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Linhagem Iniciática Duez – Pedutti

Ordre Martiniste Opérant


Notas históricas sobre a origem da Ordem.

 Este referido texto tem a intenção de mostrar de forma resumida os principais


acontecimentos históricos sobre a criação da Ordem Martinista e seu
desenvolvimento através de seus principais lideres e precursores, esse movimento
iniciático nos dias de hoje tem varias ramificações e linhagens no mundo inteiro
manifestado em nosso plano físico pelas diversas Ordens Martinistas, onde cada
uma delas conta sua origem e historia.

As origens do Martinismo remontam ao século XVIII que foram de fortes


transformações em toda a Europa, conhecido como o século das Luzes ou mais
conhecido como movimento iluminista que percorreu o século XVII até o próximo.
Neste contexto de transformações como um todo, o que hoje é conhecido como
Tradição Iniciática Ocidental ou Tradição Esotérica Ocidental foi modelada o sistema
hierárquico de Ordens Iniciáticas tomando vigor no século XIX.

Estas ordens iniciáticas foram creditadas como detentoras de uma sucessão espiritual
que remonta aos primórdios que resultou na Tradição Iniciática Ocidental, neste sentido
somente tais ordens detinham os conhecimentos milenares e eram as guardiãs de seus
segredos. Dentre estas ordens podemos citar o Martinismo, que teve sua formação em
base da tradição judaico-cristã, um dos pilares ou manancial do que chamamos Tradição
Iniciática Ocidental.

Na historia das ordens iniciáticas, o Martinismo tem destaque como uma das principais
organizações mundiais que floresceram no mundo, alcançando países como a Rússia e
toda a América. Pessoas de grande influencia como lideres mundiais, personalidades de
diversas camadas da sociedade fizeram parte e ainda fazem desta importante instituição
iniciática.

Em 1727 em Grenoble na França nasceu Jacques de Livron Joachim de la Tour de la


Casa Martines de Pasqually provavelmente de ascendência judaico-espanhola, porem
em seus arquivos dizia professar a fé católica romana. Dedicou sua vida a sua obra
iniciática e a expansão de sua ordem fundada chamada Cavaleiros Elus Cohen do
Universo.

Martines de Pasqually desenvolveu em sua ordem iniciática um forte trabalho


conhecido como teurgia, palavra que etimologicamente advêm do grego theoi,
"Deuses", e ergon, "obra", que poderia ser visto como "Obra Divina", mas também
"Obra de Deus" ou "produzindo a obra dos deuses". Em 20 de setembro de 1774 em
Puerto Príncipe falece.

Teurgia faz referência a uma modalidade de magia cerimonial que busca através de
práticas como orações e rituais incorporar uma manifestação divina no praticante; além
de uma aproximação pura e profunda com a divindade em questão. Busca a perfeita
comunhão com Deus e a hierarquia celestial (anjos e arcanjos), obtida através de
técnicas cerimonialistas como rituais, preces, exercícios e estudos. Possui muita
influencia do cristianismo esotérico.

O inicio de todos os trabalhos e estudos de Martinez de Pasqually era visto como sendo
uma prática mágica operativa em que o praticante usa o meio externo para ter contato
com o plano arquetípico (divino) e dessa forma, alcançar a comunhão com as forças
superiores. Permitindo aos homens se reconciliar com sua dimensão divina, Pasqually
chamava esta via de Reconciliação (um processo individual) que deve preceder a
Reintegração (um processo coletivo).

Começando a desenvolver seu trabalho de forma publica a partir de 1754,


principalmente nas lojas maçônicas em Toulouse e mais tarde em Bordeaux.
Desenvolvendo uma doutrina complexa sobre a Criação e a missão atribuída aos
Homens, rapidamente se estabeleceu como um teósofo de primeira ordem (não
confundir com o termo e segmento conhecido como Sociedade Teosófica de Helena
Blavatsky fundada em 1875).

Influenciou notavelmente seus principais discípulos: Louis Claude de Saint-Martin e


Jean-Baptiste Willermoz, que reconheceram em Pasqually um Mestre. O primeiro
mestre para Saint-martin.

Louis Claude de Saint-Martin (1743-1803) acreditava que não precisava de todo esse
aparato ritualístico para acessar o interno e ter contato com o divino. Seguindo essa
linha de pensamento desenvolve um trabalho baseado em meditações e preces com
influencias de outros métodos e vertentes com forte base na teurgia de seu mestre.

