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Minélio Chemane

Grande Zimbabwe

Licenciatura em Ensino de Historia

Universidade Pedagógica

Maputo
2018

Minélio Chemane

Grande Zimbibwe

A presente Pesquisa será apresentado


no Departamento de História na Faculdade
de Ciências Sociais e Filosóficas na cadeira
de História de África até ao século XV com
fim de avaliação.

Supervisor:

Dr. Adolcido Matine

Universidade Pedagógica

Maputo

2018
Grande Zimbabwe 3

1. Origem e formação do Grande Zimbabwe 3

1.1. Hipóteses da origem do Grande Zimbabwe 3

2. Organização política do Grande Zimbabwe 4

3. Actividade económica do Grande Zimbabwe 4

4. Organização social do Grande Zimbabwe 5

5. Cultura do Grande Zimbabwe 6

6. A Religião no Grande Zimbabwe 7

7. Decadência do Grande Zimbabwe 7

Conclusão 8

Bibliografia final 9
Grande Zimbabwe
1. Origem e formação do Grande Zimbabwe
É imperioso referir que há várias teorias acerca da origem do Grande Zimbabwe, mas segundo
Fagan (2010, p. 599), afirma que Grande Zimbabwe tive sua origem através de realizações
essencialmente africana, construído com material local.

Grande Zimbabwe foi habitada por povos de tradição Gumanye 1, da linhagem Shona
que pertencem á idade de ferro recente entre século X-XI, que se aproxima a cultura
Leopard's Kopje. (Ibid., p. 600).

Departamento da História da UEM (2000, p. 31) advoga que o Estado de Zimbabwe


existiu entre 1250 – 1450, encobrindo os centros de poder do vale do Limpopo. E, teve esse
nome pois á aristocracia dominante fez-se rodear as suas habitações de amuralhados de pedra
conhecidos por madzimbabwe (no plural) no Zimbabwe (no singular).

1.1. Hipóteses da origem do Grande Zimbabwe


Segundo Fagan (2010, p. 601) na tentativa de explicar a formação do Estado
Zimbabwe surgiram duas hipóteses, a saber:

A primeira hipótese é do historiador Donald Abraham designado hipótese religiosa,


que baseia-se nas pesquisas orais de Shonas, onde afirma que estes exerciam uma influencia
política entre os chefes vassalos que pagavam-lhes tributo, em marfim e ouro em pó, mais
também mantinha relações comerciais com comerciantes árabes, mas o poder central do
Estado estava nas mãos dos Chefes e sacerdotes que controlavam o culto do Mwari e os
complexos rituais de sacrifícios aos ancestrais, servindo de intermediários entre o Mwari e o
povo. (Idem).

A segunda hipótese é comercial, afirma que o surgimento do Estado de Karanga deve-


se sobretudo, à intensificação das trocas comerciais com povos da costa oriental que
contribuíram para aumento das exportações e importações, e pressupõe que, numa sociedade
organizada por grupos de linhagens com mínimo de estratificação social, o chefe deverá ser o
homem mais rico em que riqueza é redistribuída aos demais membros da sociedade, e a
medida que se ampliam as trocas comerciais, a riqueza se acumula num pequeno grupo, que
mais tarde financia construções públicas, que resultaram na construção de enormes muralhas
1
A. Rita Ferreira (1982, p. 44) afirma que povos desta tradição a partir de ano 1100 d. C, graça a sua
riqueza decidiram empregar construções melhores de moradias, cercadas por mais altas e mais vastas muralhas.
de grande cercado e da acrópole, e foi assim que se criou o Estado através de expansão
comercial na costa oriental. (Ibid., p. 603).

2. Organização política do Grande Zimbabwe


De acordo Huffman (2010, p.797) o Estado de Zimbabwe dividia-se em três (3) graus
hierárquico a saber:

● Autoridade suprema representado por rei que habitava no Grande Zimbabwe


que tinha funções de controlar as actividades administrativas e de extracção de
ouro.
● Chefes regionais que habitavam nas casas amuralhados circunvizinhos, que
juntos com o conselho de anciões eram responsáveis pela discursão e
resolução de problemas.
● Classe inferior que habitava nas aldeias, composta pelos camponeses, artesões,
mineiros, pescadores, caçadores, que tinha uma relação de vassalagem com a
classe dominante.

Com base na divisão hierárquico proposto por Huffman, podemos construir a seguinte
estrutura política:

Rei – o chefe máximo ou soberano do Estado

Conselho de anciãos – auxiliava o rei nas decisões e assuntos do


Estado
Comunidade aldeã – exercia os ofícios ou actividades económicas do Estado

3. Actividade económica do Grande Zimbabwe


As actividades económicas predominantes no Grande Zimbabwe são diversas das
quais a agricultura itinerante, pastorícia, metalurgia do ferro e bronze, artesanato, comércio a
longa distancia e o tributo pago ao rei pelos chefes vassalos. De acordo com Sengulane (2007,
p. 250) com a chegada dos Bantu, a região austral de África transformou-se numa zona de
economia agrícola e pastoril; passou-se a praticar uma agricultura de subsistência, cultivando-
se sorgo, Mapira, Mexoeira, Milhete e tubérculos, e criava-se gado bovino e caprino.

