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Relógio dos TEMPOS

Os propósitos da existência humana


Compreendendo os tempos e as épocas

2ª Edição

1
APRESENTAÇÃO
Você deve estar se perguntando quem é o autor deste livro, Elmir
Dell’Antonio. Ele é um homem comum que simplesmente entendeu
o chamado do Pai para sua vida e decidiu obedecer a esse chamado
do Senhor para esse tempo do fim.Esse homem não é nada além de
marido e pai, se não fosse a ação e a revelação do Espírito Santo em sua
vida. É realmente este quem merece os créditos pelo livro. “O Espírito
e a Noiva dizem: vem, Senhor Jesus!” Existe um clamor em nosso co-
ração pela manifestação da Noiva do Cordeiro. Neste livro, o Espírito
lhe diz: Noiva, acorda! Pare de andar por aí pensando em seus próprios
interesses; o Noivo está à porta! Não importa a denominação à qual
você pertence, o que você está fazendo?

Uma mulher apaixonada que está esperando para encontrar o seu


amado ou até mesmo esperando pelo dia do seu casamento se prepara:
ela separa uma roupa adequada para a ocasião, usa o perfume de que o
amado gosta, prepara adornos que enfeitam seu corpo, pensa em tudo
para atrair os olhares do seu amado; ela quer estar perfeita, a fim de que
o encontro com o amado seja o mais inesquecível possível. A Noiva de
Cristo na terra está se esquecendo de que a última trombeta vai tocar.
O Noivo está chegando, e o que ela está fazendo para se preparar para
o Seu Amado? Somos forasteiros nessa terra. Nossa missão é preparar
o caminho, nos adornar (santificar) e anunciar a vinda do Amado das
nossas almas. Este livro é um clamor ao despertar da Noiva!

Não fique vagando sem rumo! O Espírito quer usá-lo para preparar o
caminho. Não se preocupe se você está agradando aos homens; atenda
o chamado de Deus e você verá: “Os vales serão levantados e os montes
serão aplainados, os terrenos acidentados serão nivelados, e a glória do
Senhor será revelada e todos saberão, pois é o Senhor quem fala” (Is
40:4 e Lc 3:5). Prepare-se para uma jornada de mudança e manifesta-
ção do Espírito do Senhor na sua vida!

Tathiana Marins Dell’Antonio


Esposa e pastora

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Elmir Dell’Antonio

Relógio dos TEMPOS


√ O chamadO e entendimentO prOféticO
√ relógiO chrOnOs e kairós
√ análise sOciOlógica, ecOnômica, filOsófica, geOpOlítica e histórica
√ a preparaçãO e a vida nO sObrenatural
√ O maiOr acOntecimentO de tOdas as épOcas
√ eurOpa estratégica

“Antes do seu nascimento, quando você ainda estava na barriga


da sua mãe, eu o escolhi e separei para que você fosse um profeta
para as nações”

Jeremias 1:5

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Relógio dos Tempos
Copyright © 2012 - 1a. Edição
Copyright © 2014 - 2a. Edição
1a. Reimpressão - 2017
por Elmir Dell’Antonio

DIAGRAMAÇÃO
Elmir Dell’Antonio

CAPA
Kamila Friber Schneider

REVISÃO
Paulo Oliveira Nishihara

REGISTROS - ASSESSORIA JURÍDICA


Amorim & Leão Advogados

DESIGN GRÁFICO
Elisa Marins Dell’Antonio

FOTOGRAFIA
Elmir Dell’Antonio

===============

Dell’Antonio, Elmir, 1972-


Relógio dos tempos: Os propósitos da existência humana;
Compreendendo os tempos e as épocas.

ISBN Reg. No: 978-85-914808-0-7

Índice para catálogo sistemático: Espiritualidade e Ciência.


Categoria: Cristianismo. Ciências Sociais.

Distribuição e divulgação: www.relogiodostempos.wordpress.com


relogiodostempos@hotmail.com

‘É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização escrita do autor’

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Revelações recebidas em Jerusalém e
experiências no reino do espírito
após 21 dias em oração e jejum
na Terra Santa...

“Disse-me o homem: Filho do homem, vê com


os próprios olhos, ouve com os próprios ouvidos;
e põe no coração tudo quanto eu te mostrar,
porque para isso foste trazido para aqui;
Anuncia, pois, à casa de Israel (a Igreja) tudo
quanto estás vendo. E havia um muro fora da
casa em redor... [muro ocidental]”

Ezequiel 40:4-5

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dEdICATÓRIA E AGRAdECIMENTOS

Dedico este livro a Tathiana, Elisa e Isabela, minha abençoada


família, e, também a todos os leitores.

Obrigado meu Deus, te louvo pelo dom da vida, pela saúde


e inspiração!

Agradeço imensamente a todos os irmãos e amigos, de forma


especial a todos os meus familiares, muito obrigado!

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pREFÁCIOS
Tom Hess – Jerusalem House of Prayer for All Nations, Monte
das Oliveiras, Jerusalém – Israel
Muita coisa pode acontecer durante um jejum de 21 dias, sabe-
mos isso pelo exemplo do profeta Daniel em seu jejum. O pastor
Elmir Dell’Antonio, como Daniel, passou 21 dias em oração e je-
jum no Monte das Oliveiras. Ele é um desses que entendem o pod-
er da oração e do jejum para subjugar as forças das trevas que es-
tão  envolvendo  as  nações  no  fim  dos  tempos.  Neste  livro  o  pastor 
Dell’Antonio  destranca  revelações  críticas  do  Reino  que  precisamos 
saber  e  ter em nosso arsenal ao entrar nos últimos dias. É tempo 
do surgimento dos atalaias! “Tenho posto vigias sobre os teus mu-
ros, ó Jerusalém; que todo dia e toda noite jamais se calarão; Vós, os
que fazeis lembrado o Senhor, não descanseis, nem deis descanso até
que restabeleça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra”
(Is 62:6, 7). Acreditamos que, através de todas as nossas orações/je-
juns  e  de  nossas  ações  consequentes,  virá  a  plenitude  do  final  dos 
tempos que trará a maior colheita de almas, a Grande Comissão será
concluída, e Jesus voltará triunfalmente! Enquanto você lê este liv-
ro, com humildade de coração, com oração e jejum, você vai ver o
avanço que você estava esperando! “Destruirá neste monte a coberta
que envolve todos os povos e o véu que está posto sobre todas as
nações” (Is 25:7). Paz no amor do Messias.

Texto original: A lot can happen during a 21 day fast; we know this
from Daniel’s fast. Pastor Elmir Dell’Antonio, like Daniel, spent 21 days
in prayer and fasting on the Mt. of Olives. He  is one of these who 
has come to understand the power of prayer and fasting in overcom-
ing the forces of darkness that are shrouding the nations in the end 
times. In this book Ps. Dell’Antonio unlocks critical Kingdom revela-
tions that we need to know and have in our arsenal as we enter the 
last days. It is time for the watchmen to arise! “I have set watchmen 
on your walls, O Jerusalem; They shall never hold their peace day or
night. You who make mention of the Lord, not keep silent, and give 
Him no rest till He establishes and till He makes Jerusalem a praise in 
the earth” (Isaiah 62:6,7). We believe, that through all of our fasting/
prayers and consequent action, the fullness of the end-time harvest 
of souls will come in, the Great Commission will be completed, and
Jesus will come back triumphantly! As you read this book, read with
humility of heart, with prayer and fasting, and you will see the break-
through you’ve been waiting for! “And He will destroy on this moun-
tain the surface of the covering cast over all the people, and the veil
that  is  spread  over  all  nations.  He  will  swallow  up  death  forever...” 
(Isaiah 25:7). Shalom in Messiah’s Love.
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Ap. Ozenir Correia, Presidente da Igreja Batista Filadélfia,
Vitória (ES) – Brasil
O Pr. Elmir Dell’Antonio é reconhecido por onde passa como um dos
profetaso da atualidade, e por isso ele foi ungido e consagrado ao Mi-
nistério Profético no Monte Carmelo, em Jerusalém, pelos apóstolos 
depois de 21 dias de jejum e oração na Terra Santa. Ele recebeu as
revelações que estão contidas neste livro nas vigílias de oração que 
fez no muro ocidental (Muro das Lamentações), em Jerusalém. Não 
se  trata  de  um  material  de  cunho  teológico,  mas  é  a  voz  profética 
anunciando ao mundo a vontade do Pai para essa geração. Quero
convidá-lo a não apenas ler, mas a se conscientizar da realidade em 
que estamos vivendo e tomar a decisão de andar e viver a vida cristã
como Deus quer.

Alcione Emerich, Pastor e Presidente do Serviço Cristão de


Aconselhamento Integral (Secrai), Serra (ES) – Brasil
Uma coisa é fazer uma pesquisa meramente livresca, outra é falar
a  partir  das  experiências  que  Deus  dá.  Neste  livro  o  pastor  Elmir 
Dell’Antonio  objetiva  compartilhar  suas  experiências  sobrenaturais, 
que poderão transformar sua vida e sua cidade. O autor, além de
cientista social, tem se destacado como um profeta que fala às na-
ções aonde tem sido enviado. Tenho certeza de que viver no sobre-
natural e observar o relógio dos tempos despertará em você a chama
profética e o desejo por grande avivamento. 

Ap. Fernando Guillen Bolívia, Ministério Kavod, Instituto Peter


Wagner, Belo Horizonte (MG) – Brasil.
O autor deste livro, Elmir Dell’Antonio, tem sido equipado pelo Sen-
hor com a unção dos Filhos de Issacar e apresenta neste escrito um
alto conteúdo profético, que será uma ferramenta prática, que levará 
o Corpo de Cristo a caminhar sobrenaturalmente nestes tempos fi-
nais. Recomendo este livro porque sei que foi inspirado pelo Espírito 
da Profecia e conheço a vida do autor, portanto, tenho a convicção de
que este livro é mais do que um estudo teológico; é uma revelação
profética que mudará sua maneira de viver.

João Carlos Custódio Marins , Pastor , Consultor de


Responsabilidade Social, Serra (ES) – Brasil.
Relógio  dos  tempos  é  esclarecedor,  informativo  e  instigante,  pois 
nos lembra sobre nós mesmos e não somente sobre o mundo dos
“tempos do fim”. Nos faz lembrar quem nós somos, bem como para 
onde poderemos ir. Fala-nos do ambiente da terra, da hostilidade do 
mundo, da batalha espiritual, mas, e sobretudo, da vinda do Reden-
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tor, a razão da nossa esperança, Jesus Cristo, Senhor nosso, Senhor
da igreja!

Nelson Ferreira Neto Junior, Pastor, Presidente do Ministério


‘Eu escolhi esperar’, V. Velha (ES) – Brasil
Este não é um livro que discute linhas escatológicas. Aliás, se você
procura informação, talvez não consiga alcançar a preciosidade deste
material. Esse livro deixa para trás as especulações e discussões teo-
lógicas e reúne revelação de como viver no sobrenatural! É um grito 
para os que dormem. É uma leitura profética para aqueles que estão 
buscando compreender o que o Pai está fazendo em nossos dias.

Pr. Clarismundo de Oliveira Batista, Teólogo e Missionário,


Moçambique (África)
Relógio  dos  tempos  é  um  chamado  eloquente  a  uma  tomada  de 
posição não só em relação à vida congregacional da igreja, mas tam-
bém ao aspecto missionário de alcançar as nações para Cristo. Ao
longo destas páginas, caminhamos juntamente com o Pr. Elmir pelas
ruas, montes e pelo Muro das Lamentações, em Jerusalém, onde ele 
compartilha experiências fortes, que falarão profundamente ao seu 
coração.

Pr. Thomas Voss, Comunidade Cristã Alemã-Brasileira, Düssel-


dorf – Alemanha
O escritor nos escreve de uma posição de amigo e com muita hu-
mildade no coração, e não como “o melhor conhecedor de todas as
coisas”. “Deus dá graça aos humildes”, e por essa razão, esta obra
literária se encontra debaixo da graça de Deus. A pergunta que este
livro deseja responder é: o que devo fazer? Como devo viver até a
volta de Jesus? Como eu consigo ser uma sentinela? Como estar me 
preparando? O que nos afasta do nosso Noivo Jesus? Como preparar 
o caminho para a sua volta? O escritor nos incentiva a descobrir re-
spostas para estas perguntas e como viver no sobrenatural de Deus.
Um livro recomendável, no qual o autor traz respostas à luz da pala-
vra de Deus, e também grandes experiências pessoais com Deus. Seja
abençoado com esta leitura!

Ap. Darci Fernandes, Caverna de Adulão (Jejum dos Príncipes),


Pres. do Min. Shalom, Serra (ES) – Brasil
Este livro não está nas suas mãos em vão, Deus está levantando um
exército de homens e mulheres valentes, preparando-os para uma
peleja sobrenatural; o propósito original de Deus é que venhamos a
marchar na mesma cadência, implantando o Governo dos Céus aqui
na terra. É chegado o Reino de Deus, eu e você devemos nos posicio-
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nar independentemente da situação; fomos chamados por um decre-
to e certamente será estabelecido para a Glória de Deus. Quem é o
Pr. Elmir? Por que Deus o inspirou a escrever esta obra? Certamente
esta mensagem que você vai ler falará ao seu coração, pois é exata-
mente a envergadura da vida e do ministério dele.

Vitoria Zarzur, Israel


Ao ler esta obra, percebi o quanto o Corpo de Cristo carece de profe-
tas, de homens e mulheres de Deus que nos inspirem a obedecermos
o Mestre com paixão, compromisso e coragem! Esta obra é muito
mais que um livro, é simples, mas profunda, nas experiências relata-
das. Há vida! E vida sempre gera fruto! Seja abençoado Elmir, por seu 
grande desempenho!

Pr. Junior Piccinini - Igreja Bola de Neve em Vila Velha-ES.


Uma revelação sobre o alinhamento do cenário geopolítico à luz das 
escrituras, para os tempos dos ultimos dias; assim defino e resumo 
esta obra. Fruto de uma experiência pessoal do autor e sua família
na Europa, temos durante a leitura um melhor discernimento das
profecias de Daniel. Fazendo com que a Igreja esteja preparada para
sinais tão claros que antecederão a volta de Cristo. Pude testificar o 
poder que envolve esta revelação, quando em visita ao Pr. Elmir na
Alemanha. Durante alguns dias, presenciei a atmosfera do local, e,
sobre aqueles a quem foi dada a revelação, podendo assim garantir: 
É um livro profético e de muito conhecimento para os tempos que se 
aproximam!

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SUMÁRIO
SINOPSE....................................................................................................................................15
INTRODUÇÃO..........................................................................................................................16
NOTAS 2A. EDIÇÃO .................................................................................................................19

CAP. 1 - REVELAÇÕES NO MURO OCIDENTAL ........................... 21


PROMESSAS A RESPEITO DO TEMPLO ...............................................................................22
QOTEL .......................................................................................................................................24
REVELAÇÕES NO MURO OCIDENTAL: VIGÍLIAS ..............................................................25
VIGÍLIAS DO TERCEIRO DIA: SINAIS PROFÉTICOS ...........................................................33
POSTURA DO ATALAIA – DEBAIXO DA COBERTURA DO SHALOM DE DEUS ...........41
VIGÍLIAS E JEJUNS ABREM PORTAS IMPOSSÍVEIS ...........................................................43
A PORTA DO PERDÃO ............................................................................................................45

CAP. 2 - INFLUÊNCIA BABILÔNICA..............................................49


OS QUATRO GRANDES IMPÉRIOS MUNDIAIS ..................................................................51
NOVO DESENHO NA GEOPOLÍTICA DO MUNDO ...........................................................55
OS BLOCOS ECONÔMICOS ...................................................................................................62
A NOVA ORDEM MUNDIAL ..................................................................................................69

CAP. 3 - O RELÓGIO DOS TEMPOS E DAS ÉPOCAS.................... 77


ATO PROFÉTICO EM GREENWICH .......................................................................................78
RELÓGIO DOS TEMPOS E ÉPOCAS, O TOQUE DAS TROMBETAS .................................79
REVOLUÇÃO TECNOLÕGICA, CIENTÍFICA E A NATUREZA .............................................80
TOQUE DAS TROMBETAS......................................................................................................84
SISTEMA MUNDO ..................................................................................................................86
O qUE é O SISTEMA MUNDO? ..........................................................................................86
PRINCIPADO DA GRéCIA E SEU HERDEIRO ROMA .......................................................97
ATO PROFéTICO EM ATENAS ...........................................................................................106
O TRONO DE SATANÁS NA EUROPA...............................................................................108
SAINDO DE ROMA E RETORNANDO A JERUSALéM...................................................111
11
CéUS DE BRONZE ................................................................................................................118
ANTÍDOTO CONTRA A APOSTASIA .................................................................................120
RELIGIOSIDADE ...................................................................................................................123

CAP. 4 - VIVENDO NO SOBRENATURAL ................................ 125


EXPERIÊNCIAS DE Fé .........................................................................................................127
UM PODE VIRAR UMA MULTIDÃO ..................................................................................128
EVANGELISMO NO ÔNIBUS E NAS RUAS: FAZENDO DISCÍPULOS.........................129
YAMAMOTO, UM LÍDER SENDO ALCANÇADO ............................................................132
EXPERIÊNCIAS SOBRENATURAIS EM BRASÍLIA ...........................................................135
PREGANDO NO BANHEIRO PÚBLICO ............................................................................136
CONFESSANDO AS FRAqUEZAS ....................................................................................137

CAP. 5 - VIGÍLIAS E ORAÇÃO .................................................. 149


FORÇAS RENOVADAS NO TURNO DA NOITE ..............................................................150
EXPERIÊNCIAS EM INTERCESSÃO ..................................................................................151
NEVE EM DÜSSELDORF .....................................................................................................155
NO JARDIM DO TÚMULO ..................................................................................................156
EXPERIÊNCIAS NA TORRE DE ORAÇÃO PARA AS NAÇÕES ......................................157
A VIDA NORMAL DE qUEM VIVE NO SOBRENATURAL .............................................158

CAP. 6 - PRECISAMOS DE UM AVIVAMENTO ........................ 161


qUANDO E POR qUE VIRÁ O GRANDE AVIVAMENTO?.............................................162

CAP. 7 - DESAFIANDO GIGANTES .......................................... 167


CARACTERÍSTICAS DE UM GIGANTE ..............................................................................168
CARACTERÍSTICAS DE GOLIAS ........................................................................................170
MéTODOS DE BATALHA DO INIMIGO ..............................................................................171
CARACTERÍSTICAS DE UM MATADOR DE GIGANTES ................................................172
CIRCUNSTÂNCIAS DA BATALHA DE DAVI E GOLIAS ..................................................172
CUIDADO COM OS CONTRA-ATAqUES.........................................................................173

12
GIGANTE SUIÇO ..................................................................................................................174
FAÇA ESTA ORAÇÃO COMIGO .........................................................................................177

CAP. 8 - MEDITAÇÕES NO MONTE DAS OLIVEIRAS .............. 178


JESUS, O DEUS DO SOBRENATURAL OU DO NATURAL? ..........................................179
AONDE DEUS ME MANDAR, EU VOU .............................................................................183
A NOVA JERUSALéM, A PORTA DOURADA...................................................................186
PéS PARA EU ANDAR NA PRESENÇA DE DEUS ............................................................188
SÍNDROME DE ABSALÃO: ENTENDENDO MINHA VIDA E MEU TEMPO ...............189

CAP. 9 - ACONTECIMENTO MAIS ExTRAORDINáRIO .......... 196


SINAIS DA VINDA DO REI ..................................................................................................199
CICLOS GERACIONAIS: AS 14 GERAÇÕES .....................................................................215
MOVIMENTOS HISTÓRICOS NOS DOIS ÚLTIMOS CICLOS ......................................216
OS CICLOS E AS GERAÇÕES DE MOISéS E LUTERO ....................................................218
RUA AZUZA ...........................................................................................................................219
UMA GERAÇÃO DESDE O RENASCIMENTO DE ISRAEL .............................................219
COMENTÁRIO SOBRE APOCALIPSE 3:16-22 ................................................................220
LAODICEIA: A IGREJA DOS ÚLTIMOS DIAS ...................................................................222

CAP. 10 - MINISTÉRIO PROFÉTICO NA EUROPA ................... 224


ENTENDENDO MISSÕES NA EUROPA ............................................................................226
RELIGIÃO................................................................................................................................230
PROJETO REAVIVAMENTO EUROPA ...............................................................................233
PORqUE DEUS NOS ESCOLHEU? ....................................................................................235
VISÃO E REVELAÇÃO ..........................................................................................................236

CONCLUSÃO - O ExÉRCITO PARA A ÚLTIMA HORA .............. 242

13
CONHEÇA OS MINISTÉRIOS ................................................... 243
REAVIVAMENTO EUROPA ..................................................................................................244
SENDO PERSEGUIDOS .......................................................................................................245
INFORMAÇÕES.....................................................................................................................247

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SINOpSE

Você tem percebido que há algo diferente ocorrendo ao seu redor,


com o planeta, com a sociedade, e até mesmo com você? Mas você
não compreende bem o que é? Esta leitura irá lhe trazer explicações.
Comecei a escrever este livro em Jerusalém, na Festa dos Taberná-
culos, em 2009, e na Alemanha, numa campanha profética e mis-
sionária, tendo finalizado agora em 2012, estando no campo, no
continente europeu. Trata-se de revelações e princípios fundamen-
tais que nos nortearão nestes últimos dias. Depois de escrevê-lo e
relê-lo algumas vezes, concluo que a intenção do Espírito é nos le-
var a uma compreensão da necessidade de observar os sinais dos
tempos vivendo no sobrenatural. Há um clamor, como um sonoro
toque de trombeta sobre a terra, para fazer lembrar aos seus mora-
dores de que existe um alerta no ar: despertem, é chegado o tempo!
Como nunca, este momento nos chama a uma mudança de com-
portamento. Há um desejo nascendo em alguns corações, de pes-
soas de todas as nações: estar acordado e alerta em vigílias e oração
ininterrupta, preparando o caminho do Rei e aguardando a chega-
da daquele que vem, do desejado das nações. Muitos ainda estão
desatentos; só um avivamento irá despertá-los!
Os inimigos da humanidade e da Igreja estão alvoroçados, são gi-
gantes infernais que têm sede de morte. Eles são indestrutíveis?
Como derrotá-los? O Senhor nos traz revelações profundas a fim de
nos capacitar a vencê-los.
As revelações que recebi no Muro das Lamentações, no Monte das
Oliveiras, e a experiência na Europa, desenvolvendo um ministério
profético, têm sido um desvendar de sinais proféticos importantes a
todo o que busca saber o que acontece, sobretudo com o modo de
vida que precisamos ter neste tempo. Afinal, se Jesus está voltando,
o que devo fazer? Este livro é uma resposta a esta pergunta que o
Espírito Santo tem feito a mim e a você hoje!

15
INTROdUÇÃO

Dezoito de outubro de 2009. Aqui em Jerusalém são 4h15 da ma-


drugada, estou na quarta e última vigília da noite. Não consigo dor-
mir, entrei em vigília de oração. O Espírito Santo me leva a escrever
para que eu possa compartilhar as experiências de 21 dias em ora-
ção e jejum aqui na Terra Santa.
Este é um momento ímpar da história: estamos vivendo os aconte-
cimentos mais proféticos da vida da Igreja até aqui. São as últimas
páginas de um longo livro que tem sido escrito há pouco mais de
dois mil anos. Quero compartilhar sobre o que Deus tem me reve-
lado a respeito dos movimentos da última vigília do relógio profé-
tico dos tempos e das épocas. A respeito do dia e hora da volta do
Senhor, a nós não foi revelado, nem o será, mas, pelos sinais de sua
vinda, descritos pelo profeta Daniel, também descritos pelos evan-
gelhos, nas palavras do próprio Senhor Jesus Cristo, pelos relatos
no livro do Apocalipse de João, em algumas cartas de Paulo e vários
outros textos bíblicos, podemos perceber que vivemos literalmente
o tempo da “ardente expectativa”, do afunilamento dos aconteci-
mentos, culminando neste momento único, como descrito: “A ar-
dente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de
Deus” (Rm 8:19).
Se pudermos fazer uma analogia dos tempos desta nossa geração
com um relógio, digo que o ponteiro de horas e o ponteiro de minu-
tos estão praticamente alinhados em cima das 12, e que o ponteiro
de segundos também já está quase sobreposto à última badalada. é
o tempo de vigilância, alerta total, tudo é muito sutil. é tempo de muito
trabalho. Não é hora de descanso, é hora de trabalhar como nunca,
pois nosso Senhor e Salvador está voltando, resta-nos pouco tempo!
“Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é
dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 9:4).
Não é necessário aprontar as malas, até porque para o céu não pre-
cisamos levar nada a não ser o passaporte, que é a nossa salvação. A
preparação para a chegada do Rei Jesus é cumprir a visão e a missão
de que Ele incumbiu sua igreja, da qual fazemos parte: “Ide por todo
16
o mundo e pregai o evangelho” (Mc 16:15).
Quando digo que Jesus está voltando, a intenção é meditar e con-
cluir: como devo viver e o que posso fazer na iminência do maior acon-
tecimento da história? Não é para ficarmos estatelados ou de braços
cruzados olhando para os céus. Há muita coisa a ser feita. É tempo
de trabalhar, não importa que horas sejam, pois mesmo aquele que
só começar agora terá recompensa igual (Mt 20:1-16).
Os movimentos espirituais e físicos dos próximos meses e anos serão
determinantes na história mundial, na história da Igreja de Jesus Cris-
to, na minha e na sua história!
Como posso estar vivendo no sobrenatural, nos tempos proféticos de
hoje, na iminência da volta do Senhor Jesus? Quero trazer respostas
de acordo com o que recebi do Senhor, à luz da Palavra, para esta
pergunta tão importante, pois sei que as respostas nos capacitarão
não apenas a entender o momento profético em que vivemos, mas
também a nos ajudar a desenvolver o trabalho do Reino de Deus
para o tempo que se finda.
Afinal, muitos cristãos, no mundo todo, se fazem a pergunta que eu
também sempre me fiz: se eu soubesse que Jesus voltaria amanhã, o
que eu faria hoje?
Você já se fez essa pergunta também? Então este livro é para você.
Mas, se você nunca a fez, então este livro é ainda mais para você, é
tempo de se preocupar e atentar a “figueira que brota e floresce” e
“ao verão que se aproxima”: “Aprendei, pois, a parábola da figueira:
quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que
está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas estas coisas,
sabei que ele está próximo, às portas. Em verdade vos digo que não
passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam” (Mt
24:32-34).
Que o Espírito da Profecia ilumine nosso entendimento na compre-
ensão destas revelações proféticas!
As evidências da marcação do tempo Kairós continuam alarmantes.
Observe o que no ultimo dia 01 de Outubro/2013, o primeiro minis-
tro de Israel, Benjamin Netanyahu, em um discurso na Assembléia
Geral da ONU afirmou:
17
‘No nosso tempo estão sendo cumpridas as profecias bíblicas. Como
disse o profeta Amós [9:14-15]. Eles construirão de novo as cidades
que estavam em ruínas e morarão nelas. Farão plantações de uvas e
beberão do seu vinho; cultivarão pomares e comerão as suas frutas.
Plantarei o meu povo na terra que lhes dei, e eles nunca mais serão ar-
rancados dali – afirmou o primeiro ministro, que finalizou seu discurso
dizendo, em hebraico: – Senhoras e senhores, o povo de Israel voltou
para casa para nunca mais ser arrancado dela novamente.’1

Agora em 11 de Janeiro de 2014 morreu Ariel Sharon. Uma coinci-


dência, um sinal, um tempo? Os próximos meses e anos determina-
rão a conclusão de toda história...

“E lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para


as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do
modo como o vistes subir” (At 1:11).

1 notícia do site: http://ibbnnews.com.br/index.php/noticias/24-horas-news/mundo/763


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NOTAS 2ª EdIÇÃO
Nesta segunda edição revisamos algumas frases e inserimos mais
notas a fim de melhorar a compreensão do leitor. Colocamos tam-
bém as notas de rodapé na própria página para facilitar a leitura.
Alguns textos bíblicos foram inseridos na linguagem contemporâ-
nea com intuito de proporcionar um melhor entendimento da ideia
contextual. Alguns capítulos tiveram pequena revisão na finaliza-
ção, ampliando ainda mais a explanação do texto.
Esperamos que com isto o leitor seja ainda mais agraciado na leitu-
ra desta obra, que tem se tornado uma boa fonte de compreensão
histórica e sociológica para os tempos proféticos.

Em amor,

Elmir Dell’Antonio, autor

19
20
Capítulo 1 - Revelações no Muro Ocidental

CAPÍTULO 1
REVELAÇÕES NO MURO OCIDENTAL
MURO DAS LAMENTAÇÕES

“Disse-me o homem: Filho do homem, vê com os próprios olhos,


ouve com os próprios ouvidos; e põe no coração
tudo quanto eu te mostrar, porque para isso foste trazido para aqui;
anuncia, pois, à casa de Israel (a igreja) tudo quanto estás vendo.
E havia um muro fora da casa em redor... [Muro das Lamentações]”
(Ez 40:4-5)

“Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos


mistérios de Deus”. (1ª Co 4:1)

21
Relógio dos Tempos

“Nada há de oculto que Não se torNe maNifesto, e Nada em segredo


que Não seja coNhecido e veNha à luz do dia”. jesus cristo, filho de
deus No céu, e terreNo de josé e maria de Nazareth. (lc 8:17)

PROMESSAS A RESPEITO DO TEMPLO


Estando aqui no muro ocidental, Deus me lembrou de uma palavra
profética que recebi há algum tempo: que o Senhor tinha para mim
um mistério profundo neste lugar. Guardei-a em meu coração e, nes-
tes dias, tenho vivido literalmente na minha vida a luz das palavras
de revelação, do sobrenatural. Deus também me lembrou de que o
rei Salomão, quando consagrou o templo, que ficava exatamente
aqui, onde é o monte Moriá, orou, dizendo: “Atenta, pois, para a
oração de teu servo e para a sua súplica, ó SENHOR, meu Deus, para
ouvires o clamor e a oração que faz, hoje, o teu servo diante de ti.
Para que os teus olhos estejam abertos noite e dia sobre esta casa,
sobre este lugar(...) também ao estrangeiro, que não for do teu povo
de Israel, porém vier de terras remotas, por amor do teu nome (por-
que ouvirão do teu grande nome, e da tua mão poderosa, e do teu
braço estendido), e orar, voltado para esta casa, ouve tu nos céus,
lugar da tua habitação, e faze tudo o que o estrangeiro te pedir, a
fim de que todos os povos da terra te conheçam” (1 Rs 8:28-31 e 43).
Deus ouviu a oração e deu resposta: “E o SENHOR lhe disse: Ouvi
a tua oração e a tua súplica que fizeste perante mim; santifiquei a
casa que edificaste, a fim de pôr ali o meu nome para sempre; os
meus olhos e o meu coração estarão ali todos os dias” (1 Rs 9:3).
Quando Deus fala desta casa, no original é usada a palavra hebraica
bayith, que designa “lar”, “moradia”, mas também “corpos humanos”,
já prefigurando o templo principal, o próprio corpo do homem,
como diz Paulo em 1 Co 6:19. Mas também indica a ideia de “famí-
lia de descendentes”, “descendentes como corpo organizado”; isso
também nos remete à revelação dada em Cristo, nosso irmão mais
velho, o primogênito do Pai, do qual somos descendentes, partici-
pantes da mesma herança (Rm 8:17). Cristo, a cabeça, e a Igreja é o
seu corpo.
22
Capítulo 1 - Revelações no Muro Ocidental

Deus responde positivamente à oração feita por Salomão, prome-


tendo estar nesta casa e atender as orações feitas; conforme o pe-
dido, todos os dias, os olhos do Senhor estariam aqui. Esta casa a
que o rei Salomão se refere é o templo, a casa de Deus, no Velho
Testamento. É importante destacar que, quando Salomão se refere
ao estrangeiro, se refere a todos os gentios, ou não judeus.
qotel, ou muro ocidental, é o último resquício daquele que um dia
foi o templo sagrado dos hebreus. Mas Deus também lhes adver-
tiu de que lançaria fora o templo, caso eles não andassem em seus
caminhos. Hoje vimos que eles erraram mesmo o alvo, e só restam
algumas pedras sobre pedras em um único muro daquela casa. Mas,
e quanto às promessas, ainda estão valendo hoje? Afinal, ainda mi-
lhares de judeus e estrangeiros sobem até esta terra remota, neste
pedaço de templo, para orar continuamente, noite e dia. A Bíblia
ensina: “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não pas-
sarão” (Lc 21:33). Deus ainda tem os olhos sobre este lugar! A Bíblia
informa-nos que o Senhor ainda irá reinar assentado no trono neste
mesmo monte (Is 24:23; Ap 3:12).
Em 2006, na ocasião de minha primeira vinda à Jerusalém, tive mui-
tas experiências, principalmente nas madrugadas aqui, no muro,
onde eu permanecia horas em oração, leitura da Palavra e contem-
plação. Não sabia, mas Deus já estava me chamando para ser um
vigilante em oração, adoração e contemplação da sua glória. Desde
então, tenho tido inúmeras experiências com Deus em vigílias da
noite. Antes, sempre tive muita dificuldade de me manter acordado
após as 23h, mas Deus começou a me mudar e a me acordar para
buscá-lo. No início foi um desafio enorme me levantar; eu resistia
ao convite. Mas a primeira vez que venci o sono para estar com Ele
em vigília, descobri uma fonte inesgotável de renovo em meu ser,
de amor e relacionamento de amizade. O Espírito Santo nos leva a
adorar a Jesus, o amado de nossas almas, o desejado das nações!
Minha paixão pelas horas a sós com Ele deu uma guinada em minha
vida espiritual. Não que eu tenha deixado de ser uma pessoa co-
mum (chamo de comuns àqueles que vivem vitórias, guerras, lutas,
algumas derrotas e aflições na vida), mas as experiências noturnas
começaram a me inserir num novo contexto de vida espiritual. Pa-
ralelamente a isso, Deus começou a me conceder alguns dons espi-
23
Relógio dos Tempos

rituais, que há anos eu vinha buscando sem muito sucesso, como o


dom de profecia, interpretação de línguas, visões e sonhos proféti-
cos. À medida que passava mais tempo com o Espírito Santo, fui me
sentindo mais fortalecido espiritualmente; era como um atleta que
começava a se exercitar e criar músculos e resistência física. Passei
a receber maior fortalecimento em meu espírito. Descobri que já
não podia mais viver sem esses constantes encontros de comunhão
e exercícios espirituais. Aqueles momentos gloriosos se tornaram
uma prática espiritual. Por isso, o convido a adentrar na vida sobre-
natural com Deus, a um universo de aventuras maravilhosas, de ex-
periências e relacionamento íntimo com o Espírito Santo. Sua vida
não será mais a mesma!
Talvez hoje você se sinta vazio, sem motivação, fraco em seu espí-
rito. O que lhe falta são experiências sobrenaturais com Deus, pois
elas ativarão seu espírito e sua fé. Experimente buscar a Deus de for-
mas diferentes: na madrugada, no monte, em horários em que você
não tem costume. Experimente desligar sua TV no horário em que é
mais difícil para você. Você vai perceber o quanto Deus vai lhe falar,
pois Deus ama os filhos que fazem coisas inusitadas e “loucuras” por
ele. Exemplo: deixar de assistir ao futebol ou ir ao shopping para es-
tar com Deus, ou subir ao monte pela madrugada... Faça o que para
você é difícil, chame a atenção dele!

QOTEL
Os judeus chamam o local onde estou escrevendo de qotel. É tam-
bém conhecido como muro ocidental, referindo-se à parte ocidental
do antigo templo de Salomão, construído em 1000 a.C. e reconstru-
ído por Ciro em 539 a.C., no retorno do povo judeu da Babilônia. Foi
remodelado no reinado de Herodes, em 1 a.C., permanecendo até o
ano 70 d.C., quando Tito finalmente o destruiu, de acordo com a pro-
fecia de Jesus de que não ficaria pedra sobre pedra (Lc 21:6). Como
forma pejorativa para os judeus, é chamado também de “Muro das
Lamentações”. Os árabes, em especial, gostam deste último, pois
soa como uma espécie de sarcasmo, referindo-se às lamentações
dos judeus, que são obrigados a consentir e a conviver apenas com
um pedaço de muro, resquício da antiguidade, algumas pedras que
ficaram do antigo e imponente templo dos judeus após tantas in-
24
Capítulo 1 - Revelações no Muro Ocidental

vasões. Jerusalém já foi invadida 19 vezes, consequência direta da


desobediência constante; e exatamente no local do antigo templo
existe hoje a mesquita de Omar, no “domo da rocha”, uma profana-
ção para os judeus. Este muro somente foi restabelecido como local
de oração em 1967, antes fora local de incineração de lixo.
Os judeus vêm em turnos orar, como no Velho Testamento, nos dias
de Davi e Salomão, para suplicar e para clamar basicamente por três
coisas: 1) a reconstrução do templo como nos dias passados; 2) pela
benção de Deus sobre sua terra; e 3) pela vinda do Messias [Para eles, o
Messias ainda virá pela primeira vez. Nós, que temos a revelação da
nova aliança e sabemos que o Hamashia, o Messias, nosso Yeshua,
Jesus, já veio, e voltará pela segunda vez, viemos aqui sob outro
leque de revelações].
Porém, a promessa de Deus dada a Salomão, ao seu povo e aos es-
trangeiros continua valendo, conforme vimos. Estou neste momen-
to sentado com meu laptop num local especial, que Deus preparou
para mim. Hoje é 19 de outubro de 2009, uma segunda-feira. Para
os judeus, faz exatamente um mês que celebraram o Rosh Hasha-
na, o Ano-Novo judaico, o primeiro mês do ano em seu calendário
hebraico, o mês de Tshrei. Este ano que eles celebram é o de 57702
(eles contam a partir de Adão). Quatro grandes solenidades são ce-
lebradas neste primeiro mês judaico: Ano-Novo judaico, Dia do Jul-
gamento, Dia da Lembrança e Dia do Toque do Shofar.
Estar aqui faz deste um dos dias mais especiais da minha vida espi-
ritual. Daqui Deus me traz entendimento dos tempos e épocas em
que vivemos e me esclarece os movimentos que ocorrem no mun-
do, que são o cumprimento de sua Palavra!

REVELAÇÕES NO MURO OCIDENTAL: VIGÍLIAS DO PRIMEI-


RO E SEGUNDO DIA
Em Jerusalém anteriormente, busquei a Deus em vigílias. Sentia no
meu espírito uma forte atração por vir aqui orar e adorar. Passava
horas e horas em pé ou sentado orando, adorando e meditando nas
maravilhas de Deus. Para mim, este local se tornou um dos favoritos

2 Agora em 2013/14 o ano judaico é o de 5774 (iniciou-se em 04 Setembro de 2013).


25
Relógio dos Tempos

para estar em Jerusalém, por causa das experiências com o Senhor.


Naquela semana, em que o homem de Deus me entregou esta re-
velação, Deus me deu uma visão, e vi um anjo alto pairando sobre
o muro ocidental, de vestes brancas e reluzentes, e suas mãos esta-
vam inclinadas como que recebendo algo. Deus me falou: “São as
orações dos santos que oram neste lugar!”.
Percebi então que é um local altamente protegido por Deus e espe-
cial para seus filhos. Deus está em todos os lugares ao mesmo tem-
po; a onipresença é um dos atributos exclusivos de Deus, e de forma
alguma precisamos nos deslocar geograficamente para falarmos ou
sermos ouvidos e abençoados por ele. Mas, assim como na experi-
ência de Jacó em Betel, descrita em Gênesis 28, onde ele viu o portal
dos céus aberto, uma escada e anjos de Deus subindo e descendo
(subindo e descendo, exatamente nesta ordem), isso nos leva a en-
tender que os anjos estavam ali, montando guarda, vigiando aque-
le portal na terra, e percebemos que Deus escolhe alguns locais e
ali estabelece portais celestiais proféticos. Sinto isso, por exemplo,
quando estou no monte Horebe (da caixa d´água, em Vitória do Es-
pírito Santo, minha cidade), um monte alto e estratégico, de onde
vemos toda cidade. Ali os crentes oram praticamente 24 horas por
dia; é uma torre de vigia de oração. “E sonhou [Jacó]: Eis posta na
terra uma escada cujo topo atingia o céu; e os anjos de Deus subiam
e desciam por ela. Perto dele estava o SENHOR e lhe disse: Eu sou o
SENHOR, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque” (Gn 28:12).
Portais proféticos são locais de revelações. Jerusalém é um lugar
especial sob diversos aspectos. Se quisermos estar no centro finan-
ceiro do mundo, o referencial geográfico é a Times Square, em Nova
York, em Tóquio, Londres, Frankfurt, Pequim ou em Hong Kong, por
exemplo. No Brasil, o coração financeiro é São Paulo. Quando fala-
mos de mundo animal, com grandes mamíferos, pensamos na Áfri-
ca. Cidade maravilhosa: o Rio de Janeiro. Lugares exóticos: a Nova
Zelândia ou Austrália, e por aí vai. Mas, quando falamos sobre Bíblia
e do povo de Deus, este local é Israel, mais propriamente Jerusalém.
Os profetas da Bíblia viveram e morreram aqui; o maior de todos os
profetas, o filho de Deus e ao mesmo tempo filho do homem, que
é Jesus Cristo, aqui viveu, morreu e ressuscitou. Então, logicamente,
este é um local altamente profético e envolvido por uma atmosfera

26
Capítulo 1 - Revelações no Muro Ocidental

incomum de unção e revelações abertas da palavra de Deus.


Andar em Israel é andar pela Bíblia. Não tem como não se lembrar
de várias passagens estando neste lugar. Um ditado interessante é
que “Em Jerusalém não se deve dormir para não se perder tempo”.
Enfim, todos que estão em Jerusalém se despedem sempre afir-
mando: “Até o ano que vem em Jerusalém”. Pois o desejo de voltar
entranha-se em nosso espírito, é como se aqui fosse verdadeira-
mente nosso lar. A impressão que temos é que o lugar é familiar,
e é mesmo, afinal vivemos estudando a Bíblia, que conta a história
e descreve a geografia de Israel. Será também pelo motivo de que
moraremos aqui, na Nova Jerusalém?!? Logicamente, esta sensação
é restrita aos que têm esta visão espiritual.
Aliás, abro aqui um parêntese para uma informação importante:
obviamente estou escrevendo do ponto de vista de quem sobe a
Jerusalém com o intuito de buscar a Deus e estar conectado com
o Espírito Santo. Mas, conversando com uma missionária que mo-
rou no Monte das Oliveiras por três anos, percebi que não é esta a
realidade para quem mora aqui. Pois, ao mesmo tempo, existe tam-
bém muita idolatria, até por parte de quem vem a Jerusalém. Mui-
tos se equivocam e acabam adorando “as coisas e locais sagrados”
em vez de adorar somente a Deus. O próprio povo da terra é muito
obscurecido em relação a Deus; os judeus não creem em Jesus e os
árabes adoram a Alá. Então o peso espiritual para quem vive aqui
é realmente muito grande. Haja vista que Jerusalém, de certa for-
ma, é o centro espiritual da terra e objeto de disputa por diversos
segmentos, tanto judeus, como árabes, católicos romanos e orto-
doxos, protestantes e diversas seitas existentes. Imagine como fica
o mundo espiritual... Uma dica: quando vier a Jerusalém, peça ao
Espírito Santo que lhe abra os olhos somente àquilo que o Senhor
quiser lhe mostrar; adore e busque somente a Deus, feche os olhos
para quaisquer outras coisas que queiram lhe roubar a essência de
sua adoração ao Senhor Jesus. Outro cuidado que se deve tomar
é com relação às compras: “o que compra e onde compra”; existe
aqui um comércio muito “estranho”, muito parecido com a época
de Jesus, quando expulsou os cambistas do templo. Peça a Deus
discernimento!
Observe o texto abaixo para melhor compreensão de como Deus
27
Relógio dos Tempos

tem interesse em estabelecer torres e sentinelas para a vigilância


e oração. Nunca no mundo existiram tantas torres em turnos com-
pletos de 24 horas como atualmente, e este número tem crescido a
cada ano. Por que será que Deus está levantando velozmente ata-
laias, suas sentinelas na terra, sob um propósito profético para os
últimos tempos?
“Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus guardas [atalaias], que todo
o dia e toda a noite jamais se calarão; vós, os que fareis lembrado o
SENHOR, não descanseis, nem deis a ele descanso até que restabe-
leça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra” (Is 62:6-7).
Por isso, nas últimas décadas, com a formação do Estado de Israel,
cumprindo a profecia bíblica, Deus tem trazido milhares de todo o
planeta para orar aqui em Jerusalém3. Estamos vivendo o tempo
deste cumprimento profético para estes últimos dias.
Chegamos aqui em Jerusalém no dia 2 de outubro, e todos os dias
temos vindo ao muro, assim como a outros locais estratégicos,
como no Monte das Oliveiras e no Cenáculo, para orar. Fizemos os
sete primeiros dias de jejum somente bebendo água. Eu particular-
mente nunca jejuara desta forma, foi uma vitória de Deus na minha
vida cumprir este propósito. Depois que entreguei este jejum, mo-
vido pelo Espírito, comecei outro de 12 horas por dia, da manhã até
a noite. Neste período, começamos a orar também num dos locais
mais lindos de Jerusalém, que é o Jardim do Túmulo, local do se-
pultamento e da ressurreição de Jesus. Ali Deus me falou para fazer
mais um período de jejum somente bebendo água, porque nesse
período ele me revelaria coisas que deveriam ser publicadas.
Nesse ínterim ficava às vezes pensando: por que será que Deus me
trouxe aqui este intervalo de tempo tão longo? (21 dias em jejum).
Mas hoje compreendo perfeitamente que Deus tem locais, tempos
e portais proféticos para liberar níveis de revelações. Por vezes, nos
últimos três anos, Deus me acorda na madrugada. No início indaga-
va: “Senhor, não poderia ser de dia, precisa mesmo ser na madru-
gada?”. Deus me mandou ir para o monte (em 2008, fui ao monte
um terço dos dias do ano), e eu perguntava: “Mas, Senhor, preciso

3 “E acontecerá que, se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém, para adorar o Rei, o SENHOR
dos Exércitos, não virá sobre ela a chuva” (Zc 14:17).
28
Capítulo 1 - Revelações no Muro Ocidental

sair de minha casa e ir para o monte? Não posso orar aqui mesmo
em meu conforto? Aqui tem livros, tem DVD, tem água, tem refres-
co...” A propósito, Deus nunca negociou comigo. Sempre sua ordem
prevaleceu. E tenho aprendido que com Ele é melhor não tentar en-
tender, é mais prudente prontamente obedecer. Nos últimos três
anos tenho realizado muitas “loucuras” por obediência, sem com-
preender exatamente, mas no fim percebo que havia um motivo
principal, que era me levar a um nível de entendimento. E aí surge
a pergunta: “E se eu não tivesse obedecido?”. A resposta é incisiva:
não teria recebido a revelação! Entrei num caminho de obediência
sem restrições, um caminho que para mim tem se tornado sem vol-
ta. Até onde você está disposto a trilhar o caminho que Deus tem
para sua vida?
O Espírito Santo é cavalheiro. Se você pensa que ele não está te cha-
mando, você está enganado. É porque ele não força; talvez você não
esteja ouvindo a sua suave voz, porque está agitado ou distraído.
Eu não sou obrigado a orar, é apenas um convite; mas, se eu aceitar,
minha vida é transformada! E se eu não for sensível e não atender o
chamado? Nada diferente vai acontecer, será a mesmice de sempre.
Que lamento, quando Deus tem maravilhas que “nem olhos viram,
nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou no coração do homem
aquilo que ele tem reservado para aqueles que o amam!” (1 Co 2:9).
Eu não vou por constrangimento nem por obrigação, mas vou por
amor; porque amo Jesus, eu quero estar com ele!
Não tenho mais para onde ir. Isso tem custado inúmeras noites de
sono, ausência constante de casa, da família, ouvir palavras des-
providas de compreensão (pois poucos entendem o chamado pro-
fético e a unção profética), aliás, isso é bíblico: se Jesus foi morto
por incompreensão, nós, seguidores dele, não devemos esperar ser
compreendidos e receber aplausos pelas coisas que fazemos por
amor e obediência a ele. A rota de obediência custou meu empre-
go, tem custado a presença dos parentes, algumas amizades, tem-
po em família, enfim, tem custado a minha vida. Gosto muito desta
canção, pois a letra me anima a prosseguir:

“Todas as coisas cooperam para o bem


daqueles que te amam, Jesus!...
Tudo entregarei, tudo entregarei,
29
Relógio dos Tempos

Sim, por ti, Jesus bendito, tudo deixarei”


Fernandinho, álbum Uma nova história

Parafraseando Pedro: “Senhor, para onde eu irei, se só tu tens as pa-


lavras de vida eterna?” (Jo 6:68). Isso é muito profundo. Tenho feito
uma oração parecida com esta ultimamente: “Senhor, confirmo mi-
nha dedicação a ti irrestritamente; se o Senhor me der 120 anos de
vida ou mais, vou dedicar cada dia, cada momento, cada segundo e
milésimo do meu viver a ti, ao Deus da minha salvação!”.
O primeiro dia aqui, no muro, foi um dia de dedicação: adorei, me
consagrei a Deus e fiz o propósito de três dias de vigílias progres-
sivas. Deus me confirmou na palavra, em Isaías 26:9: “Com minha
alma te desejei de noite e, com o meu espírito, que está dentro de
mim, madrugarei a buscar-te”. Deus começou a ministrar ao meu
coração sobre este tempo profético. No tempo das vigílias, vários
sinais proféticos aconteceram; vou compartilhar:
Primeiro um homem, de uma língua que provavelmente era do Les-
te Europeu – não consegui distinguir ao certo –, mas de uma língua
desconhecida para mim, começou a orar ao meu lado. Fui tremen-
damente tocado pelo Espírito Santo. Somente entendia uma pala-
vra que ele dizia: Aleluia! Coloquei a mão em seu ombro e comecei
a orar por ele em línguas espirituais. O Espírito Santo me renovou
naquele instante e comecei a orar numa língua diferente, que nunca
tinha proferido, e percebi que ele constantemente repetia: “Amém!”
(palavras universais)4. Deus me falou para continuar, pois ele estava
entendendo o que eu orava. Eram palavras proféticas para a vida e
ministério dele, eu também comecei a receber a interpretação. Ao
final, ele segurou em minha mão, apertou e me abraçou, agradecen-
do em inglês a oração, pois ele ouviu em sua própria língua o que
eu orei. Fiquei impactado por essa experiência. Neste tempo Deus
tem liberado um entendimento para que possamos sentir a dor que
as pessoas sentem e ter compaixão pelas vidas, pelos povos e pelas
nações da terra, o evangelho vai ser levado aos quatro cantos!
Depois um sacerdote veio orar ao meu lado com um talit muito

4 Palavras universais, que não mudam no mundo todo. Aleluia: do hebraico llh (halal): “louvar ao único
digno”; “brilho”. Tem também a raíz hy (Yahh), que é o nome próprio do único Deus verdadeiro, Javé, na
forma reduzida. Amém: Nma ‘amen’ : “uma verdade”, “verdadeiramente”; “assim seja”.
30
Capítulo 1 - Revelações no Muro Ocidental

bonito, com argolas banhadas de ouro nas orlas. Fiquei admirando


aquela ornamentação e a forma sublime com que sacerdotes e rabi-
nos judeus vêm ao muro. Eles não vêm de qualquer forma, vêm ves-
tido de preto, com chapéu, o talit por baixo do terno, e outros ape-
trechos pertinentes ao ritual sacerdotal deles. Deus me falou: Todo
sacerdote precisa se preparar para entrar em minha presença: “Vesti-
rás Arão das vestes sagradas, e o ungirás, e o consagrarás para que
me oficie como sacerdote” (Ex 40:13). Falou ainda: Você, para entrar
debaixo destas revelações, precisou desgarrar-se de sua casa, chegar
aqui, constranger seu corpo e consagrar-se em jejum, depois outro e
outro propósito de jejum, e somente agora está pronto para receber o
que tenho para você. Fale isso a minha noiva: que é momento dela se
preparar para entrar em minha presença com vestes limpas, coração
puro, santidade, sem a qual ninguém pode me ver! Coisas novas estarei
fazendo no mundo e no meio da minha Igreja. Minha noiva se prepare
como nunca para este tempo, para as bodas do Cordeiro!
O nível de mover profético em nossa vida é proporcional ao nível
de santidade; a santidade vem através de uma fonte apenas: ne-
cessidade de Deus, fome e sede de Deus: “Eis que vêm dias, diz o
SENHOR Deus, em que enviarei fome sobre a terra, não de pão, nem
sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR” (Am 8:11).
Há pessoas que talvez leiam este livro e não entendam nem aceitem
estes níveis de experiência; provavelmente criticarão, chamando-o
de alienado ou judaizante (embora de forma alguma seja esta mi-
nha intenção, pois sou cristão e tenho a revelação do Messias, que
é Jesus). Deus apenas me trouxe aqui para me revelar coisas que
serão de muito proveito para minha vida e para quem ler com o
coração aberto estas palavras. O Senhor tem me falado que a noi-
va (a Igreja) não está entendendo este tempo profético e não está
querendo se adornar para se encontrar com ele, mas ele está agindo
sobre a terra. Os olhos do Senhor neste tempo chamado hoje pas-
seiam por sobre a terra, e ele está arregimentando os seus profetas
e sacerdotes, que queiram aprender a viver vida de santidade. Esta é
a noiva sendo preparada para o arrebatamento5. Você está disposto,
assim como eu, a se entregar irrestritamente a ele e fazer parte des-
ta Igreja? Deus tem o melhor para nós!

5 No capítulo 9 discorro detalhadamente sobre estes acontecimentos.


31
Relógio dos Tempos

Depois de muitos minutos, percebi que caiu da orla do talit daquele


rabino uma argola banhada de ouro, ao meu lado. Ele já tinha ido
embora, e imediatamente Deus ministrou que era um sinal de um
mover na vida sacerdotal e profética. E o Senhor compartilhou que
me levará, assim como a muitos outros profetas, até aos confins da
terra, para levar este manto, este mover a milhares de pessoas e so-
bre as nações. E ele já está preparando este tempo; o ouro represen-
ta a pureza. A noiva tem que ser pura! Não se refere a vestimentas,
mas à pureza do coração.
Num desses dias aqui, eu, orando por uma irmã, pronunciei “errada-
mente” o nome da cidade, e na oração falei outro: “Kufstein”. Ao final
da oração, a irmã disse: “Como você conhece esta cidade que aca-
bou de orar?”. Eu falei: “Mas não é a cidade de vocês?”. Ela respondeu
que não, que eu mencionara o nome de outra cidade que fica na
Áustria, a 60 quilômetros de onde ela realmente morava, em Holz-
-kirchen. E na minha oração eu pedira a Deus que usasse a irmã po-
derosamente lá, e ela o entendeu como algo profético. (Exatamente
um ano depois isso se cumpriu cabalmente, na Áustria; fomos lá e
oramos num monte, na cidade de Kufstein). Amados, Deus tem me
mostrado que, no reino dele, não existem filhinhos de papai, somos
todos iguais; mas há algo que toca o coração do Pai, a nossa insis-
tência em querer estar com ele, através do seu Espírito Santo, por
meio da fé. Isso vem com a fome e a sede por ele; ore pedindo a
Deus estas duas coisas: fome e sede da presença de Deus em sua vida,
e verá o que vai acontecer nos próximos dias e meses. Sua vida não
será mais a mesma!

“Deus está levantando um novo povo,


Deus está sacudindo toda terra
Deus está separando os seus profetas
Um novo dia amanhecer
Uma nova história se cumprir
O choro já durou a noite,
é chegado o amanhecer!
Eu serei pai de multidões,
Tocarei muitas gerações”
Fernandinho, álbum Uma nova história

Ao final da última vigília do segundo dia, aqui no muro ocidental,


32
Capítulo 1 - Revelações no Muro Ocidental

muitos meninos da idade de uns 12 a 13 anos sentaram ao meu


lado e ficaram admirando minha camisa brasileira. Fiquei olhando
para eles e de repente adormeci; um deles veio e esbarrou em mim
e me acordou. Fiquei chateado, pois já era o finalzinho da sexta hora
de vigília, e eu estava muito cansado, depois de uma madrugada
em claro. Estava extremamente cansado. O Espírito então ministrou:
‘Não é tempo de descanso, é tempo de afligir a alma com vigílias e je-
juns, de estar atento às multidões famintas, o repouso eterno da igreja
já está próximo, em tempo, não é hora de descansar, é tempo de traba-
lhar muito, de cumprir a grande comissão, de profetizar, de atender aos
famintos e aos sedentos de minha salvação, da minha presença.’
Na mesma hora abri um sorriso no rosto e comecei a abençoar
aqueles meninos que estavam sendo preparados por um rabino
para o seu Bar Mitzvah (maioridade judaica). Eles são a nova gera-
ção profética de Israel; seus olhos poderão ver o Messias. Tremendo!
Quando saí, já no caminho da porta de Damasco, estava com uma
camisa brasileira, e um árabe gritou para mim: Viva o Brasil! Res-
pondi: Sim, viva o Brasil! Ele continuou: Viva a Palestina! Eu estava
próximo a soldados israelenses e fiquei constrangido, sem saber o
que responder naquele momento. Mas o Espírito soprou: Viva as na-
ções da terra, eu amo cada uma e morri por cada pessoa do mundo.
Yeshua é o Rei de toda a terra e ele não faz acepção de pessoas; ele
morreu pelos judeus, pelos palestinos e por todos os povos da terra!
(Dizer “Viva a Palestina” é arrumar confusão com os judeus, assim
como dizer “Viva Israel” é arrumar briga com os árabes; num dos dias
aqui, em um bairro árabe, enquanto andávamos pela calçada, o pas-
tor Ozenir foi agredido por um deles, que arrancou seu boné com
um tapa, por estar escrito Israel).
As experiências acima foram nas vigílias do segundo dia.

VIGÍLIAS DO TERCEIRO DIA: SINAIS PROFÉTICOS


No terceiro dia, quando estava me preparando pela manhã para vir
ao muro ocidental, ouvi uma suave voz dizendo: Escreva tudo o que
eu te mostrar; então levei meu laptop. Pensei: vou carregar muito
peso para pouco proveito, pois a bateria dura pouco, mas Deus in-
sistiu comigo. Oh! Deus cuida de nós nos mínimos detalhes! Che-
33
Relógio dos Tempos

guei aqui, sem fazer muito esforço, pois vim com uma mochila de
rodinhas, mesmo pesando bastante. Mas foi fácil hoje, mais que em
todos os outros dias, quando vim com uma mochila de carregar
nas costas. (Num jejum prolongado 1 kg parece 10 kg.) Logo que
entrei, percebi um lugarzinho coberto, arejado, com uma escrivani-
nha, perto de um ponto de energia, uma biblioteca. Não é exagero,
estou aqui no muro agora com tudo isso! E, pelo que procurei, so-
mente neste local há um ponto de energia disponível (do hotel até
o muro, devem ser uns 2 km de distância; andar no sol de 40 graus
de Israel e em jejum gera muita fadiga).
Eu já vim ao muro mais que uma dezena de vezes e nunca tinha
reparado neste local. Achava que já conhecia tudo, porque, sempre
que venho, costumo andar muito por aqui, mas Deus, como sempre,
me surpreendeu com este lugar de excelência. Sou o repórter pro-
fético no muro ocidental hoje, e o que vou escrever abaixo é tudo o
que o Espírito Santo for me revelando ao vivo, e em cores. Aperte o
cinto e vamos decolar nas revelações para nossas vidas, pois Deus
me mandou escrever tudo, pois não será apenas para mim, mas
para todos que tiverem acesso. E Deus me falou que as revelações
escritas neste livro percorrerão os confins da terra, abençoando e
estimulando muitos profetas de Deus:
Coloquei dois livros que estavam na estante embaixo de meu
laptop e um judeu educadamente me pediu para não usar os livros
dessa forma. Entendi perfeitamente o que ele quis dizer, pois usou
a palavra kadoshi (ou qodesh, quer dizer “separado”, “santo”). Na
presença de Deus somos santos e o ambiente é santo. Precisamos,
como atalaias, estar atentos à santidade de Deus, à nossa santida-
de e à santidade do ambiente: “Moisés, tire as sandálias dos seus
pés, pois o lugar em que estás é santo!” (Ex 3:5). Nesse momento,
tirei meus sapatos e profeticamente fiquei descalço na presença de
Deus. Na presença dele precisamos nos despir de nós mesmos e nos
vestir de suas vestes de santidade, buscando a purificação dos nos-
sos pecados. Profeticamente, fui impelido a me cobrir com o talit
(um manto que é usado como uma cobertura na hora das preces
judaicas, principalmente no momento da oração de Shacharit, que
são as primeiras orações feitas pela manhã). O manto é a vestidura
do sacerdote. Vestes santas, postura santa, atitudes santas, separa-

34
Capítulo 1 - Revelações no Muro Ocidental

ção para o ofício.


A Bíblia fala desse assunto tanto no Velho, em especial no livro de
Levítico, quanto no Novo Testamento, em Hebreus. Somos os sacer-
dotes cristãos, os verdadeiros sacerdotes neste novo tempo, deste
último tempo, deste tempo da graça até a volta do Messias. “O Filho
brilha com o brilho da glória de Deus e é a perfeita semelhança do
próprio Deus. Ele sustenta o Universo com a sua palavra podero-
sa. E depois de ter purificado os seres humanos dos seus pecados,
sentou-se no céu do lado direito de Deus, o Todo-Poderoso” (Hb 1:3,
LH); “E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança,
assim como ele é puro” (1 Jo 3:3).
Dois judeus, funcionários do muro, arrumam a estante exata-
mente atrás de mim. Deus me mostra que a nossa vida precisa estar
arrumada; precisamos estar prontos para nos encontrar com nosso
Deus: “Prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus” (Am
4:12). É tempo de arrumar nossas vidas, ajeitar as coisas, tirar as pen-
dências e pagar as dívidas; as dívidas físicas, se devemos a alguém,
é tempo de pagar ou pelo menos renegociar, fazer como Zaqueu,
devolver a quem porventura houvermos defraudado. Havendo al-
guém que você magoou, é tempo de pedir humildemente perdão.
As dívidas de amor, nossa grande dívida para com o próximo, para
com a humanidade, para com as nações da terra. Compaixão pelas
vidas!
Chega um soldado do exército de Israel, todo fardado, colete a
prova de balas, uma metralhadora e pistola automática, coturno,
cinto com munição, capacete, enfim, todo preparado para combate,
mas com um kipá na cabeça, e abaixa a fronte para orar. O que isso
nos lembra? Efésios 6:10-18. Toda armadura espiritual é para nossa
sobrevivência em meio à guerra espiritual em que vivemos a cada
instante. Não há trégua, amado irmão, mesmo que você não queira
abrir os olhos para ver, ainda assim, o inimigo de nossas almas está
à espreita. E quem não crê em realidades espirituais já é uma presa
fácil em potencial. Para os que entendem, mas estão desatentos no
momento em que leem, um alerta: Soldado de Deus, saia da prostra-
ção; mesmo que tenha perdido uma batalha, a guerra continua, levan-
te-se, recomponha a armadura e volte a combate imediatamente; um
dia sequer é muito a perder. É tempo de se levantar, sacudir a poeira
35
Relógio dos Tempos

e pisar na cabeça do diabo!


