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Minélio Chemane

Relações entre portugueses e a população/ estados locais

Licenciatura em Ensino de História

Universidade Pedagógica

Maputo

2019
Minélio Chemane

A presente Pesquisa será apresentado no


Departamento de Ciências Sociais na
Relações entre portugueses e a
Faculdade de Ciências Sociais e
população/ estados locais
Filosóficas na cadeira de História
Moçambique do século XVI ao século
XVIII com fim de avaliação.

Docentes: Prof. Dra. Maria Amida Maman &

Dr. Bruno Cuamba

Universidade Pedagógica

Maputo

2019
Índice
0. Introdução...........................................................................................................1

1. Objectivos...........................................................................................................1

1.1. Objectivo geral............................................................................................1

1.2. Objectivos Específicos................................................................................1

1.3. Metodologia.................................................................................................1

1. Relações entre portugueses e a população/ estados locais..................................2

1.1. O Estado Dos Mutapas................................................................................2

1.2. Relações entre os prazos e população.........................................................3

1.3. Relações entre os Portugueses de Sena com os Chefes Locais...................3

1.4. O Estado Dos Changamires Rózuis.............................................................4

1.5. O Reino De Manica.....................................................................................5

1.6. O Reino Do Báruè.......................................................................................5

1.7. Reino De Teve.............................................................................................6

1.8. Os Tongas Do Baixo Zambeze....................................................................6

2. Conclusão............................................................................................................7

3. Bibliografia.........................................................................................................8
1. Introdução

A presente pesquisa enquadra-se no âmbito do trabalho científico exigido na Cadeira História


Moçambique do século XVI ao século XVIII.
Com este trabalho não pretendo apresentar um estudo acabado sobre “ as Relações entre
portugueses e a população/ estados locais no centro de Moçambique no século XVIII”, mas
sim dar a conhecer os pressupostos das relações dessas duas comunidades. Pretende-se, ao
mesmo tempo, analisar as relações nesta região de Moçambique colonial. Procura-se
compreender, em primeiro lugar, como é que, ao longo de um período de um século, foi sendo
equacionada e resolvida as «questões que punham frente a frente as populações locais e os
portugueses», ou seja, que tipos de relações existiam entre os diferentes grupos que compunham
a população deste território com os portugueses.

O mesmo contém uma linguagem clara e objectiva, procurando ser de fácil percepção ao
leitor e evitando criar um paradoxo1 naquilo que é a essência do próprio tema em análise.

1. Objectivos
1.1. Objectivo geral
Compreender o tipo de ralação existente entre os portugueses e a população no centro de
Moçambique no século XVIII.
1.2. Objectivos Específicos
Identificar os estados do centro de Moçambique que tinham relações com os portugueses
no século XVIII.
Descrever as relações que os estados tinham com os portugueses.
1.3. Metodologia

Para a elaboração deste trabalho, baseou-se na recolha de dados bibliográficos, para chegar-
se a conclusões provavelmente aceites de modo a interpretarmos os dados colectados.

2. Relações entre portugueses e a população/ estados locais


1
Paradoxo é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação
que contradiz a intuição comum. Ou pode ser o oposto do que alguém pensa ser a verdade.
2

2.1. O Estado Dos Mutapas

Com a presença portuguesa e o seu domínio sobre os Mutapas a erosão da economia natural
das Mushas tornou-se tão evidente nos meados do século XVIII que milhares de camponeses
passaram a dedicar menos tempos à agricultura e a mineração quer directamente para os
portugueses quer para o Muenemutapa. As minas acudiam milhares de pessoas e, por vezes, os
alimentos, provocados por deficientes condições técnicas de produção ceifavam a vida de outros
tantos milhares. (Departamento de História, Universidade Eduardo Mondlane, p. 57)

Deste modo, competia aos chefes africanos a exploração das minas, a organização do
trabalho, a recolha da produção e a negociação com os comerciantes. Entretanto, alguns chefes
africanos concederam minas para que fossem exploradas por portugueses. (Antunes, 1998, p.
71).

Como nas terras livres dos régulos, a mineração nas terras “cedidas” a portugueses era
realizada por mão-de-obra africana, sendo feita, quase exclusivamente, por mulheres. Elas
trabalhavam mais ou menos quatro meses por ano, sempre depois das cheias que arrastavam as
areias auríferas das encostas para os vales. A entrega do ouro deveria ser diária e, durante dois
dias da semana, as mulheres podiam minerar por conta própria. Todavia, elas deveriam empregar
o ouro na compra de mercadorias vendidas por comerciantes autorizados pelos régulos e
instalados nos “bares”. Os “bares” eram terras pertencentes aos régulos africanos que haviam
sido cedidas à Coroa Portuguesa para exploração mineira (Lobato, 1957, p. 243).

