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Manual do Aluno

FÍSICA
11.o ano de escolaridade

República Democrática de Timor-Leste


Ministério da Educação
Manual do Aluno
FÍSICA
11.o ano de escolaridade

Projeto - Reestruturação Curricular do Ensino Secundário Geral em Timor-Leste

Cooperação entre o Ministério da Educação de Timor-Leste, o Instituto Português de Apoio ao


Desenvolvimento, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Universidade de Aveiro
Financiamento do Fundo da Língua Portuguesa
Título
Física - Manual do Aluno

Ano de escolaridade
11.o Ano

Autores
Luís Cadillon Costa
Fátima Sousa Castro
Nuno Serra Agostinho

Coordenador de disciplina
Luís Cadillon Costa

Colaboração das equipas técnicas timorenses da disciplina


Este manual foi elaborado com a colaboração de equipas técnicas timorenses da disciplina,
sob a supervisão do Ministério da Educação de Timor-Leste.

Ilustração
Patrícia Ferreira Carvalho

Design e Paginação
Esfera Crítica Unipessoal, Lda.
Patrícia Ferreira Carvalho

ISBN
978 - 989 - 8547 - 34 - 7

1ª Edição

Conceção e elaboração
Universidade de Aveiro

Coordenação geral do Projeto


Isabel P. Martins
Ângelo Ferreira

Ministério da Educação de Timor-Leste

2013

Este manual do aluno é propriedade do Ministério da Educação da República Democrática de Timor-Leste, estando proibida a sua
utilização para fins comerciais.

Os sítios da Internet referidos ao longo deste livro encontram-se ativos à data de publicação. Considerando a existência de alguma
volatilidade na Internet, o seu conteúdo e acessibilidade poderão sofrer eventuais alterações.
Índice

Unidade Temática

A Das Estrelas ao Aquecimento na Terra

10
A-0 Radiação e Aquecimento
1 Espetro Eletromagnético
14 1.1 Radiação e Energia
16 Questão Resolvida
16 1.2 Energia e frequência
17 1.3 Frequência e comprimento de onda
18 Questões Resolvidas
19 2 Temperatura
19 2.1 Noção de temperatura
20 2.2 Termómetros
21 2.3 Escalas termométricas (Celsius, Réaumur, Kelvin e Fahrenheit)
25 Questões Resolvidas
26 APL A-0.1: Construção e calibração de um termómetro
27 Resumo
28 Questões para Resolver
A-1 Radiação: do Sol para a Terra
29 1 Emissão e absorção de radiação
30 1.1 Sistema termodinâmico
31 1.2 Lei de Stefan–Boltzmann
31 Questão Resolvida
32 1.3 Deslocamento de Wien
33 Questões Resolvidas
35 APL A-1.1: Absorção e emissão de radiação
36 2 Equilíbrio térmico. Lei Zero da Termodinâmica
36 2.1 Radiação Solar
38 Questão Resolvida
39 2.2 Balanço energético da Terra
40 Questão Resolvida
41 2.3 Painel Fotovoltaico
42 Questão Resolvida
42 Resumo
43 Questões para Resolver
A-2 Aquecimento/Arrefecimento de Sistemas
46 1 Transferência de energia como calor
46 1.1 Dilatação térmica dos sólidos, líquidos e gases
47 Questões Resolvidas
50 1.2 Capacidade térmica mássica
51 Questões Resolvidas
53 1.3 Mecanismos de transferência de calor: condução e convecção
55 1.4 Materiais condutores e isoladores do calor. Condutividade térmica
56 Questão Resolvida
57 2 Primeira Lei da Termodinâmica
58 Questão Resolvida

3
A
58 3 Degradação da energia. Segunda Lei da Termodinâmica
60 Questão Resolvida
61 APSA A-2.1: Coletor Solar
62 APL A-2.1: Balanço energético num sistema termodinâmico
63 Questão Resolvida
63 Resumo
64 Questões para Resolver

Unidade Temática

B Os Fluidos na Terra

68
B-0 Interações em Fluidos
1 Densidade ou massa volúmica
71 Questão Resolvida
71 2 Pressão e força de pressão
72 Questão Resolvida
73 3 Impulsão
74 Questão Resolvida
74 Resumo
75 Questões para Resolver
B-1 Hidrostática
76 1 Noção de fluido
76 2 Lei Fundamental da Hidrostática
79 Questões Resolvidas
79 3 Lei de Pascal
80 4 Lei de Arquimedes
81 Questão Resolvida
81 5 Pressão atmosférica. Experiência de Torricelli
82 6 Aplicações
82 6.1 Aparelhos hidráulicos: prensa hidráulica, bomba hidráulica e
manómetros de pressão
83 Questão Resolvida
84 6.2 Equilíbrio de corpos flutuantes
85 APL B-1.1: Lei de Arquimedes
86 APSA B-1.1: Pressão atmosférica
87 APSA B-1.2: Lei de Pascal
88 Resumo
88 Questões para Resolver
B-2 Hidrodinâmica
90 1 Movimento dos fluidos em regime estacionário
91 2 Conservação da massa e Equação da Continuidade

4
B
92 Questão Resolvida
93 3 Conservação de energia mecânica e Equação de Bernoulli
98 Questões Resolvidas
99 4 Força de resistência em fluidos. Coeficiente de viscosidade de
um líquido
100 APL B-2.1: Coeficiente de viscosidade de um líquido
102 Questões para Resolver

Unidade Temática

C Da Luz das Estrelas à Visão na Terra

106
C-0 Produção e Transmissão da Luz
1 Tipos de ondas
108 2 Características das ondas
110 Questões Resolvidas
111 3 Produção de ondas
111 3.1 Fontes sonoras
112 3.2 Fontes de luz
113 4 Propriedades e aplicações do som e da luz
117 4.1 Velocidade do som e da luz em diferentes meios
119 Questão Resolvida
120 Resumo
121 Questões para Resolver
C-1 Ótica Geométrica
122 1 Fenómenos óticos
123 1.1 Propagação retilínea da luz
125 1.2 Sombra, penumbra e eclipses
126 1.3 Reflexão e Refração. Lei de Snell-Descartes
129 1.4 Reflexão total. Ângulo crítico
130 Questões Resolvidas
132 2 Aplicações
132 2.1 Lentes
132 2.1.1 Tipos de lentes
133 2.1.2 Distância focal e vergência
135 Questão resolvida
137 2.1.3 Constituição do olho humano e correção dos seus defeitos
140 2.1.4 Instrumentos óticos: lupa, microscópio e telescópio
141 2.2 Espelhos
141 2.2.1 Espelhos planos
142 Questão resolvida
142 2.2.2 Espelhos esféricos

5
C
146 2.3 Fibras óticas
147 APL C-1.1: Características das imagens em espelhos
149 APL C-1.2: Os sistemas óticos e a reflexão total
150 APL C-1.3: Distância focal e vergência
152 Resumo
153 Questões para Resolver

156 Glossário
158 Soluções das Questões para Resolver

6
Aos estudantes que continuam a sua aprendizagem em Física no Ensino Secundário…
Compreender a Ciência, nomeadamente a Física, e relaciona-la com a Tecnologia é algo
muito útil à sociedade, particularmente no que diz respeito à proteção do ambiente.
Aumentar os conhecimentos dos seus cidadãos, proporciona que se tomem decisões mais
conscientes e que se melhore o nível de vida de todos.
Acreditamos pois, que a maior riqueza de uma nação está na Educação, e que a Física é, por
excelência, uma das áreas que mais pode contribuir para o seu desenvolvimento.
Este manual destina-se a proporcionar, aos estudantes, conhecimentos de importantes áreas
da Física. Recorre-se a explicações das leis, de forma simples, para facilitar o entendimento,
não descorando o contexto histórico das suas descobertas, e pensando sempre na utilidade
da Física e suas aplicações no desenvolvimento tecnológico.
Esperamos que este manual permita a realização de um bom trabalho.

Os autores

7
O B J E T I V O S

• Interpretar o espetro eletromagnético, associando


a cada zona uma gama de energias.
• Relacionar a energia duma radiação com a
frequência e o comprimento de onda.
• Relacionar escalas de temperatura.
• Aplicar a Lei de Stefan-Boltzmann.
• Interpretar a máxima potência irradiada por um
corpo tendo por base o deslocamento de Wien.
• Explicar o significado da dilatação térmica dos
corpos.
• Interpretar as leis da Termodinâmica.
Unidade Temática A | Das Estrelas ao
Aquecimento na Terra

A-0 Radiação e Aquecimento


A-1 Radiação: do Sol para a Terra
A-2 Aquecimento/Arrefecimento de Sistemas

«O conceito de onda plana, como muitos outros conceitos


da Física, não passa de ficção, mas é um conceito valioso.»
Leopold Infeld
Unidade Temática A | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra

A-0 Radiação e Aquecimento


1 Espetro eletromagnético
O que é o espetro eletromagnético?
O Sol é a nossa fonte de luz por excelência. A luz enviada pelo Sol chega até nós como ondas eletromagnéticas
que se propagam no vazio, no ar e noutros meios, a grande velocidade. As micro-ondas, os infravermelhos, a
luz visível, os raios X e os raios gama são radiações eletromagnéticas. Esta é constituída por campos elétricos e
magnéticos oscilantes, perpendiculares entre si e também perpendiculares à direção de propagação, como se
mostra na figura 1.

→ →
Figura 1 – Uma onda eletromagnética consiste num campo elétrico E e num campo magnético B oscilantes, perpendiculares entre si e
perpendiculares à direção de propagação.

Estas ondas apresentam características, como a amplitude, velocidade de propagação, comprimento de onda,
período e frequência, que permitem classificar cada tipo de radiação eletromagnética.
A amplitude de uma onda é a medida da magnitude do afastamento máximo em relação à posição de equilíbrio
da grandeza que sofre vibrações. Simboliza-se pela letra A. No caso das ondas produzidas por uma corda esticada,
a sua amplitude é expressa como uma distância (metro), nas ondas sonoras como pressão (pascal) e nas ondas
eletromagnéticas como a amplitude de um campo elétrico (volt por metro). A amplitude pode ter um valor
constante e a onda diz-se contínua, ou variar com o tempo e/ou posição.
O período, T, é o tempo necessário para um ciclo completo de uma oscilação de uma onda. Corresponde assim,
ao tempo necessário para que uma onda se propague à distância de um comprimento de onda. No Sistema
Internacional de Unidades, exprime-se em segundo, s.

Figura 2 – Representação do campo elétrico de uma onda electromagnética, onde se define o período.

10
A frequência, f, de uma onda corresponde ao número de oscilações
efetuadas por unidade de tempo. No Sistema Internacional de Unidades,
exprime-se em vibrações por segundo, s⁻¹, ou hertz, Hz.
A distância entre duas magnitudes iguais consecutivas em relação à posição A saber:
de equilíbrio da grandeza que sofre vibrações, chama-se comprimento O nome dado à unidade de
frequência é em homenagem ao
de onda. O comprimento de onda simboliza-se por λ (letra grega que se
físico alemão Heinrich Hertz.
lê «lambda») e, no Sistema Internacional de Unidades, exprime-se em A frequência e o período
metro, m. são grandezas inversamente
proporcionais:

ou

Figura 3 – Representação do campo elétrico de uma onda eletromagnética, onde se


define o comprimento de onda.

O Sol não emite apenas radiação visível, mas também emite radiação
eletromagnética invisível que se distribui continuamente como radiações
gama, ultravioleta, infravermelha, micro-ondas, raios X e rádio.
Ao conjunto de todas as radiações eletromagnéticas chama-se espetro,
constituindo cada faixa de radiações acima referidas, uma região espetral.
O espetro eletromagnético traduz assim a ordenação das radiações
eletromagnéticas de acordo com a energia ou com o comprimento de
onda ou com a frequência, que vão desde as ondas de rádio até à radiação
gama. A faixa de luz visível ao olho humano também faz parte da radiação
eletromagnética, constituindo uma faixa muito pequena, comparada com
a das outras radiações.

A saber:
Figura 4 – Espetro eletromagnético.
O nanómetro (nm) é um
submúltiplo do metro (m)
Define-se assim o espetro eletromagnético, com sete regiões principais: muito utilizado para expressar
o comprimento de onda
ondas de rádio, micro-ondas, infravermelho, visível, ultravioleta, (1 nm = 1 x 10⁻⁹ m).
radiação X e radiação gama.

Radiação e Aquecimento | 11
Quais as características de cada zona do espetro eletromagnético?

As ondas de rádio
São ondas eletromagnéticas que possuem frequências baixas, até cerca de 10⁸ Hz, e grandes comprimentos
de onda. Nesta faixa, as radiações são utilizadas para comunicações a longas distâncias, nomeadamente pelas
emissoras de rádio para fazerem as suas transmissões.
As ondas de rádio, além de serem pouco atenuadas pela atmosfera, são refletidas pela ionosfera, propiciando
uma propagação de longo alcance.

A radiação de micro-ondas
São ondas com frequências mais altas que as das ondas de rádio, compreendidas entre 3 × 10⁸ Hz e 3 × 10¹¹ Hz
(300 MHz a 300 GHz), isto é, situam-se na faixa de 1 mm a 1 m de comprimento de onda. Na atualidade, estas ondas
são amplamente utilizadas no ramo das telecomunicações, nos radares, assim como nos fornos de micro-ondas.
A água absorve facilmente esta radiação. Por isso, é eficiente para aquecer materiais ou alimentos ricos em água.

A radiação infravermelha
No espetro eletromagnético, localizam-se junto da radiação visível, antes do vermelho, e apresentam
menor energia do que esta.
Estas radiações são muito utilizadas em sensores de controlo remoto, como por exemplo, os comandos de
portas automáticas. Situam-se na faixa de frequências de 3 × 10¹¹ Hz e 4,3 × 10¹⁴ Hz (300 GHz a 430 THz), que
correspondem a comprimentos de onda de 0,7 μm a 1 mm. A radiação infravermelha (IV) é facilmente absorvida
pela maioria das substâncias, provocando efeito térmico. Estas radiações sentem-se como calor irradiado por
corpos incandescentes ou que se encontrem a altas temperaturas.

A radiação visível
São as radiações luminosas e têm frequência entre 4,3 × 10¹⁴ Hz e 7 × 10¹⁴ Hz (430 a 700 THz). Estas radiações são
muito importantes para os seres humanos, pois são capazes de produzir a sensação de visão. Situam-se numa
faixa muito estreita de comprimentos de onda, entre cerca de 380 a 700 nm, quando comparada com as outras
faixas do espetro eletromagnético.

Figura 5 – A luz visível está compreendida entre 4,3 × 10¹⁴ Hz e 7 × 10¹⁴ Hz.

12 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


A radiação ultravioleta
As radiações ultravioletas (UV) localizam-se imediatamente a seguir às radiações visíveis, depois do violeta e
têm maior energia. Estas radiações ocupam uma extensa faixa do espetro, entre aproximadamente 7 × 10¹⁴ Hz e
3 × 10¹⁷ Hz, correspondente a comprimentos de onda de cerca de 1 nm a 380 nm. A maior parte da radiação UV
emitida pelo Sol é absorvida pela atmosfera da Terra, chegando apenas uma pequena parte à superfície terrestre.

Os raios X
Os raios X são um tipo de radiação eletromagnética com frequências superiores às das radiações ultravioleta, ou
seja, frequências entre 3 × 10¹⁷ Hz e 5 × 10¹⁹ Hz, correspondente a comprimentos de onda entre 0,06 Å e 1 nm
(1 Å = 10⁻¹⁰ m). São altamente penetrantes, sendo uma poderosa ferramenta quando se pesquisa a estrutura da
matéria.
Estes raios têm a capacidade de atravessar com facilidade materiais de baixa densidade como os músculos, e são
absorvidos por materiais de alta densidade como os ossos. Devido a essa propriedade, estes raios são utilizados
na obtenção de radiografias.
Este tipo de radiação foi descoberta, no final do século XIX pelo físico alemão W. Rontgen (1845-1923), durante
experiências com raios catódicos. Ele descobriu a existência de radiações cuja natureza era desconhecida e dessa
forma, nomeou-os de raios X (raios desconhecidos). Essa descoberta rendeu-lhe, em 1901, o Prémio Nobel
da Física.

Figura 6 – Radiografias do corpo humano.

Os raios gama
São os raios mais penetrantes do espetro eletromagnético. São constituídos por fotões cujas frequências se
estendem aproximadamente desde 5 × 10¹⁹ Hz até 10²² Hz. Estes raios são os mais energéticos e os que têm
menor comprimento de onda. Possuem elevado poder penetrante podendo mesmo atravessar um muro de
betão. Sendo muito energéticos, são perigosos, pois destroem as células humanas, podendo provocar cancro.
Os raios gama foram descobertos, em 1900 pelo físico francês Paul Ulrich Villard (1860-1934).
São utilizados em medicina e biologia para a destruição local de células dos tumores cancerígenos e para a
esterilização de material hospitalar.

Radiação e Aquecimento | 13
Figura 7 – Espetro eletromagnético e algumas aplicações.

1.1 Radiação e energia
O Sol é a principal fonte de energia do nosso planeta, transferindo energia para a Terra através da radiação que
nos envia. A radiação é pois, energia em trânsito, que se propaga através de ondas eletromagnéticas, das quais
a radiação visível constitui uma pequena parte. A energia, transferida deste modo, não necessita de qualquer
meio material para a sua propagação.
A radiação visível, representada pela luz branca emitida pelo Sol, é na realidade uma luz policromática constituída
pelas sete cores do arco-íris.

Porque é que se pode observar a dispersão da luz branca?


É comum observar-se um arco-íris quando a luz do Sol, ao atravessar as gotas de água suspensas nas nuvens, se
desdobra num conjunto de radiações coloridas que se projetam no céu.
O físico inglês Isaac Newton (1642-1727) conseguiu observar este mesmo efeito, fazendo incidir a luz solar num
prisma de vidro (prisma ótico), tendo projetado o arco-íris num alvo.

14 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


Figura 8 – Representação da experiência de Newton para obter o espetro da luz.

As radiações que constituem a luz branca, ao atravessarem o prisma,


separam-se umas das outras, saindo na outra face individualizadamente.
A radiação que sofre maior desvio é a violeta e a que sofre menor desvio
é a vermelha. Obtém-se, assim, o espetro visível da luz solar.

Figura 9 – Espetro eletromagnético das radiações visíveis.

Estas radiações do espetro visível propagam-se no ar todas à mesma


velocidade, não se distinguindo umas das outras, formando, no seu
conjunto, a luz branca.
As radiações visíveis apresentam diferentes energias, que aumentam
desde o vermelho até ao violeta.

Qual é a velocidade de propagação das ondas eletromagnéticas?


A velocidade de propagação, v, das ondas eletromagnéticas depende das
características do meio. No vácuo, todas as radiações eletromagnéticas,
como a luz visível, as micro-ondas, os raios X, propagam-se à mesma
velocidade, c, que é de cerca de 300 milhões de metros por segundo ou
de 300 mil quilómetros por segundo,

A saber:
c = 3,0 × 10⁸ m·s⁻¹ Velocidade da luz no
vazio: 300 000 000 m/s ou
300 000 km/s

No espetro eletromagnético, as ondas que transportam maior energia são


os raios gama, seguidos dos raios X e dos raios ultravioleta. Todos estes
tipos de ondas eletromagnéticas são perigosos para o corpo humano, visto
que transportam demasiada energia que, ao ser comunicado ao corpo,
provocam reações químicas e físicas adversas. Portanto é necessário que
as pessoas se protejam delas.

Radiação e Aquecimento | 15
Questão Resolvida

1. Para cada conjunto, indique a radiação menos energética, supondo que as ondas têm a mesma
amplitude.
A – Radiação IV e radiação UV.
B – Luz vermelha e luz azul.
C – Raios gama e raios X.
D – Micro-ondas e radiação visível.

Resolução:
A – Radiação IV.
B – Luz vermelha.
C – Raios X.
D – Micro-ondas.

1.2 Energia e frequência
Qual é a relação entre a frequência e a energia de uma radiação
eletromagnética?
A interação da radiação com a matéria constitui, desde longa data, um
problema para muitos cientistas. Em 1900, Max Planck apresentou
uma solução, considerando que essa interação se traduzia na troca de
quantidades bem definidas de energia. Estes «pacotes de energia» são
chamados fotões.
Baseado nestes estudos, Albert Einstein (1879-1955) considerou que a
radiação seria constituída por um feixe de partículas, fotões, cuja energia
era proporcional à frequência, f, da radiação.

E=hf

A constante de proporcionalidade entre a energia e a frequência é a


A saber: denominada constante de Planck: h = 6,626 × 10⁻³⁴ J·s.
A energia da radiação é
diretamente proporcional à No sistema internacional (SI):
frequência dos fotões que
constituem essa radiação. – a energia, E, exprime-se em joule, J.
– a frequência, f, exprime-se em hertz, Hz.

16 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


1.3 Frequência e comprimento de onda
Qual é a relação entre a frequência e o comprimento de onda de
uma radiação eletromagnética?
A frequência, f, da radiação, que é o número de vezes que a onda repete
as suas características por segundo, e o comprimento de onda, λ, que
é a distância mínima entre dois pontos na mesma fase de vibração,
relacionam-se entre si através da velocidade de propagação.
v=fλ

Quando a radiação se propaga no vácuo, usa-se c para a velocidade. A saber:


c=fλ A frequência e o comprimento
de onda são duas grandezas
inversamente proporcionais.

Pode verificar-se também que a energia e o comprimento de onda são


grandezas inversamente proporcionais.
Sabendo que
E=hf

e subsituindo a frequência, vem:


c
E=h―
λ

Cada onda eletromagnética tem uma frequência característica que não se


altera quando muda de meio.

A radiação eletromagnética propaga-se noutro meio que não o vazio, com


uma velocidade, v, inferior à velocidade no vazio, c. Possui, por isso, nesse
meio, um comprimento de onda, λ, menor do que tinha no vazio,

v c
λ= ―<―
f f

Figura 10 – Relações entre energia, frequência e comprimento de onda.

Radiação e Aquecimento | 17
Questões Resolvidas

1. Um rádio-recetor opera em duas modalidades: AM, que cobre a faixa de frequências de 600 kHz a
1500 kHz e outra, FM, de 90 MHz a 120 MHz.
Considerando que a velocidade de propagação das ondas de rádio no ar é de 3,0 × 10⁸ m/s, calcule o
menor e o maior comprimento de onda que podem ser captados por esse aparelho.
Resolução:
1. Sabendo que:
1 kHz = 10³ Hz
1 MHz = 10⁶ Hz
vem:
600 kHz = 6,00 × 10⁵ Hz
1500 kHz = 1,500 × 10⁶ Hz
90 MHz = 9,0 × 10⁷ Hz
120 MHz = 1,20 × 10⁸ Hz
Usando c = f λ e sabendo que à menor frequência corresponde o maior comprimento de onda e vice
versa, vem:
- para a menor frequência:
⟺ λ= ⟺ λ = 5,0 x 10² m ⟺ λ = 500 m

- para a maior frequência:

⟺λ= ⟺ λ = 2,5 m.

2. A velocidade das ondas eletromagnéticas no vácuo é de 3,0 × 10⁸ m/s. Calcule a energia duma
radiação X, sabendo que se propaga como onda eletromagnética de comprimento de onda 0,1 Å.
Resolução:
2. Sabendo que:
1 Å = 10⁻¹⁰ m
λ = 0,1 × 10⁻¹⁰ m
c
Como E=h―
λ
e substituindo h, c e λ vem:

E = 6,626 × 10⁻³⁴ ⟺ E = 2,0 × 10⁻¹⁴ J.

18 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


2 Temperatura
A interpretação de fenómenos térmicos, tais como a temperatura, pode ser realizada a nível macroscópico ou a
nível microscópico.
O estudo macroscópico baseia-se na perceção que se tem, sugerida pelos nossos sentidos, através da sensação
de quente e frio, que é muito subjetiva. A noção de temperatura aprofunda-se quando se opta por um ponto de
vista microscópico e se considera o movimento molecular.

2.1 Noção de temperatura
Como se pode avaliar o «quanto» um corpo está frio ou está quente?
Pode-se considerar a temperatura de um corpo como uma medida do grau de agitação das suas partículas
constituintes. Supondo que não existe mudança de estado físico, quando um corpo recebe energia, as suas
partículas agitam-se mais e a temperatura aumenta. Ao ceder energia, as partículas do corpo agitam-se com
menor intensidade e a sua temperatura diminui.

Figura 11 – A agitação das partículas é maior no gás que está a ser aquecido.

As moléculas do gás colocado sobre a chama têm associada maior energia cinética, o gás está a maior temperatura.
Às vezes utiliza-se o tato para avaliar o quanto um objeto está quente e até mesmo o estado febril de uma
pessoa. No entanto, a nossa perceção pode surpreender.
Por exemplo, ao colocar uma das mãos numa tina com água quente e a outra numa tina com água fria
e seguidamente colocar as duas mãos numa terceira tina com água morna, esta mesma água provoca uma
sensação diferente em cada mão.

Figura 12 – A mão direita vai sentir a água morna quente e a mão esquerda vai senti-la fria.

A água morna parecerá fria para a mão que estava quente, e quente para a mão que estava fria.
Sendo assim, se os nossos sentidos podem enganar, é necessário quantificar o «quente» e o «frio» com um
dispositivo que não seja tão impreciso.
Para avaliar a temperatura de um corpo recorre-se a um termómetro.

Radiação e Aquecimento | 19
2.2 Termómetros
Os primeiros dispositivos para avaliar temperaturas eram aparelhos
simples chamados termoscópios e admite-se que tenha sido Galileu
Galilei, em 1610, a conceber um dos primeiros, utilizando vinho na
sua construção. O termoscópio de Galileu baseava-se na expansão ou
contração do ar que fazia movimentar uma coluna de líquido.

Era constituído por uma parte de vidro arredondada, denominada bulbo,


ligada a um tubo de vidro com a parte inferior imersa num líquido.
Quando a temperatura do ar contido no bulbo aumentava, a pressão do
ar também aumentava e o nível do líquido descia. Quando a temperatura
do ar diminuia, a pressão do ar diminuia e o nível do líquido subia.

Eram aparelhos sem grande precisão, não tinham escala e serviam apenas
Figura 13 – Termoscópio de Galileu.
para verificar se a temperatura subia ou descia, ou indicar se um corpo
estava mais quente ou mais frio do que outro tomado como referência.
Em 1610, o grão duque da Toscana, Fernando II, construiu o primeiro
termómetro selado, que utilizava um líquido, o álcool, em vez de ar como
substância termométrica.

Como funcionam os termómetros de líquido?


O funcionamento do termómetro de líquido em vidro baseia-se na
dilatação de um líquido, normalmente o mercúrio ou álcool colorido com
Figura 14 – Termómetro clínico de
mercúrio.
tinta. Nos países mais frios, com temperaturas mais baixas, usa-se o álcool
uma vez que o ponto de congelação deste é inferior ao do mercúrio.
Este termómetro é formado por um tubo capilar de vidro ligado a um
reservatório que contém o líquido. Este conjunto está envolvido por
um segundo tubo de vidro, onde se encontra representada uma escala
graduada.
Tanto o mercúrio como o álcool são líquidos que se dilatam regularmente
num intervalo de temperatura bem amplo.
Atualmente colocam-se limitações à utilização dos termómetros de
mercúrio, porque este é considerado uma substância tóxica.

Hoje em dia, também se utilizam termómetros digitais que recorrem à


eletrónica. Geralmente baseiam-se na variação da resistência elétrica de
um condutor com a temperatura.
Figura 15 – Vários tipos de termómetros.

