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PIOTR I. STUTCHKA
(tb. PETER STUCHKA, PETERIS STUCKA)

DIREITO DE CLASSE
E REVOLUÇÃO SOCIALISTA
Concepção, organização e tradução de textos de 
Emil Asturig von München
AOS REVOLUCIONÁRIOS QUE ATUAM NO DOMÍNIO DO DIREITO, DO ESTADO E DA JUSTIÇA
DE CLASSE,

SÃO OFERECIDOS TAMBÉM VÁRIOS ARTIGOS JURÍDICOS E CORRELATOS

DE FORMAÇÃO SOCIALISTA-REVOLUCIONÁRIA EM http://www.scientific-


socialism.de/KMFEDireitoCapa.htm

  
 
Na coletânea intitulada “Direito de Classe e Revolução
Socialista”, são apresentados alguns dos mais importantes
textos do jurista soviético Piotr Stutchka, dedicados às
concepções, perspectivas e tarefas marxistas-revolucionárias
nos campos do Direito, da Justiça e do Estado. Comissário do
Povo para a Justiça do Soviete de Deputados Trabalhadores,
Soldados e Camponeses de Petrogrado, a partir de 1917,
Stutchka figura entre os mais extraordinários juristas do
campo socialista expressando, de modo brilhante, a essência
da concepção marxista-engelsiana acerca do Direito.
Conhecer sua obra revela-se indispensável a todos os
interessados no desenvolvimento intelectual e na prática
social de uma perspectiva autenticamente jurídico-classista.

 
 
 

 
PRODUÇÕES LITERÁRIAS DEDICADAS À FORMAÇÃO 
DE REVOLUCIONÁRIOS MARXISTAS QUE ATUAM NO
DOMÍNIO DO DIREITO, DO ESTADO E DA JUSTIÇA DE
CLASSE
 
PEQUENOS ENSAIOS SOBRE MARXISMO E DIREITO, SOCIEDADE E
ESTADO NA REVOLUÇÃO
 
 
O Problema do Direito de
Classe  e da Justiça de
Classe 
 
PIOTR I. STUTCHKA
[1]
tb. PETER STUCHKA, PETERIS STUCKA
 
Concepção e Organização, Compilação e Tradução
Emil Asturig  von München, Outubro de 2006
 
Para Palestras e Cursos sobre o Tema em Destaque
Contatar emilvonmuenchen@web.de
 
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http://www.scientific-socialism.de/PECapa.htm
 

 
 
Em um tempo em que se aguçam as oposições de classe em
todo o mundo, em que o grande capitalista embolsa inauditos
dividendos, enquanto a classe trabalhadora torna-se miserável
em razão da crise, em que até mesmo jornais burgueses - tal
como o "Frankfurter Zeitung (Jornal de Frankfurt)", de 2 de julho
de 1922 -, falam da "guerra civil espiritual que se passa na
Alemanha", os dirigentes sociais-democratas e sociais-
democratas "independentes" não encontram nenhum tema mais
adequado senão o de trovejar contra a Justiça de Classe de
Moscou.
Tais dirigentes opõem ao Direito de Classe Proletário um Direito
absoluto, ou, no mínimo, social. Opõem à Justiça de Classe
Proletária uma Justiça Burguesa, i.e. "independente, imparcial"
(p.ex., Vanderverlde - na Bélgica (2), seus colegas da II 1/2
[2]
Internacional - na Alemanha).
 
Opõem à luta de classes revolucionária uma "paz burguesa
republicana" (na Alemanha, a "paz civil de guerra", com um
governo de coalizão social-democrático-independente e burguês
!). Trata-se apenas de ignorância ou de traição consciente?
Talvez se trate das duas coisas ao mesmo tempo.
Ao longo de décadas, ocuparam-se eles do objetivo final,
colocado em uma distância inavistável, agitando, evidentemente,
por essa razão, apenas contra o Direito de Classe e a Justiça de
Classe Burguesa existentes, sem que esses últimos fossem
confrontados com os conceitos do futuro Direito Proletário ou da
Justiça de Classe Proletária.  
Ignorando a luta de classes revolucionária de Marx e sua
doutrina acerca do Estado Proletário de transição, a teoria
"marxista" não pôde oferecer nada senão o socialismo dos
juristas e - para usar uma expressão de Engels - a "fresca, pia,
[3]
alegre, livre e crescente penetração no futuro Estado."
 
Pois, o que é que todas as teorias socialistas do Direito têm
representado, se não uma mera cópia de má qualidade do
socialismo jurídico-burguês (cujo representante mais eminente
[4]
foi o Professor Anton Menger)?
 
Em nosso democratismo socialista contemporâneo não é
provavelmente difícil reconhecer a idéia da "crescente
penetração" gradativa, de uma "revolução pacífica", de uma
"tomada do poder" com base em uma via parlamentar-pacífica.
[5]
    
 
De todas essas coisas, Karl Marx e Friedrich Engels já haviam
suspeitado.
O primeiro, quando tratou da contradição do conceito de uma
[6]
revolução pacífica.
 
O segundo, quando, em 1887, vituperou, em um artigo anônimo
(redigido juntamente com K. Kautsky !) no "Neue Zeit (Novo
Tempo)" contra o socialismo dos juristas, incorporado na pessoa
[7]
do Professor Anton Menger.
 
Esse último artigo é, precisamente, de grande importância para a
questão do Direito, pois caracteriza, muito claramente e de
maneira geral, o verdadeiro significado da concepção jurídica do
mundo.
 
"A bandeira religiosa apareceu, pela última vez, na
Inglaterra, no século XVII, e pouco menos de 50 anos
mais tarde surgiu, sem qualquer maquilagem, a nova
visão do mundo, aquela que se deveria tornar a visão
clássica do mundo da burguesia, a visão jurídica do
mundo.  Ela foi a secularização da visão teológica do
[8]
mundo."
 
 
Pois bem. Isso que nos é apresentado enganosamente, com
falsas aparências, como sendo Direito ingênuo, sem classes,
nada mais é senão uma expressão da concepção jurídica
dominante ou, mais precisamente, da concepção burguesa do
mundo, em cujas garras nossa própria inteligência não apenas
ainda se encontra, como também é tentada a aprisionar as
massas proletárias.
Uma vez que toda concepção dominante do mundo pode ser
apenas superada na medida em que uma nova surge em seu
lugar, há de ser esclarecido, em primeira instância, o conceito
proletário do Direito, ou, dito mais corretamente, o conceito de
Direito em geral. Pois, ainda não estamos penetrados pela
convicção de que todo Direito é apenas um Direito de Classe e
que não possa ser nada de diferente.
Já é, portanto, oportuno sacarmos da primeira revolução
proletária (na Rússia) também seus ensinamentos em relação
ao Direito.
Tendo em vista que o processo contra os sociais-
revolucionários, por um lado, e, por outro, as medidas contra a
reação na Alemanha, após o assassinato de Rathenau,
colocaram em destaque precisamente essa questão, de modo
particularmente agudo, não podemos deixar escapar sem
proveito essa oportunidade para iluminar o tema também sob o
ponto de vista teórico.  
 
 
 
O QUE É O DIREITO?
 
 
 
"Salve aquele que respeita o Direito e a verdade !"
 
Assim, escuta-se cantar ainda as massas trabalhadoras alemãs.
"O que é a verdade?", soa a típica questão de Pôncio Pilatos já
nos tempos idos de Anno, repletos de misticismo.
"O que é o Direito?", soa a questão de hoje e também de amanhã.
Até mesmo Kant ironizava :
 
"Os juristas ainda estão procurando pelo verdadeiro
[9]
conceito de Direito."
 
 
Se vocês consultarem o livro que tem de fornecer resposta
imediata a todas as questões - refiro-me à encicloplédia -, lerão
aí a seguinte resposta, curta e dura :
 
"A questão acerca do cerne do Direito está ligada aos
problemas mais complicados e, até o presente, não
resolvidos. Até hoje, lutam entre si um número galáctico
de teorias, essencialmente distintas umas das outras,
todas versando, porém, sobre a doutrina geral do Direito."
 
 
A "Declaração dos Direitos do Homem" significou o documento
mais propriamente original da Grande Revolução Francesa. Na
realidade, tal documento foi desmascarado enquanto Direito
Burguês (Code civil), enquanto o Direito do burguês.
Pois, o homem e burguês valem como sinônimos na sociedade
burguesa, tal como, na sociedade feudal, o homem surgia
[10]
apenas como barão (junker – proprietário fundiário).
 
O Direito Natural do burguês é, porém, o Direito inviolável de
propriedade privada que a revolução burguesa elevou à condição
de lei, tal como o senhor feudal acreditava ser inviolável e
sagrado o Direito Feudal.
Quando os camponeses em sua grande revolução, a Guerra
Camponesa, como outrora se a denominou, levantaram-se contra
esse Direito Feudal, mandando ao diabo os especialistas do
Direito, apoiando-se em seus "próprios e estranhos usos
jurídicos", tinham aí em vista também algo diferente do Direito
Feudal e do Direito Burguês.  Portanto : tantas classes quanto
conceitos de Direito!
Assim, o Direito que, durante séculos, desempenhou um papel
dominante, em torno do qual se desenrolaram inteiras guerras
civis, não encontrou ainda, até hoje, nenhuma definição
conceitual isenta de protestos. Ele se tornou um "algo"
misterioso ou permaneceu algo do gênero, para cujo tratamento
se formou um estamento particular, o estamento de juristas, os
"Doctores iuris". 
Se vocês perguntarem a um "advogado" o que é o Direito, ele irá,
possivelmente, querer patrociná-lo - contra o pagamento de um
honorário adequado -,
defender suas causas jurídicas, porém sem qualquer garantia,
pois, conforme se dirija a ele o requerente ou o requerido (e cada
um desses encontra sempre um representante !), será o Direito
"verdadeiro" propriamente distinto. 
Porém, esse "advogado" não lhes confessará o conteúdo do
Direito e nem poderá confessar-lhes, na medida em que a ele
mesmo tal conteúdo é desconhecido.
Quando nos vimos forçados, em 1919, a formular, no
Comissariado da Justiça, nossa concepção de Direito, lapidamos
a seguinte sentença, que adquiriu, além disso, caráter oficial,
tendo sido acolhida, em russo, nos preceitos fundamentais do
Direito Criminal (vide Compilação das Leis de 1919, Nr. 66, art.
590) :
 
"O Direito é um sistema (ou uma ordem) de relações
sociais, que corresponde aos interesses da classe
dominante e que, por isso, é assegurado pelo seu poder
organizado (o Estado)."
 
 
Estender-me-ia demasiadamente, caso pretendesse tratar aqui,
de maneira detalhada, da questão referente à correção nossa
definição conceitual.
Ela possui a grande vantagem de ser não apenas revolucionária,
senão ainda de ser válida para qualquer outro sistema de Direito,
não apenas para o proletário, mas também para toda a ordem
jurídica em geral.  Trata-se, portanto, do primeiro conceito de
Direito objetivamente científico.
Ainda que diversos sábios burgueses tenham concebido alguns
traços do Direito precisamente como nós o fizemos, acabaram
caindo sempre em um impasse, porque não querem ou, melhor
dito, não podem posicionar-se levando em conta o critério de
classe.
Pois, nisso teriam de reconhecer e, por assim dizer, legalizar a
revolução e, em verdade, a Revolução Proletária. 
Direito de Classe significa para nós revolução, enquanto que para
o jurista burguês o Direito significa um bastião contra a
revolução, i.e. a própria contra-revolução.
 
 
 
CLASSES E LUTAS DE CLASSES
 
 
 
 
Para compreender o elemento revolucionário no Direito, temos
de conceber o Direito não apenas corretamente enquanto Direito
de Classe, senão ainda compreender a própria classe e a luta de
classes em sentido revolucionário, tal como Karl Marx o fez.
Não existe, em verdade, quase nenhuma outra palavra tão
freqüentemente mencionada na literatura socialista como a
palavra classe.
Porém, o que entendemos por classe?
Quando utilizei em meu trabalho acerca da formulação de nosso
Direito de Classe uma definição acabada de classe social, não
havia encontrado nenhuma definição já elaborada e precisei
[11]
dedicar um capítulo especial a essa questão.
 
Marx mesmo, em uma carta dirigida a Weydemeyer, descreve
com as seguintes palavras qual é o seu mérito relativamente à
questão da luta de classes :
 
"No que me diz respeito, não me cabe o mérito de ter
descoberto nem a existência das classes na sociedade
moderna nem a luta travada entre si.
 
