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Gestão

Ambiental

UNIPAC ON-LINE
UNIPAC
UNIVERSIDADE PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS – UNIPAC
UNIPAC ON-LINE


PROFª VIVIANE ALVES BARBOSA

GESTÃO AMBIENTAL

BARBACENA
2016
Copyright © 2016
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Universidade Presidente Antônio Carlos – UNIPAC.

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Reitor
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Coordenação e Desenvolvimento de Projeto e Produtos EaD


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Coordenação de Produção de Materiais


Nívea Campos

Capa, Diagramação e Projeto Gráfico


Wuallen Leandro José Dornelles Ribeiro

Equipe EaD

B238g

Barbosa, Viviane Alves


Gestão Ambiental. / Viviane Alves Barbosa – Barbacena:
UNIPAC, 2016.
86p.: il.: color.

ISBN:

1. Gestão Ambiental – Disciplina on-line I. Título II. Universidade


Presidente Antônio Carlos - UNIPAC

CDD: 658.408

Catalogação na fonte elaborada por Rosy Mara Oliveira – CRB 6/2083


EMENTA
Estudo da gestão ambiental, seus objetivos e aplicações a partir das exigências legais de licen-
ciamento ambiental. Estudos de caso e variâncias da gestão ambiental sob a ótica administrativa.
Abordagem sobre Gestão ambiental empresarial (aplicação das normas ISO) e do território. Políticas
públicas e Educação Ambiental.
CONHEÇA A AUTORA

Viviane Alves Barbosa é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Juiz
de Fora e mestre em Ensino de Ciências pela Universidade Federal de Ouro Preto. Atua há 15 anos
como professora de Biologia e Meio Ambiente e atuou como tutora presencial do curso de Aperfeiço-
amento em Educação Ambiental a distância, ofertado pela Universidade Federal de Minas Gerais na
Universidade Aberta do Brasil (UAB) de Conselheiro Lafaiete. Participou de alguns cursos de Aperfei-
çoamento em Educação a Distância na Universidade Federal de Minas Gerais. Participou de vários
congressos e eventos na área de Ciências e Educação e possui trabalhos publicados nos anais dos
eventos: “III Encontro Regional de Ensino de Biologia - Faculdade de Educação da Universidade Fe-
deral de Juiz de Fora” e “2º Encontro Internacional de Educação em Ciências, 15 anos de Journal of
Science Education, Universidade Federal da Integração Latino-Americana, FPTI – Fundação Parque
tecnológico Itaipu (UNILA)”.
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/6499888209660551
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA

Especialmente nas últimas décadas, com a disseminação das tecnologias de informação e comunicação,
novas perspectivas se abriram para a educação, surgindo um tipo de ensino baseado nessas tecnologias. A
educação a distância ou on-line surge como um importante recurso educacional, no qual professores e alunos
estão separados física e espacialmente, mas interagindo via internet.
Além da mudança em nossa concepção de espaço da aprendizagem, na EaD ou on-line há uma alteração
também no tempo de aprendizagem, ampliando a compreensão de que o tempo é o tempo de cada um. O
aluno se torna mais autônomo e independente uma vez que pode programar seu tempo de estudo, sendo este
mais flexível.
Diante deste novo contexto, a UNIPAC implantou o sistema de ensino a distância ou on-line em algumas
disciplinas de seus cursos de graduação, ampliando desta forma a inclusão digital e a educação para a intera-
-tividade.
Neste semestre você irá cursar a disciplina Gestão Ambiental no formato à distância ou on-line. Ao final
desta disciplina, você será capaz de:

• Compreender o conceito de gestão ambiental, seus objetivos e aplicações de acordo com as exigên-
-cias legais;
• Conhecer Sistemas de gestão ambiental;
• Conhecer e entender os instrumentos de gestão ambiental;
• Conhecer e compreender os impactos ambientais assim como os acidentes ambientais;
• Entender as ferramentas para avaliação dos impactos ambientais;
• Perceber a urgência na busca pelo equilíbrio entre o meio ambiente, a sociedade e a economia;
• Identificar ações que fazem a diferença para a conquista do desenvolvimento sustentável;
• Conhecer a aplicação das normas ISO;
• Conhecer as políticas públicas voltadas para o meio ambiente e gestão ambiental;
• Entender que através da educação para a gestão ambiental, poderemos resolver problemas ambien-
tais, econômicos e sociais uma vez que os principais problemas são geralmente ocasionados por falta
de consciência e conhecimento da população.

O Portal UNIPAC Virtual é o ensino de qualidade da Universidade Presidente Antônio Carlos mais próximo
de você!

Desejamos-lhe bons estudos!


SUMÁRIO
UNIDADE I - O ESTUDO DA GESTÃO AMBIENTAL........................................................................................11
1.1 EDUCAÇÃO PARA GESTÃO AMBIENTAL.................................................................................................12
1.2 CONCEITO DE GESTÃO AMBIENTAL........................................................................................................13
1.3 OBJETIVOS DA GESTÃO AMBIENTAL......................................................................................................14
1.4 GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS............................................................................................................15
1.5 GESTÃO DA ÁGUA......................................................................................................................................17
1.6 REVISÃO DO CONTEÚDO .........................................................................................................................19

UNIDADE II - IMPACTOS AMBIENTAIS E


INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS........................................................................................21
2.1 IMPACTO AMBIENTAL................................................................................................................................22
2.2 ACIDENTE AMBIENTAL..............................................................................................................................24
2.3 AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS (AIA)...................................................................................25
2.4 LICENCIAMENTO AMBIENTAL...................................................................................................................27
2.5 REVISÃO DO CONTEÚDO..........................................................................................................................28

UNIDADE III - MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE................................................................................31


3.1 O MEIO AMBIENTE.....................................................................................................................................32
3.2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.......................................................................................................28
3.3 CONSUMO RESPONSÁVEL OU CONSCIENTE........................................................................................35
3.4 PRODUÇÃO RESPONSÁVEL.....................................................................................................................36
3.5 REVISÃO DO CONTEÚDO..........................................................................................................................37

UNIDADE IV - NORMAS DE SAÚDE E SEGURANÇA


OCUPACIONAL(SSO) E DE GESTÃOAMBIENTAL(SGAs)...................................................................................39
4.1 O CRESCIMENTO DA PREOCUPAÇÃO
COM OS IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS........................................................................................................40
4.2 NORMA DE SAÚDE E SEGURANÇA OCUPACIONAL (SSO)...................................................................41
4.3 NORMA DE SISTEMAS DE GESTÃO AMBIENTAL (SGAS).....................................................................43
4.4 SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO (SIG)................................................................................................45
4.5 REVISÃO DO CONTEÚDO..........................................................................................................................48

UNIDADE V - LEGISLAÇÃO AMBIENTAL BRASILEIRA...............................................................................49


5.1 BREVE HISTÓRICO DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL BRASILEIRA.........................................................50
5.2 POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE.............................................................................................52
5.3 SANÇÕES CRIMINAIS E SANÇÕES ADMINISTRATIVAS........................................................................54
5.4 SISTEMA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (SISNAMA).........................................................................56
5.5 REVISÃO DO CONTEÚDO..........................................................................................................................57

UNIDADE VI - QUESTÕES AMBIENTAIS GLOBAIS......................................................................................59


6.1 A DESTRUIÇÃO DA CAMADA DE OZÔNIO............................................................................................60
6.2 O EFEITO ESTUFA......................................................................................................................................51
6.3 A CHUVA ÁCIDA.........................................................................................................................................63
6.4 O CRESCIMENTO POPULACIONAL..........................................................................................................64
6.5 REVISÃO DO CONTEÚDO..........................................................................................................................65

UNIDADE VII - ENERGIA..................................................................................................................................67


7.1 FONTES DE ENERGIA NÃO RENOVÁVEIS...............................................................................................68
7.2 FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS OU ENERGIAS ALTERNATIVAS..................................................69
7.3 IMPACTOS AMBIENTAIS NA EXPLORAÇÃO E USO DA ENERGIA........................................................71
7.4 POLÍTICAS NACIONAIS DE CONSERVAÇÃO DE ENERGIA..................................................................72
7.5 REVISÃO DO CONTEÚDO.........................................................................................................................73

UNIDADE VIII - BIODIVERSIDADE E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE........................................75


8.1 A BIODIVERSIDADE BRASILEIRA...........................................................................................................76
8.2 ESPÉCIES BRASILEIRAS AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO........................................................................77
8.3 CONVENÇÃO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA (CDB) E METAS DE AICHI...........................................78
8.4 ÁREAS PROTEGIDAS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO...................................................................79
8.5 REVISÃO DO CONTEÚDO.........................................................................................................................83

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................................. 86


IMAGENS
Figura 1: Sistema de Getão Ambiental.............................................................................14
Figura 2: Resíduos Sólidos.................................................................................................16
Figura 3: Charge....................................................................................................................16
Figura 4: Minério de ferro....................................................................................................20
Figura 5: Acidente no Golfo do México............................................................................24
Figura 6: Rompimento da barragem em Mariana - MG..................................................25
Figura 7: Equilíbrio................................................................................................................25
Figura 8: Tripé da Sustentabilidade...................................................................................35
Figura 9: Logo OHSAS.........................................................................................................42
Figura 10: Logo Empresa Certificada ISO 14001................................................................43
Figura 11: Lesgislação Ambiental........................................................................................50
Figura 12: Consciência Ambiental........................................................................................54
Figura 13: Crimes Ambientais.................................................................................................54
Figura 14: Camada de Ozônio.................................................................................................61
Figura 15: Chuva ácida...........................................................................................................63
Figura 16: Esculturas de Aleijadinho, Congonhas, Minas Gerais.......................................63
Figura 17: Crescimento populacional...................................................................................64
Figura 18: Energia solar..........................................................................................................70
Figura 19: Fontes de energia..................................................................................................71
Figura 20: Barragem, hidroelétrica........................................................................................72
Figura 21: Biodiversidade Brasileira......................................................................................76
Figura 22: Espécies avaliadas em 2003 e 2014......................................................................78
11

UNIDADE

O ESTUDO DA
GESTÃO AMBIENTAL

Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC

UNIPAC ON-LINE
12

Na unidade 1 discutiremos a educação para


a Gestão Ambiental, o conceito e os objetivos
da Gestão Ambiental, e também a importância
de um Sistema de Gestão Ambiental nas em-
presas. Além disso, trataremos da Gestão de
resíduos sólidos e Gestão da água.
Ao final desta unidade o aluno será capaz
de perceber que através da Educação para a
Gestão Ambiental poderemos buscar o equilí-
brio entre o meio ambiente, a economia e a so-
ciedade. Além de compreender a importância de
um Sistema de Gestão Ambiental e de entender
alguns de seus instrumentos e aplicações.
Considerando que somos cidadãos cons-
cientes e responsáveis pela situação que se
encontra nosso planeta, esperamos que através
da construção do conhecimento, o aluno seja
capaz de avaliar criticamente e atuar na bus-
ca de ações, tanto individuais quanto coletivas,
para que tenhamos uma sociedade mais justa e
sustentável.

“Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade
deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o
futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, deve-
mos reconhecer que no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma
família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para
gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos
universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo
que, nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a
grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.”

(Trecho da Carta da Terra, um dos documentos éticos mais consistentes dos últimos anos, assumido pela Unesco,
representa a nova consciência ecológica da humanidade.)

1.1 EDUCAÇÃO PARA GESTÃO AMBIENTAL


A educação para a gestão ambiental é uma das correntes da educação ambiental que tem como objetivo res-
ponder aos desafios de se trabalhar uma educação voltada para o exercício da cidadania, no sentido do desen-
volvimento da ação coletiva essencial para o enfrentamento dos conflitos socioambientais. É uma proposta social
reformista, que analisa a importância da ação coletiva no fortalecimento da cidadania (LAYRARGUES, 2012).

PARA SABER MAIS


A Educação para gestão ambiental foi formulada em âmbito governamental no Brasil por José da Silva
Quincas e Maria José Gualda, educadores da Divisão de Educação Ambiental do Ibama. Em julho de 1995
foi realizado em Brasília um seminário para elaboração de um curso de pós-graduação lato sensu, que
contou com um documento para introduzir o tema aos participantes, no qual definem meio ambiente como
fruto do trabalho dos seres humanos, conectando o meio natural ao social. Este documento acabou influen-
ciando a elaboração de diretrizes para operacionalização do programa nacional de educação ambiental
(Ibama,1997) que faz a abordagem de conteúdos que levem a caminhos políticos de superação dos conflitos
socioambientais.
Fonte: Sociedade e Meio Ambiente: a educação ambiental em debate.
(BRASIL & SANTOS, 2007)
13

A Conferência de Tbilisi, realizada em 1977, foi passa a ganhar progressivo destaque entre os educa-
considerada o marco conceitual definitivo da educação dores brasileiros. Layrarques (2012) afirma que não é
ambiental e apresenta uma visão crítica da realidade por acaso que 50,2% dos programas analisados pelo
bastante pertinente, mostrando que a causa atual da Levantamento Nacional de Projetos de Educação Am-
degradação ambiental tem sua raiz no sistema cultu- biental adotam projetos de participação comunitária
ral da sociedade industrial, cujo paradigma é pautado ou que o novo universo vocabular ambientalista pos-
no mercado competitivo, utilitarista e economicista. sui palavras como cidadania ativa, descentralização e
Assim, fortemente atrelado aos aspectos políticos, gestão participativa. Não é por acaso também que um
econômicos e socioculturais, o documento de Tbilisi dos consensos da comunidade ambiental brasileira é
afirma que o processo de educação ambiental deve de que só a democracia levará à sustentabilidade, por
proporcionar a construção de valores e a aquisição de meio da criação e fortalecimento de órgãos como os
conhecimentos e atitudes voltadas para a parti- Conselhos de meio Ambiente e as instâncias participa-
cipação responsável na gestão ambiental. tivas consultivas, a exemplo das audiências públicas.
De acordo com Layrargues (2012), a edu-
cação para a gestão ambiental deve enveredar-
LEITURA OBRIGATÓRIA:
-se pela delimitação das relações sociais, pela
identificação dos conflitos de uso dos recursos “Educação como instrumento de gestão
naturais, pela elaboração e implementação de ambiental numa perspectiva transdisciplinar”.
políticas públicas. Para Carvalho (1992), se a Disponível em: http://bit.ly/2loByuh
educação quer realmente transformar a reali-
dade, não basta apenas a mudança de com-
portamentos, mas é necessária a intervenção 1.2 CONCEITO DE GESTÃO AMBIENTAL
nas condições do mundo em que as pessoas
habitam, sendo a ação política necessária, Nas últimas décadas, o problema ambiental vem
oposta a tendência conformista e norma- ganhando espaço na mídia e sendo muito discutido
tizadora dos comportamentos. em todos os segmentos da sociedade. Temos que ter
Vários e importantes documentos consciência da importância da preservação do meio
internacionais, enfatizam a importância ambiente e da forma como sua adequada gestão pode
da educação ambiental pela sua relação com melhorar nossa qualidade de vida e a produtividade
o exercício da cidadania, o que demonstra o das empresas. É inevitável que precisamos modificar
seu compromisso com a formação da cultura nossos comportamentos e nossos hábitos, para que
democrática. Leonardi (1997) esclarece que a possamos viver em uma sociedade onde o desenvolvi-
cidadania está baseada na consciência do ci- mento sustentável e a preservação do meio ambiente
dadão pertencer a uma coletividade, algo que sejam prioridade. Um processo de gestão ambiental
ultrapassa seu interesse individual que por deve abranger uma mudança de consciência, para
ventura se ponha antes do interesse coletivo. que possamos adotar formas de viver o presente, pen-
Enfim, a educação para gestão ambiental sando no futuro.
não difere da educação ambiental, ela apenas avan- É certo que os problemas ambientais não surgiram
ça no que se refere ao desenvolvimento da cidada- de um dia para outro, mas são consequências de um
nia e democracia ambiental. É neste contexto que ela acúmulo de ações irresponsáveis ao longo de muitos

PARA SABER MAIS


A Conferência de Tbilisi, foi realizada pela Unesco em 1977, na antiga União Soviética,
sendo organizada a partir de uma parceria entre a UNESCO o Programa de Meio Ambiente
da ONU, PNUMA. Nesta conferência foram elaboradas definições, objetivos, princípios e
estratégias para a educação ambiental no mundo.
Recomendação nº 1: “Um objetivo fundamental da educação ambiental é lograr que os
indivíduos e a coletividade compreendam a natureza complexa do meio ambiente natural
e do meio ambiente criado pelo homem, resultante da integração de seus aspectos bioló-
gicos, físicos, sociais, econômicos e culturais, e adquiram os conhecimentos, os valores,
os comportamentos e as habilidades práticas para participar responsável e eficazmente da
prevenção e solução dos problemas ambientais, e da gestão da questão da qualidade do meio
ambiente”.
14

anos. Foi a partir de 1970 que os problemas ambien- Figura 1: Sistema de Getão Ambiental.
tais assumiram um significado diferente, ganhando
peso nas decisões das empresas. Hoje o grande de-
safio é fazer com que estas empresas e organizações
respeitem o meio ambiente, compartilhando objetivos
comuns, pautados no entendimento de que não deve
haver conflito entre crescimento econômico e preser-
vação ambiental.
A gestão ambiental visa o uso de ações que pos-
-sam diminuir o impacto ambiental causado por di-
versas atividades econômicas, desde a escolha das
melhores técnicas até o cumprimento da legislação
e a alocação de recursos humanos e financeiros. A
constante evolução da Legislação Ambiental e de ins-
trumentos de gestão ambiental tem contribuído muito
Fonte: http://bit.ly/2lGu6v2
para o aperfeiçoamento das técnicas e procedimentos
para melhor adequar os grandes projetos de engenha-
ria às exigências de proteção ambiental.
De acordo com Mancuso (2006), a gestão ambien-
-tal engloba um conjunto de programas, políticas e prá-
-ticas administrativas voltadas para a saúde e seguran-
ça das pessoas e para a proteção do meio ambiente,
eliminando ou minimizando os danos ambientais de-
-correntes da atividade humana. Era comum acreditar- 1.3 OBJETIVOS DA
-mos que seriam necessários investimentos altíssimos GESTÃO AMBIENTAL
para reduzir os impactos causados ao meio ambiente
pelas empresas, porém, com a gestão ambiental mui- Os principais objetivos da gestão ambiental são:
tas empresas acabam lucrando com a conquista de
um mercado novo, ecologicamente consciente. • Buscar melhoria da qualidade ambiental dos
Segundo Rohrich e Cunha (2004), gestão am- serviços, produtos e ambiente de trabalho de qual-
-biental diz respeito ao conjunto de políticas e práticas quer organização pública ou privada;
administrativas e operacionais que levam em conta • Estabelecer uma política ambiental;
a saúde e a segurança das pessoas e a proteção do • Identificar e controlar os impactos ambientais;
meio ambiente por meio da eliminação ou mitigação de
impactos e danos ambientais decorrentes do planeja- • Aplicar métodos que visem a preservação da bio-
-mento, implantação, operação, ampliação, realocação diversidade;
ou desativação de empreendimentos ou atividades, in- • Definir e documentar tarefas, responsabilidades e
-cluindo-se todas as fases do ciclo de vida do produto. procedimentos;
Os impactos negativos provocados pelas indús-
• Identificar, monitorar e cumprir requisitos legais;
-trias, se devem, fundamentalmente à inexistência de
um modelo de gestão ambiental, sendo urgente a cria- • Estabelecer objetivos, metas e medir desempenho
ção de uma nova mentalidade nas empresas e em to- ambiental;
das as camadas da sociedade. Este modelo de gestão • Treinar funcionários e colaboradores externos ou
deve estar voltado para a gestão de pessoas e dos parceiros;
processos empresariais, inclusive o financeiro. É no-
• Atender e evitar situações de emergência e riscos
tório que as empresas são beneficiadas quando apre-
ambientais;
sentam projetos de gestão ambiental, pois melhoram
sua imagem perante a sociedade, ao mercado externo • Identificar oportunidades de negócios ambientais;
e aos órgãos governamentais. • Manter, em conjunto com a área de segurança do
trabalho, a saúde dos trabalhadores;
• Produzir produtos ou serviços ambientalmente
compatíveis;
• Produzir mais com o menor impacto ambiental
possível;
15

São procedimentos simples de gestão ambiental


que melhoram o desempenho ambiental e econômico LEITURA OBRIGATÓRIA:
de uma organização: Aplicação de programas de gestão ambiental:
“Aplicação do Sistema de Gestão Ambiental
• Minimização do desperdício de energia durante a
(SIGA) na análise e seleção de áreas para a
produção; regularização ambiental de reservas legais
em propriedades da VALE S.A.”, publicado
• Minimização do desperdício de água na produção; nos Anais do XV Simpósio Brasileiro de Sen-
• Minimização da perda de matéria-prima utilizada soriamento Remoto - SBSR, Curitiba, PR.
na produção; Disponível em: http://www.dsr.inpe.br/sbsr2011/files/
• Minimização da quantidade de resíduos, produzi- p1240.pdf
dos durante a produção; “Sistema de Gestão Ambiental (SGA): uma aplica-
ção na reciclagem de papel com fibra de bananeira”, pu-
• Minimização da poluição gerada durante a produ- blicado na Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimen-
to Regional, v. 7, n. 2 (2011).
ção.
Disponível em: http://www.rbgdr.net/revista/index.php/rbgdr/
article/view/425/242
De acordo com a norma NBR-ISO 14.000, os obje-
tivos da gestão ambiental são:
• Implementar, manter e aprimorar um sistema de 1.4 GESTÃO DE
gestão ambiental; RESÍDUOS SÓLIDOS

• Assegurar-se de sua conformidade com sua políti- A Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional
ca ambiental definida; de Resíduos Sólidos (PNRS), contém instrumentos im-
• Demonstrar tal conformidade a terceiros; portantes para que o país possa enfrentar os principais
problemas ambientais, sociais e econômicos decorren-
• Buscar certificação/ registro do seu sistema de tes da grande produção e do manejo inadequado des-
gestão ambiental por uma organização externa; tes resíduos. Esta lei:
• Realizar uma auto - avaliação e emitir auto – de- • Prevê a prevenção e a redução na geração de
claração de conformidade com esta Norma. resíduos, através da prática de hábitos de consu-
mo sustentável, aumento da reciclagem e reutili-
ACESSE: zação dos resíduos sólidos além da destinação
adequada dos rejeitos;
Vídeo corporativo SGA - Sistema de Gestão Ambiental -
Grupo Positivo. Disponível em: • Institui a responsabilidade compartilhada dos ge-
radores de resíduos: dos fabricantes, importado-
res, distribuidores, comerciante, o cidadão e titu-
https://www.youtube.com/watch?v=wIl3BX7g2XU lares de serviço de manejo dos resíduos sólidos
urbanos;

PARA SABER MAIS


O que é ISO? É a sigla de International Organization for Standardization, ou em português: Orga-
nização Internacional para Padronização. É uma entidade de padronização e normatização, foi criada
em Genebra, na Suíça, em 1947, com o objetivo de criar normas nos mais diferentes segmentos de
diversas áreas. Ficou popularizada pela série 9000, cujas normas tratam de Sistemas para Gestão e
Garantia da Qualidade nas Empresas.

O que é ISO 14001? A norma ISO 14001 é uma


ferramenta criada para auxiliar empresas a identificar,
priorizar e gerenciar seus riscos ambientais como parte de suas
práticas usuais. A norma faz com que a empresa dê uma maior
atenção às questões mais relevantes de seu negócio. A ISO 14001
exige que as empresas se comprometam com a prevenção da po-
luição e com melhorias contínuas, como parte do ciclo normal de
gestão empresarial.
16

Figura 2: Resíduos Sólidos. xicos, seus resíduos e embalagens; pilhas e ba-


terias; pneus; óleos lubrificantes, seus resíduos
e suas embalagens; lâmpadas fluorescentes, de
vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; pro-
dutos eletroeletrônicos e seus componentes; pro-
dutos comercializados em embalagens plásticas,
metálicas ou de vidro.

• Inclusão social de catadores – proibiu o exercí-


cio das atividades de catadores em lixões, pois
Fonte: http://ecofuturoengenharia.com.br/ Acesso em 10/11/2015
no Brasil muitas pessoas viviam daquilo que en-
• Cria metas importantes que irão contribuir para a contravam no lixo. É necessário integrar estas
eliminação dos lixões; pessoas na cadeia de reciclagem e, desta forma,
promover a cidadania destes trabalhadores com
• Institui instrumentos de planejamento nos níveis inclusão social e geração de emprego e renda.
nacional, estadual, microrregional, intermunicipal
e metropolitano e municipal;
Figura 3: Charge.

• Impõe que os particulares elaborem seus Planos


de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.

Além disso, a Lei de Política Nacional de Resídu-


os Sólidos traz novos conceitos e novas ferramentas à
Legislação Ambiental Brasileira:

• Gestão integrada de resíduos sólidos – inclui Fonte: http://www.cpap.embrapa.br/ Acesso em 10/11/2015

ações voltadas para a busca de soluções para


os resíduos sólidos, incluindo os planos nacional, De acordo com Brasil, Santos e Simão (2004), a
estaduais, microrregionais, intermunicipais, muni- geração de resíduos, principalmente pelas indústrias,
cipais e os de gerenciamento. Estes devem tratar gerou prejuízo para elas e para o meio ambiente. Dian-
de questões como coleta seletiva, reciclagem, te disto, passou-se a exigir uma política específica in-
inclusão social e participação da sociedade civil. tegrada ao gerenciamento de resíduos, que nada mais
Envolve também os resíduos de serviços de saú- é do que um conjunto de ações que envolvam desde a
de, da construção civil, de mineração, de portos, geração de resíduos, seu manejo, coleta, tratamento e
aeroportos, fronteira e industriais. disposição adequada.
É importante destacar que as preocupações com
• Responsabilidade compartilhada – oficializou a a coleta, o tratamento e a destinação dos resíduos
responsabilidade compartilhada de toda a so- sólidos, representa apenas uma parte do problema
ciedade na gestão dos resíduos sólidos urba- ambiental e vale lembrar que ela é precedida por uma
nos. A cada setor foi atribuído diferentes papeis outra ação impactante sobre o meio ambiente – a ex-
com os seguintes objetivos: redução da geração tração de recursos naturais.
de resíduos sólidos; redução do desperdício de
materiais; redução da poluição; redução dos da-
nos ambientais; estímulo ao desenvolvimento de
mercados, produção e consumo de produtos de-
rivados de materiais reciclados e recicláveis.

