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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE ARQUITETURA, ENGENHARIA E


TECNOLOGIA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO
ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

ESTUDO DOS MÉTODOS DE APLICAÇÃO DO


SPDA EM ESTRUTURAS E NA PENITENCIARIA
MATA GRANDE

REJEAN ADDOR DE SOUZA

ORIENTADOR: PROF. Ms. HAMILTON DIAS DE CRVALHO

Cuiabá, MT
Dezembro, 2009
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
FACULDADE DE ARQUITETURA, ENGENHARIA E
TECNOLOGIA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO
ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

ESTUDO DOS MÉTODOS DE APLICAÇÃO DO


SPDA EM ESTRUTURAS E NA PENITENCIARIA
MATA GRANDE

REJEAN ADDOR DE SOUZA

Monografia apresentada ao Programa de


Pós-graduação em Engenharia de
Segurança do Trabalho da Universidade
Federal de Mato Grosso, como parte dos
requisitos para obtenção do título de
Especialista em Engenharia de Segurança
do Trabalho.

ORIENTADOR: PROF. Ms. HAMILTON DIAS DE CARVALHO

Cuiabá, MT
Dezembro, 2009
DEDICATORIA

A Deus a Fonte de todos os meus desejos e anseios dessa minha jornada e aos meus
pais que sempre estiveram do meu lado vivenciando minhas luta.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por ter me abençoado com saúde e forças para completar
mais esta etapa de minha vida e principalmente por me ter disponibilizado pessoas
atenciosas, que com muito carinho e dedicação, caminharam junto a mim, nesta
empreitada árdua, porém muito gratificante.

Registro aqui a fundamental participação de meu orientador Profº Engenheiro


eletricista Hamilton Dias de carvalho que com grande esforço me direcionou neste
estudo, sob a luz de seus conhecimentos técnico-científicos.

Por fim, não poderia deixar de agradecer aquelas pessoas que direta ou
indiretamente me auxiliaram nesta trajetória: meu pai Gilberto Addor de Souza,
minha querida mãe Maria Dalva de França Souza
SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS ................................................................................................ i


LISTA DE QUADROS ............................................................................................ iv
LISTA DE EQUAÇÕES ...............................................Erro! Indicador não definido.
LISTA DE ABREVIATURAS ................................................................................. vi
RESUMO ............................................................................................................... vii
ABSTRACT .......................................................................................................... viii
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................ 1
1.1. PROBLEMATICA ...................................................................................... 1
1.2. JUSTIFICATIVA........................................................................................ 2
1.3. OBJETIVO ................................................................................................. 3
1.3.1. Objetivo Geral ..................................................................................... 3
1.3.2. Objetivos Específicos .......................................................................... 3
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .......................................................................... 4
2.1. GENERALIDADES SOBRE RAIOS .......................................................... 4
2.1.1. Formação de Cargas ............................................................................ 4
2.1.2. Formação de Raios .............................................................................. 5
2.1.3. Formação de uma Descarga Atmosférica ............................................. 5
2.2. INCIDÊNCIA DE RAIOS........................................................................... 7
2.2.1. Mitos e Crendices ................................................................................ 8
2.2.2. O que faz um SPDA ............................................................................ 9
2.3. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO ........................................................ 11
2.3.1. Níveis de Proteção ............................................................................. 11
2.3.2. Para raios - Principais Funções .......................................................... 12
2.3.3. Avaliação dos Riscos de Exposição ................................................... 15
2.3.4. Mapa de curvas isocerâunicas ............................................................ 16
2.3.5. Freqüência admissível de danos ......................................................... 18
2.3.6. Interpretação dos Resultados.............................................................. 19
2.4. FORMAS DE ELABORAÇÃO ................................................................ 20
2.5. PRINCIPAIS METOTOS DE PROTEÇÃO .............................................. 22
2.6. SISTEMA DE PROTEÇÃO – MÉTODO DE FRANKLIN ....................... 26
2.7. SISTEMA DE PROTEÇÃO – MÉTODO ELETROGEOMETRICO OU
ESFERA ROLANTE .......................................................................................... 28
2.7.1. Conceitos Básicos .............................................................................. 28
2.7.2. Aplicação do Modelo Eletro geométrico ............................................ 29
2.7.3. Volume de Proteção de um Captor Vertical com H ≤ R...................... 30
2.7.4. Volume de Proteção de um Captor Vertical com H > R ..................... 31
2.8. SISTEMA DE PROTEÇÃO – MÉTODO DA GAIOLA DE FARADAY .. 32
2.9. IMPORTANCIA DA RESISTIVIDADE DO SOLO PARA A
ELABORAÇÃO DE UM BOM PROJETO DE SPDA ........................................ 35
2.9.1. Subsistema de Aterramento................................................................ 35
2.9.2. Eletrodos de Aterramento .................................................................. 35
2.10. PRINCIPAIS MODELOS DE SISTEMAS DE ATERRAMENTO ........... 36
2.11. PRINCIPAIS COMPONENTES PRESENTES NO SISTEMA DE
ATERRAMENTO .............................................................................................. 37
2.12. TÉCNICAS UTILIZADAS PARA REDUZIR A RESISTÊNCIA DO
ATERRAMENTO .............................................................................................. 37
2.12.1. Aterramento ................................................................................... 38
2.13. EXEMPLO DE MEDIÇÃO DA RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO
PARA SPDA ...................................................................................................... 43
3. ESTUDO DE CASO ....................................................................................... 46
3.1. PENITENCIARIA MAJOR EL DO SÁ CORREA, CONHECIDA COMO
MATA GRANDE, LOCALIZADA NA CIDADE DE RONDONÓPOLIS-MT .. 46
3.1.1. MEDIÇÃO DA RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO .................... 49
3.1.2. RECONHECIMENTO DAS CARACTERISTICAS DO SOLO ........ 52
3.1.3. MODELOS DE ATERRAMENTO DOS PÁRA- RAIOS .................. 55
3.1.4. ANÁLISE / RECOMENDAÇÕES .................................................... 64
3.1.5. CONCLUSÃO................................................................................... 65
3.2. ELABORAÇÃO DE PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS
ATMOSFERICAS NO PRESIDIO MATA GRANDE EM RONDONOPOLIS .. 66
3.2.1. INTRODUÇÃO ................................................................................. 66
3.2.2. CARACTERÍSTICAS GERAIS ........................................................ 67
3.2.3. MODELOS DE PROTEÇÃO A SER ADOTADO (FRANKLIN) ..... 92
4. ANÁLISE / RECOMENDAÇÕES ................................................................ 102
CONCLUSÃO ...................................................................................................... 103
5. BIBLIOGRAFIA .......................................................................................... 104
i

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Modelo eletro geométrico: visualização do R; ação dos raios ..................... 7


Figura 2: Neutralização pelo poder das pontas......................................................... 13
Figura 3: Caminho em busca da neutralidade. ......................................................... 14
Figura 4: Delimitação da área de exposição equivalente (Ae) - Estrutura vista de
planta. ..................................................................................................................... 16
Figura 5: Mapa de curvas Isocerâunicas do Brasil. .................................................. 17
Figura 6: Parâmetros e volumes de Proteção do SPDA. ........................................... 23
Figura 7: Instalação de gaiola de Faraday em galpão. .............................................. 24
Figura 8: Instalação de postes em Casa, sistema Isolado. ........................................ 25
Figura 9: Instalação de gaiola de Faraday em Prédios. ............................................ 25
Figura 10: Cone de proteção que indica os parâmetros para aplicação do método de
Franklin. ................................................................................................................. 27
Figura 11: Modelo eletro geométrico: visualização do R; ação dos raios. ................ 29
Figura 12: Volume de proteção do captor h ≤ R. ..................................................... 31
Figura 13: Volume de proteção do captor com h > R. .............................................. 31
Figura 14: Gaiola de Faraday. ................................................................................. 32
Figura 15: Sistema de Proteção a Descargas Atmosféricas e Sistema de Aterramento. 34
Figura 16: Modelos de arranjos. .............................................................................. 40
Figura 17: Gráfico de Condutores de Aterramento em função da resistividade do solo
............................................................................................................................... 41
Figura 18: Foto dos equipamentos usados para a solda exotérmica. ......................... 41
Figura 19: Foto Preparação solda exotérmica. ......................................................... 42
Figura 20: Detalhe da solda exotérmica entre a haste de aterramento, a malha e a
descida. ................................................................................................................... 42
Figura 21: Detalhe da valeta do aterramento............................................................ 43
Figura 22: Exemplo de um gráfico de medição de resistência de aterramento pelo
método de queda de potencial. ................................................................................ 45
Figura 23: Vista do Presídio Mata Grande. .............................................................. 47
Figura 24: Vista da localização do Presídio Mata Grande (MT- 130)
Rondonópolis/Poxoreo. ........................................................................................... 47
Figura 25: Vista Aérea do Presídio Mata Grande. .................................................... 48
Figura 26: Vista Aérea dos pontos onde estão instalados Para raios ......................... 48
Figura 27: Diagrama de Medição de resistência de terra. ......................................... 50
Figura 28: Método de Wenner. ................................................................................ 54
Figura 29: Penetração na profundidade “a”. ............................................................ 54
Figura 30: Posicionamento de uma Haste cravada no solo. ...................................... 56
Figura 31: Posicionamento das Hastes alinhadas em linha reta. ............................... 58
Figura 32: Configuração em hastes posicionadas em triangulo. ............................... 59
Figura 33: As Curvas São para hastes de 1/2” e 1”, com tamanhos de 1,2; 1,8; 2,4 e 3
metros. .................................................................................................................... 60
Figura 34: Posicionamento das Hastes em formação Quadrado vazio. ..................... 61
Figura 35: Espaçamento em metros; Oito hastes em quadrado Vazio. ...................... 62
Figura 36: Espaçamento em metros; Trinta e seis hastes em Quadrado vazio. .......... 62
ii

Figura 37: Vista da descida do cabo de aterramento da torre da guarda.................... 68


Figura 38: Vista inferior da torre e da tubulação de PVC. ........................................ 68
Figura 39: Vista da Torre de guarda do lado de dentro do presídio. ......................... 69
Figura 40: Vista das dimensões da torre de guarda. ................................................. 70
Figura 41: Vista de topo da estrutura da guarda. ...................................................... 70
Figura 42: Exemplo de Vista de topo do teto da guarda com os seus devidos.
Componentes. ......................................................................................................... 71
Figura 43: Vista lateral de um exemplo o tipo de ligação dos cabos de descida da
estrutura. ................................................................................................................. 71
Figura 44: Modelo de componentes do Para raio a ser usado na torre da guarda. ..... 72
Figura 45: Torre do armazenamento de água responsável para a distribuição aos
outros reservatórios. ................................................................................................ 77
Figura 46: Vista de trás da torre de armazenamento................................................. 77
Figura 47: Mastro de sinalização que está no topo da torre de água onde deveria estar
instalado para raios. ................................................................................................ 78
Figura 48: Vista do mastro de sinalização no topo da torre de água. ........................ 78
Figura 49: Vista do Captor de Franklin no topo com duas descidas. ......................... 79
Figura 50: indica os parâmetros para a aplicação do método de Franklin. ................ 81
Figura 51: Modelo de descidas. ............................................................................... 83
Figura 52: Volume de proteção do captor h≤R. ....................................................... 86
Figura 53: exemplo da esfera Rolante onde a edificação será protegida. ................. 86
Figura 54: Torre de distribuição de água para os blocos. ......................................... 88
Figura 55: Seqüência das torres do reservatório secundário responsável pelo
armazenamento de água dos Raios 1, 2, 3,4. ............................................................ 89
Figura 56: Para raio instalado na Parte superior da torre de guarda. ......................... 89
Figura 57: Ponto de descida do cabo que serve para escoar possíveis descargas para a
terra. ....................................................................................................................... 90
Figura 58: Ponto lateral da torre de água onde estes instalados cabos de descida do
para raio. ................................................................................................................. 90
Figura 59: Indica os parâmetros para a aplicação do método de Franklin. ................ 94
Figura 60: Instrumento de medição da resistência do aterramento. .......................... 97
Figura 61: Valor de resistência sendo registrado pelo equipamento. ........................ 97
Figura 62: Fazendo a medição da resistência do aterramento de uma das torres de
armazenamento de água do presídio. ....................................................................... 98
Figura 63: Registrando o valor da resistência do aterramento em uma das torres da
guarda. .................................................................................................................... 98
Figura 64: Para raio Franklin instalado em uma das torres de armazenamento de
água. ....................................................................................................................... 99
Figura 65: Cabo de descida do para raio onde foi medida uma das resistividades do
aterramento. ............................................................................................................ 99
Figura 66: Ponto onde estava à ligação do cabo do para raio até a terra. O cabo foi
cortado fazendo com que o para raio não tenha nenhuma funcionalidade de proteção.
............................................................................................................................. 100
Figura 67: Uma da haste de medição aterrada para coleta de dados. ...................... 100
Figura 68: Vista da torre da guarda no momento da troca de turno. ....................... 101
iii

Figura 69: Local das medições da resistência do aterramento de umas das torres de
guarda. .................................................................................................................. 101
iv

LISTA DE QUADROS

Quadro 1: Fator A: Tipo de ocupação da estrutura................................................... 18


Quadro 2: Fator B: Tipo de construção da estrutura. ................................................ 18
Quadro 3: Fator C: Conteúdo da estrutura e efeitos indiretos das descargas
atmosféricas. ........................................................................................................... 19
Quadro 4: Fator D: Localização da estrutura. .......................................................... 19
Quadro 5: Fator E: Topografia da região. ................................................................ 19
Quadro 6: Posicionamento de captores conforme o nível de proteção. ..................... 23
Quadro 7: Exemplos de classificação de estruturas. ................................................. 26
Quadro 8: Ângulo de proteção do método de Franklin. ............................................ 27
Quadro 9: Posicionamento do captor conforme o nível de proteção. ........................ 30
Quadro 10: Distância R em função da corrente (Imax). ........................................... 30
Quadro 11: Dimensões da malha de proteção pelo Método de Faraday. ................... 33
Quadro 12: Medições nas malhas existentes na torres de guarda, torres de reservatório
de água.................................................................................................................... 55
Quadro 13: Hastes paralelas, alinhadas e igualmente espaçadas............................... 58
Quadro 14: Valores do índice β. .............................................................................. 63
Quadro 15: Diâmetro e peso da haste em função do comprimento. .......................... 82
Quadro 16: Distancia máxima dos condutores de descida pelo nível de segurança. . 84
Quadro 17: Característica do Cabo de descida. ........................................................ 84
Quadro 18: Posicionamento de captores conforme o nível de proteção. ................... 87
Quadro 19: Posicionamento de captores conforme o nível de proteção. ................... 87
Quadro 20: Distancia R em função da corrente (Imax). ............................................. 88
Quadro 21: Pelo nível de proteção encontra o raio de proteção. ............................... 96
Quadro 22: Cabos a ser adotados............................................................................. 96
Quadro 23: Seleção do Nível de Proteção conforme a classificação da estrutura. ..... 96
v

LISTA DE EQUAÇÕES

Equação (2.1):......................................................................................................... 15
Equação (2.2):......................................................................................................... 16
Equação (2.3):......................................................................................................... 17
Equação (2.4):......................................................................................................... 29
Equação (3.1):......................................................................................................... 52
Equação (3.2):......................................................................................................... 52
Equação (3.3):......................................................................................................... 53
Equação (3.4):......................................................................................................... 53
Equação (3.5):......................................................................................................... 53
Equação (3.6):......................................................................................................... 57
Equação (3.7):......................................................................................................... 58
Equação (3.8):......................................................................................................... 59
Equação (3.9):......................................................................................................... 59
Equação (3.10):....................................................................................................... 60
Equação (3.11):....................................................................................................... 63
Equação (3.12):....................................................................................................... 63
Equação (3.13):....................................................................................................... 64
Equação (3.14):....................................................................................................... 73
Equação (3.15):....................................................................................................... 74
Equação (3.14):....................................................................................................... 81
Equação (3.14):....................................................................................................... 93
Equação (3.15):....................................................................................................... 83
Equação (3.15):....................................................................................................... 95
vi

LISTA DE ABREVIATURAS

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas

NBR – Norma Brasileira

NR – Norma regulamentadora

SPDA – Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas

CEPEN – Centro de Pesquisas Ecos-Naturais

INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais


vii

RESUMO

SOUZA, R. A. Estudo dos métodos de aplicação do SPDA em estruturas e na


Penitenciaria Mata Grande. Cuiabá, 2009. 105p. Monografia (Especialização) –
Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia, Universidade Federal de Mato
Grosso.