Historiadores burgueses já haviam, muito antes de mim,
apresentado o desenvolvimento histórico dessa luta de
classes e os economistas burgueses, a anatomia
econômica das classes.
 
O que fiz de novo foi :
 
1. provar que a existência das classes está vinculada
apenas a fases históricas determinadas ;
 
2. que a luta de classes conduz necessariamente à
Ditadura do Proletariado ;
 
3. que essa mesma Ditadura constitui apenas a transição
rumo à abolição de todas as classes e a uma sociedade
[12]
sem classes."
 
 
Em outras palavras : Marx atribuiu a si mesmo - e com plena
justeza - o mérito de ter descoberto e formulado o sentido
revolucionário da luta de classes.
Marx não elaborou nenhuma definição acabada do conceito de
classes, pois a Parte III de seu "O Capital" é interrompida em
[13]
meio a essa definição.
 
Porém, Marx proporcionou-nos material suficiente para conduzir
a termo esse trabalho, sem dificuldades particulares.
Assim, é tanto mais surpreedente encontrar, incidentalmente, em
Karl Kautsky ("Neue Zeit" (Novo Tempo), de 1902), a seguinte
definição :
 
uma classe, considerada individualmente, “ ... não é
formada apenas pelo conjunto das fontes de renda, mas
também pelo conjunto, daí decorrente, dos interesses e
pelo conjunto do oposto às outras classes, das quais
cada uma é intencionada a restringir as fontes de renda
das demais, para deixar fluir a sua com mais riqueza."
[14]
     
 
 
Isso significa : uma luta pela repartição dos produtos e não pela
repartição dos meios de produção ! 
Essa há de ser, então, a luta de classes revolucionária que Karl
Marx até mesmo identificou com a guerra civil (vide "O Capital",
Vol. I) e que, segundo sua doutrina, aponta para a aniquilação,
[15]
abolição da classe inimiga.
 
Não ! Segundo Marx, as classes são determinadas através da
repartição dos elementos de produção, através de seu papel, de
sua relação recíproca no processo de produção.
A repartição dos produtos é, entretanto, apenas uma
conseqüência da repartição dos meios de produção. Isso
significa que a luta de classes é uma luta em torno do papel
representado no processo de produção. Uma vez que a
repartição dos meios de produção é estabelecida na sociedade
burguesa pela propriedade privada, essa luta é ao mesmo tempo
uma luta em torno da própria propriedade privada, pois segundo
Marx :  
 
"Proletariado e riqueza constituem opostos. Formam um
todo enquanto tais.
Ambos são formas do mundo da propriedade privada. (...)
A propriedade privada enquanto tal, enquanto riqueza, é
forçada a conservar a existência de si mesma e, com isso,
também a existência do seu oposto, o proletariado.
O proletariado é, pelo contrário, forçado, enquanto
proletariado, a abolir-se a si mesmo e, com isso, o seu
oposto condicionante que o faz proletariado, i.e. a
[16]
propriedade privada."
 
 
A luta de classes revolucionária contemporânea é, portanto, uma
luta não pela repartição dos produtos, mas sim uma luta de vida
ou morte entre dois grupos, a classe exploradora (capitalistas e
[17]
latifundiários), de um lado, e o proletariado, de outro.
 
 
 
INTERESSE DE CLASSE E CONSCIÊNCIA DE CLASSE
 
 
 
Se chegarmos a uma definição do conceito de classe social, não
haverá, então, nenhuma dificuldade particular em lançar
claridade sobre a essência do interesse de classe.
Esse último não é a simples soma de interesses dos membros
individuais da classe, mas sim, por assim dizer, o ponto focal em
que se concentra todo o interesse vital de uma determinada
classe.
Esse interesse existe totalmente de maneira objetiva e até
mesmo independentemente da vontade dos membros
individuais da classe, sendo que o grau de reconhecimento
desse seu interesse, por parte da classe, é de natureza
puramente histórica.
Denominamos esse reconhecimento de consciência de classe.
O interesse de classe é sentido, inicialmente, apenas de maneira
instintiva e, assim, tem lugar uma luta entre os interesses de
classes, mesmo onde não existe consciência de classe.
Na realidade, Marx afirma que uma classe pode até mesmo
sucumbir antes de ter atingido a consciência de "classe em si
[18]
mesma", tal como no caso do campesinato.
 
O reconhecimento do interesse de classe avança geralmente de
maneira lenta.
Os espíritos mais penetrantes da classe dominante esquivam-se,
extremamente aterrorizados, do fantasma da decadência, que se
lhes é revelado, ou
procuram salvação em consolos.
Porém, a grande massa da classe acredita cegamente em uma
duração eterna de seu domínio.
Por isso, também Friedrich Engels afima, no Anti-Dühring, à
página 34 :
 
"Se ocorre excepcionalmente de ser reconhecido o
contexto interno da forma existencial política e social de
um período histórico, isso se dá, em regra, apenas quando
essas formas já sobreviveram em face da
[19]
decomposição."
 
 
Entretanto, não se trata de uma contradição falar de um
proletariado já dotado de consciência de classe, quando este
ainda é uma classe em ascensão e não "situada diante de sua
decomposição?"   De nenhuma forma !
Karl Marx afirma em sua citação já referida o seguinte :
 
"Se o proletariado vencer, (...) vencerá apenas na medida
em que suprima a si mesmo e a sua própria contradição."
[20]

 
 
O proletariado, enquanto última classe em ascensão, tem, assim,
de cumprir uma missão humano-genérica.
Dessa forma, já trabalharam, anteriormente, em favor de sua
consciência de classe, os primeiros pioneiros da economia
clássica burguesa, no momento em que constataram, leal e
abertamente, a existência das classes e das oposições de
classes.
Naturalmente, a consciência de classe surge também para o
proletariado apenas lentamente.
Apesar de tais espíritos como Marx e Engels que, realmente
armados com toda a sabedoria de seu século, indicaram
nitidamente aos trabalhadores seu interesse e seu papel, o
número destes realmente dotados de consciência de classe e
que compõe a vanguarda do proletariado, permanece, porém,
apenas relativamente baixo, mesmo durante a revolução
mundial.
Antes da vitória da revolução, os comunistas permanecerão
sendo sempre apenas uma minoria de toda a classe
trabalhadora, tal como constata, corretamente, as teses da
Internacional Comunista.  
Porém, os interesses vitais do proletariado aparecem tão
aguçadamente durante a guerra mundial e a crise mundial que
as massas são por eles instintivamente tomadas e, apesar das
advertências da burguesia aterrorizada e dos dirigentes dos
trabalhaadores aprisionados pela ideologia burguesa, seguem
elas, finalmente, os companheiros trabalhadores, dotaodos
realmente de consciência de classe.
Vemos, assim, de maneira cristalina, que mesmo os sindicalistas
oportunistas - tais quais os sindicalistas ingleses - avançam da
luta pela "repartição do produto" à luta pela "repartição dos meios
de produção".  
A nacionalização das minas, das estradas de ferro etc. e a
participação nas eleições com a consigna de uma governo de
trabalhadores configura a plataforma até mesmo de um partido
de trabalhadores.
Para o conceito de Direito enquanto "interesse de classe
tutelado" e para a consciência acerca do Direito, tais
considerações possuem um significado inteiramente
extraordinário.
Já vimos, no capítulo precedente, que o comportamento da
classe exploradora e da classe explorada é, em relação à luta de
classes, efetivamente diverso.
Isso formulo, em meu trabalho, com as seguintes palavras :
 
"A classe exploradora não pode jamais pretender aniquilar
totalmente a classe por ela explorada ou retirá-la do
caminho.
Nos casos em que essa regra foi violada, sucumbiu, ao
mesmo tempo, a classe exploradora, juntamente com os
explorados.
Disso resulta a capacidade de adaptação, a tendência de
compensação da classe exploradora e sua indulgência,
freqüentemente para ela mesma até mesmo 
incompreensível, em face dos explorados.
Todo o desenvolvimento conduz, inevitavelmente, à
Ditadura do Proletariado, sendo que o proletariado não
pode, enquanto classe explorada, deixar de alimentar um
desejo dirigido em favor da aniquilação de sua classe
[21]
exploradora (enquanto classe)."
 
 
Essa é uma regra extremamente importante para a consciência
de classe, sem a qual muitas coisas permanecem
completamente incompreensíveis na luta de classes
revolucionária.
 
 
 
DIREITO E CONSCIÊNCIA ACERCA DO DIREITO
 
 
 
A relação em que se encontra a consciência acerca do Direito
em face do próprio Direito já deve estar, provavelmente, bem
clara, tendo-se em conta o que dissemos sobre os interesses de
classe e a consciência de classe. Lamentavelmente, a questão
não é inteiramente tão simples.
Pois, enquanto o interesse representa o conteúdo, a base do
Direito, é o Direito apenas uma superestrutura, tornando-se, em
certo sentido, freqüentemente, apenas uma excrescência.
No entanto, o Direito reivindica para si mesmo o papel
dominante e justamente a consciência jurídica basear-se-á
sobretudo na lei, no lado ideológico do Direito, essa mistura de
tradições e ilusões, as quais, muitas vezes e em grande medida,
prevalecem sobre o verdadeiro interesse de classe.
Se para o Direito Burguês é tão característico o dualismo entre a
letra do Direito e o Direito real, entre o Direito escrito e o Direito
não-escrito, entre o Direito e a Justiça, esse dualismo possui,
então, consciente ou inconscientemente, o objetivo de enganar
as grandes massas com ilusões sobre o Direito e a Justiça, seja
em um outro mundo ou no Estado de Direito Democrático, de
futuro inavistável.
A partir dessa ideologia, esclarece-se também a consciência das
grandes massas acerca do Direito, se é que podemos falar, em
geral, de uma tal consciência.
Vemos muito freqüentemente o fato de que companheiros
plenamente dotados de consciência de classe, enfiam-se,
costumeiramente, com muita profundidade, na ideologia
burguesa no que concerne à sua compreensão do Direito, a qual,
como vimos, Engels descreveu, pura e simplesmente, como a
[22]
concepção jurídica ou burguesa do mundo.
 
Apenas na medida em que desvendamos o caráter de classe do
Direito, agarramos em suas raízes aquela consciência proletária
acerca do Direito, assim denominada, porém, de maneira
enganosa.
Então, o que opomos à consciência jurídica burguesa?
A essa consciência jurídica burguesa opomos a consciência
proletária acerca do Direito, em outras palavras : o comunismo. 
No lugar da concepção do mundo burguesa, jurídica, colocamos
a concepção proletária, comunista.
Assim, pode-se também entender porque Kautsky, o fiel lacaio
da burguesia, situa-se, precisamente, contra a concepção
comunista do mundo, que posicionamos não apenas no lugar da
concepção cristã, senão ainda da concepção jurídico-burguesa
e, dessa forma, tão maliciosamente, se excita, na medida em
que mais uma vez perpetra uma pequena falsificação, quando
assim escreve, em seu novo livro :
 
"É característico do bolchevismo o fato de que não
apenas permite pregar o comunismo, enquanto religião de
Estado, pelos órgãos estatais, senão ainda na escola e na
[23]
imprensa etc."
 
 
Segundo essa receita, poderíamos dizer, com muito mais razão,
que, em uma certa democracia, idolatrada por Kautsky, prega-se
o monarquismo na escola e na imprensa, enquanto religião de
Estado.
Porém, podemos, com plena segurança, deixar ao trabalhador a
escolha entre comunismo e monarquismo.
Trata-se mesmo apenas de uma falsificação maldosa, pois
Kautsky não deve ter provavelmente desaprendido, já mesmo
desde 1887, a distinguir entre concepção do mundo e religião.
Portanto, se elucidarmos o conceito de Direito, daremos um
grande passo em direção da clarificação da consciência das
grandes massas em relação ao Direito.
Libertamos o Direito de sua aparência misteriosa, esotérica, e o
transformamos em um sistema de relações humanas
quotidianas, o qual pode ser inteligível e acessível a todos, tal
como o são essas próprias relações.
Colocamos, assim, a consciência acerca do Direito "de cabeça
para cima", na medida em que nos baseamos na consciência
acerca do interesse de classe.
É uma tarefa difícil, porém, extremamente importante,
revolucionar não apenas a consciência dos dirigentes dos
trabalhadores acerca do Direito, senão ainda aquela das amplas
massas de trabalhadores.
 