• Logística reserva – engloba diferentes atores so-


ciais na responsabilização da destinação ambien-
talmente adequada dos resíduos sólidos. Gera
obrigações para setor empresarial de realizar o
recolhimento de produtos e embalagens pós-con-
sumo além de reassegurar seu reaproveitamento
no mesmo ciclo e garantir sua inserção em outros
ciclos produtivos. O sistema de logística reserva
é obrigatório para as seguintes cadeias: Agrotó-
17

A Política dos 5 R’s faz parte de um processo edu-


cativo que tem por objetivo uma mudança de hábitos
no cotidiano dos cidadãos. A questão chave é levar o
cidadão a repensar suas práticas e valores, reduzindo
o consumo exagerado e o desperdício. Os 5 R’s signi-
ficam:
• Reduzir;
• Repensar;
• Reaproveitar
• Reciclar;
• Recusar consumir produtos que gerem impactos
socioambientais significativos.

LEITURA OBRIGATÓRIA:
Leis e Planos de gerenciamento de resíduos só-
lidos
Lei nº 12.305 de 02 de agosto de 2010.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm
Plano de gerenciamento de resíduos sólidos do
Ministério do Meio Ambiente.
Disponível em: http://www.mma.gov.br/ima-
ges/arquivo/80063/Plano%20de%20Gerenciamento/
Plano%20de%20Gerenciamento%20do%20MMA_FI-
NAL_PUBLICACAO.pdf

ACESSE:
Viver Ciência - Gerenciamento de resíduos sólidos.

As vantagens dessas práticas estão:


https://www.youtube.com/watch?v=4sW_YV-ljr8
• Na redução da extração dos recursos naturais;
• Na redução dos resíduos e aumento de sua vida
útil;
• Na redução dos gastos do poder público com o
tratamento do lixo;
• Na redução do uso de energia das industrias e
intensificação da economia local (sucateiros, ca-
tadores, etc).

A coleta seletiva é uma das ações mais impor-


tantes para a redução do volume de resíduos sólidos
gerados pela população e também pelas indústrias. A
implantação de um modelo de coleta seletiva pode ser
a primeira etapa para a implantação de um Sistema de
Gestão Ambiental em uma organização, que viabiliza
1.5 GESTÃO DA ÁGUA
a obtenção de uma certificação ambiental da série ISO
O Sistema de gestão da água ou dos recursos
14.000.
hídricos tem como objetivo garantir a disponibilidade
Existe um padrão de símbolos e cores utilizadas
deste precioso recurso às futuras gerações. O governo
nos recipientes para a coleta seletiva. Não se sabe
brasileiro, consciente disto e da importância que tem a
qual o critério usado na criação dos padrões, mas a
correta gestão da água em âmbito nacional, assinou
diferenciação por cores é usada no mundo todo.
18

diversos tratados em convenções internacionais, rela- hídricos receptores, enfim, o balanço das matrizes de
cionados de forma direta ou indireta a este tema. Al- água de uma indústria é indissociável do balanço hídri-
guns exemplos destes acordos são: co natural. Otimizar o uso do recurso, reduzindo custos
• Cúpula do Milênio; sociais, ambientais e econômicos, é um desafio para a
indústria moderna.
• Agenda 21;
• Convenção de Ramsar; Para que uma indústria possa desenvolver um
bom plano de gestão hídrica, é necessário:
• Protocolo de Quioto;
• Conhecer os mananciais, os fluxos de água e os
• Convenção da ONU sobre mudança do clima;
balanços hídricos em seus processos produtivos;
• Combate à Desertificação, entre outros.
• Incorporar na gestão dos negócios práticas volta-
das ao uso racional da água e à conservação dos
NNo Brasil, na Constituição Federal de 1934, foi
recursos hídricos, considerando a correlação dos
aprovado o Código de Águas, mas naquele momento
dados físico-ambientais com os dados econômi-
não havia muita preocupação com o meio ambiente ou
cos;
com a escassez de água. Somente em 1997, foi insti-
tuída uma legislação específica para tratar da gestão • Identificar, quantificar e gerenciar os riscos asso-
das águas, a Lei de nº 9.433/97, que trata da Políti- ciados ao uso dos recursos hídricos ao longo da
ca Nacional dos Recursos Hídricos, a qual adotou um cadeia produtiva para garantir a perenidade dos
sistema de gestão integrada em concordância com as negócios;
discussões geradas nas diversas conferências interna- • Participar ativamente dos fóruns de recursos hí-
cionais. dricos, conhecer as condições locais e envolver-
De acordo com Machado (2003), o Brasil tem um se com demais usuários de água;
dos regimes jurídicos mais avançados do mundo em
relação à gestão das águas. A Lei 9.433/97 considera • Assegurar e aprimorar a transparência na divul-
a água como bem ambiental, recurso natural limitado e gação de informações sobre o uso da água e o
dotado de valor econômico. Além disso, assegura que lançamento de efluentes nos relatórios de sus-
deve proporcionar usos múltiplos nas bacias hidrográ- tentabilidade e para todas as partes interessa-
ficas e que sua gestão deve ser descentralizada. A Lei das;
das águas estabelece a Política Nacional de Recursos
Hídricos que trata da indenização por danos, respon-
sabilidade criminal, penal e administrativa em relação
às questões relativas à água. LEITURA OBRIGATÓRIA:
A distribuição irregular, o mau uso e a poluição dos Gestão da Água no Brasil
recursos hídricos nos leva a preocuparmos-nos com
Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/
um uso mais adequado e não abusivo, sob pena de
images/0012/001298/129870POR.pdf
comprometermos as futuras gerações. Além disso, a
água em quantidade ou qualidade não adequada é fa-
tor de saúde pública, pois pode causar diversas doen-
ças na população.
É notório que a produção industrial consome muita
água. Assim sendo, uma empresa, ao adotar um siste-
ma de gestão ambiental, deve preocupar-se em evitar ACESSE:
desperdícios de água, fazendo campanhas preventi- Indústria busca sustentabilidade na gestão da
vas e adotando medidas que minimizem a utilização água.
deste recurso, o que muitas vezes se reverterá em lu-
cros para a empresa. Um outro problema ocasionado
http://www.envolverde.com.br/especial-agua/indus-
pelo não tratamento dos efluentes líquidos das indús- tria-busca-sustentabilidade-na-gestao-da-agua/
trias é a poluição dos mananciais hídricos por substân-
cias tóxicas.

Neste contexto, gerenciar a água é a base para o


sucesso de todos os empreendimentos industriais. As
águas primárias captadas, os tratamentos de efluen-
-tes, as águas de reuso, os lançamentos nos corpos
19

1.6 REVISÃO DO CONTEÚDO

• A educação para a gestão ambiental é uma das mento de resíduos, que nada mais é do que um
correntes da educação ambiental, e tem como conjunto de ações que envolvam desde a geração
objetivo responder aos desafios de se trabalhar de resíduos, seu manejo, coleta, tratamento e dis-
uma educação ambiental voltada para o exercício posição adequada.
da cidadania, no sentido do desenvolvimento da
ação coletiva essencial para o enfrentamento dos • A Política dos 5 R’s faz parte de um processo
conflitos socioambientais. educativo que tem por objetivo uma mudança de
hábitos no cotidiano dos cidadãos, a questão cha-
• O processo de gestão ambiental deve abranger ve é levar o cidadão a repensar suas práticas e
uma mudança de consciência, para que possa- valores, reduzindo o consumo exagerado e o des-
mos adotar formas de viver o hoje, pensando no perdício. Os 5 R’s significam: Reduzir; Repensar;
amanhã. reaproveitar; Reciclar e Recusar consumir produ-
tos que gerem impactos socioambientais signifi-
• A gestão ambiental visa o uso de ações que pos- cativos.
sam diminuir o impacto ambiental causado por
diversas atividades econômicas, desde a esco- • No Brasil, na Constituição Federal de 1934, foi
lha das melhores técnicas até o cumprimento da aprovado o Código de Águas, mas naquele mo-
legislação e a alocação de recursos humanos e mento não havia muita preocupação com o meio
financeiros. ambiente ou com a escassez de água. Somente
em 1997, foi instituída uma legislação específi-
• Os impactos negativos provocados pelas indús- ca para tratar da gestão das águas, a Lei de nº
trias, se devem, fundamentalmente à inexistên- 9.433/97, que trata da Política Nacional dos Re-
cia de um modelo de gestão ambiental, sendo cursos Hídricos, a qual adotou um sistema de
urgente a criação de uma nova mentalidade nas gestão integrada em concordância com as discus-
empresas e em todas as camadas da sociedade. sões geradas nas diversas conferências interna-
Este modelo deve estar voltado para a gestão de cionais.
pessoas e dos processos empresariais, inclusive
o financeiro.

• Os principais objetivos da Gestão ambiental são:


Buscar melhoria da qualidade ambiental dos servi-
ços, produtos e ambiente de trabalho de qualquer
organização pública ou privada; Estabelecer uma
política ambiental; Identificar e controlar os impac-
tos ambientais; Aplicar métodos que visem a pre-
servação da biodiversidade; Definir e documentar
tarefas, responsabilidades e procedimentos; Iden-
tificar, monitorar e cumprir requisitos legais; Es-
tabelecer objetivos, metas e medir desempenho
ambiental; Treinar funcionários e colaboradores
externos ou parceiros; Atender e evitar situações
de emergência e riscos ambientais; Identificar
oportunidades de negócios ambientais; Manter,
em conjunto com a área de segurança do traba-
lho, a saúde dos trabalhadores; Produzir produtos
ou serviços ambientalmente compatíveis; Produ-
zir mais com o menor impacto ambiental possível.

• A geração de resíduos sólidos, principalmente pe-


las indústrias, gerou prejuízo para elas e para o
meio ambiente. Diante disto, passou-se a exigir
uma política específica integrada ao gerencia-
20
21

UNIDADE

IMPACTOS AMBIENTAIS E
INSTRUMENTOS DE
AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS

Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC

UNIPAC ON-LINE
22

Na unidade 2 apresentaremos o conceito Figura 4: Minério de ferro..


de Impacto Ambiental e de Acidente Ambien-
tal. Além disso, discutiremos sobre a Avalia-
ção dos Impactos Ambientais e suas ferra-
mentas ou instrumentos.
Ao final desta unidade o aluno será ca-
paz de compreender os Impactos e os Aci-
dentes Ambientais, assim como os elementos
de avaliação destes impactos, conscientizan-
do-se da importância destes procedimentos
em um sistema de gestão ambiental.
Considerando que somos cidadãos cons-
cientes e responsáveis pela situação que se
encontra nosso planeta, esperamos que atra-
vés da construção do conhecimento, o aluno
seja capaz de avaliar criticamente e atuar na
busca de ações, tanto individuais quanto co-
letivas, para que tenhamos uma sociedade
mais justa e sustentável.

“Chego à sacada e vejo a minha serra, a serra de meu pai e meu avô, de todos os Andrades
que passaram e passarão, a serra que não passa. Era coisa dos índios e a tomamos para enfeitar
e presidir a vida neste vale soturno onde a riqueza maior é sua vista e contemplá-la. De longe nos
revela o perfil grave. A cada volta de caminho aponta uma forma de ser, em ferro, eterna, e sopra
eternidade na fluência. Esta manhã acordo e não a encontro. Britada em bilhões de lascas deslizando
em correia transportadora entupindo 150 vagões no trem-monstro de 5 locomotivas - o trem maior
do mundo, tomem nota - foge minha serra, vai deixando no meu corpo e na paisagem mísero pó de
ferro e este não passa.”

(Carlos Drummond de Andrade – Drummond escreveu o poema em 1973, no qual lamentava a desfigura-
ção da sua Itabira pelos efeitos da mineração desenfreada)

2.1- IMPACTO AMBIENTAL atividades humanas, que direta ou indiretamente afeta:

Para que possamos entender melhor um Sistema a) a saúde;


de Gestão Ambiental, temos que entender o que é Im- b) a segurança e o bem estar da população;
-pacto Ambiental, uma vez que a gestão ambiental visa
c) as atividades sociais e econômicas;
evitar ou minimizar a carga negativa que os impactos
provocam no meio ambiente, causando sobretudo da- d) a biota;
-nos ecológicos e econômicos. e) as condições estéticas e sanitárias do meio am-
O impacto ambiental é qualquer alteração no meio biente;
ambiente, resultante de ações ou atividades humanas
que afetam a saúde e a segurança das pessoas, as f) a qualidade dos recursos ambientais”.
atividades sociais e econômicas, a flora e a fauna de
uma região, as condições estéticas e sanitárias do am- Por sua vez, a NBR ISO 14001 define impacto am-
-biente e a qualidade dos recursos naturais. biental como sendo:
Segundo a Resolução 001/86 do CONAMA - Con- “Qualquer modificação do meio ambiente,
-selho Nacional de Meio Ambiente - impacto ambiental adversa ou benéfica, que resulte, no todo ou em
é: “Qualquer alteração das propriedades físicas, quí- parte, das atividades, produtos ou serviços de
-micas e biológicas do meio ambiente, causada por uma organização.”
qualquer forma de matéria ou energia resultante das
23

PARA SABER MAIS


O que é CONAMA? É o Conselho Nacional do meio Ambiente, órgão consultivo e delibera-
tivo do Sistema nacional do Meio Ambiente – SISNAMA. Foi instituído pela Lei 6.938/81, que
dispõe sobre Política Nacional do meio Ambiente, regulamentada pelo Decreto 99.274/90.
O Conselho é um colegiado representativo de cinco setores: órgãos federais, estaduais e
municipais; setor empresarial e sociedade civil.

O modelo de gestão ambiental adotado por uma O que será, com mais alguns graus
empresa não deve estar atento apenas aos possíveis Celsius,
impactos ambientais negativos causados ao meio am- De um rio, uma baía ou um recife,
-biente e à sociedade, mas também à repercussão Ou um ilhéu ao léu clamando aos céus,
econômico-financeira que os mesmos podem repre- se os
sentar para a empresa e para a sociedade. (REIS & Mares subirem muito, em Tenerife?
QUEIROZ, 2004). E dos sem-água, o que será de cada
súplica,
De cada rogo
OUÇA A MÚSICA: “É Fogo!”, de Le-
nine e Carlos Rennó e identifique os im- É fogo... é fogo...
pactos ambientais. É fogo... é fogo...
Éramos uma pá de apocalípticos,
De meros hippies, com um falso alar- Em tanta parte, do ártico à Antártida
me... Deixamos nossa marca no planeta:
Economistas, médicos, políticos Aliviemos já a pior parte da
Apenas nos tratavam com escárnio. Tragédia anunciada com trombeta.
Nossas visões se revelaram válidas, O estrago vai ser pago pela gente toda
E eles se calaram mas é tarde.
As noites tão ficando meio cálidas... É foda! (É fogo)
E um mato grosso em chamas longe É fogo! (É fogo)
arde É fogo! (É fogo)
O verde em cinzas se converte logo, É a vida em jogo!
logo...
É fogo... é fogo... É foda! (É fogo)
É fogo! (É fogo)
Éramos uns poetas loucos, místicos É fogo! (É foda!)
Éramos tudo o que não era são; É a vida em jogo!
Agora são com dados estatísticos
Os cientistas que nos dão razão. Composição: Lenine / Carlos Rennó
De que valeu, em suma, a suma lógica
Do máximo consumo de hoje em dia,
Duma bárbara marcha tecnológica
E da fé cega na tecnologia?
Há só um sentimento que é de dó e de
Malogro...

É fogo... é fogo...
É fogo... é fogo...

Doce morada bela, rica e única,


Dilapidada só como se fôsseis
A mina da fortuna econômica,
A fonte eterna de energias fósseis,
24

2.2 ACIDENTE AMBIENTAL 1976- Nuvem tóxica em Severo


Figura 5: Acidente no Golfo do México. Em Severo, cidade italiana perto de Milão, a fá-
brica Hoffmann Roche liberou densa nuvem de uma
dioxina (Tetracloro Dibenzeno Dioxina – TCDD), um
desfolhante (agente laranja) altamente venenoso. Em
virtude do acidente ocorreram abortos e nascimento
de crianças sem cérebro (anencefalia) e com defor-
mações físicas. Mais ou menos 5.000 italianos foram
vítimas desse acidente.

1984- Bhopal

O vazamento de 25 toneladas de isocianato de
metila ocorrido em Bhopal, Índia, causou a morte de
Fonte: http://www.pipocadebits.com/ Acesso :10/11/2015 3.000 pessoas e a intoxicação de mais de 200.000. O
acidente foi causado por uma fábrica fornecedora da
Os acidentes ambientais são impactos ambientais Union Carbide
que fugiram ao controle das organizações. Um aciden-
te ambiental pode ser considerado uma situação de
risco à saúde, morte dos funcionários em atividades 1986- Chernobyl
naquele momento ou mesmo da população que vive
próxima à organização envolvida. A ocorrência de al- Explosão do reator da Usina Chernobyl (na atual
guns acidentes de proporções catastróficas, tanto para Ucrânia), causada pelo desligamento do sistema de
os funcionários, como para o meio ambiente e comuni- refrigeração com o reator ainda em funcionamento.
dades circundantes, chamou a atenção da importância Provocou um incêndio que durou uma semana, lan-
do controle mais rigoroso de processos industriais. çando na atmosfera um volume de radiação cerca de
Em virtude de grandes acidentes, muitas organi- 30 vezes maior que o da bomba atômica de Hiroshi-
-zações estão preocupadas cada vez mais em atingir e ma. Ocorreram 80 mortes e 2.000 pessoas foram leva-
demonstrar o seu empenho em proteção ao meio am- das aos hospitais. Supõe-se que o acidente provocou
-biente e ao trabalhador, controlando riscos de aciden- câncer em 135.000 pessoas no prazo de cinco anos
tes e doenças provenientes de suas atividades. Tal ati- e continuará provocando nos próximos 150 anos, por
tude se insere no contexto de uma legislação cada vez mutação genética nos descendentes.
mais exigente, do desenvolvimento de políticas eco-
nômicas, trabalhistas e previdenciárias, além de uma
crescente preocupação das partes interessadas em
1989- Exxon Valdez
relação à responsabilidade social (SEIFFERT,2010).
O navio-tanque Exxon- Valdez, após sofrer uma
colisão, foi responsável pelo vazamento no Alasca
Figura 6: Rompimento da barragem em Mariana - MG. de cerca de 44 milhões de litros de petróleo. Consi-
derado o pior da história dos Estados Unidos, poluiu
água, ilhas e praias da região. Morreram milhares de
animais.

2000- Acidente da Baía


deGuanabara
A partir de uma falha na operação de um duto na
Petrobras, houve o vazamento de 1,3 milhão de litros
de óleo, contaminando as águas da Baía de Guanaba-
ra, no Rio de Janeiro. A contaminação atingiu praias
da ilha de Paquetá e a Área de Proteção Ambiental de
Guapimirim.
Fonte: Greenpeace. Acesso em: 15/01/2016
25

2000- Nuvem tóxica em Severo 2.3 AVALIAÇÃO DOS


IMPACTOS AMBIENTAIS (AIA)
Ocorreu o vazamento de óleo pelo rompimento
de um duto sem válvula de segurança na área do ole- Figura 7: Equilíbrio.
oduto pertencente à Petrobras em São Francisco do
Sul (SC), provocando o derramamento de cerca de
4 milhões de litros de óleo bruto. Sua contaminação
estendeu-se por uma área grande, atingindo o Arroio
Saldanha, deste para o Rio Barigui e, em seguida, para
o Rio Iguaçu, formando mancha superior a 8 km. Isto
provocou a morte de cerca de 60% dos animais atin-
gidos.

2002- Prestige

O petroleiro Prestige, que pertence à firma grega
Maré Shipping, encalhou diante do literal da Galícia
(noroeste da Espanha), vindo a afundar a 350 Km da
costa espanhola e provocando derramamento no mar
20 mil toneladas de óleo, segundo dados do Greenpe- Fonte: http://ecoworkambiental.wordpress.com/2011/08/ Acesso em 20/11/2015

ace. O vazamento prejudicou a indústria pesqueira da A Avaliação dos Impactos Ambientais (AIA), foi
Galícia, deixando na época 4.000 pescadores e 28 mil prevista na Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, Lei de
trabalhadores temporariamente sem trabalho e um nú- Política Nacional de Meio Ambiente, mas foi utilizada a
mero indeterminado de aves marinhas mortas ou co- partir da resolução do CONAMA 001 de 1986.
bertas de óleo. De acordo com Reis e Queiroz (2004), esta ava-
liação, por ser um instrumento de Política Ambiental, é
2015- Samarco de competência de entidade pública e requer procedi-
mentos que assegurem o efetivo acompanhamento do
Rompimento da barragem de rejeitos da mine- processo de avaliação desde o início ou origem dos
radora Samarco, cujos donos são a Vale e a anglo- impactos. Ela deve ser sempre realizada anteriormente
-australiana BHP. Causou uma enxurrada de lama que à implantação da empresa ou atividade e deve consi-
inundou várias casas no distrito de Bento Rodrigues, derar qual o risco ambiental eventualmente provocado
em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. Ses- ao meio ambiente, além de adotar medidas mitigadoras
senta bilhões de litros de rejeitos de mineração de fer- do impacto causado ao meio ambiente. Esta avaliação
ro foram despejados ao longo de mais de 500 km na deve ter participação pública, envolvendo a sociedade,
bacia do rio Doce, a quinta maior do país. O rio Doce os responsáveis pelo impacto, o órgão licenciador, o
foi transformado em uma correnteza espessa de terra ministério público, etc.
e areia e o abastecimento de água de cerca de 500
mil pessoas foi suspenso. Toda a flora e fauna aquáti-
ca morreram e a força da lama ainda arrastou a mata
ciliar.
ACESSE: PARA SABER MAIS
E saiba mais sobre o acidente da Samarco em Ma- O que são medidas mitigadoras?
riana Minas Gerais. São ações capazes de diminuir o im-
pacto negativo, ou sua gravidade, não
http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2015/11/ compensando danos. A medida mitiga-
barragem-de-rejeitos-se-rompe-em-distrito-de-ma- dora tem objetivo de adotar medidas
riana.html
para suprimir, atenuar, eliminar ou reduzir as con-
sequências prejudiciais de uma obra ou atividade,
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noti- enquanto a medida de compensação é utilizada
cias/2015/11/06/o-que-se-sabe-sobre-o-rompimen- quando não é possível mitigar um impacto.
to-das-barragens-em-mariana-mg.htm
26

A Resolução do CONAMA nº 001/86 prevê casos terceiro mundo elaborou um documento de proteção
nos quais o Licenciamento Ambiental das atividades ao meio ambiente, aprovado pela Assembleia Geral
impactantes do meio ambiente exige EIA e RIMA. São das Nações Unidas, no qual foi prevista a necessidade
alguns exemplos: de se elaborar um EIA. Naquele momento, o Brasil ma-
nifestou-se contra esta necessidade, mas em 1981, a
• Ferrovias;
Lei 6.938 de 31 de agosto – Política Nacional do Meio
• Aeroportos; Ambiente – inclui a realização do EIA entre os seus
instrumentos de avaliação de impactos ambientais. Em
• Portos de terminais de minério, petróleo e pro- 1986, o EIA foi regulamentado através da Resolução
dutos químicos; CONAMA 001/86.

Oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos,
coletores e emissários de esgotos sanitários; O Estudo do Impacto Ambiental possui certas ca-
racterísticas:
• Obras hidráulicas para exploração dos recursos
hídricos;
1. A AIA não é um documento eminentemente téc-
• Extração de minério e de combustível fóssil; nico científico. Deve ser considerado, também,
• Aterros sanitários; a sua vertente política. Engloba, portanto, o EIA
e o RIMA e todo ritual do processo de Licencia-
• Usinas de geração de eletricidade; mento Ambiental, inclusive da participação Pú-
blica;
• Distritos industriais e zonas estritamente indus-
triais;

• Projetos urbanísticos acima de 100 hectares, 2. A AIA é um documento destinado a proporcio-


entre outros. nar a informação acerca do potencial impacto no
ambiente do projeto proposto;

PARA SABER MAIS 3. A AIA deve considerar: alternativas para o pro-


O que é EIA? Estudo de Impacto jeto de desenvolvimento proposto e métodos de
Ambiental. É um dos elementos da redução do impacto e custos relacionados;
AIA, de caráter técnico científico, com
a finalidade de subsidiar a autoridade
ambiental sobre o licenciamento am- 4. A AIA deve: proporcionar uma interligação entre
biental de uma obra, atividade ou empreendimen- as partes a serem consultadas;
to.
O que é RIMA? Relatório de Impacto ao Meio
Ambiente. É um dos elementos da AIA, que repre- 5. A AIA é um mecanismo ou instrumento de prote-
senta o resumo do EIA, elaborado por especialis- ção ambiental. (REIS & QUEIROZ, 2004, p.19).
tas, com a finalidade de subsidiar o público em
geral, sobre os impactos ambientais decorrentes
da implantação de uma obra ou atividade modifi-
cadora do meio ambiente.

A exigência destes dois elementos (EIA e RIMA),


cabe exclusivamente ao poder público. Entenda-se
como Poder Público o órgão Federal, representado
pelo IBAMA; os órgãos estaduais de controle ambien-
tal, as prefeituras municipais e o Ministério Público Fe-
deral ou Estadual.
O Estudo do Impacto Ambiental teve sua origem
nos Estados Unidos. Foi aprovado e instituído em
1969, após aprovação pelo Congresso Americano do
National Environmental Protection Act (NEPA). Segun-
do Dias (1999), em 1975, um grupo de 34 países de
27

2.4 LICENCIAMENTO AMBIENTAL tração (federal, estadual e municipal) na defesa do


meio ambiente.
As etapas do Licenciamento ambiental são:
• Licença Prévia (LP) – deve ser solicitada na
fase de planejamento da implantação, alteração ou
ampliação do empreendimento.
• Licença Instalação (LI) – aprova os projetos
ou autoriza o início da obra ou empreendimento. É
concedida depois de atendidas as condições de Li-
cença Prévia.
• Licença de Operação (LO) – autoriza o iní-
cio do funcionamento da obra ou empreendimento.
É concedida depois de atendidas as condições da
Licença de Instalação.

Figura 7: Charge.

