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O onirismo bandeiriano: representações míticas do feminino.

Gustavo FIACADORI SILVA, Prof. Dr. Antônio Donizeti PIRES. Faculdade de Ciências e Letras,
Campus de Araraquara (Curso de Letras, gustavofiacadori@yahoo.com.br (PIBIC CNPq)

Palavras Chave: Manuel Bandeira, penumbrismo, representação mítica do feminino

Introdução Resultados e Discussão


Manuel Bandeira talvez seja mais interessantemente Estudando o onirismo e o feminino na poesia
descrito como um “poeta-prisma” (PIRES, 2018), penumbrista de Manuel Bandeira, quatro poemas
uma vez que sua produção artística/intelectual são mais interessantes: ‘Inscrição’ (A cinza das
perpassa diferentes épocas e estilos, demonstrando horas); ‘A dama branca’ e ‘Baladilha arcaica’ (ambos
uma “atitude humilde” (ARRIGUCCI, 2001) frente ao de Carnaval); e ‘O menino doente’ (O ritmo
mundo para abarcar diversos temas por diferentes dissoluto). Com a leitura e a aproximação destes, é
formas textuais. A fim de melhor se estudar sua possível observar um ambiente onírico descrito quer
produção poética, é possível dividir esta em três por escolhas lexicais (palavras como sonhos,
momentos: o “penumbrismo” (GOLDSTEIN, 1993) devaneios) quer por uma atmosfera noturna e
de seus três primeiros livros; seguido de um período incerta (de vultos, sombras e morte) com a presença
notadamente modernista; culminando num momento da figura feminina. Esta, miticamente representada
derradeiro de “maturidade criadora” (MOURA, 2001) como um “alvo corpo”, um “vulto”, “Virgem dos
e de diálogo com as vanguardas de 50. A proposta Devaneios”, vulgívaga: a “Dama Branca”.
aqui é estudar diferentes temas desse
“penumbrismo” que marca a fase inicial da poética Conclusões
bandeiriana, a saber, os livros: A cinza das horas Da pesquisa (ainda não finalizada) pode-se concluir
(1917), Carnaval (1919) e O ritmo dissoluto (1924). que o onirismo na poesia penumbrista de Manuel
Bandeira se apresenta como um ambiente incerto,
Objetivo
de sombras, sonhos e morte, que certamente é
A pesquisa, então, busca (re)ler os livros da fase herdeiro do Simbolismo finissecular. Este, distante
penumbrista de Manuel Bandeira, observando o do eu lírico no espaço e no tempo, recebe a figura
diálogo entre os temas - do onirismo e da feminina, inicialmente admirada pelo eu lírico,
representação mítica do feminino - dentro da poesia depois dama sedutora e por fim uma santa que vela
do poeta pernambucano. Posterior a isso, selecionar o sono, mas forte e intimamente ligada à morte.
ao menos um poema de cada livro para que se
estude, a partir de comparações e de leitura crítico- Agradecimentos
analítica, como os temas são trabalhados pelo Agradeço primeiramente a meu orientador pelo
poeta: diferenças e semelhanças, aproximações ou tempo dedicado à minha pesquisa e ao CNPq pelo
distanciamentos. financiamento desta. Ademais, agradeço aos meus
ex-professores, adoradores da poesia de Manuel
Material e Métodos
Bandeira e aos meus pais, pela motivação de anos,
O plano de trabalho foi dividido em três etapas. A por seguir lendo e estudando a poesia de Bandeira.
primeira delas, ampla, de levantamento bibliográfico ____________________
geral, leitura e fichamento de textos crítico-teóricos 1 ARRIGUCCI JR., D. O humilde cotidiano de Manuel Bandeira.
sobre poesia brasileira, teoria geral da poesia, além
In:______. Enigma e comentário: ensaios sobre literatura e
da revisão de conceitos como onirismo,
experiência. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p.9-27.
penumbrismo, etc. A segunda tem compreendido a 2 BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. 20.ed. Rio de Janeiro:
leitura e releitura (crítica) da poesia de Manuel
Nova Fronteira, 1993.
Bandeira, bem como os poemas de seus três 3 GOLDSTEIN, N. Do Penumbrismo ao Modernismo (o primeiro
primeiros livros para futura seleção, aproximação,
Bandeira e outros poetas significativos). São Paulo: Ática, 1983
discussão e análise de temas relacionados ao
(Ensaios, 95).
onirismo bandeiriano. A terceira fase (atual), 4 MOURA, Murilo Marcondes de. Manuel Bandeira. São Paulo:
constitui o momento de leitura e análise final dos
Publifolha, 2001 (Folha explica, 35).
poemas selecionados buscando discutir: a presença 5 PIRES, A. D. A poesia prismática de Manuel Bandeira. Signótica,
e a representação mítica do feminino; a
Goiânia, v.30, n.1, p.5-28, janeiro/março 2018. Disponível em
configuração e a descrição do onirismo na poesia.
<https://www.revistas.ufg.br/sig/issue/view/1952> Acesso em: 18 maio
2018.

XXXI Congresso de Iniciação Científica

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