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FACULDADE DE TECNOLOGIA DE JABOTICABAL

CURSO DE TECNOLOGIA EM BIOCOMBUSTÍVEIS

MATERIAL DIDÁTICO PARA A


DISCIPLINA DE CÁLCULO

Docente: Profa. Ms. Viviane Carla Fortulan

Jaboticabal

Agosto de 2012
2

INTRODUÇÃO
Este material está sendo construído com o objetivo de dinamizar as aulas de
Cálculo para alunos do curso de Biocombustíveis da FATEC-Jaboticabal. São notas de
aula em que alguns exercícios e exemplos foram inventados e outros retirados de livros,
provas de concursos, sites e materiais virtuais que, na conclusão deste material, serão
listados seguindo as normas legais. Não existe fins lucrativos e portanto este material não
pode ser comercializado.

1. TEORIA DOS CONJUNTOS

1.1. Definições

Conjunto: coleção de elementos

Elementos: qualquer componente do conjunto.

Subconjunto: cojuntos formados por apenas alguns elementos do conjunto dado.

Inicialmente, vamos introduzir algumas simbologias e seus significados em


matemática:

a-) A, B, C,...(letras maiúsculas indicam conjunto)

b-) a, b, c, ...:(letras minúsculas indicam elementos)

c-) | (tal que)

d-)  (existe);  (não existe)

e-)  | (existe um único)

f-)  (qualquer)

g-)  (logo, portanto)

h-)  (pertence);  (não pertence)

i-)  (implica que)

j-)  (se e somente se)

k-)  (união);  (interseção)


3

l-) n(A)= nº de elementos do conjunto A

m-)  (está contido);  (não está contido);  (contém); 


 (não contém)

Representação de um conjunto:

a-) Por extensão: A={1, 2, 3, 4, ...}

b-) Por compreensão: A={x | x é consoante)

c-) Por diagrama (Diagrama de Venn)

A
.1 .2

.3

Relação de Inclusão – Subconjuntos

Exemplo: A={1, 3, 5}; B={1, 2, 3, 4, 5, 6}

Indicamos por: {1, 3, 5}  {1, 2, 3, 4, 5, 6} ou A  B ou B  A

Observações:

a-)  A

b-) A  B e B  A, então A=B

c-) os símbolos  ,  ,  e 
 são utilizados para relacionar conjunto com conjunto.

d-) os símbolos  e  são utilizados para relacionar elemento com conjunto.

e-) conjunto das partes de um conjunto é o conjunto formado por todos os


subconjuntos de A.

Exemplo: A={1, 2, 3}, temos:

P(A)= {{ }, {1}, {2}, {3}, {1, 2}, {1, 3}, {2, 3}, {1, 2, 3}}

OBS.: Se o conjunto A possui n elementos  P(A)= 2n subconjuntos.

1.2. Conjuntos Especiais


4

Conjunto Unitário: é o conjunto que possui apenas um elemento.

Exemplo:

A  x   / x  1  0

Conjunto Vazio: conjunto que não possui elementos.

Exemplo:

B    ou 

Conjuntos iguais: quando todos os elementos de um conjunto estão no outro


conjunto e vice-versa.

Exemplo: A=B

A  x   / x  3
B  0;1;2

Conjuntos diferentes: quando existe pelo menos um elemento que está em um


conjunto e não está no outro.

A  B   x  A tal que x  B ou
 x  B tal que x  A.

Conjuntos Disjuntos: são aqueles que não têm elementos em comum.

Exemplo:

A  0, 3e B  1, 5  A  B   

Conjunto Universo: é o conjunto formado por todos os elementos com os quais


estamos trabalhando num determinado assunto.

1.3. Conjuntos Numéricos

Conjunto dos números naturais (  ): são todos conjuntos de números inteiros e


positivos, utilizados na contagem.

Exemplo:

N = {0, 1, 2, 3, 4, 5, ...}
5

Conjunto dos números inteiros (  ): são todos os números naturais e os opostos


aos naturais.

Exemplo:

Z = {..., -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, ...}

Conjunto dos números racionais (Q): chama-se racional todo número que é o
quociente entre dois números inteiros.

Exemplo:

p 
Q =  | p  Z, q  Z, q  0
q 

ou seja,

 1 1 2 2 p 
Q  0,  1,  ,  , ...,  2,  ,  , ..., , ...
 2 3 3 5 q 

Conjunto dos números irracionais (  ): um número é dito irracional quando ele


p
não puder ser escrito da forma , por exemplo:
q
a-) 3  1,7320508...
b-) 2  1,4142135...
c-) 0,101001000100001...
d-)   3,1415916...
ou seja, é um nº decimal não exato e não periódico.

Conjuntos dos números Reais (  ): é o conjunto formado pelos números racionais


e pelo conjunto dos números irracionais:

  QI

Pela definição dos racionais e dos reais, concluímos facilmente que:

NZQR
6

Representação:

R
Q I

N Z

Representação na reta:

a -2 b
0

-3 -
0

0 0
0 1 2 3
1

Observações: Os números a e b podem ser números racionais ou irracionais.


Adotam-se as seguintes convenções:

 o sinal * (asterisco) elimina o nº zero de um conjunto


 o sinal + (mais) elimina os nºs negativos de um conjunto
 o sinal - (menos) elimina os nºs positivos de um conjunto

1.4. Operações entre conjuntos:

União: é o conjunto formado pelos elementos que pertencem a um ou a outro


conjunto. A  B  x | x  A ou x  B
AUB

A  B  x / x  A ou x  B.

A B

Exemplo:

A  2, 3, 4, 5, 8 B  1, 2, 3, 6, 7
A  B  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8

Intersecção: é o conjunto formado pelos elementos que pertencem a ambos ao


mesmo tempo, ou seja, pertence a um e outro ao mesmo tempo.
7

A  B  x / x  A e x  B

A B

AB

A B

Exemplo:

A  1;2;3 B  2;3;4;5
A  B  2;3

Diferença de conjuntos: é o conjunto formado por pelos elementos que pertencem


ao primeiro conjunto e não pertencem ao segundo conjunto..

A  B  x / x  A e x  B

A-B

A B

Exemplo:

A  1;2;3 B  2;3;4;5
A  B  1

Complementar: Se um conjunto A está contido em um conjunto B, chamamos de A


em B ao conjunto formado pelos elementos que faltam a A para completar o conjunto B.

C AB  B  A (complementar de A com relação a B)

B
8

Exemplo:

A  1; 2; 3 B  1; 2; 3; 4; 5
C AB  B  A  4; 5

1.5. Propriedades importantes


a-) A  A=A
b-) A   =A
c-) A  U = U
d-) A  A=A
e-) A   = 
f-) A  U =A
g-) A – A = 
h-) A -  = A
i-) C AA  
j-) C A  A

1.6. Intervalos Reais

São subconjuntos dos números reais. Sejam a e b números reais, com a < b.

Intervalos abertos: a, b  x  R | a  x  b

Exemplo: (3, 5)

Intervalos fechados: a, b  x  R | a  x  b

Exemplo: [3,5]

Intervalos abertos à direita (ou fechados à esquerda): [a, b)  x  R | a  x  b

Exemplo: [3, 5)

Intervalos abertos à esquerda (ou fechados à direita): (a, b]  x  R | a  x  b

Exemplo: (3, 5]
9

Existem ainda intervalos infinitos

Intervalos infinitos à esquerda:

 (, a ]  x  R | x  a

Exemplo: (-  , 3]

 (, a )  x  R | x  a

Exemplo: (-  , 3)

Intervalos infinitos à direita:

 [a,)  x  R | x  a

Exemplo: [3,+  )

 (a,)  x  R | x  a

Exemplo: (3,+  )

1.7. Inequação

Inequação é uma sentença matemática, com uma ou mais incógnitas, expressas por
uma desigualdade, diferenciando da equação, que representa uma igualdade.

Exemplos:

a-) 2x-6 < 0

b-) 2x 2  5x  2  0
10

c-) 3x  4  4x  6  3x  10

x 
d-) 3x  12    1  0
3 

x 1
e-) 0
x4
11

f-)
12  3x  x  1  0
2

x 2  5x  6

1.8. Exemplos envolvendo operações com Intervalos::

1-) Sejam A  x  R | 2  x  3 e B  x  R | 1  x  4

a-) Encontre A  B

b-) Encontre A  B
12

2-) Classifique como verdadeiro (V) ou falso (F)

a-) Todo número natural representa a quantidade de elementos de algum conjunto


finito.

b-) Existe um número natural que é maior que todos os demais.

c-) Todo número natural tem sucessor.

d-) Todo número natural tem antecessor.

3-) Dados os conjuntos A  a, b, c, d, e, f , g e B  b, d, g, h, i e C  e, f , m, n .


