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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE INTITUTO DE ENSINO Á


DISTÂNCIA

Contribuições da geografia para a Educação Ambiental, estudo do caso Escola Secundária


Heróis Moçambicanos de Moatize (2016-2017)

Lucrécia José Araújo

Tete, Abril, 2020


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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE INTITUTO DE ENSINO Á


DISTÂNCIA

Contribuições da geografia para a Educação Ambiental, estudo do caso Escola Secundária


Heróis Moçambicanos de Moatize (2016-2017)

Lucrécia José Araújo - 708161016

Monografia científica apresentada ao centro de


ensino a distância da UCM, para obtenção do
grau académico de licenciatura em ensino de
geografia

Supervisor: Rogério Afonso Chinhane.

Tete, Abril, 2020


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Sumário
DECLARAÇÃO ........................................................................................................................ iv
AGRADECIMENTOS ............................................................................................................... v
DEDICATÓRIA ........................................................................................................................ vi
LISTA DE SIGLAS ................................................................................................................. vii
LISTA DE GRÁFICOS ...........................................................................................................viii
RESUMO .................................................................................................................................. ix
CAPÍTULO:I – Introdução....................................................................................................... 10
1.1. Delimitação do tema .................................................................................................. 11
1.2. Problematização ......................................................................................................... 11
1.3. Objectivos .................................................................................................................. 11
1.3.1. Objectivo Geral................................................................................................... 11
1.3.2. Específicos .......................................................................................................... 12
1.4. Hipóteses .................................................................................................................... 12
1.4.1. Hipóteses ............................................................................................................ 12
1.4.2. Questões de pesquisa .......................................................................................... 12
1.5. Relevância do estudo ................................................................................................. 12
CAÍTULO – II: Revisão da Literatura ..................................................................................... 14
2. Conceito de Geografia ....................................................................................................... 14
2.1. Educação ambiental ................................................................................................... 15
Importância da Geografia na Educação ambiental ............................................................... 29
CAPÍTULO – III: Metodologia ................................................................................................ 34
3.1. Tipo de pesquisa ............................................................................................................ 34
3.2. Método de abordagem ............................................................................................... 34
Método bibliográfico ............................................................................................................ 35
Método de observação directa ........................................................................................... 35
Método dedutivo ............................................................................................................... 35
Técnica de entrevista ......................................................................................................... 36
Técnica de questionário ..................................................................................................... 36
3.3. População em estudo e amostragem .......................................................................... 36
Tamanho da amostra ............................................................................................................. 37
CAPÍTULO-IV: Apresentação e análise de dados ................................................................... 37
CAPÍTULO-V:Discussões dos resultados ............................................................................... 44
6.1. Conclusões ..................................................................................................................... 48
6.2. Recomendações ............................................................................................................. 49
7. Referências Bibliográficas ................................................................................................ 50
APÊNDICES ............................................................................................................................ 52
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DECLARAÇÃO
Declaro que este trabalho, cujo tema “Contribuições da Geografia para a educação
ambiental, estudo do caso Escola Secundária Heróis Moçambicanos de Moatize’’ constitui o
resultado da minha investigação pessoal, sob orientação do meu supervisor, estando indicadas
no texto as referências bibliográficas por mim utilizadas para elaboração do devido trabalho,
retiradas da internet.
Declaro ainda que o mesmo nunca foi apresentado na sua essência para obtenção de qualquer
grau académico.

Nome da autora
________________________________
(Lucrência José Araújo)
v

AGRADECIMENTOS
Agradeço em primeiro lugar ao senhor Deus pela vida, saúde, disposição, capacidade e
inteligência.
Ao meu supervisor Dr. Rogério Afonso Cuinhane, o supervisor do trabalho, por tudo quanto
fez para que o mesmo fosse concluído. A sua incansável vontade, paciência, exigência,
supervisão, foram os principais instrumentos por ele usados. Obrigado Dr!

Aos meus colegas da turma, aos familiares a todos os que por via directa ou indirecta,
contribuíram para este trabalho. E a todos os que de formadirecta ou indirecta deram seu
contributo durante os 4 (quatro) anos de formação.

Muito Obrigada a todos!


vi

DEDICATÓRIA
A Meus filhos Osvaldo e Ananilde, vocês são os melhores amigos e sempre presentes. É por
vocês que luto e dou tudo quanto tem sido possível ao meu alcance.

A minha mãe, meu pai, irmãos e toda a família. A vossa educação tão ‘’rígida’’ fez de mim a
mulher que sou hoje.
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LISTA DE SIGLAS
UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
NE – Estrada Nacional.
MAE – Ministério de Administração Estatal.
EA – Educação Ambiental
CMMAD – Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento.
PNS – Parâmetros Curriculares Nacionais.
LDB – Lei de Diretrizes e Bases.
GH – Geografia Humana.
ONG – Organização Não Governamental.
PIEA – Programa Internacional de Educação Ambiental.
PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
UNCED - United Nations Conferenceon Environment and Development
PNC – Plano Nacional de Cultura
UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais
AAS – Amostragem Aleatória Simples
ES – Ensino Secundário
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LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1: Descrição do número dos inquiridos.......................................................................28
Gráfico 2: Nível académico dos professores............................................................................28
Gráfico 3: Análise sobre a situação ambiental de Moatize.......................................................29
Gráfico 4: Abordagem dos conteúdos de EA para professores................................................29
Gráfico 5: Respostas de alunos sobre a abordagem de conteúdos de EA.................................30
Gráfico 6: Relação entre a Disciplina de Geografia com a Educação Ambiental (para
professores)…………………………………………………………………………………...30
Gráfico 7: Respostas sobre a relação entre a Geografia com a Educação Ambiental...............31
Gráfico 8: Respostas dos inquiridos, sobre a influência da insuficiência da informação
relacionada ao mal que afecta o ambiente.................................................................................32
Gráfico 9: Respostas sobre o fluxo da informação sobre a EA dadas pelos professores..........32
Gráfico 10: Respostas sobre a quinta questão dadas pelos alunos............................................33
Gráfico 11: Medidas de mitigação dos problemas ambientais a partir de conhecimentos de
Geografia……………………………………………………………………………………...3
ix

RESUMO
O ensino de Geografia deve permitir aos educandos uma análise crítica da realidade, pois
estes devem se colocar de forma propositiva diante dos problemas enfrentados na família, na
comunidade, no trabalho, na escola e nas instituições das quais participam. Dessa forma, tem-
se uma tomada de consciência sobre as responsabilidades, os direitos e deveres sociais, com o
intuito de tornar o aluno agente de mudanças desejáveis para a sociedade. A pesquisa cujo
tema a contribuição da Geografia para a educação ambiental, decorreu na Vila de Moatize,
sobre tudo na Escola Secundária Heróis Moçambicanos, tendo tido como objectivoAnalisar a
contribuição da Geografia para a Educação ambiental na Escola Secundária Heróis
Moçambicanos de Moatize. Para a execução, foram utilizadas como metodologias: a pesquisa
bibliográfica, observação directa, o método dedutivo, técnica de entrevista e o questioário de
inquérito. Como resultados, a influência da insuficiência de informações inerentes à EA, ficou
claro e preocupante ainda quando grande parte dos inquiridos não sabe se a falta de
informação sobre um determinado assunto, pode influenciar negativamente na educação. Dos
200 inquiridos para o estudo, cerca de 87 responderam seguramente que sabiam da influência
de insuficiência de informações e os restante responderam duvidosamente e outros ainda não
responderam e nem sabem. Os resultados obtidos nesta pesquisa de campo, mostraram que os
professores tem noção de que aquilo que por eles é transmitido e que se relaciona com a vida
do quotidiano, não é discutido ou transmitido aos encarregados que tanto precisam da
informação tendente a preservação do maio ambiente. Isso contribui negativamente para as
práticas ambientais, pois, a falta de noção das consequências das acções humanas contra o
meio ambiente, pode aumentar ao invés de diminuir.
Palavras-chave: Ensino de Geografia, Educação ambiental, Contribuição da Geografia
10

CAPÍTULO:I – Introdução
A humanidade passa por uma crise ambiental que tem se agravado ao longo do tempo. A
partir do momento que o homem deixou de ser nômade e passou a se alocar em um ponto e
começou a transformar o ambiente ao seu redor, a natureza passou a sofrer. Com o aumento
exponencial da população mundial e a industrialização, os efeitos nocivos que o ser humano
causa com suas ações à natureza se intensificaram, o que levou a nosso quadro atual, quase
irreversível. A transformação do meio ambiente pelo Homem começa a preocupar a ele
próprio devido às consequências desta transformação. Por este e outros motivos, o problema
ambiental acaba conhecendo vários ramos científicos, dentre eles, a Geografia.

A essência da ciência geográfica passava pela discussão entre a sociedade e o meio ambiente,
relevando os aspectos físicos como o solo, a água, a atmosfera e os imprescindíveis aspectos
humanos, como a sociedade, a economia, a cultura e a política. A Geografia assim seria a
ciência do meio ambiente humano, capaz de produzir um discurso eminentemente político do
meio ambiente, sem dispensar os outros fatores citados (GEORGE, 1973 e 1989).

A UNESCO em seu relatório (2011, p. 15) afirma:


Para poder dar resposta ao conjunto das suas missões, a educação deve
organizar-seem torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de
toda vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do
conhecimento: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver junto,
aprender a ser.

A presente Monografia cujo tema é: “Contribuições da Geografia para a educação


ambiental, estudo do caso Escola Secundária Heróis Moçambicanos de Moatize”, terá
como objectivo: conhecer as contribuições da Geografia na Educação ambiental, junto dos
alunos e professores da Escola Secundária Heróis Moçambicanos de Moatize.
O trabalho terá a seguinte estrutura:
O trabalho ésta dividido em cinco capítulos: Iº-Introdução, IIº-Revisão da Literatura, IIIº-
Análise e interpretação dos resultados, IVº-Discussões, Vº-Recomendações e Conclusões.
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1.1. Delimitação do tema


A pesquisa foi desenvolvida na Vila de Moatize, na Escola Secundária Heróis Moçambicanos,
no período compreendido entre 2016 à 2017.

1.2.Problematização
Constitui o problema central desta pesquisa: conhecer as contribuições da Geografia na
educação ambiental, dado que os problemas relacionados com o ambiente, tem como ponto de
partida, a falta de conhecimento sobre a importância da Geografia na contribuição da
educação ambiental.

Tem se verificado a falta de conhecimentos sobre a educação ambiental nas sociedades


actuais e este problema torna-se mais grave ainda quando se busca conhecer o espaço da
formação (escola) onde o aluno adquire conhecimentos básicos sobre o meio ambiente,
através da disciplina de Geografia, que posteriormente se desvinculou em outras áreas de
ensino (Ecologia, Gestão ambiental, entre outros).

