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QA 815 _ Química do meio ambiente

HIDROSFERA
INSTITUTO DE QUÍMICA – UNICAMP

PROFA. CASSIANA CAROLINA MONTAGNER RAIMUNDO

LQA – IQ – UNICAMP, BLOCO I-153


MONTAGNER@IQM.UNICAMP.BR

1º SEMESTRE/2018
SOBRE A HIDROSFERA

• A hidrosfera e seus processos.


• Águas interiores e potabilidade.
• Legislação e padrões de qualidade.
• Tratamento de água e efluentes.

http://www.thewaterdeliverycompany.com/2013/02/18/the-world-map-in-water/

HIDROSFERA: nome dado ao reservatório que agrega todos os tipos de água existentes no planeta

Aspectos relevantes da biogeoquímica da Hidrosfera; Maria Lúcia A. M. Campos e Wilson F. Jardim; Cadernos Temáticos de Química Nova na Escola n 5 p 18 (2003)
ÁGUA
Falando da água podemos estar nos
referindo a dois conceitos diferentes:
• A molécula de água (H2O) e suas
várias formas
• As soluções ou suspensões diluídas
de compostos inorgânicos e
orgânicos que constituem os vários
sistemas aquáticos (oceanos, lagos,
rios, etc.)
http://i.imgur.com/aVJeu7V.jpg
PROPRIEDADES PARTICULARES DA ÁGUA
• Ligações O-H altamente polares Estados físicos da água
• Alto momento de dipolo A água líquida é a única substância comum que se
expande quando congela devido a sua estrutura
• Ligações H molecular. Cada molécula de água está rodeada por
• Rede tridimensional outras quatro, formando uma rede cristalina
característica, a qual apresenta grandes espaços
• Caráter anfótero hexagonais, que explicam a baixa densidade do gelo.

http://i.imgur.com/aVJeu7V.jpg

http://4.bp.blogspot.com/-j95v4IKAUyU/TfPXwBeJp6I/AAAAAAAAAZY/MkMLxS6x2QI/s1600/ill17+%255B640x480%255D.png
http://image.slidesharecdn.com/estadosfisicosdamateria-3-110302170401-phpapp01/95/estados-fisicos-da-materia3-15-728.jpg?cb=1299085474

ÁGUA SÓLIDA ÁGUA LÍQUIDA


DENSIDADE DA ÁGUA Estratificação das águas: é um
fenômeno comum nos corpos de água, que
consiste na formação de camadas
horizontais de água com
diferentes densidades, estáveis, ordenadas
de forma a que as menos densas flutuem
sobre as mais densas, com um grau mínimo
de mistura entre elas.

Proteção da vida

Circulação Termoalina (termossalina)


refere-se à circulação oceânica global
movida pelas diferenças de densidade das
águas dos oceanos devido a variações de
temperatura ou salinidade. O aumento de
densidade pode ocorrer devido a diminuição
da água, ao excesso de evaporação sobre
a precipitação ou ainda à formação de gelo e
consequente aumento de salinidade das
águas vizinhas.
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8a/Density_of_ice_and_water_(en).svg/2000px-Density_of_ice_and_water_(en).svg.png
https://svs.gsfc.nasa.gov/3658
https://svs.gsfc.nasa.gov/vis/a000000/a003600/a003658/thermohali
ne_conveyor_iPod.m4v
DENSIDADE DA ÁGUA E SALINIDADE
A densidade da água depende da quantidade de sal dissolvido e da temperatura.
O sal abaixa o ponto de congelamento e diminui a temperatura da densidade máxima no ponto de congelamento
Gradiente de densidade que é consequência da combinação entre temperatura e a salinidade

Circulação termohalina é resultado do gradiente de densidade que,


por sua vez, é consequência da combinação entre a temperatura
(“termo”) e a salinidade (“haleto”) da água.

A circulação de águas profundas forma um enorme


“Cinturão Oceânico” (do inglês Conveyor Belt), que move todo
o oceano.

As correntes superficiais e profundas são as grandes


responsáveis pela distribuição de calor nos oceanos e,
consequentemente, em todo o planeta.

Mudanças climáticas e as consequências na circulação termohalina


Aspectos relevantes da biogeoquímica da Hidrosfera; Maria Lúcia A. M. Campos e Wilson F. Jardim; Cadernos Temáticos de Química Nova na Escola n 5 p 18 (2003)
Global map of average Sea Surface Temperature (SST)

http://svs.gsfc.nasa.gov/cgi-bin/details.cgi?aid=3652
Global map of average Sea Surface Salinity (SSS).

http://svs.gsfc.nasa.gov/cgi-bin/details.cgi?aid=3652
Global map of average Sea Surface Density.

http://svs.gsfc.nasa.gov/cgi-bin/details.cgi?aid=3652
CALOR LATENTE DE FUSÃO E VAPORIZAÇÃO

Calor latente de fusão: 80 cal (334 J) –congelamento lento das águas de lagos e oceanos.
Calor latente de vaporização: 540 cal (2257 J) -minimiza a perda de água para a atmosfera.
CAPACIDADE CALORÍFICA
Calor específico (ou capacidade calorífica específica) de 1,0 cal g-1 oC-1.
Isto é, necessário fornecer uma grande quantidade de energia na forma
de calor (1 cal) para poder elevar a temperatura de 1 g de água líquida
em 1 oC.

A energia que seria consumida para aumentar a movimentação das


moléculas é inicialmente absorvida para quebrar as ligações de
hidrogênio e, portanto, a água absorve energia sem aumentar sua
temperatura drasticamente.

