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Seção 1

SUA PETIÇÃO

DIREITO
CONSTITUCIONAL
Seção 1

DIREITO CONSTITUCIONAL

Sua causa!

Olá, querido aluno!

Seja bem-vindo ao Núcleo de Prática Jurídica com suporte em AVA de Direito Constitucional.
Preparado para dar início a uma instigante viagem pelo mundo do Direito Constitucional?
Certamente, você gostará!

Você já sabe, mas não custa repetir: o Direito Constitucional é um dos ramos mais importantes do
Direito, pois ele irradia seus efeitos por toda a ordem jurídica e, por isso, possui ligação com todas
as matérias.

A importância do seu estudo, portanto, é imensa! E não é só para a prova da Ordem, é para toda a
sua vida profissional.

Aqui, você terá a oportunidade de vivenciar, ao longo das seis seções que compõem o nosso estudo,
diversas fases processuais que exigirão conhecimentos específicos, como um jurista profissional
deve ter.

Serão situações que, provavelmente, poderão ser exigidas no Exame da Ordem dos Advogados, em
provas de concursos públicos ou no próprio exercício da advocacia pública ou privada. É uma
maravilhosa oportunidade de treinar seus conhecimentos, não é mesmo? Então, aproveite os nossos
encontros e torne-se um verdadeiro craque na prática constitucional.

Todas as nossas atividades se desenvolverão a partir de uma situação hipotética, para a qual lhe
será exigida, em cada seção, a elaboração de uma peça prático-profissional, que será submetida à
avaliação. Mas, não se preocupe, você contará com toda a nossa ajuda. Para isso, em cada seção,
você terá o “Fundamentando”, espaço destinado a revisão e o aprofundamento de conteúdos teóricos
necessários para a elaboração da peça que será exigida; e, ao final, você ainda terá acesso a um
modelo da peça processual esperada elaborada por um profissional da área, a fim de que possa
visualizar todos os itens que serão cobrados, bem como a fundamentação jurídica correta a ser
utilizada na peça.
Os casos trazidos ao longo das seis seções possuem ligação entre si e revelam a marcha processual
a ser seguida de acordo com cada acontecimento do trâmite processual. Essa é uma informação
importante, portanto, preste atenção! Todas as nossas seções se originam de um contexto geral, que
vamos conhecer agora. Vamos dar início ao trabalho!

O CASO

Luiz Augusto, comerciante, cidadão de São Caetano, no estado de Pernambuco, com o título de
eleitor nº 123456, muito engajado em política, tendo, inclusive, encerrado um mandato como
vereador há pouco mais de um mês. Ele ficou inconformado com uma decisão do prefeito de sua
cidade. Por meio de um decreto (Decreto Municipal nº 01/2019), o Prefeito Jacinto Jacaré transferiu
a cobrança do serviço de estacionamento em locais públicos, denominado “Zona Azul”, para uma
associação de comerciantes locais (ACSC-PE), cujo presidente, Sr. Sombra, é seu amigo pessoal e
principal colaborador de sua campanha eleitoral.

Ocorre que ele transferiu o serviço sem que fosse realizada a devida licitação, modalidade imposta
aos entes públicos para realizar a denominada concessão de serviços públicos.

Luiz Augusto procurou você, na qualidade de advogado, com a finalidade de propor uma ação para
anular a transferência indevida do serviço público para essa associação, em razão do
descumprimento de mandamentos constitucionais que exigem a realização de licitação para a
concessão de serviços públicos e da imoralidade da medida de beneficiar os seus conhecidos.

Você tomará todas as medidas judiciais cabíveis para atender ao pedido de seu cliente. No papel de
advogado, pelas próximas seis seções, você elaborará todas as petições e os recursos cabíveis para
que a moralidade seja retomada na cidade de São Caetano, com a anulação da medida realizada
pelo prefeito e com a devolução de eventuais recursos públicos indevidamente recebidos pela
associação de comerciantes (ASCS-PE).
Fundamentando!

A Constituição Federal ocupa o ponto mais alto da hierarquia das normas jurídicas e é nela que as
demais normas fundamentam a sua validade. O constituinte brasileiro se preocupou muito com a
honestidade da Administração Pública, prevendo, no seu texto, diversas regras sobre como o
administrador público deve tratar o que chamamos de Coisa Pública. Você sabe de onde vem esse
nome?

Constituição

Leis*

Normas infralegais

*Mais adiante, veremos que o STF adota, hoje, a teoria da supralegalidade dos tratados internacionais de
direitos humanos, sendo esses superiores às leis e inferiores à Constituição.