A este trabalho Saint-Martin chamou de senda mística cardíaca ou senda do coração,


mais conhecido como via cardíaca. Considerava a teurgia perigosa e temerária e não
adequada a todos os tipos de estruturação psíquica, sendo um sistema que se precisava
de muita habilidade e conhecimento e por essas considerações desenvolveu um trabalho
mais interno, reconhecendo que todas as forças estão dentro do operador, dessa forma
não sendo preciso todo o cerimonialismo externo.

Saint Martin neste sentido estruturou o seu trabalho na ótica do coração como base,
onde cada buscador iria despertar a sua consciência conforme seu desenvolvimento ou
percepção e aos poucos transcender em um processo interno. Neste sentido passou a
praticar a teurgia de forma interna, de forma que o próprio Martines de Pasqually não
desconsiderava, porem achava que era estreito demais, sendo assim fechado.

Enquanto Pasqually praticava uma teurgia mais cerimonialista e ritualizada onde os


anjos tem uma grande importância, sendo estes os servos de Hely a Sabedoria Divina.
Para a teurgia pelo entendimento de Saint-Martin o Anjo do grande conselho, o Cristo,
torna-se o único mediador indispensável. O nascimento de um novo homem “um outro
Cristo entre nós” advém da anunciação do santo anjo da guarda e o casamento com a
Sabedoria, explica Saint-Martin.

De 1775 até sua morte Saint-Martin publicou diversos livros sob o pseudônimo de
Filósofo Desconhecido, ficando afamado com este nome. Viajou por diversos países,
segundo consta alguns documentos em 1788 conheceu as obras de Jacob Boehme
(1575-1624). Este filósofo foi de grande importância em sua senda que aprendeu
alemão e traduziu suas obras se aprofundando em sofiologia (doutrina da Sabedoria
Divina).

A partir do conhecimento das obras de Jacob Boehme, Saint-Martin passou a considerar


Boehme seu segundo mestre, em suas celebres frases disse: “É a Martinès de Pasqually
que devo minha Iniciação às verdades superiores, e é a Jacob Boehme que devo os
passos mais importantes que dei nessas verdades”.

Embora Saint-Martin tivesse conseguido ter muitos leitores de sua obra, incluindo ter
alcançado a Russia com o seu trabalho, assim como, ter alguns discípulos próximos e
diretos que ficou conhecido pelo nome de Sociedade dos Íntimos, além de algumas
cartas privadas suas relatando a existência de grupos se reunindo em círculos pela
Europa e Rússia ele não fundou nenhuma ordem iniciática, sociedade, rito ou transmitiu
qualquer tipo de ritual de iniciação.

Saint-Martin tinha em mente que a verdadeira iniciação se realizava no coração do novo


homem, sendo este órgão a representação do amor e do conhecimento superior. Para ele
a iniciação ritualizada era somente auxiliar. Em seu entendimento a iniciação era única,
chamada de iniciação livre de forma que o iniciador transmitia ao iniciado e confiada a
graça divina, onde dessa forma quem a recebia também poderia transmitir, tornando-se
assim um iniciador.

Após a transição de Saint-Martin, seus ensinamentos continuaram de forma ininterrupta.


Seus discípulos continuaram seu trabalho e formaram novos iniciados em toda Europa e
Rússia. Neste sentido os ensinamentos continuaram ser transmitidos de forma pessoal e
privada e não organizado e estruturado. Segundo algumas documentações na França
dois discípulos direto de Saint-Martin chamados de Jean-Antoine Chaptal (falecido em
1832) e o Abade da Noue (falecido em 1820) foram os precursores do que hoje
conhecemos como Ordem Martinista.

O termo martinista é usado como forma de homenagem ao legado de Saint-Martin e tem


seus primeiros registros ou uso nas obras de Eliphas Levi (1810 – 1875), porem
somente através de Dr. Gerard Encausse mais conhecido como Papus que este segmento
passou a ter uma estrutura ritualística e foi organizada como uma ordem iniciatica.

Gérard Anaclet Vincent Encausse nascido em La Corunha na Espanha no dia 13 de


Julho de 1865 e falecido em Paris França no dia 25 de Outubro de 1916, mais conhecido
pelo pseudônimo de Papus, foi um médico, escritor, ocultista, rosacrucianista, cabalista,
maçom e fundador do martinismo moderno.
Investigador de muitos grupos ocultos de seu tempo, tendo contato com diversos
fundadores de ordens iniciáticas renomadas, vem se tornar um dos mais famosos
ocultistas da virada do século, O nome "Papus" significa o médico da primeira hora,
aquele que não mede sacrifícios para atender seus semelhantes. Foi retirado do
Nuctameron de Apolônio de Tiana.