This paper proposes to explain the importance to be given to the protection


system against lightning in places where there is a need to apply the lightning rod,
be they commercial, industrial or residential. This study aims to survey the main
theoretical methods for lightning protection, together with the grounding system,
with suggestions for implementing an SPDA the Presidio Mata Grande, Mato
Grosso. Thus, we analyzed data collected during the observation towers and turrets
of the tanks of the prison, we performed measurements of soil resistivity and
developed a project for an SPDA compatible with the reality of the need for prison
focus. The results showed that with the use of models in different grounding grid
slopes of SPDA's, was found in one of them produced a figure of more desirable
ground installation.

Palavras-chave: Para raio, descarga atmosférica, Sistema de proteção


viii

ABSTRACT

SOUZA, R. A. Study of methods of application of SPDA structures and Mata Grande


Penitentiary. Cuiaba, 2009. 105p. Monograph (Specialization) - Faculty of
Architecture, Engineering and Technology, Federal University of Mato Grosso.

This paper proposes to expose the importance to be given to the protection


system discharge air in places where a need for implementation of the ray, whether
they be commercial, industrial or residential. This system is designed to provide
reasonable facilities to guard against lightning (in conjunction with the grounding
system), analysis was undertaken of data collected during the chair where it is
installed to the rays of the type Franklin and its protection Today, this has not given
the proper standards of soil resistivity and installation of the ray and thus committing
all its efficiency due to disposal of discharges to ground.

Keywords: For radius, atmospheric discharge, protection system.


1

1. INTRODUÇÃO

1.1. PROBLEMATICA

O Sistema de Proteção contra descargas atmosférica tem papel fundamental


quando se trata de analisar condições de segurança das instalações e das pessoas.

Neste contexto, o Presídio da Mata Grande por ser um local com grande
aglomeração de pessoas foi escolhido para ser o foco de estudo para a aplicação de
um Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas. A Estrutura do Presídio da
Mata Grande tem aproximadamente 13 anos e foi construída para alojar presos e
funcionários. A sua população é de aproximadamente 1.500 pessoas, sua área total é
de aproximadamente 45.788m2 e tem uma área construída aproximadamente
17.726m2. O Presídio está localizado as margens da MT – 130 (Rondonópolis -
Poxoréo), afastado da área urbana. Na sua estrutura física, possui pontos elevados
como a torre de armazenamento de água central que é de aproximadamente 25m de
altura, quatro outras torres de abastecimento de água com 15m de altura e quatro
torres de guarda de 7,5m de altura; pontos ideais para a instalação de pára-raios.

O desenvolvimento de um SPDA para o presídio Mata Grande – MT,


utilizando metodologia tradicionais de proteção ou sugerir novas formas, com custo
mais reduzido devido as dimensões grandes do presídio e uma malha de aterramento
mais eficiente para o escoamento de possíveis descargas atmosféricas.
2

1.2. JUSTIFICATIVA

Os raios podem atingir as pessoas diretamente. Mesmo que as chances sejam


pequenas (cerca de um para um milhão), é necessário que haja cuidados contra esses
acidentes.

A maioria das mortes e tragédias ocorre pelos efeitos indiretos que acontecem
nas proximidades do local da queda de um raio.

Os efeitos fisiológicos da corrente elétrica associados aos raios dependem


muito da área do corpo atingida e de outras condições no momento do acidente.
Comumente, a corrente ocasiona sérias queimaduras, danos ao coração, aos
pulmões, ao sistema nervoso central, paradas cardíacas, respiratórias e seqüelas
psicológicas, como diminuição da capacidade de raciocínio e distúrbios do sono.

A média de mortes de pessoas atingidas, direta ou indiretamente, por ano no


Brasil é de 100 pessoas. Não há nenhum método conhecido que evite a ocorrência
de um raio. Mesmo construções devidamente protegidas já sofreram esse ataque,
enquanto outras desprotegidas, às vezes ao lado dessas, nada sofreram.

Pode-se perguntar para quê o uso dos sistemas de proteção se eles realmente
não protegem. Na verdade, o sistema tenta "atrair a atenção" da descarga e não
impedir que ela aconteça. Vale a regra: ruim com eles, pior sem eles.

A invenção dos pára-raios permitiu maior segurança contra as descargas


atmosféricas. Ele faz parte do que hoje se chama de sistema de proteção. Esses
sistemas foram feitos para proteger construções e seus ocupantes dos efeitos da
eletricidade dos raios. Ele cria um caminho, com um material de baixa resistência
elétrica, para que a descarga entre ou saia pelo solo com um risco mínimo às pessoas
presentes no local. Portanto, um SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas
Atmosféricas) projetado e instalado conforme a NBR 5419:2005 assegurar a
proteção absoluta de uma estrutura, de pessoas e bens. Entretanto, a elaboração de
um projeto, com a aplicação desta norma, reduz de forma significativa os riscos de
danos devidos às descargas atmosféricas e se bem instalados, minimizam também os
riscos de danos a equipamentos elétricos, eletromecânicos e eletrônicos.
3

Justifica-se, assim, o presente estudo pelo fato de que o local estudado não
possui instalações de SPDA, o que consiste em risco para o patrimônio.

1.3. OBJETIVO

1.3.1. Objetivo Geral


O objetivo geral desta pesquisa é realizar um estudo teórico dos principais
métodos de proteção contra descargas atmosféricas, desenvolver um estudo de caso e
propor novas alternativas de instalação de aterramentos, com variações do
posicionamento das hastes de escoamento das descargas atmosféricas.

1.3.2. Objetivos Específicos


Apresentam-se os seguintes objetivos específicos.
a) Medir a resistividade do solo onde estão instalados os atuais aterramentos
do SPDA do Presídio de Mata Grande;

b) Propor modelos de malha de aterramentos diferentes;

c) Verificar o local mais adequado para a instalação do SPDA no presídio em


foco;

d) Mostrar a atual situação do SPDA instalados no presídio da Mata Grande;

e) Eleger o método mais adequado à situação estudada;

f) Elaborar proposta de instalação de SPDA para a edificação;

g) Sugerir prática de elaboração de para raios, adequadas para estruturas;

h) Conhecer como o sistema de proteção contra descargas atmosféricas pode


agir para proteger as edificações em que foi implantada.

i) Reconhecer os principais métodos de proteção contra descargas


atmosféricas.
4

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1. GENERALIDADES SOBRE RAIOS

2.1.1. Formação de Cargas


Raio é um fenômeno atmosférico de danos conseqüentes, resultantes do
acúmulo de cargas elétricas em uma nuvem e a conseqüente descarga sobre o solo
terrestre ou sobre qualquer estrutura que ofereça condições favoráveis à descarga [5].

Há varias teorias explicativas do fenômeno, entre as quais as de Simpson,


Elster e Geitel.

Pela teoria de Simpson, durante uma tempestade há correntes descendentes de


ar com certa umidade, sendo que, a certa altura, formam-se gotas de água, resultante
da condensação do vapor d’ água. Estas gotas vão aumentando de diâmetro até
ficarem grandes e caírem por ação da gravidade. Na queda, juntam-se uma ás outras,
aumentando de tamanho até se tornarem instáveis, aproximadamente com o diâmetro
de 0,5cm; então se fragmentam e libertam íons negativos que, juntando-se às
partículas, são arrastados com violência para a parte superior e bordos da nuvem, em
virtude da interferência de pequenos cristais de gelo ali existentes.

Pela teoria de Elster e Geitel, também foi admitida a existência das correntes
ascensionais de ar úmido, formando-se gotas que, quando atingem certo peso,
começam a cair. Considerando-se a superfície da terra predominantemente negativa,
estas gotas grandes encontram-se, em sua queda, com gotas pequenas em ascensão,
fornecendo-lhes cargas positivas e recebendo a negativa; assim, a parte superior da
nuvem torna-se positiva e a parte inferior, negativa.

Conclui-se que, pelas duas teorias ficou demonstrada que a parte inferior das
nuvens tem cargas predominantemente negativas e a parte superior, cargas positivas.
Alias as observações e medições das descargas que caem sobre linhas de transmissão
provam que são nuvens carregadas negativamente.
5

2.1.2. Formação de Raios


A formação de cargas nas nuvens, e a sua conseqüente descargas a terra, é um
fenômeno normal e natural que vem acompanhando o cotidiano desde primórdio da
humanidade.

É muito comum se ouvir falar em raios. Mas poucas são as pessoas que
ocupam parte de seu tempo cotidiano na busca de informações sobre como minimizar
os seus efeitos, abordando desde a identificação da probabilidade de incidência
desses raios, e a maneira como estes podem atingir as pessoas ou seu entorno [6].

2.1.3. Formação de uma Descarga Atmosférica


De acordo com informações extraídas de [10], o raio se origina da seguinte
forma: as gotículas das nuvens vão se polarizando eletricamente, como uma imensa
quantidade de pilhas, uma conectada a outra em linha, e muitas linhas lado a lado,
concentrando uma grande potência elétrica, que tende a dissipar-se no seu meio, mas
a nuvem está isolada pela distância, pois está flutuando no ar.

A descarga (raio) se dará no momento em que o potencial eletrostático for


suficiente para produzir um caminho ionizado para a potência elétrica trafegar,
rompendo a rigidez dielétrica, ou seja, a resistência natural da camada de ar, à
passagem de corrente. Esta produção de um caminho ionizado baseia-se na
propriedade de prover esta camada de ar de capacidade de conduzir corrente, através
do fornecimento de íons, ou seja, elétrons livres (partículas de carga elétrica
negativa). Este aumento da condutibilidade pode se dar em decorrência da presença
de partículas em suspensão (poluição) ou a própria umidade da camada de ar.

O rompimento da rigidez dielétrica do ar pode acontecer devido a três fatores:

a) Pelo aumento da energia: a nuvem vai acumulando tanta energia, até o


ponto em que a diferença de potencial formada seja tão grande que vença a
distância de isolamento;

b) Pela diminuição do isolamento: se há algum eventual aumento na


condutividade atmosférica;
6

c) Se há encurtamento da distância de isolamento, que ocorre: pela


aproximação de outra nuvem, havendo descarga entre elas ou quando em
sua passagem, a nuvem carregada se aproxima de alguma saliência ou
elevação da superfície da terra.

Com a polarização elétrica da nuvem, a terra sob a nuvem se comporta também


de maneira polarizada, porém de sinal contrário.

A polarização da terra vai acompanhando o deslocamento da nuvem, como se


fosse uma sombra. Em algum momento, o isolamento chega ao seu limite por
excesso de energia da nuvem, melhor condutividade, ou por haver surgido um atalho,
(árvore, edifício, casa, antena, torre, pára-raios, etc.) e então ocorre a descarga
elétrica (raio). Esta situação pode ser visualizada na Figura 1, onde se tem a nuvem
flutuando no ar, carregada negativamente, o solo abaixo da mesma reagindo a esta
carga de forma oposta, ou seja, positivamente, e uma edificação que serve de atalho,
reduzindo a distância “R” entre a nuvem e o solo, propiciando o acontecimento da
descarga atmosférica, pois a grande tensão acarretada pelas cargas negativas da
nuvem consegue romper a resistência do ar, com a diminuição da distância entre a
mesma e a terra.

Agora que se tem uma idéia de como formam as cargas nas nuvens, pode-se
fazer algumas comparações de formações de cargas nas nuvens.

Muitas nuvens por serem muito grandes e extensas podem formar varias ilhas
de cargas elétricas, podendo se fragmentar em:

a) Nuvens menores com cargas positivas e negativas;

b) Nuvens com cargas Positivas;

c) Nuvens com Cargas negativas;

d) Nuvens com carga positivas e negativas não equilibradas.


7

Figura 1: Modelo eletro geométrico: visualização do R; ação dos raios


Fonte: Creder (1997:307)

Neste deslocamento, a carga positiva induzidas vai escalando arvores, prédios,


pessoas, pontes, morros, para raios, carros.

A diferença de potencial que se forma entre a nuvem e a terra varia de 10 a


1.000.000KV, sendo que a altura media da nuvem varia de 300 a 5000 metros.

Para baixa diferença de potencial, o ar é um dos melhores isolantes, para altas


diferenças de potencial, até mesmo o ar começa a conduzir eletricidade.

2.2. INCIDÊNCIA DE RAIOS

Um grande número de raios ocorre principalmente em locais mais elevados,


como árvores isoladas, prédios e torres.

Um fato interessante é que o raio prefere terrenos maus condutores como o


granítico e xistosos à terrenos bons condutores como os calcários.

Isso se dá por que o terreno mau condutor e a nuvem formam um grande


capacitor.

A enorme diferença de potencial entre a nuvem e o solo provoca a ionização


8

do ar e o aparecimento de um cheiro adocicado indicando a presença de ozônio [5].

A ionização do ar diminui a distância de isolação entre a nuvem e o solo,


havendo, portanto, maior probabilidade do raio piloto furar essa camada de ar,
fazendo com que o raio caia nesse terreno isolante (mau condutor).

Como o terreno é isolante, não há condições de escoamento do raio, e esse


tende a se espalhar procurando caminhos de menor resistência.

Em regiões onde há muita precipitação com tempestades, a incidência de raios


também é maior.

2.2.1. Mitos e Crendices


Segundo as referências [1] e [9], a maioria das crendices aparece na área rural,
pois é lá que os efeitos diretos e indiretos são mais sentidos, devido à falta de
proteção natural de outras estruturas altas (ausência de prédios) e conseqüentemente
maior exposição, devido à densidade populacional menor e à falta de informação,
fazendo com que a criatividade popular seja mais exercitada.

O corisco, a machadinha e outros sinônimos fazem o folclore se misturar com


fatos reais.

É comum se encontrar na área rural pessoas que acreditam que talheres


metálicos, espelhos e outros utensílios metálicos, chifre de boi, árvores, cercas
metálicas, etc., atraem os raios.

Na verdade não existe comprovação científica de nada que atraia os raios.

O que acontece na prática é que as estruturas mais altas (árvores, torres, prédios
etc.) por estarem mais perto das nuvens são estatisticamente as mais prováveis de
serem atingidas.

Isto porque, diminuem a distância entre o solo e a nuvem reduzindo o dielétrico


do ar, aumentando a sua probabilidade estatística de serem atingidos por uma
descarga.

Daí garantir que essas estruturas atraem para si os raios que iriam cair em
outros locais é outra conversa.
9

A denominação de machadinha acredita-se que seja atribuída ao material


fundido no solo, devido à descarga direta no solo que tenha ficado acidentalmente
com um formato de machadinha.

Do mesmo modo outras pessoas que sabendo da concentração de cargas nas


pontas, alguns imaginam que os chifres do boi possam atrair raios.

Um tipo de acidente comum em áreas rurais é a queda de raios nas cercas ou


próximo destas, induzindo nestas sobre tensões que podem viajar longas distancias
até se dissiparem no solo, seja através de aterramento (que porventura existam) seja
através do contato direto de pessoas ou animais com a cerca provocando morte por
tensão de toque.

Essas correntes injetadas no solo, seja por uma descarga direta, sejam através
de uma árvore, um SPDA ou mesmo uma cerca, provocam sobre tensões superficiais
no solo que podem causar desde mal-estar em bípedes, até a morte de quadrúpedes.
Na área rural é comum um raio matar dezenas de cabeças de gado.

Por incrível que pareça essas crendices não são privilégios só da área rural, as
mesmas são encontradas nos centros urbanos. Nestes, as mais comuns dizem que o
sistema de proteção atrai os raios, que é 100% eficiente e que protege os
equipamentos eletrônicos.

