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CALDEIRAS III

Prof. Diogo B. Pitz


diogo.pitz@ufpr.br FORNALHAS
Máquinas Térmicas I – TMEC037
FORNALHAS

A fornalha é o componente da unidade


geradora de vapor destinado a converter
a energia química do combustível em
energia térmica.

Bazzo (1995)

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FORNALHAS

A escolha do tipo de fornalha depende do estado do combustível
utilizado (sólido, líquido ou gasoso) e também de sua qualidade.

As fornalhas são geralmente classificadas de acordo com o sistema
de queima, que pode ser:
– Queima em suspensão: combustíveis líquidos e gasosos, e
também sólidos pulverizados (ex: carvão).
– Queima em grelha: combustíveis sólidos e biomassas.
– Queima em leito fluidizado: combustíveis sólidos e biomassas,
sendo adequada para combustíveis de baixa qualidade (baixo
poder calorífico).

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QUEIMA EM SUSPENSÃO


Nesses sistemas o
combustível é injetado na
fornalha de forma nebulizada,
o que é facilmente obtido para
combustíveis líquidos e
gasosos, mas requer um
sistema de moagem e
pulverização para
combustíveis sólidos como o
carvão.

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QUEIMA EM SUSPENSÃO

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QUEIMA EM SUSPENSÃO

Estando nebulizado, o combustível tem maior área de contato
com o ar, o que favorece uma combustão mais eficiente.

No caso do carvão, uma pulverização atingindo tamanhos de
partícula de 50 microns ou menos faz com que a combustão
completa ocorra dentro de um a dois segundos. Tal taxa de
queima é próxima àquela atingida pelo óleo combustível e gás
natural.
– Se o carvão não for pulverizado (queima em grelha ou leito
fluidizado), o tempo necessário para combustão completa é
muito superior, chegando a 60 segundos.

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QUEIMA EM SUSPENSÃO


Ar primário: auxilia no transporte do carvão do pulverizador até a fornalha.

Ar secundário: entra na fornalha em um fluxo separado, sendo misturado
ao combustível já dentro da fornalha.

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QUEIMA EM SUSPENSÃO

Conforme já visto, os queimadores são projetados de modo a
limitar a formação de NOx térmico e NOx do combustível.

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QUEIMA EM SUSPENSÃO

Os queimadores podem estar em um arranjo lateral ou tangencial
dentro da fornalha:

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QUEIMA EM SUSPENSÃO

Dependendo do estado das cinzas após a combustão, as
fornalhas de queima em suspensão são classificadas como
sendo de fundo seco ou fundo úmido:

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QUEIMA EM SUSPENSÃO

Fornalhas do tipo ciclone: desenvolvidas para queima de
carvão com cinzas de baixo ponto de fusão.
– Para evitar o transporte de cinzas em direção a superfícies
de alta temperatura (ex: superaquecedores,
reaquecedores), o combustível é queimado em uma câmara
a montante da fornalha e as cinzas são retidas.

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QUEIMA EM SUSPENSÃO

Fornalhas do tipo ciclone

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QUEIMA EM GRELHA

São utilizadas em instalações de pequeno e médio porte, com
capacidades de até ~ 200 ton/h de vapor.

Se adaptam a vários combustíveis, como carvão, lenha,
bagaço de cana e outras biomassas, e resíduos industriais.

Não requer uma preparação rigorosa do combustível.

Fonte:
Detroit Stoker

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QUEIMA EM GRELHA

Ar secundário

Ar primário

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QUEIMA EM GRELHA

É importante que as cinzas geradas sejam removidas
continuamente para evitar obstrução da passagem do ar
primário, de modo a garantir uma combustão uniforme ao longo
da grelha.

Nas fornalhas de grelha fixa a remoção de cinzas pode ser
feita através de jatos de vapor. Uso limitado a instalações de
menor porte.

Já nas fornalhas de grelha móvel a remoção de cinzas é feita
de forma automática. Esse tipo de grelha é mais indicado para
instalações maiores.

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QUEIMA EM GRELHA

Grelha fixa inclinada com refrigeração a água.

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QUEIMA EM GRELHA

Grelha rotativa.

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QUEIMA EM GRELHA

Grelha inclinada de placas oscilantes.

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QUEIMA EM GRELHA

Grelha inclinada de placas oscilantes.
1, 2 – alimentação de combustível
(neste caso, resíduos urbanos e/ou
industriais).
3 – transporte de combustível para a
primeira seção da grelha.
4 – grelhas que, de forma alternada,
são oscilatórias ou estacionárias.
5 – rolamentos
6 – cilindros hidráulicos e válvulas de
controle.
7 – desnível por onde ar é admitido
através de uma tubeira.
8 – portas de ar secundário (overfire
air), utilizadas para garantir
combustão completa.
9 – ar de combustão.
10 – remoção de resíduos.
Fonte:
Detroit Stoker

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QUEIMA EM GRELHA


As fornalhas com queima em
grelha podem ser integradas
a queimadores de óleo e
gás, que são acionados para
garantir a sustentação da
chama e auxiliar no
acendimento da fornalha.

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LEITO FLUIDIZADO

Consiste em manter o combustível suspenso em uma
corrente de ar durante a queima.

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LEITO FLUIDIZADO

O leito pode ser do tipo borbulhante ou recirculante.

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LEITO FLUIDIZADO

A combustão ocorre a temperaturas relativamente baixas
(inferiores 1000ºC), o que desfavorece a formação de NO x.
● Através da adição de calcário a quantidade de SO 2 formada
também é reduzida, resultando na formação de sulfato de cálcio,
que pode ser facilmente removido juntamente com as cinzas.

Este tipo de queima é versátil em relação ao tipo de combustível, e
é capaz de realizar a combustão de combustíveis de difícil queima,
com alto teor de umidade, baixo teor de voláteis e baixo poder
calorífico (como é o caso das biomassas).

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LEITO FLUIDIZADO

Leito borbulhante

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LEITO FLUIDIZADO

Leito borbulhante

Areia

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LEITO FLUIDIZADO

Leito circulante

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LEITO FLUIDIZADO
Vídeos:
https://www.youtube.com/watch?v=KcR62W2z8KE

Leito circulante https://www.youtube.com/watch?v=LMJhKBJC09Q
https://www.youtube.com/watch?v=Vjda91aVbYI

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CARGA TÉRMICA

K – carga térmica

● ṁcb – vazão de combustível [kg / h]


PCI – poder calorífico inferior [kcal / kg]

V – volume da fornalha [m3]

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CARGA TÉRMICA

Carga térmica em grelha (vazão mássica de combustível / área
da grelha):

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EXEMPLO

Uma unidade geradora de vapor com capacidade para 200 kg/s
de vapor superaquecido (120 bar, 520ºC) é projetada para
queimar óleo combustível (PCI = 41.600 kJ/kg). A temperatura
da água de alimentação é 260ºC. Admitindo-se rendimento
térmico da ordem de 90%, estimar:
– O consumo de óleo combustível;
– O volume mínimo para a câmara de combustão.

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