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Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus

e da Sagrada Face
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Êxodo

Iniciação Cristã de Adultos

Apostila do Catequizando
PENTATEUCO

Este nome grego significa ―cinco rolos‖, ou livros e inclui Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
A autoria do Pentateuco, tradicionalmente considerado como Lei de Moisés, foi atribuída a este grande líder do povo
hebreu tanto pelo judaísmo como pelo cristianismo antigos. Hoje, sabe-se que não é possível atribuir a autoria de
nenhum destes livros a um único autor e menos ainda a Moisés, pois todos tiveram uma história literária complexa,
como veremos.
Para além desta referência a Moisés, os livros do Pentateuco têm uma certa sequência temática, pois
descrevem as origens do povo de Israel até a sua definitiva instalação em Canaã. Nomeadamente: a origem da
humanidade e do próprio povo hebreu na época patriarcal, a saída do Egito e a longa travessia do deserto. É nesta
última fase que aparecem enquadradas as leis fundamentais para a vida religiosa e social dos israelitas.
No Pentateuco, longas seções narrativas alternam com grandes conjuntos de leis. O modo de escrever
daquele tempo, misturando História, Direito e Liturgia, não coincide com o nosso modo de fazer História. Ao
mostrarem a intervenção de Deus nessa História, os autores do Pentateuco pretendem também apresentá-la como
modelo da presença de Deus na História de cada povo.

FORMAÇÃO DO PENTATEUCO

Segundo alguns estudiosos, o texto atual desse conjunto de livros é resultado de uma história literária
anterior, a que chamam ―fontes‖ ou ―documentos‖ conhecidos com o nome de Javista (J), Eloísta (E), Sacerdotal (P) e
Deuteronomista (D). De qualquer modo, o Pentateuco não foi escrito de uma só vez nem é obra de um único autor.
Foi escrito a partir de tradições orais e escritas que se foram juntando progressivamente e formando unidades
maiores ao longo do tempo. A junção de todo o material só se deu na época pós-exílica, altura em que se pode falar
da redação final do Pentateuco.
Certamente, o período à volta do Exílio influenciou a leitura de todo esse patrimônio histórico e religioso, mas
as tradições e outros materiais podem ser bastante antigos e manter, na sua forma final, os traços dessa antiguidade.
Provavelmente, o processo de formação dos cinco primeiros livros da Bíblia desenvolveu-se, em linhas gerais, em
vários períodos.
No início estaria um núcleo narrativo histórico bastante restrito da época de Salomão. Este núcleo é depois
retomado e ampliado por volta dos finais do séc. VIII a.C., recolhendo tradições e fragmentos do reino do Norte e
relendo tradições antigas numa nova perspectiva. No séc. VIII aparece o Deuteronômio primitivo, descoberto no
tempo de Josias (622 a.C.) e incluindo essencialmente leis e um pequeno prólogo. Depois é ampliado para dar o
texto atual de Dt 1-28.
As questões levantadas pelo Exílio fazem aparecer a grande obra histórica ―deuteronomista‖ que se vai
elaborando ao longo de várias fases, integrando, de algum modo, todos os materiais já recolhidos anteriormente.
Essa grandiosa reconstrução provoca uma série de retoques ―deuteronomistas‖ ao longo de todo o texto do
Pentateuco, que já estaria redigido.
No exílio da Babilônia aparece o ―escrito sacerdotal primitivo‖, obra dos sacerdotes exilados. Depois do
regresso do Exílio no séc. V, esse escrito é combinado com os precedentes, retocado e aumentado em alguns
aspectos e vai ocupar um lugar dominante no conjunto da narração. A essa redação final se deve o termo de toda a
trama narrativa na morte de Moisés e, logicamente, a delimitação do Pentateuco, separando o Deuteronômio do resto
da história deuteronomista. Esse trabalho deve ter sido concluído por volta do ano 400 a.C.

O PENTATEUCO E A HISTÓRIA DE ISRAEL

O Pentateuco recebeu inegáveis influências de todos esses documentos ou tradições e de muitos outros
fatores ligados à História e à religião de Israel. Mas o que os autores do Pentateuco pretendem manifestar nessa
História Sagrada não é tanto o povo com as suas virtualidades e peripécias históricas, mas o domínio absoluto de
Deus sobre todas as coisas e sobre todas as instituições humanas, incluindo a realeza, que no Médio Oriente era
considerada de origem divina. O poder vem de Deus e da sua Palavra, transmitida pelos seus intermediários.
Essa ―Lei‖ não é um simples conjunto de leis humanas; é um ―ensinamento‖ para viver segundo a vontade de
Deus, um chamamento à perfeição e à santidade: ―Porque Eu sou o Senhor que vos fez sair do Egito, para ser o
vosso Deus. Sede santos, porque Eu sou santo‖ (Lv 11,45).
O Pentateuco é a Carta magna do judaísmo pós-exílico. Após essa difícil, mas frutífera experiência, o Estado
judaico, antes apoiado nas estruturas da monarquia davídica, passa a reger-se unicamente pela ―Lei‖ de Deus e
deixa-se orientar pelos que detêm o monopólio do culto: os sacerdotes. Uma comunidade monárquica transforma-se
numa comunidade cultual em honra do Deus da Aliança. São os sacerdotes que editam e reeditam a Lei.
Sendo uma História Sagrada em que se manifesta a presença do Deus da Aliança na vida do seu povo, o
Pentateuco desenvolve-se a partir de três fatores principais: a epopeia do Êxodo, a Lei do Sinai e a fé num Deus
único. Por isso, mais tarde, e diferentemente de outros povos, Israel não necessitou da monarquia para sobreviver.

LEITURA CRISTÃ DO PENTATEUCO

O Pentateuco é uma história nunca terminada e sempre aberta às infinitas possibilidades do Senhor da
História. Podemos, pois, dizer que o resto do Antigo Testamento é, de algum modo, uma releitura contínua do
Pentateuco à luz de novos acontecimentos da História de Israel e do mundo que o rodeia.
Mas o Pentateuco também aponta para um novo Êxodo, para outra Terra Prometida, para outra presença de
Deus: Jesus Cristo. Ele é a nova Lei, a nova manifestação de um Deus que nunca cessa de renovar a Aliança com o
seu povo. Cristo e os primeiros discípulos leram o Pentateuco como uma história aberta que se completa na vinda do
Messias. A partir daí, a relação do homem com Deus já não passa pela observância material da Lei, mas pelo
seguimento de Cristo.
Porém, aquilo que se põe de lado não é o Pentateuco, mas apenas a interpretação fechada que dele fez o
judaísmo rabínico. Assim, o Pentateuco não só não impede, mas ajuda a compreensão de Cristo e do seu Evangelho:
ao lê-lo, pensamos no Evangelho, e quando lemos o Evangelho encontramos as suas raízes no Pentateuco. Não se
pode ler os mandamentos da Lei, sem os comparar com os mandamentos da Nova Lei, as Bem-aventuranças.
Os cristãos reconhecem em Cristo a Palavra de Deus encarnada e, no Evangelho, a Nova Lei; Lei que não
vem abolir a antiga, mas dar-lhe toda a perfeição (Mt 5,17-18). Cristo, de que Moisés era apenas uma figura, veio
fundar um novo povo, uma nova comunidade, liberta na Páscoa da sua Paixão-Ressurreição. Numa palavra, Cristo é,
para os seus discípulos, a nova Lei, a nova Páscoa, o novo Templo de Deus entre os homens (Jo 2,21; Ap 21,3.22), a
nova Aliança, não apenas com um povo, mas com toda a Humanidade.

1 – Apresentação do livro de Êxodo

O nome do segundo livro do Pentateuco, Êxodo, é derivado da tradução latina (conhecida como Vulgata), que
o chama de Exodus, a transcrição do nome grego que significa "saída" dos filhos de Israel do Egito. Os judeus
(Hebreus) o denominavam com as primeiras palavras do texto (de acordo com o uso semita), isto é: "Estes são os
nomes" ou simplesmente "nomes". Isso nos diz em primeiro lugar que o povo não é uma massa anônima, mas um
grupo específico de pessoas, com os seus nomes, suas identidades.
O credo judaico é uma narrativa histórica de libertação à qual se faz constantemente referência ao longo de
toda a Escritura. É por isso que o primeiro livro do Antigo Testamento (do Primeiro Testamento, da Primeira Aliança)
que se deve ler é o Êxodo, texto que se torna paradigma da história da salvação. Na verdade, ele conta a história dos
filhos de Israel desde o evento do pós-morte de José no Egito (cf. Gn 50), até a construção do santuário do deserto
aos pés do monte Sinai (cf. Ex 40).
A salvação do povo de Israel começa na forma de libertação e o livro do Êxodo é a versão épica desse
evento fundante. É uma libertação que tem para o povo um caráter fundamental e exemplar. Na verdade, esse tema
da libertação permeia toda a Escritura e é o seu ponto de apoio.
Na leitura lembramos que o texto é o resultado da união de muitas tradições. Portanto, algumas narrativas
têm algumas nuances e outros sublinham diferentes aspectos.
A estrutura fundamental da história é:

 Saída do
 Mudar para
 Entrar em

O povo sai do Egito (símbolo do pecado), passando pelo Mar Vermelho, como Deus havia passado (no meio
do povo) na noite da libertação para entrar na terra prometida (símbolo da salvação).
O Sujeito (agente) da saída é o povo: é colocado em primeiro plano o evento da saída que se especifica
como libertação; mas o primeiro Sujeito (agente) é Deus, colocado em primeiro plano a partir do ponto de vista
teológico, pois é ele quem toma a iniciativa e a libertação assume o tom de salvação. Outro Sujeito (agente) é Moisés
ator de mediação entre o povo e Deus.
São dois os principais temas do texto: a libertação e a aliança do Sinai, unidos entre si pelo tema do
"caminho".
1. O povo de Deus (Ex 1)

Oração inicial — Senhor, abre o meu coração à escuta da Tua palavra, aumenta a minha fé, abrasa o meu amor.
Ilumina o meu viver, me ensinas, me convences, me corriges, transforma o meu ser! Desperta os meus ouvidos e faz-
me atento à Tua voz. Amém.

Introdução — O livro do Êxodo começa apresentando uma grande mudança ocorrida após a morte de José no Egito.
Com o aumento do povo hebreu, o novo faraó, temendo uma revolução e a perda do poder político, toma uma série
de medidas repressivas contra esse povo, que lhe parece constituir uma séria ameaça em caso de guerra. Assim é
preparada a narração da grande epopeia da salvação de Israel, com quem Deus fará aliança.
O livro do Êxodo é um hino a Deus que salva, um poema ao Deus de Israel, que tendo escutado o grito do
seu povo, ―desce‖ para o libertar. O povo, uma vez libertado, irá servir, não ao faraó, mas a Deus (cf. Dt 4, 20).
Do ponto de vista histórico, estes acontecimentos devem provavelmente colocar-se no tempo do Império
Novo do Egito, no século XIII antes de Cristo. É no quadro destas injustiças e sofrimentos que se vai desenrolar a
ação salvadora de Deus.

Oração antes da leitura da Bíblia

Ó Deus, torna meu espírito digno de encontrar Tua alegria na compreensão do Mistério de Cristo, Teu Filho
bem-amado, revelado nas Escrituras. Acende Tua Santa Luz no meu coração, a fim de que meu espírito penetre para
além das palavras escritas com tinta...
Que eu veja, com os olhos iluminados, os sagrados mistérios escondidos na Tua Boa Nova. Concede, ó meu
Senhor, por Tua graça e Tua misericórdia, que Tua lembrança nunca desapareça do meu coração, nem de dia nem
de noite. Amém!
Filoxênio de Mabbong
Leitura Bíblica: Êx 1

Reflexão — Depois de ler todo o capítulo um do livro do Êxodo, leia também o texto abaixo, que tem por objetivo
levá-lo a uma compreensão mais profunda do texto lido.

O livro inicia com um quadro geral introdutivo: uma lista dos nomes das doze tribos de Israel que chegaram
ao Egito (cf. Gn 46,1-27) e a descrição da situação na qual os judeus (Hebreus) estavam vivendo. Esse grupo de
pessoas, emigrado para o Egito durante um período de fome, tinha conhecido num primeiro momento uma boa
recepção da parte dos egípcios.
Seu crescimento assustou seus ―hospedeiros‖, que começaram a escravizá-lo, tornando sua vida difícil e
insuportável. A opressão torna-se tão forte que a própria existência do povo constitui uma ameaça e, por isso, o
comando para matar todos os meninos recém-nascidos, isto é, todos os que levavam a ―semente‖ desse povo.
Lembramos que essa prática era exercida sobre os povos derrotados nas batalhas com outras medidas
punitivas, como o assassinato dos idosos e da escravidão. Desta forma, a humilhação era completa: tirava-se o
passado e o futuro do povo, negando-lhe qualquer forma de dignidade.
Em tudo isso, há aqueles que continuam a temer a Deus, como as parteiras, que se opõem em silêncio e de
forma inteligente à ordem do Faraó.
Essa apresentação objetiva da situação na qual vive o povo leva o leitor a se perguntar: o que vai acontecer?
O que será dessa gente? O povo oprimido não é apenas o símbolo de todos os povos oprimidos, mas de toda pessoa
que vive em um regime de escravidão.
Elide Siviero

Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.

Releia agora o capítulo e sublinhe as frases que mais o tocaram. Depois, pergunte-se:

 Sinto-me com um nome específico, com uma identidade precisa diante de Deus?
 Vivo em mim qualquer opressão, qualquer "escravidão"?
 Releia agora o capítulo e sublinhe a frase que lhe parece mais importante.

Oração final — Senhor, ajuda-me a chegar até o meu ―eu original‖, lugar onde se encontra não só a minha essência,
mas também a Tua presença; ajuda-me a mergulhar no mais profundo de mim mesmo para aí encontrar
verdadeiramente a Ti. Liberta-me, ó Pai, da escravidão do meu egoísmo, para que eu possa realizar melhor a Tua
vontade em minha vida e servir apenas a Ti. Amém.
2. Juventude de Moisés (Ex 2)

Oração inicial — Senhor, nosso Deus, nós Te agradecemos por estarmos aqui na Tua presença para aprofundar a
nossa fé, fortalecer a nossa esperança e alargar o nosso amor. Obrigado pela beleza de tantas graças que
recebemos de Ti incessantemente; obrigado por Tua presença em nossas vidas, silenciosa, porém, constante.
Ilumina-nos com a luz do Espírito Santo, para que possamos trabalhar na construção do Reino, evangelizando e
proclamando a Tua bondade e misericórdia. Amém.

Leitura Bíblica: Ex 2

Reflexão — Depois de ler todo o capítulo dois do livro do Êxodo, leia também o texto abaixo, que tem por objetivo
levá-lo a uma compreensão mais profunda do texto lido.

