Você está na página 1de 16

REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. .

Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com


deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

DO MAPA EM TINTA AO MAPA TÁTIL: MAPAS COGNOSCÍVEIS POR


ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA VISUAL

Tamara de Castro Régis


Ruth Emilia Nogueira

Considerações Iniciais

A ideia de que as pessoas com deficiência devem dispor do mesmo acesso às


informações e espaços que possuem os demais cidadãos nas diversas esferas da vida social, é
um dos pilares sob os quais se sustentam as legislações que regem a inclusão social destes
sujeitos. No contexto educacional, para que se faça cumprir as legislações que competem à
inclusão escolar dos estudantes com deficiência é imperativo o entendimento dos mesmos
como sujeitos com potencialidades e limitações. O entendimento destas possibilidades
culmina em uma rede de apoio com profissionais comprometidos, recursos didáticos,
metodologias e práticas de ensino que vão dar subsídio à inserção dos estudantes com
deficiência ao ambiente escolar em condições de igualdade para com os demais. Estas
considerações são indispensáveis ao modelo de Educação inclusiva apregoado na legislação
brasileira e configura-se como uma urgência do tempo histórico e político que vivenciamos.
Todavia, como aponta Nogueira (2014) inclusão escolar é um assunto geralmente não
abordado na formação inicial de licenciados em Geografia e, se acontece, fica mais na teoria
do que nas práticas de ensino, entretendo, faz-se necessário quando esses professores chegam
à escola. Esta constatação aparece nas oficinas de Cartografia Tátil, ofertadas pelas autoras.
Espaços em que estudantes de cursos de licenciatura, professores e profissionais da área de
educação vão procurar capacitação para trabalhar conteúdos de Geografia de forma inclusiva.
Da interação com os participantes identificamos que há um sentimento geral de despreparo
por parte destes para lidar com estudantes com deficiência visual, em especial profissionais e
estudantes da área de Geografia, devido à tradição visual desta ciência.
Partindo deste pressuposto, neste artigo dialogamos sobre as adaptações necessárias
para que estudantes com deficiência visual tenham acesso aos conteúdos disponibilizados na
forma de mapas na disciplina de Geografia. Temos como propósito orientar a confecção de
mapas cognoscíveis por pessoas cegas e com baixa visão, tendo como referência a
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

metodologia LabTATE, para confecção de mapas táteis e baixa visão1. Por deficiência visual
entendemos a Cegueira, ausência total da visão, e a Baixa Visão2, alterações de visão
particulares de cada indivíduo, havendo a necessidade de correção óptica e adaptações para
que estes se apropriem das informações visuais. (BRASIL, 2004).
A confecção de mapas táteis e outros produtos cartográficos adaptados para pessoas
com deficiência visual é atribuição de pesquisas no campo da Cartografia Tátil. De acordo
com Nogueira (2009) a Cartografia Tátil desenvolve-se como uma aliada a inclusão social e
escolar dos sujeitos com deficiência visual, esta surge como uma possibilidade de acesso às
informações espaciais por pessoas com Deficiência visual.
Almeida (2011) aponta que um mapa é chamado tátil, quando está em um formato que
permite ser “visto pelo toque”, sendo assim é empregado em seu processo de confecção uma
linguagem gráfica tátil, elementos e simbologias adaptados às particularidades da leitura
háptica. Nogueira (2009) afirma que os mapas táteis servem para orientação e localização de
lugares e objetos às pessoas com deficiência visual, assim como para a disseminação da
informação espacial, ou seja, para o ensino de Geografia e História, permitindo que o
deficiente visual amplie sua percepção de mundo; portanto, são valiosos instrumentos de
inclusão social.
Sobre a importância das pessoas com deficiência visual terem acesso aos mapas táteis
Nogueira (2009) ressalta que as informações cartográficas para essas pessoas, assim como
para as que enxergam, são extremamente importantes para uma compreensão geográfica do
mundo, eles possibilitam a ampliação da percepção espacial e facilitam a mobilidade. Nesta
perspectiva, Almeida (2007) argumenta que um indivíduo que não consegue utilizar um
mapa, seja pelo desconhecimento de sua leitura ou pela falta de acesso a informações
adaptadas, está impedido de pensar sobre aspectos do território, que não estejam registrados
em sua memória.
No ensino de Geografia a carência de mapas táteis para estudantes com deficiência
visual faz com que seus conhecimentos espaciais limitem-se apenas aos seus registros do
espaço experienciado, o que os impossibilita de situar fenômenos e localizar espaços
desconhecidos. Sendo assim, mapas táteis de qualquer natureza, possibilitam o acesso ao