Em um quartel, soldados mesmo fora de combate são potenciais
combatentes. Eles treinam, se exercitam, se preparam, pois a bata-
lha pode acontecer a qualquer momento. Sempre ouvi dizer que a
polícia e o exército judeus são os mais bem treinados do mundo.
Não é para menos, eles combatem há milênios contra muitos ini-
migos e estão sempre preparados para o combate militar e o terro-
rismo; existem aqui muitos policiais à paisana, que carregam uma
arma e, em momento de perigo, podem usá-la para defesa pessoal
e para defesa de qualquer civil.
O inimigo, para começar uma guerra contra nós, não pergunta: Você
está pronto, podemos começar a guerrear? É interessante que o após-
tolo Paulo diz que precisamos estar sempre preparados para o dia
mau. Este “dia mau” é o dia do combate imprevisível, que geralmen-
te vem de maneira muito forte e repentina. Precisamos estar forte-
mente guarnecidos das armas espirituais. A armadura de Deus não
é algo que deva fazer parte simplesmente de uma oração, como
muitas vezes fomos ensinados de forma equivocada: “Todo dia de
manhã se revista dela”, assim aprendemos. Por que isso? Por acaso,
à noite nos despimos dela? Não! Armadura é para constante pos-
tura, afinal, ninguém sabe a que hora vem o ladrão. Jesus mesmo
deixou-nos este princípio de combate espiritual: “Ninguém sabe a
que hora vem o ladrão” (Lc 12:39). Descanse revestido da armadura,
durma e acorde de manhã revestido dela, nunca a tire para que não
necessite ficar orando para recolocá-la todo dia.
Mudei de posição e avistei a rampa que dá acesso à Mesquita de
Omar, que fica exatamente na parte oriental do antigo templo, num
lugar geográfico chamado “domo da rocha”6, o monte Moriá, onde
Abraão entregou seu filho Isaque como sacrifício. Para se cumprir o
intento judeu da reconstrução do templo, este templo árabe, profa-
no para os judeus, deverá ser retirado. Mas o que entendo por esta
afronta aos judeus hoje?
Quando Josué entrou aqui, na Terra Prometida, Deus deu uma or-
dem clara: “Não deixem viver nenhum dos teus inimigos, limpe a

6 Domo da rocha ou cúpula da Rocha: nomes atribuídos à Mesquita de Omar. Situada no Monte do
Templo, na velha cidade de Jerusalém.
36
Capítulo 1 - Revelações no Muro Ocidental

terra da feitiçaria e da idolatria, exterminem todos” (Dt 7:16). Deus


sabia o que poderia ocorrer no futuro. Israel cumpriu à risca esta
ordem de Deus? Não! Assim como muitas vezes nós não cumpri-
mos as ordenanças de Deus em nossas vidas. Pagamos um preço
alto hoje, por sementes podres de pura desobediência que plan-
tamos em nosso passado. Há como mudar a história? Não! Mas há
como clamar para Deus transformar a maldição em benção. Posso
citar aqui diversos exemplos: casamento fora do propósito de Deus;
sociedade em jugo desigual (sociedade com não servos de Deus e/
ou fora da direção de Deus); aquisições de bens materiais de forma
ilícita e/ou irresponsável; alianças profanas com pessoas que não
temem a Deus; consumo de drogas; práticas sexuais ilícitas ou fora
do matrimônio; fornicação (sexo entre não casados); palavras de
maldição proferidas contra ungidos de Deus; insubmissão às auto-
ridades; transgressão das leis dos homens ou de Deus; crimes de
diversas naturezas; mentiras; orgulho, hipocrisia e inveja. Enfim,
todas as ações pecaminosas são sementes que plantamos e que
certamente, pelo princípio da semeadura (“O que o homem plantar,
isto ceifará” – Gl 6:7-8), colhemos lá na frente.
O pecado tem um efeito bumerangue: ele retorna com suas conse-
quências na mesma intensidade com que foi praticado, e também
não tem prazo de validade; podem passar 50 anos, ele estará à por-
ta. Aliás, a palavra de Deus para todo pecador é: Arrependimento!
Neste ponto, concordo com o nome “Muro das Lamentações”: estes
judeus choram dia e noite clamando e se lamentando pela perda de
seu lugar de adoração, fruto de seu pecado: Senhor Deus, por favor,
devolva-nos nosso templo! E a outra suplica deles é: Envia-nos o Mes-
sias! Sabemos que eles serão atendidos. De qualquer forma, o Mes-
sias virá; a diferença é que nós já o conhecemos e eles conhecerão
pela primeira vez, pelo fato de, por ora, rejeitarem a revelação. Mas
um dia receberão a revelação de Yeshua Hamashia (ou seja, “Jesus é
o Messias”).
Se você pecou gravemente e tem colhido fortes consequências, não
se desespere, até porque não adianta nada se desesperar, somente
piora a situação; é tempo de ajoelhar-se, arrepender-se e confes-
sar seu pecado. Procure um sacerdote, ou seu líder, ou um irmão
amigo e confesse, se for o caso; cumpra Tiago 5:16: “Confessai, pois,
37
Relógio dos Tempos

os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para ser-
des curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo”. O se-
gundo passo é deixar o pecado, e a seu tempo Deus vai visitá-lo
se você não desfalecer antes. Peça a Deus forças e não culpe Deus
nem ninguém, mas assuma a culpa, pois você praticou algo sem
discernimento e fora da vontade de Deus. Reconheça, lamente-se
e clame restauração, pois ela virá em nome de Jesus! Se você está
decepcionado com alguém, seu líder, algum irmão ou qualquer ou-
tra pessoa, perdoe, entregue a Deus a sua dor ou injustiça sofrida,
mas não perca sua comunhão com ele! Exerça misericórdia para que
você seja alcançado por ela.
Observo que multidões e multidões vêm orar neste muro cons-
tantemente. Achava que somente vinham na época das festas bíbli-
cas7, mas estava enganado. Elas estão aqui o dia todo, a noite toda
e nas madrugadas, o tempo todo, em número de centenas, às vezes
aos milhares, algumas poucas vezes apenas dezenas, mas sempre
estão. Nunca estive aqui com este local vazio, mesmo nas madru-
gadas. Sabe por que isso? Porque, mesmo os judeus não reconhe-
cendo a Jesus Cristo como o Messias, eles adoram o mesmo Deus,
Jeová, que nós adoramos. E, creia, a presença do anjo do Senhor
está aqui. São inúmeros os testemunhos de curas, de milagres, de
respostas de oração que acontecem mesmo entre eles... Não pode-
mos negar que há FÉ, e onde há fé, os milagres acontecem; não digo
que eles serão salvos (sem reconhecer Jesus Cristo como o único ca-
minho para a salvação, ninguém chegará ao céu), mas oramos para
que se lhes abram os olhos e que vejam a salvação de Israel: Yeshua
Hamashia!
Ficamos escandalizados por saber de cura em determinados lu-
gares e pensamos: Mas lá? Será possível? Sim, é possível, pois com
FÉ atraímos a presença e a atenção de Deus: “Sem fé, é impossível
agradar a Deus” (Hb 11:6), logo, o contrário é verdadeiro: com fé, é
possível agradar a Deus! As pessoas são atraídas para um ambiente
de milagres e fé. Uma das coisas que Deus quer tratar conosco neste
tempo é a nossa hipocrisia e o sentimento farisaico do nosso cora-
ção. Em Lucas 18:9-14, Jesus deu uma lição de humildade que serve
para todos nós. Não é incomum vermos tantos crentes exaltados,

7 As três principais festas judaicas: Sucot (Tabernáculos); Pessach (Páscoa) e Shavuot (Pentecostes).
38
Capítulo 1 - Revelações no Muro Ocidental

achando-se acima de tudo e condenando quem não crê. Penso que


existem pessoas fora das igrejas que são mais justas do que muitos
que estão ali, condenando os outros. Observe atentamente: “Pro-
pôs também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos,
crendo que eram justos, e desprezavam os outros: dois homens
subiram ao templo para orar; um fariseu, e o outro publicano. O
fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: ó Deus, graças te dou
que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúl-
teros, nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na sema-
na, e dou o dízimo de tudo quanto ganho. Mas o publicano, es-
tando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu,
mas batia no peito, dizendo: ó Deus, sê propício a mim, o pecador!
Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele;
porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado; mas o
que a si mesmo se humilhar será exaltado” (Lc 18:9-14).
Ah! Como teremos surpresas ao chegarmos ao céu!
Começou a soar agora o som do shofar. Um chamado de Deus para
as nações da terra. Tocar o shofar em Moriá, onde Abraão entregou
seu único filho, prefigurando o Messias, é algo tremendamente pro-
fético. Um sacerdote toca conclamando o povo, como que dizendo:
Vinde à presença do Deus de Israel! Sabe por que Deus tem trazido
nos últimos dez anos o toque de shofar para dentro das igrejas?
Porque Jesus diz que, quando a última trombeta soar, ele virá. Esta
trombeta, no original hebraico, é shofhar, ou apenas shofar (instru-
mento sonoro feito de chifre de carneiro ou antílope), o instrumen-
to sacerdotal para o chamamento ou convocação. Profeticamente,
o sumo sacerdote Jesus está chamando as multidões de todas as
nações da terra. Quando o shofar soar nos céus do mundo inteiro,
anunciando a vinda daquele que era, que é e que há de vir, toda
noiva com ouvido adestrado ao seu som reconhecerá o toque de
chamamento de Yeshua (Jesus), o grande Rei de Jerusalém e de toda
a terra! Maranata, ora vem, Senhor Jesus! Então, estamos treinando
nossos ouvidos com o toque do shofar aqui na terra. As trombetas
de Deus já estão tocando!
Ao meu lado, assentou-se um ancião, com barbas longas e grisa-
lhas. Ele está cantando há algum tempo e orando, de vez em quando
levanta as mãos aos céus e recita palavras de adoração. Um jovem
39
Relógio dos Tempos

sentou-se a sua frente e ele pediu que saísse, pois tapava sua visão
do muro; o jovem retrucou, parei para observar a cena. O ancião
começou a falar com o jovem, e depois de alguns minutos, o man-
cebo puxou a cadeira, saiu da frente, e o ancião passou a lhe ensinar
algumas coisas. Penso que eram princípios de submissão a Yavéh, o
Deus de Israel, e aos anciãos. Será que sabemos honrar a Deus e aos
mais velhos? Será que honramos às pessoas ou aos líderes?
Em seguida, outro judeu se aproximou de mim e fez uma per-
gunta em hebraico, eu pedi que ele falasse em inglês ou espanhol,
porque talvez eu entendesse. Ele me perguntou se eu era judeu,
praticante do judaísmo, e eu respondi que não. Em seguida, ele me
perguntou se eu era cristão, e pensei no que ia responder (quando
você vier a Israel, entenderá melhor o zelo judaico), mas respondi
que sim, correndo o risco de ele me convidar a sair dali, daquele
local privilegiado. Para meu alívio, ele ignorou minha resposta, me
cumprimentou e disse: Este ancião é um rabi! Imediatamente, eu
cumprimentei o rabi e disse que amava Israel e que orava por Israel
e por Jerusalém, e que eu reconhecia a autoridade de um rabi.
Eles agradeceram com um sorriso no rosto. Então, eu pedi ao rabi
que me abençoasse, e ele disse, por meio do intérprete, que não fa-
lava português nem espanhol, mas que me abençoaria em hebrai-
co e proferiu algumas palavras de bênçãos sobre minha vida. Pela
manhã, quando vim para cá, pedi a meu pastor que me abençoasse.
Este é um princípio bíblico. Precisamos ser humildes e pedir benção
a quem pode nos abençoar.
Um princípio antigo que nossas gerações perderam é o de pedir
benção aos pais. Aqui, em Israel, observamos a incrível submissão
dos filhos aos pais e dos discípulos aos líderes. Quando um rabino
mais velho está orando no muro, os mais novos o reverenciam e se
faz a maior festa, e às vezes o carregam no colo e o saúdam. Pedir
benção é também um sinal de honra. “Honrai a todos. Amai aos ir-
mãos. Temei a Deus. Honrai ao rei” (1 Pd 2:17).
O rabino começou a cantar uma linda canção; não entendo nada,
mas ele canta uma frase melódica e no coro repete: Aleluia! Comecei
a louvar com ele e com o coro canto juntamente: Aleluia! Ele olhou
para mim, abriu um sorriso amável, consentindo com minha intro-
40
Capítulo 1 - Revelações no Muro Ocidental

missão musical, e repetimos mais uma vez juntos agora: Aleluias!


Ele não para de louvar. Começa, termina e recomeça outra canção.
Percebi que ele ficou quase toda a minha primeira vigília de três
horas aqui comigo. Deus mandou um rabi para estar comigo nesta
primeira vigília.
Só nós dois há muito tempo aqui, na sala que Deus me preparou. Ele
está proferindo cânticos de louvor ao Deus de Israel; estou achando
isso incrível e profético. Já me abençoou e agora enche os céus de
louvor.
Está uma benção neste lugar, sinto a presença graciosa do Espírito
Santo!

POSTURA DO ATALAIA – DEBAIxO DA COBERTURA DO


SHALOM DE DEUS
Quando estava orando no muro, sentado numa cadeira com um
descanso para livro, o sol a pino, eu ia arrastando a cadeira à frente
para ficar na sombra, e por diversas vezes precisei arrastar minha
cadeira para fugir do sol. Com isso, cada vez mais me aproximava
do muro até encostar literalmente nele. Percebi que atalaia não tem
zona de conforto. Geralmente Deus nos pede que intercedamos nos
lugares mais inóspitos, da forma mais estranha, no sol ou na chuva,
com vontade ou sem vontade, com barriga cheia ou vazia, com dor
de cabeça... Porém, uma coisa é certa: quando nos dispomos a ven-
cer as limitações e insatisfações da nossa carne e a vontade sempre
contrária da nossa alma, um bálsamo vem, uma unção de cura, um
remédio para o coração, um alívio, pois servimos ao Príncipe da Paz,
a Jeová Shalom, e assim Deus nos atrai a ele. Você já percebeu que
nossa alma nunca quer orar nem ler a Bíblia? Existe uma força con-
trária que parte de dentro de nós, de nossa alma pecaminosa e cor-
rompida, que tenta nos afastar de Deus. Somente submetendo-se à
vontade do Espírito Santo, controlando nosso espírito e alma, é que
conseguimos romper a barreira da ociosidade pessoal.
Shalom: a palavra shalom é usada pelos judeus ao se cumprimen-
tarem. Porém, o significado desta palavra é bem mais amplo que
simplesmente “paz”. Shalom vem de “Salém”, cuja raiz quer dizer
41
Relógio dos Tempos

“plenitude”, “completude”. Isso nos leva a entender que, quando


declaramos shalom, declaramos que a plenitude de amor, alegria,
harmonia, prosperidade, paz, saúde, enfim, as virtudes de Deus, ve-
nham estar sobre a pessoa para quem o proferimos. Shalom é mais
do que somente paz, é alívio das dores, é confiança irrestrita em
Deus, é segurança em sua proteção, é confiar que, enquanto esta-
mos em vigília, ele cuida de nós, de nossa casa, de nossa família.
Olhando sob este prisma, pode-se perceber que não há outro ofício
melhor que servir a Jesus e ser usado por ele. Observe que nos tor-
namos servos do Rei do Universo, o Deus de todas as coisas. Poderia
existir alguém melhor para servirmos? Servimos ao Príncipe da Paz,
que é o pleno shalom!
Tudo em minha vida espiritual nestes últimos tempos começou a
acontecer em meu quarto, em minha cama, em meu lugar secreto,
no monte, a sós com Deus, nas madrugadas frias de inverno, nas
noites de insônia e em vigília, nas aflições dos cantos escuros da
alma que me impulsionaram a buscar incessantemente o Espírito
Santo. Deveram-se às incertezas, aos medos; estas coisas todas, hoje
percebo, foram os alicerces de meu chamado para o ministério pro-
fético. Foram meses em desertos, algumas vezes escondido em ca-
vernas, com vontade de desistir de tudo, com fraqueza espiritual e
emocional. Recobrando forças em meio às lágrimas, com o coração
doendo. Assim fui forjado, assim estou sendo forjado. Em meio a al-
gumas humilhações e traições, em meio a decepções com pessoas
e comigo mesmo. Descobrindo, das piores formas, meu verdadeiro
eu e percebendo que não sou absolutamente nada sem a graça do
meu Salvador. Em meio a minha feiúra e fraqueza interior, a beleza e
a força de Deus têm se aperfeiçoado. Isso lhe parece familiar? Então,
seja bem-vindo à Escola dos Profetas, pois esta é a única que ensina
a viver no sobrenatural; todos os homens e mulheres de Deus matri-
culam-se nela. A Bíblia diz: “Pois, se não desanimarmos, chegará o
tempo certo em que faremos a colheita” (Gl 6:9).
Mas existe um bálsamo, existe uma cura, existem milagres, existe o
shalom do Senhor! Firmemo-nos naquele que “tudo pode”, o único,
o amado, o que nos chama e que nos capacita. Nossas lutas e nossas
dores têm um fim determinado por Deus; não desistamos nunca,
pois ele é o shalom para nossas almas! Aleluias! “Pois ele faz a ferida,

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Capítulo 1 - Revelações no Muro Ocidental

e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam” (Jó 5:18).

VIGÍLIAS E JEJUNS ABREM PORTAS IMPOSSÍVEIS


Existem portas que não podem ser abertas somente com momen-
tos de adoração, com algumas orações, com um pouco de fé ape-
nas. Existem portas cujos segredos são mais difíceis. Mas não existe
porta que não possa ser aberta pelo Chaveiro dos chaveiros: “Àque-
le que abre e ninguém fecha, e que fecha e ninguém abre” (Ap 3:7).
Há mistérios que somente são revelados e curas para nossas almas
que só são alcançadas em meio a tempo investido na presença de
Deus. Não pense que, em sua pressa, conseguirá alguma coisa com
o Espírito Santo. Ele é sensível, e quaisquer coisas que façamos que
o desagradem o afastam de nós8, e sem Ele não há porta que seja
aberta, porém com ele não há porta que permaneça fechada! O se-
gredo é a comunhão constante com o Espírito de Deus. Compreen-
da isso, aprenda a investir muito tempo neste relacionamento, mas
também não o faça apenas para conseguir algo. Ele, que sonda nos-
sos corações e perscruta nossos pensamentos, sabe qual é nossa
motivação interior, não há como enganá-lo. Conheço pessoas que
sobem os montes, vão a vigílias, buscam muito apenas para receber
uma benção material e, às vezes, até recebem, então percebo que,
em algumas ocasiões, Deus concede não por amor e boa-vontade,
mas para testar a fidelidade e gratidão de seus filhos. Lembra-se dos
dez leprosos que foram curados? Quantos voltaram para agradecer
e estar mais uma vez na presença do Mestre? (Lc 7:15).
Quando a porta da intimidade e da oportunidade se lhe abrir, você
vai se esquecer de qualquer coisa, qualquer bem material que pos-
sa existir neste mundo. Sairá dos momentos de intimidade com ele
tão perplexo que o seu pedido perderá a importância. Jesus disse
à mulher samaritana que chegaria este tempo. Nós vivemos este
tempo hoje: adorar a ele em qualquer lugar, em casa, no monte, no
avião, nas ruas, nos ônibus, no automóvel, nas lutas, nas alegrias,
nas tristezas, nas provas e nas vitórias, na bonança e na escassez,
sem qualquer restrição ou constrangimento. Adorar não pelo que
ele pode nos fazer, mas por quem ele é! Quem é Jesus para você?

8 Não que o Espírito Santo vá embora,mas, o pecado não confessado, bloqueia a sensibilidade espiritual.
43
Relógio dos Tempos

O que representa simplesmente a presença dele em sua vida? Ele


busca os adoradores! Onde eles estão? Onde você tem estado?
Certa vez, em minha casa, sentia uma vontade enorme de estar na
presença de Deus durante muitas horas, e jejuei 48 horas, em vi-
gílias, sem comer nada, apenas adorando, lendo a Palavra e medi-
tando em suas maravilhas. Não senti fome, não me cansei, e minha
vontade era ter perpetuado aqueles momentos. Quando simples-
mente nos colocamos na presença dele, é como se o Espírito Santo
fosse um artista e nosso coração uma tela onde ele mesmo pinta.
Quando eu ouvia testemunhos como este, de pessoas que ficavam
muitas horas na presença de Deus, eu pensava: Mas deve ser chato
ficar uma, duas ou mais horas orando e adorando... E se me faltarem
palavras? Até ri sozinho agora, pois que ingênuo eu era. O Espírito
nos leva a adorar, a inspiração vem dele, o desejo de adorar vem
dele, nós apenas nos deixamos usar. Por esse motivo, Paulo nos
orienta: “Enchei-vos do Espírito Santo” (Ef. 5:18). Um crente cheio do
Espírito é capaz de ficar horas adorando, horas orando, horas lendo
e meditando na Palavra, dias em jejum, horas em adoração, pois há
no nosso espírito uma forte impressão da eternidade e uma neces-
sidade intrínseca do Eterno em nós. Fomos feitos para não morrer-
mos nunca; por causa do pecado, apenas a carne irá morrer, porém
nossa alma, que é o nosso eu, será julgada, e nosso espírito retor-
nará a Deus, pois veio dele. Você já parou para pensar o que fará
com tanto tempo pela frente, ou seja, o que você vai poder fazer
com uma eternidade? Há muitas pessoas que pensam apenas no
aqui e agora. Ei! Filho, você é eterno! Não vai acabar, mesmo que
você o desejasse. Nosso número de anos sobre esta terra é brevís-
simo, como a Bíblia diz: “é uma flor que nasce pela manhã e morre
ao entardecer” (Tg 1:10). O que são nossos anos comparados à eter-
nidade? Para que Deus nos criou? Por que estamos neste mundo?
Tudo, absolutamente tudo que façamos, até atravessar uma rua,
ou a relação com qualquer pessoa, precisamos entender que tudo,
tudo mesmo, aponta para a eternidade. Por isso deste prisma, é fácil
entender a necessidade do perdão. O que vamos levar desta terra?
Nada! A vida é como um vestibular: somos vestibulandos; você está
estudando para a prova final? A Bíblia diz que só há um caminho
para a aprovação neste vestibular: JESUS CRISTO (Jo 20:31).

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Capítulo 1 - Revelações no Muro Ocidental

“Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eterni-
dade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras
que Deus fez desde o princípio até ao fim” (Ec 3:11).

A PORTA DO PERDÃO
O perdão é uma das principais portas que precisam ser abertas em
nossa vida. Primeiro, a consciência de termos recebido para depois
liberá-lo, partindo do princípio de que, quando não perdoamos,
também não somos perdoados. Conheço a história de uma mulher
que, no seu leito de morte, após mais de 40 anos de muita mágoa
e ódio no coração em relação ao marido que a ferira na alma, inda-
gada por alguém sobre a possibilidade de perdoá-lo, na iminência
de sua própria morte, diz que preferia levar o ódio com ela para a
sepultura; o mesmo ódio que a deixou doente e a estava matando.
Ela morreu alguns dias depois. A medicina comprova que muitas
doenças são desenvolvidas pela falta de perdão: são as doenças psi-
cossomáticas; elas geram cativeiros na alma.
Perdão não é sentimento, senão dificilmente perdoaríamos alguém,
pois geralmente não sentimos vontade de perdoar. Mas perdão é
uma decisão! Eu preciso ter a atitude de perdoar, declarar o perdão.
É liberar o perdão, mesmo não sentindo vontade. Quando o libera-
mos, nos libertamos de uma cruel cadeia. A falta de perdão é uma
corrente que aprisiona. Perdoar traz cura. A própria medicina e a
psicologia reconhecem que a falta de perdão gera mágoas e ódio
e traz muitas doenças. É uma das principais cadeias que prendem a
alma humana. Eu aprendi que, para perdoar, mesmo sem nenhum
desejo para tal, precisamos às vezes dizer em voz alta: Eu perdoo tal
pessoa (declarar o nome). Repetir isso nos leva a introjetar em nossa
alma a condição do desejo de perdoar, e com o tempo ele vem.
“Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas
vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete
vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas
até setenta vezes sete” (Mt 18:21-22). “Porque, se perdoardes aos ho-
mens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se,
porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco
vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mt 6:14-15).
45
Relógio dos Tempos

A grande dificuldade que temos para perdoar decorre das feridas


profundas que sofremos e que nos causaram traumas, mas preci-
samos entender e aceitar que Jesus levou sobre si nossas dores (Is
53:4). Vigílias em jejum abrem portas impossíveis. Se você precisa
de portas abertas na área do perdão ou em qualquer outra, busque
este princípio espiritual.
“...Roguei a teus discípulos que o expelissem, e eles não puderam. Então,
Jesus lhes disse: Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? (...)
Perguntou Jesus ao pai do menino: Há quanto tempo isto lhe sucede?
Desde a infância, respondeu; e muitas vezes o tem lançado no fogo e
na água, para o matar; mas, se tu podes alguma coisa, tem compaixão
de nós e ajuda-nos. Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes! Tudo é pos-
sível ao que crê. E imediatamente o pai do menino exclamou: Eu creio!
Ajuda-me na minha falta de fé! (...) Mas Jesus, tomando-o pela mão, o
ergueu, e ele se levantou (...) seus discípulos lhe perguntaram em par-
ticular: Por que não pudemos nós expulsá-lo? Respondeu-lhes: Esta
casta não pode sair senão por meio de oração [e jejum]” (Mc 9:17-29).
Estas foram as revelações que o Espírito Santo me concedeu nestes
três dias de vigílias em Jerusalém; a partir destas experiências, mi-
nha vida passou a ser transformada de forma especial. Quanto mais
busco, mais sinto desejo de conhecer o Espírito Santo e aquilo que
ele tem a me ensinar e revelar. Mas tenho uma orientação que vem
de Paulo: “Não apagueis o espírito” (1 Ts 5:19). Se você percebe que
sua comunhão com ele está interrompida, pare tudo agora mesmo!
Não dê um passo a mais sem ele em sua vida. Arrependa-se, bus-
que e somente volte a caminhar quando sentir a presença viva dele
novamente. É comum obras e ministérios começarem no Espírito e
terminarem na carne, começarem bem e terminarem mal. Lembre-
-se: mais vale o fim do que o começo, pode até começar na carne,
mas aperfeiçoar-se no espírito, ou seja, o mais importante é como
termina do que como começa! (Tt 3:8; 1ª Pd 5:10).
Eu não sabia, mas as experiências em Jerusalém estavam me intro-
duzindo e me projetando a realizar muitas coisas para o Reino de
Deus. Naqueles dias não entendia, mas hoje vejo claramente que,
quando Deus trabalha em nossas vidas, é porque ele está nos pre-
parando de forma especial para algo especial. Não desista, pois os
ministérios começam sendo forjados no fogo e geralmente partem
46
Capítulo 1 - Revelações no Muro Ocidental

de uma grande experiência e em momentos de dor e até mesmo


de frustrações; nossas dores e mazelas são transformadas em algo
lindo para a glória de Deus! É tempo de buscarmos, é tempo de nos
prepararmos para os melhores momentos de nossa existência. Os
tempos e épocas convergem para o tempo celestial, da plenitude
dos tempos! “... isto é, de fazer convergir em Cristo todas as coisas,
celestiais ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos” (Ef
1:10).
Adiante, quero mostrar o que tenho visto a respeito dos tempos
proféticos que vivemos. Não pare a leitura, o melhor está por vir.

47
Relógio dos Tempos

48
Capítulo 2 - Influência Babilônica

CAPÍTULO 2

INFLUÊNCIA BABILÔNICA
ATÉ OS DIAS ATUAIS

“E na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande Babilônia, a mãe das
prostituições e abominações da terra.” Ap 17:5

“E outro anjo seguiu, dizendo: Caiu! Caiu Babilônia, aquela grande cidade que
a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição!” Ap 14:8

49
Relógio dos Tempos

“ProPonha uma mudança de Paradigma e esPere Pouco temPo até encon-


trar adePtos ao seu Pensamento Pragmático. o homem é um ser influen-
ciador e influenciável. e nunca foi tão fácil influenciar uma geração ou
ser influenciado como na Pós-modernidade”.
(elmir dell’antonio, este autor)

Compreender o tempo em que estamos vivendo torna-se funda-


mental para nos nortear. Assim como no mundo físico precisamos
nos orientar pelos mapas, bússolas, relógios ou até GPS, via satélite,
para se viver no sobrenatural torna-se imprescindível conhecer os
orientadores espirituais. Quando precisamos estar em determinado
horário em algum compromisso, olhamos constantemente o reló-
gio; para cumprir a agenda, observamos o calendário; hora e data
nos situam no tempo, bem como os mapas nos mostram localiza-
ções geográficas.
O sobrenatural é regido por leis espirituais que são reveladas na
Palavra e marcado pelos sinais de Deus. Existe relógio, calendário,
bússola e mapa no reino do espírito. Este capítulo vai situá-lo nos
tempos e épocas em que vivemos ontem, hoje e... depois. Onde es-
tamos? Por que e para que estamos? Até quando estaremos, quando
terminará? O que significam os movimentos geopolíticos do mun-
do? Tudo isso tem sentido, tem propósito definido; absolutamente
nada ocorre como fruto do acaso em nossa vida e no cosmos. Qual
o tempo chronos9 que vivemos hoje e qual o tempo kairós de Deus
para a humanidade?
Ao final, você poderá concluir qual o maior propósito de sua exis-
tência, o por quê e o para quê você está aqui, neste exato tempo.
Vamos começar entendendo a história profeticamente, a que abso-
lutamente determina os tempos e as épocas.
“Vou subir a minha torre de vigia e vou esperar com atenção o que
Deus vai dizer e como vai responder à minha súplica. E  o Senhor

9 Tempo Kairós é o tempo de Deus, o tempo determinado no reino do Espírito; Chronos é o tempo
cronológico no cosmos, na dimensão física – ambas as palavras são extraídas do grego.
50
Capítulo 2 - Influência Babilônica

Deus me disse: ‘Escreva em tábuas a visão que você vai ter, escre-


va com clareza o que vou lhe mostrar, para que possa ser lido com
facilidade. Ainda não chegou o tempo certo para que a visão se
cumpra; porém ela se cumprirá sem falta. O tempo certo vai chegar
logo; portanto, espere, ainda que pareça demorar, pois a visão
virá no momento exato. A mensagem é esta: os maus não terão
segurança, mas as pessoas corretas viverão por serem fiéis a Deus!”
Hc 2:1-4

OS QUATRO GRANDES IMPÉRIOS MUNDIAIS


O livro do profeta Daniel é um dos mais intrigantes e instigantes
detoda a Bíblia, pois relata acontecimentos futuros e abrange con-
textos geopolíticos mundiais. Daniel foi levado cativo junto com
todo o Israel quando tinha apenas 16 anos de idade. Proveniente
de família nobre, juntamente com outros três amigos foi escolhido
para estar na corte babilônica. É um dos poucos personagens bíbli-
cos famosos sobre cuja vida não constam relatos negativos; pelo
contrário, até mesmo Jesus cita10 este profeta. Ele era profeta, mas
exercia também um cargo público, como alto ministro no império
babilônico, no reinado de Nabucodonosor e posteriormente nos
impérios de Dario e Ciro, na era persa.
Daniel tem a visão da “grande estátua de extraordinário esplendor”
(Dn 2:31-45); o que ele viu também relaciona-se aos quatro animais
do capítulo 7 de seu livro: uma estátua em pé, com cabeça de ouro,
peito e braços de prata, o ventre e os quadris de bronze, as pernas
de ferro e os pés de ferro e barro. Em seguida, ele vê uma pedra
sendo cortada sem auxílio algum, que bate contra a grande estátua
esmiuçando-a. Então ela vira poeira e se transforma numa grande
montanha, que, espalhada pelo vento, enche toda a terra.
A interpretação e cumprimento desta profecia de Daniel diz respei-
to a quatro grandes impérios mundiais sucessivos que haveriam de
governar sobre o povo de Israel e sobre o mundo: o ouro da cabeça
representa a Babilônia (586-539 a.C.); a prata do peito e dos braços,
os medo-persas (539-332 a.C.); o bronze do ventre e dos quadris, os

10 “Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar
santo; quem lê, entenda...” (Mt 24:15).
51
Relógio dos Tempos

gregos (332-63 a.C.); e o ferro e barro de pernas e pés representam o


Império Romano (início em 63 a.C.)11. Esta estátua esmiuçada e seus
destroços espalhados como poeira representam a sua influência
ao longo das épocas e ainda viva no mundo hoje, tendo a Europa
como seu descendente direto e seu “espírito” tendo influência em
todo o mundo moderno e pós-moderno – os três demais impérios,
portanto, tiveram origem e receberam influência do sistema babi-
lônico – a cabeça de ouro. E a pedra referida na visão, que destrói a
estátua, é Jesus (1 Pd 2:6-8), que conquistará e reinará sobre todos
os reinos durante o reino milenar e eterno (Ap 11:15; 18:21, 19:11 a
20:6).
Interessante notar a exatidão desta profecia e o detalhamento cor-
reto e preciso da história. Daniel teve esta visão por volta de 530
a.C., durante o reinado de Nabucodonosor, o grande imperador da
Babilônia e o primeiro da sequência dos quatro impérios que gover-
nariam o mundo. Na história, hoje sabemos que tudo ocorreu exata-
mente conforme profetizado por ele, na sequência correspondente.
Interessante também a descrição do último império: a mistura do
barro ao ferro é referência direta à cultura helenista herdada dos
gregos e incorporada pelos romanos. Na confluência dos tempos
kairós e chronos, vivemos o período em que a “poeira” foi espalhada
e atua da forma mais evidente possível no que denomino sistema
mundo.
O Império Romano, que recebeu toda a herança grega, persa e ba-
bilônica, tornou-se um amontoado, que foi disperso, e sua poeira
ou influência difundiu-se por todo o mundo e tem atravessado as
gerações até nossos dias. Mas a profecia é clara: “Porquanto viste
que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela es-
miuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro, o grande Deus faz
saber ao rei o que há de suceder no futuro. Certo é o sonho, e fiel a
sua interpretação” (Dn 2:45).
Então, na sequência, temos: Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma, todos
vêm do mesmo sistema, e tudo começou em Gênesis 11, quando o
homem constrói Babel (de onde deriva a palavra Babilônia). Trata-se
do sistema que busca outros meios, que não seja Deus, de se chegar

11 Baseado na Bíblia de Estudos Profecias, da Sociedade Bíblica do Brasil, p. 894.


52
Capítulo 2 - Influência Babilônica

ao mundo espiritual: “E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade


e uma torre cujo cume toque nos céus” (Gn 11:4). Lembremo-nos
que ali as línguas foram diferenciadas e a humanidade começou a
ser dispersa em tribos, línguas, posteriormente formando cidades
e nações, com suas culturas particulares e diversas. Por essa razão,
Jesus vem para implantar o Reino de Deus e dá o comando para
alcançarmos estas mesmas nações perdidas, subjugadas por um
império paralelo que jaz no engano do maligno.
Deus planejou um mundo maravilhoso, começou este projeto no
Éden; o plano foi aparentemente interrompido, mas, em Jesus Cris-
to, a ponte de ligação entre o homem de natureza decaída e seu
criador, o plano é definitivamente restabelecido, até mesmo pelo
cumprimento da primeira profecia advinda da boca do próprio
Deus: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente
e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”
(Gn 3:15). Jesus teve seu calcanhar pregado na cruz, mas na sua res-
surreição pisou na cabeça da serpente e venceu a morte! “E o que
vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém.
E tenho as chaves da morte e do inferno” (Ap 1:18).
Na minha concepção, Deus, em sua infinita sabedoria, permitiu o
homem cair, para reconhecermos que dependemos totalmente
dele. Lembremos que a queda deveu-se à cobiça do homem de
querer “ser igual a Deus”12.
Esta mensagem, porém, incomoda muito os eruditos, pois para eles
ela é simples, inocente e soa romântica demais. Incomoda os dou-
tos, pois tudo depende de fé e para eles fé é fuga para os fracos e
preguiça intelectual. A realidade, porém, é que nem eruditos, nem
doutos e inteligentes, nem agnósticos ou ateus, comunistas, prag-
máticos, filósofos, cientistas, heróis, gênios ou ativistas; enfim, ne-
nhum deles jamais conseguiu pensar ou sequer promover a ideia,
mesmo que utópica, de um mundo perfeito. Mas Deus tem um pla-
no!
Você já imaginou um mundo onde tudo funciona perfeitamente?
Sem guerras, nem tristezas e choro, sem a morte, sem doenças, ple-

12 Gênesis 3:5: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis
como Deus, sabendo o bem e o mal”.
53
Relógio dos Tempos

namente feliz, sem corrupção nem maldade, sem invejas e assassi-


natos, enfim, você já imaginou um mundo onde poderemos viver
em família e alegria eterna? Então, observe as últimas palavras que
Jesus pronunciou antes de subir ao céu:
“Portanto ide [saiam, mexam-se, vão anunciar], fazei discípulos de
todas as nações [o raio de abrangência é toda a terra; anunciar a ver-
dade sobre as boas notícias de que o reino de Deus chegou! As pessoas
e os povos já não precisam mais ser escravos do sistema babilônico],
batizando-os [consolidando e inserindo o homem num novo contex-
to de reino, o reino de Deus], em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo [este reino é completo, pleno; possui hierarquia, é organizado,
perfeito como nenhum reino humano jamais o concebeu; e ele é eter-
no]; ensinando-os [discipulando, assim como Jesus fez] a guardar
todas as coisas que vos tenho dito [a verdade: salvação, libertação,
cura e vida eterna], e eis que estou convosco todos os dias, até a
consumação dos séculos [ele está comigo e com você em todo o tem-
po, somos seu povo, sua igreja; ele vem nos buscar! Há um fim, que re-
presenta um novo começo do seu reinado eterno, a derrubada final do
império babilônico e a implantação definitiva do reino de Deus na ter-
ra!]. Amém [assim seja, está consumado. Ponto final]” (Mt 28:19-20).
Esta mensagem é para a Igreja, em sua missão de anunciar para a
humanidade que existe um reino onde tudo é perfeito, o Reino de
Deus, nos céus, e um dia viveremos plenamente nele, após a consu-
mação dos séculos!
Quando nossos patriarcas lá no Éden comeram do fruto que Deus
lhes advertiu de que não comessem, eles se tornaram conhecedo-
res do bem e do mal13. Assim todo DNA, tanto genético quanto da
alma humana, foi contaminado e corrompido. Todo ser humano foi
gerado a partir dessa distorção. Jesus veio para garantir a libertação
e cura para o caráter humano14 degenerado, e, quando ressuscitar-
mos, teremos nossos corpos transformados. Somente assim será
possível a existência de novos céus e uma nova terra dentro do con-

13 “[Disse Deus]: Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia
em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:17).
14 “O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas
aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a aber-
tura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a
consolar todos os tristes” (Is 61:1-2 – este texto é o resumo da obra e ministério de Jesus).
54
Capítulo 2 - Influência Babilônica

ceito bíblico: “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a úl-
tima trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão
incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Co 15:52). “E Deus
limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte,
nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são
passadas” (Ap 21:4). Caminhamos para este tempo kairós!

NOVO DESENHO NA GEOPOLÍTICA DO MUNDO


Observe atentamente a profecia do capítulo 7 de Daniel: “Assim me
disse ele: O quarto animal será um quarto reino na terra [Império
Romano], o qual será diferente de todos os reinos; devorará toda a
terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. Quanto aos dez chi-
fres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se
levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três
reis. Proferirá palavras contra o Altíssimo, e consumirá os santos do
Altíssimo; cuidará em mudar os tempos e a lei; os santos lhe serão
entregues na mão por um tempo, e tempos, e metade de um tempo.
Mas o tribunal se assentará em juízo, e lhe tirará o domínio, para o
destruir e para o desfazer até o fim. O reino, e o domínio, e a grande-
za dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos
do Altíssimo. O seu reino será um reino eterno, e todos os domínios
o servirão, e lhe obedecerão. Aqui é o fim do assunto. Quanto a mim,
Daniel, os meus pensamentos muito me perturbaram e o meu sem-
blante se mudou; mas guardei estas coisas no coração” (Dn 7:23-28).
Esta profecia se refere a tempos muito distantes dos de Daniel e
encaixa-se muito bem com a profecia de João, escrita uns 630 anos
depois no livro do Apocalipse. Os tempos descritos pelo profeta se
referem à história que conhecemos, mas ainda ecoa nos dias atuais
e futuros. A influência greco-romana (ferro e barro) permeia o mun-
do atual. Observe este resumo de alguns nomes importantes, suas
teorias e filosofias desde os tempos gregos e romanos, do século IV
a.C. até a idade moderna, que provocaram mudanças de paradig-
mas e têm influenciado o mundo desde então:
Platão (429 a 347 a.C.): filósofo grego, discípulo de Sócrates, preo-
cupou-se profundamente com os problemas políticos inerentes ao
desenvolvimento social e cultural na Grécia. Em sua famosa obra A
55
Relógio dos Tempos

República, expõe o seu ponto de vista sobre a forma democrática


de governo e administração.
Aristóteles (384 a 322 a.C.): também filósofo grego, discípulo de
Platão, do qual bastante divergiu; deu enorme impulso à Filosofia,
principalmente à Cosmologia, Nosologia, Metafísica e as Ciências
Naturais, abrindo as perspectivas do conhecimento humano na sua
época. Foi o criador da Lógica. No seu livro Política, estuda a organi-
zação do Estado e distingue três formas de administração pública:
monarquia, aristocracia e democracia.
Os  romanos  (476 a.C. a 300 d.C. - Ocidente e até 1453 d.C. -
Oriente): assimilaram muitos dos aspectos da  cultura  grega. Do-
tados de notável senso prático, souberam reelaborar essas influ-
ências, nas quais introduziram inovações que levaram à formação
de uma cultura original. Com isso, acabaram por legar às gerações
futuras várias contribuições nas mais diversas áreas, desde política,
administração, filosofia, cultura, etc.
Francis Bacon (1561-1626): filósofo e estadista inglês, considerado
o fundador da Lógica Moderna, baseada no método experimental
e indutivo. Antecipou-se ao princípio conhecido em administração
como “princípio da prevalência do principal sobre o acessório”.
René Descartes (1596-1650): filósofo, matemático e físico francês,
fundador da Filosofia moderna. Em seu livro Discurso do Método,
descreve os preceitos do seu método filosófico, hoje denominado
“método cartesiano”, que serviu de fundamento para a tradição
cientifica ocidental. Serviu de princípio para a divisão do trabalho
e do controle.
Thomas Hobbes (1588-1679): filósofo inglês, desenvolveu a teo-
ria da origem contratualista do Estado, segundo a qual o homem
pri-mitivo, vivendo em estado selvagem, passou lentamente à vida
social, por meio de um pacto entre todos. Este homem primitivo era
um ser antissocial por definição, vivendo em guerra permanente
com o próximo. O Estado viria a ser, portanto, a inevitável resultante
da questão, impondo a ordem e organizando a vida social. Célebre
autor da obra O Leviatã.
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): filósofo, escritor e teórico
56
Capítulo 2 - Influência Babilônica

político francês, desenvolveu a teoria do contrato social – o Estado


surge de um acordo das vontades.
Immanuel Kant (1724-1804): filósofo prussiano, operou na episte-
mologia, uma síntese entre o  racionalismo  continental (de René
Descartes e  Gottfried Leibniz, em que impera a forma de raciocínio
dedutivo) e a tradição empírica inglesa (de David Hume, John Locke
e George Berkeley, que valorizava a indução). Kant é famoso, sobre-
tudo, pela elaboração do denominado  idealismo transcendental:
“todos nós trazemos formas e conceitos a priori (aqueles que não
vêm da experiência) para a experiência concreta do mundo, os
quais seriam de outra forma impossíveis de determinar”. A filosofia
da natureza e da natureza humana de Kant é historicamente uma
das mais determinantes fontes do relativismo conceptual que do-
minou a vida intelectual do século XX.
Charles Darwin (1809-1882): naturalista britânico, que, baseado
em observações, desenvolveu a teoria da “evolução das espécies”, a
partir da seleção natural e sexual. Este conceito inovou toda a Bio-
logia moderna e a concepção da vida, tornando-se uma das princi-
pais, descartando toda forma de criação por um ser superior.
Karl Marx (1818-1883) e seu parceiro Friedrich Engels (1820-
1895): ambos nascidos na Alemanha propõem uma teoria da ori-
gem econômica do Estado. O surgimento do poder político e do
Estado nada mais é do que o fruto da dominação econômica do
homem pelo homem. Sua teoria deu origem ao comunismo e co-
locou na revolução humana a força motriz de todo movimento de
mudanças paradigmáticas para o surgimento de um Estado iguali-
tário, onde a religião e os aspectos espirituais deveriam dar lugar
simplesmente à razão.
Friedrich Nietzsche (1844-1900): filósofo alemão que morreu em
loucura na França; filho de pais luteranos tinha avós pastores pro-
testantes, até tentou seguir a carreira teológica, mas afastou-se e
correu a Europa estudando os pre-socráticos gregos. Foi um dos
que mais atacou as religiões autodenominando-se ateu por ins-
tinto, autor da frase: ‘Gott is tot’ (Deus está morto). Póstumamente
seus escritos ganharam adeptos e começaram a discorrer as univer-
sidades filosóficas.
57
Relógio dos Tempos

Max Webber (1864-1920): intelectual, jurista e economista alemão,


considerado um dos pais da sociologia, juntamente com o francês
Émile Durkheim. É um dos fundadores do estudo moderno da so-
ciologia, mas sua influência também pode ser sentida na economia,
filosofia, direito, ciência política e na administração.
Franz Kafka (1883-1924): considerado um dos maiores  escri-
tores de ficção da língua alemã do século XX. Nasceu numa família
de  classe média  judia  em  Praga,  Áustria-Hungria  (atual  República
Tcheca). O conjunto dos seus textos, na maioria incompletos, e pu-
blicados postumamente, situa-se entre os mais influentes da litera-
tura ocidental.
Sigmund Freud (1856-1939): nascido na Moravia (antigo território
Austro-Tcheco), filho de Jacob Freud um próspero negociante ju-
deu. Iniciou seus estudos pela utilização da hipnose como método
de tratamento para pacientes com histeria. Ao observar a melhoria
dos pacientes de Charcot, elaborou a hipótese de que a causa da
doença era psicológica, não orgânica. Essa hipótese serviu de base
para seus outros conceitos, como o do inconsciente. Freud também
é conhecido por suas teorias dos  mecanismos de defesa,  repressão
psicológica, e por criar a utilização clínica da psicanálise como trata-
mento da psicopatologia, através do diálogo entre o paciente e o
psicanalista. Freud acreditava que o desejo sexual era a energia mo-
tivacional primária da vida humana, assim como de suas técnicas
terapêuticas.
É interessante notar que todos os grandes pensadores acima sur-
giram a partir do século XVII e XVIII, quando o mundo começa a
passar por tremendas transformações, ou uma preparação para
adentrar “novos tempos”. Novos pensamentos começam a formatar
novas estruturas de paradigmas.
No entanto, a partir das crises dos pensamentos filosóficos que do-
minaram o mundo moderno até o século XX, adentramos num novo
tempo, ou nova era, a pós-modernidade, na qual impérios que exis-
tiam começaram a ruir e um novo desenho geopolítico começou a
se formar rapidamente. Alguns afirmam que tudo se deu por causa
da evolução dos pensamentos dos séculos anteriores. Seu marco
inicial foi a queda do comunismo russo e a derrubada do muro de
58
Capítulo 2 - Influência Babilônica

Berlim em 1989.
A partir desse momento histórico, os reinos (governos mundiais)
estão se realinhando. Uma nova construção geopolítica e de pen-
samentos se desenha com velocidade, preparando o mundo para o
auge dos acontecimentos proféticos, o governo do anticristo, atra-
vés de um sistema que acima denominei sistema mundo, que nada
mais é do que o império espiritual da “grande Babilônia” (Is 13 e Ap.
18). Esses governos se realinham para a formação, vista por Daniel
e por João, do “quarto animal” (governo) de dez chifres (dez nações
ou blocos herdeiros de Roma e baseados em seus códigos), que in-
fluenciariam os tempos do cumprimento final dessas profecias.
Reinos têm se levantado em todas as épocas contra a Igreja e sa-
bemos que no próprio Império Romano milhares de cristãos foram
exterminados; ao longo da história, tem sido um fato recorrente e
até os dias atuais. Mas esta indicação “tempo, e tempos e metade de
um tempo” pode ser relacionada à descrição de João em Apocalipse
12:6 e 14, que fala da proteção aos ataques da serpente (Satanás).
Pode referir-se aos 1260 dias (3 anos e meio), a primeira metade do
total de sete anos, descritos como o tempo do reinado do anticristo
sobre a terra e período da grande tribulação explicado por Cristo
em Mateus 24:21: “Porque haverá então grande tribulação, como
nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco
há de haver”.
Interessante que, no mesmo capítulo 12, João tem uma visão mui-
to parecida com a de Daniel, de um animal descrito como “dragão”,
que também tinha dez chifres e que representa dez reinos. Assim
como Daniel, João também vê Jesus vencendo: “E foi precipitado o
grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás,
que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus an-
jos foram precipitados com ele. Então, ouvi uma grande voz no céu,
que dizia: Agora é chegada a salvação, e o poder, e o reino do nosso
Deus, e a autoridade do seu Cristo; porque já foi lançado fora o acu-
sador de nossos irmãos, o qual diante do nosso Deus os acusava dia
e noite” (Ap 12:9-10).
Vamos analisar o mundo contemporâneo à luz dessas profecias:

59
Relógio dos Tempos

As principais forças mundiais hoje são EUA, Europa, China, Japão e


países emergentes ou em desenvolvimento, como a Índia, Rússia e
Brasil. Todos os analistas políticos e econômicos tratam de remon-
tar panoramas de grupos ou blocos de países mais ricos, com base
em índices como PIB e IDH15, assim como pelos seus programas
de crescimento econômico, industrial e outros fatores. São vários
modelos: G8 – grupo dos sete países mais ricos, com maior poder
bélico, e a Rússia; Bric – países emergentes ou em desenvolvimento;
G20 – grupo formado pelos ministros de finanças e chefes dos ban-
cos centrais das 19 maiores economias do mundo, mais a União Eu-
ropeia (neste grupo está contido 90% do PIB e 80% do comércio, que
abrange dois terços da população do mundo); o peso econômico e
a representatividade deste último lhe conferem influência sobre a
gestão de todo o sistema financeiro mundial. Porém, deste grupo
de 20, sabe-se que de oito a dez são os verdadeiros donos, as maio-
res economias, que ditam as principais regras no planeta, inclusive
mantendo constantes encontros e reuniões para defini-lo.
Uma teoria corrente dispõe o mundo dividido em dez áreas, blocos
ou reinos, como queiram chamar. Foi colocada em pauta pela pri-
meira vez na reunião do Clube de Roma16 em 1974.

15 PIB: Produto Interno Bruto; IDH: Índice de Desenvolvimento Humano.


16 Clube de Roma: organização não governamental cujos membros são presidentes e ex-presidentes
das nações, embaixadores e outras pessoas de cargos de grande influência no cenário político e
econômico mundial. Esta informação consta do livro de Gary Kah,  En Route to Global Occupation. 1. ed.
Louisiana: Huntington House Publishers of Lafayette, 1991, p. 42.
60
Capítulo 2 - Influência Babilônica

E a divisão planejada é a seguinte:

1 – América do Norte (EUA e Canadá);


2 – Europa Ocidental;
3 – Japão;
4 – Oceania e África do Sul;
5 – Rússia e Leste Europeu, mais as Coreias;
6 – América do Sul, Central e México;
7 – Norte da África e Oriente Médio;
8 – África Central;
9 – Índia e Sudeste Asiático; e
10 – China.
Esta análise breve é apenas para constatarmos que a profecia de
Daniel para este tempo se cumpre rapidamente e que o movimento
da geopolítica mundial corrobora as visões para a convergência en-
tre kairós e chronos nos tempos finais. Vivemos o período, descrito
na profecia, entre o levantar destas nações poderosas (dez chifres
igual a dez reinos) e sua derrocada no tribunal do juízo divino até o
reinado eterno do Leão de Judá junto ao seu povo. Se quiser conhe-
cer mais este desenho e movimento profético, por favor, leia com
atenção Isaías 13, Daniel 2 e 7 e Apocalipse 16 a 18.

61
Relógio dos Tempos

OS BLOCOS ECONÔMICOS
Os dez países mais ricos do mundo: “MISTÉRIO: Babilônia, a grande,
a mãe das prostitutas e das práticas repugnantes da terra; E os dez
chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas
receberão poder como reis por uma hora, juntamente com a besta”
Ap 17:5 e 12
Logicamente aqui não se comparam políticas sociais, divisão de
renda entre a população e outros fatores, mas apenas o PIB; de qual-
quer forma, nesta lista constam os dez maiores países em termos de
economia atualmente. A nossa presidente Dilma, por exemplo, de-
clarou mais ou menos assim, recentemente, diante do crescimento
brasileiro: “Enquanto a população for pobre, não adianta sermos a 6ª
maior economia mundial”. Porém, as necessidades de competitivida-
de de livre comércio e subsistência nacional exigem um movimento
amplo de novas formações globais na geopolítica.
De fato, os países se agrupam na tentativa de formatar seus blocos
econômicos, políticos e sociais. O surgimento de países emergentes
ou em desenvolvimento de forma rápida, como China, Brasil e Índia,
por exemplo, pode representar o que a profecia diz a respeito de re-
ceberem o poder repentino e com duração limitada de apenas “uma
hora”. Como um observador dos sinais dos tempos proféticos e dos
movimentos mundiais, analiso à luz das profecias, como as de Da-
niel, nas quais o último império, o Império Romano (sistema mundo
ou babilônico) seria esmiuçado, como o foi, porém sua influência
como poeira se espalharia e dividiria a terra em pedaços ou partes,
como tem realmente influenciado as nações europeias, ocidentais
e consequentemente o mundo todo, ao longo dos últimos séculos:
“Disse assim: O quarto animal será o quarto reino na terra [Império
Romano], o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda
a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços [partes-blocos]” (Da-
niel 7:23). Tudo que vimos hoje, em todos os montes de influência
da sociedade – o mundo possui basicamente sete áreas, ou sete
montes, que regem as sociedades humanas: artes e entretenimen-
to; governo e política; mídia e comunicação; educação e ciência;
família; igreja e religião; economia e negócios –, até a marcação do
tempo cronológico, veio primeiramente da Europa, mas hoje está
espalhado como poeira pelo planeta; os europeus colonizaram os
62
Capítulo 2 - Influência Babilônica

outros continentes e influenciam o mundo até hoje em todas essas


esferas.
Interessante observar o que um dos sete anjos que possuíam as
sete taças menciona a João: “E o anjo me disse: Por que te admiras?
Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a traz, a qual tem
sete cabeças [os sete setores ou montes da sociedade] e dez chifres
[os dez grandes reinos ou formações políticas da terra, os blocos
continentais]” (Ap 17:7). Observe ainda: “Aqui o sentido, que tem sa-
bedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher
está assentada” (Ap 17:9). Não se trata de uma teoria particular, mas
de uma evidência da narrativa bíblica na visão do Apocalipse, dada
a João na ilha de Patmos, aproximadamente no ano 90 d.C. Mas não
termina aqui. Observe ainda: “E são também sete reis; cinco já caí-
ram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém
que dure um pouco de tempo. E a besta que era e já não é, é ela tam-
bém o oitavo, e é dos sete, e vai à perdição. E os dez chifres que viste
são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão po-
der como reis por uma hora, juntamente com a besta. Estes têm um
mesmo intento, e entregarão o seu poder e autoridade à besta. Estes
combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o
Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão os que estão com ele,
chamados, e eleitos, e fiéis” (Ap 17:10-15).
Dos dez países mais ricos em 2012 descritos, cinco são europeus,
três foram colonizados por eles e apenas dois são orientais, todos,
no entanto, com as mesmas tendências ocidentais capitalistas, bem
como todos fazem parte desta rearrumação global e nova forma-
ção estrutural dos chamados blocos econômicos (os dez reinos).
Digamos que eles são fortes candidatos a se tornarem os “cabeças
de chave” desta nova formação global. Inclusive, o que os analistas
políticos chamam de “a Primavera Árabe”, que são os levantes no
Oriente Médio e a derrocada de governos que duravam decênios,
como os de Hosni Mubarak no Egito, Muammar Kadafi na Líbia, e as
reviradas na Síria, Iêmen e outros fazem parte dessa reorganização
global. Desde 1990, com a Guerra do Golfo e, em seguida, a invasão
do Iraque pelos EUA, exatamente tudo tem sido minuciosamente
planejado pela mente do sistema mundo a fim de convergir na for-
matação dos dez blocos-reinos.
63
Relógio dos Tempos

O profeta Daniel, quando fala do quarto reino (o Império Romano


e sua descendência europeia), menciona no capítulo 7 um animal
estranho, que possui dez chifres. Observe: “... e muito forte, o qual
tinha dentes grandes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pi-
sava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que
apareceram antes dele, e tinha dez chifres [reinos]”  (Dn 7:7).  Esta
profecia fala, como vimos acima, dos quatro grandes impérios mun-
diais ao longo da história: Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma, e a con-
sequente subdivisão deste último, sendo que os romanos mantive-
ram a maior dominação – até 1430 anos – e influenciam o mundo
até hoje, pois toda a cultura ocidental vem deles. Interessante que
o redesenho mundial começou neste exato momento, com o “es-
palhar”, pós-derrocada do império oficial romano, é que se deram
momentos históricos, como a Reforma Protestante e colonizações
a partir da Europa.
Destaque para este comentário: “E, quanto aos dez chifres, daque-
le mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará
outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis” (Dn
7:24). Aqui Daniel menciona o que irá acontecer no fim dos tempos:
os impérios que dominarão o mundo – entre os dez reinos, haverá
disputas e um se levantará para abater três, o que vem a ser... Toda
a movimentação e formatação geopolítica das últimas décadas pri-
meiro apontou para a formação dos blocos econômico-políticos,
como a União Europeia, Benelux, Opep, Otan, Bric, G8, G20 e outros.
Hoje, porém, o discurso na boca dos principais líderes mundiais é a
nova ordem mundial e o governo mundial. A própria Dilma, em re-
cente visita à Índia, fez esta declaração: “(...) Índia e Brasil querem
uma nova ordem mundial e reformas no Conselho de Segurança
das Nações Unidas que levem em consideração a nova realidade
do mundo, afirma a presidente brasileira, Dilma Rousseff, em um
artigo publicado no jornal The Times of India”17. O ex-presidente Lula
também já proferia este discurso: “O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva defendeu nesta quarta-feira a construção de ‘uma nova ordem
mundial’ mais ética, que enfatize a distribuição da riqueza e a prote-
ção do emprego”18.

17 Matéria publicada pelo UOL em 29 de março de 2012 em: <http://noticias.uol.com.br/ultimas-noti-


cias/afp/2012/03/29/dilma-defende-nova-ordem-mundial-e-reformas-na-onu.htm>.
18 Fonte: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u551009.shtml>.
64
Capítulo 2 - Influência Babilônica

Observe este trecho do discurso do primeiro-ministro britânico na


ocasião de seu anúncio anual sobre política estrangeira, que coinci-
diu com a posse de Barack Obama em 11 de agosto de 2008: man-
chete: “Gordon Brown estende a mão ao próximo presidente norte-
-americano em nome de uma nova ordem mundial”; discurso: “A
aliança entre o Reino Unido e os Estados Unidos, e de uma forma mais
alargada entre a Europa e os Estados Unidos, pode e deve marcar uma
nova liderança, de forma a dirigir os esforços globais para a construção
de uma nova ordem mundial mais justa, mais segura e mais forte”19.
Líderes influentes no mundo como Barack Obama, Nicolas Sarko-
zy (e agora o novo presidente francês François Hollande), Angela
Merkel e outros têm ensaiado o mesmo tema. Em sua visita ao Rio
de Janeiro em 2011, na Cinelândia, Obama reafirmou este compro-
misso de trabalhar pela nova ordem mundial. Em outro discurso
entusiasta, defendendo as políticas atuais de seu governo, Obama,
presidente da nação que há mais de cinco décadas é a mais for-
te do mundo, afirma algumas frases categóricas e expressivas do
discurso20 “secularista”, que descarta os princípios de Deus e refor-
çam a nova ordem. Observe: “Dada a diversidade crescente de popu-
lações dos EUA, o que quer que tenhamos sido, mas nós não somos
mais uma nação cristã, pelo menos não somente; hoje somos judaicos,
budistas, hinduístas, islâmicos, descrentes (...). E, mesmo que fôssemos
somente cristãos e expulsássemos todos os não cristãos da América,
qual cristianismo seguiríamos? (...) que passagem das escrituras deve-
ria instruir nossas políticas públicas? Levítico, Deuteronômio (...) ou o
Sermão da Montanha? que é tão radical que duvido que até o nosso
Departamento de Defesa sobrevivesse a sua aplicação! (...) A política
depende de nossas habilidades de persuadir uns aos outros. (...) com
a religião não é possível argumentar, para os religiosos, se Deus falou,
deve ser assim!”. Mais adiante, ele menciona a passagem de Abraão,
que ouviu Deus e ofereceu Isaque, dizendo: “Nós não podemos ou-
vir e ver Deus como Abraão, então o que devemos fazer?”. Por fim, ele
arremata em favor de as decisões humanas serem tomadas pela ra-
zão, pelo bom-senso e pela consciência, derrubando preconceitos.
Ele propõe trocar-se a religião pelos valores universais. Com isso, ele

19 Matéria veiculada por Euronews em 11 de agosto de 2008 em: <http://pt.euronews.


com/2008/11/11/britains-brown-urges-creation-of-global-society/>.
20 Discurso disponível : www.youtube.com/watch?v=n1cbVIixjUs&feature=player_embedded>.
65
Relógio dos Tempos

põe em xeque os temas atuais, defendidos pelos líderes cristãos à


luz dos princípios bíblicos, como aborto, homossexualismo, criação
de filhos e outros. Um maravilhoso discurso, a serviço da língua cor-
rente da nova ordem mundial, que, em resumo, é: Excluamos Deus
desta história; o que precisamos definitivamente estabelecer é que es-
tamos aqui sozinhos e nós é que devemos criar os novos critérios ba-
seados na consciência e os novos valores universais sem preconceitos,
para enfim possibilitarmos o surgimento de uma nova ordem mundial,
onde os fracos (religiosos crédulos) não terão vez!
Essa será a linguagem do anticristo (não estou dizendo que Obama
ou outro líder mundial qualquer seja o anticristo – até porque, no
meu entender, esta figura poderá não estar encerrada apenas em
uma pessoa, mas em um sistema de governo ou de novos paradig-
mas, enfim...), porém, mostrando como será o discurso: ele zelará
pelo novo código dos “direitos humanos”, temas como desarma-
mento nuclear, paz mundial e bem-estar social; e também temas
controversos como os apresentados acima, por meio de sua retóri-
ca, que promoverá um bálsamo aos ouvidos da humanidade caren-
te de valores, que procura “a quem seguir”, num mundo tão perdido
e necessitado de novos ideais, para que o homem o entenda e o
preencha com novos valores. Seu intento é substituir os princípios
bíblicos pela nova ordem das coisas; é tratar a Bíblia como um anti-
quado e ultrapassado livro de regras e trazer à tona uma nova aplica-
ção global de uma nova era, para uma nova ordem e reorganização
humana. Nada de novidade! Em Babel, também foi assim que seus
líderes convenceram aquele povo a construir uma torre para tentar
chegar ao céu, adquirir conhecimento e tornar-se semideuses! Mas,
ao fim, não chegaram a lugar algum; apenas promoveram mais um
julgamento divino contra si mesmos; confira em Gênesis 11.
Em 2003 o respeitado jornal britânico BBC.Co divulgou a seguinte
notícia sobre o discurso de Ano-Novo do então papa João Paulo II:
“Em sua tradicional mensagem de Ano-Novo, o papa João Paulo II dis-
se, nesta quinta-feira, que o mundo precisa de uma nova ordem inter-
nacional para resolver os conflitos e assegurar a paz. Para o papa, esta
nova ordem poderia se inspirar nas Nações Unidas. O pontífice disse
que a nova ordem mundial deveria ser capaz de fornecer soluções para

66
Capítulo 2 - Influência Babilônica

os problemas atuais (...)”21. Dando continuidade, Bento XVI também


faz coro com seu antecessor em recente discurso veiculado pelo
jornal do Vaticano e divulgado em diversos meios aqui, na Europa,
em 2009, bem como no site Jornal de Notícias: “Na encíclica‘Caritas
in veritate’ (A caridade na verdade), Bento XVI defende uma nova
ordem política e financeira a nível mundial. Mas a carta destina-se
a ‘promover o desenvolvimento humano integral’ e não apenas res-
ponder à crise”22. Observem que o mesmo discurso tem crescido
nos últimos anos. “Pois que, quando disserem: Há paz e segurança,
então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto
àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão” (1 Ts 5:3).
Aonde isto nos remeterá? Serei bem claro em minha constatação: à
criação de um governo mundial dentro da proposta da nova ordem
mundial! Na qual surgirá uma liderança no mundo, a princípio ca-
paz de solver os problemas sociais, crises econômicas, escassez de
recursos, etc. A Bíblia denomina este poderoso reinante o “anticris-
to”, e o tempo será o da “tribulação” e posteriormente o da “gran-
de tribulação”. O tempo que vivemos hoje é o tempo do “princípio
das dores”, conforme descrito por Jesus: “Porque se levantará nação
contra nação, e reino contra reino, e haverá terremotos em diversos
lugares, e haverá fomes e tribulações. Estas coisas são os princípios
das dores” (Mc 13:8). João diz ainda: “Filhinhos, é já a última hora; e,
como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm
feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora” (1 Jo
2:18).
O sistema babilônico inaugurado em Babel ainda vive e seu auge
será o domínio temporal do planeta. Neste tempo, o sistema mun-
do, ou o império babilônico, irá governar com tirania por meio de
seu tripé: diabo ou anticristo (em hebraico, é adversário ou ser an-
tagônico, enganador – sistema contrário a Cristo e aos seus princí-
pios), a besta (impérios em forma de sistemas e lideranças mundiais)
e o falso profeta (falsas religiões e espírito de engano): “E o diabo,
que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a
besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para

21 Matéria publicada por BBC.Co em 1º de janeiro de 2003 em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/


noticias/story/2004/01/040101_papa2rc.shtml>.
22 Matéria publicada pelo Jornal de Notícias em 8 de julho de 2009 em: <http://www.jn.pt/PaginaIni-
cial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1301370>.
67
Relógio dos Tempos

todo o sempre” (Ap 20:10). Este será o fim de tudo e o recomeço para
os salvos. O nazismo terá sido “café pequeno” diante deste tempo
iminente. A princípio promovendo paz, soluções econômicas e de
mercado, mas depois de três anos e meio virá a assolação, e o anti-
cristo eliminará os que ainda professarem sua fé em Cristo. “E ele fir-
mará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana
fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações
virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado
será derramado sobre o assolador” (Dn 9:27); para isso, exigindo o
que a Bíblia chama de “a marca da besta” (sistema de identificação
codificada global utilizado nos países dos blocos), que, tudo indica,
será um sistema codificado, um microchip ou biochip, como tem
sido conhecido e implantado no corpo humano para a identificação
pessoal, localização geográfica e o comércio – este sistema já existe
no mundo e tem sido usado aqui na Europa como medida antisse-
questro e de identificação, bem como para o controle de animais de
estimação. Nos EUA, o governo americano já o tem adotado a prin-
cípio para uso em sistemas de saúde; até ao Brasil já tem chegado.
Confira estes fatos abaixo:
“O medo da violência colocou 22 famílias gaúchas na fila para ad-
quirir uma tecnologia de segurança ainda incomum no Brasil: o
microchip cutâneo. Atualmente, 42 famílias brasileiras – cerca de
200 pessoas – usam o equipamento no corpo, sob a pele. A base de
monitoramento está situada em Miami (EUA). O serviço garante o
rastreamento da localização do usuário por meio de satélite”23.
Em 27 de outubro de 2010, o programa global da apresentadora
Ana Maria Braga disparou uma ampla reportagem falando sobre
nanotecnologia e a utilização do microchip com implantação
subcutânea, mostrando cenas de novelas que narram esta iniciati-
va e algumas outras matérias24. Esta reportagem pode ser vista no
YouTube, (abaixo, na nota de rodapé, o endereço do site). Ali, ela en-
trevista um engenheiro de tecnologia, que menciona que o micro-
chip já é uma realidade cada vez mais evidente no Brasil, seguindo a
tendência mundial. O que a Bíblia dizia sobre isso há dois mil anos e

23 Matéria veiculada em fevereiro de 2005 em: <http://brazil.indymedia.org/pt/blue/2005/02/308592.


shtml>.
24 Programa veiculado pela Rede Globo em 27 de outubro de 2010; assista em: <http://www.youtube.
com/watch?v=N9ah39oXZ6U&feature=player_embedded>.
68
Capítulo 2 - Influência Babilônica

que era inimaginável há alguns anos hoje é uma realidade. Confira


o que a Bíblia diz: “E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e po-
bres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou
nas suas testas, Para que ninguém possa comprar ou vender, senão
aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu
nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o
número da besta [sistema global da nova ordem mundial]; porque
é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e
seis” (Ap 13:16-18). Este número representa um código, como são
codificados hoje em dia todos os cartões com microchip, redes vir-
tuais, etc.