A vida de Moisés na Bíblia é dividida em três períodos, que segundo o livro de Atos (cf. At 7,20-30), durou 40
anos. Esse número não deve ser tomado literalmente: é uma figura simbólica que resume a vida desse homem em
períodos bem definidos e completos (o número 40 indica, de fato, um período completo). As três fases de sua vida
definem três situações ou momentos de crescimento:
1. Os primeiros 40 anos na escola do faraó.
2. Os segundos 40 anos no deserto de Madiã, com sua família.
3. Os terceiros 40 anos no comando do povo no caminho do Êxodo.
A primeira parte do capítulo 2 (vv. 1-10) apresenta Moisés na escola do faraó. A história dele é maravilhosa:
uma criança salva das águas. Deus parece totalmente ausente dessa história, mas o leitor sabe que, por trás das
escolhas dos homens está a mão da providência divina.
Moisés se apresenta bonito para sua mãe. Esse termo não quer apresentar a beleza física do recém-nascido,
mas quer dizer que, desde o princípio, Deus tem um projeto para ele. Com o seu nascimento Deus está iniciando
uma espécie de nova criação, a criação de seu povo. Moisés é o tema de um favor especial de Deus, mas, em vista
de uma missão que irá beneficiar todo o povo.
Em língua egípcia, Moisés quer dizer "filho de...", mas a Bíblia dá outra interpretação e faz com que o seu
nome venha de uma palavra hebraica que significa "tirar‖, ―salvar". O futuro libertador já é um sinal profético e vive
antecipadamente a experiência de seu povo; é o primeiro a ser liberto, foi salvo para salvar. Nisso é possível
perceber como se sublinhou a origem divina dessa escolha de libertação.
Centrando a atenção sobre o Egito, lembramo-nos de que esse foi o primeiro país do mundo de então, o mais
rico, o mais poderoso. Mas a atenção de Deus se dirige ao povo pequeno e insignificante, escravo e pobre, que é
Israel. Essa também é uma ideia constante em toda a Escritura. O único ponto fraco da cultura egípcia era
exatamente a religiosidade, cujo progresso não era à altura daquele das ciências ou das artes, uma vez que ainda
vigorava o culto politeísta.
Moisés vive dessa cultura que faz com que ele se torne um homem poderoso e educado (culto). No entanto,
nesse período ainda lhe falta um verdadeiro contato consigo mesmo e com os outros. É um pouco um ―filhinho de
papai‖ e é somente o encontro com seus irmãos que lhe permitirá dar um salto de qualidade e de crescimento. A
segunda parte do capítulo narra exatamente isso.
Moisés entra em contato com seus irmãos, mas acha que pode resolver os problemas do seu povo com seus
métodos, com violência e poder. Ele tinha se tornado um oficial egípcio, mas sua família e seu sangue eram
israelitas. Crescido, cumpre o seu êxodo pessoal: "Ele saiu na direção dos seus irmãos". É uma pessoa generosa
que quer fazer algo grande para o seu povo e lutar pela justiça, mas ainda assim o faz com os seus meios.
Principalmente no início, age para o seu povo, mas sem o seu povo. Moisés ainda não entendeu que não se
salva um povo sem fazê-lo participar de sua própria salvação. Apenas um encontro com Deus é que vai colocá-lo em
contato com seu povo e somente esse encontro é que poderá tornar eficazes seus esforços.
Até quando se nomeava auto-justiceiro nem mesmo o seu povo lhe acolhe. Por isso foge e de corajoso se
transforma em medroso. Na fuga, torna-se o representante de uma humanidade perdida e à procura; torna-se
"estrangeiro" e conhece a situação de ―estrangeiridade‖, que o ajudará a entender a situação de seu povo. Antes de
se tornar um libertador deveria conhecer a libertação de Deus.
Em Madiã, constrói uma família e vive uma vida tranquila e retirada. Podemos dizer que essa é a primeira
fase do deserto de Moisés em que ele para para refletir sobre isso. Nesse contexto de solidão, tristeza, busca,
desorientação vem a chamada de Deus (capítulo 3). O texto afirma que essa chamada nasce da escuta que Deus faz
do grito dos seus pobres: "Deus ouviu seu gemido", e se lembrou da sua fidelidade à aliança que tinha feito com o
seu povo. Moisés, então, vai se tornar um instrumento nas mãos de Deus.
Elide Siviero
Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.
Perguntemo-nos:

 Reconheço em minha vida uma especial providência de Deus? Reconheço-me — também eu — "salvo" por
Deus e privilegiado como Moisés, que pôde estudar e tornar-se culto?
 Em minha vida vivi momentos de decepção, desânimo ou fracasso?
 O que essa primeira parte da existência de Moisés ensina para a nossa vida?
 Enfatize nesse capítulo a frase que lhe parece mais importante.

Oração final — Senhor, nosso Deus, nós queremos vos louvar e bendizer porque estais sempre ao nosso lado. Que
jamais esqueçamos a nossa missão, a nossa dignidade, o privilégio de vossa providência divina. Que a consciência
de sermos amados por vós nos ajude a viver profundamente a fé que colocastes em nosso coração, de modo que
outros, talvez menos privilegiados, sejam influenciados pelo tesouro da graça com que fomos cumulados. Amém.
3. Chamado de Moisés (Ex 3)

Oração inicial — Senhor Deus, abre-nos os olhos para que, sempre, em toda a parte, em todas as
circunstâncias da nossa vida e da vida do mundo, possamos descobrir a Tua presença atenta, amorosa,
solícita. Tu és verdadeiramente Aquele que está conosco e que vem ao nosso socorro; és o Deus próximo,
o Deus que escuta o oprimido, o Deus que salva, o Deus que ama o Seu povo. Envia o Teu Espírito Santo,
ilumina a nossa mente, aquece o nosso coração e desperta os nossos ouvidos para a escuta de Tua
palavra libertadora. Amém.

Leitura Bíblica: Ex 3

Reflexão — Depois de ler todo o capítulo três do livro do Êxodo, leia também o texto abaixo, que tem por
objetivo levá-lo a uma compreensão mais profunda do texto lido.

Nesse capítulo, Deus revela o seu nome, isto é, simplesmente se revela a Moisés no Monte Horeb
— também chamado Sinai — e lhe confia uma missão. As diversas tradições se cruzam nessa história.
Aqui temos a primeira narrativa da vocação de Moisés. No capítulo seis encontramos outra que, apesar de
não contar os detalhes que encontramos no capítulo três, permanecerá fiel ao padrão de autorrevelação
de Deus e do chamado de Seu servo.
A vocação acontece com a constatação de um prodígio: a sarça ardente. Sob o sol escaldante do
deserto poderia a sarça incendiar-se, mas o fato de não consumir-se revela o caráter prodigioso e
apresenta a maravilhosa manifestação de Deus (Teofania).
Moisés conhece uma presença que não se consome e se sente diante do mistério, diante de algo
que lhe supera. Poderíamos dizer que encontra dentro de si um ardor nunca conhecido, uma chama que é
o amor por seu povo. A sarça ou o arbusto é símbolo de um grande amor que lhe toca e lhe inflama. Ele
sente que Alguém o convida a tirar as sandálias, como sinal de respeito e a tomar consciência de estar em
um lugar sagrado, ou seja, separado de um espaço profano. O lugar onde Deus se encontra é um espaço
sagrado.
Deus se apresenta a Moisés como "o Deus de teu pai, Abraão, Isaque e Jacó". É uma chamada do
Deus de seus pais que coloca Moisés em relação com todo o seu povo (cf. Gn 28, 13), que adorava o
Deus da casa ou do clã. Quando Moisés recebe esta chamada tem oitenta anos (40 mais 40, cf. At 7,30) e
está no momento de máxima plenitude (lembremo-nos do valor simbólico do número 40).
No versículo três Moisés é apresentado como um homem que faz perguntas, que nascem da sua
confusão. Ele é o homem que está diante do mistério de Deus e é chamado duas vezes. Essa é uma
característica de todas as chamadas importantes narradas no Primeiro Testamento. Lembremo-nos de
Abraão (cf. Gn 22,1) e de Samuel (1Sm 3,3). Também no Novo Testamento encontramos esse modo de
chamada: Marta (Lc 10,40), Simão (Lc 22,31) e Saulo (At 9,4).
O nome revela a pessoa: Alguém sabe o nome de Moisés, o chama, se interessa por ele. É um
momento decisivo que marca uma guinada radical. Moisés não sente que Deus está lhe agradecendo, mas
quase lhe colocando sob aviso: ele tinha se aproximado do lugar sagrado com muita segurança. Deus o
convida a despojar-se das suas próprias seguranças e de seus projetos (do seu próprio modo de andar)
para se encontrar com Ele como um homem pobre. Diante de Deus se caminha descalço, pobre,
disponível, deixando-se guiar por Ele.
No chamado de Moisés, Deus revela seu próprio nome: a teologia do Nome de Deus é muito
importante. "Eu sou quem eu sou" não só significa "Eu sou o Ser". Objetivamente, a resposta soa evasiva:
conhecer ou dar o nome significava ter poder sobre o que se nomeava.
Moisés deve entender que ele não será aquele que possui o nome de Deus. Em hebraico, o nome
YHWE soa como um tetragrama impronunciável. Deus está dizendo a Moisés que ele não pode ser
manipulado pelo homem. Se Deus dá o seu nome não é para oferecer um som que o distinga dos outros
deuses, mas para revelar o que ele realmente é: ele é "Aquele que é, Aquele que existe", o "Presente
em...".
Ao revelar seu nome, Deus mostra a Moisés que Ele é aquele que está ao lado do seu povo. Mas
esse nome também pode ser traduzido para o futuro como "Eu vou ser quem eu vou ser": Deus abre um
futuro à sua promessa.
Moisés escuta que o nome de Deus indica a sua liberdade divina em ser ativamente presente, em
participar (existir) ao lado de Israel; entende que Deus não é um novo patrão, mais exigente do que o
Faraó. Ele percebe (entende) que Deus é um Deus de misericórdia e ternura. Moisés pensou que fosse um
Deus novo, no entanto, Deus lhe assegura que é o Deus de seus pais.
Deus usa quatro verbos: Eu vi, eu ouvi, eu conheço, eu desci. Moisés pensou que fosse o primeiro
a tomar a iniciativa de querer libertar o seu povo e em vez disso, descobre que tudo vem de Deus.
Elide Siviero

Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.

Perguntemo-nos:
 Já experimentei dentro de mim um fogo de amor especial por Deus ou pelos irmãos?
 Em que momento da minha vida me senti visto e pessoalmente chamado por Deus?
 Já me senti convidado a me despir das minhas ideias e iniciar um caminho ao lado de Deus com os
―pés descalços‖?
 Lembro-me de meus encontros com Deus e de minha experiência com ele?
 O que você acha desse Nome de Deus revelado a Moisés?

Oração final — Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, de Moisés e do Povo no qual nos acolheste, nós Te
rendemos graças e bendizemos o Teu Nome que nos revelaste: ―Eu sou‖. Tu és o Deus vivo, por todos os
séculos! Nós Te confiamos a nossa solidariedade para com todos os povos oprimidos, como outrora a
descendência de Abraão no Egito e, por sentirmo-nos muitas vezes tão impotentes diante da sua
infelicidade, Te pedimos: ilumina-nos. Amém!
4. Retorno de Moisés ao Egito (Ex 4-5)

Oração inicial — Abre, Senhor, os meus olhos para que eu veja o resplendor da Tua luz; liberta-me para que eu ame e
sirva ao Teu Filho, Jesus. Abre os meus ouvidos para que eu ouça a Tua voz e ajuda-me a compreender o Teu infinito
amor. Espero em Ti, mostra-me a Tua vontade! Envia-me o Teu Santo Espírito, a fim de que, inspirado pela Palavra, eu
siga os Teus passos. Amém.

Leitura Bíblica: Ex 4-5

Reflexão — Depois de ler os capítulos quatro e cinco do livro do Êxodo, leia também o texto abaixo, que tem por objetivo
levá-lo a uma compreensão mais profunda do texto lido.

A partir do encontro com Deus, nasce em Moisés a consciência da sua missão: ele deve voltar para o Egito. Deus
confirma isso com uma série de pequenos milagres que atestam Seu poder. Moisés expõe continuamente a sua fragilidade:
é fraco, é gago, e Deus o tranquiliza. Mas, para isso, não lista as capacidades de Moisés, diz simplesmente: "Eu estarei
contigo", eu serei teu companheiro.
Moisés torna-se um testemunho da vontade de Deus para estar ao lado de seu povo. Ao homem que não sabe
quem Ele é, Deus responde, revelando-se como companheiro de viagem. O encontro com Jahvè, a escuta de sua voz e a
missão de salvar os israelitas não eliminaram a fragilidade de Moisés: terá que aprender a viver apoiando-se totalmente em
Deus (na raiz hebraica ter fé significa: "apoiar-se a...").
O interessante é que um sinal que Deus dá no capítulo 3 (cf. Ex 3,12) faz referência ao futuro: "Aqui está o sinal de
que eu te enviei: quando tu levares o povo para fora do Egito, servirás a Deus nesta montanha." A única garantia dada a
Moisés está no futuro e é o sucesso de sua missão. Isso exige um compromisso total de confiança por parte de Moisés.
É o poder de Deus que o acompanha e ao seu lado terá um porta-voz: Aarão. No anúncio nunca estará sozinho. Os
discípulos também são enviados dois a dois por Jesus.
Com a sua vocação, Moisés começa uma nova vida, mas é preciso reconhecer que não é uma vida fácil. Sempre
terá que conviver com a atitude de "Êxodo": saiu (escapou) do Egito para se refugiar em Madiã; agora tem que deixar a sua
tranquilidade e sair novamente, voltar ao Egito com a missão de tirar todo o seu povo da escravidão; tem que experimentar
a dor de ser um profeta de Deus.
Assim, ele retorna para o Egito, levando consigo sua família e o bastão, sinal do poder de Deus que o acompanha.
Os versículos 24-26 contam um fato enigmático e misterioso: uma ameaça paira sobre Moisés e sua esposa o
salva com um gesto antigo: a circuncisão, que é um sinal de sangue. Foi provavelmente um gesto propiciatório, vinculado
ao símbolo da vida: o sangue e os órgãos genitais (refere-se ao termo "pé": um eufemismo para os órgãos sexuais). Esse
gesto retomou uma antiga prática do povo de Israel, que selava a filiação e o pacto de fidelidade a Deus. Assim, depois
desse acontecimento é finalmente relatada a reunião de Moisés e Aarão, que foi enviado por Deus para sempre ser o porta-
voz de seu irmão.
O primeiro encontro com os anciãos do povo é positivo e Moisés tem a impressão de que aquela massa de
escravos, de repente ressuscitada, constitui agora um povo. Por isso, vai imediatamente até o Faraó, sob a ilusão de que a
sua missão será breve e rápida, e que as pessoas saberão gerir o seu próprio destino. No entanto, o faraó responde com
arrogância e aumenta o trabalho dos escravos.
Então os escribas de Israel vão até o soberano para mendigar e proclamar-se "o povo do Faraó": essa será uma
constante na história desse povo que, por sinal, é muito próxima à nossa. Na primeira dificuldade é fácil seguir outros
deuses, procurar outros soberanos, renegar o Senhor, trair a Deus... Só Moisés permanece fiel mesmo na dor e se volta
para Deus: reclama na frente Dele, mas não se separa Dele.
Elide Siviero

Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.

Perguntemo-nos:
 Como vivo minhas fraquezas no caminho da vida? Quando e com o quê me sinto chamado a confiar em Deus?
 Sinto a riqueza dos irmãos que estão perto de mim e que, como Aarão, seguem em viagem comigo,
compensando as minhas fraquezas?
 O que me causa uma crise de fé? Como reajo diante dessas crises? A atitude de Moisés me ensina algo?
 Tente formular uma oração para que Deus o ajude a acreditar.

Oração final — Senhor, dá-me coragem para assumir a missão que a mim confiaste e não me deixes sucumbir ao medo e
à incerteza: és a minha fortaleza e o meu amparo; em Ti deposito a minha fé e a minha esperança. Ajuda-me a dar o
melhor de mim, a me entregar plenamente à bondade e à pureza do Teu amor de Pai, a ouvir a Tua Palavra que me
abraça, me sustenta, me impulsiona e encoraja a superar todos os obstáculos. Amém.
5. Vocação de Moisés – Segundo relato (Ex 6-7,1-7)

Oração inicial — Invoquemos o Espírito Santo, para que Deus, que sempre nos acolhe em seu amor e em sua bondade,
nos ajude a crescer na fé, para que nossos pensamentos, sentimentos e ações sejam semelhantes aos pensamentos,
sentimentos e ações de Jesus. Rezemos: Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo
do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da Terra.
Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos Vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente
todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da Sua consolação. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.