Em 1750, Quelimane (no litoral), Sena e Tete (no interior e margeando o rio Zambeze)
formavam as capitanias das Terras da Coroa. Como indicamos, a principal actividade económica
desenvolvida na região de Moçambique era o comércio; os espaços destinados à prática
mercantil formavam, no território dos Rios de Sena, as capitanias das Feiras, que também
ficavam sob os cuidados de um capitão. A organização destas capitanias dava-se da seguinte
maneira: os régulos africanos concediam à Coroa Portuguesa terrenos para a construção de
fortins, ou feitorias, guarnecidos de pequenos destacamentos militares. Nestas feitorias,
pertencentes à Fazenda Real, eram realizadas as feiras, em certas épocas do ano ou
continuamente. Nas feiras, efectuavam-se as transacções comerciais e se concentrava o comércio
de cada região mineira fora das Terras da Coroa (Lobato, 1957, p. 39). As feiras mais
3

importantes eram as de Manica e Zumbo. O terceiro grupo de capitanias existentes nas terras que
compunham a capitania de Rios de Sena era o dos Bares, constituídos por terras sempre
pertencentes aos régulos locais que, mediante indemnização, autorizavam à Coroa Portuguesa a
prática da mineração. (Idem)

Lobato (1957) informa que os bares também podiam funcionar como feiras, mas diferiam
entre si, na medida em que o território da feira pertencia aos portugueses e, no caso dos bares,
era mera concessão (p. 39).

2.2. Relações entre os prazos e população

Segundo Departamento de História, Universidade Eduardo Mondlane (2000, p. 51) no século


XVIII Gonçalo Caetano Pereira, o fundador de uma dinastia “prazeira” e do Estado de Macanga,
chegou a casar-se com uma filha do Undi reinante e começou a sua vida como prospector de
ouro na mina de Java, utilizando mulheres escravas.
Os camponeses da mushas tinham a seu cargo a produção material de subsistências,
canalizadas parcialmente para a aristocracia prazeira através da relação de produção,
fundamental expressa no mussoco, uma renda em géneros. (Ibid., p. 59)
O mesmo autor ressalta que são vários os casos de senhores dos prazos que contraíram
matrimónio com mulheres pertencentes às linhagens africanas mais importantes, registando-se
ainda o caso de uma família afro-portuguesa que conseguiu usurpar um importante título
dinástico africano – o de Chicucuru – que passou para as mãos do Caetano pereira. (Newitt, 2012
p. 216)
2.3. Relações entre os Portugueses de Sena com os Chefes Locais

Os portugueses de Sena estabeleceram relações com os régulos vizinhos consoante as


circunstancias. Umas vezes, relações amistosas, de boa vizinhança, e noutras, quando os seus
interesses estavam em jogo, entraram em choque com os chefes locais chegando a atacá-los. Por
vez, os régulos circunvizinhos tentaram aproximar-se deles, através de doação de terras, envio de
mensageiros com presentes e, em certas ocasiões, pedindo ajuda nos seus conflitos. (Maman
2000, p. 28)
Vários factos relatados na época testemunham essas relações. Os colonos e escravos que
viviam nas terras dos foreiros, quando sujeitos a pesadas pensões e hostilidades, refugiavam-se
4