O licenciamento ambiental é um dos instrumen-


-tos da gestão ambiental, sendo um procedimento
administrativo que tem como objetivo licenciar a
instalação, ampliação, modificação e operação de
atividades e empreendimentos que utilizam recur-
-sos naturais ou que causam poluição e degradação
ambiental. Deve ser realizado pelo órgão ambiental
competente, podendo ser federal, estadual ou muni-
-cipal. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é o órgão
federal que realiza o licenciamento de grandes pro-
jetos que afetam mais de um estado, como empre-
endimentos de geração de energia e atividades do Fonte: http://engenhariacivilemeioambiente.blogspot.com.br/ Acesso em 20/11/2015
setor de petróleo e gás na plataforma continental.
São avaliados impactos causados pelo empre-
endimento, tais como: seu potencial ou capacidade LEITURA OBRIGATÓRIA:
de gerar poluentes, resíduos sólidos, emissões at- Cartilha de Licenciamento Ambiental – Disponível
mosféricas, ruídos e o potencial de risco de explo- em: http://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_
sões e incêndios. É importante lembrar que as licen- pnla/_arquivos/cart_tcu.PDF
ças ambientais estabelecem as condições para que
a atividade ou o empreendimento cause o menor im- Manual de Licenciamento Ambiental – Guia

pacto possível ao meio ambiente. Por isso, qualquer de procedimentos passo a passo. Disponível em:

alteração deve ser submetida a novo licenciamento, http://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/

com a solicitação de Licença Prévia. cart_sebrae.pdf

As bases legais do licenciamento ambiental es-


tão traçadas, principalmente, na Lei 6.938/81, que
dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente;
nas Resoluções do Conselho Nacional do Meio Am-
biente (CONAMA) 001/86 e nº 237/97, que estabele-
cem procedimentos para o licenciamento ambiental;
e na Lei Complementar nº 140/11, que fixa normas
de cooperação entre as três esferas da adminis-
28

2.5 REVISÃO DO CONTEÚDO

• O impacto ambiental é qualquer alteração no meio


competente, podendo ser federal, estadual ou mu-
ambiente, resultante de ações ou atividades huma-
nicipal, mas em alguns casos pode ser realizado
nas que afetam a saúde e a segurança das pes-
também pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambien-
soas, as atividades sociais e econômicas, a flora
te e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
e a fauna de uma região, as condições estéticas e
Deve ser realizado pelo Ibama quando se tratar de
sanitárias do ambiente e a qualidade dos recursos
grandes projetos, com o potencial de afetar mais de
naturais.
um estado, como empreendimentos de geração de
energia e nas atividades do setor de petróleo e gás
• Os acidentes ambientais são impactos ambientais
na plataforma continental.
que fugiram ao controle das organizações. Um aci-
dente ambiental pode ser considerado uma situa-
ção de risco à saúde ou mesmo morte dos funcio-
nários em atividades naquele momento ou mesmo
da população que vive próxima à organização en-
volvida.

• A Avaliação dos Impactos Ambientais (AIA), foi pre-


-vista como um dos instrumentos da Lei 6.938, de
31 de agosto de 1981, a Lei de Política Nacional de
Meio Ambiente, mas foi utilizada a partir da resolu-
-ção do CONAMA 001 de 1986. Por ser um instru-
-mento de Política Ambiental, é de competência de
entidade pública e requer procedimentos que asse-
-gurem o efetivo acompanhamento do processo de
avaliação desde o início ou origem dos impactos.
Ela deve ser sempre realizada anteriormente à im-
-plantação da empresa ou atividade e deve consi-
-derar qual o risco ambiental eventualmente provo-
-cado ao meio ambiente, além de adotar medidas
mitigadoras do impacto causado ao meio ambiente.

• EIA = Estudo de Impacto Ambiental. É um dos ele-


mentos da AIA, de caráter técnico científico, com a
finalidade de subsidiar a autoridade ambiental so-
bre o licenciamento ambiental de uma obra, ativida-
de ou empreendimento.

• RIMA = Relatório de Impacto ao Meio Ambiente. É


um dos elementos da AIA, que representa o resu-
-mo do EIA, elaborado por especialistas, com a fi-
-nalidade de subsidiar o público em geral sobre os
impactos ambientais decorrentes da implantação
de uma obra ou atividade modificadora do meio
ambiente.

• O licenciamento ambiental é um dos instrumen-


tos da gestão ambiental, sendo um procedimento
administrativo que tem como objetivo licenciar a
instalação, ampliação, modificação e operação de
atividades e empreendimentos que utilizam recur-
sos naturais ou que causam poluição e degradação
ambiental. Deve ser realizado pelo órgão ambiental
29

Anotações
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UNIDADE

MEIO AMBIENTE E
SUSTENTABILIDADE

Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC

UNIPAC ON-LINE
32

Na unidade 3 apresentaremos o conceito de meio ambiente e sustentabilidade, discutire-


mos o desenvolvimento sustentável e também o consumo responsável ou consciente e a
produção responsável, que são fatores essenciais para a susten-
tabilidade.
Ao final desta unidade o aluno será capaz de per-
ceber que os problemas ambientais são também so-
ciais e que a sobrevivência das espécies depende da
preservação do meio ambiente e da mudança de
valores, comportamentos e atitudes das pessoas.
Além de compreender a urgência
da busca do equilíbrio entre meio
ambiente, economia e sociedade,
para que possamos ter um planeta
sustentável.
Considerando que somos ci-
dadãos conscientes e responsáveis
pela situação que se encontra nosso
planeta, esperamos que através da cons-
trução do conhecimento, o aluno seja capaz
de avaliar criticamente e atuar na busca de ações,
tanto individuais quanto coletivas, para que tenhamos uma
sociedade mais justa e sustentável.

““Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo
e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de de-
fendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

(Artigo 225 da Constituição Federal)

3.1 O MEIO AMBIENTE d) afetem as condições estéticas ou sanitárias


do meio ambiente;
e) lancem matérias ou energia em desacordo
Na Política Nacional de Meio Ambiente, Lei nº
com os padrões ambientais estabelecidos;
6.938/1981, em seu artigo 3°, “Para os fins previstos
nesta Lei, entende-se por: IV) poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito
público ou privado, responsável, direta ou indire-
I) meio ambiente, o conjunto de condições, leis, tamente, por atividade causadora de degradação
influências e interações de ordem física, química ambiental; e
e biológica, que permite, abriga e rege a vida em
V) recursos ambientais: a atmosfera, as águas in-
todas as suas formas;
teriores, superficiais e subterrâneas, os estuários,
II) degradação da qualidade ambiental, a alteração o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da
adversa das características do meio ambiente; biosfera, a fauna e a flora”.
III) poluição, a degradação da qualidade ambiental De acordo com a definição contida na norma NBR
resultante de atividades que direta ou indiretamen- ISO 14001/1996, item 3.2:
te:
“Meio ambiente é a circunvizinhança em que uma
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-
organização opera, incluindo ar, água, solo, recursos
-estar da população;
naturais, flora, fauna, seres humanos e suas inter-re-
b) criem condições adversas às atividades so- lações”.
ciais e econômicas;
Já a Constituição Federal diz, em seu artigo 225:
c) afetem desfavoravelmente a biota;
33

“Todos têm direito ao meio ambiente ecologica-


mente equilibrado, bem de uso comum do povo e es-
sencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder PARA SABER MAIS
público e à coletividade o dever de defendê-lo e preser- Socioambientalismo – Filosofia que
vá-lo para as presentes e futuras gerações”. preconiza a adoção de soluções aos
problemas e conflitos ambientais (fí-
Com base nas definições acima, podemos enten-
sicas e naturais), buscando a defesa
der a importância da preservação do meio ambiente
dos bens e direitos sociais, coletivo e
para a sobrevivência das espécies, inclusive da espé- difusos, em relação ao meio ambien-
cie humana. Vivemos em uma época em que o cená- te, ao patrimônio cultural e aos direitos
rio de degradação ambiental ameaça a continuidade humanos e dos povos. O Socioambientalismo é
da vida no planeta e o futuro da humanidade depende uma criação brasileira única no cenário do ambien-
das relações estabelecidas entre os seres humanos e talismo internacional. (BRASIL & SANTOS, 2007).
a natureza.
Ao longo de sua história evolutiva, o ser humano, Juliana Santilli, citando declarações da ex-mi-
tem sido o maior responsável pela destruição do meio nistra do Meio Ambiente, Marina Silva, ao analisar
ambiente, mas nunca chegou tão longe. Devido às es- o período preparatório da Eco-92, menciona que:
colhas cotidianas voltadas para o acúmulo de riqueza e Uma das principais heranças deixadas por Chico
para um falso progresso, estão causando impactos na Mendes e o movimento dos seringueiros daquele
natureza e afetando direta e indiretamente a qualidade período foi o exemplo de que as questões social
de vida de todos os seres vivos. O desenvolvimento e e ambiental caminham juntas, ainda mais quando
o crescimento de um país devem ser capazes de as-
se trata da realidade brasileira. (Fonte: http://lfg.
jusbrasil.com.br).
segurar o mínimo de qualidade de vida para todas as
pessoas e garantir maior proteção ao meio ambiente.
Diante disto, o problema ambiental passa a ser
também um problema social. De acordo com Barboza
et al (2009), os seres humanos têm convertido bens na- 3.2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
turais em bens de consumo e sob este ponto de vista,
pode-se entender que os problemas não são apenas
“Atingiu-se um ponto da história em que deve-
ambientais, mas socioambientais, pois dizem respeito
mos moldar nossas ações no mundo inteiro com
ao impacto provocado no meio ambiente natural pelas
a maior prudência, em atenção às suas consequ-
sociedades humanas em sua trajetória histórica atual
ências ambientais. Pela ignorância ou indiferença
e, por sua vez, revertem em impactos sobre a qualida-
podemos causar danos maciços e irreversíveis ao
de da vida humana no planeta.
ambiente terrestre de que dependem nossa vida e
Alguns autores afirmam que esta problemática é
nosso bem-estar. Com mais conhecimento e pon-
devida ao modelo atual de desenvolvimento socioe-
deração nas ações, poderemos conseguir para
conômico e político da nossa sociedade, que visando
nós e para a posteridade uma vida melhor em am-
principalmente o lucro, causa a devastação ambiental,
biente mais adequado às necessidade e esperan-
consequência quase inevitável desse modelo. Para ga-
ças do homem. São amplas as perspectivas para a
rantir o futuro do planeta precisamos pensar e agir no
melhoria da qualidade ambiental e das condições
rumo da sustentabilidade e isto se torna cada dia mais
de vida. O que precisamos é de entusiasmo, acom-
necessário e urgente. Estas mudanças tão desejadas,
panhado de calma mental, e de trabalho intenso,
podem iniciar-se com um programa de gestão ambien-
mas ordenado. Para chegar à liberdade no mun-
tal adequado, que pode melhorar nossa qualidade de
do da natureza, o homem deve usar seu conheci-
vida e também a produtividade das organizações.
mento para, com ela colaborando, criar um mundo
Para Barboza et al (2009) precisamos discutir e
melhor. Tornou-se imperativo para a humanidade
propor soluções a serem implementadas já e em todos
defender e melhorar o meio ambiente, tanto para
os âmbitos, o que demanda a construção de uma nova
as gerações atuais, como para as futuras, objeti-
cultura, marcada pela noção de sustentabilidade. Estas
vo que se deve procurar atingir em harmonia com
soluções não devem tratar apenas de reduzir impactos,
os fins estabelecidos e fundamentais da paz e do
mitigar ou minimizar estragos, mas devem propor uma
desenvolvimento econômico e social em todo mun-
mudança na forma de ver o mundo, a nós mesmos e as
do.”
nossas relações com os demais seres vivos do plane-
ta, sejam estes humanos ou não. Para isso precisamos (Trecho retirado da Declaração de Estocolmo
mudar nossos valores, atitudes, comportamentos indi- sobre o Ambiente Humano)
viduais e coletivos. Fonte: http://bit.ly/2l9tbjn
34

Para a Comissão Brundtland, o conceito de desen-


volvimento sustentável deve fundamentar as políticas
públicas, de modo que os objetivos do desenvolvimen-
to econômico e social sejam definidos em termos de
sustentabilidade. O texto diz:

“O mundo deve desenhar, rapidamente, estraté-


gias que permitam que as nações saiam de seu
processo de crescimento e desenvolvimento atual,
geralmente destrutivo, em direção ao desenvolvi-
mento sustentável. Isso vai exigir uma reorienta-
ção das políticas públicas em todos os países, tan-
to no que diz respeito ao próprio desenvolvimento
e a seus impactos sobre o desenvolvimento de
outras nações”
(BRUNDTLAND, 1987, cap.2, parágrafo 27).

Portanto, é necessário que quando os governos e


Declaração de Estocolmo sobre o Ambiente Hu- as organizações forem planejar e executar suas ações,
mano (item 6). devem considerar o equilíbrio entre os aspectos econô-
A Comissão Brundtland, formada pela Organiza- micos (crescimento e desenvolvimento da economia),
ção das Nações Unidas com o objetivo de estudar a sociais (atendimento das necessidades humanas) e
deterioração do meio ambiente e as consequências ambientais (capacidade de regeneração/recuperação
desta deterioração para o desenvolvimento econômico do ambiente natural).
e social, definiu o desenvolvimento sustentável como De acordo com Pereira, Silva e Carbonari (2011),
o “desenvolvimento que satisfaz as necessidades pre- a luz do desenvolvimento sustentável, os objetivos das
sentes sem comprometer a capacidade das gerações políticas públicas devem ser:
futuras de suprir suas próprias necessidades.”
• Revigorar e qualificar o crescimento, ou seja, mu-
dar a lógica do crescimento econômico para o de-
senvolvimento sustentável.
PARA SABER MAIS
• Proporcionar acesso sistêmico ao emprego,ali-
Comissão Brundtland – Comissão mentação, energia, água e saneamento básico.
Mundial sobre o meio Ambiente e De- • Manter o crescimento populacional em níveis sus-
senvolvimento, chefiada pela primei- tentáveis de convivência num planeta com recur-
ra ministra da Noruega, Gro Harlem sos escassos.
Brundtland, com o objetivo de estudar
e debater questões ambientais. A co- • Preservar as fontes de recursos naturais.
missão foi composta por ONGs e cien- • Promover tecnologias limpas com ênfase no ge-
tistas do mundo inteiro e o documento final desses renciamento de riscos socioambientais.
estudos chamou-se “Our Common Future” (Nosso
• Integrar aspectos sociais e ambientais à econo-
futuro comum) e foi apresentado em 1987. Com
a publicação deste documento, disseminou-se o mia, no processo de tomada de decisão.
conceito de desenvolvimento sustentável, que vi-
nha sendo refinado desde os anos 70.
Conforme já apresentado anteriormente, o tripé
do desenvolvimento sustentável está fundamentado
na dimensão econômica, ambiental e social e estes se
constituem nos pilares da sustentabilidade. Portanto,
as organizações sustentáveis devem ser capazes de
medir, documentar e reportar retorno positivo nas di-
mensões econômica, ambiental e social e quando isso
é possível o resultado positivo reflete no aumento do
valor da empresa.
35

Figura 8: Tripé da Sustentabilidade. em relação ao futuro depende de mudanças e atitudes


efetuadas no presente.
Falar de desenvolvimento sustentável é falar de
coisas novas, é rever conceitos e atitudes. É falar de
Social biotecnologia, de tecnologias limpas, de mudanças
de padrões de produção e consumo, de reciclagem,
Suportável de reuso, de reaproveitamento e de outras formas de
Equitável
diminuir a utilização de matérias-primas, e ao mesmo
Sustentável
tempo reduzir os impactos causados pelos descartes
Ambiental Viável Econômico de substâncias e objetos no meio ambiente.

LEITURA OBRIGATÓRIA:
Tratado de Educação para Sociedades
Disponível: http://sustentarte.org.br/ Acesso em 12/01/2016
Sustentáveis e Responsabilidade Global:

O termo sustentabilidade é o termo mais disputado Disponível em: http://bit.ly/2kNftXr


na atualidade, desde que começou a se difundir, na
década de 1980, como parte da expressão “desenvol-
vimento sustentável”. Existem cerca de 80 definições
para desenvolvimento sustentável, que se baseiam na
definição dada pelo Relatório Brundtland. De acordo 3.3 CONSUMO RESPONSÁVEL
com o Tratado de Educação para Sociedades Susten-
táveis e Responsabilidade Global, de 1992, o conceito
OU CONSCIENTE
de sociedades sustentáveis inclui, além da sustentabi-
lidade ecológica, ambiental e demográfica, os aspec-
tos sociais, culturais, espirituais e políticos capazes
de garantir o bem-viver das pessoas, a cidadania e a
justiça social.
Em consonância com o parágrafo anterior, alguns
autores afirmam que na literatura encontramos muitas
definições para sustentabilidade, algumas com ênfase
no aspecto econômico, outras com ênfase no aspecto
sociocultural e outros no aspecto ambiental. Nesta úl-
tima perspectiva, a principal preocupação relacionase
com os impactos sobre o meio ambiente. Estudiosos
afirmam que para uma sustentabilidade ecológica de-
ve-se reduzir a utilização de combustíveis fósseis e a
emissão de substâncias poluentes, além de adotar po-
líticas de conservação de energia e recursos naturais,
substituir produtos não renováveis por renováveis e
aumentar a eficiência dos recursos utilizados. Um fator essencial para uma sociedade sustentá-
Uma sociedade sustentável é aquela que não co- vel é o consumo responsável ou consciente. O con-
loca em risco os recursos naturais dos quais depende, sumo está associado às compras, mas não somente
como: água, solo, vida vegetal e ar. Portanto, o de- a isto, temos que considerar também o consumo de
senvolvimento sustentável é diferente do modelo tra- água, de energia, de combustível, etc. De acordo com
dicional de crescimento, que se baseia em aspectos Pereira, Silva e Carbonari (2011), o consumo irrespon-
econômicos, como aumento da produção e consumo. sável provoca muitos impactos, primeiro nas pessoas,
Para Pereira, Silva e Carbonari (2011), o termo susten- uma vez que elas precisam arcar com as despesas,
tabilidade tem sido amplamente utilizado para exprimir depois na economia, porque ao se consumir um pro-
ambições de continuidade, durabilidade ou perenida- duto movimenta-se a máquina da produção e distribui-
de, remetendo ao futuro da espécie humana. Trata- ção. O consumo afeta também a sociedade, uma vez
se portanto de um conceito que possui como sentido que acarreta produção, trocas e transformações e por
essencial a responsabilidade pelas condições de vida fim, acarreta a natureza pois é ela que fornece as ma-
das futuras gerações, sendo que a responsabilidade térias primas para a produção do que é consumido.
36

Apesar do consumo ser um dos instrumentos do dade envia um recado ao setor produtivo de que de-
bem-estar, é necessário aprendermos a produzir e seja que lhe sejam ofertados produtos e serviços que
consumir os bens e serviços de uma maneira diferente não tra-gam impactos negativos ou reduzam significa-
da atual, pois o modelo atual de produção e consu- tivamen-te estes impactos no acúmulo do consumo de
mo contribui para aprofundar a desigualdade social e todos os cidadãos.
o desequilíbrio ambiental. Certamente a mudança de
comportamento leva tempo, mas precisamos abando- ACESSE:
nar práticas de alto consumo e desperdício para adotar
práticas conscientes. Estas novas medidas devem es- A versão brasileira do filme: “A história das coisas”.
tar associadas com a preservação dos recursos natu-
rais, a diminuição da poluição e do acúmulo de lixo, o http://bit.ly/1noDpuB
incentivo à reciclagem e a eliminação do desperdício.
Nossos comportamentos e atitudes e nosso esti-
-lo de vida individual ou social provocam impactos no
meio ambiente. Padrões de consumo de alimentos, 3.4 PRODUÇÃO RESPONSÁVEL
de materiais de construção, de vestuário e de todos
objetos que dependem de outros bens materiais para A produção também é um fator determinante do
sua produção, produzem pressão sobre os recursos desenvolvimento sustentável. Ela precisa ser remode-
naturais. Sendo assim, todos nós somos responsáveis lada e levar em consideração não somente benefícios
pela preservação dos recursos naturais e consequen- econômicos, mas também ambientais e sociais.
-temente pela preservação do meio ambiente. Padrões Os cinco problemas fundamentais nos atuais pa-
de consumo insustentáveis já levaram ao colapso de drões de produção são:
civilizações e sociedades, enquanto que padrões de
• Uso de materiais e processos que causam de-
consumo sustentáveis caracterizam as que perduram
gradação ambiental e riscos para a saúde, prin-
por milênios, como algumas civilizações asiáticas e so-
cipalmente por meio de grandes quantidades de
ciedades indígenas
emissões tóxicas que prejudicam a saúde dos
Figura 9: Como ser um consumidor consciente.
trabalhadores e de suas famílias, assim como
das comunidades do entorno. Neste cenário os
conceitos de produção limpa e de tecnologia
limpa vem provocando mudanças na produção,
mas precisam ser mais difundidas;

• Ineficiência na produção que causam perdas


(desperdício) no sistema de degradação am-
biental. Um exemplo recente foi a explosão, em
abril de 2010, de uma plataforma de exploração
de petróleo no golfo do México, que resultou em
um dos maiores derramamentos de óleo no mar
da história e o pior acidente ambiental causado
por óleo no país;

• Falhas no reflexo negativo das externalidades


no custo do produto. De uma maneira geral, nos
países em desenvolvimento, quando um produ-
to é fabricado, o ar, a água e o solo consumidos
não são computados como custo. São conside-
rados bens livres, principalmente quando não há
Fonte: Ministerio do Meio Ambiente.
regulação. Para remediar estas falhas é preciso
rever os procedimentos de regulação do uso dos
Enfim, o consumo consciente é o conceito mais recursos naturais, bem como contabilizar seu
amplo e simples de aplicar no dia a dia, basta estar- uso;
mos atentos à forma como consumimos, diminuindo
o desperdício de água e energia, por exemplo e privi- • Iniquidade de acesso a recursos naturais. Por
le-giando produtos e empresas responsáveis na hora exemplo, os ricos têm acesso mais rápido à
das compras. A partir do consumo consciente, a socie- água e energia do que os pobres. Em alguns
37

países em desenvolvimento, os pobres pagam volvimento sustentável deve fundamentar as políti-


de 5 a 10 vezes mais pela água encanada do cas públicas, de modo que os objetivos do desen-
que os ricos. volvimento econômico e social sejam definidos em
termos de sustentabilidade. Portanto, é necessário
• Custos de transação significativamente mais que quando os governos e as organizações forem
elevados para as pessoas de baixa renda. Por planejar e executar suas ações, devem considerar
exemplo, os grandes produtores rurais e mora- o equilíbrio entre os aspectos econômicos (cres-
-dores de grandes centros urbanos têm vanta- cimento e desenvolvimento da economia), sociais
gens em termos de custo e preço de bens e ser- (atendimento das necessidades humanas) e am-
viços relacionados à escala (costumam pagar bientais (capacidade de regeneração/recuperação
menos do que os moradores de áreas rurais ou do ambiente natural).
de comunidades mais empobrecidas). (PEREI-
RA, SILVA & CARBONARI, 2011, p.102). • Uma sociedade sustentável é aquela que não colo-
ca em risco os recursos naturais do qual depende,
ACESSE: como: água, solo, vida vegetal e ar. Portanto, o
desenvolvimento sustentável é diferente do mo-
Para conhecer o plano da empresa Nescafé para delo tradicional de crescimento, que se baseia em
uma produção responsável. aspectos econômicos, como aumento da produção
e consumo.
http://bit.ly/2lGNCHL • Um fator essencial para uma sociedade susten-
tável é o consumo responsável ou consciente. O
consumo está associado às compras, mas não
somente a isto, temos que considerar também o
3.5 REVISÃO DO CONTEÚDO consumo de água, de energia, de combustível, etc.

• De acordo com a definição contida na norma NBR • O consumo irresponsável provoca muitos impac-
ISO 14001:1996, item 3.2: “Meio ambiente é a cir- tos, primeiro nas pessoas uma vez que elas preci-
-cunvizinhança em que uma organização opera, sam arcar com as despesas, depois na economia,
incluindo ar, água, solo, recursos naturais, flora, porque ao se consumir um produto movimenta-se
fauna, seres humanos e suas inter-relações”. Já a máquina da produção e distribuição. O consumo
a Constituição Federal diz, em seu artigo 225: afeta também a sociedade, uma vez que acarreta
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologica- produção trocas e transformações e por fim, acar-
mente equi-librado, bem de uso comum do povo e reta a natureza pois é ela que fornece as matérias
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se primas para a produção do que é consumido.
ao poder público e à coletividade o dever de de-
fendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras • A produção também é um fator determinante do
gerações”. desenvolvimento sustentável. Ela precisa ser re-
modelada e levar em consideração não somente
• Ao longo de sua história evolutiva, o ser humano, benefícios econômicos, mas também ambientais e
tem sido o maior responsável pela destruição do sociais.
meio ambiente, mas nunca chegou tão longe. De-
vido às escolhas cotidianas voltadas para o acú-
mulo de riqueza e para um falso progresso, estão
causando impactos na natureza e afetando direta e
indiretamente a qualidade de vida de todos os se-
res vivos. É urgente a necessidade de mudanças,
temos que ter consciência de que uma gestão am-
biental adequada pode melhorar nossa qualidade
de vida e também a produtividade das organiza-
ções. O desenvolvimento e o crescimento de um
país devem ser capazes de assegurar o mínimo de
qualidade de vida para todas as pessoas e garantir
maior proteção ao meio ambiente.

• Para a Comissão Brundtland, o conceito de desen-


38
39

UNIDADE

NORMAS DE SAÚDE E
SEGURANÇA OCUPACIONAL
(SSO) E DE GESTÃO
AMBIENTAL (SGAs)

Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC

UNIPAC ON-LINE
40

Na unidade 4 discutiremos sobre o início da pre-


ocupação com os problemas socioambientais e apre-
sentaremos as normas de Saúde e Segurança Ocu-
pacional (SSO) e de Sistemas de Gestão Ambiental
(SGAs). Além disto conheceremos o que é um Sistema
Integrado de Gestão (SIG).
Ao final desta unidade o aluno será capaz de com-
preender as normas OHSAS 18001 de Saúde e Segu-
rança Ocupacional e ISO 14001 de Gestão Ambiental,
além de entender a importância e as vantagens de se
criar um Sistema Integrado de Gestão.
Considerando que somos cidadãos conscientes
e responsáveis pela situação que se encontra nosso
planeta, esperamos que através da construção do co-
nhecimento, o aluno seja capaz de avaliar criticamente
e atuar na busca de ações, tanto individuais quanto co-
letivas, para que tenhamos uma sociedade mais justa
e sustentável.

“A riqueza deixa de ser um fim e passa a ser um meio. A riqueza é um meio para permitir, ou não,
aos indivíduos realizarem a finalidade última da expansão das suas liberdades.”

