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Comunicação e Expressão – Português

A Linguagem e seus cenários


Quem não se comunica se trumbica
 

 
Um dos muitos bordões e expressões criados por Abelardo Barbosa, o Chacrinha (um
grande comunicador de rádio e um dos maiores nomes da televisão no Brasil que foi
apresentador de programas de auditório, de enorme sucesso dos anos 1950 aos
1980), e que se tornariam populares e imortalizados, "Quem não se comunica se
trumbica!" resume a importância da comunicação eficaz e cai como uma luva para
abrirmos este Curso!

 Segundo a definição do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, comunicar, do


latim communicare, significa: v. tran. Pôr em comunicação. 2. Participar, fazer saber.
3. Pegar, transmitir. v. intr. Estar em comunicação. Corresponder-se. v. pron. 6.
Propagar-se. Transmitir-se. E expressão, do latim expressione, é: 1. !Ato ou efeito de
exprimir. 2. Maneira de exprimir; frase, palavra. Manifestação de um sentimento.
Carácter, sentimentos íntimos, manifestados pelos gestos ou pelo jogo da fisionomia. !
Ação de espremer; espremedura.

 De fato, vivemos em sociedade e uma das necessidades inerentes a este sistema é a
comunicação. O homem desde que começou a viver em sociedade passou da
emissão de sons primitivos para a linguagem mímica e depois para a linguagem oral e
escrita. 

A comunicação se constitui em um processo social que possibilita o relacionamento de


indivíduos em grupo ou sociedade.

 A comunicação pode ser verbal ou não-verbal:

Comunicação Verbal se dá pelo uso da palavra falada (oral) ou escrita (grafada).

Comunicação Não-verbal se dá através de gestos, da postura, da expressão facial,


da pintura, da música, da fotografia; enfim, de todas as maneiras que não sejam a oral
e a escrita.

 Em suma, usamos a linguagem para nos comunicarmos e expressarmos. Diariamente


através de nossas conversas negociamos tarefas, prazos, valores, etc.; planejamos
festas, eventos, férias, refeições; discutimos política, relacionamentos, etc. São muitas
as instâncias em que usamos a linguagem, tanto de forma falada quanto escrita ou
gestual: atores encenam, cientistas e repórteres informam, advogados e juízes
conduzem julgamentos, agências de propaganda e marketing anunciam seus produtos
(Clark, 2000).

 
Não devemos ver o uso da linguagem como um processo individual: para que haja
comunicação é necessário haver uma ação conjunta - uma pessoa ou grupo de
pessoas agindo em coordenação com outra, ou com outro grupo.

O autor exemplifica esta coordenação de ações estabelecendo uma analogia com a


dança: cada um dos pares se move no salão de forma especial, movendo seus braços
e pernas individualmente, mas quando se juntam como par, seus passos individuais
estabelecem uma coordenação à medida que criam a dança. Assim, diferentemente
da soma dos passos de cada um, eles formam um todo - um movimento único dos
passos de um, coordenados com os passos do outro.

 Da mesma forma, não podemos entender a comunicação como uma mensagem
enviada por um (emissor) e recebida por outro (receptor) individualmente, sem que
haja uma coordenação entre os dois: trata-se de uma ação também conjunta.
 
Para que haja comunicação efetivamente pressupõe-se que os processos individuais
sejam articulados e, então, incorporem também os processos sociais, nos quais as
ações conjuntas se iniciam a partir das ações individuais.

 A língua permeia tudo, ela nos constitui enquanto seres humanos, somos a língua que
falamos (Bagno, 2007, p. 140). Ou seja, a língua que falamos define a maneira
como vemos o mundo e a nossa forma de ver o mundo define a língua que
falamos.

 Quando nos comunicamos utilizamos uma série de variáveis: conversamos com


amigos ao telefone, ligamos para uma empresa solicitando informações,
deixamos scraps para amigos no Orkut, escrevemos relatórios, fazemos nossas
orações em conjunto, assistimos à TV, etc. Estas são situações que Clark (2000)
define como cenários do uso da linguagem. Estes incorporam:

1. as cenas: onde se dá a comunicação;

2. os meios: como esta se dá, conforme já vimos: através da linguagem falada,


escrita, gestual, impressa, ou da mistura de ambas.

Você consegue perceber as diferentes cenas e meios nos exemplos acima? Pois
vejamos:

Conversamos com amigos ao telefone - cena: conversa, meio: falado;

Deixamos scraps para amigos no Orkut - cena: pessoal, meio: escrito.

Vamos, então, ver as cenas e os meios em suas categorias, chamadas por Clark
(2000) de cenários, que ocorrem tanto na linguagem falada quanto na linguagem
escrita.

Cenários da linguagem falada


 
 Cenários pessoais
 Cenários não pessoais
 Cenários institucionais
 Cenários prescritivos
 Cenários ficcionais
 Cenários mediados
 Cenários privados

Cenários pessoais
 
Conversas caracterizadas pela livre troca de turno entre os participantes, ou seja, há
interrupções mútuas e livres, como quando estamos negociando, 'fofocando',
discutindo, brigando, etc.

Cenários não pessoais


 
São monólogos, instâncias em que as pessoas falam com pouca ou nenhuma
oportunidade de interrupção, como quando um chefe informa novas regras aos
funcionários, um coordenador apresenta o calendário escolar na reunião de
professores, ou um aluno relata uma experiência para a turma.

Cenários não pessoais


 
São monólogos, instâncias em que as pessoas falam com pouca ou nenhuma
oportunidade de interrupção, como quando um chefe informa novas regras aos
funcionários, um coordenador apresenta o calendário escolar na reunião de
professores, ou um aluno relata uma experiência para a turma.

Cenários prescritivos
 
São semelhantes aos cenários institucionais. Pode haver troca, no entanto, as falas
são preestabelecidas, como uma congregação recitando preces, um casal trocando
votos matrimoniais, um juiz marcando uma falta num jogo de baseball. Estes podem
ser considerados um subconjunto dos cenários institucionais.

Cenários ficcionais
 
Quando a pessoa que fala nem sempre está expressando sua intenção individual,
própria. É o caso de atores interpretando seus papéis, uma personalidade anunciando
um produto, ou seja, essas pessoas vocalizam palavras determinadas por outra
pessoa, que não necessariamente expressam a sua própria intenção.

Cenários mediados
Semelhante aos cenários ficcionais, mas há aqui uma figura intermediária. Quando um
advogado lê o testamento de um cliente: "deixo minha fortuna para X", não é ele, o
advogado, que está deixando sua fortuna e sim o cliente. Da mesma forma, quando
ouvimos uma gravação telefônica informando o horário de atendimento de
determinada empresa, ou quando um interprete faz uma tradução simultânea, estes
são apenas os mediadores da comunicação.
Cenários privados
 
As pessoas falam em nome próprio, sem estarem se referindo a ninguém, quando, por
exemplo, praguejam, ensaiam uma apresentação, ou pensam em voz alta sobre
alguma questão. Neste caso, o que digo não está dirigido a nenhuma outra pessoa, é
apenas para mim mesmo.

Cenários da linguagem escrita


 
Os cenários da linguagem escrita também apresentam as mesmas características dos
da linguagem falada, uma vez que a escrita pode ser vista como a adaptação da
linguagem falada ao meio impresso.

Os cenários pessoais
 
São os cenários escritos que mais se assemelham à conversa - quando escrevo um
bilhete para um colega, uma carta pra um familiar ou um e-mail para um amigo. E
quando usamos os cenários computacionais, como bate-papos, em que a leitura e a
escrita são simultâneas em dois terminais, a experiência pode assemelhar-se ainda
mais.

Cenários não pessoais


 
Na linguagem escrita são aqueles em que as mensagens escritas não são dirigidas a
pessoas conhecidas do escritor, mas sim, a um tipo específico de leitor, como os
assinantes da Veja, do Correio Popular ou da Capricho, um professor desenvolve uma
apostila para seus alunos, etc. Pode ser que os escritores nos casos acima conheçam
alguns de seus leitores, ou saibam o "perfil" do assinante do meio que veicula suas
mensagens, mas ainda assim eles se dirigem aos leitores de modo geral.

Cenários ficcionais
 
O mesmo se dá neste cenário escrito, quando um escritor como Shakespeare
escreveu Hamlet e Romeu e Julieta - as intenções expressas não são as suas
próprias.

Cenários mediados
 
Estão também na linguagem escrita quando um tradutor faz a tradução de um
documento, por exemplo, ou um redator de discursos escreve o discurso de um
político. Não são eles expressando suas próprias mensagens, e nós leitores desse
documento e ouvintes desse discurso não os vemos como sequer envolvidos no
processo de comunicação.
Cenários institucionais
 
Também se caracterizam na linguagem escrita. As pessoas que escrevem normas,
diretrizes, contratos, bulas de remédios, por exemplo, estão redigindo os interesses
das empresas, dos clientes, etc.

Cenários privados
 
Encontram seu espaço também na escrita - listas de compras, resoluções de ano
novo, rabiscos enquanto falo ao telefone são escritos apenas para mim, para uso
posterior, ou não.

Cenários prescritivos
 
Por fim, estes são os cenários em que, por exemplo, o usuário faz seu login e digita
sua senha para ter acesso a determinado site ou preenche e assina um cheque ou
formulários específicos.

 Conforme se pode concluir há os mesmo tipos de cenários em ambas as formas de


linguagem. No entanto, embora estes sejam os tipos de cenários mais comuns e
compartilhados pelo maior número de pessoas, eles não são os únicos existentes.

 Quanto mais forem as novas tecnologias - gravação em áudio, gravação em vídeo,


computador interativo, sistemas de leitura óptica - mais tipos de cenários serão criados
pelo homem.

No quadro a seguir Oliveira (2006) oferece as habilidades comunicativas relacionadas


com alguns meios de comunicação, similares aos cenários propostos por Clark (2000).
 

Meio de Comunicação Habilidades Comunicativas


Interpessoal Direto Compreensão e Expressão Oral, Compreensão e Expressão Gestual
Impresso Compreensão e Expressão Escrita
Televisão Compreensão Oral
Internet Compreensão e Expressão Escrita e Oral
Telefonia / Compreensão e Expressão Oral
Teleconferência
Videoconferência Compreensão e Expressão Oral, Compreensão e Expressão Gestual

Conclusão
 
Então, sugerimos que aqueles envolvidos em atos de comunicação estejam sempre
atentos para estes cenários e as práticas características de cada um deles a fim de
apreender o escopo de cada um e as responsabilidades que cabem aos atores de tais
práticas.
Por exemplo, não se pode responsabilizar a pessoa que anuncia uma mensagem
institucional cujo conteúdo não agrade de forma pessoal, porque ela está apenas
intermediando o discurso da instituição.

 Reflita sempre acerca de seu papel nos atos de comunicação em que estiver
envolvido. A responsabilidade compartilhada oferece maiores chances de eficácia na
comunicação.

Portanto, seja em que cenário for (desses descritos citados), esteja sempre disposto a
 

se fazer entender e a entender o outro, sempre tendo em mente que o processo de


comunicação e expressão é de mão dupla.

Por trás das falhas


Capacidade de comunicação
 
Todo ser humano tem a capacidade de se comunicar e saber ouvir é essencial

Porque existem tantas falhas e desencontros quando nos comunicamos?

Conforme já exposto na Unidade I, o processo de interação acontece em todos os


níveis de convivência na sociedade e de várias formas - a comunicação é
indispensável ao ser humano. Assim, todos nós temos a capacidade de comunicação.
Entretanto, a qualidade da mensagem veiculada e o entendimento de seu conteúdo
muitas vezes comprometem significativamente as relações interpessoais e seu
desenvolvimento.

Na verdade, o ato de se comunicar é um processo complexo - seja verbalmente, pela


escrita ou por gestos. Intencional e conscientemente ou não, a comunicação acontece.
Até quando deixamos de falar, gesticular ou escrever, estamos nos comunicando;
como dizem os vários provérbios: "Quem cala, consente.", "Poupa o teu tempo e
também as tuas palavras.", "Bom é saber calar até ser tempo de falar.", "De calar
ninguém se arrepende e de falar, sempre.","Uma imagem vale por mil palavras".

O fato é que, como esclarece Clark (2000), cada um de nós processa informações de
maneiras distintas. Assim, falhas na comunicação geram conflitos, improdutividade,
prejuízos e ressentimentos.
 

Expressarmos bem nossas mensagens, falarmos e sermos entendidos, propor ideias


que sejam bem-vindas, colocarmo-nos no lugar do outro são desafios que
enfrentamos diariamente em nossa relação com os demais membros de nossa
sociedade, independente do tipo de cenário, ou contexto, em que nos relacionamos:
família, escola, trabalho, etc.

Prevenindo as falhas de comunicação


 

O que podemos fazer, então, para prevenir essas falhas?

Toda situação de comunicação está sujeita a falhas devido à presença de ruído ou


interferência - todo e qualquer fator que interfira no processo de comunicação,
como por exemplo, distrações físicas, erros de semântica, diferenças culturais,
etc.

O ruído pode se dar tanto sobre aquele que envia a mensagem quanto sobre aquele
que a recebe. Isso porque cada um de nós possui sua própria maneira de ver o mundo
e expressá-lo.

O Porteiro Zé, um personagem humorístico, criado por web designers brasileiros,


protagoniza cenas corriqueiras de falha na comunicação. Embora seja considerado um
humor preconceituoso por criar um estereótipo de porteiro que sempre falha em
compreender as mensagens de moradores, visitantes e prestadores de serviço, este
personagem virtual ilustra muito bem os ruídos mencionados acima.

 No episódio Porteiro Zé - táxi(Vídeo #1), é fácil identificar os ruídos como a má dicção
do porteiro e sua consequente confusão com nomes parecidos - Maria Lúcia e Marluce
-, inabilidade para lidar com a pressão para repassar a mensagem que é imposta pela
pressa do taxista para que sua mensagem seja repassada, a suposição de que A não
sendo B para ele o falante que afirma que A é B está necessariamente errado, entre
outras. Assista ao vídeo e veja que outros ruídos você percebe, que resultam na falha
de comunicação.

 Quanto menos ruído houver, mais fiel será a comunicação - o significado do ruído,
assim como o da mensagem, resulta da ação conjunta (de que fala Clark) entre o
falante/escritor e o ouvinte/leitor.

