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Guerrilha e revolução: um balanço dos estudos e debates sobre a luta armada


contra a ditadura militar no Brasil.

Jean Rodrigues Sales1


Introdução

A temática da luta armada contra a ditadura militar nos anos 1960 e 1970 já
constitui um campo importante dentro da área mais ampla das pesquisas sobre o período
ditatorial. Particularmente nos últimos anos, o número de trabalhos tem crescido
enormemente, ao mesmo tempo em que se destaca a sua diversificação temática,
geográfica, teórica e metodológica. Este crescimento, por sua vez, pode ser atribuído
tanto a questões sociais, quanto a desdobramentos de modificações no campo
historiográfico.
No que diz respeito ao contexto social, vale lembrar que desde o primeiro
governo de Luís Inácio da Silva (2002-2006), chegaram ao poder militantes que, em
graus variados, tiveram participação nas experiências da luta armada vivenciadas nos
anos 1960 e 1970. O caso emblemático neste sentido é o da presidenta da República,
Dilma Rousseff, que participou de uma das organizações que empunhou armas contra a
ditadura militar. Além disso, recentemente, o Brasil passou por polêmicas discussões
em torno do pagamento de indenizações pelo Estado a pessoas atingidas pela repressão
política durante o regime militar. No mesmo sentido, encontram-se os atuais debates a
respeito da criação e funcionamento da Comissão da Verdade e em torno do direito à
verdade e à justiça dos crimes praticados durante a vigência da ditadura militar. Em
todos esses casos, a questão da luta armada está diretamente implicada, na medida em
que se relaciona aos controversos debates acerca de indenizações a militantes ou
punição a torturadores. Por fim, no campo internacional, eventos da América Latina,
como a chegada ao poder de governos de esquerdas em países como Bolívia, Equador e
Uruguai, também atraíram as discussões sobre o papel, o significado e o legado da luta
armada nessas sociedades.

1
Doutor em História pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professor de História
Contemporânea e do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro (UFRRJ). É autor de A luta armada contra a ditadura militar. A esquerda brasileira e a
influência da revolução cubana. São Paulo: Perseu Abramo, 2007.

.
2

Em relação ao campo historiográfico, parece evidente que até o final dos anos
1980 os historiadores sentiam-se pouco confortáveis na análise de períodos próximos
àquele vivido pelo próprio pesquisador. Alegava-se a falta do distanciamento necessário
do objeto para evitar parcialidade dos julgamentos. Essa situação explica, em parte, os
motivos pelos quais as pesquisas sobre o tema da luta armada nos anos 1980 e meados
dos anos 1990 foram assumidas por cientistas sociais, jornalistas e pelos próprios
militantes, através de livros de memória. Entretanto, a partir dos anos 2000, com o
desenvolvimento teórico no Brasil da “história do tempo presente”2 e o chamado
“retorno” da história política3, fornecendo respaldo acadêmico ao estudo do passado
recente, acrescido do próprio distanciamento temporal, pudemos verificar um
crescimento das pesquisas sobre a história recente do Brasil, o que não se restringe
apenas à temática da luta armada.
Nesse momento em que se completam cinquenta anos do golpe militar de
1964, o objetivo desse capítulo é apresentar aos leitores um breve panorama dos estudos
existentes no Brasil sobre a temática da luta armada contra a ditadura militar. É
importante observar, no entanto, que não se pretende, nem seria possível dentro dos
limites dessa publicação, discutir todos os trabalhos existentes nessa área. O que se
almeja é, a partir da citação de algumas obras representativas, traçar um itinerário dos
estudos e das discussões que marcaram essa área de pesquisa desde meados dos anos
1970. Ressalta-se que a ausência de certas obras não significa que não tenham
contribuído para o desenvolvimento dos estudos sobre o tema, mas apenas que não se
enquadrariam nos objetivos do presente texto.
Para percorrer essa já longa trajetória de estudos, fiz algumas escolhas.
Apresentei livros, teses e dissertações que julguei relevantes para a compreensão de
aspectos gerais dos diversos momentos pelos quais passaram a produção sobre o tema,
podendo não distinguir entre as pesquisas realizadas na área de história ou ciências
sociais, sempre que tal distinção não for relevante. Farei menção esporádica a livros de
memórias, biografias, entrevistas e literatura produzidos sobre e pelos ex-militantes,
mas não aprofundarei a discussão específica sobre esses gêneros de trabalho pois, por
sua profusão e especificidade, mereceriam estudos particulares sobre a história e a

2
Sobre a história do tempo presente, ver: Chauveau e Tétard (1999); Rémond (2003); Ferreira e Amado
(2006) e Porto Junior (2007).
3
A respeito das discussões sobre o retorno da história política, ver: Rosanvallon (1995); Cardoso (2012);
Mendonça e Fontes (2012); Ferreira (1992) e Rémond (2003).
3

memória da luta armada neles presentes. Por fim, ainda que apresente as discussões
sobre o tema desde anos 1970, enfatizarei a produção mais recente, principalmente
aquelas que são fruto de pesquisas acadêmicas.
Espero que esse capítulo possa servir para a discussão sobre o tema da luta
armada nessa ocasião em que se faz um balanço dos 50 anos do golpe de 1964. Ao
mesmo tempo, espera-se que possa auxiliar aos jovens pesquisadores que queiram
iniciar estudos sobre o tema. Acreditamos que essa discussão seja particularmente
relevante na medida em que não temos balanços do estado da arte da produção sobre a
luta armada e as esquerdas no período ditatorial4. E, muitas vezes, a falta de diálogo
com a produção existente pode levar o pesquisador a incorrer na armadilha de “acreditar
que o objeto de sua pesquisa, que a estratégia que adotou e o conteúdo que veicula
constituem a última palavra sobre a matéria em questão” (SILVA, 2001: 17).
Cabe ainda observar que a expressão luta armada contra a ditadura militar é
uma denominação consagrada no campo da história. Entretanto, é necessário esclarecer
que se trata de um conjunto de ações que, embora tenha feito significativo uso de armas,
nem sempre consistiu, propriamente, em combates armados entre esquerdas e militares,
como a designação sugere. Submetida à desproporção entre o número de militantes e os
efetivos do Exército, a luta armada se desenvolveu basicamente de duas formas. A
primeira delas, menos usual, foi a tentativa da implantação da guerrilha rural. São os
casos da guerrilha do Caparaó (1966-1967) e da guerrilha do Araguaia (1972-1974). O
conflito na região do Araguaia corresponde ao único que poderia efetivamente ser
chamado de luta guerrilheira, dadas a sua dimensão e duração. O segundo tipo de luta,
mais comum no período, desenrolou-se a partir de ações urbanas (1968-1971): assaltos
a bancos5 para arrecadação de recursos; justiçamento6 de pessoas ligadas ao regime;
expropriação de armamentos e explosivos; propaganda armada contra a ditadura e

