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PANORAMA SOBRE O (DES) USO DAS TECNOLOGIAS DA

INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA EDUCAÇÃO BÁSICA EM


ESCOLAS PÚBLICAS DE ALEGRETE

Mauricio Ramos Lutz1


Ana Carla Nicola Ferreira Gomes2, Débora da Silva de Lara3, Mariely Rodrigues
Anger4, Silviana Izabel Freire Severo5, Jussara Aparecida da Fonseca6
1
Instituto Federal Farroupilha – Câmpus Alegrete/RS, mauricio.lutz@iffarroupilha.edu.br
2
Instituto Federal Farroupilha – Câmpus Alegrete/ RS, anagomes.mat@gmail.com
3
Instituto Federal Farroupilha – Câmpus Alegrete/ RS, dd.lara@hotmail.com
4
Instituto Federal Farroupilha – Câmpus Alegrete/ RS, marielyanger@hotmail.com
5
Instituto Federal Farroupilha – Câmpus Alegrete/ RS, silviana.fsevero@gmail.com
6
Instituto Federal Farroupilha – Câmpus Alegrete/ RS, jussara.fonseca@iffarroupilha.edu.br

Resumo

A informatização do homem moderno e a sua relação com as máquinas é inegável. No


campo educacional esse avanço também está presente, pois há a necessidade de uma
inclusão digital em todos os ambientes da escola. Um fato comprovado, tanto que a
maioria das escolas já tem em suas dependências ambientes informatizados para uso dos
alunos e dos professores. Para aqueles que já nasceram na era da informatização se torna
mais imediata essa adaptação, porém percebemos que os docentes da escola, que já contam
com anos de experiência em docência, formaram-se sob outra realidade, onde o acesso as
tecnologias não eram tão disponibilizadas, tendo que acompanhar essa demanda. A fim de
investigar como está sendo o uso ou não das Tecnologias de Informação e Comunicação
por professores de Matemática do Ensino Básico em escolas públicas no município de
Alegrete/RS, surgiu este projeto de pesquisa. O que se tornou mais preocupante na
realidade é a hipótese de que apesar de equipadas para possibilitar um trabalho que envolva
as Tecnologias da Informação e Comunicação, o ensino atual nas escolas ainda tem suas
metodologias limitadas. Para obter informações precisas foi realizada uma pesquisa
descritiva de caráter qualitativo através de entrevistas individuais aplicadas aos professores
de matemática, onde foram investigados aspectos relacionados, principalmente, a formação
acadêmica dos educadores, prática pedagógica, o uso ou não das Tecnologias da
Informação e Comunicação em sala de aula e a disponibilidade/manutenção dos
laboratórios de informática disponibilizados nas escolas.

Palavras-Chave: Tecnologias da Informação e Comunicação, ensino e aprendizagem,


matemática, educação básica.

INTRODUÇÃO

A matemática, muitas vezes, tem se apresentado como uma disciplina repleta de


imaginários perversos, temida pelos alunos, principalmente na Educação Básica. Devido
esse fato, muitas pesquisas no âmbito da Educação Matemática vêm sendo desenvolvidas
com o intuito de propiciar uma educação de qualidade e eficaz a todos os atores do
universo educativo.
Os problemas no ensino e aprendizagem da matemática tem ocasionado alto índices
de reprovação e retenção dos educandos nos diferentes níveis da Educação Básica. Tal
cenário, tem contribuído também para altos índices de evasão escolar.
Apesar deste cenário do ensino e aprendizagem da Matemática Escolar, o
conhecimento desta área do saber é imprescindível para o desenvolvimento pleno do
indivíduo. É possível observar que desde muito cedo se tem contato com situações em que
o conhecimento matemático é necessário, como a orientação espacial ou cálculos
realizados em uma compra de supermercado.
Contudo, é possível observar na sociedade atual que outros conhecimentos têm-se
apresentado imprescindíveis, como aqueles relacionados à informática. Cada vez mais cedo
crianças e jovens tem acesso a recursos computacionais e ensiná-los a saber utilizar tais
recursos de forma consciente tem sido um desafio para pais e professores.
Diante dessas necessidades tem-se tornado cada vez mais necessário que
professores estejam preparados para lidar com tais mecanismos em sala de aula. Mas isso
nem sempre é uma tarefa fácil, pois exige estudo maior por parte do docente, incluindo
dedicação e tempo de planejamento das atividades escolares.
A partir deste contexto, professores, entre eles o de Matemática, tem um grande
desafio à sua frente. Contudo, tal desafio também põe à sua frente um leque de opções, no
qual pode encontrar alternativas que possibilitam tornar suas aulas mais atrativas para os
educandos, estimulando a criatividade e o senso crítico.
Frente a isso torna-se importante o professor buscar diferentes maneiras de
utilização de Tecnologias da Informação e Comunicação em sala de aula, de modo a
proporcionar o desenvolvimento de conhecimentos matemáticos. Nesse sentido,
procuramos neste trabalho analisar a utilização de Tecnologias da Informação e
Comunicação em sala de aula por parte dos professores de matemática das escolas públicas
de Alegrete/RS.

