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Ribeirão Preto SP • Maio 2016 • Ano 17 • nº 207

A VOZ DO AGRONEGÓCIO

23ª Agrishow Estimativa de negócios é de R$ 1,9 bilhão

Caderno

ALGODÃO SINDI TRANSGÊNICOS CORDA DE VIOLA


Bicudo, a praga Pecuaristas Brasil lidera Bonitinhas,
rápida e silenciosa comemoram crescimento mas perigosas
sucesso da raça mundial 1
2
3
Editorial

Parceria de Sucesso

Diretor: Plínio César

A VOZ DO AGRONEGÓCIO

Editor Chefe: Doca Pascoal


Reportagem: Doca Pascoal e Marcela Falsarella
Divulgação
Colaboradores desta edição: Ale Carolo, Marina
Ribeiro Mendonça, Plinio Nastari, Fabiane Siqueira
Luciano Zanotto e Paola Buzollo Agrishow, feira da esperança
Revisão: Agostinho Francisco Nicolas

E sta edição foi encerrada um dia após a derrota de Dilma Rousseff


Editor Gráfico: Jonatas Pereira
Foto da Capa: Alfredo Risk
no Congresso Nacional, onde 367 parlamentares votaram favo-
ráveis à continuidade do processo de impeachment da presidenta.
Contato: redacao@canamix.com.br
Analistas políticos apontam que também é certa a derrota do Go-
Outras publicações da Agrobrasil: verno no Senado. Mesmo desprovida de sustentação política, Dilma
Guia Oficial de Compras afirma que não abandona o barco e fica no Palácio do Planalto até o
do Setor Sucroenergético fim, o que é legítimo de acordo com as regras constitucionais.
Revista CanaMix
No entanto, enquanto o cenário político brasileiro é re-
Portal CanaMix
desenhado - e não que isso signifique o fim imediato da vergonha
Publicidade: entranhada nas lideranças do País -, a vida precisa continuar. O Bra-
Alexandre Richards (16) 98828 4185 sil precisa, acima de tudo, recuperar a esperança. O agronegócio,
alexandre@canamix.com.br por exemplo, terá mais uma vez que mostrar sua força como um dos
Fernando Masson (16) 98271 1119
fernando@canamix.com.br
principais sustentáculos da economia. Nesse contexto, a Agrishow
Marcos Afonso (11) 94391 9292 ganha um significado emblemático, uma vez que ocorre em meio ao
marcos@canamix.com.br turbilhão de Brasília.
Nilson Ferreira (16) 98109 0713 A 23ª edição da Feira desafia essa crise e reúne 800
nilson@canamix.com.br
Plínio César (16) 98242 1177
marcas em uma área de 440 mil m². A movimentação de negócio
plinio@canamix.com.br está prevista em R$ 1,9 bilhão, mesmo desempenho de 2015. A es-
timativa, logicamente, é conservadora. No entanto, as cerca de 160
Assinaturas: redacao@canamix.com.br
mil pessoas, de 70 países, que devem visitar a Agrishow certamente
vão compreender a dimensão da palavra comprometimento. O maior
Grupo AgroBrasil evento agrícola da América Latina é a força do campo e a melhor
R. Genoveva Onofre Barban, 495 - 14056-340 notícia do momento.
Planalto Verde - Ribeirão Preto - SP Esta edição da T&C traz uma matéria especial sobre
16 3620 0555 / 3234 6210 / 3446 3993 / 3446 7574
cotonicultura, especialmente o desafio de se combater o bicudo-do-
www.canamix.com.br
-algodoeiro. No Caderno CanaMix, o leitor vai saber um pouco mais
Para assinar, esclarescer dúvidas sobre sua sobre a corda de viola, planta daninha bonita o suficiente para ser
assinatura ou adquirir números atrasados: ornamental, mas com poder de derrubar a produtividade da cana-
SAC 16 3446 3993 e 3446 7574 - -de-açúcar e danificar os
2º a 6º feira, das 9h às 12h e das
equipamentos de colheita
13h30 às 18h.
mecânica. Fique por dentro
Artigos assinados e mensagens publicitárias refletem ponto também do que vai aconte-
de vista dos autores e não expressam a opnião da revista. É
permitida a reprodução total ou parcial dos textos, desde que cer na Agrishow. Com es- Plínio César
citada a fonte.
perança, boa feira! Diretor

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Ale Carolo / alecarolo.com

Sumário

44
Capa
23ª Agrishow
Estimativa de negócios
é de R$ 1,9 bilhão

6 62 72
Algodão Pecuária Transgênicos
Bicudo, a praga rápida Castilho comemora Brasil lidera crescimento
e silenciosa sucesso da raça Sindi mundial

17 - Caderno CanaMix Genética pecuária


Política setorial / Opinião 54 - Brasil e EUA compartilham informações genômicas animais

18 - Casuísmo em combustíveis, por Plínio Nastari 58 - Opinião: Genômica e melhoramento genético em bovinos,
por Fabiane Siqueira

Tecnologia Agrícola
Suinocultura
19 - Corda de viola: bonitinhas, mas perigosas
68 - Opinião: Bem-estar Animal:
26 - AgroEncontro reúne mais de 1,2 mil produtores de cana uma exigência do mercado moderno,
por Paola Buzollo
36 - ANAC certifica operações com helicóptero na agricultura

38 - UniUdop discute tecnologias em aplicação de defensivos Sustentabilidade


76 - Agricultura sofrerá consequências das mudanças climáticas

Melhoramento genético
Financiamento agrícola
39 - Ufal lança duas novas variedades de cana-de-açúcar
79 - Cooperativas de crédito crescem mais
rápido que bancos em 2015

Direito no Agronegócio
80 - Artigo: A arte de comercializar,
por Marina Ribeiro Guimarães Mendonça

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Cotonicultura

Fredox Carvalho
A área plantada com

Safra de algodão
algodão no Brasil deve
cair 1,1%, passando de
976,2 mil hectares na safra
2014/15 para 965,7 mil
hectares no atual ciclo

deve ser menor


em 2015/16
Doca Pascoal mativa de abril divulgada pela Companhia
Nacional de Abastecimento (Conab) para

O
Brasil deve produzir 1,48 milhão de a cotonicultura. A produção será menor
toneladas de algodão em pluma na nesta temporada, afetada pela redução de
safra 2015/16, queda de 5,3% em área no Nordeste, principalmente na Bahia,
relação ao volume registrado na temporada segundo maior estado produtor.
anterior (1,56 mi ton). A área plantada deve Outro fator que justifica a que-
cair 1,1%, passando de 976,2 mil hectares da no desempenho produtivo do algodão
na safra 2014/15 para 965,7 mil hectares é a valorização do dólar frente ao real em
no atual ciclo. Os dados integram a esti- 2015 e início de 2016. Se por um lado o

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7
Arquivo
Colheita de algodão no
Brasil deve encolher 5,3%,
passando de 1,56 mi ton da
setor tem a oportunidade de obter preços o Brasil deve embarcar 740 mil toneladas
safra passada para 1,48 mi
ton na temporada 2015/16 mais remuneradores com as exportações, de algodão, ante as 834,3 mil toneladas
por conta do excedente de produção da exportadas em 2015, volume que, por sua
pluma, as operações agrícolas no Brasil fi- vez, foi 11,15% superior ao exportado em
cam mais caras. Isso porque o dólar puxa 2014. A queda no desempenho das expor-
para cima o valor dos insumos importados tações, projetada pela Conab para o atual
necessários à cultura, que representam ciclo, reflete a expectativa de retração da
aproximadamente 55% do custo total. O produção interna e menor consumo da plu-
saldo da operação, portanto, ainda não fa- ma em 2016 pela China, Paquistão e Tur-
vorece o cotonicultor brasileiro. quia, tradicionais compradores do algodão
Outro agravante para o de- brasileiro.
sempenho da cultura brasileira do algo- Brasil - Mato Grosso é o maior
dão na temporada 2015/16 é a retração estado produtor de algodão, com 942,1
da economia nacional. A crise é refletida mil toneladas de plumas estimadas para
diretamente nos investimentos da indústria a safra 2015/16, crescimento de 2,2% em
têxtil que tem reduzido o consumo da plu- relação ao ciclo passado (921,7 mil ton). O
ma. Para a atual safra a Conab estima um estado contará este ano com um incremen-
consumo doméstico de 800 mil toneladas, to de 6,1% na área plantada em relação
ante as 820 mil toneladas do ciclo 2014/15. à temporada passada, devido à grande
O consumo interno está em queda des- extensão de terra destinada à lavoura do
de 2013, quando registrou um volume de algodão de segunda safra, principalmente
920,2 mil toneladas. Em 2014 o mercado na região oeste de Mato Grosso, que con-
interno absorveu 883,5 mil toneladas de templa os municípios de Campo Novo dos
algodão. Parecis e Sapezal.
Em relação às exportações, Na Bahia, segundo maior pro-

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dutor nacional, a Conab estima um volume na área de algodão, somando-se os plan-
de 347,1 mil toneladas em uma área de tios da safra de verão e da safrinha nas di-
246,2 mil hectares. A produção deve sofrer versas regiões produtoras - Noroeste, Alto
uma queda de 20,1% em relação à safra Paranaíba, Triângulo Mineiro e Norte de
anterior (434,6 mil ton). A área plantada Minas. Predomina o plantio em áreas de
também será 12,4% menor em relação à agricultura empresarial, mas no Norte de
temporada passada. De acordo com a As- Minas a cotonicultura ainda é explorada,
sociação Baiana dos Produtores do Algo- também, por agricultores familiares.
dão (Abapa) o algodão está com um preço O Brasil está entre os cinco
reprimido internacionalmente e com a es- maiores produtores mundiais de algodão,
tagnação do consumo da fibra no mercado ao lado de países como China, Índia, EUA
interno a situação se agravou. e Paquistão. O País é o terceiro maior ex-
Apesar do desempenho me- portador e o primeiro do ranking quando
nor na atual safra baiana, a Abapa acre- o assunto é produtividade em sequeiro. A
dita que a variação cambial do momento cotonicultura foi uma das primeiras ativida-
propicia um aumento de consumo pelas in- des agrícolas desenvolvidas no Brasil. O
dústrias e ,embora seja um processo lento, primeiro grande boom ocorreu no século
previsto para o próximo ano, a perspectiva XIX, aproveitando a redução do forneci-
é de mudança de cenário. "Acredito, que mento norte-americano às tecelagens in-
em breve retomaremos a área e, no futu- glesas durante a guerra civil.
ro, teremos em torno de 500 mil hectares”, Depois de problemas rela-
disse o presidente da Abapa, Celestino cionados à produção, causados pelos
Zanella. A Associação estima uma produti- impactos de guerras e pragas, a cotoni-
vidade média de 1,58 ton/ha na Bahia, aci- cultura brasileira ressurgiu competitiva. As
ma da média nacional prevista para esta transformações na produção de algodão,
safra em 1,53 ton/ha. desde a década de 1990, são resultado da
A região Nordeste, segunda perseverança do produtor, políticas agrí-
maior produtora do País, será a respon- colas e desenvolvimento de novas tecnolo-
sável pela maior redução na área planta- gias para preparo de solo, cultivo, colheita, O Brasil deve exportar 740
da na temporada 2015/16, com queda de transporte e combate a pragas e ervas da- mil toneladas de algodão,
ante as 834,3 mil toneladas
12,6%. Os plantios já foram encerrados e ninhas comuns na cotonicultura. embarcadas em 2015
estima-se que cerca de 20 mil ha serão Dunavant Cotton Gin

cultivados em sucessão à soja irrigada,


sob o pivô central. O veranico de fevereiro
influenciou negativamente o crescimento
vegetativo dos algodoeiros. Por ter ciclo
tardio, acredita-se que haverá recupera-
ção das plantas, evitando grandes perdas.
As plantas já iniciaram o ciclo reprodutivo.
Na Região Sudeste a área de
cultivo de algodão deverá apresentar for-
te incremento de 7,7% na sua área plan-
tada. Em Minas Gerais, principal produtor
regional, estima-se crescimento de 4,3%

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Cotonicultura

Ale Carolo / alecarolo.com

Do tamanho de um grão de

Bicudo, a praga rápida


feijão, o bicudo do algodoeiro
é uma praga ardilosa, de
difícil controle, capaz de
dizimar a lavoura se não

e silenciosa dos
combatido com eficácia

algodoeiros

U
m besourinho de difícil controle adaptação ao clima, ampliando sua ação
e grande poder destrutivo, cujos nas lavouras brasileiras ano a ano, princi-
danos se espalham com velocida- palmente do Sudoeste e Nordeste.
de. O bicudo do algodoeiro (Anthonomus O bicho é rápido. Quando o
grandis) é uma praga ardilosa. Até se fin- produtor menos espera, o campo está
ge de morto quando capturado. Por muitos completamente infestado pela praga e
é considerado o câncer da cotonicultura os danos são irreversíveis, pois ataca e
brasileira. É uma praga específica do al- destrói os botões florais. De acordo com
godoeiro, onde nasce, vive e deixa muitos o engenheiro agrônomo José Fernando
"herdeiros". O bicudo vive nas lavouras do Jurca Grigolli, pesquisador de fitossa-
País há mais de três décadas, com boa nidade na Fundação MS, os danos são

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diretos e as injúrias causadas por esta getação permanente, onde se abrigam e
praga decorrem da utilização das es- esperam o próximo ciclo. O ataque normal-
truturas florais e frutíferas do algodoeiro mente é feito a partir das bordaduras mais
para a oviposição dos adultos e alimen- próximas das áreas de refúgio, mas hoje
tação tanto das larvas como dos adultos as observações de campo mostram que o
do bicudo-do-algodoeiro. bicudo está sempre presente no ambiente.
Segundo Grigolli, os danos de Isso ocorre pela baixa eficiência do manejo
oviposição não afetam imediatamente o do algodão tiguera, aquele que sobrevive
botão floral, que continua se desenvolven- ao final do ciclo da cultura, que fica pre-
do normalmente até o início do segundo sente próximo à sede da fazenda, como
ínstar larval e, posteriormente, o botão flo- planta invasora da cultura da soja e na bei-
ral cai da planta. Os danos de alimentação ra das estradas.
comprometem o desenvolvimento normal Segundo o gerente de inse-
do botão, o que reduz significativamente ticidas da FMC, Adriano Roland, existem
a produtividade das plantas e a qualidade várias estratégias de manejo do bicudo do
final do produto. O besouro Anthonomus algodoeiro. "Para reduzir danos é preciso
grandis pertence à família Curculionidae, monitorar constantemente a plantação,
que possui a parte frontal aguçada (rostro), destruir de maneira efetiva a soqueira de
daí a origem do nome “bicudo”. algodão imediatamente após a colheita e O besouro Anthonomus
Depois da colheita e destrui- iniciar o monitoramento com armadilhas grandis pertence à família
Curculionidae, que possui
ção das soqueiras, os insetos adultos se aproximadamente 60 dias antes do início a parte frontal aguçada
dispersam para as áreas próximas de ve- do plantio", observa Roland. (rostro), daí a origem do
nome “bicudo”
Ale Carolo / alecarolo.com

