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UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE – UNESC

UNIDADE ACADÊMICA DE SAÚDE - UNASAU


CURSO DE PSICOLOGIA

CUIDANDO DE QUEM CUIDA (RÁ): INTEGRALIDADE NA


FORMAÇÃO ACADÊMICA EM ENFERMAGEM

ACADÊMICA: FRANCIÉLI FRANCESCONI


ORIENTADORA: DIPAULA MINOTTO DA SILVA – MESTRA
(UNESC)

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CUIDANDO DE QUEM CUIDA (RÁ): INTEGRALIDADE NA
FORMAÇÃO ACADÊMICA EM ENFERMAGEM

BANCA
FABIANE FERRAZ - DOUTORA (UFSC)

JOÃO ANDRÉ RODRIGUES - ESPECIALISTA (ENSP FIO CRUZ)

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JUSTIFICATIVA
o Estágio hospital;
o Cuidado ao cuidador, e corresponsabilidade do cuidado;
o Atenção a saúde mental do acadêmico;
o Práticas alternativas de cuidado;

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OBJETIVO GERAL
o Compreender como as práticas de integração relacionadas as habilidades
sócio emocionais desenvolvidas junto aos estudantes de enfermagem
durante as aulas, contribuem para a sensibilização sobre a integralidade
em saúde.

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OBJETIVOS ESPECÍFICOS
o Caracterizar os estudantes de enfermagem da oitava fase quanto aos
aspectos psicossociais;

o Identificar quais habilidades sócio emocionais promovidas por meio de


exercício de práticas de integração, os estudantes conseguem exercer no seu
cotidiano acadêmico;

o Analisar a noção de cuidado de si dos estudantes a partir de sua trajetória


na graduação;

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METODOLOGIA
o Pesquisa qualitativa do tipo exploratória descritiva.
o Segundo semestre de 2019.

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PARTICIPANTES
o 32 acadêmicos da 8º fase do curso de Enfermagem da Unesc,
matriculados na disciplina de Psicologia Aplicada à Saúde;
o 21 responderam ao questionário;

7
INSTRUMENTOS
o Questionário elaborado conforme a necessidade da pesquisa;
o Formulário do Google Docs.
o Questões de múltipla escolha: Sexo, idade, cor, estado civil, religião,
rotina diária, horário de estudo, questões financeiras referente a
Universidade e cuidado com a saúde.
o Questões abertas: Habilidades sócio emocionais, momentos de
autocuidado na graduação, relevância destes momentos.

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ASPECTOS ÉTICOS
Apenas quando passar pelo comitê de ética, incluir estes dados.

Avaliação do Projeto pelo Comitê de Ética Institucional (Protocolo


XX/XXX) e pelo CONEP;

Assinatura do Termo de Consentimento livre e esclarecido;

Garantia de zelo e sigilo pelas informações fornecidas.

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INTRODUÇÃO
Atualmente, em decorrência da transformação dos
processos produtivos, a demanda Universitária foi
modificada, passando a ocorrer concomitante ao
trabalho, incentivando e aumentando número de
trabalhadores-estudantes nas Universidades.

(Santos,2013)

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Exercício profissional
+
Estudo
+
Demais responsabilidades
=

11
o A enfermagem sendo uma profissão comprometida com o
cuidado e melhoria da qualidade de vida do outro, e por isso
torna-se necessário que o profissional possua boas condições
de vida e de trabalho.

o Cuidar de si para cuidar do outro.

Fontana e Brigo (2011)

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o MEC – via pacto Universitário em respeito as diversidades e
promoção da cultura de paz – incentivou as instituições de ensino
superior a investirem em ações de cuidado e promoção de saúde
mental dos estudantes.

