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Ribeirão Preto SP • Junho 2015 • Ano 17 • nº 196 • R$ 12,00

A VOZ DO AGRONEGÓCIO

O Futuro da CANA
Setor sucroenergético se mobiliza
para discussões em Brasília

Caderno

POLÍTICA SOJA CITRICULTURA Autoridades do


SETORIAL Vazio Sanitário da Produtores apostam agronegócio elogiam
Plano Safra 2015/2016 soja em MT vai até em adensamento integração da CanaMix
terá R$ 187,7 bilhões 15 de setembro da plantação à revista
Terra & Cia
Terra&Cia
Junho 2015 1
Revolucione sua produtividade.

Prosugar
Tecnologia inovadora criada para aperfeiçoar o processo
de clarificação do açúcar. Não remove apenas a cor, mas
garante também melhorias no desempenho industrial:

remove a cor de forma irreversível;


promove maior volume na produção de açúcar;
aumenta a eficiência energética;
age na redução da viscosidade das massas.

2 Terra & Cia Junho 2015


Potencialize seus resultados.

www.prosugar.com.br Terra & Cia Junho 2015 3


edit or ial

Divulgação
Canavieiros indignados.
Até quando esperar?
Diretor: Plínio César

Edição: Equipe Terra & Cia


Editor Chefe: Doca Pascoal
Colaboração: Géraldine Kutas, Francisco
Valério, Lenita Ramires dos Santos, Emanuelle
Baldo Gaspar e Márcio Rogers Melo de Almeida

O
Reportagem: Marcela Servano
Editor Gráfico: Jonatas Pereira | Creativo ArtWork
Caderno CanaMix, elaborado quistados e o que falta para tirar o
com as matérias mais relevan- segmento do buraco. Conheça tam-
Contatos com a Redação:
tes do setor sucroenergético, bém o grupo de 10 usinas, responsá-
redacao@canamix.com.br
que desde maio integra o conteúdo da vel por 15% da moagem de cana na
Outras publicações da Agrobrasil: revista Terra&Cia, traz nesta edição região Centro-Sul, que tem consegui-
Guia Oficial de Compras do Setor Sucroenergético
Revista CanaMix
uma reportagem sobre a união de for- do desenvolver uma gestão eficien-
Portal CanaMix ças do segmento canavieiro para ten- te, com desempenho suficiente para
tar afastar de vez a crise que nos úl- manter o equilíbrio financeiro e baixo
Publicidade: timos anos registrou o fechamento de endividamento.
- Alexandre Richards (16) 98828 4185 60 usinas, além de 80 pedidos de re- A edição da Terra&Cia deste
alexandre@canamix.com.br
- Fernando Masson (16) 98271 1119
cuperação judicial, de acordo com da- mês traz matérias sobre o Plano Sa-
fernando@canamix.com.br dos da Secretaria de Agricultura do fra 2015/2016, novos investimentos
- Marcos Afonso (11) 94391 9292
Estado de São Paulo. em logística, doenças na citricultura,
marcos@canamix.com.br
- Nilson Ferreira (16) 98109 0713 Apontar culpados não é mais a combate à ferrugem asiática da soja,
nilson@canamix.com.br tônica dessa luta. Isso já se sabe. A silagem de milho, estimativas da ca-
- Plínio César (16) 98242 1177
plinio@canamix.com.br
hora é de indicar soluções, aliás, que feicultura, notícias sobre papel & ce-
já estão muito claras, aguardando po- lulose, novos conceitos em vacinação
Assinaturas: assinaturas@canamix.com.br
sicionamentos das autoridades gover- bovina e emissões de GEE dos reba-
Eventos: eventos@canamix.com.br namentais. Enquanto a pauta de rei- nhos. Veja também os depoimentos
vindicações do setor é apreciada em de empresários e autoridades do se-
Grupo Agrobrasil
Brasília, DF, na toada lenta do planal- tor agro brasileiro sobre a nova pro-
Av. Brasil, 2780
CEP 14075-030 - Ribeirão Preto - SP to central, milhares de empregos es- posta editorial do Grupo AgroBrasil.
(16) 3446 3993 / 3446 7574 tão sendo perdidos, empresas estão Boa leitura.
www.terraecia.com.br quebrando e o etanol e a bioenergia
Para assinar, esclarecer dúvidas sobre sua
da cana de fora da lista de priorida-
assinatura ou adquirir números atrasados: des estratégicas.
SAC: (16) 3446.3993 / 3446.7574 - 2ª a 6ª feira,
A reportagem mostra o que pen-
das 9h às 12h e das 13h30 às 18h.
sam os principais representantes do
Artigos assinados, mensagens publicitárias e o setor sucroenergético, qual a pauta
caderno Marketing Rural refletem ponto de vista
dos autores e não expressam a opinião da revista.
de reivindicações, os avanços já con-
É permitida a reprodução total ou parcial
Plínio César,
dos textos, desde que citada a fonte.
diretor

4 Terra & Cia Junho 2015


Divulgação
28
Caderno CanaMix
O Futuro da Cana
Setor sucroenergético se
mobiliza para discussões em
Brasília

42 46 52
Política Setorial Soja Citricultura
Plano Safra 2015/2016 Vazio Sanitário da soja Produtores apostam
terá R$ 187,7 bilhões em MT vai até 15 em adensamento
de setembro da plantação

7 Caderno CanaMix Fenasucro 2015: Organizadores 50 Cafeicultura


esperam mais de 33 mil visitantes
Estratégia Editorial: Safra brasileira pode alcançar
Autoridades do agronegócio Usina Nardini investe 50 milhões de sacas
elogiam integração da em capacitação de líderes
CanaMix à revista Terra&Cia
VII Simpósio de Cana discute 58 Pecuária
Opinião: US$ 50 por barril: vinhaça concentrada
o fim do sonho do etanol?, para adubação Opinião: Novas perspectivas
por Géraldine Kutas sobre vacinação de bovinos
Nexsteppe destaca variedade no controle de doenças,
Setor discute crise na Câmara de sorgo apropriada para safrinha por Lenita Ramires dos Santos
dos Deputados e Emanuelle Baldo Gaspar

Mais 10 usinas devem fechar Embrapa questiona estimativa


este ano, diz Unica 38 Entrevista do IPCC sobre emissão de N2O

Política ambiental reforça Competitividade e inovação para o


estratégia de recuperação setor de C&P, com Francisco Valério 61 Logística
do setor
Fibria investirá R$ 7,7 bi Governo anuncia investimentos
Setor canavieiro paulista na expansão da fábrica em infraestrutura
faz a lição de casa em Três Lagoas
Terminal de açúcar de Suape
CTC lança programa sai do papel
de assistência técnica 48 Milho
Luzes de LED ajudam Safra deve ficar em 80,2 milhões 66 Opinião
no crescimento de mudas de toneladas em 2014/15
A nova classe média rural
Relatório assegura que não Biomatrix destaca inovações e o desafio nordestino,
falta terra para produção em silagem por Márcio Rogers Melo de Almeida

Terra & Cia Junho 2015 5


Guia de Compras SA

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PÁG. 41 PÁG. 63 PÁG. 57

6 Terra & Cia Junho 2015


O FUTURO DA CANA
Setor sucroenergético se mobiliza para
discussões em Brasília

FENASUCRO 2015 SORGO OPINIÃO


Organizadores Empresa destaca Géraldine Kutas:
esperam mais de variedade apropriada US$ 50 por barril:
33 mil visitantes para safrinha o fim do sonho
do etanol?

Terra & Cia Junho 2015 7


Cader no CanaMix
Es tr at égia Edit or ial

Autoridades do agronegócio
elogiam integração da
CanaMix à revista Terra&Cia
Doca Pascoal leitores. A Terra&Cia, por sua vez,
Arquivo

continua a levar ao leitor as infor-

D
esde a edição de maio, a re- mações mais relevantes do agrone-
vista Terra&Cia conta com gócio, conteúdo elaborado por uma
um conteúdo especial sobre o equipe especializada.
setor sucroenergético, quando a Ca- A primeira edição nesse forma-
naMix, tradicional publicação do seg- to foi um sucesso. Executivos, empre-
mento de cana-de-açúcar, passou a sários, especialistas, autoridades do
fazer parte da T&C como Caderno Ca- setor e demais leitores aplaudiram a
naMix. A mudança faz parte de uma mudança, por entenderem que a ca-
estratégia do Grupo AgroBrasil, res- na-de-açúcar deve figurar no contexto
ponsável pelas publicações, para con- geral do agronegócio brasileiro. Con-
centrar em um só produto todos os fira alguns depoimentos de pessoas
temas ligados ao agribusiness brasi- que pensam o setor de cana-de-açúcar
leiro. A unificação das duas revistas e o agro de forma geral.
foi definida após um ano de avaliação

Divulgação
do mercado.
A CanaMix, agora como ca-
derno especial da revista Terra&Cia,
mantém um conteúdo qualifica-
do, com informações relevantes so-
bre as áreas agrícola e industrial
das usinas, novidades sobre a in-
dústria fornecedora, pesquisas, es-
tatísticas, opiniões de especialistas
e demais informações realmente ca-
Presidente do Grupo AgroBrasil,
Plínio César de Azevedo Junior pazes de atender às expectativas dos

“Quero cumprimentar o Grupo AgroBrasil pela sua nova estratégia


editorial, fortalecendo a Revista CanaMix, através da incorporação de to-
dos os segmentos do agronegócio brasileiro. É fundamental que se tenha
a “visão da catedral”, ou seja, de todo o setor e não somente de uma ca-
deia produtiva. Sem dúvida é a melhor forma de levar a visão integrada a
todos que participam do agronegócio brasileiro. Felicidades à publicação
da Terra&Cia.” Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da ABAG (Associação
Brasileira do Agronegócio)

8 Terra & Cia Junho 2015


Cader no CanaMix
Es tr at égia Edit or ial

Divulgação
“A estratégia de comunicação proposta pelo grupo AgroBrasil, com
o engajamento das ações das entidades de representações do setor, po-
derão fortalecer as ações de valorização da imagem do agronegócio, re-
velando à sociedade a importância das cadeias produtivas para o desen-
volvimento econômico e social da região e do Brasil. A sustentabilidade de
todo o agronegócio brasileiro só estará assegurada diante do apoio e de
reconhecimento, tanto da sociedade quanto do ambiente político.”
Marcos Matos, diretor executivo da ABAGRP

“Parabéns ao Grupo AgroBra-

Ale Carolo / alecarolo.com


sil pela edição da Revista Terra&Cia,
que já nasce com o DNA e a quali-
dade consagrada da Revista Cana-
Mix. A agricultura e o agronegócio
vão continuar sendo os motores da “Esta iniciativa é de extre-
economia brasileira, com cada vez ma importância num momen-
mais tecnologia, inovações e traba- to onde ter boas informações
lho. Informação de qualidade vai e análises é fundamental para
ser a mola propulsora deste cresci- o processo de decisão no se-
mento.” Plinio Nastari, presidente do tor de cana.” Marcos Fava Neves,
Grupo Datagro professor titular da USP

Portal Todo Dia


Luciana Corrêa / Ozonio Imprensa

“O setor sucroenergético, bem como de agronegócios em geral, saem ganhando com


esta reformulação da revista Terra&Cia. Especialmente o setor direcionado à cana-de-açúcar
comemora este espaço exclusivo para discussões e debates com pautas que envolvem o de-
senvolvimento tecnológico e sustentável da cana, que, a cada ano, põe o Brasil na linha de
frente como referência na produção de etanol, açúcar e bioenergia. Nas páginas dessa revista,
poderemos acompanhar um jornalismo inteligente, especializado e focado no progresso do se-
tor.” Flávio Castelar, diretor executivo do Apla (Arranjo Produtivo Local do Álcool)
Terra & Cia Junho 2015 9
Cader no CanaMix
Es tr at égia Edit or ial

Divulgação
“Parabenizamos a nova estratégia editorial do Grupo
AgroBrasil. Sem dúvida o trabalho desenvolvido pela mídia es-
pecializada, com destaque para a CanaMix, que agora passa a
integrar a Revista Terra&Cia, vai contribuir ainda mais pelo pro-
gresso e pela retomada do desenvolvimento do setor bioener-
gético, que vive uma de suas piores crises. Dar voz às reinvin-
dicações desse segmento e trazer a seus leitores e assinantes,
os benefícios gerados diariamente pelas centenas de usinas e
destilarias que fazem deste setor uma das molas propulsoras
do agronegócio brasileiro, deverá ser, doravante, o grande de-
safio da Revista Terra&Cia, a quem desejamos que se fortaleça
a cada dia e se desenvolva como um veículo de comunicação
sério, imparcial e merecedor de toda a credibilidade.”
Antônio Cesar Salibe, presidente executivo da UDOP

“A diversidade de informações do agronegócio na Revista


Divulgação

Terra&Cia, que passa a contar com o importante conteúdo da revis-


ta CanaMix, agora como Carderno Especial, proporciona a amplia-
ção do entendimento e visão de técnicos e empresários através das
criteriosas matérias e exemplos expostos. Sabemos que informa-
ções bem aplicadas contribuem com a manutenção e crescimen-
to das pessoas e por consequência das empresas as quais partici-
pam. Em meio a crise pelo qual passamos e estagnação do nosso
País podemos adotar procedimentos e ações a partir de matérias
feitas com quem já viveu momentos como estes e deram a volta por
cima. Claro que para tanto é necessário se debruçar com determi-
nados temas a partir das dicas, relatos e vivências publicadas nos
meios de comunicação. Nesse contexto, a Revista Terra&Cia, que
agora conta com o caderno especial sobre o setor sucroenergético,
é um destes meios que nos facilitam este acesso. Parabéns Plínio
César, pelo acesso a todas estas informações advindas de renoma-
dos e experientes ícones do nosso País que com suas opiniões no
mínimo nos trazem reflexões e nos instigam a pensar num Brasil sé-
rio e melhor onde os empresários e trabalhadores sejam valoriza-
dos por suas boas ações e conquistas.” Silvano Alves da Silva, gerente
Administrativo e Suprimentos da Usina Sinimbu (Alagoas)
Divulgação

“A estratégia do Grupo AgroBrasil combina, ao mesmo


tempo, tradição e inovação. Há quase uma década, a revista
CanaMix é um fiel espelho do setor sucroenergético brasilei-
ro. Ao incorporar o conteúdo da publicação à revista Terra&Cia,
que trata do agronegócio como um todo, o Grupo AgroBrasil
oferece aos empresários e produtores rurais uma fonte de in-
formação completa e com abrangência amplificada. Os leitores
saem ganhando, porque terão informações de todos os seg-
mentos da agropecuária brasileira no mesmo lugar, e os cola-
boradores também, porque terão mais visibilidade.”
Christian Gonzalez,diretor de Marketing da Case IH

10 Terra & Cia Junho 2015


Cader no CanaMix
Es tr at égia Edit or ial
“Nos últimos anos o setor sucroenergético tem

Arquivo
passado por transições tecnológicas de forma abrup-
ta, com várias quebras de paradigmas. Isso ocorreu por
pressões socioambientais e até mesmo políticas. A me-
canização da colheita e plantio, a NR-31 e o recolhimen-
to da palha para a cogeração de energia são exemplos
disso. Com isso, foram necessárias adaptações tecno-
lógicas e modelos de gestão diferenciados. Uma ver-
dadeira revolução, o que mostra que nosso setor pos-
sui um poder incrível de reação e readaptações. Para
a superação dos desafios citados, foi necessário que
buscássemos recursos e adoção de novas tecnologias
e conceitos. O propósito da AgroBrasil em trazer atu-
alizações e informações do setor de cana, através do
Caderno CanaMix, integrado à revista Terra&Cia, pode
interferir e colaborar significativamente para o desenvol-
vimento do setor sucroenergético, nesse momento de
intensas mudanças. Parabéns a AgroBrasil pela inicia-
tiva e sucesso.” Marcello Bento, gerente agrícola da Usina
São José da Estiva - Grupo W.J. de Biasi
Divulgação

“A interessante estratégia editorial do Gru-


po AgroBrasil, em unir as revistas Terra&Cia e
CanaMix, que há anos, de forma clara e ob-
jetiva, traz sempre os assuntos mais relevan-
tes sobre o agronegócio, é uma nova conquis-
ta para a comunicação segmentada, pois vai
contribuir ainda mais para a divulgação de no-
tícias desse importante setor. O país, consi-
derado celeiro do mundo, é o primeiro produ-
tor e exportador de fortes commodities. Ano a
ano os brasileiros têm procurado mais infor-
mações sobre o agronegócio, que é respon-
sável pelos positivos resultados da economia
nacional, e a publicação será muito importan-
“Considero a Revista CanaMix uma dos mais ex- te para isso. Junto ao grupo, temos grande sa-
pressivos instrumentos de comunicação no setor do tisfação em contribuir para toda essa potência
agronegócio, especialmente na cadeia produtiva bioener- agrícola, oferecendo soluções para todos os
gética. Assuntos de extrema importância e relevância são tipos de produtores e demandas do campo.”
abordados neste veículo das mídias impressa e eletrôni- Rafael Miotto, diretor de Portfólio de Produtos da
ca, dentre os quais podemos citar: Governança, Gestão CNH Industrial para a América Latina
de Pessoas, Tecnologia Agrícola, Produtividade Industrial,
Meio Ambiente, Assuntos Jurídicos, Planejamento Estra-
Divulgação

tégico, entre outros. Artigos, depoimentos, reportagens,


cases de sucesso e outras matérias de elevado nível cul-
tural e leitura agradável fazem parte de cada edição da
Revista CanaMix. Creio eu, que a inovação com a Revis-
ta Terra&Cia será um projeto de sucesso absoluto e du-
radouro trazendo ao publico leitor, empresários e execu-
tivos em especial, uma diversidade de informações com
qualidade, ética e responsabilidade intrínseca nas dire-
trizes de seus diretores e proprietários. Sucesso ao novo
empreendimento.”
José Darciso Rui, sócio-diretor da CAERHA Consultoria e
diretor executivo do GERHAI
Terra & Cia Junho 2015 11
Cader no CanaMix
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“O setor sucroalcooleiro evolui a olhos vistos e a tecnologia é a pedra

Divulgação
fundamental desta evolução, impulsionando saltos cada vez mais largos
em termos de produtividade. A Elanco se orgulha por fazer parte deste
ambiente inovador no Brasil e também por verificar que o Grupo AgroBra-
sil está atento à atmosfera de modernização que experimenta a indústria.
Com esta novidade editorial, a Revista CanaMix promove uma guinada es-
tratégica e se posiciona ainda mais como referência de conteúdo e valor.
Assim como o segmento se atualiza e ganha em competitividade frente a
outras matrizes, a Revista CanaMIx também leva seu expertise ao públi-
co do agribusiness e se torna mais versátil e dinâmica unindo-se à Re-
vista Terra&Cia, que vai absorver grande qualidade e conteúdo relevan-
te. A Elanco, assim, cumprimenta os editores pela iniciativa, que de partida
aponta sua vocação vitoriosa.” Milton Serapião, Executivo em Desenvolvimento
e Gestão de Negócios Etanol da Elanco

Divulgação
“A nova linha editorial do Grupo
AgroBrasil chega para somar ao setor su- “Essa nova estratégia re-
croenergético que é consolidado como flete uma necessidade do agro
um dos principais pilares da economia como um todo. O setor sucro-
brasileira. A oportunidade de difundir in- energético tem agendas co-
formações sobre a cadeia produtiva de muns com outras áreas da
cana-de-açúcar junto aos demais seg- agropecuária e a Terra&Cia
mentos do agronegócio em nível nacional será um catalisador dessa inte-
agrega valores e com certeza irá contri- ração.” Roberto Hollanda,
buir para que cada vez mais o setor ca- presidente da Biosul
navieiro tenha sua importância reconhe-
cida”. Paulo Montabone, gerente geral da

Divulgação
Fenasucro & Agrocana
Arquivo

“Foi com muita satisfação que


recebi a informação deste impor-
tante passo que a equipe da Re-
vista CanaMix está dando. Ganha
todo o setor. Mais informações alia-
das a um maior raio de atuação. Pa-
rabéns a toda equipe, desejo muito
sucesso.” Marcos Henrique Clemente,
consultor Industrial da Tecalsucar
Consultoria e Projetos Industriais

12 Terra & Cia Junho 2015


Terra & Cia Junho 2015 13
Cader no CanaMix
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“A Revista Canamix é considerada uma das melhores

Divulgação
publicações voltadas ao setor Sucroenergético. Com a in-
corporação do Caderno Canamix na Revista Terra&Cia,
as informações de nosso setor passam a chegar a toda
a cadeia do agronegócio e os profissionais do setor pas-
sam também a receber informações sobre outros seg-
mentos, que por muitas vezes fazem parte de nosso dia
a dia nas unidades produtoras. Conhecendo a seriedade
do Grupo AgroBrasil, acredito que é mais uma ‘empreita-
da’ de sucesso”. Wilson Agapito, gerente de Motomecanização
da Usina Santa Isabel S/A.