A integração pedagógica entre a Educação Ambiental e a Geografia, representa uma forma


eficaz de inserção da Educação Ambiental na escola, pois a ciência geográfica ao estudar a
relação homem-meio e as interligações entre os fenômenos físicos e humanos fornece
subsídios teóricos para se discutir as questões ambientais. Ademais, a integração dessas duas
áreas do conhecimento possibilita a intensificação das discussões sobre as questões
ambientais, superar a desvalorização e “crise da Geografia escolar” (Straforini, 2008, p. 46) e
conscientizar ambientalmente os educandos sobre o papel dos indivíduos na sociedade frente
à natureza, buscando a manutenção de um meio ambiente equilibrado e a conservação
ambiental. Face a este pressuposto, pode se colocar a seguinte questão:
Como a Geografia pode contribuir na educação ambiental na Escola Secundária Herois
Moçambicanos de Moatize?

1.3. Objectivos
1.3.1. Objectivo Geral
 Avaliar a contribuição da Geografia para a EA na Escola Secundária Heróis
Moçambicanos de Moatize.
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1.3.2. Específicos
 Explicar o contributo da Geografia na EA;
 Destacar a importância da Educação ambiental para a os alunos e a população do
Distrito de Moatize em geral.
 Propor sugestõesde conciliação entre a teoria e prática face ao reconhecimento do
impacto da educação ambiental a partir do ensino de Geografia.

1.4. Hipóteses
1.4.1. Hipóteses
 Conhecendo a contribuição do ensino de Geografia na educação ambiental, pode
ajudar a melhorar os problemas que afectam o meio ambiente e motivar os alunos a
apostarem na área da Geografia.
 O ensino de Geografia pode através de vários conteúdos, melhorar a relação dos
alunos e a comunidade com o meio ambiente com recurso a palestras, acções práticas,
entre outros meios.

1.4.2. Questões de pesquisa


 Qual é a importância da EA para a sociedade em geral e em particular a População de
Moatize?
 Quais são as medidas de conciliação entre a teoria e a prática face ao reconhecimento
do impacto da educação ambiental a partir do ensino de Geografia?

1.5. Relevância do estudo


O assunto em questão é de alto enfoque para a vida social dos cidadãos em geral cujo foco vai
para o grupo que carece de conhecimentos prévios sobre o tema. Os problemas ambientais
surgem como consequência, por um lado, da falta de uma boa EA, alimentada de
conhecimentos básicos da disciplina de Geografia, por outro lado, a falta de palestras quer nas
escolas, quer na comunidade. O reconhecimento da contribuição da Geografia na EA, pode
contribuir para o bem-estar da população através da escolha de temas da mesma natureza que
estimulem o gosto pelo estudo, trazendo as melhores propostas para a solução dos problemas.
Trata-se de um problema que remota há anos cuja solução depende do próprio Homem. Por
isso a necessidade do estudo da Geografia, pois, esta é a base do conhecimento sobre o meio
ambiente.
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No âmbito social, esta pesquisa irá proporcionar a melhoria da vida social das pessoas ao
serem informados da importância da disciplina de Geografia o que poderá proporcionar a boa
gestão d ambiente em que vivem no que diz respeito a vários fenómenos, dentre eles, a
poluição através de resíduos sólidos nos ambientes (aquático aéreo e terrestre), bem como a
urbanização que para a sua efectivação.O tema tem relevância, pois busca estimular uma
consciência socioambiental no ensino da Geografia através da Educação Ambiental, assim
busca formar cidadãos conscientes para a proteção do meio ambiente.

Na área académica, o estudo vai motivar aos estudantes na criação do interesse na matéria,
procurando responder os de mais problemas ligados a área de modo a propor medidas para o
melhoramento, através de projectos, pesquisas, artigos ou através de monografi
14

CAÍTULO – II: Revisão da Literatura


2. Conceito de Geografia
A Geografia é uma disciplina que instiga no aluno o observar, analisar, interpretar e pensar
criticamente a realidade, visando sua transformação. Restringindo a Educação Ambiental a tal
saber pode-se dizer que quase todos os conteúdos previstos em torno do Meio Ambiente
podem ser abordados pelo olhar da Geografia. Assim sendo, suscita a necessidade de
discussão e de reflexão quanto à relevância do ensino da Geografia na educação atual e na
Educação Ambiental em particular, (Paixão, 2010 p2).

A Geografia é uma ciência que se dedica ao estudo das relações entre a sociedade e
a natureza, e as mudanças realizadas pelas sociedades estabelecendo novos valores
sociais, criando novos espaços geográficos. Também estuda a distribuição dos
fenômenos físicos, biológicos e humanos, as causas desta distribuição e as relações
locais desses fenómenos. Nessa perspectiva, esta disciplina instiga no aluno o
observar, analisar, interpretar e pensar criticamente a realidade, visando sua
transformação. Sabendo que essa realidade é uma totalidade que envolve sociedade
e natureza, cabe a Geografia levar a compreender o espaço produzido pela sociedade
em que vivemos, relacionando suas desigualdades e contradições, bem como as
relações de produção que nela se desenvolvem e a apropriação que essa sociedade
faz da natureza (Paixão, 2010 p11).

Entre as definições que marcaram o pensamento geográfico está o positivismo com o primeiro
método para a sua apreensão. De tradição empirista inglesa, esse método consolidou o escopo
da Geografia Tradicional postulando a descrição, a enumeração, a classificação e conotação
acentuada dos aspectos físicos referentes ao espaço numa perspectiva neutral, atemporal,
desprovida de gênero, classe ou conotação política (Moraes, 1987). Tal situação ensejou
dualismos no campo da ciência distanciando o objeto das ciências naturais aos das ciências
sociais, dado que adquiriu status de credibilidade científica que perpassaram por todo o
pensamento geográfico tradicional: Geografia Física, Geografia Humana, Geografia Regional.
Os postulados positivistas levaram a geografia a buscar sua validação no empirismo e, na
constante verificação de hipóteses construídas e comprovadas a partir de métodos específicos
e correntes distintas do pensamento baseadas na construção de leis gerais e irrefutáveis, a fim
de evitar o verbalismo e o erro. A partir de meados dos anos 60 se engendram novas
perspectivas e/ou abordagens à Geografia, a Fenomenologia, o Estruturalismo, o
Neopositivismo, e o Marxismo entre outros possibilitaram adentrar na complexidade das
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relações entre sociedade e meio ambiente, tanto no âmbito dos lugares como nas escalas
planetárias.

Durante os anos 70, a discussão em torno do meio ambiente se torna profícua, nesse momento
buscando desvendar as diferentes formas e métodos de compreender a problemática
ambiental. Durante todo esse período, as discussões mais significativas foram em torno da
clássica separação da Geografia Física e da Geografia Humana, pois perpassaram por revisões
significativas em seus postulados científicos e incorporaram conteúdos de interdependência
entre natureza, práticas sociais, relações imaginárias, ideologias subjacentes e culturas
envolvidas Gonçalves, (1989, p26).

A Geografia deve emanar de problemáticas em que situações conflituosas, decorrentes da


interação entre a sociedade e a natureza, explicitem degradação de uma ou de ambas. A
diversidade das problemáticas é que vai demandar um enfoque mais centrado na dimensão
natural ou mais na dimensão social, atentando sempre para o fato de que a meta principal de
tais estudos e ações vai na direção da busca de soluções do problema, e que este deverá ser
abordado a partir da interação entre estas duas componentes da realidade, Mendonça, (2002,
p134).

2.1.Educação ambiental
Meio ambiente é o "conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física,
química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas [...], o meio
ambiente é um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em
vista o uso coletivo”, Brasil, (1981).

Na definição a cima, estão contidos os elementos físicos (a terra, o ar, a água), o


clima, os elementos vivos (as plantas, os animais, os homens) e também os culturais
(os hábitos, os costumes, o saber, a história de cada grupo, de cada comunidade).
Sendo assim, o meio ambiente é a interação entre os meios físico, biológico e
socioeconômico e engloba a maneira como os elementos naturais são tratados pela
sociedade, ou seja, como as atividades humanas interferem com estes elementos,
bem como as interações destes elementos entre si, e entre eles e as atividades
humanas. Assim entendido, o meio ambiente não diz respeito apenas ao meio
natural, mas também às vilas, cidades, todo o ambiente construído pelo homem
Neves e Tostes, (1992, p17).
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No sentido ambiental, educação ambiental é definida como um instrumento pelo qual “o


indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e
competências voltadas para a conservação do meio ambiente”, Brasil, (1999, p47).

Na contemporaneidade o planeta encontra-se em plena crise socioambiental Leff, (2012),


consequência, entre outros fatores do modo predatório de consumo e produção, de excedentes
da sociedade que ocasiona a degradação ambiental e o desequilíbrio do meio ambiente. Como
meio, de levantar o debate sobre as questões socioambientais, tem-se a Educação Ambiental,
principalmente no espaço escolar, pois representa o lócus da formação de indivíduos,
intelectual e cidadã.

A integração pedagógica entre a Educação Ambiental e a Geografia, representa uma forma


eficaz de inserção da Educação Ambiental na escola, pois a ciência geográfica ao estudar a
relação homem-meio e as interligações entre os fenômenos físicos e humanos fornece
subsídios teóricos para se discutir as questões ambientais. Ademais, a integração dessas duas
áreas do conhecimento possibilita a intensificação das discussões sobre as questões
ambientais, superar a desvalorização e “crise da Geografia escolar” Straforini, (2008, p46) e
conscientizar ambientalmente os educandos sobre o papel dos indivíduos na sociedade frente
à natureza¹, buscando a manutenção de um meio ambiente equilibrado e a conservação
ambiental.

A valorização da vida, a preocupação com as gerações futuras, o cuidado com o


meio, a conservação e preservação dos recursos naturais, o desenvolvimento de
novas formas de pensar a realidade, o estabelecimento de novas solidariedades, entre
outros, são valores amplos que podem - e devem ser desenvolvidos num contínuo,
dentro e fora da escola. Penso que isso é educar, e embora estes valores sejam
fundamentais e devam sempre estar em evidência, só encontraram espaço a partir
das reivindicações dos movimentos sociais por um mundo mais justo e equilibrado
Straforini, (2008, p46).

A educação ambiental, como apresentada atualmente, em forma de manuais, livros,


diretrizes governamentais, nos âmbitos formais e informais, é algo recente. Para
compreender a origem da temática ambiental no interior das escolas e outras
instituições preocupadas com educação e formação, é preciso compreender como
seus conteúdos passaram a ser motivo de preocupação pela população mundial como
um todo, e tornaram-se prioridade nas agendas políticas de todas as sociedades
Straforini, (2008, p49).
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Temos como principal dado e marca da educação ambiental o fato dela não ser um tema
específico da educação, do ensino, do pedagógico, e sim de ter surgido nos movimentos
sociais, com uma diversidade muito grande de interpretações, correntes, cujo corpo teórico
não está ainda estabelecido, pois trata-se de um campo em que há mais questões que
respostas, já que tudo está emergindo. Esse dado é importante, pois justifica as mais diversas
correntes que compõem essa temática. O que seria então educação ambiental?
Uma destruição que não é recente, e não se trata de exagero a afirmação de que na
história humana a destruição esteve sempre presente. Porém, como destaca o autor, a
questão que surge a partir do século XX é relativa ao avanço das formas de
destruição, culminando com a criação de armas nucleares e de uma sociedade de
consumo de dimensões planetárias. Juntam-se a este quadro o aumento do consumo
das camadas dominantes e dominadas e os padrões individualistas, impostos pelas
forças hegemônicas e pelos modelos de sociedade padronizados, compondo uma
força de degradação que detonou, a partir dos anos 60, o despertar da consciência
ecológica Leff, (2012, p62).