4
Não temos propriamente balanços historiográficos sobre o tema. Podemos indicar como exemplos que
se aproximam dessa definição a lista bibliográfica organizada por Marcelo Ridenti (2001), a qual, porém,
não se restringe ao tema da luta armada e não se propõe a fazer análise das obras. Existe também o
trabalho de Carlos Fico (2004), o qual, apesar de citar algumas obras sobre a luta armada, tem como
finalidade o debate sobre a ditadura militar. Além disso, há artigos que comentam algumas obras
específicas, mas sem desenvolver uma análise do conjunto da produção, como é o caso do texto de Denise
Rollemberg (2003). Ver ainda o posfácio da segunda edição do livro o Fantasma da Revolução
Brasileira, de Marcelo Ridenti (2010), no qual o autor faz um breve comentário sobre obras recentes
publicadas sobre a luta armada. A visão de diversos autores, a partir de pesquisas monográficas sobre a
luta armada, pode ser vista em Sales (2014).
5
Chamados de expropriação pelos grupos de esquerda para diferenciá-los de assaltos comuns,
ressaltando, assim, seu caráter político.
6
Do mesmo modo, a palavra justiçamento ressalta o caráter político da morte de pessoas diretamente
ligadas à ditadura ou de militantes que, supostamente, colaboraram com o regime.
4

sequestro de diplomatas estrangeiros a serem trocados por militantes que se


encontravam presos e sob tortura.
O capítulo está dividido em três partes. A primeira delas apresenta os textos e
debates precursores da temática da luta armada ainda nos anos 1970, produção essa
marcada pelo debate dos militantes e ex-militantes das organizações da esquerda
armada. A segunda parte destaca o início da produção acadêmica sobre a temática,
realizada ente o final dos anos 1980 e início da década de 1990, ainda numericamente
restrita, embora detentora de obras pioneiras e relevantes para o debate atual. A terceira
parte discute a produção mais recente nessa área de estudos, destacando a sua variedade
temática e teórica.

I – A militância e o início do debate sobre a luta armada

As primeiras produções a respeito da luta armada contra a ditadura militar se


iniciaram ainda nos anos 1970 e tiveram como protagonistas os próprios militantes e ex-
militantes da esquerda revolucionária. Essas análises aconteceram principalmente
através da publicação de livros de entrevistas, de obras memorialísticas e da imprensa
alternativa ligada às esquerdas, tanto no Brasil quanto no exterior.
Ainda não haviam cessado as lutas da esquerda revolucionária quando
surgiram as primeiras reflexões sobre a luta armada. Como exemplo dessas discussões
precursoras, podemos citar as publicações da revista DEBATE: problemas da revolução
brasileira, a partir de 1970, os livros de entrevistas A esquerda armada no Brasil, de
1972, e Memórias do exílio, de 1976. No que diz respeito à imprensa alternativa, vale
destacar as discussões presentes em dois jornais Movimento, que circulou entre 1975 e
1981; e Em Tempo, que foi lançado em 1977, circulando até o início dos anos 19907.
A revista Debate: problemas da revolução brasileira foi a primeira publicação
formada por militantes de origens variadas a se dedicar às discussões sistemáticas sobre
a luta armada realizada no Brasil. O periódico foi criado em fevereiro de 1970 no exílio
francês pelo ex-militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), João Quartim
de Moraes, e tinha como objetivo reunir os exilados em torno de um projeto de debate

7
Não faz parte dos objetivos deste texto tratar da complexidade e diversidade da imprensa alternativa
surgida nos anos 1970 no Brasil e no exterior. Destacamos aqui apenas os aspectos relacionados à
trajetória das discussões sobre a luta armada. Especificamente sobre este tema, ver Araújo (2000).
Kucinsk (1991).
5

político e posterior criação de um partido de vanguarda 8. A publicação inicialmente


realizou um apoio “crítico” à luta armada, uma vez que quando começou a circular no
exterior, os militantes ainda se debatiam em armas contra os militares no Brasil.
Rapidamente, porém, a revista adotou a avaliação que seria comum em diversos
veículos e debates sobre a luta armada: as organizações revolucionárias não
conseguiram romper o cerco da ditadura, afastando-se da própria sociedade. Nessa
perspectiva, tal afastamento teria levado os guerrilheiros ao isolamento, a um
militarismo extremo e à derrota9.
Em 1972 foi publicado também no exterior o livro A esquerda armada no
Brasil, organizado por Antonio Caso. A obra é fruto de entrevistas em sua maioria
realizadas com militantes brasileiros exilados em Cuba, ou que passaram
momentaneamente por este país. Em 1973, o livro ganhou o prêmio Testemunho da
“Casa de Las América”. O objetivo do livro é, claramente, homenagear e incentivar a
atuação da esquerda armada no Brasil. Nesse sentido, em sua apresentação, afirma o
organizador:
Já faz tempo que o povo, os trabalhadores brasileiros, decretaram guerra de
morte aos réus inimigos de classe: o imperialismo e a ditadura militar-
oligárquica ao seu serviço. Tarde ou cedo o povo brasileiro alcançará a vitória
final e definitiva sobre seus inimigos de classe (inevitável historicamente
prevista), apesar dos retrocessos temporais que possa sofrer o processo
revolucionário (também inevitável e dialectalmente previstos). (CASO,1976:
18).

A estrutura do trabalho é de uma série de entrevistas que tratam de oposições à


ditadura militar entre operários, estudantes e ex-militares cassados após o golpe. Em
seguida, há uma descrição, sempre a partir das entrevistas, de diversas ações da
guerrilha urbana, como os assaltos a bancos e sequestros de diplomatas. Entre os
militantes entrevistados estão Vladimir Palmeira, Fernando Gabeira, Pedro Lobo, Vera
Silva Magalhães e o ex-sargento Darcy Rodrigues.
Apesar da narrativa francamente favorável à luta armada, é interessante notar
que na edição portuguesa de 1976, o prefácio escrito por José Ibrahim (que também é
um dos entrevistados do livro), apresenta uma visão diferente da experiência

8
Ainda no final dos anos 1960, e também no princípio dos anos 1970, organizações como a Ala
Vermelha e POLOP faziam discussões críticas sobre a luta armada. Essas discussões, no entanto, eram de
circulação internas às organizações, por isso não as consideramos aqui neste tópico. Sobre a Ala
vermelha, ver Ribeiro (2013); sobre a POLOP, ver Reis (2007).
9
Sobre a revista DEBBATE, ver Rollemberg (2007) e Pezzonia (2011).
6

guerrilheira, a qual marcaria o debate sobre este assunto em anos posteriores. Segundo
Ibraim, o livro “porque não dá uma visão crítica da prática da esquerda brasileira
durante aquele período que vai até 1971, acaba por fazer tão-somente a apologia das
ações armadas”. Para o militante, a prática da esquerda armada “desligada da realidade
objectiva da luta de classes e baseada numa incorreta avaliação da correlação de forças
naquele período, levou-a a um isolamento cada vez mais profundo das massas
populares”. Por fim, ele afirma que mesmo considerando o acerto na decisão da escolha
do uso da violência revolucionária para a destruição do poder do Estado, “a esquerda
revolucionária brasileira, pelo caminho que seguiu, foi destruída e, com ela, também a
sua pseudocondição de alternativa política. Perdemos fisicamente centenas de
militantes. Uma boa parte continua nas prisões. Somos muitos os que estamos no
exílio.” (CASO,1976: 9-10).
Em 1976, foi publicado também fora do Brasil o livro Memórias do exílio, no
qual são relatadas as experiências de diversos militantes e personalidades brasileiras,
todos eles exilados na ocasião da publicação. Dada a sua visibilidade, mesmo não tendo
como foco a luta armada, o livro acabou também contribuindo para a discussão sobre o
tema. O que transparece, a partir de depoimento de militantes que pegaram armas contra
a ditadura, é uma atmosfera favorável à escolha dessa estratégia combativa pela
militância da esquerda revolucionária, ainda que ela tenha resultado em um alto custo
pessoal.
No caso da imprensa alternativa que circulou no Brasil, podemos citar
inicialmente o jornal Movimento. Assim como outros veículos do período, este também
era formado por militantes de diversas correntes da esquerda, sobretudo do Partido
Comunista do Brasil (PC do B). O interesse que este jornal suscita reside no fato de ter
sido a parir de uma polêmica surgida em suas páginas que uma ampla discussão sobre
guerrilha do Araguaia ganhou destaque, descortinando um debate que até então era
interno ao PC do B10.
O debate se iniciou quando, em abril de 1979, foi publicado o texto que ficaria
conhecido como Carta de Pomar, no qual o dirigente do PC do B, assassinado pelo
Exército em 1976, expunha suas ideias críticas em relação à guerrilha do Araguaia. A