“As noticias geradas pela


CanaMix sempre foram muito rele-
Divulgação

vantes para o setor sucroenergético


“A CanaMix e o Grupo
brasileiro. Este movimento de inte-
AgroBrasil fazem inovação evo-
gração do conteúdo sucroenergéti-
lutiva com ferramentas apropria-
co à revista Terra&Cia certamente vai
das que difundem o conheci-
aumentar o nível das discussões dos
mento. A revista Terra&Cia vem
temas agrícolas. Parabéns a todos
para integrar o agronegócio em
do time Grupo AgroBrasil.” Guilherme
sua diversificação e pluralidade.
Nastari, economista do Grupo DATAGRO.
Parabéns a Plínio César e va-
lorosa equipe”. Renato Cunha,
presidente do Sindaçucar/PE
Divulgação

e vice-presidente do FNS - Fórum


Nacional Sucroenergético
Arquivo

“Gostaria de parabenizar
a coragem do amigo Plínio Cé-
sar, pelo lançamento de mais
um veículo de comunicação,
num momento tão difícil em
nosso país. Iniciativas como
esta, nos anima e estimula, na
busca por melhores dias para
o setor sucroenergético, junto
a toda cadeia do Agro Negó-
cio Brasileiro”. Roberto Dantas
Maia, diretor da Prosugar S.A.

14 Terra & Cia Junho 2015


Divulgação
“O agronegócio é o setor da nossa cadeia produtiva que mais
gera resultados e valor ao Brasil. Proporciona milhões de empregos,
movimenta a economia, colabora de forma importante para o equilí-
brio da balança comercial, ajuda a alimentar não apenas os brasilei-
ros, mas grande parte da população mundial, enfim, quando olhamos
para a nossa história, para o nosso presente e nos projetamos no fu-
turo, não nos vemos sem o agronegócio. Um projeto editorial como o
da Revista Terra&Cia, do Grupo AgroBrasil, é importante para o registro
de todo esse processo, mostrando os avanços, as pesquisas, as ino-
vações, os resultados, o cenário econômico e o contexto do mundo do
campo e seus reflexos na vida do cidadão comum, sem falar nas tradi-
ções do campo tão marcantes na vida dos brasileiros. Parabéns e su-
cesso a esta nova fase.” Maurílio Biagi Filho, presidente do Grupo Maubisa

“A revista Canamix é parceira do Ge-

Divulgação
gis há muito tempo. Está sempre presente
nas nossa reuniões, divulgando com qua-
lidade o conteúdo das palestras, a agen-
da anual das reuniões e os depoimentos
dos participantes. Estamos sempre em sin-
tonia. Agora, a CanaMix como caderno es-
pecial dentro da revista Terra&Cia, tenho
certeza de que todo o setor agro brasileiro
ganha. Digo isso em nome de todos os as-
sociados. O Grupo AgroBrasil é um grande
parceiro.” Eliana Aparecida Canevarolo,
presidente do Gegis - Grupo de Estudos em
Gestão Industrial do Setor Sucroalcooleiro
Divulgação

“O jornalismo sério e imparcial é de fundamental importân-


cia para transformar fatos do dia a dia em grandes reportagens in-
formativas e esclarecedoras. Organizar e apurar a informação de
forma correta, liga o leitor à realidade. Quando o conteúdo é di-
recionado, como está propondo o Grupo AgroBrasil ao setor su-
croenergético, com o conteúdo da CanaMix inserido na revista
Terra&Cia, as informações são ainda mais relevantes e servirão de
parâmetro para que as lideranças do setor se mantenham informa-
das e tomem decisões. Desejo sucesso”.
Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste e Orplana

Terra & Cia Junho 2015 15


Cader no CanaMix
Opinião

US$ 50 por barril:


o fim do sonho do etanol?
*Géraldine Kutas especialmente o etanol. A origem da

Unica
produção do etanol brasileiro remon-

N
os últimos seis anos, muitos ta à década de 1970, quando o gover-
países têm lutado contra a re- no desenvolveu o Programa Nacional
tração econômica, altos ní- do Álcool (PROALCOOL), em resposta
veis de endividamento e taxas elevadas aos dois grandes choques do petróleo.
de desemprego. De repente, algo que No entanto, no início dos anos 2000,
pensávamos ser impossível há um ano, outros países também desenvolveram
aconteceu: os preços internacionais do seu interesse pela produção e consumo
petróleo caíram de US$ 110 para US$ de biocombustíveis, o que culminou em
50 por barril. Embora isso tenha im- um aumento considerável da produção
plicações muito positivas para a eco- desses combustíveis alternativos e re-
nomia e as finanças públicas, tal fato nováveis. Com isso, a produção global
também pode ser visto como um gran- de etanol saltou de 26,8 para 103 bi-
de desafio para o setor de energias re- lhões de litros entre 2000 e 2014.
nováveis e para os biocombustíveis em Na última década, muitos paí-
particular. Os baixos preços do petró- ses aprovaram legislações com vistas
leo extinguirão a indústria de biocom- a promover os biocombustíveis. Em
bustíveis, que é frequentemente vista 2005, a Lei de Política Energética dos
como não competitiva? A realidade é Estados Unidos instituiu o Padrão de
muito mais complexa do que essa sim- Combustíveis Renováveis (RFS, sigla
ples questão. em inglês), um programa que determi-
O entusiasmo com os biocombus- na o consumo de ao menos 136 bilhões No Japão, o governo determinou a mis-
tíveis teve início nos anos 2000, como de litros de biocombustíveis até 2022. tura de etanol em até 3% dos combus-
consequência da adoção do Protocolo Três anos depois, a União Europeia tíveis tradicionais. Outros produtores
de Quioto. Os países buscavam alter- (UE) aprovou uma diretiva nesse senti- asiáticos, como Filipinas, Indonésia e
nativas para reduzir suas emissões, en- do, ao estabelecer o uso de energias re- Tailândia também têm implementado
quanto o petróleo se tornava cada vez nováveis em, pelo menos, 10% do setor programas de larga escala para bio-
mais escasso e o aquecimento global de transportes até 2020. Essa medida combustíveis. Vários países da África
ameaçava o futuro do planeta. Após o substituiu a Diretiva EC 2003/30, que têm adotado iniciativas nessa direção.
11 de setembro, o preço do barril sal- estabelecia uma meta não vinculante Contudo, quinze anos depois, a
tou e jamais retornou à sua média his- de 5,75% para o consumo de biocom- incerteza substituiu o entusiasmo. Os
tórica, situada em torno dos US$ 30. bustíveis até 2010. Estados Unidos ainda buscam a defi-
Assim, ficou evidente que o mundo não Na Ásia, a utilização de biocom- nição do volume ideal de consumo anu-
poderia mais basear seu crescimento bustíveis renováveis também foi enco- al de biocombustíveis, uma vez que
no sistema tradicional de energia fóssil. rajada em alguns países. Por exemplo, não existe etanol celulósico em quan-
Do entusiasmo à incerteza - Por uma mistura compulsória de 10% de tidade suficiente para atender à legis-
muitos anos, o Brasil foi o único país biocombustíveis vigora em cinco pro- lação vigente. Ao mesmo tempo, o ní-
com uma política bem-estabelecida de víncias chinesas, bem como nas maio- vel de mistura de 10% (E10) ameaça
promoção e uso dos biocombustíveis, res cidades de outras cinco províncias. a implementação do programa de pro-

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Opinião

moção ao etanol: é necessário estabele- senvolvimento do mercado de biocom- tuto à gasolina – dos quais o exemplo
cer níveis mais ambiciosos, como 15% bustíveis requer políticas de apoio, mais emblemático é o Brasil. Nesses
(E15) e 85% (E85). pois, em um momento inicial, a produ- países, os consumidores podem adqui-
Na UE, um debate que se esten- ção dessa fonte de energia é mais cara. rir automóveis flex-fuel, que podem
de indefinidamente sobre mudança no Além disso, o refino e a distribuição funcionar com gasolina de alto ou bai-
uso indireto da terra (ILUC, sigla em concentram-se, muitas vezes, nas mãos xo percentual de mistura, ou mesmo
inglês) tem paralisado a indústria. Re- de poucos atores (chegando, em algu- com etanol puro. Os automóveis flex-
centemente, foi determinado que os mas ocasiões, a configurar monopólio), -fuel oferecem a possibilidade de esco-
biocombustíveis de primeira geração que enxergam os biocombustíveis como lha no momento de abastecer o tanque,
serão limitados a 7%, e medidas con- um mercado no qual não possuem con- e muitos dos consumidores têm optado
cretas de estímulo a biocombustíveis trole sobre a concorrência. pelo etanol devido ao preço e benefícios
mais avançados não serão adotadas. Em segundo lugar, as externali- ambientais. No Brasil, esses veículos
Na China, as políticas públicas sobre dades positivas causadas pelo uso dos foram lançados em 2003 e tornaram-
o tema não evoluíram, uma vez que o biocombustíveis devem ser recompen- -se extremamente populares.
país não pode depender da produção sadas. A redução da emissão de gases- Devido à demanda crescente,
de biocombustíveis de primeira gera- -estufa, o equilíbrio energético, a queda mais de 90% dos novos automóveis ven-
ção, devido à limitada disponibilidade na importação de petróleo, o provimen- didos hoje no país são flex-fuel. Os car-
de terras em comparação à população to de energia elétrica em áreas rurais, ros desse tipo também correspondem a
do país. Mesmo o Brasil enfrenta difi- por exemplo, são benefícios que acom- cerca de 60% da frota de veículos le-
culdades em seu mercado de etanol, o panham a produção de biocombustí- ves do Brasil – um feito notável, alcan-
que comentarei adiante no texto. veis, mas o valor desses aspectos atu- çado em menos de uma década. Atual-
Além disso, os preços interna- almente não está incorporado no preço mente, 16 montadoras oferecem mais
cionais do petróleo caíram significati- final de varejo. Por essas razões, é pre- de 242 modelos diferentes de automó-
vamente no começo de 2015 e se es- ciso definir uma mistura obrigatória, veis flex-fuel no país. As projeções de
tabilizaram em torno de US$ 50-60 de modo a assegurar a penetração dos mercado apontam que as vendas des-
por barril. Isso tem bastado para que biocombustíveis no mercado. se tipo de veículo se estabilizarão em
os opositores declarem o fim da indús- Então, qual o impacto do baixo torno de 85%, e que o restante do mer-
tria do etanol. Mas será esse realmen- preço do petróleo sobre o consumo de cado será suprido por modelos impor-
te o caso? biocombustíveis? Quase nenhum. Uma tados, que não oferecem a versão flex.
Petróleo barato: um desafio de vez que seu consumo é mandatório em A queda brusca no preço do pe-
verdade? - O primeiro destaque a ser muitos países, a diferença de preço en- tróleo e sua estabilização em torno de
feito é de que praticamente não exis- tre o produto fóssil e sua contraparte US$ 50-60 por barril podem, em teo-
tem países em que os biocombustíveis renovável não é realmente significati- ria, colocar obstáculos para o etanol,
são consumidos como alternativa aos va. É até possível imaginar que um go- devido à concorrência direta com a ga-
fósseis. Sua utilização tradicional ocor- verno reduza o nível de mistura caso a solina nas bombas de abastecimento.
re por meio de sua mistura à gasolina diferença entre os preços se torne gran- Porém, as coisas são mais complexas
ou ao diesel. Nesse sentido, os biocom- de demais. No entanto, isso é pouco do que esse simples silogismo. No caso
bustíveis não constituem um substituto provável, já que a maioria dos países do Brasil, o preço dos combustíveis fós-
direto para sua contrapartida fóssil, e utilizam baixos níveis de mistura (5% seis não é determinado pela oferta e de-
sim um complemento. Na maioria das para o etanol e 5% para o biodiesel) e manda: é fixado pelo governo. Os pre-
vezes, as misturas, definidas em dife- o impacto no preço final do produto é ços foram mantidos artificialmente
rentes níveis em cada país, são compul- limitado. Além disso, políticas de ener- baixos, com o objetivo primário de con-
sórias. De acordo com a Aliança Global gia renovável geralmente visam o lon- trolar a inflação.
para Combustíveis Renováveis (GRFA, go prazo, ao passo que a variação no Desse modo, os preços no varejo
sigla em inglês), atualmente 58 países preço do petróleo tende a ser de cur- não se alteraram durante sete anos, até
exigem o consumo de biocombustíveis to prazo. meados de 2013, enquanto os preços
em seu território ou parte dele. Por outro lado, existe um peque- internacionais aumentavam acentua-
Existem duas razões básicas por no grupo de países onde o etanol é es- damente nesse período. O Brasil estava
trás dessa exigência. Primeiro, o de- pecificamente utilizado como substi- fazendo o contrário do resto do mundo:

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Opinião

subsidiando a gasolina em detrimento feitas muitas promessas de campanha, al da indústria brasileira de etanol é a
dos interesses da Petrobras – a gigante mas nada realmente aconteceu até que a ausência de regras claras e previsibili-
estatal de petróleo –, o que prejudicou eleição ocorresse. Quando o novo gover- dade regulatória de longo prazo. Para
seu substituto renovável. no assumiu oficialmente o gabinete, em realizar completamente o potencial do
Até 2008, a indústria brasilei- janeiro de 2015, o barril estava a US$ setor sucroenergético, as autoridades
ra de cana-de-açúcar lidou razoavel- 50 e a situação econômica do país havia públicas precisam oferecer clareza. A
mente bem com o problema, uma vez deteriorado, com o registro de uma taxa definição do papel reservado ao eta-
que a demanda por energia estava em de crescimento abaixo de 1% em 2014, nol e à bioeletricidade na matriz ener-
alta. Contudo, posteriormente, a indús- acompanhada de prospectos negativos gética brasileira é de fundamental im-
tria entrou em um período de turbulên- para o ano de 2015. portância, além da adoção de ações
cia, devido aos efeitos da crise finan- O segundo mandato de Dilma consistentes com tal perspectiva. Por
ceira, ao aumento nos custos causados Rousseff, ávido por aumentar as recei- exemplo, o setor quer saber que siste-
pela mecanização da colheita, às pres- tas públicas, lançou algumas reformas ma e regras valerão para o estabeleci-
sões trabalhistas e às condições extre- que aliviaram as dificuldades do setor mento de preços na matriz de combus-
mas do clima. A partir de 2008, 60 das sucroalcooleiro. O nível obrigatório de tíveis em geral. Isso é válido tanto para
420 usinas de processamento de cana mistura de etanol subiu de 25% para a gasolina quanto para a eletricidade.
fecharam as portas e muitas outras en- 27%, e o Imposto sobre Circulação de A diminuição no preço internacio-
frentam dificuldades financeiras, com Mercadorias e Serviços (ICMS) da ga- nal do petróleo é apenas um dos obstá-
um elevado grau de endividamento. O solina passou de 29% a 30% nos prin- culos enfrentados pelos biocombustíveis.
fenômeno foi amplificado pela susten- cipais estados do Brasil. Ainda mais As indústrias que dependem de decisões
tação artificial do preço do etanol, im- importante, as Contribuições de Inter- e apoio público estão acostumadas com
posta pela manutenção dos preços da venção no Domínio Econômico (CIDE), essa incerteza, uma vez que decisões po-
gasolina nas bombas. taxa incidente sobre os combustíveis líticas tendem a ser voláteis. Os tempos
Como consequência, o volume criada em 2001 e extinta em 2012 (jus- são difíceis para o setor de biocombustí-
produzido de etanol hidratado, aque- tamente para manter baixos os preços veis, mas novas oportunidades surgirão.
le consumido diretamente por automó- dos combustíveis), foram parcialmente A intensificação das negociações cli-
veis flex, caiu de 19 bilhões de litros reintroduzidas sobre a gasolina e o óleo máticas no âmbito da 21ª Conferência
em 2010/11 para 12,7 bilhões de litros diesel. Todas essas mudanças implica- das Partes (COP 21, sigla em inglês),
em 2013/14. Ao mesmo tempo, o con- ram um aumento de R$ 0,22 por litro que ocorrerá em Paris em dezembro de
sumo do etanol anidro, utilizado para de gasolina nos postos de combustível, 2015, bem como a descarbonização do
compor o nível de mistura obrigató- o que contribuiu para melhorar a situa- setor de transportes podem constituir
ria de 25% na gasolina, aumentou de ção atual da indústria do etanol. uma oportunidade para reinserir os bio-
8,3 para 11,3 bilhões de litros no mes- Mas qual será a postura do go- combustíveis na discussão sobre energia
mo período, época em que a demanda verno em relação aos preços domésti- limpa e renovável.
por combustíveis cresceu rapidamente cos dos combustíveis, agora que o bar- A indústria de biocombustíveis
no Brasil. Contudo, como os preços in- ril está muito mais barato? Nenhuma é altamente inovadora: melhora cons-
ternacionais do petróleo ainda perma- das reformas mencionadas são irre- tantemente seus processos produtivos,
neceram muito elevados durante esses versíveis. O governo possui a flexibili- a fim de oferecer o melhor desempenho
anos, a queda no volume de etanol hi- dade de reduzir a mistura obrigatória em termos de redução das emissões de
dratado não pode ser atribuída à varia- para 18%, e o Brasil possui um histó- gases-estufa. Mas essa indústria preci-
ção nos preços da gasolina. rico de oscilação tributária. Porém, a sa de uma estrutura transparente, es-
Previsibilidade é fundamental depreciação da moeda brasileira tor- tável e previsível para suas operações.
para as energias renováveis - O que na quase inexistente a diferença entre *Géraldine Kutas é assessora sê-
aconteceu quando os preços internacio- os preços internacionais e aqueles pra- nior da presidência da União da Indús-
nais do petróleo caíram em 2014? Na- ticados pela Petrobras nas refinarias. tria de Cana-de-açúcar (Unica) para
quela época, o Brasil estava no meio de Dessa forma, uma mudança no preço assuntos internacionais. Artigo publi-
seu período eleitoral, e a presidente Dil- dos combustíveis não está na agenda. cado no portal International Centre
ma Rousseff lutava por sua reeleição. Portanto, mais que um barril de For Trade and Sustainable Develop-
Como frequentemente acontece, foram petróleo barato, o maior desafio atu- ment (ICTSD)

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Política Set or ial

Setor discute crise


na Câmara dos Deputados
retor técnico do Centro Nacional das seis de seus países até 2100.
Divulgação
Indústrias do Setor Sucroenergético A diretora-presidente da União
e Biocombustíveis (Ceise Br), Paulo da Indústria de Cana de Açúcar (Uni-
Gallo, destacou o cenário difícil vivido ca), Elizabeth Farina, alertou para o
por este elo da cadeia. “Nos últimos fato de que o setor sucroenergético
três anos, o setor viu ‘derreter’ 15 mil brasileiro tem profunda capacidade
postos de trabalhos na região onde es- de alavancar o desenvolvimento eco-
tão instaladas as empresas associadas nômico nas regiões onde está implan-
ao Ceise Br. A indústria de base está tado. “Nós precisamos nos planejar,
sofrendo. O setor está na UTI em está- definir uma ação estratégica para o
gio terminal e precisamos de ações de setor de etanol, açúcar e bioenergia,
curtíssimo prazo”, disse Gallo. sendo que uma delas é decidir o lugar
Segundo o diretor do Ceise Br, e a função na nossa matriz energéti-
há uma necessidade de apoio a um ca do etanol e da energia de biomas-
programa de retrofit - processo de sa”, observou.
modernização de equipamentos -, que Segundo Farina, as ações estra-
provocaria resultados positivos ime- tégicas para o setor devem envolver
diatos para o setor. Já o presidente da a retomada dos impostos sobre com-
Canaoeste, Manoel Ortolan, disse na bustíveis fósseis e a prioridade para
ocasião que os produtores de cana do o etanol e para a energia de biomas-
estado de São Paulo estão entrando sa na matriz energética, entre outras
Deputado João Henrique Caldas
(JHC), da Frente Parlamentar pela na 6ª safra com produtividade abai- iniciativas. “Primeiro é preciso recu-
Valorização do Setor Sucroenergético xo de 80 toneladas por hectare. Ele perar o setor para depois retomar o