20 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


2.3 Escalas termométricas (Celsius, Réaumur, Kelvin e
Fahrenheit)
Como se constrói uma escala termométrica?
Para a construção de uma escala termométrica procede-se do seguinte
modo:
• Escolhe-se a substância termométrica, normalmente um líquido;
• Coloca-se o líquido num reservatório (bulbo), ligado a um tubo capilar;
• Escolhem-se dois estados térmicos, que se mantenham invariáveis por
um determinado tempo e que sejam de fácil reprodução. Geralmente
os estados térmicos escolhidos são o ponto de fusão do gelo à pressão Figura 16 – Termómetro digital.
normal, 1 atmosfera, e o ponto de ebulição da água também à pressão
normal. Estes estados térmicos são, normalmente, chamados pontos fixos;
• Num recipiente contendo água no estado líquido e gelo a derreter,
introduz-se o termómetro, aguarda-se o equilíbrio térmico e anota-se a
altura da coluna de líquido, correspondente à temperatura de fusão do
gelo, Tg;
• Num recipiente contendo água em ebulição, em presença de vapor de
água, coloca-se o termómetro, aguarda-se o equilíbrio térmico e anota-se
a altura da coluna correspondente ao estado de vapor, Tv;
• Divide-se em partes iguais o intervalo delimitado entre as anotações
e associa-se os valores numéricos arbitrários. Cada parte em que fica
dividido o intervalo é denominada grau de escala, e é a sua unidade.

Figura 17 – Como construir uma escala termométrica.

Existem diversos tipos de termómetros de acordo com o grau de precisão


necessário e o intervalo de temperatura a ser medido. Podem estar
graduados em diferentes escalas e a sua utilização varia de país para país.

Radiação e Aquecimento | 21
Quais as escalas mais usadas nos termómetros?
As escalas mais utilizadas são a escala Celsius (°C), a escala Fahrenheit (°F) e a escala Kelvin (K). Esta última, é a
escala adotada pelo Sistema Internacional de Unidades. No entanto, existem outras escalas como a Réaumur (°R).
Pensa-se que terá sido o médico grego Galeno, em 170 d. C., o primeiro a idealizar uma escala de temperaturas,
baseada na ebulição da água e na fusão do gelo. Deixou algumas notas que não são suficientemente claras
para se afirmar que tenha criado uma escala de temperaturas. Contudo, a primeira escala termométrica
confiável é atribuída a um cientista inglês, Robert Hooke, que, em 1664, idealizou-a com tinta vermelha em
vez de álcool. Esta escala foi utilizada pela Real Sociedade Inglesa até 1709, e com ela se fez o primeiro registo
meteorológico conhecido.
Em 1702, o astrónomo Olaf Roemer aperfeiçoou esta escala criando, o ponto «0» para uma mistura de gelo e
água e o valor «60» para água fervente.
Posteriormente, em 1708, o físico Daniel Fahrenheit começou a construir os seus próprios termómetros,
utilizando mercúrio.

A escala com o seu nome, escala Fahrenheit, foi criada em 1724 e após alguns ajustes atribuiu os valores «32»
e «212», respetivamente para os pontos de fusão e ebulição da água.
A unidade é o grau Fahrenheit, cujo símbolo é °F.

René Réaumur (1683-1757) Anders Celsius (1701-1744) Lorde Kelvin (1824-1907)

Na mesma época, em 1731, o físico e inventor francês René Réaumur, inventou o termómetro a álcool e
apresentou uma escala termométrica para este tipo de termómetros, que fez muito sucesso na Europa Ocidental.
A escala Réaumur considera como pontos fixos o «0» para o ponto de fusão da água, e o «80» para o seu ponto
de ebulição.
A unidade desta escala é o grau Réaumur e o seu símbolo é °R.

22 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


Em 1742, o físico e astrónomo sueco, Anders Celsius, apresentou à Real Sociedade Sueca a sua escala.
A escala Celsius adotou para o ponto de fusão de gelo o valor «0» e para o ponto de ebulição da água o valor
«100». Dividiu o intervalo obtido entre os pontos fixos em cem partes iguais, e a escala passou a ser conhecida
como centígrada ou centesimal.
Em 1948, após uma convenção científica internacional sobre pesos e medidas, decidiu-se que a nomenclatura
adotada seria o grau Celsius e o seu simbolo °C.
A escala Celsius é a mais utilizada atualmente.

Figura 18 – Definição da escala Celsius.

A escala Kelvin foi estabelecida em 1848, pelo físico irlandês, William Thomson, que recebeu o título de nobreza
Lorde Kelvin. Verificou experimentalmente que a pressão de um gás diminuía 1/273 do valor inicial, quando
o arrefecia a volume constante de 0 °C para –1 °C. Como a pressão do gás está relacionada com o choque das
suas partículas com as paredes do recipiente, quando a pressão fosse nula, as moléculas estariam em repouso,
a agitação térmica seria nula e a sua temperatura também. Concluiu, então, que isso aconteceria se arrefecesse
o gás até – 273 °C.
Assim, Kelvin atribuiu o valor «0» para este estado térmico e estabeleceu que a sua escala também seria
centesimal, tal como a escala Celsius.
Deste modo, fez corresponder o ponto de fusão do gelo a 273 K e o ponto de ebulição da água a 373 K.

Posteriormente, descobriu-se ser impossível atingir o estado de agitação molecular nulo; as moléculas têm uma
energia mínima denominada energia do ponto zero. O zero absoluto é obtido por extrapolação e não deve
ser interpretado como o estado em que as partículas estariam em completo repouso, pois elas possuem uma
energia mínima finita e apresentam movimento. Mais precisamente, o zero absoluto corresponde a −273,15 °C.

Radiação e Aquecimento | 23
Qual é a relação entre as diferentes escalas termométricas?

Escala Celsius Kelvin Fahrenheit Réaumur


grau grau grau
Unidade kelvin 
Celsius  Fahrenheit Réaumur  
(símbolo) (K)
(°C)  (°F) (°R)
Temperatura
de ebulição da 100 373,15 212 80
água
Temperatura
de fusão do 0 273,15 32 0
gelo
Zero absoluto – 273,15 0 – 459,67 −218,52
Tabela 1 – Escalas Termométricas.

Temperatura (K) = Temperatura (°C) + 273,15

Temperatura (°C) = 5/4 Temperatura (°R)

Temperatura (°F) = 1,8 Temperatura (°C) + 32

Temperatura (°C) = 5/9 (Temperatura (°F) − 32)

Temperatura (°R) = 0,8 Temperatura (°C)

Tabela 2 – Fatores de conversão entre as escalas Celsius, Réaumur, Fahrenheit e Kelvin.

A saber:
A unidade SI de temperatura é o
kelvin (K).

A saber:
Variação de temperatura:
1 °C = 1 K = 1,8 °F = 0,8 °R

A saber:
A variação de temperatura em
grau Celsius é igual à variação
da temperatura em kelvin.

24 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


Questões Resolvidas

1. A temperatura de ebulição do álcool expressa na escala Réaumur é 62,4 °R. Converta este valor em
grau Celsius.
Resolução:
1. A escala Réaumur assinala o ponto de 0 °R no ponto de fusão do gelo e o
80 °R no ponto de ebulição da água. Comparando as duas escalas, vem:

θc = 78 °C

Podemos obter o mesmo resultado usando o fator de conversão:


Temperatura (°C) = 5/4 temperatura (°R).

2. Dois termómetros, um graduado na escala Celsius e outro na escala Fahrenheit, são mergulhados
num mesmo líquido. A leitura em Fahrenheit supera em 100 unidades a leitura em Celsius. Qual era a
temperatura desse líquido?
Resolução:
2. Do enunciado do problema, podemos escrever:
T (°F) = T (°C) + 100
A relação entre as escalas citadas é dada por:
Temperatura (°C) = 5/9 (Temperatura (°F) −32), ou seja,
T (°C) = 5/9 (T (°F) −32)
Substituindo a 1ª equação na 2ª, vem:

T (°C) = 85 °C ou T (°F) = 185 °F.

Radiação e Aquecimento | 25
Atividade Prático-Laboratorial
APL A-0.1: Construção e calibração de um termómetro

Questão-problema: Como construir e calibrar um termómetro?


Objetivo: Construção e calibração de um termómetro de água.
Questões pré-laboratoriais:
1. Qual a propriedade do líquido que permite o funcionamento de um termómetro?

Recursos:
• Garrafa ou frasco de vidro com tampa
• Massa/goma de modelar ou rolha de cortiça
• Palhinha de plástico fina e transparente
• Água
• Caneta que escreva em plástico
• Corante

Procedimento:
1. Faça um furo na tampa.
2. Insira a palhinha no furo e vede.
3. Encha a garrafa completamente com água fria (arrefece-se com gelo) e acrescente o corante.
4. Coloque a tampa, de modo que a água suba um pouco na palhinha.
5. Com a caneta, faça uma marca na palhinha, na altura do nível da água.
6. Coloque a garrafa ao sol durante algum tempo e observe que o nível da água dentro da palhinha sobe.
7. Quando a água estiver perto da ponta superior da palhinha, leve a garrafa para a sombra e faça uma
marca no nível da água.
8. Divida o espaço entre as marcas em partes iguais, à sua escolha.
9. Utilize o termómetro assim construído para observar a variação de temperatura ao longo de um dia
de aulas.

Questões pós-laboratoriais:
1. Invente um nome para a escala criada.
2. Construa um gráfico da temperatura medida em função das horas do dia.
3. Indique limitações deste termómetro.

26 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


Resumo

• O espetro eletromagnético ordena as radiações de acordo com a energia ou com o comprimento de


onda ou com a frequência.
• As radiações propagam-se por ondas que têm como características a amplitude, a velocidade de
propagação, o comprimento de onda, o período e a frequência.
• A radiação visível ocupa uma pequena faixa do espetro eletromagnético.
• A velocidade de propagação de uma onda depende das características do meio.
• A energia da radiação é diretamente proporcional à frequência dos fotões que constituem essa radiação.
• A frequência e o comprimento de onda são duas grandezas inversamente proporcionais.
• A temperatura de um corpo mede o grau de agitação das suas partículas constituintes.
• No Sistema Internacional de Unidades a temperatura mede-se em kelvin.

Radiação e Aquecimento | 27
Questões para Resolver

1. Calcule o comprimento de onda no vazio de uma radiação azul, de frequência f = 6,4 × 10¹⁴ Hz, expressa
em nanómetros.

2. A velocidade de propagação da luz na água é de 2,25 × 10⁸ m·s⁻¹. Calcule o comprimento de onda de
uma radiação de frequência f = 509 THz nesse meio.

3. A figura representa a temperatura medida num doente, entre as 7 e as 11 horas.

Calcule a temperatura que apresenta às 9 horas, em graus Réaumur.

4. Na escala de Réaumur, o «0» corresponde à temperatura de fusão do gelo e o «80» à temperatura


de ebulição da água. Calcule a temperatura em que, nesta escala e na de Fahrenheit, seja expressa pelo
mesmo valor numérico.

5. A menor temperatura registada na Terra foi de −89 °C, na Antártida. Converta este valor para kelvin.

6. No interior de uma sala, há dois termómetros pendurados na parede. Um deles, graduado em kelvin,
indica 298 K para a temperatura ambiente. O outro está graduado em graus Celsius. Calcule o valor
marcado por esse termómetro.

7. Para calibrar um termómetro de mercúrio, um estudante coloca-o em equilíbrio térmico, primeiro,


com gelo fundente e, depois, com água em ebulição, sob pressão atmosférica normal. Em cada caso, ele
anota a altura atingida pela coluna de mercúrio: 20,0 cm e 40,0 cm, respetivamente. Depois, espera que
o termómetro entre em equilíbrio térmico com o laboratório e verifica que, nesta situação, a altura da
coluna de mercúrio é de 24,0 cm. Qual a temperatura do laboratório na escala Celsius? Justifique.

8. O álcool etílico tem ponto de fusão −39 °C e ponto de ebulição 78 °C, sob pressão normal. Determine
a diferença de temperatura entre estes dois pontos, em kelvin.

28 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


A-1 Radiação: do Sol para a Terra
1 Emissão e absorção de radiação
O Sol, cuja superfície se encontra a uma temperatura de cerca de 6000 °C, emite radiação que incide na Terra e é
absorvida pelos materiais. Facilmente se deteta que o Sol nos aquece, e aquece os materiais à nossa volta, mas
nem sempre se sente que os materiais também irradiam energia.
A temperatura do corpo é que vai determinar o tipo de radiação por ele emitida. Qualquer corpo tem temperatura
superior ao zero absoluto, logo emite radiações eletromagnéticas.

O que acontece à radiação que incide num corpo?


A radiação que incide num corpo pode ser absorvida, refletida ou transmitida.
Verifica-se sempre a Lei da Conservação da Energia, ou seja:

energia da radiação incidente =


energia da radiação absorvida + energia da radiação refletida + energia da radiação transmitida

Um corpo diz-se opaco quando não se deixa atravessar pela radiação, apenas a absorve ou reflete.
A radiação incidente num corpo ou superfície opaca pode ser, parcialmente, absorvida ou refletida. Após a sua
absorção, o corpo adquire uma determinada temperatura que vai determinar o tipo de radiação por ele emitida.

De que depende a quantidade de energia que é refletida, transmitida e absorvida?


A fração da radiação que é absorvida, refletida ou transmitida depende das propriedades do corpo (material,
espessura, acabamento da superfície) e da frequência da radiação.
Se um corpo opaco não refletir a radiação, então será certamente um bom absorsor dessa radiação. Um pedaço
de madeira pintado de negro é opaco à radiação visível, reflete-a muito pouco e absorve-a muito. Um objeto
preto absorve todas as cores e apenas o vemos por contraste com a sua vizinhança.
Um corpo que não transmita nem absorva energia chama-se um refletor ideal e apenas fará a reflexão da radiação
que sobre ele incide. Um refletor ideal terá uma superfície polida, de aspeto espelhado.
Um objecto branco reflete todas as cores, mas de forma difusa, pois a sua superfície não é polida.

Há superfícies que são melhores emissoras de radiação do que outras.


Uma superfície negra arrefece mais depressa do que uma branca, pois emite maior quantidade de radiação
no mesmo intervalo de tempo. Diz-se que tem maior poder emissor. Também é verdade que aquece mais
rapidamente quando nela incide uma radiação e portanto a superfície negra é também um bom absorsor.
A um corpo que absorva todas as radiações do espetro sem qualquer reflexão ou transmissão, chama-se
corpo negro.
O Sol é um corpo negro pois não reflete radiação de outras fontes, emitindo energia de si mesmo.

Radiação: do Sol para a Terra | 29


Um corpo pode absorver uma grande quantidade de radiação de certa
frequência e absorver muito pouco de outras.
O vidro é normalmente transparente à radiação visível, isto é, praticamente
não a absorve. No entanto pode ser opaco para outro tipo de radiação,
nomeadamente a infravermelha. Os espelhos que usamos no dia a dia
praticamente só refletem a radiação visível. O ar é opaco à radiação
ultravioleta de frequência superior a 3 × 10¹⁵ Hz emitida pelo Sol. Se essa
radiação atingisse a superfície terrestre, seria fatal para a vida na Terra.
Uma superfície branca é má absorsora da radiação visível, mas é boa
absorsora na zona do infravermelho do espetro eletromagnético.
Os corpos bons emissores num dado comprimento de onda também
são bons absorsores de radiação no mesmo comprimento de onda. Os
maus emissores são também maus absorsores no mesmo comprimento
de onda.
O fator de emissão ou emissividade, e, caracteriza a tendência de um
corpo para emitir radiação quando comparado a um emissor perfeito. O
seu valor varia entre zero e um.
Para radiação da mesma frequência, o fator de emissão é igual ao fator
de absorção.

Um emissor perfeito (ou radiador perfeito), o corpo negro, tem


emissividade máxima, e = 1. Um corpo negro absorve toda a radiação
que nele incide, não a reflete nem a transmite. Emite, a qualquer
temperatura, a quantidade máxima possível de radiação, em todos os
comprimentos de onda.

1.1 Sistema termodinâmico
Para compreender o comportamento de um sistema quando lhe é
transferida energia é, muitas vezes, necessário considera-lo como um
sistema de muitas partículas e não como um todo. Nestes sistemas
termodinâmicos não são desprezáveis as variações de energia interna. Esta
energia resulta das partículas do corpo estarem em constante movimento
A saber:
e é a soma da energia cinética de cada partícula do corpo com a energia
Um sistema termodinâmico é um
sistema cujo comportamento só potencial de interação entre elas.
pode ser explicado considerando
as partículas que o constituem. No estudo de um sistema termodinâmico utilizam-se as grandezas volume,
pressão, temperatura e quantidade de substância, para o caracterizar.

30 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


1.2 Lei de Stefan–Boltzmann
Qualquer corpo emite radiação?
Todos os corpos emitem radiação eletromagnética pelo facto de estarem
a uma determinada temperatura. Quanto mais elevada for a temperatura
de um corpo, maiores são as frequências da radiação por ele emitida.
Este facto foi verificado quantitativamente por Josef Stefan, em 1879, e
demonstrado teoricamente por Ludwig Boltzmann, em 1885.

Josef Stefan (1835-1893) Ludwig Boltzmann (1844-1906)

As suas conclusões são traduzidas pela Lei de Stefan-Boltzmann que


relaciona a potência total irradiada por um corpo com a temperatura
absoluta, T, a que este se encontra, a área da superfície de emissão, A, e
a emissividade, e. A saber:
Chama-se intensidade da
P = e σ A T⁴ radiação à potência por unidade
de área e a unidade SI é W·m⁻².
onde σ representa a constante de Stefan-Boltzmann, que tem o valor de
5,67 × 10⁻⁸ W·m⁻²·K⁻⁴

Questão Resolvida

1. O Sol, cujo raio médio é de 6,96 × 10⁸ m, emite globalmente 3,9 × 10²⁶ W.
Considerando que este se comporta como um emissor ideal, determine a temperatura da sua superfície.
Resolução:
1. Usando a Lei de Stefan-Boltzmann,
P = e σ A T⁴ ⟺ P = e σ 4 π r² T⁴ ⟺ 3,9 × 10²⁶ = 1 × 5,67 x 10⁻⁸ × 4 π × (6,96 × 10⁸)² T⁴
obtemos então T = 5790 K.

Radiação: do Sol para a Terra | 31


1.3 Deslocamento de Wien
Um corpo real não pode, na verdade, ser considerado como um corpo
negro em todas as regiões espetrais, pois reflete ou difunde e/ou transmite
radiação numa ou mais regiões do espetro.
A curva de potência de radiação emitida por um corpo negro em função
do comprimento de onda foi demonstrada teoricamente por Max Planck
e pode observar-se na figura 19.

Figura 19 – Curva de Planck para um corpo negro à temperatura de 10000 K.

Qualquer que seja a temperatura de um corpo, ele emite radiação numa


gama de frequências. No entanto, existe uma zona em que emite com
intensidade máxima. Esta zona varia com a temperatura, deslocando-se
para maiores frequências, menores comprimentos de onda, à medida
que a temperatura do corpo aumenta. Este fenómeno, conhecido como
o Deslocamento de Wien, foi estabelecido, em 1893, pelo físico alemão
Wilhelm Wien.

A Lei do Deslocamento de Wien estabelece que o comprimento de


Wilhelm Wien (1864-1928)
onda a que se verifica o máximo da potência da radiação emitida pelos
corpos é inversamente proporcional à temperatura absoluta e pode ser
determinado:

onde:
— λmáx é o comprimento de onda a que corresponde a intensidade
máxima da radiação emitida;
— T é a temperatura da superfície radiante, medida em K.

32 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


O gráfico da figura 20 representa a intensidade das radiações que
constituem o espetro emitido por um corpo, quando este se encontra à
temperatura de 3000 K, 4000 K, 5000 K e 6000 K. Pode-se constatar que o
comprimento de onda da radiação, onde é máxima a potência irradiada,
correspondente ao pico, se desloca no sentido do menor comprimento de
onda, quando a temperatura aumenta.

A saber:
De noite, é possível detetar
a presença de uma pessoa
utilizando binóculos de
infravermelho. Não havendo luz
a incidir sobre o corpo, não há
Figura 20 – Deslocamento de Wien. reflexão deste tipo de radiação.
Só se vê a radiação emitida
pelos corpos, que é na zona do
infravermelho.
Porque é que a Terra não emite radiação nas mesmas frequências
que recebe?
A Terra, cuja temperatura média é de cerca de 290 K, emite com intensidade
máxima numa gama de comprimentos de onda muitíssimo maior que o
Sol, na zona infravermelha.

O corpo humano tem uma temperatura média próxima de 37 °C e o seu


máximo de emissão dá-se a 9,3 μm, também no infravermelho.

Questões Resolvidas

1. Dois corpos A e B encontram-se, respetivamente, às temperaturas de 37 °C e 5000 °C. Indique:


1.1. Se o comprimento de onda correspondente à potência máxima irradiada pelo corpo A é maior, menor
ou igual ao comprimento de onda que corresponde à potência máxima irradiada pelo B.
1.2. A zona do espetro eletromagnético onde se situa o comprimento de onda correspondente à potência
máxima irradiada pelo corpo B.
Resolução:
1.1. Maior.

Radiação: do Sol para a Terra | 33


O corpo A encontra-se a uma temperatura menor, e pela Lei do Deslocamento de Wien, emite
preferencialmente radiações de maior comprimento de onda (menor energia).
1.2. Pela Lei de Wien

Substituindo T por (5000 + 273,15) K, vem:


λmáx = 5,50 × 10⁻⁷ ⟺ λmáx = 550 nm, ou seja na zona do vísivel.

2. Analise o gráfico que representa os espetros para corpos a diferentes temperaturas.

2.1. Qual a zona do espetro para o qual é máxima a intensidade da radiação emitida por cada corpo negro
representado no gráfico?
2.2. Qual a cor correspondente ao máximo da radiação emitida pelo corpo que o faz preferencialmente
na zona do visível?
2.3. Calcule a temperatura de um corpo negro, no SI, sabendo que a intensidade máxima de emissão se
dá para um comprimento de onda de 1 μm.
Resolução:
2.1. Curva A: λmáx ≈ 375 nm, que corresponde a uma frequência ultravioleta.
Curva B: λmáx ≈ 450 nm, que corresponde a uma frequência visível.
Curva C: λmáx ≈ 800 nm, que corresponde a uma frequência infravermelha.
2.2. λmáx a 450 nm, que corresponde a uma radiação azul.
2.3. Usando a Lei do Deslocamento de Wien:

Convertemos λmáx a metros e substituímos na expressão anterior:

calculamos T = 2898 K.

34 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


Atividade Prático-Laboratorial
APL A-1.1: Absorção e emissão de radiação

Questão-problema: Porque é que a parte interna de uma garrafa termo é espelhada?


Objetivo: Comparar o poder de absorção de radiação de superfícies distintas: uma preta, uma branca e
uma espelhada.

Questões pré-laboratoriais:
1. Qual a relação entre a taxa de emissão e de absorção de radiação de um corpo que está em equilíbrio
térmico radiativo com a sua vizinhança?
2. Nas condições da questão anterior, o corpo não absorve nem radia energia?

Material:
• 3 Latas iguais: uma pintada de preto,
outra de branco e outra polida
• Lâmpada de 100 W
• Termómetro
• Cronómetro

Procedimento:
1. Introduza o termómetro dentro de
uma das latas.
2. Anote a temperatura inicial.
3. Dirija a luz emitida pela lâmpada sobre a lata.
4. Meça a temperatura de 5 em 5 minutos durante 30 minutos.
5. Proceda de igual modo para as outras latas.
6. Construa, no mesmo sistema de eixos, o gráfico da temperatura em função do tempo para cada lata.
7. Tire conclusões.

Questões pós-laboratoriais:
1. Interprete os gráficos obtidos.

2. Responda à questão-problema.

Radiação: do Sol para a Terra | 35


2 Equilíbrio térmico. Lei Zero da Termodinâmica
Todos os corpos estão simultaneamente a emitir radiação e a receber
radiação emitida por tudo o que os rodeia.
Numa situação, como é o caso Sol-Terra, em que as trocas de energia só
A saber: se dão por radiação, pode-se afirmar que:
A emissão de radiação térmica
por um corpo não depende da – se a taxa de absorção da radiação, por parte de um corpo, for
temperatura da sua vizinhança, superior à taxa de emissão, a energia interna desse corpo aumenta e
mas apenas da temperatura a
que o corpo se encontra. o mesmo acontece à sua temperatura;
– se a taxa de emissão da radiação, por parte de um corpo, for
superior à taxa de absorção, a energia interna desse corpo diminui e
o mesmo acontece à sua temperatura;
– se a taxa de emissão da radiação, por parte de um corpo, for igual
à taxa de absorção, a energia interna desse corpo mantém-se e o
corpo fica a temperatura constante, a temperatura de equilíbrio
radiativo.

Existem outros processos que permitem atingir o equilíbrio


térmico?
Colocando em contacto dois corpos a temperaturas diferentes, transita
energia como calor do corpo a temperatura mais elevada para o corpo
a temperatura mais baixa, até as temperaturas se igualarem, isto é, os
corpos atingirem o equilíbrio térmico.
A temperatura é a propriedade que determina se um sistema está ou não
em equilíbrio térmico com outros.

Lei Zero da Termodinâmica


Se dois sistemas estiverem em equilíbrio térmico com um terceiro,
também estão em equilíbrio térmico entre si.
Esta lei permite compreender a razão pela qual os corpos que se encontram
num certo ambiente, ao fim de algum tempo, acabam por ficar todos à
mesma temperatura.

2.1 Radiação Solar
O Sol constitui a fonte de energia mais importante para o planeta Terra,
embora esta apenas receba uma pequena parte da energia emitida
por aquele.

36 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


O que acontece à radiação que vem do Sol para a Terra?
A radiação solar atinge, num dado instante, a Terra com variadas inclinações. A quantidade principal é aquela
que incide perpendicularmente à superfície terrestre.
Da radiação solar que atinge a atmosfera da Terra, parte dela é absorvida, como radiação gama, raios X, radiação
ultravioleta mais energética, alguma radiação infravermelha e de micro-ondas.
A figura 21 mostra que a radiação eletromagnética que atravessa a atmosfera, chega à superfície terrestre através
de duas zonas do espetro eletromagnético, designadas por janela do visível e janela das ondas de rádio.

Figura 21 – Radiação solar que a atinge a Terra.

A energia da radiação solar que incide perpendicularmente no topo da atmosfera terrestre é cerca de 1370 J,
por cada metro quadrado e durante um segundo, ou seja 1370 W/m². A este valor chama-se constante solar, S.

Figura 22 – Distribuição de energia incidente na Terra.

Da energia que a Terra recebe do Sol:


– cerca de 30%, é refletida: pela atmosfera (6%), pelas nuvens (20%) e pela própria superfície terrestre (4%).
Constitui o chamado albedo do planeta.
– a restante radiação incidente, ou seja 70%, contribui para o aumento da energia interna do globo terrestre e
distribui-se do seguinte modo:
– 19% é absorvida pelas nuvens e atmosfera;
– 51% é transmitida para a superfície terrestre.

Radiação: do Sol para a Terra | 37


Questão Resolvida

1. A importância do papel do Sol na evolução da vida terrestre é desde há muito reconhecida.


Na figura está esquematizado um balanço energético da Terra.

Classifique como verdadeira (V) ou falsa (F), cada uma das afirmações seguintes:
(A) A percentagem da radiação solar incidente que é refletida é maior do que a que é absorvida pela
atmosfera e pelas nuvens.
(B) A radiação solar que atinge a superfície da Terra situa-se apenas na zona visível do espetro
eletromagnético.
(C) A percentagem da radiação solar absorvida pela atmosfera é superior à refletida por ela.
(D) A intensidade máxima da radiação emitida pela Terra ocorre na zona do visível do espetro
eletromagnético.
(E) A intensidade máxima da radiação emitida pelo Sol ocorre na zona do infravermelho do espetro
eletromagnético.
(F) Aproximadamente metade da radiação solar incidente é absorvida pela superfície terrestre.
(G) Uma parte da radiação solar incidente é absorvida pela atmosfera, sendo a restante radiação
totalmente absorvida pela superfície terrestre.
(H) Da radiação solar que atinge o planeta, 30% é refletida para o espaço.
Resolução:
1. Verdadeiras – (A), (C), (F), (H); Falsas – (B), (D), (E), (G).