nas terras dos régulos vizinhos, criando relações tensas entre estes e os moradores da vila, pois as
suas terras ficavam despovoadas e arruinadas. Esses moradores tentavam recuperar os seus
trabalhadores enviando presentes aos régulos que, muitas vezes, os recebiam e não mandavam os
fugitivos de volta, respondendo aos enviados que os cativos fugidos não estavam nas suas terras.
(Idem)
Em 1755, os moradores de Sena queixavam-se do régulo Inhanpedico que abrigava os
fugitivos nas suas terras. Numa petição ao brigadeiro general David Marques Perreira, os
moradores de Sena davam a conhecer que nas terras desse régulo e mais régulos do Bororo
refugiavam-se os cativos fugidos das suas terras. (Ibid., 29)
Ouro acontecimento que retrata as relações entre moradores de Sena e os régulos deu-se em
1756, tendo ainda como causa o asilo dado pelos chefes locais aos escravos. Dessa atitude
resultou a formação dum exército conjunto dos seus proprietários para castigar os régulos.
(Idem)
Ainda no tocante à administração das diferentes localidades que compunham o território
designado por Capitania de Moçambique e Rios de Sena, é importante mencionar que, ao longo
do século XVIII, ocorreram alguns conflitos entre os governadores de Moçambique e de Sena.
Em um episódio, o governador e capitão-general de Moçambique, Francisco de Melo de Castro,
ordenou que o governador e tenente-general dos Rios de Sena, brigadeiro David Marques
Pereira, abandonassem as terras conquistadas à força e pertencentes aos chefes africanos;
todavia, o tenente-general desobedeceu a seu superior e ignorou suas atribuições de “manter a
paz com os chefes vizinhos” (Rodrigues, 1998, p. 247).

2.4. O Estado Dos Changamires Rózuis

Sem dúvida que, no século XVIII, constituiu o mais poderoso Estado africano ao sul do
Zambeze. Os Changamires recorreram a três métodos básicos para estenderem a sua influência:
concessões de terras, colecta de tributos e intervenção em sucessões políticas. Essa influência
esteve longe de pacificar as relações entre os chefes chonas-carangas: em certos casos pode
mesmo afirmasse que o século XVIII foi mais conflituoso que o posterior, caracterizado pelas
enormes depredações dos guerreiros Angunes. De facto, as histórias dinásticas revelam
pronunciado grau de instabilidade, traduzida em migrações maciças, lutas de sucessão, guerras
sangrentas entre tribos rivais, etc. (Rita Ferreira, p.139) a hegemonia dos Rozvi no planalto
5

permaneceu inquestionável durante todo o século XVIII, e embora os Portugueses tivessem sido
capazes de negociar com os povos das terras altas atrases das feiras de Manica e de Zumbo perto
da junção do Luangwa com Zambeze, bem como pelo porto de Inhambane a sul, fora erguida
uma barreira à sua expansão. (Newitt, 2012, p. 100)

2.5. O Reino De Manica

Segundo Rita-Ferreira (1982), a feira portuguesa pôde ser reaberta em 1719 por João de
Távora Sampaio que se fez acompanhar por vinte soldados da Coroa e pelos seus próprios
servidores. Mas as relações dos Chicangas com as autoridades da Coroa e com os particulares
ditos portugueses foram, no século XVIII, caracterizadas por constantes incidentes provocados
pelas decisões reais visando controlar a extracção aurífera e aumentar os rendimentos. Segundo
um memorial datado de 7 de Dezembro de 1751, atribuído a Manuel Gonçalves Gaio, essa
«guerra fria» havia sido iniciada dezassete anos antes. (p. 142)
Compreende-se que a presença militar portuguesa se tenha tornado cada vez mais
insignificante. Quando em 1752 o Chicanga reinante, num gesto de boa vontade, fez uma
pequena concessão de terras ao novo Governador-Geral, este relatou que aceitara a dádiva com
relutância porque reconhecia a sua impotência para conceder eficaz protecção armada aos
monarcas manicas, vivendo sob permanente receio de ataques inimigos. (Idem)

2.6. O Reino Do Báruè

Os dirigentes do Báruè cobravam direitos de passagem às caravanas que, do vale do


Zambeze, se dirigiam a Manica e Teve. Em 1768 os mussambazes do negociante Pereira Gaio
não foram apenas proibidos de transitar: as suas mercadorias foram pura e simplesmente
confiscadas. Para conseguirem a devolução foram constrangidos a entregar os presentes
exigidos. (Rita-Ferreira, 1982, p. 144)

A importância dada ao livre-trânsito pelo Báruè ressaltou em 1794/5 quando o Macombe


Gange foi sucedido por Sazua. Os representantes da Coroa Portuguesa enviados à cerimónia de
investidura foram instruídos a celebrar com o novo monarca um tratado que garantisse a
passagem a troco do habitual tributo anual, binzo. (Idem)

