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José Maria Pascoal Júnior – 21/07/09

A MÁQUINA DO TEMPO
O livro A Máquina do Tempo, de H. G. Wells, foi escolhido para ser resenhado por ser um clássico de todos os
tempos, de leitura fácil, curta e muito agradável. Trata-se do relato de um viajante que constrói uma máquina do tempo,
convidando determinadas pessoas para certificarem o seu projeto. Após uma primeira reunião de explanação de
intenções, este ousado cidadão acaba recém retornando do futuro e apresenta em detalhes sua empreitada.
O Viajante do Tempo chega ao futuro do mesmo local em que se encontrava na região de Londres, só que no ano
de 802.701, travando contato com uma civilização de pessoas pequenas, belas e aparentemente indefesas, as quais viviam
em comunidade e comiam apenas frutas exóticas, vivendo de forma lúdica e em perfeita harmonia, até que se descobre
uma outra população que habitava o subterrâneo, totalmente diferente dos humanos da superfície, estes criaturas
horrendas, de pele muito branca e olhos grandes, que se portavam como canibais, alimentando-se dos belos ocupantes
da superfície.
O desafio nesta jornada, além da observação do status do planeta terra e de como evoluiu a humanidade no
futuro distante, será o de sobrevivência e retorno a seu tempo, uma vez que os moradores das cavernas acabam
capturando sua máquina do tempo. O viajante conhece a bela Weena que o acompanhará em sua busca e luta por sua
vida, e depois de muito esforço e risco consegue acessar seu aparelho, iniciando a volta ao tempo presente, não sem
antes ser ameaçado por grande feras no percurso de retorno, observando que a humanidade acabará sendo vítima de
um grande e duradouro eclipse solar. Este desbravador regressará são e salvo, apresentando a todos os seus feitos
inimagináveis, sendo que um dos seus interlocutores retornará no dia seguinte para sanar outras dúvidas e, ao aguardar
o viajante em uma antessala, constatará que este realizará uma nova viagem, nunca mais retornando.
Quantos aos personagens, será possível verificar o narrador que apresenta toda história e atores; o Viajante do
Tempo, o grande protagonista a quem, tal qual o narrador, não é atribuído nenhum nome específico; o povo da superfície
conhecidos por Elois, que vivem de forma inocente e pura, mas com medo, principalmente quando escurece, dos sinistros
moradores do subterrâneo; os Morlocks a raça inferior que exerce algum tipo de atividade laboral e que se alimenta
exclusivamente da carne dos primeiros; Weena, a companheira Eloi do viajante; e os espectadores antes e pós viagem,
o médico, um editor, um psicólogo e um jornalista correspondente, dentre outros, a quem o protagonista explana suas
duvidosas façanhas.
No livro, é possível perceber a crítica ao estilo capitalista e às diferenças de classes. O viajante observa o aumento
gradual da distância social naquela sociedade futurista. O povo do subterrâneo vivia em condições precárias, daí sua
coloração albina, seus olhos grandes, enquanto os da superfície tinham uma aparência encantadora, tal qual a diferença
entre operários e capitalistas. Os primeiros tinham condições insalubres e os segundos, uma exclusivista vida campestre,
cujos operários não têm acesso, segundo o autor.
A percepção do autor é a de que o homem terá êxito sobre as intervenções na natureza, com alimentos nutritivos
e agradáveis, natureza exuberante, extinção de doenças, harmonia, paz e delicadeza apenas a um segmento da sociedade,
em detrimento de outro que viverá em condições perversas e totalmente opostas a classe privilegiada e, talvez por isso,
os subjugados ajam como animais de instintos mais primitivos. Ou seja, no futuro, o capitalista triunfará não apenas na
natureza, mas sobre os semelhantes.
Esta obra de ficção científica é uma inovação da época, que trazia o tempo como uma dimensão linear do espaço
e a máquina de viajar no tempo, como um artefato. A história deixa de depender de recursos fantasiosos como um sonho
uma visão uma poção mágica ou uma hibernação prolongada para se viajar no tempo. Publicada no ano de 1895, bem
retrata um contexto histórico de uma Europa onde começavam a aparecer algumas correntes ideológicas, tal qual o
Marxismo a quem o escritor, integrante da Sociedade Fabiana, expressava admiração.
A grande mensagem que o livro traz é uma visão clara entre a luta de classes, na qual uma classe se sobrepõe e
explora outra. Aquela exploradora terá as benesses, mas será sempre dependente daquela que se sacrifica e não consegue
as mesmas condições de sobrevivência, uma visão bem progressista de mundo. A mim, o livro deixa claro que a
humanidade poderá até evoluir bastante, mas a natureza sempre será o fator imponderável que determinará os destinos
do homem no planeta terra e, por mais que o ser humano avance, sempre haverá classes sociais diferenciadas.
Herbert George Wells escreveu este clássico que fala da luta de classes, luta pela sobrevivência e a evolução do
homem no tempo, ao final do século XIX, época de uma forte revolução industrial na Inglaterra, onde operários
trabalhavam em condições subumanas. O livro teve um sucesso instantâneo de vendas e o autor se consagrou por ser um
inovador neste e em outros temas, tendo escrito outros sucessos aclamados pelo público, como A Guerra dos Mundos e
o Homem Invisível, dentre outros. Podem ser verificadas duas adaptações para o cinema, nos anos 1960 e em 2002.

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José Maria Pascoal Júnior – 21/07/09

Por fim, é uma ótima pedida a quem deseja tomar contato com um clássico universal de leitura agradável e rápida,
de menos de 150 páginas, como a tradução de Bráulio Tavares, pela Editora Objetiva, 2010. Podem ser encontradas várias
publicações a preços, até mesmo, menores que R$ 10,00 em sebos. Ele poderá ser baixado como e-book em:
http://lelivros.love/book/download-a-maquina-do-tempo-h-g-wells-em-epub-mobi-e-pdf/ e outras resenhas podem ser
conferidas em: https://www.skoob.com.br/a-maquina-do-tempo-6009ed111160.html, ambos acessados em 21 out.
2019.
Paz e Bem!

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