10
Antes da discussão no Movimento, em janeiro de 1979, o Jornal da Tarde, de São Paulo, já havia
publicado uma série de reportagens sobre a guerrilha do Araguaia nas quais descreviam os eventos
relacionados à guerrilha. As reportagens, ampliadas por novas pesquisas, foi posteriormente publicada em
livro pelo jornalista Fernando Portela (1979).
7

publicação deste documento em um jornal que, mesmo próximo ao PC do B, não era


seu veículo oficial, abriu discussões públicas sobre as divergências internas do partido. 11
Pomar afirmava, por exemplo, que
se procurarmos tirar ensinamento da luta do Araguaia que sejam válidos, que
nos ajudem a acelerar a preparação e o desencadeamento da luta armada, não
devemos voltar ao passado oportunista de direita, de achar que as massas, por
si mesmas, espontaneamente, devam, um dia, pegar em armas e se defender da
violência reacionária; nem adotar o princípio ‘esquerdista’, blanquista,
foquista, de que são os comunistas que devem pegar em armas em lugar das
massas.12

A partir desse momento, várias manifestações foram publicadas sobre o


assunto. Na edição de agosto, vinha a público uma entrevista com o principal dirigente
do partido no exterior, João Amazonas, que questionava a publicação de um documento
interno do PC do B. Em setembro publicou-se um depoimento de José Genoino,
também ex-participante da guerrilha, de crítica à experiência do Araguaia. Em outubro e
novembro, seriam publicados dois textos favoráveis à interpretação positiva da direção
do PC do B sobre a guerrilha: o relatório de um dos dirigentes da guerrilha, Ângelo
Arroyo; e a versão oficial do partido sobre o evento, intitulada “Gloriosa Jornada de
Luta”. Além da publicação dessas matérias, chegaram centenas de cartas na Seção dos
Leitores opinando sobre a polêmica. (AZEVEDO, 2011: 248-249).
Outra publicação relevante para o período foi o jornal Em tempo, veículo que
aglutinava militantes de diversas organizações de esquerda (ARAÚJO, 2000:27). O
periódico discutia vários temas ligados à conjuntura política e aos debates das esquerdas
no Brasil e no mundo. O que nos interessa ressaltar, no entanto, são as matérias
publicadas por Marco Aurélio Garcia entre 1979 e 1980 que ganharam, em eu conjunto,
o título de “Contribuição à história da esquerda brasileira”. Nas mais de 30 edições da
série, o autor percorreu diferentes aspectos da história das esquerdas no Brasil,
focalizando os anos 1960. Inicia com o impacto do golpe de 1964 no Partido Comunista
Brasileiro (PCB) e o surgimento de uma nova esquerda, com grupos como a Ação
Popular (AP), a Organização Revolucionária Marxista-Política Operária (ORM-
POLOP) e o PC do B. Em seguida analisa diversas organizações da esquerda
revolucionária e suas ações armadas contra a ditadura militar. Finaliza com uma

11
Pedro Pomar. Intervenção no debate sobre o Araguaia. Movimento, n. 199, abril de 1979.
12
Ibidem.
8

apresentação da situação das esquerdas no período de distensão política, a partir de


1979.
Essa contribuição de Marco Aurélio Garcia (1979-1980) é, efetivamente, o
primeiro esboço de uma história das esquerdas revolucionárias no Brasil. Ainda que o
autor não tivesse tal pretensão e a publicação tenha se dado em um periódico, com
espaço relativamente reduzido, estão lá presentes alguns dos temas e discussões que
apareceriam em estudos posteriores sobre o tema. São os casos, por exemplo, da crise
do PCB após o golpe de 1964, da influência da revolução cubana, o debate entre as
chamadas linhas massistas e militaristas nas organizações, o distanciamento das
esquerdas em relação à sociedade, entre outros assuntos relevantes.
Por outro lado, talvez pela distância temporal da publicação, ou pela relativa
dificuldade de acesso ao material, muitos pesquisadores jovens desconhecem essa
contribuição. Entre os diversos assuntos tratados na Contribuição à história da
Esquerda Brasileira, ressalto uma abordagem feita na série que se tornou elemento
recorrente em pesquisas posteriores: a análise das divergências entre os grupos da
esquerda revolucionárias a partir dos temas da caracterização da revolução brasileira,
do tipo de instrumento político que deveria ser utilizado e dos meios de luta adequados
à conjuntura e aos objetivos estratégicos das organizações.
Ainda entre o final dos anos 1970 e os primeiros anos da década seguinte,
valeria apontar a publicação de determinados livros de memórias escritos por ex-
militantes da esquerda revolucionária, alguns deles alcançando o status de best-seller,
como O que é isso companheiro, de Fernando Gabeira, publicado em 1979. Em 1977, já
havia sido publicado Em câmara lenta, de Renato Tapajós, motivo pelo qual, inclusive,
o autor foi preso. O livro de Tapajós oferece uma reflexão pessoal e profunda sobre a
experiência da luta armada e da tortura, enquanto que Gabeira apresenta uma visão
panorâmica, e quase impessoal, da luta armada, focando-se no sequestro do embaixador
norte-americano. Mas, ainda que diante de narrativas tão diferentes, a recepção dessas
biografias parecia apontar para uma ansiedade em setores da sociedade brasileira para
discutir a experiência da luta armada vivenciada por aquela da década de 1960. No
entanto, como veremos adiante, a pesquisa acadêmica sobre o tema demoraria a se
disseminar no país.
Em 1985 foi publicado o livro Imagens da revolução (REIS FILHO, 2006),
que se tornou um importante instrumento de pesquisa sobre a luta armada no Brasil.
9

Organizado por dois ex-militantes, trata-se de uma coletânea de documentos


programáticos de diversas organizações da esquerda revolucionária. Este aspecto deve
ser ressaltado, uma vez que, naquele momento, tais materiais não eram facilmente
acessados como o são hoje. Além dos documentos, há uma ficha informativa sobre cada
organização e uma introdução em que se discute o conceito de Nova Esquerda.
Particularmente importante, é a análise sobre a continuidade e descontinuidade da
plataforma política da esquerda em relação ao seu principal alvo crítico, o PCB. A
discussão sobre as características das esquerdas pós-64 foi utilizada por diversos
pesquisadores do país, sendo que a noção de Nova Esquerda, lançada nessa publicação,
continua sendo aceita por parte importante das pesquisas realizadas sobre a temática.
Todas as publicações acima mencionadas podem ser consideradas precursoras
de uma reflexão sistemática sobre a luta armada contra a ditadura militar, o que só viria
a ocorrer a partir dos anos 1990 e início dos anos 2000.

