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12/12/2018 Qorpus

Pós-modernismo e Pós-estruturalismo:
semelhanças de família – Valteir Vaz

Pós-modernismo e Pós-estruturalismo: semelhanças de família

Valteir Vaz*

“O sentimento de que não estamos destinados a completar o projeto da modernidade (a frase


é de Habermas) e de que nem por isso necessitamos cair na irracionalidade ou no frenesi
apocalíptico e o sentimento de que a arte não persegue exclusivamente um telos de
abstração, não-representação e sublimidade têm aberto um leque de possibilidades para os
esforços criativos atuais. De certo modo, isso altera nossa concepção do próprio modernismo.
Em vez de carmos atados a uma história unilinear da modernidade que a interpreta como
desdobramento lógico em direção a um objetivo imaginário, e portanto fundada numa série
de exclusões, começamos a explorar suas contradições e contingências, suas tensões e
resistências internas a seu próprio movimento “para adiante”. O pós-modernismo está longe
de tornar o modernismo obsoleto. Pelo contrário, ele joga uma nova luz sobre o modernismo
e se apropria de muitas de suas estratégias e técnicas estéticas, inserindo-as e fazendo-as
trabalhar em novas constelações” (Andreas Huyssen, “Mapeando o pós-moderno”. In:
Hollanda, Heloisa Buarque. Pós-modernismo e política. Rio de Janeiro: Rocco, 1991, pp. 15-80).

A passagem acima é parte do ensaio “Mapeando o pós-moderno”, do crítico Andreas Huyssen.


Trata-se de um ensaio longo dedicado a já bastante conhecida polémica teórica entre
Modernismo e Pós-modernismo. A tônica dominante do ensaio recai nas tensões entre o Pós-
modernismo com o Modernismo e as Vanguardas Históricas. Particularmente no trecho
citado, se encontra um dos núcleos duros do ensaio ou, se quisermos, é justamente aí que
reside a tese fundamental sobre a qual está travejada a arquitetura discursa do ensaio, qual
seja, a de que as produções artísticas a partir os anos 1960 já não cabem mais na moldura
conceitual “modernismo/vanguardismo”. E é exatamente desse “fracasso” do modernismo
que, segundo, Huyssen nasce o Pós-modernismo:

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Eu diria que as artes contemporâneas – no sentido mais amplo possível, quer se


autodenominem pós-modernistas ou rejeitem esse rótulo – já não podem ser consideradas
uma nova fase na sequência dos movimentos modernista e vanguardista que começaram em
Paris nas décadas de 1850 e 1860 e que mantiveram vivo um ethos de progresso cultural e
vanguardista até a década de 1960. (Huyssen, op. cit. p.74)

Mas embora o Pós-modernismo denuncie a fragilidade do Modernismo em incorporar a


produção contemporânea em seu vasto repertório conceitual, denunciado particularmente as
dicotomias como “progresso versus reação, direita versus esquerda, presente versus passado,
modernismo versus realismo, abstração versus representação, vanguarda versus
kitsch.”(Huyssen, op. cit. p.74), tão importantes para as pioneiras do auto Modernismo, ele
não rejeita o Modernismo por completo, pois necessita da tensão gerada entre a tradição e a
inovação, entre o novo e o antigo. Segundo Huyssen,

A sensibilidade pós-moderna do nosso tempo é diferente tanto do modernismo quanto do


vanguardismo precisamente porque coloca a questão da tradição e da conservação cultural
como tema estético e político fundamental, (…). Porém, o que acho mais importante no pós-
modernismo contemporâneo é que ele opera num campo de tensão entre tradição e
inovação, conservação e inovação, culturas de massas e grande arte (…). (Huyssen, op. cit.
p.74)