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o Práticas de habilidades sócio emocionais com base na
integralidade:

Bem-estar do acadêmico;
Olhar diferencial que considera todo o indivíduo em seu aspecto
integral;
Enfermeiros mais capacitados para cuidar;

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RESULTADOS

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PERFIL
oSexo/gênero - 19 mulheres e 2 homens;
oCor: 19 brancos, 1 negro, e 1 pardo.
oIdades entre 18 a 30 anos;
oEstado civil: 3 estão casados (as) ou em união estável, 1 divorciado (a) e 17
solteiros (as);
oReligião: 13 católicos, 3 evangélicos, 2 espiritas, 1 espiritualista, 1 cristã sem
seguir religião.

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ROTINA
o 1 acadêmicos relata apenas estudar,
o 7 trabalham e estudam,
o 13 trabalham, estudam e realizam afazeres domésticos com algum tipo
de apoio.

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TEMPO PARA ESTUDO
o 8 relatam possuir um período do dia para estudar;
o 4 estudam nos intervalos do trabalho;
o 4 nos finais de semana;
o 2 a noite (período de sono);
o 1 consegue realizar seus estudos apenas antes das aulas;

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ASPECTOS FINANCEIROS
o 3 dos destes relatam que possuem bolsa integral;
o 5 possuem bolsa parcial e trabalham para complementar a mensalidade;
o 5 contam com ajuda financeira dos pais e/ou familiares;
o 5 contam com o apoio de pais e familiares, mas ainda sim precisam
trabalhar para complementar o valor das mensalidades;
o 2 trabalham para pagar 100% das mensalidades;
o 1 possui financiamento parcial;

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O QUE VOCÊ FAZ PARA
CUIDAR DA SUA SAÚDE?
o 61,9% responderam que possuem o hábito de lazer e recreação,
o 28,6% relatam que fazem atividade física,
o 23,8% apontam uso de medicação,
o 19% apontam a fé ou religião,
o 9,5% dizem praticar meditação,
o 4,8% dizem utilizar prática integrativas e complementares (PICs),
o 4,8% dizem procurar algum recurso apenas em caso de adoecimento.
o Nenhum acadêmico faz psicoterapia.

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EM QUE MOMENTOS NA GRADUAÇÃO
VOCÊ SE SENTIU ESTIMULADO A
REALIZAR PRÁTICAS DE
AUTOCUIDADO?

o 14 estudantes afirmaram que foi durante as aulas de Psicologia Aplicada


a Saúde;
o 2 acadêmicos responderam que em momentos que se sentiram
estressados, emotivos ou entrando em depressão;
o 2 quando perceberam a importância de cuidar do paciente;
o 2 desde que iniciaram a graduação praticam exercícios e possuem
momentos de lazer;
o 1 no meio da graduação;

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QUAL A RELEVÂNCIA E IMPORTÂNCIA
DAS VIVÊNCIAS, BEM COMO OS
BENEFÍCIOS QUE A MESMA OS TROUXE
PARA O SEU DIA-A-DIA?

o 90,5% dos sujeitos de pesquisa consideram a muito relevante;


o 9,5% relevante;

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Quais habilidades sócio
emocionais, promovidas pelos
exercícios de integração você
têm conseguido aplicar no
dia-a-dia?

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ESCUTA QUALIFICADA.

o “tenho um ouvir mais atento a todos ao meu redor, buscando sempre


ouvir o outro como um todo, não somente a sua queixa” (A.F.1)
o “ouvir se tornou algo mais comum, a paciência para ouvir e o respeito
a fala da pessoa, na minha vida acadêmica, profissional e pessoal”
(A.F.2)
o “ouvir o que a outra pessoa tem para dizer sem ter que dar alguma
opinião ou julgá-la, foi uma prática que sempre tento aplicar, pois faz
bem tanto para mim, quanto para o outro indivíduo” (A.F.3)

