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Apostila de teologia

Resumo dos principais assuntos da teologia sistemática

Diego BMJ
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I.Introdução geral:
I.1. Definição de teologia
I.2. Alvo da teologia
I.3. Quando a teologia é possível
I.4. Necessidade da Teologia
I.5. Fontes da Teologia
I.6. Requisitos para o estudo da Teologia

II. Bibliologia:
II.1. Formas da Palavra de Deus
II.2. Cânon das Escrituras
II.3. Autoridade das Escrituras
II.4. Inerrância das Escrituras
II.5. Clareza das Escrituras
II.6. Necessidade das Escrituras
II.7. Suficiência das Escrituras
II.8. Estrutura Bíblica
II.9. Canonicidade

III. Teontologia:
III.1. Existência de Deus
III.2. Cognoscibilidade de Deus
III.3. Relação do Ser e dos atributos de Deus
III.4. Atributos de Deus em geral
III.5. Atributos incomunicáveis
III.6. Atributos comunicáveis
III.7. Trindade
III.8. Decretos Divinos
III.9. Doutrina da predestinação
III.10. Criação
III.11. Angelologia
III.12. Providência
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IV. Antropologia:
IV.1. Origem do homem
IV.2. Natureza essencial do homem
IV.3. Imagem de Deus
IV.4. Aliança das obras
IV.5. Hamartiologia
IV.5a. Origem do pecado
IV.5b. Caráter essencial do primeiro pecado
IV.5c. Transmissão do pecado
IV.5d. Pecado no homem
IV.5e. Punição do pecado
IV.6. Aliança da graça
IV.6a. Conceito da aliança da graça
IV.6b. Aliança da redenção
IV.6c. Natureza da Aliança da graça
IV.6d. O aspecto duplo da Aliança
IV.6e. Diferentes dispensações da Aliança

V. Cristologia:
V.1. Mudanças históricas na cristologia
V.2. Nomes e naturezas de Cristo
V.3. Unipersonalidade de Cristo
V.4. Estados de humilhação e exaltação de Cristo
V.5. Ofício profético
V.6. Ofício Sacerdotal
V.7. Causa e necessidade da expiação
V.8. Natureza da expiação
V.9. Teorias divergentes da expiação
V.10. Propósito e extensão da expiação
V.11. Obra intercessória de Cristo
V.12. Ofício real
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VI. Aplicação da redenção:


VI.1. Soteriologia
VI.2. Operação do Espírito Santo
VI.3. Graça comum
VI.4. União mística
VI.5. Vocações
VI.6. Regeneração e vocação eficaz
VI.7. Conversão
VI.8. Fé
VI.9. Justificação
VI.10. Santificação
VI.11. Perseverança dos Santos

VII. Eclesiologia e os meios da graça:


VII.1. Mudanças históricas da eclesiologia
VII.2. Natureza da igreja
VII.3. Governo da igreja
VII.4. Poder da igreja
VII.5. Os meios da graça
VII.6. Palavra como meio da graça
VII.7. Sacramentos
VII.8. Batismo cristão
VII.9. Ceia do Senhor
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Apostila – Teologia

1- Introdução Geral
a- Definição de Teologia:
 Significado mais literal ou etimológico = “Um discurso concernente a Deus”, por exemplo, Homero e
Orfeu eram chamados de teólogos, pois seus poemas tratavam sobre deuses.
 “Ciência do sobrenatural” ou do espiritual, que é algo que transcende o mundo externo, governado por
leis físicas.
 “Ciência da religião”. Religião vem da palavra religare, do latim, e isso significa religar. Ou seja, estudo
da necessidade interior da união com Deus.
 A teologia é “a ciência de Deus e das relações entre Deus e o Universo” (Augustus H. Strong).

PERGUNTAS:

- O que é teologia para você?

- O que a teologia pode agregar?

- O que a negligência no estudo da teologia pode acarretar para a vida das pessoas e da igreja?

b- Alvo da Teologia:
 A Teologia é uma ciência.
 Ciência não cria, descobre.
 O alvo da Teologia é “A certificação dos fatos que dizem respeito a Deus e as relações entre Deus e o
universo, e a apresentação destes fatos em sua unidade racional como partes conexas de um formulado e
orgânico sistema de verdade”.

PERGUNTAS:

- Qual o alvo da teologia, com suas palavras?

- Quais os meios para alcançar esse alvo?


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c- Quando a Teologia é possível:


 Existe um Deus, que se relaciona com o Universo.
 Diferentemente da perspectiva do pensador liberal Sören Kierkegaard (“A fé é cega”), a fé é o tipo de
conhecimento mais elevado de todos. Com a fé, aprendemos coisas que, só pelos sentidos, seria
impossível. Por isso, devemos excluir a teologia movida pela emoção.
 Capacidade humana de conhecer a Deus: Sabemos que temos meios limitados de conhecer a Deus,
porém, é o suficiente, primeiro, por ser o que Deus quis se manifestar a nós, e por ser o possível a nós de
conhecê-lO. Esses meios que Deus se manifestou a nós são as revelações, que se separam em duas, a
saber, a natureza e a Palavra.

PERGUNTAS:

- Quando que a teologia é possível?

- Podemos conhecer perfeitamente a Deus? De que maneira podemos conhecê-lO?

- A existência de Deus é verídica? Se sim, explique como com suas palavras.

d- Necessidade da Teologia:
 A Teologia é necessária por causa da necessidade do homem de tentar harmonizar e unificar sempre seus
conhecimentos. O homem deve buscar explicar as coisas.
 A Teologia é necessária para a formação do caráter. “Os mais fortes cristãos e igrejas são os que têm a
mais firme segurança nas grandes doutrinas do cristianismo”. (Cl 1.10)
 É obrigação de todo o cristão saber explicar e entender todas as doutrinas cristãs. A negligência dos
estudos delas é pecado, e uma ofensa para com a integridade da Palavra de Deus.
 A compreensão total das doutrinas forma uma defesa impenetrável contra heresias na igreja e em nós
mesmos.
 A própria leitura e estudo da Palavra de Deus nos incentiva a estuda-la mais a fundo.

PERGUNTAS:

- A teologia é necessária? Se sim, por quê?

- Se a teologia é necessária, você acha que a intensidade dos seus estudos em teologia é suficiente para se
tiver um bom conhecimento das verdades bíblicas?
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e- Fontes da Teologia:
 A natureza é uma das fontes da Teologia, significando que é uma das revelações de Deus aos homens,
porém, não é conhecimento suficiente para as necessidades de um pecador.
 As Escrituras são a revelação de Deus que supre todo o conhecimento de que o pecador necessita.

PERGUNTAS:

- Quais as fontes da teologia?

- A revelação natural é suficiente?

- Você utiliza com frequência as revelações de Deus para conhecê-lO melhor?

f- Requisitos para o estudo da Teologia:


 Mente disciplinada. Buscar sempre, e com paciência, os fatos, prová-los, estudá-los com regularidade.
 Discernimento e entendimento. Sempre demonstrar segurança e confiança no que é crido.
 Buscar, com cautela, estudos de outras ciências. Muitos ataques à teologia vêm de outras ciências, e
esses ataques só são passíveis de defesa se forem usados argumentos de acordo com o contexto
abordado. Por exemplo, o grande problema da criação do universo, que o apologeta William Lane Craig
prova com tanta segurança a visão teísta.
 Conhecimentos das línguas originais da Bíblia. Devemos buscar não como prioridade, mas como
ferramenta de estudo, o conhecimento do grego koiné, do hebraico e do aramaico, para que possamos
compreender com mais clareza algumas sentenças e palavras “duvidosas” da Bíblia.
 Desejo santo para buscar a Deus, conhecê-lO.
 Influência do Espírito Santo.

PERGUNTAS:

- Quais os principais requisitos para o estudo da teologia?

- O que é estritamente necessária, e que não podemos adquirir por vontade própria?

- Onde você acha que pode melhorar em relação aos requisitos citados?
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2- Bibliologia:
a- Formas da Palavra de Deus
 Palavra de Deus como Pessoa (Jesus Cristo) (Ap 19.13; Jo 1.1)
 Decretos de Deus (Palavras com poder) (Gn 1.3; 1.24; Sl 33.6) [Isso inclui toda a criação ser sustentada
pelos seus decretos (Hb 1.3)].
 Deus falando diretamente ao homem (Gn 2.16,17; 3.16 – 19; Ex 20.1 – 3; Mt 3.17).
 Palavras de Deus comunicadas por lábios humanos (Dt 18.18 – 20; Jr 1.7 – 9; 1Sm 15.3,18,23; Ex
4.12; Nm 22.38; 1Rs 20.36; 2Cr 20.20; 25.15,16; Is 30.12 – 14; Jr 6.10 – 12; 36.29 – 31).
 Palavra de Deus na forma escrita (Bíblia) (Dt 31.9 – 13; Js 24.26; Is 30.8; Jr 30.2; Jo 14.26; 1Co
14.37; 2Pe 3.2; Jr 36.29 – 31).

PERGUNTAS:

- Quais as formas da Palavra de Deus?

- Cite alguns exemplos bíblicos disso.

b- Cânon das Escrituras (Lista de livros da Bíblia):


 Livros canônicos são os livros reconhecidos como Palavra de Deus.
 Cânon do Antigo Testamento (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute,
Samuel, Reis, Crônicas, Esdras, Neemias, Ester, Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares, Isaías,
Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias,
Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias).
 Resumo dos livros do Antigo Testamento:
GÊNESIS: Este livro, que mostra como era “no princípio”, faz uma narrativa da criação, da relação de
Deus com o homem e da promessa de Deus a Abraão e seus descendentes.
ÊXODO: O nome Êxodo significa “saída”. Este livro conta como Deus livrou os israelitas de uma vida
de penúrias e escravidão no Egito. Deus fez um pacto com eles e lhes deu leis para ordenar e governar
sua vida.
LEVÍTICO: O nome do livro se deriva do nome de uma das doze tribos de Israel. O livro registra todas
as leis e regulamentos a respeito de rituais e cerimônias.
NÚMEROS: Os israelitas vagaram pelo deserto durante quarenta anos, antes de entrar em Canaã, “a
terra prometida”. O nome do livro se deriva dos censos promovidos durante esse tempo no deserto.
DEUTERONÔMIO: Moisés pronunciou três discursos de despedida pouco antes de morrer. Neles
recapitulou, com o povo, todas as leis de Deus para os israelitas. O nome do livro expressa essa
“recapitulação” ou “segunda lei”.
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JOSUÉ: Josué foi o líder dos exércitos israelitas em suas vitórias sobre seus inimigos, os cananeus. O
livro termina descrevendo a divisão da terra entre as doze tribos de Israel.
JUÍZES: Os israelitas constantemente desobedeciam a Deus e caíam nas mãos de países opressores.
Deus constituiu juízes para livrá-los da opressão.
RUTE: O amor e a dedicação de Rute à sua sogra, Noemi, são o tema deste livro.
1SAMUEL: Samuel foi o líder de Israel no período compreendido entre os Juízes e Saul, o primeiro rei.
Quando a liderança de Saul falhou, Samuel ungiu a Davi como rei.
2SAMUEL: Sob o reinado de Davi, a nação se unificou e se fortaleceu. No entanto, depois dos pecados
de Davi, adultério e assassinato, tanto a nação como a família do rei sofreram muito.
1REIS: Este livro inicia com o reinado de Salomão em Israel. Depois de sua morte, o reino se dividiu
em consequência da guerra civil entre o Norte e o Sul, resultando no surgimento de duas nações: Israel
no Norte e Judá no Sul.
2REIS: Israel foi conquistada pela Assíria em 721 a.C. Judá, pela Babilônia, em 586 a.C. Estes
acontecimentos foram considerados como um castigo ao povo pela desobediência às leis de Deus.
1CRÔNICAS: Este livro inicia com as genealogias de Adão até Davi e, em seguida, conta os
acontecimentos do reinado de Davi.
2CRÔNICAS: Este livro abrange o mesmo período que 2Reis, mas com ênfase em Judá, o reino do Sul,
e seus governantes.
ESDRAS: Depois de estar cativo na Babilônia por algumas décadas, o povo de Deus retornou a
Jerusalém. Um de seus líderes era Esdras. Este livro contém a admoestação que Esdras fez ao povo para
que este seguisse e honrasse a lei de Deus.
NEEMIAS: Depois do templo, também foi reconstruída a muralha de Jerusalém. Neemias foi quem
dirigiu esse empreendimento. Ele também colaborou com Esdras para restaurar o fervor religioso do
povo.
ESTER: Este livro relata a história de uma rainha judia da Pérsia, que denunciou um complô que visava
destruir seus compatriotas. Com isso ela evitou que todos fossem aniquilados.
JÓ: A pergunta “Por que sofrem os inocentes?” é tratada nesta história bíblica.
SALMOS: Estas 150 orações foram usadas pelos hebreus para expressar sua relação com Deus.
Abrangem todo o campo das emoções humanas, desde a alegria até o ódio, da esperança ao desespero.
PROVÉRBIOS: Este é um livro de máximas de sabedoria, de ensinamentos éticos e de senso comum
acerca de como viver uma vida reta.
ECLESIASTES: Na sua busca por felicidade e pelo sentido da vida, este escritor, conhecido como
“filósofo” ou “pregador”, faz perguntas que continuam presentes na sociedade contemporânea.
CANTARES DE SALOMÃO: Este poema descreve o gozo e o êxtase do amor. Simbolicamente tem
sido aplicado ao amor de Deus por Israel e ao amor de Cristo pela Igreja.
ISAÍAS: O profeta Isaías trouxe a mensagem do juízo de Deus às nações, anunciou um rei futuro, à
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semelhança de Davi, e prometeu uma era de paz e tranquilidade.


JEREMIAS: Muito antes da destruição de Judá pela Babilônia, Jeremias predisse o justo juízo de Deus.
Embora sua mensagem seja majoritariamente de destruição, Jeremias também falou do novo pacto com
Deus.
LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS: Tal qual Jeremias havia predito, Jerusalém caiu cativa da
Babilônia. Este livro registra cinco “lamentos” pela cidade caída.
EZEQUIEL: A mensagem de Ezequiel foi dada aos judeus cativos na Babilônia. Ezequiel usou histórias
e parábolas para falar do juízo, da esperança e da restauração de Israel.
DANIEL: Daniel se manteve fiel a Deus, mesmo enfrentando muitas pressões quando cativo na
Babilônia. Este livro inclui as visões proféticas de Daniel.
OSÉIAIS: Oséias se vale de sua experiência conjugal, em que ele era dedicado à sua esposa, mesmo
sabendo que ela lhe era infiel, para ilustrar o adultério que Israel tinha cometido contra Deus e para
mostrar como o fiel amor de Deus pelo seu povo nunca muda.
JOEL: Depois de uma praga de gafanhotos, Joel admoesta o povo para que se arrependa.
AMÓS: Durante um tempo de prosperidade, este profeta de Judá pregou aos ricos líderes de Israel sobre
o juízo de Deus; insistia em que pensassem nos pobres e oprimidos, antes de pensarem em sua própria
satisfação.
OBADIAS: Obadias profetizou o juízo sobre Edom, um país vizinho de Israel.
JONAS: Jonas não queria pregar para a gente de Nínive, que era inimiga de seu próprio país. Quando,
finalmente, levou a mensagem enviada por Deus, seus habitantes se arrependeram.
MIQUÉIAS: A mensagem de Miquéias para Judá era de juízo, em vez de perdão, esperança e
restauração. Especialmente notável é um versículo em que resume o que Deus requer de nós (6.8).
NAUM: Naum anunciou que Deus destruiria o povo de Nínive por sua crueldade na guerra.
HABACUQUE: Este livro apresenta um diálogo entre Deus e Habacuque sobre a justiça e o sofrimento.
SOFONIAS: Este profeta anunciou o Dia do Senhor, que traria juízo a Judá e às nações vizinhas. Esse
dia, que haveria de vir, seria de destruição para muitos, mas um pequeno remanescente, sempre fiel a
Deus, sobreviveria para abençoar o mundo inteiro.
AGEU: Depois que o povo voltou do exílio, Ageu o admoestou para que dessem prioridade a Deus e
reconstruíssem em primeiro lugar o templo, mesmo antes de reconstruírem suas casas.
ZACARIAS: Como Ageu, Zacarias instou o povo a reconstruir o templo, assegurando-lhes a ajuda e
bênçãos de Deus. Suas visões apontavam para um futuro brilhante.
MALAQUIAS: Após o retorno do exílio, o povo voltou a descuidar de sua vida religiosa. Malaquias
passou a inspirá-los novamente, falando-lhes do “Dia do Senhor”.
 Cânon do Novo Testamento (Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos, Romanos, Coríntios, Gálatas, Efésios,
Filipenses, Colossenses, Tessalonicenses, Timóteo, Tito, Filemom, Hebreus, Tiago, Pedro, João, Judas,
Apocalipse).
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 Resumo dos livros do Novo Testamento


MATEUS: Este Evangelho cita muitos textos do Velho Testamento. Ele se destinava primordialmente
ao público judeu, para o qual apresentava Jesus como o Messias prometido nas Escrituras do Velho
Testamento. Mateus narra a história de Jesus desde seu nascimento até sua ressurreição e põe ênfase
especial nos ensinamentos do Mestre.
MARCOS: Marcos escreveu um Evangelho curto, conciso e cheio de ação. Seu objetivo era aprofundar
a fé e a dedicação da comunidade para a qual ele escrevia.
LUCAS: Neste Evangelho é enfatizado como a salvação em Jesus está ao alcance de todos. O
evangelista mostra como Jesus estava em contato com as pessoas pobres, com os necessitados e com os
que são desprezados pela sociedade.
JOÃO: O Evangelho de João, pela sua forma, se coloca à parte dos outros três. João organiza sua
mensagem enfocando sete sinais que apontam para Jesus como Filho de Deus. Seu estilo literário é
reflexivo e cheio de imagens e figuras.
ATOS DOS APÓSTOLOS: Quando Jesus deixou os seus discípulos, o Espírito Santo veio habitar com
eles. Este livro foi escrito por Lucas para ser um complemento ao seu Evangelho. Ele relata eventos da
história e da ação da igreja cristã primitiva, mostrando como a fé se propagou no mundo mediterrâneo de
então.
ROMANOS: Nesta importante carta, Paulo escreve aos romanos sobre a vida no Espírito, que é dada
pela fé aos que creem em Cristo. O apóstolo reafirma a grande bondade de Deus e declara que, através
de Jesus Cristo, Deus nos aceita e nos liberta de nossos pecados.
1CORíNTIOS: Esta carta trata especificamente dos problemas que a igreja de Corinto estava
enfrentando: dissensão, imoralidade, problemas quanto à forma da adoração pública e confusão sobre os
dons do Espírito.
2CORíNTIOS: Nesta carta o apóstolo Paulo escreve sobre seu relacionamento com a igreja de Corinto e
as dificuldades que alguns falsos profetas haviam trazido ao seu ministério.
GÁLATAS: Esta carta expõe a liberdade da pessoa que crê em Cristo com respeito à lei. Paulo declara
que é somente pela fé que as pessoas são reconciliadas com Deus.
EFÉSIOS: O tema central desta carta é o propósito eterno de Deus: Jesus Cristo é a cabeça da Igreja,
que é formada a partir de muitas nações e raças.
FILIPENSES: A ênfase desta carta está no gozo que o crente em Cristo encontra em todas as
circunstâncias da vida. O apóstolo Paulo a escreveu quando estava encarcerado.
COLOSSENSES: Nesta carta o apóstolo Paulo diz aos cristãos de Colossos que abandonem suas
superstições e que Cristo seja o centro de sua vida.
1TESSALONICENSES: O apóstolo Paulo dá orientações aos cristãos de Tessalônica a respeito da
volta de Jesus ao mundo.
2TESSALONICENSES: Como em sua primeira carta, o apóstolo Paulo fala do retorno de Jesus ao
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mundo. Também trata de preparar os cristãos para a vinda do Senhor.


1TIMÓTEO: Esta carta serve de orientação a Timóteo, um jovem líder da igreja primitiva. O apóstolo
Paulo lhe dá conselhos sobre a adoração, o ministério e os relacionamentos dentro da igreja.
2TIMÓTEO: Esta é a última carta escrita pelo apóstolo Paulo. Nela lança um último desafio a seus
companheiros de trabalho.
TITO: Tito era ministro em Creta. Nesta carta o apóstolo Paulo o orienta sobre como ajudar os novos
cristãos.
FILEMOM: Filemom é instado a perdoar seu escravo, Onésimo, que havia fugido. Filemom deveria
aceitá-lo de volta como a um amigo em Cristo.
HEBREUS: Esta carta exorta os novos cristãos a não observarem mais rituais e cerimônias tradicionais,
pois, em Cristo, eles já foram cumpridos.
TIAGO: Tiago aconselha os cristãos a viverem na prática sua fé e, além disso, oferece ideias sobre
como isso pode ser feito.
1PEDRO: Esta carta foi escrita para confortar os cristãos da igreja primitiva que estavam sendo
perseguidos por causa de sua fé.
2PEDRO: Nesta carta o apóstolo Pedro adverte os cristãos sobre os falsos mestres e os estimula a
continuarem leais a Deus.
1JOÃO: Esta carta explica verdades básicas sobre a vida cristã com ênfase no mandamento de amarem
uns aos outros.
2JOÃO: Esta carta, dirigida à “senhora eleita e aos seus filhos”, adverte os cristãos quanto aos falsos
profetas.
3JOÃO: Em contraste com sua Segunda Carta, esta fala da necessidade de receber os que pregam a
Cristo.
JUDAS: Judas adverte seus leitores sobre a má influência de pessoas alheias à irmandade dos cristãos
APOCALIPSE: Este livro foi escrito para encorajar os cristãos que estavam sendo perseguidos e para
firmá-los na confiança de que Deus cuidará deles. Usando símbolos e visões, o escritor ilustra o triunfo
do bem sobre o mal e a criação de uma nova terra e um novo céu.

PERGUNTAS:

- Quais são os livros canônicos do Novo Testamento?

- Quais são os livros canônicos do Antigo Testamento?


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c- Autoridade das Escrituras:


 Todas as palavras das Escrituras são Palavras de Deus (Ez 2.7; Nm 22.38; Jr 37.2; Ag 1.12; 2Tm 3.16).
 O Novo Testamento é considerado parte das Escrituras [2Pe 3.16; 1Tm 5.18 (palavras de Cristo como
Escritura); 1Co 14.37 (escritos de Paulo como mandamento do Senhor); Jo 14.26 (Cristo promete que o
Espírito Santo lembraria os apóstolos das palavras para registrá-las)].
 A própria leitura da Palavra de Deus e a influência do Espírito Santo transmitem autoridade (1Co
2.13,14; Jo 10.27).
 A busca por provas da veracidade das Escrituras em outras ciências deve ser feito, por cristãos, não por
necessidade, e sim, apenas a nível apologético, pois, se não temos certeza de que as Escrituras são as
Palavras de Deus de forma escrita, então, não recebemos o Espírito Santo (... NOSSA PLENA
PERSUASÃO E SEGURANÇA DE SUA VERDADE INFALÍVEL E AUTORIDADE DIVINA VÊM
DA OBRA INTERIOR DO ESPÍRITO SANTO Confissão de Westminster cap.1, p. 5).
 Não crer na Bíblia é não crer em Deus, pois, a Bíblia é a revelação de Deus aos homens (como também a
natureza, como já dito antes) (Jo 15.20; Lc 24.25; 2Pe 3.2).
 A veracidade das Escrituras é provada pelo fato de Deus não poder mentir (Hb 6.18).
 A eternidade das Escrituras (Is 40.8).
 A Bíblia é o padrão da Verdade (Jo 17.17).
 Não devemos temer os novos fatos científicos, e sim, acatá-los e estudá-los.

PERGUNTAS:

- Por que, primeiramente, as Escrituras têm autoridade?

- Do que necessitamos para reconhecer essa autoridade?

- Você reconhece a autoridade das Escrituras?

d- Inerrância das Escrituras:


 A Inerrância das Escrituras se baseia no fato de a Palavra de Deus ser perfeita e eterna (Pv 30.5; Nm
23.19).
 A Bíblia é proveitosa em todas as áreas possíveis (2Tm 3.16) (Fé, prática, história, ciência, sociedade,
economia).
 O problema da Inerrância dos manuscritos não é desculpa, porque: Não há lógica em haver cópias
contrastantes com as originais, ou seja, as cópias passam a mesma mensagem que as originais; as
sentenças variantes duvidosas pelo problema da língua (grego, hebraico) são nítidas, porém, é decifrável
pelo contexto da frase.
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 Haverá passagens bíblicas que não entenderemos, e isso deve ser um incentivo para o estudo de
ferramentas para estudá-la, como as línguas originais, a hermenêutica, etc.
 Se rejeitarmos a Inerrância, questionaríamos se pode confiar em Deus em tudo, e também faremos de
nossa mente um padrão de verdade maior do que a Palavra de Deus.
 Se negarmos a Inerrância, afirmamos que as doutrinas bíblicas podem estar erradas.

PERGUNTAS:

- No que a Inerrância das Escrituras se baseia?

- Rejeitarmos ou negarmos a Inerrância é o mesmo que...

- Você acha, de fato, que a Bíblia não tem erros? Se você acha que tem erros, exponha-os.

e- Clareza das Escrituras:


 Toda a Bíblia é passível de entendimento, porém, não devemos distorcer nenhuma passagem, dedicando-
nos para extrair apenas a Verdade.
 Um exemplo disso é o fato de todo o Israel ter que entender as Escrituras, a fim de ensinar para seus
filhos (Dt 6.6,7).
 Mesmo a Bíblia sendo escrita de modo claro, ela só pode ser corretamente compreendida quando há ação
do Espírito Santo (1Co 2.14).
 O único motivo pelo qual muitas pessoas compreendem a Palavra de Deus de modo errôneo são elas
mesmas.

PERGUNTAS:

- É possível entender a Bíblia?

- Qual a necessidade primária para se ter uma correta compreensão da Bíblia?

- Por que as pessoas não entendem a Bíblia?

- Qual (ou quais) passagem você tem mais dificuldade em compreender?

f- Necessidade das Escrituras:


 Escrituras são necessárias para conhecer o evangelho. A pessoa só pode ser salva se ouvir falar de Cristo
(Palavra de Deus) (A salvação só vem pela fé em Cristo).
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 Concluindo, baseando-se na citação acima, a Bíblia é necessária para a salvação, pois, precisa-se
conhecer a sua mensagem (Os da Antiga Aliança foram salvos pela fé em Cristo, pois, creram na
Redenção prometida nas Escrituras) (Hb 11.13).
 Não há salvação sem o conhecimento da Palavra de Deus.
 A Bíblia é necessária para o sustento e o crescimento da vida espiritual (Mt 4.4; Dt 32.47; 1Pe 2.2).
 A Bíblia é necessária para o conhecimento da vontade de Deus, pois, se recebêssemos esse
conhecimento apenas da nossa consciência, isso não seria suficiente para nos dar certeza por causa da
depravação [Jr 17.9; 1Co 8.10 (Fraqueza da consciência)].
 Se quisermos conhecer a Deus, devemos estudar a Palavra de Deus.
 A Bíblia é necessária para o conhecimento seguro de qualquer coisa, pois, Deus não mente e sabe tudo o
que aconteceu desde o início dos tempos.
 A Bíblia, porém, não é necessária para o conhecimento de que Deus existe, e de alguns de Seus
atributos, pois, a própria criação os mostra e proclama (Sl 19.1; Rm 1.19 – 21).
 A Bíblia também não é necessária para conhecer algo sobre o caráter e as leis morais de Deus (Rm
2.14,15) (Também conhecido pela criação, naturalmente).

PERGUNTAS:

- Por que as Escrituras são necessárias?

- O que é necessário para conhecermos a Deus?

- Para quê a Bíblia não é necessária?

- Você reconhece a necessidade da Bíblia na sua vida? Se sim, você satisfaz essa sua necessidade?

g- Suficiência das Escrituras:


 As Escrituras contêm TODAS as palavras divinas que Deus quis dar a Seu povo.
 Ou seja, devemos procurar as Palavras de Deus APENAS nas Escrituras, e tudo que entra em contraste
com elas deve ser considerado anátema.
 Toda a boa obra que Deus deseja que façamos está apenas na Palavra de Deus (2Tm 3.16,17).
 Toda a história da Teologia e da Igreja pode nos ajudar a compreender algo da Bíblia, porém, não
adiciona nem retira nada, como os católicos romanos creem.
 Os textos antigos são importantes para a correta compreensão de algo na Bíblia, porém, até esses textos
devem estar perfeitamente coesos com o que está escrito nas Escrituras, senão, o texto perde toda a
autoridade.
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 Essa doutrina da suficiência não prega que Deus não pode adicionar mais Palavras, porém, prega que
Deus não falou nada aos homens além do que está registrado na Bíblia, e tudo o que é dito em nome de
Deus deve estar de acordo com ela.
 Devemos crer que tudo o que Deus quer nos dizer sobre qualquer assunto está registrado nas Escrituras.
 Nenhuma revelação de Deus pode contradizer as Escrituras.
 Não devemos crer em nenhum conhecimento de Deus que não tenha sua essência nas Escrituras.
 Resumindo, se alguém vier falando que Deus falou com ela, só aceite se ela falar em que livro, capítulo e
versículo.

PERGUNTAS:

- Por que as Escrituras são suficientes para nós?

- Devemos usar outros meios para compreendermos a Bíblia?

- Deus não pode mais adicionar nenhuma palavra?

- A Bíblia é suficiente para guiar você em todas as situações?

h- Estrutura bíblica:
 A Bíblia possui 66 livros, separados em Antigo Testamento (39 livros) e Novo Testamento (27 livros),
escritos por mais de 40 autores num período de mais ou menos 1600 anos.
 O Antigo Testamento foi escrito em hebraico e aramaico, e o Novo Testamento foi escrito em grego
koiné.
 O Antigo Testamento é separado em cinco partes:
I. Lei (Pentateuco) (se trata da criação da Lei) = Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.
II. Livros históricos (História do povo de Israel) = Josué, Juízes, Rute, I Samuel, II Samuel, I Reis, II
Reis, I Crônicas, II Crônicas, Esdras, Neemias, Ester.
III. Livros poéticos (chamados poéticos devido ao gênero) = Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes,
Cantares de Salomão
IV. Profetas maiores (devido ao tamanho extenso) = Isaías, Jeremias, Lamentações de Jeremias,
Ezequiel, Daniel.
V. Profetas menores = Oséias, Naum, Joel, Habacuque, Amós, Sofonias, Obadias, Ageu, Jonas, Zacarias,
Miquéias, Malaquias.
 O Novo Testamento é separado em cinco partes:
I. Biografias = Mateus, Marcos, Lucas, João. (os três primeiros evangelhos são chamados sinóticos,
devido ao paralelismo apresentado).
II. História (registra os primeiros passos da igreja primitiva) = Atos.
16

III. Epístolas paulinas = Romanos, I Coríntios, II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I
Tessalonicenses, II Tessalonicenses, I Timóteo, II Timóteo, Tito, Filemom.
IV. Epístolas Gerais = Hebreus (autor desconhecido, muito apontado como sendo o próprio Paulo),
Tiago, I Pedro, II Pedro, I João, II João, III João, Judas.
V. Profético = Apocalipse de João.
 A Bíblia Católica contém sete livros apócrifos, no Antigo Testamento:
I – Tobias: Narra a vida de Tobias, filho de um cego. Este livro apareceu por volta do ano 200 AC.
II – Judite: É uma narrativa histórica dos judeus libertados do poder de Holofernes, general da Pérsia,
devido à coragem de uma heroína chamada Judite. Apareceu por volta do século II AC.
III – Sabedoria: Mostra através de provérbios a “sabedoria verdadeira”. Apareceu entre 50 a 10 AC.
IV – Eclesiástico: Também chamado de Sabedoria de Jesus, filho de Siraque, semelhante ao livro de
Provérbios. Apareceu em torno de 180 AC.
V – Baruque: dividida em três partes: confissão e arrependimento; exortativo e promessa de livramento.
Apareceu no II século AC.
VI – I e II Macabeus: Narra a revolta dos Macabeus contra império Romano em 167 AC.

PERGUNTAS:

- Quantos livros a Bíblia tem? Como é sua separação principal?

- Quais as línguas originais usadas na composição da Bíblia?

- Como é separado o Antigo Testamento?

- Como é separado o Novo Testamento?

i- Canonicidade:
 Os livros que passaram pelo processo de reconhecimento de canonicidade são separados em quatro tipos:
Homologoumena (Livros aceitos por todos); pseudopígrafos (livros rejeitados por todos) (livro de Adão
e Eva, o oráculo sibilino, etc.); antilegômeno (livros criticados seriamente por alguns) (Cantares, Ester,
etc.); apócrifos (livros aceitos por alguns) (Judite, Tobias, etc.).
 Esse processo de reconhecimento de canonicidade teve três estímulos principais:
I. Estímulo eclesiástico = Os livros precisavam ser lidos nas igrejas, e também precisavam ser
traduzidos.
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II. Estímulo teológico = Padronização dos textos canônicos para padronizar as doutrinas na Igreja, evitar
o nascimento de doutrinas e evitar o fato de corromperem as Escrituras.
III. Estímulo político = Havia muita pressão política, como por exemplo, o Imperador Diocleciano
ordenou que queimassem as Escrituras por causa de estarem tirando e adicionando livros.
 Os livros canônicos circulavam na Igreja primitiva, porém, chegou num determinado tempo em que o
processo de canonização se fez necessário devido à criação de muitos textos, se autodenominando
canônicos.
 Tanto apareciam livros na Igreja, que o Apóstolo João escreveu, no final de seu Apocalipse, que
ninguém poderia colocar nem tirar mais nada das Escrituras (Ap 22.18).

PERGUNTAS:

- Como são separados os livros que passaram pelo processo de reconhecimento de canonicidade?

- Quais foram os principais estímulos para que esse processo de reconhecimento de canonicidade
acontecesse?

- Por que devo reconhecer a canonicidade dos livros homologoumena e antilegômeno e não os outros?
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3- Teontologia:
a- Existência de Deus:
 Há um ser autoconsciente, auto-existente, que é a origem de todas as coisas, e que transcende toda a
criação, porém, presente em cada parte da criação (Rm 1.20).
 O fato de sabermos da existência de Deus pela fé não significa que a fé não se baseia em provas
confiáveis.
 As duas provas primárias da existência de Deus são a Bíblia e a revelação dEle na natureza (Rm 1.21).
 A Palavra de Deus não só revela Deus como criador de tudo, porém, O revela também como o que
sustém e governa tudo.
 A confiança plena na existência de Deus é impossível sem a fé.
 Há dois tipos de absoluta negação da existência de Deus: Ateísmo prático (viver como se Deus não
existisse); ateísmo teórico (buscam provar suas “crenças” na busca de uma linha de raciocínio lógico).
 Há três tipos de ateísmo teórico: Ateísmo dogmático (nega que há um ser divino); ateísmo cético (duvida
que o homem tem capacidade para determinar se há ou não um ser divino); ateísmo crítico (não há
provas da existência de Deus).
 As ideias que, hoje, mais influenciam na visão de como é deus são: deus imanente e impessoal; deus
finito e pessoal; deus como uma simples ideia abstrata.
 Há cinco principais provas racionais da existência de Deus:
I. Argumento ontológico: Apresentado mais expressamente por Anselmo de Cantuária. Esse argumento
diz que, se o homem tem um ideal de perfeição, presume-se que o ser totalmente perfeito exista.
II. Argumento cosmológico: Tudo o que foi criado tem que ter uma causa adequada, inclusive o
Universo. Esse argumento é usado desde Platão, sendo usado, hoje, por um dos maiores
apologistas cristãos da atualidade, William Lane Craig.
III.Argumento teleológico: A inteligência, harmonia, ordem e propósito existentes no mundo revelam a
existência de um ser inteligente que criou todas essas coisas com um determinado propósito. A
ideia nascida desse argumento, na ciência, é o design inteligente, que é, hoje, a maior arma contra
a teoria neodarwinianas.
IV.Argumento moral: Não se precisa ensinar pra ninguém o que é certo ou errado, por exemplo, é lógica
que matar crianças é errado. Esse argumento foi muito debatido por Kant. Essa teoria pode ser
explicada pela frase de Fiódor Dostoiévski, “Se Deus não existe, tudo é permitido”.
V. Argumento histórico ou etnológico: O mundo inteiro, todos os tipos, raças, tribos ou povos da terra
têm um sentimento religioso revelado em cultos, provando-se assim, um sentimento universal da
existência de um ser divino.

PERGUNTAS:

- Você acha que há um Deus? Com3o seria esse Deus, pra você?
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- Quais as provas da existência de Deus?

- Como são separados os grupos que negam a existência de Deus?

- Quais as principais provas racionais da existência de Deus?

b- Cognoscibilidade de Deus:
 Deus é incompreensível, porém, cognoscível (Jó 11.7; Jo 17.3; Sl 145.3).
 Podemos aprender algo da natureza de Deus apenas por meio da Palavra de Deus, mediante a influência
do Espírito Santo.
 O argumento mais usado pelos que não acreditam na cognoscibilidade de Deus é a limitação da
faculdade cognitiva humana pregada pelos, assim chamados por Huxley, agnósticos. David Hume foi o
pai do agnosticismo moderno.
 O próprio Deus transmite conhecimento de si mesmo ao homem.
 O homem só pode conhecer a Deus se este se fizer conhecido.
 Mesmo com a revelação especial (Bíblia), o homem nunca é capaz de conhecer a Deus sem que Ele
mesmo se revele de um modo pessoal (Mt 11.27).
 Karl Barth (mesmo não sendo confiável) afirma que não existe nenhum caminho do homem para Deus,
mas somente de Deus para o homem, e que Deus é sempre o sujeito, e nunca um objeto de
conhecimento.
 Deus não, simplesmente, se torna manifesto nas Escrituras, mas se faz conhecido ativamente (1Co 2.11).
 “Todo o nosso conhecimento de Deus é derivado da sua auto-revelação na natureza e na Escritura”
(Louis Berkhof).
 Há divergências sobre o fato de o conhecimento de Deus ser inato (o homem tem uma tendência natural
de formar a ideia da existência de Deus) ou adquirido (nós adquirimos o conhecimento de Deus).
 Há duas revelações de Deus: A revelação geral (natureza, consciência humana e no governo providencial
do mundo) (Sl 19.1,2; At 14.17; Rm 1.19,20); a revelação especial (Bíblia como Palavra de Deus) (2Rs
17.13; Sl 103.7; Hb 1.1,2).
 A revelação especial é assim chamada pelo fato de ser apenas conhecida por meio da fé.
 Há também outros meios de separação das revelações: Natural e Sobrenatural; Imediata e mediata.
 A separação de natural e sobrenatural não foi muito bem aceita pelo fato de, em essência, toda a
revelação divina for sobrenatural.
 Para a teologia escolástica, o homem é capaz de formar uma espécie de teologia natural científica só pela
revelação natural.
 Para a teologia reformada, o homem, pelo pecado, é incapaz de qualquer conhecimento de Deus sem a
revelação especial, e, mais especificamente, sem a influência iluminadora do Espírito Santo.
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 “A revelação jamais existe em alguma linha horizontal, mas sempre desce perpendicularmente de cima”
(Louis Berkhof).
 “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se
glorie o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que
eu sou o Senhor, que faço benevolência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o
Senhor” (Jr 9.23,24) (Jo 17.3).

PERGUNTAS:

- É possível conhecer Deus? Se sim, como?

- É possível conhecer Deus perfeitamente?

- Qual é o argumento mais usado pelos que não creem na possibilidade de conhecer a Deus? Qual é o nome
dado para os que creem nisso?

- Podemos conhecer a Deus por nós mesmos? Por quê?

- Qual a sua opinião acerca do fato de o conhecimento de Deus ser inato ou adquirido?

- Qual (ou quais) a divergência da teologia escolástica e reformada em relação à revelação natural?

c- Relação do Ser e dos Atributos de Deus:


 É impossível definir perfeitamente o Ser de Deus, sendo isso possível apenas mencionando Seus
atributos, sem, porém, explicar de um modo inteligível o ser essencial.
 Deus não é abstrato, mas sim, vivente, que se relaciona com a criação e apresenta vários atributos.
 Não podemos compreender a natureza ou essência da divindade, pois o finito não pode compreender o
infinito (Jó 11.7).
 O conhecimento dos atributos divinos nos revela algum conhecimento do Ser de Deus, embora o
conhecimento esteja sujeito às limitações humanas.
 Somente conhecemos a Deus na medida em que Ele entra em relação conosco, e, mesmo assim, a
essência divina é incompreensível.
 Os atributos de Deus são o próprio Deus. “Toda a essência está em cada atributo, e cada atributo, na
essência” (William Greenough Thaye Shedd).
 O conhecimento dos atributos leva, até certo ponto, ao conhecimento da essência divina.

PERGUNTAS:

- É possível compreender a Deus perfeitamente? Se não, é possível, pelo menos, conhecer algo acerca de
Deus?
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- Como conhecemos a Deus?

- Quais são os atributos de Deus?

d- Atributos de Deus em geral:


 Os escolásticos firmaram três modos para determinar os atributos de Deus: via da causalidade (atributos
conhecidos pela contemplação da criação e da observação do governo moral do mundo); via da negação
(atributos conhecidos pelo fato de reconhecermos que as imperfeições observadas são contrastantes com
Deus); e via da eminência (o próprio nome explica).
 Esse método não é apropriado pelo fato de ter como ponto de partida o homem, reconhecendo os
atributos baseando-se nos do homem, ou seja, faz o homem ser a medida de Deus.
 Outros métodos baseando-se no homem existem também, como o de Macintosh e de Ritschl.
 Os atributos de Deus são dados por Ele mesmo nas Escrituras.
 Louis Berkhof acredita que usar métodos baseando-se no homem tende a “arrastar Deus para baixo, no
nível do homem”, e como resultado final, “temos um Deus feito à imagem do homem”.
 A única maneira apropriada para conhecer os atributos de Deus é o estudo das Escrituras. Mesmo a
natureza expondo algum conhecimento acerca de alguns atributos, a Bíblia é necessária para uma
concepção adequada e maior confiança.
 Há vários meios para divisão do estudo dos atributos de Deus, a saber: naturais e morais; absoluta e
relativa; imanente e emanente; incomunicáveis e comunicáveis.
 A divisão dos atributos usada será: Atributos incomunicáveis e comunicáveis. Isso, porque os outros
meios de divisão são vagos e/ou falhos.