Papus recebeu em 1882 a iniciação martinista de Superior Incognito (SI) pelas mãos de
Henri Delaage antes de sua morte, que por sua vez dizia que vinha da filiação de
Chaptal, embora seja ignorado o nome de seu iniciador ou qualquer comprovação que o
mesmo tenha sido iniciado por esta via sucessória.

Chaptal faleceu em 1832, dessa forma não tinha como iniciar Dalaage nascido em 1825.
Dalaage tinha apenas 7 anos, Papus alegava que “um dos alunos diretos de Saint-
Martin, o Sr Chaptal foi avô de Dalaage”. Porem não foi encontrado qualquer
comprovação a respeito dessas informações, assim como, de uma possível transmissão.

Robert Ambelain (1907 – 1997) notável ocultista, historiador e herdeiro das principais
ordens iniciáticas da tradição Ocidental, conta em um de seus livros que Agustín
Chaboseau, Jean Moréas, Charles Maurras e Gerard Encausse se reuniam todas as
terças-feiras em um pequeno restaurante na Riviera. Nestes encontros tanto Chaboseau
quanto Papus observaram que ambos tinham uma filiação martinista que remontava a
Saint-Martin.

Philippe Encausse (1906-1984) filho do Papus, assim como, outros documentos


informam que após esta conversação no restaurante Papus e Chaboseau trocaram
iniciações. Dessa forma intercalaram suas filiações martinistas, encerrando
questionamentos e a hipótese de Papus ter uma filiação questionável sobre sua linha
sucessória que remonta até Saint-Martin.

Pierre-Augustin Chaboseau (17 Junho 1868 – 2 Janeiro 1946) bibliotecário, literário,


escritor, estudante de medicina, pesquisador de culturas orientais (principalmente
budismo). Foi iniciado por sua tia a marquesa Amélie de Boisse-Mortemart. Se
tornando em 1886 SI, estando dessa forma ligado à linhagem de iniciados martinistas
que ascende a Louis-Claude de Saint-Martin.

Saint Martin transmitiu a iniciação que ele era depositário ao Abade de Lanoüe, em cuja
casa em Aunay, perto de Sceaux, onde sua casa ainda permanece e habitou por certo
tempo e transmitiu também a Chaptal, Conde de Chanteloup. A linhagem iniciática
martinista que ascende a Saint-Martin, pelas vias diretas de Chaboseau e de Papus
advém das seguintes filiações:

Filiação martinista de Agustín Chaboseau:


1) Louis-Claude de Saint-Martin
2) Abbé de la Noue
3) Joseph Antoine-Marie Hennequin
4) Henri de la Touche
5) Adolphe Desbarolles
6) Madame Amélie de Boisse-Mortemart
7) Agustín Chaboseau

Filiação martinista de Gerard Encausse:


1) Louis-Claude de Saint-Martin
2) Jean-Antoine Chaptal
3) X-Iniciador desconhecido: Chaptal faleceu em 1832, e neste ano Delaage,
nascido em 1825, tinha apenas sete anos, neste sentido falta um iniciador na cadeia
de Papus.
4) Henri Delaage
5) Gerard Encausse

Organograma explicativo das filiações de Chaboseau e Papus.

Vale ressaltar que antes desse encontro entre Papus e Chaboseau ainda não existia uma
ordem martinista, Papus decide estruturar todo esse trabalho e conhecimento e dessa
forma em 1891 fundou uma ordem a qual chamou de Ordem Martinista juntamente com
Chaboseau Na França. Constituida como uma ordem iniciática e com rituais
estabelecidos.

Papus e Chaboseau formaram o primeiro Supremo Conselho em 1891 juntamente com


mais 10 ocultistas renomados, muitos deles lideres de organizações iniciáticas e
sociedades difusora de ciências ocultas. Pode-se dizer que os primeiros martinistas
foram estes que formaram a ordem e fundaram primeiro Conselho Supremo. Estes
célebres precursores foram:

Stanislas de Guaita – Chamuel – Sedir (Yvon Le loup) – Paul Adam –Maurice Barrès
(amigo de Stanislas de Guaita) – Jules Lejay – Montière – Charles Barlet –Jacques
Burget , e Joséphin Péladan (estes , junto com Papus e Chaboseau, constituíram os
primeiros doze membros simbólicos). Mais tarde, Barrès foi substituído por Dr. Marc
Haven e Joséphin Péladan foi substituído por Victor Emile Michelet.

Papus foi eleito o primeiro presidente deste Conselho Supremo, a ordem cresceu
rapidamente sob sua direção. A partir de 1900 a Ordem Martinista já estava em quase
todos os países do mundo e contava com mais de centenas de membros. Papus se
transformou em referencia no Martinismo e suas obras uma importante fonte de estudos
para seus membros e todos aqueles que se interessam tanto pelo Martinismo quanto pela
Tradição Ocidental.