(Transcrito da entrevista publicada em ARNT, Ricardo (Org.). O que os economistas pesam sobre susten-
tabilidade. São Paulo: Editora 34, 2010)

4.1 O CRESCIMENTO DA
PREOCUPAÇÃO COM OS terísticas físicas do planeta, marcados pela ascensão
IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS de uma economia industrial. Neste período o trabalho
artesanal começa a dar lugar ao processo industrial e
Ao longo dos últimos séculos, a sociedade passou no início do século XIX, o trabalho passa a ser especia-
por mudanças associadas ao contingente populacio- lizado e repetitivo para o trabalhador, surgindo assim
nal, distribuição desta população no espaço urbano as primeiras leis relacionadas à questão da saúde do
e rural, forma de condução dos sistemas produtivos, trabalhador. Enquanto as preocupações associadas
padrões de consumo dessa população, expectativa à saúde e segurança do trabalhador datam do século
de vida das pessoas e capacidade do ser humano em XIX, as relacionadas ao controle da qualidade do am-
alterar características do ambiente, esta última como biente externo estão associadas ao século XX.
consequência do desenvolvimento tecnológico. Os Neste cenário, surgiram os instrumentos de ges-
processos produtivos começaram a gerar mais impac- tão, como as normas OHSAS 18001 de Saúde e Se-
tos socioambientais e com isso a sociedade passou gurança Ocupacional (SSO) e ISO 14001 de Gestão
a cobrar desempenho de gestão organizacional mais Ambiental, cuja complementaridade e sinergismo de
aprimorado, sendo que as primeiras preocupações implantação é muito importante para o controle do
estavam focadas na qualidade do produto, depois o impacto socioambiental dos empreendimentos. De
foco passou para a qualidade do ambiente de trabalho acordo Seiffert (2010), a linha de corte entre impactos
e posteriormente para a qualidade ambiental (SEIF- ambientais e riscos de saúde e segurança ocupacional
FERT,2010). é muitas vezes difusa e em alguns casos mesmo im-
Em meados do século XVIII, o homem passa a perceptível, e por este motivo é importante a discussão
vivenciar a Revolução Industrial, um fenômeno que e compreensão dos sistemas de gestão de Saúde e
muda completamente o processo de produção, a re- Segurança Ocupacional (SSO) e sistemas de Gestão
lação do homem com o trabalho, bem como as carac- Ambiental (SGAs) de modo integrado.
41

A Constituição Brasileira de 05/10/1988 já estabe- fundamentais do desenvolvimento sustentável: social,


lecia o direito do ser humano a um ambiente de traba- ambiental e econômico.
lho saudável e à qualidade ambiental. Em seu artigo 7º A norma OHSAS 18001 (Occupational Health
determina: “são direitos dos trabalhadores urbanos e and Safety Assessment Series – Série de Avaliação
rurais além de outros que visem à melhoria de sua con- de Saúde e Segurança Ocupacional) foi proposta em
dição social [...] redução dos riscos inerentes ao traba- 1996. Esta norma foi criada por um grupo de organis-
lho, por meio de normas de saúde, higiene e seguran- mos certificadores (BSI, BVQI, DNV, Lloyds Register,
ça”, e em seu artigo 225 estabelece: “todos tem direito SGS, entre outros) e de entidades nacionais de nor-
ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de malização da Irlanda, Austrália, África do Sul, Espa-
uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de nha e Malásia, a partir de uma reunião que ocorreu na
vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o Inglaterra. A norma entrou em vigor no dia 15 de abril
dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e de 1999.
futuras gerações”. É importante frisar que esse documento até a ver-
Certamente, a melhoria da qualidade de vida do são de 1999, não era uma norma nacional nem uma
ser humano passa obrigatoriamente pela melhoria das norma internacional, visto que não seguiu a “liturgia” de
condições de trabalho e também da qualidade ambien- normalização vigente. A certificação em conformidade
tal. Quando uma empresa utiliza em seu processo pro- com a OHSAS 18001 somente era concedida pelos Or-
dutivo os recursos naturais de forma racional evitando ganismos Certificadores (OCs) de forma “não-acredita-
o desperdício destes recursos e evitando que eles pos- da” (sem credenciamento do OC para esse tema por
sam contaminar o ambiente de trabalho ou o meio am- entidade oficial). “De qualquer maneira, foi um grande
biente, ela está contribuindo para a qualidade de vida passo rumo à padronização dos Sistemas de Gestão
do ser humano e pela qualidade ambiental. A reputa- da Segurança e Saúde do Trabalhador (SST) em inú-
ção destas empresas se destaca positivamente pe- meros países, inclusive no Brasil” (CICCO, 2007).
rante as outras, trazendo desta forma benefícios para A partir da sua versão de 2007, a OHSAS 18001,
seus acionistas, funcionários, clientes e comunidade. passa a ser considerada como norma internacional,
Hoje, a sociedade não exige somente um produto de sendo aceita em todo o mundo e utilizada como refe-
qualidade, mas um produto que tenha sido produzido rência para a gestão de SSO. De acordo com Seiffert
em um ambiente de trabalho saudável e que tenha (2010), a publicação desta versão implica em diversos
gerado os menores impactos ambientais possíveis du- aspectos relacionados não somente a um maior ali-
rante a sua produção. nhamento entre seus requisitos e o da ISO 140001,
Outro fator que contribuiu para que a sociedade mas também nas demandas de implantação desses
exigisse um controle mais rigoroso dos processos in- requisitos. Na leitura da norma, em determinados mo-
dustriais foi a ocorrência de alguns acidentes ambien- mentos, tem-se a impressão de que o texto da ISO
tais a partir da segunda metade do século XX. Muitos 14001 foi utilizado como referência para a estrutura-
destes acidentes, antes de causarem danos ao meio ção do requisito correspondente da OHSAS 18001. A
ambiente, implicaram em danos físicos ou morte de certificação segundo a OHSAS 18001,
seus trabalhadores. Diante disto, a legislação se tor-
“veio ao encontro da necessidade das orga-
nou mais exigente e houve o desenvolvimento de polí-
nizações de terem um padrão de referência com
ticas públicas econômicas, trabalhistas e previdenciá-
aceitação internacional, assim como a ISO 14001
rias e de outras medidas para estimular a preocupação
para a gestão ambiental, a fim de demonstrarem
com SSO, bem como a crescente preocupação com os
seu compromisso com a redução dos riscos re-
sistemas de gestão ambiental.
lacionados à saúde e segurança ocupacional de
seus funcionários, prestadores de serviço interno
4.2 NORMA DE SAÚDE E e visitantes. Isso surgiu como uma consequência
SEGURANÇA OCUPACIONAL (SSO) natural do crescimento da preocupação com o ris-
co de surgimento de passivos trabalhistas, que as-
Além de entendermos as normas de gestão am- sim como os passivos ambientais, no caso da ISO
biental, é importante entendermos também a gestão 14001, constituem uma grande ameaça financeira
de SSO, uma vez que ambas são facetas da respon- às instituições” (SEIFFERT, 2010, p. 14).
sabilidade social de uma organização. Atualmente, a
expectativa da sociedade é de que as empresas de-
senvolvam suas atividades de modo a contribuir para a
melhoria das condições sociais como um todo e o con-
ceito de responsabilidade social se apoia em um tripé
cujas bases são consideradas como os pressupostos
42

Figura 9: Logo OHSAS. De acordo com Cicco (2007), a OHSAS 18001 ba-
seia-se na premissa de que a organização irá, periodi-
camente, analisar e avaliar o seu Sistema de Gestão,
de forma a identificar oportunidades de melhoria e a
implementação das ações necessárias. O desenvol-
vimento do SSO por si só, não resultará, necessaria-
mente, na redução imediata de acidentes e doenças
do trabalho, entretanto, possuir tal sistema irá auxiliar
uma organização a dar confiança às várias partes inte-
ressadas de que:

• Existe um comprometimento da alta administra-


ção para atender às disposições de sua política
Fonte: OHSAS.
e objetivos;
A OHSAS 18001 não estabelece requisitos abso- • É dada maior ênfase à prevenção do que às
lutos de desempenho de SSO, ela fornece apenas o ações corretivas;
contexto geral para a melhoria contínua no processo
de gestão, aplicando-se a organização de qualquer • Podem ser dadas evidências de atuação cuida-
porte, complexidade ou ramos de atividade. O seu de- dosa e de atendimento aos requisitos legais;
sempenho é pautado pela regulamentação trabalhista • A concepção de sistemas incorpora o processo
do país em que a organização opera, sendo basea- de melhoria contínua.
do em normas e portarias do Ministério do Trabalho, a
A OHSAS 18001 é, sobretudo, aplicável a uma
qual fornece o contexto geral para avaliação de riscos
empresa que deseja ou necessita:
de SSO para sua gestão.
São benefícios advindos da implantação de um • Estabelecer um Sistema de Gestão da Segu-
sistema de gestão SSO, tendo como requisito a norma rança e Saúde no Trabalho (SST), para eliminar
OHSAS 18001: ou minimizar riscos aos trabalhadores e outras
• Assegurar aos clientes o comprometimento com partes interessadas que possam estar expostos
a gestão de SSO; a riscos de acidentes e doenças ocupacionais
associados a suas atividades;
• Manter boas relações com trabalhadores e sin-
dicato; • Implementar, manter e melhorar continuamente
• Fortalecer a imagem da empresa junto aos seus um Sistema de Gestão da SST;
clientes diretos ou indiretos; • Assegurar-se de sua conformidade com sua po-
• Melhorar a imagem pública da empresa; lítica de SST definida;
• Reduzir acidentes que impliquem em responsa- • Demonstrar tal conformidade a terceiros;
bilidade civil (incapacitação ou morte);
• Buscar certificação de seu Sistema de Gestão
• Motivar os funcionários; da SST por uma organização externa;
• Obter seguros a um preço razoável; • Realizar uma auto avaliação e emitir auto decla-
• Demonstrar atuação cuidadosa; ração de conformidade com essa “norma”.
• Incorporar de forma sistematizada à cultura da
Espera-se que a aplicação da especificação OH-
organização do Programa de Prevenção de Ris-
SAS 18001 pelas empresas ao redor do mundo possa
cos Ambientais (PPRA) e Programa de Controle
fornecer dados importantes para o futuro desenvolvi-
Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), regu-
mento tanto de normas internacionais, como de nor-
lamentados pelo Ministério do trabalho;
mas nacionais certificáveis para Sistemas de Gestão
• Melhorar as relações entre a organização e os da SST.
órgãos públicos de fiscalização trabalhista;
• Implantar um processo sistematizado de análise
de riscos e avaliação de perigos relacionados
a incidentes e acidentes de saúde e segurança
ocupacional e ambientais; entre outros.
43

4.3 NORMA DE SISTEMAS DE


PARA SABER MAIS
GESTÃO AMBIENTAL (SGAS)
Rio 92 ou Eco 92 - Conferência
O conceito de Sistema de Gestão Ambiental foi das Nações Unidas sobre o Meio Am-
formalizado pela Bristish Standards Institution (BSI), biente, realizada em junho de 1992 na
instituição britânica de normalização, através da norma cidade do Rio de janeiro. Esta confe-
BS 7750 (Specification for Environmental management rência marcou a forma da humanida-
Systems), sendo esta norma que serviu de base para de encarar sua relação com o plane-
a ISO 14001. ta, pois naquele momento a comunidade política
internacional admitiu que era preciso conciliar o
Figura 10: Logo Empresa Certificada ISO 14001 desenvolvimento socioeconômico com a utiliza-
ção dos recursos naturais. Ficou acordado que
os países em desenvolvimento deveriam receber
apoio financeiro e tecnológico para alcançarem
outro modelo de desenvolvimento que fosse sus-
tentável, inclusive com a redução dos padrões de
consumo, especialmente de combustíveis fósseis
(petróleo e carvão mineral). Alguns documentos
importantes foram elaborados durante esta confe-
rência, como por exemplo o Tratado de Educação
Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Res-
ponsabilidade Global e a Agenda 21.

Fonte: ISO.

Podemos considerar que o ponto de partida para


As normas da série ISO 14000 são um conjunto
a criação da ISO 14001 foi a Rio 92, que teve como re-
de normas ou padrões de gerenciamento ambiental,
sultado a criação do SAGE (Strategic Action Group on
de caráter voluntário, que podem ser usadas pelas em-
the Enviroment – Grupo de Ação Estratégica sobre o
presas para demostrar que possuem um sistema de
meio Ambiente). A SAGE foi encarregada de desenvol-
gestão ambiental. Estas normas foram desenvolvidas
ver e elaborar propostas de recomendações relativas
pelo Comitê Técnico 207 da ISO e com um sistema de
às normas ambientais, tendo como missão: elaborar
gestão ambiental baseado em suas premissas, além
uma proposta de abordagem para a gestão ambien-
de garantir um efetivo gerenciamento e melhorias am-
tal, semelhante à utilizada na gestão da qualidade, ou
bientais, as empresas garantem a seus clientes que
seja, nas normas da série ISO 9000; desenvolver a ca-
atendem e respeitam a legislação ambiental e, assim
pacidade das organizações de alcançar e medir as me-
estão em condições de ultrapassar uma série de bar-
lhorias no desempenho ambiental; facilitar o comércio
reiras comerciais impostas por diversos países (REIS
e remover as barreiras comerciais.
E QUEIROZ, 2004).
Portanto, em 1992, foram propostas as normas da
Conforme já mencionado, a ISO 14001 é uma nor-
série ISO 14000 como alternativa concreta para a ges-
ma de caráter mais voluntário e em virtude de sua flexi-
tão ambiental de nível organizacional, mas somente
bilidade foi consagrada como um padrão de estrutura-
em 1996 foi publicada a primeira versão da ISO 14001,
ção de Sistemas de Gestão Ambiental. Ela determina
que rapidamente se consolidou como uma norma de
que a organização deve divulgar uma declaração de
gestão ambiental com ampla aceitação mundial.
seu desempenho ambiental, sendo que esta declara-
A sigla ISO, se originou da expressão Internacio-
ção deve ser também encaminhada ao órgão de con-
nal Organization for Standardization (IOS), cuja sequ-
trole ambiental e tem como objetivo informar às partes
ência de letras foi invertida para a obtenção da sigla
interessadas a respeito do desempenho ambiental da
ISO, que em grego significa “igual”. É uma entidade
organização. Deve conter as seguintes informações:
não governamental cuja sede fica em Genebra, na Su-
íça, conforme já citado na unidade 1 desta apostila. • Descrição das atividades da instalação;
• Avaliação de todas as questões ambientais sig-
nificativas relevantes às atividades da instala-
ção;
• Resumo das estatísticas sobre emissões de po-
luentes, geração de resíduos, consumo de insu-
mos e matérias primas, água e energia, ruídos e
44

outros aspectos ambientais relevantes; gestão ambiental, pois através dele a norma
• Outros fatores relacionados ao desempenho ISO 14001 pretende estimular a melhoria do de-
ambiental da organização; sempenho

• Apresentação da política ambiental, dos progra-


mas e do sistema de gestão implementados na
instalação;
• Alterações significativas nas instalações desde
a declaração anterior;
• Prazo para submissão da próxima declaração;
• Nome do verificador ambiental credenciado.

Esta Norma se aplica a qualquer organização que


deseje:
• Implementar, manter e aprimorar um sistema de
gestão ambiental;
• Assegurar-se de sua conformidade com sua po-
lítica ambiental definida;
• Demonstrar tal conformidade a terceiros;
• Buscar certificação/registro do seu sistema de
gestão ambiental por uma organização externa;
• Realizar uma auto avaliação e emitir auto decla- Atualmente, existem outras normas ambientais e
ração de conformidade com esta Norma. diretrizes, sendo as mais relevantes para o Sistema de
Gestão Ambiental (SGA):

De acordo com Reis e Queiroz (2004), os elementos • ISO 14004 - Sistemas de Gestão Ambiental - Di-
chave de um SGA baseado na norma ISO 14001 são: retrizes, Princípios Gerais e Técnicas de Apoio;

• Política Ambiental – aborda a política ambiental • ISO 14010 - Diretrizes para Auditoria Ambiental
e os requisitos para atender a esta política, atra- - Princípios Gerais da Auditoria Ambiental;
vés dos objetivos, metas e programas ambien- • ISO 14011 - Diretrizes para Auditoria Ambien-
tais; tal - Procedimentos - Auditoria de Sistemas de
• Planejamento – a análise dos aspectos ambien- Gestão Ambiental;
tais das organizações, incluindo seus proces- • ISO 14012 - Diretrizes para Auditoria Ambiental
sos, produtos e serviços, assim como os bens e - Critérios de Qualificação para Auditores Am-
serviços usados pela organização; bientais.
• Implementação e Operação – implementação
e organização dos processos para controlar e
melhorar as atividades operacionais que são
críticas do ponto de vista ambiental. Devem ser LEITURA OBRIGATÓRIA:
considerados os produtos e serviços da organi-
Especificação e diretrizes da NBR ISO 14001
zação;
Disponível em: www.labogef.iesa.ufg.br/la-
• Verificação e Ação Corretiva – verificação e ação
bogef/arquivos/.../NBRISO14001_59064.pdf
corretiva incluindo o monitoramento, medição e
registro das características e atividades que po-
dem ter um impacto significativo no ambiente;
• Análise Crítica pela Administração – análise crí-
tica do SGA pela administração para assegurar
a contínua adequação e efetividade do sistema;
• Melhoria contínua – o conceito de melhoria con-
tínua é um componente chave do sistema de
45

4.4 SISTEMA INTEGRADO Além disso, as vantagens da implantação de um


SIG também incluem:
DE GESTÃO (SIG)
1) Diferencial competitivo:
• fortalecimento da imagem no mercado;
• prática da excelência gerencial por padrões in-
ternacionais de gestão;
• atendimento ás demandas do mercado e da so-
ciedade em geral.

2) Melhoria organizacional:
• reconhecimento da gestão sistematizada por
entidades externas;
• atuação proativa, evitando acidentes no trabalho
e danos ambientais;

A implantação integrada nas normas OHSAS • simplificação da documentação;


18001 e ISO 14001 possibilta assegurar o cumpri- • melhoria do clima organizacional;
mento das políticas de SSO e ambiental da empresa,
• maior capacitação e educação dos empregados,
melhorando o desempenho dos negócios em uma
entre outros.
abordagem mais holística. Como consequência dis-
so, a empresa passa a ter uma imagem responsável 3) Redução de fatores de risco:
perante o mercado, demonstrando que visa reduzir ou • Segurança legal contra processos e responsabi-
eliminar os riscos de SSO e os riscos relacionados ao lização penal;
meio ambiente. Pelo fato destas normas não estabe-
• Redução de acidentes e passivos;
lecerem critérios absolutos de desempenho, o padrão
de desempenho do SIG ou de cada sistema isolado, • Identificação de vulnerabilidade nas práticas
sempre estará condicionado à legislação do país onde atuais.
a empresa pretende se instalar.
De acordo com Seiffert (2010), a importância de
um Sitema Integrado de Gestão surge da necessidade
das organizações responderem prontamente ao sur-
gimento de novos paradigmas sociais relacionados a
um mercado globalizado, cada dia mais consciente. O
SIG, assegura o respeito aos direitos humanos e ao
meio ambiente, seguindo a ótica do desenvolvimento
sustentável.
Os maiores benefícios de um sistema de gestão
integrado das normas OHSAS 18001 e da ISO 14001,
tem relação com:
• tempo economizado em pesquisa e construção
do sistema;
• possibilidade de multitarefa na implantação do
sistema;
• economia de homens/hora;
• simplificação e redução de amplitude de geren-
ciamento;
• redução de gastos com consultoria e treinamen-
to;
• redução do volume de documentos gerados;
• redução do número de auditores, entre outros.
46

4.5 REVISÃO DO CONTEÚDO

• Em meados do século XVIII, o homem passa a vi- diretos ou indiretos; melhorar a imagem pública da
venciar a Revolução Industrial, um fenômeno que empresa; reduzir acidentes que impliquem em res-
muda completamente o processo de produção, a ponsabilidade civil (incapacitação ou morte); moti-
relação do homem com o trabalho, bem como as var os funcionários; obter seguros a um preço ra-
características físicas do planeta, marcados pela zoável; demonstrar atuação cuidadosa; incorporar
ascensão de uma economia industrial. Neste pe- de forma sistematizada à cultura da organização
ríodo o trabalho artesanal começa a dar lugar ao do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
processo industrial e no início do século XIX, o tra- (PPRA) e Programa de Controle Médico de Saúde
balho passa a ser especializado e repetitivo para Ocupacional (PCMSO), regulamentados pelo Mi-
o trabalhador, surgindo assim as primeiras leis nistério do trabalho; melhorar as relações entre a
relacionadas à questão da saúde do trabalhador. organização e os órgãos públicos de fiscalização
Enquanto as preocupações associadas à saúde e trabalhista; implantar um processo sistematizado
segurança do trabalhador datam do século XIX, as de análise de riscos e avaliação de perigos relacio-
relacionadas ao controle da qualidade do ambiente nados a incidentes e acidentes de saúde e segu-
externo estão associadas ao século XX. E neste rança ocupacional e ambientais; entre outros.
cenário, surgiram os instrumentos de gestão, como
as normas OHSAS 18001 de Saúde e Segurança • O ponto de partida para a criação da ISO 14001
Ocupacional (SSO) e ISO 14001 de Gestão Am- foi a Rio 92, que teve como resultado a criação do
biental, cuja complementaridade e sinergismo de SAGE (Strategic Action Group on the Enviroment
implantação é muito importante para o controle do – Grupo de Ação Estratégica sobre o meio Am-
impacto socioambiental dos empreendimentos. biente). A SAGE foi encarregada de desenvolver
e elaborar propostas de recomendações relativas
• A Constituição Brasileira de 05/10/1988 já estabe- às normas ambientais, tendo como missão: ela-
lecia o direito do ser humano a um ambiente de borar uma proposta de abordagem para a gestão
trabalho saudável e à qualidade ambiental. Em ambiental, semelhante à utilizada na gestão da
seu artigo 7º determina: “são direitos dos trabalha- qualidade, ou seja, nas normas da série ISO 9000;
dores urbanos e rurais além de outros que visem desenvolver a capacidade das organizações de al-
à melhoria de sua condição social [...] redução dos cançar e medir as melhorias no desempenho am-
riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas biental; facilitar o comércio e remover as barreiras
de saúde, higiene e segurança”, e em seu artigo comerciais.
225 estabelece: “todos tem direito ao meio ambien-
te ecologicamente equilibrado, bem de uso comum • Os elementos chave de um SGA baseado na nor-
do povo e essencial à sadia qualidade de vida, im- ma ISO 14001 são:
pondo-se ao Poder Público e à coletividade o de- Política Ambiental – aborda a política ambien-
ver de defendê-lo e preservá-lo para as presentes tal e os requisitos para atender a esta política,
e futuras gerações”. através dos objetivos, metas e programas am-
bientais;
• A norma OHSAS 18001 (Occupational Health and
Safety Assessment Series – Série de Avaliação de Planejamento – a análise dos aspectos ambien-
Saúde e Segurança Ocupacional) foi proposta em tais das organizações, incluindo seus proces-
1996. Esta norma foi criada por um grupo de or- sos, produtos e serviços, assim como os bens e
ganismos certificadores (BSI, BVQI, DNV, Lloyds serviços usados pela organização;
Register, SGS, entre outros) e de entidades nacio- Implementação e Operação – implementação
nais de normalização da Irlanda, Austrália, África e organização dos processos para controlar e
do Sul, Espanha e Malásia, a partir de uma reunião melhorar as atividades operacionais que são
que ocorreu na Inglaterra. A norma entrou em vigor críticas do ponto de vista ambiental. Devem ser
no dia 15 de abril de 1999. considerados os produtos e serviços da organi-
zação;
• São benefícios advindos da implantação de um
sistema de gestão SSO, tendo como requisito a Verificação e Ação Corretiva – verificação e ação
norma OHSAS 18001:assegurar aos clientes o corretiva incluindo o monitoramento, medição e
comprometimento com a gestão de SSO; manter registro das características e atividades que po-
boas relações com trabalhadores e sindicato; forta- dem ter um impacto significativo no ambiente;
lecer a imagem da empresa junto aos seus clientes Análise Crítica pela Administração – análise crí-
47

tica do SGA pela administração para assegurar Anotações


a contínua adequação e efetividade do sistema;
Melhoria contínua – o conceito de melhoria con- _________________________________________
tínua é um componente chave do sistema de
gestão ambiental, pois através dele a norma ISO _________________________________________
14001 pretende estimular a melhoria do desem-
penho _________________________________________

_________________________________________
• Os maiores benefícios de um sistema de gestão
integrado das normas OHSAS 18001 e da ISO _________________________________________
14001, tem relação com: tempo economizado em
pesquisa e construção do sistema; possibilidade _________________________________________
de multitarefa na implantação do sistema; econo-
mia de homens/hora; simplificação e redução de _________________________________________
amplitude de gerenciamento; redução de gastos
com consultoria e treinamento; redução do volume _________________________________________
de documentos gerados; redução do número de
auditores, entre outros. _________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________
48
49

UNIDADE

BIODIVERSIDADE E
CONSERVAÇÃO
DA BIODIVERSIDADE

Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC

UNIPAC ON-LINE
50

Na unidade 5 estudaremos a Legislação Ambien- Figura 11: Lesgislação Ambiental.


tal Brasileira, iniciando com uma breve história desta
legislação e a elaboração de algumas leis e decretos.
Estudaremos também a Política Nacional do Meio
Ambiente, as sanções criminais e administrativas e a
estrutura e funções do Sistema Nacional do Meio Am-
biente.
Ao final desta unidade o aluno será capaz de com-
preender as leis ambientais e alguns decretos, além
de compreender a estrutura do Sistema Nacional do
Meio Ambiente e a função de cada órgão. A finalidade
da apostila não é abordar detalhadamente a parte jurí-
dica, e sim apresentar algumas normas que devem ser
de conhecimento de todos, como um ponto de partida
para a orientação do cidadão, sobre os direitos asse-
gurados pela legislação na área ambiental.
Acreditando que a educação ambiental é transfor-
madora, esperamos motivar os alunos para que pos-
sam ser capazes de contribuir com as transformações
socioambientais necessárias diante da crise ambiental
que estamos vivendo. Sabemos que a caminhada nes-
ta direção não se esgota aqui, mas que este pode ser
um passo importante no enraizamento da educação
Fonte: http://geografia.uol.com.br/ Acesso em: 23/02/2016
ambiental, potencializando ação de pessoas atuantes
em direção a sociedades sustentáveis.