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Divulgação FMC
Cotonicultura

O especialista também acon-


selha fazer aplicações seguras com in-
seticidas eficientes, plantar de forma
concentrada e em um período curto regio-
nalmente e nunca permitir o desenvolvi-
mento de plantas tigueras de algodão ao
redor da sede da fazenda, algodoeiras,
carreadores e na bordadura dos talhões,
inclusive nas rodovias. Segundo ele, a
FMC possui uma gama de soluções para
controle do bicudo, com destaque para
o Fury 200 EW, programa muito utilizado
para manejo da praga. Segundo a FMC, o
produto atua com rapidez e máximo poder
de choque.
"É importante não permitir a
multiplicação do bicudo nas lavouras de
algodão, soja e milho ou em qualquer ou-
tra cultura, inclusive nas utilizadas como
culturas de cobertura para o solo, como
braquiárias, crotalária, sorgo forrageiro e Segundo Adriano Roland existem
milheto. O produtor deve ficar atento ao várias estratégias de manejo para
reduzir os danos causados pelo
Manejo Integrado de Pragas (MIP), ter cui- bicudo do algodoeiro, a começar pelo
dado com o MIP e manejo de resistência, monitoramento constante da plantação

observando as recomendações para cada


fase do algodão e situação das pragas no
momento da aplicação, além de reduzir a
presença da praga e população no mo-
mento da desfolha." De acordo com Antônio Nuc-
De acordo com estimativa da ci, gerente de Desenvolvimento da Ouro-
Associação Goiana dos Produtores de Al- fino Agrociência, a pressão do bicudo do
godão (Agopa), o bicudo gerou um prejuí- algodoeiro depende de como é feito o ma-
zo de R$ 1,5 bilhão nos últimos 15 anos em nejo da cultura. "É preciso monitorar a pra-
todo o País. É uma praga que precisa de ga com armadilhas, controle de tigueras e
atenção especial, pois pode ser decisiva rotacionar o modo de ação dos produtos
para desempenho do algodão no contexto químicos", orienta. Nucci afirma que a Ou-
da agricultura do Brasil, quinto maior pro- rofino Agrociência tem um produto eficaz,
dutor mundial da pluma de acordo com a com ativo diferenciado, de fácil dosagem
Associação Brasileira dos Produtores de e solubilidade na calda, que proporciona
Algodão (Abrapa). O Ministério da Agricul- choque mais rápido no bicudo. "O Singu-
tura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) já larBR é uma excelente ferramenta na estra-
advertiu que o bicudo pode provocar pre- tégia da resistência", garante.
juízos de até US$ 300 por hectare. Origem - A atenção do mun-

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do aos estragos do bicudo na cotonicultu- estabelecimento no Brasil, disseminou-se
ra começou no início da década de 1890, por todas as regiões produtoras do País,
no Texas, EUA. Posteriormente o inseto foi acarretando um grande aumento no custo
encontrado na Venezuela e na Bolívia por de produção.
volta de 1950. No Brasil, a praga foi regis- Os bicudos adultos podem
trada pela primeira vez em fevereiro de se dispersar por longas distâncias, mas a
1983, em algodoeiros das regiões de So- frequência e os padrões geográficos des-
rocaba e Campinas, interior do estado de sa movimentação distante ainda não são
São Paulo. Para se ter uma ideia da veloci- totalmente conhecidos. O bicudo do algo-
dade de propagação, em julho do mesmo doeiro e a lagarta militar (Spodoptera frugi-
ano a praga já atingia a região Nordeste, perda) são responsáveis por mais de 50%
mais precisamente em Ingá, na Paraíba. dos custos com inseticidas em campos de
Na região Centro-Oeste, o bi- produção no Centro-Oeste do Brasil. Atual-
cudo do algodoeiro foi encontrado em Mato mente, a grande questão é o custo do ma-
Grosso em junho de 1993, nos municípios nejo do bicudo. Apesar de as aplicações
de Mirassol D’Oeste e Cáceres. Em Goiás, serem mais baratas do que as de combate Antônio Nucci afirma que é
a praga foi detectada em maio de 1996, à lagarta, por exemplo, a frequência preci- preciso monitorar a praga
com armadilhas, controle
nos municípios de Itumbiara, Cachoeira sa ser maior e isso eleva significativamente de tigueras e rotacionar o
Dourada, Inaciolândia e Panamá. Após seu o investimento. modo de ação dos produtos
químicos
Divulgação Ourofino Agrociência

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Opinião / Cotonicultura

Novas estratégias para manejo


do algodão no ambiente
de plantas transgênicas

S
egundo dados da Companhia Na- Com o objetivo de contribuir
cional de Abastecimento, durante para maior proteção e segurança na coto-
Divulgação a safra de 2014/15, foram cultiva- nicultura, algumas empresas privadas tam-
dos aproximadamente 970 mil hectares bém reúnem especialistas que possam de-
de algodão em todo o Brasil. Desse total, senvolver soluções para adequar o manejo
cerca de 75% correspondem a cultivos da cultura algodoeira dentro de um ambien-
transgênicos expressando proteínas da te de plantas transgênicas, além do comba-
bactéria de solo Bacillusthuringiensis (Bt te às principais pragas desse cultivo.
- transgenia para controle de lagartas) e Os desafios são grandes. Para
tecnologias RR (resistência a glifosato) e cada hectare de algodão, são cerca de
LL (que resiste ao Glufosinato de amônia), quatro milhões de estruturas florais entre
estas últimas com resistências às ervas os 35 a 120 dias de ciclo do algodão – isto
daninhas. é, um jardim propício ao ataque de pragas.
Apesar dos investimentos, in- As doenças deste tipo de plantio podem
setos e pragas continuam sendo um dos causar prejuízos de até 50% na produção
principais problemas para o cultivo do al- e diminuição na qualidade das fibras.
godão e causa grandes prejuízos econô- Entre as soluções de manejo
micos todos os anos. Os usos de produtos de herbicidas, estão tecnologia de Dicam-
sistêmicos e outros protetores influenciam ba, Glufosinato, Roundup Ready, rotação
sobre custo da produção. Para se produ- de cultura em períodos distintos e des-
zir um hectare de algodão, no Brasil, atu- secação pós-colheita. No combate aos
almente, gastam-se US$ 2.200,00, sendo insetos, a mosca branca, bicudo, ácaros
que o custo para controle de ervas dani- e pulgão permanecem como os principais
nhas é 9% a 10% deste total, ou seja, em alvos. Para isso, propõe-se destruição
torno de US$ 200,00 por hectare. dos restos culturais e plantas voluntárias,
O controle de ervas daninhas monitoramento, inovação nas técnicas de
na cultura do algodão é complexo pois aplicação, além de novos produtos e uso
causa danos muito elevados na produtivi- de tecnologias transgênicas.
dade e na qualidade do produto colhido. Para os fungicidas, a falta
A planta de algodão apresenta alta sensi- de monitoramento, a perda de eficácia
bilidade ao uso de herbicidas e, com as dos produtos atuais no mercado e o uso
regras atuais trabalhistas no País, é an- excessivo de uma única modalidade de
tieconômico o uso da prática do contro- controle são os principais riscos. Como
le mecânico e manual que foi adotado no possível solução, estuda-se a realização
passado recente. de pesquisas para desenvolvimento de

14
15
Opinião / Cotonicultura

novos produtos e busca de novas varie- limitações químicas, físicas e biológicas


dades da planta com mais resistência a dos solos; aplicar todos os conhecimentos
doenças. que tem sobre o algodoeiro (como lumino-
O cuidado principal que o sidade e umidade) além dos conhecimen-
produtor tem que tomar é em relação ao tos da fotossíntese, ele tem muito a lucrar.
cultivo da área de refúgio. Esta área de- O incremento sobre a produtividade pode
verá estar a no máximo de 800 metros de ultrapassar os 50% da produtividade atual
distância da área cultivada com transge- brasileira (que é de 250 arrobas por hec-
nia Bt e ser uma área de, no mínimo, 20% tare de algodão em caroço). Essa produ-
do tamanho em relação à área transgê- tividade poderia alcançar até 375 arrobas
nica. Esta observância é devido à prote- por hectare de algodão em caroço.
ção da proteína Bt, evitando resistência
da mesma, pois o objetivo é que ocorra
produção de mariposas sensíveis a esta
proteína nesta área de refúgio. *Luciano Zanotto é agrôno-
Se nosso produtor adotar to- mo formado pela Universidade Federal
das as boas práticas de manejo mais re- do Paraná e gerente de produtos herbi-
comendadas, tais como eliminação das cidas da UPL Brasil

16
Arquivo
Patrocinador:

(16) 3605-1979 www.controlrisc.com.br

CORDA DE VIOLA Bonitinhas mas perigosas

Helicóptero Melhoramento
na agricultura genético
ANAC certifica Ufal lança duas novas
operações variedades
17
Política setorial / Opinião

Casuísmo em combustíveis
*Plínio Nastari suficientes para cobrir apenas os juros da
dívida, sem amortização. Reduzir preços

A
notícia de que o governo cogita re- agora implica comprometer ainda mais se-
duzir o preço da gasolina e do die- tores da economia, fragilizados pelas po-
sel caminha na direção contrária à líticas equivocadas dos últimos seis anos.
recuperação da Petrobras. Desde janeiro Em 2015, o consumo de eta-
de 2011, quando foi inaugurada a política nol combustível, anidro e hidratado, cres-
de preços defasados de combustíveis, a ceu 19,6% e o de gasolina pura caiu 9,2%.
estatal acumulou prejuízo de US$ 28,41 bi- Este ano consumiremos menos hidratado
lhões com a gasolina e de US$ 46,1 bilhões por causa do aumento no preço do etanol,
com o diesel. e recuperação do consumo de gasolina.
A comparação dos preços ex- Nesta condição, reduzir o preço da gaso-
Ale Carolo / alecarolo.com ternos e os preços médios nas refinarias in- lina não faz sentido e o mais correto seria
dica que em 1º de abril a gasolina continua- elevar seu tributo específico para ajudar no
va 5,1% abaixo da referência internacional, combate ao déficit fiscal.
enquanto o diesel estava 31% acima. O Reduzir o preço do diesel se-
governo vê com a medida a oportunidade ria salutar para uma série de setores que
de mais uma vez apaziguar o consumidor. dele dependem, mas compromete a capa-
Parte da Petrobras vê a possibilidade de cidade da Petrobras recuperar o seu caixa.
controlar a importação direta de diesel Enquanto não houver regulação transpa-
operada por grandes consumidores. rente e previsível que defina a regra de for-
Foi em grande parte pelos mação dos preços de combustíveis e sua
preços defasados praticados desde 2011 tributação, este mercado continuará sujeito
que a Petrobras acumulou dívida de mais a casuísmos e sem planejamento.
de R$ 470 bilhões e levou na esteira o se-
tor do etanol, com dívida de outros R$ 96 *Plínio Nastari é presidente
bilhões. Para ambos, os preços atuais são da consultoria Datagro

18
Tecnologia Agrícola

Corda de viola: bonitinhas,


Ipomoea sp é utilizada
como planta ornamental,
mas para a lavoura de
cana é um "atraso de vida"

mas perigosas
Doca Pascoal desde São Paulo, Paraná, Minas Gerais,
Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

C
ampainha, cipó, corriola, jetirana, até alguns estados do Nordeste como Pa-
etc. São vários os nomes atribuídos raíba, Pernambuco e Alagoas. A dispersão
a grupos muito comuns de plantas das diferentes espécies de corda de viola
invasoras que infestam lavouras anuais em está relacionada à biologia destas plantas
praticamente todas as regiões agrícolas do daninhas, como tamanho de sementes re-
País. Para a agricultura são classificadas lativamente grandes, quando comparadas
como ervas daninhas, prejudiciais à lavou- a outras espécies, habilidade competitiva,
ra especialmente porque são difíceis de ser tolerância e adaptação ao sombreamento
controladas e atrapalham o processo de co- e principalmente ao transporte e uso das
lheita mecanizada. Na cultura da cana estas colheitadeiras de cana-de-açúcar em áreas
vilãs são mais conhecidas como corda de infestadas e a constante mudança de local.
viola (Ipomoea sp e Merremia sp), plantas A maior infestação de corda
daninhas bonitas e vistosas cuja floração de viola e produção de sementes ocorre
esconde prejuízos ao produtor. no sistema de cana-crua (sem queima da
As variedades de corda de palha). Pode-se encontrar 130 a 520 se-
viola estão presentes nas principais regi- mentes viáveis por m². Ou seja, onde há
ões produtoras de cana-de-açúcar do País, cana-de-açúcar existem focos de corda

19
Divulgação

Tecnologia Agrícola

de viola em menor ou maior grau. Estas plantas produzem quanti-


dades significativas de sementes e, quando não controladas, são
disseminadas por diversas formas, como exemplo as colhedoras de
cana-de-açúcar que disseminam no próprio talhão e até mesmo em
talhões distantes.
Os problemas ocasionados pela corda de viola ganha-
ram maior destaque por conta do aumento da mecanização da co-
lheita canavieira. Isso porque esta herbácea infestante "embucha"
a máquina colhedora aumentando a necessidade de paradas para
retirada das ramas e manutenção do equipamento. No entanto, os
prejuízos causados pela bonita plantinha podem ser contabilizados
em todo o ciclo da cana no campo. Na fase inicial do plantio, por
exemplo, a erva daninha disputa recursos indispensáveis, como
água, luz e nutrientes essenciais para o desenvolvimento da lavoura.
É o caso do nitrogênio, que além da redução da produ-
tividade, seu nível abaixo do adequado reduz também a longevida-
de do canavial. Após a fase de perfilhamento, quando emergem, a
interferência é iniciada pelas competições direta e indireta, quando
os ramos envolvem-se rapidamente nos colmos da cultura e, ao atin-
girem o ápice das plantas de cana-de-açúcar, a absorção de luz é Segundo Edson Pitta, as boas práticas
prejudicada e, por isso, a fotossíntese e o acúmulo de sacarose são agrícolas englobam também a parte de
Tecnologia de Aplicação e manejo de
reduzidos. resistência de insetos
A Ipomoea sp é de difícil combate. Os controles manual
e mecânico sozinhos não são eficazes, pois suas sementes dormen-
tes podem germinar em intervalos diferentes e aleatórios. O controle
físico, feito pela deposição da palha sobre o solo também é ineficaz,
porque estimula a germinação e emergência das espécies. O com-
bate mais eficaz à germinação e desenvolvimento da trepadeira é o
químico, através de herbicidas. Em conjunto com outras práticas de
manejo, o uso de herbicidas torna-se ainda mais eficaz.
"A adoção de um conjunto de medidas para o manejo
de resistência das plantas daninhas, incluindo a corda de viola e
outras espécies, como a buva e o amargoso, constituem as boas
práticas agrícolas e contribuem para o aumento da produtividade na
lavoura, para a redução de custos e, ainda, para a sustentabilidade
do agronegócio", afirma o gerente de Marketing para Cana da Dow
AgroSciences, Edson Pitta. Segundo ele, entre as melhores estraté-
gias e recomendações de manejo integrado para minimizar ou elimi-
nar a chance deste problema ocorrer estão a rotação de culturas, a
dessecação pré-plantio ou a rotação de herbicidas com diferentes
mecanismos de ação, dentre outras.
Perdas - De acordo com o agrônomo Roberto Toledo,
as diferentes espécies de corda de viola podem competir por água,