Papus até então não sabia que a transmissão dos Elus Cohen ainda tinha seus
representantes e dessa forma não havia sido quebrada. Em Lyon havia os irmãos
Bergeron e Bréban-Salomon, na Dinamarca Carl Michelsen e nos Estados Unidos
Dr.Edward Blitz. Estes afirmavam haver recebido as devidas transmissões, Dr. Edward
Blitz afirmava ser Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa e altos graus do Memphis-
Misraim e sucessor direto de Willermoz e de Antoine Pont.

Dr. Blitz após ter feito contato com Papus se tornou Presidente do Grande Conselho da
Ordem Martinista para os EUA, decidindo formar a Ordem Martinista neste país de
acordo com a tradição maçônica. Tinha como representante na França Dr. Fugairon e
mais tarde Charles Détré (Téder) que comungava desse mesmo pensamento de ligar a
Ordem Martinista aos altos graus da Maçonaria.

Em decorrência de modificar consideravelmente a Ordem Martinista nos EUA, Dr. Blitz


teve sua carta patente retirada pelo Conselho Supremo, sendo substituída pela Sra.
Margareth B. Peeke detentora do grau 33 na obediência Droit Humain, vindo a falecer
em 1908.

Papus e Charles Détré (Teder) nascido em 27 de maio de 1855 em Vincennes na França


e falecido em 26 de setembro de 1918 em Clermont-Ferrand também na França, em
1908 seguindo os ideais de Martinez de Pasqually e J.B.Willermoz, organizaram em
Paris o Congresso dos Ritos Maçônicos Espiritualistas com o objetivo de unir a sua
Ordem Martinista aos altos graus da Maçonaria. Em 1911 Papus assina um decreto
Reconhecendo a Ecclesia Gnostica Universal como igreja oficial do Martinismo.

Dessa forma em 1914 através de um acordo com o Dr. E. de Ribeaucourt Grão Mestre
do Rito Escocês Retificado e Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa foi decidido criar um
Grande Capitulo Martinista com o nome de INRI, composto somente por maçons dos
altos graus com o intuito de ser criado o vinculo entre o Martinismo e a Maçonaria, em
especial o Regime Retificado.
As turbulências provocadas pela primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a consequente
morte de Papus em 1916, juntamente com mudanças ocorridas no Grão Mestrado do
Rito Escocês Retificado na França impediram a realização deste objetivo. Após a morte
de Papus o Conselho Supremo da Ordem Martinista foi se desfazendo e grande maioria
de seus membros criaram suas Ordens Martinistas valendo de suas linhas inicáticas e
sucessórias.

Charles Détré (Teder) sucede Papus no Grão Mestrado da Ordem Martinista em 1916,
transmitindo seus poderes em 1918 e sendo sucedido por Jean Bricaud, nascido em 11
de fevereiro de 1881 em Neuville-sur-Ain França e falecido em 21 de fevereiro de 1934
em Francheville, França de Lyon.

Com a liderança de Bricaud, a Ordem Martinista foi reorganizada após a guerra. A


ordem foi mudada de paris para Lyon e foi estabelecida uma base maçônica para ser
iniciado no Martinismo, dessa forma somente os maçons possuidores do grau de mestre
poderiam adentrar a ordem. Como pretendia Papus e Teder, seguindo as ideias de
Pasqually e Willermoz.

Jean Bricaud afirmava que teve contato com outros altos dignitários e representantes do
Conselho Supremo, assim como, com Dr. Blitz por intermédio do Dr. Fugarion e do
próprio Teder. Afirmou também que esteve com os últimos representantes oficiais de
Willermoz, em Lyon recebendo seus ensinamentos. Fundamentado nessas afirmativas
Bricaud então coloca em pratica o Congresso dos Ritos Maçônicos Espiritualistas de
1908 elaborado por Papus e Teder.

Pela liderança de Bricaud para receber os graus da Ordem Martinista era necessário ser
mestre maçom para ser iniciado no primeiro grau martinista e para receber as demais
iniciações possuir os graus escoceses segundo uma hierarquia. Neste ponto a ordem
concebida por Papus é totalmente reformulada e fechada a não maçons e mulheres,
assim como, tendo seu nome mudado sendo conhecida como Ordem Martinista de
Lyon.