Leitura Bíblica: Ex 6-7,1-7

Reflexão — Depois de ler todo o capítulo seis e parte do capítulo sete do livro do Êxodo, leia também o texto abaixo, que
tem por objetivo levá-lo a uma compreensão mais profunda do que você leu.

O capítulo 6 do Êxodo contém outra história e missão de Moisés, resultado de uma tradição diferente (tradição
sacerdotal, que ama exaltar histórias, retirá-las do contexto e sublinhar a solenidade de Deus). Ao invés de focalizar o
indivíduo, a história centra-se na dimensão da comunidade, no valor social da vocação de Moisés. Ressalta muito mais o
fato de que Deus se lembra da aliança e não se esquece dos infelizes. É Ele quem intervém e escolhe gratuitamente Israel,
comprometendo-se a resgatá-lo e libertá-lo. Deus age dessa maneira porque está vinculado a esse povo com um laço de
amizade e de parentesco, com uma aliança que Ele mantém fielmente. Assim, o foco é colocado especialmente sobre a
fidelidade de Deus e o seu cuidado pelo povo.
Isso nos mostra que conhecer a Deus não significa conhecê-lo como um ser abstrato, mas fazer a experiência de
seu cuidado em relação a nós. Deus é aquele que é apaixonado pelo homem e está cheio de amor por ele. De fato, Deus é
apresentado como aquele que não só conhece os sofrimentos humanos, mas também os vive como se fossem próprios. O
Êxodo quer nos ensinar a sentir Deus ao nosso lado.
A escolha de Deus parece estranha para Moisés, já que elege como porta-voz um homem sem eloquência, isto é,
com dificuldade de palavras. Esse fato reafirma o estilo de Deus, que privilegia exatamente o que é pobre e pequeno.
Observamos um esquema recorrente em ambas as narrativas da vocação de Moisés e que também acontecerá na
vocação dos profetas:
 A chamada é repentina e imprevisível, parece não estar preparada antes: Deus escolhe alguém além de
critérios humanos para cumprir uma missão difícil.
 O chamado é confuso e se opõe a uma objeção: é o esforço humano que acolhe o imprevisto de Deus, o
esforço para se sentir à altura de uma tarefa importante.
 Deus cancela qualquer objeção, garantindo sua presença, seu apoio.
Nesse ponto aparece uma seção intitulada "Genealogia de Moisés e de Aarão", que traça a geração de uma família
hebraica, mas também antecipa o anúncio de uma determinada tribo, a de Levi, para ser secretário do culto e serviço
divino: pertencem a esta Moisés e Aarão.
A seção termina com a recuperação da vocação de Moisés, quando Deus assegura sua proximidade e sua força ao
chamado. Moisés é o mensageiro de Deus, mas terá também um profeta, isto é, uma pessoa que falará por ele ("profeta"
significa aquele que fala em vez de...).
Aqui é anunciado o endurecimento do coração do Faraó. Lembramos que a mentalidade do narrador bíblico estava
ligada ao conceito de pleno domínio de Deus sobre a história e a realidade: Ele não nega a liberdade humana, mas coloca
muita atenção. Por um processo de simplificação, para o autor bíblico, se o faraó resiste a Deus é porque Deus permite. Em
outra parte veremos, no entanto, como outra tradição enfatiza ainda mais a liberdade e a culpa do faraó.
Para os hebreus, o coração era o centro do pensamento e da vontade. A dureza do coração significa não querer
compreender, ouvir, ou acreditar. O Faraó persiste em não querer acreditar no único Deus.
Segundo a Bíblia, a descrença do Faraó é uma lição e uma advertência a Israel. Sempre é possível se tornar como
ele e rejeitar a palavra de Deus anunciada pelos profetas e sacerdotes. Porém, nessas histórias, os próprios hebreus
entenderam que o coração continua a ser duro até que o próprio Deus não o transforme: o ato de fé é a união da iniciativa
de Deus e da doçura do homem. Esse tema será desenvolvido mais nos capítulos seguintes e demonstra a comparação
entre a obra de Deus e a resposta humana.
Elide Siviero
Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.

Perguntemo-nos:
 Posso confiar em Deus e reconhecer os sinais da Sua fidelidade em minha vida?
 O texto nos faz um convite: sentir Deus ao nosso lado, não contra nós. Em mim, há medo em relação a Deus?
 Relendo o esquema de chamadas, para que me sinto enviado hoje? Sinto que, para mim, agora, nesta minha
vida, neste contexto, há uma chamada para confiar em Deus?
 Qual é a oração que hoje surge no meu coração? Tente escrevê-la para repeti-la nos próximos dias.

Oração final — o Salmo 26(27) é uma oração que nos enche de coragem e confiança. Rezemos.
6. As pragas do Egito (Ex 7-11)

Oração inicial — Jesus Mestre, que disseste: ―Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu aí estarei no
meio deles‖, fica conosco aqui reunidos para melhor meditar e comungar a Tua Palavra. És o Mestre e a Verdade:
ilumina-nos, para que melhor compreendamos as Sagradas Escrituras; és o Guia e o Caminho: faze-nos dóceis ao
Teu seguimento; és a Vida: transforma nosso coração em terra boa, onde a Palavra de Deus produza frutos
abundantes de santidade e de apostolado. Amém.

Leitura Bíblica: Ex 7-11

Reflexão — Depois de ler os capítulos de sete a onze do livro do Êxodo, leia também o texto abaixo, que tem por
objetivo levá-lo a uma compreensão mais profunda do que você leu.

Durante quatro capítulos do Êxodo vários autores contam a história das pragas do Egito, sem que a situação
dos israelitas melhore. Os prodígios são chamados de "pragas", um termo que aparece apenas duas vezes (cf. Ex
09,14 e 11,1) e seu nome deriva de uma palavra que em hebraico significa "o flagelo de origem misteriosa, golpe
duro".
No entanto, nesses capítulos, normalmente esses fatos são descritos por termos que significam prodígio, aviso,
milagre, sinal, ensino. Isso nos mostra que Deus não age apenas para impressionar, mas suas ações significam algo
para o homem, revelam Sua presença.
No Egito, Deus opera milagres que necessitam de interpretação. A Bíblia não enfatiza a reação dos israelitas,
mas a do faraó. A nível literário, há repetição, duplicação e contradições e isso nos diz que os autores bíblicos
colocaram juntas algumas histórias. Elas são a reinterpretação de alguns acontecimentos épicos que aconteceram
naquela época; fatos provavelmente naturais, relacionados com o meio ambiente, mas reinterpretados como
acontecimentos da salvação para o crente, porque tudo se torna um sinal da presença de Deus.
O êxodo tem 10 sinais: 1) O sangue na água. 2) Os sapos. 3) Os mosquitos. 4) As varejeiras. 5) A morte do
gado. 6) As úlceras. 7) O granizo. 8) Os gafanhotos. 9) As trevas. 10) A morte dos primogênitos. Eles simplesmente
narram que algumas calamidades colocaram uma pressão sobre o Egito antes da partida dos hebreus e estavam
ligados à vontade de Deus. O número 10 é fixado para a catequese, os dez dedos da mão facilitavam a numeração.
O que realmente aconteceu? Vários fenômenos narrados em Êxodo correspondem a eventos que aconteceram
no Egito. Provavelmente, os judeus tinham preservado a memória de alguns desastres naturais indistintos que
ocorreram no Egito no momento em que os seus antepassados deixaram o país. Os escritores bíblicos recuperaram
essa tradição, dando-lhes uma forma mais épica e impressionante.
Sua intenção não foi cronológica, eles não tinham intenção de passar uma cronologia exata dos eventos, mas
queriam proclamar às gerações futuras que foi o próprio Deus quem realizou aquelas ações. Viam, dessa forma, uma
intervenção divina em todas as situações, ampliando o fato para reforçar a ação de Deus. Cada história é como uma
tela: o anúncio do flagelo, a sua realização, a sua cessação e sua inutilidade por causa da hostilidade do Faraó. De
praga em praga, a tensão cresce, mas Deus é, certamente, o vencedor.
O significado da narrativa das pragas é múltiplo:
 Relatam que o personagem principal é Deus, que antes havia se tornado conhecido apenas pelos
patriarcas e entra na história com as pragas do Egito: o mundo inteiro precisa reconhecer o seu poder.
 Mostram ao lado de Deus outro personagem, que não tem um nome próprio, mas tem o seu papel: o Faraó,
de coração duro, que encarna a aversão radical dos homens a Deus e representa também a oposição demoníaca dos
homens a Deus, o poder que tende a substituir a Deus.
 Ao lado do Faraó há os personagens da corte que, oferecendo serviços ao poderoso, garantiam o poder
para si; são aqueles que se aliam ao mal, mesmo podendo fazer o bem.
 Nas pragas há também outro significado: a natureza se rebela contra uma ordem social injusta e denuncia
com sua revolta a intervenção de Deus. A luta contra Faraó é como uma rebelião da criação. No mundo está de volta
a desordem, o caos e a luta de Deus contra o Faraó é como uma nova criação. O mundo inteiro está colaborando
com Deus para o nascimento de Israel.
A Bíblia não tem como interesse principal descrever os fatos como eles aconteceram, mas ilustrar o poder
prodigioso com que Deus sabe transmitir suas lições, porque Ele não permanece inerte frente à exploração dos
pobres e deseja a conversão dos poderosos.
Além disso, não nos autoriza a ler essas narrativas como relatos detalhados, mas nos diz que os hebreus
foram capazes de ler em algumas calamidades a presença divina, que estendia o poder do seu braço para salvá-los.
Assim, a intenção da narrativa não é tanto mostrar o castigo de Deus, mas revelar o seu amor pelo povo que precisa
ser salvo.
Elide Siviero
Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.

Perguntemo-nos:
 Senti-me, por vezes, duro de coração como o Faraó, fechado aos desafios e aos apelos de Deus?
 Sou capaz de reconhecer os sinais da presença de Deus em minha vida, interpretando os mais dolorosos sob à
luz da fé?
 Peça a Deus a graça de sentir a Sua presença.

Oração final — Como oração final, elevemos ao Senhor a nossa voz, cantando: A Ti, meu Deus.
7. A Páscoa (Ex 12)

Oração inicial — Senhor, Pai Santo, cheio de ternura e misericórdia, envia sobre cada um de nós o Teu Santo
Espírito, a fim de sejamos repletos de Tua Luz e possamos compreender a Tua Palavra. Abre a nossa mente e
desperta o nosso coração para que anunciemos a todos o Teu amor libertador. Amém!

Leitura Bíblica: Ex 12

Reflexão — Depois de ler todo o capítulo doze do livro do Êxodo, leia também o texto abaixo, que tem por
objetivo levá-lo a uma compreensão mais profunda do texto lido.

O capítulo 12 do Êxodo é um texto fundamental sobre a festa da páscoa; mostra o caráter e o espírito
dessa festa e o faz unicamente enunciando as regras a serem observadas para celebrá-la. Percebemos assim,
que é uma pausa em relação ao andamento narrativo e é exatamente aqui que emerge mais claramente a
diversidade das fontes e dos narradores.
A primeira parte do capítulo pertence à fonte sacerdotal, preocupada em estabelecer as regras litúrgicas
e, de modo organizado, o comportamento religioso do povo. É, portanto, uma sequência ritual-litúrgica que
conserva uma ligação com aquilo que foi narrado antes, mas não é, certamente, um prosseguimento da
narrativa precedente.
Páscoa, semana dos ázimos e festa das primícias são celebrações primaveris, aqui já bem estruturadas,
fruto, em realidade, de uma longa tradição. Estamos diante de um novo gênero literário cultual e litúrgico: é
como se víssemos antecipadas as aquisições cultuais que fará o povo mais adiante, apesar das referências
precisas (―àquela noite‖), que ligam a prática do culto ao acontecimento narrado.
Assim, vemos que os primeiros versículos se preocupam mais em propor antecipadamente a
sistematização definitiva da celebração pascal, do que narrar como esta tenha acontecido. Eles dão as
indicações precisas do que é necessário fazer para celebrar a páscoa, isto é, mostram a importância e as
características dos atos religiosos, que revelam um ensinamento profundo: celebrar Deus na nossa vida.
A primeira nota é sobre o sacrifício da páscoa, ligado à história de Moisés: o sangue da vítima será o sinal
que preservará o povo eleito da praga dos primogênitos. Depois desta praga, finalmente o faraó concederá ao
povo partir para celebrar sua festa no deserto. Para mostrar o quanto foi brusca a libertação, o escritor sagrado
faz os hebreus partirem nessa mesma noite: não houve tempo nem mesmo para fazer a massa fermentar. De
fato, a frase central é: ―O comerão com pressa‖. Todo o rito está ligado a esta noção.
Recordemos que diante de um povo nômade – para quem o tempo era compreendido entre o tempo do
retorno do rebanho e a partida do dia seguinte – não se deve perder tempo; também a páscoa acontece nesta
dinâmica de pressa, de rapidez pela passagem de Deus. ―É a páscoa do Senhor‖.
Gostaria de ligar a palavra ―páscoa‖ ao conceito de passagem. Na realidade, a palavra pesah tem uma
etimologia difícil de estabelecer: pode significar ―saltar, mancar, saltitar‖ e, dessa forma, implicaria a ideias de
uma dança. Mas poderia também querer dizer ―saltar além‖, de onde vem o conceito de passar além,
passagem. Deus passa para além das casas dos israelitas e esta passagem traz, portanto, o significado de
salvação. O sangue é um sinal para a passagem de Deus e a vítima que o fornece se torna causa de salvação
para o povo.
Este sangue que salva, podemos prever, tem um lugar importantíssimo na teologia da salvação. Este dia
é definido como ―memorial‖, em hebraico, zikkaron, e tem um significado muito mais forte que uma simples
recordação, memória, comemoração. O memorial aqui anunciado não consiste somente no remeter-se com o
espírito ao passado, mas no cumprimento de uma ação que torna presente e atual a realidade recordada. Neste
significado bebe também o ―memorial‖ eucarístico da fé cristã. Estes versículos ligam, de maneira mais clara, a
celebração a um fato histórico, preciso e concreto.
Depois do cerimonial da páscoa acontece uma semana de repouso, marcada pela ausência do pão
ordinário: é a semana dos ázimos. Os dois rituais são separados, mas vizinhos. O mandamento de comer o pão
não fermentado vem da ideia comum no oriente médio de que tudo o que é causa de fermentação, como é
exatamente o fermento, é impuro e ruim.
Mas o pão não fermentado, apresentado historicamente como consequência da pressa da partida quer
também significar que nada da antiga colheita deve permanecer; é um tempo novo que não tem mais nenhuma
ligação com o passado (recordemos que o fermento se produz da massa ―envelhecida‖). Assim, a semana dos
ázimos, que provavelmente era uma festa antiga, tornou-se para o povo um memorial da páscoa, celebração
reservada só ao povo de Deus (nenhum estrangeiro é admitido).
Ao final do capítulo é narrada a praga dos primogênitos que faz o faraó ceder e a partida, ou melhor, o
início da partida do povo hebreu, que assim o faz depois de ter tirado tudo dos egípcios, talvez como maneira de
ressarcir, pagar pelos serviços prestados.
A noite da vigília que precede a partida é ligada à vigília de Javé sobre o seu povo: a pessoa aprende a
vigiar como fez Deus. Recordemos que uma tradição hebraica construiu em torno desta noite o ―Poema das
quatro noites‖, que conta as etapas mais importantes do nascimento do povo de Deus: a noite da criação, a
noite em que Abraão recebe a promessa do nascimento de Isaac, a noite da libertação do Egito e a noite do
cumprimento definitivo da salvação, com a vinda do Messias.
Elide Siviero

Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.