Fonte: elaborada pelo autor.

Coisa Pública é o significado da expressão REPÚBLICA (Res Publica), que consta, inclusive, no
nome do nosso país: República Federativa do Brasil.

REPÚBLICA

RES PUBLICA (COISA PÚBLICA)

Essa expressão tem um significado muito importante, de que as coisas públicas, aquelas
pertencentes aos entes públicos (União, estados e municípios) pertencem a todos nós, não àqueles
que as administram. Os políticos e os agentes públicos são apenas mandatários, que não são donos
do que administram. Na verdade, eles apenas administram coisa de outrem, isto é, do povo, titular
de toda a Coisa Pública e do poder do Estado. Isso é uma afirmação vazia? Não, essa afirmação
está prevista nos Princípios Fundamentais de nossa Constituição, vamos ver:

PONTO DE ATENÇÃO
Constituição da República
Art. 1º
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

O povo é o único titular do poder do Estado Democrático de Direito. Mas, o que significa essa
expressão? Significa que o nosso Estado (nome técnico para se referir ao nosso país) deve
obediência às suas próprias regras jurídicas, em especial, à sua própria Constituição.

A ideia de Estado Democrático de Direito se contrapõe à de Estado Absolutista, aquele que existia,
principalmente, na época dos chamados reis absolutistas, que detinham em suas mãos todo o poder
do Estado, por vezes, com ele se confundindo. É o que aconteceu na França, no século XVII, que
pode ser resumido na famosa frase atribuída ao Rei Luiś XIV (1638-1715), também conhecido como
Rei-Sol, que disse: “O Estado sou eu!”. Isso significava que toda a vontade do Estado se confundia
com a vontade do rei, isto é, era ele quem fazia as leis, as aplicava e julgava, de acordo com sua
livre vontade.

Isso não ocorre no Estado Democrático de Direito, em que a vontade do Estado é expressa por meio
de normas (em especial, da Constituição e das leis) elaboradas pelos representantes eleitos pelo
povo. Essas normas valem para todos, inclusive, para o Estado e para os entes públicos e, em
especial, para os políticos e agentes públicos, que contam com deveres especiais previstos na
Constituição.

Esses deveres especiais estão previstos nos chamados Princípios da Administração Pública, no art.
37, da CF/88, que dispõe: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência” (BRASIL, 1988, [s.p.]).
LEGALIDADE

EFICIÊNCIA IMPESSOALIDADE

PUBLICIDADE MORALIDADE

Fonte: elaborada pelo autor

LEMBRE-SE: L. I. M. P. E.

LEGALIDADE: a Administração Pública está subordinada às leis e à Constituição, assim como todo
cidadão. Entretanto, a legalidade aplicada a ela possui raciocínio contrário ao disposto no art. 5º, II,
da CF/88: enquanto que o particular não pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em
virtude de lei, a Administração Pública só poderá agir como a lei manda, isto é, na sua forma e limites.
Enquanto que para nós, cidadãos, a legalidade se confunde com liberdade, isto é, podemos fazer
tudo o que não é proibido, para a Administração Pública significa a vinculação da sua atuação à
vontade da lei.

IMPESSOALIDADE: a impessoalidade possui um duplo significado. Primeiro, ela proíbe que o


administrador exerça a sua atividade buscando interesses e opiniões pessoais. O administrador não
pode fazer diferenciações que não observem critérios legais e razoáveis. A Administração Pública
deve ter como único objetivo o interesse público, jamais os interesses pessoais dos seus políticos ou
de algum grupo específico. Em um segundo sentido, a impessoalidade proíbe que os atos
administrativos sejam vinculados à pessoa do administrador, restringindo expressamente a
publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos que contenham
nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores
públicos (art. 37, § 1º).
MORALIDADE: a Administração Pública deve pautar‐se pela obediência aos princípios
constitucionais e à moralidade administrativa. Essa moralidade não se confunde com a moral pessoal
de um determinado grupo de pessoas, por vezes, influenciada por razões culturais ou religiosas que
não se coadunam à finalidade do Estado Democrático de Direito, no qual todos devem ser
respeitados, independentemente de suas diferenças. A moralidade administrativa se refere a padrões
éticos, ao decoro, à boa-fé, à honestidade, à lealdade e à probidade no trato da Coisa Pública,
sempre tendo como finalidade o bem comum. O desrespeito a esse princípio enseja a chamada
improbidade administrativa. É o que ocorre, por exemplo, na nomeação de parentes para cargos
públicos, o chamado nepotismo1.

