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- CONTO -

UM NATAL DIFERENTE

Sérgio J. K. Júnior

São Paulo, dezembro de 2010


CONSIDERAÇÕES

Nos diálogos, várias vezes, com o pronome “tu”, os verbos são conjugados na 3ª pessoa do
singular, em vez da 2ª pessoa do singular, por ser comum esse uso na língua falada.

Todos os fatos, personagens e nomes deste conto são fictícios. Quaisquer semelhanças com
fatos, personagens e nomes reais serão mera coincidência.

Dedicado a todos os que acreditam.

Sua opinião será sempre bem-vinda através do e-mail chuvadecafe@gmail.com

Na internet:

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“Faças a tua vida valer a pena e não permitas ousarem dizer que ela não vale.”
Porto Alegre, 25 de dezembro de 2010. 18:25

L
á pelas duas da tarde o tempo começou a mudar, graças à massa de ar frio
que recém tinha chegado dos Andes. Pouco a pouco apareceram
ambulantes vendendo guarda-chuvas e outras coisas que pudessem
interessar aos olhos do comprador. Mas já era hora de as pessoas começarem a ir pra casa.
O centro de Porto Alegre escurecia como se o tempo estivesse correndo. O povo
decidia o que fazer: uns foram para dentro do Mercado Público, outros permaneceram nas
lojas (talvez até fingindo admirar os produtos). Alguns correram pro terminal para pegar
os ônibus que partiam. Apesar de ser Natal, havia bastante movimento na rua. Por pouco
tempo.
Joana foi a terceira pessoa a adentrar o Bar das 24, um bar-lanchonete localizado na
galeria da Rua dos Andradas, bem ali onde, vez que outra, quando alguém deixa a porta
aberta, sente-se o vento gelado oriundo do Rio Guaíba. Escolheu a mesa de sempre, nos
fundos, perto da janela. Sentou-se, tirou a jaqueta. Estava tão simples como sempre,
porque sabia que a beleza dos seus olhos compensava o que quer que vestisse. Para hoje ela
escolheu uma camiseta vermelha, para combinar com os pensamentos; calça jeans clara e
as botas pretas que comprara no outono.
Assim que Joana debruçou-se para esperar a colega da faculdade, a dona do bar, Srª
Motoda, aproximou-se.
- Vai querer algo já, Joana?
- Ainda não, Srª Motoda, mais tarde. Eu tô esperando uma pessoa. Obrigada –
respondeu com um sorriso leve.
18:57
Joana já esperava a amiga há 27 minutos. O bar estava cheio. E então pensou que
ela não viria encontrá-la. “Talvez tenha esquecido”, imaginou. Mas também, logo no dia
25, é possível que tenha se atrasado...
Suspirou. E no mesmo instante de seu suspiro várias coisas aconteceram: a chuva
começou, um mendigo foi atropelado a cinco quadras dali, um homem derrubou um vaso
de cerâmica na lojinha ao lado, um gato siamês correu pra dentro de uma caixa deixada na
entrada da galeria, uma pequena embarcação ancorou no Cais do Porto, uma descarga
elétrica provocada por um raio queimou o microondas do porteiro do prédio mais alto
daquela quadra, e um trem parou na estação Mercado. De todos estes fatos, o mais
interessante é o do trem, pois dele desembarcou Pedro, o cara mais simpático que Joana
viria a conhecer em 2010.
Pedro conhecia pouco Porto Alegre, mas o pouco que conhecia foi suficiente para
levá-lo ao Bar das 24, onde ele entrou e logo procurou um lugar pra sentar.
A chuva foi se intensificando.
Pedro olhou ao redor e percebeu que o único lugar disponível era na mesa onde
estava Joana. Pensou em ir embora, mas como a chuva certamente o jogaria pra dentro
daquele bar de novo, decidiu ir até a mesa onde ela estava e perguntar:
- Será... será que eu posso sentar aqui contigo? É que não tem mais lugar.
- É que eu tô esperando uma amiga – respondeu Joana, meio indecisa.
Pedro consentiu com a cabeça e já ia embora:
- Ah. Desculpa.
Assim que Pedro virou-se pra ir embora, Joana pensou duas vezes e então disse:
- Ei! Na verdade, eu não sei se ela vem. Pode sentar se tu quiser.

