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Livro de Artista · julho–dezembro 2012 :Estúdio 6

ISSN 1647–6158
Revista :Estúdio Periodicidade: semestral
Artistas sobre outras Obras Revisão de submissões: arbitragem duplamente
Volume 3, número 6, julho-dezembro cega pelo Conselho editorial
2012 — Tema: Livro de Artista Direção: João Paulo Queiroz
ISSN 1647–6158, e-ISSN 1647-7316 Relações públicas: Isabel Nunes
Logística: Lurdes Santos
Revista internacional com comissão Gestão financeira: Cristina Fernandes, Isabel Pereira
científica e revisão por pares (sistema Propriedade e serviços administrativos:
double blind review) Faculdade de Belas-Artes da Universidade de
Lisboa / Centro de Investigação e de Estudos
Faculdade de Belas-Artes em Belas-Artes — Largo da Academia Nacional
da Universidade de Lisboa & Centro de Belas-Artes, 1249-058 Lisboa, Portugal
de Investigação e de Estudos T +351 213 252 108 / F +351 213 470 689
em Belas-Artes Composição gráfica: Tomás Gouveia
Impressão e acabamento: AGIR, Produções Gráficas
Tiragem: 500 exemplares
Depósito legal: 308352 / 10
PVP: 10€
ISSN (suporte papel): 1647-6158
ISSN (suporte eletrónico): 1647-7316

Revista aceite nos seguintes sistemas de resumos


biblio-hemerográficos:
∙ CNEN / Centro de Informações Nucleares,
Portal do Conhecimento Nuclear «LIVRE!»
› portalnuclear.cnen.gov.br
∙ DOAJ / Directory of Open Access Journals
› www.doaj.org
∙ SHERPA / RoMEO › www.sherpa.ac.uk
∙ Latindex › www.latindex.unam.mx

Aquisição de exemplares, assinaturas e permutas:

Revista :Estúdio
Faculdade de Belas-Artes da Universidade
de Lisboa / Centro de Investigação e de Estudos
em Belas-Artes — Largo da Academia Nacional
Crédito da capa: de Belas-Artes, 1249-058 Lisboa, Portugal
Ana Sánchez, Triste, libros moldeados,
45 × 35 × 25 cm. 2011. T +351 213 252 108 / F +351 213 470 689
Fotografía de Rafael Reverón-Poján. Mail: estudio@fba.ul.pt

www.cso.fba.ul.pt
:Estúdio 6: Livro de Artista :Estúdio 6: Artist’s Book 16-18
João Paulo Queiroz João Paulo Queiroz

1. Mãos ∙ Artigos originais 1. Hands ∙ Original articles 19-70

O Cahier de Linoléum, The Cahier Linoléum, 20-27


de Viteix. História, ideologia from Viteix: History, ideology
e pesquisa plástica and art quest
Teresa Matos Pereira Teresa Matos Pereira

Encants, La suma y el don ‘Encants’, a sum and a gift 28-33


Antònia Vilà Martínez Antònia Vilà Martínez

A materialidade nos livros Materiality on the books 34-39


de artista de Ulises Carrión of Ulises Carrión
:Estúdio 6, Artistas sobre outras Obras — Índice

Vicente Martínez Barrios Vicente Martínez Barrios

Acaso as Avessas Inside out Chance 40-43


Juliana Cristina Pereira Juliana Cristina Pereira

Uma liberdade oferecida A freedom offered is more 44-49


é mais perigosa do que a mais dangerous than the toughest
dura grilheta — Apocalipse shackle — Apocalypse of the
à Portuguesa do Hein Semke Portuguese, by Semke Hein
e a sua sátira da sociedade and his satire of society and the
portuguesa e da Revolução de Portuguese Revolution of April
25 de Abril de 1974 25, 1974.
Joanna Latka Joanna Latka

Intercanvi. Joan Brossa ‘Intercanvi’: Joan Brossa 50-56


per Antoni Llena: Antoni Llena by Antoni Llena: Antoni Llena
per Joan Brossa by Joan Brossa.
Eugènia Agustí Camí Eugènia Agustí Camí