Este elevado calor específico da água reflete diretamente no clima e na


vida do nosso planeta, pois previne variações rápidas de temperatura Apenas 2,5 m de uma coluna d´água
da água, e atua como um moderador climático. Durante o verão, o calor do oceano é equivalente a toda
é estocado nos oceanos e, durante o inverno, parte desse calor é capacidade calorifica da atmosfera
transferido de volta para a atmosfera amenizando, assim, a que está sobre o oceano.
temperatura do ar.
Solvente universal
Poder de dissolução
Transporte de substancias dissolvidas
Lei de Henry
De acordo com a lei de Henry, a massa de um gás dissolvido num dado volume de solvente, à
temperatura constante, é proporcional à pressão parcial do gás em equilíbrio com este solvente.

Fluxos na interface água atmosfera


G(g) ↔ G(aq)
Lei de Henry Constante de Henry para alguns gases em
água pura, a 25oC e 15oC
A solubilidade de um gás qualquer na fase aquosa pode
ser calculada pela equação:

Cweq= KH x PG

Onde: KH é a constante de Henry para o gás em uma dada Constante de Henry (mol L-1atm-1) para CO2em água
temperatura e PG é a pressão parcial do gás na atmosfera. de salinidade zero (S=0) e água do mar (S=35) para
diversas temperaturas

A solubilidade de um gás em água depende de:

• Polaridade da molécula
• Temperatura
• Pressão parcial do gás
• Força iônica do meio (salinidade)
Total de carbono
absorvido por ano: 105 Gt
48,5% oceano

https://svs.gsfc.nasa.gov/vis/a010000/a011600/a011611/Paula_Bontempi_2.png
• HIDROSFERA E O CICLO DA ÁGUA

71 % do planeta é coberto de água https://kpwateruse.files.wordpress.com/2011/11/resourcesgraphic.jpg


Distribuição de água no nosso planeta
Ciclo hidrológico
Tempo de residência
COMPOSIÇÃO DAS ÁGUAS FLUVIAIS
As concentrações das espécies químicas nas águas de rios são controladas por
processos físicos, químicos e biológicos interdependentes.
• -Volume e natureza das águas de chuva
• -Formação geológica da bacia hidrográfica
• -Erosão e intemperismo
• -Biota
Encontro das águas: Rio Negro e Solimões, Manaus (AM)
INTEMPERISMO
Conjunto de processos mecânicos, químicos, físicos ou biológicos que ocasionam a
desintegração e decomposição de rochas.

• Químico (água)

• Físico (temperatura)

• Biológico (vegetação)
PRINCIPAIS COMPONENTES DAS ÁGUAS FLUVIAIS

• Material particulado em suspensão Concentrações médias (mg L-1) das espécies majoritárias nas
águas dos rios de diferentes continentes e média global,
(orgânico e inorgânico) considerando as fontes naturais

• Espécies majoritárias inorgânicas


dissolvidas (Ca2+, Mg2+, Na+, K+, Cl-, SO42-,
HCO3-, H4SiO4)
• Matéria orgânica dissolvida (MOD)
• Elementos traço (concentração < 50
nmolL-1) na forma dissolvida e no material
particulado
USO DA ÁGUA
Os 6 bilhões de habitantes utilizam 54% de toda a água
doce disponível (rios, lagos, águas subterrâneas)

Durante o ultimo século a taxa de consumo da água


aumentou duas vezes mais que a taxa de crescimento
populacional

Quanto se gasta de água por dia?

http://s1.ibtimes.com/sites/www.ibtimes.com/files/styles/embed/public/2015/03/21/global-water-demand.PNG
DESPERDÍCIO DE ÁGUA NO BRASIL

Fonte: Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (2012)


POLUIÇÃO DAS ÁGUAS

Brasil 2008: 56% volume de esgoto é lançado in natura


Brasil 2012: 52% volume de esgoto é lançado in natura

QUANTIDADE vs QUALIDADE
https://www.youtube.com/watch?v=VIaw5mCjHPI https://www.youtube.com/watch?v=i5jGxO28Kw8
OS CONTAMINANTES
DOS SISTEMAS
AQUÁTICOS AMBIENTAIS
MATRIZES AQUÁTICAS
Contaminantes ambientais
• Quais os tipos de contaminantes estão presentes?
Esses compostos são regulados?

• Quanto de cada contaminante está presente?


As concentrações excedem os limites permitidos?

• Quais os riscos relacionados à presença desses contaminantes?

• Qual o destino desses contaminantes no meio?


CONTAMINANTES AMBIENTAIS

LEGISLADOS
LEGISLADOS NÃO LEGISLADOS
METAIS
BIFENILAS POLICLORADAS
PESTICIDAS
POLUENTES NÃO CONTAMINANTES
HPA
IDENTIFICADOS EMERGENTES
COMPOSTOS ORGÂNICOS
VOLÁTEIS

NOVOS COMPOSTOS FÁRMACOS


NANOMATERIAIS PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL
NOVOS PESTICIDAS SUB-PRODUTOS DE DESINFECÇÃO
MICROPLÁSTICOS DE ÁGUA

ANTIMÔNIO COMPOSTOS PERFLUORADOS


SILOXANOS DIOXANOS
“MUSKS” BENZOTRIAZÓIS
PESTICIDAS
DROGAS ILÍCITAS
Contaminantes emergentes
O termo “contaminantes Produtos de
emergentes” não higiene pessoal e Fármacos
necessariamente refere-se a cosméticos
novas substâncias ou os
produtos de degradação que
vêm sendo lançados no Interferentes Estrogênios e
ambiente. Trata-se de Endócrinos Xenoestrogênios
compostos que têm sido
detectados nos diferentes
compartimentos ambientais, Pesticidas
tanto os de origem antrópica
como aqueles de ocorrência Drogas de
natural, que podem apresentar abuso
algum risco ao ecossistema e Cafeína
que não estão incluídos nos
programas de monitoramento
de rotina, ou seja, ainda não são
legislados.
COMPOSTOS INTERFERENTES ENDÓCRINOS
São substâncias ou mistura exógena que altera a função do
sistema endócrino e conseqüentemente causa efeitos adversos
em um organismo saudável, ou em seus descendentes.
International Programme on Chemical Safety (IPCS)

