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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ – UTFPR

DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE ELÉTRICA – DAELT


CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

RODRIGO RAFFAELLI YAGNYCZ

TRANSFORMADORES PARA INSTRUMENTOS.


TRANSFORMADORES DE CORRENTE E TENSÃO ÓTICOS.
DIVISORES CAPACITIVOS DE POTENCIAL (DCP’s) E SISTEMA CARRIER

TRABALHO DE MEDIDAS ELÉTRICAS

CURITIBA
2013

1
RODRIGO RAFFAELLI YAGNYCZ

TRANSFORMADORES PARA INSTRUMENTOS.


TRANSFORMADORES DE CORRENTE E TENSÃO ÓTICOS.
DIVISORES CAPACITIVOS DE POTENCIAL (DCP’s) E SISTEMA CARRIER

Trabalho de Medidas Elétricas apresentado ao


Professor Eloi Rufato Junior da Universidade
Tecnológica Federal do Paraná como requisito
parcial para a aprovação na Disciplina de Medidas
Elétricas do 5º período do curso de Bacharelado
em Engenharia Elétrica.
Orientador: Prof. Eloi Rufato Junior.

CURITIBA
2013

2
“O único lugar em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”
Albert Einstein (1879-1955)

3
RESUMO

Esta pesquisa apresentará num contexto geral, assuntos a respeito da criação


dos transformadores de corrente, tensão, óticos, etc. Também falará a respeito do
sistema Carrier e de Divisores capacitivos de potencial. Informações como os
materiais que foram, são ou serão utilizados na constituição de inúmeros tipos de
transformadores também poderão ser encontradas aqui. Abordará também as
curiosidades e principalmente as aplicações dos transformadores no cotidiano e
também em larga escala para ambientes profissionais. Fatos como os
criadores/estudiosos que foram os pioneiros no estudo e na aplicação dos
transformadores, nomes e informações que julguemos interessantes serão também
apresentados. Discutiremos os conceitos envolvidos na criação, fabricação em
massa, aplicações, materiais envolvidos dentre partes importantes que serão
relevadas. A pesquisa apresentará os benefícios encontrados após a criação das
ferramentas em questão, e também como funcionava anteriormente. Fenômenos
envolvidos nos equipamentos e no seu funcionamento ideal serão detalhados e
justificados para melhor entendimento, os principais compostos utilizados na
fabricação também serão apresentados de forma clara e objetiva. Tal pesquisa tem
como objetivo apresentar as principais informações relacionadas aos alunos do
curso de Bacharelado em Engenharia Elétrica da Universidade Tecnológica Federal
do Paraná, buscando um aprimoramento do conhecimento na área.

Palavras-chave: Engenharia Elétrica. Transformador de Corrente. Transformador


de Tensão. Transformador Ótico. Transformadores para Instrumentos. Divisores
Capacitivos de Potencial. Sistema Carrier.

4
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – André-Marie Ampere (1775 – 1836) Pág.9


Figura 2 – Michael Faraday (1791 – 1867) Pág.10
Figura 3 – Thomas Alva Edison (1847-1931) Empresário e inventor americano.
Pág.11
Figura 4 - George Westinghouse - Empresário Americano. Pág. 12
Figura 5 – William Stanley, inventor do primeiro “Transformador”. Pág. 13
Figura 6 – O Transformador de Stanley. Pág. 14
Figura 7 – Imagem em corte de um transformador de potencial. Pág. 15
Figura 8 – Esquema de um transformador de potencial. Pág. 16
Figura 9 – Esquema simples de um transformador. Pág. 17
Figura 10 - Esquerda: Laminas tipo E de constituição ferromagnética do
transformador – Direita: Tipo E-1 Pág. 18
Figura 11 – Transformador modelo Toroidal. Pág. 18
Figura 12 – Exemplificação do experimento utilizado para determinar a Lei de
Indução de Faraday. Pág. 19
Figura 13 – Esquema simplificado mostrando as montagens para observar os efeitos
das correntes de Foucault. Pág. 19
Figura 14 – Primário de um transformador. Pág. 20
Figura 15 – Secundário de um transformador. Pág. 20
Figura 16 – Imagem de um transformador de potencial. Pág. 22
Figura 17 – Esquema de ligação de um transformador de corrente. Pág. 23
Figura 18 – Exemplo de transformador de corrente tipo janela. Pág. 23
Figura 19 – Esquema de um transformador de corrente tipo barra. Pág. 25
Figura 20 – Transformador de corrente tipo enrolado. Pág. 25
Figura 21 – Transformador de corrente tipo janela. Pág. 25
Figura 22 – Transformador de corrente tipo bucha. Pág. 26
Figura 23 – Transformador de corrente tipo núcleo dividido. Pág. 26
Figura 24 – Transformador de corrente com vários enrolamentos primários. Pág.
28
Figura 25 – Transformador de corrente com vários núcleos secundários. Pág. 28
Figura 26 - Transformador de corrente com vários enrolamentos secundários. Pág.
29
Figura 27 – Transformação de corrente tipo derivação no secundário. Pág. 29
Figura 28 – Esquema de ligação de um transformador de corrente. Pág. 30
Figura/Gráfico 1 – Curva de magnetização. Pág. 34
Figura/Gráfico 2 – Ordem de grandeza. Pág. 35
Figura/Gráfico 3 – Densidade de fluxo magnético. Pág. 36
Figura 29 – Exemplo de birrefringência da luz. Pág. 41
Figura 30 – Modulador eletro-óptico para configuração longitudinal. Pág. 41
Figura 31 – Modulador eletro-óptico para configuração transversal. Pág. 41
Figura 32 – Vista em corte de um TP óptico. Pág. 42
Figura 33 – Vista em corte de um EOVT. Pág. 43
Figura 34 – Esquema representativo de um EOVT. Pág. 44
Figura 35 – Simulação de efeito Faraday. Pág. 44
Figura 36 – Vista em corte de um transformador de corrente óptico. Pág. 46
Figura 37 – Sistema de medição de corrente em um TC óptico. Pág. 47
Figura 38 – Vista da montagem de um MOCT. Pág. 48

5
Figura/Gráfico 4 - Comparativo de massa entre TC ópticos e convencionais. Pág.
49
Figura/Gráfico 5 – Comparativo de massa entre TP óptico e convencionais. Pág.
50
Figura 39 – TCs ópticos de 138 kV instalados na posição horizontal. Pág. 51
Figura 40 – TCs ópticos de 362 kV instalados invertidos. Pág. 51
Figura 41 – Resultados dos ensaios de precisão de um TC óptico. Pág. 52
Figura 42 – Resultados de um ensaio de precisão de um TP óptico. Pág. 53
Figura 43 – Diagrama fasorial das tensões e correntes primárias e secundárias. Pág.
58
Figura/Gráfico 6 – Comparativo dos custos entre TCs convencionais e ópticos. Pág.
62
Figura 44 – Esquema de instalação do Sistema Carrier. Pág. 62
Figura 45 – Modulação da senóide. Pág. 63
Figura 46 – Filtros e processadores separam a informação da energia elétrica. Pág.
64
Figura 47 – Divisor Capacitivo de Potencial. Pág. 66
Figura 48 – Divisor de Tensão Capacitivo em vazio. Pág. 67
Figura 49 – Divisor de Tensão Capacitivo com carga. Pág. 68
Figura 50 – Circuito equivalente. Pág. 68
Figura 51 – Circuito equivalente simplificado. Pág. 68
Figura 52 – Diagrama fasorial do circuito equivalente. Pág. 69
Figura 53 – Divisor Capacitivo de Potencial. Pág. 70
Figura 54 – Circuito simplificado de um DCP. Pág. 70
Figura 55 - Circuito equivalente do DCP. Pág. 71

6
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Tabelas de Correntes nominais do transformador de corrente (TC). Pág.


32
Tabela 2 - Transformadores de Corrente – Cargas Nominais. Pág. 33
Tabela 3 - Fator de sobrecorrente. Pág. 38
Tabela 4 - Tensão e Frequência. Pág. 39
Tabela 5 – Massa em Kg de TIs ópticos do fabricante A. Pág. 49
Tabela 6 – Massa em Kg de TIs convencionais do fabricante B. Pág. 49
Tabela 7 – Massa em kg de TIs convencionais do fabricante C. Pág. 49
Tabela 8 – Massa em Kg de TIs convencionais do fabricante C (isolados a SF e) Pág.
49
Tabela 9 – Massa em Kg de TIs ópticos do fabricante C. Pág. 50
Tabela 10 – Massa em Kg de TIs convencionais do fabricante D. Pág. 50
Tabela 11 – Volume de óleo (em litros) em TCs convencionais do fabricante C. Pág.
51
Tabela 12 – Relação entre pesos óleo/total dos TCs do fabricante C. Pág. 51
Tabela 13 – Custos modulares de um TI. Pág. 61
Tabela 14 – Quantidade de TIs comercializados nos processos de licitações. Pág.
61
Tabela 15 – Valores pagos pelos TIs convencionais (valores em R$). Pág. 62
Tabela 16 – Custos orietativos de TIs convencionais (valores em R$). Pág. 62

7
Sumário

RESUMO ................................................................................................................................... 4
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 10
1 - TRANSFORMADORES .................................................................................................... 11
1.1 – História: ....................................................................................................................... 11
1.1.1 - Guerra das Correntes: ................................................................................................ 13
1.1.2 – Primeiro dispositivo prático de transformação de energia elétrica: .......................... 16
1.2 - Características construtiva: ........................................................................................... 17
2 - Transformador de Potencial – TP: ...................................................................................... 18
2.1 - Constituição do equipamento: ...................................................................................... 19
2.2 - Princípios de funcionamento: ....................................................................................... 21
2.3 - Principais aplicações: ................................................................................................... 24
3 - Transformador de corrente (TC): ........................................................................................ 25
3.1 - Constituição do equipamento: ...................................................................................... 26
3.1.1 - Transformador de Corrente Tipo Barra: .................................................................... 26
3.1.2 - Transformador de Corrente Tipo Enrolado: .............................................................. 27
3.1.3- Transformador de Corrente Tipo Janela: .................................................................... 27
3.1.4 - Transformador de Corrente Tipo Bucha: .................................................................. 28
3.1.5 - Transformador de Corrente de núcleo divido: .......................................................... 28
3.1.6 - Transformador de Corrente com vários enrolamentos primários: ............................. 29
3.1.7 - Transformador de Corrente com vários núcleos secundários: .................................. 29
3.1.8 - Transformador de corrente com vários enrolamentos secundários: .......................... 30
3.1.9 - Transformador de corrente tipo derivação no secundário: ....................................... 30
3.2 - Características Elétricas:............................................................................................... 31
3.3 - Correntes nominais: ...................................................................................................... 32
3.4 - Cargas nominais ........................................................................................................... 33
3.5 - Fator de sobrecorrente: ................................................................................................. 34
3.6 - Corrente de magnetização: ........................................................................................... 35
3.7 - Tensão secundária: ....................................................................................................... 37
3.8 - Corrente térmica nominal ............................................................................................. 38
3.9 - Tensão Suportável a Frequência Industrial: ................................................................. 39
4 - Transformadores Ópticos: .................................................................................................. 40
4.1 - Transformador de Potencial Óptico: ............................................................................ 41
4.2 - Transformador de Corrente Óptico: ............................................................................. 45
4.3 - Análise Comparativa Técnica dos Tis ópticos: ............................................................ 49
4.4 – Facilidade de manutenção e maior segurança:............................................................. 53

8
4.5 - Elevada precisão: .......................................................................................................... 53
4.6 - Estimativas do prejuízo devido a falhas de um TI: ...................................................... 55
4.7 - Redução dos Custos de Manutenção: ........................................................................... 56
4.8 - Influência da classe de exatidão na receita das empresas:............................................ 57
4.9 - Estimativa dos Custos de Aquisição dos TIs: ............................................................... 61
5 - SISTEMA CARRIER – PLC (POWER LINE COMMUNICATION) .............................. 63
6 - DIVISORES CAPACITIVOS DE POTENCIAL ............................................................... 67
6.1 - Divisor de Tensão Capacitivo em Vazio: ..................................................................... 68
6.2 - Divisor de Tensão Capacitivo com Carga: ................................................................... 68
6.3 - Principio do Divisor Capacitivo de Potencial: ............................................................. 70
7 – CONCLUSÕES .................................................................................................................. 73
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 74

9
INTRODUÇÃO

Esta pesquisa pretende apresentar aos leitores os principais aspectos


envolvidos na criação de dispositivos eletromagnéticos, tais como o transformador,
como surgiu, os fenômenos envolvidos na transformação, os principais
estudiosos/cientistas que estiveram envolvidos com a criação, também irá
apresentar as principais necessidades que trouxeram a tona a aplicação destas
ideias, além de explanar modelos de transformadores e seus aspectos mais
evoluídos, como o transformador de tensão ótico, dentre alguns outros modelos de
aplicação no nosso dia-a-dia.
Divisores capacitivos também serão tratados e apresentados por esta
pesquisa, que apresentará os principais elementos de criação assim como os
fenômenos que estão envolvidos para o funcionamento pleno dos dispositivos.
Também tratará dos principais aspectos do sistema Carrier, suas aplicações e como
funciona e no que isto pode influenciar na vida dos usuários.
Todas as informações coletadas e apresentadas nesta pesquisa foram
coletadas de sites confiáveis da internet, assim como de livros. A lista com as fontes
será apresentada no final da pesquisa em referências bibliográficas.
O texto seguirá uma linha apresentando primeiramente a história dos
dispositivos citados (e também dos dispositivos que não foram citados aqui, mas que
serão apresentados na pesquisa), começará por os principais relatos das
descobertas e as primeiras aplicações, também como as principais descobertas que
levaram ao dispositivos em questão, posteriormente irá apresentar os fenômenos, os
materiais envolvidos na fabricação anteriormente e atualmente, as principais
aplicações, e sempre que possível trará curiosidades que envolvam o assunto em
questão.
Os conceitos acima e toda a complexidade que envolve seus
desdobramentos serão objetos de análises detalhadas no decorrer deste estudo.

10
1 - TRANSFORMADORES

1.1 – História:

Os primeiros passos para o desenvolvimento/criação dos transformadores


foram dados no início do século XIX pelo físico Hans Christian Oersted. Este
observou que um fio com um fluxo de corrente elétrica age sobre uma bússola, ou
seja, porém, naquele tempo ainda não se sabia, o campo magnético gerado pelo
fluxo de corrente elétrica do fio estava agindo sobre o imã da bússola, e com isso
pode-se notar que havia uma ligação direta entre eletricidade e magnetismo,
obviamente sabendo que o ponteiro da bússola é atraído por um campo magnético.
Após esta descoberta seguiram-se várias outras que também contribuíram para o
desenvolvimento dos transformadores, como a de Joseph Henry e André-Marie
Ampère que descobriram que a corrente elétrica é induzida por mudanças no campo
magnético.¹
O físico e matemático André-Marie Ampère
contribuiu para a elaboração posterior do transformador
da seguinte forma: Em 1820 Ampère descobriu que dois
fios condutores que estejam expostos a uma tensão em
seus respectivos polos, ou seja, possuem uma corrente
elétrica fluindo no seu interior, exerciam ações
recíprocas um sobre o outro, porém, ainda não sabia-se
como explicar este fenômeno. Tal descoberta foi muito
importante, pois, a partir deste ponto cientistas
começaram a estudar este fenômeno. Ampère também
foi inventor do eletroímã, dispositivo que revolucionou e
aprimorou muitos dispositivos como os microfones
dentre outros.
Por volta do ano de 1821 Faraday ficou bastante
interessado pela descoberta do físico Oersted. Este
notou que, mesmo que sem querer, ao transmitir
corrente elétrica por um condutor, e se aproximar uma
bússola (que esta sujeita a atuação de campos
Figura 1 – André-Marie Ampere
(1775-1836). magnéticos), pode-se notar que o condutor atuava de
alguma maneira sobre a bússola, portanto pode-se concluir que a corrente elétrica
que passava através do condutor gerava um campo magnético ao redor deste
condutor, ou seja, existia uma interação entre corrente elétrica e campo magnético.
Há também uma relação com a descoberta de Ampère neste caso.²
O objetivo de Faraday em seus experimentos era mostrar o inverso do que foi
concluído com o experimento de Oersted, portanto, ele queria mostrar que havia
uma interação direta também entre campo magnético e corrente elétrica, queria
dizer que através de um campo magnético poder-se-ia gerar corrente elétrica. Para
chegar a essa averiguação, Faraday colocara um ímã verticalmente sobre um banho
de mercúrio, fazendo que uma de suas extremidades ficasse imersa no líquido.
Ligando, então, um fio condutor ao mercúrio, fechando o circuito, observou que,
quando o fio era móvel em torno de seu ponto de suspensão, descrevia círculos em
volta do ímã. Caso contrário, fixando-se o fio e libertando o ímã, este girava em
torno do fio. Assim ele pode então concluir que realmente existia uma relação entre