2.7. Reino De Teve


6

A expulsão do planalto levou alguns indivíduos de nacionalidade portuguesa a estabelecer-se


ao longo da faixa litoral, em terras dos Sa-chiteves. Um deles, J. da Fonseca Coutinho, tentou
mesmo colocar no poder um pretendente da sua preferência. Algumas minas foram então
reabertas. Mas o seu protegido foi posto em fuga e obrigado a procurar asilo em Sofala. Coutinho
não deixou de manter boas relações com a casa real, porque, posteriormente, lhe foi atribuída
jurisdição sobre vários nhamacangas, pequenos chefes, situados entre Sofala e o Buzi. Também
recebeu o título de Mai Deca. Foi dos primeiros a estender a sua actividade comercial até ao
Bazaruto. (Rita-Ferreira, 1982, p. 145)
Um tal R. Pereira Barros casou com uma das filhas do Sachiteve, recebeu o título de Matire e
algumas povoações perto de Sofala, dando origem a uma linhagem real. O Sachiteve Bandarenhe
também concedeu, em 1740, terras a um J. de Pinho Soares, com atribuições de chefia. Também
à viúva de João Pires, morto por um rebelde, foi doada a ilha de Chironde, no Punguè. (Idem)
Sob pressão dos distantes Changamires, continuaram os portugueses de origem ou
assimilação a ser excluídos das zonas auríferas. Aconteceu mesmo que, em meados do século,
um dos monarcas foi destronado e morto pelos seus chefes porque pretendia reabrir as minas e
autorizar a sua exploração por gente daquela nacionalidade. (Idem)

2.8. Os Tongas Do Baixo Zambeze

Os Tongas por todo o século XVIII, estreitaram-se a integração dos Tongas na sociedade dos
Prazos. Tal se infere, entre muita outra documentação, da célebre «memória» de António Pinto
de Miranda (c. 1766) que diz textualmente: «Mucenses e butongas são os moradores das terras,
os quais não são cativos, mas pagam os tributos delas e estão prontos para qualquer serviço dos
Senhorios». Gamitto, no século seguinte, especificará que os termos «butongas» e «mucenzes»
se aplicavam, respectivamente, aos «colonos dos Prazos» em Tete e Sena. (Rita-Ferreira, 1982,
p. 149)
Allen Isaacman Apud Rita-Ferreira (1982) menciona as razões que não raros levavam os
chefes tongas a procurarem, voluntariamente, a protecção dos Senhores dos Prazos (p. 149)

3. Conclusão

Com a presente pesquisa chegou-se a conclusão que nos reinos que existiram e pertenceram
a região centro de Moçambique tiveram relações amistosas, de boa vizinhança em outras
7

ocasiões tiveram relações conflituosas isso porque os interesses do povo local ou dos
portugueses estava em jogo. Muitas das vezes verifica-se que os portugueses sempre em suas
relações queriam sempre ganhar e o que beneficiava era o poderio militar que os mesmos
possuíam saindo assim em vantagem em relação aos reinos locais.
Nesse poderio militar verificou-se uma grande reviravolta quando os portugueses quiseram
tomar as zonas auríferas da dinastia dos Changamires Rozvi. Porque esses no centro de
Moçambique eram os mais temidos devido ao seu poderio militar derrotaram os portugueses e
expulsara-os das suas terras. Assim os portugueses refugiaram-se em zonas que os chefes locais
eram menos fortes militarmente em relação a eles.
Nas relações de amistosas entre os portugueses e chefes locais os portugueses recebiam dos
chefes terras, presentes e em troca os chefes pediam ajuda nos portugueses para ajudarem em
situações de conflitos entre os chefes locais.

4. Bibliografia

ANTUNES, L.F.D. Os mercadores baneanes guzerates no comércio e navegação da Costa


Oriental Africana (século XVIII). In: Seminário Moçambique: navegações,
Comércio e Técnicas, Maputo, 1998.
8

DEPARTAMENTO DE, UEM. História de Moçambique. Vol. 1, Livraria Universitária,


Maputo, 2000.
LOBATO, A. Evolução administrativa e económica de Moçambique 1752-1763. Agência Geral
do Ultramar, Lisboa, 1957.
MAMAN, Amida. Subsídios para a História de Sena. Promedia, 2000.
NEWITT, Malyn. História de Moçambique. Europa-América, Lda., Portugal, 2012.
RITA-FERREIRA, A. Fixação Portuguesa e História Pré-Colonial de Moçambique. Junta de
Investigação do Ultramar, Lisboa, 1982
RODRIGUES, E. Os portugueses e o Bive: um caso de formação de prazos nos Rios de Sena no
Século XVIII. In: Seminário Moçambique: Navegações, Comércio e técnicas, Maputo, 1998.