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Ale Carolo / alecarolo.com

Tecnologia Agrícola
luz e nutrientes com a cultura canavieira, reduzindo de 40 a 80% a
produtividade do canavial (TCH), além de ocasionar danos às co-
lheitadeiras, reduzir o rendimento da operação e aumentar os custos
de produção em até 30 a 40% para cana soca e 15 a 20% em cana
planta.
"Outro fator significativo para as usinas e fornecedores
é que os canaviais com alta infestação de corda de viola terão a
sua longevidade reduzida, sendo necessários novos investimentos
para a reforma do canavial e novos plantios. Neste contexto, deve-
-se considerar que atualmente o custo para plantar um hectare de
cana-de-açúcar é de aproximadamente R$ 5 mil a R$ 7 mil/ha e que
se estima no mínimo de 4 a 5 cortes (anos)", contabiliza o agrônomo.
Controle químico - Segundo Toledo, que é gerente de
produtos (herbicidas e cana-de-açúcar) da Ourofino Agrociência, as
principais estratégias de manejo das diferentes espécies de corda
de viola envolvem a utilização de alguns herbicidas específicos ou
de associações de defensivos com forte ação de controle e residual
superiores a 150 dias após a aplicação. "Em muitos casos a reco- Segundo Edson Pitta, as boas práticas
agrícolas englobam também a parte de
mendação é selecionar o herbicida adequado e definir a dose a ser Tecnologia de Aplicação e manejo de
aplicada em pré-emergência da cultura da cana em plantio e cana- resistência de insetos

-soca, além de considerar uma segunda aplicação em pré ou pós-


-emergência inicial, sempre considerando o residual do herbicida,
espectro de controle e seletividade da cultura", afirma.
O agrônomo também recomenda que, no caso de es-
capes ou novos fluxos de infestação de corda de viola, devem ser
feitas novas aplicações em pós-emergência em área total ou em
catações, para reduzir os danos por competição e os prejuízos na
colheita em termos de rendimento e qualidade da cana a ser levada
para a indústria. É um combate difícil, mas necessário para evitar
redução de produtividade, aumento de custo operacional e queda
da longevidade da lavoura.
Os herbicidas seletivos de amplo espectro e residual
de controle, aliados à flexibilidade de aplicação no manejo de áreas
pré-plantio, nas canas planta e soca, em diferentes épocas do ano,
proporcionam melhores resultados de controle das plantas daninhas
em todas as fases do sistema produtivo. "Além disso, garantem sig-
nificativa redução dos níveis de infestação ao longo dos anos, o que,
consequentemente, irá reduzir os custos com aplicações comple-
mentares e repasses de herbicidas, tendo como reflexo o aumento
de produtividade", observa Toledo.
Dentre as estratégias de manejo, é importante consi-
derar alternativas para a desinfestação das áreas já na erradicação
dos canaviais anteriores e na dessecação das plantas daninhas.
"Em alguns casos, recomenda-se a associação de herbicidas com

22
Morten Ross

Merremia sp é uma
ação residual ao glifosato para auxiliar na mente a interferência das plantas daninhas espécie de corda de viola
velocidade de dessecação e no residual, na cana-de-açúcar."
reduzindo assim a deposição de semen- Já no caso da cana soca,
tes de plantas daninhas no solo", informa segundo Toledo, é preciso selecionar her-
o agrônomo. bicidas pré-emergentes que tenham se-
"Posteriormente, recomen- letividade à cana-de-açúcar, nas doses e
dam-se aplicações de herbicidas em pré- associações utilizadas, amplo espectro de
-plantio incorporado (PPI) e em pré-emer- ação e residual de controle (folhas largas,
gência (PRE) após o plantio do canavial, a gramíneas e principalmente as diferentes
fim de reduzir o banco de sementes no solo espécies de corda de viola), além da fle-
e facilitar assim o controle com os herbi- xibilidade de aplicação quanto aos tipos
cidas pré-emergentes ou pós-emergentes de solos e as diferentes épocas (úmidas,
iniciais utilizados após o nivelamento do semi secas, secas e semi úmidas) e boa
solo (quebra-lombo), eliminando completa- performance em palha para aplicações em

23
Tecnologia Agrícola

Destino nobre: ervas


daninhas são utilizadas cana crua. Para combater a corda de
como plantas ornamentais
Boas práticas - Com os devi- viola, entre outras ervas daninhas, a Dow
dos cuidados de manejo, é possível conse- AgroSciences desenvolveu o herbicida
guir excelentes níveis de controle das plan- Coact, de amplo espectro de controle, que
tas daninhas e consequentemente maiores age na pré-emergência e evita a matocom-
reflexos na produtividade e longevidade do petição inicial, reduzindo perdas na produ-
canavial. O mercado conta com um grande tividade. Entre os diferenciais do produto,
número de herbicidas registrados no Minis- segundo Pitta, está a alta seletividade e
tério da Agricultura, Pecuária e Abasteci- flexibilidade de aplicação, que possibilita
mento (Mapa). Independente da escolha, sua utilização em pós-plantio, nas socas
os especialistas destacam a importância semi úmida e úmida, garantindo o contro-
de se observar e seguir as recomendações le das plantas daninhas mesmo quando o
presentes nas bulas dos herbicidas, in- problema é percebido após a emergência
cluindo o uso correto e seguro e o descarte da cultura e o alcance de ótimos resultados
de embalagens. quando pulverizado durante a maior parte
Segundo Edson Pitta, as boas do ano.
práticas agrícolas englobam também a Para Roberto Toledo, da Ouro-
parte de Tecnologia de Aplicação e mane- fino Agrociência, a definição de estratégias
jo de resistência de insetos. "No caso da inteligentes de manejo de plantas daninhas
Tecnologia de Aplicação, é indicado ao de alta performance pode auxiliar o setor
produtor usar o equipamento adequado, sucroenergético a superar os desafios
com a ponta e tamanho de gota ideais para para o aumento das produtividades mé-
se atingir o alvo desejado, além de aplicar dias, mesmo em anos de severas crises
os produtos somente nas condições cli- financeiras. Dentro deste contexto, segun-
máticas recomendadas (umidade relativa, do ele, a empresa possui um portfólio de
temperatura e velocidade do vento) e sob herbicidas, com destaque ao FortalezaBR,
a supervisão de um profissional. Dessa DemolidorBR, Diox e CoronelBR que po-
forma, é possível reduzir o risco de deriva, dem ser inseridos como importantes fer-
aumentar a eficácia da aplicação e, conse- ramentas no manejo de corda de viola em
quentemente, otimizar recursos." cana-de-açúcar.

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Tecnologia Agrícola

AgroEncontro reúne mais


de 1,2 mil produtores de cana
III AgroEncontro da

A
Ourofino Agrociência
reuniu produtores de
3ª edição do AgroEncontro, even- técnicas de manejo da Syngenta, desen-
cana em quatro dias to promovido de 29 de março a 1º volvimento e fabricação de pulverizadores
de evento na fazenda
experimental da empresa,
de abril pela Ourofino Agrociência, da Herbicat e as maquinarias da Valtra.
em Guatapará, SP em Guatapará, SP, reuniu cerca de 1,2 mil “O intuito do AgroEncontro é
produtores canavieiros que tiveram a opor- trabalhar em conjunto com as empresas
tunidade de conhecer novidades em má- parceiras para difundir tecnologia e conhe-
quinas, defensivos agrícolas e variedades cimento, por isso é um dos maiores even-
de cana, a partir de atividades práticas e tos do setor sucroenergético do País. Du-
teóricas. Agricultores de todo o Brasil tive- rante o dia de campo, o produtor encontra
ram acesso às informações compartilha- as variedades de cana, os melhores trata-
das por grandes empresas e especialistas mentos com defensivos agrícolas, aprende
renomados. sobre a dinâmica de colheita e descobre
Nos quatro dias do encontro, novas tecnologias de aplicação e máqui-
realizado na Fazenda Experimental da Ou- nas. Acreditamos que isso é muito impor-
rofino, a dinâmica foi o grande diferencial: tante para o profissional ter maior retorno
as cooperativas, separadas por agenda, sobre o seu investimento”, disse Luciano
puderam avaliar as diferentes tecnologias Galera, diretor de Marketing, Pesquisa e
para a cultura da cana em situações reais, Desenvolvimento da Ourofino Agrociência.
comparando resultados. Coplacana, Co- Além do recorde de participa-
opercitrus, Coplana e Copercana partici- ção de público, a 3ª edição do AgroEncon-
param com seus cooperados e puderam tro trouxe grandes produtores canavieiros,
verificar estudos sobre cana-de-açúcar usineiros e influenciadores de mercado.
de empresas como o Instituto Agronômico Carlos Flauzino de Andrade, gerente de
de Campinas (IAC), Centro de Tecnologia suprimentos e relacionamento com for-
Canavieira (CTC) e Ridesa Brasil, além de necedores da Nova América, participou

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Ale Carolo / alecarolo.com

Produtores de cana
acompanharam em campo
pela primeira vez e teve boas avaliações. aumentar a competividade neste início de os bons resultados obtidos
“Fundamental para mostrar aos parceiros safra, especialmente neste momento em a partir de um manejo
correto de defensivos
e agricultores a seriedade da Ourofino que começamos o período muito melhor
Agrociência. O encontro é mais um dos di- que o ano anterior. Os preços estão eleva-
ferenciais da empresa, assim como aten- dos, o valor do ATR está alto e isso deve
dimento e relacionamento com o cliente. contribuir para uma remuneração mais
Todas essas características são fatores compensadora da cana. São pontos rele-
decisivos de compra, pois o produtor opta vantes e animadores para um novo ciclo
pela empresa que tem mais segurança e de investimento, geração de renda, valor e
conhecimento”, disse Andrade. riqueza para o Brasil”, afirma Fava.
Já o produtor de cana José Em seu estande, a Ourofino
Olímpio da Paixão, de Mogi-Mirim, SP, é Agrociência apresentou toda a linha de
veterano em participações no AgroEn- herbicidas e inseticidas direcionados para
contro. “O encontro é relevante em todos a cultura da cana-de-açúcar, proporcio-
os setores, tanto na parte de tecnologia nando diferentes situações de aplicações.
como em inovações do mercado sucro- “Encerramos mais um ano com sucesso
alcooleiro. Utilizo toda a linha da Ourofino de público e com ricas trocas de experiên-
Agrociência na minha cultura, pois são cias. Estamos totalmente satisfeitos com o
produtos eficientes e de excelente quali- resultado desse encontro, bem como pela
dade”, comenta. integração promovida. Já estamos pen-
Quem participou do evento sando na próxima edição, afinal, novida-
ainda teve a oportunidade de prestigiar des fazem parte e queremos oferecer o
um bate-papo com o engenheiro agrôno- melhor aos nossos parceiros e clientes”,
mo e professor da USP, Marcos Fava Ne- diz Everton Molina Campos, gerente de
ves. “As discussões que tivemos no Agro- Marketing e Inteligência Competitiva da
Encontro são benéficas para o produtor Ourofino Agrociência.

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28
29
Tecnologia Agrícola

Ale Carolo / alecarolo.com

Administração
Geral da Fazenda
Fazenda - Com 20 hectares meio ambiente.
Experimental
da Ourofino, em credenciados pelo Ministério da Agricultura, “Uma de nossas missões é ga-
Guatapará, SP
Pecuária e Abastecimento (Mapa) e mais rantir o posicionamento certo do defensivo
10 hectares para estudos exploratórios, agrícola. Isso quer dizer, para o alvo (praga
a estrutura do Centro de Experimentação que combate) certo e para a cultura certa.
Agronômico foi desenvolvida para suprir as É importante para o agronegócio, pois pro-
necessidades do trabalho de experimen- porciona eficiência no plantio, no manejo da
tação de fórmulas e conta com laboratório cultura e aumento de produtividade”, detalha
para avaliação de resultados, escritório, Edson Donizete de Mattos, gerente de De-
sala para manipulação dos defensivos agrí- senvolvimento de Herbicidas da Ourofino.
colas e para calibração dos equipamentos O CEAgro tem capacidade
de pulverização, sala para armazenamento para realizar aproximadamente 250 es-
dos produtos comerciais e experimentais, tudos por ano. Nele, novas fórmulas pas-
além de seis casas de vegetação. sarão por pesquisas dentro da Fazenda
A estrutura é completa e pró- Experimental. Os testes são feitos na área
pria, o que torna o CEAgro Ourofino um tra- preparada especialmente para a prática.
balho de referência no Brasil. O objetivo é “Ganhamos muito com a maior agilidade
desenvolver novos produtos, permitir novo dos processos nos ensaios de eficácia,
posicionamento para os produtos já regis- antes realizados em terceiros. O tempo de
trados e novas opções de manejo para as protocolar e registrar o produto também di-
culturas brasileiras. A proposta é levar a minuiu muito”, conta Marco Lime, coorde-
solução ao agricultor para que ele tenha nador de Estudos Oficiais da Ourofino.
opção de produtos para todos os estágios As atividades do CEAgro são
da cultura, aumentando assim sua produti- credenciadas pelo Mapa, que reconhece
vidade, com segurança ao aplicador e ao a aptidão da Ourofino para a emissão de

30
laudos de praticabilidade agronômica e desenvolvimento de projetos e parcerias,
laudos de fitotoxidade (fenômeno associa- formação de profissionais, pesquisas e
do a alterações observadas no desenvolvi- criação de gado nelore de elite. O com-
mento das plantas). São feitos estudos de plexo é dividido em quatro núcleos: Centro
eficácia para herbicidas, inseticidas, fungi- de Treinamento e Capacitação, Centro de
cidas e adjuvantes para a emissão destes Experimentação Animal (CEA), Centro de
laudos oficiais, com a finalidade de obter o Experimentação Agronômico (CEAgro) e
registro para comercialização. Melhoramento Genético de Nelore.
"Com o Centro conseguimos Todo esse trabalho é realiza-
diminuir em até 12 meses o tempo entre do por diversos profissionais, entre eles,
estudos e elaboração do dossiê do produto mestres e doutores em áreas relacionadas
formulado. Em 2014, com a implantação da à veterinária e agrícola. A Ourofino investiu
BPL (Boas Práticas de Laboratório), fare- na construção do Centro de Experimentação
mos também os estudos de resíduos e este Agronômico na Fazenda Experimental e nas
tempo passará para 18 meses de agilida- atividades para sua certificação. Em outubro
de”, afirma o gerente de Desenvolvimento de 2012, o CEAgro obteve junto ao Mapa a
da Ourofino Agrociência, Antônio Nucci. permissão para conduzir os ensaios de pes-
Localizada em Guatapará, SP, quisa com agrotóxicos como recomenda a
a área de 500 hectares possui completa Instrução Normativa Nº 36, de 24/11/09 e a
estrutura para o estudo de novos produtos, Instrução Normativa Nº 42, de 06/12/2011.

