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MARIO CARLOS BENI

(ORGANIZADOR)

wwffiê%ffiffi
PLAN EJAM ENTO ESTRATÉG ICO

DESENVOLVIMENTo REGIoNAL, REDE DE PRoDUÇÃo E CLIJSTERS ;


.io

[iAO Apresentação
nsil.
i seu
]S,
'Lt-

-\ coletânea Turismo: planejamerLto estratésco e capacidade de gestão,que ago-


'.. ',.elr a público, não é apenas mais uma obra a avolumar
a extensa bibliografia
--=sileira publicada sobre a temática, mas é
um livro de referência, um estado de
- - sobre o turismo, tanto em âmbito teórico, buscando repensar paradigmas para
. aboração de novas matrizes conceituais para os estudos de turismo, quanto em
ie ':.:roS operacionais, perpassando temas distintos e atuais, necessários
para dar
.te,
:,rrte às políticas públicas, ao planejamento estrategico e ao ordenamento terri-
.1 e ' :i do turismo no Brasil.
ES
-\ obra consta de 29 textos, alguns em coautoria, e está organizada em três par-
,'Lo
'.. Políticas públicas e planejamento de espaços turísticos, Sustentabilidade e Ins-
' ,r-
'-.:rentos de apoio ao planejamento. Essa compartimentação,
'Ie entretanto, não se
: la ao que, inicialmente, sugerem esses títulos. Uma leitura atenta vai desvendar
-iror um conteúdo muito mais amplo, como aparece nos subtítulos, com múlt(
-to . olhares, de profissionais de várias áreas do conhecimento, cujas reflexões vão
' .Li- , ::rcàixanclo em Llm complexo puzzle, que, quando montado, desenha a multifa-
:S- : -.rla e preocupante realidade do turismo no Brasil - país de dimensões continen-
.ro .. le enorme potencial turístico, de grande diversidade regional, detentor de um
-.
., r:ório sobre o qual incidem políticas públicas setoriais de turismo em todos os
)5
. .'ls adrninistrativos, que pecam, contudo, pela falta de articulação intra
rl:11 e inter-
. i1, .: ,r'iirl, pela desconsideração das características geográficas regionais e pelo des-
:o -.
: ecimento da integração irierárquica local-global.
:
o organizador da coletânea, Mario carlos Beni, não é apenas um renomado pro-
.le : i: ,rr. e studioso e autor de turismo. É também, e principalmente, uma personalidade

- -. '.'ir-eu e protagonizou o passado e que participa ativamente em diversas frentes

':'ra1 processo de implantação do turismo no Brasil, como docente, pesquisador,


" -,gO -,.
-L1tor, membro de conselhos editoriais de várias revistas e de diversos colegiados
.. es - - : ,nais e internacionais que estabelecem diretrizes conceituais e técnicas para o
,.1o . - ::1o. No seu currículo constam muitos artigos publicados e vários livros,
dentre

xxt
ÍURISMO: PTANEIAMENTO ESIRAIECICO E CAPACIDADE DE CESIÀO
xxll

da sua tese de doutorado'