PERGUNTAS:

- Quais os modos para determinar os atributos de Deus, para os escolásticos?

- Por que o método dos escolásticos não é adequado?

- Qual a única maneira apropriada para conhecer os atributos de Deus?

e- Atributos incomunicáveis:
 Atributos incomunicáveis de Deus são os que não podem ser comunicados à criatura, não têm analogias
nem semelhanças.
 Existência autônoma:
 Deus é auto-existente (Jo 5.26).
 Deus é não-causado.
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 O homem tem a causa da sua existência fora dele próprio.


 Deus não é apenas independente, mas também tudo depende dEle.
 Imutabilidade:
 Deus é imutável (Ex 4.14; Is 41.4; Rm 1.23; Tg 1.17).
 Deus, por ser a Perfeição Absoluta, não pode haver melhoramento ou deterioração.
 Quando se fala na Bíblia do arrependimento de Deus, ou de Sua mudança de intenção, se trata de um
modo antropopático de falar, ou seja, atribuir sentimentos humanos a outro ser não-humano.
 Infinidade:
 Deus é infinito, ou seja, não é limitado por tempo ou pelo universo, ou por qualquer coisa.
 O fato de Deus ser infinito é algo que o homem não pode entender perfeitamente.
 Todos os atributos de Deus são perfeitos, livres de qualquer limitação e defeito (Sl 145.3; Mt 5.48).
 Deus é infinito em relação ao tempo, ou seja, eterno (Sl 90.2; 102.12; Is 46.9,10).
 Em Deus, não há divisão entre passado, presente e futuro.
 Deus é infinito em relação ao espaço, ou seja, “transcende todas as limitações espaciais e, contudo,
está presente em todos os pontos do espaço com todo o seu Ser” (Louis Berkhof) (1Rs 8.27; Sl 139.7
– 10; At 17.27,28).
 Devemos evitar o erro do panteísmo, que diz que tudo é Deus. Tudo não é Deus, mas Deus está
presente em cada parte da criação.
 Deus é um e único, e todas as outras criaturas existem por causa dEle, por meio dEle e para Ele (Unitas
singularitatis) (1Co 8.6; Dt 6.4; Zc 14.9).
 O ser de Deus é idêntico aos Seus atributos, ou seja, Deus é amor, bondade, onipresença e justiça, não
constituído destes (Unitas simplicitatis) (Questão muito discutida no meio teológico).

PERGUNTAS:

- O que são atributos incomunicáveis?

- Quais são os atributos incomunicáveis de Deus?

- Você tem alguma dificuldade em relação a algum atributo incomunicável de Deus? Se sim, explique.

f- Atributos comunicáveis:
 Os atributos comunicáveis de Deus são os que podem ser comunicados à criatura, que têm analogias e
semelhanças.
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 Deus é Espírito (Jo 4.24), ou seja, Ele “tem um Ser substancial exclusivamente seu e distinto do mundo,
e que esse Ser substancial é imaterial, invisível, e sem composição nem extensão”.
 Por ser Espírito, Ele é autoconsciente, autodeterminante e não tem nenhuma das propriedades
pertencentes à matéria (1Tm 1.17; 6.15,16).
 Atributos intelectuais:
I. Conhecimento de Deus:
- O conhecimento de Deus é “a perfeição de Deus pela qual Ele, de maneira inteiramente
única, conhece-se a Si próprio e a todas as coisas possíveis e reais num só ato eterno e
simples” (Louis Berkhof) (Hb 4.13; Is 29.15, 16).
- O conhecimento de Deus é inato, perfeito, arquetípico (conhecimento de autor, não de
expectador).
- Ele é onisciente (1Jo 3.20).
- Ele é presciente (1Sm 23.10 – 13)
II. Sabedoria de Deus:
- A sabedoria de Deus é “a perfeição de Deus pela qual Ele aplica o Seu conhecimento à
consecução dos seus fins de um modo que o glorifica o máximo” (Louis Berkhof), ou seja,
ela é manifestada através da ordem dos acontecimentos e de Seu governo.
III. A veracidade de Deus:
- Deus é a verdade no sentido de ser o Deus verdadeiro, no sentido de ser totalmente
confiável e no sentido de saber todas as coisas de fato.
- “A verdade de Deus é o alicerce de todo conhecimento” (Louis Berkhof).
- Deus é totalmente fiel.
 Atributos morais:
I. Bondade de Deus:
- Deus é bom.
- Deus é bom por corresponder perfeitamente ao ideal expresso pela palavra “Deus” (por
exemplo, o encanador é um bom encanador).
- Ele, também, é a fonte de todo o bem.
- Deus é bom para com todas as criaturas, mesmo que em níveis diferentes (Sl 145.9,15,16).
- Deus é amor.
- A bondade de Deus exercida às criaturas racionais é o amor.
- Ele ama as criaturas racionais por amor a si mesmo.
- Mesmo o pecado sendo abominação a Ele, Deus ama os pecadores.
- Ele ama os pecadores, porém, ama os crentes com amor especial.
- Deus é graça.
24

- A graça de Deus é o fato de Deus ser bom com criaturas que não tem o direito de ter Sua
bondade.
- “Graça é a concessão de bondade a alguém que não tem nenhum direito a ela” (Louis
Berkhof).
- Deus é misericórdia.
- Deus usa de sua misericórdia quando ajuda ou resgata alguém.
- A graça vê a pessoa como culpada, e a misericórdia vê a pessoa como necessitado.
- A misericórdia de Deus só é exercida quando está em harmonia com Sua justiça.
- Deus é longanimidade.
- Longanimidade é o adiamento do merecido julgamento. Pode-se dizer que é semelhante à
paciência.
II. Santidade de Deus:
- Santo quer dizer cortado ou separado.
- Santidade representa a ideia de uma relação existente entre Deus e uma pessoa ou coisa.
- Deus é absolutamente distinto de todas as criaturas, exaltado acima delas.
- Pode-se relacionar a santidade de Deus como sendo Sua perfeição central e suprema.
- A santidade moral de Deus resume-se no fato de Ele ser separado de todo o tipo de mal e
pecado, exigindo, também, a pureza moral de suas criaturas.
- A santidade moral de Deus é revelada na lei moral do coração do homem, a consciência, e,
principalmente, na revelação especial de Deus.
III. Justiça de Deus:
- Não há lei acima de Deus, porém, há uma lei na própria natureza de Deus, sendo esta o
padrão mais elevado possível.
- Baseando-se nessa lei, Deus é justiça.
- Deus é justo por não fazer nada em desacordo com Sua lei, e também de exercer justiça para
com toda a criação.
- A justiça rectoral de Deus é o fato de Deus ser totalmente reto no governo tanto sobre o bem
como sobre o mal.
- A justiça distributiva de Deus se divide em justiça remunerativa (distribuição de
recompensas por obediência à lei) e a justiça retributiva (imposição de castigos, expressão da
ira divina).
- Muitos acham que o propósito da punição do pecado é para reformar a pessoa, porém, essa
posição não é apoiada pela Palavra de Deus.
- “O propósito primordial da punição do pecado é a manutenção do direito e da justiça”
(Louis Berkhof).
 Atributos de Soberania:
25

- É o fato de Deus ter autoridade absoluta sobre tudo e todos.


I. Vontade soberana de Deus:
- A vontade soberana de Deus é a causa final de todas as coisas.
- “Tudo é derivado dela: a criação e a preservação (Sl 135.6; Jr 18.6; Ap 4.11); o governo
(Pv 21.1; Dn 4.35); a eleição e a reprovação (Rm 9.15,16; Ef 1.11); os sofrimentos de Cristo
(Lc 22.42; At 2.23); a regeneração (Tg 1.18); a santificação (Fp 2.13); os sofrimentos dos
crentes (1Pe 3.17); a vida e o destino do homem (At 18.21; Rm 15.32; Tg 4.15); e até as
menores coisas da vida (Mt 10.29)”. (Louis Berkhof).
- A vontade de Deus se resume nisso: “a perfeição de seu Ser pela qual Ele, num ato
sumamente simples, dirige-se a si mesmo como o Sumo Bem (isto é, deleita-se em si mesmo
como tal) e as suas criaturas por amor de Seu nome e, assim, é a base do ser e da continuada
existência delas” (Louis Berkhof).
- Há distinções aplicadas à vontade de Deus, porém, algumas são totalmente errôneas de
acordo com a Palavra de Deus, como por exemplo: vontade antecedente e consequente;
vontade absoluta e condicional.
- Há, porém, a vontade decretatória (é a vontade pela qual Deus projeta e decreta tudo que
virá a acontecer, por quaisquer meios que Ele quiser) e a vontade preceptiva de Deus (a regra
firmada por Deus para as suas criaturas morais).
- Há a vontade de eudokia (o que Deus realizará como decreto) e a vontade de eurestia (o que
Deus aprova nas ações das criaturas).
- Há a vontade secreta de Deus e a vontade revelada.
- Deus age necessariamente em relação a Ele mesmo, ou seja, necessariamente ama a si
próprio, gosta de contemplar Suas perfeições, age de acordo com Sua lei.
- Deus age livremente em relação a Sua criação, ou seja, Ele determina tudo o que acontece
livremente.
- Deus, mesmo dotando as criaturas de liberdade, Sua vontade controla todas as ações (Jó
11.10; Sl 115.3; Pv 21.1; Is 29.16; Is 45.9; Mt 20.15; Rm 9.15 – 18,20,21).
- A vontade soberana de Deus não significa uma total indiferença, mas sim, autodeterminação
racional.
- “Deus tem suas razões para querer como quer, razões que O induzem a escolher um fim e
não outro, e uma série de meios para realizar um fim, em preferência a outros meios” (Louis
Berkhof).
- Deus não pode querer nada contrário à Sua natureza.
- De acordo com a vontade decretatória de Deus, o pecado foi decretado por Ele. Esse assunto
é uma dificuldade muito constante e intensa entre os teólogos de todos os tempos, porém,
podemos observar de tal maneira: Se Deus criou a regra, consequentemente criou também a
26

desobediência da regra, pois, não há regra a desobediência da mesma. Mesmo assim, o


assunto é muito debatido, até nos dias atuais.
II. Poder soberano de Deus:
- Deus é onipotente.
- Há a distinção entre o poder ordenado [“A perfeição de Deus pela qual Ele, mediante o
simples exercício da Sua vontade, pode realizar tudo quanto está presente em Sua vontade ou
conselho” (Louis Berkhof)] e o poder absoluto (o potencial de poder de Deus, ou seja, o fato
de Ele ser onipotente).
- As únicas coisas que Deus não pode fazer são tudo o que é divorciado de Suas perfeições.

PERGUNTAS:

- O que são atributos comunicáveis?

- O que significa dizer que Deus é Espírito?

- Quais são os atributos intelectuais de Deus? Explique-os?

- Quais são os atributos morais de Deus? Explique-os?

- Quais são os atributos de Soberania de Deus? Explique-os?

- Exponha sua opinião sobre a Soberania.

g- Trindade:
 Tertuliano foi o primeiro a empregar o termo “Trindade”.
 Ele não teve muito fundamento em suas ideias da subordinação da Trindade.
 Orígenes piorou a situação, quando afirmou que o Espírito Santo é subordinado ao Filho, que é
subordinado ao Pai, dando, assim, fundamento para o arianismo, que desacreditava totalmente a
divindade de Cristo ou do Espírito Santo.
 O arianismo, porém, apresentava resquícios da Trindade, diferentemente do monarquianismo dinâmico
(Jesus era apenas um homem, e o Espírito Santo é apenas uma influência divina) e o monarquianismo
modalista (Pai, Filho e Espírito Santo são três modos de manifestação da divindade).
 Nasceu-se também a ideia do triteísmo (três deuses).
 A Igreja começou a formular a doutrina da Trindade no século IV, com os concílios de Nicéia (325)
(Filho é coessencial com o Pai) e de Constantinopla (381) (Divindade do Espírito Santo).
 A inter-relação dos três é que o Filho é gerado pelo Pai e o Espírito procede do Pai e do Filho.
 A obra mais completa do período pré-reforma sobre a Trindade foi a obra De trinitate, de Agostinho de
Hipona.
27

 “Deus... é Revelador, Revelação e Revelatura” (Karl Barth, se referindo à Trindade).


 Os atributos comunicáveis de Deus expõe Sua personalidade, e também a Bíblia apresenta Sua vida
como uma vida pessoal, e isso explica o fato de Deus ser pessoal.
 Sem a vida pessoal de Deus, não poderia haver religião.
 A perfeição da personalidade está em Deus, não no homem.
 Um dos exemplos é justamente o fato de o homem ser unipessoal e Deus ser tripessoal.
 Deus não escolheu existir de forma tripessoal, é simplesmente uma necessidade do Ser Divino.
 William Greenough Thaye Shedd diz que Deus não poderia contemplar-se a Si mesmo, conhecer-se ou
comunicar-se consigo mesmo se não fosse trino em Sua constituição.
 No Antigo Testamento, Deus se revela como “Anjo de Jeová”, que é identificado com Jeová, porém,
distinguindo-se dEle também (Gn 16.7 – 13; 18.1 – 21; 19.1 – 28; Ml 3.1).
 No Antigo Testamento, a Palavra e a Sabedoria de Deus são personificadas (Sl 33.4,6; Pv 8.12-31).
 No Antigo Testamento, mencionam-se mais de uma pessoa relacionada à divindade (Sl 33.6; 45.6,7).
 No Antigo Testamento, há passagens que citam o Filho, o Pai e o Espírito (Is 48.16; 61.1).
 Se, de acordo com o Antigo Testamento, Jeová é o Redentor e Salvador do Seu povo (Jó 19.25; Sl
19.14; 78.35; 106.21; Is 41.14; 43.3,11,14; 47.4; 49.7,26; 60.16; Jr 14.3; 50.14; Os 13.3), o Novo
Testamento apresenta Jesus semelhantemente (Mt 1.21; Lc 1.76 – 79; 2.17; Jo 4.42; At 5.3; Gl 3.13;
4.5; Fp 3.30; Tt 2.13,14).
 Se, de acordo com o Antigo Testamento, Jeová habita em Israel e nos corações dos que O temem (Sl
74.2; 135.21; Is 8.18; 57.15; Ez 43.7 – 9; Jl 3.17,21; Zc 2.10,11), O Novo Testamento apresenta o
Espírito Santo semelhantemente (At 2.4; Rm 8.9,11; 1Co 3.16; Gl 4.6; Ef 2.22; Tg 4.5).
 O Novo Testamento deixa bem clara ordem da Trindade, demonstrando, por exemplo, que Deus enviou
Seu Filho, que enviou o Espírito (Jo 3.16; 14.26).
 Há passagens que as três pessoas da Trindade são mencionadas (Mc 1.9 – 11; 1Co 12.4 – 6; 2Co 13.13;
1Pe 1.2).
 Deus é um em seu Ser essencial (Dt 6.4; Tg 2.19).
 No Ser divino há três Pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. “... em Deus não há três indivíduos
justapostos e separados uns dos outros, mas somente autodistinções pessoais dentro da essência divina,
que é não só genericamente, mas também numericamente, uma só” (Louis Berkhof).
 “Então, com pessoa, quero dizer uma subsistência na essência divina – uma subsistência que, conquanto
relacionada com as outras duas, distingue-se delas por suas propriedades incomunicáveis” (João
Calvino).
 A essência de Deus pertence a cada uma das pessoas.
 “Enquanto três pessoas humanas têm apenas unidade de natureza ou essência, isto é, participam da
mesma espécie de natureza ou essência, as pessoas da Divindade têm unidade numérica de essência, isto
é, possuem a mesma essência, essência idêntica” (Louis Berkhof).
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 Não há subordinação na Trindade, apenas relacionada à ordem e ao relacionamento.


 “... a Trindade é um mistério que ultrapassa a nossa possibilidade de compreensão” (Louis Berkhof).
 O fato de o Pai ser a primeira pessoa, o Filho a segunda e o Espírito a terceira não significa que há
subordinação entre eles, é apenas uma ordem lógica, pois, o Pai não é gerado, o Filho é eternamente
gerado e o Espírito procede do Pai e do Filho eternamente.
 Todas as coisas provêm do Pai, mediante o Filho, no Espírito Santo, ou seja, a essência da divindade é o
Pai, o Filho é o meio pelo qual a essência é revelada, e o Espírito é a revelação propriamente dita.
 Todas as obras feitas pelo Pai, pelo Filho ou pelo Espírito Santo, mesmo sendo feitas particularmente por
determinada pessoa, todo o Ser Divino é o autor. Por exemplo, Deus criou, Filho redimiu e o Espírito
santificou, porém, toda a Divindade fez as três obras.
 A trindade “... é inteligível em algumas de suas relações e de seus modos de manifestação, mas é
ininteligível em Sua natureza essencial” (Louis Berkhof).
 Existem várias tentativas de analogias para se entender a Trindade, como por exemplo, a de Agostinho
(unidade psicológica de intelecto, afetos e vontade), a de Hegel (unidade lógica de tese, antítese e
síntese), porém, nenhuma consegue expor de modo satisfatório.
 O Pai:
 O Pai é a primeira pessoa da Trindade, a quem é atribuída na Escritura a obra da criação.
 O Pai não é gerado, gera eternamente o Filho e espira o Espírito.
 O Pai planejou a obra de redenção (Is 53.10).
 O Filho:
 Jesus Cristo é o Filho de Deus (Jo 1.14,18; Gl 4.4).
 Jesus Cristo é Deus (Jo 5.18 – 25).
 Jesus Cristo, mesmo ensinando os discípulos a se referirem a Deus como Pai, Ele chamava a Deus
como “meu Pai”, num sentido de ser Pai somente dEle (Mt 6.9; 7.21; Jo 20.17).
 Jesus Cristo tem conhecimento único do Pai (Mt 11.27).
 Jesus Cristo era reconhecido por se considerar Deus (Mt 26.63; Jo 5.18; 10.36).
 Jesus Cristo, quando era chamado de Filho de Deus, reconhecia-se também o fato de ser o Messias
(Jo 1.49; 11.27).
 Jesus Cristo é o Filho de Deus por ser gerado pela ação sobrenatural do Espírito Santo (Lc 1.32,35).
 O Filho é eternamente gerado do Pai e espira o Espírito.
 Jesus Cristo é muitas vezes chamado de “o Unigênito”, representando a eterna geração do Filho (Jo
1.14,18; 3.16,18; 1Jo 4.9).
 A geração do Filho é um ato necessário, pois, é necessário para se afirmar que Cristo é Deus. Se não
fosse necessário, seria uma escolha de Deus, e se fosse passível de escolha, o Filho não faria parte da
essência da divindade.
29

 Pelo fato da necessidade do Filho ser gerado do Pai, consequentemente, o Filho participa da
eternidade do Pai, melhor dizendo, a geração do Filho é um ato atemporal (Jo 1.14,18; 5.18; 17.5;
Cl 1.15 – 20).
 O Filho não é geração da essência divina, mas sim, geração da subsistência pessoal do Pai. As
essências do Pai e do Filho são uma só.
 Em Jo 5.26, demonstrasse essa comunicação na geração do Filho, onde a essência divina é
comunicada ao Filho, não de uma forma momentânea, mas eterna.
 A geração não implica em separação, pois, não é uma geração semelhante à humana, mas sim, uma
geração espiritual e divina.
 A geração do Filho é “... o ato eterno e necessário da primeira pessoa da Trindade, pelo qual Ele,
dentro do Ser divino, é a base de uma segunda subsistência pessoal, semelhante à Sua própria, e dá a
essa segunda pessoa posse da essência divina completa, sem nenhuma divisão, alienação ou
mudança” (Louis Berkhof).
 A divindade do Filho foi negada por muitas seitas (ebionitas, monarquistas, arianos, socinianos,
Schleiermacher, Ritschl, unitários, modernistas e humanistas).
 A Bíblia contém inúmeras passagens sobre a divindade do Filho, dando nomes divinos a Ele,
atribuindo a Ele perfeições divinas, atribuindo a Ele também obras divinas e lhe outorga honra divina
(Jo 1.1; 20.28; Rm 9.5; Fp 2.6; Is 9.6; Jr 23.5,6; Fp 3.21; Ap 1.8; Jo 3.13; Jo 1.3,10; Mt 9.2 – 7;
Jo 5.22,23).
 Tudo vem do Pai mediante o Filho (1Co 8.6).
 Todas as coisas são criadas e mantidas por meio da segunda pessoa da Trindade (Jo 1.3,10; Hb
1.2,3).
 O Filho executa o plano da redenção feito pelo Pai.
 O Espírito Santo:
 A palavra Espírito (em hebraico ruach, em grego pneuma, em latim spiritus) significa sopro, fôlego,
vento, espiração (Gn 2.7; 6.17; Ez 37.5,6; Gn 8.1; 1Rs 19.11; Jo 3.8).
 “É o Espírito Santo que faz sua habitação nos corações dos crentes, que os separa para Deus, e que
os purifica do pecado” (Louis Berkhof).
 Mesmo a personalidade do Espírito Santo não ser expressa de modo tão clara quanto a do Filho, o
Espírito Santo não deixa de ser pessoal.
 Há duas palavras em grego na qual o Espírito Santo é chamado e que demonstram personalidade, a
saber, “ekeinos” e “parakletos” (Jo 16.14; 14.26).
 O Espírito Santo tem características pessoais como inteligência (Jo 15.26), vontade (At 16.7),
sentimentos (Ef 4.30). Ele também fala, cria, testifica, sonda, e outros atos próprios de
personalidade.
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 O Espírito Santo é distinguido de poder na Palavra de Deus (At 10.38), ou seja, Ele não é apenas a
força ativa de Deus, como afirmam os Testemunhos de Jeová.
 Há distinções em relação à geração e à espiração na relação da Trindade: apenas o Pai gera, a
espiração, porém, é feita pelo Pai e pelo Filho; pela geração o Filho é habilitado a espirar, porém, o
Espírito Santo não pode espirar; isso não implica em nenhuma subordinação, pois, tanto na geração
quanto na espiração há uma comunicação da essência divina, sendo que a consequência disso é a
igualdade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
 O fato de o Espírito Santo ser espirado pelo Filho baseia-se na Palavra de Deus (Jo 15.26).
 O Espírito Santo tem um relacionamento mais estreito possível com o Pai, assim como a alma
humana se relaciona com o homem.
 A divindade do Espírito Santo é provado nisso: são dados nomes divinos a Ele (Ex 17.7; At 5.3,4;
1Co 3.16; 2Tm 3.16; 2Pe 1.21); são atribuídas perfeições divinas a Ele (Sl 139.7 – 10; Is 40.13,14;
1Co 2.10,11; Rm 15.19; Hb 9.14); é prestada honra divina a Ele (Mt 28.19; Rm 9.1; 2Co 13.13).
 A obra do Espírito Santo consiste em agir imediatamente sobre a criatura e nela, ou seja, o ato da
regeneração e da santificação, e também na consumação da obra de Deus.

PERGUNTAS:

- Como funciona, resumidamente, a relação da Trindade?

- Cite e comente algumas passagens bíblicas provando a existência de mais de uma pessoa no Ser divino.

- Exponha seu ponto de vista sobre a doutrina da Trindade.

h- Decretos divinos:
 Decreto divino é “o Seu eterno propósito, segundo o conselho da Sua vontade, pelo qual, para a Sua
própria glória Ele predestinou tudo o que acontece” (Breve Catecismo de Westminster).
 Na natureza divina, não há decretos, mas apenas um decreto, pois, “o Seu conhecimento é de todo
imediato e simultâneo, e não sucessivo como o nosso, e a Sua compreensão desse conhecimento é
sempre completa” (Louis Berkhof).
 O conhecimento de Deus é a base para o decreto dEle.
 O decreto de Deus abrange tudo que não pertence ao Ser essencial de Deus.
 Deus, mesmo fazendo o pecado acontecer com o Seu decreto permissivo, Ele não é seu autor, por
exemplo, o pecado é praticado pela livre ação das criaturas, porém, tudo está debaixo da permissão de
Deus.
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 O decreto não é o mesmo que a ação, ou seja, Deus não decretou neste momento que você estaria
fazendo determinada ação, Ele decretou uma única vez tudo, e isso aconteceu agora.
 Características do decreto divino:
 O decreto de Deus foi feito com toda a sabedoria divina (Sl 104.24).
 O decreto de Deus é eterno, pelo fato de que o ser divino está além do tempo. Não há sucessão de
momentos no ser divino (At 15.18; 2Tm 1.9).
 Há atos eternos e atos temporais divinos, porque alguns estão acontecendo e vão acontecer
eternamente, outros acontecem num determinado momento.
 O que foi decretado por Deus certamente ocorrerá, pelos meios que Ele decretou (Is 46.10).
 Deus é imutável em Seus decretos (Jó 23.13,14; At 2.23).
 Pelo fato de Deus ser perfeito em Seu conhecimento, veracidade e poder, Ele não tem necessidade de
mudar Seus decretos.
 O decreto não depende de nada, ou seja, é incondicional e absoluto.
 O decreto pode exigir certos meios, porém, os meios fazem parte do decreto (por exemplo, At 2.23).
 O decreto divino abrange todas as coisas, em todos os momentos, seja bom ou mal (Ef 1.11; Pv
16.4; At 4.27,28; Sl 119.89 – 91; 39.4).
 O pecado faz parte do decreto permissivo de Deus.
 Deus determina a ação do pecado, permitindo que a natureza pecaminosa do homem se manifeste
(At 14.16).
 A objeção alegando que o decreto de Deus anula a liberdade do homem não tem fundamento, pois a
Palavra de Deus afirma que os atos livres do homem são predeterminados por Deus. Isso não tira a culpa
do homem em relação ao pecado (Gn 50.19,20; At 2.23; 4.27,28).
 “... Deus não decretou realizar por sua ação pessoal e direta o que quer que venha a acontecer. O
decreto divino só dá certeza aos eventos, mas não implica que Deus os realizará ativamente” (Louis
Berkhof).
 A objeção alegando que o decreto de Deus elimina todos os motivos para esforço não passa de uma
desculpa para a desobediência da Lei.
 O decreto não é uma regra, a Lei os evangelhos sim.
 O fato de buscarmos obedecer a Lei faz parte dos decretos de Deus.
 Devemos ter consciência do decreto de Deus, não, porém, viver baseando-se nele (Fp 2.13; Ef 2.10).

PERGUNTAS:

- O que é decreto divino?

- O decreto de Deus faz com que tudo seja ação divina?


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- Qual é a relação entre o decreto divino com a sabedoria e conhecimento divinos?

- Cite algumas características do decreto divino.

- Qual é a relação entre o decreto divino e o pecado?

i- Doutrina da predestinação:
 A diferença de falar sobre decreto e falar sobre predestinação é simplesmente o fato de pararmos de
tratar do geral e passarmos a tratar do particular.
 A doutrina da predestinação começou com Pelágio (Predestinação condicional, que consiste no fato de
Deus escolher os salvos baseando-se nas boas obras) e Agostinho (dupla predestinação incondicional,
que consiste no fato de Deus escolher os salvos, independente do que eles façam, e os condenados).
 Houve também a visão do semipelagianismo, também conhecida como arminianismo, que consiste no
fato de que somos salvos somente pela graça, porém, afirmando que a predestinação é baseada na
presciência.
 A doutrina da reforma protestante foi fortemente movida pela doutrina seguida por Agostinho, a saber,
dupla predestinação incondicional.
 O fruto do histórico debate teológico entre os calvinistas (dupla predestinação incondicional) e os
arminianos (semipelagianismo) foi o sínodo de Dort, tendo como consequência os cânones de Dort,
também conhecidos como “os cinco pontos do calvinismo”, que resumem a soteriologia do calvinismo.
 O autor da predestinação é a Trindade, porém, particularmente, o Pai (Jo 17.6,9; 1Pe 1.2; Rm 8.29).
 A predestinação abrange:
- Todos os homens, bons ou maus (At 4.28; Rm 9.10 – 13; Ef 1.11).
- Todos os anjos, bons e maus (1Tm 5.21).
 A predestinação inclui a eleição e a reprovação.
1. Eleição:
 Deus escolhe alguns indivíduos para serem Seus filhos e herdeiros da glória eterna (Mt 22.14; Rm
11.5; Ef 1.4).
 A eleição é “o ato eterno de Deus pelo qual Ele, em Seu soberano beneplácito, e sem levar em conta
nenhum mérito previsto nos homens, escolhe um certo número deles para receberem a graça especial
e a salvação eterna” (Louis Berkhof).
 A eleição baseia-se no beneplácito divino (Rm 9.11; 2Tm 1.9).
 A eleição é imutável, dando, assim, certeza e segurança à salvação dos eleitos (Rm 8.29,30; 2Tm
2.19).
 A eleição não é temporal, ela é eterna, ou seja, os salvos foram eleitos desde antes da fundação do
mundo (Rm 8.29; Ef 1.4).
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 A eleição não depende de nenhuma das obras que façamos, ou seja, é incondicional. Isso porque o
próprio Deus é o originador da fé e das obras (Rm 9.11; At 13.48; 2Tm 1.9; 1Pe 1.2; Ef 2.8,9; Rm
9.20).
 A eleição é irresistível, ou seja, mesmo que o homem se oponha, ela vai ser concretizada (Sl 115.3;
Rm 9.20; Fp 2.13).
 A eleição não faz de Deus um Ser injusto, pois, “só podemos falar de injustiça quando uma parte
pode reivindicar algo da outra” (Louis Berkhof).
 Deus não deve o perdão pra ninguém, sendo que Ele seria perfeitamente justo se não salvasse
ninguém (Mt 20.14,15; Rm 9.14,15).
 O objetivo secundário da eleição é a salvação dos eleitos (Rm 11.7,8; 2Ts 2.13).
 O objetivo primário e principal da eleição é a glória de Deus (Ef 1.6,12,14).
2. Reprovação:
 A doutrina da reprovação resume-se assim: “... decreto eterno de Deus pelo qual Ele determinou
deixar de aplicar a um certo número de homens as operações da Sua graça especial, e puni-los por
seus pecados, para a manifestação da Sua justiça” (Louis Berkhof).
 Deus predetermina alguns para não receberem a graça regeneradora e salvadora, e para serem
destinados à desonra e ira de Deus (Rm 9.21,22; Jd 4).
 A predestinação para a salvação é um ato de graça, e a predestinação para a condenação é um ato de
justiça.
 A doutrina da reprovação é uma decorrência lógica da doutrina da eleição, pois, se Deus escolheu
alguns para serem salvos, consequentemente, escolheu os outros para serem condenados (Rm 9.18;
Rm 11.7; 1Pe 2.8).
 Supralapsarianismo e infralapsarianismo:
 São pontos de vista da doutrina da predestinação.
 A diferença essencial dos dois pontos de vista é: tudo é predestinado por Deus desde antes da
fundação do mundo (supralapsário); tudo é predestinado por Deus desde depois da queda de Adão
(infralapsário).
 Os dois pontos de vista não diferem nesses pontos: “duração” do decreto divino; o fato de a queda
ser decreto divino; o fato de o pecado ser decreto permissivo; o fato de a reprovação ser um ato de
justiça, não um ato de tirania.
 Os dois pontos de vista diferem nesses pontos: na extensão da predestinação, por exemplo, a queda
foi decretada, não predestinada; na ordem lógica dos decretos, ou seja, os supralapsários dizem que
os meios se baseiam no fim, e os infralapsários dizem que o fim se baseia nos meios; no fato de Deus
olhar para os eleitos individualmente eternamente para os supralapsários, e, para os infralapsários
creem que Deus passou a ter uma relação especial com os eleitos depois do decreto para criar e
permitir a Queda.
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 Bases bíblicas para o supralapsarianismo (Sl 115.3; Pv 16.4; Is 45.9; Jr 18.6; Mt 20.15; Rm
9.17,19 – 21).
 Bases bíblicas para o infralapsarianismo (Jo 15.19; Rm 8.28,30; 9.15,16; Ef 1.4 – 12; 2Tm 1.9).

PERGUNTAS:

- Exponha a doutrina da eleição.

- Exponha a doutrina da reprovação.

- Explique o supralapsarianismo e o infralapsarianismo. Qual a sua opinião em relação a isso?

j- Criação:
 O começo da execução do decreto foi a criação.
 O tempo foi criado junto com a criação.
 A criação foi ex nihilo (tudo criado do nada), um ato livre de Deus.
 Existem várias passagens que provam a criação feita por Deus (Ne 9.6; Is 42.5; 45.18; Cl 1.16; Ap
4.11; 10.6; Am 4.13; Sl 90.2; Jr 10.12 – 16; Rm 1.25; Gn 2.4; Pv 16.4).
 São usados três termos para “criar” (Is 45.7).
 “A criação é o ato pelo qual Deus produz o mundo e tudo que nele há, em parte do nada e em parte de
material que por Sua própria natureza é inepto, para a manifestação da glória do Seu poder, sabedoria e
bondade” (Louis Berkhof).
 A criação foi feita pela Trindade (Gn 1.1; Is 40.12; 44.24; 45.12; Jo 1.3; Gn 1.2; Jó 26.13; Sl 104.30).
 A criação é originária do Pai, a ideia dela vem do Filho, e a vida em si vem do Espírito.
 A criação não é um ato necessário de Deus, e sim, um ato livre (Ef 1.11; Ap 4.11; At 17.25).
 O decreto da criação é atemporal, porém, o ato da criação é um ato temporal.
 Corretamente, Agostinho disse que o mundo foi criado com o tempo (cum tempore), e não no tempo (in
tempore).
 Deus é eterno, e, baseando-se nesse fato e na doutrina da criação, muitas coisas são ininteligíveis, como
por exemplo, a pergunta do que Deus estaria fazendo antes de criar.
 Há três termos bíblicos para “criar”, a saber, bara’ (usada no sentido de produzir, gerar, regenerar,
formar, criar), ‘asah (fazer, formar, fabricar, modelar), e yastar (modelar com materiais preexistentes,
usado para descrever o trabalho do oleiro).
 O fato de a criação ser ex nihilo não quer dizer que seja feita sem causa (ex nihilo nihil fit), pois, “o nada
do qual Deus cria o mundo são as eternas possibilidades da Sua vontade, que são as fontes de todas as
realidades do mundo” (Hans Lassen Martensen).
35

 A criação ex nihilo é provada pelo fato de as Escrituras não dizerem, em Gn 1.1, que Deus usou na
criação algum material preexistente (Sl 33.9; Hb 11.3).
 A criação não é Deus nem faz parte de Deus (Is 42.5; At 17.24), inclusive pelo fato de o mundo ser
pecaminoso, e Deus não poder ser (1Jo 2.15,16).
 Deus é auto-existente, autossuficiente, infinito e eterno, enquanto o mundo é dependente (At 17.28),
finito e temporal.
 Deus é transcendente e imanente, ou seja, não é a criação, nem habita essencialmente na criação, porém,
age ativamente na criação, sustentando-a e dando vida (At 17.24,27,28).
 “Deus não criou primeiramente para receber glória, mas para tornar a Sua glória saliente e manifesta”
(Louis Berkhof).
 A glória de Deus é o único fim, e de fato, o único possível fim para um Deus soberano e independente.
 A glória de Deus como fim de todas as coisas não faz dEle um ser egoísta, porém, com amor-próprio.
 Deus não pode ser julgado por padrões humanos, pois, ninguém pode reivindicar nenhum direito contra
Ele.
 O mundo foi criado para “acrescentar glória a Sua (Deus) glória” (Louis Berkhof).
 Nada do que é dito pode ser base para afirmar que Deus necessita da criação.
 “... ao glorificarem o Criador, as criaturas nada acrescentam à perfeição do Seu Ser, mas apenas
reconhecem a Sua grandeza e Lhe atribuem a glória que lhe é devida” (Louis Berkhof).
 Há três teorias que divergem com a visão bíblica em relação à origem do mundo: teoria dualista (Deus é
bom e a matéria é má, sendo que a matéria e Deus são coeternos e a matéria é subordinada a Deus e
instrumento de Sua vontade. Os dois são coeternos pela necessidade da existência do bem e mal); teoria
da emanação (o mundo é uma emanação necessária do Ser divino); teoria da evolução.
 A teoria dualista está errada pelo fato de ser impossível que dois infinitos coexistissem, ou seja, só pode
coexistir um ser absoluto com o relativo, não dois absolutos. É também antifilosófico crer nisso porque
apenas uma só causa auto-existente é adequada para explicar tudo. E, se o mal é eterno, não há garantia
que o bem triunfará, pois, o que é eternamente necessário terá que se manter sempre.
 A teoria da emanação está errada pelo fato de, se a essência de Deus gera algo que tem começo, meio e
fim, presume-se que Deus não é um ser infinito e transcendente. Essa ideia resume Deus a uma simples
base oculta na qual emanam as criaturas e toda a criação. Sem tirar o fato de comprometer a santidade de
Deus.
 A teoria da evolução cai no erro de, na maioria das vezes, apoiar a eternidade das coisas. Na verdade, há
quatro visões principais na teoria da evolução, a saber, a eternidade das coisas, o design inteligente, a
geração espontânea e a chamada evolução teísta (Deus age pelas leis da natureza e física, e também em
algumas intervenções miraculosas, como, por exemplo, no caso do início absoluto). Evolução teísta,
porém, é uma contradição em termos. É destrutiva, tanto para a fé bíblica quanto para a evolução
naturalista. Existem dez argumentos principais contra a evolução teísta, a saber: Distorção da natureza de
36

Deus; Deus é um Deus das lacunas, ou seja, um Deus evoluindo também; negação de princípios bíblicos
centrais; perda do caminho para se encontrar a Deus, ou seja, pois a evolução faz o pecado sem
significado, como uma consequência da evolução; a doutrina da encarnação é enfraquecida; a base
bíblica do trabalho de redenção de Jesus é mitificada porque Adão não é reconhecido como primeiro
homem; a cronologia bíblica é negada; perda de conceitos da criação, como por exemplo, Deus criando
tudo do nada; os evolucionistas descartam o fato a veracidade da Bíblia; perda do propósito central do
homem, sendo que grande parte dos evolucionistas acreditam que toda a criação não é causal.

PERGUNTAS:

- Como foi a criação, na sua opinião?

- Qual o fim principal da criação?

- Quais as teorias que divergem da doutrina bíblica da criação? O que você acha delas?

k- Angelologia:
 A Bíblia não assume deliberadamente a existência dos anjos, porém, eles são simplesmente descritos
como existentes, do mesmo modo que a Bíblia não começa assumindo que Deus exista, mas descreve
Deus agindo.
 Os anjos são seres criados (Sl 148.2,5; Cl 1.16).
 Os anjos são espíritos e sem corpo (Mt 8.16; Ef 6.12; Hb 1.14; Lc 24.39).
 Os anjos são seres racionais, morais e imortais (Mt 24.36; Mc 8.38 em relação com 2Pe 2.4).
 Os anjos bons são chamados de anjos eleitos (1Tm 5.21).
 Uma das teorias sobre esse tema segue a linha de que os anjos maus não são “caídos”, mas simplesmente
instrumentos do exercício da soberania de Deus, de acordo com Seu decreto.
 Número e organização dos anjos:
 A quantidade de anjos não é exata, mas se trata de grande número (Sl 68.17; Ap 5.11; Mc 5.9,15;
Mt 26.53) (As legiões tinham cerca de 3 mil a 6 mil homens).
 O termo “anjo” significa mensageiro, e os anjos são chamados por muitos nomes na Bíblia (filhos de
Deus, espíritos, santos, vigilantes).
 Os querubins (Gn 3.24; Sl 80.1) foram destinados a revelar o poder, majestade e glória de Deus,
defendendo Sua santidade no jardim do Éden, no Tabernáculo, etc.
 Os serafins (Is 6.2,6) são servidores em torno do trono de Deus, cantando louvores a Ele e sempre
prontos a obedecer Suas ordens.
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 Os principados, potestades, domínios e tronos (Ef 3.10; Cl 1.16; Ef 1.21; 1Pe 3.22) não representam
nenhuma diferença de espécie de anjos, mas diferenças de dignidade entre eles.
 Gabriel difere dos outros anjos por ser apresentado nominalmente (Dn 8.16; 9.21; Lc 1.19,26). Pode
ser um dos sete anjos perante Deus, apresentados em Ap 8.2. Tem como aparente função de
intermediário e intérprete de revelações divinas.
 Miguel também é apresentado nominalmente (Dn 10.13,21; Jd 9; Ap 12.7). Recebe o título de
arcanjo, demonstrando certa superioridade em relação aos demais anjos. Isso não significa que ele
seja o único arcanjo.
 O serviço comum dos anjos: Louvor a Deus (Jó 38.7; Is 6.2,3; Sl 148.2; Ap 5.11); dar assistência aos
eleitos (Hb 1.14); se regozijam quando há arrependimento (Lc 15.10); protegem os crentes (Sl 34.7;
91.11); levam os crentes até o seio de Abraão (Lc 16.22).
 O serviço extraordinário dos anjos se resume a serem intermediários das revelações especiais,
comunicarem bênçãos ou executarem juízo. Porém, quando cessou o período da revelação especial de
Deus, isso não precisou mais ser necessário, e, provavelmente, não será até a volta do Senhor.
 Os anjos maus têm, por origem, o fato de caírem (2Pe 2.4; Jd 6), tendo por chefe, o diabo (Mt 9.34;
25.41). Mesmo assim, todos esses anjos maus e o diabo estão submetidos à soberania de Deus e a Sua
permissão para agir em qualquer situação.

PERGUNTAS:

- Quais as principais características dos anjos?

- Como eles são organizados?