38 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


2.2 Balanço energético da Terra
Se a Terra está constantemente a receber energia por radiação do Sol, como se explica que tenha
uma temperatura média praticamente constante?
A Terra encontra-se em equilíbrio térmico radiativo com o Sol. Não só recebe como emite energia por radiação
e, a energia recebida é igual à energia emitida, em cada segundo.
Tendo em conta este pressuposto, pode fazer-se um balanço simplificado que permite fazer uma estimativa da
temperatura de equilíbrio da Terra.
Considerem-se as seguintes simplificações:
– a radiação incide perpendicularmente na Terra;
– a esfericidade da Terra é desprezável;
– a Terra comporta-se como um corpo negro.

O balanço energético da Terra, em equilíbrio radiativo, permite escrever:


Potência recebida pela Terra = Potência emitida pela Terra
Como foi referido, só 70% da potência proveniente do Sol é absorvida pela Terra e esta apenas atinge um
hemisfério terrestre, que se considera um círculo, pois despreza-se a esfericidade da Terra.

Figura 23 – A radiação do Sol incide num círculo da Terra.

Então usa-se apenas 70% da potência por unidade de área que chega à Terra, isto é 70% da constante solar.
Como se pretende a potência, multiplica-se pela área, que neste caso é a do círculo.
Então vem:
Potência recebida pela Terra: Precebida = 0,70 S π RT ²
Em que S é a constante solar e RT o raio da Terra.
No caso da potência emitida pela Terra, usa-se a Lei de Stefan-Boltzmann, e considera-se que aquela tem
emissividade 1. A área que emite corresponde à de uma superfície esférica.
Sendo assim:
Potência emitida pela Terra: Pemitida = e σ 4 π RT ² T⁴
Retomando a igualdade do balanço energético da Terra, vem:
0,70 S π RT ² = e σ 4 π RT ² T⁴
0,70 × 1370 × π RT² = 1 × 5,67 × 10⁻⁸ × 4 π RT² T⁴

Radiação: do Sol para a Terra | 39


Simplificando e resolvendo, obtém-se para a temperatura do globo terrestre o valor:
T = 255 K = −18 °C
Este valor é bastante próximo da temperatura medida por satélites no limite superior da atmosfera. No entanto,
a temperatura global da superfície da Terra tem um valor bastante superior, cerca de 15 °C (288 K).
Esta diferença de valores deve-se ao facto de não ter sido considerado o efeito de estufa.
A superfície da Terra emite radiação infravermelha. Parte dela é emitida para o espaço, outra parte é absorvida
pelas nuvens e por alguns gases presentes na atmosfera, e outra parte é reemitida novamente para a superfície.
Este efeito produz um aquecimento da superfície da Terra e das camadas mais baixas da atmosfera, e impede
grandes amplitudes térmicas ao longo do dia.

Figura 24 – O maior ou menor efeito de estufa condiciona a temperatura da Terra.

Questão Resolvida

1. O albedo de Mercúrio é de 6% e a potência por m2 da radiação solar que o atinge (o equivalente à


constante solar na Terra) é 9159 W/m2. Considerando a sua emissividade igual a 1, estime a temperatura
da superfície de Mercúrio.
Resolução:
1. Considera-se que a Mercúrio está em equilíbrio radiativo, isto é,
Potência recebida por Mercúrio = Potência emitida por Mercúrio
0,94 S π RM 2 = e σ 4 π RM 2 T4
Em que RM é o raio médio de Mercúrio. Então,
0,94 × 9159 × π RM ² = 1 × 5,67 × 10⁻⁸ × 4 π RM ² T⁴
T = 441 K.

40 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


2.3 Painel fotovoltaico
Os painéis fotovoltaicos foram, inicialmente, desenvolvidos para produzir eletricidade nos satélites artificiais.

Figura 25 – Painéis fotovoltaicos.

Foi nos finais do século XIX, que W. G. Adams e R. E. Day detetaram que um material semicondutor exposto à
luz originava uma diferença de potencial entre as suas extremidades. E, em 1930, Walter Schottky estabeleceu
o fundamento teórico para a produção de energia elétrica a partir de energia solar num dispositivo chamado
célula fotovoltaica.

A partir dessa data, assistiu-se a uma evolução do processo fotovoltaico em termos tecnológicos, com a
descoberta de novos materiais conversores de energia da radiação em energia elétrica, melhores rendimentos
do processo e menores custos de produção.
Hoje, o rendimento deste processo é de cerca de 15 a 20%, e o silício é o material semicondutor que mais se
utiliza nas células fotovoltaicas.

Os sistemas fotovoltaicos podem ser de tamanho variável, de modo que a potência disponível seja adequada à
aplicação pretendida.

Quais as aplicações dos painéis fotovoltaicos?


As aplicações das células fotovoltaicas vão desde as calculadoras, às habitações (incluindo eletrificação de lugares
isolados), pequenas unidades industriais e satélites.

Radiação: do Sol para a Terra | 41


Questão Resolvida

1. Os painéis fotovoltaicos são utilizados para produzir energia elétrica a partir da energia solar. Suponha
que a energia solar total incidente no solo durante um ano por unidade de área, na localidade onde vive,
é 1,10 × 10¹⁰ J·m⁻².
Calcule a área de painéis fotovoltaicos necessária para um gasto diário médio de eletricidade de 21,0 kW·h,
se instalar na sua casa painéis com um rendimento de 12,5%. Apresente todas as etapas de resolução.
Resolução:
1.
Eu = 21,0 × 10³ × 3600 × 365 J
Eu = 2,76 × 10¹⁰ J (1 ano)

η= × 100% ⟺ Ef = 2,76 × 10¹⁰ / 0,125 ⟺ Ef = 22,08 × 10¹⁰ J

1,10 × 10¹⁰ × A = 22,08 × 10¹⁰ , logo A = 20,0 m².

Resumo

• A energia da radiação incidente sobre um corpo pode ser absorvida, refletida e transmitida.
• Um corpo negro é aquele que absorve toda a energia, não a refletindo nem a transmitindo.
• Um sistema termodinâmico é um sistema cujo comportamento só pode ser explicado considerando as
partículas que o constituem.
• A Lei de Stefan-Boltzmann mostra que a potência emitida por um corpo é dada por P = e σ A T⁴.
• A Lei do Deslocamento de Wien estabelece que o comprimento de onda a que se verifica o máximo da
potência da radiação emitida pelos corpos pode ser determinado por

• A Lei Zero da Termodinâmica estabelece que se dois sistemas estiverem em equilíbrio térmico com um
terceiro, também estão em equilíbrio térmico entre si.
• O albedo da Terra é cerca de 30%, que corresponde à radiação que reflete.

42 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


Questões para Resolver

1. Classifique em verdadeiras ou falsas as afirmações seguintes:


A. Os corpos que são bons absorsores são também bons refletores.
B. Os corpos brancos são maus absorsores de radiação mas podem apresentar emissividade 1.
C. O chocolate é envolvido em papel prateado que reflete a radiação, impedindo que amoleça.
D. Só as superfícies iluminadas é que emitem radiação.

2. As estrelas são muitas vezes classificadas pela sua cor. O gráfico representa a intensidade da radiação
emitida por uma estrela, a determinada temperatura, em função do comprimento de onda.

2.1. Indique a cor da radiação visível emitida com maior intensidade pela estrela.
2.2. Calcule, no Sistema Internacional, a temperatura da estrela para a qual é máxima a potência
irradiada, sabendo que essa temperatura corresponde a um comprimento de onda de 290 nm e que
λmaxT = 2,898 × 10⁻³ m·K.

3. Na figura representa-se, de um modo aproximado, o que sucede à radiação solar quando incide no
planeta Terra. O valor médio da energia solar por unidade de tempo e área que incide no planeta é de
1370 W·m⁻².

Radiação: do Sol para a Terra | 43


3.1. Em que camada da atmosfera existe maior absorção de energia?
3.2. Identifique três contribuições para a albedo da Terra.
3.3. Determine a energia total absorvida por um terreno retangular de dimensões 20 m × 30 m durante
uma hora.

4. Duas estrelas X e Y, consideradas emissores ideais, têm temperaturas superficiais de 6000 K e 3000 K,
respetivamente, como se esquematiza na figura.

O máximo da radiação emitida pela estrela X ocorre para λmax (X) = 483 nm e o seu raio é, aproximadamente
igual ao do Sol (RSol = 6,96 × 108 m).
Recorde que a área de uma superfície esférica de raio r é A = 4 π r².
4.1. Calcule a potência da radiação emitida pela estrela X.
4.2. Relacione os comprimentos de onda correspondentes ao máximo da radiação emitida pelas
estrelas Y e X.
4.3. Será possível a estrela Y, estrela mais fria, emitir a mesma potência de radiação que a estrela X, mais
quente? Justifique.

5. Considere o espetro de emissão térmica representado na figura.

44 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


Classifique em verdadeiras ou falsas as afirmações seguintes:
A. Quanto maior a temperatura, maior a potência irradiada e maior o comprimento de onda da radiação
emitida.
B. À temperatura de 6000 K, o corpo emite, preferencialmente, radiação de comprimento de onda de
5 × 10⁻⁸ m.
C. Quanto maior for a temperatura, maior é a frequência da radiação emitida.
D. Um corpo a temperatura superior a 12000 K emite, preferencialmente, radiação UV.
E. O corpo humano emite radiação IV com comprimento de onda inferior a 7 × 10⁻⁷m.

6. Um painel fotovoltaico de 40 m² recebe radiação de 100 W por unidade de área e funciona com o
rendimento de 10%. O tempo médio de exposição solar é de 6,5 h por dia.
Determine o valor máximo de energia que se pode consumir ao fim de um dia:
6.1. Em kW·h.
6.2. Em J.

7. Considere as características dos corpos A, B e C.


I – B tem maior emissividade do que A.
II – A tem maior área do que C.
III – C tem menor emissividade do que A.
IV – A tem área igual à de B.
7.1. Ordene os corpos por ordem crescente de potência irradiada, quando se encontram todos à mesma 
temperatura.
7.2. Indique, justificando, qual dos corpos atinge maior temperatura, quando iluminado nas mesmas
condições.
7.3. Qual dos corpos poderia ser mais facilmente detetado no escuro? Justifique.

Radiação: do Sol para a Terra | 45


A-2 Aquecimento/Arrefecimento de
Sistemas
1 Transferência de energia como calor
Quando um sistema, a uma dada temperatura, contacta com outro a
temperatura diferente, a sua energia interna varia através da transferência
de energia como calor, do corpo que está a temperatura mais elevada
para o corpo que está a temperatura mais baixa.
Há dois mecanismos de transferência de energia como calor, a condução
e a convecção, que serão estudados nesta sub-unidade.

1.1 Dilatação térmica dos sólidos, líquidos e gases


Dilatação térmica é o nome que se dá ao aumento do volume de um
corpo que pode ser ocasionado pelo aumento da sua temperatura. Este
aumento causa um aumento no grau de agitação das suas moléculas e
consequentemente um aumento na distância média entre as mesmas.
A dilatação ocorre de forma mais significativa nos gases, de forma
intermédia nos líquidos e de forma menos explícita nos sólidos.
Pode-se afirmar que, nas mesmas condições,
Dilatação nos gases > Dilatação nos líquidos > Dilatação nos sólidos

De que depende a dilatação térmica dos sólidos?


Nos sólidos, ao analisar a dilatação numa só direção, por exemplo a
variação do comprimento de uma barra, ou do diâmetro de uma esfera
ou da aresta de um cubo de um determinado material, está-se a referir a
dilatação linear.
Verifica-se experimentalmente que a variação de comprimento de uma
barra, ΔL, que sofre aquecimento, é diretamente proporcional ao seu
comprimento inicial, L₀, à sua variação de temperatura, Δθ, e a um
coeficiente, α, que depende do material,
ΔL = α L₀ Δθ

A saber: Esta expressão representa a Lei da Dilatação Linear.


α Chumbo = 27 × 10⁻⁶ °C⁻¹ significa Pode também ser escrita como:
que ocorre uma dilatação de
0,000027 m por cada metro de L − L₀ = α L₀ Δθ ⟺ L = L₀ + α L₀ Δθ ⟺ L = L₀ (1 + α Δθ)
comprimento e por cada °C de
variação de temperatura. A letra α representa o coeficiente de dilatação linear de um material, e
exprime-se em K⁻¹ ou °C⁻¹.

46 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


Coeficiente de dilatação linear, α (10⁻⁶ °C⁻¹)

Chumbo: 27 Concreto: 12

Zinco: 26 Vidro comum: 9

Maior Dilatação Alumínio: 22 Menor Dilatação Granito: 8

Prata: 19 Vidro pirex: 3,2

Ouro: 15 Porcelana: 3

Tabela 3 – Comparação de coeficientes de dilatação linear.

Analisando a tabela anterior verifica-se que os metais têm valores mais elevados de coeficiente de dilatação linear,
sendo portanto as substâncias que mais se dilatam, enquanto materiais como o vidro ou o pirex apresentam
dilatação reduzida.

Questões Resolvidas

1. Uma barra apresenta, a 10 °C, comprimento de 90 m, sendo feita de um material cujo coeficiente linear
médio vale 19 × 10⁻⁶ °C⁻¹. A barra é aquecida até 20 °C. Determine:
1.1. A dilatação ocorrida.
1.2. O comprimento final da barra.
Resolução:
1.1. Pela Lei da Dilatação Linear, ΔL = α L0 Δθ
Sendo Δθ = 20 − 10 = 10 °C, α = 19 × 10⁻⁶ °C⁻¹ e L0 = 90 m, obtém-se
ΔL = 19 × 10⁻⁶ × 90 × 10 = 1,7 × 10⁻² m
1.2. O comprimento final L, vai ser:
L = L0 + ΔL ⟺ L = 9000 + 1,7 ⟺ L = 9001,7 cm.

2. Duas barras A e B, de materiais diferentes, apresentam a 0 °C comprimentos respetivamente iguais a


75,0 cm e 75,3 cm.
Os coeficientes de dilatação linear dos materiais A e B são, respetivamente 5,4 × 10⁻⁵ °C⁻¹ e 2,4 × 10⁻⁵ °C⁻¹.
Calcule a que temperatura devem ser aquecidas para que os seus comprimentos se tornem iguais.
Resolução:
2. Para que LA = LB ⟺ L0A (1 + αA Δθ) = L0B (1 + αB Δθ)
75,0 × (1 + 5,4 × 10⁻⁵ θ) = 75,3 × (1 + 2,4 × 10⁻⁵ θ)
θ = 133,8 °C.

Aquecimento/ Arrefecimento de Sistemas | 47


Como determinar a dilatação térmica dos líquidos?
Os líquidos, assim como os sólidos, sofrem dilatação ao serem aquecidos.
É importante lembrar que os líquidos não apresentam forma própria, adquirem a forma do recipiente. Sendo
assim, não faz sentido estudar dilatação linear ou superficial, mas sim a dilatação volumétrica.
A dilatação volumétrica de um líquido rege-se por uma lei idêntica à da dilatação dos sólidos, quando a variação
de temperatura não é muito grande.
Assim, a variação do volume ΔV do líquido é diretamente proporcional ao volume inicial V0 e à variação de
temperatura Δθ ocorrida:
ΔV = γ V0 Δθ

Onde γ é uma constante de proporcionalidade chamada  coeficiente de dilatação volumétrica do líquido e


expressa-se em °C⁻¹.

A tabela seguinte apresenta o valor do coeficiente de dilatação térmica volumétrica para algumas substâncias
líquidas. Quanto maior for o valor do coeficiente de dilatação volumétrico, mais o corpo se dilata para uma
mesma variação de temperatura. Os líquidos apresentam coeficientes de dilatação volumétrica maiores que os
sólidos. Desta forma, um líquido que preencha totalmente, até à borda, um recipiente sólido, quando aquecido,
provocará o transbordamento, pois o líquido dilata-se mais que o sólido.

Material Coeficiente de dilatação


volumétrica, γ (10⁻⁶ °C⁻¹)

Mercúrio 180

Glicerina 490

Gasolina 950

Benzeno 1060

Álcool etílico 1120

Acetona 1490

Éter etílico 1620

Tabela 4 – Coeficientes de dilatação volumétrica de alguns líquidos.

Como o líquido está depositado num recipiente sólido, que também se dilata, é necessário que a dilatação deste
também seja considerada, já que ocorre simultaneamente.

48 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


Como ambos se dilatam, a capacidade do recipiente também aumenta e portanto a dilatação observada será
uma dilatação aparente.
Para medir a dilatação aparente costuma-se utilizar um recipiente cheio até a borda.

Figura 26 – O líquido dilata-se mais que o recipiente e transborda.

Ao aquecer este sistema, constituido por recipiente e líquido, ambos dilatarão. Como os líquidos normalmente
dilatam mais que os sólidos, uma quantidade do líquido será derramada. Esta quantidade mede a  dilatação
aparente do líquido.
A dilatação real do líquido é a soma das dilatações aparente e do recipiente,

ΔVreal = ΔVrecipiente + ΔVaparente

Assim, por exemplo, se o recipiente aumentou o seu volume 2 cm³ (ΔVrecipiente = 2 cm³) e o líquido transbordou
3 cm³ (ΔVaparente = 3 cm³), conclui-se que a dilatação real do líquido foi ΔVreal = 3 + 2 = 5 cm³.

Dilatação anómala da água

Porque é que uma garrafa de vidro cheia de água se pode partir no congelador?
A maioria dos líquidos dilatam-se com o aumento da temperatura e contraem-se com a redução da temperatura.
No entanto, a água, ao ser aquecida de 0 °C a 4 °C, contrai-se, constituindo uma exceção ao caso geral, e só a
partir dessa temperatura começa a dilatar.
Sendo assim, a água atinge um volume mínimo a 4 °C e nesta temperatura a sua densidade é máxima, conforme
se ilustra nos gráficos seguintes.

Figura 27 – De 0 a 4 °C o volume da água diminui. Figura 28 – De 0 a 4 °C a densidade da água aumenta.

Aquecimento/ Arrefecimento de Sistemas | 49


No estado sólido as ligações intermoleculares efetuam-se do seguinte
A saber: modo: o átomo de oxigénio, que é muito eletronegativo, de uma molécula
de água, une-se aos átomos de hidrogénio de outra molécula através de
ligações denominadas pontes de hidrogénio. Em consequência disso,
formam-se estruturas onde existem grandes vazios entre as moléculas,
aumentando a nível macroscópico o volume de água.
Quando a água é aquecida de 0 °C a 4 °C, as pontes de hidrogénio
rompem‑se e as moléculas passam a ocupar os vazios existentes,
provocando, assim, uma contração. Portanto, no intervalo de 0 °C a 4 °C,
ocorre, excecionalmente, uma diminuição de volume. Mas, de 4 °C a
100 °C, a água dilata-se normalmente.

Pontes de hidrogénio.

1.2 Capacidade térmica mássica


Capacidades térmicas No dia a dia são muitas as situações que evidenciam o comportamento
mássicas de diferentes
materiais diferente de cada material quando é aquecido.

Capacidade
térmica
Substância Qual a grandeza física que nos indica se um material tem mais ou
mássica, c
(J·kg⁻¹·K⁻¹) menos capacidade para aquecer?

Água 4180 A grandeza física que traduz as características térmicas de cada material
designa-se por capacidade térmica mássica, c.
Cortiça 2050

Gelo 2320
A capacidade térmica mássica de uma substância é numericamente
Vapor de igual à quantidade de energia que é necessário transferir por unidade de
2090
água
massa para que esta experimente uma variação de temperatura de 1 K
Álcool 2420 (ou de 1 °C).

Alumínio 910

Mármore 880

Areia de
836 Esta grandeza física, no Sistema Internacional de Unidades, exprime-se
granito
em J/(kg·K).
Vidro 500

Ferro 470 Também é muito usual exprimir-se a capacidade térmica mássica em


Aço 460 cal/(g·°C).

Mercúrio 140 A análise da tabela 5 permite concluir que:


– de um modo geral, os sólidos têm menor capacidade térmica
Tabela 5 – Capacidades térmicas mássicas
de materiais. mássica;

50 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


– a água, no estado líquido, é dos materiais com maior capacidade térmica mássica;
– a capacidade térmica mássica do gelo, que é água no estado sólido, é cerca de metade do valor do da
água líquida.

Se se fornecer a mesma energia à mesma massa de gelo e água líquida, o aumento de temperatura do gelo será
cerca do dobro do da água líquida.
A água líquida tem que absorver muito calor para aquecer e também tem que libertar muito calor para arrefecer.
É devido a este facto que a água atua como regularizadora do clima e, como tal, junto ao mar as amplitudes
térmicas são baixas.

O significado da capacidade térmica mássica é de grande importância, uma vez que possibilita a previsão da
quantidade de energia que é transferida por cada unidade de massa, quando a temperatura varia de um grau.

Portanto, quando se fornece energia como calor, Q, a um corpo, se não houver mudança de estado, a variação
da sua energia interna é diretamente proporcional à variação da sua temperatura,
Q = m c ΔT

Questões Resolvidas

1. Um corpo de massa 300 g é constituído por uma substância de capacidade térmica mássica c igual a
250 J·kg⁻¹·°C⁻¹. Determine:
1.1. O calor que o corpo deve receber para que a sua temperatura varie de 10 °C para 60 °C, sem alteração
de volume.
1.2. A temperatura a que fica o corpo, inicialmente a 30 °C, se lhe forem transferidos 1800 J de energia
como calor.
Resolução:
1.1. Como Q = m c ΔT, e substituindo m = 0,300 kg, c = 250 J·kg⁻¹·°C⁻¹ e Δθ = 50 °C, vem:
Q = 0,300 × 250 × 50
Q = 3750 J.
1.2. Q = m c ΔT ⟺ 1800 = 0,300 × 250 × ΔT ⟺ ΔT = 24 °C
T = 24 + 30 = 54 °C.

Aquecimento/ Arrefecimento de Sistemas | 51


2. Na figura mostram-se os gráficos que traduzem a energia recebida como calor por dois corpos, A e B,
com iguais massas, em função da variação da temperatura.

2.1. Indique, justificando, qual a relação existente entre as capacidades térmicas mássicas dos materiais
de que são feitos os corpos A e B.
2.2. Determine o calor recebido pelo corpo B quando a sua temperatura sofre um aumento de 12 °C.
2.3. Calcule a variação de temperatura experimentada pelo corpo A ao absorver uma quantidade de
energia igual ao valor do calor determinado em 2.2.
Resolução:

2.1.

Usando os pontos A e B do gráfico e fazendo mA = mB

⟺ ⟺ cA = 3,0 cB.

2.2. Como o calor é diretamente proporcional à variação de temperatura, pode-se escrever

⟺ Q = 3,6 J.

2.3. ⟺ ΔT = 4 °C.

52 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


1.3 Mecanismos de transferência de calor: condução e convecção
Quando dois corpos a diferentes temperaturas são postos em contacto, há transferência de energia do corpo a
temperatura mais elevada para o corpo a temperatura mais baixa, até que ficam ambos à mesma temperatura.

Como se processa essa transferência de calor?


A transferência de energia como calor pode ser efetuada através de dois mecanismos, designados por:
– Condução;
– Convecção.

Condução
Quando se aquece uma barra metálica numa das extremidades, passado pouco tempo sentimos que toda a
barra aquece. Diz-se que o metal conduziu o calor até à outra extremidade. Os corpúsculos que constituem a
matéria, ao receberem energia, agitam-se mais e propagam essa agitação aos outros corpúsculos ao longo de
todo o objeto.
Este mecanismo de transferência de energia como calor, chamado condução térmica efetua-se sem transporte
de matéria.

Figura 29 – O calor propaga-se rapidamente ao longo da haste metálica.

Nem todos os sólidos conduzem igualmente o calor e isto pode ser ilustrado na experiência da figura 30.
Mergulhando, em água quente, duas colheres de materiais diferentes, um bom e um mau condutor, verifica-se
que a manteiga não derrete com a mesma facilidade em cada uma delas.

Figura 30 – A manteiga derrete mais facilmente em contacto com a colher de aço.

Aquecimento/ Arrefecimento de Sistemas | 53


Convecção
Quando se aquece água numa cafeteira, o líquido próximo da fonte de calor aquece mais rapidamente, torna‑se
menos denso, e sobe. A água a temperatura mais baixa, mais densa, é obrigada a descer. De seguida aquece
e volta a subir e a de cima desce. Formam-se assim, movimentações no líquido, denominadas correntes de
convecção.
Este modo de transferência de calor ocorre nos líquidos e gases e efetua-se com deslocamento de matéria.

Há muitas situações reais em que o calor se transfere através de correntes de convecção.


Nas nossas casas, há um contínuo movimento de ar quente para cima e de ar frio para baixo, até uniformizar a
temperatura do meio ambiente.
Quando se aquece água numa cafeteira estabelecem-se correntes de convecção, tal como se pode observar na
figura 31, que permitem o aquecimento de toda a massa de água.

Figura 31 – Correntes de convecção numa cafeteira.

A atmosfera terrestre também é aquecida por correntes de convecção. Estas originam os ventos e regulam o
clima do nosso planeta.
Devido à inclinação do eixo de rotação da Terra, as zonas perto do equador recebem as radiações solares com
menos inclinação e por isso recebem mais radiação por unidade de área. Nesta região, o ar é mais quente e por
isso sobe, originando as correntes de convecção na atmosfera terrestre. Este efeito origina os ventos em torno
da Terra e outros fenómenos caraterísticos do clima.

Figura 32 – Correntes de convecção na Terra.

54 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


1.4 Materiais condutores e isoladores do calor.
Condutividade térmica
O calor, como já foi referido, não se transfere com a mesma facilidade
através de todos os materiais.

Kr
Como identificar os bons e os maus condutores? Material
(W·m⁻¹·K⁻¹)
Existem materiais, como os metais, que por terem eletrões livres,
Prata 427
transferem mais rapidamente a energia térmica e são portanto, bons
condutores de calor. Porém, outros, como a madeira, fazem-no de modo
Cobre 398
muito mais lento, são maus condutores, ou seja são isolantes térmicos.

Alumínio 237
É de esperar, também, que os meios pouco densos, com menor quantidade
de partículas, por unidade de volume, conduzam pior e que o vazio não
Tungsténio 178
permita, de todo, a condução do calor.
Ferro 80,3
A grandeza física que mede a capacidade que determinados materiais têm
para se deixarem atravessar pelo calor é a condutividade térmica, kT. Esta Tijolo 0,4 - 0,8
característica dos materiais define-se como sendo a quantidade de calor
que atravessa, por segundo, a espessura de 1 m, entre duas superfícies Água 0,61
paralelas de área igual a 1 m², quando a diferença de temperatura entre
essas superfícies é de 1 K (1 °C). Vidro 0,72 - 0,86

A análise da tabela 6 permite concluir que: Ar 0,026

– os metais são os materiais melhores condutores de calor;


Madeira
0,11 - 0,14
– os sólidos não metálicos têm dificuldade em conduzir o calor. Os (pinho)
materiais como a madeira são maus condutores de calor, são bons
isoladores; Fibra de
0,046
vidro
– a condução térmica é muito difícil na água ou no ar.
Poliestireno 0,033
A transferência de calor, por condução, através de um material não
depende só da natureza do material, mas também da sua forma. Poliuretano 0,020
A energia transferida, como calor por unidade de tempo, ( ), através
Tabela 6 – Condutividade térmica de
de uma superfície, por exemplo, uma parede ou uma barra metálica, alguns materiais.
depende de vários fatores, e é:
– diretamente proporcional à área da superfície, A;
– diretamente proporcional à diferença de temperatura entre as suas
extremidades, ΔT;
– inversamente proporcional à espessura da superfície, L.