II – O surgimento das pesquisas acadêmicas sobre a luta armada

Apesar das iniciativas nas décadas de 1970 e 1980 na discussão sobre a luta
armada, o interesse pelo tema demoraria a atrair o interesse dos pesquisadores na
universidade. É certo que as relações entre motivações político-sociais e interesses
acadêmicos constituem um tema que ultrapassa os objetivos desse capítulo, mas não
seria exagerado afirmar que, no início dos anos 1990, o relacionamento da sociedade
brasileira com o seu passado ditatorial assentava-se, ainda mais do que hoje, em práticas
que visavam o esquecimento como forma de apaziguar os possíveis conflitos envolvidos
na história da ditadura brasileira13.
Entre os temas mais sensíveis dessa história, encontrava-se justamente o da luta
armada, no qual estão implicadas discussões sobre violência, tortura, morte e adesão ou
oposição ao regime ditatorial, o que poderia explicar o pequeno número de trabalhos
publicados. Além disso, não podemos esquecer que os anos 1970 e 1980 foram
marcados pela ascensão de novos atores sociais na cena política nacional, como o
sindicalismo e os movimentos urbanos de reivindicações variadas, os quais atraíram
importante atenção dos historiadores e cientistas sociais. Por fim, conforme apontamos
acima, o interesse dos historiadores brasileiros sobre a chamada história do tempo

13
A este respeito, ver as discussões pioneiras feitas por Daniel Aarão Reis (2000).
10

presente não ocorreria antes dos anos 2000, o que talvez seja a explicação a partir do
campo historiográfico para o pequeno número de estudos realizados por historiadores na
década de 1990.
De todo modo, ainda que numericamente pequena, a produção dos anos 1990
foi responsável por clássicos sobre a temática da luta armada, os quais, até hoje,
permanecem como interlocutores importantes nessa área de estudos. São os casos, por
exemplo, dos livros de Jacob Gorender (1987)14, Daniel Aarão Reis Filho (1990) e
Marcelo Ridenti (1993)15. Os três trabalhos têm em comum a proposta de uma análise
global da luta armada e da esquerda revolucionária nos anos 1960.
O primeiro deles, lançado em 1987, de Jacob Gorender (1998), ex-dirigente do
Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário
(PCBR), faz uma descrição sistemática do surgimento, atuação e desintegração dos
grupos que pegaram em armas contra a ditadura. Mesmo não tendo sido fruto de
pesquisa acadêmica, o livro valeu-se do método historiográfico, utilizando documentos
escritos variados e depoimentos de ex-militantes, constituindo-se rapidamente em
referência nos estudos dessa área. O autor trata das trajetórias das organizações, de suas
influências teóricas e ideológicas e das ações armadas realizadas.
A luta armada é vista pelo autor criticamente, por ter sido desencadeada em um
momento inadequado, tendo, assim, se constituído em “violência retardada”: as
esquerdas não se prepararam para pegar nas armas em 1964, quando haveria condições
sociais para isso, e o fizeram partir de 1968, quando tais condições haviam desaparecido
e a ditadura se fortalecera. Nesse caminho, para ao autor, “a inação é que tornou a
derrota inevitável” (GORENDER,1998:286). Gorender discute ainda o tema, de
extrema atualidade, da violência utilizada pela ditadura militar e pelas esquerdadas,
apontando que estas devem admitir que cometeram atos violentos no contexto ditatorial.
Por outro lado, enfatiza que isso não significa equalizar a “violência do opressor” e a
“violência do oprimido”: “a violência original é a do opressor, porque inexiste opressão
sem violência cotidiana incessante. A ditadura militar deu forma extremada à violência
do opressor. A violência do oprimido veio como resposta”. (1998: 269).

14
Inserimos aqui o livro de Jacob Gorender, que mesmo tendo sido realizado fora da universidade,
atende, a meu ver, os requisitos teóricos e metodológicos de uma pesquisa acadêmica. Além disso, o
livro tornou-se um importante interlocutor dos pesquisadores universitários.
15
Uma discussão sobre os três livros pode ser vista em Rollemberg (2003).
11

Ao tratar do sentido da luta armada, Gorender aponta criticamente que as


esquerdas, em condições crescentemente desfavoráveis, distanciadas de qualquer base
social, amparadas por uma equivocada análise da conjuntura, e influenciadas por
modelos de revolução e guerrilha internacionais, acabaram por adotar uma concepção
de “violência incondicionada”. A partir desse momento, as ações das esquerdas se
traduziram praticamente em “foquismo e terrorismo”, tornando a derrota “inevitável”
(GORENDER,1998: 286). Na edição ampliada do livro, lançada em 1998, o autor
complementou sua análise a respeito do significado da luta armada afirmando que ela
teria tido o sentido de um “protesto armado”, pois
objetivamente, a esquerda não tinha condições sequer mínimas para o
enfrentamento pelas armas com a ditadura militar. O que conseguiu fazer, em
termos concretos, foi protestar com atos de violência, em resposta à violência
terrorista institucionalizada pelos generais. (1998: 289).

O segundo livro, de autoria de Daniel Aarão Reis Filho, que também participou
do movimento de oposição à ditadura militar, tendo atuado no Movimento
Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), foi a primeira investigação acadêmica de vulto no
Brasil a se dedicar ao estudo da problemática da luta armada contra a ditadura militar. O
livro é fruto de uma pesquisa de doutorado realizada na segunda metade dos anos1980,
tendo sido publicada em 1990.
Com uma abordagem inovadora e polêmica, o livro de Daniel Aarão
permanece como um dos interlocutores da área. O trabalho discute variados elementos
da história dos comunistas nos anos 1960 e 1970, dos quais destacarei aqui três temas.
O primeiro deles diz respeito aos fortes argumentos apresentados pelo autor de que as
pesquisas históricas cometeram grande equívoco ao relacionar as ações dos comunistas
brasileiros a influências externas, sejam elas russas, cubanas ou chinesas. Para o autor,
as constantes referências a essas revoluções nos programas das esquerdas serviriam, na
verdade, como um discurso de legitimação de suas opções ideológicas:

a pesquisa conduziu à rejeição das apreciações correntes de que a teoria e a


ação dos comunistas brasileiros não passam de ecos de diretrizes
internacionais. Na verdade, as reviravoltas das linhas políticas partem de
reflexões e motivações internas. No discurso (das organizações) os modelos
internacionais aparecem como fatores decisivos das mudanças. Além das
aparências, porém, seriam apenas fontes de argumento de autoridade,
assegurando legitimação e coesão. (REIS FILHO, 1990:17).
12

