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UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA


Autorização Decreto nº 9237/86. DOU 18/07/96. Reconhecimento: Portaria 909/95, DOU
01/08-95

UNIDADE ACADÊMICA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


Resolução CONSU/UNEB nº 1.051/2014 de 15 de maio de 2014. DOE 20/05/2014

Núcleo de Extensão, Assuntos Estudantis e Comunitários

Texto 5 - Materiais didáticos impressos na EAD: características,


vantagens, limitações e aspectos de avaliação.

Maria Luiza Coutinho Seixas

Desde o bloco de aprendizagem anterior começamos a refletir acerca do


que no campo dos processos pedagógicos é definido como Material Didático: uma
diversidade de meios tecnológicos, constituída a partir de diferentes linguagens e
suportes utilizados no ato de ensinar, tendo como objetivo a aprendizagem por
parte do estudante: ―[...] o desenvolvimento das tecnologias da informação e
comunicação abriu portas para novas formas de veiculação dos conteúdos,
provocando grandes mudanças nos métodos de produção dos materiais
didáticos‖ (CORRÊA, 2013, p.132).

Também esclarecemos que, buscando desfrutar com mais vigor os


benefícios e potencialidades que o aparato tecnológico contemporâneo
[especialmente, o advento das Tecnologias da Informação e da Comunicação
(TIC)] oferece aos processos formativos, a produção de materiais didáticos na
modalidade EAD deve ter com referencial uma concepção pedagógica que
valorize a interação, a interatividade e a aprendizagem colaborativa.

Materiais didáticos impressos na Ead

Na EAD, o material didático exerce um papel fundamental, estruturante, e,


por isso, deve possibilitar que os sujeitos aprendentes desenvolvam-se com
autonomia e criticidade, ao mesmo tempo em que constroem o conhecimento.
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É um papel fundamental porque, considerando-se que a educação é um


processo comunicacional em que estudantes e professores estabelecem uma
relação educativa dialógica e plural (PORTO, 2006), a comunicação só ocorre por
intermédio de certa forma de tecnologia, dentre as quais é possível incluir
impressos, mídias gravadas (CD, CD-ROM, DVD), mídias interativas (softwares,
e-mail, teleconferências, videoconferências). É bom que diga que
independentemente da mídia a ser utilizada, é preciso garantir que o material
didático seja compreendido como um recurso de comunicação pedagógica que,
para acontecer, necessita ter um código comum entre os sujeitos, propiciando
(e/ou ampliando) os significados e sentidos constituídos, por eles, diante dos
conteúdos trabalhados.

Qualquer que seja o curso/projeto de EAD pensado/planejado, enriquecer o


processo de produção do material didático com a diversificação de mídias
educacionais é importante, principalmente, nos aspectos referentes à qualificação
do ensino em EaD. A diversificação das mídias oportuniza diferentes formas de
disponibilização dos conteúdos por meio dos materiais didáticos, além de ampliar
os caminhos de interação entre alunos e professor.

Tão relevante quanto essa diversificação é o cuidado para que as mídias


(impressos, audiovisuais e material para ambiente virtual de aprendizagem) que
constituem o material didático produzido estejam integradas umas às outras,
como enfatizam os Referenciais para Elaboração de Material Didático para EaD,
documento redigido pela Secretaria de Educação Profissional e
Tecnológica/Secretaria de Educação a Distância:

[...] não só com o intuito de que eles se complementem, mas que o


material produzido possa apresentar, inclusive, certo grau de
redundância, aproveitando para explorar a potencialidade das diversas
mídias e apresentar os conteúdos em diferentes formatos. (BRASIL,
2007, s.p.).

Os educadores que atuam na EAD têm defendido que este processo de


produção esteja pautado nas premissas da dialogicidade, criticidade, flexibilidade,
autonomia e convergência midiática. Discutiremos esses princípios mais à frente.
Potencializadas as mídias como canais de comunicação entre os diversos atores
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(professores, tutores, estudantes,), o material didático co-protagoniza o processo


educacional, sendo ―[...] um instrumento sobre o qual é depositada uma enorme
parcela das responsabilidades pela efetividade das propostas pedagógicas‖
(NONATO; SALES, 2007, p.6) e ―[...] são responsáveis pela organização,
desenvolvimento e dinâmica de todo o processo educativo‖.