T
rabalhadores, empresários, destacou a necessidade de linhas de crescimento”, disse. A diretora-presi-
parlamentares e representan- crédito específicas para investimento
tes de entidades ligadas à ca- e custeio agrícola, com o objetivo de

Divulgação
deia produtiva da cana-de-açúcar modernizar e recuperar os canaviais.
concordam ao atribuir, como uma das Para Ortolan, o Brasil está dei-
causas para atual crise do setor sucro- xando passar a oportunidade de figu-
energético, os erros da política ener- rar em posição de destaque na pro-
gética do governo. O assunto foi dis- dução de energia limpa, baseada na
cutido em uma Comissão Geral no cana-de-açúcar e na biomassa. O pre-
Plenário da Câmara dos Deputados, sidente da Canaoeste destacou a gran-
dia 10 de junho, em Brasília, DF. O de oportunidade que o Brasil tem em
encontro foi organizado pelo deputa- mãos, no que se refere à geração de
do João Henrique Caldas (JHC), da energia renovável, uma vez que líde-
Frente Parlamentar pela Valorização res do G-7, cúpula dos chefes de Es-
do Setor Sucroenergético. tado e de governo de Estados Unidos,
Uma caravana de Sertãozinho, Canadá, Japão, Alemanha, França,
SP, maior polo industrial do setor do Reino Unido e Itália, já anunciaram a
País, participou da audiência. O di- intenção de banir os combustíveis fós- Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste

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Política Set or ial

Assessoria de Imprensa Ceise Br


dente da Unica lembrou que o Brasil Segundo ele, as políticas do gover-
já teve experiência bem sucedida na no beneficiam os combustíveis de ma-
substituição dos combustíveis fósseis trizes fósseis, em vez dos oriundos de
por energia limpa. matriz energética limpa.
O prefeito de Sertãozinho, Zezi- O deputado acrescentou que os
nho Gimenez, defendeu a necessidade problemas climáticos, como a cri-
de se criar um marco regulatório para se hídrica, também têm afetado o se-
o setor. “Tivemos algumas conquistas, tor, que responde por 30% do PIB do
mas é preciso mais para que o empre- setor agrícola do Brasil. Em discurso
sário acredite, para que o setor tenha lido pelo deputado Zé Silva (SDMG),
a confiança de quem investe, de quem o presidente da Câmara, Eduardo
produz o etanol”, disse ele. Cunha, disse que embora o início do
Segundo o Secretário de Agri- problema tenha sido a crise econômi-
cultura do Estado de São Paulo, Ar- ca global, “a sua persistência chama
naldo Jardim, o momento é de defi- a atenção”. Para ele, “o alto grau de
nir ações estratégicas. “Precisamos endividamento merece exame cuida-
de políticas duradouras para que não Paulo Gallo, diretor técnico do Centro doso, pois parece sustentar um círcu-
Nacional das Indústrias do Setor
comprometamos ainda mais este se- Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise Br) lo vicioso”.
tor que enfrenta uma situação com Segundo Cunha, as empresas
60 usinas fechadas, 80 em recupe- País renda e qualidade de vida”, com- têm acumulado dívidas, perdendo a
ração judicial, com milhares de em- plementou o deputado Zé Silva. capacidade de produção e necessitan-
pregos perdidos, e, mais do que isso, Segundo o deputado JHC, a si- do de ainda mais recursos. Ele cha-
a oportunidade que o Brasil perde de tuação crítica do setor está relacio- mou atenção para algumas iniciativas
ser fronteira vanguardeira na nova nada ao fato de que “o governo se do governo neste ano que represen-
economia, a da energia renovável”, dedicou a manter o preço da gasoli- taram um alívio momentâneo para o
ponderou. na baixo, artificialmente, o que pre- setor, como o aumento da Cide (Con-
Já o presidente da Frente Par- judicou a competitividade do etanol”. tribuição de Intervenção no Domí-
lamentar pela Valorização do Se- Para ele, o segmento sucroenergético nio Econômico) e PIS/Cofins inciden-
tor Sucroenergético, deputado Sérgio precisa que o etanol volte a ser com- tes sobre a gasolina, o que beneficiou
Souza, chamou a atenção para a am- petitivo e que sejam criadas linhas de o etanol. Mas, para o parlamentar, é
plitude do problema. “A crise não está crédito exclusivas. “Não há como exi- preciso definir a posição do etanol na
só no campo, é uma cadeia toda que mir o governo da culpa”, disse JHC. matriz energética brasileira.
está sofrendo. Não é só um problema
do ponto de vista econômico, mas sim
Renato Araújo / Câmara dos Deputados
Arnaldo Jardim, secretário
de saúde dos seres humanos, do país, de Agricultura do
Estado de São Paulo
do planeta. Nenhum setor no Bra-
sil faz tão bem para o meio ambien-
te como o setor sucroenergético”, dis-
se Souza se referindo ao uso do etanol
e da biomassa da cana como combus-
tíveis renováveis.
Souza também lamentou que o
Brasil tenha deixado de lado o pro-
grama de etanol nos últimos quatro
anos e ressaltou que ele precisa ser
retomado. “O Brasil precisa apresen-
tar solução para o clima e para o meio
ambiente, e a solução está no nosso
setor”, disse. “O setor garante para o

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Renato Araújo / Câmara dos Deputados
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Ale Carolo / alecarolo.com


André Rocha, presidente do Fórum
Nacional Sucroenergético

de para os municípios, em função da


grande geração de empregos, renda e
impostos. “Muitas usinas têm consór-
cios com fornecedores de cana, o que
contribui, sobremaneira, para a maior
Elizabeth Farina, diretora-presidente da União da Indústria de Cana de Açúcar distribuição de renda em toda a ca-
deia produtiva”, observou.
O presidente do Fórum Nacional importância de políticas públicas para De acordo com o especialista no
Sucroenergético, André Rocha, tam- incentivar o setor de etanol como a re- setor sucroenergético e consultor téc-
bém reconheceu que neste ano o go- dução do ICMS de 19% para 14%, nico da Companhia Nacional de Abas-
verno tomou algumas medidas para ocorrida este ano em Minas Gerais, e tecimento (Conab), Ângelo Bressan
amenizar a crise do setor, como a vol- como isso está contribuindo para au- Filho, “conhecer os motivos que es-
ta da Cide para a gasolina, ainda que mento das vendas do combustível lim- tão provocando as atuais dificuldades,
não nos mesmos índices pedidos pelo po e renovável no estado. observar em que medida elas derivam
setor. Rocha defendeu, portanto, a Já o prefeito Rui Ramos chamou de fatores estruturais e descortinar
restauração integral da Cide incidente a atenção para a importância das usi- as formas de superá-las é um desafio
sobre os combustíveis fósseis. nas de açúcar, etanol e bioeletricida- para todos os analistas”.
Políticas para o etanol - Para o se-
cretário de Agricultura de São Paulo, Mauro Frasson / Agência FIEP

Arnaldo Jardim, com as políticas apro-


priadas para o etanol, o Brasil pode ocu-
par função estratégica no compromisso
mundial com a energia renovável. “Há
cinco anos, 56% da matriz energética
era de energia renovável. Esse número
diminuiu para 36%”, observou.
O presidente do Sindicato da In-
dústria de Fabricação do Álcool no Deputado Sérgio
Souza, presidente da
Estado de Minas Gerais (Siamig), Frente Parlamentar
pela Valorização do
Mário Campos, e o prefeito de Pira- Setor Sucroenergético
juba - município do Triângulo Mineiro
- Rui Ramos, também falaram na tri-
buna da Câmara. Campos destacou a
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Mais 10 usinas devem fechar este ano, diz Unica


leiloados no dia 24 de junho. O lei-

Arquivo
lão também contempla a fazenda de
cana Manchúria. Juntos os ativos fo-
ram avaliados em R$ 56,9 milhões. O
leilão foi determinado pela juíza da 1ª
Vara Cível da Comarca de Pontal, Ca-
rolina Nunes Vieira, com lance inicial
de R$ 25 milhões.
O comprador não terá que assu-
mir ônus anteriores das propriedades,
inclusive de natureza tributária, deri-
vadas da legislação do trabalho e as
decorrentes de acidente de trabalho.
A unidade industrial mineira tem ca-
pacidade para produzir 300 mil litros
de etanol por dia, com armazenamento
de 15 milhões de litros do biocombus-
tível. Já a fazenda Manchúria possui
1,27 mil hectares, com galpões, repre-
Companhia Albertina, em Sertãozinho, SP, teve falência sas, 600 hectares de canavial, além de
decretada pela Justiça no dia 5 de junho de 2015
uma pista de pouso para aviões de pe-

N
os últimos cinco anos pelo A Albertina foi a primeira usina pau- queno porte.
menos 80 usinas de cana-de- lista a pedir recuperação judicial, após De acordo com o administrador
-açúcar pararam de moer, das a crise econômica desencadeada em judicial da empresa, Alexandre Leite,
quais 44 enfrentam processo de recu- 2008. os recursos do leilão vão quitar a fa-
peração judicial (RJ). Outras 23 uni- A Albertina, no entanto, já vi- zenda e pagar credores que haviam li-
dades industriais também estão em re- nha enfrentando dificuldades financei- berado a propriedade da alienação fi-
cuperação judicial, porém, ainda se ras desde o início dos anos 2000, atri- duciária. Os recursos também vão
mantêm em operação. De acordo com buídas às consequências da queda dos servir como caixa para manter a ope-
a União da Indústria da Cana-de-açú- preços do açúcar e do etanol nos anos ração da unidade de Pontal, que na sa-
car (Unica), pelo menos outras dez usi- 1990. Atualmente, as dívidas da usina fra 2014/15 processou 1,2 milhão de
nas podem interromper suas atividades estão estimadas em R$ 200 milhões. toneladas de cana. O Grupo Carolo
ainda este ano. Fontes de mercado in- Outra tradicional empresa sucroener- teve o plano de RJ aprovado pela maio-
dicam que outras usinas deverão entrar gética do interior paulista, o Grupo Ca- ria dos credores em outubro de 2104.
em RJ nos próximos meses. rolo, com as usinas Nossa Senhora da Com anuência do Ministério Público,
Falência - A Companhia Alberti- Aparecida, em Pontal, SP, e a Planal- foi chancelado pelo Poder Judiciário.
na, localizada em Sertãozinho, SP, teve to, em Ibiá, MG, tem dívidas estimadas Outra vítima da crise é a Usina
sua falência decretada pela Justiça no em R$ 835 milhões. A empresa opera Rio Verde, de Goiás, que teve o pedido
dia 5 de junho, após mais de seis anos desde a década de 1930. de recuperação judicial aprovado pela
em processo de recuperação judicial. O Grupo Carolo mantém as ope- juíza Lídia de Assis e Souza Branco,
De acordo com a juíza Daniela Regi- rações apenas na unidade de Pontal, da 2ª Vara Cível do município de Rio
na de Souza, a decisão foi tomada com que está em processo de recuperação Verde, no dia 9 de junho de 2015. Com
base no laudo do administrador judicial judicial. Até o fechamento desta edi- capacidade para moer 600 mil tone-
que atesta a impossibilidade da usina ção, a informação era de que a unida- ladas de cana por safra, a unidade in-
em cumprir seu plano de pagamento. de Planalto teria parte de seus ativos dustrial foi sócia da Copersucar, com

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0,3% de participação, de 2001 até o Copersucar obteve na Justiça o direi- moagem de cana-de-açúcar na região
início de 2015, quando deixou o qua- to de arrestar 100% de seus estoques Centro-Sul do Brasil, tem conseguido
dro da trading, alegando mudança em de etanol, decisão que foi mantida na desenvolver uma estratégia de gestão
regras contratuais feitas unilateral- primeira e na segunda instância pela eficiente, com desempenho suficien-
mente pela cooperativa. A Copersucar Justiça de São Paulo. Em nota, a co- te para manter o equilíbrio financeiro,
nega que tenha mudado as regras. operativa afirmou que cumpre rigo- com recursos satisfatórios em caixa ou
De acordo com informações pu- rosamente os contratos com seus coo- baixos níveis de endividamento.
blicadas no jornal Valor Econômico, na perados. Informou, ainda, que sempre De acordo com reportagem do
petição inicial, que resultou no deferi- ofereceu a possibilidade de três tipos de jornal Valor Econômico, a maior parte
mento do pedido de recuperação, a Rio garantias para conceder adiantamento das usinas bem-sucedidas está no Esta-
Verde pediu também que a Justiça de- de crédito aos associados: o próprio es- do de São Paulo e tem capacidade para
termine a liberação dos estoques de eta- toque, uma fiança bancária ou o segu- processar entre 5 milhões e 15 mi-
nol confiscados em maio deste ano Pela ro de performance. lhões de toneladas de cana-de-açúcar
Cooperativa dos Produtores de Açúcar No caso do seguro de performan- por safra. Nesse grupo estão compa-
e Álcool do Estado de São Paulo – que, ce, o que ocorreu, conforme fontes do nhias como Lincoln Junqueira, Zillor,
apesar de não ter vínculo societário com Valor, é que, após o pedido de recupe- Bazan, Colombo e Ipiranga Agroindus-
a Copersucar, é a fornecedora da tra- ração judicial da Aralco, até então tam- trial. Cada uma com sua estratégia, es-
ding e detém em seu quadro de associa- bém sócia da Copersucar, a companhia sas companhias passaram pelas turbu-
dos os mesmos sócios que ela. seguradora que emitia essa modalidade lências e apresentam bons resultados.
Operacionalmente, quem conce- de seguro retirou o produto do mercado. De acordo com dados da Unica,
de antecipação de crédito às usinas só- Até hoje, a seguradora não ressarciu a entidade que representa unidades in-
cias é a cooperativa e, no caso da usina cooperativa e a Copersucar dos R$ 70 dustriais que somam 60% da produção
goiana, o volume arrestado havia sido milhões devidos pela Aralco, que tam- de açúcar e etanol do Brasil, existem
oferecido como garantia de um adian- bém tinha como garantia esse mesmo 290 usinas em operação na região Cen-
tamento de crédito. A usina admitiu tipo de seguro. A trading e a cooperati- tro-Sul do País. Já os números da re-
uma alavancagem acima do desejável, va movem um processo contra a segura- gião Nordeste fazem parte de um ca-
por conta de investimentos nos últimos dora para tentar recuperar o montante. dastro informado pelo Sindicado da
anos. No entanto, afirma que as ope- Gestão - Em um contexto de crise Indústria do Açúcar e do Álcool no es-
rações foram comprometidas por con- que tem deixado “mortos e feridos” no tado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE),
ta da mudança em regras que excluiu o setor sucroenergético, há quem sobre- dando conta de que 65 unidades es-
“seguro de performance” – o que ga- viva de forma bem-sucedida. Segundo tão em operação na safra canavieira
rante que a usina vai entregar a pro- estimativas de mercado, um grupo de 2014/15, que termina no início do se-
dução da safra seguinte – da lista de 10 usinas, que responde por 15% da gundo semestre.
instrumentos de garantia para adian-
tar crédito aos sócios.
Divulgação
Segundo o Valor, os proprietá-
rios da usina detalharam na petição
entregue à Justiça que tentaram resol-
ver a situação com a direção da coope-
rativa durante todo o segundo semes-
tre do ano passado, mas que, diante
do insucesso das negociações, resolve-
ram rescindir a sociedade e vender di-
retamente sua produção. No entanto, a
produção em estoque da usina perten-
ce à cooperativa, que tem o penhor do
produto como garantia de uma dívida
de cerca de R$ 45 milhões.
Após o desligamento da usina, a

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Política Set or ial

Política ambiental reforça estratégia


de recuperação do setor
Doca Pascoal

Brasil247
O
setor sucroenergético brasi-
leiro, que tenta se recuperar
do cenário de crise, tem ob-
tido sinalizações positivas do gover-
no através de dispositivos tributários,
concessões de incentivos, linhas de
crédito para renovação de canaviais
e estocagem de etanol, adequação da
mistura de etanol à gasolina, entre
outras. São positivas, mas insuficien-
tes, dizem os empresários e especialis-
tas do setor, que estão com o foco vol-
tado para a nova tendência da política
ambiental do planeta, que quer elimi-
nar gradativamente o uso de combus-
tíveis fósseis.
Líderes do G-7, que reúne os pa-
Segundo o economista-chefe da agência, Fatih Birol, o setor de energia é responsável por
íses mais desenvolvidos do mundo, es- mais de dois terços de todas as emissões nocivas, à frente da agricultura e dos transportes
tiveram reunidos em Bruxelas, na
Bélgica, para assinar um compromis- e a eliminação de subsídios aos com- União Europeia e China - não serão
so ambiental importante. Querem eli- bustíveis fósseis como a chave para a suficientes para conter o ritmo atual
minar o uso de combustíveis fósseis redução das emissões nocivas de GEE de aquecimento. O texto alerta que se
até 2100. Nesse contexto, o Brasil vai (gases de efeito estufa) e limitação da não forem tomadas medidas mais for-
reforçar seus argumentos favoráveis temperatura global em 2ºC. tes a partir de 2030, a temperatura
ao etanol, biocombustível que possui O documento “Energia e Mu- global aumentaria 2,6ºC até 2100 e
reconhecimento técnico internacional. danças Climáticas” é uma contribui- cerca de 3,5ºC até 2200.
A cadeia produtiva do etanol quer dis- ção da AIE para o debate das Nações A agência recomenda aos países
cutir uma política ambiental abran- Unidas sobre o acordo mundial para a elaboração de um plano de quatro
gente, que contemple o biocombustí- frear o aquecimento global. Segundo pilares, cuja primeira meta é baixar
vel da cana-de-açúcar como um pilar o economista-chefe da agência, Fatih as emissões a partir de 2020, quando
de sustentabilidade. Birol, o setor de energia é responsá- o total de gases lançados na atmosfe-
A ideia é que a discussão de uma vel por mais de dois terços de todas as ra deverá atingir seu ápice. Para con-
política ambiental, que estimule o uso emissões nocivas, à frente da agricul- seguir isso, a AIE afirma que é pre-
do etanol, reverbere na COP-21, Con- tura e dos transportes, de modo que ciso melhorar a eficiência energética,
ferência das Nações Unidas para Mu- “qualquer acordo fechado em Paris proibindo o uso de carros ou eletro-
danças Climáticas, a ser realizada em deverá levar isso em conta”, explicou. domésticos pouco eficientes, vetar a
Paris, capital francesa, no fim do ano. A AIE, que analisa a situação construção de novas usinas de carvão
A estratégia ganha força por conta do energética nos 29 países membros, poluentes e aumentar o investimento
relatório recente da Agência Interna- ressalta que quaisquer compromissos anual em energias renováveis dos atu-
cional de Energia (AIE) que indica os apresentados até agora – que inclui ais US$ 270 bi (dado de 2014) para
investimento em energias renováveis anúncios feitos pelos Estados Unidos, US$ 400 bi em 2030.