Acredito que a tese do autor se justifica plenamente frente às análises que


subordinam a dinâmica das esquerdas brasileiras às "ordens" vindas de fora, deixando
de lado, ou inferiorizando, os aspectos nacionais e as contradições internas das
organizações enquanto motivadores de suas atuações. Porém, para além desse tipo de
análise, que reduz a história das esquerdas comunistas a suas relações com os centros
revolucionários internacionais, parece-me que a hipótese de Reis Filho, ao ressaltar
estritamente os aspectos de “coesão, segurança e legitimação”, pode levar, em sentido
oposto ao da interpretação anterior, à desconsideração de todas as dimensões e
implicações que possam assumir as relações dos agrupamentos comunistas entre si e
com os centros revolucionários. Desse modo, a meu ver, entender que a história das
esquerdas é fruto de questões internas, tanto das organizações quanto do país, não deve
implicar em negar a força que as relações internacionais desempenharam nas
organizações comunistas16.
Um segundo elemento tratado no livro é a dinâmica interna das organizações
comunistas, chamadas de “Estados-Maiores” revolucionários. Essas organizações
funcionariam a partir de uma série de mecanismos característicos de partidos
comunistas, os quais escapariam da própria realidade imediata do país. Assim, em sua
prática, os grupos partiam do pressuposto da inevitabilidade da revolução socialista, da
missão revolucionária do proletariado e do papel indispensável do partido de vanguarda.
Além disso, haveria, em seu funcionamento, uma estratégia de tensão máxima da
militância, que deveria estar preparada para o momento em que eclodisse o processo
revolucionário.
O terceiro elemento que destacamos, em consonância com os argumentos
acima, é o de que, para Reis Filho, o afastamento dos grupos da esquerda revolucionária
em relação à sociedade advinha da própria característica de funcionamento de
vanguarda de tais agrupamentos. Dessa forma, não seria correto atribuir a derrota da
luta armada a este isolamento social:
Não se trata, porém, de atribuir a derrota a debilidade de percepção, de
concepção ou de formulação, como se os acontecimentos revolucionários
pudessem ter tido lugar se outro fosse o ‘nível’ teórico, ou outro fosse o
‘conhecimento’ da realidade. Características intrínsecas predispunham as
organizações comunistas num determinado sentido de ação e de pensamento:
elas estavam preparadas, coesas e mobilizadas, em uma palavra, prontas – mas

16
Ver, por exemplo, sobre as implicações das relações das esquerdas brasileiras com a Revolução
Cubana, Sales (2007) e Barão (2003).
13

a revolução faltou ao encontro... (REIS FILHO,1990: 186. Grifos no


original.).

O livro de Marcelo Ridenti (1993) dialoga com as duas obras anteriores, mas
apresenta inovações importantes. Diferentemente do trabalho de Gorender, o autor não
se propõe a fazer a descrição exaustiva da trajetória dos agrupamentos, preferindo ater-
se à discussão analítica da problemática da luta armada. Em relação ao livro de Daniel
Aarão Reis Filho, verifica-se como eixo central a discussão sobre as raízes sociais da
esquerda armada, o que em si é uma inovação importante, na medida em que amplia o
ângulo puramente político que até então marcara a análise desse objeto. Além disso, o
trabalho se distingue por ser a primeira pesquisa acadêmica relevante realizada por
alguém que não participou da luta armada. Podemos destacar que a problemática da
inserção social dos grupos de esquerda que pegaram em armas contra a ditadura militar
é o que fundamenta a análise do livro de Ridenti. O autor analisa a tentativa de inserção
dos militantes em setores de base da sociedade, em especial entre os subalternos das
forças armadas, entre trabalhadores manuais (urbanos e rurais) e no setor estudantil.
A conclusão do trabalho foi pioneira na explicação de que a derrota dos grupos
armados teria se dado pela falta de enraizamento social. De acordo com o autor, estes
agrupamentos, isolados socialmente, entraram em uma dinâmica de sobrevivência e
autodestruição à margem da sociedade. Esta abordagem, que hoje parece naturalizada
nas análises sobre o tema, naquele momento apresentava de forma sistemática uma
explicação que se afastava das perspectivas personalistas, que até então buscavam
respostas para a derrota das esquerdas na incapacidade teórica e prática de certos
indivíduos, grupos ou partidos.
Sobre o sentido da luta guerrilheira, Ridenti a qualifica como o polo mais
extremado de resistência ao regime militar. Uma resistência, porém, que não implicava
necessariamente a ideia de democracia, mas sim de revolução. A ação dessas esquerdas,
no entanto, se deu de forma isolada, distante da sociedade. Esse isolamento, por sua
vez, pode estar relacionado a uma “ilusão da permanência representativa” por parte da
esquerda pós-64. Os grupos de esquerda não conseguiram avaliar adequadamente a
mudança de conjuntura política e social com a chegada dos militares ao poder, mudança
esta que teria, por exemplo, acabado com as perspectivas de lutas sociais de massa do
período anterior ao golpe.
14

Outro tema relevante tratado no livro de Ridenti é a relação entre arte e


política, que insere a discussão sobre a participação de artistas e intelectuais na luta
contra a ditadura militar, com ênfase nos setores que pegaram em armas. Mais do que
apontar quais e quantos artistas aderiram às organizações guerrilheiras, o livro analisa a
politização desses atores e de suas produções culturais. O autor é feliz em demonstrar
que desse ambiente sociocultural radicalizado, incluindo os jovens participantes do
movimento estudantil, principais consumidores dessa arte engajada, emergiu grande
parte dos militantes que aderiram às organizações guerrilheiras.
Por fim, vale ainda apontar que no diálogo com as obras publicadas
anteriormente, Marcelo Ridenti faz uma contundente crítica à abordagem realizada no
livro de Daniel Aarão. Para Ridenti, o autor analisa as organizações comunistas como
algo exterior e diferente do movimento da luta de classes, mas não oferece elementos
para uma possível compatibilidade da dinâmica dos comunistas com a dinâmica social.
Segundo o autor, em conclusão inversa à de Reis Filho, as organizações não podem
sobreviver, “a não ser como grupúsculos”, sem enraizamento social. Teria sido o que
ocorreu com a esquerda nos anos 1960, levando as organizações a uma lógica de
sobrevivência e autodestruição. Ridenti afirma ainda que sem historicizar os “fatores de
coesão”, não seria possível entender a adesão de tantos jovens da “geração libertária” de
1968 às organizações de modelos tão rígidos, como apontado por Reis Filho.

