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APLICAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA (TAYLORISMO) EM UMA OBRA

DE MÉDIO PORTE NA CIDADE DE VITÓRIA DA CONQUISTA – BA

APPLICATION OF THE SCIENTIFIC ADMINISTRATION (TAYLORISM) IN A


MEDIUM POST WORK IN THE CITY OF VITÓRIA DE CONQUISTA - BA

SANTOS, Caique Oliveira1; SANTOS, Maicon Lima2; NEVES, Débora Valim Sinay3
1
Bacharelando do Curso de Engenharia Civil da Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC,
campus Vitória da Conquista – BA. 2018, Caique_93_@hotmail.com.
2
Bacharelando do Curso de Engenharia Civil da Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC,
campus Vitória da Conquista – BA. 2018.
3 Professora da FAINOR/BA e FTC/BA, Doutoranda em Ensino pela UNIVATES – RS;
Mestre em Ensino de Ciências pela UNIVATES/RS, Especialista em Metodologias
Inovadoras Aplicadas a Educação – FACINTER/PR, Especialista em Mídias na Educação,
Graduada em Matemática pela UESB/BA; Bacharelanda em Direito pela FAINOR – BA.

Resumo

Com a escassez de mão de obra na construção civil e obras sendo entregues com
atrasos e perda de qualidade, cada vez mais se torna necessária à utilização da
organização do trabalho como uma maneira de garantir a qualidade e produtividade
na construção civil de forma otimizada. Destacam-se as especificidades do setor,
tais como a alta heterogeneidade, a flexibilidade e a descontinuidade do processo
produtivo, que sempre se impuseram como limitadores à racionalização das
atividades. Nesse contexto, este estudo tem como objetivo identificar a influência
dos processos de racionalização do trabalho em uma obra de médio porte na cidade
de Vitória da Conquista – Bahia. Trata-se de uma pesquisa exploratória, descritiva,
bibliográfica, de campo e qualiquantitativa. Os resultados mostraram que xxxxxxxxx.
Concluiu-se que xxxxxxxxxxxxxxxx

Palavras-chaves: Construção Civil. Taylorismo. Racionalização do Trabalho.

Abstract

Keywords:

Introdução
O setor da construção civil atualmente é um dos mais importantes no cenário
socioeconômico e político do Brasil. Seu desenvolvimento nos últimos anos vem
alavancando a produção, os investimentos, o emprego e o nível geral de preços,
com participação significativa no produto interno bruto (PIB) nacional, na ordem de
25%. Sua importância é ainda maior se considerarmos os dados de sua cadeia
produtiva em um processo de expansão resultante da reestruturação da política
habitacional em conjunto com a estabilidade econômica brasileira.
O que se percebe atualmente é que há um número cada maior de grandes
empresas envolvidas em projetos de racionalização dos canteiros de obras. A
tradicional gestão dos canteiros, que se caracterizava por certa autonomia dos
trabalhadores, encontra-se, atualmente, pautada por relações mais burocratizadas,
sinalizando para uma tentativa de industrialização. Tais transformações, se ainda
não podem ser constatadas no setor como um todo, já são uma realidade nas
empresas de ponta. As iniciativas de racionalização do processo de trabalho no
setor da construção civil não são recentes e remetem ao início do século XX.
A construção civil caracteriza-se pelo uso de grandes contingentes de mão de
obra, pouco ou não qualificada gerando baixa produtividade e qualidade como
resultado. Por privilegiar a quantidade de mão de obra em detrimento da qualidade,
o setor acaba, para minimizar custos, utilizando-se de métodos organizacionais de
trabalho ultrapassados, promovendo climas organizacionais pouco férteis para a
produção.
Na expectativa de minimizar custos, nos canteiros de obra, as empresas de
construção acabam priorizando também processos construtivos pouco focados no
uso da industrialização. São métodos artesanais, nos quais o homem dita a regra do
jogo, definindo o quanto de dedicação será dada ao trabalho e a produtividade que
será gerada. Assim sendo, o estudo da racionalização do trabalho e como esta é
aplicada na construção civil assume importância significativa para a melhoria da
qualidade e da produtividade.
Nesse contexto, este estudo tem como objetivo geral identificar a influência
dos processos de racionalização do trabalho em uma obra de médio porte na cidade
de Vitória da Conquista – Bahia e os objetivos específicos são: analisar os
processos usados atualmente; identificar as características de ORT no canteiro de
obras; e analisar os impactos da ORT para os colaboradores na obra. Trata-se de
uma pesquisa exploratória, descritiva, bibliográfica, de campo e qualiquantitativa.
Este artigo está estruturado da seguinte forma: Introdução; Referencial
Teórico; Material e Métodos; Resultados e Discussão; Considerações Finais; e
Referências.