 
 
DIREITO DE CLASSE E ESTADO DE CLASSE
 
 
 
Nosso conceito de Direito de Classe corresponde, ao mesmo
tempo, também àquele de Estado de Classe, enquanto poder
organizado da classe dominante.
O Estado enquanto monopólio da legislação é, em verdade, ao
mesmo tempo, para a maioria dos juristas, também o único
criador do Direito.
Na realidade, não identificamos o Direito com a lei, tal como
veremos a seguir, porém reconhecemos plenamente o Estado
como o poder que mantém determinado Direito e, em grande
parte, o forma.
Entretanto, o Estado para nós nada é senão o Estado de Classe,
enquanto o poder organizado da respectiva classe dirigente.
Acerca da essência do Estado não vou estender-me mais aqui.
Isso se tornaria desnecessário, depois do surgimento da obra
fundamental de Lenin sobre "O Estado e a Revolução", que se
[24]
encontra traduzida também em língua alemã.
 
Obscura permanece, porém, tal como antes, a relação existente
entre Direito e Estado.
Acreditou-se, durante um tempo excessivo longo, no Direito
eterno, até que se pudesse declará-lo, então, também como
passageiro.
Nosso ponto de vista de que o Direito, no sentido atual da
palavra, surgiu com o aparecimento das classes e também, ao
mesmo tempo, deixará de existir com a abolição das classes,
encontra ainda descrentes em nossas próprias fileiras.
Nesse domínio, dão-se saltos malabáricos para poder esquivar.
Fala-se muito cientificamente do Direito como produto da
sociedade, esquecendo-se, porém, daquilo que Marx afirmou
acerca da própria sociedade.
Chega-se, assim, a contraposições totalmente estranhas entre
Direito Social e Direito de Classe.   
Deixamo-nos seduzir por conceitos sublimes de Estado de
Direito - esse poder maravilhoso que, criado pelo Direito, cria, ao
mesmo tempo, o Direito - e, dito mais popularmente, nada mais
significa senão o Estado parlamentar, a democracia burguesa.
É necessário acabar-se, fundamentalmente, com essa confusão
conceitual.
O Direito e também o Estado nada mais são senão atributos e
formas da dominação de classe.
E, tal como o poder de classe não apenas depende da boa
vontade da própria classe, senão ainda do desenvolvimento de
seus meios de poder, assim também forma-se e subsiste o
Direito - em verdade apenas na medida em que possam
concretizar-se os interesses da classe em questão.
Apenas nesse sentido, é possível entender-se a onipotência do
Estado e do Direito.
Se compreendermos Marx no sentido de que deve surgir um
Estado de transição, a Ditadura do Proletariado, entre o
capitalismo e o comunismo - e sobre isso nós, comunistas,
estamos de acordo -, devemos, então, reconhecer também o
conceito de Direito de Classe Proletário. 
Kautsky, pelo contrário, procura facilitar as coisas quando
decreta superada essa doutrina fundamental de Marx com uma
simples falsificação :
 
"Essa frase (relativa à Ditadura do Proletariado) podemos
(!) (quem?) hoje relativizar (dito de maneira bem suave),
fundados nas experiências (!) dos últimos anos acerca da
questão do governo, dizendo : (...) a ela corresponde
também um período político de transição, cujo governo,
em regra (!), assumirá a forma de um governo de
[25]
coalizão."
 
 
(Que lamentável ! : Diria o falecido August Bebel em face dessa
falsificação.)
De toda forma, uma tal doutrina podemos qualificar não mais
como marxista, mas sim, precisamente apenas, como anti-
marxista.
 
 
 
DIREITO E LEI
 
 
 
Direito e lei? Do que trata essa pergunta?
Mas, o Direito (em sentido objetivo, como se diz juridicamente) é
a lei, i.e. o conjunto de todas as proposições jurídicas ou leis.
Entretanto, Ludwig Feuerbach já dizia :
 
"O Direito não depende originariamente da lei, senão, pelo
[26]
contrário, é a lei que depende do Direito."
 
 
Presentemente, mesmo os juristas burgueses reconhecem que
aquilo que se entende por Direito é "o conjunto das relações
jurídicas (ordem jurídica), em vez das proposições jurídicas" e
que as "proposições jurídicas nada mais são senão atributos
dessa ordem". 
O Direito original é o "Direito consuetudinário", comumente
expressado em axiomas, em provérbios.
Mas, não se deve acreditar que todas essas expressões jurídicas
"populares" exprimem, realmente, a vontade do povo.
Não. Elas são, em grande parte, pretensões jurídicas dos
senhores mundanos e eclesiásticos que, enquanto juízes,
"declaravam o seu Direito". 
Naturalmente, esses senhores declaravam (ou ainda hoje
declaram) não o Direito do povo ou da sociedade, ma sim o
Direito de Classe ou dos Senhores.
Suficientes provas disso, fornece-nos a atividade prática atual do
juiz inglês que vale, indiscutivelmente, como lei e como Direito.
No início, esse era o caso geral e por todos os lados existente.
O próprio legislador era, costumeiramente, um compilador de
leis.
Posteriormente, o Estado assumiu a função de editar as novas
leis (leis de classe) e de revogar as anteriores, com o que
monopolizou para si também a função de "declarar o Direito".
Assim, surgiu um Poder Legislativo particular, concebido
enquanto único criador do Direito.
Veremos a seguir que o novo poder de Estado nisso
desempenhou um papel efetivamente revolucionário.
Em nossa concepção, a lei não pode, evidentemente, criar
nenhum Direito artificial.
Não pode consagrar em leis interesses que são ainda muito
fracamente representados ou já considerados como superados,
ainda que possa agilizar, ao menos, a reconformação das
relações sociais e derrubar completamente velhas relações
jurídicas.
Enquanto um Estado subsiste, aplicará e terá ele de aplicar o
aparato legal, a serviço da classe dominante.
Assim, também o poder do Estado Proletário, na Rússia,
concebeu o sentido do Direito e da lei.
É claro que esse poder tinha uma tarefa a cumprir mais difícil do
que aquela de seu predecessor burguês, pois não possuía
nenhum paradigma ou exemplos diante de si e teve de elaborar
por si mesmo um novo Direito e uma nova lei, em condições
incomparavelmente mais difíceis.
Editou decretos que, freqüentemente, representavam apenas um
novo paradigma e permaneciam descumpridos.
Ou ainda tais decretos eram apenas palavras ou careciam de ser
repetidamente alterados, até que viessem a prevalecer.
Tivemos também de empreeender um certo recuo, tendo em
vista que a revolução mundial tarda a ocorrer, o que conduziu
também a um compromisso no Direito e na legislação.
De todos esses fatos, podemos tratar aqui apenas
superficialmente.
No que concerne à apreciação do papel jurídico criativo da
legislação e dos limites de seu poder, nossas experiências
possuem, entretanto, um imenso significado.
 
   
 
ESTADO DE CLASSE E JUSTIÇA DE CLASSE
 
 
 
Fala-se muito na imprensa socialista da Justiça de Classe.
Essa expressão, tais quais muitas outras (p.ex. luta de classes,
socialismo etc.), tornou-se, nesses círculos, um barulho vazio em
relação ao qual nada mais já se pode imaginar.
Com efeito, o que é que se imagina, p.ex. quando na
"Volksstimme (A Voz do Povo)" de Frankfurt a.M., de orientação
social-democrática de esquerda, confronta-se a Corte de Justiça
do Estado Alemão com a "Justiça de Classe da Baviera"?
Deve-se dizer com isso, provavelmente, que a Corte de Justiça do
Estado Alemão não promove nenhuma Justiça de Classe, mas
sim que é uma Corte de Justiça Democrático-Proletária?
Por exemplo, em virtude de lá ter assento um social-democrata?
É o próprio Marx, porém, que ironiza sobre o contra-senso de
falar de "juízes apartidários, quando a própria lei é partidária".
[27]
     
 
Um Estado de classe terá sempre uma Justiça de Classe e,
apenas assim, deve tratar-se da questão concernente à que
classe exercerá esse poder e essa Justiça.
Entretanto, junto à Justiça Burguesa surge ainda a circunstância
de que todos os juristas, inclusive os socialistas, encontram-se
inteiramente aprisionados pela concepção burguesa do Direito,
da qual, muito menos do que qualquer outra pessoa, não podem
libertar-se.
Também os Tribunais dos Júri, os quais, em todo o caso, são os
melhores tribunais da sociedade burguesa, compõem-se, na sua
grande maioria, apenas de elementos burgueses e pequeno-
burgueses, sendo que, além disso, sua função é bastante
limitada, p.ex. limitada apenas a questões criminais ou ao
julgamento da existência fática do caso jurídico.
Deveriam, dessa forma, parar de lamentar, pelo menos na
imprensa comunista, de modo geral, sobre a Justiça de Classe,
passando, em vez disso, a reclamar da Justiça de Classe
Burguesa ou Feudal.
Quem acredita em uma Ditadura do Proletariado, deve contar
com o fato de que esta deverá depender de uma nova Justiça da
Classe Proletária, sendo que aí se encontra uma tarefa muito
difícil a ser precisamente solucionada, caso não exista até lá
nenhum conceito correto de Direito de Classe e de Justiça de
Classe.   
Pois, as funções jurisdicionais, nomeadamente as de inquérito
preliminar em questões criminais, são funções extremamente
especializadas que não se adquirem rápida e facilmente.
Vivenciamos todos esses problemas na Rússia.
Após a Revolução de Outubro, quando as autoridades judiciárias
prosseguiram aplicando o Direito em nome do governo
derrubado e segundo as velhas leis, tivemos de intervir.
Em muitos lugares, haviam-se constituído, mesmo antes da
Revolução de Outubro, tribunais populares revolucionários
"ilegais".
Propusemos, então, abolir imediatamente os velhos tribunais e
criar novos tribunais populares, compostos por trabalhadores.
Embatemo-nos contra resistências, havidas mesmo entre
nossas próprias fileiras.
Perguntou-se, então : "Como julgarão os novos juízes, visto que
não possuem nenhuma lei?" etc.
Passaram-se algumas semanas, até que a grande maioria dos
nossos companheiros (mesmo aqueles que não se
amedrontaram ao resolver, em uma só noite, toda a questão
acerca dos bancos) convenceu-se de que assim não se poderia
ir adiante.
O que isso demonstra?
Isso demonstra que a visão do Direito era ainda poderosa nas
mentes dos revolucionários comunistas.
Salvamo-nos com uma fórmula jurídica, da qual me ocuparei
mais detalhadamente a seguir, e formamos as autoridades
judiciárias como juízes populares
trabalhadores (porém também juristas, se tais fossem eleitos
pelos Sovietes), acompanhados cada qual de dois ou, dado o
caso, de quatro trabalhadores, na qualidade de assessores.
Tratava-se, pois, de um Tribunal de Classe Proletário que, na sua
grande maioria, era composto por trabalhadores e camponeses
que realizavam todo o possível para, em suas sentenças, serem
justos, segundo um critério de classe.
Para as questões políticas, criamos tribunais revolucionários,
compostos também por trabalhadores.
De início, esses tribunais não foram, porém, concebidos como
autoridades judiciárias, mas sim como autoridades responsáveis
por medidas revolucionárias repressivas, não limitadas por
decretos.
Tratava-se mesmo de uma revolução !
Apenas mais tarde, enquadraram-se os tribunais revolucionários
na ordem judiciária geral e tornaram-se, assim, autoridades
judiciárias revolucionárias.
Não pretendo afirmar que nossos tribunais classistas tivessem
fornecido algo de paradigmático, porém cumpriram sua missão,
em linhas gerais, de maneira satisfatória.
De toda sorte, toda a futura revolução proletária terá de contar
com essa experiência.
 
     
 
DIREITO REVOLUCIONÁRIO
 
 
 
"Os golpes de Estado, tal como as revoluções, não se
movimentam sobre o campo do Direito.
Seria uma contradição do Direito em relação a si mesmo
abster-se de os permitir.
Do ponto de vista do Direito, tais golpes e revoluções
devem ser meramente amaldiçoados."
[28]
(Jhering)
 
A partir desse ponto de vista, julga também todo e qualquer
governo burguês que edita leis contra orientações e ações
"subversivas".
Particularmente cômica, parece-nos a postura dos juristas
durante uma revolução.
Toda ação revolucionária violenta e arbitrária, do ponto de vista
do Direito "em vigor", é, então, de um modo ou de outro,
legalizada e interpretada legalmente.
A hipocrisia que caracteriza, em verdade, todo Direito Burguês é
elevada abertamente à condição de princípio.
Sendo assim, o Presidente do I Governo Provisório, Príncipe Lvov,
era Primeiro Ministro, por graça do Czar que havia abdicado.
Friedrich Ebert era Chanceler Imperial, em nome de Max von
Baden etc.
Quão sinceras soam aqui as palavras do professor feudal-
burguês Rudolf von Jhering, quando dá seqüência à sua citação
acima referida :
 
"Se esse fosse o ponto de vista supremo, então teria
prevalecido o julgamento acerca da revolução (...), porém,
em certos casos, o poder sacrifica o Direito e salva a vida
[29]
(...)"
 