5.1 BREVE HISTÓRICO DA LEGISLAÇÃO Deste período, datam as leis: a Lei nº4.504,
de 30/12/1964 (Estatuto da Terra), a Lei 4.771, de
AMBIENTAL BRASILEIRA
15/09/1965 (Código Florestal), a Lei nº5.197, de
03/01/1967 (Lei de Proteção à Fauna), o Decreto-lei nº
A legislação brasileira preocupava-se com a pro-
221 (Código de Pesca), o Decreto-lei nº 227 (Código de
teção da natureza desde os tempos coloniais, porém
Mineração), o Decreto-lei nº 289, todos de 28/02/1967,
esta preocupação estava sempre voltada para interes-
que criam o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento
ses econômicos imediatos. Isto fica claro quando lem-
Florestal, com o objetivo de cumprir e fazer cumprir o
brarmos que a exploração da madeira e de seus pro-
Código Florestal e a Lei de Proteção à Fauna.
dutos representavam a base colonial e era monopólio
Outro evento que repercutiu de forma notável so-
da Coroa. Contudo, mesmo depois da Independência,
bre a legislação ambiental brasileira foi a Conferência
este espírito continuou presente, os recursos do meio
das Nações Unidas para o Meio Ambiente, realizada
ambiente que eram protegidos tinham como objetivos
na cidade de Estocolmo, na Suécia, em 1972. A partir
prolongar sua exploração. Ainda na década de1930, o
daí, inicia-se uma crítica ao modo de vida contemporâ-
velho Código Florestal, o Código das Águas, o Código
nea, aos valores de desperdício e de consumos exa-
da Caça e o de mineração tinham o foco voltado para
gerados. Esta Conferência teve grande importância na
a proteção de recursos naturais de importância econô-
agenda política mundial, devido a seu impacto na opi-
mica.
nião pública internacional e aos resultados alcançados
A partir de 1964 que apareceram as primeiras
nos diversos países, como a criação de agência, se-
preocupações com a utilização de recursos naturais
cretarias e ministérios do meio Ambiente. A participa-
de forma racional, pois neste momento o ser humano
ção brasileira nesta Conferência foi muito importante,
compreendeu que os recursos só se transformariam
influenciando fortemente nas recomendações da De-
em riquezas se fossem explorados de forma racional,
claração de Estocolmo sobre o meio ambiente.
que estes recursos deveriam ter múltiplos usos e que
Posterior a esta Conferência, foi criada pelo De-
sua exploração não poderia provocar danos à saúde
creto nº 73.030, de 30 de outubro de 1973 a Secretaria
da população e afetar a qualidade de vida.
51

Especial do Meio Ambiente (SEMA), com o objetivo de


mostrar para a população que o governo brasileiro ti- Art. 23: É competência comum da União, dos
nha preocupações com a poluição e com o uso racional Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
dos recursos ambientais. As competências outorgadas
à SEMA lhe deram condições de tratar o meio ambien- VI - proteger o meio ambiente e combater a po-
te de forma integrada, cuidando das transformações luição em qualquer de suas formas;
ambientais adversas por vários instrumentos, inclusive VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
influindo nas normas de financiamentos e na conces-
são de incentivos fiscais. Percebe-se que pela primeira
vez existe uma ligação entre a necessidade da conser- Art. 24: Compete à União, aos Estados e ao Dis-
vação ambiental com o desenvolvimento econômico e trito Federal legislar concorrentemente sobre:
o bem estar da população. VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação
Oriunda de uma mensagem do Poder Executivo, da natureza, defesa do solo e dos recursos na-
elaborada pela SEMA e amplamente discutida no Con- turais, proteção do meio ambiente e controle da
gresso Nacional, foi sancionada a Lei nº 6.938, de 31 poluição.
de outubro de 1981, que estabeleceu a Política Nacio-
VIII - responsabilidade por dano ao meio am-
nal do Meio Ambiente (PNMA). A principal qualidade
biente, ao consumidor, a bens e direitos de valor
desta legislação foi o reconhecimento de que a execu-
artístico, estético, histórico, turístico e paisagís-
ção de uma Política Nacional de Meio Ambiente, em
tico
um país tão grande como o Brasil, não seria possível
se não houvesse uma descentralização das ações,
acionando os Estados e Municípios como executores De acordo com Wolff (2000), inseridos em um con-
de medidas e providências. texto internacional agente e ao mesmo tempo objeto
A Constituição federal de 1988, demonstra em seu de transformações impostas pela condição de inter-
texto, séria preocupação com o meio ambiente, dife- dependência advinda da globalização, cada sistema
rente das Constituições precedentes que ocupavam-se jurídico nacional evolui dentro de seu próprio ritmo,
da proteção do meio ambiente de maneira incidente e segundo suas necessidades sociais, econômicas, cul-
refletiam a questão sob a ótica economicista. As inter- turais e ambientais. Ainda de acordo com esta autora:
dependências entre o desenvolvimento socioeconômi-
co e a proteção da natureza e dos recursos naturais
“A determinação do grau de adequação da
levaram a Assembleia Constituinte, responsável pela
legislação brasileira aos princípios internacio-
elaboração da Constituição de 1988, a uma percepção
nais da Convenção sobre Diversidade Biológica
integradora, contrária àquela visão parcial dos proble-
dar-se-á a partir da análise primordial de instru-
mas. A opção ambientalista passou a ser valorizada,
mentos jurídicos constitucionais e infraconstitu-
ao se cuidar entre outros temas do controle dos impac-
cionais, nos níveis federal, estadual e do Distrito
tos sobre a natureza e do uso e conservação dos re-
Federal, que, direta ou indiretamente, promovam
cursos naturais, bem como a opção humanista, ao se
a conservação da biodiversidade e o uso susten-
intervir em favor da redução dos desequilíbrios sociais.
tável do patrimônio genético brasileiro” (WOLFF,
O interesse relativo ao meio ambiente na Constituição
2000, p.11).
Brasileira não é restrito ao artigo 225, existem inúme-
ras referências, notadamente em outros artigos.
A Constituição Federal diz, em seu artigo 225: Da década de 1980, data a Lei nº 7.347, de 24 de
julho de 1985. Esta lei tem sido de grande influência na
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologi- mudança do atual paradigma do desenvolvimento eco-
camente equilibrado, bem de uso comum do povo nômico nacional, pois constitui instrumento processual
e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se de defesa dos direitos e interesses difusos e coletivos,
ao poder público e à coletividade o dever de de- disciplinando as ações de responsabilidade por danos,
fendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras ou perigo de danos, morais e patrimoniais ao meio am-
gerações”. biente, consumidores, bens e direitos de valor artístico,
estético, histórico, turístico ou paisagístico e à ordem
Em seu artigo 23 e artigo 24 a Constituição define econômica.
que a competência deve ser conjunta, da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pois so-
mente através de um trabalho conjunto se pode lograr
com êxito nas questões ambientais.
52

Da década de 1990, datam as leis: satisfação de suas necessidades econômicas,


sociais, culturais, entre outras, em um ambien-
• Lei nº 8.974, de 05 de janeiro de 1995 (Lei de te ecologicamente equilibrado. O ensino relativo
Biossegurança). As técnicas de manipulação ao meio ambiente parece ser o instrumento, por
genética trazem inegáveis benefícios, tanto excelência, de transformação do atual modelo
quanto riscos, para o meio ambiente e para o ho- de desenvolvimento insustentável em desenvol-
mem. Esta lei regulamenta os incisos II e V, § 1.º, vimento sustentável. Pela educação ambiental,
do art. 225 da Constituição Federal, veio esta- poder-se-á, mais facilmente, incitar o respeito à
belecer normas de segurança e mecanismos de natureza, aí incluída a diversidade biológica e
fiscalização para o uso dessas técnicas e para a genética, a produção de novos conhecimentos
liberação no ambiente de organismos genetica- e de novas técnicas, enfim, banir as atitudes e
mente modificados. comportamentos em desacordo com o ideal de
equilíbrio do meio ambiente e dos elementos na-
• Lei n.º 9.279, de 14 de maio de 1996 (Lei da Pro- turais (WOLFF, 2000, p.19 a 24).
priedade Industrial ou Propriedade Intelectual,
mais conhecida como Lei de Patentes). Esta lei é
considerada por alguns como um dos pilares do 5.2 POLÍTICA NACIONAL DO
processo de desenvolvimento científico e tecno- MEIO AMBIENTE
lógico do país; por outros, como um instrumento
de manipulação do capitalismo internacional e
A Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, conhe-
manutenção da subserviência e atraso nacional.
cida como Política Nacional do Meio Ambiente declara
Apesar da controvérsia, há esperança de que,
que não há mais dano ambiental a salvo da respecti-
pelo menos no âmbito da engenharia genética,
va reparação, ou seja, não há mais emissão poluente
com a garantia de proteção de patentes na área
tolerada. A lei baseia-se na ideia de que mesmo o re-
de biotecnologia, o instrumento legal tenha futu-
síduo poluente, tolerado pelos padrões estabelecidos,
ro promissor.
poderá causar dano ambiental e portanto o causador
• Lei n.º 9.456, de 25 de abril de 1997 (Lei de do dano deve se sujeitar ao pagamento da indeniza-
Proteção de Cultivares). A Lei de Proteção de ção.
Cultivares e a Lei de Propriedade Industrial são De acordo com esta lei, uma empresa pode estar
mecanismos distintos de proteção à propriedade atendendo aos limites máximos de poluição legalmen-
intelectual. Proteção de cultivares não significa te impostos e mesmo assim ser responsabilizada pelos
patente de plantas. Os direitos de exclusivida- danos residuais causados, ou seja, para que se cons-
de concedidos por esta lei, não impedem o uso, titua a obrigação de reparar um dano ambiental, não é
para fins de pesquisa, da cultivar protegida para necessário que ele tenha sido produzido em decorrên-
obtenção de nova cultivar por terceiro, mesmo cia de um ato ilegal.
sem a autorização do detentor do direito. O artigo 2º determina que: “A Política Nacional do
• Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Esta lei Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, me-
estabelece as sanções criminais aplicáveis às lhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia
atividades lesivas ao meio ambiente. A recente à vida, visando assegurar, no País, condições ao de-
lei inova em vários aspectos, sobretudo no que senvolvimento sócio econômico, aos interesses da se-
concerne ao sistema de aplicação de penas al- gurança nacional e à proteção da dignidade da vida
ternativas, ou seja, aquelas não-privativas de humana, atendidos os seguintes princípios:
liberdade. Possibilitou-se substituir penas de pri-
I - ação governamental na manutenção do equilíbrio
são de até quatro anos, pelas chamadas penas
ecológico, considerando o meio ambiente como
restritivas de direito: prestação de serviços à co-
um patrimônio público a ser necessariamente
munidade; interdição temporária de direitos; sus-
assegurado e protegido, tendo em vista o uso
pensão parcial ou total de atividades; prestação
coletivo;
pecuniária e recolhimento domiciliar.
• Lei 9.795, de 27 de abril de 1999. A participação II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da
de cidadãos na promoção do desenvolvimento água e do ar;
sustentável é possibilitada pela educação, condi- Ill - planejamento e fiscalização do uso dos recursos
ção imprescindível para o pleno exercício da de- ambientais;
mocracia. Essa coloca à disposição do homem
meios essenciais para orientá-lo na busca da IV - proteção dos ecossistemas, com a preservação
de áreas representativas;
53

V - controle e zoneamento das atividades potencial “São instrumentos da Política Nacional do Meio Am-
ou efetivamente poluidoras; biente:

VI - incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias I - o estabelecimento de padrões de qualidade am-


orientadas para o uso racional e a proteção dos biental;
recursos ambientais; II - o zoneamento ambiental;
VII - acompanhamento do estado da qualidade am- III - a avaliação de impactos ambientais;
biental;
IV - o licenciamento e a revisão de atividades efeti-
VIII - recuperação de áreas degradadas; va ou potencialmente poluidoras;

IX - proteção de áreas ameaçadas de degradação; V - os incentivos à produção e instalação de equipa-


mentos e a criação ou absorção de tecnologia,
X - educação ambiental a todos os níveis de ensino, voltados para a melhoria da qualidade ambiental;
inclusive a educação da comunidade, objetivan-
do capacitá-la para participação ativa na defesa VI - a criação de espaços territoriais especialmente
do meio ambiente”. protegidos pelo Poder Público federal, estadual
e municipal, tais como áreas de proteção am-
O artigo 4º determina que a Política Nacional do biental, de relevante interesse ecológico e reser-
Meio Ambiente visará: vas extrativistas;

VII - o sistema nacional de informações sobre o


I - à compatibilização do desenvolvimento econô-
meio ambiente;
mico-social com a preservação da qualidade do
meio ambiente e do equilíbrio ecológico; VIII - o Cadastro Técnico Federal de Atividades e
Instrumentos de Defesa Ambiental;
II - à definição de áreas prioritárias de ação gover-
namental relativa à qualidade e ao equilíbrio IX - as penalidades disciplinares ou compensatórias
ecológico, atendendo aos interesses da União, ao não cumprimento das medidas necessárias
dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios à preservação ou correção da degradação am-
e dos Municípios; biental.

III - ao estabelecimento de critérios e padrões de X - a instituição do Relatório de Qualidade do Meio


qualidade ambiental e de normas relativas ao Ambiente, a ser divulgado anualmente pelo Ins-
uso e manejo de recursos ambientais; tituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos
Naturais Renováveis - IBAMA;
IV - ao desenvolvimento de pesquisas e de tecnolo-
XI - a garantia da prestação de informações rela-
gias nacionais orientadas para o uso racional de
tivas ao Meio Ambiente, obrigando-se o Poder
recursos ambientais;
Público a produzi-las, quando inexistentes;
V - à difusão de tecnologias de manejo do meio
XII - o Cadastro Técnico Federal de atividades po-
ambiente, à divulgação de dados e informações tencialmente poluidoras e/ou utilizadoras dos re-
ambientais e à formação de uma consciência cursos ambientais;
pública sobre a necessidade de preservação da
qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico; XIII - instrumentos econômicos, como concessão
florestal, servidão ambiental, seguro ambiental e
VI - à preservação e restauração dos recursos am- outros.”
bientais com vistas à sua utilização racional e
disponibilidade permanente, concorrendo para
a manutenção do equilíbrio ecológico propício à
vida;

VII - à imposição, ao poluidor e ao predador, da


obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos
causados e, ao usuário, da contribuição pela uti-
lização de recursos ambientais com fins econô-
micos.”
Os instrumentos para sua implementação são de-
talhados no art. 9º:
54

Esta mesma lei, conferiu ao Ministério Público le- 5.3 SANÇÕES CRIMINAIS E SANÇÕES
gitimidade para atuar em defesa do meio ambiente.
ADMINISTRATIVAS
Como o meio ambiente pertence a todos, nada mais
certo do que atribuir a proteção desse interesse a um Figura 13: Crimes Ambientais.
órgão afeito à tutela dos interesses públicos.
Para WOLFF (2010), o conteúdo técnico da Lei é
sem dúvida bem elaborado, contudo, apesar de seu
objetivo inovador e abrangente, o instrumento não
contribuiu efetivamente para trazer soluções eficazes
aos complexos problemas relacionados à proteção do
meio ambiente e à promoção do desenvolvimento en-
frentados pelo Brasil.

“Os cidadãos e as associações de proteção


do meio ambiente, apesar de todo o arsenal ju-
rídico colocado à sua disposição, são frequente-
mente impotentes para intervir em um processo
econômico malsão, a fim de reorientá-lo para uma
moralidade ecológica. Desse modo reforça-se a
indisposição coletiva, cuja origem advém da au-
sência de uma efetiva política ambiental. A ina-
dequação das instituições oficiais que se ocupam
da proteção do meio ambiente, em razão do dis-
Fonte:http://macaubasonoff.com.br Acesso em 15/01/2016
tanciamento entre suas inúmeras atribuições e os
meios financeiros que dispõem, é flagrante. Esta
situação é agravada pela insuficiência de organi- A Lei 9.605, sancionada em 12/02/1998, estabele-
zação e coordenação intra e intergovernamental, ce as sanções criminais aplicáveis às atividades lesivas
em todos os níveis da federação, pela carência de ao meio ambiente e o Decreto nº 3.179 de 21/09/1999
pessoal especializado e pela irrisória fiscalização regulamentou esta lei e atualizou o rol das sanções ad-
dos imensos espaços naturais brasileiros” (WOL- ministrativas aplicáveis às atividades lesivas ao meio
FF, 2010) ambiente (este Decreto foi revogado pelo Decreto nº
6.514 de 22 de julho de 2008).
O objetivo da Lei 9.605 é a responsabilização cri-
Figura 12: Consciência Ambiental. minal do poluidor ou do degradador do meio ambiente,
sem qualquer pretensão de derrogar a Lei nº 6.938/81,
que regula as reparações civis decorrentes de atos da-
nosos ao meio ambiente. Em seu artigo 2º a lei deixa
claro que a responsabilidade criminal se dará segundo
o grau de culpa do agente e inclui entre os imputáveis
criminalmente não só o responsável direto pelo dano,
mas outros agentes, que sabendo da conduta crimino-
sa, se omitiram ou não impediram sua prática.

Art. 2º: Quem, de qualquer forma, concorre


para a prática dos crimes previstos nesta Lei, in-
cide nas penas a estes cominadas, na medida da
sua culpabilidade, bem como o diretor, o adminis-
Fonte: http://essetalmeioambiente.com/l Acesso em 16/01/2016 trador, o membro de conselho e de órgão técnico,
o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de
pessoa jurídica, que, sabendo da conduta crimi-
nosa de outrem, deixar de impedir a sua prática,
quando podia agir para evitá-la.
55

No artigo 3º consagra a responsabilização criminal O Decreto nº 6.514 de 22 de julho de 2008, decla-


da pessoa jurídica, sem excluir a penalização das pes- ra em seu artigo 3º que as empresas infratoras podem
soas físicas que possam ser autoras ou coautoras do ser punidas com as penalidades de advertência; multa
mesmo fato danoso ao meio ambiente. simples ou diária.
Art. 3º: As infrações administrativas são puni-
Art. 3º: As pessoas jurídicas serão responsa-
das com as seguintes sanções:
bilizadas administrativa, civil e penalmente con-
forme o disposto nesta Lei, nos casos em que a I - advertência;
infração seja cometida por decisão de seu repre- II - multa simples;
sentante legal ou contratual, ou de seu órgão cole-
giado, no interesse ou benefício da sua entidade. III - multa diária;

Parágrafo único. A responsabilidade das pes- IV - apreensão dos animais, produtos e subpro-
soas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, dutos da fauna e flora e demais produtos e
autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato. subprodutos objeto da infração, instrumentos,
petrechos, equipamentos ou veículos de qual-
quer natureza utilizados na infração;
As sanções aplicáveis às pessoas jurídicas são a V - destruição ou inutilização do produto;
multa, as restritivas de direitos e prestação de serviços
à comunidade, segundo o artigo 21, e segundo o artigo VI - suspensão de venda e fabricação do pro-
22 estas penas restritivas consistem em: duto;
VII - embargo de obra ou atividade e suas res-
Art. 22º: As penas restritivas de direitos da pectivas áreas;
pessoa jurídica são:
VIII - demolição de obra;
I - suspensão parcial ou total de atividades;
IX - suspensão parcial ou total das atividades; e
II - interdição temporária de estabelecimento,
X - restritiva de direitos.
obra ou atividade;
III - proibição de contratar com o Poder Públi-
co, bem como dele obter subsídios, subvenções Em seu artigo 8º e 9º prevê a aplicação de multas,
ou doações. entre o mínimo de R$ 50,00 e o máximo de R$ 50 mi-
lhões.
§ 1º A suspensão de atividades será aplica-
da quando estas não estiverem obedecendo às Art. 8º: A multa terá por base a unidade, hec-
disposições legais ou regulamentares, relativas à tare, metro cúbico, quilograma, metro de carvão-
proteção do meio ambiente. -mdc, estéreo, metro quadrado, dúzia, estipe,
§ 2º A interdição será aplicada quando o esta- cento, milheiros ou outra medida pertinente, de
belecimento, obra ou atividade estiver funcionan- acordo com o objeto jurídico lesado.
do sem a devida autorização, ou em desacordo Parágrafo único. O órgão ou entidade am-
com a concedida, ou com violação de disposição biental poderá especificar a unidade de medida
legal ou regulamentar. aplicável para cada espécie de recurso ambiental
§ 3º A proibição de contratar com o Poder Pú- objeto da infração.
blico e dele obter subsídios, subvenções ou do-
ações não poderá exceder o prazo de dez anos. Art. 9º: O valor da multa de que trata este De-
creto será corrigido, periodicamente, com base
nos índices estabelecidos na legislação pertinen-
A ação penal, diz o artigo 26, é pública incondicio- te, sendo o mínimo de R$ 50,00 (cinquenta reais)
nada, ou seja, sua instauração independe da iniciativa e o máximo de R$ 50.000.000,00 (cinquenta mi-
do ofendido. Diz ainda que nos crimes cuja pena míni- lhões de reais).
ma prevista seja igual ou inferior a um ano, é possível
a suspensão condicional do processo por um período
de dois a quatro anos e, caso os danos seja reparado
e neste período o agente não venha a cometer outras
irregularidades, é extinta a punibilidade pelo crime co-
metido.
56

ACESSE NA WEB: ambiental;

Lei: • Órgãos Locais: os órgãos ou entidades munici-


pais, responsáveis pelo controle e fiscalização
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9605. dessas atividades, nas suas respectivas jurisdi-
htm ções;

Decreto: O Conselho de Governo é o órgão superior e é


o responsável por assessorar o Presidente da repú-
blica na formulação de diretrizes para a Política Na-
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
cional de Meio Ambiente. O CONAMA estabelece pa-
2010/2008/decreto/d6514.htm
râmetros federais (normas, resoluções e padrões) a
serem obedecidos pelos Estados. O MMA é o órgão
responsável pelo planejamento, coordenação, controle
e supervisão da Política Nacional do Meio Ambiente.
O IBAMA é responsável por formular, coordenar, fisca-
lizar, executar e fazer executar a Política Nacional do
LEITURA OBRIGATÓRIA: Meio Ambiente sob os auspícios do MMA. Os órgãos
Lei nº 9.605 seccionais são responsáveis por executar programas
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/ e projetos de controle de fiscalização das atividades
L9605.htm potencialmente poluidoras e os órgãos locais são res-
Decreto nº 6.514 ponsáveis por atividades de controle e fiscalização das
atividades potencialmente poluidoras.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2007-2010/2008/decreto/d6514.htm A atuação do SISNAMA se dará mediante articula-
ção coordenada dos Órgãos e entidades que o consti-
tuem, observado o acesso da opinião pública às infor-
mações relativas as agressões ao meio ambiente e às
ações de proteção ambiental, na forma estabelecida
pelo CONAMA.
5.4 SISTEMA NACIONAL DO MEIO
AMBIENTE (SISNAMA) De acordo com a Lei nº 6.938, de 31 de agosto
1981, em seu artigo 8º:
Destinado a atribuir eficácia à legislação ambien- Compete ao CONAMA: (Redação dada pela Lei nº
tal existe um sistema de órgãos federais, os quais se- 8.028, de 1990)
rão estudados a seguir.
O Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNA- I - estabelecer, mediante proposta do IBAMA, nor-
MA), é constituído pelos órgãos e entidades da União, mas e critérios para o licenciamento de ativida-
dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e pe- des efetiva ou potencialmente poluidoras, a ser
las Fundações instituídas pelo Poder Público, respon- concedido pelos Estados e supervisionado pelo
sáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambien- IBAMA; (Redação dada pela Lei nº 7.804, de
tal, e tem a seguinte estrutura: 1989)

II - determinar, quando julgar necessário, a realiza-


• Órgão Superior: O Conselho de Governo;
ção de estudos das alternativas e das possíveis
• Órgão Consultivo e Deliberativo: O Conselho consequências ambientais de projetos públicos
Nacional do Meio Ambiente - CONAMA; ou privados, requisitando aos órgãos federais,
• Órgão Central: O Ministério do Meio Ambiente - estaduais e municipais, bem assim a entidades
MMA; privadas, as informações indispensáveis para
apreciação dos estudos de impacto ambiental,
• Órgão Executor: O Instituto Brasileiro do Meio
e respectivos relatórios, no caso de obras ou ati-
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
vidades de significativa degradação ambiental,
- IBAMA;
especialmente nas áreas consideradas patrimô-
• Órgãos Seccionais: os órgãos ou entidades es- nio nacional. (Redação dada pela Lei nº 8.028,
taduais responsáveis pela execução de progra- de 1990)
mas, projetos e pelo controle e fiscalização de
atividades capazes de provocar a degradação III – (REVOGADO pela Lei nº 11941, de 2009)
57

IV - homologar acordos visando à transformação de VI - estabelecer, privativamente, normas e padrões


penalidades pecuniárias na obrigação de execu- nacionais de controle da poluição por veículos
tar medidas de interesse para a proteção am- automotores, aeronaves e embarcações, me-
biental; (VETADO); diante audiência dos Ministérios competentes;

V - determinar, mediante representação do IBAMA, VII - estabelecer normas, critérios e padrões relati-
a perda ou restrição de benefícios fiscais con- vos ao controle e à manutenção da qualidade do
cedidos pelo Poder Público, em caráter geral ou meio ambiente com vistas ao uso racional dos
condicional, e a perda ou suspensão de partici- recursos ambientais, principalmente os hídricos.
pação em linhas de financiamento em estabele- Parágrafo único. O Secretário do Meio Ambiente
cimentos oficiais de crédito; (Redação dada pela é, sem prejuízo de suas funções, o Presidente do Co-
Vide Lei nº 7.804, de 1989) nama. (Incluído pela Lei nº 8.028, de 1990.