Este ramo Lyones tinha um centro de divulgações chamado Colégio do Ocultismo onde
realizavam palestras e conferencias em geral sobre ocultismo e espiritualidade. Duas
lojas do Rito de Memphis-Mizraim transmitiam aos neófitos do Martinismo as
iniciações maçônicas que eram exigidas para o ingresso, assim como, o Grande Priorado
Frances então presidido por Dr. Camille Savoire transmitia a iniciação dos Cavaleiros
Benfeitor da Cidade Santa.

A partir dessas exigências iniciadas por Papus e Detre em 1916 e consolidadas por
Bricaud, ocorreu às criações das diversas Ordens Martinistas pelos demais membros do
Conselho Supremo que não aceitavam esta exigência maçônica. Em 1934 Bricaud foi
sucedido por Constantin Chevillon nascido em 26 de outubro em Annoire, França e
falecido em 23 de março de 1944 em Lyon, França.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), as sociedades iniciáticas sofreram
uma forte perseguição e foram sumariamente proibidas de funcionar. Seus membros
perseguidos de forma perversa, diversas prisões e assassinatos. Dessa forma houve um
grande período de silencio e clandestinidade nos movimentos iniciáticos.

Neste período da Segunda Guerra Mundial, as ordens iniciáticas operaram de forma


muito silenciosa e clandestinamente. Mesmo sobre fortes perigos altos dignitários
esconderam em suas casas ritos e documentos e deram continuidade aos trabalhos
iniciáticos.

Nestes esforços três altos iniciados dentre eles Robert Ambelain (1907 – 1997) e
Georges Bogé de Lagrèze (1882 – 1946) nome esotérico Mikaël, Inspetor Principal da
Ordem Martinista que detinha todas as filiações e iniciações das principais ordens
iniciaticas e maçônicas em 1943 despertam a Ordem dos Elus Cohen, segundo alguns
documentos preservando uma linha ininterrupta de transmissão.

Foi assim que em 23 de março de 1944 Constantin Chevillon Grão Mestre da Ordem,
foi assassinado a tiros de metralhadora após ter sido levado de casa pelas milícias
ligadas ao Governo de Vichy nesta época. Neste período viveu-se a grande obscuridade,
sendo proibido qualquer tipo de divulgações de assuntos relacionados à espiritualidade
em geral e ordens iniciáticas.

Constantin Chevillon foi sucedido por Henri-Charles Dupont (1944-1958) seguindo


vivo o ramo do Martinismo de Lyon. Philippe Encausse, filho de Papus herda o ramo
Lyones após 1960.

Alguns membros do Conselho Supremo decidiram permanecer seguindo as orientações


antigas e os ideais de Saint-Martin, onde não era necessária filiação maçônica para ser
martinista além da aceitação de mulheres em seus quadros, dessa forma configuraram as
ramificações.

Victor Blanchard funda a Ordem Martinista e Sinárquica em 3 de janeiro de 1921

Da mesma forma que não aceitavam a autoridade de Chevillon e Dupont, alguns


remanescentes do Conselho Supremo original também não aceitavam a de Blachard.
Chaboseau que havia estado com Papus desde o principio era um deles, em algumas
fontes de correspondências pessoais encontrados por pesquisadores Chaboseau como
um dos fundadores da ordem original não poderia aceitar a autoridade de Blanchard,
pois o mesmo foi seu aluno na Ordem.

Em 1931 e fundaram a Ordem Martinista Tradicional, tendo como Grão Mestre Victor
Emíle Michelet sucedido por Augustin Chaboseau que foi sucedido por Jean
Chaboseau.

Joules Boucher em 1948 fundou a Ordem Martinista Retificada vindo a falecer em 1955
e pouco se sabe a respeito dessa Ordem Martinista. Outros movimentos foram surgindo
ao longo do tempo.
Em 1952, Philippe Encausse (1906-1984) filho de Papus desperta a Ordem Martinista
de seu pai, que junto com seu círculo editou uma tradução a partir da fonte autêntica da
doutrina traduzidos por Sédir e seguindo as antigas estruturas sendo aberto às mulheres
e para não maçons .

Antes de morrer em 1958, Dupont fundiu sua Ordem Martinista de Lyon com a Ordem
Martinista de Philippe Encausse. Robert Ambelain (1907-1997) concorda em unificar
sua linhagem de Elus Cohen com a da Ordem Martinista de Encausse e a Ordem
Martinista de Lyon.

Henry Charles Dupont, Soberano Grão-Mestre da Ordem Martinista-Martinezista (ex-


Ordem Martinista de Lyon), em um sábado do dia 13 de agosto de 1960 designou
Philippe Encausse filho de Papus e Soberano Grão-Mestre da Ordem Martinista como
seu sucessor único e regular. Henry Charles Dupont faleceu aos 84 anos de idade, em 1º
de outubro de 1960, às 22 horas, em Coutances.