A NOVA ORDEM MUNDIAL


“Na teoria das relações internacionais, o termo “Nova Ordem Mun-
dial” (NOM) tem sido utilizado para se referir a um novo período no
pensamento político e no equilíbrio mundial de poder, além de uma
maior centralização deste poder. Apesar das diversas interpretações
deste termo, ele é principalmente associado com o conceito de go-
vernança global. Foi o presidente dos Estados Unidos Woodrow Wil-
son, que pela primeira vez desenvolveu um programa de reforma
progressiva nas relações internacionais e liderou a construção da-
quilo que se convencionou denominar de “uma Nova Ordem Mun-
dial” através da Liga das Nações. Nos Estados Unidos a expressão foi
usada literalmente pela primeira vez pelo presidente Franklin Dela-
no Roosevelt em 1941, durante a II Guerra Mundial. A Nova Ordem
Mundial também é um conceito sócio-econômico-político que faz
referência ao contexto histórico do mundo pós-guerra. Foi utilizada
pelo presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan na década de
1980, referindo-se ao processo de queda da  União Soviética  e ao
rearranjo geopolítico das potências mundiais”25.
Nominalmente, a “Nova Ordem Econômica Mundial” foi criada na
Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento
sob o texto redigido: “A Nova Ordem Econômica Internacional foi
imposta por um conjunto de propostas elaboradas e expressas pela
Assembleia Geral nos documentos ‘Declaração de Estabelecimento

25 Fonte: http://geolibertaria2.blogspot.de/2009/10/nova-ordem-mundial.html
69
Relógio dos Tempos

de uma Nova Ordem Econômica Mundial’ — Resolução 3.201 (1º


de Maio de 1974) e ‘Plano de Ação para o Estabelecimento de uma
Nova Ordem Econômica Mundial’ — Resolução 3.202 (1º de Maio de
1974) e ‘Carta de Direitos e Deveres dos Estados’ — Resolução 3.281
(12 de Dezembro de 1974). O objetivo era diminuir a disparidade de
poder nas relações econômicas entre países industrializados e paí-
ses em desenvolvimento. As propostas situavam-se em torno de al-
gumas reivindicações específicas dos países em desenvolvimento,
dentre os quais podemos citar: estabilidade de preços para commo-
dities e matéria-prima, transferência de recursos de países ricos para
pobres, industrialização e tecnologia, corporações transnacionais,
acesso a mercados, reforma no Sistema Monetário Internacional e
maior poder nas discussões internacionais”26. Passados 38 anos, a
previsão se concretiza e os chamados emergentes ou em desen-
volvimento são decisivos e o mundo toma novos contornos. Todos
os órgãos internacionais, como Banco Mundial, Unesco, ONU, FMI,
OMC27 e outros têm invitado todos os esforços para o cumprimen-
to das mais variadas resoluções estabelecidas em suas conferências

sobre os mais diversos temas. Em pauta, são propostos acordos in-


ternacionais que vão desde pacificação de conflitos armados e civis;
ajuda humanitária; planejamento econômico mundial; leis univer-
sais de direitos humanos; passando por meio ambiente (emissão de
gazes na atmosfera e controle ambiental); até produção industrial;
crescimento econômico; disparidade social e outros temas afins. To-
das as ações no mundo são decididas por esses organismos regula-
dores internacionais e nenhuma nação está excluída do âmbito de
suas decisões, sanções e critérios legais.
Quem imaginaria China, Índia e Brasil na lista do TOP 10 tão rapida-
mente? O mundo tem mudado aceleradamente desde a Segunda
Guerra Mundial, e depois, com a derrubada do comunismo e o fim
da Guerra Fria, seu ícone foi a abertura de Moscou e a derrubada
do muro de Berlim em 1989. O crescimento econômico japonês; a
reconstrução da força europeia; o crescimento dos países que eram

26 Fonte: http://www.franciscolinhares.com.br/conteudo.php?id=764 (geografia e relações internacio-


nais)
27 Unesco (United Nation Educational, Scientific and Cultural Organization – Organização para
a Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidas); ONU (Organização das Nações Unidas); FMI (Fundo
Monetário Internacional); OMC (Organização Mundial do Comércio).
70
Capítulo 2 - Influência Babilônica

considerados do Terceiro Mundo; a globalização e o despontar da


China e Coreia do Sul; a moderna industrialização e a competitivida-
de do livre comércio mundial. Tudo isso em apenas quatro décadas.
Hoje os países em desenvolvimento reclamam cadeira definitiva na
ONU para poderem participar mais ativamente das decisões mun-
diais. O mundo político hoje é um grande bloco, onde todos assu-
mem um mesmo sentido, de sobrevivência nacional, livre comércio
e desenvolvimento econômico. Não há espaço para desiguais, as
ditaduras isoladas estão ruindo, os satanizados “Fidéis” e “Saddams”
do mundo pós-moderno estão sendo tirados, mortos, ou seja, a
possibilidade de surgimento de uma liderança global mais formata-
da, de um governo mundial central, é muito mais real hoje que em
qualquer outra época da história humana!
Morando aqui na Alemanha e tendo conhecido diversas nações
europeias, observo atentamente o relógio profético adiantando-se
rapidamente e o agir no mundo, sua movimentação em espiral de
forma frenética, inclusive em países que, até 20 anos atrás, faziam
parte da cortina de ferro comunista, como a Alemanha Oriental, Po-
lônia e a República Tcheca (antiga Tchecoslováquia). O que hoje no
Brasil estamos vendo acontecer, como a liberação do aborto, leis
anti-homofóbicas, independência juvenil, avanço tecnológico de-
senfreado, vulgarização sexual, distorção dos princípios da família
e casamento, crescimento islâmico e diversas seitas como Nova Era,
ateísmo em alta, supervalorização do conhecimento acadêmico,
que cada vez mais exclui Deus e o espiritual, o materialismo, filoso-
fias diversas, idolatria do esporte, comercialização da religião, en-
fim, tudo isso, e muito mais, já existe aqui na Europa há diversas
décadas. Talvez pelo atraso que as guerras e regimes fechados pos-
sam ter provocado, há uma aceleração sócio-político-cultural que
os apressa para recuperarem tempo na inserção a um novo mundo
globalizado. A cultura europeia é a grande influenciadora, a maior
propagadora do sistema babilônico no mundo, como se vê, exata-
mente como a Bíblia nos mostra que aconteceria nestes tempos fi-
nais.
Mas não somente a Europa física, pois hoje os países que foram
colonizados por ela vivem a mesma realidade, como os EUA, Brasil,
Austrália, Índia, África do Sul e Continental, e diversas outras nações.
71
Relógio dos Tempos

A Europa colonizou todos os continentes, a raiz greco-romana foi


difundida, literalmente “devorou a terra e a repartiu” (Dn 7:23), per-
passando os séculos, e tem sido a base de influência em todas as
culturas. Por exemplo, no Brasil e demais países da América, vimos
quanto a imigração europeia influencia na cultura e demais aspec-
tos sociais.
Resumo histórico: Babel: sistema babilônico à Persas à
Grécia à Roma à Europa à Mundo Ocidental à Modernidade
à Pós-modernidade e blocos mundiais à Nova ordem mundial
e governo mundial.
MAS E DAí, O qUE TEMOS A VER COM ISSO TUDO E O qUE EU E VOCÊ PODEMOS FAzER? 

Primeiramente somos sal e luz28, e segundo: precisamos “ter nossos


olhos abertos” para ver e “visão” para alcançar o que o Senhor está
vendo e buscando. Só para refrescar nossa memória: “Mas Jesus,
aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e
na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome
do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que
vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos
tempos” (Mt 28:18-20).
Quero terminar este ponto com uma afirmação que, para muitos,
soa extenuante, mas, para mim, retumbante e com voz profética:
AQUELE QUE TEM OUVIDOS PARA OUVIR OUÇA O QUE O ESPÍRITO
DIZ À IGREJA: JESUS ESTÁ VOLTANDO!
Confira a lista (decrescente) dos dez países mais ricos do mundo em
2012, divulgada pelo Banco Mundial; baseada no último PIB (Produ-
to Interno Bruto):
10.  Índia: rápido crescimento do PIB para USD 2.012.760 tri-
lhões. Crescimento de 8,2% em relação a 2010. Alguns dos fatores
que  contribuíram  para o seu progresso foram os investimentos,
mercado interno, produtos agrícolas e os setores de serviços.
9. Rússia: PIB de USD 2,117.245 trilhões.  Foram devidamente es-
tabelecidos planos de desenvolvimento econômico desde 2007.

28 “Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as
suas obras eram más” (Jo 3:19); “Vocês são o sal da terra” (Mt 5:13); “Vocês são a luz do mundo” (Mt 5:14).
72
Capítulo 2 - Influência Babilônica

Média de crescimento em torno de 6,7% a.a.; busca ainda desenvol-


vimentos industriais e em outros setores econômicos.
8.  Itália: possui um PIB de USD 2,287.704 trilhões e, segundo o
Banco Mundial e o FMI, tornou-se a quarta maior economia da Euro-
pa, quando se trata de PIB nominal. Buscou a inovação e diversifica-
ção nas economias industriais e em sua infraestrutura. É um dos oito
membros das nações industrializadas do grupo G8. Porém, entra em
2012 com uma gravíssima recessão e uma alta taxa de desemprego.
7.  Reino Unido: USD 2,603.880 trilhões; o Reino Unido tem uma
média de crescimento trimestral do PIB de 0,58%, o que o torna um
dos gigantes quando se trata de economia estável, apesar da re-
cessão que atingiu os principais países na ultima década. Detém a
terceira maior economia da Europa.
6. Brasil: acumulou um PIB de USD 2,616.986 trilhões. Conseguiu
chegar a 0,80% de crescimento, que vem principalmente de seus
setores de serviços, fabricação de produtos de mineração e agricul-
tura. É a maior economia da América do Sul. 
5. França: USD 2,888.907 trilhões registrados no fim de 2011, atin-
giu o crescimento de 0,30% em 2011.  É considerada a segunda
maior força econômica na Europa por causa de sua moderna con-
centração industrial diversificada. Apesar da recessão de 2008 para
2009, teve seu retorno no biênio 2010-2011.
4.  Alemanha: ganhou um total de USD 3,707.790 trilhões, com
crescimento de 0,31%. É o número um da Europa. Centrado em ex-
portações, com uma saída de um terço de sua produção.
3.  Japão: chegou ao terceiro lugar com USD 6,125.842 trilhões.
Alcançou 0,52% de crescimento médio. É conhecido por sua com-
petitividade no livre comércio internacional.  Na verdade, ele tem
mantido sua classificação na lista dos cinco países mais ricos desde
a década de 1960, mesmo com a recente catástrofe dos tsunamis.
2.  China: fechou 2011 com USD 7,744.133 trilhões e crescimento
médio do PIB de 2,15%. É a segunda maior economia do mundo,
atrás apenas dos EUA. Focada no comércio internacional, é também
o segundo maior importador de mercadorias no mundo. Alguns
73
Relógio dos Tempos

analistas indicam que, em dez anos, chegará ao topo no mundo se


mantiver este crescimento anual.
1. Estados Unidos: ainda detém o título de maior economia, com
seu lucro em USD 15,495.389 trilhões. O crescimento do PIB na or-
dem de 3,27%. Assim como a China, também é orientado para o
mercado externo e se concentra em empresas particulares. Porém
encontra-se em recessão e com altas taxas de desemprego, e a eco-
nomia desacelera nos últimos anos.
Estou atentando para os fatos: da globalização, junção de blocos
econômicos e discurso da nova ordem mundial. Penso sincera-
mente que tudo isso seja pano de fundo para os cumprimentos
proféticos nos tempos finais. Nos sites faço rotineiramente um
apanhado de notícias atuais relacionando-as aos cumprimen-
tos proféticos, à luz da Bíblia. Você pode acompanhar acessando:
jesusestavoltando.com.br ou relogiodostempos.wordpress.com
O fator “grande Babilônia” existe no mundo desde Babel, passando
por todas as eras até nossos dias. Trata-se de um sistema espiritual
que acaba por influenciar as culturas, afastando as pessoas de Deus
através de pensamentos filosóficos e humanismo, que é acreditar
no homem acima de todas as coisas e descartar Deus do contexto
real. Este sistema está impregnado nas sociedades, nos governos,
nas culturas, na vida humana de forma geral. É um sistema de go-
verno temporal que rege o cosmos distorcido pela queda no Éden,
que trouxe distúrbio ao gênero e ao caráter humano. Exatamente
por esse motivo, Jesus veio para trazer ordem ao caos, primeira-
mente implantando o reino de Deus no coração do ser humano até
chegar ao grande dia em que Babilônia será totalmente aniquilada
e vier o Reino de Deus plenamente.
No próximo capítulo discorro sobre outros acontecimentos históri-
cos e me aprofundo mais neste sistema babilônico que é o papel de
fundo para a compreensão do cenário atual. O sistema mundo vem
se desenhando, sendo formatado para culminar neste tempo. O Se-
nhor sempre tem estado no controle; Ele rege tudo a seu devido
tempo e alinha o Chronus ao Kairós soberanamente.

74
Capítulo 2 - Influência Babilônica

“Nessa vida tudo tem sua hora; há um tempo certo para tudo!” (Ec
3:1).
“O tempo é agora! O Reino de Deus está aqui. Mudem de vida e
creiam na Mensagem”. (Mc 1:15).
“Ele continuou: ‘Vou contar a você o que vai acontecer, nos dias de
juízo, pois haverá um fim para tudo isso” (Dn 8:19).
“A mensagem é confidencial e será guardada à chave até o fim, até
que tudo chegue à sua conclusão. O povo será purificado e renova-
do, mas os maus continuarão sendo maus, sem ter a menor ideia
do que está acontecendo. Já os que viverem de forma sábia e justa
entenderão tudo.”  (Dn 12: 9-10).

75
Relógio dos Tempos

76
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das épocas

CAPITULO 3

O RELÓGIO DOS TEMPOS E DAS ÉPOCAS

“Ele muda os tempos e as épocas; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá
sabedoria aos sábios e ciência aos inteligentes.” (Dn 2:21)

“... sabeis discernir a face da terra e do céu; como não sabeis então discernir os
sinais dos tempos?” (Lc 12:56)

77
Relógio dos Tempos

“depressa: o tempo foge e arrasta-Nos coNsigo: o momeNto em que


falo já está loNge de mim”. (Nicolas Bouleau, escritor e poeta crítico
fraNcês do século Xvii)

Enquanto escrevo este capítulo, uma infinidade de sinais se esboça


sobre o globo terrestre e nos céus. Atente a eles!

ATO PROFÉTICO EM GREENWICH


Quando estávamos em Londres realizando atos proféticos29, não ha-
via me atentado a algo muito importante. Fizemos o ato sobre o rio
Tâmisa, em frente ao Big Ben. Interessante que havíamos acabado
de sair de uma reunião muito abençoada na Hillsong Church, e che-
gamos ao Big Ben exatamente às 12 h. Os sinos estavam batendo e
ecoavam forte no ar. Neste momento lembrei-me de que o relógio
dos tempos e das épocas está para bater as 12 badaladas proféticas.
Porém, na véspera de voltar para nossa casa em Essen, tive um so-
nho em que via um imenso relógio e uma palavra: Greenwich30.
Pela manhã fui pesquisar e descobri que esse local foi estabelecido
no ano de 1851 como “o marco zero da terra” e a origem dos fusos
horários de todo o planeta! Relacionei esta minha “descoberta” com
a profecia de Daniel 7:25: “... cuidará em mudar os tempos e a lei”; sa-
bemos, pela história, que a Europa, descendente direto do Império
Romano, além de colonizadora do mundo moderno (Américas, Áfri-
ca, parte da Ásia, Austrália e outras partes), foi e tem sido a maior in-
fluência do mundo pós-moderno. Da Europa, têm saído os grandes
e renomados pensadores, filósofos, sociólogos, legisladores, cien-
tistas, formadores de opinião de forma geral e modelos de governo;
basta observarmos o surgimento do iluminismo, positivismo, revo-
luções como a francesa, movimento renascentista, o capitalismo, as
conquistas imperiais, a dominação econômica, enfim... entre outros
fatores que mudaram o mundo. O tempo cronológico (meridiano

29 No blog reavivamentoeuropa.wordpress.com você pode ver alguns atos proféticos. Em outro mate-
rial, sobre adoração profética, faço um estudo sobre o tema.
30 Greenwich: meridiano que divide a terra em ocidente e oriente, marcando os fusos horários,
cada um correspondente a uma faixa de 15 graus de longitude de largura, sendo a hora de Greenwich
chamada de Greenwich Mean Time (GMT). É considerado o marco zero da terra.
78
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

de Greenwich) fora definido pelos europeus, assim como as leis (o


Direito, herança romana), e até o calendário mundial.
Ali em Greenwich decretamos que: o relógio do tempo de Deus
(kairós) é o que determina os tempos no reino do Espírito e
que a marcação romana (chronos) é apenas temporal, sendo
totalmente submissa ao tempo celestial; o relógio de Deus é
estabelecido como o relógio para as nações, e este relógio está
a marcar o tempo do avivamento, o tempo do despertar da Noi-
va sobre a terra, e prestes a marcar o tempo do arrebatamento
da Igreja gloriosa e do governo de Cristo na terra e nos céus!
Esta experiência em Greenwich abriu de forma ampla meu entendi-
mento para discernir mais claramente os tempos e épocas proféti-
cos. “... isto é, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, celestiais
ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos” (Ef 1:10).

RELÓGIO DOS TEMPOS E ÉPOCAS, O TOQUE DAS TROM-


BETAS

Para o cientista que tem vivido pela fé no poder da razão, a


história termina como um sonho ruim. Ele escalou as mon-
tanhas da ignorância; está prestes a conquistar o pico mais
elevado, e, quando se lança sobre a última rocha, é saudado
por um grupo de teólogos que estão assentados ali há sécu-
los. (Robert Jastrow)

Como a tribo de Issacar no Velho Testamento, hoje Deus tem levan-


tado dentro da Igreja profetas entendidos de tempos e épocas, a
fim de discernirmos o que estamos vivendo e o que devemos fazer
nestes dias. O que a ciência descobre hoje, a Bíblia já menciona há
séculos. Precisamos, no entanto, de direção profética; os profetas
são levantados para dar direção ao povo: “... dos filhos de Issacar,
conhecedores da época [dos tempos], para saberem o que Israel [a
Igreja] devia [deve] fazer” (1 Cr 12:3).
Daniel era um homem entendido de tempos e épocas, um profe-
ta que vivia no sobrenatural de Deus. Precisamos da mesma unção
que estava sobre Daniel: “Certamente, o SENHOR Deus não fará coi-
79
Relógio dos Tempos

sa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os


profetas” (Am 3:7).
O profeta Daniel, em seu livro, no capítulo 9, trata a respeito de tem-
pos e épocas proféticos. As sete semanas (tempos até a primeira
vinda de Jesus); depois mais sessenta e duas semanas (restauração
e edificação de Jerusalém), depois das sessenta e duas semanas, a
morte do Ungido, o Messias (que se deu há cerca dois mil anos);
adiante se refere a mais uma semana, em que virá um terrível prín-
cipe e seu povo, que fará muitas alianças, mas, neste meio-tempo,
cessará o sacrifício, e ele se mostrará terrível (refere-se ao anticristo
em seu reinado sobre a terra na grande tribulação).
Daniel traz um panorama dos últimos tempos. Por meio das evi-
dências que vimos, não tenho dúvida alguma a respeito dos tem-
pos apocalípticos em que vivemos, pois os prenúncios dos acon-
tecimentos se mostram nítidos pelos sinais observados. “Ele queria
instruir-me, falou e disse: Daniel, agora saí para fazer-te entender o
sentido. No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para
to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a coisa e entende
a visão (...) por uma semana; na metade da semana, fará cessar o
sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá
o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame
sobre ele” (Dn 9:22-27).
Gostaria de fazer um apanhado e uma relação de textos bíblicos e
acontecimentos históricos e atuais, para uma maior compreensão
dos tempos e das épocas, a fim de entender este contexto, bem
como trazer o entendimento da atuação do principado da Grécia (e
Roma) nos montes de influência do universo pós-moderno. Acom-
panhe.

REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA, CIENTÍFICA E A NATUREzA


A revolução tecnológica dos últimos 60 anos foi maior que de Adão
e Eva até 60 anos atrás (a teologia sustenta que a humanidade, des-
de o Éden tem aproximadamente 6 mil anos de idade; para os ju-
deus, mais exatamente 5774 anos [em 2013] – desde a criação de
Adão). Resumindo, de 60 anos para cá, evoluímos em termos de ci-
ência mais do que durante toda a história das sociedades humanas.
80
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

Os últimos 15 anos, no entanto, têm apresentado um acelerado


desenvolvimento tecnológico e científico sem precedentes. Você
sabe, por exemplo, qual o modelo de aparelho celular ou tablet mais
moderno? Ou o top das invenções na área da informática, nanotec-
nologia e robótica? Você consegue imaginar o mundo sem inter-
net e celular? Estes dois têm pouco mais que 15 anos, mas às vezes
parece-nos que sempre existiram; nunca se inventou tanto, nunca
se descobriu tanto. Em 1961, com o cosmonauta russo Yuri Gagarin,
o homem, pela primeira vez, atravessou a estratosfera e chegou à
órbita terrestre, alcançando o espaço – diz-se que lá de cima ele leu
o Salmo 8 - hoje, passados 50 anos, já chegamos com uma sonda
até Marte. Quando eu estava no Ensino Fundamental, na década de
1980, aprendi que a menor partícula era o átomo, com seus prótons
e elétrons. De 20 anos para cá, já descobriram os fótons, glúons e os
quarks, partículas centenas de vezes menores.
Em 2008, após quase 20 anos de estudos e trabalhos em um investi-
mento de mais de 5 bilhões de euros, governos de várias nações do
mundo, inclusive o Brasil, entraram num consórcio e construíram,
entre a França e a Suíça, um túnel de 27 km, com a intenção de pro-
mover a aceleração de partículas e o choque de prótons. Eles preve-
em que, com isso, descobrirão os mistérios que envolvem a criação
do universo, a partir da teoria do Big –Bang, e conhecerão o que eles
chamam de “bóson de Higgs”, popularmente chamada de “a partí-
cula de Deus”. Agora, em 2012/13, eles fizeram funcionar e estão
enfim promovendo a aceleração de partículas em larga escala31.
Em citação recente, o cosmologista e escritor americano Lawrence
Krauss32, seguindo a mesma linha do considerado maior gênio da
atualidade, o físico Stephen Hawking33, declarou: “Deus se tornou
redundante. A ciência finalmente chegou ao ponto de poder ex-
plicar a criação do universo. E Deus não tem nada a ver com isso”.
Mais adiante, ele afirma: “Prefiro pensar em mim não como um ateu,
e sim como um antiteísta. Não posso provar sem sombra de dúvidas

31 O acelerador de particulas LHC revelou indicios do Bóson de Higs. Em 2014 a capacidade de descoberta
irá dobrar.
32 Entrevista à revista Época, edição de 9 de abril de 2012.
33 Stephen Hawking: físico teórico e cosmólogo britânico, um dos mais consagrados cientistas da atuali-
dade. Doutor em cosmologia, foi professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge (pos-
to que foi ocupado por Isaac Newton).
81
Relógio dos Tempos

que Deus não existe, mas posso afirmar que preferiria muito mais
viver num universo em que ele não exista”.
Em entrevista para o jornal The Times, em setembro de 2010, Ste-
phen Hawking também declara: “Não é necessário que evoquemos
Deus para iluminar as coisas e criar o universo. Deus não tem mais
lugar nestas teorias”. Obviamente, eles desdenham do que a Bíblia
nos ensina: “Deus marcou o tempo certo para cada coisa. Ele nos
deu o desejo de entender as coisas que já aconteceram e as que
ainda vão acontecer, porém não nos deixa compreender completa-
mente o que ele faz” (Ec 3:11, LH). “Desde a antiguidade fundaste a
terra, e os céus são obra das tuas mãos” (Sl 102:25 e Hb 1:10).
Lembra-se de Babel? Esta síndrome nunca deixou de existir entre os
homens e está mais vívida hoje do que nunca. Em Gênesis 11, Deus
desceu para olhar e julgar. E agora? Fica no ar a resposta; vamos
prosseguir.
As mudanças no mundo desencadearam alterações em muitos sen-
tidos, inclusive na forma de gestar seus significados nos mais diver-
sos âmbitos. Sob este prisma, atualmente discutem-se temas como
clonagem, genoma humano, mudança de sexo, aquecimento glo-
bal, globalização, nano e biotecnologia, sistemas tridimensionais,
medicina molecular, técnicas super avançadas na engenharia, e
muitos outros. Uma infinidade de discussões científicas, filosóficas,
éticas, sociológicas e religiosas, para se tentar determinar a ética do
avanço científico e tecnológico desenfreado. A velocidade com que
o conhecimento é empregado alterou toda a cientologia na pós-
-modernidade.
Chegamos à seguinte indagação: Por que Deus resolveu, nas últimas
décadas, “liberar” tanto conhecimento acumulado para o homem?
Observe atentamente estes textos do profeta Daniel: “Ele muda os
tempos e as épocas; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sa-
bedoria aos sábios e ciência aos inteligentes” (Dn 2:21). “E tu, Daniel,
fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos
correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará” (Dn
12:4).
Estes últimos anos têm sido os maiores de toda a história da humani-

82
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

dade em descobertas e multiplicação de informação. Por exemplo,


há pouco tempo, por causa da moderna tecnologia, foi descoberta,
na bacia do Estado do Espírito Santo e em alguns outros Estados
do Brasil, uma das maiores jazidas de petróleo marítimo no mundo,
a chamada camada pré-sal34, que tem trazido muitas riquezas ao
país, a ponto de ajudar a elevá-lo, neste ano de 2012, à 6ª economia
mundial. Deus tem dado ao homem uma capacidade enorme de
inteligência e conhecimento, mistérios ocultos têm sido revelados
por meio da ciência, pela qual inúmeras descobertas têm sido rea-
lizadas. Qual o propósito disso? E o que pende mais na balança, em
vista do conhecimento e riquezas absurdos que o homem tem tido
como nunca antes, para construir ou destruir-se, juntamente com o
seu próprio habitat?
No mundo todo, nas últimas décadas, o clima tem estado alterado
por causa da destruição natural: frio demais e calor demais. Na Euro-
pa, pássaros e peixes têm morrido sem explicação aparente. Assim
como nas Américas e em todo o resto do mundo, fenômenos climá-
ticos como El Niño e La Niña estão superaquecendo e provocando
tempestades, chuvas tóxicas, ciclones, tufões, enchentes, tsunamis
e diversas catástrofes.
Na biodiversidade do planeta, inúmeras espécies têm entrado em
extinção. A camada de ozônio, gás que protege a terra dos raios ul-
travioleta, está se deteriorando por causa da poluição e ampliando
o aquecimento global. As calotas polares derretem rapidamente,
várias cidades litorâneas já estão condenadas a sumir do mapa nos
próximos anos.
Até que ponto a terra vai suportar tanta agressão? A natureza se
manifesta, como uma mulher com dores de parto se contrai; isto é
também um forte sinal dos tempos descrito por Jesus em Mateus
24. E todos igualmente sofremos, pois sentimos em nossa carne os
efeitos de tanta devastação natural e devassidão moral, pela qual o
mundo está passando. Não vivemos mais tranquilos quando pensa-
mos e sentimos no nosso espírito tanta destruição e morte ocorren-
do, tanta gente indo para a destruição.

34 Camada pré-sal: um gigantesco reservatório de petróleo e gás natural, localizado nas Bacias de San-
tos, Campos e Espírito Santo. Estas reservas estão localizadas abaixo da camada de sal (que pode ter até 2
km de espessura); foi descoberta graças à moderníssima tecnologia empregada pela Petrobras.
83
Relógio dos Tempos

“Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade,


mas por causa daquele [Satanás/sistema babilônico] sujeitou-a,
na esperança de que também a própria criação há de ser liberta
do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de
Deus. Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e
está com dores de parto até agora; e não só ela, mas até nós, que
temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos,
aguardando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Rm
8:19-23).

TOQUE DAS TROMBETAS


O livro de Apocalipse retrata o panorama do toque das trombetas.
Penso que não podemos afirmar literalmente, se já ocorreram ou se
ocorrem de forma conclusiva, ou se os acontecimentos são apenas
seu ensaio; de qualquer forma, observe que interessante é a relação
abaixo35:
• Primeira trombeta: “queimou-se a terça parte das árvo-
res...” (Ap 8:7). No início o planeta possuía mais de 60 milhões
de km² de florestas, mas, em pouco mais de seis décadas,
houve uma devastação tão abrangente que fez 75% delas
sumirem da terra. Somente na Amazônia, 26 mil km² por ano
ou 71,3 km² por dia são desmatados desde 1988.
• Segunda trombeta: “E morreu a terça parte das criaturas
que tinham vida no mar” (Ap 8:8-9). A pesca predatória e em
excesso nos últimos anos tem sido responsável pela redução
de diversas espécies de peixes (assim como a poluição nos
mares). Aproximadamente 70% dos estoques comerciais de
peixe no mundo estão esgotados.
• Terceira trombeta: “... e caiu sobre a terça parte dos rios,
e sobre as fontes de águas” (Ap 8:10-11). Cinco milhões de
pessoas morrem anualmente de doenças transmitidas pe-
las águas contaminadas no mundo, por causa da falta de
saneamento básico. A água potável está ficando escassa e
o desmatamento acelera o processo. Praticamente 90% do

35 Baseado no Livro O segredo de Patmos, de Delso Gomes.


84
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

esgoto mundial é despejado nos mares.


• Quarta trombeta: “... e foi ferida a terça parte do sol, e a ter-
ça parte da lua, e a terça parte das estrelas;” (Ap 8:12). Algu-
mas correntes teológicas defendem que a quarta trombeta
é o arrebatamento da Igreja. Observe o verso seguinte: “Ai,
ai, ai dos que habitam sobre a terra! Por causa das outras
vozes das trombetas dos três anjos que ainda hão de tocar”
(v. 13). O sol, lua e as estrelas em Gênesis 37:9 representam
pessoas. Jesus afirma que nós somos a luz do mundo. Uma
terça parte desta luz será tirada, mas porque dois terços fica-
rão? Porque não estarão preparados: serão muitos sacerdo-
tes, líderes, pessoas de influência e pessoas comuns que não
estarão preparadas para o arrebatamento.
• Quinta trombeta: “E o quinto anjo tocou a trombeta, e vi
uma estrela do céu que caiu na terra; (...) E o parecer dos ga-
fanhotos era semelhante ao de cavalos aparelhados para a
guerra. E tinham couraças como de ferro; e o ruído de suas
asas era como o ruído de carros...” (Ap 9:1-2). É óbvio que se
refere a aviões de guerra; hoje o avião é a principal arma de
guerra e será no futuro, com máquinas cada vez mais velo-
zes e com poder de destruição inigualável. É muito provável
que esta trombeta se refira a uma grande guerra de propor-
ções mundiais, a Terceira Guerra Mundial.
• Sexta trombeta: “E foram soltos os quatro anjos, que esta-
vam preparados para a hora, e dia, e mês, e ano, a fim de
matarem a terça parte dos homens” (Ap 9:13-21). Uma ter-
ça parte da humanidade será morta; hoje compreende um
pouco mais de dois bilhões de pessoas na terra. Estes mortos
serão aqueles que se arrependeram e não se deixaram mar-
car pela Besta e não a quiseram adorar nem servir; durante
um período de 42 meses, ou três anos e meio, haverá este
genocídio. Aliás, esta marca a que se refere João no Apoca-
lipse (13:17) é mais real hoje do que nunca, com o desen-
volvimento de um microchip que já tem sido colocado em
diversas pessoas no mundo todo. A previsão é todos serem
controlados, comercializando por meio desse sistema.

85
Relógio dos Tempos

• Sétima trombeta: “... O reino do mundo se tornou de nosso


Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos sécu-
los” (Ap 11:15). Por fim entronizado, há de julgar os povos e
as gentes de toda a terra, em todas as eras e gerações. O Rei
das nações reinará eternamente!

SISTEMA MUNDO
Estando em Jerusalém, Deus me trouxe à memória este estudo que
fiz há algum tempo a respeito do sistema mundo. Após nos situar-
mos em que tempo vivemos hoje, é necessária uma análise socioló-
gica e espiritual deste sistema no qual estamos inseridos consciente
ou inconscientemente, desde sua definição até suas faces de ex-
pressão mundial. Na verdade, este sistema é exatamente o sistema
que a Bíblia chama de “a grande Babilônia” (Is 13 e Ap 17 e 18): “E na
sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande Babilônia, a mãe
das prostituições e abominações da terra” (Ap 17:5).

O QUE É O SISTEMA MUNDO?


Um dos grandes obstáculos que encontramos para ver o movimen-
to profético dos tempos, viver no sobrenatural e experimentar a
presença de Deus por meio da nossa fé é a pressão sofrida na men-
te, exercida fortemente pelo que denomino sistema mundo. Este é
o sistema em que estamos inseridos, e a apostasia é um dos seus
agentes. Em minha opinião, é o pano de fundo e o meio pelo qual
a humanidade está sendo levada a algumas situações descritas e
informadas pela Bíblia, tais como: “o vale da decisão”; “princípio das
dores”; “arrebatamento”; “a grande tribulação”; “milênio”, “Armage-
dom”. (Se quiser conhecer mais, leia Joel 3, Mateus 24 e Apocalipse
11 a 16.)
Os textos abaixo são base da minha constatação e estudo:
• Efésios 2:2: “nos quais outrora andastes, segundo o curso deste
mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito
que agora opera nos filhos de desobediência”.
• 2 Coríntios 4:4: “nos quais o deus deste século cegou o entendi-
mento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do
86
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”. Na


versão LH: “Eles não podem crer, pois o deus deste mundo con-
servou a mente deles na escuridão. Ele não os deixa ver a luz
que brilha sobre eles, a luz que vem da boa notícia a respeito
da glória de Cristo, o qual nos mostra como Deus realmente é”.
• 2 Tessalonicenses 2:3 e 11: “Ninguém de modo algum vos enga-
ne; porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apos-
tasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição”;
“E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam
na mentira”. 
• Jeremias 8:5: “Por que, pois, se desvia este povo de Jerusalém
com uma apostasia contínua? Ele retém o engano, recusa-se
a voltar”.
• Apocalipse 17:5: “Em sua testa havia esta inscrição: MISTéRIO:
Babilônia, a grande; a mãe de todas as prostitutas e das práti-
cas repugnantes da terra”.
O sistema mundo  tem se fortalecido e tem exercido influência ainda
mais ostensiva na pós-modernidade. Olhemos para nossa própria
vida: quanta correria, conseguinte falta de tempo, velocidade de in-
formação; e a cada dia mais desafios para se manter atualizado no
mercado de trabalho e nos campos da ciência e tecnologia, do con-
hecimento. Em contrapartida, observe como lhe falta tempo para as
coisas espirituais, como orar, jejuar e ler a Bíblia. O tempo chronos
tem sido supervalorizado em detrimento do tempo kairós, ou seja,
as pessoas têm tempo para tudo na vida, menos para Deus e o seu
reino. O ser humano é escravo deste sistema. É um sistema prisional
virtual, que não possui grades de ferro visíveis nem celas especiali-
zadas, mas a sensação é de uma escravidão constante. Uma Matrix36,
como a do filme, que controla os movimentos e manipula as pes-
soas. Romper com este sistema é imprescindível a quem quer viver
no sobrenatural. Vejamos algumas de suas frentes de atuação:
Na mídia e entre os jovens, observo as programações de cinema

36 Matrix: trilogia cinematográfica cujo primeiro filme foi lançado em 1999. Conta sobre um mundo
virtual, paralelo ao mundo real, que exerce influência e manipula todo o sistema e o comportamento das
pessoas.
87
Relógio dos Tempos

e TV, e fico me perguntando: onde autores de alguns filmes em evi-


dência buscam sua fonte de inspiração? O conhecimento que es-
tas pessoas têm do sobrenatural e do mundo espiritual é profundo
e assustador; não é, de forma alguma, mero fruto da inspiração e
criatividade humana. Existe uma mente, que é a mente do “prínci-
pe deste mundo”, agindo para formar uma consciência seduzida e
escravizada nos participantes passivos deste sistema. A mídia tele-
visiva, a internet, a mídia impressa e audiovisual têm sido veículos
ativos para a implantação do inconsciente coletivo. A criação das
redes sociais virtuais, por exemplo, é uma demonstração clara disso.
Ao mesmo tempo que é um passatempo, também é um ladrão de
tempo. É também uma formadora de opinião. No mundo cibernéti-
co, em segundos, uma informação é repassada para bilhares de pes-
soas conectadas nos quatro cantos do planeta; não há mais fron-
teiras; o mundo virtual quebrou os paradigmas e os conceitos das
fronteiras geográficas e de idioma, uma vez que programas simples
são capazes de traduzir instantaneamente todas as línguas. Não se
tem noção da influência das redes sociais na vida e comportamento
das pessoas. Um destaque aqui é para a pornografia na internet,
responsável pelo maior numero de acessos em todo o mundo. O
que se faz em oculto destrói o caráter e a moral, corroendo casa-
mentos e famílias. O fato é que todos que estão ligados à internet
são de certa forma controlados por um sistema. O comércio hoje é
todo conectado por sistemas: sistemas bancários, de cartão de cré-
dito e débito, importação e exportação, fiscalização e cobrança de
impostos, identificação pessoal, análise de crédito. Enfim, absoluta-
mente todas as informações, TUDO hoje está em sistemas virtuais
devidamente codificados.
Observo as programações voltadas para o público infantil e ado-
lescente: é raro algum que não envolva conceitos espirituais, seres
alienígenas, feitiçaria ou magia, e vodu, com uma roupagem mo-
derna, engraçada e até romântica. Cenas de sexo explícito são outra
coisa comum, inclusive em horários comerciais.
Na realidade, esta geração já está praticamente preparada para re-
ceber o anticristo, os demônios encarnados e o sobrenatural do ma-
ligno, pois eles já são amplamente mostrados na mídia, nos games,
nos livros infantojuvenis, como Harry Potter, Senhor dos Anéis, a série

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Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

Lua Nova e outros que têm se tornado best-sellers.


Existe uma ficção que romantiza a relação entre a humanidade e os
monstros, como vampiros e lobisomens, que têm atraído e habita-
do a imaginação da nossa juventude. Antigamente ouvíamos falar
da mensagem subliminar nas musicas e TV, mas agora os mentores
do sistema mundo estão transformando os temas em ficção ao vivo,
em cores e em tecnologia 3D, inclusive nos games, sem maiores
problemas, pois a atual geração foi preparada para isso. Imagine as
próximas gerações: o que mais as assustará num mundo tão inseri-
do no lado obscuro e convivendo pacífica e naturalmente com ele?
As crianças e adolescentes estão sendo preparadas para receber a
atuação espiritual e mística de forma “natural”.
Um monstro demoníaco fazendo papel de herói ou anti-herói é até
familiar. Filme para adolescentes e jovens que ensina a fazer bruxa-
rias se tornou style. Festas esotéricas entraram no calendário das es-
colas, como Halloween e vampirismo (no site estão disponíveis mais
estudos sobre esses temas: www.jesusestavoltando.com.br, em “es-
tudos”). Há uma tremenda pressão do mundo, dos costumes sociais,
que se tornaram hábitos, senhores cruéis que não deixam impunes
as mais inocentes sociedades; quase todos são levados a partilhar e
gastar o suado dinheiro e o precioso tempo para alimentar a fome
insaciável provocada pelo sistema mundo, agente direto da “gran-
de Babilônia”. Seja comprando a sandália da artista da moda, ou a
moda em constante mutação; o tênis promovido pelo astro de fu-
tebol; o último aparelho de comunicação produzido; os abadás de
festas, etc; é caro ser um jovem cool. Neste contexto, percebemos
também a atuação do deus do dinheiro e consumismo selvagem
chamado “Mâmon”37.
Nos esportes: em outra nuance estão os esportes, que têm sido
promovidos para gerar o culto ao corpo, idolatria, violência e fana-
tismo. Resultados manipulados e a manipulação da euforia huma-
na. Esporte deveria ser para promover o prazer, saúde e bem-estar
físico e mental apenas, mas o que se vê é o extremo do fanatismo
cultual, poder econômico e comportamentos que nada têm a ver

37 Mâmon: no original hebraico mammonas – denota a posição de um deus, correspondente à avareza


e faz irromper o consumismo.
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Relógio dos Tempos

com a saúde.
*Maldição olímpica: Há algum tempo fiz um levantamento, orientado
pelo Espírito Santo, e descobri que quase todos os países sede das Olim-
píadas é acometido por algum tipo de devastação natural, econômica
ou guerras. Observe a catástrofe do terremoto que aconteceu na Chi-
na, nas últimas Olimpíadas. Fiz este levantamento desde os jogos de
1936, em Berlim, na Alemanha – que, aliás, reintroduziu os rituais ori-
ginais da Grécia antiga, como o ascender da tocha olímpica no mon-
te Olimpo. Esta Olimpíada foi a maior da história até ali e os nazistas
fizeram maciça propaganda comparando a sua atual “raça ariana”38
aos deuses mitológicos gregos –, que foi seguida da Segunda Grande
Guerra Mundial; em 1972, a delegação israelense foi atacada por terro-
ristas em Munique; em 1976, Montreal teve um prejuízo de mais de 2 bi-
lhões de dólares, levando mais de 30 anos para se recuperar; em 1980,
invasão da ex-URSS ao Afeganistão e o maior boicote da história
olímpica; até chegar a 2008, na China, com o maior tremor de terra da
sua história, que matou mais de 87 mil pessoas e deixou cerca de 4,45
milhões de feridos, e assim por diante; todos têm sido alvo de aconte-
cimentos trágicos. Isso porque o principado que age por trás da fes-
ta olímpica é o terrível principado da Grécia. E, a tocha olímpica, que
roda o país, demarcando o território e o consagrando aos “deuses do
Olimpo” (principados), traz terríveis maldições à nação sede do even-
to. é bom lembrar que, na Grécia antiga, eles tinham os deuses como
humanos, sendo Zeus o rei dos deuses. Toda esta mitologia ainda é
celebrada nos dias atuais na iminência dos Jogos Olímpicos, quando
a tocha é acesa, invocando os mesmos poderes místicos dos deuses.
Como se sabe, a tradição de manter um fogo aceso durante os Jogos
Olímpicos remonta à antiguidade, quando se efetuavam sacrifícios
a Zeus. Nessas cerimônias, os sacerdotes acendiam uma  tocha  e o
atleta que vencesse uma corrida até ao local onde se encontravam os
sacerdotes teria o privilégio de transportá-la para acender o altar do
sacrifício. O fogo era então mantido aceso durante os jogos como ho-
menagem a Zeus. Atualmente a tocha olímpica se tornou um marco,
quando, alguns meses antes de começarem os jogos, ela passeia pelos

38 A palavra ário (do sânscrito arya, “nobre”) está associada à discussão sobre a existência de um povo


ariano diferenciado, modernamente denominado de proto-indo-europeu, e que deu origem às línguas
primitivas indo-europeias. O conceito de “raça ariana” pode ser encontrado conceitualmente diferenciado
em outras crenças distintas, como a religião denominada arianismo. O partido nazista de Hitler adotou
este conceito para formar uma consciência nacionalista.
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Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

países participantes, praticamente todos do mundo atual – afinal, já


que o esporte como competição tem se tornado estrategicamente uni-
versal, que outra melhor forma Satanás teria para adentrar uma nação
e demarcá-la? Por que você acha que as redes de TV mundiais pagam
cifras astronômicas para transmiti-los? Agora observe: enquanto du-
ram os jogos, a tocha do “altar” fica queimando e sacrifícios são ofere-
cidos a Zeus – a esta altura, você já deve saber quem é Zeus! Não temos
noção do que ocorre exatamente no mundo espiritual durante estes
jogos e de como os “principados e seus gurus universais” exercem sua
magia nos mesmos, ou você duvida do sacrifício humano ainda hoje:
por que você acha que tantas crianças têm desaparecido no mundo?
Precisamos orar, pois está previsto que o Brasil será a sede destes jo-
gos em 201639. Lembram-se da catástrofe que acometeu as regiões
montanhosas do Rio de Janeiro, que se tornou A MAIOR CATÁSTROFE
NATURAL DA HISTÓRIA DO BRASIL e que está entre as dez maiores do
mundo? Você realmente acha isso coincidência?!? O que ainda pode
estar por vir?
Tendências, comportamento e política: quando você vai a outros
países, observa que a juventude apenas muda de idioma, mas os
gostos e atitudes são os mesmos em todo o mundo; é a padroni-
zação comportamental difundida pelo mundo globalizado, que é o
facilitador deste sistema. São fones nos ouvidos, celulares ou tablets
nas mãos e mente vazia de grandes ideias. Vivemos num mundo
totalmente globalizado e por que não dizer, manipulado pelas ten-
dências. Mas a insatisfação só cresce. A pergunta é: de onde essas
tendências vêm? Vivemos a era dos reality shows; esta é a era do
besteirol, dos memes40 e da decadência da inteligência e da moral
humana. Um mundo onde uma música com conteúdo totalmente
sensual se torna número 1 nas paradas de sucesso. Aqui na Europa,
atualmente não se canta outra coisa41; é realmente um fenômeno
sociológico de nível mundial o que um hit é capaz de promover no
comportamento das pessoas.

39 No ato profético em Atenas, oramos contra esta atuação em nossa nação. Confira ainda neste
capítulo.
40 Memes: fenômeno que ocorre principalmente na internet, de fatos que explodem em sucesso
repentino.
41 Referência à música “Ai, se eu te pego”, que ganhou produção internacional e se tornou hit número 1
no mundo todo em janeiro de 2012. O conteúdo, no entanto, incita à vulgaridade e ao sexo.
91
Relógio dos Tempos

Vivemos a era dos políticos corruptos, que se reelegem sempre e


aprovam as leis às escondidas, contra o próprio povo, leis que de-
generam a moral, os princípios e a ética, e estamos passivamente
assistindo a tudo isso.
Quem manipula o mundo hoje? Nas mãos de quem está o controle?
Enquanto a juventude desacredita da política, as decisões ficam nas
mãos de maus gestores da vida publica: são verdadeiras sanguessu-
gas dos bens públicos, que somente legislam em benefício particu-
lar ou de determinados grupos de interesse (no Brasil, então, isso é
evidente, o câncer social que é a corrupção); contam-se nos dedos,
talvez de uma só mão, as exceções. Já não existem oposições e rei-
vindicações saudáveis, o que existe são verdadeiros zumbis sociais
levados pelo sistema cada vez mais comprometido com a corrup-
ção e a depravação moral.
Vivemos a era da globalização. No mundo todo, a impressão é que
está se formando um imenso exército de manipulados sociais, con-
formados com o mundo, em contraposição a Romanos 12:1-2. Isso
preocupa ainda mais, particularmente quando se relaciona a uma
grande fatia da Igreja, que deveria ser contra a cultura secular e
implantadora da cultura do Reino!
“Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofere-
çam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional
de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-
-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de expe-
rimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”
(Rm 12:1-2 LH).
Tribos urbanas e família: em meio aos jovens, surge sempre uma
nova tribo; são emos, homo, bruxos, fanáticos, drogados, funkeiros,
anarquistas, punks, esotéricos, idealistas, ateístas, extremistas, ag-
nósticos, góticos, neonazistas, enfim, geralmente revoltados e sem
esperança de um futuro melhor.
Jovens sem rumo, sem metas, descrentes em Deus, uma sociedade
de mortos-vivos, que segue o instinto da morte interior e não pro-
duz vida. Este é o substrato do sistema mundo. Esta palavra define
bem estes dias que vivemos: “Ninguém de modo algum vos engane;

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Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja
revelado o homem do pecado, o filho da perdição” (2 Ts 2:3).
Aqui em Munique, na Alemanha, uma metrópole altamente secula-
rizada muitos jovens com roupas extreme sentam na Marien Platz,
pintados, coloridos, embriagando-se e fumando, falando algumas
palavras soltas ao vento e chamando isso de protesto. Mas é um
exemplo da falta de ideias inteligentes e de ideologia consistente.
Seguindo uma tendência europeia, em muitas partes do mundo, os
jovens de forma geral têm perdido o conceito de família. Eles não
intencionam casar, mas preferem ficar na casa dos pais até a idade
adulta ou morar sozinhos ou juntados. Quando se juntam, não pla-
nejam ter filhos. A maioria prefere ter uma vida liberal; até os filhos,
quando vêm, são de produção independente. O conceito de família
está sendo deteriorado na sociedade pós-moderna. Essa tendência
está se alastrando pelo mundo e rompendo todos os paradigmas
culturais.
Em relação ao casamento, este sistema tem cuidado de menospre-
zá-lo, tornando-o uma instituição falida. O padrão divino homem
e mulher, gerando filhos, tem deixado de existir. Mas existe outro
modelo que não seja homem e mulher gerando outro ser humano?
Porém, alguns geneticistas42 querem responder afirmativamente
a esta indagação. Estão cuidando de “criar” novos caminhos para
a reprodução, quando o próprio Deus se encarregou de gerar um
padrão: homem e mulher no casamento, que geram filhos e cons-
tituem família, e o que passa disso é confusão moral e biológica.
Porém, as correntes filosóficas nos últimos séculos têm tratado de
destruir os absolutos e os conceitos de moral e ética com o relativis-
mo secularista.
Esoterismo, novas seitas e religiões, e seres autômatos: vivemos
a era do esoterismo. São dragões e serpentes, pirâmides, energia da
natureza, olhos místicos e coisas do gênero gótico e bizarro, inclu-
sive tatuados no corpo; por trás, há todo um conceito místico. Nos
EUA, existe a “Igreja da Modificação Corporal” (CoBM, na sigla em in-

42 Em 2008, no Arizona (EUA), os médicos e cientistas conseguiram promover, através de inseminação


artificial, a gravidez em um transexual – no caso, uma mulher que virou homem, mas que conservou os
órgãos femininos.
93
Relógio dos Tempos

glês): os membros dessa igreja fazem cirurgias para mudar o corpo.


Vimos também o culto ao corpo, padrão de beleza e moda, e mais
uma infinidade de tendências modistas que influenciam a socieda-
de pós-moderna, produzindo seres autômatos, que copiam, repro-
duzem em série, mas não são seres pensantes, não têm opinião pró-
pria formada, não pensam o mundo, não leem o que interessa, mas
só se enchem de cultura inútil, lixo de internet e revistas de passa-
tempo. Os grandes pensadores do passado se sentiriam frustrados
hoje. Na Argentina, há a igreja de culto ao São Maradona, isto é fato.
Em Kawasaki, no Japão, existe um ritual de culto ao falo. Existe a
cientologia como religião; Igreja do Movimento de Criatividade, na
qual o objeto da idolatria são os brancos (arianismo); e uma diversi-
dade de outras seitas que temos visto nestes últimos dias, inclusive
ditas cristãs ou evangélicas.
Influência na música: outro ponto forte deste sistema mundo vem
da musica. Lúcifer era um querubim no céu, uma alta hierarquia,
sua incumbência era a música, o louvor, portanto, algo que ele co-
nhece bem. Não somente no Brasil, onde muitas letras têm sido
explicitamente “mantras” de seitas satânicas e jingles que ditam as
tendências comportamentais geralmente sensuais. Mas em todo o
mundo e em todas as culturas, temos percebido o quanto o diabo
tem arrastado multidões, desde o festival de Woodstock, na
década de 1960, e o movimento hippie, com a disseminação das
drogas químicas e sintéticas, culminando em uma pós-geração de
filhos da liberdade e rebeldia nas décadas de 1970 e 1980. E atual-
mente somos a geração que colhe as consequências de tanta dro-
ga, sexo e rock and roll: doenças como a Aids e o comportamento
dissocial e sociopata43. A música tem efeito terapêutico e um poder
incrível no cérebro humano; Satanás, conhecedor deste poder, o
utiliza para manipular as pessoas. Uma música ou um hit como vi-
mos, é capaz de ditar o comportamento de multidões.
Drogas: índices cada vez maiores e assustadores de envolvidos com
drogas. O tráfico de drogas movimenta bilhões e é o responsável
direto por tirar a vida de milhares. Todos nós temos uma ou mais fa-

43 Dissocial: que não se associa com outras pessoas. Sociopata: na Alemanha, chamada “insanidade
moral” – indivíduos com marcado egocentrismo e manipuladores, que praticam o controle sobre os
outros.
94
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

mílias conhecidas que foram ou têm sido destruídas por drogas. Se


você não sabe, as drogas e o tráfico financiam muitas guerras que
ocorrem no mundo hoje; e é ingênuo pensar que envolvem apenas
famílias de baixa renda ou quem não tem instrução, mas estão infil-
trados em todos os meios, nos mais variados níveis da sociedade e
até no meio político. Com as drogas, vêm prostituição, homicídios e
pornografia, que cada vez mais assola a nossa sociedade, as famílias
destruídas e o adultério.
Nos meios acadêmicos, educação: nas universidades e demais
centros acadêmicos, e até mesmo na educação de base, este sis-
tema tem cuidado de promover a ideia de que Deus não existe, de
que ele está morto44. Com o humanismo, evolucionismo, relativismo,
ceticismo, pragmatismo, materialismo, agnosticismo e ateísmo: exis-
tem diversos “ismos” para se apoiar, menos acreditar em um Deus
criador! A verdade não é mais verdade, tudo é relativo; é isso que
nossos filhos estão aprendendo. A “evolução social”, ou o “politica-
mente correto”, como citam os sociólogos de plantão, são alavan-
cadores de suspiros cada vez maiores dos defensores de um mun-
do sem Deus, ou de um mundo que foi abandonado por um suposto
deus, como alguns afirmam. Entre 2011/12 minhas filhas estuda-
ram em escolas na Alemanha. A forma de educação num país de
Primeiro Mundo é extremamente secularizada, os jovens são
treinados a ser totalmente independentes e descrentes em Deus,
creditando e depositando apenas em si próprio todas as suas con-
vicções e confiança; eles são treinados a ser super-humanos no ní-
vel intelectual e reproduzem esta independência na vida social; a
cobrança intelectual é exagerada e o espiritual não tem espaço em
suas mentes lógicas e extremamente racionais – o que não pode ser
explicado pela ciência não é verdade. Não que alguém diga: Não
acredite em Deus! É algo mais sutil, no nível intelectual e social – se-
guindo as tendências globais! Porém, este modelo educacional está
tomando todo o mundo globalizado. Ao mesmo tempo que parece
ser uma geração independente, é também uma sociedade carente
e enferma, no meio de um mundo tão turbinado pelo terrorismo
físico e intelectual, onde a cognição tem trabalhado contra o ser
humano; onde as drogas destroem os corpos, o caráter e a famí-

44 Nietzsche: Gott ist tot – “Deus está morto”. Desviado do protestantismo (pai era pastor), foi um influ-
ente filósofo alemão do século XIX. Esta frase tem percorrido os meios acadêmicos desde então.
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Relógio dos Tempos

lia; onde a vulgaridade e a mediocridade se manifestam em meio a


uma realidade de exclusão social sem precedentes. E ainda muitas
vozes chamam este mundo de ‘o paraíso das ideias e da liberdade
do pensamento’, mas na verdade tem sido o mundo do declínio da
moral e da verdadeira educação com princípios.
No Reino Unido, por exemplo, com o biólogo inglês Richard Daw-
kins, autor dos livros Desvendando o arco-íris e Deus, um delírio, o
movimento ateísta tem ganhado muita força e um número de
adeptos cada vez maior. Ele é autor da seguinte declaração em en-
trevista a uma revista brasileira em 2005: “Postular a existência de
um Deus que criou a vida é o tipo de ideia que só complica as coisas.
é um raciocínio contraprodutivo, pois traz a necessidade adicional de
explicar a existência desse ser”. Nessa declaração, ele revela o grande
problema dos ateus, que é a incapacidade de perceber o sobrenatu-
ral, de não reconhecer a existência de Deus. Porém, posteriormente
e de forma quase incoerente, o próprio Dawkins, visitando a Ama-
zônia e contemplando sua exuberância biológica declarou: “Por um
pouco não acredito na existência de Deus’. é difícil “ter fé suficiente
para ser ateu”45, afinal, convenhamos, precisa-se muito mais fé para
não acreditar em Deus e explicar sua inexistência; torna-se mui-
to mais complexo que a simplicidade e a naturalidade de apenas
reconhecê-lo!
Aonde este sistema mundo vai chegar? Quando Jesus nos mostra
que o mundo caminha para a destruição da moral humana e dos
valores, mostra duas figuras, que serão o cume desta Torre de Babel
nos dias atuais: o falso profeta e o anticristo. O primeiro se encarre-
gará de forjar uma nova “religião”, que abrangerá todas e não será
nenhuma ao mesmo tempo. O segundo, de promover uma suposta
paz e soluções instantâneas para um mundo cada vez mais afunda-
do em crises e no caos social, moral, político e econômico. Será que
isso está muito longe de acontecer?
A apostasia, que é o abandono da fé, a deserção do relacionamento
com Deus, faz-nos pensar que a cruz não tem mais validade ou que
Jesus está longe; que Jesus não vai voltar ou que se esqueceu de

45 Não tenho fé suficiente para ser ateu: livro de Normam Geisler e Frank Turek, publicado no Brasil
pela editora Vida. Leitura recomendada a quem gosta de ciência; com argumentos contundentes, os
autores lecionaram em Harvard e nas melhores universidades dos EUA.
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Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

nós... E pior: que todas as coisas são relativas, até mesmo a Bíblia é
relativa, depende de quem e como se interpreta: ‘Ah, mas o apóstolo
Paulo, dizem eles, foi infeliz nesta colocação, afinal, hoje o mundo é
muito diferente...’. O caráter absoluto de Deus é desconstruído pelo
pensamento pós-moderno e pela utopia de um mundo humanista.
Todo organismo vivo produz e elimina substâncias nocivas, que são
o substrato. A pós-modernidade, como um organismo social vivo,
tomando emprestada a teoria de Émile Durkheim46, está produzin-
do um substrato do terror, da violência, do medo, da escravidão, da
insatisfação, da escassez de ideias e dos vícios. O fato social é que
cada vez mais existem seres humanos aprisionados e aterrorizados,
por isso existem as doenças psicossociais, como síndrome do pâ-
nico, depressão, bipolaridade, estresse, dissociabilidade, sociopatia,
entre outras. A mente humana tem sido bombardeada por tanta
informação e opções que têm se deteriorado o pensamento e as
conclusões coerentes da razão espiritual47.