Existem diferentes mecanismos de ação As principais funções reguladas pelo


dos IE no sistema endócrino: sistema endócrino são:

 Imitar um hormônio natural;  diferenciação sexual antes do nascimento,


 maturidade sexual durante a puberdade,
 Destruir ou modificar a estrutura de um
hormônio;  reprodução na idade adulta,
 crescimento,
 Incentivar ou inibir a síntese de um
hormônio;  metabolismo,
 equilíbrio térmico
 Estimular a excreção;
 digestão,
 Inativar as enzimas responsáveis pela  função cardiovascular,
decomposição.
 excreção.
EFEITOS DOS INTERFERENTES ENDÓCRINOS

EM ANIMAIS

Feminilização de peixes Diminuição na Alterações no desenvolvimento Disfunções no metabolismo da


quantidade de de moluscos e anfíbios testosterona em Daphnias
espermas de cabras

Concentrações anormais de
hormônios sexuais no plasma e
Decréscimo da Decréscimo da Deformidades no sistema anomalias morfológicas nas
população de urubus fertilidade de aves reprodutivo de roedores gônadas de répteis
INTERFERENTES ENDÓCRINOS:

EVIDÊNCIAS EM SERES HUMANOS

Deterioração da
qualidade do sêmen

Aumento da incidência de
Antecipação da idade câncer de mama
Potencialização do
da menarca desenvolvimento precoce do
cérebro

Obesidade
Origem e destino no ambiente
Contaminantes de
origem antrópica Consumo humano

Excreção
Disposição Águas superficiais

Esgoto

Águas subterrâneas

Efluente líquido
Lixiviação
ETE Drenagem
Reciclagem
Lodo de esgoto Solo
agrícola
Origem e destino no ambiente Consumo humano

Águas superficiais

Efluentes industriais
Esgoto

Águas subterrâneas

Efluente líquido
Lixiviação
ETE Drenagem
Reciclagem
Lodo de esgoto Solo
agrícola
Origem e destino no ambiente Consumo humano

Águas superficiais

Águas subterrâneas

Lixiviação
Drenagem

Pesticidas Solo
Regulação
A escolha dos contaminantes que devem ser
regulamentados não é trivial e deve considerar:

• A quantidade da substância que é consumida;

• O potencial tóxico aos organismos não-alvos;

• As características físico-químicas;

• A ocorrência no ambiente aquático.


Contaminantes prioritários
Diversos países implantaram metodologias para a
priorização de contaminantes ambientais

• Contaminant Candidate List-4 (CCL-4) - USEPA (2014)

• Endocrine Disruptor Screening Program (EDSP) - USEPA (2009)

• BKH Consulting Engineers - União Européia (2000)


Destino dos contaminantes

Eugene R. Weiner, Applications of Environmental Aquatic Chemistry- A Practical Guide, 2nd Edition, Taylor & Francis Group.
Destino dos contaminantes no ambiente
• FORÇAS FÍSICAS: fluxo da água, gravidade, vento

temperatura volatilidade

atração eletrostática adsorção em sólidos e filtros

vazão dos rios aeração dos sedimentos

• MUDANÇAS QUÍMICAS: oxidação, redução...


• ATIVIDADE BIOLÓGICA
Quais os destinos dos contaminantes?
Há 3 possibilidades que podem ocorrer naturalmente:

1) Permanecerem no meio.

2) Serem carregados por processos de transporte:

• com mudança de fase (ar, água ou solo) por volatilização, dissolução, adsorção ou precipitação.

• sem mudança de fase, por gravidade ou difusão.

3) Sofrerem transformações para outras espécies químicas por meio de reações com outras moléculas
ou processos biológicos.

• Biodegradação (aeróbio ou anaeróbio)

• Bioacumulação

• Intemperismo: processos de oxi-redução, reações ácido base, hidratação, hidrólise, complexação e


reações de fotólise
Propriedades importantes
As propriedades dos contaminantes são importantes
para predizer o destino deles no ambiente:

• Solubilidade
• Volatilidade
• Reatividade
• Biodegradabilidade
• Potencial de sorção em sólidos
• Hidrofobicidade
Destino dos contaminantes no ambiente

Propriedades importantes entre água e solo

Para água: Para o solo e sólidos:


• Composição mineral
• Temperatura
• Porcentagem de matéria orgânica
• Qualidade da água (composição química,
pH, potencial redox, alcalinidade, • Coeficiente de sorção dos contaminantes
turbidez, oxigênio dissolvido, DBO, (forças de atração entre sólidos e contaminantes)
coliformes, etc.)
• Mobilidade dos sólidos
• Vazão
• Porosidade

• Distribuição do tamanho de partículas

• Condutividade hidráulica
MÉTODOS DE DETERMINAÇÃO
• Escolha com contaminantes

• Logística de amostragem

• Amostragem

• Preparo de amostras

• Identificação e quantificação do contaminante

• Análise de dados e apresentação dos resultados


ESCOLHA DOS CONTAMINANTES
H3C O
N OH

O O
CH3
HN O Benzoilecgonina
H3C O CH3
N O
O
Carboxilesterase
OH
O
Norcocaína O Ecgonina metil éster
H3C CH3
N O

O
COCAÍNA
H3C O
H3C O
CH3 N OH
N O
H3C O CH3
N O
O
Anidroecgonina
O
Cocaetileno Anidroecgonina metil éster
PROPRIEDADE FÍSICO-QUÍMICAS DOS CONTAMINANTES