19:04
O Bar das 24 era bem tradicional, num estilo antigo: quase tudo era de madeira, a
caixa registradora era da década de 70. Quem vê não diz que seus donos são japoneses. O
Sr. e a Srª Motoda já trabalhavam lá há 36 anos. Em 1985 tinham conseguido juntar
dinheiro pra comprar o prédio inteiro, com seis andares. E sim, o compraram. Desde então
o prédio serve-lhes de casa e trabalho. Não tiveram filhos. E talvez a idade avançada nem
lhes permita mais.
Assim que Pedro sentou-se, a Srª Motoda voltou à mesa:
- Vai pedir algo agora, Joana?
- Vou, Dona Motoda. Eu quero... um café e um pastel de carne, por favor.
- E você? – perguntou a Pedro.
- Ah, o mesmo que ela – respondeu.
Com seu sorrisinho japonês, a Srª Motoda consentiu com a cabeça e foi preparar o
pedido.
- Joana? Nome bonito – iniciou Pedro.
- Obrigada. E o teu nome, qual é?
- Pedro. Pedro Garcia. Prazer – e cumprimentou Joana com um aperto de mão.
Continuou:
- Será que a tua amiga não vem?
- Sei lá. Eu falei pra ela que era um assunto importante, mas acho que ela não tá
nem aí.
- Hmm... – reagiu Pedro.
- Mas... – deu um sorriso breve -, deixa pra lá, isso nem tem a ver contigo.
- Não, pode falar, eu tenho tempo – disse Pedro, apontando com os olhos para a
chuva forte que caía sobre Porto Alegre.
Joana parou por alguns segundos e decidiu prosseguir:
- Eu marquei com uma amiga... pra gente conversar. É que eu saí de casa, meu pai
não larga do meu pé... a gente discutiu feio da última vez...
Joana foi se entristecendo.
- O que que foi? Pode falar... a gente não se conhece, não vou sair por aí falando dos
teus problemas.
Um olhar cerrado de Joana atingiu Pedro.
- Por isso mesmo, eu não te conheço. O que me garante que você não é um
sequestrador ou só um interesseiro? – disse ela.
- Tem razão. Eu preciso melhorar as minhas técnicas... eu sou um sequestrador.
Tem três comparsas meus na mesa perto da porta. Tá vendo? – indicou com a cabeça -. Só
que, como hoje é Natal, a gente resolveu tirar um dia de folga. As pessoas ficam tão bobas
no Natal que fica até sem graça sequestrá-las – sorriu.
Joana riu e rebateu:
- Considerando que tu esteja mentindo, me diz tu, então. O que te trouxe até aqui?
- A chuva. A chuva me trouxe aqui. Eu esqueci o guarda-chuva em casa e vim
correndo lá da estação até aqui. Na verdade, eu nem achei que fosse chover, mas, enfim. As
pessoas vivem me lembrando de como eu sou esquecido.
No meio tempo em que se entreolharam, o Sr. Motoda chegou com o lanche.
- Bah, que rápido – admirou-se Pedro.
- Eles são rápidos, aqui. São muito disciplinados... acordam às 5 da manhã pra
preparar as massas dos salgados, sabia? Têm vários funcionários mas sempre os vejo por
aqui – comentou Joana.
- É... a gente sempre pode aprender um pouco com as pessoas.
Entre o lanche e a conversa passaram 30 minutos. 46, 1 hora e 13, 2 horas.

21:04
A maioria dos estabelecimentos já tinha fechado. E até as 21:08 o único comércio
aberto era o Bar das 24 e nele os únicos clientes eram Joana e Pedro, que perguntou:
- Que horas fecha aqui?
- Não fecha. Por isso o nome é ‘Bar das 24’. Porque é 24 horas.
- Ah, é mesmo – fez uma pausa –. Olha, a tua amiga não vai vir, Joana. Tu vai
embora?
- Não quero ir agora. Eu sei... é difícil confiar nas pessoas hoje em dia, né? – refletiu
Joana.
Pedro respondeu:
- Ah, depende. Se tu confiar nelas primeiro é bem provável que elas retribuam com
confiança também.
- Não sei... e se eu me der mal primeiro?
- É um risco a correr. Riscos... um ingrediente da vida.
- Eu sei, Pedro. Mas se pelo menos os riscos fossem distribuídos de acordo com o
que cada um pode aguentar seria mais fácil. Tu não acha?
- Não. Acho que seria injusto.
Joana sorriu e elogiou:
- Tu falas bem...
- Obrigado – disse Pedro, que continuou -. Tu também. Qual tua idade, Joana?
- Vinte e três. E tu?
- Vinte e cinco.
Nesse instante Joana e Pedro se olharam fixamente. Estavam entendendo um ao
outro.