os quais se destaca A nálise estrutural clo turismo,produto
qr-re é de consuita obrigatória para
defendida em 198g, na universidade de são Paulo,
de Sistur'
a compreensão do sistema inteppado do turismo' por ele batizado
clusters, um deies em
Mario Beni assina tambem clois textos deste livro sobre
teórico-metodológicos da
coautoria com Cur-v, no qual recorre[I aos fundamentos
dos clusters turísticos'
Geografia para stibsidiar a caracterização e funcionamento
de natureza material
estruturados sobre redes horizontais, verticais e transversais,
er,irtual'contemplandooterritórioconrocategoriacleanálisenorteadora.
as políticas públi-
como Taschner, Araujo e césar assinalam em seus escritos,
timidamente' irinda no gover-
cirs c1e turismo no Brasil, em âmbito federal, sllrgem
governo Juscelino Kubitschek de
no Vargas, em lg3g, duraute o Estaclo Novo' No
Turismo (conrbratur)' em
oliveira (1956-1959) é criada a companhia Brasileira de
para emprestar maior visibi-
1958, alinhada com o marketing político iuternacional
pare cttmprir o ar-
lidade ao Brasil, que necessitirva de investimentos estrangeiros
tomam corpo a partir
rojado Plano cle Ntletas do governo. As diretrizes institttcionais
plena vigência do regime militar'
da criação do cNtur e da Embrirtur, em 1966, em
do Estado intervencionis-
o viés dessas políticas iniciais, segundo os autores, era o
Deve-se considerar que em âm-
ta, autoritário e centrali zador de caráter populista.
setor público em investi-
bito estadual cleram-se trlgumirs iniciatiyas pontuais no
nos i1llos de 1930 e
mentos no turismo, ainda em período anterior, notadamente
são Paulo e Minas Gerais' ali-
1g40, com a construção cle hotéis no Rio de Janeiro,
nhados à erploração de jogos tle azar. Entretanto, e
oportuno assinalar que o luruo-
so hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro,
foi concluído em 1923, inauguran-
à fase da belle époque'
clo-se o turismo de elite no Brasil, que corresponde
em âmbito federai foram
Nas rlécadas de 1970 e 1980, as iniciativas pirblicas
c1a democracia' do ponto de
tímidas. Se os anos cle 1980 foram férteis na retomada
setor clo turis'mo não é dife-
vista econômico correspondem à decada perdida, e no
internacionais' obsen'a-se
rente. SegUndo daclos estatísticos do fluxo c1e turistas
desastrosa quecla nos cinco anos
um sensível crescimento no meio da decada e uma
1an-
seguintes _ cle 1.930.000, em 1986, cai para 1.09o.000, em 1990. Vários estados

çr.r-projetosturísticosnesseperíodo,comoosestadosdoCeará'RioGrandedo
Paulo'
Grande do Sul e São
Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Paraná' Rio
todaviaemâmbitofederalnadademuitosignificativooCorreu.
a partir dos anos
A política nacional cle turismo só assumiu maior visibilidade
de 1gg0, com a transformação da Embratur em
Instituto Brasileiro de Turismo' ao
governo Fernando Collor de
que se segue o lançamento do Plantul emlgg2' no
na doutrina do Estado
Melo, marcado pelo neoliberalismo que se fundamentava
às tendências keynesianas dos estados centralizadores, como
mínimo, em oposição
âcentua Taschner.
APRESENIAÇÃO xxilt

:doutorado, No governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2OO2), seguindo a mesma ten-


gatória para .
=ncia, pautou-se
por descentralízar as estratégias e ações relacionadas ao turismo,
mr. .,: então concentradas nas regiões Sul e Sudeste do país. Em que pesem as críticas
Lm deles em . ,s autores, dois macroprogramas de grande envergadura mudaram a fisionomia
lológicos da turismo no Brasil: o Prodetur-NE e o Proecotur-Amazônia Legal, lançados no
- cio cla década de 1990, financiados pelo BID em contrapartida com bancos
s turísticos,
- .:ionais. A intervenção do Estado na montagem da infraestrutura básica para
eza material
ora. . :perar o terreno para os investimentos privados, que viriam se concretizar com
íticas públi- ,-:odetur NE II, foi de uma eficácia assombrosa. O Programa Nacional de Muni-
ila no gover- ::lização do Turismo (PNMT), do mesmo período, também teve expressão, po-
-:11 SeüS resultados foram muito pontuais.
rbitschek de
nbratur), em \a gestáo de Luís Inácio Lula da Silva (ZOOZ-2010), o turismo ganhou um minis-
maior visibi-
- -,r-r.
. pâSSoLr-se uma borracha no PNMT, instituíram-se novos Planos Nacionais de
Regionalízaçâo do Turis-
umprir o ar- -::snro - 2OO3-2OO7 e 2007-201O -, como o Programa de
orpo a partir
' - Roteiros do Brasil, este batizado pelo slogan "IJma viagem pâra a inclusão"'
'.: rlovâ Lei Geral do Turismo (LGT) é lançada em 2008, porém, como Ferraz ar-
gime militar.
ervencionis- ---r:.itti1 em seu texto, esta âpresentâ um retrocesso eln relação à anterior. O autor
em âm- -.t.lera a LGT inócua ao instrumentalizar as ações de promoção e incentivo ao
;Que . >:.]1o para alavancar o desenvolvimento social e econômico do país. O principal
l em investi-
os de 1930 e :,:.rprograma em andamento, o Programa de Regionalizaçâo do Turismo - Rotei-
s Gerais, ali-
- - ,..1 Brasil, tambem com o objetivo de descentralizar o turismo, como assinalam
que o luxuo- s aLltores desta obra, foi elaborado de cima para baixo, de forma atabalhoada,