PRINCIPADO DA GRÉCIA E SEU HERDEIRO ROMA


Trata-se de uma ação espiritual em todo o mundo que propicia o
funcionamento e organiza o sistema mundo: “... suscitarei a teus
filhos, ó Sião, contra os teus filhos, ó Grécia; e te farei a ti, ó Sião,
como a espada de um valente” (Zc 9:13).
Não é minha intenção aprofundar muito este tema, mas, apenas
para que tenhamos uma noção da terrível influência que este prin-
cipado opera no mundo, observe este texto de Daniel: “E ele disse:
Sabes por que eu vim a ti? Agora, pois, tornarei a pelejar contra o
príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia”
(Dn 10:20).
Quando Daniel começou a buscar a Deus com jejuns e súplicas,
foi enviado a ele o anjo Gabriel, mas este anjo encontrou fortes re-
sistências por parte de um principado chamado da Pérsia. Miguel,
o príncipe do exército celestial, também foi enviado e derrotou o
principado da Pérsia. Somente assim a resposta de Deus, através

46 Émile Durkheim: de família judia, nasceu na França em 1858 e estudou também na Alemanha. Con-
siderado um dos pais da sociologia moderna, desenvolveu o conceito da coesão e do fato social
47 Razão espiritual: ensaio científico que pretendo tratar futuramente.
97
Relógio dos Tempos

do anjo, chega a Daniel. Se lermos o restante do texto e o capítulo


11, verificaremos que se trata de acontecimentos bem futuros; está
explícito ali que se refere ao fim dos tempos e das épocas. Inclusi-
ve, fazendo menção às características do anticristo. Porém, quero
salientar esta pista que o verso nos deixa: “... e, saindo eu, eis que
virá o príncipe da Grécia”. Então temos a revelação de que o grande
inimigo da Igreja nestes últimos dias é o principado da Grécia, o exe-
cutor deste sistema mundo.
Sabemos, graças à história, que os gregos exerceram forte influên-
cia no mundo antigo por meio de sua filosofia, cultura, arte, política,
esportes, educação e vida social, ou seja, em todos os âmbitos e es-
feras de influência nos montes da sociedade. Os “deuses da Grécia”
eram, e ainda são, a égide da cultura grega, na qual o grande Zeus,
considerado por eles o deus do universo, exerce influência sobre
todos os outros deuses, semideuses e a vida humana; estes outros
deuses fazem parte do clã mitológico grego, como Afrodite, a deu-
sa do amor; Apolo, o deus do sol; Ártemis, irmã gêmea de Apolo e
deusa da caça; Hermes, pai da mentira e vigia do templo; Poseidon,
o deus dos mares e outros mais (são vários).
Toda a vida dos gregos era influenciada pela mitologia, pelos deu-
ses que exerciam influência sobre a vida humana. Na realidade, es-
tes deuses não foram meras invenções da imaginação grega, mas
eles são principados, hierarquias satânicas, que existem desde que
foram lançados dos céus (Is 14 e Ez 28); inclusive, mencionado no
livro do profeta Daniel quando se refere aos principados da Pérsia e
da Grécia, como vimos acima. O apóstolo Paulo cita em Efésios 6:12
essas castas do mal. Os gregos, por causa da sua muita idolatria (he-
rança deixada pela cultura helênica para os romanos), foram sensí-
veis em capturar a realidade espiritual e foram guardiões da mito-
logia nos oráculos da antiguidade, os principados tenebrosos que
dominavam aquele mundo, concedendo a cada um deles nomes
épicos. Observamos, no entanto, pela história, que tanto a cultura
grega quanto romana influencia o mundo até hoje.
Ao longo das épocas e até nossos dias estes principados agem de
forma explícita, exercendo influência nas mesmas áreas citadas. Em
alguns lugares, podem até ter outros nomes, mas é a mesma ope-
ração espiritual.
98
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

O principado da Grécia é inimigo do sobrenatural e do profético:


ele tenta anular a fé nas pessoas, na igreja e em um povo. Ele traba-
lha para levar ao racionalismo e desacreditar o que não é explicável
pela razão. Mas, pela palavra de Deus, sabemos que “as coisas do
espírito se discernem espiritualmente” (1 Co 2:14).
Abaixo, apenas uma síntese de algumas áreas de atuação deste
principado no mundo:
Homocentrismo: Heráclito trouxe em sua filosofia o “homocentris-
mo” ou “humanismo”, tirando Deus de cena e colocando o homem
no centro. A partir de então, o intelectualismo deixou o homem in-
dependente e com poder para eleger a razão como o seu verdadei-
ro “deus”. No mundo da ciência, aquilo que não pode ser explicado
empiricamente não existe, não é real, então a fé é totalmente aboli-
da, assim como o sobrenatural, e a razão prevalece.
Política: origem grega derivada de polis (cidade); organização das
cidades, ordenamento. A política feita por homens corruptos pro-
move as injustiças sociais, as guerras, despotismo e outros. A atua-
ção política no mundo pós-moderno tem sido alvo das maiores ma-
nifestações populares de insatisfação. Política tornou-se sinônimo
de falsidade e coisas escusas.
Culto ao corpo e pornografia: uma das facetas da atuação deste
principado é em relação à obstinação e idolatria pela beleza e pela
estética, o “culto ao corpo”. Pela beleza, pode-se fazer qualquer sa-
crifício. O que vimos hoje é a influência deste espírito: dietas extre-
mistas e que provocam doenças, como anorexia nervosa e bulimia.
As cirurgias estéticas em busca do corpo perfeito, produto da eter-
na insatisfação humana; academias e a sensualidade. O corpo, para
os gregos, era objeto de paixão e lascívia; inclusive, existe um deus
chamado “Pornô”, de onde deriva a palavra pornografia, que influen-
cia a sensualidade corporal e que leva à banalização e comercializa-
ção do sexo. Vemos hoje a indústria pornográfica movimentar bi-
lhões em todo o mundo e ser o conteúdo mais buscado na internet.
Em Nagasaki, no Japão, uma vez ao ano, existe uma festa religiosa
de culto ao falo (pênis), na qual milhares de pessoas rezam pedindo

99
Relógio dos Tempos

fertilidade e proteção48.
Um fato interessante é que a Bíblia Sagrada conservou um capítulo
inteiro para comentar a respeito dos pecados sexuais e suas terrí-
veis consequências de iniquidade – Levítico, capítulo 18. Observe
este verso: “Por isso [pecados sexuais] a terra está contaminada; e
eu visito a sua iniquidade, e a terra vomita os seus moradores” (Lv
18:25). Depois de listar, nos versos anteriores, todas as práticas sexu-
ais ilícitas, neste verso 25 o Senhor dá a sentença (verifique em sua
Bíblia, na íntegra, este capítulo 18 de Levítico).
Faça uma análise breve das catástrofes naturais e verifique como
se trata de consequência do comportamento iníquo envolvendo a
sexualidade do povo da terra. A palavra de Deus sempre se cumpre!
Observe em sua Bíblia o texto de Romanos no capítulo primeiro e
verifique como a Bíblia trata melhor desta questão.
Logicamente Deus ama a todo ser humano, independentemente de
qualquer coisa, pois todos foram criados por ele, mas, assim como
a mentira, orgulho, inveja ou o adultério são considerados pecado,
por exemplo, algumas práticas sexuais também são apontadas pela
Bíblia como ilícitas, gerando a iniquidade.
Esporte como idolatria: a paixão obsessiva pelo esporte. Vemos
no mundo hoje uma verdadeira idolatria pelos esportes; no Bra-
sil, por exemplo, pelo futebol, pessoas são capazes até de cometer
homicídios ou promover verdadeiras guerras tribais por conta de
torcida fanática por seus clubes. Como vimos acima, no tópico so-
bre as Olimpíadas e sua influência espiritual. Logicamente a prática
esportiva é saudável, porém minha referência é feita à idolatria. Para
os gregos, o esporte fazia parte do culto ao corpo.
Hipocrisia: atua nas relações sociais; a palavra “hipócrita” vem da
Grécia e denota falsidade, utilização de máscaras. Os hipócritas
eram políticos e artistas. A hipocrisia é um dos fatores do esfriamen-
to do amor que corrói as relações humanas.
Hermenêutica e homilética: a oratória é um método grego que
vem com a hermenêutica (derivado de Hermes, o deus da menti-

48 Matéria completa sobre “culto ao falo” em: <http://jesusestavoltando.com.br/?p=2339>.


100
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

ra, da embromação) e a homilética. Nos seminários teológicos, por


exemplo, se aprendem estes métodos; eles vêm da Grécia antiga.
Muitos estão mais presos a eles do que à revelação.
Cultura: por um lado, refere-se a cultivo ou culto. Mas também é o
conjunto de atividades e modos de agir, costumes e instruções de
um povo, tribo, nação. Vimos na Bíblia que uma das primeiras mani-
festações culturais foi a construção da torre de Babel, de onde veio
a designação Babilônia. A cultura humana, geralmente, é afastada
dos princípios divinos e distorcida, buscando afastar o homem de
seu criador, procurando falsos meios de reencontrá-lo, exatamente
como ocorrido em Babel (Gn 11). Em nome da cultura, toda forma
de expressão humana, como a música, as artes e todas as outras,
foi corrompida e manifesta o caráter distorcido pela iniquidade49.
A cultura humana, em sua forma generalizada, é tratada pela Bíblia
como “a grande Babilônia” (Ap 16:9 e 17:5) – sistema que substitui
o reino de Deus e seus princípios pelo secularismo ideológico e por
filosofias pagãs.
Farmácia/drogas: farmakeia, palavra grega que origina “farmácia”.
Atua na hipocondria, trazendo a dependência exagerada dos re-
médios e drogas. Pessoas que acreditam muito mais no poder dos
remédios que no poder de Deus. Os vícios em drogas também são
atuação do principado. Num estado de torpor da droga, as pessoas
podem ter fortes experiências com o mundo espiritual. Em meio às
dores da existência humana, o homem tem corrido para um escape
natural, que são as drogas, pois não conhece o grande alívio que é
a paz de Deus – o shalom (definição desta palavra no capítulo 1).
Democracia: democracia também é um ensino grego que veio
para substituir a teocracia (governo de Deus). Na democracia, assim
como em todos os regimes políticos, vê-se um nível de corrupção
e controle do poder sobre o pobre de forma exacerbada. Pastores,
por exemplo, já foram e têm sido expulsos pelo voto democrático.
Lembre-se de que o governo do reino é a teocracia! (Observe 1 Sm
8.) Nem sempre a voz do povo é a voz de Deus!
Fama: amor à fama é outra faceta. Fazer coisas para a autopromo-

49 Iniquidade: no hebraico é ‘avon’–“distorção do caráter humano”, “maldade”, “perversidade”, “injustiça”,


“crime”. ‘A raíz da iniquidade’ de Ozenir Correia (filadelfiatraining.com.br), ótimo material sobre o tema.
101
Relógio dos Tempos

ção, para promover o espetáculo, o reality show, o estrelato. A fama


tem matado inúmeros artistas que se promovem com ela; vimos
inclusive hoje, dentro da própria Igreja, os shows, os ídolos, a “tie-
tagem gospel”; o sistema de entretenimento algumas vezes toma
lugar da manifestação do Espírito. Deus fez a arte e deu dons e ta-
lentos aos homens. Não sou contra os movimentos juvenis e sua
cultura e ritmos musicais, muito pelo contrário; mas a linha é ex-
tremamente tênue; uma coisa é secularismo e outra é santidade, e
desta Deus nunca abriu mão: “Sede santos porque eu sou santo!” (1
Pd 1:16). A santidade, sabemos, não está na aparência, mas no co-
ração, e o que a determina são os frutos. Há uma grande confusão
hoje entre carisma e unção, entre boa oratória e palavra ungida por
Deus; é bom termos sempre em mente as palavras do mestre: “Mui-
tos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu
nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não
fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos
conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7:22-
23).
A cultura grega difundida pelas vastas conquistas do imperador
Alexandre, o Grande, espalhou-se pelo mundo antigo até a invasão
e supremacia romana, que se tornou então a herdeira de toda cul-
tura, paganismo e formas da idolatria helenista. A história nos mos-
tra como Roma ampliou sua atuação no mundo e tomou diversas
regiões onde hoje estão os países mais influentes da Europa e Ásia,
e também o Norte da África, por causa de sua vasta extensão e sua
longa duração (no Oriente, até o ano de 1453). Este império e suas
instituições e cultura tiveram uma profunda e duradoura influência
sobre o desenvolvimento dos idiomas atuais, religião, arquitetura,
filosofia, direito, formas de governo e diversos outros aspectos da
vida humana; responsável direto pela modelagem do mundo mo-
derno e pós-moderno (no capítulo 9, aprofundo mais este tópico).
O imperialismo romano era o regime vigente nos dias de Cristo e
até centenas de anos depois. Em mais ou menos 300 d.C., o impera-
dor romano Constantino50 abraça o cristianismo, como uma jogada

50 Constantino: imperador romano 306 d.C. Foi um dedicado adorador e servidor do deus Sol que em
determinado momento, ao perceber o crescimento cristão desenfreado, mesmo em meio a perseguição,
afim de agradar a todos, abraçou o cristianismo e inaugurou o sincretismo religioso.
102
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

política. Surge a igreja estatal Católica Romana51 (uma migração de


Jerusalém para Roma). Este império foi o responsável pelo cumpri-
mento de parte da profecia de Daniel: milhares e milhares de cris-
tãos foram mortos por suas mãos; muitos no Coliseu (que até hoje
existe em Roma), comidos por leões para alegrar os cidadãos que
assistiam a sua desgraça. Outros eram feitos tochas humanas, quei-
mados nos postes de Roma para iluminar a noite, e diversas outras
formas cruéis de trucidação.
Este império adentrou pelos séculos e vive até hoje, assim como
também profetizado por Daniel nos capítulos 2 e 7, na referência
aos pés de barro misturado com ferro (Grécia e Roma) e ao quarto
animal de dez chifres (o Império Romano e sua herança ao longo
das gerações), que vimos anteriormente; o Império Romano caiu,
no Ocidente, em 476 e durou, no Oriente, até 1453 d.C., mas sua asa
religiosa perpetua-se. Aqui está a explicação exata da parte da pro-
fecia (Dn 7:23) que diz que este império era o barro, não muito forte,
mas que, ao ser quebrado, se espalharia com sua poeira ao longo
das épocas, pois foi despedaçado para esse propósito.
O papa passa a ser o “deus na terra”, acima de tudo e de todos, e as
maiores ingerências nos governos, ao longo das épocas, foram pro-
movidas pelo Vaticano aliado ao Estado Romano, a união da Igre-
ja e do Estado. Muitas atrocidades continuaram sendo cometidas.
Lembremos, por exemplo, das “Santas Inquisições”, que aniquilaram
pessoas em fogueiras, acusadas de ser bruxos e satanistas; assim
como as Cruzadas, que dizimaram milhares no Oriente; ambas pa-
trocinadas pelo catolicismo. Estes fatos estão registrados na história
e fazem parte do currículo de qualquer aluno do Ensino Médio; in-
clusive são temas de vestibulares.
A influência da Igreja Católica Romana ainda é grande no mundo.
Recentemente temos visto notícias bombásticas circulando nos
anais de grande circulação. Choquem-se: “O papa Bento XVI pede
uma nova ordem mundial financeira e política” 52.

51 Católica, em grego quer dizer ‘Universal’. A origem da igreja é Jerusalém; a migração deu-se por joga-
da política de Constantino e o império romano. A alteração foi mais no sentido espiritual, suas mudanças
de parâmetros e alteração em princípios fundamentais dos pais da igreja, os apóstolos de Jesus.
52 Fonte: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u591826.shtml>.
103
Relógio dos Tempos

Na ultima encíclica publicada pelo Vaticano em outubro de 2011,


esta tese é reforçada. Seu porta-voz é o cardeal Peter Turkson,
que: “propõe criar um governo mundial para enfrentar a crise
econômica”53. Estes artigos podem ser encontrados facilmente nos
sites de busca da internet, foram publicados nos maiores jornais im-
pressos e virtuais do mundo.
Resumindo, a profecia de Daniel é muito atual e cumpre-se cabal-
mente. O quarto reino, representado pelos pés de barro e ferro, as-
sim como pelo quarto animal de dez chifres, ainda vive e, no reino
do espírito, exerce forte influência no mundo, até que venha “aquele
que era, que é, e que há de vir” (Ap. 1:8) e definitivamente o derrote!
“... mas existe um Deus nos céus que revela os mistérios. Ele mostrou ao
rei Nabucodonosor o que acontecerá nos últimos dias” (Dn 2:28).
“Eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis que vinha com
as nuvens do céu um como filho de homem [Yeshua]; e dirigiu-se ao
ancião de dias [YHWH], e foi apresentado diante dele. E foi-lhe dado
domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas
o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o
seu reino tal, que não será destruído” (Dn 7:13-14).
“E a grande cidade fendeu-se em três partes, e as cidades das nações
caíram; e Deus lembrou-se da grande Babilônia, para lhe dar o cálice
do vinho do furor da sua ira” (Ap 16:19).
Minha intenção é demonstrar que nossa luta não é contra homens
ou sistemas humanos; penso que existem centenas de pessoas, re-
manescentes piedosos, ao longo das épocas, pessoas muito devo-
tas, verdadeiros homens e mulheres santos de Deus, tanto na Igreja
Católica, Protestante ou fora delas, que foram e são salvas pela fé
no Filho de Deus; bem como, paradoxalmente, existiram e existem
muitos “filhos do diabo” também em todas as igrejas e seitas huma-
nas. A questão é meramente espiritual e este principado atua em
qualquer meio religioso que estiver aberto a sua atuação. É bom
deixar claro que Deus não é Evangélico! Bem como não é Católico
ou Espírita ou rotulado em qualquer religião ou seita humana. Deus

53 Fonte: <http://www.odiario.com/blogs/inforgospel/2011/10/25/vaticano-propoe-criar-um-governo-
mundial-para-enfrentar-a-crise-economica-confira/>.
104
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

está muito acima de tudo isso e de qualquer religião, dogmas, teo-


logias, sistemas e doutrinas.
Mas, a realidade é latente aos nossos olhos, da atuação do princi-
pado grego-romano no mundo antigo e atual, através de sua influ-
ência no secularismo e também dentro da religião. Atualmente, nas
maiores religiões cristãs vemos isso tanto na Igreja Católica quanto
nas Protestantes, inclusive em sua ala evangélica, seja tradicional,
pentecostal ou neopentecostal, assim como em diversas outras
instituições ditas religiosas. Existem padres, pastores e outros sacer-
dotes, de diversas religiões e seitas, que são verdadeiros falsos pro-
fetas, filhos do cão, no mundo todo. Vemos isso atualmente como
nunca, o juízo, como descrito por Pedro, verdadeiramente está co-
meçando pela Casa de Deus (1 Pd 4:17).
A salvação é individual e somente a fé em Cristo e uma vida piedosa
nos livrará do engano promovido pelo principado da Grécia e Roma
por meio da “falsa religião” e do espírito de engano da religiosida-
de. Todo extremo é perigoso e hoje ele é promovido em meios reli-
giosos diversos, inclusive nas igrejas consideradas evangélicas, que
promovem o ‘evangeliquêz’, e seus membros procuram muito mais
converter as pessoas a um padrão dogmático e litúrgico de prin-
cípios e valores eclesiásticos particulares, até mesmo no linguajar,
mas, como disse e repito Deus não é evangélico, ele é Deus acima
da religião. Até porque, dentro da própria religião evangélica exis-
tem atualmente tantas alas e vertentes, que qualquer um tem difi-
culdade extrema em tentar entender tamanha diversidade e incoe-
rências. São meros frutos de sistemas e estratégias de crescimento,
doutrinas, liturgias, visões e interpretações particulares, teologias
diversas, gerando o fanatismo, o triunfalismo e sistemas farisaicos,
contra os quais Jesus combateu veementemente. Tudo isso acaba
se confundindo com a visão do Reino de Deus. Porém ele está bem
acima delas – “Porque o reino de Deus não consiste em palavras,
mas em poder.” (1ª. Co 4:20).
A eclesiologia humanista de forma geral, a organização religiosa, há
muito tempo tem se tornado imperialista, derivada da cultura ro-
manizada. Quando a visão de Deus e o que Jesus pregou foi o Reino
de Deus! É exatamente por isso que Jesus dirá a muitos: ‘nos vos co-
nheço’! Porque uma grande fatia desta instituição falida tem pratica-
105
Relógio dos Tempos

do fielmente a religião, dentro de uma perspectiva despotista, mas


não tem vivido o reino e conhecido verdadeiramente Jesus, que é
o único caminho para a salvação. E, isto independe da religião, pa-
lavras eloquentes ou de seus sistemas antropocêntricos farisaicos.
Porém, e louvado seja Deus por isso, existe a verdadeira IGREJA DE
JESUS, mesmo dentro da ‘igreja-organização’ e também fora dela.
São os fiéis, os verdadeiros adoradores, que vivem fielmente buscan-
do a face do Senhor. Jesus afirmou que o joio conviverá no meio do
trigo, e ele não pode ser retirado agora, pois comprometeria o trigo
– na lavoura somente se pode podar o joio quando ambos crescem,
pois, quando ainda pequenos eles se confundem pela aparência,
mas quando crescem, o trigo, pesado pelo fruto, se dobra, porém
o joio continua empinado, neste momento é a hora da colheita –
bem como, ele também nos informou sobre os lobos no meio dos
cordeiros. “O campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino;
e o joio são os filhos do maligno; O inimigo, que o semeou, é o diabo;
e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos. Assim como o
joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste
mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do
seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade. E
lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.
Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. quem
tem ouvidos para ouvir, ouça”. (Mt 13:38-44), e, “Acautelai-vos, porém,
dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, inte-
riormente, são lobos devoradores.” (Mt 7:15)

ATO PROFÉTICO EM ATENAS


Em novembro de 2009, Deus nos deu a revelação e necessidade
de fazer um ato profético no templo de Zeus em Atenas, a fim de
clamar e profetizar a anulação das atuações deste principado. Um
ano depois, aproveitamos nossa ida à Europa e fomos até lá, eu e o
apóstolo Ozenir.
Na véspera de nossa viagem, teve-se uma visão de um demônio que
estava se contrapondo a este projeto. Quando cheguei em casa, mi-
nha filha me pediu para olhar seu dever de casa e fiquei surpreso.
Dizia assim: ‘Deuses da Grécia’, e falava sobre Hermes, o guardião do

106
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

templo e agente de Zeus, e dizia que ele acompanhava os viajantes


em suas viagens; havia também seu desenho, que era mais ou me-
nos parecido com a visão descrita.
Naquele momento, me ajoelhei diante de Deus e comecei a orar.
Deus me mandou abrir a Bíblia exatamente em Atos 17. Eu não sa-
bia o que havia ali, mas glorifiquei muito a Deus pela revelação. Pes-
quisei, e a Bíblia somente se refere à Atenas nesta ocasião. Assim
como Deus protegeu Paulo em Atenas, ele também nos protegeu
nesta mesma cidade mais de dois mil anos depois. Deus é maravi-
lhoso, nos deu todo livramento. Foi uma das minhas experiências
mais marcantes no ministério profético.
Interessante que, da mesma forma que Paulo teve a oportunidade
de falar para alguns atenienses, em nosso deslocamento do aero-
porto até o centro de Atenas, no ônibus, também falamos do Se-
nhor. Uma mulher que estava próxima falava ao telefone e estava
aflita, pois sua filha estava no hospital, então eu puxei assunto e
disse que oraríamos a Deus pela filha. Creio que Deus deu àquela
mulher um sinal de sua existência e do seu poder.
Um mês antes desse ato profético, conseguimos em Brasília, junto
a maior autoridade esportiva do país, a Bíblia prefaciada com um
decreto profético de que Deus é o Senhor! E decretamos, no reino
do espírito, pelo Brasil, principalmente anulando sua influência por
ocasião das Olimpíadas em 2016, para que o Senhor tenha miseri-
córdia de nós e nos poupe de muitas coisas ruins.
Lá no templo de Zeus, decretamos que: SÓ O SENHOR É DEUS! E de-
claramos que não aceitamos a influência deste principado em nossa
nação, na Igreja ou em nenhuma nação da terra. Não aceitamos es-
sas atuações em nossa vida, em nossa cidade, nem em nossa igreja
local. Queremos ver este principado falido e o nome de Jesus exal-
tado sobre a terra! Os filhos de Sião (a Igreja) se posicionam contra o
espírito da Grécia representado por Roma (o mundo e seu sistema).
Nosso clamor é para que Deus tenha misericórdia do povo grego
e dos povos da terra e os alcance, mas sabemos que muitas vezes
uma nação precisa passar por turbulências para ser transformada,
e é o que temos visto não somente na Grécia, mas em crises por
toda a Europa e no mundo todo. Nesses momentos, muitos ainda
107
Relógio dos Tempos

se voltam para Deus!


Tenho consciência de que toda a Bíblia é a palavra revelada de Deus
para a humanidade e de que todas as profecias contidas nela têm
que se cumprir necessariamente e cabalmente! Mas também creio
que nossas ações diretas no reino, como atalaias e profetas neste
tempo final, podem interferir na salvação de milhares que estão
condenados ao fogo eterno; é como a intercessão e ação de Abraão,
como a intercessão e ação de Neemias, do próprio profeta Daniel,
dos apóstolos, enfim, nós podemos e devemos FAZER acontecer no
reino espiritual, profetizando e agindo profeticamente, mas tam-
bém na dimensão física, implantando o reino de Deus por meio da
pregação das boas novas em multiformes ações práticas, como, por
exemplo, empregando o conceito de desenvolvimentorando54, ensi-
nado por Kent Truewell.

O TRONO DE SATANáS NA EUROPA


Morando na Europa, descobri que Adolf Hitler, durante seu império
déspota aqui, na Alemanha, trouxe de Pérgamo – da região da Tur-
quia – o trono de Zeus, também conhecido como trono de Satanás
ou Esculápio (deus serpente). Este trono está no museu de Berlim.
A guerra entre os filhos de Sião contra este principado ainda con-
tinua; e, dentre alguns principais territórios, estão: Atenas, Roma
e Berlim. Interessante também notar que a história mostra que os
antigos sacerdotes de Pérgamo eram chamados sumo pontífices.
Este título foi herdado posteriormente pelos imperadores romanos
e depois repassado ao sacerdócio maior católico, o papa. A ligação
entre o Estado romano e o Vaticano sempre foi estreita; esta relação
continuou ao longo da história, passando pela Idade Média até che-
gar a Hitler, na Segunda Guerra mundial, quando recebeu amplo
apoio, na Alemanha, do clero católico, e permeia os dias atuais. Não
é gratuito que em todas as nações ditas católicas a igreja seja pro-
prietária de tantas terras, que foram doadas “generosamente” pelo
Estado; não é gratuito também que Mussolini tenha se tornado
aliado nazista; lembremos que este era o líder italiano, onde fica

54 Desenvolvimentorando: é o processo multiplicador de levar o reino de Deus a uma comunidade;


análise sociológica de desenvolvimento que introduz as verdades de Deus para cada esfera da sociedade.
Conceito desenvolvido por Kent Truewell no livro Venha o Teu Reino, ed. Jocum, Brasil, 2009, p. 248.
108
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

Roma e o Vaticano. No mínimo interessante!


“Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a es-
pada aguda de dois gumes: Sei onde habitas, que é onde está o trono
de Satanás; mas reténs o meu nome e não negaste a minha fé, mesmo
nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós,
onde Satanás habita” (Ap 2:12-13).
Numa madrugada aqui, na Alemanha, exatamente no dia 13 de fe-
vereiro de 2012, Deus me deu um sonho, no qual eu via o mapa do
mundo e um enorme píton, serpente, cuja cabeça estava sobre a
Europa, o dorso repousava no oceano e descia pelo Canadá, Estados
Unidos e México, passando pela América Central, e a cauda ia até
a Argentina. Na visão eu via também outras serpentes no mundo
todo, mas esta era a maior, e tive a impressão de que era a que go-
vernava e comandava as outras. Para mim, foi uma tremenda reve-
lação de como deste trono parte o controle no mundo chronos. Os
pontos principais estão na Europa e América. Mas também exercem
influência em outras partes por meio de seus agentes; trata-se de
uma organizada hierarquia de comando; mas a cabeça está na Eu-
ropa, de onde origina o principado de Grécia e Roma.

Esta atuação tem interferência na dimensão espiritual, política, eco-


nômica, sociocultural e demais. Os líderes mundiais são influencia-
dos por ela. O sistema mundo, da grande Babilônia, é o sistema de
Satanás, mais vivo hoje do que em nenhum momento da história
(“Pelo que alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Mas ai da ter-
ra e do mar! porque o Diabo [a grande serpente] desceu a vós com
grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta” – Ap 12:12)! Toda a
movimentação é estratégica, mas toda ela está levando e direcio-
nando aos cumprimentos proféticos, de acordo com o relógio dos
tempos kairós de Deus; acredite: DEUS NÃO PERDEU O CONTROLE!
Ele está regendo com maestria todas as coisas. JESUS ESTÁ VOLTAN-
DO!
Sistema mundo:
“Então o Diabo, levando-o a um lugar elevado, mostrou-lhe num re-
lance todos os reinos do mundo. E disse-lhe: Dar-te-ei toda a autori-
109
Relógio dos Tempos

dade e glória destes reinos, porque me foi entregue, e a dou a quem eu


quiser;” (Lc 4:6).
“Sabemos que somos de Deus e que todo o mundo está no morto ma-
ligno” (1 Jo 5:19).
Verdadeiro poder e autoridade:
“Aquele que desceu [às partes mais baixas da terra – ao Hades ou infer-
no55] é também o mesmo que subiu muito acima de todos os céus, para
cumprir todas as coisas” (Ef 4:9-10).
“E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a au-
toridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as
nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e
eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”
(Mt 28:18-20).
“Eis que vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e sobre
todo o poder do inimigo; e nada vos fará dano algum” (Lc 10:19).
Essa guerra entre Jesus e a serpente, já descrita pela boca de Deus
em Gênesis 3:15: “Então o Senhor Deus disse à serpente (...), porei
inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua
descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”; e
também ao longo de toda a Bíblia, por exemplo, pelo profeta Isaías:
“Naquele dia o Senhor castigará com a sua dura espada, grande e
forte, o leviatã, a serpente fugitiva, e o leviatã, a serpente tortuosa;
e matará o dragão, que está no mar” (Is 27:1), é finalizada na visão
do Apocalipse de João: “E vi descer do céu um anjo, que tinha a cha-
ve do abismo e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dra-
gão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e o amarrou por mil
anos. Lançou-o no abismo, o qual fechou e selou sobre ele, para que
não enganasse mais as nações até que os mil anos se completassem.
Depois disto é necessário que ele seja solto por um pouco de tempo”
(Ap 20:1-3). No decorrer deste mesmo capítulo 20 de Apocalipse,
encontramos o restante da história em seus detalhes, a atuação da

55 Jesus desceu ao inferno na ocasião de sua morte, pois morreu levando sobre si os pecados de todos;
porém, com a ação do Espírito da Ressurreição, ele traga a morte e o inferno e tira-lhes as chaves, ou o
seu domínio, e o partilha com a sua Igreja, comigo e com você!
110
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

serpente depois do reino milenar e sua completa destruição, jun-


tamente com a morte e o inferno sendo lançados no lago de fogo!
A serpente está atuando no mundo, sabendo que lhe resta pouco
tempo; o sistema mundo está sendo oxigenado a todo vapor, tra-
balhando aceleradamente para influenciar e destruir as nações, que
são o alvo do amor de Deus e devem ser o foco da Igreja. Mas as
palavras de nosso Deus prevalecem; estamos no limiar dos aconte-
cimentos dos tempos finais. Acontecimentos sem precedentes na
história mundial estão prestes a ocorrer, serão em tamanha propor-
ção e intensidade que confundirão a muitos, mas não ao que está
ligado ao espírito da profecia, a voz do Espírito que clama, aos que
estão atentos ao tempo do relógio dos céus!
“Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”: esta frase é encontrada sete
vezes no restante da Bíblia, mas, somente em Apocalipse, também
sete vezes, com o complemento: “o que o Espírito diz às igrejas”!

SAINDO DE ROMA E RETORNANDO A JERUSALÉM


“Naquele tempo, chamarão a Jerusalém de Trono do SENHOR; nela se
reunirão todas as nações em nome do SENHOR e já não andarão se-
gundo a dureza do seu coração maligno” (Jr 3:17).
A migração de “Jerusalém” (igreja primitiva) para “Roma” (modelo
pagão da igreja cristã) trouxe sérios prejuízos à essência do verda-
deiro evangelho. O princípio da Igreja foi Jerusalém, a igreja de Atos
dos Apóstolos, a igreja na qual o Espírito Santo governava, havia
temor de Deus, os “Ananias e Safiras” não tinham vez, o pecado era
denunciado; esta igreja era Jerusalém. Esta substituição abriu por-
tas para um terrível espírito de religiosidade e contaminação espi-
ritual. Por quê?
Na igreja temporal, agora em Roma, quem governa é o homem. A
igreja deixou de ser teocrática (Deus no centro) para se tornar antro-
pocêntrica (o homem no centro). Antes, uma igreja dirigida pelo Es-
pírito Santo, agora uma igreja governada por homens autoritários,
com síndrome de “deus”. Exatamente como as figuras do “impera-
dor” e do “papa”, expoentes do poder humano: “os representantes
únicos e infalíveis de Deus na terra”. Homens acima de tudo e de
111
Relógio dos Tempos

todos, e com autoridade similar à do próprio Jesus na terra, que em


muitos momentos da história foram verdadeiros déspotas. Mas nas
igrejas protestantes, bem como evangélicas, não tem sido muito di-
ferente; às vezes também percebemos esta figura soberana na pes-
soa do pastor ou na de outros títulos como forma de status; às vezes,
acima de tudo e de todos, quase intocáveis. Na verdade, a síndrome
de “semideus” é uma marca do caráter distorcido do ser humano e
se reflete também nas nuances religiosas, desenvolvendo o caráter
narcisista, a sede pelo poder e a necessidade de bajulação e louvor.
Não estou pregando a anarquia religiosa, mas Cristo deve ser a ca-
beça da Igreja, não os homens, ou então seria outro evangelho, e
outro evangelho, além do genuíno e único de Cristo como a cabe-
ça da Igreja, que seja anátema! É bíblico que Deus ordena homens
para liderar seu povo. O livro de Atos menciona o papel dos bispos
(pastores) e dos apóstolos, bem como dos evangelistas, dos presbí-
teros e dos diáconos e profetas, mas precisa cair por terra a idolatria
que acontece no meio religioso pelos “homens e mulheres de Deus”
e as nomenclaturas que sugerem ou promovem apenas o status no-
minal. Cristo é a cabeça da Igreja, ele é o único dono, mas há muitos
se esquecendo disso, e o homem tem adquirido uma proeminência
megalomaníaca, pela sede de poder, e tem desvirtuado a simplici-
dade do Reino de Deus e sua inegociável hierarquia miscigenando-
-o com o humanismo. Afinal, os títulos valem mais do que o caráter
cristão? Quem, afinal, derramou seu sangue e pagou o resgate pela
Noiva? Muitos exageros têm ocorrido, ganância, enriquecimento,
engano e profanação da verdade do evangelho simples de Jesus.
O que vemos hoje, nos meios religiosos, é a mesma manifestação
greco-romana de poder e “glorificação humana”, de dogmas mortifi-
cados e filosofias que fazem apologia às riquezas terrenas de forma
vil. Mas a palavra ensina: “... e discussões sem fim, como costumam
fazer as pessoas que perderam o juízo e não têm mais a verdade.
Essa gente pensa que a religião é um meio de enriquecer” (1 Tm 6:5,
LH); e ainda: “para que o nome de nosso Senhor Jesus seja glorifica-
do em vós, e vós nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor
Jesus Cristo” (2 Ts 1:12).
O próprio Jesus disse que ele mesmo veio para servir; esta é a princi-
pal característica de um homem ou mulher de Deus: ser servo!

112
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

O profeta Daniel, no capítulo 11, menciona o que aconteceria nos


últimos dias com muitos líderes da igreja. Observe: “E os entendidos
entre o povo ensinarão a muitos; todavia cairão pela espada, e pelo
fogo, e pelo cativeiro, e pelo roubo, por muitos dias. E, caindo eles,
serão ajudados com pequeno socorro; mas muitos se ajuntarão a
eles com lisonjas. E alguns dos entendidos cairão, para serem pro-
vados, purificados, e embranquecidos, até ao fim do tempo, porque
será ainda para o tempo determinado” (Dn 11:33-36).
Quando estudamos sobre a história da Igreja e sua transição ao ro-
manismo, verificamos os sérios prejuízos que ela veio a ter. Verifi-
camos como a Igreja perdeu sua raiz e se prostituiu com o mundo,
tornando-se profana. O modelo de igreja cristã atual é o resquício
desta substituição; ainda que Lutero tenha tentado reformá-la, ape-
nas o fez de forma tímida no plano teológico. Ainda há muita refor-
ma a ser feita em todo o seu âmbito. Mas, pela misericórdia de Deus
hoje, e cumprindo-se a profecia de Jeremias, o Espírito Santo está
levando-nos de volta a Jerusalém, nos tirando de “Roma” e tirando
“Roma” do coração de seu remanescente, da sua verdadeira Igreja;
Igreja esta que não tem nome, não tem placa denominacional nem
doutrinas humanas mortas no espírito de sua religiosidade, mas
que se encontra no coração de pessoas que verdadeiramente são
piedosas e servem a Deus, e não a homens despotistas, que nutrem
seus interesses pessoais, praticam a autopromoção, homens estes
com síndrome de semideus, como os gregos e os romanos o foram
– evidência da atuação do principado da Grécia.
Quando digo “levar de volta a Jerusalém”, não estou me referindo a
um estilo de vida judaico, nem à posição geográfica, nem a ir visitar
Jerusalém. Mas me refiro a um retorno ao padrão bíblico. Muitos
atos cultuais, festas pagãs, conceitos profanos praticados pela igreja
hoje são contrários à palavra de Deus e foram herdados do romanis-
mo. Muitos conceitos e dogmas religiosos hoje são práticas da igre-
ja romana. E precisamos nos lembrar de que o Império Romano é o
profetizado por Daniel, aquele que influenciaria com suas práticas
profanas todo o mundo até o arrebatamento, como já vimos. Jeru-
salém e Sião representam um padrão bíblico verdadeiro, de princí-
pios norteados pela palavra de Deus, como diz Paulo:
“... A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a
113
Relógio dos Tempos

palavra da fé, que pregamos” (Rm 10:8). Este tempo está chegando:
“Porque está perto o dia, sim, está perto o dia do SENHOR; dia nublado;
será o tempo dos gentios” (Ez 30:3).
Constantino, o imperador romano que fundiu o cristianismo ao
paganismo, para ganhar simpatia de romanos e cristãos, miscige-
nou56 as culturas e os cultos. Por exemplo, colocou a data de 25 de
dezembro como o nascimento de Jesus, para incorporar a comemo-
ração mais importante anual dos romanos, o principal dia de ado-
ração ao deus sol – o solstício57, porém, pelas evidências históricas
e bíblicas, sabemos que Jesus não nasceu nesta época, bem como
sua morte e ressurreição merece muito mais destaque nos relatos
bíblicos, ao contrário da comercialização que vemos hoje por oca-
sião do Natal. Não considero erro algum aproveitar a data de feriado
e reunir-se a família, isto é salutar, mas sabemos que a origem do
que eles comemoram é paganizado.
Outro fato foi a substituição dos deuses pagãos nos templos roma-
nos por imagens dos “santos” cristãos. Deus chama a sua igreja para
a origem. A Bíblia diz que “de Sião sairão as leis e o louvor”. Sião é um
monte considerado santo em Jerusalém; Sião hoje é a representa-
ção da Igreja. Então, me refiro a uma condição espiritual. Sair do hu-
manismo e da mente do mundo provocado por Roma e receber de
Deus os princípios de sua palavra, a Verdade absoluta do universo,
a mesma Palavra criadora, que tudo fez e que “no início estava com
Deus e era Deus” (Jo 1:1-2).
“Irão muitos povos, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, à
casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e ande-
mos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a pala-
vra do Senhor” (Is 2:3).
“Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião” (Sl 2:6).
A Bíblia diz que moraremos numa cidade chamada Nova Jerusalém;
não é Nova Iorque nem Nova Roma. Será uma Jerusalém celestial,
uma cidade modelo e padrão, onde reinará a paz, a justiça, o amor e

56 Miscigenar: “misturar raças, cultura ou religião”; “mestiçar”.


57 Solstício: fenômeno que ocorre em junho e dezembro. Momento em que o sol atinge a maior
declinação em latitude. Deste fenômeno, originaram-se comemorações festivas relacionadas ao deus sol.
114
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

a igualdade, será o éden que Deus sempre almejou para o homem.


Quem morará nesta cidade santa? Os sedentos por justiça, paz e
amor: “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do
céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu
esposo” (Ap 21:2). Os que aceitarem o único caminho e verdade e que
trilharem pelo único caminho que conduz à salvação, JESUS CRISTO:

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos


céus. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. Bem-aven-
turados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão mise-
ricórdia. Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a
Deus. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados
filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa
da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós,
quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal
contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o
vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que
foram antes de vós” (Mt 5:3-12).
O mundo está morto no maligno; nosso padrão é o Reino de Deus,
é a Nova Jerusalém. Aquele que quer ser amigo deste mundo cons-
titui-se inimigo de Deus. Ainda que custe a perseguição, as calúnias,
mais vale agradar a Deus. Nosso amor precisa estar focado em Deus
e em seu Reino: “Infiéis, não compreendeis que a amizade do mun-
do é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo
constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4:4).
A quem verdadeiramente vamos seguir, a Deus ou ao mundo e ao
secularismo? Entenda, temos apenas duas opções: ou servimos a Je-
sus e temos a esperança de morar em seu Reino, ou vivemos confor-
tavelmente conformados ao sistema mundo, por trás do qual está o
império de Satanás e do anticristo. O tempo que vivemos hoje ainda
é o tempo da graça de Deus e de reconciliação pessoal com ele.
Falamos de nações, mas a decisão não é plural, mas puramente indi-
vidual. Não deixe para amanhã! Não podemos determinar o tempo
de amanhã, nem se estaremos vivos ou não. Esta é a decisão mais
importante de nossa vida, pois ela, sim, decidirá a nossa eternidade:
115
Relógio dos Tempos

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém


vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14:6). Sonde seu coração agora. Vol-
te à presença do Pai! Afinal:
“Eis que [Jesus] vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos
que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele.
Sim. Amém. Eu sou o Alfa e o Omega, o princípio e o fim, diz o Senhor,
que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1:7-8).
Encerro este tópico transcrevendo as palavras que a missionária Ká-
tia, que desenvolveu seu ministério no Brazil’s Coordinator at Jeru-
salem House of Prayer for All Nations, em Jerusalém, no Monte das
Oliveiras, dirigida pelo pastor Tom Hess, a meu pedido, em 2009, es-
creveu especificamente para este livro, sobre a visão profética que a
Bíblia mostra a respeito de Israel e de Jerusalém:

Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que o


amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da Terra
serão abençoados” (Gn 12:3). Esta é a aliança eterna de Deus
feita com Abraão.
Nós sabemos que a Bíblia faz referência a Israel cerca de 2500
vezes, e a palavra Jerusalém aparece nas Escrituras mais de
800 vezes. Desde o livro de Gênesis até o Apocalipse, podem-
os ler a história do povo de Israel. Em Gênesis lemos sobre as
promessas feitas aos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. Logo
após, Deus levanta José para salvar o povo hebreu da fome,
preservando-os para a posteridade. Então, no livro de Êxodo,
Adonai (Senhor) tira o povo hebreu da terra do Egito com
grandes sinais e maravilhas e eles começam sua jornada rumo
à terra prometida (antiga Canaã), usando Seu servo Moisés.
Em Levítico, Elohim (Nosso Deus) dá as Leis, as ordenanças,
para que este povo ande na presença de um Deus único, Cria-
dor de todas as coisas e Soberano.
Em Números, as responsabilidades para cada tribo de Israel
são divididas. Em Deuteronômio o Senhor fala das Festas
que eles devem celebrar por toda a vida (perpetuamente). Em
Josué, ocorre a conquista do território e divisão das 12 tribos

116
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

de Israel, nação que Deus havia prometido dar ao povo he-


breu desde Abraão, e este construiu altares para marcar esta
aliança em Shechem, Betel, Hebron (antiga quiriat-Arba) e
Jerusalém (Monte Moriah). Os altares de aliança de Abraão
com Deus, que estão em Jerusalém, Judeia, Samaria e Colinas
de Golan (Mt. Hermon) são justamente lugares de disputa nos
dias atuais para que esta aliança seja quebrada (Gn 12:4-9; Gn
13:15-18).
quando lemos o livro de Juízes, vemos Deus usando uma mul-
her, Débora, que era profetisa, para liderar Israel, bem como
Gideão e Sansão, que conquistaram grandes vitórias aos isra-
elitas. No livro de Rute, vemos a promessa se cumprir, de que
Jesus viria da descendência de Davi, quando Rute, uma gen-
tia moabita (os moabitas habitavam a Jordânia) se casa com
Boaz, que gerou Obede, e Obede gerou Jessé, e Jessé gerou
Davi (Rt 4:21,22). Nos livros de Samuel I e II, vemos o nasci-
mento do sacerdote Samuel, que ungiu o rei Davi. Davi dos
Salmos, Davi guerreiro que matou Golias, Davi que amava a
Deus, Davi que amava Jerusalém e quis construir um templo
para a presença de Deus, mas seu filho, Salomão, o fez anos
mais tarde. Nos demais livros do Antigo Testamento, podemos
acompanhar outros reis de Israel e os profetas, como Isaías,
Jeremias, também Joel, Oseias, Zacarias e outros.
No Novo Testamento vem pela primeira vez à terra, como ser
humano, O Ungido, Yeshua HaMashiah (Jesus, O Messias),
nascido em Belém, em Israel. Jesus veio para ser Rei, mas Ele
não pôde se assentar no trono naquele tempo, porque Roma
dominava. Mas Ele nasceu para ser Rei (Jo 18:33-37), Rei de
Israel, Rei das Nações, e se assentar no trono de Davi em Je-
rusalém, Israel (Ap 22:16). Foi em Israel que Jesus desenvolveu
seu ministério, curou, ressuscitou, salvou e chamou doze ho-
mens para serem seus discípulos. A estes homens, lhes cabia
a tarefa de levar a obra adiante e fazer discípulos de todas as
nações. O evangelho chegou aos confins da terra, a nós, que
antes éramos gentios, mas que agora podemos fazer parte da
promessa de também sermos filhos e coerdeiros com Cristo.
Como quase toda a Bíblia nos fala a respeito de Israel e do povo
117
Relógio dos Tempos

hebreu, também a segunda vinda de Jesus está relacionada


com a nação de Israel e seu povo. Israel foi espalhado pelas
nações (Dt 28:63 e 64), grandes impérios conquistaram Israel
ao longo dos anos, como os babilônios; medo-persas; gregos;
egípcios; assírios; romanos; mamelucos otomanos; turcos e
cruzadas católicas.
No final da Segunda Guerra Mundial, vimos um saldo tene-
broso: 6 milhões de judeus mortos no Holocausto. Mas Deus
prometeu reuni-los de volta (Jr 31:8 e 10). Entre 1945 e 1948,
cerca de dez navios contrabandearam 70000 judeus para a
terra de Israel, com um propósito: a criação de um Estado Ju-
deu.
Em 14 de maio de 1948, mais uma promessa da Palavra de
Deus se cumpriu: o estabelecimento de Israel como nação
soberana. Isaías 66:8: “Pode uma nação nascer num só dia,
ou pode-se dar à luz um povo num instante?” Glória a Deus
pela independência de Israel, porque Jesus vai voltar a Israel,
e aonde Ele iria voltar se não houvesse Israel? Mas Deus é fiel
para cumprir todas as suas promessas!
Romanos 9:4 e 5 diz: “O povo de Israel. Deles é a adoção de fil-
hos; deles é a glória divina, as alianças, a concessão da Lei, a
adoração no templo e as promessas. Deles são os patriarcas,
e a partir deles se traça a linhagem humana de Cristo, que é
Deus acima de todos, bendito para sempre! Amém”. Se você
quer preparar o caminho para o Rei da Glória, para a volta de
Jesus em sua segunda vinda, é necessário, dentre muitas ou-
tras coisas, também orar pela paz de Jerusalém (Sl 122:6).

Kátia C.Ferreira, Brazil’s Coordinator at Jerusalém House of


Prayer for All Nations - Jerusalem - Israel

CÉUS DE BRONzE
Os céus de bronze geram a apostasia, que, por sua vez, nos remete
à passividade no sistema mundo. “Céus de bronze” é a barreira invi-
sível que separa o ser humano de Deus e impede nossa projeção ao

118
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

sobrenatural. O que gera os céus de bronze é o pecado da increduli-


dade, da religiosidade e da dúvida, que provém da incapacidade de
ver o mundo espiritual; ele cega e impede de viver o sobrenatural
de Deus, atraindo para a dimensão puramente humana e para seus
prazeres egoístas, para uma vida na carne. É importante falar sobre
ele aqui. Pecado é o desvio em relação à vontade divina. É errar o
alvo. Precisamos nos escandalizar com o pecado, ou não existe mais
pecado, tudo é relativo? O apóstolo Paulo menciona algo interes-
sante a respeito: “Porque os que são segundo a carne inclinam-se para
as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do
Espírito” (Rm 8:5).
Existem sacerdotes e líderes espirituais vendendo a alma e ig-
norando o pecado em troco das ofertas, dízimos e outros bene-
fícios que temem perder. Existem ovelhas que negociam com a
concupiscência58 como se isso não fosse um grande erro, tudo em
nome do relativismo do “não é bem assim” ou “as coisas mudaram,
o mundo mudou”. O mundo carece de profetas de Deus, dos Elias e
dos Joãos Batistas. Em contraposição ao sistema mundo, Deus está
levantando esta geração intolerante ao pecado! Não são muitos,
mas fazem a diferença e envergonham o inferno. Não podemos co-
brar muito do mundo, mas precisamos cobrar daqueles que conhe-
cem a verdade, precisamos nos cobrar! “Não vos torneis muitos de
vós mestres, meus irmãos, sabendo que receberemos um juízo mais
severo” (Tg 3:1).
Muitos púlpitos têm pregado sobre a prosperidade ou apenas so-
bre os milagres levianamente, não que isso não exista na Bíblia, mas
às vezes a impressão é a de que só existe isso ou que seja o mais
importante; ou, ainda, que prosperidade seja apenas sinônimo de
finanças; então, muitos se acostumaram a ir à igreja apenas em bus-
ca de milagres, de ensinamentos de autoajuda, de terapia para as
emoções, soluções financeiras instantâneas e temas motivacionais
humanistas. Mas, quando a palavra vem como uma espada, como
um fogo consumidor, e confronta o pecado, a maioria não gosta e
procura outros interlocutores que massageiem seu ego e agradem
seus ouvidos. “Cuidado! Não rejeitem aquele que fala. Se os que se

58 Concupiscência: do grego epithumia, quer dizer “desejo, anelo e anseio incontroláveis”; “desejo pelo
que é proibido”, “luxúria”, “obstinação”.
119
Relógio dos Tempos

recusaram a ouvir aquele que os advertia na terra não escaparam,


quanto mais nós, se nos desviarmos daquele que nos adverte dos
céus? Aquele cuja voz outrora abalou a terra, agora promete: ‘Ainda
uma vez abalarei não apenas a terra, mas também o céu’.
As palavras ‘ainda uma vez’ indicam a remoção do que pode ser aba-
lado, isto é, coisas criadas, de forma que permaneça o que não pode
ser abalado. Portanto, já que estamos recebendo um Reino inabalá-
vel, sejamos agradecidos e, assim, adoremos a Deus de modo acei-
tável, com reverência e temor, pois o nosso ‘Deus é fogo consumi-
dor!’” (Hb 12:25-29). Os milagres são importantes, tanto que Jesus
mesmo os fez mais do que ninguém, porém, eles são sinais de Deus
para provocar uma mudança interna, não deve ser produto de ma-
rketing para os que ‘o operam’. É Deus quem faz o milagre, e sem
ele ninguém pode fazer nada! Deus está abalando a terra e os seus
habitantes, inclusive a sua igreja, todos seremos provados neste
tempo! A Bíblia ensina que devemos vir a Jesus como estamos, mas
não diz que devamos permanecer como somos. Podemos tolerar o
pecador e ajudá-lo a vencer, mas nunca tolerar o pecado: “Pois vai
chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro
ensinamento, mas seguirão os seus próprios desejos. E arranjarão para
si mesmas uma porção de mestres, que vão dizer a elas o que elas que-
rem ouvir” (2 Tm 4:3).

ANTÍDOTO CONTRA A APOSTASIA


O conceito de apostasia, na Bíblia, significa abandono da sã dou-
trina, seria uma “deserção da fé”. Seja sincero: quantas vezes você
já teve pensamentos, vozes soprando-lhe assim: Saia fora, este ne-
gócio de igreja é complicado; este sacerdote está enganado; as coisas
não são bem assim; não vá à igreja; vá fazer algo pro seu prazer, você
merece, está muito cansado, ninguém se cansa tanto quanto você; a
Bíblia é antiquada; as coisas hoje são diferentes; Deus está longe e se
esqueceu disso aqui... e outras coisas desse gênero? Já ouviu alguma
delas? Muitas vezes é uma tentativa constante do inimigo de nos
fazer desertar da fé, ou seja, nos fazer entrar em estado de aposta-
sia. O mesmo estado em que o mundo se encontra, pois ele jaz no
maligno (1 Jo 5:19).

120
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

A apostasia está tomando conta de muitos corações, até mesmo


dentro das igrejas. A apostasia conduz ao desânimo e à mornidão,
fazendo o cristão se tornar autômato, com a consciência cauteriza-
da. Ele pode até ir à igreja às vezes, mas somente para cumprir seu
ritual “sagrado-religioso”. Ele ouve, mas nunca considera que a pa-
lavra é para si e continua do mesmo jeito. Não se quebranta, nem
se arrepende, não abandona o pecado; o pregador fala, mas parece
que tocar em certos temas se tornou proibido ou antiquado; o povo
somente gosta de ouvir mensagens a respeito de milagres, de auto-
ajuda e de prosperidade. Mensagens de confronto, de transforma-
ção de vida, muitas vezes, não encontram público nem aplausos.
Para resistir à apostasia, precisamos buscar a Deus e ouvir a sua pa-
lavra. Ler a Bíblia e conhecer a vontade dele para nossa vida. Buscar
o Espírito Santo em oração, viver uma vida de adoração em todo
instante. A Bíblia diz que Deus tem muitos planos para nós: “Eu é que
sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensa-
mentos de paz e não de mal, para vos dar o futuro que desejais” (Jr
29:11). E diz, ainda, que Deus deseja revelar esses planos a um gru-
po especial de pessoas: “Certamente, o SENHOR Deus não fará coisa
alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os pro-
fetas” (Am 3:7). Deixe-me lhe fazer uma pergunta para esclarecer
bem este ponto: se você tivesse um grande plano, a quem você re-
velaria, a amigos chegados ou a colegas distantes? Esta é uma sim-
ples evidência do porquê de o Senhor Deus escolher seus íntimos
para compartilhar seus planos. Porém, uma amizade se conquista
com relacionamento. A minha melhor amiga na terra é Tathiana,
minha esposa, pois não falo para ninguém meus sentimentos mais
do que para ela. Para isso conversamos sempre. Para desenvolver
relacionamento, é necessário gastar ou investir tempo. A relação
tempo/intimidade é um princípio que a sentinela desta última hora
precisa entender. Pois, sem tempo com Deus, não há intimidade
e adoração. Sem adoração e intimidade, não há revelações, e sem
revelações, nos corrompemos. Pois as revelações são profecias de
Deus para minha vida e para o corpo de Cristo, necessárias à saúde
espiritual. “Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que
guarda a lei, esse é feliz” (Pv 29:16).
Por esse motivo, temos entre nós tantos doentes do espírito, da
121
Relógio dos Tempos

alma e do corpo, pois nunca buscaram desenvolver uma vida ínti-


ma de relacionamento com Jesus por meio do Espírito Santo. Invista
tempo com o Espírito Santo e você irá experimentar um nível de
glória como nunca na sua vida, afastando toda raiz de apostasia.
Não seja automático, não cronometre o tempo, deixe-se levar pelo
Espírito. O tempo com Deus, no início, podem ser poucos minutos,
mas, à medida que for crescendo a intimidade, você mesmo não
vai querer sair de sua presença tão cedo. Pedro teve essa reação
quando experimentou a glória de Deus: “Então, Pedro, tomando a
palavra, disse: Mestre, bom é estarmos aqui e que façamos três tendas:
uma será tua, outra, para Moisés, e outra, para Elias” (Mc 9:5). Em Apo-
calipse, João viu: “Em seguida, vi que se abriu no céu o templo, isto é, a
Tenda da Presença de Deus” (Ap 15:5).
Este é um alerta importante para estes últimos dias, para os que
sentem a necessidade de viver no sobrenatural, observar e discernir
o relógio dos tempos e épocas, e estar livre dos falsos profetas e dos
enganadores que surgem no mundo todo. Chegamos a um tempo
específico em que todos serão provados; quem é verdadeiramen-
te crente em Jesus terá que provar sua fé. Somente os verdadeiros
discípulos permanecerão firmes, e esta firmeza não tem outro prin-
cípio a não ser relacionamento e intimidade com o Senhor, uma vida
de fé, adoração e piedade diante de Deus diariamente, constante-
mente, pois será extremamente necessária à saúde espiritual e nos
habilitará a enfrentarmos o maligno e permanecermos inabaláveis:
“A intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará
a conhecer a sua aliança” (Sl 25:14); “porque o SENHOR abomina o
perverso, mas aos retos trata com intimidade” (Pv 3:32). A prova de
nossa fidelidade será a garantia de perseverança até o fim: “tendo em
vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo
ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:26).
Mateus 7:13-29(LC), retrata o panorama de um dos sermões mais
diretos e autêntico de Jesus. Observe que interessante a narrativa
na linguagem bíblica contemporânea, cujo título é AUTENTICIDADE:
“Não procurem atalhos para Deus. O mercado está transbordando de fór-
mulas fáceis e infalíveis para uma vida bem-sucedida que podem ser apli-
cadas em seu tempo livre. Não caiam nesse golpe, ainda que multidões o
recomendem. O caminho para a vida - para Deus! - é difícil e requer de-
122
Capítulo 3 - O Relógio dos Tempos e das Épocas

dicação total. Tomem cuidados com os pregadores muito sorridentes: a


sinceridade deles muitas vezes é fabricada. Eles não perderão nenhuma
oportunidade para depenar vocês. Não fiquem impressionados com o ca-
risma. Procurem o caráter. Importa o que os pregadores são, não o que
dizem. Um líder de verdade jamais irá explorar as emoções ou as econo-
mias do povo. As árvores doentes com seus frutos podres serão cortadas e
queimadas. Saber a senha certa - por exemplo ‘Senhor, Senhor’ - não levará
vocês a nenhum lugar comigo. O que se requer é obediência, é fazer o que
meu Pai deseja. Posso até ver a cena: no juizo final, milhares vindo em mi-
nha direção e se justificando: ‘Senhor, nós pregamos a Mensagem, expul-
samos demônios, e todos diziam que nossos projetos eram patrocinados
por Deus!’ Sabem o que vou responder? ‘Vocês perderam a oportunidade.
Tudo que fizeram foi me usar para virarem celebridades. Vocês não me im-
pressionam nem um pouco. Fora daqui’.

As palavras que digo não são meros adendos ao seu estilo de vida, como a
reforma de uma casa, que resulta em melhora de padrão. Elas são o próprio
alicerce, a base da sua vida. Se vocês puserem essas palavras em prática,
serão como pedreiros competentes, que constroem sua casa sobre a so-
lidez da rocha. A chuva cai, o rio avança e o vento sopra forte, mas nada
derruba aquela construção. Ela está fundamentada na rocha. Mas, se vocês
usarem as minhas palavras apenas para fazer estudo bíblico, sem nunca
aplicá-las a própria vida, não passarão de pedreiros tolos, que constroem
sua casa sobre a areia da praia. Quando for atingida pela tempestade e
pelas ondas, ela irá desmoronar como um castelo de areia.

Quando Jesus concluiu seu discurso, a multidão o aplaudiu. Eles nunca ti-
nham ouvido um ensino assim. Era óbvio que ele vivia o que pregava, em
contraste com os líderes religiosos do povo! Foi a melhor aula que eles já
tinham ouvido”.

RELIGIOSIDADE
A religiosidade confunde-se com santidade, mas não é. Para tentar
fugir da apostasia muitos buscam uma devoção religiosa cega e in-
sosa. este foi o grande mal na vida dos fariseus. Eram pessoas ultra-
-religiosas que condenavam os outros, mas eram hipócritas.
Por exemplo, podemos ser aparentemente ‘cheios de Deus’, falar em
línguas estranhas, até curar enfermos com nossa oração ou sermos
assíduos a igreja, mas, ao mesmo tempo, não termos uma vida com
123
Relógio dos Tempos

Deus de verdade. As máscaras podem encobrir nosso verdadeiro


caráter, podemos usá-las em várias ocasiões, ser uma pessoa na
igreja, outra em casa, outra no trabalho e assim por diante, porém
não podemos fugir do criador, ele conhece-nos por dentro.
O que quero enfatizar é a necessidade de sermos autênticos, verda-
deiros, cuidando de nossa vida espiritual com uma busca verdadei-
ra por Deus, sem comparações e nem acusações aos que conside-
ramos ‘fracos’ na fé. Afinal, ‘o poder de Deus aperfeiçoa-se em nossa
fraqueza’ ( 2a Co. 12:9).

“O que faz discípulos autênticos não são visões, êxtases, domínio de ca-
pítulos e versículos da Bíblia ou um sucesso espetacular no ministério,
mas a capacidade de manter-se fiel” (Brennan Manning)59.

59 O Evangelho Maltrapilho, Brennan Manning, no Brasil pela Editora Mundo Cristão, 2005, p. 182.
124
Capítulo 4 - Vivendo no Sobrenatural: vai valer a pena

CAPÍTULO 4

VIVENDO NO SOBRENATURAL:
VAI VALER A PENA!
TESTEMUNHOS

“Veio sobre mim à mão do SENHOR; ele me levou pelo Espírito do SENHOR e
me deixou no meio de um vale que estava cheio de ossos... e estavam sequís-
simos. Então, me perguntou: Filho do homem, acaso, poderão reviver estes os-
sos? Respondi: SENHOR Deus, tu o sabes. Disse-me ele: Profetiza a estes ossos e
dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR. Assim diz o SENHOR Deus a
estes ossos: Eis que farei entrar o espírito em vós, e vivereis.” (Ez 37:1-5)

125
Relógio dos Tempos

“só eXistem duas formas de viver a sua vida. a primeira é peNsaNdo


que o milagre Não eXiste; a outra é peNsaNdo que tudo é milagre”
(alBert eiNsteiN, físico alemão de origem judia, coNsiderado o maior
gêNio da era moderNa).