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Mirela Gradin, superintendente da Rodrigo Vinchi, gerente de desenvolvimento Andrea Mujali, gerente executiva da Ourofino Agrociência:
Coplana: "A partir do momento que agrícola da Raízen: "Temos uma grande "O setor sucroenergético está em pleno crescimento e
a gente conscientiza o cooperado área de produção de cana, portanto a Ourofino está completamente inserida neste contexto,
sobre a utilização de produtos, ferramentas como herbicidas e inseticidas uma vez que a maior parte do nosso portfólio é voltada
além do meio ambiente ganhar, ele são fundamentais pra que a gente consiga para cana-de-açúcar. Isso nos levou a várias ações para
também ganha reduzindo custos" alcançar as produtividades esperadas" garantir que nossa fábrica, localizada em Uberaba (MG),
atenda a esse aumento de demanda"

Miguel Padilha, diretor comercial da Jair Guessi, diretor comercial da Coopercitrus: "Hoje Marcos Fava Neves, professor da USP: "O 'cavalo de pau'
Ourofino Agrociência: "Hoje o perfil a agricultura só é possível com o uso da tecnologia que a cana deu a partir do segundo semestre de 2015 e os
do produtor rural é o de empresário e quem está aqui tem a finalidade de buscar essa fundamentos estão todos favoráveis para o setor, desde o
agrícola. Ele tem que ter a visão tecnologia para, através dela, ter bons resultados preço da gasolina que a Petrobras não pode baixar, até o
de que sua propriedade é uma na lavoura. No AgroEncontro podemos ver as açúcar no mercado internacional que tende a se valorizar.
empresa. Se não tiver essa visão, diferenças entre as áreas tratadas e observar muita Então acho que o produtor precisa estar ciente de que o
muito provavelmente o negócio não tecnologia, comprovando a certeza, que sempre mercado tem um momento melhor pela frente"
vai prosperar" tivemos, de escolher os produtos Ourofino”

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Fotos: Ale Carolo / alecarolo.com

Arnaldo Antônio Bortoletto, presidente da Coplana: Rodrigo Ortolan, engenheiro agrônomo da Marcelo Abdo, diretor administrativo da Ourofino
"Um AgroEncontro desta natureza, onde nosso Copercana: "O AgroEncontro é um jeito fácil Agrociência: "A Ourofino sempre acreditou no setor
cooperado pode ver no campo as novidades para o produtor assimilar a complexidade de se de cana e vai continuar acreditando, por isso temos
disponíveis no ano agrícola, é muito importante. plantar cana atualmente. No passado era mais um portifólio bastante completo para atender a essa
A gente faz questão de estar presente para levar simples, mas hoje a gente precisa sempre estar cultura e esperamos assim continuar a crescer neste
esse algo a mais ao produtor" correndo atrás de aumento de produtividade, segmento"
rendimento de colheita, entre vários fatores"

Everton Molina Campos, gerente de Marketing Luciano Galera, diretor da Ourofino Agrociência: "O Carlos Flauzino de Andrade, gerente de suprimentos
da Ourofino Agrociência: "O resultado balanço extremamente positivo do evento faz com e relacionamento com fornecedores da Nova
do AgroEncontro foi muito positivo. Na que a Ourofino continue a investir cada vez mais América: “O AgroEncontro é fundamental para
pesquisa que fizemos durante o evento, em cana-de-açúcar, buscando novas tecnologias mostrar aos parceiros e agricultores a seriedade da
os produtores disseram que adquiriram e desenvolvendo novos produtos que atendam às Ourofino Agrociência. Este evento é mais um dos
informações suficientes para suportar necessidades dos produtores" diferenciais da empresa, além do atendimento e
tomadas de decisões e assim garantir melhor relacionamento com o cliente”
produtividade podendo, lá na frente, ter maior
rentabilidade. O foco do evento é justamente
levar informação de qualidade ao produtor e
esse objetivo foi alcançado"
33
Fotos: Ale Carolo / alecarolo.com

Antonio Tonielo, presidente da Mário Gandini, diretor agroindustrial da Reinaldo Giovanni, gerente de compras da Coopercitrus:
Copercana: “Todo evento para o São Martinho: “No AgroEncontro podemos “Utilizando os produtos ou participando de eventos,
nosso setor é importante, mas o encontrar diversos parceiros e trocar ideias. É sempre recebemos um feedback positivo dos cooperados
AgroEncontro traz técnicos, fornecedores muito importante para os produtores da região quando a ação envolve a Ourofino Agrociência. E
e muito aprendizado para os potenciais participar de eventos como este, de campo. o AgroEncontro é uma forma generosa da empresa
produtores. Ter um parceiro nacional como Tecnicamente o evento está excelente” compartilhar com os agricultores a sua tecnologia de cana
a Ourofino Agrociência é muito importante e também de outras empresas do setor”
para a troca de experiências”

Roberto Rossi, gerente de suprimentos da Marcos Farhat, diretor da Coplacana: “O AgroEncontro é


Coplacana: “O AgroEncontro é um evento uma junção fantástica de tecnologia. Reunindo a qualidade
fundamental para o setor, pois marca o dia a dia do da Ourofino com a experiência das empresas convidadas,
campo. São momentos de compartilhar práticas, o evento produz conhecimentos essenciais para benefício
tecnologias e muito conhecimento. Apostamos da produtividade e do melhor negócio, gerando mais
na Ourofino Agrociência porque é uma empresa rentabilidade. O dia de hoje comprova a filosofia que a
brasileira, e nós acreditamos na bandeira do País” Ourofino Agrociência tem como foco o produtor, ponto mais
que positivo”

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35
Tecnologia Agrícola

Modalidade desativada

ANAC certifica operações


há mais de 30 anos no
país promete voltar como
opção para agricultores
que pretendem investir em
pulverizações mais precisas
em locais de difícil acesso
com helicóptero
na agricultura
A
Agência Nacional de Aviação Civil Sistema de Gerenciamento de Segurança
(ANAC) realizou este ano uma audi- Operacional (SGSO), bem como do Pro-
toria de certificação para autorizar grama de Treinamento de Tripulantes.
a volta da utilização de helicópteros na pul- Também foi realizado voo de
verização das lavouras brasileiras. Moda- demonstração, com piloto habilitado, no
lidade desativada há mais de 30 anos no helicóptero certificado para a pulverização
país promete voltar como opção para agri- agrícola. Segundo o Inspetor de Aviação
cultores que pretendem investir em pulve- Civil da ANAC, Fladnny Gaia, a finalidade
rizações mais precisas em locais de difícil do voo de demonstração é comprovar o
acesso. desempenho real das atividades aeroa-
Durante a auditoria para a grícolas. “A certificação desse tipo de ati-
certificação da primeira empresa que ofe- vidade é muito importante não só para o
recerá o serviço, foram verificados todos desenvolvimento do uso de helicópteros na
os requisitos previstos no Regulamento agricultura como para a garantia de segu-
Brasileiro de Aviação Civil (RBAC n° 137), rança das operações”, afirma Gaia.
tais como documentações, registros e re- O certificado para que a pri-
latórios afetos às operações aeroagrícolas, meira empresa brasileira comece a utilizar
além da verificação do funcionamento do helicópteros na aviação agrícola será emi-

36
tido após finalização do relatório da audito- Para dar continuidade ao fo-
ria, e após o cumprimento de ajustes apon- mento e a viabilidade desse novo serviço,
tados pela ANAC à empresa. a empresa está em processo de autoriza-
Apesar de ser uma modalidade ção de funcionamento junto à ANAC para
muito utilizada em outros países, como nos oferecer cursos teóricos e práticos para a
EUA, que usam cerca de 13% de helicópte- formação de Pilotos de Helicópteros Agrí-
ros na pulverização de aproximadamente 71 colas (PAGH). Além da preocupação com
milhões de acres plantados, segundo a Natio- a formação adequada desses profissio-
nal Agricultural Aviation Association (NAAA), nais, a empresa também já foi certificada
o Brasil abandonou a prática há mais de 30 pela ANAC como centro de manutenção
anos por questões de custos e viabilidades de helicópteros modelos Robinson com a
técnicas para aprimorar o serviço. especialização agrícola.
Segundo o diretor executivo O interessado em atuar na
da Climb Aircraft Division - empresa em aviação agrícola deve seguir, além das
processo de certificação para operar heli- exigências previstas nos regulamentos
cópteros agrícolas, Ramiro Leal, o retorno da ANAC (RBAC n° 61, 67, 137, entre ou-
do helicóptero agrícola no Brasil se deve a tros), as normas dispostas pelo Ministério
necessidade de aplicações mais rápidas e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
precisas, ou seja, sem deriva, aliada à efe- (MAPA), que tratam de diversos requisitos
tividade do controle de praga e do custo para atuar na área da agricultura e na pul-
final melhor para o produtor. verização de lavouras.

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UniUdop discute
tecnologias em aplicação
de defensivos
Camila Lemos, Agência UDOP de Notícias ção; e parâmetros operacionais (largura
correta da faixa; altura de voo, etc.).

C
onhecer as novas tecnologias de Num segundo momento, o
aplicação de defensivos nos cana- proprietário da Baldan Soluções Integra-
viais, com a utilização, inclusive, de das, Edison Baldan Junior, apresentará um
helicópteros para esta prática e suas nor- case sobre a "Nova era no controle de plan-
mativas, é importante para quem trabalha tas daninhas". E para finalizar, o consultor
na área agrícola das usinas, uma vez que Yasuzo Ozeki volta a palestrar, desta vez
esta prática tem ganhado adesão em mui- para uma demonstração prática das ope-
tas unidades. Atenta sempre em buscar os rações com helicóptero, da empresa Climb
temas mais relevantes ao setor, a UniUDOP AirCraft. Ele mostrará o aprimoramento da
promoverá, dia 5 de maio, a 1ª aula/pales- tecnologia de pulverização aérea com foco
tra do curso Agrícola de 2016 da UniUDOP, em helicóptero.
justamente sobre as "Inovações tecnológi- Para se inscrever no curso os
cas na aplicação de defensivos em cana - interessados devem acessar o portal Udop,
uso de helicóptero na agricultura". O evento no menu UniUDOP - Aulas/Palestras. As
contará com uma demonstração prática do aulas/palestras da UniUDOP têm apoio cul-
uso de helicópteros na aplicação de defen- tural das empresas Deloitte, GE, Helamin
sivos. O curso acontecerá no campus do e Syngenta. Mais informações (18) 2103-
UniSalesiano, em Araçatuba, SP. 0528 ou uniudop@udop.com.br.
Quem irá transmitir as informa-
ções será o engenheiro agrônomo e con- Serviço:
sultor Yasuzo Ozeki. No primeiro painel,
ele analisará a tecnologia de aplicação de 1ª aula/palestra do Curso Agrícola de 2016
defensivos, abordando os assuntos relacio- Data: 5 de maio
nados como: pulverização aérea de matu- Hora: 9h às 17h
radores, inseticidas e fungicidas na cultura Local: UniSalesiano Araçatuba
da cana-de-açúcar; adoção de boas práti- Rod. Teotônio Vilela, Km 8,5 - Bairro
cas evitando-se o prejuízo da imagem des- Jd. Alvorada - Araçatuba/SP
ta atividade; volume de calda adequada; Inscrições: no portal da UDOP www.udop.
tamanho das gotas de pulverização segura; com.br no menu UniUDOP
calibragem correta da aeronave; condições Mais informações: (18) 2103-0528
meteorológicas do momento da pulveriza- ou uniudop@udop.com.br

38
Melhoramento genético

Ufal lança duas novas


variedades de cana-de-açúcar

U
Ascom/Ufal

m trabalho de referência nacional


e internacional, com transferência
de tecnologia para o setor produ-
tivo, que também cumpre um papel social
por beneficiar pequenos produtores e que
alavanca uma das principais produções de
fonte de energia alternativa do Brasil. São
vários os fatores para referendar a impor-
tância do Programa de Melhoramento Ge-
nético da Cana-de-açúcar (PMGCA), de-
senvolvido pela Universidade Federal de
Alagoas, no Centro de Ciências Agrárias
(Ceca) em Rio Largo e na Estação Experi-
mental da Serra do Ouro, em Murici.
Em maio, os pesquisadores
vão apresentar mais duas variedades RB
para Alagoas. "Vamos realizar uma soleni-
dade em Maceió para lançar para os pro-
dutores a RB 961552 e a RB 991536. Cada
variedade produzida tem características
próprias de peso, intensidade de açúcar,
resistência a dezenas de pragas, mais
produtividade de safras no ano, tolerância
à seca, etc. Assim, os produtores utilizam
aquelas que mais se adaptam ao tipo de
solo e condições de produção que eles
possuem", explica Geraldo Veríssimo, coor-
denador do PMGCA.
O Programa de Melhoramento
Genético da Cana-de-açúcar integra um
trabalho em rede formado por dez universi-
dades brasileiras. "A Rede Interuniversitária
para o Desenvolvimento do Setor Sucroal-
cooleiro (Ridesa) completou 25 anos no ano
A variedade RB 961552, que será lançada em
passado. Realizamos uma solenidade em
maio pela Ufal, apresenta resistência a dezenas
São Paulo, onde foram liberadas 16 varie- de pragas, mais produtividade de safras no ano,
tolerância à seca, entre outras características