Henri Dupont transmitiu os poderes que detinha como Hierofante (33º-90º-97º) do Rito
Oriental Antigo e Primitivo de Memphis e Misraim para Ambelain.

UNIÃO DAS ORDENS MARTINISTAS

Câmara de Direção

Artigo I

Em uma reunião fraternal celebrada em Paris, em um domingo no dia 26 de outubro de


1958, por iniciativa do Doutor Philippe Encausse, congregando os representantes
qualificados do Martinismo de Tradição, constitui-se uma “União das Ordens
Martinistas”, dirigida pelos três únicos sucessores legítimos atuais desse Martinismo, a
saber:

a-) A Ordem Martinista-Martinezista (Ramo de Lyon), da qual é Soberano Grão-Mestre


o Muito Ilustre Irmão Henri Charles Dupont, como sucessor legítimo e regular dos
Muito Ilustres e lembrados Irmãos Téder, Bricaud e Chevillon, sucessão que remonta ao
ano 1916, quando da morte do Muito Ilustre e saudoso Irmão Papus, falecido a 25 de
outubro desse ano, cujo aniversário de morte comemorou-se no cemitério de Père
Lachaise, na véspera da referida reunião.

b-) A Ordem Martinista, da qual é Soberano Grão-Mestre o Muito Ilustre Irmão


Philippe Encausse, como sucessor natural e regular do Muito Ilustre Irmão Doutor
Gérard Encausse, chamado “Papus”, seu pai - Ordem reativada no ano 1951, em Paris.

c-) A Ordem Martinista dos Elu-Cohen, da qual é o Soberano Grão-Mestre o Muito


Ilustre Irmão Robert Ambelaim, uma vez que foi nomeado Grão-Mestre Substituto
pelos Ilustres e lembrados Irmãos Georges Lagreze e Camille Savoire, “Cavaleiros
Benfeitores da Cidade Santa”; tinha tal caráter por ocasião do despertar da Ordem em
1942 e era detentora regular dos arquivos autênticos (século XVIII) do Martinezismo.
Artigo II

O organismo diretor desta União das Ordens Martinistas é uma Câmara de Direção
formada por seis membros, composta pelos três Grão-Mestres acima nomeados e por
outros tantos Irmãos Assistentes, substitutos de cada um deles.

Artigo III

A União das Ordens Martinistas tem como objetivo essencial de manter os contatos
mais fraternais entre os Irmãos das três Ordens, por meio de visitas recíprocas entre os
Grupos e Lojas e pela participação em conferências comuns.

Artigo IV

A Câmara de Direção velará por intermédio de seus Membros, com plena confiança e
sinceridade, em que o Supremo Conselho de cada uma das três Ordens e a Comissão
examinadora de cada uma delas, dirija e orientem lealmente os candidatos eventuais,
ainda profanos, atendendo os interesses e tendências espirituais de cada um desses
candidatos, para a Ordem cuja orientação espiritual melhor corresponda às suas próprias
tendências e suas capacidades físicas, psíquicas e espirituais: O Martinismo de Saint-
Martin (Via Cardíaca); o Martinismo de Dom Martinez de Pasqually (Via “Operativa”);

Artigo V

Considerando que as três Ordens Martinistas constituintes representam as três fontes


autenticamente indiscutíveis do Martinismo Moderno, de diversos graus e diferentes
ângulos: Martinismo, Willermozismo e Martinezismo; considerando que todos os
Grupos Martinistas atuais, no plano internacional, derivam todos sem exceção, seja do
Movimento fundado em 1891 pelo ilustre Irmão Gérard Encausse (Papus), que foi
assessorado pelo Ilustre e não menos lembrado Irmão Augustin Chaboseau; seja do
Regime pró-maçônico dos Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa, constituído em
Lyon, em 1778 pelo muito Ilustre e lembrado Irmão Jean-Baptiste Willermoz (Eques ab
Eresmo); seja (se esta fonte ainda existe em sua pureza primitiva) da Ordem dos
Cavaleiros Maçons Elu-Cohen, fundada em 1758 por Dom Martinez de Pasqually em
Bordéus (Bordeaux) desta maneira, todos os grupos Martinistas internacionais, quanto
à sua própria origem, derivam seus poderes de constituição, de alguma destas três
Ordens, que tiveram sua origem na França e que ainda existem em tal país.

Por estas razões, a União das Ordens Martinistas declara-se habilitada para conferir,
somente ela, por meio de uma das três Ordens que a compõem, os poderes de
constituição de novos Grupos Martinistas internacionais, como para confirmar aos já
existentes os poderes que detenham.

