingresso líquido, em bens materiais, imateriais ou serviços avaliáveis em dinheiro, periódico,
transitório ou acidental, de caráter oneroso ou gratuito, que importe um incremento líquido
do patrimônio de determinado indivíduo, em certo período de tempo.

OU

Verifica-se que o Imposto de Renda, de acordo com a bem aceita teoria do


acréscimo patrimonial explicada por Paulo de Barros Carvalho, incide apenas
naqueles casos em que houver ingresso líquido, em bens materiais, imateriais ou
serviços avaliáveis em dinheiro, periódico, transitório ou acidental, de caráter
oneroso ou gratuito, que importe um incremento líquido do patrimônio de
determinado indivíduo, em certo período de tempo.

Dessa forma, tem-se que a tributação através desse imposto se dá sempre que
atendidos os requisitos acima. Um acréscimo patrimonial em certo período de
tempo que importe um incremento líquido do patrimônio de determinado indivíduo.

Evidente, pois, que tanto sinais exteriores de riqueza quanto depósitos bancários
não contabilizados podem ser considerados para configurar a renda, uma vez que
se enquadram perfeitamente no caso acima, ainda que não declarados
expressamente pelo contribuinte.

Contudo, os referidos indícios de renda podem ser considerados apenas como


indícios de renda, e jamais como renda em si, devendo ser investigados em
atenção ao devido processo legal e princípios do contraditório e ampla defesa.

OU AINDA...

3. Sim, ambos são considerados renda, mas arbitrados usando do expediente de


renda presumida. Relevante ressaltar ainda que no caso de “depósitos bancários
não contabilizados” o que é presumida é a receita e não a renda, visto não ser
possível determinar o lucro e, portanto, também a renda, para fins de apuração.

4. A aplicação das alíquotas supracitadas na presente questão não demonstram efetivamente


o princípio da progressividade, uma vez que, diante da ausência de correção da tebela do IRPF
e das deduções, bem como, a submissão à tabela progressiva somente dos rendimentos do
trabalho, enquanto os decorrentes do capital são tributados exclusivamente na fonte, não
sujeitos à progressividade, e sim à tributação proporcional, com alíquotas inferiores. Ademais,
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a nossa Carta Magna definiu a capacidade contributiva como instrumento para graduar os
impostos, não podendo privilegiá-los em virtude da origem ou natureza da renda.
Os efeitos causados pela parcela a deduzir contribuem para aniquilar as alíquotas
determinadas na tabela, tendo em vista que, os valores sofrem uma certa diminuição e não
possui condições de respeitar o princípio da progressividade.
Por fim, há parâmetros legais para a fixação dos abatimentos e limites, os quais são
disciplinados de forma geral pela Lei n. 11.482/2007 e suas alterações.

OU

4. A existência dessas alíquotas é justamente para obedecer o Princípio da Progressividade,


pois a alíquota irá incidir conforme a renda passível de tributação, assim, quanto maior a
renda, maior a alíquota irá incidir. Quanto a chamada “parcela a deduzir”, este é um valor já
fixo que facilita o cálculo do imposto, no qual a intenção é evitar que o valor do tributo
anterior da tabela seja cobrado, evitando assim que o contribuinte tenha prejuízo em caso de
aumento da sua rendo, como em caso de aumento salarial. Assim, a parcela a deduzir faz com
que a alíquota somente incida sobre o valor superior ao limite, e não sobre todo o valor
estabelecido na tabela. 
Quanto aos abatimentos e deduções possíveis e seus respectivos limites, estes devem
obedecer ao princípio da progressividade e da capacidade contributiva. 

5. O imposto de renda retido na fonte e o imposto de renda anual referem-se ao mesmo


tributo, isto é, há apenas uma regra-matriz de incidência. Uma vez que, a efetiva manifestação
da capacidade contributiva do imposto sobre a renda dá-se pela conduta de auferir renda.
Entendimento contrário ao supracitado iria de encontro aos princípios constitucionais, tendo
em vista que surgiria a possibilidade de incidir o imposto sobre a ação de pagar renda de
terceiro. Quando tal conduta trata-se de uma relação jurídica de cunho administrativo, a qual
há vinculação do substituto à União, com o escopo daquele repassar aos cofres públicos
recursos de terceiros. Bem como, apesar do montante retido estar na posse do substituto,
pertence ao contribuinte. Desse modo, inferimos que o ato praticado pelo substituto no
momento que retém e repassa valores de terceiros aos cofres públicos caracteriza-se como
mero dever instrumental.