III – Ampliação e diversificação dos estudos sobre a luta armada

A partir do final dos anos 1990, com o crescimento quantitativo dos programas
de pós-graduação em história no país, apareceram diversos trabalhos voltados para o
estudo da experiência da luta armada contra a ditadura. Em linhas gerais, podemos
apontar como característica dessas pesquisas o fato de serem monográficas, não mais
voltadas para a compreensão global da problemática, como seus antecessores. Além
disso, principalmente nos últimos cinco anos, ganhou destaque a utilização dos
conceitos de “cultura política” e “memória e identidade” nas investigações sobre o
tema, o que, na maioria das vezes, vem acompanhado do uso da história oral 17. Em
relação às fontes, os estudos recentes foram beneficiados pela abertura paulatina dos

17
Para uma introdução à discussão sobre as temáticas da “cultura política”, debates entre memória e
identidade e a utilização da história oral, ver: Cardoso (2012); Ferreira (2002; 2006); Motta (2012);
Pollak (1989;1992).
15

acervos dos aparatos repressivos a partir de meados dos anos 1990. No que diz respeito
às temáticas abordadas, observa-se que são extremamente variadas, voltando-se para a
compreensão das organizações da esquerda revolucionária, a participação das mulheres,
as produções literárias e cinematográficas, entre outros assuntos. Assim, vamos indicar
alguns conjuntos de trabalhos, sem que isso signifique um levantamento completo de
todas as pesquisas realizadas.
Um primeiro grupo de estudos busca compreender o surgimento, características
e atuação de diversos agrupamentos guerrilheiros. De maneira geral, essas pesquisas
destacam os conflitos internos das organizações, bem como as ações armadas realizadas
pelos grupos. Ganha destaque ainda as definições ideológicas e os debates em torno das
opções de luta armada, particularmente no que diz respeito ao foquismo e ao maoísmo.
Entre os estudos realizados, podemos citar uma dissertação de mestrado sobre a
Vanguarda Armada Revolucionária (VPR), realizada por Chagas (2000) e uma
dissertação sobre o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), de autoria de
Della Vechia (2005).
Duas dissertações tratam das Forças Armadas de Libertação Nacional (FALN),
de autoria de Botosso (2001) e Bagatim (2006). Estes chamam atenção para a história
dessa pequena organização do interior do Estado de São Paulo, que foi uma das
primeiras dissidências do PCB e restringiu sua atuação à região onde se localizava, sem
maiores contatos com outras organizações. Esses estudos de caso se mostram
importantes para se discutir as opções pelo caminho das armas por militantes fora das
grandes cidades. No mesmo caminho, ainda que não seja especificamente sobre a VPR,
podemos apontar aqui também a pesquisa de Oliveira (2011) a respeito da atuação do
que o autor chama de “grupo (de esquerda) de Osasco”. Este grupo de militantes,
formado por estudante e operários, teve uma ativa participação na greve ocorrida em
julho de 1968 em Osasco, que ganhou destaque nacional e mobilizou uma forte
repressão por parte do governo. Vários desses militantes, com a perseguição policial,
acabaram entrando para a VPR e passando a atuar na clandestinidade. A pesquisa, por
sua vez, se desataca por tratar de um tema ainda pouco estudado no país: a relação, ou
tentativa de aproximação, de grupos da esquerda revolucionária com movimentos
sociais.
Ainda no que diz respeito aos grupos guerrilheiros, temos três dissertações
sobre a Ação Libertadora Nacional (ALN), de autoria de Souza (2007), Lima (2009) e
16

Mattos (2002). A primeira aborda a história da ALN a partir da cobertura realizada pela
grande imprensa no país. A segunda é uma bem sucedida pesquisa que utiliza como
fontes principais os livros de memórias, biografias e literatura de testemunho de ex-
militantes da ALN para discutir uma série de temas relevantes à compressão da história
do grupo, mas que servem também para refletir sobre conjunto da esquerda
revolucionária nos anos 1960. O trabalho transita com muita qualidade sobre as
discussões e relações, às vezes conflituosas, entre memória e história das esquerdas. Já a
pesquisa de Mattos (2002) faz parte de uma perspectiva de estudos realizados
principalmente na Universidade de São Paulo (USP), cuja abordagem de temas
relacionados à ditadura militar é feita a partir do funcionamento do Departamento de
Orem Política e Social (DEOPS), da Justiça Militar, dos inquéritos e julgamentos
realizados durante o Regime Militar. Nas palavras do autor, na pesquisa

é abordada a atuação dos delegados de polícia responsáveis pelos inquéritos que


originaram os processos, assim como a atuação dos procuradores, vinculados ao
ministério Público. Além disto, trata-se do comportamento e das estratégias
utilizadas pelos réus e por seus advogados. Finalmente, são apresentados um
levantamento quantitativo das decisões judicias e os critérios decisórios dos
juízes, enfatizando sua preocupação com a ‘realidade social’ dos réus
(MATTOS,2002: 5)

O Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) foi estudado por SILVA


(2009), em uma dissertação que apresenta a trajetória da corrente desde as discussões no
interior do Partido Comunista Brasileiro (PCB), da sua dissidência de sua matriz
política, da atuação no movimento estudantil, até a opção pela luta armada. O trabalho
se destaca no que diz respeito à presença dos militantes entre os estudantes, que seria
uma base importante para a organização guerrilheira. Já Leite (2009), ao tratar da
história dos Comandos de Libertação Nacional (COLINA), realizou uma importante
dissertação sobre organizações revolucionárias. A autora discorre sobre as condições
históricas, em diversas instâncias, do surgimento e funcionamento do grupo em Minas
Gerais. Discute ainda temas como cultura política e violência a partir do caso da
organização pesquisada.
O Partido Comunista do Brasil-Ala Vermelha (PCdoB-AV) foi objeto da tese
de doutorado de Silva (2007b) e da dissertação de mestrado de Ribeiro (2013). Silva
destaca a origem do grupo a partir de uma cisão no interior do PC do B e o precoce
debate sobre a viabilidade ou não da continuidade da luta armada. Assim como o
17

trabalho de Mattos (2002), este também dedica uma parte da tese ao processo judicial
que envolveu o PCdoB-AV.
Já Ribeiro (2013) fez uma instigante pesquisa sobre a atuação da organização
em movimentos sociais de bairro e na publicação do Jornal da Baixada, na região da
baixada fluminense nos anos 1970. A pesquisa aponta para um caminho que pode
contribuir enormemente para o desenvolvimento de pesquisas sobre a esquerda
revolucionária. Vale desatacar no trabalho a originalidade da interlocução entre história
social e história política, o que enriqueceu a discussões sobre o tema; e a análise da
trajetória de militantes da esquerda armada no Brasil no período posterior a 1972,
quando a aposta das organizações no potencial da guerrilha havia sido dizimada pela
repressão. Nesse sentido, a pesquisa de Ribeiro nos mostra, a partir do caso da Ala
Vermelha, a busca dos militantes pela inserção nos movimento sociais que cresceriam
no país a partir do final dos anos 1970.
O tema das relações das esquerdas brasileiras com a revolução cubana foi
tratado por Rollemberg (2001) e Sales (2007). O primeiro trabalho faz uma rica
discussão sobre o treinamento de militantes e a formação política da esquerda brasileira
em Cuba nos anos 1960 e 1970. Além desses aspectos, o livro problematiza temas como
o projeto de “exportação da revolução” e a mística que envolvia este treinamento. O
segundo trabalho faz uma discussão sobre a influência da revolução cubana no debate
político e ideológico das esquerdas brasileiras no decorrer dos anos 1960.
Ainda no que diz respeito às organizações da esquerda revolucionária, cabe
mencionar que são poucos os estudos biográficos ou aqueles que enfatizem a trajetória
de militantes. Nesse ponto, podemos citar duas pesquisas sobre Carlos Marighella,
realizadas por Júnior (1999) e Soares (2012), assim como duas dissertações centradas na
trajetória de Carlos Lamarca, de autoria de Nogueira (2009) e Maciel (2003) 18. Temos
ainda um trabalho sobre Joaquim Câmara Ferreira, realizada por Silva (2007a)19, e outro
sobre a militante da ALN Jane Vanini, de autoria de Araújo (2002). No conjunto dos
trabalhos, podemos destacar a tentativa descritiva das vidas dos militantes e discussões
em torno da construção da memória social sobre estes personagens. No caso de Maciel,
há ainda aspectos relacionados ao julgamento de Lamarca e outros membros da VPR na
Justiça Militar.