Até aqui, vimos que material didático pode estar configurado em diversos
formatos midiáticos no que diz respeito aos meios, linguagens e suportes
utilizados. Vimos também que quando estamos em processo de
criação/produção, optar pela utilização de uma mídia em detrimento àquela outra
é uma ação condicionada a diferentes aspectos do ato pedagógico: coerência às
concepções pedagógicas de cada curso, as especificidades dos conteúdos que
serão tratados, às estratégias de ensino, a compreensão dos contextos sociais,
econômicos e culturais dos estudantes e à infraestrutura tecnológica das
instituições.

Ainda que na produção de material didático seja possível o uso articulado


com outras mídias, um formato que é considerado como o principal: o Material
Didático Impresso (MDI), base do processo de ensino-aprendizagem por
constituir-se como o instrumento de articulação às outras mídias contempladas no
delineamento pedagógico (BRASIL, 2007), é um recurso textual previamente
elaborado por um teórico/especialista que deve estar de acordo com os recursos
disponíveis, os conteúdos e os objetivos de aprendizagem que o
professor/educador espera alcançar.

É provável que, durante o acontecer do curso (ou da disciplina), o material


impresso passe a ser o principal meio de diálogo entre os partícipes (estudantes,
professor-conteudista, professor formador e tutores) do processo formativo. Por
isso que, além do texto produzido ter que obrigatoriamente levar em consideração
as normas estabelecidas pelo meio que vai integrar (uso de linguagem adequada,
argumentação teórica, cumprimento quanto aos aspectos de ética são algumas
delas), exercer o papel de professor-conteudista demanda que qualquer
profissional enfrente inúmeros desafios.

O primeiro deles é que consiga relacionar o material impresso aos


contextos real e virtual dos indivíduos em formação, isto é, quem produz deve
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estar atento aos condicionantes ideológicos, políticos, econômicos, sociais e


culturais na realidade do público-alvo cujo texto está orientado. Para a superação
deste desafio é requerido que o professor-conteudista compreenda as mudanças
que tem ocorrido nos diferentes espaços e grupos sociais que compõem o que
conhecemos como sociedade do conhecimento (CASTELLS, 1999) e que esteja
sensível, desde o momento inicial do processo de elaboração, acerca do quanto é
necessário considerar que sua escrita e seus escritos não se destina somente à
transmissão de conhecimento ou o sucesso na assimilação passiva de
informações por aquele que deve ―aprender‖.

Ao elaborar o material, além de conhecimentos específicos, o


conteudista deve privilegiar a interatividade, a interação, a colaboração e a
mediação do processo de ensino e aprendizagem: ―O material didático
para EAD precisa propor um diálogo constante entre
Informação/aluno/professor/mundo/conhecimento, ser o condutor de um
conjunto de atividades que leve à construção do conhecimento‖ (VIDAL;
MERCADO, 2014, p.2854).

Conforme reiteraram Almeida e Cavalcante (2008), não existe um único


modelo de escrita destinado para mediação da aprendizagem na modalidade
EAD, entretanto, visto que esses materiais equivalem ao contexto de aula e que
os textos devem assegurar a efetividade dos processos educacionais a que são
propostos, tornando-os meios legítimos de construção de saberes e fazeres por
aqueles que são e serão formados.

No ensino presencial o professor convive cotidianamente com o aluno,


estimulando-o, problematizando e auxiliando-o na resolução das atividades
pedagógicas propostas. No ensino à distância a situação não é a mesma, pois o
sujeito em formação possui menor interação física com o professor e, em alguns
casos, também interação social restrita, não interagindo fisicamente com nenhum
outro indivíduo que participe do curso/disciplina.

