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Matemática

Autores: Prof. Celso Ribeiro Campos


Profa. Deiby Santos Gouveia
Profa. Patrícia Alves Rodrigues
Colaboradores: Prof. Flavio Celso Muller Martin
Profa. Ana Carolina Bueno Borges
Prof. Maurício Manzalli
Professores conteudistas: Celso Ribeiro Campos / Deiby Santos Gouveia /
Patrícia Alves Rodrigues

Celso Ribeiro Campos É professora desde 2006, tendo trabalhado em diversas


instituições de ensino.
É físico, engenheiro mecânico, mestre em Ensino de Matemática
pela PUC-SP e doutor em Educação Matemática pela Unesp. Na Universidade Paulista (UNIP), atua desde 2008 como
professora em diversas disciplinas na área de Matemática,
É professor de Matemática desde 1990, tendo passado por Estatística, e Tecnologia da Informação. Na EaD, ministra aula
diversas instituições de Ensino Superior em São Paulo. para os cursos de Economia e para o Pronatec. Além disso, é
coordenadora auxiliar da Empresa Júnior (JUNIP).
Atua na UNIP, desde 2007, na qual é professor e líder de
diversas disciplinas na área de Matemática e Estatística, nas Patrícia Alves Rodrigues
instituições de ensino FIEO, nas Faculdades Integradas Campos
Salles e na PUC-SP, é membro do grupo de pesquisa em educação É licenciada em Matemática, mestre em Ciências
estatística da Unesp e é associado da Sociedade Brasileira de da Computação pelo IME-USP e doutoranda em Ciências da
Educação Matemática (SBEM). Computação também pelo IME-USP.

Também é autor do livro Matemática Financeira, lançado É professora de Matemática e computação desde 2001, tendo
em 2010 pela editora LCTE, coautor do livro Educação Estatística: trabalhado em diversas instituições de ensino em São Paulo.
Teoria e Prática em Ambientes de Modelagem Matemática,
lançado em 2011 pela editora Autêntica, e autor de diversos Na UNIP, atua desde 2008 como professora e líder de diversas
materiais didáticos na área de Matemática e Estatística para o disciplinas na área de Matemática, Estatística e Tecnologia
segmento de Educação a Distância da (UNIP). de Informação.

Deiby Santos Gouveia Além disso, atua também no desenvolvimento e na


aplicação de cursos para aperfeiçoamento de professores de
É licenciada em Química (2000) e mestre em Química Matemática no IME-USP e faz parte do grupo de pesquisa
(2002) pela Universidade Federal da Paraíba. Atuou em 2003 do Laboratório de Ensino de Matemática da USP (LEM-USP),
como técnica na área de Células a Combustível pelo Instituto de trabalhando no desenvolvimento de ferramentas matemáticas
Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN-USP). Em 2008, obteve para EaD.
o título de doutora em Engenharia de Materiais pelo mesmo
instituto, na área de Biomateriais.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

C198m Campos, Celso Ribeiro.

Matemática. / Celso Ribeiro Campos, Deiby Santos Gouveia,


Patrícia Alves Rodrigues. – São Paulo, 2020.

140 p., il.

Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e


Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230.

1. Números reais. 2. Expressões algébricas. 3. Funções. I. Gouveia,


Deiby Santos. II. Rodrigues, Patrícia Alves. III. Título.

CDU 51

U505.01 – 20

© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou
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Unip Interativa – EaD

Profa. Elisabete Brihy


Prof. Marcelo Souza
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli

Material Didático – EaD

Comissão editorial:
Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)

Apoio:
Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos

Projeto gráfico:
Prof. Alexandre Ponzetto

Revisão:
Marcilia Brito
Ana Fazzio
Sumário
Matemática

APRESENTAÇÃO.......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO............................................................................................................................................................7

Unidade I
1 NÚMEROS REAIS.................................................................................................................................................9
1.1 Introdução...................................................................................................................................................9
1.2 Conjunto, elemento e pertinência....................................................................................................9
1.2.1 Principais classificações........................................................................................................................ 12
1.2.2 Operações.................................................................................................................................................... 13
1.3 Conjuntos numéricos, representações e operações................................................................ 18
1.3.1 Conjunto dos números naturais........................................................................................................ 18
1.3.2 Conjunto dos números inteiros......................................................................................................... 18
1.3.3 Conjunto dos números racionais...................................................................................................... 19
1.3.4 Conjunto dos números irracionais.................................................................................................... 21
1.3.5 Conjunto dos números reais............................................................................................................... 21
1.4 Arredondamento................................................................................................................................... 22
1.5 Intervalos.................................................................................................................................................. 23
1.5.1 Operações com intervalos.................................................................................................................... 27
2 EXPRESSÕES ALGÉBRICAS............................................................................................................................ 28
2.1 Operações com frações....................................................................................................................... 28
2.2 Operações com expressões numéricas......................................................................................... 31
2.3 Potenciação e radiciação.................................................................................................................... 32
2.4 Operações com expressões algébricas.......................................................................................... 34
2.5 Valor numérico de expressões algébricas.................................................................................... 35
2.6 Fatoração e simplificação.................................................................................................................. 36
3 EQUAÇÕES.......................................................................................................................................................... 37
3.1 Introdução................................................................................................................................................ 37
3.2 Equação do 1º grau.............................................................................................................................. 38
3.3 Equação do 2º grau.............................................................................................................................. 40
4 INEQUAÇÕES...................................................................................................................................................... 42
4.1 Introdução................................................................................................................................................ 42
4.2 Inequação do 1º grau.......................................................................................................................... 43
4.3 Inequação do 2º grau.......................................................................................................................... 45
Unidade II
5 FUNÇÕES............................................................................................................................................................. 53
5.1 Conceitos introdutórios...................................................................................................................... 53
5.1.1 Plano cartesiano....................................................................................................................................... 53
5.1.2 Par ordenado............................................................................................................................................. 54
5.1.3 Produto cartesiano (AxB)...................................................................................................................... 55
5.1.4 Relações....................................................................................................................................................... 58
5.1.5 Domínio e imagem.................................................................................................................................. 58
5.2 Conceitos elementares de função.................................................................................................. 59
5.2.1 Domínio e imagem: análise gráfica.................................................................................................. 62
5.3 Funções definidas por fórmulas matemáticas.......................................................................... 63
5.4 Função do 1º grau (função linear ou afim)................................................................................ 66
5.4.1 Ponto de intersecção de duas retas................................................................................................. 73
5.5 Função do 2º grau (função quadrática)....................................................................................... 75
5.5.1 Ponto de intersecção: reta e parábola............................................................................................ 83
5.6 Equação exponencial........................................................................................................................... 86
5.7 Função exponencial.............................................................................................................................. 89
5.7.1 Crescimento exponencial..................................................................................................................... 94
5.8 Logaritmos............................................................................................................................................... 95
5.9 Função logarítmica............................................................................................................................... 97
5.10 Outras funções...................................................................................................................................100
5.10.1 Função polinomial..............................................................................................................................100
5.10.2 Função racional....................................................................................................................................101
6 SISTEMA DE EQUAÇÕES..............................................................................................................................102
6.1 Introdução..............................................................................................................................................102
6.2 Identificando um sistema de equações......................................................................................102
6.3 Classificação dos sistemas...............................................................................................................103
6.4 Solução do sistema.............................................................................................................................105
6.4.1 Métodos de adição e subtração.......................................................................................................105
6.4.2 Regra de Cramer....................................................................................................................................109

Unidade III
7 REGRA DE TRÊS SIMPLES E COMPOSTA................................................................................................121
7.1 Introdução..............................................................................................................................................121
7.2 Grandezas diretamente proporcionais.......................................................................................121
7.3 Grandezas inversamente proporcionais.....................................................................................122
7.4 Regra de três simples.........................................................................................................................123
7.5 Regra de três composta....................................................................................................................124
8 PORCENTAGEM...............................................................................................................................................126
8.1 Porcentagens ou taxas percentuais.............................................................................................126
8.2 Fator multiplicativo............................................................................................................................128
8.3 Taxa percentual de variação...........................................................................................................130
8.4 Lucro sobre o preço de custo e sobre o preço de venda.....................................................131
APRESENTAÇÃO

Caro aluno,

Seja bem-vindo ao nosso curso. É grande a satisfação de recebê-lo na qualidade de aprendiz dessa
disciplina que tanto nos intriga e nos desafia.