1
Metodologia desenvolvida pelo Laboratório de Cartografia Tátil e Escolar (LabTATE) vinculado ao
Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina. Esta metodologia apresenta a
sistematização de uma linguagem gráfica tátil, simbologias, layout e orientações metodológicas para confecção
de produtos cartográficos adaptados à leitura por pessoas com deficiência visual.
2
Um maior aprofundamento acerca destes conceitos pode ser visualizado no trabalho Ventorini e Freitas (2011)
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

conhecimento geográfico por estudantes com deficiência visual e facilitam a compreensão do


mundo em que vivemos. Adaptar as representações para que possam ser lidas pelo sistema
háptico, confere às pessoas com deficiência visual oportunidades semelhantes àqueles que
podem ver. (ALMEIDA, 2007)
Almeida (2011) atenta para o fato de que para o público de estudantes com
deficiência visual trabalhar com informações gráficas significa romper barreiras e enfrentar
desafios. Em relação ao uso de mapas por alunos cegos, Nogueira (2014) afirma que os
mesmos princípios da alfabetização cartográfica devem ser aplicados com estudante que
apresenta deficiência visual. Isto é, ele deve ser ensinado a utilizar os mapas de maneira
análoga como se faz com alunos que enxergam, sendo somente necessária uma adaptação de
materiais e mapas considerando um tempo maior e um trabalho individual com o aluno.
Assim como nos estudantes normovisuais3 a capacidade de ler e entender mapas em
tinta não é inata, a leitura de mapas em relevo não é uma habilidade automática para as
pessoas com deficiência visual. Desta forma, o leitor de mapas deve ser treinado para
reconhecer e entender o material em relevo. Faz-se necessário treino para entender a
semiologia gráfica empregada, para identificar os materiais utilizados nos pontos, linhas, e as
texturas para áreas. Assim como a semiologia gráfica empregada e a configuração do layout
do mapa e da legenda. O uso de mapas táteis deve levar em conta os níveis de complexidade
das representações, sendo que na escolha do mapa base é preciso estabelecer o nível de
desenvolvimento cognitivo do estudante, a experiência anterior, adequação a série que está
sendo cursada entre outros fatores. (NOGUEIRA, (2008); ALMEIDA, (2011); REGIS e
NOGUEIRA, (2013)).
Conhecer e saber lidar com a diversidade dos estudantes é um grande desafio do
professor, especialmente do professor de Geografia, que possui como base de repertório o
estudo da pluralidade que constitui e confere forma à sociedade. (NOGUEIRA, 2014). Neste
sentido propor um processo de ensino-aprendizagem que seja significativo, que contemple e
valorize as experiências dos alunos é imprescindível quando se fala em inclusão. É um desafio
de contínua superação, enquanto professores e pesquisadores, particularmente ao se pensar no
ensino de uma Geografia que valorize as diferenças.

Orientações para a confecção de mapas táteis empregando a metodologia LabTATE

3
Consideramos pessoas normovisuais aquelas que não possuem deficiência visual.
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

O mapa como meio de comunicação, está inserido em um processo cartográfico que


começa com a realidade (espaço geográfico) e se transforma em uma construção social e
cultural ao longo de várias etapas. Passa do tridimensional ao bidimensional, por reduções,
generalizações, codificação, produção e reprodução até chegar às mãos do leitor, onde ocorre
sua percepção, decodificação, análise e interpretação. (ALMEIDA, 2007). O processo de
confecção de um mapa tátil também passa por processos de forma análoga ao do mapa em
tinta. As etapas de produção de um mapa tátil e baixa visão, empregando a metodologia
LabTATE foram sistematizadas na Figura 1. Nesta imagem está representado um esquema
com as etapas que devem ser seguidas para a composição de mapas adaptados, sendo estas o
planejamento, a transformação e a confecção, estas serão explanadas nos parágrafos
seguintes.