- O que eles fazem?

l- Providência:
 A providência é a doutrina que define a relação de Deus com o mundo, de acordo com a Bíblia.
 Uma das explicações em relação à providência de Alphonso Turretino explica bem isso: “A
administração eficaz das coisas decretadas”.
 Agostinho tomou a frente no desenvolvimento dessa doutrina, afirmando que Deus governava e
preservava todas as coisas, tanto boas quanto más. Tomás de Aquino seguiu a mesma linha.
 Pelágio limitava a providência à vida natural, excluindo, assim, a vida ética.
 Duns Scotus, Guilherme de Ockham e Gabriel Biel afirmavam também a providência, porém,
diferenciando-se em depender da vontade arbitrária de Deus, ou seja, uma espécie de introdução do
governo do acaso.
38

 A providência de Deus é “o permanente exercício da energia divina, pelo qual o Criador preserva todas
as Suas criaturas, opera em tudo que se passa no mundo e dirige todas as coisas para o seu determinado
fim” (Louis Berkhof).
 Há três elementos na providência: preservação (existência); cooperação (atividade, por exemplo, chuva,
crescimento da planta, etc.); governo (direção). Nenhum desses elementos pode ser excluído.
 Panteísmo não distingue a criação do Criador, mas o teísmo crê nisso: a criação foi um chamado à
existência, e a providência é o ato de fazer continuar a existir; Na criação não pode haver cooperação da
criatura.
 A providência se trata apenas na atividade de Deus no mundo para concretizar Seus planos, não é
limitado à predestinação ou presciência.
 O deísmo acredita que Deus só tem interesse na natureza geral, ou seja, Sua providência não envolve
nada além da natureza.
 A Bíblia ensina sobre o governo providencial de Deus: sobre o universo em geral (Sl 103.19; Ef 1.11);
sobre o mundo físico (Sl 104.14; Mt 5.45); sobre a criação inferior (Sl 104.21,28; Mt 6.26; 10.29);
sobre os negócios das nações (Jó 12.23; Sl 22.28; At 17.26); sobre vitórias e fracassos dos homens (Sl
75.6,7); sobre coisas aparentemente acidentais e insignificantes (Pv 16.33; Mt 10.30); na proteção dos
justos (Sl 4.8; 5.12; Rm 8.28); no suprimento das necessidades do povo de Deus (Fp 4.19); nas
respostas à oração (2Cr 33.13); no castigo dos ímpios (Sl 7.12,13; 11.6).
 A providência geral é o governo de Deus sobre o todo, e a providência especial é o cuidado de Deus de
cada parte do todo.
 As duas relações não são diferentes em espécie, mas a mesma providência em diferentes relações.
 Preservação:
 A doutrina de que existimos por causa da providência de Deus é afirmada pela Bíblia (Ne 9.6; Sl
127.1; Mt 10.29; Cl 1.17; Hb 1.3).
 Essa doutrina também é provada pela lógica, pois, a soberania de Deus só seria absoluta se, de
fato, nada existisse ou acontecesse independentemente da Sua vontade.
 A preservação é “a obra contínua de Deus pela qual Ele mantém as coisas que criou, juntamente
com as propriedades e poderes de que as dotou” (Louis Berkhof).
 A criatura não independe da preservação, ou seja, não é auto-existente.
 Concorrência:
 A concorrência é “a cooperação do poder divino com todos os poderes subordinados, em
harmonia com as leis pré-estabelecidas de Sua operação, fazendo-os agir precisamente como
agem”, ou seja, a providência não envolve apenas a existência, mas também as ações da criatura.
 A concorrência é ensinada pela Bíblia (Gn 45.5; Pv 21.1; Ed 6.22; Is 10.5; 1Rs 22.20 – 23).
 A concorrência não envolve apenas uma comunicação geral de poder, mas sim, uma
determinação de alguma ação específica.
39

 Em toda a ação da criatura, o impulso para ela vem de Deus. “Tem que haver uma influência da
energia divina antes de a criatura poder agir” (Louis Berkhof) (1Co 12.6; Fp 2.13).
 “Não há um só momento em que a criatura aja independentemente da vontade e do poder de
Deus” (Louis Berkhof) (At 17.28).
 “Em Seu governo do mundo, Deus emprega toda sorte de meios para a consecução dos seus
fins... Assim, também Deus opera no homem, dotando-o de poder, determinando as suas ações e
sustentando as suas atividades o tempo todo” (Louis Berkhof) (Pv 16.4).
 Deus não é culpado pelas ações do homem porque Ele simplesmente, de acordo com Sua
soberana vontade, permite que os homens exerçam seu arbítrio escravo do pecado.
 Em relação a Adão, Deus não é culpado do pecado pelo fato de Ele permitir o arbítrio essencial
de Satanás em tentar Adão, e da tendência natural do homem de não resistir à tentação sem a
influência divina.
 Governo:
 O governo divino é a contínua atividade de Deus em reger tudo para que o Seu propósito se
realize.
 Deus é Rei de todas as coisas (At 17.24; 1Tm 6.15).
 Deus exerce Seu governo: por meio das leis da natureza (sobre o mundo físico); por meio das
propriedades e leis da mente e pela ação direta do Espírito Santo (sobre o mundo mental); por
meio de circunstâncias, motivos, instrução, persuasão, exemplo, operação do Espírito Santo no
coração, na vontade e no coração (sobre os agentes morais).
 O governo de Deus é universal (Sl 22.27,28; 103.19; Dn 4.34,35).
 Providências extraordinárias ou milagres:
 Milagre é “uma coisa feita sem se recorrer aos meios ordinários de produção, um resultado
produzido diretamente pela Causa Primeira (Deus), sem a mediação, pelo menos do modo
habitual, das causas secundárias (criação)” (John Macpherson).
 O milagre é diferente das outras providências pelo fato de resultar do exercício do poder
sobrenatural de Deus.
 Todo o milagre descrito na Bíblia teve um propósito, não foi feito simplesmente para exibir
poder ou provocar admiração.

PERGUNTAS:

- Qual a definição de providência?

- Qual a diferença entre providência geral e providência especial?

- Quais são os três elementos da providência? Explique-os?


40

- O que você tem a dizer sobre a concorrência e a culpa do homem?


41

4- Antropologia:
a- Origem do homem:
 A Palavra de Deus registra duas passagens sobre a criação do homem, a coroa da criação de Deus (Gn
1.7; 2.7,21 – 23).
 A primeira passagem (Gn 1) relata a criação de todas as coisas na ordem em que ocorreu, e a segunda
passagem (Gn 2.7,21 – 23) explica mais especificamente sobre a criação do homem.
 Antes de explicar a criação do homem em Gn 2, o autor registra o decreto divino, ou seja, a criação do
homem foi precedida pelo conselho divino.
 A criação do homem foi um ato imediato, diferentemente do ponto de vista evolucionista.
 O homem se distingue do resto da criação por ser descrito na Bíblia como “imagem e semelhança de
Deus” (Gn 1.26,27). A expressão desses versículos, no hebraico, significam que Deus criou os homens
para serem Sua imagem e semelhança dEle (Cl 3.10).
 O corpo humano foi formado do pó da terra, ou seja, formado por Deus, que usou material preexistente
pra isso (Gn 2.7), já a alma humana foi uma nova produção de Deus.
 O homem foi coroado como rei da criação inferior e recebeu domínio sobre ela (Gn 1.28; Sl 8.4 – 9).
 Teoria evolucionista da origem do homem:
 Esta teoria defende que o homem descende de animais inferiores, tanto corpo com alma, por um
processo natural.
 O ensino bíblico é totalmente oposto a essa teoria (Gn 2.7). O homem foi criado separadamente
do resto da criação (Gn 1.26,27; 2.19,20; Sl 8.5 – 8).
 A teoria evolucionista não tem provas concretas e não tem nenhuma comprovação de sua
veracidade.
 Para muitos cientistas, o evolucionismo deixou de ser uma ciência e passou a ser apenas uma
teoria filosófica, mesmo havendo hoje uma espécie de “ditadura científica” em relação ao
evolucionismo.
 De acordo com as Escrituras, toda a humanidade descende de Adão e Eva (Gn 2.7, 21 – 23; At 17.26).
 É dessa descendência que herdamos o Pecado Original (Rm 5.12; 1Co 15.22).
 A ciência apresenta diversos argumentos favoráveis à unidade da raça humana: Argumento da história (a
humanidade teve uma origem e linhagem comum na Ásia Central); argumento da filologia (o estudo das
línguas da humanidade indica uma origem comum); argumento da psicologia (as almas dos homens são
idênticas, com os mesmos apetites, instintos, paixões animais, etc.); argumento da fisiologia (a raça
humana se trata de uma única espécie).

PERGUNTAS:

- Como foi a criação do homem, de acordo com a Palavra de Deus?


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- Qual é a explicação do por que de haver duas passagens explicando a criação do homem?

- Explique a teoria evolucionista. Por que ela está totalmente errada?

b- Natureza essencial do homem:


 Há duas opiniões sobre os elementos essências da natureza humana: dicotomia (o homem consiste em
duas partes, alma e corpo); tricotomia (o homem consiste em três partes, alma, espírito e corpo).
 A exposição bíblica sobre os elementos essências da natureza humana é claramente dicotômica (Ec
12.7).
 “Vê-se com clareza que a antítese é entre o inferior e o superior, o terreno e o celeste, o animal e o
divino. Não se trata tanto de dois elementos, mas de dois fatores que se unem, com um simples e
harmonioso resultado – ‘o homem passou a se alma vivente’” (John Laidlaw).
 A referência na Bíblia de espírito e alma se refere à mesma coisa, a saber, o elemento imaterial do
homem (1Pe 3.19; Ap 6.9; Hb 12.23; Ap 20.4).
 Na maioria das vezes, a principal distinção entre alma e espírito na Bíblia é: elemento espiritual do
homem como o princípio de vida e ação que domina e dirige o corpo (espírito); elemento espiritual como
o sujeito da ação no homem, ou também a vida interior como a sede dos sentimentos (alma).
 “Assim, pode dizer que o homem tem espírito, mas é alma” (Louis Berkhof).
 A Bíblia indica dois elementos essenciais, a saber, corpo e espírito ou alma.
 Há duas principais teorias que explicam a relação mútua do corpo e da alma: Teorias monistas (a matéria
é subproduto do espírito, ou o espírito é subproduto da matéria); Teorias dualistas (há uma dualidade
essencial da matéria e do espírito).
 Há dois principais pontos de vista em relação à teoria monista: materialismo (espírito é subproduto da
matéria); espiritualismo e idealismo absoluto (matéria é subproduto do espírito).
 Há três principais pontos de vista em relação à teoria dualista: ocasionalismo (a matéria e o espírito
operam cada um com leis peculiares, sendo essas leis tão diferentes entre eles que um não pode agir com
a outra); paralelismo (Deus fez o corpo correspondendo perfeitamente com a alma, sendo que um
movimento do corpo é idêntico ao movimento da alma); dualismo realista (o corpo e a alma são
substâncias distintas que interagem, mesmo essa interação sendo um mistério).
 O modo mais coeso de ponto de vista da relação mútua do corpo e da alma é o dualismo realista.
 Origem da alma:
 Há três visões na história da doutrina da origem da alma: criacionismo (Deus cria a alma por
ocasião do nascimento do indivíduo) (defendida por João Calvino); traducionismo (a alma é
originada mediante reprodução, assim como o corpo) (defendida por Martinho Lutero);
preexistencialismo (as almas já existiam num estado anterior).
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 O criacionismo é mais bem comprovado pela Palavra e mais coerente do que o traducionismo (Is
42.5; Zc 12.1; Hb 12.9).
 Mesmo depois de todos esses argumentos, o criacionismo e o traducionismo têm pesos muito
iguais, e também o preexistencialismo não deve ser de todo descartado, e por isso devemos ter
muita cautela ao falar sobre esse assunto.
 Porém, o criacionismo merece preferência, pois, corrige tais erros: alma é divisível; todos os
homens são numericamente da mesma substância; Cristo assumiu a mesma natureza numérica
que caiu em Adão.

PERGUNTAS:

- Quais são as duas opiniões sobre os elementos essenciais da natureza humana? Qual está mais de acordo
com a Bíblia?

- Quais são as teorias sobre a relação mútua do corpo e da alma? Quais são seus pontos de vista? Qual o
mais coeso de acordo com a Bíblia?

- Quais as teorias sobre a origem da alma? Fale sobre elas.

c- Imagem de Deus:
 Martinho Lutero cria que a imagem de Deus no homem consistia na justiça original, ou seja, o homem
perdeu totalmente a imagem de Deus devido ao pecado.
 João Calvino cria nisso: “Por conseguinte, com esta expressão (‘imagem de Deus’) indica-se a
integridade de que Adão foi dotado quando o seu intelecto era límpido, as suas emoções estavam
subordinadas à razão, todos os seus sentidos eram regulados devidamente, e quando ele verdadeiramente
atribuía toda a sua excelência aos admiráveis dons do seu Criador. Embora a imagem divina estivesse
primeiro na mente e no coração, ou na alma e suas faculdades, não havia parte nenhuma, mesmo no
corpo, em que não fulgissem alguns raios de glória”.
 Na Bíblia, as palavras “imagem” e “semelhança” são sinônimos, não duas coisas diferentes.
 “Deus é o original do qual o homem foi feito uma cópia... o homem não só leva a imagem de Deus, mas
é a Sua própria imagem” (Louis Berkhof).
 A imagem de Deus envolve: verdadeiro conhecimento, justiça e santidade, tudo isso se denomina
“justiça original” (Cl 3.10; Ef 4.24).
 Ela também envolve elementos que pertencem à constituição natural do homem, como as faculdades
intelectuais, os sentimentos naturais e a liberdade moral.
 O fato de o homem não perder toda a imagem de Deus baseia-se nas passagens bíblicas que se referem
ao homem, depois da queda, como imagem de Deus também (Gn 9.6; 1Co 11.7; Tg 3.9).
44

 O homem é a imagem de Deus também por ser alma, ou, por existir, mesmo sem corpo.
 Por ser alma, o homem é imortal. O corpo é mortal, mas a alma é imortal.
 O corpo, antes do pecado, mas, de acordo com a Bíblia, o pecado gerou a morte (Rm 5.12).

PERGUNTAS:

- O que constitui a imagem de Deus?

d- Aliança das obras:


 A aliança das obras se baseia nisso: promessas de recompensa pela obediência e penalidade pela
desobediência.
 As alianças não são tratos com o homem, mas sim, disposições soberanas impostas ao homem.
 O homem, antes da quebra da aliança, tinha a vida eterna simplesmente pelo fato de a morte ser
consequência da desobediência (Gn 2.17).
 “A lei foi destinada e adaptada para assegurar a vida, mas de fato veio a ser a causa da morte” (Charles
Hodge).
 A aliança da graça consiste em Jesus se colocar sob a lei para poder redimir os que estavam sob ela e que
não conseguiam obter vida pelo cumprimento dela.
 Já que Jesus satisfez a condição da aliança das obras, o homem pode obter a vida destinada ao
cumprimento do acordo original pela fé em Cristo Jesus.
 Hoje, há dois caminhos de vida: a lei (Rm 10.5); e a fé em Cristo, que satisfez o que se exigia da lei e
dispensou a bênção da vida eterna.
 O caminho pela lei é impossível ao homem natural, porque todos pecaram (Rm 3.23).
 A relação entre Adão e Cristo exposta por Paulo (Rm 5.12 – 21) no contexto da doutrina da justificação
é explicada baseando no fato de Adão ser o chefe de uma aliança.
 “De acordo com Paulo, o elemento essencial da justificação consiste nisto: que a justiça de Cristo é-nos
imputada, sem qualquer obra pessoal da nossa parte para merecê-la” (Louis Berkhof).
 Elementos da aliança das obras:
 De um lado havia o Deus trino, e do outro, Adão, uma criatura dependente.
 Deus criou uma relação natural com o homem, “como a que existe entre o oleiro e o barro, entre
um soberano absoluto e um súdito destituído de qualquer direito” (Louis Berkhof), fazendo com
que o homem esteja infinitamente distante de Deus, aparentemente excluindo uma vida de
comunhão com Ele.
 Mesmo o homem estando tão distante de Deus, e sendo, de fato, um “servo inútil” que, se
obedece aos mandamentos de Deus, não faz mais que obrigação, ele foi criado para ter comunhão
com Deus, pelo fato de ser criação à imagem de Deus.
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 Deus, como Pai amoroso que busca o bem-estar de Sua criatura, estabeleceu uma relação
pactual.
 Relação pactual = Acordo legal com o homem, incluindo exigências e obrigações, acrescentando
outros elementos: Adão como chefe representativo da raça humana; foi posto à prova para
determinar se poderia ou não se sujeitar à vontade de Deus; vida eterna como consequência da
obediência.
 A aliança das obras continha a promessa de vida eterna, porém, com a condição de perfeita e
implícita obediência.
 Naturalmente, o homem também estava sujeito à lei moral, gravada no coração.
 A consequência da desobediência envolvia a morte eterna, morte espiritual, morte física, e
também a miséria espiritual e infelicidade.
 O sacramento da aliança é apenas a árvore da vida, não por ter poderes de imortalidade, mas por
representá-lo, e não podendo mais ser consumido, devido a Queda.

PERGUNTAS:

- O que foi a aliança das obras?

- O que aconteceu em relação a essa aliança?

- Quais as relações que Adão tinha para com Deus antes da queda?

e- Hamartiologia:
1- Origem do pecado:
 O mal moral é o pecado, ou seja, a transgressão da lei de Deus.
 O homem sempre aparece, na Palavra, como pecador por natureza.
 O decreto de Deus deu a certeza da entrada do pecado no mundo, porém, isso não faz de Deus o autor do
pecado (Jó 34.10; Is 6.3; Dt 25.16; Sl 5.4).
 O pecado foi originado no mundo angélico, depois da criação, pois logicamente, os anjos foram criados
no ato da criação (Jd 6).
 O pecado na raça humana teve sua origem na transgressão de Adão, quando pecou voluntariamente em
relação à árvore do conhecimento do bem e do mal, sendo tentado pelo tentador, que disse que se o
homem se colocasse em oposição a Deus, poderia se tornar semelhante a Deus.
 Com o pecado, Adão passou a ser escravo do pecado (Jo 8.34).
 “Esse pecado trouxe consigo corrupção permanente, corrupção que, dada a solidariedade da raça
humana, teria efeito, não somente sobre Adão, mas também sobre todos os seus descendentes. Dessa
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fonte não santa o pecado flui numa corrente impura passando para todas as gerações de homens,
corrompendo tudo e todos com que entra em contato” (Louis Berkhof).
 Como Adão é chefe representativo de toda a raça humana, toda a raça humana está sujeita a culpa do
pecado, sendo passível de punição e morte (Rm 5.12,18,19).
 O primeiro pecado foi, formalmente, o ato de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do
mal, mas foi um ato muito mais profundo, consistindo no fato de Adão se colocar em oposição a Deus,
querendo tomar as rédeas do próprio futuro.
 A queda como ocasionada pela tentação:
 A queda foi ocasionada pela tentação da serpente, que semeou na mente do homem a
desconfiança e a descrença.
 A serpente se dirigiu, primeiramente, a Eva, pelo fato de o argumento dela ser mais eficiente
para com Adão.
 A serpente difundiu a ideia de que a transgressão não levaria as pessoas à morte, mas sim, que
foi um ato egoísta de Deus para manter o homem em sujeição. Ao comer o fruto, de acordo com
a serpente, o homem seria igual a Deus.
 Há muitas interpretações acerca da tentação. Uns dizem que uma alegoria, outros dizem que é
um mito. Outros creem que a serpente citada não é um animal, mas um símbolo do pecado, ou de
Satanás.
 Mesmo com todas essas teorias, inclusive cridas por Karl Barth e outros, não tem base nenhuma,
simplesmente pelo fato de a Bíblia citar esse fato (Gn 3.1 – 7) como histórico e verídico, do
mesmo modo que todo o Gênesis é.
 Os próprios escritores bíblicos citam esse fato como histórico (Jó 31.33; Is 43.27; Rm
5.12,18,19; 2Co 11.3; 1Tm 2.14).
 O fato de a serpente ser de fato um animal também é comprovado pela Palavra (Gn 3.14,15;
2Co 11.3).
 A serpente foi um instrumento de Satanás, do mesmo jeito que foram usados homens e porcos
(Jo 8.44; Rm 16.20; 2Co 11.3; Ap 12.9).
 Não há explicação para a Queda, quando se trata do evolucionismo.
 O resultado imediato do primeiro pecado foi a depravação total da natureza humana (Gn 6.5; Sl 14.3;
Rm 7.18).
 “O contágio do seu pecado espalhou-se imediatamente pelo homem todo, não ficando sem ser tocada
nenhuma parte da sua natureza, mas contaminando todos os poderes e faculdades do corpo e da alma”
(Louis Berkhof).
 A comunhão com Deus mediante o Espírito Santo foi perdida por causa da queda (Ef 2.1,5,12; 4.18).
 Nasceu no homem uma consciência de corrupção e de culpa, representadas pela vergonha e temor de
Deus.
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 O homem não só recebeu a morte espiritual, mas, também, a morte física (Gn 3.19; Rm 5.12; 6.23).

PERGUNTAS:

- O decreto de Deus, que permitiu a entrada do pecado do mundo, faz dEle autor do pecado? Por quê?

- Como foi a origem do pecado na raça humana, e o que isto acarretou?

2- Caráter essencial do primeiro pecado:


 Teorias filosóficas a respeito da natureza do Mal:
 Teoria dualista (Filosofia grega): O mal teve o seu princípio na eternidade, e que, no homem, o
espírito representa o princípio do bem, e o corpo, do mal. Essa teoria “infiltrou-se” na Igreja
Primitiva pelo gnosticismo.
 Essa teoria não tem base filosófica, pelo fato de não haver lógica em crer que algo fora de Deus
seja eterno e independente de Sua vontade.
 Essa teoria tira o caráter ético do pecado, tirando consequentemente uma coisa totalmente
independente da vontade do homem, tirando assim a ideia do pecado.
 Ela tira a responsabilidade do homem, apresentando o pecado com uma necessidade ou
inevitabilidade física.
 O único modo de se livrar do pecado é se livrar do corpo, de acordo com o dualismo.
 Teoria de que o pecado é mera privação (Gottfried Leibniz): O homem é limitado, e o pecado é
consequência dessa limitação, fazendo do pecado um mal necessário.
 Teoria de que o pecado é uma ilusão (Bento de Espinoza): Se o homem tivesse o conhecimento
de Deus, ele saberia que o pecado não existe.
 Teoria de que o pecado é falta da consciência de Deus, pelo fato de a natureza humana estar
presa aos sentidos (Friedrich Schleiermacher): A consciência do pecado do homem depende da
sua consciência de Deus. “O mal estava presente no homem mesmo em seu estado original,
quando sua consciência de Deus não era suficientemente forte para dominar a natureza sensorial
do homem, presa aos sentidos” (Louis Berkhof).
 Essa teoria faz do pecado e a culpa como puramente subjetivos, e de crer que o pecador fica
menos pecador conforme vai enfraquecendo os seus sentidos, e de que o único redentor é a
morte, e de que os espíritos incorpóreos não têm pecado.
 Teoria do pecado como falta de confiança em Deus e como oposição ao Seu reino, devido à
ignorância (Friedrich Wilhelm Ritschl): Os que estão alienados à influência da religião cristã
não têm nenhum conhecimento do pecado. “O homem atribui a si próprio, como culpa, o seu
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fracasso em não conseguir tornar seu o propósito de Deus, mas Deus o considera como
ignorância e, porque ignorância, é perdoável” (Louis Berkhof).
 Teoria de que o pecado é egoísmo (Augustus Hopkins Strong): Egoísmo é a essência do
pecado.
 Teoria de que o pecado consiste na oposição das propensões inferiores da natureza humana a
uma consciência moral desenvolvida gradativamente: Essa teoria foi desenvolvida de acordo com
a teoria da evolução. “Os impulsos naturais e as qualidades herdadas, derivados dos animais
inferiores, compõem o material do pecado, mas não se tornam pecado concretamente enquanto
não forem tolerados contrariamente ao senso moral da humanidade em seu desenvolvimento
gradual” (Louis Berkhof).
 “O defeito radical dessas teorias todas é que procuram definir o pecado sem levar em
consideração que o pecado é essencialmente o abandono de Deus, a oposição a Deus e a
transgressão à lei de Deus” (Louis Berkhof).
 Ideia bíblica do pecado:
 Nem todo o mal é pecado.
 Por exemplo, o pecado é um mal, e a doença também é um mal.
 O pecado é o mal moral e ético.
 “O pecado é o resultado de uma escolha livre, porém má, do homem” (Louis Berkhof) (Gn 3.1 –
6; Is 48.8; Rm 1.18 – 32; 1Jo 3.4).
 Não há neutralidade entre o pecado e o bem ético e moral. Não há meio-termo. Não há condição
neutra entre ambos, ou seja, um pessoa pecadora não é uma pessoa menos boa, mas é mal, e a
pessoa boa não é menos pecadora, mas é boa (Tg 2.10).
 O pecado tem relação com Deus e sua vontade. O pecado é a transgressão das exigências da lei
de Deus, como, por exemplo, amor a Deus (1Jo 3.4).
 O pecado inclui a culpa (estado de merecimento da condenação; obrigação de satisfazer a justiça
, pagar a penalidade do pecado) (Rm 3.19; 5.18; Ef 2.3).
 O pecado inclui a corrupção (contaminação inerente a que todo pecador está sujeito) (Jr 17.9;
Rm 8.5 – 8).
 “Todo aquele que é culpado em Adão, em consequência também nasce com uma natureza
corrupta” (Louis Berkhof).
 De acordo com as Escrituras, o pecado reside no coração, ou seja, no órgão central da alma (lugar
onde todas as ações, motivações, vontades, etc., estão resididas).
 “Em seu estado pecaminoso, o homem completo é objeto de desprazer de Deus” (Louis Berkhof).
 O pecado não se resume apenas em atos manifestos, mas inclui também hábitos pecaminosos e a
condição pecaminosa da alma.
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 “O estado pecaminoso é a base dos hábitos pecaminosos, e estes se manifestam em ações


pecaminosas... As ações e as disposições pecaminosas do homem devem ser atribuídas a uma
natureza corrupta...” (Louis Berkhof).
 Concluindo, o pecado é a “falta de conformidade com a lei moral de Deus, em ato, disposição ou
estado” (Louis Berkhof).
 De acordo com o conceito pelagiano, o homem tem livre vontade de pecar ou não, sem nenhuma
consequência direta do pecado de Adão. O pecado original não existe.
 Embora os cânones e decretos do concílio de Trento sejam meio ambíguos sobre o pecado, o conceito
católico romano sobre o pecado é: O pecado consiste num ato consciente da vontade.

PERGUNTAS:

- Quais são as principais teorias filosóficas acerca do pecado? Qual o principal defeito delas?

- Exponha o ideal bíblico sobre o pecado.

- Quais são as divergências entre a visão bíblica e a visão pelagiana sobre o pecado?

3- Transmissão do pecado:
 A doutrina da transmissão do pecado começou com Irineu e Tertuliano, que criam que a condição
pecaminosa do homem é resultado da queda de Adão, mas, porém, a imputação do pecado de Adão a sua
descendência era desconhecida.
 A universalidade do pecado:
 Toda a história das religiões e da filosofia atesta a universalidade o pecado.
 A Bíblia contêm várias passagens que comprovam a universalidade do pecado (Sl 51.5; 143.2;
Pv 20.9; Ec 7.20; Rm 3.1 – 12; 1Jo 1.8,10).
 As crianças não escapam do pecado (Sl 51.5; Jo 3.3,5; 1Jo 5.12).
 Os pelagianos e os socianianos negam que haja alguma ligação entre a nossa pecaminosidade com o
pecado de Adão.
 Os semipelagianos e/ou arminianos creem que o homem herdou a incapacidade de Adão, porém, o
homem não é responsável por ela, fazendo, de certo modo, Deus sendo obrigado a prover cura para isso.
Os arminianos wesleyanos afirmam a culpa também, porém, o sistema doutrinário wesleyano faz dessa
afirmação uma brecha para rotulá-la de teologia mal fundamentada.
 A teologia da crise acredita que o pecado foi originado, não em Adão, mas em algo mais antigo.
 Teorias que explicam a relação entre o pecado de Adão e a corrupção da raça:
 Teoria realista: A natureza constitui de uma única unidade, não apenas genérica, mas
numericamente também. “Adão possuía a natureza humana completa, e nele ela se corrompeu,
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por ato de apostasia dela em Adão. Individualmente, os homens não são substâncias isoladas,
mas, sim, manifestações da mesma substância geral” (Louis Berkhof).
 Teoria da aliança das obras: Adão não era só chefe natural da humanidade, mas também chefe
representativo. Como chefe natural, Adão é o pai da humanidade. Como chefe representativo,
Adão representava toda a raça humana. Por causa de sua desobediência, toda a raça, representada
por ele, foi corrompida. “Em Seu reto juízo, Deus imputa a culpa do primeiro pecado, cometido
pelo chefe da aliança, a todos quantos se relacionam federalmente (representados por ele) com
ele” (Louis Berkhof).
 Teoria da imputação mediata: A raça humana herda de Adão a sua corrupção por um processo de
geração natural, e, por compartilharem da depravação de seu pai, são considerados culpados da
apostasia dele. Ou seja, o fato de o homem herdar a depravação de Adão faz com que a culpa do
pecado de Adão seja imputado nele. “Não nascem corruptos por que são culpados em Adão, mas
são considerados culpados porque são corruptos” (Louis Berkhof). Essa teoria não é muito
aceitável, pois, a depravação herdade já é consequência do pecado de Adão, e não pode ser
considerada como base sobre a qual são culpados do pecado de Adão. E, também, ela parte do
pressuposto de que é possível haver corrupção que não é culpa, como se a corrupção não tornasse
a pessoa passível de punição.

PERGUNTAS:

- Explique, com suas palavras, a universalidade do pecado.

- Explique as teorias sobre a relação entre o pecado original e a corrupção da raça. Exponha seu
ponto de vista sobre elas.

4- Pecado no homem:
 O pecado original é assim chamado porque: é derivado da raiz original da raça; está presente na vida de
todo o indivíduo, desde o nascimento, não sendo resultado de imitação.
 Há duas visões no começo da história da doutrina do pecado original: Igreja grega (há uma certa
corrupção física, porém, não constitui pecado e não envolve culpa); igreja latina (apareceu,
principalmente, com Tertuliano, e essa igreja pregava que o pecado original é uma mancha ou corrupção
hereditária e pecaminosa, que não excluía a presença de algum bem).
 Elementos do pecado original:
 Culpa original: Expressão da relação entre o pecado e a justiça, ou penalidade da lei.
 Podemos falar sobre a culpa em dois sentidos, a saber, réu convicto e réu passível de condenação.
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 Réu convicto: O pecado não pode ser perdoado, é um ato que não merece o perdão. Essa
culpa não é tirada pela justificação. Pode se dizer que é a culpa por ter feito ou fazer algo que
é essencialmente mal.
 Réu passível de condenação: O pecado acarreta no merecimento de punição, ou necessidade
de satisfazer a justiça divina. Essa culpa tem a ver com a Lei, pela condenação, não com a
essência do pecado. O pecado não pune diretamente, mas a Lei sim. Neste caso, essa culpa
pode ser removida pela satisfação dessa justiça. A justificação de Cristo remove essa culpa
dos eleitos.
 Corrupção original: Inclui a ausência da justiça original e a presença do mal. A corrupção não é
uma mudança substancial no homem nem uma mera privação. A corrupção original pode ser
mais bem explicada por duas perspectivas:
 Depravação total: Nome dado à corrupção herdada. Isso não quer dizer que todo o homem é
tão depravado como poderia chegar a ser, nem que ele não tem conhecimento dEle, nem que
admira atos bons, nem que todos os pecadores não regenerados se entregam a todo o tipo de
pecado. A depravação total indica que a corrupção inerente abrange todas as partes da
natureza do homem, que não há bem espiritual no pecador, mas somente perversão perante
Deus (Jo 5.42; Rm 7.18; 8.7).
 Incapacidade total: O homem pode fazer o bem natural, civil, religioso, porém, os
sentimentos e atos, considerados em relação a Deus, são defeituosos, pois, não são motivados
pelo amor a Deus, nem pelo fato de ser exigência de Deus. Quando dizemos “incapacidade
total”, queremos dizer que o pecador não regenerado é incapaz de fazer qualquer ato que
obtenha a aprovação de Deus, e que ele não pode mudar sua preferência pelo pecado. Ele é
incapaz de fazer qualquer bem espiritual (Jo 3.5; 6.44; 8.34; Rm 7.18; 8.7,8; 1Co 2.14;
2Co 3.5; Ef 2.1,8,9).
 Há outras visões sobre a corrupção original, como por exemplo, o pelagianismo, que não crê
na corrupção herdada de Adão. Logicamente que não há base bíblica nenhuma pra isso.
 O homem perdeu o livre arbítrio, porém, não a livre agência. Ele continua sendo um ser moral, com
capacidade de adquirir conhecimento, sentir e reconhecer distinções e obrigações morais,
espontaneidade de seus afetos, tendências e ações, recusando ou não segundo lhe pareça conveniente.
Porém, o homem perdeu a capacidade de desejar e fazer o bem espiritual. “O homem tem, por sua
natureza, uma irresistível inclinação para o mal” (Louis Berkhof). Essa teoria é totalmente oposta ao
pelagianismo.
 Para a teologia da crise, nome dado à teologia de Karl Barth, a doutrina do pecado original é inexistente,
porque, para ele, o pecado não é um estado, é um ato.
 Essa doutrina não é incoerente com a obrigação moral e não retira os motivos para o esforço (exemplo
do fazendeiro que não quer semear porque sabe que não vai crescer).
52

 O pecado original é o pecado de Adão, representante de toda a raça humana, que corrompeu toda a raça
humana, tornando-a sujeita a punição de Deus.
 “Aos olhos de Deus, o pecado de Adão foi o pecado de todos os seus descendentes, de modo que eles
nascem como pecadores, isto é, num estado de culpa e numa condição corrupta. O pecado original tanto
é um estado quanto uma qualidade inerente à corrupção do homem. Todo o homem é culpado em Adão
e, consequentemente, nasce com uma natureza depravada e corrupta” (Louis Berkhof).
 O pecado fatual é qualquer ato, pensamento, emoção, etc. que decorrem do pecado original, que estejam
em desacordo com a Lei de Deus. O pecado original é somente um. Os pecados fatuais são inúmeros.
 Há vários modos de classificação dos pecados fatuais: pecados mortais e veniais (usada, de um modo
assumidamente perigoso, pelos católicos, baseando-se em Gl 5.21); pecados cometidos por atrevimento
e pecados cometidos por ignorância (distinção usada no Antigo Testamento).
 A Bíblia apresenta um pecado sem perdão (Mt 12.31,32; 1Jo 5.16):
 Existem várias opiniões sobre esse tal pecado imperdoável: Jerônimo e Crisóstomo acreditavam
que esse pecado era acreditar que Cristo agia por demônios, como 1Jo 5.16 prova que não há
fundamento, pela carta ser escrita depois da estadia de Cristo na Terra; Agostinho, seguidores
luteranos de Melanchton e poucos teólogos escoceses acreditavam que esse pecado era recusar
Cristo até o fim, porém, a Escritura coloca esse pecado como algo muito específico, como um
pecado sem perdão de fato.
 Existem vários tipos de pecado contra o Espírito Santo, e são perdoáveis (Ef 4.30), porém, a
Bíblia fala desse pecado imperdoável como “falar contra o Espírito Santo” (Mt 12.32). “O
pecado consiste na rejeição e calúnia consciente, maldosa e voluntária, e isso contra as evidências
e respectiva convicção do testemunho do Espírito Santo a respeito da graça de Deus em Cristo,
atribuindo-o, por ódio ou inimizade, ao príncipe das trevas” (Louis Berkhof). Com esse pecado, o
homem declara que o Espírito Santo é maligno, que Cristo é satanás, etc.

PERGUNTAS:

- Explique sobre o pecado original, e exponha mais especificamente sobre a culpa original,
incapacidade total e depravação total.

- Qual a diferença entre pecado fatual e original?

- Qual, em sua opinião, é o pecado sem perdão?

5- Punição do pecado:
 Há duas formas de punição pelo pecado: penalidade natural e positiva.
53

 As penalidades naturais são resultados naturais do pecado, como por exemplo, a pobreza para o
preguiçoso, ou a vergonha para o assassino. Para essas, não há meios para se salvar, nem pelo
arrependimento e perdão, que podem até abrandar, mas não eliminar.
 As penalidades positivas são punições pela desobediência da Lei do grande Legislador.
 A punição pela desobediência da Lei não é consequência natural do pecado. Esses versículos (Lv 26.21;
Nm 15.31) mostram que Deus instituiu punições especificamente para a desobediência da Lei.
 A punição é a dor e/ou perda infligida direta ou indiretamente por Deus pela violação de Sua Lei.
 Há três conceitos importantes a respeito do propósito da punição:
 Vindicar a retidão ou justiça divina: “Se a justiça é um atributo de Deus, então o pecado tem que
receber o que lhe é devido, que é a punição” (François Turretini) (Dt 32.4; Jó 34.10,11; Sl 62.12;
Sl 119.137).
 A Lei reivindica cumprimento da justiça, ou seja, punição pelo transgressor da mesma.
 “A santidade de Deus reage necessariamente contra o pecado, e esta reação se manifesta na
punição do pecado” (Louis Berkhof).
 Há, hoje em dia, dois outros conceitos que são totalmente antibíblicos: A punição serve para
reformar o pecador; a punição serve para proteger os que estão ao redor do punido de influência
pecaminosa.
 A punição só serve para reformar quando a pessoa punida é “Seu povo” (Sl 94.12; Ap 3.19; Hb
12.5 – 8).
 Não há cumprimento de justiça em punir somente com o objetivo de fazer um bem para a
sociedade, a fim de proteger os outros dessa influência.
 O pecado nos trás a morte (espiritual e física) (Rm 5.12; 6.23).
 Morte espiritual: “O pecado separa de Deus o homem, e isso quer dizer morte, pois é só na
comunhão com o Deus vivo que o homem que o homem pode viver de verdade” (Louis
Berkhof).
 “A morte espiritual significa, não somente culpa, mas também corrupção. O pecado é sempre
uma influência corruptora na vida, e isso é parte da nossa morte... Essa impureza se manifesta em
nossos pensamentos, em nossas palavras e em nossas orações... E se não fosse a influência
restringente da graça comum de Deus, tornaria a vida social inteiramente impossível” (Louis
Berkhof).
 Sofrimentos da vida: O homem está sujeito a fraquezas, doenças, desconfortos e agonias. Sua
vida mental está sujeita a perturbações, angústias.
 “Sua própria alma veio a ser um campo de batalha de pensamentos, paixões e desejos
conflitantes. A vontade se recusa a seguir o julgamento do intelecto, e as paixões se mantinham,
sem o controle de uma vontade inteligente. A verdadeira harmonia da vida se acha num estado de
dissolução que frequentemente leva consigo os sofrimentos mais pungentes. E não só isso, mas,
54

com o homem e por causa dele, toda a criação ficou sujeita à vaidade e à escravidão da
corrupção” (Louis Berkhof).
 Morte física: Separação entre corpo e alma também é consequência do pecado (Gn 3.19).
 Morte eterna: Pode ser considerada a consumação da morte espiritual. “O peso total da ira de
Deus desce sobre os condenados, e isto significa morte no sentido mais terrível da palavra. A
condenação eterna deles é levada a corresponder ao estado interno de suas ímpias almas”.

PERGUNTAS:

- Quais são as duas formas de punição pelo pecado? Explique-as.

- Quais são os três conceitos mais importantes acerca do propósito da punição? Qual destes está de acordo
com os ensinos bíblicos?

- O que faz parte dessa punição?

f- Aliança da graça:

1- Conceito da aliança da graça:


 Uma aliança é um pacto ou acordo entre duas partes ou mais. As alianças do homem com Deus são
instituídas somente por Deus.
 “Ele estipula as Suas exigências e outorga as suas promessas, e o homem assume os seus deveres assim
impostos a ele e, desta maneira, herda as bênçãos divinas” (Louis Berkhof).
 A aliança das obras não pode ser satisfeita, mas a aliança da graça pode ser satisfeita pelo homem
somente pela influência regeneradora e santificante do Espírito Santo.
 A aliança da graça é chamada assim porque é a revelação única da graça de Deus, e porque o homem
recebe bênçãos como dádivas da graça divina.

PERGUNTAS:

- O que é aliança?

- O que é aliança da graça?