2.2.2. O que faz um SPDA


Segundo [1] e [9], um SPDA é um sistema de proteção contra raios que tem
como objetivo escoar para o solo, no caminho mais curto e mais rápido possível os
raios que eventualmente atinjam a edificação onde estão instalados, reduzindo os
riscos de vida e de danos materiais.

Um SPDA é constituído pelos sistemas de captação, descidas, anéis de


cintamento, prédios altos, aterramento e equipotencialização.

Obviamente, para que isso seja compreensível e exeqüível, é necessário a


elaboração prévia de um projeto específico que faça a avaliação de risco, identifique
o nível de proteção, o método de proteção a ser adotado, detalhe o número de
descidas e o seu posicionamento correto, dimensione a malha de aterramento e sua
10

abrangência e as massas metálicas e outras malhas existentes para que sejam


integradas ao SPDA.

Dessa forma, o principal objetivo de um SPDA é a proteção patrimonial e


como conseqüência garantir a segurança das pessoas que estão no interior da
edificação.

Apesar disso um SPDA nunca poderá garantir uma proteção de 100% uma vez
que se trata de um evento da natureza que o homem não tem controle.

Aliás, como todos os eventos da natureza, a única coisa que o homem pode
fazer é agir preventivamente.

A eficiência da proteção, assim como o custo final da obra, está diretamente


ligada ao nível adotado. Assim, o nível a ser adotado deve ser criteriosamente
definido para evitar sub dimensionamento ou super dimensionamento.

No primeiro caso o projeto ficará fora da norma e o autor do projeto sujeito às


penalidades da lei.

No segundo caso isso não ocorre, mas estará sendo gasto dinheiro
desnecessariamente do cliente. A função do projetista é dosar a técnica, os custos e a
estética.

Por exemplo, numa fábrica de explosivos a portaria pode ser nível três ou
quatro (depende da quantidade de pessoas que freqüentam), o escritório pode ser
nível dois de proteção; a fábrica e nos paióis onde o material perigoso é manuseado
ou armazenado deverá ser nível um de proteção e o galpão de sucata pode ser nível
quatro de proteção ou até mesmo dispensar proteção.

Se a proteção for dimensionada como sendo nível um para todas as edificações


o custo final da obra será muito maior.

A definição dos níveis, na verdade, é também uma ponderação de custo e


benefício equilibrada. No exemplo, partiu-se do principio que se trata de uma
empresa formal que obedece a legislação sobre o afastamento entre edificações e
sobre comunidades próximas.

Na elaboração do projeto de SPDA é de suma importância a realização de


visitas técnicas para coletar dados e investigar todo o processo produtivo para definir
11

os níveis de proteção adequados.

Quanto aos equipamentos eletrônicos, estes são facilmente queimados pela


interferência eletromagnética provocada por um raio que caia a algumas centenas de
metros da sua edificação ou na edificação propriamente dita.

Neste caso somente medidas eficazes para reduzir as sobre tensões a níveis
suportáveis dos equipamentos, podem proteger estes dos efeitos dos raios.

2.3. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO

2.3.1. Níveis de Proteção


Primeiramente, deve-se verificar se uma edificação necessita de SPDA ou não.

Em muitos casos a necessidade é evidente, por exemplo:

a) Locais de grande afluência de público;

b) Locais que prestam serviços públicos essenciais;

c) Áreas com alta densidade de descargas atmosféricas;

d) Estruturas isoladas, ou com altura superior a 25 m;

e) Estruturas de valor histórico ou cultural.

A seguir, apresenta-se um método para determinar se um SPDA é ou não


exigido e qual o nível de proteção aplicável. Para isso alguns fatores não podem ser
avaliados e podem sobrepujar todas as demais considerações.

Por exemplo, o fato de que não ter qualquer risco de vida evitável, ou de que os
ocupantes de uma estrutura devem se sentir sempre seguros pode determinar a
necessidade de um SPDA, mesmo nos casos em que a proteção seria normalmente
dispensável.

Nestas circunstâncias, deve recomendar-se uma avaliação que considere o risco


de exposição (isto é, o risco da estrutura ser atingida pelo raio), e ainda os seguintes
fatores:
12

a) O tipo de ocupação da estrutura;

b) A natureza de sua construção;

c) O valor de seu conteúdo, ou os efeitos indiretos;

d) A localização da estrutura;

e) A altura da estrutura.

2.3.2. Para raios - Principais Funções


Podem-se destacar duas funções principais dos pára-raios:

a) Evitar que os raios ocorram;

b) Levar a descarga atmosférica mais rápida possível para a neutralidade;

A função principal dos pára-raios é evitar que os raios ocorram.

Para isso ele se utiliza do poder das pontas.

Para explicar o poder das pontas, tem-se que em um condutor elétrico (por
exemplo, o pára-raios) eletrizado as cargas elétricas tendem a se concentrar nas suas
pontas.

Em virtude disso, o campo elétrico próximo a essas regiões do condutor é


muito mais intenso que nas demais regiões.

Disso resulta um aumento na força de repulsão elétrica entre as cargas. Isso faz
com que as cargas elétricas se “empurrem” até que alguma delas “caia fora da
ponta”.

Por esse motivo as cargas elétricas podem, com maior facilidade, escoar para
fora do condutor e se deslocam livremente pelo meio ambiente (no caso em questão,
o ar).

Quando uma nuvem se aproxima de um pára-raios, ela induz cargas de sinal


contrário no solo que fica eletrizado. Se nessa região existir um pára-raios, este,
também ficará eletrizado, mas devido ao poder das pontas um maior número de
cargas elétricas irá se concentrar na ponta do pára-raios.

E após certa concentração, as cargas começam a serem ejetadas das pontas dos
13

pára-raios, tornando-se, assim, íons e elétrons livres que agora viajam pelo ar.

As nuvens atraem todas as cargas de sinal contrário que estiverem soltas no ar.
Este processo sendo lento, gradual e contínuo, as nuvens não concentra uma
quantidade suficiente de carga, não sendo capazes de provocar os raios, pois são
incapazes de tornar o ar de isolante em condutor; conforme ilustra a Figura 2.

Figura 2: Neutralização pelo poder das pontas.


Fonte: COUTINHO, Fernando. N.

Na função secundária dos pára-raios, se os cúmulus-nimbus (nuvens de chuva)


chegarem muito rapidamente ou com uma quantidade de carga muito elevada, o
processo descarga não é lento e gradual, mas se torna rápido o que aumenta muito a
quantidade de íons na ponta do pára-raios.

Considerando que os raios “são preguiçosos”, eles sempre procuram o caminho


mais fácil para chegar ao chão (neutralidade).

Devido ao grande número de íons na ponta do pára-raios, o líder desce por


esse “caminho”, pois, assim, ele precisará criar um menor número de íons para fechar
o “circuito” e tornar o ar um condutor; como mostra a Figura 3.

Como os metais conduzem melhor a eletricidade, a descarga (raio) se


completará pelo pára-raios, sendo dispersa pelo solo através do aterramento.
14

Figura 3: Caminho em busca da neutralidade.


Fonte: COUTINHO, Fernando N.

Do ponto de vista da proteção contra os raios, um subsistema de aterramento


único integrado a estrutura é o mais recomendado para assegurar a dispersão da
corrente de descarga na terra sem causar sobre-tensões perigosas.

O arranjo e as dimensões do subsistema de aterramento são mais importantes


que o próprio valor da resistência de aterramento cujo valor recomendado para
eletrodos não naturais é da ordem de 10Ω.

Os eletrodos de aterramento podem ser do tipo:

a) Hastes verticais;

b) Condutores em anel;

c) Condutores horizontais radiais;

d) Aterramento natural pelas fundações (em geral armaduras de aço).

No caso de eletrodos não naturais devem ser instalados vários eletrodos


adequadamente distribuídos.

O comprimento total dos eletrodos de aterramento varia conforme o nível de


proteção e a resistividade do solo.

Eletrodos de aterramento profundos são adequados para solos em que a


resistividade diminua com a profundidade.

Os eletrodos de aterramento naturais normalmente são as armaduras de aço das


estacas, dos blocos de fundação e das vigas.
15

Todas devem ser firmemente amarradas com arame recozido ou soldadas em


cerca de 50% de seus cruzamentos.

Em fundações de alvenaria pode servir como eletrodo de aterramento, pela


fundação, uma barra de aço da construção, ou uma fita de aço formando um anel em
todo o perímetro da estrutura.

Arranjos composto de eletrodos radiais são indicados para solos com baixa
resistividade (até 100 m) e para pequenas estruturas (com perímetro até 25 m).

Arranjo composto de eletrodos em anel ou embutidos nas fundações da


estrutura é obrigatório nas estruturas de perímetro superior a 25 m.

Os eletrodos de aterramento não naturais devem ser instalados externamente ao


volume a proteger, a uma distância da ordem de 1m das fundações da estrutura.

No caso de condutores em anel, os condutores horizontais radiais devem ser


instalados a uma profundidade mínima de 0,5 m.

Hastes verticais em paralelo devem ser espaçadas entre si por uma distância
não inferior ao seu comprimento.

No projeto e execução do subsistema de aterramento, deve-se considerar que a


interligação de metais diferentes sem precauções adequadas, pode causar problemas
graves de corrosão eletrolítica [11].

2.3.3. Avaliação dos Riscos de Exposição


A probabilidade de uma estrutura ser atingida por um raio em um ano é o
produto da densidade de descargas atmosféricas para a terra pela área de exposição
equivalente da estrutura.

A densidade de descargas atmosféricas para a terra (Ng) é o número de raios


para a terra por km2 por ano expressa pela Equação (2.1) dado conforme [1].

Ng = 0,04x Tdx1, 25 [por km2/ano]


Equação (2.1)
16

Onde Td é o número de dias de trovoada por ano, obtido de mapas


isocerâunicos [11].

2.3.4. Mapa de curvas isocerâunicas


A área de exposição equivalente (Ae) da Equação (2.2), abaixo, é a área, em
metros quadrados, do plano da estrutura prolongada em todas as direções, de modo a
levar em conta sua altura. Os limites da área de exposição equivalente estão afastados
do perímetro da estrutura por uma distância correspondente à altura da estrutura no
ponto considerado.

Assim, para uma estrutura retangular simples de comprimento L, largura W e


altura H, a área de exposição equivalente tem um comprimento L +2H e uma largura
W + 2H, com quatro cantos arredondados formados por segmentos de círculo de raio
H, em metros [1]; conforme ilustra a Figura 4.

Ae = LW + 2LH + 2WH + π. H2 [m2]


Equação (2.2)

Figura 4: Delimitação da área de exposição equivalente (Ae) - Estrutura vista de


planta.
Fonte: NBR-5419:2005

A freqüência média anual previsível (Nd) de descargas atmosféricas sobre uma


17

estrutura é dada pela Equação (2.3).

Nd = Ng. Ae. 10-6 [por ano]


Equação (2.3)

Índice cerâunicas

É por definição o numero de dias de trovoadas, em determinado lugar, por ano.

Isocerâunicas

São linhas curvas que ligam pontos localidades que tem o mesmo índice
cerâunico; conforme Figura 5.

Figura 5: Mapa de curvas Isocerâunicas do Brasil.


Fonte: NBR-5419:2005
18

2.3.5. Freqüência admissível de danos


Para a freqüência média anual admissível de danos (Nc) valem os seguintes
limites, reconhecidos internacionalmente e os seus fatores coletados pelos Quadros 1
a 5.

a) Riscos maiores que 10-3 (isto é, 1 em 1 000) por ano são considerados
inaceitáveis;

b) Riscos menores que 10-5 (isto é, 1 em 100 000) por ano são, em geral,
considerados aceitáveis.

Nos quadros de 1 a 5, são fornecidos os principais fatores importantes para


que se possa obter parâmetros que possam determinar se uma edificação
necessita ou não da aplicação do SPDA.

Quadro 1: Fator A: Tipo de ocupação da estrutura.

Fonte: NBR-5419:2005

Quadro 2: Fator B: Tipo de construção da estrutura.

Fonte: NBR-5419:2005
19

Quadro 3: Fator C: Conteúdo da estrutura e efeitos indiretos das descargas


atmosféricas.

Fonte: NBR-5419:2005

Quadro 4: Fator D: Localização da estrutura.

Fonte: NBR-5419:2005

Quadro 5: Fator E: Topografia da região.

Fonte: NBR-5419:2005

2.3.6. Interpretação dos Resultados


O método aqui apresentado destina-se a orientar uma avaliação que, em certos
casos, pode ser difícil.

Se o resultado obtido for consideravelmente menor que 10-5 (1 em 100 000) e


não houver outros fatores preponderantes, a estrutura dispensa proteção. Se o
resultado obtido for maior que 10-5, por exemplo, 10-4 (1 em 10 000), devem existir
razões bem fundamentadas para não instalar um SPDA.
20

2.4. FORMAS DE ELABORAÇÃO

Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas

O SPDA (Sistema de Proteção contra descargas atmosféricas) é um sistema


completo destinado à proteção de estruturas e edificações contra os efeitos das
descargas elétricos atmosféricos tradicionais para raios.

O SPDA é formado de vários componentes que fazem canalizar essa energia


até o solo; dentre os quais destacam-se:

Captação:

a) Tem a função de receber as descargas que vem do topo da edificação e


distribuir pelas descidas;

b) São compostas por elementos metálicos, como mastros ou condutores com


os seus devidos tamanhos decorrentes do dimensionamento de cada
edificação.

Descidas:

a) Recebem as correntes oriundas das descargas atmosféricas que são


distribuídas pela captação onde são descarregadas até o solo. Nas
edificações com altura superior a 20 metros tem a função de receber as
descargas laterais, assumindo também a função de captação devendo os
condutores serem dimensionados para tal descarga;

b) No nível do solo as descidas deverão ser interligadas com cabo de cobre nú


com seção de 50mm2 (no mínimo).

Anéis de cintamento:

Os anéis de cintamento assumem duas importantes funções;

a) A Primeira é equalizar os potenciais de descidas minimizando assim o


campo elétrico dentro da edificação;

b) A Segunda é receber descargas laterais e distribuí-las pelas descidas. Neste


caso também deverão ser dimensionadas como captação;
21

c) Sua Instalação devera ser executada a cada 20 metros de altura


interligando todas as descidas.

Aterramento:

a) Recebe as correntes elétricas das descidas no solo;

b) Tem também a função de equalizar os potenciais das descidas e os


potenciais no solo, devendo ter preocupação com os locais de freqüência
de pessoas, minimizando as tensões de passo nestes locais;

c) Para um bom dimensionamento da malha de aterramento é imprescindível


a execução de uma prospecção da resistividade do solo previamente.

Equalização de potenciais internos:

a) A equalização dos potenciais de todas as estruturas e massas metálicas que


poderão provocar acidente às pessoas, faiscamentos ou explosões;

b) No nível do solo e dos anéis de cintamento (cada 20 metros de altura),


devem ser equalizados os aterramentos de aparelhos eletrônicos, de
elevadores (inclusive trilhos metálicos), tubulações metálicas de incêndio,
gás (inclusive o piso da casa de gás), água fria, água quente, recalque, etc.

c) Para tal deverá ser definido, uma posição estratégica para instalação de
uma caixa de equalização de potenciais que deverá ser interligada à malha
de aterramento e interligando as diferentes prumadas metálicas já
mencionadas. Para prédios as diversas LEP’s, ligações equipotenciais
principais, devem ser interligadas através de uma prumada específica de
cabo de cobre com seção de 16 mm2;

d) A ligação da caixa de equalização bem como as tubulações metálicas


poderá ser executada com cabo de cobre de seção 16 mm2 antes da
execução do contra piso dos apartamentos localizados nos níveis dos anéis
de cintamento. A amarração das diferentes tubulações metálicas poderá ser
executada por fita perfurada estanhada (bi metálica) que possibilita a
conexão com diferentes tipos de metais e diâmetros variados, diminuindo
também a indutância do condutor devido à sua superfície chata.
22

2.5. PRINCIPAIS METOTOS DE PROTEÇÃO

Até 1993, a norma [17] apenas considerava o método Franklin com 60 graus de
abertura do ângulo de proteção para todas as edificações, exceto nas áreas
classificadas onde se usava 45 graus.