Aquecimento/ Arrefecimento de Sistemas | 55


A expressão matemática que permite relacionar estas grandezas é:
Nota:
A temperatura do tapete parece
ser maior que a do azulejo,
porque o material de que é feito e as unidades destas grandezas no Sistema Internacional, são:
o tapete é pior «condutor de
calor» do que o material de que – Energia transferida como calor, por unidade de tempo, Q/Δt, joule
é feito o azulejo. Passa energia
dos pés mais rapidamente para o por segundo, J/s;
azulejo do que para o tapete.
– Condutividade térmica, kT, watt por metro e por kelvin, W·m⁻¹·K⁻¹;
– Área, A, metro quadrado, m²;
– Diferença de temperatura, T2 − T1, kelvin, K;
– Espessura, L, metro, m.

Questão Resolvida

1. Numa habitação existe uma sala com quatro janelas de 0,80 m² de área com vidro (kT = 0,80 W·m⁻¹·K⁻¹),
de espessura 4 mm, que está a uma temperatura de 22 °C, enquanto que no exterior a temperatura é
14 °C. Determine a potência transmitida por condução através das janelas.
Resolução:

1. Recordando que: ,
então, a potência transmitida por condução, através das janelas, é dada pela expressão:

A área das 4 janelas é  A = 4 × 0,80 = 3,2 m² e a espessura do vidro é L = 4 mm = 4 × 10⁻³ m.


A diferença de temperatura entre o interior e exterior é Δθ = 22 − 14 = 8 °C e em kelvin é ∆T = 8 K.
Substituindo na expressão:

⟺ P = 5120 W.

56 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


2 Primeira Lei da Termodinâmica
Como se pode variar a energia interna de um sistema?
Chama-se Primeira Lei da Termodinâmica ao Princípio da Conservação de Energia aplicada à Termodinâmica.
Neste contexto pode-se afirmar que um sistema não pode criar ou consumir energia, mas apenas armazená-la
ou transferi-la ao meio onde se encontra.

Muitos sistemas termodinâmicos não sofrem, a nível macroscópico, variações de energia cinética nem de
energia potencial. Na realidade, as transferências de energia para esses sistemas traduzem-se em variações da
sua energia interna, devido à interação do sistema com a vizinhança.

A Primeira Lei da Termodinâmica traduz portanto, a conservação da energia, realçando os modos como a energia
pode ser transferida entre o sistema e a vizinhança. Esta lei pode ser traduzida matematicamente por:
ΔEi = Q + W + R

Ou seja, a variação da energia interna de um sistema termodinâmico é igual à quantidade de energia transferida
para a vizinhança ou cedida por ela para o sistema, como calor, Q, trabalho, W, ou radiação, R. Essas quantidades
de energia Q, W e R são valores algébricos.
• Quando entra energia no sistema, seja como calor, Q, trabalho, W, ou radiação R, os valores são positivos, pois
fazem aumentar a energia interna do sistema: ΔEi > 0.
• Quando sai energia do sistema, seja como calor, Q, trabalho, W, ou radiação R, os valores são negativos, pois
fazem diminuir a energia interna do sistema: ΔEi < 0.

Figura 33 – A energia que entra num sistema é positiva e a que sai é negativa.

A energia interna, Ei , também simbolizada por U, de um sistema isolado é constante, pelo que a variação de
energia interna é nula.

ΔEi = 0, num sistema isolado.

Aquecimento/ Arrefecimento de Sistemas | 57


Questão Resolvida

1. Um gás recebe como calor 50 J e realiza um trabalho sobre o exterior de 12 J. Sabendo que a energia
interna inicial do sistema era de 100 J, calcule a energia interna final.
Resolução:
1. Pela Primeira Lei da Termodinâmica
ΔEi = Q + W + R
ΔEi = 50 − 12
ΔEi = 38 J
ΔEi = Ef − Ei ⟺ 38 = Ef – 100 ⟺ Ef = 138 J.

3 Degradação da energia. Segunda Lei da Termodinâmica


Porque é que no Universo (sistema isolado), a quantidade de energia útil nunca aumenta?
Os fenómenos naturais são irreversíveis, porque, de modo espontâneo, apenas se realizam num único sentido. A
Segunda Lei da Termodinâmica expressa essa tendência da natureza de estabelecer um sentido para os processos
naturais espontâneos. Existem vários modos de enunciar essa lei.
Uma delas, devida a Rudolph Clausius, diz que:
«É impossível haver transferência espontânea de calor de um objeto frio para outro mais quente».
A consequência é que o sentido natural do fluxo de calor é da temperatura mais alta para a mais baixa, e para
que o fluxo seja inverso é necessário que um agente externo realize um trabalho sobre este sistema.
Outra, devida a Lorde Kelvin, diz que:
«É impossível construir uma máquina que, operando em ciclos, converta toda a quantidade de calor recebido
em trabalho».
Este enunciado implica que não é possível que um dispositivo térmico tenha um rendimento de 100%. Há
sempre uma quantidade de calor que não se transforma em trabalho efetivo. Os processos que ocorrem
espontaneamente na Natureza dão-se no sentido da diminuição da energia útil.

Há uma grandeza física associada à qualidade de energia, que é uma variável de estado termodinâmico – a
entropia. A entropia é a medida da desordem do sistema e é tanto maior quanto maior for esta desordem. Em
termos energéticos significa que a entropia aumenta com a diminuição da qualidade de energia, atingindo um
máximo em condições de equilíbrio.

58 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


A Segunda Lei da Termodinâmica pode ser expressa em termos de entropia:
Os processos espontâneos, irreversíveis, evoluem no sentido em que há um aumento de entropia.

De acordo com esta lei da Termodinâmica, num sistema fechado, a entropia nunca diminui. Isso significa que,
se o sistema está inicialmente num estado de baixa entropia (organizado), tenderá espontaneamente para um
estado de entropia máxima (desordem).
Por exemplo, se dois blocos de metal, a diferentes temperaturas, são postos em contacto térmico, a desigual
distribuição de temperatura rapidamente dá lugar a um estado de temperatura uniforme à medida que a energia
flui do bloco mais quente para o mais frio. Ao atingir esse estado, o sistema fica em equilíbrio.

A Segunda Lei da Termodinâmica, nomeadamente os postulados de Clausius e de Kelvin estabelecem limitações,


tanto na transferência de energia como calor entre objetos, como na possibilidade de transformar energia.
Tais factos implicam que apenas possam existir máquinas, em que o seu princípio de funcionamento não viole
a Segunda Lei da Termodinâmica.

As máquinas térmicas são máquinas capazes de converter calor em trabalho. Funcionam em ciclos e utilizam
duas fontes de temperaturas diferentes, uma fonte quente que é de onde recebem calor e uma fonte fria que
é para onde o calor que foi rejeitado é direcionado. Não transformam todo o calor em trabalho, ou seja, o
rendimento de uma máquina térmica é sempre inferior a 100%.
Por exemplo, na máquina a vapor, um cilindro move-se devido à expansão do gás no seu interior, causada pela
energia proveniente do aquecimento de água numa caldeira, que é a fonte de energia como calor ou «fonte de
calor». Parte desta energia não é transformada em trabalho, e passa por condução térmica para os arredores da
máquina, que é a fonte com temperatura inferior.
O princípio de funcionamento de uma máquina térmica pode ser esquematizado pela figura 34.

Figura 34 – Esquema de uma máquina térmica.

Aquecimento/ Arrefecimento de Sistemas | 59


Deste modo, o trabalho fornecido pela máquina é igual à diferença entre as quantidades de energia trocadas
como calor:
W = |Qq| − |Qf|

Um dos principais objetivos de quem constrói uma máquina térmica, é que esta tenha o maior rendimento
possível. O rendimento de uma máquina térmica normalmente representa-se por η, e define-se como a razão
entre o trabalho que a máquina fornece, W, e a energia como calor que sai da fonte quente, Qq, e sem o qual ela
não poderia funcionar.

Como o quociente entre Qf e Qq tem um valor que pode estar entre 0 e 1, o rendimento de uma máquina térmica
é sempre inferior a 100%. Se o valor de Qf fosse nulo, isto é, se a máquina não transferisse energia como calor
para a fonte fria, o rendimento seria igual a 100%. Não é possível construir máquinas térmicas onde, ciclicamente
se transforme toda a energia como calor proveniente da fonte quente, em trabalho, uma vez que tal violaria a
Segunda Lei da Termodinâmica.

Questão Resolvida

1. Um motor a vapor realiza um trabalho de 12 kJ quando lhe é fornecida uma quantidade de calor igual
a 23 kJ. Determine o rendimento do motor, em percentagem.
Resolução:

η = 52%.

60 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


Atividade Prática de Sala de Aula
APSA A-2.1: Coletor Solar

Questão-problema: Como obter água aquecida a partir da radiação solar?


Objetivo: Exploração do funcionamento de um coletor solar, tendo em conta os conhecimentos de
termodinâmica apreendidos.

Recursos:
• Papel/cartão

Procedimento:
1. Construa uma maqueta de um
coletor solar, identificando os principais
constituintes e a sua função, tendo por
base as informações seguintes.
O funcionamento de um coletor solar resume-se no seguinte: a radiação solar atinge as placas do coletor
aquecendo-as a elas e a um fluido, normalmente água e glicol, que circula no interior de tubos. A tampa
do coletor é opaca à radiação IV, para reduzir as emissões dos tubos absorvedores, sendo a restante
superfície do coletor coberta por material isolante. Este fluido percorre um circuito fechado, muitas vezes
com a ajuda de um sistema de bombagem. O tubo que o constitui, em geral de cobre e coberto de negro,
penetra num reservatório de água, aquecendo-a, por transferência de calor. O aquecimento do tubo de
cobre, do fluido e da água é feito por condução.  

Aquecimento/ Arrefecimento de Sistemas | 61


Atividade Prático-Laboratorial
APL A-2.1: Balanço energético num sistema termodinâmico

Questão-problema: Como medir a quantidade de energia transferida quando se coloca gelo num copo
com água?
Objetivo: Identificação da expressão Q = m L para determinar a quantidade de energia necessária
à mudança de estado físico, onde m representa a massa e L o calor latente de fusão ou de ebulição
característico de cada substância.
Aplicação da Lei da Conservação da Energia, para estabelecer o balanço energético.

Questões pré-laboratoriais:
1. Identifique a mudança de estado envolvida.

Recursos:
• Termómetro ou sensor de temperatura

• Gobelé

• Vareta

• Balança

• Cubos de gelo

• Água

Procedimento:
1. Meça 100 g de água.
2. Parta o gelo em pedaços pequenos com a massa de cerca de 20 g.
3. Meça a temperatura da água e junte o gelo.
4. Agite e quando o gelo tiver derretido meça a temperatura de equilíbrio térmico.

Questões pós-laboratoriais:
1. Estabeleça a expressão para o equilíbrio térmico, considerando 3 parcelas: a energia envolvida na
mudança de estado, a energia que o gelo depois de fundido recebeu para atingir a temperatura de
equilíbrio e a energia cedida pela água.
2. Determine a temperatura de equilíbrio térmico esperada, considerando Lfusão do gelo 3,3 × 10⁵ J/kg e
cágua = 4,2 × 10³ J·kg⁻¹·°C⁻¹.
3. Compare o valor obtido experimentalmente com o previsto e calcule a percentagem de erro.

62 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


Questão Resolvida

1. A quantidade de calor que um bloco de gelo inicialmente a – 40 °C recebe para chegar a ser vapor a
120 °C é mostrado no gráfico.

Calcule a massa do bloco de gelo.


Resolução:
1. O calor recebido inclui vários termos: enquanto gelo para atingir a temperatura de 0 °C, o calor necessário
para a fusão, o necessário para a água líquida atingir 100 °C, o calor necessário para a vaporização, e o
necessário para o vapor atingir 120 °C.
Q = Q s + Qf + Ql + Qv + Qg
750 × 10³ = m (0,50 × 40 + 80 + 1,0 × 100 + 540 + 0,50 × 20), logo m = 1000 g.

Resumo

• Dilatação térmica é o aumento do volume de um corpo ocasionado pelo aumento da sua temperatura.
• A dilatação linear nos sólidos é expressa por ∆L = α L0 ∆θ.
• A dilatação volumétrica é expressa por ∆V = γ V0 ∆θ.
• A água tem um comportamento de exceção, pois quando se aquece de 0 °C a 4 °C, diminui de volume.
• A capacidade térmica mássica de uma substância exprime a quantidade de energia que é necessário
transferir por unidade de massa para variar a temperatura de 1 K (ou de 1 °C).
• O calor transfere-se por condução ou convecção.

• A energia transferida, como calor, por unidade de tempo pode ser expressa por .
• A Primeira Lei da Termodinâmica é expressa por ΔEi = Q + W + R.
• A Segunda Lei da Termodinâmica estabelece que os processos espontâneos, irreversíveis, evoluem no
sentido em que há um aumento de entropia.
• As máquinas térmicas convertem calor em trabalho, com rendimento inferior a 100%.

Aquecimento/ Arrefecimento de Sistemas | 63


Questões para Resolver

1. O gráfico mostra como varia o comprimento de uma barra


metálica em função da temperatura.
1.1. Determine o coeficiente de dilatação linear médio do
metal, no intervalo de temperatura considerado.
1.2. Considerando que o material mantém as mesmas
características para θ > 40 °C, calcule o comprimento da
barra a 70 °C.

2. Uma barra de metal possui comprimento L a 20 °C. Quando esta barra é aquecida até 120 °C, o seu
comprimento varia de 10⁻³ L. Calcule o coeficiente de dilatação do metal.

3. O coeficiente de dilatação volumétrica do azeite é de 8,0 × 10⁻⁴ °C⁻¹.


Determine, em cm³, a variação de volume de 1 litro de azeite, quando este sofre um acréscimo de
temperatura de 30 °C.

4. O gráfico mostra a quantidade de calor absorvida por


três corpos A, B e C em função da temperatura.
Calcule, para cada um dos corpos, a capacidade térmica
mássica das substâncias que os constituem.
Considere mA = mB = 20 g, mC = 10 g e 1 cal = 4,18 J.

5. Um corpo de massa 200 g é aquecido por uma fonte de


potência constante e igual a 800 J/s. O gráfico mostra como varia,
no tempo, a temperatura do corpo. Determine a capacidade
térmica mássica, no SI, da substância que constitui o corpo.

6. Uma peça de prata de massa 20 g a 160 °C é colocada em 28 g de água inicialmente a 30 °C.


Calcule a temperatura de equilíbrio térmico, admitindo apenas trocas de calor entre a prata e a água.
Considere:
Capacidade térmica mássica da prata = 0,235 J/g·°C.
Capacidade térmica mássica da água = 4,2 J/g·°C.

64 | Das Estrelas ao Aquecimento na Terra


7. Aqueceu-se 100 mL de água, inicialmente a 15 °C, utilizando uma resistência de 600 W durante 30
s. Admitindo que não houve perdas de energia, determine a temperatura final da água. Considere
ρH O = 1,0 g/cm³ e cH O = 4,2 × 103 J·kg⁻¹·K⁻¹ .
2 2

8. Num dado instante, duas varas, uma de alumínio e outra de ferro com a mesma espessura e comprimento
possuem a mesma diferença de temperatura entre os respetivos extremos. Compare a quantidade de
energia transferida, por unidade de tempo, de um extremo ao outro de cada uma das varas. Considere
kT alumínio = 237 W·m⁻¹·K⁻¹ e kT ferro = 80 W·m⁻¹·K⁻¹.

9. Sobre um sistema, realiza-se um trabalho de 3000 J e, em resposta, ele fornece 1000 cal de calor
durante o mesmo intervalo de tempo. Considerando que a energia interna do sistema não variou, calcule
a radiação transferida e indique o sentido dessa transferência.
Considere 1,0 cal = 4,18 J.

10. Numa máquina térmica são fornecidos 3 kJ de calor pela fonte quente para o início do ciclo e 780 J
passam para a fonte fria.
10.1. Calcule o trabalho realizado pela máquina, se considerarmos que toda a energia que não é
transformada em calor passa a realizar trabalho.
10.2. Determine o rendimento da máquina térmica.

11. Numa instalação solar de aquecimento de água para consumo doméstico, os coletores solares
ocupam uma área total de 4,0 m2. Em condições atmosféricas adequadas, a radiação solar absorvida
por estes coletores é, em média, 800 W/m². Considere um depósito, devidamente isolado, que contém
150 kg de água.
Verifica-se que, ao fim de 12 horas, durante as quais não se retirou água para consumo, a temperatura da
água do depósito aumentou 30 °C.
Calcule o rendimento associado a este sistema solar térmico.
Apresente todas as etapas de resolução.
Considere cH O = 4,2 kJ·kg⁻¹·°C⁻¹.
2

Aquecimento/ Arrefecimento de Sistemas | 65


O B J E T I V O S

• Explicar o conceito de pressão.


• Caracterizar a grandeza vetorial impulsão.
• Aplicar as leis da Hidrostática a aparelhos
hidráulicos.
• Interpretar o equilíbrio de corpos flutuantes.
• Aplicar a Equação da Continuidade a situações do
dia a dia.
• Interpretar situações do dia a dia, com base na
Equação de Bernoulli.
Unidade Temática B | Os Fluidos na
Terra

B-0 Interações em Fluidos


B-1 Hidrostática
B-2 Hidrodinâmica

«Eureka! Eureka!» Arquimedes


Unidade Temática B | Os Fluidos na Terra

Esta unidade compreende duas grandes áreas: a Hidrostática e a Hidrodinâmica. Inicia-se no estudo da
Hidrostática, isto é, na análise de fluidos em equilíbrio estático, seguindo-se o estudo de fluidos em movimento,
Hidrodinâmica.
Para o estudo dos fluidos é fundamental recordar as noções de densidade relativa, massa volúmica, pressão
e impulsão.

B-0 Interações em Fluidos


1 Densidade ou massa volúmica
O que é a densidade?
A densidade ou massa volúmica, ρ, de uma substância é uma grandeza física cujo valor se determina pelo
quociente da massa de uma porção de substância pelo seu volume,

onde m é a massa da substância e V o seu volume. A densidade vem expressa em quilograma por metro cúbico,
kg/m³, no Sistema Internacional de Unidades. Habitualmente, a densidade é também expressa em gramas por
centímetro cúbico, g/cm³.
Cada substância tem um valor caraterístico para a densidade, a determinada temperatura, que permite
identificá‑la. Na tabela 7 estão indicadas as densidades de alguns materiais.

Sólidos Líquidos Gases

Material ρ (kg·m⁻³) Material ρ (kg·m⁻³) Material ρ (kg·m⁻³)

Alumínio 2,7 × 10³ Água (a 4 °C) 1,03 × 10³ Ar 1,293

Chumbo 11,3 × 10³ Álcool etílico 0,79 × 10³ Azoto 1,250

Cortiça 0,24 × 10³ Azeite 0,92 × 10³ Hélio 0,179

Ferro 7,9 × 10³ Mercúrio 13,6 × 10³ Hidrogénio 0,090

Gelo 0,92 × 10³ Oxigénio 1,429

Ouro 19,3 × 10³ Vapor de água 0,807

Tabela 7 – Massa volúmica de alguns materiais à temperatura de 0 °C e à pressão normal.

Define-se também a densidade relativa de um material, d, como a razão entre a massa volúmica do material e a
massa volúmica de um material padrão,

68
Este valor permite indicar se um material é mais ou menos denso do que o material tomado como padrão.
No caso de sólidos e líquidos usa-se como padrão a densidade da água. A 4 °C e à pressão atmosférica normal,
o valor é 1,03 g/cm³, e à temperatura de 25 °C, é 1,00 g/cm³. Nos gases, o padrão é o ar nas mesmas condições
de pressão e temperatura do gás. Nas condições normais de temperatura e pressão (PTN, temperatura de 0 °C e
pressão atmosférica 101325 Pa) a densidade do ar é 1,293 kg/m³.
A densidade de uma substância composta ou de uma mistura, é a média ponderada das densidades dos
componentes da mistura.
A densidade permite explicar a flutuação dos corpos. Na água, os corpos flutuam quando são constituídos por
materiais menos densos do que a água. Por outro lado, vão ao fundo quando são constituídos por materiais mais
densos do que a água.

Como determinar o valor da densidade de um sólido? E de um líquido?


Na determinação da densidade de alguns materiais podem ser utilizados diferentes processos:
A – Picnómetro para sólidos
• Mede-se a massa m do sólido (1).
• Enche-se o picnómetro com água até ao traço de referência (2).
• Determina-se a massa M, do picnómetro cheio de água mais o corpo sólido ao lado (3).
• Introduz-se o sólido no picnómetro e corrige-se o nível de água se necessário.
• Determina-se a massa, M´, do conjunto (4).

A densidade relativa do material de que é feito o sólido, é obtida a partir da expressão .

B – Picnómetros para líquidos


• Determina-se a massa do picnómetro vazio, m (1).
• Enche-se o picnómetro com o líquido cuja densidade se pretende determinar.
• Determina-se a massa, M, do picnómetro com o líquido (2).
• Enche-se o picnómetro com água.
• Determina-se a massa, M', do picnómetro com água (3).

Interações em Fluidos | 69
A densidade relativa do líquido é obtida através da expressão .

C – Deslocamento de água
• Determina-se a massa, m, do sólido (1).
• Coloca-se na proveta um volume, Vi, de água (2).
• Introduz-se o sólido na proveta e regista-se o volume, Vf, da água na proveta (3).
• Determina-se o volume do sólido, V = Vf − Vi.

O valor da densidade do material de que é feito o sólido é obtido através da expressão .

D – Densímetro
Os densímetros são instrumentos que determinam diretamente a densidade de líquidos.
São constituídos por um tubo estreito e graduado na parte superior e mais largo na parte inferior, no fundo do
qual existe uma bola de metal.

Funcionam de forma muito simples. Introduz-se o densímetro no líquido que mergulha tanto mais quanto menos
denso for esse líquido. O valor da densidade é lido diretamente na escala.

70 | Os Fluidos na Terra
Questão Resolvida

1. Um anel tem a massa de 8,0 g e o seu volume é de 0,57 cm³.


1.1. Calcule a densidade do material de que é feito o anel.
1.2. O anel será de ouro puro? Justifique.
Resolução:
1.1. m = 8,0 g = 8,0 × 10⁻³ kg e V = 0,57 cm³ = 0,57 × 10⁻⁶ m³.

A densidade ou massa volúmica do anel é ρ = , e substituindo,

ρ= = 14 × 10³ kg/m³.
1.2. O anel é feito de um material cuja densidade é 14 × 10³ kg/m³. Não é de ouro puro, pois a densidade
do ouro é 19,3 × 10³ kg/ m³, de acordo com a tabela 7.

2 Pressão e força de pressão


A pressão está presente no nosso dia a dia: nos mapas de pressão atmosférica, quando se verifica a pressão dos
pneus dos motociclos, a pressão sentida durante um mergulho no mar, a pressão sentida nos tímpanos após
alteração abrupta de altitude, etc.

O que é a pressão?
A pressão é uma grandeza escalar que relaciona a intensidade das forças exercidas e a área das superfícies
onde essas forças atuam. O valor da pressão é dado pelo quociente entre o módulo da força perpendicular à
superfície,|F⃗| = F, e a área da superfície, A.

Assim, para a mesma força, a pressão será tanto maior quanto menor for a área da superfície de contacto. Para
a mesma área da superfície de contacto, será tanto maior quanto maior for a intensidade da força exercida.
A unidade de pressão, no Sistema Internacional de Unidades, é o newton por metro quadrado, N/m², designado
por pascal, Pa. Além do pascal, são comuns outras unidades como a atmosfera, o bar, e o milímetro de mercúrio.

Interações em Fluidos | 71
A tabela 8 indica a relação destas unidades com o pascal.

Unidade Símbolo Valor

bar bar 1 bar = 10⁵ Pa

atmosfera atm 1 atm = 1,013 × 10⁵ Pa

milímetro de
mm Hg (ou torr) 1 mm Hg = 133,322 Pa
mercúrio

centímetro de
cm Hg 1 cm Hg = 1333,22 Pa
mercúrio

Tabela 8 – Conversão de unidades de pressão.

Quando se altera abruptamente a altitude, durante a aterragem de um


A saber: avião, ou se pratica mergulho, a pressão que o fluido exerce sobre os
Quando se aumenta a pressão tímpanos varia, causando uma sensação de desconforto. A compressão
e se comprime um fluido, a
sua densidade varia, pois o nos tímpanos é devida à força de pressão.
volume a ocupar pela mesma
massa é menor. Para os gases, A força de pressão, F⃗, é sempre perpendicular à superfície, e a sua
esta variação é grande, mas é intensidade é F = p A.
pequena em muitos líquidos.

Questão Resolvida

1. Uma piscina com 3,0 metros de comprimento e 2,0 metros de largura contém 8,0 × 10³ litros de água.
Determine a pressão hidrostática exercida pela água, no fundo do tanque. Use g = 10 m/s².
Resolução:
1. Usando ρágua = 1,00 × 10³ kg/m³ e V = 8,0 × 10³ dm³ = 8,0 m³,
F = P = m g = ρágua V g = 1,00 × 10³ × 8,0 × 10 = 8,0 × 10⁴ N.
A = 3,0 × 2,0 = 6,0 m².
Assim,

= 13,3 × 10³ Pa.

72 | Os Fluidos na Terra
3 Impulsão
Quando se mergulha um objeto em água, tem-se a sensação de que se torna mais leve. Parece que algo empurra
o corpo para cima, contrariando o seu peso.

Qual a origem desta força?


Um corpo total ou parcialmente imerso num fluido está sujeito, em cada ponto da sua superfície, a forças de
pressão perpendiculares a esta. A resultante de todas estas forças chama‑se impulsão e consiste na força que
atua contra a força da gravidade, sobre um corpo imerso num fluido. É assim, uma força vertical, dirigida de baixo
para cima.

Figura 35 − Um corpo total ou parciamente submerso sofre impulsão.

O valor da impulsão pode ser determinado experimentalmente. Com o auxílio de um dinamómetro mede-se o
peso do corpo no ar, que é o peso real, e o peso do corpo imerso num fluido, que é o peso aparente.

Figura 36 − Como calcular a impulsão.

O peso aparente, Pap , é a resultante de duas forças com sentidos opostos, o peso real, Pr , e a impulsão, I,

pelo que,
Peso aparente = Peso real – Impulsão
Pap = Pr − I
Experimentalmente, pode-se ainda verificar que a impulsão depende da densidade do fluido. Mergulhando um
mesmo corpo, em água salgada e em água destilada, sofre impulsões diferentes. Verifica-se que na água salgada,
que é mais densa, a impulsão é maior.

Interações em Fluidos | 73
Questão Resolvida

1. Introduziu-se um corpo com o peso de 1,6 N, suspenso de


um dinamómetro, num recipiente com um fluido, como se
mostra na figura. Recolhe-se o líquido deslocado numa
proveta graduada. Use g = 10 m·s⁻².
1.1. Indique o peso real do corpo.
1.2. Determine a intensidade da impulsão que o fluido
exerce sobre o corpo.
1.3. Calcule a densidade do material de que é feito o corpo.
Resolução:
1.1. 1,6 N.
1.2. Impulsão = Peso real – Peso aparente = 1,6 − 0,5 = 1,1 N.
1.3. O volume do corpo é igual ao volume de fluido
deslocado, ou seja V = 20 cm³. A sua massa é

m= , logo m = 0,16 kg = 160 g.