Terra & Cia Junho 2015 27


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Política Set or ial

Wordpress / sxc.hu
De acordo com relatório da AIE, se não
forem tomadas medidas mais fortes a partir
de 2030, a temperatura global aumentaria
2,6ºC até 2100 e cerca de 3,5ºC até 2200

Para o setor sucroenergético mínio Econômico (Cide) na gasolina e ra que ainda é “insuficiente” para aju-
brasileiro, essas discussões globais a renegociação da dívida de mais de dar o setor a se reerguer.
sobre o meio ambiente podem render R$ 50 bilhões das usinas. O retorno Farina admite, no entanto, que
bons frutos, especialmente porque um da Cide foi anunciado em janeiro, e a o diálogo do setor com o governo me-
consenso mundial sobre a redução do tarifa já está em R$ 0,22 por litro de lhorou após a concessão de incentivos
uso de combustíveis fósseis torna o gasolina. e a inclusão, pela primeira vez, das
etanol da cana cada vez mais estraté- Em 2012, antes de ser zerada, linhas de crédito para renovação de
gico, condição capaz de pressionar o contudo, a alíquota estava em R$ 0,28 canaviais (Prorenova) e estocagem de
governo a criar políticas mais efetivas por litro, valor que as usinas querem etanol no Plano Safra. Mas ainda há
para o segmento canavieiro. que volte a ser aplicado. Muitos pro- muito a fazer. De acordo com um re-
Lista de reivindicações - En- dutores de etanol atribuem à retirada cente levantamento do Itaú BBA, que
quanto amadurecem os argumentos da Cide a deterioração da situação fi- possui em sua carteira importantes
favoráveis ao meio ambiente, o setor nanceira do setor sucroenergético. De companhias do setor, a dívida das usi-
trabalha na construção de uma nova acordo com a presidente da União da nas cresceu 12% na safra 2014/15,
pauta de reivindicações para apresen- Indústria de Cana de Açúcar (Uni- encerrada em março, para R$ 50,5
tar ao governo. A cadeia produtiva do ca), Elizabeth Farina, a reintrodução bilhões. Em março de 2012, no final
etanol quer a recomposição integral da Cide é comemorada, por dar maior do ciclo 2011/12, o endividamento
da Contribuição de Intervenção no Do- competitividade ao etanol, mas ponde- era de R$ 42 bi.

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Ag rícola

Setor canavieiro paulista faz a lição de casa


to, sistemas integrados de produção, lo, que é um estado industrializado,

Arquivo
recursos humanos altamente capa- nós temos um percentual acima de
citados, assistência técnica, progra- 50% as pessoas não acreditam. Em
mas e projetos de desenvolvimento ru- um mundo que está se debatendo com
ral, legislação ambiental, fiscalização as questões de aquecimento global e
eficiente e recomposição de vegeta- mudanças climáticas, você conseguir
ção nativa. A Secretaria de Agricul- uma performance desta, com energia
tura e Abastecimento de São Paulo renovável vinda da agricultura, é algo
foi a primeira a prestar conta de suas espetacular”, afirma o secretário ad-
ações com a publicação de um rela- junto Rubens Namam Rizek Júnior.
tório de sustentabilidade reconhecido Para reforçar o compromisso
internacionalmente. com o meio ambiente, o governo pau-
Cana - O maior exemplo de que lista e a cadeia produtiva da cana-de-
a agricultura de São Paulo trabalha -açúcar adotaram, em 2007, o Pro-
em sintonia com o meio ambiente é tocolo Agroambiental para o setor
a atuação do setor sucroenergético e sucroenergético. Ele tem abrangên-
as políticas estabelecidas pelo gover- cia estadual e define metas mais res-
no do Estado. Trata-se de um setor tritivas, como a antecipação do prazo
que representa 44% do valor bruto da para a eliminação da queima da pa-
agropecuária, sendo a maior atividade lha da cana, a proteção de remanes-
Segundo Rubens Rizek, São Paulo conta
agrícola paulista. São Paulo é o maior centes florestais de nascentes e de ma-
com um percentual acima de 50% de produtor de cana, açúcar e etanol do tas ciliares, e a redução de consumo
energia renovável vinda da agricultura
Brasil, pioneiro em pesquisa e desen- de água na etapa industrial.
Da Redação volvimento nesta área e detém uma Desde a assinatura do Protoco-
das matrizes energéticas mais limpas lo até o final da safra 2013/14, pelo

D
e acordo com estimativas da do mundo (55%), com a energia gera- menos 7,16 milhões de hectares dei-
ONU - Organização das Na- da a partir da biomassa de cana. xaram de ser queimados. Assim, o se-
ções Unidas -, o planeta terá A meta para 2020, estipula- tor deixou de emitir 26,7 milhões de
9 bilhões de habitantes até 2050. Se da pela PEMC - Política Estadual de toneladas de poluentes (monóxido de
a estimativa estiver correta, o Brasil Mudanças Climáticas -, é de que essa carbono, hidrocarbonetos e material
terá que aumentar em 40% a sua ca- matriz seja composta por 69% de particulado) e 4,4 milhões de tonela-
pacidade produtiva, utilizando o mes- energias limpas, e esse tento não será das de gases causadores do efeito es-
mo espaço, para atender esta deman- possível se o etanol e a cogeração não tufa (metanol e óxido nitroso).
da. A pergunta inevitável: é possível contribuírem com a maior parcela. Com relação ao uso responsável
aumentar a produtividade com susten- Estima-se que, desde 1975, o uso de dos recursos hídricos, as usinas signa-
tabilidade? O desafio é grande, mas já etanol no Brasil, em substituição à ga- tárias já reduziram seu consumo espe-
há quem esteja caminhado com suces- solina, permitiu uma redução de emis- cífico de 1,89 m³ para 1,18 m³ por to-
so neste caminho sustentável. O Esta- sões de 600 milhões de toneladas de nelada de cana moída. Mais de R$ 42
do de São Paulo pode ser considerado CO2 equivalente, que correspondem milhões foram investidos no fechamen-
um exemplo a ser seguido pelo Brasil ao plantio de 2 bilhões de árvores. to e na reutilização da água os circui-
e pelo mundo. “Se você for aos países mais de- tos industriais, o que resultou em eco-
A agricultura paulista conta senvolvidos verá que eles não conse- nomia de mais de 106 bilhões de litros
com ferramentas fundamentais para guem passar dos 10% de energia re- de água desde 2007, o suficiente para
vencer este desafio, como a tecnolo- novável em suas matrizes energéticas. abastecer por dois anos uma cidade de
gia agrícola de ponta, plantio dire- Quando a gente fala que em São Pau- cerca de 1 milhão de habitantes.

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Ag rícola

CTC lança programa de assistência técnica

O
Centro de Tecnologia Canaviei-

Arquivo
ra (CTC) desenvolveu um pro-
grama exclusivo de assistên-
cia técnica para auxiliar produtores a
realizarem o correto manejo do culti-
vo agrícola de cana-de-açúcar. O CTC
Valoriza, já disponível para a safra
2015/16, é um pacote de serviços, en-
tre os quais se destacam a elaboração
do plano agrícola, suporte no plantio
e colheita mecanizados, planejamento
de viveiros e técnicas de multiplicação
de cana, CTCSat, adubação mineral e
uso de resíduos e consultoria em pra-
gas e doenças.
De acordo com o gerente de As-
sistência Técnica do CTC, Jorge Don-
zelli, os serviços de consultoria espe-
cializada disponíveis no programa CTC
Valoriza obedecem a um sistema de
pontuação. “Assim que acumulados os
pontos correspondentes ao serviço de-
sejado, os produtores de cana-de-açú-
car deverão solicitar tal suporte por
meio da área restrita disponível no site
ctc.com.br”, orienta o gerente, que
destaca o lançamento deste novo pro-
grama como parte da reestruturação
da área de Assistência Técnica do CTC. Jorge Donzelli, gerente de Assistência Técnica do CTC

rodapé de pagina

Terra & Cia Junho 2015 31


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Ag rícola

Luzes de LED ajudam no crescimento de mudas

U
m problema encontrado na do das mudas.“Sob a luz vermelha, os

Arquivo
produção de mudas de cana- cloroplastos, região responsável pela
-de-açúcar in vitro é a com- fotossíntese, ficam ‘estressados’, fa-
petição por luz. O método convencio- zendo a planta reduzir seu tamanho.
nal, adotado nas biofábricas, utiliza A azul serve para equilibrar esse pro-
lâmpadas fluorescentes que fazem al- cesso”, explica Paulo Hercílio Viegas
gumas mudas crescerem mais do que Rodrigues, coordenador do estudo. A
outras e as menores acabam morren- pesquisa começou por um projeto de
do. Para resolver esse entrave, pesqui- iniciação científica de Felipe Malu-
sadores da Escola Superior de Agri- ta, aluno de engenharia agronômica.
Uma combinação de luzes azul e vermelha
cultura Luiz de Queiroz (Esalq) da “A técnica já é utilizada com bana- resultou no crescimento uniforme, mantendo
Universidade de São Paulo (USP), em na e morango. O que fizemos foi apli- um tamanho reduzido das mudas
Piracicaba, SP, desenvolveram uma car esse método pela primeira vez na
técnica capaz de aumentar a produti- cana”, diz Maluta. ra, mas é habitual no cultivo de flores
vidade dessas mudas utilizando luzes As luzes de LED ajudam no cres- desenvolvidas em estufas na Holanda.
de LED (Light Emitting Diodes, na si- cimento das mudas por meio do espec- A introdução da luz com LED, além
gla em inglês). tro rosado, resultado da combinação de aumentar a produtividade, faz com
Uma combinação de luzes azul e de comprimentos específicos de azul e que o tempo de crescimento das mu-
vermelha resultou no crescimento uni- vermelho. O uso dessa tecnologia é re- das diminua em 50% e reduz custos
forme, mantendo um tamanho reduzi- lativamente novo na cultura canaviei- na produção.

32 Terra & Cia Junho 2015


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Bioener gia

Relatório assegura que não falta


terra para produção
N
ão há falta de terras no pla- contribuição significativa de bioener-

Currículo Lattes
neta para a produção de bio- gia em uma matriz energética mun-
energia. A afirmação está dial sustentável.
no Relatório Mundial sobre Bioener- De acordo com a coordenado-
gia e Sustentabilidade, coordenado ra-geral da pesquisa, Glaucia Men-
por cientistas brasileiros ligados aos des Souza, da Fapesp, o relatório
programas da Fundação de Amparo à também ressalva que essa contribui-
Pesquisa do Estado de São Paulo (Fa- ção pode chegar a ser um quarto da
pesp), com apoio do Comitê Científico energia utilizada no mundo em 2050.
para Problemas do Ambiente (Scope, Hoje, a participação da bioenergia é
na sigla em inglês), agência intergo- de aproximadamente 10% na matriz
vernamental responsável pela inicia- energética mundial. A pesquisa indi-
tiva, associada à Organização das ca também que entre as regiões em
Nações Unidas para a Educação, a Ci- que há mais terras para desenvolvi-
ência e a Cultura (Unesco). mento da bioenergia estão a África e
O estudo, desenvolvido por 137 a América do Sul.
especialistas de 24 países, mostra “O Brasil tem um papel enor-
também que a expansão de áreas me para produção de biomassa e é
Segundo a pesquisadora Glaucia Mendes
destinadas a fontes de energia reno- uma grande oportunidade para a Souza, o Brasil precisa desenvolver tecnologias
para modificar a biomassa, para que ela possa
váveis não coloca em risco a produ- gente. Temos que desenvolver aqui gerar produtos de uma maneira sustentável
ção de alimentos - pelo contrário, as tecnologias para modificar a bio-
pode ajudar a desenvolver a agricul- massa, para que ela possa gerar to- váveis não colocará em risco a pro-
tura. Foi a primeira vez, em 72 edi- dos esses produtos de uma maneira dução de alimentos. O maior proble-
ções, que o Brasil coordenou as pes- sustentável”, destacou Glaucia. Se- ma da fome, segundo ela, “é falta de
quisas. O estudo concluiu que existe gundo o estudo, a expansão de áreas dinheiro para comprar comida. Não
terra suficiente no mundo para uma destinadas a fontes de energia reno- é falta de comida”.

+ FINO
+ PURO
+ EFICIENTE
Quem quer maior produtividade, exige qualidade + ECONÔMICO

Produto Fábrica PN (%) PRNT (%) CaO (%) MgO (%)

Calcário Dolomítico Itaú de Minas (MG) 100 95 a 100 41 a 45 6 a 10


Calcário Dolomítico Sobradinho (DF) 90 85 a 90 40 a 43 5a6

Calcário Calcítico Sobradinho (DF) 95 85 a 90 42 a 45 3a5

Calcário Calcítico Rio Branco do Sul (PR) 90 75 a 80 42 a 45 3a5


Calcário Calcítico Pinheiro Machado (RS) 80 75 a 80 40 a 44 3a5

Calcário Dolomítico Itapeva (SP) 100 80 a 85 28 a 30 19 a 21

Calcário Dolomítico Paracatú (MG) 85 85 a 95 26 a 30 16 a 18

Calcário Dolomítico Xambioá (TO) 88 80 a 85 30 a 33 12 a 15

Gesso Ouricuri (PE) 16% de S 20% de CaO

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Terra & Cia Junho 2015 33
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F enasucr o

Organizadores esperam

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F enasucr o

mais de 33 mil visitantes


A
23ª Fenasucro & Agrocana, mais moderno em tecnologia, máqui-

Divulgação
maior evento do mundo vol- nas, equipamentos e serviços para a
tado exclusivamente ao setor indústria), Transporte e Logística e
sucroenergético, será realizado de 25 Energia.
a 28 de agosto, em Sertãozinho, SP. Além de ser o centro para o en-
Este ano contará com mais de mil contro dos principais fornecedores e
marcas expostas. “A feira é o palco compradores do setor, a Fenasucro &
principal para a retomada do setor, Agrocana oferece aos seus visitantes
pois traz uma plataforma completa acesso a debates e palestras com os
de alternativas e soluções à cadeia mais atualizados conteúdos envolven-
produtiva da cana-de-açúcar”, des- do mercado e também alta tecnologia.
taca Paulo Montabone, gerente-ge- Outro destaque é a Rodada de
ral da pela Reed Exhibitions Alcan- Negócios Internacional, promovida
tara Machado, promotora do evento. pela APLA/APEX, que reúne forne-
A feira, que este ano ganhou a cedores e compradores de alto poten-
chancela da Unesco, deve reunir as cial do exterior, este ano, além da ro-
empresas líderes do mercado e seus dada internacional, o evento também
principais compradores do Brasil e de oferecerá uma Rodada de Negócios
mais 50 países. A expectativa é re- Nacional que irá fomentar o encontro
ceber mais de 33 mil visitantes qua- entre os principais compradores na-
lificados nos pavilhões do Centro de cionais e os expositores.
Eventos Zanini e chegar a uma ge- Eventos paralelos - A Fenasu-
ração de negócios de cerca de R$ cro & Agrocana também já confir-
2,8 bilhões concluídos até seis meses mou importantes atividades, reunin-
após o evento. do especialistas que apresentarão
“A produção de energia a partir soluções e alternativas para alavan-
dos derivados da cana é um dos pon- car a qualidade e eficiência nas dife-
tos de destaque desta edição da Fe- rentes etapas do processo produtivo
nasucro & Agrocana. Este novo mer- da cana. Além de possibilitar mais
cado tem se mostrado de extrema oportunidades de negócios. Os 40
importância para o planejamento do anos do Proálcool serão comemora-
crescimento da economia brasileira dos durante a Feira.
e é nesse segmento que apostamos o Entre estes eventos estão tam-
nosso crescimento em volume de ne- bém a 4ª Conferência DATAGRO
gócios”, explica o diretor do portfó- CEISE Br, 3º Congresso de Auto-
lio de energia da Reed, Igor Tavares. mação e Inovação Tecnológica Su-
Em uma área total de 75 mil croenergética, Seminário Agroindus-
m², a Fenasucro & Agrocana esta- trial STAB, Bioenergy Conference, V
rá dividida em cinco grandes setores: Seminário de Bioeletrecidade CEI-
Agrícola, Fornecedores Industriais SE Br e UNICA, Seminário GEGIS,
(pequenos, médios e grandes forne- Workshop temático GERHAI, Reu-
cedores de equipamentos, suprimen- nião LIDE, Encontro de Produtores
tos e serviços industriais), Proces- Canaoeste/Orplana e Seminário de
sos Industriais (vitrine do que há de Transporte e Logística ESALQ LOG.

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Recur sos Humanos

Usina Nardini investe em capacitação de líderes


A
partir de julho, 150 cola- ças, porém, contam com o auxílio de

Divulgação
boradores da Usina Nardi- novos sistemas operacionais que es-
ni vão iniciar uma nova eta- tão sendo implantados”, observa Mi-
pa da capacitação de líderes, que já randa. A proposta da Nardini está li-
treinou 120 colaboradores nos últimos gada à sobrevivência da organização,
10 meses. O objetivo é garantir que to- “já que as empresas que não se prepa-
dos os níveis de liderança estejam pre- rarem e trabalharem com foco em re-
parados para assumir responsabilida- sultados, desaparecerão”.
des com base no cenário de desafios Avaliação - Segundo o supervi-
que será enfrentado nos próximos cin- sor de operações Daniel Aparecido de
co anos. “A ideia é fazer com que esse Assis, o treinamento permitiu que ele
conhecimento chegue a outros cargos aprendesse a utilizar novas ferramen-
estratégicos, para que todos possam tas de trabalho. “Também passei a
falar a mesma língua”, afirma o ge- dialogar de uma melhor maneira não
rente de Recursos Humanos da Nardi- só com os integrantes da minha equipe
ni, Gilmar Miranda. como do restante da empresa”, ava-
“Estamos em um momento de lia. Já para Ana Carolina Bizari, en-
transição, onde os líderes passam a as- carregada do departamento Jurídico
sumir tarefas ligadas à gestão de pes- da Nardini, a capacitação aproximou
soas e que antes estavam exclusiva- ainda mais a gerência e seus coorde-
mente sob a responsabilidade do RH, nadores. “Há, agora, uma maior in- Gilmar Miranda: “A ideia é fazer com
que esse conhecimento chegue a outros
como controle de jornada, promoções, teração entre as áreas da empresa”, cargos estratégicos, para que todos
segurança do trabalho. Essas mudan- analisa. possam falar a mesma língua”

VII Simpósio de Cana discute vinhaça


concentrada para adubação

O
uso da vinhaça concentrada, tam com concentração de vinhaça na mentos que fazem a concentração de
uma das práticas que vem sen- adubação, geralmente pecam pelo ex- vinhaça sem gastos adicionais de va-
do adotadas para adubação, é cesso ou pela falta em potássio, usam por, é um sistema que contribui para
uma das oportunidades de racionali- muito em distâncias próximas e deixam que seja feita a concentração sem de-
zar o uso de fertilizantes em cana de de utilizar a quantidade adequada nas trimento da cogeração de energia elé-
açúcar, tanto economizando o potássio demais áreas. Isso tem impactos nega- trica: “Muita gente acredita ainda que
via reciclagem, quanto aumentando a tivos em relação à maturação da cana e concentrar vai reduzir a cogeração e
eficiência das demais fontes (nitrogê- sua produtividade”, afirma Luiz Antô- isso não é mais verdadeiro ”, finali-
nio, fósforo e micro nutrientes, quan- nio Paiva, engenheiro agrônomo e pa- za Paiva.
do colocados junto à vinhaça concen- lestrante que abordará o tema. As inscrições para o VII Sim-
trada). O assunto será discutido no VII O uso da vinhaça concentrada é pósio Tecnologia de Produção de Ca-
Simpósio de Cana do GAPE/ESALQ, uma ferramenta valiosa na otimiza- na-de-Açúcar já estão abertas no site
de 15 a 17 de julho de 2015, em Pi- ção da adubação potássica em cana simposiodecana.com, e-mail cdt@fe-
racicaba, SP. de açúcar, permite ganhos de produti- alq.org.br, ou pelo telefone (19) 3417-
“Hoje as empresas que não con- vidade e maturação. Existem equipa- 6604, com Maria Eugênia.