A norma [1] surgiu no Brasil em 1993 tendo como fundo a [16]. Nesta data,
além do tradicional Método Franklin foi acrescentado o método Eletrogeométrico e
Gaiola de Faraday.

O método Franklin permaneceu com a mesma Equação, Rb=Hc.Tgα, onde α é


o ângulo de abertura do captor em relação à tangente de proteção, porém o ângulo de
abertura α agora varia de acordo com o nível de proteção e com a altura do captor até
no solo. Com essas limitações este método tem seu melhor rendimento para
edificações pequenas e baixas.

O Modelo Eletrogeométrico (esfera rolante, esfera fictícia, método da bola) é


uma evolução do Franklin, onde a tangente ao invés de ser reta é parabólica. Este
método surgiu na década de 70 e foi desenvolvido pela engenharia de linhas de
transmissão da Europa com o objetivo de minimizar os danos materiais com
desligamentos nas LT.

Este modelo consiste, em linhas gerais, em fazer rolar uma esfera fictícia sobre
a edificação, em todos os sentidos, determinando assim os locais de maior
probabilidade de serem atingidos por uma descarga atmosférica tendo como preceitos
que esses locais são locais com potencialidade de gerar lideres ascendentes que
deverão se precipitar ao encontro com o líder descendente.

Pode-se dizer que o modelo Eletrogreométrico é o primo em primeiro grau do


método Franklin, porém com tangente de proteção parabólica ao invés de reta.

Sua maior eficiência é também em edificações pequenas e baixas uma vez que
sua proteção varia em função da altura e do nível de proteção adotado no Quadro 6.
23

Quadro 6: Posicionamento de captores conforme o nível de proteção.

Fonte: www.tel.com.br e NBR-5419:2005

Nota 2 O Modulo da malha deverá constituir um anel fechado, com o


comprimento não superior ao dobro da sua largura.

R é o valor do raio da esfera rolante

No quadro, a letra “A” indica a aplicação dos métodos eletrogeométrico, malha


ou da gaiola de Faraday.

No quadro, “B” a letra indica a aplicação do método da gaiola de Faraday.

A Figura 6, a seguir ilustra os parâmetros e volumes de proteção do SPDA.

Figura 6: Parâmetros e volumes de Proteção do SPDA.


Fonte: NBR-5419:2005
24

É importante realçar que independente do método adotado, um SPDA nunca


será 100% eficiente por se tratar de um fenômeno da natureza sobre o qual o homem
não tem domínio.

O método das Gaiolas de Faraday consiste na instalação de condutores


horizontais ou inclinados com medidas padronizadas, que tem como objetivo
bloquear a passagem de raios, evitando que estes entrem em contato com a edificação
preservando-a de danos materiais.

Este método é quase tão velho quanto o Franklin, porém bem mais eficiente
uma vez que oferece inúmeros locais possíveis de impacto do raio, ao contrário dos
outros dois métodos, que ficam restritos aos pontos verticais determinados em
projeto.

Este método é ideal para edificações extensas (galpões ou grandes edificações),


ou altas (prédios).

As Figuras 7 e 9 ilustram a instalação da gaiola de Faraday e a Figura 8 ilustra


a instalação de pontos em casas, em sistema isolado, usando o método
eletrogeométrico.

Figura 7: Instalação de gaiola de Faraday em galpão.


Fonte: www.tel.com.br e NBR-5419:2005
25

Figura 8: Instalação de postes em Casa, sistema Isolado.


Fonte: www.tel.com.br e NBR-5419:2005

Figura 9: Instalação de gaiola de Faraday em Prédios.


Fonte: www.tel.com.br e NBR-5419:2005

Para se ter uma idéia, dos níveis de proteção necessários nas estruturas, no
Quadro 7, a classificação das estruturas, é estabelecido uma relação entre os efeitos
das descargas atmosféricas nos diversos tipos de estrutura com o nível de proteção
requerido pela estrutura.
26

Quadro 7: Exemplos de classificação de estruturas.

2.6. SISTEMA DE PROTEÇÃO – MÉTODO DE FRANKLIN

Consiste em se determinar o volume de proteção propiciado por um cone, cujo


ângulo de geratriz com a vertical varia segundo o nível de proteção desejado e para
uma determinada altura de construção. No quadro 8 será fornecido o ângulo de
proteção contra descargas atmosféricas para diversas alturas de construção [12].
27

O sistema é composto por um ou mais captores de quatro pontas, montado


sobre mastro cuja altura deve ser calculada conforme as dimensões da edificação,
podendo haver vários em um sistema de pára-raios.

Este método é baseado na proposta inicial de Franklin e tendo várias propostas


de alteração quanto ao ângulo de proteção.

A sua abrangência de proteção é formada pelo cone formado em torno do eixo


vertical de um triangulo retângulo com a hipotenusa, mostrado na Figura10:

Figura 10: Cone de proteção que indica os parâmetros para aplicação do método de
Franklin.

R igual ao raio da base do cone de proteção, em (m);


H igual a altura da extremidade do captor, em (m);
α igual ao ângulo de proteção com a vertical dada pela tabela abaixo. Se houver mais de
um captor, pode-se acrescer 10º.
O ângulo de proteção, de acordo com o nível de segurança, é mostrado no Quadro 8.

Quadro 8: Ângulo de proteção do método de Franklin.


NIVEL DE ALTURA DA INSTALAÇÃO A SER PROTEGIDA
PROTEÇÃO 0 a 20 m 21 a 30 m 31 a 45 m 46 a 60 m

I 25º Não se aplica Não se aplica Não se aplica

II 35º 25º Não se aplica Não se aplica

III 45º 35º 25º Não se aplica

IV 55º 45º 35º 25º

Fonte: NBR-5419:2001
28

2.7. SISTEMA DE PROTEÇÃO – MÉTODO


ELETROGEOMETRICO OU ESFERA ROLANTE

2.7.1. Conceitos Básicos


Segundo a referência [1], o modelo eletrogeométrico, também designado
método da esfera rolante ou fictícia, serve para delimitar o volume de proteção dos
captores de um SPDA, sejam eles constituídos de hastes, cabos, ou de uma
combinação de ambos.

É um critério especialmente útil para estruturas de grande altura ou de formas


arquitetônicas complexas, baseado no mecanismo de formação das descargas
atmosféricas.

Nas descargas negativas nuvem/terra, que são as mais freqüentes, o raio é


precedido por um canal ionizado descendente (líder), que se desloca no espaço em
saltos sucessivos de algumas dezenas de metros.

À medida que avança, o líder induz na superfície da terra uma carga elétrica
crescente de sinal contrário.

Com a aproximação do líder, o campo elétrico na terra torna-se suficientemente


intenso para dar origem a um líder ascendente (receptor), que parte em direção ao
primeiro.

O encontro de ambos estabelece o caminho da corrente do raio (corrente de


retorno), que então se descarrega através do canal ionizado.

O raio atinge o solo ou uma estrutura no local de onde partiu o líder ascendente
e, como este se origina no ponto onde o campo elétrico é mais intenso, o trajeto do
raio não é necessariamente vertical. Isto fica evidente quando estruturas altas são
atingidas lateralmente pelos raios, não obstante estarem protegidas por captores no
topo.

Os pontos de maior intensidade de campo elétrico no solo e nas estruturas são


geralmente aqueles mais próximos da extremidade do líder descendente.

Portanto, a superfície de uma esfera com centro na extremidade do líder e raio


igual ao comprimento dos “saltos” antes do seu último salto é o lugar geométrico dos
29

pontos a serem atingidos pela descarga. Estes pontos podem então ser simulados por
uma (semi) esfera fictícia, cujo raio seja igual ao comprimento do último trecho a ser
vencido pelo líder descendente de comprimento R.

À distância R entre o ponto de partida do líder ascendente e a extremidade do


líder descendente, Figura 11, é o parâmetro utilizado para posicionar os captores
segundo o modelo eletro geométrico.

Seu valor é dado pela Equação (2.4),

R = 10 x Imáx 0,65
Equação (2.4)1

Onde:
I máx é igual ao Valor de corrente de crista (KA) e R a distancia em (m)

Figura 11: Modelo eletro geométrico: visualização do R; ação dos raios.


Fonte: Creder (1997).

2.7.2. Aplicação do Modelo Eletro geométrico


O Quadro 9 prescreve os valores de R em função do nível de proteção exigido
e o quadro 10 mostra os valores de crista da corrente do raio I máx. conforme o
comprimento R.
30

Quadro 9: Posicionamento do captor conforme o nível de proteção.

Fonte: NBR-5419:2005

Quadro 10: Distância R em função da corrente (Imax).

Fonte: NBR-5419:2005

2.7.3. Volume de Proteção de um Captor Vertical com H ≤ R


Traça-se uma linha horizontal à altura R do solo e um arco de circunferência de
raio R com centro no topo do captor. Em seguida, com centro no ponto de interseção
P e raio R, traça-se um arco de circunferência que atinge o topo do captor e o plano
do solo.

O volume de proteção é delimitado pela rotação da área A em torno do captor;


ver Figura 12.
31

Figura 12: Volume de proteção do captor h ≤ R.


Fonte: NBR-5419:2005

2.7.4. Volume de Proteção de um Captor Vertical com H > R


Mediante procedimento análogo ao descrito na Figura 12, pode-se determinar o
volume de proteção para estruturas de grande altura. Neste caso, como o ilustrado na
Figura 13, verifica-se que a altura eficaz do captor é R, pois sobre a altura excedente
podem ocorrer descargas laterais.

Figura 13: Volume de proteção do captor com h > R.


Fonte: NBR-5419:2005
32

2.8. SISTEMA DE PROTEÇÃO – MÉTODO DA GAIOLA DE


FARADAY

Segundo Geraldo Kindermann, a gaiola de Faraday, descoberta pelo químico e


físico inglês, Michael Faraday (1791-1867), é formada por uma rede de captor-
condutores que envolve todo o edifício e depois descem para terminar também no
solo. Pode-se dizer que este sistema é formado por um conjunto de sistema do tipo
Franklin instalados em forma de anel, formando malhas ou gaiolas, daí o nome
Gaiola de Faraday; conforme se vê na Figura 14.

Figura 14: Gaiola de Faraday.


Fonte: NBR-5419:2005

A Gaiola de Faraday é formada por várias quadrículas de condutores, ou seja,


anéis, que evitarão a penetração do raio no interior do prédio. Em sua experiência,
Faraday demonstrou que quando as correntes uniformemente distribuídas passam
pela Gaiola, o campo magnético no interior da mesma é nulo. Quando as correntes
não são uniformes o campo no seu interior não é nulo, mas muito pequeno.

O raio ao cair na estrutura, não produz uma dissipação uniforme. Por este
motivo ocorrem induções internas devido à variação do campo magnético existente
no interior da gaiola. Assim sendo, as correntes induzidas nas quadrículas criam
33

campos magnéticos de oposição, levando o raio para as bordas da malha, obrigando-


o a fluir para o condutor de descida.

Este método é o mais usado na Europa, baseado na teoria de Faraday, segundo


a qual o campo no interior de uma gaiola é nulo, mesmo quando passa por seus
condutores uma corrente de valor elevado.

Para que o campo seja nulo, na verdade, é preciso que a corrente se distribua
uniformemente por toda a superfície. O campo será nulo, na realidade, no centro da
gaiola, mas nas proximidades dos condutores haverá sempre um campo que poderá
dar tensões induzidas em condutores das instalações elétricas que estejam paralelos
aos condutores da malha.

A proteção máxima no caso do método de Faraday é obtida quando a estrutura


é envolvida por uma caixa metálica de paredes soldadas e de espessura suficiente
para suportar o efeito térmico do raio no ponto de impacto.

Como esta solução raramente pode ser adotada, o método de Faraday consiste
em instalar um sistema de captores formado por condutores horizontais interligados
em forma de malha.

A distância entre os condutores ou a abertura da malha está relacionado com o


nível de proteção desejado. Quanto menor à distância entre os condutores da malha,
melhor será a proteção obtida.

A referência [11] fixa as dimensões básicas da malha para cada nível de


segurança, mostrado no Quadro 11.

Quadro 11: Dimensões da malha de proteção pelo Método de Faraday.


NIVEL DE LARGURA MAXIMA DA COMPRIMENTO DA
PROTEÇÃO MALHA (M) MALHA (M)
I 5 < 10
II 10 <20
II 10 <20
IV 20 <40
Fonte: NBR-5419:2001
34

Na Figura 15 é mostrado os vários subsistemas de um sistema de Proteção contra


descargas atmosféricas existente em uma edificação.

Existem 6 itens que são relatados para a implantação desse modelo de instalação.

a. Subsistema de captação ( Por Cima);


b. Subsistema de captação ( na lateral);
c. Subsistema de descida;
d. Subsistemas de anéis intermediários horizontal ( Captação Lateral);
e. Subsistema de Malha de Aterramento;
f. Subsistema de Equalização de Potencial.

Figura 15: Sistema de Proteção a Descargas Atmosféricas e Sistema de Aterramento.


Fonte: http://www.procobrebrasil.org
35

2.9. IMPORTANCIA DA RESISTIVIDADE DO SOLO PARA A


ELABORAÇÃO DE UM BOM PROJETO DE SPDA

2.9.1. Subsistema de Aterramento

Do ponto de vista da proteção contra o raio, um subsistema de aterramento


único integrado à estrutura é preferível e adequado para todas as finalidades (ou seja,
proteção contra o raio, sistemas de potência de baixa tensão e sistemas de sinal).

Para assegurar a dispersão da corrente de descarga atmosférica na terra sem


causar sobretensões perigosas, o arranjo e as dimensões do subsistema de
aterramento são mais importantes que o próprio valor da resistência de aterramento.
Entretanto, recomenda-se, para o caso de eletrodos não naturais, uma resistência de
aproximadamente 10Ω, como forma de reduzir os gradientes de potencial no solo e a
probabilidade de centelhamento perigoso.

No caso de solo rochoso ou de alta resistividade, poderá não ser possível atingir
valores próximos dos sugeridos. Nestes casos a solução adotada deverá ser
tecnicamente justificada no projeto.

Sistemas de aterramento distintos devem ser interligados através de uma


ligação eqüipotencial de baixa impedância.

2.9.2. Eletrodos de Aterramento


Os seguintes tipos de eletrodo de aterramento podem ser utilizados:

a) Aterramento natural pelas fundações, em geral as armaduras de aço das


fundações;

b) Condutores em anel;

c) Hastes verticais ou inclinadas;

d) Condutores horizontais radiais.

Eletrodos em forma de placas ou pequenas grades devem ser evitados, por


razões de corrosão.
36

No caso de eletrodos não naturais, devem ser instalados vários eletrodos


adequadamente distribuídos.

O comprimento total dos eletrodos de aterramento, conforme o nível de


proteção e para diferentes resistividades do solo, é dado, respeitadas as condições do
tipo de eletrodo, segundo a [1].

Conforme orientação da ABNT a resistência deve atingir no Maximo 10 Ohms,


quando equalizado com o sistema de pára-raios ou no Maximo 25 Ohms quando o
sistema de pára-raios não existir na instalação.

O aterramento elétrico desempenha vários papéis dentro do sistema elétrico,


tais como, proporcionar segurança às pessoas, escoar a corrente de descarga
atmosférica para o solo, tornar o solo um condutor de retorno de corrente elétrica,
dentre outros. Porém, em todos os casos o valor da resistência de aterramento possui
um grau de importância, que irá depender da aplicação do sistema de aterramento.

Um dos fatores que influenciam na elaboração do projeto de SPDA é a


construção de uma boa malha de terra para que todo processo de descida de descarga
encontre condições favoráveis seja pela qualidade da malha de aterramento seja pelo
valor da resistividade baixa do solo.