 Neste episódio em particular, o taxista percebe que o Porteiro Zé não está sendo
eficiente em comunicar sua mensagem e tem o cuidado de fazer com que seu
interlocutor (o Porteiro Zé) entenda que informação deve ser repassada e,
principalmente, para quem ela deve ser repassada. Também a moradora (D. Maria
Lúcia), sabendo que o porteiro incorre neste tipo de falhas, capta a mensagem e
garante que seu objetivo - ir para o aeroporto naquele táxi - seja alcançado.

Em resumo, as falhas de comunicação são comuns e causadoras de inúmeros


problemas no âmbito pessoal e profissional que, como sabemos, podem tomar
grandes proporções para ambas às partes envolvidas no ato da comunicação.

É imprescindível que enquanto comunicadores sejamos sensíveis aos ruídos e


façamos a nossa parte para que a mensagem seja veiculada e recebida da maneira
mais eficaz possível.

A comunicação eficaz
Como ser eficaz?
 
A comunicação eficaz, conforme você pode concluir na aula anterior, se inicia na
forma como podemos ver o mundo do ponto de vista do outro.

Somos eficazes em nossa comunicação quando somos capazes de entender uns aos
outros conforme os aspectos culturais, características pessoais, nível intelectual,
limitações de vocabulário, conceitos e experiências individuais de cada um.

Quando falamos ou escrevemos, o fazemos para um interlocutor que participa do


nosso ato de comunicação e que também é responsável pelo sentido daquilo que
dizemos - ele atribui sentido ao que dizemos e também define a forma como o
dizemos.

O tipo de linguagem que usaremos depende do tipo de interlocutor a quem dirigimos


nossa mensagem.
Fatores tais como clareza, coerência, adequação, oportunidade e atualidade,
distribuição, adaptação e uniformidade, interesse e aceitaçãosão fortes aliados na
eficiência da comunicação.

Utilizar uma linguagem clara, adequada, coerente com a situação, que seja de
interesse do seu interlocutor auxilia na eficácia do processo de comunicação.

Ou seja, não é nada eficaz, por exemplo, um engenheiro instruir sua equipe de
pedreiros usando a linguagem exigida na universidade (adequação, adaptação). Nem
tampouco, instruí-los acerca da colocação das janelas quando o prédio está ainda na
fundação (oportunidade e atualidade), mandar que a pintura seja feita durante um dia
de chuva (coerência), ou falar para o administrador da construtora dar essas
instruções (distribuição).

Que barreiras se interpõem impedindo minha eficácia?


 

As principais barreiras de comunicação decorrem de: desvios de


atenção, expectativas injustificadas, desconfiança, má escuta. Ora, é muito
natural que em situações como as descritas anteriormente o interlocutor perca o
interesse, desconfie das intenções do falante/escritor e, consequentemente, que a
compreensão seja prejudicada.

Tão importante quanto falar, é saber ouvir. Deixar a outra pessoa falar possibilita
captarmos os sinais de sua compreensão - quando verdadeiramente ouvimos, somos
mais capazes de estabelecer uma conexão entre nós e o outro. Assim, podemos
construir uma relação de respeito e confiança, além de aprendermos com aquilo que
ouvimos.

Procure sempre atentar para:


 linguagem VS meio VS interlocutor - preocupe-se em ser eficaz e levar em
conta a análise dos fatores exemplificados acima;
 pressupostos - evite acreditar, ou supor, que seu interlocutor possua o
mesmo nível de conhecimento e entendimento da situação, o mesmo
interesse, visão de mundo e experiência de vida que você possui;
 ambiguidade - evite usar palavras e expressões que geram duas
possibilidades de entendimento, por exemplo, "Vi o maior gato descendo a
escada!" (um cara bonitão ou um felino?); "O Frederico viu seu primo no carro
dele." (o primo dele ou o do ouvinte?).
 polarização - concentrar-se apenas em um interlocutor quando a interação se
dá em grupo.

E peça sempre:

 confirmação- pergunte se o que você entendeu é mesmo o que outro queria


que entendesse;
 feedback- diga o que você acha acerca do que foi dito, seja sua opinião
positiva ou negativa; porém, seja honesto e sempre construtivo, não se deve
criticar quando não se tem uma alternativa, solução, ou pelo menos uma
sugestão a oferecer;
 esclarecimentos- peça que o outro explique, repita, exemplifique, enfim,
certifique-se de que efetivamente entendeu a mensagem.

O economista Gustavo Ioschpe, membro do conselho do Educar para Crescer, em


artigo publicado na Veja (edição 2160, de 14/04/2010) no qual diz que a qualificação
tecnológica é crucial para que o Brasil possa mesmo ser uma real potência
econômica, conta um caso ilustrativo de falha de comunicação causada por um dos
pontos acima, qual seja: pressupostos. Conta ele:
 

Quando voltei ao Brasil, depois de anos no exterior, queria montar meu escritório
rapidamente. Contratei, então, um desses serviços de secretariado virtual para me
ajudar enquanto iniciava o processo de busca por uma equipe permanente. Notei que
a secretária virtual não era um gênio, mas achei que quebraria o galho. Certo dia,
mandei um e-mail a ela pedindo que me conseguisse a informação de contato do
cônsul brasileiro em Houston (EUA). Informação encontrável na internet em poucos
minutos. Passaram-se cinco minutos, cinco horas, e nada.
Três dias depois, recebi um e-mail da fulana: "Sr. Gustavo, procurei na Cônsul e até
na Brastemp, mas ninguém conhece esse tal de Houston". Pensei que fosse piada.
Reli. Não era.
O economista faz sua análise do caso, mas o que interessa a nós neste instante é
apontar que esta falha na comunicação é mais uma ilustração dos fatores que
contribuem para que ela ocorra. No caso, Gustavo Ioschpe tomou por certo que a
secretária virtual compartilhava o conhecimento que ele tem dos cargos e hierarquia
da Diplomacia.

Porém, ele mesmo nos dá a entender que sabia que esta pessoa não atendia
exatamente às suas necessidades. Podemos, então, de acordo com o que vimos até
agora, perceber que o processo conjunto que deveria ocorrer em todos os atos de
comunicação não aconteceu. Quando nos diz que ela não era um gênio, mas achei
que quebraria o galho, o economista claramente demonstra que não teria grandes
expectativas quanto ao desempenho desta profissional. Esta era uma razão para que
tivesse se sensibilizado para o fato de que ali estava uma pessoa que precisaria de
mais informações, acompanhamento, e esclarecimento, os quais ele não forneceu. A
secretária, por sua vez, também falhou em protagonizar um caso de comunicação
eficaz quando não esclareceu com seu chefe suas dúvidas a respeito da tarefa de
identificar o cônsul.

Você pode estar também concordando com o economista pensando que a tal resposta
só poderia ser uma piada... Como poderia uma secretária não perceber que no
contexto não daria para se confundir cônsul com Cônsul (marca de eletrodomésticos)?
Bem, até onde sabemos, pelo relato do próprio Gustavo Ioschpe, não foi apenas este
ponto que culminou na falha de comunicação: a moça parece não ter ouvido a
mensagem eficazmente, e por não ter conhecimento compartilhado também de
geografia etc., acabou por "fazer uma salada"! (Veremos nas Unidades IV e V como
estes elementos são realmente constitutivos das charges, tirinhas e piadas.).

Nesta história toda, há mais um fator do qual já foi tratado. Você já percebeu? Se a
tarefa foi veiculada por email, conforme foi narrado, teria a secretária também não
percebido (ou falta a ela também o conhecimento de) que estando 'cônsul' grafado
com minúscula esta palavra não se refere à marca de eletrodomésticos, que, sendo
nome próprio deve ser grafada com letra maiúscula? Teria o próprio economista
enfatizado isso, ou poderia ele ter grafado a palavra com maiúscula?

Em suma, fica ilustrada a responsabilidade que cabe tanto ao falante quanto ao


ouvinte num ato de comunicação eficaz.

Se quisermos a máxima proximidade da eficácia de nossas mensagens, devemos


fazer o que estiver ao nosso alcance para que isso aconteça. E isto quer dizer: atentar
para os fatores explicitados acima: clareza, coerência, adequação, oportunidade e
atualidade, distribuição, adaptação e uniformidade, interesse e aceitação.

LINGUAGEM NÃO VERBAL

Uma imagem vale mais que mil palavras


Linguagem não-verbal
 
Nem sempre usamos palavras - sejam elas faladas ou escritas - para nos
comunicarmos. Quando utilizamos gestos ou mímicas, postura corporal, imagens,
desenhos, pinturas, fotografias, esculturas, a dança, ou a música, estamos utilizando o
que chamamos de linguagem não-verbal. Então, observe os símbolos que comunicam
algo de forma não-verbal:
 

A linguagem não-verbal pode ser percebida até mesmo nos animais; quando um gato
rosna para alguém ou um cão balança a cauda, há um sentido expresso de
estranhamento e felicidade, respectivamente.

Há uma estimativa realizada por um investigador americano, Mehrabian, de que 55%


da mensagem é transmitida via linguagem corporal, 38% pela voz e apenas 7%
pelas palavras.

Assista a um vídeo (Vídeo#2) ilustrativo das múltiplas linguagens. Note como há uma
infinidade de linguagens não-verbais e mistas.

O corpo fala
 
Nosso corpo muitas vezes expressa muito mais do que nossas palavras. Segundo a
Profa. Rosana Spinelli dos Santos, o corpo mostra o que está latente no ser humano,
expressa as nossas ansiedades, desejos e conquistas de forma natural mesmo que
nossas palavras digam o contrário. O corpo é um espelho que revela o seu
inconsciente - mostra através de gestos inconscientes aquilo estamos sentindo ou
tentando esconder ou disfarçar.

Dessa forma, nossa postura, tom de voz e até mesmo a roupa que estamos vestindo
evidenciam nosso estado de espírito. Para entendermos estes significados é
necessária uma leitura do contexto geral e não apenas de um gesto isoladamente.
Assim como o significado da palavra não deve ser considerado de maneira isolada,
também o gesto, quando não contextualizado, pode não ter significado.

É importante lembrar que tanto a palavra quanto o gesto precisam ser estruturados em
contextos que produzam sentido. É necessário, portanto, que haja uma inter-relação
entre os gestos e as outras formas de comunicação.

Devemos, ainda, atentar para o fato de que assim como acontece com a linguagem
verbal, a compreensão da linguagem corporal nos ajuda a entender melhor nosso
semelhante e possibilita agirmos de maneira inteligente e respeitosa, nos permitindo
desenvolver um melhor relacionamento com as pessoas, seja no âmbito familiar,
profissional ou social. Também, como na linguagem verbal, o corpo fornece pistas
acerca da pessoa que você é - como pensa e vê o mundo.
No ambiente corporativo a linguagem corporal é fortemente valorizada. Segundo o
Portal das Curiosidades, a importância da linguagem corporal para os profissionais de
vendas reside no fato de muitos clientes apresentarem inseguranças ou relutarem em
comunicar abertamente suas intenções. No entanto, é enfatizada também nesses
contextos a necessidade de se levar em conta todo o contexto e o tipo de
personalidade da pessoa.

Segundo o blog, um cliente que esteja de braços cruzados não deve incomodar se for
um tipo 'analítico'. Mas, se for alguém do estilo 'amigável' isto merece cautela.

E se o cliente estiver rígido e inflexível? Bem, esta é uma postura natural para
algumas pessoas, mas se for alguém do tipo 'expressivo' e estiver ficando cada vez
mais passivo ou rígido, também merece cautela.

O site lista algumas regras básicas apresentadas por Tim Connor, presidente do
Connor Resource Group, que faz uma análise das principais posturas:

Abertura
 
 Mãos abertas;
 Tirar o casaco ou paletó;
 Aproximar-se;
 Inclinar-se para frente;
 Descruzar as pernas;
 Braços cruzados suavemente sobre as pernas.

Entusiasmo
 
 Pequenos sorrisos ou risadas;
 Corpo firme e ereto;
 Mãos abertas, braços estendidos, olhos alertas;
 Voz bem modulada e com energia.

Entusiasmo
 
 Pequenos sorrisos ou risadas;
 Corpo firme e ereto;
 Mãos abertas, braços estendidos, olhos alertas;
 Voz bem modulada e com energia.

Raiva
 
 Corpo rígido;
 Punhos cerrados;
 Lábios fechados com força;
 Contato visual continuado;
 Pupilas dilatadas;
 Cenho franzido;
 Respiração rápida.

Alerta
 
 Inclinar-se para frente;
 Colocar as mãos sobre as coxas;
 Corpo relaxado, mas rosto alerta;
 Ficar em pé com mãos na cintura, pés levemente separados.

Avaliação

 Cabeça levemente inclinada para o lado;
 Sentar na ponta da cadeira e inclinar-se para frente;
 Mão na parte da frente do queixo ou na bochecha;
 Coçar o queixo ou a barba.

Nervosismo
 
 Limpar a garganta;
 Morder (lábios, unha, dedo, etc.);
 Cobrir a boca quando fala;
 Puxar o lóbulo da orelha;
 Abrir os olhos;
 Caretas;
 Contorcer mãos ou lábios;
 Boca entreaberta;
 Brincar com objetos;
 Ficar trocando o peso de uma perna para a outra (quando em pé);
 Tamborilar dedos;
 Ficar mexendo o pé;
 Assobiar.

Rejeição ou dúvida
 
 Coçar o nariz;
 Coçar os olhos;
 Franzir o cenho;
 Pernas e braços cruzados;
 Corpo em posição de 'fuga';
 Limpar a garganta;
 Esfregar as mãos;
 Levantar as sobrancelhas.

Suspeita
 
 Pouco contato visual;
 Resistência a olhar 'olho no olho';
 Ficar olhando para os lados ou por sobre o ombro;
 Coçar o nariz;
 Ficar olhando por sobre os óculos.

Confiança, autoridade

 Jogar-se para trás na cadeira com as mãos atrás da cabeça;
 Postura orgulhosa;
 Cabeça alta, com queixo levantado;
 Contato visual firme, sem piscar.

Precisando ser reconfortado



 Ficar beliscando a mão;
 Esfregar gentilmente um objeto pessoal (anel, relógio, etc.);
 Roer unhas;
 Examinar as cutículas.

Frustração
 
 Mãos apertadas firmemente;
 Balançar punhos fechados;
 Respiração curta, porém controlada;
 Olha 'através' de você;
 Passar as mãos no cabelo;
 Bater os pés no chão.