11
corrente elétrica e campo magnético. Esta conclusão
foi muito importante para o desenvolvimento do
transformador elétrico anos mais tarde.
Outro estudioso que colaborou
consideravelmente não apenas para a elaboração do
transformador foi o cientista Simon Ohm, que dentre
outras descobertas apresentou a Lei de Ohm, que, em
palavras breves, consiste em dizer que a força
eletromotriz total é igual ao produto do fluxo de carga
da seção transversal do condutor e a sua respectiva
resistência.
Após estas criações ocorreu então a invenção
lâmpada elétrica pelo empresário e inventor Americano
Thomas Alva Edison (1847 – 1931). Criada a partir do
Figura 2 - Michael Faraday desejo de utilizar pequenas lâmpadas domesticamente
(1791-1867)
para substituir o gás, a lâmpada se originou de um
filamento de carbono e terminou com algodões carbonizados. Foi então que Edison
fez, finalmente, a luz por mais de 40 horas. Tal descoberta foi realizada no ano de
1879.
A primeira demonstração pública da invenção do sistema de Edison foi em
dezembro do mesmo ano, quando o laboratório Menlo Park ganhou um sistema
completo e complexo de energia. Não satisfeito, Edison passou os próximos anos
desenvolvendo sistemas para o setor. Influenciado profundamente pela vida
moderna, criou também a vitrola e a câmera de cinema. Durante sua vida, teve mais
de 2000 patentes e divulgou diversas de suas invenções em público.
Com a descoberta da lâmpada que funcionava com corrente continua, Edison
desenvolveu um sistema de distribuição de energia elétrica. Tal sistema era
limitado, pois necessitava vários centros de geração. A resposta de Edison às
limitações do sistema de corrente contínua foi simplesmente gerar energia nos locais
próximos ao consumidor, que hoje chamado de geração distribuída, além de instalar
condutores de grandes dimensões para lidar com a crescente demanda de
eletricidade. Porém, tal solução mostrou-se dispendiosa (especialmente em zonas
rurais que não podiam conceder recursos para a construção de uma estação
local ou pagar pela grande quantidade de grossos fios de cobre), não prática
(incluindo, mas não se limitando, uma ineficiente conversão de voltagem), e de difícil
manejo. Edison e seus sócios, no entanto, teriam se beneficiado amplamente a partir
da construção de um grande número de usinas elétricas, necessárias para a
introdução da eletricidade em várias comunidades.
A corrente contínua não podia ser facilmente alterada para uma tensão menor
ou maior. Isto significava que linhas elétricas tinham de ser instaladas
separadamente, a fim de prover energia para aparelhos que funcionavam a
diferentes tensões, por exemplo, a iluminação e os motores elétricos. Isso levou a
um aumento do número de cabos para instalação e sustentação, desperdiçando
dinheiro e introduzindo riscos desnecessários. Um certo número de mortes
da Grande Nevasca de 1888 foi atribuído ao desabamento dos cabos suspensos de
energia em Nova York.³

12
Já a corrente alternada podia ser conduzida: a longas distâncias em altas
tensões e a baixas correntes, utilizando condutores mais finos (portanto, com maior
eficiência de transmissão), e depois era convenientemente diminuída para baixas
tensões, para a utilização em residências e fábricas. Quando Tesla introduziu o
sistema de geradores, transformadores, motores, fios e luzes a corrente alternada,
em novembro e dezembro de 1887, tornou-se claro que esse tipo de corrente era o
destino futuro para a distribuição de energia elétrica, embora o sistema contínuo
fosse utilizado nos centros das áreas metropolitanas por décadas subsequentes.
Após o acontecido mencionado acima, onde foi determinado que com corrente
alternada seria muito mais fácil a transmissão da energia elétrica em grandes
distâncias com maior eficácia e menor custo, foi onde surgiu um período chamado
de Guerra das Correntes, onde dois empresários lutaram para estabelecer suas
teses dos modos de distribuição. Enquanto Thomas Edison lutava para manter o
sistema de distribuição com corrente contínua, do outro lado vinha o empresário
George Westinghouse defendendo a distribuição em corrente alternada.
Vale a pena citar aqui algumas curiosidades por volta da vida deste homem
chamado Thomas Edison, pois ele é considerado até hoje um dos principais
inventores que trouxe um grande avanço para a
civilização, tais que podem ser vistas (e muitas!) até
nos dias de hoje. Com seis anos de idade, o futuro
inventor naquela época, enfrentou uma mudança de
cidade junto com sua família, neste momento ele
ingressou numa escola da cidade de Port Huron no
ano de 1853. Seu professor, o padre Engle, dizia que o
garoto era muito curioso e não tinha a capacidade de
aprender, o padre dizia também: “o garoto é um coça-
bichinhos estupido, que não para de fazer perguntas e
que lhe custa aprender”. Visto tamanha reprimenda, o
pequeno aluno desistiu de frequentar a escola após 3
meses em que havia ingressado na mesma. Nunca
mais voltaria a frequentar uma escola. Porém, quem
tomou a responsabilidade de educar o garoto foi sua Figura 3 - Thomas Alva Edison
mãe, e ele, obviamente que optando por aprender (1847-1931)
apenas aquilo que lhe interessa. Acaba por devorar Empresário e inventor americano.
todos os livros da mãe com temas sobre ciências. Edison montou então um
laboratório de química no sótão e, de vez em quando, fazia a casa tremer.
Posteriormente a Guerra das Correntes, Thomas Edison juntou seus
conhecimentos e o seu capital junto com também inventor Willian Stanley, que havia
inventado anteriormente o primeiro dispositivo de distribuição de energia elétrica, o
transformador. Posteriormente a empresa de Stanley, que havia implantado o seu
sistema com transformadores em corrente alternada, passou a ser controlada pela
empresa de Thomas Edison que é conhecida até hoje por General Electric
Corporation.

1.1.1 - Guerra das Correntes:

Este momento da história foi fundamental para o desenvolvimento da ideia e


aplicação do dispositivo Transformador de tensão ou corrente.
Com o domínio de Edison sobre as distribuições de energia elétrica em
corrente continua, puderam-se notar várias formas de otimizar, além de elevar os
13
níveis de segurança, alcançar um maior aproveitamento na distribuição de energia
elétrica. A partir de um trabalho com campos magnéticos rotacionais, Tesla
desenvolveu um sistema de geração, transmissão e uso da energia elétrica
proveniente de corrente alternada. Tesla fez uma parceria com George
Westinghouse para comercializar esse sistema. Westinghouse comprou com
antecedência os direitos das patentes do sistema polifásico de Tesla, além de outras
patentes de transformadores de corrente alternada, de Lucien Gaulard e John Dixon
Gibbs e dessa forma driblando o monopólio de patentes reivindicado por Thomas
Edison.
O sistema de distribuição de corrente contínua consistia de centrais de
geração e alimentação com grossos condutores para a distribuição, derivando deles
a fração destinada ao consumo doméstico (iluminação e eletrônicos). Todo o
sistema operava à mesma voltagem. Por exemplo, lâmpadas de 100 volts para o
consumo doméstico seriam conectadas a um gerador de fornecimento de 100 volts,
para permitir uma possível queda de tensão entre o gerador e a resistência ligada a
ele. O nível de tensão foi escolhido por conveniência
na fabricação de lâmpadas; lâmpadas de filamentos de
carbono de alta resistência poderiam ser fabricadas
para resistir a 100 volts e para fornecer iluminação de
desempenho econômico comparável à iluminação a
gás. Ao mesmo tempo, era sabido que 100 volts
provavelmente não constituem um perigo grave
de eletrocussão. 4
Para poupar o custo dos condutores de cobre,
era utilizado um sistema de três fios para a
distribuição. Os três fios eram ligados a um potencial
de 110 volts, 0 volt e -110 volts cada. Lâmpadas de
100 volts poderiam funcionar quer entre os suportes de
110 ou -110 volts do sistema e o condutor neutro de
zero volt, que só mantém o desequilíbrio entre as duas
fontes positiva e negativa. O sistema resultante de três
Figura 4 - George Westinghouse - fios utilizava menos cabos de cobre para uma
Empresário Americano determinada quantidade de energia elétrica
transmitida, o que ainda mantinha (relativamente) a baixa voltagem. Entretanto,
mesmo com esta inovação, a queda de tensão devida à resistência dos condutores
do sistema era tão alta que as usinas geradoras tinham que se localizar dentro de
uma milha (1 a 2 km), ou pouco mais, dos centros de consumo. Tensões maiores
não poderiam ser utilizadas tão facilmente com o sistema contínuo, pois não havia
uma tecnologia eficiente de baixo custo que permitisse a redução de alta tensão
para uma tensão mais baixa.
No sistema de corrente alternada, transformadores são utilizados entre o
conjunto de alta tensão e os centros de consumo. Lâmpadas e máquinas pequenas
assim podiam funcionar numa tensão menor conveniente. Além disso, os
transformadores permitem que a energia seja transmitida sob tensões muito mais
elevadas, digamos, dez vezes maiores que as destinadas ao consumo. Para uma
determinada quantidade de energia conduzida, a espessura do fio é inversamente
proporcional à tensão utilizada. Alternativamente, o comprimento máximo de uma
linha de transmissão, dados o diâmetro do fio e a queda de tensão admissível,
aumentaria aproximadamente com o quadrado da tensão de distribuição. Tal fato
tinha o significado prático de que usinas geradoras menores ou maiores poderiam

14
cobrir a demanda de consumo de uma determinada área. Aparelhos enormes de
consumo elétrico como motores industriais ou conversores de energia elétrica de
transporte ferroviário podiam ser ligados pela mesma rede de distribuição que
alimentava a iluminação doméstica, através de um transformador acessório com
uma tensão adequada.
A vantagem da corrente alternada para a distribuição de energia à distância é
devida à facilidade de variação da tensão com um transformador Então foi nesse
momento onde se caracterizou a primeira aplicação dos transformadores de corrente
e tensão na distribuição de energia elétrica., . A potência elétrica (energia elétrica
por unidade de tempo) é o produto da corrente pela tensão aplicada (P = iV). Para
uma determinada quantidade de energia, uma baixa tensão requer uma corrente
maior e uma alta tensão uma corrente menor. Uma vez que cabos metálicos
condutores possuem certa resistência elétrica, parte da energia será desperdiçada
em forma de calor dentro dos fios. Esta perda de energia é dada por P = I²R. Assim,
se a potência transmitida é a mesma, e se são conhecidas as restrições de tamanho
de condutores práticos, as transmissões a baixa tensão e a alta corrente sofrerão
uma perda de potência muito maior que os sistemas a alta tensão e baixa corrente.
Isto se aplica tanto à corrente contínua como à alternada.
A conversão de energia em corrente contínua de uma tensão a outra era
difícil e dispendiosa, devido à necessidade de um enorme conversor giratório ou um
conjunto motor-gerador, enquanto que a mudança de tensão à corrente alternada
pode ser feita com as bobinas simples e eficazes do transformador, que não
possuem partes móveis e não exigem manutenção.
Esta foi a chave para o sucesso do sistema de
corrente alternada.
Apesar das vantagens, as linhas de
transmissão em corrente alternada apresentam
outros danos não observados na corrente contínua.
Devido ao chamado efeito pelicular, um condutor
terá uma maior resistência à corrente alternada do
que à corrente contínua; essa resistência pode ser
medida e daí o significado prático para amplos
condutores serem ligados na ordem de milhares de
ampères. O aumento da resistência devido ao
efeito de pele pode ser compensado alterando-se o
formato dos condutores, de um miolo sólido para
um trançado de vários fios menores (cabo).
Naturalmente, a partir deste momento
passou-se a utilizar a corrente alternada para a
distribuição de energia elétrica, assim como os
Figura 5 - Willian Stanley - Inventor do
equipamentos necessários para isto, como o primeiro "transformador"
transformador.

15
1.1.2 – Primeiro dispositivo prático de transformação de energia elétrica:

Willian Stanley foi o físico e inventor


americano do primeiro sistema comercial de
corrente alternada com base na Bobina de
Indução. Esta se tornou no protótipo dos
modernos transformadores, permitindo a
distribuição de eletricidade para uso
doméstico. 5 (*figura 6)
William Stanley iniciou a sua carreira
como eletricista, trabalhando com teclas de
telégrafo e alarmes de incêndio primitivos.
Este inventor concebe em Nova Iorque uma
das primeiras instalações elétricas numa loja
da Quinta Avenida. Pouco tempo depois, o
empresário George Westinghouse contrata-o
Figura 6 - O Transformador de Stanley. como engenheiro-chefe da sua fábrica de
Fonte: Wikienergia5
Pittsburgh.
Em 1885, Stanley constrói o primeiro dispositivo prático de corrente alterna,
com base nas ideias de Lucien Gaulard e de John Dixon Gibbs. Desenvolve assim
sua versão da bobina de indução, o percursor dos transformadores modernos, tendo
sido inventada cerca de cinco décadas antes por Nicholas Callan e posteriormente
melhorada e comercializada por Heinrich Ruhmkorff, que cunhou o seu nome
primitivo. Esta era um tipo de bobina de descarga elétrica, funcionando como um
transformador que produzia impulsos de alta voltagem a partir de uma corrente
contínua de baixa voltagem.
O princípio do transformador foi demonstrado pela primeira vez por Michael
Faraday em 1831, e vários cientistas tinham já explorado, com maior ou menor
sucesso, as suas regras de funcionamento de modo a conseguir obter voltagens
cada vez maiores das Pilhas que utilizavam como fonte de energia elétrica. Stanley,
em vez de utilizar a tradicional corrente contínua, utiliza a corrente alternada,
apresentando pela primeira vez em 1886 o seu sistema completo de transporte e
distribuição em alta voltagem. Este era constituído por geradores elétricos,
transformadores e linhas de transmissão, elementos ainda hoje presentes nas atuais
redes de produção e transporte de eletricidade.
Este sistema permitia que a corrente elétrica chegasse a áreas mais
abrangentes, e Stanley utilizou-o para iluminar os escritórios e lojas da povoação de
Great Barrington, no Massachusetts. Em 1890, William Stanley funda a Stanley
Electric Manufacturing Company em Pittsfield, Massachusetts, empresa que virá
mais tarde a ser controlada pela General Electric Corporation de Thomas Edison,
como foi mencionado anteriormente.
Outro dispositivo que também foi um dos pioneiros na área de distribuição de
energia elétrica, relacionado a transformação, foi o transformador DBZ, que por
alguns historiadores é considerado o pioneiro, o primeiro dos transformadores.
O transformador DBZ leva esta sigla no nome em homenagem aos seus
inventores, os engenheiros húngaros Miska Déri (1854-1938), Otto Bláthy (1860-
1939) e Karoly Zipernowsky (1853-1952). Estes três engenheiros desenvolveram o
transformador DBZ no ano de 1885, quando os três trabalhavam como engenheiro
na empresa Ganz Works Company, tal transformador se tornou a base do sistema
de transmissão e distribuição de energia por longas distâncias.

16
1.2 - Características construtiva:

Iremos agora explicar os principais tipos de transformadores encontrados no


mercado atual e também explanar suas características e os fenômenos envolvidos
no seu funcionamento. Para tanto, separaremos em tópicos com os nomes dos
principais tipos de transformadores, seja de corrente ou tensão, e também os óticos

Figura 7 - Imagem de corte de um Transformador de Potencial.


Fonte: Fabricante ABB.

que até aqui ainda não haviam sido citados.


A relação dos transformadores que será apresentada pode não abranger
todos os modelos encontrados no mercado atualmente, entretanto, os principais e os
mais utilizados serão aqui apresentados.
Os acessórios dos transformadores de distribuição são os seguintes:

 Óleo Refrigerante: Tem dupla função: além de proteger o papel e o verniz de


isolação, age com liquido refrigerante das espiras;

 Isolantes: Além do papel, a tendência é a utilização de isolantes de


estabilidade térmica mais elevada. Assim poderá ser dispensado o refrigerante

17
líquido ou outra forma de ventilação artificial. Nesta classe se encaixam os
transformadores a seco que apresentam economia de espaço, peso e componentes;

 Válvulas: Os transformadores a Óleo possuem em seu tanque válvulas para


a verificação do estado do óleo ;

 Perfis de Montagens: Podem ser trilhos, rodas ou ferragens para montagens


em postes;

 Tampa: Onde são montados os isoladores para a ligação dos condutores de


alimentação;

 Dispositivos de Proteção: Relé diferencial,. Rele Bucholz, secador de ar,


termômetros.