2- Aliança da redenção:
 Há duas principais visões em relação às partes da aliança da graça: Deus trino e o homem; Deus o Pai
representando a Trindade, e o Filho representando os eleitos (visão aceita por Abraham Kuyper).
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 A visão mais aceita, porém, é: há duas alianças a serem distinguidas, a saber, a aliança da redenção
(pactum salutis) (entre o Filho e o Pai), e, baseando-se nesta, a aliança da graça (entre Deus e os eleitos)
(Rm 5.12 – 21) (visão aceita por Charles Hodge, William Greenough Thaye Shedd, François Turretini,
Gerhardus Vos, Herman Bavinck, etc.).
 Devemos atentar para o que William Greenough Thaye Shedd disse em relação a essa visão: “Apesar
desta distinção ser favorecida pelas afirmações bíblicas, não se segue que há duas alianças separadas e
independentes, em antítese à aliança das obras. A aliança da graça e a da redenção são dois modos ou
duas fases da única aliança evangélica da misericórdia”.
 Há várias bases bíblicas para a aliança da redenção (Ef 1.4; 3.11; 2Ts 2.13; 2Tm 1.9; Tg 2.5; 1Pe 1.2;
várias outras passagens de João, etc.).
 Na redenção, há certa divisão de trabalho na Trindade: O Pai é o originador; O Filho é o executor; O
Espírito Santo é o aplicador.
 Há passagens bíblicas comprovando que houve uma aliança na Trindade (Jo 5.30; 43; 6.38 – 40; 17.4 –
12).
 A posição oficial de Cristo na Aliança:
 A posição de Cristo na Aliança é dupla: como Fiador ou Penhor (Hb 7.22) (aquele que se faz
responsável pelo cumprimento das obrigações legais de outra pessoa); como Chefe da aliança,
semelhantemente a Adão, o representante de todos quantos o Pai Lhe deu.
 “Na aliança da redenção, Cristo se encarregou de expiar os pecados de Seu povo, sofrendo
pessoalmente a punição necessária” (Louis Berkhof, acerca da posição de Fiador).
 Há duas visões diferentes acerca da posição de Fiador de Cristo: como fidejussor ou expromissor.
 A posição de fidejussor é o fiador que se encarrega de pagar uma dívida, já que esta não paga o
que deve (condicional).
 A posição de expromissor é o fiador que “se encarrega incondicionalmente de pagar por outrem,
livrando imediatamente a parte culpada da sua responsabilidade” (Louis Berkhof).
 A segunda posição é a mais coerente e bíblica, pois, a primeira retira da obra da justificação o
caráter absoluto, e também, leva em conta que o que Cristo fez na cruz não estava consumado,
mas se consumando.
 Para Cristo, a aliança da graça não foi, de fato, da graça, mas sim, das obras, porque Ele sofreu a
condenação justa dos que participariam da aliança da graça, ou seja, dos eleitos.
 A redenção não é a eleição em si, mas se refere ao modo e aos meios pelos quais a graça e a glória são
preparadas para os pecadores.
 A eleição limita a obra da expiação, não pelo poder limitado, mas pela onipotência e soberania de Deus,
baseando-se em Seu Decreto.
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 Cristo cumpriu os sacramentos, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, não por uma necessidade
em si, mas como cumprimento da Lei, e como selo das promessas que o Pai fizera ao Filho, de acordo
com os textos messiânicos do Antigo Testamento.
 Requisitos e promessas na Aliança da Redenção:
 “O Pai exigiu do Filho que comparecesse nesta aliança como Fiador e Chefe do Seu povo, e
como último Adão, para que fizesse correções pelo pecado de Adão, e dos que o Pai lhe dera, e
fizesse o que Adão deixou de fazer, guardando a lei e, assim, garantindo a vida eterna a toda a
sua progênie espiritual” (Louis Berkhof).
 Era requisito que Jesus assumisse a natureza humana nascendo de uma mulher, adentrando às
relações temporais, assumindo esta natureza com as devidas fraquezas, porém, sem pecado (Hb
2.10,11,14,15; 4.15).
 Era requisito que o Filho se colocasse, não apenas debaixo da lei em sua relação natural, mas
também em relação penal e federal, a fim de pagar a penalidade pelo pecado e merecesse a vida
eterna dos eleitos (Fp 2.6 – 8).
 Era requisito que o Filho, após merecer o perdão dos pecados e a vida eterna para os eleitos,
aplicasse a eles o perdão completo e a renovação das suas vidas pela operação do Espírito Santo
(Hb 2.10 – 13; 7.25).
 As promessas para que a aliança pudesse ser feita foram: Que Deus prepararia um corpo para o
Filho, pela ação imediata, sem contaminação pelo pecado (Lc 1.35; Hb 10.5); Que Deus dotaria
o corpo com os dons e graças necessários para a realização da Sua tarefa (Is 42.1,2; 61.1; Jo
3.31); Que Deus apoiaria na realização da obra da redenção, livrando Cristo do poder da morte, e
habilitando-O a destruir os domínios do diabo, estabelecendo, assim, o Reino de Deus (Is 42.1 –
7; 49.8); Que Deus capacitaria o Filho a enviar o Espírito Santo para a formação, instrução,
direção e proteção de Sua Igreja (Jo 14.26; 15.26; 16.13,14; At 2.33); Que Deus daria uma
numerosa recompensa pela obra consumada do Filho, de modo que o reino do Messias
abrangeria o povo de todas as nações e línguas (Sl 22.27); Que Deus daria ao Filho todo o poder,
no céu e na terra, pra o governo do mundo e de Seu povo (Mt 28.18; Ef 1.20 – 22; Fp 2.9 – 11;
Hb 2.5 – 9).
 Relação da Aliança da redenção com a Aliança da graça:
 A aliança da redenção foi o marco inicial para a aliança da graça, ou seja, a aliança da redenção
foi consumada, e a aliança da graça é eterna.
 A aliança da redenção é o fundamento da aliança da graça, pois, sem a primeira, a outra não
poderia existir.
 “... o conselho de redenção também dá eficácia à aliança da graça, pois naquele são
providenciados os meios para o estabelecimento e a execução desta” (Louis Berkhof).
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 Aliança da redenção é “o acordo entre o Pai, dando o Filho como o Chefe e Redentor dos eleitos, e o
Filho, tomando voluntariamente o lugar dos que lhe foram dados pelo Pai” (Louis Berkhof).

PERGUNTAS:

- Quais as três principais visões em relação às partes da aliança da graça? Quais é a mais completa?

- Exponha a posição oficial de Cristo na Aliança da Redenção. Explique as duas opções de Fiador, e qual é a
mais coerente com a Escritura, e por quê.

- Qual é a relação da redenção com a eleição?

- Fale sobre os requisitos e as promessas da Aliança da Redenção.

3- Natureza da Aliança da graça:


 Semelhanças da Aliança da graça com a Aliança das obras:
 O autor das duas é Deus.
 As partes contrastantes são as mesmas nas duas alianças: Deus e o homem.
 As duas contêm condição e promessa.
 As duas também contêm a vida eterna.
 Tanto as duas alianças quanto tudo o que existe tem o objetivo geral comum: A glória de Deus.
 Diferenças da Aliança da graça com a Aliança das obras:
 Na Aliança das obras, Deus aparece como Criador e Senhor; na da graça, Deus aparece como
Redentor e Pai.
 Na Aliança das obras, o homem começa como um ser que tem um relacionamento correto com
Deus, e na aliança da graça, o homem começa como um pecador totalmente depravado, e que só
pode ir a Deus por meio de Jesus Cristo, o Fiador.
 A Aliança das obras dependia da obediência incerta do homem inconstante, e a Aliança da graça
depende unicamente da obediência de Cristo como mediador.
 Na Aliança das obras, a obediência à Lei é o caminho para a vida, e na Aliança da graça, só a fé
em Jesus Cristo que pode nos proporcionar vida eterna.
 A Aliança das obras é parcialmente e universalmente conhecida naturalmente, pois a Lei de Deus
foi escrita no coração do homem, porém, a Aliança da graça é conhecida somente pela revelação
especial, a saber, a Palavra de Deus escrita.
 O próprio Deus que determina como que a segunda parte contratante da Aliança manterá relação com
Ele.
58

 Deus é revelado na Aliança da graça tanto como um Deus soberano e bondoso quanto como um Pai
misericordioso e perdoador.
 Quando Deus estabeleceu aliança com Abraão, Ele limitou sua abrangência a Abraão e sua semente.
 Há posições importantes sobre a abrangência da aliança da graça, como por exemplo: não tem limitação;
abrange exatamente à semente inteira de Abraão e aos crentes.
 A posição mais coesa com o ensino bíblico é esta: que Deus estabeleceu aliança com “todos os que
Deus, da multidão de perdidos, decretou adotar pela graça como filhos, e dotar de fé” (Gaspar Oleviano,
coautor do Catecismo de Heidelberg), ou seja, expiação limitada pela eleição incondicional (posição
defendida por vários teólogos importantes, como por exemplo, João Calvino, Martinho Lutero, Santo
Agostinho, John Owen, George Whitefield, François Turretini, Abraham Kuyper, Herman Bavinck,
Charles Hodge, Arthur Pink, Paul Washer, John Piper, Mark Driscoll, etc.).
 Os escritos de Gênesis sobre Abraão e a Aliança são corretamente interpretados por Paulo, que diz que
nós somos filhos da promessa, como Isaque, não no sentido de ser semente de Abraão diretamente
falando, mas fruto da obra divina de Deus, por escolha incondicional (Rm 9.8; Gl 4.28).
 Os reformados focaram nesta característica da redenção para combater o erro dos arminianos e
pelagianos, em criar uma espécie de “segunda aliança das obras”.
 “... a teologia reformada via a aliança... como expressão de bênçãos dadas gratuitamente, de privilégios
utilizados pela graça de Deus para fins espirituais, de promessas aceitas por uma fé que é dom de Deus, e
de um bem efetuado, pelo menos em princípio, mediante a operação do Espírito Santo no coração”
(Louis Berkhof).
 A aliança da graça é “o acordo feito, com base na graça, entre o Deus ofendido e o pecador ofensor,
porém eleito, no qual Deus promete a salvação mediante a fé em Cristo, e o pecador a aceita
confiantemente, prometendo uma vida de fé e obediência” (Louis Berkhof).
 A promessa principal da aliança da graça é essa: “Serei Deus para ti e para a tua semente, depois de ti”
(Gn 17.7). Essa promessa só será de fato plenamente cumprida na Nova Jerusalém.
 Esta promessa inclui outras: bênçãos temporais; adoção de filhos e vida eterna; Espirito Santo para a
aplicação da obra da redenção e das bênçãos da salvação; glorificação final (Sl 16.11; 73.24 – 26; Is
43.25; Jr 31.33,34; Ez 36.27; Dn 12.2,3; Gl 4.5,6; Tt 3.7; Hb 11.7; Tg 2.5).
 A resposta do homem que participa da aliança em relação às promessas deve ser: com amor verdadeiro,
fiel, confiante, consagrado e devotado; do mesmo jeito que a promessa diz “Serei o teu Deus”, o homem
responde “pertencerei ao Teu povo”; o homem responde com fé salvadora, confiança, obediência e
consagração, em relação à justificação, adoção e vida eterna.
 Características da Aliança da graça:
 É uma aliança caracterizada pela graça = Porque Deus permite que um Fiador cumpra nossas
obrigações perante a Lei divina; porque Ele mesmo provê o Fiador na pessoa do próprio Filho,
que satisfaz as exigências da justiça; porque Ele, pela graça manifesta na operação do Espírito
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Santo, capacita o homem a cumprir as responsabilidades da Sua Aliança, a saber, arrependimento


e fé em Cristo.
 É uma aliança trinitária = “Ela tem sua origem no eletivo amor e graça do Pai, encontra seu
fundamento jurídico no ofício de Fiador exercido pelo Filho, e só se realiza plenamente nas vidas
dos pecadores pela eficaz aplicação feita pelo Espírito Santo” (Louis Berkhof) (Ef 1.1 – 14; 2.8;
1Pe 1.2).
 É uma aliança particular, não universal = A aliança não atingirá todos os homens, e Deus não
teve a intenção de que todos os homens fossem salvos (Jo 10.4,5,14,15,26 – 29).
 A aliança da graça abrange as duas dispensações, a saber, o Velho e o Novo Testamento = Os
pelagianos são contra essa ideia. Os católicos creem que os do Velho Testamento foram para o
Limbus patrum (Limbo dos pais), até Cristo os tirar de lá.
 A expressão sumária da aliança é a mesma na Bíblia inteira (“Eu serei o seu Deus”).
 Essa expressão se encontra na aliança com Abraão (Gn 17.7), na aliança sináitica (Ex
19.5; 20.1,2); na aliança proclamada nas planícies de Moabe (Dt 29.13); na aliança
davídica (2Sm 7.14); na nova aliança (Jr 31.33; Hb 8.10).
 A Lei nem nada alterou a aliança, pois, de acordo com Paulo, a aliança permanece a
mesma desde Abraão (Rm 4; Gl 3).
 Só Cristo pode nos trazer salvação, tanto hoje, como antes, como eternamente (Hb 13.8;
Jo 14.6; At 4.12). A semente prometida a Abraão é Cristo (Gl 3.16 – 29).
 A aliança é incondicional no sentido se não envolver nenhuma condição meritória por
parte do homem. O que se exige que o homem faça é feito pela influência irresistível do
Espírito Santo, porque é Deus que exerce no homem tanto o querer quanto o efetuar.
 A aliança é condicional no sentido de depender de um Fiador, e isso já foi satisfeito, a
saber, em Cristo.
 A aliança, num certo sentido, também pode ser chamada de testamento (uma declaração
absoluta e desconhece condições) (Hb 9.16,17).
 Cristo, em relação a aliança, é o Mediador: Ele intervém entre Deus e o homem, não apenas para pedir
paz e persuadir a isto, mas para fazer de tudo para estabelecer a paz entre as partes (Rm 5.2; Hb 7.22;
8.6; 9.15; 12.24; 1Tm 2.5).
 Essa relação envolve tanto o pagamento da fiança quanto o de dar direito ao livre acesso ao Pai.

PERGUNTAS:

- Quais são as semelhanças e as diferenças entre a aliança da graça e da aliança das obras?

- O que dizer sobre a abrangência da aliança da graça?

- Comente sobre as características da aliança da graça.


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4- O aspecto duplo da aliança:


 A aliança externa é uma aliança na qual a posição da pessoa depende da realização de certos deveres
religiosos, e a interna, é a que não depende dessas demonstrações externas religiosas.
 Não se deve rotular a aliança da graça como externa ou interna, mas há um aspecto interno e outro
externo nela.
 Os que cumprem com os deveres religiosos da Aliança da graça (obediência, sacramentos, etc.) sem ser
verdadeiramente espirituais e de coração, não participam desta aliança, ou seja, a Aliança da graça
depende tanto de seu aspecto interno quanto do externo.
 Geerhardus Vos separa os dois aspectos da aliança como: uma relação; um lado moral.
 “Pode-se considerar a aliança como um acordo entre duas partes, com condições e estipulações mútuas,
e, portanto, como algo pertencente à esfera legal” (Louis Berkhof).
 Esses dois aspectos são simultâneos. A relação legal (externa) e a relação de cunho moral.
 A participação dos adultos na aliança se dá voluntariamente, pela fé e confissão, que só são possíveis
pelo Espírito Santo.
 Sobre a participação dos filhos dos crentes na aliança, as promessas de Deus são dadas à semente dos
crentes coletivamente, porém, isto não significa que Ele dotará de fé salvadora cada um dos filhos, como
diz em Rm 9.6 – 8 (“... Nem todos os de Israel são, de fato, israelitas”). Nem todos os filhos dos crentes
são filhos da promessa.
 Em todas as pessoas, são necessárias a regeneração e a conversão.
 Herman Bavinck citou algo muito interessante sobre os filhos dos crentes: que eles estão na aliança (in
foedere), mas não são da aliança (de foedere).

PERGUNTAS:

- Sobre o aspecto duplo da aliança, o que você entende sobre isso?

- Como uma pessoa pode participar da aliança? E da salvação?

5- Diferentes dispensações da aliança:


 Diferentes conceitos sobre dispensações:
 Conceito dispensacionalista:
 O maior teólogo dispensacionalista foi Scofield, que disse que “uma dispensação é um
período de tempo durante o qual o homem é provado quanto à obediência a alguma
61

revelação específica da vontade de Deus”, e também disse “cada dispensação pode ser
considerada como uma nova prova do homem natural, e cada uma delas terminam em
juízo – assinalando o seu fracasso”.
 Em geral, os dispensacionalistas creem que há sete dispensações.
 Essa teoria é totalmente antibíblica, pois, na Bíblia a palavra “dispensação” (oikonomia)
indica mordomia, disposição ou uma administração, não um período de prova ou de
experiência.
 Essa teoria também diz que o homem está em constante prova, sendo que a Palavra de
Deus diz claramente que o homem está em total fracasso, totalmente incapaz de obedecer
a Deus, dependendo sempre da graça.
 Teoria das três dispensações:
 Essa teoria é baseada na descrição de Irineu, que falava em três alianças: a caracterizada
pela lei escrita no coração; pela lei como mandamento externo dado no Sinai; pela lei
restabelecida no coração pela operação do Espírito Santo.
 Havia várias diferenças em relação à administração da aliança antes e depois da Lei: na
manifestação da graça (antes da Lei é mais intensa); O caráter espiritual das bênçãos (os
da época patriarcal tinham um entendimento mais “eterno” das bênçãos); a universalidade
da aliança (os depois da lei acabaram esquecendo-se da promessa a Abraão sobre a
abrangência de sua semente, que acabaram recuperando esse entendimento com os
profetas).
 Havia, também, várias semelhanças em relação da aliança antes e depois da Lei: Na
apresentação do Messias como semente futura; na prefiguração do Redentor por vir em
cerimônias e tipos; a carreira terrena do povo da aliança prefigurando as vicissitudes
(mudanças) dos eleitos.
 A visão bíblica, porém, é a teoria das duas dispensações.
 Dispensação do Antigo Testamento:
 Primeira revelação da aliança:
 A primeira revelação da aliança se acha em Gn 3.15, também chamada de
protoevangelho. Essa passagem num revela a aliança em si, mas a essência da aliança.
 Ao acionar a aliança, Deus mudou a amizade dos homens com o diabo em inimizade, por
meio de Sua graça regeneradora. Ele precisou agir para mudar a situação do homem.
 Essa inimizade do homem com o diabo continuaria até o diabo ser totalmente derrotado.
 A picada da serpente na mulher fará a mulher sofrer, porém, esse ataque da serpente
colocaria em perigo sua própria cabeça, e, de fato, foi isso que foi consumado em Cristo.
 Aliança com Noé:
62

 A aliança com Noé (Gn 9.11 – 17) tem como sua principal característica a bênção natural
(proteção, governo da natureza, etc.).
 A aliança com Noé apresenta pontos diferentes da aliança da graça: a aliança da graça
pertence não exclusiva, mas primariamente a bênçãos espirituais, enquanto a com Noé só
garante bênçãos terrenas e temporais; A aliança da graça não é universal, e a com Noé é.
 Também apresentam semelhanças: As duas alianças apresentam a graça, pois, o homem
não merece nem bênçãos temporais e naturais; A aliança com Noé repousa na aliança da
graça, pelo fato de Noé participar da aliança da graça (Gn 6.9; 7.1; 9.9,26,27); Ele
também faz parte, é um apêndice da aliança da graça, simplesmente pelo fato de as
bênçãos terrenas e temporais fazerem parte da aliança da graça (Gn 3.16 – 19).
 Aliança com Abraão:
 A aliança com Abraão é a revelação veterotestamentária da aliança da graça. Nela, a
aliança da graça foi formalmente estabelecida. Gn 3.15 revela os elementos essenciais da
aliança, porém, ela é só estabelecida em Gn 17.
 A administração da aliança teve seu inicio com Abraão, e o homem passou a ter a
responsabilidade de responder à aliança com fé nas promessas de Deus.
 As bênçãos espirituais passaram a ser mais palpáveis na aliança com Abraão, e a melhor
exposição dessa aliança está em Rm 3, 4; Gl 3.
 Baseando-se nas passagens citadas anteriormente, também se percebe que as bênçãos
temporais referem-se às bênçãos espirituais num certo sentido. Elas prefiguram as
espirituais.
 Muitos chamam Abraão de chefe da aliança da graça, mas este não pode sê-lo em todos os
sentidos, pois, a ação em relação à aliança de Abraão não incluía todos os que iria
procedê-lo. O chefe a aliança da graça é Jesus Cristo.
 Abraão pode ser chamado de chefe não no sentido representativo, mas no sentido de que a
aliança foi formalmente estabelecida com ele.
 Essa aliança com Abraão é a revelação mais “transparente” da aliança da graça, pois, a
aliança seguinte, a sináitica, meio que “eclipsou” o real caráter da aliança da graça, com
todos os tipos de cerimonias e formas externas.
 Aliança sináitica:
 Essa aliança centraliza a Jerusalém terrena, diferentemente da aliança abraâmica.
 Ela não é totalmente diferente da abraâmica, mas está debaixo desta, pois, de acordo com
Sl 105.8 – 10, a aliança abraâmica é eterna.
 Se aliança fosse, de fato, uma aliança das obras, então, certamente, seria uma maldição
para Israel.
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 A aliança sináitica envolvia, não só a religião judaica, mas o estado judaico em si. Não
havia excomunhão, mas exclusão por morte.
 A lei não servia para renovar a aliança das obras, mas para aumentar a consciência do
pecado (Rm 3.20; 4.15; Gl 3.19) e ser um preceptor (o que dá instruções ou preceitos)
que conduz a Cristo (Gl 3.24).
 Toda a “liturgia” da Lei, as cerimônias, ordens, etc., aparecem sob dois aspectos: tudo
como exigências de Deus impostas ao povo; mensagem divina de salvação dirigida ao
povo. Porém, o povo israelita só focou no primeiro aspecto.
 A Lei assumia três aspectos: lei moral, lei civil e lei cerimonial.
 Dispensação do Novo Testamento:
 A aliança da graça revelada no Novo Testamento é essencialmente a mesma do Velho
Testamento (Rm 4; Gl 3).
 A aliança da graça era originalmente universal, porém, na revelação veterotestamentária, era
particular ao povo judeu, mas passou a ser de fato universal no Novo Testamento. Mesmo no
Velho Testamento, os gentios podiam unir-se ao povo de Israel, porém, hoje, não há mais
necessidade disso.
 A dispensação do Novo Testamento dá infinita ênfase à graça, que caracteriza a aliança. Não
quer dizer que a graça não era característica na aliança sináitica, mas foi mais enfatizada no Novo
Testamento.
 Em 2Co 3, Paulo não quis dizer que a lei era aliança das obras, mas pensava particularmente em
como era entendido pelos judeus na época, que fizeram da aliança sináitica uma aliança das
obras.
 As bênçãos dadas na dispensação do Novo Testamento são muito mais ricas, pois a revelação da
graça de Deus chegou a seu “clímax” com a encarnação do Verbo.

PERGUNTAS:

- Explique resumidamente os dois conceitos errôneos sobre as dispensações da aliança da graça.

- Explique detalhadamente a dispensação do Antigo e do Novo Testamento.

5- Cristologia:
a- Mudanças históricas na Cristologia:
 A cristologia é uma resposta à antropologia, ou seja, a cristologia é uma ponte nesse abismo do pecado,
que é exposto pela antropologia. O homem é totalmente pecador e depravado, e há uma distância enorme
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entre ele e Deus, e Cristo, em resposta disso, cria essa mediação entre Deus e o homem através da obra
consumada na cruz.
 Doutrina de Cristo até o concílio da Calcedônia:
 O concílio da Calcedônia foi um concílio no ano de 451 DC que refutou a doutrina pregada por
Eutiques, a saber, o monofisismo (Cristo apresenta apenas uma natureza).
 Na literatura cristã desta época, Cristo sobressai como humano e como divino (Filho do homem e
Filho de Deus), como homem sem pecado, e o único e legítimo “objeto de culto”.
 Parte dos ebionitas (tipo de seita judaizante do cristianismo, cria que os cristãos tinham que
seguir as leis cerimonial e civil) passou a receber certa influência para crer na não divindade de
Cristo, considerando-O como homem simples, filho de José e Maria, e qualificado para ser o
Messias em Seu batismo, pela descida do Espírito Santo.
 Os alogianos rejeitavam os escritos de João porque criam que a doutrina joanina do Logos está
em conflito com o resto das Escrituras, e, por causa dessa crença, acabavam por ver Jesus apenas
como um homem, miraculosamente nascido de uma virgem, e que o Messias desceu
miraculosamente sobre Jesus no batismo, dando a Ele poderes sobrenaturais.
 Os monarquistas dinâmicos, representados por Paulo de Samósata, têm sua cristologia
semelhante aos alogianos.
 Devido a todas essas heresias e mais muitas outras, a defesa da doutrina da divindade de Cristo
foi de suma importância para os apologetas desta época.
 Havia os que “sacrificavam” a divindade pela humanidade de Cristo, e havia outros que faziam o
inverso, como os gnósticos. Eles foram fortemente influenciados pelo dualismo da filosofia
grega, e não criam que a divindade poderia se misturar com a matéria. Os monarquistas
modalistas também negavam a humanidade de Cristo.
 Os pais alexandrinos, por defenderem tanto a divindade de Cristo, acabaram caindo no erro da
subordinação da divindade, principalmente com Orígenes. Esse erro deu origem ao arianismo
(negação da consubstancialidade de Deus Pai e Jesus Cristo).
 Atanásio foi totalmente contra, sendo que o arianismo foi oficialmente rejeitado no concílio de
Nicéia, em 325 DC.
 Nasceu também o semi-arianismo, que declarava que a essência do Filho é semelhante à do Pai.
 A visão de Apolinário, que adotava a tricotomia grega, era de que o Logos tinha assumido o
lugar do espírito em Jesus, só que esta visão nega a total humanidade de Cristo, e foi rejeitada no
concílio de Constantinopla em 381.
 Em outro extremo, Theodoro de Mopsuéstia e Nestório defendiam a total humanidade de Cristo,
sendo que Sua divindade estava presente apenas numa habitação moral.
 Cirilo de Alexandria cria, baseando-se nos escritos de seus discípulos, que a natureza humana foi
absorvida pela divina, negando, assim, as duas naturezas de Cristo.
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 Essas duas visões, de Theodoro e Nestório e de Cirilo, foram refutadas no Concílio da


Calcedônia, em 451.
 Doutrina de Cristo após o concílio da Calcedônia:
 Nessa época, as naturezas de Cristo, a relação entre essas naturezas..., praticamente toda a
cristologia foi bem formada na igreja do Oriente, principalmente com Leôncio de Bizâncio e
João de Damasco.
 Na igreja ocidental, teve algumas heresias, como por exemplo, o adocionismo de Felix de Urgel.
Ele cria que Jesus era filho de Deus, mas o Jesus como homem era filho apenas por adoção. Essa
doutrina foi condenada pelo concílio de Frankfurt, em 794.
 A Idade Média não acrescentou muito para a cristologia, apenas na escolástica que algumas
ideias divergentes.
 Tomás de Aquino cria que a natureza humana de Cristo recebeu dupla graça pela união com o
Logos: gratia unionis (graça da união, que lhe comunicou uma dignidade especial, tornando-se
objeto de culto); gratia habitualis (graça habitual, relação com Deus).
 Até o século XIX:
 Grande parte das cristologia da reforma baseou-se no concílio da Calcedônia.
 Martinho Lutero cria que os atributos da divindade (onipotência, onisciência, onipresença) foram
comunicados à natureza humana de Cristo na encarnação. Essa questão levou uma série de
diferentes opiniões entre teólogos luteranos.
 A doutrina reformada cria que os atributos e propriedades de ambas as naturezas (humana e
divina) são atribuídas à pessoa única de Cristo.
 “Reconhecemos, pois, que há no único e mesmo Jesus, nosso Senhor, duas naturezas – a natureza
divina e a humana; e dizemos que estas são ligadas ou unidas de modo tal, que não são
absorvidas, confundidas ou misturadas, mas, antes, são unidas ou conjugadas numa pessoa
(sendo que as propriedades de cada uma delas permanecem a salvo e intactas), de modo que
podemos cultuar a um Cristo, nosso Senhor, e não a dois. Portanto, não pensamos nem
ensinamos que a natureza divina em Cristo sofreu, ou que Cristo, de acordo com a sua natureza
humana, ainda está no mundo e, assim, em todo lugar” (Segunda Confissão Helvética, escrita por
Heinrich Bullinger, sucessor de Ulrico Zuínglio).
 No século XIX:
 O século XIX trouxe grandes transformações no estudo, não só cristológico, mas teológico.
 O novo ponto de vista passou a ser antropológico, e o resultado não podia ser outro, senão
antropocêntrico.
 Eles passaram a estudar um Jesus mais histórico, deixando o teológico de lado.
 O pensador que esteve a frente de tudo isso foi Friedrich Daniel Ernst Schleiermacher.
 Ele considerava Cristo como uma “elevação” da natureza humana a um nível de perfeição ideal.
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 George Wilhelm Friedrich Hegel acreditava que o fato de o verbo se fazer carne significava uma
união de Deus com a humanidade inteira.
 Os kenoticistas criam que o Logos se tornou literalmente homem, e foi crescendo em sabedoria e
poder, até se tornar Deus de novo.
 Além de Schleiermacher, o que mais influenciou na Teologia Contemporânea foi Albrecht
Ritschl. De acordo com ele, a obra de Cristo determina a dignidade de Sua pessoa, mas a Sua
pessoa não é o ponto de partida da cristologia.
 Ritschl rejeita a preexistência, a encarnação e a concepção virginal de Cristo. Cristo redime o
homem por Seu ensino, por Seu exemplo e por sua influência única, e por isso, é digno de ser
chamado de Deus. Pode-se dizer que é um conceito que restabelece a doutrina de Paulo de
Samósata.

PERGUNTAS:

- O que marcou os respectivos períodos, em se tratando da cristologia?

b- Nomes e naturezas de Cristo:


 Há cinco nomes que precisam de explicação:
 “Jesus”: é a forma grega de Jehoshua, ou Joshua (Js 1.1; Zc 3.1), ou Jeshua (Ed 2.2). É o nome
pessoal.
 “Cristo”: é o nome oficial do Messias, o equivalente a Mashiach do Antigo Testamento, que
significa “o ungido”. Os reis eram ungidos (1Sm 9.16; 2Sm 19.10), eram chamados “ungidos de
Joevá” (1Sm 24.10), e também os profetas, em menor escala, eram ungidos (1Rs 19.16; Is 61.1).
 O óleo simbolizava o Espírito de Deus (Is 61.1) e a unção representava a transferência do
Espírito para a pessoa consagrada (1Sm 10.1,6,10; 16.13).
 Cristo foi designado para Seus ofícios desde a eternidade, porém, historicamente Ele recebeu
essa “unção” no fato de ser concebido miraculosamente pelo Espírito Santo (Lc 1.35) e quando
recebeu de modo “público” o Espírito Santo no batismo (Mt 3.16; Mc 1.10; Lc 3.22; Jo 1.32;
3.34).
 “Filho do homem”: No Antigo Testamento, é encontrado em Sl 8.4 e Dn 7.13, e também em
muitas passagens de Ezequiel. Era a expressão mais comum que Jesus usava para se auto
intitular, usando-a mais de 40 vezes.
 Geerhardus Vos separa as passagens com o termo “Filho do homem” do seguinte modo: Se
refere à vinda escatológica do Filho do homem (Mt 16.27,28; Mc 8.38; 13.26, etc.); se refere aos
sofrimentos, morte e ressurreição (Mt 17.22; 20.18,19,28; 12.40); passagens do 4º evangelho que
67

salientam o lado super-humano, celestial e a preexistência de Jesus (Jo 1.51; 3.13,14; 6.27,53,62;
8.28); considera a natureza humana de Cristo (Mc 2.27,28; Jo 5.27; 6.27,51,62).
 Alguns afirmam que Jesus usou esse termo para ocultar intencionalmente Seu caráter messiânico.
 Geerhardus Vos cria, e é uma opinião muito aceitável, que Jesus usou esse termo para se afastar
de qualquer prostituição judaica do ofício messiânico.
 “Filho de Deus”: No Antigo Testamento, esse nome se referia: ao povo de Israel (Ex 4.22);
oficiais de Israel (Sl 29.1); pessoas piedosas (Gn 6.2). No Novo Testamento, porém, Jesus se
apropriou desse termo. O nome é aplicado a Jesus em quatro sentidos diferentes:
 Sentido oficial ou messiânico: descrição do ofício de Cristo. Os demônios O chamaram
desse termo por reconhecer esse ofício evidentemente (Mt 3.17;17.5; 24.36; Mc 1.11;
9.7; 13.32; Lc 3.22; 9.35, mesmo que alguns desses versículos tenham um significado
muito mais profundo).
 No sentido trinitário: Descreve a divindade essencial e preexistente de Cristo (Mt 11.27;
14.28 – 33; 16.16; 21.33 – 46; 22.41 – 46; 26.63, mesmo algumas indicando também o
caráter messiânico).
 No sentido natalício: Descreve o nascimento sobrenatural de Cristo (Mt 1.18 – 24; Lc
1.35; Jo 1.13).
 No sentido ético-religioso: Descreve Cristo como exemplo de prática (Mt 17.24 – 27, que
expõe Jesus, como homem, submisso à lei dos homens).
 “Senhor” (Kyrios): Kyrios é a tradução, em grego, do hebraico Adonai (Js 3.11; Sl 97.5),
equivalente a Jeová. Tem-se uma aplicação tríplice nesse termo em relação a Cristo:
 Como uma forma respeitosa de tratamento (Mt 8.2; 20.33).
 Como expressão de posse e autoridade, sem implicar a divindade (Mt 21.3; 24.42).
 Como máxima conotação de autoridade, equivalendo-se a Deus (Mc 12.36,37; Lc 2.11;
3.4; At 2.36; 1Co 12.3; Fp 2.11).
 Alguns casos, mesmo antes da ressurreição, evidencia-se a aplicação desse termo se referindo a
um valor especificamente divino (Mt 7.22; Lc 5.8; Jo 20.28).
 A doutrina bíblica aceita desde sempre, e mais formalmente aceito no concílio da Calcedônia, sobre as
naturezas de Cristo é: Jesus, o Filho de Deus, 2ª pessoa da Trindade, apresenta duas naturezas, a saber, a
humana e a divina, 100% humano e 100% divino.
 Provas bíblicas da divindade de Cristo:
 No Antigo Testamento, há referências da divindade do Messias (Sl 2.6 – 12; 45.6,7; 110.1; Is
9.6; Jr 23.6; Dn 7.13; Mq 5.2).
 Nos escritos de João e de Paulo (Jo 1.1 – 3,14,18; 2.24,25; 3.16 – 18,35,36; 4.14,15; 5.18,20 –
22,25 – 27; 11.41 – 44; 20.28; 1Jo 1.3;2.23;4.14,15;5.5,10 – 13,20; Rm 1.7; 9.5; 1Co 1.1 – 3;
2.8; 2Co 5.10; Gl 2.20; 4.4; Fp 2.6; Cl 2.9; 1Tm 3.16; Hb 1.1 – 3,5,8; 4.14;5.8,etc.).
68

 Nos evangelhos sinóticos (Mt 5.17; 9.6; 11.1 – 6,27; 14.33; 16.16,17; 28.18; 25.31 – 46; Mc
8.38).
 O próprio Jesus se auto intitulava como Filho de Deus, atestando Sua divindade (Mt 11.27;
21.37,38; 22.41 – 46; 24.36; 28.19; Jo 3.13; 5.17 – 27; 6.37 – 40,57; 8.34 – 36;
10.17,18,30,35,36).
 Provas bíblicas da humanidade de Cristo:
 O gnosticismo, o docetismo e o apolinarismo foram seitas que a doutrina bíblica doa humanidade
de Cristo, porém, hoje em dia, não há um questionamento sério contra isso.
 Na verdade, hoje, o maior erro em relação a isso é a excessiva ênfase na humanidade, que acaba
anulando a divindade de Cristo. Muitos afirmam a perfeição humana de Cristo e não afirmam Sal
divindade.
 Não se deve salientar a divindade de Cristo ao ponto de negar Sua humanidade, nem vice-versa.
 Jesus chamou-se homem, e outros se referiam pra Ele em determinadas circunstâncias como
homem também (Jo 8.40; At 2.22; Rm 5.15; 1Co 15.21).
 A Bíblia diz que Deus se manifestou em carne, denotando-se a natureza humana (Jo 1.14; 1Tm
3.16; 1Jo 4.2).
 Cristo possuía elementos essenciais da natureza humana, a saber, corpo material e alma racional
(Mt 26.26,28,38; Lc 23.46; 24.39; Jo 11.33; Hb 2.14).
 Cristo estava submetido às leis ordinárias do desenvolvimento humano, aos sofrimentos e
necessidades do homem (Lc 2.40,52; Hb 2.10,18; 58).
 Cristo estava submetido à experiências normais da vida humana (Mt 4.2; 8.24; 9.36; Mc 3.5; Lc
22.44; Jo 4.6; 11.35; 12.27; 19.28,30; Hb 5.7).
 Provas bíblicas da impecabilidade da humanidade de Cristo:
 Não cremos simplesmente que Jesus evitou o pecado, mas que era impossível de Ele pecar.
 Provas bíblicas dessa impecabilidade (Lc 1.35; Jo 8.46; 14.30; 2Co 5.21; Hb 4.15; 9.14; 1Pe
2.22; 1Jo 3.5).
 Mesmo se fazendo pecado judicialmente, Jesus estava eticamente livre de toda a depravação
hereditária e do pecado.
 Necessidade das duas naturezas de Cristo:
 “Desde que o homem pecou, era necessário que o homem sofresse a penalidade. Além disso, o
pagamento da pena envolvia sofrimento de corpo e alma, sofrimento somente cabível ao
homem”.
 Confirmando o que está escrito anteriormente, o pecador precisava sofrer a condenação justa pelo
pecado.
 Assim, Jesus precisava assumir a natureza humana, com todas as suas propriedades essenciais e
debilidades, sendo, como Adão, chefe representativo de um povo.
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 Ele também precisava ser sem pecado, pois, um pecador não poderia fazer a expiação (Hb 7.26).
 Jesus se identificou com a vida humana, sendo um perfeito exemplo para ela (Hb 4.15 – 5.2; Mt
11.29; Mc 10.39; Jo 13.13 – 15; Fp 2.5 -8; Hb 12.2 – 4; 1Pe 2.21).
 O Mediador precisava ser Deus: pela necessidade de apresentar um sacrifício de valor infinito e
prestar perfeita obediência à lei de Deus; necessidade da capacidade de sofrer a ira de Deus de
um modo redentor, ou seja, livrando outros da maldição da lei; pela necessidade de aplicar os
frutos da obra consumada aos que o aceitassem pela fé.
 O homem, como homem somente, não é capaz de cumprir a pena do pecado nem prestar perfeita
obediência a Deus.
 O homem não pode sofrer para obter livramento (Sl 49.7 – 10; 130.3).

PERGUNTAS:

- Qual é a doutrina bíblica sobre as naturezas de Cristo?

- Por que era tão necessário que o Mediador fosse tanto homem quanto Deus?

c- Unipersonalidade de Cristo:
 O concílio da Calcedônia afirma a respeito da pessoa de Cristo que Ele deve “ser reconhecido em duas
naturezas, sem confusão, imutável, indivisível e inseparavelmente; sendo que a distinção das naturezas
de modo nenhum é eliminada pela união, mas, antes, a propriedade de cada natureza é preservada, e
ambas concorrem numa Pessoa e numa Subsistência, não partida ou dividida em duas pessoas”.
 O homem Jesus não adquiriu Divindade, mas que o eterno Filho de Deus tomou sobre si a nossa
humanidade.
 É importante salientar as definições de “natureza” e “pessoa”: “natureza” é a soma das qualidades de
uma coisa, que faz da coisa ser o que ela é, ou seja, uma substância possuída que inclui todas as
qualidades essenciais da referida substância; “pessoa” é uma substância completa dotada de razão, é o
término pelo qual a natureza tende. Melhor explicando, a pessoa de Cristo apresenta duas naturezas.
 Conceito bíblico a respeito da Pessoa de Cristo:
 O Mediador é somente uma pessoa, a saber, o Logos imutável, portanto, a encarnação faz dEle
uma pessoa constituída de duas naturezas, sendo, assim Deus-homem.
 A natureza humana não constitui a pessoa humana. O Logos assumiu a natureza humana, não,
porém, a pessoa humana.
 A natureza humana de Cristo não é uma pessoa, mas é pessoal. Não tem subsistência
independente, mas apresenta consciência e vontade.
 A natureza humana de Cristo é totalmente dependente da natureza divina.
70

 “Na encarnação, Deus o Filho tomou para si a natureza humana; isto é, Ele adicionou à Sua
pessoa a parte dos atributos que definem o homem. Ele fez isso sem sobrepor uma natureza a
outra, de maneira que ambos os atributos permanecem independentes. Assim, Sua natureza
divina não se misturou à Sua natureza humana, e Sua natureza humana não foi divinizada por
Sua natureza divina. Essa formulação também protege a imutabilidade de Deus o Filho, uma vez
que a natureza humana não modifica em nada Sua natureza divina... Por exemplo, Cristo não era
onisciente em relação a seus atributos humanos, mas era onisciente em relação a seus atributos
divinos, e isso é verdade ainda hoje. Seus atributos divinos não divinizaram seus atributos
humanos” (Vincent Cheung).
 Prova bíblica da unipersonalidade de Cristo:
 “Não há distinção entre “eu” e “tu” na pessoa de Cristo, diferentemente da Trindade (Sl 2.7;
40.7,8; Jo 17.1,4,5,21 – 24).
 Jesus nunca se referiu a Si mesmo no plural, deferentemente de Deus em determinadas situações
(Gn 1.26; 3.22; 11.7).
 Ambas as naturezas são representadas na Bíblia como unidas numa só pessoa (Jo 1.14; Rm 8.3;
Gl 4.4; 1Tm 3.16; 1Jo 4.2,3).
 A pessoa tratada com título tanto divino quanto humano, apresenta características da natureza
tanto divina quanto humana (At 20.28; 1Co 2.8; Cl 1.13,14; Jo 3.13; 6.62; Rm 9.5).
 Efeitos da união das duas naturezas na pessoa de Jesus:
 A natureza divina não sofreu nenhuma mudança essencial, ou seja, ela não pode sofrer, nem
morrer, nem ser ignorante em relação a qualquer tema, mas a pessoa pôde ter as deficiências
humanas ao encarnar-se.
 Comunicação resultante da encarnação:
 Comunicação de propriedades (communicatio idiomatum) = As propriedades da natureza
humana e divina passaram a fazer parte da pessoa de Cristo. Não podemos esquecer que
as naturezas não se influenciam entre si.
 Comunicação da obra consumada (communicatio apotelesmatum ou operatinum) = A
obra consumada leva um caráter divino-humano.
 A obra redentora é eficaz pelo sujeito único e indiviso que caracteriza Cristo.
 A obra redentora é realizada pela cooperação das duas naturezas de Cristo.
 Cada uma das naturezas usa sua própria eficácia especial, ou seja, na sua “área de
atuação”.
 Comunicação de graças ou dons (communicatio charismatum ou gratiarum) = A natureza
humana de Cristo foi adornada com todas as classes de ricos e gloriosos dons, como por
exemplo: graça de união com a pessoa do Logos (gratia unionis cum persona tou Logou),
também chamado de gratia eminetiae (graça da eminência), pela qual a natureza humana
71

é elevada acima de todas as criaturas até ao ponto de se tornar objeto de adoração; graça
habitual (gratia habitualis), que consiste dos dons do Espírito (intelecto, vontade e
poder), e inclusive a impecabilidade.
 O Deus-homem é objeto de oração.
 A honra da adoração não pertence à natureza humana, mas lhe pertence somente pela união com o
Logos.
 “O objeto do nosso culto religioso é o Deus e homem Cristo Jesus, mas a base sobre a qual O
adoramos é a pessoa do Logos” (Louis Berkhof).
 A união das duas naturezas numa pessoa é um mistério ininteligível pelo homem, porém, pode ser
comparado, limitadamente, pelo homem que obtém corpo e alma.
 O corpo e a alma estão intimamente unidos, porém, não misturadas.
 A pessoa do homem não tem seu “centro” no corpo, e sim na alma, e assim também, o “centro” do
Mediador é o divino.
 Não podemos esquecer, porém, que essa comparação é defeituosa, pois não ilustra a união do divino
com o humano, do finito com o infinito.
 Doutrina luterana da comunicação de atributos:
 Os luteranos, de maneira geral, creem que as naturezas receberam os atributos da outra com base
numa transferência, e só com essa transferência a real unidade da pessoa de Cristo pode ser
assegurada.
 Há divergências dentro do luteranismo: Lutero e os primeiros criam que essa transferência era
tanto do humano para o divino quanto do divino para o humano, porém, deixou-se de observar,
depois de um tempo, a transferência do humano para o divino; Os escolásticos luteranos
distinguiam entre os atributos operativos de Deus (onipotência, onipresença e onisciência) e
quiescentes (infinidade, eternidade, etc.), e diziam que só os primeiros foram comunicados à
natureza humana.
 Essa doutrina não tem base bíblica (problema do Jo 3.13 e 1Co 2.8, que diz que Deus, o Senhor
da glória, morreu na cruz, ou seja, a natureza humana comunicou atributos para a divina, coisa
que os luteranos negam).
 Se a natureza divina recebesse esses atributos da natureza humana, essa não seria mais divina, e
vice-versa, incapacitando logicamente a doutrina luterana.
 Essa teoria sofre de inconsistência pois, por exemplo, por que só a natureza divina comunicou à
humana, e por que só alguns atributos e não todos?
 No momento de humilhação de Cristo, não vemos um homem onipresente e onisciente.
 Se só a natureza divina comunica os atributos, presume-se que a natureza humana se esvaziou, ou
seja, destrói a encarnação.
 Doutrina da “Kenosis” em suas várias formas:
72

 Criado em meados do século XIX, como tentativa de fortalecer a união entre os luteranos e
reformados.
 O termo Kenosis é usado pelos luteranos para demonstrar a autolimitação que o Deus-homem se
dispôs a passar.
 Os chamados kenoticistas dizem que o termo denota que, ao encarnar-se, Cristo se despojou de
todos os Seus atributos, reduzindo-se a uma simples potencialidade, desenvolvendo-se de novo
para se tornar o Deus-homem.
 Há várias formas de “kenoticistas”:
 Teoria de Thomasius, Delitzsch e Crosby = Distingue-se os atributos essenciais e
absolutos de Deus (absoluto, santo, verdadeiro) e os relativos (onipotência, onipresença e
onisciência). O Logos abriu mão dos atributos relativos de Deus, os que não são
necessários para a Trindade, para assumir a verdadeira natureza humana.
 Teoria de Gess e H. W. Beecher: Também chamada de “encarnação mediante suicídio
divino”. Cria-se que o Logos abriu mão de todos os atributos divinos, fazendo-se um
simples homem, adotando todos os seus atributos, inclusive sua pecaminosidade, para
garantir sua humanidade.
 Teoria de Ebrard: Ele concorda com a teoria de Gess, porém, diz que o Logos, o Deus-
homem, não abriu mão dos atributos divinos, mas estes foram retidos temporariamente,
estando sujeito, como a teoria de Gess, até ao pecado.
 Teoria de Martensen e Gore: Acreditava-se que o Logos tinha uma espécie de vida dupla,
proveniente de dois centros vitais não comunicantes. Ele exercia Sua função na Trindade
no seio de Deus, e, como Logos esvaziado, ignorava todas as funções trinitárias e
cósmicas, e obtinha conhecimento possível às faculdades humanas.
 A base bíblica que eles adotam é Fp 2.6 – 8, como também 2Co 8.9 e Jo 17.5, versículos que contém
o termo Kenosis. O termo significa, de um modo figurado, “esvaziar, anular, tornar sem valor, sem
honra”, porém, não referindo-se à forma divina, mas sim, de estar em igualdade com Deus, no
sentido de descer da glória para sofrer na natureza humana.
 A teoria se baseia na ideia errônea de crer que Deus e o homem não são absolutamente diferentes.
 A teoria rejeita a imutabilidade de Deus (Ml 3.6; Tg 1.17).
 Destrói-se também a doutrina da Trindade, pois fala-se do Filho esvaziando-se dos atributos divinos.
 A teoria prega uma relação muito frouxa entre os atributos divinos e a essência divina, podendo
separar-se.
 O Cristo dos kenóticos não é nem Deus nem homem. “apenas uma deidade encolhida” (Benjamin B.
Warfield).
 Isaak Dorner foi um dos principais oponentes contra os kenoticistas, criando a teoria da encarnação
gradual ou progressiva.
73

 De acordo com Dorner, o Logos foi se misturando gradualmente à natureza humana, até essa “mistura”
se consumou na ressurreição.
 Essa teoria vai contra a doutrina bíblica, dizendo que a encarnação foi um processo gradual,
diferentemente da bíblica, que diz que foi um fato instantâneo.
 Também se presume o nestorianismo, ou seja, teoria das duas pessoas no Mediador.
 William Sanday expôs que a sede de Jesus Cristo não é natureza divina, mas sim, uma espécie de
consciência ou ego subliminar. Essa teoria é mais um absurdo da cristologia moderna.