18
A pesquisa de Maciel foi publicada em livro. Cf. Maciel (2006).
19
A pesquisa foi publicada em livro. Cf. Silva (2010).
18

Se a temática das biografias de militantes da esquerda revolucionária não


ganhou grande espaço na produção acadêmica, as investigações relacionadas à
participação das mulheres em diversos âmbitos de oposição ao regime militar tem se
mostrado uma abordagem fecunda na área. Certamente colaboram para esse
crescimento não apenas as questões relacionadas à história da esquerda e da ditadura,
mas também o grande desenvolvimento no país de estudos sobre gênero, os quais
contam com uma rede de grupos de pesquisas e publicações consolidados20.
Entre outros trabalhos, podemos citar aquele desenvolvido por Adão (2002),
que destaca variados aspectos das discussões de gênero e militância política nos anos
1960 e a tese de doutorado de Joffily (2005), que a partir de um conjunto de 13
entrevistas, discute temas como o apoio das mulheres à organizações guerrilheiras, e as
vivências na luta armada, na clandestinidade, no exílio e na tortura. Já a pesquisa de
Nascimento (2006) é contribuição da área da psicologia aos estudos sobre a militância.
A autora busca investigar os “aspectos psicossociais, principalmente aqueles
relacionados aos processos de identificação, implicados na interconexão entre relações
de gênero e campo político na militância de mulheres contra a ditadura militar
brasileira, entre os anos de 1964 e 1985, no Estado do Espírito Santo” (p. 2).
As dissertações de mestrado de Bastos (2007) e Insuela (2011) abordam
relações de memória e identidade entre grupos de mulheres que participaram da luta
armada, tanto na trajetória das organizações, quanto nos desdobramentos das discussões
sobre a questão feminina a partir de meados dos anos 1970 no exílio. A tese de Ribeiro
(2011) focaliza atividades de mulheres que foram direta ou indiretamente ligas à ALN.
São discutidas desde a participação na organização e nas ações armadas, até outras
atividades que tiveram grande importância, mas pouca visibilidade, como retaguarda do
movimento. Por sua vez, Rovai (2012) analisa a presença das mulheres na greve
ocorrida em Osasco, em 1968 e, ao mesmo tempo, o silenciamento pelo qual passou
esta presença na “memória oral dos homens” (p.4).
Há um grupo de pesquisas e publicações que se volta para a compreensão da
experiência de guerrilha de maior duração nos país, a guerrilha do Araguaia. Neste caso,
temos trabalhos acadêmicos, como aqueles desenvolvidos por Campos Filho (1997),
Mechi (2012), Sales (2000), Galdino (1994), Nascimento (2000), Santos (2004), Sousa

20
Cabe lembrar que nos anos 1990 foram publicados livros pioneiros nessa área, como os de Colling
(1997) e Ferreira (1996), além do trabalho do jornalista Luiz Maklouf Carvalho (1998).
19

(2006) e Studart (2006), mas também um interesse de jornalistas como Portela (1979),
Nossa (2012) e Morais e Silva (2005). Há também o trabalho do ex-dirigente do PC do
B, Wladimir Pomar (1980), que se tornou um clássico a respeito do tema. No caso das
pesquisas acadêmicas, vale destacar o recente trabalho de Mechi (2012), o qual, para
além da história a partir das fontes do PC do B, procurou entender o significado da
inserção da guerrilha em meio às disputas de terra e diversos problemas dos camponeses
do Araguaia, bem como as consequências posteriores ao conflito. Antes disso, Sales
(2000) havia tratado a guerrilha como ponto final de um projeto político e ideológico do
PC do B, gestado nas condições históricas específicas dos anos 1960.
Há ainda dois temas sobre a luta armada que têm recebido um grande número
de pesquisas: aqueles que trabalham com as narrativas literárias e biográficas de ex-
militantes e com as produções audiovisuais sobre a guerrilha. Estes estudos se
apresentam particularmente ricos na medida em que oferecem discussões sobre
fronteiras e dilemas das narrativas histórica e literária, bem como acerca da construção
da memória social sobre a ditadura.
Nesse conjunto de pesquisas, Ribeiro (2005) analisou a narrativa de Carlos
Eugênio Paz; Maués (2008) discutiu o livro de Renato Tapajós, Em Câmara lenta, e
Silva (2006) abordou livros de Fernando Gabeira, Renato Tapajós, Alfredo Sirkis e
Reinaldo Guarany. O objetivo de Silva foi realizar um “estudo das trajetórias políticas e
pessoais, (visando o balanço das experiências e as motivações pessoais e/ou políticas
para escrever sobre elas) baseados na análise narrativa, dos depoimentos concedidos e
de pesquisa realizada em arquivos, jornais revistas e dossiês dos aparelhos repressivos e
informativos do Estado à época (DEOPS)” (SILVA,2006:3).
Os estudos que analisam filmes, séries e telenovelas relacionados ao tema da
luta aramada têm ganhado grande número de pesquisadores. As abordagens, por sua
vez, provêm da história, das ciências sociais, da comunicação social, entre outras. O
tema principal dessa produção é a construção da memória sobre os anos de chumbo, e
da própria memória social brasileira sobre a luta armada, o período ditatorial, a tortura,
a anistia, o exílio, a abertura política, enfim, todo o complexo processo histórico
vivenciado pelo país entre os anos 1960 e 1980.
É interessante notar que o filme mais estudado neste conjunto de pesquisas é O
que é isso companheiro, de Bruno Barreto, lançado em 1997, baseado no livro
homônimo de Fernando Gabeira. Essa opção se deve, em grande medida, à reação
20

crítica com que foi recebida a forma pela qual a luta armada aparece no filme de
Barreto, além do polêmico retrato humanista da figura do torturador. Essas, e outras
questões que já apareceram nos debates públicos em 199721, são discutidas nas diversas
pesquisas. Nesse caminho, o filme de Barreto é analisado por Fazio (2003) e também
por Cunha (2006), que o discute juntamente com o filme de Lúcia Murat, Quem bom te
ver viva. A pesquisa de Seliprandy (2012) analisa o filme de Barreto apontando
contrastes, tanto estéticos quanto ideológicos, com o filme Hércules 56, de Silvio Da-
Rin. Já o pesquisador Marcos Alexandre de Aguiar (2008), abordou temas relacionados
ao embate entre as forças de repressão e a militância de esquerda a partir do filme de
Barreto, em contraste com Lamarca, de Sérgio Resende.
A história das relações da Ordem dos Dominicanos com a ALN e Carlos
Marighella foi tratada a partir da análise do filme Batismo de Sangue, de Helvécio
Ratton, por Feijó (2011); enquanto que o filme Araguaya: a conspiração do silêncio foi
analisado por Guerra (2008). Duas pesquisas tratam de temas mais amplos relacionados
à ditadura militar, sendo a guerrilha um dos aspectos discutidos. Caroline Gomes Leme
(2011) analisa um conjunto de filmes para discutir a relação sociedade e ditadura: E
agora, José? Tortura do sexo, de Ody Fraga; Paula – a história de uma subversiva, de
Francisco Ramalho Jr; Nunca fomos tão felizes, de Murilo Salles; Corpo em delito, de
Nuno Cesar Abreu; Ação entre amigos, de Beto Brant; A terceira morte de Joaquim
Bolívar, de Flávio Cândido; e Zuzu Angel, de Sérgio Resende. A pesquisa de Souza
(2007) recorreu ao método comparativo para discutir a questão da ditadura militar
envolvendo Brasil e Argentina. Para isso, analisou os filmes brasileiros Quase dois
irmãos, de Lúcia Murat e Cabra Cega, de Toni Venturi; da Argentina foram analisados
os filmes Kamchatka, de Marcelo Piñeyro, e Garage Olimpo, de Marco Bechis.
As relações entre história e ficção também foram discutidas a partir da análise
da minissérie Anos Rebeldes, veiculada pela Rede Globo de televisão em 1992, por
Melo (2006) e Gonzaga (2013). Cresqui (2009) analisou Anos Rebeldes, juntamente
com as minisséries Agosto e JK, ambas da Rede Globo. A dissertação de mestrado de
Araújo (2013) analisou a telenovela Amor e revolução, veiculada pelo Sistema
Brasileiro de Televisão (SBT) entre 2011 e 2012.