Determine:

a-) A – B=

b-) B – C=

c-) B – A=

d-) (A – B)  (B – A)=

4-) Dados os conjuntos A  x | x é natural, ímpar e menor que 10;

B  x | x é par entre 3 e 11 e C  x | x é um número natural menor que 5. Determine:

a-) A  B =

b-) A  C =

c-) A  C =

d-) A  B =

e-) (A  B)  C =

f-) (A  C)  B =
13

5-) Uma População consome 3 marcas de sabão em pó: A, B, C. Feita uma


pesquisa de mercado, colheram-se os resultados abaixo:
Marca Nº de consumidores

A 105

B 200

C 160

AeB 25

BeC 40

AeC 25

A, B e C 5

Nenhuma das três 120

Determine o número de pessoas consultadas:

6-) Represente graficamente, na reta real, os seguintes intervalos:

a-) x  R | 1  x  3

b-) (, 2]

c-) [ -3, 1
2 ]

d-) x  R | x  6

e-) x  R | 2  x  7


f-)  5 , 5 

7-) Numa pesquisa feita com 1000 famílias para verificar a audiência dos programas
de televisão, os seguintes resultados foram encontrados:

510 famílias assistem ao programa A;

305 famílias assistem ao programa B;

386 famílias assistem ao programa C;


14

Sabendo ainda que 180 famílias assistem aos programas A e B, 60 assistem aos
programas B e C, 25 assistem aos programas A e C e 10 assistem aos três programas.

a-) Quantas famílias não assistem a nenhum desses programas?

b-) Quantas famílias assistem somente ao programa A?

c-) Quantas famílias não assistem nem ao programa A nem ao programa B?

8-) Um estudo de grupos sanguíneos humanos realizado com 1000 pessoas, sendo
600 homens e 400 mulheres, constatou que 470 pessoas tinham o antígeno A, 230
pessoas tinham o antígeno B e 450 pessoas não tinham nenhum dos dois. Quantas
pessoas têm os antígenos A e B simultaneamente?

9-) Determinar todos os intervalos de números que satisfazem as desigualdades


abaixo:

a-) 3  7x  8x  9
15

b-) 7  5x  3  9

c-) x  5  x  3  0

 
d-) x 2  1  x  4  0
16

x
e-)  5, x  7
x7

Ao final deste capítulo, o aluno deve ser capaz re resolver as atividades específicas
01, 02, 03, 04 e 05. Estas atividades têm o intuito de resgatar conceitos básicos e
importantes do ensino fundamental e médio.
17

2. FUNÇÕES

A noção de função é fundamental em Matemática. Vejamos algumas situações do


dia-a-dia onde existem grandezas dependendo de outras grandezas:

1-) O custo para colocar 40 litros de álcool em um veículo dependerá do preço do


álcool, ou seja, a grandeza custo depende da grandeza preço. Podemos dizer então que o
custo é função do preço.

2-) O crescimento de uma planta dependerá da quantidade de fertilizante colocada


no solo, ou seja, o crescimento é função da quantidade de fertilizante.

3-) A temperatura de um forno que acaba de ser desligado diminui em função do


tempo.

2.1. Definições

Como vimos nos exemplos anteriores, as funções são usadas para descrever as
relações entre quantidades que variam. Essas quantidades podem ser obtidas de várias
maneiras como por exemplo, em laboratórios, numa pesquisa, em experimentos, etc. De
um modo geral, as funções podem ser representadas no mínimo de 3 formas: Tabelas,
Gráficos e Algébrica.

Tabelas (Representação numérica)

Uma tabela relaciona pares de dados numéricos (x e y) que estão relacionados de


alguma forma. Os valores de x (variável independente) podem ser escolhidos livremente.
Os valores de y (variável dependente) são encontrados a partir dos valores atribuídos a
variável x. Fica assim determinado o par ordenado (x,y)

Exemplo: Um automóvel movido a álcool faz 10km por litro de alcool à velocidade
inferior a 90 km/h. A velocidade de 90 km ou mais por hora, o número de km por litro
decresce à razão de 12% para cada 10 km/h. A tabela abaixo descreve o comportamento
do automóvel em diferentes velocidades.

Velocidade Consumo
90 10
(em Km/h) (em Km/l)
100 8,87
110 7,87
120 6,97
130 6,19
140 5,48
150 4,87
160 4,31
170 3,83
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Gráficos (Representação geométrica)

No caso de um gráfico os pares ordenados (x,y) podem ser “plotados” num eixo
horizontal (abscissa) e num eixo vertical (ordenada).

Exemplo: Um dos primeiros trabalhos a usar gráficos para representar dados foi The
Commercial and Political Atlas (Willian Playfair, 1786) e comparava a
expotação/importação da Inglaterra, Dinamarca e Noruega.

Um gráfico é rico em informações. O gráfico acima pode fornecer várias


informações. Por exemplo:

 Em 1700, o total importações foi 70.000 libras e as exportações 35.000 libras.

 Entre 1700 e 1754 houve um déficit na balança comercial da Inglaterra.

 Em 1754 houve um equilíbrio na balança comercial

 Entre 1754 e 1780 houve um superávit na balança comercial da Inglaterra.

 A partir de 1754 as importações e as exportações cresceram; só que a taxa


exportação era maior que as importações.

Algebricamente (Representação por fórmulas)

Os gráficos podem ser usados para descrever as equações matemáticas. Tais


equações podem ser modelos de sistemas reais.

Utilizando o mesmo exemplo usado para descrever função através de tabela,


podemos representar os dados da tabela através de uma forma algébrica (fórmula) dada
1, 080, 012x
por y  10  e .
19

Função: Uma função de uma certa variável x é uma regra que associa a cada valor
de x um único número f x  , chamado de valor da função em x. A variável x é chamada de
independente e a variável y é chamada de dependente. O conjunto de valores que a
variável x pode assumir é chamado de domínio da função. A imagem de uma função é o
conjunto de valores que a função assume.

Notações: Domínio: D(f)

Contra-domínio: CD(f)

Imagem: Im(f)

Obs : na notação y = f(x) , entendemos que y é imagem de x pela função f, ou seja:


y está associado a x através da função f.

Estudo do domínio de uma função

Quando definimos uma função, o domínio D(f), são todos os valores possíveis que a
variável independente x pode assumir para que a função exista. Este domínio pode ser
dado explicita ou implicitamente, por exemplo:

i. Se é dado apenas a função, por exemplo, f (x)  4x  2 , sem explicitar o


domínio, está implícito que x pode ser qualquer número real, ou seja, D(f)=
IR.
ii. Se é dado a função com restrição, ou seja, f (x)  4x  2 , com 0 < x < 5, está
explícito que o domínio da função dada são todos os números reais,
compreendidos entre 0 e 5. Logo, podemos escrever
D(f )  x  IR | 0  x  5
x2
iii. Se é dado apenas f ( x )  , sem explicitar o domínio, está implícito que
2x  6
x pode ser qualquer número real, com exceção de -3, pois, se x=-3, teremos
uma divisão por zero e portanto a função não está definida neste ponto. Logo,
podemos escrever D(f )  x  IR | x  3
20

Quando o domínio é dado implicitamente, sempre devemos encontrá-lo para


garantir a condição de existência da função estudada.

2.2. Tipos de funções

Função sobrejetora

A função é dita sobrejetora quando o conjunto imagem for igual ao contradomínio da


função.

Exemplo:

Função injetora

Uma função y = f(x) é injetora quando elementos diferentes do seu domínio (A)
levam a elementos diferentes no Contra-Domínio (B)

Exemplo:

Função bijetora

Uma função é dita bijetora , quando é ao mesmo tempo , injetora e sobrejetora .

Exemplo:
21

Observação importante: Somente a função bijetora admite inversa!!!

Vejamos um exemplo: Seja X={a, e, i, o, u} e Y={0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9}.


Considere f a função de X em Y definida por:

f(a) = 0 D(f): X={a, e, i, o, u}

f(e) = 2 CD(f): Y={0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9}

f(i) = 4 Im(f):={0, 2, 4, 6, 8}

f(o) = 6 Gráfico:{(a,0), (e,2), (i,4), (o,6), (u,8)}

f(u) = 8

Exemplos:

1-) Seja a função f cujo domínio são os reais e que é definida pela fórmula
f (x)  2x 3  4x 2  x  7 . Encontre: f(-2); f(0); f(1) e f(2).
22

2-) Se x representa a temperatura de um objeto em graus Celsius (ºC), então a


9
temperatura em graus Fahrenheit (F) é uma função de x dada por: f ( x )  x  32 .
5

a-) A água congela a 0º C e entra em ebulição a 100º C. Quais são as temperaturas


correspondentes em Fahrenheit?

b-) O alumínio se liquefaz a 600º C. Qual é o ponto de liquefação em graus


Fahrenheit?