PERGUNTAS:

- Qual é a diferença de “natureza” e “pessoa”?

- Exponha o conceito bíblico a respeito da pessoa de Cristo.

- Quais os efeitos da união dessas das naturezas?

d- Estados de humilhação e exaltação de Cristo:


 “Estado” = relação forense da pessoa com a lei, resumidamente falando.
 No estado de humilhação, por exemplo, Jesus estava sob a Lei, não só como regra de vida, mas também
como condição da aliança das obras e a pena pelo pecado.
 Pode-se dizer que existem três estados a serem estudados, um como Logos divino, e dois como Deus-
homem, e falaremos apenas dos de Jesus como Deus-homem (2Co 8.9; Gl 4.4,5; Fp 2.6 – 11; Hb 2.9).

1- Estado de humilhação:
 Baseando-se em Fp 2.7,8 (Gl 4.4), há dois elementos essenciais na humilhação: Kenosis (renúncia da
majestade do Deus Filho, assumindo a natureza humana na forma de um servo); tapeinosis (sujeição às
exigências e a maldição da Lei, fazendo-se obediente até a morte vergonhosa).
 Há quatro estágios da humilhação de Cristo, e um que está em desacordo com as Escrituras:
 Encarnação e nascimento de Cristo:
 O sujeito da encarnação não foi a Trindade, mas sim, a segunda pessoa, o Logos, o Filho.
 Mesmo com essa afirmação indubitável, devemos entender que cada pessoa da Trindade
agiu na encarnação (Mt 1.20; Lc 1.35; Jo 1.14; At 2.30; Rm 8.3; Gl 4.4; Fp 2.7).
 Não foi algo que aconteceu com o Logos, mas que foi ativamente feito por Ele.
 Essa encarnação presume-se a preexistência do Logos (Jo 1.1; 6.38; 2Co 8.9; Fp 2.6,7;
Gl 4.4).
 A encarnação passou a ser necessária por causa da queda (Lc 19.10; Jo 3.16; Gl 4.4; 1Jo
3.8; Fp 2.5 – 11).
74

 Não podemos esquecer, porém, que, baseando-se na Soberania divina, a encarnação não
dependia primeiramente da queda, mas sim, do beneplácito de Deus.
 Cristo tem significância cósmica também, porém, não está ligada a Sua significância
redentora (Ef 1.10,20 – 23; Cl 1.14 – 20).
 O Logos se fez carne, sem, porém, transformar Sua natureza essencial. Ele recebeu essa
natureza humana de forma adicional, sem “mexer” em Sua essência.
 O Logos não simplesmente se vestiu de um corpo. A palavra “sarx”, usada em Jo 1.1, se
refere à natureza humana, que consiste de corpo e alma, usada de modo semelhante em
Rm 8.3; 1Tm 3.16; 1Jo 4.2; 2Jo 7.
 Cristo recebeu a natureza humana da substância da mãe. Essa doutrina é oposta aos
anabatistas, que criam que Jesus recebeu trouxe do céu Sua natureza humana,
pressupondo assim, que Cristo não tinha nenhum vínculo com a natureza humana
decaída.
 Cristo foi concebido no ventre da virgem Maria pelo poder do Espírito Santo, sem a
intervenção do homem (Is 7.14; Mt 1.18 – 20; Lc 1.34,35; Hb 10.5)
 O Espírito Santo foi a causa eficiente da concepção da natureza humana de Cristo. Isso
foi o motivo pelo qual a natureza humana de Cristo se manteve livre da corrupção do
pecado.
 Hoje, há muitos movimentos e ideias contra essa concepção virginal de Cristo
simplesmente pela aversão contemporânea de fatos sobrenaturais.
 William Shedd fala um ponto de vista muito interessante de ser observado, que o
nascimento virginal de Cristo juntamente com Sua concepção miraculosa feita pelo
Espírito Santo fez com que Cristo herdasse a “criaturidade” de Maria, escapando da
herança do pecado que é herdada pelo pai.
 Era necessário que Cristo nascesse de mulher, não, porém, da vontade do homem, pois, o
que é nascido da carne é carne (Jo 1.13).
 Uma observação interessante é saber que a aliança das obras foi feita por Deus com o
homem, antes que a mulher fosse criada (Gn 2.6,7).
 Se Cristo fosse gerado pelo homem, seria uma pessoa humana incluída na aliança das
obras e, consequentemente, da culpa do pecado.
 Essa concepção e nascimento foi o começo do estado de humilhação de Cristo, que está
implícito em Rm 8.3 e Fp 2.6,7.
 Os sofrimentos do Salvador:
 “... toda a Sua vida foi uma vida de sofrimentos. Foi uma vida de servo, a do Senhor dos
Exércitos, a vida do único ser humano sem pecado, na diária companhia de pecadores, e a
vida do Santo no mundo amaldiçoado pelo pecado” (Louis Berkhof).
75

 “O sofrimento iniciado na encarnação, chegou finalmente ao clímax na passio magna


(grande paixão) no fim da Sua vida. Foi quando pesou sobre Ele a ira de Deus contra o
pecado” (Louis Berkhof).
 Foi necessário que Cristo sofresse tanto no corpo (crucificação) como na alma (exemplo
do Getsêmani).
 Cristo sofreu: por tomar o lugar dos pecadores vicariamente; por se colocar no lugar de
servo, escravo, ao invés de ordenar, deveria obedecer; por ser santo e ter que conviver
numa atmosfera pecaminosa e corrupta, e cada pecado do próximo O lembrava do da
culpa que pesava sobre Ele; por saber todos os sofrimentos que Ele haveria de passar;
pelas privações da vida, tentações do diabo, ódio e rejeição do povo, maus tratos e
perseguições.
 Os sofrimentos de Cristo, até os mais comuns, diferentemente dos nossos, foram únicos
devido à Sua perfeição.
 Além dos sofrimentos humanos comuns, há também os sofrimentos dados pelo fato de
Deus entregar a Sua ira a Cristo por entregar as iniquidades dos eleitos a Ele (Is 53.6,10).
 A tentação é incluída entre os sofrimentos de Cristo (Mt 4.1 – 11; Lc 22.28; Jo 12.27;
Hb 4.15; 5.7,8).
 As tentações não foram situações específicas, mas aconteceram constantemente na vida
de Cristo.
 A morte do Salvador:
 Jesus recebeu a morte, não apenas no sentido da separação do corpo e da alma, mas
significa também a ira de Deus destinada à punição dos pecados que Cristo carregava.
 “... todo o tempo em que Ele viveu na terra, mas especialmente no fim da Sua vida, Ele
suportou, no corpo e na alma, a ira de Deus contra o pecado de toda a raça humana”
(Catecismo de Heidelberg, escrito por Zacarias Ursino e Gaspar Oleviano).
 Cristo sofreu a morte física e a morte eterna, não num sentido extensivo, mas intensivo,
sofrendo tudo o que era merecido num curto espaço de tempo, mas especificamente
demonstrado no Seu brado “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”.
 “Num curto período de tempo, Ele suportou a ira infinita contra o pecado até o fim, e saiu
vitorioso” (Louis Berkhof), e isso só foi possível graças à natureza divina.
 Era necessário também que Cristo morresse sob sentença judicial, debaixo da lei dos
gentios, por uma morte usada pelos gentios, cumprindo assim, as exigências da Lei.
 O sepultamento do Salvador:
 O sofrimento ativo de Cristo acabou com Sua morte, porém, continuou, e o sepultamento
faz parte disso, pois, o sepultamento significa que o homem voltaria ao pó (Gn 3.9),
76

tirando diversas partes que citam essa características humilhante do sepultamento (At
2.31).
 A ilustração de que fomos sepultados com Cristo (Rm 6.1 – 6) significa que devemos
“matar” o nosso velho homem, demonstrando ser o sepultamento uma espécie de
humilhação.
 A descida do Salvador ao Hades:
 Essa visão está em desacordo com as Escrituras.
 “Assim, minha conclusão é que não existe nenhuma base textual para crer que Cristo
desceu ao inferno. De fato, ele disse ao ladrão sobre a cruz...: “Hoje – na tarde dessa
Sexta, após estarmos mortos – você e eu estaremos no Paraíso juntos”. Não penso que o
ladrão foi ao inferno e que o inferno seja chamado Paraíso. Acredito que ele foi para o
céu, e que Jesus estava ali com ele” (John Piper).

PERGUNTAS:

- Quais são os dois elementos essenciais na humilhação?

- Exponha os quatro estágios da humilhação de Cristo.

2- Estado de exaltação:
 Na exaltação, Jesus Cristo retirou-se de sob a Lei, voltou a ter uma relação justa com a Lei, entrando na
posse das bênçãos da salvação que Ele mereceu para os pecadores e foi coroado com honra e glória.
 Há várias bases bíblicas para a exaltação de Cristo (Fp 2.9 – 11; Mc 16.19; Lc 24.26; Jo 7.39; At 2.33;
5.31; Rm 8.17,34; Ef 1.20; 4.10; 1Tm 3.16; Hb 1.3; 2.9; 10.12).
 “O estado de exaltação deve ser considerado como resultado judicial do estado de humilhação” (Louis
Berkhof), pois, mereceu a glória por cumprir as exigências da Lei, cumprindo a pena do pecado
destinada aos eleitos.
 A teologia liberal modernista rejeita totalmente essa ideia de ressurreição e exaltação.
 Há quatro estágios do estado de exaltação:
 A ressurreição:
 A ressurreição de Cristo não constitui somente no fato de Cristo ter voltado à vida, pois,
senão, Ele poderia ser chamado de “as primícias dos que dormem” (1Co 15.20; Cl 1.18;
Ap 1.5), pois outros haviam voltado à vida, inclusive frutos de alguns milagres do próprio
Cristo.
 A ressurreição de Cristo foi uma transformação de Sua natureza humana, elevando-se a
um nível até superior ao estado original.
77

 O corpo de Cristo, a exemplo de 1Co 15.42 – 44, serão incorruptíveis, poderosos,


gloriosos e espirituais.
 Como exemplo dessa transformação, vemos que Cristo não foi tão facilmente
reconhecido depois da ressurreição, e que também podia aparecer e desaparecer, e
continua sendo um corpo material e real (Lc 24.31, 36; Jo 20.13,19; 21.7; Lc 24.39).
 A ressurreição tem três pontos importantes: “Constituiu uma declaração do Pai de que o
último inimigo tinha sido vencido, a pena tinha sido cumprida, e tinha sido satisfeita a
condição em que a vida fora prometida; foi um símbolo daquilo que estava destinado a
suceder aos membros do corpo místico de Cristo em sua justificação, em seu nascimento
espiritual e em sua bendita ressurreição futura (Rm 6.4,5,9; 8.11; 1Co 6.14; 15.20 – 22;
2Co 4.10,11,14; Cl 2.12; 1Ts 4.14); Relacionou-se também instrumentalmente com a
justificação, a regeneração e a ressurreição final dos crentes (Rm 4.25; 5.10; Ef 1.20; Fp
3.10; 1Pe 1.3)” (Louis Berkhof).
 Cristo não só entregou a vida, mas Ele mesmo ressuscitou-O, como era profetizado (Jo
10.18; 2.19 – 21).
 A ressurreição, realizada por Cristo, não anulou o fato de o Deus trino participar da
ressurreição (At 2.24,32; 3.26; 5.30; Rm 6.4; 8.11; 1Co 6.14; Gl 1.1; Ef 1.20; 1Pe 1.3).
 Há duas teorias que tentam refutar a ressurreição, sem sucesso: o corpo de Cristo deveria
ter se desintegrado; é impossível acontecer algo além do natural.
 Há várias outras tentativas de explicar o “erro da ressurreição”:
 Os discípulos fraudaram a ressurreição, roubando o corpo. Essa teoria é
totalmente irrelevante, pelas testemunhas dos apóstolos, mulheres, dos 500 citados
por Paulo, etc. Outro porém é o fato de os apóstolos morrerem, e é totalmente
improvável eles morrerem e sofrerem por uma falsa causa.
 Tem também a teoria do desmaio de Cristo, porém, é totalmente improvável que o
golpe da lança não O tenha matado, ou que, pelo estado de exaustão pós-desmaio,
tenha rolado a pedra, andado pela estrada de Emaús e voltado.
 Tem a teoria de que os discípulos tiveram visões, começando com Maria
Madalena, mas, por que as visões começaram justamente no terceiro dia? Ou, por
que eles teriam essas visões (só acontecem quando se espera algo), se eles não
esperavam a ressurreição? Ou como que essa visão se apresentou simultaneamente
a várias pessoas?
 Outra teoria relaciona às visões fala-se que Deus enviou essas visões para animar
os discípulos. Se essa teoria admite o sobrenatural, por que não admitir logo a
ressurreição? Ou, será que Deus procura realizar Seu decreto por meio de ilusões,
enganando os discípulos?
78

 Existem alguns teóricos que tentam provar que a ressurreição não passa de uma
cópia de escritos de outras religiões antigas, porém, nenhum conseguiu agrupar os
escritos de forma coesa.
 Os teólogos da teologia liberal modernista não creem que a ressurreição tenha
alguma importância, porém, esta prova que Jesus Cristo é verdadeiramente Filho
de Deus (Rm 1.4).
 A ascensão (Lc 24.50 – 53; At 1.6 – 11):
 Pode-se dizer que a ascensão foi o complemento e a consumação da ressurreição.
 “A transição de Cristo para a vida superior na glória começou na ressurreição e foi
aperfeiçoada na ascensão” (Louis Berkhof).
 O próprio Jesus revela a Sua ascensão (Jo 6.62; 14.2,12; 16.5,10,17,28; 17.5; 20.17),
inclusive outros testemunhos de Paulo.
 A ascensão nada mais é do que a subida visível de Cristo da terra ao céu, segundo Sua
natureza humana.
 A ascensão tem três pontos principais de significância: Ela representou que o Pai
considerou a mediação de Cristo suficiente, e, por isso, admitiu-O na glória celestial; ela
representou a ascensão de todos os crentes no contexto escatológico; ela serviu para a
necessidade de Ele ir ao Pai, não só para manter a comunhão, pois ela foi constante, mas a
fim de preparar lugar para os Seus (Jo 14.2,3).
 O estar assentado à destra de Deus (Mt 26.64; At 2.33 – 36; 5.31; Rm 14.9; 1Co 15.24 – 28; Ef
1.20 – 22; Hb 2.7,8; 10.12; 1Pe 3.22; Ap 3.21; 22.1):
 O fato de estar assentado à destra não precisa, em regra, ser entendido de forma literal,
pois, no seu devido contexto, significava um sinal de honra e participação no governo, na
honra e na glória (Sl 110.1; 1Rs 2.19).
 O Mediador sempre foi o “rei de Sião”, porém, depois da ascensão, foi publicamente
empossado, recebendo o governo de Seu povo, a Igreja.
 João Calvino diz que “Ele foi instalado no governo de céus e terra, e foi formalmente
admitido na posse da administração a Ele confiada, e não somente admitido por uma vez,
mas para continuar até quando Ele descer para o juízo”.
 O fato de estar assentado não significa que Cristo não esteja trabalhando. Ele é
apresentado como simplesmente estando à destra (Rm 8.34; 1Pe 3.22), ou de pé ali (At
7.56) ou até mesmo andando no meio dos sete candeeiros de ouro (Ap 2.1).
 É também totalmente errado afirmar que Cristo só exerce o ofício governamental.
 Cristo não é apenas um recebedor passivo do domínio, poder, majestade e glória divinas,
porém, está ativamente engajado na consumação de Sua obra mediatória.
79

 Cristo, por exercer o ofício de Rei, governa e protege a igreja por Seu Espírito, e também
tem todo o céu sob Seu comando. Exerce também autoridade sobre a natureza e todo o
mundo espiritual.
 Cristo exerce o ofício sacerdotal (Hb 4.14; 7.24,25; 8.1 – 6; 9.11 – 15, 24 – 26; 10.19 –
22; 1Jo 2.2).
 “Cristo está apresentando continuamente o Seu sacrifício consumado ao Pai como a base
suficiente para a concessão da graça perdoadora de Deus. Ele está aplicando
constantemente a Sua obra sacrificial e fazendo-a eficaz na justificação e santificação dos
pecados” (Louis Berkhof).
 Cristo exerce o ofício profético, mediante o Espírito Santo, na inspiração das Escrituras,
na pregação dos apóstolos e dos ministros da Palavra; na direção da Igreja, fazendo dela a
coluna e o baluarte da verdade, e dando eficácia à verdade nos corações e nas vidas dos
crentes.
 A volta física de Cristo:
 “O ponto supremo não será alcançado enquanto aquele que sofreu nas mãos do homem
não voltar na qualidade de juiz” (Louis Berkhof) (Mt. 19.28; 25.31 – 34; Lc 3.17; Jo
5.22,27; At 10.42; 17.31; Rm 2.16; 14.9; 2Co 5.10; 2Tm 4.1; Tg 5.9).
 Alguns dizem que a promessa de Cristo foi cumprida na unção do Espírito Santo, porém,
essa foi apenas a volta espiritual, e terá uma volta visível, prevista nas Escrituras (At
1.11), e também há registros bíblicos que dizem pra nós esperar a volta de Cristo mesmo
depois da descida do Espírito Santo (1Co 1.7; 4.5; 11.26; Fp 3.20; Cl 3.4; 1Ts 4.15 – 17;
2Ts 1.7 – 10; Tt 2.13; Ap 1.7).
 O propósito da volta gloriosa escatológica de Cristo é o de julgar o mundo e aperfeiçoar a
salvação do Seu povo (Mt 24.30,31; 25.31 – 46).

PERGUNTAS:

- Dê uma definição resumida do estado de exaltação.

- Exponha os quatro estágios do estado de exaltação de Cristo.

e- Ofício profético:
 Há, em regra, três ofícios principais: profético, sacerdotal e real.
 Esses ofícios são importantes, e a distinção deles também, para entender a necessidade que os homens
têm dEle.
 Os termos empregados pra palavra “profeta” nas Escrituras são, em hebraico: nabhi (alguém que vem
com mensagem da parte de Deus para o povo); ro’eh (termo com tradução semelhante à chozeh, alguém
80

que recebe revelações da parte de Deus). E em grego: prophetes, do verbo prophemi, que significa
proferir.
 Nos versículos Ex 7.1 e Dt 18.18, vemos que há dois elementos no oficio profético, um ativo e outro
passivo. O profeta recebe as revelações divinas pelo meio que Deus deseja, e comunica essas revelações
ao povo (Nm 12.6 – 8; Is 6; Jr 1.4 – 10; Ez 3.1 – 4,17).
 O elemento passivo é o mais importante, porém, o ativo que faz do profeta um profeta de fato.
 Os profetas tinham o dever de revelar a vontade de Deus ao povo, na forma de instrução, admoestação,
exortação, promessas gloriosas ou censuras severas.
 Não podemos esquecer que o papel principal deles está intimamente ligado com as promessas da graça
de Deus para o futuro naquele contexto.
 Os profetas também tinham o papel simbólico, tipificando o Grande Profeta que havia de vir (Dt 18.15;
1Pe 1.11).
 Cristo foi profeta antes e depois da encarnação (1Pe 1.11).
 Toda a Sua obra em vida e os tipos e cerimônias do Antigo Testamento são ensinos, ou seja, Seu ofício
profético é revelado na mensagem exposta por Ele, seja por Sua obra, seja nos símbolos que O
prefigurava.
 Cristo exerce Seu ofício profético mediatamente, por meio das mensagens que Ele transmitiu através do
que Ele fez na época bíblica, e imediatamente, através do Seu Espírito, que age, governa e cuida de Sua
Igreja.
 Há várias provas bíblicas do Ofício profético do Messias, inclusive no Antigo Testamento (Dt 18.15; At
3.22,23; Lc 13.33; Jo 8.26 – 28; 12.49,50; 14.10,24; 15.15; 17.8,20; Mt 24.3 – 35; Lc 19.41 – 44; Mt
7.29; Mt 21.11,46; Lc 7.16; 24.19; Jo3.2; 4.19; 6.14; 7.40; 9.17).

PERGUNTAS:

- Qual a diferença entre o elemento passivo e o elemento ativo do ofício profético?

- Como e quando Cristo atua em Seu ofício profético?

f- Ofício sacerdotal:
 Os termos empregados para “sacerdote”, na Bíblia são: kohen (em hebraico, e significa posição honrosa
e de responsabilidade, tendo autoridade sobre os outros); hiereus (em grego, e significa “um ser
poderoso”, “uma pessoa sagrada” ou ainda “uma pessoa dedicada a Deus”).
81

 A diferença de sacerdote e profeta é: “profeta foi nomeado para ser representante de Deus junto ao povo,
para ser Seu mensageiro e para interpretar a Sua vontade” (Louis Berkhof); sacerdote é o representante
do homem, do povo junto a Deus.
 As funções do sacerdote, baseando-se em Hb 5.1, Hb 7.25 e Lv 9.22, são: representante dos homens;
essa constituição vem de Deus; age no interesse dos homens; Sua obra consiste em oferecer sacrifícios
pelos pecados; intercessão pelo povo; abençoar em nome de Deus.
 O ofício sacerdotal do Redentor tem várias bases bíblicas (Sl 110.4; Zc 6.13; Hb 3.1; 4.14; 5.5; 6.20;
7.26; 8.1).
 A ideia sacrificial de Cristo ocupa lugar importantíssimo nas Escrituras, e foram sugeridas varias teorias
para explicá-la:
 Teoria do presente: os sacrifícios eram dádivas à divindade, com a intenção de estabelecer boas
relações e de garantir favores. Essa ideia está totalmente em desacordo com as Escrituras, pois
não há registro de presentes como modo de pedir favor, mas sim, como expressão de gratidão
(Hb 5.1).
 Teoria da comunhão sacramental: essa ideia baseia-se na ideia totêmica (participação de
características divinas dos animais), que era colocada em prática quando um animal era morto
para servir de comida para o homem, que comia literalmente seu deus e assimilava as qualidades
divinas. Isso é uma ideia totalmente antibíblica, mesmo sendo um caminho mais acessível aos
pagãos no inicio da igreja.
 Teoria da homenagem: O homem foi instigado a procurar comunhão com Deus por um
sentimento de dependência e por um desejo de prestar homenagem a Deus. Isso não está de
acordo com a ideia judicial da salvação.
 Teoria do símbolo: A morte do animal significava somente para garantir comunhão com Deus
através do símbolo da vida, o sangue. Essa teoria não se enquadra com a obra de Cristo, dando
valor no sangue, porém, não no que Cristo fez no geral.
 Teoria expiatória: Os sacrifícios tinham como objetivo a expiação vicária pelos pecados do
ofertante, e essa é a visão que mais está de acordo com as Escrituras.
 A obra sacrificial de Cristo simbolizada e tipificada pelos sacrifícios mosaicos:
 Há bases veterotestamentárias para se provar o caráter expiatório dos sacrifícios mosaicos: Lv
1.4, 4.29,31,35, 5.10, 16.7, 17.11; a imposição de mãos como simbolismo de transferência de
pecado e culpa (Lv 1.4; 16.21,22); a aspersão do sangue no altar e no propiciatório como uma
cobertura do pecado (Lv 16.27); o perdão dos pecados como efeito dos sacrifícios (Lv
4.26,31,35). Mesmo tendo outras muitas bases bíblicas, principalmente no Novo Testamento,
essas serão suficientes.
82

 Os sacrifícios também tinham um caráter profético, representando o Evangelho na Lei. Os


sacrifícios prefiguravam os sofrimentos viários de Cristo, e Sua morte expiatória (Cl 2.17; Hb
9.23,24; 10.1; 13.11,12).
 Baseando-se nessa ideia, Cristo é chamado “o Cordeiro de Deus” (Jo 1.29; Is 53).
 O propósito dos sacrifícios do Antigo Testamento é duplo: servia para expiar os pecados, porém,
não produzia restauração dos pecados. O propósito duplo, então, se resume em expiação de
pecados e simbolismo da obra expiatória de Cristo, concretizada na regeneração realizada pelo
Espírito Santo.
 A obra sacerdotal de Cristo envolve seu caráter sacerdotal e sacrificial. Muitas passagens da
Bíblia explicam melhor isso (Hb 5.1 – 10; 7.1 – 28; 9.11 – 15, 24 – 28; 10.11 – 14, 19 – 22;
12.24; 5.5; 7.26; 9.14).

PERGUNTAS:

- Qual é a diferença entre sacerdote e profeta?

- Foram sugeridas várias teorias para a ideia sacrificial de Cristo. Qual é a que está de acordo com as
Escrituras? Exponha-a.

- Qual a relação entre o sacrifício de Cristo com os sacrifícios mosaicos?

g- Causa e necessidade da expiação:


 Há algumas observações a serem feitas sobre as causas motoras da expiação:
 Alguns dizem que a expiação foi movida pelo amor compassivo de Cristo pelos pecadores,
porém, esta visão pressupõe uma cisão na Trindade.
 O que é real é que a expiação foi movida pelo beneplácito de Deus, em Sua vontade de salvar
pecadores mediante uma expiação substitutiva. O próprio Cristo encarnado é fruto desse
beneplácito (Is 53.10; Lc 2.14; Jo 3.16; Gl 1.4; Cl 1.19,20).
 Alguns dizem que a expiação foi causada por uma vontade arbitrária de Deus, porém, a vontade
dEle não era arbitrária, mas sim, movida pelo Seu amor e justiça (Rm 3.24,25).
 Há visões na história da igreja que entraram em desacordo com as Escrituras, em relação à necessidade
da expiação.
 As visões de que a expiação não era necessária (nominalistas) e de que a expiação era relativa ou
hipoteticamente necessária estão erradas. A segunda, porém, não totalmente. Podemos dizer que a
expiação é dependente à soberana vontade de Deus, porém, fora disso, devemos entender que a expiação
é absolutamente necessária para a manifestação da justiça e da misericórdia divinas.
83

 A necessidade da expiação é expressa nas Escrituras citando que Deus odeia e precisa condenar os
pecadores (Ex 34.7; Nm 14.18; Na 1.3; Sl 5.4 – 6; Na 1.2; Rm 1.18; 3.25,26).
 Também é expressa na imutabilidade da Lei divina e na veracidade de Deus, mostrando que a
transgressão da Lei traz penalidade, e a desobediência da aliança das obras nos traz a morte.
 Muitas vezes, essa ideia faz as pessoas crerem que Deus é um deus inferior ao homem, demonstrando
necessidade de satisfação para perdoar, diferentemente dos homens, porém, devemos entender que Deus
é perfeito e santo, e que Ele não muda, e que Ele é verdadeiro e cumpre o que Ele fala, não podendo ter
sombra de variação.

PERGUNTAS:

- Quais são as causas motoras da expiação, e quais os erros mais constantes acerca delas?

- Por que a expiação era necessária?

h- Natureza da expiação:
 Podemos chamar a doutrina da expiação também como doutrina da satisfação ou substituição penal.
 A expiação é objetiva, agindo na pessoa ofendida, ou seja, ela propicia a Deus a reconciliação com o
pecador (2Co 5.19,20).
 Não devemos esquecer que o sacrifício de Cristo traz reconciliação de Deus com os homens (Rm 5.10).
 O ofício sacerdotal aponta pra esse ponto, por Cristo representar os homens diretamente com Deus.
 Os sacrifícios, também, eram entregues diretamente a Deus, produzindo efeito em Deus.
 Também vemos que o sangue do sacrifício ficava interposto entre Deus e o pecado, afastando a ira
divina.
 Podemos falar assim: a propiciação realizada por Deus propicia a Deus o apaziguamento de Sua ira,
justificando os eleitos.
 A expiação também propicia a reconciliação, ou seja, transforma nossa inimizade com Deus em
amizade.
 O fato de Deus reconciliar consigo os eleitos não mostra nenhuma mudança moral no homem, mas o fato
de que as exigências da Lei estão satisfeitas, e Deus está satisfeito.
 A expiação mostra Cristo como libertador dos eleitos, que estavam presos e mortos pelas exigências da
justiça retributiva de Deus.
 “O preço é pago a Deus por Cristo como representante do pecador” (Louis Berkhof).
 O homem deve a Deus, devido à Queda, uma reparação, sendo possível isso apenas sofrendo
eternamente a penalidade.
84

 Deus, porém, designou um substituto, Jesus Cristo, para tomar o lugar do homem, expiando o pecado,
obtendo eterna redenção aos eleitos.
 A expiação é vicária (vicária = substituta), ou seja, parte da parte ofendida, representa misericórdia e
leva a reconciliação à vida eterna.
 A expiação vicária é possível quando: uma pessoa bondosa oferece pagar a penalidade pelo transgressor;
quando o Legislador aceita o pagamento. Isso se chama remissão.
 Não houve injustiça, houve, porém, uma justificação.
 Os sacrifícios do Antigo Testamento eram vicários. “O animal sacrificial toma, em sua morte, o lugar da
morte que cabia ao ofertante. É pena por pena” (Geerhardus Vos) (Lv 1.4; 16.20 – 22; 17.11).
 “... a culpa do pecado, como coisa passível de punição, foi imputada a Cristo; e esta só pôde ser
transferida porque não era inerente à pessoa do pecador, mas era uma coisa objetiva” (Louis Berkhof) (Is
53.6,12; Jo 1.29; 2Co 5.21; Gl 3.13; Hb 9.28; 1Pe 2.24).
 Há várias objeções contra a ideia de expiação vicária: a substituição nas questões penais é ilegal (isto é
infundado, principalmente quando os que defendem isso se baseiam nas legislações mais modernas); faz
o inocente sofrer pelo mau (isto é fato, mas não pode ser visto como objeção); faz Deus Pai culpado de
injustiça (isso é totalmente infundado por várias coisas, porém, é suficiente dizer que Deus é legislador,
e a obra vicária prova Sua justiça); não há união de Cristo com o homem que justificaria a substituição
(isso está errado pela doutrina da dupla natureza de Cristo, já estudada).
 A obediência ativa e passiva de Cristo devem andar juntas, como por exemplo, a sujeição ao sofrimento
e à morte era ativa (Jo 10.18), e a sujeição à Lei era passiva.
 Podemos dizer que a obediência ativa foi necessária para que a obediência passiva se tornasse aceitável,
ou seja, a obediência à observância da Lei tornou possível a expiação.
 Cristo cumpriu, não somente a Lei, mas a pena também.
 O cumprimento da pena faz parte da obediência passiva de Cristo.
 A obediência passiva de Cristo sobressai nessas passagens: Is 53.6; Rm 4.25; 1Pe 2.24; 3.18; 1Jo 2.2.
 A obediência ativa de Cristo sobressai nessas passagens: Mt 3.15; 5.17,18; Jo 15.10; Gl 4.4,5; Hb 10.7
– 9.

PERGUNTAS:

- O que significa dizer que a expiação é objetiva?

- O que significa dizer que a expiação é vicária?

i- Teorias divergentes da expiação:


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 Teoria do resgate pago a Satanás: Defendida por Orígenes, porém, sem base bíblica nenhuma, pois, o
diabo não retém nenhum direito.
 Teoria da recapitulação: Defendida por Irineu, fala que Cristo recapitula em si toda a vida humana,
incluindo os estágios pertencentes ao nosso estado como pecadores, também é uma teoria infundada,
pois diz indiretamente que Cristo participou da pecaminosidade.
 Teoria da satisfação (teoria comercial): Defendida por Anselmo, diz-se que a expiação é estritamente
necessária, baseando-se na natureza de Deus. Pelo pecado do homem, Deus ficou privado de Sua honra,
e era necessário que Ele vingasse essa ofensa, e isso só poderia ser feito pela punição ou satisfação.
Deus, pela Sua infinita misericórdia, satisfez infinitamente a Ele através de Seu Filho, Cristo. Por Ele ser
sem pecado, mas morrer e sofrer mesmo assim, deu glória infinita a Deus. Esta doutrina não baseia a
necessidade da expiação na justiça de Deus. Também não fica claro o fato de a expiação ser vicária.
Exclui a obediência ativa de Cristo como um contribuinte para a expiação.
 Teoria da influência moral: Defendida por Abelardo. Não há necessidade de satisfação da parte do
pecador, e a morte de Cristo não teve caráter expiatório. Foi uma simples demonstração de amor de
Deus, sofrendo com Suas criaturas. O sacrifício de Jesus serviu para revelar o amor divino, para
abrandar o coração humano e levá-lo ao arrependimento. É como se Cristo necessitasse informar para o
povo que não há necessidade de satisfação por parte de Deus. Só há o requisito de ir a Cristo com
coração penitente. Essa teoria é totalmente antibíblica, e foi criada para contrapor a teoria de Anselmo.
 Teoria do exemplo: Deus não necessita de satisfação, Ele simplesmente perdoa quem Ele quiser, sem
exigir nenhuma satisfação. Cristo apenas revela o caminho da fé e da obediência como caminho da vida
eterna, e dá exemplo de obediência. Essa teoria, defendida pelos socinianos, não coloca nenhuma ligação
entre a morte de Cristo e a salvação dos pecadores.
 Teoria governamental: Deus não exige, em regra, satisfação. Ele exige, se Ele quiser. Deus pode alterar a
lei, como lhe aprouver. A pena é posta de lado, no caso dos crentes. A morte de Cristo satisfez a ira que
Deus quis que Ele satisfizesse. O ponto principal da falácia que é essa teoria é o fato de dizer que Deus é
mutável e inconstante, e também sujeito à variação.
 Teoria mística: Ela semelhante à teoria da influência moral, porém, diz que Cristo provoca uma mudança
na vida subconsciente e produzida de maneira mística. “O princípio básico desta teoria é que, na
encarnação, a vida divina penetrou na vida da humanidade, a fim de elevá-la ao nível da divina” (Louis
Berkhof). Cristo tinha toda a pecaminosidade e toda a corrupção do homem, porém, não foram
manifestadas pela influência do Espírito Santo. Essa teoria chega a ser mais absurda do que a produzida
por Abelardo, incluindo pecaminosidade na vida do nosso santo Salvador Jesus Cristo.
 Teoria do arrependimento vicário: O arrependimento é a única satisfação exigida por Deus, porém, o
homem não é capaz de fazê-lo, então, Cristo ofereceu a Deus o requerido arrependimento, preenchendo
as condições do perdão. O Pai recebeu o sacrifício de Cristo como uma perfeita confissão dos nossos
pecados. Essa teoria tira as exigências expostas nas Escrituras pela Lei, tirando muitos outros erros.
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j- Propósito e extensão da expiação:


 A expiação tem como propósito principal afetar a relação de Deus com o pecador.
 Deus não mudou, pelo fato de ser imutável, mas Seu relacionamento com os objetos de Seu amor
expiatório mudou.
 A expiação não é uma causa do amor de Deus, mas uma expressão deste.
 Cristo recebeu, na expiação, a constituição como Espírito vivificante, e a fonte inexaurível de todas as
bênçãos da salvação para os eleitos.
 Cristo recebeu glorificação, a formação da Igreja e os confins da terra como Seu domínio e possessão.
 A expiação tornou a salvação para o homem tanto possível quanto garantida.
 A expiação tornou a salvação garantida, porém, não para todos. Somente para os predestinados para a
salvação, como diz as Escrituras (Ef 1.4,5; etc.).
 A expiação assegurou aos eleitos: a adequação da posição judicial mediante a justificação (incluindo
perdão dos pecados, adoção de filhos e o direito de uma herança eterna); A união mística com Cristo por
meio da regeneração e da santificação (mortificação do velho homem e revestimento do novo homem);
glorificação final e gozo da vida eterna.
 Extensão da expiação:
 O assunto sobre a extensão da expiação não se refere no fato de a satisfação de Cristo ser
suficiente pra todos (porque isso é fato inegável), ou sobre a oferta da salvação pela pregação ser
universal, mas a questão é: A expiação pelo pecado teve como finalidade salvar os eleitos ou
todos os homens?
 A posição reformada é: Cristo veio para salvar os eleitos, e somente eles.
 Os arminianos creem que Cristo veio para tornar a salvação possível a todos.
 A lógica pende totalmente para a aceitação da posição reformada, pois, se Deus, de acordo com
as Escrituras, cumpre Seus desígnios, e estes são segura e totalmente eficazes, e não podem ser
frustrados, se o Seu propósito fosse salvar todos os homens, esse propósito não poderia ser
frustrado. E, sem dúvida nenhuma, todos os cristãos afirmam que não são todos que serão salvos.
 As Escrituras confirmam a limitação do número dos eleitos (Jo 10.11,15,26; At 20.28;Ef 5.25 –
27; Mt 1.21; Rm 8.32 – 35).
 A obra sacrificial e a intercessória são aspectos da expiação, e as Escrituras comprovam a
limitação da extensão da obra intercessória (Jo 17.9).
 Também devemos salientar que, se uma pessoa é universalista, consequentemente ela tem que ser
universalista absoluta, ou seja, crer que, de fato, todos serão salvos.
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 A Bíblia afirma que a expiação não teve como fim apenas tornar possível a salvação, mas,
reconciliar Deus com o homem e dar aos homens efetiva posse da salvação eterna, que muitos
não conseguirão obter (Mt 18.11; Rm 5.10; 2Co 5.21; Gl 1.4; 3.13; Ef 1.7).
 A teoria arminiana faz da salvação uma obra condicional (dependendo de algo que nós fazemos),
em contraposto com o que as Escrituras afirmam. A expiação adquiriu não só a salvação para os
eleitos, mas também todos os meios pelos quais o homem recebe a salvação, a saber, o
arrependimento e a fé (Rm 2.4; Gl 3.13,14; Ef 1.3,4; 2.8,9; Fp 1.29; 2Tm 3.5,6).
 A objeção de que há passagens na Escritura que provam que Cristo morreu pelo mundo (Jo 1.29;
3.16; 6.33,51; Rm 11.12,15; 2Co 5.19; 1Jo 2.2) é totalmente infundada, pois, a palavra
“mundo”, na Bíblia, tem vários significados, como Lc 2.1, Jo 1.10, At 11.28, etc., nos comprova
claramente. Em grande parte das citações, a palavra “mundo” significa ou “todas as nações”, ou
“mundo dos crentes”.
 A objeção de que há passagens na Escritura que provam que Cristo morreu por todos os homens
(Rm 5.18; 1Co 15.22; 2Co 5.14; 1Tm 2.4,6; Tt 2.11; Hb 2.9; 2Pe 3.9) também é infundada,
pelo fato de se referir a todos os que estão em Cristo. Na passagem de Tito, se refere a todas as
classes de homens. E, se não tem essa explicação, pressupõe-se que todas as pessoas tem a
salvação garantida.
 Alguns afirmam que Rm 14.15 e 1Co 8.11 apoiam que a salvação pode ser perdida, porém, se
observarmos Rm 14.4, veremos que se trata apenas de uma exortação forçada pelo
comportamento muito ofensivo contra os fracos dos daquela igreja. Se trata de alguma coisa que
não pode acontecer, semelhantemente à 1Co 13.1 – 3 e Gl 1.8.