36 Terra & Cia Junho 2015


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Sor go

Nexsteppe destaca variedade apropriada para safrinha


frinha: os valores pagos nesse perío-
Divulgação

do como incentivo aos agricultores


está entre R$ 95 e R$ 100 por tonela-
da. “A margem oferecida ao produtor
é compatível com as demais culturas
do mercado. Eventualmente podem
ser até melhores de acordo com a re-
gião, a demanda por biomassa, os
custos com logística (distância até a
caldeira) e o preço da energia elétri-
ca contratada ou no mercado spot”,
diz Tatiana.
Produção brasileira - A safra
brasileira de sorgo deverá totalizar
A variedade de sorgo Palo Alto 1009 safrinha depende menos de um regime pluviométrico 1,860 milhão de toneladas na tem-
constante ou de altas taxas de luminosidade comparado ao sorgo biomassa safra porada 2014/15, com recuo de 1,6%
O termo safrinha tem origem taxas de luminosidade comparado ao sobre 2013/14, quando foram produ-
na década de 1970, no estado do Pa- sorgo biomassa safra. zidas 1,891 milhão de toneladas. A
raná, devido ao pequeno volume de Tradicionalmente produzido nos estimativa faz parte do nono levan-
grãos colhidos em comparação à safra estados de Goiás, Mato Grosso, Mato tamento para a safra brasileira de
de verão. Historicamente conhecida Grosso do Sul ele têm ganhado bas- grãos, divulgado em junho pela Com-
como uma época de baixa produtivi- tante espaço em Minas Gerais. O plan- panhia Nacional de Abastecimento
dade, a safrinha deixou de ser rele- tio possibilita o uso mais econômico de (Conab). Na estimativa anterior, a sa-
gada ao segundo plano no programa terra, máquinas, equipamentos e mão fra era estimada em 1,924 milhão de
anual de plantio e hoje é vista como de obra. Outra vantagem é a remedia- toneladas. A área plantada está es-
um período de colheita de alto nível ção de problemas fitossanitários, pois timada em 697,9 mil hectares, com
na agricultura brasileira. Para o setor ele quebra o ciclo de doenças e pragas queda de 4,5% sobre o ano anterior,
sucroenergético, a safrinha é conheci- do trigo e do milho. de 731 mil hectares. Já a produtivi-
da também como o momento de reno- Além disso, neste período mais dade tende a subir 3 %, passando de
vação dos canaviais. ocioso, o custo de produção é menor, 2.587 para 2.665 quilos por hectare.
Este cenário mudou, pois tanto sendo uma alternativa segura e rentá-
Divulgação

agricultores quanto usineiros foram vel. “Para quem optou pelo Palo Alto
em busca de alternativas sofisticadas 1009, ele pode representar uma recei-
para manter sua produtividade, mes- ta adicional na entressafra, especial-
mo nesta época de poucas chuvas e in- mente para o agricultor localizado em
cidência solar. Para isso, a Nexsteppe áreas próximas a caldeiras à biomas-
desenvolveu um produto exclusivo e sa”, explica a vice-presidente Comer-
específico para este momento: o sor- cial da Nexsteppe para a América do
go biomassa Palo Alto 1009 safrinha. Sul, Tatiana Gonsalves.
Semeado de janeiro a 15 de fe- A produtividade média é de 20
vereiro, após a colheita de uma cultu- toneladas por hectare. Na safrinha, o
Tatiana Gonsalves: “Para quem
ra de verão (geralmente soja ou milho) custo para o agricultor varia de R$ optou pelo Palo Alto 1009, ele pode
representar uma receita adicional
ou na reforma do canavial, o sorgo sa- 65 a R$ 70 por tonelada. No entan- na entressafra, especialmente para
frinha depende menos de um regime to, a indústria oferece uma vantagem o agricultor localizado em áreas
próximas a caldeiras à biomassa”
pluviométrico constante ou de altas para os produtores de Palo Alto na sa-

Terra & Cia Junho 2015 37


ENTREVISTA

Competitividade e inovação
para o setor de C&P
expectativas precisam ser as melhores E quanto à capacitação de novos

Prefeitura de Três Lagoas


possíveis para fazer frente, exatamen- profissionais, acredita que o Congresso
te, a um cenário de adversidade e o também tenha esse papel?
Congresso refletirá esse esforço. Temos FV - O Congresso é uma com-
de reverter esse quadro e, para isso, é plementação do que se desenvolve no
preciso continuar trabalhando em bus- ano inteiro por meio das Comissões
ca de inovação e aumento de produ- Técnicas, de seminários que ocorrem,
tividade de maneira que nos mante- da própria ABTCP e em algumas re-
nhamos competitivos com uma série giões específicas com assuntos rela-
de tecnologias. Sem dúvida nenhuma cionados ao papel, à celulose, meio
é um momento crítico, mas nós temos ambiente, entre outros. Então esse
potencial e precisamos de um olhar fo- conjunto ajuda, e muito, na capaci-
cado positivamente para reverter esse tação dos profissionais. Não tenho a
quadro. menor dúvida disso.

A troca de informações técnicas Estamos em um momento de in-


no setor é importante para a competi- segurança econômica no país. Acredi-
tividade das indústrias. Qual é o papel ta que esse fator será sentido pelo se-
do congresso nessa interatividade? tor e enfatizado durante o Congresso?
FV - O Congresso é fundamen- FV - Sem dúvida nenhuma esse
tal para dar visibilidade ao trabalho momento do país reflete no setor. Por
que é desenvolvido dentro da pró- isso que digo que é fundamental au-

C
om mais de 45 anos dedica- pria ABTCP. Na Associação, temos mentarmos a produtividade. O Con-
dos ao setor de celulose e pa- diversas comissões técnicas, como gresso é um motivador para a cria-
pel, Francisco Fernandes as de Celulose, Meio Ambiente, tividade, com soluções inovadoras,
Campos Valério possui um olhar acu- Energia, Manutenção, Recuperação maneiras de aumentar a produtivida-
rado sobre as tendências que perme- de Produtos Químicos, entre outras. de e a competitividade do setor. Então,
arão o mercado nos próximos anos. Então, essa participação e troca essa troca de informações é muito im-
Nesta entrevista, na condição de pre- de informações entre elas agregam portante também nesse momento. Te-
sidente do 48º Congresso de Celulose muito valor, porque as experiências mos sempre de lembrar o seguinte: não
e Papel da ABTCP (Associação Bra- vão se somar. Esse conhecimento é competimos apenas internamente, mas
sileira Técnica de Celulose e Papel), fundamental ao setor, levando em também com o mundo. Então, é nossa
ele fala sobre a relevância do evento e conta diversos aspectos, não ape- obrigação tentarmos ser os melhores
detalha caminhos que podem ser tra- nas os produtivos que envolvem pro- possíveis e esse trabalho no Congresso
çados para conferir competitividade e dutos de qualidade, mas também de é um grande motivador.
inovação ao meio. segurança e meio ambiente. Acre-
dito que essa troca de informações Falando em competitividade com
Quais as expectativas para o vem acontecendo ao longo dos anos o mundo, como está o cenário brasilei-
48º Congresso? porque as pessoas que estão no Con- ro em comparação com outros países
Francisco Valério - Estamos gresso são capacitadas e tem muito que despontam nesse setor, como Esta-
passando por um momento conjuntu- conhecimento para transmitir. Esse dos Unidos, China e Canadá?
ral difícil. Nessa situação, as nossas networking é muito importante. FV - Hoje, somos o quarto maior

38 Terra & Cia Junho 2015


ENTREVISTA
produtor de celulose do mundo e na to. Ela já foi considerada, no passado, setor?
produção de papel também temos como uma fibra de enchimento. Hoje FV - Estamos em um mercado
uma posição de destaque. Quando ela é premium. maduro. O futuro, em minha opinião,
falamos em tecnologia, pesquisa e é promissor. Vamos continuar usan-
desenvolvimento e inovação, é im- Quanto às novas técnicas e tec- do papel. Por circunstâncias econô-
portante lembrar que temos o euca- nologias, como o Brasil está inserido? micas, às vezes algum tipo de papel
lipto como matéria prima, em que o FV - O Brasil tem trabalhado é mais valorizado que o outro. Países
Brasil é pioneiro na produção de ce- bastante na inovação, desde a par- desenvolvidos utilizam menos para
lulose e papel com 100% dessa fi- te florestal à industrial, muito foca- escrever, por exemplo, enquanto ou-
bra. Isso exigiu um trabalho muito do na melhoria da qualidade e da pro- tros menos desenvolvidos continuam
grande de desenvolvimento e foi im- dutividade do uso das nossas matérias a usá-lo. Alguns produtos, como a li-
portante para que os próprios pro- prima. nha tissue e de embalagem, continu-
dutores de papel com mais experiên- am crescendo. Então, o setor de celu-
cia, como os europeus e americanos, “Hoje, somos lose e papel continuará crescendo na
entendessem que essa fibra tinha ca-
racterísticas diferentes das que eles
o quarto maior ordem de 1,5% a 2% ao ano.

estavam acostumados. produtor de Quais os desafios? A Sustenta-


celulose do mundo bilidade terá destaque?
Como o senhor avalia essa FV - Quanto aos desafios no
situação? e na produção de Brasil, estão muito ligados à logísti-
FV - No início, criou-se um pou- papel também ca, onde temos deficiência; tributa-
co de confusão porque quando falá- ção, com uma carga bastante elevada,
vamos com os fornecedores de equi-
temos uma posição bem como a necessidade de preparar
pamentos, eles sempre achavam que de destaque”. mão de obra. O futuro do setor depen-
tinham tecnologia para nos atender, de de ser sustentável, inclusive dentro
baseados na larga experiência que É possível dizer que alcançamos da estratégia de negócio. Temos uma
tinham com as fibras do Hemisfério nível semelhante aos europeus? crescente atenção, por parte do públi-
Norte. Quando entenderam que as FV - Quando estamos falan- co, sobre os sistemas chave de Sus-
nossas fibras tinham características do em fibra de eucalipto, somos pio- tentabilidade, como mudança climáti-
diferentes, mas de uma qualidade ex- neiros, com uma capacitação su- ca. Esses temas estão bem delineados
celente, isso foi mudando. Então, hoje perior. Ao mesmo tempo, temos de nas áreas ambiental, social e econô-
se tem, lá fora, um nível fantástico de reconhecer que os europeus e ameri- mica em nosso setor. Não pode mais
pesquisa nessa área de celulose e pa- canos possuem maior conhecimento haver separação desses temas. Na
pel voltado à utilização das nossas fi- quanto às fibras que utilizam lá. Mas estratégia empresarial, sempre há o
bras. E, da mesma forma, estamos hoje exportamos nosso produto base olhar de curto e longo prazos e, nes-
sempre abertos e procuramos traba- para o mundo inteiro. Atualmente, sa última, os temas de Sustentabilida-
lhar em conjunto com o que há de me- 90% da celulose de mercado produ- de precisam, necessariamente, serem
lhor para que possamos agregar valor zida no Brasil são exportadas. Mais levados em conta. A reputação, a go-
ao nosso produto e à nossa tecnologia. de 50% da nossa fibra é direciona- vernança, o respeito aos direitos hu-
da para a produção de papel tissue, manos, o meio ambiente, a qualidade
Então, a utilização de fibra de que são a linha de sanitários, guar- dos produtos, tudo está relacionado
papel através do eucalipto é um case danapos, toalhas e lenços de papel, à Sustentabilidade em uma estraté-
de sucesso do Brasil? que são produtos de consumo. Temos gia de longo prazo. Diria que, nesse
FV - Sem dúvida nenhuma. Di- uma capacitação muito grande nesse século, cada vez mais esses itens in-
ria que o Brasil é o único país que ba- aspecto. tangíveis terão um peso maior. É uma
sicamente produz diversos tipos de questão de sobrevivência de mercado.
papel com 100% de fibra de eucalip- Como visualiza o futuro do (ABTCP)

Terra & Cia Junho 2015 39


Papel & Celulose

Fibria investirá R$ 7,7 bi na expansão


da fábrica em Três Lagoas
da de nova capacidade de produção de ce- de cerca de R$ 450 milhões durante a

Divulgação
lulose no mercado em 2018. É com muito construção.
orgulho que estamos fazendo esse grande As licenças ambientais e de insta-
investimento no Brasil, com foco no mer- lação já foram obtidas pela Fibria, que
cado exportador, contribuindo para a ba- vem investindo no desenvolvimento da
lança comercial brasileira, gerando em- base florestal na região com o objetivo de
pregos, melhoria na qualidade de vida e abastecer a nova linha de produção. O su-
desenvolvimento local, regional e para primento para operação virá de florestas
o país”, afirma o presidente da Fibria, cultivadas no Mato Grosso do Sul. Serão
Marcelo Castelli. necessários 174 mil hectares de flores-
A Fibria, união entre Aracruz e VCP,
investirá R$ 7,7 bilhões para ampliar A execução do Projeto Horizonte 2 tas plantadas em áreas próprias, arren-
a unidade de Três Lagoas, MS contará com cerca de 60 fornecedores lo- damento e parcerias, além da compra de

A
fabricante de celulose Fibria, cais. Ao longo das obras, a Fibria irá pro- madeira futura de terceiros. Atualmente
união entre Aracruz e VCP, vai a empresa já conta com excedente de 107
investir R$ 7,7 bilhões na unida- Divulgação mil hectares plantados ou sob contratos
de de Três Lagoas, MS, para ampliar a de plantio.
produção anual de 1,25 milhão de tone- A unidade da Fibria em Três La-
ladas, para 3 milhões de toneladas. A pri- goas foi inaugurada em março de 2009,
meira expansão da companhia desde sua com capacidade para produzir 1,3 milhão
criação, em 2009, foi definida um ano de toneladas de celulose por ano. Toda a
após a Fibria ter conquistado o grau de energia consumida é gerada na própria
investimento da agência de classificação fábrica, por meio de biomassa provenien-
de risco Fitch. As obras do chamado Pro- te de cascas do eucalipto e biomassa lí-
jeto Horizonte 2 deverá gerar 40 mil em- quida resultante do processo industrial.
pregos diretos e indiretos. Com o projeto Horizonte 2, a unidade in-
Líder mundial na produção de ce- dustrial, além de gerar e consumir a pró-
lulose de fibra curta (eucalipto), a Fibria pria energia, passará a ter um excedente
realizará as obras com recursos próprios de 160 MWH, que contribuirá para o ba-
provenientes da forte geração de caixa da lanço energético brasileiro.
companhia e com financiamentos de di- Com a capacidade adicional da ex-
versas fontes como BNDES, agências de tensão da linha de produção de Três La-
Marcelo Castelli: “Estamos fazendo esse
créditos de exportação (ECAs), Fundo de grande investimento no Brasil, com foco goas, a ser concluída em três anos, a
no mercado exportador, contribuindo para
Desenvolvimento do Centro-Oeste, bancos a balança comercial brasileira, gerando
Fibria poderá produzir 7 milhões de to-
comerciais e mercado de capitais. A celu- empregos, melhoria na qualidade de vida e neladas de celulose de eucalipto ao ano,
desenvolvimento local, regional e para o país”
lose produzida pela Fibria em Três Lago- ampliando a distância em relação às con-
as é levada por transporte ferroviário até mover 500 mil horas de treinamento na correntes. Hoje, a companhia tem capa-
o Porto de Santos, SP, de onde é exporta- área Florestal e outras 390 mil horas de cidade produtiva de 5,3 milhões de to-
da para mais de 40 países. treinamento na área Industrial, incluin- neladas anuais de celulose, em unidades
“A ampliação da unidade de Três do a preparação da equipe própria e de industriais localizadas em Aracruz, ES,
Lagoas segue a estratégia de crescimen- terceiros. As obras também terão impac- Jacareí, SP, Três Lagoas, MS, e Eunápo-
to com disciplina da Fibria, que considera to positivo nas finanças públicas, com es- lis, BA, onde mantém a Veracel em joint-
uma janela de oportunidade para a entra- timativa de arrecadação de impostos -venture com a Stora Enso.

40 Terra & Cia Junho 2015


#DATAGROSP

SAVE THE DATE

anos

15a CONFERÊNCIA
INTERNACIONAL DATAGRO
SOBRE AÇÚCAR E ETANOL

21 e 22 de Setembro de 2015

INSCRIÇÕES ABERTAS

EVENTO TÉCNICO DO
SUGAR & ETHANOL DINNER
HOTEL GRAND HYATT SÃO PAULO

A Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, comemora este ano, sua 15ª edição, além de ser
o evento técnico oficial do Sugar and Ethanol Dinner São Paulo. O foco continuará sendo o de valorizar conteúdo de
qualidade, disseminar conhecimento e novas tecnologias, e estimular networking entre os participantes.
A DATAGRO reforça seu compromisso em reunir os principais líderes e representantes de toda cadeia do setor
sucroenergético internacional para discutir questões de mercado e de estratégia setorial.

Em outubro de 2014, a Conferencia Internacional contou com a presença de mais de 650 participantes de 33 países,
49 palestrantes e mais de 70 empresas apoiadoras, que juntas debateram em dois dias formas de superar
os desafios e aproveitar as oportunidades do mercado brasileiro e internacional.

PRÓXIMOS EVENTOS

ENTRADA
GRATUITA
4a CONFERÊNCIA
DATAGRO CEISE Br
FENASUCRO 2015 18 de Maio de 2016
INSCRIÇÕES ABERTAS

Centro de Eventos Zanini | Sertãozinho, SP - Brasil Waldorf Astoria Hotel, Nova Iorque, EUA

Parceiro de Mídia:

+ 55 (11) 4133 3944 | conferencia@datagro.com | www.datagroconferences.com Terra & Cia Junho 2015 41
Política Set or ial

Plano Safra 2015/2016


terá R$ 187,7 bilhões
Volume de recursos é 20% maior do que nos anos anteriores,
com especial atenção ao custeio e à comercialização da
safra e ao fortalecimento do médio produtor rural. As taxas
de juros estão maiores nas linhas de financiamento

O
crédito oficial disponível para

Anderson Riedel / VPR


a agricultura empresarial na
safra 2015/2016, o chamado
Plano Agrícola e Pecuário, será de R$
187,7 bilhões. O valor é 20% supe-
rior ao disponibilizado da safra atual
(R$ 156,1 bilhões). De acordo com a
ministra da Agricultura, Kátia Abreu,
para o financiamento de custeio a ju-
ros controlados estão programados
R$ 94,5 bilhões, volume 7,5% supe-
rior se comparado ao período anterior
(R$ 87,9 bilhões). Segundo o MAPA,
isso reflete o crescimento dos custos
de produção.
Para investimentos, estão re-
servados R$ 33,3 bilhões. O limite
de custeio, por produtor, foi amplia-
do de R$ 1,1 milhão para R$ 1,2 mi- Ministra Kátia Abreu assina documento que estabelece o crédito oficial
disponível para a agricultura empresarial na safra 2015/2016
lhão. O de comercialização passou de
R$ 2,2 milhões para R$ 2,4 milhões. um custo para a sociedade”. Ela disse à nossa produção e em 8 milhões de
Foi mantido o limite de R$ 385 mil ainda que a política de crédito rural é toneladas de carnes nos próximos 10
por produtor nos créditos de investi- uma das mais duradouras em execu- anos sem qualquer pressão sobre terra
mentos com recursos obrigatórios. “O ção no País e que outra ação duradou- e água”, disse Kátia Abreu.
Plano Safra mostra que ajuste não se ra é o desenvolvimento da agricultura Pilares - Segundo o MAPA, o
dá só com cortes, mas com investi- tropical, mencionando a importância plano baseia-se no apoio aos médios
mentos”, disse Kátia Abreu. Ela des- do trabalho da Empresa Brasileira de produtores, garantia de elevado pa-
tacou ainda que sem o crédito oficial, Pesquisa Agropecuária (Embrapa). drão tecnológico, fortalecimento do
a próxima safra poderia estar “seria- “Sem o aumento grande de pro- setor de florestas plantadas, da pecu-
mente comprometida”. dutividade, a produção de hoje de- ária leiteira e de corte, melhoria do
Segundo a ministra, o setor mandaria área de 150 milhões de seguro rural e sustentação de preços
agropecuário é um bom exemplo de hectares. Poupamos 100 milhões de aos produtores por meio da Política de
interação entre o estado e o setor pri- hectares com tecnologia. Poderemos Garantia de Preços Mínimos.
vado. “Toda a política pública tem aumentar em 50 milhões de toneladas O Pronamp (Programa de Apoio

42 Terra & Cia Junho 2015


Política Set or ial

Divulgação
Ministra Kátia Abreu: “O Plano Safra mostra que ajuste não
se dá só com cortes, mas com investimentos”

ao Médio Produtor) receberá atenção taxas de juros do Programa para os ano (faturamento até R$ 90 milhões).
especial nesta safra e contará com R$ médios produtores foram estabeleci- Os programas de investimentos priori-
18,9 bilhões, um incremento de 17% das em 7,75% ao ano para custeio e tários – médio produtor rural, aquisi-
no volume de recursos. São R$ 13,6 7,5% ao ano para investimento. ção de máquinas e equipamentos agrí-
bilhões para a modalidade de custeio Para os empréstimos de custeio colas, agricultura de baixa emissão de
e R$ 5,3 bilhões em investimento. No da agricultura empresarial, a taxa é carbono (ABC), expansão da capaci-
Pronamp, o limite de financiamento é de 8,75% ao ano. Já para financiar dade de armazenagem, irrigação e
diferenciado, sendo de R$ 710 mil por os demais programas de investimen- inovação tecnológica – seguem tendo
agricultor na modalidade custeio. As tos, a taxa varia de 7% a 8,75% ao tratamento diferenciado.