Em boa parte das situações, o aluno estará sozinho para desenvolver as


atividades, tornando-se o principal responsável pela execução ou não das
atividades propostas. A produção de material didático para a EAD deve
considerar, portanto, a necessidade de conhecer o perfil dos alunos, ou, ainda de
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adequar a linguagem para que atenda às necessidades dos envolvidos no


processo autor-texto-leitor (triângulo interativo), visando a construção do
conhecimento por meio dos materiais disponibilizados.

Já sabemos que as principais características do material impresso e do


texto escrito devem ser a dialogicidade e a mediação, grandes responsáveis pela
diferença significativa que há entre o texto escrito utilizado na modalidade EAD e
o livro didático usado em experiências formativas presenciais. Você já consegue
definir esses dois conceitos? Ótimo! Eles são fundamentais para que você tenha
uma aprendizagem bem significativa em nossa disciplina/curso acerca material
didático e do texto escrito. Vamos conhecer mais algumas de suas
características?

Características do texto escrito para EAD.

Quando o professor-conteudista está sistematizando o material didático


para uma proposta educacional na modalidade EAD precisa, na medida do
possível, considerar que esse material ―deve fazer as vezes‖ da aula presencial e
que esse fato ratifica a importância de que nele sejam incorporados elementos
contextualizadores que contribuam para que o estudante não se sinta tão solitário
e fortaleça seu senso de pertencimento e identidade com o curso/disciplina que
pretende realizar. Almeida destaca que esses elementos são estratégias didáticas
que, dentre outros aspectos, realizam a contextualização da disciplina no curso e
estabelecem ―relações com outras disciplinas no intuito de situar o texto no
caminho que o estudante-leitor vem percorrendo‖. (ALMEIDA, 2012, s.p.).

Na percepção desta autora, com a qual concordamos, são essas


estratégias didáticas que contribuem para a ocorrência de mediação pedagógica,
visto que constituem parte importante da tentativa que o professor-autor deve
fazer no intuito de, numa relação interacional e dialógica, promover uma
aproximação com o estudante leitor, visando deixar claros a pertinência, a
importância e o lugar da disciplina em estudo no curso por ele frequentado.

Os elementos contextualizadores devem aparecer desde o texto de


apresentação (quando apresenta a si mesmo) e, de forma clara e explícita, define
questões espaço-temporais, fundamentais para facilitar a compreensão das
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situações problematizadoras apresentadas: ―A tarefa do educador é a de


problematizar aos educandos o conteúdo que os mediatiza, e não a de dissertar
sobre ele, de dá-lo, de estendê-lo, de entregá-lo como se tratasse de algo já feito,
elaborado, acabado, terminado‖. (FREIRE, 2006, p.81).

A problematização se dá num contexto de dialogicidade e em uma situação


de EaD, especificamente, não deve facilitar nem dificultar em demasia as
situações em estudo, mas, sobretudo, explicitar as divergências entre aquilo que
já sabia (saber imediato) e o saber da produção científica (saber mediato),
apresentado pelo professor, e assim demandando que o estudante desenvolva
sua capacidade argumentativa (ALMEIDA, 2012, s.p.) e sua capacidade para
aprender.

Por apresentar estas especificidades, é imprescindível que os professores-


conteudistas, no processo de elaboração dos textos escritos, fiquem bastante
atentos a alguns aspectos, a saber:

- Garantir a unidade entre os conteúdos trabalhados, quaisquer que sejam sua


organização, disciplinas, módulos, áreas, temas, projetos, favorecendo que o aluno
tenha aprendizagens contextualizadas e significativas;
- cobrir de forma sistemática e organizada o conteúdo preconizado pelas diretrizes
pedagógicas, segundo documentação do MEC, para cada área do conhecimento,
com atualização permanente;
- prever, como já adiantado antes em outro ponto deste documento, um módulo
introdutório — obrigatório ou facultativo — que leve ao domínio de conhecimentos e
habilidades básicos, referentes à tecnologia utilizada e também forneça para o
estudante uma visão geral da metodologia em educação a distância a ser utilizada no
curso, tendo em vista ajudar seu planejamento inicial de estudos e em favor da
construção de sua autonomia;
- detalhar que competências cognitivas, habilidades e atitudes o estudante deverá
alcançar ao fim de cada unidade, módulo, disciplina, oferecendo-lhe oportunidades
sistemáticas de auto avaliação;
- dispor de esquemas alternativos para atendimento de estudantes com deficiência;
- Indicar bibliografia e sites complementares, de maneira a incentivar o
aprofundamento e complementação da aprendizagem;
- explicitar aos alunos, de forma clara e precisa, os objetivos de aprendizagem gerais
e específicos a serem trabalhados em cada bloco temático, quer sejam unidades,
módulos, aulas etc. Também se devem articular os objetivos propostos em cada
bloco, utilizando, se possível, mapas conceituais;
- ficar atento à interligação entre cada bloco temático, disciplinas, aulas, etc.,
evidenciando o sequenciamento e a coesão existente entre os conteúdos;
- utilizar uma linguagem amigável, clara e concisa, em tom de conversação;
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- contemplar instruções ou orientações passo a passo para as atividades práticas


propostas, de forma a antecipar roteiros e procedimentos e servir como referência
para consultas posteriores. Tais procedimentos devem ser ilustrados com imagens,
fotografias, desenhos ou esquemas de alta qualidade.
- respeitar as questões ergonômicas no projeto gráfico, organizando elementos
imagéticos e textuais de forma a conferir aos blocos temáticos uma programação
visual arejada, trazendo leveza ao material e facilitando o estudo.

Fonte: Referenciais de Qualidade para Educação Superior a Distância. BRASIL/MEC/SEED,


2007.

Autores têm concordado em dizer que uma lacuna excessivamente


frequente nos materiais impressos para EAD é a ausência de exemplos
suficientes. Nos MDI usados na educação a distância é necessário o abuso de
analogias:

Na Educação a Distância, é especialmente importante que a freqüência


(sic) e qualidade dos exemplos seja uma preocupação antecipada. O
mesmo se aplica ao uso de analogias, um importante instrumento para
assistir os alunos na incorporação de novas idéias (sic) ao seu
conhecimento anterior (BARRETO et al, 2007, p 41-42).

Dicas para o aprofundamento do tema


Você pode ter acesso ao texto integral dos Referenciais de Qualidade para Educação
Superior a Distância, pela internet, e já referenciados no Bloco 1. Também poderá
encontrar outros referenciais que tratam detalhadamente acerca dessa temática. Nesse
sentido, sugerimos a leitura do texto ―Didática a Distância: elaboração de material
didático para um curso de formação de professores‖, de Cleide Oliveira Rodrigues e
Maria Auxiliadora Soares Padilha, apresentado no Congresso ABED, em 2008, base dos
referenciais assinalados pela SEED/M

Vantagens e limitações do material impresso

Dissemos anteriormente que o material impresso é um elemento


determinante e parte integrante do processo educacional na modalidade EAD,
mantendo-se ―como um dos mais importantes meios de comunicação e de
mediação pedagógica entre docentes e discentes‖ (CARVALHO, 2015, p.3). Mas
temos clareza acerca das suas vantagens? Enxergamos suas potencialidades em
um meio que, cada vez mais, supervaloriza o uso das Tecnologias da Informação
e Comunicação (TIC)? E suas limitações?
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Alguns fatores contribuem significativamente para que o material didático


impresso permaneça se sobressaindo nas práticas de ensino e aprendizagem a
distância. O primeiro deles é que o material didático impresso se configura como
um recurso de longo alcance devido a familiaridade que temos com ele, afinal o
texto é uma tecnologia que faz parte de nossa formação escolar, do nosso campo
profissional e que, portanto, devemos (ou deveríamos) dominar melhor.