É interessante destacar, a partir das leituras, alguns aspectos identificados como fortalecedores
dos movimentos ecológicos que começam a se organizar a partir de então, como a urgência e
a pertinência das discussões, devido aos problemas próprios de nossa época, e o caráter
universal apresentado por estes movimentos Leis, (1991, p58), pois seus valores e interesses
ultrapassam fronteiras de gênero, idade, classe, raça, crença. Além disso, a questão ambiental
é uma dimensão que deve estar presente na reflexão global sobre a sociedade, por isso seu
caráter imprescindível na criação de novas organizações sociais.

Nesta revisão, não tive a intenção de me ater à organização dos movimentos ecológicos, e sim
de destacar alguns aspectos relevantes para traçar um paralelo entre a importância das
questões apresentadas e seu legado para a educação ambiental, como dito anteriormente.Nesse
sentido, penso ser importante destacar o que propõe o movimento ecológico de forma ampla:

“Diante do quadro de exacerbada degradação social e ambiental em escala


planetária, o movimento ecológico propõe um novo sistema de valores sustentado no
equilíbrio ecológico, na justiça social, na não-violência ativa e na solidariedade
diacrônica com as gerações futuras.” (Viola, 1990).

Nos escritos de Gliessman, (2000, p38), encontramos elementos bastante interessantes para
discutir a importância da Geografia, além de contribuições para a elaboração de práticas em
18

educação ambiental que considerem as especificidades locais. O autor faz uma classificação
das preocupações ambientais mundiais de acordo com a divisão do planeta em primeiro,
segundo e terceiro mundos, uma compartimentação que apresenta limitações, pois esse texto
foi escrito há algum tempo. Porém, ele se apresenta como interessante exercício de análise na
medida em que nos permite pensar essas questões mundialmente, bem como refletir sobre o
papel e os posicionamentos dos países e das sociedades, para pensar na contribuição da
educação ambiental, partindo da realidade local e tendo sempre em consideração a perspectiva
global. De acordo com o autor:

“Os problemas de degradação ambiental enfrentados pelos ecologistas do primeiro e


terceiro mundos são de similar natureza, mas os problemas de degradação social são
profundamente diferentes: no primeiro mundo a grande maioria da população tem
resolvida a satisfação das necessidades materiais básicas... no Terceiro Mundo, a
maioria da população vive em condições miseráveis. Por isto, os problemas de
degradação sócio-ambiental são muito mais graves no Terceiro Mundo do que no
primeiro. Nessa perspectiva, o autor destaca os processos de degradação social, o
consumo exacerbado nos países desenvolvidos e a miséria dos países em
desenvolvimento, que se apresentam como desafios distintos para a educação
ambiental. Nos primeiros, a tarefa do movimento ecológico seria desencadear um
processo de educação ambiental generalizada, que tornasse possível a incorporação
de valores pós materialistas pela maioria da população, com o controle na
satisfação das necessidades materiais. Já nos países em desenvolvimento, a tarefa
seria auxiliar a promoção de um desenvolvimento ecologicamente autossustentado e
socialmente justo, equilibrando o consumo entre as massas pobres e as classes
médias Gliessman, (2000, p160-204).

É importante destacar que o conceito de educação ambiental não é fechado e definido.


Segundo Dias (1991, p98), “a evolução destes conceitos está diretamente relacionada à
evolução do conceito de meio ambiente e ao modo como este é percebido”. Podemos afirmar
que a Conferência de Estocolmo, em 1972, foi um marco nesta evolução, pois a partir de
então as perspectivas social e econômica passaram a integrar a temática ambiental.
Observando as diversas definições de educação ambiental formuladas até o momento,
encontramos posições que se completam e que parecem indicar que esta é um recorte da
educação em seu sentido amplo, é parte de um projeto maior para a formação integral dos
seres humanos.
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Vejamos algumas delas:“... dimensão dada ao conteúdo e à prática da educação, orientada


para a resolução dos problemas concretos do meio ambiente, através de um enfoque
interdisciplinar e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da
coletividade", Conferência de Tbilisi, 1977).

“... preparação de pessoas para sua vida, enquanto membros da biosfera"


Meadows, 1989. “... muitas vezes o papel da educação ambiental foge até um
pouco do âmbito do meio ambiente ao ajudar a formar o cidadão responsável,
que respeita e cuida da comunidade dos seres vivos." (Oliveira, 1998).

A Educação Ambiental se tornou uma fonte importante do conhecimento como ciência social,
implicando diretamente nas transformações mundiais, que se dão, no caráter da espacialidade
de toda prática social onde há uma dialética entre o homem e o lugar, pois este espaço
contribui para a formação do ser humano, contudo isto provoca alterações e transforma o
espaço. Essa dialética deve ser compreendida pelos alunos para que possam tomar consciência
de que eles e toda a sociedade são agentes no espaço, ou seja, são sujeitos das transformações
ocorridas no lugar onde vivem, ou não. Este espaço se refere tanto à realidade micro (sua rua,
seu bairro e a região), quanto no macro (sua cidade, seu estado, país e continente), sendo
necessário analisar suas estruturas (Paixão, 2010 p57).

Cabe à Geografia apropriar-se do seu papel, estudo do homem, do meio e das relações
estabelecidas no espaço geográfico, para evidenciar a importância de cada indivíduo no
contexto social em que está inserido. Assim, poderemos formar cidadãos conscientes e
capazes de actuar no presente e ajudar a construir o futuro, pois exercer a cidadania é ter o
sentimento de pertencer a uma realidade em que as relações entre a sociedade e natureza
formam um todo integrado, do qual fazemos parte. Portanto, precisamos nos perceber como
participantes, responsáveis e comprometidos historicamente com os valores humanísticos,
Paixão, (2010 p57).

Para Fernández (1998), as reflexões sobre o estado atual do processo ensino-aprendizagem


nos permite identificar um movimento deidéias de diferentes correntes teóricas sobre a
profundidade do binômio ensino e aprendizagem.

Entre os fatores que estão provocando esse movimento podemos apontar as contribuições da
Psicologia atual em relação à aprendizagem, que nos leva a repensar nossa prática educativa,
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buscando uma conceptualização do processo ensino-aprendizagem. As contribuições da teoria


construtivista de Piaget, sobre a construção do conhecimento e os mecanismos de influência
educativa têm chamado a atenção para os processos individuais, que têm lugar em um
contexto interpessoal e que procuram analisar como os alunos aprendem, estabelecendo uma
estreita relação com os processos de ensino em que estão conectados.

Os mecanismos de influência educativa têm um lugar no processo de ensino-


aprendizagem, como um processo onde não se centra atenção em um dos aspectos
que o compreendem, mas em todos os envolvidos. Se analisarmos a situação atual da
prática educativa em nossas escolas identificaremos problemas como: a grande
ênfase dada a memorização, pouca preocupação com o desenvolvimento de
habilidades para reflexão crítica e autocrítica dos conhecimentos que aprende; as
ações ainda são centradas nos professores que determinam o quê e como deve ser
aprendido e a separação entre educação e instrução. A solução para tais problemas
está no aprofundamento de como os educandos aprendem e como o processo de
ensinar pode conduzir à aprendizagem, Fernandez, (1998, pag2).

A concepção defendida aqui, segundo Fernandez (1998 pag5), é que o processo de ensino-
aprendizagem é uma integração dialética entre o instrutivo e o educativo que tem como
propósito essencial contribuir para a formação integral da personalidade do aluno. O
instrutivo é um processo de formar homens capazes e inteligentes. Entendendo por homem
inteligente quando, diante de uma situação problema ele seja capaz de enfrentar e resolver os
problemas, de buscar soluções para resolver as situações. Ele tem que desenvolver sua
inteligência e isso só será possível se ele for formado mediante a utilização de atividades
lógicas. O educativo se logra com a formação de valores, sentimentos que identificam o
homem como ser social, compreendendo o desenvolvimento de convicções, vontade e outros
elementos da esfera volitiva e afetiva que junto com a cognitiva permitem falar de um
processo de ensino-aprendizagem que tem por fim a formação multilateral da personalidade
do homem.

Todo ato educativo obedece determinados fins e propósitos de desenvolvimento


social e econômico e em consequência responde a determinados interesses sociais,
sustentam-se em uma filosofia da educação, adere a concepções epistemológicas
específicas, leva em conta os interesses institucionais e, depende, em grande parte,
das características, interesses e possibilidades dos sujeitos participantes, alunos,
professores, comunidades escolares e demais fatores do processo. A visão
21

tradicional do processo ensino-aprendizagem é que ele é um processo neutro,


transparente, afastado da conjuntura de poder, história e contexto social. O processo
ensino-aprendizagem deve ser compreendido como uma política cultural, isto é,
como um empreendimento pedagógico que considera com seriedade as relações de
raça, classe, gênero e poder na produção e legitimação do significado e experiência,
Fernandez (1998 pag23).

Tradicionalmente este processo tem reproduzido as relações capitalistas de produção


e ideologias legitimadoras dominantes ao ignorarem importantes questões referentes
às relações entre conhecimento x poder e cultura x política. O produto do processo
ensino-aprendizagem é o conhecimento. Partindo desse princípio, concebe-se que o
conhecimento é uma construção social, assim torna-se necessário examinar a
constelação de interesses econômicos, políticos e sociais que as diferentes formas de
conhecer podem refletir. Para que o processo ensino-aprendizagem possa gerar
possibilidades de emancipação é necessário que os professores compreendam a
razão de ser dos problemas que enfrentam e assuma um papel de sujeito na
organização desse processo. As influências sócio-político-econômicas, exercem sua
ação inclusive nos pequenos atos que ocorrem na sala de aula, ainda que não sejam
conscientes. Ao selecionar algum destes componentes para aprofundar deve-se levar
em conta a unidade, os vínculos e os nexos com os outros componentes, Campinas,
(1999 p23).

Com relação às questões ambientais, o professor assim como qualquer outro cidadão
deve ter a consciência dos cuidados inerentes à preservação do meio ambiente,
tomando como ponto de partida de suas acções o contexto local seguindo as
orientações da Agenda 21 de sustentabilidade e desenvolvimento, lançada durante a
Rio - 92, cujo intuito minimizar os impactos ambientais provocados pela sociedade
nas mais diferentes escalas de tempo e espaçoconforme a época e a região, Cordeiro
(1999, p109).
O professor é um profissional que tem como função formar o cidadão, mediando a construção
do conhecimento para que o educando assuma responsabilidades sociais e profissionais, afinal
nenhum profissional pode exercer uma profissão sem ter passado pelas mãos de um professor,
Ferreira (2008, p104).