Lazartigues et al., 2011, ABC v 400 p 2185 – 2193


IDENTIFICAÇÃO DOS PONTOS AMOSTRAIS

124
163
51

11 30

8
D4

17
D2

D3

D6
12 D5
D4
D2
39 D3
D5 Ribeirão
Pinheiro
s 17
D1
5 2

D6 D1
Concentração (ng L-1) de benzoilecgonina (BEN - azul) e de cocaína (COC – vermelho) nos pontos amostrais
distribuídos ao longo da bacia do Rio Atibaia. Fonte: Tese doutorado Marco Locatelli, 2011.
LOGÍSTICA DE AMOSTRAGEM
45 8
BEN
COC

40 7

Concentração de COC (ng L-1)


Concentração de BEN (ng L-1)
35 6

30 5

25 4

20 3

15 2
16:00 20:00 00:00 04:00 08:00 12:00

Concentração de cocaína (COC) e benzoilecgonina (BEN) no


Rio Atibaia, ao lado da estação de captação de água de
Campinas, ao longo de 24 h.
50 8
BEN
COC

45 7

40 6

Concentração COC (ng L-1)


Concentração BEN (ng L-1)
35 5

30 4

25 3

20 2

15 1
SEX SAB DOM SEG TER QUA QUI

Concentração de cocaína (COC) e benzoilecgonina (BEN) no Rio


Atibaia, ao lado da estação de captação de água de Campinas, ao
longo de sete dias.
PREPARO DE AMOSTRAS E QUANTIFICAÇÃO DOS ANALITOS DE INTERESSE

1. FILTRAÇÃO
• CG/MS
• HPLC/UV-DAD
• HPLC-FL
• LC/MS
2. EXTRAÇÃO DOS ANALITOS
• LC-MS/MS
 EXTRAÇÃO LÍQUIDO-LÍQUIDO (ELL)
LOD for ethinylestradiol

 EXTRAÇÃO EM FASE SÓLIDA (SPE) 1000

Limit of Detection (ng L-1)


100

10

3. SECAGEM DO SOLVENTE
1
GC-MS LC-DAD LC-FL LC-MS-MS

4. EXTRATO FINAL
OBTENÇÃO, INTERPRETAÇÃO E DISCUSSÃO
DOS RESULTADOS OBTIDOS

Rio Atibaia (Campinas, SP)


E O BRASIL COMO UM TODO?
~60 artigos publicados no Brasil (Web of Science)
E O BRASIL COMO UM TODO?

Prevenção Monitoramento

Proteção da
qualidade dos
corpos d’água
Mitigação

Regulamentação Educação

Adaptado de Luo & Ding, 2012


RIO DOCE, MG (2015)
High levels of toxic metal in Animas River
water after mine spill
The Gold King Mine spill happened Friday, when a
team of Environmental Protection Agency workers
accidentally released 3 million gallons of
wastewater containing heavy metals, including
lead and arsenic, from the Gold King Mine in
Silverton, Colorado, the agency said. (2015)
Rio dos Sinos 2006, a maior mortandade de peixes dos últimos
trinta anos na região gaúcha. Morreram mais de um milhão de
peixes, o equivalente a mais de 50 toneladas.
DESCASO COM AS ÁGUAS
http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/jornal-do-almoco/videos/t/edicoes/v/burocracia-e-falencia-da-gestao-ambiental-sao-
algumas-das-causas-de-poluicao-de-rios-no-rs/4134939/

http://globotv.globo.com/rbs-rs/jornal-do-almoco/v/agrotoxicos-ameacam-qualidade-das-aguas-do-rio-gravatai/4138201/

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/rbs-noticias/videos/t/edicoes/v/esgoto-sem-tratamento-inutilizou-metade-das-aguas-
do-rio-gravatai-no-rs/4139387/

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/bom-dia-rio-grande/videos/t/edicoes/v/rios-dos-sinos-gravatai-e-cai-estao-entre-os-
mais-poluidos-do-brasil/4139930/

http://globotv.globo.com/rbs-rs/jornal-do-almoco/v/desmatamento-e-esgoto-sem-tratamento-tornam-rio-dos-sinos-o-quarto-
mais-poluido-do-brasil/4140816/

http://globotv.globo.com/rbs-rs/jornal-do-almoco/v/rio-dos-sinos-e-o-mais-poluido-do-estado/4143528/

http://globotv.globo.com/rbs-rs/jornal-do-almoco/v/lixao-as-margens-do-rio-dos-sinos-contribui-para-a-poluicao-das-
aguas/4146346/

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2015/05/mp-vai-investigar-material-toxico-encontrado-margens-do-rio-cai.html

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/videos/t/edicoes/v/veja-quais-sao-os-tres-rios-mais-poluidos-do-brasil/4153334/
OS TRATAMENTOS DE
ÁGUA E ESGOTO
Estatísticas
• Somos 205 milhões de brasileiros
• Mais de 100 milhões de brasileiros não tem acesso ao serviço de coleta de esgoto
(Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento_SNIS)
• Apenas 39% dos esgotos do país são tratados (SNIS)
• Mais de 11 milhões de brasileiros moram em áreas irregulares e quase ninguém
nessas áreas têm acesso ao saneamento básico (IBGE_Senso 2010)
• Mais de 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada (SNIS)
• A diferença de aproveitamento escolar entre crianças que têm e não têm acesso ao
saneamento básico pode chegar a 18% (Instituto Trata Brasil_CEBDS 2014)
• Em 2013, mais de 400 mil brasileiros foram internados por doenças
gastrointestinais (IBGE)
• Cerca de 80% de toda água consumida pela população é lançada na forma de esgoto
Após o lançamento de um efluente em um
corpo hídrico, imediatamente as
características químicas, físicas e biológicas
são alteradas
• Há um aumento da carga orgânica, refletindo-se no aumento da DBO, da DQO
e TOC, além da depleção do oxigênio dissolvido, resultado do metabolismo de
microorganismos aeróbios.
• Parte da matéria orgânica presente no efluente se dilui, sedimenta, sofre
estabilização química e bioquímica, esse fenômeno é conhecido como
autodepuração. Quando a concentração de oxigênio dissolvido retorna ao valor
original (antes do lançamento), assume-se que houve autodepuração. No
entanto, a autodepuração não considera a presença de sais, metais, outros
contaminantes orgânicos, alteração da diversidade e população biológica e do
nível trófico, etc.
Após o lançamento de um efluente em um
corpo hídrico, imediatamente as
características químicas, físicas e biológicas
são alteradas