Neste capítulo quero apenas relatar alguns fatos que ocorreram em


minha vida, pois quando testemunhamos, compartilhamos, a fé se
amplia, pois a fé vem pelo ouvir. E a fé é o que nos capacita a vi-
ver no sobrenatural, entendendo que as experiências que Deus nos
dá, sem exceção, servem para nos projetar ao mesmo nível do que
Deus tem em seu coração: amor e compaixão pelas almas perdidas,
afinal, este é o clamor do coração de Deus em todo o tempo!
As experiências com Deus no sobrenatural não são para fazer de
nós “zen em estado alfa” nem “super-heróis”. Pelo contrário, nos tor-
namos mais humildes para reconhecer que tudo vem dele e que nós
não somos nada! Essas experiências são para mostrar o que parece
uma incoerência: em nossa fraqueza e insignificância, podemos ser
muito úteis nas mãos dele neste mundo vasto; na verdade, quanto
mais diminuímos, mais Deus cresce em nós.
Quanto mais fracos, mais o poder de Deus se aperfeiçoa em nossa
fraqueza. Somos reputados como escória do mundo; as pessoas não
creem, os milagres e o sobrenatural são subvalorizados e substitu-
ídos cada vez mais pela razão e pelo humanismo filosófico e cien-
tífico; mas, para nós que nutrimos a virtude de crer, sabemos que
temos um valor inestimável para o Rei dos reis, Senhor dos senhores
e Deus de todas as coisas existentes e não existentes também.
Estas experiências nos concedem um lema a seguir, um legado, a
essência da nossa vida: conhecer a Deus e fazê-lo conhecido!
Nestes últimos dias Deus tem operado muitos sinais, maravilhas e
prodígios sobre a face da terra e muitos têm sido impelidos a buscar
a presença de Deus incessantemente, violentamente, por meio da
fé. A estas pessoas, Deus tem se revelado de forma sobrenatural. “E,
desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino
dos céus, e pela força se apoderam dele” (Mt 11:12).
126
Capítulo 4 - Vivendo no Sobrenatural: vai valer a pena

ExPERIÊNCIAS DE FÉ
“A visão que João teve do apocalipse abriu uma porta de revelações
que o levou à sala do trono de Deus (...) o que sustenta uma vida de
oração prazerosa é o conhecimento de Deus em nossa vida; oração
é a melhor oportunidade que temos de conhecer a Deus” (Dwayne
Roberts)60. É o que acontece quando buscamos a Deus, recebemos
revelações e conhecimento de quem ele é e do que ele quer de nós
no seu tempo.
Em 2008, quando eu recebi de Deus a palavra confirmando minha
ida para a Europa pela primeira vez, estava orando e tive uma visão
espiritual na qual me via pregando num púlpito. Naquele momento,
perguntei ao Espírito Santo que lugar seria aquele, e ele me respon-
deu que era o púlpito da igreja em que eu pregaria na Alemanha.
Vi também minhas duas filhas e minha esposa ministrando, então
entendi que era um ministério para toda a família. Naquele exato
instante, o Senhor me deu a mensagem que eu deveria ministrar.
O tema era “O profético”. Quando indaguei a respeito de como eu
levantaria recursos para ir à Europa, Deus me disse: Venda seu carro e
vá!. Dois meses depois, se cumpriu a visão da exata forma que Deus
me mostrara.
O interessante foi que, naquele dia em que tive a visão, pedi ao Se-
nhor que me confirmasse, na Palavra, a direção que ele me dava. E
então, subi ao monte; era um início de tarde, muito calor, me ajoelhei
e disse a Deus, com muita fé em meu coração e com a convicção de
que Ele estava ali comigo: Se o Senhor está comigo nisto, me mostre
de forma clara em sua Palavra; não descerei daqui enquanto o Senhor
não me der um sinal. Levantei-me e abri a Bíblia aleatoriamente em 1
Reis 19:19-21. Parafraseando, diz: Elias achou a Eliseu, que tinha doze
carros de boi e lavrava com estes carros (ou seja, eram úteis a ele, assim
como o meu carro era muito útil a mim), mas, por causa do chamado
profético, Eliseu foi ativado em seu espírito e se desfez de seus carros,
despediu-se de sua família e seguiu o profeta e seu destino profético!
Isso não era um clichê! Creio que na Bíblia toda e naquele instante
não haveria algo mais específico. Desci do monte e, sem falar nada

60 Palavras de Dwayne Roberts em uma de suas pregações. Ele é o líder do I Hope, movimento de
oração 24 horas que já ocorre há 14 anos ininterruptos em Kansas City (EUA).
127
Relógio dos Tempos

a ninguém, nem com minha esposa, comecei a pesquisar os preços


das passagens. Consegui comprar as passagens por preço promo-
cional e, no final, ainda não precisei vender o carro (embora depois,
dirigido pelo Senhor, tenha tido que o dar em oferta), pois os recur-
sos vieram de forma milagrosa. Essa experiência mudou minha vida
e a minha concepção e perspectiva profética.
Foi um tempo ali, na Europa, vivendo no sobrenatural de Deus. En-
tre muitas experiências que tivemos lá, me lembro de uma noite em
especial, quando Deus me deu um sonho. Eu estava na Alemanha
e Deus me mandou ir à Holanda e realizar um ato profético: adorar
a ele na principal praça de Amsterdã. Compartilhei o sonho com um
irmão; então, naquela mesma hora, eu, ele e seu filho pegamos um
carro e fomos. Viajamos umas quatro horas e fomos à tal praça, cer-
cada por vários prédios históricos e por um monumento horrível,
mostrando Jesus na cruz e demônios acorrentados. Esta praça fica
próxima à rua vermelha, a rua da prostituição, e também próxima
à rua das drogas, com diversos shoppings que vendem maconha
livremente. Levantei minha voz naquela praça e comecei a cantar
louvores, e Deus me mandou decretar: Se esta cidade não se arre-
pender de seus pecados, o juízo de Deus virá e águas inundarão tudo
que está aqui! Voltamos para a Alemanha e Deus não permitiu nem
mesmo comermos na Holanda; fomos e voltamos em jejum. O que
acontecerá? Não sei, mas fiz o que Deus me mandou fazer. Precisa-
mos obedecer a Deus. Viver no sobrenatural é obedecer ao Espírito
de Deus irrestritamente, e Ele é como o vento que sopra, e ninguém
sabe de onde vem nem para onde vai. O propósito de Deus é ativar
nosso espírito para que vivamos no sobrenatural.

UM PODE VIRAR UMA MULTIDÃO


Em minha experiência de discipulado, eu e minha esposa começa-
mos um grupo com três e, ao final de um ano, chegamos a mais de
trinta pessoas, entre homens e mulheres. Começamos com uma cé-
lula e depois abrimos outras em outros bairros. É maravilhoso você
ganhar alguém e fazê-lo um discípulo de Jesus. Nada nos deixa tão
realizados no reino. Quando geramos um discípulo, sem saber, às
vezes estamos gerando uma multidão, começando por meio de
apenas um.
128
Capítulo 4 - Vivendo no Sobrenatural: vai valer a pena

Há muitos anos, ganhei um jovem para Cristo e comecei a levá-lo


para a igreja comigo. Quando voltávamos para casa, eu investia ho-
ras conversando com ele e o discipulava. Isso levou algumas sema-
nas, mas suficientes para consolidá-lo na Palavra de Deus.
Há alguns meses, eu conversei com Deus: Senhor, tu tens promessas
de que nos farias pai de multidões, que, se pedíssemos, tu nos darias
nações por herança; onde estão minhas multidões, minhas nações? Afi-
nal, ao longo destes últimos anos, conquistei algumas almas, mas não
estou satisfeito, gostaria de ver multidões salvas pela minha influência.
Deus me mostrou algo tremendo, que mudou minha perspectiva e
visão de conquista para o reino. Observe minha experiência:
Estava num ponto de ônibus quando observei um cartaz afixado,
convidando para um culto missionário. Quando vi quem era o lí-
der do ministério de missões daquela igreja, me alegrei muito: era
aquele mesmo rapaz que eu havia ganhado e discipulado nas ma-
drugadas. Anos atrás eu havia investido tempo na vida dele, e agora
ele era o líder missionário da sua igreja. O Espírito Santo me ensi-
nou: quando vocês conquistam um para o reino, este um pode se tor-
nar uma multidão. Quantas pessoas um líder de missões pode alcan-
çar? – pensei. Nunca se frustre em sua conquista; lembre-se sempre:
um pode virar uma multidão, invista nele! “Pois, que é Apolo, e que
é Paulo, senão ministros pelos quais crestes, e isso conforme o que o
Senhor concedeu a cada um? Eu plantei; Apolo regou; mas Deus deu
o crescimento. De modo que, nem o que planta é alguma coisa, nem o
que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, uma só coisa é o que
planta e o que rega; e cada um receberá o seu galardão segundo o seu
trabalho” (1 Co 3:5-8).

EVANGELISMO NO ÔNIBUS E NAS RUAS: FAzENDO DISCÍ-


PULOS
Estava em São Paulo, participando de uma conferência profética
que duraria uma semana inteira. Sempre nutri em meu coração um
forte desejo de pregar a palavra de Deus em locais públicos, sem-
pre admirei os pregadores desconhecidos, servos de Deus nas ruas,
ônibus, hospitais, nos presídios, homens e mulheres muitas vezes
sem reconhecimento na terra, mas conhecidíssimos no mundo es-
129
Relógio dos Tempos

piritual, pessoas de fé e intrepidez; sempre quis fazer como eles.


Há muitos anos, sempre ia todo domingo, com os jovens de minha
igreja, antes do culto, para pregar a Palavra na praça; era gratificante
demais ver uma alma se entregando a Cristo! Amado irmão, nada
deixa um servo de Deus mais realizado do que ganhar uma alma
para o reino de Deus. Nada! Pois esta é nossa maior missão: tornar
Jesus conhecido! A Bíblia diz em Provérbios 11:30: “... o que ganha
almas sábio é”. Em Mateus 28:19, Jesus manda ir e fazer discípulos.
Para fazermos um discípulo, antes precisamos ganhá-lo!
Cheguei a São Paulo, desci no aeroporto e fui diretamente para um
ponto de ônibus. Pensei que ali seria o lugar ideal para pregar: ôni-
bus lotados, ninguém me conhece (o Senhor perdoa nossa fraque-
za). Entrei no ônibus e, quando ia falar, a coragem foi embora, minha
boca secou-se, as pernas tremeram e, frustradamente, sentei-me no
banco e, de forma bem tímida, tentei evangelizar um rapaz sentado
do meu lado, mas “só dei mancada”. Para puxar conversa, sem que-
rer, o ofendi, perguntando sobre o “coringão”... Ele era palmeirense.
Que furada imperdoável! O rapaz se fechou após isso e desceu sem
nem responder meu bom-dia, foi péssimo. Nunca desista nas primei-
ras frustrações da vida!
Desci no bairro do Brás e fui andando para a Praça da República. No
trajeto, conheci um jovem chamado Rafael (nome fictício), a quem
pedi uma informação, e ali iniciei uma conversa. Ele me contou que
veio do Nordeste e que seu sonho era comprar uma casinha e tra-
zer sua esposa e filho para São Paulo. Comecei a falar de Jesus para
ele. No final, perguntei se ele tinha uma Bíblia; ele disse que não,
então dei a ele minha Bíblia e fiz uma oração ali na rua mesmo. Dei
meu endereço de e-mail e mantivemos contato pela internet; ele
se tornou meu discípulo a distância. Em uma das vezes em que es-
távamos em contato, ele estava apavorado e mandou uma última
mensagem: Tenho que sair daqui, pois estou correndo risco de morte.
Ele estava numa “boca de fumo”, depois descobri isso. Eu não enten-
di no momento, mas me ajoelhei e clamei a Deus que o livrasse do
espírito de morte. Fiquei quase um mês sem notícias dele, até que
um dia ele entrou on-line novamente, e fiquei aliviado.
Uma das coisas que nós, seguidores de Cristo, precisamos fazer é
amar e cobrir, em oração, as pessoas. Pelas últimas notícias que tive,
130
Capítulo 4 - Vivendo no Sobrenatural: vai valer a pena

Rafael se livrou do vício de drogas, está frequentando uma igreja e


lendo a Bíblia. Está trabalhando e juntando dinheiro para realizar
seu sonho de estar com sua família. Aconselhei-o durante um bom
tempo e tenho certeza de que este jovem virá a ser uma multidão
para a glória de Deus!
Na tarde daquele mesmo dia, estava no centro da cidade de São
Paulo, multidões e multidões transitando pelas ruas da maior me-
trópole brasileira, e eu queria encontrar uma determinada rua. Pedi
informação a um homem que passava em meio àquele mar de gen-
te. Este homem se vira para mim e manda o recado de Deus: “Não te
criei eu? Não te tenho enviado eu? Não tenha medo de falar de minha
palavra seja onde for, nem diante dos poderosos desta terra. Abra sua
boca com ousadia e fale de minha palavra onde for. Eis que te dou a
sabedoria de Salomão para falar de minha palavra, não te detenhas
nem tenha medo!”. Confesso que perdi o rumo e até me esqueci do
que queria fazer ali.
Naquele mesmo final de tarde, entrei no ônibus, indo para o local da
conferência, e fui parar no ponto final. Tive que pegar outro ônibus
para voltar, porque evangelizei três pessoas dentro do ônibus. Foi
incrível. Levei um jovem que se disse simpatizante do evangelho a
confessar Jesus como Salvador. Um irmão em Cristo estava dentro
deste coletivo e me disse assim, baixinho: Irmão, enquanto você pre-
ga aí, sou seu intercessor aqui, manda vê, mano! Foi engraçado, mas
me fortaleceu; Jesus manda-nos ir em duplas, sabia que não estava
sozinho. Glórias a Deus! Esta viagem durou cerca de uma hora, e tive
oportunidade de falar de Jesus! Porém, sabia que havia mais, não
estava satisfeito. Minha visão espiritual se abriu para ver pessoas se-
dentas do amor do Pai.
No outro dia acordei às seis da manhã e pensei: Hoje será um dia pro-
dutivo. Fui para o ponto e orei: Deus, hoje quero uma colheita grande.
Enquanto orava, Deus falou: e então, entre naquele ônibus. O veícu-
lo já estava do outro lado da praça, saindo; saí correndo e gritei, o
motorista parou e eu entrei. Desatei a língua ali e comecei a pregar.
O ônibus estava meio vazio. Fiquei empolgado e ministrei a pala-
vra com muita ousadia, orei por enfermos, um rapaz se reconciliou
com Deus. Dali a pouco, o ônibus parou num determinado ponto e
entrou uma multidão. Comecei tudo de novo. Preguei em voz alta,
131
Relógio dos Tempos

agora para um público maior; estava tão lotado que se tirasse um pé


do lugar, ficava com ele no alto. Enquanto pregava, falando da volta
de Jesus e da necessidade de arrependimento para salvação, uma
moça à minha frente me fala: Ei! Lembro-me de você; te vi ontem na
conferência. Imediatamente eu disse: e então, interceda aí por mim!
Ela respondeu: Já estou orando, irmão.
Deus é maravilhoso, sempre manda um intercessor. São Paulo é
uma megalópole, mas, por algum “motivo”, Deus mandou alguém
ali para orar por mim, de novo! Lembrei que, sempre que via alguém
no ônibus pregando, eu ficava intercedendo. Amado, sempre que
vir um irmão pregando, interceda, é o Espírito Santo quem está tra-
balhando. Naquela hora, havia um homem ao meu lado: enquanto
eu pregava, ele começou a chorar. Observei isso e iniciei uma con-
versa com ele. Ele me contou que estava indo para o trabalho, mas
estava muito deprimido, pois tomara a decisão de ir embora de casa
naquele dia e abandonar a esposa e os filhos. Disse que estava co-
meçando a entrar no vício da bebida por causa da situação. E me
disse mais: que seu filho mais velho era crente, mas que nunca tinha
lhe apresentado o Jesus que cura, que faz milagres, que restaura
famílias, que eu estava pregando ali. Aquilo me sensibilizou; eu nem
tinha noção de onde eu estava, pegara um coletivo sem rumo de-
finido, mas desci com ele em seu ponto e ali oramos. Dei-lhe um
Novo Testamento, e ele disse que jogaria sua carteira de cigarros no
lixo. Orei repreendendo aquele vício e jogamos o cigarro fora, e, ao
final, ele declara: Não vou mais sair de casa hoje. quando eu chegar
em casa, pegarei minha esposa e minha família e irei para a igreja do
meu filho. Sinto que somente Jesus pode me trazer salvação e transfor-
mação. Aleluias, Deus é bom! Quantas pessoas hoje precisam que
falemos deste amor?

YAMAMOTO, UM LÍDER SENDO ALCANÇADO


Naquela semana em São Paulo, aconteceram muitas coisas. Foram
muitas as oportunidades, levei muitas vidas a confessar Jesus e a se
reconciliar com ele. Sentia-me um verdadeiro missionário urbano,
como estas experiências me trouxeram muita alegria no coração e
também muito aprendizado. É muito prazeroso ver alguém se ren-
dendo a Jesus. Fora tão bom que depois, quando voltei a Vitória,
132
Capítulo 4 - Vivendo no Sobrenatural: vai valer a pena

desenvolvi panfletos evangelísticos e mandei confeccionar numa


gráfica, e evangelizava com eles nas ruas, nos ônibus e em qualquer
cidade a que eu fosse. Teria aqui muitos testemunhos para contar,
inclusive de depoimentos no site. Foi a forma que eu encontrei de
fazer algo produtivo para Deus, de tapar a lacuna em minha vida, da
inconformidade de apenas estar preso à estrutura de quatro pare-
des de um templo.
Ali em São Paulo, na véspera de eu retornar para casa, na madruga-
da tive um sonho: o Senhor me mostrava pessoas com característi-
cas orientais, eram japoneses, e ele me mandava ir a um bairro de ja-
poneses para ali pregar a palavra. Acordei pensando naquele sonho
e não via outro lugar mais comum, a não ser o bairro da Liberdade,
que é uma colônia de japoneses. Desci ao saguão do hotel e per-
guntei para que lado ficava o bairro. Disseram-me que, se eu tivesse
disposição, dava para ir andando, e fui com meu “kit evangelismo”
(panfletos, Novo Testamento). No caminho, fui tomado por um forte
mover de intercessão no espírito e orava em outras línguas. Orava
com muito fervor, mas não entendia o motivo; estava em uma guer-
ra espiritual, e o Espírito Santo me trouxe um tremendo renovo ao
espírito.
Quando cheguei ao bairro, logo na entrada, havia um homem japo-
nês em pé, vestido com um quimono, escrito em japonês. O Espírito
Santo me falou para abordá-lo e começar por ele. Não sabia como
fazê-lo, então estendi a mão e lhe ofereci um panfleto. Ele não pe-
gou e apenas perguntou: O que é isso? Respondi: é uma mensagem
sobre Jesus Cristo. Eu não acredito nisto!, respondeu ele. Fiquei sem
ação. O Espírito Santo me soprou: Diga que você acredita em ressur-
reição! Imediatamente falei a ele: O senhor acredita em ressurreição
de mortos? O homem ficou uma fera, alterou o tom de voz e repli-
cou: Sou xintoísta. Da seita mais radical do xintoísmo61. Não acredito
nestas asneiras, faça-me o favor e me deixe em paz!
Virou-se e saiu. Eu não sabia o que fazer. Então, saí pela rua e ten-
tei distribuir meus panfletos. Para meu espanto, a cada dez pessoas
que oferecia, apenas umas duas pegavam, e, destas duas, uma joga-

61 O xintoísmo caracteriza-se pelo culto à natureza, aos ancestrais, pelo seu politeísmo e pelo ani-
mismo, com uma forte ênfase na pureza espiritual, que pode ser definida como “espírito”, “essência” ou
“divindades”.
133
Relógio dos Tempos

va no chão. Então, fiquei mais de uma hora entregando, catando os


que eram jogados fora e reentregando.
Ao final deste trabalho, pensei que havia cumprido minha missão e
me prepararei para ir embora. Quando estava saindo daquela rua,
me encontrei novamente com o mesmo japonês xintoísta. Dirigi-
-me novamente a ele e perguntei: Como é o nome do senhor? Ele
respondeu: Mas você é insistente, hein? Não desiste, não, né? Falei: é
porque Jesus nunca desistiu de mim; aprendi com ele isso. Ele pergun-
tou: De onde você é? Respondi: Sou de Vitória do Espírito Santo. Ah, é?
Eu conheço seu Estado, tenho negócios lá. Tenho uma rede de peixarias
e compro peixes do Espírito Santo. Ele se abriu... Então eu me apre-
sentei, disse meu nome e ele disse o dele, e começamos uma longa
conversa sobre variedades. Ele me contou, orgulhosamente, que
era japonês e que ficava um tempo no Japão e outro em São Paulo,
e disse que havia muitos anos que ele era o “prefeitinho” do bairro
da Liberdade e que tinha sido ele o idealizador da reforma do bairro
e de muitas das melhorias que foram feitas ali. No final, eu disse a
ele que era uma honra tê-lo conhecido, que eu queria lhe presen-
tear com algo. Ele ficou satisfeito e ofereci-lhe um Novo Testamen-
to. Ele me olhou meio espantado, mas enfim aceitou o presente e
emendou: Vou ler para entender um pouco mais sobre ressurreição.
Aleluia! Creio que Yamamoto (nome fictício) era um líder sendo al-
cançado! Fiz minha parte e fui embora; espero um dia ter notícias
da multidão que será alcançada por meio dele, pois eu creio em mi-
lagres! Eu sou um milagre, Jesus me alcançou, então pode alcançar
qualquer pessoa nesta terra.
Tenho tido inúmeras experiências em ouvir a voz de Deus, e estas
experiências têm me levado a muitos lugares para ministrar a pes-
soas, a igrejas, ou simplesmente interceder e profetizar sobre de-
terminado Estado no Brasil ou em outras nações. Como o Espírito
Santo fez com Felipe, em relação ao eunuco, ele continua fazendo
hoje. Onde estão os Felipes desta geração? Você pode dizer: Eis-me
aqui!? (At 8:26-38). Isso não quer dizer que você terá que fazer as
mesmas coisas exatamente como eu tenho feito, mas certamente
Deus irá lhe dar um ministério, uma direção de como fazer algo para
ele nesta terra! O agir no reino é multiforme; existe muito trabalho a
ser feito e poucos para fazer...
134
Capítulo 4 - Vivendo no Sobrenatural: vai valer a pena

ExPERIÊNCIAS SOBRENATURAIS EM BRASÍLIA


Em 2010 viajei por todo o Nordeste brasileiro de carro, realizando
atos proféticos e intercedendo nas capitais e em outras cidades. Fo-
ram experiências incríveis. E também fui a Brasília, e na escala em
Belo Horizonte encontrei o pastor Antonio Cirilo. Conversamos a
respeito das eleições presidenciais iminentes e sobre o sobrenatu-
ral de Deus, e juntos intercedemos pelo Brasil, a unção veio. Ora-
mos juntos ali, na sala de embarque, nem ligamos para o monte
de gente que passava. (Interessante que, uns dois anos antes, meu
irmão Evandro teve um sonho e me contou que me via ministrando
junto com o Cirilo, eu até ri na hora; mas aconteceu: ministramos
juntos pela nação ali). Na véspera de minha ida, três irmãos me con-
taram sobre sonhos que tiveram comigo: um em que eu ia encon-
trar com pessoas estratégicas; outro em que coisas muito grandes
iriam acontecer; e o último, em que eu ia ganhar vidas para Jesus na
viagem. As três coisas aconteceram:
Na iminência de fazer estes atos proféticos pelo Brasil, num do-
mingo à noite, passei para a igreja que estava indo a Brasília e que
acamparia em frente ao Palácio do Planalto e ao Congresso Nacio-
nal, intercedendo pelo nosso país. Quando o culto acabou, um ho-
mem veio falar comigo e disse: Pastor, coloco a sua disposição meu
apartamento e meu gabinete e toda a minha estrutura para o que você
vai fazer em Brasília. Este homem era deputado federal e emendou:
Semana passada, eu vim aqui à frente da igreja e não entrei porque
algo me impediu, e voltei hoje, agora entendo o porquê...
Na estada em Brasília, além de ter recebido todo aparato para a jor-
nada profética, três experiências me marcaram:
• A primeira foi que fiquei três dias inteiros acampado, ajoe-
lhado, deitado, marchando ou sentado em frente ao Con-
gresso, e fui tomado de uma unção tão forte que eu gritava
em clamor no meio daquela praça, sem me importar com
quem passava. Saí andando e orando na frente de cada pré-
dio de Ministério, chorando e suplicando, intercedendo em
outras línguas também. Um carro de polícia saiu me seguin-
do durante muitos quarteirões; eles devem ter me achado
“estranho”, e eu pensava no que explicaria se eles me abor-
135
Relógio dos Tempos

dassem (felizmente não foi necessário; era apenas minha es-


colta). O mover de intercessão profética foi muito forte, tão
forte que, 20 dias depois, eu voltei lá para orar na véspera
das eleições e sei que a senadora Marina foi o motivo de as
eleições terem ido para o segundo turno; pelas orações da
Igreja, o propósito de Deus era mostrar a nós que as orações
proféticas e atos proféticos surtem efeito. Ela foi tão bem vo-
tada que confundiu todas as pesquisas e foi destaque nos
maiores jornais do mundo todo: Fenômeno Marina levou ao
segundo turno as eleições no Brasil!
• A segunda experiência é que há mais de dois meses não
chovia em Brasília. Todos reclamavam da seca. No exato mo-
mento em que eu estava orando na Esplanada dos Ministé-
rios, começou uma chuva torrencial. Observe a matéria do
site Terra sobre este dia: “Depois de 123 dias consecutivos de
seca, voltou a chover no Distrito Federal (...) de acordo com
a Climatempo, as nuvens carregadas se formaram por conta
do aumento dos níveis de umidade que começou a ocorrer nos
últimos dois dias, com a entrada de uma frente fria forte. Esta
frente conseguiu romper o ‘forte bloqueio’ atmosférico que
havia no interior do Brasil gerado por uma grande e intensa
massa de ar seco”. Este foi o segundo maior período de seca
da história da capital (no meu site, você pode conferir a no-
tícia na íntegra, inclusive acessar o link original da matéria:
www.jesusestavoltando.com.br – Atos proféticos).
• Por último, o secretário executivo do gabinete por quem eu
estava orando desde quando cheguei ali, no momento final,
depois de uma conversa de despedida, entregou seu cora-
ção a Jesus, dentro do carro, em frente ao aeroporto. Deus
é fiel!

PREGANDO NO BANHEIRO PÚBLICO


Outra experiência marcante que tive foi na rodoviária de Vitória. Es-
tava indo para o Rio de Janeiro e entrei num banheiro público. Dois
rapazes, funcionários da limpeza, conversavam sobre “pegar uma
menina” e viraram para mim e perguntaram se eu tinha uma camisi-

136
Capítulo 4 - Vivendo no Sobrenatural: vai valer a pena

nha para arrumar. Virei-me com muita autoridade e disse: Tenho três
coisas para lhes falar: primeiro, não tenho camisinha, pois não preciso,
sou casado; segundo, não deveriam estar pedindo uma camisinha a
um homem de Deus; e terceiro, sou um profeta de Deus e digo que vo-
cês precisam se arrepender e voltar-se para Jesus! No mesmo instan-
te, um deles começou a dizer, meio que gaguejando, por causa da
vergonha: Desculpe, eu sou desviado! Eu comecei a ministrar a eles
sobre os planos de Deus. Nesse momento, um terceiro funcionário
chegou e disse: Tá vendo, vocês precisam se converter. Eu perguntei
a ele: E você? Ele disse: Às vezes vou à igreja. Faltavam apenas sete
minutos para o ônibus partir. Eu disse: Preciso orar por vocês; querem
entregar o coração a Jesus agora? Sim!, os três responderam pronta-
mente. Orei, e eles confessaram Jesus como Salvador e Senhor ali
dentro do banheiro público! Disse mais algumas palavras, corri e
ainda peguei meu ônibus.
Penso que todos nós, servos de Deus, precisamos estar prepara-
dos para essas ocasiões. Não considero que isso seja apenas para
alguns; mas é um chamado à Igreja, e isso deve fazer parte de nos-
sa vida, em qualquer circunstância, em qualquer momento; estar
pronto para testemunhar de Jesus, que transformou minha vida e
pode transformar qualquer pessoa nesta terra, qualquer uma mes-
mo. Eu sei de onde Jesus me tirou, e nada tem mais valor que isso!
O que posso fazer com humildade para retribuir tão grande amor?

CONFESSANDO AS FRAQUEzAS, RECONHECENDO OS


VALORES, AS AGRURAS DO CAMINHO
‘Proibida a entrada de pessoas perfeitas’. Este é o título de um dos
livros de John Burke, a proposta de uma placa em frente a um tem-
plo.
Refere-se ao fato da imperfeição de quem somos e da perfeição que
muitas vezes se espera de nós; é um paradoxo. E, para mim, expres-
sa a mais pura realidade com que precisamos nos deparar a cada
dia: somos imperfeitos; cometemos muitas falhas; não somos do-
nos da verdade e somos sim pecadores62, que carecem ao extremo

62 “Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso e a sua palavra não está em
nós” (1 Jo 1:8).
137
Relógio dos Tempos

da misericórdia e da graça de nosso bom Deus, que, digamos de


passagem, tem tido muita paciência com cada um de nós: isso se
chama longanimidade!
Somos pessoas imperfeitas, que erram, e sempre erraremos. Por-
tanto, confessar os erros, os pecados, demonstrar fraquezas, tenho
aprendido, faz parte da natureza de quem reconhece sua condição
e está tentando buscar melhorias para seu caráter a cada dia. “O fato
é que de alguma forma todos nós temos uma pequena, média ou
grande deficiência em nosso caráter”63. O que nos faz achar que so-
mos melhores do que as outras pessoas? Todos igualmente somos
carentes da misericórdia de Deus e isso nos coloca exatamente no
mesmo patamar de dependência da graça. A religião não nos dife-
rencia em absolutamente nada; no frigir dos ovos, todos seremos
julgados, e a responsabilidade é individual. Não temos o direito
de julgar ninguém [“Não julgueis; somos todos pecadores”. William
Shakespere]. Mas, precisamos sempre estar prontos a amar a Deus
e ao próximo, pois nestes dois mandamentos se encerram todas
as coisas: “E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo
o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a
este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois manda-
mentos dependem toda a lei e os profetas” (Mt 22:37-41).
Nestes últimos meses aqui, na Europa, desempenhando o minis-
tério profético, na verdade, Deus está é moldando meu caráter, ao
mesmo tempo, talvez até mais a segunda afirmativa que a primei-
ra. Eu nunca, na minha vida, tinha sido tão confrontado em minhas
fraquezas como tenho sido aqui. Talvez pelo fato de estar tão longe
de todos os conhecidos e de ter tido bastante tempo para medi-
tar, refletir e verificar o quanto preciso ser mudado, transformado!
Confesso que algumas vezes fiquei simplesmente horrorizado com
minhas fraquezas pessoais; cheguei a ter medo de “meus sentimen-
tos e alguns pensamentos”, e até tentei fugir de mim mesmo! Mas
não temos para onde ir, não temos como nos ausentar do Espírito
de Deus; ele nos disciplina, nos corrige, porque nos ama!64 Nosso
maior inimigo não é o diabo, tampouco as pessoas que nos cercam,

63 Deficiência de caráter: tema abordado por Alcione Emerich em suas palestras - Secrai.
64 “Pois o Senhor corrige quem ele ama e castiga quem ele aceita como filho” (Hb 12:6, LH).
138
Capítulo 4 - Vivendo no Sobrenatural: vai valer a pena

mas nós mesmos! No ministério enfrentamos muitas lutas e adver-


sidades, mas nada se compara ao “impostor que vive em nós”, nos-
sa velha natureza adâmica, pecaminosa, com que invariavelmente
convivemos a todo momento. Quanto mais curados na alma, mais
poderemos realizar a vontade de Deus e cumprir o chamado dele.
Nosso principal limitador somos nós mesmos, a nossa incapacidade
de lidar com nossas mazelas e fraquezas interiores. Busque ajuda
em Deus, procure ajuda em seu cônjuge, em seu líder, em alguém
maduro que possa ouvi-lo, e confesse seus erros. O interesse de
Deus é fazer-nos vasos para honra, e esses vasos precisam necessa-
riamente passar por um longo processo de “cura”, quebrantamen-
to e modelagem. Isso requer tempo, disciplina e muita paciência
e cuidado. Muitas vezes, estando aqui, senti-me indigno, incapaz e
confesso que até mesmo doente da alma. Em alguns momentos,
me sentia tão inerte diante das responsabilidades e desafios que
cheguei a bradar para Deus: Eu não consigo fazer isto; você deve ter
escolhido a pessoa errada!. Meditei muito sobre Pedro, que fugiu e
negou a Cristo. Até que me deparei com uma realidade: Deus não
me escolhe pelo que sou, mas porque conhece aquele em quem me
tornarei, a partir do momento em que andar com ele passo a passo!
“quando aceitamos a verdade do que realmente somos e a submete-
mos a Cristo, a paz nos envolve, quer a sintamos ou não. Com isso que-
ro dizer que a paz que excede todo entendimento não é uma sensação
subjetiva de paz; se estivermos em Cristo, estaremos em paz, mesmo
quando não sintamos paz alguma”65.
Estou terminando este livro aqui, na cidade de Essen, na Alemanha,
onde moro atualmente. Creio que por um motivo profético viemos
morar aqui, pois a palavra Essen, de origem germânica, quer dizer
“alimento” (“sementes”). E é de onde temos viajado para vários pa-
íses aqui na Europa, levando sementes de um reavivamento para
este continente, sob uma visão e chamado profético de Deus na
nossa vida.
Viajamos eu e minha família de trem, avião, ônibus, carona, de carro
alugado. Temos rodado a Europa, temos ido a lugares estratégicos,
como Amsterdã, Haia (onde fica a sede do Tribunal de Justiça inter-

65 Brennan Manning, em seu livro ‘O impostor que vivem em mim’, p. 27.


139
Relógio dos Tempos

nacional), Bruxelas (sede da Otan e uma das sedes da ONU), Praga


(cidade mais secularizada e com maior índice de agnosticismo da
Europa, ex-comunista), Londres (de onde saíram grandes pensado-
res e onde fica Greenwich – marco zero da terra), Paris (surgimento
do iluminismo e do positivismo), e várias outras cidades em outros
países. Temos nos deslocado para levar sementes, em atos proféti-
cos que Deus tem direcionado pelo continente; na realidade, nós
temos sido estas sementes. Estamos traçando planos de interces-
são estratégica para o Leste Europeu, região mais pobre da Europa,
e para outras capitais e cidades estratégicas, em todas as regiões.
Deus nos tem dado esta visão, estamos trabalhando e investindo
muito para cumpri-la. Eu e minha família temos estudado sobre a
Europa, fazemos pesquisas, levantamentos estatísticos, mapea-
mento histórico, sociológico e espiritual. Isso tem demandado mui-
to trabalho, não está sendo fácil; agora, por exemplo, a temperatu-
ra lá fora está 12 graus abaixo de zero. Sair de casa nestes dias de
inverno se torna um tremendo desafio! Até agora, o frio já matou
mais de 300 pessoas em todo o continente neste inverno de 2012.
Temos tido muito trabalho, muitas pesquisas sobre os países. Te-
nho trabalhado, às vezes, 14 horas por dia, estudando, escrevendo
e elaborando as viagens e as estratégias de alcance. Porém, os de-
safios financeiros, a solidão e as saudades, e as barreiras culturais
são como gigantes intransponíveis. Se fossemos olhar pelos olhos
humanos, tudo isso seria impossível, mas meu maior recurso é a FÉ!
Os recursos e suprimentos, Deus tem enviado a cada dia. Graças a
Deus, temos, em muitos irmãos amados e em nossa igreja local, um
suporte de oração e de cobertura espiritual, sem o qual também
seria impossível agir.
Minhas filhas choram sempre de saudades. Aqui na Europa, as pes-
soas não se relacionam como no Brasil; isso é MUITO difícil para nós.
Passamos dias neste frio indescritível que faz lá fora, com uma es-
curidão constante, por causa do rigoroso inverno europeu; às vezes
nem dá para sair, e também aqui não existe o hábito de ir à casa uns
dos outros. Alguns podem achar que é luxo estar aqui, porque não
conhecem. Só mesmo quem está debaixo desta pele para saber o
que é ser profeta aqui. A pressão espiritual é muito grande, avas-
saladora. Moramos num bairro que foi também palco da Segunda

140
Capítulo 4 - Vivendo no Sobrenatural: vai valer a pena

Grande Guerra. Essen é a sede da atual Thyssen Krupp, a ex-Cia.


Krupp AG., principal fabricante de armas da era hitleriana. Essen foi
também um dos principais produtores de carvão mineral da Europa
Central; não é necessário ter muita sensibilidade espiritual para sen-
tir o cheiro de morte e do sangue que foi derramado aqui. Este país
tem cada metro quadrado marcado; sentimos no espírito um cla-
mor agonizante de sangue derramado. E isso aconteceu há pouco
mais de 60 anos. O prédio onde moramos data daquela época; no
térreo, funciona um cassino, e o cheiro de cigarro é terrível, inclusive
dentro do apartamento, e me pergunto: Por que o Senhor me trouxe
para morar aqui? E a resposta está em que ele nos coloca exatamen-
te nos lugares que precisam de luz, afinal, quem é a luz do mundo?
Porque nós achamos que nossa vida será apenas de conforto se pre-
cisamos ser luz e sal?
Há momentos em que nosso ministério é marcado apenas por dor
e choro. Seja bem-vindo, Josué, seja bem-vindo, Calebe de Deus,
seu lugar é aqui, junto aos ocultos, que apenas se deixam usar, se
deixam gastar pelo reino; a grande maioria das pessoas usadas por
Deus não tem seus nomes nos anais seculares nem eclesiásticos,
são clandestinos, desconhecidos da multidão, mas conhecidos dos
céus.
Temos vivido isoladamente em relação a igrejas locais – embora este
não seja o ideal para quem está no campo, em nosso caso, é apenas
um momento estratégico –, e há horas, principalmente nos fins de
semana, em que a angústia aperta de tal forma que simplesmente
choramos. Não adianta falar ao telefone ou via internet, só faz au-
mentar a dor da saudade. Porém, até mesmo isso tem contribuído
para crescermos em fé, em dependência total e irrestrita de nosso
Pai celestial, e para unir ainda mais nossa família, num propósito e
chamado ministerial inusitado e improvável; tenho visto como mi-
nhas filhas estão crescendo, vendo e vivendo o sobrenatural junto
conosco, com seus pais loucos por Jesus Cristo!
Logicamente aqui na Europa, como em qualquer outro lugar do
mundo, há coisas maravilhosas, mas, quando você mora num lu-
gar, depois de um tempo o encanto passa naturalmente. Nós não
viemos aqui para ganhar vantagens ou para fazer turismo; viemos
simplesmente para dar, diferentemente de muitos que vêm para cá.
141
Relógio dos Tempos

Não viemos para ganhar dinheiro, nem em busca do El Dorado ou


de status; mas baixamos nosso nível de vida em prol de uma visão,
de um chamado: até quando Deus mandar, estamos dispostos a
cumpri-lo. No Brasil tínhamos nosso ambiente, nosso clima maravi-
lhoso, nossa casa própria, nosso carro, muitos amigos, família; aqui
não temos essas coisas, vivemos totalmente fora de nosso habitat
natural. Vivemos hoje no sobrenatural! E com a alegria de fazer a
vontade de Deus, e isso, por si só, já é a nossa recompensa, a nossa
maior satisfação. Sempre profetizamos sobre sementes, e hoje nós
mesmos somos elas!
Minha esposa passou por uma terrível depressão há algumas sema-
nas. Foi um dos momentos mais difíceis em nosso relacionamento
ao longo dos últimos 20 anos; nunca tínhamos passado por uma
situação assim. Passamos várias madrugadas orando e chorando,
e ela exclamava: Meu peito vai explodir, sinto uma dor terrível que
parece um infarto! Ela dava murros no peito, e eu quase entrei em
desespero, sem saber o que fazer. Entrei numa guerra espiritual e
clamei entre lágrimas, parecia que estava perdendo minha mulher.
Que coisa horrível. Nossas duas maravilhosas filhas Elisa e Isabela,
que acompanharam estes momentos de aflição, sofrem muito de
solidão aqui. A mais nova também está sofrendo sintomas de de-
pressão infantojuvenil, por causa da dificuldade de adaptação, prin-
cipalmente na escola, falta de amizades; é muito duro ver um filho
sofrer e não poder ajudar muito. Talvez muitos pensem: por que não
larga tudo e vai embora? Não é simples assim. Jonas tentou fazer isso.
Temos a consciência profética de que precisamos primeiro cumprir
o chamado e esperar o momento certo para voltar.
Interessante como as histórias bíblicas hoje têm um sentido e sig-
nificado muito mais real para mim. Sempre critiquei a atitude de
alguns profetas bíblicos, como a de Jonas ou a de Elias, mas agora
entendo o lado humano deles. Não é muito difícil um homem fugir
de Deus, assim como não é difícil alguém desejar a morte. Existem
momentos, amados, em horas de desespero, em que a morte pa-
rece mesmo a única e melhor escolha, tamanha a profundidade da
angústia. Cheguei a passar por isso algumas vezes por aqui. Hoje,
entendo muito bem a expressão “vale da sombra da morte”. Nem
podemos falar com nossos familiares, com medo de deixá-los pre-

142
Capítulo 4 - Vivendo no Sobrenatural: vai valer a pena

ocupados, nem com os amigos, se não eles mandariam a gente ir


embora por causa do cuidado, mas sabemos que não podemos to-
mar esta decisão sem a direção clara de Deus. Existem momentos,
nos Getsêmanis da vida, em que não há jeito: precisamos passar a
sós nestes lugares; a impressão, algumas vezes, é a de que até Deus
nos abandonou.
Para mim, sendo o sacerdote da família, é muito difícil, imensamen-
te difícil. A Bíblia diz que Deus não concederia provações que não
pudéssemos suportar, mas tenho descoberto que, em algumas,
chegamos bem pertinho do precipício da desistência, do abismo da
angústia, do pavor do medo, das ameaças das incertezas, do caos
emocional e da loucura da dúvida. Nós, crentes, às vezes queremos
espiritualizar demais as coisas e tentamos parecer um super-homem
ou uma super-mulher, mas nós não somos! Somos de carne e osso,
emocionais, vulneráveis, às vezes fracos, e choramos de tristeza!
Porque há gente que quer ser melhor que Jesus, se até ele chorou e
suou o pavor da situação? E os autores dos evangelhos não fizeram
nenhuma questão de omitir certos fatos sobre as vezes em que ele
chorou e se sensibilizou. Quando você estiver sofrendo, grite, chore,
clame, ele vem socorrê-lo! Deus tem sido nosso socorro aqui, bem
presente na hora desta angústia.
Passou pela minha cabeça desistir mil vezes, mas o Senhor vai con-
cedendo graça, alívio, renovo, e dizendo as mesmas palavras ditas
a Josué: “Não te mandei eu, não temas, eu sou contigo, tão somente
seja forte e mui corajoso!” (Js 1). Eventualmente vem uma brisinha
suave, um alívio no oásis, no meio do deserto, como uma trégua
em meio à tempestade, uma saída, ou um momento de riso. Nossas
emoções estão sendo colocadas à prova o tempo todo. Aqui não há
água farta como no Brasil; para beber água, tem que cavar MUITO,
quem lê entenda! Estar aqui, como profeta de Deus, é ter que ma-
tar gigantes todos os dias. Estamos sendo literalmente quebrados
por Deus. Sinto o que é sofrer no corpo físico e no emocional as
marcas do evangelho a cada instante, pelo frio, pela discriminação
étnica, pela solidão, pelas incompreensões, pelas traições e por tan-
tos outros fatores que experimentamos nos últimos meses. Porém,
quando olho este povo nas ruas, sem direção, perdidos, e ao mesmo
tempo para a cruz do meu salvador, o meu coração chora e ando
143
Relógio dos Tempos

pelos trens adorando a Deus, chorando e intercedendo por eles. Je-


sus coloca esta compaixão em nosso coração, pois este é o clamor
do coração de Deus! Viemos aqui para chorar pela Europa! Então
descubro que Deus nos permite sofrer para entender a dor que ele
sente por cada ser que ele criou. Bem como para moldar nosso cará-
ter e abrir nossa cosmovisão. Esta é a dor do coração de Deus, a dor
de um pai que vê e que às vezes perde um filho.
Talvez se meu relatório dissesse que estamos “às mil maravilhas”,
com “o burro na sombra”, como diz o ditame popular, alguma coisa
estaria errada; quando incomodamos o inferno, a reação natural é
ele se levantar contra nós. Então sei que toda “leve e momentânea
tribulação produzirá em nós um eterno peso de glória”!
Eu não ia escrever essas coisas acima. Minha intenção era guardar
tudo em meu coração e não contar nada a ninguém, por vergonha
de parecer fraco demais. Mas descobri que isso é orgulho, não que-
rer demonstrar fraqueza é uma faceta do orgulho humano, até que
o Espírito ministrou que estas minhas experiências irão ajudar mui-
tas pessoas que hoje sofrem a dor da tristeza, angústia, depressão
ou isolamento na vida e no ministério.
Porém, Deus usa pessoas que às vezes nem esperamos para nos
consolar e confortar; vez ou outra, recebemos a mensagem de al-
guém que, direta ou indiretamente, fala muito conosco. Sei que não
estamos sós, Deus nos conforta e nos consola. A sensibilidade emo-
cional e também espiritual fica à flor da pele. Numa situação assim,
é muito comum chorar por quase qualquer coisa, até uma folha que
cai de uma árvore é capaz de falar ao nosso coração uma verdade
espiritual e nos fazer chorar. Outro dia, quando estava muito mal
mesmo, a ponto de desistir, depois de quatro meses sem ter casa
aqui, na Alemanha, Tathiana doente, morando de favor na casa de
irmãos e ainda sendo caluniado por pastores e líderes aqui, desta
terra, injustamente, por causa da interpretação equivocada de algo
do qual na verdade nós fomos as vítimas, recebi esta mensagem de
um amigo:
(...) muitas saudades de vocês... nem posso pensar em quão longe vo-
cês estão, mas me conforto pelo Espírito, pois Nele estamos conectados
como se lado a lado... temos orado por vocês... mas desejo muito mais,
144
Capítulo 4 - Vivendo no Sobrenatural: vai valer a pena

orar mais, doar mais, desejar mais por vocês, tudo isso para fazer va-
ler o tamanho daquilo que há dentro de mim... mas, de que vale ter e
não semear????... Pois desejo semear toda a sorte de bênçãos sobre as
vossas vidas... daí sim, o meu amor por vós vai ser mais do que uma
semente... vai poder frutificar!!!! Deus me deu uma palavra: 1 Co 14.1
- Vocês tem sido os profetas de Deus nesta terra... têm andado no me-
lhor dom de Deus... e isso ajunta recompensas, irmão!!! Grandes são
as recompensas que o Senhor tem reservado para todos vocês... São
exemplos para a Igreja de Cristo... para a minha vida... para a minha
família... para os anjos... e para o inferno??? Vocês são a vergonha de
Satanás!!!! Esse fedorento tem sido envergonhado pelas vossas vidas!!!!
O Senhor disse ainda sobre vocês: 1 Co 15.58 – “Fiquem firmes e cons-
tantes pois o vosso trabalho não é vão no Senhor”!!! (...) ASSIM COMO
FUI COM MOISéS SOU CONTIGO, JOSUé!!!! JOSUé DA EUROPA!!!! A EU-
ROPA é TUA RAPAZ!!!!! (Pastor Junior, da Bola de Neve – Vila Velha).
Invista tempo em oração, contato e também recursos na vida de um
missionário. Atente para esta realidade: fazer missões é doar parte
da vida para Deus. Quando nos importamos com as pessoas que
estão no campo, alegramos o coração do Pai!
Tenho uma lista por quem eu oro, para quem mando mensagens,
com quem me comunico e para quem contribuo, além da Missão
Portas Abertas: Maoz, em Israel, meus amados irmãos Clarismundo
e Deise, em Moçambique, Cecília, no Iraque, Vitória, em Israel, a Jo-
ana e os missionários da Torre de Oração, em Jerusalém, e muitos
outros. O que dizer, por exemplo, do pastor Yousef Nadarkhani66, ira-
niano condenado à morte por enforcamento por não querer negar
sua fé? Esta turma faz valer o sacrifício de Jesus na cruz do Calvário.
Como diz o pastor Junior acima, no ministério é andar no melhor
dom de Deus. O mais difícil é também o melhor, pois é onde vemos
os maiores milagres acontecerem!
À minha frente, enquanto escrevo, tenho um mapa gigante da Euro-
pa e outro do mundo todo. Em todo o momento eu paro, olho para
cada país, contemplo pelos olhos espirituais a realidade espiritual
de pessoas, famílias, sociedades, então clamo e profetizo: Semen-

66 Yousef Nadarkhani: convertido ao cristianismo aos 19 anos no Irã, foi preso em outubro de 2009
e condenado à morte por não renunciar sua fé cristã em 2012. Sua história foi noticiada até pelo Jornal
Nacional, da Rede Globo.
145
Relógio dos Tempos

tes do mundo todo serão lançadas em cada parte deste planeta! Nós
somos as sementes de Deus neste tempo profético, para esta e para as
gerações futuras! Vai dar certo, vai dar certo, vai valer a pena, já deu
certo, em nome dele, que ERA, que é e que HÁ de vir, o Nome sobre todo
nome, o Nome de Jesus!
Estas e diversas outras experiências são para estimulá-lo a continuar
buscando e ir a fundo no seu relacionamento com Deus, vivendo
no sobrenatural em cada momento de sua vida, atentando ao reló-
gio que está prestes a bater a última badalada. Isso requer autone-
gação, abrir mão de muita coisa boa na vida, sim; entendendo que
somos normais, que sentimos fraquezas e dores na nossa alma pe-
caminosa, e confrontação no caráter, que é sempre aprimorado por
Deus. Mas, afinal, para onde iríamos nós, se somente Jesus tem as
palavras de vida eterna? “E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos
digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou
pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do
evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas,
e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no
século futuro a vida eterna” (Mc 10:29-30); “E dizia a todos: Se alguém
quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a cada dia a sua cruz e
siga-me!” (Lc 9:23). Uma coisa que me chama muito a atenção nestas
palavras é que Jesus disse: A TODOS, mas, naqueles dias, somente
12 pessoas deram ouvidos. A pergunta para você neste instante é:
de que lado você está? Do lado da minoria, dos discípulos de ver-
dade, ou do lado da multidão confortável? Você pode, a esta altura,
imaginar que horas são no relógio de Deus? Hora de despertar!
Estes momentos de fraquezas geralmente são passageiros; Deus
logo vem e nos toca, e nos reanima. Ele conhece o profundo de nos-
sos corações, ele sabe até exatamente onde estamos prontos a su-
portar; não há nada mais prazeroso do que viver nesta dependência
do Papai: ele nos ama muito!
“Amados, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos
acontecesse alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai-
-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que vos
possais alegrar e exultar no dia em que for manifestada sua gló-
ria” (1 Pd 4:12-13).

146
Capítulo 4 - Vivendo no Sobrenatural: vai valer a pena

Comovo-me muito com as histórias sacrificiais, relatadas dos tem-


pos da cortina de ferro. Existiu uma de determinada tropa na Rússia
que descobriu um grupo de pessoas dentro de uma cova realizan-
do um culto cristão. O comandante da tropa ameaça matá-los se
não negarem a Jesus. E pede que quem quiser preservar a sua vida
negando a fé dê um passo à frente e separe-se do grupo. Alguns,
na ânsia de sobreviver, dão o passo, mas outros, juntamente com o
líder do grupo e sua família, ficam. Os que deram o passo são retira-
dos dali. E, quando todos achavam que iriam morrer, o comandante
estende a mão ao pastor e diz: Celebremos hoje aqui, neste lugar, um
culto sem hipocrisia a Deus. A paz de Cristo, amados irmãos!
A outra história, de um grupo que também é descoberto num des-
tes locais fechados, nos tempos do antigo regime comunista do Les-
te Europeu, é a de um pastor e de sua família, que são colocados em
um grande buraco e, sob a mira de armas, conclamados a negarem
sua fé em Cristo. A escavadeira ia enchendo o buraco, quando a filha
mais nova, que estava prestes a ser soterrada, olha com ternura para
o pai e diz: ‘Papai, eu morro com Cristo, estou feliz, não negue nossa
fé’! Toda a família foi soterrada ali, naquele momento, confessando
a Cristo! Histórias como essas, da Igreja perseguida67, me impulsio-
nam a prosseguir.
“Segundo a minha ardente expectativa e esperança, de que em
nada serei confundido; antes, com toda a ousadia, Cristo será, tan-
to agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida,
seja pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro”
(Fl 1:20-21).
Jesus derramou seu sangue naquela cruz por mim e por você; ele
sofreu, pagou o maior preço por amor, ele morreu por mim e por
você! Seja um caçador de Deus, gaste seus dias, entregue o seu fô-
lego de vida a ele, dedique totalmente sua vida a ele... Vai valer a
pena! “os que semeiam em lágrimas, com cantos de alegria colhe-
rão!” (Sl 126:5).
É tempo de considerarmos mais o relógio dos tempos; que horas

67 Igreja perseguida: As referências são a ‘Missão Portas Abertas’ (portasabertas.org.br) e a ‘Missão Mais’
(maisnomundo.org), dando suporte a cristãos perseguidos em várias partes do mundo.

147
Relógio dos Tempos

este relógio marca agora nos céus que têm implicação direta no
chronos, no mundo temporal, e para a vida eterna? É a hora do des-
pertar para a realidade espiritual, para o mover dos tempos neste
momento do final dos séculos.
“Desperta, glória minha; despertai, saltério e harpa; eu mesmo des-
pertarei ao romper da alva” (Sl 57:8); “Por isso diz: Desperta, tu que
dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá” (Ef 5:14);
“Desperta, desperta, veste-te de força, ó braço do SENHOR; desperta
como nos dias passados, como nas gerações antigas” (Is 51:9).
O livro de Atos ainda está sendo escrito por mim e por você, por
cada discípulo de Jesus ao longo dos tempos e das eras!
Assumindo a identidade de filhos entendemos que toda nossa leve
e momentânea tribulação promoverá em nós peso de glória. Ser
cristão não é ser livre das dores e sofrimentos na vida, pelo contrá-
rio, lapidar nosso caráter necessariamente envolve perdas. O ganho
no entanto, a melhor parte, é que, como filhos temos garantida a
herança reservada para os tais. Ser filho legítimo do Pai nos torna
resilientes em toda provação e nos faz suportar toda dor e afronta.
O processo de crescimento dói, as veses parece até insuportável.
Ninguém consegue imaginar a dor que a ostra sofre por aquele mi-
núsculo grão de areia dentro dela, para ao final tranformar-se numa
linda e inestimável pérola. Eu e você somos as pérolas de Deus nes-
ta terra, sendo preparados em meio a fornalha para no final sermos
aprovados e brilharmos a glória do filho na terra.
Deus o abençoe filho e filha do Pai, não desista, não pare, não volte
atrás, o melhor ainda esta por vir!
No proximo capítulo aprenda uma grande chave que mudará sua
perspectiva de vida.

148
Capítulo 5 - Vigílias e oração, estilo de quem vive no Sobrenatural

CAPÍTULO 5

VIGÍLIAS E ORAÇÃO,
ESTILO DE QUEM VIVE NO SOBRENATURAL

“Os meus olhos antecipam-se às vigílias noturnas, para que eu medite nas tuas
palavras.” (Sl 119:148)

“Levanta-te, clama de noite no princípio das vigílias; derrama, como água, o


coração perante o Senhor; levanta a ele as mãos...” (Lm 2:19)

“Eis o grito dos seus atalaias! Eles erguem a voz. Juntamente exultam; porque
com seus próprios olhos distintamente veem o retorno do SENHOR a Sião” (Is
52:8)

149
Relógio dos Tempos

“há peNsameNtos que são orações. há momeNtos Nos quais, seja


qual for à posição do corpo, a alma está de joelhos” (victor hugo,
escritor fraNcês do século XiX).

A oração é a chave dos céus. Neste capítulo, veremos como a oração


abre os céus sobre as nossas cabeças, nos projetando a um nível
de vida sobrenatural, nos concedendo a visão e entendimento para
vermos e entendermos o relógio dos céus e a plenitude dos tem-
pos, assim como os movimentos do mundo espiritual.

FORÇAS RENOVADAS NO TURNO DA NOITE


Uma das coisas que Deus tem me mostrado é que, quando tenho
comunhão mais íntima com Ele, posso viver o sobrenatural e assim
posso sentir o reflexo em todas as áreas da vida.
Eu temia por estar acordado em vigílias, tinha o receio de, no outro
dia, ficar com muito sono, cansado. Este foi um mito que Deus que-
brou em minha vida. Descobri que o reflexo positivo no meu dia
era tão compensador que o tempo com Ele recompensava qualquer
esforço por me manter acordado. No início, eu ainda trabalhava se-
cularmente, das 8 h às 18 h, às vezes sem intervalo de almoço. E
ainda pastoreava uma igreja e tinha atividades todos os dias à noite.
Mas tudo é questão de administrar o tempo, de disciplina e de ter
as prioridades certas. Vigília não significa apenas os turnos da noite,
mas estar ligado dia e noite, em todo o tempo observando os sinais
proféticos e o tempo profético.
Tenho descoberto que Deus derrama uma unção especial nos que
vencem a barreira do sono. Ser atalaia é ser um vigia, e um vigia
que se preza não dorme em seu turno. Deus hoje o chama para ser
um vigilante da última hora. Está disposto a vencer as barreiras? En-
quanto buscamos a Deus em nossas vigílias noturnas, ele protege e
guarda nossa vida; o verdadeiro pastor guarda suas ovelhas mesmo
no turno da noite: “Havia, naquela mesma região, pastores que vi-
viam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da
noite” (Lc 2:8).
150
Capítulo 5 - Vigílias e oração, estilo de quem vive no Sobrenatural

ExPERIÊNCIAS EM INTERCESSÃO: QUANDO OS CÉUS SE


ABALAM PELA ORAÇÃO
Fiquei impressionado com as seis definições que descobri no dicio-
nário para a palavra vigília68. E vou me dedicar a elas nas próximas
linhas:
1 - Ausência de sono a horas em que é considerado normal estar
a dormir; privação de sono. Velar. No livro Os atalaias69, o pastor
Tom Hess fala das quatro vigílias durante o dia (6 h, 9 h, 12 h e 15 h)
e das quatro durante a noite (18 h, 21 h, 0 h e 3 h). Quando Jesus es-
tava no Getsêmani, em agonia de espírito, e chamou por três vezes
a seus amigos Pedro, Tiago e João, ele estava nas vigílias da noite,
aliás, eram as preferidas do mestre. Nessa ocasião, ele advertiu seus
discípulos de que vigiassem e orassem. Interessante notar que o vi-
giar vem antes do orar. Por que será que Jesus falou com tanta vee-
mência? “Ficai aqui e vigiai” (Mc 14:34). Observemos a continuidade
do relato: Jesus dá-lhes a direção para ficarem e vigiarem enquan-
to ele orava; por três vezes, Jesus voltou e os encontrou dormindo.
Na primeira, a Bíblia narra: “Voltando, achou-os dormindo; e disse a
Pedro: Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar nem uma hora?” (Mc
14:37). Em seguida complementa: “Vigiai e orai, para que não en-
treis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne
é fraca” (Mc 14:38). Jesus estava à beira do maior acontecimento de
sua vida; ele sabia que seria o começo do seu calvário; estava ago-
niado e tenso, angustiado, com a alma triste e aflita até a morte,
precisava de sentinelas que vigiassem com ele, mas os discípulos,
seus melhores amigos, não puderam vigiar nem sequer uma hora
ou uma vigília; três vezes ele volta para despertá-los.
A pergunta é diretamente feita a Pedro, porque ele, um pouco an-
tes, dissera que, se necessário fosse, morreria com Cristo. O discurso
de Pedro foi entusiasta, até emocionante, assim como é o nosso,
muitas vezes, quando oramos em público, quando pregamos ou
cantamos alguns louvores. Mas Jesus conhecia o coração de Pedro,
assim como conhece o nosso coração, e ele sabia que o discurso

68 Vigília: pesquisado no dicionário da língua portuguesa Priberam. De acordo com o original hebraico,
vigília é “um intervalo de tempo”.
69 ‘Os Atalaias’, de Tom Hess, publicado no Brasil por Palavra da Fé Produções.
151
Relógio dos Tempos

não condizia com as atitudes.


A questão não era se Pedro estava disposto a morrer por Cristo, mas
se Pedro estava disposto a viver por ele. Por isso, foi necessário Pe-
dro amargar a dor de cometer uma, ou melhor, três traições ainda
naquela mesma noite para entender que era necessário vigiar e orar
para não cair em tentação, pois a carne é fraca.
Quem vigia e ora se torna mais resistente às tentações, fortalece o
espírito, e a queda se torna bem mais difícil. Aquele discípulo que
não pôde vigiar em oração nem apenas uma hora achava que esta-
va preparado. Crente que não vigia (que não observa o relógio dos
tempos) e que não ora nunca está preparado! Logo, devemos viver
em oração todo o tempo; para tudo precisamos orar e em todo o
tempo vigiar. Crente que ora está ligado nos céus e não se atrapa-
lha, porque a oração é o veículo de comunicação com o sobrenatu-
ral. Existem fraquezas da carne que somente são vencidas depois
que o crente se torna um vigilante, uma sentinela. Estar em vigília
é um estilo de vida, não apenas algumas horas com Deus, mas con-
tinuamente, pois nunca saberemos a que horas pode vir o ladrão
de nossas almas. Bem como não sabemos a que horas Jesus pode
voltar. Encontrará seus vigilantes atentos? Lembremos da parábola
das dez virgens, em Mateus 25. Ali 50% delas eram desatentas, sem
relógio (dos tempos), e não vigiaram a hora do retorno do noivo.
2 - Estado normal de consciência e atividade que complementa
e que se opõe ao estado de sono. Segundo a medicina, esta é a
definição de vigília. Interessante notar que, nessa condição, a pes-
soa se opõe ao sono. Tem tudo a ver com a palavra de Jesus aos dis-
cípulos: “Nem uma hora puderam vigiar (ou estar em vigília)?” Isso
significa que precisamos aprender a renunciar a nosso sono e nos
contrapor ao forte desejo de dormir, ou de ver televisão, ou de sair
com amigos, ou a qualquer outra forma de distração, quando o Espí-
rito nos chama para momentos de relacionamento. Seguem algumas
dicas: fique de pé e ore em voz alta; leia a Palavra em voz alta. Ative
seu espírito e ordene, com palavras de comando, a sua alma. Uma
observação: a alma nunca quer dar lugar ao espírito! A alma luta com
todas as forças contra o espírito, e sua intenção é subjugar a carne
e anular o espírito; um crente dominado pelos desejos da alma pre-
cisa experimentar verdadeiramente o novo nascimento no espíri-
152
Capítulo 5 - Vigílias e oração, estilo de quem vive no Sobrenatural

to. Em nossas igrejas, há muitos convencidos, mas nem todos são


verdadeiramente convertidos. É fácil identificá-los: nunca estão nas
vigílias; não são capazes de fazer uma oração com poder; não tem
autoridade espiritual para repreender enfermidades e demônios;
não adoram, apenas cantam, sempre com os olhos abertos, pois sua
alma necessita observar tudo, menos entrar em adoração; nunca
estão disponíveis, são sempre presos a argumentos: tempo, filhos,
entretenimento... Não podem ir aos cultos semanais ou às células,
mas sempre os encontramos nos shoppings, praias... Nunca tem um
relatório vitorioso nos lábios, mas somente uma triste vida de ar-
gumentos, contratempos e consequentes derrotas. Reclamam por
não serem assistidos, mas não procuram e ajudam ninguém. São
pobres admiradores do reino, que observam sempre tudo de perto,
mas não entram no descanso e na graça do Deus eterno; são fiéis
observadores do reino, tão fiéis observadores que, quando a Igreja
subir, ficarão apenas observando o maior acontecimento da história
do universo, Mas não participarão dele, ficarão apenas olhando a
Igreja subir. Que triste!
Mas declaro, pelo Espírito de Deus, que você não é um crente
“almático”70; você e eu somos guerreiros do Senhor, vigilantes da
última hora. Amém? Continue lendo, este livro é destinado a você,
crente guerreiro. Mas também a você, que precisa urgentemente se
tornar um. Afinal, como já vimos: “o reino dos céus é tomado à força
e somente os guerreiros, que com violência, se apoderam dele!” (Mt
11:12) grifo. Precisamos deixar a preguiça e a ociosidade de lado e
buscar a Deus com vontade, com paixão, sabendo que o inimigo
tenta nos paralisar com as circunstancias ao nosso redor, mas o ven-
cedor vê que acima de todos os gigantes está o Senhor (no cap. 7
trato como vencer os inimigos).
Este livro ativará o espírito da profecia em sua vida e o habilitará a
ser uma sentinela expressiva no Reino de Deus, vivendo no sobre-
natural e vigiando os tempos e que horas são no relógio kairós.
3 - Estado de quem está vigilante: um estado de alerta! Nos caste-
los, antigamente, existiam soldados nas torres, chamados sentine-

70 Almático: adjetivo e superlativo para expressar um crente controlado totalmente pela sua alma
(emoções).
153
Relógio dos Tempos

las ou atalaias, que vigiavam a todo instante do dia e da noite. Eles


eram responsáveis por observar muito atentamente a aproximação
de qualquer pessoa. Em se tratando do inimigo, ele soava à rebate
a trombeta para avisar o perigo iminente. A Bíblia fala que Deus nos
colocou como sentinelas neste tempo (Is 62:6 e Jr 51:12). É tempo
de ouvir as trombetas de Deus que soam no tempo kairós e movi-
Mentam o tempo chronos na dimensão de nosso cosmos71. Nosso
universo é o mundo espiritual e a presença de Jesus em nossa vida,
muitos o tem substituído pela perda de horas preciosas com o uni-
verso da internet.
4 - Desvelo, cuidado. Desvelo é “cuidar com carinho”. É dedicar
atenção. Não somente vigiar por obrigação. Mas fazê-lo por amor,
por anseio pela chegada do noivo. É como um filho que ansiosa-
mente aguarda na porta a chegada do pai, no fim do dia, com um
presente na mão. Uma ansiedade positiva e empolgante.
5 - Véspera de uma festa importante. Achei poética esta como
uma das definições de vigília. A Bíblia fala que a chegada do noivo
será um verdadeiro casamento, serão as bodas do Cordeiro (Mt 22:2
e 25:10). Observe este texto de Apocalipse 19:7-9: “Alegremo-nos,
exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do
Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-
-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo
são os atos de justiça dos santos. Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-
-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro.
E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus”.
6 - Quarto da noite. Trata-se da última vigília da noite, a quarta e úl-
tima vigília (das 3 h às 6 h). Entendo que estamos mesmo vivendo os
últimos dias da Igreja na terra. É chegado o noivo para o casamento.
É chegado o tempo oportuno. Quarta vigília da noite, a preferida
do mestre, em que ele costumava buscar o Pai em oração. É neste
momento profético que a noiva dele, a Igreja, se encontra. Vivemos
neste tempo profético, a luz já vai brilhar, o dia vem!