2 - Transformador de Potencial – TP:

As normativas que regulam a fabricação e instalação destes dispositivos são:

NBR 6855 - Transformador de Potencial Indutivo6


ETC 1.03 – Transformador de Potencial Indutivo7

Transformador de Potencial (TP) é um equipamento usado principalmente


para sistemas de medição de tensão elétrica, sendo capaz de reduzir a tensão do
circuito para níveis compatíveis com a máxima suportável pelos instrumentos de
medição. Sua principal aplicação é na medição de tensões com valores elevados, ou
seja, em seu circuito primário (entrada) é conectada a tensão a ser medida, sendo
que no secundário (saída) será reproduzida uma tensão reduzida e diretamente
proporcional a do primário. Assim, com menor custo e maior segurança, pode-se
conectar o instrumento de medição (voltímetro) no secundário. A razão (divisão)
entre a tensão no primário sobre a tensão apresentada no secundário de qualquer
transformador é uma constante chamada de relação de transformação (RT). A RT é
determinada na fabricação do TP pela razão entre o número de espiras do
enrolamento primário sobre o número de
espiras do enrolamento secundário, assim
conhecendo-se a RT e a tensão no circuito
secundário, tem-se o valor da tensão no circuito
primário. Os TPs podem ser considerados
especiais, pois são fabricados de forma a
apresentar uma RT com ótima exatidão, ou
seja, uma pequena variação na tensão do
primário causará uma variação proporcional
também no secundário, permitindo assim que
indicação no voltímetro apresente uma
incerteza de medição muito pequena. A tensão
reduzida do circuito secundário do TP também
Figura 8 - Esquema de um transformador de
Potencial. 8 é usada para alimentar, de forma igualmente
segura, os circuitos de proteção e controle de
subestações.

18
Note que o esquema apresentado na figura 8, mostra a aplicação de um
transformador de potencial (TP). Na figura temos uma tensão inicial U1 que está
sendo aplicada na carga Z. Para que possa ser medida esta tensão inicial, ou então,
no caso acompanhamentos periódicos por painéis, se faz necessária a utilização de
um transformador de potencial. Neste caso o enrolamento N1 que esta diretamente
ligado a tensão U1, é o enrolamento primário do TP que está sendo mostrado na
figura.
Os fenômenos serão apresentados logo a seguir, portanto, aqui podemos
dizer apenas que o enrolamento N1 esta gerando uma corrente induzida no
enrolamento N2 que por sua vez é gera uma tensão reduzida U2 diretamente
proporcional a tensão U1, portanto, com esta tensão reduzida é possível realizar
medições sem exposições do equipamento medidor a altas tensões.
Por esse motivo, este equipamento tem muitas aplicações na área de
segurança e também em medições, pois ele trabalha sempre com uma tensão
reduzida no seu terminal secundário, sendo que esta pode ser dimensionada para
determinados casos conforme a necessidade.
2.1 - Constituição do equipamento:

Neste tópico será explicado como é constituído um transformador de


potencial, assim como os principais materiais utilizados para a construção, os
principais métodos, a eficácia de cada um, etc.
Pode-se notar na figura 9, o transformador de potencial é basicamente
constituído de um núcleo ferromagnético e duas espiras de fio condutor, tais que são
denominadas como enrolamento primário e secundário.
O enrolamento primário e secundário do transformador de potencial é
normalmente constituído por
cobre eletrolítico e recebem
uma camada de verniz
sintético como isolante, para
prevenir ações como a do
tempo e exposição aos gases
da atmosfera, prevenir
corrosões.
O núcleo pode ser
constituído de duas maneiras,
com material ferromagnético
Figura 9 – Esquema simples de um transformador. Ilustração retirada do que na maioria das vezes são
Jornal Meio ambiente (http://jmeioambiente.blogspot.com.br)
ligas de ferro, carbono, silício,
ou então podem possuir o núcleo preenchido com ar. Porém, com núcleos de ar, a
corrente magnetizante poderá ser relativamente elevada, a menos que o
enrolamento possua uma grande quantidade de espiras, ou seja, excitado com
frequência elevada, para que ofereça à fonte uma grande reatância.
Por essa razão e pelo fato de as perdas magnéticas nos materiais
ferromagnéticos crescerem mais do que proporcionalmente com a frequência, os
núcleos de ar ficam restritos quase que exclusivamente a pequenos transformadores
de frequências mais elevadas que as industriais.
Quando ao tipo de núcleo nós podemos considerar algumas formas de
construção para os núcleos ferromagnéticos:

19
Figura 10 – Esquerda: Laminas tipo E de constituição ferromagnética do transformador – Direita: Tipo E-1
Fonte: AUDIOPT (http://www.audiopt.net/)

Na figura 10 tem-se um exemplo de laminas que constituem os modelos de


núcleos ferromagnéticos. Estes são conhecidos como núcleos laminados e são
bastante utilizados. São núcleos compostos por chapas de material ferromagnético
com espessura entre 0,25 e 0,5mm, com as laminas isoladas, normalmente pelo
próprio oxido da laminação
siderúrgica, e prensadas para
formar o núcleo, com o intuito de
atenuar as correntes induzidas no
núcleo e, portanto, atenuar as
perdas Foucault. Podem ser
dispostos de diversas formas. E-I,
E-E U-I, que indicam o tipo de
lamina que será usado.
Ainda existem os
transformadores com núcleos
toroidais. Na figura 11 pode-se
ver um modelo de constituição
deste.
A forma fechada do anel
Figura 11 - Transformador modelo Toroidal. Fonte: elimina as aberturas de ar
http://www.electronicalicante.com/transformadores- inerentes na construção de um
toroidales/1800-transformador-toroidal-50va-2-x-12v-2-x-208a-
5410329222772.html
núcleo E-I. As bobinas primárias
e secundárias são enroladas de
maneira concêntrica para cobrir a superfície inteira do núcleo. Isto minimiza o
comprimento do fio necessitado, e fornece também a seleção para minimizar o
campo magnético do núcleo de gerar interferência eletromagnética.
Os transformadores de núcleo toroidal são mais eficientes do que os tipos E-I
laminados mais baratos para um nível similar de transformação. Outras vantagens
comparadas aos tipos E-I, incluem o tamanho menor, um peso mais baixo, um
campo magnético exterior mais baixo. As desvantagens principais são um custo
mais elevado e avaliação limitada.
Visto que os transformadores mais comuns utilizam-se de materiais
ferromagnéticos, segue então uma breve descrição destes materiais: o
ferromagnetismo é uma propriedade do ferro, do níquel, do cobalto e alguns outros
elementos. Alguns dos elétrons nestes materiais possuem seus momentos de dipolo

20
magnéticos resultantes alinhados, que produzem regiões com fortes momentos de
dipolo magnético. Um campo externo B pode então alinhar os momentos magnéticos
de tais regiões, produzindo um forte campo magnético para uma amostra do

Figura 12 – Exemplificação do experimento utilizado para determinar a Lei da indução de Faraday. Note que ao
aproximarmos uma fonte magnética da expira, podemos notar uma variação da corrente na mesma. 9
material. O campo persiste parcialmente quando B é removido.

2.2 - Princípios de funcionamento:

Para explicarmos o funcionamento do transformador de potencial iremos dar


uma introdução a Lei da indução de Faraday e sobre a Lei de Lenz. Faraday
percebeu que uma f.e.m. e uma corrente podem ser induzidas em uma espira
quando o fluxo de linhas de campo magnético φB passando através da área limitada
pela espira é variado. Quantitativamente, esta relação pode ser escrita como:

𝑑𝜑𝐵
𝜀=− (1)
𝑑𝑡

Ou seja, a força eletromotriz é o inverso do fluxo magnético infinitesimal por


um instante de tempo.
A lei de Lenz
entre para
complementar a
equação
apresentada acima,
segundo a lei de
Lenz qualquer
corrente induzida
tem um sentido tal
Figura 13 - Esquema simplificado mostrando as montagens para observar os efeitos
das correntes de Foucault. Fonte: Portal São Francisco
que o campo
(http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/eletromagnetismo/eletromagnetismo- magnético que ela
gera se opõe a variação do fluxo magnético que a produziu. Matematicamente, a Lei
de Lenz é expressa pelo sinal negativo que aparece na fórmula da lei de Faraday.

21
E então para complementar de vez,
necessita-se também de uma breve
explicação a respeito das correntes de
Foucault. Quando variamos o fluxo magnético
sobre uma placa condutora, correntes
induzidas deverão surgir no interior da placa
condutora de modo a produzir um campo que
se contrapõe ao sentido do fluxo, ou seja, ele
surge para cancelar a ação deste fluxo
magnético, da maneira semelhante ao que
acontece quando aproximamos um imã de
uma espira. Estas correntes induzidas que
surgem em condutores devido a variação de
fluxo campo magnético são chamadas de
correntes parasitas ou correntes de Foucault.
Os exemplos da figura 13 apresentam
métodos práticos para verificar a existência
das correntes de Foucault. Note que temos
um campo magnético variando na placa de
condutora, isto vai gerar uma corrente
parasita na placa.

Figura 14 - Primário de um transformador.


Fonte: Desconhecida
Agora utilizando estas
informações para apresentar o
principio de
transformação/funcionamento do
equipamento. Primeiramente iremos
tratar do enrolamento primário e os
fenômenos envolvidos neste. Para
relembrar tínhamos um núcleo
ferromagnético envolvido por um
condutor de cobre eletrolítico. Tal
condutor possui uma tensão aplicada
que está alimentando uma carga Z,
assim como ilustrou a figura 8.
Quanto maior o número de
espiras que envolve o núcleo do
transformador, maior será a excitação
de fluxo magnético no mesmo, e
naturalmente que as correntes
parasitas que irão surgir serão de
grandeza proporcional.
0 Quando aplicamos a tensão V1
no primário, estamos colocando os Figura 15 - Secundário de um transformador. Fonte:
elétrons do fio condutor em Desconhecida.
movimentação, e essa movimentação de cargas é caracterizada como corrente
elétrica. Tal corrente elétrica fluindo pelas espiras do condutor irá gerar um fluxo
magnético no núcleo ferromagnético do transformador, e como já vimos
anteriormente, tal variação de fluxo magnético sobre uma placa condutora geram
22
uma corrente parasita ou corrente de Foucault. Esta corrente passará a fluir pelo
núcleo do transformador.
Agora que sabemos que há um fluxo eletromagnético no núcleo do
transformador quando aplicada uma tensão V1 aos terminais primários deste, e
também soubemos qual o fenômeno físico que envolve o campo magnético gerado
pela corrente que passa no condutor, tal que, gera um fluxo eletromagnético nas
placas do núcleo, isto irá resultar numa excitação no secundário do transformador,
pois temos primário e secundário ligado diretamente pelo núcleo ferromagnético na
constituição do dispositivo.
Aproveitando a lei da indução de Faraday, o fluxo magnético gerado pelo
enrolamento primário do transformador irá então passar pelo enrolamento
secundário, onde o volume de espiras é reduzido devido a aplicação do
transformador de potencial. Logo iremos apresentar a relação matemática entre os
dois.
Com este fluxo magnético passando pelo núcleo do transformador temos
então uma corrente induzida no enrolamento secundário do transformador. A lei que
explica esta transformação é a lei de Faraday, que diz que um condutor é percorrido
por uma corrente elétrica, esta gera um campo eletromagnético ao seu redor, como
temos o material ferromagnético no interior da espira, este campo magnético gera
um fluxo magnético na placa, que por sua vez atravessa a expira do enrolamento
secundário gerando uma corrente induzida no condutor do enrolamento. E, portanto
esta corrente irá gerar uma tensão de saída V2 nos terminais do secundário.

Matematicamente falando podemos determinar essa relação de


transformação da seguinte maneira:

De acordo com as Leis de Lenz/Faraday tem-se:

𝑑𝜑𝑚
𝑣1 = −𝑛1 (2) Onde: 𝜑𝑚 = 𝜑𝑚á𝑥. 𝑠𝑒𝑛 𝜔𝑡 (3)
𝑑𝑡
- n1 é o nº de espiras no primário
- v1 e v2 serão as tensões induzidas.

Juntando (1) e (2), e então resolvendo a derivada temos:

𝑣1 = −𝑛1 𝜔 𝜑𝑚á𝑥 cos 𝑤𝑡 (4)

Que pode ser escrita:

𝜋
𝑣1 = 𝑛1 𝜔 𝜑𝑚á𝑥 𝑠𝑒𝑛 (𝜔𝑡 − ) (5)
2

Então realizando o mesmo procedimento para a tensão de saída V2 obtemos:

𝜋
𝑣2 = 𝑛2 𝜔 𝜑𝑚á𝑥 𝑠𝑒𝑛 (𝜔𝑡 − ) (6)
2

A partir da expressão (3) temos que a tensão máxima V1máx é:

23
𝑣1𝑚á𝑥 = 𝑛1 𝜔 𝜑𝑚á𝑥 = 𝑛1 2𝜋𝑓 𝜑𝑚á𝑥 (7)

Agora calculando a tensão nominal V1:

𝑣1𝑚á𝑥
|𝑉1| = = 2𝜋 𝑛1𝑓 𝜑𝑚á𝑥 = 4,44 𝑛1𝑓𝜑𝑚á𝑥 (8)
√2 √2

Realizando o mesmo procedimento para a tensão nominal V2 temos:

|𝑉2| = 4,44 𝑛2𝑓𝜑𝑚á𝑥 (9)

Igualando as expressões (9) e (8) e já considerando que elas estão em fase temos:

𝑉1 𝑛1
= (10)
𝑉2 𝑛2
Fonte: mackenzie.com.br

Portanto podemos dizer que a


tensão de saída e entrada são
diretamente proporcionais umas as
outras, e através desta informação
podemos dimensionar os transformadores
de potencial para encontrarmos a tensão
de saída ideal para a necessidade de
cada um.

2.3 - Principais aplicações:

Figura 16 - Imagem de um transformador de


Este tipo de transformador é
potencial. Fonte: aplicado principalmente em situações
onde a tensão de um circuito é muito
http://www.multvolts.com.br/page10.aspx
elevada para qualquer tipo de medição ou acompanhamento, e então se faz
necessário a instalação de um dispositivo de redução de tensão, tal que é o
transformador de potencial. Este irá reduzir a tensão para níveis seguros para
medição, tanto para quem esta realizando a medição tanto quanto para o aparelho
que realiza esta.
Temos então duas formas de isolamento interno dos transformadores, tais
que, determinam também as suas aplicações no mercado em geral. De um lado
temos o transformador a óleo, que possuem seu sistema isolante composto por uma
parte sólida (papel isolante) e uma parte líquida (óleo isolante), este conjunto tem a
função de garantir a rigidez dielétrica e mecânica do bobinado. Os transformadores
a óleo são os mais comuns e amplamente utilizados em diversas áreas.
O concorrente do transformador a óleo é o transformador a seco, tal que não
utilizam óleo e possuem seu bobinado encapsulado em resina, os mesmos possuem
menor dimensão e são recomendados para instalações internas que exigem
segurança e confiabilidade, logo que não utilizam óleo isolante. Este tipo de
transformador é indicado para áreas onde há a presença de pessoas, como fábricas

24
em geral, indústrias químicas, petroquímicas,
prédios residenciais, hospitais, shopping centers,
transportes, etc, devido ao menor risco de
combustão.
As vantagens dos transformadores a seco
são: a maior robustez mecânica, menor nível de
descargas parciais internas e a possibilidade de
instalação mais próxima ao ponto de carga
diminuindo assim as perdas com os cabos de
Figura 17 - Esquema de ligação de um alimentação. Porém, este tipo de transformador
transformador de corrente. Fonte:
Portal Celesc8 possui limitações de potência e tensão, além do
custo mais elevado que os transformadores a óleo.

3 - Transformador de corrente (TC):

NBR 6856 – Transformador de Corrente6


ETC 1.02 – Transformador de Corrente11

Os transformadores de corrente são equipamentos que permitem aos


instrumentos de medição e proteção funcionarem adequadamente sem que seja
necessário possuírem correntes nominais de acordo com a corrente de carga do
circuito ao qual são ligados. Na sua forma mais simples, eles possuem um primário,
geralmente poucas espiras, e um
secundário, no qual a corrente
nominal transformada é, na
maioria dos casos, igual a 5 A.
Dessa forma, os instrumentos de
medição e proteção são
dimensionados em tamanhos
reduzidos com as bobinas de
corrente constituídas com fios de
pouca quantidade de cobre.
Note que neste caso,
diferente do transformador de
potencial, o transformador de
corrente esta ligado em apenas
uma das fases. A ligação deve Figura 18 - Exemplo de transformador de corrente tipo janela.
Fabricado pela indústria EIMA
ser feita em série para que não Site da Industria: www.eima.com.br
haja perdas.
O transformador de Corrente - TC é um equipamento destinado a transformar
os valores de corrente primárias em valores secundários, apropriados para uso dos
medidores de energia elétrica, ou em outros instrumentos de medida.
Os transformadores de corrente são utilizados para suprir aparelhos que
apresentam baixa resistência elétrica, tais como amperímetros, relés de indução,
bobinas de corrente de relés diferenciais, medidores de energia, de potência etc.
Os TC's transformam, através do fenômeno de conversão eletromagnética,
correntes elevadas, que circulam no seu primário, em pequenas correntes
secundárias, segundo uma relação de transformação.
Portanto, Um transformador de corrente (abreviadamente TC ou TI) é um
dispositivo que reproduz no seu circuito secundário, a corrente que circula em um
25
enrolamento primário com sua posição vetorial substancialmente mantida, em uma
proporção definida, conhecida e adequada. Os transformadores de corrente,
também chamados de transformadores de instrumentos, utilizados em aplicações de
alta tensão (situações essas onde circulam, frequentemente, altas correntes),
fornecem correntes suficientemente reduzidas e isoladas do circuito primário de
forma a possibilitar o seu uso por equipamentos de medição, controle e proteção.
Devemos ressaltar aqui que apesar de cada um possuir uma forma de
construção para cada tipo de necessidade, o fenômeno que realiza a conversão e a
redução ou elevação da corrente no secundário é aquele que a primeira instância, a
corrente que circula no enrolamento primário gera um fluxo magnético no núcleo de
material ferromagnético, e então este mesmo fluxo passa por entre as espiras do
enrolamento secundário, tal que gera uma corrente induzida neste, entregando
então a corrente desejada nos polos do terminal secundário. Para maior detalhes
leia a seção 1.2.1.2 deste artigo.