4x
3-) Se f ( x )  , qual é o valor de: f(2); f(-1); f(0), f(a) e f(a+1)?
x2  3
23

4-) Determine o domínio das funções abaixo:

a-) f (x)  x 2  x  1

1
b-) f ( x ) 
3x  2

1
c-) f(x) =
x

d-) f(x) = x

e-) f(x) =  x  1

x
f-) y  x 2  9  2x 
3
24

2.3. Gráficos de funções: Descrição de uma função geometricamente

Tipos particulares de funções

Função Constante: Uma função é considerada constante quando é do tipo f(x) = k ,


onde k é uma constante e não depende de x. O gráfico de uma função constante é uma
reta paralela ao eixo dos x, por exemplo:

Exemplos de funções constantes:

a-) f(x) = -2 b-) f(x) = 3

Função do 1º grau (ou funções lineares): Uma função do 1º grau é toda função
que pode ser escrita da forma y = ax + b, onde a  0. O gráfico de uma função do 1º grau
é sempre uma reta, por exemplo:

Observações:

1-) Na função f(x) = ax + b, se b = 0 , f é chamada de função linear e se b  0 f é


chamada de função afim.
25

2-) O gráfico intercepta o eixo x na raiz da equação, ou seja, quando f(x) = 0 e,


portanto, no ponto (x, y) = (  b a , 0) e intercepta o eixo y no ponto (x, y) = (0, b).

3-) A constante b é chamada coeficiente linear da reta e a constante a é chamada


coeficiente angular e fornece a inclinação da reta.

4-) Se a  0 , então f(x) é crescente, se a  0 , então f(x) é decrescente.

Exemplos de funções de 1º grau:

f(x) = - 5x – 1; a = -5 e b = -1

f(x) = x; a=1eb=0

1 1
f(x) =  x + 5; a = eb=5
2 2

Exemplos

1-) Quando a agência de proteção ambiental dos EUA detectou uma certa
companhia jogando ácido sulfúrico (H2SO4) no rio Mississipi, multou-a em U$125.000,00
mais U$1.000,00por dia até que a companhia se ajustasse às normas federais que
regulamentam os índices de poluição.

a-) Expresse o total da multa como função do nº x de dias em que a companhia


continuou violando as normas federais.

b-) Se a companhia ficar dois meses sem se ajustar as normas federais, qual será o
valor da multa a ser paga pela companhia?

c-) Esboce o gráfico da função descrita no item a-)


26

2-) Quais os pontos que interceptam o gráfico de cada uma das funções abaixo:

a-) f (x)  2x  5

2
b-) f ( x )   x  1
3

3-) Esboce o gráfico da seguinte função linear e indique seu domínio:

5 1
 2 x  2 , 1  x  1
f (x)  
 1 x  2, x 1
 2
27

4-) Determine a função f(x) = ax + b, sabendo-se que f(2) = 5 e f(3) = -10.

Função do 2º grau (ou função quadrática): Uma função do 2º grau é uma função
da forma: f (x)  ax 2  bx  c , com a  0. O gráfico de uma função do 2º grau é sempre uma
parábola, por exemplo:
28

Observações:

1-) Se a  0 a parábola tem concavidade voltada para cima e portanto um ponto de


mínimo. Se a  0 a parábola tem concavidade voltada para baixo e portanto um ponto de
máximo.

 b 
2-) O vértice da parábola é o ponto (x,y) =   ;   , onde  = b2 - 4ac
 2a 4a 

3-) A parábola intercepta o eixo dos x nos pontos de abcissas x' e x'' , que são as
raízes da equação ax2 + bx + c = 0, onde x' e x'' são obtidos através da fórmula de Báskara
b 
dada por: x  . A parábola intercepta o eixo dos y no ponto (0 , c).
2a

4-) Se  >0, a parábola corta o eixo x em dois pontos;

Se  =0, a parábola corta o eixo x em um ponto e,

Se  <0, a parábola não corta o eixo x.

5-) Sendo x1 e x2 as raízes da função f(x) = ax2 + bx + c , então ela pode ser escrita,
na forma fatorada, como f(x) = a(x - x1).(x - x2)

Exemplos de funções de 2º grau:

a-) f(x) = x2 - 2x + 1; ( a = 1 , b = -2 , c = 1 ) ;

b-) f(x) = - x2; ( a = -1 , b = 0 , c = 0 )

c-) f(x) = -3x2 - 1; ( a = -3 , b = 0 , c = -1 ) ;

Exemplos

 
1-) Para que valores de m a função f (x)  m 2  1  x 2  3x  2 é do 2º grau?
29

2-) Determine c para que a função f ( x)  x 2  8x  c tenha um gráfico que intercepta


o eixo das abscissas em dois pontos distintos.

Função Polinomial: Uma função polinomial f(x) é uma função da forma:


f (x)  a n x n  a n 1 x n 1  ...  a 0 , onde n é um inteiro não negativo e a 0, a1, a2, ... , an, são
números dados.

Observação: Uma função expressa como o quociente de duas funções polinomiais


é chamada de função racional.

Exemplos de funções polinomial e racional, respectivamente:

a-) f ( x)  3x  x  0,3x  1
5 4

3x 3  2x
b-) f ( x ) 
x 1

Função Modular:

Módulo (ou valor absoluto) de um número real: Dado um número real x, que se
indica por:

x, se x  0
| x | 
 x, se x  0

Então, o módulo de um número real é sempre positivo.

Geometricamente, o módulo de um número real x é igual à distância do ponto que


representa, na reta real, o número x ao ponto zero de origem, independentemente de suas
posições relativas. O gráfico da função modular f(x)=|x| é do tipo:
30

Exemplo: De acordo com a definição, determine:

a-) |4x+1| quando x=-1

b-) | x  3x  1 |  | x  x | , quando x= -2
2 3

Funções envolvendo potências: são funções da forma f ( x )  x , onde p é um


p

número qualquer.

Recordando as Propriedades da Potenciação:

m n
a-) a  a  a
m n m

e-) a n
 n am
am
 a mn f-) a  b  a  b
m m m
b-) n
a

 
m
m n
 a mn a am
c-) a g-)   
b bm
m 1
d-) a 
am

Exemplos:

a-) f ( x )  x
5
31

3
b-) f ( x )  x

5

c-) f ( x )  x 2

Uma aplicação comum de funções envolvendo potências é a de juros compostos,


dada por: C  C 0  1  i  . Por exemplo:
n

d-) Suponha que R$5000,00 são investidos a 10% ao ano, com os juros compostos
anualmente. Qual é o saldo composto depois de 3 anos?

C  C0  1  i   5000,00  1  0,10  6655,00


n 3

Álgebra de funções: várias funções podem ser vistas como uma combinação de
outras funções. Por exemplo:

P
 (x)  R
 (x)  C
(x)
Lucro Faturamento Custo

Exemplos de soma, subtração, multiplicação e divisão de funções:

1-) Sejam f (x)  3x  4 e g(x)  2x  6 . Encontre:

a-) f (x)  g( x) 

b-) f (x)  g(x) 

c-) f ( x)  g( x) 

f (x)
d-) =
g(x )
32

1

1
2-) Sejam f ( x )  x e g( x )  x . Encontre:
2

f (x)
a-) =
g(x )

g( x )
b-) 
f (x)

c-) f ( x)  g( x) 

Função Composta: A função composta pode ser entendida pela determinação de


uma terceira função, formada pela junção das funções f e g. Resumindo, é uma maneira
de se combinar duas (ou mais) funções.

Uma função composta de f(x) e g(x) consiste em substituir a função g(x) em todas
as ocorrências da variável x em f(x). A função resultante é chamada de função composta
de f(x) e g(x) e é denotada por: f gx  ou f  g .

Exemplos:

1-) Seja f (x)  x  3x  1 e g(x)  x  5 . Qual é a função f gx ?


2

2-) Sejam f (x)  x 2  2x  1, g(x)  x  1 e h(x)  3x . Encontre


f ghx  ou f  g  h .
33

3-) Se f ( x )  x , encontre f (x  h)  f (x)


3

4-) Em um certo lago, a alimentação de robalos é constituída de peixes menores, os


quais têm por alimentação básica plâncton. Suponha que a população de robalos é uma
função f(n) do número de peixes menores, e que o número destes é uma função g(x) da
quantidade x de plâncton no lago. Expresse a população de robalos como função da
quantidade de plâncton, se:

n
f (n )  50  e g( x )  4x  3
150

Função Inversa: Duas funções, f e g, são inversas uma da outra se f gx   x


para cada x no domínio de g e gf x   x no domínio de f.
34

1
A função g se representa por f , que lê-se como “inversa de f”. Para que f e g
sejam inversas uma da outra, a imagem de g deve ser igual ao domínio de f, e vice-versa
(bijetora).

Como achar a inversa de uma função:

1-) Verificar se a função é bijetora;

2-) Trocar x por y e y por x;

3-) Isolar novamente o y, deixando-o em função de x;

 
4-) Testar, fazendo f f x  e f f x  , ambas têm que dar x.
1 1

OBS.: O gráfico da função inversa é simétrico ao gráfico da função de origem, em


relação a reta y = x, que é bissetriz dos quadrantes ímpares.

Exemplos

1-) Ache a inversa da função f ( x)  2x  3 , se existir.


35

2-) Ache, se existir, a inversa da função f ( x )  x  1


2

Função Exponencial: Uma função exponencial de base a é do tipo f ( x )  a x , com :


a  0 e a  1.

Classificação:

 Se a > 1, a função f ( x )  a x é crescente.