Chateado, indiferente
 
 Mãos 'segurando' a cabeça;
 Olhos sonolentos;
 Postura relaxada demais (largada);
 Ficar mexendo com pés, mãos, dedos;
 Balançar as pernas;
 Olhar vazio;
 Pouco contato visual;
 Boca 'mole'.
SEU GESTO FALA
Os significados dos gestos
 

Os gestos são uma forma de expressarmos sentimentos, opiniões e ações de forma


não-verbal, rápida e, muitas vezes, internacionalmente.

 Embora existam gestos internacionalmente utilizados, muitos são específicos de cada


povo e/ou região ou grupos de pessoas - sejam estes caracterizados por profissão:
surfistas, médicos, investigadores, modelos; por idade: crianças, jovens, adultos,
idosos; ou por fronteiras geográficas, por exemplo.

Muitos especialistas advertem que devemos ter cautela com a interpretação de gestos
nesses tempos globalizados. Os contatos frequentes com pessoas de outros países
intensificam os riscos de má interpretação de gestos. Ao mesmo tempo, o aumento
das relações entre os países e o avanço das tecnologias de informação e dos meios
de comunicação permite que um número cada vez maior de pessoas tome
conhecimento de que os gestos possuem significados diferentes dependendo da
cultura de quem o realiza.

Um exemplo bem familiar é o gesto de OK dos americanos - encostando a ponta do


polegar na ponta do dedo indicador, formando um círculo, esse povo indica que está
tudo bem, tudo certo, tudo combinado. Já para nós, brasileiros, o mesmo gesto tem
outra conotação, bem menos "light" e considerada obscena.

O mesmo se pode dizer em relação ao beijinho entre homens soviéticos, e o andar de


mãos dadas dos árabes, que não significam nem denotam homossexualismo, como
muito frequentemente os interpretamos aqui no Brasil.

Apresentamos aqui alguns gestos que têm acentuada diferença entre diversos países
e propomos que você faça uma pesquisa para conhecer mais alguns.

Apertar a ponta da orelha

No Brasil é um sinal de aprovação.

Na Índia é uma forma de se desculpar, ou de mostrar arrependimento por uma falha


ou erro cometido.

Na Itália indica que a pessoa que está sendo apontada é homossexual

Apontar com o polegar para cima, com os quatro outros dedos fechados na
palma.

No Japão significa o número 5.
Na Alemanha significa o número 1.

No Brasil significa que está tudo certo e também, quando virado para a direita, serve
para pedir carona.

Na Europa e EUAéo pedido de carona

Na Turquia significa uma cantada para sair com homossexual

Na Nigéria e na Austráliaé um gesto obsceno, como o mesmo significado do OK


americano para o brasileiro.

Raspar o queixo com a ponta dos dedos, com a palma virada para baixo (como
se estivesse limpando alguma coisa grudada embaixo do queixo).

No Brasil significa "sei lá, não tenho essa informação", "não tenho a mínima ideia".

Na região Sudeste da Itáliasignifica sem chance.

Na Françasignifica sai daqui

E, talvez, a diferença que causa mais estranhamento para nós e outros povos que
entendem este gesto como nós, é o seguinte.

Mover a cabeça no sentido lateral, de um lado para o outro

Em quase todos os países do ocidente significa não.

Na Bulgária, Grécia, Irã e Turquia significa sim.

No entanto, o fato de nos comunicarmos com pessoas de cultura distinta da nossa não
deve nos inibir ou provocar constrangimento. Isso porque, conforme já explicitamos de
várias formas anteriormente, quando um gesto ou palavra transmite uma mensagem
diferente do que era a nossa intenção, muito provavelmente o interlocutor irá
compreender.

Lembre-se de que a comunicação é uma ação conjunta. Assim como nós


compreendemos o OK do americano e os beijos dos soviéticos, por termos
conhecimento das diferenças e sabermos que são parte de um contexto mais amplo
(no caso do beijo, uma forma de cumprimento), quase sempre o real significado se
mostrará.
 
Com relação aos gestos entre povos de uma mesma cultura, mas de ofício ou faixa
etária diferente, por exemplo, vale a observação dos fatores que propiciam a
comunicação eficaz, conforme já apresentados nas Unidades I e II, somada às boas e
velhas regras de etiqueta!
 

Naturalmente, você não vai cumprimentar seu chefe ou professor no ambiente


profissional da mesma forma que cumprimenta um colega da sua mesma faixa etária.

 Por fim, devido a questões de prioridades estabelecidas para este Curso, optamos por
explorar essas formas de linguagem não-verbal e não outras tais como a música, a
dança, o tom de voz, etc. Sugerimos, no entanto, que você faça esta pesquisa e
conheça o que é dito a respeito delas.

POLISSEMIA

Fenômenos linguísticos
 
Para explicar o que chamamos de polissemia, é importante iniciarmos com outros
conceitos que compõem este fenômeno de natureza semântica.

Semântica
 
É o estudo de tudo o que se refere ao significado. É, por isso, indispensável para o
processo de comunicação. Muitas vezes é a semântica que ilustra o caráter dinâmico
da língua - a toda hora criamos neologismos semânticos, ou seja, novos
significados para antigos significantes. A semântica tem sido a base da gíria. Quando
dizemos: "Aquele cara é um mala", a palavra mala deixa de ser o substantivo feminino,
que significa um objeto em que transportamos nossas roupas e pertences numa
viagem, para significar uma pessoa extremamente chata e maçante, usada agora
como substantivo comum de dois gêneros (aquele que é usado tanto no masculino
quanto no feminino, diferenciado apenas pelo artigo "o" ou "a").

Denotação
 
É o emprego das palavras em seu significado original, primitivo, em seu sentido literal,
ou ao pé da letra, como se diz popularmente.

Exemplo:

A torneira estava pingando muito.

O sol brilhava intensamente hoje.

Denotação
 
É o emprego das palavras em seu significado original, primitivo, em seu sentido literal,
ou ao pé da letra, como se diz popularmente.

Exemplo:

A torneira estava pingando muito.
O sol brilhava intensamente hoje.

Denotação e conotação
 Exemplo:

Janine tem um coração de gelo. (gelo no sentido figurado - conotação)

Sempre tomo uísque com gelo. (gelo no sentido próprio - denotação)

Polissemia
 
Polissemia (poli = muitos; semia = significado)

É a existência de mais de um significado para um mesmo significante. É um recurso


extremamente valioso para a propaganda. Pode-se dizer que ela é mesmo a estrela
desta arte!

Quando usamos palavras em seus sentidos conotativos causamos, muitas vezes, um


estranhamento - é necessário que o receptor faça a "tradução". Por exemplo, quando
dizemos: Aquele cara é um mala! o receptor precisa "traduzir" a ideia de ser um
mala para ser um chato, ou seja, Aquele sujeito é um chato.

E é exatamente nesta "tradução" do sentido denotativo para o conotativo, que reside a


chave para a compreensão de piadas, músicas de duplo sentido etc., como veremos
mais a frente em aulas específicas.

Às vezes, a polissemia é inteiramente denotativa: uma mesma palavra apresenta mais


de um significado primitivo.

Exemplo: No dia da criança, não pense apenas no presente de seu filho. Pense em
seu futuro.

A palavra presente nesta oração significa tanto agrado, dádiva, quanto tempo atual.
Porém, de forma extremamente criativa e eficaz, o autor desta peça de propaganda
soube explorar genialmente a relação entre os dois significados.

Outras vezes, a polissemia é estabelecida entre os sentidos denotativo e conotativo da


palavra utilizada.

Exemplo: Comprar no Extra não é frescura. Seus produtos são os melhores, e


a frescura dos legumes e verduras é uma garantia.

 
Neste caso, o substantivo frescura, derivado do adjetivo fresco, significa afetação em
seu sentido conotativo e novinho, recém-colhido em seu sentido denotativo,
fortemente relacionado à qualidade desejável das frutas, verduras e legumes.

Origem da polissemia
 

São muitos os fatores que possibilitam a polissemia.

A metáfora (Veja o Anexo II para casos de metáfora e metonímia), pela qual a palavra


ganha outro significado devido a uma relação de semelhança: o pé da mesa, o pé da
montanha (por sua semelhança com o pé humano)

A metonímia, pela qual a palavra adquire outro significado devido a uma relação de
implicância: o lanterninha do cinema (o funcionário usa uma lanterninha)

Apassagem de um termo da linguagem específica para a linguagem comum e


vice-versa: parênteses (sinal de pontuação) fazer um parêntese nesta explicação
(interrupção); pilha de papel (reunião de objetos superpostos) pilha alcalina (gerador
de corrente elétrica).

A polissemia possibilita um grande número de significados representados por um


pequeno número de palavras. Porém, ela favorece riscos como o de ambiguidade
(duplo sentido).

No entanto, a ambiguidade, ou duplo sentido, ocasionada pela polissemia é o principal


recurso da propaganda, conforme já ilustramos. É muito frequente identificarmos o uso
deste recurso em anúncios, outdoors e adesivos de carro, para citar apenas alguns
exemplos.

O outdoor da campanha Não Vire Bichono Trânsito em que se vê uma pessoa com


cara de animal e se lê: "Tem gente virando (animal)" e o famoso adesivo de carro "Se
seu namorado não faz direito, eu faço" são exemplos típicos do uso deste recurso.

Também as expressões idiomáticas, ou expressões populares, como são mais


conhecidas, são possibilitadas pela polissemia.

Chamamos de expressão popular um conjunto de palavras que juntas estabelecem


uma ideia diferente dos sentidos denotativos de cada uma individualmente.

Assim, puxar o tapete de alguém, ter culpa no cartório, lágrimas de crocodilo,


por o pé na jaca, entre tantas outras não podem ser consideradas ao pé da letra.

Estas expressões estão quase sempre associadas a gírias, jargões ou contextos


culturais específicos a certos grupos de pessoas que se classificam por classe, idade,
região, profissão, etc.
 

Muitas destas expressões se restringem ao grupo onde surgiram e/ou têm vida curta,
enquanto outras são incorporadas à língua e utilizadas de forma abrangente e ao
longo dos tempos, extrapolando seu contexto de criação original.

Neste caso, a história do seu significado, que chamamos de etimologia, muitas vezes
se perde ao longo dos anos ou fica restrita a um grupo relativamente pequeno de
pessoas. De onde surge, por exemplo, a expressão ter culpa no cartório? Você
sabe?

CONCEITOS E ILUSTRAÇÕES
Tautologia/Pleonasmo
 

Tautologia é o termo usado para definir o vício de linguagem caracterizado pela


repetição de uma ideia, de maneira viciada. Ou seja, acontece quando exprimimos
uma ideia que já está contida no termo anterior com palavras diferentes, mas com o
mesmo sentido.

Veja um exemplo:

Eu sonhei um sonho muito loco!

Só se pode sonhar sonho e sonho é decorrente da ação de sonhar, portanto, sonhar


um sonho é redundante.

Também se usa o termo pleonasmo para definir este fenômeno linguístico. Existem


pelo menos dois tipos de pleonasmo: aquele que não acrescenta nenhuma ideia,
como o clássico "entrar para dentro" e "sair pra fora", e aquele que tem certa
expressividade, reativando o sentido original.

Expressões como "há muito tempo atrás", hoje consagradas na linguagem coloquial e
até em textos literários, é um pleonasmo. O fato de se usar, há 5 anos, já remete ao
passado e faz com que 'atrás' se torne desnecessário. Se vocês se conhecem há 1
ano, só podem ter sido apresentados no passado! No entanto, é um pleonasmo tão
comum que certamente não pode ser considerado erro.

Outro caso aparece na letra de uma música de Djavan e Chico Buarque - "Tanta
saudade":

 
 
... Mas voltou a saudade  
 
É, pra ficar  
 
Ai, eu  encarei de frente  
Ai, eu encarei de frente, menina  
 
Se eu ficar na saudade  

É, deixa estar "Encarei de frente" é uma expressão


Saudade engole a gente também consagrada na linguagem
Saudade engole a gente, menina... coloquial. Mas "encarar" já significa "olhar
de frente". Assim, "encarei de frente" é
redundância, é pleonasmo, é tautologia.

Algumas vezes, vemos a palavra "pleonasmo" usada com ironia, para relacionar
palavras diferentes que expressam a mesma ideia. De certa forma quando se faz isso,
está-se estabelecendo estereótipos, que na maior parte das vezes acabam por
expressar algum tipo de preconceito.

Conforme foi explicitado na Unidade II, com relação ao personagem Porteiro Zé, os
preconceitos são, muitas vezes, expressados dessa forma - através da generalização.
Quando dizemos "loira burra", "mulher barbeira", "bebê com cara de joelho" estamos
criando ou reproduzindo expressões extremamente estereotípicas que de forma
irônica (e politicamente incorretas) remetem à ideia de pleonasmo.

É o que acontece no exemplo a seguir:

"Aquele é um político ladrão!" e alguém retruca: "Político ladrão é um pleonasmo!".

O comentário deve-se ao fato de que, neste momento político do Brasil os políticos


têm, em grande número e com frequência, protagonizado casos de falcatruas, desvios
de verbas públicas, esquemas de lavagem de dinheiro, etc., assim remetendo à ideia
de que ser político equivale a ser ladrão e, portanto, usar os dois termos caracteriza
pleonasmo/tautologia.

O Rafinha, do Nós na Fita - NNF, uma dupla de stand up comedy, tem um vídeo
obviamente hilário, sobre sua intolerância aos pleonasmos! Veja, no vídeo
do YouTube (Vídeo #3) como as redundâncias a seguir são satirizadas por este
artista.
elo de ligação fato real
acabamento final encarar de frente
certeza absoluta multidão de pessoas
quantia exata amanhecer o dia
dias X, Y, Z, inclusive criação nova
juntamente com retornar de novo
expressamente proibido empréstimo temporário
duas metades iguais surpresa inesperada
sintomas indicativos escolha opcional
há anos atrás planejar antecipadamente
vereador da cidade abertura inaugural
outra alternativa continua a permanecer
detalhes minuciosos a última versão definitiva
a razão é porque possivelmente poderá ocorrer
anexo junto a comparecer em pessoa
de livre escolha gritar bem alto
superávit positivo propriedade característica
todos foram unânimes demasiadamente excessivo
conviver junto a seu critério pessoal

Todas essas repetições são dispensáveis, pois, por acaso, existe alguma surpresa
esperada? Um fato que não seja real? Duas metades que não sejam iguais?