5.5 REVISÃO DO CONTEÚDO

• Oriunda de uma mensagem do Poder Executivo, • O objetivo da Lei 9.605 é a responsabilização cri-
elaborada pela SEMA e amplamente discutida no minal do poluidor ou do degradador do meio am-
Congresso Nacional, foi sancionada a Lei nº 6.938, biente, sem qualquer pretensão de derrogar a Lei
de 31 de outubro de 1981, que estabeleceu a Políti- nº 6.938/81, que regula as reparações civis decor-
ca Nacional do Meio Ambiente (PNMA). A principal rentes de atos danosos ao meio ambiente. Em seu
qualidade desta legislação foi o reconhecimento de artigo 2º a lei deixa claro que a responsabilidade
que a execução de uma Política Nacional de Meio criminal se dará segundo o grau de culpa do agente
Ambiente, em um país tão grande como o Brasil, e inclui entre os imputáveis criminalmente não só o
não seria possível se não houvesse uma descen- responsável direto pelo dano, mas outros agentes,
tralização das ações, acionando os Estados e Mu- que sabendo da conduta criminosa, se omitiram ou
nicípios como executores de medidas e providên- não impediram sua prática.
cias.
• O Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA),
• A Constituição federal de 1988, demonstra em seu é constituído pelos órgãos e entidades da União,
texto, séria preocupação com o meio ambiente, di- dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios
ferente das Constituições precedentes que ocupa- e pelas Fundações instituídas pelo Poder Público,
vam-se da proteção do meio ambiente de maneira responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade
incidente e refletiam a questão sob a ótica econo- ambiental. O Conselho de Governo é o órgão supe-
micista. As interdependências entre o desenvolvi- rior e é o responsável por assessorar o Presidente
mento socioeconômico e a proteção da natureza e da república na formulação de diretrizes para a Po-
dos recursos naturais levaram a Assembleia Cons- lítica Nacional de Meio Ambiente. O CONAMA es-
tituinte, responsável pela elaboração da Constitui- tabelece parâmetros federais (normas, resoluções
ção de 1988, a uma percepção integradora, con- e padrões) a serem obedecidos pelos Estados. O
trária àquela visão parcial dos problemas. A opção MMA é o órgão responsável pelo planejamento,
ambientalista passou a ser valorizada, ao se cuidar coordenação, controle e supervisão da Política Na-
entre outros temas do controle dos impactos sobre cional do Meio Ambiente. O IBAMA é responsável
a natureza e do uso e conservação dos recursos por formular, coordenar, fiscalizar, executar e fazer
naturais, bem como a opção humanista, ao se inter- executar a Política Nacional do Meio Ambiente sob
vir em favor da redução dos desequilíbrios sociais. os auspícios do MMA. Os órgãos seccionais são
responsáveis por executar programas e projetos de
• A Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, conhecida
controle de fiscalização das atividades potencial-
como Política Nacional do Meio Ambiente declara
mente poluidoras e os órgãos locais são respon-
que não há mais dano ambiental a salvo da res-
sáveis por atividades de controle e fiscalização das
pectiva reparação, ou seja, não há mais emissão
atividades potencialmente poluidoras.
poluente tolerada. A lei baseia-se na ideia de que
mesmo o resíduo poluente, tolerado pelos padrões
estabelecidos, poderá causar dano ambiental e
portanto o causador do dano deve se sujeitar ao
pagamento da indenização.
58
59

UNIDADE

QUESTÕES AMBIENTAIS
GLOBAIS

Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC

UNIPAC ON-LINE
60

Na unidade 6 apresentaremos algumas


questões ambientais globais. Discutiremos
sobre a destruição da camada de ozônio,
sobre o efeito estufa, sobre a chuva ácida e
sobre o crescimento populacional
Ao final desta unidade o aluno será ca-
paz de perceber que estas questões ambien-
tais estão contribuindo para o aquecimento
do planeta e para acentuar a escassez de re-
cursos naturais, como por exemplo da água.
Além disso o aluno será capaz de conhecer
possíveis caminhos para que possamos ate-
nuar ou dar fim a estes sérios problemas.
Acreditando que a educação ambiental
é transformadora, esperamos motivar os alu-
nos para que possam ser capazes de contri-
buir com as transformações socioambientais
necessárias diante da crise ambiental que estamos vivendo. Sabemos que a caminhada nesta direção não se esgota
aqui, mas que este pode ser um passo importante no enraizamento da educação ambiental, potencializando ação de
pessoas atuantes em direção a sociedades sustentáveis.

“Estamos a destruir o planeta e o egoísmo de cada geração não se preocupa em perguntar como
é que vão viver os que virão depois. A única coisa que importa é o triunfo do agora. É a isto que eu
chamo “cegueira da razão.”

(José de Sousa Saramago)

6.1 A DESTRUIÇÃO DA nas regiões próximas ao Polo Norte e Polo Sul. Estas
CAMADA DE OZÔNIO substâncias são principalmente os gases clorofluorcar-
bonetos (CFCs), os óxidos nítricos e nitrosos e o gás
A camada de ozônio é uma camada de gás que carbônico ou dióxido de carbono.
envolve o planeta Terra, está localizada na estratosfe- Os clorofluorcarbonetos (CFCs) são compostos
ra (segunda camada da atmosfera) e é composta pelo químicos estáveis, com vida média de 139 anos e são
gás ozônio (O3). Esta camada funciona como um filtro muito usados pelas indústrias na fabricação de espu-
que protege o planeta das radiações solares que são mas, isopor, nas máquinas de refrigeração, nos apa-
nocivas para os seres vivos, incluindo os seres huma- relhos de ar-condicionado, como propelentes em ae-
nos. rossóis, como isolantes em transformadores elétricos,
O ozônio é formado por 3 átomos de Oxigênio e como solventes para a limpeza de placas de circuitos
sua produção acontece a partir da colisão de uma mo- elétricos e na produção de materiais plásticos. Depois
lécula de O2 com um átomo de oxigênio, o oxigênio de liberados no ar, demoram cerca de oito anos para
atômico, na presença da luz solar e de substâncias chegar à estratosfera, onde são degradados pela ação
químicas. Sua destruição ocorre a partir do momento da energia solar, liberando átomos de cloro que rea-
que absorve os raios ultravioleta, pois ocorre uma rea- gem quimicamente com o ozônio, destruindo a molé-
ção que retira um átomo de oxigênio de sua estrutura cula e diminuindo sua concentração. Cada átomo de
molecular. Na estratosfera sua produção e destruição cloro de CFC pode destruir milhares de moléculas de
ocorrem constantemente e de forma natural. ozônio, provocando o que chamamos de “buraco na
O ozônio absorve parte da radiação solar, impedin- Camada de Ozônio”.
do a incidência da maior parte dos raios ultravioleta e Na década de 1980 descobriu-se que os CFCs
da radiação gama provenientes do Sol, que poderiam, eram inertes na superfície, mas quando chegavam na
ao atingir a superfície do planeta, provocar graves do- estratosfera tinham um efeito devastador e a partir daí
enças nos seres vivos. Infelizmente, a espécie huma- muito estudos foram feitos e descobriu-se que os efei-
na vem produzindo substâncias que estão destruindo tos eram imediatos e as consequências gravíssimas
a camada de ozônio, tornando-a fina, principalmente para o planeta. Contudo, no Brasil, a camada de ozô-
61

nio não chegou a perder muito do seu tamanho origi-


LEITURA OBRIGATÓRIA:
nal, diferente do que ocorreu com os países da Euro-
pa, com os Estados Unidos, China e Japão. Em janeiro Ações brasileiras para a proteção da cama-
de 2010, foi proibida a produção dos CFCs no mundo. da de ozônio.
O Brasil, desde a época da criação da Agência Disponível em: http://www.protocolodemon-
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), proibiu a fa- treal.org.br/eficiente/sites/protocolodemontreal.
bricação e comercialização de produtos e cosméticos org.br/pt-br/site.php?secao=publicacoes&pub=321
sob a forma de aerossóis que tivessem CFCs e em
1990 aderiu ao Protocolo de Montreal e se compro-
meteu a acabar totalmente com os CFCs até janeiro
de 2010. A estratégia brasileira resultou em 2010 no 6.2 O EFEITO ESTUFA
cumprimento de uma de suas mais importantes me-
tas, a eliminação total da produção e da importação Figura 14: Camada de Ozônio.
dos clorofluorcarbonos (CFCs) e o país recebeu dois
prêmios por seu desempenho e é referência na Amé-
rica Latina pela excelência no cumprimento das metas
estabelecidas.

SAIBA MAIS
Protocolo de Montreal – Foi um
acordo internacional, criado no âmbito
da Convenção de Viena para a Prote-
ção da Camada de Ozônio de 1985,
onde os países se comprometeram em
trocar informações, estudar e proteger a camada
de ozônio. Fonte: http://meioambiente.culturamix.com/ Acesso em: 23/02/2016

Este Protocolo é composto por cinco acordos


firmados em Montreal, Canadá, em 16 de se-
tembro de 1987. Durante dois anos o protocolo O efeito estufa, em condições naturais, é um fenô-
esteve aberto às assinaturas pelos países, re- meno climático de extrema importância para a vida no
cebendo a adesão de 46 governos que se com- planeta Terra. Em nosso planeta, parte da radiação so-
prometeram em reduzir em 50% a produção e lar penetra a atmosfera enquanto a outra parte é refle-
consumo de CFCs. tida e volta para o espaço. A radiação que permanece
no planeta é absorvida por determinados gases-estufa
Fonte: http://www.infoescola.com/meio-ambiente/
protocolo-de-montreal/ presentes na atmosfera, como o gás carbônico (dióxi-
do de carbono), o vapor de água, o metano, o ozônio
e o óxido nitroso, e isso faz com que o calor fique re-
tido, não sendo liberado ao espaço. Os gases-estufa
Desde 1993 o Brasil recebe do Fundo Multilate- determinam uma faixa de temperatura que viabiliza a
ral (FML), aportes para promover mudanças em pro- vida na Terra. Esse fenômeno faz com que a atmosfera
cessos industriais que priorizem o uso de tecnologias permaneça aquecida após o pôr do sol, resfriando-se
livres de substâncias que destroem a camada de ozô- lentamente a noite, sendo um efeito natural e neces-
nio. Muitos projetos foram implementados para frear o sário uma vez que sem ele seria impossível a vida na
consumo dessas substâncias no país. A coordenação Terra pois a temperatura seria mais ou menos 33ºC
de todo o trabalho com este objetivo fica a cargo do mais baixa.
Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio da Coor- Desse modo, a questão preocupante é o acrésci-
denação de Proteção da camada de Ozônio/ Secreta- mo excessivo na quantidade de gás carbônico e outros
ria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental. O gases estufa na atmosfera, pois isso pode provocar
MMA conta também com o apoio do Ibama e de outros retenção de calor, causando um aquecimento da at-
órgãos que compõem o Comitê Interministerial para a mosfera terrestre. A temperatura da Terra está sendo
Proteção da camada de Ozônio (Prozon). afetada porque a atividade humana atual libera na at-
mosfera uma grande quantidade destes gases do efei-
to estufa, que passam a atuar na atmosfera inferior
62

como se fossem fontes secundárias de calor. Estes ga- próximos anos. As mais significativas seriam: aumento
ses são oriundos de processos industriais, pelas cha- de temperatura, modificações nos padrões de chuvas
minés das fábricas e pelas queimadas de biomassa. e alterações na distribuição de extremos climáticos,
Conforme já citado, entre os gases de efeito es- tais como secas, inundações, penetração de frentes
tufa temos o gás carbônico, que é o responsável por frias, geadas, tempestades severas, ventanias, grani-
mais de 50% do efeito estufa global. Este gás vem dos zos, etc.
escapamentos dos veículos automotores, de queima- Além disso, o aumento de efeito estufa, de acor-
das, da combustão de combustíveis, etc. Outros gases do com evidências científicas recentes, apontam para
importantes são o gás metano, oriundo do processo uma intensificação da variabilidade climática associa-
de combustão incompleta e o óxido nitroso, cuja pre- da aos eventos El Niño/La Nina. Existem estudos que
sença na atmosfera se deve também a processos de demonstram também a elevação do nível dos mares
combustão incompleta e de processos que envolvem em decorrência do aumento da temperatura global do
microrganismos presentes no solo, acredita-se que é planeta. Estima-se que as temperaturas possam variar
injetado na atmosfera via introdução de fertilizantes. entre 0,06ºC e 0,8ºC por década até o ano 2100 e que,
De acordo com alguns autores, o incremento ace- em decorrência desse aquecimento, o nível dos mares
lerado da temperatura média da Terra vem ocorrendo possa aumentar de 1cm a 24cm por década no mesmo
desde a Revolução Industrial, devido à maior concen- período. Um aumento dos níveis dos oceanos, por me-
tração de gases na atmosfera, principalmente do gás nor que seja, provoca prejuízos incalculáveis em todo
carbônico, decorrente das seguintes atividades: o mundo, visto que grande parte da população humana
• combustão de petróleo, gás, carvão mineral e vive ao longo da linha litorânea. O previsto aumento do
vegetal; nível médio do mar poderá trazer também consequên-
cias para os ecossistemas e as populações humanas
• emissão de gases pelas indústrias; nas áreas costeiras e nas áreas ribeirinhas que sofrem
• desmatamento e queimada da cobertura vege- a influência das marés. No Brasil, de acordo com da-
tal; e dos do IBGE de 2006, o equivalente a 23,93% da po-
pulação vive na zona costeira.
• fermentação de produtos agrícolas.
O Brasil figura em quarto lugar entre os maiores
emissores de gases estufa. Isso se deve às queimadas
O gás metano, que também contribui substancial-
oriundas do desmatamento, principalmente da Amazô-
mente com o efeito estufa é originado através de resí-
nia, que representam 75% das emissões brasileiras.
duos sólidos orgânicos dispostos em aterros sanitários
Portanto, a redução do desmatamento aliado à ado-
ou gerados em áreas agrícolas.
ção de um pacote de eficiência energética e ao uso
Enfim, As emissões de gases de efeito estufa
de fontes não convencionais de energia poderá levar
ocorrem praticamente em todas as atividades huma-
o país a ser líder e exemplo no combate às causas do
nas e setores da economia: na agricultura, por meio da
aquecimento global.
preparação da terra para plantio e aplicação de fertili-
De acordo com Kiperstotok et al (2002), a redução
zantes; na pecuária, por meio do tratamento de dejetos
da produção dos chamados gases estufa é a princi-
animais e pela fermentação entérica do gado; no trans-
pal medida para combater o aquecimento global. No
porte, pelo uso de combustíveis fósseis, como gasolina
Brasil, incentivos para a retirada do gás carbônico da
e gás natural; no tratamento dos resíduos sólidos, pela
atmosfera vem sendo introduzidos. Entre estes meca-
forma como o lixo é tratado e disposto; nas florestas,
nismos estão o plantio de florestas e captação de CO2
pelo desmatamento e degradação de florestas; e nas
para injeção em reservatórios de Petróleo. Porém as
indústrias, pelos processos de produção, como cimen-
medidas de maior impacto são aquelas que levam à re-
to, alumínio, ferro e aço, por exemplo.
dução da emissão, como a otimização do uso da ener-
Os CFCs que foram vistos no item 6.1 desta apos-
gia e a substituição de fontes tradicionais pelas fontes
tila, além de destruírem a camada de ozônio também
alternativas.
intensificam o efeito estufa. Conforme já vimos, estes
Um dos marcos mais importantes no combate ao
gases são injetados na atmosfera via introdução dos
efeito estufa e às mudanças climáticas foi a adoção do
mesmos nas geladeiras e ar condicionados, durante os
Protocolo de Quioto. O Brasil assinou o Protocolo de
processos de fabricação ou pela sua liberação quando
Quioto em 23 de agosto de 2002, tendo sua aprova-
estes produtos deterioram ou apresentam defeitos, en-
ção interna se dado por meio do Decreto Legislativo
tre outros.
nº 144 de 2002. Este protocolo definiu que os países
O cientista Carlos Nobre esclarece que se o pa-
industrializados reduziriam em pelo menos 5,2% suas
drão atual de emissões de gases estufa para atmos-
emissões combinadas de gases de efeito estufa em
fera continuar, há alta probabilidade de que mudanças
relação aos níveis de 1990. A primeira etapa do proto-
climáticas globais de grande magnitude ocorra nos
63

colo ocorreu entre 2008 e 2012, ano em que os países nação de rios e lagos, prejudicando a pesca; a destrui-
decidiram estendê-lo até 2020. ção de patrimônios; o empobrecimento da vegetação
natural; alterações na agricultura e na pecuária, entre
outros.
PARA SABER MAIS
No Brasil, na cidade de Congonhas do Campo,
Protocolo de Montreal – Foi um acordo in- em Minas Gerais, a acidez das chuvas tem causado
ternacional, criado no âmbito da Convenção de um grande estrago nas estátuas de pedra-sabão dos
Viena para a Proteção da Camada de Ozônio 12 profetas, obra do século XVIII de Antônio Francisco
de 1985, onde os países se comprometeram Lisboa, o Aleijadinho. Muitas destas imagens históri-
em trocar informações, estudar e proteger a cas, estão esburacadas e sem algumas partes, des-
camada de ozônio.
truídas pelo efeito corrosivo dessas chuvas. É neces-
Este Protocolo é composto por cinco acor-
dos firmados em Montreal, Canadá, em 16 de setembro sário lembrar que a cidade de Congonhas encontra-se
de 1987. Durante dois anos o protocolo esteve aberto no chamado “quadrilátero ferrífero”, no qual há várias
às assinaturas pelos países, recebendo a adesão de 46 indústrias siderúrgicas, responsáveis pela extração e
governos que se comprometeram em reduzir em 50% a beneficiamento do minério de ferro da região.
produção e consumo de CFCs.

Fonte: http://www.infoescola.com/meio-ambiente/proto- Figura 16: Esculturas de Aleijadinho, Congonhas, Minas Gerais


colo-de-montreal/

6.3 A CHUVA ÁCIDA

Provavelmente a chuva ácida surgiu em meados


do século XIX, em decorrência da revolução Industrial,
mas somente a cerca de uns vinte anos que esse fenô-
meno começou a preocupar os ambientalistas.
A precipitação ácida ocorre quando aumenta a
concentração de dióxido de enxofre e óxidos de nitro-
gênio, que produzem ácidos sulfúrico e nítrico, respec-
tivamente, quando em contato com a água da chuva. Fonte: Pixabay.
Esses compostos são liberados na combustão de deri-
Em Cubatão, no litoral do Estado de São Paulo, a
vados de petróleo e do carvão. A fumaça emitida pelas
poluição atmosférica é causada pelos gases emitidos
chaminés de algumas indústrias e escapamentos de
pelas refinarias de petróleo e outras indústrias que uti-
automóveis possuem uma elevada concentração des-
lizam enxofre em suas atividades, com as indústrias
ses poluentes. A emissão desses gases na atmosfera
petroquímicas e siderúrgicas, causando chuvas que
pode ser causada também por erupções vulcânicas.
podem atingir índice de acidez com pH entre 4,7 e 3,7.
Figura 15: Chuva ácida. Em algumas regiões do mundo, algumas precipitações
estão atingindo índice de acidez próximo a 2,0, neste
caso altera muito o pH dos rios e lagos e a maioria dos
peixes morrem.
Algumas medidas podem ser tomadas para atenu-
ar a formação de chuva ácida: economia de energia;
uso do transporte coletivo; criação e uso de fontes de
energia menos poluentes; utilização de combustíveis
com baixo teor de enxofre, etc.

Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/ Acesso em: 23/02/2016

Em função disso, muitos prejuízos já foram causa-


dos pela chuva ácida ocasionada pela ação humana,
como por exemplo: a contaminação do solo; a contami-
64

aumentando e isso se deve ao aumento da expectativa


Como calcular o grau da acidez? A escala de pH varia
de vida da população. A previsão é de que em 2050 a
de 0 a 14. Quanto mais baixo o número, maior o índice
de acidez. O pH da água destilada tem aproximadamente população mundial ultrapassará 8 bilhões de pessoas.
pH=7, que é neutro. Se o pH for menor que 7, a substância Ainda de acordo com o UNFPA, o crescimento po-
é ácida e se o pH for maior que 7, a substância é básica. pulacional afeta todos os aspectos do desenvolvimen-
É importante saber que cada alteração de uma unidade to sustentável, incluindo pobreza, urbanização, HIV/
no valor do pH, significa que o teor de acidez aumentou Aids, envelhecimento, segurança do meio ambiente,
10 vezes: o pH 1 é dez vezes mais ácido que o pH2 e cem
migração, questões de gênero e de saúde reprodutiva.
vezes mais ácido que o pH 3.
O avanço da população mundial eleva a pressão
Fonte: http://www.infoescola.com/meio-ambiente/protocolo-de-montreal/
por alimentos, infraestrutura e serviços essenciais
como saneamento e educação e ao mesmo tempo que
tenta atender essas demandas deve encontrar meios
para reverter e minimizar os danos ao meio ambien-
6.4 O CRESCIMENTO POPULACIONAL
te, diminuir as desigualdades econômicas e sociais.
Figura 17: Crescimento populacional. O grande desafio das próximas décadas é encontrar
formas para reverter e evitar novos danos ao meio am-
biente, diminuir as disparidades econômicas, as de-
sigualdades sociais e a falência dos grandes centros
urbanos.

Fonte:http://www.prof2000.pt/ Acesso em 20/01/2016)

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/ Acesso em:23/02/2016


Outro problema preocupante com o aumento po-
pulacional é a quantidade de água disponível no pla-
O crescimento populacional é caracterizado como
neta. De acordo com o Relatório das Nações Unidas,
o aumento do número de habitantes no planeta e há
o crescimento acentuado da população mundial, as
muito tempo os pesquisadores vêm demonstrando
alterações climáticas, a má gestão e a procura cres-
preocupação com este aumento da população, princi-
cente de energia estão a exercer pressões intensas
palmente pelo comprometimento de sua estabilidade
nas reservas de água do mundo, que estão cada vez
ambiental e pela exaustão dos recursos naturais.
menores.
Segundo Cerqueira, no final do século XVII e iní-
O Relatório calcula que em 2030, quase metade
cio do século XVIII que o crescimento populacional no
da população mundial estará vivendo em zonas de ele-
mundo se intensificou, isto porque antes desse período
vado stress hídrico, incluindo entre 75 milhões e 250
a expectativa de vida era muito baixa, fato que elevava
milhões de pessoas na África. E a escassez de água
as taxas de mortalidade. Em 1930, a Terra era habi-
em algumas zonas áridas e semi-áridas levará entre
tada por cerca de 2 bilhões de pessoas e, em 1960,
24 milhões e 700 milhões de pessoas se deslocarem
esse número atingiu a marca de 3 bilhões, com média
para outros locais. Além disso, realça o impacto consi-
de crescimento populacional de 2% ao ano. Durante a
derável desta situação na saúde, uma vez que quase
década de 1980, a população mundial ultrapassou a
80% das doenças nos países em desenvolvimento es-
marca de 5 bilhões de pessoas.
tão associadas à água, como por exemplo a diarreia
De acordo com o Fundo de População das Na-
que mata milhares de crianças por ano está associada
ções Unidas (UNFPA), nos últimos 50 anos, o número
ao abastecimento de água, saneamento básico, higie-
de habitantes do mundo mais que duplicou, passando
ne e gestão dos recursos hídricos.
de 2 milhões e 500 mil em 1950 e atingindo 7 bilhões
em 2011. Apesar das taxas de natalidade estarem de-
crescendo na maioria dos países, a população segue
65

6.5 REVISÃO DO CONTEÚDO

• O ozônio absorve parte da radiação solar, impedin- e degradação de florestas; e nas indústrias, pelos
do a incidência da maior parte dos raios ultravioleta processos de produção, como cimento, alumínio,
e da radiação gama provenientes do Sol, que po- ferro e aço, por exemplo.
deriam, ao atingir a superfície do planeta, provocar
• Um dos marcos mais importantes no combate ao
graves doenças nos seres vivos. Infelizmente, a
efeito estufa e às mudanças climáticas foi a ado-
espécie humana vem produzindo substâncias que
ção do Protocolo de Quioto. O Brasil assinou o
estão destruindo a camada de ozônio, tornando-a
Protocolo de Quioto em 23 de agosto de 2002,
fina, principalmente nas regiões próximas ao Polo
tendo sua aprovação interna se dado por meio do
Norte e Polo Sul. Estas substâncias são principal-
Decreto Legislativo nº 144 de 2002. Este protocolo
mente os gases clorofluorcarbonetos (CFCs), os
definiu que os países industrializados reduziriam
óxidos nítricos e nitrosos e o gás carbônico ou dió-
em pelo menos 5,2% suas emissões combinadas
xido de carbono.
de gases de efeito estufa em relação aos níveis
• Os clorofluorcarbonetos (CFCs) são compostos de 1990. A primeira etapa do protocolo ocorreu
químicos estáveis, com vida média de 139 anos, entre 2008 e 2012, ano em que os países decidi-
são muito usados pelas indústrias na fabricação de ram estendê-lo até 2020.
espumas, isopor, nas máquinas de refrigeração,
• Provavelmente a chuva ácida surgiu em meados
nos aparelhos de ar-condicionado, como prope-
do século XIX, em decorrência da revolução In-
lentes em aerossóis, como isolantes em transfor-
dustrial, mas somente a cerca de uns vinte anos
madores elétricos, como solventes para a limpeza
que esse fenômeno começou a preocupar os am-
de placas de circuitos elétricos e na produção de
bientalistas. A precipitação ácida ocorre quando
materiais plásticos. Depois de liberados no ar, de-
aumenta a concentração de dióxido de enxofre e
moram cerca de oito anos para chegar à estratos-
óxidos de nitrogênio, que produzem ácidos sulfú-
fera, onde são degradados pela ação da energia
rico e nítrico, respectivamente, quando em con-
solar, liberando átomos de cloro que reagem qui-
tato com a água da chuva. Esses compostos são
micamente com o ozônio, destruindo a molécula e
liberados na combustão de derivados de petróleo
diminuindo sua concentração. Cada átomo de clo-
e do carvão. A fumaça emitida pelas chaminés de
ro de CFC pode destruir milhares de moléculas de
algumas indústrias e escapamentos de automó-
ozônio, provocando o que chamamos de “buraco
veis possuem uma elevada concentração desses
na Camada de Ozônio”.
poluentes. A emissão desses gases na atmosfera
• A questão preocupante com o efeito estufa é o pode ser causada também por erupções vulcâni-
acréscimo excessivo na quantidade de gás carbô- cas.
nico e outros gases estufa na atmosfera, pois isso
• De acordo com o Fundo de População das Na-
pode provocar retenção de calor, causando um
ções Unidas (UNFPA), nos últimos 50 anos, o
aquecimento da atmosfera terrestre. A temperatura
número de habitantes do mundo mais que dupli-
da Terra está sendo afetada porque a atividade hu-
cou, passando de 2 milhões e 500 mil em 1950 e
mana atual libera na atmosfera uma grande quanti-
atingindo 7 bilhões em 2011. Apesar das taxas de
dade destes gases do efeito estufa, que passam a
natalidade estarem decrescendo na maioria dos
atuar na atmosfera inferior como se fossem fontes
países, a população segue aumentando e isso se
secundárias de calor. Estes gases são oriundos de
deve ao aumento da expectativa de vida da popu-
processos industriais, pelas chaminés das fábricas
lação. A previsão é de que em 2050 a população
e pelas queimadas de biomassa.
mundial ultrapassará 8 bilhões de pessoas.
• As emissões de gases de efeito estufa ocorrem
praticamente em todas as atividades humanas e
setores da economia: na agricultura, por meio da
preparação da terra para plantio e aplicação de
fertilizantes; na pecuária, por meio do tratamento
de dejetos animais e pela fermentação entérica do
gado; no transporte, pelo uso de combustíveis fós-
seis, como gasolina e gás natural; no tratamento
dos resíduos sólidos, pela forma como o lixo é tra-
tado e disposto; nas florestas, pelo desmatamento
66
67

UNIDADE

ENERGIA

Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC

UNIPAC ON-LINE
68

Na unidade 7 estudaremos as fontes de energia renováveis e não


renováveis. Discutiremos também sobre os impactos ambientais
causados pela exploração e uso da energia e sobre as reservas
energéticas no Brasil.
Ao final desta unidade o aluno será capaz de perceber
que em busca de energia, o ser humano passou a explorar
diferentes processos que acarretaram impactos profundos no
meio ambiente. Além disso o aluno será capaz de compre-
ender a urgência da busca por energias alternativas capazes
de suprir nossas necessidades e preservar a natureza para as
futuras gerações.
Acreditando que a educação ambiental é transformadora, es-
peramos motivar os alunos para que possam ser capazes de con-
tribuir com as transformações socioambientais necessárias diante
da crise ambiental que estamos vivendo. Sabemos que a caminhada
nesta direção não se esgota aqui, mas que este pode ser um passo
importante no enraizamento da educação ambiental, potencializando
ação de pessoas atuantes em direção a sociedades sustentáveis.