PUBLICIDADE: os atos da Administração Pública são públicos por natureza, devendo ser
transparentes a toda a sociedade, que deve ter conhecimento não só dos atos praticados pelo Poder
Público mas também das informações armazenadas em seus bancos de dados, desde que não
sejam protegidas por sigilo, possibilitando a fiscalização do Poder Público. Lembre-se, aluno, de que
o poder pertence ao povo, e o administrador deve prestar contas a todos2; também, que o acesso a
dados pessoais constantes de bancos públicos ou abertos à consulta pública poderá ensejar a
propositura da ação de Habeas Data, uma ação constitucional ou remédio constitucional previsto no
art. 5º, LXXII, da CF/883.

EFICIÊNCIA: este princípio foi o último a ser incluído neste rol, após 10 anos da promulgação da
Constituição Federal, pela EC nº 19, de 1998. Trouxe um conceito até então utilizado pela economia,
não pelo Direito Administrativo, prevendo que o administrador deve buscar sempre os melhores
resultados com o menor custo à Administração, em uma positiva relação de custo/benefício,
buscando presteza e qualidade em suas atividades.

1 O termo nepotismo relaciona-se a “nepote”, que se referia ao sobrinho do Papa, fazendo referência à comum
prática de nomear parentes para que assumam cargos importantes, favorecendo-os. O STF vetou a conduta
de nomeação de parentes para cargos públicos com a edição da Súmula Vinculante 13: “A nomeação de
cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da
autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou
assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda de função gratificada na
administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal”
(BRASIL, 2008, [s.p.]).
2 A Lei de acesso à informação – Lei nº 12.527/11 – regulamenta o art. 37, § 3º, II, da CF/88, estabelecendo

que todos os entes federativos têm o dever de prestar informações aos cidadãos, e qualquer pessoa, física ou
jurídica, pode formular pedido de informação aos órgãos da administração pública, que deverá responder no
prazo de 20 dias, desde que não estejam acobertadas por sigilo legal (arts. 10 e 11).
3 O rito do Habeas Data é estabelecido pela Lei nº 9.507/97. A Súmula 2, do STJ, dispõe que: “Habeas data.

Informação da autoridade administrativa” (BRASIL, 1990, [s.p.]). Já a CF/88, em seu art. 5º, XXXIII e LXXII, a),
afirma: “Não cabe o habeas data se não houve recusa de informações por parte da autoridade administrativa”
(BRASIL, 1988, [s.p.]).
Lembre-se ainda de que, além do L.I.M.P.E. (Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade
e Eficiência), a Administração Pública deve se pautar pela Supremacia do Interesse Público
(finalidade), pela razoabilidade e proporcionalidade dos seus atos, pela motivação, pela segurança
jurídica e pela ampla defesa e o contraditório nas relações com os administrados. Esses são os
princípios que, embora não mencionados expressamente pela Constituição, devem reger a
Administração em todas as suas relações4.

Outro princípio constitucional administrativo de imensa relevância é o da obrigatoriedade de licitação


para contratação com a Administração Pública, que está previsto no art. 37, XXI:

Ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e


alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure
igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam
obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos
da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica
indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. (BRASIL, 1988, [s.p.])

Apenas nos casos de inexigibilidade (quando não há possibilidade de haver disputa entre os
licitantes) ou de dispensa (quando há a possibilidade de disputa, mas ela não é conveniente e
oportuna) é que não haverá procedimento de licitação. Esse procedimento, que veremos nos
próximos estudos, visa à igualdade dos licitantes e faz com que a impessoalidade impere nas
contratações administrativas. O desrespeito a esse princípio pode constituir improbidade
administrativa e, inclusive, a ocorrência de crimes de modalidade licitatória.

Para a proteção desses princípios, a Constituição previu algumas ações em seu próprio texto, as
quais são chamadas de remédios constitucionais. Veremos apenas aqueles que se referem à
proteção da Coisa Pública, sabendo que o Habeas Corpus (direito de liberdade), o Habeas Data
(acesso a informações pessoais em bancos de dados públicos ou de acesso público), o Mandado de
Injunção (em casos de omissão legislativa que impede o gozo e a fruição de direitos previstos na
Constituição) e o Mandado de Segurança Individual e Coletivo (para qualquer ato de autoridade que
lesione ou ameace de lesão um direito líquido e certo do impetrante) também compõem esse rol de
remédios.
Aqui, estudaremos a Ação Civil Pública e a Ação Popular.