Los diarios de viaje de Fernando Bellver’s journey diaries 57-62


Fernando Bellver José Luis Crespo Fajardo
José Luis Crespo Fajardo

A poética do livro de artista: Artists’book poetics: 63-70


Memórias da menina gravada, Kelly Taglieber’s ‘Memórias
de Kelly Taglieber da menina gravada’
Anita Prado Koneski Anita Prado Koneski
2. Únicos ∙ Artigos originais 2. Unique ∙ Original articles 71-148

Pioneiro: Amadeo de Pioneer: Amadeo 72-78


Souza-Cardoso no contexto de Souza-Cardoso on the
internacional dos pioneiros international context of the
do livro de artista first the artist’s books
Ana João Romana Ana João Romana

Los libros del antihéroe. The books of the antihero. 79-84


De lo cotidiano a lo absurdo. From the everyday to the absurd
Marta Negre Busó & Joaquim Marta Negre Busó & Joaquim
Cantalozella Planas Cantalozella Planas

Da terra e do mar, para outro From land and sea, towards 85-91
lugar. Da terra e do mar, eis some other place: From land and
o lugar: 8º53’39,3378’’ W — sea, the place is: 8º53’39,3378’’

:Estúdio 6, Artistas sobre outras Obras — Índice


37º10’59,678’’ N W — 37º10’59,678’’ N
Isabel Maria Ventura Tavares Isabel Maria Ventura Tavares

Achados para uma cidade: Findings for a city: the book 92-97
o livro como suporte para as support for multidimensional
experiência multidimensional experience in the work of
na obra de Daniel Escobar Daniel Escobar
Carlos Murilo Valadares Carlos Murilo Valadares

O lugar da casa: viagem num The place of the house: journey 98-103
Livro-Pintura de EMA M in a book-painting of EMA M
Teresa Palma Rodrigues Teresa Palma Rodrigues

Siempre en proceso: vida Always in process: life and times 104-108


y tiempo Luz Marina Salas Acosta
Luz Marina Salas Acosta

Gestos diários e acúmulos Daily Gestures and acumulation 109-114


na casa: relações entre o at home: relations between
livro de artista e o contexto the artist’s book and the everyday
doméstico cotidiano domestic context
Vivian Herzog Vivian Herzog

Pinturas encadernadas Binded paintings, or paintings 115-123


ou pinturas enquanto livros as books
Paulo César Ribeiro Gomes Paulo César Ribeiro Gomes
Engasgo narrativo: Narrative choke: poetic of 124-128
poética de fragmentos nos livros fragments in Pablo Mufarrej’s
de artista de Pablo Mufarrej artist books
Gil Vieira Costa Gil Vieira Costa

Bibiana Crespo: teoría y práctica Bibiana Crespo: Theory 129-135


del Libro de Artista and Practice on Artists’ Books
Jorge Egea Izquierdo Jorge Egea Izquierdo

Cuadernos de Dibujos Sketchbooks of author’s original 136-142


de ejemplar único: Reliquias copy: Sincere relics of the
sinceras de un proceso creativo creative procedure
Enrique Caetano Henríquez Enrique Caetano Henríquez

O Livro de Artista enquanto The artist’s book as 143-148


ferramenta pedagógica a pedagogic resource
:Estúdio 6, Artistas sobre outras Obras — Índice

Inês Leonor Costa Almeida Inês Leonor Costa Almeida

3. Edições ∙ Artigos originais 3. Publishing ∙ Original articles 149-213

O Livro Negro de Rui Chafes Rui Chafes’ Black Book 150-154


Rogério Paulo Raposo Alves Taveira Rogério Paulo Raposo Alves Taveira

Memorias y otros Christian Boltanski: Memories 155-161


micro-relatos and other microhistories
María del Mar Rodríguez Caldas María del Mar Rodríguez Caldas