Preparamos este material para que você possa evoluir de forma consistente e progressiva ao longo
dos principais conceitos básicos que norteiam o estudo da Matemática.

Os módulos apresentam os conteúdos de forma progressiva e estão repletos de exemplos dos


tópicos conceituais. Além disso, apresentamos referências e indicações de leitura para que você possa
compreender melhor e aprofundar os assuntos estudados.

De maneira genérica, podemos dizer que o objetivo desse curso é possibilitar a você um sólido
desenvolvimento dentro dos conceitos básicos da Matemática, de modo que seja possível entender e
operar suas principais ferramentas.

Esperamos que você construa uma base de conhecimento que possibilite entender a Matemática
como uma aliada em sua formação profissional.

INTRODUÇÃO

A Matemática é uma ciência de grande relevância na formação profissional do aluno das mais
diversas carreiras.

Assim, nesta disciplina, procuraremos dar prioridade aos conteúdos que apresentam ferramentas
essenciais para o entendimento dessa ciência, tendo em vista a aplicabilidade a ser trabalhada em
outras disciplinas.

Dessa forma, objetivamos apresentar os conteúdos básicos de Matemática de forma gradual,


ou seja, desde seus princípios mais rudimentares até uma álgebra mais elaborada, representada
pelo estudo das funções.

No estudo das funções, particularmente, buscaremos aparelhá-lo com as ferramentas necessárias à


modelização de problemas que envolvem a relação de dependência entre duas variáveis quantitativas.

Por outro lado, visamos ainda possibilitar o desenvolvimento de um modo de expressão mais crítico
e criativo quando da aplicação das funções matemáticas, porcentagens e demais conteúdos aqui
abordados na solução de problemas.

Acreditamos que o conhecimento matemático ilustrado neste trabalho auxiliará sobremaneira o


futuro profissional a enfrentar os desafios típicos do exercício da profissão com a devida confiança
e competência.
7
MATEMÁTICA

Unidade I
1 NÚMEROS REAIS

1.1 Introdução

A origem da Matemática se deu há milhares de anos, ou seja, desde que o homem sentiu a necessidade
de fazer contagens. Ao longo de muitas civilizações, as representações numéricas e suas operações
foram evoluindo e a notação que prevaleceu foi a dos algarismos hindu-arábicos.

Uma forma de organização dos números muito difundida foi a dos conjuntos, na qual existe certa
hierarquia de classificação dos números.

Começaremos nosso curso com o estudo dos conjuntos de maneira genérica, para aplicarmos,
em diversos contextos, essa noção de organização numérica, que é mais utilizada atualmente pelos
estudiosos da Matemática.

Estudada desde os primeiros anos da Educação Básica, a teoria dos conjuntos é vista como um fator
integrador de toda a Matemática, pois todos os assuntos dos quais ela trata acabam, de uma forma ou
de outra, derivando da noção de conjunto.

1.2 Conjunto, elemento e pertinência

Três noções básicas são consideradas primitivas, isto é, são aceitas sem a necessidade de definição.
São elas:

• conjunto;

• elemento;

• pertinência entre elemento e conjunto.

Embora não seja preciso fazer definição alguma sobre essas ideias, podemos indicar algumas de suas
características:

• conjunto: sua noção matemática se assemelha ao significado comum da palavra, que indica
coleção ou agrupamento. Alguns exemplos:

— conjunto das letras do alfabeto;

9
Unidade I

— conjunto dos planetas do Sistema Solar;

— conjunto dos meses do ano;

— conjunto dos algarismos romanos;

— conjunto dos números pares;

— conjunto dos números primos;

— conjunto das soluções da equação x² = 4.

• elemento: cada item que compõe um conjunto é chamado de elemento. Nos conjuntos citados
anteriormente, temos os seguintes elementos:

— conjunto das letras do alfabeto: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z;

— conjunto dos planetas do Sistema Solar: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano,
Netuno;

— conjunto dos meses do ano: janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro,
outubro, novembro, dezembro;

— conjunto dos algarismos romanos: I, V, X, L, C, D, M;

— conjunto dos números pares: 0, 2, 4, 6, 8 etc.;

— conjunto dos números primos: 2, 3, 5, 7, 11, 13 etc.;

— conjunto das soluções da equação x² = 4: -2, 2.

• pertinência entre elemento e conjunto: quando um elemento faz parte de um conjunto, afirmamos
que ele pertence a esse conjunto. Por exemplo, o número 2 pertence ao conjunto dos números
pares, mas o número 3 não pertence a esse conjunto.

Um conjunto pode ser formado por números, letras, nomes ou, até mesmo, por outros conjuntos, o
que indica que um conjunto pode ser elemento de outro conjunto.

Podemos pensar, por exemplo, no conjunto dos clubes de futebol que disputam a primeira divisão
do Campeonato Brasileiro. Esse conjunto é formado por times de futebol, e cada time, por sua vez, é
formado por um conjunto de jogadores.

Geralmente, um conjunto é indicado por letras maiúsculas (A, B, C etc.) e seus elementos são
indicados por letras minúsculas (x, y, a, b, c etc.).
10
MATEMÁTICA

Um conjunto ainda pode ser indicado com seus elementos representados entre chaves ou por uma
descrição. Exemplo:

A = conjunto dos números de um dado

A = {1, 2, 3, 4, 5, 6}

Quando um conjunto é infinito, representamos alguns de seus elementos e depois colocamos


reticências. Exemplo:

B = conjunto dos números pares

B = {0, 2, 4, 6, ...}

Se um conjunto for finito, mas tiver uma quantidade muito grande de elementos, também podemos
usar reticências, basta que indiquemos o último elemento do conjunto para representar sua finitude.
Exemplo:

C = conjunto dos múltiplos de 3 menores que 100

C = {0, 3, 6, 9, ..., 99}

Em notação matemática, usa-se o símbolo ∈ para indicar que um elemento pertence a um conjunto
e ∉ para indicar que um elemento não pertence a um conjunto. Por exemplo, sendo A o conjunto dos
números pares e B o conjunto dos números ímpares, em notação de conjuntos, temos:

A = {0, 2, 4, 6, 8, 10, ...}

B = {1, 3, 5, 7, 9, 11, ...}

Para indicar que o 2 pertence ao conjunto dos números pares, escrevemos: 2 ∈ A. Para indicar que
o 2 não pertence ao conjunto dos números ímpares, escrevemos: 2 ∉ B.

De um modo geral, se A é um conjunto e x é um elemento desse conjunto, podemos escrever: x ∈ A.


Por outro lado, se x não é um elemento do conjunto A, escrevemos: x ∉ A.

Costuma-se usar um círculo para representar um conjunto e seus elementos. Esse tipo de notação
se chama diagrama de Venn. Veja a seguir a representação dos conjuntos dos números pares (A) e dos
números ímpares (B):

11
Unidade I

A B
0 1

2 4 3 5
6 7
8 9
... ...

Figura 1 – Diagrama de Venn

Também podemos designar um conjunto por meio de uma propriedade ou característica. Por exemplo:
o conjunto dos estados da região Sudeste do Brasil pode ser representado pela seguinte notação: D =
{x | x é um estado da região Sudeste do Brasil} (lê-se: conjunto dos elementos x, tal que x é um estado
da região Sudeste do Brasil).