21:42
À medida que conversavam, os dois falavam sobre coisas engraçadas, simples e,
claro, sobre os problemas que recheavam suas vidas.
- O meu pai vai casar de novo – disse Joana –. E eu não tenho aceitado muito isso
porque a minha mãe tá destruída. Parece injusto ver ele tão feliz e ela tão triste.
- Acho que tu tem que aceitar. As pessoas são livres, Joana. Quer dizer, pelo menos
deveriam ser livres pra lutarem só pelo que faz elas felizes.
- Natal era uma época tão especial pra gente... A casa enchia de familiares, amigos...
Hoje parece que foi esquecida. Na verdade não foi... as pessoas que evitam ir lá.
- Então eu acho que tá na tua mão. Mas teus pais são crescidos, sabem se cuidar.
Porque não volta pra casa agora e conversa um pouco com a tua mãe ou com o teu pai?
- Não sei. Tu fala como se não tivesse problemas. Cadê teus problemas, Pedro?
- É claro que eu tenho. Mas não esse tipo de problema. E eu só encaro de outro jeito.
Tem vezes que eu esqueço alguns problemas de propósito. Meus amigos e alguns colegas
de trabalho dizem que eu sou meio irresponsável.
- E eles têm razão?
- Acho que sim.
- E porque continua sendo, mesmo sabendo?
- Eu te respondo depois que a gente pedir outro café.

21:45
- Não faço de propósito. Apenas vou deixando as coisas pra depois – disse Pedro,
antes de tomar um gole de café.
- Sei... e por quanto tempo tu acha que vai poder fazer isso? – indagou Joana.
- Boa pergunta.
- As pessoas podem não estar lá quando tu decidir estar com elas, Pedro. Não
depende só de ti, entende?
- Entendo – respondeu Pedro, olhando atentamente para Joana.
- E tem outra: elas podem estar contando contigo. É um risco, como tu mesmo disse,
que estás deixando de correr pra ficar sozinho. A consequencia pode ser ficar sozinho de
vez.
Enquanto falava, Joana sentia que toda aquela conversa refletia sobre sua própria
situação. Ela estava se afastando da família por medo e por não saber como agir.
Pedro percebia, de forma semelhante, que muitas coisas não estavam acontecendo
por falta de uma preocupação com as pessoas ao seu redor.
Alguns minutos depois, o ambiente todo foi iluminado repentinamente: Srª Motoda
acendera as luzes da árvore de Natal que estava no canto do bar, próxima à mesa de Pedro
e Joana. Eram luzes coloridas, que refletiram nos vidros das janelas, nos pratos, nas
xícaras de café e nos olhos daqueles jovens, inusitadamente unidos na noite de Natal.
- Quando eu era criança eu acreditava em Papai Noel – disse Pedro.
- Acho que todos nós acreditamos algum dia.
- E porque deixamos de acreditar?
Fez-se um momento de silêncio, antes de Joana opinar:
- Porque as pessoas não cultivam isso, eu acho. Os nossos pais, por exemplo, fazem
a gente acreditar em muita coisa enquanto somos crianças, mas depois permitem que a
nossa inocência seja levada embora – olhou para a árvore de Natal, e continuou -. E por
um lado eles estão certos, porque sabem que não estarão com a gente pra sempre. Se não
nos mascararem com peles de lobos, ou pior: se não nos transformarem em lobos,
provavelmente seremos enganados pelos primeiros sequestradores que puxarem conversa
com a gente nos bares por aí.
Pedro sorriu. Ela também.