A análise proposta por Huyssen, na qual a tensão entre as grandes dicotomias modernistas é
sua ponta de lança, nos permite mirar o Modernismo por um novo prisma; ou seja, trata-se
de uma leitura à contrapelo da tradição modernista que denuncia suas contradições internas
e suas contingências teóricas. Como diz o próprio crítico, “o pós-modernismo está longe de
tornar o modernismo obsoleto. Pelo contrário, ele joga uma nova luz sobre o modernismo e
se apropria de muitas de suas estratégias e técnicas estéticas, inserindo-as e fazendo-as
trabalhar em novas constelações.” (Huyssen, op. cit. p.75) Pensado por esse ângulo, a
proposta de Huyssen guarda estreitas similaridades com o movimento pós-estruturalista,
particularmente na sua face norte-americana e também com a loso a desconstrucionsia de
Jacques Derrida. Os desdobramentos da desconstrução na América, como por exemplo, os
estudos sobre gêneros, sexualidade, etnias e a política do pós-colonialismo também são
aferíveis no ensaio de Huyssen, embora eles não os abordem de forma detida.

Como se sabe, em outubro de 1966, a Universidade Johns Hopkins, de Baltimore (EUA), sediou
o Colóquio Internacional sobre Linguagens Críticas e Ciências do Homem, que contou com a
participação das mais ilustres guras do pensamento teórico francês de então. Dentre os
convidados estava o lósofo franco-argelino, Jacques Derrida, o antropólogo, Claude Lévi-
Strauss, o linguista, Roland Barthes e o psicanalista, Jacques Lacan. Com destaque especial, a
comunicação apresentada por Derrida foi decisiva no evento: sua leitura do artigo “A
estrutura, o signo e o jogo no discurso das ciências humanas”[1], que contém as ideias

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basilares do movimento que posteriormente se denominaria “desconstrução”, estabeleceu


novo rumo nos estudos literários daquele país assim como projetou novas perspectivas no
debate losó co internacional.

A novidade do discurso proferido por Derrida, proclamado no auge do estruturalismo[2]


francês, consistia em questionar justamente as bases sobre as quais esse movimento estava
erigido. Na perspectiva mais radical de Umberto Eco, o pronunciamento do lósofo equivale a
nada menos que a “liquidação do estruturalismo”[3], particularmente aquele praticado na
academia francesa da década de 1960, por teóricos como Claude Bremond, Gérard Genet e
Tzvetan Todorov, para carmos apenas no âmbito da análise da narrativa.

As ideias apresentadas por Derrida tiveram notável aceitação em solo americano e logo se
espelharam pelo país, mas recebendo melhor acolhimento nos departamentos de literatura
de universidades, entre elas a renomada Yale. Dessa forma, não demorou muito para Derrida
ser aclamado como o fundador de uma nova escola crítico- losó co, a saber o
Desconstrucionismo.

Possivelmente uma das justi cativas desse culto imediato da desconstrução nos Estados
Unidos esteja ligada à tendência crítica que a antecedeu. Sabe-se que, entre 1920 e 1950,
oresceu nesse país o chamado New criticism, movimento crítico-literário que se orientava,
em suma, por uma leitura imanente (close reading) do texto literário, à cata de suas
ambiguidades, paradoxos, ironias e tensões. E nesse sentido, há uma proximidade entre o
New criticismo e a descronstrução, pois ambos prezam por uma prática meticulosas de leitura
de textos da tradição sejam eles literários ou losó cos. Mas, como também já apontou Leyla
Perrone-Moisés, há também diferenças salutares entre ambas: “a diferença”, segundo a
autora, “é que o new criticism era estetizante e a-político, e a desconstrução se coloca como
uma prática política, no sentido amplo da palavra.”[4] Por outro lado, o in uente crítico
francês, Antoine Compagnon credita o culto a Derrida, que – diga-se de passagem – foi muito
mais lido e estudado nas Américas do que na própria França, a um interesse sempre vivo
mantido pelos norte-americanos pelo pensamento teórico francês (French theory).