ρ= = , ρ = 8,0 g/cm³.

Resumo

• A densidade ou massa volúmica de um material é determinada pelo quociente da massa de uma porção

de material pelo seu volume, .


• As substâncias têm valores característicos para a densidade, que permite identificá-las.
• A densidade explica a flutuação dos corpos, num fluido.
• A pressão é dada pelo quociente entre o módulo da força perpendicular à superfície e a área da
superfície .
• A impulsão é uma força vertical, com sentido de baixo para cima, exercida em todos os corpos pelos
líquidos ou pelos gases em que se encontram.
• O valor da impulsão depende do volume dos corpos imersos em fluidos e da densidade do fluido,
líquido ou gás, em que os corpos se encontram.

74 | Os Fluidos na Terra
Questões para Resolver

1. Sabendo que a densidade absoluta do ferro é 7,80 g/cm³, determine a massa de uma chapa de ferro
de volume 650 cm³.

2. A Fátima, com uma massa de 52 kg exerceu uma força perpendicular sobre o pé do Simão. Sabendo que
o salto do sapato da Fátima tem 2,0 mm², determine a pressão que o salto exerce sobre o pé do Simão.

3. Um corpo pesa 0,25 N. Quando colocado dentro de água, suspenso de um dinamómetro, este
marca 0,10 N.
3.1. Caracterize o vetor impulsão.
3.2. Calcule a massa do corpo.

4. Nos submarinos os tanques de lastro permitem submergir e emergir. Quando estão cheios de água
os submarinos afundam. Para subir, a água é bombeada para o exterior, ficando os lastros cheios de ar.
Tendo em conta o peso real, peso aparente e impulsão, explique o funcionamento dos submarinos.

5. Considere um anel de ouro com uma pedra de quartzo de massa total igual a 2,0 g e de densidade
relativa igual a 8,0. Sabendo que as densidades relativas do ouro e do quartzo são, respetivamente iguais
a 20,0 e 4,0, determine a massa de quartzo contida no anel.

Interações em Fluidos | 75
B-1 Hidrostática
1 Noção de fluido
O sangue, o mar, a atmosfera, são fluidos essenciais à nossa existência.

O que é um fluido?
A designação genérica de fluido aplica-se às substâncias que, em condições
normais de pressão e temperatura, se encontram no estado líquido ou
gasoso.

2 Lei Fundamental da Hidrostática


Nota: Considere-se um líquido homogéneo, de massa volúmica constante, ρ, em
O que distingue os líquidos
equilíbrio hidrostático. Neste fluido isola-se uma porção com forma de um
dos gases é essencialmente as
interações entre as respetivas cilindro de altura h e área da base A, como se mostra na figura 37.
moléculas, que depende da
distância média entre elas. Esta
interação é mais fraca nos gases
que nos líquidos, por isso os
primeiros são mais facilmente
compressíveis.

Figura 37 – Liquido homogéneo, no qual se destaca um cilindro.

Como o fluido se encontra em repouso, pela Lei da Inércia, a resultante de


todas as forças aplicadas sobre a porção de fluido é zero.
A análise das forças aplicadas sobre a porção de fluido selecionada mostra
que esta fica sujeita ao peso e às forças de pressão.

Figura 38 – Forças que atuam sobre a porção do fluido: F⃗₁ e F⃗₂ – forças de pressão
verticais; F⃗i e F⃗i'– forças de pressão laterais; F⃗g – força da gravidade.

76 | Os Fluidos na Terra
A resultante das forças é nula, isto é, o somatório das forças é igual a zero.

Então,

Segundo a horizontal as forças de pressão anulam-se. Mas segundo a vertical, as forças de pressão não se anulam
e têm de compensar o peso da porção de líquido.
Tendo em conta que a pressão, p, num ponto é o quociente entre o módulo da força F perpendicular a uma
superfície muito pequena em torno desse ponto e a área dessa superfície A, as forças de pressão são F₁ = p₁ A e
F₂ = p₂ A.

F⃗₁ – força de pressão exercida na face superior


F⃗2 – força de pressão exercida na face inferior
F⃗g – peso da porção de fluido

F₂ − F₁ = Fg ⇔ p₂ A − p₁ A = m g
Como m = ρ V = ρ A h, temos p₂ A − p₁ A = ρ A h g ou seja
p₂ − p₁ = ρ g h
onde p₂ é a pressão na face inferior, p₁ é a pressão na face superior e g é a aceleração da gravidade. Verifica-se
que a porção de fluido podia ter uma forma qualquer, isto é, a expressão é independente da área da base, e que
num ponto mais baixo do fluido a pressão é maior do que num ponto mais elevado, ou seja, p₂ > p₁.

Figura 39 – Pontos à mesma profundidade têm igual valor de pressão.

Pode-se generalizar para dois pontos, A e B, no interior de um fluido em equilíbrio hidrostático e de massa
volúmica constante, mesmo sem estarem na mesma linha vertical, as pressões podem-se relacionar pela
expressão
pB = pA + ρ g h

Hidrostática | 77
onde pA é a pressão no ponto A, pB é a pressão no ponto B, ρ é a massa
volúmica, g é a aceleração gravítica e h é a distância vertical entre os
pontos A e B.

No caso do ponto A se encontrar na superfície de separação entre um


A saber: líquido e o ar, a pressão em A é a pressão atmosférica, pA = p0, e h a
Num líquido em equilíbrio profundidade de um ponto no fluido, ou seja, a distância vertical entre
a pressão aumenta com a
profundidade. esse ponto e a superfície livre do líquido. Assim, a pressão em qualquer
ponto do líquido é
p = p0 + ρ g h

A expressão anterior traduz a Lei Fundamental da Hidrostática, válida para


um líquido homogéneo em equilíbrio hidrostático.

A figura 40 mostra o gráfico da pressão p no interior de um líquido em


função da profundidade h.

A saber:
A diferença de pressão entre dois
pontos no interior de um líquido
é a exercida pela coluna de
altura igual à separação vertical
dos dois pontos.

Figura 40 – Gráfico da pressão p no interior de um líquido.

Verifica-se que, para a mesma profundidade, a pressão é a mesma,


independentemente da forma do recipiente. Assim, quando se insere um
líquido num sistema de vasos comunicantes, como se mostra na figura 41,
este fica à mesma altura.

Figura 41 – Sistema de vasos comunicantes.

A pressão em A e E é a mesma. A pressão em B, C e D é a mesma, mas


maior do que em A.

78 | Os Fluidos na Terra
Questões Resolvidas

1. Um submarino encontra-se a 5400 m de profundidade. Determine a pressão exercida sobre o


submarino. Considere a pressão atmosférica p0 = 10 ⁵ N/m² e g = 10 m/s².
Resolução:
1. Considerando
ρ = 1 × 10 ³ kg/m³,
pela Lei Fundamental da Hidrostática, temos
p = p0 + ρ g h = 10⁵ + 1 × 10³ × 10 × 5400 = 5410 × 10⁴ Pa.

2. Considere-se um compartimento fechado, numa sala, com 3 m de altura. Determine a diferença de


pressão entre o teto e o chão? Considere ρar = 1,293 kg·m⁻³ e g = 10 m/s².
Resolução:
2.
Δp = ρ g h = 1,293 × 10 × 3 = 38,8 Pa = 0,0004 atm
Portanto Δp ≈ 0 atm.
Assim sendo, a pressão do ar em qualquer ponto do compartimento é praticamente a mesma.

3 Lei de Pascal
Blaise Pascal foi um cientista e filósofo francês do século XVII que, com base em experiências e observações, e
antes de se conhecer a Lei Fundamental da Hidrostática, formulou o que hoje se conhece por Lei de Pascal.

Como varia a pressão em dois pontos se se variar a pressão num ponto do fluido?
De acordo com a Lei Fundamental da Hidrostática, e considerando que na superfície de separação entre o fluido
e o ar a pressão exercida sobre o fluido é a pressão atmosférica, p0, as pressões em dois pontos, A e B, são
respetivamente:
p A = p0 + ρ g h A e pB = p0 + ρ g h B

Para um fluido incompressível, variando a pressão no cimo do recipiente, com o auxílio de um êmbolo, a pressão
na superfície passa a ser p0 + Δp. As pressões em A e B são:

pA' = (p0 + Δp) + ρ g hA e pB' = (p0 + Δp) + ρ g hB

Hidrostática | 79
Figura 42 – Variação de pressão num recipiente com o auxílio de um êmbolo.

Portanto, o fluido transmite, a todos os seus pontos, qualquer pressão exterior que lhe seja aplicada. Este
resultado constitui a lei estabelecida por Pascal.

Lei de Pascal:
Uma variação de pressão provocada num ponto de um fluido em equilíbrio transmite-se integralmente a todos
os pontos do fluido e às paredes que o contém.

4 Lei de Arquimedes
Foi Arquimedes, sábio grego, que descobriu que os corpos mergulhados em líquidos ficam sujeitos a uma força de
baixo para cima, designada por impulsão. Formulou a sua lei, que diz que qualquer corpo, total ou parcialmente
imerso num fluido, sofre por parte deste uma força vertical, dirigida de baixo para cima, de intensidade igual ao
peso do volume de fluido deslocado pelo corpo.
|I⃗| = |P⃗volume fluido deslocado| = m g = ρf Vf g
A impulsão depende da massa volúmica do fluido, ρf, e do volume do fluido deslocado pelo corpo, Vf .

Figura 43 – Verificação experimental da Lei de Arquimedes.

Um corpo flutua quando o módulo de peso iguala o da impulsão:


|P⃗| = |I⃗|
m g = ρf Vdeslocado g
ρcorpo Vcorpo g = ρf Vfluido imerso g
Esta lei permite compreender como é que um objeto tão grande e pesado, como um navio de aço, consegue
flutuar. O casco oco do navio afunda-se na água até que o peso da água deslocada seja igual ao peso do próprio
navio. A impulsão exercida pela água é igual ao peso do navio e este flutua.

80 | Os Fluidos na Terra
Questão Resolvida

1. Um cubo de madeira (ρmadeira = 0,65 g/cm³), com 20 cm de aresta, flutua na água (ρágua = 1,0 g/cm³).
Determine a altura do cubo que permanece dentro de água.
Resolução:
1.
Vcubo = base × altura
Mcubo = ρmadeira × base × altura
O módulo do peso do cubo, Ρcubo = ρmadeira × base × altura × g
Para o cubo flutuar, o módulo do peso tem de ser igual ao módulo da impulsão. Tendo em conta a Lei de
Arquimedes, temos
ρmadeira × base × altura × g = ρágua × base × alturaimersa × g
alturaimersa = ρmadeira × altura/ρágua = 13 cm.

5  Pressão atmosférica. Experiência de Torricelli


A pressão atmosférica foi determinada pela primeira vez em 1643, através da experiência realizada pelo italiano
Evangelista Torricelli. Para isso, Torricelli construiu um barómetro. Encheu um tubo, com cerca de 1 m de
comprimento, com mercúrio, como mostra a figura 44. Tapou a abertura e inverteu-o numa tina com o mesmo
líquido. Ao destapar a abertura do tubo, verificou que o mercúrio desceu um pouco. Torricelli apurou assim
que a coluna de mercúrio não se esvaziou completamente pois era sustentada por forças de pressão devidas à
atmosfera. No ponto B, a pressão é nula, pois a pressão exercida por algum do vapor de mercúrio é muito baixa.
Todos os pontos ao nível do ponto A estão à pressão atmosférica, como o ponto C.
Assim, pC = pA
p0 = pB + ρHg g h
Como pB = 0, vem
p0 = ρHg g h

Figura 44 – Um tubo de mercúrio invertido desce no tubo e mantém-se à altura de 76 cm.

Hidrostática | 81
Assim, a altura da coluna de mercúrio, permitiu a Torricelli medir diretamente a pressão atmosférica. Verificou
ainda que a altura da coluna de mercúrio não era sempre constante, mas variava um pouco, durante o dia e a
noite. Concluiu daí, corretamente, que essas variações mostravam que a pressão atmosférica podia variar.

Convencionou-se que a pressão atmosférica normal é 1 atmosfera, que corresponde a 76 cm de mercúrio. Ainda
hoje, quando se refere a pressão atmosférica, e para recordar a experiência de Torricelli, esta indica-se em
milímetros ou centímetros de mercúrio.

No Sistema Internacional de Unidades, a pressão atmosférica normal é:


1 atm = ρHg g h = 13,6 × 10³ × 9,8 × 0,76 = 1,013 × 10⁵ Pa

6 Aplicações

6.1 Aparelhos hidráulicos: prensa hidráulica, bomba hidráulica e manómetros de pressão


A prensa hidráulica é uma aplicação da Lei de Pascal. Consiste em dois recipientes cilíndricos providos de êmbolos
com áreas diferentes que comunicam entre si, como se mostra na figura 45.

Figura 45 – Elevador de automóveis.

De acordo com a Lei de Pascal, um acréscimo de pressão num dos êmbolos transmite-se a todos os pontos do
fluido. Assim, se for aplicada uma força de intensidade F⃗₁ no êmbolo com menor área surgirá um acréscimo de
pressão, , que se transmite a todos os pontos do fluido e das paredes do recipiente, incluindo o outro
êmbolo. O êmbolo de maior área ficará sujeito a uma força adicional de intensidade F₂ = A₂ ∆p.
A conjugação das duas expressões permite determinar a vantagem mecânica da prensa hidráulica, como a
razão entre F₂ e F₁.

Na prensa hidráulica as forças em cada êmbolo são diretamente proporcionais às áreas dos êmbolos.

82 | Os Fluidos na Terra
Questão Resolvida

1. Os êmbolos de uma prensa hidráulica têm áreas de 2 cm² e 2 m². Colocou-se sobre o êmbolo de menor
área uma massa de 5 kg, ficando o corpo no outro êmbolo em equilíbrio. Desprezando a massa dos
êmbolos, determine a massa do corpo.
Resolução:

1. .

Tal como a prensa hidráulica, a bomba hidráulica é uma aplicação da Lei de Pascal. Consiste num circuito
hidráulico de secção variável, que permite «amplificar» a força exercida numa das extremidades, como se mostra
na figura 46.

Figura 46 – Bomba hidráulica utilizada no sistema de travões de alguns automóveis.

Os manómetros de pressão são uma aplicação da Lei Fundamental da Hidrostática. Têm como função medir
diferenças de pressão. A altura da coluna de líquido permite saber a pressão no tubo, p, em relação à pressão
atmosférica.

Figura 47 – Esquema do manómetro de pressão.

pA = p B
p A = p0 + ρ g h
p = p0 + ρ g h

Hidrostática | 83
6.2 Equilíbrio de corpos flutuantes
Quando se coloca um corpo no interior de um fluido, este pode:
– afundar, se o módulo da impulsão (ρfluido Vcorpo g) for inferior ao módulo da força da gravidade (ρcorpo VCorpo g),
isto é, ρfluido < ρcorpo;
– flutuar no interior do fluido, se o módulo da impulsão (ρfluido Vcorpo g) for igual ao módulo da força da
gravidade (ρcorpo Vcorpo g), isto é, ρfluido = ρcorpo;
– emergir, se o módulo da impulsão (ρfluido Vcorpo g) for superior ao módulo da força da gravidade (ρcorpo Vcorpo g),
isto é, ρfluido > ρcorpo. O corpo irá emergir até se verificar a condição de flutuação.

Contudo, um corpo a flutuar só se encontra em equilíbrio quando o centro de massa do corpo se encontra
alinhado com o centro de massa do volume deslocado, chamado centro de impulsão. A linha vertical que passa
pelo centro de massa do corpo e pelo centro de impulsão chama-se de linha de simetria. Quando estes não se
encontram alinhados o corpo poderá rodar.

Figura 48 – Situação de equilíbrio.

Para se alterar o centro de impulsão de um corpo a flutuar, em relação ao centro de massa do corpo, tem-se
de variar o volume do fluido deslocado. Assim, considere-se, que se inclina um corpo, num ângulo Δθ, como se
mostra na figura 49.

Figura 49 – Equilíbrio estável e equilíbrio instável.

O corpo tenderá a retomar a posição de equilíbrio inicial, sempre que o ponto de interceção entre a linha vertical
que passa pelo centro de impulsão e a linha de simetria se encontra acima do centro de massa do corpo. O corpo
encontra-se em equilíbrio estável.
O corpo encontra-se no equilíbrio instável, sempre que, o ponto de interceção entre a linha vertical que passa
pelo centro de impulsão e a linha de simetria se encontra abaixo do centro de massa do corpo. O corpo tenderá
a afastar-se da posição de equilíbrio inicial.

84 | Os Fluidos na Terra
Atividade Prático-laboratorial
APL B-1.1: Lei de Arquimedes

Questão-problema: Porque diz a lenda que Arquimedes saiu nu à rua a gritar Eureka! Eureka!?
Objetivo: Relacionar o volume do fluido deslocado e a densidade do fluido com a impulsão.

Questões pré-laboratoriais:
1. Identifique o que poderá acontecer a um objeto quando colocado no interior de um fluido.

Recursos:
• Dois corpos de igual massa e diferente volume
• Gobelé
• Dinamómetro
• Água
• Azeite

Procedimento:
1. Pese, com um dinamómetro, o corpo.
2. Introduza o corpo dentro de um copo graduado com água e registe o seu peso e a variação de volume.
3. Proceda da mesma forma, alterando:
– o corpo;
– o fluido.

Questões pós-laboratoriais:
1. Estabeleça a expressão que permite determinar a impulsão.
2. Determine a impulsão nas quatro situações.
3. Compare o valor obtido experimentalmente com o previsto e calcule a percentagem de erro.

Hidrostática | 85
Atividade Prática de Sala de Aula
APSA B-1.1: Pressão atmosférica

Questão-problema: Como medir a pressão atmosférica?


Objetivo: Exploração do funcionamento do barómetro de Torricelli, tendo em conta a Lei Fundamental
da Hidrostática.

Recursos:
• Manual

Procedimento:
O físico italiano Evangelista Torricelli, em 1643, não apenas demonstrou a existência da pressão do ar,
mas inventou um aparelho capaz de a medir: o barómetro.
1. Que observou Torricelli, aquando da determinação da pressão atmosférica?
2. Indique o que aconteceria caso fosse usado, no tubo, um fluido de densidade menor que a do mercúrio.

86 | Os Fluidos na Terra
Atividade Prática de Sala de Aula
APSA B-1.2: Lei de Pascal

Questão-problema: Como construir um ludião?


Objetivo: Construir um ludião.

Recursos:
• Computador com ligação à Internet
• 1 Garrafa de plástico de 1/2 litro
• 1 Ampola de vidro

Procedimento:
Um corpo flutua no interior de um fluido, se o módulo da força da gravidade for igual ao módulo da
impulsão. Se se variar a pressão num ponto do fluido em equilíbrio, esta transmite-se integralmente
a todos os pontos do fluido e às paredes que o contém. Se aumentar a pressão num ponto do fluido,
esse aumento transmite-se a todos os pontos do fluido. Assim, o ar dentro da ampola é comprimido,
diminuindo o seu volume e, por isso, aumentando o seu peso. Se o módulo da força da gravidade for
superior ao módulo da impulsão, a ampola afunda-se.

1. Pesquise na Internet simulações do comportamento estático e dinâmico do ludião.


2. Encha a garrafa com água.
3. Encha a ampola com aproximadamente metade da sua capacidade com água.
4. Usando o dedo indicador tape a entrada da ampola e coloque-a no interior da garrafa de plástico com
a entrada voltada para baixo.
5. Certifique-se que a ampola com água se encontra totalmente submersa. Caso não se verifique, aumente
ou diminua a quantidade de água no seu interior.
6. Feche a garrafa de plástico.
7. Aperte ligeiramente a garrafa de plástico e verifique o que acontece.
8. Represente esquematicamente as forças no ludião, nas várias situações.

Hidrostática | 87
Resumo

• Os líquidos e os gases designam-se por fluidos.


• Lei Fundamental da Hidrostática, p = p0 + ρ g h.
• A pressão não depende da forma do recipiente que contém o líquido.
• A Lei de Pascal diz que uma variação de pressão num ponto de um fluido em equilíbrio transmite-se a
todos os pontos do fluido e às paredes que o contém.
• A impulsão é uma força vertical, dirigida de baixo para cima, de intensidade igual ao peso do volume de
fluido deslocado pelo corpo.
• A impulsão depende da densidade do fluido e do volume deslocado.

Questões para Resolver

1. Observe os líquidos não miscíveis em equilíbrio.

1.1. A razão entre a densidade dos dois líquidos é igual a 2. Determine .


1.2. Esboce um gráfico que traduza a pressão exercida pelo líquido com a profundidade, quando se
percorrem sucessivamente os pontos A, B, C, D e E.

88 | Os Fluidos na Terra
2. Considere uma prensa hidráulica, cujos êmbolos A e B têm respetivamente 400 cm² e 1,2 m². Sobre
o êmbolo A é aplicada uma força de módulo 50 N, ficando o corpo sobre o êmbolo B em equilíbrio.
Determine a massa do corpo que está sobre o êmbolo B. Despreze o peso dos êmbolos. Considere
g = 10 m/s².

3. Os icebergues são gigantescos blocos de gelo que flutuam no mar. Sendo a densidade da água salgada
igual a 1,024 × 10³ kg/m³, determine a fração do seu volume submerso.

4. Considere o sistema de vasos comunicantes


constituído por três êmbolos cilíndricos todos
ao mesmo nível. Sobre o êmbolo 1, o líquido
em equilíbrio estático exerce uma força de
600 N e a área do êmbolo 1 é metade da área
dos êmbolos 2 e 3. Determine as forças que
os êmbolos 2 e 3, respetivamente, fazem no
líquido.

5. Na figura, encontram-se dois líquidos homogéneos não miscíveis, em equilíbrio. Calcule o valor da
razão entre as densidades dos líquidos.

6. Um gás encontra-se contido sob pressão de 8 mbar no interior de um recipiente cúbico, cujas faces
possuem uma área de 4,0 m². Calcule o módulo da força média exercida pelo gás sobre cada face do
recipiente?

7. Determine a profundidade máxima que um mergulhador pode atingir em segurança em água salgada,
sabendo que o organismo humano pode ser submetido, sem prejuízo para a saúde, a uma pressão de
4,0 × 10⁵ N/m². Considere densidade de água salgada 1,03 g/cm³ e g = 10 m/s².

Hidrostática | 89
B-2 Hidrodinâmica
1 Movimento dos fluidos em regime estacionário
A Hidrodinâmica estuda o movimento dos fluidos, isto é, líquidos e gases.
Como, por exemplo, a água a escoar ao longo de um tubo ou no leito de
um rio, o sangue a correr pelas veias ou o fumo emitido por uma chaminé.

Quais os movimento que um fluido pode ter?


O escoamento de um fluido pode ocorrer de um modo turbulento, como
numa cascata, onde a velocidade em cada ponto muda de instante para
instante; ou em regime estacionário, como num tubo, se a velocidade do
fluido não variar em cada ponto, no decorrer do tempo, embora possa
variar de ponto para ponto. Neste regime, partículas diferentes do fluido,
ao passarem por um mesmo ponto, têm a mesma velocidade.

Neste estudo, vai-se considerar sempre o escoamento em regime


estacionário.

A trajetória descrita por uma partícula do fluido, que escoa em regime


estacionário, denomina-se linha de corrente, que é uma linha tangente à
velocidade em cada ponto.

Figura 50 – As linhas de corrente de um fluido são linhas tangentes à velocidade em cada


ponto.

Também se vai considerar neste estudo, que o fluido é ideal, isto é,


incompressível, pois a densidade do fluido não varia ao longo do percurso,
A saber:
e não-viscoso, o que significa que não há dissipação de energia ao longo
Um fluido ideal não é viscoso e é
incompressível. do trajeto do fluido. A viscosidade no movimento dos fluidos é análoga ao
atrito no movimento dos sólidos.

90 | Os Fluidos na Terra
2 Conservação da massa e Equação da Continuidade
A figura 51 representa um fluido com escoamento estacionário ao longo de um tubo de secção transversal
variável.

Figura 51 – Escoamento estacionário de um fluido ideal através de um tubo de secção variável.

Em 1, a área da secção reta do tubo é A₁ e a velocidade do fluido é v⃗₁. Em 2, a área é A₂ e a velocidade é v⃗₂.
No intervalo de tempo ∆t, passa em 1 o volume de fluido ∆V₁, que pode ser expresso por:
∆V₁ = A₁ ∆x₁ = A₁ v₁ ∆t

Sendo a massa volúmica do fluido constante, e dada por

pode-se expressar a massa, m, que passa na secção 1 por:


m₁ = ρ A₁ v₁ ∆t

No mesmo intervalo de tempo, passa o mesmo fluido em 2,


∆V₂ = A₂ ∆x₂ = A₂ v₂ ∆t
m₂ = ρ A₂ v₂ ∆t

A massa de fluido no volume ∆V₁ é igual à massa de fluido no volume ∆V₂, ou seja
m₁ = m₂
ρ A₁ v₁ ∆t = ρ A₂ v₂ ∆t

Simplificando, vem:
A₁ v₁ = A₂ v₂

Esta expressão traduz a Equação da Continuidade, que exprime a conservação da massa no movimento dos
fluidos incompressíveis.

Hidrodinâmica | 91
A Equação da Continuidade mostra que a velocidade de um fluido aumenta
quando a área da secção diminui.
Este facto é visível quando se tapa parcialmente a saída de água de uma
mangueira.

Figura 52 – Tapar parcialmente a saída de água faz aumentar a sua velocidade.

Esta equação também pode ser expressa genericamente por:


A v = constante

Define-se caudal volumétrico, Ø como

Atendendo a que ∆V = A v ∆t e substituindo na equação anterior vem:


A saber: Ø=Av
Num escoamento estacionário, o
caudal volumétrico é constante.
A unidade SI de caudal volumétrico é o metro cúbico por segundo, m³·s⁻¹.

Questão Resolvida

1. O sangue flui na artéria aorta de um adulto, de raio 1,0 cm, com velocidade 0,33 m/s e encontra uma
zona onde o raio se reduz para 8,0 × 10⁻³ m.
1.1. Calcule o módulo da velocidade do sangue no estreitamento.
1.2. Determine o volume de sangue que passa por segundo numa secção reta da artéria.
1.3. Sendo 5,0 litros o volume de sangue no organismo, estime o tempo médio que o sangue leva para
voltar ao coração.
1.4. Calcule o número de vasos capilares por onde vai fluir o sangue desta artéria, sabendo que o diâmetro
de um capilar é de cerca de 4,0 × 10⁻⁴ cm e a velocidade média é de 6,0 × 10⁻⁴ m·s⁻¹.

92 | Os Fluidos na Terra
Resolução:
1.1. Pela equação da continuidade,
A₁ v₁ = A₂ v₂ e sendo A = π r²
Substituindo os valores, tem-se:
π × (1,0 × 10⁻²)² × 0,33 = π × (8,0 × 10⁻³)² x v₂ ⟺ v₂ = 0,51 m·s⁻¹.

1.2. O volume de sangue que passa por segundo numa secção reta da artéria é o caudal.
Ø=Av
Substituindo os valores, tem-se:
Ø = π × (1,0 × 10⁻²)² × 0,33 ⟺ Ø = 1,04 × 10⁻⁴ m³·s⁻¹

1.3. Partindo do caudal cujo valor é Ø = 1,04 × 10⁻⁴ m³·s⁻¹ e substituindo o volume de sangue,
vem:

1,04 × 10⁻⁴ = ⟺ ∆t = 48 s.