AÇÃO CIVIL PÚBLICA

4Estão previstos em diversos diplomas e constituições estaduais. A Lei nº 9.784/99, que regula o processo
administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, as prevê expressa e implicitamente.
O art. 129, III, da Constituição Federal, prevê como uma das funções institucionais do Ministério
Público a promoção do inquérito civil e a Ação Civil Pública (ACP), para a proteção do patrimônio
público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos.

Essa ação é regulamentada pela Lei nº 7.347/85 e tem como objeto ato lesivo que cause danos
morais e patrimoniais ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético,
histórico, turístico, à ordem urbanística, à honra e a dignidade de grupos raciais étnicos ou religiosos,
ao patrimônio público e social, ou a qualquer outro interesse difuso e coletivo, por infração da ordem
econômica; à ordem urbanística, à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos, ao
patrimônio público e social.

A ACP é muito ampla e pode ser utilizada pelo Ministério Público para a proteção de qualquer direito
difuso, coletivo e até mesmo os chamados individuais homogêneos. Ela poderá ter por objeto a
condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer, isto é, ela pode ser
ajuizada para pedir uma indenização por um dano material ou moral causado ou pode ser proposta
para que seja realizada uma ação que tenha como objetivo desfazer um ato lesivo, regularizar uma
situação, ou ainda que o réu não mais aja de alguma maneira, a fim de evitar ou desfazer um ato
lesivo a algum interesse difuso, coletivo ou individual homogêneo.

Além do Ministério Público, são legitimados para propor a ação civil pública: a Defensoria Pública; a
União, os estados, o Distrito Federal e os municípios; autarquias, empresas públicas, fundações ou
sociedades de economia mista; a associação que, concomitantemente, a) esteja constituída há pelo
menos um ano nos termos da lei civil e b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao
patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre
concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico, estético,
histórico, turístico e paisagístico.

PONTO DE ATENÇÃO

OS LEGITIMADOS PARA PROPOR A ACÃO CIVIL PÚBLICA SÃO:

 Ministério Público.
 Defensoria Pública.
 União, estados, Distrito Federal e municípios.
 Autarquias, empresas públicas, fundações ou sociedades de economia mista.
 Associação que, concomitantemente, a) esteja constituída há pelo menos um ano nos
termos da lei civil e b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao
patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica,
à livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao
patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico.
Mesmo que o Ministério Público não proponha a ação, ele deverá atuar como fiscal da lei, sob pena
de nulidade do processo. Caro aluno, esse papel de fiscal da lei, ou da ordem jurídica, é
desempenhado pelo MP sempre que houver interesses especiais envolvidos, como nos casos cíveis
envolvendo crianças e pessoas com a capacidade reduzida, em que é utilizada a expressão custos
legis para designar essa função fiscalizatória.

O Código de Processo Civil5 regulou a atuação do Ministério Público nos arts. 176 a 181, apontando
que ele atuará na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses e direitos sociais
e individuais indisponíveis.

A ACP pode ser proposta contra qualquer pessoa que cometa ato lesivo, nos termos do art. 1º da
Lei 7.347/85, e a competência para julgar a Ação Civil Pública, de acordo com a previsão do art. 2º
da Lei 7.347/85, será do foro onde ocorreu, ou deverá ocorrer, o dano. Não existe o chamado “foro
privilegiado” na ACP, por isso, a competência para julgar a causa sempre será do juiz de primeiro
grau do local em que o ato lesivo for causado ou estiver na iminência de acontecer.

AÇÃO POPULAR

A Ação Popular é um instrumento decorrente da adoção do Princípio Republicano6 e pode ser


proposta por qualquer cidadão para proteção do patrimônio público que esteja sendo lesado por um
ato da Administração Pública.

A Ação Popular está prevista no art. 5º, LXXIII, da CF/88, que dispõe:
Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato
lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor,
salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.
(BRASIL, 1988, [s.p.])

Essa ação constitucional tem sua aplicação regulada pela Lei nº 4.717/65.

Caro aluno, preste atenção em uma especificidade dessa ação: somente o cidadão pode entrar com
uma Ação Popular, isto é, somente aquela pessoa que esteja no gozo de seus direitos políticos
ativos, ou seja, que pode votar, poderá ingressar com essa ação. Portanto, pessoas que não estejam
no gozo de seus direitos políticos ou até mesmo empresas ou outras pessoas jurídicas públicas ou
privadas não podem ingressar com a Ação Popular.

A prova de ser cidadão para a propositura da ação deve ser feita por meio da certidão de quitação
eleitoral ou do título eleitoral, que deve ser obrigatoriamente anexada à petição inicial, conforme
dispõe o art. 1º, § 3º, da Lei nº 4.717/65.