A IMPORTÂNCIA DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

É cada vez mais crescente a necessidade da utilização de Tecnologias da


Informação e Comunicação nos diferentes setores da sociedade, entre eles nas escolas. Para
as instituições educacionais e professores, existe uma necessidade crescente para o uso das
Tecnologias da Informação e Comunicação, para tanto é necessário saber como e quando
utilizar tais recursos em sala de aula, de forma a trazer melhorias para o processo de ensino
e aprendizagem.
Para que a utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação realmente
traga mudanças no processo de ensino e aprendizagem, é indispensável mudanças nos
padrões atuais do ensino. Segundo Moran (2000, p.63), “ensinar com as novas mídias será
uma revolução se mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que
mantêm distantes professores e alunos. Caso contrário, conseguiremos dar um verniz de
modernidade, sem mexer no essencial”. Tais mudanças são necessárias, pois a simples
presença de Tecnologias da Informação e Comunicação na escola não é por si só uma
garantia de maior qualidade na educação, pois a modernidade pode mascarar um ensino
tradicional, baseado na recepção e na memorização de informações.
Na mesma direção, Perrenoud (2000) aponta que,
A verdadeira incógnita é saber se os professores irão apossar-se das
tecnologias como um auxílio ao ensino, para dar aulas cada vez mais
bem ilustradas por apresentações multimídia, ou para mudar de
paradigma e concentrar-se na criação, na gestão e na regulação de
situações de aprendizagem (p.138).
Corroborando Vasconcelos (1998, p.29) ressalta que “a mudança de postura
implica, pois, a mudança tanto das concepções quanto das práticas” e “a postura do
educador não depende do nível de profundidade da teoria” (1998, p.22). Assim, a mudança
depende do compromisso do docente, propiciadas pelas aproximações sucessivas entre a
ação e a reflexão constante de sua prática pedagógica.
É preciso valer-se das Tecnologias da Informação e Comunicação para implementar
o planejamento educacional problematizando a realidade dos alunos. Para Moran (2000), o
papel do professor é fundamental nas propostas de inovações, até mesmo porque a
qualidade de um ambiente tecnológico de ensino depende muito mais de como ele é
explorado didaticamente, do que de suas características técnicas.
As Tecnologias de Informação e Comunicação quando utilizadas de forma
adequada, ajudam no processo educacional, levando ao objetivo principal do processo
educativo que é a aprendizagem dos alunos, conforme apronta Libâneo (2007, p. 309) “o
grande objetivo das escolas é a aprendizagem dos alunos, e a organização escolar
necessária é a que leva a melhorar a qualidade dessa aprendizagem”.
A importância do uso de Tecnologias da Informação e Comunicação também é
ressaltada nos documentos oficiais. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais do
Ensino Médio (PCNEM) "as tecnologias da comunicação e da informação e seu estudo
devem permear o currículo e suas disciplinas" (BRASIL, 1999, p. 134). Do mesmo modo
os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) apontam que,
É indiscutível a necessidade crescente do uso de computadores pelos
alunos como instrumento de aprendizagem escolar, para que possam
estar atualizados em relação às novas tecnologias da informação e se
instrumentalizarem para as demandas sociais presentes e futuras
(BRASIL, 1998, p. 96).
Contudo, mesmo com tais orientações apontadas nos documentos oficiais, utilizar
os recursos das tecnologias da comunicação e informação é ainda um grande desafio, pois
os professores encontramos um grande número de professores relutantes quanto ao uso,
principalmente pela sua formação acadêmica.
Contudo, a utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação em sala de
aula, se transforma em uma ferramenta a favor da aprendizagem, trazendo para ambas as
partes envolvidas, educador e educando, resultados positivos, o que para Bairral (2009, p.1)
“nos remete a um novo horizonte pedagógico e a um vasto campo profissional”.
Corroborando, Demo (2008 p.1) aponta que,
Toda proposta que investe na introdução das Tecnologias da Informação
e Comunicação na escola só pode dar certo passando pelas mãos dos
professores. O que transforma tecnologia em aprendizagem, não é a
máquina, o programa eletrônico, o software, mas o professor, em
especial em sua condição socrática.
Também as Tecnologias da Informação e Comunicação entrelaçam diversas formas
de atuação e interação entre os indivíduos, pois “todo processo de aprendizagem requer a
condição de sujeito participativo, envolvido, motivado, na posição ativa de desconstrução e
reconstrução de conhecimento e informação, jamais passiva, consumista, submissa”
(DEMO, 2008, p.1)
Para Valente (1993), o computador não é um instrumento que ensina o aprendiz,
mas ferramenta com a qual o aluno desenvolve algo, e, portanto, a aprendizagem ocorre
pelo fato de estar executando uma tarefa por meio do computador. Perante esse olhar, a
educação básica precisa andar unida com as novas tecnologias que fazem parte do
cotidiano das pessoas.
Vivemos em uma sociedade informatizada. Cada vez mais se requer dos sujeitos o
uso de forma consciente de recursos computacionais. Nesse sentido, a escola desempenha
papel fundamental, pois tem como um de seus objetivos preparar os alunos para os desafios
da sociedade. Para tanto, conforme aponta Borba e Penteado (2001, p.19), “o computador
deve estar inserido em atividades essenciais, tais como aprender a ler, escrever,
compreender textos, entender gráficos, contar, desenvolver noções espaciais, etc”.
Todavia, não estamos querendo dizer que os recursos utilizados tradicionalmente
como lápis e papel devam ser abandonados no processo de ensino e aprendizagem. Mas
sim que outros recursos podem vir a ser incluídos em tal processo, de modo a tornar as
aulas mais dinâmicas e participativas.
Não podemos negar que a utilização de Tecnologias da Informação e Comunicação