1.4. Pela equação da continuidade


A₁ v₁ = A₂ v₂ e sendo A₂ = n Acada capilar
Substituindo os valores, tem-se:
π × (1,0 × 10⁻²)² × 0,33 = n × π × (2,0 × 10⁻⁶)² × 6,0 × 10⁻⁴ ⟺ n = 1,4 × 10¹⁰ capilares.

3 Conservação de energia mecânica e Equação de


Bernoulli
Daniel Bernoulli, no século XVIII, mostrou experimentalmente que, num
ponto de um fluido onde a velocidade é maior, a pressão é menor. Ficou
conhecido como Princípio de Bernoulli.

Também estabeleceu, partindo de considerações energéticas aplicadas


ao escoamento de fluidos, a Equação Fundamental da Hidrodinâmica
ou Equação de Bernoulli. Tal equação relaciona a pressão, o desnível e a
velocidade de um fluido ideal, num escoamento estacionário, através de
um tubo com área de secção variável.
Daniel Bernoulli (1700-1782)

Hidrodinâmica | 93
Como se relaciona a pressão, o desnível e a velocidade de um fluido ideal?
Um fluido incompressível e não viscoso, de densidade ρ, escoa por uma canalização em regime estacionário,
como se mostra na figura 53.

Figura 53 – Escoamento de um fluido num tubo com desnível e área de secção variável.

Sejam p₁ e p₂ as pressões nos pontos 1 e 2, cujas alturas, em relação a um plano horizontal de referência, são y₁
e y₂, respetivamente. F⃗₁ é a força de pressão exercida pelo fluido que chega ao ponto 1, e F⃗₂ é a força de pressão
exercida pelo fluido que já passou no ponto 2.

Considerando a Lei do trabalho-energia, e atendendo que atuam no fluido as forças F⃗₁, F⃗₂ e o peso P⃗, pode
escrever-se:
WF⃗ = ∆Ec
R

WF⃗ + WF⃗ + WP⃗ = ∆Ec


1 2

Sendo o peso do fluido uma força conservativa, então: WP⃗ = −∆EP .


Substituindo e desenvolvendo, pode-se escrever
F₁ d₁ – F₂ d₂ – ∆EP = ∆Ec

Relacionando a força com a pressão e a área, F = p A e substituindo,


p₁ A₁ d₁ – p₂ A₂ d₂ = ∆Ec + ∆EP

Desenvolvendo a energia cinética e a energia potencial, vem


p₁ V₁ − p₂ V₂ = ½ m v₂² – ½ m v₁² + m g y₂ – m g y₁

Sendo e substituindo m, pode-se escrever:


p₁ V₁ - p₂ V₂ = ½ ρ V₂ v₂² – ½ ρ V₁ v₁ ² + ρ V₂ g y₂ – ρ V₁ g y₁

94 | Os Fluidos na Terra
Como o caudal é sempre o mesmo, então o volume que passa em 1 é igual ao que passa em 2:
V₁ = V₂
Pode simplificar-se e vem:
p₁ – p₂ = ½ ρ v₂² – ½ ρ v₁² + ρ g y₂ – ρ g y₁
Ou ainda
p₁ + ½ ρ v₁² + ρ g y₁ = p₂ + ½ ρ v₂² + ρ g y₂
Esta expressão traduz a Equação de Bernoulli ou Equação Fundamental da Hidrodinâmica.

Como ao longo de uma linha de corrente, 1 e 2 podem ser uns pontos quaisquer, então a Equação de Bernoulli
também pode ser escrita como:
p + ½ ρ v² + ρ g y = constante
No caso de um fluido em equilíbrio estático, as velocidades, v₁ e v₂, são nulas e então a equação reduz-se a:
p₁ + ρ g y₁ = p₂ + ρ g y₂
p₁ − p₂ = ρ g (y₂ − y₁)
que é a Equação Fundamental da Hidrostática.

Aplicações da Equação de Bernoulli


Os exemplos seguintes mostram as aplicações da Equação de Bernoulli em situações da vida quotidiana.

• Sustentação de um avião
As asas dos aviões têm uma forma e uma inclinação tal que o ar é obrigado a passar pela sua face superior com
maior velocidade. A densidade das linhas de corrente é maior na parte de cima das asas.
De acordo com a equação de Bernoulli, na parte de cima das asas a velocidade é maior e portanto a pressão
é menor.
Cria-se, assim, uma diferença de pressão entre a parte superior e a parte inferior das asas que origina uma força
de sustentação, perpendicular e dirigida para cima.

Figura 54 – Linhas de corrente indicando o escoamento de ar em torno de uma asa de avião.

Hidrodinâmica | 95
• Pulverizador
Num pulverizador, apertando a bomba de borracha, cria-se um fluxo de ar num canal onde há um estrangulamento.
Aí a velocidade do ar vai ser maior e, portanto, a pressão vai ser menor, o que obriga o líquido a subir no tubo.

Figura 55 – Pulverizador.

• Funcionamento de uma chaminé


Na chaminé, quando o vento sopra, a pressão no topo é inferior à pressão no interior da casa, o que obriga o
fumo a subir, pois a diferença de pressão cria um fluxo de ar para cima.

• Velocidade de saída de um líquido por um orifício


Num recipiente contendo um líquido abre-se uma torneira que existe na sua base. A velocidade de saída do
líquido pelo orifício é obtida a partir da equação de Bernoulli.

Figura 56 – Recipiente com abertura no fundo.

Nos pontos A e B, as pressões são iguais à pressão atmosférica: pA = pB = p0


Aplicando a equação de Bernoulli nos pontos A e B, tem-se:

p₀ + ½ ρ vA² + ρ g h = p₀ + ½ ρ vB²
Pela Equação da Continuidade,
AA vA = AB vB

96 | Os Fluidos na Terra
Mas como a área da superfície B é muito menor do que a área de A, então
a velocidade em B é muito maior do que a velocidade em A e pode-se
mesmo considerar que vA é nula.
Então,
ρ g h = ½ ρ vB ²
A saber:
e a velocidade de saída do líquido em B é dada por A velocidade de escoamento da
água através do orifício é igual à
velocidade que teria se caísse em
queda livre da altura h.

• Efeito Venturi
O tubo de Venturi é um tubo horizontal, dotado de um estrangulamento,
que é aplicado numa canalização, conforme indica a figura 57.

Figura 57 – Tubo de Venturi.

Este tubo é usado para medir a velocidade de escoamento de um fluido e


o caudal volumétrico, a partir da medida de pressões com manómetros.

Pela equação de Bernoulli,

p₁ + ½ ρ v₁² + ρ g y₁ = p₂ + ½ ρ v₂² + ρ g y₂

Como os pontos 1 e 2 estão à mesma altura, então,

p₁ + ½ ρ v₁² = p₂ + ½ ρ v₂²
ou
p₁ − p₂ = ½ ρ (v₂² − v₁²)

Hidrodinâmica | 97
Questões Resolvidas

1. Um tanque de área grande está cheio de água até à altura de 120 cm. Na base existe um orifício de
4,0 cm² situado no fundo do tanque.
Calcule:
1.1. O valor da velocidade da água à saída deste orifício.
1.2. O volume de água que escoa num minuto.
Resolução:
1.1. A velocidade de saída é dada por:
Substituindo os valores
Obtem-se v = 4,9 m/s.
1.2. Pela expressão do caudal Ø = A v
Substituindo os valores Ø = 4,0 × 10⁻⁴ × 4,9 = 1,96 × 10⁻³ m³/s
Por minuto será 19,6 × 10⁻⁴ × 60 = 0,12 m³/min.

2. No medidor de Venturi da figura seguinte, a área da secção 1 é 20 cm² enquanto que a da secção 2 é
10 cm². O manómetro, cujo fluido manométrico é mercúrio (ρHg = 13600 kg/m³) é ligado entre as secções
1 e 2 e indica o desnível mostrado na figura. (ρágua = 1000 kg/m³).

Determine o caudal volumétrico que passa no Venturi.


Resolução:
2. Pela Equação da Continuidade obtém-se uma relação entre as velocidades nos pontos 1 e 2 à mesma
altura no fluido.
A₁ v₁ = A₂ v₂
20 × 10⁻⁴ v₁ = 10 × 10⁻⁴ v₂ ⟺ v₁ = 0,5 v₂
Pela Equação Fundamental da Hidrostática aplicada aos pontos a e b, que estão à mesma altura no
mercúrio,
pa = p₁ + ρágua g h + ρágua g y
pb = p₂ + ρmercúrio g h + ρágua g y

98 | Os Fluidos na Terra
Como pa = pb
Vem p₁ – p₂ = 12,6 × 10³ Pa
Substituindo na Equação de Bernoulli,
p₁ – p₂ = ½ ρ (v₂² − v₁²)
Obtém-se v₂ = 5,8 m/s
E o caudal vai ser:
Ø=Av
Ø = 10 × 10⁻⁴ × 5,8
Ø = 5,8 × 10⁻³ m³/s.

4 Força de resistência em fluidos. Coeficiente de viscosidade de um líquido


Tal como no movimento de um páraquedista, onde atua a força de resistência do ar, também um objeto, quando
se move num líquido, sofre a ação de uma resistência ao seu movimento.
Essa força depende:
– da viscosidade do líquido;
– da forma e tamanho do objeto;
– do módulo da velocidade do corpo.

Para corpos pequenos e com baixa velocidade, a força de resistência varia linearmente com a velocidade e tem
sentido oposto a esta,
F⃗res = − k v⃗
sendo o seu módulo
Fres = k v

A constante k depende da forma e das dimensões do objeto e da natureza do meio onde o corpo se move.
Um fluido muito viscoso oferece uma maior força de resistência ao movimento de um corpo no seu interior.
No caso de uma pequena esfera de raio r, movendo-se num líquido muito viscoso, k é dado por
k=6πrη
onde η é o coeficiente de viscosidade do fluido que tem unidades de pressão vezes tempo.
O módulo da força de resistência, é dado por
Fres = 6 π r η v

Hidrodinâmica | 99
A velocidade terminal é atingida quando for nula a resultante das forças que atuam na esfera e o movimento é,
então, uniforme.

Figura 58 – Pequena esfera metálica em queda num líquido.

As forças são o peso da esfera, P⃗, a força de resistência ao movimento, F⃗res, e a impulsão, I⃗, e portanto se atinge
a velocidade terminal,
P = Fres + I

Atividade Prático-Laboratorial
APL B-2.1: Coeficiente de viscosidade de um líquido

Questão-problema: Como determinar a viscosidade de um líquido?


Objectivo: Determinação do valor da viscosidade de um líquido a partir da velocidade terminal de várias
esferas no seu interior.
Questões pré-laboratoriais:
1. Quais as forças que atuam numa esfera de metal em queda no interior de um líquido viscoso?
2. Uma vez atingida a velocidade terminal, o movimento da esfera passa a ser uniforme. Mostre que o
valor da velocidade terminal da esfera pode ser determinado pela expressão:

3. Como determinar experimentalmente a massa volúmica do fluido e do metal?

Recursos:
• Proveta grande cheia com glicerina
• Craveira
• Esferas de metal de diâmetros diferentes
• Proveta pequena
• Cronómetro
• Termómetro

100 | Os Fluidos na Terra


• Balança
• Régua
• Íman (para retirar as esferas do fundo da proveta)

Procedimento:
1. Deixe cair a esfera maior no interior do líquido, sem que toque nas paredes.
2. Coloque uma marca na posição em que o movimento começa a ser uniforme.
3. Coloque outra marca quase no final do movimento da esfera.
4. Meça a distância entre as marcas.
5. Meça o diâmetro das esferas.
6. Faça as medições necessárias para determinar as densidades da glicerina e do metal.
7. Meça o tempo que a esfera demora a percorrer a distância entre as marcas.
8. Efetue três medições para cada esfera.

Questões pós-laboratoriais:
1. Trace o gráfico da velocidade terminal em função do quadrado do raio das esferas e determine, por
regressão linear, a equação da reta de ajuste.
2. Determine o coeficiente de viscosidade da glicerina a partir do declive da reta que melhor se ajusta aos
dados experimentais no gráfico.
3. Analise os resultados obtidos e confronte-os com os previstos teoricamente, apresentando explicações
para eventuais diferenças.

Resumo

• Um fluido ideal é incompressível e não é viscoso.


• A Equação da Continuidade mostra que a velocidade de um fluido aumenta quando a área da secção
diminui.
• O Princípio de Bernoulli estabelece que num ponto de um fluido onde a velocidade é maior, a pressão
é menor.
• A Equação de Bernoulli relaciona a pressão, o desnível e a velocidade de um fluido ideal, num escoamento
estacionário, através de um tubo com área de secção variável.
• A força de resistência depende da viscosidade do líquido, da forma e dimensões do objeto e da
velocidade do corpo.

Hidrodinâmica | 101
Questões para Resolver

1. Considere duas regiões distintas do leito de um rio: uma larga, A, de secção transversal 200 m², e
outra estreita, B, com 40 m² de área de secção transversal. A velocidade do rio na região A tem módulo
igual 1,0 m/s.
Calcule o módulo da velocidade do rio na região B.

2. Um líquido flui através de um tubo de secção transversal constante e igual a 5,0 cm² com velocidade
de 40 cm/s, determine:
2.1. O caudal volumétrico do líquido ao longo do tubo.
2.2. O volume de líquido que atravessa uma secção em 10 s.

3. Um líquido, suposto incompressível, escoa através de uma mangueira cilíndrica de raio r e enche um
recipiente de volume V num intervalo de tempo t.
A velocidade de escoamento do líquido, suposta constante, tem módulo igual a:
A) V/r t B) V/π r²t C) V π r²/ t D) V/2π r t E) V π r² t

4. Através de um tubo horizontal de secção reta variável, escoa água, cuja densidade é 1 g/cm³.Numa
secção 1 do tubo, a pressão e o módulo da velocidade valem, respetivamente, 1,5 × 10⁵ N/m² e 2,0 m/s.
Determine a pressão noutra secção 2, onde o módulo da velocidade vale 8,0 m/s.²

5. As figuras representam secções de canalizações por onde flui, da esquerda para a direita, sem atrito
e em regime estacionário, um líquido incompressível. Além disso, cada secção apresenta duas saídas
verticais para a atmosfera, ocupadas pelo líquido até às alturas indicadas.

Identifique as figuras que estão de acordo com a realidade física:


A) II e III B) I e IV C) II e IV D) III e IV E) I e III

102 | Os Fluidos na Terra


6. O cano ilustrado na figura tem um diâmetro de 16 cm na secção 1 e de 10 cm na secção 2. Na secção 1
a pressão é 200 kPa. O ponto 2 está 6,0 m mais elevado que o ponto 1.

Determine a pressão no ponto 2, quando o óleo de massa volúmica 800 kg/m³ flui nesse ponto com um
caudal volumétrico de 0,030 m³/s, se forem desprezáveis os efeitos da viscosidade.

7. Um recipiente, de grande área de secção transversal,


contém água até uma altura H. Um orifício é feito na
parede lateral do tanque a uma distância h da superfície
do líquido .
A área do orifício é de 0,1 cm² e a aceleração é g = 10 m/s².
Sendo h = 0,80 m e H = 1,25 m, determine:
7.1. A velocidade com que o líquido escoa pelo orifício.
7.2. O caudal de água pelo orifício.
7.3. O alcance horizontal D.

8. A figura mostra um medidor Venturi, equipado com um manómetro de mercúrio diferencial. À entrada,
no ponto 1, o diâmetro é 12 cm, enquanto no estrangulamento, ponto 2, o diâmetro é 6,0 cm. Determine
o caudal da água através do medidor se o manómetro de mercúrio marcar 22 cm. A massa volúmica do
mercúrio é 13,6 g/cm³.

Hidrodinâmica | 103
O B J E T I V O S

• Caracterizar ondas mecânicas e eletromagnéticas.


• Distinguir reflexão de refração da luz.
• Aplicar as leis da reflexão e da refração em
instrumentos óticos.
• Interpretar a utilização de lentes na correção de
defeitos de visão.
• Compreender o conceito de reflexão total na
transmissão de informação por fibra ótica.
Unidade Temática C | Da Luz das
Estrelas à Visão na Terra

C-0 Produção e Transmissão da Luz


C-1 Ótica Geométrica

«A vida é fascinante: só é preciso olhá-la através das


lentes corretas.» Alexandre Dumas
Unidade Temática C | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra

C-0 Produção e Transmissão da Luz


A luz é responsável por fenómenos tão complexos como a visão dos animais, a fotossíntese das plantas, e é
fundamental para a vida na Terra.

1 Tipos de ondas
Uma onda é uma perturbação oscilante de alguma grandeza física.
No dia a dia são visíveis fenómenos ondulatórios como a luz, ou as ondas que se propagam na superfície da água
quando algum objeto cai sobre ela. Também existem ondas que podemos ouvir, tal como o som de um motociclo
e ainda outras que não são visíveis nem audíveis, como por exemplo, os raios X.
O som é o mais antigo meio de comunicação utilizado pelo homem, que o fazia através da voz e das mãos.
Tal como os ouvidos, que funcionam como sensores do som, os olhos funcionam como sensores de luz. A visão
só é possível se sobre um corpo, sem luz própria, incidir luz proveniente de uma fonte luminosa. Parte da luz que
sobre ele incide é emitida em várias direções, podendo ser detetada pelos olhos do observador. De facto, só se
vê se houver um objeto, uma fonte luminosa que o ilumine e um detetor de luz.
Todas as ondas, apesar de terem origem e natureza diversas, transportam energia, por vezes a grandes distâncias,
mas não deslocam matéria.
De acordo com a sua origem, uma onda pode ser classificada em, onda mecânica ou onda eletromagnética.
As ondas mecânicas são produzidas por uma perturbação num meio material, como, por exemplo, as ondas
numa corda, as ondas na superfície da água ou as ondas sonoras. É por isso que quando se faz vácuo no interior
de uma campânula, o som produzido pelo despertador deixa de se ouvir. As ondas mecânicas não se propagam
no vazio.

Figura 59 – No vácuo, o som não se propaga.

106
As ondas eletromagnéticas, também denominadas radiações, são
produzidas pela variação de um campo elétrico e um campo magnético.
São exemplos a luz, as ondas de rádio e de televisão, as micro-ondas. As
ondas eletromagnéticas não precisam de um meio de propagação, logo
podem propagar-se no vácuo. As ondas eletromagnéticas resultam duma
perturbação, e tem por base a ligação existente entre o campo elétrico e
o campo magnético.

Tendo em conta a direção de oscilação as ondas podem ser classificadas


em ondas longitudinais e ondas transversais.

Ondas longitudinais são aquelas em que a vibração ocorre na mesma


direção do movimento.
Uma mola esticada, quando é largada, oscila como se mostra na figura 60.

A saber:
Ondas longitudinais são aquelas
em que a vibração ocorre na
mesma direção do movimento.

Figura 60 – A mola, uma vez alongada, executa ondas longitudinais.

Ondas transversais são aquelas em que a direção de vibração é


perpendicular à direção de propagação.

Figura 61 – Ondas numa corda.

À medida que a onda se propaga, cada ponto da corda move-se para cima
e, em seguida, para baixo, novamente para cima, depois para baixo, e assim
sucessivamente. É o efeito da perturbação que se desloca, sem que o meio
material (a corda, neste caso) se desloque como um todo de um sítio para A saber:
o outro. Os pontos da corda vibram perpendicularmente à direção em que Ondas transversais são
aquelas em que a vibração
se dá a propagação, razão por que esta onda é transversal. As ondas no é perpendicular à direção de
mar que fazem subir e descer uma boia e as ondas eletromagnéticas são propagação da onda.

outros exemplos de ondas transversais.

Produção e Transmissão da Luz | 107


Em relação à direção de propagação de energia as ondas são classificadas
em:
– Unidimensionais, quando se propagam numa só direção;
– Bidimensionais, quando se propagam ao longo de um plano;
– Tridimensionais, quando se propagam em todas as direções.

2 Características das ondas


Quando um pulso se segue a outro numa sucessão regular, isto é, a forma
das ondas individuais repete-se em intervalos de tempo iguais, obtem-se
uma onda periódica.

Como referido na unidade A, para ondas periódicas a oscilação espacial


é caracterizada pela amplitude, velocidade de propagação, comprimento
de onda, período e frequência. Os pontos mais altos chamam-se cristas,
os mais baixos vales, e os de amplitude nula designam-se por nodos.

Figura 63 – Pontos particulares de uma oscilação.

Figura 62 – Sequência de propagação de


uma onda.
As funções periódicas mais simples são as funções sinusoidais,
Y = A sen Φ,
onde Y representa a elongação, A a amplitude da onda e Φ a fase de
vibração.

Figura 64 – Onda sinusoidal.

108 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Para melhor se perceber esta equação, recorde-se o estudado na unidade
A do 10.o ano para o movimento circular uniforme, um movimento
também periódico. Nesse movimento o corpo descreve ângulos iguais em
intervalos de tempo iguais, tendo-se definido a equação Φ = Φ0 + ωt. Aqui
Φ é o ângulo descrito desde o inicio do movimento, Φ0 a fase inicial no
instante t = 0 e ω a frequência angular. Pela análise da figura, verifica‑se
que Φ, ângulo descrito desde o início do movimento, corresponde à fase
de vibração da onda.

Figura 65 – Relação entre o movimento circular uniforme e uma onda periódica.

Neste caso, em que ocorrem oscilações periódicas em torno da posição


de equilíbrio, o movimento é descrito pela equação da elongação do
movimento harmónico simples (MHS),
Nota:
Y = A sen (ωt + Φ0) A expressão para descrever o
MHS também pode ser definida
por Y = A cos (ωt + Φ0), mas a
fase inicial é diferente.
Nesta equação:
– A é a amplitude;
– Φ0 é um ângulo chamado de fase inicial do movimento;
– ω é a frequência angular;
– o ângulo ωt + Φ0 é a fase do movimento.

Produção e Transmissão da Luz | 109


Questões Resolvidas

1. O Professor Tito, para demonstrar as propriedades de uma onda sonora percutiu um diapasão e, com
auxílio de um osciloscópio obteve a seguinte onda.

1.1. Identifique as grandezas assinaladas por R e S.


1.2. Determine a frequência da onda.
Resolução:
1.1. R – Período; S – Amplitude.
1.2. Sabendo que, f = 1/T e substituindo os dados:
f = 1/0,005 = 200 s⁻¹.
A frequência da onda é de 200 s⁻¹.

2. No lago Danau Lamussa em Bobonaro, produzem-se ondas com a frequência de 10 Hz, e comprimento
de onda 2 cm. Determine a velocidade de propagação das ondas.
Resolução:
2. Sabendo que, v = λ f e substituindo os dados:
v = 0,02 × 10 = 0,2 m·s⁻¹.
A velocidade de propagação das ondas produzidas é de 0,2 m·s⁻¹.

110 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


3 Produção de ondas
Seria impensável que alguém, com um megafone, comunicasse entre Díli e Baucau! Mas se alguém telefonar,
isso parece normalíssimo.

O que acontece às ondas sonoras emitidas com um megafone? E com as ondas eletromagnéticas
emitidas a partir de Díli e recebidas em Bacau?

3.1 Fontes sonoras
Um som, sendo um fenómeno físico de natureza ondulatória, pode ser produzido de maneiras muito diferentes.
Na origem de um som está sempre a vibração de um objeto. A vibração consiste em movimentos do objeto ou
de parte dele, por vezes difícil de observar mas suficientes para causarem uma perturbação no meio em redor
(o ar, por exemplo). Existe então o que se chama onda sonora. Quando essa onda atinge outros corpos, põe‑os
a vibrar. Assim, quando uma onda atinge a membrana do tímpano do nosso ouvido, esta entra em vibração
e desencadeia-se uma série de processos que permitem ouvir o som. Sons audíveis pelo ouvido humano,
são ondas cuja frequência está compreendida entre 20 Hz e 20 kHz, aproximadamente. As ondas sonoras de
frequência inferior a 20 Hz formam os infrassons e as que têm frequência superior a 20 kHz formam os ultrassons.
O conjunto de todas as ondas sonoras forma o espetro sonoro. As gamas de frequência audíveis para vários
animais apresenta-se na tabela 9.

Figura 66 – Espetro sonoro.

Animal Mínimo (Hz) Máximo (kHz)

Elefante 20 10

Gato 30 45

Cão 20 30

Chimpazé 100 30

Baleia 40 80

Aranha 20 45

Morcego 20 100
Tabela 9 – Gama de frequências que alguns animais conseguem ouvir.

Produção e Transmissão da Luz | 111


Para que a comunicação seja possível é necessário que exista:
– Um emissor (a fonte de informação é neste caso a voz de A);
– Um portador da informação (as ondas sonoras);
– Um recetor da informação (neste caso os ouvidos de B).

A figura seguinte ilustra o processo de transmissão de informação de A para B. Isto é válido para qualquer tipo
de comunicação.

Figura 67 – Sistema básico de comunicação: A – Emissor; B – Recetor. Neste caso o portador de informação é o som.

A energia associada às ondas sonoras dissipa-se no meio de propagação, devido à interação com ele durante a
sua vibração. Este fenómeno físico chama-se amortecimento.
O movimento oscilatório, associado à propagação do som, repete-se durante um determinado período de tempo,
acabando por se amortecer progressivamente.

Figura 68 – Amortecimento.

Devido à resistência do ar, a amplitude da onda sonora vai gradualmente diminuindo até se extinguir. Por isso, os
sons não são audíveis a grandes distâncias.
Contrariamente, as ondas eletromagnéticas no vazio não são absorvidas, devido à sua natureza.

3.2 Fontes de luz
A fonte de luz visível que se utiliza no dia a dia é o Sol, que, tal como outras estrelas é uma fonte natural de luz.
Já uma lâmpada ou a lenha a arder numa lareira são fontes artificiais de luz.

112 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Todos os corpos que produzem ou têm luz própria são denominados corpos luminosos ou fontes primárias. Os
corpos que não possuam luz própria chamam-se corpos iluminados ou fontes secundárias.

Assim, pode-se distinguir dois tipos de fontes de luz:


– Fontes primárias ou corpos luminosos – fontes que possuem luz própria. São exemplos o Sol, as estrelas,
uma lâmpada acesa.
– Fontes secundárias ou corpos iluminados – fontes que não têm luz própria. São exemplos a Lua, um livro,
uma caneta, uma parede.

Quanto às dimensões, as fontes de luz podem ser classificadas em:


– Fontes pontuais ou puntiformes – fontes cujas dimensões são desprezáveis em comparação com a
distância a que são observadas, como por exemplo as estrelas.
– Fontes extensas – fontes de luz cujas dimensões não podem ser desprezáveis em comparação com a
distância a que são observadas, como por exemplo uma lâmpada próxima de um livro.

Quanto ao tipo, classifica-se a luz emitida pelas fontes em:


– Luz monocromática ou simples – radiação eletromagnética na faixa de luz visível composta por um único
comprimento de onda.
– Luz policromática – luz resultante da mistura de duas ou mais cores, como a luz branca do Sol ou a luz
emitida pelo filamento incandescente de uma lâmpada comum.

4 Propriedades e aplicações do som e da luz


O que acontece à energia transportada por uma onda quando esta encontra um obstáculo, a partir
do qual as propriedades do meio são diferentes?
Quando uma onda incide na superfície de separação de dois meios, parte da energia que transportava volta ao
meio onde inicialmente se propagava, constituindo uma onda refletida. É o fenómeno de reflexão. Conjuntamente,
outra fração da energia da onda incidente atravessa a superfície e continua a propagar-se no segundo meio,
constituindo uma onda refratada, ou transmitida. É o fenómeno de refração. Pode acontecer ainda que parte da
energia transportada pela onda seja absorvida. Este fenómeno designa-se por absorção. A figura 69 representa
o comportamento de uma onda sonora quando encontra um obstáculo.

Figura 69 – Reflexão, transmissão e absorção do som.