2.10. PRINCIPAIS MODELOS DE SISTEMAS DE


ATERRAMENTO

Segundo a referência [6], os principais modelos de aterramento são:

a) Eletrodo vertical único cravado ao solo;

b) Eletrodos verticais dispostos em linha reta;

c) Eletrodos verticais dispostos nos vértices de um triangulo eqüilátero;

d) Eletrodos verticais dispostos uniformemente na área de um quadrado;

e) Eletrodos verticais dispostos em círculo;

f) Placas de material condutor enterrado no solo;

g) Fios ou cabos enterrados no solo, formando diversas configurações,


37

tais como: cruz, estrela etc.

A opção de qual destes sistemas empregarem depende do espaço disponível, o


tipo de solo, do sistema de energia a que se pretende proteger e do custo do trabalho.

2.11. PRINCIPAIS COMPONENTES PRESENTES NO SISTEMA


DE ATERRAMENTO

Os componentes normalmente empregados no sistema de aterramento estão


descritos a seguir:

a) Hastes – São eletrodos verticais utilizados para atingir camadas mais


profundas do solo;

b) Condutor Horizontal – Utilizado para interligação das hastes verticais e


quando o solo tem resistividade proporcional à profundidade, é utilizado
como meio de dispersão horizontal da corrente;

c) Anéis – Condutor nú em forma de circulo, muito utilizado em sistema de


aterramento para rádio e televisão.

2.12. TÉCNICAS UTILIZADAS PARA REDUZIR A


RESISTÊNCIA DO ATERRAMENTO

Quando os procedimentos ditos comuns não forem suficientes para atingir o


valor esperado de resistência da malha, pode ser utilizada uma das seguintes técnicas
para reduzir a resistência do aterramento:

a) Tratamento químico do solo e emprego de sais de sódio, sulfato de cobre


ou betonita, devido ter baixa resistividade e características higroscópicas;

b) Aprofundamento dos eletrodos de aterramento é eficiente quando a


resistividade das camadas mais profundas é inferior a das camadas
superiores.
38

2.12.1. Aterramento
Segundo a referência [9], ainda existe muito misticismo, crendices e confusões
sobre aterramentos.

As mais comuns são:

a) O aterramento tem que ter uma resistência de aterramento de no máximo


10 ohms em qualquer época do ano;

b) O aterramento dos equipamentos eletrônicos tem que ser executado


separado do SPDA;

c) Os equipamentos estão queimando porque a resistência de aterramento é


alta;

d) O fabricante do equipamento não dá garantia se o aterramento não tiver no


máximo 10 ohms;

e) A concessionária elétrica e telefônica não deixa interligar o aterramento do


SPDA com o aterramento delas.

Na verdade o valor de resistência de aterramento não é muito importante para


as correntes de alta freqüência, como é o caso das descargas atmosféricas.

Elas têm miopia para a resistência e na verdade enxergam mais a impedância


do aterramento. Porém, como não existem no mercado aparelhos para fazer a
medição de impedância, se faz a medição da resistência para se ter uma idéia do
valor, mas a norma não exige nenhum valor específico, apenas recomenda 10 ohms,
mas não exige esse valor.

Esse valor medido serve para se ter um acompanhamento do histórico do


aterramento, servindo mais para identificar possíveis danos à malha do que pelo valor
propriamente dito.

Já no caso de malhas de aterramento para subestações (baixa freqüência e


tempo longo) é imperativo que a malha de aterramento tenha valores de resistência
baixa para controlar tensões de passo e tensões de toque.
39

Para um bom dimensionamento de uma malha de aterramento para SPDA, o


primeiro passo é fazer um reconhecimento das características elétricas do solo. Para
tal é necessário fazer a prospecção do solo “in-loco”, através do método de Wenner
(quatro estacas) e depois a estratificação do solo em camadas.

Com relação aos questionamentos se as diferentes malhas numa edificação


podem ou não ser interligadas, esse é um ponto passivo e as normas [1] e [2] e outras
afins estão exigindo essa interligação.

Na verdade a tendência é se acabar com essas malhas separadas e executar uma


malha única que irá atender a todas as necessidades (energia, SPDA, telefonia,
informática e etc.). Em resumo, é lei que as malhas têm que ser interligadas, porém
deve-se ter cuidado para evitar que uma interligação indiscriminada piore a situação
ao invés de ajudar.

São nesses casos que as definições de projeto são importantes.

De acordo com a norma [1], existem basicamente dois tipos de aterramento:

ARRANJO “A”
Esse tipo de aterramento somente poderá ser usado em edificações com
perímetro de no máximo 25 metros e resistividade do solo até 100Ω x metro.

Assim o uso desse tipo de aterramento, de modo a atender as duas condições


simultaneamente, somente em casos muitas raros, por ser uma edificação muito
pequena e a resistividade do solo muito baixa.

ARRANJO “B”
Esse tipo de aterramento é usado em 99% dos casos e consiste num anel de
aterramento interligando todas as descidas com cabo de cobre nu 50mm2 a 50 cm de
profundidade no solo [13]; ilustrado na Figura 21.

Para cada descida é recomendável a instalação de uma haste de aterramento


tipo copperweld de alta camada com 254 mícron de cobre conforme a [14] de modo
a reduzir os potenciais na superfície do solo.

Essas hastes deverão ser interligadas à malha de aterramento em anel que


circunda a edificação, preferencialmente com soldas exotérmicas, ou no caso de
40

conexão mecânica, ela deverá ser robusta e provida de caixa de inspeção tipo solo
para futuras manutenções. Essa caixa deverá ter um diâmetro de no mínimo 250 mm
para possibilitar manutenções futuras.

De forma geral a malha de aterramento em anel (arranjo B) atende a maioria


das situações, porém para edificações de nível I de proteção, apenas esse anel pode
não ser suficiente. Nesses casos deverá ser consultada a Figura 17 onde é
determinada a quantidade de condutores que deverão ser enterrados em função da
resistividade do solo.

Caso a quantidade de condutores seja maior que o próprio anel, deverão ser
instalados radiais horizontais na forma “pé de galinha/corvo”, ou seja, condutores
horizontais, também chamados de contra- pesos, até consumir a quantidade de cabo
determinada na Figura 17.

Esses radiais deverão possuir uma abertura mínima de 60 graus entre os radiais;
conforme ilustra a Figura 16.

Figura 16: Modelos de arranjos.


Fonte: www.tel.com.br
41

Figura 17: Gráfico de Condutores de Aterramento em função da resistividade do


solo
(verificar mais rigor em edif. de nível I de proteção).
Fonte: www.tel.com.br e NBR-5419:2005

Nota: Para os níveis II a IV, o comprimento mínimo do eletrodo é independente da


resistividade.

As Figuras 18, 19 e 20, a seguir, ilustram detalhes da solda exotérmica e a Figura 21


mostra o modelo de profundidade e o detalhe da valeta do aterramento.

Figura 18: Foto dos equipamentos usados para a solda exotérmica.


Fonte: www.tel.com.br e NBR-5419:2005
42

Figura 19: Foto Preparação solda exotérmica.


Fonte: www.tel.com.br e NBR-5419:2005

Figura 20: Detalhe da solda exotérmica entre a haste de aterramento, a malha e a


descida.
Fonte: www.tel.com.br e NBR-5419:2005
43

Figura 21: Detalhe da valeta do aterramento.


Fonte: www.tel.com.br e NBR-5419:2005

2.13. EXEMPLO DE MEDIÇÃO DA RESISTÊNCIA DE


ATERRAMENTO PARA SPDA

Segundo [1] e [11], apesar da qualidade do aterramento estar diretamente


ligada à qualidade dos materiais e serviços aplicados na instalação do que à medição,
ela é necessária para se ter uma idéia do valor apresentado e possa ser feito um
histórico do aterramento, para que, no futuro, caso haja algum dano involuntário
(acidental) ou voluntário (furto) seja possível identificar o problema e corrigi-lo a
tempo.

A medição deverá ser executada pelo método de “Queda de Potencial” com um


terrômetro.

Deve-se fazer a medição com um aparelho que possa ser aferido pelo menos
uma vez por ano.

A medição pelo método de “Queda de Potencial” consiste nos seguintes passos:

a) Em primeiro lugar é necessário conhecer as dimensões da malha a ser


medida;

b) Em seguida deverá ser determinada a maior diagonal da malha (D);


44

c) Multiplicar o valor da maior diagonal por quatro (ou seis) obtendo o valor
de 4D;

d) O próximo passo consiste em determinar “in loco” a melhor direção para


realizar a medição, evitando locais de difícil acesso, obstruídos ou com
muitas interferências;

e) Cravar a sonda de corrente a uma distância do centro da malha de 4D a


6D;

f) Cravar a sonda de corrente a intervalos de 10% de 4D (ou 6D, dependendo


de qual se adote) do centro da malha em direção à sonda de corrente (fixa);

g) Quando estiver chegando a 62% de 4D (ou 6D), cinco medidas antes e


cinco medidas depois deverão ser de 1% de 4D (ou 6D).

h) Como cada malha tem suas dimensões diferentes, logo D, D4 (ou D6), a
distância da SC e SP irá variar para cada medição;

i) Após a coleta desses dados, deverá ser plotado o gráfico de D X R


(distâncias X resistência);

j) O gráfico deverá ter uma aparência próxima da Figura 22, onde possui
duas curvas ascendentes e uma reta horizontal. Essa linha horizontal é o
valor que representa a resistência da malha medida.

k) Caso não se consiga obter um gráfico onde seja possível identificar


claramente o patamar, a medição deverá ser reproduzida em outra direção
para fugir das interferências existentes.

l) Valores do patamar que tenham um desvio acima ou abaixo de 5% deverão


ser descartados do gráfico, pois podem estar sinalizando interferências
locais;

m) Deve-se atentar que medições de malhas de SPDA que sejam executadas


com a sonda de corrente a 20 m e a sonda de potencial a 10 m não são
tecnicamente validadas, apesar de alguns aparelhos mais antigos trazerem
um diagrama mostrando essas distâncias. Esse desenho só é válido para
malhas pontuais (Arranjo A), que não é o caso de malhas de SPDA.

n) Um laudo de aterramento que apenas mencione o valor da resistência não


45

pode ser validado se não for apresentada a tabela com valores medidos e as
distâncias de cravação das sondas, inclusive com a profundidade de
cravação das sondas, última aferição do aparelho, temperatura ambiente,
tipo de solo, etc.

o) Outro dado importante é que um laudo de medição de aterramento de um


SPDA não serve para validar a qualidade/eficiência do aterramento como
comumente é feito.

A qualidade do aterramento está atrelada à qualidade dos materiais e serviços


de execução e conformidade à norma, como já mencionado. Também é comum se
usarem o laudo da medição para atestar se o SPDA está em conformidade com a
norma.

Lembrando que não se deve atestar uma boa instalação de aterramento como
só usando bons materiais de instalação, mas também uma boa funcionalidade do
aterramento isso é uma resistência baixa e de conformidade com a norma [1].

A eficiência de um SPDA será comprovada se a norma [1] for seguida


fielmente.

Figura 22: Exemplo de um gráfico de medição de resistência de aterramento pelo


método de queda de potencial.
Fonte: www.tel.com.br e NBR-5419:2005
46

3. ESTUDO DE CASO

3.1. PENITENCIARIA MAJOR EL DO SÁ CORREA,


CONHECIDA COMO MATA GRANDE, LOCALIZADA NA
CIDADE DE RONDONÓPOLIS-MT

A penitenciaria Mata Grande é um dos maiores presídios do estado do Mato


grosso e tem uma capacidade de acomodação de aproximadamente 1500 pessoas
envolvendo presos, e agentes penitenciários e policias militares que revezam em
turnos para ajudar a manter a segurança. Sua estrutura física é grande e devido a
inúmeras rebeliões e de não ter uma constante equipe de manutenção que possa
antecipar situações de desgaste da estrutura como reparos contínuos e eficientes na
parte elétrica, hidráulica e civil, a penitenciaria se vê hoje em uma situação de
completo abandono. A instalação dos pára-raios em partes da edificação servirá não
para solucionar todos os problemas do presídio, mas para tentar, com um pequeno
estudo das condições das estruturas dos pára-raios lá existentes, propor um método
de malha de aterramento onde se possa manter por métodos de posicionamentos de
hastes e algumas mudanças dos cabos de descida e do próprio captor e indicar uma
nova condição de proteção das estruturas; objetivando proporcionar uma maior
segurança e conforto para aqueles que vivem e dependem daquele local.

As Figuras 23 a 26 dão uma visão geral da estrutura do Presídio Mata Grande.


Todos os dados coletados, medidos e da vistoria feita in loco, foram aproveitados
objetivando um estudo para a instalação de uma nova malha de aterramento e de um
modelo de pára – raios mais adequado a essas estruturas.
47

Figura 23: Vista do Presídio Mata Grande.

Figura 24: Vista da localização do Presídio Mata Grande (MT- 130)


Rondonópolis/Poxoreo.
Fonte: Modificado Google
48

Figura 25: Vista Aérea do Presídio Mata Grande.


Fonte: Modificado Google

Figura 26: Vista Aérea dos pontos onde estão instalados Para raios
Fonte: Modificado Google
49

3.1.1. MEDIÇÃO DA RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO

Para realização do estudo foram utilizados dados coletados e registrados em


tabelas de medição. As medições foram feitas no presídio da Mata Grande,
localizado na cidade de Rondonópolis - MT, no dia 12 de agosto de 2009. As
Condições climáticas na referida data estavam satisfatórias, isto é, temperatura 35ºC
e tempo seco. A situação dos para raios instalados no presídio é precária, já não mais
fazendo o seu papel importante que é a de proteção das estruturas. Na torre da guarda
a situação visual dos para raios é a de que alguma presilha que prende o cabo na
estrutura já não existe, fazendo o cabo ficar solto. A resistência da malha do
aterramento está muito alta podendo ser necessário um tratamento químico do solo
para diminuí-la, mas não podendo garantir seu baixo valor devido ao fato de que os
materiais do aterramento não serem de boa qualidade; apesar que não se devem
atestar uma boa instalação de aterramento só com o uso de bons materiais de
instalação, mas também garantindo uma boa funcionalidade do aterramento, isto é
uma resistência baixa e de conformidade com a norma [1].

A eficiência de um SPDA será comprovada se a norma [1] for seguida


fielmente.

A torre de armazenamento de água principal, estrutura com maior tamanho do


presídio, não possui nenhum pára- raio instalado.

Nas torres de abastecimento foram detectados vários problemas, tais como


rompimento dos cabos e valor da resistência da malha de aterramento alto.

Para efetuar a coleta das resistências de aterramento de cada uma das malhas,
foi empregado um terrômetro analógico, marca Minipa modelo MTR – 1505
conforme Figura 27.
50

Figura 27: Diagrama de Medição de resistência de terra.

3.1.1.1. Procedimentos de operação para o equipamento de


medição

1º Fixar as estacas auxiliares P e C na terra como é mostrado na Figura 27. As


estacas devem estar alinhadas, deixando uma distancia de 5 a 10 metros entre os
pontos de teste.

2º Conectar o cabo de teste verde no terminal ‘E’ do instrumento, o cabo de


teste amarelo (YELLOW), no terminal ‘P’, e o cabo de teste vermelho (RED), no
terminal ‘C’.

3º Assegurar que as estacas estejam fixadas em uma região de terra úmida.


Caso as estacas estejam fixadas em regiões de terra seca, com pedregulho, ou
arenosa, jogue um pouco de água nas estacas.

4º Antes de iniciar as medições posicionar a chave seletora de funções para a


posição (testar a bateria) e verificar se a tensão da bateria está OK.

5º Posicionada a chave seletora de funções para a posição ‘’AC V”, verificar


51

se a tensão lida é superior a 10V AC. Se isto ocorrer a resistência dessa medida não
terá precisão.

6º Posicionar a chave seletora de faixas de resistência para a posição X 10 e a


chave seletora de funções para a posição Ω. Lo go após ligar o terrômetro, juntamente
com o botão ligar. Se o ponteiro defletir para o fundo de escala posicione a chave
seletora de faixas de resistência para a posição X 100 e faça a leitura. Se a resistência
de terra for inferior a 10 Ω, posicione a ch ave seletora de faixas de resistência para a
posição X1 e faça a leitura; conforme [17].