Perguntemo-nos:
 É fácil para mim, estabelecer uma ligação entre o sangue da vítima e o sangue de Jesus, apresentado
depois no Evangelho como Cordeiro de Deus? Qual salvação posso dizer que recebi do Cordeiro de
Deus na minha vida?
 Aprendi a celebrar o ―memorial‖ de Deus na minha vida, através da eucaristia, celebração da páscoa
cristã?
 Sinto-me parte de um povo, do povo de Deus, salvo por Jesus Cristo? O que me faz dizer ou sentir isso?
O que me cria dificuldades para sentir-me assim?
 Como vivo as ―noites‖ da minha vida?
 Experimento fazer memória, relembrar os eventos de salvação na minha vida.

Oração final — Rezemos ao Deus Libertador, louvando e agradecendo a Sua libertação em nossa vida,
rezando:
8. A lei sobre os primogênitos e a saída do Egito (Ex 13)

Oração inicial — Vem, Espírito de Amor e de Verdade, ilumina o meu entendimento, fortifica a minha fé, purifica o
meu coração e faze-me dócil às Tuas inspirações. Abre os meus ouvidos e aquece o meu coração para acolher a
Santa Palavra de Deus; que ela penetre em meu ser e transforme a minha vida! Amém.

Leitura Bíblica: Ex 13

Reflexão — Depois de ler todo o capítulo treze do livro do Êxodo, leia também o texto abaixo, que tem por objetivo
levá-lo a uma compreensão mais profunda do texto lido.

Os israelitas partem em pé de guerra (Ex 13,18) e se sentindo fortes. É um povo bem equipado, que segue
levando consigo a múmia de José, portanto, as próprias raízes, a própria história. Deus veio para libertar
definitivamente do Egito todo o povo, também aquele do passado! O texto evidencia que Deus manifesta sua
presença caminhando diante do povo na coluna de nuvem: assim, temos uma segunda narrativa da partida. Antes
desta narração encontramos a prescrição da consagração dos primogênitos.
Tudo é apresentado como um ritual a ser observado para fazer Memória, a cada ano, do evento que marcou o
povo eleito. Todo israelita o observará anualmente no curso da idade, repetindo o que Javé fez a ele quando estava
ainda no Egito.
Desta forma, cada israelita o vive como protagonista este evento do passado em primeira pessoa; o faz seu, o
atualiza e pode dizer em todo o tempo: ―Nós éramos escravos no Egito...‖ O fato da libertação do Egito deve ser
sempre presente para cada israelita porque dele cada um se beneficiou. Assim, deverá sempre recordar a Lei como
se fosse tatuada nas suas mãos (cf. também Dt 6,4ss).
A oferta dos primogênitos, que é retomada na última praga, recorda o costume antigo da oferenda das primícias a
Deus. Quando era de animais consistia no sacrifício da vítima; quando se tratava de pessoas, para a fé hebraica os
sacrifícios humanos sempre foram rigorosamente proibidos.
Devendo oferecer a Deus o filho primogênito, este era resgatado com um rito de substituição: nesta ótica, pode-
se ler a prova de Abraão, que talvez tenha tido a tentação de não mostrar a Deus menor generosidade do que o culto
dos pagãos (os cananeus). Recordemos, porém, que Abraão foi segurado pelo anjo antes que sacrificasse o filho
Isaac e cumpriu um rito de substituição com um cabrito (cf. Gn 22).
A recordação da saída do Egito rememora o estilo do povo hebraico, que tinha o costume de celebrar a cada ano
a festa da libertação, na qual com uma intervenção livre e gratuita Deus fez sair o seu povo da escravidão. O povo
hebraico, uma minoria humanamente incapaz de salvar-se sozinha, se torna o povo que Deus adquire com a
libertação da opressão e da injustiça.
Assim, a libertação do Egito será o símbolo de todas as libertações das potências do mal, da escravidão, de tudo
o que se opõe à vida e à liberdade, portanto, do pecado e da morte. Sair do Egito se torna para cada crente o símbolo
da saída do pecado, da morte para entrar na liberdade dos filhos de Deus.
Recordemos que páscoa é um sacrifício em que se oferece uma vítima durante uma refeição partilhada,
significando a união dos participantes à vítima oferecida a Deus. Jesus substituirá o cordeiro com sua própria pessoa:
Ele é o Cordeiro pascal.
Para os cristãos, a páscoa será a celebração de um novo sacrifício para uma nova e eterna aliança, para uma
nova e definitiva libertação: da morte e do pecado. Por isso, o verbo-chave do capítulo e de todo o Êxodo é ―sair‖, que
evoca a ideia do nascimento (―sair do seio materno‖ Gn 1,5), mas também da morte (―sair da vida‖ Sb 7,6) e da
migração.
Para além da saída de um espaço, também é possível sair de uma situação indesejada: nela a presença de
Deus se faz visível como uma nuvem durante o dia e uma coluna de fogo durante a noite. Se Deus faz sair o seu
povo, também não se esquece de acompanhá-lo durante o percurso da sua saída; Ele não intervém apenas uma vez,
mas todas as vezes necessárias; sempre, em cada situação e ocasião.
Elide Siviero

Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.


Perguntemo-nos:

 Percebo algum momento da minha vida em que eu vivi a experiência de sair de alguma situação?
 Como vivo no meu hoje o evento da Páscoa? Como cristão, é claro para mim o significado deste
acontecimento?
 Sinto-me acompanhado por Deus ao longo das situações na minha vida?
 Experimento fazer memória dos eventos que me mostraram a presença de Deus na minha vida.
Oração final — Senhor, és o Deus da Vida e da Liberdade! Põe em mim o desejo de me comprometer com a vida
que, de Ti, recebi; ajuda-me a seguir sempre os Teus caminhos, pois são os mais seguros. Liberta-me de todo apego
que me impede de compreender que a vida vai sempre mais além; confirma a minha liberdade de escolha, aumenta a
minha capacidade de sonhar e mantém acesa a chama da esperança, pois sei que contigo minha vida será plena e
serei verdadeiramente livre. Amém.
9. O milagre do mar (Ex 14-15)

Oração inicial — Ó Deus Pai, de misericórdia e ternura, quero escutar o que dizes. Tua Palavra é luz para os
meus passos e com segurança a Ti me conduz. Quero penetrar no sentido das Escrituras como Jesus
recomendou. Ilumina o meu entendimento, ó Divino Espírito Santo, ajuda-me a compreender a Palavra e a
sentir em sua leitura o coração ardente, como os discípulos no caminho de Emaús.
Dá-me a graça de experimentar, também eu, o quanto a ―escritura, divinamente inspirada, é útil para
ensinar, para convencer, para corrigir e para instruir na justiça, a fim de que todo homem de Deus seja perfeito
e esteja preparado para toda boa obra‖. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.

Leitura Bíblica: Ex 14-15

Reflexão — Depois de ler os capítulos quatorze e quinze do livro do Êxodo, leia também o texto abaixo, que
tem por objetivo levá-lo a uma compreensão mais profunda do texto lido.

Depois de descrever a saída de Israel no mar, narra-se a perseguição dos egípcios, mostrando
sempre a razão da assistência divina nos momentos cruciais e decisivos. É a Providência que submerge no mar
o inimigo poderoso e passa as pessoas – pequenas, fracas e indefesas – no meio das águas para o outro lado.
Esse episódio salvífico teve uma grande repercussão em toda a Escritura, tanto no Antigo Testamento
(por exemplo, a travessia do rio Jordão para a terra prometida em Gn 3-4), como no Novo Testamento, que liga
à Páscoa cristã e marca a transição de uma vida de pecado para a vida da graça por meio do sacramento do
Batismo, que nos traz a salvação através do sinal da água.
No relato, convergem várias tradições dificilmente identificadas, porque se misturam entre si. Por
exemplo, uma tradição destaca as dez pragas como elemento prodigioso, enquanto outras enfatizam mais a
humilhação do inimigo, a sua derrota e a salvação de Israel.
A viagem apenas começou e os israelitas já estavam acostumados com a ajuda de Deus. Entretanto, a
história tinha indicado que Deus conhece o fraco coração do seu povo e proporciona momentos de cansaço e
descrença (cf. Ex 13,17). Um desses momentos acontece a partir da perseguição do Faraó, que renegou a sua
palavra.
Obviamente, a história reflete a linguagem hiperbólica, mas com isso o autor quer dizer que Israel está
em uma situação de perigo irreparável e por isso o povo tem medo. A emoção da liberdade desaparece com o
desespero: o povo preferia voltar a servir o Egito ao invés de arriscar a morte no deserto. Esse sentimento de
pesar em relação à escravidão-segurança deixada no Egito, será comum em todo o Êxodo.
Aos Hebreus aparece como uma inversão: a saída do Egito (primeiro sinal de sua fé) é desafiada e vista
como um desastre. Antes, eles queriam sair da escravidão, agora preferiam voltar para ela. Então o povo
murmurou: sua vida de escravo era melhor do que a morte no deserto (cf. Ex 14,10-12). Notamos que nesses
versículos Deus não é invocado, mas colocado de lado, pois não querem entregar-se a Ele, mas contar apenas
com a sua própria força.
Quando Israel viu os egípcios atrás dele ficou aterrorizado, esqueceu de todo o seu passado de
escravidão e miséria, bem como da intervenção milagrosa de Deus a seu respeito. O Egito se tornou de novo
uma terra fascinante: é a atração do mal que pode persistir em nossas vidas, a dificuldade de realizar um
verdadeiro caminho de libertação.
Israel tem medo, se sente abandonado por Deus, não vê saída do inimigo e, ao mesmo tempo, não
sabe se deve confiar no fato de que Deus falou a Moisés. O povo está muito dividido: Faraó representa uma
vida segura nos seus compromissos e vivência; Moisés representa a liberdade na insegurança, o desafio da fé,
que se torna mais difícil quando se trata de pessoas que não acreditam em Deus, que parecem viver muito bem
sem ele. Faraó significa uma vida de acordo com a mentalidade do mundo; Moisés, uma vida de acordo com o
Espírito de Deus.
Diante do perigo, Moisés foge, não arma o seu povo, não envia uma embaixada para negociar. Embora
enfrentando o mesmo medo do povo, não para de acreditar em Deus e aconselha as pessoas a manterem a
calma, mas ele mesmo tem medo. Deixa-se guiar pelo Espírito Santo, mas também se angustia: ter fé em Deus
significa admitir a própria pobreza. Moisés não confia em si mesmo, pois sabe que Deus conhece a sua
fraqueza e continua a acreditar em Deus, que não o abandona.
Assim, o milagre torna-se inevitável: o mar se abre e o povo passa no meio dele como uma procissão
real. É como se dissesse que Deus faz as coisas mais fáceis quando nos entregamos a Ele. O Cardeal Martini
escreveu: "Moisés levava em si o peso de uma esperança incompleta de seu povo. Se ele tivesse esperado que
todos chegassem à mesma fé e à mesma esperança, ele não teria atravessado o Mar Vermelho, mas estaria lá
até hoje negociando.‖ Em vez disso, Moisés leva o povo na fé e, apesar de tudo, o povo atravessa o mar
apoiado em sua fé.
É difícil estabelecer como esse milagre realmente aconteceu. A imaginação e as representações
cinematográficas são enganosas. Na verdade, devemos pensar que um vento muito forte abriu passagem em
uma região mais baixa do mar, como um vão sobre as águas menos profundas. Quando o povo inicia a
travessia, vê a água como uma miragem e o escritor descreve como um milagre aquilo que o povo vê. Mas a
sua maneira de falar não nos permite representar as massas de água suspensas na vertical como cascatas.
Novamente, como na história das dez pragas, a descrição é épica.
Após a passagem do mar, entoam um hino de vitória. Este é o hino da Páscoa dos vencedores, dos
batizados, que sempre cantam na Vigília Pascal porque celebram as inovações trazidas por Deus, que prefigura
o definitivo anúncio da Páscoa da Ressurreição. É o hino dos que tinham aceitado o risco de seguir Jesus, dos
que apostam suas vidas no Evangelho, mesmo contra a evidência dos fatos ou as sugestões do mundo.
Esse hino é um dos textos mais antigos da Bíblia e o protótipo de todos os hinos de louvor de Israel. O
louvor de Deus tem seu fundamento na história: o credo hebraico é um credo histórico, não abstrato ou
teológico; apoia-se na história dos fatos acontecidos que sinalizaram a vida de um povo.
O hino quer descrever não só o fato de o mar abrir-se, mas o modo de Deus agir. O que Deus fez no
Mar Vermelho não era um fato isolado, mas quer declarar que aqueles que estão do lado de Deus são levados
ilesos sem nenhum perigo. Trata-se de um caminho perigoso que se tornou seguro por Deus: o hino se destina
a todas as gerações que podem relacionar esse texto às suas experiências de libertação.
É certo ler o texto de maneira espiritual. "Deus lançou no mar cavalos e cavaleiros" quer dizer que
venceu aquilo que mais atemorizava, pela sua força e pela sua velocidade e que o poder do inimigo está
desmascarado. Surgiram à minha frente vários obstáculos (desânimo, ansiedade, medo, desespero) e tudo foi
submerso, sem que eu fizesse nada; tudo foi vencido pelo poder de Deus. Eis porque esse é o hino dos
batizados que se sentem salvos por Deus e pelo seu Espírito. O fiel não canta a própria vitória, mas a salvação
que lhe foi doada por Deus.
A passagem do Mar Vermelho torna-se um sinal de salvação e é lembrado no canto do Exultet, o
mesmo canto que dá início à Vigília Pascal.
O texto da oração depois da leitura dessa passagem durante a Vigília Pascal nos explica o seu
significado teológico: ―Ó Deus, vemos brilhar ainda em nossos dias as vossas antigas maravilhas. Como
manifestastes outrora o vosso poder, libertando um só povo da perseguição do Faraó, realizais agora a
salvação de todas as nações, fazendo-as renascer nas águas do batismo. Concedei a todos os seres humanos
tornarem-se filhos de Abraão e membros do vosso povo eleito‖.
Elide Siviero

Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.


Perguntemo-nos:

 Em que momento eu vivi na minha história a desconfiança em Deus e a murmuração?


 Tenho consciência de encaixar os meus arrependimentos à exclusão de Deus?
 Pense nos acontecimentos de libertação, nos pequenos e grandes sinais da presença de Deus em sua
vida.
 Releia o hino da vitória devagar e faça o seu louvor a Deus.

Oração final — Ó Deus, quero entregar a minha vida em Tuas mãos; guia-me, protege-me, ilumina-me em
todas as minhas escolhas! Diante dos desafios da vida, ajuda-me a compreender que sempre haverá uma
solução e que a Tua mão me acompanha em todos os momentos. Amém!
10. O caminho do deserto: o maná (Ex 16)

Oração inicial — Invoquemos a Santíssima Trindade traçando sobre nós o sinal da nossa fé e dizendo: em nome do Pai,
do Filho e do Espírito Santo!
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso
Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus que instruíste os corações dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos
retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre de Sua consolação. Por Cristo Senhor Nosso.
Amém!