Produção e Transmissão da Luz | 113


Quais as características das ondas refletidas?
É possível ler a página de um livro, observar uma paisagem ou ver a
nossa imagem num espelho, porque ocorre o fenómeno da reflexão da
luz. Isto significa que a luz proveniente de uma fonte luminosa incide
num determinado corpo e altera a sua trajetória, propagando-se no
mesmo meio.
No entanto, o comportamento da luz refletida depende das características
da superfície refletora.
Assim, quando a luz incide numa superfície não polida, reflete-se em
todas as direções como mostra a figura 70. Este fenómeno designa-se por
reflexão difusa da luz.
Consegue-se ler a página de um livro a partir de diferentes posições
porque o papel difunde a luz em todas as direções, pois o papel não é uma
superfície polida. Ou seja, quando os raios luminosos incidem numa folha
de papel, a luz reflete-se em várias direções, embora com intensidades
diferentes.

Figura 70 – Diagrama de raios para a reflexão difusa da luz.

Quando a luz incide numa superfície perfeitamente polida, por exemplo


um espelho, reflete-se numa única direção. Por isso se chama reflexão
regular da luz, como se mostra na figura 71.

A saber:
Quando a luz incide numa
superfície não polida, reflete-se
em todas as direções.
Quando a luz incide numa
superfície perfeitamente polida,
reflete-se numa única direção.

Figura 71 – Diagrama de raios para a reflexão regular da luz.

114 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


É possível observar a imagem de um objeto num espelho plano.
Como se vê na figura seguinte, um raio luminoso que incide, obliquamente, num espelho plano reflete-se
numa única direção. O ângulo de incidência é o ângulo formado por um raio de onda incidente e pela normal à
superfície, no ponto de incidência e está representado por î. O ângulo de reflexão é o ângulo formado por um
raio de onda refletido e pela normal à superfície, no ponto de interseção e está representado r̂.

Figura 72 – Diagrama de raios para a reflexão da luz.

Se o raio luminoso incidir perpendicularmente à superfície refletora (î = 0°) reflete-se na mesma direção (r̂ = 0°).

Figura 73 – Reflexão da luz. Situação em que o raio incide perpendicularmente na superfície refletora.

O fenómeno da reflexão da luz obedece às seguintes leis:


– O módulo do ângulo de incidência é igual ao módulo ângulo de reflexão;
– O raio incidente, a normal no ponto de incidência e o raio refletido estão situados no mesmo plano.

Figura 74 – Verificação experimental das leis da reflexão.

Produção e Transmissão da Luz | 115


Relativamente ao som, as suas propriedades são a altura, intensidade e timbre.
A altura do som é a propriedade que permite classificar os sons em agudos e graves. A altura de um som depende
da frequência da onda sonora. Quanto maior a frequência da onda sonora, mais agudo é o som e maior a altura.
A intensidade permite distinguir sons fortes de sons fracos. A intensidade de um som é tanto maior quanto maior
for a amplitude da onda sonora.
O timbre permite distinguir sons com a mesma altura e intensidade, mas produzidos por fontes sonoras diferentes.

Quais os fenómenos que permitem explicar muitos dos sons que nos chegam ao ouvido?
Muitas vezes, estando numa sala, ouvem-se as conversas que se travam na sala ao lado sem que se vejam as
pessoas que nelas intervêm. O som pode ir de uma sala a outra através de múltiplas reflexões nas paredes ou
ao encontrar a parede, propagar-se através dela, chegando à sala do lado. Se um meio não permitir a passagem
do som, isto é, se apenas reflete ou absorve as ondas sonoras, a energia transportada pela onda refletida difere
da energia da onda incidente, pela quantidade de energia que é absorvida. Os materiais porosos, como por
exemplo reposteiros, alcatifas, fibras de vidro, absorvem consideravelmente o som. Deste modo, o som refletido
por estes materiais é pouco intenso.

Uma das aplicações das propriedades do som é o «sonar». É um instrumento auxiliar de navegação marítima que
permite determinar a profundidade ou detetar obstáculos. O princípio básico de funcionamento é a emissão de
ultrassons que se refletem num objeto, que pode ser o fundo do mar, e é detetado pelo recetor de som.

A ecografia é um método de diagnóstico que aproveita o eco para ver, em tempo real, as reflexões produzidas
pelos órgãos internos.

Figura 75 – Ecografia.

116 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


4.1 Velocidade do som e da luz em diferentes meios
As ondas sonoras precisam de um meio material para se propagarem. A velocidade de propagação depende do
meio de propagação, em particular, das condições de temperatura e pressão. No ar, à temperatura de 25 °C e à
pressão atmosférica normal, o valor de velocidade é 340 m/s. Para uma temperatura menor, esse valor diminui
ligeiramente, pois menor temperatura significa menor agitação corpuscular. Por exemplo, a 10 °C a velocidade
de propagação das ondas sonoras no ar é de 337 m/s e a 30 °C é de 350 m/s.

Figura 76 – O som propaga-se através do ar.

O som também se propaga nos líquidos. Se se nadar com os ouvidos debaixo de água consegue-se ouvir diversos
sons. A velocidade da propagação do som na água é cerca de 1500 m/s. A velocidade do som em vários outros
líquidos tem aproximadamente este valor.

Figura 77 – O som propaga-se através da água.

O som propaga-se ainda nos sólidos, mas a velocidade de propagação é muito variada. É cerca de 30 m/s para a
cortiça, cerca de 5000 m/s para o vidro e para o betão, e um pouco mais para o aço.

Figura 78 – O som propaga-se através do telefone de corda.

Produção e Transmissão da Luz | 117


O valor aproximado da velocidade do som em diversos materiais está registada na tabela seguinte.

Velocidade do som
Material
aproximada (m/s)

Borracha 54

Chumbo 1300

Ferro 5130

Vidro 5000

Água 1500

Ferro fundido 3570

Ar (T = 0 °C e Pressão
331
normal)

Ar (T = 25 °C e Pressão
340
normal)

Oxigénio (T = 0 °C) 317

Tabela 10 – Valor aproximado da velocidade do som em diversos materiais.

A diferença de velocidade de propagação do som deve-se à natureza das partículas que constituem o meio,
à capacidade destas de vibrarem e às forças que as ligam. Quanto maior for a capacidade das partículas para
vibrarem em torno das suas posições de equilíbrio, melhor se dá a transmissão do som. Meios com estas
características chamam-se meios elásticos.

Ao contrário destes, nos meios inelásticos, como são a cortiça, algodão, esferovite, as partículas têm maior
dificuldade em oscilar, sendo menor a velocidade de propagação do som. É por esta razão que se usam materiais
inelásticos no isolamento das casas.

O valor da velocidade de propagação do som, v, pode ser obtido pelo quociente entre a distância, d, e o intervalo
de tempo, ∆t, que o som demora a percorrer essa distância:

118 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Questão Resolvida

1. Muitos dos sons que nos chegam ao ouvido, no dia a dia, são sons refletidos.
Quando se fala a alguns metros de um monte ou de um edifício elevado, pode-se ouvir um som refletido
– o eco. Sabendo que o ouvido humano só distingue dois sons se estes chegarem com um intervalo de
tempo de, pelo menos 0,1 s, determine a distância mínima ao obstáculo para se verificar a ocorrência
de eco.
Resolução:
1. Considerando no ar, à temperatura de 25 °C e à pressão atmosférica normal, o valor de velocidade de
propagação de uma onda sonora igual a 340 m/s, a distância total que o som percorre é:
dtotal = var × ∆t = 340 × 0,1 = 34 m.
Como o eco se deve à reflexão do som, a distância entre a fonte sonora e a superfície refletora é metade
da distância total que o som percorre no ar. Então, a distância mínima à qual a superfície de reflexão do
som se deve situar para que ocorra eco é de 17 m.

Como se estudou na Unidade A, as ondas eletromagnéticas têm origem e comportamento diferente das ondas
mecânicas. No entanto, tal como as ondas sonoras, a velocidade de propagação daquelas depende do meio, e
podem ser caracterizadas pela sua frequência.

Por que motivo a luz se pode desviar quando muda de meio ótico?
Na passagem do ar para o vidro, a luz sofre refração. A figura 79 ilustra a trajetória de raios luminosos que
passam através de uma lâmina de vidro.
Se a radiação incide obliquamente, observa-se que muda de direção quando passa do ar para o vidro. A mudança
de direção dos raios luminosos deve-se ao facto de a velocidade de propagação da radiação no ar ser diferente
da velocidade de propagação no vidro.

Figura 79 – Reflexão e refração da luz.

Produção e Transmissão da Luz | 119


Resumo

• Uma onda é uma perturbação oscilante de alguma grandeza física.


• Uma onda pode ser classificada, quanto à sua origem, em mecânica ou eletromagnética.
• Uma onda pode ser classificada, tendo em conta a direção de oscilação, em longitudinal ou transversal.
• As ondas longitudinais são aquelas em que a vibração ocorre na mesma direção do movimento.
• As ondas transversais são aquelas em que a vibração é perpendicular à direção de propagação da onda.
• A reflexão da luz é difusa quando incide numa superfície não polida e é regular quando incide numa
superfície polida.
• As velocidades de propagação do som e da luz dependem das características do meio em que
se propagam.
• A reflexão ocorre quando uma onda incide na superfície de separação de dois meios e parte da energia
que transportava volta ao meio onde inicialmente se propagava.

120 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Questões para Resolver

1. Considere um movimento ondulatório descrito pela função x(t) = 10 sen (2 π 40 t) (m).


Indique:
1.1. A amplitude do movimento.
1.2. A frequência angular.
Calcule:
1.3. A frequência de oscilação.
1.4. O período de oscilação.
1.5. A frequência do sinal passados 10 s.

2. Um sonar envia um sinal que é refletido no fundo do mar. O tempo entre a sua emissão e a receção é de
5 s. Sabendo que a velocidade de propagação do som na água do mar é 1500 m·s⁻¹, calcule a profundidade.

3. A figura representa duas ondas


sonoras que se propagam no ar.
Sabendo que a onda A tem um
período de 0,5 s, calcule:
3.1. A relação entre os períodos das
duas ondas.
3.2. A relação entre as frequências
das duas ondas.
3.3. A relação entre o comprimento
de onda das duas ondas.

4. O Ximenes ouviu um trovão, 5 s após um relâmpago. Calcule a distância a que se encontra da trovoada.

5. As ondas sonoras representadas na


figura propagam-se no ar. Calcule:
5.1. A razão entre as amplitudes das
duas ondas sonoras.
5.2. A razão entre as frequências das
duas ondas sonoras.

Produção e Transmissão da Luz | 121


C-1 Ótica Geométrica
1 Fenómenos óticos
Christiaan Huygens, matemático, astrónomo e físico holandês nascido em
1629, em Haia, foi um dos primeiros cientistas a apresentar um modelo
para explicar os fenómenos de reflexão e refração. Huygens considerou
que a luz se comportava como uma onda, princípio segundo o qual se pode
considerar cada ponto como o ponto de partida de uma onda esférica,
sendo a frente de onda o resultado da sua sobreposição, como se mostra
na figura 80. Estas ondas elementares interferem umas com as outras e
o resultado de todas estas interferências é a nova frente de onda num
instante posterior. No início do século XIX, a natureza ondulatória da luz
ganhou novo fôlego com os estudos do inglês Thomas Young (1773-1829)
e do francês Augustin Fresnel (1788-1827). O escocês James Clerk Maxwell
Christiaan Huygens (1629-1695) (1831-1879), tendo por base resultados experimentais, identificou a luz
como uma onda eletromagnética, que ocupava uma pequena porção do
espetro eletromagnético global.
Embora se considere a luz e toda a radiação eletromagnética como
fenómenos ondulatórios, este não foi, nem é, o único ponto de vista
possível.
Isaac Newton optou por um modelo diferente e considerou que a luz era
constituída por partículas, ou corpúsculos, que eram lançados pelas fontes
luminosas. Os diagramas A e B da figura 81 mostram como o fenómeno
da reflexão pode ser interpretado utilizando o modelo ondulatório de
Huygens e o modelo corpuscular de Newton.

Figura 80 – Cada um dos pontos da frente


da onda comporta-se como um emissor.

Figura 81 – A reflexão da luz numa superfície polida: (A) modelo ondulatório; (B) modelo
corpuscular.

122 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


O modelo de raios teve um sucesso tal na interpretação da formação de imagens utilizando espelhos e lentes que
fez esquecer, durante muitos anos, que a luz poderia ser encarada como uma onda. Compreende-se facilmente,
observando o diagrama da figura 82 que, ao fazer incidir um feixe de raios luminosos paralelos entre si num
espelho côncavo, estes vão convergir. Isto pode também ser feito utilizando um modelo de ondas, mas torna-se
bastante mais complexo.

Figura 82 – Reflexão num espelho curvo côncavo.

No século XX, os trabalhos de Albert Einstein (1879-1955) estabeleceram que a luz tem natureza ondulatória e
corpuscular. Assim se designa dualidade onda-partícula.

1.1 Propagação retilínea da luz


O princípio de Huygens corresponde a uma realidade física. Se, numa tina com água, se introduzir uma ponta
metálica fina com vibração vertical, observa-se que à superfície da água se formam ondas circulares. Se se
introduzir um conjunto de pontas metálicas infinitamente próximas umas das outras, com vibração vertical em
simultâneo e em fase, observa-se, sobre a água, frentes de ondas planas como resultado da interferência das
ondas circulares originadas em pontos próximos. Colocando, na direção de propagação da onda, uma plataforma
com um orifício tão pequeno que se possa considerar pontual, pode observar-se que quase todas as ondas
elementares originadas pelas pontas metálicas são absorvidas ou refletidas pelo obstáculo e apenas a onda
elementar originada no ponto situado em frente ao orifício pontual se continua a propagar para lá do obstáculo,
como se mostra na figura 83.

Figura 83 – Difração. Representação esquemática, da interação de uma onda com uma plataforma que permite apenas a propagação da
onda elementar.

Ótica Geométrica | 123


Se as dimensões do orifício forem da ordem de grandeza do comprimento
Nota: de onda, observa-se uma onda plana em frente ao orifício, resultado da
Quando duas partículas se interferência de um pequeno número de ondas elementares. Contudo,
encontram na mesma posição
relativamente ao equilíbrio, junto aos bordos do orifício, verifica-se que a frente de onda encurva como
diz‑se que estão em fase.
se a onda contornasse os bordos do orifício, deixando de se propagar
retilineamente, como se ilustra na figura 84. Este fenómeno denomina‑se
difração e corresponde à possibilidade de uma onda contornar um
obstáculo, penetrando na zona de sombra.

A saber:
A difração explica a possibilidade
de uma onda contornar um
obstáculo, penetrando na zona
de sombra.

Figura 84 – Difração. Representação esquemática, da interação de uma onda com uma


plataforma com um orifício de comprimento da ordem de grandeza do comprimento de
onda.

Se se aumentar as dimensões do orifício, d, de modo que passe a ser muito


maior que λ, d >> λ, o efeito de difração praticamente não se observa.
A onda continua a propagar-se para lá do obstáculo, com as mesmas
características que tinha antes de o atingir, isto é em linha reta.
A luz visível tem comprimentos de onda entre cerca de 380 nm e 700 nm.
Nota: Como a maioria dos objetos que se conseguem ver, têm dimensões muito
No caso do som, onde o superiores a 700 nm, a luz visível propaga-se em linha reta em relação a
comprimento de onda varia
aproximadamente entre os 2 cm estes. Estamos na situação d >> λ.
e os 20 m, a difração nota-se
facilmente para a maioria dos
objetos.
Nestas condições, usa-se o conceito de raio luminoso, definido como
a perpendicular à frente de onda que se propaga, e que representa a
direção de propagação da luz.

O conjunto dos raios luminosos provenientes de uma mesma fonte


denomina-se feixe luminoso. Tendo em conta o modo de propagação, os
feixes luminosos podem classificar-se em:
Paralelos – o feixe de luz propaga-se sempre com os raios paralelos
entre si;

124 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Convergentes – o feixe de luz converge num ponto;
Divergentes – o feixe de luz diverge a partir de um ponto da fonte.

Figura 85 – Feixes luminosos – paralelos, convergentes e divergentes.

A luz atravessa todos os meios materiais?


Meios como o vidro, a água límpida e o ar são alguns dos exemplos de
meios onde a luz não se difunde. Quando olhamos através deles vemos os
objetos que estão do outro lado. Estes meios designam-se transparentes.
Nos meios em que a luz se difunde e não se consegue ver com nitidez os
objetos que estão do outro lado, os meios designam-se translúcidos.
Quando os meios não se deixam atravessar pela luz designam-se por
opacos.

1.2 Sombra, penumbra e eclipses


Na ausência de difração, a luz visível propaga-se retilineamente. Este
facto comprova-se através das sombras bem definidas de objetos opacos
colocados no trajeto dos raios luminosos, o que mostra que a luz não
ilumina as zonas colocadas diretamente atrás dos obstáculos, como
aconteceria se houvesse desvios à propagação retilínea.
Quando a fonte de luz se encontra muito próxima do objeto opaco ou é
muito grande em relação ao objeto, como se mostra na figura 86, para
além de uma zona de sombra irá formar-se uma zona de penumbra.
A sombra é totalmente escura porque não recebe luz nenhuma, isto é, da
zona de sombra não se vê a fonte de luz.
Figura 86 – Zonas de sombra e de
A penumbra não é totalmente escura, apresenta uma claridade variável, penumbra.
sendo possível da zona de penumbra observar-se uma parte da fonte
luminosa.

Este fenómeno, formação de zonas de sombra e ou zonas de penumbra, A saber:


é observável na Terra aquando da ocorrência de eclipses do Sol e da Lua. Chama-se eclipse à ocultação
parcial ou total de um astro por
Estes eclipses só ocorrem quando os três astros, Sol, que é a fonte de luz, interposição de outro.
Terra e Lua, ficam perfeitamente alinhados.

Ótica Geométrica | 125


O eclipse do Sol ocorre quando a Lua está entre a Terra e o Sol. Nos locais da Terra onde se projeta a sombra da
Lua, diz-se que o eclipse do Sol é total. Nas zonas de penumbra o eclipse do Sol diz-se parcial.

Figura 87 – Eclipse do Sol, representado esquematicamente.

O eclipse da Lua ocorre quando a Terra está entre o Sol e a Lua. Esta, ao passar na zona de sombra da Terra, deixa
de se ver, originando o eclipse total da Lua. Se apenas uma parte da Lua fica na zona de sombra resulta o eclipse
parcial da Lua.

Figura 88 – Eclipse da Lua, representado esquematicamente.


(1) Eclipse Total: Lua totalmente no interior do cone de sombra.
(2) Eclipse Parcial: Lua parcialmente no interior do cone de sombra.

1.3 Reflexão e Refração. Lei de Snell-Descartes


Como se comporta um feixe de luz quando incide num vidro?
Quando um raio luminoso atinge a superfície que separa dois meios, como se mostra na figura 89, parte da
energia luminosa é refletida e parte penetra no segundo meio.

A parte da luz refletida obedece às Leis da Reflexão isto é, o raio refletido está no plano de incidência e faz um
ângulo com a normal que é igual em módulo ao ângulo de incidência,|r̂|= |î|.

126 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Figura 89 – Diagrama de raios em que um raio luminoso atinge a superfície que separa dois meios diferentes.

Quando a onda atravessa a superfície que separa os dois meios e o valor da velocidade de propagação da onda
diminui, o módulo do ângulo de refração é menor que o módulo do ângulo de incidência, isto é, o raio refratado
aproxima-se da normal.

Snell e Descartes estabeleceram uma relação entre os senos dos ângulos de incidência e os senos dos ângulos de
refração. Verificaram que o quociente é sempre constante,

onde î é o ângulo de incidência, que é o ângulo formado por um raio de onda incidente e pela normal à fronteira,
no ponto de incidência, e θ̂ o ângulo de refração que é o ângulo formado por um raio de onda refratada e pela
normal à fronteira, no ponto de interseção.
O exemplo apresentado na figura 90 (A, B, C) ilustra a relação entre os senos dos ângulos de incidência e de
refração. Nesta figura, por simplicidade, não se representa o raio refletido.

Figura 90 – Relação entre os senos dos ângulos de incidência e refração.

Ótica Geométrica | 127


A constante de proporcionalidade designa-se por índice de refração de um meio em relação ao outro.
Define-se índice de refração absoluto de um material, n, como o quociente entre a velocidade de propagação da
radiação no vácuo, c, e a velocidade da radiação nesse material, v, isto é

No vidro, a velocidade de propagação é aproximadamente, 2 × 10⁸ m/s. Então, o índice de refração do vidro em
relação ao ar é

O ar é um meio ótico menos denso, ou menos refringente. O vidro é um meio ótico mais denso, ou mais
refringente.
Em geral, substâncias mais densas têm um valor para o índice de refração superior.

O fenómeno da refração da luz obedece à Lei de Snell-Decartes:


– O raio incidente, a normal no ponto de incidência e o raio refratado, encontram-se no mesmo plano;
– A razão entre o seno do ângulo de incidência, î, e o seno do ângulo de refração, θ̂, é constante, e igual à
razão dos índices de refração:

A tabela 11 mostra o índice de refração de alguns materiais em relação ao vácuo. Note-se que estes valores
dependem da temperatura.

Material Índice de refração, n

Ar 1,003

Água 1,33

Água do mar 1,34

Gelo 1,31

Vidro 1,5 - 2,0

Diamante 2,42

Tabela 11 – Índice de refração de vários materiais.

128 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


1.4 Reflexão total. Ângulo crítico
O que sucede à trajetória de um raio luminoso que passe de um
meio oticamente mais denso para um menos denso?
Quando um raio luminoso, não perpendicular à superfície, passa de um
meio com maior índice de refração para um meio de menor índice de
refração, o raio refratado afasta-se da normal. À medida que o ângulo de
incidência aumenta, o ângulo de refração também aumenta, até que seja
atingido um ângulo de incidência, designado por ângulo crítico ou ângulo
limite, θcrítico, para o qual o ângulo de refração é 90°.
Para ângulos de incidência maiores do que este ângulo crítico, toda
a energia é refletida, isto é, não ocorre a refração. Este fenómeno é
denominado de reflexão total.

Figura 91 – Diagrama de raios para a difração, mostrando o ângulo crítico.

Na situação A, para um determinado valor do ângulo de incidência,


ocorrem os fenómenos de reflexão e da refração da luz.
Na situação B, para um valor do ângulo de incidência igual ao chamado
ângulo crítico, o módulo do ângulo de refração é 90°, emergindo então a
luz rasante à superfície de separação, no ponto de incidência.
Na situação C, quando o valor do ângulo de incidência é superior ao valor
do ângulo crítico, não ocorre o fenómeno da refração da luz. Toda a luz
se reflete.
Tendo em conta as Leis de Snell-Descartes, obtém-se:
n₁ sen θc = n₂ sen 90°
A saber:
O valor do ângulo crítico
pelo que, depende dos meios óticos em
causa, ou seja da velocidade de
propagação nesses meios.

Ótica Geométrica | 129


A tabela 12 indica o valor do ângulo crítico de alguns materiais.

Material Ângulo crítico, θc

Água 49°

Plástico acrílico 42°

Vidro 42°

Diamante 24°

Tabela 12 – Ângulo crítico de alguns materiais.

A reflexão total é utilizada em vários sistemas óticos. Por exemplo, nos periscópios dos submarinos, nos
binóculos e nas máquinas fotográficas, utilizam-se prismas triangulares isósceles como dispositivos refletores.
As fibras óticas aplicadas nas telecomunicações e na medicina, são outro exemplo de dispositivos onde se aplica
a reflexão total.

Questões Resolvidas

1. A figura representa um diamante na superfície do qual incide um raio luminoso.


1.1. Efetue a legenda da figura.
1.2. Indique qual dos meios é oticamente mais denso.
1.3. Sabendo que o valor do ângulo definido por (1) é 30° e tendo em
conta os valores apresentados na tabela, determine:
a. O valor do ângulo definido por (2).
b. O valor do ângulo que o raio D faz com a normal.
Resolução:
1.1.
A – Raio incidente.
B – Raio refletido.
C – Raio refrato.
D – Raio emergente.
(1) – Ângulo de incidência.
(2) – Ângulo de refração.

130 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


1.2. O diamante é o meio ótico mais denso.
1.3.
a. Tendo em conta os valores apresentados na tabela 11, e que a razão entre o seno do ângulo de incidência
e o seno do ângulo de refração é constante e depende das características óticas dos dois meios,

Como
nar = 1,003 e ndiamante = 2,42, obtém-se

O valor do ângulo definido por (2) é tal que sen (2) = 0,207, ou seja (2) = 11,95°.

b. Tendo em conta os valores apresentados na tabela 11 e que a razão entre o seno do ângulo de incidência
e o seno do ângulo de refração é constante e depende das características óticas dos dois meios,

Como
nar = 1,003 e ndiamante = 2,42, obtém-se

O valor do ângulo definido por (3) é tal que sen (3) = 0,5, ou seja (3) = 30°.

2. Um raio luminoso passa do vidro para o ar. Sabendo que nvidro = 1,5 e nar = 1,0, calcule o o ângulo critico
do vidro.
Resolução:
2. A partir da lei de Snell-Descartes, obtém-se:
nvidro sen î = nar × sen θ̂
Então:
1,5 sen θc = 1,0 sen 90°

sen θc = 42°
O valor do ângulo crítico do vidro é de 42°.

Ótica Geométrica | 131


2 Aplicações
Como se viu, o comprimento de onda da luz é muito pequeno em
comparação com a dimensão da maioria dos objetos, e portanto a
difração pode ser ignorada no caso das ondas luminosas. A aproximação
da propagação da luz em linha reta, pode ser utilizada.

2.1 Lentes
Os fenómenos descritos, nomeadamente a refração e a reflexão da luz,
são utilizados em inúmeras aplicações. Por exemplo, nas lentes, nos
espelhos e nas fibras óticas.

2.1.1 Tipos de lentes
Pode-se ter seis tipos de lentes esféricas, limitadas por superfícies
designadas por dioptros, que podem ser esféricos, ou esféricos e planos.
Olhando para o perfil dessas lentes, verifica-se que estas se agrupam em
dois conjuntos.
Nota: – Lentes convergentes ou de bordos delgados. São lentes que
Para simplificar, convencionou‑se possuem bordos delgados e têm maior espessura no centro;
representar as lentes pelos
símbolos: – Lentes divergentes ou de bordos largos. São lentes que possuem
bordos mais espessos do que no centro.

divergente convergente

Figura 92 – Lentes convergentes e divergentes.

Os nomes das lentes são, usualmente, associados às faces.


– O prefixo bi (bicôncava ou biconvexa) é utilizado sempre que as
faces tiverem nomes iguais;
– Se uma face for plana, o nome plano vem em primeiro lugar,
(plano‑côncava e plano-convexa);
– Para as restantes lentes, a face que apresentar maior raio de
curvatura cita-se em primeiro lugar e em seguida a de menor
curvatura.

132 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Quais os elementos de uma lente esférica?

Elementos de uma lente esférica

Figura 93 – Elementos de uma lente esférica.

2.1.2 Distância focal e vergência

Como se comportam raios luminosos paralelos ao eixo principal ao passar por uma lente
convergente? E por uma lente divergente?
Os raios luminosos paralelos ao eixo principal da lente sobre a qual incidem podem ser desviados, convergindo
para o eixo principal ou divergindo dele. Isso depende da forma das lentes e do índice de refração do meio onde
elas se encontram.
A distância focal de uma lente fina, f, é a distância entre o foco e a lente.

Figura 94 – Distância focal para lentes convergentes e divergentes.