• DBO: demanda bioquímica de oxigênio é definida como a quantidade de


oxigênio necessária para a estabilização da matéria orgânica degradada pela ação
de bactérias, sob condições aeróbias e controladas (período de 5 dias a 20 °C).
Esse teste fornece informação sobre a fração dos compostos biodegradáveis
presentes no efluente. É um ensaio, via oxidação úmida, no qual organismos
vivos oxidam a matéria orgânica até CO2 e água.
Após o lançamento de um efluente em um
corpo hídrico, imediatamente as
características químicas, físicas e biológicas
são alteradas

• DQO: demanda química de oxigênio infere o consumo máximo de oxigênio para degradar a
matéria orgânica (biodegradável ou não) de um dado efluente após sua oxidação em condições
específicas. Esse ensaio é realizado utilizando-se um forte oxidante (dicromato) em meio
extremamente ácido e temperatura elevada. O valor obtido indica o quanto de oxigênio um
determinado efluente líquido consumiria de um corpo d’água receptor após o seu lançamento, se
fosse possível mineralizar toda a matéria orgânica presente, de modo que altos valores de DQO
podem indicar um alto potencial poluidor.
Após o lançamento de um efluente em um
corpo hídrico, imediatamente as
características químicas, físicas e biológicas
são alteradas

• TOC: carbono orgânico total, fornece a quantidade de carbono orgânico


presente em uma amostra, sem distinção se a matéria orgânica é biodegradável
ou não. Nesta análise, o CO2 é quantificado após a oxidação da amostra em um
forno a alta temperatura (entre 680 e 900 °C), na presença de um catalisador e
oxigênio.
Os processos de tratamento de águas residuais
podem ser divididos em dois grupos:

• Os tratamentos biológicos
• Os tratamentos físico-químicos
A utilização de um ou de outro, ou mesmo a combinação de ambos, depende
das características do efluente a ser tratado, da área disponível para a
montagem do sistema de tratamento e do nível de depuração que se deseja
atingir
O objetivo principal dos diferentes tipos de tratamento é simular os
fenômenos naturais em condições controladas e otimizadas de modo que
resultem em um aumento da velocidade e da eficiência de estabilização da
matéria orgânica, bem como de outras substancias presentes no meio.
Processos biológicos
Efluentes compostos por substancias biodegradáveis (esgotos domésticos e de indústria de
alimentos) podem ser tratados por processos biológicos.
Os processos biológicos são divididos em:
• Aeróbios: são empregados microorganismos que para biooxidar a matéria orgânica utilizam o
oxigênio molecular, O2, como receptor de elétrons. Normalmente, há consórcio de
microorganismos atuando conjuntamente nos processos de estabilização da matéria orgânica.
A microfauna é composta por: Sistemas aeróbios de tratamento:

• Bactérias (a maioria) • Lodo ativado (mais comum)


• Protozoários • Lagoas facultativas
• Fungos • Lagoas aeradas
• Leveduras • Filtros biológicos aeróbios
• Micrometazoários • Valos de oxidação
• Disposição controlada no solo
Sistema de Lodo ativado
• Este sistema compõe-se principalmente de um reator (ou tanque de aeração), de um
decantador secundário (ou tanque de sedimentação) e de um sistema de recirculação de lodo.
• Parte do lodo gerado no decantador secundário, que é composto basicamente de
microorganismos, é devolvido ao tanque de aeração, mantendo uma alta concentração de
microorganismos no sistema e aumentando a velocidade de eficiência da degradação.

Cadernos Temáticos de Química Nova na Escola, Tratamento de esgotos – maio 2001


Processos biológicos
• Anaeróbios: são empregados microorganismos que degradam a matéria
orgânica presente no efluente, na ausência de O2.
A microfauna é composta por: Tanque séptico é um exemplo de tratamento
em nível primário, no qual os sólidos mais densos
são removidos do seio da solução por
• Bactérias acidogênicas sedimentação, ou seja, ficam no fundo do reator,
• Bactérias metanogênicas onde acontece uma série de reações bioquímicas.
Esse material é retido por até alguns meses para
Sistemas anaeróbios de tratamento: que aconteça a sua estabilização, evidentemente
em condição anaeróbia.