 
Vemos aqui o Direito não como um fator revolucionário, mas sim
como um fator contra-revolucionário, estatal-conservador,
despido do modo subversivo.
Isso é inteiramente correto se assim falarmos do Direito
Burguês, na época de uma Revolução Proletária, ou do Direito
Feudal, na época da Revolução Burguesa !
Porém, o novo Direito, ao tempo da Revolução Burguesa e no
primeiro período posterior a ela, era revolucionário, da mesma
forma segundo a qual o Direito era revolucionário, ao tempo da
Revolução Proletária.
Se concebermos historicamente a formação do Direito,
percebemos que esta consiste na conversão de fatos sociais em
relações jurídicas.
Fenômenos singulares do mesmo gênero perfilam-se, um após
outros, a "quantidade converte-se em qualidade", a relação
ocasional, considerada ilegal, talvez até mesmo imoral,
[30]
transforma-se em Direito.
 
Assim, no Direito Romano, o convívio conjugal fático converte-se,
ao longo de um ano, em casamento legal, a posse fática, no
curso de um certo período, em propriedade legal etc.
A lei apenas registra esse fenômeno e eleva-o à condição de lei
geral.
Porém, a lei pode ser criativa.
Ela pode permitir, favorecer ou, até mesmo, prescrever novas
relações ou, no mínimo, generalizar relações conhecidas, bem
como fenômenos singulares.
Torna-se, então, diretamente revolucionária.
Marx indicou, de maneira brilhante, (na primeira parte de seu "O
Capital"), o papel revolucionário da Jornada Legal das 10 Horas
[31]
de Trabalho.
 
Ilustrou, não menos cruamente, como o Estado de seu tempo
coagia os camponeses expropriados a tornarem-se
trabalhadores assalariados através das leis das penitenciárias.
[32]

 
Em meu trabalho maior, apresento ainda outros exemplos
históricos do modo segundo o qual a lei atuou, nos períodos de
transição, de maneira revolucionária, rumo a uma nova
[33]
disciplina, rumo a uma nova ordem de trabalho.
 
Já ouvimos muito sobre o Direito Natural que ocupou, durante
séculos e séculos, os espíritos dos filósofos e sábios do Direito.
O dualismo entre Direito Positivo e Direito Natural foi pouco
compreendido, pois não se era consciente do próprio sentido do
Direito Natural.  
O Direito Natural nada era senão o programa jurídico, expressado
filosoficamente pela burguesia em ascensão, tal como resulta
claro para todo aquele que se posiciona desde o ponto de vista
da luta de classes.
Com a vitória da revolução burguesa na França, o Direito Natural
foi elevado à condição de Direito Burguês Positivo.
As reinvindicações da filosofia do Direito relativas à livre
propriedade privada, à inviolabilidade pessoal etc., tornaram-se
lei.
De repente, o Direito Natural deixou, então, de ocupar os espíritos
dos filósofos e todas as tentativas, em parte do campo
socialista, de o fazer renascer, permaneceram baldadas.
Entretanto, o dualismo converteu-se, a partir de então, em traço
interno característico do Direito Burguês : essa hipocrisia,
desejada ou não, essa dicotomia, que encontramos na
sociedade burguesa, a cada passo.   
O revolucionamento da consciência da classe trabalhadora
acerca do Direito segue um outro caminho.
Lamentavelmente, não é preparado teoricamente, tão exaustiva
e antecipadamente, como o revolucionamento da consciência
jurídica burguesa, porém a revolução trabalha, nesse caso, muito
mais profundamente. Sem jogo de esconde-esconde, sem
dualismo, surge aqui o Direito Proletário, enquanto Direito de
Classe sem maquilagem.
No grau mais extremo, é um Direito Revolucionário que, de
nenhuma forma, levanta uma pretensão existencial maior do que
a de um período de transição.
Ao mesmo tempo, com o perecimento do Estado de Classe
morrerá também o Direito de Classe Proletário e todo o Direito de
Classe, em geral.
 
 
A REVOLUCÃO PROLETÁRIA E A LEI BURGUESA
 
 
"Se boas leis quiserdes ter, queimai as antigas e criai
novas".
 
Essa máxima bastante conhecida de Voltaire surge, à primeira
vista, de modo apropriadíssimo para uma revolução.
Porém, resultou constatado que a coisa toda não é inteiramente
tão simples e passaram-se mais de dez anos, na Grande
Revolução Francesa, até que - já no estágio da contra-revolução -
resultasse pronto o famoso código burguês revolucionário, o Code
civil.
Seria necessário acreditar na onipotência das leis, caso se
quisesse imaginar o revolucionamento do Direito tão facilmente.
Já demonstramos qual é o significado que a lei possui para o
Direito e vimos assim que nem toda a lei é criadora do Direito.
Se um belo dia queimássemos todas as leis, seria,  ainda assim,
feito apenas pouca coisa, pois nas mentes das pessoas, i.e.
na  consciência das  pessoas sobreviveriam ainda as leis
queimadas, até que fossem suplantadas, finalmente, através de
uma nova visão acerca do Direito.
Por outro lado, vimos também como uma nova visão acerca do
Direito havia-se formado, já precocemente, na
consciência da classe em ascensão.
Essa visão veio a ser concebida pela filosofia ou pela ciência
burguesa, enquanto "vontade popular", como Direito "Natural" ou
Direito "Intuitivo". 
Não houvesse ela se formado de antemão, viria a eclodir, de toda
forma, durante a revolução.
Evidentemente, é muito vantajoso para a revolução se esse
trabalho preparatório já se encontra realizado, tal como
percebemos nitidamente no quadro da Grande Revolução Francesa
Burguesa.   
As revoluções proletárias não encontraram um trabalho
preparatório desse gênero nem em Paris, em 1871, nem na Rússia,
em 1917, sendo que  este necessitou ser realizado no próprio
processo da revolução.
Apenas agora temos no domínio dessa questão uma concepção
definida e, em verdade, uma concepção não  inventada, mas sim
propriamente vivenciada.
Para nós, comunistas, já estava claro desde o início da Revolução
de 1917 que não podíamos nos posicionar desde o ponto de vista
das velhas leis.
Com a Revolução de Outubro proclamamos o princípio de que
todas as velhas leis deviam ser consideradas como abolidas.
Tinhamos diante nós um "tempo terrível sem leis".   
Na vida prática, dominavam, porém, ainda as velhas visões acerca
do Direito, com as quais não se havia rompido até então.
Formulamos nossa concepção, pela primeira vez, no primeiro
Decreto acerca do Tribunal, com as seguintes palavras :  
 
"Os tribunais locais decidem as causas em nome da
República da Rússia e guiam-se, em suas sentenças, pelas
leis dos governos derrubados, apenas na medida em
que estas não tenham sido abrogadas pela revolução e não
contradigam a moral revolucionária e a consciência jurídica
revolucionária.
Observação : Como abrogadas devem ser consideradas
todas as leis que contradigam os decretos do Comitê
Executivo Central dos Sovietes dos  Trabalhadores,
Soldados e Camponeses, do Governo Operário e
Camponês, bem como os programas mínimos do Partido
Operário Social-Democrata  Russo e do Partido Social-
[34]
Revolucionário."
 
  
Agimos, portanto, de modo extremamente cuidadoso e já
contávamos com o fato de que nem a moral revolucionária nem a
consciência jurídica revolucionária seriam suficientes para formar
um novo Direito.
Veremos mais abaixo que a "consciência proletária acerca do
Direito" logo se generalizou e foi até mesmo exaltada muito mais
do que havíamos imaginado.
Esse foi, entretanto, o único caminho possível para uma Revolução
Proletária e continuará a ser o único também no futuro, apesar de
que as futuras revoluções já se poderão valer das experiências da
Revolução Russa.    
Cada uma das futuras revoluções proletárias partirá e terá de
partir do pressuposto de que todas as leis burguesas resultam
abolidas pela revolução, na medida em que  não venham a ser
expressamente permitidas a vigorar.
Portanto,  nosso princípio contradiz diametralmente a concepção
burguesa acima referida de continuidade, i.e. da simples
subsistência adicional do aparelho do Estado inteiro - apesar da
revolução.
 
 
A CONSCIÊNCIA REVOLUCIONÁRIA ACERCA DO DIREITO
 
 
Depois da Revolução de Outubro, quando nos deparamos com o
problema de uma nova Justiça, pareceu, a muitos de nós mesmos,
ser a questão do Direito ainda irresolúvel.
Para cada um de nós, entretanto, estava precisamente claro que
não  se poderia tolerar, por mais tempo, que os velhos tribunais
burgueses e os juízes singulares continuassem com  sua
jurisprudência.
Pois, se, já no segundo dia após a Revolução de Fevereiro,
passaram a prolatar suas sentenças em nome do novo Governo
Provisório Burguês - ainda que segundo as velhas leis czaristas -,
não vieram a aderir, subseqüentemente, à Revolução Proletária.
Entretanto, cada uma das sentenças judiciárias, prolatadas em
nome do Governo Provisório derrubado, era  abertamente contra-
revolucionária.
Isso - tal como já dissemos - tornou-se-nos efetivamente claro.
Não tão clara, porém, apresentava-se-nos a questão da lei
burguesa.
No capítulo precedente, já mostrei que havíamos decidido a
questão relativa às leis burguesas provavelmente de modo
bastante cuidadoso, mas  com total determinação e, em verdade,
no sentido de que as velhas leis resultavam abolidas.
No lugar das velhas leis, estabelecemos nossos decretos e a
consciência revolucionária dos juízes populares.
As palavras com as quais limitamos a "consciência revolucionária",
demonstram claramente que não acreditávamos muito
seguramente na consciência revolucionária dos juízes
trabalhadores.
Entretanto, como já disse, não tínhamos nenhuma outra saída e
possuir em mãos uma saída tornara-se indispensável.
Tal como já demonstrei acima, a Revolução Proletária não podia
deixar vigorar as velhas leis nem tampouco, de um momento para
o outro, criar novas leis.
Porém, um tribunal sem leis parecia ser um absurdo mesmo para
muitos de nossos sábios companheiros, tal como já afirmado.
Quando mencionei, poucos meses depois, em uma  conversação
com delegados do antigo estamento dos juízes - em
parte, pessoas de indiscutível honra - que, por decreto, havia-lhes
liberado para candidatarem-se aos postos de juízes junto ao
Tribunal Popular, responderam-me, aberta e sinceramente :
 
"Mas, como podemos fazer isso?
Vocês não possuem leis?"      
 