Tais expressões colocadas desta forma cômica realmente nos fazem rir. Porém, o
pleonasmo muita vezes se instala pelo desejo de expressarmos a inexatidão da ação
como as entendemos na prática. Por exemplo, nem sempre cortamos metades
exatas - muitas vezes um lado sai um pouco menor do que o outro, daí a Ana Maria
Braga sentir a necessidade de estressar duas metades iguais. Da mesma forma, às
vezes nos referimos a excessos que julgamos serem pouco ou muito além do
esperado, assim gerando a ideia de exceder em muito...

Contudo, conforme ficam evidenciados aqui neste Módulo, os vários recursos


linguísticos são tanto perigosos quanto valiosos. É necessário que se leve em conta o
contexto da interação, as pessoas envolvidas e, principalmente, a mensagem.
Trocando em miúdos: quando usados adequadamente são show; porém, não é
sempre que eles são adequados.

O desafio reside exatamente em conhecermos estas ferramentas linguísticas e as


usarmos de forma a sermos eficazes em nossa comunicação e expressão!

CONCEITOS
Definições
 
O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa nos oferece as seguintes definições.

Coerência - (s. f.1. Fís. Recíproca aderência que têm entre si todas as partes de um
corpo. 2. Fig. Conformidade entre fatos ou ideias. 3. Nexo, conexão.)
Coesão - (francês cohésion, do latim medieval cohaesio, -onis, proximidade, contacto)

s. f. 1. Aderência, força que une entre si as moléculas dos líquidos ou dos sólidos. 2.
União. . Qualidade de uma coisa em que todas as partes estão ligadas umas às
outras. (...) 4. Fig. Harmonia, associação íntima.

Coerência Textual
 
Com relação ao texto, basicamente, ser coerente é não cair em contradição.

Na escrita, há meios para se conectar os fatos coerentemente em benefício da


harmonia entre as ideias e eficácia do texto (falado ou escrito) como um ato de
comunicação.

Deve-se levar em conta elementos-chave para garantir a coerência de um texto:


conhecimento compartilhado, elementos textuais, elementos do contexto de
enunciação, etc.

Todos nós sabemos que é incoerente (ou parece ser) uma pessoa declarar que
detesta jogar vídeo game e sempre convidar os amigos para uma rodada.
Seria coerente, se tal pessoa não gosta de vídeo game não convidar seus amigos
para jogar.

A incoerência aparece também em nossas ações: É incoerente alguém dizer que


devemos ser humildes se esta mesma pessoa for orgulhosa.

Já é conhecida a incoerência de alguns, que depois de uma feijoada, por exemplo,


pedem uma big sobremesa e um café com a adoçante para rebater! Quem faz o
pedido, no entanto, sempre explica que já comeu muito (a feijoada, a sobremesa) e
que o açúcar pode e deve ser substituído!

A coerência pode ser entendida como o fenômeno da harmonia entre as ideias,


opiniões.

Dito de outra forma seria um princípio de não contradição. Se alguém segue uma linha
de pensamento, sem sair dela, esta pessoa é coerente; já se esta pessoa não agir
conforme suas opiniões, isto parece ser incoerente.

Veja como são coerentes ou incoerentes os pares de fatos relacionados aqui:

1. gostar de casa arrumada X deixar tudo espalhado (incoerente)

2. gostar de viajar X ficar sempre em casa nas férias (incoerente)

3. considerar que escola é necessário à educação X pôr os filhos na escola (coerente)

4. ser naturalista e contra comida enlatada X só comprar ervilha diretamente da horta


(coerente)

Porém, se analisarmos bem o par número 2, incoerente à primeira vista, poderemos


facilmente imaginar uma situação na qual a pessoa que goste de viajar não o faça por
falta de recursos. Nesse caso, gostar de viajar e ficar em casa durante as férias não se
caracteriza como situações que, postas lado a lado, geram incoerência. A incoerência
existiria se a pessoa ficasse em casa nas férias por que gosta de viajar...

Perceberemos a coerência entre as duas situações do par de número 2 se


conhecermos a situação da pessoa que, por falta de recursos, não viaja.

Em nosso cotidiano, por vezes, precisamos explicitar as ligações entre fatos, para que
os outros percebam que não somos incoerentes.

Assim, não é raro usarmos frases como:

Gosto dela, mas vou dar o fora. Ela quer casar.

É bonito ter cabelo comprido, mas uso o meu curto por que não tenho tempo para
cuidar.

É mais rápido ir de moto para o trabalho, mas eu prefiro ir de ônibus por que o trânsito
está muito perigoso.

Se a pessoa sabe que preferimos ir de moto por ser mais rápido, não é preciso fazer a
afirmação "É mais rápido ir de moto para o trabalho", ao lhe informar que não estamos
usando a moto para ir até o local de trabalho.

O que se percebe, então?

Há situações de interlocução nas quais não precisamos explicitar tudo, mas que há
outras nas quais, para não parecermos ilógicos, incoerentes, ou até loucos, é
necessário fornecermos mais informações.

A noção de coerência, de harmonia entre ideias e fatos, e a noção dela decorrente,


que é a de coesão, de ligação entre os fatos, foram consideradas por nós como
fundamentais para o bom uso da língua, para a interação com eficácia, quando
falamos, conversamos, escrevemos ou lemos.

É verdade que há momentos, conforme já vimos em Unidades anteriores, em que o


falante pode querer deixar uma ambiguidade no ar, pode querer provocar um efeito
cômico, pode não precisar explicitar a coerência porque a situação já fala por si.

Entretanto, se o falante de fato não explicitar a ligação entre os fatos, isso deverá ser
por sua opção e não por falta de conhecimento.

Coesão Textual (Parte 1)


 
O que se denomina coesão seria aquilo que tenta explicitar a coerência, quando ela
não pode ser facilmente depreendida no texto.

Os agentes de coesão representam a tentativa de explicitação da coerência nos


textos.

É imprescindível conhecermos os chamados agentes, ou elementos, de coesão


- conjunções (palavra invariáveis que servem para ligar proposições ou expressões
da mesma espécie), ou conectivos (palavra ou partícula que serve para fazer a
ligação entre frases ou partes de frases).
São os elementos de coesão que "carregam", ou imprimem, a relação entre as ideias,
seja ela de oposição, exclusão, concessão, adição, etc.

Os grupos de ideias são numerosos e quanto mais conjunções conhecermos e


utilizarmos, mais eficazes podemos ser e mais ricas podem ser as nossas produções
orais e escritas.

Importa ressaltar que a linguagem escrita é, em muitos contextos, mais formal do que
a linguagem falada e por isso algumas conjunções são mais características deste tipo
de linguagem.

Não usamos palavras como, não obstante, outrossim, por conseguinte com a mesma


frequência com que usamos apesar de, aí, assim, mas.

No entanto, mesmo na linguagem falada, devemos fazer uso desses recursos a fim de
evitarmos repetições e, consequentemente, pobreza textual.

Parte 2
 

Veja, então, alguns elementos de coesão:

Ressalva, oposição em contraste com, salvo, exceto, embora, apesar de, ainda que, contudo,
todavia, entretanto, por mais que, por menos que, não obstante.
Condição se, caso, contanto que, desde que.
Prioridade primeiramente, acima de tudo, primordialmente, sobretudo, antes de mais
nada.
Certeza com toda certeza, certamente, indubitavelmente, inquestionavelmente,
decerto.
Finalidade a fim de, com o fim de, para que, com o propósito de, com vistas a.
Tempo anteriormente, em seguida, logo após, ocasionalmente, posteriormente,
simultaneamente, frequentemente, raramente, não raro, pouco depois, a
princípio.
Adição além disso, outrossim, ainda mais, ainda por cima, e, nem, não só... mas
também, bem como, assim como.
Conclusão em conclusão, em suma, em síntese, em resumo.
Proporção à medida que, ao passo que, à proporção que, quanto mais, quanto
menos.
Ilustração, exemplo isto é, em outras palavras, por exemplo, a saber, qual seja.
Lugar mais adiante, aqui, além, perto de, junto a ou de, lá, ali, acolá.
Comparação analogamente, por analogia, conforme, bem como, similarmente, de
maneira idêntica, de conformidade, tal qual, tanto quanto.
Alternativas ou... ou, seja...seja, nem...nem, ora...ora, quer…quer, ou,
Causa em virtude de, porque, porquanto, uma vez que, visto que, por causa de,
devido a.
Adversativas mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto, apesar de, embora.
Consequência por consequência, por conseguinte, como resultado, portanto, dessa
maneira, dessa forma, desse modo, então, por isso, logo, pois.
Dúvida possivelmente, quiçá, provável, provavelmente, talvez.
Parte 3
 
É importante atentar para o fato de que muitas vezes, mesmo sendo duas conjunções
pertencentes ao mesmo grupo de ideias, elas requerem estruturas frasais distintas.
Observe, pois:
 

Adversativas mas, porém, contudo, todavia, no


entanto, entretanto, apesar de,
embora.
 
Como vagem, masnão gosto muito de legumes.

 Como vagem; porém, não gostomuito de legumes.

 Como vagem. No entanto, não gosto muito de legumes.

 Como vagem apesar denão gostar muito de legumes.

 Como vagem mesmo não gostando muito de legumes.

 Como vagem embora não goste muito de legumes.

 Note as alterações que foram necessárias quando trocamos os conectivos. .

O uso de diferentes conjunções demanda pontuação e formas verbais distintas. Esteja


sempre atento para esta necessidade!

Argumentação, Coesão e Coerência


Costurando as partes
 
Como bem explica Carla Pereira em seu blog, Escrita nas Entrelinhas, "O que seria
das calças e blusas que usamos se não fossem os fios que costuram suas partes?"
Nossas roupas descosturadas são apenas pedaços de pano.

Igualmente, as partes de um texto não podem se interligar e expressar sentido se não


são "costuradas" com os elementos de coesão.

 Nossa argumentação, ou seja, o uso de argumentos, que expressam o raciocínio que


se pretende, baseado em fatos e em relações lógicas a partir deles, para se chegar a
uma conclusão ou para justificá-la, por exemplo, se dá pelo uso desses elementos de
coesão.

 Voltando à metáfora das roupas, se usamos elementos de coesão inadequados é


como costurarmos a manga de uma camisa no bolso dela. Costurada está, mas não
cumpre sua função de cobrir, proteger o braço, além de não caber esteticamente na
cabeça de ninguém uma manga pendurada do bolso, não é mesmo?

 
É essencial que saibamos que apenas o conhecimento dessas questões de coesão,
coerência e argumentação não garante que sejamos eficazes em nossos atos de
comunicação. É preciso que saibamos usar estes recursos para sermos capazes de
construir os sentidos que queremos expressar.

Veja no Vídeo #5 como a coesão e coerência são partes constituintes de todo texto.

Para isso, a prática é essencial. A seguir propomos alguns exercícios que podem
ajudá-lo a desenvolver esta habilidade.

A Importância da Pontuação
Ilustração e uso
 

Leia as frases abaixo com as pontuações possíveis, indicadas nos parênteses.

A Susana (,) Cláudia (,) está ficando com meu primo (.) ( )( )

Eu não vou (.) ( )( )

A linguagem escrita não dispõe dos inúmeros recursos rítmicos e melódicos da


linguagem falada. Para suprir esta carência, ou seja, para reconstituir
aproximadamente o movimento vivo da fala, usamos a PONTUAÇÃO.

Conforme você constatou anteriormente, a pontuação tem papel primordial na


escrita, pois dela depende a eficácia do registro na linguagem escrita de seu
pensamento, suas ideias, sua mensagem.

De acordo com um anúncio da Associação Brasileira de Imprensa - ABI, que celebrou


seu centenário com um anúncio sobre a vírgula, "Uma vírgula muda tudo".

A frase: "Aceito, obrigado", revela que a pessoa aceitou uma coisa - e ficou
agradecido. Sem a vírgula - "Aceito obrigado" -, a pessoa foi obrigada a aceitar.

No texto de Marcelo Torres, em seu blog, ele 'ilustra' este aspecto da vírgula referindo-
se ao caso do envolvimento do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda,
num esquema de corrupção e as consequências disso. Com o título Arruda fora,
vírgula dentro, ele nos diz:
 

O movimento que pede a saída do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, talvez
não dê certo por causa de uma coisinha simples:  a falta de uma vírgula. É isso mesmo, está
faltando uma vírgula para separar o vocativo no  slogan  "Fora Arruda". Entre "Fora" e "Arruda"
deve existir uma vírgula, de acordo com a norma gramatical.

O brasiliense, que é brasileiro e tem memória fraca, até esteve esquecido da fraude
"arrudiana" no Senado, mas acabou, ele também, cometendo um pecado capital contra a
norma padrão, ao "esquecer" ou "engolir" a vírgula. Deve ser por isso que o pecador Arruda
esteja a falar em perdão de pecados.

A vírgula é coisa séria, gente! Vejamos, pois, as frases a seguir:

"Esse Arruda é ladrão".

Esse, Arruda, é ladrão".

Na primeira opção você está afirmando que Arruda é ladrão. Na segunda, você está dizendo a
Arruda que o outro é que é ladrão; se é Roriz, Durval, PO, Estevão, Prudente ou Benício, você
escolhe, opção é o que não falta, pois o DF abunda de ladrões (e a cacofonia, aqui, é
proposital).

"Uma vírgula muda tudo", arremata o anúncio da ABI. Logo, se "uma vírgula muda tudo", e
levando-se em conta que falta a vírgula no "Fora Arruda", então a coisa não vai mudar.

Mas vai mudar, sim. Tem que mudar. Não é possível, gente! Vamos mudar, meu povo. "Fora,
Arruda!", devemos gritar, pregar, escrever.  Ou seja, é vírgula dentro e Arruda fora.

E chama atenção para o seguinte: "Hoje em dia, na linguagem de bate-papos virtuais


ou correios eletrônicos, é comum o usuário escrever "Oi Fulano", sem a vírgula, que é
obrigatória. Toda vez que você escreve um "Bom dia, Fulano", tem que usar a vírgula,
senão estará violando a regra gramatical [os telejornais "Bom Dia Brasil" e o "Bom Dia
DF", ambos da Globo, não têm vírgula, mas deveriam ter].

Sim, senhor. Deve-se usar a vírgula, caro leitor, para separar o vocativo, inclusive o
vocativo desta frase ("caro leitor"), percebeu? É regra básica, muito básica para ser
ignorada. Como consolo, vale lembrar que este não é o primeiro nem deverá ser o
último slogan a "engolir" a vírgula. "Bate Rubinho" e "Entrega Grêmio", para citar só
dois, precisavam de correção. Moral e gramatical.