 Se 0  a  1 , a função f ( x )  a x é decrescente.

x
5
As funções f ( x )  2 , f ( x )   
x
e f (x)  (1,5) x são exemplos de funções
2
exponenciais crescentes, pois a > 1.
x x
3 1
As funções f (x)  (0,3) x , f ( x )    e f (x)    são exemplos de funções
5 2
exponenciais decrescentes, pois 0 < a < 1.
x
1
Exemplo: Vamos construir os gráficos das funções f ( x )  2 x e g( x )    , onde o
2
primeiro (f) será o gráfico de uma função crescente e o segundo (g) será o gráfico de uma
função decrescente.
36

x f (x)  2 x x 1
x

g( x )   
2
1 3
-3 2 3   0,125 -3 1 1 1
    8
8 2  1 3
2
1
8

1 2
-2 2 2   0,25 -2 1 1 1
    4
4 2  1 2
2
1
4

1 1
-1 21   0,5 -1 1 1 1
    2
2 2  1 1
2
1
2
0
0 20  1 0 1
  1
2
1
1 21  2 1 1 1
    0,5
2 2
2
2 22  4 2 1 1
    0,25
2 4
3
3 23  8 3 1 1
    0,125
2 8

10 10
f (x)  2 x 1
x

g( x )   
2
8 8

6 6

4 4

2 2

0 0
-4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4

Observações

1-) f ( x )  2 x é uma função crescente pois a > 1. x , y 

2-) g( x )    é uma função decrescente, pois 0  a  1 . x , y 


1
2

3-) ambas funções passam pelo ponto (0, 1)


37

4-) o domínio da função é IR

5-) a imagem da função é IR *

6-) a curva está toda acima do eixo das abscissas

7-) Funções exponenciais naturais são aquelas que na base está o número
irracional e, ou seja, f ( x )  e x , onde e  2,71828182...

Exemplos:

1-) Determine m para que função f (x)  3m  2 seja:


x

a-) Crescente

b-) Decrescente

2-) Suponhamos que uma cidade tem hoje 25.000 habitantes e que haja um
crescimento populacional de 1,5% ao ano. Determinar:
a-) A expressão que representa o número de habitantes daqui a x anos
38

b-) O número de habitantes daqui a 10 anos.

c-) Se daqui a 10 anos o número de habitantes fosse igual a 48.000, determinar a


taxa de crescimento anual.

3-) Um automóvel vale hoje R$ 26.500,00. Sabendo-se que ele sofre uma
desvalorização de 12% ao ano:

a-) Determine o valor do carro daqui a 5 anos.

b-) Seja y o valor do carro daqui a t anos. Esboce o gráfico de y em função de t .


Observação: Neste exemplo devemos considerar k  12% pois há uma
desvalorização no preço do veículo com o passar dos anos.
39

4-) Uma Usina pretende fazer um empréstimo de R$200.000,00 para investir em


maquinários. Ela pagará juros a uma taxa de 10% ao ano.

a-) Escreva a expressão que representa o montante y daqui a x anos.

b-) Qual será o montante para x = 5 anos se ela não pagar nada durante este
período?

5-) Suponha que se está estudando uma praga que ataca a cana-de-açúcar e se
descobre que esta praga é proveniente de uma bactéria. Sabe-se também que a colônia
desta bactéria se desenvolve de modo que cada meia hora dobra seu número. Quantas
bactérias a colônia terá após 24 horas?

Função Logarítmica:

Definição de Logaritmo: Sejam a e b reais, com a  0 , a  1 e b > 0. Na igualdade


a x  b , o expoente x é o logaritmo de b na base a.
40

Notação: Se a x  b  x é o logaritmo de b na base a.

Escreve-se: x  log a b , onde: x = logaritmo;

a = base ( a  0 e a  1 )

b = logaritimando (b > 0)

Exemplos:

a-) 2 3  8  3  log 2 8

1 1
b-) 2 1   1  log 2
2 2

Definição de função logarítmica: Seja f (x)  log a x definida de IR * em IR, com


a  0, a  1 e x > 0

Classificação:

 Se a > 1, a função f (x)  log a x é crescente.

 Se 0  a  1 , a função f (x)  log a x é decrescente.

As funções f (x)  log 2 x , f ( x)  log10 x e f (x)  log1,5 x são exemplos de funções


logarítmicas crescentes, pois a > 1.

As funções f ( x )  log 1 x , f (x)  log 0, 25 x e f ( x )  log 2 x são exemplos de funções


2 3

logarítmicas decrescentes, pois 0 < a < 1.

Exemplo: Vamos construir os gráficos das funções f (x)  log 2 x e g( x )  log 1 x ,


2

onde o primeiro (f) será o gráfico de uma função crescente e o segundo (g) será o gráfico
de uma função decrescente.
41

x f (x)  log 2 x x g( x )  log 1 x


2

1 1 1 1
log 2  log 2 23  3 log 1  log 1 2 3  3
8 8 8 2
8 2
1 1 1 1
log 2  log 2 2 2  2 log 1  log 1 2 2  2
4 4 4 2
4 2
1 1 1 1
log 2  log 2 21  1 log 1  log 1 21  1
2 2 2 2
2 2

1 log 2 1  0 1 log 1 1  0
2

2 log 2 2  1 2 log 1 2  1
2

4 log 2 4  2 4 log 1 4  2
2

3 4
f (x)  log 2 x g( x )  log 1 x
2 3 2

1 2

0 1
0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5
-1 0
0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5
-2 -1

-3 -2

-4 -3

Observações

1-) f (x)  log 2 x é uma função crescente pois a > 1. x , y 

2-) g( x )  log 1 x é uma função decrescente, pois 0  a  1 . x , y 


2

3-) ambas funções passam pelo ponto (1, 0)


*
4-) o domínio da função é IR  I

5-) a imagem da função é IR

6-) está toda a direita do eixo y

7-) Função logarítmica natural é a função representada por f (x)  ln x , onde a base
é o número irracional e, ou seja, ln x  b  e  x , onde e  2,71828182...
b
42

Alguns resultados importantes

 log a 1  0
 log a a  1
 log a a n  n
 log 1 a  1
a

 aloga N
N
 log a x  log a y  x  y

Propriedades dos logaritmos

As propriedades do logaritmo que são bastante úteis na simplificação de expressões


que contém logaritmos.

P1: Logaritmo de um produto

log a (M  N)  log a M  log a N

P2: Logaritmo de um quociente

M
log a ( )  log a M  log a N
N

P3. Logaritmo de uma potência

log a M N  N  log a M

P4: Logaritmo da raiz n-ésima de um número


1
1
log a N M  log a M N   log a M
N
43

Mudança de base: As vezes é necessário mudarmos de base para facilitar os


cálculos, principalmente no caso de usar a calculadora científica com log 10 .

log a N
log b N 
log a b

Observação: O domínio (ou condição de existência) de uma função logarítmica


deve satisfazer as condições de que a base deve ser um número maior que zero e
diferente de um, e o logaritmando deve ser maior que zero, ou seja:

Se x  log a b a = base ( a  0 e a  1 )

b = logaritimando (b > 0)

Exemplos:

1-) Calcule, sabendo que log 2  0,301 e log 3  0,477 .


a-) log 2 3 

b-) log 6 

c-) log 5 

d-) log 0,125 

2-) O número de bactérias numa certa cultura duplica a cada hora. Se, num
determinado instante, a cultura tem 1000 bactérias, daí a quanto tempo,
aproximadamente, a cultura terá um milhão de bactérias?
44

3-) Uma empresa investiu R$200.000,00 em uma aplicação que rende 9,05% ao
ano. Quanto tempo será necessário para que seu saldo dobre de valor?

4-) Descubra qual a fórmula que permite calcular o valor da energia E, sabendo que:
a-) log E  log h  log M  2 log d

b-) log E  log m  2 log C  log h

5-) Um automóvel vale hoje R$ 25.000,00. Sabendo-se que ele sofre uma
desvalorização de 12% ao ano, determine o tempo necessário para que seu valor se
reduza a R$ 10.000,00.
45

6-) Encontre o domínio das funções abaixo:

a-) f ( x )  log  x1 16


b-) f (x )  log 2 x 2  5x  6 

c-) f ( x)  log  x 2  3  x 
46

7-) Resolva as igualdades abaixo. Não esqueça de encontrar a condição de


existência dos logaritmos.

a-) log  x 1 16  2

b-) log 2 x 1 27  3

Ao final deste capítulo, o aluno deve ser capaz re resolver as atividades específicas
06, 07, 08, 09 e 10. Estas atividades irão de resgatar conceitos de funções vistas no ensino
médio.
47

3. LIMITE

O principal objetivo deste capítulo é o de introduzir o conceito de cálculo do limite de


uma função. O estudo de limites de funções é importante em si próprio, porém a maior
importância está no fato de conhecê-lo para poder compreender a definição e cálculo da
função derivada.

A função derivada nos da informações sobre o comportamento da variação de uma


função, isto é, sobre o impacto que a variável independente (x) tem sobre a função (variável
dependente – y). O próximo capítulo nos apresentará a derivada como sendo um limite do
coeficiente angular de uma função, então vamos conhecer um pouco sobre o limite de
funções.