Leitura Bíblica: Ex 16

Reflexão — O texto abaixo tem por objetivo ajudá-lo a compreender mais profundamente o texto lido.

No final do capítulo 15, após o canto da vitória, os hebreus começam a caminhada felizes com sua libertação, mas
sempre reclamando e resmungando. O primeiro fruto da liberdade é uma terra arrasada. Sair da escravidão não significa ter
uma vida tranquila, mas enfrentar a vida com confiança em Deus, e Ele não afasta de nós as dificuldades, mas nos ajuda a
vivê-las com fé. O povo deve aprender esta grande lição: a liberdade não é um paraíso de alegrias; a vida é difícil, é
exigente é imperativa.
O povo sofre a provação da sede e também a experiência da providência. Nesse capítulo, sobressai a questão da
fome. Moisés não pensava que devia fazer um pouco de tudo, colocar-se em todas as exigências humanas e tomar
consciência das necessidades de seu povo. Descobre que nos homens há necessidades primordiais, que precisa ser
realista e ir ao encontro das necessidades de água e pão.
Se por um lado o povo tem o caminho de Moisés, que lhe dá a certeza de ser um guia, por outro deve aprender a
confiar em Deus e parar de reclamar. De fato, era característico dos protestos do povo colocar em discussão tudo aquilo
que viveu e escolheu: preferiria um Deus que o deixasse escravo e tranquilo. Todo o percurso do Êxodo é marcado por
lamentações de um povo de pouca fé. A história do povo no deserto associa liberdade e provações.
Moisés dá graças pela intervenção de Deus: a água, o maná e as codornizes despertam a admiração de seu povo. O
texto do Êxodo destaca que se trata de uma maravilha repetida: a cada dia era providenciado o maná para o povo de Deus
(cf. Ex 16,4.35).
Na verdade, a palavra "maná" é uma tradução literal da expressão hebraica "Man hu", que significa: "O que é isto?"
Essa é a pergunta que o povo, de fato, fazia diante daquela coisa estranha.
A história dessas maravilhas tem um tom épico, próprio das narrações do Êxodo. Com o episódio das codornizes, é
mais fácil acreditar na presença dessas aves naquela região geográfica devido à migração dos pássaros, que eram
facilmente capturáveis naquele local, pois estavam cansados de voar.
Quanto ao maná, provavelmente era uma substância açucarada que exalava de uma planta local, a Tamargueira
Gálica, e era usada contra picadas de inseto ou então uma substância resinosa, grossa e viscosa, formada nos ramos como
gotas de orvalho, que recolhida e peneirada, podia ser comida.
Um fato natural é tomado como extraordinário por uma feliz concomitância de situações. Assim, a Bíblia retoma uma
antiga tradição oral e a transforma de maneira maravilhosa, atribuindo ao fato uma intervenção milagrosa de Deus. Isso
acontece porque o povo é convidado a ver um sinal da providência divina em cada evento de sua jornada; é chamado a
tomar consciência de que Deus se manifesta na vida através de pequenos fatos cotidianos. Tudo se torna um sinal para
aqueles que acreditam em Deus e Ele promove, para o bem de seu povo, um fenômeno natural da região.
As normas para a colheita do maná são detalhadas: só se recolhe de acordo com as necessidades diárias. Isso quer
dizer que o povo deve contentar-se com aquilo que cai: não se pode acumular alimento para que a fé na providência de
Deus seja renovada a cada dia.
O tema do alimento providencial convida a uma reflexão sobre o pão de Deus, isto é, sobre um alimento que não é
produzido pelo homem, mas um dom gratuito de Deus. É a esse alimento que se referirá Jesus em seu sermão sobre a
multiplicação dos pães, falando de seu corpo como um novo alimento doado por Deus, instituindo a Eucaristia.
Jesus se apresentará a si mesmo como o verdadeiro pão descido do céu. Recordemos as palavras sacramentais de
Jesus e a instituição da Eucaristia no final da ceia pascal (cf. Mc 14,22-24, Mt 26,26-28; Lc 22,19-20), que comemorava a
saída do Egito e a aliança de Deus. A Eucaristia permite à Igreja celebrar a cada dia e para sempre o mistério da salvação
definitiva trazida por Jesus Cristo.
Elide Siviero

Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.


Perguntemo-nos:

 Como vivo a Eucaristia na minha vida? Eu sinto a importância dela?


 Como devo me preparar para receber este dom do céu?

Oração final — Como oração final, rezemos o poema O Pão da Vida.


11. O caminho no deserto: a água e o combate (Ex 17)

Oração inicial — Senhor Jesus, sois o Mestre e a Verdade: iluminai-nos, para que melhor compreendamos as
Sagradas Escrituras. Sois o Guia e o Caminho: fazei-nos dóceis ao vosso seguimento. Sois a Vida: transformai
nosso coração em terra boa, onde a Palavra de Deus produza frutos abundantes de santidade e missão. Amém.
Bem Aventurado Tiago Alberione

Leitura Bíblica: Ex 17

Reflexão — O texto abaixo ajuda a aprofundar o texto lido. Leia.

O capítulo 17 se inicia com a descrição de uma nova disputa do povo com Deus: o povo tenta o seu
Senhor. Com isso, demonstra não estar seguro em relação à sua proteção e pede um sinal da sua potência, ao
invés de confiar na sua grande generosidade. O povo quer ―dobrar‖ Deus às suas exigências, tê-lo disponível
para si e o desafia: coloca-se no lugar de Deus mesmo, quer submetê-lo às suas necessidades. É a tentação
sempre presente na alma humana e que será recorrente na história do Êxodo.
O descontentamento do povo se torna uma tentação para Moisés, que se lamenta, se desanima e, por sua
vez, começa a falhar na fé em Deus. Este será o seu pecado e lhe será recordado diante da Terra Prometida
(cf. Nm 20,12-13): ali ele não entrará porque também ele duvidou de Deus, e, sobretudo, foi tentado a punir –
ele mesmo – os incrédulos; não soube carregar sobre suas costas os próprios irmãos com os seus defeitos e
suas imaturidades ou murmurações. Moisés sentiu o seu serviço como um peso, não mais como uma honra.
―O Senhor está ou não está entre nós?‖ Está aqui a questão essencial da fé. Onde está Deus quando
estamos no sofrimento? Este é o interrogativo de quem não tem fé. Para o povo não deveria existir essa
pergunta, visto que Deus se apresentou como ―Deus conosco‖, O sempre presente.
Deus doa ainda uma vez a água graças à intervenção de Moisés. A fonte que brota se torna a imagem da
água da salvação que ele oferece ao seu povo e terá contínuas referências ao Evangelho (pensemos na história
da Samaritana em Jo 4). Ser infiel quer dizer separar-se da fonte (cf. Jr 2,13; 17,13).
A segunda parte do capítulo narra o encontro com os Amalecitas: é o confronto com o inimigo que coloca de
novo à prova o povo hebreu. Pela primeira vez é nomeado Josué para ser o sucessor de Moisés como guia do
povo. Os Amalecitas eram uma tribo muito antiga e muito forte: a força deles, porém, não para o povo hebreu. A
narração não se concentra sobre a batalha: o objetivo é mostrar novamente o poder de Moisés que, graças à
intervenção de Deus, conforta o seu povo também na situação de batalha.
Objetivamente, na história, nada nos diz que Moisés levantava os braços em atitude orante. Ter os braços
levantados era um gesto profético que indicava a supremacia de quem tem o comando. Provavelmente, tem nas
mãos um bastão com o qual dirige as operações táticas do povo em batalha de um ponto mais alto e visível.
Quando ele abaixa a mão, o povo perde o senso tático. Moisés, então, não está rezando, mas esta ação é
imediatamente interpretada como uma prece. Assim, se torna a imagem do ―orante‖ que nunca para de rezar.
Então, podemos dizer que esse trecho constitui uma catequese sobre a prece de intercessão. Moisés
exercita o serviço da oração: mesmo não combatendo, é da sua oração que depende o êxito do conflito com o
inimigo. Ao término da batalha, é construído um altar como ação de graças e podemos dizer que é esse o
verdadeiro momento de oração. Podemos sublinhar que Deus, durante o caminho do seu povo, não só doa o
alimento e a água, mas também forças para combater o inimigo, o adversário por excelência: o divisor, satanás.
Na vida, não somos abandonados nas mãos do inimigo: Deus nos doa a graça para combatê-lo, mas
depende de nós aproveitar o momento e não permitir que a desconfiança e o desespero nos impeçam de sentir
sua presença ao nosso lado.
Elide Siviero
Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.
Perguntemo-nos:

 Em que momento desconfio da presença de Deus em minha vida?


 O que me ajuda a retornar ―à fonte‖ do Seu amor?

Oração final — Rezemos o Salmo 94 (95).


12. O encontro com Jetro (Ex 18)

Oração inicial — Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Vinde, Espírito Santo, enchei os
corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e
renovareis a face da Terra.
Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos Vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que
apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da Sua consolação. Por
Cristo Senhor Nosso. Amém.

Leitura Bíblica: Ex 18

Reflexão — O texto abaixo ajuda a refletir de modo mais profundo o texto lido. Leia.

A colocação deste capítulo tem uma relação estranha com o contexto. Poderia ser colocado em
qualquer lugar: de fato, a narração faz uma pausa e apresenta o encontro de Moisés com os seus parentes e a
instituição dos Juízes. Encontramos descritas algumas cenas da vida patriarcal, como se lê no livro do Gênesis:
cortesia, conversas, um sentido difuso de paz primitiva e um cerimonial detalhado.
Jetro foi apresentado pela última vez em Ex 4,18, quando Moisés tinha se despedido dele e da própria
esposa para ir libertar os seus irmãos no Egito. No capítulo 18 é narrado o encontro sucessivo, marcado com
uma refeição sacrifical que ―cimenta‖, diante de Deus, as ligações de amizade e parentesco. Podemos ler aqui
uma antecipação da refeição de comunhão celebrada pelos hebreus, além de colher o significado de
―comunhão‖, que encontramos também nas nossas celebrações eucarísticas.
A segunda parte do capítulo é muito importante porque fala do princípio de subsidiariedade: ninguém
pode fazer tudo sozinho, precisa pedir ajuda, precisa aceitar o fato de não poder controlar tudo, principalmente
aquele que tem o dever de governo ou autoridade. É o sábio conselho de Jetro que se torna programático para
toda a comunidade, para cada grupo e, portanto, para a Igreja de hoje.
Da refeição de comunhão passa-se à divisão da responsabilidade e do serviço, que será sempre mais
ágil, livre e eficaz, quanto mais fortes forem a comunhão e a solidariedade. Moisés é convidado a dedicar-se ao
seu dever principal, aquele de profeta que anuncia a Palavra de Deus; deve escolher colaboradores leais (com
os quais pode contar), bem organizados e que sejam a voz de Deus junto a todos os membros do povo.
É somente graças a esses colaboradores que a Palavra de Deus e as suas leis poderão ―entranhar-se‖
na vida do povo. Assim, graças a eles, será sempre Deus a guiar o seu povo. ―No povo de Deus não existem
senão servidores e o lugar mais alto é também o mais pesado, o maior dom de si mesmo, uma pertença mais
completa a todos e ao mesmo tempo a Deus. É o caso de Moisés. Os ajudantes têm encargos em pequenas
proporções.‖
Num trecho paralelo – no livro dos Números – é Deus mesmo quem sugere a Moisés a escolha de
colaboradores (cf. Nm 11,24-30). Assim, em uma segunda leitura, vemos que no convite de Jetro está impressa
a vontade de Deus. Compreendemos que Deus nos fala através das pessoas, dos eventos.
Os cristãos leram esse trecho referindo-o à ordem sacerdotal. De fato, na liturgia da ordenação o bispo
diz: ―No caminho do Êxodo comunicastes a setenta homens sábios e prudentes o espírito de Moisés, teu servo,
para que ele pudesse guiar com a ajuda deles a imensa multidão do povo [...] Agora, Senhor, concede também
a nós, necessários colaboradores, que na consciência dos nossos limites invocamos numerosos a Tua
misericórdia‖.
Elide Siviero

Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.

Perguntemo-nos:

 Em que momentos fiz a experiência de comunhão? Vivo a comunhão em minha vida de fé?
 Descobri na minha vida o valor do serviço? Em que âmbito eu o vivo? O que, para mim, hoje, é
difícil no serviço aos outros?

Oração final — Ó Deus, Pai de amor e de bondade, eu Vos agradeço e louvo porque estais sempre atento às
necessidades dos Vossos filhos, especialmente dos mais pobres e injustiçados. Ajudai-me a colaborar
Convosco na construção de um mundo mais justo, igualitário e fraterno, continuando, assim, a obra de Jesus,
Vosso Filho amado, na unidade do Espírito Santo. Amém!
13. Promessa da aliança (Ex 19)

Oração inicial — Senhor, meu Deus, que me convidas a estabelecer Contigo uma Aliança e a viver unido a Ti
pelo amor, eu Te peço: abre os meus ouvidos, faz-me sensível à Tua voz. Sopra, Senhor meu, sopra forte o
Teu Espírito Santo sobre mim, para que, inspirado pela Tua Palavra, eu seja sinal da Tua presença no mundo,
cresça na intimidade Contigo e na unidade com todos os meus irmãos. Amém!

Leitura Bíblica: Ex 19

Reflexão — O texto abaixo ajuda a refletir de modo mais profundo o texto lido. Leia.

Com esse capítulo começa a terceira e última parte do Êxodo, que acontece no Sinai, a montanha da
revelação do nome de Deus e do dom da Lei que deve guiar o povo.
A relação entre Deus e seu povo é estabelecida com uma aliança. Já acontecera uma aliança com o
patriarca Abraão (ver Gn 15,18), mas esta foi individual. Agora, todo o povo é chamado a ser parceiro e é com
esse povo que Deus estabelece uma aliança. Nela, Deus primeiro se compromete a realizar todas as suas
promessas e pede às pessoas para observarem os mandamentos (Decálogo e várias leis). Muitas vezes essa
aliança será rejeitada pelo próprio povo, traída, desprezada, mas Deus nunca falhará.
Isso nos faz entender que a aliança não é uma coisa concluída de uma vez por todas, mas algo que
necessita de cuidado e vigilância. Por isso, é melhor pensar nela em termos de relação do que de contrato. A
aliança não é uma obrigação legal, mas um compromisso, um modo de viver juntos, uma relação entre as
pessoas. Sendo assim, a Lei para o povo hebreu não é uma série de preceitos a serem observados, mas um
caminho para se chegar a Deus, para acolhê-lo na própria vida.
O povo que aceita a aliança se sente propriedade exclusiva de Deus (cf. vv. 5-6), um povo muito querido
por Ele, uma verdadeira riqueza para Deus. Essa é uma escolha privilegiada para Israel, mas que também
favorece todos os outros povos: Israel é o povo do Deus de todos os povos. A escolha desse povo não implica
exclusão, mas o privilégio de conhecer o Deus de todos e de saber e poder fazer aquilo que os outros povos
ainda não sabem ou não podem fazer.
O privilégio de Israel não é ter uma salvação reservada só para ele (em detrimento dos outros), mas de
ser o primeiro a quem Deus, desconhecido para outros povos, se revelou. Certamente, isso implica um privilégio
para Israel, mas também, e acima de tudo, uma responsabilidade para com outros povos; uma verdadeira
missão de revelação. O mesmo pode ser dito dos cristãos, o novo povo de Deus, que são chamados a se
tornarem santos, como Cristo é Santo "para oferecer a Deus um sacrifício de louvor" (ver 1Pd 2,5-9).
O capítulo termina com uma grande manifestação do Senhor (teofania). Deus se manifesta de um modo
deslumbrante, apresentando-se como o dono da natureza, que em tudo o obedece. Essa teofania é retomada
mais adiante (cf. Ex 20,18-21) e emoldura o dom da Lei. Provavelmente, o texto se refere a um grande
temporal, que para o povo se transforma em um sinal da presença de Deus. O fenômeno natural se torna,
sobretudo, um sinal e traz de novo ao coração do crente a força e a magnificência de Deus.
Elide Siviero

Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.