 
Casualmente, tive, na mesma noite, de intervir em uma assembléia
dos juízes dos tribunais de São Petersburgo - de origem quase que
exclusivamente operária. 
Quando os coloquei a par de sua tarefa, encontrei junto a eles
muito mais compreensão para a prolação de uma sentença em
conformidade com a consciência acerca do Direito do que junto
aos juízes letrados.
Tenho de reconhecer, porém, que o conceito de "consciência
jurídica revolucionária" adquiriu, logo a seguir, uma coloração
mística.
Começou-se logo com o opor-se à lei a consciência acerca do
Direito em geral.
Em outros decretos, falava-se já de consciência socialista e não
consciência jurídica revolucionária, resultando muito pouco claro o
que se entendia propriamente por esses termos.
A "consciência acerca do Direito" cumpre um grande papel também
na sociedade burguesa e nessa  representa, tal como já vimos, a
visão do mundo jurídica, i.e. a burguesa, por excelência.
Na teoria da Escola Psicológica, surge o Direito Intuitivo como
sendo o oposto do Direito Positivo. 
Ainda mais anteriormente, surgia o Direito Natural em oposição ao
Direito Não-Natural, i.e. em oposição ao Direito Positivo ou Legal.  
Para nós, isso haveria de ser algo totalmente novo, uma nova
consciência e, em verdade, uma consciência natural acerca do
Direito de Classe.
Aonde se deveria chegar se nós mesmos - e não apenas nós - ou,
melhor dito, se precisamente os teóricos não tivessem ainda
nenhum conceito certo acerca do Direito de Classe em geral?
Escrevi ainda há pouco no "Izvestia (Notícias)", de junho de 1922,
precisamente o seguinte :  
 
"Gostaria de utilizar a oportunidade para clarificar a
essência de nossa consciência acerca do Direito e prevenir
contra uma crença excessivamente entusiástica na
consciência jurídica dos tribunais populares ou
jurisdicional-popular.
Esse conceito que fomos forçados a introduzir em nosso
Decreto Nr. 1 - na falta de uma outra opção -, ainda que
tivéssemos agregado uma série inteira de restrições
(tal como aí estavam a moral revolucionária e os princípios
programáticos), corresponderia a descobrir o Direito.
Para processos anteriormente já existentes e
consideravelmente polarizados, introduzimos, entre outras
coisas, tribunais arbitrais, voluntários e obrigatórios, nos
quais podiam participar também especialistas.
Tratava-se apenas de localizar proletários suficientemente
conscientes para o Tribunal Popular.
Naquele então, afirmei em um ciclo de palestras,
destinados  a juízes populares, que dispúnhamos,
momentaneamente, de mais  bons comunistas do que de
juristas proletários, sendo que estes não existiam e não
podiam outrora sequer existir."
 
 
Em linhas  gerais, deve-se dizer que aqueles tribunais populares,
compostos por  bons proletários, dotados de consciência de
classe, satisfaziam mais do que os antigos juristas, surgidos daqui
e dali e, assim, muitas sentenças justas foram virtualmente
truncadas através de fundamentações jurídicas de juristas
superados.
Porém, essa situação não poderia surgir como ideal, pois se já a
consciência de classe em geral, prevalecia apenas
gradativamente, o processo de formação de uma nova
consciência acerca do Direito era muito mais difícil e lento.
Além disso, o serviço militar retirou as melhores forças às
instâncias judiciárias, consideradas então como uma função de
segunda ordem.
Assim, permanecemos, desde o início, com o ponto de vista
de  que devíamos criar um novo Direito de Classe Proletário, i.e.
transitório, o qual se basearia em leis e decretos revolucionários
do Estado. 
Já no final de 1918, escrevi  em um artigo em homenagem ao
primeiro ano de comemoração da Revolução de Outubro :   
 
"Chegou a hora de marcharmos rumo à codificação, rumo a
um compêndio de todo o Direito Proletário do período de
transição, a ser contido em um código ordenado e
sistemático.
Há de ser um código que seja facilmente compreensível
para as mais amplas massas populares.
Porém, conseguiremos de fato compilar um tal código nos
próximos meses?
E, caso consigamos, então, perguntar-se-à : durante quanto
tempo possuirá ele força de lei?
Pois, folheando-se o livro dos decretos, convencemo-nos de
serem as instituições e as proposições jurídicas criadas
pela Revolução por demais inconstantes e modificáveis.
No dia da vitória definitiva de nossa Revolução, chegará
também ao seu final o processo de perecimento do Direito
Proletário (na medida em que entendemos a palavra Direito
no sentido apresentado precedentemente) (...)
A parte mais importante do Primeiro Volume  de nossos
códigos será  reservada ao "Direito Social da
Coletividade".    
Vocês devem recordar que esse  mesmo livro é aquele
anteriormente ocupava o Décimo Volume de nossa
compilação de leis e se chamava, precedentemente, Direito
Privado ou Civil, i.e. Direito Burguês.
Porém, vocês não reconhecerão esse velho sinal
identificador : aí não restou quase nada de burguês e muito
pouco restou de privado.
Abram as primeiras páginas relativas ao Direito de Família - 
a sagrada família burguesa -, porém aí nada mais
encontrarão de sagrado.
Essa é precisamente a única sede em que o livre acordo é
realmente livre de toda e qualquer coação religiosa ou civil
(na Igreja Ortodoxa o casamento é um sacramento !).
Até o surgimento de uma previdência social  geral,
permanecerão também no Direito de Família Proletário
vestígios da antiga  ordem, p.ex. os alimentos (no caso de
falta de meios próprios e de incapacidade laboral).
A previdência social deverá também fazer desaparecer
esse vestígio do mundo antigo.
O mesmo caminho do Direito de Família percorrerão os
Direito de Propriedade - mais propriamente as prescrições
de abolição e limitação desses direitos -, tal como, por
exemplo, a abolição da propriedade privada sobre o solo
e  sua socialização, a nacionalização das fábricas e das
casas municipais, o ordenamento administrativo da
propriedade nacionalizada, enfim, reminiscências da
propriedade privada, autorizada durante a época de
transição.
Então, virá a codificação das leis trabalhistas. (...)
Essa é aquela parte do Direito Social que será transferida
para a nova sociedade, de uma forma ou de outra.  
Porém, já vimos que nesse quadro o trabalho converter-se-á
de dever em direito ou, tal como Marx escreve,  o trabalho
deixará de ser um meio de viver para se tornar ele mesmo
um meio de satisfação das primeiras necessidades da vida
etc."     
 
 
Assim, concebemos o papel das leis em nosso Estado de
transição, nos anos de 1917 e 1918, quando se falava até mesmo
de uma crença excessivamente grande dos comunistas  na
onipotência das leis.
Não tivemos jamais a pretensão de redigir leis que não pudessem
ou devessem ser cumpridas.
Também na doutrina da consciência jurídica revolucionária não
pregamos o arbítrio dos juízes e funcionários comunistas, mas
sim a temperança jurídica revolucionária. 
Assinalamos expressamente os casos em que permitíamos
exceções à lei, efetuadas no interesse da revolução e do poder do
Estado Proletário (assim, por exemplo, as "comissões
extraordinárias", o Tribunal Revolucionário), e esforçamo-nos por
restringir, gradualmente, esses casos, avançando assim para a
legalidade revolucionária.
 
 
 
LEGALIDADE REVOLUCIONÁRIA
 
 
A Nova Política Econômica (NEP) trouxe grandes mudanças
também em nossa vida jurídica.
De toda sorte, não apenas a Nova Política Econômica (NEP), senão
também o novo  "Direito Soviético" provocou muitos mal-
entendidos, notadamente no exterior, porém também em nossa
própria casa.
Não se quer ou não se pode imaginar a nova situação, em que o
Poder Proletário existe e terá de existir ao lado do capitalismo de
Estado e, em parte, também ao lado do capitalismo privado.    
Por um lado, descarta-se simplesmente a questão, na medida em
que se julga de maneira totalmente esquemática : o retorno ao
capitalismo privado significa o retorno também ao Estado Burguês
(democracia).
Esquece-se com isso ou jamais se adquiriu a consciência de que a
luta de classes revolucionária significa uma luta em torno do papel
na fábrica, na economia e, portanto, uma luta em torno da relação
de propriedade.
Nessa luta - a qual de nenhuma forma está acabada com a
tomada do poder de Estado, mas sim prossegue adiante, apenas
que com outros meios - encontra-se, na Rússia Soviética, o inteiro
aparelho de possessão da classe dos proprietários fundiários e, em
grande parte, também da classe capitalista, nas mãos do Estado
Proletário, ou seja, tal como afirma Marx, nas mãos da classe
trabalhadora, permanecendo, conseqüentemente, toda a renda
fundiária e uma grande parte do lucro do capital, nas mãos do
[35]
proletariado, enquanto classe ou Estado de Classe.
 
Por outro lado,  escutam-se posicionamentos descuidados no
sentido de que toda a nova política não representa nada mais do
que um recuo momentâneo e, por assim dizer, uma pequena
ilusão.
Nada poderia ser mais prejudicial do que uma tal opinião, a
qual deve ser resolutamente rejeitada.
"Seriamente e no longo prazo, a nova política deverá satisfazer o
seu objetivo", soa a resposta que deve ser dada, nesse caso.
O camponês, a quem se confere concessões, deve conscientizar-
se de que tais concessões que receberá não são apenas palavras,
senão a verdadeira realidade.
Ele já compreedeu esse fato !
Também o capitalista tem de saber que as concessões que
receberá  possuem, igualmente, verdadeira força (a "cláusula
revolucionária", i.e. aquela referente às conseqüências da
revolução no próprio país do capitalista em questão, não necessita
ser expressamente introduzida. Pode ser  compreendida por si
mesma !).
Entretanto, o capitalista aparenta não ter ainda entendido isso
plenamente.
"Legalidade revolucionária !" :  essa consigna surgiu em nossa
imprensa quotidiana apenas simultaneamente com a nova
política.
Anteriormente, parecia ser para muitos quase uma consigna
perigosa, embora a vida já a tivesse levantado muito antes, tal
como já vimos, em outra forma e em uma outra perspectiva, o que
é por si mesmo evidente.
Com a transição rumo à Nova Política Econômica (NEP) surgiram
opiniões de que com isso todas as velhas leis burguesas entrariam
novamente em vigor.  
Essa crança assenta-se nomeadamente nos corações dos juristas
burgueses (e, lamentavelmente, temos ainda até hoje quase  os
mesmos velhos juristas burgueses).
Escrevi a respeito dessa aberração jurídica no "Izvestia (Notícias)",
entre outras coisas, o seguinte : 
 
"A revolução pode,  naturalmente, romper com o velho
Direito e dar-lhe uma nova direção com o auxílio de leis, se
essa revolução for bastante amadurecida e
suficientemente forte.
Porém, as leis em si mesmas são impotentes, caso essas
condições inexistam.
Assim, esclarece-se nosso recuo no campo da legislação.
Minha pretensão é também a de ainda demonstrar que a
teoria do Direito de classe ainda agora - e agora mais do
que nunca - possui também um significado essencialmente
prático.
Em nosso recuo, estamos sendo precipitados.  
Apanhamos simplesmente, no quarto da bagunça, as
velhas placas de simbolização que havíamos encostado e
penduramo-las novamente, apenas que um pouco mais
bem lavadas, com o título "NEP" (Nova Política
Econômica).   
Porém, atrás das velhas designações esconde-se também
um velho conteúdo, na medida em que não o quisemos
abandonar.
Por isso, seria melhor pintar placas totalmente novas, tanto
mais  tendo-se em conta o fato de que essas placas são,
verdadeiramente, apenas "ideais" e, assim, destinam-se
apenas à dinamização do aparato teórico de nossos
juristas soviéticos, não carecendo, de maneira nenhuma, da
imprensa estatal.
Porém, tudo isso não será perigoso se estivermos
penetrados de nossa, i.e. da concepção proletária do Direito
(...)
Então, ficará claro para todos nós que, mesmo sendo feitas
certas concessões limitadas, estaremos mantendo a
revolução e, dessa maneira, interpetrando, apenas de modo
rigorosamente limitativo, todas as novas leis e proposições
jurídicas que contêm essas concessões.
Nesse quadro, vai-se tratar uma verdadeira luta de classes
entre o jurista da sociedade burguesa e o novo jurista
verdadeiramente proletário que surgirá, lamentavelmente,
apenas com lentidão.
Nosso jurista contra-revolucionário - disso não  devemos
esquecer - possui verdadeiras barricadas à sua disposição,
atrás das quais se entricheira, com segurança.
Essas barricadas não consistem apenas de velhos códigos
de dezesseis volumes e de  grandes massas de literatura
científica burguesa : elas localizam-se também nas mentes
de cada um de nossos homens "que pensam
juridicamente".
Cada um de nós se deve dar conta claramente de que lado
da barricada se posiciona."
 