Correr em Paralelo Running in Parallel 162-168


— Dois Livros e Dois Títulos — Two Books and Two Titles from
de Eduardo Batarda Eduardo Batarda
Carlos Correia Carlos Correia

Fé (uma corrente de anéis que Faith (a chain of rings 169-176


Lhe pertencem). A Aliança that belongs to her): The Alliance
do Anel — um tributo de Cristina of the Ring — a Cristina Filipe’s
Filipe a Santa Joana d’Arc tribute to Saint Jeanne d’Arc
Isabel Ribeiro de Albuquerque Isabel Ribeiro de Albuquerque

El fotollibre com The photobook as 177-182


a document eco-social a eco-social document
Isabel Codina de Pedro & Àngels Isabel Codina de Pedro & Àngels
Viladomiu Canela Viladomiu Canela
El camino como libro en The path as a book in 183-189
Hamish Fulton Hamish Fulton
Paula Santiago Martín de Madrid Paula Santiago Martín de Madrid

Notas sobre a publicação Notes about artist publishing 190-195


de artista “tudo começa com “Everything begins with ‘c’” (and
‘c’” (e outras coisas) other things)
Aline Maria Dias Aline Maria Dias

Los Libros de Artista-Arte Artist-Art Books by Josep 196-203


de Josep Guinovart Guinovart
Eva Figueras Ferrer & Maria José Eva Figueras Ferrer & Maria José
Botero Marulanda Botero Marulanda

O proceso e o pentimento no Francisco Ruiz de Infante: 204-208


libro de artista de Francisco Ruiz Jardin D’Hiver (Jardin Blanc)

:Estúdio 6, Artistas sobre outras Obras — Índice


de Infante: Jardin D’Hiver (Jardin Silvia García González
Blanc) / (Xardín de inverno,
xardín branco)
Silvia García González

Estampas del delirio, Engravings of delirium, 209-213


de David Curto. Une mauvaise of David Curto: Une semaine
semaine, un libro de mauvaise, an eighteenth-century
apropiación dieciochesca book appropriation
Eloi Puig Mestres Eloi Puig Mestres

4. Expansões ∙ Artigos originais 4. Expansions ∙ Original articles 215-259

El libro como materia prima: The book as raw material: 216-221


las metáforas visuales visual metaphors of Ana Sanchez
de Ana Sánchez Marta Marco Mallent
Marta Marco Mallent

O livro inquietante de Daniel The disturbing book by Daniel 222-228


Acosta: a viagem, a paisagem, Acosta: the travel, the landscape,
e a leitura the reading
Renata Azevedo Requião Renata Azevedo Requião

Livro de artista: Artist’s Book: 229-233


o olhar colecionador the collector look in
no universo de Frederico Merij the universe of Frederico Merij
Cláudia Matos Pereira Cláudia Matos Pereira
Pedro Saraiva: vidas de papel: Pedro Saraiva: lives of paper 234-240
o artista como significante Maria João Gamito
Maria João Gamito

Um Teatro Intimista: An Intimate Theatre: 241-246


ou o jogo entre imagem or the interplay between image
e palavra no livro de artista and word in the artist’s book
Manuela Bronze Manuela Bronze

O livro de artista como espaço The artist book as exhibition 247-252


expositivo: quando a exposição space: when the exhibition goes
continua no catálogo on the catalogue
Amir Brito Cadôr Amir Brito Cadôr

http://www.rogerionunocosta http://www.rogerionunocosta 253-259


.com/projeto+documentação .com/projeto+documentação
:Estúdio 6, Artistas sobre outras Obras — Índice

=livrodeartista =livrodeartista
Maria Leonor de Almeida Pereira Maria Leonor de Almeida Pereira

5. Dossier editorial 5. Editorial section 261-285

Um livro nas mãos A book on the hands 262-272


João Paulo Queiroz João Paulo Queiroz

O livro de artista como The artist book 273-277


assunto acadêmico as an academic subject
Paulo Silveira Paulo Silveira

‘Equilibres’, ‘UH’ y ‘Què fer Three artist books, ‘Equilibres’, 278-285


a Sabadell’, tres libros de artistas ‘UH’ ‘Què fer a Sabadell’: the
que defienden el sentido del non sense through the object, the
absurdo a través del objeto, la word, and the action
palabra y la acción Mònica Febrer Martín
Mònica Febrer Martín