39
Melhoramento genético

dades de cana-de-açúcar RB. Também lan- novas variedades", destaca Geraldo Verís-
çamos um livro comemorativo dos 25 anos simo.
da Ridesa e 45 anos de produção de va- Nesses 25 anos de rede, já fo-
riedades RB de cana-de-açúcar no Brasil", ram lançadas 94 variedades RB, a partir de
relata Veríssimo. cruzamentos genéticos feitos na estação da
História - A decisão de inves- Serra do Ouro, em Murici. "A Serra do Ouro
tir na produtividade da cana-de-açúcar no é um local propício para o florescimento na-
Brasil se fortaleceu na década de 1970. Já tural da cana-de-açúcar, o que favorece a
existia no país o Instituto do Açúcar e do Ál- produção de sementes. Em maio, teremos
cool (IAA), desde 1933, criado no Governo mais uma etapa de cruzamentos para a
de Getúlio Vargas. Em 1966, foram iniciados produção dessas sementes que serão dis-
os cruzamentos genéticos, realizados em tribuídas aos grupos de pesquisa da Ride-
Alagoas, numa estação experimental criada sa. Leva-se até dez anos para a obtenção
pela Cooperativa dos Produtores de Açúcar de novas variedades a partir dela", explica
de Alagoas. Em 1971, foi estabelecido, pelo o pesquisador.
Governo Federal, o Programa Nacional de Entre as variedades RB pro-
Melhoramento de Cana-de-Açúcar (Planal- duzidas pela rede, estão 22 pela Ufal, das
sucar). quais 12 foram patenteadas. "Isso significa
Assim, as pesquisas para o que a Ufal recebe recursos pela utilização
melhoramento genético da cana, visando dessas variedades no setor produtivo. Com
aumentar a produtividade do setor, lança- isso, podemos continuar o trabalho, contra-
ram as bases para o Programa Nacional do tando pessoal de apoio e comprando insu-
Álcool, uma tentativa de criar uma alternati- mos. Todo ano temos novos cruzamentos e
va energética durante a crise do Petróleo de mais variedades são produzidas. O Brasil
1973. "Mas, no Governo Collor, em 1990, o tem nove milhões de hectares de cana-de-
IAA e o Planalsucar foram extintos. As uni- -açúcar, sendo que 68% dessa área foram
versidades federais que cooperavam com cultivados com variedades produzidas a
esses órgãos, em regiões de produção de partir das sementes da Serra do Ouro", rela-
cana-de-açúcar, absorveram a estrutura fí- ta o coordenador do PMGCA.
sica, os recursos humanos e a tecnologia. Pesquisadores - Mas não é
Assim foi formada a Ridesa", conta o pes- só no campo científico e econômico que
quisador Geraldo Veríssimo. o PMGCA se destaca. Também existe um
Programa - As pesquisas para grande estímulo para a formação de recur-
o melhoramento genético da cana-de-açú- sos humanos. O professor João Messias
car dão visibilidade e atraem recursos para dos Santos é um exemplo disso. Ele é pes-
o Centro de Ciências Agrárias da Ufal. "As quisador do Programa de Melhoramento
variedades RB representam uma grande Genético da Cana-de-açúcar e gerencia o
contribuição do Ceca em termos de inova- banco de germoplasma da Serra do Ouro.
ção tecnológica. A Ufal tem uma participa- "Fiz aqui nesse programa o meu projeto de
ção destacada na Ridesa porque é aqui na graduação, depois fiz mestrado e doutora-
nossa estação experimental que são desen- do. Passei oito anos contratado pela funda-
volvidas as sementes enviadas às universi- ção e há dois anos passei no concurso da
dades da rede para o desenvolvimento de Universidade Federal de Alagoas", relata o

40
Ascom/Ufal

Geraldo Veríssimo: "A Serra do Ouro é um


local propício para o florescimento natural
da cana-de-açúcar, o que favorece a
produção de sementes"

pesquisador. Geraldo Veríssimo.


Assim como ele, outros es- Segundo o pesquisador, os setores produtivos buscam
tudantes escolhem o curso de Agronomia fontes de energia renovável, que possam substituir o petróleo na pro-
atraídos pela visibilidade das pesquisas dução de combustível e de biopolímeros ou ácidos. "São materiais
realizadas no PMGCA. "Existe uma consi- que podem ser utilizados na produção de fármacos, de plástico, etc.
derável inserção dos estudantes de gra- A Cana Energia também pode ser utilizada na produção de energia
duação e pós-graduação nesse programa. elétrica, que é um dos grandes custos das usinas. São várias frentes
Isso contribui para a formação de especia- de pesquisa que podem ser abertas", ressalta o coordenador.
listas. Além disso, destacamos o aspecto Gestão - Desde que foi iniciada a gestão da reitora Valéria
social, já que existem em Alagoas cerca de Correia, a equipe da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação iniciou o
sete mil pequenos e médios produtores de diálogo com os pesquisadores do PMGCA. O pró-reitor Alejandro Frery
cana-de-açúcar que são beneficiados gra- e a coordenadora do Programa de Inovação Tecnológica e Empreende-
tuitamente pelas pesquisas", ressalta João dorismo (Pite), professora Eliana Almeida, realizaram visitas à sede do
Messias. programa em Rio Largo e à estação da Serra do Ouro. "Consideramos
Segmentos - As pesquisas um programa da mais alta importância pela transferência de tecnologia
realizadas no Programa de Melhoramento utilizada em todo o país", ressaltou Eliana Almeida.
Genético da Cana-de-açúcar começam a A coordenadora de Inovação Tecnológica destaca o
assumir novos rumos. "Agora temos tam- compromisso da gestão em apoiar e incentivar o PMGCA. "O profes-
bém a Cana Energia, ou seja, são varie- sor Laiton Soares, do Centro de Ciências Agrárias, está vindo à Pro-
dades com mais fibra de celulose, para a pep pelo menos uma vez por semana para dar andamento às ques-
produção de Etanol de segunda geração. tões administrativas necessárias para a continuidade do programa.
Empresas como a GranBio e outras que es- Nossa proposta é de colaboração com as pesquisas e o fortaleci-
tão se instalando em Alagoas procuraram mento desse trabalho que beneficia os grandes setores produtivos,
nosso programa para desenvolver varieda- mas também os pequenos e médios produtores de Alagoas", conclui
des para esse tipo de produção", informa a coordenadora.

41
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42
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43
CAPA

Agrishow 2
23ª edição da Agrishow

23ª edição da feira deve


conta este ano com
800 marcas nacionais e
internacionais expostas em
uma área de 440 mil m²

movimentar R$ 1,9
bilhão em negócios
Doca Pascoal tir este ano o desempenho de negócios de
2015, com movimentação de R$ 1,9 bilhão.

A
23ª edição da Agrishow - Feira In- Pelo menos esta é a meta dos organizado-
ternacional de Tecnologia Agrícola res que atribuem a estimativa conservado-
em Ação, que acontece de 25 a 29 ra às crises política e econômica do Brasil.
de abril, em Ribeirão Preto, SP, deve repe- A feira, reconhecida como palco das ten-

44
produtividade, reduzir custos, além de me-
lhorar a operação de equipamentos e ga-
rantir assim maior rentabilidade.
A turbulência econômica do
País, que no ano passado comprometeu
em 30% a geração de negócios realiza-
dos durante a feira, em relação à edição
de 2014, continua sendo um desafio este
ano. No entanto, alguns elementos econô-
micos levam os organizadores a acreditar
que este ano não haverá perdas. “Embo-
ra os preços das commodities agrícolas
estejam em baixa, o câmbio está favorá-
vel e o agropecuarista está capitalizado”,
disse Francisco Matturro, vice-presidente
da Associação Brasileira do Agronegócio
(ABAG), que também organiza a feira.

016
O otimismo também é com-
partilhado pelo presidente de honra da
Agrishow, Maurílio Biagi: “Estamos dentro
de uma crise enorme, mas, de forma ge-
ral, a agricultura e a pecuária vão bem”.
Em um cenário de desafios econômicos e
de reflexões político-sociais, o agronegó-
cio pode ser considerado um importante
ponto de sustentação. Dados do Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Divulgação (Mapa) mostram que a média anual de au-
mento do Produto Interno Bruto (PIB) agro-
dências, lançamentos e inovações tecno- pecuário tem sido de 3,8%.
lógicas para o produtor rural, deve receber De acordo com dados do Ins-
aproximadamente 160 mil visitantes de 70 tituto Brasileiro de Geografia e Estatística
países. (IBGE), em 2015 o PIB agropecuário regis-
De acordo com o presidente trou alta de 1,8% ante 2014 e a soma da
da Agrishow, Fábio de Salles Meirelles, a riqueza produzida pelo setor alcançou R$
feira tem sido "a mola propulsora para o 263,6 bilhões. No mesmo período, o PIB to-
agronegócio brasileiro mesmo diante de tal nacional registrou retração de 3,8%. O
diversos cenários econômicos, políticos e crescimento do agronegócio se deve prin-
sociais”. Meirelles, que também preside cipalmente ao desempenho da agricultura,
a Faesp (Federação da Agricultura e da com destaque para o aumento da produ-
Pecuária do Estado de São Paulo), afirma ção de soja (11,9%) e milho (7,3%). A ca-
que a proposta da Agrishow é disponibi- na-de-açúcar teve crescimento de 2,4%.
lizar informações eficientes que possam Na pecuária, os abates de suínos cresce-
ajudar o homem do campo a aumentar a ram 5,3% e os de frango subiram 3,8% em

45
CAPA

Divulgação

Organizadores esperam
em 2016 a visita de 160 mil
pessoas, mesmo número do
ano passado relação ao ano anterior. que saltou para 209,5 milhões de tonela-
A agricultura cresce também das na safra 2014/15. No mesmo período,
por conta do ganho de produtividade no a área plantada permaneceu praticamen-
campo, resultado de pesquisas científicas te a mesma.
e desenvolvimento de novas tecnologias O presidente da Associação
capazes de promover maior produção em Brasileira da Indústria de Máquinas e Equi-
menor espaço. Um dos indicadores desse pamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza, tam-
avanço é o dado histórico da Companhia bém ressalta que o agronegócio é um dos
Nacional de Abastecimento (Conab) que poucos pilares da economia que continua
mostra a evolução da produção de grãos. crescendo neste ambiente de crise que
Em meados dos anos 1980, o Brasil pro- já se estende há anos no País. “Estamos
duzia 100 milhões de toneladas, volume confiantes que a Agrishow 2016 vai repetir

46
Ale Carolo / alecarolo.com Ale Carolo / alecarolo.com

Segundo Meirelles, a feira tem sido "a mola


propulsora para o agronegócio brasileiro Biagi: “Estamos dentro de uma crise
mesmo diante de diversos cenários enorme, mas, de forma geral, a agricultura
econômicos, políticos e sociais" e a pecuária vão bem”<

os bons números de visitantes e de resulta- mento e de negócios.


dos alcançados no ano passado. Estamos A novidade complementa
preocupados com os acontecimentos na- funcionalidades relacionadas à organiza-
cionais, mas nosso foco são as questões ção mais eficiente e produtiva do visitan-
técnicas voltadas ao meio rural”, disse o te: seleção dos estandes que pretende
dirigente. conhecer, traçando rotas automáticas que
Infraestrutura - Este ano a facilitam sua visitação, a visualização dos
Agrishow conta com mais duas avenidas e expositores em destaque, a marcação dos
duas ruas asfaltadas, no total de 25 mil me- expositores como favoritos e/ou visitados,
tros lineares. Um novo e moderno sanitá- a navegação na relação completa de em-
rio de alvenaria também está à disposição presas participantes e a busca por exposi-
do visitante. Outra ferramenta importante tor via categoria de produtos. Ano passa-
é o aplicativo da Agrishow. Com novas do, o APP teve 8 mil downloads e em torno
funções, o APP permite o cadastramento de 425 mil visualizações.
do usuário, para que outros profissionais, Nesta edição, o site da feira
também cadastrados, possam se comu- continua com o selo de Site Sustentável,
nicar com ele por meio de mensagens e organização pioneira na neutralização do
até mesmo agendar reuniões de relaciona- CO2 emitido por websites, que tem o obje-

47
Ale Carolo / alecarolo.com Ale Carolo / alecarolo.com

Matturro: “Embora os preços das


Pastoriza: "Estamos preocupados com os
commodities agrícolas estejam em baixa,
acontecimentos nacionais, mas nosso foco são
o câmbio está favorável e o agropecuarista
as questões técnicas voltadas ao meio rural”
está capitalizado”

tivo de levar a sustentabilidade para todos veículos (pick ups, caminhões e utilitários,
os portais e consumidores brasileiros. A além de aviões agrícolas).
página está sendo neutralizada, ao com- A organização do evento re-
pensar a emissão de aproximadamente 50 alizou um planejamento minucioso para
quilos de CO2, por meio da plantação de dispor os estandes de maneira inteligente,
árvores nativas da Mata Atlântica. com as empresas de um mesmo segmen-
Exposição - Entre as áreas da to de negócios localizadas em regiões
Agrishow 2016 estão: agricultura de pre- próximas. Por exemplo, as montadoras
cisão, agricultura familiar, armazenagem de automóveis que apresentam seus lan-
(silos e armazéns), corretivos, fertilizantes, çamentos em pick-ups e SUVs (Utilitários
defensivos, equipamentos de segurança Esportivos) estão situadas na Rua G. Já
(EPI), equipamentos de irrigação, ferra- as soluções de irrigação ficam na Rua 20,
mentas, implementos e máquinas agríco- entre as Ruas B e C. Um mapa detalhado
las, máquinas para construção, peças, da feira está disponível para os visitantes
autopeças, pneus, pecuária, produção de na entrada do evento.
biodiesel, sacarias e embalagens, seguros, Ação - As demonstrações de
sementes, software e hardware, telas, ara- campo este ano serão realizadas nos dias
mes, cercas, válvulas, bombas, motores e 26, 27, 28 e 29 de abril, nos períodos ma-

48
Ale Carolo / alecarolo.com

nhã e tarde (veja tabela). As atividades


abrangem diferentes perfis dos produtores
rurais, do pequeno ao grande. O público
pode contar com “trenzinhos” para trans-
porte gratuito, para ida e volta, da estação
fixa de embarque e desembarque - Ave-
nida G próxima à Rua 14 - aos pontos de
demonstrações no campo. Os trajetos são
variáveis e circulares conforme a agenda
das demonstrações durante o dia.
As demonstrações são rea-
lizadas em uma área plantada com cultu-
ras de cana, milho forrageiro, coast-cross,
mombaça, milho e soja. A ação das máqui-
nas, implementos e equipamentos ocorre-
rá em diferentes módulos, de acordo com
o objetivo e tipo de operação que realizam
dentro da agricultura e pecuária. Este ano,
as máquinas forrageiras de milho, vagões
e máquinas para ensilagem terão ênfase
com apresentações no período da manhã
Segundo Danghesi, diretor da Feira, este ano a
e tarde. Nos PLOT´S - parcelas de de- Agrishow conta com mais duas avenidas e duas
ruas asfaltadas, no total de 25 mil metros lineares
monstrações - haverá apresentações de
insumos e tecnologias.