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DESENVOLVIMENTO DA
EMPATIA

o “ o que mais apliquei foi empatia, humanização e a ética... perceber as


pessoas com um olhar mais atento e interessado. ” (A.F.4)
o “aprender a ouvir e ajudar o próximo não só como o ‘paciente do leito
10’, mas sim como ser humano, sabendo que por trás desse ser humano
existe uma vida, uma família...”. (A.F.5)
o“no trabalho e no dia a dia consigo usar a humanidade, a empatia, a
generosidade, o olhar... me coloco no lugar dele e tento fazer o máximo
que estiver ao meu alcance para ajuda-lo”. (A.F.6)

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AUTO PERCEPÇÃO E
AUTOCUIDADO

o “No curso de enfermagem nós sempre aprendemos a tratar as pessoas,


ouvi-las, cuidar, dar atenção, tempo e suporte preciso e possível sempre,
independente de como estamos no momento, é a nossa obrigação. Não
nos ensinam a nos cuidar para que o cuidado com o outro seja melhor, é
sempre a outra pessoa, ignorando o fato de que se não estamos bem, o
cuidado não será bom. Com as aulas começamos a olhar um pouquinho
para nós mesmos, fazendo o autocuidado com nós mesmos. ” (A.F.2)

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AUTO PERCEPÇÃO E
AUTOCUIDADO

o “A psicologia nos trouxe, que devemos nos preocupar com nosso eu


interior, nos voltando para dentro e entendendo nossos medos e
inseguranças para conseguir direcionar e diferenciar nossos sentimentos
com os dos pacientes. Ao chegar em casa também aplico técnicas de
psicologia, como a meditação guiada que aprendemos na aula para irar
o stress do dia cansativo e poder dormir mais tranquila. ” (A.F.8)
o “Para mim fora de grande importância aprender a conhecer a si
próprio, no momento de “terapia”, o quanto é importante parar alguns
minutos para tomar uma decisão importante, e refletir sobre a vida no
momento difícil”. (A.F.10)

27
DISCUSSÃO
O perfil acadêmico dos sujeitos de pesquisa nos mostram que mais da
metade possuem uma rotina agitada, não se dedicando somente para as
questões acadêmicas, além da responsabilidade financeira para se manter
nesta.
Nenhum acadêmico faz psicoterapia ou tem algum acompanhamento
psicológico, e todos os sujeitos acham relevante momentos em que
podem cuidar de si através de práticas integrativas na graduação.

28
DISCUSSÃO
O desenvolvimento da prática da escuta qualificada e da empatia está
ligada ao acolhimento.
Ambas são ferramentas no processo de cuidado que possuem grande
importância no processo terapêutico, podendo influenciar no seu
sucesso.
O acolhimento e o atendimento integral são princípios do SUS,
tornando-se essencial na vida profissional de um (a) enfermeiro (a).
O princípio da integralidade constitui-se como eixo norteador da
formação na área da saúde. Ele provoca discussões e reflexões sobre o
perfil do profissional que se pretende formar.
(Lima, et al, 2011)

29
DISCUSSÃO
A construção de profissionais da área da enfermagem mais saudáveis e mais
humanos, deve-se iniciar desde o princípio da graduação, pois através dela
potencializa-se a capacidade destes de cuidar e intervir, além de possibilitar o
aprendizado em equipe.

O autocuidado é o passo mais importante para o desenvolvimento de


profissionais de enfermagem mais atenciosos, humanizados, prestativos,
empáticos e mais saudáveis.

O investimento das Universidades em práticas integrativas de atenção e cuidado


ao estudante, deve visar não só a qualidade dos profissionais formados, mas
também a qualidade de vida de cada aluno.

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CONCLUSÃO
A pesquisa pode salientar a necessidade e a importância do cuidado e atenção aos acadêmicos do curso de
enfermagem durante a graduação resinificando o contexto de cuidado, e atenção, tanto em suas vidas profissionais,
pessoais, e para consigo mesmo.

A construção de profissionais da área da enfermagem mais saudáveis e mais humanos, deve-se iniciar desde o
princípio da graduação, pois através dela potencializa-se a capacidade destes de cuidar e intervir, além de possibilitar o
aprendizado em equipe.