6. Apontamentos 6. Editorial notes 287-303

editoriais

Sobre o III Congresso On the III International 288-293


Internacional CSO’2012, Congress CSO’2012, at
na Faculdade de Belas-Artes Faculdade de Belas-Artes,
da Universidade de Lisboa Universidade de Lisboa
João Paulo Queiroz João Paulo Queiroz
O livro de artista como

247
espaço expositivo: quando
a exposição continua

Cadôr, Amir Brito (2012) “O livro de artista como espaço expositivo: quando a exposição continua no catálogo.”
Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 3 (6): 247-252.
no catálogo
Amir Brito Cadôr

Brasil, artista gráfico. Professor de Artes Gráficas, Escola de Belas Artes / Universidade Fe-
deral de Minas Gerais (UFMG). Bacharel em Artes Plásticas e Mestrado em Artes na Unicamp
(Campinas/SP). Doutorando em Artes pela UFMG (Belo Horizonte/MG).

Artigo completo recebido a 7 de setembro e aprovado a 23 de setembro de 2012.

Resumo: O artigo trata do catálogo como es- Title: The artist book as exhibition space: when
paço expositivo, como obra autônoma e não the exhibition goes on the catalogue
mera documentação. Em 2008, os artistas Abstract: The paper deals with the catalog as an
Ana Luiza Dias Batista, Laura Huzak e João exhibition space, as an autonomous work and not
Loureiro elaboraram uma publicação que mere documentation. In 2008, artists Ana Luiza
atua como catálogo, mas não é um registro Dias Batista, Laura Huzak and João Loureiro
das obras expostas, e sim um desdobramento published an artist book that serves as a catalog,
da exposição no espaço impresso. not a record of the works exhibited, but as an
Palavras chave: exposição / catálogo / repro- exhibition in printed format.
dução / informação primária. Keywords: exhibition / catalog / reproduction
/ primary information.

Ao contrário de um catálogo de exposição, “o livro de artista não reflete opi-


niões externas, o que permite ao artista evitar o sistema comercial da galeria,
como também evitar mal-entendidos pelos críticos e outros intermediários”
(Lippard, 1985: 45). “A publicação de artista recusa de fato a distinção entre o
que faz e o que sabe, entre a realidade da obra e sua interpretação” (Moeglin-
-Delcroix, 2006: 96).
Com as edições de artistas, “a obra se dá a ver em um espaço impresso com o
qual ela se confunde” (Dupeyrat, 2010: 4). O espaço do livro deixa de ser apenas
248
Cadôr, Amir Brito (2012) “O livro de artista como espaço expositivo: quando a exposição continua no catálogo.”

Figura 1 ∙ Páginas de Ana Elisa Dias Batista,


Revista, 2008. Fonte: própria.
Figura 2 ∙ Página dupla de Laura Huzak Andreato,
Revista, 2008. Fonte: própria.
Loureiro, Revista, 2008. Fonte: própria.
Figura 3 ∙ Conjunto de seis páginas de João
Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 3 (6): 247-252. 249
uma metáfora, o livro se transforma literalmente em espaço físico, substituindo
o espaço da galeria de arte. Um livro ou catálogo não é mais a reprodução de
250

obras de um artista, mas uma obra produzida especificamente para ser repro-
duzida. “É dentro deste espírito de adequação da forma à idéia, da concepção da
solução gráfica como relação intrínseca entre ‘forma’ e ‘conteúdo’, processo de-
flagrado pelo exemplo de Wesley Duke Lee, que os artistas da Escola Brasil pro-
duzem os primeiros catálogos conceituais entre nós” (Fabris e Costa, 1985: 7).
Cadôr, Amir Brito (2012) “O livro de artista como espaço expositivo: quando a exposição continua no catálogo.”