 
Porém, não menos séria deve ser a luta contra os que não querem
participar resolutamente do novo giro.
No exterior, podem falar de nossa nova política o que quiserem,
que ela não é favorável ao capitalismo privado, tal como o
comprovaram suficientemente Gênova e Haia (diferentemente de
Versalhes). 
Mesmo em nossa própria casa, devemos estar conscientes do
fato de que, também no domínio do Direito, a nova orientação tem
de ser formulada, clara e nitidamente.
Para apresentar as coisas mais concretamente, reproduzirei,
também aqui meu artigo, que tive de imprimir no "Izvestia
(Notícias)", de junho de 1922, contra a concepção descuidada
relativa à nossa nova orientação :
 
"Li, em um de nossos cadernos mensais com o título
pretensioso "Direito e Legalidade Revolucionária" as
seguintes palavras :
"Na minha opinião, precisamos regular, não com
proposições jurídicas escritas, as inter-relações existentes
entre os seres humanos, as quais surgem a partir do uso da
propriedade (?) (...), bem como do uso dos instrumentos e
dos meios de produção e de troca. Isso quer dizer que não
se pode absolutamente tratar de leis que tutelam o Direito
de uma tal propriedade sob uma certa forma qualquer, tal
como o Direito de Sucessão, a prescrição (?) etc.
O tribunal decidirá tais questões de Direito em cada caso
específico, segundo a voz de sua moral revolucionária."
Esbarrei, por acaso, nessa frase, e fiquei paralisado, em
razão de tanto espanto.
Aparentemente, existem  pessoas que julgam possuir as
palavras Direito, legalidade etc. um significado
provavelmente determinado,  bastando acrescentar a
palavrinha "revolucionário" para obter-se precisamente o
seu oposto.
Ou então o intuito seria  o de afirmar que toda
ilegalidade transformar-se-á em uma legalidade, tão logo as
palavrinhas "revolucionário"  ou "Soviete" sejam
acrescentadas?
Não me teria detido, entretanto, nesse artigo, caso não
tivesse levantado, em primeiro lugar, uma pretensão de
cientificidade revolucionária e, em segundo lugar, não
houvesse sentido eu, ainda, minha própria
responsabilidade, enquanto autor do "Decreto Nr. 1 sobre o
Tribunal", por ter introduzido em nosso uso do Direito as
palavrinhas "consciência e moral revolucionárias"."
 
 
Além disso, editei recentemente um livrinho com o título "O
Elemento Revolucionário do Direito" e estarreci-me com o
pensamento de que se poderia, também nesse caso, atribuir à
palavra "revolucionário" o sentido acima referido.
Nesse livrinho, fiz referência, entre outras coisas,  a um artigo de
Friedrich Engels, no qual  demonstra que a concepção de mundo
suplantadora da concepção cristã, há uma série de séculos,
poderia ser designada, simplesmente, da maneira mais correta,
[36]
como concepção jurídica ou burguesa.  
  
Coloco essa concepção de mundo em confrontação com a
concepção comunista.
Na realidade, enquanto marchamos diretamente rumo ao
comunismo ou, no mínimo, rumo ao socialismo, já tive a
oportunidade de dizer, talvez de modo um pouco desapurado :
 
"Temos agora mais necessidade de bons comunistas do
que juristas."
 
 
Porém, devo dizer abertamente que, tal como antes, também
agora, tínhamos e temos à disposição, em questões jurídicas,
apenas juristas e nenhum comunista sequer. 
Dito de maneira compreensível a todos : não possuímos nenhuma
consciência comunista acerca do Direito, mas sim repetimos
apenas a fraseologia dos juristas burgueses e, em medida ainda
maior, os pensamentos burgueses envelhecidos.
Porém, tais pensamentos tornar-se-ão perigosos, se
forem expostos da maneira como citei acima.
Em verdade, o que pode ditar a um comunista, dotado de
consciência de classe, sua moral revolucionária em questões
relacionadas com a Nova Política Econômica (NEP)? 
Apenas, porém, um comportamento negativo, i.e. a expropriação
dos expropriadores.
Entretanto, isso significa que já traímos nosso comunismo e
nossa consciência comunista?
Não ! Muito pelo contrário.
Assumimos conscientemente um  certo  compromisso sobre o
firme fundamento da lei.   
Reconhecemos um  certo tipo de propriedade privada, um certo
tipo de Direito de uso etc., em igual medida para todos.   
Nesse quadro, nossos juízes propulares irão agora dar
cumprimento a essas leis honestamente, i.e. em  conformidade
com sua consciência revolucionária, com todo o poder de que
dispõem.
Esse é o significado de nossa legalidade e de nosso recuo.
Toda e qualquer outra interpretação desse recuo representa uma
interpretação falsa e perigosa.
Se, por exemplo, o oficial da milícia retira algo de alguém,
em conformidade com sua consciência revolucionária, ou permite
a outrem que faça o mesmo, esse  oficial será, então, por isso,
processado e não elogiado.
Se o juiz popular confere a alguém um certo Direito de uso e
denega-o a outrem, será então cassada uma dessas sentenças
pelo Plenário do Tribunal Popular, por demonstrar-se plenamente
falsa.
O que deve dizer, porém, um camponês mediano se lê, a seguir, no
artigo citado, que "pessoas físicas e jurídicas (sendo essas
pessoas, em verdade, capitalistas), devem gozar de certas e firmes
garantias", sem as quais tais pessoas, de outro modo, não
arrendariam nenhuma fábrica ou não aceitariam nenhuma
concessão etc.   
Poderia aqui o Estado da Ditadura do Proletariado fazer grandes
concessões em casos específicos? 
Seríamos maus comunistas se permitíssemos chegar todos os
lados positivos da legalidade, ainda que se trate apenas da
legalidade revolucionária, exclusivamente ao grande capitalista e
não também ao pequeno homem.
Não. Para esse último a legalidade é ainda mais importante e
necessária, pois o primeiro possui mais meios para "forçar" o seu
"Direito", uma vez que tem mais "garantias"  no bolso que o
pequeno homem.
Não sei se uma noção desse gênero alberga verdadeiramente em
si mesma muito radicalismo.
Acredito que  tais conclusões assentam sobre um simples mal-
entendido.
Se editarmos uma lei simples, a todos compreensível, que
apresente, com suficiente precisão, aquelas instituições de Direito
que são legais para nós, tornar-se-á ela um meio puramente
proletário de produzir legalidade - evidentemente, apenas relativa
legalidade - visto que nosso aparato atual não pode assegurar
mais nada.
Porém, nesse caso, vamo-nos esquivar daquele meio puramente
burocrático que nos é sempre proposto, nomeadamente a
intervenção através das circulares dirigidas às nossas instâncias
partidárias, sindicatos etc.
Se, nisso, propõem-nos "popularizar o espírito, a essência da nova
política de recuo", "criar novos parágrafos de lei", enquanto uma
tarefa revolucionária, devo, então, bruscamente, opor-me a uma tal
propaganda do comunismo.
Não ! Devemos popularizar o comunismo em sua forma pura,
porém devemos redigir e executar leis tal como nos dita a direção
de determinado momento.   
Isso será mais à esquerda e mais revolucionário e, além disso,
mais fácil e compreensível para todos.
Dissemos, em alta voz, que proclamávamos nosso recuo não
como uma piada e, por essa razão, valem, igualmente, os limites
de Direito que estabelecemos para todas as classes, de igual
maneira.
Entretanto, teremos de dizer aos nossos juízes populares :
 
"Tão difícil quanto possa ser-lhes a integração dessas
indicações com sua consciência revolucionária acerca do
Direito, devem vocês dar cumprimento aos decretos "vivos",
e não "perecidos".
Entretanto, tratem as pessoas que  dizem dever vocês
aplicar essas leis e esse Direito (demonstrei que esses
conceitos não são idênticos) ao homem rico, i.e. ao
capitalista e não, porém, ao pequeno homem que não
possui contrato algum, tratem essas pessoas, consciente
ou inconscientemente, como contra-revolucionários."
 
 
Carecemos de uma legalidade revolucionária e cumpre-nos opor
essa legalidade ao "nepotismo revolucionário", esse último uma
enfermidade que, certamente, cresce de modo ameaçador, na
medida em que se pode apenas concretizar algo, clara e
totalmente legal, através unicamente da recomendação de um
conhecido companheiro do partido.
Isso nos traz à memória um adágio :
 
"Para que necessitamos de leis se temos juízes que são
nossos conhecidos?"
 
 
Quando falamos, no Decreto Nr. 1, a respeito da  consciência
jurídica revolucionária, fizemo-lo de maneira forçada, porém
jamais erigimos essa consciência acerca do Direito em uma fonte
[37]
misteriosa de Direito e de Justiça.
 
Pois, devo dizer abertamente que essa consciência jurídica ainda
é, lamentavelmente, por demais burguesa, mesmo entre nós,
comunistas. Apenas esse fato me estimulou, apesar de minha
inclinação contra a Ciência do Direito, a ocupar-me, pela primeira
vez, de modo teórico, em meu livrinho acima mencionado, com a
[38]
concepção marxista-revolucionária acerca do Direito e da lei.
 
Na medida em que reconheço, prazerosamente, os lados débeis
de meu trabalho, aconselho a todos aqueles que  pretendem
escrever, de maneira marxista, acerca dessa questão, a
efetivamente fazê-lo.
Ele não tem nada em comum com noções pseudo-revolucionárias,
mas procura, pelo contrário, formular uma concepção marxista do
Direito em geral e, nesse sentido, também acerca da legalidade
revolucionária.
  Procurei aqui reproduzir, fiel e sinteticamente, como se
desenvolveu a questão do Direito de Classe e da Justiça de Classe
na Revolução Russa, acrescentando uma curta introdução teórica. 
Seria infantil fechar os olhos e afirmar que não é
possível aprender-se nada na Europa com a Revolução Russa, que
essa última, tal como Kautsky se expressa, efetivamente "não
conta para nada". 
O marxismo dedicou à questão do Direito apenas pouco tempo e
se satifez, até o presente momento, com lugares comuns da
doutrina burguesa.
Já é hora, porém, de colocar essa problemática seriamente na
ordem do dia. 
 
 
 
EDITORA DA ESCOLA DE AGITADORES E INSTRUTORES
“UNIVERSIDADE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIA J. M.
SVERDLOV”
PARA A FORMAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E DIREÇÃO MARXISTA-
REVOLUCIONÁRIA
DO PROLETARIADO E SEUS ALIADOS OPRIMIDOS
MOSCOU - SÃO PAULO - MUNIQUE – PARIS
 
 