3.1 - Constituição do equipamento:

Os transformadores de corrente podem ser construídos da mesma maneira


que um transformador de potencial, porém os TC’s são dimensionados de uma
maneira diferente.
São também constituídos principalmente por cobre eletrolítico e um material
ferromagnético. Seu exterior normalmente é fabricado com materiais isolantes,
principalmente epóxi. Uma resina epóxi ou poliepóxido é um plástico termofixo que
se endurece quando se mistura com um agente catalisador ou “endurecedor”. As
resinas epóxi mais frequentes são produtos de uma reação entre epicloridrina e
bisfenol-a.
Entretanto, apesar de que em alguns casos os dispositivos são fabricados de
uma maneira completamente diferente de TP, todos partem dos mesmo princípios
de funcionamento.
Portanto, os transformadores de corrente podem ser construídos de diferentes
formas e para diferentes usos11, ou seja:

3.1.1 - Transformador de Corrente Tipo Barra:

É aquele cujo o enrolamento primário é constituído por uma barra fixada


através do núcleo do transformador. No momento de sua instalação esta barra é
instalada no circuito em serie com o mesmo, ligado aos polos da barra.
Ao efetuar esta ligação, uma corrente passara a fluir pela barra que esta
fixada no núcleo, e esta mesma corrente passará a gerar correntes parasitas no
núcleo ferromagnético que envolve a barra (que pode ser considera o primário do
transformador). Esta corrente parasita tal que, como foi vista anteriormente, é
chamada de correntes de Foucault, corre ao redor do núcleo induzindo uma corrente
no enrolamento secundário numa ordem bem menos elevado, dentro dos
parâmetros que foram constituídos o transformador.

26
Figura 19 –Esquema de um Transformador de Corrente Tipo Barra. 11

Note na figura 19 que a barra fixa ali citada é o primário do transformador de


corrente, e os pontos S1 e S2 do desenho são os terminais de saída do secundário
do TC, onde temos a corrente rebaixada para níveis seguros para medição.

3.1.2 - Transformador de Corrente Tipo Enrolado:

Neste caso o transformador possui dois enrolamentos, o primário e o


secundário. A instalação é bastante semelhante a do TP, feita de forma que no
primário seja ligada a linha onde esta sendo transmitida a corrente que deseja ser
rebaixada para níveis seguros. A grande e importante diferença do TP é a
necessidade da ligação do TC
ser feita em série, enquanto a
ligação do TP é feita em
paralelo.
Após a realização da
ligação em série do
transformador, nota-se uma
corrente elevada,
possivelmente, passando pelo
Figura 20 - Transformador de Corrente Tipo Enrolado. 11
seu primário, esta corrente vai
induzir uma corrente parasita no núcleo ferromagnético do TC, tal que irá induzir
uma corrente no enrolamento secundário do transformador dentro dos níveis de
segurança estabelecidos.
Nota-se o funcionamento deles é muito semelhante mudando na maioria dos
casos apenas o modo de instalação de um para o outro. A figura 20 ressalta o modo
de construção do transformador de corrente tipo enrolamento.

3.1.3- Transformador de Corrente Tipo Janela:

Este modelo é muito


semelhante ao TC tipo
barra, que já foi apresentado
anteriormente junto com os
fenômenos envolvidos na
constituição, entretanto, a
barra fixa que encontramos
no TC tipo barra aqui não
Figura 21 - Transformador de corrente tipo janela. 11 existe. Em seu lugar há uma

27
janela (um espaço por onde passa o fio condutor que carrega a corrente à ser
transformada).
Portanto, o modo de funcionamento é o mesmo, assim como os fenômenos
envolvidos, mudando apenas no sentido em que o condutor que atravessa o núcleo
do transformador antes fixo, agora é móvel.
3.1.4 - Transformador de Corrente Tipo Bucha:

Este também possui o funcionamento muito semelhante ao funcionamento do


transformador de corrente tipo barra, porém sua instalação é feita nas buchas dos
equipamentos (transformadores, disjuntores, etc.), estes que vem a funcionar como
enrolamentos primários para o transformador de corrente, isto é, geram a corrente
inicial no núcleo ferromagnético do transformador que vem posterior a realizar a
indução no enrolamento secundário, e então encontramos a corrente reduzida na
saída do terminal secundário. Os fenômenos que ocorrem durante este processo já
foram explicados anteriormente.
A principal aplicação deste modelo de transformador de corrente é para as
redes de distribuição na realização de controles de medidas e funcionamento dos
equipamentos relacionados no paragrafo anterior, pois através destes aparelhos que
se pode reduzir de maneira segura a corrente nominal dos aparelhos.

Figura 22 - Transformador de Corrente Tipo Bucha. 11

3.1.5 - Transformador de Corrente de


núcleo divido:

Este transformador de corrente


possui uma grande semelhança com o
modelo apresentado anteriormente, o TC
tipo janela, porém, com uma maior
abrangência pois este possibilita uma
instalação sem a necessidade de ligação
direta com o circuito.
O TC tipo núcleo dividido possui Figura 23 - Transformador de Corrente Tipo Núcleo
Dividido. 11
uma articulação que pode ser utilizada

28
para envolver o condutor tal qual se deseja reduzir a corrente através do aparelho
para possibilitar algum tipo de medição ou controle.
É de grande aplicação em campo para manobras onde seria necessária a
abertura e naturalmente o desligamento da rede para algum tipo de medição. A
parte móvel é presa ao conjunto para facilitar a sua montagem em campo sem
interrupção do fornecimento de energia.

3.1.6 - Transformador de Corrente com vários enrolamentos primários:

Este TC é constituído de vários enrolamentos primários montados em um


núcleo ferromagnético isoladamente e apenas um enrolamento secundário. Utilizam
o mesmo principio de funcionamento daquele que tem apenas um enrolamento
primário, entretanto, a corrente de saída no enrolamento secundário e uma
composição das correntes em cada enrolamento primário. Conforme a figura 24.

Figura 24 - Transformador de corrente com vários


enrolamentos primários. 11

3.1.7 - Transformador de Corrente com vários núcleos secundários:

É aquele constituído de dois ou mais enrolamentos secundários montados


isoladamente, sendo que cada um possui individualmente o seu núcleo, formado,
juntamente com o enrolamento primário, um só conjunto, conforme se na figura
abaixo.
Neste tipo de transformador de corrente, a seção do condutor primário deve
ser dimensionado tendo em
vista a maior das relações
de transformação dos
núcleos considerados.
Estes
transformadores servem
para manter um
acompanhamento ao longo
de uma linha de
distribuição.

Figura 25 - Transformador de corrente com vários núcleos. 11

29
3.1.8 - Transformador de corrente com vários enrolamentos secundários:

É aquele constituído de um único núcleo envolvido pelo enrolamento primário


e vários enrolamentos secundários, conforme se mostra na figura abaixo, e que
podem ser ligados em série ou paralelo. Com apenas um TC você pode ter vários
aparelhos funcionando com os resultados marcados.

Figura 26 - Transformador de Corrente com vários


enrolamentos secundários. 11

3.1.9 - Transformador de corrente tipo derivação no secundário:

É aquele constituído de um
único núcleo envolvido pelos
enrolamentos primário e secundário,
sendo este provido de uma ou mais
derivações. Entretanto o primário pode
ser constituído de um ou mais
enrolamentos, conforme se mostra na
figura a seguir. Como os amperes-
espiras variam em cada relação de
transformação considerada, somente é
Figura 27 - Transformador de Corrente tipo derivação no garantida a classe de exatidão do
secundário.11 equipamento para a derivação que
estiver o maior número de espiras. A versão deste tipo de TC é dada na figura 27.

Os transformadores de corrente de baixa tensão normalmente têm o núcleo


fabricado em ferro-silício de grãos orientados e está, juntamente com os
enrolamentos primário e secundário, encapsulado em resina epóxi, submetida a
polimerização, o que lhe proporciona endurecimento permanente, formando um
sistema inteiramente compacto e dando ao equipamento características elétricas e
mecânicas de grande desempenho, que são:

 Incombustibilidade do isolamento;

 Elevada capacidade de sobrecarga, dada a excepcional qualidade de


condutividade térmica da resina epóxi;

 Elevada resistência dinâmica às correntes de curto-circuito;

30
 Elevada rigidez dielétrica.

Já os transformadores de corrente de média tensão, semelhantemente aos de


baixa tensão, são normalmente construídos em resina epóxi, quando destinados às
instalações abrigadas. Também são encontrados transformadores de corrente para
uso interno, construídos em tanque metálico cheio de óleo mineral e provido de
buchas de porcelana vitrificada comum aos terminais de entrada e saída da corrente
primária.
Os transformadores de corrente fabricados em epóxi são normalmente
descartados depois de um defeito interno. Não é possível a sua recuperação.
Os transformadores de corrente de alta tensão para uso ao tempo são
dotados bucha de porcelana vitrificada com saias, comum aos terminais de entrada
da corrente primária.
Os transformadores de corrente destinados a sistemas iguais ou superiores a
69 kV têm os seus primários envolvidos por uma blindagem eletrostática, cuja
finalidade é uniformizar o campo elétrico.

3.2 - Características Elétricas:

Os transformadores de corrente, de um modo geral, podem ser representados


eletricamente através do esquema da figura abaixo, em que as resistência e
reatância primárias estão definidas como R1 e X1, as resistência e reatância
secundárias estio definidas como R2 e X2 e o ramo magnetizante está caracterizado
pelos seus dois parâmetros, isto é, a resistência Rη , que é responsável pelas
perdas ôhmicas, através das correntes de histerese e de Foucault, desenvolvidas na

Figura 28 - Esquema de ligação de um transformador de Corrente. Imagem retirada de um questão do concurso


publico realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho no ano de 2010.

massa do núcleo de ferro com a passagem das linhas de fluxo magnético, e Xη


responsável pela corrente reativa devido à circulação das mesmas linhas de fluxo no
circuito magnético.
Através do esquema da Figura 28, pode-se descrever resumidamente o
acionamento de um transformador de corrente. Uma determinada carga absorve da
rede uma certa corrente Ip que circula no enrolamento primário do TC, cuja
impedância ( Z1 = R1 + jX1 ) pode ser desconsiderada. A corrente que circula no
secundário do TC, Is provoca uma queda de tensão na sua impedância interna (Z2 =

31
R2 +jX2) e na impedância da carga conectada ( Z2= R2 +jX2 ) que afeta o fluxo
principal, exigindo uma corrente magnetizante Ie diretamente proporcional.
A impedância do primário não afeta a exatidão do TC. Ela é apenas
adicionada à impedância do circuito de alimentação. O erro do TC é resultado
sensivelmente da corrente que circula no ramo magnetizante, isto é, Ie. É simples
entender que a corrente secundária Is somada à corrente magnetizante Ie deve ser
igual a corrente que circula no primário , ou seja: Ip = Ic + Is.
Considerando um TC de relação 1:1, para que a corrente secundária
reproduzisse fielmente a corrente do primário, seria necessário que Ip = Is . Como
não é, a corrente que circula na carga não corresponde exatamente à corrente do
primário, ocasionando assim o erro do TC.
Quando o núcleo entra em saturação, exige uma corrente de magnetização
muito elevada, deixando de ser transferida para a carga ZC como será visto adiante
com mais detalhe, provocando assim um erro de valor considerável na medida
secundária.
Para melhor se conhecer um transformador de corrente, independentemente
de sua aplicação na medição e na proteção, é necessário estudar as suas principais
características elétrica.
3.3 - Correntes nominais:
Tabela 1 - Tabelas de Correntes nominais do transformador de corrente (TC).
CORRENTE CORRENTE RELAÇÃO CORRENTE RELAÇÃO
PRIMÁRIA SECUNDÁRIA NOMINAL PRIMÁRIA NOMINAL
PADRONIZADA PADRONIZADA PADRONIZADA
5 1:1 5 x 10 1 x 2:1
10 2:1 10 x 20 2 x 4:1
15 3:1 15 x 30 3 x 6:1
20 4:1 20 x 40 4 x 8:1
25 5:1 25 x 50 5 x 10:1
30 6:1 30 x 60 6 x 12:1
40 8:1 40 x 80 8 x 16:1
50 10:1 50 x 100 10 x 20:1
60 12:1 60 x 120 12 x 24:1
75 15:1 75 x 150 15 x 30:1
100 20:1 100 x 200 20 x 40:1
125 25:1 150 x 300 30 x 60:1
150 30:1 200 x 400 40 x 80:1
200 40:1 300 x 600 60 x 120:1
250 50:1 400 x 800 80 x 160:1

5
300 60:1 600 x 1200 120 x 240:1
400 80:1 800 x 1600 160 x 320:1
500 100:1 1000 x 2000 200 x 400:1
600 120:1 1200 x 2400 240 x 480:1
800 160:1 1500 x 3000 300 x 600:1
1000 200:1 2000 x 4000 400 x 800:1
1200 240:1 2500 x 5000 500 x 1000:1
1500 300:1 3000 x 6000 600 x 1200:1
2000 400:1 4000 x 8000 800 x 1600:1
2500 500:1 5000 x 10000 1000 x 2000:1
3000 600:1 6000 x 12000 1200 x 2400:1
4000 800:1 7000 x 14000 1400 x 2800:1
5000 1000:1 8000 x 16000 1600 x 3200:1
6000 1200:1 9000 x 18000 1800 x 3600:1
8000 1600:1 10000 x 20000 2000 x 4000:1

32
As correntes nominais primárias devem ser compatíveis com a corrente de
carga do circuito primário.
As correntes nominais primárias e as relações de transformação nominais
estão discriminadas nas tabelas abaixo, para relações nominais simples e duplas,
utilizadas para ligação série/paralelo no enrolamento primário.
As correntes nominais secundárias são adotadas geralmente iguais a 5A. Em
alguns casos especiais, quando os aparelhos, normalmente relés de são instalados
distantes dos transformadores de corrente, pode-se adotar a corrente secundária de
1 A, a fim de reduzir a queda de tensão nos fios de interligação. NBR 6856/81 12
adota as seguintes simbologias para definir as relações de correntes.

 Sinal de dois pontos (:) deve ser usado para exprimir relações n como, por
exemplo: 300:1;

 O hífen (-) deve ser usado para separar correntes nominais de enrolamento
diferentes, como, por exemplo: 300-5 A, 300-300-5 A (dois enrolam primários), 300-
5-5 (dois enrolamentos secundários);
 O sinal (x) deve ser usado para separar correntes primárias nominais, ainda
relações nominais duplas, como, por exemplo, 300 x 60~5A (correntes primárias
nominais) cujos enrolamentos podem ser ligados em série paralelo, segundo
podemos ver nos TC`s já vistos;

 A barra ( / ) deve ser usada para separar correntes primárias nominais ou


relações nominais obtidas por meio de derivações, efetuadas tanto nos
enrolamentos primários como nos secundários, como, por exemplo. 300/400-5 A, ou
300-5/5 A, como visto na figura 25, do TC de várias derivações secundárias.
3.4 - Cargas nominais

Os transformadores de corrente devem ser especificados de acordo com a


carga que será ligada no seu secundário. Dessa forma, a NBR 6856/81 12 padroniza
as cargas secundárias de acordo com a tabela 2.

NBR 6856 - Cargas nominais para T.C. para características à 60Hz

Tabela 2 – Transformadores de Corrente – Cargas Nominais


Designação Resistência Indutância Potência Fator de Impedância
 mH Aparente potência
VA
1 2 3 4 5 6
C 2,5 0,09 0,116 2,5 0,9 0,1
C 5,0 0,18 0,232 5,0 0,9 0,2
C 12,5 0,45 0,580 12,5 0,9 0,5
C 25,0 0,50 2,3 25,0 0,5 1,0
C 50,0 1,0 4,6 50,0 0,5 2,0
C 100,0 2,0 9,2 100,0 0,5 4,0
C 200,0 4,0 18,4 200,0 0,5 8,0

Nota: Quando a corrente secundária nominal for diferente de 5A , os valores de


resistência, indutância e impedância das cargas nominais são obtidos multiplicando-

33
se os valores desta tabela pelo quadrado da relação entre 5A e a corrente
secundária nominal.
Para um transformador de corrente, a carga secundária representa o valor
Ôhmico das impedâncias formadas pelos diferentes aparelhos ligados a seu
secundário, incluindo-se aí os condutores de interligação.
Por definição, carga secundária nominal é a impedância ligada aos terminais
secundários do TC, cujo valor corresponde à potência para a exatidão garantida,
corrente nominal.