Uma abordagem diferente tiveram os artistas Ana Luiza Dias Batista, Laura
Huzak e João Loureiro, ao produzir o catálogo da exposição “Vistosa”, concebi-
da para uma situação específica escolhida: um pequeno galpão, originalmente
industrial, no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Pensando numa extensão
da exposição e suporte para um novo trabalho artístico, os três artistas elabora-
ram uma publicação intitulada “Revista”. Trata-se de um folheto de 48 páginas
em formato A4, editado em papel off-set, e distribuído gratuitamente aos visi-
tantes da mostra e a mais de 200 bibliotecas públicas em todo o Brasil. Nele, es-
tão trabalhos originais dos três artistas, concebidos a partir da experiência con-
junta na realização da exposição “Vistosa”. Assim como todas as obras foram
concebidas para um determinado espaço, considerando os dispositivos de exi-
bição e revelando a estrutura subjacente à exposição, algumas proposições fo-
ram pensadas para a publicação, considerando suas características específicas.

Apenas na condição em que a distinção entre a obra e sua documentação não possa ser
válida, o catálogo como publicação pode se transformar em um modo de exposição da
obra que é obra ele mesmo. Resumindo, é portanto uma abordagem da edição como
suporte de apresentação da obra que permite considerá-la como um modo de exposi-
ção (Dupeyrat, 2010: 4).

A função de exposição do livro de artista “não supõe um espaço expositi-


vo temporalmente e espacialmente situado, mas se caracteriza, por outro lado,
como um hors-site atualizando um novo espaço-tempo para cada leitor, ou mais
exatamente, a cada leitura” (Dupeyrat, 2010: 4).
Cada artista ficou com uma seção da revista: a seção de Ana Luiza Dias Batis-
ta chama a atenção pelo uso de uma imagem no lugar do título, uma sequência
de círculos que supostamente substituem as letras de uma palavra. A primeira
página é totalmente ocupada por círculos idênticos dispostos em intervalos re-
gulares, com o mesmo espaço de cada lado; na página seguinte, os círculos es-
tão na mesma posição, mas foram removidos alguns círculos de colunas e filei-
ras próximas da borda, produzindo uma margem branca e uma mancha gráfica;
com a remoção de algumas fileiras de círculos, a página ganha a aparência de
quatro blocos de texto ou quatro parágrafos e um título formado por uma linha
de círculos separada do texto por um espaço maior do que o espaço existente

251
entre os “parágrafos”; a sequência continua com os círculos removidos, até que
na quarta página os círculos se acumulam na linha de base, como se tivessem
caído da página, chamando a atenção para a materialidade da escrita (Figura 1).
Os círculos fazem referência ao trabalho 1, 2, 3, de Ana Luiza Dias Batista, pre-
sente na exposição. A obra, composta por três caixas de tamanhos diferentes e

Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 3 (6): 247-252.
contíguas, revestidas de chapas de eucatex branco perfurado, propõe

uma transição sutil entre a apropriação de soluções e materiais usuais às vitrines co-
merciais e as operações de representação que orientam grande parte dos trabalhos da
exposição (Andreato, Batista e Loureiro: 2008).