21
Em 1997, como reação ao filme de Barreto foi publicado um livro com depoimentos e textos críticos
sobre o filme. Cf. Reis Filho et al (1997).
21

Particularmente nos últimos anos, com a regionalização dos programas de pós-


graduação em história, tem se desenvolvido uma série de pesquisas que ressaltam as
experiências de luta armada fora do eixo Rio-São Paulo. De forma geral, além do estudo
sobre a capilaridade da atuação das diversas organizações das esquerdas no país, as
investigações fazem importante reflexão sobre as relações entre características políticas,
condições sociais locais e o surgimento da esquerda revolucionária. Em alguns casos,
como na pesquisa de Chagas (2007) sobre a luta armada no Rio Grande do Sul,
defende-se a existência de uma “cultura política” local, do “nacionalismo-
revolucionário”, que ajudaria a explicar a precoce opção da sociedade gaúcha pelo
enfrentamento armado (CHAFAS,2007:7). Ainda sobre este Estado, mas partindo da
discussão sobre a construção da memória sobre a luta armada, há a pesquisa de Ruschel
(2011). A chamada guerrilha do Caparaó, que embora realizada no estado de Minas
Gerais, teve implicações nacionais, foi estudada por Guimarães (2006). O autor, além
do relato sobre a formação, desenvolvimento e derrota do projeto guerrilheiro, destaca o
anticomunismo e o medo causado pelos eventos da guerrilha e a presença do exército
nos moradores da região.
O Estado do Ceará tem desenvolvido algumas pesquisa sobre a luta armada,
como aquelas de autoria de Farias (2007a)22 e Costa (2009). O destaque nesses
trabalhos é a relação dos grupos da esquerda revolucionária com o importante
movimento estudantil existente, principalmente, em Fortaleza. Os autores ressaltam que
o golpe de 1964 e a crise aberta nas fileiras do PCB repercutiram no estado, levando
muitos militantes a aderirem à luta armada. Desse estado sairiam ainda militantes que se
aproximariam do PC do B, casos de José Genoino e Oseas Duarte23.
Ainda na região nordeste, há um trabalho sobre uma pequena dissidência do
PC do B, o Partido Comunista Revolucionário (PCR), de autoria de Cerveira (2001) e
duas pesquisas relacionadas à luta armada na Bahia. A primeira é de Souza (2003), que
faz uma discussão sobre as organizações da esquerda revolucionárias e suas ações na
cidade de Salvador. A segunda é de Santos (2004), que aborda a história do PC do B na
Bahia, destacando que vários militantes que participaram da guerrilha do Araguaia eram
oriundos desse estado. Há também uma relevante discussão sobre a radicalização do

22
A dissertação de Farias foi publicada em livro (2007b).
23
Mesmo não sendo pesquisas diretamente relacionadas à luta armada, cabe mencionar alguns trabalhos
sobre o movimento estudantil cearense nos anos 1960, os quais ajudam a compreender a presença da
esquerda revolucionária naquele estado. Cf. Maia Júnior (2002); Portugal (2008).
22

movimento estudantil após o golpe de 1964 e a opção pela esquerda revolucionária por
parte de muitos estudantes.

Conclusão
Conforme vimos no decorrer deste capitulo, os debates e interpretações sobre a
luta armada e a esquerda revolucionária no Brasil têm um longo percurso intelectual.
Essa temática, atravessada por questões teóricas e políticas, está diretamente ligada à
construção da memória da sociedade brasileira sobre a ditadura militar. As motivações,
temas, abordagens e interesse se modificaram nas últimas quatro décadas, assim como a
própria sociedade brasileira no mesmo período. Essa trajetória pode ser sintetizada com
o debate iniciado pela militância ainda no exílio, passando pelas publicações de jornais
e livros de memórias, entre aos anos 1970 e 1980, aproximando-se da produção
acadêmica ainda incipiente nos anos 1990, até alcançar o grande crescimento e
variedade de estudos a partir dos anos 2000.
Certamente a sociedade e a produção histórica são dinâmicas, de modo que
continuarão a aparecer novas discussões e interpretações sobre o tema. Nesse sentido,
optamos por encerrar o capítulo apontando uma questão que, discutida em 2004, por
ocasião dos 40 anos do golpe, deve ser retomada e ampliada nesse aniversário de 50
anos da implantação do regime militar, tornando-se, possivelmente, um dos mais
relevantes objetos para novos estudos. Trata-se do significado das ações armadas
empreendidas pelos grupos revolucionários. A esse respeito, sob uma perspectiva, a
partir das interpretações de Daniel Aarão Reis (2004), alguns defendem que tais ações
eram essencialmente ofensivas, na medida em que os grupos revolucionários não
propunham a volta ao regime democrático e sim a implantação de um regime
revolucionário. Já de acordo com as intepretações de Marcelo Ridenti (2004), as ações
guerrilheiras eram, na verdade, de resistência ao regime ditatorial, ainda que nos
programas e propostas dos grupos aparecessem os fins revolucionários.
Essa discussão, que continua presente no cenário intelectual brasileiro,
possivelmente terá desdobramentos em futuras pesquisas e debates acadêmicos. Ela, de
certa forma, também se relaciona às discussões sobre os fatores e protagonistas do golpe
militar de 1964, do funcionamento do regime ditatorial, bem como da temática do
direito à verdade e à justiça em curso no país.
23

A partir da análise das pesquisas recentes sobre o tema, o que se evidencia, a


meu ver, é que a opção pela luta armada esteve, em grande parte, relacionada à eclosão
do golpe e a instauração do regime militar. O que não significa afirmar que vários
grupos que participaram da luta armada não tivessem em seu horizonte a proposta de
um novo tipo de sociedade. Ao final, o que me parece é que o golpe militar catalisou
debates e propostas anticapitalistas difusas existentes entre as esquerdas brasileiras
desde antes de 1964. Porém, dificilmente se poderia negar que a derrubada da ditadura
através de ações armadas continuou como objetivo central e imediato dessas esquerdas
no contexto ditatorial24.

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24
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24

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