Considerando um TC C200, a impedância de carga nominal é de:

Ptc 200
Zs   2  8
I s2 5 (11)

Deve-se frisar que, quando a corrente secundária nominal é diferente de 5 A,


os valores das cargas devem ser multiplicados pelo quadrado da relação entre 5A e
a corrente secundária nominal correspondente, para se obter os valores desejados
dos referidos parâmetros.
A carga dos aparelhos que devem ser ligados aos transformadores de
corrente tem que ser dimensionada criteriosamente para se escolher o TC de carga
padronizada compatível. No entanto, como os aparelhos são interligados aos TC's
através de fios , normalmente de grande comprimento, é necessário calcular-se a
potência dissipada nesses condutores e soma-las a potência dos aparelhos
correspondentes. Assim a carga de um transformador de corrente , independente de
ser destinado à medição ou a proteção, pode ser dada pela equação:

Ctc   Cap  Lc  Zc  I s2 (VA) (12)

Onde:

Σcap = Soma das cargas correspondentes às bobinas de corrente dos aparelhos


considerados, em VA;
Is = Corrente nominal secundária , normalmente igual a 5A;
Zc = Impedância do condutor , em Ώ/m ;
Lc = Comprimento do cabo condutor , em metros.

3.5 - Fator de sobrecorrente:

Também denominado fator de segurança, é o fator pelo qual se deve


multiplicar corrente nominal primária do TC para se obter a máxima corrente no seu
primário até o limite de sua classe de exatidão. A NBR 6856/81 especifica de
sobrecorrente para serviço de proteção em 20 vezes a corrente nominal.
Como já se comentou anteriormente, quando a carga ligada a um
transformador de corrente for inferior à carga nominal deste equipamento, o fator de
recorrente é alterado sendo inversamente proporcional à referida carga.
Conseqüentemente , a proteção natural que o TC oferecia ao aparelho fica
prejudicada.

34
A equação abaixo fornece o valor que assume o fator de sobrecorrente, em
função da entre a carga nominal do TC e a carga ligada ao seu secundário:
Cn
F1   Fs
Cs (13)

Onde:

Cs- Carga ligada ao secundário, em VA;


Fs- Fator de sobrecorrente nominal ou de segurança;
Cn- Carga nominal, em VA.

Desta forma, a saturação do transformador de corrente só ocorreria para o


valor de F1 superior a Fs(valor nominal), o que submeteria os aparelhos a urna
grande intensidade de corrente. Algumas vezes, é necessário inserir uma resistência
no circuito secundário para elevar o valor da carga secundária do TC, quando os
aparelhos a serem ligados assim o exigirem, o que não é muito comum, já que eles
suportam normalmente 50 vezes a sua corrente nominal por segundo.

3.6 - Corrente de magnetização:

Corrente de magnetização é a que circula no enrolamento primário do


transformador de corrente como consequência do fluxo magnetizante do núcleo.
A curva de magnetização dos transformadores de corrente fornecida pelos
fabricantes permite que se calcule, entre outros parâmetros, a tensão induzida no
seu secundário e a corrente magnetizante correspondente.
De acordo com a gráfico 1, que representa a curva de magnetização de um
transformador de corrente para serviço de proteção, a tensão obtida no joelho da
curva é aquela correspondente a uma densidade de fluxo B igual a 1,5 tesla (T), a
partir da qual o transformador de corrente entra em saturação. Deve-se lembrar que
1 tesla é a densidade de fluxo de magnetização de um núcleo, cuja seção é de 1 m2
e através da qual circula um fluxo ~ de 1 weber (W). Por outro lado, o fluxo
magnético representa o número de linhas de força magnética, emanando de uma
superfície magnetizada ou entrando na mesma superfície. Resumindo o
relacionamento destas unidades, tem-se:
Figura/Gráfico 1 – Curva de magnetização.
Fonte: http://paginas.fe.up.pt/maquel/AD/TCorrmag.pdf

A corrente de magnetização varia para cada transformador de corrente,


devido à não-linearidade magnética dos materiais de que são constituídos os
35
núcleos. Assim, à medida que cresce a corrente primária, a corrente de
magnetização não cresce proporcionalmente, mas, segundo uma curva dada no
gráfico 2, é tornada como ordem de grandeza.
Figura/Gráfico 2 – Ordem de grandeza.
Fonte: http://paginas.fe.up.pt/maquel/AD/TCorrmag.pdf

Os TC's destinados ao serviço de proteção, por exemplo, que atingem o início


da saturação a 20 x In, ou a 1,5 T, segundo a curva da característica, devem ser
projetados para, em operação nominal, trabalhar com uma densidade magnética
aproximadamente igual a 0,075 T. Quando não se consegue uma chapa de ferro-
silício que trabalhe a corrente nominal primária com um valor de densidade
magnética igual ou inferior a 1/20 do valor da densidade magnética de saturação, é
necessário utilizar reatores não-lineares em derivação com os terminais de carga.
Logo, neste caso, a corrente deduzida da carga é igual à corrente de magnetização
mais a corrente que flui pelo reator em derivação.
É importante observar que um transformador de corrente não deve ter o seu
circuito secundário aberto, estando o primário ligado à rede. Isso se deve ao fato de
que não há força desmagnetizante secundária que se oponha à força magnetizante
gerada pela corrente primária, fazendo com que, para correntes elevadas primárias,
todo o fluxo magnetizante exerça sua ação sobre o núcleo do TC, levando-o à
saturação e provocando uma intensa taxa de variação de fluxo na passagem da
corrente primária pelo ponto zero e resultando numa elevada força eletromotriz
induzida nos enrolamentos secundários. Nesse caso, a corrente de magnetização do
TC assume o valor da própria corrente de carga. Logo, quando os aparelhos ligados
aos TC's forem retirados do circuito, os terminais secundários devem ser curto-
circuitados. A não-observância deste procedimento resultará em perdas Joule
excessivas, perigo iminente ao operador ou leiturista e alterações profundas nas
características de exatidão dos transformadores de corrente.
A permeabilidade medição é muito elevada, magnética, em torno de 0,1 ,
entrando o TC em processo de saturação a partir de 0,4 T.
Estes valores de permeabilidade magnética se justificam para reduzir ao
possível a corrente de magnetização, responsável direta, como já se observou ,-
pelos erros introduzidos na medição pelos TC's. A permeabilidade magnética
caracteriza pelo valor da resistência ao fluxo magnético oferecido por um
determinado material submetido a um campo magnético. Claro que, quanto maior for
a permeabilidade magnética menor será o fluxo que irá atravessar o núcleo de ferro
TC, e, consequentemente, menor será a corrente de magnetização.

36
Já os transformadores de corrente destinados ao serviço de proteção
apresentam um núcleo de baixa permeabilidade quando comparada com os TC`s de
medição, permitindo a saturação somente para uma densidade de fluxo magnético
elevada, conforme se pode constatar através da curva do gráfico 3.

Figura/Gráfico 3 – Densidade de Fluxo Magnético.


Fonte: http://paginas.fe.up.pt/maquel/AD/TCorrmag.pdf

3.7 - Tensão secundária:

A tensão nos terminais secundários dos transformadores de corrente está


limitada pela saturação do núcleo. Mesmo assim7 é possível o surgimento de
tensões elevadas secundárias quando o primário dos TC's é submetido a correntes
muito altas ou existe acoplada uma carga secundária de valor superior à nominal.
Quando a onda de fluxo senoidal está passando por zero, ocorrem momento
os valores mais elevados de sobretensão, já que neste ponto se verifica máxima
taxa de variação de fluxo magnético no núcleo. A equação abaixo permite que se
calcule a força eletromotriz induzida no secundário do TC em função impedâncias da
carga e dos enrolamentos secundários do transformador de corrente.

Es  Ics Rc  Rtc    Xc  Xtc 


2 2
Volts (14)
Onde:

Ics- corrente que circula no secundário, em A;


Rc- resistência da carga, em Ώ;
Rtc -resistência do enrolamento secundário do TC, em Ώ;
Xc - reatância da carga, em Ώ;
Xtc - reatância do enrolamento secundário do TC, em Ώ.

Os valores das resistência e reatância das cargas padronizadas secundárias


,dos transformadores de corrente já foram dadas, enquanto as resistência reatância
dos enrolamentos secundários podem ser obtidas a partir dos ensaios laboratório,
cujos valores variam em faixas bastante largas. Como ordem de grandeza a
resistência pode variar entre 0,150 e 0,350 Ώ. Já a reatância também em ordem de
grandeza tem valores entre 0,002 e 1,8 Ώ.

37
Como se pode observar através da Tabela abaixo, a tensão nominal pode ser
obtida retamente, em função da carga padronizada do TC e que é resultado do
produto sua impedância pela corrente nominal secundária e pelo fator de
sobrecorrente, seja:

VS = Fs X Zc X Is (15)

Fs-fator de sobrecorrente, padronizado em 20.

Tabela 3 – Fator de sobrecorrente.


CURVA TENSÃO TC NORMALIZADO PARA
(VA) SECUNDÁRIA PROTEÇÃO
(V) CLASSE A CLASSE B
C 2,5 10 A10 B10
C5 20 A20 B20
C 12,5 50 A50 B50
C 25 100 A100 B100
C 50 200 A200 B200
C 100 400 A400 B400
C 200 800 A800 B800

Designação de um TC

Neste ponto já é possível identificar os transformadores de corrente através


parâmetros elétricos básicos. Dessa forma, a NBR 6856/81 designa um TC de
serviço de proteção, colocando em ordem a classe de exatidão, a classe quanto
reatância e a tensão secundária para 20 vezes a corrente nominal. Como exemplo,
transformador de corrente C1OO, de alta reatância, para uma classe de exatidão
de10% é designado por: 10A400.
Já os TC's destinados ao serviço de medição são designados pela classe de
exatidão e pela carga secundária padronizada. Como exemplo, um transformador de
corrente para servir uma carga do 20 VA, compreendendo os aparelhos e as perdas
nos fios de interligação e destinados à medição de energia para fins de faturamento,
é designado por: 0, 3C25.

Fator térmico nominal

É aquele em que se pode multiplicar a corrente primária nominal de um para


se obter a corrente que pode conduzir continuamente, na freqüência e com cargas
especificadas, sem que sejam excedidos os limites de elevação de temperatura
definidos por norma. A NBR 6856/81 especifica os seguintes fatores térmicos
nominais: 1,0 - 1,2 - 1,3 - 1,5 - 2,0.

3.8 - Corrente térmica nominal

É o valor eficaz da corrente primária de curto-circuito simétrico que o TC pode


suportar por um tempo definido, em geral, igual a 1 5, estando com o enrola monto

38
secundário em curto-circuito, sem que sejam excedidos os limites de elevação do
temperatura especificados por norma.

Fator térmico de curto-circuito

É a relação entre a corrente térmica nominal e a corrente nominal circula no


primário do transformador (valor eficaz) . É dado pela equação:

Iter
Ftcc 
Inp (16)

Onde:

Iter – corrente térmica do TC , em A;


Inp – corrente nominal primária, em A

Corrente dinâmica nominal

É o valor de impulso da corrente de curto-circuito assimétrica que circula no


primário do transformador de corrente e que este podo suportar, por um tempo
estabelecido de meio ciclo, estando os enrolamentos secundários em curto-circuito,
sem que seja afetado mecanicamente, em virtude das forças eletrodinâmicas
desenvolvidas.
Se as correntes circulantes são paralelas e de mesmo sentido, os condutores
se atraem,
Se as correntes circulantes são paralelas e de sentido contrário, os
condutores se repelem.
A corrente térmica é inferior inicial de curto-circuito inicial simétrica :

Idin = 2,5Iter (17)


3.9 - Tensão Suportável a Frequência Industrial:

Os transformadores devem ser capazes de suportar as tensões de ensai


discriminadas na tabela abaixo13:

Tabela 4 – Tensão e Frequência.


Tensão Tensão suportável Tensão suportável Tensão suportável
máxima do nominal nominal a nominal
equipamento de impulso freqüência industrial de impulso atmosférico
(kV) atmosférico Durante 1 minuto cortado
(kV crista) (kV eficaz)
NOTA A NOTA B ( Kv Ef) NOTA A NOTA B
0,6 **** **** 4 **** ****
1,2 **** **** 10 **** ****
7,2 40 60 20 44 66
15,0 95 110 34 105 121
25,8 125 150 50 138 165

39
38,0 150 200 70 165 220
48,3 250 250 95 275 275
72,5 325 350 140 357 385

A - Grandezas a que é referido o isolamento, nas condições previstas na NBR


5855/8114.
B- Para os sistemas que satisfaçam as condições do anexo b da NBR 6856/81 12.

Polaridade

Os transformadores de corrente destinados ao serviço de medição de


energia, relés de potência, fasímetros etc. são identificados nos terminais de ligação
primário e secundário por letras convencionadas que indicam a polaridade para a
qual foram construídos e que pode ser positiva ou negativa.
São empregadas as letras, com seus índices, P1, P2 e S1, S2,
respectivamente, para designar os terminais primários e secundários dos
transformadores de corrente.
Diz-se que um transformador de corrente tem polaridade subtrativa, por
exemplo, quando a onda de corrente, num determinado instante, percorre o primário
de P1 para P2 e a onda de corrente correspondente no secundário assume a
trajetória de S1 para S2. Caso contrário, diz-se que o TC tem polaridade aditiva.
A maioria dos transformadores de corrente tem polaridade subtrativa, sendo
inclusive indicada pela NBR 6856/81. Somente sob encomenda são fabricados
transformadores de corrente com polaridade aditiva.
Construtivamente, os terminais de mesma polaridade vêm indicados no TC
correspondência. A polaridade é obtida orientando o sentido de execução do
enrolamento secundário em relação ao primário, de modo a se conseguir a
orientação desejada do fluxo magnético.

4 - Transformadores Ópticos:

Ressalto primeiramente que a maioria das informações contidas neste


capitulo foram retiradas de algumas teses encontradas na biblioteca virtual da USP.
Às referências bibliográficas podem dar maior sustentabilidade para as informações.
Os transformadores para instrumentos (TIs) são equipamentos essenciais na
realização das funções de medição e de proteção nos sistemas elétricos de
potência. Por meio deles podem-se medir, com segurança, os elevados valores de
tensão e de corrente utilizados na produção, transmissão e distribuição de energia
elétrica e, assim, fornecer as informações necessárias para faturamentos de
demanda, consumo de energia e também para a atuação com precisão dos
sistemas de proteção, garantindo um funcionamento mais seguro dos equipamentos,
subestações e linhas de transmissão a que estão associados.
Os TIs convencionais, baseados em transdução eletromagnética por
acoplamento indutivo entre enrolamentos montados sobre núcleos ferro-magnéticos
e/ou em divisores capacitivos, apesar de terem seu uso consagrado há décadas,
continuam apresentando problemas não resolvidos em termos de linearidade,
resposta harmônica, resposta transitória, saturação, segurança, precisão, etc. O
mau funcionamento dos TIs nos sistemas de proteção pode provocar tanto atuações

40
indevidas como falhas de atuação, acarretando, em ambos os casos, prejuízos à
concessionária ou a terceiros, podendo, ainda, gerar danos materiais e/ou pessoais.
Quando os transformadores de corrente (TCs) ou de potencial (TPs) estão
instalados em sistemas de medição a serviço do faturamento e não funcionam com
a precisão necessária, milhares ou milhões de reais podem ser perdidos por ano,
seja por quem fornece a energia, seja por quem a consome. Há, portanto, interesse
em alternativas tecnológicas que permitam reduzir ou eliminar tais problemas.
Uma alternativa real nesse sentido, surgida já há alguns anos, são os
Transformadores para Instrumentos (TI) não convencionais a fibras ópticas, ou
simplesmente TIs ópticos, que apresentam desempenho muito superior a dos TIs
convencionais, tanto em termos de confiabilidade quanto de precisão. A tecnologia
utilizada nos TIs ópticos já está consolidada, como atestam diversos estudos
publicados a este respeito (ver referência 15).
A comercialização destes equipamentos é feita desde o ano 2000, uma vez
que vários fabricantes vêm transformando em produtos diversos resultados de
pesquisas e oferecendo ao mercado equipamentos baseados em tecnologias
inovadoras, como a óptica, que podem desempenhar as funções dos TIs
convencionais, com vantagens, sem apresentar os problemas anteriormente
encontrados.
No entanto, a aplicação desses novos equipamentos nos sistemas elétricos
de alta tensão encontra algumas dificuldades técnicas de integração e barreiras
culturais de aceitação, o que tem retardado o início de seu uso pelas
concessionárias brasileiras. Em vista disso, considerou-se relevante estudar as
viabilidades técnica e econômica da aplicação dos TIs ópticos no sistema elétrico
nacional em substituição aos TIs convencionais.
4.1 - Transformador de Potencial Óptico:

Apresentaremos neste tópicos TP Ópticos baseados no efeito Pockels, que


por sua vez é baseado no fenômeno de birrefringência.
Um material anisotrópico é considerado birrefringente quando um feixe de luz
retratado por esse material é divido em duas partes, ou seja, em caso de emissão de
apenas um feixe de luz, se este colidir com um material birrefringente teremos de
encontrar então um feixe duplo após a colisão. Material anisotrópico é aquele que
cujas propriedades ópticas não são idênticas em todas as direções.
Se um feixe de luz linearmente polarizado, passa por um material
birrefringente com direção de polarização intermediaria às dos eixos lento e rápido,
que representam os eixos de mínimo e máximo índice de refração do material, suas
componentes sofrem atrasos de fases distintos e ele emerge do material com uma
polarização elíptica.15
Quando um campo elétrico é aplicado a um material eletro-óptico pode
ocorrer o aparecimento de birrefringências eletricamente induzidas pelos efeitos
eletro-ópticos linear (efeito Pockels) ou quadrático (efeito Kerr). Nessas
circunstancias, quando a luz polarizada atravessa o material, há uma alteração do
aspecto da elipse de polarização e, em consequência, o atraso relativo entre as
fases das componentes da onda optica varia modulada pelo campo elétrico aplicado.