1.2.1 Principais classificações

Existem três classificações de conjuntos muito utilizadas no que diz respeito ao número de elementos.
São elas:

Conjunto vazio: é aquele que não possui elemento algum e é indicado por ∅ ou { }.

Exemplo:

Seja M o conjunto dos meses do ano que começam com a letra P, assim:

M = ∅ ou M = { }

Já que nenhum mês do ano começa pela letra P, o conjunto M é vazio.

Vejamos outro exemplo:

C = {x | x > 4 e x < 3} = ∅

Essa notação indica que o conjunto C é composto pelos elementos maiores que 4 e, simultaneamente,
menores que 3. Porém, como não existe nenhum número que satisfaça essa condição, o conjunto C é
vazio.

Conjunto unitário: é aquele que possui um único elemento.

Exemplo:

Seja M o conjunto dos meses do ano que possuem exatamente quatro letras, assim:

12
MATEMÁTICA

M = {maio}

Como apenas o mês de maio satisfaz a condição apresentada, esse conjunto possui apenas um
elemento e recebe a denominação de conjunto unitário.

Vejamos outro exemplo:

C = {x | x + 2 = 5} = {3}

Essa notação indica que o conjunto C é composto pelos elementos que, ao serem somados ao
número 2, resultam em 5. Nesse caso especificamente, apenas o número 3 satisfaz a condição, assim, o
conjunto C é composto apenas por um elemento e também recebe a denominação de conjunto unitário.

Conjunto universo: essa designação é usada geralmente quando se desenvolve um assunto em


Matemática e se quer indicar todos os elementos utilizados no referido assunto. Esse conjunto é
representado por U. Por exemplo: em um estudo sobre pesos de pessoas, o conjunto universo tem por
elementos os números positivos, afinal, não faz sentido usar números negativos para representar pesos.
Outro exemplo: em um estudo sobre os meses do ano, o conjunto universo terá como elementos os 12
meses do ano.

1.2.2 Operações

Igualdade

Dizemos que dois conjuntos A e B são iguais quando todos os elementos de A são também elementos
de B e vice-versa. Por exemplo: seja A o conjunto das vogais em ordem crescente, assim: A = {a, e, i, o, u},
e B o conjunto das vogais em ordem decrescente, assim: B = {u, o, i, e, a}.

Observe que todos os elementos do conjunto A são iguais aos do conjunto B, portanto, o conjunto
A é igual ao conjunto B. Em notação: A = B.

Considere agora os seguintes conjuntos:

C = {x | x + 5 = 12}

D = {7}

O conjunto C é composto dos elementos que, somados ao número 5, resultam em 12. Nesse caso,
apenas o número 7 satisfaz a condição. Como o conjunto C é composto apenas do elemento 7 e o
conjunto D também, esses conjuntos são iguais. Logo, C = D.

Como consequência da definição de igualdade, temos A ≠ B (A diferente de B), se ao menos um


elemento de A não pertence a B ou ao menos um elemento de B não pertence a A.

13
Unidade I

Observação

Note que a ordem dos elementos do conjunto não é importante para


a noção de igualdade. Outra observação que precisamos fazer é que os
elementos na notação de conjuntos não devem ser repetidos.

Subconjunto

Um conjunto A é subconjunto de um conjunto B se, e somente se, todo elemento de A também for
elemento de B. Para indicar a situação de subconjunto, escrevemos A ⊂ B. Por exemplo:

{a} ⊂ {a, b, c, d, e}

Essa ideia de inclusão também pode ser representada por meio do diagrama de Venn:

Figura 2 – Subconjunto

Outra notação que deriva da ideia de inclusão é B ⊂ A, que indica que o conjunto B contém o
conjunto A.

Além disso, se o conjunto A não for subconjunto de B, podemos escrever A ⊄ B. Exemplo: {a, b, c}
⊄ {a, e, i, o, u}.

Assim, usando a premissa de inclusão, podemos escrever a igualdade da seguinte forma: A = B ⇔


A ⊂ B e B ⊂ A.

Lembrete

O símbolo ⇔ significa se, e somente se.

Sendo A, B e C três conjuntos genéricos, podemos observar quatro propriedades relativas ao conceito
de inclusão:

14
MATEMÁTICA

• ∅ ⊂ A (o conjunto vazio é subconjunto de qualquer conjunto);

• A ⊂ A (todo conjunto é subconjunto de si mesmo);

• se A ⊂ B e B ⊂ C, A ⊂ C (propriedade transitiva);

• se A ⊂ B e B ⊂ A, A = B.

União ou reunião

Dados dois conjuntos A e B quaisquer, chama-se união de A com B o conjunto formado pelos
elementos que pertencem a A ou a B. Em símbolos, a união é indicada assim:

A ∪ B = {x | x ∈ A ou x ∈ B}

Por exemplo:

A = {1, 2, 3, 4} e B = {2, 4, 6, 8, 10} → A ∪ B = {1, 2, 3, 4, 6, 8, 10}.

No diagrama de Venn, podemos indicar a união de seguinte forma:


A
1

3
2
A∪B

4 1
2
3 6
União de A com B
B 4 10
2 8
4
6

8 10

Figura 3 – União de conjuntos no diagrama de Venn

Intersecção

Dados dois conjuntos A e B quaisquer, chama-se intersecção de A com B o conjunto formado pelos
elementos que pertencem a A e a B. Em símbolos, a intersecção é indicada assim:

15
Unidade I

A ∩ B = {x | x ∈ A e x ∈ B}

Por exemplo:

A = {1, 2, 3, 4} e B = {2, 4, 6, 8, 10} → A ∩ B = {2, 4}.

No diagrama de Venn, podemos indicar a intersecção por meio da área sombreada:


A B

1 6
2
8
3 4
10

Figura 4 – Intersecção de conjuntos no diagrama de Venn

Observação

Quando a intersecção dos conjuntos é um conjunto vazio,


denominamo‑nos conjuntos disjuntos, ou seja, se A ∩ B = ∅, dizemos que
os conjuntos A e B são disjuntos.

Diferença

Dados dois conjuntos A e B quaisquer, chama-se diferença entre o conjunto A e o conjunto B o


conjunto de todos os elementos de A que não pertencem ao conjunto B. Em símbolos, a diferença
entre conjuntos é indicada assim:

A − B = {x | x ∈ A e x ∉ B}

Por exemplo:

A = {1, 2, 3, 4} e B = {2, 4, 6, 8, 10} → A − B = {1, 3}.

16
MATEMÁTICA

No diagrama de Venn, podemos indicar a diferença entre conjuntos por meio da área sombreada:
A B

1 6
2
8
3 4
10

Figura 5 – Diferença de conjuntos no diagrama de Venn

Complementar

Dados dois conjuntos A e B quaisquer, se B é subconjunto de A, a diferença entre os conjuntos A e


B é denominada complementar do subconjunto B. Em símbolos, a complementar de B em relação a A é
indicada assim:

B ⊂ A → Bc = A - B = {x | x A e x ∉ B}

Por exemplo:

A = {2, 4, 6, 8, 10} e B = {2, 4} → A − B = {6, 8, 10}.

No diagrama de Venn, podemos indicar a complementar do subconjunto B por meio da área


sombreada:
A

B 6
2
8
4
10

Figura 6 – O complementar do subconjunto B no diagrama de Venn

Adotando U para o conjunto universo e A e B como dois subconjuntos quaisquer de U, são válidas
as seguintes propriedades:

• ∅c = U;

• Uc = ∅;

17
Unidade I

• A ∪ Ac = U;

• A ∩ Ac = ∅;

• (Ac)c = A;

• (A ∩ B)c = Ac ∪ Bc;

• (A ∪ B)c = Ac ∩ Bc.