Também não seria exagero a rmar que a aceitação das ideias de Derrida, nos Estados
Unidos, deve-se muito ao trabalho de exímios interpretes e continuadores que ele encontrou
neste país. Desde que o lósofo estabeleceu suas visitas anuais à Universidade de Yale, logo
se estabeleceu o que se denominou Escola de Yale, ou mais pejorativamente “Má a de Yale”,
e sua fama não parou de crescer. Entre seus discípulos mais notáveis está o belga radicado
nos EUA, Paul De Man, e os americanos, Geo rey Hartman, Hillis Miller e, em certa medida,
parte dos trabalhos mais antigos de Harold Bloom. Quanto a De Man, um dos professores
mais queridos e admirados de seu tempo, talvez ele não seja necessariamente um discípulo
de Derrida. Em verdade, a obra de ambos foi desenvolvida paralelamente. Para Rorty, “se
Derrida nunca tivesse existido ou nem mesmo chegado a ser conhecido nos EUA, os
discípulos de De Man seguramente teriam formado uma escola similar, apesar de que essa
provavelmente tivesse nascido com outra etiqueta, diferente de “desconstrução”. Outra
ligação importante entre Derrida e De Man e o subsequente destino da desconstrução nas
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Américas, foi a orientação, por parte deste último, dos primeiros trabalhos da mais ilustre
teórica dos chamados “Estudos pós-coloniais”, Gayatri Chakravorty Spivak. Indiana de Calcutá,
Spivak, sob a in uência e tutela de De Man, traduziu para o inglês Of Grammatology (De la
gramatologie) de Derrida. Na apresentação desta obra, a tradutora redigiu um longo e
in uente prefácio de mais de oitenta páginas, repetindo assim um gesto do próprio Derrida
quando da sua tradução de A origem da geometria de Edmund Husserl para o francês. Spivak
fora muito in uenciada pelas ideias de Derrida e se diz uma continuadora das ideias do
mestre francês, embora a esse respeito as opiniões se divirjam[5].

Embora uma de nição precisa do que venha a ser precisamente desconstrução não seja
possível, pois a própria noção de conceituação lhe seja algo alheio, podemos elencar algumas
características que comumente lhe são atribuídas. Atentos aos propósitos deste ensaio,
escolhemos a passagem seguinte por ela particularmente apresentar estreito paralelo com as
ideias de Andreas Huyssen:

Derrida a rmou que o pensamento ocidental e, em especial, a loso a haviam se baseado na


noção binária implícita na lei da lógica. Nossos conceitos de nidores dependiam dessa
oposição. Uma sentença era verdadeira ou falsa. Uma coisa estava viva ou morta. Uma
localização era dentro ou fora, alta ou baixa, acima ou abaixo, à esquerda ou à direita. E por aí
seguia: positivo/negativo, bem/mal, geral/particular, mente/corpo, masculino/feminino –
assim era como deveríamos e classi cávamos nossa experiência, a m de dar a ela um
sentido. (Strathern, p.30)

Uma característica óbvia, evidente tanto na desconstrução de Derrida como na proposta de


leitura da produção contemporânea de Huyssen, é que ambas não podemos mais operarem
por exclusão; tanto uma como a outra só são possíveis se houver o abandono de tais
dicotomias contrastivas que eram uma das molas propulsoras do estruturalismo. Para ambas
as teorizações o signi cado de algo nasce da relação entre partes e não mais da exclusão. Em
outras palavras, o processo de signi cação de um termo depende do signi cado do outro.
Para usarmos uma expressão do lósofo Richard Rorty, tanto a teorizaração de Huyssen
como a de Derrida são “antifundacionsita”, a primeira por localizar o horizonte estético
contemporâneo num campo de tensão que elimina “o sentimento de que a arte não persegue
um exclusivamente um telos de abstração, não-representação e sublimidade” (…). (Huyssen,
op. cit. p.75) e a segunda por desnudar, por meio de uma prática meticulosa de leitura (close
reading), certas aporias sobre as quais estaria erigido o pensamento meta sico ocidental.