Montadoras de automóveis, que apresentam


lançamentos em pick-ups e utilitários esportivos, atraem
milhares de visitantes e estão situadas na Rua G

49
CAPA

Divulgação
As demonstrações de
campo abrangem diferentes
perfis dos produtores rurais, No projeto de Integração -Brasil (Agência Brasileira de Promoção
do pequeno ao grande
Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) da de Exportações e Investimentos). A ro-
Agrishow será apresentado o sistema dada reunirá empresários brasileiros e
Santa Fé, além da produção de silos e compradores internacionais, estimulando,
também palestras proferidas pelos espe- dessa maneira, as exportações brasileiras
cialistas da Agência Paulista de Tecno- de máquinas e equipamentos, e fortale-
logia dos Agronegócios (Apta), Empresa cendo a imagem do Brasil como fabrican-
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Em- te de bens de capital mecânico.
brapa) e Instituto de Zootecnia (IZ), em- Durante a feira também será
presas participantes do projeto de ILPF. entregue um dos mais tradicionais prê-
As demonstrações começam no segundo mios do agronegócio brasileiro: o Deusa
dia do evento, 26 de abril. Ceres, premiação da Associação de En-
Durante a feira, os empresá- genheiros Agrônomos do Estado de São
rios brasileiros terão a oportunidade de Paulo (AEASP), que presta homenagens
se inscrever para participar da 17ª Roda- aos engenheiros agrônomos que se des-
da Internacional de Negócios, promovida tacaram em diversas áreas.
pelo Programa Brazil Machinery Solutions O seminário da Aceleragro
(BMS), parceria entre a Abimaq e a Apex- também é um evento paralelo de desta-

50
que na feira. De acordo com o diretor exe- ciativa das principais entidades do agro-
cutivo da Associação Nacional para Difu- negócio no país: Associação Brasileira do
são de Adubos (Anda), David Roquetti, o Agronegócio (Abag); Associação Brasileira
projeto reúne, pela primeira vez no Brasil, da Indústria de Máquinas e Equipamentos
especialistas de universidades nacionais (Abimaq); Associação Nacional para Difu-
como USP, Unicamp e Federal de Lavras/ são de Adubos (Anda); Federação da Agri-
MG, além de instituições internacionais, cultura e da Pecuária do Estado de São
especialmente do Vale do Silício e do Paulo (Faesp); e Sociedade Rural Brasileira
meio-oeste norteamericano, para inter- (SRB). O evento é organizado pela Informa
câmbio e disseminação de informação Exhibitions, integrante do Grupo Informa,
aos participantes. empresa de capital aberto promotora de
A Agrishow 2016 é uma ini- feiras, conferências e treinamento.

Demonstrações de Campo
acontecem de 26 a 29 de abril

GRUPO MANHÃ GRUPO TARDE


09:40 às 12:00 14:00 às 16:30

• NÚCLEO DE TECNOLOGIA • NÚCLEO DE TECNOLOGIA


• MÁQUINAS PARA AGRICULTURA • MÁQUINAS PARA AGRICULTURA
• TECNOLOGIAS DIVERSAS • TECNOLOGIAS DIVERSAS
• ILPF • FORRAGEIRAS DE MILHO
• FORRAGEIRAS DE MILHO • FORRAGEIRAS DE CAPPIM
• VAGÕES • FENAÇÃO
• MÁQUINAS PARA ENSILAGEM • VAGÕES
• MÁQUINAS PARA ENSILAGEM
• ILPF

Obs. Programação sujeita a alterações

51
52
53
Genética pecuária

Arquivo

Sistema Brasil de Alelo Animal


proporcionará acesso ágil e
padronizado aos bancos de
germoplasma e às informações
genômicas animais do Brasil e EUA
Brasil e EUA compartilham
informações genômicas
animais

B
ancos de dados brasileiros e norte- tados Unidos (USDA-ARS) e já despertou
-americanos de recursos genéticos interesse de países como México, Uruguai,
animais começaram a ser partilha- Argentina e Filipinas bem como de periódi-
dos por meio de uma base única. Trata-se cos científicos internacionais interessados
do primeiro sistema internacional para ar- em padronizar dados-fonte citados nos ar-
mazenamento de informações genéticas, tigos científicos.
produtivas e de árvore genealógica. Cha- "Grande parte das pesqui-
mado no Brasil de Alelo Animal, ele pro- sas básicas e aplicadas relacionadas ao
porcionará acesso ágil e padronizado aos agronegócio depende da existência de
bancos de germoplasma e às informações diversidade genética entre-dentro espé-
genômicas animais dos dois países. cies. Por isso, a importância de acesso
A ferramenta é fruto de qua- a grandes acervos é fundamental à ciên-
se uma década de esforços conjuntos de cia", afirma Samuel Rezende Paiva, pes-
pesquisadores e programadores da Em- quisador do Programa Embrapa Labex
brapa e do Serviço de Pesquisa Agrícola Estados Unidos, que há três anos atua
do Departamento de Agricultura dos Es- junto ao Centro Nacional para Preserva-

54
ção de Recursos Genéticos (NCGRP) do cer mais os recursos genéticos mútuos e
USDA-ARS, na cidade de Fort Collins, Es- também nosso próprio," afirma Blackburn.
tado do Colorado. O especialista, um dos "Juntos, (Brasil e Estados Unidos) possu-
coordenadores do sistema, acredita que ímos muitas áreas de interesse comum,
um dos maiores frutos dessa ferramenta, como, por exemplo, mudanças climáticas,
a médio-longo prazo, será a intensifica- e o Alelo Animal pode ser uma ferramen-
ção do intercâmbio de germoplasma en- ta que facilitará as atividades de pesquisa
tre Brasil e Estados Unidos. nesses pontos", conclui.
Os parceiros norte-ameri- O coordenador de Coopera-
canos partilham do entusiasmo de Paiva. ção Cientifica da Secretaria de Relações
"Conquistamos uma grande parceria. Tal- Internacionais (SRI) da Embrapa, Alexan-
vez seja a primeira vez que dois países dre Morais do Amaral, é outro entusias-
desenvolvem um sistema de dados abran- ta dessa parceria. "Esse é mais um ótimo
gente para atender demandas por informa- exemplo dos resultados do Programa Em-
ções sobre recursos genéticos animais", brapa Labex: o estreitamento de relações
declara o geneticista Harvey Blackburn, bilaterais com benefícios mútuos, com im-
pesquisador do NCGRP. Nos Estados Uni- pacto na solução de problemas da agricul-
dos, o Alelo Animal é chamado de Animal- tura brasileira. Não só nos beneficiamos da
-GRIN, sigla em inglês para Rede de Infor- expertise de nossos parceiros como tam-
mações de Recursos Genéticos. bém fomos fundamentais nesse trabalho",
O Alelo Animal permite que frisa o coordenador.
qualquer pessoa acesse dados sobre ma- Armazém de dados - Outra
teriais genéticos animais (sêmen, embriões, grande aplicação do Alelo será fornecer
DNA) armazenados nos bancos de germo- espaço para armazenamento de informa-
plasma do Brasil e dos Estados Unidos. ções geradas em pesquisas genéticas.
Caso exista interesse em utilizar o material "Hoje em dia, um trabalho com marcado-
encontrado para fins de pesquisa, comer- res moleculares em bovinos, por exemplo,
ciais ou outros, o interessado deve pre- pode facilmente usar 800 mil deles em
encher formulário que será analisado por cada animal analisado", conta Paiva. Esse
um comitê gestor, o qual poderá cedê-lo, volume gigantesco de informação não é
rejeitá-lo ou disponibilizá-lo sob determi- aproveitado em sua totalidade e muitos
nadas condições. O sistema trabalha com cientistas têm dificuldade em encontrar es-
diferentes níveis de usuários com restrições paço para guardar todos os resultados.
próprias para cada um deles e pode arma- O sistema terá um módulo
zenar até mesmo informações sensíveis específico de genômica que oferecerá es-
que serão divulgadas somente quando o paço para armazenamento e poderá ser
responsável permitir. Os dados norte-ame- partilhado pela comunidade científica. O
ricanos já estão na rede e os especialistas USDA-ARS já está incentivando a utiliza-
brasileiros devem terminar de inserir as in- ção desse serviço: os projetos financiados
formações do País nos próximos meses. por uma de suas agências prevê que parte
"Com o lançamento do siste- dos recursos seja destinada ao centro de
ma, o processo não terminou, pelo contrá- Fort Collins a fim de que os dados gerados
rio, agora estamos em posição de conhe- sejam lá armazenados por meio do Alelo

55
CGRFA-10

Harvey Blackburn: "Conquistamos


uma grande parceria. Talvez seja
a primeira vez que dois países Animal. tina e México já manifestaram interesse. "A
desenvolvem um sistema de dados "Ao estabelecer um padrão tendência é que, após utilizarem o sistema,
abrangente para atender demandas
por informações sobre recursos para acesso e armazenamento de dados os países também queiram participar dele
genéticos animais" genéticos, o Alelo Animal é um potencial inserindo suas próprias bases", conclui Sa-
candidato a servir de modelo para uma muel Paiva, prevendo que o próximo passo
base compartilhada mundialmente", acre- poderá ser a consolidação de um sistema
dita Paiva. O sistema já chamou atenção único de dados genéticos do continente
de publicações científicas que exigem dos americano.
autores a disponibilização pública dos da- Manual do usuário - Para
dos científicos que embasaram a pesqui- apresentar o Alelo Animal aos potenciais
sa. "Além disso, muitas vezes os dados usuários, a Embrapa e o USDA-ARS lança-
são publicados, mas são de difícil interpre- rão a primeira publicação conjunta assina-
tação por estarem incompletos ou mal or- da pelas duas instituições: um manual em
ganizados. A adoção de um padrão como versão digital do sistema com versões em
o do Alelo poderia eliminar esse problema", inglês e português. A edição em língua in-
analisa o pesquisador da Embrapa. glesa estará disponível até o fim de abril e
Os cientistas envolvidos no os organizadores esperam que o texto em
desenvolvimento do sistema também português esteja no ar nos próximos seis
apostam na sua ampliação com a adesão meses. Ambos poderão ser acessados
de outros países. Canadá, Uruguai, Argen- gratuitamente na internet.

56
57
Genética pecuária / Opinião

Genômica e melhoramento
genético em bovinos
Divulgação

*Fabiane Siqueira Estima-se que o genoma bo-


vino seja composto por cerca de 22 mil

N
o campo da genética molecular, genes e 2,87 bilhões de pares de nucle-
a mais importante descoberta do otídeos. Os genes são formados por seg-
século XX foi a da estrutura da mentos de DNA, os quais são responsáveis
molécula de DNA, em 1953, por James pela expressão de características que são
Watson e Francis Crick. Esse feito possibi- medidas nos bovinos como, por exemplo,
litou o desenvolvimento de métodos para peso em diferentes idades, ganho de peso,
analisar a estrutura e a função do material idade ao primeiro parto, período de lacta-
genético de equipamentos para análises ção, circunferência escrotal, espessura de
automatizadas de grandes quantidades gordura, maciez da carne, entre outras.
de amostras, de métodos estatísticos e Já os marcadores moleculares
de ferramentas de informática, resultan- são variações no genoma que caracteri-
do na ciência conhecida como genômica. zam as diferenças fenotípicas entre dois ou
Destaca-se ainda o surgimento de estudos mais indivíduos. Esses marcadores variam
aplicados ao melhoramento animal e a in- quanto à confiabilidade, à reprodutibilida-
serção de novas características de interes- de, ao custo de análise e à natureza de
se econômico nos programas de avaliação seu polimorfismo. Quando os marcadores
genética de bovinos. moleculares se mostram associados com
Essas características, geral- características de interesse, eles podem
mente, são influenciadas pelo meio am- constituir poderosa ferramenta no proces-
biente e controladas por muitos genes, so de melhoramento genético animal.
cada um contribuindo com pequeno efeito Entre os diversos tipos de mar-
sobre o fenótipo do animal, podendo resul- cadores, os polimorfismos de base única
tar em complexas interações gênicas. É (Single Nucleotide Polymorphism - SNP) se
possível mapear um gene ou blocos de ge- destacam na aplicação da genômica. Os
nes adjacentes que afetam as característi- SNPs são alterações em uma única base
cas quantitativas por meio de marcadores na molécula de DNA de um indivíduo em
moleculares em uma população e com de- comparação com um genoma de referên-
lineamento experimental, que origine dese- cia e estão distribuídos por todo o genoma.
quilíbrio de ligação (DL). O conceito de DL Esses marcadores podem ser analisados
refere-se à associação não aleatória entre simultaneamente em sistemas automatiza-
dois genes ou entre uma região genômica dos contendo milhares de SNPs, os cha-
associada a uma característica de interes- mados "chips de SNPs". A automatização
se e certo marcador molecular. permitiu que estudos genômicos pudes-

58
sem ser feitos com amostras contendo um contribuindo para um processo de seleção
grande número de indivíduos. genética mais eficiente. O intuito da GS é a
Tradicionalmente, as avalia- obtenção de um modelo que possa predi-
ções genéticas realizam a seleção dos zer o valor genético do indivíduo, mas que
animais com base em dados fenotípicos e não necessariamente determine genes es-
de pedigree. Esses valores são disponibili- pecíficos envolvidos no controle do fenóti-
zados na forma de Diferença Esperada na po em questão.
Progênie (DEP), que é a metade do valor O impacto dessas tecnologias
genético predito e representa o desvio es- requer a existência de banco de dados
perado da média dos filhos de um dado in- compostos por informações fenotípicas e
divíduo para uma característica em relação genotípicas de um grande número de in-
à base genética da população avaliada. divíduos. A genômica tem potencial de via-
Quanto mais precisa for a DEP, maior será bilizar nos programas de melhoramento a
o progresso genético obtido ao se utilizar inclusão de características de difícil men-
essas informações na seleção. Além dis- suração ou de alto custo, pois otimizará a
so, quanto mais precoce for a obtenção de avaliação genética, tornando possível pre-
DEPs, mais rápido se dará o avanço gené- dizer DEPs confiáveis, com menor volume
tico de um rebanho/população por unida- de dados e com redução nos intervalos de
de de tempo, como resultado do uso mais gerações.
intenso de animais jovens na reprodução. Em programas de melhora-
Os chips de SNPs podem ser mento de gado de leite os dados genô-
divididos em dois tipos: estudos de asso- micos utilizados junto aos fenotípicos e
ciação genômica ampla (Genome Wide genealógicos têm trazido benefícios ex-
Association Studies – GWAS) e seleção pressivos. Neste caso, a genômica vem
genômica (Genomic Selection – GS). A te- substituindo os testes de progênie, ferra-
oria da genética de associação e da se- menta tão importante onde o produtor não
leção genômica baseia-se no fato de que podia obter dados confiáveis de produção
análises realizadas com grande número de leite até as filhas de um touro entrarem
de marcadores espalhados por todo o ge- em lactação. Ao deixar de realizar o teste
noma aumentam a probabilidade de que de progênie, a indústria tem economizado
regiões associadas com características de milhões de dólares que eram destinados
interesse estejam em forte desequilíbrio de anualmente para testes de touros jovens.
ligação com os marcadores. Neste cenário, é fundamen-
Em GWAS são estudadas tal a transferência de conhecimentos e
grandes populações em que os indivídu- tecnologias gerados pela genômica apli-
os se relacionam entre si por meio de um cada, pois os avanços radicais em me-
ancestral comum em um dado tempo. Esta lhoramento genético animal só ocorrerão
técnica visa mapear regiões genômicas e se esses resultados forem incorporados à
identificar genes candidatos que influen- rotina dos produtores e em seus sistemas
ciam características de interesse econômi- de produção.
co. Já na GS pode ser estudada a própria
população de melhoramento, sendo o ob- *Fabiane Siqueira é pesqui-
jetivo utilizar os SNPs como ferramenta au- sadora de Genômica e Melhoramento
xiliar na predição de DEPs mais acuradas, Animal da Embrapa Gado de Corte