1.3 Conjuntos numéricos, representações e operações

1.3.1 Conjunto dos números naturais

O conjunto dos números naturais é composto de todos os números inteiros não negativos. Ele é
representado pela seguinte notação:

N = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, ...}

Observação

Usa-se o asterisco (*) para indicar que o zero não pertence ao conjunto.
Veja o exemplo: N* = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, ...}.

1.3.2 Conjunto dos números inteiros

O conjunto dos números inteiros é composto de todos os números inteiros positivos e negativos e
também pelo zero. Esse conjunto é representado pela seguinte notação:

Z = {..., -4, -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, 4, ...}

Z* = {..., -4, -3, -2, -1, 1, 2, 3, 4, ...}

Observação

O conjunto dos números naturais é um subconjunto do conjunto dos


números inteiros, já que todos os seus elementos também pertencem ao
conjunto dos inteiros. Essa relação pode ser assim representada: N ⊂ Z.

18
MATEMÁTICA

Módulo de um número inteiro

O módulo de um número inteiro é a distância entre o 0 (zero) e o número x em unidades. Por


exemplo, a distância do número 5 até o 0 (zero), em unidades, é 5, e a distância do número -5 até o 0
(zero) também é 5.

Como o módulo mede a “distância” de um número até o zero, ele nunca assumirá valores negativos.
Por essa razão, ao se extrair um número de um módulo, ele sempre será positivo.

A notação de módulo é dada por duas barras verticais, como demonstrado a seguir:

|5|=5

| -5 | = 5

Observe que, para extrair um número do módulo, é só tirar as barras verticais e o sinal do número
quando este for negativo.

1.3.3 Conjunto dos números racionais

O conjunto dos números racionais é composto de todos os números que podem ser escritos na forma
de fração com denominador não nulo. Esse conjunto pode ser representado pela seguinte notação:

a  a
Q   | a Z e b Z *  (lê-se: tal que a pertence ao conjunto dos números inteiros e b
b  b
pertence ao conjunto dos números inteiros não nulos).

Vejamos alguns exemplos:

2 1 5
; ; − ; 0, 5; − 1; 2; 0, 333...
5 3 3
Note que todos os números inteiros podem ser escritos em forma de fração, já que todos eles são
divisíveis pelo número 1 e podem ser escritos da seguinte forma:
x
, onde x ∈ Z
1
Alguns exemplos de números inteiros escritos em forma de fração podem ser verificados a seguir:

5
5=
1
2
2 
1
19
Unidade I

12
12 =
1
Portanto, o conjunto dos números inteiros é um subconjunto do conjunto dos números racionais e
pode ser representado pela notação: Z ⊂ Q.

Decimal finito

Todo número decimal finito, ou seja, que possui um número exato de algarismos após a vírgula,
pertence ao conjunto dos números racionais, já que é possível que ele seja escrito em forma de fração.

Veja alguns exemplos:

1 3 1 1
0, 5 = 0, 75 = 0,1 = 0, 25  
2 4 10 4
Decimal infinito periódico

Todo número decimal infinito periódico possui um número sequencial repetitivo e infinito de
algarismos após a vírgula e pertence ao conjunto dos números racionais, já que é possível que ele seja
escrito em forma de fração. Por exemplo:

1
= 0=, 33333 ... 0, 33
3
5
= 16666
,= ... 1, 66
3

Observação

Note que usamos um traço sobre o valor que será repetido infinitamente
no número decimal infinito periódico.

Para encontrar o valor decimal periódico de uma fração, basta dividir o numerador pelo denominador.
Para obter o decimal da fração 1/3, por exemplo, basta dividir o número 1 pelo número 3, obtendo, como
resultado, 0,33333...

Lembrete

Um número decimal infinito periódico também é conhecido por


dízima periódica. A fração que dá origem à dízima periódica, por sua vez, é
denominada fração geratriz.
20
MATEMÁTICA

No entanto, escrever a fração de um valor expresso em decimal infinito periódico não é tão simples.
Para isso, pode-se usar a seguinte estratégia:

1º passo: faça x = 0,33333...

2º passo: multiplique ambos os lados por 10

10x = 3,33333...

3º passo: subtraia

10x = 3,33333...
− x = 0,33333...
9x = 3

4º passo: Isole o x e obtenha a fração geratriz de 0,3333...

3 1
x= =
9 3

1.3.4 Conjunto dos números irracionais

O conjunto dos números irracionais é composto de todos os números que não possuem representação
na forma de fração, ou seja, são números que, na forma decimal, não são periódicos e não têm um
número finito de casas. É comum representar o conjunto dos números irracionais pelo símbolo I.

Vejamos alguns exemplos:

0,123456...

14,01020304...

π = 3,14 ...

2 = 1, 4142135...
3 = 17320508
, ...

1.3.5 Conjunto dos números reais

O conjunto dos números reais é formado pela união dos números racionais e irracionais, ou seja,
Q ∪ I = R. O mais comum é representar os números reais pela reta geométrica dos reais, formada por
todos os números reais nela inseridos uma única vez e em ordem crescente:
21
Unidade I

Exemplo da representação geométrica de R:

3
− 0,5 2 π
4

–6 –5 –4 –3 –2 –1 0 1 2 3 4 5 6 R

Figura 7 – Reta dos números reais

R
Q
Z N⊂Z⊂Q⊂R
N

Figura 8 – Representação do conjunto dos números reais no diagrama de Venn

1.4 Arredondamento

A aplicação da regra de arredondamento nos números se mostra particularmente útil quando estes
possuem infinitos algarismos. Para isso, basta aplicar a seguinte regra: verifique se o algarismo que se
encontra imediatamente à direita do algarismo da ordem que se deseja arredondar é maior ou igual a 5.
Se for, incremente-o em 1, caso contrário, mantenha-o. A seguir, alguns exemplos

Ao arredondar o número 12,6378 para duas casas decimais, obtemos 12,64. Acompanhe:

12,6378

Ao arredondar o número para duas casas decimais, iremos “cortá-lo” no segundo algarismo após a
vírgula, sendo o número 3 o algarismo da ordem.

12,6378

O número que vem imediatamente após o 3 é o 7, que é maior do que 5, assim, o número 3 deve ser
incrementado em 1.

12,64

22
MATEMÁTICA

Assim, substitua o número 3 por 4 e teremos que o número 12,6378 foi arredondado para duas casas
decimais, ficando 12,64.

Se o número fosse 12,6328, veja como ficaria:

12,6328

O número que vem imediatamente após o 3 é o 2, que é menor do que 5, assim, o número 3 deve
ser mantido.

12,6328

Ao arredondar o número para duas casas decimais, iremos “cortá-lo” no segundo algarismo após a
vírgula, sendo o número 3 o algarismo da ordem.

12,63

Desse modo, o número 12,6328 foi arredondado para duas casas decimais, ficando 12,63.

1.5 Intervalos

Intervalos são subconjuntos do conjunto dos números reais. Eles podem ser expressos diretamente
na reta dos reais ou pelos delimitadores [ ].

Dados dois números reais a e b, com a < b, tem-se as seguintes notações de intervalos:

Intervalo aberto

Quadro 1

Representado na reta dos reais Representado pelos delimitadores

a b R ]a,b[={x ∈ R | a < x < b}

Observação

A bolinha aberta indica que os extremos a e b não pertencem ao


intervalo.

23
Unidade I

Por exemplo:

3 5 R
]3,5[={x ∈ R | 3 < x < 5}

Figura 9

O intervalo ilustrado anteriormente representa todos os números maiores que 3 e menores que 5, ou
seja, todos os números entre 3 e 5.

Intervalo fechado

Quadro 2

Representado na reta dos reais Representado pelos delimitadores

a b R ]a,b[={x ∈ R | a < x < b}

Observação

A bolinha fechada indica que os extremos a e b pertencem ao intervalo.