Sinais pausais e sinais melódicos


 
Segundo o professor, gramático, filólogo e ensaísta Celso Cunha, os sinais de
pontuação podem ser classificados em dois grupos:

O primeiro grupo compreende os sinais que fundamentalmente marcam as PAUSAS:

1. a Vírgula (,)

2. o Ponto (.)

3. o Ponto-e-Vírgula (;)
 
O segundo grupo compreende os sinais que essencialmente marcam a MELODIA, ou
seja, a ENTONAÇÃO:
1. os Dois Pontos (:)

2. o Ponto de Interrogação (?)

3. o Ponto de Exclamação (!)

4. as Reticências (...)

5. as Aspas (" ")

6. os Parênteses ( ( ) )

7. os Colchetes ( [ ] )

8. o Travessão (--)

Sinais pausais
Sobretudo, são os sinais que marcam a pausa.

Vírgula (,)
 

A VÍRGULA marca uma pausa de pequena duração. Emprega-se não só para separar
elementos de uma oração, mas também orações de um só período.

. Emprego da vírgula no interior da oração

No INTERIOR DA ORAÇÃO a vírgula serve:

1º. Para separar elementos que exercem a mesma função sintática (sujeito


composto, complementos, adjuntos), quando não vêm unidos pelas conjunções e, ou e
nem.

Exemplos: As nuvens, as folhas, os ventos não são deste mundo. (A. MAYER)

Ela tem sua claridade, seus caminhos, suas escadas, seus andaimes. (C. MEIRELES)

2º. Para separar elementos que exercem funções sintáticas diversas, geralmente
com a finalidade de realçá-los. Em particular, a VÍRGULA é usada:

a. para isolar o aposto, ou qualquer elemento de valor meramente explicativo:

Ele, o pai, é um mágico. (ADONIAS FILHO)

b. para isolar o vocativo:

Moço, sertanejo não se doma no brejo. (J. A. DE ALMEIDA)

c) para isolar o adjunto adverbial antecipado:

Depois de algumas horas de sono, voltei ao colégio. (R. POMPÉIA)


d) para isolar os elementos pleonásticos ou repetidos:

Ficou branquinha, branquinha.

Com os desgostos humanos. (O. BILAC)

3º. Emprega-se ainda a vírgula no interior da oração:

a. para separar, na datação de um escrito, o nome do lugar:

Teófilo Otoni, 10 de maio de 1917.

b. para indicar a supressão de uma palavra (geralmente o verbo) ou de um grupo de


palavras:

Veio a velhice; com ela, a aposentadoria. (H. SALES)

. Emprego da vírgula entre orações

ENTRE ORAÇÕES, emprega-se a vírgula:

1º. Para separar as orações coordenadas assindéticas:

Levantava-me, passeava, tamborilava nos vidros das janelas, assobiava. (M. DE


ASSIS)

2º. Para separar as orações coordenadas sindéticas, salvo as introduzidas pela


conjunção e:

Cessaram as buzinas, mas prosseguia o alarido nas ruas. (A. M. MACHADO)

Observações:

 Separam-se por VÍRGULA as orações coordenadas unidas pela conjunção e,


quando têm sujeito diferente.
 Exemplo: O silêncio comeu o eco, e a escuridão abraçou o silêncio. (G.
FIGUEIREDO)
 Costuma-se também separar por VÍRGULA as orações introduzidas por essa
conjunção quando ela vem reiterada:
 Exemplo: Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua! (O. BILAC)
 Das CONJUNÇÕES ADVERSATIVAS, mas emprega-se sempre no começo da
oração; porém, todavia, contudo, entretanto e no entanto, podem vir ora no
início da oração, ora após um dos seus termos. No primeiro caso, põe-se uma
VÍRGULA antes da conjunção; no segundo, vem ela isolada por vírgulas.

Compare-se este período de Machado de Assis:

- Vá aonde quiser, mas fique morando conosco.

aos seguintes:

- Vá aonde quiser, porém fique morando conosco.


- Vá aonde quiser, fique, porém, morando conosco.

Em virtude da acentuada pausa que existe entre as orações acima, podem ser elas
separadas, na escrita, por PONTO-E-VÍRGULA. Ao último período é mesmo a
pontuação que melhor lhe convém:

- Vá aonde quiser; fique, porém, morando conosco.

3º. Quando conjunção conclusiva, pois vem sempre posposto a um termo da


oração a que pertence e, portanto, isolado por vírgulas:

Não pacteia com a ordem; é, pois, uma rebelde. (J. RIBEIRO)

As demais conjunções conclusivas (logo, portanto, por conseguinte, etc.) podem


encabeçar a oração ou pospor-se a um dos seus termos. À semelhança das
adversativas, escrevem-se, conforme o caso, com uma vírgula anteposta, ou entre
vírgulas.

4º. Para isolar as orações intercaladas:

- Se o alienista tem razão, disse eu comigo, não haverá muito que lastimar o Quincas
Borba. (M. DE ASSIS)

5º. Para isolar as orações subordinadas adjetivas explicativas:

Pastor, que sobes o monte,

Que queres galgando-o assim? (O. MARIANO)

6º. Para separar as orações subordinadas adverbiais, principalmente quando


antepostas à principal:

Quando tio Severino voltou da fazenda, trouxe para Luciana um periquito. (G.


RAMOS)

7º. Para separar as orações reduzidas de gerúndio, de particípio e de infinitivo,


quando equivalentes a orações adverbiais:

Não obtendo resultado, indignou-se. (G. RAMOS)

Acocorado a um canto, contemplava-nos impassível. (E. DA CUNHA)

Ao falar, já sabia da resposta. (J. AMADO)

Toda oração ou todo termo de oração de valor meramente explicativo pronunciam-se


entre pausas; por isso, são isolados por vírgula, na escrita;

Os termos essenciais e integrantes da oração ligam-se uns com os outros sem pausa;
não podem, assim, ser separados por vírgula. Esta a razão por que não é admissível o
uso da vírgula entre uma oração subordinada substantiva e a sua principal;

 
Há uns poucos casos em que o emprego da vírgula não corresponde a uma pausa
real na fala; é o que se observa, por exemplo, em respostas rápidas do tipo: Sim,
senhor. Não, senhor.

O Ponto (.)
 

1. O PONTO assinala a pausa máxima da voz depois de um grupo fônico de final


descendente. Emprega-se, pois, fundamentalmente, para indicar o término de uma
oração declarativa, seja ela absoluta, seja a derradeira de um período composto:

Nada pode contra o poeta. Nada pode contra esse incorrigível que tão bem vive e se
arranja em meio aos destroços do palácio imaginário que lhe caiu em cima. (A. M.
MACHADO)

2. Quando os períodos (simples ou compostos) se encadeiam pelos pensamentos que


expressam, sucedem-se uns aos outros na mesma linha. Diz-se, neste caso, que
estão separados por um PONTO SIMPLES.

Observação:

O PONTO tem sido utilizado pelos escritores modernos onde os antigos poriam
PONTO-E-VÍRGULA ou mesmo VÍRGULA.

Exemplo:

A música toca uma valsa lenta. O desânimo aumenta. Os minutos passam. A


orquestra se cala. O vento está mais forte. (E. VERÍSSIMO).

3. Quando se passa de um grupo a outro grupo de ideias, costuma-se marcar a


transposição com um maior repouso da voz, o que, na escrita, se representa pelo
PONTO-PARÁGRAFO. Deixa-se, então, em branco o resto da linha em que termina
um dado grupo ideológico, e inicia-se o seguinte na linha abaixo, com o recuo de
algumas letras.

Assim:

Lá embaixo era um mar que crescia.

Começara a chuviscar um pouco. E o carro subia mais para o alto, com destino à casa
de Amâncio, que era a melhor da redondeza. (J. L. DO REGO)

4. Ao PONTO que encerra um enunciado escrito dá-se o nome de PONTO-FINAL.

O Ponto-e-Vírgula (;)
 
1. Como o nome indica, este sinal serve de intermediário entre o PONTO e a
VÍRGULA, podendo aproximar-se ora mais daquele, ora mais desta, segundo os
valores pausais e melódicos que representa no texto. No primeiro caso, equivale a
uma espécie de PONTO reduzido; no segundo, assemelha-se a uma VÍRGULA
alongada.

2. Esta imprecisão do PONTO-E-VÍRGULA faz que o seu emprego dependa


substancialmente de contexto. Entretanto, podemos estabelecer que, em princípio, ele
é usado:

1º. Para separar num período as orações da mesma natureza que tenham certa
extensão:

Todas as obras de Deus são maravilhosas; porém a maior de todas as maravilhas é a


existência do mesmo Deus. (M. DE MARICÁ)

2º. Para separar partes de um período, das quais uma pelo menos esteja
subdividida por VÍRGULA:

Chamo-me Inácio; ele, Benedito. (M. DE ASSIS)

3º. Para separar os diversos itens de enunciados enumerativos (em leis,


decretos, portarias, regulamentos, etc.), como estes que iniciam o Artigo 1º da
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional:

Art. 1º A educação nacional, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de


solidariedade humana, tem por fim:

a. a compreensão dos direitos e deveres da pessoa humana, do cidadão, do Estado,


da família e dos demais grupos que compõem a comunidade;

b. o respeito à dignidade e às liberdades fundamentais do homem;

c. o fortalecimento da unidade nacional e da solidariedade internacional;

d. o desenvolvimento integral da personalidade humana e a sua participação na obra


do bem comum
(...)

Valor melódico dos sinais pausais


 
Dissemos que a VÍRGULA, o PONTO e o PONTO-E-VÍRGULA, marcam sobretudo a
pausa. Mas não exclusivamente a pausa. Algumas das suas características melódicas:

a. o PONTO corresponde sempre à final descendente de uma fala;

b. a VÍRGULA assinala que a voz fica em suspenso, à espera que o período se


complete;

c. o PONTO-E-VÍRGULA denota em geral uma fraca marca suspensiva, suficiente, no


entanto, para indicar que o período não está concluído.
Sinais Melódicos
 
 Os Dois Pontos (:)
 Ponto de Interrogação (?)
 Ponto de Exclamação (!)
 As Reticências (...)
 As Aspas (" ")
 Os Parênteses ( ( ) )
 Os Colchetes ( [ ] )
 Travessão (-)

Os Dois Pontos (:)


 
Os DOIS PONTOS servem para marcar, na escrita, uma sensível suspensão da voz
na melodia de uma frase não concluída. Empregam-se, pois, para anunciar:

1º. uma citação (geralmente depois de verbo ou expressão que signifique dizer,
responder, perguntar e sinônimos):

Eu lhe responderia: a vida é ilusão... (A. PEIXOTO)

2º. uma enumeração explicativa:

Viajo entre todas as coisas do mundo:

homem, flores, animais, água... (C. MEIRELES)

3º. um esclarecimento, uma síntese ou uma consequência do que foi enunciado:

Ternura teve uma inspiração: atirar a corda, laçá-la. (A. M. MACHADO)

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta. (C. MEIRELES)

Depois do vocativo que encabeça cartas, requerimentos, ofícios, etc. costuma-se


colocar DOIS-PONTOS, VÍRGULA, ou PONTO, havendo escritores que, no caso,
dispensam qualquer pontuação. Assim:

Prezado senhor:

Prezado senhor.

Prezado senhor,

Prezado senhor
Sendo o vocativo inicial emitido com entoação suspensiva, deve ser acompanhado,
preferentemente, de DOIS-PONTOS ou de VÍRGULA.

O Ponto de Interrogação (?)


 
a. É o sinal que se usa no fim de qualquer interrogação direta, ainda que a pergunta
não exija resposta:

Sabe você de uma novidade? (A. PEIXOTO)

b. Nos casos em que a pergunta envolve dúvida, costuma-se fazer seguir de


RETICÊNCIAS o PONTO-DE-INTERROGAÇÃO:

_ Então?...que foi isso?...a comadre?... (ARTUR AZEVEDO)

c. Nas perguntas que denotam surpresa, ou naquelas que não têm endereço nem
resposta, empregam-se por vezes combinados o PONTO-DE-INTERROGAÇÃO E O
PONTO-DE-EXCLAMAÇÃO:

Que negócio é esse: cabra falando?! (C. D. DE ANDRADE)

O PONTO-DE-INTERROGAÇÃO nunca se usa no fim de uma interrogação indireta,


uma vez que esta termina com entoação descendente, exigindo, por isso, um PONTO.
Comparem-se:

- Quem chegou?[= INTERROGAÇÃO DIRETA]

- Diga-me quem chegou.[= INTERROGAÇÃO INDIRETA]

O Ponto de Exclamação (!)


 

É o sinal que se pospõe a qualquer enunciado de entoação exclamativa. Emprega-se,


pois, normalmente:

a. depois de interjeições ou de termos equivalentes, como os vocativos intensivos, as


apóstrofes:

Oh! dias de minha infância! (C. DE ABREU)

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes? (C. ALVES)

b. depois de um imperativo:

Coração, para! ou refreia, ou morre! (A. DE OLIVEIRA)

Observação: A interjeição oh! (escrita com h), que denota geralmente surpresa,
alegria ou desejo, vem seguida de PONTO-DE-EXCLAMAÇÃO. Já à interjeição de
apelo ó, quando acompanhada de vocativo, não vem acompanhada de nenhum sinal
de pontuação.
As Reticências (...)
 
1. As RETICÊNCIAS marcam uma interrupção da frase e, consequentemente, a
suspensão da sua melodia. Empregam-se em casos muito variados. Assim:

a. para indicar que o narrador ou o personagem interrompe uma ideia que começou a
exprimir, e passa a considerações acessórias:

-- A tal rapariguinha... Não digam que foi a Pôncia que contou. Menos essa, que não
quero enredos comigo! (J. DE ALENCAR)

b. para marcar suspensões provocadas por hesitação, surpresa, dúvida, timidez, ou


para assinalar certas inflexões de natureza emocional de quem fala:

Fiador... para o senhor?! Ora!... (G. AMADO)

Falaram todos. Quis falar... Não pude...

Baixei os olhos... e empalideci... (A. TAVARES)

c. para indicar que a ideia que se pretende exprimir não se completa com o término
gramatical da frase, e que deve ser suprida com a imaginação do leitor:

Agora é que entendo tudo: as atitudes do pai, o recato da filha... Eu caí numa
cilada... (J. MONTELLO)

2. Empregam-se também as RETICÊNCIAS para reproduzir, nos diálogos, não uma


suspensão do tom da voz, mas o corte da frase de um personagem pela interferência
da fala de outro. Se a fala do personagem continua normalmente depois dessa
interferência, costuma-se preceder o seguimento de reticências:

-- Mas não me disse que acha...