Terra & Cia Junho 2015 43


Política Set or ial

Quanto aos incentivos à pecuá- setor de florestas plantadas, destacam- fazem parte da Política de Garantia
ria, o governo manteve os limites adi- -se o estímulo ao aumento da produti- dos Preços Mínimos. Também já está
cionais de financiamento de custeio e vidade e da área plantada, a ampliação aprovado o orçamento para este ano
de investimento em estímulo aos pro- da participação de pequenos e médios do Plano de Subvenção ao Prêmio do
cessos de engorda em sistema de con- empreendedores florestais e o aumento Seguro Rural (PSR). Entre as novas
finamento, com prazo de seis meses, e de limite de financiamento para flores- propostas apresentadas no PAP para o
à aquisição de matrizes e reproduto- tas plantadas no Programa Agricultura seguro rural, estão a criação do siste-
res bovinos e bubalinos, com prazo de de Baixa Emissão de Carbono (ABC). ma integrado de informações do segu-
cinco anos, incluídos dois de carência. Os limites de financiamento para ro rural (SIS-Rural) e a formação de
O plano prevê também a manutenção investimento em plantios florestais fo- grupos de produtores para negociação
da linha de retenção de matrizes para ram redefinidos. Para o grande pro- com as seguradoras.
evitar seu descarte precoce, com pra- dutor (que possui mais de 15 módulos Além disso, o plano prevê a pa-
zo de financiamento de até três anos fiscais) será de R$ 5 milhões, e para o dronização das apólices de seguro
para pagamento. médio (até 15 módulos fiscais) perma- agrícola, medida que começou este
A fim de incentivar a inovação nece o limite de R$ 3 milhões. O pro- ano, quando foi definido o nível mí-
tecnológica no campo, o plano vai dutor terá também a possibilidade de nimo de cobertura das apólices, em
aperfeiçoar as condições de financia- realizar financiamento de custeio para 60%. O PAP prevê a criação do Gru-
mento à avicultura, suinocultura, aos tratos culturais, desbastes e condução po de Alto Nível da LPAB (Lei Pluria-
hortigranjeiros e à pecuária de leite de florestas plantadas, por meio do nual da Produção Agrícola Brasileira)
por meio do Programa Inovagro. Para Programa ABC. que tem o objetivo de estabelecer um
esta modalidade, foram programados Apoio à comercialização - Estão planejamento estratégico agropecuá-
R$ 1,4 bilhão em recursos. assegurados recursos de mais de R$ 5 rio para o produtor brasileiro, dando
Entre as ações previstas para o bilhões para os produtos agrícolas que previsibilidade ao mercado.

44 Terra & Cia Junho 2015


1 Realizado com sucesso
25 e 26 de MARÇO
2
HERBISHOW 14º
Seminário sobre Controle de Plantas Daninhas na Cana

1º S e m i n á r i o s o b r e

3 4
BIOMASSA DE
11º SEMINÁRIO SOBRE CONTROLE DE PRAGAS DA CANA CANA-DE-AÇÚCAR & cia

9º Grande Encontro sobre 14º PRODUTIVIDADE &

5 6
VARIEDADES DE REDUÇÃO DE CU$TO$
CANA-DE-AÇÚCAR DA AGROINDÚSTRIA CANAVIEIRA

20 anos

Terra & Cia Junho 2015 45


Sojicultur a

Vazio Sanitário da soja em MT


vai até 15 de setembro
Proibição da presença de plantas vivas de soja, que começou no
dia 1º de junho, terá prazo maior nessa safra: serão 107 dias
Da Redação po que atinge a cidade”, comenta o

Arquivo
diretor técnico da Aprosoja/MT, Luiz

O
Vazio Sanitário da cultura da Nery Ribas.
soja em Mato Grosso, inicia- A multa para quem descumprir
do no dia 1º de junho, vai até a medida do Vazio Sanitário é de 30
o dia 15 de setembro. Neste período, UPFs (Unidade Padrão Fiscal) mais
fica proibida a presença de plantas 2 UPFs para cada hectare com soja
vivas de soja e o plantio da cultura no guaxa. Após a penalidade, o produ-
estado. A proibição é uma medida fi- tor tem 30 dias para apresentar defe-
tossanitária para prevenção e contro- sa junto ao Conselho Técnico Agrope-
le da ferrugem asiática (Phakopsora cuário que faz parte do Indea-MT. Se
pachyrhizi), doença que atinge a la- for negado, o produtor multado pode
voura de soja e é disseminada a par- Os danos da ferrugem asiática podem ainda recorrer em segunda instância.
variar de 10% a 90% da produção, além
tir de plantas vivas, servindo de ponte de gerar custos maiores para o agricultor A fiscalização no período do
verde entre uma safra e outra. devido ao controle fitossanitário vazio sanitário é realizada pelo In-
Durante esse período, o agricul- enchimento de vagens prejudicado, o dea-MT, e tem aumentado nos úl-
tor não pode plantar ou manter la- que reduz o peso final dos grãos. Os timos cinco anos. Em 2014, foram
vouras de soja, além de ter que eli- danos podem variar de 10% a 90% da feitas 4.614 fiscalizações, um núme-
minar toda e qualquer planta de soja produção, além de gerar custos maio- ro 43,7% superior ao registrado em
guaxa – que surge de forma voluntá- res para o agricultor devido ao con- 2013 (3.210). A evolução no núme-
ria na propriedade. As lavouras de trole fitossanitário. ro de autuações foi maior: 173% no
soja em que a doença está presente A ferrugem asiática gera preju- último ano, quando houve 112 autu-
têm sua formação comprometida e o ízos para toda a sociedade, não sen- ações contra as 41 de 2014 (veja ta-
do restrita aos agricultores de soja. bela). A perspectiva para este ano é
“Como a cultura é a base da econo- de que a fiscalização apresente nú-
Divulgação Aprosoja/MT

mia estadual, a queda de produtivida- meros ainda maiores, devido às con-


de impacta diretamente no mercado dições climáticas favoráveis à perma-
local das cidades e também na arreca- nência das plantas de soja durante o
dação pública. É uma doença do cam- vazio sanitário.

Ano 2010 2011 2012 2013 2014

Fiscalizações 2216 2813 2818 3210 4.614


Notificações 175 331 308 296 380
Nery Ribas: “Como a cultura é a base da Autuações 06 32 44 41 112
economia estadual, a queda de produtividade
impacta diretamente no mercado local das Fonte: Indea-MT
cidades e também na arrecadação pública. É
uma doença do campo que atinge a cidade”

46 Terra & Cia Junho 2015


Sojicultur a

Estimativas apontam safra


de 96 a 98 milhões de toneladas
A
produção nacional de soja de-

Agência de Notícias do Paraná


verá alcançar 96,044 milhões Conab estima produtividade
em 3.011 quilos por hectare,
de toneladas na safra 2014/15, o que representa acréscimo de
crescimento de 11,5% em relação ao 5,5% sobre o ciclo 2013/14

ciclo anterior, quando foram colhidas


86,12 milhões de toneladas. A estima-
tiva é da Companhia Nacional de Abas-
tecimento (Conab), divulgada em junho.
No primeiro levantamento da Conab, a
estimativa era um pouco menor, 95,07
milhões de toneladas.
A área deve crescer 5,7% frente
à safra passada, passando de 30,173
milhões de hectares para 31,902 mi-
lhões de hectares. A produtividade foi
estimada pela Conab em 3.011 quilos tar 4% e chegar a 29,85 milhões de no território brasileiro, a área semea-
por hectare, o que representa acrés- toneladas. As exportações do farelo da na próxima safra deve ser de 31,1
cimo de 5,5% sobre o ciclo 2013/14, deverão subir 8% para 14,76 milhões milhões de hectares, ante os 31,4 mi-
quando a colheita alcançou média de de toneladas e o consumo interno pode lhões de hectares da safra 2014/15.
2.854 quilos por hectare. crescer 3%, chegando a 15,03 mi- O aumento da produção, portan-
A maior produção do País deve lhões. Os estoques deverão subir 3%, to, é atribuído a uma contínua ado-
ser registrada no estado de Mato para 1,802 milhão de toneladas. ção de sementes com melhor genética
Grosso, com 28,133 milhões de to- Já a produção de óleo de soja de- que ajudará a produção do Brasil a al-
neladas, seguida pelo Paraná, com verá passar de 7,4 milhões para 7,5 cançar um novo recorde. Para os adi-
17,144 milhões de toneladas e pelo milhões de toneladas. O Brasil deve- dos do USDA, a área a ser cultivada
Rio Grande do Sul, com 14,787 mi- rá exportar 1,2 milhão de toneladas vai produzir 94 milhões de toneladas
lhões de toneladas do grão. (- 6%) do óleo. A previsão é de que de soja na próxima safra. O relatório
De acordo com estimativa da 2,4 milhões de toneladas sejam usa- mostra que a “estagnação” do merca-
consultoria Safras & Mercado, a das para fabricar biodiesel (+ 6%). do de fertilizantes, como resultado da
oferta total de soja deverá subir 11%, Contando com o uso para o biocom- alta dos custos, deve impactar na pró-
passando para 98,581 milhões de to- bustível, o consumo interno deve cres- xima temporada.
neladas. A demanda total está proje- cer 3% para 6,31 milhões. A previsão Para o USDA, a infraestrutura
tada em 90,75 milhões de toneladas é de recuo de 3% nos estoques para ainda deve ser um dos principais desa-
(+ 6%). Desta forma, os estoques fi- 367 mil toneladas. fios para os produtores brasileiros de
nais deverão subir 171%, passando de Produtividade - As estimativas soja. A rentabilidade do setor ainda
2,885 milhões para 7,831 milhões de de crescimento da produção de soja será afetada pelas dificuldades de lo-
toneladas. são consideradas mesmo com a possi- gística no próximo ciclo. Apesar disso,
A consultoria também estima bilidade de redução da área a ser plan- o relatório destaca investimentos que
aumento de 6% nas exportações de tada na próxima safra. De acordo com podem ser importantes para o desen-
soja neste ano, chegando a 48,5 mi- relatório do Departamento de Agri- volvimento do setor, como melhorias
lhões de toneladas. Em relação ao fa- cultura dos Estados Unidos (USDA), nos portos de Santos, SP, Paranaguá,
relo de soja a produção deve aumen- produzido por representantes do órgão PR, e Santarém e Miritituba, no Pará.

Terra & Cia Junho 2015 47


Milho

Safra deve ficar em 80,2 milhões


de toneladas em 2014/15

Arquivo
Safra 2014/15 estimada em
80,208 milhões de toneladas
deverá ser praticamente
igual a do ciclo passado

Da Redação A área total cultivada deve ser 6,154 milhões de hectares, queda de 7
de 15,481 milhões de hectares, recuo %. A produtividade deverá subir 4,7%,

A
safra brasileira de milho de- de 2,2% sobre o ano anterior, quando passando de 4.783 quilos por hectare
verá totalizar 80,208 mi- a área foi de 15,829 milhões de hec- para 5.009 quilos por hectare.
lhões de toneladas na tempo- tares. A Conab estima produtividade Já a segunda safra, ou safrinha,
rada 2014/15, crescimento de 0,2% média de 5.181 quilos por hectare, deverá totalizar 49,377 milhões de to-
em relação ao ciclo passado, que foi contra 5.057 quilos por hectare da úl- neladas, avanço de 2 % sobre a do ano
de 80,052 milhões de toneladas. A es- tima temperada, o que representa au- passado, de 48,399 milhões de tonela-
timativa faz parte do nono levanta- mento de 2,4%. das. A área deve ficar em 9,327 milhões
mento da safra de grãos, divulgado A primeira safra do milho tem de hectares, subindo 1,3% frente aos
em junho pela Companhia Nacional de produção estimada de 30,831 milhões 9,211 milhões de hectares plantados na
Abastecimento (Conab). Na previsão de toneladas, retração de 2,6% sobre as última temporada. A produtividade deve
de maio, a safra estava estimada em 31,652 milhões de toneladas produzidas subir 0,8%, passando de 5.254 quilos
78,594 milhões de toneladas. no ano passado. A Conab estima área de para 5.294 quilos por hectare.

48 Terra & Cia Junho 2015


Milho

Biomatrix destaca inovações


em silagem de milho

Arquivo
O hibrido transgênico de grão dentado mole BM 3063 PRO 2 é a primeira semente de milho especifica para silagem do mercado brasileiro

M
aior eficiência produtiva da escolha do híbrido de milho para mercado brasileiro, o BM 3063 PRO
e menor custo de produ- a produção de silagem de alta qua- 2, é um hibrido transgênico de grão
ção são alguns dos princi- lidade. “A vantagem de usar o ma- dentado mole desenvolvido pela equi-
pais benefícios do uso de silagem de terial adequado está na disponibi- pe da Biomatrix especialmente para
alta qualidade para se produzir mais lidade de amido, responsável pela silagem. “Com porte alto, é um ma-
tanto carne quanto leite. É o que de- produção de carne e leite, para o terial muito sadio, com tolerância
fende o engenheiro agrônomo e con- animal. A produção de silagem com às principais doenças e boa adapta-
sultor Técnico da Biomatrix, Wheber híbridos de grãos duros, por exem- ção para as safras de verão e segunda
Rodrigues. “Uma silagem de qualida- plo, causam impacto negativo na safra. É realmente uma inovação da
de contribui na redução do consumo digestibilidade dos animais. Nes- Biomatrix”, diz Rodrigues.
de concentrados do rebanho com im- te caso, eles podem consumir a si- Outro híbrido de destaque é o
pacto de uma redução nos custos de lagem, mas o rumem não absorve o BM 709 PRO2. Com dupla aptidão,
produção, já que o concentrado re- amido”, explica Rodrigues lembran- este material tem alta produtivida-
presenta uma parte importante do in- do também que outro ponto impor- de. “Este material de porte alto tem
vestimento do produtor. Estudos rea- tante na escolha da semente para si- alta produtividade e pode ser culti-
lizados apontam que uma silagem de lagem é o porte mais alto da planta. vado não apenas para a produção de
alta qualidade pode reduzir em até “Com o porte mais alto o produtor silagem, como também para grãos.
20% o consumo de concentrados pe- terá mais volume de massa”. Com grão semi-dentado, tem melhor
los animais”, afirma o especialista. Inovação - A primeira semente digestibilidade e qualidade”, afirma
Ele alerta para a importância de milho especifica para silagem do o técnico.

Terra & Cia Junho 2015 49


Cafeicultur a

Safra brasileira de café pode alcançar


50 milhões de sacas
A
safra brasileira de café pode

Divulgação
atingir 50,4 milhões de sa-
cas de 60 quilos na tempora-
da 2015/16. A estimativa é da Consul-
toria Safras & Mercado, baseada em
consultas a agrônomos, produtores,
cooperativas, exportadores, comer-
ciantes, armazenadores e secretarias
de Agricultura. O crescimento é de 1% A Conab estima que safra 2015
deve ficar em 44,28 milhões de
em relação ao volume estimado para a sacas beneficiadas de 60 quilos
safra 2014/15.
Segundo o analista Gil Baraba-
ch, responsável pela estimativa, a sa- mostra que a safra 2015 deve ficar em do total nacional, o Espírito Santo
fra 2015/16 teve um desenvolvimento 44,28 milhões de sacas beneficiadas de também continua sendo o maior produ-
problemático, por se tratar de um ciclo 60 quilos. O resultado, que considera tor, com 7,76 milhões de sacas.
de baixa carga (bienalidade). Também a produção de arábica e conilon, mos- Com base na Conab, a área em
houve o atraso nas floradas e sequelas tra uma redução de 2,3% com referên- produção no País, em 2015, está es-
do déficit hídrico do ano passado, o que cia à safra de 2014, que foi de 45,34 timada em 1,942 milhão de hectares,
limita o potencial produtivo das lavou- milhões de sacas. Mantida essa esti- com registro de queda aproximada de
ras. A condição climática só melhorou mativa, a produtividade média será de 0,2% - ou 4,81 mil ha - em relação a
no final de 2014, com chuvas que indu- 22,78 sacas por hectare nesta safra. 2014, que foi de 1,947 milhão. Minas
ziram boas floradas. O recuo em relação a 2014, se- Gerais concentra a maior área planta-
No entanto, segundo Barabach, gundo a Conab, é observado na produ- da, com 975,27 mil de hectares, pre-
faltava ainda o período de granação. ção do café conilon com uma queda de dominando a espécie arábica, com
E, para isso, era preciso chuvas em 13% devido a questões climáticas. A 98,64% do total no Estado. Isso repre-
bom volume nos primeiros meses des- forte estiagem no período de formação senta 50,2% da área cultivada no País.
se ano. Depois de um começo de ano e enchimento dos grãos, aliada às altas O Espírito Santo, segundo maior pro-
de instabilidades, as chuvas vieram em temperaturas na região produtora do dutor, possui 433,27 mil hectares de
bom volume, o que garantiu a grana- Espírito Santo, interferiram de manei- café (arábica e conilon) e o conilon ca-
ção e melhoraram as expectativas em ra negativa na produtividade. Já o café pixaba ocupa área de 283,05 mil ha.
torno da safra brasileira. arábica deverá apresentar acréscimo de De acordo com essa segunda esti-
A estimativa aponta que a produ- 1,9%, graças principalmente à evolução mativa, os seis maiores estados produto-
ção total de arábica 2015/16 pode al- da cultura na Zona da Mata mineira e res de café (arábica e conilon) no Brasil
cançar 36,1 milhões de sacas, incremen- também na produção do Paraná, que se em milhões de sacas de 60 kg são: Mi-
to de 7% ante as 33,6 milhões de sacas recupera da forte geada de 2013. nas Gerais (23.642,4), Espírito Santo
colhidas no ciclo 2014/15. Já a safra O levantamento aponta ainda que (10.506,0), São Paulo (3.834,9), Bahia
2015/16 de conillon foi estimada em a produção de café arábica correspon- (2.380,1), Rondônia (1.856,8) e Para-
14,3 milhões de sacas, devendo ter que- derá a 74,3% do volume produzido no ná (1.150,0). A estimativa da Conab
da de 12% na comparação com a tem- País, estimada em 32,91 milhões de traz dados e análises sobre área cultiva-
porada anterior (16,2 milhões de sacas). sacas. O maior produtor continua sen- da, produção, monitoramento agrícola e
A previsão da Companhia Nacio- do Minas Gerais com volume estimado agrometeorológico, avaliação da produ-
nal de Abastecimento (Conab) é menos de 23,30 milhões de sacas. Para o co- ção dos estados, receita bruta, preços,
otimista. O Segundo Levantamento de nilon, cuja produção contabiliza 11,35 exportação, entre outras análises, no
Safra de Café, divulgado em junho, milhões de sacas e representa 25,7% site conab.gov.br.