Se considerarmos a desconstrução uma característica do Pós-estruturalismo norte-


americano, como já fora defendido[6], não faz sentido a a rmação de Huyssen de que “a
distância entre os discursos críticos da nova crítica (new criticism) e do pós-estruturalismo
(uma constelação pertinente nos Estados Unidos mas não na França) não é idêntica às
diferenças entre modernismo e pós-modernismo.” (Huyssen, op. cit. p.60) O fato é que a nova

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crítica, como sugerido anteriormente, em certo sentido, preparou o terreno para o


orescimento do pós-estruturalismo, e, visto por esse ângulo, os dois movimentos não
podem ser tratados como “distantes” mas, de certa forma, como uma continuação. O pós-
estruturalismo amplia o horizonte da nova crítica, pois passa, particularmente, da análise da
obra de arte literária, para outros domínios da loso a e da sociologia. Por essa razão, as
análises e conceituações de ilustres guras do pós-estruturalismo como o próprio Derrida e
Paul de Man são, em certa medidas, tributárias, por exemplo, das conquistas de críticos
literários como o inglês William Empson, com seu 7 types of ambiguity, que tanto in uenciou
os novos críticos americanos, e T.S Eliot.

Quanto a obra de T.S Eliot, é possível vislumbrar um estreito paralelo entre o seu famoso
ensaio “Tradição e talento individual”, texto basilar para compreensão da proposta do New
criticism, e a proposta analítica da produção contemporânea ou pós-modernista de Andreas
Huyssen. Diz Huyssen que “O pós-modernismo está longe de tornar o modernismo obsoleto.
Pelo contrário, ele joga uma nova luz sobre o modernismo e se apropria de muitas de suas
estratégias e técnicas estéticas, inserindo-as e fazendo-as trabalhar em novas constelações.”
(Huyssen, op. cit. p.75). Para T.S Eliot,

Nenhum poeta e nenhum artista de qualquer ofício produz sentido integral sozinho. Seu
signi cado é a apreciação de sua relação com os poetas e artistas mortos. Não se pode prezar
um artista sozinho; deve-se confrontá-lo, por contraste ou comparação, com os motos. Não se
trata meramente de historicismo ou criticismo. Considero isso um princípio da estética. (Eliot,
T.S. p.39)

A valorização do fato artístico para Eliot é relacional, pois o novo artista criador – no caso o
poeta –, na intenção de entrar para o seleto clube chamado tradição, terá sempre sua obra
relacionada com os mestres do passado e poderá ou não alteração nossa visão da tradição.
Desta maneira a tradição, ou aquilo que já está temporariamente estabelecido, não poderá
ser considerado algo obsoleto, livre de qualquer juízo crítico vindo do presente. Pois ela (a
tradição) também vive na dependência do devir da produção contemporânea. A tradição e o
talento individual de Eliot, assim como a Modernismo e o Pós-modernismo de Huyssen,
residem no campo de força entre suas respectivas partes constitutivas, e não conhecem
portanto formalizações decisivas, para usarmos uma expressão de Mikhail Bakhtin, trata-se
de uma “totalidade aberta”.

Huyssen, nas linhas nais, do ensaio em questão, arrola quatro fenômenos que ele considera
constitutivos da cultura pós-modernista. Dentre os quatro seleciono dois que gostaria de
associá-los aos desdobramentos do pós-estruturalismo norte-americano. Trata-se das
a rmações de Huyssen de que “o movimento de mulheres tem levado a algumas mudanças
signi cativas da estrutura social e das atitudes culturais (…). (Huyssen, op. cit. p.78) e de que a
“crescente consciência de que outras culturas não-europeias, não-ocidentais, devem ser
abordadas por meios que não os da conquista e da dominação (…). (Huyssen, op. cit. p 79)[7]

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O que Huyssen chama de “movimento de mulheres” é denominados, nos dias de hoje,


denominado, na academia norte-americana de gender studies e tem na gura de Judith Butler
sua representante mais proeminente. Em seu já clássico Problemas de gênero, Butler explora
as categorias fundacionais do conceito de sexo, desejo e gênero, tomando como conceito
operatório a noção de “genealogia”, desenvolvida por Nietzsche e levada a cabo por Foucault,
esse último – segundo esta crítica – um pós-estruturalista. Apoiada nesse conceito, Butler

recusa-se a buscar as origens do gênero, a verdade intima do desejo feminino, uma


identidade sexual genuína ou autêntica que a repressão impede de ver; invés disso, ela
investiga as apostas políticas, designando como origem e causa categorias de identidade que,
na verdade, são efeitos de instituições, práticas e discursos cujos pontos de origem são
múltiplos e difusos.”(Butler, op. cit. p. 9).