-- Acho. --...Que posso aceitar uma presidência, se me ofereceram?

-- Pode; uma presidência aceita-se. (M. DE ASSIS)

3. Usam-se ainda as RETICÊNCIAS antes de uma palavra ou de uma expressão que


se quer realçar:

E teve um fim que nunca se soube... Pobrezinho... Andaria nos doze anos. Filho
único. (S. LOPES NETO)

As Aspas (" ")


 
1. Empregam-se principalmente:

a. no início e no fim de uma citação para distingui-la do resto do contexto:

O poeta espera a hora da morte e só aspira a que ela "não seja vil, manchada de
medo, submissão ou cálculo". (MANUEL BANDEIRA)

b. para fazer sobressair termos ou expressões, geralmente não peculiares à


linguagem normal de quem escreve (estrangeirismos, arcaísmos, neologismos,
vulgarismos, etc.):

Era melhor que fosse "clown". (E. VERÍSSIMO)

c. para acentuar o valor significativo de uma palavra ou expressão:

 A palavra "nordeste" é hoje uma palavra desfigurada pela expressão "obras do


Nordeste" que quer dizer: "obras contra as secas". E quase não sugere senão as
secas. (G. FREYRE)

No emprego das ASPAS, observe que quando a pausa coincide com o final da
expressão ou sentença que se acha entre elas, coloca-se o sinal de pontuação depois
delas. No caso em que elas abrangem todo o período, sentença, frase ou expressão, a
respectiva sinalização fica abrangida por elas:

"Aí temos a lei", dizia o Florentino. "Mas quem as há de segurar? Ninguém." (R.


BARBOSA.)

"Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela Claridade imortal, que toda a luz
resume!" (M. DE ASSIS)

Os Parênteses ( ( ) )
 

1. Empregam-se os PARÊNTESES para intercalar num texto qualquer indicação


acessória. Seja, por exemplo:

a. uma explicação dada, uma reflexão, um comentário à margem do que se afirma:

Os outros (éramos uma dúzia) andavam também por essa idade, que é o doce-
amargo subúrbio da adolescência. (P. MENDES CAMPOS)

b. uma nota emocional, expressa geralmente em forma exclamativa, ou interrogativa:

Havia a escola, que era azul e tinha

Um mestre mau, de assustador pigarro...

(Meu Deus! que é isto? que emoção a minha

Quando estas coisas tão singelas narro?) (B. LOPES)


Entre as explicações e as circunstâncias acessórias que costumam ser escritas entre
PARÊNTESES, incluem-se as referências a data, a indicações bibliográficas, etc.:

"Boa noite, Maria! Eu vou-me embora."

(CASTRO ALVES. Espumas Flutuantes, Bahia, 1870, p. 71)

Usam-se também os PARÊNTESES para isolar orações intercaladas com verbos


declarativos:

Uma vez (contavam) a polícia tinha conseguido deitar a mão nele. (A. DOURADO)

O que se faz mais frequentemente por meio de vírgulas ou de travessões.

Os Colchetes ( [ ] )
 
Os COLCHETES são uma variedade de PARÊNTESES, mas de uso restrito.
Empregam-se:

a. quando numa transcrição de texto alheio, o autor intercala observações próprias,


como nesta nota de SOUSA DA SILVEIRA a um passo de CASIMIRO DE ABREU:

Entenda-se, pois: "Obrigado! obrigado [pelo teu canto em que] tu respondes [à minha
pergunta sobre o porvir (versos 11-12) e me acenas para o futuro (versos 14 e 85),
embora o que eu percebo no horizonte me pareça apenas uma nuvem (verso 15)]."

b. quando se deseja incluir, numa referência bibliográfica, indicação que não conste da
obra citada, como neste exemplo:

ALENCAR, José de. O Guarani, 2 ed. Rio de Janeiro, B. L. Garnier Editor [1864].

O Travessão (-)
 
Emprega-se principalmente em dois casos:

a. Para indicar, nos diálogos, a mudança de interlocutor:

-Muito bom dia, meu compadre.

- Por que não apeia, compadre Vitorino?

-Estou com pressa. (J. LINS DO REGO)

b. Para isolar, num contexto, palavras ou frases. Neste caso, usa-se geralmente o
TRAVESSÃO DUPLO:

Duas horas depois - a tempestade ainda dominava a cidade e o mar - o "Canavieiras"


ia encostando no cais.

(J. AMADO)

Mas não é raro o emprego de um só TRAVESSÃO para destacar, enfaticamente, a


parte final de um enunciado:
Um povo é tanto mais elevado quanto mais se interessa pelas coisas inúteis - a
filosofia e a arte. (J. AMADO)

"Emprega-se o travessão, e não o hífen, para ligar palavras ou grupo de palavras que
formam, pelo assim dizer, uma cadeia na frase: o trajeto Mauá-Cascadura; a estrada
de ferro Rio-Petrópolis; a linha aérea Brasil-Argentina; o percurso Barcas-Tijuca; etc."
(Formulário Ortográfico).

LINGUAGEM ELETRÔNICA

A Linguagem das novas tecnologias de comunicação


 
 
A internet e as novas tecnologias de comunicação como, por exemplo, os telefones
celulares, vêm ocasionando mudanças em nosso estilo de vida e de comunicação, que
sem sombra de dúvidas já estão incorporadas às sociedades contemporâneas.

Com o advento destas tecnologias, nossa percepção de tempo e espaço foi


fortemente impactada. Vivemos a era da imediatez - da comunicação em tempo real.
Isso exige que sejamos rápidos e, no que diz respeito à linguagem escrita, "curtos" e
concisos.

Nos ambientes de bate-papo, dos sites de relacionamento, das mensagens


instantâneas como o MSN e afins, essa é a lei. Também nos chamados SMS - as
mensagens de texto instantâneas conhecidas como "torpedos" -, a questão do tempo
e espaço é fundamental.

A interação nesses canais de comunicação é muito semelhante à interação oral; isto é,


a comunicação tem as características da fala. Quem está do outro lado desses canais
está interagindo em tempo real, "rebatendo", respondendo seu interlocutor como se
estivessem frente a frente.

Para o linguista e escritor Marcos Bagno, da Universidade Federal de Pernambuco,


teclar nesses ambientes é como falar: fugaz e de registro efêmero, desaparece
rapidamente. "A Internet é uma escrita virtual, uma fala digitalizada, uma mescla das
duas modalidades da língua. O conteúdo só interessa a quem escreve e a quem lê.
Assim como é inútil tentar corrigir a língua falada, também me parece inútil tentar
corrigir a língua escrita na web, porque ela é fugaz, efêmera e se dissipa no ar, porque
sequer chega a ser impressa", argumenta.

A professora Cássia Panizza Batista, que conduziu uma pesquisa na USP acerca da
linguagem utilizada por alunos de ensino médio numa escola em Osasco, para trocar
bilhetinhos entre si, parece ter a mesma opinião quando nos fala a respeito de seus
achados: "A linguagem usada é informal, há um grande uso de abreviaturas e ícones
(emoticons) e as perguntas e respostas são curtas, como nos chats, mas também
muito parecidas com a linguagem oral".

De acordo com Hélio Consolaro, professor de português e coordenador do site


www.portrasdasletras.com.br, que nos lembra da taquigrafia e do código Morse, a
verdade é que "a humanidade sempre apelou para mensagens cifradas e
criptográficas". E até aponta alguns exemplos de criptogramas incorporados ao uso
diário:

& - Ampersand ("e" comercial)

$ - dinheiro

% - percentagem

@ - em algum provedor

§ - parágrafo

Sabemos, no entanto, que esta questão da linguagem eletrônica tem sido amplamente
debatida por linguistas, pesquisadores e professores, entre outros estudiosos e não
estudiosos. A preocupação é quanto aos danos que o uso desta linguagem por
crianças e jovens pode interferir no aprendizado do "português correto". Há vários
argumentos por parte dos linguistas, especialmente, que evidenciam o preconceito
linguístico cada vez mais acentuado como resultado de muitos desses debates, de
alguns blogs e colunas de "defensores da língua culta", ou seja, da gramática
normativa, que denunciam com alarme a deterioração, o empobrecimento, e até
o fim da língua portuguesa.

Para Eni Orlandi, linguista especializada em análise do discurso, no entanto, é natural


que as novas tecnologias da informação causem impacto também na língua: "Ela se
transforma junto com a sociedade, quer a gente queira ou não. Tem uma
temporalidade própria. É errado atribuir uma valoração a esta mudança, que não deve
ser vista como um risco de empobrecimento, mas uma chance de evolução natural da
língua".

Ingedore Koch, também linguista, que já vivenciou inúmeras alterações sofridas por
nossa língua oficial e no modo como a usamos cotidianamente, nos esclarece que
esse tipo de linguagem da Internet é um gênero discursivo e que "cada gênero
determina um estilo próprio. O da Internet é movido pela rapidez e praticidade. A
língua sofre variações e mudanças com o tempo. Logo, a oficial pode, sim, receber
algumas influências desse gênero. Mas em longo prazo. Penso que dentro de uns 10
ou 15 anos veremos mais explicitamente seus reflexos".
 

Eni Orlandi aponta, ainda, para necessidade de percebermos as várias formas


discursivas sem preconceitos: "A do cinema é uma; passou de muda para falada e o
homem se adaptou. A língua faz seu curso. O homem é ator disso e é capaz de
acompanhar e de usar concomitantemente suas várias formas, cada qual em seu
contexto".

A professora Cássia Panizza Batista, corroborando as afirmações de ambas as


linguistas, ressalta que acredita ser desnecessário nos preocuparmos com uma
possível substituição da escrita tradicional pela dos chats. Segundo ela, "O
fundamental é que a escola oriente os alunos quanto aos usos dos diferentes gêneros
textuais e que considere que o computador já faz parte da sala de aula, assim como o
giz e o apagador".

De acordo com a professora, "na pesquisa, os alunos mostraram que estão


conscientes de que devem usar termos mais formais em outros contextos, como em
alguns e-mails".

Os linguistas em geral destacam o fato de que aqueles que temem mudanças na


língua normalmente se limitam a observar alterações na gramática e na ortografia
(comumente chamadas por eles de erros) e argumentam que a língua é muito mais do
que isso.

Ou seja, a língua é um instrumento concreto de comunicação que envolve sempre um


locutor e um interlocutor interagindo de forma particular e dentro de um espaço situado
historicamente.

Muito mais do que um conjunto de normas ortográficas convencionadas para a escrita


- que é apenas uma forma de expressão - a língua é dinâmica e as formas de
expressá-la refletem os meios nos quais a utilizamos.

Assim, alteração na grafia das palavras bem como suas abreviações, ou mesmo os
"erros de gramática" não dão conta de eliminar, corromper, ou assassinar a língua
portuguesa como muitos advogam e denunciam ser o que acontecerá com o uso do
chamado internetês pelos jovens e cada vez mais difundido já entre os adultos
também.

Vamos refletir a este respeito agora e nas próximas aulas.

Internetês
 
Emoticons e Abreviações
 
  :)  :(   ;-)   :0   :--(   :D     BLZ   TD   D++

 
Conforme já pudemos ver, o internetês (nome da linguagem da internet) se constitui
grandemente de emoticons e abreviações.

Os "emoticons", do inglês emotion (emoção) + icon (ícone), são carinhas que


representam a expressão facial e indicam os sentimentos de quem está teclando, para
que o receptor tenha um quadro completo da conversa. Os emoticons no início eram
'desenhados' utilizando-se vários caracteres disponíveis no teclado. Os símbolos mais
comuns eram:

:-) - "estou contente" ou apenas "sorrir"

:-( - "estou triste"

:´( - "estou chorando"

:-D - "rindo"

;-) - "piscadela"

Havia também o "lol" (do acrônimo inglês para "Laugh Out Loud" - rir bem alto). Note
que os dois "l" com "o" no meio ("lol") remete a uma pessoa (a cabeça) com os braços
para cima, como se estivesse comemorando. No Brasil, são comuns:
"muhahuaheuahua", "ahauhauahuahau", "hehehe", "KKKKkk" e "rsss", que também
significam rir.

Dando uma 'passeada pelo Orkut, vejo que as carinhas desenhadas com os
caracteres do teclado ainda são muito comuns! Alguns dos símbolos mais usados
encontram-se no Anexo III.

Outra característica das mensagens eletrônicas são as abreviações. Veja algumas das
mais comuns.

O ABC do Internetêshttp://ointernetes.blogspot.com/2010/03/o-abc-
do-intertes.html
 

abs         =             abraços ñ             =             não


acc         =             aceitar naum    =             não
add        =             adicionar nd          =             nada
alg          =             alguém net         =             internet
ans         =             anos pq          =             porque
att          =             atualizar qdo        =             quando
a v          =             a ver qnt         =             quantos
axo        =             acho q             =             que
bjs          =             beijos qqr        =             qualquer
blz          =             beleza rpz         =             rapaz
ctg          =             contigo rs            =             risos
eai         =             oi tah         =             tá
fds         =             final de semana tb           =             também
flw         =             falou tc            =             teclar, digitar, conversar
fmz        =             firmeza td           =             tudo/todo
KD          =             cadê vc           =             você
mlk        =             moleque xau        =             tchau
msm      =             mesmo http://ointernetes.blogspot.com/2010/03/o-abc-do-
intertes.html

 
A seguir estão simulações de algumas mensagens deixadas no Orkut. Note como são
utilizadas as abreviações, ora tirando-se as vogais das palavras, ora utilizando-se
outra consoante de mesmo som da consoante da palavra oficial, ora estressando-se a
vogal e/ou a consoante para indicar que o som é longo: Bijuuuuuuuuuusssssssss.

Je_ร z_ '

oloko ia q covardes - entra no msn ae delicia pra troka...

╚ia ♥taty♥

E ai Rema

Chik as fotinhas da bb.

FэζίρίηнФ

To tc do blackberry e to ma aula... Entra a noite tp umas 8,9 ow 10 ta bejuuuu

Ϟ Ŧ£rιι‫ק‬A

ooie,tdu bem amoor?e ai compro o cel??

bjuus saudads

ßяuηø

fala ai mano... valeu msm... powww vc ta mais sumido q nota de 1 real hein...
haahah...

Miguxês
 

Você já ouviu falar do Miguxês?

Ele é um conversor de linguagem: um texto escrito em português pode ser


rapidamente convertido para o internetês.