3, inauguran- --- :rutdo-se de fato as especificidades regionais que pretende contemplar.

que.
,luando se refere às políticas públicas de turismo, nltnca é ciemais insistir na
fato cujo aprofundNlento
ederal foram
,-
-ssào da sustentabilidade em todas as slrâs instâncias,
. :--:JÊ nos textos {e Pires e Nascimento, este último se reportando às dimensões
, do ponto de
ro náo é dife- :,jrur, com tipologia inspirada em Ignacy Sachs: dimensões ecológica, social,
is, observa-se - --::rl. econômica, espacial, mercadológica, financeira, de infraestrutura e c1e
os cinco anos -:::.srrutura. E muito difícil pensar a sustentabilidade em escala macro, ainda
s estados lan-
. quando associada ao turismo, que é, em primeiro lugar, uma atividade eco-
5o Grande do :-.,:f e que, como tal, peca pelo imediatismo.
r :eríodo técnico-científico-informacional, assim batizado por Milton Santos,
rl e Sáo Paulo,
- --- :i contemporaneidade, tida como a Era da velocidade, da instantaneidade, da
-

aftir dos anos , _=1. da sr-rperficialidade, do individualismo, da experienciação, da busca por


e Turismo, ao
-'::. ::Ll e exclusividade, que alimentam o interesse pelo turismo espacial, pelo
ndo Collor de
- , . .1e esquiar em uma pista de neve ("natural") em plena Dubai, situada em
ina do Estado , -- , j.e clima desértico quente, a demanda por bares e hoteis de gelo, de museus,

zadores, como
- i: > ; r-estaurantes subaquáticos. Vários autores deste livro - Trigo, Panosso Netto
. -,.-:0. Giindara et al. -, ao se referirem aos recursos tecnológicos e à importân-
E CAPACIDADE DE CE5TÀO
TURISMO: PLANEIAMENTO EsTRATECICO