Através da mesma também pode-se confirmar a extrema necessidade das Universidades investirem em opções
alternativas de cuidado para com os acadêmicos.

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SUGESTÕES E OU
ENCAMINHAMENTOS
Sugere-se que o tema seja ainda mais trabalhado por futuros pesquisadores,
principalmente no que diz respeito a opções de atendimento psicológico
ofertados pelas Universidade, e o motivo da não procura dos acadêmicos
frente a este.

32
REFERÊNCIAS
ALVARENGA, Cristiano. Pesquisa revela perfil do estudante universitário
brasileiro. Comunica UFU. 2019 . Disponível em:
http://www.comunica.ufu.br/noticia/2019/05/pesquisa-revela-perfil-doestud
ante-universitario-brasileiro. Acesso: 06 de novembro de 2019.
CORREA, Adriana Katia, et al. O perfil do aluno ingressante em um curso
de bacharelado e licenciatura em enfermagem de uma instituição de ensino
superior pública. Educ. rev., Belo Horizonte, v. 34, e185913, 2018
ESPERIDIÃO, Elizabeth; et al. A saúde mental do aluno de Enfermagem:
revisão integrativa da literatura. SMAD, Rev. Eletrônica Saúde Mental
Álcool Drogas. p. 144- 153. Set-Dez 2013.
FERRAZ, Fabiane. Cuidar-educando em enfermagem: passaporte para o
aprender/educar/cuidar em saúde. Rev. bras. enferm. Brasília, v.58, n.5,
p.607- 610, Oct. 2005.
33
REFERÊNCIAS
FONTANA, Rosane Teresinha; BRIGO Lariane. Estudar e Trabalhar:
Percepções de Técnicos de Enfermagem dobre esta escolha. Esc. Anna
Nery Rev. Enferm. (impr) 2011 jan-mar; 16 (1):128- 133
LIMA, Margarete Maria, et al. Integralidade na Atenção à Saúde e na
Formação do Enfermeiro: Análise da Literatura. Sau. & Transf. Soc.,
ISSN 2178-7085, Florianópolis, v.1, n.2, p.155-162, 2011.
MATTOS, Ruben Araújo de. A integralidade na Prática (ou sobre a
prática da integralidade). Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.
20, p. 1411- 1416, 2004.
MONTEIRO, Claudete Ferreira de Souza; MEDEIROS, Jairo Francisco
de Freitas; RIBEIRO, Artur Assunção Pereira. Estresse no cotidiano
acadêmico: o olhar dos alunos de enfermagem da Universidade Federal
do Piauí. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, Rio de Janeiro, v.
11, n. 1, p. 66-72, mar. 2007.

34
REFERÊNCIAS
SANTOS, Boaventura de Sousa. Pela mão de Alice: o social e o político
nos pós modernidade. 14ª ed. São Paulo: Cortez, 2013. SANTOS,
Viviane E. P.; RADÜNZ, Vera. O Estresse de acadêmicas de
Enfermagem e a segurança do paciente. Rev. Enferm. UERJ, Rio de
Janeiro, 2011 out/dez; 19(4):616-20.
SILVEIRA Celeste et al, Saúde mental em estudantes universitários. Acta
Med Port. 2011; 24(S2): 247-256
SOUZA, Marcio Costa, et al. Integralidade na atenção à saúde: um olhar
da Equipe de Saúde da Família sobre a fisioterapia. O Mundo da Saúde,
São Paulo. 2012; 36 (3): 452-460.

35
Obrigado!

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UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE – UNESC
UNIDADE ACADÊMICA DE SAÚDE - UNASAU
CURSO DE PSICOLOGIA

CUIDANDO DE QUEM CUIDA (RÁ): INTEGRALIDADE NA


FORMAÇÃO ACADÊMICA EM ENFERMAGEM

ACADÊMICA: FRANCIÉLI FRANCESCONI


ORIENTADORA: DIPAULA MINOTTO DA SILVA – MESTRA
(UNESC)

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