A distância considerada para o eletrodo de corrente foi a própria extensão do


cabo que é de 30m. Ele foi cravado a 40 cm de profundidade.

Já o eletrodo de potencial foi cravado seis vezes, variando de 5 em 5m e


medindo a resistência em cada ponto. Os valores coletados foram registrados no
quadro12.

3.1.1.2 Especificações Elétricas


· Tensão de Terra.
Faixa: 0 - 30 V AC
Precisão: ± 3,0 % fs
Sensibilidade: 5 kW / V aprox.
· Resistência de Terra
Faixa: 10 / 100 / 1000 W
Precisão: ± 3,0 % fs
· Sistema de Medida:
Resistência de terra por inversor de corrente constante ( 800 Hz , aprox. 2 mA)
Tensão de terra por retificador tipo 5 kW / V ( aprox. 40 – 500 Hz )
· Rigidez dielétrica: 1500 V AC por no máx. 1 minuto entre o circuito e o
gabinete.
· Na faixa de resistência 10 W a Tensão de Terra admitida é de 10 V ( erro
menor que 5 % do valor indicado ) .
52

3.1.2. RECONHECIMENTO DAS CARACTERISTICAS DO SOLO

3.1.2.1 Conceitos e métodos teóricos para medição pelo Método de Wenner

O método utiliza um Megger, instrumento de medida de resistência que possui


quatro terminais, dois de corrente e dois de potencial.

O aparelho, através de sua fonte interna, faz circular uma corrente elétrica I
entre as duas hastes externas que estão conectadas aos terminais de corrente C1 e C2,
conforme a Figura 28.

As duas hastes internas são ligadas nos terminais P1 e P2. Assim, o aparelho
que passa internamente indica na leitura, o valor da resistência elétrica, de acordo
com a expressão (3.1).

Fazendo a divisão da diferença de potencial V23 de acordo com a equação (3.5),


pela corrente I, teremos o valor da resistência elétrica R do solo para uma
profundidade aceitável de penetração e corrente I, conforme Equação (3.1).

Equação (3.1)

A resistividade elétrica do solo é dada pela Equação (3.2);

Equação (3.2)

onde:

‘R’ igual à leitura da resistência em Ω no Megger, para uma profundidade ‘a’.


‘a’ igual ao Espaçamento das hastes cravadas no sol.
‘p’ igual à profundidade da haste cravada no solo.
53

O Potencial no ponto 2 é mostrado na Equação (3.3).

Equação (3.3)

O Potencial no ponto 3 é mostrado na Equação (3.4).

Equação (3.4)

A Equação (3.5) mostra a diferença de potencial nos pontos 2 e 3.

Equação (3.5)
54

Figura 28: Método de Wenner.

O método considera que praticamente 58% da distribuição de corrente que


passa entre as hastes externas ocorre a uma profundidade igual ao espaçamento entre
as hastes, conforme visualização dada na Figura 29.

Figura 29: Penetração na profundidade “a”.

Segundo [6], a corrente atinge uma profundidade maior, com uma


correspondente área de dispersão grande, tendo, em conseqüência, um efeito que
pode ser desconsiderado.

Portanto, para efeito do método de Wenner, considera-se que o valor da


resistência elétrica lida no aparelho é relativo a uma profundidade “a” do solo.

As hastes usadas no método devem ter aproximadamente 50 cm de


comprimento com diâmetro entre 10 a 15 mm. O material que forma a haste deve
seguir as mesmas considerações.
55

Haste de Aterramento

O material das hastes de aterramento deve ter as seguintes características:


a. Ser bom condutor de eletricidade;
b. Deve ser um material praticamente inerte as ações dos ácidos e sais
dissolvidos no solo;
c. O material deve sofrer a menor ação possível da corrosão galvânica;
d. Resistência mecânica compatível com a cravação e movimentação do
solo.

Os dados coletados pelo instrumento de medição do aterramento, no presídio,


estão registrados no Quadro 12, onde estão relacionados os locais e os valores das
resistências médias correspondentes, em cada parte do aterramento dos pára-raios.

Quadro 12: Medições nas malhas existentes na torres de guarda, torres de


reservatório de água.
LOCAL TENSÃO (V) RESISTENCIA (Ω)
Torre da guarda 04 0v 10,5
Torre da guarda 03 0v 28,5
Torre da guarda 02 0v 23,5
Torre da guarda 01 0v 22,5
Para raio do prédio da administração 0v 25,0
Para raio do raio 01 0v 15,0
Para raio do raio 02 e 03 Desativado Desativado

3.1.3. MODELOS DE ATERRAMENTO DOS PÁRA- RAIOS

O modelo da malha de aterramento existente no local é o de hastes agrupadas


em linha reta, onde não se tem o valor exato da quantidade de hastes instaladas em
cada malha de aterramento dos pára-raios. Devido ao local onde esses pára-raios
56

estão instalados ao fato da distancia entre as malhas ser muito grande,


aproximadamente 100m, a interligação das malhas para que se possa ser feita uma só
equipotencialização não poderá ser feita por motivos financeiros. Seria muito caro
fazer esse tipo de interligamento. Será proposta uma malha de aterramento dos pára-
raios individualmente onde se possa alcançar um valor de malha de aterramento
abaixo de 10Ω.

3.1.3.1 Analise comparativa entre os tipos de aterramentos.

Os aterramentos mais comuns são formados por uma ou mais hastes cilíndricas
verticais, cravadas no solo e eletricamente interligados por fios de cobre sem
isolação.

As hastes são em geral feitas de aço e revestidas com cobre. Essa construção
reduz o custo dos materiais e aumenta a resistência mecânica, sem comprometer
sensivelmente as propriedades elétricas.

Comercialmente, os comprimentos (L) e diâmetros (D) mais comuns são 2,4 e


3 metros e 1/2’’ 3/4” e 1” polegadas respectivamente.

O valor da resistividade do solo foi adotado pelas características do solo como


areia e argila, onde a média está na faixa de 80 a 200Ωm , e o valor adotado foi a de
100 Ωm.

3.1.3.2 Cálculo da resistência de uma Haste

É um dos meios mais simples de aterramento. Entretanto, com apenas uma


haste, nem sempre será possível obter resultados suficientemente baixos de
resistência. Ver Figura 30.

Figura 30: Posicionamento de uma Haste cravada no solo.

Em geral, este tipo de aterramento é usado em solos de baixa resistividade que


não é o caso do terreno onde estão instalados os para raios do presídio.
57

Dados:

Para se obter a resistência equivalente da malha e obter a resistência de uma


haste utiliza-se a Equação (3.6), onde a resistividade do solo (ρ) é igual a 100Ω.m, o
comprimento da haste (L) é igual a 2,4m e seu diâmetro é de 1/2" e se tem as
seguintes situações:

‘ρa’ é igual a Resistividade aparente do solo medida em [ρ. m]


‘L’ é igual ao comprimento da haste medida em [m]
‘d’ é igual ao diâmetro do circulo equivalente à área da secção transversal da haste
medida em [m].

Fazendo as substituições dos valores na Equação (3.6), obteve-se o valor da


resistência de uma haste.

Equação (3.6)

R1haste = 40,96 [Ω]

3.1.3.3 Calculando o valor da resistência de aterramento numa malha com hastes


posicionadas em linha reta e espaçadas.
Este tipo de sistema é bastante empregado por concessionárias de energia na
rede de distribuição, pois ocupa pouco espaço, tem boa eficiência e é simples de se
instalar. Nas áreas urbanas sua aplicação é grande. O aterramento é feito ao longo do
meio fio da calçada e não prejudica o transito. O valor da resistência equivalente das
hastes posicionadas em linha reta foi calculado pela Equação (3.7).

A Figura 31 ilustra a disposição das hastes.


58

Figura 31: Posicionamento das Hastes alinhadas em linha reta.

Equação (3.7)

O índice K = 0, 167 [ρa], valor obtido no quadro 13, é o índice de


aproveitamento e foi adquirido em função dos espaçamentos das hastes, dos
comprimentos e das características físicas do tipo de hastes que vai ser colocada no
solo.

Req = 14,38 [Ω]

Portanto o valor da resistência equivalente calculada para a configuração em


linha reta é de 14,38 Ω.

Quadro 13: Hastes paralelas, alinhadas e igualmente espaçadas.


59

Fonte: Kindermann (1998)

3.1.3.4 Calculando o valor da resistência de aterramento numa malha com hastes


posicionadas em triangulo.
Esta configuração é menos eficiente e requer um espaço que geralmente torna
impraticável o seu uso; conforme se vê na Figura 32. Portanto, serão usadas as
mesmas características da haste usada na ligação em linha reta.

Figura 32: Configuração em hastes posicionadas em triangulo.

O valor da resistência equivalente na formação de posicionamento das hastes


em triangulo será dado pela Equação (3.8).

Equação (3.8)

O índice de aproveitamento vai ser obtido pela Equação (3.9).

Equação (3.9)

onde α é uma constante que depende do espaçamentos entre as hastes (a), e poderá
ser calculada pela Equação (3.10).
60

Equação (3.10)

onde “L”é igual ao comprimento da haste [m]


“d” é igual ao diâmetro das hastes
“a” é igual a 0, 1633, correspondente a um espaçamento de 2m.
Portanto KΔ é igual a 0,44. Este valor pode ser encontrado, alternativamente, usando
a Figura 33.

Então se tem os valores que serão substituídos na Equação (3.8) para se ter uma
resistência equivalente em hastes posicionadas em triangulo.

Req = 19,41 [Ω]

Portanto, a resistência equivalente calculada na formação em triangulo com três


hastes espaçadas em 2 m e com diâmetro de 1/2’’ e comprimento de 2,4m será de
19,41 Ω.

Figura 33: As Curvas São para hastes de 1/2” e 1”, com tamanhos de 1,2; 1,8; 2,4 e 3
61

metros.
Fonte: Kindermann aterramento elétrico 4º edição 1998

3.1..3.5 Calculando o valor da resistência de aterramento numa malha com hastes


posicionadas em quadrado vazio.
Consideram-se somente os arranjos simétricos, ou seja, a distância entre hastes
adjacentes é constante. Na Figura 34, vê-se o posicionamento para oito hastes.

“R 1haste” é igual a resistência elétrica de uma haste cravada isoladamente no solo


[Ω];
“K” é o índice de redução do sistema de aterramento;
“R eq” é igual a resistência equivalente apresentada pelo sistema de aterramento em
triangulo com lado “L”.

Os índices de redução (K) poderão ser obtidos diretamente das curvas das
Figuras 35 ou 36.

Figura 34: Posicionamento das Hastes em formação Quadrado vazio.

Seu Formato de posicionamento das hastes em quadrado vazio, onde as hastes


são colocadas na periferia a uma distancia “L” das hastes adjacentes.

A Resistência equivalente do sistema é dada pela equação (3.13) com o índice


de redução (K◊) obtido pelas Equações [3.1.3.4].
62

Figura 35: Espaçamento em metros; Oito hastes em quadrado Vazio.

Figura 36: Espaçamento em metros; Trinta e seis hastes em Quadrado vazio.

Esta configuração, trinta e seis hastes em quadrado vazio é que apresenta o


melhor resultado, contudo é menos utilizado pois necessita de um espaço maior que
os demais sistemas.

No gráfico da Figura 36 são apresentados os valores medidos para esta malha.


63

O índice de aproveitamento K◊ será obtido pela Equação (3.11).

Equação (3.11)

onde:
“n” é igual ao Numero das hastes
“β” é igual ao fator relacionado com o número de hastes, conforme quadro 14.
“α” é igual ao espaçamento das hastes podendo ser obtida na Equação (3.12).

Equação (3.12)

onde:
“L” é igual ao comprimento das hastes
“a” é igual ao espaçamento entre hastes
“d” é igual ao diâmetro das hastes

Quadro 14: Valores do índice β.

Fonte: Kindermann (1998)

Sendo
“ n” igual ao número de hastes
“β” igual ao fator relacionado com o número de hastes
64

α igual a constante que já foi calculada na Equação (3.12) que é igual a 0, 1633

Sendo β igual a 4, 2583, valor obtido no quadro 14.

K◊ = 0,21

Substituindo esse valor na Equação, (3.13), teremos:

Equação (3.13)

Req◊ = 9,35 [Ω ]

Portanto, a resistência equivalente calculada do conjunto com configuração em


quadrado vazio, constituído de oito hastes igualmente espaçadas de 2m, com
diâmetro de 1/2” e 2,4m de comprimento é de 9,35Ω.

3.1.4. ANÁLISE / RECOMENDAÇÕES


A análise mostrou que apesar do número de variáveis que influenciam na
resistência do aterramento ser grande, os modelos teóricos podem e devem ser
empregados para projetar o sistema de aterramento, pois os valores calculados se
aproximaram dos valores medidos. Adotando este procedimento o projetista será
capaz de determinar, antes da implantação do sistema, a malha de menor custo e com
o nível de segurança que requer as instalações.

Com relação à proteção de equipamentos eletrônicos, segundo [16] a Malha


de Terra de Referencia (MTR) é a melhor opção para proteção de equipamentos
sensíveis desde que estes equipamentos estejam no mesmo ambiente, nos casos em
que os equipamentos estejam espalhados pode ser utilizado o método de aterramento
de ponto único ou utilizar placas metálicas sob os equipamentos que atuam como
malhas de “mesh” nulo.
65

A distância entre condutores para este sistema depende da faixa de freqüência


que se deseja proteger. O critério atual é adotar dentro do espectro da radiofreqüência
uma freqüência que atende a maior parte das interferências nos meios industriais e
comerciais, esta malha deve evitar perturbações tanto em 60 Hz quanto na ordem de
60 MHz. A distância para condutores neste caso seria de 25 cm.

Outro ponto interessante e que requer atenção é quanto aos métodos de redução
de resistência de aterramento, caso não seja efetuado um estudo do solo e dos
sistemas que se deseja proteger pode resultar em custos desnecessários.

Exemplo destes erros é constantemente observado em ações como empregar


hastes profundas em solo em que a resistividade aumenta com a profundidade ou
emprego de hastes paralelas em solo com a primeira camada de alta resistividade ou
sem respeitar o volume de influência da haste.

É importante que as medições sejam efetuadas em dias quentes e em período


seco, pois os cálculos teóricos serão com base na resistividade medida neste período
e o dimensionamento da malha será de forma a obter a resistência necessária (o
máximo aceitável é de 10Ω) para a pior situação.

Da mesma forma, a medição da resistência da malha de aterramento deve ser


feita nestas condições, sendo assim se a resistência for suficiente com o solo seco,
com certeza será igual ou até inferior no período de chuvas, pois a úmida favorece as
ligações iônicas, influenciando de forma a reduzir a resistividade do solo e em
conseqüência, a resistência da malha.

3.1.5. CONCLUSÃO
No contexto geral de qualquer instalação, o sistema de aterramento tem alto
grau de importância, merecendo atenção e análise de todas as situações possíveis
para sua instalação. Este estudo mostrou que existem diversos tipos de aterramentos e
deseja propor, para a instalação de pára-raios no presídio, o método mais adequado
para a realidade imposta. Vários fatores influenciam na tomada do modelo, sendo um
deles mais importante, a distância entre as malhas do terra. Cada estrutura estudada
se encontra muito distante uma da outra. Com base no estudado apresentado
verificou-se que um desses modelos, o aterramento em quadrado vazio, veio a ter um
66

dos menores valores calculados de aterramento. Este modelo poderá ser implantado
junto com o pára-raios e assim proporcionar uma melhor condição de escoamento de
eventuais descargas atmosféricas.

Obedecendo a essas premissas é possível obter um projeto de sistema de


aterramento seguro, executável e com otimização dos custos mantendo a segurança
do patrimônio e principalmente das pessoas que é o papel primordial de qualquer
sistema de aterramento.