3.1. Conceito Intuitivo de Limite: O limite de uma função num determinado valor de x,
isto é, lim f ( x) é definido como aquele valor que a função assume nas vizinhanças de
x x0

x  x0 .

Observações:

 Note que lim f ( x) está relacionado aos valores que a função assume nas
x x0

vizinhanças de x 0 .
 A função pode até não ser definida no ponto x  x0 , mas o limite poderá existir.

3.2. Limite de funções contínuas

Se a função for contínua (definida) no ponto x  x0 , então o valor do limite da função


se confunde com o valor da função neste ponto, ou seja:

lim f ( x)  f x0 
x x0

Exemplo: Encontrar o lim (3x  1)


x2

Vamos calcular os valores que f (x)  3x  1 assume nas vizinhanças de x=2.


48

x (pela f ( x)  3 x  1 x (pela f ( x)  3 x  1
esquerda) direita)
1,6 3,8 2,1 5,3
1,9 4,7 2,01 5,03
1,999 4,997 2,001 5,003
1,99999 4,99997 2,00001 5,00003

Observações:

1-) Podemos observar que a função assume valores muito próximos de 5 nas
vizinhanças à esquerda de x = 2 e à direita de x = 2.

2-) Podemos dizer então que o limite de f(x) quando x tende para 2 é 5, isto é,
lim (3x  1)  5 .
x2

3-) Neste caso o valor do limite quando x  2 se confunde com o valor da função
f(2). Isto acontece porque a função é contínua em x = 2.

Exemplos: Encontre os Limites abaixo:

a-) lim (3x  4)


x1

Como a função lim (3x  4) é contínua no ponto x=1, seu limite será igual ao valor de
x1

f 1  1 .

b-) lim (3x  4)


x0

Como a função lim (3x  4) é contínua no ponto x=0, seu limite será igual ao valor de
x0

f 0  4 .
c-) lim ( x  4)
x4

Como a função lim ( x  4) é contínua no ponto x=-4, seu limite será igual ao valor de
x4

f  4  0 .
d-) lim (5)
x 2

Como a função lim (5) é contínua no ponto x=2, seu limite será igual ao valor de f 2  5 .
x 2
49

e-) lim ( x 2 )
x 1 2

Como a função lim ( x 2 ) é contínua no ponto x=1/2 , seu limite será igual ao valor de
x 1 2

f 1 2  14 .
13
f-) lim ( 4 x  13 ) , x  x  3,25
x3 4

Como a função lim ( 4 x  13 ) é contínua no ponto x=3, seu limite será igual ao valor de
x3

f 3  5 .

 3x  4 
g-) lim  , x  1
x 2 x  1 
 

 3x  4 
Como a função lim   é contínua no ponto x=2, seu limite será igual ao valor
x 2 x  1 
 

de f 2  .
5
3

3.3. Limite de Funções Descontínuas

Se a função não for contínua (indefinida ou descontínua) no ponto x  x0 , então


devemos calcular o valor da função nas vizinhanças do ponto em questão, tanto do lado
esquerdo do valor x0,quanto do lado direito.

Observações:

1-) Mesmo que a função não esteja definida no ponto x0 (descontínua), o limite poderá
existir.

2-) Dizemos que o limite existe se os valores da função nas vizinhanças (tanto da esquerda
quanto da direita), tenderem para o mesmo valor.
50

Exemplos

Vamos utilizar um exemplo para calcular o limite em um ponto onde a função não é
contínua no ponto x = x0 , porém o limite existe.

x2  4
1-) Como se comportam os valores da função y  , quando x se aproxima de 2?
x2
ou,
x2  4
Qual o lim ?
x 2 x  2

Solução:

0
Obs..: Note que se x= 2  y = , ou seja, o resultado é indeterminado.
0
x 2  4 22  4 0
 
x2 22 0

Para resolver essa questão, devemos calcular o valor da função para valores de x
bem perto de 2, mas não necessariamente no ponto 2 (lim x→2). Por exemplo:

Devemos calcular y para valores bem próximos de 2, tanto do lado esquerdo (1,9;
1,99; 1,999) quanto do lado direito (2,1; 2,01; 2,001) de 2.

x (pela x2  4 x (pela x2  4
esquerda) y direita) y
x2 x2
1,9 3,9 2,1 4,1
1,99 3,99 2,01 4,01
1,999 3,999 2,001 4,001

Se ambas aproximações tenderem para o mesmo valor (neste caso, 4), dizemos
que o limite existe e que o seu valor é 4, ou seja:

x2  4
lim =4
x 2 x  2

Graficamente também podemos observar:


51

10

A função é descontínua
no ponto x = 2
8

0
-8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8
-2

-4

-6

Agora, vamos ver um exemplo para calcular o limite em um ponto onde a função
não é contínua no ponto x = x0 , e, portanto, o limite não existe.

 x  1, se x  1
2-) Como se comportam os valores da função y   quando x se
2 x  1, se x  1
aproxima de 1?

ou,

Qual o lim y , sendo a função y definida como mostrado acima?


x 1

Solução:

Obs..: Sabemos que a função não é contínua no ponto x = 1, pois neste ponto a
função dá um “salto” como podemos observar pelo gráfico da mesma.
52

12
y  2 x  1, se x  1

10

0
-6 -4 -2 0 2 4 6
y  x  1, se x  1
-2

-4

Observando o comportamento da função nas “vizinhanças” de x=1, ou seja, quando


x tende a 1 pela direita e pela esquerda, notamos que a função “tende” a valores
diferentes. Neste caso o limite da função para quando x tende a 1 não existe, porém a
função no ponto x=1 existe e vale 3, ou seja f 1  3

Pela tabela, também podemos observar que o limite não existe para quando x tende
a 1, vejamos:

x (pela y=f(x) x (pela y=f(x)


esquerda) direita)
0,8 1,8 1,2 3,4
0,9 1,9 1,1 3,2
0,999 1,999 1,001 3,002

Observações:

1-) Quando “tendemos” x a 1 pela esquerda, percebemos que o valor do limite


tende a 2;

2-) Quando “tendemos” x a 1 pela direita, percebemos que o valor do limite tende a
3;
53

Portanto, como os valores laterais dos limites são diferentes, dizemos que o limite
desta função no ponto x = 1 não existe.

Exemplo:

1
Assim acontece com o lim .
x 0 x

Se observarmos os limites laterais para esta função, temos que:

- Quando x→0 pela esquerda, seu limite tende para -∞;

- Quando x→0 pela direita, seu limite tende para +∞;

1
Vamos analisar o gráfico da função f ( x) 
x

y 13
y = 1/x
11
9
7
5
3
1
-1
-13 -11 -9 -7 -5 -3 -1 1 3 5 7 9 11 13
-3 x
-5
-7
-9
-11
-13

Portanto, como os valores laterais dos limites são diferentes, dizemos que o limite
desta função no ponto x = 0 não existe.
54

Veja alguns valores de x→0, ou seja de x nas vizinhanças de zero.

x (pela y=f(x) x (pela y=f(x)


esquerda) direita)
0,5 2 -0,5 -2
0,1 10 -0,1 -10
0,00001 100.000 -0,00001 -100.000

3.4 Fatoração

Uma expressão matemática está fatorada quando está escrita na forma de


multiplicação.

Exemplos.:

1-) x (2 + y) =
2-) (3x + 2)(2y + 5) =
3-) (x + 2)(x - 2) =

A fatoração é um dispositivo muito importante em matemática para simplificar


expressões, principalmente quando envolver uma divisão de Polinômios

Vamos relembrar alguns métodos importantes:

Colocar termos em evidência é uma forma de fatoração. Outras formas de fatoração


são:

- Divisão de um polinômio de grau maior por um de grau menor;


- Método de Briott-Rufini;
- Fatoração de polinômio de 2º grau

3.4.1 Divisão de um polinômio de grau maior por um de grau menor

Sejam dois polinômios, f(x) como dividendo e g(x) como divisor, com g(x) ≠0. Dividir
f(x) por g(x) é determinar outros dois polinômios: o quociente q(x) e o resto r(x), tais que:
f ( x)
Seja , então
g ( x)

Dividendo Divisor
f(x) g(x)

Resto r(x) q(x) Quociente


55

Portanto:
f(x) = g(x). q(x) + r(x)

f ( x)  6 x 4  5 x 3  4 x 2  7 x  11
Exemplo: Vamos dividir 
g ( x) 2x 2  x  3
f(x)

 6 x 4  5x3  4 x 2  7 x  11 2x2  x  3 g(x)

+ 6 x 4  3x 3  9 x 2  3x 2  x  3 q(x)

 2 x 3  5x 2  7 x  11

 2 x 3  x 2  3x
 6 x 2  4 x  11

 6 x 2  3x  9

7 x  20 r(x)

Observe que: f(x) = g(x). q(x) + r(x), ou seja,

 6 x 4  5x3  4 x 2  7 x  11 =( 2 x 2  x  3 ).( 2 x 2  x  3 ) + ( 7 x  20 )

3.4.2 Método de Briott-Rufini

Este método é aplicado somente para quando o divisor g(x) é da forma (x – a).

f ( x) x 2  4
Exemplo: Vamos dividir  utilizando o método de Briott-Rufini:
g ( x) x2

O resultado será um polinômio de “um” grau menor que o de f(x).

