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Francisco Filipe Luís

Evolução do Pacote Eleitoral Moçambicano

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – ISCED

Beira 2019
Índice
Introdução..........................................................................................................................2

A Evolução do Pacote Eleitoral Moçambicano.................................................................3

Caracterização das Mudanças Consecutivas na Composição da CNE (1993- 2014)........4

Importância dos Partidos Políticos no exercício do poder político...................................6

A importância da legislação eleitoral................................................................................7

O carácter pleitual do processo eleitoral...........................................................................7

Conclusão..........................................................................................................................8

Bibliografia........................................................................................................................9
Introdução
O presente trabalho pretende desenvolver estudos sobre a experiência moçambicana no
acto de sufragio neste aspecto depois de cada processo eleitoral é feita uma revisão da
legislação eleitoral, o que por um lado é positivo na medida em que permite o
acolhimento de recomendações decorrentes da realização do processo eleitoral o que
tem permitido o continuo aprimoramento, da legislação eleitoral porém por outro lado
esta prática prejudica a necessária consolidação e estabilidade da legislação eleitoral a
qual deve evoluir para um código eleitoral que obedece a regra dos “três s” (3S) isto é
ser científica, sintética e sistemática.
A Evolução do Pacote Eleitoral Moçambicano
Sufrágio é o direito ao voto dado ao povo, mediante o poder do Estado de determinar
quem é povo dentro do seu território. É o poder que se reconhece a certo número de
pessoas (o corpo dos cidadãos) de participar directa ou indirectamente na soberania, isto
é, da gerência da vida pública.

 Doutrina da soberania nacional: acolhem o sufrágio como uma função –


Sufrágio Restrito.
 Doutrina da soberania popular: inferem como um direito público subjectivo –
Sufrágio Universal.
 Voto: Expressão da vontade política do povo. (direito e indirecto; secreto e
aberto; igual e plural).
 Directo: quando o eleitor, de modo pessoal e imediato, designa os seus
representantes ou governantes.
 Indirecto: recai a escolha sobre delegados, que são intermediários incumbidos
de proceder à eleição definitiva. (Delegados são compromissários, também
chamados de eleitores de 2o grau, secundários, presidenciais ou senatoriais.)
 Secreto: o voto secreto (votum per libellum) é a garantia efectiva do princípio
democrático, constitui um complemento do sufrágio universal.

Daí também seu carácter obrigatório. A inobservância do segredo acarreta a anulação do


voto. É a máxima garantia de defesa moral e material do eleitor, contra o peso das
pressões políticas que ficaria sujeito se seu voto fora dado a descoberto. Quem diz
democracia diz voto secreto.

O primeiro acto político eleitoral organizado e realizado pelos moçambicanos, teve


lugar a quando da génese da FRELIMO, quando os moçambicanos organizaram um
processo eleitoral no qual através do voto secreto, pessoal e directo o Dr. Eduardo
Mondlane foi sufragado, primeiro Presidente da FRELIMO.

O Primeiro acto eleitoral no Moçambique independente teve lugar em 1977, na base do


qual foram constituídas as Assembleias populares do Povo, desde o nível da localidade,
até ao nível central. Eram eleições que decorriam no quadro de um sistema político de
Partido único, e de uma democracia directa e participativa.
Caracterização das Mudanças Consecutivas na Composição da CNE (1993- 2014)
A evolução da legislação eleitoral moçambicana que começa pela Lei nº. 4/1993, de 28
de Dezembro, resultante do Acordo Geral de Paz (AGP), foi uma solução de
compromisso encontrada que colocou a consensualidades dos antigos beligerantes
(Frelimo e Renamo), para o garante e o estabelecimento dum cenário pacífico para
todos cidadãos no desenvolvimento do processo democrático, conforme aponta o estudo
feito por Mbilana (2006).

A lei eleitoral nº.4/93, 28 de Dezembro, quanto a composição da CNE, prevê 21


membros provenientes dos partidos políticos, dos quais, 10 membros provinham do
partido Frelimo; 7 membros provinham do partido da oposição-Renamo; 3 membros
provinham dos pequenos partidos da oposição. Esse processo culminou com a indicação
consensual de Brazão Mazula como figura para chefiar essa comissão.

Os membros dessa CNE, dentre suas características profissionais e pessoais deveriam


dar garantias de equilíbrio, objectividade e independência em relação a todos os partidos
políticos (art.15). Esta legislação, colocou em acção o início do funcionamento e da
composição da CNE para supervisão das primeiras eleições multipartidárias em 1994.