Para além da agro-pecuária, os Bantu trouxeram a metalurgia do ferro, onde dos


objectos achados destaca-se enxadas, pregos, machados e, fundiam o cobre fim de produzirem
objectos, faziam cerâmica, onde as escavações arqueológicas feitas na região foram achados
objectos de ouro e de cobre; tigelas; esculturas em pedra. (Idem).

A afirmação de Sengulane é fortalecida pelo Fagan (1988, p. 614) destacando que a


metalurgia do cobre e do ferro era predominante no Grande Zimbabwe, fabricando vários
instrumentos de trabalho. O comércio a longa distancia e o artesanato é também, uma
actividade preponderante, conheciam os têxteis e se fabricava cerâmica.

O comércio, no Grande Zimbabwe, fazia-se sobretudo com os árabes de Kilwa, na


costa da África oriental, simultaneamente com persas, sírios e chineses. Segundo os relatos de
al-Masudi, já no século X, havia o comércio entre Kilwa e os povos da região do Grande
Zimbabwe. Tais relatos, Sengulane (2007, p. 51) acrescenta elevando que o florescimento de
comércio árabe na costa oriental de África tornou o Estado Zimbabwe num importante centro
comercial, reforçado pelas ruínas vizinhas ou distantes e, Manyikeni, situado no actual
território de Vilanculos, era um importante centro comercial regional do Grande Zimbabwe.

O Departamento de História da U.E.M (200, p. 32) entre os séculos XVI e XVII, a


zona de Manyikeni fazia parte do território de Sedanda, um estado vassalo do Estado
Mwenemutapa. Manyikeni podia controlar a Baía de Vilanculos e assegurar um rápido
escoamento de mercadorias, construindo uma dinastia e um entreposto. Nas trocas comerciais,
importava-se diversos produtos de pouco valor como missangas de vidro, porcelanas, e
garrafas de vidro; provavelmente, esses produtos eram trocados, sobretudo, por ouro, marfim
e entre outros produtos, e as principais rotas comerciais eram o rio Save e a via terrestre que
ligava o porto de Quelimane a Sena e Tete, ambos na margem do Zambeze.

4. Organização social do Grande Zimbabwe


Beach (1980, p. 43) referência que as descobertas arqueológicas concluíram que a
sociedade no Grande Zimbabué era estritamente organizada, isto é, estava claramente
dividida, os mais abastados tinham mais espaço para habitar que as pessoas comuns e tinham
uma quantidade admirável de bens importados.

De acordo com Huffman (1981, p. 135) os Shonas eram polígamos (possuíam várias
esposas). Tradições orais indicam que as pessoas do Grande Zimbabwe viviam por baixo das
colinas. Collins (2007, p. 166) acrescenta que nos madzimbabwe, viviam os membros mais
modestos da sociedade, abastados de estilo de vida da classe superior.
Segundo, Huffman (2010, p.794) entre os planaltos de Zimbabwe tinha-se
desenvolvido uma aristocracia nas famílias alargadas, clãs e tribos. Os anciãos fundadores das
famílias tinham tarefas importantes tais como, organização das tarefas produtivas e
ornamentos dos excedentes produzidos pelas populações com o melhoramento das técnicas.

Com base nos teóricos dos autores acima citados podemos, construir seguinte esquema
da organização social do Grande Zimbabwe:

Rei

Nobreza, o conselho de ancião, os comerciantes e os chefes


militares
Comunidade aldeã (camponeses, artesãos e pastores)

5. Cultura do Grande Zimbabwe


A organização cultural, do Grande Zimbabwe é muito simples, eles organizavam-se
em linhagem, sistema que consistia num conjunto de indivíduos tendo em comum um
ancestral, do qual se reclama, em virtude de uma regra de filiação unilinear (Armindo, 2002,
p. 160). Contudo, esse povo praticava o culto de adoração a uma divindade comum "Mwari"
(deus ancestral do povo) que consistia em uma ideologia de união entre o povo no seu todo,
reforçado a sua coesão.

Este assunto, Fagan (2010, p. 612) reforça dizendo que o Grande Zimbabwe tinha a
impressão de uma autoridade política e religiosa extremamente poderosa, incontestada, cujo
domínio sobre uma população rural dispersa pelo país baseava-se em alguma espécie de
crença unificadora, compartilhada por todas as famílias, nos poderes do Mwaridivino ou
divindade, ou seja, o aspecto cultural, sobretudo político, era uma forma de manter-se a
estabilidade no reino, bem como reforçar o espírito de irmandade e solidariedade entre a
população.