41
Figura 29 - Exemplo de birrefringência da luz. 15
O campo elétrico pode ser aplicado nas direções longitudinal ou transversal à
da propagação da luz. Para cada situação podemos aplicar uma diferença de
potencial no Cristal Eletro-Optico, e assim polarizar o feixe de luz. Na figura 30
segue imagens para exemplificar:

15
Figura 30 - Modulador Electro-óptico para configuração longitudinal

Figura 31 - Modulador eletro-óptico na configuração transversal. 15

A figura 32 apresenta a vista em corte de um transformador de potencial


optico. Ao lado dessa figura é descrito sucintamente o funcionamento desse
42
sistema, sendo que os números dos itens correspondem aos números indicados na
figura 32.15

Figura 32 - Vista em corte de um TP ótico 15

43
Porem pode-se citar outra possibilidade para se medir um valor de tensão
com TP’s opticos em sistemas de alta tensão. Nesse caso, em um mesmo TI são
medidos os valores da corrente e da tensão. A corrente é medida através de um
MOCT e a tensão através de um EOVT (Electro-Optic Voltage Transducer –
transdutor de tensão eletro-óptico). Abaixo segue figura 33 de um EOVT montado no
interior de um isolador.

Figura 33 - Vista em corte de um EOVT. 15

A figura 34 representa de forma esquemática um EOVT. Cabe salientar que,


nesse caso, é utilizado apenas um cristal eletro-óptico. 15

44
Figura 34 - Esquema representativo de um EOVT. 15

4.2 - Transformador de Corrente Óptico:

Apresentaremos neste tópico os TCs ópticos baseados no efeito Faraday.


Para que se manifeste o efeito Faraday, primeiramente, é necessário que o
sensor, constituído por um material magneto-óptico, esteja submetido a um campo
magnético. Quando um feixe de luz linearmente polarizado se propaga através

Figura 35 - Simulação do Efeito Faraday 15

45
desse sensor numa direção paralela à do campo, ocorre uma rotação do plano de
polarização da luz proporcional à intensidade do campo magnético aplicado.
A figura 35 apresenta como deve funcionar conceitualmente o efeito Faraday.
Lembrando que tanto a luz transmitida, quanto a luz incidente são linearmente
polarizadas e θf é o ângulo de rotação do plano de polarização. O efeito Faraday é
aquele quando temos um feixe de luz incidente num material magneto-optico
exposto a um campo magnético, tal exposição faz com que a orientação do feixe de
luz seja alterado.
Vale ressaltar que esta variação da orientação do feixe de luz depende da
intensidade do campo magnético que o mesmo esteve exposto. Portanto, isto nos
leva a uma conclusão, num condutor que possui uma corrente constante, tem um
campo magnético ao seu redor atuando, pois então, este faz com que o feixe de luz
emitido mude de orientação. Assim pode-se determinar corrente aplicada ao
condutor. Maiores detalhes a seguir.

O valor de θf pode ser calculado através da expressão:

Θf = B.V.L (18)

Sendo B o módulo da densidade de fluxo magnético que o feixe esta sendo


exposto, V é a constante de Verdet (uma característica do material magneto-óptico
utilizado) e L é o comprimento de interação do feixe de luz com o campo magnético
no meio magneto óptico.
Segundo informações encontradas na dissertação de Dorival Lima da
Universidade de São Paulo, temos então duas formas comuns para a construção de
transformador de corrente óptico.
A primeira é apresentada na figura 36, onde o sensor óptico é constituído por
uma fibra optica especial que é enrolada algumas vezes ao redor do condutor que
conduz a corrente a ser medida, tal que, irá então gerar um campo magnético ao
seu redor, e assim utilizar-se do efeito Faraday ressaltado anteriormente. Uma
descrição sucinta do funcionamento deste dispositivo esta ao lado da figura 36,
sendo que os números dos itens correspondem aos números indicados na figura 36.

46
Figura 36 - Vista em corte de um transformador de corrente óptico 15

A outra forma construtiva de TCs ópticos é apresentada na figura 37. Como


ilustrado na figura 37, o sinal luminoso emitido pelo LED é transportado por fibras
ópticas e polarizado antes de entrar num cristal, que é instalado na parte superior do
TC óptico. Esse feixe de luz circula por dentro do cristal e, quando sai, passa por um

47
analisador. Após sair do analisador, o sinal luminoso é novamente transportado por
fibra ótica até o módulo eletrônico onde é convertido em sinal elétrico e amplificado.
15

Figura 37 - Sistema de medição de corrente em um TC Optico. 15

Na figura 38 pode-se observar a montagem física de um sensor de Faraday em um


MOCT (Magneto Optic Current Transformer – transformador de corrente óptico-
magnético) de fabricação da ABB. Nesse caso, o sensor de Faraday está instalado
dentro de um invólucro de fibra de vidro.

Figura 38 - Vista da Montagem de um MOCT. Fonte: Dorival K Lima.


48
4.3 - Análise Comparativa Técnica dos Tis ópticos:

Neste tópico apresentaremos uma comparação técnica dos Tis ópticos com
os TIs convencionais, com a finalidade de apresentar algumas das características e
vantagens ou não do equipamento óptico.
A construção de novas subestações ou ampliações das existentes implica em
prever área disponível para instalação dos equipamentos. Em muitos locais, a
aquisição do terreno pode ter um custo significativo no projeto.
Outro problema enfrentado pelas empresas do setor elétrico é a substituição
dos disjuntores antigos. Muitos desses equipamentos possuem, incorporados em
sua estrutura, TCs de bucha, sendo que não há espaço físico disponível no
local para instalar conjuntos de novos TCs.
Os TIs ópticos são mais leves que os TIs convencionais podendo ser
instalados na posição horizontal ou até mesmo invertidos (de cabeça para baixo) e
fixados nas estruturas das subestações. Não é obrigatória a construção de bases
de concreto e confecção de suportes para instalar os TIs ópticos.
Com a finalidade de se verificar o quanto mais leves os TIs ópticos são
do que os convencionais, foi feita pesquisa em catálogos de quatro fabricantes
de TIs convencionais e ópticos a respeito da massa desses equipamentos. As
tabelas de 5 a 11 apresentam os valores obtidos.
As tabelas 5 a 11 foram retiradas da dissertação de Dorival K. Lima [2009] 15,
da Universidade de São Paulo (USP).
Tabela 5 – Massa em Kg dos TIs ópticos do fabricante A. 15

Tabela 6 - Massa em Kg dos TIs convencionais do fabricante B. 15

Tabela 7 - Massa em Kg dos TIs convencionais do fabricante C. 15

Tabela 8 - Massa em Kg dos TIs convencionais do fabricante C.


Isolados em SF.15

49
Tabela 9 – Massa em Kg de TIs ópticos do fabricante C. 15

Tabela 10 – Massa em Kg dos TIs convencionais do fabricante D. 15

Para fazer um comparativo entre as massas dos Tis ópticos com as dos
convencionais, foram adotados, como referência para os ópticos, os equipamentos
do fabricante A, que apresenta Tis nas principais classes de tensão.
As massas dos Tis convencionais foram calculadas através da média das
massas dos equipamentos dos fabricantes B, C e D. Lembrando que estas
informações foram listadas e apresentadas por Dorival K Lima 15 na sua tese de
Mestrado pela USP.
A partir dos dados das tabelas 5 a 10, foram criados o gráfico 4, que
apresenta o comparativo entre as massas dos TCs ópticos e convencionais, e o
gráfico 5, que compara as massas entre os TPs ópticos e os convencionais.15

Figura/Gráfico 4 – Comparativo de massa entre TC ópticos e convencionais. 15

50
Figura/Gráfico 5 – Comparativo de massa entre TP’s ópticos e convencionais. 15

Pelos gráficos acima, observa-se que as diferenças de massas entre os TCs


ópticos e os convencionais são muito grandes. Por exemplo, para os equipamentos
da classe de 420 kV, a diferença é de 1.433,33%. Nos casos dos TPs, na mesma
classe de tensão, a diferença é de 171,80%.
Apesar da diferença de massa entre TPs ópticos e convencionais ser
considerável, nota-se que essa diferença não é tão grande como no caso da
comparação entre TCs ópticos e convencionais. Uma possível causa da diferença
de massa entre os TPs das duas tecnologias ser menor é o seu aspecto construtivo.
Enquanto os TCs ópticos do fabricante A utilizam isoladores poliméricos, de
diâmetro, os TPs ópticos do mesmo fabricante possuem a coluna do isolador de
diâmetro semelhante aos dos Tis convencionais. Isso é necessário para possibilitar
a montagem da célula Pockels no interior do isolador.
Tabela 11 – Volume de óleo (em litros) em TCs convencionais do fabricante C. 15

Tabela 12 – Relação entre pesos óleo/total dos TCs do fabricante C. 15

Para elucidar a contribuição do óleo isolante na massa dos TCs


convencionais iremos apresentar na tabela 7 e 8 alguns dados relativos. A primeira
apresenta o volume de óleo (em litros) dos TCs do fabricante C, enquanto que a
outra, para um outro modelo de TC do mesmo fabricante, informa a massa do óleo
para cada nível de tensão e a participação do óleo na massa total dos
equipamentos.

51
A figura 39 é um exemplo de instalação de TCs ópticos de 138 kV instalados
na Trans Alta Utilities (Canadá) na posição horizontal. Já na figura 40, os TCs
instalados na posição invertida são de 362 kV e foram instalados em subestação da
Commonwealth Edison (Chicago, USA).

Figura 39 - TCs ópticos de 138 kV instalados na posição horizontal.


Fonte: Dorival K Lima. 15

Figura 40 - TCs ópticos de 362 kV instalados invertidos. Fonte: Dorival K Lima 15

52
4.4 – Facilidade de manutenção e maior segurança:

Ao longo dos últimos anos, as empresas têm reduzido o quadro de pessoal


em todos os seus departamentos. As equipes de manutenção não escaparam desse
processo e, em alguns casos, o seu quadro foi reduzido ao mínimo possível.
Os Tis ópticos demandam menos necessidade de manutenção dos que os
convencionais, pois ela praticamente limita-se a inspeções visuais e com
termovisores para detectar pontos quentes.
Os Tis convencionais, além das inspeções já descritas acima, também
necessitam de que, periodicamente, seja feita a coleta de óleo para análise e,
posteriormente, é necessária a sua reposição.
Os Tis ópticos apresentam um melhor nível de segurança do que os
convencionais tanto para as pessoas como para as instalações.
Devido a baixa tensão entregue nos terminais secundários dos Tis ópticos,
temos uma redução abrupta de acidentes envolvendo a abertura de secundários dos
Tis, pois, no caso dos convencionais, temos um grande potencial que se forma entre
os terminais secundários.
Outro fator de segurança muito importante é a não utilização de óleo nos TIs
ópticos, pois, nos convencionais, no caso de um vazamento ou de até mesmo um a
explosão, podem haver danos ao meio ambiente e também aos próprios
operadores/pessoas que estiverem perto do transformador. O óleo do transformador
trabalha em alturas altíssimas no sistema de isolamento.

4.5 - Elevada precisão:

Neste aspecto os TIs ópticos também são superiores, pois possuem maior
precisão de medição que os TIs convencionais. Serão apresentados abaixo alguns
gráficos retirados da dissertação de Dorival K Lima (USP)15.

Figura 41 - Resultados dos ensaios de precisão de um TC óptico.


Fonte: Dorival K Lima.15

Pesquisa realizada por Carvalho et al. (2007) com transdutor de corrente


óptico do tipo laço sensor flexível, apresentou uma exatidão compatível com os
melhores TCs utilizados em campo de classe 0,3 ou melhor. A figura 41 apresenta

53
os resultados dos ensaios de precisão de um TC óptico para correntes primárias
entre 2 e 3600 A.
As linhas vermelhas na figura 41 indicam os limites da classe de precisão
0,2S determinada pela IEC 60044-8 e as barras azuis ao redor dos pontos indicam a
incerteza das medições realizadas.
Mais alguns ensaios com TPs ópticos de 230kV realizados estão expostos no
gráfico da figura 42. Com o valor da saída variando de 3 kV a 350 kV. Observa-se
também que os TPs ópticos tem precisão dentro da classe de 0,2%.
Ensaios de perturbação de campo elétrico, também foram realizados por
Chavez, Rahmatian e Jaeger (2011), colocando-se objetos metálicos próximos ao
TP óptico. Como resultado destes ensaios, não houve alteração da precisão do TP
óptico. O TP óptico ensaiado na ocasião pssuia saída analógica e um equipamento
eletrônico instalado no laboratório fornecia a saída digital.

Figura 42 - Resultados de um ensaio de precisão de um TP óptico.


Fonte: Dorival K lima.

Observando-se as figuras 41 e 42, nota-se que tanto os TCs ópticos como os


TPs ópticos, podem atender a uma classe de precisão melhor que os convencionais.
Quanto melhor for a precisão dos TIs, menores serão os erros nas medições, o que
poderá afetar positivamente o resultado financeiro das concessionarias.

54
4.6 - Estimativas do prejuízo devido a falhas de um TI:

No item anterior, foram apresentados alguns índices de falhas dos TIs e


algumas de suas causas. No presente item será feita uma breve análise dos
prejuízos que a falha de um TI pode causar para uma empresa do setor elétrico.
A ANEEL disponibiliza, em seu site, cartilhas orientativas ao consumidor
sobre a composição da tarifa de energia elétrica. Nessas cartilhas, a ANEEL
(2006) informa que, no ano de 2005, a tarifa média no Brasil era de R$
304,60/MWh. Esse valor possuía a seguinte composição:

Encargos e tributos : R$ 104,93/MWh (ou 34,44%) ;


Geração : R$ 93,74/MWh (ou 30,77%);
Distribuição : R$ 84,58/MWh (ou 27,76%);
Transmissão : R$ 21,35/MWh (ou 7,01%).

Pelos valores acima, pode-se observar que as empresas de distribuição,


por exemplo, ganharam em média R$ 84,58/MWh vendido, que corresponde a
27,76% da tarifa final paga pelo consumidor (R$ 304,60/MWh).
Considere-se o caso hipotético de uma planta de geração de energia elétrica
composta de 4 unidades geradoras (UGs) de 100 MW cada. A explosão, seguida
de incêndio, de um transformador de corrente instalado no —bay“ da UG- 02, por
exemplo, pode também danificar os equipamentos instalados próximo ao TC que
falhou.
No caso dos equipamentos adjacentes não terem sido danificados, sendo
necessária apenas a substituição do TC que explodiu, pode-se estimar que nas 12
primeiras horas após o acidente, as 4 UGs ficariam paradas par a controle do
incêndio e verificação dos danos causados.
Após esse tempo, se constatado que não houve danos aos
equipamentos e cabos instalados nos —bays“ das UGs 01, 03 e 04, essas
UGs poderiam retornar à operação normal, enquanto seriam necessárias, em
média, mais 24 horas para substituição do TC da UG-02.
Dessa maneira, a planta deixaria de gerar um total de 7.200 MWh o que
representa uma perda de R$ 674.928,00.
Nesta avaliação não estão considerados os custos da mão-de-obra e do
equipamento.
Afinal, quanto esse valor de R$ 674.928,00 representa para essa
geradora?
Se o regime de operação da usina fosse de produção de energia 24 horas
por dia, 365 dias no ano, na sua capacidade máxima (400 MW), ao final de um ano a
usina teria gerado 3.504.000 MWh.
Considerando o valor de R$ 93,74/MWh gerado, isso significa uma
receita bruta anual de R$ 328.464.960,00.
Dessa forma, a falha em TCs e TPs convencionais representaria uma perda
da ordem de 0,21% deste total. Percentualmente, o valor aparenta ser
irrisório, mas financeiramente o valor de R$ 674.928,00 é alto.
Considerando que as usinas não possuem o regime de operação citado,
já que necessitam parar para manutenções ou reduzir a geração para atender
o sistema elétrico de potência, e que a receita de R$ 328 milhões é bruta, ou seja,
é necessár io descontar todas as despesas da geradora, a participação
percentual de uma falha certamente será maior do que o 0,21% apresentado.