Laura Huzak Andreato, na seção “a cores”, apresenta diagramas em preto


e branco: a seção começa com uma página com nove desenhos a traço de ele-
mentos presentes na mostra. Como nos cadernos para colorir, os desenhos têm
apenas a linha de contorno. Na página seguinte, em referência à vitrine “Pre-
ciosa”, de João Loureiro, são mostradas nove figuras geométricas idênticas, re-
presentando pedras preciosas, com legendas diferentes para cada uma, como
indicação de cores que devem ser usadas no preenchimento. Como exemplo, a
pedra ônix está pintada de preto. Na página ao lado, são silhuetas de pássaros
que fazem a proposta, e o pássaro preto é mostrado como exemplo. Na outra pá-
gina, uma coluna mostra três desenhos para colorir e a outra coluna mostra as
nuances de cor correspondentes: a flor é rosa, o boto é cor-de-rosa e o flamingo
é rosado. Na página ao lado, são agrupados três animais em preto e branco: a
orca, o urso panda e o pinguim. Uma página dupla mostra o contorno de uma
montanha ou de um iceberg (Figura 2), e convida a pensar nas cores deste ele-
mento natural, reflexão provocada pela ausência de palavras para orientar nos-
sa percepção das cores. Depois dos animais, os meios de transporte: vermelho
Ferrari e Amarelo trator; azul celeste (um zepelim), azul marinho (um navio)
e azul profundo (um submarino). Utilizando as analogias, a artista mostra as
relações entre as formas e cores, entre as cores e os seus nomes. Em associação
direta com este último grupo, uma página dupla apresenta o esquema de uma
batalha naval (encouraçado, cruzador, destroyer, submarino, hidroavião), mas
os quadrados não estão numerados, o que torna o jogo impossível.
João Loureiro apresenta “doze dias de chuva”, uma sequência de doze pá-
ginas praticamente idênticas (Figura 3), preenchidas por segmentos de linha
em diagonal, representando a chuva, e um texto no canto inferior direito, infor-
mando, de forma abreviada, o dia da semana correspondente. Apesar de muito
parecidas, as páginas são diferentes, pois um dia não é igual ao outro. Não existe
hierarquia entre as páginas —
252

sem um centro convencional, ou ponto de clímax, a obra é análoga a uma sequência


fílmica estruturalista ou uma partitura de música serial, em que nenhum elemento
pode ser retirado ou ser privilegiado em relação aos outros (Alberro, 2003: 140).
Cadôr, Amir Brito (2012) “O livro de artista como espaço expositivo: quando a exposição continua no catálogo.”
Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 3 (6): 247-252.

A sequência de páginas introduz a dimensão temporal, que a página isolada


não tem, e que a simples enumeração dos dias da semana não consegue recuperar.

Conclusão
Quando o catálogo apresenta uma proposição, estamos diante de uma obra
nova, que amplia o sentido das obras em exposição, podendo em alguns casos
se configurar como uma tradução para o meio impresso das obras tal como
foram apresentadas no espaço expositivo.

Tal prática modifica o papel e o lugar do espectador diante da obra, propondo, na


melhor das hipóteses, um esquema de recepção estética horizontal — o espectador ex-
perimenta a obra, vê e participa — e não vertical — o espectador contempla a obra que
exerce sua autoridade sobre ele (Dupeyrat, 2010: 4).

A publicação abre uma temporalidade nova, permite que a exposição tenha


uma duração maior. Em formato portátil, ela pode ser visitada mais vezes, em
qualquer dia da semana, em qualquer horário. Assim aproveitamos mais o tem-
po que temos com as obras.

Referências
Andreato, Laura Huzak; Batista, Ana Elisa Fabris, Annateresa; Costa, Cacilda Teixeira
Dias; Loureiro, João (2008) Revista. São da (1985) Tendências do Livro de
Paulo: edição dos autores. [Consult. Artista no Brasil. São Paulo: Centro
20120715] Catálogo. Disponível em Cultural São Paulo.
<URL: http://vistosa.wordpress.com/> Lippard, Lucy (1987) “The artist’s book
Dupeyrat, Jerome (2010) “Pratiques goes public” in Lyons, Joan (Org.).
d’exposition alternatives : pratiques Artists’ books: a critical anthology and
alternatives à l’exposition”, in 2.0.1: sourcebook. Rochester: Gibbs M. Smith.
Revue de recherche sur l’art du XIX° Moeglin-Delcroix, Anne (2006) “Du catalogue
au XXI° siècle, février 2010. [Consult. comme oeuvre d’art et inversement”, in
20110820] Artigo. Disponível em <URL: Sur le livre d’artiste. Articles et écrits de
http://www.revue-2-0-1.net/index.php?/ circonstance (1981-2005), Marseille: Le
revuesdartistes/revues-dartistes/ > mot et le reste, p. 207-212.

Contactar o autor: amir_brito@yahoo.com.br