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Curso de Gestão e Contabilidade

Cadeira de Desenvolvimento Economico

Ficha de Questões e Problemas 1 3⁰ Ano

Agosto de 2019

Recomenda-se a todos os estudantes a resolverem previamente as fichas das aulas praticas de forma
a prepararem todas as duvidas e facilitar a participação e compreensão das matérias leccionadas

Teorias Clássicas de Desenvolvimento Económico

1. Discuta Sobre:

a) A teoria de Desenvolvimento de Rostow.

R: Walt Whitman Rostow (1916-2003), foi um dos mais notáveis economistas do século XX. Ele
considerou viável decompor a história do desenvolvimento de cada economia de acordo com um
determinado conjunto de etapas.
Em síntese, Rostow dividiu em cinco as etapas do desenvolvimento, começando pela
chamada Sociedade tradicional: aquela em que o nível de produção per capita é limitado. Essa
limitação ocorre graças à baixa produtividade ocasionada principalmente pela falta de tecnologia.
Tal sociedade dedica, normalmente, a maior parte de seus esforços na produção agrícola.
Historicamente, são exemplificadas pelas dinastias da China, as civilizações antigas do Oriente
Médio e Mediterrâneo e a Europa medieval.
As precondições para o arranco se configuram na segunda etapa do desenvolvimento. Nessa
fase, passa a haver a aplicação da ciência moderna na produção agrícola e industrial, num
ambiente de expansão internacional, surgindo grandes empreendedores visando a obtenção de
polpudos lucros, embora correndo riscos. Assim, nascem os grandes bancos, crescem os
investimentos em transportes e comunicação e amplia-se o comércio exterior. Essas
transformações ocorrem ainda num ritmo limitado devido à persistência de métodos antigos de
produção, além de antigos valores e estruturas sociais. Embora os valores e a sociedade
experimentem grandes transformações nessa fase, faz-se necessária uma perfeita formação de um
Estado nacional centralizado em detrimento aos interesses regionais.
Desenvolvimento Economico. 3° Ano. 2° Semestre, 2018.
Docentes: António Cuna, MBA
A terceira fase, o arranco, representa o rompimento de todas as resistências ao desenvolvimento
e à difusão do progresso tecnológico por toda a sociedade. É comum ocorrer uma considerável
elevação na taxa real de investimentos e poupança. Com o “arranco” surgem novas técnicas
agrícolas e industriais. A agricultura sofre um profundo processo de mudança, transformando o
antigo fazendeiro em empresário agrícola.
A quarta fase é chamada de marcha para a maturidade representando o momento em que o
crescimento da produção já supera o crescimento demográfico. Nesse período, a economia
experimenta o surgimento de inúmeras novas indústrias, além de inédita expansão do comércio
internacional. É a etapa em que os antigos valores passam a ser suplantados e a Nação passa
então a contar com condições de produzir aquilo em que julga ser mais necessário. Inexiste a
carência tecnológica em qualquer área produtiva.
A quinta e última fase é a era do consumo em massa, período em que a renda per capita já
garante para uma grande maioria dos consumidores um elevado padrão de vida. Nessa fase, a
população é predominantemente urbana. O consumo é direcionado para os bens duráveis; a
preocupação com o desenvolvimento tecnológico cede seu espaço aos anseios por bem-estar
social.
A teoria dinâmica da produção
As etapas do desenvolvimento econômico não são meramente descritivas. Elas refletem um
raciocínio lógico baseado na teoria dinâmica da produção. Essa teoria vem suplantar a teoria
clássica da produção à medida que isola não só a distribuição da renda entre consumo, poupança
e investimento, mas examina também a composição do investimento e a evolução dos diversos
setores da economia.
Observa-se, previamente, que o comportamento dos setores se apresenta em função da oferta e
demanda. A demanda é definida pelo nível de renda per capita e pelos gostos e preferências
coletivos. A oferta, por sua vez, gira em torno do nível tecnológico e a eficiência empresarial.
De forma geral, os setores apresentam altas taxas de crescimento apenas no período inicial. Isso
justifica, ademais, a observação da história econômica como uma sucessão de etapas.
Essas fases de crescimento setoriais são provocadas tanto por mudanças tecnológicas quanto pela
elasticidade-preço da demanda. As decisões coletivas por demandar novos produtos originam-se
muitas vezes de fatores exógenos, alheios ao mercado. As etapas refletem desta forma, uma
"série de opções e estratégias feitas por várias sociedades" quanto ao emprego de seus recursos.
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b) A Teoria de Harrod-Domar. Mostre usando este modelo como é que o crescimento
pode ser afectado pela alteração da poupança.