Outro fator que favorece a sua aceitação é que o estudo de um texto é um


processo cujo ritmo é decidido pelo aluno, que tem a possibilidade de retomar
trechos ainda não totalmente esclarecidos, fazer uma leitura seletiva para a
compreensão de uma temática apenas, com maior ou menor aprofundamento do
que se lê: ―o ritmo da leitura (estudo) via MDI é dado pelo leitor (estudante)
podendo retornar e interromper quantas vezes achar necessário, inclusive, é
possível retomar passagens que lhe escapou a compreensão‖ (CARVALHO,
2015, p.3).

Mobilidade e acessibilidade são características favoráveis da mídia


impressa: o MDI é recurso de fácil transporte, não exigindo qualquer equipamento
especial (computadores, TV, reprodutores de áudio ou internet) para que a leitura
seja realizada. Há quem afirme (e, devo confessar, estou inserida nesse grupo)
que a concretude do papel permite compreender conteúdos de maior
complexidade, uma vez que permite que o estudante faça anotações e
observações sobre o que leu, facilitando a revisão do material, e,
consequentemente, permitindo a ―integração de atividades híbridas, tais como
escrita e leitura‖;

Uma outra vantagem do material didático impresso relaciona-se ao seu


grande potencial de inclusão social, uma vez que a internet, mesmo com todo
aparato tecnológico atual, não chega para uma parte significativa da população
brasileira e mundial. Considerando a realidade de nosso país, o acesso ao
material impresso é facilitado nas mais diferentes regiões, pois seu trânsito
acontece independentemente ―da existência de provedores, energia elétrica,
telessalas ou esquemas de manutenção.

Seu custo é relativamente baixo quando comparado às mídias digitais (no


que diz respeito a sua preparação, revisão, reprodução e distribuição) e é
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facilmente integrado a qualquer outro recurso midiático. Por isso também sempre
usado para complementar materiais instrucionais de natureza imagética (aulas
baseadas na web, TV ou em formato de vídeo, HQ, charges, etc.) ou sonora
(áudio-books, rádio, composições musicais, dentre outras).

Ainda que possua muitas vantagens e que seja razoavelmente


compreensível e aceito por todos, é importante apontar que o material didático
impresso carrega algumas limitações no que se refere no seu uso.

A primeira delas é que há necessidade da transposição da informação a


fim de associá-la ao domínio real, isto é, nem todos os componentes da realidade
podem ser acessados de forma direta por meio da linguagem escrita: ―A leitura de
um texto, a análise de uma tabela, e mesmo a ilustração de maior qualidade
requerem sempre o exercício da analogia por parte do leitor‖ (BARRETO et al,
2007, p. 21).

Esses autores destacam que, diretamente relacionado ao item anterior, o


fato de que, em materiais impressos, não ser possível fazer uso de recursos como
movimento e sonoridade, constitui-se numa limitação amplamente superada pelas
mídias digitais: o papel não possui áudio nem vídeo, reduz a transmissão de
aspectos emocionais e, consequentemente, restringe motivacionalmente o
estudo.

O uso de cores na reprodução do MDI representa um alto custo e, assim,


um fator limitante bastante expressivo, visto que, com a intenção ou desculpa de
barateamento desses custos, as instituições têm oferecido materiais com pouca
atratividade.

A associação desse aspecto com uma proficiência leitora comprometida,


lacuna observada em diversas realidades sociais e culturais de nosso país e,
ainda, com o fato de que a maior parte de nosso alunado ter sofrido (e ainda
sofrer) de alta exposição à mídia televisiva, perpetua uma triste realidade, como
observam Barreto et al (2007, p. 21): ―A maioria de nossos alunos foi altamente
exposta à mídia televisiva e cresceu provavelmente mais acostumada a
decodificar informações sob o formato de programas de TV que sob o de um
livro‖.
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Como os objetivos da aprendizagem por meio de materiais impressos


dependem da capacidade leitora dos alunos, e existe um número significativo de
aprendizes que não sabem fazer uso adequado do material impresso,
compreende-se que o MDI não cumpre satisfatoriamente o seu papel que é fazer
com que os conteúdos sejam aprendidos.