Figura 1. Sistematização das etapas de confecção de um mapa tátil.

Fonte: Adaptado de Nogueira (2008). Modificado por Régis, 2018.

Etapa 1. Planejamento

A construção efetiva de um mapa tátil inicia-se com a etapa de planejamento, a mesma


se realizada corretamente é responsável por antecipar futuros problemas que inviabilizariam a
leitura e o entendimento do mapa por pessoas com deficiência visual. No planejamento são
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

escolhidos e analisados os mapas que servirão como base ao mapa tátil. Na escolha do mapa
base, é imprescindível que o mesmo seja de uma fonte confiável, como um atlas conceituado
ou órgãos governamentais, essa escolha visa garantir a fidedignidade das informações sobre
as quais se trabalhará. A escolha do mapa base deve levar em conta também a finalidade do
mesmo ou o que se objetiva com ele. A metodologia LabTATE fornece orientações para a
confecção de mapas para a mobilidade e mapas para o ensino. A distinção entre as duas
modalidades, se dá principalmente em relação à escala a ser empregada para tornar as
informações perceptíveis à leitura háptica. Nos mapas para a mobilidade, normalmente, a
escala requerida é grande, envolvendo coisas do mundo real que vai do metro a poucos
quilômetros. Essa representação espacial (de pontos ou áreas de referência) contribui para a
orientação e a mobilidade das pessoas com deficiência visual sobre o espaço mapeado. Já os
mapas para o ensino, assim como aqueles dos livros didáticos, usualmente, têm escalas
pequenas, abrangendo grandes áreas com menor detalhamento das mesmas.
Pensando no processo de confecção de mapas táteis, para que este mapa seja passível
de compreensão por estudantes com deficiência visual, emprega-se apenas uma temática por
mapa e um número limitado de seis classes por cada exemplar de mapa. Caso haja mais
classes a serem mapeadas de uma única temática, estas são apresentadas como uma coleção
de mapas. Estas definições são pensadas na etapa de planejamento, desta forma o mapeador
faz previamente a seleção das informações que irão ser representadas antecipando a
generalização conceitual, que posteriormente será empregada no processo de elaboração da
matriz gráfica do mapa.
Nesta etapa, também é considerado quais variáveis gráficas táteis serão empregadas.
Estas são definidas em virtude do modo de implantação das informações a serem
representadas, levando em consideração a natureza dos dados, se pontuais, lineares ou zonais.
Desta forma escolhem-se as variáveis gráficas táteis que vão conferir o aspecto tátil ao mapa,
conforme apontado anteriormente.
No processo de construção dos mapas convencionais, são utilizados pontos, linhas e
áreas que constroem a representação gráfica. Essas primitivas gráficas, no plano
bidimensional podem variar na forma, tamanho, orientação, cor, valor e textura para
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

espacializar os fenômenos representados, sendo conhecidas como variáveis gráficas ou


variáveis visuais, denominação dada por Jaques Bertin4.
As variáveis visuais de Bertin são destinadas e percepção das informações pelo sentido
da visão, no trabalho com as representações gráficas táteis não há a possibilidade de se
trabalhar com representações visuais. Como resolver esse dilema? Para tanto, são utilizadas as
variáveis gráficas táteis, que são adaptações de algumas das variáveis visuais de Bertin para a
leitura pelo tato.
Sobre as variáveis gráficas táteis, Nogueira (2008) afirma que as mais eficientes são a
textura, altura (relevo), forma, tamanho e os símbolos especiais, que são formas distintas que
devem proporcionar reconhecimento imediato sobre pontos específicos. Sendo que o tamanho
e a forma podem ser utilizados para representar informações lineares ou pontuais. E o padrão
e o volume devem ser aplicados para representar informações em área.
Outras considerações acerca das variáveis gráficas táteis pensadas na etapa de
planejamento referem-se aos conhecimentos específicos de como ocorre à leitura háptica
pelos deficientes visuais. Essa leitura apresenta alguns aspectos particulares a cada deficiente
visual, porém no geral através das pesquisas realizadas no LabTATE, pôde-se chegar a
algumas padronizações que têm sido avaliadas positivamente por grande parte dos deficientes
visuais que tiveram contato com os materiais elaborados com a metodologia.
Ao longo da trajetória do laboratório passou-se a adotar as seguintes medidas para que
as representações táteis possam ser lidas pelos deficientes visuais com êxito. Os mapas têm o
tamanho de folhas A4 ou A3, com o desenho da área total do mapa com no máximo 40 cm,
sendo estes tamanhos considerados adequados para o entendimento pela leitura háptica do que
foi representado.
Outra padronização definida é relacionada à variável gráfica “tamanho”. Estabeleceu-
se através de testes um tamanho mínimo e um máximo para informações pontuais, sendo este
0,2 centímetros, unidade mínima que pode ser discriminada pelo tato, até o tamanho de 1,3
centímetros, passando deste a informação pontual pode ser interpretada erroneamente como
área. As feições lineares são passíveis de decodificação quando o menor tamanho é em torno
de 1,3 centímetros, linhas menores que isso podem ser interpretadas como símbolo pontual.
(NOGUEIRA, 2008)