55
Evidentemente que este é o pior caso, mas, apesar da taxa de falhas ser
baixa, conforme indicado pelo estudo do CIGRE, elas existem e também há os
custos de manutenção que podem ser minimizados com o uso dos equipamentos
ópticos.
Também pode ocorrer da concessionária detectar, a tempo, um
problema no equipamento e executar a sua substituição antes de uma falha com
danos maiores. Nesse caso, haveria a necessidade de interromper a operação de
uma única unidade geradora, com programação prévia, minimizando, dessa
forma, o tempo de parada. Isso acarretaria um prejuízo menor. Um outro ponto
importante a ser considerado na análise é o fato das empresas geradoras terem
que cumprir os contratos de venda de energia. Há o risco de a geradora
precisar comprar, no mercado, a energia que deixou de fornecer.
As empresas de transmissão e distribuição também podem amargar
pesadas perdas financeiras.
Com a intenção de apresentar ao leitor uma ordem de grandeza dos prejuízos
financeiros que as concessionárias podem sofrer, foram pesquisadas, no site da
ANEEL, algumas penalidades pecuniárias aplicadas por essa agência.
Cabe lembrar que, segundo a resolução ANEEL 063/2004, art. 14, as
multas podem variar de 0,01% a 2% do valor do faturamento da empresa apurado
nos doze meses anteriores à lavratura do auto de infração, dependendo do grupo
em que se enquadra a infração.
Periodicamente a ANEEL publica o Boletim Energia, que traz informações
sobre o setor elétrico nacional. Através de pesquisa realizada em vários
números desse boletim (disponíveis no site da ANEEL), constatou-se que uma
concessionária foi multada em R$ 3 milhões por descumprir as metas anuais dos
indicadores de DEC e FEC; pelo mesmo motivo, uma outra empresa foi
multada em R$ 5,9 milhões. Também há multas superiores a R$ 4 milhões, devido a
interrupções no fornecimento de energia.
Apesar de nenhum dos relatos pesquisados terem tido o envolvimento
direto de TIs, é possível ter um parâmetro das consequências financeiras para
a concessionária caso haja falha do TI da instalação.

4.7 - Redução dos Custos de Manutenção:

Uma meta constantemente perseguida pelas empresas, independentemente


do ramo de atuação, é a redução dos seus custos operacionais.
As empresas que alcançam este objetivo obtém uma grande vantagem
competitiva frente à concorrência e um melhor retorno do investimento feito pelos
acionistas.
Nas empresas do setor elétrico, a realidade não é diferente. Por ser um setor
regulado pelo gover no, onde suas tarifas (e portanto as receitas) são
determinadas pelo agente regulador, a redução de despesas é sempre bem vista.
No estudo apresentado por Pena, Carvalho Júnior e Santos (2007),
consta que houve necessidade de substituir as câmaras de expansão de borracha
por outras metálicas nos TCs de 500 kV. Com o decorrer do tempo, as
câmaras de borracha deterioraram e passou a haver problemas de
contaminação do óleo isolante. As unidades que não passaram por essa adaptação
são constantemente inspecionadas e há necessidade também de coleta de óleo
para análise de teor de umidade e de realizar o ensaio de cromatografia
56
gasosa. A quantidade de equipamentos instalados que apresentou problema é
de aproximadamente 335 unidades.
Apesar de não terem sido apresentados valores, pode-se considerar que
existe um custo significativo para disponibilizar uma equipe que
constantemente precisa realizar, além das inspeções, a coleta do óleo desses TCs
para ser analisado. Em alguns modelos de TCs, após um determinado número de
coletas de óleo isolante, há necessidade de reposição do mesmo, sendo
necessário desenergizar o equipamento, interrompendo assim o fornecimento de
energia.
A desenergização do equipamento também é feita no ato da coleta do óleo
em algumas empresas. Lembrando que as empresas de transmissão são
penalizadas em função da indisponibilidade dos seus equipamentos, esse fato
afeta negativamente a receita das empresas.
Oliveira Jr. (2005) elaborou análise da viabilidade da substituição dos foles de
borracha por metálicos em TCs de 145 kV. Nesse estudo, concluiu-se que era mais
vantajoso substituir os foles existentes por outros novos de borracha ao invés de
usar foles metálicos.
O custo previsto para instalação de novos foles de borracha era,
aquela ocasião, de R$ 2.000,00, mais 2 (duas) horas de interrupção para realizar a
tarefa em campo.
Os TIs ópticos não utilizam óleo isolante e, dessa forma, não há
despesas e/ou preocupações com monitoração do equipamento, coleta de
amostra de óleo, substituição de foles (membranas) de borracha, interrupção o
fornecimento de energia e riscos ambientais.

4.8 - Influência da classe de exatidão na receita das empresas:

Um tipo de perda financeira que, muitas vezes, passa despercebida pelas


concessionárias é aquela causada pelo fato dos erros dos TIs ultrapassarem a sua
classe de exatidão.
A utilização intensiva dos TIs, por longos períodos de tempo, é um fator
preponderante na degradação do seu desempenho, podendo acarretar erros de
medição crescentes não visualizados por não serem monitorados e avaliados.
O uso de TIs mais precisos poderá trazer importantes benefícios
financeiros às concessionárias, tais como:

 redução de perdas de receita por faturamentos incorretos ocasionados por


degradação da precisão dos TIs convencionais a serviço da medição;
 redução dos custos com aferição de TIs pelos métodos tradicionais,
que exigem a retirada dos equipamentos e seu envio para laboratórios
acreditados;
 na operação do sistema, com a diminuição ou eliminação dos tempos
de interrupção dos barramentos para retirada e substituição dos TIs a
serem aferidos;
 na operação por redução do tempo de indisponibilidade dos equipamentos
que precisariam ser desligados para substituição dos TIs retirados para
aferição.

57
A substituição dos TIs convencionais por TIs ópticos de melhor classe de
precisão poderá melhorar o resultado financeiro das empresas sob dois aspectos:
diminuição das despesas operacionais e aumento das receitas.
Com a finalidade de ilustrar como a classe de exatidão pode influenciar
negativamente os resultados financeiros da concessionária, serão analisados
três cenários.
Num primeiro, considere-se que a concessionária possui uma subestação
de 69 kV, na qual está instalado um transformador de 60 MVA que alimenta
uma carga com fator de potência 0,92.
No caso da concessionária decidir por aferir os TIs de tal subestação, haverá
necessidade de retirada dos mesmos e de enviá-los a um laboratório que execute
esta atividade. Assim sendo, a empresa terá os seguintes custos:

 despesas com a mobilização da equipe de manutenção;


 despesas com o transporte dos equipamentos da concessionária
até o laboratório e vice-versa;
 despesas com os ensaios;
 perda de receita devido ao tempo em que a instalação ficou
desenergizada.

Além dos custos acima relacionados, há também os custos das equipes


envolvidas na preparação da programação do serviço a ser executado.
Para mensurar a perda de receita pela concessionária, pode-se estimar
que o tempo necessário para manobras de desligamento do barramento, retirada
dos TIs, inspeção das instalações, colocação dos TIs substitutos e manobras
para normalizar a subestação podem somar de 8 a 24 horas.
Considerando um preço estimado da energia de R$ 136,94/MWh (CCEE,
média de janeiro a dezembro de 2008 do valor do PLD), conclui-se que, para a
subestação com aquelas características (69 kV, 60 MVA e fator de potência de 0,92
na carga) o valor da energia não distribuída/transmitida é de R$181.418,11 no
período de 24 horas.

Uma segunda situação a ser analisada relaciona-se aos erros que


podem ser introduzidos pelos TPs e TCs na medição de faturamento das
empresas.
O exemplo numérico que será apresentado a seguir foi adaptado de
Medeiros Filho (1980, p. 165-166) e demonstrará a influência dos TIs nas leituras da
energia comercializada.
Seja a subestação anteriormente citada de 69 kV, 60 MVA e fator de potência
de 0,92 e que possua TIs com as seguintes características:

A) Transformador de corrente:

 Relação : 1000/5 A;
 Relação nominal (Kc) : 200;
 Fator de correção de relação (FCRc) : 0,998;
 Erro de fase ou ângulo de fase (ß) : +10 minutos.

B) Transformador de potencial:

58
 Relação : 69.000 / 115 V;
 Relação nominal (Kp) : 600;
 Fator de correção de relação (FCRp) : 0,996;
 Erro de fase ou ângulo de fase ( ) : -12 minutos.
Os valores lidos de potência ativa, tensão e corrente são
 Indicação do wattímetro (W) : 371 W
 Tensão lida (U) : 115 V;
 Corrente lida (I) : 4 A.

A figura 43, a seguir, adaptada de Medeiros Filho (1980, p. 166),


apresenta o diagrama fasorial das tensões e correntes descritas acima.

Figura 43 - Diagrama fasorial das tensões e correntes primárias e secundárias (sem escala) 15.

Segundo Medeiros Filho (1980, p. 165), para calcular a potência ativa exata
pode-se usar a seguinte equação:

𝑐𝑜𝑠𝜃
𝑃 = 𝑃′ 𝑥 𝐹𝐶𝑅𝑝 𝑥 𝐹𝐶𝑅𝑐 𝑥 (𝑐𝑜𝑠𝜃′) (19)

O valor medido da potência ativa é dado por:

P‘ = KcKpW (20)

59
Substituindo os valores na equação acima, obtém-se:

P‘ = 200 x 600 x 371 = 44.520 kW (21)

O valor de cosθ‘ é:
𝑊 371
𝑐𝑜𝑠𝜃 ′ = 𝑈2 𝑥 𝐼2 = = 0,80652173 (22)
115𝑥4

Então θ‘ = 36°24‘.

Da figura 23, tem-se que:

𝜃 = 𝜃 ′ + 𝛾 + 𝛽 = 32°24′ + 12′ + 10′ = 36°46′ (23)

ou seja,

cos θ = 0,80424573 (24)

O valor da potência ativa exata P, calculada pela eq.(19) será:

0,80424573
𝑃 = 44.520 𝑥 0,996 𝑥 0,998 𝑥 (0,80652173) = 44.128,35 𝑘𝑊 (25)

Dessa forma, conclui-se que a concessionária está pagando por


44.520kW (valor medido), mas está recebendo 44.128,35 kW (valor exato), ou
seja, há uma diferença de 391,65 kW ou de 0,8875% entre os valores
medido e exato.
Considerando que, em uma hora, a diferença será de 391,65 kWh, em
24 horas serão 9.399,60 kWh e, no final do ano, acumulará 3.430.854 kWh ou
3.430,85 MWh.
Ao preço de R$ 136,94/MWh, o prejuízo no final de 12 meses será de
R$ 469.820,60.
Se for considerada uma vida útil de 30 anos para um TI e que, após 10 anos
de uso, a degradação de sua precisão levasse a um aumento de erro de medição
de energia semelhante ao exemplo acima, o prejuízo acumulado nos últimos
20 anos de sua vida útil poderia chegar a R$ 9.396.412,00 por ponto de
medição. Esse é o caso menos grave, pois, para os TIs instalados do lado
da carga, o valor do MWh vendido pelas concessionárias de distribuição é maior.
Na verdade, uma combinação desfavorável de degradação de erros pode
levar a sub-faturar o consumidor (reduzindo a receita da concessionária) e a sobre-
faturar a concessionária pela empresa geradora (aumentando as despesas da
concessionária). Nesse pior caso, o prejuízo acumulado pode atingir várias
dezenas de milhões de reais. É claro que a combinação de erros pode
também ser favorável à concessionária, mas quanto maior o montante de energia
medido mais se justifica o uso de TIs com precisão maior e mais estáveis,
reduzindo o risco de elevados prejuízos operacionais como os do exemplo acima.

60
4.9 - Estimativa dos Custos de Aquisição dos TIs:

Uma pergunta que inevitavelmente surge em análises comparativas é


sobre o custo dos equipamentos. Qual o preço médio praticado no país de TIs
convencionais? Os TIs ópticos são muito mais caros que os TIs convencionais?
Primeiramente, para estimar os preços dos transformadores de corrente e
de potencial convencionais, foram utilizadas duas fontes de pesquisa.
A primeira fonte é o documento emitido pela Eletrobrás (2007a),
utilizado pela maioria das empresas do setor elétrico e conhecido como
Custos Modulares Eletrobrás.
A Eletrobrás, conforme informações disponíveis no site da empresa
(Eletrobrás, 2007b), é constituída pelas subsidiárias CHESF, Furnas, Eletrosul,
Eletronorte, CGTEE e Eletronuclear. A empresa possui ainda 50% da Itaipu
Binacional e também controla o CEPEL (Centro de Pesquisa de Energia Elétrica).
A tabela 13 apresenta os custos unitários de aquisição dos
transformadores para instrumentos, conforme classe de tensão, de acordo com os
Custos Modulares Eletrobrás.
Tabela 13 – Custos modulares de TI. 15

Outra fonte de pesquisa de preços de transformador es para


instrumentos foram os processos de licitação para sua aquisição.
Foram obtidos dados de quatro empresas, num total de 73 processos de
licitação, realizados entre os anos de 1999 e 2008. Desses, 44 processos
foram para aquisição de TCs e 29 para aquisição de TPCs e TPIs. A quantidade
total de equipamentos comercializados nesses processos de licitação é
apresentada na tabela 14.
Tabela 14 – Quantidade de TI comercializados nos processos de licitações. 15

A tabela 15 apresenta os valores médios (em R$) pagos pelas empresas por
equipamento e por classe de tensão.

61
Tabela 15 – Valores pagos pelos TIs convencionais. 15

Na tentativa de apurar o preço dos TIs ópticos, foram feitas consultas a


diversos fabricantes desses equipamentos sobre o seu custo. No ano de 2007,
apenas um deles, por telefone, informou um custo orientativo tanto dos TIs
convencionais como dos ópticos. A tabela 22 apresenta os custos dos TIs
convencionais. Quanto ao custo dos TIs ópticos, esse fabricante informou que
varia entre R$ 45.000,00 e R$ 60.000,00 para o nível de tensão variando de 72 a
500 kV.

Tabela 16 – Custos orientativos de TIs convencionais (valores em R$) 15

Outra fonte de comparação de preços entre TIs convencionais e ópticos é o


gráfico 4.

62
Figura/ Gráfico 6 – Comparativo dos custos entre TCs convencionais e ópticos. 15

5 - SISTEMA CARRIER – PLC (POWER LINE COMMUNICATION)

O PLC (do inglês Power Line Communication, aproximadamente


"comunicações através de linha de força") é a tecnologia que utiliza uma das redes
mais utilizadas em todo o mundo: a rede de energia elétrica16. A ideia desta

Figura 44 - Esquema de instalação do Sistema Carrier. 17

63
tecnologia não é nova. Ela consiste em transmitir dados e voz em banda larga pela
rede de energia eléctrica. Como utiliza uma infra-estrutura já disponível, não
necessita de obras numa edificação para ser implantada.
O princípio básico de funcionamento das redes PLC é semelhante ao
princípio que deu vida à tecnologia xDSL, ou seja, a segregação de frequências. A
energia elétrica convencional trabalha na casa dos 50 a 60 Hz, enquanto que os
dados são gerados na casa de 1 a 30 MHz. Como a separação de frequência é
bastante grande, ambos os sinais podem conviver harmoniosamente, no mesmo
meio. Com isso, mesmo se a energia elétrica não estiver passando no fio naquele
momento, a transmissão de dados não será interrompida.
A ideia de transmitir dados pela rede elétrica não é nova. Data da década de
1920 as primeiras patentes da American Telephone and Telegraph Company,
usando as redes trifásicas. Entretanto, transmitir uma grande quantidade de dados
(banda larga) é uma conquista muito mais recente, que veio com a proliferação da
internet e da necessidade cada vez maior de transmitir e receber um grande volume
de dados, em forma de áudio, vídeo e sinais multimídia.
Para exemplificar o modo de funcionamento, podemos dizer, em cima de uma
senóide da rede elétrica, insere-se um sinal com a informação a ser transmitida,
modulando a senóide. Este sinal composto (energia elétrica + dados) é enviado pela
rede elétrica. Na recepção, filtros e processadores de sinais são utilizados para
separar o que é energia elétrica do que é informação.

Figura 45 – Modulação da senóide. 18

64
Figura 46 – Filtros e processadores separam a informação da energia elétrica. 18

Principais Vantagens

Uma das grandes vantagens do uso da PLC é que, por utilizar a rede de
energia eléctrica, qualquer "ponto de energia" é um potencial ponto de rede, ou seja,
só é preciso ligar o equipamento de conectividade (que normalmente é um modem)
na tomada, e pode-se utilizar a rede de dados. Além disso, a tecnologia suporta
altas taxas de transmissão, podendo chegar até aos 200Mbps em várias frequências
entre 1,7 MHz e 30 MHz.

 Abrangência: a internet via rede elétrica chega a quase todas as residências do


país, onde há energia. Assim, seu o potencial de penetração é enorme,
podendo chegar a lugares onde hoje não existe banda larga pela linha
telefônica, por rede de TV a cabo ou, ainda, por rádio;

 Facilidade de implementação pois, a rede elétrica é a mais abrangente em


todos os países, e cobre 95% da população nacional.