Uma frequente preocupação que os educadores que atuam na educação a


distância possuem, também é apontada como uma forte limitação dos MDI, é com
relação aos restritos tipos de feedback e interação que podem ser proporcionados
por meio dos materiais impressos, principalmente se comparados aos que são
possíveis pelos meios digitais, elementos estruturantes desta sociedade do
conhecimento.

Mas sejamos realistas sobre esse aspecto: o uso da tecnologia com fins
meramente atrativos, sem que haja substância pedagógica ou um corpus teórico
mais encorpado é muito mais limitante e menos provocante para quem estuda do
que a frustação de não poder interagir de modo célere, com um interlocutor,
acerca das reflexões provocadas pela leitura de um bom texto associado às
imagens certas. A limitação dos processos interacionais, portanto, estão
relacionadas aos MDI, mas não são específicas desse tipo de componente
instrucional.

MOMENTO DE REVISÃO
Enumere algumas das razões que, a seu ver, contribuem significativamente para
fazer do material impresso um importante meio para a disponibilização de
conteúdo na Educação a Distância.

Avaliação de materiais didáticos

Já sabemos que o material didático deve ser estruturado de acordo com os


princípios epistemológicos, metodológicos e políticos explicitados no projeto
pedagógico institucional e curso ao qual pertence.

É um dos principais elementos de viabilidade do projeto e desenho


pedagógico de propostas na EaD, voltado para a qualidade, para o
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desenvolvimento e para o aprimoramento dos processos de ensino e


aprendizagem nessa modalidade, dentre os quais, o processo de avaliação:

A avaliação é um elemento substancial do processo de ensino-


aprendizagem de um projeto de EaD. É ela que certifica a sua seriedade
e estabelece a credibilidade. A avaliação é necessária para não se
perderem os parâmetros de aprendizagem, os objetivos de ensino e a
sustentabilidade do projeto (BITTENCOURT, 2010, p.91).

Sendo o material didático um elemento que cumpre um papel de extrema


relevância como ―[...] instrumento sistemático e de correção de possíveis falhas e
promoção de acertos de um curso‖ (CORRÊA, 2013, p. 136), deve ser
permanentemente avaliado, em suas diversas dimensões: técnica, estética,
didática e comunicacional. Desse modo, os indivíduos envolvidos nesse processo
têm a possibilidade de pensar e revisar com segurança, quantas vezes sejam
necessárias, a concepção e a própria estrutura desses materiais:

Por isso, ela não pode ser realizada isoladamente do processo de


execução e acompanhamento das ações. Devidamente planejada, torna-
se tarefa e competência de todos os envolvidos no processo
(BITTENCOURT, 2010, p. 94).

O processo avaliativo do material didático deve acontecer durante e após o


processo de produção e como dissemos anteriormente, abrange a participação de
professores, alunos, tutores, designers educacionais, coordenadores, monitores,
gestores. De acordo com Neves (2003, p. 9) ―[...] cursos e programas a distância,
pelo seu caráter diferenciado e pelos desafios que enfrentam, devem ser
acompanhados e avaliados em todos os seus aspectos, de forma sistemática,
contínua e abrangente‖. O conteúdo do material didático pode ser avaliado, por
exemplo, considerando os seguintes aspectos

1. relevância e a clareza conceitual apresentada;


2. ordenação das ideias,
3. estímulo à pesquisa e à relação teoria-prática;
4. análise e aprofundamento teórico;
5. articulação com as mídias digitais;
6. adequação do conteúdo à carga horária;
7. indicação das referências bibliográficas utilizadas.
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Elaborado com a finalidade de garantir a qualidade dos processos e nortear


o desenvolvimento e manutenção da EAD no Brasil, o documento Referenciais
para a qualidade de Educação Superior a distância do Ministério da Educação -
MEC e Secretaria de Educação a Distância - SEED (BRASIL, 2007) destacam
duas dimensões que devem ser consideradas numa proposta de avaliação de um
projeto de educação a distância: A primeira dimensão é aquela que diz respeito à
avaliação do processo de aprendizagem. A outra é a que se refere à avaliação
institucional.