R.: O Modelo Harrod–Domar é um dos primeiros modelos pós-keynesianos de crescimento


econômico. É usado na economia do desenvolvimento para explicar a taxa de crescimento de
uma economia em termos do nível de poupança e da produtividade do capital. O modelo sugere
que não há motive natural para uma economia apresentar crescimento balanceado. O modelo foi
desenvolvido independentemente por Sir Roy F. Harrod em 1939 e Evsey Domar em 1946.  O
modelo Harrod–Domar foi o precursor do modelo de crescimento exógeno.

Formalização Matemática (alteração da poupança)


Seja Y o produto, que é igual à renda, e seja K o estoque de capital. S é a poupança total, s a taxa
de poupança como proporção do produto e I é o investimento. Δ denota a taxa de depreciação do
estoque de capital. O modelo Harrod–Domar parte das seguintes suposições:

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Em suma, a taxa de poupança multiplicada pelo produto marginal do capital menos a taxa de
depreciação é igual à taxa de crescimento do produto. Aumentando a taxa de poupança,
aumentando o produto marginal do capital ou diminuendo a taxa de depreciação aumentará a
taxa de crescimento do produto; essas são as formas de aumentar a taxa de crescimento no
modelo Harrod–Domar.
Apesar de o modelo Harrod–Domar ter sido criado para ajudar na análise dos ciclos econômicos,
foi posteriormente adaptado para explicar o crescimento econômico. Suas implicações são que o
crescimento depende da quantidade de trabalho e capital; mais investimento leva à acumulação
de capital, que gera crescimento econômico. O modelo também tem implicações para países
menos desenvolvidos economicamente; o trabalho é abundante nesses países mas capital físico,
não, reduzindo o progresso econômico. Países em desenvolvimento não possuem renda média
que permitiria altas taxas de poupança, e portanto a acumulação de capital através do
investimento é baixa. O modelo implica que o crescimento econômico pode ser afetado por
políticas que aumentem o investimento, através da taxa de poupança. O modelo conclui que uma
economia não alcança o pleno emprego e taxas estáveis de crescimento naturalmente, de forma
similar ao pensamento keynesiano.
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c) O Modelo Dualista de Lewis.

Sir Arthur Lewis usou o conceito de uma economia dual baseado em sua teoria da oferta de
trabalho. Lewis distinguiu um setor de subsistência, de baixa renda e da população rural, e um
setor urbano capitalista e em expansão. Segundo Lewis, a economia urbana absorveria o trabalho
das áreas rurais (mantendo baixo os saláriosurbanos) até que o excesso de trabalho rural
esgotasse, (KUPER & KUPER, 1996, p.202).
Em uma economia em desenvolvimento, a economia dupla apresenta o seguinte problema: deve-
se alcançar o crescimento econômico através dos sectores tecnológicos (concentrando os
recursos) ou bem difundir os recursos de uma economia à todos os setores para alcançar um
crescimento mais equilibrado.

d) O Modelo Neo-Colonial de Dependência.

A Teoria da Dependência surgiu no quadro histórico latino-americano do início dos anos 1960, como
uma tentativa de explicar o desenvolvimento sócio-econômico na região, em especial a partir de sua
fase de industrialização, iniciada entre as décadas de 1930 e 1940. Em termos de corrente teórica, a
Teoria da Dependência se propunha a tentar entender a reprodução do sistema capitalista de produção
na periferia, enquanto um sistema que criava e ampliava diferenciações em termos políticos,
econômicos e sociais entre países e regiões, de forma que a economia de alguns países era condicionada
pelo desenvolvimento e expansão de outras. Com o objetivo de analisar e entender essa mesma
dinâmica, havia surgido, alguns anos antes, a Teoria do Desenvolvimento. Esta, estruturada a partir da
superação do domínio colonial, do surgimento de novas nações e do advento de burguesias locais
desejosas de expandir sua participação na economia mundial – bem como das novas concepções de
modernidade, identificadas a partir da “racionalidade econômica moderna” – buscava explicações
acerca das desigualdades promovidas pelas relações econômicas internacionais, principalmente
assentada na idéia de que o desenvolvimento correspondia ao desdobramento do aparelho produtivo
em função da classificação desse em termos dos setores primário, secundário e terciário.