Por exemplo:

3 5 R
[3,5]={x ∈ R | 3 < x < 5}

Figura 10

O intervalo ilustrado representa todos os números maiores ou iguais a 3 e menores ou iguais a 5, ou


seja, todos os números entre 3 e 5 incluindo o 3 e o 5.

Intervalo aberto à direita

Quadro 3

Representado na reta dos reais Representado pelos delimitadores

a b R [a,b[={x ∈ R | a < x < b}

24
MATEMÁTICA

Por exemplo:

3 5 R
[3,5[={x ∈ R | 3 < x < 5}

Figura 11

O intervalo ilustrado na imagem anterior representa todos os números maiores ou iguais a 3 e


menores que 5, ou seja, todos os números entre 3 e 5 incluindo o 3.

Intervalo aberto à esquerda

Quadro 4

Representado na reta dos reais Representado pelos delimitadores

a b R ]a,b]={x ∈ R | a < x < b}

Exemplo:

3 5 R
]3,5]={x ∈ R | 3 < x < 5}

Figura 12

O intervalo ilustrado na figura 12 representa todos os números maiores que 3 e menores ou iguais a
5, ou seja, todos os números entre 3 e 5 incluindo o 5.

Intervalos infinitos

Quadro 5

Representado na reta dos reais Representado pelos delimitadores

b R ]-∞,b]={x ∈ R | x < b}

b R ]-∞,b[={x ∈ R | x < b}

a R [a, ∞[={x ∈ R | x > a}

]a, ∞[={x ∈ R | x > a}

25
Unidade I

Observação

O símbolo ∞ representa o infinito positivo e o - ∞ representa o


infinito negativo.

Observe mais alguns exemplos:

5 R
]–∞,5]={x ∈ R | x < 5}

Figura 13

O intervalo ilustrado anteriormente representa todos os números menores ou iguais a 5.

5 R
]–∞,5[={x ∈ R | x < 5}

Figura 14

O intervalo ilustrado anteriormente representa todos os números menores que 5.

3 R
[3, ∞[={x ∈ R | x > 3}

Figura 15

O intervalo ilustrado anteriormente representa todos os números maiores ou iguais a 3.

3 R
]3, ∞[={x ∈ R | x > 3}

Figura 16

O intervalo ilustrado anteriormente representa todos os números maiores que 3.

26
MATEMÁTICA

1.5.1 Operações com intervalos

Seja A e B os seguintes intervalos numéricos:

A={x ∈ R | –1 < x < 1}=]–1,1[

–1 1 R

B={x ∈ R | 0 < x < 5}=[0,5[

0 5 R

Figura 17

A configuração da união desses intervalos seria representada por:

A
–1 1

B
0 5

A∪B
–1 5

A ∪ B={x ∈ R | –1< x < 5}=]–1,5[

Figura 18

A seguir, a representação da intersecção dos intervalos A e B:

A
–1 1

B
0 5

A∩B
0 1

A ∩ B={x ∈ R | 0 < x < 1}=[0,1[

Figura 19

27
Unidade I

A diferença entre os intervalos em questão ficaria conforme ilustram as imagens a seguir:

A
–1 1

B
0 5

A–B
–1 0

A – B={x ∈ R | –1 < x < 0}=]–1,0[

Figura 20

A
–1 1

B
0 5

B–A
1 5

B – A={x ∈ R | 1 < x < 5}=[1,5[

Figura 21

Saiba mais

Você encontrará curiosidades e informações interessantes sobre os


números em:

BELLOS, A. Alex no país dos números: uma viagem ao mundo maravilhoso


da matemática. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

2 EXPRESSÕES ALGÉBRICAS

2.1 Operações com frações

Adição ou subtrações de frações

Nas adições ou subtrações de frações de mesmo denominador, mantém-se o denominador e


efetua‑se o cálculo apenas dos valores do numerador. Observe os exemplos a seguir:

28
MATEMÁTICA

4 2 42 6
  
5 5 5 5

4 2 4 2 2
  
5 5 5 5
8 2 3 823 9
   
5 5 5 5 5

Porém, em adições ou subtrações de frações de denominadores diferentes, uma forma rápida de


realizar o cálculo é aplicar a seguinte regra:

a c a.d  c.b
 
b d b.d

Vejamos alguns exemplos:

2 4 2.3  4.5 6  20 26
   
5 3 5. 3 15 15

2 4 2.3  4.5 6  20 14
   
5 3 5. 3 15 15

Outra técnica para efetuar essas somas e subtrações de frações de denominadores diferentes é por
meio do Mínimo Múltiplo Comum (MMC). Por exemplo, para calcular:

2 4 3
 
10 6 2

1º passo: calcular o MMC dos denominadores:

10,6,2 2
5,3,1 3
5,1,1 5

Ao multiplicar os divisores entre si, obtemos o MMC (10, 6, 2) = 2.3.5 = 30

29
Unidade I

2º passo: reescrever a fração alocando no denominador o MMC encontrado:

[(30  10).2]  [(30  6).4  [(30  2).3]



30
(3.2)  (5.4 )  (15.3) 6  20  45 14  45 31
   
30 30 30 30

2 4 3 31
Portanto,   
10 6 2 30
Multiplicação de frações

Para multiplicar frações, multiplique o numerador pelo outro numerador e o denominador pelo
outro denominador, como exemplificado a seguir:

a c a.c
. =
b d b.d

2 4 2. 4 8
=
. =
5 3 5.3 15

 2   4   1 2.4.1 8 4
  .         
5 3 2 5.3.2 30 15

A regra dos sinais para multiplicação é:

• (+ 1) x (+ 1) = + 1
• (+ 1) x (– 1) = – 1
• (– 1) x (+ 1) = – 1
• (– 1) x (– 1) = + 1

Observação

Sempre que possível, expresse as frações de forma irredutível, ou seja,


de tal modo que o denominador e o numerador não tenham divisores
comuns. Veja o exemplo:

2 1
=
10 5

30
MATEMÁTICA

Divisão de frações

O processo de divisão de frações é simples. Para realizá-lo, é preciso apenas multiplicar o numerador
pelo inverso do denominador, como demonstrado a seguir:

a
a c b a d
   
b d c b c
d

2
2 4 5 2 3 6
    
5 3 4 5 4 20
3

1
1  2 1  3 3
    5      
5  3  2 5  4  10

 3 

Lembrete

A regra dos sinais para a divisão é idêntica à da multiplicação, pois uma


operação é a inversa da outra.

2.2 Operações com expressões numéricas

Nos cálculos de expressões numéricas, é necessário obedecer a seguinte ordem e prioridade:

Ordem

1º Potenciação ou radiciação

2º Multiplicação ou divisão

3º Adição ou subtração

Prioridade

1º Parênteses ( )

31
Unidade I

2º Colchetes [ ]

3º Chaves { }

Veja alguns exemplos:

Exemplo 1

14 + 6 ÷ 2 = 14 + 3 = 17

Exemplo 2

(14 + 6) ÷ 2 = 20 ÷ 2 = 10

Exemplo 3

3 × 2 – 15 ÷ 3 = 6 – 5 = 1

Exemplo 4

3 × (2 – 15) ÷ 3 = 3 × –13 ÷ 3 = –39 ÷ 3 = –13

Ao compararmos o exemplo 1 com o 2, e o 3 com o 4, observamos que, apesar das expressões serem
muito semelhantes, os resultados são diferentes. Isso se dá pela prioridade dos parênteses, presentes nos
exemplos 2 e 4.