Levando esta função para a prática profissional do professor de geografia aliada à educação
ambiental, o mesmo tem um papel importante para desenvolver a consciência ecológica e,
portanto, contribuir para minimizar as agressões ambientais, Guimarães (2003, p126).
22

A Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD)


deixou clara sua posição no que diz respeito ao agravamento da crise ambiental
mundial e enfatizou a necessidade do planeamento como forma de se buscar a
sustentabilidade ambiental e a manutenção dos recursos naturais de todo o planeta
Silva (2009).

Foi na Conferência de Estocolmo (1972) que o debate sobre a questão ambiental ganhou
fórum político. A partir daí, o tema “apareceu” em muitos documentos, relatórios e programas
internacionais dedicados ao meio ambiente, com formas e ênfases distintas, Leonardi, (2001).
Assim sendo, a pesquisa tem relevância do ponto de vista social, ecológico e educacional,
pois procurou verificar a atuação do professor de geografia frente aos desafios de se trabalhar
com as questões ambientais em sala de aula, utilizando-se de conteúdos e dinâmicas que
auxiliem os alunos a modificarem sua filosofia de vida e a resgataram valores éticos,
estéticos, democráticos e humanistas.

Para Barros (2003) afirma, a educação ambiental tem como objectivo assegurar uma maneira
de viver mais coerente com os ideais de uma sociedade sustentável e democrática, auxiliando
os que dela fazem parte a uma reflexão sobre as velhas fórmulas e a propostas de acções
concretas para transformar a casa, a rua, o bairro, as comunidades, pois a mesma parte de um
princípio de respeito à diversidade natural e cultural, que inclui a especificidade de classe, de
etnia e até mesmo de género e o professor que trabalha com esta questão não pode esquecer
desses factores.

É pertinente ressaltar a participação dos professores no tocante ao incentivo a preservação


ambiental durante as aulas de geografia, é necessário pontuar a contribuição que esses
educadores representam enquanto base formadora para esses que serão os futuros cidadãos.
Ferreira (2012, p158) afirma que “a geografia discute em seu conteúdo escolar, como
abordagem ambiental, o que está em processo na produção do espaço, nas especialidades
complexas...”

O desejo de despertar o interesse pelo estudo do tema abordado deve ser despertadopelo
professor através de atitudes e acções sobre a temática a qual despertou a curiosidade do
educando. A prática do professor deve esta edificada na fomentação de incentivo a
aprendizagem, Kaercher, (2009, p209-231).
23

O ensino de Geografia na Escola sempre abordou os temas da natureza e das relações


humanas estabelecidas no espaço geográfico, com a pretensão de contribuir para a formação
de cidadãos críticos, conscientes e capazes de actuar no processo de construção de um futuro
melhor.
Bernardes et. al.2014,P213 corroboram esta ideia ao defender que o desafio da
ciência geográfica é conseguir actuar como mediadora e esclarecedora para
despertar na sociedade, por meio da prática educativa, a sensibilização para a
preservação da natureza e sua utilização com responsabilidade. Esta
consciencialização, por parte do corpo docente para o ensino de Geografia, é
apontada nas directrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) oriundos da
Lei de Directrizes e Bases (LDB). Entretanto, nem sempre foi assim, uma vez que o
ensino de Geografia oscilou entre os extremos vividos, tanto pela Geografia
Tradicional, que subtrai do homem seu carácter social, periodizando o estudo
naturalizante das paisagens, quanto pela Geografia Crítica, onde o conceito de
espaço geográfico é elaborado como sendo o resultado das maneiras de como os
homens organizam sua vida e suas formas de produção. A natureza passa a ser vista
como recurso à produção, o que aponta para uma limitação quanto à possibilidade
analítica em relação às dinâmicas da natureza.

2.2.ALIANÇA ENTRE O ENSINO DE GEOGRAFIA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL


Atualmente o planeta enfrenta uma grave “crise ambiental” Leff, (2012, p.15) que inflige aos
indivíduos uma nova forma de enxergar e se relacionar com o meio ambiente, baseada em
valores éticos, solidários e respeitoso em detrimento da maneira predatória de exploração dos
recursos naturais e desequilíbrio do ambiente. Essa crise contemporânea é fruto,
principalmente, da fragmentação da sociedade que ocasionam o distanciamento das pessoas e
a segregação, o espírito individualista, a apologia ao consumismo e a acumulação de riquezas
a partir da exploração do homem sobre a natureza e do homem sobre o homem, Guimarães,
(2012). Essa realidade ambiental demonstra a necessidade da inserção da Educação
Ambiental em todos os seguimentos da sociedade, principalmente no berço da formação
intelectual dos indivíduos, escolas e universidades.

Como forma de inserir a Educação Ambiental no ambiente escolar tem-se como aliada, a
Geografia que corresponde a uma ciência imprescindível para se trabalhar as questões
ambientais na educação formal conforme salienta Pontuschka, et all (2009, p134): “A
Geografia possui teorias, métodos e técnicas que podem auxiliar na compreensão de questões
ambientais no aumento da consciência ambiental das crianças, jovens e professores”.
24

Ademais, a Geografia ao relacionar as questões humanas e físicas e estudar a relação


sociedade-natureza, estabelece-se uma abordagem importante, na compreensão pelos
educandos, da relação dos indivíduos na configuração do meio ambiente e da importância da
responsabilidade sobre os problemas ambientais.

Segundo Cavalcanti (2010), a Geografia ao propiciar a compreensão da relação entre o


homem e a natureza privilegia a formação de um conceito crítico de ambiente nas dimensões
social, ética e política que promove a tomada de consciência sobre a responsabilidade de cada
indivíduo frente aos problemas socioambientais.

No entanto, atualmente a Geografia Escolar apresenta-se em crise e desvalorizada,


consequência de três caminhos: “Contexto político educacional brasileiro, relacionados à
política de avaliação que diminuíram as horas de aula de Geografia1; crítica à Geografia
Crítica e questões teórico-metodológicas da disciplina e da educação” Straforini, (2008, p47).

Ademais, essa desvalorização também é reflexo do ensino tradicional, “educação bancária”,


caracterizada pelo conformismo e pensamento pessimista pouco propício a transformações,
Freire, (1978, p66).

O ensino tradicional marcada pela preocupação na absorção de conteúdos pelos alunos e o


método expositivo das aulas, onde o educador é o transmissor e o educando receptor, ocasiona
a ligação, errônea, da Geografia como disciplina decoreba, baseada na memorização sem
contextualização e reflexão crítica do conteúdo Cavalcanti, (1998).

De acordo com Leff (2012) o ensino precisa impulsionar e estimular as capacidades


cognitivas, reflexivas e criativas dos educandos por meio da interligação do
conteúdo ministrado ao cotidiano e contexto social e ambiental inseridos. Nessa
perspectiva, torna-se evidente a importância da união do ensino de Geografia com a
Educação Ambiental, no incentivo a reflexão crítica sobre a realidade vivenciada
pelos educandos, a conscientização da importância da conservação ambiental e
formação da cidadania.

1
A política educacional da segunda metade da década de 1990, influenciada pelas agências de
financiamento, FMI e Banco Mundial, desenvolveram políticas de avaliação que privilegiavam as
disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. Para conseguir resultados satisfatórios nessas avaliações
as escolas amparadas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), n° 9.394 de 1996, diminuíram as
horas de aula de Geografia e História para elevar a carga horária de Língua Portuguesa e Matemática
(Straforini, 2008).
25

Segundo Cavalcanti (2012), o nexo entre as questões ambientais e o ensino de


Geografia proporciona a reflexão sobre os valores e comportamentos sociais na
construção da ética ambiental, práticas orientadas no respeito e solidariedade com o
ambiente. É importante salientar as diferentes definições do conceito de Educação
Ambiental, que se moldam de acordo com a abordagem e o contexto inserido.

Para Carvalho (2012), a Educação Ambiental corresponde a uma educação de caráter crítico,
diretamente voltada a cidadania dos envolvidos, por meio da formação de sujeitos crítico
capazes de interpretar e analisar os problemas ambientais, bem como intervir na perspectiva
de propor soluções.

Outra definição de Educação Ambiental, proposta por Leff (2012), a considera como o
processo educacional que orienta os indivíduos para a aquisição de valores, habilidades e
capacidades necessárias para se alcançar a sustentabilidade ambiental.

Enquanto, Santos (2008) destaca a Educação Ambiental como o campo teórico-metodológico


mais eficaz para sensibilizar os indivíduos sobre a degradação ambiental e promover
mudanças de comportamentos sociais no enfrentamento da crise ambiental.

A junção da Geografia e Educação Ambiental proporciona aos educandos, a formação do


saber ambiental que corresponde a uma nova maneira de enxergar, analisar e interpretar o
mundo e as relações sociedade-natureza, na qual a construção do conhecimento não se
estabelece somente por meios formais e institucionalizados, mas também através das
experiências do cotidiano orientadas para o desenvolvimento sustentável2, se processa por
meio da conscientização, busca teórica e científica alicerçada pela ética e racionalidade
ambiental (Leff, 2012). A aliança entre essas duas áreas do conhecimento abre cominho para
a transformação da realidade dos educandos, a partir da reflexão crítica do contexto
sociocultural inserido, expandindo a tomada de consciência. Iniciada dentro dos muros da
escola, com a interligação entre os conhecimentos geográficos e ambientais e voltados para
outros espaços da sociedade, onde os educandos serão multiplicadores dos conhecimentos,

2
O desenvolvimento sustentável representa uma nova forma de enxergar o desenvolvimento,
buscando o equilíbrio entre o crescimento econômico, baseada na economia ecológica e organização da
natureza, e a conservação e preservação ambiental, culminando para a melhoria da qualidade de vida
(LEEF, 2012), citado por Teixeira et all, 2016.
26

habilidades e práticas geo-ambientais, calcados em valores de solidariedade e respeito à


natureza e aos indivíduos.

A Geografia crítica ou radical, fundamentada no marxismo ou nos princípios do


materialismo histórico e dialético, iniciou-se nos Estados Unidos e na Europa na década de
1960, constituindo-se como uma forte reação às concepções positivista (determinismo
geográfico), historicista (possibilismo geográfico), fenomenológica (geografia humanística),
neopositivismo (geografia quantitativa), entre outros. No Brasil, as influências desse
paradigma geográfico na produção geográfica universitária começaram no final da década de
1970. Essa concepção geográfica apresenta uma postura contestatória e critica em relação à
organização e produção do espaço geográfico, em termos das contradições sociais: o
subdesenvolvimento, a miséria, a subnutrição, as favelas, a poluição, enfim as condições de
vida de uma parcela da população, que não aparecia de modo geral nas análises geográficas
anteriores, Morais, (1997) e Christofoletti (1992) apud Rodrigues, (2006, p8).