4
Cartógrafo e teórico francês, que identificou as variáveis visuais por volta de 1960 e teve seus trabalhos traduzidos
para diversas línguas inclusive para o português em 1986.
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

No planejamento considera-se ainda o modo de produção e reprodução da matriz tátil.


No LabTATE estas matrizes são elaboradas no computador e depois de impressas vão
receber artesanalmente as informações táteis e por fim serão reproduzidas através do processo
de termoformagem. Neste processo é realizada a modelagem do plástico, em uma máquina
chamada Thermocopy que através dos processos de aquecimento e vácuo vai reproduzir o
relevo das matrizes táteis em um plástico, como se fosse uma cópia da matriz. Levando em
consideração que é um processo realizado em altas temperaturas não se pode utilizar nas
matrizes táteis materiais inflamáveis como isopor e plásticos, assim com não é aconselhável o
uso de materiais que se deformam com o aumento da temperatura como E.V.A. e alguns
papeis emborrachados.
Ao finalizar a etapa de planejamento já se tem uma base de como será o produto final,
qual a escala, como será o contorno, quantas classes serão representadas e quais as variáveis
gráficas serão utilizadas, assim como que materiais serão empregados e o modo de produção e
reprodução deste mapa tátil. Sendo esta etapa uma das mais importantes no processo ela deve
ser realizada com acurácia, para antecipar problemas e garantir a eficácia do mapa tátil a ser
confeccionado.

Etapa 2. Transformação
A segunda etapa do processo de confecção de mapas táteis é a transformação. Aqui
descreveremos as etapas a serem seguidas considerando um software de desenho gráfico.
Porém, os mapas podem ser elaborados totalmente de forma manual, utilizando para isto o
mapa base, uma folha de papel vegetal e realizando os procedimentos detalhados a seguir
manualmente. Para exemplificar os procedimentos empregados na transformação das
informações de um mapa em tinta para a base de um mapa tátil, adotou-se como exemplo o
mapa do município de Florianópolis, elaborado na dissertação de Régis, 2016.
O primeiro passo da elaboração dos mapas é determinar o contorno. Como base
escolheu-se o mapa de Geomorfologia5, de Horn Filho (2006). Para a elaboração desse
contorno foi utilizado o software Inkscape 0.486, que é um software de desenho gráfico livre.
A construção dos mapas no software foi iniciada com a importação dos mapas que serão

5
Mapa disponível em: http://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_sigercom/_arquivos/sc_erosao.pdf.
6
Para saber mais acesse o site inkscape.org
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

utilizados como base para produzir os mapas táteis. Em seguida, com a ferramenta Bézier7 é
feito o contorno do mapa, ver Figura 2.
Figura 2 - Município de Florianópolis, contorno vetorizado no Inkscape.

Fonte: Horn Filho (2006), Régis (2016).