OU

Sim, há identidade entre o IR fonte e o IR anual, ambos constituídos da mesma


regra-matriz, caracterizando-se o IR fonte como antecipação do IR anual
considerado devido pelo contribuinte no momento da declaração do ajuste.

Conforme se extrai dos artigos 43 e 45, do Código Tributário nacional, o


contribuinte do imposto de renda é aquele que for titular da disponibilidade
econômica ou jurídica da renda ou dos proventos de qualquer natureza.
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O que se observa da leitura do parágrafo único do referido artigo, todavia, é que no


caso de recolhimento na fonte a condição de responsável pelo recolhimento do
imposto transfere-se à fonte pagadora dessa renda, ou proventos.

Verifica-se que há certa diferença entre o imposto de renda anual e o recolhido na


fonte no tocante há consumação de seu fato gerador. Com efeito, enquanto no
último o fato gerador se dá instantaneamente, no primeiro esse apenas ocorre no
fim do ano-base.

Deve-se entender, portanto, que embora a forma de arrecadação seja diversa,


possuindo, inclusive, fatos geradores consumados em momentos diversos, se trata
do mesmo imposto, de modo que a regra-matriz do imposto de renda recolhido na
fonte é a mesma regra-matriz do imposto sobre a renda recolhido ao fim do ano-
base, sofrendo alterações apenas em relação ao seu critério temporal, traduzindo-
se o recolhimento na fonte em mero objeto de dever instrumental.

OU

5. Existe identidade entre o IR fonte e o IR anual, isto porque há um vínculo


obrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo que está expresso no art. 43
do CTN, porém, a distinção se encontra na regra-matriz do IR fonte, pois, diferente
do IR anual, seu sujeito passivo advém da fonte pagadora. 

Entretanto, isto não faz com que o IR fonte seja um mero objeto do dever
instrumental, pois possui previsão em norma geral e abstrata e não em norma
individual e concreta (necessário para ser um dever instrumental). Além disso, o IR
fonte surgiu do IR anual a fim de facilitar o recolhimento do tributo pelo fisco, mas
isso não faz dele um acessório do principal. Assim, embora não sejam autônomos
entre si, o IR fonte não é um mero objeto do dever instrumental 

6. Considerando a análise dos casos supra, abordaremos os efeitos jurídicos caso a caso, senão
vejamos:
Caso 1 - Há a incidência da regra-matriz de imposto sobre a renda com a consequen-te
retenção (por parte da empresa), a qual dará ensejo a direito de crédito dos valores retidos
pela fonte pagadora, de modo a que somente seja tributada eventual diferença, e a declaração
(por parte do contribuinte). Assim, a conduta de ambos está de acordo com as normas
tributárias.
Caso 2 – Há um tentativa por parte do contribuinte de burlar o sistema tributário. Todavia,
diante da retenção e recolhimento por parte da fonte, o fisco poderá aplicar penalidade em
virtude do não cumprimento do dever instrumental, qual seja: a de-claração de rendimento
anual
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Caso 03 – Nessa situação específica o fisco deverá cobrar da fonte pagadora, uma vez que, o
contribuinte, efetivamente, sofreu a retenção, bem como, a fonte pagadora apropriou-se
indevidamente desse montante. Logo, cabível, além da cobrança, denúncia pelo delito de
apropriação indébita.
Caso 04 – A fonte pagadora deverá responder pelo delito de apropriação indébita e o
contribuinte pelo recolhimento do tributo acrescidos de juros e multa, haja vista que, este é o
responsável direto pelo recolhimento da exação.
Caso 05 – Nessa situação a fonte pagadora poderá reaver o montante recolhido e de-clarado
pelo contribuinte, sob pena de enriquecimento ilícito deste.
Caso 06 – A fonte pagadora poderá reaver o montante recolhido em favor do contri-buinte,
sob pena de enriquecimento ilícito deste. Bem como, este arcará com as penalidades
decorrentes da ausência de cumprimento do dever instrumental, qual seja: a declaração de
rendimento anual.
Caso 07 – O contribuinte, em razão da fonte pagadora não ter observado o seu dever
instrumental, deve incluir os seus rendimentos na base de cálculo do imposto de renda
tributando-os de acordo com as alíquotas cabíveis. Desse modo, não há qual-quer ilegalidade
nessa conduta.
Caso 08 - A ausência de retenção do tributo pela fonte pagadora não exclui a responsabilidade
do contribuinte, que está obrigado a informar, na sua declaração de ajuste anual, os valores
recebidos, devendo arcar com juros e multa.