Procedimento:

1- Devemos colocar os coeficientes de f(x) (no caso, 1, 0 e -4) sobre um traço


horizontal e o coeficiente a da função g(x) (2, no caso) separada por um traço
vertical;
56

2- Abaixar o 1º coeficiente (1 no caso);


3- Iniciar um procedimento repetitivo que consiste em multiplicar o coeficiente de baixo
pela constante a (2 no caso) e somar o resultado ao próximo coeficiente de cima.
Continue o procedimento até o último termo;
4- Se o resto (último coeficiente de baixo) for zero, significa que a divisão foi exata;
5- Se o resto não for zero, a divisão não foi exata e a fatoração que gostaríamos não
teve o sucesso desejado.

Portanto, o resultado da divisão proposta no exemplo anterior, pelo método de Briott-


Rufini é dado por:

f ( x) x 2  4
q(x) = x + 2 e resto zero, então   x2
g ( x) x2

x2  4
Desta forma, temos que lim  lim x  2  4
x 2 x  2 x 2

Importante: O grau do polinômio quociente q(x) é sempre uma unidade menor que
o grau do polinômio dividendo g(x)

3.4.3 Fatoração de Polinômio de 2º grau

Considere um polinômio (função) de segundo grau do tipo:

ax 2  bx  c
57

Toda função do segundo grau pode ser fatorada na forma:

 
a x  x ' . x  x '' 
onde, x ' e x '' são as raízes da função, e a é o coeficiente do termo x 2 .

Exemplo:

Considere a função f ( x)  x 2  4 :

As raízes desta função são x '  2 e x ''  2 e o coeficiente a =1

Desta forma a função f ( x)  x 2  4 pode ser escrita (fatorada) da forma:

f ( x) 1( x  2).( x  2)

Exemplos e Exercícios

1-) Encontre os limites abaixo:

Sugestão: Quando necessário, usar fatoração ou encontrar os limites com o


auxílio da tabela.

 x2  9 
a-) lim   
x 3
 x3 

Resolução:

 x2 - 9  0
lim x3   = Não existe f(3),
 x-3  0
 x2 - 9   (x - 3)(x + 3) 
Porém, sabemos que   =   = x + 3
 x-3   x-3
 x2 - 9 
então :   = x + 3,  x   - {3}
 x-3 
Assim,
 x2 - 9 
lim x3    lim x3 (x + 3) = 6
 x-3 
58

 x 2  5x  6 
b-) lim  

x 2
 x2 

x2 1
c-) lim 
x 1 x 1

x3  x2
d-) lim 
x  0 x 4  3x 3  x
59

4. A FUNÇÃO DERIVADA

O que é?

- Interpretação Geométrica: coeficiente angular da reta tangente a curva num ponto


dado, ou seja, inclinação da curva num ponto.

- Interpretação Física: Taxa de variação. Exemplo: velocidade média, aceleração


média.

O estudo das funções derivadas é muito importante na Matemática ou Cálculo


Diferencial e Integral. Temos o emprego das derivadas em diversas áreas do conhecimento
humano, como a Física, Química, Engenharia, Administração, Economia, Biologia entre
outras.

A derivada de uma função é uma outra função que tem o poder de nos mostrar o
comportamento da função original em vários aspectos, por exemplo: A derivada de uma
função nos mostra os intervalos de crescimento e/ou decrescimento de uma função; pontos
de máximo e/ou mínimo; pontos de inflexão; intervalos onde a função tem concavidade
voltada para cima e/ou para baixo entre outras informações.

4.1 O Coeficiente Angular e a Reta Tangente

O Coeficiente Angular nos apresenta a variação no valor da função (y) (variável


dependente) como decorrência de uma variação na variável x (independente), isto é, ele nos
mostra o impacto provocado na função (y) pela variação em x, e esta é uma medida muito
importante para se conhecer.

 Se a função é crescente, isto é, um aumento em x provoca um aumento no valor da


função (y), então o coeficiente angular irá mostrar o quanto a função (y) cresce
provocado pelo aumento em x. Ex.: y= 5x+2
 Por outro lado, se a função é decrescente, isto é, um aumento em x provoca uma
diminuição no valor da função, então o coeficiente angular irá mostrar o quanto a
função (y) diminui de valor como decorrência de aumento no x. Ex.:y= -3x+2.

A reta tangente

Dizemos que uma reta r é tangente a uma circunferência, se r toca em um único


ponto P.
60

y1+  y

y

y1
x

x1 x1+  x

O Coeficiente Angular (inclinação da reta tangente)

y y2 - y1 f x1  x   f x1 
m = tg  = 
x x2 - x1 x1  x   x1

Definição: Dada uma curva y = f(x), seja P(x1, y1) um ponto sobre ela. A inclinação da
reta tangente à curva no ponto P é dada por:

y f ( x2 )  f ( x1 )
mx1 = lim = lim ou, fazendo x2  x1  x , temos:
x2  x1 x x2 x1 x2 - x1

f ( x1  x)  f ( x1 )
mx1 = lim
x0 x

Notação de Derivada: A notação de derivada pode ser encontrada, entre vários autores,
como sendo: y';
61

dy
f'(x); ; todas estas notações dizem respeito à uma mesma função matemática: "A
dx
derivada de y em relação à x".

Continuidade de Funções Deriváveis

Teorema: Toda função derivável num ponto x1 é contínua nesse ponto.

Obs.: Se f(x) é contínua em x1, não implica na existência de f ’(x). A recíproca,


porém, não é verdadeira.

Geometricamente, os pontos de diferenciabilidade de f são aqueles onde a curva y =


f(x) tem uma reta tangente e os ponto de não diferenciabilidade de f são aqueles onde a
curva não tem reta tangente.

De um modo geral, os pontos de não diferenciabilidade mais comuns são: picos e


descontinuidade ou quando tivermos mais de uma reta tangente no mesmo ponto.

4.1 Regras de Derivada

Vimos no exemplo anterior que a função derivada de f ( x)  x 2  2 x  1 é


f ' ( x)  2 x  2 . Se conseguirmos achar a função derivada das principais funções
elementares e se além disso soubermos achar as funções derivadas de somas, diferenças,
produtos e quocientes dessas funções elementares, poderemos achar as derivadas de
muitas funções sem termos que recorrer à definição (que muitas vezes pode dar muito
trabalho). Veremos, agora, como isso pode ser realizado.

4.1.1 Derivada da Função Constante

Se f (x) = c, onde c   . Então f ' ( x)  0 , para todo x , ou seja, derivada de ma


constante é zero.

Exemplos:
62

1) f ( x)  5  f ' ( x)  0,
1
2) f ( x )    f ' ( x )  0
2

4.1.2 Derivada da Função Potência

Se n   e f ( x)  x n , então f ' ( x)  n  x n1

Exemplos:

1) f ( x)  x 5  f ' ( x)  5 x 51  5 x 4 ,


2) f ( x)  x 3  f ' ( x)  3x 31  3x 4 ,
1 4
3) f ( x)  4  x 4  f ' ( x)  4  x 41  4 x 5  5 ,
x x
1 1 1
1 1 1  1
4) f ( x )  x  x2  f ( x)  x 2  x 2 
'
2 2 2 x

4.1.3 Derivada da Função Logarítmica

1
Se f ( x)  ln x , então f ' ( x)  (para x  0)
x

4.1.4 Derivada da Função Seno e Função Cosseno

(a) Se f ( x)  sen x , então f ' ( x)  cos x para todo x real;


(b) Se f ( x)  cos x , então f ' ( x)  sen x para todo x real.