 Reduz os gastos com instalação de infra-estrutura independente. Destaca-se


ainda a praticidade, pois é só ligar e conectar o cabo na rede;

 Alta taxa de transmissão podendo chegar a até 200 Mbps nas freqüências de
1,7MHz a 30MHz. A segurança também é um ponto importante: ao contrário da
rede Wi-Fi, onde um usuário pode tentar se aproveitar do sinal do próximo, no
PLC quem compartilha do mesmo "relógio", não tem como compartilhar a
conexão de rede, devido à criptografia com algoritmo DES de 56 bits. Os
eletrodomésticos podem também usar uma rede doméstica, com dispositivos
Ethernet, USB, wireless ou ponte de áudio, esta conectando o computador às
caixas de som, bastando comprar módulos PLC que inclusive já estão à venda.

65
Principais Desvantagens

Uma das grandes desvantagens do uso da PLC (ou BPL), é que qualquer
"ponto de energia" pode se tornar um ponto de interferência, ou seja, todos os outros
equipamentos que utilizam radiofrequência, como receptores de rádio, telefones sem
fio, alguns tipos de interfone e, dependendo da situação, até televisores, podem
sofrer interferência. A tecnologia usa a faixa de frequências de 1,7 MHz a 50 MHz,
com espalhamento harmónico até frequências mais altas. Outra desvantagem é o
facto de ser half-duplex sem esquecer que é um sistema de banda partilhada. Estas
duas características fazem com que o débito seja reduzido em comparação com
outras tecnologias. Em alguns países, existem movimentos e ações judiciais contra
a sua instalação.
Dentro e fora de casa, a rede eléctrica está sujeita a todo tipo de interferência
e ruídos gerados por fontes chaveadas, motores e até dimmers. Outro fator negativo
das redes eléctricas é sua oscilação: características como impedância, atenuação e
frequência podem variar drasticamente de um momento para o outro, à medida que
luzes ou aparelhos ligados à rede são ligados ou desligados. Além disso, se a
intenção for transmitir informação a longas distâncias, os transformadores de
distribuição são verdadeiras barreiras para a transferência de dados. Apesar de
permitirem a passagem de corrente alternada a 50 Hz ou 60 Hz com quase 100% de
eficiência, os transformadores atenuam seriamente outros sinais de maior
frequência.
Para atender às suas próprias necessidades, as distribuidoras de energia
eléctrica ocasionalmente criam soluções que fazem com que esses sinais contornem
ou até através sem os transformadores por meio de redes especiais de alta
frequência. Novas técnicas são capazes de recuperar sinais fortemente atenuados,
entretanto somente as grandes empresas têm acesso a essa tecnologia.
Outra desvantagem vem do fato de a PLC ser uma mídia compartilhada e
estruturada de modo paralelo. Assim, todas as casas ligadas numa mesma
subestação eléctrica compartilham a largura de banda disponível. Isso significa que
o desempenho da ligação pode variar de acordo com o número de pessoas que
estiverem navegando ou baixando arquivos simultaneamente.
Um dos grandes entraves que ainda existem para a ampla disseminação do
acesso à Internet para o público em geral é, sem dúvida, a falta de um meio de
transmissão de dados de baixo custo.
Até recentemente, a maioria dos esforços públicos e privados esteve
concentrada na montagem de uma grande infraestrutura de comunicação, capaz de
suportar o tráfego de informações na Internet por meio de grandes vias de dados, os
chamados backbones.
O passo seguinte consistiu em encontrar uma maneira simples e prática de
ligar individualmente cada usuário doméstico ou empresa ao "backbone" principal,
um trecho normalmente chamado de "the last mile" (a última milha) pelos
profissionais da área, isso até hoje tem sido feito utilizando infra-estruturas já
existentes, como redes telefónicas ou de TV a cabo. Entretanto, esses meios tem-se
concentrado em zonas urbanas — o que exclui residências de regiões afastadas ou
de difícil acesso, além de serem relativamente caros.

 Uma das grandes desvantagens da tecnologia é principalmente o sinal pode se


perder em distâncias muito longas devido à alta velocidade;

66
 Os fios de cobre podem interferir em alguns equipamentos eletroeletrônicos;

 Alguns aparelhos podem interferir na transmissão;

 Emendas, "T"s, filtros de linha, transformadores e o ligamento e desligamento


de eletrônicos na rede elétrica causam ecos do sinal, por criar pontos de
reflexão. Assim, pode haver corrupção dos dados.

6 - DIVISORES CAPACITIVOS DE POTENCIAL

Num sistema elétrico com tensões elevadas, a utilização do TP indutivo fica


construtivamente proibitivo devido à classe de isolação, que o torna muito grande e
pesado e consequentemente, muito caro.
O principio de funcionamento básico destes equipamentos foram explicados
interiormente em Transformadores.
Em sistemas com tensões acima de 138 kV, o divisor capacitivo de potencial
está sendo cada vez mais usado, principalmente por ser confiável em serviço e ter
baixo custo em relação aos TP´s convencionais além de possibilitar seu uso como
um elemento de conexão em sistemas de frequência de carrier.

Figura 47 - Divisor Capacitivo de Potencial. 19

Observando a figura 47, o divisor capacitivo de potencial (DCP) pode ser


definido como um projeto de um transformador de potencial onde um divisor de
tensão capacitivo tem seus terminais extremos conectados à tensão a ser
reproduzida e um transformador de potencial intermediário magnético, cuja
finalidade é ter enrolamento primário conectado a “taps” do divisor capacitivo de
tensão. O divisor capacitivo de potencial e o enrolamento primário do transformador
intermediário têm um ponto comum conectado a terra.

67
6.1 - Divisor de Tensão Capacitivo em Vazio:

Como mostrado na figura 48 abaixo, o divisor de tensão capacitivo (DTC) é


constituído por dois capacitores de capacitância Ca e Cb conectados em série com
suas perdas representadas pelas resistências série Ra e Rb, respectivamente. O
divisor de potencial é alimentado por uma fonte de tensão alternada V.

Figura 48 - Divisor de tensão capacitivo em vazio. 19

A relação entre a tensão V1 no último capacitor e a tensão primária V pode


ser dada pela equação:

(26)

6.2 - Divisor de Tensão Capacitivo com Carga:

A figura 49 mostra o divisor de tensão com uma carga de impedância Z pela


qual circula a corrente I. A relação entre a tensão de saída V2 e a tensão primária V
pode ser determinada pela equação:

(27)

Utilizando a expressão (27) do DTC em vazio, chegar-se na equação (28)


para o DTC com carga:

(28)

68
Figura 49 - Divisor de Tensão Capacitivo com Carga. 19

A equação (28) pode ser representada pelo diagrama equivalente da figura


50:

Figura 50 - Circuito Equivalente;19

Admitindo-se que Za e Zb têm ângulos iguais, a capacitância equivalente Ce


na figura 51 seguinte é a soma das capacitâncias componentes Ca e Cb.
A tensão V1 é a tensão sem carga, determinada somente pelas capacitâncias
Ca e Cb.

Figura 51 - Circuito Equivalente simplificado. 19

(29)

69
(30)

Com a definição das equações acima, podemos chegar na equação final que
representa o circuito equivalente simplificado do DTC:

(31)

A figura 52 mostra o diagrama fasorial do circuito. Na prática, as perdas nos


capacitores são muito pequenas e podem ser desprezadas (o ângulo de fase para a
impedância Za e Zb é muito próximo de 90o). Portanto, a queda de tensão Ze.I será
puramente capacitiva. Se a carga tem um ângulo de fase indutivo, o que ocorre
normalmente verificamos que a tensão V2 aumenta com a corrente de carga I e está
adiantada da tensão primária V de um ângulo γ .

Figura 52 - Diagrama Fasorial do Circuito Equivalente. 19

6.3 - Principio do Divisor Capacitivo de Potencial:

Com a ajuda de um transformador de potencial conectado, como mostrado na


figura 47, a carga secundária é tirada do divisor de tensão capacitivo em uma tensão
mais alta, reduzindo assim a corrente I.
Dessa maneira, a tensão V1 torna-se uma tensão intermediária, a qual, com a
ajuda do transformador, é reduzida a uma tensão secundária final.
Conhecendo-se o valor das capacitâncias do divisor de tensão, podemos
determinar a tensão intermediária V1 e a relação de transformação.
A indutância necessária para a compensação do divisor de tensão capacitivo
é normalmente incluída no transformador intermediário, consistindo das indutâncias
normais de dispersão dos enrolamentos do transformador e de uma indutância
adicional em série.
O circuito completo para um divisor capacitivo de potencial é mostrado na
figura 53, onde o transformador intermediário é representado de maneira
convencional, sendo R1 a resistência primária, L1 a indutância série, R2 e L2 a
resistência e a indutância secundárias referidas ao lado primário e Zm a impedância
de magnetização resultante da resistência Rm em paralelo com a indutância Lm. A

70
indutância série total L1 + L2 inclui as indutâncias normais de dispersão mais a
indutância adicional necessária para obter a compensação desejada da capacitância
equivalente Ce = Ca + Cb do divisor de tensão capacitivo. A impedância Z
representa a carga nos terminais secundários.

Figura 53 - Divisor Capacitivo de Potencial - Circuito Completo. 19

Foi visto que o divisor capacitivo de tensão é um equipamento transformador


de tensão, que usa um divisor capacitivo de tensão ligado entre fase e terra. Com
tensões de serviço acima de 69 kV torna-se mais econômico o uso de divisores
capacitivos de tensão, em vez de TP´s convencionais.
A figura 54 mostra um circuito simplificado de um DCP em cada fase da linha
de transmissão junto ao barramento da subestação, onde observamos que o TP é
energizado com uma tensão E2, bem menor que a tensão da linha.
Como já citamos, o DCP é um banco de capacitores em série e que este pode
ser usado como um divisor de tensão, para se utilizar um TP convencional com uma
tensão primária mais baixa que a tensão da linha de transmissão, bem como
aproveitar os capacitores para o acoplamento do Carrier, na transmissão e
recebimento de dados do sistema elétrico.

Figura 54 - Circuito Simplificado de um DCP. 19

Elt = Tensão de entrada


E2 = Tensão no primário

71
C1 e C2 = Capacitores
L = Indutor
TP = Transformador de potencial

Para um melhor entendimento do seu funcionamento e o acoplamento do TP


com o DCP, utilizamos um circuito equivalente como mostra a Figura 55. Este
circuito é obtido através do Teorema de Thévenin nos terminais A e B da Figura 54.
Para isso substituímos o sistema até esses pontos, por uma fonte de tensão e por
uma impedância. Assim, a tensão E2 entre os terminais A e B com o circuito aberto
será a tensão Thévenin VTh.

Figura 55 - Circuito Equivalente do DCP.

Utilizando o divisor de tensão tem-se:


𝑋𝑐2 𝐶1
𝑉𝑡ℎ = 𝐸2 = 𝐸𝑙𝑡 . 𝑋𝑐1+𝑋𝑐2 ou 𝑉𝑡ℎ = 𝐸2 = 𝐸𝑙𝑡 . 𝐶1+𝐶2 (32)

Para obtermos a impedância ZTh, basta definirmos a impedância vista pelos


terminais A e B com a fonte de tensão nula (curto-circuitada), ficando o conjunto de
capacitores C1 e C2 em paralelo:
𝑋𝑐1 .𝑋𝑐2 1
𝑍𝑡ℎ = 𝑋𝑐1+𝑋𝑐2 logo, 𝑍𝑡ℎ = 𝑗𝜔 .(𝐶1+𝐶2) (33)

72
7 – CONCLUSÕES

Quanto aos transformadores ópticos, podemos dizer que estes possuem um


grande potencial para substituir a tecnologia que é utilizada atualmente, pois estes
dispositivos além de mais eficazes, possuem uma vantagem também no seu peso,
que podem ser até 95% mais leves que os transformadores para instrumentos
convencionais, facilitando assim o seu manuseio, instalação e também a sua
manutenção.
O Power Line Communication será um grande avanço quando este entrar em
vigor, entretanto, ainda existem muitos adversidades que estão impedindo a
instalação desta tecnologia na sociedade. Devido a vários fatores físicos, como
interferências, e a difícil recuperação de dados. Além das adversidades físicas que
estão limitando este serviço, existe também os problemas políticos com as empresas
que entregam serviços de internet, tais que, estariam com o seu mercado
possivelmente prejudicados.
Os Divisores Capacitivos de Potencial possuem grande aplicação na
eletrotécnica, pois possibilitam a redução de custos e do peso de transformadores
de potencial. Isto comprova também a preocupação com os custos e principalmente
com os problemas de peso relacionado aos transformadores para instrumentos
convencionais.

73
REFERÊNCIAS

74
1 TOFFOLI, Leopoldo; Experiência de Oersted – Brasil Escola
< http://www.infoescola.com/fisica/experiencia-de-oersted/ > Acesso em: 10 de
Fevereiro de 2013.

2 MOURA, Maria Isabel; André-Marie Ampére - Bibliografia; <


http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/glossario/verb_b_andre_marie_ampe
re.htm > Acesso em: 10 de Fevereiro de 2013.

3 CONOT, Robert; JOSEPHSON, Matthew; MELOSI, Martin V.; The Life of Thomas
A. Edison – Bibliography; < http://memory.loc.gov/ammem/edhtml/edbio.html >
Acesso em 10 de Fevereiro de 2013.

4 WESTINGHOUSE, Our Company; George Westinghouse; <


http://www.westinghousenuclear.com/Our_Company/history/george_westinghouse.s
htm > Acesso em 11 de Fevereiro 2013.

5 Willian Stanley, Pioneer of the transformer and AC distribution systems <


http://edisontechcenter.org/WilliamStanley.html > Acesso em 11 de Fevereiro de
2013.

6 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS; NBR 6856; Disponível


para visualização no acervo de Normas Técnicas da Universidade Tecnológica
Federal do Paraná – UTFPR, CAMPUS CURITIBA - SEDE CENTRAL - Av. Sete de
Setembro, 3165 - Rebouças CEP 80230-901 - Curitiba - PR – Brasil; Biblioteca, 2º
Andar.

7 Disponível no acervo digital de normas e especificações da concessionária


COPEL; Acesso através do link , com referência de Transformadores de Potencial <
http://www.copel.com/hpcopel/normas/pesquisa.jsp> Acesso em 13 de Fevereiro de
2013.

8 CELESC, Distribuição AS; Equipamentos de Medição <


http://portal.celesc.com.br/portal/grandesclientes/index.php?option=com_content&tas
k=view&id=132&Itemid=213 > Acesso em 13 de Fevereiro de 2013.

9 ELETRÔNICOS, Esquemas; A lei de Indução de Faraday – Princípios de


Funcionamento < http://eletronicos.etc.br/o-que-e-a-lei-de-inducao-eletromagnetica-
de-faraday/ > Acesso em 14 de Fevereiro de 2013.

10 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS; ETC 1,03; Disponível no


acervo digital de normas e especificações da concessionária COPEL; Acesso
através do link , com referência de transformadores de Corrente <
http://www.copel.com/hpcopel/normas/pesquisa.jsp> Acesso em 13 de Fevereiro de
2013.

11 MEDEIRO, Solon; Medição de Energia Elétrica, Editora Ética, 1º Edição,


Salvador, Bahia, 2001.

75
12 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS; NBR 6856/81
Transformadores de Corrente – 1992; Disponível no Acervo de Normas técnicas
da Universidade Tecnológica Federal do Paraná- UTFPR, CAMPUS CURITIBA -
SEDE CENTRAL - Av. Sete de Setembro, 3165 - Rebouças CEP 80230-901 -
Curitiba - PR – Brasil; Biblioteca, 2º Andar.

13 Trabalho Transformadores para Instrumentos, trabalho disponibilizado no link


< http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAVVYAD/transformador-corrente > acesso
em 16 de Fevereiro de 2013.

14 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS; NBR 5855/76


(CANCELADA) Chavetas meia cana e seus rasgos correspondentes – 1976; <
http://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=61874 > Acesso em 20/03/2013.

15 LIMA, Dorival Kitakawa. Transformadores para instrumentos ópticos:


aspectos da viabilidade do seu uso pelas empresas do setor elétrico brasileiro.
2009. 123 f. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) – Programa de Pós-Graduação
da Universidade de São Paulo, 2009. Disponível em: <
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3143/tde-29062009-174116/pt-br.php >
Acesso em 15 de Fevereiro de 2013.

16 WIKIPEDIA; PLC – Power Line Communication;<


http://pt.wikipedia.org/wiki/PLC > Acesso em 18 de Fevereiro de 2013.

17 FILIPPETTI, Marcos; Entenda Melhor o PLC – Power Line Communication;<


http://blog.ccna.com.br/2009/09/07/entenda-melhor-o-plc-power-line-
communications/ > Acesso em 18 de Fevereiro de 2013.

18 CUNHA, Alessandro F.; PLC – Power Line Communication; <


http://www.osetoreletrico.com.br/web/a-revista/edicoes/141-plc-power-line-
communication.html > Acesso em 18 de Fevereiro de 2013.

19 MUSTAFA, Thair Ibrahim; Proteção de Sistemas Elétricos.; FURB; Pág. 18; 49


f.; Capitulo 6. Download do arquivo realizado no link: <
http://www.ebah.com.br/content/ABAAABdcEAJ/apostila-protecao-graduacao-
versao5 > Acesso em 19 de Fevereiro de 2013.

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