59
60
61
Pecuária

Fotos: Ale Carolo / alecarolo.com

Raça Sindi ganha

Castilho comemora
mercado no Brasil
por conta do leite
e da carne de alta
qualidade

sucesso da raça Sindi


A
Fazendas Reunidas Castilho pro- De acordo com o proprietário
moveu, dia 8 de abril, um Dia de da Tabaju, Adaldio José de Castilho Filho,
Campo para mostrar a pecuaristas há pouco mais de uma década a fazenda
de todo o País a versatilidade do gado Sin- possuía apenas um casal matriz de Sindi -
di, raça capaz de se adequar a situações Irapuru da Estiva e Jangada da Estiva -, e
adversas, por exemplo, em regiões de hoje o rebanho ultrapassa 100 animais sen-
escassos recursos alimentares, onde ha- do expostos por novos criadores. "Por mui-
veria dificuldade para criação de animais tos anos sonhei em ver a raça Sindi ser re-
de grande porte. Mais do que isso, a raça conhecida na pecuária produtiva nacional.
Sindi, que já se consagrou como importan- Na morte do meu tio Cito (José Cesário de
te gado leiteiro, tem conquistado cada vez Castilho) e do meu pai (Adaldio Castilho),
mais mercado no Brasil como um gado de passei a assumir o comando da raça para
excelentes características para os frigorífi- a família", conta o emotivo Adaldio.
cos. O encontro reuniu cerca de 150 pes- De fato, a recompensa pelo
soas na Fazenda Tabaju, em Sales, SP. trabalho pode ser atestada em todo o con-

62
texto da fazenda, bem organizada e com olho), ratio, marmoreio, abates técnicos,
animais de qualidade indiscutível. "Traba- desossa técnica e tipificação de carcaça
lhei e trabalho com muito amor e dedicação com a equipe da Universidade de Campi-
sem medir esforços e custos para mostrar nas (Unicamp). Recentemente passamos
o potencial da raça Sindi, fazendo testes a atuar fortemente no leite, colocando nos-
em todos os sentidos para gerar dados e sas matrizes no PMGZ leite e concursos
comprovarmos as verdadeiras aptidões leiteiros oficiais da ABCZ, para ajudar na
e qualidades do animal. Assim podemos seleção, mostrar e provar o potencial lei-
oferecer ao mercado produtos que corres- teiro de nosso rebanho", destaca Adaldio.
pondem aos anseios desejados", observa A parte final do encontro, an-
o pecuarista. tes do almoço oferecido por Castilho, ficou
No Dia de Campo, os partici- reservada para a mostra de animais. Confi-
pantes tiveram a oportunidade de assistir a ra as fotos do evento:
duas palestras sobre o desenvolvimento da
raça Sindi e os resultados de performances
tanto para o rebanho leiteiro quanto para o
de corte. A primeira apresentação falou so-
bre as ações práticas do Programa de Me-
lhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ),
desenvolvido pela Associação Brasileira
de Criadores de Zebu (ABCZ) desde 1992.
Já a segunda palestra traçou um panora-
ma sobre a produtividade da raça Sindi.
Após as apresentações, o
presidente da Associação Brasileira de
Criadores de Sindi (ABC Sindi), Ronaldo
Andrade Bichuette, e o empresário Adaldio
Castilho Filho descerraram uma placa em
homenagem ao empenho da família Casti-
lho pelo trabalho de preservação, seleção,
multiplicação e disseminação da raça Sindi
pelo Brasil desde 1936. "Há 79 anos minha
família iniciou a criação da raça. A Fazen-
das Reunidas Castilho é hoje, sem dúvida
nenhuma, referência nacional das verda-
deiras qualidades da raça Sindi", afirma
Adaldio.
"Atuamos na produção de car-
ne, leite e avaliamos nosso rebanho em
programas da ABCZ, PMGZ corte e leite,
PGP (prova de ganho de peso) e ultrasso-
nografia para avaliação de carcaça, pela
qual monitoramos AOL (área de lombo de

Raça rústica, mas ao mesmo tempo dócil. Aproxima-se


sem cerimônia das pessoas

63
Pecuária

Vaca Sindi da Castilho, de grande potencial


leiteiro, participa do PMGZ leite e de
concursos oficiais da ABCZ

Ao centro, Renata Coelho Delsin de


Castilho, esposa de Adaldio, com as filhas

64 Gabriela e Isabela
Adaldio se diverte com as travessuras de Pecuarista e empresário Adaldio José
seu gado Sindi no espaço para mostra de de Castilho Filho é acima de tudo um
animais apaixonado pela raça Sindi

Fotos: Ale Carolo / alecarolo.com

A pequena Carolina no colo da tia Isabela


Delsin de Castilho

65
Fotos: Ale Carolo / alecarolo.com

Pecuária

Raça Sindi é capaz de se adequar a


situações adversas, por exemplo, em
regiões de escassos recursos alimentares

66
Realização

CO
Feira Internacional dos Cerrados OPA - DF

10 a 14 de maio de 2016
Entrada franca

O mundo do agronegócio
NO CORAÇÃO DO BRASIL

Novidades tecnológicas

Exposição e comercialização
de máquinas e equipamentos
agropecuários

Exposição e comercialização
de caminhões, veículos
e equipamentos rodoviários

Exposição, comercialização e leilão de animais

Seminários e eventos técnicos

Espaço internacional

Espaço de Valorização da Agricultura Familiar - EVAF

Instituições financeiras, governamentais,


não-governamentais e internacionais

(61) 3339 6542 | 3226 5810


agrobrasilia@agrobrasilia.com.br | www.agrobrasilia.com.br
BR 251 - Km 5 PAD-DF - Brasília - DF

Revista Oficial Coordenação Patrocínio

CO
OPA - DF BANCO DE BRASÍLIA

Apoio

67
Suinocultura / Opinião

Bem-estar Animal: uma


exigência do mercado moderno
Ale Carolo / alecarolo.com
*Paola Buzollo fornecer aos produtores, processadores e
varejistas uma oportunidade de agregar

A
preocupação dos consumidores valor aos produtos e também atender às
com a forma de criação dos ani- exigências dos consumidores.
mais de produção, como são trans- Na Europa, existe há anos
portados e abatidos, vem crescendo muito certificações de bem-estar animal, como
nos últimos anos. Características ligadas o programa Freedom Food no Reino Uni-
ao bem-estar dos animais são cada vez do, por exemplo, que foi desenvolvido pela
mais reconhecidas dentro de um conceito Royal Society for the Prevention of Cruelty
amplo de qualidade do alimento e as in- to Animals (RSPCA) com base nos con-
dústrias e redes reconhecem que esta pre- ceitos das “Cinco Liberdades”, de acordo
ocupação do consumidor representa uma com a Declaração Universal de Bem-estar
oportunidade nova de negócio. Animal.
Um exemplo é a JBS – maior
empresa processadora de proteína animal Assim, todos os animais devem estar:
do mundo – que anunciou em 2015 o fim
das gaiolas de gestação para porcas re- • Livres de fome e sede;
produtoras em toda sua cadeia de forneci- • Livres de desconforto;
mento. Esta reestruturação deverá aconte- • Livres de dor, lesões e doenças;
cer até 2025. • Livres para expressar seu comporta-
Em 2013, o Ministério da Agri- mento natural;
cultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), • Livres de medo e estresse.
por intermédio do Banco Nacional de De-
senvolvimento Econômico e Social (BN- No Brasil, muitos produtores
DES), abriu uma linha de financiamento já adotam práticas mais responsáveis de
específico para a melhoria do bem-estar criação e abate animal. A origem desse
animal do setor produtivo. O Programa In- processo foi a criação da Humane Farm
centivo à Inovação Tecnológica na Produ- Animal Care (HFAC), organização não
ção Agropecuária (INOVAGRO) visa auxi- governamental norte-americana, que im-
liar os produtores rurais e as agroindústrias plantou o selo Certified Humane para os
a adequarem seus sistemas às boas práti- criadores de animais de produção (gado,
cas agropecuárias e bem-estar animal. aves, porcos, ovos e laticínios, entre ou-
Hoje, há demanda para que tros), e atua no Brasil por meio de parceria
se estabeleçam padrões de bem-estar com a Ecocert Brasil, organismo privado
animal para que haja discriminação des- de inspeção e certificação de produtos.
tes padrões nas embalagens dos produ- Uma questão que surgiu com
tos. Esta regulamentação é uma forma de esta popularização dos selos de certifica-

68
ção de bem-estar animal é que ainda não e seus tratadores;
existe uma metodologia como de avalia- • Ausência de medo.
ção. Estes programas podem diferir nos
critérios de avaliação, limites impostos de Os critérios estabelecidos
máximo/mínimo e forma de integração dos neste projeto são os aceitos pela União
critérios avaliados para o parecer final de Européia, sabidamente o mercado mais
determinado local. exigente quanto à procedência dos produ-
Até mesmo a avaliação por tos de origem animal que chegam às suas
meio da observação das cinco liberdades fronteiras.
apresenta problemas por ser considerada O bem-estar animal, além de
subjetiva e ampla demais. Para harmonizar ser uma questão ética, é um fator econô-
e tornar claro o sistema de mensuração do mico: não somente abre portas para novos
bem-estar animal, foi criado em 2004 o pro- mercados consumidores como também
jeto Welfare Quality, com a participação de promove o aumento da produtividade e da
mais de 40 instituições de pesquisa de 15 lucratividade do rebanho uma vez que in-
países, incluindo o Brasil. fluencia na quantidade e na qualidade da
carne e do leite produzidos.
O objetivo do projeto Welfare O motivo é evidente: animais
Quality foi criar um protocolo mais objetivo que vivem sob estresse não atingem seu
de mensuração do bem-estar animal com desempenho produtivo máximo, pois não
base nas cinco liberdades. Um conjunto se alimentam o suficiente, são mais susce-
de 12 critérios foi elaborado e deve servir tíveis a doenças e não resultam em produ-
como base para qualquer sistema de men- tos com a qualidade equivalente à de ani-
suração. Estes critérios são: mais vindos de ambientes adaptados.
Portanto, o bem-estar animal
• Ausência de fome prolongada; - junto a temas como responsabilidade
• Ausência de sede prolongada; ambiental, sustentabilidade, segurança
• Conforto em relação à área de des- alimentar e biodiversidade - ganha cada
canso; vez mais destaque, e deixa de ocupar um
• Conforto térmico; espaço “filosófico”, embasado na ética
• Facilidade de movimento; pessoal, para se tornar  aspecto prático,
• Ausência de lesões; quantificável e aplicável, passível de ser
• Ausência de doenças; valorado.
• Ausência de dor causada por práticas
de manejo (castração, por exemplo);
• Expressão de comportamento social
adequado, de forma que exista um equilí-
brio entre aspectos negativos (como agres- *Paola Buzollo é médica ve-
sividade) e positivos; terinária formada pela Universidade Es-
• Expressão adequada de outros com- tadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
portamentos que sejam compatíveis com a (Unesp), campus de Jaboticabal, SP. E-
espécie; -mail para contato: paolabuzollo@gmail.
• Interação adequada entre os animais com

69
70
71
Biotecnologia

Arquivo
O algodão se destaca entre

Brasil lidera crescimento


as culturas Geneticamente
Modificadas (GM) no Brasil.
Em 2015 a cotonicultura
nacional registrou uma
adoção de 73% de
variedades transgênicas,
ante os 66% de 2014
mundial da adoção
de transgênicos

O
Brasil cultivou 44,2 milhões de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA),
hectares (ha) com culturas trans- divulgado mundialmente no dia 13 de abril.
gênicas em 2015, um crescimento De acordo com o fundador e diretor emé-
de 5% em relação a 2014 ou o equivalente rito do ISAAA, Clive James, cada vez mais
a dois milhões de ha. Nenhum outro país agricultores estão plantando transgênicos
do mundo apresentou um crescimento tão porque eles são uma tecnologia rigorosa-
expressivo. Com essa área, a agricultura mente testada e cuja eficácia já foi com-
brasileira está atrás apenas dos Estados provada.
Unidos (70,9 milhões de ha) no ranking O ISAAA é uma organização
mundial de adoção de biotecnologia agrí- não governamental apoiada por entidades
cola. Em seguida, aparecem Argentina dos setores público e privado. O objetivo
(24,5 mi/ha), Índia (11,6 mi/ha), Canadá é fornecer informações à sociedade sobre
(11,0 mi/ha) e China (3,7 mi/ha). culturas GM para estimular uma discussão
Em todo o mundo, 28 países informada a respeito de sua contribuição
plantaram 179,7 milhões de hectares com para a segurança global em alimentos,
variedades geneticamente modificadas rações, fibras e combustíveis, e para uma
(GM). As informações são do relatório do agricultura mais sustentável.
Serviço Internacional para a Aquisição de No Brasil, a intensa adoção

72
dessa tecnologia no campo reflete a con- na, animal ou ao meio ambiente”, revela.
fiança que os produtores depositam nela. No País, a taxa média de ado-
Na outra ponta da cadeia, em 2015, a Co- ção para as três culturas GM já disponíveis
missão Técnica Nacional de Biosseguran- é de 91%. No caso da soja, 94% da área
ça (CTNBio) também aprovou um número foram plantadas com variedades transgêni-
recorde de novos produtos aplicáveis à cas, para o milho (safras de inverno e verão)
agricultura. Foram 14 plantas transgênicas a taxa foi de 84%. O destaque de 2015, po-
que expressam características que irão rém, foi o algodão, cuja adoção saiu de 66%
ajudar os agricultores de soja, milho e al- em 2014 para 73% naquele ano.
godão a manejar os desafios da lavoura e As altas taxas de adoção (en-
obter melhor rendimento em função da re- tre 90% e 100%) nos maiores mercados do
dução de perdas. mundo para a biotecnologia agrícola suge-
A diretora-executiva do Con- rem que, nos próximos anos, haverá pouco
selho de Informações sobre Biotecnologia espaço para crescimento. Isso implicará
(CIB), Adriana Brondani, destaca os fato- no surgimento de novos players, a exem-
res que contribuíram para esse desempe- plo de países asiáticos e africanos. Para
nho. “A competitividade do agronegócio Adriana Brondani, porém, esse cenário re-
brasileiro é resultado de uma forte sinergia presenta uma oportunidade para o Brasil.
entre as necessidades do campo, adoção “Dentre os países em que a biotecnologia
da biotecnologia agrícola e critério científi- está mais presente, o Brasil é o único que
co em avaliações de biossegurança”, afir- consegue expandir área sem avançar so-
ma. Entre as aprovações, cabe ressaltar o bre áreas de preservação, por meio da re-
primeiro eucalipto transgênico do mundo, cuperação de áreas degradadas”, explica.
liberado comercialmente em abril do ano
passado. Adriana Brondani: “A
competitividade do
O CIB, criado no Brasil em agronegócio brasileiro é
2001, é uma organização não governa- resultado de uma forte sinergia
entre as necessidades
mental sem fins lucrativos, cuja missão é do campo, adoção da
atuar na difusão de informações técnico- biotecnologia agrícola e critério
científico em avaliações de
-científicas sobre biotecnologia e suas apli- biossegurança”
cações na construção de uma sociedade
sustentável.
Após 20 anos de cultivos no
mundo (os primeiros plantios ocorreram
em 1995), os transgênicos se consolida-
ram como a tecnologia agrícola mais ra-
pidamente adotada na história recente
da agricultura. Adriana Brondani comenta
que, no Brasil, já são 17 anos de uso des-
sa tecnologia. “No Brasil e no mundo, ao
longo desse período de uso de organismos
geneticamente modificados (OGM), não há
um só estudo científico que tenha concluí-
do que eles causam danos à saúde huma-

Divulgação CIB

73
Biotecnologia

Destaques do relatório
global do ISAAA sobre
variedades GM
• Países desenvolvidos X países em desenvolvimento
Pelo quarto ano consecutivo, países em desenvolvimento adotaram mais transgê-
nicos (54%, ou 97,1 mi/ha) do que países industrializados (46%, ou 82,6 mi/ha). Além
disso, das 28 nações que utilizam a biotecnologia, 20 são países em desenvolvimento.