em sala de aula é um desafio para uma parcela significativa de professores, pois muitos não
nasceram na era da informática, tampouco tiveram em suas formações iniciais
instrumentalização necessária para o emprego de tais recursos, pois conforme aponta
Perrenoud (2000, p.163), “educadores vivem com os conhecimentos de sua formação
inicial e de sua experiência pessoal”.
Por tal realidade, alguns docentes sentem-se intimidados em relação ao uso de
recursos tecnológicos, pois sabem que seus alunos, muitas vezes, terão maior domínio
sobre os instrumentos utilizados. Tal realidade faz com que haja uma inversão de papeis na
sala de aula, possibilitando que além da aprendizagem sobre determinado campo do saber
por parte do aluno, ocorra também a aprendizagem do professor acerca das ferramentas
informáticas. Conforme Jahn (2014, p. 19):
[...] outro fato a ser considerado é que, em geral, os jovens sabem mais e
melhor utilizar as ferramentas informáticas do que os adultos. A
possibilidade que se abre dessa maneira é a de os estudantes poderem vir
a compartilhar conhecimentos com o professor. Em geral, tal situação
pode ser muito prazerosa porque os estudantes se sentem valorizados por
possibilitarem aos seus professores a aprendizagem: os papéis se
invertem na sala de aula.
Além da insegurança quanto ao domínio das ferramentas tecnológicas, alguns
professores destacam que a inserção de tais recursos é muito trabalhosa. Tal fato é
inegável, pois muitas vezes o tempo necessário para o planejamento de uma aula com
utilização de tecnologias de informação e comunicação pode ser muito maior, pois é
preciso encontrar o recurso que melhor se adapta aos objetivos da aula, investigá-lo para
conhecer todas as suas disponibilidades e testá-lo de modo que verifique se a proposta a ser
realizada é realmente possível.
Desse modo, o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação deve ter seus
objetivos bem estabelecidos, pois usar o computador só por usar não acrescenta nada para o
aluno. Essa ideia é reforçada por Ponte et al (2008, p.59):
Os recursos computacionais em si mesmos, quando amplamente
dominado pelo professor, não são suficientes para garantir uma ação
educacional diferenciada, se não estiverem claras e fundamentadas as
teorias. Assim, além da necessidade de saber lidar com o computador, o
professor deve entregar-se ao processo de construir para si mesmo um
novo conhecimento.
Entretanto, passada a fase de planejamento, o professor tem em mãos um recurso
capaz de tornar suas aulas mais interessantes e participativas. Além disso, dentro do
contexto social atual está praticamente impossível a escola e os professores fugirem da
utilização de tecnologias da informação e comunicação. Dessa forma, a educação para as
mídias digitais, em seus alcances de forma abrangente se faz necessário nos dias de hoje,
pois os espaços educativos não podem mais ficam aquém da realidade de sociedade.
Com isso, conseguiremos mudar o contexto da educação escolar apontado por
Valente (1996, p.129),
A educação escolar e o professor que a ministrar não tem, no geral um
referencial de mundo que se compatibiliza com a realidade circundante e
com seus possíveis avanços. O espaço educacional parece imune,
preservado desses avanços, mantendo o velho, pela indiferença às
mudanças do meio.
Assim, enquanto educadores precisamos sair de nossa “zona de conforto” e nos
aventurarmos com novos desafios de aprendizagem e o uso de tecnologias da informação e
comunicação são uma boa opção. Em particular o uso do computador em sala de aula,
apresenta-se como uma boa opção para o desenvolvimento de diferentes áreas do
conhecimento escolar.
Quanto a utilização do computador, os PCN afirmam que “[...] o computador
favorece a transformação das aulas tradicionais, excessivamente diretivas e instrucionais,
em ações cooperativas entre alunos e professores, nas quais todos se organizam como
parceiros e aprendizes” (BRASIL, 1998, p. 33).
Corroborando Pasqualotti e Freitas (2001, p. 80) apontam que,
É necessária a disseminação da filosofia computacional nos centros de
ensino para que a informática possa auxiliar no processo de ensino–
aprendizagem e enriquecimento dos conhecimentos dos alunos, bem
como no auxílio e aperfeiçoamento dos professores e pesquisadores.
Na mesma direção, Penteado (1999, p. 309) ressalta que “o trabalho com o
computador provoca mudanças na dinâmica da aula exigindo por parte do professor novos
conhecimentos e ações”. Então porque muitas escolas não utilizam o computador como
uma ferramenta para melhorar o processo de ensino aprendizagem? Esta pergunta fica para
ser refletida.
É compreensível assim, que como educadores preocupados com o processo de
ensino e de aprendizagem de nossos alunos, validando as tecnologias como elementos
pedagógicos problematizadores, reconheçamos que atualmente o Sistema de Ensino não é
condizente com as reais necessidades dos alunos, portanto, não basta somente modernizá-
lo, mas é necessário e de caráter urgente repensar o método educacional utilizado, de modo
que o processo de construção do conhecimento seja estimulante, desafiador e adequado aos
novos tempos.
Por tudo que foi exposto, percebemos que professores precisam estar
constantemente reavaliando e refletindo sobre o fazer pedagógico em sala de aula e
verificar a importância do uso de metodologias diferenciadas fazendo com que suas aulas
sejam mais dinâmicas, sendo que nesse sentido as tecnologias da comunicação e
informação apresentam-se como uma boa opção.
Assim, o uso do computador e de outras mídias digitais, pode contribuir para
resolver e modificar a metodologia de ensino e aprendizagem fazendo com que tenham
sentido os conteúdos trabalhados nas diversas disciplinas, em particular, nas aulas de
matemática. Sabe-se que essas mudanças não ocorrerão de maneira rápida, mas é chegado
o momento de começar a repensar nesta postura enquanto educadores, para que com um
preparo pedagógico-tecnológico e infraestrutura adequada possa realizar verdadeiras
transformações nas aulas.