• Digestores de lodo
• Tanques sépticos Filtros anaeróbios são reatores preenchidos
• Lagoas anaeróbicas com um material inerte, por exemplo brita,
anéis de plástico e bambu, que servem de
• Filtros anaeróbios suporte para fixação da biomassa. O efluente
• Reatores de manta de lodo sofre degradação biológica ao ser conduzido por
• Reatores compartimentados um fluxo ascendente, e não por pura filtração,
• Reatores de leito expandido ou fluidicado como sugere o nome do sistema.
Processo de digestão anaeróbia
• Hidrólise: as bactérias fermentativas hidrolíticas
excretam enzimas para provocar a conversão de
materiais particulados complexos em substâncias
dissolvidas (reações extracelulares).
• Acidogênese: as bactérias fermentativas acidogênicas
metabolizam as substâncias oriundas da etapa anterior
até produtos mais simples, tais como ácidos graxos,
hidrogênio, gás carbônico, amônia etc.
• Acetogênese: consiste na metabolização de alguns
produtos da etapa anterior pelo grupo de bactérias
acetogênicas, obtendo-se acetato, dióxido de carbono e
hidrogênio.
• Metanogênese: degradação os produtos da
acetogênese pelas bactérias metanogênicas, para
formação do principal produto da digestão anaeróbia,
que é o gás metano, além de CO2 e H2O.
• A sulfetogênese é outra etapa que pode ocorrer
quando há presença de sulfatos, ou seja, formação de
H2S no meio, fruto da atuação das bactérias redutoras
de sulfato que competem com as metanogênicas pelo
mesmo substrato, o acetato.

Cadernos Temáticos de Química Nova na Escola, Tratamento de esgotos – maio 2001


Cadernos Temáticos de Química Nova na Escola, Tratamento de esgotos – maio 2001
PROCESSOS FÍSICO-QUÍMICOS
• Coagulação: é um processo onde partículas que originariamente se apresentam separadas são aglutinadas pela utilização de coagulantes,
principalmente sais de ferro III e alumínio, além de polieletrólitos. Esse processo resulta de dois fenômenos: o primeiro é químico e consiste de
reações de hidrólise do agente coagulante, produzindo partículas de carga positiva; o segundo é puramente físico e consiste de choques das
partículas com as impurezas, que apresentam carga negativa, ocorrendo uma neutralização das cargas e a formação de partículas de maior
volume e densidade.

• Floculação: é um processo físico que ocorre logo em seguida à coagulação e se baseia na ocorrência de choques entre as partículas formadas
anteriormente, de modo a produzir outras de muito maior volume e densidade, agora chamadas de flocos.

• Decantação: Esses flocos, que são as impurezas que se deseja remover, podem ser separados do meio aquoso por meio de sedimentação, que
consiste na ação da força gravitacional sobre essas partículas, as quais precipitam em uma unidade chamada decantador.

• Flotação: é uma outra opção para a retirada desses flocos da solução é a flotação por ar dissolvido, que consiste na introdução de microbolhas
de ar que aderem à superfície da partícula, diminuindo sua densidade, transportando-a até a superfície, de onde são removidas.

• Separação por membranas: tais como osmose reversa, ultrafiltração, microfiltração, e eletrodiálise, usam membranas seletivas para
separar o contaminante da fase líquida. Essa separação é efetuada por pressão hidrostática ou potencial elétrico. Nesse processo o
contaminante dissolvido (ou solvente) passa através de uma membrana seletiva ao tamanho molecular sob pressão. Ao final do processo
obtém-se um solvente relativamente puro, geralmente água, e uma solução rica em impurezas.

• Adsorção: consiste de um fenômeno de superfície e está relacionado com a área disponível do adsorvente, a relação entre massa do adsorvido
e massa do adsorvente, pH, temperatura, força iônica e natureza química do adsorvente e do adsorvido. A adsorção pode ser um processo
reversível ou irreversível. O carvão ativado ficou conhecido como o adsorvente universal.

• Oxidação química: é o processo pelo qual elétrons são removidos de uma substância ou elemento, aumentando o seu estado de oxidação. Os
agentes de oxidação mais comumente utilizados em tratamento de águas residuais são cloro (Cl2), hipoclorito (OCl–), dióxido de cloro (ClO2),
ozônio (O3), permanganato (MnO4–), peróxido de hidrogênio (H2O2) e ferrato (FeO42-). Na desinfecção de águas de abastecimento, que
também é uma reação de oxidoredução, os agentes comumente utilizados são Cl2, OCl–, HOCl, ClO2 e O3.
OXIDAÇÃO QUÍMICA
A capacidade de oxidação pode ser comparada pela quantidade de oxigênio livre disponível, [O],
fornecida por cada um desses agentes oxidantes. O oxigênio reativo equivalente, é a relação entre
quantidade da espécie [O] e de oxidante. Uma das grandes vantagens da oxidação química comparada
a outros tipos de tratamento, é a ausência de subprodutos sólidos (lodo). Os produtos finais da
oxidação química de matéria orgânica, por exemplo, são apenas o dióxido de carbono e a água
Principais mecanismos de remoção de poluentes no tratamento de esgoto
Características dos níveis de tratamento de esgotos
EPAR: Estação de Produção de Água de Reuso
Sistema MBR
Biorreator, composto por
arranjo de zonas de
desoxigenação, anaeróbia,
anóxica e aerada faz o
tratamento prévio ao
sistema de membranas de
ultrafiltração com poros de
0,04µm de diâmetro.

Um sistema MBR é qualquer tipo de


sistema de tratamento de esgoto no qual se
emprega um sistema de tratamento
biológico junto a um tratamento final com
filtração por membranas. Geralmente, esse
tipo de sistema utiliza-se de lodos ativados
aliados a membranas de micro ou
ultrafiltração.