Desde então, a realização das primeiras eleições de 1994, a composição da CNE tem
vindo a sofrer continuas mudanças em cada pleito eleitoral.

Sendo assim, após o término do mandato da CNE de 1993, mais uma nova legislação
eleitoral, foi instituída para reger os processos eleitorais subsequentes. Dai que, foi
criada a lei eleitoral nº. 4/1997, de 28 de Maio, que levou a formar nova CNE composta
por 9 membros:

a) sendo um presidente, Sr. Leonardo Andre Simbine, como a figura que deveria dar
garantias de imparcialidade dessa CNE, designada pelo Presidente da Republica ,

b) oito vogais provenientes das seguintes indicações: dos quais 5 membros da Frelimo e
3 indicados pela Renamo. Estes membros eram eleitos pelo Parlamento, conforme o
principio da representação proporcional dominado pela Frelimo e;

c) teve 1 membro designado pelo Conselho de Ministros (Brito, 2011).

Aqui, essa lei (lei nᵒ 4/1997) diferentemente da primeira lei eleitoral sobre composição
da CNE foi aprovada com base no princípio do voto maioritário da Frelimo. Isso
implicou o abandono do princípio de unanimidade (consensos) entre os actores
envolvidos (partidos políticos).

Essa arquitectura da composição da CNE influi para realização de eleições de1999,


onde foi instituída mais uma nova lei eleitoral nº. 4/1999, de 2 de Fevereiro, alterada
pela lei nº.8/99, com uma CNE composta por 17 membros, sendo 15 membros
apresentados pelos partidos políticos com assento parlamentar e eleitos pelo parlamento
e 2 membros indicados pelo governo (a figura para chefiar essa comissão foi Jamisse
Taimo), conforme também é referenciado por Brito (2011).

Em 2002, mais uma legislação eleitoral é alterada, onde a CNE (lei 20/2002), de 10 de
Outubro, passa a ser composta por 19 membros: mantendo de novo, um presidente e
dois vice-presidentes. Nesta lei, diferentemente e comparativamente às leis anteriores,
um novo acto, é que o presidente da CNE12 passou a ser indicado por proposta da
sociedade civil, neste caso, culminou com a indicação do Senhor Arão Asserone Litsuri
foi figura chefe para essa CNE, e eleito pelos restantes membros da comissão,
apresentados pelos partidos políticos e coligações de partidos com representação
proporcional.

Contudo, quando ocorreram as terceiras eleições gerais em 2004, o ponto ancorado era
de que a composição da CNE subsequente, os membros que fizessem parte desta, os
fosse indicada pela sociedade civil (OSC). O que por consequência, levou a criação de
uma nova lei eleitoral nº. 8/2007, de 26 de Fevereiro, onde a CNE era composta por
treze (13) membros: 5 membros eram eleitos pela Assembleia da Republica, respeitando
o princípio da representação proporcional; 8 membros eleitos pelos membros indicados
pelos partidos por meio da Assembleia da Republica, dentre listas de candidatos
submetidos por organizações da sociedade civil.

Quanto a composição da CNE 2013, a lei nº. 6/2013, 22 de Fevereiro, preconiza que a
composição da CNE é constituída por 13 membros, nomeadamente: 5 membros
representantes da Frelimo; 2 membros representantes da Renamo; 1 membro do
Movimento Democrático de Moçambique; 2 membros indicados pelo Conselho
Superior da Magistratura do Ministério Público, quer dizer, um juiz e outro procurador;
e 3 membros das organizações da Sociedade civil.
A importância do sufrágio no exercício do poder político

O n°1 do artigo 2 da Constituição da República estatui que a soberania reside no Povo e


o n°2 acrescenta que o povo moçambicano exerce a soberania segundo as formas
fixadas na Constituição. Nos termos do disposto no artigo 73 da Constituição da
Republica, o Povo moçambicano exerce o poder político através do sufrágio universal,
directo, igual, secreto e periódico para a escolha dos seus representantes, por referendo
sobre as grandes questões nacionais e pela permanente participação democrática dos
cidadãos na vida da Nação.

Portanto o sufrágio universal constitui um meio pacífico e legal que permite que os
Partidos Políticos participem na governação do país, sendo por isso vedado aos Partidos
Políticos preconizar ou recorrer à violência armada para alterar a ordem política e social
do país, conforme dispõe o artigo 77 da Constituição da Republica.