71 Cosmo ou cosmos (do grego kósmos, “ordem”, “organização”, “beleza” e “harmonia”): é um termo


que designa o universo em seu conjunto, toda a estrutura universal em sua totalidade, desde o mi-
crocosmo ao macrocosmo. O cosmo é a totalidade de todas as coisas deste universo ordenado, desde
as estrelas, até as partículas subatômicas. Pode ser estudado na cosmologia.
154
Capítulo 5 - Vigílias e oração, estilo de quem vive no Sobrenatural

É hora de redobrar a vigilância e estar de sentinela, observando a


movimentação dos tempos e épocas, e atentando para o nosso cha-
mado profético debaixo do manto da unção de Elias e de João Batis-
ta, aqueles que preparam o caminho e se preparam para o encontro
com o Messias.
Estes pontos esclarecem, portanto, o que é a vigília para nós; não é
apenas ficarmos acordados algumas horas, mas é manter vigilância
aos tempos e sinais da sua vinda, se preparando e preparando o
caminho para a volta do Messias. Isto significa viver em santidade e
anunciar a salvação. No tempo profético em que vivemos, eu enten-
do, é já a quarta vigília da noite.

NEVE EM DÜSSELDORF
Na ocasião de minha primeira estada aqui na Alemanha, em janeiro
de 2009, estava na cidade de Düsseldorf, em um período de inter-
cessão antes do culto dominical. Eram 15h30 e já havia dois dias
que estávamos na Alemanha, e nossa maior vontade era ver a neve.
No exato momento de intercessão, algo estranho aconteceu: o Es-
pírito Santo nos tomou de tal forma que entramos num nível de
guerra espiritual muito forte. Estávamos em poucas pessoas, mas
havia muitos anjos de Deus naquela sala de intercessão. Naquele
exato momento, começou a nevar intensamente. Quando saímos à
rua, havia uns 20 cm de neve. Naquela noite nevou tanto que, du-
rante toda aquela semana, o nosso carro não podia nem sair da ga-
ragem. Vimos nos jornais a notícia de que aquela nevasca era uma
das maiores nos últimos 30 anos. Não somente ali, mas em toda a
Europa. Bom, naquela noite brincamos muito de fazer bonecos de
neve. Mas, depois, o frio se intensificou de tal forma que a tempera-
tura chegou até 16 graus negativos, e a dificuldade de sair de casa
e de distinguir entre dia e noite nos fez repensar sobre “ver” neve.
Mas o que o Espírito Santo ministrou ao meu coração com esta
experiência foi que os poderes dos céus estavam se abalando na
Alemanha e que ele vai trazer grande avivamento à Europa e que
aquela cidade era estratégica para este mover. Deus está abalando
o clima da terra para alertar sobre o mover das estruturas dos tem-
pos, sobre o juízo iminente. Ele está vindo!
155
Relógio dos Tempos

NO JARDIM DO TÚMULO
Estávamos no jardim do túmulo, em Jerusalém, orando, em um gru-
po de oito pessoas. Estávamos orando e adorando, quando uma
irmã teve a direção de que deveríamos orar um pela família do ou-
tro. E então, sob esse comando de Deus, começamos a orar. Nesse
momento duas moças sentaram-se próximo, e uma delas abaixou
a cabeça e também orava. As moças eram indianas. Enquanto orá-
vamos por uma delas, percebi que uma estava muito opressa e en-
demoninhada. Como era um lugar público, eu não quis repreender
aquele espírito em voz alta. Avisei uma das intercessoras que estava
do meu lado, e Deus me deu a direção de pedir que ela abraçasse e
ministrasse na vida da moça. Quando ela fez isso, a moça começou
a chorar. Logo em seguida, uma missionária filipina, que estava em
nosso grupo, começou a ministrar palavras a ela, e Deus me deu
outra direção, de falar que ele a amava muito.
Eu falava e uma das moças do nosso grupo traduzia. Então, ela foi
levada a confessar Jesus como Salvador e Senhor da vida dela. Ela
chorava muito, então, na conversa em seguida, a companheira dela
informou que ela própria era cristã, mas que aquela outra por quem
orávamos era hinduísta. Deus salvou aquela mulher hinduísta ali,
enquanto estávamos adorando e intercedendo. Estávamos no lu-
gar certo, fazendo a coisa certa, com a chave que liga e desliga em
nossas mãos, que é a oração em concordância. Então, ligamos esta
ex-hinduísta ao sangue de Jesus, aleluias! O poder da oração daque-
le grupo atraiu aquelas moças, e os espíritos malignos saíram sem
escândalo, e veio libertação, bálsamo do Espírito para a sua alma e
salvação.
Penso que nestes últimos dias Deus está levantando a igreja, sua
noiva, para este tipo de mover sobrenatural. Você se surpreenderá
quando pessoas simples e naturalmente chegarem até você e pedi-
rem oração e ajuda, sem você fazer nada para isso; quando estamos
cheios da unção, das águas vivas do Espírito, os sedentos são atraí-
dos. Tenho tido muitas experiências desse tipo.
Em certa ocasião, eu e minha família estávamos vindo, de trem, do
culto na cidade de Watenscheid, aqui na Alemanha, e um homem
que estava bêbado sentou-se próximo de nós e começamos a falar
156
Capítulo 5 - Vigílias e oração, estilo de quem vive no Sobrenatural

de Deus para ele; de repente, ele parou, olhou fixamente para nós e
emendou: I see fire in you! (“Eu vejo fogo em vocês”). O fogo da glória
de Deus foi o que ele viu!

ExPERIÊNCIAS NA TORRE DE ORAÇÃO PARA AS NAÇÕES –


MONTE DAS OLIVEIRAS
Tive a oportunidade de estar por algumas ocasiões na Torre de Ora-
ção para as Nações72, que fica localizada no Monte das Oliveiras, em
Jerusalém. O pastor Tom Hess recebeu de Deus a direção, em 1989,
para estabelecer esta torre de intercessão por todas as nações da
terra, com o intuito de preparar a volta do Messias; lá eles interce-
dem há 23 anos, durante as 24 horas do dia, ininterruptamente. Ali
conhecemos a Kátia, uma brasileira que já estava há alguns anos
trabalhando na torre, assim como vários outros chamados por Deus
de todo o mundo para esse ministério. No mundo inteiro Deus está
levantando inúmeras torres de sentinelas em oração. Deus está ar-
regimentando os seus atalaias para a última hora do relógio dos
tempos. Homens e mulheres que vigiam os sinais e intercedem pe-
las nações da terra. Se Jesus está voltando, precisamos orar como
nunca oramos e jejuar e pagar um preço em intercessão. Na torre,
existem os turnos de oração cobertos pelos missionários que ali re-
sidem e por outros irmãos, que, assim como nós, sobem a Jerusalém
para orar. Esta torre funcionará até a volta do Senhor. Existem doze
portas que apontam para todos os continentes da terra; existem
shofares que possuem o nome de cada uma das doze portas e que
são tocados em direção a cada uma delas; isso é algo profético.
Interessante notar que uma das duas portas que apontam para o
quadrante onde está localizado o Brasil se chama Ein-Keren, a mes-
ma cidade de onde provém João Batista, o precursor do Messias. A
nação brasileira tem este chamado profético. Eu não sou nenhum
exímio tocador de shofar, estou bem longe disso, mas tenho rece-
bido um forte chamado do Senhor para tocar meu shofar constan-
temente, em casa, nos cultos, no monte e em outros lugares. Para
mim, tem um significado profético especial. Quando toco, sinto
uma grande onda de unção brotar das notas sonoras do shofar,

72 Jhopfan (Jerusalém House of Prayer): <www.jhopfan.org>.


157
Relógio dos Tempos

que, como ondas, perpassam o ar e penetram a quarta dimensão, a


dimensão espiritual; para mim, um toque de shofar significa: prepa-
rem-se, o Leão da Tribo de Judá está se aproximando! Isso é sobre-
natural, aleluias!
“Tocai a trombeta em Sião, santificai um jejum, convocai uma as-
sembleia solene” (Joel 2:15).
Todo final de período de oração, o grupo encerra com uma ceia.
A ceia aponta para a volta de Jesus, pois ele mesmo ensinou que
devemos cear em memória dele até que ele venha. A ceia celebra
a comunhão dos santos e renova a nossa fé: “Por semelhante modo,
depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a
nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes,
em memória de mim” (1 Co 11:25).
No mundo todo Deus está levantando o ministério de 24 horas de
intercessão e adoração ininterrupta. São as sentinelas de Deus cla-
mando pela vinda do noivo, assim como pela sua misericórdia e
compaixão pelos ainda não alcançados da terra. Este clamor ecoa
nos céus e bendiz o nome do eterno Deus de Israel, o bendito que
reina e vive pelos séculos dos séculos. Amém!
Levante uma torre de oração e adoração em sua casa. Mas participe
também de torres onde outros irmãos intercedam.

A VIDA NORMAL DE QUEM VIVE NO SOBRENATURAL


É um erro entender que viver no sobrenatural nos tira a condição
humana de sentir fraquezas e vez ou outra pensar: Será que isso é
de Deus mesmo ou coisa da minha cabeça? Nossa humanidade não
deixa de existir e estamos sempre numa linha muito tênue entre
decidir pela loucura das coisas espirituais e pela sensatez da racio-
nalidade humana. As coisas do espírito se discernem pelo espírito.
O apóstolo Paulo declara que “as coisas de Deus são loucura para os
homens” (1 Co 1:18 e 25) e também que “Deus escolheu as coisas lou-
cas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas
fracas deste mundo para confundir as fortes” (1 Co 1:27). Não queira
ser o “superespiritual”. Não queira ser sábio na sua própria inteligên-
cia. Não tente ajudar o Espírito Santo, apenas se deixe usar, com
158
Capítulo 5 - Vigílias e oração, estilo de quem vive no Sobrenatural

humildade. Não se impressione com a formalidade das profecias;


os maiores profetas deste tempo são os que simplesmente agem
em obediência, e não os que se expressam com eloquência. Tenho
aprendido que precisamos dar mais ouvido à simplicidade do que
Deus faz que à extravagância de quem se diz ser usado por ele. A
vida de quem é usado por Deus precisa necessariamente ser sim-
ples. “Deus resiste aos soberbos, mas concede graça aos humildes” (Tg
4:6).
Jesus é o nosso principal exemplo. E não vemos na vida de Jesus
uma vida complicada; ele viveu aqui na terra na simplicidade de
quem tem a convicção de estar fazendo a coisa certa. É cumprir o
chamado profético como adorador em espírito e em verdade. Seja-
mos como o nosso mestre. Adoração é um estilo de vida, não sim-
plesmente momentos de cânticos. No livro sobre “adoração proféti-
ca”, abordarei mais profundamente este tema.
É também um erro achar que a vida no sobrenatural é entendida
facilmente pelas pessoas que nos rodeiam. A Bíblia diz que “Os pas-
sos do homem são dirigidos pelo SENHOR; como, pois, entenderá o ho-
mem o seu caminho?” (Pv 20:24). Se você for querer tentar entender
os planos e o agir de Deus dentro do sobrenatural, você ficará pa-
ralisado sem conseguir dar um passo sequer. O justo, o que vive no
sobrenatural, tem que viver a cada instante de sua vida pela fé e não
pela racionalidade humana, que é limitada por este mundo físico.

“O modo de Deus tornar justo o ser humano se manifesta em atos de fé,


confirmando o que as escrituras dizem: Aquele que vive de modo justo
diante de Deus, confiando nele, vive de verdade”. (Rm 1:16-17 LC).

159
Relógio dos Tempos

160
Capítulo 6 - Porque precisamos de um avivamento

CAPÍTULO 6

PORQUE PRECISAMOS DE UM AVIVAMENTO

“Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e
serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até nos
lugares mais distantes da terra.” (At 1:8, LH),

“Portanto, nós também, pois estamos rodeados de tão grande nuvem de teste-
munhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e
corramos com perseverança a carreira que nos está proposta.” (Hb 12:1)

161
Relógio dos Tempos

“avivameNto Não é descer a rua com um graNde tamBor; é suBir ao


calvário em graNde choro” (roy hessioN, escritor iNglês).

De acordo com o dicionário da língua portuguesa Priberam, aviva-


mento é “vivacidade”, “reanimar”, “tornar mais vivo”, “reviver”, “excitar
a vida”, “renovar”, mas também se define como “realçar e apressar”73,
neste caso, realçar a presença da Igreja no mundo e apressar a vinda
de Jesus por meio de uma fome exacerbada pela presença de Deus
na terra.
Mas, de acordo com a frase acima, de Roy Hession, avivamento tem
o sentido de retorno à essência de uma consciência de que o choro
e a contrição são marcas de uma mudança, de arrependimento e
consequentemente de transformação interior. Não com barulho de
alegria a princípio, mas com barulho de grande choro por um cora-
ção quebrantado. Seja qual for o primeiro sentido ou sua ordem, a
Igreja precisa do avivamento!
Se nosso maior problema é a frieza e apostasia, um avivamento ge-
nuíno irá remover os entraves do coração e os argumentos da alma,
possibilitando-nos cumprir a grande comissão, pois, sem fogo de
paixão e compaixão pelas almas, não há evangelismo, e somente
um avivamento poderá se encarregar de reacender esta chama.
Algo extremamente forte precisa acontecer hoje para nos inserir
numa vida sobrenatural de avivamento. Os avivamentos não ocor-
rem sem busca e fome intensa de Deus.
São os avivamentos que nos tiram da zona de conforto e nos im-
pulsionam a irmos: “Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A
quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui,
envia-me a mim” (Is 6:8). Isaias somente pode declarar isto após ser
purificado por fogo e avivado pelo Senhor!

QUANDO E POR QUE VIRá O GRANDE AVIVAMENTO?

73 Dicionário da língua portuguesa on-line Priberam: <http://www.priberam.pt/DLPO/>.


162
Capítulo 6 - Porque precisamos de um avivamento

Estava no muro ocidental e algumas crianças chegaram e começa-


ram a recitar o Talmude e a Torah. O Espírito Santo me ministrou
que, o dia em que a Igreja aliar a unção do Espírito à disciplina de
oração e de vigílias de busca ao Espírito Santo e a sua unção, o avi-
vamento virá. Isso já começou a acontecer em vários pontos da
terra. Enquanto estou aqui escrevendo, existem irmãos ao redor de
todo o mundo orando e adorando a Yeshua (Jesus em hebraico).
O grande avivamento virá quando velhos, crianças, jovens, homens
e mulheres de Deus deixarem o embaraço e a preguiça de lado e
buscarem incessantemente a Deus, conforme Hebreus 12:1. O avi-
vamento vai vir em minha geração no que depender de mim! Vejo-
-me em minha cidade, Vitória do Espírito Santo, adorando no monte
e clamando: Vitória, chegou o tempo de Deus para ti! Minha cidade
será conquistada, a Europa será conquistada, as nações da terra se-
rão conquistadas, Jerusalém será conquistada, sua cidade será con-
quistada, por você e por outros atalaias e profetas que Deus está
levantando. Nunca pense que você está só; Jesus está conosco (Mt
28:20). A Palavra diz: “Pede-me e eu te darei as nações por herança”
(Sl 2:8). Tenho pedido o Brasil e todas as nações da terra ao Senhor;
quero ser profeta nas nações, eu já sou profeta nas nações, minha
boca é usada por Deus para proferir até os confins da terra que Jesus
Cristo é o Senhor e que ele está voltando! Aleluias! “Durante este tem-
po, a Mensagem do Reinno será pregada por todo o mundo, um tes-
temunho a cada nação. Então, virá o fim’ (Mt 24:14 LC).
Esperamos o tempo do avivamento descrito pelo profeta Joel, que,
no capítulo 2, no verso 1, de seu livro, inicia assim: “Tocai a trombeta
em Sião, e clamai em alta voz no meu santo monte; tremam todos os
moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, já está perto”. De-
pois ele clama pelo arrependimento dos sacerdotes e do povo do
Senhor: “Chorem os sacerdotes, ministros do SENHOR, entre o alpen-
dre e o altar” (v. 17); Deus promete bênçãos e o derramar do Espírito:
“E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a car-
ne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e
vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derra-
marei o meu Espírito naqueles dias”. Antes do fim, quando: “Mostrarei
prodígios no céu e na terra: sangue, fogo e colunas de fumaça. O sol se
converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e
163
Relógio dos Tempos

terrível Dia do SENHOR. E acontecerá que todo aquele que invocar o


nome do SENHOR será salvo; porque, no monte Sião e em Jerusalém,
estarão os que forem salvos, como o SENHOR prometeu; e, entre os so-
breviventes, aqueles que o SENHOR chamar” (vv. 30-32).
Está chegando o tempo de não pararmos de orar e adorar. Deus está
levantando torres no mundo todo, não literalmente, isto é, uma tor-
re como de castelo, mas locais de oração. Torre é residência de ata-
laia; onde é a sua torre? É tempo de dançarmos na chuva de Deus, é
tempo de clamarmos por esta chuva de avivamento. Deus tem um
novo caminho para mim e para você; deserto não é o nosso lugar.
Uma nova vida de novidades celestiais Deus tem. Vamos dançar em
Jerusalém, vamos dançar em Vitória, vamos dançar nas nações da
terra, vamos dançar nas chuvas de avivamento de Deus! Quando o
avivamento chegar, muitos não perceberão, pois será como nos dias
de Noé.
A multidão está distraída, mas os filhos de Deus estão atentos. Pos-
so lhe afirmar uma coisa: que sinto o cheiro de muita chuva che-
gando, ao Brasil, aqui na Europa e em todas às nações da terra. Pro-
fetiza, ó filho do homem, faça barulho, toque trombetas, anuncie,
pois é chegada a salvação para todos os povos da terra, YESHUA
está chegando, façamos menção do Nome e do poder do Senhor.
Ele vem saltando sobre os montes, seus pés são reluzentes como o
latão, seus olhos como chama de fogo, seus cabelos brancos como
a neve, e nós somos sua noiva apaixonada esperando o encontro
com o amado.
Na véspera de um grande casamento, existe um clima de festa no
ar, que deixa todos os envolvidos com tremendas expectativas. Nós,
a Igreja, vivemos esses dias! Se você não está sentindo, é tempo
de começar a sentir. Peça a Deus esta sensibilidade espiritual para
perceber vívida a presença do Espírito Santo clamando juntamen-
te com a noiva: “O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve,
diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de gra-
ça a água da vida” (Ap 22:17).
O avivamento dos últimos tempos estará à véspera das bodas do
Cordeiro. Avivamento é clima de festa. Avivamento é iminência de
grandes e exclusivos acontecimentos. Avivamento é poder para
164
Capítulo 6 - Porque precisamos de um avivamento

testemunhar. É autoridade profética sem limites e visão geográfi-


ca sobrenatural até os confins da terra. O Avivamento à véspera do
arrebatamento nos capacitará a cumprir a grande comissão. Aviva-
mento é libertação, cura e tratamento de caráter; ele não é arrepio,
nem quedas no poder, dentes de ouro ou outras manifestações so-
brenaturais apenas; mas, sobretudo, avivamento traz confrontos e
nos leva a renuncias indesejáveis, mas é fundamental à capacitação
da vida com Deus: “Pelo qual também temos entrada pela fé a esta
graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória
de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribu-
lações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a
experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz con-
fusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações
pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5:2-5).
Por isso o avivamento precisa vir. Um mover ilimitado de poder,
mesclado com sinais, maravilhas e prodígios, acontecimentos nun-
ca antes vistos, mas também, e sobretudo, mudanças internas,
transformação de caráter, quebra de cadeias de pecados e iniqui-
dades em nossa vida e renascimento em Cristo. Salvação chegando
aos lugares mais imprevistos; desde os grandes até os pequenos;
dos meios nobres até as favelas, em todas as tribos, até entre os po-
vos árabes e muçulmanos, na China e Coreia do Norte (o país mais
fechado ao evangelho). O rio de Deus fluindo pelas ruas e entrando
pelas casas, agindo no coração. Não espere essas coisas serem no-
ticiadas na mídia; o sistema mundo não se atém a essa realidade,
muito pelo contrário. Mas, como nos dias de Noé, enquanto ele e
sua família trabalhavam esperando o cumprimento da promessa,
assim também são os que, mesmo em meio à desesperança cres-
cente no mundo, veem uma luz a brilhar cada vez mais intensa; está
chegando o Grande Dia! Para alguns, serão dias de trevas e terror,
mas, para nós, dias de glória e de esplendor!
Há algum tempo, quando minha filha Elisa foi batizada no Espírito
Santo, ela recebeu o dom de línguas, visões e profecias, e naquele
momento ela via e profetizava mais ou menos assim: Vejo os filhos
de Deus invadindo as ruas e abraçando as pessoas e elas vão sendo
transformadas pelo poder de Deus, e uma luz ofuscante brilha quan-
do os filhos de Deus as abraçam. E as pessoas entram aos montes nos
165
Relógio dos Tempos

templos, querendo conhecer e receber o dom de Jesus, o filho de Deus,


aquele sobre o qual está a unção de libertação e cura!
As pessoas estão sedentas e o avivamento nos encherá de forma tão
intensa que teremos para dar aos que buscam. Deus vai promover a
unidade entre muitos, e por meio da unidade o mundo reconhecerá
que Jesus está no meio da Igreja! Este será um sinal e o meio pelo
qual o avivamento vai vir, o cumprimento da oração profética de
Jesus em João capítulo 17.
No entanto, desafios precisam ser superados, gigantes existem e
nos desafiam. Jesus afirmou que o mundo está morto no maligno e
que o diabo é o príncipe deste mundo, mas que ele, o filho de Deus,
veio para destruir as obras do diabo! Avivamento, diferentemente
do que muitos pensam, não é fazer barulho, gritar ou cair, mas é
uma mudança interna, dentro do coração, que altera o comporta-
mento e nos deixa com mais vontade de conhecer a Deus e fazê-lo
conhecido. Creio num avivamento fora das quatro paredes da insti-
tuição, que hoje é engessada pelas doutrinas humanas. Penso num
tempo no qual as pessoas naturalmente terão seus encontros com
Deus. Independentemente de suas “religiões” ou dogmas huma-
nistas. Teremos muitas surpresas ao chegarmos ao céu! Seja como
for, o ÚNICO CAMINHO, que é JESUS CRISTO, será encontrado por
milhares de milhares. Tenhamos nossa mente aberta para não que-
rer matar em nós o avivamento de salvação de Deus sobre a terra.
Lembre-se: a religião mata, o Espírito vivifica!
“O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testa-
mento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito
vivifica” (2 Co 3:6).
“O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras
que eu vos disse são espírito e vida” (João 6:63).

Os gigantes se levantam contra nós, como desafiá-los e como derro-


tá-los? No próximo capítulo trataremos sobre este assunto.

166
Capítulo 7 - Desafiando Gigantes

CAPÍTULO 7

DESAFIANDO GIGANTES

“Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos
de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram
valentes, varões de renome, na antiguidade.” (Gn 6:4)

“Também vimos ali gigantes, os filhos de Enaque que são descendentes de gigan-
tes, e éramos, aos nossos próprios olhos, como gafanhotos e assim também o
éramos aos seus olhos.” (Nm 13:33)

“E deram Hebrom a Calebe, como Moisés o dissera; e dali expulsou os três filhos de
Enaque, os gigantes.” (Jz 1:20)

167
Relógio dos Tempos

“o sucesso resulta de cem pequeNas coisas feitas de forma um pouco


melhor. o iNsucesso, de cem pequeNas coisas feitas de forma um
pouco pior” (heNry alfred KissiNger – diplomata e eX-secretário de
estado dos eua)

Precisamos aprender a guerrear a batalha espiritual, identificando


nosso adversário e entendendo que, somente com humildade, com
o revestimento do sangue de Jesus e com o poder de Deus, podere-
mos vencê-lo. Mas também observando que precisamos fazer nos-
sa parte, tendo pequenas atitudes diárias em relação à vontade de
Deus, atitudes estas que se transformem em hábito; como Davi o
fez em seu princípio, no anonimato dos olhares humanos. Podemos
sim desafiar, combater e sair vitoriosos contra nossos gigantes. Viver
no sobrenatural é desafiar os gigantes a cada dia, e eles estão pre-
sentes em todo o tempo.
Como tem se apresentado o gigante que se levantou contra você?
Depressão, desânimo, preocupação e insônia, angústias, solidão,
tristeza, incredulidade, duvidas, doenças, desemprego, vida finan-
ceira, vícios, perversão sexual, pornografia, drogas, remédios con-
trolados, ira, tristeza, confusões no casamento, baixa autoestima,
medo, inseguranças, confusão mental, estresse, opressão psicológi-
ca, relacionamentos ruins ou terror espiritual, apatia, um pecado de
que você não consegue livrar-se ou uma operação espiritual malig-
na? Seja o que for o gigante, eu declaro que ele cairá por terra hoje
em sua vida em nome de JESUS! Não houve um gigante na Bíblia
que resistisse a um homem ou mulher cheios da unção de Deus! Ne-
nhum! Assim como nenhum morto continuou morto diante de Je-
sus, profetizo a vida de Deus em você para desafiar e derrubar estes
gigantes! “Vocês vencerão os seus inimigos e os matarão” (Lv 26:7, LH).

CARACTERÍSTICAS DE UM GIGANTE
Antes de tudo, o texto-base deste capÍtulo é 1 Samuel 17. Seria inte-
ressante lê-lo em sua Bíblia, pois nele estão contidos todos os deta-
lhes da vitória de Deus por meio de Davi.

168
Capítulo 7 - Desafiando Gigantes

Uma das teorias ou teologias que explicam os gigantes na terra é a


passagem de Gênesis 6:4, que fala sobre os filhos de Deus, que eram
os anjos caídos, que encarnaram e tiveram relações sexuais com as
filhas dos homens, mulheres formosas da época, resultando nos gi-
gantes, conhecidos em hebraico como nephyil, ou nefhilins. Teoria
à parte, sabe-se pelo menos que eram homens renomados sobre a
terra. No original hebraico, é usada a palavra shem, que denota “um
grande nome”. Gigantes eram temidos pelos homens, e, aqui neste
capítulo, para nós representam todo ser antagônico, um adversário
considerável e tenaz. Representam tudo que nos intimida, a opo-
sição à nossa conquista; gigante, portanto, é uma forte resistência.
Pode ser o inimigo de nossas almas, conhecido como Diabo, em
grego diabolos – caluniador, difamador, que acusa com falsidade,
aquele que faz comentários maliciosos; ou Satanás, em hebraico
Satan – aquele que se opõe, adversário, o príncipe dos demônios,
o autor de toda a maldade, que persegue pessoas de bem, criando
inimizade entre a humanidade e Deus, instigando ao pecado, afli-
gindo os seres humanos com enfermidades, por meio de demônios
que se apossam de seus corpos ou os oprimem, fazendo-os obede-
cer às suas ordens. O diabo, ou Satanás, é um grande inimigo. Algu-
mas vezes, ele usa pessoas para tentar nos atingir também, mas se
lembre sempre deste princípio: “nossa luta é espiritual, e não contra
as pessoas” (Ef 6:12, LC).
Mas, analisando a Bíblia, particularmente as palavras de Jesus, per-
cebemos que o enfoque maior está em que o principal inimigo do
homem é o próprio homem e aquilo que sai de sua boca: “O que
contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca,
isso é o que contamina o homem” (Mt 15:11)! Se o homem está ligado
em Deus, o adversário de sua alma não pode contra ele, o agir do
inimigo somente se dá por meio de nossa autorização legal, o peca-
do. Você vai perceber então que o que define nossa derrota ou vitó-
ria diante do gigante não está propriamente no tamanho ou no po-
der dele, mas em nossa atitude, primeiramente no campo espiritual
e depois no plano físico. “Se tivesse feito o que é certo, você estaria
sorrindo; mas você agiu mal, e por isso o pecado está na porta, à sua
espera. Ele quer dominá-lo, mas você precisa vencê-lo” (Gn 4:7, LH).
Então, já vimos que os gigantes são representados tanto pelo inimi-
169
Relógio dos Tempos

go, quanto por nosso próprio eu, que são as nossas fraquezas, lutas
na nossa alma que querem nos impulsionar para o pecado. Estas
lutas vêm em forma de situações circunstanciais nos desertos da
vida, nos dias maus, que já vimos acima, e no dia a dia de aflições,
como disse Jesus: “Tenho-vos dito isto para que em mim tenhais paz;
no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo’ (Jo
16:33). Neste verso, a palavra original grega para “paz” é eirene. En-
tre as suas definições, de acordo com o original grego, explicado
pela Bíblia On-Line da SBB, é: “o estado tranquilo de uma alma que
tem certeza da sua salvação através de Cristo, e por esta razão nada
temendo de Deus e contente com a porção terrena, independente
de que classe seja”; a outra definição é: “ausência da devastação e
destruição da guerra”. Lindo isso, não?!?
Podemos circunstancialmente estar cercados de vários inimigos,
que são gigantes em nosso caminho, e sabemos que precisamos
derrubá-los, destruí-los, expulsá-los, tirá-los do caminho, pois, se
não fizermos isso, ele não nos deixará tomar posse de nosso ter-
ritório. Não é um inimigo qualquer, precisamos entender que ele
é um ser forte e resistente e que não vai querer sair de nossa vida
facilmente. Podemos dizer que um gigante é uma oposição a nós
e as nossas conquistas. O papel dele é nos destruir, infiltrando-se
através de nossas falhas, nos desencorajar e nos fazer desacreditar
do sobrenatural; afinal, derrotar um gigante não é uma luta pura-
mente natural.
O texto diz que Davi precisou enfrentar um gigante chamado Go-
lias. Vamos analisar este gigante, pois geralmente os gigantes têm
as mesmas características, tanto física quanto espiritualmente.

CARACTERÍSTICAS DE GOLIAS
Ele era um filisteu, ou seja, um imigrante da Filístia, um descenden-
te de Mizraim, que foi filho de Can, ou Canaãn, aquele mesmo que
descobriu a nudez de Noé e que foi amaldiçoado. Um gigante, por-
tanto, é um amaldiçoado. Seu nome era Golias, no hebraico é Golya-
th, que quer dizer ‘esplendor’. Um glorioso e renomado guerreiro
de seu país. O local do acampamento de guerra era Efes-damim,
que quer dizer “cerca de sangue”. O inimigo escolhe como campo

170
Capítulo 7 - Desafiando Gigantes

de batalha um lugar marcado por sangue; o sangue contamina e


amaldiçoa uma terra. Ele tinha seis côvados e um palmo, ou seja,
3,20 metros de altura. As peças da armadura do gigante eram: ca-
pacete de bronze; couraça de escamas pesando 5 mil ciclos, iguais a
50 quilos; caneleiras de bronze. Sua arma era um dardo de bronze;
tinha uma lança enorme; somente a ponta dela pesava 6 quilos. Um
inimigo de respeito, aparentemente indestrutível; os gigantes pare-
cem assim intimidadores.

MÉTODOS DE BATALHA DO INIMIGO


Ele tenta determinar o modelo da batalha: “me dê um guerreiro
que lute contra mim”; e ele tenta determinar os termos da batalha:
“quem ganhar da luta entre dois guerreiros leva a vitória de toda
guerra”. É claro que ele faz isso por causa da autoconfiança contra
o seu oponente aparentemente mais fraco. O inimigo geralmente
comete este grande erro: de nos considerar muito fracos, “como ga-
fanhotos”, e somos mesmo, mas, com o poder do Nome de Jesus,
somos mais que vencedores. Você não tem noção do poder de Deus
em sua vida!
Ele usa o poder da intimidação por meio da afronta, para tentar nos
causar vergonha e angústia e nos fazer recuar. Todos os argumentos
e lógicas estão do lado dos mais fortes. Porém, quem é mais forte: o
gigante ou Deus?
A afronta gerou espanto e medo no arraial dos israelitas. Qualquer
guerreiro medroso já entra derrotado no campo de batalha. Medo
e duvida anulam a fé! Nunca podemos temer o inimigo, por maior
que ele pareça, pois o nosso Deus é sempre maior! O único temor
que precisamos nutrir em nosso coração é “o temor do SENHOR, pois
este é o princípio da sabedoria” (Pv 15:33). Viver com os olhos em
Deus nos faz perceber que o gigante não é tão grande assim, pois
Deus é infinitamente maior. Viver no sobrenatural nos faz achar os
gigantes pequenos, como Josué e Calebe viram os gigantes de Ca-
naãn, que eram homens grandes, mas pelos olhos da fé eles viam
que aqueles homens poderiam ser desafiados e vencidos! No reló-
gio kairós é hora de derrubar seu “Golias”!

171
Relógio dos Tempos

CARACTERÍSTICAS DE UM MATADOR DE GIGANTES


Estas são as características que precisamos possuir:
Seu nome era Davi, que quer dizer “amado”. Precisamos entender
que somos amados pelo nosso Pai. Esta convicção nos dá confiança
na hora da batalha. Davi era de Beyt lechem – Belém, a casa de pão.
O pão da vida é Jesus, que também nasceu em Belém! Davi tinha
intimidade com Deus porque era um adorador profético. Você tem
adorado a Deus em espírito e em verdade? Na intimidade de sua
vida, você é um adorador? Adorar não é cantar, adorar é um estilo
de vida para quem deseja viver no sobrenatural. Em 1 Samuel 16:23
diz-se que Davi adorava a Deus com sua harpa e que, quando ele
adorava, o espírito maligno fugia da presença dele. A adoração de
um verdadeiro adorador afugenta e expulsa os demônios. Não pelo
acorde da harpa, mas pela autoridade espiritual na vida de quem
adora tocando ou seja como for!
Outro ponto fundamental foi que o filisteu apresentou-se por 40
dias no campo de batalha afrontando os hebreus até ser destruído.
Este número, 40, na Bíblia, tem importante significado espiritual. As
chuvas do dilúvio caíram por 40 dias ininterruptos. José foi enlutado
por 40 dias. Os espias expiaram a terra por 40 dias e cada um desses
dias representou um ano de deserto igual a 40 anos. Moisés ficou 40
dias jejuando no monte até receber a palavra de Deus. Elias cami-
nhou por 40 dias para chegar ao monte Horebe. Deus deu 40 dias a
Ezequiel para o cerco simbólico de Jerusalém. Nínive tinha 40 dias
para se arrepender. Jesus jejuou 40 dias no deserto. Após ressusci-
tar, Jesus apareceu por 40 dias aos discípulos. Quarenta representa
tempo de preparo, tempo de amadurecimento, tempo para a con-
quista. Um propósito de 40 dias de consagração em jejum remo-
ve decretos e estabelece vitórias, alargando espaços territoriais no
mundo espiritual. Se sua guerra é ferrenha, impossível, experimente
um período de 40 dias de consagração e verá barreiras intransponí-
veis caindo por terra diante de você!

CIRCUNSTÂNCIAS DA BATALHA DE DAVI E GOLIAS


Davi, até ali, era apenas um guerreiro anônimo, que só tinha expe-
riências isoladas de lutas contra ursos e leões para defender seu
172
Capítulo 7 - Desafiando Gigantes

gado. Ele era somente um jovem, o caçula, servo de seu pai, que cui-
dava do gado e que agora estava levando a marmita para os irmãos
e para os capitães de guerra; quando o profeta Samuel vai à casa
de seu pai Jessé, ninguém ao menos se lembra de Davi. A batalha
espiritual é para servos humildes, que sabem que sua dependência
é do Senhor, e não para soberbos resistentes, que vão na força do
próprio braço. A Bíblia diz que aquele que se exalta será humilhado,
mas que aquele que se humilha será exaltado (Lc 14:11). A minha, a
sua força é somente no Senhor dos Exércitos!
As afrontas do gigante colocavam temor em todos, menos em Davi.
A afronta precisa gerar indignação em nós. O inimigo não pode fa-
zer “ninho” em nossa cabeça. É hora de se indignar contra o gigante
que o desafia na vida! A indignação é a válvula propulsora da vira-
da radical em sua história. Indigne-se contra o seu inimigo. Existem
recompensas enormes por um gigante que derrotamos. Davi foi
honrado depois da batalha, o próprio rei honrou-o. Eu declaro, em
nome de Jesus, que o Rei dos reis irá exaltá-lo quando você desa-
fiar e derrubar o seu gigante. Davi só precisou de uma pedra e de
um cajado. Deus faz milagres com poucas coisas, talvez você tenha
muito pouco hoje, mas se lembre da viúva de Sarepta e de suas vasi-
lhas de azeite, ou dos cinco pães e dois peixinhos do menino74. Davi
não tinha aparentemente nada, mas tudo que tinha ele colocou nas
mãos de Deus! Faça isso!

CUIDADO COM OS CONTRA-ATAQUES


Redobre sua atenção nos períodos pós-vitória. É muito comum vi-
rem contra-ataques em momentos de euforia pela conquista. Não
baixe a guarda, não dê trégua, saiba que nosso inimigo é astuto;
quando perde terreno, ele já começa a executar novos planos. Aten-
te a isto: Davi derrotou Golias, mas, lá na frente, foi derrubado pelo
fascínio de uma mulher. O nome desta mulher era Bate-Seba, que,
em hebraico, significa “filha de um juramento”. O diabo ficou anos
jurando que derrotaria Davi e buscou estudar todos os seus pontos
fracos. No entanto, se Davi não estivesse desguarnecido, se não ti-
vesse ficado desatento, ele não cairia. Uma das principais armas de

74 Referências de histórias milagrosas nas quais o pouco foi suficiente para o milagre: 1 Rs 17 e Mt
14:17.
173
Relógio dos Tempos

contra-ataque que o inimigo usa é tentar inflamar nosso orgulho.


Cuidado, não é por você, mas por Deus!
Quando criança, minha avó Maria costumava contar uma história,
ou estória, de que na roça havia uma determinada serpente que,
quando ferida, ficava de tocaia à beira do caminho, no mato, espe-
rando até que a pessoa passasse ali novamente para picá-la, e ela
contava que várias pessoas tinham sido alvejadas assim. Lembre-se:
o diabo é uma serpente! Quando o derrotamos em uma área, ele vai
se levantar em outra. Cuidado e vigilância, respeite os seus pontos
fracos e os fortaleça com a palavra de Deus: “Escondi a tua palavra
no meu coração, para eu não pecar contra ti” (Sl 119:11).

O GIGANTE SUIÇO, OS GIGANTES DA EUROPA, O GIGANTE


DE SUA CIDADE
Antes de encerrar este capítulo, que visa fazê-lo compreender a ba-
talha espiritual contra gigantes, a fim de habilitá-lo a viver uma vida
vitoriosa no sobrenatural de Deus, gostaria de relatar algo como
exemplo.
Em janeiro de 2009, fui convidado para pregar numa igreja em Ba-
sel, na Suíça. Ali ouvimos histórias de que, muitas vezes, pastores
de fora chegavam à Suíça por via aérea ou rodoviária e, na fronteira,
eram extraditados, impedidos pela alfândega de entrarem como
pastores ou missionários. Um país que fora uma das sedes da Re-
forma Protestante, com João Calvino, agora era fechado ao evange-
lho de certa forma. A caminho para Basel, atravessamos a fronteira
Alemanha/Suíça de carro. Nessa fronteira havia policiais fortemente
armados, que verificavam um a um todos os veículos que passavam.
Uma das pessoas que estavam em nosso carro havia esquecido o
passaporte, que, graças a Deus, não foi solicitado a nós naquele mo-
mento; esta foi a primeira vitória. Mas nem tínhamos noção do que
representava aquilo e do que estava para acontecer naquelas pró-
ximas 48 horas.
Ministramos no sábado: foi maravilhoso. E no domingo à noite, foi
sobrenatural, pois na hora do convite final, para quem queria re-
ceber Jesus Cristo em sua vida, algumas pessoas foram à frente, e,

174
Capítulo 7 - Desafiando Gigantes

entre elas, estavam um jovem suíço, sua mãe e um homem italiano.


Fiquei sabendo que era muito raro aquilo acontecer, pois os suíços
são muito racionais, não sendo comum atenderem a um apelo para
conversão. Terminou este culto e fomos embora de volta, tarde da
noite, para Essen, na Alemanha. No entanto, quando passamos na
fronteira, o alemão que dirigia o carro alarmou-se e pediu para abai-
xarmos. Para nossa surpresa, a fronteira estava vazia, não havia ne-
nhum policial, nada! Ele então, durante toda a viagem, falava que
não entendia aquilo, pois durante toda a sua vida havia passado ali
e nunca aquela fronteira estivera desguarnecida. Por algumas vezes
durante a viagem, repetia surpreso este fato e dizia não entender, e
que certamente algo estava errado.
Pela alta madrugada, faltando apenas dois quilômetros para che-
garmos em casa, um frio de menos 4 graus, o carro parou de fun-
cionar na estrada. Entendi que aquilo era uma luta espiritual, então
peguei óleo de unção e taquei naquele motor, e levantamos um cla-
mor a Deus: voltou a funcionar na mesma hora! Na manhã daque-
le dia, quando acordamos, as manchetes noticiavam, em todos os
jornais e na TV: Pela primeira vez em mais de 60 anos após a Segunda
Guerra Mundial, a fronteira Alemanha/Suíça se abre. Não existe mais
policiamento em barreira, a fronteira está aberta! Isso se deu no exato
momento em que acontecia aquele culto em Basel. Glórias a Deus!
O Espírito Santo ministrou ao meu coração: a Suíça acaba de abrir-
-se novamente ao evangelho! Glórias a Deus! O gigante caiu! Éramos
fracos, não tínhamos honras, desconhecidos, mas Deus me mostrou
que ele não usa os grandes, mas os pequenos, os que o mundo não
conhece. Foi por isso que Deus mudou o nome de Saulo (o grande)
para Paulo (o pequeno); demorei para entender que a vitória é para
os humildes, e não para os que se exaltam. Perceba o grande segre-
do de um salmista que foi um dos maiores matadores de gigantes
que a terra conheceu: “Tens ouvido, SENHOR, o desejo dos humildes;
tu lhes fortalecerás o coração e lhes acudirás” (Sl 10:17) e “O SENHOR
ampara os humildes e dá com os ímpios em terra” (Sl 147:6).
Detalhe importante: na véspera de nossa ida para Basel, durante a
noite, eu e minha esposa fomos visitados por um gigante terrível
(um demônio), à beira de nossa cama, e ele disse para mim: Se vo-
cês tentarem fazer esta viagem, eu vou destruí-los! Pela manhã, antes
175
Relógio dos Tempos

de sairmos, avisei este acontecido a todos que estavam no carro,


então levantamos um forte clamor e ungimos todos e o carro. Foi
uma terrível batalha, mas Deus derrubou aquele gigante! Gigantes
se levantam para cair quando estamos na dependência de Deus e
debaixo de suas asas.
Aquela ilustração da cena do filme Desafiando Gigantes (Facing the
Giants, 2006, EUA), em que o personagem que se torna o capitão do
time carrega seu companheiro nas costas, atravessando um cam-
po de futebol de olhos vendados, é, na minha opinião, a cena mais
comovente, mais até do que o próprio final do filme, pois a humi-
lhação dele o transformou no capitão daquela equipe de futebol
americano; foi a virada que precisava acontecer, pois aquele que se
humilha será exaltado! Davi era um humilde pastor de ovelhas no
campo, que se tornou o matador de gigante!
Quem é você hoje? Não importa seu anonimato. Você, simples
como é, é um forte candidato a ser um matador de gigantes. Como
diz Reinhard Bonnke, considerado o maior evangelista da atualida-
de e presidente do ministério Cristo para Todas as Nações: Eu sou
um “zero”, mas se tenho o número um, que é Jesus Cristo, a meu lado
direito, então já sou dez, e quanto mais zeros estiverem comigo, maior
eu serei. Pense nisto! Que Deus o fortaleça e o faça um matador de
gigantes como Davi! Como diz a letra daquele antigo cântico:

“Se o Espírito de Deus


se move em mim
eu luto como fez Davi.
Eu luto, eu luto, eu luto
Como o Rei Davi!”
Naquela ocasião, em 2009, estando em Essen, fizemos vários atos
proféticos na cidade, na prefeitura, no centro religioso da cidade, na
sinagoga, enfim, e depois descobri que esta cidade seria a capital
cultural da Europa em 2010. Deus nos leva um ano antes para lá,
para emitirmos decretos proféticos. A palavra germânica Essen quer
dizer “alimento”: Decretamos que o alimento de Deus, a sua santa Pa-
lavra, será o verdadeiro alimento que sairá da Alemanha para toda a
Europa! Sementes de avivamento.

176
Capítulo 8 - Meditações no Monte das Oliveiras

Os gigantes europeus vão cair em nome de JESUS! Os gigantes de


sua cidade também vão cair a partir de uma batalha espiritual na
unidade da Igreja! Os gigantes que impedem sua família de virem
para o Senhor vão cair! Os gigantes da sua vida, que hoje ainda o
impedem de romper no sobrenatural, vão cair em nome de Jesus!

FAÇA ESTA ORAÇÃO COMIGO


Eu nasci de novo no dia 5 de abril de 1987. Quando eu tinha apenas
um ano de novo nascimento, meus pais, que naquela época eram
espíritas, foram até a praia fazer oferendas no ano-novo. O espírito
maligno incorporado em minha mãe disse para o meu pai: Meu ob-
jetivo é destruir sua família, mas há uma luz muito forte, que brilha na-
quele seu filho mais velho, que não tem me permitido entrar naquela
casa. Esse menino era eu, que só tinha 15 anos de idade. O inimigo
tem que respeitar a luz de Jesus brilhando em nós! Passados alguns
anos, hoje minha mãe é uma de minhas maiores intercessoras, qua-
se todos os meus irmãos estão aos pés do Senhor e meu pai largou
o espiritismo, e Deus está trabalhando na vida dele. Vários familiares
se converteram, Deus fez uma grande obra; ainda está fazendo. Ale-
luias, o gigante caiu!

Ore assim comigo:


Senhor, em nome de teu filho Jesus, eu declaro que o gigante
(cite o nome dele: medo, morte, desemprego, tristeza, depres-
são, dor, culpa, etc.) vai cair por terra em minha vida AGORA!
Pois Jesus levou sobre si todas as minhas dores e humilhações,
então tomo posse da minha vitória. Em ti sou mais que vence-
dor! Gigante, saia da minha vida e não volte mais, em nome de
Jesus! Amém!

177
Relógio dos Tempos

178
Capítulo 8 - Meditações no Monte das Oliveiras

CAPÍTULO 8

MEDITAÇÕES NO MONTE DAS OLIVEIRAS


Palavras que recebi, estando no Monte das Oliveiras, em Jerusalém.

“Desde que Deus criou o mundo, as suas qualidades invisíveis, isto é, o seu
poder eterno e a sua natureza divina, têm sido vistas claramente. Os seres hu-
manos podem ver tudo isso nas coisas que Deus tem feito e, portanto, eles não
têm desculpa nenhuma.” (Rm 1:20, LH)

“Naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defron-
te de Jerusalém para o oriente...” (Zc 14:4)

“Jesus, porém, foi para o Monte das Oliveiras.” (João 8:1)


179
Relógio dos Tempos

“quaNdo se trata de coNhecer a deus, toda a iNiciativa depeNde dele.


se ele Não se quiser revelar, Nada do que façamos Nos permitirá
eNcoNtrá-lo.” (c. s. lewis – autor, escritor e apologéta irlaNdês;
celeBre autor de ‘as crôNicas de NárNia’)

JESUS, O DEUS DO SOBRENATURAL OU DO NATURAL?


Estou sentado no alto de um monte. Na caminhada para cá vi car-
ros modernos, lojas com produtos diversos, anúncios de outdoor,
comércios, hotéis e restaurantes, bares e hospital, enfim, hoje é um
bairro comum, chamado Oliver Mount, ou simplesmente Monte das
Oliveiras. Sim, o mesmo que Jesus costumava frequentar quando
estava em Jerusalém. Daqui ele avistou a cidade e exclamou: “Jeru-
salém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram
enviados! quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajun-
ta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes” (Lc
13:34). Aqui ele esteve numa parte deste monte, chamada até hoje
Getsêmani75. Aqui ele discorreu sobre sua próxima vinda ao mundo.
Aqui ele viveu seus últimos momentos de vida em liberdade. Aqui
ele foi traído por um de seus discípulos. Aqui ele enfrentou a ago-
nia da morte e suou gotas de sangue. Aqui ele enfrentou o inferno
uma vez mais em sua vida de guerras constantes contra ele. Aqui
Satanás tentou fazer com que ele desistisse de nós (se ele tivesse
desistido, eu não estaria aqui agora, nem você aí onde está). Ele aqui
enfrentou a maior de todas as lutas de sua vida. Costumo dizer que
o maior sofrimento dele não foi no Sinédrio, nas mãos dos soldados
cruéis, nem no Gólgota76, local de sua crucificação, mas foi aqui, no
Getsêmani, pois aqui ele decidiu, totalmente e sem reservas, fazer a
vontade do Pai: “dizendo: Pai se queres, passa de mim este cálice; con-
tudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lc 22:42).
Estando aqui agora, sentado, calmamente e a sós com Deus, sem

75 Getsêmani: jardim localizado no Monte das Oliveiras, em Jerusalém, local que Jesus costumava
frequentar com seus discípulos e onde ele estava quando foi preso na ocasião de sua morte.
76 Gólgota significa “lugar da caveira”; localiza-se fora das muralhas da Jerusalém antiga; onde Jesus foi
crucificado.
180
Capítulo 8 - Meditações no Monte das Oliveiras

nenhuma outra companhia, olhando Jerusalém e pensando como


era este lugar dois mil anos atrás, minha mente viaja através da jane-
la do tempo e contemplo aquela noite de horror e agonia de Jesus.
Mas também posso ver em minha imaginação os momentos de afe-
to com seus discípulos, as conversas descontraídas, o discipulado,
a caminhada juntos, a emoção por sempre voltar para Jerusalém
após suas longas viagens. Posso ver um Jesus gente, como nós, que
amava, que sorria, mas que se irava (sem pecar), que sentia fome,
que ficava triste, que era incompreendido até pelos seus próprios
familiares. Às vezes somente enxergamos um Jesus divino e nos es-
quecemos de que ele era gente como nós, sujeito às mesmas dores,
alegrias e emoções na vida. Jesus fez questão de ser gente, exata-
mente como eu, mas não gosto de pensar que ele fez isso para pro-
var que poderia ser melhor, não, isso soa como ironia e sarcasmo,
Jesus não é assim. Ele fez isso para nos entender melhor, por amor, e
também para nos mostrar que é possível viver neste mundo sem se
contaminar com ele. A Bíblia diz: “A Palavra se tornou um ser humano
e morou entre nós, cheia de amor e de verdade. E nós vimos a revelação
da sua natureza divina, natureza que ele recebeu como Filho único do
Pai” (Jo 1:14, LH).
Quando Jesus foi embora deste mundo, tenho certeza de que o
amor dele pela humanidade aumentou ainda mais. Quando eu via-
jo, conheço pessoas, conheço lugares, e, na hora de ir embora, sinto
saudades antecipadas e vontade de voltar a encontrar as pessoas
um dia novamente: isso é gostoso, é um sentimento saudável. Aliás,
a língua portuguesa é a única que expressa exatamente este sen-
timento: saudade!77 (palavra exclusiva do vocabulário português,
proveniente do galego, sem tradução definida para outras línguas).
Sinto isso neste momento. Daqui a dois dias, estou indo embora e
já estou com o coração apertado por Jerusalém, sua gente, seu jeito
singular de ser, sua cara, sua cultura, sua forma de ser. É uma cida-
de viva, cosmopolita, cheia de problemas em todos os sentidos; era
assim também na época de Jesus, mas mesmo assim ele a amava e
orava por ela, e sentia compaixão por sua gente, mesmo eles sendo
como eram (e ainda são. Penso que, se Jesus viesse hoje, eles lhe da-

77 Saudade: no português, tem o sentido de perda, distância e amor. Tanto no hebraico quanto no
grego, tem a conotação de forte desejo, anseio ardente; correlaciona-se com paixão.
181
Relógio dos Tempos

riam o mesmo tratamento). Ainda hoje, seu povo não acredita nele, o
rejeita, mas ele, como dantes, continua com seus braços estendidos,
esperando o momento em que eles possam se render e entender,
por meio do Espírito Santo, o seu singelo amor.
Este local é o melhor mirante natural da cidade de Jerusalém. Diver-
sas caravanas do mundo todo vêm aqui e as pessoas tiram muitas
fotos e filmam. Pergunto-me: será que estes turistas reconhecem o
amor de Jesus por eles? Pelo comportamento, percebemos que são
simplesmente turistas, apenas interessados na história, na cultura,
nos monumentos, na paisagem exuberante e milenar. Mas e o moti-
vo principal deste lugar? Será que conhecem? Nós falamos de Jesus,
pregamos Jesus, visitamos sua igreja toda semana, mas será que o
conhecemos? Quem é Jesus? O que ele realmente representa para
mim? É importante procurar responder a essas perguntas, é impor-
tante meditar em quem é Jesus? As respostas que encontramos são
os fundamentos de nossa fé. Não podemos segui-lo apenas porque
muitos seguem, porque nossos pais seguem ou porque ele tem
uma história que nos comove. Não! Precisamos segui-lo porque o
conhecemos, se de fato o conhecemos, se não seria perda de tem-
po. Seria apenas religião. Jesus combateu firmemente os fariseus e
os escribas da sua época, porque seguiam coisas que nem mesmo
entendiam, que não conheciam. Eram como aqueles cavalos de cor-
rida com viseiras, que não veem nada ao lado, mas somente seguem
uma trilha. Não devemos ser estáticos em nossa fé. O Espírito San-
to é dinâmico, ele se manifesta a nós de formas sobrenaturais, mas
também das formas mais naturais possíveis. A natureza expressa e
manifesta os atributos do criador. Percebemos Deus por meio do
canto de um pássaro, de uma borboleta que voa, do sincronismo do
vaivém das ondas do mar, enfim, Deus é o único que tem o atributo
da onipresença. Ele está em todos os lugares ao mesmo tempo (Sl
139:8). Falamos muito do sobrenatural de Deus, mas esquecemos
que ele também é Deus do natural.
Há pessoas que só seguem Jesus porque ele se apresenta no sobre-
natural, mas se esquecem de que Jesus é Senhor de todas as coisas,
das complexas e das simples. Ele é Deus da minha vida, ele é Deus
do meu dia. Ele é um Deus geracional, de todas as gerações, de
Adão e Eva até aqui; ele é Deus das grandes coisas. Por exemplo, ele

182
Capítulo 8 - Meditações no Monte das Oliveiras

criou os oceanos, mas também criou os micro-organismos; haverá


alguma coisa demasiadamente complexa para ele? Jesus quer que
o conheçamos porque ele também quer se envolver conosco nas
coisas que consideramos as mais simples de nossa existência. Nada
é demasiado simples em nossa vida e nada é complexo demais para
ele. Ele quer ser Deus nas pequenas e nas grandes coisas da nossa
vida. Por exemplo, ele se preocupa com o que eu como no café da
manhã, bem como com o meu futuro profissional e com quem vou
me casar e onde passarei a eternidade.
Às vezes e erradamente, pensamos que Jesus só usa em missões, por
exemplo, pessoas que vão servi-lo em outras nações, que sabem fa-
lar com eloquência e em outros idiomas ou que têm formação teo-
lógica ou alguma profissão expressiva. Isso não é verdade! Deus não
concede exclusividade a nenhuma pessoa e ele usa a todos sem ne-
nhuma discriminação ou distinção. Não podemos engessar o mover
de Deus em nossas vidas numa redoma de padrões. Ele é senhor de
tudo e de todos, e faz como quer, na hora que quer, da forma que
quer. Ele pode salvar alguém por meio de um missionário experien-
te nas nações, mas também pode usar um comum que fala no dia a
dia num ônibus, de uma forma muito simples, sem nenhuma mani-
festação sobrenatural. Afinal, o que é sobrenatural para Deus? Nada!
Tudo que existe no universo é natural para ele, pois foi ele quem
criou todas as coisas existentes, faz parte de sua natureza criadora e
mantenedora da ordem e da vida no cosmos, afinal: “Todas as coisas
foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez!” (Jo 1:3). O
sobrenatural só existe para o ser humano.
Jesus quer se relacionar conosco como se relacionava com seus dis-
cípulos aqui, no Monte das Oliveiras, conversando e estando pre-
sente nos detalhes da vida deles. Jesus é Deus do que é sobrena-
tural para nós, humanos; pois, para ele, tudo é normal, nada pode
surpreendê-lo, ele conhece todas as coisas, foi ele quem tudo criou;
ele conhece cada molécula, cada neurônio, cada célula de nosso
corpo; o que é maravilhoso para a ciência humana, é comum para
ele (Sl 139).
Ele viveu aqui, mas, sobretudo, quer viver dentro de nós. Em qual-
quer lugar do mundo onde exista um coração que queira conhecer
o dom da vida, ele se apresenta, pois ele é o dono da vida, e sem ele
183
Relógio dos Tempos

nada do que foi feito se fez! Para Deus não existe nada sobrenatural.
Para um ser humano, ver um anjo é sobrenatural, mas Deus criou
tudo que existe.
Considerado o criador da química moderna, Antoine Lavoisier, fran-
cês que viveu no século XVIII, durante a revolução francesa, decla-
rou: “Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”.
Há somente um criador que é DEUS, não podemos criar nada, ape-
nas transformar o que existe, pois tudo foi criado pelo único Deus
criador. Um outro pensador famoso também francês que atacava a
religião e a fé afirmando a inexistência de Deus, ironicamente mor-
reu e hoje sua casa em Paris pertence à Sociedade Bíblica. Françoise
Voltaire, assim como todos os filósofos e grandes pensadores, em
todas as épocas, morreram e passaram, mas a palavra de Deus sub-
siste eternamente. Existe algo demasiado grande para ele?

AONDE DEUS ME MANDAR, EU VOU


Quando nos tornamos servos, significa que temos um dono, e isso
deve ser espontâneo na vida de um servo. Há exatos três anos, em
2006, aqui no Monte das Oliveiras, eu tive uma das maiores experi-
ências com Deus em minha vida. Enquanto orava, o Espírito Santo
me perguntava se eu era capaz de entregar tudo a ele, assim como
um dia Jesus entregara tudo ao Pai aqui, neste mesmo lugar chama-
do Getsêmani. Eu disse: Sim, Senhor, lhe entrego tudo! E comecei um
diálogo com Deus. Ele me falava: Você está disposto a me entregar
seu tempo? Trabalho? Esposa? Filhos? Prazeres? Prioridades? Enfim, a
lista foi imensa e total. Ao final daquela experiência tão impactante,
não me sobrou nada para administrar em minha “própria vida”; en-
treguei tudo a Deus ali. Entre lágrimas, disse: Senhor, seja feita a tua
vontade em minha vida. Para selar aquele momento, tirei uma pul-
seira de prata que eu tinha e coloquei na fenda de um muro de pe-
dras neste monte, e fiz uma aliança com Deus, e pedi algo ousado:
que ele me trouxesse aqui outras vezes para que eu sempre pudesse
renovar esta aliança com Ele. E hoje, estando aqui só e sentado com
toda a liberdade e com um panorama privilegiado à minha frente,
a linda e profética cidade de Jerusalém, Deus me honra, cumprindo
sua palavra em minha vida, de acordo com aquele pedido. Então
este momento é muito importante para mim agora. Deus está me
184
Capítulo 8 - Meditações no Monte das Oliveiras

dizendo que está contente com minha entrega e me presenteou


com mais esta oportunidade de estar em Jerusalém. Deus honra a
nossa fidelidade. Deus nos dá lições na área da fidelidade, Deus é
fiel! Ninguém supera a Deus em sua fidelidade. Na verdade, quan-
do entregamos a Deus coisas, nunca perdemos, mas ganhamos. A
Bíblia nos ensina: “Qual é a vantagem de conquistar tudo o que se
deseja e perder a si mesmo? O que vocês teriam para dar em troca
da própria alma?’ (Mc 8:35 LC).
Viver no sobrenatural implica estar disposto a obedecer incondicio-
nalmente, mesmo sem entender, vivendo no “time” de Deus para
sua vida. Pois há tempo para tudo. Qual é o seu tempo?
Mas confesso: há momentos em que não tem sido nada fácil. Um
ano e meio depois daquela entrega incondicional arriscada, recebi
uma excelente oportunidade de ganhar dinheiro e prontamente
aceitei a oferta. Viajei de férias com a família para a cidade de Salva-
dor e, exatamente no meio da viagem, dia 1º de janeiro de 2008, o
meu carro quebrou. Que luta, que aflição! Era feriado, às 17 horas,
escurecendo. Fomos para um hotel, por dentro fiquei arrasado e an-
gustiado. Três dias depois, ainda com o carro quebrado e parado
naquele hotel em Itabuna, pela madrugada orando e tentando en-
tender “para quê” Deus permitira aquela frustração, logo em meio
a merecidas férias, depois de anos sem tirá-las, minha própria filha
Isabela, na ocasião com apenas 8 anos de idade, discerniu e falou
para a mãe: Isso aconteceu porque papai está desobedecendo ao Pa-
pai do Céu...
Ele me disse: Você me entregou tudo, e agora está querendo tomar
decisões contrárias a minha vontade para sua vida. Por que aceitou a
proposta de trabalho? Pelo dinheiro? Não posso eu te conceder maio-
res vantagens que um emprego? Tenho uma missão para você fora de
seu trabalho atual. Tenho te chamado para dar seu tempo a mim em
um ministério.
Deus me quebrou ali, me arrependi e confirmei minha entrega in-
condicional e, quando voltei a minha cidade, tomei a decisão de pe-
dir dispensa do trabalho, sem nem saber o que ia ser de meu futuro
e de minha família, mas Deus mandou, então obedeci e confiei. Re-
latando esta experiência, não estou querendo dizer que Deus não
185
Relógio dos Tempos

quer que seus filhos trabalhem e ganhem dinheiro. Penso mesmo


que Deus quer dar o melhor para seus filhos ainda aqui na terra,
mas, no meu caso específico, ele me chamou e fez uma aliança co-
migo, e eu estava querendo revogar a aliança, por isso o peso da
mão dele sobre mim. “Deus disciplina seus filhos, a quem ele ama” (Jo
5:17) e “Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser mo-
tivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pa-
cífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça” (Hb 12:11).
Viver no sobrenatural é ser frequentemente desafiado e disciplina-
do pelo Pai.
Para resumir tudo, aquele foi um ano muito difícil em minha vida.
À frente de uma igreja, como pastor-presidente, e trabalhando se-
cularmente. Deus me deu um sonho e eu me via dentro de um rio
muito poluído. Eu tentava remar numa canoa com minhas próprias
mãos, não tinha remos, e as pessoas que estavam comigo ali diziam:
O que você está tentando fazer? Aqui é seu lugar, não tente sair, pois
você não vai conseguir. E eu respondia: Não! Deus está me chamando,
preciso ir. E, com um esforço extremo, remei até chegar a um local
limpo, com águas cristalinas. Acordei e Deus me mostrou que seria
com muito esforço que eu sairia de minha vida secular, de meu tra-
balho. Após 20 anos de trabalho secular, onde aprendi muita coisa,
mas era chegado um novo tempo em minha vida.
Enquanto escrevo esta parte, chegou uma policial aqui e pergun-
tou se eu era jornalista e se estava com algum grupo; respondi que
não, então ela pediu meu passaporte. Fiquei imaginando se eu não
estivesse com o passaporte. Mostrei a ela, e me perguntou o que eu
estava escrevendo; expliquei que era um livro, um relatório, e ela
agradeceu a explicação. Então perguntei a ela se havia algum pro-
blema estar aqui escrevendo, e ela disse que não, que era apenas
um protocolo normal de Jerusalém que qualquer um que pareça
diferente seja abordado; trata-se de uma rotina de segurança, e eu,
sozinho e escrevendo num laptop, sou algo diferente. Felizmente
aquela policial era bem diferente dos soldados que prenderam Je-
sus exatamente aqui há dois mil anos... O Espírito Santo ministra ao
meu coração que, para entrar no céu, será assim: quem não tiver
o passaporte, não vai entrar. O passaporte é uma comprovação de
nossa cidadania e nos garante o direito de ir e vir, de poder entrar

186
Capítulo 8 - Meditações no Monte das Oliveiras

e sair de um país. O passaporte para o céu é o sangue de Jesus. O


sangue dele nos garante libertação e a entrada nos céus, e só temos
acesso a esta senha, ou passaporte espiritual, através da entrega
de nossa vida a ele! Você já tem em mãos seu passaporte? Assim
como fui inquirido a apresentá-lo sem aviso prévio, da mesma for-
ma, em sua ida para o além, você vai precisar dele; tenha-o sempre
em mãos, ou melhor, no coração. Não sabemos quando vamos pre-
cisar, pode ser na volta de Cristo, pode ser na nossa morte. Algum
de nós pode garantir que estará vivo daqui a uma hora, ou um dia,
ou alguns minutos? No entanto, se o nosso coração parar de bater,
fomos. Só JESUS é o passaporte para o céu!
Mas, voltando à entrega... Aquele ano foi muito difícil realmente.
Mas ao final do ano, pude finalmente sair daquela posição e, no dia
1º de janeiro de 2009, em contraposição a exatamente um ano atrás,
com carro quebrado e muito frustrado, eu estava pisando na Europa
para uma missão tremendamente profética com a minha família. Sai
da desobediência e entrei numa nova rota de Deus para minha vida:
obediência e serviço! Aonde Deus me mandar, eu vou! Este tem sido
meu lema, minha vida, meu destino profético. Sinto-me realizado
hoje, apesar de não ter os recursos que tinha antes e a pseudotran-
quilidade de antes em relação às finanças, mas estou muito mais
feliz, pois sei que tenho tudo que preciso e, ao seu tempo, Deus me
exaltará da forma dele, amém!