Apesar de a lua estar cheia, nenhum pedacinho dela podia ser visto naquela noite: o
céu estava tão carregado que a rua só era visível com a luz das lâmpadas dos postes. Ainda
assim, a chuva pesada tornava qualquer trajeto a pé quase impossível.

22:12
De fato, o clima vazio daquele bar, as luzes natalinas piscando e o barulho da chuva
uniram-se para fazer os dois ficarem com sono.
- Eu vou pagar a conta, Joana.
- Péra aí, paga a minha parte – disse Joana, que retirou cinco reais do bolso e
entregou a Pedro.
Pedro foi até o balcão e perguntou:
- Quanto deu tudo?
O Sr. Motoda respondeu:
- Oito reais.
Ao colocar a mão no bolso de trás da calça, Pedro percebeu que estava sem a
carteira. De início, pensou que pudesse estar na mesa.
- Minha carteira... tá por aí, Joana?
Joana procurou pelo chão, na cadeira, na mesa, e nada. Então questionou:
- Não tá aqui, tu tem certeza que trouxe contigo?
- Tenho, a última coisa que comprei foi o bilhete do trem. Eu guardei no bolso da
calça, como sempre faço. Que droga, será que roubaram?
Pedro voltou à mesa e esvaziou os bolsos da calça e do moletom: um bilhete do
Trensurb1, um MP3 player, um cartão telefônico de 20 unidades, alguns centavos e um
pedaço de papel. Só.
- Não acredito, justo hoje acontecer uma coisa dessas?! – disse, meio irritado.
- Calma, fazer o quê? Amanhã tu faz um B.O. dos documentos que estavam na
carteira. Eu tenho dinheiro aqui, eu vou pagar o lanche. Fica tranquilo...
- Obrigado – agradeceu Pedro, tentando imaginar onde poderia ter perdido a
carteira, ou em que situação alguém poderia ter-lhe roubado.
Voltaram a sentar.
Joana mirava Pedro com um olhar do tipo “Se eu pudesse ajudar”, e ele retribuía
com um olhar do tipo “Sei que queria ajudar, mas não dá, o que não quer dizer que vou
ficar numa boa. Que droga!”
- Que músicas tem aqui? – perguntou Joana, pegando o MP3 player.
- Ah, umas poucas. Eu comprei ontem. Acho que tem umas quinze músicas só.
- Posso ouvir?
- Claro – respondeu Pedro com um sorriso.
Joana começou a ouvir as músicas do MP3. Decidiu dar um dos fones para Pedro
ouvir também. E assim eles ouviram, e logo adormeceram.
Pouco antes disso, Joana teve uma ideia um tanto absurda. Mas não tanto que não
pudesse ser tentada.

07:03
- Joana?... Joana? – disse Srª Motoda.
O dia 26 nascera muito diferente de como o dia 25 terminara. O céu estava limpo,
azul em sua maior parte e alaranjado ao horizonte, acompanhando o nascer do sol. Fazia
um frio incomum para o verão, mas como o Natal de Joana também não fora tão comum,
isso até fez sentido.
- Joana? Acorde, já é dia – insistiu a Srª Motoda.
Joana acordou. Por um momento pensou que tinha sonhado todas aquelas horas,
desde entrar no Bar das 24 até colocar o fone de ouvido na orelha de Pedro. Mas logo
tomou consciência e aceitou o fato de que coisas estranhas acontecem. E então se lembrou
da ideia que tinha tido pouco antes de dormir.