Importância dos Partidos Políticos no exercício do poder político


A Constituição da República expressamente dispõe que a soberania reside no Povo,
confere aos partidos políticos um papel fundamental, como um dos instrumentos atráves
do qual o Povo exerce o poder político. De acordo com o disposto no artigo 74 da
Constituição da República, os partidos expressam o pluralismo político, concorrem para
a formação e manifestação da vontade popular e são instrumento fundamental para a
participação democrática dos cidadãos na governação do país.

É neste quadro que se deve valorar o papel dos Partidos políticos como actores de
primeiro plano nos processos eleitorais, pois constituem um instrumento fundamental
para a participação democrática dos cidadãos na governação do país.

Moçambique realizou com sucesso, pela primeira vez em 2009 três eleições em
simultâneo e num único dia. A eficácia e a eficiência demonstradas na organização e
administração do processo das eleições presidenciais, legislativas e das assembleias
provinciais, evidencia o grau de crescimento do nosso sistema democrático.
A importância da legislação eleitoral
O n°3 do artigo 2 da Constituição da República sanciona que o Estado subordina-se à
Constituição e funda-se na legalidade e o n°4 do artigo 135 da Constituição estabelece
que o processo eleitoral é regulado por lei.

Portanto a lei eleitoral é a base, o fundamento, o critério e o limite para a actuação dos
Partidos Políticos e de todos os intervenientes nos processos eleitorais.

Portanto é a Lei eleitoral que configura o sistema eleitoral, entendido como o conjunto
de regras, de procedimentos e de práticas, com a sua coerência e a sua lógica interna a
que está sujeita a eleição e que, portanto, condiciona (conjuntamente com elementos de
ordem cultural, económica e politica) o exercício do direito de sufrágio.

O processo eleitoral moçambicano em geral e o processo contencioso eleitoral em


particular vincula-se aos princípios da legalidade e da tipicidade. A supremacia da
Constituição e o primado da lei é o garante da igualdade, justiça e transferência
eleitorais

O carácter pleitual do processo eleitoral


O processo eleitoral é por natureza, um pleito, que coloca em desafio diferentes
concorrentes, que se confrontam pela conquista do poder politico sendo os partidos
políticos os protagonistas; Os processos eleitorais moçambicanos, tem decorrido de
forma harmoniosa, pacífica, ordeira, transparente e exemplar, o que tem concorrido para
que o nosso país seja assumido como uma referência paradigmática no concerto das
nações.

O facto de os processo eleitorais moçambicanos serem ordeiros não os isenta dos


conflitos de interesses típicos dos pleitos eleitorais. Neste contexto os compromissos
políticos interpartidários devem estar vínculados ao imperativo de defesa do interesse
nacional plasmado no artigo 11 da Constituição da República.

O mais importante é que a confrontação política decorra dentro do quadro legal


regulador do processo eleitoral e que o contencioso eleitoral decorra em sede própria.
Conclusão
Os resultados do estudo evidenciam que trajecto da evolução da legislação eleitoral
moçambicana tendeu-se caracteristicamente na mudança da lei eleitoral mais
especificamente quase nas mudanças consecutivas na composição dos membros da
Comissão Nacional Eleitoral em cada processo eleitoral em função dos actores
envolvidos (FRELIMO e RENAMO). Da postura dos Partidos Políticos, espera-se uma
atitude de abertura, de diálogo, de boa fé, e de bom senso, pois o processo de revisão da
legislação eleitoral é também um processo de diálogo, de aproximação das partes, um
processo inter-activo, um momento de aprofundamento da democracia. O diálogo e a
negociação são fundamentais quando ocorrem no momento próprio, em sede própria e
com respeito pela ordem jurídica e pelas atribuições e competências dos órgãos
legalmente constituídos.

Portanto o estágio actual do desenvolvimento do nosso Estado de Direito democrático já


nos pode permitir produzir uma legislação eleitoral sistematizada que possa ser
aplicável para a regulação de todos os processos eleitorais, isto é, uma legislação que
congrega os princípios reguladores dos processos eleitorais.
Bibliografia
CARDOSO, Lopes António, Os sistemas Eleitorais, Edições Salamandra, Lisboa, 1993.

CANOTILHO J.Gomes, Direito Constitucional e Teoria da Constituição, 7ª ed,


Coimbra, 2003.

MIRANDA, Jorge, Ciência Politica Formas de Governo, Lisboa, 1996.

Constituição da Republica de Moçambique, Maputo, 2004.