Perguntemo-nos:

 Como tenho cuidado da aliança que Deus estabelece comigo? A minha relação com Ele é de
proximidade, de acolhimento da Sua palavra ou de repulsa?
 Já me senti precioso para Deus?
 Diante dos irmãos, sinto-me responsável em testemunhar a minha fé?

Oração final — Senhor, quero Te agradecer, bendizer e louvar pela ternura e carinho que dedicaste ao Teu
povo: com mão poderosa, fizeste-o sair do Egito, libertaste-o, guiaste-o por meio do deserto; fizeste dele o Teu
povo e um reino de sacerdotes. Quero Te pedir: abre o meu coração e o meu espírito à Tua Palavra e faz-me
atento à Tua voz, a fim de que eu guarde sempre a Tua Aliança. Amém!
14. A Aliança: o Decálogo (Ex 20)

Oração inicial — Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Vinde, Espírito Santo, enchei os
corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e
renovareis a face da Terra.
Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos Vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que
apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da Sua consolação. Por
Cristo Senhor Nosso. Amém.

Leitura Bíblica: Ex 20

Reflexão — O texto abaixo ajuda a refletir de modo mais profundo o texto lido. Leia.

O capítulo 20 apresenta as Dez Palavras (Dez Mandamentos) que Deus dá ao seu povo e que resumem
todo o conteúdo da Lei de Deus. Em uma visão sintética, o decálogo trata de todos os deveres religiosos e
morais do homem diante de Deus e do seu próximo. Essa é a expressão mnemônica (que ajuda a memorizar)
da religião mosaica. Há outra apresentação bíblica do Decálogo em Dt 5,6-18. Muitas vezes, no catecismo, nós
aprendemos essa lista unindo o primeiro e o segundo mandamentos e separando as duas últimas partes.
Os primeiros mandamentos querem proclamar o absoluto de Deus, que se apresenta com o seu título
de maior prestígio: "libertador" e "salvador"; aquele que realmente interveio em uma determinada situação, não
de forma abstrata: "Eu sou o teu Deus que te fez sair da terra do Egito." O primeiro mandamento proíbe
idolatria.
O segundo proíbe fazer imagem para adorar, reitera a proibição de idolatria: não se proíbe fazer
imagens sagradas, mas adorá-las como se fossem Deus. O povo de Deus deve se comportar de forma
diferente dos povos pagãos e aceitar seguir a Deus, que não pode ser restrito ou fixado em uma imagem.
O terceiro mandamento diz respeito ao nome de Deus, que não deve ser usado para fins mágicos ou
por superstição. O mandamento proíbe pronunciar o Seu nome como se fosse mágica ou para fins pessoais.
Obviamente, a mais grave ofensa neste mandamento é a blasfêmia.
O quarto mandamento, com o preceito do repouso sabático, é destinado à consagração do tempo. O
homem é chamado a viver toda a vida voltado para Deus, consagrando a Ele sua existência. O repouso
sabático é instituído à semelhança do repouso de Deus e, portanto, torna-se um sinal de aliança e união com
Ele.
Os mandamentos prosseguem com os preceitos que dizem respeito às relações com os outros. O
primeiro são os pais, para os quais pede respeito e cuidado: honrando a eles se respeita a transmissão da vida.
Esse mandamento é seguido por uma série de leis que dizem respeito à vida comum.
A vida é sagrada e há um mandamento que fala explicitamente da proibição de assassinato, o que
implica não apenas deixar viver, mas não deixar morrer. Jesus acrescentará que "qualquer pessoa que odeia a
seu irmão é assassino" (Jo 3,15). Para não matar é necessário amar.
A proibição do adultério é sempre ordenada para o cuidado com a vida, que tem o seu lugar natural no
matrimônio. O ataque ao matrimônio se torna um atentado sobre a possibilidade da vida pacífica dos filhos. O
adultério deturpa a sexualidade, que deixa de ser uma expressão pura do amor para se tornar um instrumento
das paixões que separam de Deus. O matrimônio, com a sua aliança nupcial, é a participação na aliança de
Deus com a humanidade. Trair o pacto nupcial significa, igualmente, expressar uma infidelidade também com
Deus.
Não roubar é um preceito que parece referir-se somente às coisas, mas é um mandamento que diz
respeito à vida porque aquilo que se tem é para uma necessidade vital. Roubar é um ato contra a sobrevivência
de seu irmão. Da mesma forma, o falso testemunho que provoca a condenação de seu irmão é um ato contra a
vida, contra a justiça. Esse mandamento condena todas as formas de mentira.
Os últimos mandamentos dizem respeito à liberdade de coração: o povo escolhido, livre da escravidão
do Egito, não deve tornar-se um escravo de suas paixões ou querer possuir sempre mais objetos ou pessoas. O
povo chamado à liberdade deve viver na liberdade.
Essa lista também deve ser observada pelos cristãos, a fim de entrarem na vida eterna. De fato, o
Evangelho de Marcos nos diz: "Enquanto ele estava saindo em viagem, um homem correu, ajoelhou-se diante
dele e perguntou: ‗Bom Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?‘ Jesus disse-lhe: ‗Por que me
chamas de bom? Ninguém é bom senão Deus. Sabes os mandamentos: Não matarás, não cometerás adultério,
não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás, honrarás teu pai e tua mãe.‘ Ele disse-lhe: ‗Mestre,
tudo isso tenho observado desde a minha juventude.‘ Então Jesus, olhando para ele, o amou e disse: ‗Uma só
coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-
me‘‖ (Mc 10, 17-21). A esses mandamentos Jesus adicionará os conselhos evangélicos, mas, sobretudo,
revelará que o teor dos mandamentos é só o amor e somente o amor será o Seu mandamento (cf. Jo 13,43-35;
Jo 15,12-17).
Elide Siviero

Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.

Perguntemo-nos:
 À luz do Decálogo, faça um exame de consciência e pergunte a si mesmo: como vivo em minha vida
esses mandamentos de Deus?

Oração final — Ó Deus de bondade e misericórdia, que revelaste o Teu nome no Sinai e deixaste a Tua Lei
como luz para iluminar os nossos passos, ouve, hoje, a nossa prece e ajuda-nos a acolher a Tua Palavra que,
fundada nos mandamentos, produz vida e liberdade para toda a humanidade. Que, inspirados pelo Teu Santo
Espírito, vivamos em profunda comunhão Contigo e em fraterna harmonia com os nossos irmãos. Amém!
15. Detalhes da Lei (Ex 21-22)

Oração inicial — Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!


Senhor, aqui nos colocamos e nos reunimos em Teu nome, cheios de esperança e de amor para ouvir a Tua
Divina Palavra. Que o Espírito Santo que enviaste aos nossos corações e alimenta a Tua presença em nós, nos
oriente e ilumine, a fim de que, fortalecidos com a Tua graça, possamos fazer a Tua vontade. Seja Tu, Espírito Santo,
o inspirador do nosso discernimento e o guia dos nossos passos. Amém!

Leitura Bíblica: Ex 21-22

Reflexão — O texto abaixo ajuda a refletir de modo mais profundo o texto lido. Leia.

Depois de apresentar uma síntese da Lei, o Êxodo continua narrando os detalhes do significado dos dez
mandamentos: é a especificação do Código da Aliança, uma série desordenada de julgamentos de vários tipos.
O capítulo 21 começa com as regras para a vida familiar. Elas são primeiramente as normas humanitárias para
a vida dos escravos judeus em uma família. Quem era forçado a viver como um escravo por causa da miséria ou
vendido pelos seus pais, tinha que ser protegido: a lei quer proteger os fracos.
Em seguida, fala sobre condenação para homicídio e crimes contra o povo. Para o homicídio involuntário (v.13)
uma cidade-refúgio é prevista, a fim de servir de abrigo para o homicida que causou involuntariamente a morte de um
irmão. Já para o assassino intencional não existe refúgio: ele deve ser punido. É a famosa lei do talião (do latim, talis:
tal, ou seja, a cada delito corresponde uma pena).
Nessa sociedade ainda primitiva não havia a possibilidade de uma justiça civil e a vingança permanecia ligada
à iniciativa pessoal, individual: cabia ao parente mais próximo vingar a vítima. Assim, embora possa parecer bárbaro,
o princípio do talião quer pelo menos regularizar esse comportamento. A reação a um crime não deve ser maior do
que ele, mas equivalente: olho por olho, isto é, se alguém lhe tira um olho, você não pode tirar-lhe dois, mas só um.
Sob essas leis, está a consciência do homem diante de Deus: mesmo perante a vingança pessoal, o povo não
pode se esquecer de que a sua vida depende dEle.
Este é o verdadeiro espírito de justiça que caracterizará Israel: as leis detalhadas que são oferecidas servem
para viver melhor a aliança com Deus.
Obviamente, não devemos pensar que essas leis foram escritas por Moisés. Elas são ligadas a outra tradição,
provavelmente do tempo em que eles começaram os primeiros assentamentos na terra prometida e são inseridas
aqui para definir com detalhes as regras da aliança.
Como vimos, os crimes contra a propriedade envolvem a vida das pessoas e por isso o detalhe das regras para
eles é igualmente importante. Na verdade, o sentido humano do código é primitivo e o patrimônio, para quem o tem,
consiste nas coisas elementares da vida rural: gado, campos, ferramentas, roupas.
Com um vocabulário adequado para as pessoas comuns como os trabalhadores, o código diz que "a aliança
divina é vivida quando, em uma profunda lealdade a Deus e aos seus mandamentos, não se deixa de ser honesto e
bom, respeitoso para com cada indivíduo e com a dignidade humana". A lei de Deus nunca é abstrata, não só
envolve a nossa vida espiritual, mas se materializa na realidade do comportamento e dos relacionamentos.
Jesus vai se referir a essa lei para esclarecer sobre a observância evangélica e proporá a superação ou, ainda
melhor, a realização da lei de Moisés:
―Vocês ouviram o que foi dito: ‗Olho por olho e dente por dente!‘ Eu, porém, lhes digo: não se vinguem de quem
fez o mal a vocês. Pelo contrário: se alguém lhe dá um tapa na face direita, ofereça também a esquerda! Se alguém
faz um processo para tomar de você a túnica, deixe também o manto! Se alguém obriga você a andar um quilômetro,
caminhe dois quilômetros com ele! Dê a quem lhe pedir, e não vire as costas a quem lhe pedir emprestado.
Vocês ouviram o que foi dito: ‗Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!‘ Eu, porém, lhes digo: amem os seus
inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque
ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Pois, se vocês amam somente aqueles
que os amam, que recompensa vocês terão? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se vocês
cumprimentam somente seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma
coisa? Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu.‖ (Mt 5,38-48).
Elide Siviero
Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.
Perguntemo-nos:

Perguntemo-nos:
 Como faço para viver a Lei de Deus na minha vida?

Oração final — Salmo 119(118)


16. Atenção ao inimigo e aos feriados (Ex 23)

Oração inicial — Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Vinde, Espírito Santo, enchei os corações
dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a
face da Terra.
Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos Vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que
apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da Sua consolação. Por Cristo
Senhor Nosso. Amém.

Leitura Bíblica: Ex 23

Reflexão — Leia o texto abaixo que ajuda a aprofundar o texto lido.

A última parte do código da aliança coloca os deveres da justiça sob o direito de Deus e chama a atenção para
o comportamento das pessoas em relação aos irmãos ou aos inimigos. De fato, a parte referente ao comportamento
para com os nossos inimigos é surpreendente (vv. 4-5). O povo é chamado a viver a justiça que vem de Deus
também para com eles, superando, dessa forma, o ódio humano. Assim, a justiça se expressa na correta relação com
os adversários.
Jesus tornará como absoluto esse comportamento, que revela a presença do amor no coração do crente. Por
essa razão, também nos processos se terá mais atenção para os fracos, para os pobres (vv. 6-9). A lei tende a
favorecer aqueles que são mais vulneráveis às injustiças.
Em analogia com o dia de sábado previsto para o descanso, a lei também apresenta o ano sabático: o sétimo
ano. Segundo Ex 21,2, esse era o ano da libertação dos escravos hebreus que a queriam e da libertação da terra
que, livre da obrigação de ser submissa ao trabalho dos homens, pode descansar, pertencendo somente a Deus (a
esse respeito sugerimos a leitura de Dt 15,1-18 e Lv 25,2-7, que comentam essa regra).
Colocar em repouso a terra e perdoar todas as dívidas a cada ano, assim como abster-se do ódio constante
para com o inimigo é um ato de fé em Deus; significa atribuir a Deus a justiça.
O código da aliança começa com a lei sobre os altares e termina com as prescrições para as festas religiosas.
Todas essas regras dão um tom de fé para o comportamento do povo. O que distingue Israel de todas as outras
nações é a observância dessa aliança com Deus, assinada com o correto comportamento para com Ele e com os
seus filhos, as outras pessoas.
Também aqui se quer enfatizar as três principais festas judaicas anuais: a festa da safra, também chamada de
Festa das Semanas ou Pentecostes; a festa da colheita, também conhecida como Festa das Cabanas ou dos
Tabernáculos e a Festa dos Pães Ázimos, que encontramos em Êxodo 12-13. Essas três festas caíam em diferentes
épocas do ano: a celebração da safra no início do verão, a festa da colheita no outono e a festa dos pães ázimos na
primavera.
Os nomes dessas festas são agrícolas e espelham uma situação sedentária, que não é ainda a do povo no
caminho durante o Êxodo. Dessa forma, encontramos as celebrações do povo de Israel inseridas no código da
aliança como uma regulação do viver.
Essas festas, originalmente ligadas às estações do ano e ritmadas com a vida da natureza, perdem o papel
unicamente naturalista para se tornarem festas de Javé; querem proclamar a Sua providência e Sua grandeza. O
espírito dessas festas não é tanto a vida agrícola dos homens, mas a aliança do Sinai. Deus é, antes de tudo, não o
Deus da natureza, mas o da história; é o Deus que interveio e sempre intervirá livremente por amor do seu povo.
Celebrando suas festas, o povo quer continuamente dar graças a Deus por Suas obras maravilhosas. A
essência festiva desse povo nos convida a viver as nossas celebrações como sinal de pertença à Igreja e como um
ato de adoração a Deus, que nos ama.
Elide Siviero
Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.

Perguntemo-nos:

 Em minha existência, como vivo o perdão e o amor para com o inimigo?


 Para mim, é importante celebrar o Senhor que me ama?
 Diante dos irmãos, sinto-me responsável em testemunhar a minha fé?

Oração final — Ó Deus, Pai de amor e misericórdia, cujo coração acolhe bons e maus, aceita o meu pedido de
perdão por tantas vezes que, em meu egoísmo, ofendi a Ti e aos meus irmãos. Retira de mim, Senhor, todo desejo
de retribuir o mal com o mal; não permita que o ódio, a vingança ou o rancor tomem conta de mim. Por Tua bondade,
Senhor, ajuda-me a trilhar os caminhos da compaixão; ensina-me a ter a humildade necessária para pedir perdão e a
misericórdia de saber perdoar. Amém!
17. Conclusão da Aliança (Êxodo 24)

Oração inicial — Cantar repetidamente o refrão: “Aquele que vos chamou, / Aquele que vos chamou / É fiel, é fiel / fiel é
aquele que vos chamou!”.
Senhor Jesus, que ressuscitado dos mortos prometeste aos Apóstolos o Teu Santo Espírito, envia também hoje,
sobre cada um de nós, este mesmo Espírito, para que compreendamos a Tua Palavra e, inspirados por ela, possamos
construir o Reino de justiça e de paz. Amém!