Para a transformação de qualquer mapa tátil os processos de generalização devem ser
considerados de fundamental importância. Na confecção de mapas adaptados estes são
empregados de maneira análoga à generalização dos mapas em tinta, porém com algumas
ressalvas. Enquanto a generalização é usada, no segundo caso quando se faz redução da escala
cartográfica, na adaptação de mapas táteis ela é usada para produzir mapas na mesma escala
ou em escala maior, pela necessidade de reduzir detalhes no mapa tátil, de forma que possam
ser lidos pelas mãos (NOGUEIRA, 2009).
Conforme Nogueira (2009) o processo de generalização gráfica envolve a forma como
serão apresentadas as informações nos mapas, sendo que nessa fase emprega-se: a
simplificação onde se aplica a suavização das feições lineares, para possibilitar que
posteriormente sejam coladas as linhas que conferirão o aspecto tátil ao mapa. O
deslocamento que é utilizado para garantir a legibilidade de todos os símbolos, evitando que
ao ficar muito próximos, o tato não consiga diferenciá-los. Aglutinação que é necessária para
o agrupamento de elementos ou feições de mesma categoria que estão muito próximas e a
seleção, sendo o processo que estabelece o número de feições de uma classe que serão
representadas ou omitidas no mapa.
Os processos envolvidos em generalização conceitual são inerentes aos conceitos que
serão representados nos mapas táteis, este é responsável pela adaptação das informações para
que possam ser compreendidos pelo público de estudantes em geral e devem levar em
7
Ferramenta disponível no software inkscape, para a construção dos polígonos.
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

consideração as necessidades de adaptações para a leitura pelos estudantes com deficiência


visual.
Sobre o processo de generalização conceitual destacam-se três procedimentos que
podem ser empregados para essa adaptação dos conceitos nos mapas sendo estes: A
aglutinação que não poderá ser realizada sem um conhecimento técnico, uma vez que terá
influência na legenda do mapa, em virtude do aparecimento ou desaparecimento de algumas
classes. A seleção neste contexto exige um conhecimento sobre a área mapeada, pois uma
feição pode ser eleita em detrimento à outra de menor importância que ocupem a mesma área
e a simbolização que compreende a criação de símbolos para representar fenômenos inseridos
no espaço mapeado. (NOGUEIRA, 2009)
As generalizações ganham destaque na confecção dos mapas táteis e devem ser
observadas durante todo o processo de elaboração dos mesmos. Para que o mapa atenda as
exigências de leitura, destaca-se ainda a necessidade dessas representações serem construídas
por profissionais que tenham conhecimentos de cartografia e principalmente de como ocorre à
leitura tátil, tendo em vista a carência desse tipo de material confeccionado adequadamente
(NOGUEIRA, 2008).
Depois de terminado o contorno, os mapas temáticos são confeccionados com base na
adaptação e generalizações das informações obtidas no mapa em tinta. Nesta etapa são
empregadas as variáveis gráficas definidas no planejamento e em seguida é acrescentado o
layout, padronizado pelo LabTATE8. Este layout tem como finalidade facilitar o acesso à
informação sobre o mapa, por isto na parte superior, encontra-se o Norte, o título, e a escala,
dentro de dois quadros, possibilitando ao deficiente visual buscar o Norte (representado por
um ponto e uma linha abaixo, conforme mostra a Figura 3, para posicionar a folha de forma
correta e iniciar a leitura. No mesmo quadro do Norte também está a escala do mapa, a qual é
apresentada sob a forma gráfica, devendo ser adaptada para o tamanho da ponta do dedo
indicador do deficiente visual, aproximadamente 1,3 centímetros. Isto vai permitir que o
estudante cego possa realizar medidas diretas no mapa. Logo abaixo da escala gráfica está
escrito em Braille a distância correspondente. No caso do mapa do município de Florianópolis
1,3 centímetros no mapa equivale a 3 quilômetros no terreno.

8
Para saber mais sobre a padronização desenvolvida pelo LabTATE consulte Nogueira (2008) e (2009), Régis e
Nogueira (2013). Para conhecer o catálogo de símbolos padronizados pelo LabTATE acesse
www.labtate.ufsc.br.
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

Figura 3. Layout LabTATE.

Fonte: Régis (2016).