• Pequenos x médios e grandes agricultores


Dentre os cerca de 18 milhões de agricultores em todo mundo que já adotam a
biotecnologia agrícola, 90% são pequenos produtores. “A contínua adoção em países
em desenvolvimento comprova que a transgenia traz benefícios a todos”, afirma Clive
James.

• Múltiplas características
Transgênicos com mais de uma característica, também chamados de piramida-
dos, foram plantados em 58,5 milhões de ha, 33% de toda área cultivada com OGM
no mundo (aumento de 14% entre 2014 e 2015).

• Estados Unidos
Líder global na adoção de transgênicos, o país também é o que mais aprova cul-
turas GM com novas características. Em 2015 destacaram-se a batata (com 4 carac-
terísticas), a maçã (que não escurece quando cortada) e o salmão (primeiro animal
transgênico aprovado para consumo humano no mundo, que cresce mais rápido que
o peixe convencional).

• Índia
Em 2015, o país se tornou o maior produtor mundial de algodão. Nesse ano, 95%
da área cultivada foram compostos de sementes transgênicas.

• Futuro
Diversos órgãos de avaliação de biossegurança em todo mundo estão analisan-
do OGM com características como composição nutricional melhorada e tolerância à
seca, solos salinos e inundações. Nos EUA, a área plantada com milho tolerante à
seca, o primeiro do mundo, aumentou 15 vezes entre 2013 e 2015.

74
75
Sustentabilidade

Alamy Stock Photo

Agricultura sofrerá
Variações excessivas de
temperaturas por conta dos
Gases de Efeito Estufa vão
afetar em grande escala a
agricultura e a saúde física e

consequências das
mental da população

mudanças climáticas
A
té o fim deste século, as mudan- temente pelo Governo dos Estados Uni-
ças climáticas trarão efeitos dra- dos e que reúne uma série de estudos de
máticos para a sociedade ameri- diversas agências federais daquele país,
cana. O fenômeno, acelerado nos últimos como a Agência de Proteção Ambiental
100 anos pela emissão de gases de efeito (EPA) e o departamento de Administração
estufa (GEEs) oriundos dos combustíveis Oceanográfica e Atmosférica (NOAA).
fósseis (gasolina e diesel), além de cau- Segundo o consultor de
sar incêndios e inundações em áreas po- Emissões e Tecnologia da União da In-
pulosas, ocasionará variações excessivas dústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Alfred
de temperaturas que vão afetar em gran- Szwarc, embora a análise do trabalho se
de escala a agricultura e a saúde física e restrinja aos EUA, os cenários projetados
mental da população. devem servir de alerta e podem ser muito
Esta é a conclusão do re- parecidos ou até piores em outras partes
latório “U.S. Global Change Research do mundo. “As alterações climáticas já
Program’s assessment” divulgado recen- estão em curso e a sua intensificação po-

76
derá causar danos até maiores em países mudanças climáticas não trazem impacto
com estruturas econômicas e sociais mais “somente sobre as geleiras e ursos pola-
deficitárias”, avalia. Entretanto, o execu- res, mas para a saúde de nossas famílias”.
tivo complementa que há soluções para A executiva complementou dizendo que
frear este fenômeno. o aumento da temperatura terrestre “põe
“Uma das formas mais efica- em risco as fontes de comida e água, exa-
zes seria substituir gradativamente ener- cerbando efeitos de saúde já existentes e
gias fósseis por renováveis. Trocar a ga- criando novos.”
solina pelo etanol, capaz de reduzir em O documento, dividido em
até 90% a emissão de CO2 em relação ao nove capítulos e disponível em formato
seu concorrente fóssil, ou o carvão pelas digital, julga que a elevação da concen-
fontes biomassa, solar e eólica, seriam es- tração de dióxido de carbono na atmosfe-
tratégias comercialmente viáveis e que já ra vai influenciar negativamente algumas
foram adotadas em muitos lugares, como culturas agrícolas, como arroz e milho,
no Brasil e na Alemanha, por exemplo”, afetando a qualidade nutricional dos ali-
ressalta Szwarc. mentos. Além disso, variações meteo-
Gina McCarthy: "o
Relatório - De acordo com a rológicas tendem a aumentar o risco de
aumento da temperatura
expert em qualidade do ar e meio ambien- transmissão de salmonela e incidência terrestre põe em risco as
fontes de comida e água,
te da EPA, Gina McCarthy, o relatório ame- de doenças cardiovasculares. Será maior,
exacerbando efeitos de
ricano tem o objetivo de mostrar que as também, a ocorrência de asma e diabetes saúde já existentes e
criando novos”
Divulgação

77
Sustentabilidade

na população. internacional que simboliza este esforço


O trabalho prevê que o calor mundial, o Brasil se comprometeu a cor-
extremo nos EUA causará a morte prema- tar 43% das suas emissões de GEEs até
tura de 27 mil pessoas até 2100, ano em 2030 – em relação aos níveis de 2005. As
que, segundo a Organização das Nações metas incluem dois produtos derivados da
Unidas (ONU), a temperatura média mun- cana-de-açúcar, o etanol e a bioeletricida-
dial estará 4 graus acima da atual caso de. Nos próximos 14 anos, a participação
não haja uma considerável redução das de biocombustíveis, incluindo o sucroe-
emissões de gases de efeito estufa a par- nergético, deverá alcançar 18% no total
tir de agora. O fato é tão grave, que em da matriz energética. Já na matriz elétrica,
Uma das formas mais
eficazes seria substituir dezembro de 2015, 200 nações apresen- haverá um incremento de 10% para 23%
gradativamente energias
taram planos individuais neste sentido. no uso de energias renováveis (solar, eóli-
fósseis por renováveis. Este
caminhão, por exemplo, é No Acordo de Paris, tratado ca e biomassa). (Unica)
movido a etanol
Breaking Energy

78
Divulgação

Cooperativas de crédito crescem


mais rápido que bancos em 2015
Aluísio Alves, da Reuters cos de varejo, embora também tenham pio- Segundo Henrique
Vilares as cooperativas
rado com a recessão do país.

A
têm conseguido
s cooperativas de crédito brasileiras No Sicoob, o índice de inadim- um relacionamento
mais próximo e
tiveram crescimento dos financiamen- plência acima de 90 dias subiu de 1,7 por personalizado com os
tos em ritmo superior ao do sistema cento para 2,5 por cento no ano passado. No tomadores de crédito e
serviços financeiros do
bancário do País em 2015, aproveitando-se Sicredi, o índice passou de 1,99 para 2,4 por que os bancos
da alta capilaridade e da oferta de taxas mais cento. A média do sistema financeiro do país
competitivas num momento de juros em níveis era de 3,4 por cento no fim de 2015.
recordes. Maior do país no setor, com cerca Diante da retração no setor
de 3,2 milhões de sócios, o Sistema de Coo- bancário, as cooperativas estão aprovei-
perativas de Crédito do Brasil (Sicoob) fechou tando para expandir a oferta de serviços fi-
o ano passado com 34,7 bilhões de reais em nanceiros, incluindo cartões de crédito, con-
crédito, alta de 9,2 por cento ante 2014. sórcios, previdência e seguros. Mesmo em
Também com mais de 3 mi- caderneta de poupança, Sicoob e Sicredi
lhões de cooperados, o Sicredi viu sua car- conseguiram captação positiva no ano pas-
teira subir 8,1 por cento no período, a 30,6 sado, na contramão do mercado. Segundo
bilhões de reais. O estoque de crédito do sis- o presidente do Sicoob, Henrique Castilhano
tema financeiro do país subiu 6,6 por cento Vilares, esses números podem revelar que
em 2015, pior evolução da série histórica ini- as cooperativas têm conseguido um relacio-
ciada em 2007 pelo Banco Central. Se consi- namento mais próximo e personalizado com
derado apenas o crédito livre, que desconsi- os tomadores de crédito e serviços financei-
dera os financiamentos direcionados, como ros do que os bancos.
para habitação e rural, o avanço foi ainda "Diferente das instituições fi-
menor, de 3,7 por cento. nanceiras convencionais, os resultados das
Dado o relacionamento mais cooperativas retornam para o associado",
próximo com os tomadores em relação ao disse Vilares. O Sicoob se apresenta como
que ocorre na média do setor bancário, as a sétima maior instituição financeira do país,
cooperativas também têm conseguido man- com um patrimônio líquido de 13,88 bilhões
ter níveis de calotes inferiores aos dos ban- de reais.

79
Direito no Agronegócio

A arte de comercializar
*Marina Ribeiro Guimarães Mendonça

V
Ale Carolo / alecarolo.com
ocê sabe quais são as melhores es-
tratégias para acessar o mercado
de forma competitiva e aumentar
a lucratividade da sua atividade? Há inú-
meras novidades institucionais quanto à
disponibilização dos produtos ao consu-
midor final. E é na fase “da porteira para
fora” que muitos produtores ainda perdem
dinheiro e competitividade no mercado.
O complexo de segmentos
que envolve as cadeias produtivas no
campo evoluiu seguindo as tendências
de mercado, modo de produção, inserção
da tecnologia, mudanças institucionais,
como as leis sanitárias, normas de comer-
cialização, fiscalização, modalidade de
vendas e empresas facilitadoras, em meio
a uma diversidade de fatores e conjuntos
de operações.
Hoje, uma produção agrícola
compreende desde a elaboração de con-
tratos até a preservação do meio ambiente,
passando por marketing rural, agricultura
orgânica, certificações de origem, qualida-
de, produção, decisão sobre o melhor ca-
nal de distribuição devido à logística (pla-
nejamento, organização) e relacionamento
com os intermediários.
Há também exigências legais
de formalização da empresa, como e para
quem vender, agroindústria, entre outros.
Envolve uma série de fatores e conjunto de
operações que devem ser de conhecimen-
to do produtor, por despertar, ademais, um
novo mundo de mercado a ser explorado.
Conhecer os segmentos insti-
tucionais, de legislação, normas e instru-
ções da sua atividade ajuda na redução de

80
81
Direito no Agronegócio

custos da produção. Conhecer a vontade A mudança de comportamento do consu-


do consumidor final é fundamental para o midor final implica, ademais, em questões
bom desempenho da atividade rural, além ambientais. Por isso, atualmente a produ-
de diagnosticar tantos novos mercados ção de orgânicos é uma bela realidade
promissores. competitiva e rentável.
E são nessas mudanças de Pensando em gestão e aces-
mercado que se inclui o comportamento do so ao mercado, é possível planejar a diver-
consumidor final. Sim, o consumidor final. sificação da produção, seja in natura, seja
É ele quem dita novas regras de merca- agroindustrial ou artesanal e lucrar muito
do e todas as exigências de contratação, mais nas atividades do campo. Pois a sua
qualidade, tecnologia, modernização da terra vale muito!
produção, entre tantas outras. Ele é, e será
sempre, o alvo de qualquer produção rural.
A grande chave da comer-
cialização dos produtos rurais é, portanto,
diagnosticar a vontade do consumidor final
que é ponto final de qualquer produção ou
atividade rural. Isso independente da for-
ma de acesso do produtor ao mercado,
se direto, entre produtor e consumidor, ou
indireto, por meio de intermediários que
podem ser cooperativas, empresas públi-
cas ou privadas, associações e empresas
de armazenamento e beneficiamento. Não
importando, contudo, o tamanho da pro-
priedade e o tipo de produção. Todo elo da
cadeia produtiva deve se atentar ao com-
portamento do consumidor. Marina é filha de produtor ru-
A palavra de ordem no cam- ral. Advogada atuante na área de agrone-
po, portanto, é gestão. Com ela é possível gócio na região da “Alta Mogiana”(www.
diagnosticar, por exemplo, que a produ- sustentabilidade.adv.br) e projetos edu-
ção de cachaça orgânica vem ganhando cacionais ambientais. Mestre em Direitos
espaço no mundo todo e que o Brasil só Coletivos e Cidadania - Universidade de
cresce e se solidifica nesse setor. Já possui Ribeirão Preto (Unaerp). Pós-graduada
certificação para tal produto, o que agrega em Administração Escolar, Supervisão e
imensamente valor à cachaça. Ou a produ- Orientação. Palestrante e assessora em
ção de café gourmet que eleva a produção sindicatos, cooperativas, associações,
cafeeira brasileira e a coloca em patama- empresas agrícolas. Gerente Administra-
res de superioridade econômica. tiva da empresa Ribeiro Mendonça Con-
Vários produtores familiares sultoria em Agronegócio.
estão aderindo à ideia de qualificar os pro-
dutos rurais em decorrência do comporta- advmarinamendonca@hotmail.com
mento do público-alvo: o consumidor final. agronegocioribeiromendonca@bol.com.br

82
83
A EvOluçÃO NÃO PODE PArAr.
ExTrATOr PrIMárIO
Faixas refletivas
Calota de proteção
anti-vortex
Chapas de desgaste

SISTEMA DE GESTÃO
Monitor Pro 700+ com diagnósticos
operacionais e de manutenção
Mapas de produtividade
Piloto automático com linhas individuais ElEvADOr
Gerenciamento operacional e de Novo sistema
manutenção de giro com
“Soft Stop”

NOvO SISTEMA HIDráulIcO


DE FIlTrAGEM
FAcIlIDADE DE MANuTENçÃO Menor quantidade de troca
Agrupamentos de pontos de lubrificação de filtros por safra
Nova posição do filtro de combustível
Acesso externo aos rolamentos dos rolos
transportadores

MOTOr
Smart Cruise

cONFOrTO
Menos vibração e ruído
Tanque d’água para higienização
Sistema de iluminação de serviço
e tomadas de energia externa

MAIOr DISPONIbIlIDADE – ATé MENOr cuSTO OPErAcIONAl


EcONOMIA DE ATé MElHOr TEcNOlOGIA
+ 210 HOrAS/SAFrA
84 r$ 30 MIl/SAFrA DE GESTÃO