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MINAYO, M. C. S. (Org.) Pesquisa Social: teoria, método e criatividade.

12ª
ed. Petrópolis: Vozes, 2012.

Análise e interpretação de dados de pesquisa

1. O foco é a exploração do conjunto de opiniões e representações sociais sobre


o tema que se pretende investigar. Então, não se trata de contar opiniões ou
pessoas. Não precisamos abranger a totalidade das falas.
2. A análise deve dar conta das diversidades.
1ª descrição;
2ª análise;
3ª interpretação;
Descrição: apresentação de maneira fiel como se os dados falassem por si. Análise:
fazer a decomposição dos dados buscando relações entre as partes compostas.
Interpretação: pode ser feita após a descrição e a análise. Nesta fase, busca-se o
sentido dos dados para se chegar a uma compreensão ou explicação que vai além do
escrito e do analisado. (inicia-se com a interpretação dos dados e se chega na
interpretação das interpretações)
3. Quando falamos de análise e interpretação estamos falando de um momento
em que o pesquisador procura finalizar o seu trabalho. Algumas considerações:
1ª. A análise a interpretação acontecem durante a pesquisa;
2ª Às vezes, quando chegamos ao final, precisamos regressar ao início devido a
insuficiência de dados.
3fª. Ou, se o referencial teórico não é suficiente precisamos buscar novas referências.
[não há fronteiras nítidas]
Então, o importante é avaliar o processo com os seguintes critérios:
a. Qualidade do material (registros);
b. Suficiência de material para análise (isto depende do que se pretende com a
pesquisa);
Veremos a seguir:
1. Análise de conteúdo;
2. Método de interpretação;

Análise de conteúdo

A análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise que visam obter


um indicador quantitativo ou qualitativo que nos permite inferir conhecimento
relativo a partir daquilo que fora analisado.
A análise de conteúdo trabalha com a perspectiva “do uso de inferências que
partem da descrição de conteúdos explícitos da comunicação para chegar a
dimensões que vão para além da mensagem.

Tipos de análise:

a) Análise de avaliação ou análise representacional – se presta para medir as


atitudes do locutor quanto aos objetos de fala. A atitude é o conceito básico
e fala a predisposição para reagir sob forma de opinião, atos em presença
de objetvos;
b) Análise de expressão – A partir de indicadores busca-se atingir a inferência
formal. Parte-se do princípio que a correspondência entre o tipo de discurso
e as características entre locutor e seu meio;
c) Análise de enunciado – Costuma ser analisado para analisar entrevistas
abertas;
d) Análise temática – O conceito central é o tema. Pode ser representado por
uma palavra, frase ou resumo. O que é o tema? O tema é a unidade de
significação que se liberta de um texto analisado segundo critérios relativos
à teoria que serve de guia à leitura.
Trabalhar com análise temática consiste em descobrir os núcleos de sentido que
compõem a comunicação e cuja presença ou frequência de aparição pode significar
alguma coisa para o objetivo analítico escolhido.
Unidade de registro
Palavra / frase / tema

Precedimentos
Categorização
Inferência
Descrição
Interpretação
a. Decompor o material em partes;
b. Distribuir as partes em categorias;
c. Fazer uma descrição do resultado da categorização;
d. Fazer inferência dos resultados;
e. Interpretar os resultados obtidos à luz das teorias adotadas.
Nem toda a pesquisa segue toda esta trajetória

A categorização “é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um


conjunto por diferenciação e, em seguida, por reagrupamento. Segundo o gênero
(analogia), com critérios previamente definidos. As categorias são rubricas ou classes,
as quais reúnem um grupo de elementos (unidades de registro, sob um mesmo título)
[exemplo de gavetas – danos morais / perdas matérias]
As gavetas podem ser criadas antes ou depois. Para criar antes é necessário ter
conhecimento prévio sobre o tema.
O tema se refere a unidade maior em torno do qual tiramos uma conclusão.
É importante garantir que as categorias (ou classes) seja homogêneas.
Todo o conjunto do material precisa ser analisado pelo mesmo critério.
Além dos princípios de homogeneidade as categorias devem:
a. Ser exaustivas: devem dar conta de todo o conjunto do material analisado;
b. Exclusivas: um aspecto não pode estar em duas categorias;
c. Concretas;
d. Adequadas;
Critérios para categorias
- semântico
- sintático
- expressivo

Outros procedimentos
Inferência: é a operação pela qual se aceita uma proposição em virtude de uma
relação com outras proposições já aceitas como verdadeiras. Devemos partir de
premissas já aceitas a partir de outros estudos acerca do assunto qu estamos
analisando.

Descrição – inferência – interpretação

A inferência é uma fase intermediária (quem diz que, a quem como e com que efeito?)
[ essas são questões para a produção de inferência ]

Análise de conteúdo é uma técnica para produzir inferências de um texto focal para
seu contexto social de maneira objetiva.
A interpretação exigem inferências e base teórica.
Chegamos a uma interpretação quando conseguimos realizar uma síntese entre as
questões da pesquisa e os resultados obtidos a partir do material coletado [mais as
inferências realizadas mais a perspectiva teórica.

PASSO A PASSO
1. Leitura de primeiro plano
a. Para ter uma visão de conjunto;
b. Apreender as particularidades do conjunto do material analisado;
c. Elaborar pressupostos que servirão de baliza para a análise e
interpretação do material;
d. Esboçar formas de classificação inicial;
e. Determinar os conceitos teóricos que orientarão a análise;
2. Leitura de aprofundamento
a. distribuição dos trechos, frases e fragmentos de cada texto de análise
pelo esquema de classificação (escolhido na primeira etapa)
b. Fazer uma leitura dialogando com as partes do texto de análise;
c. Identificar os núcleos de sentido apontados pelas partes dos textos em
cada classe do esquema de classificação;
d. Articular os núcleos de sentido com os pressupostos iniciais e, se
necessário, realizar outros pressupostos;
e. Analisar os diferentes núcleos de sentido presentes nas várias classes
do esquema de classificação para buscar temáticas mais amplas ou
eixos em torno dos quais podem ser discutidos diferentes partes dos
trechos analisados
f. Reagrupar as partes dos textos por temas;
g. Elaborar uma redação por tema de modo a dar sentido aos textos e sua
articulação. A redação pode ser articulada com as “próprias
conclusões”.
Exemplo:

Obj. Analisar as representações das classes populares sore o uso de preservativo na


prevenção da ainds.
Fundamentação teórica
Conceitos gramscianos sobre hegemonia, contra-hemonia, senso comum e bom
senso.

Desejo da pesquisa na abordagem qualitativa da pesquisa social envolvendo a


realização de entrevistas abertas com as seguintes questões: o que as mulheres
pensam sobre o uso de preservativos na prevenção da aids.
Os sujeitos de pesquisa foram acessados a partir do principio de amostra de
conveniência da pesquisa.

- pressupostos: as representações sobre o uso de preservativo estão associados a


papeis de gênero presentes no senso comum.
- disto sairia o princípio: classificar os depoimentos a partir das ideias associadas ao
uso de preservativo e a perção sobre a participação da mulher nesse uso
"depressao pos parto" AND (bebe OR recem nascido OR neonato OR lactante)