Quanto à padronização de elementos e de simbologias para os mapas táteis, como já
afirmava Nogueira (2008), não existem padrões cartográficos táteis aceitos mundialmente ou
mesmo nacionalmente, mesmo hoje em 2018, nem mesmo se sabe se algum dia haverá,
devido a questões socioeconômicas e estágio de desenvolvimento tecnológico diferenciado.
Cada instituição cria seus padrões e estabelece normas internas para a cartografia tátil,
tomando como base a matéria-prima existente, o grau de desenvolvimento tecnológico, a
acessibilidade e o preparo dos deficientes visuais para uso desses produtos.
Terminada a base do mapa tátil é possível adaptá-lo também para que possa ser lido
por pessoas com baixa visão. Os mapas baixa visão são mapas adaptados que recebem no seu
processo de confecção características que permitem a leitura dos mesmos por indivíduos que
possuem baixa-visão. Embora não exista um padrão de percepção visual nas pessoas que
possuem baixa-visão o que faz com que cada indivíduo enxergue de forma distinta, algumas
pesquisas foram feitas no LabTATE e com base nestas se desenvolveu orientações para
adaptação dos materiais táteis para que possam ser lidos por pessoas que possuem restrições
visuais não tão severas.
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

Esse padrão consiste em utilizar a matriz digital dos mapas táteis e ressaltar a
espessura das linhas, utilizar cores fortes e contrastantes no lugar das texturas em alto relevo,
como rosa pink, verde flúor, amarelo e ciano e, ao invés da utilização do alfabeto Braille,
utiliza-se o alfabeto romano nos textos, porém, para que possam ser lidas as fontes recebem o
tamanho 32, conforme pode ser observado na Figura 4.

Figura 4. Mapa de Geomorfologia Baixa visão

Fonte: Régis, 2016.


Os mapas de baixa visão são mapas que contemplam também as pessoas sem
deficiência visual, pois podem ser lidos e compreendidos por pessoas que enxergam. São bem
coloridos tornando-se atrativos aos estudantes sem deficiência visual e podem ser utilizados
por todos os estudantes em sala de aula fazendo que sejam materiais realmente inclusivos.
Finalizando essa etapa, é necessária a adaptação das legendas dos mapas táteis, este
processo é complexo e se inicia na etapa de planejamento dos mapas, sendo resultado direto
desta etapa. As adaptações necessárias à confecção das legendas não são apenas a transcrição
do alfabeto romano para o alfabeto Braille, mas também a adaptação e simplificação de
conceitos geográficos para o público de estudantes.
Embora por vezes o profissional que está construindo os mapas táteis não se dê conta,
a construção da legenda é um processo que vem sendo feito durante toda a etapa
transformação do mapa, quando é feito o processo de generalização conceitual ou a “seleção”
das informações já se tem em mente que essa seleção dos fenômenos a serem representados
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

altera a legenda. A utilização de simbolismos para representar informações também repercute


na legenda, entre outros fatores.
Usualmente procura-se simplificar as informações contidas nas referências utilizadas
como base, algumas das informações contidas nas legendas dos mapas base têm que ser
suprimidas, outras trocadas por sinônimos ou termos mais adequados para os estudantes. Para
exemplificar veja a Figura 5, onde se pode observar a legenda do mapa Geomorfológico
utilizado como base, a legenda do mapa tátil ainda sem o Braille e a legenda em baixa visão.
Para que o mapa se adeque a finalidade de ensino, as informações técnicas do mapa base
foram adaptadas e simplificadas de uma forma que pudessem ser compreendidas pelos
estudantes sem, no entanto, haver prejuízo aos conteúdos apresentados.

Figura 5. Elaboração de legendas.

Fonte: Régis (2016)

Nos mapas baixa visão a legenda, mantém o mesmo layout das legendas em Braille,
somente são identificadas as cores contrastantes utilizadas nos mapas e as simbologias, sendo
que todas as informações são transcritas em fonte com tamanho 32.

Etapa 3. Confecção

Ao longo dos parágrafos acima, foi sintetizado brevemente como são planejados os
mapas táteis e transformados a partir de um mapa visual, empregando a metodologia
LabTATE. A última etapa é a confecção artesanal do mapa. Para tanto ao finalizar a etapa 2,
é gerado um mapa base, (mapa adaptado) que pode ficar guardado em meio digital e também
ser impresso em uma folha de papel cartão. Com o mapa base impresso, inicia-se o processo
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