Esse paradigma geográfico baseia seus estudos nas relações sociedade/natureza, mas
centraliza as suas análises na segunda natureza - a natureza produzida pelo homem. Nessa
amplitude, a primeira natureza - a natureza natural é considera apenas como recurso a ser
apropriado e transformado em coisas úteis para o homem.

Portanto, a geografia crítica ou radical, ao centrar o seu enfoque na produção


capitalista do espaço geográfico, atentando para as desigualdades sociais e
econômicas que compõem a dimensão espacial inerente a esse modo de produção,
faz da questão da degradação da primeira natureza sob esse sistema produtor de
mercadorias, das questões de gênero, sexo, etnia, raça, religião, localismos,
regionalismos etc. causas menores. Na verdade, considera-as como questões
alienantes que apenas servem para desviar o foco da geografia da causa maior: as
desigualdades sociais inscritas na materialidade do espaço geográfico produzido sob
o capitalismo e a necessidade de combatê-las e superá-las Oliveira e Faria, (2009,
p161-178).

Destarte, como bem nos lembra Mendonça (2004, p129), no âmbito da geografia
crítica, especialmente no caso da brasileira, a abordagem da questão ambiental não
foi dada de maneira ampla e satisfatória. Para alguns geógrafos a perspectiva
ambiental parece não configurar expressão marcante para caracterizar um novo
segmento ou uma nova linha de pensamento na geografia crítica.
27

Foi essa também a sua principal influência assumida pela educação geográfica escolar.
Contudo, essa assimilação, em alguns momentos, não levou em consideração as necessárias
articulações com os conceitos geográficos, confundindo o seu discurso com o da sociologia,
da economia e da história Farias, (2007, p29).

Salienta-se também que, ao privilegiar uma visão totalizante do espaço geográfico, negou a
existência das demais escalas espaciais de análise, inclusive as da vivência dos alunos com
seus respectivos meios. Não superou a dicotomia na abordagem dos aspectos físicos e
humanos. Nesse sentido, os compartimentos relativos à natureza legados da Geografia
lablacheana só mudaram de lugar na maioria dos livros didáticos disponíveis no mercado,
deixando de ocupar os primeiros capítulos para ocupar os últimos. Essa digressão continua
quando trata das questões relativas à degradação ambiental. Essa temática ocupa, quando
aparece, os últimos capítulos dos livros didáticos, sem guardar as devidas relações com os
fatores sociais e econômicos que lhe deram origem e que a antecederam nos primeiros
capítulos, na maioria dos manuais didáticos de geografia também disponíveis no mercado.
Reduziu ou retirou completamente a aprendizagem dos aspectos cartográficos, dificultando,
dessa maneira, a apropriação, a leitura, a produção e a representação do espaço geográfico
pelo educando, Oliveira e Farias, (2009, p57).

A Geografia humanística e o meio ambiente: desafio a prática de ensino em


geografia Como a educação geográfica, nos sistemas formais e informais de ensino,
alimenta o pensamento científico de que a natureza deva ser considerada como algo
externo ao homem, ou posta em segundo plano reincidindo fragmentos do espaço
como objeto de estudo e apreensão, e que nesse os grupos humanos não têm a
consciência explícita de todos os processos de significação que lhe são atribuídos e
vividos abordaremos aqui, como se pode inserir o meio ambiente no âmbito da GH,
e a partir dessa perspectiva no processo educativo social e escolar, posto que seja
tarefa da geografia interpretar todo o jogo complexo de analogias, de valores, de
representações e de identidades que figuram o espaço, Gomes, 2000, p79).

De acordo com Dias (2004, p83), a Educação Ambiental teria como finalidade
promover a compreensão da existência e da interdependência econômica, política,
social e ecológica da sociedade; proporcionar a todas as pessoas a possibilidade de
adquirir conhecimentos, o sentido dos valores, o interesse ativo e as atitudes
necessárias para proteger e melhorar a qualidade ambiental; induzir novas formas de
conduta nos indivíduos, nos grupos sociais e na sociedade em seu conjunto,
28

tornando-a a apta a agir em busca de alternativas de soluções para seus problemas


ambientais, como forma de elevação de qualidade de vida.

SegundoDias (2004), a EA deveria ser dirigida e interessar a todos em um processo ativo


buscando resolver os problemas de cada realidade específica e fomentar a iniciativa, o sentido
de responsabilidade e empenho almejando um futuro melhor.

A Educação Ambiental deve provocar mudanças de atitudes nos sujeitos envolvidos


e a escola é o ambiente ideal para a promoção da educação, seja ela no sentido
restrito ou ambiental. Contudo, diante dos problemas socioambientais, promover
educação ambiental voltada à sustentabilidade exige muito mais que boa vontade e
implica mudança de postura perante as questões por eles apresentados. Trabalhar
sob esta perspectiva significa atuar por meio de conhecimento sistematizado, em
busca de um sujeito capaz de pensar, refletir e agir criticamente na sociedade
visando à transformação social, Leff (2012, p18).

Para inserir nossa discussão a primeira problemática apontada na introdução deste artigo,
trazemos para o diálogo algumas explanações de Barcelos (2003), já que este autor explana
acerca da atuação da Educação Ambiental na escola brasileira. Dentro do que aborda o autor,
são colocados alguns pontos referidos como “Mentiras que parecem Verdades”, Barcelos
(2003, p83), onde um especificamente nos chama atenção: “Primeira “mentira”: EA é coisa
para os professores (as) de ciências, de biologia ou de geografia”.

Cavalcanti (2007, p125) que ao discutir sobre o Ensino de Geografia na escola, nos diz:
A análise da função reprodutora da escola e da Geografia impede a conclusão de que
os problemas da escola se resumem a uma questão de ineficiência, desta instituição
e/ou do professor de Geografia. Aliás, essa análise permite compreender que a
escola pode ser eficiente para determinados propósitos e que pode estar montada
para funcionar exatamente da maneira como funciona.

Anecessidade de implementação de programas de educação ambiental tem sofrido ao longo


de sua história, a partir principalmente da Conferência de Tbilisi Geórgia, em 1977 1, um
processo de amplo debate origens remontam a 1965 quando a expressão Educação Ambiental
(Environmental Education) foi utilizada, quiçá pela primeiravez, na "Conferênciade
Educação" da Universidade de Keele, Grã-Bretanha, Minini (1997).
29

Nos anos setenta foram dez eventos de cunho internacional e regional, dos quais destacamos
em 1975, o PIEA Programa Internacional de Educação Ambiental, UNESCO/PNUMA) além
da Conferência de Tbilisi, 1977, já referida; nos anos oitenta, sete eventos, e nos anos noventa
nove eventos, eles a Conferência sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, UNCED, a
RIO-92, no da qual realizou-se o Fórum das ONG's que produziu o Tratado de Educação
Ambiental para Sociedades Sustentáveis compromisso da sociedade civil.

A disciplina de Geografia está amplamente ligada a questão ambiental. Segundo o PCN de


meio ambiente, a Geografia juntamente com a História e as Ciências Naturais são as
tradicionais parceiras para o desenvolvimento dos conteúdos relacionados ao meio ambiente,
pela própria natureza dos seus objetos de estudo, Brasil (1998, p194).

A Geografia tem por objetivo estudar as relações entre o processo histórico na


formação das sociedades humanas e o funcionamento da natureza por meio da
leitura do lugar, do território, a partir de sua paisagem. Na busca dessa abordagem
relacional, trabalha com diferentes noções espaciais e temporais, bem como com os
fenômenos sociais, culturais e naturais característicos de cada paisagem, para
permitir uma compreensão processual e dinâmica de sua constituição, para
identificar e relacionar aquilo que na paisagem representa as heranças das sucessivas
relações no tempo entre a sociedade e a natureza em sua interação, Brasil, (1998,
p26).

Importância da Geografia na Educação ambiental


Como o objeto de estudo da Geografia, no entanto, refere-se às interações entre a sociedade e
a natureza, um grande leque de temáticas de meio ambiente está necessariamente dentro do
seu estudo, Brasil, (1998, p46), pois, ao abordar as questões sociais e temporais no mundo,
obrigatoriamente a Geografia aborda o uso dos recursos naturais. A Geografia relaciona o
universo, sociedade e natureza de modo interligado, fazendo o aluno compreender a relação
intrínseca existente entre eles e o condicionamento que um exerce sobre o outro:

A Geografia em si, é de fundamental importância para a formação do aluno, em vários


âmbitos, ela se faz presente no dia a dia da sociedade ultrapassando o estigma de apenas uma
disciplina voltada para decorar conceitos, aprender sobre o espaço geográfico, o nome das
cidades e países. O ensino da Geografia aborda várias temáticas que estão estritamente
ligadas com práticas cidadãs Castellar (2010, p27).
30

Na educação básica, a Geografia tem grande importância, os alunos podem compreender a


formação do espaço que habitam e seus mecanismos de transformação, e tudo que envolve a
produção do espaço mundial. Essa disciplina, colabora para que o aluno crie uma visão crítica
de mundo e as transformações que ocorrem no âmbito social, politico, econômico, étnico,
além da execução concreta do conceito de cidadania e toda a trama de relações que envolve
nossa sociedade, Cavalcanti, (2012, p31).

Mesmo perante a importância da geografia, percebemos que as metodologias ainda são


permeadas pelas raízes tradicionais, o que pode trazer prejuízos no processo de
ensinoaprendizagem de uma chamada geografia crítica. A respeito de sua importância, pode-
se afirmar que o ensino da Geografia, infelizmente, ainda apresenta estreitos laços com
metodologias tradicionais, Straforini (2008, p45).

O que podemos perceber é uma “educação voltada para estimular o individualismo, para
fomentar a competição, para enaltecer a concorrência, para premiar pela produtividade e punir
pelos resultados não desejados” (Orso, (2008, p52).

Muitas pesquisas nessa área relacionaram o ensino da geografia, com metodologias praticadas
em unidades de conservação, áreas urbanas e paisagens específicas e foram exemplos de
trabalhos que apresentaram bons resultados, como os de Candiotto (2000, p25-38) que
relacionou o ecoturismo no município de Bonito-MS com os conhecimentos empíricos de
seus habitantes autóctones; Gontijo; Neves (2004, p1-7) desenvolveram projetos na Estação
Ecológica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com atividades de educação
ambiental.