A dimensão avaliativa orientada ao processo de aprendizagem deve ser


tomada como um processo contínuo, verificando o progresso dos estudantes
para, de modo constante, estimulá-los a serem ativos na construção do
conhecimento (BRASIL, 2007. p.16).

Nos Referenciais... (BRASIL, 2007, p. 17)., a avaliação de materiais didáticos


na EAD está preconizada no âmbito da Avaliação Institucional, dimensão que

[...] deve configurar-se em um processo permanente e consequente (sic),


de forma a subsidiar o aperfeiçoamento dos sistemas de gestão e
pedagógico, produzindo efetivamente correções na direção da melhoria
de qualidade do processo pedagógico coerentemente com o Sistema
Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES).

Este documento identifica, no processo de avaliação institucional, um dos


aspectos fundamentais para a qualidade de um curso superior, a partir do qual é
possível desenhar um processo contínuo de avaliação quanto à Organização
didático-pedagógica, ao corpo docente, corpo de tutores, corpo técnico-
administrativo e discentes, às instalações físicas e à meta-avaliação.

A avaliação de materiais didáticos desponta, nesses referenciais, como um


dos aspectos a serem verificados na organização didático-pedagógica do curso e
um dos indicadores fundamentais na autorização de cursos para oferta na
modalidade EAD. No que se refere ao material didático devem ser avaliados

[...] seus aspectos científico, cultural, ético, estético, didático-pedagógico


e motivacional, sua adequação aos estudantes e às tecnologias de
informação e comunicação, sua capacidade de comunicação etc. e às
ações dos centros de documentação e informação (midiatecas).
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Ainda que não tenham força de lei, os aspectos assinalados nos


Referenciais são norteadores que subsidiam ―[...] atos legais do poder público no
que se referem aos processos de supervisão, avaliação e regulação de cursos na
modalidade a distância‖ (CORRÊA, 2013, 127).

Conforme os Referenciais de Qualidade... (BRASIL, 2007, p.6):

Programas, cursos, disciplinas ou mesmo conteúdos oferecidos a


distância exigem administração, desenho, lógica, linguagem,
acompanhamento, avaliação, recursos técnicos, tecnológicos e
pedagógicos, que não são mera transposição do presencial. Ou seja, a
educação a distância tem sua identidade própria..

O processo de avaliação dos materiais didáticos realizado com o aparato


dos indicadores e avaliadores do MEC/INEP, ou de modo mais simples, por uma
equipe de profissionais da própria instituição tem demonstrado que o material
didático desenvolvido para a EAD deve ser encarado como passível de ser
adaptado, revisado, reformulado e, ainda, ampliado, considerando as
necessidades e fragilidades encontradas ao longo dos processos de elaboração,
implementação e desenvolvimento de um curso.

QUESTÃO PARA A REFLEXÃO


Analise a situação, a seguir:

Foi solicitado a uma professora-conteudista que avaliasse os aportes teórico-


conceituais de um curso online, incluindo o uso de estratégias metodológicas
adequadas ao design educacional na educação online. Se você estivesse no
lugar desta professora, que aspectos você destacaria em sua avaliação? Por
quê? Não se esqueça de registrar os pontos que na sua percepção merecem
destaque.

Sugerimos que aprofunde sua compreensão acerca das temáticas


trabalhadas nesse texto (os materiais didáticos impressos, enfatizando a sua
inserção na EAD, as características didáticas do texto escrito para EAD, as suas
vantagens e limitações do material impresso e os aspectos a ser considerados em
processos de avaliação de materiais didáticos) com a leitura de algumas
publicações: A primeira delas é e-book Mídias e materiais didáticos na EAD,
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organizada por Artemilson Alves de Lima, com o apoio da EQUIPE SEDIS, da


Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN.