de confecção das matrizes táteis, isto é, são adicionadas cordões para dar aspecto tátil à
moldura e quadros que compõe o layout. São construídas em relevo as simbologias e o todo o
restante que foi representado recebe materiais específicos que conferem o aspecto tátil e que
são passíveis de decodificação pelas pessoas com deficiência visual.
Na metodologia LabTATE para representar informações pontuais utiliza-se miçangas
de formas e tamanhos diferenciados, letras e números em Braille. Para as informações
lineares, contorno e layout empregam-se linhas, cordões e rosários de espessuras diferentes.
Para as áreas faz-se uso de texturas distintas, étamine grosseiro e fino, feltro, cortiça, papel
sanfonado, juta, papeis aveludados, E.V.A. e papeis emborrachados (estes últimos são usados
somente se o mapa não for passar pelo processo de termoformagem). Algumas áreas também
podem ser representadas por polígonos fechados com linha de gramatura mais fina do que a
linha limítrofe e identificada com letras ou números em Braille.
Depois de colados os elementos táteis, as informações textuais do mapa são digitadas
em Braille. O alfabeto Braille permite a leitura e escrita por pessoas com deficiência visual. A
transcrição das informações dos mapas e legendas é feita manualmente utilizando a máquina
de escrever Perkins. Para finalizar os mapas as informações em Braille são adicionadas a
matriz e os dados da legenda são colados em uma folha de papel cartão, preparada
previamente com o layout LabTATE, adaptado para a forma tátil, sendo que a única
diferenciação do layout da legenda para o dos mapas é que a palavra “legenda” é acrescentada
no lugar da informação da escala. Na legenda os símbolos e texturas são representados com
seus respectivos materiais e identificados com textos em Braille.
Encerrando as orientações para a confecção de mapas adaptados, destaca-se a
necessidade dos mapas baixa visão serem impressos em uma impressora a laser calibrada
para garantir que as tonalidades empregadas nos mapas confeccionados no software sejam as
mesmas nos mapas impressos.
Finalizando o processo de confecção dos mapas táteis e baixa visão, estes devem ser
submetidos ao processo de avaliação. Uma das etapas mais importantes do processo de
confecção de um mapa adaptado é a avaliação do mesmo por pessoas com deficiência visual.
A avaliação por pessoas com deficiência visual, sempre que for possível, é
recomendada para garantir a legibilidade do material. Ela serve para corrigir possíveis
inconsistências no Braille e/ou ruídos na leitura háptica que não foram observados no
processo de construção. Sobre a avaliação um dos colaboradores deste processo destaca que:
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

“O tato tem suas particularidades, nem sempre o que é belo de um ângulo visual é funcional
ao tato. Desta forma o trabalho conjunto de quem está construindo o mapa tátil e pessoas com
deficiência visual é imprescindível para saber se o material está correto, se consegue
transmitir as informações, enfim se cumpre a finalidade a que se propõe”. O colaborador
finaliza a sua resposta com a seguinte questão “quem melhor que uma pessoa cega para dizer
o que é melhor para ela? Ninguém pode saber o que é melhor para um cego do que ele
mesmo!”.
Posteriormente a avaliação, as matrizes táteis podem ser levadas
à máquina Thermocopy para reprodução em plástico, conforme mostra a Figura 6.

Figura 6 - Detalhe do mapa finalizado na Thermocopy.

Fonte: Régis (2016)


O processo de termoformagem permite que os mapas se tornem mais resistentes e
possam ser manuseados pelos deficientes visuais sem perderem informações por estas
descolarem da matriz, ou deformarem através de contato com água ou no transporte.

Considerações finais

Nos últimos anos vivencia-se um momento histórico privilegiado em que a legislação


para a inclusão educacional começa a ser implantada com o comprometimento da comunidade
escolar e do governo para que estes estudantes sintam-se incluídos no sistema regular de
ensino. Com isto, a inclusão escolar gradualmente passa a ser observada no ambiente escolar,
nas investigações de pesquisadores, nas ações de professores, na organização das escolas e na
oferta de recursos didáticos adaptados. Embora estas práticas ainda estejam em estágios
iniciais, podem contribuir para a inserção dos estudantes com deficiência em um ambiente
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

escolar mais inclusivo e preparado para atender as particularidades presentes na diversidade