Como se pode notar, o que Huyssen vê como uma característica do pós-modernismo é uma
das rami cações do pós-estruturalismo e, como já dissemos, tem no seu tronco a crítica
desconstrucionista de Derrida. Por outro lado, convém lembrar que o próprio Huyssen
considera o pós-estruturalismo como uma “teoria sobre o moderno” e não, como preferem
alguns, atrelada ao pós-moderno.

Quanto à solicitação de que as culturas não-ocidentais “devem ser abordadas por meios que
não os da conquista e da dominação”, não ocorremos em erro se denominarmos esse
movimento como Estudos Pós-coloniais. Os dois representantes mais ilustres desse
movimento, também é de procedência norte-americana, são os indianos Homi Bhabha e
Gayatri Spivak. Essa última, como já foi dito, é uma seguidora e tradutora de Derrida nos
Estados Unidos. No seu livro, Crítica da razão pós-colonial, Spivak, munida de procedimentos
desconstrucionista, persegue e desconstroe, em textos canônicos da cultura ocidental, o que
ela denomina de “violência epistêmica” do colonialismo e do imperialismo europeus. O
colonialismo, segundo ela, procurou mascarar com sua “missão civilizadora” estratégias de
exploração e de dominação por parte de grandes potências europeias como França e
Inglaterra. Essas características, diga-se de passagem, Huyssen as identi cam como do
“cultura da modernidade esclarecida” e atribui a Adorno e Horkheimer, já nos anos de 1940,
seus teóricos pioneiros. No livro citado, Spivak também analisa (e nesse ponto, mais que em
qualquer outro, é latente o paralelo com as formulações de Huyssen sobre o pós-
modernismo) como durante as últimas décadas esses processos de exploração e dominação
têm sido renovados no interior do pós-modernismo por meio de uma agressiva globalização
econômica e de um consmopolitismo político e pistemológico de face liberal.

Como bem esclarece Huyssen, a história cultural dos anos 70 deverá ser reescrita e os mais
diferentes campos artísticos deverão ser tratados separadamente em detalhes. Talvez por
essa ocasião também a “semelhança de família” entre os movimentos pós-modernista e pós-
estruturalista seja melhor delineada.

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* licenciado em letras (Português e Inglês) pela Fundação Santo André (2006) e mestre em
Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP (2012), com dissertação sobre a poética de
Guimarães Rosa e sua con uência com o Formalismo Russo. Atualmente realiza tese de
doutorado sobre os romances Mar Paraguayo e Meu tio Roseno, a cavalo, de Wilson Bueno, à
luz dos conceitos de Semiosfera (Yuri Lotman) e Hibridismo romanesco (M. Bakhtin, H.
Bhabha e Robert C. G. Young), junto ao Programa de Literatura e Cultura Russa (USP). É
professor de Língua Portuguesa e Literatura da Escola Técnica Estadual Parque Belém do
Centro Paula Souza.

Referências bibliográ cas

Campagnon, Antoine. “L’exception françoise”. In: Textuel n. 37 (Où en est la théorie littéraire?),
Université de Paris 7, 2000, pp.41-52.

Culler, Jonathan. Sobre a desconstrução. Rio de Janeiro: Editora Rosa dos Ventos, 1997.

Derrida, Jacques. A escritura e a diferença. São Paulo: Perspectiva, 4ed; 2009.

_______, Gramatologia. São Paulo: Perspectiva. 2ed. 4ª reimpressão. 2011.

Dosse, Françoise. História do estruturalismo. Vol. I: O campo do signo. Bauru: Edusc. 2007.