50 Terra & Cia Junho 2015


Terra & Cia Junho 2015 51
Citr icultur a

Produtores de citrus apostam


em adensamento da plantação

P
lantar árvores de citros mais

Arquivo
perto umas das outras au-
menta a produção das safras
iniciais em até 89% em relação aos
espaçamentos tradicionais. Os resul-
tados foram registrados em experi-
mentos desenvolvidos pela Embrapa
em parceria com a Estação Experi-
mental de Citricultura de Bebedouro
(EECB), no interior paulista. O cha-
mado adensamento se revelou extre-
mamente importante para os produ-
tores de São Paulo, onde se localiza
o maior polo citrícola do Brasil, pois
ajudou a compensar perdas causadas
pelo huanglongbing (HLB), conside-
rada a mais severa doença dos citros
da atualidade.
Com base nesses resultados,
pesquisadores da Embrapa Man-
dioca e Fruticultura (BA) iniciaram te do País,” conta o pesquisador Edu- pela doença. “Mesmo que em Sergi-
uma nova geração de experimentos, ardo Girardi, coordenador da cartei- pe, Bahia e Pará não exista o HLB, é
com espaçamentos ainda menores, ra de pesquisas relacionadas ao HLB interessante já avaliar o ultra-adensa-
em São Paulo e em outras regiões do dos Citros. mento nessas situações, porque caso a
País. O objetivo é oferecer alternati- Diante do HLB, que atinge os doença entre nessas regiões, o clima e
vas inovadoras e sustentáveis à citri- estados de São Paulo, Paraná e Minas o solo são muito diferentes dos da ci-
cultura, com possibilidade de amplia- Gerais, a prática permite maior com- tricultura paulista. Assim, nos anteci-
ção dos lucros e redução dos custos de petitividade e permanência na ativida- pamos ao problema”, explica Girardi.
produção. de para pequenos e médios produtores Além dos novos experimentos em
No momento, estão sendo testa- que possuem até 100 mil pés e repre- São Paulo, Paraná e Minas Gerais, fo-
dos nove arranjos diferentes, que vão sentam cerca de 80% dos citricultores ram instaladas quadras experimentais
do espaçamento 6m x 3m, utilizado em São Paulo, segundo dados do Cen- de ultra-adensamento no estado da
no Nordeste, até 4m x 1m, ou seja, tro de Conhecimento em Agronegócios Bahia: litoral (Tabuleiros Costeiros),
saindo de 550 plantas por hectare da Universidade de São Paulo (Pensa/ semiárido (Curaçá) e Chapada Dia-
para 2.500. “Aumentamos cinco ve- USP). O uso da técnica ajuda a com- mantina (Mucugê). Em Sergipe, há
zes a densidade para ver entre os dois pensar a redução decorrente da erra- ensaios na estação da Embrapa Tabu-
extremos onde está o maior retorno dicação obrigatória das plantas infec- leiros Costeiros em Umbaúba. Os ex-
de produtividade. Vamos agregar ain- tadas com HLB. perimentos foram replicados no Pará,
da a análise agronômica e de quali- O projeto iniciado em 2014, no município de Capitão Poço, região
dade do fruto. Há mais de 30 anos, com duração de quatro anos, esten- de alta produção de citros.
não há alteração nessa questão do de os experimentos para o Nordeste Os resultados dos experimentos
espaçamento no Norte e no Nordes- e Norte, regiões ainda não atingidas em Sergipe, por exemplo, são consi-

52 Terra & Cia Junho 2015


Citr icultur a

derados promissores pelo pesquisador


da Embrapa Cláudio Leone, especial-

Eduardo Stuchi
mente em relação ao bom desenvol-
vimento agronômico dos materiais
plantados em diferentes densidades:
“O pomar experimental com quase
dois anos tem plantas vigorosas e bom
aspecto fitossanitário. Outra relevan-
te constatação é que o experimen-
to está sendo conduzido em sequeiro
[sem irrigação] e teremos inferências
importantes sobre pomares nessas
condições. A partir de quatro ou cinco
safras regulares, poderemos indicar
com mais segurança características
sobre o comportamento das plantas
Pomar novo na Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro com diferentes espaçamentos
no sistema adensado, proposta inova-
dora para a citricultura nordestina”. tidade de fruta que você consegue co- dos ficaram prejudicados por terem as
Um dos parceiros mais antigos lher em determinada área”, afirma. plantas muito próximas e, por isso, re-
no desenvolvimento desses estudos À frente desses estudos na cebiam menos iluminação. Mesmo as-
é o produtor Henrique Fiorese, com EECB desde o início, Stuchi explica sim, na média das 15 safras, a dife-
propriedades em Olímpia e Colôm- que nas décadas de 1970 e 1980 fo- rença foi de 20% em favor do mais
bia, SP, que somam 200 hectares de ram feitos vários experimentos, ori- adensado”, explica Stuchi.
citros. Há cerca de 20 anos, ele co- ginalmente na região de Limeira, SP, A necessidade de podas regula-
meçou a adotar a prática do adensa- que registra maior incidência de chu- res é considerada um ponto negativo
mento. “Você tem uma produtividade va. Havia a dúvida se na região mais relacionado ao adensamento. De acor-
menor por planta, porém maior por quente, como é o clima do norte do es- do com o consultor Leandro Fuku-
área. A média de produtividade nossa tado, os pomares adensados teriam da, são desvantagens que devem ser
em espaçamentos tradicionais era na bom desempenho. Por isso, instala- contornadas com manejo e estraté-
faixa de 400 a 500 caixas por hecta- ram, no início da década de 1990, três gias. “Os pomares adensados necessi-
re. Hoje temos área que chegou a dar experimentos na estação, que compro- tam ser podados todo ano. Daí vem o
2.800 caixas por hectare. Temos es- varam a viabilidade da técnica mesmo grande paradigma da poda, que sem-
paçamentos de 6 m x 2 m até 5 m x em condições de estresse hídrico. pre vai provocar perda de frutos que
2 m. O adensamento é o caminho hoje Avaliados em 15 safras, esses estão na planta. É difícil para o citri-
para a citricultura”, afirma Fiorese, experimentos geraram resultados que cultor compreender que está traba-
que também sofre com o problema do impressionam. Os ganhos são signi- lhando com um sistema com produti-
HLB. “A vantagem é que, com mais ficativos com o pomar mais adensa- vidades muito maiores e, para fazer a
plantas, você arranca uma e outra au- do, principalmente nas primeiras eta- manutenção, tem de perder de 100 a
tomaticamente já ocupa esse espaço.” pas. “Chega-se a ter até 89% a mais 150 caixas por hectare, já que quando
O pesquisador Eduardo Stuchi, de produção quando você compara um a poda não é feita surgem problemas
responsável pelo campo avançado de pomar de 714 plantas por hectare [7m graves na condução do pomar,” alerta
Bebedouro da Embrapa Mandioca e x 2m] contra um pomar de 238 plan- o especialista.
Fruticultura, diz que a fala de Fiore- tas [7m x 6m], nas cinco primeiras Ele acrescenta que o adensamen-
se traduz o raciocínio do pomar aden- safras. A vantagem dos plantios mais to veio contribuir para o resultado de
sado: da produção por área, não mais adensados se mantém até a décima sa- viabilidade econômica dos novos pro-
por plantas. “Antigamente se pensa- fra. A partir daí [da 11ª a 15ª safra], jetos de citros. “Com a prática, temos
va muito em ‘quantas caixas havia por verificamos um ‘empate’. Isso ocor- conseguido fazer o payback [retorno
árvore’. Essa é a mudança de concei- reu porque não realizamos podas. Por financeiro] do projeto pelo menos dois
to: a produtividade é dada pela quan- esse motivo, os pomares mais adensa- anos antes. Além disso, os patama-

Terra & Cia Junho 2015 53


Marcela Nascimento
que o adensamento é uma ferramenta
importante de ganho de produtividade
e de manejo em uma citricultura com
HLB e que pode ser praticado em di-
versos ambientes e numa intensidade
maior do que o setor hoje imagina ser
possível,” acredita.
O adensamento de plantio em
citros foi uma das pesquisas mais im-
portantes que o Centro de Citricultu-
ra Sylvio Moreira (CCSM) do Insti-
tuto Agronômico de Campinas (IAC)
realizou, pelo seu alcance social e re-
tornos proporcionados aos citriculto-
Pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura
(BA), Eduardo Stuchi e Eduardo Girardi res, conforme destaca Joaquim Teófi-
lo Sobrinho, engenheiro agrônomo e
res de produtividade nos primeiros dez esse ultra-adensamento tem na disse- ex-diretor do CCSM. As pesquisas fo-
anos são maiores do que nos pomares minação da doença, ou seja, se o fato ram iniciadas em 1970.
não adensados. Depois, há a tendên- de usar mais plantas por hectare vai “A produtividade média da ci-
cia de as produtividades dos adensa- fazer com que o HLB se dissemine tricultura não ultrapassava 700 cai-
dos e convencionais ficarem mais pró- mais ou menos rapidamente. Existe xas por hectare, antes do uso da nova
ximas, mas ainda com vantagem para uma percepção de que se você aumen- tecnologia. Com o plantio mais aden-
o adensado,” afirma, em consonância ta a quantidade de plantas por hecta- sado, o produtor começou a plantar
com Stuchi. re, na medida em que há plantas doen- 600, 700 ou mais plantas por hecta-
Outra vantagem apontada por tes que serão perdidas, as outras que re, dependendo da combinação copa/
Fukuda é que, no pomar adensado, so- sobram vão compensar a perda. Por porta-enxerto [parte inferior que cor-
mente se recomenda replantios até os outro lado, talvez a proximidade das responde ao sistema radicular da
sete anos. “A partir daí, só erradica- plantas facilite a disseminação pelo planta]. Para produzir 1.000 caixas
mos plantas, o processo inverso dos inseto-vetor. Queremos eliminar essa por hectare, bastaria produzir duas
pomares convencionais. E isso é mui- dúvida”, explica Girardi. caixas por planta ou até menos, de-
to bom por conta da baixa contribui- Mas uma coisa é certa, segun- pendendo do número de plantas por
ção das replantas que fazemos nos po- do o pesquisador: aumentar a produ- hectare”, salienta Joaquim. Produti-
mares quando estão mais velhos.” Ele tividade e antecipar a produção, ou vidade média anual (t/ha) de laran-
também ressalta a redução do uso de seja, ter colheitas comerciais mais jeira Pera enxertada em tangerineira
herbicida, pois, a partir do sexto ano, cedo, são fundamentais mesmo em Cleópatra, no período 1989-2004, em
a aplicação do produto é feita somen- um panorama sem o HLB. “Na pre- função dos espaçamentos 7m x 2m e
te em falhas na linha de plantio. “As sença da doença, em que o pomar tem 7m x 6m, sem poda.
pulverizações normalmente são fei- a perspectiva de viver menos tempo,
tas com pulverizadores atomizados, é importante produzir mais em menos
aplicando para os dois lados, e o uso tempo. Daí o adensamento apresenta-
de volume de calda é pouco menor,” -se como uma ferramenta prática, útil
relata. e efetiva para alcançar esse objetivo,”
Combate ao HLB - Os estudos observa.
com ultra-adensamento de plantio de Ele diz ainda que a produtividade
citros fazem parte de um conjunto de mínima hoje que se espera para a citri-
Cláudio Leone

pesquisas para fazer frente ao HLB, cultura seja rentável gira em torno de
doença para a qual ainda não foram 900 a 1.000 caixas de laranja (40,8
identificadas variedades resistentes. quilos) por hectare. “Nossa expecta- Experimentos na estação de Umbaúba,
“O objetivo é verificar o impacto que tiva é, no fim desse projeto, mostrar SE, da Embrapa Tabuleiros Costeiros

54 Terra & Cia Junho 2015


Citr icultur a

Pesquisa do IAC quantifica impacto do HLB


negativos na qualidade delas”, afirma

Joe Raedle / Getty Images


o pesquisador do Instituto Agronômi-
co, Fernando Alves de Azevedo.
Os resultados dessa pesquisa
conduzida no IAC mostram perdas
de 38% no peso total do fruto pro-
duzido por plantas contaminadas
pelo HLB. O fruto sadio pesa 166
gramas, em média, já o doente che-
ga a 115 gramas. A altura do fruto
cai de 6,8 cm para 6,0 cm nos fru-
tos contaminados. Esse conjunto de
características torna os frutos im-
prestáveis para o comércio citríco-
la. “Os resultados mostraram que
os frutos de plantas com HLB apre-
sentaram menor desenvolvimen-
to em altura, diâmetro e massa de-
vido ao entupimento dos vasos do
floema pela bactéria causadora do
HLB, reduzindo, dessa forma, o flu-
xo de seiva para os frutos”, expli-
ca Azevedo.
De acordo com o pesquisador, os
dois porta-enxertos sentem esses im-
pactos negativos provocados pela do-
ença. Porém, no citrumelo Swingle o
HLB também faz dobrar o número de
sementes inviáveis para uso. Enquan-
to plantas sadias abortam quatro se-
Frutos afetados pelo huanglongbing (HLB),
a principal doença da citricultura mundial mentes, as doentes perdem 7,75. O
porta-enxerto de limão-cravo não

O
s danos causados pelo huan- ta a instalação da planta que origina apresenta queda na germinação. Aze-
glongbing (HLB), a principal a copa. vedo explica que a semente melhor
doença da citricultura mun- Os estudos concluíram que o formada perde menor volume de água
dial, são bastante conhecidos. Ago- HLB impacta negativamente a pro- para o ambiente, o que a torna mais
ra, pesquisa inédita desenvolvida pela dução de sementes dos dois principais vigorosa e mais resistente à entrada
Secretaria de Agricultura e Abasteci- porta-enxertos - o limão-cravo e o ci- de patógenos.
mento de São Paulo, por meio do Ins- trumelo Swingle - adotados na citri- “A utilização de sementes de
tituto Agronômico (IAC), de Campi- cultura paulista. Juntos eles represen- elevada qualidade é de extrema im-
nas, vem trazer resultados sobre os tam mais de 80% dos porta-enxertos portância para o sucesso de uma cul-
impactos do HLB sobre as sementes dos pomares no Estado de São Pau- tura, pois estas geram plantas de alto
dos porta-enxertos de citros, parte da lo. “Não há transmissão de HLB por vigor, que terão bom desempenho no
planta que fica sob o solo, onde é fei- sementes, mas a doença tem impactos campo com condições de tolerar situ-

Terra & Cia Junho 2015 55


Citr icultur a

ações de estresse biótico e abiótico”, dação de Apoio à Pesquisa Agrícola assimétricos, queda acentuada de fru-
acrescenta o pesquisador do IAC, vin- (FUNDAG). tos e produtos que não servem para
culado à Agência Paulista de Tecno- Plantas assintomáticas - Uma o comércio. A bactéria causadora é
logia dos Agronegócios (APTA). No constatação preocupante é a existên- transmitida por psilídeos ou enxertia
Brasil, somente o Instituto Agronômi- cia de plantas portadoras da bacté- com borbulhas doentes. Não existe ain-
co desenvolve este trabalho. No exte- ria do gênero Candidatus Liberibac- da nenhum material resistente ao HLB.
rior há estudos sobre porta-enxertos, ter spp., porém sem sintomas de HLB. Pomares comerciais - A instala-
mas lá fora são adotados outros ma- A presença da bactéria foi constata- ção dos pomares acontece da seguinte
teriais. O limão-cravo, o mais usado da por meio de análises moleculares, forma: a reprodução do porta-enxerto
nos pomares brasileiros, não é utiliza- feitas pelos pesquisadores do Institu- - parte da planta que fica sob o solo -
do em nenhum outro país. to Agronômico. A possibilidade da au- é feita por meio de sementes. A multi-
A pesquisa, desenvolvida no sência de sintomas já é conhecida no plicação da copa, parte alta da planta,
Centro de Citricultura “Sylvio Mo- meio científico. Sabe-se também que se dá por meio de borbulhas. As bor-
reira” do IAC, em Cordeirópolis, in- as perdas de qualidade são menores bulhas são reproduzidas em ambien-
terior paulista, teve início em 2013 nas plantas assintomáticas. O princi- te protegido para evitar a contamina-
e está em continuidade. Etapas futu- pal problema na ausência de caracte- ção pela bactéria causadora do HLB.
ras devem envolver investigação sobre rísticas da doença, segundo Azevedo, é Até o momento, não existe registro de
a transmissão da doença via semen- o risco de haver produção de sementes contágio de sementes pelo agente cau-
tes. Os estudos contam com recursos a partir de plantas doentes, acarretan- sal da doença. Por isso, a legislação
do Governo de São Paulo, da Funda- do perda de qualidade. permite a multiplicação de sementes a
ção de Amparo à Pesquisa do Esta- Os sintomas mais frequentes no partir de plantas matrizes instaladas
do de São Paulo (FAPESP) e da Fun- campo são ramos amarelados, frutos em campo aberto.

Divulgação

A doença é transmitida pelo vetor


Diaphorina citri, um pequeno
inseto que mede de 3 a 4 mm

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Terra & Cia Junho 2015 57
Pecuár ia
Opinião

Novas perspectivas sobre vacinação


de bovinos no controle de doenças
*Lenita Ramires dos Santos

Divulgação
e Emanuelle Baldo Gaspar

A
prática da vacinação é am-
plamente difundida, tan-
to em seres humanos quanto
em animais. Sua utilização transcorre
desde o final do século XVIII, quando
Edward Jenner demonstrou pela pri-
meira vez a possibilidade de proteger
seres humanos contra uma grave do-
ença àquela época, a varíola humana,
fazendo uso de material coletado de
pústulas de vacas infectadas com va-
ríola bovina. Daí a origem dos termos
vacina/vacinação, os quais são deriva-
dos do latim vacca.
Ocorre que, logo após o início
dessa prática, momentos de críticas e
não aceitações ocorreram em todo o
mundo. Hoje vemos os benefícios da
vacinação pela erradicação e controle
de inúmeras doenças importantes na
área humana e veterinária. As cadeias
de pecuária têm, e muito, se benefi-
ciado por esta prática.
Uma vacina pode ser conside-
rada qualquer preparação que, admi-
nistrada em um indivíduo ou animal,
seja capaz de induzir resposta imu-
ne protetora contra um ou mais agen- Lenita Ramires dos Santos
tes infecciosos. O objetivo da prática é
a prevenção ou atenuação da doença organismo é rapidamente controlada e ta como um todo. Mesmo que nem to-
clínica ou de seus efeitos. não ocorre doença propriamente dita, dos os animais vacinados estejam efe-
O agente infeccioso pode até ou, quando ocorre, é branda, deixan- tivamente imunizados, o fato de a
chegar a invadir o organismo e ini- do de ter impactos relevantes na pro- maioria deles estar protegido pode
ciar a replicação, mas, a partir daí, dução animal. impedir a disseminação do patógeno
como consequência de uma boa vaci- Embora em uma população o ní- no rebanho. É possível encontrar va-
nação, o sistema imune e seus com- vel de proteção de 100% seja prati- cinas no mercado que, mesmo com ní-
ponentes bloqueiam sua replicação. camente impossível de se alcançar, a vel de eficiência relativamente baixo
Assim, a disseminação do agente no imunidade do rebanho tem que ser vis- tem grande aceitação, na dependência