que a experiência turística ancora-Se So-


cia cla inovação em turismo, argllmentam
brettrdonaperspectivaemocional,devendoSerúnica,diferenciadaememorável.
Aincla consicierando o nível mâcroescalâr, o
Brasil e incontestavelmente, sem
exageros, Llm quase continente de grandes
superfícies de clima tropical, Com um
praias paradisíacas, de
litoral de cerca de g.000 km, no qual abundam extensas
águastepidas.NãohácomodisfarçaroufanismoaosereferiraoBrasilesuaspo-
riqueza em sociodiversidade e
tencialidades turísticas, tendo em vista sLla enorme
cle autoria de Sarti e Queiroz' e o de
biodiversidade. O texto que abre esta coietânea,
a gosto dos geografos, categoria
castrogiovanni fazem referência à paisagem, tão
de análise espacial importante para os
projetos de turismo, contudo de conceitua-
mestres
ção basttrnte Controversa,
talvez Llm pouco demodée. Mas para quelx teve
não há mesmo como disfarçar' Há
como Aroldo cle Azevecl o e AzizNacib Ab'Saber
queselançarmãodapaletadepintorementalizarquadrosparadisíacos,de..rara
A Costa Rica' tão pequenina em com-
beleza cênica", ."- *"do de críticas ricidas'
paraçãoComoBrasil,sabemuitobemexplorârassllaspaisagenseotttrisnrono
país clecola a passos largos, rápidos e seguros'
coberturas vegetais de fisio-
Há que se valorizar noSSoS atributos: biomas cclm
morfoclimáticas se alternam desde
nomias distintas em função das características
a floresta equatorial ate a caatinga
norclestina e os pampas gaírchos' Um país irriga-
mansamente VaStaS planí-
do por rios extensos e caudalosos, muitos percorrendo
.i",,fo.',ondobelaspraiasdeáguadoce(AlterdoChão),outrosvelozeseenca-
ao raftíng, à canoagem' ao
choeirados, encaixadás em,ales profunilos, convidando
do Iguaçu. Relevos tabulares
boia-cross, aos voos panorâmicos sobre as cataratas
(ChapadaDiamantina),mamelonares(os..mâresdemorros,,daserradaManti.
queira), vigorosos, pontiagrrdos (maciço do Itatiaia),
ruiniformes (Sete Cidades,
brancas e finas, ora contrastando
Vila Velha); os ,ustos l"r-,çái, de dunas de areias
de verde dos exuberantes manguezais
(Delta do Rio Pàrnaíba)
com os cliversos tons
orâComoazulceleste,porvezesmarinho,daslagoas(LençóisMaranhenses);de
mttites gr:ardando precio-
cânions profundos (serra do Rio do Rastro) e cevernas,
sos tesouros de arte rupestre (São Raimundo
Nonato)' País privilegiado, que até
ganhouprecipitaçõesemformadeneveparaodeleitedeturistasdomésticos.
Porém,retornandoasustentabilidade,éemâmbitomicroescalarqueaSestra.
tegias poclem surtir efeito, daí a importância cia
articulação clas secretarias munici-
com o setor priyado'
pais de turismo e de meio ambiente com outras secretarias,
de pesquisa, para planeja-
com o terceiro setor, com as universidades e institutos
mentocleaçõesintegradasqueseproponhamàconservaçãodosatributosdomeio
mais ameaçados encon-
natural e sociocultural. Entre os ecossistemas frágeis
os bancos de recifes, que são
tram-se os sistemas dunares, as praias, os manguezais,
litorâneos e marinhos, Como
via de regra agredidos pela valorização de espaços
assinala Pires no texto sobre sustentabilidade ambiental'
{I
I

,D
:-1
ADpL )t\.ALÀO
xxv

so- A dimensão continental, o fato cle fazer fronteira com vários países cla
América
el. . I Si-rl e por ter recebido grandes fluxos migratórios
da África (imigração forçada,
sem : certo), da Europa, do oriente Médio, da Ásia e de países sul-americanos frontei-
um :cos emprestam ao Brasil uma riquíssima diversidade cultural, expressa
pel0s
,de r:ibitos e costumes, pelo folclore, pelo artesanato, pela gastronomia. o processo
po- istórico de ocupação pré-cabrarina e, posteriormente, pela mineração pelo
e cul-
dee i'o de produtos agrícolas de exportacão, no período colonial, cleixararn
marcas
ode :lrieléveis no território, cujo patrimôr-rio histórico-cultural constitui
valiosos trtra-
oria . i'os. Isso também ocol're cont o turismo em espaÇo rural mobili
zand,oos interesses
tua- :rr torno das antigas fazendas de café, dos engenhos cie cana-de-acírcar, clos qui-
itres
'mbos, das trilhas dos tropeiros. Por outro lado, grandes centros urbanos, alianclo
:Há ::rssado e presente, clestacam-se no turismo urbano confemporâneo.
rarâ
Muito pertinentes são as observações cle Gastal quanto ao caráter pírblico e
om-
- rmunitário da cultura que exige o p'otegonismo do visitante, algo que toque
)no sell
'trrtimento de pertencimento, em oposicão ao simples yoyeurisn-to do chamado tu-
':sllro cultural, que equivocadamente
é tido como Lrlrr segmento do turismo que
Fro- Lrlgariza bens culturais tangír.eis e ir-rtangíveis, transformando-os
esde em simprles pro-
...rtos a serem consumiclos.
iga-
vários textos da colettinea abordam os clusters turísticos, em que a serra
laní-
.:rúcha é mencionada como exemplo, no que discorcla Fávero.
nca- Muito adequaclir-
llente abordados pelos alltores, os clusters estão calcados sobre a estrutura
n, aO do ter-
.:rório em redes,
lares como demonstram Beni e cur,v, Barbosa e Nogtr-e.lra cle Moraes.
rnti- luster/território/rede é um conjunto imbricado e inclissociável. o àonsensual
ad-
rdes,
:litir que o território se constitt-ti e organiza-se em muitas escalas relacionais de
rndo -- lder, do local ao global, ou seja, o global não existe sem o fragmento
clue o empi-
'lza e o alimenta e vice-versa. Em
úba) olrtras palavras, a fragmentacão colstitui a me-
); de -i;rcão do global. Na prática tr-irística e usual estabelecer uma distincão
entre os
!cio- ,:rritórios em redes globais e os territórios zonais, porem ambos são faces
de uma
e até :esma moeda.
os territórios reticulares pçlobais irpresentam tecitura tanto mais compiexa
stra- - itanto maior for a densidade da esfera técnica-financeira-informacional
dos seus
nici- ''-rs, constitttídos pelas cidades mundiais. Nesse particular, a ilformacão
é um insu-
rado, :lo fundamental, tão irnportante quanto a densiclade técnica e o suporte
financeiro,
neja- '.ma vez que aponta para as tendênciirs do mercado, possibilitando, assim, Llma ges_
meio 'io altamente agressiva e cornpetitiva. o território-fragmento é aquele cooptado
rcon- -'e1o processo de globalização, ott seja, está hierarcluicamente suborclinado ao capi-
e são .rlismo hegemônico global.
:omo A articulação territorial em rede r.igora no turismo internacional,
ncl qual pou_
-',-rs conglomerados controlam o mercado, correspondentes aos
megaclusters. ca_
xxvilt TURISMO: PLANE]AMENTO ESIRAIÉCICO
E CAPACIDADE DE CESIÀO