3.2. ELABORAÇÃO DE PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS


ATMOSFERICAS NO PRESIDIO MATA GRANDE EM
RONDONOPOLIS

Para o dimensionamento de um SPDA o primeiro passo consiste em saber da


necessidade da instalação de Pára- raio na edificação e se a edificação precisa ou não
dessa proteção.

Fazendo os cálculos estatísticos da necessidade do SPDA, usando o anexo B.6


da [1], retratando a seleção do nível de proteção pelo tipo da edificação.

Devido o tipo da estrutura da Mata Grande ser classificado como prisão, onde
tem uma grande concentração de pessoas, o seu nível de proteção, conforme anexo
B.6 da norma, o classificam como estruturas de nível escolhido II onde o risco maior
é o de vida; uma vez que em locais com concentração de pessoas como Prisões,
existem possibilidades da geração de pânico e conseqüentemente risco de vida.

3.2.1. INTRODUÇÃO
A instalação de um sistema de proteção contra descargas atmosféricas tem duas
funções:

a) Primeira Função: Tentar conseguir neutralizar, pelo método do poder das


pontas, o crescimento do gradiente de potencial elétrico entre o solo e as
nuvens, através do permanente escoamento de cargas elétricas do meio
67

ambiente para a terra.

b) Segunda Função: Tentar oferecer a descarga elétrica, que se um dia cair


em suas proximidades, um caminho preferencial, reduzindo os riscos de
sua incidência sobre as estruturas.

3.2.2. CARACTERÍSTICAS GERAIS


Deve ser lembrado que um SPDA não impede a ocorrência das descargas
atmosféricas.

Um SPDA projetado e instalado conforme a Norma não pode assegurar a


proteção absoluta de uma estrutura, de pessoas e bens. Entretanto, a aplicação desta
Norma reduz de forma significativa os riscos de danos devidos às descargas
atmosféricas [15].

3.2.2.1. Torres da Guarda


Estrutura localizada nas extremidades dos muros do presídio com a função de
abrigar os seguranças para que seja feita a guarda e de observar possíveis fugas de
detentos. Dentro da torre existe o necessário para que o segurança possa fazer a suas
necessidades como um banheiro e um corredor em forma de quadrado para que se
possa contornar a torre. Ver Figuras 37, 38, 39, 40 e 41.
68

Figura 37: Vista da descida do cabo de aterramento da torre da guarda.

Figura 38: Vista inferior da torre e da tubulação de PVC.


69

Figura 39: Vista da Torre de guarda do lado de dentro do presídio.


70

Figura 40: Vista das dimensões da torre de guarda.

Figura 41: Vista de topo da estrutura da guarda.


71

Memorial de Cálculo
Este dimensionamento de proteção para pequenas edificações, que é o caso em
que se enquadra a torre de guarda do Presídio da Mata Grande vai mostrar
detalhadamente os parâmetros usados para a instalação do modelo Eletrogeométrico
ou Esfera rolante, Sistema Isolado mostrando os procedimentos de cálculo. As
Figuras 42 a 44 ilustram o modelo de instalação em uma pequena edificação.

Figura 42: Exemplo de Vista de topo do teto da guarda com os seus devidos.
Componentes.

Figura 43: Vista lateral de um exemplo o tipo de ligação dos cabos de descida da
estrutura.
72

Figura 44: Modelo de componentes do pára- raio a ser usado na torre da guarda.

Num primeiro momento são realizados cálculos para identificar se há


necessidade da instalação do SPDA.

1) Parâmetros da Edificação (Torre da Guarda do Presídio)


C=4,60 metros (Comprimento)
L=4,60 metros (Largura)
A=7,5 metros (Altura)

2) Avaliação do risco de exposição


Ae=Área de exposição
Ae=CL+2CA+2LA+3,14(AxA)
Ae=335,8m2

3) Densidade de descargas para a terra


Ng=Numero de raios para a terra por Km2 por ano
Ng=0,04 x Td1, 25
Td=80 (nº de dias de trovoadas por ano)
Ng=0,04 x 801,25
Ng=9,6 descargas Km2/ano

4) Freqüência média anual previsível de descargas


N=Ng x Ae x 10-6
N=3,2x10-3

5) Fatores de ponderação
A=1,3 (Tipo de ocupação da Estrutura)
B=0,4 (Tipo de construção da Estrutura)
C=1,7 (Conteúdo da estrutura)
D=2,0 (Localização da estrutura)
E=0,3 (Topografia)
73

6) Np= Valor ponderado de N


Np=N x A x B x C x D x E
Np=1,7x10-3 Desc. / ano

PARÂMETROS DA NORMA
Se NP>= 10-3, A estrutura requer proteção
Se NP<= 10-5, A estrutura não requer proteção
Se 10-3>NP>10-5, A necessidade poderá ser discutida com o proprietário.

7) Conclusão do cálculo
A necessidade da instalação do SPDA é contemplada nesse cálculo.

No nível II o risco maior é o de vida, uma vez que se trata de locais com
concentração de pessoas, sendo a classificação da estrutura como uma estrutura
comum (presídios), com possibilidade de gerar pânico e conseqüentemente risco de
vida.

Resultado dos Cálculos


Nível de Proteção igual a II, conforme tipo de classificação de estrutura, e ao
fato de que na tabela de classificação de estrutura buscam-se o tipo de estrutura em
que se enquadra o presídio estudado.

Das partes não condutoras da torre por meios de anéis de porcelana, devendo
manter pelo menos 10 cm de distancia com relação ao teto e paredes. As curvas não
devem ser bruscas. Se o beiral do teto for muito longo, será aconselhável usar um
isolador de baquelita em forma de cilindro e fazer o cabo passar em seu interior.

3.2.2.2. Modelo de Calculo pelo Método Franklin


Usando a equação (3.14); pode-se calcular o valor de Rb, que é o raio da base
do cone de proteção.

Nível de Proteção: II

Rb = Tg do ângulo. Hc
Equação (3.14)

Tg é igual a 35º
74

Hc é igual a 9,5m

Rb = 6, 65 [m]

Ponta do Captor
É a parte mais elevada do para raios destinada a receber a descarga pelo efeito
das pontas. O método escolhido foi a de varias pontas.

Haste Metálica
É a parte a qual se liga a ponta ou captor. É fácil compreender que, quanto mais
alta a haste, maior será a proteção, porém elevar muito significa dificultar a
instalação ou, em outras palavras, encarecer.

Foi escolhido o comprimento da haste de 2 metros, diâmetro da haste 30 mm e


peso de 8 kg de ferro; conforme o quadro 15.

Isolador
Pode ser do modo industrial normal e do tipo exterior para 10.000volts;
conforme [12].

Braçadeira
Deve ser também de material de boa condutibilidade, destinado a fixar o cabo
de descida até a haste.

Cabo de descida ou Escoamento


Atualmente o critério para determinar o número de descidas para o SPDA
externo é em função do perímetro e do nível de proteção, ou seja, calcular o
perímetro da edificação e dividir pelo espaçamento definido pelo nível de proteção.
A Equação (3.15), número de condutores de descida vale para todos os
métodos apresentados sendo o numero dado por;

Nd = P/ Dd
Equação (3.15)

onde:
“Nd” igual ao numero de condutores de descida;
“P” igual ao perímetro da construção, em [m]
“Dd” igual a distância entre os condutores de descida,conforme quadro 16.
75

P é igual ao perímetro de um retângulo de 18,4 m


Dd igual ao valor dado pelo quadro 16 onde o valor da descida é de 15 m.
Portanto:

Nd = 1,22 m

Caso Nd resulte um valor um valor inferior a 2, deverão ser adotadas no mínimo duas
descidas, diametralmente opostas, com a intenção de dividir as correntes e melhorar o
desempenho da proteção.

Eletrodo da terra
É uma das mais importantes partes do sistema de pára- raios. Pela [2], será
aconselhável que a resistência do eletrodo de terra não ultrapasse 5Ω, com o cabo de
descida desligado, devendo ser verificada periodicamente, nunca ultrapassando 10 Ω.

Resultado dos Cálculos


Nível de Proteção igual a II, conforme o quadro 26.
Altura do mastro igual a 2 metros
Quantidade igual a 1 mastro
Nº de descidas igual a 2

Material a ser adotado conforme dados colhidos nos quadros 15 e 22


Altura do Captor: 2m
Cabo de Captação Cobre: 35mm2
Cabo de Descida: 35mm2
Cabo de Aterramento: 50mm2
A eficiência do SPDA é de 90 a 95%

Modelo de Cálculo pelo método Eletrogeométrico ou Esfera Rolante


Consiste na determinação do Lugar geométrico dos pontos possíveis de serem
atingidos pela descarga atmosférica.

A distância R em função da corrente Imax de crista e do nível de proteção vai


ser adquirido conforme quadro 19 e 20.
76

Valor calculado

R = 10 x Imáx 0,65
Onde:
I máx é o Valor de corrente de crista 5KA pelo nível de proteção
R é a distancia em (m)
R = 10 x Imáx 0,65
R = 10 x 50,65
R = 10x 2,84
R = 28,46 m

Traça-se uma linha horizontal à altura R do solo e um arco de circunferência


de raio R com centro no topo do captor, conforme a Figura 52. Em seguida, com
centro no ponto de interseção P e raio R, traça-se um arco de circunferência que
atinge o topo do captor e o plano do solo. O volume de proteção é delimitado pela
rotação da área A em torno do captor.

3.2.2.3. Torre da Caixa d’ água Principal


Estrutura destinada ao armazenamento de água que vem da rede de
abastecimento e responsável para a distribuição de água para os reservatórios
secundários. A estrutura não tem nenhuma instalação de pára- raios instalados, só um
mastro de sinalização, conforme pode ser verificado nas Figuras 45 a 48. A
necessidade de instalação de pára- raio nessa estrutura veio com a finalidade de
proteção da população carcerária e do imóvel em si.

A Figura 49 dá uma visão geral de como funciona um pára-raios instalado


nesta torre.
77

Figura 45: Torre do armazenamento de água responsável para a distribuição aos


outros reservatórios.

Figura 46: Vista de trás da torre de armazenamento.


78

Figura 47: Mastro de sinalização que está no topo da torre de água onde deveria
estar instalado para raios.

Local que
deveria estar
instalado um
pára- raio e
junto com ele
uma iluminação
para
sinalização.
Figura 48: Vista do mastro de sinalização no topo da torre de água.
79

Figura 49: Vista do Captor de Franklin no topo com duas descidas.

Memória de Cálculo
A seguir tem-se o dimensionamento para a torre de abastecimento principal de
água que tem uma grande importância para o presídio, pois é dela que a água da rede
é armazenada e distribuída para outras torres de abastecimento. Sua altura é a maior
do presídio e constata-se, por cálculos, a necessidade da instalação de pára-raios
nessa estrutura.
80

1) Parâmetros da Edificação (Torre do Reservatório Principal)


C= 4 metros (Comprimento)
L= 4 metros (Largura)
A= 25 metros (Altura)

2) Avaliação do risco de exposição


Ae=Área de exposição
Ae=CL+2CA+2LA+3,14(AxA)
Ae=2378,5m2

3) Densidade de descargas para a terra


Ng=Numero de raios para a terra por Km2 por ano
Ng=0,04 x Td1, 25
Td=80 (nº de dias de trovoadas por ano)
Ng=0,04 x 801,25
Ng=9,6 descargas Km2/ano

4) Freqüência média anual previsível de descargas


N=Ng x Ae x 10-6
N=2,3x10-2

5) Fatores de ponderação
A=1,3 (Tipo de ocupação da Estrutura)
B=0,4 (Tipo de construção da Estrutura)
C=1,7 (Conteúdo da estrutura)
D=2,0 (Localização da estrutura)
E=0,3 (Topografia)

6) Np= Valor ponderado de N


Np=N x A x B x C x D x E
Np=1,2x10-2 Desc. / ano

PARÂMETROS DA NORMA
Se NP>= 10-3, A estrutura requer proteção
Se NP<= 10-5, A estrutura não requer proteção
Se 10-3>NP>10-5, A necessidade poderá ser discutida c/ proprietário

7) Conclusão dos cálculos


A necessidade da instalação do SPDA é contemplada nesse cálculo.

Modelo de Calculo pelo Método Franklin


Nível de Proteção: II
Usado-se a equação (3.14)

Tg = 25º
81

Hc = 27 m

R b= Tg do ângulo x Hc
Equação (3.14) 1

Rb = Raio da base do cone de proteção [m]


Tgα = tangente do ângulo encontrado no quadro 18 ou 21.
Hc = Altura da extremidade do captor, em [m]

Rb = 12,59 m

O posicionamento de captores conforme o nível de proteção adotado II,


consiste em determinar o volume de proteção por um cone conforme Figura 50, cujo
ângulo de geratriz com a vertical varia segundo o nível de proteção desejado. Para
uma altura da torre de armazenamento de água de 25m o ângulo de proteção as
descargas atmosféricas para a altura da torre é de α = 25º, conforme quadro 18.

Figura 50: indica os parâmetros para a aplicação do método de Franklin.


Fonte: Helio Creder – instalações elétricas 14 edição

Ponta do Captor
É a parte mais elevada do para raios, destinada a receber a descarga pelo efeito
das pontas. O método escolhido foi a de varias pontas.

Haste Metálica
É a parte a qual se liga a ponta ou captor. É fácil compreender que, quanto mais
alta a haste, maior será a proteção, porém elevar muito significa dificultar a
82

instalação ou, em outras palavras, encarecer.

Foi escolhido o comprimento da haste de 2 metros, diâmetro da haste 30 mm e


peso de 8 kg de ferro, conforme o quadro 15.

Quadro 15: Diâmetro e peso da haste em função do comprimento.

Fonte: Helio Creder – instalações elétricas 14º edição

Isolador
Pode ser do modo industrial normal e do tipo exterior para 10.000volts
conforme [12].

Braçadeira
Deve ser também de material de boa condutibilidade, destinado a fixar o cabo
de descida até a haste.

Cabo de descida ou Escoamento

O critério para determinar o número de descidas para o SPDA externo é em


função do perímetro e do nível de proteção, ou seja, calcular o perímetro da
edificação e dividir pelo espaçamento definido pelo nível de proteção. No caso o
perímetro é o da torre de armazenamento d água principal do presídio.

Usando-se a Equação (3.15), tem-se:


83

Nd = P/ Dd
Equação (3.15) 1

onde:
“Nd” igual ao numero de condutores de descida;
“P” igual ao perímetro da construção, em [m]
“Dd” igual a distância entre os condutores de descida, conforme quadro 16.

como:
P é igual ao perímetro de um retângulo da torre de água que é de 16 m
Dd igual ao valor dado pelo quadro 16 onde o valor da descida é de 15 m.

Portanto:
Nd = 1,066 m

Caso Nd resulte um valor inferior a 2, deverão ser adotadas no mínimo duas


descidas, diametralmente opostas com na intenção de dividir as correntes e melhorar
o desempenho da proteção. Ver Figura 51.

Figura 51: Modelo de descidas.


84

Quadro 16: Distancia máxima dos condutores de descida pelo nível de segurança.

Fonte: Helio Creder – instalações elétricas 14º edição

O Cabo de descida poderá ser de cobre, alumínio ou aço galvanizado.

A bitola determinada é de cabo de cobre isolado de 35mm2 devido ao tamanho


da estrutura conforme quadro 17.

Quadro 17: Característica do Cabo de descida.

Fonte: Helio Creder – instalações elétricas 14º edição

Eletrodo da terra
É uma das mais importantes partes do sistema de pára- raios. Pela [2], será
aconselhável que a resistência do eletrodo de terra não ultrapasse 5Ω, com o cabo de
descida desligado, devendo ser verificada periodicamente, nunca ultrapassando 10 Ω.
85

Resultado dos Cálculos


Nível de Proteção igual a II, conforme o quadro 26.
Altura do mastro igual a 2 metros
Quantidade igual a 1
Nº de descidas igual a 2

Material a ser adotado conforme dados colhidos nos quadro, 15 e 22


Altura do Captor: 2m
Cabo de Captação Cobre: 35mm2
Cabo de Descida: 35mm2
Cabo de Aterramento: 50mm2
A eficiência do SPDA é de 90 a 95%

Modelo de Cálculo pelo método Eletrogeométrico ou Esfera Rolante


Consiste na determinação do Lugar geométrico dos pontos possíveis de serem
atingidos pela descarga atmosférica.