Entre os princípios metodológicos norteadores das práticas educativas ambientais


situam-se: o amor; o diálogo; a interdisciplinaridade; a interação e a cooperação; a
transversalidade; a formalidade e a informalidade; a conservação natural; a
preservação natural; a ludicidade; entre outros. O primeiro princípio balizador de
qualquer processo educativo é o amor. O amor vem a se configurar no espaço da
aceitação e da agregação – o sim - por onde irá ser materializada a vida. O espaço
por onde caminha a educação, em uma de suas inúmeras faces, a educação
ambiental, como uma das principais maneiras de se atingir aquilo que poderá vir a
ser chamada como a construção democrática do conhecimento, a mais profunda de
todas as revoluções, conforme afirma, em tom poético, Maturana (1999, p98):
31

Segundo Gadotti, (2000, p98), a AE tem os seguintes princípios:


 A EA deve ter como base o pensamento crítico e inovador, emqualquer tempo
oulugar, emseus, modos, formal, não formal e informal, promovendo a transformação
e a construção da sociedade;
 A EA é individual e colectiva. Tem o propósito de formar cidadãos com consciência
local e planetária, que respeitem a autodeterminação dos povos e a soberania das
nações;
 A EA desenvolver uma perspective holística, enfocando a relação entre o ser humano,
a natureza e o universo de forma interdisciplinar;
 A EA deve estimular a solidariedade, a igualdade e o respeito aos direitos humanos,
valendo-se de estratégias democráticas e interação entre as culturas;
 A EA deve integrar conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ações. Deve converter
cada oportunidade em experiências educativas das sociedades sustentáveis;
 A EAdeveajudar a desenvolver uma consciência ética sobre todas as formas de vida
com as quais compartilhamos este planeta, respeitar seus ciclosvitais e impor limites à
exploração dessasformas de vida pelos seres humanos.

Com estes princípios entende-se que o resgate dos valores perdidos do ambiente, parte por
uma participação conjunta de todos nós, escolhendo métodos adequados para a sua solução,
como por exemplo, as palestras, projectos de pesquisa, entre vários outros de acordo com o
grau de severidade de cada problema ambiental.

Um dos casos mais concretos que se vive actualmente, está relacionado com o desmatamento
(abate de árvores para a produção e comercialização de madeira e ou carvão vegetal). Um
estudo feito pelo Rodolfo Alves Pena, graduado em Geografia mostra que, em Brasil, 21 mil
km² de florestas são destruídos por ano. Essa área é equivalente à do estado do Sergipe. Além
de melhorar a nossa consciência ambiental e deixar de desmatar as florestas, precisamos
cobrar dos nossos governantes o fim dessa destruição, através de medidas de controle,
monitoramento e vigilância.A solução, segundo ele, passa pela implementação do projecto de
reposição das árvores destruídas, criando viveiros, posteriormente lançados em áreas
geograficamente bem definidas.
Imagem da mata Atlântica
32

Figura 4: O desmatamento em Brasil. Fonte: Rodolfo Alves Pena,


https://escolakids.uol.com.br/geografia/desmatamento-no-brasil.htm, acesso em Dezembro, 2019

O professor é um profissional que tem como função formar o cidadão, mediando a construção
do conhecimento para que o educando assuma responsabilidades sociais e profissionais,
afinal nenhum profissional pode exercer uma profissão sem ter passado pelas mãos de um
professor.

Levando esta função para a prática profissional do professor de Geografia aliada à educação
ambiental, o mesmo tem um papel importante para desenvolver a consciência ecológica e,
portanto, contribuir para minimizar as agressões ambientais.

A temática ambiental insere-se como um dos desafios pedagógicos no ensino da


Geografia, visto que cabe também à Geografia, juntamente com outras áreas do
conhecimento, desenvolver nos educandos/as a capacidade de observar, analisar,
interpretar e pensar com criticidade a realidade, tendo em vista sua transformação,
Almeida, (1999).

Entretanto, tal temática não deverá ser conduzida apenas pelo viés pedagógico,
devendo ser consideradas as características políticas, sociais e ideológicas nela
contidas. Assim, nesse processo de ampliação da abordagem da questão ambiental
no ensino de Geografia, cabe aos professores o encaminhamento para discussões, em
sala de aula, dos vários aspectos que envolvem a questão ambiental, Alves e
Oliveira, (2008).

Segundo Torres (2005) a Educação Ambiental vem sendo incorporada ao processo


educacional com uma nova dimensão, ou seja, através da Educação Ambiental busca-se
sensibilizar os alunos a se tornar um cidadão inserido em seu contexto social, capaz de lidar
com os problemas ambientais da sociedade em que vive. Nesse sentido, exige-se que o
educador (professor) tenha preparo prático, teórico e científico para introduzir e direcionar
33

seus educandos no trato com os assuntos relacionados ao uso e proteção racional do meio
natural. Portanto, a Educação Ambiental desenvolvida no contexto escolar deve proporcionar
aos alunos uma educação para a cidadania.

Problemas de Lixo, Saneamento de água e esgoto, urbanização, queimadas descontroladas,


entre outros, são alguns dos exemplos de problemas que a sua solução pode depender de
conhecimentos de Geografia, segundo o professor Chico da Conceição, entrevistado a 19 de
Dezembro de 2019. Pois segundo ele, os conhecimentos de Geografia constituem a base
fundamental para o meio ambiente e por isso que sua importância é muito maior.

Para sustentar o anteriormente citado, ao analisarmos as queimadas descontroladas, conforme Ferreira


(2008) temos que considerar uma série de fatores que estão condicionando a percepção da mesma.
Esses fatores são inerentes a cada um dos componentes locais, onde o espaçogeográfico exerce suas
influências regionais e locais, além dos aspectos inerentes as influencias culturais e biológicas do
indivíduo que a percebe.
34

CAPÍTULO – III: Metodologia


Metodologia é a ciência que estuda os métodos utilizados no processo de conhecimento. É,
portanto, “[...] uma disciplina que se relaciona com a epistemologia e consiste em estudar e
avaliar os vários métodos disponíveis, identificando suas limitações ou não no âmbito das
implicações de suas aplicações”, Costa, (2001, p4).

3.1. Tipo de pesquisa


Do ponto de vista da abordagem a ser usada no estudo, este é categorizado em: pesquisa
qualitativa, quede acordo com Minayo (2010), a pesquisa qualitativa trabalha com questões
muito específicas e pormenorizadas, preocupando-se com um nível da realidade que não pode
ser mensurado e quantificado. Actua com base em significados, motivos, aspirações, crenças,
valores, atitudes, e outras características subjetivas próprias do humano e do social que
correspondem às relações, processos ou fenômenos e não podem ser reduzidas às variáveis
numéricas.

Bogdan e Biklen (1994, p47) apresentam como principais características da pesquisa


qualitativa:
 tem o ambiente natural como fonte dos dados e o pesquisador como instrumento-chave;
 é essencialmente descritiva;
 os pesquisadores estãopreocupados com o processo e não somente com os resultados e
produto;
 os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente;
 o significado é a preocupação principal.
De acordo com os procedimentos para a colecta de informação, foram aplicados os seguintes
tipos de pesquisa:
 Pesquisa bibliográfica;
 Estudo de caso;
 Pesquisa de campo.

3.2.Método de abordagem
Os métodos de abordagem proporcionam as bases lógicas da investigação são vinculados a
uma das correntes filosóficas que se propõem a explicar como se processa o conhecimento da
realidade. Partindo de premissas particulares, inferimos uma verdade geral. Neste caso, vai-se
pautar pelo método indutivo (parte do particular e chega à generalização).
35

A indução percorre o caminho inverso ao da dedução, pois a cadeia de raciocínios estabelece


a conexão ascendente, ou seja, partimos do particular para o geral. Neste caso, as constatações
particulares é que levam às leis gerais.

Método bibliográfico
Este método consistiuna consulta de várias obras científicas que abordem o assunto (recursos
de ensino), e que contribuam para o suporte teórico das informações encontradas e no
tratamento dos dados colectados.

Desenvolve-se tentando explicar um problema através de teorias publicadas em livros ou


obras do mesmo género. O objetivo deste tipo de pesquisa é de conhecer e analisar as
principais contribuições teóricas existentes sobre um determinado assunto ou problema,
tornando-se um instrumento indispensável para qualquer pesquisa. Pode-se usá-la para
diversos fins como, por exemplo:

 Ampliar o grau de conhecimento em uma determinada área;


 Dominar o conhecimento disponível e utilizá-lo como instrumento auxiliar para a
construção e fundamentação das hipóteses;
 Descrever ou organizar o estado da arte, daquele momento, pertinente a um
determinado assunto ou problema.

Método de observação directa


Foi útil durante a fase de busca da informação, observar directamente as consequências da
falta da educação ambiental junto dos cidadãos nos bairros da Vila de Moatize e assistir
algumas aulas de Geografia com temas relacionados ao meio ambiente, sobre tudo do que diz
respeito à sua contribuição para a educação e a concepção dos alunos sobre à matéria sobre
EA.

Método dedutivo
Com este método fez-se uma dedução das informações encontradas no terreno com vista a
encontrar as razões do problema e as possíveis pré-soluções. O método indutivo, raciocínio
indutivo ou simplesmente indução, é um tipo de argumento utilizado em diversas áreas do
conhecimento. Esse método tem o intuito de chegar a uma conclusão.
36

Sendo assim, ele é muito utilizado nas ciências no qual parte de premissas verdadeiras para
chegar em conclusões que podem ou não serem verdadeiras. Nesse sentido, a indução
acrescenta informações novas nas premissas que foram dadas anteriormente.

Técnicas de busca de informações


Técnica de entrevista
Esta técnica foiaplicada durante as conversas com os alunos da Escola Secundária Heróis
Moçambicanos e os professores de Geografia do primeiro ciclo,com o objetivo de encontrar
as razões do problema para melhor propor as possíveis soluções ambientais na Vila de
Moatize, tendo como foco a contribuição da Geografia na Educação ambiental.

Técnica de questionário
Foi inquirida uma parte da população da Vila de Moatize, sobre tudo a Escola Secundária
Heróis Moçambicanos, com o objetivo de colher dados relacionados com a veracidade dos
problemas ambientais bem como os conhecimentos que possuem sobre a Geografia e sua
contribuição para a Educação ambientel.

3.3.População em estudo e amostragem


Tendo em conta que o estudo foi feito na Vila Sede de Moatize, cujo número da população é
de 343 546 habitantes, segundo o senso de 2017.

Amostragem
Corresponde a uma parte da população, que foicalculada com base em critérios próprios, e
recomendados. O tipo de amostra escolhida neste casofoi a amostragem aleatória simples
(AAS).

Amostragem aleatória simples (AAS)


É o processo mais elementar. O método se fundamenta no princípio de que todos os membros
de uma população têm a mesma probabilidade de serem incluídos na amostra;Rotula os
elementos da população e sorteia os indivíduos que farão parte da amostra; (Lima, 2010).

Para isso foi necessário possuir uma lista completa dos elementos que formam uma parte da
população, isto é, enumerada de 1 até N. Em seguida vai ser realizado um sorteio com o uso
da tabela de números aleatórios, que consiste numa sequência de dígitos de 0 a 9, distribuídos
aleatoriamente.
37

Tamanho da amostra
O tamanho da amostra será extraído com base em cálculos a partir da fórmula de Berni
(2002), considerando uma margem de erro (e) de 5%, a partir das seguintes fórmulas:

nº = onde: ‘’nº’’ é o coeficiente estatístico e ‘’e’’ é a margem do erro;

∗ º
n= , onde: ‘’n’’ é o tamanho da amostra e ‘’N’’ é o número da população.Sendo
º
assim, a amostra será de204 (considerando a AAS).

