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Universidade Católica de Moçambique

Faculdade de Direito
Licenciatura em Ciências Religiosas e Educativas
História de África e de Moçambique
Augusto Agostinho

A Origem e Significado do Nome Nampula

Nampula, Agosto
2015

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE


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FACULDADE DE DIREITO

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA RELIGIOSAS E EDUCATIVAS

Cadeira de Historia de África e de Moçambique

Augusto Agostinho

A Ocupação militar da região de Nampula

Trabalho científico e académico de carácter


avaliativo, submetido ao departamento de ciências
religiosas e educativas, da cadeira de história de
África e de Moçambique, leccionada pelo docente,
Pe. Jacinto Augusto.

Nampula, Setembro

2015

Introdução

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O trabalho em alusão, está inserido na investigação académica sobre a ocupação militar da
província de Nampula: a sua elevação a vila e a cidade e as respectivas data. Não deixa de
interessar uma prosperidade académica do conhecimento sobre a origem dos nossos símbolos e
nomes.

O nome de Nampula como veremos, intensifica a nossa origem como Macuas, e a que se refere
aos nossos antepassados.

Ocupação militar da região de Nampula

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Conceituação:

Ocupação militar, estabelecer-se numa região por meio militar, uso da força militar para ocupar
e viver numa determinada área.

Região, com sentido de terra ou espaço de terra, lugar geograficamente estabelecido e limitado.

Nampula, significa: Ophula = Furar = cortar ou arrebentar = simplificar = usar a via mais curta,
passar de um lado para o outro numa via mais curta, ou simplificada.

Situação geográfica da cidade de Nampula:

Segundo o Ministério da Administração Estatal (2005), a cidade de Nampula, situa-se na parte do


interior da província de Nampula, na zona norte da República de Moçambique; há 2150 km da
cidade capital Maputo, sempre considerada como a “capital do norte”, devido a sua localização,
que comporta ao eixo rodoviário Centro-Nortesde. A partir daqui, se ramifica em direcção à
província de Cabo Delgado, a norte, a província do Niassa, a ocidente, e o litoral, a oriente.
Fundada com fins de controlo militar da penetração colonial para o interior, ele é atravessada
pelo corredor de Nacala que liga Moçambique com o Interlante, vital e económico para o
desenvolvimento a norte do rio Zambeze, com uma área estimada em 404 Km2. De Este para o
Oeste tem uma extensão de 24,5Km, entre os meridianos de 39.0 23’ 28’ e 39.0 10’00’Este. No
sentido N-S estende se por 20,25Km, desde a barragem do rio Monapo, a uma latitude de 15.0 01
35’S, até ao riacho Muepelume, no paralelo 15.0 13’ 15’ S. Administrativamente, é constituído
por seis (6) Postos Administrativos, nomeadamente: Urbano Central, Muhala, Napipine,
Namicopo, Natikire e Muatala; num total de dezoito (18) bairros. A maioria dos residentes desta
cidade que constituem cerca de 471717 habitantes, falantes da língua Emacua, segundo o último
censo de 2007 e é maioritariamente da origem Macua e naturais dos vinte e três (23), distritos da
mesma província.

Divisão Administrativa:
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De acordo com a lei no administrativamente, a cidade de Nampula é um município, tendo um
governo local eleito. O município está completamente rodeado (mas administrativamente
separado) pelo distrito de Rapale. Encontra-se dividida nos seguintes postos administrativos
Urbano Central, Muhala, Napipine, Namicopo, Natikire e Muatala; e estes subdivididos por
dezoito (18) bairros.

Historial da cidade de Nampula:

Segundo Alberto Viegas, historiador e antropólogo, falecido aos 2014, no seu livro intitulado
Memórias de Nampula (2012), o nome da cidade de Nampula, deriva do nome de um rei
tradicional "M, phula" ou "Wamphula", pela qual era conhecido, e vulgarmente tratado.
Oriundo da região dos montes Namúli, e que residiu durante alguns anos em Ribáué (Oripawe),
pois era da família do rei Murula, tendo posteriormente deslocado e fixando, primeiramente em
Marrere, e mais tarde, no lugar onde actualmente esta situado o Quartel militar. O nome
"Mphula" é a abreviatura de "Mphula-Ohéyu" e vem do verbo "ophula", que significa
"arrebentar", "abrir por si". Por analogia, emprega-se o verbo "ophula" um acto de atravessar
uma floresta densa não usando um caminho normal, fazer "corta-mato", fazer viagem durante a
noite. Por ter sido um guerreiro, mediante as suas incursões nocturnas, no ataque as terras dos
reinos mais longínquos, para capturar os homens e saquear as suas riquezas, regressando das
mesmas formas que tinha feito à ida: atravessando os reinos vizinhos pacificamente, durante a
noite. Para não entrar em contradições com os reis seus vizinhos, atravessava com os seus
guerreiros, na calada da noite. Ao espalhar-se a notícia de que as povoações de tal tinham sido
atacados e devastadas por aquele rei, os habitantes dos reinos atravessados despercebidamente
por ele perguntavam uns aos outros: - Foi quando que ele passou por aqui? -Logo, os que tinham
tido conhecimento respondiam: -"Ophunlé-muúmo", o que significa em português: "atravessou
aqui mesmo, à noite". Repetidas vezes o mesmo procedimento, as pessoas acabaram por
alcunhá-lo com a designação de "Mphula-Ohéyu" isto é "arrebentador das Noites" ou "aquele
que atravessa terras durante a noite" ou ainda "atravessador nocturno", alcunha que ele
assumiu e por ela passou a chamar-se dali em diante. Pelo costume cultural da tradição macua, é
normal o sucessor de um chefe tribal passar a ser chamado pelo nome do falecido seu sucessor.
Por esta razão a partir daquele rei, todos os que o sucederam no trono passaram a chamar-se por
"Mphúlohiyu".