Segundo Huffman apud Liesegang (2017, 140) diz que no Grande Zimbabwe teria
existido ritos de iniciação feminina tanto masculino, que era feita num local secreto, neste
caso no mato. Os ritos de iniciação serviam de passagem de uma vida de infância para vida
adulta, a prática de ritos de iniciação no Grande Zimbabwe, servia como um instrumento de
coesão social e para além da prática de ritos de iniciação, praticavam o culto dos mortos ou
ritos funerários. (Ibid., p. 147).
6. A Religião no Grande Zimbabwe
De acordo com Liesegang (2017, p. 156) Grande Zimbabwe para o seu
funcionamento, auxiliava-se das instituições religiosas (médium, sacerdotes), que estavam
ligados aos defuntos da dinastia e mantinham controlo através da sua autoridade espiritual.
Mesmo ao nível de casas devia haver alguém, talvez uma ou mais princesas, com essa função
ritual de sacerdotisas e para a manutenção do fogo sagrado.

Tinham também um templo onde celebravam o culto misterioso do rei divino, e


também o culto do deus do ouro, tais cultos tinham como intenção a providência de chuvas,
que lhes era concebida pelas divindades, e acreditavam também que mwave2, feito do pó de
uma árvore venenosa, era uma como técnica que podia ser usado para detectar feiticeiros.
(Ibid., p. 146).

7. Decadência do Grande Zimbabwe


De acordo com Sengulane (2007, p. 251) o Grande Zimbabwe foi abandonado no
século XV, conforme as fontes realçam. As razoes económicas terão motivado o facto. No
entanto, por outro lado, a população vivia de uma agricultura de subsistência, baseada na
exploração intensa da terra, com o esgotamento dos solos férteis, causado pelo sobre
pastoreio, originou-se o nomadismo agrícola, que afastava as populações para zonas cada vez
mais longínquas do Grande Zimbabwe, ou seja, a procura de melhores terras e/ou férteis para
a agricultura.

Essas causas supraditas são reforçadas por Fagan (1988, p. 618) realçando que pelo
final do século XV, o Grande Zimbabwe começa a ser abandonado por boa parte de sua
população. As forcas associadas ao poder económico e político deslocaram-se para o sul e
para o este, sob chefia do poderoso clã rozwi que faz emergir um soberano hereditário
Mwenemutapa (senhor do saque) que leva uma boa parte da população.

Contudo, o Departamento de Historia da U.E.M (2000, p. 32) acrescenta nas razoes da


decadência do Grande Zimbabwe, o abandono e/ou a marginalização de Manyikeni, nos
séculos XVI-XVII, que terá contribuído na fragmentação do Grande Zimbabwe nos estados
Bútua e Mwenemutapa a partir do século XV, orientando para o comercio do vale do

2
O autor sugere que o termo “mwave” significa “inovação”.
Zambeze depois de 1450, bem coo a implantação da autoridade politico - militar portuguesa
em Sofala (1505) e na Ilha de Moçambique (1507).
Conclusão
Concluímos que não há uma unanimidade nos teóricos acerca do tempo cronológico
da existência do Grande Zimbabwe, existe vários postulados com propósito de descrever o gr
ande império que foi este Estado, uns são racista justificando que engenhosidade empreendida
na construção do Grande Zimbabwe, não pertencia aos africanos, postulado esse que foi
derrubado com os estudos com rigor científico.

Os vários teóricos concordam que o Grande Zimbabwe, conheceu o seu auge entre
1250-1450, ano este que começa sua decadência gradual.

O Grande Zimbabwe foi um Estado que ergueu-se entre Zambeze e Limpopo,


caracterizado por casas feitas de pedra, com uma sociedade divida em classes, com uma
religião do culto do Mwari ou dos antepassados que serviam de base ideológico para
administração desse vasto Estado, pelos reis.

Vários factores são invocados para explicarem a decadência ou o fim brusco desse
império, os factores económicos e ecológicos parecem ser os mais favoráveis na explicação
da decadência do Grande Zimbabwe.
Bibliografia final
BEACH, David N. The Shona and neighbors. Ed. Wiley Blackwell: 1980.

Departamento de História da UEM. História de Moçambique. 2ª. Ed. Maputo, Livraria

Universitária: 2000.

FAGAN, Brian Marry. As bacias do Zambeze e do Limpopo, entre 1100 e 1500. In

NIANE, Djabril Tamsir (coord.). História geral de África. Brasília: UNESCO,

Volume IV, 2010.

HUFFMAN, Thomas N. A África meridional ao sul Zambeze. InELFASI, Mohammed


(coord.). História geralde África. Brasília: UNESCO, Volume III, 2010.

HUFFMAN, Thomas N. The rise and fall of Zimbabwe. Ed. The Journal of African

History: 1981.

LIESEGANG, Gerhard.À Descoberta de Moçambique: Origem Bantu e suas

Civilizações. Maputo, Livraria Universitária: 2017.

SENGULANE, Hipólito. Das primeiras economias ao nascimento daEconomia -

Mundo. 2ª. Ed. Maputo, Universidade Pedagógica: 2007.