PERGUNTAS:

- O que a expiação influenciou em Deus, em Cristo e no homem?

- Qual visão sobre extensão da expiação está de acordo com as Escrituras? Exponha as teorias erradas sobre
isso.

k- Obra intercessória de Cristo:


 Cristo não foi sacerdote somente na Terra, mas é e será, até que a glorificação dos eleitos se cumpra.
 A obra intercessória faz parte do ofício sacerdotal que Cristo continua realizando.
 A obra intercessória de Cristo é prefigurada no Antigo Testamento pela queima diária de incenso no altar
de ouro, no lugar Santo.
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 Essa queima de incenso está intimamente relacionada com a apresentação de sacrifícios no altar de
bronze, porque o incenso só poderia ser queimado em brasas retiradas do altar das ofertas queimadas,
simbolizando que a intercessão se baseava no sacrifício, pois, de outro modo, não seria eficaz.
 A palavra parakletos, aplicado a Cristo (Jo 14.26,26; 15.26; 26.7; 1Jo 2.1) significa “alguém que é
convocado como auxílio, como advogado, como alguém que pleiteia a causa de outrem e também lhe dá
conselho” (Louis Berkhof).
 Cristo, então é nosso advogado, semelhantemente ao Espírito Santo (Jo 16.8; 14.26; 15.26; 16.14; Rm
8.42; Hb 7.25; 9.24), porém, “Cristo defende a nossa causa junto a Deus, enquanto o Espírito Santo
defende a causa de Deus junto a nós” (Louis Berkhof).
 Dá-se muita pouca atenção a essa obra, e isso é totalmente errôneo.
 A intercessão de Cristo consiste nas orações que Ele oferece em favor de Seu povo, mas não é só isso, e
é apenas isso que o povo de hoje entende por “obra intercessória”.
 A relação da entre intercessão e expiação se resume nessa sentença: “a expiação é real – um sacrifício e
uma oferta reais, e não mero sofrimento passivo – porque, em sua própria natureza, é uma intercessão
ativa e infalível; ao passo que, por outro lado, a Intercessão é uma intercessão real – uma intercessão
judicial, representativa e sacerdotal, e não mero exercício de influência – porque é essencialmente uma
expiação, ou seja, uma oblação substitutiva, feita de uma vez por todas no Calvário, agora apresentada
perpetuamente e usufruindo perpétua aceitação no céu” (Martin Hengel).
 Podemos entender que a intercessão é a apresentação do sacrifício vicário ao Pai (Hb 9.24).
 O valor judicial da intercessão se mostra na apresentação da expiação como defesa contra as acusações
de Satanás (Rm 8.33,34).
 A obra intercessória inclui, como já dito, a oração pelo povo de Deus (como é apresentado em Jo 17).
 A extensão da intercessão é semelhante à da expiação, ou seja, se estende somente aos eleitos (Jo 17.9;
Rm 8.34; Hb 7.25; 9.24).
 Existem várias coisas pelas quais Cristo intercede, como por exemplo, que os eleitos não-regenerados
sejam introduzidos no estado de graça, que os regenerados sejam perdoados pelos seus pecados diários,
etc.
 Devemos salientar para três características principais da intercessão de Cristo: Sua constância; Sua
autoridade (nada do que ele solicita tem base em termos legais, e, o que Ele pede, é dado, porque Sua
vontade é a vontade do Pai); Sua eficácia (como já citado, Sua vontade é a vontade do Pai).

PERGUNTAS:

- Quais os modos de colocação da intercessão do Antigo e Novo Testamento?

- Como você vê a ligação entre expiação e intercessão?

- Explique a obra intercessória de Cristo?


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- Quais as três características principais da intercessão de Cristo?

l- Ofício real:
 O reino de Cristo é sobre tudo (Sl 103.19).
 Há uma diferença entre o reino citado acima, na qualidade de segunda pessoa da Trindade, e a Realeza
Mediatória de Cristo, “revestida de forma, com uma nova aparência, administrada para um novo fim”
(John Dick).
 O reinado Espiritual de Cristo (Sl 2.6; 45.6,7; 132.11; Is 9.6,7; Jr 23.5,6; Mq 5.2; Zc 6.13; Lc 1.33;
19.27,38; 22.29; Jo 18.36,37; At 2.30 – 36 etc.) é o Seu governo real sobre o reino da graça, ou, sobre
Seu povo, Sua igreja. Relaciona-se com uma esfera espiritual. Também é espiritual porque leva a um fim
espiritual, a salvação do Seu povo.
 È espiritual também porque é administrado pela Palavra e pelo Espírito.
 O governo de Cristo como Cabeça (Ef 1.22; 415; 5.23; C 1.18; 2.19) indica a união mística entre Cristo
e a Igreja, diferentemente do Seu governo como Rei, que indica Sua autoridade e a esfera judicial dessa
relação.
 Características do reino abrangido pela realeza espiritual de Cristo:
 O reino da graça de Cristo não se originou na obra criadora de Deus, mas em Sua graça
redentora, ou seja, somente os eleitos fazem parte desse reino.
 É um reino espiritual, ou seja, é algo invisível, não perceptível externamente (Mt 8.11,12; 21.43;
Lc 17.21; Jo 18.36).
 Só se pode entrar nesse reino pela regeneração (Jo 3.3,5).
 O reino é presente e futuro, como é citado na época da vida terrena de Cristo (Mt 12.28; Lc
17.21; Cl 1.13). Isso é importante salientar para não cair no erro dos premilenistas, que dizem
que a vinda de Cristo será antes de Seu reinado milenar.
 O reino manifestado na vinda de Cristo será aperfeiçoado, sendo consumado num reinado visível
e majestoso. Essa manifestação não é uma evolução do reino, mas algo imediato.
 Esse reino está relacionado com a Igreja, porém, não é idêntico a ela.
 A cidadania do reino é a Igreja invisível, porém, o Seu campo de operações abrange tudo e todos.
 O reino mediatório de Cristo foi designado na eternidade, e começou a agir após a Queda (Pv 8.23; Sl
2.6).
 Mesmo governando como Mediador desde a Queda, Cristo só assumiu pública e formalmente Seu trono
e inaugurou Seu reino espiritual na ascensão aos céus após Sua ressurreição (At 2.29 – 36; Fp 2.5 – 11).
 O reinado de Cristo é eterno (Sl 45.6; 72.17; 89.36,37; Is 9.7; Dn 2.44; 2Sm 7.13,16; Lc 1.33; 2Pe
1.11).
 Cristo, como Rei sobre o Universo, domina tudo de acordo com o Seu interesse para com Sua Igreja.
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 Segue-se que o reinado de poder (regnum potentiae) de Cristo é uma forma de estabelecer, governar e
proteger o Seu reinado de graça (regnum gratiae), a saber, a Sua Igreja.
 Esse reinado de poder foi prometido como recompensa de Sua obra redentora (Sl 2.8,9; Mt 28.18; Ef
1.20 – 22; Fp 2.9 – 11).
 Em tese, o Seu reinado de poder se consumará na consumação da salvação, porém, entendemos que o
reinado eterno da Trindade permanece eternamente.

PERGUNTAS:

- Quando se originou o reinado da graça de Cristo?

- Qual é o pré-requisito principal para se participar do reino espiritual de Cristo?

- Exponha a cronologia do reino espiritual de Cristo.

- Qual é o objetivo primário do regnum potentiae de Cristo?


91

6- Aplicação da redenção:
a- Soteriologia:
 Soteriologia = soterios (salvação) + logos (palavra, princípio, discurso, estudo).
 A soteriologia trata da comunicação das bênçãos da salvação ao pecador e seu restabelecimento ao favor
divino e à vida de comunhão com Deus. É expressa nessa doutrina a completa dependência que o
homem tem de Deus.
 Ela trata da restauração, redenção e renovação, baseando-se na condição originária do homem e na
“quebra” da relação entre Deus e o homem pelo pecado.
 A obra da salvação vem apenas de Deus, sendo assim, monergista.
 Podemos nos referir à soteriologia como “aplicação da obra da redenção”.
 A Ordo Salutis (Ordem da salvação):
 Ela descreve, em sua ordem lógica, o processo pelo qual a obra de salvação, realizada em Cristo,
é concretizada nos corações e vidas dos pecadores.
 Na aplicação da obra da redenção, é possível distinguir vários movimentos no processo,
provando que Deus não aplica a plenitude da Sua salvação ao pecador num único ato.
 Na Bíblia, não há uma parte que exponha por completa a ordo salutis, porém, há passagens que
são importantes pra esse estudo (Rm 8.29,30).
 Ela também nos proporciona uma completa e rica enumeração das operações do Espírito Santo
na aplicação da obra realizada por Cristo a pecadores, e das bênçãos da salvação comunicadas a
elas. Nem sempre são usados os nomes usados na teologia, porém, recorre a outros nomes e
figuras de linguagem que significam a mesma coisa.
 Há várias passagens que expõe essa relação dos diferentes movimentos atuantes na obra da
redenção (Rm 3.30; 5.1; Gl 2.16 – 20; Rm 5.1,2; 6.18,22; 8.15 – 17; Gl 2.4 – 6; Rm 10.17; Gl
2.19,20; Ef 1.13,14; Ef 4.1,2; Fp 3.9,10; 1Pe 1.23).
 Por a Bíblia não ser específica na ordem da salvação, vemos grandes variações nas diferentes
religiões. O próprio João Calvino é considerado como subjetivo em relação a isso, sendo
corrigido pelos reformados seguintes a ele.
 Conceito reformado:
 Partindo do pressuposto de que a condição espiritual do homem depende diretamente de
Sua relação com a Lei, ou seja, de ser culpado ou não, a ordo salutis começa com a
justificação, ou, a imputação da justiça de Cristo no pecador, que fica livre da influência
corruptora e destrutiva do pecado.
 Inclui-se, também, a imputação da justiça de Cristo no eterno conselho de Deus, ou
predestinação.
 Alguns falam que a ordo salutis começa apenas com a regeneração, tratando-a dessa
maneira: começa-se com a regeneração ou a vocação, segue-se com a conversão, tendo
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como consequência a santificação, concluindo com a perseverança dos santos e sua


glorificação final.
 Uma coisa importante de se distinguir é os atos judiciais (como a justificação), que
alteram o estado do homem perante a Lei, e os atos recriadores (como a regeneração), que
antera a condição do pecador.
 Os atos judiciais são a base dos atos recriadores.
 Conceito luterano:
 O único ponto importante a comentar sobre esse conceito é que tem uma ênfase enorme
na fé, sendo ponto de partida, e motivo para que tudo se concretize.
 Conceito católico romano:
 As crianças são regeneradas no batismo.
 Os que conhecem o Evangelho mais tarde recebem a graça suficiente (gratia sufficiens),
e, se aceitarem ela, essa graça se transformará em graça cooperante (gratia co-operans),
sob a qual o homem coopera para preparar-se para a justificação.
 A preparação consiste em: aceitar confiantemente a Palavra de Deus; percepção da
condição pecaminosa; esperança na misericórdia de Deus; amar a Deus e se sentir amado
por Ele; aversão pelo pecado; resolver obedecer aos mandamentos divinos; desejar
receber o batismo.
 Após tudo isso, a pessoa é justificada após o batismo.
 A graça da justificação pode ser perdida por vários motivos, porém, pode ser
reestabelecida pelo sacramento da penitência.
 Conceito arminiano:
 A ordem de salvação arminiana se resume nisso: a obra da salvação é atribuída a Deus,
porém, depende da atitude e da obra do homem.
 Eles creem que Cristo morreu por todo o mundo, tornando possível a salvação a todos.
 A depravação não é total, é apenas parcial, pois não há lógica na nossa culpa total pelo
pecado de Adão. Nós sofremos pela Queda, mas não ao ponto de não fazermos bem
espiritual nenhum.
 O arrependimento e a fé não são resultados da regeneração (como diz o calvinismo), mas
é introdutório ao estado da graça, vindo essencialmente de nós, se quisermos.
 O arminianismo wesleyano é mais infundado do que o arminianismo clássico, pois crê na
depravação total, mas segue a mesma linha de ordo salutis.
 Resumindo sobre a ordo salutis bíblica: eleição (antes da criação, por causa de Sua soberana e boa
vontade, Deus escolhe algumas pessoas para serem salvas); chamado (Deus convoca pessoas para si
mesmo através da proclamação humana do evangelho, e eles respondem com fé salvadora); regeneração
(Deus, secreta e soberanamente, concede vida espiritual àqueles que foram chamados); justificação (um
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ato judicial e instantâneo de Deus, no qual Ele declara que os nossos pecados estão perdoados e que a
justiça de Cristo é nossa); adoção (um ato de Deus no qual Ele nos torna membros de Sua família);
conversão (voluntariamente respondemos ao chamado do evangelho arrependendo-nos do pecado e
colocando a fé em Cristo para a salvação); santificação (um trabalho progressivo de Deus e do homem,
ao longo da vida, que nos liberta do pecado e nos trona mais semelhantes a Cristo); perseverança (todos
aquele que são justificados serão mantidos pelo poder de Deus e irão perseverar como cristãos até o fim
de suas vidas); e glorificação (Deus finalmente removerá todos os vestígios do pecado do cristão e lhe
dará um corpo ressurreto).
 Devemos deixar claro que a principal diferença do conceito de salvação do conceito reformado pro
arminiano é: reformado começa com Deus (regeneração, depois arrependimento e fé); arminiano começa
com o homem (arrependimento e fé, depois regeneração).

PERGUNTAS:

- Do que se trata a soteriologia?

- O que é ordo salutis?

- Exponha os diferentes conceitos de ordo salutis. Qual é o mais coeso com as Escrituras?

- Resuma a ordo salutis, em sua opinião.

b- Operação do Espírito Santo:


 Cristo continua operando a obra da redenção, mas mais diretamente por meio do Espírito Santo.
 É importante distinguir que o Espírito Santo não age de modo específico apenas na obra da redenção,
mas também na criação.
 Devemos distinguir as obras do Espírito Santo em especiais (obra da redenção) e gerais (as demais):
 Operações gerais do Espírito Santo:
 No Antigo Testamento, sabe-se que as distinções trinitárias não são tão nítidas. Nem sempre
quando é citado “Espírito de Deus” se trata, de fato, do Espírito Santo (Jó 32.8; Sl 33.6; 139.7,8;
Is 40.13).
 A comunicação da vida é uma operação do Espírito Santo (Gn 1.2; 2.7; Jó 33.4; 34.14,15; Sl
104.29,30; Is 42.5). “O Espírito de Deus gera vida e leva a obra criadora de Deus a completar-se”
(Louis Berkhof).
 É evidente no Antigo Testamento que a origem, manutenção e desenvolvimento da vida
dependem da operação do Espírito Santo. A retirada do espírito significa morte.
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 O Espírito Santo está relacionado a demonstrações de poder, força e audácia, demonstrados por
homens que receberam isso dEle (Jz 3.10; 6.34; 11.29; 13.25; 14.6,19; 15.14).
 O Espírito Santo influencia na esfera intelectual (Jó 32.8).
 O Espírito Santo é relacionado ao aprimoramento da habilidade artística (Ex 28.3; 31.3; 35.30).
 O Espírito Santo qualifica os homens para diversos ofícios (Nm 11.17,25,26; 27.18; 1Sm
10.6,10; 16.13,14).
 O Espírito Santo age como Espírito de revelação (2Sm 23.2; Ne 9.30; Ez 11.24; Zc 7.12).
 A relação entre as operações gerais e as operações especiais:
 Elas são similares nisso: as operações gerais são usadas para originar, manter, fortalecer e dirigir
toda a vida orgânica, moral e intelectual; as especiais são usadas para originar, capacitar, dirigir,
e levar a vida regenerada ao seu destino.
 A diferença é que as operações gerais fazem tudo isso para manter o controle sobre a vida da
criação natural, enquanto a outra serve para cuidar dos eleitos de forma pessoal.
 De certo modo, as operações gerais são subordinadas às operações relacionadas à redenção, pois,
“tudo coopera para o bem daqueles... chamados segundo o Seu propósito”, e tudo deve continuar
cooperar.
 O Espírito Santo é o despenseiro da Graça Divina, podendo ser chamado, de certo modo, de O Aplicador
da graça divina.
 A palavra “graça” no Antigo Testamento (chen) pode significar “graciosidade, beleza” (Pv 22.11;
31.30), mas, na maioria das vezes em que é empregada, significa “favor, boa vontade” (Gn 6.8; 19.19;
33.15; Ex 33.12; 34.9; 1Sm 1.18; 27.5; Et 2.7).
 “A ideia fundamental é a de que as bênçãos graciosamente concedidas são dadas livremente
(gratuitamente), e não em consideração a qualquer reivindicação ou mérito” (Louis Berkhof).
 A palavra “graça” no Novo Testamento (charis) pode significar “aparência externa agradável” (Lc 4.22;
Cl 4.6), “favor, boa vontade, simpatia” (Lc 1.30; 2.40,52; At 2.47; 7.46; 24.27; 25.9), “bondade do
Senhor” (2Co 8.9), “favor concedido por Deus” (2Co 9.8, referindo-se a bênçãos materiais; 1Pe 5.10),
“emoção despertada no coração do favorecido” (Lc 4.32; 1Co 10.30; 15.57; 2Co 2.14; 8.16; 1Tm 1.12).
 Mesmo com tantas possibilidades de tradução no Novo Testamento, a palavra “charis” é traduzida por
“imerecida operação de Deus no coração do homem, mediante o Espírito Santo” (Rm 3.24;
5.2,15,17,20; 6.1; 1Co 1.4; 2Co 6.1; 8.9; Ef 1.7; 2.5,8; 3.7; 1Pe 3.7; 5.12).
 Devemos entender que a graça é um atributo de Deus, o amor imerecido, livre e soberano de Deus ao
homem depravado, amor que é manifestado no perdão do pecado e no livramento da pena.
 Jesus Cristo é a encarnação viva da graça de Deus (Jo 1.14; Tt 2.11).
 A graça é relacionada com todo o processo da ordo salutis e com as bênçãos da obra da redenção (Rm
3.24; 5.2,21; Tt 3.15; At 11.23; 18.27; Rm 5.17; 1Co 15.10; 2Co 9.14; Ef 4.7; Tg 4.5,6; 1Pe 3.7).
95

 A graça, quando tratada de forma ativa, se torna sinônimo do Espírito Santo (1Co 15.10; 2Co 12.9; 2Tm
2.1; At 6.5, 8; Hb 10.29).
 Resumindo tudo isso, “... Deus distribui suas bênçãos aos homens de maneira livre e soberana, e não em
consideração a algum mérito dos homens; que os homens devem todas as bênçãos da vida a um Deus,
perdoador e longânimo; e especialmente que todas as bênçãos da obra de salvação são dadas
gratuitamente por Deus, e de maneira nenhuma são determinadas pelos supostos méritos dos homens”
(Ef 2.8,9; Rm 3.20 – 28; 4.16; Gl 2.16).
 Diferentes definições de graça na história da igreja:
 Pelágio: graça é o poder de fazer o bem (possibilitas boni), o livre-arbítrio propriamente dito; a
revelação, a lei e o exemplo de Cristo, que tornam a prática da virtude mais fácil para o homem;
a nossa capacitação, pela nossa própria vontade, de abster-nos de pecar, e Deus nos dar o auxílio
da Sua lei e dos Seus mandamentos, e Seu perdão prévio dos pecados daqueles que voltam para
Ele, influências sobrenaturais sobre o cristão, pelas quais o entendimento recebe a iluminação e a
prática da virtude se lhe torna mais fácil. Ele não cria na ação direta do Espírito, simplesmente
por achar que o homem é suficiente em si.
 Agostinho: entendia que graça é o dom de Deus dado gratuitamente ao homem decaído,
manifestando-se no perdão do pecado e na renovação e santificação da natureza humana. Ele vê
essa necessidade por causa da depravação total do homem. Ele distingue a graça operante ou
proveniente, que é a que habilita a vontade a escolher o bem, da graça cooperante e subsequente,
que coopera com a vontade já habilitada. Ele salientava o caráter gratuito e irresistível da graça,
para bater de frente contra os semipelagianos.
 Os escolásticos viam a graça como que mediada pelos sacramentos, e misturavam a doutrina da
graça com a dos mérito, comprometendo seriamente tanto a primeira quanto a outra.
 Os reformadores retornaram quase que inteiramente à doutrina da graça de Agostinho, porém,
sem o sacramentalismo exacerbado deste.

PERGUNTAS:

- Qual é a relação entre as operações gerais e as especiais, do Espírito Santo?

- O que significa “graça”?

- Quais as duas principais visões históricas sobre graça? Qual a sua opinião sobre isso?

c- Graça comum:
 Pra teologia reformada, a graça comum não faz parte da soteriologia, diferentemente da teologia
arminiana.
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 Essa doutrina busca resolver o problema do fato de haver muito do que é bom e belo no meio do povo
que não faz parte dos eleitos.
 Agostinho não ensinou, diretamente, a doutrina da graça comum, porém, deixou bem nítida a
dependência do homem por causa do pecado. Tudo é questão de graça dada por Deus.
 Pelágio, em contraste com Agostinho, não acreditava na necessidade intrínseca da graça, acreditava que
a única graça que Deus nos concede os dons, os dotes naturais do homem, da Lei e do Evangelho, do
exemplo de Cristo, e da iluminação do entendimento por uma graciosa influência de Deus.
 Agostinho acreditava que os atos misericordiosos, discretos, castos, etc., dos não-regenerados são bons e
até louváveis, porém, são pecados porque não brotam da motivação do amor a Deus ou da fé, e não
correspondem ao único propósito correto – a glória de Deus.
 O catolicismo da idade Média crê numa espécie de participação da vontade do homem com a ajuda da
graça divina, ou seja, a graça comum não é motivo único das boas atitudes.
 Lutero tinha um ideal semelhante à igreja católica.
 Zuínglio entedia o pecado como corrupção, não como culpa, ou seja, considerava a graça de Deus
apenas santificante, não perdoadora. De acordo com a graça comum, a graça é santificante, mas é
perdoadora também, e Zuínglio errou muito nisso, pois o caráter perdoador da graça divina é essencial
pra salvação.
 Calvino cria na total incapacidade do homem de fazer qualquer ato bom, e, baseando-se nisso,
desenvolveu a doutrina da graça comum. A graça comum reprime o poder destrutivo do pecado,
mantendo a ordem moral do Universo, promovendo o desenvolvimento da sociedade, da ciência e da
arte.
 Dois teólogos em especial defenderam e desenvolveram essa doutrina: Herman Bavinck e Abraham
Kuyper.
 A graça comum (gratia communis) distingue-se da graça particular (gratia particularis), pois a primeira
se estende a todos, e a segunda, apenas aos eleitos.
 O doutor Herman Kuiper deu três títulos à graça comum para tentar explicá-la melhor: Graça comum
universal (se estende a todas as criaturas); graça comum geral (se aplica à comunidade em geral e a cada
membro da raça humana); e graça comum pactual (comum aos que vivem na esfera da aliança,
pertencendo a ela ou não).
 Também há as operações ordinárias do Espírito Santo, a saber, as obras realizadas pelo Espírito Santo
nos não-eleitos, provocando algo neles, mas muito aquém da real eficácia salvífica.
 Não há duas graças de Deus, porém, ela se manifesta de diferentes modos. O modo salvífico é só um
desses modos.
 A graça de Deus se manifesta também nas bênçãos naturais derramadas sobre o homem durante a vida,
mesmo o homem perdendo o direito a elas.
97

 Deus pode até ser bondoso, misericordioso, benigno, etc., para com o homem, porém, nada disso seria
possível se Ele não fosse gracioso.
 Quando falamos de graça comum, estamos nos referindo às operações gerais do Espírito Santo,
restringindo o pecado, mas não exercendo influência salvífica, e às bênçãos gerais, como a chuva, o Sol,
etc.
 A graça especial é limitada pelo decreto da eleição, e a graça comum é outorgada indiscriminadamente a
todos os homens.
 A graça especial salva o pecador, e a graça comum apenas restringe o pecado.
 A graça comum envolve o chamado de bona fide, a saber, a pregação destinada a todo o mundo.
Baseando-se nesse chamado universal, a graça especial age nos eleitos, se tornando chamado eficaz.
 A graça especial age de modo espiritual e recriador, e a graça comum age de forma racional e moral.
 Na teologia arminiana, a graça comum faz parte da ordo salutis, pois, de acordo com eles, Cristo morreu
para dar a oportunidade de todos se salvarem.
 De acordo com Abraham Kuyper, a graça comum flui da obra da criação, não da obra da redenção.
Porém, mesmo com essa ideia de Kuyper, a pergunta permanece: “Como pode Deus continuar
concedendo bênçãos a homens que estão sob sentença de morte e condenação?”.
 Uma resposta bem satisfatória é que a graça comum, como já dito, não tem nenhuma obra salvífica, mas,
simplesmente, demonstra a longanimidade de Deus, e isso é muito bem explicado em Rm 9.22.
 Também é explicável o fato de que algumas bênçãos da graça comum são fruto da obra da redenção,
como explica essa frase: “Se Cristo devia salvar uma raça eleita, paulatinamente chamada do mundo da
humanidade no transcurso dos séculos, era necessário que Deus exercesse paciência, detivesse o curso
do mal, promovesse o desenvolvimento das faculdades naturais do homem, mantivesse vivo no coração
dos homens o desejo de manter a justiça civil, a moralidade exterior e a boa ordem na sociedade, e
derramasse incontáveis bênçãos sobre a humanidade em geral” (Louis Berkhof).
 Resumindo, a graça comum tem o Seu propósito na obra redentora de Jesus Cristo. Tudo gira em torno e
tem como objetivo principal a obra redentora dEle.
 Meios pelos quais opera a graça comum:
 A graça comum é operada pela luz da revelação de Deus, a saber, o conhecimento que é recebido
dEle.
 É operada pelos governos, como meios para a manutenção da boa ordem na sociedade (Rm 13).
 É operada pela opinião pública movida pela revelação de Deus geral, movido à luz de Sua
revelação especial.
 As punições e recompensas pelas obras também são meios de operação da graça comum.
 Frutos da graça comum:
 Deus dispõe da graça comum de dar mais tempo à vida terrena dos homens para mostrar que, de
fato, eles não quiseram ser salvos, sustentando, assim, que a execução da sentença é justa.
98

 Deus restringe o pecado, para manter a ordem. João Calvino resume bem isso ao dizer “... se o
Senhor deixasse todas as mentes soltas para desenfrear-se em suas luxúrias, sem dúvida não há
nenhum homem que não mostrasse que a sua natureza é capaz de praticar todos os crimes de que
Paulo o acusa (Rm 3)”. Devemos deixar claro que essa restrição não muda o coração, ou, não
tem nenhum resultado salvífico.
 Deus preserva certa percepção da verdade, moralidade e religião (Rm 2.15).
 Deus permite que haja certa prática do bem público e da justiça civil dos não-regenerados,
porém, mesmo esses bens sendo úteis materialmente, espiritualmente continuam sendo
considerados pecado, pois não tem como objetivo final a glória de Deus (2Rs 10.29,30; 12.2;
14.3, 14 – 16, 20, 27; Lc 6.33; Rm 2.14,15).
 Deus dá bênçãos naturais aos ímpios também (Gn 39.5; Sl 145.9,15,16; Mt 5.44,45; Lc 6.35,36;
At 14.16,17; 1Tm 4.10).
 Os arminianos, contrapondo-se aos calvinistas, disseram que a graça comum é parte integrante da ordo
salutis, que habilita o homem a arrepender-se e a crer em Jesus. Essa ideia, de acordo com a soteriologia
deles, é correta, porém, a luz das Escrituras, não é verdadeira.
 Os anabatistas (menonitas) partem do extremo de crer que não há bem nenhum nos homens em geral,
sendo contra a doutrina de graça comum.

PERGUNTAS:

- Qual a história dessa doutrina? Qual foi o primeiro a formular, de fato, a doutrina?

- Qual é a principal diferença entre graça comum e graça especial (particular)?

- Como pode Deus continuar concedendo as bênçãos a homens que estão sob sentença de morte e
condenação?

- Quais os meios pelos quais a graça comum opera?

- Quais os frutos da graça comum?

- Exponha a ideia arminiana sobre graça comum? Se há erros, exponha-os.

d- União mística:
 João Calvino expõe a ideia de que o pecador só pode participar dos benefícios da obra redentora de
Cristo se estiver em união com Ele.
 Assim como Adão foi a cabeça representativa de toda a humanidade, assim também Cristo foi a cabeça
representativa dos eleitos.
99

 A união mística entre Cristo e os Seus eleitos é necessária para que haja a comunicação das bênçãos
salvíficas.
 A união entre Cristo e os Seus eleitos é efetuada pelo Espírito Santo, de maneira sobrenatural e
misteriosa, razão pela qual é chamada de unio mystica (união mística).
 Os luteranos creem que essa união é possibilitada pela fé.
 A teologia reformada abrange a união mística não somente da união subjetiva de Cristo e os eleitos, mas
também da união federal (representativa) de Cristo e os que Lhe pertencem no conselho da redenção, da
união estabelecida idealmente no conselho da redenção, da união efetuada objetivamente em Cristo e da
união realizada subjetivamente pela operação do Espírito Santo.
 A união federal se resume nisso: “... Cristo se incumbiu voluntariamente de ser a Cabeça e o Penhor dos
eleitos, destinados a constituir a nova humanidade e, como tal, a estabelecer a justiça deste diante de
Deus, cumprindo a pena pelo seu pecado e prestando perfeita obediência à lei e, assim, garantindo o Seu
direito à vida eterna. Nessa aliança eterna, o pecado do Seu povo foi imputado a Cristo, e a Sua justiça
foi imputada a eles” (Louis Berkhof).
 A união estabelecida idealmente (a união foi idealizada na eternidade) no conselho da redenção resume-
se no fato de os eleitos estarem unidos a Cristo na aliança da redenção, podendo passar as bênçãos
merecidas a eles.
 A união estabelecida objetivamente (a união foi concretizada pela obra realizada em Cristo) em Cristo
resume-se no fato de a Igreja sofrer o que tinha que sofrer em Cristo.
 A união realizada subjetivamente pela operação do Espírito Santo resume-se no fato de a obra da
redenção ser concretizada no eleito pela operação direta dEle.
 A união mística é “a união íntima, vital e espiritual entre Cristo e o Seu povo, em virtude da qual Ele é a
fonte da Sua vida e poder, da Sua bendita ventura e salvação” (Louis Berkhof) (Jo 15.5; 1Pe 2.4,5; Ef
5.23 – 32; Ef 4.15,16).
 Características da união mística:
 É uma união orgânica, ou seja, forma um corpo, sendo Cristo a Cabeça, e prova-se a
variedade de ministérios praticados pelo corpo (Jo 15.5; 1Co 6.15 – 19; Ef 1.22,23;
4.15,16; 5.29,30).
 É uma união vital, ou seja, Cristo é o princípio vitalizador e dominante no corpo dos
crentes (Gl 4.19, 20; Rm 8.10; 2Co 13.5).
 É uma união mediada pelo Espírito Santo, ou seja, pelo Espírito Santo, Cristo habita nos
crentes, e Ele também une os crentes a si e os entrelaça numa unidade santa (1Co 6.17;
12.13; 2Co 3.17,18; Gl 3.2,3).
 É uma união que implica ação recíproca, ou seja, o fato de Cristo imputar fé nos eleitos
implica na resposta dos eleitos em se unir a Cristo pela fé. Com a fé, é impossível rejeitar
100

essa união, fazendo com que a união mística seja uma consequência necessária da
imputação da fé (Jo 14.23; 15.4,5; Gl 2.20; Ef 3.17).
 É uma união pessoal, ou seja, Cristo está unido pessoal e diretamente ao eleito, sem
necessidade de mediação de autoridades eclesiásticas ou de igrejas (Jo 14.20; 15.1 – 7;
2Co 5.17; Gl 2.20; Ef 3.17,18).
 É uma união transformadora, ou seja, Cristo transforma os eleitos conforme Sua imagem.
Num sentido subjetivo, os eleitos sofrem, levam a cruz, são crucificados, morrem e
ressuscitam em novidade de vida, com Cristo (Mt 16.24; Rm 6.5; Gl 2.20; Cl 1.24; 2.12;
3.1; 1Pe 4.13).
 Existem erros sobre a união mística importantes de serem citados: erro racionalista (se resume nessa
sentença de Augustus Hopkins Strong: “Um homem pode estar fora de Cristo, mas Cristo nunca está
fora dele”, e assim, tira o significado soteriológico da união mística); erro místico (há uma união em
essência entre Cristo e o crente, havendo até um extremista que diz: “Eu sou Cristo Jesus, a Palavra de
Deus viva; eu te redimi pelos meus sofrimentos sem pecado”); erro sociniano e arminiano (é uma união
simplesmente moral, tirando o caráter soteriológico); e o erro sacramentário (é uma união que necessita
da igreja como mediadora, e coloca nos sacramentos a importância de serem necessários para a união
com Cristo).
 A união mística não implica diretamente na imputação judicial.
 A união mística implica, sim, no reflexo do que é imputado por Cristo, nas obras resultantes.
 A união mística, de certo modo, mostra a dependência que nós temos de Cristo na prática das boas obras,
e isso se torna um antídoto contra a justiça própria.
 A união mística assegura o poder continuamente transformador da vida, não somente da alma, mas do
corpo também (2Co 3.18).
 A união mística inclui também a comunhão com Cristo, que nos faz participar das experiências que
Cristo passou inclusive o triunfo final (Rm 6.5,8; 8.17; 2Co 1.7; Fp 3.10; 1Pe 4.13).
 A união mística fornece a base para a unidade espiritual de todos os crentes, e consequentemente, a
comunhão dos santos (Jo 17.20,21; At 2.42; Rm 12.15; Ef 4.2,3; Cl 3.16; 1Ts 4.18; 5.11; Hb 3.13;
10.24,25; Tg 5.16; 1Jo 1.3,7).

PERGUNTAS:

- Como a teologia reformada abrange a união mística?

- Quais as características da união mística?


101

e- Vocações:
 De acordo com as Escrituras, a vocação externa (pregação da Palavra) precede a vocação interna
(regeneração) (Ez 37.1 – 14; At 16.14; Rm 4.17; Tg 1.18; 1Pe 1.23).
 Essa ideia resume-se no artigo XXIV da confissão Belga: “Cremos que esta fé verdadeira, produzida no
homem pelo ouvir a Palavra de Deus e pela operação do Espírito Santo, regenera-o de fato e faz dele um
novo homem, levando-o a viver uma vida nova e livrando-o da escravidão do pecado”.
 Não podemos esquecer que, mesmo com a vocação externa, a vocação interna é necessária para que esta
se torne eficaz.
 “Onde não se conhece o Evangelho, não se realiza a Aliança, mas onde se prega o Evangelho, Deus
estabelece a Sua aliança e glorifica a Sua graça” (Louis Berkhof).
 O Espírito Santo não age sem o Cristo apresentado no Evangelho.
 A ideia mística crida pelos anabatistas que diz que a regeneração vem, sem a ajuda da pregação, apenas
por “sentir” a regeneração, é totalmente descartável.
 Mesmo a vocação externa e interna serem uma só, é bom e importante separar a explicação uma da
outra.
 A vocação externa é universal, mas a interna, limitada ao conselho da eleição.
 Vocação em geral:
 A vocação é obra do Deus trino: É realizada pelo Pai (1Co 1.9; 1Ts 2.12; 1Pe 5.10); por meio de
Jesus Cristo (Mt 11.28; Lc 5.32; Jo 7.37; Rm 1.6); e o Filho chama por meio da Palavra e do
Seu Espírito (Mt 10.20; Jo 15.26; At 5.31,32).
 Distinguem-se na vocação as vocações real e verbal (vocatio realis e vocatio verbalis). A
vocação real é aquela exposta na revelação da Lei e da Natureza, algo que não é comunicado por
palavras (Sl 19.1 – 4; At 16.16,17; 17.27; Rm 1.19 – 21; 2.14,15). Na soteriologia, então, entra
em consideração apenas a vocação verbal, que é o ato gracioso de Deus pelo qual Ele convida
verbalmente os pecadores a aceitarem a salvação oferecida em Cristo Jesus.
 Podemos, resumidamente, expor a vocação verbal como o chamamento divino que chega ao
homem por intermédio da pregação da Palavra de Deus.
 Vocação externa:
 A vocação externa não é eficaz por si só.
 “A vocação externa consiste na apresentação e oferta da salvação em Cristo aos pecadores,
juntamente com uma calorosa exortação a aceitarem a Cristo pela fé, para obterem o perdão dos
pecados e a vida eterna” (Louis Berkhof).
 A vocação externa deve conter uma apresentação dos fatos do evangelho e da doutrina da
redenção, um convite ao pecador para aceitar a Cristo com arrependimento e fé e uma promessa
de perdão e salvação (2Co 5.11,20; Jo 6.28,29; At 19.4; Ez 33.11; Mc 1.15; Jo 6.29; 2Co 5.20;
Jo 3.16 – 18,36; 5.24,40).
102

 Devemos deixar claro que o pecador não tem poderes para arrepender-se e crer verdadeiramente,
somente pela operação direta do Deus trino (Fp 2.13).
 A recusa ao evangelho só mostra mais ainda o merecimento da condenação dos réprobos (Rm
2.4,5).
 A vocação externa é geral ou universal, não querendo dizer que já foi ministrada a todos, mas
que alcança a todos os que ouvem a Palavra de Deus, sem discriminação (Is 45.22; 55.1,6,7; Mt
11.28; Ap 22.17; Sl 81.11 – 13; Pv 1.24 – 26; Ez 3.19; Mt 2.2 – 8,14; Lc 14.16 – 24).
 Um aspecto importante é que a vocação externa deve ser comunicada de bona fide (boa fé), não
sem esperanças (Nm 23.19; Sl 81.13 – 16; Pv 1.24; Is 1.18 – 20; Ez 18.23,32; 33.11; Mt 21.37;
2Tm 2.13).
 Todos os que não creem, de fato, não querem crer (Jo 5.40).
 A vocação externa é usada para: Deus exigir obediência a todos; meio pelo qual Deus leva os
pecadores â conversão; é uma revelação da santidade, bondade e compaixão de Deus, oferecendo
a Palavra a todos (Sl 81.13; Pv 1.24; Ez 3.18,23; 33.11; Am 8.11; Mt 11.20 – 24; 23.37);
reafirma a justiça de Deus, em condenar justamente pelo fato de os réprobos rejeitarem a vocação
(Rm 1.20).

PERGUNTAS:

- Quais as vocações citadas? Explique-as e exponha a sequência em que elas acontecem.

- Qual é a importância da vocação externa?

- Qual a diferença entre vocação verbal e vocação real?