CAPÍTULO-IV: Apresentação e análise de dados


4.1. População inquirida:
Para a obtenção dos resultados, foram realizadas inquéritos à professores, alunos e uma parte
de residentes da Vila de Moatize. Do número total de 204 inquiridos, cerca de 4(quatro) são
professores, 200 alunos correspondendo a 2% e 98%, respectivamente.
Gráfico 1: Descrição do número dos inquiridos.

Nº de inquiridos
nº %

200 204

98,0 100,0

4 2,0

Professores Alunos Total

Fonte: Autora do trabalho, 2019

4.2. Nível académico dos professores inquiridos


Os professores inquiridos, ambos são licenciados, sendo duas mulheres e um homem. Ambos
leccionam as classes do primeiro ciclo do Ensino Secundário. Seus anos de experiência,
variam de 12 à 21 anos.

Gráfico2: Nível académico dos professores


38

Nível académico dos professores


Nº %

100,0 100,0

0 - 0 - 4 4

Médio Bacharel Licenciado Total

Fonte: Autora do trabalho, 2019


4.3.Como professor de Geografia, como analisa a situação actual do meio ambiente,
sobretudo na Vila de Moatize?
Face à questão, ambos os professores ou seja 100% responderam que a situação era ruim (não
boa). Segundo os mesmos, existem graves problemas ambientais na Vila de Moatize,
sobretudo em poeiras e gases oriundos das empresas mineradoras.

Gráfico 3: Análise sobre a situação ambiental de Moatize.

Análise sobre a situação ambiental de Moatize


Nº %

100 100

0 0 4 0 0 4

Boa Ruim Normal Total

Fonte: Autora do trabalho, 2019

4.4. Estando a leccionar aulas da disciplina de Geografia, alguma vez já abordou ou


abordado conteúdos relacionados com a Educação ambiental?
39

A segunda questão que visava saber dos professores se nalguma vez já abordaram conteúdos
relacionados à Educação Ambiental nas suas aulas, 100% ou seja, todos responderam que tem
tratado e várias vezes, mas neste caso, como tema transversal.
Gráfico 4:Abordagem dos conteúdos de EA para professores

Abordagem dos conteudos de EA


Sim Não Total

100 100

4 0 4 0

Nº %

Fonte: Autora do trabalho, 2019

4.4. Estando a receber aulas da disciplina de Geografia, alguma vez já abordou ou


abordado conteúdos relacionados com a Educação ambiental?
Já para os alunos, as respostas divergiram com as dos professores. Dos 200 alunos inquiridos
40% deles responderam que os professores abordam esses conteúdos nas suas aulas, 32%
responderam que os conteúdos não são abordados e os restantes 28% responderam que não
sabiam dos conteúdos, como se pode ver no quadro a baixo.
Gráfico 5: Respostas de alunos sobre a abordagem de conteúdos de EA

Respostas de alunos sobre a abordagem de conteúdos


de EA
Nº %

200

100
80
64 56
40 32 28

Sim Não Não sei Total

Fonte: Autora do trabalho, 2019


40

4.5. A sexta questão visava saber dos professores, se existia uma relação entre a
Disciplina de Geografia com a Educação Ambiental.
Para os professores, existe uma relação sim. Pois, 100% destes responderam
responderam que existia esta
relação, sustentando sua afirmação que ao estudar o meio ambiente, a Geografia seria como a
generalidade inicial dos conhecimentos sobre a natureza. Temas como saneamento do meio,
urbanização, poluição, entre outros são tratados na Geografia do princípio e a EA surgiria
dentro da própria Geografia.
fia.

Gráfico 6: Relação entre a Disciplina de Geografia com a Educação Ambiental (para


professores).
Relação entre a Disciplina de Geografia com a
Educação Ambiental.

100
80
60
40
20
0
Sim Não Total
Nº 4 0 4
% 100 0 100

Fonte: Autora do trabalho, 2019


4.6. A quinta questão visava saber dos alunos se existia uma relação entre a Disciplina
de Geografia com a Educação Ambiental.
Já os alunos divergiram nas suas respostas, pois, uns acreditam na existência da relação entre
a Geografia e a Educação Ambiental, mas outros não sabem sequer o que é a própria
Educação Ambiental, e por isso responderam que não sabiam. Pode-se
Pode se observar o gráfico a
baixo.

Gráfico 7:: Respostas sobre a relação entre a Geografia com a Educação Ambiental
41

Gráfico sobre a relação entre a Geografia e a


Educação Ambiental dos alunos

Nº %

200

97 100
82

41 48,5
21
10,5

Sim Não Não sei Total


Fonte: Autora do trabalho, 2019

Segundo os dados do gráfico, grande parte dos alunos não sabe da relação entre a Geografia
com a EA, facto que pode concorrer para o fracasso
fracasso no interesse pelo assunto e
consequentemente a comunidade, ou seja, aqueles que estiverem fora do ambiente escolar não
terão boa informação sobre a EA e ou a terão mas de forma deficiente na sua maioria, apesar
dos 41% dos alunos que afirmaram que existe
existe a relação entre as duas (Geografia
(Geografia-EA).

4.7. O mal que afecta o ambiente, podia ser influenciado por insuficiência de informação
por parte da população?

A Sétima questão que visava saber dos inquiridos do


do mal que afecta o ambiente, se podia ser
influenciado por insuficiência de informação
informação por parte da população. Face à questão, os
inquiridos responderam segundo o gráfico que segue.

Gráfico 8: Resposta dos inquiridos, sobre a influência da insuficiência da informação


relacionada ao mal que afecta
fecta o ambiente.
ambiente
42

Influência da insuficiencia da informação sobre a EA


Nº %
200

100
87
69
43,5
34,5
21 23
10,5 11,5

Sim Não Talvez Não sei Total

Fonte: Autora do trabalho, 2019

Segundo os dados do gráfico, apesar da maior percentagem (43,5%) terem respondido


positivamente sobre a influência
influê da insuficiência da informação no conhecimento sobre a EA
EA,
nãoo oferece segurança na eficiência do facto, já que grande parte dos inquiridos duvidou,
outros responderam que não pode influenciar
influenciar e outros ainda nem souber
souberam se podia
influenciar ou não.

4.8. Os conteúdos relacionados com a educação ambiental leccionados


lec dos ou aprendidos na
Geografia, chegam à comunidade através dos alunos?
A oitava questão que visava saber dos inquiridos se os conteúdos relacionados com a
educação ambiental leccionados
ionados ou aprendidos na Geografia, chegam à comunidade através
dos alunos. Face à questão, os professores responderam de maneira diferente.

Gráfico 9: Respostas sobre o fluxo da informação sobre a EA dadas pelos professores

Fluxo da informação sobre a EA dadas pelos professores


Nº %
100

50
25 25
0 0 1 2 1 4

Sim Não Talvez Não sei Total


43

Fonte: Autora do trabalho, 2019


Os dados do gráfico mostram que nenhum dos professores acredita que a informação dada aos
alunos com conteúdos de EA chega à comunidade através dos alunos, pois, segundo os
professores, os alunos estão mais interessados em saber se passam de classe, mas co
colocar em
prática as aprendizagens não o fazem, ou pouquíssimo fazem. 25% dos inquiridos não
acredita, 50% duvidaram e 25% não sabem se as informações, ou seja a aprendizagem ligada
a EA chega à comunidade.

Já para os alunos, face à quinta questão, todos afirmaram que nalgumas vezes falam com os
seus educadores sobre problemas ambientais, mas o mais preocupante neste caso, é o menor
número de alunos que se lembraram de terem abordado do assunto com seus educadores, ora
pode-se
se ver o gráfico a baixo.

Gráfico 10:: Respostas sobre a quinta questão dadas pelos alunos


Fluxo da informação sobre a EA dadas pelos alunos
Nº %
200

102 100,0
65
51,0
33 32,5
16,5
0 0,0

Sim Não Talvez Não sei Total

Fonte: Autora do trabalho, 2019

Segundo os dados do gráfico 9, os inquiridos, contrariamente ao que os pr


professores
responderam sobre a mesma questão, 16,5% destes responderam que “sim” a informação
chega à comunidade, 51% responderam que a informação não chega às comunidades e 32,5%
duvidaram, pois, não sabem se esta realmente chega ou não. Estas respostas po
podem sustentar
o que os professores responderam sobre a mesma questão, pois, a maior parte, ou seja, 83,5%
dos alunos inquiridos estiveram a par dos professores e assim, dá se a menor importância do
aprendido na Geografia, relativo à EA.
44

4.10. O que devia ser feito como medida, para a mitigação deste problema, relacionado o
ambiente a partir de conhecimentos da Geografia?
Face à questão, os inquiridos, na sua maioria, ou seja, 50% apontaram como medidas
relacionadas, as seguintes:
 Partilhar as aprendizagens relacionadas com o que se vive no dia-a-dia com os pais;
 Tratar a Geografia como uma disciplina que forma as bases para o conhecimento do
meio ambiente;
 Falar nas aulas de Geografia, assuntos relacionados com o meio ambiente, o que afecta
as nossas comunidades actuais;
 Valorizar a importância da Geografia em vários níveis;
 Participar dos programas relacionados com problemas ambientais.
Gráfico 11: Medidas de mitigação dos problemas ambientais a partir de conhecimentos de
Geografia.
Envolver a comunidade nas
palestras
Promover projectos de EA nas
escolas
Participar dos programas
relacionados com problemas…
Valorizar a importância da
Geografia em vários níveis; %
Falar nas aulas de Nº
Geografia, assuntos relacionados…
Tratar a Geografia como uma
disciplina que forma as bases para…
Partilhar as aprendizagens
relacionadas com o que se vive no…

0 50 100 150 200 250

Fonte: Autora do trabalho, 2019

Das 6 aulas assistidas não se verificou a abordagem dos conteúdos do tema em causa devido
ao seguimento do plano trimestral, mas os professores garantiram que em alguns momentos
têm tratado dos conteúdos em causa mas como temas transversais.

CAPÍTULO-V:Discussões dos resultados


Os resultados obtidos nesta pesquisa de campo, mostram claramente que os professores tem a
noção de que aquilo que por eles é transmitido e que se relaciona com a vida do nosso dia-a-
45

dia, não é discutido ou transmitido aos encarregados que tanto precisam da informação
tendente a preservação do maio ambiente. Desta forma, contribui negativamente para as
práticas ambientais, pois, a falta de noção das consequências das acções humanas contra o
meio ambiente, pode aumentar ao invés de diminuir.

Segundo o presente estudo, muitos alunos não sabem que existe uma relação entre a disciplina
de Geografia e a Educação Ambiental e até nem entendem sobre EA (educação Ambiental).
Numa sociedade onde o ensino é considerado a ferramenta chave para o desenvolvimento de
qualquer cidadão, a falta dos conhecimentos sobre o que se aprende num estabelecimento de
ensino trás consequências graves.