OU

feitos
Caso 1
Não houve irregularidade tanto para a fonte quanto para o contribuinte
Caso 2
O contribuinte sofrerá a imposição de multa por falta de cumprimento de dever
instrumental de apresentar declaração 
Caso 3
A empresa sofrerá a imposição de multa por descumprimento do dever de
repassar e juros sobre valor não repassado. Além disso, poderá sujeitar-se a
condenação por crime contra a ordem tributária. 
Caso 4
A empresa sofrerá a imposição de multa de mora e multa por descumprimento de
dever instrumenta de repassar os valores retidos, bem como a sujeição às
penalidades previstas para crimes contra a ordem tributária. Ao contribuinte será
imposta multa por descumprimento de dever instrumental de apresentação de
declaração.
Caso 5
A empresa será imposta multa por descumprimento do dever de reter.
Caso 6
Ambos sofrerão a imposição de multa por descumprimento de dever instrumental. 
Caso 7
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À empresa será imposta multa por descumprimento de dever instrumental. Ao
contribuinte caberá o recolhimento do imposto no ajuste anual. 
Caso 8
A empresa sofrerá a imposição de multa por descumprimento de dever
instrumental + multa de mora + pagamento do IR

7.

a disponibilidade econômica é essencial para que haja a incidência do


Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (regime de caixa), pois, nos
termos do entendimento esposado pela suprema corte, somente quando
recebido o valor do crédito ou quando pago o valor do débito é que se
teria a alteração, para mais ou para menos, no patrimônio da pessoa
física.

o momento do exercício das opções pelos empregados não teria o


condão de caracterizar a incidência do Imposto sobre a Renda das
Pessoas Físicas, tendo em vista que, nesse momento, não há nenhuma
disponibilidade econômica para àqueles que optaram por adquirir as
ações.

(não há auferimento de renda, mas sim, desembolso de caixa)

o Fisco possui o entendimento de que os descontos concedidos aos


empregados para a aquisição das stock
options implicam em
remuneração decorrente do trabalho, de modo que restaria
caracterizada, no momento do exercício de compra, a incidência do
Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, bem como o seu respectivo fato
gerador.

Diante de todo o exposto, verifica-se que os primeiros julgamentos do Carf


relativos ao IRPF sobre as stock options têm sido no sentido de que o beneficiário
das opções de ações aufere acréscimo patrimonial tributável pelo imposto de
renda quando exerce a opção de compra, sendo que a base de cálculo é a diferença
entre o preço do exercício e o valor de cotação da ação na data do exercício.

 Assim, a potencial renda decorrente do exercício da opção de compra da ação


somente seria realizada com a alienação da ação, sendo tributada enquanto ganho
de capital. 
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8. o ganho de capital consiste em todo e qualquer aumento no valor de
renda de uma propriedade, exceto o lucro na comercialização de bens
comprados e vendidos como atividade comercial" (Due, John
F. Government finance - an economic analysis)

o de ganho de capital é que este último ocorre em transação eventual, ou


seja, não ligada à operação em causa com o negócio ou atividade regular do
contribuinte.

 a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo


de aquisição

A chamada “Lei do Bem”, (lei 11.196/2005) dá isenção total se o valor da venda for
aplicado dentro de 180 dias do contrato desde que o valor total da venda se
destine a compra de outro imóvel. Não existe limite de valor. Se apenas uma parte
do valor da venda for aplicada, a diferença é tributada.

O artigo 123 Regulamento do Imposto de Renda (decreto 3.000/99) trata do valor da


avaliação dos bens para fins de pagamento dos chamados “ganhos de capital”. No
seu parágrafo 3º afirma que: “Na permuta, com recebimento de torna em dinheiro,
será considerado o valor de alienação somente o da torna recebida ou a receber.”

Quando ambos os imóveis tiverem o mesmo valor, não haverá torna (diferença) a
receber/pagar. Portanto, não existe base de cálculo para o imposto de renda.