“Os problemas ambientais não ocorrem exclusivamente onde as pessoas são ricas ou onde as pes-
soas são pobres; eles ocorrem em todo lugar. Tornar-se rico e industrializado não resolve automaticamen-
te os problemas ambientais, ao contrário, gera todo um novo conjunto deles.”
(Donella Meadows)

7.1 FONTES DE ENERGIA Este tipo de energia é também considerado “ener-


NÃO RENOVÁVEIS gia suja”, já que sua utilização causa danos para o
meio ambiente e para a sociedade, como: destruição
Iniciando a discussão sobre as fontes de energia, é de ecossistemas, doenças, danos em bosques e aquí-
necessário sabermos que existem as fontes primárias feros, redução da produtividade agrícola, corrosão de
e secundárias. Chamamos de fonte primária quando a edificações e monumentos, deterioração da camada
energia é utilizada de forma direta pelos seres vivos, de ozônio, chuva ácida, efeito estufa, etc.
como por exemplo, a lenha. Chamamos de fonte se- De acordo com Menegat (2006), os combustíveis
cundária, quando a energia passa por um processo de fósseis são extraídos de depósitos naturais de pe-
transformação, como por exemplo a gasolina, o óleo tróleo, gás natural e carvão mineral. Estes depósitos
diesel, o óleo combustível, querosene, carvão vege- formaram-se a milhões de anos a partir da decompo-
tal, álcool, eletricidade, entre outros. Este processo de sição de vegetais e animais, submetidos a altas tem-
transformação ocorre em refinarias de petróleo, plan- peraturas e pressões na crosta terrestre. O tempo de
tas de gás natural, usinas de gaseificação, carvoarias, formação desses combustíveis é da ordem de milhões
destilarias, usinas hidrelétricas, centrais termelétricas de anos e sua utilização pelas atividades humanas é
e outras (SILVA E FELISBINO, 2009). muito rápida e por este motivo constituem um estoque
As fontes não renováveis de energia se encon- não renovável. Os combustíveis nucleares provêm do
tram na natureza em quantidades limitadas e uma vez Urânio e do tório, que liberam uma grande quantida-
esgotadas, não podem ser regeneradas. Todas essas de de energia pela fissão (divisão) de seus núcleos e
fontes têm reservas finitas, uma vez que é necessário também existem em quantidades limitadas na crosta
muito tempo para as repor, e além disso, sua distri- terrestre.
buição geográfica não é homogenia. Estas fontes de Ainda de acordo com o mesmo autor, a fissão de
energia podem ser chamadas de convencionais e pro- um grama de urânio produz uma quantidade de ener-
duzem grande impacto ambiental. São exemplos: com- gia três milhões de vezes maior que a combustão de
bustíveis fósseis e combustíveis nucleares. um grama de carvão, porém este rendimento energéti-
69
co está associado a sérios problemas ambientais, rela- produz cinzas, dióxido de carbono, dióxidos de enxofre
cionados à disposição dos resíduos gerados durante o e óxidos de azoto.
processo de produção.
O petróleo é considerado a principal fonte de ener-
7.2 FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS
gia atual. Trata-se de um óleo menos denso que a
água, de cor escura e cheiro forte, constituído princi- OU ENERGIAS ALTERNATIVAS
palmente por hidrocarbonetos leves e pesados. O óleo
bruto sofre um processo de destilação nas refinarias As fontes de energia renováveis são representa-
de petróleo, gerando diversos componentes e os mais das pelos bens naturais que não se esgotam ou que
variados combustíveis e matérias- primas. Dele obtém- podem ser repostos em curtos períodos de tempo.
-se a gasolina, que é utilizada como combustível para Apresentam limitações em termos da quantidade de
automóveis e utilitários; a querosene, para o abasteci- energia disponível a cada momento e por isso são
mento de aeronaves; o óleo diesel como combustível complementares às fontes de energias convencionais.
para ônibus, caminhões, máquinas industriais e agrí- As energias renováveis, em geral, causam pequenos
colas e usinas termelétricas; entre outros. Os deriva- impactos no meio ambiente e por este motivo são ex-
dos do petróleo são importantes tanto para a geração celentes alternativas ao sistema energético tradicional.
de energia elétrica quanto para os transportes. Entre as fontes de energias alternativas destacam-
A gasolina é o produto mais utilizado e mais ren- -se: energia solar, energia eólica, energia hídrica, ener-
tável do petróleo. Todos os transportes, a nível mun- gia dos oceanos, energia da biomassa, energia do gás
dial, dependem da gasolina, do jet fuel (usado pelos hidrogênio e energia geotérmica.
aviões) e do gasóleo. Contudo, estima-se que com o Energia solar – É a energia que vem do sol. A ra-
atual ritmo de consumo, as reservas de petróleo de diação solar pode ser utilizada diretamente como fonte
esgotem nos próximos 30 anos. O petróleo é um dos de energia térmica, para aquecimento de fluidos e am-
combustíveis mais nocivos para o meio ambiente, pois bientes e para geração de potência mecânica ou elétri-
em todas as fases do consumo ele é prejudicial: du- ca. Pode ainda ser convertida diretamente em energia
rante a extração, devido à possibilidade de derramar elétrica, por meio de efeitos sobre determinados ma-
no local; durante o transporte, devido à utilização de teriais, entre os quais se destacam o termoelétrico e o
infraestruturas obsoletas; durante a refinação, devido fotovoltaico.
à possibilidade de contaminação com os resíduos das O aquecimento solar passivo é o aproveitamento
refinarias; no momento da combustão, devido à emis- da iluminação natural e do calor para aquecimento de
são de gases estufa para a atmosfera. ambientes e decorre da penetração ou absorção da ra-
O gás natural é uma mistura de hidrocarbonetos diação solar nas edificações, reduzindo desta maneira,
leves, na qual o metano (CH4) corresponde a cerca de as necessidades de iluminação e aquecimento. Assim,
70% em volume, mas sua composição pode variar de um melhor aproveitamento da radiação solar pode ser
acordo com o depósito de origem. Ocorre em camadas feito com o auxílio de técnicas mais sofisticadas de ar-
superiores ao depósito de petróleo. O gás natural pode quitetura e construção.
ser utilizado como combustível em usinas termelétri- O aproveitamento térmico para aquecimento de
cas, indústrias, para uso em residências e automóveis. fluidos é feito com o uso de coletores ou concentrado-
A principal diferença com o petróleo é que o gás natural res solares. Estes são mais usados em aplicações re-
pode ser usado tal como é extraído, sem necessidade sidenciais e comerciais e para o aquecimento de água.
de refinação e apresenta uma combustão mais limpa Os concentradores solares destinam-se a aplicações
do que qualquer derivado do petróleo. que requerem temperaturas mais elevadas, como a
Os depósitos de carvão mineral são formados pela secagem de grãos e a produção de vapor. Neste último
compactação da matéria orgânica fóssil sob condições caso, pode-se gerar energia mecânica com o auxílio
de pressão e temperatura diferentes do petróleo e do de uma turbina a vapor, e, posteriormente, eletricidade,
gás natural. O carvão é uma rocha orgânica, constitu- por meio de um gerador.
ída maioritariamente por carbono. A queima do carvão A conversão direta da energia solar em energia
mineral fornece energia que pode ser utilizada para di- elétrica ocorre pelos efeitos da radiação (calor e luz)
ferentes finalidades: cozinhar, movimentar máquinas e sobre determinados materiais, particularmente os se-
também produzir energia elétrica em usinas termelétri- micondutores. Entre esses, destacam-se os efeitos
cas. Atualmente, o carvão mineral contribui com apro- termoelétrico e fotovoltaico. O primeiro caracteriza-se
ximadamente 22% da produção de energia mundial, pelo surgimento de uma diferença de potencial, provo-
sendo o mais importante combustível para a geração cada pela junção de dois metais, em condições espe-
de energia elétrica (40% da produção). cíficas e no segundo, os fótons contidos na luz solar
O principal problema na utilização do carvão está são convertidos em energia elétrica, por meio do uso
ligado aos poluentes resultantes de sua queima, que de células solares.
70

As vantagens do uso da energia solar estão na Energia eólica – É a energia que vem dos ventos.
significativa poupança energética e econômica, que A diferença entre as quantidades de energia solar re-
chega a atingir, em alguns casos mais de 80% e além cebidas nas várias partes da superfície terrestre cau-
disso, existe uma grande disponibilidade de tecnologia sa diferenças de temperatura e pressão e provoca os
no mercado. A desvantagem pode estar no elevado in- ventos. A energia cinética, o movimento de rotação da
vestimento na instalação solar. Terra e a atração gravitacional da Terra sobre a massa
As principais aplicações da energia solar são: da atmosfera que a envolve também contribuem para a
produção de água quente sanitária (AQS) para uso formação dos ventos. Portanto a energia eólica resulta
doméstico, hospitais, hotéis, etc; aquecimento de pis- da energia solar e da energia gravitacional. O aprovei-
cinas; aquecimento do ambiente; arrefecimento do tamento da energia contida nos ventos ocorre por meio
ambiente; produção de água a elevadas temperaturas da conversão da energia cinética, utilizando turbinas
destinada a uso industrial, entre outras. Pode-se cap- eólicas para gerar eletricidade ou cata ventos para tra-
tar energia solar por meio de: balhos mecânicos.

a-Coletores planos, que aproveitam não só a Energia hídrica – É a energia que vem das que-
radiação solar, mas também a radiação difusa das de água, originada pela força da gravidade. As
(em dias nublados) para aquecimento da água quedas d’água podem existir naturalmente ou podem
e do ar; ser construídas pelo ser humano e a transformação
do movimento das águas em energia elétrica é reali-
zada pelas usinas hidrelétricas. Nessas usinas são
b-Células fotovoltaicas, usadas para geração instaladas turbinas que necessitam da construção de
direta de energia elétrica, aproveitando o efei- barragens para represamento da água e quando as
to fotovoltaico que a radiação solar direta des- comportas se abrem a água desce em grande veloci-
prende elétrons de materiais semicondutores, dade movimentando as turbinas que movimentam os
dando origem a corrente elétrica; geradores. O movimento desses geradores produz a
energia elétrica.
Energia dos oceanos – É a energia resultante
c-Coletores concentradores, que concentram
das marés, provocada pelo movimento de rotação da
radiação solar direta num único ponto, produ-
lua em torno da Terra. A atração gravitacional provoca
zindo calor em alta temperatura para vapori-
variações na altura da superfície do mar, fazendo com
zar a água e gerar eletricidade numa turbina.
que os desníveis entre as marés baixa e alta sejam
significativos.
É importante sabermos, que quase todas as fontes Energia da biomassa – É a energia resultante da
de energia: hidráulica, biomassa, eólica, combustíveis matéria orgânica de origem animal e vegetal. Este tipo
fósseis e energia dos oceanos são formas indiretas de de energia vem da cana-de-açúcar, de lenhas e ma-
energia solar. deiras, de óleos vegetais como mamona e dendê, de
Benefícios do uso da energia solar: esterco de animais, de esgoto, de resíduos orgânicos,
etc. Esses materiais são transformados em energia
pelas vias termoquímica ou bioquímica. O biodiesel
Figura 18: Energia solar.
por exemplo provém de óleos vegetais e animais, que
podem ser misturados ao óleo diesel produzido do pe-
tróleo para movimentar os motores. Os óleos usados
em frituras e que são coletados em restaurantes e re-
sidências também podem ser transformados em bio-
combustível.
A energia da biomassa pode ser convertida em ou-
tras formas de energia como: energia calorífera, ener-
gia mecânica e energia elétrica.
Energia do hidrogênio – É a energia resultan-
te da queima do hidrogênio. A queima de hidrogênio
(H2) pode ser feita de forma idêntica à de outros com-
bustíveis e a chama da queima do hidrogênio chega
Fonte: http:/dadessolares.org.br/ligado/ Acesso em 23/01/2016
a 2.400oC, um pouco mais do que se obtém na quei-
ma de gás natural ou gasolina. Ele também pode ser
usado em pilhas de combustível. Em motores de com-
bustão, a emissão resultante da queima do hidrogênio
71
puro é o vapor d’água proveniente da combinação do ciais incríveis. “Cidadãos típicos de nações industriali-
hidrogênio com o oxigênio do ar. O emprego do hidro- zadas consomem em seis meses o mesmo que cida-
gênio como fonte de energia tornou-se atraente devido dãos típicos dos países em desenvolvimento durante
ao baixo impacto ambiental, porém o elevado custo na toda a sua vida” (MAURICE STRONG apud MILLER,
extração e a baixa eficiência de armazenamento cons- 2007, p.323).
tituem desafios. Além disso, o hidrogênio dificilmente é Tanto a exploração quanto a produção e transpor-
encontrado isoladamente na natureza, pois ele sempre te de petróleo podem gerar impactos ambientais nega-
está combinado com outros elementos, como oxigênio tivos. O vazamento do petróleo causa danos aos ecos-
e carbono. sistemas marinhos e a exploração em terra pode gerar
Energia geotérmica – É a energia obtida a par- infiltrações de petróleo no solo e contaminação de len-
tir do calor proveniente do interior da Terra, especial- çóis subterrâneos. Nas refinarias de petróleo existem
mente em regiões vulcânicas ou com fortes atividades riscos de explosão e incêndio, e além disso, essas refi-
sísmicas. O calor existente nas camadas interiores da narias poluem o ar com o lançamento na atmosfera de
Terra é utilizado na central de energia geotérmica, para óxidos de enxofre, nitrogênio e monóxido de carbono.
produzir vapor d’água que vai acionar uma turbina. O vazamento do petróleo pode ocorrer devido
Este tipo energia não é explorado no Brasil. a problemas nas instalações e no funcionamento de
equipamentos. A magnitude do impacto ambiental
Figura 19: Fontes de energia. pode ser avaliada através da quantidade de óleo der-
ramado e do tempo de permanência deste óleo no am-
biente aquático.
No caso do carvão natural, vários problemas ocor-
rem devido ao seu elevado teor de enxofre e cinzas.
A geração de energia elétrica e de calor a partir de
combustíveis fósseis passa pelas usinas termelétricas,
que podem ser alimentadas por carvão mineral, óleo
diesel ou gás natural. Estas usinas liberam gases de
efeito estufa e lançam nos rios, lagos e mares, águas
residuais de resfriamento com temperatura até 25ºC
mais elevadas do que as existentes e esta água aque-
cida possui menos oxigênio dissolvido que a água fria,
prejudicando a vida aquática e a ação das bactérias
decompositoras de resíduos orgânicos.
Para a obtenção da energia proveniente da bio-
massa são necessárias várias extensões de terras e
os problemas ambientais provenientes da produção
da biomassa estão ligados à monocultura de milho,
Fonte: http://www.portal-energia.com/fontes-de-energia Acesso em: 23/02/2016 cana-de-açúcar e outros; à saturação do solo; ao uso
intensivo de fertilizantes e agrotóxicos e à perda da
7.3 IMPACTOS AMBIENTAIS NA biodiversidade.
Os átomos radioativos contaminam a atmosfera,
EXPLORAÇÃO E USO DA ENERGIA
as águas subterrâneas, a vegetação, os animais e che-
ga também aos seres humanos. Nos seres vivos esta
Toda energia produzida e consumida gera um tipo
radiação pode causar câncer, queimaduras, infecções,
de impacto ambiental e a irreversibilidade desses im-
entre outros problemas. O contato direto com a radia-
pactos é o que tem provocado muita preocupação. Es-
ção pode levar à morte. Além disso, os vazamentos
tes impactos vão desde o aquecimento global devido
de resíduos ou substâncias radioativas podem ocorrer
a queima contínua dos combustíveis fósseis à perda
durante todo o processo eu envolve energia nuclear
de sítios arqueológicos e da biodiversidade, devido à
A geração de energia hidrelétrica também acarre-
construção de reservatórios de hidrelétricas.
ta impactos ambientais significativos. As centrais com
Na busca constante por mais energia, a sociedade
grandes reservatórios provocam alterações nos meios
negligenciou os cuidados com a preservação da natu-
físicos e biótico, além de bruscas mudanças no perfil
reza, gerando impactos ambientais de diferentes pro-
social e econômico das comunidades humanas situ-
porções. O progresso econômico sempre se baseou
adas tanto na área do reservatório como rio abaixo.
no consumo de energia e a utilização desta energia
Grandes quantidades de materiais que são emprega-
sempre provocou perdas ambientais consideráveis ao
dos durante a construção das barragens também pro-
longo de muitos anos, além de provocar contrastes so-
vocam impactos ambientais.
72

O enchimento do reservatório provoca mudanças A capacidade de produção de petróleo passou a suprir


na flora e na fauna locais, além de aumentar o acúmulo mais de 90% da demanda por essa fonte de energia e
de sedimentos no fundo do lago, ou seja, o assorea- seus derivados no país. Em 2006 a produção atingiu
mento. A inundação de áreas que eram agriculturáveis patamares mais elevados e a conquista da autossufi-
também é causada pela instalação de hidrelétricas. O ciência ocorreu, permitindo o desenvolvimento da eco-
microclima e o ciclo hidrológico do local também po- nomia e o aumento de empregos no país.
dem ser afetados. Em 2007 o governo brasileiro anunciou a desco-
berta de reservas de petróleo encontradas a sete mil
metros de profundidade e que apresentam imensos
7.4 RESERVA ENERGÉTICA poços de petróleo em excelente estado de conserva-
NO BRASIL ção, chamadas de pré-sal. Contudo, a descoberta do
pré-sal ainda possui indagações que somente serão
respondidas na medida em que esse novo campo de
A busca pelo petróleo no Brasil vem desde os tem-
exploração for conhecido e espera-se que o governo
pos coloniais, mas a primeira jazida de petróleo no país
brasileiro tenha condições de traçar políticas que defi-
foi descoberta em 1939, na Bahia, no bairro de Lobato
nam a exploração dessa nova fonte de energia (SOU-
em Salvador. Sete anos após esta descoberta, surgiu a
SA, 2016).
Petrobras, estatal que manteve o monopólio de explo-
Atualmente, a Petrobras e empresas do mundo in-
ração no Brasil até 1997, e possibilitou a intensificação
teiro produzem petróleo em diversos pontos do Brasil.
da atividade petrolífera.
Em terra, os maiores campos estão no Rio Grande do
A produção média de petróleo no Brasil em 1970
Norte e Bahia. Mas há campos no Maranhão, Piauí,
era da ordem de 200 mil barris por dia e o consumo
Minas Gerais, Paraná e São Paulo. No mar, as bacias
diário atingia 1,1 milhão de barris diários. O grande
de Santos e de Campos se destacam na produção
desafio da época era descobrir novas reservas para
de petróleo. Recentemente, foram descobertas áreas
aumentar a produção e suprir a demanda.
com petróleo no litoral de Sergipe, Pará e Maranhão,
além do pré-sal, gigantesca reserva de petróleo que se
Figura 20: Barragem, hidroelétrica.
estende do Espírito Santo até Santa Catarina.
De acordo com Miller (2007), o mundo ainda não
está sofrendo com a escassez de petróleo. Porém,
com uso de todas as fontes não renováveis de ener-
gia, espera-se que as reservas petrolíferas diminuam e
os preços aumentarão à medida que os consumidores
começarem a competir pelas reduzidas reservas petro-
líferas mundiais.

Fonte: Pixabay.

Em 1974 foi descoberta a mais importante provín-


cia petrolífera do Brasil, a Bacia de Campos e neste
momento começou-se um marco rumo a auto suficiên-
cia em petróleo. Com o passar do tempo, o Brasil se
tornou uma das únicas nações a dominar a tecnologia
de exploração do petróleo em águas profundas, porém
em 1997, durante o governo de Fernando Henrique
Cardoso foi aprovada uma lei que acabou com o mo-
nopólio estatal sobre a exploração petrolífera, permitin-
do que empresas do setor privado pudessem explorar
e competir na atividade.
Um novo período da atividade petrolífera no Brasil
iniciou-se em 2003 com a descoberta de outras bacias.
73

7.5 REVISÃO DO CONTEÚDO

• As fontes não renováveis de energia se encontram este motivo são excelentes alternativas ao sistema
na natureza em quantidades limitadas e uma vez energético tradicional. Entre as fontes de energias
esgotadas, não podem ser regeneradas. Todas es- alternativas destacam-se: energia solar, energia
sas fontes têm reservas finitas, uma vez que é ne- eólica, energia hídrica, energia dos oceanos, ener-
cessário muito tempo para as repor, e além disso, gia da biomassa, energia do gás hidrogênio e ener-
sua distribuição geográfica não é homogenia. Estas gia geotérmica.
fontes de energia podem ser chamadas de conven-
cionais e produzem grande impacto ambiental. São • Toda energia produzida e consumida gera um tipo
exemplos: combustíveis fósseis e combustíveis nu- de impacto ambiental e a irreversibilidade desses
cleares. impactos é o que tem provocado muita preocu-
pação. Estes impactos vão desde o aquecimento
• O petróleo é considerado a principal fonte de ener- global devido a queima contínua dos combustíveis
gia atual. Trata-se de um óleo menos denso que a fósseis à perda de sítios arqueológicos e da biodi-
água, de cor escura e cheiro forte, constituído prin- versidade, devido à construção de reservatórios de
cipalmente por hidrocarbonetos leves e pesados. hidrelétricas.
O óleo bruto sofre um processo de destilação nas
refinarias de petróleo, gerando diversos componen- • Atualmente, a Petrobras e empresas do mundo
tes e os mais variados combustíveis e matérias- inteiro produzem petróleo em diversos pontos do
primas. Dele obtém-se a gasolina, que é utilizada Brasil. Em terra, os maiores campos estão no Rio
como combustível para automóveis e utilitários; a Grande do Norte e Bahia. Mas há campos no Ma-
querosene, para o abastecimento de aeronaves; o ranhão, Piauí, Minas Gerais, Paraná e São Paulo.
óleo diesel como combustível para ônibus, cami- No mar, as bacias de Santos e de Campos se des-
nhões, máquinas industriais e agrícolas e usinas tacam na produção de petróleo. Recentemente, fo-
termelétricas; entre outros. ram descobertas áreas com petróleo no litoral de
Sergipe, Pará e Maranhão, além do Pré-Sal, gigan-
• O gás natural é uma mistura de hidrocarbonetos tesca reserva de petróleo que se estende do Espí-
leves, na qual o metano (CH4) corresponde a cer- rito Santo até Santa Catarina.
ca de 70% em volume, mas sua composição pode
variar de acordo com o depósito de origem. Ocorre
em camadas superiores ao depósito de petróleo.
O gás natural pode ser utilizado como combustível
em usinas termelétricas, indústrias, para uso em re-
sidências e automóveis.

• Os depósitos de carvão mineral são formados pela


compactação da matéria orgânica fóssil sob con-
dições de pressão e temperatura diferentes do
petróleo e do gás natural. O carvão é uma rocha
orgânica, constituída maioritariamente por carbono.
A queima do carvão mineral fornece energia que
pode ser utilizada para diferentes finalidades: co-
zinhar, movimentar máquinas e também produzir
energia elétrica em usinas termelétricas

• As fontes de energia renováveis são representadas


pelos bens naturais que não se esgotam ou que
podem ser repostos em curtos períodos de tempo.
Apresentam limitações em termos da quantidade
de energia disponível a cada momento e por isso
são complementares às fontes de energias con-
vencionais. As energias renováveis, em geral, cau-
sam pequenos impactos no meio ambiente e por
74
75

UNIDADE

BIODIVERSIDADE E
CONSERVAÇÃO DA
BIODIVERSIDADE

Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC

UNIPAC ON-LINE
76

Na unidade 8 discutiremos sobre a Biodi- Figura 21: Biodiversidade Brasileira.


versidade e as espécies brasileiras ameaça-
das de extinção. Estudaremos também sobre a
Convenção da Diversidade Biológica e as Me-
tas de Aichi, além discutirmos um pouco sobre
as áreas protegidas e Unidades de Conserva-
ção no Brasil.
Ao final desta unidade o aluno será capaz
de compreender o conceito de Biodiversidade
e a importância da preservação da biodiver-
sidade. Além de compreender que existe um
grande número de espécies no Brasil ameaça-
das de extinção e conhecer as ações e projetos
que estão sendo desenvolvidas para a pre-
Fonte: http://www.nativebiodiversidade.com.br/ Acesso em: 23/02/2016
servação destas espécies e conservação da
biodiversidade.
Acreditando que a educação ambiental é transformadora, esperamos motivar os alunos para que possam ser
capazes de contribuir com as transformações socioambientais necessárias diante da crise ambiental que estamos
vivendo. Sabemos que a caminhada nesta direção não se esgota aqui, mas que este pode ser um passo importante
no enraizamento da educação ambiental, potencializando ação de pessoas atuantes em direção a sociedades sus-
tentáveis.