4.2 Propriedades Operatórias

As propriedades operatórias permitem achar as derivadas de somas, diferenças,


produtos e quocientes de funções elementares. São as seguintes:
63

4.2.1 Derivada do produto de uma função por uma constante

Se f ( x)  k  g ( x) , então f ' ( x)  k  g ' ( x)

Exemplos:

1) f ( x)  3x 5  f ' ( x)  3.(5 x 51 )  15 x 4 ,


2) f ( x)  2 x 3  f ' ( x)  2.(3x 31 )  6 x 4 ,
1  1 1 1  5  1 5
3) f ( x)  5 x  5x 2  f ( x)  5. x 2   x 2 
'
2  2 2 x
 

4.2.2 Derivada da soma

Se f ( x)  u( x)  v( x) , então f ' ( x)  u ' ( x)  v ' ( x)

Exemplos:

1) f ( x)  x 2  senx  f ' ( x)  2 x  cos x,


2) f ( x)  x 3  2 x  2  f ' ( x)  3x 2  2,

4.2.3 Derivada da diferença

Se f ( x)  u( x)  v( x) , então f ' ( x)  u ' ( x)  v ' ( x)

Exemplos:

1) f ( x)  x 3  cos x  f ' ( x)  3x 2  senx,


2 ) f ( x )  2 x 2  3 x  f '  x   4 x  3

4.2.4 Derivada do produto

Se f ( x)  u( x)  v( x) , então f ' ( x)  u ' ( x)v( x)  u( x)v ' ( x)


64

Exemplos:

1) f ( x)  x 2  senx  f ' ( x)  2 x  senx  x 2  cos x


   
2) f ( x)  2 x 2  3x 3x   f ' x   4 x  33x   2 x 2  3x 3  12 x 2  9 x  6 x 2  9 x  18 x 2  18 x

4.2.5 Derivada do quociente

u ( x) u ' ( x)v( x)  v ' ( x)u ( x)


Se f ( x)  , então f ' ( x) 
v( x) v( x)2

Exemplos:

1
cos x  (ln x)  senx   
1) f ( x) 
senx
 f ' ( x)   x
2
ln x (ln x)

2) f ( x ) 
x2
 f ' x  
 
2 x 3x   x 2 3  6 x 2  3x 2  3x 2  1
3x 3x 2 9x 2 9x 2 3

Exercícios: Obtenha a derivada de cada função a seguir:

a) f ( x)  10

b) f ( x)  x5

c) f ( x)  10 x5
65

1 2
d) f ( x)  x
2

e) f ( x)  x 2  x3

f) f ( x)  10 x3  5x 2

g) f ( x)  2 x  1

h) f (t )  3t 2  6t  10

i) f (u)  5u 3  2u 2  6u  7

j) f ( x)  3 ln x  5

k) f ( x)  10 ln x  3x  6
66

l) f ( x)  5 senx  2 cos x  4

m) f ( x)  x  sen x

n) f ( x)  x 2  ln x

o) f ( x)  (2 x 2  3x  5)(2 x  1)
67

sen x
p) f ( x) 
x2

sen x
q) f ( x)  tg x 
cos x

x 1
r) f ( x) 
x2
68

2 5
s) f ( x)  3
 2
x x

t) f ( x)  x 3

1 1

u) f ( x)  x  x
3 4

v) f ( x)  3 x  53 x  10
69

w) f ( x)  x  sen x

ln x
x) f ( x) 
x

4.3 Derivada da Função Composta – Regra da Cadeia

Consideremos duas funções deriváveis f e g onde y  f (u) e u  g (x) . Para todo x tal
que f (x) está no domínio de g, podemos escrever y  f (u)  f [ g ( x)] , isto é, podemos
considerar a função composta ( g0 f )( x) .

Por exemplo, uma função tal como y  ( x 2  2 x) 4 pode ser vista como a composta da
funções y  u 4  f (u) e u  x 2  2 x  g ( x).
70

Se y  f (u) e u  g (x) e as derivadas dy / du e du / dx existem, então a derivada da


dy dy du
função composta y  f [ g ( x)] é dada por:   A regra da cadeia também pode
dx du dx
ser escrita com a notação y ´  f ´ (u)  u '

Aplicar a regra da cadeia na função y  f ( g ( x)) , em palavras, significa: “a derivada da


função externa calculada na fnção interna vezes a derivada da função interna”.

Exemplos:

1-) Qual a derivada de f ( x)  ln( x 2  2) ?

Resolução

1
Como f(x) é uma função composta, fazendo u  x 2  2 , teremos y  ln u  y '  .u ' .
u
Assim:

1 ´ 1 2x
f ' ( x)  u  2  2x  2
u x 2 x 2

2-) Derive as funções abaixo:

a-) f ( x)  ( x 2  2) 5

b-) g ( x)  3 (3x 2  2) 5
71

c-) y  sen(2 x 2 )

4.4 Derivada da Função Exponencial

Se f ( x)  a x , então f ' ( x)  a x  ln a , para todo x real (com a  0 e a  1).

Exemplo:

1) f ( x)  3 x  f ´ ( x)  3 x  ln 3;
2) f ( x)  e x  f ´ ( x)  e x  ln e  e x , pois ln e  1.

3
 2 x 1
3-) Calcular a derivada de f ( x)  e x ,

Como f ( x)  e x 2 x1 é uma função composta, poderemos fazer u  x 3  2 x  1 e aplicar a


3

regra da cadeia, isto é,

f ´ ( x)  e u  ln e  u ´ ,
3
 2 x 1
f ´ ( x)  e x  (3x  2)

Exercícios: Obtenha a derivada das seguintes funções:

a) f ( x)  (2 x  1)3

b) f ( x)  (2 x  1)4
72

c) f ( x)  (5x 2  3x  5)6

3
1 1 
d) f ( x)   2   1
x x 

e) f ( x)  ln(3x 2  2 x)

f) f ( x)  2 x
73

g) f ( x)  5x

x 1
h) f ( x) 
3x  2

i) f ( x)  (6 x  2 x  1)
2 2
74

j) f ( x)  x  1  3 x 2  3x  1

4.5 Derivadas Sucessivas

Seja f uma função derivável num certo intervalo. Sua derivada f ' é também uma
função, definida no mesmo intervalo. Podemos, portanto, pensar na derivada da função f ' .

Essa derivada é chamada derivada segunda da f e é representada por f '' ( x) .

Exemplos

a-) Se f ( x)  3x 2  8x  1 , então f '' ( x) é:

f ' ( x)  6 x  8
f '' ( x)  6
75

b-) Se f ( x)  x 2  1 , encontre f '' ( x) :

Obs.: A derivada de ordem n ou n-ésima de f, representada por f ( n) ( x) , é obtida


derivando-se a derivada de ordem n-1 de f.
76

Exemplos: Calcule as derivadas sucessivas indicadas:

a-) Se f ( x)  3x 5  8x 2 , encontre f (8)' ( x) :

c-) Se f ( x)  sen x , encontre f ( 4) ( x) :

4.6 Noções de derivadas parciais

Seja f ( x, y) uma função de duas variáveis x e y. Visto que queremos saber como
f ( x, y) varia em relação a variações em x e y, devemos definir duas derivadas de f ( x, y) (a
serem camadas “derivadas parciais”), em relação a cada uma das variáveis. A deriva
f
parcial de f ( x, y) com relação à x, escrita , é a derivada de f ( x, y) , em que a variável y
x
é tratada como uma constante, e f ( x, y) é considerada como uma função de x apenas. A
77

f
derivada parcial de f ( x, y) em relação à y, escrita , é a derivada de f ( x, y) , em que x é
y
tratada como uma constante.

Exemplos:

f f
a-) Seja f ( x, y)  5x 3 y 2  2 x 2  y 3 . Calcule e .
x y

f
x
   
 5 y 2 3x 2  2  2 x 3  0  15 y 2 x 2  4 x 3

f
 5 x 3 2 y   0  3 y 2  10 x 3 y  3 y 2
y

2 x 2
1
f f
b-) Seja f ( x, y )  x 2 y 2   y 3 . Calcule e .
y x y
78

4.7 Análise de Funções e seus Gráficos através de Derivada

Quando analisamos uma função ou seu gráfico, é comum identificar onde a função é
crescente ou decrescente, onde ocorre seu ponto mais alto ou mais baixo, os intervalos
onde a função tem concavidade voltada para baixo e/ou para cima, pontos de inflexão
(quando existirem), ainda, estabelecer o comportamento numa vizinhança de um dado
ponto ou no infinito.

Considere o gráfico abaixo:

f3
f1

x2

x1 x3

f2

Os pontos x1, x2, e x3 são chamados pontos extremos da função e f 1 e f3 são chamados
máximos locais (ou relativos) e f2 é chamado de mínimo. Podemos destacar que:

 f(x) é crescente no intervalo de  ; x1 ;


 f(x) é decrescente no intervalo de  x1 ; x2 ;
 f(x) é crescente no intervalo de  x2 ; x3 ;
 f(x) é decrescente no intervalo de  x3 ;  ;

Usando derivada vamos fazer o estudo do comportamento de uma função.

4.9 Crescimento ou Decrescimento de uma Função


79

Proposição: Seja f uma função contínua no intervalo [a, b] e derivável no intervalo


(a,b).

Se f ( x)  0 para todo x a, b  então f é crescente em a, b


 '


Se f ( x)  0 para todo x a, b  então f é decrescent e em a, b
 '

Exemplo: Determine os intervalos em que as funções dadas abaixo são crescente


e/ou decrescente.

a-) f ( x)  x 2  4

b-) f ( x)  x 2  2 x  1

c-) f ( x)  x 3  6 x 2  9 x  1
80

d-) f ( x)  3

e-) f ( x)  2 x  1

4.10. Máximos e Mínimos Relativos (ou locais)


81

Seja f (x) uma função definida num intervalo [a, b] e um ponto x0  [a, b]

a-) Se f x0   f x , x  , x0 é um ponto de máximo da função f x  .

b-) Se f x0   f x , x  , x0 é um ponto de mínimo da função f x  .

Exemplo

Ponto de mínimo Ponto de máximo

Definição: Os pontos nos quais f ' ( x)  0 são chamados pontos críticos da função
f (x) .