[1]
Cf. STUTCHKA, PIOTR IVANOVITCH. Das Problem des Klassenrechts und der
Klassenjustiz (O Problema do Direito de Classe e da Justiça de Classe), in : Kleine Bibliothek
der Russischen Korrespondenz (Pequena Biblioteca da Correspodência Russa), Nr. 80-81,
Hamburg 8 : Verlag Carl Hoym, Nachf. Louis Cahnbley, 1922, pp. 3 e s.  O presente texto de
Piotr Stutchka foi traduzido por mim, pela primeira vez, para a língua portuguesa, em
1999, e publicado em STUTCHKA, PIOTR IVANOVITCH. Direito de Classe e Revolução
Socialista. Organização de Textos e Tradução de Emil von München : Instituto José Luís e
Rosa Sundermann, São Paulo, 2000, pp. 71 e s.
[2] Indicação de Emil Asturig von München : Nessa sede, Stutchka agrega ao texto em
destaque a seguinte nota : "Será que Vandervelde, enquanto Ministro da Justiça, não reparou
claramente que, na Bélgica, até mesmo os "criminosos" políticos encontram-se ainda metidos
em prisões?" 
[3]
Indicação de Emil Asturig von München : Acerca desse raciocínio, formulado por
Stutchka, vide, mais pormenorizadamente, ENGELS, FRIEDRICH & KAUTSKY, KARL.
Juristensozialismus (O Socialismo dos Juristas)(1887), in : Karl Marx & Friedrich Engels
Werke (Obras de Marx e Engels), Vol. 21, Berlim : Dietz, 1961, pp. 492 e s.
[4]
Indicação de Emil Asturig von München : Acerca das concepções jurídicas de Anton
Menger, vide, mais amplamente, MENGER VON WOLFENSGRÜN, ANTON. Das Recht auf
den vollen Arbeitsertrag in geschichtlicher Darstellung (O Direito ao Rendimento Total do
Trabalho em Exposição Histórica), Stuttgart-Berlim : J. G. Cotta, 1886, pp. X e s.; IDEM. Das
bürgerlische Recht und die besitzlosen Volksklassen (O Direito Civil e as Classes Populares
Desapossadas), Tübingen : H. Laupp, 1890, pp. XII e s.; IDEM. Über die socialen Aufgaben
der Rechtswissenschaft (Acerca das Funções Sociais da Ciência do Direito), Wien-Leipzig :
W. Braumüller, 1895, pp. 3 e s.; IDEM. Neue Sittenlehre (Nova Doutrina dos Costumes), Jena
: G. Fischer, 1905, pp. VIII e s. 
[5]
Indicação de Emil Asturig von München : A esse respeito, Stutchka observa em nota de
pé-de-página : "No livro de Karl Kautsky 'A Revolução Proletária e seu Programa' (Stuttgart,
1922), podemos ler : 'A revolução proletária pode ser executada pacificamente, em plena
legalidade, sem ações violentas.'" Acerca do referido livro de Kautsky, vide, mais
amplamente, KAUTSKY, KARL. Die proletarische Revolution und ihr Programm (A
Revolução Proletária e seu Programa), Berlim-Stuttgart : Dietz, 1922, pp. 17 e s.
[6]
Indicação de Emil Asturig von München : Nesse sentido, vide, p.ex. MARX, KARL &
ENGELS, FRIEDRICH. Manifest der Kommunistischen Partei (Manifesto do Partido
Comunista) (1848), in : Karl Marx & Friedrich Engels Werke (Obras de Marx e Engels), Vol. 4,
Berlim : Dietz, 1961, p. 473 e s.; MARX, KARL. Der politische Indifferentismus (O
Indiferentismo Político) (Dezembro de 1873), in : ibidem, Vol. 18, pp. 299 e s.
[7]
Indicação de Emil Asturig von München : Acerca do tema, vide ENGELS, FRIEDRICH &
KAUTSKY, KARL. Juristensozialismus (O Socialismo dos Juristas)(1887), in : ibidem, Vol. 21,
pp. 492 e s.
[8]
Indicação de Emil Asturig von München : Acerca da citação em destaque, vide, mais
minuciosamente, IDEM. ibidem, pp. 492 e 493.
[9]
Indicação de Emil Asturig von München : Acerca do pensamento jurídico de Kant,
vide, antes de tudo, KANT, IMMANUEL. Grundlegung der Metaphysik der Sitten
(Fundamentos da Metafísica dos Costumes), Riga : Hartknoch, 1785, pp. 3 e s.; IDEM. Critik
der practischen Vernunft (Crítica da Razão Prática), Riga : Hartknoch, 1788, pp. 7 e s.; IDEM.
Metaphisische Anfangsgründe der Rechtslehre (Fundamentos Metafísicos Iniciais da
Doutrina do Direito) (1797), in : Immanuel Kant. Metaphysik der Sitten, Hamburg : Felix
Meiner, 1922, pp. 5 e s.
[10]
Indicação de Emil Asturig von München : Nesse contexto, assinala Stutchka : "Não o
homem como citoyen, mas sim o homem como burguês, é tomado como sendo o homem
verdadeiro e próprio." (Marx, Nachlaß, I., p. 420). Em um livro de um publicista burguês
contemporâneo, Horneffer, lemos ainda, alternativamente : "O homem é, por natureza, um
capitalista etc." Acerca da presente citação, formulada por Stutchka, vide, mais
amplamente, MARX, KARL. Zur Judenfrage (Acerca da Questão Judia)(1843), in : Karl Marx
& Friedrich Engels Werke (Obras de Marx e Engels), Vol. 1, Berlim : Dietz, 1962, p. 366.
[11]
Indicação de Emil Asturig von München : Acerca do tema, vide, nesse sentido,
STUTCHKA, PIOTR. Revoliutsionaia Rol Prava i Gosudarstva. Obschche Utchenie o Prave (O
Papel Revolucionário do Direito e do Estado. Teoria Geral do Direito), Moscou : Isdatielstvo
Kommunistitcheskoi Akademii. Sektsia Prava i Gosudarstva (Editora da Academia
Comunista. Seção Direito e Estado), 1924, pp. III e s. 
[12]
Indicação de Emil Asturig von München : Relativamente a essa temática, Stutchka faz
referência expressa à publicação da carta de Marx a Weydemeyer em NEUE ZEIT.
WOCHENSCHRIFT DER DEUTSCHEN SOZIALDEMOKRATIE (Novo Tempo. Semanário da
Social-Democracia Alemã), Berlim-Stutgartt : Dietz, Vol. 21, Nr. 2, p. 164. Adicionalmente,
vide tb. MARX, KARL. Brief an J. Weydemeyer (Carta a J. Weydemeyer)(Março de 1852), in :
Karl Marx & Friedrich Engels Werke (Obras de Marx e Engels), Vol. 28, Berlim : Dietz, 1962,
pp. 507 e 508. 
[13]
  Indicação de Emil Asturig von München : No que concerne a essa temática, vide,
especificamente, MARX, KARL. Das Kapital. Bd. 3 (O Capital. Vol. 3)(1a. Edição de 1894,
editada por Friedrich Engels), Kapitel LII : Die Klassen (Capítulo LII : As Classes), in : ibidem,
Vol. 25, pp. 892 e s.
[14]
Indicação de Emil Asturig von München : Cf. KAUTSKY, KARL. in : Neue Zeit.
Wochenschrift der Deutschen Sozialdemokratie (Novo Tempo. Seminário da Social-
Democracia Alemã), Berlim-Stuttgart : Dietz, Vol. 21, Nr. 34, 1903, p. 241.
[15]
 Indicação de Emil Asturig von München : Stutchka reporta-se aqui a MARX, KARL.
Das Kapital. Bd. I (O Capital. Vol. 1)(1867), Kapitel VIII : Der Arbeitstag (Capítulo VIII : A
Jornada de Trabalho), Teil VII : Der Kampf um den Normalarbeitertag. Rückwirkung der
englischen Fabrikgesetzgebung auf andre Länder (Parte VII : A Luta pela Jornada Normal de
Trabalho. Efeito Reflexivo da Legislação Fabril Inglesa sobre outros Países), in : Karl Marx &
Friedrich Engels Werke (Obras de Marx e Engels), Vol. 23, Berlim : Dietz, 1962, p. 316.  
[16]
Indicação de Emil Asturig von München : Acerca dessa citação, vide, mais
precisamente, MARX, KARL & ENGELS, FRIEDRICH. Die heilige Familie oder Kritik der
kritischen Kritik gegen Bruno Bauer und Konsorten (A Sagrada Família ou a Crítica da
Crítica Crítica contra Bruno Bauer e Consortes)(Fevereiro de 1845), in : ibidem, Vol. 2,
Berlim : Dietz, 1961, especialmente Capítulo IV : "A Crítica Crítica" enquanto Tranqüilidade
do Reconhecimento ou a "Crítica Crítica" enquanto o Sr. Edgar - 4. Proudhon, p. 37.
[17]
Indicação de Emil Asturig von München : Acerca do tema, Stutchka faz, em seu texto,
expressa referência à seguinte definição de Lenin : "Enquanto classes são designados
grandes grupos humanos que se diferenciam uns dos outros segundo seu lugar em um sistema
historicamente determinado da produção social, segundo sua relação (em grande parte fixada
e formulada em leis) para com os meios de produção, segundo seu papel na organização
social do trabalho e, conseqüentemente, segundo o tipo de sua aquisição e grandeza da
participação na riqueza social acerca da qual dispõem. Classes são grupo de pessoas, dos
quais um pode se apropriar do trabalho de outro em decorrência da diferença de seu lugar em
um sistema determinado da economia social." Acerca dessa citação, vide LENIN, VLADIMIR
ILITCH. Die Große Initiative. Über das Heldentum der Arbeiter im Hinterland. Aus Anlaß
der "kommunistischen Subbotniks" (A Grande Iniciativa. Acerca do Heroísmo dos
Trabalhadores no Interior do País. Por Ocasião dos "Sábados Comunistas")(Julho de 1919), in
: W. I. Lenin Werke, Vol. 29, Berlim : Dietz, 1961, p. 410.    
[18]
Indicação de Emil Asturig von München : Referentemente a essa formulação de
Stutchka, vide, sobretudo, KARL, MARX. Das Elend der Philosophie. Antwort auf
Proudhons "Philosophie des Elends" (A Miséria da Filosofia. Resposta à "Filosofia da
Miséria" de Proudhon)(1946-1947), in : Karl Marx & Friedrich Engels Werke (Obras de Marx
e Engels), Vol. 4, Berlim : Dietz, 1961, especialmente Kapitel II : Die Metaphysik der
politischen Ökonomie (Capítulo II : A Metafísica da Economia Política), §5°. Strikes und
Arbeiterkoalitionen (§5°. Greves e Coalizões de Trabalhadores), pp. 181 e s.; MARX, KARL &
ENGELS, FRIEDRICH. Manifest der Kommunistischen Partei (Manifesto do Partido
Comunista)(1848), in : ibidem, Vol. 4, pp. 461 e s.
[19]
 Indicação de Emil Asturig von München : Sobre essa citação, vide, mais detidamente,
ENGELS, FRIEDRICH. Heern Eugen Dühring's Umwälzung der Wissenschaft (A Subversão
da Ciência do Sr. Eugen Dühring)(1887-1878), in : ibidem, Vol. 20, particularmente IX : Moral
und Recht. Ewige Wahrheiten (Moral e Direito. Verdades Eternas), p. 83.
[20]
Indicação de Emil Asturig von München : Vide, nesse sentido, MARX, KARL &
ENGELS, FRIEDRICH. Die heilige Familie oder Kritik der kritischen Kritik gegen Bruno
Bauer und Konsorten (A Sagrada Família ou a Crítica da Crítica Crítica contra Bruno Bauer e
Consortes)(Fevereiro de 1845), in : ibidem, Vol. 2, especialmente Capítulo IV : "A Crítica
Crítica" enquanto Tranqüilidade do Reconhecimento ou a "Crítica Crítica" enquanto o Sr.
Edgar - 4. Proudhon, p. 38. 
[21]
Indicação de Emil Asturig von München : Acerca do tema, vide, sobretudo
STUTCHKA, PIOTR. Revoliutsionaia Rol Prava i Gosudarstva. Obschche Utchenie o Prave (O
Papel Revolucionário do Direito e do Estado. Teoria Geral do Direito), Moscou : Isdatielstvo
Kommunistitcheskoi Akademii. Sektsia Prava i Gosudarstva (Editora da Academia
Comunista. Seção Direito e Estado), 1924, pp. III e s. 
[22]
 Indicação de Emil Asturig von München : Acerca desse raciocínio de Stutchka, vide,
mais amplamente, ENGELS, FRIEDRICH & KAUTSKY, KARL. Juristensozialismus (O
Socialismo dos Juristas)(1887), in : Karl Marx & Friedrich Engels Werke (Obras de Marx e
Engels), Vol. 21, Berlim : Dietz, 1961, pp. 492 e s.
[23]
Indicação de Emil Asturig von München : Acerca dessa citação, vide, mais
precisamente, KAUTSKY, KARL. Die proletarische Revolution und ihr Programm (A
Revolução Proletária e seu Programa), Stuttgart-Berlim, 1922, p. 273.
[24]
(24) Indicação de Emil Asturig von München : Nesse sentido, vide, p.ex. LENIN, 
VLADIMIR I. Staat und Revolution. Die Lehre des Marxismus vom Staat und die Aufgaben
des Proletariats in der Revolution (O Estado e a Revolução. A Doutrina Marxista do Estado e
as Tarefas do Proletariado na Revolução), in : W.I. Lenin Werke, Vol. 25, Berlim : Dietz, 1972,
pp. 393 e s. 
[25]
Indicação de Emil Asturig von München : Sobre essa citação, vide, originalmente,
KAUTSKY, KARL. Die proletarische Revolution und ihr Programm (A Revolução Proletária
e seu Programa), Stuttgart-Berlim, 1922, p. 106.
[26]
Indicação de Emil Asturig von München : Referentemente a essa citação de Stutchka,
vide FEUERBACH, LUDWIG. Kleinere Schriften III (Pequenos Escritos III)(1846-1850), in :
Ludwig Feuerbach Gesammelte Werke (Obras Completas de Ludwig Feuerbach), Berlim,
1967, Vol. 10, pp. 311 e s.
[27]
  Indicação de Emil Asturig von München : Acerca desse argumento, postulado por