Esquema típico de um sistema MBR: 1) Biorreator; 2) Tanque de


membrana; 3) Bomba de permeado e soprador de membrana;
4) Painel de Controle; 5) Tubulações de aeração e permeado
ETA Capivari ETA Capim Fino
Campinas Piracicaba
Reuso potável indireto não planejado

A Inexorabilidade do reúso potável direto, doi: 10.4322/dae.2014.141


Reuso potável indireto planejado

A Inexorabilidade do reúso potável direto, doi: 10.4322/dae.2014.141


Reuso potável direto

A Inexorabilidade do reúso potável direto, doi: 10.4322/dae.2014.141


Sistemas avançados de tratamento para reuso potável

A Inexorabilidade do reúso potável direto, doi: 10.4322/dae.2014.141


Critério de qualidade de água
para consumo humano
CONTEXTO: PROTEGER A SAÚDE
CRITÉRIOS OU PADRÕES PARA
SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS

CRITÉRIOS DE QUALIDADE SÃO VALORES MÁXIMOS TOLERÁVEIS


QUE GARANTEM OS USOS PRETENDIDOS DO MEIO
DEFINIDOS PARA CONDIÇÕES GENÉRICAS DE EXPOSIÇÃO

PADRÃO – QUANDO O CRITÉRIO ESTÁ CITADO EM UMA LEGISLAÇÃO

Para o seu estabelecimento são necessários estudos


toxicológicos adequados
CRITÉRIOS DE QUALIDADE DE ÁGUA
são estabelecidos individualmente por
cada tipo de uso

EXEMPLOS:

CONSUMO HUMANO
RECREAÇÃO
DESSEDENTAÇÃO DE ANIMAIS
IRRIGAÇÃO
PROTEÇÃO DA VIDA AQUÁTICA
AQUICULTURA
INDUSTRIAL
PRINCIPAIS LEGISLAÇÕES BRASILEIRAS QUE
TEM PADRÕES DE QUALIDADE DE ÁGUA

PORTARIA DO MS No. 2914/2011 - CONSUMO HUMANO

PORTARIA DE CONSOLIDAÇÃO Nº 5, DE 28 DE SETEMBRO DE 2017- DOU Nº 190, DE 03/10/2017 –


Trata da “Consolidação das normas sobre as ações e os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde”

RESOLUÇÃO CONAMA 357/2005 e 430/2011


Classes que englobam conjunto de usos concomitantes:
CONSUMO HUMANO COM OU SEM TRATAMENTO ; RECREAÇÃO
DESSEDENTAÇÃO DE ANIMAIS; IRRIGAÇÃO
PROTEÇÃO DA VIDA AQUÁTICA; AQUICULTURA

RESOLUÇÃO CONAMA 396/2008


Classes que englobam conjuntos de usos, mas apresentam
os VMPs por uso separados e consideram LQP

RESOLUÇÃO CONAMA 420/2009


Áreas contaminadas – especificamente subterrâneas
PARADIGMAS

1) OS VALORES QUE PROTEGEM A SAÚDE HUMANA SÃO OS MAIS RESTRITIVOS

2) ÁGUAS NÃO POTÁVEIS SÃO SINÔNIMO DE ÁGUAS CONTAMINADAS

3) CRITÉRIOS DE QUALIDADE DE ÁGUA SÃO FIXOS (IMUTÁVEIS)

4) QUANTO MAIS RESTRITIVO MELHOR PARA A SAÚDE/MEIO AMBIENTE


QUANTO MENOR O PADRÃO MAIS PERIGOSO O COMPOSTO

5) NÃO EXISTÊNCIA DE UMA SUBSTÂNCIA NA LEGISLAÇÃO


SIGNIFICA QUE A MESMA NÃO É IMPORTANTE
O QUE ISSO TEM HAVER
COM O PLANO DE
SEGURANÇA DA ÁGUA?
LISTA DE CANDIDATOS

CRITÉRIOS CALCULADOS
TÉCNICAS ANALÍTICAS
MONITORAMENTO
COMPARAÇÃO COM CRITÉRIOS
AVALIA TRATABILIDADE E RISCO

INCLUI OU NÃO NO PLANO


PARA QUAIS COMPOSTOS SE ESTABELECEM CRITÉRIOS?

 Capazes de causar efeitos adversos (tóxicos) ou desconforto aos organismos expostos

 Probalidade de ocorrência na água devido a características geológicas (naturais) ou fontes de poluição

 Uso no país ou região

…OU SEJA, TEMOS QUE TER A LISTA DOS AGENTES TÓXICOS QUE A POPULACAO
ESTÁ EXPOSTA (BEBE VIA ÁGUA)

 Pelo Uso na Região


 Pelos Dados de Ocorrência (Água Bruta e/ou Tratada) – VIGIÁGUA?? 
Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano
estruturado a partir dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS),
desempenha um papel importante para garantir a qualidade e
segurança da água para consumo humano no Brasil.
COMO ESTABELECER
CRITÉRIOS?
SAÚDE HUMANA
 Depende do DADO TOXICOLÓGICO a ser adotado pelo país ou estado IDA,
TDI ou RfD – ex: temos para agrotóxicos – IDA no site da ANVISA

 Dos valores escolhidos e fatores de incerteza e das para as diferentes


variáveis do cenário de exposição (peso corpóreo, ingresso via água)
Ver proposta para o Brasil: www.sbmcta.org.br/documentos

 Viabilidade técnica analítica e de tratamento e política de cada país ou região


http://www.abes-sp.org.br/arquivos/ctsp/guia_potabilidade.pdf
DOSE DE REFERÊNCIA - DRf

INGESTÃO DIÁRIA ACEITÁVEL - IDA

INGRESSO DIÁRIO TOLERÁVEL - IDT


AVALIAÇÃO DE TOXICIDADE DE CADA SUBSTÂNCIA

para o ser humano ou outros seres vivos

Baseados em experimentos com animais e


dados epidemiológicos

NOAEL – NÍVEL DE EFEITO ADVERSO NÃO OBSERVADO

ou

LOAEL – NÍVEL DO MENOR EFEITO OBSERVADO

http://actor.epa.gov/toxrefdb/faces/BasicInfo.jsp
Substâncias não cancerígenas
PARA CADA EFEITO, FAZ-SE UMA CURVA E USA-SE O EFEITO
MAIS PRECOCE QUE SE CONSIDERA ADVERSO (CRÍTICO)
Substâncias não cancerígenas