“Só“Só uma
uma sociedade
sociedade bem
bem informadaa arespeito
informada respeitoda
dariqueza,
riqueza,do
dovalor
valor ee da
da importância
importância da
da biodiversida-
biodiversidade é
dede
capaz é capaz de preservá-la”.
preservá-la.”
Washington Novais
(Washington Novais)

8.1 A BIODIVERSIDADE BRASILEIRA anfíbios, 3133 de peixes continentais e 1276 de peixes


marinhos. A variedade de biomas brasileiros reflete
A biodiversidade é a imensa variedade de vida esta enorme riqueza da fauna e também da flora e ele-
na Terra, e está por toda parte, em terra firme ou na va o Brasil ao posto de principal nação entre 17 países
água, no topo das montanhas ou no fundo dos ocea- com grande biodiversidade.
nos. A Convenção sobre Diversidade Biológica, define Além disso, muitas espécies brasileiras são en-
biodiversidade ou “diversidade biológica” como: “a va- dêmicas e muitas plantas de importância econômica
riabilidade de organismos vivos de todas as origens, mundial são originárias do Brasil. O país abriga tam-
compreendendo, dentre outros, os ecossistemas ter- bém uma rica sociobiodiversidade que é representa-
restres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e da por povos indígenas e por diversas comunidades,
os complexos ecológicos de que fazem parte; compre- como quilombolas, caiçaras e seringueiros que reú-
endendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre nem um inestimável acervo de conhecimentos tradicio-
espécies e de ecossistemas”. nais sobre a conservação da biodiversidade.
A variação das espécies desempenha um papel De acordo com Neiman (2013), a floresta ama-
muito importante na manutenção do equilíbrio dos zônica abriga uma incrível diversidade biológica, cal-
ecossistemas e a riqueza biológica do nosso planeta cula-se que dentro da floresta vivem em harmonia 40
está relacionada à variação genética de cada espécie mil espécies de vegetais, 1.400 de peixes, 1.300 de
e à sua capacidade de adaptar-se a diferentes con- pássaros, 300 de mamíferos e 14 gêneros de prima-
dições ambientais. A importância da biodiversidade tas, dos quais 5 são exclusivamente dessa região, sem
está no fato de que dentro do ecossistema as espécies falar das milhares de espécies de insetos, outros inver-
interagem através de relações de associação e inter- tebrados e micro organismos. E de acordo com este
dependência, criando dessa maneira um todo coeso e mesmo autor, boa parte desta variedade ainda perma-
em equilíbrio dinâmico. nece desconhecida da ciência.
O Brasil é o responsável pela gestão da maior bio- Mantendo-se a teia da vida, cada espécie contribui
diversidade do mundo. Em nosso país existem mais de para a manutenção da vida no planeta e o ser humano
120 mil espécies de invertebrados e aproximadamente tem que entender que a presença da nossa espécie no
8.930 espécies de vertebrados, sendo 711 espécies planeta também depende desta teia, temos que enxer-
de mamíferos, 1900 de aves, 732 de répteis, 973 de gar a grandeza que os ecossistemas abrigam. É cer-
77

to que quando não respeitamos o equilíbrio dinâmico Em 2014, a então ministra do Meio Ambiente Iza-
do meio e as peculiaridades do ecossistema podemos bella Teixeira, apresentou as novas Listas Nacionais
provocar uma ameaça à vida. de Espécies Ameaçadas de Extinção. Foi divulgada a
São exemplos de algumas ações humanas de ris- Lista de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de
co à biodiversidade: Extinção, produzida pelo Jardim Botânico do Rio de
janeiro e a Lista de Espécies da fauna Brasileira Ame-
a) Retirada da vegetação nativa para implantação
açadas de Extinção, elaborada pelo ICMBio.
de atividades agrícolas e pastoris;
b) Construção de reservatórios de usinas hidro-
elétrica que alagam grandes áreas de vegeta-
ção nativa; SAIBA MAIS
c) Crescimento urbano associado a poluição. O que é ICMBio? Instituto Chico
A introdução de espécies exóticas que são origina- Mendes de Conservação da Biodiver-
das de local que possui condições ambientais diferen- sidade. Foi criado em 28 de agosto de
ciadas também é um aspecto que pode desequilibrar 2007, pela Lei 11.516, é vinculado ao
o meio ambiente uma vez que elas não possuem pre- Ministério do Meio Ambiente e integra o
Sistema nacional do Meio Ambiente (SISNAMA).
dadores naturais que vão controlar o seu crescimento
Tem a função de executar as ações do Sistema
neste novo ambiente. Elas expulsam ou reduzem as
Nacional de Unidades de Conservação (UCs),
populações nativas, causando impactos ecológicos,
podendo propor, implantar, gerir, proteger, fisca-
econômicos ou sociais negativos. lizar e monitorar as UCs instituídas pela União.
“O ser humano por meio da cultura constrói Cabe ainda ao Instituto, fomentar e executar
seus modos de relação com os ecossistemas, programas de pesquisa, proteção, preservação
criando assim novos saberes que irão pautar seu e conservação da biodiversidade e exercer o po-
modo de viver no meio, estas relações podem der de polícia para proteção das Unidades de
estar em consonância com a sustentabilidade do Conservação federais.
meio ou serem destrutivas. Essas relações são Fonte: http://www.icmbio.gov.br/portal/quem-so-
manifestadas em nosso planeta e em sua região mos/o-instituto.html
também. As relações destrutivas podem ser refor-
muladas, novos caminhos podem ser adotados
em busca de uma cultura mais ética e de respeito O presidente do ICMBio destacou que ao todo
à vida e sua sustentabilidade” (VILAS-BOAS et al, 1.383 especialistas da comunidade científica de mais
2009, p.147) de 200 instituições estiveram envolvidos no proje-
to e que com a lista pronta tem-se melhor condição
de definir as ações necessárias à proteção da fauna
brasileira. Destacou ainda que de acordo com a lis-
8.2 ESPÉCIES BRASILEIRAS
ta, 170 espécies da fauna saíram da lista de animais
AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO ameaçados de extinção, e citou como exemplo a ba-
leia-jubarte e a arara-azul-grande, que tiveram suas
A destruição dos ecossistemas tem reduzido e até populações recuperadas. Além destes, 14 espécies
mesmo levado ao desparecimento de algumas espé- de mamíferos, 23 de aves, 2 de répteis, 45 de inver-
cies e muitas vezes de espécies endêmicas, ou seja, tebrados terrestres e 82 de peixes aquáticos também
que ocorrem somente em determinadas regiões. O saíram da categoria de animais ameaçados de extin-
grau de endemismo e de raridade é usado como cri- ção.
tério na escolha de áreas com potencial para conser- De acordo com o portal do ICMBio os principais
vação. As mata Atlântica e floresta Amazônica são fatores que levaram a mudanças no status de algu-
exemplos de ecossistemas terrestres com grande di- mas espécies foram: o redescobrimento de animais
versidade biológica e endemismos. Para se ter uma extintos em algumas áreas, o aumento populacional
ideia, cerca de 5 mil espécies de vegetais são endêmi- ou aumento da proteção do habitat onde a espécie
cas na Floresta Amazônica. se encontra. Contudo, a nova lista ainda possui 1 173
A Lista Nacional das Espécies Ameaçadas de Ex- animais ameaçados divididos em três categorias: Cri-
tinção é um dos mais importantes instrumentos para a ticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerá-
conservação da biodiversidade, utilizada pelo governo vel (VU). A lista anterior, elaborada em 2003 e 2004,
brasileiro. Nesta lista são apontadas as espécies que contabilizava 627, porém apenas 1 137 espécies fo-
de alguma forma estão ameaçadas. ram analisadas.
78

Figura 22: Espécies avaliadas em 2003 e 2014. conservação federais, estaduais, municipais e parti-
culares, tendo um grande crescimento nas ações de
conservação não governamental, bem como da comu-
nidade científica especializada nesta área, resultando
em ações bem sucedidas cuja base encontra-se es-
truturada na parceria entre governo, ONGs, comuni-
dade científica e comunidade local (VILAS-BOAS et al,
2009)
O risco que a biodiversidade corria e a necessida-
de de políticas de conservação tornou-se pública atra-
vés de Haraldo Sioli (fundador da limnologia amazôni-
ca), Warwick Kerr (Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia) e Orlando Valverde (geógrafo, participante
da Campanha Nacional de Defesa e pelo Desenvol-
Fonte: www.icmbio.gov.br Acesso em: 23/02/2016 vimento da Amazônia). De acordo com alguns auto-
res, o impulso no campo da conservação se deu com
ACESSE: a ocupação da Amazônia, no período em que ocorreu
a construção de diversas rodovias, como por exemplo
Para saber sobre a lista de espécies brasileiras
a construção da transamazônica.
ameaçadas de extinção
De acordo com Rocha (2006), a maioria das Uni-
dades de Conservação no Brasil tem comunidades
http://www.ibama.gov.br/documentos/lista-de-es- humanas dentro de seus limites e essas condições
pecies-ameacadas-de-extincao exigem o desenvolvimento de ações de educação am-
biental como instrumento de conservação dos ecossis-
temas. Isto ocorreu no Parque Nacional da Tijuca, no
8.3 CONVENÇÃO DA Parque Nacional da Restinga em Jurubatiba, no Par-
que Nacional do Morro do Diabo em São Paulo e no
DIVERSIDADE BIOLÓGICA (CDB) Projeto Tamar ao longo do litoral brasileiro.
E METAS DE AICHI Os problemas advindos do modelo de desenvolvi-
mento econômico adotado atualmente e os movimen-
Desde a década de 1930 que podemos perceber tos sociais e ambientalistas possibilitaram o surgimen-
ações a favor da conservação ambiental, como por to de instrumentos legais voltados para a proteção e
exemplo a 1ª Conferência Brasileira de Proteção à conservação da biodiversidade mundial, por meio da
Natureza e a criação do Parque Nacional de Itatiaia, Convenção da Diversidade Biológica (CDB).
primeira área protegida brasileira por meio do Decreto A CDB é um tratado da Organização das Nações
nº 1713. Porém, foi somente nas décadas finais do sé- Unidas, é um dos mais importantes instrumentos in-
culo XX que a defesa do meio ambiente ganhou força e ternacionais relacionados ao meio ambiente. Foi es-
intensificou-se em âmbito mundial. A Conferência das tabelecida durante a Eco 92 e é hoje o principal fórum
Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, que mundial para questões relacionadas ao meio ambiente
ocorreu em 1972, em Estocolmo, foi um marco para e está estruturada sobre três bases principais: a con-
isso. A partir da discussão sobre a degradação am- servação da diversidade biológica, o uso sustentável
biental do planeta e sobre os problemas sociais e eco- da biodiversidade e a repartição justa e equitativa dos
nômicos associados, foi proposto e criado o Programa benefícios provenientes da utilização dos recursos
das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) genéticos. Se refere à biodiversidade em três níveis:
(VILAS-BOAS et al, 2009). ecossistemas, espécies e recursos genéticos.
A partir daí, muitas conferências e eventos mun- Este documento estabelece normas e princípios
diais se realizaram, ficando bem claro que medidas para uso e proteção da diversidade biológica de cada
precisavam ser tomadas. Em 1983 foi criada a Comis- país e foi assinado por mais de 160 países e entrou
são Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em vigor em 1993. Além disso o CDB propõe o au-
tendo como resultante o relatório “Nosso Futuro Co- mento da responsabilidade do nosso país no desafio
mum”, publicado em 1987 e intensificando as discus- da conservação e uso sustentável da biodiversidade. A
sões sobre meio ambiente e desenvolvimento. Convenção abrange tudo que se refere à diversidade
O período entre 1976 e a década de 1990 foram e funciona como uma espécie de arcabouço legal e
marcados pelo aumento de parques e reservas, quan- político para outras convenções e acordos ambientais
do houve um grande investimento em unidades de como por exemplo o Protocolo de Cartagena sobre
79

Biossegurança; o Tratado Internacional sobre Recur- 2) Reduzir as pressões diretas sobre a biodiversi-
sos Fito genéticos para a Alimentação e a Agricultura; dade e promover o uso sustentável;
o Controle e Erradicação das Espécies Exóticas Inva-
soras, entre outras. 3) Melhorar a situação da biodiversidade, prote-
Em seu artigo 1 a CDB define seus objetivos: gendo ecossistemas, espécies e diversidade
genética;
“Os objetivos desta Convenção, a serem
cumpridos de acordo com as disposições per- 4) Aumentar os benefícios de biodiversidade e
tinentes, são a conservação da diversidade serviços ecossistêmicos para todos;
biológica, a utilização sustentável de seus com-
5) Aumentar a implantação, por meio de planeja-
ponentes e a repartição justa e equitativa dos
mento participativo, da gestão de conhecimento
benefícios derivados da utilização dos recursos
e capacitação.
genéticos, mediante, inclusive, o acesso ade-
quado aos recursos genéticos e a transferência O Brasil teve um papel decisivo na definição e
adequada de tecnologias pertinentes, levando aprovação das Metas de Aichi e, agora, pretende exer-
em conta todos os direitos sobre tais recursos e cer, com responsabilidade e eficiência, um papel de
tecnologias, e mediante financiamento adequa- liderança na sua implantação.
do”.
Portanto, a Convenção reconhece que os ecos-
sistemas, espécies e genes devem ser usados para o LEITURA OBRIGATÓRIA:
benefício dos seres humanos, mas que isso deve ser Convenção sobre Diversidade Biológica - CDB
feito de uma forma e a um ritmo que não conduza a
http://www.mma.gov.br/agencia-informma/item/
uma diminuição a longo prazo da diversidade biológi- 7513-conven%C3%A7%C3%A3o-sobre-
ca. A Convenção estabelece uma filosofia de uso sus- -diversidade-biol%C3%B3gica-cdb
tentável e serve como um lembrete de que os recursos Metas de Aichi de Biodiversidade.
naturais não são infinitos. www.mma.gov.br/estruturas/sbf2008_dc-
De acordo com Edward Norton, ex Embaixador da bio/_.../metas_aichi_147.pdf
ONU:
“É difícil fazer as pessoas entenderem que a
perda da biodiversidade é uma forma de degra-
dação do meio ambiente que afeta a vida diária
8.4 ÁREAS PROTEGIDAS E
das pessoas. Elas não veem a biodiversidade UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
desaparecendo. A Rio+20 é uma oportunidade
de inovar e relançar a missão de comunicar so- As áreas protegidas são definidas pela União Mun-
bre biodiversidade. Para ser honesto, a mídia dial para Conservação da Natureza (UICN), como am-
contribui muito para esse desentendimento. bientes destinados a conservação e/ou preservação
Enquanto a mídia falar em termos abstratos, as dos bens naturais e/ou culturais a elas associados. En-
pessoas não vão levar esta compreensão para globam as Unidades de Conservação (UCs), mosaicos
casa. Ela precisa fazer um trabalho melhor para e corredores ecológicos, espaços essenciais, do ponto
que as pessoas valorizem a biodiversidade”. de vista econômico, por conservarem a biodiversidade,
além de serem provedores de serviços ambientais e
Mais recentemente, no processo de elaboração do
geradores de oportunidades de negócios.
novo Plano Estratégico de Biodiversidade 2011-2020,
O governo brasileiro protege as áreas naturais por
o secretariado da Convenção propôs que se estabe-
meio de Unidades de Conservação (UCs) e para atin-
lecesse um novo conjunto de metas, na forma de ob-
gir esse objetivo de forma efetiva e eficiente, foi institu-
jetivos de longo prazo, que foram materializados em
ído o Sistema Nacional de Unidades de Conservação
20 proposições, todas voltadas à redução da perda da
(SNUC), por meio da Lei 9.985/2000, de 18 de julho de
biodiversidade em âmbito mundial. Denominadas de
2000. A Lei representou grandes avanços à criação e
Metas de Aichi para a Biodiversidade, elas estão orga-
gestão das UCs nas três esferas do governo, federal,
nizadas em cinco grandes objetivos estratégicos:
estadual e municipal, pois possibilita uma visão de con-
1) Tratar das causas fundamentais de perda de junto das áreas naturais a serem preservadas. Além
biodiversidade, fazendo com que as preocupa- disso, reconhece e classifica dois grandes grupos de
ções com a biodiversidade permeiem governo e Unidades de Conservação (UCs): de proteção integral
sociedade; e de uso sustentável e estes grupos são definidos em
função do nível de intervenção humana.
80

No grupo de proteção integral estão: Estação Ecológica (Esec), Reserva Biológica (Rebio), Parque Nacional
(Parna), Monumento Natural e Refúgio de Vida Silvestre. No grupo das unidades de conservação de usos sustentá-
vel, o SNUC define 7 categorias: Área de Proteção Ambiental (APA), Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie),
Floresta Nacional (Flona), Reserva Extrativista (Resex), Reserva de Fauna, Reserva de Desenvolvimento Sustentá-
vel (RDS) e Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

Unidades de Proteção Integral

Categoria Objetivo Uso

Estações Pesquisas científicas, visitação pública com


Ecológicas Preservar e pesquisar. objetivos educacionais.

Preservar a biota (seres vivos) e


Reservas demais atributos naturais, sem
Biológicas interferência humana direta ou Pesquisas científicas, visitação pública com
(REBIO) modificações ambientais. objetivos educacionais.

Pesquisas científicas, desenvolvimento de


Preservar ecossistemas naturais de atividades de educação e interpretação
Parque Nacional grande relevância ecológica e beleza ambiental, recreação em contato com a
(PARNA) cênica. natureza e turismo ecológico.

Preservar sítios naturais raros,


Monumentos singulares ou de grande beleza
Naturais cênica. Visitação pública.

Proteger ambientes naturais e


Refúgios de assegurar a existência ou
Vida Silvestre reprodução da flora ou fauna. Pesquisa científica e visitação pública.
Fonte: www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/unid/
81

Unidades de Uso Sustentável

Categoria Característica Objetivo Uso

Área extensa, pública ou Proteger a


privada, com atributos biodiversidade, São estabelecidas
importantes para a disciplinar o processo de normas e restrições para
qualidade de vida das ocupação e assegurar a a utilização de uma
Área de Proteção populações humanas sustentabilidade do uso propriedade privada
Ambiental (APA) locais. dos recursos naturais. localizada em uma APA.

Respeitados os limites
Área de pequena constitucionais, podem
extensão, pública ou ser estabelecidas
privada, com pouca ou normas e restrições para
Área de Relevante nenhuma ocupação Manter os ecossistemas utilização de uma
Interesse Ecológico humana, com naturais e regular o uso propriedade privada
(ARIE) características naturais admissível dessas localizada em uma
extraordinárias. áreas. ARIE.

Uso múltiplo sustentável


dos recursos florestais
Área de posse e domínio para a pesquisa
público com cobertura científica, com ênfase Visitação, pesquisa
Floresta Nacional vegetal de espécies em métodos para científica e manutenção
(FLONA) predominantemente exploração sustentável de populações
nativas. de florestas nativas. tradicionais.

Proteger os meios de Extrativismo vegetal,


vida e a cultura das agricultura de
Área de domínio público populações extrativistas subsistência e criação
Reserva Extrativista com uso concedido às tradicionais, e assegurar de animais de pequeno
(RESEX) populações extrativistas o uso sustentável dos porte. Visitação pode ser
tradicionais. recursos naturais. permitida.

Área natural de posse e


domínio público, com Preservar populações
populações animais animais de espécies
adequadas para estudos nativas, terrestres ou
Reserva de Fauna sobre o manejo aquáticas, residentes ou
(REFAU) econômico sustentável. migratórias. Pesquisa científica.

Área natural, de domínio Preservar a natureza e Exploração sustentável


público, que abriga assegurar as condições de componentes do
Reserva de populações tradicionais, necessárias para a ecossistema. Visitação e
Desenvolvimento cuja existência baseia- reprodução e melhoria pesquisas científicas
Sustentável (RDS) se em sistemas dos modos e da podem ser permitidas.
Fonte: www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/unid/
82

O SNUC tem os seguintes objetivos: pactos negativos sobre a unidade. São áreas li-
mítrofes entre UCs e propriedades particulares e
por este motivo requerem uma gestão comparti-
• Contribuir para a conservação das variedades lhada. A implementação de planos de educação
de espécies biológicas e dos recursos genéticos ambiental nas zonas de amortecimento, além de
no território nacional e nas águas jurisdicionais; contribuir com a medida de intervenção sobre o
uso das propriedades situadas dentro da zona
• Proteger as espécies ameaçadas de extinção;
de amortecimento, é um valioso instrumento de
• Contribuir para a preservação e a restauração integração entre comunidades vizinhas e UCs.
da diversidade de ecossistemas naturais; Requer participação local, consolidando práticas
que resultarão na proteção, qualidade do meio
• Promover o desenvolvimento sustentável a par- e responsabilidade das populações locais pelo
tir dos recursos naturais; patrimônio ambiental.
• Promover a utilização dos princípios e práticas Corredores ecológicos: são porções de
de conservação da natureza no processo de de- ecossistemas naturais ou seminaturais, ligan-
senvolvimento; do unidades de conservação, que possibilitem
entre elas o fluxo de genes e o movimento da
• Proteger paisagens naturais e pouco alteradas
biota, facilitando a dispersão de espécies e a
de notável beleza cênica;
recolonização de áreas degradadas, bem como
• Proteger as características relevantes de natu- a manutenção de populações que demandam
reza geológica, morfológica, geomorfológica, para sua sobrevivência, áreas com extensão
espeleológica, arqueológica, paleontológica e maior do que aquela das unidades individuais”
cultural; (VILAS-BOAS et al, 2008, p. 165).

• Recuperar ou restaurar ecossistemas degrada-


dos;

• Proporcionar meio e incentivos para atividades ACESSE:


de pesquisa científica, estudos e monitoramento Para saber mais sobre as Unidades de Conserva-
ambiental; ção.
http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/
• Valorizar econômica e socialmente a diversida- unidades-de-conservacao/biomas-brasileiros.html
de biológica;

• Favorecer condições e promover a educação e


a interpretação ambiental e a recreação em con-
tato com a natureza; e
Para saber mais sobre a Biodiversidade brasileira
• Proteger os recursos naturais necessários à e sobre as Unidades de Conservação, veja o vídeo dis-
subsistência de populações tradicionais, res- ponível
https://www.youtube.com/watch?v=SEFwGcJYbbg
peitando e valorizando seu conhecimento e sua em:
cultura e promovendo-as social e economica-
mente.

As diretrizes do SNUC, além de buscar garantir a


proteção ambiental, envolvem também a participação
das comunidades e sua interação nos processos de
gestão das unidades de conservação. As zonas de
amortecimento e os corredores ecológicos servem
para mostrar a participação popular na gestão dessas
áreas:
“Zona de amortecimento: é o entorno da
unidade de conservação, onde as atividades
humanas estão sujeitas a normas e restrições
específicas, com o propósito de minimizar os im-
83

8.5 REVISÃO DO CONTEÚDO

• A biodiversidade é a imensa variedade de vida na fórum mundial para questões relacionadas ao meio
Terra, e está por toda parte, em terra firme ou na ambiente e está estruturada sobre três bases prin-
água, no topo das montanhas ou no fundo dos oce- cipais: a conservação da diversidade biológica, o
anos. A Convenção sobre Diversidade Biológica, uso sustentável da biodiversidade e a repartição
define biodiversidade ou “diversidade biológica” justa e equitativa dos benefícios provenientes da
como: “a variabilidade de organismos vivos de to- utilização dos recursos genéticos. Se refere à bio-
das as origens, compreendendo, dentre outros, os diversidade em três níveis: ecossistemas, espécies
ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecos- e recursos genéticos. Este documento estabelece
sistemas aquáticos e os complexos ecológicos de normas e princípios para uso e proteção da diversi-
que fazem parte; compreendendo ainda a diversi- dade biológica de cada país e foi assinado por mais
dade dentro de espécies, entre espécies e de ecos- de 160 países e entrou em vigor em 1993. Além
sistemas”. disso o CDB propõe o aumento da responsabilida-
de do nosso país no desafio da conservação e uso
• O Brasil é o responsável pela gestão da maior sustentável da biodiversidade.
biodiversidade do mundo. Em nosso país existem
mais de 120 mil espécies de invertebrados e apro- • O governo brasileiro protege as áreas naturais por
ximadamente 8.930 espécies de vertebrados, sen- meio de Unidades de Conservação (UCs) e para
do 711 espécies de mamíferos, 1900 de aves, 732 atingir esse objetivo de forma efetiva e eficiente,
de répteis, 973 de anfíbios, 3133 de peixes conti- foi instituído o Sistema Nacional de Unidades de
nentais e 1276 de peixes marinhos. A variedade de Conservação (SNUC), por meio da Lei 9.985/2000,
biomas brasileiros reflete esta enorme riqueza da de 18 de julho de 2000. A Lei representou grandes
fauna e também da flora e eleva o Brasil ao posto avanços à criação e gestão das UCs nas três esfe-
de principal nação entre 17 países com grande bio- ras do governo, federal, estadual e municipal, pois
diversidade. possibilita uma visão de conjunto das áreas natu-
rais a serem preservadas. Além disso, reconhece
• Em 2014, a então ministra do Meio Ambiente Iza- e classifica dois grandes grupos de Unidades de
bella Teixeira, apresentou as novas Listas Nacio- Conservação (UCs): de proteção integral e de uso
nais de Espécies Ameaçadas de Extinção. Foi sustentável e estes grupos são definidos em função
divulgada a Lista de Espécies da Flora Brasileira do nível de intervenção humana.
Ameaçadas de Extinção, produzida pelo Jardim
Botânico do Rio de janeiro e a Lista de Espécies da
fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, elabora-
da pelo ICMBio. O presidente do ICMBio destacou
que ao todo 1.383 especialistas da comunidade
científica de mais de 200 instituições estiveram en-
volvidos no projeto e que com a lista pronta tem-se
melhor condição de definir as ações necessárias à
proteção da fauna brasileira. Destacou ainda que
de acordo com a lista, 170 espécies da fauna sa-
íram da lista de animais ameaçados de extinção,
e citou como exemplo a baleia-jubarte e a arara-
-azul-grande, que tiveram suas populações recupe-
radas. Além destes, 14 espécies de mamíferos, 23
de aves, 2 de répteis, 45 de invertebrados terres-
tres e 82 de peixes aquáticos também saíram da
categoria de animais ameaçados de extinção.

• A CDB é um tratado da Organização das Nações


Unidas, é um dos mais importantes instrumentos
internacionais relacionados ao meio ambiente. Foi
estabelecida durante a Eco 92 e é hoje o principal
84
85

REFERÊNCIAS

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uso (NBR ISSO 14001). Rio de Janeiro, 2004.

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