Em 2007, o programador Aurélio Marinho Jargas, criou uma ferramenta que


transforma frases escritas em português para uma espécie de linguagem própria da
internet, usada por adolescentes, que ele chamou de miguxês e pode ser acessado
em aurelio.net/web/miguxeitor.html.

Seu criador identificou os padrões da linguagem da era do MSN e afins: letras


maiúsculas, "x", "h" em profusão e desenvolveu a ferramenta que possibilita que muita
gente possa falar com seus amigos, migus, ouMigUxXxUxXx.
Hoje o tradutor já oferece três versões: Miguxês Arcaico; Miguxês Moderno e Neo-
Miguxês. Veja um exemplo.

 Português - Oi amiga! Vamos tomar um chop hoje à noite?!

 Miguxês Arcaico - oi amiga!! vamos tomar 1 chop hj anoite??!!

Miguxês Moderno - oi miga!!!!! vamus tomah 1 xop hj anoiti??!?!!!!!!

Miguxês Moderno - oi miGuxXxAH!!!!! vamUxXx tOMah 1 xXxop hJ


anOIti??!?!!!!!!

 Indagado se pensava em fazer o inverso: traduzir do internetês para o português, o


programador disse não pretender traduzir as expressões da garotada para português.
"Daria muito trabalho, e eu prefiro que essa piazada não seja entendida mesmo", disse
Jargas em entrevista à Folha de São Paulo na época do lançamento da ferramenta.

Confira alguns termos adaptados nos chats da internet:

Almoço :
AlmOXXu
Anteontem :
ANTeoNTI
Cansado :
kANSaDU
Celular :
CELULaH
Eles : eLexXx
E-mail : maiu
Ficando : fICaNu
Foto :
FotEenHaxXx
Idiota : iDIOTaH
Lindo :
LINdUxXxu
Mesmo : mSM
Muito : mTU
Namorada :
NaMOradeENHah
Nós : nuxXx
Não : naUm
Você : VuxXxE
 

Bem, muitos deste conteúdo não deve ser novidade nenhuma para você - jovem. Nas
atividades a seguir vamos trocar ideias?

O PROCESSO DA COMUNICAÇÃO ESCRITA


Pesquisar sobre o tema
 
Ao abordarmos um assunto é necessário fazer uma pesquisa sobre o tema para que
não fujamos do nosso alvo, ou seja, do objetivo da mensagem e ainda temos que ser
econômicos e delimitarmos para que o assunto não tome outra direção. Ao contrário
da escrita, a pesquisa não pode ser econômica, então qualquer fonte bibliográfica,
histórica, técnica, incluindo declarações de alguma pessoa, é uma fonte de pesquisa
que poderá ser repassada às pessoas.

"Talvez tenha sido no congresso que utilizariam a estratégia feita no começo do ano."

Esta frase não poderia ser escrita desta forma, pois fica vaga e anônima, ocultando
informação como local, pessoa entrevistada e ainda não está passando confiança na
informação dada.

O processo de pesquisa inclui também, além da pesquisa do tema, informações


adicionais, pois isso não tenha medo de perguntar sobre o assunto.

No caso da frase, por exemplo a seguir, tente descobrir qual foi a estratégia feita no
começo do ano e em qual congresso foi acordada essa estratégia, para escrever o
texto de forma mais clara possível para que o leitor entenda o que se quis passar
naquela mensagem. Exemplo:

"Foi no congresso dos empacotadores de supermercado, que ficou definido que a


estratégia se manteria, mesmo com a paralisação deles. A estratégia da reunião no
mês que vem é realizar um acordo com os supermercados para garantir mais direitos
aos trabalhadores."

Assim a informação será passada por inteiro e o leitor entenderá a mensagem.

Existem duas formas de passar as informações para o leitor:

Discurso Direto: é quando você coloca a fala ou uma citação do autor entre aspas e
dois pontos antes da frase da pessoa. Exemplo:

Então Renato, após comer disse: "A comida estava muito boa!"

Discurso Indireto: é quando você informa no texto, o que a pessoa citou ou falou,
sem colocar expressamente o que a pessoa disse. Exemplo:

Renato, ao terminar a refeição disse que o alimento estava muito bom e saiu da mesa.

Informações sobre a fonte e sua credibilidade


 
Temos duas frases sobre o mesmo assunto (o preço do peso argentino).
1. Ouvi falar que o peso argentino vai ficar mais barato, depois daquele acordo.

2. Segundo previsão do Fundo Monetário Brasileiro, o peso argentino ficará abaixo de


R$0,50, após acordo feito entre os países.

Procure mostrar credibilidade do seu texto para o leitor, pois além de ser mais
confiável, o leitor se sentirá mais seguro de repassar aquela informação. Procure em
seus textos indicar as fontes da onde foram tiradas, as citações ou qualquer outra fala.
Veja como proceder:

 Para uma informação, fala: informe quem disse e que momento foi dito.
 Para uma informação de livro: informe nome e autor do livro.
 Para uma informação retirada de uma revista ou jornal: informe nome, data,
edição, página, seção de onde foi retirada a informação.
 Para uma informação retirada da internet: não é preciso colocar o endereço
eletrônico da página de onde você retirou o texto, apenas deixe em evidência
de qual site foi retirado.
 Vale lembrar que um texto com credibilidade é fundamental, pois você passará
esse texto em diante.

Situações que podem interferir na leitura de um texto


 
Existem 5 tipos de situações que atrapalham muito a leitura de uma pessoa.

1. Indivíduo com falta de conhecimento

 Quando envolvemos um assunto que não é de conhecimento da maioria das


pessoas, ou por terem pouco ou nenhum conhecimento técnico para tal, ou por
não estarem adequadamente preparados para poderem receber a informação,
temos que ter paciência e compreender o leitor e descrever essas informações
da forma mais fácil para ele. Se informar algo mais técnico, explique-o.

2. Indivíduo Descontraído

 Outro problema é quando o leitor não está interessado no assunto que está
sendo abordado.

3. Indivíduo Ocupado

 Para a pessoa que vive o dia inteiro ocupado e/ou sofre muita pressão ao
longo do dia, tente ser breve, pois essas pessoas não gostam de texto muito
longo.

4. Indivíduo com outro vocabulário

 Se o leitor tiver outro vocabulário, isto poderá dificultar a comunicação. Seja


simples e objetivo, não use vocabulário de difícil compreensão, assim você
atingirá o leitor de forma certa, sem problemas.

5. Indivíduo com opiniões diferentes


Quando você já tem o conhecimento, que o leitor tem reações negativas e/ou rudes
com você ou possui outros conceitos para um determinado assunto, evite comentários,
pois mais tarde você poderá ter problemas.

Fases de uma redação


 
Conforme foi dito no primeiro tópico, para redigirmos um bom texto, temos que fazer
uma ótima pesquisa para atingirmos o objetivo dele. Uma vez feita a pesquisa,
precisamos organizá-la e planejá-la para construir um bom texto. Existem algumas
perguntas que podemos fazer para nos organizar:

 Por qual motivo estou escrevendo esse texto?


 Para quem devo escrever esse texto?
 O que devo abordar nesse texto?
 Devo escrever formalmente ou informalmente?
 Qual a mensagem que irei transmitir com esse texto?

Porém, além de responder essas perguntas, você deve seguir algumas regras para
fazer seu texto:

 Cada parágrafo que você escrever será uma nova ideia que você inserirá no
seu texto.
 Em todo parágrafo existe um tópico frasal, ou seja, uma ideia central, que dará
forma e orientação para o parágrafo.
 Além do tópico frasal, o parágrafo precisa ter um desenvolvimento do assunto
abordado e também uma conclusão.
 O desenvolvimento é tudo o que se relaciona com o tópico frasal e a conclusão
é o encerramento da ideia desenvolvida.
 Sempre revise, após ter feito o parágrafo e depois que terminar o texto.

QUALIDADE DO TEXTO
Introdução
 
A introdução é o início do texto, ou seja, o primeiro contato do leitor com o seu texto, então procure deixar claro o que será desenvolvido
mesmo se existir um problema a ser analisado sobre o mesmo, porém a introdução não pode ser cansativa e/ou desmotivar o leitor.
Na Introdução recomendamos que você passe uma ideia geral sobre o tema, que ajude o leitor a compreender o texto sem comprometê-lo. Além
disso, inicie a construção do texto relacionando as primeiras palavras com as do título (se possível) e escreva utilizando a primeira pessoa.

Texto Empresarial
 
Existem 6 tipos textuais para a língua portuguesa (Brasil):

 Narração;
 Descrição;
 Dissertação;
 Exposição;
 Informativo;
 Injunção.

No meio empresarial encontramos todos os tipos textuais, porém os mais utilizados


são: Descrição, Dissertação e Informativo.
Entenderemos como cada um deles pode influenciar no nosso dia-a-dia ao utilizarmos-
o na empresa. Começaremos pelo texto dissertativo.

Texto Dissertativo
 
O texto dissertativo busca convencer o leitor do assunto abordado, através da
exposição de sua opinião e de seus argumentos lógicos. É o melhor recurso a ser
utilizado para poder esclarecer, desenvolver, defender ou promover uma ideia ou
opinião.

 Uma dissertação deve compreender:

 Introdução - no 1º parágrafo escreva sobre a ideia principal. Na introdução


você poderá escrever uma citação, fazer uma comparação, uma afirmação
histórica, fazer perguntas, as quais deverão ser respondidas durante o
desenvolvimento do texto, fazer uma citação, etc.
 Desenvolvimento - do 2º ao penúltimo parágrafo escreva as argumentações e
o desenvolvimento do tema. Aqui você deve dar sua opinião para convencer o
leitor sobre o assunto. Use sempre "nós sabemos" ou "se sabe", ao invés de
eu sei.
 Conclusão: é feita no último parágrafo, no qual você escreve um resumo do
que foi desenvolvido e ou apresenta uma solução para os problemas tratados
anteriormente
 Cuidado com o excesso de informações e/ou mal organizadas, pois poderão
confundir o leitor e gerar um constrangimento.

Texto Descritivo
 
O texto descritivo é utilizado para descrever algo, local e/ou ser vivo, com o maior
detalhamento possível, podendo ser escrito em um único parágrafo.

A descrição deve ser rica em detalhes, fazendo com que o leitor imagine como é o
ambiente, o objeto ou o ser descrito, por exemplo, escrever sobre um animal com
todas as suas características, situando-o no ambiente em que vive, inclusive com
todos os detalhes e sensações (audição, gustação, olfato, tato e visão para dar ideia
de percepção).

 
Um texto descritivo deve compreender:

 Introdução - você inicia o texto definindo o ser ou objeto que será descrito
distinguindo seus aspectos gerais.
 Desenvolvimento - durante o desenvolvimento procure colocar em ordem os
detalhes do ser ou objeto, de acordo como eles se encontram no ambiente
abordando todas as características, inclusive as psicológicas.
 Conclusão - o texto da descrição estará concluído quando se completar a
caracterização.

Texto Informativo
 

O objetivo do texto informativo, como o próprio nome diz, é informar.

 Há vários tipos de textos informativos, por exemplo, panfletos, bulas de remédios,
textos jornalísticos, manuais de jogos, etc., que atingem variados interesses e
diferentes faixas etárias de leitores.

 A linguagem do texto informativo deve ser fácil, simples, objetiva e concisa.

 Um texto jornalístico, por exemplo, deve obedecer à risca as normas gramaticais, ter
o cuidado de levar a informação como ela realmente é, sem escrever sobre a sua
opinião, para manter a imparciabilidade e a neutralização do assunto tratado. Já uma
bula de remédios deve obedecer os termos técnicos dos medicamentos.

 Por isto, é importante neste tipo de texto que se tenha detalhes com credibilidade
para passar segurança ao leitor.

Características de um texto bem descrito

Uma vez que você é o autor de um artigo ou texto, você necessita ter sensibilidade
para ser imparcial, pois nem todos poderão entender quando utilizar uma linguagem
popular.

Não podemos nos esquecer que uma comunicação efetiva é aquela que o
leitor/ouvinte entende, não o que o autor/locutor fala ou escreve. Podemos colocar
alguns itens básicos para criar um texto bem descrito, vejam eles:

 Clareza
 Como na introdução precisamos nos lembrar dessa regra básica, sermos
claros, para podermos passar a mensagem da forma mais limpa e clara
possível para que o leitor entenda a mensagem que queremos passar.
 Objetividade
 Evite opinar sem fundamentação concreta sobre o tema abordado. Procure
expor fatos e comprová-los para que crie uma maior credibilidade no seu
trabalho. Um exemplo:
 "Após pesquisar nas empresas X, Y e Z, foi constatado que a empresa Y é a
empresa que tem a melhor cotação dos computadores. A empresa Y nos
enviou o de R$837,00 por cada computador, não contendo o valor do monitor
da marca W de 17'. O valor com o monitor da empresa W de 17' é de
R$984,00".
 Concisão
 Escreva pouco, porém transmitindo muitas informações. Com isso
desaparecerá os excessos linguísticos que poderão deixar o texto cansativo.
 Coherencies
 Um texto bem escrito, não terá os assuntos jogados durante o texto. O ideal
para uma boa coerência no seu texto é você unir os assuntos de forma que
fique natural, com raciocínio claro e ordenado.
 Simplicidade
 Poupe seu leitor! Apesar de escrever um texto bonito ser importante,
precisamos escrever simples, para que o leitor entenda o assunto e absorva
mais o conteúdo do texto.

LINGUAGEM EFICIENTE
Introdução
 
O uso da língua pode variar de acordo com o que o emissor, receptor e também com o
tipo de mensagem que deseja passar. Podemos chamá-las de padrões ou mesmo de
níveis de linguagem.

 Curiosidade: No Brasil temos também dialetos geográficos, gerando assim


características únicas na nossa linguagem.

Como podemos ter como exemplo:

 Sul, região de Porto Alegre - Que lugar lindo é tri legal aqui!
 Sudeste, região de Belo Horizonte - Mas que trem bonito!

Conceitos Preliminares
 
Linguagem Eficiente: uma linguagem eficiente, como qualquer outro tipo de
comunicação, é aquela passada com clareza, na qual, o leitor ou ouvinte não tenha
problemas para entendê-la.

Por isso, evite expressões regionais ou gírias. Procure a qualquer custo, utilizar a
linguagem padrão para transmitir sua mensagem de forma correta.