Stutchka, vide, mais minuciosamente, MARX, KARL. Debatten über das
Holzdiebstahlsgesetz. Von einen Rheinländer (Debates acerca da Lei sobre o Furto de
Madeira. Por um Renano)(1° de Novembro de 1842), in : Karl Marx und Friedrich Engels
Werke (Obras de Marx e  Engels), Vol. 1, Berlim : Dietz, 1961, pp. 109 - 147. O texto de Marx
em realce foi publicado, originariamente, no jornal intitulado "Gazeta Renana", Nr. 298,
de 25 de outubro de 1842. Foi, por mim, traduzido, pela primeira vez, para a língua
portuguesa, em 2002, e publicado, então, em 2006.
O texto de Marx em apreço é parte de uma série de artigos, composta de 5 partes. Esses
artigos de Marx, redigidos entre 25 de outubro e 3 de novembro de 1842, propõem-se a
analisar os debates, ocorridos na Assembléia Estadual da Renânia, entre 23 de maio e 25
de julho de 1841. Aplicando magistralmente o método dialético-materialista à temática em
causa, Marx conseguiu aqui examinar, pela primeira vez, com profundidade, as
contradições, existentes entre os interesses materiais de diferentes classes histórico-sociais
do mundo contemporâneo, posicionando-se em defesa dos interesses das massas populares
pobres, despojadas de todos os tipos de propriedade.
Marx demonstra, em seus artigos em realce, que o Direito Consuetudinário de
recolhimento de madeira caída e apanhada no chão não poderia ser tipificado como
furto, por meio de nova legislação penal. Marx reivindica, assim, para a pobreza o Direito
Consuetudinário, válido em todos os países, o qual : " ... por sua própria natureza, pode ser
apenas o Direito dessas massas mais inferiores, desapossadas e elementares."
E, com efeito : em contraste com o Direito Consuetudinário da nobreza privilegiada que
se funda sobre a falsa concepção de uma suposta desigualdade natural-estamental dos seres
humanos, o Direito Consuetudinário da pobreza é postulado por Marx como sendo
efetivamente social-universal. Diferentemente dos animais despidos de razão, os seres
humanos são livres e iguais a todos os seus pares do gênero humano, ao passo que os
primeiros, por não gozarem de liberdade, são iguais apenas no âmbito de sua espécie
determinada. As diferenças de classes e estamentos historicamente existentes contradizem,
assim, à essência da liberdade igual de todos os seres humanos. Os Direitos
Consuetudinários das distinções são, portanto, costumes, praticados contra o próprio
conceito de Direito e Legislação Racionais, uma vez que seu conteúdo colide com sua
forma jurídica, enquanto que o Direito Consuetudinário da pobreza não colide senão
com a ausência de sua própria formalidade jurídica.
O interesse material dos proprietários de floresta é, segundo Marx, um interesse particular
e, por consegüinte, limitado. O interesse das massas mais inferiores, desapossadas e
elementares, um interesse universal e ilimitado.
Por exigirem os proprietários de floresta também um Direito de Propriedade sobre a
madeira caída e apanhada no chão,  agem em discrepância com o Direito
Consuetudinário da pobreza, visto que são as próprias árvores, enquanto partes
integrantes da natureza, que despejaram ao chão e, praticamente, excluíram de si mesmas
essa madeira caída e apanhada. As massas mais inferiores, excluídas, despejadas, separadas
e não integradas pela sociedade de classes, são tais qual a madeira caída ao chão e, nessa
analogia, reconhecem, instintivamente, o seu Direito de apropriação das coisas
derrubadas e caídas ao chão. 
Antecipando em vários anos sua ulterior magistral descoberta da essência da mais-valia
capitalista, Marx demonstra que as classes proprietárias superiores exigiam não apenas
indenização pela subtração da madeira caída e apanhada no chão, senão ainda penas
pecuniárias a serem pagas pelos "ladrões de madeira". O valor da madeira substraída
nessas circunstâncias deveria ainda ser fixado por autoridades florestais, contratadas pela
nobreza latifundiária, no melhor dos casos, não de modo vitalício, senão apenas
temporariamente.                 
No último artigo da série aqui em realce, Marx propugnou, inovadoramente, seu conceito
de fetiche, o qual haveria de desenvolver, posteriormente, em sua crítica dialética do
dinheiro e do capital.   
O texto aqui em realce, tal quais os demais dessa série, demonstram, inequivocamente, o
início da dedicação intelectual de Marx aos estudos da economia política. Acerca do
tema, vide mais precisamente Cf. IDEM. Vorwort zur Kritik der Politischen Ökonomie
(Prefácio à Crítica da Economia Política)(Agosto de 1858 – Janeiro de 1859), in : ibidem, Vol.
XIII, Berlim : Dietz Verlag, 1961, pp. 7 e s.
Nesse último material, Marx assinala, com precisão : "Meu estudo específico era o da
Ciência do Direito, o qual empreendi, entretanto, apenas como disciplina subordinada,
ao lado da Filosofia e da História. Em 1842 e 1843, enquanto redator da “Gazeta
Renana”, meti-me, pela primeira vez, no embaraço de ter de colaborar, pronunciando-me
acerca dos assim chamados interesses materiais. Os debates da Assembléia Estadual da
Renâna sobre o furto de madeira das florestas e o parcelamento da propriedade fundiária, a
polêmica ministerial que o Sr. von Schaper, outrora Presidente Supremo da Província da
Renânia, moveu contra a “Gazeta Renana” acerca das condições do camponês do Vale do
Rio Mosela, os debates, enfim, sobre o livre comércio e a duana protecionista, forneceram os
primeiros pretextos para minha dedicação às questões econômicas. Por outro lado, naquela
época, quando a boa vontade de "ir adiante" havia multiplamente compensado o
conhecimento objetivo, tornara-se audível na "Gazeta Renana" um eco de socialismo e do
comunismo francês, levemente tingido de filosofia. Declarei-me contrário a essa obra de má
qualidade, confessando, porém, ao mesmo tempo, de modo direto e aberto, em uma
controvérsia, mantida com o "Diário Popular de Augsburg", que meus estudos, até então
empreendidos, não me permitiam ousar formular, por mim mesmo, nenhum julgamento
acerca do conteúdo das tendências francesas. Em vez disso, lancei mão, avidamente, da ilusão
dos editores da "Gazeta Renana", que acreditavam poder fazer retroceder a sentença de
morte recaída sobre o jornal devido às suas posições mais complacentes, a fim de me retirar
da cena pública e recolher-me em meu gabinete de estudo."
[28]
Indicação de Emil Asturig von München : Sobre essa citação, formulada por Stutchka,
vide, originalmente, VON JHERING, RUDOLF. Der Zweck im Recht (O Objetivo no Direito)
(1877-1883), Vol. 1, Leipzig : Breitkopf und Härtel, 1884, p. 251.
[29]
Indicação de Emil Asturig von München : Cf. IDEM, ibidem, pp. 251 e s.
[30]
Indicação de Emil Asturig von München : Nesse sentido, vide, propriamente, HEGEL,
GEORG WILHELM FRIEDRICH. Wissenschaft der Logik (Ciência da Lógica), Vol. 1,
Frankfurt a.M. : Suhrkamp, 1969, pp. 199 e s.
[31]
  Indicação de Emil Asturig von München : Stutchka refere-se aqui a MARX, KARL.
Das Kapital Bd. I (O Capital Vol. 1)(1867), Kapitel VIII. Der Arbeitstag (Capítulo VIII: A
Jornada de Trabalho), Teil IV : Der Kampf um den Normalarbeitertag. Zwangsgesetzliche
Beschränkung der Arbeitszeit. Die englische Fabrikgesetzgenbung von 1833-1864 (Parte IV:
A Luta pela Jornada Normal de Trabalho. A Limitação Legal-Coercitiva do Tempo de
Trabalho. A Legislação Inglesa de Fábrica de 1833-1864), in : Karl Marx und Friedrich Engels
Werke (Obras de Marx e  Engels), Vol. 23, Berlim : Dietz, 1962, pp. 294 e s.
[32]
Indicação de Emil Asturig von München : A esse respeito, vide, precisamente, MARX,
KARL. ibidem, Kapitel XXIV. Die sogennante ursprüngliche Akkumulation (Capítulo XXIV: A
Assim-Denominada Acumulação Original), Teil II : Expropriation des Landvolks von Grund
und Boden (Parte II: Expropriação do Solo e da Terra do Povo do Campo), Teil III :
Blutgesetzgebung gegen die Expropiierten seit Ende des 15. Jahrhunderts. Gesetze zur
Herabdrückung des Arbeitslohns (Parte III: Legislação Sangüinária contra os Expropriados
desde o Fim do Século XV. Leis para o Achatamento do Salário), in : IDEM, ibidem,
respectivamente pp. 744 e s., bem como 762 e s.  
[33]
Indicação de Emil Asturig von München : Nesse sentido, vide, antes de tudo,
STUTCHKA, PIOTR. Revoliutsionaia Rol Prava i Gosudarstva. Obschche Utchenie o Prave (O
Papel Revolucionário do Direito e do Estado. Teoria Geral do Direito), Moscou : Isdatielstvo
Kommunistitcheskoi Akademii. Sektsia Prava i Gosudarstva (Editora da Academia
Comunista. Seção Direito e Estado), 1924, pp. III e s.
[34]
Indicação de Emil Asturig von München :  Cf. DEKRIET  O SUDIE (Decreto  sobre 
Tribunal)(1917), in : Piotr Stutchka. 13 Liet Borbyi za Revoliutsiono-Marksistskuiu Teoriu
Prava. Sbornik Statiei 1917-1930 (13 Anos de Luta pela Teoria Marxista-Revolucionária do
Direito. Compêndio de Artigos de 1917 a 1930), Moscou : Gosudarstviennoie Iuriditcheskoie
Izdatielstvo (Editora Jurídica do Estado), 1931, Prilojienia (Apêndice), p. 230.
[35]
Indicação de Emil Asturig von München :  Acerca do tema, vide, p.ex. MARX, KARL. Das
Elend der Philosophie. Antwort auf Proudhons "Philosophie des Elends" (A Miséria da
Filosofia. Resposta à "Filosofia da Miséria" de Proudhon)(1946-1947), in : Karl Marx &
Friedrich Engels Werke (Obras de Marx e Engels), Vol. 4 : especialmente Kapitel II : Die
Metaphiysik der politischen Ökonomie (Capítulo II : A Metafísica da Economia Política), § 5°.
Strikes und Arbeiterkoalitionen (§ 5° Greves e Coalizões de Trabalhadores), Berlim : Dietz,
1961, pp. 181 e s.; MARX, KARL & ENGELS, FRIEDRICH. Manifest der Kommunistischen
Partei (Manifesto do Partido Comunista)(1848), in : ibidem, Vol. 4, pp. 461 e s.; MARX, KARL.
Der Achzehnte Brumaire des Louis Bonaparte (O 18 Brumário de Luís Bonaparte)(Dezembro
1851 - Março 1852), in : ibidem, Vol. 8, pp. 196 e s.; IDEM. Der Bürgerkrieg in Frankreich.
Adresse des Generalrats der Internationalen Arbeiterassoziation (A Guerra Civil na França.
Pronunciamento do Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores)(Abril -
Maio 1871), in : ibidem, Vol. 17, pp. 336 e s. MARX, KARL  & ENGELS, FRIEDRICH.
Vorwort zum Manifest der Kommunistichen Partei - Deutsche Ausgabe 1872, Leipzig (Prefácio
ao Manifesto do Partido Comunista. Edição Alemã de 1872, Leipzig), in : ibidem, Vol. 18, pp. 92
e s.  
[36]
Indicação de Emil Asturig von München :    Nesse sentido, vide mais amplamente
ENGELS, FRIEDRICH & KAUTSKY, KARL. Juristensozialismus (O Socialismo dos Juristas)
(1887), in :  Karl Marx & Friedrich Engels Werke (Obras de Marx e Engels), Vol. 21, Berlim :
Dietz, 1961, pp. 492 e s.
[37]
Indicação de Emil Asturig von München :    Acerca do tema, vide DEKRET O SUDIE
(Decreto sobre o Tribunal)(1917), in : Piotr Stutchka. 13 Liet Borbyi za Revoliutsiono-
Marksistskiu Teoriu Prava. Sbornik Statiei 1917-1930 (13 Anos de Luta pela Teoria Marxista-
Revolucionária do Direito. Compêndio de Artigos 1917 a 1930), Moscou : Gosudarstvienoie
Iuriditcheskoie Izdatielstvo (Editora Jurídica do Estado), 1931, Prilojienia (Apêndice), p. 230.
[38]
Indicação de Emil Asturig von München : Vide, nesse sentido, sobretudo, STUTCHKA,
PIOTR.   Revoliutsionaia Rol Prava i Gosudarstva. Obschche Utchenie o Prave (O Papel
Revolucionário do Direito e do Estado. Teoria Geral do Direito), Moscou  : Isdatielstvo
Kommunistitcheskoi Akademii. Sektsia Prava i Gosudarstva (Editora da Academia Comunista.
Seção Direito e Estado), 1924, pp. III e s.

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