4.10.1 Determinação dos máximos e mínimos com o uso da derivada segunda-feira

Teorema: Seja f (x) uma função contínua e derivável até 2ª ordem em (a, b) onde
f ' ( x) e f '' ( x) são também contínuas em (a, b). Seja x0  a, b tal que f ' ( x0 )  0 . Então,
fazemos o teste da derivada segunda:


Se f ( x0 )  0, x0 é abscissa de um ponto de máximo local de f ( x)
''



Se f ( x0 )  0, x0 é abscissa de um ponto de mínimo local de f ( x)
''

Resumindo, para encontrar os pontos de máximo e/ou mínimo local, devemos:


82

1º) Calcular a derivada primeira de f (x) , ou seja, f ' ( x) .

2º) Encontrar as raízes de f ' ( x) =0 (pontos críticos)

3º) Calcular a derivada segunda nestes pontos e concluir:


Se f ( x0 )  0, x0 é abscissa de um ponto de máximo local de f ( x)
''



Se f ( x0 )  0, x0 é abscissa de um ponto de mínimo local de f ( x)
''

4º) Calcular f ( x0 ) e encontrar os pontos de máximo e/ou mínimo no gráfico.

Exemplo: Determinar os pontos de máximos e/ou mínimos locais das funções


abaixo:

a-) f ( x)  x 2  4

b-) f ( x)  x 2  2 x  1

c-) f ( x)  x 3  6 x 2  9 x  1
83

d-) f ( x)  2 x  1

Ao final deste capítulo, o aluno deve ser capaz re resolver as atividades específicas
11 e 12.

5. INTEGRAÇÃO
84

5.1 Integral Indefinida

Definição 1: Uma função F (x) é denominada primitiva de uma função f (x) se


F ' ( x)  f ( x) .

x3 x3  x3 
Exemplo: As funções: F ( x)  , G ( x)   2 e H ( x)  3  2  , são primitivas da
3 3  9 
função f ( x)  x 2 , pois F ' ( x)  G ' ( x)  H ' ( x)  x 2 .

Esse exemplo nos mostra que uma mesma função, por exemplo, f ( x)  x 2 , admite infinitas
primitivas, ou seja, alterando apenas a constante, obtemos uma primitiva da função em
questão.

Proposição: Seja F (x) uma primitiva da função f (x) e c uma constante qualquer, uma
função H ( x)  F ( x)  c também é dita primitiva de f (x) .

Definição 2: Se F (x) é uma primitiva da função f (x) , a expressão F ( x)  c é chamada de


integral indefinida da função f (x) e é denotada por:

 f ( x) dx  F ( x)  c
onde:  é o símbolo de integração; f (x) função integrando e dx indica a variável de
integração.

Das definições acima, temos que:

 f ( x) dx  F ( x)  c  F ( x)  c  f ( x)
'
(a)

(b)  f ( x) dx representa uma família de funções (primitivas) da função integrando.

Propriedades:

Sejam, f e g funções e K uma constante qualquer, então:

1.)  kf ( x) dx  k  f ( x)dx
2.)   f ( x)  g ( x)dx   f ( x)dx   f ( x)dx
85

Exemplos: Encontre as integrais indefinidas abaixo:

1-)  sen x dx 
2-)  cos x dx 
x dx 
2
3-)

e dx 
x
4-)

5-)  t 3 dt 

3
6-)  w 4 dw 
1
7-)  x
dx 

 4x dx 
3
8-)

9-)  3x 2  2 x  2 dx 

x3
10-)  sen x  2
 ln( x) dx 

3
11-)  2 x dx 

 2 cos sec x  sec( x)  tg ( x) dx 


2
12-)
86

1
x  3x  5
3 2
13-)  x
dx 

OBS.: Algumas integrais estão tabeladas para facilitar os cálculos e outras são ditas
imediatas. Ao final deste capítulo temos o ANEXO I que trás a tabela de derivadas e
integrais que pode ser usada para auxiliar em alguns problemas de Derivada ou Integral.

Ao final deste assunto, os alunos devem ser capazes de resolver a Atividade Específica 13
e 14.
87

5.2 Integral definida


88

REFERÊNCIAS Bibliográficas

BOULOS, P. Cálculo diferencial e Integral. Volume 1 São Paulo: Makron Books, 1999.

BOULOS, P. Pré-Cálculo. São Paulo: Makron Books, 1999.

DANTE, L.R. Matemática: Contexto e Aplicações. Volume Único. 5a ed. São Paulo. Ed.

Ática, 2007.

EDWARDS C. H. Jr. e D. E. Penney, Cálculo com Geometria Analítica, Vols. 1 e 2,

Prentice Hall do Brasil, 1997.

FLEMMING, D. M., Cálculo A: Funções, Limite, Derivação e Integração, 5ª. Edição, São

Paulo: Makron Books, 1992.

LEITHOLD, L., Matemática Aplicada à Economia e Administração, Vol. I, 3ª. Edição,

Harbra 1994.

LEITHOLD L., O Cálculo com Geometria Analítica, Vol. I, 3ª Edição, Harbra 1994.

STEWART, J., Cálculo Vol. I , Pioneira Thompson Learning,2001.

SWOKOWSK E. W. i, Cálculo com Geometria Analítica, Vol. I, 2ª Edição, Makron Books,

1995

THOMAS, B.G. Cálculo. 10a ed. São Paulo: Ed. Addison Wesley, 2002.
89

ANEXO I

TABELA – Derivadas, Integrais e Identidades Trigonométricas

DERIVADAS: Sejam u e v funções deriváveis de x e, a, c e n constantes.

1. y  u n  y '  n u n1u ' .

2. y  u v  y '  u'v  v'u .

u u'v  v 'u
3. y   y'  .
v v2

4. y  a u  y '  a u (ln a ) u ',  a  0, a  1 .

5. y  eu  y '  eu u ' .

u'
6. y  loga u  y'  loga e .
u

1
7. y  ln u  y'  u'.
u

8. y  u v  y '  v u v1 u ' u v (ln u) v ' .

9. y  sen u  y '  u 'cos u .

10. y  cos u  y '  u 'sen u .

11. y  tg u  y '  u 'sec2 u .

12. y  cotg u  y '  u 'cosec2u .

13. y  sec u  y '  u 'sec u tg u .

14. y  cosec u  y '  u 'cosec u cotg u .

u'
15. y  arc sen u  y'  .
1  u2

u '
16. y  arc cos u  y'  .
1  u2
90

u'
17. y  arc tg u  y'  .
1  u2

u '
18. y  arc cot g u  .
1  u2

u'
19. y  arc sec u, u  1  y '  , u 1.
u u2  1

u '
20. y  arc cosec u, u  1  y '  , u  1.
u u2  1

 Identidades Trigonométricas

1. sen2 x  cos2 x  1. 2. 1  tg2 x  sec2 x .

1  cos 2 x
3. 1  cotg2 x  cosec2 x . 4. sen 2 x  .
2

1  cos 2 x
5. cos2 x  . 6. sen 2 x  2 sen x cos x .
2

7. 2 sen x cos y  sen  x  y   sen  x  y  .

8. 2 sen x sen y  cos  x  y   cos  x  y  .

9. 2 cos x cos y  cos  x  y   cos  x  y  .

 
10. 1  sen x  1  cos   x  .
2 
91

INTEGRAIS

u n 1
 du  u  c .  u du  n  1  c, n  1 .
n
1. 2.

du au
 u  ln u  c .  a du   c, a  0, a  1 .
u
3. 4.
ln a

 e du  e c.  sen u du   cos u  c .


u u
5. 6.

7.  cos u du  sen u  c . 8.  tg u du  ln sec u  c .


9.  cotg u du  ln sen u  c . 10,  sec u du  ln sec u  tg u  c .
11.  cosec u du  ln cosec u  cotg u  c . 12.  sec u tg u du  sec u  c .
13.  cosec u cotg u du  cosec u  c . 14.  sec
2
u du  tg u  c .

du 1 u
15.  cosec2u du  cotg u  c . 16. u 2
a 2
 arc tg  c .
a a

du 1 ua du
17.   ln  c, u 2  a 2 . 18.   ln u  u 2  a 2  c .
u a
2 2
2a u  a u a
2 2

du 1 u du
19. 
u u a 2 2

a
arc sec  c .
a
20.  u a
2 2
 ln u  u 2  a 2  c .

du u
21.   arc sen  c, u 2  a 2 .
a u2 2 a

 Fórmulas de Recorrências

sen n 1au cos au  n  1 


 sen au du     sen au du .
n 2
1. n

an  n 

sen au cosn 1 au  n  1 
 cos au du    cos au du .
n 2
2. n

an  n 

tg n 1au
 tg au du  a (n  1) 
 tgn 2au du .
n
3.
92

cotgn 1au
 cotg au du     cotgn 2au du .
n
4.
a (n  1)

secn 2 au tg au  n  2 
 sec au du    sec au du .
n 2
5. n

a (n  1)  n 1 

cosecn 2au cotg au  n  2 


 cosec au du     cosec au du .
n 2
6. n

a (n  1)  n 1 