Exemplo 5

[30 ÷ 5 – (12 ÷ 3)] × (3 × 2 – 15 ÷ 3 ) + (14 + 6) ÷ 2 =

[30 ÷ 5 – 4 ] × ( 6 – 5 ) + ( 20 ) ÷ 2 =

[ 6 – 4 ] × ( 1 ) + 20 ÷ 2 =

[ 2 ] × ( 1 ) + 10 = 2 + 10 = 12

2.3 Potenciação e radiciação

A potenciação representa a multiplicação de um número por ele mesmo diversas vezes, como
mostra o esquema a seguir:

an  a  a  a ... a  a

n vezes

32
MATEMÁTICA

Onde: a é um número real e n é um número inteiro positivo. O a é a base e o n é o expoente da


potência. Exemplos:

23 = 2.2.2 = 8
52 = 5.5 = 25
(− 3)2 = (−3).(−3) = 9
− 32 = − 3.3 = − 9

Propriedades da potenciação

Adotando a como um número real e m e n como números inteiros positivos, as seguintes propriedades
de potenciação são validadas:

• a0=1
• a1=a
1
• a–n= ,a≠0
an
n n
 a  b
•      , a e b 0
 b  a
• an . am = an+m

an
• m
 anm , a  0
a
• (am)n = amn

n
 a an
•    n,b0
 b b

Observe mais alguns exemplos:

22 . 23 = 2(2+3) = 25

 
5
8 5 23 215
3
 3
 3
 2153  212
2 2 2
0
1 3
5
 5
 305  35
3 3

33
Unidade I

A operação oposta à potenciação é a radiciação, expressa pela seguinte relação:

n
a  b  bn  a

E que: a e b são números reais e n é um número inteiro positivo. Além disso, n é o índice, a é o
radicando, b é a raiz e é o radical.

Propriedades da radiciação
n n
• a =a

n
• . = n a. n b
ab

nm
• a = n.m a

m
• n m
a = an

• a na
n  ,b0
b nb

Observação

Quando o índice da raiz for 2, não precisamos escrevê-lo, ele fica


subentendido, como no exemplo: 2 5 = 5 .

Observe:

25 = 5

2 3
2 2 2 2 2
=8 =
2 =2 .2 =
2 . 2 2. 2
3
3 3 1 1 1
5 3  
53 3 3
5 5

2.4 Operações com expressões algébricas

As expressões algébricas são operações matemáticas compostas de números e/ou letras e


classificadas por:

Monômio: expressão algébrica composta de apenas um termo. Exemplos:

34
MATEMÁTICA

100
5x
-43ab3

Binômio: expressão algébrica composta de dois monômios. Exemplos:

100 + 5x
5x − 43ab3
x+2

Trinômio: expressão algébrica composta de três monômios. Exemplos:

100 + 5x − 43ab3
2x2 + x + 2
-a3 + bc + ab2

Polinômio: expressão algébrica composta de mais de três monômios. Exemplos:

2x2 + x + 2 - y
b − a3 + bc + ab2 + 3ac – 5b

Adição e subtração

A adição e a subtração de expressões algébricas só são possíveis a partir da soma ou da subtração de


monômios que possuem exatamente a mesma parte literal, como ilustrado a seguir:

3x + 4y – 2y + 5x – 2 = 8x + 2y – 2
(2xy + 4x) – (xy + x ) = 2xy + 4x – xy – x = xy + 3x

Multiplicação e divisão

Na multiplicação e na divisão de expressões algébricas, utilizam-se principalmente as propriedades


de potenciação. Exemplos:

(2x2y).(5xz) = 10x3yz
(2xy + 4x).(xy + x) = 2x2y2 + 2x2y + 4x2y + 4x2

2.5 Valor numérico de expressões algébricas

Para calcular o valor numérico de uma expressão algébrica, é preciso substituir a parte literal por
valores numéricos. Por exemplo, para calcular o valor da expressão algébrica 2x2 + x + 2 para x = 2, basta
substituir o x por 2:

2.22 + 2 + 2 = 8 + 2 + 2 = 12
35
Unidade I

Para x = -1, faça:

2.(-1)2 + (-1) + 2 = 2.1 - 1 + 2 = 2 -1 + 2 = 3

2.6 Fatoração e simplificação

Fatorar uma expressão é apresentá-la na forma de uma multiplicação. Veja exemplos de


expressões fatoradas:

2x
- x2y
a3(3+b2)
(2xy + 4x).(xy + x)

A fatoração é muito utilizada no processo de simplificação de expressões algébricas, como apresentado


a seguir:

x2  4 x x  x  4  x  4
 
2x 2x 2

Para facilitar o processo de simplificação, os produtos notáveis também são muito utilizados. Os
principais produtos notáveis estão apresentados a seguir:

 
• a  b  a  b  a  b  a2  ab  ba  b2  a2  2ab  b2
2

• a  b  a  b  a  b  a  ab  ba  b   a  2ab  b
2 2 2 2 2

• a  b  a  b a  b  a  2ab  b   a  b  a  3a b  3ab
3 2 2 2 3 2 2
 b3

• a  b  a  b a  b  a  2ab  b   a  b  a  3a b  3ab
3 2 2 2 3 2 2
 b3

• a  b a  b  a  ab  ba  b   a  b
2 2 2 2

A seguir, um exemplo de uma simplificação usando produtos notáveis:

x2  9  x  3   x  3
  x 3
x3 x3

36
MATEMÁTICA

Saiba mais

Para aprofundar seus conhecimentos a respeito de aplicações


matemáticas na Administração, leia:

BONORA JUNIOR., D.; ALVES, J. B. Matemática: complementos e


aplicações nas áreas de ciências contábeis, administração e economia. São
Paulo: Ícone, 2000.

3 EQUAÇÕES

3.1 Introdução

A finalidade de uma equação é encontrar o valor da incógnita que torna a igualdade verdadeira.

Acompanhe o exemplo a seguir:

João tem R$ 10,00 e quer gastar seu dinheiro comprando trufas de chocolate. Se cada trufa custa
R$ 2,50, quantas trufas João pode comprar com seu dinheiro?

Para a resolução, adote x para representar a quantidade de trufas que João pode comprar com
R$ 10,00, assim, x será a incógnita do problema.

Agora, estruturemos a equação do problema:

2,5x = 10

Nessa igualdade, está implícita a seguinte pergunta: qual é o valor de x que, ao ser multiplicado por
2,5, resulta em 10?

Para responder a essa pergunta, é necessário resolver a equação, ou seja:

2,5x = 10

10
=
x = 4
2, 5

Portanto, João pode comprar quatro trufas de chocolate com seus R$ 10,00.

Para conferir se os cálculos foram realizados corretamente, substitua o valor encontrado na equação
inicial. Se a igualdade se mantiver, o cálculo está correto, caso contrário, está errado:

37
Unidade I

2,5.x = 10

2,5.4 = 10

10 = 10

Observação

É comum o uso das letras x e y para representar as incógnitas nas


equações, no entanto, podem ser utilizadas quaisquer letras do alfabeto,
símbolos e até mesmo desenhos para esse fim.

As equações são nomeadas de acordo com o maior grau do expoente das incógnitas nelas presentes.
Por exemplo:

2,5x = 10 é uma equação do 1º grau, pois o expoente do x é 1.

Vejamos outros exemplos:

x2 + 5x = 0 é uma equação do 2º grau, pois o maior expoente do x é 2.

- 2x + 3x2 = 5x + 1 é uma equação do 2º grau, pois o maior expoente do x é 2.

y3 - y + 5y2 = 1 é uma equação do 3º grau, pois o maior expoente do y é 3.

3.2 Equação do 1º grau

A estrutura geral da equação do 1º grau é dada pela expressão ax + b = 0, sendo que a e b são
números reais e a ≠ 0.

Para resolver equações do 1º grau, é preciso isolar a incógnita em um dos lados da equação e
apresentar o resultado no conjunto solução (S). O valor da incógnita que torna a equação verdadeira é
denominado raiz da equação.