                                                            
1
 TRENSURB: Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A. 
Pedro ainda dormia. Estava com a cabeça por sobre os braços, quase cruzados.
Silenciosamente, Joana pegou o cartão telefônico e o pedaço de papel do bolso de
Pedro e saiu do bar. Lá fora, dirigiu-se ao primeiro orelhão e ligou para a central de
Achados e Perdidos do Trensurb.
Cogitou desistir, mas pensou que poderia ser o único jeito... até que:
- Achados e Perdidos, bom dia.
- Oi... bom dia... por favor, tu podes transferir pra Patrícia?
- Sou eu mesma. Quem fala?
- Patrícia, é a Joana.
- Oi, Joana! Como tá, guria?
- Eu tô bem. Preciso de um favor teu.
- Claro, guria, pode falar.
- Tu podes consultar pra mim se ontem foi encontrada uma carteira?
- Tá. E tu tens mais alguma informação do dono, por exemplo?
- Tenho. Procura pelo nome de Pedro. É... Pedro Garcia.
- Só um minutinho.
- Tá.
Joana sabia que poderia estar atirando no escuro, mas pelo novo amigo não custava
tentar. Até que...
- Guria?
- Oi, pode falar.
- Tem uma entrada, sim, com esse nome, e é uma carteira.
- Bah! Não acredito! Tá, e me diz uma coisa... como é a foto do RG? É um homem
com cabelo curto e meio ruivo?
- Isso. Mas como é que tu sabe? – risos - Pra quê tu queres isso?
- Olha, é que eu conheço o dono da carteira. Patrícia, tu pode dar um jeito de o
motoboy me entregar essa carteira? Eu tô aqui perto do mercadão2... por favor, guria, me
ajuda nessa.
- Bah, Joana, eu até entendo, mas tu sabes que eu não posso tirar nada daqui, posso
perder meu emprego. Tu sabes disso...
Joana pensou em insistir, mas sabia que a amiga tinha razão. Se removesse algo do
Achados e Perdidos, poderia ser demitida.
- Mas olha só, o chefe tá aqui... Fala com ele, ele vai dar um jeito.

                                                            
2 Apelido dado ao Mercado Público de Porto Alegre, bem como a outros mercados públicos.
- Não, é melhor não... – disse Joana, que refletiu por um momento e, em vista da
situação, continuou – Tá, tá bom, passa pra ele.
- Tá bom, vou passar. Beijos, amiga, e não se esquece de passar aqui, hein. Feliz
Natal atrasado! – disse Patrícia, uma amiga de Joana que trabalha na central de Achados e
perdidos da Trensurb.

Após um breve silêncio, a ligação foi transferida:


- Alô? – disse uma voz grave.
- Oi, pai.

07:08
Joana chegou à conclusão de que nenhum Natal é igual. Em um ano deixa-se de
acreditar em algo, mas no outro se passa a acreditar em algo. Assim a vida segue, e assim
ela decidiu conversar com seu pai, funcionário público, que sempre esteve disposto a
dialogar e explicar o que Pedro explicara a ela - mas convenhamos que as coisas mudam de
aspecto dependendo de quem as expõem.
O antigo relógio de parede marcava 06:26 quando um motoboy chegou com a
carteira de Pedro no local onde Joana e seus pais passavam horas conversando
antigamente – o Bar das 24.

Cuidadosamente colocou a carteira no bolso direito do moletom de Pedro.


E providenciou de partir.

Hora e meia depois, Pedro acordou. Automaticamente colocou as mãos nos bolsos.
Ia lembrando o que havia acontecido e procurava Joana com os olhos quando percebeu
que estava com sua carteira. Então achou que parte do dia anterior fora só um sonho.
No bolso esquerdo havia um bilhete de Joana. O pedaço de papel que ele tinha
guardado, dobrado ao meio. Na frente, apenas um “Feliz Natal”.
Ele contentou-se com isso, mas pôde sorrir quando viu que Joana escrevera, no
verso do bilhete, o número do telefone.

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EXTRAS

Músicas que estavam no MP3 de Pedro (Clique para ouví-las no YouTube)

1. How – Maroon 5
2. Soap Disco – Kara’s Flowers
3. 7 Minutes In Heaven – Fall Out Boy
4. Mundo Injusto – Fresno
5. Quisera Eu – Hevo 84
6. Que País É Esse – Legião Urbana
7. This Is The Best Day Ever – My Chemical Romance
8. Como Os Nossos Pais – Elis Regina
9. I Gotta Feeling –The Black Eyed Peas
10. One Day In Your Life – Jackson 5
11. Come Home – Placebo
12. My Alien – Simple Plan
13. I Won’t Be There – Simple Plan

Recado que Joana deixou para Pedro (lado interno do bilhete)

“Pedro
Se tu achar que ontem não aconteceu, saiba que aconteceu, sim.
Foi maravilhoso te conhecer. Espero que seja só o começo.
Joana”

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