de sujeitos encontrados no sistema regular de ensino.
Falar de Cartografia Tátil de forma acessível, para estudantes, professores e
profissionais da escola inclusiva, desmistificando os procedimentos para confecção de mapas
adaptados foi uma necessidade identificada nas oficinas e cursos de capacitação oferecidos a
professores e graduandos dos cursos de Geografia. Estes em sua grande maioria consideram o
processo de confecção de um mapa tátil complexo e de difícil reprodução devido à quantidade
de informações e procedimentos que este demanda. O processo de criação de produtos
cartográficos táteis é uma ferramenta fundamental para o processo de compreensão da
realidade espacial pelos deficientes visuais. Estabelecer uma base metodológica e técnica para
criação de cartografia tátil especialmente para pessoas cegas e com baixa visão constitui um
desafio e uma necessidade ao se pensar na inclusão de estudantes com deficiência visual no
ensino de Geografia.
Ainda que tenhamos escrito em outras oportunidades sobre o processo de elaboração
de mapas táteis, continuamos sentindo a necessidade de continuar fazendo devido a constante
consulta para darmos cursos, ou de visitas ao LabTATE para conhecer os mapas táteis.
Buscamos aqui trazer o detalhamento da metodologia LabTATE para confecção de mapas
táteis e baixa visão. Nosso propósito com isso é facilitar a consulta e a reprodução da mesma
pelos interessados em fazer mapas táteis eficientes. Acreditamos que a divulgação de
metodologias, pesquisas e experiências de inclusão efetuadas no ambiente acadêmico devem
chegar ao ambiente escolar,pois é lá que se vivencia a inclusão em primeira instância. O apoio
da universidade pode auxiliar professores e a comunidade escolar a se mover em prol de uma
educação inclusiva. Visto que, a diversidade social, em tempos de normalização,
homogeneização de pensamentos e práticas, de universalização, é uma necessidade política,
um desafio constante e um compromisso, que enquanto pesquisadores no campo da educação
e professores não podemos nos esquivar.

Referências

ALMEIDA, R.A. de. A Cartografia Tátil na USP: duas décadas de pesquisa e ensino. In:
FREITAS, M. I. C. de; VENTORINI, S.E. (Orgs). Cartografia Tátil: Orientação e
Mobilidade às pessoas com deficiência visual. Jundiaí: Paco Editorial, 2011.
REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. . Do mapa em tinta ao mapa tátil: mapas cognoscíveis por estudantes com
deficiência visual. In: MARTINS. Rosa Elizabete Militz W. et. al. (Orgs.). Educação Geográfica em
Movimento. 1ed. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019, v. 1, p. 233-249.

ALMEIDA, R. A.. A cartografia tátil no ensino de Geografia: teoria e prática. In: ALMEIDA,
Rosângela Doin de. Cartografia Escolar. São Paulo: Contexto, 2007. p. 119-144.

BRASIL. Lei nº 5296/04, Lei de Acessibilidade, de 2 de dezembro de 2004. Disponível em:


http://www.acessobrasil.org.br/index.php?itemid=900. Acesso em: jul. 2018.

FREITAS, M. I. C. de; VENTORINI, S.E. (Orgs). Cartografia Tátil; Orientação e


Mobilidade às pessoas com deficiência visual. Jundiaí: Paco Editorial, 2011.

NOGUEIRA, R. E. Cartografia Tátil: mapas para deficientes visuais. Portal da Cartografia.


Londrina, v.1, n.1, maio/ago., p. 35 - 58, 2008.

______ (Org). Motivações hodiernas para ensinar geografia: representações do espaço


para visuais e invisuais. Florianópolis: Nova Letra Gráfica e Editora, 2009.

_____. A disciplina de Geografia na Escola Inclusiva. In: Martins, R. E. M. W.; Tonini, I.


M..; Goulart, L. B. (Org.). Ensino de Geografia no Contemporâneo: experiências e
desafios. EDUNISC: Santa Cruz do Sul, 2014.

REGIS, T. C.; NOGUEIRA, R. E. Contribuição para o ensino-aprendizagem de geografia: a


padronização de mapas táteis. In: 14° Encontro de Geógrafos da América Latina:
'Reencuentro de Saberes Territoriales Latinoamericanos'. 2013, Anais... Lima/ Peru. 14º
EGAL, 2013.

RÉGIS, T. C. Um estudo para elaboração de atlas municipal na perspectiva da educação


geográfica inclusiva. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina,
Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Geografia,
Florianópolis, 2016.