58 Terra & Cia Junho 2015


Pecuár ia
Opinião

de uso de alternativas para um efetivo

Divulgação
controle, especialmente contra agen-
tes mais complexos.
A grande maioria das vacinas li-
cenciadas, inclusive para uso veteri-
nário, é antiga no mercado e são pro-
duzidas pela forma tradicional (as
quais se utilizam de microrganismos
vivos atenuados, mortos ou por subu-
nidades destes). Para a obtenção des-
tas vacinas o patógeno precisava ser
isolado, cultivado, inativado ou ate-
nuado, inoculado no animal, e então,
avaliava-se o efeito protetor. Esta é
uma estratégia demorada e muitas ve-
zes, não muito segura. Essas são, em
geral, contra vírus e bactérias, como
vacinas contra febre aftosa, raiva, do-
enças do complexo respiratório bovi-
no, brucelose e clostridioses.
Para a ciência persiste o desa-
fio de desenvolver vacinas cujo méto-
do clássico falhou em produzir bons
resultados. Para tanto, as pesquisas
Emanuelle Baldo Gaspar
requerem grandes aportes financei-
ros, de equipes altamente especializa- rísticas esperadas com a nova geração microrganismo.
das e multidisciplinares e de recursos de vacinas. Apesar de tantos anos de uso de
tecnológicos de ponta para chegar a Para a utilização a campo, como um amplo conjunto de vacinas e de
novas formulações. O desenvolvimen- é o caso da imunização de bovinos, é seus efeitos comprovados na preven-
to de vacinas contra organismos mais evidente as vantagens de produtos com ção e no controle de inúmeras doen-
complexos, como algumas bactérias essas características. Quatro vacinas ças, há ainda doenças em animais e
intracelulares, protozoários, artrópo- de DNA estão disponíveis no merca- seres humanos para as quais não exis-
des, prions e vermes ou com grande do internacional, nenhuma ainda para tem vacinas. Inúmeros esforços estão
variação antigênica, representa este bovinos. Já com relação a vacinas re- sendo empregados pela Embrapa e
grande desafio. combinantes, há, no Brasil, uma con- por outras instituições de pesquisa no
A manipulação genética, inicia- tra o carrapato-do-boi licenciada pelo Brasil e no mundo na tentativa de so-
da na década de 1970, abriu outras Ministério da Agricultura, Pecuária e lução deste problema. A vacinologia é
possibilidades quanto à vacinologia. Abastecimento (Mapa). uma ciência que agrupa conhecimen-
Um bom exemplo desse reflexo são as Por meio de ciências derivadas tos de outras, como imunologia, mi-
vacinas constituídas por proteínas re- da biotecnologia, como a bioinfor- crobiologia, parasitologia, genética,
combinantes, como também as vaci- mática, pode-se realizar “vacinolo- biotecnologia.
nas de DNA. O propósito é que essas gia reversa”. Ao contrário do méto- Os resultados até aqui acumula-
apresentem vantagens em relação às do tradicional, é possível iniciar pela dos têm fornecido subsídios na pers-
vacinas tradicionais. Segurança, efi- análise do genoma do patógeno, iden- pectiva de desenvolvimento de novas
cácia, menor custo, maior reprodu- tificar genes e proteínas-alvo para o vacinas.
tibilidade lote-a-lote, melhor forma desenvolvimento seletivo de vacinas, *Lenita Ramires dos Santos,
de estocagem e maior facilidade de quer seja pela construção de genes/ pesquisadora Embrapa Gado de Cor-
transporte (por não necessitar de re- proteínas recombinantes quer pela te, e Emanuelle Baldo Gaspar, pesqui-
frigeração), são algumas das caracte- deleção/alteração genética direta do sadora Embrapa Pecuária Sul

Terra & Cia Junho 2015 59


Pecuár ia

Embrapa questiona estimativa


do IPCC sobre emissão de N2O
A metodologia do IPCC, aplica- vai para a atmosfera.
Divulgação

da na elaboração de inventários nacio- Redução de emissões - Outro es-


nais, além de utilizar dados genéricos tudo da Embrapa Agrobiologia, ain-
para todas as regiões do mundo, con- da inédito, revela que as emissões de
sidera que as emissões de excretas de- GEE pela pecuária podem cair com o
positadas nas pastagens ocorrem de aumento da produtividade da pasta-
maneira igual, independentemente de gem e com o uso de leguminosas for-
serem fezes ou urina. A pesquisa tam- rageiras em consórcio com a braquiá-
bém mostra que as fezes bovinas têm ria. “Com esse trabalho, conseguimos
um fator de emissão muito menor e ver quanto é a emissão de GEE por
por isso não dá para ser utilizado o quilo de carne produzido no País de
mesmo índice estabelecido para urina. acordo com o manejo adotado”, escla-
Mais da metade do que é emitido de óxido
nitroso (N2O) vem das excretas (fezes No Cerrado, onde o estudo foi rece o pesquisador Robert Boddey, que
e urina) do boi. É mais do que vem de feito, existe um período seco - cinco coordena a pesquisa.
fertilizantes e resíduos de culturas
meses por ano. Nessa época, as emis- O estudo avaliou cinco cenários

A
emissão de óxido nitroso sões das excretas são muito baixas e diferentes na pecuária brasileira, des-
(N2O), um dos gases de efei- até próximas de zero. Bruno esclare- de a condição de pasto degradado até
to estufa (GEE), é pelo menos ce que os fatores de emissão do IPCC a pastagem adubada combinada com
50% menor do que tem sido estimado servem para todo o período de doze confinamento. As estimativas foram
com base no modelo do Painel Inter- meses. “Quando consideramos essa feitas com a metodologia do IPCC, po-
governamental sobre Mudança do Cli- época em que os animais estão excre- rém com vários dados levantados em
ma (IPCC, na sigla em inglês). A con- tando, mas não emitem nada, as emis- pesquisas no Brasil, inclusive incorpo-
clusão é de um estudo realizado por sões do período seco ponderadas com rando os resultados do estudo de emis-
pesquisadores da Embrapa Agrobio- as emissões do período chuvoso permi- sões de N2O das excretas.
logia em pastos do Cerrado brasileiro. tem chegar a um fator de emissão que Os resultados mostraram que,
Os dados do estudo já foram incorpo- é bem mais baixo do que o do IPCC”, em comparação ao que se chama de
rados ao inventário nacional e signifi- observa o pesquisador. pastagem degradada (Cenário 1), as
cam uma redução nas estimativas de Metodologia - A emissão de N2O emissões totais podem ser reduzidas
emissões totais de GEE da agropecuá- da urina e fezes dos bovinos foi moni- em 16% com a pastagem fertiliza-
ria brasileira na ordem de 10%. torada nos períodos chuvosos e secos, da ocasionalmente (Cenário 2). Além
De acordo com o pesquisador durante um ano. O fator de emissão disso, a produção de carne dobra, e,
Bruno Alves, devido ao tamanho do é a proporção do nitrogênio que esta- por isso, a emissão de gases por quilo
rebanho bovino nacional, em torno de va nas excretas que se transformou em de carne produzido diminui em 30%.
200 milhões de cabeças, as excretas N2O. Nos cálculos, consideram-se as “Não é o ideal, mas algumas práticas
(urina e fezes) representam a maior emissões das excretas em cada perí- básicas, como a calagem e a manuten-
parte das emissões de óxido nitroso odo do ano para se obter um fator de ção com fósforo e potássio, combinado
do inventário nacional da agropecuá- emissão anual. O estudo concluiu que ao controle do pastejo, já trazem im-
ria. “Mais da metade do que é emiti- o fator deveria ser 0,7%, inferior ao portantes ganhos”, diz Boddey.
do de N2O vem das excretas do boi. É indicado na metodologia do IPCC que Boddey explica que com uma
mais do que vem de fertilizantes e re- estima que 2% do nitrogênio deposi- pequena melhoria da pastagem (Ce-
síduos de culturas”, afirma. tado no solo como excreta vira N2O e nário 3), consorciando-a com uma le-

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Pecuár ia

tensificação, mas com pastos produti- tudo revela que, quanto mais inten-
Agência de Notícias Embrapa

vos (cenários 2 e 3), a quantidade de sificada é a produção, menor a área


óxido nitroso (N2O) emitida é bem me- requerida para produzir a mesma
nor do que nos cenários de maior in- quantidade de carne. “Da condição de
tensificação. “Como o N2O é um gás baixa produtividade (Cenário 1) até a
trezentas vezes mais danoso que o gás de maior intensificação (Cenário 5),
carbônico (CO2), traz grande impacto reduz-se em mais de 80% a área ne-
nas emissões totais de GEE”, comple- cessária para produzir a mesma quan-
menta Bruno Alves, coautor do estudo. tidade de carne; com a pastagem con-
Produtividade - De acordo com o sorciada (Cenário 3), a redução chega
pesquisador Segundo Urquiaga, o au- a 78%”.
mento da produção da pastagem nos O uso do pasto consorciado
sistemas mais intensivos também per- com leguminosas forrageiras (Cená-
mite sequestrar carbono no solo pela rio 3) é uma opção promissora para
maior produção de resíduos de par- reduzir a emissão de gases. Trata-se
te aérea e raízes das plantas. “Esse de uma possiblidade cujos benefícios
Pesquisa coordenada por Robert Boddey processo pode representar a remoção se aproximam daqueles conseguidos
revela que as emissões de GEE pela pecuária de algumas toneladas de CO2 da at- com a conversão a um sistema muito
podem cair com o aumento da produtividade
da pastagem e com o uso de leguminosas mosfera se a produção do pasto for intensificado, porém sem exigir qua-
forrageiras em consórcio com a braquiária mantida, e ganhar intensidade com a lificação e investimentos maiores do
entrada de resíduos mais ricos em ni- produtor. “Basicamente, o que mu-
guminosa forrageira, que não exige trogênio, como os de uma legumino- daria em relação ao que é feito na
adubação nitrogenada, aliado a um sa forrageira em consórcio”, comple- maioria dos pastos brasileiros é a
controle maior dos animais, é possível menta Urquiaga. utilização de uma leguminosa que
obter uma redução nas emissões ainda Deve-se ter em conta também introduz o nitrogênio no sistema por
maior, aproximadamente de 26% em que a intensificação na produção de meio da fixação biológica de nitro-
relação ao que se teria no pasto degra- bovinos tem um importante efeito de gênio, permitindo maior oferta de
dado, e quadruplicar a produtividade. redução na pressão pelo desmatamen- proteína para o boi e fazendo com
Com o aumento da produtivida- to e também na liberação de área para que o animal engorde mais rapida-
de, a redução das emissões por quilo agricultura e para recomposição flo- mente, sem depender de fertilização
de carne chega a quase 50%. “Acredi- restal. Para Bruno Alves, o mesmo es- nitrogenada”, finaliza Boddey.
tamos que a leguminosa pode ser uma
alternativa para obter um bom pasto
e conseguir bons índices de produção,

Arquivo
As emissões de GEE pela pecuária
com menor emissão de gases, porque podem cair com o aumento da
dispensa o uso de fertilizantes nitro- produtividade da pastagem e com
o uso de leguminosas forrageiras
genados, os quais são fabricados com em consórcio com a braquiária
uso de energia fóssil, conhecida pela
alta emissão de gases de efeito estufa,
e também pela produção de N2O que
ocorre no solo após sua aplicação”,
esclarece o pesquisador.
Nos cenários 4 e 5, não se ganha
muito mais com a mitigação de emis-
sões, e requer-se mais investimentos
pelo produtor. De acordo com Boddey,
com a melhoria das pastagens, é pos-
sível criar mais animais em uma área
menor. Para os cenários de pouca in-

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Logís tica

Governo anuncia investimentos


em infraestrutura
“O PIL vai permitir o escoamen-

Lucinao Riveiro / Agetec/TO


to da produção de Mato Grosso aos
portos do Arco Norte para desafo-
gar os portos do Sul e Sudeste”, en-
fatizou. Entre as obras mencionadas
por ela, estão os investimentos na BR-
364, no trecho que vai de Comodoro,
MT, a Porto Velho, RO. “É um tre-
cho que precisa de duplicação, de me-
lhor sinalização e de contornos urba-
nos devido ao fluxo de caminhões”.
Outro trecho importante é referente à
BR-163, ligando Sinop, MT, ao Porto
de Miritituba, PA.
Em relação às ferrovias, o PIL
contempla garantia do direito de pas-
Trilhos da Ferrovia Norte-Sul, contemplada no Programa sagem, operação na qual uma con-
de Investimentos em Logística (PIL) 2015-2018
cessionária detentora de determina-
Da Redação vado nos portos. “A cada cinco anos, do trecho permite que outra empresa
gastamos uma safra para escoar a trafegue em sua malha ferroviária,

A
mpliar a competitividade do produção. Mas é claro que existe um independente do produto a ser trans-
setor produtivo brasileiro, re- tempo entre o anúncio e a efetivação portado, mediante compensação fi-
duzir os custos logísticos e das obras e essa efetivação deve come- nanceira. “Queremos o livre aces-
diversificar os modais de transporte çar o quanto antes”, avaliou Schrei- so dos usuários aos trechos que serão
para o escoamento da produção. Es- ner, que também destacou a impor- concessionados”, afirmou Schreiner.
tes são alguns dos objetivos do Pro- tância do uso das hidrovias, modal de Este mecanismo promove a livre con-
grama de Investimentos em Logísti- transporte mais barato. corrência e a redução dos custos lo-
ca (PIL) 2015-2018, de acordo com De acordo com o governo, a nova gísticos, quebrando o monopólio de
o vice-presidente diretor da Confede- etapa do PIL deve contemplar obras empresas que operam em alguns tre-
ração da Agricultura e Pecuária do consideradas fundamentais para a chos deste modal.
Brasil (CNA), José Mário Schreiner. produção agropecuária, de modo que O projeto considerou dois tre-
O programa prevê investimentos de a infraestrutura acompanhe o cres- chos da ferrovia Norte-Sul de extre-
R$ 198,2 bilhões para concessões nos cimento do setor, com maior parti- ma importância para a produção. O
próximos anos em rodovias (R$ 66,1 cipação do setor privado. De 2000 a primeiro vai de Palmas, TO, a Aná-
bi), ferrovias (R$ 86,4 bi), portos (R$ 2014, a produção de grãos, por exem- polis, GO, e o segundo de Açailândia,
37,4 bi) e aeroportos (R$ 8,5 bi). plo, cresceu 130%. No caso das rodo- MA, a Barcarena, PA, onde está o
O PIL contempla, diretamente, vias, a assessora técnica de infraestru- porto de Vila do Conde, localizado no
20 estados e 130 municípios. No pro- tura e logística da CNA, Elisângela Complexo Portuário de Belém. Outro
grama, estão previstas melhoria e am- Lopes, destacou, entre outros pontos, trecho considerado fundamental den-
pliação das malhas rodoviária e ferro- os investimentos do Programa em ro- tro da nova etapa do PIL liga Lucas
viária, além de novos arrendamentos e dovias que ligam principalmente o do Rio Verde, MT, a Miritituba,PA.
a construção de Terminais de Uso Pri- Mato Grosso ao Norte do País. Já para os portos, o PIL pre-

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Logís tica

vê 50 novos arrendamentos, a cons-

Larissa Melo
trução de 63 TUPs e 24 renovações
antecipadas de arrendamentos. Além
de ampliar a capacidade operacio-
nal, principalmente dos portos do
Arco Norte (regiões Norte e Nordes-
te), os investimentos poderão facili-
tar o escoamento da região do Ma-
topiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e
Bahia). Entre os portos do Arco Nor-
te contemplados na nova etapa do PIL
estão: Vila do Conde e Santarém, no
Segundo José Mário Schreiner, da CNA, o programa prevê investimentos de R$ 198,2
Pará, Manaus e Itaqui, no Maranhão,
bilhões para concessões nos próximos anos em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos Santana, AP, Suape, PE, e Aratu, BA.

Terminal de açúcar de Suape sai do papel

Arquivo Suape
Complexo Industrial
Portuário de Suape
terá terminal de
açúcar de 72,5
mil m² no cais 5

O
início das obras de constru- do com o presidente do Sindicato da pregos. Quando entrar em operação,
ção do terminal de açúcar de Indústria do Açúcar e do Álcool de o empreendimento vai gerar 65 vagas
Suape, em Pernambuco, está Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Re- e deverá movimentar 200 mil tonela-
previsto para agosto. Com investi- nato Cunha, o terminal vai escoar o das de açúcar. A expectativa é de que,
mento de R$ 139 milhões nos dois açúcar que é produzido de Alagoas em 2038, essa movimentação supere
primeiros anos, o terminal deve en- ao Rio Grande do Norte. as 738 mil toneladas anuais. Na pri-
trar em operação em 2016. A Ode- O terminal será construído na meira etapa, o terminal contará com
brecht TransPort está à frente do retroárea do cais 5, com 72,5 mil sistemas de recepção rodoviária, ar-
empreendimento, com 75% de par- metros quadrados e um berço de mazenagem de açúcar refinado a gra-
ticipação. Os outros 25% ficam por atracação de 355 metros de exten- nel, ensacamento e elevação do açú-
conta da sócia Agrovia. De acor- são. As obras devem gerar 200 em- car em navios graneleiros.

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Opinião

A nova classe média ruralDivulgação


e o desafio nordestino
*Márcio Rogers Melo de Almeida comparamos o Nordeste apenas às regi-

Divulgação
ões Sudeste e Sul. A produção anual mé-

E
m paralelo ao grande sucesso dia dos estabelecimentos nordestinos é
da agricultura brasileira na pro- 22,26% dos estabelecimentos do Sudes-
dução de grãos, fibras e outras te e 28,09% dos sulistas.
commodities, exemplo mundial de inova- Para acrescentar mais detalhes a
ção tecnológica e dinamismo empresa- esse cenário que nos mostra a distância
rial, existe no Brasil uma ampla camada nordestina frente aos polos dinâmicos da
de pequenos proprietários agrícolas dis- agricultura, quando comparamos intra-
tantes de todo esse sucesso. Configuran- regionalmente a média da produtivida-
do-se, de certo modo, a existência do que de (produção por área plantada) de seis
ficou conhecido nas teorias do desenvol- importantes lavouras (cana, coco, bana-
vimento como “Brasil Dual”. Essa ex- na, laranja, mandioca e milho) nos últi- O desafio da política agrícola atual
pressão nos remete a existência num mos 10 anos, ficamos ainda mais apre- de promover uma massa de produtores
mesmo território de estruturas econômi- ensivos. Nossa produtividade agrícola no à classe média rural se confunde, sobre-
cas enfaticamente díspares em termos de agregado das culturas escolhidas é so- maneira, com o desafio nordestino de se
eficiência produtiva. mente 60% da verificada na região Sul aproximar de patamares de desenvolvi-
Atenta para esse fenômeno, a mi- e 57,6% da encontrada na região Sudes- mento agrícola das regiões mais avança-
nistra da agricultura, Kátia Abreu, tem te. Existe um claro e grande hiato tec- das. Dessa forma, são imperativas ações
insistido nos seus discursos na criação nológico entre as regiões que em algum voltadas à construção de instituições in-
de uma nova classe média rural. O que momento da nossa história se intensifi- clusivas alicerçadas num amplo progra-
identificamos nesse plano perpassa prin- cou formando trajetórias de desenvolvi- ma educacional de qualidade, capaz de
cipalmente três ordens de fatores: 1) a mento distintas. formar cidadãos com capacidade críti-
necessidade de integrar mais intensa- Tomando como forte aliada as ca que ajudem a construir, operaciona-
mente aos mercados, fluxos comerciais análises institucionalistas do economis- lizar e monitorar políticas governamen-
e linhas de crédito um amplo setor de pe- ta Daron Acemoglu, professor do Mas- tais eficientes.
quenos proprietários rurais; 2) Acele- sachusetts Institute of Technology (MIT), Uma revolucionária ação educacio-
rar a transferência/difusão e a capacida- pode-se atribuir, dentre outras variá- nal que torne aptos pequenos produtores
de de absorção de tecnologias para e por veis, a incapacidade histórica da socie- e suas próximas gerações, se estas sobre-
esses produtores; 3) Torná-los partícipes dade nordestina de gerar instituições so- viverem a crescente migração rural-urba-
na construção das instituições sociais ne- ciais inclusivas como a principal causa na, a absorver grande parte da tecnologia
cessárias ao desenvolvimento social. do nosso distanciamento em relação aos disponível, tornando-os eficientes, eco-
A empreitada é hercúlea e em ter- centros dinâmicos. nomicamente viáveis e independentes de
mos territoriais podemos afirmar que o Essas instituições possuem a capa- “favores paternalistas” do estado.
maior desafio se encontra no Nordeste cidade de estimular o dinamismo social e Em suma, a formação de uma
brasileiro. Nesta região, segundo os nú- econômico, criando condições de iniciar nova classe média rural não é tarefa so-
meros do último censo agrícola, locali- um circulo virtuoso de crescimento base- mente de políticas agrícolas isoladas,
zam-se 47,42% dos estabelecimentos ado em incentivos às inovações e a alo- mas de um diverso e transversal conjun-
rurais brasileiros e 47,08% de toda popu- cação eficiente dos fatores de produção. to de ações que envolvam várias instân-
lação rural brasileira. No entanto, apesar “São essas instituições que possibilitam cias governamentais e a sociedade civil.
dos relevantes números acima que indi- e estimulam a participação da grande Um desafio que o Nordeste agrícola en-
cam forte concentração das propriedades massa da população em atividades eco- frenta há séculos e parece insolúvel.
e população rurais no nordeste, a produ- nômicas que façam o melhor uso possí- *Márcio Rogers Melo de Almeida
ção anual média dos estabelecimentos vel de seus talentos e habilidades e per- é economista, mestre em Sociologia do
nordestinos é de apenas 41,6% da média mitam aos indivíduos fazer as escolhas Desenvolvimento pela UFPE e analista
nacional. Quadro que se deteriora quando que bem entenderem”, enfatiza o autor. em gestão estratégica da Embrapa

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