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente trabalho é o extrato de um projeto de pesquisa que teve por objetivo


verificar a utilização (ou não) das Tecnologias da Informação e Comunicação por parte dos
professores de matemática de escolas públicas de Alegrete/RS. A pesquisa realizada foi de
cunho descritivo com caráter qualitativo por meio de entrevistas individuais aplicadas a
professores de matemática atuantes na rede pública de ensino.
Segundo Gil (2002, p.42) “as pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a
descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o
estabelecimento de relações entre variáveis”. Por isso, o estudo se norteou de acordo com
esses padrões, isto é, buscou-se averiguar os problemas no intuito de melhorar as práticas
por meio da observação e análise das entrevistas feitas com esses profissionais.
Para obter uma pesquisa detalhada sobre esse meio, foi preciso separá-la em sete
etapas que consistiam na definição do problema, na escolha do público alvo, na elaboração
do questionário, no pré-teste do questionário, na aplicação do questionário, na organização
dos dados e na análise e interpretação dos mesmos.
Estima-se que na cidade oriunda das escolas participantes do projeto existam em
torno de 80 professores de matemática atuantes em Escolas Básicas Públicas, porém
contamos com uma amostra de 22 professores que responderam a pesquisa. Após a
realização das entrevistas foram organizados os dados através de contagem e agrupamento,
desse modo, obteve-se um conjunto de informações que conduziu o estudo do atributo
estatístico.
Com esses resultados obtidos a próxima fase foi a análise e interpretação, de acordo
com Gil (2002, p.90),
O processo de análise e interpretação é fundamentalmente iterativo, pois
o pesquisador elabora pouco a pouco uma explicação lógica do
fenômeno ou da situação estudados, examinando as unidades de sentido,
as inter-relações entre essas unidades e entre as categorias em que elas
se encontram reunidas.
Ou seja, nesse processo, foi realizada uma análise dos dados buscando assim, dados
estatísticos para verificar se existe o uso, bem como as concepções pedagógicas acerca das
tecnologias da informação e comunicação por parte de professores de matemática
participantes da pesquisa.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Quando buscou-se informações sobre a utilização de Tecnologias da Informação e


Comunicação na Educação Básica, referente à disciplina de Matemática, levamos em
consideração alguns aspectos que seriam relevantes para montar um panorama geral da
utilização dos recursos tecnológicos na educação pública, que são: formação dos
professores atuantes, caracterização das escolas em que esses atuam e forma de utilização
dos recursos disponibilizados pela escola.
A primeira etapa da pesquisa consistiu no reconhecimento do público participante.
Foram coletados dados através de um questionário, respondido por 22 professores de
matemática. A partir das respostas coletadas foi possível observar que apenas um docente
não tem sua graduação na área da matemática, o que é um bom número tendo em vista ser
corrente nas escolas públicas professores lecionando em disciplinas diferentes de sua área
de formação, e que a maioria destes profissionais realizaram sua graduação em instituições
privadas.
A maior parte dos entrevistados formou-se após a expansão tecnológica, que
ocorreu no início do século XXI, porém, para termos dados mais gerais, no total de
entrevistados conseguimos contemplar também a visão de professores mais experientes.
Percebemos isso fortemente quando dez professores afirmaram que não tiveram em seus
cursos de formação inicial disciplinas que abordassem as Tecnologias da Informação e
Comunicação; sete professores disseram que as disciplinas que tiveram não se fizeram
suficiente para uma boa formação, e entre todos, somente cinco acharam a sua formação
completa nessa área, o que não é suficiente para um bom trabalho.
Com tal dado, percebemos que a formação inicial da maioria dos docentes