Leitura Bíblica: Ex 24

Reflexão — O texto a seguir ajuda a aprofundar o texto lido. Leia.

Este capítulo apresenta-se desordenado porque nele convergem várias tradições. Ele narra a ascensão de Moisés
no Monte Sinai (Monte da Aliança), a celebração ritual dessa aliança no pé da montanha e, depois, um encontro com Deus
mais uma vez na montanha.
Os primeiros versículos nos mostram como são os três graus de aproximação a Deus: o povo não pode subir e
permanece ao pé da montanha; o grupo dos responsáveis que ajudam Moisés, mesmo se admitido na montanha, tem que
permanecer distante; apenas Moisés, o mediador, pode aproximar-se da presença divina.
Depois seguem os versos que contam em poucas palavras o evento mais importante de todo o Antigo Testamento:
a aliança feita entre Deus e o povo.
O rito da aliança, segundo o antigo costume, é comemorado com o sangue de um animal sacrificado. O povo todo
é envolvido (v. 3) e, em seguida, os doze pilares que serão erguidos vão querer representar as doze tribos que criaram. As
estelas são pedras erguidas como símbolos comemorativos: como testemunha, o povo assistiu à cerimônia da aliança e por
isso tornam-se uma atração para ser observada.
É erguido um altar para oferecer holocaustos e sacrifícios. O holocausto é caracterizado pelo fato de que a vítima é
completamente queimada por Deus, sem ficar mais nada. No sacrifício, no entanto, a vítima é dividida em duas partes: a
parte que pertence a Deus é queimada, a outra é consumida pelo sacerdote e pelo ofertante. É o sacrifício de comunhão
em que uma refeição sagrada conclui o sacrifício.
Mas o ritual mais significante é aquele do sangue que Moisés colhe após a imolação. A aliança, então, é realizada
com uma vítima, sangue e uma refeição de comunhão. Observe como a Eucaristia inspirou-se nesse ritual para estabelecer
a nova aliança: com a vítima, que é Jesus Cristo e seu sangue, e com a participação na comunhão.
A iniciativa dessa aliança vem de Deus que revela através dela, o seu amor. O povo, no entanto, é convidado a
responder, a aceitar a Sua oferta (v. 7). A aliança é estabelecida entre duas partes e ambos devem comprometer-se. Deus
libertou o seu povo para capacitá-lo a aceitar sua proposta de aliança. Assim vemos que ela não é um ato jurídico
institucional, mas a busca constante do outro, um compromisso vivo e vital em um relacionamento.
Na verdade, o que a caracteriza é o amor. É exatamente o contrário do hábito e será constantemente renovada e
mantida viva. Notaremos como toda a história sagrada enfatiza a fidelidade de Deus na aliança, constantemente traída pelo
povo, tentado a substituí-Lo pelos ídolos. Será dos profetas o importante papel de lembrar ao povo que deve ser fiel a Deus
e à Sua aliança: frente a ela, é continuamente chamado a converter-se.
Jesus se apresentará como a nova aliança e o único mediador neste compromisso que Deus quer estabelecer com
os homens (cf. Jo 13,1ss.). Nos Evangelhos, encontramos: "Agora, quando eles comiam, Jesus tomou o pão e pronunciou a
bênção, partiu-o e deu-o aos seus discípulos dizendo: ‗Tomai e comei; este é o meu corpo‘. Depois, pegou um cálice e,
tendo dado graças, deu a eles, dizendo: ‗Bebei dele todos, porque isto é o meu sangue da nova aliança, que é derramado
em favor de muitos para a remissão dos pecados‘ (Mt 26,26-29)‖.
São Paulo especificará: "Eu recebi do Senhor o que por minha vez vos mandei: o Senhor Jesus, na noite em que
foi traído, tomou o pão e, tendo dado graças, partiu-o e disse: ‗Isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em
memória de mim‘. Do mesmo jeito, depois da janta, tomou o cálice, dizendo: ‗Este cálice é a nova aliança no meu sangue;
faz isso, cada vez que o beberdes, em memória de mim.‘ Toda vez que comerdes deste pão e beberdes deste cálice,
anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha". (1Cor 11, 23-25).
O sangue da aliança entre Deus e a humanidade não é mais o das cabras, mas o de Jesus mesmo.
Elide Siviero
Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.

Perguntemo-nos:

 Como é que eu vivo a minha aliança com Deus?


 O que me faz infiel a esta aliança?

Oração final — Ó Deus, que no, monte Sinai, estabeleceste com o povo de Israel uma Aliança, eu Te peço: que eu jamais
me esqueça de que, também eu, faço parte do Teu povo, Senhor! Fortifica a minha fé e ajuda-me a permanecer fiel a Ti em
todas as situações da vida, mesmo quando tudo me conduzir à direção oposta aos Teus caminhos; vem ao meu socorro
quando eu fraquejar e perdoa as minhas infidelidades que são tantas! Dá-me a Tua graça e ajuda-me a recomeçar. Amém!
18. Normas litúrgicas (Ex 25-31)

Oração inicial — Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!


Canto: A nós, descei Divina Luz!/ A nós, descei Divina Luz!/ Em nossas almas acendei/ o amor, o amor de Jesus!/ O amor, o amor
de Jesus! Vinde, Santo Espírito, e do céu mandai/ luminoso raio, luminoso raio!/ Vinde, Pai dos pobres, doador dos dons/ luz
dos corações, luz dos corações!

Leitura Bíblica: Ex 25-31

Reflexão — Leia o texto abaixo para aprofundar a leitura do texto bíblico.

Esta longa seção pertence à tradição sacerdotal, preocupada em ratificar o comportamento cultual do povo, e
refere-se às disposições para a construção do santuário, a mobília, as roupas dos sacerdotes, o estojo sagrado e os vários
atos de culto que precisam ser feitos. Os capítulos 35-40 que fecharão o Êxodo serão quase uma retomada e uma
repetição dessa seção porque eles informarão a execução das regras contidas nessa parte. Esses capítulos se aproximam
das páginas literárias do profeta Ezequiel (Ez 40-48) — que descreve uma reconstrução ideal do templo de Jerusalém
depois do exílio babilônico — e talvez, a sua versão final é tardia e não pertence à primeira escritura do Êxodo.
A leitura pode ser um pouco cansativa: esses capítulos nos introduzem no sentido do rito e da liturgia. Poderíamos
dizer que esse é o melhor modo, o melhor ―serviço‖ (o rito, a liturgia) por meio do qual as pessoas podem responder à
aliança com Deus. A Deus, seja toda a honra, todo o cuidado, toda a devoção; nada deve ser deixado ao acaso e deve
haver clareza sobre o que é sagrado.
O serviço mais alto a cumprir é a oferta a Deus da própria vida através do culto e da oração, na dedicação fiel a
Ele. Para além das regras específicas e precisas, devemos estar atentos à necessidade de não deixar nada ao acaso, de
cuidar do culto como um evento especial de serviço a Deus, separado do ordinário, do cotidiano, do comum de todo dia.
Os gestos e as normas querem ajudar a vivência de atos que expressam a Deus as próprias disposições do
coração. A liturgia é a ação do povo, culto não só interior ou pessoal, mas comunitário, em que todos vivem junto aos outros
o seu louvor a Deus: o culto nasce de pessoas reunidas que manifestam juntas a profunda unanimidade de fé e intenção.
Como não se pode acreditar sozinho, assim não se pode celebrar sozinho.
A liturgia se serve da realidade sensível para expressar uma realidade indecifrável, oculta: a fé, o amor, a devoção
a Deus. O cuidado com os objetos, bem como com as normas litúrgicas servem para educar a alma e o coração para
expressar a solenidade e a grandeza do relacionamento com Deus.
Nesses capítulos do Êxodo, para enfatizar a sacralidade da liturgia, as regras da festa pertencem ao próprio Deus.
Na parte final do Êxodo (capítulos 35-40), o Senhor faz Seu pedido e as pessoas irão executá-lo. Vemos, então, que esses
capítulos enumeram, por ordem e de forma detalhada, primeiro o que diz respeito à construção da Arca, depois à mesa da
oferta, ao candelabro e assim por diante. Em seguida, descrevem as roupas litúrgicas a serem usadas pelos sacerdotes e o
ritual de sua consagração.
Há toda uma enumeração de tarefas a serem executadas, iniciada por um "farás", retomado na seção final
(capítulos 35-40), que em vez disso é caracterizado pela expressão "Ele fez": os mandamentos de Deus correspondem à
execução pontual por parte do povo. Este é o zelo pela casa e pelas coisas de Deus.
O que se destaca é o grande amor a Deus pelo serviço a Ele prestado. Aqui enfatizamos o rito da unção (Ex 29, 5-
7). Em hebraico, o termo usado é hishhah (em grego, Chrisma: daí o termo ―Crisma‖, em português, Confirmação), que vem
do verbo mashah, significando esfregar, ungir. Desse verbo, vem o termo Mashiah, que em latim deu origem à palavra
―Messias‖ (da qual vem o ―Messias‖ em português), que traduziu para o grego christos e originou aquele que é chamado de
―Cristo‖.
A unção é um ato religioso muito antigo: ungiam-se pessoas e objetos. O óleo possui propriedades de fortificação e
amaciamento e é agradável se estiver perfumado. A unção assumiu um valor de consagração no rito da unção dos reis
(1Sm 10,1); a unção sacerdotal assimilou esse ato do valor da consagração real num tempo em que eram os sacerdotes
que guiavam o povo. Para eles, esse rito tem valor de santificação: o sacerdote é santificado para santificar.
Também na liturgia cristã, o rito da unção foi acolhido com esse significado: é a participação do crente na força de
Deus e na Sua santidade: batizados em Cristo somos ungidos pelo óleo, que é um sinal do Seu Espírito. Elide Siviero

Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.


Perguntemo-nos:
 Como percebo a liturgia da qual participo em comparação à história detalhada e o cuidado da liturgia
hebraica?
 Como vivo em minha vida a ação litúrgica? Em que a liturgia me ajuda? Em que ela me toca, me chama à
conversão?

Oração final — Pai Santo e bondoso, eu Te agradeço por mais este encontro, no qual ouvimos a Tua Palavra e
experimentamos o Teu cuidado para conosco, quando desejaste estar sempre perto de nós. Confirma, Senhor, a minha fé,
para que eu possa, com coragem, testemunhar a Tua presença em cada igreja. Ilumina os nossos pastores, a fim de que
propaguem com fidelidade o Teu amor pelos pequenos e mais fracos: que eles sejam perseverantes no cuidado e no zelo
para com a Tua casa. Amém!
19. A traição: o bezerro de ouro (Ex 32)

Oração inicial — Invoquemos a Santíssima Trindade traçando sobre nós o sinal da cruz: em nome do Pai, do Filho e
do Espírito Santo. Amém! Peçamos a presença do Espírito Santo dizendo:
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor...

Leitura Bíblica: Ex 32

Reflexão — O texto abaixo ajuda a aprofundar a leitura do texto bíblico.

Do ponto de vista literário, essa seção é bastante complexa e nela convergem várias tradições que são difíceis de
distinguir e, até mesmo as traduções, são controversas. Esse capítulo conta o drama da traição, da idolatria, sempre
espreitando a vida do crente: às propostas de Deus, o homem pode se opor, fazendo valer a sua autonomia de decisão, o
seu desejo de onipotência.
Então, nessa história, temos o exemplo do comportamento daqueles que se rebelam contra Deus. O povo
reivindica um Deus que pode ser visto, um Deus transportável que pode ser levado aonde se quer (rebelião contra o Deus
do Êxodo que, em vez disso, leva o povo para onde Ele próprio quiser). As pessoas querem um ídolo para seu próprio uso
e consumo, um Deus para transportar, não um Deus a quem seguir.
A imagem do bezerro era a divindade mais amada do antigo Oriente Médio. As pessoas procuravam ter uma
imagem reconfortante como no Egito, um ídolo como nas regiões próximas, quase tentado a mudar para outros deuses.
De fato, a espiritualidade da transcendência de Deus, a sua falta de visibilidade eram difíceis de aceitar e o povo arrastava
Aarão nos seus desejos idolátricos, enquanto Moisés estava longe com seu Deus invisível.
Depois da descrição das leis litúrgicas, o Êxodo apresenta o pecado religioso e, em seguida, o perdão e a
renovação da aliança.
O segundo mandamento sublinhou a proibição de qualquer representação de Deus para dizer que o Senhor não
está vinculado a nenhuma forma de natureza: Ele se serve dela, mas nenhuma de suas manifestações pode representá-
Lo. Então, nenhuma imagem pode conter Deus, fixá-Lo ou representá-Lo. Somente Jesus Cristo, o Filho de Deus, será a
imagem visível do Deus invisível (Cl 1,15), aquele que dirá: "Aquele que me viu, viu o Pai" (Jo 14,9) e também o único
Revelador do Pai, como proclama o prólogo de João: "A Deus, ninguém viu, o próprio Filho unigênito O revelou.‖ (Jo 1,18).
No Antigo Testamento, o mandamento que proíbe a representação de Deus procura proteger o povo do perigo da
idolatria. É isso o que acontece com essas pessoas, que no deserto querem garantias e evidências da presença de Deus.
―Todo o problema foi e está sempre aqui: ver ou acreditar; certificar-se ou arriscar-se; exigir evidências ou se contentar
com a incerteza; ter um sistema religioso que funcione bem ou viver na luz não refletida de um Deus maravilhoso, mas
secreto; antecipar-se no sustento que vem da natureza e na experiência sensorial ou deixar-se guiar na própria história de
acordo com todas as possibilidades do presente; "fazer" e "ter" um deus para si mesmo, de quem se pode fazer o que se
quer, mesmo proclamando que o está seguindo ou tornar-se disponível e oferecer-se a Deus com fé, como em uma
aventura que é, então, a aventura do amor‖.
A desobediência ao mandamento de Deus é séria porque é perigosa para a fé. A esse comportamento do povo,
Deus reage: são aplicados a Ele sentimentos e paixões com um evidente antropomorfismo (como os homens sentem). A
cólera e a raiva são sentimentos humanos que a mentalidade hebraica também lê em Deus para poder interpretar os
acontecimentos da vida de acordo com uma espécie de "determinismo" ditado pelas paixões de Deus.
Vemos nisso ainda um conceito muito primitivo de Deus, não muito diferente das culturas pagãs da época. Mas, ao
lado disso, temos também a revelação do Deus cheio de amor e misericórdia, que é a verdadeira revelação do Êxodo. De
fato, a oração de Moisés, que intercede pelo povo, não é apenas uma das mais lindas orações que existem, mas também
é o caminho para mostrar o amor de Deus, pronto a encher-se de ternura pelo seu povo, sempre disponível a salvar e não
condenar. ―A salvação é a decisão que Deus toma de Si mesmo e assume sobre Si mesmo e, acima de tudo, sem mérito
(sem merecimento) por parte do beneficiário‖.
Elide Siviero
Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.
Perguntemo-nos:

 Já experimentei na minha vida a tentação da revolta contra Deus, o risco de procurar substitutos à Sua
transcendência, o perigo de construir para mim ídolos alternativos a Deus?
 O que tem me ajudado a voltar-me para Deus com todo o meu coração, num verdadeiro caminho de
fé?