monodisciplinar na transmissão clo conhecimento


e os modelos autoritários de en-
México. Enqua
si,o associados à absoluta desvinculação com o meio
regional,, (sampaio e paixão). nais, o Brasil, e
outras universidades do país desenvolvem atividades
similares, como o centro de
Exceiência em Turismo, da universidade de Brasília, em torno de 5 I
conforme relata Toma zzoni. zação do real..
o autor detalha um projeto interinstitucional que
consegue articular o setor públi- turismo e as po
co, o setor privado, a academia, os técnicos
e demais representantes da comunida_
de, cuja atuação se espraia em rede horizontal
da atuação púh
pela região da Serra Gaúcha, focali-
lado, o turismo
zada em r'árias passagens desta coletânea (Beni,
Tomazzoni,Fávero). Trata_se cro Yo em função dr
obser,atórioda cultura do Rio Grande cio Sul (observatur),
criado em 20og junto que o turismo b
ao Programa de Mestrado em Turismo
da universidacre de caxias do sul, que te\.e
Mario Beni como um dos seus idealizadores. terizacomo um
Atualmente, as comunidacles que têm desenvolvido Conforme,
o turismo de base comunitá- séries históricar
ria estão muito articuladas entre si e inseridas
nas redes virtuais, divulgando seus pro-
jetos' atuando no mercado e trocanclo bem dados de p
informações. E o que relatam coriolano e Bar-
sar as políticas p
bosa, referindo-se à Redturs, no âmbito da
América Latina e das recles Tucum (turismo
comunitário) e Turisol (turismo solidário), que têm determinado grz
1 Todos os projetos mencionados e muitos outros
bastante visibitidade no Brasil. tão: "O que o gor
são dignos de admiração pelo
elevado nível de compromisso dos seus criirdores, Espera-se q
g"sto.eq sujeitos e instituições mente pelos estr
envolvidos, todavia, o tllrismo no Brasir não
assume um papel rerevante, tampouco
cos, para que as
é visto no futuro com grande otimismo. pouco I
antes da virada do século, um supre_
mento dominical de um jornal de grande circulação namento territor
em portugar publicou Lrm en_ arriculados,
carte sobre os Brics (Brasil, Rússia, Ínclia e china) e cor
destqcando para cada país sua
participação econômica no século xxl. A
capa estampava quatro figuras humanas
estilizadas, em forma de gigantes: o russo portava
nas mãos uma miniatura cle torre
cle petróleo; o indiano, um chip de computacror;
o chinês, a maquete de uma indús-
tria e o brasileiro, saquinhos cheios de grãos e uma
ârca com mi,érios. Se essas
previsões se concretizarenl, eo que parece
não saímos ainda do período coloniar e
o Brasil continua a ser visto como o grande
celeiro do munclo.
A sonhada sustentabilidade segue ameaçada
com a expansão clas fronteiras ag,rí_
colas pela região centro-oeste e Amazônia,
com a prática cle queimacias, o Llso abusi_
vo de agrotóxicos e de procedimentos transgênicos
no curtivo de grãos, o aumento
das áreas de cultivo de cana-de-açúcar, de pastagens
para criação de gado de corte e
exportação de carne, da exploração dos minérios
e de fontes de energia, como o pe_
tróleo e a fabricação do etanol. o turismo, sobretudo
como atir.idade econômica, tem
seus impactos negativos sociocurturais
e visivelmente ambientais, que são, contudo,
incomparavelmente menores que os produzidos
pelas atividades ora mencionadas.
Apesar de todos os esforços, todos os planos, programas
e projetos nos diver-
sos níveis de administração, que têm consumido
dos cofres púbiicos recursos biiio-
nários, o turismo não decola no país. Basta
comparar com os dados do turismo no
ApRESENTacÀo
XXIX