A NOVA JERUSALÉM, A PORTA DOURADA...


Deus é digno de toda a nossa adoração, todo o nosso reconheci-
mento de que só ele é Deus. Afinal um dia “um menino nos nasceu e
um filho se nos deu, seu nome é Maravilhoso, Deus Forte, Conselheiro,
Pai da Eternidade e Príncipe da Paz” (Is 9:6). Jesus é maravilhoso, é
muito bom podermos adorá-lo. Não há outro lugar onde possamos
nos sentir mais seguros do que na presença de Deus. Todas as vezes
que estamos sentindo solidão, podemos encontrar nele refúgio e
conforto. Ele é o remédio para a angústia, e ele é nosso melhor ami-
go, que está a todo tempo pronto a nos atender. Ele nos faz andar
acima do medo e da dor. Você já ouviu dizer que Deus está ocupa-
do ou sem tempo? A qualquer momento que chamarmos, ele nos
ouvirá e ele ficará conosco o quanto quisermos. Isso é maravilhoso
187
Relógio dos Tempos

demais para mim e para você: podemos ter audiência com o Criador
de todas as coisas a qualquer hora do dia ou da noite, sem necessida-
de de marcarmos horário com antecedência. Precisamos nos deixar
surpreender a cada dia por Jesus! Os céus se abrem sobre nossas
cabeças quando entendemos seu amor por nós, embora em sua
plenitude não possa ser compreendido totalmente, pois é algo in-
dizível, está muito além da capacidade de compreensão humana,
mas, numa proporção mínima, o suficiente para nos dar uma visão
aberta do que é eterno, só Jesus é o caminho para a eternidade ce-
lestial.
Somos seres eternos, criados para a eternidade e nunca, absoluta-
mente nunca, nos sentiremos seguros ou totalmente encontrados
conosco mesmo sem Jesus em nossa vida. Isso não é filosofia, isso
é realidade espiritual. Todos temos um vazio em nosso coração que
só pode ser preenchido pela presença do Deus todo-poderoso: JE-
SUS! Ele é a essência da vida e de toda a criação.
Daqui, do Monte das Oliveiras, observando Jerusalém do alto, posso
contemplar a volta de Jesus, o arrebatamento. Posso olhar direta-
mente a Porta Dourada. Por esta porta, Jesus entrou na véspera de
sua morte. A Bíblia diz que ele foi aclamado pelo povo, que excla-
mava, em hebraico, Baruch há’ba, b’shem Adonai (“bendito é o que
vem em nome do Senhor”) e Hosana nas alturas! (esta expressão
hebraica, hosana, quer dizer: “sê propício” e “aquele que salva”). Um
dia Jesus irá novamente entrar por esta porta. Desta vez, não como
um cordeiro, servo sofredor, mas entrará como um leão (Ap 5:5), o
Leão da Tribo de Judá!78. Os árabes creem que um dia Jesus vai vol-
tar, por isso eles lacraram com pedras esta porta, conhecida como
a Porta Dourada, ou Porta do Messias, e ainda fizeram um cemitério
exatamente em frente a ela, pois eles sabem que um rabi não pode
passar por um cemitério, de acordo com a tradição judaica. Mas o
que eles não entendem é que Jesus virá glorificado como o Rei de
toda a terra e do Universo, e diante dele todo joelho irá se dobrar e
toda língua confessará que ele é o Senhor. Aleluias!
Ele vem com poder e glória para comandar as leis universais que

78 A expressão “Leão da Tribo de Judá” é um título empregado pelos membros da tribo da qual Jesus
descende, Judah; termo metafórico. A figura do leão decorava o emblema do estandarte que representava
a tribo de Judá, tanto em viagens quanto em incursões militares.
188
Capítulo 8 - Meditações no Monte das Oliveiras

existem, pois toda a autoridade lhe foi dada, nos céus e também na
terra. Daqui, do Monte das Oliveiras, posso contemplar a Nova Je-
rusalém descendo dos céus e esta terra sendo totalmente transfor-
mada pelo poder de Deus, e eu e você reinando com ele no milênio.
Isso é incrível, não é? Creia! Está prestes a acontecer. Fico até pen-
sando: poderia ser agora, não poderia? Oh, quão maravilhoso será
morar na Nova Jerusalém, a cidade do grande Rei e de seu povo. Na
Nova Jerusalém, nós vamos morar. Como diz a letra desta canção:

Um menino nasceu, como um filho se nos deu,


Ele é o próprio Deus, que vive em mim,
Debaixo de tuas asas eu me escondi
E o seu nome é Maravilhoso, Glória ao Príncipe da Paz!
Os céus começam a se abrir, toda a terra se dobrou a ti,
Cristo, o Rei dos reis, veio nos buscar
Leva-nos em tuas mãos, pelas portas da cidade,
Na Nova Jerusalém, tua noiva vai entrar!
(Letra e música de Rodolfo Abrantes)

Maranata! Vem, Rei de Jerusalém! Vem, Rei de toda a terra e de to-


das as coisas, nós te esperamos, nós te contemplamos. Mas, diferen-
temente daquele povo que um dia te recebeu e no outro te matou,
nós vamos te honrar e morar contigo eternamente! Algo me diz que
não estou só. Sinto a presença do anjo do Senhor aqui. Deixo o rio
de Deus me levar. Desde a fonte das águas de uma nascente, que
se transforma num enorme rio, até chegar ao mar, assim é nossa
vida em Deus. A trajetória é dada pelo curso das águas, as águas do
Espírito nos movem e nos levam. O sopro de Deus nos move, a mi-
nha entrega alegra o coração de Deus. Senhor, recebe mais uma vez
a minha vida! Em Cristo, temos liberdade. Em Cristo, temos o pão da
vida a cada dia; ele nos sustenta, sustenta nossa maior fome, que é
a fome pelo seu Espírito. Um ser humano sem Deus não é completo,
falta-lhe algo. Falta-lhe a essência da vida: JESUS! Ele quer se revelar
a nós.

PÉS PARA EU ANDAR NA PRESENÇA DE DEUS


Subindo o Monte das Oliveiras, eu tropecei e machuquei o torno-
zelo, e fiquei com dificuldades para caminhar. Fiquei imaginando:
189
Relógio dos Tempos

e se eu não pudesse andar? Como eu seria? Sem pés, seria muito


limitado. No reino do espírito, é assim também: não podemos nos
locomover sem pés. Os pés são a palavra de Deus, que nos norteia:
“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus cami-
nhos” (Sl 119:105). Para andar no sobrenatural preciso de pés espiri-
tuais e direção de Deus.

SÍNDROME DE ABSALÃO: ENTENDENDO MINHA VIDA E


MEU TEMPO
Estou agora assentado defronte ao mausoléu de Absalão, que fica
quase em frente à Porta Dourada. Toda vez que venho aqui, fico me
perguntando: dentre tantos personagens bíblicos tão eloquentes
quanto Abraão, Noé, Moisés, Samuel, Davi, Elias, Eliseu, quaisquer
dos profetas ou qualquer rei, por que Deus permitiu que logo a
tumba de Absalão ficacasse num local tão visível?
O Espírito Santo me ministra é que a história de vida de qualquer
pessoa é um exemplo, é um referencial, com aspectos que devem
ser seguidos ou não. Este monumento está aqui a fim de nos lem-
brar algo muito importante, principalmente a nós que estamos na
caminhada, rumo aos céus. Eis a triste história deste jovem, filho do
maior rei da história de Israel:
Absalão era filho de Davi com Maaca. Sua história está em 2 Sm 13.
Desde criança, ele teve aptidão para ser príncipe. Tinha tudo para
ser o herdeiro do trono de Israel. Era forte, tinha uma personalidade
de rei, tinha porte físico e beleza exterior; segundo a Bíblia, chamava
a atenção, pois tinha postura real. Então, por que ele não foi posto
em posição de proeminência? Pelo mesmo motivo por que muitos
filhos de Deus até hoje são rejeitados: por causa do coração, que
podemos também chamar de caráter. Assim como foram rejeitados
Caim, Sansão, Saul, Roboão e Judas, para citar apenas alguns exem-
plos. Absalão também entrou nesta lista. Seu coração tinha maus
desígnios; ele via a si próprio de forma equivocada e não teve um
coração devidamente consolidado de acordo com a posição que
ocupava, não compreendeu seu espaço geográfico, sua herança
gloriosa e seu futuro profético. Foi uma pessoa totalmente domi-
nada por sua alma corrompida, agiu de acordo com suas emoções,
190
Capítulo 8 - Meditações no Monte das Oliveiras

sem nenhuma direção do espírito, e seu fim foi trágico, triste e pre-
coce, comum aos homens que têm o coração ruim e rebelde diante
de Deus. Observe o que diz este versículo de 2 Sm 18:18: “Ora, Absa-
lão, quando ainda vivia, tinha feito levantar para si a coluna que está
no vale do rei; pois dizia: Nenhum filho tenho para conservar em me-
mória o meu nome. E deu o seu próprio nome àquela coluna, a qual até
o dia de hoje se chama o Pilar de Absalão”. Demonstra o caráter dele,
sua egolatria. O Novo Testamento também nos apresenta alguém
com a síndrome de Absalão, que foi o irmão do filho pródigo. Assim
como Absalão no Velho Testamento, ele também não conhecia seu
tempo profético e seu espaço de herança e viveu como bastardo,
embora fosse filho legítimo, preferindo viver à margem e aquém da
sua posição real.
Absalão vingou-se e matou seu próprio irmão, estuprou as esposas
de seu pai, usurpou seu trono, tentou matá-lo, entre outras coisas.
Ele cometeu tantas atrocidades por insegurança, por incapacidade
de reconhecer sua posição de honra, que viveu desonradamente e
desonrando sua família e seu pai, que era o rei de Israel e um ho-
mem segundo o coração de Deus. Ele, em vez de herdar a condição
favorável do pai com o seu povo e com Deus, sem se aperceber e
por decisões equivocadas, entrou numa rota de autodestruição. Seu
fim foi típico dos malditos: ele não entrou na herança, não desfru-
tou da qualidade de filho legítimo, mas morreu como um bandido,
assassinado cruelmente, sem misericórdia.
Como filhos de Deus, a Bíblia diz que somos coerdeiros com Cristo.
Isto quer dizer que temos acesso a toda herança dos céus, mas mui-
tas vezes vivemos como Absalão ou como o irmão do filho pródigo.
Temos direito a tudo, porém não usufruímos de nada. E às vezes,
como Absalão e o irmão do filho pródigo, até invejamos os que,
como filhos legítimos, adotam outra postura e são abençoados pelo
Pai Celestial. Não estou falando de esbanjar, de ser esnobe; estou
falando de sermos herdeiros e termos direito à alegria de Deus em
nossas vidas, que não necessariamente compreende apenas bens
materiais, embora possa também envolver estes. Como filhos de
Deus, temos o direito a ter uma casa própria? Por que não? Direito
a um bom carro? Por que não? Abaixo a teologia da miséria, fun-
dada por monges franciscanos de séculos atrás e que infelizmente
191
Relógio dos Tempos

permeia muitas comunidades cristãs ainda hoje, disseminada por


alguns sacerdotes equivocados quanto à interpretação bíblica, ale-
gando que Cristo viveu em miséria e que nós também devemos vi-
ver privados de tudo, para herdarmos os céus.
Em contraposição a Absalão, Jesus foi uma pessoa humilde, mas não
era miserável; ele comia o melhor da terra e era cuidado, e, quando
precisou do melhor, ele teve o melhor (Jo 19:38-42). A verdadeira
humildade está no coração, não nos bens. Conheço rico nesta terra
que é humilde e conheço pobre nesta terra que é orgulhoso. Não
depende do que se tem, mas depende de como se é e de como se
vive, depende do coração ser bom ou ruim. Jesus viveu humilde-
mente sim, mas ele o fez para nos mostrar que podemos ser felizes
como ele. Mas ele não disse em momento algum que é proibido ter
coisas.
A Bíblia diz que nosso Deus é dono do ouro e da prata e que ele
deseja dar aos seus filhos o melhor desta terra; entenda bem: é o
melhor desta terra, não da que há de vir apenas. Honestamente, po-
demos ter riquezas sim, por que não? Desde que estas não nos afas-
tem da verdadeira comunhão com Deus. “Se quiserdes e me ouvirdes,
comereis o melhor desta terra” (Is 1:19).
Mas é necessário também falar da teologia da prosperidade, pois
esta também tem gerado muitos equívocos. Em nome dela, muitos
têm se apoderado ilicitamente da boa-fé das pessoas e de rique-
zas para um único fim, que é deleite pessoal e ostentação. Enten-
da, irmão, não estou defendendo nem criando teologia X ou Y, até
porque não sou teólogo, não tenho competência para isso, mas me
apego ao direito de manifestar a minha opinião, pelo que tenho vi-
vido e pelo que tenho visto. Esta teologia da prosperidade é muito
perigosa. Creio que Deus quer nos fazer prósperos, mas, afinal, o que
é prosperidade? Na minha opinião, a melhor definição para a pros-
peridade é: ausência de necessidade. Partindo deste princípio, fico
livre de cometer exageros. Necessito de dinheiro para viajar para
cumprir os propósitos de Deus na minha vida? Sim. É uma necessi-
dade. Necessito de um bom carro para fazer meu trabalho? Sim. É
uma necessidade. Necessito de uma mansão com dez quartos com
suíte? Depende, se com ela vou hospedar muitos missionários, rece-
ber o povo de Deus e minha família, se tenho coração para receber
192
Capítulo 8 - Meditações no Monte das Oliveiras

homens que são anjos, praticando a hospitalidade (Hb 13:2). Então,


talvez necessite. Mas também posso desejar um anel de ouro com
uma pedrinha de brilhante, nada impossível de ter, mas com o úni-
co objetivo de aparentar ser uma pessoa que não sou e de ostentar
o que não tenho. Necessito disso? Penso que não. Ou posso neces-
sitar de qualquer bem, mas, naquele momento, tenho necessidades
básicas que são prioridade, como pagar minha casa própria ou os
meus estudos, mas, por causa da minha vontade egoística, faço o
que não posso e compro sem poder pagar. Aquilo era uma necessi-
dade? Talvez até fosse, mas havia outras prioridades, que são bási-
cas, então acaba se transformando numa obsessão.
“Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fl 4:13)? Amém, eu
posso, a Bíblia ensina isso, mas não posso pecar. Não posso mentir,
não posso roubar, não posso ficar devendo aos outros. Não pode-
mos adotar a Bíblia como fundamento de conduta apenas no que
nos interessa, pegar textos fora do contexto e formar doutrinas pes-
soais fora dos princípios. A palavra de Deus é um livro de princípios,
e somente com eles estou sob a cobertura da graça e da benção de
Deus e sob sua aprovação. Fora deles, cometo absurdos e promovo
teologias equivocadas, como a da “miséria e pobreza” ou a da “pros-
peridade”, teologias estas antagônicas entre si e ao mesmo tempo
extremistas.
Que Deus nos ilumine para entendermos quais os princípios que
ele nos ensina em sua palavra e nos dê espírito de sabedoria para
caminhar neles sem nos desviarmos, estando em equilíbrio entre a
coerência e os padrões de santidade. “Segui a paz com todos e a san-
tificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14).
Que o Senhor nos livre desta síndrome de Absalão e nos ajude a ter
um coração puro. Isso somente é possível mediante a sondagem
do Espírito Santo e a observância cotidiana da palavra de Deus. O
coração é uma fonte. E uma fonte não pode jorrar ao mesmo tempo
água doce e amarga, ou nosso coração é bom ou é ruim. Deus tem
remédio para um coração ruim: “O coração alegre é bom remédio,
mas o espírito abatido faz secar os ossos” (Pv 17:22). Como está seu
coração agora? Amargurado, jorrando águas amargas? Ou doce,
pelo espírito, jorrando benção e águas vivas?

193
Relógio dos Tempos

Os relacionamentos também influenciam nossas fontes do coração:


“A pessoa boa que se deixa levar por uma pessoa má é como uma fonte
de água barrenta ou como um poço contaminado” (Pv 25:16). Absa-
lão caminhou com jovens sem princípios de sua época. Assim como
seu sobrinho Roboão, que deu mais ouvidos à inexperiência que à
experiência. “Não se enganem: As más companhias estragam os bons
costumes” (1 Co 15:33), afirma o apóstolo Paulo. A famosa frase “Di-
ga-me com quem andas e te direi quem és” é verdadeira; nossos re-
lacionamentos determinam nossa conduta. Precisamos ter cuidado
com quem andamos, com quem conversamos, o que ouvimos e o
que falamos. Somos receptores e reprodutores do meio em que vi-
vemos, isto é sociologia comportamental79. Somos produto do meio,
na medida em que deixamos o meio ditar nossa conduta.
Nossa alma é uma fonte receptora, determinada pelas fontes de
que bebemos. Se uma pessoa é influenciada por TV o dia inteiro,
dentro dela estará tudo aquilo. Uma pessoa que anda com alguém
pessimista, lá na frente se tornará igual. A Bíblia diz que a boca fala
do que está cheio o coração. De que o nosso coração está cheio?
Quais têm sido nossas fontes? Não estou dizendo que temos que
ser alienados; é importante ler jornais, é bom para a mente assistir
a um filme, ler livros, estudar, mas devemos ter crivo e filtro para as
informações que nos vêm e também buscar em primeiro lugar o
reino de Deus e a sua justiça. A melhor lâmpada é a Bíblia. Qual é o
princípio que tem determinado sua vida? O que os seus filhos têm
visto? O que nós temos visto e lido? O que tem entrado em nossas
casas, o que tem entrado em nossas vidas? Se nosso coração é uma
fonte, ele precisa estar puro para jorrar águas puras e cristalinas, os
bons tesouros a respeito dos quais Jesus nos ensina: “O homem bom
do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o
mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.” (Lc 6:45).
Daniel é um bom exemplo a ser seguido, de alguém que não se dei-
xou contaminar pelo meio em que vivia. Pessoas que, como Absa-
lão e Roboão, se deixam contaminar e têm suas vidas ditadas pelas
companhias e pelo meio terminam em ruína e infortúnio. Precisa-
mos sondar nosso coração e perceber quem tem ganhado a guerra:
nossa alma ou nosso espírito? Do que estiver cheio o nosso coração,

79 Poderia ser também psicologia comportamental, mais difundida nos meios acadêmicos.
194
Capítulo 9 - Acontecimento mais extraordinário de todos os tempos: a volta de Jesus

exatamente isso será reproduzido por nossa boca e determinará o


nosso comportamento. Enchamo-nos então da Palavra de Deus e
do Espírito de Deus.
No texto de 1 Tessalonicenses 5:23, quando Paulo orienta a respeito
do espírito, alma e corpo, manifesta-se um princípio que precisa-
mos observar: “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vos-
so espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis
na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. Somos um ser tricotômico for-
mado por: espírito, alma e corpo. O espírito é a nossa semelhança
com Deus: quando Deus criou o homem, soprou nele o espírito (Gn
2:7); em hebraico a palavra usada é ruach. Mas também possuímos
uma alma, o nosso “eu”: nela estão concentradas nossa vontade, in-
teligência e volição, em hebraico é nephesh. Os dois habitam dentro
de um recipiente material chamado corpo, que é soma em grego,
a nossa matéria e ponto de contato com o cosmos. E Paulo lembra
que devemos conservar os três, ou seja, que temos responsabilida-
de de manter nosso ser completo de forma íntegra e irrepreensível;
mas no começo do versículo está a chave, quando ele diz: “o mes-
mo Deus da paz vos santifique...”. Sem santificação, ninguém verá a
Deus. Observe algumas coisas que a Bíblia ensina sobre santifica-
ção: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá
o Senhor” (Hb 12:14). “Agora, porém, libertados do pecado, transfor-
mados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e,
por fim, a vida eterna;” (Rm 6:22).
Viver no sobrenatural é andar no caminho da santificação, e quem
trilha este caminho conhece seu tempo no relógio profético. Este
relógio está marcando uma hora determinada para sua vida. Pode
ser tempo de guardar ou de deitar fora, tempo de rir ou de chorar,
tempo de plantar ou de colher, tempo de fazer ou de deixar de fa-
zer, tempo de ir ou de ficar, enfim, precisamos conhecer o tempo
em que vivemos para fazer as coisas certas e debaixo da direção do
criador do relógio dos tempos. Faça esta oração comigo:
Deus, me dê sabedoria para discernir meu tempo hoje, o tempo kairós
do Senhor para minha vida! Não me deixe ser dominado pelo tempo
do mundo, o tempo secular, que esmaga nossa alma com a rotina do
dia-a-dia, com os problemas e preocupações com o amanhã; mas que
eu seja direcionado pelo tempo dos céus para minha vida. Ajude-me
195
Relógio dos Tempos

a olhar acima das circunstâncias, dos problemas e das aflições, e ver


que, em tudo e em todas as coisas, o SENHOR está no controle. Oro
em nome de teu filho Jesus. Amém!
Jesus tinha seu Monte das Oliveiras para descansar, meditar, orar
e estar a sós com o Pai. Ali ele teve suas grandes experiências com
Deus. Precisamos entender que, na vida, precisamos sempre parar
sozinhos e ouvir a Deus. O ativismo do dia a dia nos sufoca e nos
afasta do silêncio necessário à meditação. Precisamos ter nosso lu-
gar de refúgio a sós com Deus, principalmente nestes dias de lutas
e muitas provas; é tempo de ir para o ‘nosso Monte’ buscar o Pai,
nosso lugar secreto!
“Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta,
ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recom-
pensará publicamente”. (Mt 6:6).

Neste mundo conturbado e agitado, onde errôneamente velocida-


de é sinônimo de perfeição e sucesso, precisamos aprender a parar
a sós conosco e com o Pai. Meditar sobre nossa conduta, ouvir a voz
do Espírito Santo e nos encontrar com Deus todos os dias. Sigamos
o exemplo de Jesus, que em diversas ocasiões fazia simplesmente
isto:
“E, tendo-os despedido, foi ao monte a orar”. Mc 6:46

196
Capítulo 9 - Acontecimento mais extraordinário de todos os tempos: a volta de Jesus

CAPÍTULO 9
ACONTECIMENTO MAIS EXTRAORDINÁRIO DE
TODOS OS TEMPOS
A VOLTA DE JESUS!

“e disseram: — Homens da Galileia, por que vocês estão aí olhando para o céu?
Esse Jesus que estava com vocês e que foi levado para o céu voltará do mesmo
modo que vocês o viram subir.” (At 1:11, LH)

197
Relógio dos Tempos

“toda a igreja do deus verdadeiro sustém e professa como seu credo


que cristo virá do céu, para julgar aos vivos e aos mortos: isto é o
que chamamos de último tempo, do juízo diviNo”. (saNto agostiNho,
ou agostiNho de hipoNa, teólogo, Bispo e filósofo cristão do século
iv d.c.)

Vivendo no sobrenatural80, temos nossa cosmovisão ampliada para


entendermos que existe um propósito definido que nos remete à
revelação de que nossa trajetória de vida deve ter como destino o
nosso futuro profético. Todos nós somos eternos e estamos vivendo
dentro de um tempo determinado por Deus em seu relógio profé-
tico.
Então, o grande questionamento é: onde viveremos nossa eternida-
de? Minha intenção é fazê-lo refletir e entender a respeito do sobre-
natural e compreender que existe uma dimensão acima da nossa
que rege todas as coisas dentro de um relógio dos tempos. Esta di-
mensão é o mundo espiritual e o reitor é o próprio Deus!
Assim como 70% de nosso corpo físico é composto por moléculas
de água que não conseguimos enxergar, pois vemos apenas o ex-
terior sólido, assim é o reino espiritual: ele está muito mais presente
em nossa vida do que podemos ver com nossos olhos naturais, mas
tenha certeza de que o mundo espiritual é muito mais real do que
imaginamos. Tudo o que acontece no plano físico é reflexo do mun-
do espiritual.
Por essas razões, faz-se extremamente necessário nos voltarmos
para o espiritual de Deus, para a realidade da volta de Jesus, para a
necessidade do nosso preparo espiritual para este acontecimento,
para adentrarmos na eternidade. Nós fomos chamados, não esta-
mos simplesmente vagando por esta terra, há um sentido na vida
muito maior do que possamos julgar ou supor.
Este texto traça um paralelo muito interessante e explica exatamen-
te a vida, seu sentido, e Deus. O dilema da vida é a eternidade:

80 Em geral explicações sobrenaturais pressupõem a existência de algum tipo de realidade além da física,
como o mundo espiritual.
198
Capítulo 9 - Acontecimento mais extraordinário de todos os tempos: a volta de Jesus

O Cético e o Lúcido
No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro
pergunta ao outro:

- Você acredita na vida após o nascimento?


- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez es-
tejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos pre-
parar para o que seremos mais tarde.
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeira-
mente seria essa vida?
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do
que aqui.
Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos
com a boca.
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a
boca? é totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta.
Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está ex-
cluída - o cordão umbilical é muito curto.
- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pou-
co diferente do que estamos habituados a ter aqui.
- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O
parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada
mais do que a angústia prolongada na escuridão.
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimen-
to, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente
está?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vive-
mos. Sem ela tudo isso não existiria.
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é cla-
199
Relógio dos Tempos

ro que não existe nenhuma.


- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode
ouvi-la cantando, ou sente como ela afaga nosso mundo. Sai-
ba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora ape-
nas estamos nos preparando para ela...
(autor desconhecido)

Encontre nas próximas páginas o seu papel no tempo, no mundo e


entenda o sobrenatural!

SINAIS DA VINDA DO REI


Há centenas de anos antes de Cristo, Moisés já profetizara sobre o
Messias. Em Deuteronômio 18:15, ele fala: “O SENHOR, teu Deus, te
suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim;
a ele ouvirás”. Este texto nos leva a entender que o Messias viria com
grande poder, convencendo a todos e colocando Israel numa pro-
eminente posição entre as nações da terra. É exatamente isso que
os judeus pensam e esperam até nossos dias. Eles ainda aguardam
este líder poderoso chegar. Para nós, ele já veio à primeira vez, por-
tanto aguardamos sua segunda vinda. Quando ele vier, os judeus
irão reconhecê-lo como Rei, exatamente como nós, cristãos, já o re-
conhecemos há mais de dois mil anos. Por que eles não o reconhe-
ceram quando da sua primeira vinda? Porque não atentaram para
o texto de Isaías 53, que mostra que o Messias primeiramente viria
operar o ministério do sacrifício, do servo sofredor, como ratificado
em Filipenses 2. Na segunda vinda, será bem diferente: “Estai vós de
sobreaviso; tudo vos tenho predito. Mas, naqueles dias, após a referida
tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas
cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então,
verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória. E
ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da
extremidade da terra até à extremidade do céu.” (Mc 13:23-27).
Mateus, capítulo 24, é um compêndio profético ensinado pelo pró-
prio Messias a respeito dos sinais que antecederiam sua volta: “No
monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproxima-

200
Capítulo 9 - Acontecimento mais extraordinário de todos os tempos: a volta de Jesus

ram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando


sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consuma-
ção do século” (Mt 24.3).
Vamos observar detalhadamente o texto de Mateus 24:
1 - O primeiro sinal predito por Jesus é a respeito do cuidado
para não ser enganado. Mateus 24.4: “E ele lhes respondeu: Vede
que ninguém vos engane. 24.5 Porque virão muitos em meu nome, di-
zendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos”. Surgirão muitos que,
em nome de Jesus, tentarão enganar, dizendo-se o Cristo, mas que
na verdade serão anticristos. “Filhinhos, é já a última hora; e, como
ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito
anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora” (1 Jo 2:18).
Precisamos nutrir uma intimidade com Jesus a tal ponto que conhe-
çamos a sua voz e que não sejamos enganados pela voz de mentira
do inimigo e dos falsos cristos, dos anticristos que têm aparecido ou
do Grande Anticristo que aparecerá.
A Bíblia ensina que até em anjo de luz o inimigo se passaria para
enganar os próprios eleitos (2ª Co 11:14). Existem hoje muitos en-
ganadores torcendo a verdade e camuflando uma falsa humildade
e piedade. Na verdade, por esse texto percebemos que os “anticris-
tos” surgirão nos próprios ambientes religiosos. Não se trata de um
inimigo declarado apenas, mas de ícones respeitados dentro de ins-
tituições religiosas; será um engano, uma aparência de santo, mas
que no fundo encarna um caráter contrário às doutrinas de Cristo.
Interessante também este ser o primeiro sinal!
2 - Guerras e rumores de guerras; nações contra nações; fomes
e terremotos em vários lugares. Mateus 24.6: “E, certamente, ou-
vireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis,
porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. 24.7 Por-
quanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá
fomes e terremotos em vários lugares; 24.8 porém, tudo isto é o princí-
pio das dores;”. Existem no mundo atualmente centenas de guerras
acontecendo. Nações contra nações, guerras civis, étnicas, políticas
e religiosas. Observe: o mundo nunca foi tão habitado quanto atu-
almente. Para se ter uma ideia, de Adão e Eva até meados de 1950,
o mundo teve aproximadamente 6 bilhões de seres humanos que
201
Relógio dos Tempos

viveram ao longo de todas as épocas. Até o ano de 1800, o mundo


nunca ultrapassara a ordem de 1 bilhão. Em 2012, chegamos a mar-
ca de mais de 7 bilhões, ou seja, em apenas 200 anos saltamos de
1,5 para 7 bilhões de pessoas. Com esta superpopulação, que pre-
cisa comer, vestir-se e viver, as guerras são inevitáveis em um mun-
do cada vez mais competitivo e injusto, com escassez de alimentos
e de matéria-prima. Os mais ricos dominam e escravizam os mais
pobres, a ganância humana é o estopim das guerras pelo poder e
riquezas. É errado pensarmos que somente existe fome na África,
em países como a República Democrática do Congo, Bangladesh,
Indonésia, Paquistão, Haiti, Etiópia e alguns outros lugares. Em di-
versas outras regiões do mundo, tem havido fome e necessidades
básicas; até mesmo em países em desenvolvimento, como China e
Índia; temos visto também no Leste Europeu à realidade de dezenas
que morrem no rigoroso inverno por falta de abrigo, por exemplo.
No Brasil há fome no Norte, no Nordeste e em alguns outros lugares.
A ingestão mínima de calorias diárias para uma pessoa é inalcançá-
vel em inúmeros outros povos pobres além dos citados. Há mais de
2 bilhões de pessoas, ou um terço da população mundial, vivendo
na linha da miséria e da pobreza, muitos que passam fome, e outro
bilhão que não come o suficiente, é subnutrido e mora nas ruas sem
saneamento básico. Dos 7 bilhões que existem coabitando o plane-
ta atualmente, mais de um terço não tem suas necessidades básicas
totalmente supridas. Segundo a ONU, este número vai aumentar gra-
dativamente nos próximos anos, por causa da escassez de alimento
e da diminuição da produção agrícola, por conta dos efeitos naturais
como secas, inundações, tufões, aquecimento global, pragas diver-
sas e outros fatores, todos provocados pelo próprio homem, em vir-
tude do desmatamento, emissão de gases na atmosfera e poluição
em geral, e até da superpopulação terrestre que se estima chegará
a mais de 8 bilhões em 2030. Observe esta matéria: “O aumento da
população mundial e das demandas por água, energia e alimentos
poderão provocar uma ‘catástrofe’ em 2030, segundo previsões do
principal conselheiro científico do governo britânico. John Bedding-
ton descreveu a situação como uma ‘tempestade perfeita’, termo
usado quando uma combinação de fatores torna uma tempestade
que, por si só, não teria tanto efeito, em algo muito mais poderoso.
A analogia também é usada para descrever crises econômicas. Se-
gundo Beddington, com a população mundial estimada em 8,3 bi-
202
Capítulo 9 - Acontecimento mais extraordinário de todos os tempos: a volta de Jesus

lhões de pessoas em 2030, a demanda por alimentos e energia deve


aumentar em 50%, e por água potável deve aumentar em 30%. As
mudanças climáticas devem piorar ainda mais a situação, vai adver-
tir o cientista nesta quinta-feira, na conferência Desenvolvimento
Sustentável RU 09, em Londres”81. No capítulo 2 vimos outros deta-
lhes. Agora em Junho de 2012 o Rio de Janeiro sedia a Rio+20, que
trata do desenvolvimento sustentável, tema em voga em todas as
conferências patrocinadas pela ONU; são tentativas de ‘salvar o pla-
neta’ da destruição. Porém o que observamos são discursos vazios
e falta de iniciativas verdadeiras, principalmente por parte dos que
mais poluem e destroem que são as super-potências.
Aliás, este é o motivo apresentado por uma corrente de pessoas que
afirmam existir hoje um interesse oculto, de um grupo de alguns
poucos poderosos na terra, que conspiram a fim de destruir esta ter-
ça parte da população mundial, numa tentativa de tornar o mundo
melhor habitável. Isso é uma teoria apenas, mas não podemos des-
considerar que Satanás, a velha serpente, tem realmente o intento
de morte, roubo e destruição (Jo 10:10) e não podemos descartar
que o nível de malignidade humana, demonstrado pela história re-
corrente, realmente pode chegar a extremos inimagináveis.
Terremotos têm acontecido em todos os lugares. Segundo os cien-
tistas, os mais violentos têm acontecido nestes últimos 100 anos;
mais de 300 mil tremores por ano têm sido registrados no mundo
todo. Mesmo o Brasil, do qual se ouvia dizer ser um lugar livre de
terremotos, está sendo afetado por pequenos tremores. Até o ma-
remoto conhecido como tsunami, que era uma palavra desconheci-
da de nosso vocabulário até poucos anos atrás, varreu a Indonésia,
Índia, Sumatra, Sri Lanka, Malásia e outras localidades, atingindo
milhões de pessoas e provocando a morte de milhares. E agora, em
2011, destruiu várias partes do Japão; suas imagens terríveis ficaram
gravadas em nossa memória. No sul de nosso país, tem acontecido
ineditamente nos últimos anos o fenômeno do ciclone. As catástro-
fes naturais, como vulcões, tornados, deslizamentos e inundações
têm sido frequentes e devastadoras, com milhares de mortos, desa-
brigados e feridos em todas as partes do planeta. Observem algu-

81 Matéria da BBC.Co de 19 de março de 2009, divulgada na íntegra pelo site Terra: <http://noticias.terra.
com.br/ciencia/interna/0,,OI3644146-EI238,00.html>.
203
Relógio dos Tempos

mas que ocorreram nos últimos sete anos:


• Furacão Katrina em New Orleans (EUA) em 2005.
• Terremoto na China em 2006.
• As fortes chuvas que devastam mais, a cada ano, diversas
cidades no Brasil desde 2007.
• Enchentes em Santa Catarina em 2008.
• Tremor e destruição na Itália em 2009.
• O grande terremoto no Haiti que matou mais de 200 mil
pessoas em janeiro de 2010.
• Um fenômeno inédito do vulcão Eyjafjallajökull, em abril de
2010, trouxe uma nuvem de fumaça contendo muito silí-
cio, causando caos aéreo na Europa e no mundo. A fumaça
alcançou milhares de quilômetros de extensão e impediu
voos em toda a Europa. Este fenômeno causou a maior pane
aérea da história da aviação e foi chamada “a fumaça de en-
xofre que cobriu a Europa”.
• Um vazamento de óleo após uma explosão de uma plata-
forma no Golfo do México, em abril de 2010, desafiou toda a
tecnologia existente. De difícil solução para algo provocado
pelo homem. Os mais de1 milhão de litros que vazaram por
dia colocam em sério risco a fauna marinha e ilhas, se esten-
dendo por milhares de quilômetros mar adentro.
• Tremores no Chile, que mataram centenas e causaram diver-
sas destruições.
• A maior catástrofe natural ocorrida na história do Brasil, na
região montanhosa do Rio de Janeiro, com mais de 700 mor-
tos e muitos desaparecidos em janeiro de 2011.
• Tsunamis e terremotos que devastaram várias cidades no Ja-
pão em março de 2011 e que se tornaram o maior desastre
natural de sua história; ameaça de vazamento nuclear; pre-
juízo financeiro do desastre mais caro da história mundial =

204
Capítulo 9 - Acontecimento mais extraordinário de todos os tempos: a volta de Jesus

130 bilhões USD.


• Agora em 2012, entre outras catástrofes naturais, o forte in-
verno europeu matou mais de 300 pessoas, deixando diver-
sos aeroportos sem funcionamento durante dias. E, também
os terremotos na Itália, Argentina, Indonésia, Panamá e no-
vamente pequenos abalos no Brasil.
De acordo com especialistas, nos últimos 30 anos as catástrofes
naturais têm crescido numa ordem de 6% ao ano e a tendência é
aumentar gradativamente, numa proporção incalculável por causa
do efeito estufa, com o aquecimento global e o consequente derre-
timento das calotas polares, desmatamento, desastres ambientais
e outros descuidos provocados pelo homem contra a natureza. No
site www.jesusestavoltando.com.br faço uma abordagem mais am-
pla sobre esta análise, no link Artigos - O gemido da natureza. Apoca-
lipse?, bem como de notícias seculares com temas dentro do cum-
primento profético. A terra está avisando, clamando e gemendo!
3 - A intolerância religiosa aos cristãos no mundo e o assassina-
to e perseguição da Igreja de Jesus. Mateus 24.9: “Então, sereis
atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por cau-
sa do meu nome. 24.10 Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar,
trair e odiar uns aos outros”. Existe uma Igreja na terra chamada Igre-
ja Perseguida. Recebo relatos frequentes da Missão Portas Abertas82,
que tem um ministério voltado para cristãos perseguidos ao redor
do mundo, e percebo que há milhares de cristãos perdendo a vida
por causa do evangelho, assim como seus direitos humanos e po-
líticos. Há alguns países no mundo que não aceitam o cristianismo
e que têm condenado cristãos. Mas engana-se quem acha que esta
perseguição é somente nesses lugares. No Brasil, como em muitas
outras nações consideradas democráticas, por exemplo, há diversos
tipos de perseguições83.
Percebe-se, por exemplo, nos meios acadêmicos, nas universidades
e em meio a alguns grupos ideológicos que a intolerância à verdade
do evangelho é crescente. Somos perseguidos hoje por declarar-

82 Endereço eletrônico: <http://www.portasabertas.org.br/>.


83 Confira notícias de perseguições sofridas por cristãos no mundo inteiro e a lista dos 50 países mais
hostis aos cristãos no mundo atual neste site: <www.sendoperseguidos.wordpress.com>.
205
Relógio dos Tempos

mos ser cristãos, por defendermos os princípios da família, do casa-


mento e da sexualidade à luz da Palavra de Deus, dos princípios de
honestidade e do direito à vida. Há um ódio à verdade no mundo,
por causa do nome de Jesus. Todas as filosofias, ideologias e ten-
dências em alta são contra os princípios da Palavra de Deus!
Muitos têm se escondido com medo da perseguição e tem negado
a Cristo e traído a fé. A iniquidade tem se multiplicado exponen-
cialmente. O famoso escritor brasileiro Rui Barbosa escreveu há
algumas décadas: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver
prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver
agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega
a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser
honesto”. É uma dura realidade, mas, infelizmente, chegamos a este
tempo! Não somente pela vergonha em si, mas principalmente pela
escassez de honestidade e honra na terra. Outro dia vi uma entre-
vista de uma famosa artista que dizia: Vivemos noutros tempos, tudo
tem sua época, hoje precisa mudar tudo e liberar geral. Esta é uma
frase “politicamente correta” no cenário atual, mas observe o que a
Bíblia diz: “Não removas os antigos limites que teus pais fizeram” (Pv
22:28). Esta é a verdade da Palavra; qual vale mais?
O homem não suporta mais ouvir a verdade e os princípios de amor
ágape (1 Co 13); a única linguagem reconhecida é a da lei da van-
tagem e ganância e do amor egoísta. Se o pecado de Sodoma e
Gomorra, duas cidades relativamente pequenas se comparadas às
imensas metrópoles de hoje, atraiu destruição, imagine o mundo
contemporâneo. “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã
doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas pró-
prias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos;” (2 Tm 4:3). Em
meio a um mundo cada vez mais egoísta, onde as pessoas apenas
pensam em seus próprios deleites e prazer momentâneos, ainda
encontramos jovens que preferem ser contra a cultura e fazem a
diferença. Observe esta história inspiradora de um jovem que disse
não às circunstâncias e se tornou um senhor respeitado por seu ato
de entrega da vida a Deus:

...um jovem holandês, chamado  Anne van der Bijl, ou Irmão


André, como mais tarde seria conhecido no mundo todo, distri-

206
Capítulo 9 - Acontecimento mais extraordinário de todos os tempos: a volta de Jesus

buiu uma maleta cheia de literatura cristã para alguns jovens


em Varsóvia. quando jovem, Anne van der Bijl foi um soldado
holandês implacável e ousado. Ao cair em uma emboscada,
durante a Guerra de Independência da Indonésia, levou um
tiro no tornozelo. Durante o tempo em que se recuperava na
enfermaria, começou a ler a Bíblia, entregou sua vida a Cristo e
se comprometeu, fazendo a seguinte oração: “Senhor, se mos-
trares o caminho, eu o seguirei. Amém”. Daquele dia em diante,
o jovem soldado decidiu estudar em uma agência missionária.
Ouviu de muitos professores que aquele lugar não era para ele,
mas mesmo assim não desistiu. Ao término do curso, em 1955,
foi convidado para participar de um Festival da Juventude Co-
munista, na Polônia. Durante o festival, Anne viu algo que não
esperava. Encontrou cristãos que sofriam muito sob o regime
comunista. Ali, ele descobriu que muitos que professavam sua
fé viviam em segredo e precisavam desesperadamente de Bí-
blias. Foi aí que Anne ficou conhecido como Irmão André, a
partir de um chamado de Deus em seu coração, seguido das
palavras de Apocalipse 3.2: “Esteja atento! Fortaleça o que res-
ta e que estava para morrer”. A distribuição daquele material
àqueles cristãos marcou o humilde começo da Portas Abertas
com o Irmão André. Hoje, a organização atua em mais de 50
países e tem a visão de fortalecer a Igreja Perseguida e apoiar
os cristãos locais que vivem em territórios hostis, para que eles
possam continuar a propagar o evangelho ao maior número
possível de pessoas ao seu redor84. Nós podemos fazer a dife-
rença e ajudar os que são perseguidos!

4 - Falsos profetas e enganadores; amor frio devido à iniquida-


de; necessidade de perseverança. Mateus 24.11: “Levantar-se-ão
muitos falsos profetas e enganarão a muitos. 24.12 E, por se multiplicar
a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. 24.13 Aquele, porém,
que perseverar até o fim, esse será salvo”. Mais uma vez, o mestre fala
sobre os falsos e enganadores, mas desta vez refere-se aos falsos
profetas. Fala a respeito dos profetas que não são de Deus, dos que
mentem e negociam a fé, e que não pregam a verdade, mas a distor-
cem, ensinando o engano e instigando a lascívia. Os chamados pro-

84 Fonte: <http://www.portasabertas.org.br/about/historia/>.
207
Relógio dos Tempos

fetas de Balaão. Os que são usados para trazer engano à Igreja de Je-
sus; interessante notar que esses falsos profetas aparecerão dentro
das igrejas ou do ciclo religioso contemporâneo! O mestre também
menciona a iniquidade multiplicada, ou seja, fora de um padrão
normal de comportamento, trata-se de uma perversidade que vem
no DNA da natureza humana, algo parecido com o comportamento
dos habitantes do mundo pré-diluviano ou de Sodoma e Gomorra;
são práticas de pecado deliberadas e práticas comportamentais dis-
solutas, com a sensação de que é “assim mesmo, o mundo é assim,
tudo mudou, somos livres!”. Sensação de impunidade: a consciên-
cia de quase todos tem se cauterizado a tal ponto que já não mais
existe a noção do erro e do pecado contra Deus. A propósito, a pa-
lavra pecado85 caiu em desuso, tem sido substituída por “fraqueza”
ou “problema” ou até mesmo por “natureza”, causando ojeriza nas
pessoas, e não tem sido aceita em muitos meios. O temor a Deus já
quase não existe, mesmo em muitos meios religiosos!
Vimos grupos e movimentos que manifestam sua iniquidade de for-
ma liberal; vivemos a era do neoliberalismo social, na qual tudo pode
ser expresso, menos a verdade. Afinal, ela, a verdade, já não é mais
absoluta; porém, relativizar a verdade é tirar Jesus de cena, pois ele
é a verdade!
Existe uma intolerância tão forte no ar, em nome da liberdade de
pensamento e expressão, que a situação se inverte: defender os prin-
cípios da Palavra é ser “politicamente incorreto”, os conceitos e valores
se inverteram. Era exatamente isso a que o apóstolo Paulo se referia
quando disse: “E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para
que creiam na mentira” (2 Ts 2:11). O que você acha que os profe-
tas do passado ou Jesus falariam para esta geração? Jesus foi morto
exatamente por esse motivo, ou seja, a intolerância dos religiosos
com a verdade; quem quis a morte de Jesus foram os religiosos da
época; os romanos apenas foram os executores da vontade do clero
judeu, que manipulou a massa, exatamente como acontece hoje;
nada tem mudado. O maior inimigo da verdadeira Igreja historica-
mente sai de seu próprio meio; de onde viriam os “falsos profetas”

85 Pecado: palavra originada do hebraico chatta’ah ou challaph, tem o sentido de “transgressão”,


“atravessar”, “ultrapassar”; também relaciona-se à morte provocada pelo pecado; “erro do alvo”. Fonte:
Bíblia On-Line SBB.
208
Capítulo 9 - Acontecimento mais extraordinário de todos os tempos: a volta de Jesus

senão da religião? O espírito de religiosidade matou Jesus e ainda


mata os profetas de Deus hoje!
Os tipos de crimes em voga, como pedofilia, sequestros, terrorismo
e os considerados hediondos, são atestados de que a iniquidade
solta no mundo está se multiplicando. Algumas doenças conside-
radas psicológicas, como a depressão, estresse, sociopatia e psico-
patia, e outros vários distúrbios da mente, nunca foram tão vistas;
a sociedade pós-moderna está fabricando monstros sociais, seres
mutantes, resultado de um mover de iniquidade maior que o da
sociedade primitiva e medieval ou de qualquer outra que tenha
existido; todas estas doenças da alma humana se manifestam em
grandes níveis de violência, terror e morte, gerando um caos social.
Os maiores exércitos do mundo já não conseguem conter o terror;
ele é “invisível”. Assim como na linguagem da medicina, em relação
ao organismo e a seus anticorpos, como no caso da Aids, o próprio
ser humano criou um inimigo que se voltou contra ele e que tem se
tornado indestrutível, a não ser pelo sangue de Jesus!
Toda forma subvertida de manifestação dita social ou cultural da era
pós-moderna tem sido bem assimilada e aceita por toda a sociedade
global, sem critérios, abolindo os princípios de família e outros ma-
nifestos pela Bíblia. Muitos, inclusive, têm usado a própria Bíblia de
forma distorcida para respaldar seus conceitos e suas ações escusas.
Até mesmo no meio cristão, temos visto absurdos e enganos, dos
mais sutis aos mais escandalosos. As coisas estão realmente muito
estranhas; está difícil discernir entre o certo e o errado, entre o san-
to e o profano, pois o espírito do engano está liberado e atuante.
Muitas seitas dizendo-se cristãs, muitas práticas estranhas à palavra
de Deus, muita mistura de cristianismo com misticismo que está ge-
rando cultos esquisitos, formando um tipo de crente híbrido, uma
nova espécie de crente sem Bíblia, sem fundamento da verdade,
de discursos vazios ou politizados, um evangelho estranho, relati-
vismo religioso ou um espírito de religiosidade, uma pregação sem
cruz e um evangelho que não faz diferença e não confronta. Um
evangelho sem cruz ou uma cruz sem poder, palavras sem poder ou
“poder” sem palavra de Deus. Adivinhações no lugar de profecias, e
“profetadas” para alimentar o desejo de sobrenatural das pessoas;
eloquência e carisma no lugar de verdadeira unção. Um desejo cada
209
Relógio dos Tempos

vez mais ardente pela autossatisfação, um desenfreado desejo de


agradar ao ego, uma volúpia pelo culto ao corpo e a vaidade exage-
radas de pessoas que se dizem cristãs, mas que saem dos cultos in-
satisfeitas e criticando, porém não se preocupam com o evangelho
da cruz, em adorar a Deus ou com a eternidade, nem muito menos
em amar e ajudar ao próximo.
Vivemos um tempo no qual muitos sacerdotes e líderes que deve-
riam dar o exemplo têm frequentado os quartos de motéis, divãs
de gurus, buscado direção em livros de autoajuda, em vez da Bíblia
Sagrada, ou até apoio financeiro na maçonaria ou na política. Pa-
rece exagero? A igreja está cheia de pessoas assim. “Mas cada um é
tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência”
(Tg 1:14). Nós, se não vigiarmos e nos conformarmos, poderemos
ficar assim também, cauterizados quanto à santidade e à verdade.
O mundo entrou na igreja e tem transformado os desatentos em
escravos deste movimento e tem moldado o comportamento de
muitos. Há uma necessidade urgente de retorno à santidade! Preci-
samos nos cuidar, pois tudo tem sido muito sutil. “quem pensa que
está de pé cuide para que não caia” (1 Co 10:12).
Preste bastante atenção ao texto abaixo e veja como funciona o
processo da vida na carne. Irmãos! Todos nós temos este potencial,
esta tendência dentro de nós; já mencionei que nosso maior inimi-
go somos nós mesmos, basta apenas alimentarmos a carne e a des-
graça estará deflagrada!
“Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos
consumais também uns aos outros. Digo, porém: Andai em Espírito, e
não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça con-
tra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro,
para que não façais o que quereis. Mas, se sois guiados pelo Espírito,
não estais debaixo da lei. Porque as obras da carne são manifestas,
as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia [sensualida-
de], Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias [obstinação], emulações
[rivalidades], iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios,
bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais
vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas
não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo
[alegria], paz, longanimidade [desprezo às ofensas], benignidade [su-
210
Capítulo 9 - Acontecimento mais extraordinário de todos os tempos: a volta de Jesus

avidade e bondade], bondade, fé, mansidão [moderação e modéstia],


temperança [domínio próprio]. Contra estas coisas não há lei. E os que
são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscên-
cias. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito. Não seja-
mos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-
-nos uns aos outros” (Gl 5:15-26).
O mal tem tomado conta do mundo, basta vermos os noticiários.
Podemos até querer fechar nossos olhos para essa realidade, mas
ela está aí, latente e manifesta. Vivemos num mundo onde crian-
ças de apenas 6 a 11 anos de idade são vendidas pelos próprios fa-
miliares para a prostituição. Isso não ocorre somente na Índia, mas
também no Nordeste brasileiro e ainda é propagandeado como
turismo sexual: homens de posse viajam milhares de quilômetros
para isso. Genocídios ainda ocorrem, como em Ruanda, em 1994,
quando milhares foram exterminados da forma mais cruel possível
por seu próprio povo. Na Síria atualmente crianças são feitas escu-
dos humanos na guerra civil. Nós, seres humanos, somos capazes
de cometer os mais terríveis e cruéis crimes. Talvez alguém pense:
mas o que eu tenho a ver com isso? Eu não sou assim! Quando os
olhos se fecham e não se denuncia o mal, torna-se cúmplice dele!
Jesus, no mundo, denunciou o mal, e hoje a grande fatia da insti-
tuição religiosa, além de não denunciá-lo, ainda compactua ou o
ignora, o que é semelhante.
A igreja tem responsabilidade social, sim! Os cristãos deveriam ser
os maiores assistentes sociais do mundo. Mas estamos tão ocupa-
dos com as nossas coisas que não temos tempo de ser embaixado-
res do reino de Deus na terra! A insensibilidade tem nos tornado
frios e sem amor ao próximo. Um dos fatores que afastam as pes-
soas dos templos religiosos é a divisão que existe entre eles, pasto-
res que não se falam, que se invejam e que se destratam, e muitas
vezes publicamente. Que linguagem se tem falado, de reino ou de
império? O evangelho é libertação ou mercantilização? Perdoem-
-me os apologistas da ética pós-moderna, mas estou no grupo dos
escandalizados (1 Co 8:13). No entanto, é Deus que sonda, conhece
e julga todos os corações.
Esta multiplicação de iniquidade e engano tem feito o amor de
muitos se esfriar. Muitos se escandalizarão e apostatarão da fé ge-
211
Relógio dos Tempos

nuína. Preferirão seguir a Cristo isolados, em casa, abandonarão o


convívio com outros cristãos e poderão naufragar na fé, por falta
de alimento da Palavra – “não abandonando a nossa congregação,
como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros;
e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hb
10:25). Costumo dizer que as congregações muitas vezes se pare-
cem com a arca de Noé, não muito agradáveis, com gente doente,
enfim; mas, ruim nela, pior sem ela. Afinal, só quem está na barca
não morre afogado! Por isso a necessidade de olhar para Cristo e ter
nele o grande referencial, pois ele nunca nos decepciona nem nos
abandona. Os que olham para os homens cairão como os homens
naturais. Os que olham para Deus serão “como os montes de Sião,
que não se abalam, mas permanecem para sempre” (Sl 125). Os que
conservam a verdade da Palavra, guardam a fé e perseveram até o
fim serão salvos! Não fossem estes dias abreviados...
5 - Estes primeiros sinais serão seguidos do fim. Mateus 24.14:
“E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para tes-
temunho a todas as nações. Então, virá o fim”. Durante este período,
o evangelho se espalhará pelo mundo todo para testemunho e so-
mente então virá o fim. Os meios de comunicação estão facilitando
isso. Mas há um preparo de Deus na terra para um grande aviva-
mento e envio de missionários a todas as nações, povos, tribos e
línguas ainda não alcançados. Oremos a oração do envio de mais
trabalhadores para esta grande e última seara do fim dos tempos:
“Os campos brancos estão, rogai, pois, ao Senhor da seara que mande
trabalhadores para a sua seara” (Mt 9:38); “Lançai a foice, porque já
está madura a seara” (Jl 3:13). Deus tem um remanescente em pre-
paro, como tinha nos dias de Elias: os que não se dobraram a Baal.
Está para acontecer um êxodo, um fenômeno pré-arrebatamento
sobre a terra! Mas não será percebido por quase ninguém; não es-
pere sair nos noticiários, nas manchetes dos jornais. Deus trabalha
em silêncio e somente os que vivem em santidade percebem o mo-
vimento do Espírito no tempo kairós. O movimento religioso perde-
rá força e entrará em uma crise cada vez maior, surgindo cada vez
mais escândalos, mas a verdadeira Igreja, espiritual, crescerá como
nunca, pois isso ocorrerá nos corações das pessoas. Muitos nem te-
rão oportunidade de frequentar uma instituição religiosa, até por
causa dos escândalos e da saia justa em evidência, mas conhecerão
212
Capítulo 9 - Acontecimento mais extraordinário de todos os tempos: a volta de Jesus

pessoalmente a Cristo como seu único salvador!


6 - Sinais nos céus, o arrebatamento. Mateus 24:27: “Porque, as-
sim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, as-
sim há de ser a vinda do Filho do Homem. 24.28 Onde estiver o cadáver,
aí se ajuntarão os abutres. 24.29 Logo em seguida à tribulação daque-
les dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cai-
rão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. 24.30 Então,
aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra
se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu,
com poder e muita glória. 24.31 E ele enviará os seus anjos, com grande
clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro
ventos, de uma a outra extremidade dos céus”. Dá-se o nome Arreba-
tamento a este episódio culminante dos sinais proféticos da volta
do Rei Jesus. Observe que o texto não diz “após a grande tribula-
ção” (esta acontecerá depois do arrebatamento), mas “à tribulação
daqueles dias” (que são os dias em que vivemos e os próximos, dos
sinais da vinda de Jesus, ou o princípio do fim). Haverá abalos nos
céus. Os eclipses tem sido constantes, nunca foram tão observados.
O homem tem ficado boquiaberto com tantas descobertas cósmi-
cas; são sinais visíveis no cosmos. Este é o pano de fundo para o
surgimento de Jesus, com poder e glória nos céus. O shofar de Deus
soará e os remidos serão ajuntados dos quatro cantos da terra e su-
birão entre as nuvens com ele, em glória e majestade, e terão seu
corpo glorificado. Aleluias! Está próximo este momento. Maranata,
o Espírito e a Noiva dizem: vem, Senhor Jesus!
7 - A figueira é Israel. Mateus 24.32: “Aprendei, pois, a parábola da
figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sa-
beis que está próximo o verão. 24:33 Igualmente, quando virdes todas
essas coisas, sabei que ele está próximo, mesmo às portas”. Quando
Jesus se referiu à figueira, ele falava sobre Israel. Em 1947, de forma
inédita, um brasileiro dirige uma reunião solene, a 2ª Assembleia-
-Geral da recém-criada Organização das Nações Unidas, e pelo voto
de Minerva deste homem chamado Osvaldo Aranha, numa sessão
da ONU cuja pauta era a aprovação da recriação do Estado de Israel,
logo após o Holocausto, com a devastação nazista provocada por
Hitler, Israel volta a ser uma nação, oficializada e reconhecida, de-
pois de mais de 2 mil anos, desde que o Império Romano a destruiu
213
Relógio dos Tempos

e escravizou, o que rendeu ao Brasil uma gratidão eterna por parte


dos judeus de todo o mundo. Em 1948, oficializou-se o Estado de Is-
rael: a figueira floresceu! Em 1967, após a Guerra dos Seis Dias, Israel,
de maneira milagrosa, com um exército infinitamente menor que
o do inimigo, define seus limites territoriais. O verão está próximo!
Jesus está às portas. O reflorescimento de Israel é o cumprimento
desta profecia: “Dias virão em que Jacó lançará raízes, florescerá e
brotará Israel, e encherão de fruto o mundo” (Is 27:6).
8 - Jesus está às portas; não passa esta geração. Mateus 24.33:
“Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está
próximo, às portas. 24.34 Em verdade vos digo que não passará esta
geração sem que tudo isto aconteça. 24.35 Passará o céu e a terra, po-
rém as minhas palavras não passarão. 24.36 Mas a respeito daquele
dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o
Pai. 24.37 Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do
Filho do Homem. 24.38 Porquanto, assim como nos dias anteriores ao
dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao
dia em que Noé entrou na arca, 24.39 e não o perceberam, senão quan-
do veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho
do Homem”. Como nos dias de Noé. Nos dias de Noé, tudo acontecia
normalmente, a vida rolava, pessoas iam e vinham, casavam-se, fes-
tejavam suas festas, viviam a vida social normalmente, compravam
e vendiam, até os religiosos praticavam naturalmente sua religião,
até que veio o dilúvio e destruiu tudo, e todos morreram. Até que
Jesus venha, será também assim. O mundo correrá “normalmente”;
poucos são os que atentam para o que está acontecendo, pouquís-
simos são os que estão como os magos86; eles eram atentos aos si-
nais nos céus, identificando a vinda do Messias. Penso que os sinais
ditos por Jesus estão sendo percebidos e vistos por alguns poucos
atentos, mas um número ainda maior, inclusive de frequentadores
de igrejas e simpatizantes do evangelho, os ignora ou está vivendo
como se eles não acontecessem. O Leão está rugindo e os surdos es-
pirituais não ouvem. Os sinais são visíveis, mas os cegos espirituais
não veem. Há um clamor do Espírito dentro dos que anseiam, e uma
necessidade de anunciar: JESUS ESTÁ VOLTANDO, acordem, ouçam
e vejam os sinais!