Detentora, pelas três Ordens que a compõem, das Tradições e dos arquivos do
Martinismo autêntico e regular, a União das Ordens Martinistas considera-se igualmente
habilitada para zelar pela conservação da pureza primitiva das duas vias tradicionais
desta Escola: O Martinismo de Saint-Martin (Via Cardíaca). O Martinezismo de Don
Martinez de Pasqually (Via Operativa).

Artigo VI

Para levar a efeito a decisão solene do domingo de 26 de outubro de 1958, a União das
Ordens Martinistas decide: que sua Câmara de Direção se reunirá, por pelo menos,
quatro vezes ao ano, sem prejuízo também quando justifiquem as necessidades ou as
circunstâncias. Em princípio, tais sessões realizar-se-ão no primeiro domingo que siga a
um equinócio ou solstício.

Artigo VII

A Câmara de Direção preocupar-se-á, no prazo mais breve possível, em voltar a tomar


contato com os diversos Grupos Martinistas estrangeiros. Procederá com toda
sinceridade e lealdade ao resolver, imparcialmente, as divergências que possam surgir
entre duas organizações Martinistas de um mesmo Estado. Com o objetivo de obter que
os Martinistas do estrangeiro, de todas as tendências, voltem a unir-se fraternalmente
pelo bem da Tradição Comum, a Câmara de Direção cuidará para que se constituam,
com a maior brevidade, Ordens que, no plano nacional e estrangeiro, repitam o que
realizou a União das Ordens Martinistas, em Paris, no domingo do dia 26 de outubro de
1958. É preciso obter, em um breve prazo, que os Irmãos do estrangeiro voltem a se
encontrar nas Cadeias de União que, por serem diferentes em sua própria organização e
em suas práticas externas, estarão, no entanto, iluminadas por uma Luz comum. Com
efeito, trata-se de uma União, de um agrupamento das Ordens Martinistas, nas quais
cada uma conserva sua independência; porém, têm tantos pontos comuns em suas
origem e em seus fins, que não podem continuar ignorando-se e, por isso, devem unir
seus esforços no prosseguimento dos trabalhos e realizações, no domínio do Espírito.”

Artigo VIII

Em caso de demissão ou falecimento de um Membro-Assistente, o Grão-Mestre do qual


obteve diretamente seu cargo, deverá designar seu sucessor.
No caso de falecimento de algum dos três Grão-Mestres, seu sucessor na Câmara de
Direção será ipso-facto o Grão-Mestre que se nomeie ou lhe suceda.

Artigo IX

A Câmara de Direção está facultada para outorgar plenos poderes e para conferir
mandato de representação a qualquer Irmão de alguma das três Ordens que ela ache
conveniente nomear, para o propósito de que a represente em qualquer Convenção,
Assembléia, Posse de Grupo ou de Loja, tanto no plano nacional como no
internacional.”

Artigo X
Toda a correspondência relacionada com a Câmara de Direção deverá ser dirigida ao
Doutor Philippe Encausse, 46 Bld. de Montparnasse, em Paris (15 e), França que a
encaminhará aos interessados.

A revista L’Initiation (A iniciação), fundada por Papus em 1888, publicada sob sua
direção desde 1888 até 1914 e novamente impressa desde 1953, sob a direção do muito
Ilustre Irmão Philippe Encausse, como órgão oficial da Ordem Martinista, passa a ser
órgão oficial da União das Ordens Martinistas. Cada uma das três Ordens disporá de
certo número de páginas para publicação a partir de 1959.

Artigo XI

Os Irmãos signatários, titulares e assistentes, ao firmarem o presente texto que serve de


Estatuto e de Convenção, reconhecem que, com isso comprometem, não só sua honra,
em consideração aos artigos que o constituem, mas também a das Ordens que lhes
outorgaram mandatos e lhes deram poder para agir em seu nome.

Subscrito em Paris, domingo, 15 de dezembro de 1958 e firmado com o Selo de cada


Ordem.

Subscrito em París, no Domingo 15 de Dezembro de 1958 e selado com o Selo de cada


Orden.

Seguem as assinaturas, no que concerne aos Soberanos Grãos Mestres:

- Orden Martinista-Martinezista: Henri Dupont.

- Orden Martinista: Philippe Encausse.

- Orden Martinista de los Elus Cohen: Robert Ambelain.

Em 1º de dezembro de 1959, os três Grão-Mestres decidiram uniformizar no âmbito das


três Ordens as palavras, sinais e toques, tanto para os Associados, como para os
Iniciados e para os Superiores Incógnitos.