:arios de en- i'':iico' Enquanto este país recebe anualmente 25 milhões


de turistas internacio-
.o e Paixão). -, s. o Brasil, em que pesem os defeitos das estatísticas
capengas, recebe um fluxo
o Centro de I - 'orno de 5 milhões, que não tem crescido como o previsto em virtucle
da valori-
Tomazzoni. "'-io do real. A primeira e mais cabal conclusão é que as políticas
' ': snlo e as políticas estratégicas setoriais de
setor públi- intersetoriais não têrn surtido resultado, apesar
comunida- - ''luação pirblica já septuagenária, só consideranclo a escala federal. por outro
:cha, focali- -- ,' o turismo interno apresenta um vorume
significativo, cada rrez maisexpressi_
Trata-se do ., função do crescimento do padrão de vida das ciasses
c e D, o que demonstra
-?008 junto ' 'r
. : rurismo brasileiro, ronge de confirmar argllnlentações críticas,
não se carac_
'-r1. que teve : .r.t cotrro um turismo de elite.
Conforme Amaral Junior assevera, as estatísticas
cle turismo são sofríveis, as
.'comunitá- .--:s históricas não são confiáveis, carecem de metodologias
convincentes, exi_
io seus pro- ' - Jados de pouca credibilidade e fornecem inforn-rações
' conÍlitantes. Ao anali-
rlano e Bar- : 's poiíticas públicas de tllrismo no Brasil, o autor
afirma que elas pecam por um
:m (turismo . '.:'minado grau de niilismo por parte dos seus
atores, propondo a seguinte ques_
ro Brasil. 'o que o governo faz investindo
no turismo compretamente às cegas?,,.
iracão pelo -spera-se que esta obra, dada sua
abrangência temática, seja acessada não so_
nstituições : --:L' pelos estudiosos do tema, mas também por representarltes
cre órgãos públi_
. rampouco ' :rra que as políticas de turismo e, consequentemente, o planejamento,
o orde-
. ,.im suple- .
''nto territorial e a governança sejam melhor direcionados, mais consistentes
-Lju um en- ' ,,:lados, e com maior visibilidade. e

-ia país sua


s humanas
la de torre
Adyr Balastreri Rodrigues
rma indús- Professora do Programa de pós-graduação em Geografia
Humana
s, Se essas junto ao Departamento de Geografia da Faculdade
de Fiiosofia,
colonial e Letras e Ciências Humanas da Universidade de São pauio.

reiras agrí-
uso abusi-
I :lumento
.le corte e
'rrI1-]O O
pe-
rmica, tem
,. contudo,
:ronadas.
:-ros diver-
rsos bilio-
lrismo no