Duque-estrada, Paulo Cesar. “Desconstrução e incondicional responsabilidade: os caminhos


da desconstrução, de Heidegger a Derrida”. In: Revista Cult, nº 117, ano 10, setembro/2007.

Eco, Umberto. A estrutura ausente. São Paulo: Perspectiva, 1971.

Elliot, T.S. “Tradição e talento individual”. In: Elliot. Ensaios. Tradução e notas e Ivan Junqueira.
São Paulo: Arte Editora, 1989.

Hollanda, Heloisa Buarque. Pós-modernismo e política. Rio de Janeiro: Rocco, 1991

Huyssen, Andreas. “Mapeando o pós-moderno”. In: Hollanda, Heloisa Buarque. Pós-


modernismo e política. Rio de Janeiro: Rocco, 1991

Perrone-Moisés, Leila (org.). Do positivismo à desconstrução: ideias francesas na América. São


Paulo: Edusp, 2004.

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___________. “Desconstruindo os ‘estudos culturais’”. In. Perrone-Moisés. Leyla. Vira e mexe


nacionalismo: paradoxos do nacionalismo literário. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

___________. “Aquele que desprendeu a ponta da cadeia”. In: Nascimento, Evandro. Jacques
Derrida. Pensar a desconstrução. São Paulo: Estação Liberdade, 2005.

Santaella, Lúcia. “Pós-moderno & semiótica”. In: Chalhub, Samira (org). Pós-moderno &:
semiótica, cultura, psicanálise, literatura, artes plásticas. Rio de Janeiro: Imago, 1994.

Spivak, Gayatri Chakravorty. Crítica de la razón pós-colonial: hacia una historia del presenter
evanescente. Madrid: Akal, 2010.

______“Translator’s preface”. In: Derrida, Jacques. Of grammatology. Johns Hopkins Paperbacks


Edition, 1976 – (Corrected edition, 1997).

[1] A comunicação foi posteriormente publicada como ensaio em Derrida, Jacques. A escritura
e a diferença. São Paulo: Perspectiva, 2009, pp.407-426.

[2] Segundo referência do historiador do movimento estruturalista francês, Françoise Dosse,


1966 é considerado “o ano-luz” do movimento. Cf. Dosse, Francoise. História do
estruturalismo. Vol. I: O campo do signo. Bauru: Edusc. 2007.

[3] Eco, Umberto. A estrutura ausente. São Paulo: Perspectiva, 1971.

[4]Perrone-Moisés, Leyla. “Pós-estruturalismo e desconstrução nas Américas”. In: Perrone-


Moisés, Leyla (org.). Do positivismo à desconstrução. São Paulo: Edusp, 2004, pp.225-226.
Também para uma discussão apurada dos paralelos entre a desconstrução e o New criticism,
veja: Gra , Gerald. Literature against Itself: literary ideas in modern society. Chicago: Chicago
University Press. 1979 e também, do mesmo autor, Professing literature: an institutional
history. Chicago: Chicago University press, 1987.

[5] Cf. Perrone-Moisés, Leyla. “Desconstruindo os estudos culturais”. In: Vira e mexe
nacionalismo: paradoxos do nacionalismo literário. Veja também Eagleton, Terry. “Gayatri
Spivak” in: Figures of dissent. Verso: London/ New York. 2005, pp. 158-167.

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[6] Lucia Santaella, no ensaio “Pós-moderno & semiótica” declara: “Ora, a onda
desconstrucionista, na América, coincidiu com a efervescência dos debates sobre o pós-
moderno. Era essa composição que borbulhava por todos os seus pontos cardeais, quando
visitei os Estados Unidos, em maio-junho de 1985. A conclusão óbvia que se pode extrais
disso é que desconstrução ou pós-estruturalismo e pós-moderno são uma só e mesma coisa,
ou, no mínimo, que se trata de fenômenos muito similares.” (Santaella, 1994: 31)

[7] Essas questões foram abordadas, detidamente, por Huyssen no seu recém lançado no
Brasil: Culturas do passado-presente: modernismo, artes visuais, políticas da memória. Rio de
Janeiro: Contraponto, 2014.

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