Nesta união não consta a Ordem Martinista e Sinárquica (Grã-Bretanha, entre outros
países) e a Ordem Martinista Tradicional. A Ordem Martinista e Sinárquica concede o
direito de visita aos membros (regularmente iniciados) das Ordens que constituem a
União das Ordens Martinistas.

Neste documento de União das Ordens Martinistas, cada Ordem mantinha sua
independência e soberania. Ambelain possuía forte intenção em unir as vias iniciáticas,
neste sentido através do projeto de união das Ordens Martinistas com Phillippe Encause
em 28 de outubro de 1962 firmaram um protocolo de unificação de ambas as ordens,
dessa forma unindo as de Saint-Martin e de Martinez de Pasqually.
Através desse protocolo de unificação contendo 16 artigos, a Ordem Martinista de
Papus passa a ser um circulo externo, enquanto a Ordem dos Cavaleiros Elus Cohen um
circulo interno. Dessa forma estava feita a fusão de ambas as Ordens com Philippe
Encause governando a Ordem Martinista e suas emanações com o titulo de Soberano
Grão Mestre e Ambelain com o governo dos Elus Cohen e suas emanações com o título
de Soberano Grande Comendador.

Em 1967 Ambelain transmite sua sucessão Elus Cohen e ambas as Ordens se separam
cada uma recuperando sua independência e autonomia. Em 1968 Ambelain funda a
Ordre Martiniste Initiatique (Ordem Martinista Iniciática).

Robert AMBELAIN em 26 de janeiro de 1958 inicia e consagra em suas Ordens e


linhagem Andre Mauer (Tau Andreas), em 1967 transmite a sucessão apostólica e
poderes de iniciador. Em 27 de março de 1996 Mauer consagra e transmite sua sucessão
apostólica e iniciática para Joel Duez. Em 12 de abril de 2013 Duez consagra e
transmite suas vias iniciáticas e linhagens para Elton Pedutti, lhe conferindo patente de
iniciador e sua sucessão, assim como, o grão mestrado da Ordre Martiniste Opérant.
As diversas Ordens Martinistas se reúnem em templos com suas especificações próprias
e muito parecidos entre si, geralmente usam a nomenclatura de Heptada para seus
templos. Em sua administração costumam classificar de Heptada a partir de sete
membros, Círculos até sete membros e Lojas a partir de vinte e um membros.

As Ordens Martinistas constituem seus ensinamentos na mesma base, ou seja, nos


trabalhos desenvolvidos por Louis-Claude de Saint Martin, Martinez de Pasqually,
Jean-Baptiste Willermoz e Papus. Mestres inspiradores de seus trabalhos como Jacob
Boehme e Swedenborg também são muito influentes na filosofia martinista.

O misticismo cristão, teosofia (neste sentido incluir o conhecimento anterior à


conhecida Sociedade Teosófica e seus fundadores), Kabbalah e hermetismo em geral
constituem a gama de ensinamentos nas diversas Ordens Martinistas manifestadas por
seus fundadores.

Iniciados na senda martinista ou pesquisadores sobre a tradição ocidental em geral se


deparam com expressões como Martinezismo e Willermozismo correlacionado ao
Martinismo, embora sejam sendas semelhantes e com confluências, se diferenciam em
seus métodos, práticas e ritualística. Ainda que sejam sendas ligadas à mesma tradição e
fonte.

O Martinezismo é referido a Ordem desenvolvida por Martinez de Pasqually, assim


como, a teurgia praticada por ele e seu sistema. O Willermozismo faz referencia ao
trabalho iniciático desenvolvido por Willermoz e a fundação de sua Ordem Regime
Escocês Retificado (RER) Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa (CBCS).

Ao longo da historia do movimento martinista idealizado tanto por Papus quanto por
Chaboseau é notório que por parte de seus sucessores como Charles Detré, Jean
Bricaud, Constant Chevillon, Robert Ambelain houve tentativas de coligar a Ordem
Martinista com a Maçonaria, em especial com o Rito de Memphis-Misraim ou o Rito
Escocês Retificado. Enquanto que Victor Blanchard, Augustin Chaboseau, Philippe
Encausse sempre mantiveram sua total independência e pureza quanto a sua formação.

O Martinismo e a Maçonaria são tradições iniciáticas que se complementam


perfeitamente, tal fato é comprovado pelos inúmeros iniciados ilustres do passado que
das duas tradições fizeram parte, assim como, dos diversos membros da atualidade que
são iniciados em ambas as Ordens Iniciáticas através de suas obediências maçônicas e
dos ramos martinistas que fazem parte.