O experimento é refeito com doses menos espaçadas:

5
FATORES DE INCERTEZA

1. Qualidade dos dados toxicológicos disponíveis;

2. Existência de dados em humanos e sua qualidade;

3. Variabilidade da resposta interespécie e intraespécie.


A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE ESTABELECE

FI são aplicados sobre o menor NOAEL ou LOAEL para


a resposta considerada mais biologicamente significativa
e são determinados por consenso entre um grupo de
especialistas usando a seguinte abordagem:

FONTE DE INCERTEZA

Variação interespécies (animais para humanos) 1-10


Variação intraespécie (individual) 1-10
Adequação do estudo ou base de dados 1-10
Natureza ou severidade do efeito 1-10
CRITÉRIOS DE QUALIDADE PARA A ÁGUA DE CONSUMO HUMANO:
● Para substâncias não cancerígenas e para cancerígenas não genotóxicas:

TDI = NOAEL ou LOAEL dividido pelo FI

TDI: ingresso diário tolerável (mg/Kg de peso/dia)


NOAEL: dose sem efeito observado (mg/Kg de peso/dia)
LOAEL: menor dose com efeito observado (mg/Kg de peso/dia )
FI: Fator de incerteza (varia de 10 a 1000)

VMP = (TDI x P x F) / C

VMP = valor máximo permitido (mg/L ou ug/L)


P = peso corporal (60 ou 70Kg, ou outro valor)
F = fração ou porcentagem da TDI associada a ingestão de água (10 ou 20%)
usualmente mas pode variar de 1% a até 100%
C = consumo de água por dia (geralmente usa-se 2L, alguns países usam 1,5L)

Para substâncias cancerígenas genotóxicas calcula-se com base no SF –


Slope factor e um determinado risco (10-4, 10-5 ou 10-6)
Calcula-se uma concentração com um risco aceitável
CADA PAÍS TEM SUAS REGRAS…
PARA POTABILIDADE
 US EPA
 CANADÁ
 AUSTRÁLIA
 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE

E O BRASIL??? ADOTA DA OMS, MAS MUITAS VEZES


NÃO HÁ TODAS AS SUBTÂNCIAS QUE PRECISAMOS
O que usar?????

E PARA OS OUTROS USOS DA ÁGUA???


CONSUMO HUMANO

praguicida A - NOAEL = 10mg/Kg de peso corporal

TDI = 10mg/ Kg dividido por 100

TDI = 0,1 mg/Kg

VMP= 0,1 x 60 (peso corporal) x 0,1 (fração ingestão)


dividido por 2 (litros de água)

VMP = 0,3 mg/L


VALORES MÁXIMOS
PERMITIDOS (VMP)
NOAEL

FATOR DE INCERTEZA

TDI - INGRESSO
DIÁRIO TOLERÁVEL

CONDIÇÕES GENÉRICAS DE
EXPOSIÇÃO (PADRONIZADAS)
ANÁLISE VIABILIDADE
GERENCIAMENTO DO
RISCO

VMP
(PADRÃO)
CONCLUSÕES

CADA PAÍS DEVE TER SEU MÉTODO DEFINIDO E SUAS BASES DADOS
PADRONIZADAS

AS SUBSTÂNCIAS DEVEM SER ESCOLHIDAS EM FUNÇÃO


DA IMPORTÂNCIA E OCORRÊNCIA NO PAÍS

AS LEGISLAÇÕES DEVEM SER DINÂMICAS E PREVER


ALTERAÇÕES SEMPRE QUE NECESSÁRIO

A EXISTÊNCIA DE CRITÉRIOS POR USOS INDIVIDUALIZADOS


PERMITE MELHOR GESTÃO DO RECURSO

A ÁREA DA SAÚDE, AGRICULTURA E MEIO AMBIENTE DEVEM


AGIR INTEGRADAMENTE
PARADIGMAS

1) OS VALORES QUE PROTEGEM A SAÚDE 1) CADA USO DA ÁGUA TEM SEU VALOR MÁXIMO
HUMANA SÃO OS MAIS RESTRITIVOS PERMITIDO ADEQUADO

2) ÁGUAS NÃO POTÁVEIS PODEM SER


2) ÁGUAS NÃO POTÁVEIS SÃO SINÔNIMO DE NATURAIS, NÃO REQUERENDO AÇÕES DE
ÁGUAS CONTAMINADAS CONTROLE DE POLUIÇÃO PORÉM NECESSITAM
DE TRATAMENTO

3) CRITÉRIOS DE QUALIDADE DE ÁGUA SÃO 3) CRITÉRIOS DE QUALIDADE DE ÁGUA SÃO


FIXOS (IMUTÁVEIS) DINÂMICOS – LEGISLAÇÕES DEVEM PERMITIR
ESSAS ATUALIZAÇÕES DE FORMA ÁGIL . OS
VALORES VARIAM DE PAÍS PARA PAÍS.
4) QUANTO MAIS RESTRITIVO MELHOR PARA
A SAÚDE/MEIO AMBIENTE e QUANTO MENOR 4) QUANTO MAIS PRECISO O PADRÃO MELHOR
O PADRÃO MAIS PERIGOSO O COMPOSTO PARA A SAÚDE/MEIO AMBIENTE (REDUÇÃO DOS
FATORES DE INCERTEZA
5) NÃO EXISTÊNCIA DE UMA SUBSTÂNCIA NA
LEGISLAÇÃO SIGNIFICA QUE A MESMA NÃO 5) INCLUSÕES DE NOVAS SUBSTÂNCIA DEVEM
É IMPORTANTE SER CONSIDERADAS ROTINEIRAMENTE