Observe:

Exemplo 1

5x - 10 = 0

5x = 10

38
MATEMÁTICA

10
x=
5

x=2

S = {2}

Assim, 2 é a raiz da equação do exemplo 1.

Exemplo 2

5
x40
2

5
x  4
2

4. 2
x
5

8
x
5

 8
S   
 5

8
Assim, − é a raiz da equação do exemplo 2.
5
Exemplo 3

2x  1 x  2

2 3

3(2x – 1) = 2(x + 2)

6x – 3 = 2x + 4

6x►– 2x = 4 + 3

4x = 7
39
Unidade I

7
x=
4

7
S 
4 

7
Assim, é a raiz da equação do exemplo 3.
4
3.3 Equação do 2º grau

A estrutura geral da equação do 2º grau é dada pela expressão ax2 + bx + c = 0, sendo que a, b e c
são números reais e a ≠ 0. A equação do 2º grau também é denominada equação quadrática. As letras
a, b e c presentes na equação são chamadas de coeficientes da equação. O coeficiente a acompanha x2,
b acompanha x e c é o termo independente.

O principal método utilizado para calcular equações do 2º grau é a fórmula de Bhaskara, expressa a
seguir:

b  
x   b2  4ac
2a

O ∆, denominado discriminante, é uma fórmula importante que possibilita saber a quantidade de


soluções possíveis para uma equação do 2º grau:

∆ = 0 indica que a equação admite duas raízes reais e iguais.

∆ > 0 indica que a equação admite duas raízes reais e diferentes.

∆ < 0 indica que a equação não admite raízes reais.

Veja alguns exemplos:

Exemplo 1

Encontremos as possíveis soluções (ou raízes) da equação quadrática x2 - 5x + 6 = 0:

1º passo: identificar os coeficientes

a = 1, b = -5, c = 6

40
MATEMÁTICA

2º passo: calcular ∆ = b2 - 4ac e analisar o resultado

∆ = (- 5)2 - 4 . 1 . 6 = 25 - 24 = 1

Como ∆ > 0, a equação admite duas raízes reais e diferentes.

3º passo: calcular as raízes

b     5  1 5  1 6
x’     3
2a 2. 1 2 2

b     5  1 5  1 4
x"     2
2a 2. 1 2 2

S = {2, 3}

Portanto, as raízes da equação são 2 e 3.

Exemplo 2

Encontremos as possíveis soluções (ou raízes) da equação quadrática x2 + 2x + 1 = 0:

1º passo: identificar os coeficientes

a = 1, b = 2, c = 1

2º passo: calcular ∆ = b2 - 4ac e analisar o resultado

∆ = 22 - 4 . 1 . 1 = 4 - 4 = 0

Como ∆ = 0, a equação admite duas raízes reais e iguais.

3º passo: calcular as raízes

b   2  0 2  0 2
x’      1
2a 2. 1 2 2

b   2  0 2  0 2
x"      1
2a 2. 1 2 2

S = {- 1}

41
Unidade I

Portanto, a raiz da equação é −1.

Exemplo 3

Encontremos as possíveis soluções (ou raízes) da equação quadrática x2 + 2x + 2 = 0:

1º passo: identificar os coeficientes

a = 1, b = 2, c = 2

2º passo: calcular ∆ = b2 - 4ac e analisar o resultado

∆ = 22 - 4 . 1 . 2 = 4 - 8 = - 4

Como ∆ < 0, a equação não admite raízes reais, logo, o conjunto solução é vazio: S = ∅.

4 INEQUAÇÕES

4.1 Introdução

As inequações são muito semelhantes às equações. A única diferença é que os resultados das
inequações são intervalos de valores e, nas equações, os resultados são valores pontuais.

A finalidade de uma inequação é encontrar todos os valores da incógnita que tornam a desigualdade
verdadeira.

Acompanhe o exemplo a seguir:

João tem R$ 10,00 e, considerando que cada trufa custa R$ 2,50, quer saber até quantas trufas de
chocolate pode comprar com seu dinheiro.

Para a resolução, adote x para representar a quantidade de trufas que João pode comprar com seu
dinheiro, ou seja, x será a incógnita do problema.

Agora, estruturemos a equação do problema:

2,5x ≤ 10

Nessa igualdade, está implícita a seguinte pergunta: quais são os valores de x que, ao serem
multiplicados por 2,5, resultam em um valor menor ou igual a 10?

42
MATEMÁTICA

Para responder a essa pergunta, basta resolver a inequação:

2,5x < 10
10
x≤ ≤4
2, 5

Portanto, João pode comprar até quatro trufas de chocolate com seus 10 reais.

Assim como nas equações, as inequações são nomeadas de acordo com o maior grau do expoente
das incógnitas presentes na expressão. Por exemplo:

2,5x ≤ 10 é uma inequação do 1º grau, pois o expoente do x é 1.

Verifique outros exemplos:

x2 + 5x > 0 é uma inequação do 2º grau, pois o maior expoente do x é 2.

- 2x + 3x2 ≥ 5x + 1 é uma inequação do 2º grau, pois o maior expoente do x é 2.

y3 - y + 5y2 ≤ 1 é uma inequação do 3º grau, pois o maior expoente do y é 3.

4.2 Inequação do 1º grau

A estrutura geral da inequação do 1º grau é dada pelas seguintes expressões:

• ax + b < 0

• ax + b ≤ 0

• ax + b > 0

• ax + b ≥ 0

Sendo que a e b são números reais e a ≠ 0.

Para resolver inequações do 1º grau, usa-se a mesma técnica de resolução das equações, com a
manutenção do sinal da desigualdade. O resultado deve ser apresentado usando a notação de intervalos.
Observe alguns exemplos:

Exemplo 1

5x – 10 < 0

5x < 10
43
Unidade I

10
x<
5

x<2

S = {x ∈ R | x < 2} = ]– ∞ ,2[

2 R

Observação

Qualquer uma das notações é válida, ou seja, não é necessário que todas
sejam apresentadas. Adote a que você julgar mais fácil e use-a.

Exemplo 2

5
x40
2

5
x  4
2

4. 2
x
5

8
x
5

 8  8 
S  x   | x       ,  
 5  5 

8 R

5

Exemplo 3

2x  1  x  2

2 3

44
MATEMÁTICA

3(- 2x - 1) > 2(- x + 2)

- 6x - 3 > - 2x + 4

- 6x + 2x > 4 + 3
Preste atenção que, nessa passagem, é necessário
- 4x > 7 multiplicar ambos os lados da inequação por (-1) e
trocar o sentido do sinal.

(- 1)(- 4x) > (- 1)(7)

4x < - 7

7
x
4
 7  7
S  x   | x      ,  
 4  4

7 R

4

4.3 Inequação do 2º grau

A estrutura geral da inequação do 2º grau é dada pelas seguintes expressões:

• ax2 + bx + c < 0;

• ax2 + bx + c ≤ 0;

• ax2 + bx + c > 0;

• ax2 + bx + c ≥ 0.

Nelas, a, b e c são números reais e a ≠ 0.

Para resolver inequações do 2º grau, usa-se a mesma técnica de resolução das equações e
insere‑se ao final o estudo do sinal da desigualdade. O resultado deve ser apresentado usando a
notação de intervalos.

A seguir, apresentaremos um esquema para o estudo do sinal das inequações do 2º grau.

b   b  
Adotando, ∆ = b2 – 4ac, x ’  e x"  , se ∆ > 0, o intervalo da solução segue a
seguinte estrutura: 2a 2a

45
Unidade I

mesmo sinal do sinal contrário ao mesmo sinal do


coeficiente a do coeficiente a coeficiente a

x’ x“

Figura 22

Se ∆ = 0, o intervalo da solução segue o seguinte esquema:

mesmo sinal do mesmo sinal do


coeficiente a coeficiente a

x’ = x“

Figura 23

Se ∆ < 0, o intervalo da solução segue o esquema:

mesmo sinal do
coeficiente a

Figura 24

Para que os conceitos fiquem mais claros, observe a seleção de exemplos:

Exemplo 1

Encontremos os valores que tornam a inequação x2 - 5x + 6 > 0 verdadeira:

1º passo: identificar os coeficientes

a = 1, b = -5, c = 6

2º passo: calcular ∆ = b2 - 4ac e analisar o resultado

∆ = (-5)2 - 4 . 1 . 6 = 25 - 24 = 1

Como ∆ > 0, a inequação admite duas raízes reais e diferentes.