86 O nome dado pelos babilônios (caldeus), medos, persas e outros a homens sábios, mestres, sacer-
dotes, médicos, astrólogos, videntes, profetas ou intérpretes de sonhos.
214
Capítulo 9 - Acontecimento mais extraordinário de todos os tempos: a volta de Jesus

Há algum tempo fui fazer um exame clínico de endoscopia e pre-


cisei tomar um calmante, que me deixou em estado letárgico. Não
lembro nada disso, mas minha esposa e minhas filhas disseram que,
no meu estado de torpor, eu pregava o evangelho dentro da clí-
nica para todos e dizia bem alto: Jesus está voltando, por favor, me
ouçam! No carro, voltando para casa, eu abria o vidro e gritava a
mesma coisa para os ônibus e carros que passavam. Que Deus nos
dê em consciência o que inconscientemente fiz naquele dia. Quem
tem ouvidos para ouvir ouça. O Espírito e a Noiva dizem: vem, Senhor
Jesus!
Em seus dias, Noé clamou, anunciou, mas somente sete pessoas de-
ram ouvidos; na hora que veio o dilúvio, todos se lamentaram. Em
breve Jesus aparecerá e os salvos serão arrebatados e os incrédulos
se lamentarão.
Para você que talvez venha a ler estas linhas após o arrebata-
mento, saiba que, mesmo sendo difícil, haverá ainda uma nova
oportunidade aos que ficarem; não aceite o senhorio do anti-
cristo, não aceite o sinal da besta em seu corpo. Peça clemência
a Deus, humilhe-se, e ainda haverá uma chance aos que clama-
rem pela misericórdia de Deus! Lembre-se do que Jesus ensi-
nou: “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma;
temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo”
(Mt 10:28). Leia mais nos evangelhos e no livro de Apocalipse.
9 - Cuidado quanto ao arrebatamento. Necessidade de vigilân-
cia. Mateus 24.40: “Então, dois estarão no campo, um será tomado,
e deixado o outro; 24.41 duas estarão trabalhando num moinho, uma
será tomada, e deixada a outra. 24.42 Portanto, vigiai, porque não sa-
beis em que dia vem o vosso Senhor. 24.43 Mas considerai isto: se o pai
de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria
que fosse arrombada a sua casa. 24.44 Por isso, ficai também vós aper-
cebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.
24.45 quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou
os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? 24.46 Bem-
-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fa-
zendo assim. 24.47 Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus
bens. 24.48 Mas, se aquele servo, sendo mau, disser consigo mesmo:
Meu senhor demora-se, 24.49 e passar a espancar os seus companhei-
215
Relógio dos Tempos

ros e a comer e beber com ébrios, 24.50 virá o senhor daquele servo em
dia em que não o espera e em hora que não sabe 24.51 e castigá-lo-á,
lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de
dentes”. Quando muitos não cuidarem, ele virá. Muitos acham que
se demora, mas ele virá! Muitos estão desatentos e desanimados,
mas ele virá! Precisamos ser encontrados como servos fiéis e pru-
dentes, aguardando a vinda do Senhor, preparando-se e preparan-
do o seu caminho, para que ele volte.
Pense numa festa de casamento marcada, na qual todos os envolvi-
dos se preparam. A noiva e o noivo, mas também os padrinhos, os
músicos, os arrumadores da festa, a comida, o local do casamento
são preparados, e todos os convidados têm roupas de festa. Se no
mundo entendemos isso e nos preparamos adequadamente para
uma cerimônia, que diremos para a volta do Senhor Jesus? É hora
de abrirmos nossos olhos e vermos os sinais: a volta dele está mui-
tíssimo mais próxima do que possamos imaginar. Preparemo-nos!
“Pregue a mensagem e insista em anunciá-la, seja no tempo certo
ou não. Procure convencer, repreenda, anime e ensine com toda a
paciência” (2 Tm 4:2).

CICLOS GERACIONAIS: AS 14 GERAÇÕES


Os ciclos geracionais são proféticos, quando o relógio dos céus, kai-
rós87, se alinha ao da terra, chronos88. A vida de uma pessoa é conta-
bilizada em ciclos de 7 anos, assim como as gerações. A cada novo
ciclo, um novo tempo, uma mudança. Observe a própria existência
humana, as idades, as mudanças ocorridas: aos 7 anos, começa a
transição para a pré-adolescência; depois, aos 14, a adolescência e
juventude; aos 21, a maioridade; aos 28, começa a vir a maturidade,
e por aí vai, até os 49 anos, quando começa uma fase de preparação
para o encerramento dos ciclos e para gozar da melhor idade, como
se diz atualmente. No tempo kairós, estes múltiplos de 7 também
têm grande significado no reino do espírito.
No penúltimo dia de jejum em Israel, fui surpreendido por algo na
Bíblia. O capítulo primeiro do evangelho de Mateus contém a ge-

87 Kairós: tempo na dimensão celestial. Tempo espiritual.


88 Chronos: tempo na dimensão terrestre. Tempo humano, cronológico.
216
Capítulo 9 - Acontecimento mais extraordinário de todos os tempos: a volta de Jesus

nealogia de Jesus. Já havia lido esse texto várias vezes, mas desta
vez algo me chamou a atenção: “De sorte que todas as gerações,
desde Abraão até Davi, são catorze; desde Davi até ao exílio na Ba-
bilônia, catorze; e desde o exílio na Babilônia até Cristo, catorze” (Mt
1:17). Interessante notar o quanto Deus é exato nos tempos. Não
por acaso Deus contou o mesmo período de gerações, 14 (múlti-
plo de 7): de Abraão até Davi, são 14 gerações; de Davi até o exílio
na Babilônia, 14 gerações; e da Babilônia até Cristo, mais 14 gera-
ções. Consideremos que uma geração pode ter uma média entre
70 a 72 anos (ou dez ciclos de 7); [considero uma geração com 70
anos por três evidências: primeiro o período do cativeiro babilônico
de 70 anos descrito em Jr.29:10, onde Deus esperou passar aquela
geração; segundo pela menção de Salmos 90:10: “Os dias da nossa
vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a
oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e
vamos voando”; e, por ultimo, pela expectativa média da vida hu-
mana atual estar entre 70 a 72 anos, média geral entre países com
maior e menor expectativa]. Partindo deste princípio e contabili-
zando os prováveis anos de uma geração, estamos dentro ou muito
próximos do segundo período de 14 gerações de Jesus até nossos
dias. Será isso apenas uma coincidência? O tempo é contado de for-
ma exata no céu? Uma coisa é certa: a hora em que bater a última
badalada e a trombeta soar, é chegado o tempo! Refiro-me a acon-
tecimentos inéditos sobre a face da terra; algo está se formando no
mundo espiritual, como nuvens de chuva, que refletirá no chronos;
nestes próximos anos, no calendário bíblico, tudo indica que se tra-
ta dos tempos apocalípticos. O tempo kairós se cumpre.
Apenas conjecturando: dois períodos de 14 gerações de Jesus até
aqui: 2 x 14 x 70 ou 72 = entre os anos de 1960 e 2016.

MOVIMENTOS HISTÓRICOS NOS DOIS ÚLTIMOS CICLOS


DE 14 GERAÇÕES (do ano 1 d.C. até os dias atuais)

1º - PRIMEIRO MOMENTO: DE CRISTO ATÉ A IDADE MÉDIA


O início deste período se dá com o surgimento da Igreja, da era cris-
217
Relógio dos Tempos

tã propriamente dita, no ano 1, como descrito no livro de Atos, ao


longo dos séculos, levando à finalização deste primeiro ciclo gera-
cional de 14.
Observe que, no primeiro ciclo de 14 gerações, a partir de Jesus, que
se deu mais ou menos no ano 1000 d.C. (14 x 70-72), inaugura-se
conhecidamente na história a ‘Idade Média’ (aliás, exatamente por
isso ela é reconhecida assim, uma média entre os 2 mil anos de Je-
sus até hoje). É também conhecida como ‘a Idade das Trevas’, devido
as muitas fábulas, contos, envolvendo magia negra e vários mitos
deste período sombrio da história humana. O macabro e obscuro
representa este período. Fatores muito importantes aconteceram
aqui:
O Império Romano, já enfraquecido no Ocidente, perde força, sen-
do invadido pelos francos (mais tarde, dando origem à França), por
Carlos Magno, fundando o Império Carolíngio, em contraposição ao
Império Bizantino oriental (divisão do Império Romano em dois). O
feudalismo também surge neste momento; as divisões de países,
conforme o entendimento atual, com o conceito da figura absolu-
tista do príncipe e a escravização. Podemos afirmar que o Ocidente,
ou mundo ocidental, foi formado a partir desses grandes aconteci-
mentos históricos, que não coincidentemente, mas cumprindo-se
um ciclo de 14 gerações a partir de Cristo, remodelam o mundo e
o preparam para o próximo ciclo de 14 gerações até nossos dias;
inclusive, a subdivisão das línguas neolatinas, os idiomas modernos,
como os conhecemos hoje; tudo isso no século X, ou seja, no fim do
primeiro ciclo de 14 gerações.

2º - SEGUNDO MOMENTO: DA IDADE MÉDIA ATÉ O ARREBATAMENTO


A Europa começa a se desenhar sob a forma que conhecemos o
mundo ocidental hoje. Dentro da Igreja estatal, incrementa-se um
período de opressão e omissão, que perduraria por muitos séculos,
culminando com a Reforma Protestante, uma tentativa de retomar
alguns princípios básicos da fé cristã, uma vez que a Igreja está to-
talmente prostituída, com políticas de mercantilização, indulgên-
cias, desmandos, opressão e assassinatos, como as cruzadas e ou-

218
Capítulo 9 - Acontecimento mais extraordinário de todos os tempos: a volta de Jesus

tros movimentos cruéis promovidos pela junção de Igreja e Estado,


nas figuras do príncipe e do clero. Esse movimento culmina com
o surgimento do capitalismo, abandonando os princípios feudais e
possibilitando uma maior interação no mundo ocidental.
As colonizações, que foram as dominações além-mar, chegando às
Américas, Oceania e várias partes do mundo, formataram o mundo
ocidental e propiciaram o pano de fundo para a era moderna.
Neste momento, a religião começa a ser atacada, culminando com
os movimentos do iluminismo e positivismo, a partir da revolução
francesa, no século XVIII, bem como a revolução industrial. Este era
o preparo para a entrada na idade moderna e consequentemente
pós-moderna, com a globalização e a modernização tecnológica;
a era em que vivemos hoje, ou o surgimento de uma NOVA ERA,
como tem sido conhecida. Estes dois ciclos de 14 gerações de Jesus
até nossos dias levou o mundo a uma condição totalmente propicia
para os cumprimentos das profecias bíblicas como temos visto ao
longo deste livro.
Se Mateus fosse colocar hoje cronologicamente os acontecimentos
dentro dos ciclos geracionais, seria assim:
• DE SORTE qUE TODAS AS GERAÇÕES, DESDE ABRAãO ATÉ DAVI, SãO 14
GERAÇÕES;

• E DESDE DAVI ATÉ A DEPORTAÇãO PARA A BABILÔNIA, 14 GERAÇÕES;

• E DESDE A DEPORTAÇãO PARA A BABILÔNIA ATÉ CRISTO, 14 GERAÇÕES;  

• E DESDE CRISTO ATÉ A IDADE MÉDIA, 14 GERAÇÕES;

• E, DESDE A IDADEMÉDIA ATÉ A PÓS-MODERNIDADE OU A ‘NOVA ERA’


(ARREBATAMENTO), 14 GERAÇÕES.
Estava preparando uma mensagem sobre a Aliança de Deus com
Moisés e atentei para outras coisas interessantes a respeito de gera-
ções e ciclos. Veja:

OS CICLOS E AS GERAÇÕES DE MOISÉS E LUTERO


Moisés foi o sétimo do renovo da Aliança de Deus com os homens.
219
Relógio dos Tempos

Depois de Adão, o ciclo geracional passou por: Enoque, Noé, Abraão,


Isaque, Jacó, José, até chegar a Moisés.
Contei quantas gerações temos desde a Reforma Protestante até
nossos dias. Surpreenda-se: desde o ano de 1517 d.C. até nossos
dias, contando gerações de 70-72 anos, entre 490 e 504 anos, ou um
ciclo de aproximadamente sete gerações. Se somarmos (1517 + 490
ou 504 = entre 2007 e 2021), a média é 2014; bate com as contas do
tópico anterior.

RUA AzUzA
William Seymour, um dos grandes avivalistas do século XIX, no auge
dos acontecimentos sobrenaturais da Rua Azuza, em Los Angeles,
profetizou pelo Espírito de Deus: “Daqui a 100 anos, a geração de
nossos netos experimentará um avivamento sem limites e muito
maior do que este”. O avivamento da Rua Azuza ocorreu entre 1907
e 1915; cem anos depois dá-se entre 2007 e 2015.

UMA GERAÇÃO DESDE O RENASCIMENTO DE ISRAEL


“Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos
se tornam tenros e brotam folhas [RESSURGIMENTO DA NAÇÃO
DE ISRAEL], sabeis que está próximo o verão. Igualmente, quando
virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas. Em
verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas
coisas aconteçam. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras
não hão de passar” (Mt 24:32-35).
Estamos completando exatamente uma geração desde o “reflores-
cimento da figueira: Israel”: 1947 + 70-72 anos = 2017 a 2019.
Há um alinhamento cronológico entre os dois ciclos de 14 gerações
de Jesus até aqui, entre as sete gerações após Lutero, com a profecia
geracional de William Seymour e o reflorescimento de Israel.
Quero mais uma vez deixar claro que, de forma alguma, é minha
intenção lançar aqui alguma teologia ou traçar calendários e muito
menos alguma certeza, até porque o próprio Jesus disse que nin-
guém sabe o dia nem a hora. Mas considero que pode ser um sinal!
220
Capítulo 9 - Acontecimento mais extraordinário de todos os tempos: a volta de Jesus

Penso que vale a pena considerarmos seriamente que podemos sim


ser a geração do arrebatamento! A Bíblia não diz que o planeta
Terra vai acabar, mas fala do arrebatamento, da tribulação e do Apo-
calipse: algo está para acontecer com o sistema social e a humanida-
de. Pelo caos mundial já instaurado em seu sistema, com as crises
econômicas, escassez de alimento, manifestações de destruições
naturais, guerras, doenças generalizadas, que têm dizimado milha-
res de vidas, aumento do pecado, a iniquidade sem precedentes
na história humana, o sistema deste mundo, que jaz no maligno,
cujo príncipe é Satanás, e outros vários fatores visíveis, percebe-se
que no mínimo algo não está normal. Mas, para os profetas atentos,
é perceptível que são os sinais do princípio das dores da volta de Jesus!
“Hipócritas, sabeis discernir a face do céu, e não conheceis os sinais
dos tempos?” (Jesus Cristo – Mt 16:3).

COMENTáRIO SOBRE APOCALIPSE 3:16-22 – ARREPENDI-


MENTO E RETORNO AO PRIMEIRO AMOR
Mas e daí o que homens e mulheres de todas as épocas ouviram
e viram, e consequentemente como reagiram diante de todos os
acontecimentos? Afinal, o que é a igreja? Um movimento, uma insti-
tuição, um aglomerado de pessoas, um clube social, um passatem-
po? Definitivamente NÃO! Igreja sou eu e é você, é um organismo
vivo, e “as portas do inferno não podem prevalecer contra ela” (Mt
16:18). Durante todas as eras, muitos estiveram envolvidos com o
que ocorria, mas e eu e você, individualmente o que precisamos fa-
zer diante do culminar do final dos tempos? Não é para ficarmos
atônitos, amedrontados e desesperados ou indiferentes, mas é para
nos voltarmos à simplicidade de uma vida simples, com um coração
sincero diante de Deus, conscientes de que somente ele pode nos
socorrer e nos dar a direção e salvação. É tempo de pararmos e ou-
virmos a voz de Deus, pois ela ainda pode ser ouvida no meio de um
mundo com tanta gritaria, enganos, confusões e loucura!
Em Apocalipse 3:16, quando Jesus fala à Igreja de Laodiceia, ele diz:
“Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de
vomitar-te da minha boca”.
Este tipo de crente, morno, ou mais ou menos, não agrada a Jesus,
221
Relógio dos Tempos

mas lhe causa ânsia de vômito. É aquele que não tem compromis-
so, apenas flerta com o Noivo, convive no pátio, ou seja, do lado
de fora, mas não adentra no santo lugar da presença de Deus; não
tem intimidade com Jesus, é inconstante em seu caráter, somente
vive influenciado pelas suas emoções. Não tem coragem de ir para
o mundo, por temer o inferno, mas também não tem coragem de se
lançar no Reino de cabeça, pois teme perder a curtição do pecado,
que, diga-se de passagem, proporciona certo nível de prazer; então,
ele vive uma vida dupla. Busca um pouquinho de vez em quando,
mas nunca, nunca consegue ser espiritual e se encher do Espírito
Santo; não amadurece, não se entrega, não se deixa tratar, foge do
confronto e vê falha em tudo e em todos; critica com ênfase, mas
não faz uma autoanálise, nunca muda. Tem uma inveja tremenda
dos espirituais, porém não busca o crescimento, é extremamente
inconstante. Tem consciência do seu estado e não tem força de von-
tade para mudar. E o principal motivo pelo qual Jesus o abomina é
porque convive no meio da igreja, e não é possível tirá-lo antes da
colheita; é o joio no meio do trigo, o fermento que leveda a massa, o
lobo no meio dos cordeiros, pois acaba influenciando mal os novos
na fé. São os fariseus que têm sempre uma crítica e um espírito de
religiosidade profundo, mas não têm vida com Deus, de piedade.
Não entram no reino e ainda impedem outros de entrar. Veja Ma-
teus 13:25-30.
O ajuste de contas, ou “Dia do Juízo”, para mim e para você pode
ser hoje, pois há duas formas de irmos para a eternidade: uma é o
arrebatamento, a outra é a morte do corpo. Não importa qual delas,
não sabemos quando será, por isso nosso momento de arrependi-
mento e retorno à graça sempre é agora! Deixe o Espírito Santo mi-
nistrar seu coração e seja quebrantado debaixo de uma unção de
perdão; abandone o espírito da crítica e receba em sua vida a unção
do amor de Deus!
Jesus mesmo disse que ele veio para os doentes, para os fracos e os
oprimidos, então a igreja é lugar de terapia da alma e do espírito, é
a nossa “barca de salvação”. Ruim nela, pior sem ela. Não olhe para
os homens, olhe para Deus! Quando entendemos nosso chamado
profético, a igreja passa a ser vista com os olhos de Jesus, olhos de
compaixão e amor pelos perdidos, dos quais eu e você somos os

222
Capítulo 10 - Ministério Profético na Europa

mais indignos e não merecedores de tão grande amor, devedores


da graça e do perdão que recebemos. Costumo dizer que, se Jesus
teve paciência comigo e me resgatou, pode resgatar qualquer pes-
soa. Busque a Deus, leia a Bíblia, procure uma igreja!

LAODICEIA: A IGREJA DOS ÚLTIMOS DIAS


Em apocalipse, Jesus escreve uma carta para cada uma de suas 7
igrejas, que cronologicamente corresponde ‘as eras’ por que perpas-
sou a igreja ao longo destes 2 ciclos geracionais de 14 gerações em
pouco mais de 2 mil anos de história. Atente a estas palavras de Je-
sus, a sua sétima e última igreja, ao longo dos tempos e das épocas,
a igreja de nossos dias. A igreja de Laodicéia89. Esta igreja que acha
que possui algo, mas, na verdade, ela é desgraçada, miserável, pobre,
cega e nua.
Ele escreve a uma igreja orgulhosa (vide definições na nota 84), que
pensa estar acima de tudo, que não aceita a autoridade do próprio
Deus. Jesus propõe a esta igreja famigerada que adquira verda-
deiros valores, e não ilusões. Que unja os olhos para ver a verdade.
Um convite ao arrependimento, um retorno à essência; aquele que
atentar a este convite se assentará no trono com Jesus.
Observe que interessante: para a última igreja, dos últimos tempos
proféticos, é destinada a coroa e se assentar num trono; quando a
confluência dos tempos chronos e kairos se encaixar no fim, enfim a
soberania de Jesus e de sua verdadeira Igreja se estabelecerá sobre
os tempos, as eras e sobre todas as coisas. Esta é a Igreja de nossos
dias:
“Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não
sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; Acon-
selho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enri-
queças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha
da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Eu
repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-
-te. Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a

89 Laodicéia – palavra grega que significa humanismo; orgulho, povo reinante; um povo ou alguém
com opinião própria que não aceita intervenções ou conselhos.
223
Relógio dos Tempos

porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. Ao que ven-
cer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como
eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono. quem tem ouvidos,
ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 3:17-22).
Para finalizar este capítulo, acrescento as seguintes palavras:

“(...) Será que hesitamos em nos lançar ao papel de arautos da


segunda vinda porque não estamos mais certos de que cremos
nesse papel – outro modo de dizer que nunca de fato cremos
nele? Talvez seja porque achamos que esse papel não é rele-
vante, que as pessoas não levam arautos da segunda vinda
muito a sério. Para ser realmente discípulo de Jesus é preciso
comprometer-se com a mensagem do Reino da mesma forma
que ele, e pregá-la, quer nossa audiência a considere ou não
relevante.
Esse é o desafio inerente ao Novo Testamento. Se Jesus é para
ser crido, se sua mensagem deve ser levada a sério, se Deus de
fato interveio com misericórdia amorosa e salvadora, então a
mensagem é supremamente relevante e o lançar dos convites
para o banquete de casamento é supremamente importante.
Mas a questão fundamental não é se o mundo a considera
relevante; é se é verdadeira. E isso pode ser decidido apenas
através de um salto de comprometimento.
Não se pode ser discípulo sem compromisso, e se há hoje em
dia muitos discípulos hesitantes, o motivo é que não fize-
ram ainda um compromisso decisivo. é isso que o segundo
chamado de Jesus Cristo representa hoje: uma convocação a
um novo e mais radical salto de esperança, a um comprometi-
mento existencial com a Boa Nova da Festa de Casamento”90.

A grande chave que definirá nossa pregação e a aceitação por


parte dos que nos ouvem é: se de fato acreditarmos no que cre-
mos e pregamos os outros também acreditarão!
90 O Evangelho Maltrapilho, de Brennan Manning, publicado no Brasil pela Editora Mundo Cristão,
2005, pp. 170-71.
224
Capítulo 10 - Ministério Profético na Europa

CAPÍTULO 10
MINISTÉRIO PROFÉTICO NA EUROPA

“Fazei discípulos de todas as nações”. (Mt 28:19)

“A sua glória cobre os céus e enche a terra” (Hb 3:3)

225
Relógio dos Tempos

“eu o desafio a adquirir a visão da ‘graNde colheita’ e ver como


jesus poderá mudar sua cosmovisão e o futuro dos povos. 
(fred NucKley, missioNário e escritor iNglês)

Viemos eu e minha família morar na Alemanha em agosto de 2011


e temos cumprido nosso chamado profético na Europa. Temos feito
atos proféticos, chamando à existência um grande despertamento,
um reavivamento para este continente. Reavivamento, porque vá-
rios dos países do velho continente europeu já foram avivados no
passado e, mais do que nunca, hoje precisam experimentar o novo
de Deus, pois morreram espiritualmente. Tudo começou em 2009,
quando recebi uma profecia na Itália sobre este chamado e minis-
tério.
Em dezembro de 2010, o Espírito me inspirou a buscar conhecer a
história de meus ancestrais, que vieram da Itália. Meu pai me deu
uma cópia de uma certidão de casamento de meu bisavô. Fui ao
vice-consulado em Vitória e fui orientado a buscar no arquivo pú-
blico sobre a minha família. Para minha surpresa, existia o registro
da cidade de onde eles vieram (são raros esses casos). No mesmo
dia em que descobri, fui pregar em Vila Velha e, durante a minis-
tração, falava sobre maldição hereditária e comentei sobre o fato
de os meus ascendentes terem vindo da Itália, etc. No final da reu-
nião, uma irmã em Cristo, e hoje também uma amiga, me procurou
e ofereceu ajuda na busca dos documentos. Quatorze dias depois,
recebi em minha casa, vinda da Itália, a certidão de nascimento de
meu bisavô.
A partir daí, foram cinco meses de buscas, até que consegui legali-
zar todos os documentos da minha árvore genealógica no consula-
do do Rio de Janeiro, tempo recorde para quem não tinha ninguém
na família “cidadanizado”. Viemos para a Europa e, para encurtar a
história, no dia 8 de setembro de 2011, assinei o termo de cidadania
em Comune italiana, retirando posteriormente todos os documen-
tos, certidão de nascimento, carteira de identidade e passaporte
italiano, que, por causa da União Europeia, tem efeito e validade em
226
Capítulo 10 - Ministério Profético na Europa

toda a Europa.
O Espírito Santo ministrou ao meu coração: o apóstolo Paulo era
cidadão romano, além de judeu; esta cidadania tem o propósito de,
como cidadãos, vocês terem o direito legal de morar e autoridade de
fazer atos proféticos e de profetizar em todo este continente.
Este acontecimento foi realmente o grande sinal de confirmação
deste ministério que eu pedia a Deus, um verdadeiro milagre pela
forma e tempo recorde em que aconteceu! Conhecemos casos de
pessoas que já gastaram fortunas ou que esperam muitos anos e
não conseguem. Deus abre portas até onde não há paredes; ele é
o Deus que nos remete a viver no sobrenatural e que nos direciona
para o cumprimento de nosso chamado profético dentro do tempo
do relógio kairós.

ENTENDENDO MISSÕES NA EUROPA


Quando se pensa em missões, a primeira coisa que nos vem à mente
é África, em segundo plano, a janela 10×40, Ásia, países muçulma-
nos, povoação ribeirinha do Amazonas, indígenas do Brasil e Améri-
ca do Sul, enfim, estes realmente são os lugares que pontualmente
mais necessitam de missões de forma convencional.
Mas ninguém normalmente pensa em… EUROPA. Por que não?
Porque o evangelho foi difundido pelo mundo, com as coloniza-
ções, a partir da Europa, então o raciocínio lógico é que a Europa
não precisa de missões, e talvez estejam certos do ponto de vista
convencional e formal. A verdade, no entanto, é que este velho con-
tinente, que outrora fora palco de grandes reformas e avivamentos,
hoje está morto espiritualmente. Basta você analisar rapidamente
as estatísticas do índice de ateísmo, agnosticismo, suicídios, entre
outros, para chegar a essa triste constatação. Da mesma forma que
os europeus foram responsáveis por difundir no mundo o cristia-
nismo, hoje eles são, de forma geral, responsáveis por propagar a
ideia de que Deus não existe, está morto ou que não exerce mais
influência na vida cotidiana!
A Europa tem sido pano de fundo das grandes mudanças mundiais,
descobrimento das Américas e outras partes do mundo, o colonia-
227
Relógio dos Tempos

lismo, revolução industrial, iluminismo, positivismo, guerras, inova-


ções tecnológicas, culturais, ideológicas e filosóficas. Na realidade,
o mundo tem a formatação geográfica e política que tem hoje, é
por causa das incursões e intervenção europeia na história ao longo
dos séculos, na idade moderna, como vimos nos capítulos 2 e 9. Mas
algumas coisas estão mudando e deixando este continente em uma
crise sem precedentes em sua história; será isso em decorrência de
sua mudança de paradigmas?
Estas e outras questões eu me proponho a analisar, fazendo um
levantamento sociológico que envolve cultura, língua, política,
economia, antropologia e a  sociedade de forma geral, e também
traçando um mapeamento espiritual e profético. Os europeus são
descendentes diretos do quarto império descrito por Daniel (con-
forme descrevi no capítulo 2).
Conversamos muito com jovens daqui, e a constatação é geral: A
igreja é chata, os velhos não têm paciência, nós, jovens europeus, so-
mos sim uma geração perdida, sem rumo e descrente num Deus que
não nos foi apresentado. Estou me referindo a jovens de várias na-
ções da Europa, com quem tivemos contato, como na Alemanha,
Holanda, Itália, França, Portugal, Espanha, Inglaterra e outras, eles
têm esta mesma opinião, ou seja, não é uma coisa apenas local, mas
geral. As igrejas, mesmo as ditas carismáticas, perderam o foco, se
tornaram políticas e politizantes, muito comprometidas com o Esta-
do. E porque perderam a visão dinâmica do Reino, se tornaram frias,
não atrativas e objeto de desprezo por parte principalmente desta
nova geração. Existe um remanescente, de poucos, que ainda têm a
visão correta do Reino, mas é a minoria. Vimos algumas igrejas nati-
vas, crescendo e dando frutos (que Deus os capacite a crescer cada
vez mais), entretanto são raras exceções. É leviano simplificar dizen-
do apenas que os jovens são rebeldes; não chegamos a lugar algum,
é melhor abrir os olhos e responsabilizar as gerações anteriores, que
não passaram devidamente o seu “bastão”, o seu legado de fé.
Como alcançar esta nova geração? A Europa é altamente estratégi-
ca para o avivamento mundial antes da volta do Senhor Jesus Cris-
to. Este continente é porta de entrada para Israel. Logo, os meus e os
seus olhos precisam estar voltados também para esta grande mis-
são, que não é religiosa, não é convencional, em se tratando de mol-
228
Capítulo 10 - Ministério Profético na Europa

des do que conhecemos sobre missões e de seu caráter tradicional


ao longo dos últimos séculos. Mas se trata de um nível de missões
profético e sociológico em primeira mão. Algo que se proponha não
se restringir aos púlpitos de igrejas convencionais ou por meio de
uma eclesiologia falida e antiquada, mas uma nova geração que co-
nheça o poder de um Deus vivo, e não morto, como o que a religio-
sidade e a sociedade o tem visto de forma generalizada.
Para gerarmos mudanças, precisamos entender a mente desta nova
geração, bola da vez, e, a partir de uma leitura correta, traçar metas
para agirmos de forma eficaz.
O islamismo é a religião que mais cresce no mundo, inclusive aqui,
mas nossa preocupação não deve ser essa, pois, quando vem o Rei-
no de Deus, religião nenhuma subsiste, nem mesmo o cristianismo
em forma de religião, afinal, Jesus não veio ensinar uma gama de re-
gras e métodos de religião, mas viver o Reino, e é exatamente desta
compreensão que o mundo carece.
Nestes poucos meses aqui, minhas filhas na escola são vistas como
referência de comportamento, sociabilidade e amor, sem usar pa-
lavras “religiosas”. Por que isso? Porque a linguagem do Reino é o
amor de Deus e, perante esta, todas as outras línguas faladas no
mundo reverenciam-se. Se alcançarmos um jovem aqui e conse-
guirmos passar isso, atrás deste vem uma multidão.
Precisamos profetizar e praticar as ações do Reino de Deus, trazendo
a presença sobrenatural por meio de nossa vida diária, nos montes
estratégicos da sociedade, nos meios acadêmicos, aos formadores
de opinião. Não se pode pensar em missões de forma convencional
por aqui, do tipo “evangelismo de rua”, por exemplo. Os resultados
são ínfimos. As igrejas são poucas e estão vazias, me refiro tanto a
números quanto à qualidade de cristianismo; isso é o resultado da
inadequação do agir eclesiástico nos últimos séculos. O ponto de
contato deve ser infiltrar-se na sociedade e fazer a diferença. Falar
sobre teologia com o povo europeu é perda de tempo; eles passa-
ram os últimos séculos aprendendo a teologia “do que não trans-
forma”, que somente promove filosofias vãs, guerras e descrédito.
Precisamos de missionários radicais, apaixonados por Jesus e de-
vidamente preparados para esta realidade totalmente diferente
229
Relógio dos Tempos

da nossa. Por exemplo, no Brasil, possuímos diversas igrejas, uma


em cada esquina e todas cheias, mas aqui não é assim. A religião é
desacreditada e não atrai. (Aliás, abro aqui um parêntesis, pois nós,
brasileiros, por não abrirmos  nossos olhos, estamos entrando na
mesma  rota que os europeus: incredulidade, religiosidade, brigas
e contendas, corrupção espiritual e moral por parte do clero. Tudo
por causa do engessamento da fé e da falta de busca verdadeira de
Deus).
Quando eu estive na Igreja de Wittemberg, em 21 de janeiro de
2009, a guia do local abriu uma exceção e me deixou subir no mes-
mo púlpito onde Martin Luther91 pregou o sermão da reforma pro-
testante em 1517. Eu subi e ali profetizei em alta voz que uma nova
reforma virá sobre a Europa e que influenciará o mundo. Quando
fui assinar o livro de visitas, um livro grande com mais de 1000 pá-
ginas, era a última página, as últimas linhas. Achei aquilo muito in-
teressante; naquele exato momento, o Espírito Santo me disse: O
que se escreve no final de um livro é o seu decreto final; profetize sobre
a Europa agora! O que escrevi está na foto abaixo: “O mundo carece
hoje de homens com a fé e o brio de Martinho Lutero, Deus levante
estes homens na Alemanha (e em todas as nações), para que a úl-
tima grande Reforma venha sobre a terra, pois Jesus está voltando!
Aleluia!”

91 Martin Luther (Martinho Lutero): monge alemão, inconformado com o sistema corruptor católico, que
se levanta como um arauto de um movimento que vara os séculos, conhecido como a Reforma Protes-
tante. Que proclamava a salvação pela graça, e não pelas indulgências. Seu auge foi o afixar de 95 teses na
porta da Igreja de Wittemberg, em 1517, o que suscitou a ira e a perseguição por parte da igreja Católica.
Luther ficou isolado num castelo durante dez anos, onde traduziu toda a Bíblia para o alemão. Naquele
tempo, a Bíblia só existia em latim, e somente os monges tinham acesso a ela.
230
Capítulo 10 - Ministério Profético na Europa

A Europa carece de profetas que proclamem seu ressurgimento, seu re-


avivamento! Profetizo, em nome de Jesus Cristo, que a Europa terá
pessoas levantadas pelo Espírito de Deus para proclamar que existe
um Deus que é soberano e que ama este povo, que pagou um preço
altíssimo por sua redenção, que há salvação e esperança de uma
vida eterna! Que surgirá uma nova geração que conhece a Deus e o
torne conhecido!
As estatísticas abaixo são nominais; é necessária uma análise antro-
pológica de campo, por parte de quem vive aqui, para constatar,
por exemplo, que os percentuais de cristianismo estão distorcidos,
constando aqueles que têm os pais ou avós que são ou foram cató-
licos ou protestantes, e que, por força de expressão, se dizem cris-
tãos, mas não vão à igreja quase nunca e que, na prática, vivem na
incredulidade do ateísmo e do agnosticismo, quando não em sata-
nismo, Nova Era ou misticismo gótico.

RELIGIÃO92
A  religião na Europa possui uma história rica e diversa, e as suas
várias fés tiveram uma grande influência na arte europeia, cultura,
filosofia e lei. A maior religião da Europa é o cristianismo, enquanto

92 Fonte: http://kaduelilynaespanha.blogspot.de/2009/12/religiao-na-europa_17.html, “Europa –


religião”.
231
Relógio dos Tempos

que outras religiões, como, por exemplo, o Islã, hinduísmo, budismo


e judaísmo, existem com menor número de adeptos (embora este-
jam crescendo). A Europa é, na maior parte, uma região secular, com
um grande número e proporção de irreligiosos, agnósticos e ateus
na população do mundo ocidental.
Depois do iluminismo do século XVIII, o ateísmo e o agnosticismo
difundiram-se na Europa Ocidental. No século XIX, o orientalismo
contribuiu para alguma popularidade do budismo, e o século XX
trouxe o sincretismo, Nova Era e vários movimentos religiosos no-
vos, divorciando a espiritualidade das tradições herdadas por mui-
tos europeus. A história mais recente trouxe o secularismo e o plu-
ralismo religioso.
Atualmente,  o  teísmo está perdendo a prevalência na Europa em
favor do ateísmo, e a religião vem perdendo campo para o secula-
rismo. Países europeus têm experimentado um declínio acentuado
na porcentagem de pessoas que frequentam a igreja, bem como no
número de pessoas que professam crença num deus. A Eurobaro-
meter Poll 2005 revelou que, em média, apenas 52% dos cidadãos
dos Estados-membros da União Europeia dizem acreditar num deus
(quase metade da população total não acredita mais em Deus), 27%
acreditam que existe algum espírito ou força vital, ao passo que 18%
não acreditam em qualquer tipo de espírito, deus ou força vital, e
3% não responderam. Esta situação é frequentemente denominada
“Europa Pós-Cristã”.
Minha referência é ao povo europeu. Não entro no mérito de igre-
jas e trabalhos missionários formais de outras nações, como os do
Brasil por aqui, por exemplo, pois esses trabalhos praticamente só
atendem seus compatriotas também estrangeiros no continente,
que nem aparecem nas estatísticas, ou seja, não têm marca de re-
ferência entre os nativos. O percentual de conversões existe, mas é
muito pouco; neste ritmo, demoraria séculos e séculos para alcan-
çar resultados sólidos. A maioria dos crentes dessas igrejas é compa-
triota, e, vez ou outra, os cônjuges nativos tendem a frequentá-las.
Mas existem inúmeras barreiras, como as de língua e cultura, que
dificultam em muito o trabalho missionário tradicional. A visão pre-
cisa ser voltada às gerações mais novas para se ter algum resultado
a longo prazo. Uma das coisas que Deus ministrou ao meu coração,
232
Capítulo 10 - Ministério Profético na Europa

quando pisei em terras europeias pela primeira vez, foi: A Europa


será reavivada por seus cidadãos; outros virão ajudar, mas o trabalho
é do povo da terra.
Outros fatores de inadequação de trabalhos realizados aqui por de-
nominações religiosas de brasileiros (uma realidade também de ou-
tras nações latinas, africanas e orientais, por exemplo, que vem pra
cá praticar a religião), são as particularidades trazidas de sua origem,
pelos seus membros. Nuances negativas como doutrinamentos
equivocados, liturgias descontextualizadas, denominacionalismo,
partidarismo, para citar apenas algumas, o que consequentemente
gera uma visão míope de Reino; sem contar que a grande maioria
de seus membros, veio para cá por meios escusos, e, aqui se ‘conver-
teram ou se reconciliaram’; mas, por falta de tratamento adequado
refletem em sua religiosidade costumes inobservantes aos padrões
bíblicos de santidade; inclusive perpetuando no cotidiano denomi-
nacional, as mesmas influências da sociedade e vivência matriarcal,
aspectos de família, onde a figura feminina sobrepõe-se, tanto no
lar quanto na vida congregacional. Este quadro leva a um propicio
campo para o ‘espírito de religiosidade’. Por conseguinte, alguns sa-
cerdotes fazem ‘vistas grossas’ a realidade, por temor em não ter um
numero de membros adequados a sua manutenção pessoal e da
igreja local. Existem casos também, em que alguns se autodenomi-
nam líderes, adotando os mais diversos títulos, sem terem a devida
formação ou reconhecimento externo. O que leva a sociedade local,
a considerar estes ajuntamentos religiosos como de integração iso-
lada dentro de seus grupos étnicos, alguns até os consideram sei-
tas. Outro fato observado é o da participação de ‘missionários’ que
para cá veem em indecorosa busca por ‘dinheiro e prosperidade’,
para isto não tendo o mínimo pudor em exigir ofertas, isto deni-
gre e fecha as portas para outros que vem em verdade e honestida-
de. Considero extremamente importante registrar estes aspectos,
pois muitos não têm a noção exata desta realidade, e, estes fatos
são inibidores de um trabalho sério e eficaz na Europa hoje. Logica-
mente, existe um pequeno remanescente que mantém a essência
do verdadeiro evangelho, e piedosamente buscam com humildade
adorar a Deus em espírito e em verdade, mas, mesmo para estes o
trabalho se torna muito complicado devido à realidade espiritual da
Europa, falta de preparo devido, dificuldade extrema de adaptação
233
Relógio dos Tempos

cultural e pela falta de estrutura adequada.


Hoje tenho cidadania italiana e tenho trabalhado para poder ajudar
no que posso neste processo. Sei que não é quase nada, mas é tudo
que posso fazer dentro daquilo que o Senhor me confiou: lançar se-
mentes na Europa, interceder e profetizar, além de lhe pedir que ore
por este continente composto de seus cerca de 50 países. Porém,
o trabalho final será executado pelos europeus nascidos aqui, que
estão adaptados e conhecem a fundo seu próprio território, língua
e cultura. Os modelos de igrejas de outras nações não se adaptam
à realidade local, por isso os nativos é que precisam despertar! Algo
já está acontecendo no reino espiritual, existe um remanescente:
Deus trabalha no turno da noite!

PROJETO REAVIVAMENTO EUROPA


Além das experiências que transmitimos ao longo deste livro, acho
importante transmitir o que Tathiana, minha esposa, após muito
buscar a Deus, recebeu; este corpo de projeto que tem se tornado
nossa meta de trabalho aqui na Europa:
“Portando, ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em
nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a
tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos
tempos” (Mt 28:19-20); “Ide por todo o mundo e preguem o evangelho
a todas as pessoas” (Mc 16:15).
Pensar em trazer avivamento para a Europa é algo utópico para nós,
meros mortais, mas temos um Deus que age através do que é im-
possível para o homem imaginar e consequentemente fazer.
Temos visto e ouvido um clamor de pregadores mundiais e pesso-
as que moram na Europa, pedindo ajuda espiritual; os olhos deles
estão sobre a igreja brasileira, esperando que venha do Brasil avi-
vamento para os povos. Será que a igreja brasileira está pronta pra
isso? Sabemos como cumprir o IDE à Europa?
Para tanto, precisamos entender a grande comissão e assimilar seus
dois focos. No evangelho de Marcos, o foco é (ir e pregar) alcançar o
indivíduo, ou seja, unigeracional e urgente. No entanto, em Mateus

234
Capítulo 10 - Ministério Profético na Europa

o foco é (ir e ensinar) nações, uma visão multigeracional e estraté-


gica.
Como fica o reavivamento na Europa nesse contexto? A Europa já
experimentou a grande comissão nos dois níveis: o nível individual
começou com o apóstolo Paulo, em Filipos, com uma escrava, uma
mulher comerciante e um carcereiro; este apóstolo dos gentios an-
dou por essas terras em viagens missionárias e pregou o evangelho
aos moradores dos vilarejos por onde passava. E, ao longo dos sé-
culos, Deus foi se manifestando aos seus e revelando a sua vontade;
a sociedade foi sendo transformada, passando pela Reforma Pro-
testante, de Lutero, Calvino e outros reformadores, até o avivalis-
mo, com John Wesley, Charles Spurgeon e outros. O povo europeu
conhece a História e sabe que vive a “justiça social”, que começou
por meio do protestantismo e depois do capitalismo. Esses povos
tiveram mudanças estratégicas e multigeracionais que transforma-
ram sua sociedade.
Entretanto, uma nação rendida aos pés do Senhor precisa prepa-
rar as gerações seguintes para manter a nação aos pés do Senhor.
Quando uma geração interrompe a busca da face de Deus, as pró-
ximas perdem o entendimento de Deus. O que aconteceu com esse
povo que experimentou tanto do Senhor?
Hoje a Europa vive um tempo de individualismo, materialismo e hu-
manismo. Conquistam e “vivem a vida” como se não precisassem de
Deus. Os jovens dizem que sua geração é uma “geração perdida”!
Eles não têm direção e não querem receber, fazem o que dá na ca-
beça, tudo é liberado, os pais não têm mais autoridade na vida deles
a partir dos 16 anos. As famílias só se reúnem em alguns momentos;
na maior parte do tempo, os adolescentes e jovens estão na esco-
la, com amigos nos shoppings, ou nos quartos, em seus mundos
individuais. A base da sociedade está rachada. Esse é o retrato da
Europa. Eles têm tudo, mas não têm nada, porque lhes falta o mais
importante à face de Deus!
E onde entra o Brasil no processo de avivamento na Europa? Em
primeiro lugar, o Brasil está partindo da grande comissão de Marcos
para a grande comissão de Mateus; estamos aprendendo a impac-
tar a nossa nação, estamos começando a sair do individual para al-
235
Relógio dos Tempos

cançar a nação, ainda estamos aprendendo as estratégias.


Além disso, há as estratégias de missões: a igreja brasileira está pre-
parada pra enviar missionários para lugares onde operam a pobre-
za, a injustiça social, a falta de educação formal, o desemprego, etc.
Para entrar na Europa, as estratégias missionárias precisam mudar
totalmente, se o objetivo for alcançar o europeu. Mas, em sua gran-
de maioria, os pastores e missionários que aqui estão só alcançam
brasileiros e alguns pouquíssimos europeus casados com brasilei-
ras. Os europeus olham essas igrejas como comunidades de estran-
geiros e de pessoas com pouca cultura, ou até mesmo como seitas,
principalmente porque opera a desunião e o denominacionalismo.
Os países europeus já experimentaram o divisor de águas do pro-
testantismo; eles, em sua maioria, se tornaram potências, eles não
acreditam que isso pode ruir, eles têm orgulho de quem são e de
sua história, que influenciou o mundo ocidental, e esse orgulho que
opera os impede de receber qualquer tipo de ajuda espiritual. No
final das contas, não foram os europeus que enviaram seus missio-
nários para o Terceiro Mundo?
O coração do povo e dos líderes da igreja ainda está trancado. A
ajuda é muito bem aceita, se for provisória, temporária; pra fazer
um seminário, pregar em algumas igrejas, os pastores de fora são
muito bem-vindos, mas não querem mudança total, não querem
abrir mão do que são pra receber o novo! Querem manter tudo no
controle. O que é natural e normal dentro de sua perspectiva de
autossuficiência.

PORQUE DEUS NOS ESCOLHEU?


Somos parte de uma geração que rompeu com as estruturas da reli-
giosidade para ver a face de Deus e conhecer mais do seu Santo Es-
pírito, uma geração que quer ser como Jesus, uma geração que quer
fazer a diferença, uma geração que, como Josué e Calebe, sonha em
entrar na terra prometida!
Na época de Josué e Calebe, todos que saíram do Egito queriam
entrar na terra. Podemos dizer que no meio do povo existiam no
mínimo três gerações: maduros (50 anos), adultos (20–40 anos),
236
Capítulo 10 - Ministério Profético na Europa

jovens (menos de 20 anos). Para o povo judeu, um rapaz era um


jovem homem a partir de 13 anos. Sabemos que foram enviados
12 espias para espiar a terra; eles ficaram 40 dias observando-a e
aos povos que viviam nela. Eles não entraram na terra naquele mo-
mento, porque tanto a sua mente (com exceção de Josué e Calebe)
quanto a de todo o povo eram de “escravos” e só sabiam cuidar de
ovelhas. Mas Deus falou a Moisés que Calebe e Josué entrariam na
terra e, com eles, só entrariam os menores de 20 anos. Deus deu a
Josué e a Calebe a incumbência de preparar aquela geração para
ser uma geração de lutadores, uma geração ponta de lança. E foi
essa geração que conquistou a terra, a geração que rompeu com
seus paradigmas e limitações.
Eles foram bem discipulados, aprenderam quem era o Deus deles,
foram treinados no deserto, viram seus pais morrerem, mas viram
também Josué e Calebe permanecerem firmes. Não tinham a mente
travada, eram desatados em tudo, conheciam o Deus dos exércitos.
Resumindo o que Tathiana discorre acima, a Europa é estratégica,
mas precisamos ter a visão de Deus voltada pra ela sob o risco de
não enxergarmos exatamente o agir profético nos dias atuais e vin-
douros.
Temos viajado muito aqui, já rodamos mais de 30 mil km nestes
últimos três anos e, em todo lugar, profetizamos o reavivamento,
lançando sementes de algo que ainda não sabemos exatamente o
que é nem como irá acontecer, mas que JÁ ESTÁ ACONTECENDO, EM
NOME DE JESUS!

VISÃO E REVELAÇÃO
O que sentimos, morando na Europa, especialmente na Alemanha,
é a mesma angústia que os judeus e outros povos sentiram sobre
este mesmo solo há poucas décadas, na Primeira Guerra e principal-
mente na Segunda Grande Guerra mundial (está se completando
uma geração bíblica = 70 anos; tanto da Segunda Guerra quanto
do ressurgimento ou do florescer da figueira da nação de Israel – isto
não é uma coincidência!).
Muito sangue foi derramado aqui, debaixo de nossos pés, onde es-
237
Relógio dos Tempos

tamos morando; nossa casa é daquela época, o porão era o bunker


de proteção antibombas, assim como quase todas as casas aqui.
Esta terra clama, muitos foram aqui presos, sofreram as piores espé-
cies de maus-tratos e foram brutalmente mortos. Esta terra foi palco
da maior história de genocídio93 e extermínio de que a humanidade
já ouviu falar. Nada foi pior que aquilo que Adolf Hitler e os nazistas
fizeram! Logicamente, eu já pensei nisso diversas vezes, já escrevi
sobre este aspecto, mas hoje nos veio de uma forma diferente. Deus
nos falou de novo e de forma muito clara nos mostrou, e é exata-
mente por isso que nosso tempo aqui é limitado, pelo menos nesta
fase do ministério na Europa.  
Eu saí, numa tarde, sozinho para caminhar e meditar aqui próximo
à beira do rio, em Kupferdreh, onde eu moro, na cidade de Essen
(região de Nord-Vest, que também foi totalmente destruída durante
a guerra), e comecei a chorar; uma nuvem negra apareceu no céu
e soprou um vento tão gélido que doía não só o corpo, mas tam-
bém a alma, parecia que o mundo ia acabar, não estou exagerando;
foi uma experiência de trevas e terrível. Senti temor e o Espírito me
mostrou o que as pessoas sentiram aqui naquela ocasião. Quantas
mães viram seus filhos serem assassinados, crianças estupradas,
velhos mortos (se você já teve a oportunidade de ver algum filme
como O resgate do soldado Ryan, O pianista, A lista de Schindler ou
O diário de Anne Frank, por exemplo, saberá do que estou falando).
Quando cheguei em casa, choveram pedrinhas de gelo. Pratica-
mente todos os dias caminho num local, aqui perto de nossa casa, é
uma natureza linda, um imenso rio e lago, e muitas árvores, e agora,
na primavera, muitos pássaros; muitas vezes, estando sozinho, ouço
vozes de choro e dor e vultos de morte. Onde se derramou mui-
to sangue, há também muitos espíritos aprisionados, demônios, e
tudo isso se reflete na sociedade, na atmosfera espiritual.
Estas mesmas experiências tivemos praticamente em todos os luga-
res a que fomos pela Europa. Na ocasião de minha primeira vinda,
visitando um ex-campo de concentração de Buchenwald, eu e Eli-
sa vimos vultos, numa tarde gelada de inverno, naquele tenebroso

93 Foi a guerra mais abrangente da história: durou de 1939 a 1945, envolvendo 100 milhões de solda-
dos e todas as maiores potências mundiais; 60 milhões de mortes, incluindo o holocausto judeu, com 6
milhões de mortos.
238
Capítulo 10 - Ministério Profético na Europa

lugar; até hoje me lembro daquele dia nublado e daquela sensa-


ção sombria; porém, as execuções não ocorreram apenas nos lo-
cais de campos de concentração, mas toda a terra foi um grande
campo de batalha. Interessante que, quando vínhamos somente
visitar, não víamos tanto, mas, morando aqui, vemos sempre.
Deus nos trouxe aqui para chorarmos, intercedermos e sentirmos
um pouco do que aquelas pessoas sentiram. Não conseguiria ex-
pressar com palavras o tipo de sentimento; certamente são senti-
mentos que eu nunca sentira em meus quase 40 anos de idade, e
Tathiana e minhas filhas também não! É uma mistura de dor, com
medo e angústia depressiva. Hoje Deus me fez entender de forma
clara que sentimos um pouco da dor dos que sofreram aqui. Não
existe um alemão dessa nova geração que não seja marcado pelos
traumas da guerra; se não exatamente ele, seus pais e seus avós, e
eles ainda respiram o reflexo dela. Este continente experimentou
o terror de duas guerras mundiais, e elas ainda estão no ar, mais
vivas do que nunca; sangue clamando da terra e, para quem tem
olhos espirituais, não há como ficar indiferente a isso. Vivemos aqui,
como profetas de Deus hoje, pela vontade e tão somente pela mi-
sericórdia dele. Amamos a Europa, mas choramos dia a dia por ela!
Não tenho dúvida de que a Europa ainda será palco de outras coisas
muito terríveis que virão sobre a terra. Quem tem acompanhado o
blog www.reavivamentoeuropa.wordpress.com, sabe o que digo.
O Império Romano, povo guerreiro, exterminador e sanguinário,
ainda existe no mundo espiritual, e a profecia de Daniel mostra o
que acontecerá nos últimos dias. O profeta Joel também fala sobre
isso quando menciona “o Dia do Senhor”, dia de trevas e terrível
sobre a terra... Mas creio firmemente que Deus está agindo podero-
samente para salvar e libertar os cativos, antes de este “Dia” chegar.
Muitos ainda serão salvos. Existem aqui na Europa, na Alemanha,
por exemplo, muitos que tem um coração puro, que desejam mu-
danças, pessoas amáveis que querem Deus. O Senhor mesmo os
tem conservado, os tem preparado para um novo tempo. Por isso,
estamos aqui clamando e chorando; por esta razão você está len-
do este livro! Fazemos parte da Igreja gloriosa, a Noiva do Cordeiro,
uma geração ímpar, que prepara a volta do Rei Jesus! Satanás tenta
destruir a humanidade, mas JESUS VEIO PARA DESTRUIR AS OBRAS
DELE! Louvado seja o nosso REI, ALELUIA!
239
Relógio dos Tempos

Meu consolo, no entanto, foi ler o que Deus mostrou a minha filha e
que está logo abaixo. O Senhor, quando estamos no fundo do poço,
estende as suas mãos e nos traz à tona. Hoje eu vi trevas e ele me
trouxe para ver a luz. É difícil entender ao certo por que ou para que
Deus escolhe a mim e a minha família para isso neste momento de
nossas vidas, mas independentemente de não entendermos tudo,
agradeço a ele pelo socorro tão presente na hora da angústia e pelo
privilégio de poder servi-lo. 
Leia a visão abaixo e seja inspirado; o Dia do Senhor está próximo,
muito mais próximo que possamos imaginar! 

Meu desejo para a Terra


Hello guys! :)
Primeiramente, feliz dia da Terra, que em cada detalhe mostra
as marcas de seu autor e criador… E como são maravilhosas!
Se o que Deus faz, só por ter suas digitais, já é indescritível,
imagino como são seus dedos, mãos, braços, rosto… Nosso
Pai é lindo demais!
Já tem uns dias que eu venho sonhando com as pessoas da
minha classe aqui da Alemanha, e na noite retrasada eu tive
um sonho que me fez acordar pensativa. Era noite, e eu estava
com um grupo de pessoas da minha sala em um pátio aberto.
Ele era enorme. Nós estávamos em silêncio, e de repente um
dos garotos começou a cantar em inglês o trecho de uma mú-
sica que eu gosto muito: “There’s none beside you, God! I live
my life to show your light! [...] No eye has seen, no ear has he-
ard the depths of Your love, Lord! No mind can fathom the love
You deserve, How great You are!” (Rhythms of Grace – Hillsong
United), que quer dizer: “Não existe ninguém como tu, Deus!
Eu vivo minha vida para brilhar a tua luz! [...] Nenhum olho
viu, nenhum ouvido ouviu sobre as profundezas do teu amor,
Senhor! Nenhuma mente pode compreender o amor que me-
reces, quão grande tu és!”.
E ele cantava essas palavras com toda sua convicção e com
toda a sua alma, e pulava, chorava, se ajoelhava e levantava
de novo… quase sem poder se conter. Minutos depois todos
240
Capítulo 10 - Ministério Profético na Europa

nós já estávamos, como ele, embriagados  de cantar essa le-


tra tão impactante. Pouco depois, o restante das pessoas da
minha classe apareceu e se achegavam posicionando-se junto
com os que já estavam ali, cantando incansáveis as mesmas
letras.
Depois disso, eu via aquele pátio em outro ângulo. Agora de
cima, podia ver a quantidade de jovens e adolescentes que
estavam ali, alguns conhecidos e outros que eu nunca vi na
minha vida, de todas as partes do mundo, com todas as carac-
terísticas possíveis, mas todos com um só objetivo: adorar o Rei
dos reis com tudo o que tinham, com tudo o que eram, e com
todas as suas forças.
Só de relatar esse sonho, me arrepio completamente. Era uma
cena linda! Tanta gente reunida, eram milhares e milhares de
pessoas, uma multidão! De repente, eu via fogo subindo, vin-
do de dentro da boca e dos corações desses jovens, e a fuma-
ça, branca e com um cheiro maravilhoso, ao invés de subir na
mesma direção, descia na direção contrária, sentido céu-terra.
Em um instante todo aquele pátio era coberto pela glória de
Deus. O fogo salpicava, pulando de adolescente para adoles-
cente, e depois se podia ver que ele não era mais individual,
mas o fogo “produzido” por cada um deles se tornara um só, e
formara um altar enorme em adoração ao Pai, que, assentado
em seu trono, recebia o louvor de seus filhos. E esse louvor era
agradável aos seus ouvidos.
O pátio não era mais bem um pátio, até porque não seria ca-
paz de suportar toda aquela quantidade de pessoas. Eu via
agora a multidão na superfície do globo terrestre, por todos
os lados do mundo, em todos os continentes. Eles preenchiam
todo o espaço da terra. E com suas mãos levantadas cantavam
ainda a mesma canção, mas não se entendia palavra alguma.
Não era preciso, a adoração fluía direto de seus corações. E eles
eram consumidos de dentro para fora pelo fogo que saía de
dentro deles, e eram tomados cada vez mais pela fumaça que
descia sobre eles.
Se eu tivesse um único pedido, seria ver essa cena acontecer,
241
Relógio dos Tempos

não só em um sonho, mas de verdade… E creio que ela irá!


Não sei quando, mas sinto que esse também é um sonho no
coração de Deus, e para ele não existe nada impossível. Como
diz a letra da música cantada, que a minha vida e a sua vida
sejam luz para essa causa, para trazer à luz aqueles que ainda
estão em trevas, e resgatar da escuridão aqueles que estão se
perdendo. Somos ainda poucos, mas Deus é grande, e ele está
do nosso lado. Sinceramente não sei nem o que começar a fa-
zer para que esse sonho seja realizado, mas Deus sabe. Por isso,
meu único alvo é que a vontade Dele seja cumprida tanto em
minha vida, quanto em toda a terra!’ Elisa Marins Dell’Antonio
Extraído: <http://elisadellantonio.wordpress.com/2012/04/22/
meu-desejo-para-a-terra/>.

Esta é a visão que Deus deu a uma garota de apenas 16 anos e que,
eu creio, irá acontecer nos próximos meses, anos e décadas! Deus
tem seus olhos voltados para este continente, assim como para
toda a terra, de uma forma especial; se daqui saíram tantas reformas
para o mundo, inclusive a Reforma Protestante e a propagação do
evangelho – por este motivo, os povos colonizados pelos europeus
têm sido grandemente levantados nestas últimas décadas, como os
EUA, o Brasil, a Argentina, outros da América do Sul, Austrália, al-
guns países africanos e muitos outros povos; porém, a semente par-
tiu daqui, da Europa –, então um grande reavivamento irá alcançá-
-los para que a grande colheita do fim dos tempos seja consumada
antes da volta do Senhor Jesus; eu creio e oro por isso!
Em nosso site reavivamentoeuropa.wordpress.com, você pode en-
contrar os vídeos com alguns atos proféticos na Europa, bem como
outras matérias. Que o Senhor nos abençoe e nos proteja, dando-
-nos força para nos mantermos firmes e vencedores até o fim!
‘Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono;
assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono. quem
tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas’. (Ap 3:21-22)

242
CONCLUSÃO
O EXÉRCITO PARA A ÚLTIMA HORA
É chegada a última hora! Algo de muito especial está acontecen-
do, estamos na iminência da volta do Rei Jesus. O evangelho está
correndo pelas nações da terra, nos lugares mais longínquos a vida
de Deus tem chegado por meio de seus embaixadores. O mundo
nunca ouviu falar tanto de Jesus. Há ainda milhares para serem al-
cançados, mas creio que nós estamos trabalhando como nunca, e
Deus está mandando e levantando seus trabalhadores da última
hora. Discípulos estão sendo levantados como um exército em for-
mação de batalha. As batalhas são grandes e estão cada vez mais
ferrenhas, mas Deus tem nos concedido a graça e a vitória. O tempo
tem sido abreviado, há uma conspiração divina a nosso favor. Pre-
cisamos acreditar que nosso Deus, o General dos generais, está no
controle e ele nunca perdeu e nunca perderá uma guerra!
Há um exército sendo formado na terra, dos quatro cantos, há um
comissionamento, um chamado profético e um povo santo sendo
levantado em todas as nações. Deus está no controle, ele não per-
deu as rédeas, ele controla os tempos e as épocas, e ele está, como
um estrategista de guerra, movendo as peças para os lugares corre-
tos e estabelecendo suas trincheiras, e capacitando seus soldados
para as batalhas que estão por vir. Viver no sobrenatural deve ser
um estilo de vida de todo adorador, e todo cristão deve ser um ado-
rador em espírito e em verdade. Jesus viveu assim; por que então
deveríamos viver de forma diferente? Eu e você fazemos parte deste
momento histórico e profético. Mas a grande questão deste livro, a
pergunta que não quer calar, continua; e, após esta leitura, qual será
a sua resposta e a postura a ser tomada, se o relógio marca... Jesus
está voltando, o que devo fazer?
“Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto
juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos
quantos amam a sua vinda” (2 Tm 4:8).
243
projeto ubuntu

Histórico
Um antropólogo colocou sob uma árvore uma porção de gulosei-
mas, chamou as crianças, combinou que, ao seu comando, elas de-
veriam correr para pegar o cesto; quem chegasse primeiro ganharia
tudo. Quando ele disse ‘Já!’, instantaneamente todas as crianças de-
ram as mãos e correram unidas em direção ao cesto, distribuíram os
doces entre si e ficaram felizes. O antropólogo ficou intrigado. Elas
simplesmente responderam: ‘Ubuntu! Como uma de nós poderia fi-
car feliz se todas as outras estivessem tristes?’

Filosofia Ubuntu

Como nasceu o projeto UBUNTU


Em Polana Caniço, Maputo – Moçambique, fomos distribuir os
materiais escolares e as crianças viram um saco de biscoito, elas se
desesperaram e correram rasgando aquele saco, os biscoitos caíram
ao chão de terra, onde passava um córrego de esgoto, elas pega-
vam os biscoitos e enfiavam na boca. Seus pais vieram e rapidamen-
te se aglomeraram, centenas de pessoas famintas; digladiando-se.
Ficamos como ‘em estado de choque’. Pensava sempre que colocava
um prato a mesa: o que posso fazer para ajudar? Deus ministrou ao
meu coração: ‘este é o sentimento de todos que vão a Africa, se sen-
tem impotentes, mas se esquecem e não fazem nada’! Naquele mo-
mento nasceu UBUNTU: sozinho não posso, mas juntos podemos!

Algumas frentes de atuação:


POLANA CANIÇO: Esta ação é desenvolvida em Maputo, capital
do país, no bairro de Polana Caniço, uma comunidade extremamen-
te carente, com centenas de crianças em situação precária, algumas
delas sem um dos pais, onde muitos têm sido alvos de abuso sexual.

Projeto Polana Caniço

APADRINHAMENTO NORDESTE: Adotamos crianças no projeto de


socialização do CADI no Sertão Baiano. Como a pequena Laiane: Uma
menina de 6 anos, atualmente estuda na 1ª. Série. É uma garotinha
inteligente e tímida. Participa da sala de leitura e seu maior sonho é
ser professora. Mora numa comunidade violenta e de alta vulnerabi-
lidade social, mas isto não a impede de sonhar. Conseguimos através
das doações e venda dos materiais manter esta criança.

Crianças do Nordeste
Temos outras frentes de atuação como em casas de recuperação,
abrigos, visitação a hospitais, presídios, etc.
Visite nossa página: ubuntubr.com
Ministramos seminários em igrejas, hospitais, escolas e em
outros eventos sociais com base em motivação. Entre em conta-
to conosco e agende!

sobre o autor

Elmir Dell’Antonio, nascido em 1972, na cidade de Vitória do Es-


pírito Santo(Brasil). Consagrado ao ministério pastoral em 2004. É
formado em Ciências Sociais-UFES; pelo curso de Capelania-Cafe-
bi e pela Escola de Evangelismo CFAN (Reinhard Bonnke). É líder
do Ministério de Evangelismo e Missões da Igreja Batista Filadelfia.
Sobretudo é um servo do Senhor que tem tentado ajudar os que
precisam.
Este livro nasceu para contribuir com o movimento ‘AJUDANDO OS
AFLITOS’ do Projeto UBUNTU. A intenção é distribuir este material
aos que vivem aflições e precisam de socorro. Lançamos 1000 livros,
mas precisamos produzir mais, a fim de abençoar outras vidas.
Ajude-nos nisto!

Pode também nos contactar:


+55 (27) 3073-8347 ou (27) 99927-0133 (whatsapp)
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Nossa conta para depósito:
Banco Itaú
AG: 6509
C/C: 20.390-4
CNPJ: 16.730.593/0001-81
Projeto Ubuntu – Elmir Dell’Antonio