- Exponha a vocação externa.

f- Regeneração e vocação eficaz:


 Os termos “palingenesia”, “apokueo”, “suzoopoieo”, “ktizo” e “gennao” com “anothen” são os termos
usados para “regeneração” (Mt 19.28; Tt 3.5; Jo 3.3; Jo 1.13; 3.3,4,5,6,7,8; Ef 2.5,10; Cl 2.13; 1Pe
1.23; 1Jo 2.29; 3.9; 4.7; 5.1,4,18).
 O produto desta regeneração (nova criatura) é descrito na Bíblia com os termos “kaine ktisis” (2Co 5.17;
Gl 6.15) e “kainos anthropos” (Ef 4.24).
 Esses termos implicam nisso: a regeneração é obra criadora de Deus, sendo que o homem é puramente
passivo nessa obra, não havendo cooperação humana nenhuma; a obra criadora de Deus produz uma
vida nova, vivificada com Cristo, praticando boas obras; devemos distinguir a produção ou geração da
103

nova vida e o ato de dar à luz, ou o nascimento, sendo que o primeiro significa no princípio da nova vida
na alma, e o nascimento faz com que essa nova vida se torne ativa.
 A regeneração não é uma mudança ocorrida na substância humana, nem uma mudança apenas uma ou
algumas faculdades de nossa alma, mas sim, atinge totalmente a alma (coração no sentido bíblico), de
onde procedem as fontes da vida (Pv 4.23).
 Também não é uma mudança tal que impede o homem de pecar. A regeneração abrange todas as
faculdades da natureza humana, mas não elas completamente. Resumindo, a regeneração não abrange a
conversão e a santificação.
 “A regeneração consiste na implantação do princípio da nova vida espiritual no homem, numa radical
mudança da disposição dominante da alma, que, sob a influência do Espírito Santo, dá nascimento a uma
vida que se move em direção a Deus” (Louis Berkhof), e ela abrange o intelecto (1Co 2.14,15; 2Co 4.6;
Ef 1.18; Cl 3.10), a vontade (Sl 110.3; Fp 2.13; 2Ts 3.5; Hb 13.21) e os sentimentos ou emoções (Sl
42.1,2; Mt 5.4; 1Pe 1.8).
 A regeneração é uma transformação instantânea da natureza do homem. Ela não é um efeito gradual,
como a santificação.
 É uma obra que, em regra, não é perceptível instantaneamente.
 “Regeneração é o ato pelo qual o princípio da nova vida é implantado no homem, e a disposição
dominante da alma se faz santa e o primeiro exercício santo desta nova disposição é assegurado” (Louis
Berkhof).
 A relação da vocação eficaz com a vocação externa:
 A vocação eficaz ou interna junto com a vocação externa fazem parte de uma só vocação, porém,
é importante diferenciá-las.
 Toda vocação eficaz, realizada pela influência direta do Espírito Santo, é precedida pela vocação
externa, mas nem toda vocação externa é procedida pela vocação eficaz.
 A vocação eficaz é aplicada pela operação do Espírito Santo (1Co 1.23,24; 1Pe 2.9).
 A vocação eficaz é eficaz para a salvação (At 13.48; 1Co 1.23,24).
 A vocação eficaz não está sujeita a mudança, e jamais será retirada (Rm 11.29).
 A vocação eficaz age por meio da persuasão moral da pregação e pela poderosa operação do Espírito
Santo (deve-se deixar claro que apenas a persuasão moral não é eficaz em nada, sem a operação do
Espírito Santo).
 A vocação eficaz opera na vida consciente do homem, ou seja, a pregação opera de modo persuasivo e
moral na consciência do homem, que recebe o discernimento espiritual do Espírito Santo, resultando na
conversão, rumo à santidade.
 A vocação eficaz chama o homem para um certo fim, a saber, a comunhão de Cristo (1Co 1.9), herança
de bênçãos (1Pe 3.9), liberdade (Gl 5.13), paz (1Co 7.15), santidade (1Ts 4.7), esperança (Ef 4.4), vida
eterna (1Tm 6.12) e o reino e glória de Deus (1Ts 2.12).
104

 A regeneração age na vida subconsciente do homem, sem pedir necessariamente alguma atitude,
diferentemente da vocação, que se dirige à vida consciente, e implica certa mudança de disposição na
vida consciente.
 A vocação assegura os exercícios da nova disposição dada pela regeneração. Leva essa nova vida à ação.
 A vocação externa precede ou coincide com a obra regeneradora. Deus, por essa obra, gera a nova vida,
mudando a disposição interna da alma. Esse ato capacita o homem a ouvir o chamado de Deus para a
salvação, e nisso, o homem é totalmente passivo.
 Após a regeneração, ou junto dela, a pregação é ouvida, e, por essa mudança de disposição, o homem
compreende o chamado de Deus, e atende a ele.
 Pela vocação, são assegurados os primeiros exercícios santos da nova disposição que nasceu na alma.
 Por a condição para a obtenção de o favor divino ser santidade (Hb 12.14) e por estarmos mortos nos
nossos delitos e pecados (Ef 2.1), necessitamos de uma nova vida, uma regeneração.
 As Escrituras deixam claro essa necessidade da regeneração (Jo 3.3; 1Co 2.14; Gl 6.15; Jr 13.23; Rm
3.11; Ef 2.3,4).
 Os pelagianos creem que a regeneração é ação do homem. Os arminianos creem que a regeneração é, em
parte, ação do homem, sendo sinergista. Essas teorias negam a depravação total do homem, ensinada nas
Escrituras (Jo 5.42; Rm 3.9 – 18; 7.18,23; 8.7; 2Tm 3.4), e também negam a verdade bíblica de que é
Deus que age, não o homem (Rm 9.16; Fp 2.13).
 Teólogos como Charles Finney e Lyman Beecher criam que o Espírito Santo age de um modo
persuasivo também, mas, se fosse assim, nenhum homem seria regenerado (Rm 1.18,25).
 A única causa eficiente da regeneração é o Espírito Santo, sem nenhuma cooperação do pecador (Ez
11.19; Jo 1.13; At 16.14; Rm 9.16; Fp 2.13). A REGENERAÇÃO É MONERGISTA.
 A regeneração é imediata.
 A palavra da verdade distingue-se da Palavra Criadora do Espírito Santo na operação da regeneração. A
pregação não é necessária para a regeneração, mas para a vocação.
 Na maioria das passagens que tentam provar o contrário dessa ideia de imediatismo e negação da
influência da pregação (Tg 1.18; 1Pe 1.23; a parábola do semeador), vemos que, na maioria, não se
refere à regeneração de fato, mas sim, no nascimento, na concepção da nova vida, ou, vocação eficaz.
Em relação à parábola do semeador, observa-se que a mensagem passada por Cristo não tem a ver com a
regeneração, mas sim, geração de frutos.
 Conceitos divergentes de regeneração:
 Os pelagianos creem que a regeneração é total responsabilidade do homem.
 Os católicos, anglicanos e luteranos, em sua maioria, creem na regeneração batismal, mesmo que
alguns deles distinguem-se em seus conceitos.
 Os arminianos creem que a regeneração depende da escolha do homem.
105

PERGUNTAS:

- Exponha o que é regeneração e o que é a vocação eficaz, e o que distingue uma da outra.

- Qual a relação entre a vocação eficaz e a vocação externa?

g- Conversão:
 A Bíblia expõe vários sentidos de conversão:
 Conversões nacionais. Eram as conversões vividas no Antigo Testamento, arrependendo-se dos
pecados, e sendo poupados pelo Senhor (Jn 3.10). Essas conversões eram simplesmente da
natureza de reformas morais, às vezes, acompanhadas de algumas conversões religiosas de fato,
mas era sempre muito aquém da verdadeira conversão geral.
 Conversões temporárias. São as conversões relatadas na Bíblia que não acarretavam nenhuma
mudança no coração, tendo apenas significação passageira (Mt 13.20,21; 1Tm 1.19,20; 2Tm
2.17,18; 4.10; Hb 6.4 – 6; 1Jo 2.19). Essas conversões podem ter até aparência de conversão
verdadeira.
 Conversão verdadeira. Ela é gerada pela tristeza segundo Deus, e redunda numa vida de devoção
a Deus (2Co 7.10). É uma mudança que tem suas raízes na regeneração. Na conversão
verdadeira, distingue-se a conversão passiva (ato de Deus pelo qual Ele faz como que o pecador
regenerado, em Sua vida consciente, se volte para Ele com arrependimento e fé) da conversão
ativa (é o ato consciente do pecador resultante da conversão passiva, pelo qual ele, pela graça de
Deus, volta-se a Deus com arrependimento e fé). Há várias referências de verdadeiras conversões
na Bíblia (2Rs 5.15; 2Cr 33.12,13; Lc 19.8,9; Jo 9.38; Jo 4.29,39; At 8.30; At 10.44; At 9.5;
At 16.14).
 Devemos sempre ter em mente que o regenerado pode até ficar fragilizado na fé, porém, a nova
vida nunca permitirá que se perca (Lc 22.32; Ap 2.5,16,21,22; 3.3,19).
 A conversão faz parte do processo salvífico, porém, distingue-se dos outros elementos desse processo.
 A conversão altera a condição do homem, mas não a posição em relação a Deus.
 “Na conversão, o homem toma consciência do fato de que ele merece a condenação, e também é levado
ao reconhecimento desse fato” (Louis Berkhof).
 A conversão é um despertamento para a segurança no perdão dos pecados.
 A conversão faz da vida subconsciente transformada, uma vida consciente, trazendo-a a prática.
 A conversão é o início do despojamento do velho homem, e o revestimento do novo homem, resumindo,
início da luta pela santidade. A santidade substitui a pecaminosidade na regeneração, mas esta só se
torna externa através da conversão.
106

 A conversão é uma mudança instantânea, não um processo, como a santificação. A conversão pode
acontecer várias vezes, porém, não de um modo gradativo.
 A conversão é uma obra sobrenatural de Deus que resulta na mudança religiosa.
 Elementos diferentes na conversão:
 Os dois elementos da conversão são o arrependimento e a fé.
 A fé será exposta num capítulo a parte.
 O arrependimento apresenta três elementos: intelectual (reconhecimento de que o pecado envolve
culpa pessoal, contaminação e desamparo, reconhecer sua pecaminosidade) (Rm 3.29);
emocional (tristeza pelo pecado contra um Deus santo e justo) (Sl 51.2,10,14) (há também a
tristeza que não vem de Deus, que resulta apenas em remorso e desespero, 2Co 7.9,10, Mt 27.3 e
Lc 18.23); volitivo (abandono interior do pecado e disposição para a busca do perdão e da
purificação) (Sl 51.5,7,10; Jr 25.5).
 O catolicismo resume o arrependimento por medo do inferno, resumidamente.
 O arrependimento é um ato interno. Não podemos confundir o arrependimento com a mudança
de vida que dela procede.
 O arrependimento deve ser acompanhado de fé, pois, só há arrependimento sincero se houver fé.
 A conversão, para a psicologia da religião, é “um súbito reajustamento a um ambiente espiritual mais
amplo. No máximo, é o indivíduo entrando em harmonia àquilo que ele acha que é a vontade divina”
(Edwin Diller Starbuck).
 A ideia de conversão na psicologia da religião é totalmente oposta ao descrito nas Escrituras, porque
tiram Cristo como único mediador, e não leva em conta o caráter sobrenatural da conversão.
 Mesmo sendo errada a ideia de conversão na psicologia da religião, essa ciência tem certa importância, e
o estudo dela agrega muito conhecimento.
 Há psicólogos dessa área que expõe de modo parcial esse aspecto da conversão, de modo que não se
contrapõe com a teologia reformada, como os escritos de James Henry Snowden.
 Deus é o único autor da conversão (Sl 85.4; Jr 31.18; Lm 5.21; At 11.18; 2Tm 2.25).
 Deus produz o arrependimento por meio da Lei (Sl 19.7; Rm 3.20), e a fé por meio do Evangelho (Rm
10.17), mesmo havendo uma intrínseca relação entre a Lei e o Evangelho (2Co 5.11).
 Mesmo havendo certos meios (evangelho e a Lei), a fé e o arrependimento são frutos essencialmente da
influência iluminadora e frutificativa do Espírito Santo (Jo 6.44; Fp 2.13).
 Não podemos esquecer que há certa cooperação do homem na conversão (Is 55.7; Jr 18.11; Ez
18.23,32; 33.11; At 2.38; 17.30; etc.), mas que essa cooperação do homem é resultado de uma prévia
obra de Deus realizada neste (Lm 5.21; Fp 2.13).
 A necessidade da conversão é exposta nos versículos Ez 33.11 e Is 55.7.
 Devemos deixar claro que há íntima ligação entre regeneração, vocação eficaz, fé e a conversão.
107

PERGUNTAS:

- Quais os sentidos de conversão expostos na Bíblia?

- Exponha o que é a conversão.

- Quais os elementos da conversão? Exponha o arrependimento.

- Quais são os meios para a geração da fé e do arrependimento?

h- Fé
 A fé, como dita no capítulo anterior, é um elemento da conversão, o elemento positivo da conversão,
enquanto o arrependimento é o elemento negativo.
 A discussão desse tema separadamente é necessária para iniciar uma transição para a justificação pela fé.
 O termo no Antigo Testamento usado para fé é “emunah” em Hc 2.4, porém, em outros lugares,
significa simplesmente fidelidade (Dt 32.4; Sl 36.5; 37.3; 40.11).
 No Novo Testamento, é usado o termo “pistis”, que significa, algumas vezes, convicção, em outras,
confiança.
 Há expressões figuradas que descrevem a atividade da fé:
 Olhar para Jesus (Jo 3.14,15): Vê-se a percepção (elemento intelectual), uma fixação deliberada
dos olhos em Cristo (elemento volitivo) e uma satisfação que esse olhar nos testifica (elemento
emocional).
 Fome e sede, comer e beber (Mt 5.6; Jo 6.50 – 58; 4.14): Vê-se a necessidade intrínseca da fé, e
a certeza que ela nos satisfará.
 Ir para Cristo e recebê-lO (Jo 5.40; 7.37; 6.44,65; 1.12): “A figura do vir a Cristo retrata a fé
como uma ação na qual o homem olha para longe de si e dos seus próprios méritos, para ser
revestido da justiça de Jesus Cristo; e a do receber a Cristo ressalta o fato de que a fé é um órgão
de apropriação” (Louis Berkhof).
 A fé, no começo da história da igreja, foi grandemente levada em conta na ordo salutis, e Agostinho foi
o que mais deu consideração à essa matéria.
 A concepção de Agostinho sobre a importância da fé não foi compartilhada pela igreja, que confundiu a
fé com a ortodoxia, colocando uma importância inexistente na instituição da igreja católica apostólica
romana.
 Os escolásticos, com Tomás de Aquino, deu certa importância à fé, mas não abriu mão da importância
da ortodoxia.
108

 A melhor exposição de fé é a de João Calvino: “Teremos uma completa definição de fé se dissermos que
ela é um firme e seguro conhecimento do favor de Deus para conosco, fundado na verdade de uma
promessa gratuita em Cristo, e revelada às nossas mentes e selada em nossos corações pelo Espírito
Santo”.
 Não há muita diferença entre fé no Antigo Testamento e no Novo Testamento (Jo 5.46; 12.38,39; Hc
2.4; Rm 1.17; 10.16; Gl 3.11; Hb 10.38), a não ser pelo caráter progressivo da obra da redenção,
mesmo sendo mais ou menos evidente no Antigo Testamento.
 No período patriarcal, o método da salvação não era explicado de um modo subjetivo, mas, demonstrado
pela ação. Com Abraão e Noé, mais especialmente, vemos que a resposta adequada à promessa de Deus
é a fé.
 No período da Lei, não houve uma mudança fundamental na religião judaica, mas sim, mudou de uma
forma externa. Vê-se que o único objetivo da lei é aprofundar o sentimento de pecado e aguçar a
convicção de que só a graça de Deus pode salvar. O conceito da fé é constante, uma firme segurança no
Deus da salvação, no caso do Antigo Testamento, confiança na promessa do Salvador.
 Nos evangelhos, vemos que a fé é reconhecida como uma exigência para a salvação. Jesus Cristo é
descrito nos evangelhos como que se oferecendo constantemente como objeto de fé.
 Em Atos, vemos o papel da pregação como meio de adquirir a fé.
 Na Epístola de Tiago, vemos a fé como tendo necessariamente obras como consequência.
 Nas Epístolas de Paulo, vemos a fé como único meio de salvação, em contradição com os legalistas
judeus.
 Na Epístola aos Hebreus, vê-se o cuidado do autor em distinguir a verdadeira fé do desespero, e também
ele expõe um comentário perfeito sobre a obra de Cristo em comparação com a Lei.
 As epístolas de Pedro fortalecem a objetividade da fé, dando confiança aos crentes sobre a salvação. A
segunda epístola acentua a importância do conhecimento da fé.
 As Epístolas de João foram expostas contra o gnosticismo que deixava de lado a fé.
 A fé pode ser exposta, não apenas no sentido teológico e religioso: fé como crença provável de algo, mas
não necessariamente verdadeiro (eu creio, mas não tenho certeza); fé como certeza devido à percepção
(creio porque vi); fé no que uma pessoa diz (creio porque é você que disse).
 A fé, no sentido religioso, separa-se em quatro tipos de fé:
 Fé histórica: Crer que os fatos das Escrituras são, de fato, históricos. Essa fé não tem qualquer
propósito moral ou espiritual, mas não deixa de depender da operação geral do Espírito Santo.
 Fé miraculosa: Crer que um milagre será feito pela pessoa ou na pessoa. Esta pode, em regra, não
traz a fé salvadora, mas pode trazer (Mt 8.10 – 13; Jo 11.22, 40; At 14.9). Deus é soberano pra
realizar milagres quando Ele quiser, independente de essa fé existir ou não, mas Deus, de vez em
quando, deseja usar o homem como instrumento.
109

 Fé temporal: é a persuasão nas verdades religiosas, acompanhada de certa incitação da


consciência e de agitação dos afetos, mas sem raízes no coração regenerado, sendo, por isso,
temporal (Mt 13.20,21). “Em geral pode dizer que a fé temporal se baseia na vida emocional e
busca satisfação pessoal, em vez da glória de Deus” (Louis Berkhof).
 A verdadeira fé salvadora: é a fé que nasce no coração, e tem em suas raízes a vida regenerada
pelo Espírito Santo. Essa fé é, primeiramente, uma potencialidade produzida por Deus no coração
do pecador, e, depois disso, a fé é exercida. “Pode-se definir a fé salvadora como uma certa
convicção, produzida no coração pelo Espírito Santo, quanto à veracidade do Evangelho, e uma
segurança (confiança) nas promessas de Deus em Cristo” (Louis Berkhof).
 Devemos deixar bem claro que, mesmo sendo imputada por Deus, a fé é uma atividade do homem por
inteiro, não de alguma parte dele. Isso é importante pra seguir o estudo dos elementos da fé:
 Elemento intelectual: O conhecimento da fé tem um caráter positivo, onde o homem aceita como
verdadeiro tudo quanto Deus diz em Sua Palavra, em especial, a depravação total do homem e a
redenção que há em Cristo. A fé torna reais e certas para o crente as coisas futuras e invisíveis
expostas nas revelações de Deus. A mais visível resposta do que adquiri a fé é a crença nas obras
do Mediador e nas operações da graça, e no desejo intrínseco de buscar o conhecimento da
revelação de Deus.
 Elemento emocional: Esse elemento é essencial para se entender a diferença entre a fé salvadora
e a fé histórica, pois, deve-se haver essa convicção pessoal da verdade. O elemento intelectual é
mais passivo e receptivo, enquanto o emocional é mais ativo e transitivo.
 Elemento volitivo: Resume-se nisso: “consiste de uma confiança pessoal em Cristo como
Salvador e Senhor, incluindo a rendição da alma, culpada e corrupta, a Cristo, e o recebimento e
apropriação de Cristo como a fonte de perdão e da vida espiritual” (Louis Berkhof). Pode até não
ser percebido claramente no começo, mas, conforme a fé se desenvolve, é adquirido confiança e
segurança.
 O objeto da fé pode ser entendido em dois conceitos: fé geral (toda a revelação de Deus); fé especial
(revelação que justifica, a saber, Jesus Cristo e a promessa da salvação por meio dEle).
 A base da fé é a veracidade e fidelidade de Deus, e isso é transmitido pelo testemunho do Espírito Santo
(1Jo 5.7).
 Há duas visões da certeza em relação da fé: A certeza objetiva (a convicção certa e sem dúvidas de que
Cristo é tudo o que Ele professa ser, e fará tudo o que Ele prometeu); a certeza subjetiva (segura
convicção de que o crente teve os seus pecados perdoados e que é salvo).
 Distingue-se entre as religiões se essas certezas, ou se só uma delas, faz parte da essência da fé. A ideia
reformada, que é a mais coesa com as Escrituras, dizia que as duas faziam parte da essência da fé,
porém, o crente estava sujeito a dúvidas e incertezas. Podemos dizer que os crentes muitas vezes tem a
segurança da fé, mas não a perceberam, não conseguem explicá-la.
110

PERGUNTAS:

- Quais as expressões figuradas das Escrituras que descrevem a fé? O que elas significam?

- Quais são os quatro tipos de fé? Explique-os.

- Quais são os elementos da fé? Explique-os.

i- Justificação:
 Os termos pra “justificação” nas Escrituras significam, de modo geral, declarar judicialmente que o
estado de uma pessoa está na harmonia com as exigências da lei, ou, declarar que uma pessoa é justa.
 A ideia de justificação só foi se amadurecer, de fato, depois do século XV e XVI, na época da reforma
protestante.
 “A justificação é um ato judicial de Deus, no qual Ele declara, com base na justiça de Jesus Cristo, que
todas as reivindicações da Lei são satisfeitas com vistas ao pecador. Ela é singular, na obra da redenção,
em que é um ato judicial de Deus, e não um ato ou processo de renovação, como é o caso da
regeneração, da conversão e da santificação” (Louis Berkhof).
 A justificação não altera a condição do pecador, mas o estado perante Deus.
 Os arminianos creem que há somente o perdão dos pecados, e não uma restauração do pecador ao favor
divino. Isso é um erro (Rm 5.1 – 10; At 26.18).
 A alguns pontos principais sobre a diferença entre a justificação e a santificação:
 A justificação remove a culpa do pecado e restaura o pecador a todos os direitos filiais
envolvidos em seu estado de filho de Deus, incluindo uma herança eterna, enquanto que a
santificação remove a corrupção do pecado e renova o pecador constante e crescentemente, e
conformidade com a imagem de Deus.
 A justificação dá-se fora do pecador, não mudando a vida interior, mas sim, o estado judicial
perante Deus.
 A justificação acontece de uma vez por todas, e a santificação é um processo gradativo.
 Distinguimos dois elementos na justificação: o negativo e o positivo.
 Elemento negativo da justificação:
 Baseia-se na remissão dos pecados com base na obra expiatória de Jesus Cristo.
 O perdão é importante, mas não é o único elemento da justificação (Rm 4.5 – 8; 5.18,19; 8.7; Gl
2.17).
 Devido à remissão completa, nenhuma culpa pode ser dada ao eleito (Hb 10.14; Sl 103.12; Is
44.22).
 Mesmo totalmente remido, o eleito não é totalmente santificado (Tg 3.2; 1Jo 1.8).
111

 O próprio Cristo ensina a pedir perdão pelos pecados diariamente, e isso é ensinado no Antigo
Testamento também (Mt 6.12; Sl 32.5; 51.1 – 4; 130.3,4).
 A justificação remove a culpa do pecado, mas não a culpabilidade da essência do pecado, ela
remove a sujeição à punição, mas não remove o fato de os pecados merecerem a punição.
Fazendo assim, necessária a petição constante de perdão. Explicando melhor, o pecado produz
um sentimento de culpa, de separação de Deus, de tristeza, etc.
 Dessa culpabilidade, os eleitos têm a necessidade de confessar os seus pecados (Sl 25.7; 51.5 –
9).
 O perdão é necessário também para restabelecer a consciência do perdão e do restabelecimento
do relacionamento saudável com Deus.
 Elemento positivo da justificação:
 Esta se baseia na obediência ativa DE Cristo.
 Nós não obtemos apenas a remissão de pecados (elemento negativo), mas também acesso a Deus
e alegria na esperança da glória (At 26.18; Rm 5.1,2).
 Podemos distinguir o elemento positivo em duas partes: A adoção de filhos (Rm 5.1,2) (Deus
coloca o pecador no estado de filho) (a ligação entre a regeneração e a adoção é bem exposto em
Gl 4.5,6); o direito à vida eterna (esse direito está ligado à herança dos filhos, recebida pela
adoção, Rm 8.17).
 Em relação à esfera em que ocorre a justificação, distingue-se a justificação ativa (ou objetiva) e passiva
(ou subjetiva):
 Justificação ativa:
 Consiste na declaração de Deus feita em Seu tribunal, declarando o eleito justificado.
 É a declaração de que as exigências da Lei foram satisfeitas.
 Nessa situação, Deus não põe a Lei de lado, mas reconhece os méritos infinitos de Cristo, e,
baseando-se neles, perdoa o pecador misericordiosamente.
 Essa justificação antecede a fé e a justificação passiva.
 Justificação passiva:
 Esta tem lugar no coração ou consciência do pecador.
 Consiste na comunicação da justificação ativa ao pecador, ao reconhecimento do perdão dos
pecados do pecador.
 Essa justificação vem depois da fé, pois, somos justificados pela fé.
 Tem-se certa divergência em relação à quando que a justificação é feita. Uns dizem que foi na
eternidade, outros dizem que foi na ressurreição de Cristo, porém, deve-se entender que, sem a
consumação da justificação, a saber, a justificação passiva, não há justificação plena.
 Para distinguir bem isso, a eleição foi, sim, na eternidade, mas a justificação de fato, é feito após a
imputação da fé.
112

 Segue-se que a justificação é apenas pela fé (Rm 3.25,28,30; 5.1; Gl 2.16; Fp 3.9).
 A fé não é obra meritória do homem, não vem dele (Rm 3.21,27,28; 4.3,4; Gl 2.16,21; 3.11; Ef 2.8,9).
 A fé equivale aos méritos da justiça de Cristo. Se temos fé em Cristo, recebemos os méritos da justiça de
Cristo.
 A Epístola de Tiago não anula a justificação pela fé, mas afirma, devido aos motivos que foi escrita a
Epístola, que a fé deve ser frutífera, deve preceder as obras resultantes.
 A relação da fé com a justificação é expressa, na teologia, de três modos:
 Causa instrumental: A fé é um instrumento de Deus num sentido duplo. È um dom de Deus,
produzido no pecador para a justificação, e, como consequência, se torna um instrumento do
homem, pelo qual ele se apropria de Cristo e de todos os Seus preciosos dons (Rm 4.5; Gl 2.16).
 Órgão de apropriação: A fé é o meio pelo qual o pecador se apropria da justiça de Cristo e
estabelece uma união consciente entre ele e Cristo. É o órgão pelo qual tomamos e nos
apropriamos dos méritos de Cristo, aceitando-os como a base meritória da nossa justificação. É
também o órgão pelo qual percebemos conscientemente a justificação e passamos a ter posse da
justificação passiva.
 Conditio sine qua non (condição indispensável): A fé é a condição indispensável para a
justificação. É uma expressão pouco usada devido a estar sujeita a mal-entendidos, e também não
expressa nada de positivo.
 A base da justificação negativamente é que a justificação não pode achar-se nalguma virtude do homem,
nem em suas boas obras. Mesmo depois da regeneração, a justiça do homem não é plena justiça, e, se há
alguma justiça, essa é fruto da graça de Cristo (Rm 3.24,28; Gl 2.16; 3.11; Ef 2.8,9).
 A base da justificação positivamente é que ela só se pode achar na justiça perfeita de Jesus, que é
imputada ao pecador pela justificação (Rm 3.24; 5.9,19; 8.1; 10.4; 1Co 1.30; 6.11; 2Co 5.21; Fp 3.9).
 A visão arminiana bate de frente com as Escrituras quando diz que a base para a justificação é a nossa fé.
 Conceitos divergentes de justificação:
 Católico Romano: A justificação é a expulsão do pecado, a infusão positiva da graça divina e o
perdão dos pecados. Eles partem do pressuposto que tudo começa com o batismo, que precede a
fé, e esta precede esta tal justificação.
 De Piscator: Só a obediência passiva de Cristo é imputada ao pecador, não a ativa, porque, dizia
ele, a obediência ativa era obrigação de Cristo como homem debaixo da Lei, e esta era para o
benefício próprio, apenas.
 De Osiander: Ele seguia muito a visão católica, por ser luterano, mas cria que a justificação não
consiste na imputação da justiça vicária de Cristo ao pecador, mas sim, uma implantação de um
novo princípio de vida.
113

 Arminiano; Crê-se que Jesus não satisfez a justiça de Deus, mas, simplesmente, ofereceu uma
propiciação pelo pecado. Tirando o fato de a justificação ser pra todos, baseando-se numa ação
do homem para a salvação, vê-se que a justificação não é um ato judicial, mas um ato soberano.
 Bartiano: Ele crê que a justificação faz parte da santificação, e vice-versa. Pra Karl Barth, a
justificação sempre acontece quando o homem chega ao ponto do completo desespero quanto às
crenças e aos valores sobre os quais edificou a sua vida.

PERGUNTAS:

- Defina justificação.

- Quais são os dois elementos da justificação? Explique-os.

- Explique a justificação ativa e a passiva.

- Quando somos justificados?

- Exponha a base negativa e a base positiva da justificação.

j- Santificação:
 Grande parte dos termos usados para santificação na Bíblia significam “separação”, mas destacarei o
termo “hagnos” (2Co 7.11; 11.2; Fp 4.8; 1Tm 5.22; Tg 3.17; 1Pe 3.2; 1Jo 3.3), que significa
“liberdade da impureza e corrupção”, num sentido ético.
 Novamente, a doutrina da santificação começou a ser formada com Agostinho, e também distinguida da
justificação com ele, mesmo que não claramente.
 Em relação à época da reforma, “ao falarem da santificação, os reformadores dava ênfase à antítese de
pecado e redenção, e não à natureza e supernatureza (contra dualismo). Eles faziam clara distinção entre
justificação e santificação, considerando a primeira como um ato legal da graça divina, afetando a
posição judicial do homem, e a última como uma obra moral ou recriadora, mudando a natureza interior
do homem” (Louis Berkhof).
 A ideia reformada de santificação, então, é a ideia que mais está de acordo com as Escrituras.
 A santidade de Deus significa o quanto Deus é distinto, separado de Sua criação.
 Ela também reflete a pureza majestosa de Deus, em contraste com a total pecaminosidade do homem.
 A santificação não é um mero melhoramento moral, mas “a graciosa e contínua operação do Espírito
Santo pela qual Ele liberta o pecador justificado da corrupção do pecado, renova toda a Sua natureza à
imagem de Deus, e o capacita a praticar boas obras” (Louis Berkhof).
 A obra da santificação é uma obra sobrenatural de Deus (1Ts 5.23; Hb 13.20,21; Jo 15.4; Gl 2.20; 4.19;
Ef 4.25; 3.16; Cl 1.11; Gl 5.22).
114

 “Ela consiste, fundamentalmente e primariamente, de uma operação divina na alma pela qual a santa
disposição nascida na regeneração é fortalecida e os seus santos exercícios são aumentados” (Louis
Berkhof).
 A santificação consiste de duas partes, a saber: a mortificação do velho homem, que é a remoção
gradativa da contaminação e da corrupção da natureza pecaminosa (caráter negativo) (Rm 6.6; Gl 5.24);
a vivificação do novo homem (criado em Jesus para boas obras), sendo que é o ato de Deus pela qual a
disposição criada pela regeneração é fortalecida e os exercícios santos são incrementados.
 A santificação transforma o coração, e não se pode mudá-lo sem mudar todo o organismo do homem
(corpo, alma, afetos, vontades, paixões, consciência, etc.) (1Ts 5.23; 2Co 5.17; Rm 6.12; 1Co 6.15,20).
 Deus usa a cooperação do homem para concretizar a santificação.
 È necessário que o homem coopere na santificação (Rm 12.9,16,17; 1Co 6.9,10; Gl 5.16 – 23; Mq 6.8;
Jo 15.2,8,16; Rm 8.12,13; 12.1,2,17; Gl 6.7,8,15), porém, não devemos esquecer que a cooperação do
homem é resultado da operação do Espírito Santo.
 Os homens devem buscar a santificação (2Co 7.1; Cl 3.5 – 14; 1Pe 1.22), porém, devemos reconhecer
que a santificação é obra de Deus.
 Devemos usar os meios (oração, estudo da Palavra de Deus, exercício da fé, comunhão com os santos,
etc.) para se alcançar a santificação.
 A santificação, em regra, não é completada na vida terrena.
 A alma é santificada na morte carnal, e o corpo é santificado na ressurreição (1Rs 8.46; Pv 20.9; Rm
3.10,12; Tg 3.2; 1Jo 1.8; Hb 12.23; Ap 14.5; 21.27; Fp 3.21).
 A santificação é obra do Deus trino, porém, é mais especificamente atribuída ao Espírito Santo nas
Escrituras (Rm 8.11; 15.16; 1Pe 1.2).
 O Espírito Santo usa os seguintes meios para a santificação: Palavra de Deus (1Pe 1.22; 2.2; 2Pe 1.4);
sacramentos (são chamados “palavra visível”, eles simbolizavam e selam para nós as mesmas verdades
que são expressas verbalmente na Palavra de Deus) (Rm 6.3; 1Co 12.13; Tt 3.5; 1Pe 3.21); direção
providencial (a ação direta de Deus na mente humana) (Sl 119.71; Rm 2.4; Hb 12.10).
 Relação da santificação com outros estágios da ordo salutis:
 Com a regeneração: A regeneração é completada de uma vez, enquanto a santificação é gradual.
Mesmo sendo diferenciada por isso, devemos reconhecer que a regeneração é o início da
santificação.
 Com a justificação: Ela é a base da e precede a santificação. Na aliança das obras, vemos que é o
inverso (a demonstração de santidade é a base para a justificação). “Deus tem direito de exigir de
nós santidade no viver, mas, uma vez que não podemos ter bom êxito com esta santidade por nós
mesmos, Ele gratuitamente a produz em nós, por intermédio do Espírito santo, com base na
justiça de Jesus Cristo, que nos é imputada na justificação” (Louis Berkhof).
115

 Com a fé: Ela nos mantém unidos com Cristo, que é a fonte da nova vida em nós e da nossa
santificação através da operação do Espírito Santo.
 A santificação é imperfeita em grau, não significando que não afeta o homem no seu todo, mas que essa
santificação está em todo o homem, e precisa ser desenvolvida. Os crentes terão que combater o pecado
enquanto estiverem vivos (1Rs 8.46; Pv 20.9; Ec 7.20; Tg 3.2; 1Jo 1.8).
 Existe uma teoria chamada perfeccionista, que diz que o homem pode chegar à perfeição na vida terrena,
mas isto é biblicamente insustentável, pois, não há ninguém na terra que não peque (1Rs 8.4,6; Pv 20.9;
Ec 7.20; Rm 3.10; Tg 3.2; 1Jo 1.8). Há uma luta constante do espírito contra a carne (Rm 7.7 – 26).
 A santificação, necessariamente, tem que resultar nas boas obras (frutos da santificação).
 As boas obras são frutos de um coração regenerado (Mt 12.33; 7.17,18), brotam do amor a Deus e do
desejo de fazer a Sua vontade (Dt 6.2; 1Sm 15.22; Is 1.12; 29.13; Mt 15.9) e tem, como objetivo final, a
glória de Deus (1Co 10.31; Rm 12.1; Cl 3.17,23).
 As “boas” obras realizadas pelos não regenerados (Lc 6.33), não são boas em sua essência, mas boas
apenas na prática, e necessariamente são frutos da graça comum de Deus.
 A doutrina dos méritos das boas obras é correta quando expõe claramente que as boas obras dos crentes
não têm mérito algum (Lc 17.9,10; Rm 5.15 – 18; 6.23; Ef 2.8 – 10; 2Tm 1.9; Tt 3.5).
 As boas obras não têm méritos porque são frutos da graça de Deus, pelo fato de o crente dever a sua vida
a Deus sem pedir nada em troca e, mesmo as melhores obras do regenerado, são imperfeitas nesta vida.
 As boas obras não são necessárias para o merecimento da salvação, mas para assegurar a salvação, pois,
o salvo gera boas obras (Jo 15.5; Rm 7.4; 8.12,13; Gl 6.2).

PERGUNTAS:

- Qual é a visão da época da reforma sobre a santificação?

- Exponha a doutrina da santificação.

- Como se explica a cooperação do homem na santificação?

- Quais os meios usados pelo Espírito Santo para operar a santificação?

- Como é a relação da santificação com os outros estágios da ordo salutis?

- Exponha a doutrinas das boas obras.

k- Perseverança dos santos:


 “A doutrina da perseverança dos santos tem o sentido de que aqueles que Deus regenerou e chamou
eficazmente para um estado de graça não podem cair nem total nem definitivamente, mas certamente
perseverarão nele até o fim e serão salvos para toda a eternidade” (Louis Berkhof).
116

 Essa doutrina teve, como primeiro sistematizador, Agostinho, porém, ele não a formou de um modo
bíblico nem coerente, não dando muita ênfase.
 Essa doutrina é fortemente criticada pelos arminianos e pentecostais. Os que defendem essa doutrina
seguem a linha de pensamento calvinista, reformada.
 O termo “perseverança dos santos” pode ser muito mal interpretado. Na verdade, quem persevera é
Deus, e não os homens. Logicamente, é consequência da perseverança de Deus uma determinada
resposta dos homens, mas, em essência, essa perseverança vem de Deus.
 Podemos definir a perseverança como “a contínua operação do Espírito Santo no crente, pela qual a obra
da graça divina, iniciada no coração, tem prosseguimento e se completa” (Louis Berkhof).
 Os crentes continuam na graça, não porque parte deles essa perseverança, mas porque Deus nunca
abandona a Sua obra.
 As Escrituras afirmam diretamente a perseverança dos santos (Jo 10.27 – 29; Rm 11.29; Fp 1.6; 2Ts
3.3; 2Tm 1.12; 4.18).
 Também vemos a comprovação da doutrina da perseverança acompanhando a linha lógica de outras
doutrinas:
 Eleição: Essa doutrina não infere apenas que há alguns favorecidos para serem salvos se
cumprirem o seu dever, mas sim, que eles foram eleitos para um fim, a saber, a salvação,
independente do que eles façam. Do mesmo jeito, foram eleitos para a santificação, justificação,
etc.
 Aliança da redenção: Deus deu o Seu povo a Seu Filho como recompensa pela obra dEle. Esta
recompensa foi estabelecida desde a eternidade, não submetida à condição de alguma fidelidade
do homem.
 Eficácia dos méritos e da intercessão de Cristo: O que Cristo fez é totalmente eficaz, e os que são
incluídos na obra de Cristo recebem a salvação, independente de obras do homem. A intercessão
pelo perdão dos eleitos é totalmente eficaz (Jo 11.42; Hb 7.25).
 União mística com Cristo: A união com Cristo é eterna e imutável, sendo que recebemos vida
dEle.
 Obra que o Espírito Santo realiza no coração: Resume-se nessa sentença: “É uma inferior e
indigna avaliação da sabedoria do Espírito Santo e da Sua obra no coração humano, supor que
Ele comece a obra agora e, logo em seguida, a abandone; que a centelha vital do nascimento
celestial seja um ignis fatuus (fogo fátuo, apagável), ardendo por um pouco e depois expirando
na escuridão total; que a vida comunicada no novo nascimento seja uma espécie de vitalidade
espasmódica e galvânica, dando a aparência exterior de vida à alma morta, e depois morrendo”
(Robert Lewis Dabney).
117

 Segurança da salvação: É evidente nas Escrituras que é possível, na vida terrena, alcançar a
segurança da salvação (Hb 3.14; 6.11; 10.22; 2Pe 1.10). Isso seria impossível, se, de fato, os
salvos pudessem perder a salvação.
 A liberdade humana, como já explicada, é escrava do pecado, por isso a necessidade de Deus perseverar.
E de fato Deus persevera na salvação dos eleitos.
 Essa doutrina não leva a imoralidade, pois, devemos ter consciência de que os eleitos para a salvação são
também eleitos para a santificação e também para todos os estágios da ordo salutis.
 Essa doutrina não é contrária às Escrituras:
 Quando se trata do cuidado para contra a queda (Mt 24.12; Cl 1.23; Hb 2.1; 3.14; 6.11; 1Jo
2.6): Essas passagens só incitam os crentes ao exame de si mesmos, e servem para manter os
crentes “na linha”. Não significam que a apostasia é possível, mas comprovam o uso dos meios
predeterminados por Deus para a perseverança.
 Passagens que parecem fazer referência à apostasia (1Tm 1.19,20; 2Tm 2.17,18; 4.10; 2Pe
2.1,2; Hb 6.4 – 6): Essas passagens, de modo algum, fazem referência à perda da fé dos crentes
verdadeiros que têm a verdadeira fé salvadora.
 Devemos lembrar que, se negarmos essa doutrina, fazemos da salvação uma obra que necessita da obra
do homem.
118

7- Eclesiologia e os meios da graça:


a- Mudanças históricas da eclesiologia:
 Primeiramente, devemos entender que a doutrina da igreja explana sobre o corpo de Cristo, a reunião de
homens operada pelo Espírito Santo que a constitui.
 O termo “ekklesia” significa mais ou menos como se fosse uma assembleia civil (At 19.32,39,41).
 A Bíblia usa alguns termos figurados para se referir à igreja:
 Corpo de Cristo: Não designava apenas a Igreja universal (Ef 1.23; Cl 1.18), mas também uma
congregação isolada (1Co 12.27).
 Templo do Espírito Santo ou de Deus: Se refere à igreja universal (1Co 3.16; Ef 2.21,22; 1Pe
2.5).
 Jerusalém de cima, Nova Jerusalém ou Jerusalém celestial (Gl 4.26; Hb 12.22; Ap 21.2):
Chama-se “Jerusalém” pois, no Antigo Testamento, era lá que Deus habitava. Chama-se celestial
pois, mesmo habitando na Terra, é pertencente à esfera celestial.
 Coluna e baluarte da verdade (1Tm 3.15): Refere-se à igreja como defensora da Verdade.
 Os dois maiores teólogos que explanaram sobre a igreja na época patrística foram Agostinho e Cipriano.
Mesmo eles ligando o Reino de Deus com a Igreja Católica, deram um grande avanço a esse tema.
 O golpe mais contrastante de Lutero contra a Igreja Católica foi o de crer na igreja como comunhão
espiritual daqueles que creem em Cristo, e restabeleceu a ideia do sacerdócio de todos os crentes.
 Lutero distinguia a igreja visível da igreja invisível. A igreja invisível torna-se visível através da
administração da Palavra e dos sacramentos. A igreja visível sempre terá membros fiéis e ímpios.
 Calvino concordava com a ideia de Lutero, mas não cria que a visibilidade da igreja invisível dava-se
apenas pela administração da Palavra e dos sacramentos, mas também, na fiel administração da
disciplina da Igreja.
 Os arminianos viam a igreja apenas como uma sociedade visível.

PERGUNTAS:

- Do que, resumidamente, se trata a doutrina da igreja?