Oração final — Ó Deus de Israel, sempre disposto à renovação de Tuas promessas, fiel à Aliança; ó Tu, que guiaste
Moisés na libertação do povo israelita no Egito, eu Te louvo e agradeço a paciência e o perdão que me revelas a
cada dia. Pousa o Teu olhar misericordioso sobre mim porque sou pecador e de cabeça dura; guia-me conforme os
Teus caminhos e concede-me a graça de seguir livremente a Tua santa vontade. Amém!
20. A aliança renovada (Ex 33-34)

Oração inicial — Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Canto: Abre, Senhor, os meus lábios.

Leitura Bíblica: Ex 33-34

Reflexão — O texto abaixo ajuda a aprofundar a leitura do texto bíblico.

Ao pecado grave do povo, Deus responde com o perdão e com a renovação da aliança: esse é o verdadeiro rosto
de Deus que será revelado a Moisés, para que ele se torne um mediador diante de todo o seu povo. A tenda indicada
parece ser a tenda da convenção em que Moisés se encontra com Deus.
Após a rebelião do bezerro de ouro, Moisés leva sua tenda para longe do acampamento e continua a exercer seu
papel de mediador. O lugar de Deus não é mais o acampamento, porque a comunidade não é mais um sinal de fidelidade
ao Senhor. Deus, através de Moisés, aborda pessoas individuais, buscando relacionamentos pessoais e não mais o
contato com as pessoas em geral. Ele fala com Moisés "cara a cara", isto é, com uma intimidade excepcional: o autor quer
enfatizar o caráter particular do relacionamento de Moisés com Deus.
Do ponto de vista literário, no entanto, o conceito não é tanto de visão, mas estar na presença de Deus: Moisés é
aquele que se coloca na presença de seu Senhor, isto é, ele se sente sob Sua proteção. Deus, sem deixar de ser invisível,
misterioso, faz-Se conhecer a Moisés para revelar Seu plano de salvação.
Moisés é mais que um profeta: ele é amigo de Deus. O termo hebraico designa a comunhão, o convidado à mesa:
o amigo é aquele com quem se come. Lembremo-nos de que este será o nome que Jesus reservará aos seus discípulos:
"Não vos chamo mais servos, mas amigos" (Jo 15,15) e isso induz a profundas considerações sobre o fato de sermos
amigos e companheiros de Jesus, chamados a compartilhar Seu banquete de aliança e salvação, a Eucaristia.
O papel de Moisés é o do mediador que vive em si mesmo o que é prometido ao povo: sua oração torna-se a voz
de todos e seu pedido lembra o entusiasmo do homem que procura Deus, que quer vê-lo. Deus renova a Sua aliança, que
suscita no povo, representado por Moisés, por sua voz, por sua oração (conforme relatado na parte final do capítulo 33),
um novo desejo de encontrar-se com o Senhor.
O capítulo seguinte apresenta a renovação da aliança após a passagem de Deus e Moisés O verá pelas costas.
Isso significa que só se pode conhecer a Deus após sua passagem: o que o homem pode conhecer sobre Deus é o Seu
bem e essa é a descoberta que Moisés e, com ele, todo o povo devem fazer. Deus havia dito: "Eu farei passar toda a
minha glória diante de ti e proclamarei o meu nome: ‗Senhor‘, diante de ti. E darei graça a quem Eu quiser dar a graça
[...]." (Ex 33,19).
Deus não Se faz conhecer de maneira abstrata como um conceito ou uma ideia que o homem pode adquirir, mas
através de sua ação benevolente, com seu amor, com sua "passagem" que implica em si o conceito de ―inacessibilidade‖.
Deus não revela a Si mesmo, não revela o Seu ser, mas revela o Seu amor. Quando Deus diz "Eu darei graça aos que
quero dar graça", quer declarar com força um amor com o qual sempre se pode contar.
A glória de Deus (kabod) se manifesta: lembre-se de que a "glória" de Deus significa o peso de Seu amor, que é
revelado concretamente. De fato, quando passa, Deus revela Seu nome nestes termos: "O Senhor é Deus misericordioso
e clemente, lento para a ira e cheio de graça e fidelidade, que guarda o seu favor por milhares de gerações, que perdoa a
culpa, a transgressão e o pecado, mas não deixa sem castigo, culpando os pais nos filhos e nos filhos dos filhos até a
terceira e quarta geração." (Ex 34,67).
Deus afirma que o pecado continua a ser pecado, não pode ser cometido impunemente e sua gravidade carrega o
envolvimento de todos os descendentes, porque nunca é uma questão privada e individual. Mas a misericórdia de Deus é
infinitamente maior do que o pecado: se o castigo chega à quarta geração, não há medida para a graça: as gerações
envolvidas são mil!
À rebeldia e infidelidade do povo, corresponde a misericórdia de um Deus fiel e misericordioso, pronto para
perdoar. Ele é aquele que sempre oferece novas oportunidades de conversão e aliança. Lembremos o que Paulo dirá:
"Deus, de fato, trancou todos na desobediência, para usar de misericórdia para com todos." (Rm 11,32). Esse é o
significado da revolta do bezerro de ouro: com ele, o homem tentou tomar uma falsa liberdade, uma autonomia enganosa
que, no fundo, é uma grande escravidão. Mas Deus não abandona o Seu povo ao pecado, ao mal. As novas tábuas da lei
renovadas apresentam o Deus capaz de novidade, pronto para dar ao Seu povo a capacidade de renovação.
Elide Siviero
Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.
Perguntemo-nos:

 Quando experimentei o perdão de Deus na minha vida? Conheço-O como o Deus da misericórdia e da fidelidade?
O que torna difícil essa minha atitude de fé?

Oração final — Senhor, eu Te agradeço porque quiseste habitar em nosso meio. És, de fato, um Deus vizinho, um Deus
amigo. Que a Tua presença me faça próximo de Ti para ouvir a Tua Palavra, para Te falar e ser iluminado por ela; que eu
seja, Senhor, um sinal de Tua presença na Igreja e no mundo. Tu estás conosco! Que eu esteja Contigo e seja iluminado
por Tua luz. Amém!
21. O Santuário (Ex 35-39)

Oração inicial — Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Peçamos a presença do Espírito Santo,
dizendo: Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor...

Leitura Bíblica: Ex 35-39

Reflexão — O texto abaixo ajuda a aprofundar a leitura do texto bíblico.

Os capítulos que vão de 35 a 39 retomam quase literalmente a execução das ordens dadas por Javé sobre o
Sinai e recontam os capítulos 25-31. O caráter repetitivo desse trecho denuncia a tradição oral: para memorizar, é
preciso repetir e esse é um estilo típico do Primeiro Testamento.
No contexto das normas litúrgicas e do ritual a se seguir, o serviço de Deus é a resposta do povo à aliança.
Deus livrou o seu povo para que O seguisse mais de perto e para que pudesse se dar completamente a esse serviço,
no qual os hebreus podem encontrar totalmente a si mesmo e a sua liberdade.
É essa a mensagem essencial do livro do Êxodo: Deus nos salva para estabelecer uma relação profunda
conosco, para viver com cada um de nós uma troca de amor, fato que se expressa na liturgia, na vida de oração
pessoal e comunitária.
De fato, a liturgia é apresentada como o serviço mais alto a Deus: é composta de atos realizados para
exprimir a Ele a disposição do coração do homem frente ao Senhor. Além disso, a liturgia indica humildade,
dedicação total, reconhecimento da absoluta soberania de Deus e deve ser feita com cuidado, pois a pessoa a quem
é dirigida é o Senhor do universo.
Não há culto quando a oração é pessoal ou adoração. Mas o culto, no seu sentido próprio, é uma
manifestação externa de uma dimensão interior; é a fé expressa em conjunto com seus irmãos; é a liturgia, ou seja,
laos-aghein, a ação do povo. A liturgia é a ação de um povo, de uma comunidade reunida para pregar o próprio
Senhor.
A partir disso, vemos que não existe apenas a oração pessoal ou somente a oração comunitária, mas que as
duas se entrelaçam em uma osmose, graças à qual, cada oração particular deve ser sempre unida a toda a Igreja e
cada oração litúrgica sempre exige o envolvimento de cada pessoa.
Recordamos que a liturgia se serve da realidade sensível para invocar as não sensíveis, exatamente como os
sacramentos da fé cristã. A matéria sensível leva à consciência da realidade imaterial, não sensível, mas, nem por
isso, menos verdadeira.
Na liturgia do Êxodo, são importantes as palavras, os gestos, os cantos, os sinais, os objetos: tudo o que é
real, experiencial, tangível busca exprimir a comunhão entre os participantes e Deus, sincronizar as suas intenções e
as suas vidas. Na realidade, num ambiente assim estruturado não é difícil viver a fé. Nas formas codificadas, o povo
vive a estabilidade que permite a liberdade interior. Não se deve inventar nada para aprender a louvar a Deus, mas
apenas observar as leis do culto.
A narração é um pouco pesada e quase esmagadora, mas nela podemos ver a sua função pedagógica: o
escritor deseja criar um clima de santidade. Ao ler essa descrição detalhada, devemo-nos deixar envolver pela
sacralidade das normas, principalmente para apreender o espírito da dedicação total do homem a Deus.
O tempo necessário para ler esses capítulos declara a importância que se deve dar às coisas de Deus e cria
uma atmosfera religiosa. É com o mesmo espírito que se deve ler os livros do Levítico e dos Números: não tanto para
aprender alguma coisa, mas para perder tempo diante de Deus, deixando-se envolver pelo clima de devoção e pela
dedicação ao Senhor da História e do Tempo.
Poderíamos fazer a experiência de pesquisar nessas normas aquilo que passou para a tradição cristã: os
sinais da água, do óleo, dos pães, dos sacerdotes, etc. para reencontrar no povo hebreu o início da nossa fé e
chamá-los de ''irmãos maiores'', como disse João Paulo II.
Elide Siviero

Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.

Sob a luz da dedicação do povo hebraico para com a liturgia, perguntemo-nos:

 Como vivo a liturgia da Igreja? Sou fiel a ela?


 Esforço-me para celebrar Deus com os irmãos e na minha vida pessoal?

Oração final — Ó Deus, Criador e Senhor de todas as coisas, volta para nós o Teu olhar e dá-nos a coragem de Te
servir de todo o coração. Que a Palavra que hoje ouvimos desperte em nós o desejo de celebrar os Teus louvores,
unidos à comunidade da qual participamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém!
22. Deus entra no santuário (Ex 40)

Oração inicial — Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Senhor, abre os meus olhos, os meus ouvidos e o
meu entendimento, a fim de que eu guarde a Tua Palavra. Envia o Teu Espírito Santo e acolhe o louvor de todos nós que
aqui estamos desejosos por fazer uma experiência de encontro Contigo. Amém!

Leitura Bíblica: Ex 40

Reflexão — O texto abaixo ajuda a aprofundar a leitura do texto bíblico.

Deus é onipresente, mas não se encontra em lugar algum. Para encontrá-lo, é necessário que ele se manifeste. O
sinal da sua manifestação é a sua santidade e quem o encontra parece ter achado alguma coisa santa e sagrada, mesmo
porque até o local de encontro é sagrado.
Os profetas também ensinaram sobre o mistério da presença privilegiada de Deus em certos lugares escolhidos e
preciosos (os santuários), mas não explicitamente ligados a eles porque Deus não se liga a lugar nenhum. A morada de
Deus é especificada em um santuário, mas, na realidade, a verdadeira casa de Deus é o povo reunido, ou melhor, o próprio
Deus é um santuário para o seu povo.
De fato, Ezequiel dirá: ―Se os mandei para longe entre as nações para onde os tiver lançado em terras estrangeiras,
eu serei o seu santuário‖ (Ez 11,16). No Êxodo, esse santuário é uma tenda móvel e Deus se move com seu povo, ali onde
vive e habita a sua gente: Aquele que não se deixa prender mora entre o seu povo.
A tenda do encontro era a tenda do chefe, na qual Deus se encontrava com Moisés. Aí também estava a arca da
Aliança (descrita em Ex 37), chamada de arca do testemunho (Ex 40,3; Nm 10,33). Na realidade, ninguém sabe o que era
esse objeto de adoração que deveria conservar as mesas da aliança, mas a sua presença dentro da tenda servia para
ressaltar o seu caráter sagrado e a sua função. Tudo aquilo que revelava a presença de Deus (tenda, arca, mesas da lei)
era reunido para declarar que Deus queria permanecer junto, no meio de seu povo.
Esse santuário é chamado ''a morada'', isto é, o sinal da vontade de Deus de habitar no meio de seu povo. É
interessante ressaltar que, mais tarde, esse seria um dos nomes reservados a Maria, a mãe de Jesus, chamada também de
Morada de Deus.
A nuvem que marca a presença de Deus na tenda é uma manifestação sensível de uma realidade intangível, como é
o próprio Deus. Marca a Sua presença e, ao mesmo tempo, é um véu: a nuvem cobre e manifesta a presença do Senhor.
Com isso, termina o livro do Êxodo, referindo-se mais ao mistério do que ao conhecimento.
Apenas Jesus poderá tirar o véu para o conhecimento de Deus. Reencontraremos a nuvem no momento da
transfiguração em que Jesus aparece no esplendor da sua divindade, atestando, assim, aos discípulos, que viera do alto e,
por isso, está autorizado a falar com plena consciência de Deus. Aquele Deus que ninguém nunca viu é explicado por Jesus
(cf. Jo 1,18).
O Êxodo termina sem uma conclusão: esse final aberto refere-se a todas as pessoas chamadas a viver com o seu
Deus. Além disso, o texto não narra a chegada à terra prometida.
Ao falar sobre a libertação, destaca-se o fato de que o povo é chamado para se libertar continuamente daquilo que o
mantém preso: do Faraó aos preconceitos, do Egito às memórias do passado fátuo. O povo deve passar continuamente
através do mar da libertação e cruzar o Mar Vermelho, que o separa do pecado e da idolatria.
Essa é também a nossa história, a história da Igreja e de cada cristão chamado a passar da escravidão ao serviço, a
não confundir os acampamentos com a meta e a acreditar no chamado para se tornar amigo e irmão do Senhor (cf. Jo 15 e
20).
No Êxodo, quem caminha na estrada de Deus não pode voltar atrás. A tentação mais forte do povo foi exatamente
essa, mas apenas quem prossegue pode se tornar povo de Deus. ―Caminhando neste mundo com o Senhor encontrado e
sempre procurado, guiado pela nuvem do não-conhecimento revelador, nutrido de um pão encontrado sobre esta terra, mas
dado do alto de Deus, experimentando os fervores e depressões, a ansiedade que mina a coragem e a ternura quente de
Deus, que o multiplica o povo aprende a ler os sinais que dirigem a sua marcha na história‖. É com esse povo que os
cristãos também aprendem a andar com Deus e nos caminhos de Deus.
Elide Siviero

Se algo não ficou claro, pergunte ao seu catequista.


Perguntemo-nos:

 Ao fim da leitura do Êxodo, o que mudou em mim?


 Sinto-me transformado a partir dessa leitura?

Oração final — Senhor, é um desejo Teu habitar no meio de nós! E são muitas as formas que encontraste para estar
conosco. Hoje, queremos agradecer-Te, de modo especial, a Tua presença na Eucaristia: verdadeira morada de Deus entre
os homens. Nela, podemos encontrar-Te de modo singular, de modo sacramental; nela, podemos conversar Contigo, assim
como falam todos os que creem em Tua presença escondida, mas real, nas espécies do Pão e do Vinho. Por meio dela, Tu
habitas não apenas no meio de nós, mas em nós. Obrigado, Senhor! Amém!

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