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Pela sua evolução ficou de lado o termo "Ohiyu" ou seja "noite", ficando apenas, o nome de
"M, phula". Como na língua emákhwa para indicar respeito adiciona-se ao nome de um rei (ou
chefe tradicional) o termo "Múnu", ou "Ana", correspondendo ao título honorífico de "Dom" ou
"Senhor", na língua portuguesa.

Tendo permanecido o nome “Ána-phula” até a chegada dos portugueses, ouvindo mal a
pronuncia e desconhecendo que “Ána” era um título honorífico e ainda optando pela regra mais
simples, os portugueses escreveram simplesmente “Nampula”, assim ficou, até aos nossos dias,
como aconteceu com o: Ána-Khavala, para Nacavala; Ána-Kwphula, para Kwphula; Ána-
Karowa, de Nacarowa; Mukhuna, de Ána-Mukhuna, etc.

Origem da cidade de Nampula

Alberto Viegas, refere que a cidade deu origem como capital, do distrito de Moçambique, a
actual província de Nampula, transferido da capital do distrito de Mossuril. Neste tempo,
Mossuril tinha Postos Administrativos, as subdivisões administrativas de Lumbo, Lunga,
Matibane, Monapo e Netia. E devido a uma expedição militar portuguesa, comandada pelo Major
Neutel Martins Simões de Abreu, natural de Várzea Redonda, Figueiró dos Vinhos, Portugal e
transferido de Angola para Moçambique, com o fim de conquistar e ocupar as terras da região do
norte de Moçambique e que tinha fixado residência em Mossuril, onde estava estabelecido o
Quartel Militar de São José, partindo dali contingentes militares contra as populações do interior,
tais como os Namarrais (Anamarralo), as de Muecate, Mogincual Mogovolas, Quinga, Liúpo e
Corrane, veiu se estabelecer na zona de “Macuana” ou seja “Omakhuani”, nas terras de
"Wamphula", a 7 de Fevereiro de 1907, que enviado por Portugal, para defender as terras em
disputa com a potência Inglesa desde a norte de Angola, no rio Zaire até Moçambique, formando
o chamado por, “Mapa cor-de-rosa” que ligava estes dois países. É colocado como um dos
oficiais para reforçar a soberania, tende como missão principal a construção de novos postos
militares; e que o levou a construção do comando militar de Macuana, tendo sido transferido a
capital a sede da capitania de Itoculo para Nampula, passando a funcionar como centro de
expansão portuguesa em todo o norte de Moçambique. A população de Nampula conheceu
Neutel de Abreu como “Mahõho” alcunha que lhe deram pela sua forma de falar, expelindo os

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sons e as palavras mais pelas vias nasais do que pela boca. A povoação de Nampula foi criada
pela portaria no 1516, de22 de Maio de1922 e elevada a categoria da cidade pela portaria no
11600, de 22 de Agosto de 1956. O Major Neutel de Abreu, além do pacificador, e dotado de
uma psicologia para lidar com os indígenas. Foi quem aboliu a escravatura. A povoação foi
criada em 6 de Dezembro de 1919 tendo-se tornando a sede da Circunscrição Civil de Macuana
em Junho de 1921.Com a chegada da linha férrea nesta povoação a partir de Lumbo, a 19 de
Dezembro de 1934 esta povoação é elevada a vila, que vem reforçar a importância estratégica,
política e económica que sempre lhe foi atribuída, sob direcção de Neutel de Abreu. Um ano
depois em 1935, esta vila passa a ser a capital do "território do Niassa"; e a 22 de Agosto de
1956 eleva se a categoria da cidade sob comando ainda de Neutel Simões Abreu. Nampula torna-
se o Quartel-general do exército português durante a guerra colonial, o qual servia para o
comando da guerra, a partir deste ponto. Com a independência nacional, passou a Academia
Militar Samora Moisés Machel.

Património:

Museu Nacional de Etnologia de Nampula;

Catedral Católica de Nampula.

As consequências da ocupação militar da província de Nampula.

Segundo relatos da revista, Fórum Macua (2008), de 24 de Abril sintetiza que a ocupação militar
portuguesa em Nampula, representou um momento de grande tenção entre os reis que
constituíam as grandes zonas, nomeadamente: Corrane, Namarrais, Parapato, Nacarroa, Muecate,
Mogincual, Liupo, Mogovolas, Quinga e kharámaja. Neutel de Abreu conquistou as terras em
referência por via de guerras militares, mas a terra de Nampula, conquistou por forma cobarde e
traiçoeira, com auxílio de Mukwepere-Múno e, que era o senhor das terras de Corrane, pois a
sede do seu reino foi atacada e ocupada quando ele estava ausente, para as terras de kharámaja.

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Por ter criado a amizade com o rei Mukwepere-Múno, teve grande auxílio e fidelidade acabando
por fazer uma união de sangue. Considerando-o de irmão, numa grande cerimónia, e um novo
posto com casa de alvenaria, foi instalado em Corrane para Mukwepere-Múno.