5 Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015.


6 Para Carrazza (2017, [s.p.]), “República é o tipo de governo, fundado na igualdade formal das pessoas, em
que os detentores do poder político exercem-no em caráter eletivo, representativo (de regra), transitório e com
responsabilidade”.
Como dito, a Ação Popular tem como objetivo a anulação de um ato lesivo ao patrimônio público ou
entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio
histórico e cultural.

Além de anular o ato lesivo, a ação poderá pleitear o ressarcimento aos cofres públicos dos valores
eventualmente perdidos, conforme preceitua o art. 11, da Lei nº 4.717/65: “A sentença que, julgando
procedente a ação popular, decretar a invalidade do ato impugnado, condenará ao pagamento de
perdas e danos os responsáveis pela sua prática e os beneficiários dele, ressalvada a ação
regressiva contra os funcionários causadores de dano, quando incorrerem em culpa” (BRASIL, 1965,
[s.p.]).

Vamos peticionar!

Pronto para começar a praticar?

Conteúdo você tem de sobra! Agora, só precisamos organizá-lo para começar a produzir.

Qual medida judicial podemos tomar?

No papel de advogados, vamos propor a medida adequada na Comarca em que ocorreram os fatos.
Quais são elas?

Lembre-se de que temos que buscar solução para o problema e a anulação do ato lesivo ao
patrimônio público com a devolução do dinheiro público eventualmente recebido pela associação
(ACSC-PE).

Após essa explanação, qual é a medida judicial cabível: Ação Civil Pública ou Ação Popular?

Quanto aos requisitos formais da sua petição, você precisa, antes de tudo, verificar se há alguma lei
específica que regulamenta a questão, bem como aplicar as regras gerais previstas no Código de
Processo Civil (art. 319).

Feito isso, você deverá:

1) Verificar qual é o foro competente para o seu julgamento, para fazer o correto endereçamento
da petição inicial.
2) Verificar se seu cliente tem legitimidade para propor a ação e quais são os documentos
necessários para comprovar essa legitimidade.
3) Apontar corretamente o polo ativo e o polo passivo da sua demanda, observando os
fundamentos legais.
4) Demonstrar o cabimento da ação, com a devida fundamentação legal.
5) Narrar os fatos que embasam a demanda.
6) Enumerar os requerimentos e pedidos da ação.
7) Dar um valor à sua causa.
8) Datar e assinar a petição.

Agora é com você aluno! Mãos à obra!

Referências

BRASIL. Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965. Regula a ação popular. Brasília, DF: Presidência da
República, [2019]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4717.htm. Acesso em:
24 dez. 2019.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília,


DF: Presidência da República, [2019]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 24 dez. 2019.

BRASIL. Supremo Tribunal de Justiça. Súmula 2, de 8 de maio de 1990. Não cabe o habeas data
(CF, art. 5., LXXII, Letra “a”) se não houve recusa de informações por parte da autoridade
administrativa. Brasília, DF: STJ, [2019]. Disponível em:
http://www.stj.jus.br/docs_internet/SumulasSTJ.pdf. Acesso em: 24 dez. 2019.

BRASIL. Lei nº 9.507, de 12 de novembro de 1997. Regula o direito de acesso a informações e


disciplina o rito processual do habeas data. Brasília, DF: Presidência da República, [2019]. Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9507.htm. Acesso em: 24 dez. 2019.

BRASIL. Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Regula o processo administrativo no âmbito da


Administração Pública Federal. Brasília, DF: Presidência da República, [2019]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9784.htm. Acesso em: 24 dez. 2019.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula Vinculante 13, de 29 de agosto de 2008. A nomeação
de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau,
inclusive, de autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de
direção, chefia ou assessoramento, para o exercício do cargo em comissão ou de confiança ou,
ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante
designações recíprocas, viola a Constituição Federal. Brasília, DF: STF, [2019]. Disponível em:
http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menusumario.asp?sumula=1227. Acesso em: 24 dez.
2019.

BRASIL. Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a informações previsto no


inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal;
altera a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei nº 11.111, de 5 de maio de 2005, e
dispositivos da Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências. Brasília, DF:
Presidência da República, [2019]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2011/lei/l12527.htm. Acesso em: 24 dez. 2019.

BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, DF: Presidência
da República, [2019]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
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CARRAZZA, Roque Antonio. Princípio Republicano. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo, 2017. Disponível em: https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/93/edicao-
1/principio-republicano. Acesso em: 24 dez. 2019.