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No entanto, a teoria da dependência, surgida na segunda metade da década de 1960, representou um esforço crítico

para compreender a limitações de um desenvolvimento iniciado num período histórico em que a economia mundial

estava já constituída sob a hegemonia de enormes grupos econômicos e poderosas forças imperialistas, mesmo

quando uma parte delas entrava em crise e abria oportunidade para o processo de descolonização.
A teoria da dependência é uma formulação teórica desenvolvida por intelectuais como Ruy
Mauro Marini, André Gunder Frank, Theotonio dos Santos, Vania Bambirra, Orlando
Caputo, Roberto Pizarro e outros, que consiste em uma leitura  crítica e marxista não-
dogmática dos processos
de reprodução do subdesenvolvimento na periferia do capitalismo mundial, em contraposição às
posições marxistas convencionais dos partidos comunistas e à visão estabelecida pela  Comissão
Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).[1]
A explicação da “dependência” e a produção intelectual dos autores influenciados por essa
perspectiva analítica obtiveram ampla repercussão na América Latina no final da década de
1960 e começo da década de 1970, quando ficou evidente que o desenvolvimento econômico não
se dava por etapas, um caminho que bastaria ser trilhado para que os resultados pudessem ser
alcançados.
Para a teoria da dependência a caracterização dos países como "atrasados" decorre da relação do
capitalismo mundial de dependência entre países "centrais" e países "periféricos". Países
"centrais", como centro da economia mundial será identificado nos espaços em que ocorrem a
manifestação do meio técnico científico informacional em escala ampliada e os fluxos
igualmente fluam com mais intensidade. A periferia mundial (países periféricos)se apresente
como aqueles espaços onde os fluxos, o desenvolvimento da ciência, da técnica e da informação
ocorram em menor escala e as interações em relação ao centro se deem gradativamente.
A dependência expressa subordinação, a ideia de que o desenvolvimento desses países está
submetido (ou limitado) pelo desenvolvimento de outros países e não era forjada pela condição
agrário-exportadora ou pela herança pré-capitalista dos países subdesenvolvidos mas pelo padrão
de desenvolvimento capitalista do país e por sua inserção no capitalismo mundial dada
pelo imperialismo. Portanto, a superação do subdesenvolvimento passaria pela ruptura com a
dependência e não pela modernização e industrialização da economia, o que pode implicar
inclusive a ruptura com o próprio capitalismo.[2]

2. Considere o modelo de Harrod-Domar. Suponha que o rácio capital-produto e de 5 e a


taxa de crescimento e de 12%.

a) Determine a taxa de crescimento do PIB.

b) Determine a taxa de crescimento do PIB se a taxa de poupança for de 15%.

c) De acordo com o Modelo de Harrod-Domar quais são as fontes de crescimento.

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Fontes de crescimentos: Por trás das teorias concebidas existem sempre três factores
fundamentais: (i) tecnologia e progresso técnico que determina a deslocação das isoquantas -
ao longo do tempo, e com a mesma quantidade de factores é sempre possível produzir uma
maior quantidade de output, (ii) o capital físico e humano e a acumulação destes factores, (iii)
força de trabalho, que corresponde aos seres humanos que habitam uma dada economia.

3. Num determinado pais em pleno crescimento económico verificam-se os seguintes


indicadores: Produto inicial 4.250 milhões de USD, taxa de crescimento 7% aa.
Determine o produto final ao fim de 3 anos.

4. Determine a taxa de crescimento do produto de uma economia cujo produto inicia seja
8.500 milhões de USD, o produto para n=3 sendo de 10.412,866.

5. Qual o produto que ao fim do segundo ano é de 242.000 milhões de dólares americanos
se a taxa de crescimento económico for de 10% aa?

Bibliografia

JONES, H.G. Modernas teorias do crescimento. Ed. Atlas: São Paulo, 1979, p. 54-79.  LOPES, L. M.; VASCONCELLOS, M.
A. S. Manual de Macroeconomia. 3ª ed. – São Paulo: ATLAS, 2008. (Cap.12).  BRESSER-PEREIRA, L. C. O Modelo Harrod-
Domar e a Substitutibilidade de Fatores. Estudos Econômicos, 5 (3), 1975, p. 7-36

Adam Kuper y Jessica Kuper, ed. (1996). «Dual economy». Londres (em inglês). Routledge. p. 202. 

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