participantes da entrevista não contempla uma das demandas necessárias para o ensino de
matemática apontada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Segundo os PCN, “a
Matemática deve acompanhar criticamente o desenvolvimento tecnológico contemporâneo,
tomando contato com os avanços das novas tecnologias nas diferentes áreas do
conhecimento para se posicionar frente às questões de nossa atualidade (BRASIL, 1998, p.
18)”.
As escolas em que os professores entrevistados atuam, de modo geral, possuem
boas condições físicas para um trabalho com Tecnologias da Informação e Comunicação,
apresentando laboratórios de informática equipados, na sua maioria, com número suficiente
de computadores para os alunos.
Além disso, percebemos através dos relatos dos professores que as escolas que
possuem os laboratórios geralmente também possuem acesso à internet, facilitando
pesquisas e contemplando vários fatores demandados pelas Tecnologias da Informação e
Comunicação. Conforme destaca Pimentel (2007, p.91) destaca,
De outra forma, a Internet será uma tecnologia a mais, que reforçará as
formas tradicionais de ensino. Os ambientes telemáticos de
aprendizagem permitem programar uma rede de informações
interligadas, em que os sujeitos podem explorar diferentes mídias
simultaneamente e integrá-las numa mesma atividade para o desenrolar
das experiências interativas quanto às relações com a tecnologia, e
cooperativas, quanto às relações interpessoais.
Do grupo de professores participantes da pesquisa, somente dois afirmam não
possuir nenhuma pós graduação, porém quando indagados da área em que os cursos foram
realizados, descobrimos que somente dois deles contemplavam Tecnologias da Informação
e Comunicação.
Tendo em vista essa e as informações já explicitadas sobre a formação dos
professores, entende-se uma das dificuldades apontadas por eles para preparar uma aula
envolvendo essa metodologia, em que declararam que possuem dúvidas nesse pressuposto
e não lhes é oferecido auxílio para sanar as mesmas. Desta forma, segundo Farias (2009, p.
6),
A educação é uma tarefa complexa que exige uma formação sólida para
desempenhá-la. As mudanças no mundo do trabalho geram
transformações na organização do trabalho da escola, onde a inserção
tecnológica no ensino tem trazido consequências contínuas à autonomia
do trabalho docente.
Ainda nessa linha de raciocínio percebemos que além dessa dificuldade, a falta de
tempo para planejamento dificulta o trabalho do professor que deseja utilizar este tipo de
metodologia. Constatamos que a maioria dos docentes participantes trabalham 40 horas
semanais, mesmo assim, 50% dos entrevistados utilizam o laboratório de informática para
complementar suas aulas com softwares e aplicativos referentes à matemática, outros cinco
docentes fazem o uso do laboratório para incentivar pesquisas sobre os conteúdos da
matemática e a totalidade dos professores fazem uso da internet para comunicação e
planejamento de aulas.
Ressaltamos ainda, que os professores sabem que o conceito de Tecnologias da
Informação e Comunicação é amplo, no entanto, muitos deles, não fazem uso de todos os
aspectos contemplados por esse devido às dificuldades já apresentadas acima, sendo
lamentável, pois o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação,
[...] pode contribuir para auxiliar professores na sua tarefa de transmitir
o conhecimento e adquirir uma nova maneira de ensinar cada vez mais
criativa, dinâmica, auxiliando novas descobertas, investigações e levado
sempre em conta o diálogo. E, para o aluno, pode contribuir para
motivar a sua aprendizagem e aprender, passando assim, a ser mais um
instrumento de apoio no processo ensino-aprendizagem [...]
(MERCADO, 2002, p. 131).
Desse modo, percebemos que unanimemente os professores acreditam que a
utilização das tecnologias da informação e comunicação pode melhorar o processo de
ensino e aprendizagem de matemática, mesmo que muitas vezes não fazem uso de tal
recurso em sua sala de aula.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao finalizar o presente trabalho, percebemos que o processo de ensino e