A outra referência é o trabalho científico Avaliação de Material Didático,


elaborado por Ivonete Terezinha Tremea Plein, apresentado no V Seminário
Interdisciplinar em experiências educativas, realizado na Universidade estadual
do Oeste do Paraná – UNIOESTE, em 2015.

Com estes estudos, você conseguirá, alem de ampliar a visão sobre


a temática, sentir-se impulsionado a produzir seu próprio material didático
para educação a distância.

Referências
ALMEIDA, Maria das Graças Marinho de. Estratégias de processamento didático nos
textos escritos para a educação a distância. 3ª Semana Internacional de Pedagogia
da UFAL e VII Encontro de Pesquisa em Educação em Alagoas – EPEAL. Maceió/AL:
Universidade Federal de Alagoas, 2012. Disponível em
http://dmd2.webfactional.com/media/anais/ESTRATEGIAS-DE-PROCESSAMENTO-
DIDATICO-NOS-TEXTOS-ESCRITOS-PARA-A-EDUCACAO-A-DISTANCIA.pdf. Acesso
em 20 abr 2016.
ALMEIDA, Maria das Graças Marinho de; CAVALCANTE, Patrícia Smith. A Mediação
Pedagógica em textos escritos para educação. Anais do XIV ENDIPE. XIV Encontro
Nacional de Didática e Prática de Ensino. RS, Porto Alegre, 2008.
BRASIL. Referenciais de Qualidade para Educação Superior a Distância. Secretaria
de Educação a Distância. Ministério da Educação, 2007. Disponível em
http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/legislacao/refead1.pdf. Acesso em 20 abr 2016.
BITTENCOURT, Dênia Falcão de. As métricas, o projeto e o design na EaD. In: Material
didático on-line da disciplina design e projetos em educação a distância do curso
de especialização em metodologia da educação a distância. Florianópolis:
UnisulVirtual, 2010.
BARRETO, Cristine Costa (Org.); RODRIGUES, Sônia; RODRIGUES, Roberto Paes de;
e. al. Planejamento e elaboração de material didático impresso para educação a
distância. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2007.
CARVALHO, Eder Aparecido. MATERIAL DIDÁTICO IMPRESSO (MDI) ―versus‖ AS
NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (nTICs). In.: Anais do I
Congresso de Educação Profissional e Tecnológica do IFSP – I CONEPT
Sertãozinho, SP , set/2015.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999. (A era da
informação: economia, sociedade e cultura; vol. 1).
CORRÊA, Michele Antunes. Os Materiais Didáticos como recursos fundamentais de
potencialização da qualidade do ensino e aprendizagem na EAD. In: E-tech: Tecnologias
para a Competitividade Industrial. Florianópolis, v. 6. N. 1, p 115-140, 2013.
15

FREIRE, Paulo. Extensão ou Comunicação? 13. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
NEVES, Carmen Moreira de Castro. Indicadores de qualidade para cursos a
distância. Brasília, 2003. Disponível em:
<http://www.pr5.ufrj.br/curso_distancia/legislacao/
Indicadores_de_Qualidade_do_MEC.pdf>. Acesso em 20 abr 2016.
NONATO, Emanoel do Rosário S.; SALES, Mary Valda Souza. EAD e Material Didático:
reflexões sobre mediação pedagógica. Anais Congresso da Associação Brasileira de
Educação a Distância - ABED, Curitiba/PR, 2007.
PORTO, Tânia Maria Esperon. As tecnologias de comunicação e informação na escola:
relações possíveis...relações construídas. Revista Bras. de Educação [online], v. 11,
n.31, p.4357, jan./abr. 2006. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext& pid=S1413-24782006000100005>.
Acesso em 20 abr. 2016.
VIDAL, Odaléia F.; MERCADO, Luís Paulo L. Reflexões teóricas acerca da produção de
material didático para Educação a Distância. In: Anais XI Congresso Brasileiro de
Ensino Superior a Distância - ESUD, Florianópolis/SC, UNIREDE, ago. 2014.

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