46
MATEMÁTICA

3º passo: calcular as raízes

b   ( 5)  1 5  1 6
x’     3
2a 2 1 2 2
b   ( 5)  1 5  1 4
x ’’     2
2a 2 1 2 2

4º passo: fazer o estudo do sinal

Como ∆ > 0, o intervalo da solução segue o seguinte esquema:

mesmo sinal do sinal contrário ao mesmo sinal do


coeficiente a do coeficiente a coeficiente a

x’ x“

Figura 25

Assim, após substituir as informações no esquema, temos:

+ - +

2 3

Figura 26

Como se deseja que na inequação os valores sejam maiores que zero (x2 - 5x + 6 > 0), o intervalo que
torna a inequação verdadeira se configura sob o sinal positivo:

+ – +

2 3

Figura 27

Logo, a solução da inequação x2 - 5x + 6 > 0 é o intervalo:

S  {x   | x  2 ou x  3}  ]  , 2[ U ] 3, [

47
Unidade I

Exemplo 2

Encontremos os valores que tornam a inequação x2 + 2x + 1 < 0 verdadeira.

1º passo: identificar os coeficientes

a = 1, b = 2, c = 1

2º passo: calcular ∆ = b2 - 4ac e analisar o resultado

∆ = 22 - 4 . 1 . 1 = 4 - 4 = 0

Como ∆ = 0, a inequação admite duas raízes reais e iguais.

3º passo: calcular as raízes

b   2  0 2  0 2
x’      1
2a 2 1 2 2
b   2  0 2  0 2
x ’’      1
2a 2 1 2 2

4º passo: fazer o estudo do sinal

Como ∆ = 0, o intervalo da solução segue a estrutura:

mesmo sinal do mesmo sinal do


coeficiente a coeficiente a

x’ = x“

Figura 28

Após substituir as informações no esquema, temos:

+ +

–1

Figura 29

48
MATEMÁTICA

Como se deseja que na inequação os valores sejam menores que zero (x2 + 2x + 1 < 0), não há
solução nos reais para essa inequação, pois, no estudo dos sinais, só existe o sinal positivo, portanto, o
conjunto solução será vazio: S = ∅

Exemplo 3

Encontremos os valores que tornam a inequação x2 + 2x + 2 > 0 verdadeira:

1º passo: identificar os coeficientes

a = 1, b = 2, c = 2

2º passo: calcular ∆ = b2 - 4ac e analisar o resultado

Como ∆ < 0, a inequação não admite raízes reais.

∆ = 22 - 4 . 1 . 2 = 4 - 8 = -4

3º passo: fazer o estudo do sinal

Como ∆ < 0, o intervalo da solução segue a estrutura:

mesmo sinal do
coeficiente a

Figura 30

Assim, após substituir as informações no esquema, temos:

Figura 31

Como se deseja que na inequação os valores sejam maiores que zero (x2 - 5x + 6 > 0), todos os
valores da reta dos reais tornam essa inequação verdadeira, logo, o conjunto solução será o conjunto
dos números reais: S = R.

49
Unidade I

Resumo

Dentre os assuntos expostos nesta unidade, vale destacar os


fundamentos elementares da Teoria dos Conjuntos, principalmente o
conceito de conjunto. Assim, relembrando, conjunto indica coleção ou
agrupamento no qual cada item que o compõe é chamado de elemento.
Quando um elemento faz parte de um conjunto, dizemos que ele pertence
a esse conjunto.

Um conjunto pode ser formado por números, letras, nomes ou até


mesmo por outros conjuntos. Isso quer dizer que um conjunto pode ser
elemento de outro.

Geralmente, um conjunto é indicado por letras maiúsculas e seus


elementos são indicados por letras minúsculas.

Vimos que um importante grupo de conjuntos são os conjuntos


numéricos: o conjunto dos números naturais é composto de todos os
números inteiros não negativos; o conjunto dos números inteiros é
composto de todos os números inteiros positivos, negativos e pelo zero;
o conjunto dos números racionais é composto de todos os números que
podem ser escritos na forma de fração, com denominador não nulo; o
conjunto dos números irracionais é composto de todos os números que
não possuem representação na forma de fração, ou seja, são números
que, na forma decimal, não são periódicos e não têm um número finito de
casas; e o conjunto dos números reais é formado pela união dos números
racionais aos irracionais.

As equações e inequações foram outros dois tópicos abordados na


unidade. Desse modo, aprendemos que a finalidade de uma equação
é encontrar o valor da incógnita que torna a igualdade verdadeira. As
equações são nomeadas de acordo com o maior grau do expoente das
incógnitas presentes na equação.

Já as inequações são muito semelhantes às equações, a única


diferença é que os resultados das inequações são intervalos de valores
e, nas equações, os resultados são valores pontuais. A finalidade de
uma inequação é encontrar todos os valores da incógnita que tornam
a desigualdade verdadeira.

50
MATEMÁTICA

Exercícios

Questão 1. (Enade 2011) Considerando a, b e c pertencentes ao conjunto dos números naturais e


representando por a/b a relação “a divide b”, analise as afirmativas a seguir:

I – Se a/(b + c), então a/b ou a/c.

II – Se a/bc e mdc(a, b) = 1, então a/c.

III – Se a não é primo e a/bc, então a/b ou a/c.

IV – Se a/b e mdc(b, c) = 1, então mdc(a, c) = 1.

É correto apenas o que se afirma em:

A) I.

B) II.

C) I e III.

D) II e IV.

E) III e IV.

Resposta correta: alternativa D.

Análise da afirmativas

I – Afirmativa incorreta.

Justificativa: se a = 2, b = 5 e c = 7, teremos que 2 divide (5 + 7), 2 não divide 5 e 2 não divide 7. Em


outros termos, a divide (b + c), mas a não divide b e a não divide c.

II – Afirmativa correta.

Justificativa: se fizermos o mdc (a, b) = 1, significa que a e b não possuem fatores primos em comum
porque são primos entre si e, por isso, a não divide b. Logo, como a divide bc e a não divide b, então a
tem que dividir c.

51
Unidade I

III – Afirmativa incorreta.

Justificativa: se a = 8 (não primo), b = 4 e c = 10, então, a divide b.c, porque b.c = 40 e 8 divide 40,
mas a não divide b (8 não divide 4) e a não divide c (8 não divide 10).

IV – Afirmativa correta.

Justificativa: se a divide b, significa que todos os fatores primos de a também estão em b. Mas, se
mdc (b, c) = 1, é porque b e c não têm nenhum fator primo em comum, logo, nenhum comum em
a e c. Assim, mdc (a, c) = 1.

Questão 2. (Amazul, Cargo Engenheiro, 2015). Sobre o assunto expressões algébricas, analise as
assertivas abaixo.
3
5  625 4 3
I – O resultado da expressão  xy  . 5x  é x y
6  216
II – A expressão algébrica 108x3y – 189x2y – 24x + 42 pode ser escrita na forma 3(9x2y – 2) . (4x – 7)
4 x2 − 18
III – A forma simplificada da expressão é 4x – 6
x −3
É correto o que se afirma em:

A) I, apenas.

B) II, apenas.

C) I e II, apenas.

D) II e III, apenas.

E) I, II e III.

Resposta desta questão na plataforma.

52