A distância R em função da corrente Imax de crista e do nível de proteção vai


ser adquirido conforme quadros 19 e 20.

Valor calculado

R = 10 x Imáx 0,65
Onde:
I máx é o Valor de corrente de crista 5KA pelo nível de proteção
R é a distancia em (m)
R = 10 x Imáx 0,65
R = 10 x 50,65
R = 10x 2,84
R = 28,46 m

Traça-se uma linha horizontal à altura R do solo e um arco de circunferência de


raio R com centro no topo do captor, conforme as Figuras 52 e 53. Em seguida, com
centro no ponto de interseção P e raio R, traça-se um arco de circunferência que
atinge o topo do captor e o plano do solo. O volume de proteção é delimitado pela
rotação da área A em torno do captor.

Determinação de proteção dos captores com h≤ R e h > R


86

Figura 52: Volume de proteção do captor h≤R.


A esfera rolante devera ser rolada sobre o solo e os elementos de proteção.
Neste caso a zona protegida é toda a região que não é tocada pela esfera. A esfera
rolante não poderá tocar na edificação.

Figura 53: exemplo da esfera Rolante onde a edificação será protegida.


Fonte: www.tel.com.br e NBR-5419:2005

O valor do raio da esfera rolante calculado é de 28,46m e pelo quadro19 o nível


de proteção escolhido devido a características da estrutura é II, a altura do captor
deverá variar de 21- 30m e a largura do modulo da malha é 10m sendo que o módulo
da malha deverá constituir um anel fechado, com o comprimento não superior ao
dobro da sua largura.
87

Quadro 18: Posicionamento de captores conforme o nível de proteção.

Fonte: NBR- 5419: 2005

Quadro 19: Posicionamento de captores conforme o nível de proteção.

Fonte: NBR- 5419: 2005


88

Quadro 20: Distancia R em função da corrente (Imax).

Fonte: NBR- 5419: 2005

3.2.2.4. Torres de armazenamento de água


Estruturas localizadas dentro da edificação do presídio e que são responsáveis
pela distribuição de água para os blocos. As torres apresentam instalações do SPDA
em precariedade, pois devido a inúmeras rebeliões foram depredados os cabos de
descidas de algumas dessas torres e por uma falta de manutenção quanto a medição
do aterramento dos pára-raios os valores coletados da malha de terra foram muito
alto para os padrões toleráveis. As Figuras 54-58 mostram a estrutura estudada e as
Figuras 65-67 mostram os cabos de descida e o rompimento de um dos cabos até a
terra.

Figura 54: Torre de distribuição de água para os blocos.


89

Figura 55: Seqüência das torres do reservatório secundário responsável pelo


armazenamento de água dos Raios 1, 2, 3,4.

Figura 56: Para raio instalado na Parte superior da torre de guarda.


90

Figura 57: Ponto de descida do cabo que serve para escoar possíveis descargas para
a terra.

Figura 58: Ponto lateral da torre de água onde estes instalados cabos de descida do
para raio.
91

Memória de Cálculo
Serão dimensionadas agora as torres de abastecimento secundário, constituídas
por quatro torres de abastecimento responsáveis por receber da torre de água
principal e abastecer os raios do presídio e da parte administrativa; servindo os presos
e os agentes carcerários. A sua altura não é a maior do presídio mas a segunda maior,
e pela sua importância no abastecimento requer a instalação de pára-raios nesses
locais. Os parâmetros usados para a instalação do modelo Eletrogeométrico (Esfera
rolante), Sistema Isolado são mostrado nos cálculos a seguir.

1) Parâmetros da edificação
C=3 metros (Comprimento)
L=3 metros (Largura)
A=15 metros (Altura)

2) Avaliação do risco de exposição


Ae=Área de exposição
Ae=CL+2CA+2LA+3,14(AxA)
Ae=895,5m2

3) Densidade de descargas para a terra


Ng=Numero de raios para a terra por Km2 por ano
Ng=0,04 x Td1, 25
Td=80 (nº de dias de trovoadas por ano)
Ng=0,04 x 801,25
Ng=9,6 descargas Km2/ano

4) Freqüência média anual previsível de descargas


N=Ng x Ae x 10-6
N=8,6x10-3

5) Fatores de ponderação
A=1,7 (Tipo de ocupação da Estrutura)
B=0,4 (Tipo de construção da Estrutura)
C=1,7 (Conteúdo da estrutura)
D=2,0 (Localização da estrutura)
E=0,3 (Topografia)

6) Np= Valor ponderado de N


Np=N x A x B x C x D x E
Np=5,9x10-3 Desc. / ano
92

Parâmetros da norma
Se NP>= 10-3, A estrutura requer proteção
Se NP<= 10-5, A estrutura não requer proteção
Se 10-3>NP>10-5, A necessidade poderá ser discutida c/ proprietário

7) Conclusão do cálculo
Da mesma forma que nas, a de guarda e a de abastecimento principal, chega-se
a conclusão que NP>10-3 implicando a necessidade proteção.

3.2.3. MODELOS DE PROTEÇÃO A SER ADOTADO (FRANKLIN)

3.2.3.1. Proteção por Pára-Raios


Desde a criação do pára-raios há 200 anos, por Benjamin Franklin, não se
avançou muito nesta área, usando o mesmo dispositivo até hoje. Este dispositivo
(pára-raios) consiste na combinação de 3 elementos básicos: Captores de raio, haste e
Cabos de descida

3.2.3.2. Região Espacial de Proteção


É a zona espacial protegida pelo pára-raios. Se o raio cair nesta zona, ele
preferirá o caminho através do pára-raios. A maior evolução, desde a descoberta do
pára-raios, ocorreu na definição da área protegida (zona espacial protegida).

Há três métodos de definição da área protegida:

a) Método da haste vertical de Franklin;

b) Método da malha ou gaiola de Faraday;

c) Método eletromagnético ou das esferas rolantes.

Modelo de Calculo pelo Método Franklin


Nível de Proteção: II

Tg = 35º
Hc = 17m
93

Usando-se a Equação (3.14), tendo-se:

Rb = Tg do ângulo x Hc
Equação (3.14) 2

“Rb” é igual ao Raio da base do cone de proteção [m]


“Tgα” é igual a tangente do ângulo encontrado no quadro 21
“Hc” é igual a Altura da extremidade do captor, em [m]

Rb = 11,90 m

Resultado dos Cálculos

Nível de Proteção igual a II conforme quadro 17.


Altura do mastro igual a 2 metros
Quantidade igual a 1
Nº de descidas igual a 2

Material a ser Adotado Conforme dados colhidos nos quadros 15 e 22

Altura do Captor: 2 m
Cabo de Captação Cobre: 35mm2
Cabo de Descida: 16mm2
Cabo de Aterramento: 50mm2
A eficiência do SPDA é de 90 a 95%

O posicionamento de captores conforme o nível de proteção adotado II consiste


em determinar o volume de proteção por um cone, cujo ângulo de geratriz com a
vertical varia segundo o nível de proteção desejado e para uma altura da torre de
armazenamento de água de 15m o ângulo de proteção as descargas atmosféricas para
a altura da torre é de α = 35º; conforme quadro 18.

A Figura 59 é a própria Figura 50 e foi colocada aqui para facilitar a


visualização.
94

Figura 59: Indica os parâmetros para a aplicação do método de Franklin.


Fonte: Helio Creder – instalações elétricas 14 edição

Ponta do Captor
É a parte mais elevada do para raios, destinada a receber a descarga pelo efeito
das pontas. O método escolhido foi a de varias pontas.

Haste Metálica
É a parte a qual se liga a ponta ou captor. É fácil compreender que, quanto mais
alta a haste, maior será a proteção, porém elevar muito significa dificultar a
instalação ou, em outras palavras, encarecer.

Foi escolhido o comprimento da haste de 2 metros, diâmetro da haste 30 mm e


peso de 8 kg, conforme quadro 15.

Isolador
Pode ser de modo industrial normal e do tipo exterior para 10.000volts [12].

Braçadeira
Deve ser também do material de boa condutibilidade, destinado a fixar o cabo
de descida até a haste

Cabo de descida ou Escoamento

O critério para determinar o número de descidas para o SPDA externo é em função


95

do perímetro e do nível de proteção, ou seja, calcular o perímetro da torre de caixa de


água secundaria e dividir pelo espaçamento definido pelo nível de proteção.

Usando a Equação (3.15), tem-se;

Nd = P/ Dd
Equação (3.15) 2

onde:
“Nd” igual ao numero de condutores de descida;
“P” igual ao perímetro da construção, em [m]
“Dd” igual a distância entre os condutores de descida, conforme quadro 16.
Como:
P é igual ao perímetro de um retângulo de 12 m
Dd igual ao valor dado pelo quadro 16 onde o valor da descida é de 15 m.

Portanto:

Nd = 0,8 m

Caso Nd resulte um valor inferior a 2, deverão ser adotadas no mínimo duas


descidas, diametralmente opostas, com a intenção de dividir as correntes e melhorar
o desempenho da proteção.

Eletrodo da terra
É uma das mais importantes partes do sistema de pára-raios. Pela [2], será
aconselhável que a resistência do eletrodo de terra não ultrapasse 5Ω, com o cabo de
descida desligado, devendo ser verificada periodicamente, nunca ultrapassando 10 Ω.
96

3.2.3.3. Tabelas de Dimensionamento

Quadro 21: Pelo nível de proteção encontra o raio de proteção.

Fonte: NBR – 5419:2005

Quadro 22: Cabos a ser adotados.

Fonte: Creder instalações elétricas 14º edição

Quadro 23: Seleção do Nível de Proteção conforme a classificação da estrutura.

Fonte: Creder instalações elétricas 14º edição

As Figuras 60, 61, 62, 63 e 69 estão relacionados à medição da resistência de


aterramento; ilustrando-a.
97

Figura 60: Instrumento de medição da resistência do aterramento.

Figura 61: Valor de resistência sendo registrado pelo equipamento.


98

Figura 62: Fazendo a medição da resistência do aterramento de uma das torres de


armazenamento de água do presídio.

Figura 63: Registrando o valor da resistência do aterramento em uma das torres da


guarda.
99

Figura 64: Para raio Franklin instalado em uma das torres de armazenamento de
água.

Figura 65: Cabo de descida do para raio onde foi medida uma das resistividades do
aterramento.
100

Figura 66: Ponto onde estava à ligação do cabo do para raio até a terra. O cabo foi
cortado fazendo com que o para raio não tenha nenhuma funcionalidade de proteção.

Figura 67: Uma da haste de medição aterrada para coleta de dados.


101

Figura 68: Vista da torre da guarda no momento da troca de turno.

Figura 69: Local das medições da resistência do aterramento de umas das torres de
guarda.
102

4. ANÁLISE / RECOMENDAÇÕES

Na análise realizada através de cálculos referente à aplicação de hastes com


características físicas iguais, mas com três maneiras diferentes de arranjo das hastes
ficou evidente os valores diferenciados dos resultados, onde a instalação das hastes
em quadrado vazio teve menor valor de resistividade de aterramento e, portanto, esta
formação de hastes pode ser aplicada no aterramento dos pára-raios a vir ser
instalados no presídio.

Pelo fato do presídio ser uma estrutura de grande porte em relação ao seu
tamanho a aplicação de interligação da malha de aterramento entre as estruturas em
um só ponto da terra poderá ficar inviável economicamente, pois a distância é muito
grande entre os pontos onde estão instalados os pára-raios. Por isso uma boa
instalação de malha de aterramento, com ter o valor de resistência da malha abaixo
de 10Ω, vai contribuir para a eficiência dos SPDA instalados nas edificações.

Recomenda-se, portanto, para cada pára-raios, duas malhas de aterramento com


as hastes em quadrado vazio, uma malha associada a cada descida ou escoamento;
interligada entre si.
103

CONCLUSÃO

No contexto geral de qualquer instalação de um sistema de proteção contra


descargas elétricas a instalação correta tem alto grau de importância, merecendo
atenção e análise de todas as situações possíveis para a instalação de um SPDA.
Dessa forma, foram realizadas medições, nos aterramentos existentes dos pára-raios
do presídio e foram propostos alternativas de implantação de modelos diferentes. Foi
comprovado, através de cálculos, a eficiência destes modelos matemáticos de
aterramento para averiguar a verdadeira eficiência de funcionamento dos pára- raios
lá existentes.

O valor de aterramento encontrado entre o posicionamento das hastes, para o


aterramento das estruturas foi constatado que entre os métodos mais adequado as três
situações propostas foi a do quadrado vazio onde seu valor de aterramento é de
9,35Ω. E o Modelo de implantação de instalação de pára-raios pode ser o modelo
franklin, mas com duas descidas para o terra.

Obedecendo a essas premissas é possível obter um projeto de sistema de


proteção contra descargas atmosféricas seguro, executável e com otimização dos
custos mantendo a segurança do patrimônio e principalmente das pessoas que é o
papel primordial de qualquer sistema de aterramento e para raio.
104

5. BIBLIOGRAFIA

[1] - ABNT, NBR 5419/2005. Proteção das Estruturas Contra Descargas


Atmosféricas. Rio de Janeiro, 2005.

[2] - ABNT, NBR 5410/1997. Instalações Elétricas de Baixa Tensão. Rio de


Janeiro, 1997.

[3] - COTRIN, Ademaro A. M. B. Instalações Elétricas. 3ª ed., São Paulo:


Makron Books, 1992.

[4] - DIAS, E. Riscos provocados por descargas atmosféricas em função da


falta da implantação de um sistema de proteção eficiente. 2004. 66 f. Monografia
(Especialização em Segurança do Trabalho) – Faculdade de Arquitetura, Engenharia
e Tecnologia, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, 2004.

[5] - COUTINHO, Fernando N. Projeto final de graduação - Levantamentos de


estruturas que necessitam de SPDA na UnB e analise de seus efetivos de
proteção

[6] - KINDERMANN, Geraldo & CAMPAGNOLO, Jorge Mário. Aterramento


Elétrico. 4ª Ed – Porto Alegre, 1998.

[7] – Silva, Uyrè B. D.Silva. – Estudos dos métodos de Calculo de malha de terra
sob a ótica da segurança das Edificações. Monografia (Especialização Engenharia
Segurança do trabalho).

[8] - PROCOBRE – Sistema de Proteção Contra Descarga Atmosférica. São


Paulo: VICTORY, 2003. Disponível em: htpp:\\www.procobrebrasil.org. Acessado
em: 14 maio. 2006.

[9] - Alves, Normando V.B. Disponível em htpp:\\www.tel.com.br diretor-técnico da


Termo técnica.

[10] - Centro de Pesquisas Ecos-Naturais - CEPEN/SP ,2000

[11] - ABNT, NBR 5419/2001. Proteção das Estruturas Contra Descargas


Atmosféricas. Rio de Janeiro, 2001.
[12] - Helio Crder, Instalações Elétricas. 14º edição – Rio de Janeiro, 1999
105

[13] – ABNT, NBR 6524. Fios e Cabos de cobre duro e meio duro (CA).

[14] - ABNT, NBR13571. Haste de Aterramento aço-cobreada e acessórios.


[15] - IEC62305-1. - International Standard for Protecion 1º edição 2006-1

[16] - DUARTE, Joacy – Sistema de aterramento único e os aspectos da


proteção de pessoas e equipamentos através da sua correta concepção. 2002. 78
f. Monografia (Especialização em Segurança do Trabalho) – Faculdade de
Arquitetura, Engenharia e Tecnologia, Universidade Federal de Mato Grosso,
Cuiabá, 2002.

[17] - UERJ – MEM – C. O. Araujo – 2002 – 2º semestre – Manuais - Terrômetro


Analógico - MTR-1505

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