Sobre a influência da insuficiência de informações inerentes à EA, ficou claro e preocupante


ainda quando grande parte dos inquiridos não sabe se a falta de informação sobre um
determinado assunto, pode influenciar negativamente na educação. Comparando os números,
dos 200 inquiridos para o efeito de colecta de dados, cerca de 87 responderam seguramente
que sabem da influência de insuficiência de informações e os restantes responderam
duvidosamente e outros ainda não responderam erradamente e nem sabem.
De acordo com Costa (2003), a informação é concebida como matéria-prima para gerar o
conhecimento. A literatura sobre gestão do conhecimento coloca o conhecimento tácito e as
informações de caráter informal como vitais para a sobrevivência em mercados cada vez mais
competitivos. Nessa análise, a gestão da informação se expande para gestão do conhecimento
e os sistemas são requisitados para processar tanto as informações informais como os
produtos das atividades intelectuais. Tais sistemas necessitam abranger informações externas
e internas, coletadas sistematicamente, analisadas e disseminadas para toda a organização,
com a missão de transformar informações em conhecimento estratégico.
Outro ponto importante que envolve a gestão da informação é a cultura da informação. A
gestão e os fluxos de informação se desenvolvem e sofrem interferência em conformidade ao
ambiente em que se encontram. E a liderança organizacional interfere nessa cultura, que
influencia nos fluxos de informação. Tais fluxos informacionais se estabelecem como canais:
tangíveis ou intangíveis; formais ou informais; permanentes ou esporádicos; constantes ou
intermitentes (Valentim et al, (2008).
46

Portanto, a falta de informação induz a má interpretação dos fenómenos ou coisas e é o que se


verificou no presente estudo, onde muitos inqueridos admitiram que a insufuciência da
informação pode contrinuir negativamente na EA.

A visão tradicional estabelecida nas escolas de maneira geral em que a Educação Ambiental
deve ser feita por profissionais de determinadas áreas específicas, é uma certeza equivocada e
mal fundamentada, visto que isso se enquadra como uma herança de repressão, de má
fundamentação e de negação às discussões, objetivos e recomendações verdadeiras da
Educação Ambiental. Enquanto professora de Geografia que sou, reconheço que tal
incumbência automaticamente preestabelecida é diretamente prejudicial aos cidadãos que tem
em nossas mãos a sua formação.

Num trabalho com tema sobre a EA feito por Manaus (2015), os resultados da entrevista,
surpreenderam até aos próprios entrevistados, no que diz respeito à questão que segue: “Com
que frequência a sua escola promove ações que incentivam a conscientização ambiental?”,
37% dos respondentes apontaram que somente às vezes sua escola promove estas ações, 30%
disseram que na maioria das vezes sua escola promove estas ações, seguido de 23% que
consideram que sua escola sempre promove atividades que são voltadas para a
conscientização ambiental dos mesmos. Mas também houve respostas como raramente (8%) e
nunca (2%). Enfatiza-se, que atualmente se faz necessário, como afirma Reigota (2009), que
as práticas ambientais não devem ser esporádicas ou realizadas somente em datas específicas,
mas devem estar incluídas no dia a dia dos discentes, e inseridas nas práticas pedagógicas
cotidianas das mais diversas disciplinas. Comparativamente ao presente estudo,os professores
responderam que abordam sempre os conteúdos da EA na sala de aulas, resposta esta,
diferente dos alunos, pois, alguns deles responderam que os professores abordam os
conteúdos de EA, enquanto outros duvidaram e outros ainda nem sabem desses conteúdos.

Isto significa que ainda temos que fazer um pouco mais daquilo que já temos feito face à EA
para que possam ser elevados e estimulados os gostos pela EA. Não existem projectos
concretos na escola relacionados diretamente com a EA, facto que afasta o conhecimento com
a aprendizagem pela prática.

A outra questão no mesmo estudo de Manaus (2015), versa sobre a retransmissão das
informações obtidas nos processos de educação ambiental na escola, para os amigos e para os
47

familiares dos participante revelou que 35% dos discentes dizem às vezes retransmitem
informações recebidas na escola para seus amigos e familiares, 27% dizem que na maioria das
vezes isto acontece e somente 15% revelam que sempre retransmitem informações das escolas
para seus amigos ou familiares. Estes índices apontam um interesse de disseminar
informações sobre a temática ambiental para aqueles que circundam os respondentes. Fato
este que já havia sido destacado por Silva et al. (2010) e que, aqui, se confirma, pois, para
estas autoras, a escola é o espaço social e o local onde o aluno será sensibilizado para as ações
ambientais e fora do âmbito escolar ele será capaz de dar sequência ao seu processo de
socialização.

O comentário à cima quando comparado com o que foi encontrado neste estudo, mostra que
grande parte dos inquiridos não partilham os conhecimentos científicos com aqueles que se
encontram fora do circuito da Educação. Isto dificulta bastante na difusão e acreditação do
pouco que tem sido transmitido aos mesmos em volta da EA.

Em estudo Feito por Carvalho (2005) sobre um conteúdo relacionado ao tema de EA,
Encontrou-se que a maioria dos professores declarando que divulga e pratica a educação
ambiental em sala de aula. É importante ressaltar que, apesar da educação ambiental ser
indicada em caráter permanente, um número significativo dos professores defende uma
abordagem em formato de disciplina curricular, reforçando a fragmentação do conhecimento,
deixando, a parte, a complexidade da questão ambiental (Leff, 2001).

Há muito que deve ser feito pelos professores para que estes possam incentivar mostrar e
demonstrar a sociedade, ou até mesmo, estimular o gosto pelos conteúdos de EA para que se
possa convidar a participação do público em geral.
48

Capítulo-VI:Conclusões e Recomendações

6.1. Conclusões
Trabalhar a EA nas aulas de Geografia é de fundamental importância para as futuras gerações,
pois está ligada diretamente com o futuro do planeta e a qualidade de vida da população.

Percebe-se que não é dada a atenção necessária para a EA, na escola onde ocorreu a pesquisa,
mostra que a educação ambiental tem que ser trabalhada de forma transversal, ou seja, que
deveria ser passado pelos professores, mas não somente em uma disciplina, mas em grande
parte delas. A escola não oferece estrutura adequada para aplicação do tema EA, e os
professores, que na primeira dificuldade, desistem de abordar a Educação Ambiental nas aulas
de Geografia, de uma forma crítica, contextualizada e multidisciplinar. E quando é abordada,
não há um aprofundamento, não passando de um aspecto naturalista e preservacionista, sem
muita relevância para os alunos.

Face aos resultados do campo de pesquisa, pode-se concluir que os alunos da ESHM
adquiriram uma deficiência do gosto pelo ensino, por não falta da conciliação entre o
aprendizado e a prática.

Os alunos não desempenham o papel que se deseja na comunidade, para ajudar na


transformação das mentes das populações fora do ambiente escolar em matéria de EA.

Os professores de Geografia da ESHM não tratam de conteúdos sobre a EA de forma


convincente para que os alunos possam, com seriedade, participar dos problemas ambientais
com certa seriedade. Não promovem projectos de natureza ambiental, como forma de chamar
a participação dos alunos no processo de busca das pré-soluções.

Os livros de Geografia do ensino secundário, não abordam temas diretamente ligados a EA,
facto que faz com que os professores não tratem dos conteúdos com muita profundeza.
49

6.2. Recomendações
O debate socioambiental deve se estender por todas as disciplinas, buscando uma
interdisciplinaridade, que possa haver uma cooperação entre professores, com o intuito de
alcançar maior abrangência do tema.

 Recomenda-se aos alunos para que façam parte no processo educativo, de tal maneira
que consigam difundir as aprendizagens de Geografia, principalmente quando estas
tratarem de assuntos ligados à vida quotidiana, no caso concreto da EA. Fazendo isso,
estariam a dar a importância da Disciplina de Geografia.
Aos professores recomenda-se:
 Que incorporem de forma individual os conteúdos sobre EA em suas aulas, tratando-
os de forma transversal, motivando os alunos a tomar a consciência sobre o que
aprendem e possam elaborar pequenos projectos tendentes a propor medidas de
mitigação de alguns problemas a seu nível que afectam o ambiente.

 Ver a EA como uma articulação interdisciplinar, tornando possível uma acção mais
racionalizada, partindo do conhecimento de valorização da Geografia como
Disciplina.

 Dirigir a EA a todos os grupos independente da idade e categorias, devendo ser


permanente e continua, principalmente nas escolas do ES.

 Induzir novas formas de conduta nas pessoas e na sociedade em relação ao meio


ambiente, por meio de palestras, focadas no ensino de Geografia.

 Considerar o meio ambiente em sua totalidade, nos seus aspectos naturais e nas
instituições criadas pelos homens.

 Avaliar os programas de EA por meio de pesquisa e experimentação, baseando-se em


conhecimentos de Geografia.
50

7. Referências Bibliográficas

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51

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iniciais, 2. Ed. São Paulo: Annablume.
 https://escolakids.uol.com.br/geografia/desmatamento-no-brasil.htm, acesso em Dezembro, 2019
52

APÊNDICES
QUESTIONÁRIO DIRIGIDO AOS PROFESSORES E ALUNOS
Dados dos inquiridos
1. IDADE _________ anos(Professor e aluno)
2. NÍVEL ACADÉMICO:(Só professor)
A. Médio______
B. Bacharel_____
C. Licenciado_____

3. CLASSE QUE LECCIONA: 8ª_____; 9ª______; 10ª______(Só professor)


4. CLASSE QUE ESTUDA: 8ª_____; 9ª______; 10ª______(Só Aluno)

5. ANOS DE EXPERIÊNCIA (Só professor)


A. 1 à 2 anos____
B. 3 à 4 anos____
C. 5 à 6 anos____
D. 10 à 25 anos____

Questões
1. Como professor de Geografia, como analisa a situação actual do meio ambiente,
sobretudo na Vila de Moatize?(Só professor)
A. Boa
B. Razoável
C. Ruim
D. Não sei

2. Estando a leccionar ou receber aulas da disciplina de Geografia, alguma vez já


abordou ou abordado conteúdos relacionados com a Educação ambiental?(professor e
aluno)
A. Sim
B. Não
C. Não sei

3. Na sua opnião, acha que existe alguma relação entre a disciplina que lecciona com a
Educação ambiental?(Aluno e Professor)
A. Sim
B. Não
C. Nao sei
53

4. Face à educação ambiental, acha que o mal que afecta o ambiente, pode ser
influenciado por insuficiência de informação por parte da população?(Aluno e
Professor)
A. Sim
B. Não
C. Talvez
D. Não sei

5. Na sua opinião, acha que os conteúdos relacionados com a educação ambiental


lecionados ou aprendidos na Geografia, chegam à comunidade através dos
alunos?(Aluno e Professor)
A. Sim
B. Não
C. Às vezes

6. Estando num mundo em que tem se verificado graves problemas ambientais a nível
mundial, onde Moçambique não é excepão e consequentemente Moatize, o que acha
que deve ser feito como medida para a mitigação deste problema?(Aluno e Professor)

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___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
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7. O que achou da entrevista?(Aluno e Professor)
A. Boa
B. Ruim

Outros comentários
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