Modos de organização do trabalho: administração científica

Existem diversas escolas que defendem modos de organização do trabalho,


tais como: Escola Científica ou Clássica; Escola das Relações Humanas e Teorias
Modernas de Administração (CARDELES, 2014). Como objeto de estudo deste
trabalho, trataremos apenas da primeira escola.
A Escola Científica ou Clássica foi fundada por F. Taylor; H. Fayol e H. Ford
entre outros, sendo defensora da tese de que o trabalhador com o conceito de
competitividade incorporado a si, tende a produzir mais do que os demais, para isso
basta recompensá-lo economicamente conforme o que for produzido pelo mesmo,
esse pensamento era defendido pois dessa forma os conflitos internos nas unidades
de produção são eliminados. Para isso a organização do processo produtivo tem
que ser formal, hierarquizada, autoritária e racionalizada para maximizar a produção,
devendo exercer um rígido controle sobre o trabalho, seu ritmo e o modo a ser
executado. A gerência não pode deixar a vigilância sobre os trabalhadores de lado,
ela deve realizar uma vigilância sobre o trabalho de níveis hierárquicos inferiores, de
modo a aumentar sua produtividade (CARDELES, 2014).
De acordo com Monteiro e Gomes (2010, p.30), Taylor, nas primeiras
décadas do século XX, iniciou experiências visando aumentar a produtividade,
baseadas na "interferência e disciplina do conhecimento operário sob comando da
gerência, seleção e treinamento, valorizando as habilidades pessoais para atender
as exigências do trabalho". Iniciadas por Taylor e complementadas por Fayol, em
1916, foram feitas seguindo os princípios da unidade de comando, da divisão do
trabalho, da especialização e da amplitude de controle. Em 1913 Ford utilizando os
princípios da linha de montagem, resulta em uma desqualificação operária e na
intensificação do trabalho.
Segundo Rago e Moreira (2016), o taylorismo, enquanto método de
organização científica da produção, mais do que uma técnica de produção, é
essencialmente uma técnica social de dominação. Ao organizar o processo de
trabalho, distribuir individualmente a força de trabalho no interior do espaço fabril, a
classe dominante faz valer seu controle e poder sobre os trabalhadores para sujeitá-
los de maneira mais eficaz e menos custosa à sua exploração econômica.
Com o taylorismo, passou-se a separar, radicalmente, o trabalho intelectual
do trabalho manual, contudo o sistema Taylor neutraliza a atividade mental dos
operários (DEJOURS, 2007). Pode-se afirmar que o modo de organização do
trabalho exerce um fator essencial sobre a produtividade do trabalhador de forma
que sem a organização do trabalho, o resultado esperado ficaria muito aquém do
que deveria ser atingido.

O Taylorismo

No período entre o final do século XIX e início do século XX, Frederick


Winslow Taylor (1856-1915), autor da Administração Científica, que viria a ser
conhecida no futuro como o Taylorismo, criou parâmetros para atingir a máxima
produção com o custo mínimo. O Taylorismo propunha que a maximização do
trabalho somente poderá ser alcançada através de uma revolução mental dos
gerenciadores e dos operários através de cinco princípios básicos: direcionar os
trabalhadores para a sua melhor aptidão e treiná-los para cada cargo através de
uma seleção ou preparo; fiscalizar se o trabalhador está executando a função
corretamente; disciplinar o trabalho durante a execução; o trabalhador executa
somente uma etapa do processo de montagem do produto (singularização das
funções) (COSTA, 2014).
Esse método incorporou a ideologia capitalista de redução do saber operário
ao cumprimento de ordens, pois foram criados através da observação de operários
pelo próprio Taylor de forma que a organização do trabalho fosse tratada como uma
ciência dando ênfase na tarefa. Para atingir a sua proposta Taylor, disse que os
seus cinco princípios funcionam da seguinte forma: devem-se colocar os
trabalhadores em uma jornada de trabalho controlada, supervisionada, sem
interrupções, a seu controle, podendo o trabalhador só parar para descansar,
quando for permitido, com particularização de cada movimento e que o controle do
processo não pode ficar nas mãos dos próprios trabalhadores, pois caso isso ocorra
não haveria uma cobrança real; ritmo lento de trabalho e a vadiação eram inimigas
da produção; o processo de trabalho não deve estar nas mãos dos trabalhadores,
que de fato estava por meio do trabalho combinado; o processo e as decisões
devem passar pela gerência e não pelo trabalhador; através do conhecimento da
produção, a gerência poderia estabelecer os tempos necessários (PEPE; BRANDT,
2009).
Dentre os benefícios do Taylorismo para os trabalhadores, Costa (2013)
destaca os seguintes:

Aumento salarial; maior valorização dos funcionários, resultando em


realização do trabalho de forma mais produtiva; redução na jornada de
trabalho e ganho de dias de descanso remunerados (férias). Já para os
empregadores: aumento da qualidade dos produtos; criação de um
ambiente de trabalho agradável para todas as esferas da indústria, evitando
a ocorrência de greves e desestimulo; e redução de custos extraordinários
dentro do processo produtivo (eliminação de inspeções e gastos
desnecessários) (COSTA, 2013, p.45).