A força que existe na palavra: a comunicação é uma junção de várias sentidos e


movimentos que utilizamos para poder nos comunicar. Olhar, gestos, suor, picadas,
tom de voz, expressões faciais e outros elementos, compõem esse complexo sistema.
Independente da forma que você se comunica (email, carta, relatórios, telefone,
mensagens instantâneas) você deverá tomar cuidado com as expressões que utilizar
para se comunicar.

Não houve troco algum"- "Houve algum troco"

"Foram jogados 3 tempos" - "Não foram jogados 3 tempos"


 
Como vocês podem ver a adição de uma palavra, troca de lugar de uma palavra ou
ambos, mudam completamente o sentido da frase.

Para evitar esses problemas, releia o texto e procure evitar frases de duplo sentido
para evitar constrangimentos.

 Parágrafo: o parágrafo é uma unidade dentro do texto na qual ele pode ser de
qualquer tamanho, porém existe uma regra para utilizá-lo. Nele precisa conter
tópico frasal, desenvolvimento do tópico frasal e o encerramento. O tópico
frasal é o assunto principal de um parágrafo. Nele poderá conter o tema do
texto, ou dar outra 'direção' ao texto. O tópico frasal será desenvolvido e
concluído ainda nesse parágrafo. Ao iniciar o próximo parágrafo, ele terá um
novo tópico frasal.
 Algumas das convenções existentes:
 Horas: para escrevermos as horas em um texto, utilizaremos as seguintes
siglas:
 De acordo com a Convenção estabelecida para utilizar essas siglas, todas
deverão ser minúsculas, sem ponto e no singular.
 Medidas: para escrevermos as medidas em um texto, utilizaremos as siglas:

 Da mesma forma que as horas, ela serão escritas minúsculas, sem ponto e no
singular.

Carta Comercial e E-mail / Correio Eletrônico


Introdução
 
As cartas comerciais ainda têm uma grande importância dentro de uma empresa, por
isso devemos tomar alguns cuidados ao escrevermos uma e nos atentar a cada
detalhe antes de enviá-la ao destino.

Siga também estes passos: correção gramatical, objetividade, clareza, exatidão e não
se esqueça da cortesia

 Exemplo

 Para redigirmos uma carta para alguém, precisamos primeiramente pensar no leitor
dessa carta e nos certificar de qual linguagem utilizaremos, porém sem deixar de lado
a correta ortografia.

Não se esqueça que você precisa fazer algo compacto e objetivo, para não passar
informações desnessárias para o leitor e não ficar cansativo. Se necessário, coloque
termos técnicos para que o leitor se convença de algo que é necessário fazer.

Precauções para uma carta comercial: Uma vez que é considerado um texto
dissertativo e que podemos colocar posicionamentos sobre assuntos, defender ideias
e parcialidade, a carta, é a forma mais recomendada para texto apresentativos.
E-mail
 

O Correio Eletrônico, ou e-mail, como é mais conhecido, é uma importante ferramenta


no nosso dia-a-dia e, por isso, precisamos utilizá-lo da melhor forma possível. Existem
quatro regras básicas para se escrever um e-mail:

Dica 1: Utilize frases curtas e objetivas para o assunto do e-mail.

Evite utilizar expressões vagas como: "Resposta ao e-mail do José", "Assunto muito
importante", "Contato", "Verificação". Utilize de frases curtas e objetivas como:
"Auditoria Interna 14/02", "Resultados em Março/2012", "Vaga para Gerente Aberta",
"Contato Telefônico: Marceneiro".

Dica 2: Evite constrangimento.

Evite enviar em seus e-mails, arquivos muito grandes, pois poderá gerar um
descontentamento por parte da pessoa que o receberá. Você poderá utilizar outra
forma para enviar o arquivo para o destinatário, como por exemplo, um pen-drive, CD-
Rom ou até mesmo um programa de mensagem instantânea.

Dica 3: Seja objetivo.

Seja objetivo, rápido e direto nos seus e-mails. Evite ficar 'enfeitando' os e-mails e não
fique 'dando voltas' sobre um assunto, vá direto ao ponto, afinal o e-mail é uma forma
de comunicação prática e rápida.

Dica 4: Evite erros ortográficos;

Toda empresa, dá muito valor aos profissionais que realizam uma comunicação
objetiva, clara e correta, por isso, cuidado ao escrever os e-mails. Utilize as normas
ortográficas e um dicionário para lhe ajudar nesses momentos.

REQUERIMENTOS E ATAS

Requerimentos (Parte 1)
 

São utilizados de várias formas e para diferentes tipos de solicitações, sejam elas
autoridades, empresa ou órgão público.

Sendo uma ferramenta para solicitação ou pedido.

Para um requerimento é aconselhável utilizar a linguagem formal, como no e-mail,


procure ser objetivo e direto.
Pronomes de Tratamentos

Autoridades de Estado 

Vossa Excelência (V. Ex.ª) Para o presidente da República, senadores da


República, ministros de Estado, governadores,
deputados federais e estaduais, prefeitos,
embaixadores, cônsules, chefes das Casas Civis e
Militares. Somente o presidente da república usa o
pronome de tratamento por extenso, nunca abreviado.

Vossa Magnificência (V. Mag.ª) Reitores de Universidade, pró-reitores e vice-reitores.

Vossa Senhoria (V. S.ª) Vereadores; Para diretores de autarquias federais,


estaduais e municipais

Autoridades Judiciárias

Vossa Excelência (V. Ex.ª) Magistrados (Juízes de Direito, do Trabalho, Federais,


Militar e Eleitoral), Membros de Tribunais (de Justiça,
Regionais Federais, Regionais do Trabalho, Regionais
Eleitorais), Ministros de Tribunais Superiores (do
Trabalho, Eleitoral, Militar, Superior Tribunal de Justiça
e Supremo Tribunal Federal).

Meritíssimo Juízo (M. Juízo) Para referência ao Juízo

Autoridades Executivo e Legislativo

Vossa Excelência (V. Ex.ª) Chefes do Executivo (Presidente da


República, Governadores e Prefeitos), Ministros de
Estado e Secretários Estaduais, para Integrantes do
Poder Legislativo (Senadores, Deputados Federais,
Deputados Estaduais, Presidente de Câmara de
Vereadores e vereadores), Ministros do Tribunal de
Contas da União e para Conselheiros dos Tribunais de
Contas Estaduais.

                Militares

Vossa Excelência (V. Ex.ª) Oficias generais - (Almirantes-de-Esquadra, Generais-


de-Exército e Tenentes-Brigadeiros; Vice-Almirantes,
Generais-de-Divisão e Majores-Brigadeiros; Contra-
Almirantes, Generais-de-Brigada e Brigadeiros e
Coronéis Comandantes das Forças Auxiliares dos
Estados e DF (Polícias Militares e Bombeiros
Militares).
Vossa Senhoria (V. S.a): para demais patentes e
graduações militares (Oficiais e Praças)

Parte 2
 
Outros Títulos
Senhor (Sr.) Homens em geral, quando não existe intimidade
Senhora (Sr.ª) Mulheres casadas ou mais velhas (no Brasil) ou mulheres em geral (em
Portugal)
Senhorita (Srt.ª) Moças solteiras, quando não existe intimidade (no Brasil)
Vossa Senhoria (V. S.ª) Autoridades em geral, como secretários da prefeitura ou diretores de
empresas
Doutor (Dr.) Acrescente-se que doutor não é forma de tratamento, e sim título
acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente. Como regra geral,
empregue-o apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham
tal grau por terem concluído curso universitário de doutorado. É
costume designar por doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis
em Direito e em Medicina
Arquitecto (Arq.º(ª) ) Arquitetos (em Portugal)
Bibliotecário (Bib.º(ª)) Bibliotecários
Engenheiro (Eng.º(ª)) Engenheiros (em Portugal)
Comendador (Com.(ª)) Comendadores
Professor (Prof.(ª)) Professores
Desembargador (Des.dor) Desembargadores
Pastor (Pr.) Pastores de igrejas protestantes
Vossa Magnificência(V. Mag.ª) Reitores de universidades e outras instituições de ensino superior

Parte 2
 
Outros Títulos
Senhor (Sr.) Homens em geral, quando não existe intimidade
Senhora (Sr.ª) Mulheres casadas ou mais velhas (no Brasil) ou mulheres em geral (em
Portugal)
Senhorita (Srt.ª) Moças solteiras, quando não existe intimidade (no Brasil)
Vossa Senhoria (V. S.ª) Autoridades em geral, como secretários da prefeitura ou diretores de
empresas
Doutor (Dr.) Acrescente-se que doutor não é forma de tratamento, e sim título
acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente. Como regra geral,
empregue-o apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham
tal grau por terem concluído curso universitário de doutorado. É
costume designar por doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis
em Direito e em Medicina
Arquitecto (Arq.º(ª) ) Arquitetos (em Portugal)
Bibliotecário (Bib.º(ª)) Bibliotecários
Engenheiro (Eng.º(ª)) Engenheiros (em Portugal)
Comendador (Com.(ª)) Comendadores
Professor (Prof.(ª)) Professores
Desembargador (Des.dor) Desembargadores
Pastor (Pr.) Pastores de igrejas protestantes
Vossa Magnificência(V. Mag.ª) Reitores de universidades e outras instituições de ensino superior

Ata
 
Como Redigir uma Ata

A ata é um documento importante, pois é o registro completo de uma reunião, então


precisamos nos atentar a tudo da reunião e não deixar escapar nenhum detalhe.
Não há nenhum segredo para se fazer uma ata de reunião, apenas se atente com os itens obrigatórios:
 Cabeçalho: o cabeçalho necessita ser claro e objetivo, ou seja, não pode ser
uma grande frase e não pode ter duplo sentido.
 Exemplo: Ata da reunião dos executivos da empresa XXXX para prestação de
contas.
 Data: a data necessita ser por extenso, para que não haja nenhum tipo de
confusão na hora da leitura.
 Exemplo: Reunião realizada no nono dia do mês de maio do ano de dois mil e
doze.
 Local: Seja específico, claro e se possível coloque o endereço do local aonde
foi realizada a reunião.
 Titulo ou Assunto: no título seja mais abrangente, porém, evite duplos
sentidos.
 Exemplo: Reunião de prestação de contas aos Executivos.
 Participantes: de preferência, pegue o nome completo de todos os
participantes.
RELATÓRIOS
Como Redigir um Relatório
 
Precisamos nos lembrar que o relatório é a história e a memória de uma empresa, até
porque não podemos contar só com a memória das pessoas.

A simplicidade é necessária para apresentar dados de uma atividade, pois qualquer


pessoa poderá entender o que está escrito nela.

O relatório em geral é uma forma simples, objetiva de apresentar dados.

Tenha alguns cuidados ao fazer um relatório, pois isso influenciará na pessoa que o
lerá. Ordem, clareza e nitidez são fundamentais para o desenvolvimento de um
relatório.

Existem alguns itens obrigatórios e outros opcionais em um relatório, vamos dividí-los


em duas tabelas:
 
Itens Itens
Obrigatórios Opcionais

Capa Comentários

Sumário Referências

Índice Simbologia e
Significados

Introdução Tabelas

Objetivo Anexos

Desenvolvimento

Resultados

Conclusão

 
O relatório tem um modelo a ser seguido, mostraremos esse modelo que vocês devem
seguir.

Autor: nome do autor do relatório.

Instrução: centralizado ou alinhado a direita, letras em caixas altas e baixas.

Empresa: nome da empresa em que você trabalha ou presta serviço


Instrução: centralizado ou alinhado à esquerda, letras em caixas altas e baixas.

Departamento: nome do departamento em que você trabalha ou que você está


prestando serviço.

Instrução: centralizado, letras em caixas altas e baixas ou caixas altas.

Título: veja um melhor título para o seu relatório, seja específico.

Instrução: centralizado, alinhamento à direita ou esquerda, com caixas altas e baixas


ou apenas com caixa alta.

Local e data: nome da cidade que se encontra a empresa que você trabalha ou que
presta serviço. Data por extenso.

- Exemplo: Campinas, 12 de janeiro de 2012

Instrução: centralizado ou alinhado à esquerda, caixa alta e baixa ou apenas com


caixa alta.
 
O índice é importante pois é aonde enumeramos os assuntos e também servirá como
uma consulta rápida de cada assunto dentro do documento. Você deve separar uma
página somente para ela no documento.

A introdução é um resumo do que, quando, para quem foi feito e com que propósito foi
feito o documento. A Introdução deve ter no máximo de três parágrafos e deve ficar
sozinha em uma página.

O objetivo deve ser capaz de resumir qual era o alvo desse relatório e deve ser feito
em uma única frase e caso exista mais de um objetivo, enumerar os objetivos.

O desenvolvimento é a descrição dos métodos utilizados para poder chegar aos


resultados e deve ser um texto simples e de fácil entendimento, pois lembre-se que o
seu texto pode ser lido e entendido por qualquer pessoa, mesmo não sendo da área.

Nos Resultados você apresenta de forma ordenada e clara, os resultados da sua


pesquisa e desenvolvimento do tema. Nela você deve colocar além dos dados obtidos,
tabelas, figuras ou qualquer outro anexo que você julga necessário para comprovar o
seu trabalho.

Se algum desses itens (tabelas, figuras, etc.) passar de 3, recomendamos que você
agrupe eles e coloque antes do anexo.

Na conclusão você deve resumir tudo o que foi dito e reforçar aquilo que você expôs,
indicando que os resultados que você propôs são válidos e satisfatórios.

PROCURAÇÕES
Como Redigir uma Procuração
 

Procuração é um recurso muito utilizado em empresas e repartições públicas. Nela,


basicamente, você "dá poder" específico ou amplo, para agir em nome de outra
pessoa.

 Elas podem ser:

 A diferença entre as duas é que a pública é para atos mais importantes e é feita em
cartório.

Para realizar uma procuração é necessário ter os dados dos documentos do


outorgado e do outorgante (podendo ser chamado de mandatório e mandante).

 É necessário ter dos dois indivíduos as seguintes informações:


  
Exemplo de procuração particular:

“Venho por meio desta procuração particular, eu, (informações completas do


mandante), por meio do meu mandante, (informações completas do
mandante), enviá-lo com a finalidade de retirar em meu nome a quantidade de
R$xxxx,xx (__________ - aqui você coloca o valor por extenso), da minha
conta situada no banco XXXXXXX (aqui você coloca as informações da conta),
podendo ele fazer a retirada do valor, aqui espeficado. Qualquer tipo de
problema ou informações poderá ser repassada para o mesmo.”
 
Atenção! Na procuração particular a assinatura do outorgante deverá ter a sua firma
reconhecida em cartório.