- Exponha resumidamente a história da eclesiologia.

b- Natureza da igreja:
 Resumidamente, a ideia de igreja adotada pelos católicos, baseando-se nos textos patrísticos, é esta: “... a
essência da igreja foi cada vez mais procurada em sua organização visível e externa... a Igreja
compreende todos os ramos da Igreja de Cristo e que é entrelaçada numa unidade externa e visível, tendo
seu laço unificador no colégio de bispos” (Louis Berkhof).
119

 A Igreja Ortodoxa Grega difere da Católica apenas por tomar desta o título de única igreja verdadeira.
 A reforma protestante vê a igreja de duas formas: visível e invisível.
 A igreja visível é chamada comunhão dos santos, porém, participam delas membros fiéis e infiéis (1Co
5; 2Ts 3.6,14; Tt 3.10).
 A igreja invisível é a união dos eleitos de Deus, o Corpo de Cristo.
 Há várias formas de distinguir a igreja:
 Igreja militante e a igreja triunfante: A militante é a dos tempos atuais, que estão em constante
luta contra as hostes do mal, contra os que distorcem a verdade, contra os hereges, não em lutas
sangrentas, mas com disciplina; a triunfante é a Igreja no céu, que resume-se nisso, “a luta é
finda, a batalha está ganha, e os santos reinam com Cristo para todo o sempre” (Louis Berkhof).
 Igreja visível e igreja invisível (vou resumir, pois, já foi explicado): Visível é todos os
participantes da comunhão dos santos; Invisível é todos os membros do Corpo de Cristo, os
eleitos de fato.
 Igreja como organismo e como instituição: Se dirige a dois aspectos apresentados da igreja
visível. A igreja como organismo tem como objetivo a demonstração dos dons e talentos para a
edificação mútua, e a igreja como instituição (instituída por Cristo) funciona por meio dos ofícios
e meios que Deus instituiu para governo e organização. A instituição existe para que a igreja
como organismo funcione de modo adequado.
 Definições da igreja:
 Do ponto de vista da eleição: Muitas vezes, define-se a igreja como comunidade dos eleitos. Está
correto até certo ponto, pois, devemos entender que os eleitos não-nascidos ainda não fazem
parte desta igreja.
 Do ponto de vista da vocação eficaz: Essa definição é apenas da igreja invisível, pois, diz que a
igreja é a comunhão dos eleitos chamados eficazmente pelo Espírito Santo. Não devemos
esquecer que a igreja é revelada na confissão e conduta no dia-a-dia.
 Do ponto de vista do batismo e profissão de fé: Essa definição se trata da igreja visível, que diz
que a igreja é a comunhão dos batizados e que professaram a fé.
 A ideia de “Reino de Deus” tem um caráter estritamente escatológico, contradizendo assim os
premilenistas.
 O Reino de Deus começa na Terra de forma espiritual e invisível, podendo ser demonstrado pelas obras
dos salvos. Sua revelação final será gloriosa.
 A igreja invisível é o homem em relação a sua separação para com o mundo, e o Reino é o homem em
sua relação com Deus em Cristo como Governador.
 A igreja visível é a revelação dos princípios do Reino. O Reino, num sentido mais amplo, também inclui
as imperfeições, no tempo presente, que serão condenadas no final dos tempos.
 Diferentes dispensações da igreja:
120

 Período patriarcal: A igreja era constituída pelas famílias dos crentes. Não havia congregações
religiosas. Não havia cultos regulares, e a igreja foi escolhida diretamente por Deus, escolhendo
Noé, Sem, Abraão, Isaque e Jacó.
 Período mosaico: Nesse período, Israel não só se constituiu como nação, mas também como
Igreja de Deus. A religião achou na Lei um modo de se expressar. A Lei cerimonial foi um modo
de expressar a religião judaica.
 Novo Testamento: Em essência, a igreja do Antigo e do Novo Testamento é a mesma, porém,
com a morte e ressurreição de Cristo, a igreja rompeu os limites da nação de Israel.
 A unidade da igreja para os católicos é algo externo, hierárquico.
 A unidade da igreja invisível para os protestantes é algo interno e espiritual. É a unidade do corpo
místico de Cristo. Essa unidade implica que todos os que pertencem à Igreja participam da mesma fé e
têm a mesma perspectiva gloriosa do futuro.
 Há unidade da visível para os protestantes é bem exposta em 1Co 12.12 – 31; Ef 4.4 – 16.
 A santidade da igreja para os católicos é demonstrada, não num caráter interno pela obra do Espírito
Santo, mas a santidade cerimonial é posta em primeiro plano.
 Os protestantes veem a santidade da igreja, em Cristo, como objetiva, ou seja, é igreja é tida por santa
pela justificação.
 Também a santidade é algo interno em cada um dos membros dos crentes. Algo gradual. É uma
santidade do homem interior, que acha expressão na vida externa.
 Também a igreja é santa no sentido de que é separada do mundo.
 A igreja católica como instituição visível se considera a única igreja universal.
 Os protestantes veem a catolicidade da igreja apenas no seu aspecto invisível, ou seja, a igreja invisível é
a real igreja católica.
 Louis Berkhof apresenta algumas marcas da igreja, porém, vemos uma explanação mais completa dessas
marcas nos textos e livros de Mark Dever.
 As marcas apresentadas por Dever são: pregação expositiva; teologia bíblica; evangelho; entendimento
bíblico da conversão; entendimento bíblico da evangelização; entendimento bíblico de membresia na
igreja; disciplina bíblica na igreja; interesse pelo discipulado e crescimento; liderança bíblica na igreja
(Recomenda-se a leitura do livro 9 marcas de uma igreja saudável de Mark Dever).

PERGUNTAS:

- Qual a diferença primordial entre a visão de igreja dos católicos e dos protestantes?

- Quais as formas de distinguir a igreja?

- Exponha a ideia de Reino de Deus.


121

- Explique as diferentes dispensações da igreja ao longo dos períodos bíblicos.

- Qual é a visão bíblica sobre a unidade e a santidade da igreja?

c- Governo da igreja:
 Há vários conceitos diferentes de governo:
 Quacres e darbistas: Não pode haver hierarquia na igreja.
 Erastiano: Igreja submissa aos magistrados civis. É função do Estado, governar a Igreja, exercer
a disciplina e aplicar a excomunhão.
 Sistema episcopal: Cristo confiou o governo da Igreja a uma ordem de prelados ou bispos,
sucessores dos apóstolos, sendo que a comunhão dos crentes não tem nenhuma participação no
governo. Isso é usado na Igreja católica e na Anglicana (misturando-se um pouco com a ideia
erastiana). Mesmo assim, devemos entender que o ofício apostólico limitou-se ao século I, como
descrito nas Escrituras. A católica ainda adiciona um “algo a mais”: além de haver sucessores dos
apóstolos, há sucessores de Pedro, o suposto “primeiro papa”.
 Sistema congregacional: Cada congregação é uma igreja completa e independente das demais. O
poder de governo fica nas mãos dos membros da igreja. Os oficiais são funcionários da igreja
local, designados para ensinar e administrar os interesses da igreja, porém, sem ter poder de
governo.
 Sistema da igreja nacional: A igreja é uma nação, e cada congregação tem q ser tratada como
meras subdivisões da igreja nacional única. Este ideal não é muito bom, se seguido à risca.
 Vamos expor o sistema reformado (presbiteriano). Observaremos que alguns pontos citados fazem parte
de outros modos de governo.
 Cristo é a Cabeça da igreja, tanto visível como invisível (Mt 23.8,10; Jo 13.13; 1Co 12.5; Ef 1.20 – 23;
4.4,5,11,12; 5.23,24).
 Cristo governa subjetivamente por Seu Espírito, e objetivamente pela Palavra de Deus como padrão de
autoridade.
 Cristo revestiu a igreja de poder. Isso quer dizer que: Cristo deu poder a todos os membros da igreja, e
deu alguns dons especiais para determinadas pessoas, destinadas a realizar determinado ministério.
 Os oficiais (pastores) foram escolhidos pelo povo como representantes, para exercer o governo de Cristo.
Não que eles tenham alguma autoridade, mas foram escolhidos para submeter o povo à autoridade das
Escrituras.
 Mesmo havendo uma assembleia geral que cuida das igrejas, o governo do sistema reformado baseia-se
no governo exercido pelos conselhos locais. Devemos ter em mente, porém, que estes devem estar
sujeitos à assembleia geral.
122

 Há uma divisão bem geral em relação aos oficiais, a saber, oficiais extraordinários e ordinários.
 Oficiais extraordinários:
 Apóstolos: Eram os doze escolhidos por Cristo e Paulo, e alguns que assessoraram Paulo em seu
trabalho (At 14.4,14; 1Co 9.5,6). O ministério apostólico tinha como objetivo lançar os alicerces
da Igreja. Algumas qualificações os faziam apóstolos:
 Foram comissionados diretamente por Deus ou Jesus Cristo (Mc 3.14; Lc 6.13; Gl 1.1).
 Eram testemunhas da vida de Cristo e de Sua ressurreição (Jo 15.27; At 1.21,22; 1Co
9.1).
 Sabiam que eram inspirados pelo Espírito de Deus em todo o seu ensino, oral e escrito
(At 15.28; 1Co 2.13; 1Ts 4.8; 1Jo 5.9 – 12).
 Tinham o poder de realizar milagres (2Co 12.12; Hb 2.4).
 Foram ricamente abençoados em sua obra, como sinal da aprovação de Deus (1Co 9.1,2;
2Co 3.2,3; Gl 2.8).
 Profetas (At 11.28; 13.1,2; 15.32; 1Co 12.10; 13.2; 14.3; Ef 2.20; 3.5; 4.11; 1Tm 1.18; 4.14;
Ap 11.6): Eles tinham o dom de falar para a edificação da igreja, e serviam de instrumentos para
a revelação de mistérios e para a predição de eventos futuros. Hoje, só há ministros comuns, não
profetas de fato.
 Evangelistas (At 21.8; Ef 4.11; 2Tm 4.5): Eles acompanhavam e assistiam os apóstolos, eram
enviados para missões especiais, pregavam, batizavam, ordenavam presbíteros e exerciam a
disciplina (Tt 1.5; 1Tm 5.22; Tt 3.10).
 Oficiais ordinários:
 Presbíteros: Os presbíteros (ou bispos) (At 20.17,28; 1Tm 3.1; 4.14; 5.17,19; Tt 1.5,7; 1Pe
5.1,2) detinham a superintendência do rebanho que fora entregue aos seus cuidados, tendo que
abastecê-lo, governá-lo e protegê-lo, como sendo da própria família de Deus. O nome denota
pessoas idosas também.
 Mestres: Eles são os educadores da Palavra, sem ter as responsabilidades dos presbíteros. Na
época da igreja primitiva, não havia certa distinção, pois, havia os apóstolos, profetas e
evangelistas, e os pastores exerciam essa função (Ef 4.11).
 Diáconos (Fp 1.1; 1Tm 3.8,10,12; At 6.1 – 6): São os “trabalhadores e servos” da igreja.
Exercem as obras de caridade, “põe a mão na massa”.
 A vocação interna dos oficiais ordinários não é uma indicação extraordinária de Deus, como nos oficiais
extraordinários, mas se revela nisso; a consciência de estar sendo impelido a alguma tarefa especial do
reino de Deus, por amor a Deus e a Sua causa; estar preparado espiritualmente e intelectualmente para o
ofício; ver que Deus está usando todos os meios para que se alcance esse ofício.
 A vocação externa consiste na escolha da igreja local (At 6.2 – 6; 14.23).
 A investidura dos oficiais no ofício acontece com dois ritos principais:
123

 Ordenação (1Tm 4.14): É a expressão de julgamento da igreja, julgando que o candidato é


verdadeiramente vocacionado para tomar parte do determinado ministério.
 Imposição de mãos (At 6.6; 13.3; 1Tm 4.14; 5.22): É uma indicação simbólica de que alguém é
separado para o ofício ministerial na igreja. Não é considerado um rito essencial.
 Os corpos governantes (tribunais eclesiásticos) do sistema reformado são nessa ordem: conselho,
presbitério, sínodo e supremo concílio.
 O governo representativo da igreja local, para a igreja reformada, não pode estar nas mãos de um só,
então, há presbíteros e ministros que compõe o conselho, e isso é usado com base nas Escrituras, que
registram a existência de vários presbíteros (At 11.10; 14.23; 20.17; Fp 1.1; 1Tm 3.1,2; Tt 1.5,7; 1Co
12.28; 1Tm 5.17; Hb 13.7,17,24; 1Pe 5.1).
 A autonomia da igreja local se baseia nisso:
 Toda igreja local é uma igreja de Cristo completa, sem necessidade de lhe impor algum governo
de fora.
 Pode até haver união entre as igrejas, mas nenhuma que acabe com a autonomia local.
 O Supremo Concílio é como se fosse um tribunal, porém, na constituição da presbiteriana
assegura-se a autonomia da igreja local, não podendo, então, “se meter” no governo da igreja
local.
 Mesmo assim, devemos lembrar que nenhuma ação de uma igreja pode atrapalhar a outra, ou
seja, a autonomia está limitada ao bem geral das igrejas.
 A ideia de assembleias maiores está no fato de que a igreja precisa ser tangível e visível, de acordo com
as Escrituras, e precisa haver uma unidade orgânica, pois, Cristo é cabeça, não só da igreja invisível, mas
da visível também.
 Todas as ações das assembleias devem estar de acordo com as Escrituras.

PERGUNTAS:

- Quais os diferentes conceitos de liderança?

- Como é o sistema de governo reformado?

- Como se separam os oficiais?

- Como eles são vocacionados e investidos desse ofício?

d- Poder da igreja:
 Jesus não somente fundou a Igreja, mas revestiu-a de poder e autoridade (Mt 16.18; At 15.23 – 29; 16.4;
1Co 5.7,13; 6.2 – 4; 12.28; Ef 4.11 – 16).
124

 Pedro foi instituído com pastor da igreja, no sentido de que ele podia determinar o que é proibido e o que
é permitido na esfera da Igreja.
 Os apóstolos constituem o núcleo e o alicerce da Igreja (Jo 17.20; 1Jo 1.3; Jo 20.23).
 Não foi só Pedro que foi instituído para liderar a igreja, mas todos os apóstolos, como diz Jo 20.23.
 A Igreja como um todo tem autoridade para excluir da comunhão o pecador impenitente, porém,
somente porque Jesus Cristo habita na igreja em pessoa, e pelo suprimento de um apropriado padrão de
julgamento na Igreja dado pelos apóstolos.
 O ofício é “dado” pelo povo, porém, o poder é dado por Cristo.
 O poder espiritual da igreja se intitula assim porque é dado pelo Espírito de Deus (At 20.28), só pode ser
exercido em nome de Cristo e pelo poder do Espírito Santo (Jo 20.22,23; 1Co 5.4), pertence
exclusivamente aos crentes (1Co 5.12) e só pode ser exercido de maneira moral e espiritual (2Co 10.4).
 “O estado representa o governo de Deus sobre a condição externa e temporal do homem, ao passo que a
Igreja representa o Seu governo sobre a condição externa e temporal do homem” (Louis Berkhof).
 A Igreja não tem um poder independente e soberano (Mt 20.25,26; 23.8,10; 2Co 10.4,5; 1Pe 5.3), mas
um poder ministerial (At 4.29,30; 20.24; Rm 1.1), derivado de Cristo e subordinado a Sua autoridade
soberana sobre a Igreja (Mt 28.18).
 O poder da Igreja deve ser exercido em harmonia com os meios usados por Cristo para o cuidado desta,
a saber, a Palavra de Deus e o Espírito Santo (Rm 10.14,15; Ef 5.23; 1Co 5.4).
 É um poder real e abrangente, que consiste na administração da Palavra e dos sacramentos, na
determinação do que é e do que não é permitido no reino de Deus e no exercício da disciplina na igreja
(Mt 28.19; 16.19; 16.18; 18.17; 1Co 5.4; Tt 3.10; Hb 12.15 – 17).
 A igreja contém um poder tríplice:
 Potentas dogmatia ou docendi (poder dogmático ou docente):
 A igreja deve ser testemunha da verdade perante os de fora e um mestre da Verdade para os de
dentro.
 A igreja deve exercer poder na preservação da Palavra de Deus.
 Ela tem a responsabilidade de manter e defender a Verdade (1Tm 1.3,4; 2Tm 1.13; Tt 1.9 – 11).
 Além de preservar a verdade, a igreja deve comunicá-la ao mundo e à igreja (Mc 16.15; Is
3.10,11; 2Co 5.20; 1Tm 4.13; 2Tm 2.15; 4.2; Tt 2.1 – 10).
 A igreja tem o dever de edificar os santos (Ef 4.12,13).
 Ela não deve se limitar em apenas ensinar o básico, mas dar crescimento a todos (Hb 5.11 – 6.3).
 Os sacramentos devem estar ao lado da Palavra.
 “Somente uma igreja realmente forte e que tenha uma firme compreensão da verdade é que
poderá, por sua vez, tornar-se uma poderosa agência missionária e fazer extraordinárias
conquistas para o Senhor” (Louis Berkhof).
125

 A Igreja deve lutar pelo senso de identidade, formulando uma expressão daquilo que crê,
seguindo e/ou criando confissões e/ou símbolos de fé.
 Esses símbolos de fé servem, além de identidade, uma proteção contra heresias.
 Deve disponibilizar um estudo mais aprofundado sobre teologia (1Tm 2.2).
 Potestas gubernans ou ordinans (poder de governo ou de ordem) (é dividido em ordinans e iudicans):
 Tudo, na igreja, deve ser feito com decência, ordem e paz (1Co 14.33,40).
 A igreja tem a obrigação de decretar, não leis próprias, mas a Lei de Cristo dentro dela.
 Todos os membros tem este poder (Rm 15.14; Cl 3.16; 1Ts 5.11), porém, os oficiais são
revestidos dele em proporção especial (Jo 21.15 – 17; At 20.28; 1Pe 5.2).
 A igreja pode redigir ordens para ela, para que a aplicação da lei seja cada vez mais adequada.
 A partir daqui, começa o potestas iudicans.
 Esse poder é o de proteger a santidade da Igreja, admitindo os aprovados e excluindo os que se
desviam da verdade ou levam uma vida desonrada. Resumindo, pode-se dizer que é a disciplina.
 Tanto o Antigo Testamento (Lv 5.6; Ed 10.8; Ez 44.9) quanto o Novo Testamento (1Co
5.2,5,7,13; 2Co 2.5 – 7; 2Ts 3.14,15; 1Tm 1.20; Tt 3.10) se referem à disciplina no povo de
Deus.
 A disciplina tem dois objetivos principais: praticar a lei de Cristo concernente à admissão e
exclusão de membros; promover a edificação espiritual dos membros assegurando a sua
obediência às leis de Cristo. Esses objetivos seguem apenas um objetivo, a saber, a manutenção
da santidade da Igreja.
 A disciplina sobre o pecador tem que ter com o fim a salvação deste (1Co 5.5).
 O processo de disciplina deve partir da explicação de Mt 18.15 – 17, porém, devemos lembrar
que este método é para pecados privados.
 Pecados públicos sujeitam o pecador imediatamente à ação disciplinar do conselho.
 As Escrituras salientam a necessidade da disciplina nas Escrituras (Mt 18.15 – 18; Rm 16.17;
1Co 5.2,9 – 13; 2Co 2.5 – 10; 2Ts 3.6,14,15; Tt 3.10,11).
 Potestas ou ministerium misericordiae (poder ou ministério da misericórdia):
 As Escrituras deixam implícita a ideia de que os dons de cura, milagres, sinais e maravilhas
serviam para atestar e confirmar a mensagem dos primeiros pregadores do Evangelho.
Baseando-se nisso, é correto afirmar que esses dons terminaram quando cessou a revelação
especial (Bíblia).
 É necessário que as igrejas cuidem dos pobres (Mt 26.11; Mc 14.7; At 4.34; 20.35; 1Co 16.1,2;
2Co 9.1,6,7,12 – 14; Gl 2.10; 6.10; Ef 4.28; 1Tm 5.10,16; Tg 1.27; 2.15,16; 1Jo 3.17).
 Os diáconos são os que realizam, na prática, esse ministério, inclusive a capelania e o
aconselhamento.
126

PERGUNTAS:

- Qual é o papel dos apóstolos na igreja?

- Exponha o poder tríplice da igreja.

e- Os meios da graça:
 O Espírito Santo opera diretamente no pecador, porém, Ele utiliza de certos meios para comunicar a
graça divina.
 Igreja não é um meio da graça, mas administra os meios da graça.
 Os únicos meios da graça são a Palavra e os sacramentos.
 Os meios só produzem resultados espirituais mediante a operação do Espírito Santo.
 Os meios da graça são instrumentos da graça redentora, assegurando a operação inicial e progressiva
desta graça.
 A Palavra e os sacramentos são também os meios oficiais da Igreja de Cristo, através da pregação da
Palavra e da administração dos sacramentos.
 Os católicos incluem muito mais coisas nos meios da graça (como relíquias, etc.), e dão muito mais valor
aos sacramentos do que à Palavra.
 Os reformados tratam os meios da graça como meios usados por Deus para acionarem a graça no
coração dos pecadores, a saber, a graça especial ou redentora.
 A graça especial de Deus opera somente na esfera em que os meios da graça funcionam.
 A nova vida nasce, é induzida e nutrida pelos meios da graça.
 Todo o conhecimento obtido por quem recebe a graça divina é produzido nele por meio da Palavra e da
Palavra é derivado.

PERGUNTAS:

- Quais são os meios da graça?

- Exponha resumidamente a ideia reformada dos meios da graça.

f- Palavra como meio da graça:


 As Escrituras são o manancial de todo o nosso conhecimento teológico, porém, não é esse aspecto que
faz da Palavra um meio da graça.
 A Palavra propaga o Evangelho e edifica e nutre os santos.
127

 Os pelagianos, semipelagianos, arminianos racionalistas, etc., veem apenas a influência intelectual,


estética e moral da Palavra.
 O antinomismo não vê a Bíblia como necessária, devido a passagem “A letra mata, mas o Espírito
vivifica”.
 Os reformados creem que a Palavra não é eficaz sem a ação do Espírito Santo, e que o Espírito Santo
pode agir sem a Palavra, mas não decretou fazê-lo.
 A Palavra apresenta a Lei e o Evangelho como meios da graça, sendo que tanto o Antigo como o Novo
Testamento apresentam ambos (Is 53; 54; 55.1 – 3,6,7; Jr 31.33,34; Ez 36.25 – 28; Mt 5.17 – 19; Rm
8.4; 13.9; Tg 2.8 – 11; 1Jo 3.4; 5.3).
 A Lei é tudo aquilo que se apresenta na forma de mandato ou proibição.
 O Evangelho é tudo aquilo que se relaciona com a obra de reconciliação, e que proclama o amor
redentor de Deus em Cristo.
 “A Lei procura despertar no coração do homem contrição pelo pecado, ao passo que o Evangelho visa o
despertamento da fé salvadora de Jesus Cristo” (Louis Berkhof).
 A Lei prepara o homem para o Evangelho.
 A Lei “intensifica a consciência do pecado e, assim, faz ciente ao pecador da necessidade de redenção”
(Louis Berkhof).
 O contraste entre Lei e Evangelho exposto por Paulo se refere ao fato de a relação judicial não pode ser
mudada em relação ao homem na aliança das obras, mas isto não faz do eleito livre de toda e qualquer
obediência à Lei, muito pelo contrário, Paulo deixa isso bem claro quando diz que nascemos de novo
para vivermos do mesmo modo em que Cristo viveu, de acordo com a Lei.
 A Lei apresenta três modos de uso:
 Um usus politicus ou civilis (político ou civil): Restringe o pecado e promove a justiça. Faz parte
também da graça comum. Nesse sentido, não pode ser considerado um meio da graça.
 Um usus elenchticus ou pedagogicus (elêntico ou pedagógico): Coloca o homem sob convicção
do pecado e de fazê-lo cônscio da sua incapacidade para satisfazer as exigências da Lei. Desse
modo, a Lei é um preceptor para conduzir a pessoa a Cristo, sendo meio da graça.
 Um usus didactus ou normativus (didático ou normativo): “A Lei é norma de vida para os
crentes, lembrando-lhes os seus deveres e guiando-os no caminho da vida e da salvação” (Louis
Berkhof).

PERGUNTAS:

- Exponha ideia de Palavra como meio da graça.

- Qual a diferença entre a Lei e o Evangelho?

- Quais são os três usos da Lei?


128

g- Sacramentos:
 Há alguns pontos de semelhança e de diferença entre a Palavra e os sacramentos.
 Semelhanças: mesmo autor (Deus); Cristo como conteúdo central; assimilação apenas pela fé.
 Diferenças: A Palavra é indispensável, e os sacramentos não; a Palavra serve para fortalecer e gerar fé,
enquanto os sacramentos servem apenas para fortalecê-lo; a Palavra é pro mundo todo, e os sacramentos
são apenas para os membros da igreja.
 “Um sacramento é uma santa ordenança instituída por Cristo, na qual, mediante sinais perceptíveis, a
graça de Deus em Cristo e os benefícios da aliança da graça são representados, selados e aplicados aos
crentes, e estes, por sua vez, expressam sua fé e sua fidelidade a Deus” (Louis Berkhof).
 Há três partes componentes nos sacramentos:
 Sinal externo ou visível: Em todo sacramento há um elemento material. Isso inclui não apenas o
elemento (água, pão e vinho), porém, todo o rito também. Esses sinais são vistos na Bíblia (Gn
9.12,13; 17.11; Rm 4.11).
 Graça espiritual interna, significada e selada: Os sinais pressupõem que algo é significado e
selado. Os sinais são a significação de Cristo e de todas as riquezas espirituais. Os sacramentos
são promessas significam uma promessa dada a nós e por nós aceita, e servem para fortalecer a
nossa fé no cumprimento dessas promessas (Gn 17.1 – 14; Ex 12.13; Rm 4.11 – 13). Por meio
destes, é fortalecida a graça interna produzida no coração pelo Espírito Santo.
 União sacramental entre o sinal e o que significa: É a relação entre o sinal e a coisa significada
que constitui a essência do sacramento. Essa união não é física (católicos) nem local (luteranos),
mas espiritual, sendo que quando participamos do sacramento com fé, a graça de Deus o
acompanha.
 Os sacramentos não são necessários para a salvação, mas são obrigatórios devido ao preceito divino.
Deus não prende a Sua graça ao uso de certas formas externas (Jo 4.21,23; Lc 18.14). Somente a fé é a
necessidade positiva da salvação (Jo 5.24; 6.29; 3.36; At 16.31). Os sacramentos são ministrados onde
se pressupõem já ter fé (At 2.41; 16.14,15,30,33; 1Co 11.23 – 32). Muitos foram salvos sem os
sacramentos (inclusive o ladrão na cruz).
 Não há diferença, em essência, os sacramentos do Antigo e do Novo Testamento (Rm 4.11; 1Co 10.1 –
4).
 A diferença deles é formal: as do Antigo tinham um caráter nacional, tinham vários outros ritos e
apontavam para uma graça que ainda havia de ser merecida em Cristo.
 Os sacramentos do Antigo Testamento eram a circuncisão e a Páscoa.
 Os sacramentos do Novo Testamento são o batismo e a Ceia do Senhor. O batismo tem o significado
essencialmente igual ao da circuncisão, e a Ceia do Senhor da Páscoa.
129

 A igreja católica admite mais cinco sacramentos: Confirmação, penitência, ordenação, matrimônio e
extrema-unção. Deve-se, porém, deixar claro que os únicos sacramentos instituídos por Cristo são os
dois adotados pela igreja reformada.

PERGUNTAS:

- Quais são as semelhanças e as diferenças entre a Palavra e os sacramentos como meios da graça?

- O que é sacramento?

- Quais são as partes componentes do sacramento? Exponha-as.

- O que dizer sobre a necessidade dos sacramentos?

- Quais as diferenças dos sacramentos do Antigo e do Novo Testamento?

h- Batismo cristão:
 Haviam várias purificações no mundo egípcio, persa, babilônico, etc., mas nenhum destes mostra
semelhança religiosa ou no significado da purificação judaico-cristã, principalmente em relação à morte
e ressurreição destacados por Paulo.
 Os judeus tinham muitas purificações e abluções, porém, não eram sinais e selos da aliança.
 Os gentios incorporados à nação judaica eram batizados. Os seus filhos nascidos antes do batismo do pai
eram batizados, e os nascidos após eram considerados como limpos.
 Esse batismo judaico tinha um caráter estritamente cerimonial.
 O batismo de João não teve sua influência nos batismos judaicos, pois, seu batismo tinha como condição
preliminar uma purificação de coração e do pecado, e também era seu objetivo.
 O batismo de João tinha algumas diferenças do batismo de Jesus: Pertencia à antiga dispensação,
apontando para o Messias que havia de vir; devido à dispensação da lei, apontava primordialmente para
o arrependimento; foi planejado somente para os judeus; não havia a operação do Espírito Santo,
reforçando o caráter profético do ministério de João.
 O próprio Jesus Cristo instituiu o batismo cristão (Mt 28.18 – 20).
 A fórmula batismal (eis to onoma tou patros kai tou huiou kai tou hagiou pneumatos), no grego,
significa “para uma relação com o nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.
 O termo “onoma” significa “todas as qualidades pelas quais o objeto (Pai, Filho e Espírito Santo) se faz
conhecido e que constituem a soma total de tudo quanto Ele é para os Seus adoradores”.
130

 Devido a esse significado, a fórmula batismal significa “... batizando-os para uma relação com a
revelação do Pai, Filho e Espírito Santo”, mais especificamente, o objetivo do batismo é termos um
relacionamento especial com a auto-revelação divina.
 Mesmo com essa definição satisfatória, vemos nas Escrituras que Cristo não quis passar isto como
fórmula única de batismo (At 2.38; 8.16; 10.48; 19.5; Rm 6.3; Gl 3.27).
 Mesmo assim, a fórmula ensinada por Cristo é institucionalizada pela igreja primitiva e patrística, pois, é
ela que está escrita no Didaquê.
 A doutrina de que o batismo era “mágico” veio à tona no século II.
 Semelhante à igreja católica, Lutero cria que as águas do batismo eram água da vida, que exercia um
“lavamento para a regeneração”.
 Calvino cria que o batismo não produz fé, mas fortalece a nova vida.
 Alguns teólogos reformados mostram que o batismo nada mais é do que um sinal de uma aliança
externa, a saber, da igreja visível.
 Há duas questões importantes a serem expostas sobre o modo do batismo:
 O que é essencial no simbolismo do batismo?
 Os batistas baseiam sua fé sobre batismo (necessidade da imersão e emersão) nos
versículos Mc 10.38,39; Lc 12.50; Rm 6.3,4; Cl 2.12, porém, vemos que os dois
primeiros não falam de batismo, e os dois últimos falam do batismo espiritual.
 Os batistas veem o batismo como uma figura da morte e ressurreição, sendo que as
Escrituras comprovam que este é símbolo de purificação (Sl 51.7; Ez 36.25; Jo 3.25,26;
At 2.38; 22.16; Rm 6.4,5; 1Co 6.11; Tt 3.5; Hb 10.22; 1Pe 3.21; Ap 1.5).
 Portanto, o essencial no simbolismo do batismo é a purificação.
 Será que a imersão é o único modo próprio do batismo?
 O modo de batismo (aspersão, imersão, derramamento, afusão, etc.) não têm muita
significância.
 Mesmo os próprios batistas deixaram de crer que o termo em grego quer dizer “morte
apenas por imersão”, pois, uma das maiores autoridades dos batistas provou que o termo
não significa, especificamente, imersão (Alexander Carson).
 “A palavra baptizo pode não expressar tão necessariamente a ação de colocar debaixo
d’água, como se daria em geral com uma coisa nessa condição, não importando como
chegou a ficar assim, se foi mergulhada na água, ou se a água veio sobre ela; se bem que,
na verdade, mergulhar na água é o modo mais natural e mais comum, e, portanto, este
modo está implícito usual e muito constantemente, mas não necessariamente... Deixe-se o
elemento batizante circundar o seu objeto e, no caso dos líquidos, seja que esta condição
relativa tenha sido produzida por imersão, afusão ou absorção, ou de qualquer outro
modo, o uso grego o reconhece como batismo válido” (Douglas Wilson).
131

 Em síntese, o único significado exato das palavras bapto e baptizo é “lavar”, “banhar-se”
e “purificar mediante lavamento”.
 Passagens bíblicas mostram que a imersão não é a regra (At 8.36,38; 9.18; 10.47,48;
16.22 – 33).
 Devido ao princípio de que a Palavra e os sacramentos são entrelaçadamente unidas,
segue-se a necessidade do ministro como administrador do batismo.
 Deve ser realizado no culto público, pois o batismo é uma ordenança para a igreja.
 O batismo deve ser realizado em novos convertidos e em filhos de membros da igreja.
 Batismo de adultos:
 Nesse caso, o batismo deve ser precedido por uma profissão de fé (Mc 16.16; At 2.41; 8.37).
 A profissão, em regra, deve ser sincera, porém, não cabe ao ministro ficar vasculhando a pessoa
para ver se ela está ou não sendo.
 O batismo pressupõe a regeneração, fé, conversão e justificação, porém, não é concebida por ele.
 Nesse caso, o batismo significa que o homem aceitou as condições da aliança e assume as
obrigações próprias dela. É um selo de uma aliança oferecida e aceita, ou seja, decidida.
 Batismo de crianças:
 Não há base bíblica que institui diretamente o pedobatismo, porém, não quer dizer que ela seja
antibíblico.
 O fundamento do pedobatismo está nesses seguintes dados:
 A aliança feita com Abraão era, primariamente, espiritual, e desta, a circuncisão era um
sinal e selo. Essa aliança é semelhante a nossa, e o sacramento da circuncisão é, hoje para
nós, o batismo (At 4.12; 10.43; 15.10,11; Gl 3.16; 1Tm 2.5,6; 1Pe 1.9 – 12; Gn 15.6; Sl
32.10; Hb 2.4; At 10.43; Hb 11; Sl 32.1,2,5; Is 1.18; Rm 4.9; Gl 3.6; Dt 30.6; Sl 51.10;
Jl 2.28,32; At 2.17 – 21; Is 40.31; Ex 3.6; Hb 4.9; 11.10).
 Pela determinação de Deus, as crianças participavam dos benefícios da aliança e,
portanto, recebiam a circuncisão como sinal e selo, e assim é com o batismo também
(1Co 7.14; At 2.39).
 Há um povo ou nação de Deus, e esta se constitui de famílias, por ser um conjunto
orgânico (Mt 21.43; Rm 9.25,26; Os 2.23; 2Co 6.16; Tt 2.14; 1Pe 2.9).
 Durante o Antigo Testamento, as crianças eram consideradas parte integrante de Israel
como o povo de Deus (Dt 29.10 – 13; Js 8.35; 2Cr 20.13; Jl 2.16).
 O batismo, pela autoridade divina, substitui a circuncisão como o selo e sinal iniciatório
da aliança da graça (At 15.1,2; 21.21; Gl 2.3 – 5; 5.2 – 6; 6.12,13,15).
 Assim como a circuncisão significava eliminação do pecado (purificação) e mudança de
coração (renovação) (Dt 10.16; 30.6; Jr 4.4; 9.25,26; Ez 44.7,9), assim também o
132

batismo significa o lavamento regenerador do pecado (purificação) (At 2.38; 1Pe 3.21;
Tt 3.5) e à renovação espiritual (Rm 6.4; Cl 2.11,12).
 “Mas, se as crianças recebiam o sinal e selo da aliança na antiga dispensação, a
pressuposição é que certamente elas têm direito de recebê-lo na nova, a qual os fiéis do
Antigo Testamento eram ensinados a aguardar como sendo uma dispensação muito mais
completa e muito mais rica” (Louis Berkhof).
 Há várias passagens no Novo Testamento que falam de batismo de famílias (At 16.15,33; 1Co
1.16). Pode ser possível nenhuma das famílias ter crianças, mas não muito provável,
principalmente praquela época.
 Orígenes e Tertuliano viam o pedobatismo como normal, e fazendo parte da tradição dos
apóstolos. “Pois isto havia também que a Igreja tinha dos apóstolos uma tradição, de dar o
batismo até mesmo às crianças” (Orígenes).
 Devemos deixar claro que a fé necessária para o batismo exposta em Mc 16.15,16 se refere à fé
necessária para o batismo dos adultos que seriam ministrados nas missões posteriores, e isso
prova, sim, o batismo de adultos recém-convertidos, mas não rejeita o pedobatismo.
 O batismo infantil é uma ordem de Deus, e não se baseia numa regeneração presuntiva, e sim, na
participação da aliança da graça. Isso não faz do batizado um regenerado, mas apenas parte da
aliança. Nem todos os participantes da aliança são salvos, como diz muitas passagens na
Escritura (Rm 9.6).
 O batismo infantil é um meio de graça por poder significar uma possível graça futura na criança,
e em relação aos pais, por fortalecer a fé deles em relação à possível graça de Deus futuramente
derramada no filho.
 O batismo infantil se limita aos filhos dos crentes.

PERGUNTAS:

- Como e por quem foi instituído o batismo cristão?

- Qual é a fórmula batismal e qual o seu significado?

- Qual é o significado do batismo para Lutero, Igreja católica e para os reformados? Qual é a opinião mais
correta?

- O que dizer sobre o simbolismo do batismo?

- O que dizer sobre o modo do batismo?

- O que é correto afirmar sobre o batismo de adultos?

- O que é correto afirmar sobre o pedobatismo?


133

i- Ceia do Senhor:
 As refeições que eram realizadas com os sacrifícios “expressavam o fato de que, com base no sacrifício
oferecido e aceito, Deus recebia Seu povo como hóspedes em Sua casa e se unia a eles em jubilosa
comunhão, a vida comunitária da aliança” (Louis Berkhof).
 O sacrifício da Páscoa era procedido por tais refeições sacrificiais.
 O Novo Testamento atribui à Páscoa a rememoração da libertação do Egito e também um sinal e selo da
libertação da escravidão do pecado (1Co 5.7).
 Jesus Cristo instituiu a Santa Ceia em conexão com a refeição pascal, e isso não pode ser duvidado,
principalmente devido ao testemunho de Paulo em 1Co 11.23 – 26.
 A igreja católica crê que a carne e o sangue são entregues para sacrifício todas as vezes que é realizada a
Santa Ceia, sendo que o pão e o vinho se transformam, de fato, em carne e sangue (doutrina da
transubstanciação e teoria sacrificial).
 Os reformadores não aceitaram essas teorias da igreja católica acerca da Santa Ceia.
 Lutero cria na consubstanciação, dizendo que Cristo está “e, com e sob” os elementos, seguindo a linha
de Guilherme de Ockham.
 Calvino negava isso, defendendo uma presença real espiritual de Cristo na Ceia.
 Os arminianos veem a Ceia como algo memorial apenas.
 Há quatro narrativas da instituição da Santa Ceia. Um em cada evangelho sinótico e outro em 1Co 11.
 O cordeiro pascal apontava para o sacrifício futuro, e, quando o real Cordeiro de Deus foi sacrificado, o
símbolo e o tipo deviam desaparecer.
 O sacrifício de Cristo tornou o derramamento de sangue desnecessário.
 O partir do pão faz parte dos atos simbólicos da Santa Ceia, pois, esta era destinada a simbolizar o partir
do corpo de Cristo para a redenção de pecadores.
 Por Jesus partir o pão na presença dos discípulos, a Teologia protestante vê como necessário o partir do
pão a vista do público.
 Não há referência para o derramamento do vinho nos cálices, então, isso não é necessário.
 Quando Cristo disse “Tomai, comei”, sem dúvida Ele tinha em mente não só o ato físico de ingerir os
elementos, mas uma apropriação do corpo de Cristo, pela fé.
 Além do termo citado acima, há as ordens “fazei isto em memória de mim”, “Bebei dele todos” e
“Tomai-o e reparti-o entre vós”.
 As palavras “isto é o meu corpo que é dado por vós” (1Co 11.24) significam que o corpo de Cristo é
dado para o benefício dos que creem.
 A explicação “Este é o cálice da nova aliança no Meu sangue derramado em favor de vós” (Lc 22.20)
mostram um contraste entre o sangue da Nova Aliança e o sangue da Antiga Aliança (Ex 24.8).
134

 O significado essencial da Santa Ceia é: Um memorial da morte sacrificial de Cristo; e anunciam


claramente que ela deve ser celebrada regularmente, até o retorno de Jesus.
 Realidades significadas na Ceia do Senhor:
 Representa a morte do Senhor (1Co 11.26). Ela foi sacrificial, ou seja, em benefício do povo de
Deus, como é destacado nas citações “dado por vós” e “derramado em favor de muitos”.
 Simboliza a participação do crente no Cristo crucificado. Figuradamente, os crentes comem a
carne do Filho do Homem e bebem o Seu Sangue (Jo 6.53), ou seja, assimilam os benefícios
assegurados pela morte sacrificial de Cristo.
 Representa a morte de Cristo que une o crente com o efeito desse ato, ou seja, dando vida, força e
alegria à alma. Os crentes têm sua vida, força, felicidade e suficiência em Cristo.
 Representa a união dos crentes uns com os outros, como membros do corpo místico de Jesus
Cristo, constituindo uma unidade espiritual (1Co 10.17; 12.13).
 Coisas seladas na Ceia do Senhor:
 A Ceia é um memorial sim, porém, também é um selo.
 A Ceia sela, para o participante, o grande amor de Cristo revelado em Sua redenção.
 A Ceia afiança não somente o amor e a graça de Cristo, mas também lhe dá a certeza de que
todas as promessas da aliança e todas as riquezas do oferecimento do Evangelho são suas.
 A Ceia garante ao crente participante que as bênçãos de salvação são suas, como possessão real.
 A Ceia representa uma profissão da fé em Cristo como o seu Salvador, e sua fidelidade a Ele
como o seu Rei, e solenemente se comprometem a uma vida de obediência aos seus divinos
mandamentos.
 A Ceia do Senhor não é destinada para a originação da graça no coração, mas pressupõe que há uma
graça no coração do participante, e que, por meio da Ceia, aumenta a graça da comunhão com Cristo, da
nutrição e vivificação espiritual e de uma crescente segurança de salvação.
 A Ceia não é por si mesma uma causa ou fonte da graça (não age ex opere operato), mas é apenas um
instrumento nas mãos de Deus.
 A operação da Ceia depende não só da presença da fé, mas da atividade da fé.
 A Ceia do Senhor foi instituída, mais especificamente, para a igreja invisível, ou seja, pros salvos e
regenerados.
 Devido à necessidade de auto-exame (1Co 11.28,29), as crianças não podem participar.
 A profissão de fé é necessária para a participação da Ceia.
 Também há algumas situações que devem ser observadas na administração da Ceia do Senhor (1Co
11.28 – 32).
 A falta de certeza da salvação não deve ser ponto decisivo no exame para participar ou não da Ceia,
porque ela serve para fortalecer essa fé também.
135

PERGUNTAS:

- Qual é a relação entre a Ceia do Senhor do Novo Testamento e a Páscoa do Antigo Testamento?

- Como deve ser realizada a Ceia?

- O que a Ceia significa?

- O que a Ceia sela?


136

Bibliografia:

I. Básica:

BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. 3ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.

GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. 1ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1999.

II. Complementar:

PACKER, J. I. Teologia concisa. 2ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.

CALVINO, João. A Instituição da religião cristã, Tomo I, Livros I e II. 1ª ed. São Paulo: Editora UNESP,
2008.

CALVINO, João. A Instituição da religião cristã, Tomo II, Livros III e IV. 1ª ed. São Paulo: Editora
UNESP, 2008.

GRUDEM, Wayne. Entenda a fé cristã. 1ª ed. São Paulo: Vida nova, 2010.

SPROUL, R. C. Verdades essenciais da fé cristã vol. 1. 2ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.

SPROUL, R. C. Verdades essenciais da fé cristã vol. 2. 2ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.

SPROUL, R. C. Verdades essenciais da fé cristã vol. 3. 4ª ed. São Paulo: Cultura Cristã 2010.