aprendizagem representa um desafio diário para o educador na medida em que ele tenta dar
um significado e dinâmica em suas aulas, deixando-a mais atraente para o aluno. Sabemos
que não é tarefa fácil, mas enquanto docentes é necessário estarmos sempre nos
reformulando e buscando novos conhecimentos.
Com o desenvolvimento da pesquisa, pode-se frisar, primeiramente, a satisfação
pela participação dos professores, pois boa parte destes voluntariaram-se com disposição
para responder a entrevista. Respostas as quais mostraram-se satisfatórias pela coerência
das mesmas, pois contribuíram para a contagem e agrupamento dos dados.
Percebeu-se que nas escolas nas quais os docentes participantes estão inseridos,
existem computadores suficientes para os alunos, porém a manutenção e acompanhamento
de profissionais para dar suporte nesta área não se fazem presentes.
Também foi salientado que não existe um bom planejamento, pelas causas já
apontadas: carga horária excessiva atribuída aos professores e a dificuldade das escolas em
contemplar essas atividades propiciadas pelas tecnologias.
Contudo, é relevante enfatizar que a maioria dos dados obtidos mostram-se
positivos, pois mesmo com poucos recursos há o emprego de Tecnologias da Informação e
Comunicação no meio escolar, através de aplicativos e softwares que vão ao encontro do
que está sendo trabalhado em sala de aula, sendo essa uma prática em expansão.
Aos demais dados de teor negativo, vale destacar Freire (1975, p. 51):
A realidade não pode ser modificada, senão quando o homem descobre
que é modificável e que ele pode fazê-lo. É preciso, portanto, fazer desta
conscientização o primeiro objetivo de toda a educação: antes de tudo
provocar uma atitude crítica, de reflexão, que comprometa a ação.
Por isso, após coleta e análise dos dados, será estudado e providenciado uma
proposta de formação pedagógica para os professores de matemática atendendo as
demandas trazidas e apresentadas por este projeto de pesquisa.
Ao finalizar esse projeto, percebemos o quanto é importante pesquisar. Muitas
dúvidas, ideias, hipóteses, conjecturas, surgem ao longo do caminho e muitas vezes
notamos que não daremos conta de responder a todas elas. Mas esse é nosso caminhar...
uma formação continuada sempre.

REFERÊNCIAS
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caso. In: Seminário Internacional de Pesquisa em Educação Matemática, 4., 2009, Rio de
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