Dessa forma, o Taylorismo trouxe para a construção civil brasileira a doutrina


da execução do serviço através de uma linha de produção ininterrupta, onde os
trabalhadores devem ter o seu produto final vistoria por terceiros de forma a garantir
uma boa execução, para que os trabalhadores possam ser bem remunerados.

Iniciativas de racionalização do trabalho na construção civil

As tentativas de racionalização do setor da construção civil não são recentes.


Taylor (1907) apud Monteiro e Gomes (2010), já apontava os benefícios da
racionalização dos canteiros de obras por meio da administração científica. Nos
anos 1920, no Brasil, uma pioneira iniciativa de racionalização do processo de
trabalho da construção civil foi realizada pelo empresário e economista Roberto
Simonsen.
Na Companhia Construtora de Santos, de sua propriedade, ele utilizava o
método taylorista e divulgava-o nos órgãos representativos de classe (VILLELA,
2008). Buscava “imprimir na Construtora a previsão, organização, concentração e
controle das várias atividades por ela desempenhadas. Substitui o antigo processo
de administração, denominado militar, pelo americano” (VILLELA, 2008, p. 64).
Percebe-se, no entanto, que o setor da construção civil habitacional tem
incorporado várias transformações ao longo do tempo, seja em relação aos novos
equipamentos e componentes ou mesmo às inovações organizacionais. Essas
mudanças muitas vezes são viabilizadas por transformações fora do canteiro de
obra, por exemplo, as múltiplas contingências políticas que, no caso do Brasil, foram
marcantes para o setor a partir do início da década de 1980.
Para viabilizar tais iniciativas de racionalização, as empresas de ponta
passaram a usar como estratégia a incorporação de mudanças tecnológicas e
organizacionais no processo produtivo. Assume importância considerável o
planejamento da obra, do suprimento e do armazenamento de material, e há um
maior investimento no planejamento das atividades dos trabalhadores em função de
prazos, de qualidade e por meio da ampliação da subcontratação (FABRÍCIO;
MALHADO, 2012).
Semelhantemente ao que acontece em outros setores industriais, os
procedimentos de racionalização ocorrem por meio do aumento do controle do
processo de trabalho que, no setor, sempre foi de domínio do trabalhador, em
virtude da dependência histórica que a construção teve da estrutura dos ofícios.
As tentativas de redução da variabilidade na construção civil encontram certa
dependência da cadeia produtiva do setor. As empresas produtoras de materiais e
de componentes desenvolveram, nos últimos vinte anos, uma série de produtos que
propiciaram a agilidade das atividades no cotidiano do trabalho.

Materiais e Métodos

Com base nos objetivos propostos a pesquisa é do tipo exploratória e


descritiva. Segundo Marconi e Lakatos (2013), a pesquisa exploratória é aquela que
permite uma maior familiaridade entre o pesquisador e o tema pesquisado, visto que
este ainda é pouco conhecido, pouco explorado. Para Gil (2010, p.23), a pesquisa
descritiva tem como principal objetivo “descrever características de determinada
população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre as variáveis”.
Utilizaram-se também as pesquisas bibliográfica e de campo. A primeira,
segundo Gil (2010), consiste na etapa inicial de todo o trabalho científico ou
acadêmico, com o objetivo de reunir as informações e dados que servirão de base
para a construção da investigação proposta a partir de determinado tema. Já a
pesquisa de campo, é uma das etapas da metodologia científica de pesquisa que
corresponde à observação, coleta, análise e interpretação de fatos e fenômenos que
ocorrem dentro de seus nichos, cenários e ambientes naturais de vivência (GIL,
2010).
Quanto à natureza, a pesquisa é qualiquantitativa. Conforme destaca Oliveira
(2012), a pesquisa qualitativa é mais interpretativa e subjetiva, dependendo do ponto
de vista do pesquisador. Já a pesquisa quantitativa tem como objetivo principal
transformar opiniões e informações em números para possibilitar a classificação e
análise.
O universo da pesquisa é representado pelos colaboradores da obra. Já os
sujeitos foram 11 (onze) colaboradores. Trata-se de uma amostragem voltada para o
estudo censitário, o qual, segundo Gil (2010) corresponde a quantidade de
participantes.
Com relação ao instrumento de coleta de dados, foi utilizado o questionário
com questões fechadas. Já para a análise dos dados foi utilizado o Excel para que
os dados fossem tabulados e transformados em gráficos e confrontados com o
marco teórico.

Resultados e Discussões

Considerações Finais

Referências

CARDELES, V. C. A organização do trabalho na indústria da construção como


fator de otimização da qualidade e produtividade. [Projeto de Graduação],
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