Ótica Geométrica | 133


Como se forma uma imagem por uma lente fina?
A imagem de um ponto, O', pode ser determinada pelo cruzamento de raios que, partindo desse ponto,
atravessam a lente, como se mostra na figura 95.
– Um raio que incide paralelo ao eixo principal, refrata-se passando pelo foco F', raio 1.
– Um raio que incide passando pelo centro ótico da lente C, não sofre desvio, raio 2.
– Um raio que incide passando pelo foco F, refrata-se paralelo ao eixo principal, raio 3.
Estes raios cruzam-se num ponto, I', que é a imagem do ponto O'.

Figura 95 – Construção de imagens em lente convergente (A) e em lente divergente (B).

De uma forma geral tem-se:


– Distâncias focais de lentes convergentes são positivas e de divergentes negativas;
– Distâncias de objetos e imagens reais são positivas e de objetos e imagens virtuais são negativas;
– Imagem direita é positiva e imagem invertida, negativa.

Considere-se a figura 96, onde um ponto P está situado a uma distância so (maior que a distância focal) de uma
lente fina convergente. A imagem P´ é determinada pelo cruzamento de pelo menos dois raios que, partindo de
P, atravessam a lente.

Figura 96 – Esquema para a obtenção da imagem de um ponto.

134 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


A equação de conjugação objeto-imagem que relaciona a distância si a que se forma a imagem (em relação à
lente) com a distância focal f e a distância do objeto à lente so é dada por:

A razão entre as dimensões transversais da imagem e do objeto é designada por ampliação transversal, MT, é
então

Onde h e h´ representam as alturas do objeto e da imagem, respetivamente.

A grandeza 1/f é designada por potência da lente ou vergência, C. Isto é, .


Para lentes convergentes C > 0, e para lentes divergentes C < 0.
Utiliza-se para unidade de vergência a dioptria (di). Uma dioptria é a unidade associada à distância focal de um

metro. Portanto, .

Questão Resolvida

1. Considere duas lentes, uma de 3,0 dioptrias e outra de 5,0 dioptrias. Qual delas é mais convergente?
Resolução:

1. Para a lente de 3,0 dioptrias, C = 3,0 e , logo f = 0,33 m.

Para a lente de 5,0 dioptrias, C = 5,0 e , logo f = 0,20 m.


A lente de 5,0 dioptrias é mais convergente, pois tem menor distância focal.

Quais as características das imagens obtidas com lentes convergentes e divergentes?


As características das imagens obtidas por uma lente dependem da posição do objeto em relação à lente.
As imagens podem ser classificadas tendo em conta a sua natureza, tamanho e orientação.
Quanto à sua natureza podem classificar-se em imagens reais, que são aquelas em que a luz realmente converge
ou em imagens virtuais, quando são locais de onde a luz parece ter convergido.
Quanto ao tamanho, as imagens podem ser menores, maiores ou do mesmo tamanho que o objeto.
Quanto à sua orientação, as imagens podem ser classificadas em imagens direitas ou invertidas, que têm em
conta a sua posição em relação ao eixo ótico.
A tabela seguinte apresenta as características das imagens obtidas para vários tipos de lentes.

Ótica Geométrica | 135


Tipo de lente Posição do objeto em relação à lente Características da imagem

– Real
Convergente – Invertida
– Menor do que o objeto

Objeto para lá da dupla distância focal

– Real
Convergente – Invertida
– Do mesmo tamanho que o objeto

Objeto no centro de curvatura

– Real
Convergente – Invertida
– Maior do que o objeto

Objeto entre o foco e a dupla distância


focal

– Carateristicas indeterminadas, a
Convergente
imagem forma-se no infinito

Objeto no foco

– Virtual
Convergente – Direita
– Maior do que o objeto

Objeto entre a lente e o foco

– Virtual
Divergente – Direita
– Menor do que o objeto

Objeto em qualquer posição


Tabela 13 – Características das imagens obtidas para cada tipo de lente em função da posição do objeto.

136 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


2.1.3 Constituição do olho humano e correção dos seus defeitos
O olho humano, igualmente denominado globo ocular, é o órgão responsável pela visão nos seres humanos.

Como é constituído o olho humano? Como funciona o olho humano?

Figura 97 – Constituição do olho humano.

O olho humano é formado por três camadas concêntricas e composto por uma série de estruturas que controlam
a passagem dos raios luminosos provenientes do exterior, com vista a projetá-los sobre uma membrana sensível
aos estímulos luminosos, onde são formadas as imagens posteriormente elaboradas pelo cérebro.
A camada externa do olho é constituída por duas estruturas: a esclerótica e a córnea. A esclerótica, de aspeto
branco, opaco e duro, está localizada na parte interna do olho, e a córnea, de aspeto transparente, encontra-se
situada na parede externa do olho.
A íris é uma membrana que se situa na camada média do olho, e a sua cor varia de pessoa para pessoa. É
constituída por um anel de músculos que controlam a abertura da pupila.
A pupila é uma abertura circular que se localiza atrás da córnea, percetível desde o exterior como um ponto de
cor negra, que regula a passagem dos raios luminosos até ao fundo do olho.
Logo atrás da pupila encontra-se o cristalino cuja contração altera a curvatura da lente, de modo a possibilitar a
incidência dos raios luminosos sobre a retina. Assim, quando o objeto varia a sua distância em relação à lente,
a imagem continua a formar-se sobre a retina. Este mecanismo de ajuste da imagem sobre a retina é designado
por acomodação visual. Graças à acomodação visual, as imagens dos objetos situados a diferentes distâncias
situam-se sempre sobre a retina.
A retina é uma membrana situada na camada interna do olho, responsável pela formação de imagens, ou seja,
pela captação delas. É na retina que se situam as células fotossensíveis que, quando excitadas pela luz, estimulam
as células nervosas adjacentes, provocando um impulso nervoso que se propaga pelo nervo ótico, que, por sua
vez, o leva ao cérebro.

Ótica Geométrica | 137


Figura 98 – A imagem formada no olho é invertida e menor que o objeto. A quantidade de luz que pode atravessar a córnea é
controlada pela pupila. A luz que atravessa a córnea é focada pelo cristalino, focando as imagens dos objetos na retina.

Defeitos de visão
A maioria dos defeitos de visão humana deve-se a anomalias de focagem da luz na retina, sendo consideradas
anomalias refrativas. As anomalias refrativas mais comuns são a miopia e a hipermetropia.

Miopia
A miopia, é um erro refrativo que ocorre quando o globo ocular é mais longo do que o normal ou o cristalino é
demasiado convergente, o que faz com que os raios de luz sejam focados muito antes da retina.

Figura 99 – Na miopia a imagem dos objetos distantes é focada à frente da retina e não sobre ela.

Uma pessoa míope vê mal ao longe e vê bem ao perto. Os objetos próximos, dentro da zona de acomodação, são
vistos com nítidez, mas os objetos distantes ficam embaçados e difíceis de distinguir.

Hipermetropia
Na hipermetropia, a focagem da imagem dos objetos é feita após a retina. Isto acontece principalmente porque
o globo ocular do hipermetrope é um pouco menor do que o normal, ou a córnea ou o cristalino têm alterações
no seu formato que diminuem o seu poder refrativo. Uma pessoa hipermetrope vê geralmente mal ao perto e
vê bem ao longe.

Figura 100 – Na hipermetropia a imagem dos objetos é focada após a retina e não sobre ela.

138 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Correção dos defeitos de visão

Figura 101 – Olho normal, olho míope e olho míope corrigido.

Para corrigir a miopia são usadas lentes divergentes. Os raios de luz divergem depois de passar a lente e, assim,
a convergência feita pelo olho permite obter a imagem dos objetos na retina.

A hipermetropia corrige-se com uma lente convergente, que recoloca a imagem sobre a retina. O défice na
convergência dos raios de luz pelo olho é compensado pela lente.

Figura 102 – Olho hipermetrope e olho hipermetrope corrigido.

Ótica Geométrica | 139


2.1.4 Instrumentos óticos: lupa, microscópio e telescópio
Os instrumentos óticos têm como objetivo permitir ver os objetos mais
Nota: distintamente do que à vista desarmada. Assim, para ver objetos muito
Para se ver os objetos pequenos ou muito distantes, temos de utilizar instrumentos óticos que
distintamente, as dimensões das
imagens, formadas na retina, permitam dar uma imagem intermédia que irá funcionar como objeto
devem ser iguais ou superiores para o olho.
à distância média entre células
sensoriais, 0,005 mm. – Quando se tenta ver objetos muito pequenos usam-se instrumentos
como a lupa ou o microscópio, por exemplo, que permitem aumentar
os objetos.
A lupa é o instrumento ótico mais simples, constituído por uma lente
fina, convergente. Utiliza-se geralmente, colocando-a próxima dos nossos
olhos, com o objeto situado entre ela e o foco. A imagem deste objeto é,
como mostra a figura 104, direita, virtual e maior que o objeto.

Figura 103 – Lupa.

Figura 104 – Obtenção de imagem com a lupa.

O microscópio permite observar objetos com dimensões muito menores.


Baseia-se num sistema de lentes, objetiva e ocular, montadas num tubo.
O papel da objetiva é o de formar uma imagem amplificada do objeto real,
a qual vai servir de objeto para a ocular, como mostra a figura 106.
A ampliação do microscópio é igual ao produto das ampliações da objetiva
pela da ocular.
Ampliação total = ampliação objetiva × ampliação ocular
Figura 105 – Microscópio.

140 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


A imagem fornecida pelo microscópio ótico é ampliada, invertida e
virtual. A objetiva fornece uma imagem ampliada, invertida e real (I₁). A
ocular atua sobre a imagem obtida pela objetiva fornecendo um imagem
ampliada, direita relativamente a I₁ e virtual (I₂).

Figura 106 – Formação da imagem num microscópio.

– Quando se tenta ver objetos muito distantes usam-se instrumentos


telescópicos que permitem formar imagens mais próximas do
observador.
O telescópio usa-se frequentemente nas observações astronómicas.
A grande amplificação é conseguida pela conjugação de um espelho
parabólico montado numa extremidade de um tubo, e um espelho plano
no interior do tubo. O espelho curvo dá uma imagem real, do objeto,
que serve de objeto para o espelho plano. O observador vê a imagem
amplificada formada no espelho plano através de uma lente, que funciona
como lupa.

Figura 107 – Telescópio.


2.2 Espelhos
Um espelho é uma superfície polida que reflete, regularmente, a luz. Os
espelhos podem ser planos ou curvos.

2.2.1 Espelhos planos
Caraterísticas da imagem num espelho plano:
– Tem o mesmo tamanho do objeto;
– É simétrica em relação ao plano definido pelo espelho;
– A distância do objeto ao espelho é igual a distância da imagem ao
espelho;
– É direita;
– É virtual pois não se consegue projetar num alvo, parecendo estar
atrás do espelho.

Ótica Geométrica | 141


Questão Resolvida

1. Um raio luminoso incide na superfície de um espelho plano, fazendo um


ângulo de 70° com o raio refletido. Determine o valor do ângulo de reflexão.
Resposta:
1. O valor do ângulo é 35°.

2.2.2 Espelhos esféricos
A superfície refletora dos espelhos curvos é curva. A forma desta pode ser cilíndrica, parabólica ou esférica.
Os espelhos esféricos são calotes esféricas polidas, podendo ser convergentes ou divergentes. Um espelho
considera-se convergente sempre que a curvatura vista pelo raio incidente é côncava e divergente quando a
curvatura vista pelo raio incidente é convexa.
A aplicação dos espelhos côncavos vai desde os faróis de automóveis ou dos motociclos, aos espelhos
dos telescópios.
Os espelhos convexos podem ser encontrados nos retrovisores dos automóveis, nos espelhos de cruzamentos de
algumas ruas e espelhos de segurança de supermercados.

Figura 108 – Definição de superfície côncava e convexa.

À semelhança das lentes, ocorre formação de imagens virtuais ou reais. Contudo, nos espelhos só ocorre reflexão,
sendo necessário alterar a convenção dos sinais, das distâncias e dos raios de curvatura envolvidos. O referencial
será o vértice do espelho ou seja as distâncias imagem, objeto e focal serão medidas a partir do vértice. As
distâncias medidas a favor da luz incidente são positivas e contra são negativas. Esta convenção é válida para
espelhos esféricos côncavos e convexos.

De uma forma geral tem-se:


– Raios de curvatura e distâncias focais de espelhos côncavos são positivos e de espelhos convexos negativos;
– Distâncias de objetos e imagens reais são positivas e de objetos e imagens virtuais negativas;
– Imagem direita é positiva e invertida negativa.

142 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Quais os elementos de um espelho esférico?

C – Centro de curvatura
V – Vértice do espelho
Eixo principal do espelho – Reta que passa pelo centro de curvatura e vértice do espelho
R – Raio de curvatura do espelho
F – Foco do espelho

Figura 109 – Elementos de um espelho esférico: a) côncavo; b) convexo.

Para se determinar a localização do foco do espelho basta considerar raios que incidam provenientes de um
objeto situado no infinito. Estes raios são paralelos e, quando refletidos, passam pelo foco. Observe-se que
o foco para espelho esférico convexo é obtido na interseção dos prolongamentos dos raios refletidos com o
eixo principal.
Fisicamente o foco seria onde estaria localizada a imagem de um objeto situado no infinito. Geometricamente
pode-se verificar que a distância focal é igual à metade do raio de curvatura.

Como se formam as imagens num espelho esférico?


As leis da reflexão da luz também se verificam nos espelhos esféricos, côncavos e convexos.

Figura 110 – Construção de imagens: a) espelho esférico côncavo; b) espelho esférico convexo.

Ótica Geométrica | 143


São utilizados quatro raios básicos para a construção de imagens:
– O raio que incide paralelo ao eixo principal, reflete-se passando pelo foco;
– O raio que incide passando pelo foco, reflete-se paralelo ao eixo principal;
– O raio que incide passando pelo centro de curvatura, reflete-se sobre si mesmo;
– O raio que incide sobre o vértice formando um ângulo, reflete-se com o mesmo ângulo.

Considere-se um espelho esférico, de raio R, cuja curvatura, vista pelo raio incidente é côncava, e um objeto de
altura h localizado a uma distância s0 do vértice, além do centro de curvatura, como apresentado na figura 111.
A imagem formada localiza-se a uma distância si do espelho e tem altura h’.

Figura 111 – Formação de imagem em espelho côncavo.

A equação de Gauss relaciona a distância objeto, so, a distância imagem, si, e a distância focal, f. É dada
pela expressão:

A amplificação linear é definida como a razão ou .

144 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Tipo de espelho Posição do objeto em relação à lente Características da imagem

– Virtual
Convexo – Direita
– Menor do que o objeto

Qualquer

– Real
Côncavo – Invertida
– Menor do que o objeto

Além do centro de curvatura

– Real
Côncavo – Invertida
– Do mesmo tamanho do objeto

No centro de curvatura

– Real
Côncavo – Invertida
– Maior do que o objeto

Entre o centro de curvatura e o foco

– Carateristicas indeterminadas, a
Côncavo
imagem forma-se no infinito

No foco

– Virtual
Côncavo – Direita
– Maior do que o objeto

Entre o foco e o vértice


Tabela 14 – Características das imagens formadas em espelhos esféricos.

Ótica Geométrica | 145


2.3 Fibras óticas
O fenómeno da reflexão total da luz aplica-se também nas fibras óticas, que são constituídas por longos tubos
feitos de um material flexível.

Figura 112 – Fibra ótica.

A luz incidente numa das extremidades da fibra ótica experimenta uma sucessão de reflexões totais, sendo
canalizada até à outra extremidade.

As fibras óticas são constituídas por um núcleo, de maior índice de refração, e por um revestimento, de menor
índice de refração. São extremamente finas, pois o diâmetro do núcleo, através do qual a luz se propaga, varia
entre 10 µm e 200 µm.

Figura 113 – A fibra ótica baseia o seu funcionamento na reflexão total.

As fibras óticas são utilizadas na Medicina, nomeadamente nos endoscópios, como o da figura 114, e permitem
fotografar e observar o interior do corpo humano. Transportam a luz até ao órgão interno que se pretende
examinar e fazem parte dos sistemas óticos destinados a trazer para o exterior a imagem do órgão iluminado.
Hoje, as fibras óticas estão sobretudo a ser desenvolvidas e utilizadas na transmissão de informação. São um
meio privilegiado para a transmissão de grande fluxo de sinais, sob a forma de impulsos luminosos, quer sejam
dados de computador, conversas telefónicas ou emissões de televisão.

Figura 114 – Endoscópio.

146 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Atividade Prático-Laboratorial
APL C-1.1: Características das imagens em espelhos

Questão-problema: Os espelhos, planos e curvos, têm utilidade no nosso dia a dia?


Objetivo: Verificar experimentalmente as leis da reflexão e as caraterísticas das imagens.

Questões pré-laboratoriais:
1. Identifique algumas aplicações dos espelhos no dia a dia.
2. Como vemos os objetos refletidos pelos diferentes tipos de espelhos?

Recursos:
• Placa de vidro
• Régua
• Plasticina
• Ecrã (cartão branco)
• 2 Lamparinas iguais
• Banco de ótica
• Espelho côncavo f = +25 cm
• Vela
• Fósforos
• Alvo
• Espelho convexo f = −25 cm
• Fita métrica

Procedimento:
1. Fixe a placa de vidro perpendicularmente a uma folha de papel.
2. Coloque uma lamparina a uma certa distância da placa de vidro. Aproxime e afaste a lamparina,
procurando projetar a imagem da lamparina.
3. Acenda a lamparina.
4. Coloque a lamparina apagada do outro lado do vidro, de modo a parecer coincidir com a imagem vista
atrás do vidro.
5. Registe as características da imagem obtida.

Ótica Geométrica | 147


6. Efetue a montagem mostrada na figura seguinte.

7. Realize 4 ensaios, colocando a vela a diferentes distâncias do espelho e, em cada ensaio desloque
a posição do alvo até encontrar uma imagem nítida da chama projetada no alvo. Caso não observe a
imagem no alvo, olhe diretamente para o espelho.
8. Registe, em cada caso, a posição e o tamanho da imagem em relação ao objeto.
9. Substitua o espelho côncavo pelo espelho convexo e proceda da mesma forma.

Questões pós-laboratoriais:
1. Qual a relação entre as distâncias da lamparina e da sua imagem à placa de vidro?
2. Qual é a relação entre o tamanho da lamparina e da sua imagem?
3. Classifique cada uma das imagens obtidas nas quatro situações em real ou virtual, para cada
espelho curvo.

148 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Atividade Prático-Laboratorial
APL C-1.2: Os sistemas óticos e a reflexão total

Questão-problema: Como construir um periscópio?


Objetivo: Construção de um periscópio com material rudimentar e verificação da sua utilidade.

Questões pré-laboratoriais:
1. Identifique algumas aplicações dos periscópios no dia a dia.
2. Projete o sistema ótico de um periscópio e represente o diagrama de raios luminosos.

Recursos:
• Cartão ou cartolina preta
• Dois espelhos planos (9 cm por 14 cm)
• Tesoura

Procedimento:
1. Planifique e recorte o cartão de forma a obter um paralelepípedo, cuja largura é inferior ao comprimento
do espelho plano (43 cm por 66 cm).

Ótica Geométrica | 149


2. Faça duas ranhuras diagonais, 45° em relação ao plano definido pela base, em lados opostos do
paralelepípedo, com o comprimento do espelho plano, como mostra a figura.
3. Efetue a montagem do paralelepípedo planificado.
4. Enfie os espelhos nas ranhuras com os lados espelhados virados um para o outro.
5. Desenhe um quadrado no topo do paralelepípedo em frente ao espelho.
Recorte-o e retire-o.
6. Efetue um buraco, no lado oposto, ao nível do outro espelho para que seja
possível observar.
7. Olhe pelo buraco para espreitar por cima de obstáculos.

Questões pós-laboratoriais:
1. Quais as características da imagem obtida através do periscópio?

Atividade Prático-Laboratorial
APL C-1.3: Distância focal e vergência

Questão-problema: Como determinar a vergência de uma lente?


Objetivo: Determinação da vergência de uma lente, a partir da distância focal.

Questões pré-laboratoriais:
1. É costume afirmar que, muitos incêndios florestais são provocados por objetos de vidro abandonados.
Procure uma justificação para essa afirmação.
2. Indique como se localizam as imagens obtidas através de uma lente.

Recursos:
• Caixa de raios
• 2 Lentes convergentes
• 1 Lente divergente
• Folhas de papel A4
• Régua
• Lápis

150 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Procedimento:
1. Numa folha de papel desenhe o perfil de uma lente convergente.
2. Trace uma linha a unir os bordos da lente e outra linha perpendicular àquela, eixo principal, como se
ilustra na figura.

3. Usando a caixa de raios, localize os focos da lente e meça a distância focal.


4. Proceda da mesma forma para as outras lentes.
5. Regule a caixa de raios apenas para um raio.
6. Trace o percurso do raio luminoso que incida na lente nas seguintes situações:
a. Paralelo ao eixo principal;
b. A passar pelo foco da lente;
c. No ponto em que o eixo principal interseta a lente.
7. Proceda da mesma forma para as outras lentes.

Questões pós-laboratoriais:
1. Qual a potência de cada lente?
2. Onde se localizam as imagens em cada lente?

Ótica Geométrica | 151


Resumo

• Os meios dizem-se transparentes quando se deixam atravessar pela luz e opacos quando não se
deixam atravessar.
• Um meio diz-se translúcido quando a luz se difunde e não se consegue ver com nitidez os objetos que
se encontram do outro lado.
• Na ausência de difração, a luz visível propaga-se retilineamente.

• O índice de refração de um material, n, é dado por .


• O fenómeno da refração da luz obedece à Lei de Snell-Descartes, n₁ sen î = n₂ sen θ.
• A reflexão total ocorre quando a luz provém de um meio oticamente mais denso, incidindo com um
ângulo superior ao ângulo crítico.
• As lentes são meios óticos transparentes, limitados por uma ou duas superfícies curvas.
• As lentes podem ser convergentes ou divergentes.

• A potência da lente ou vergência, C, é dada por .


• As anomalias da visão humana mais comuns são a miopia e a hipermetropia.
• Um espelho é uma superfície polida que reflete, regularmente, a luz.
• Os espelhos podem ser planos ou curvos, e as imagens obtidas têm características diferentes, pois
refletem a luz de maneiras diferentes.

152 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Questões para Resolver

1. A figura representa a mudança de direção de um raio de luz, que passa


do ar para o vidro.
1.1. Qual o valor do ângulo de incidência?
1.2. Qual o valor do ângulo de refração?
1.3. Em qual dos meios a luz se propaga com menor velocidade?
1.4. Calcule o índice de refração do vidro.

2. Considere lentes L1, L2 e L3 com vergências de 2,0 dioptrias, −1,0 dioptrias e 3,0 dioptrias, respetivamente.
Indique:
2.1. As lentes convergentes.
2.2. A distância focal das lentes.
2.3. As lentes em que o foco primário é virtual.
2.4. As lentes que podem amplificar o tamanho de um objeto quando se olha através delas.

3. As lentes dos óculos do Raimundo têm −3,0 dioptrias.


3.1. De que tipo de lentes se trata?
3.2. Calcule a distância focal das lentes.
3.3. A imagem, sem óculos, forma-se antes ou depois da retina?

4. Um feixe de luz de comprimento de onda igual a 750 × 10⁻⁹ m, no vácuo, atravessa um bloco de vidro
de índice de refração igual a 1,50. Determine:
4.1. A velocidade de propagação da onda no vidro.
4.2. O comprimento de onda da luz no vidro.

5. Uma lente convergente fornece de um objeto situado a 15 cm de seu centro ótico uma imagem real a
45 cm de lente. Determine:
5.1. A distância focal e a vergência da lente.
5.2. O aumento linear transversal da imagem.

6. Um espelho esférico fornece de um objeto uma imagem direita e 3 vezes maior. A distância entre o
objeto e a imagem é de 2 m.
6.1. Caraterize o espelho em côncavo ou convexo.
6.2. Calcule a distância focal do espelho.

Ótica Geométrica | 153


7. Considere o esquema ótico representado na figura.

7.1. Caracterize:
7.1.1. A imagem obtida para a lente 1.
7.1.2. A imagem obtida para a lente 2.
7.2. Calcule:
7.2.1. A distância da imagem 1 à lente 1.
7.2.2. A ampliação da imagem 1.
7.2.3. A distância da imagem 2 à lente 2.
7.2.4. A ampliação da imagem 2.

8. Uma fibra ótica tem o comprimento de 6,0 km e o diâmetro de 100 μm. O índice de refração do núcleo
é de 1,49 e o valor do ângulo crítico na fronteira núcleo-revestimento da fibra é de 81°.
8.1. Calcule o tempo que a radiação demora a atravessar o interior da fibra ótica, supondo que a direção
de propagação da radiação é, praticamente, retilínea.
8.2. Determine o índice de refração do revestimento da fibra ótica.

9. Na figura está representada a trajetória de um raio que incide na extremidade de uma fibra ótica, cujo
ângulo crítico da superfície de separação entre o núcleo e o revestimento tem o valor de 73,2°.

9.1. Compare, justificando, o índice de refração do material do revestimento, nr , com o do núcleo, nn, da
fibra ótica.
9.2. Determine o valor do ângulo α e conclua se o raio incidente representado na figura se propaga
completamente ao longo da fibra ótica.

154 | Da Luz das Estrelas à Visão na Terra


Glossário (p.156)

Soluções das Questões


para Resolver (p.158)
Glossário

Amplitude – Medida da magnitude do afastamento Corpo negro – Corpo que absorve todas as radiações
máximo em relação à posição de equilíbrio da do espetro, sem qualquer reflexão ou transmissão.
grandeza que sofre vibrações.

Densidade – Grandeza física que se determina pelo


Albedo dum planeta – Energia solar refletida pelo quociente entre a massa e o volume.
planeta.

Difração – Mudança na direção de uma frente de onda


Capacidade térmica mássica – Quantidade de energia devido a um objeto.
que é necessário transferir por unidade de massa para
que experimente uma variação de temperatura de 1 K
Dioptria – Unidade de poder de refração duma lente,
(ou de 1 °C).
igual ao inverso do comprimento do foco da lente
em metros.
Caudal volumétrico – Volume de fluido que passa
numa secção reta por unidade de tempo.
Dispersão – Separação de luz policromática nas
frequências que a compõe.
Célula fotovoltaica – Dispositivo que produz energia
elétrica a partir de energia solar.
Dilatação térmica – Aumento do volume de um corpo
ocasionado pelo aumento da sua temperatura.
Comprimento de onda – Distância entre duas
magnitudes iguais consecutivas em relação à posição
Eclipse – Ocultação parcial ou total de um objeto por
de equilíbrio da grandeza que sofre vibrações.
interposição de outro.

Comprimento focal – Distância do centro de uma lente


Espetro electromagnético – Ordenação das radiações
ou espelho curvo até uma posição na qual a luz irá
eletromagnéticas de acordo com a energia ou com o
convergir num ponto.
comprimento de onda ou com a frequência.

Condução térmica – Transferência de calor sem


Fluido ideal – Líquido ou gás incompressível e
transporte de matéria nos sólidos.
não‑viscoso.

Condutividade térmica – Grandeza física que mede a


Frequência – Número de oscilações efetuadas por
capacidade dos materiais se deixarem atravessar pelo
unidade de tempo.
calor.

Imagem real – Imagem formada pela luz que na


Convecção – Transferência de calor com deslocamento
verdade se foca no espaço.
de matéria nos líquidos e gases.

156
Imagem virtual – Imagem formada pela luz que na Período – Tempo necessário para um ciclo completo
verdade não se foca no espaço, não podendo ser de uma oscilação de uma onda.
projetada.

Pressão – Grandeza escalar, dada pelo quociente do


Impulsão – Força ascensional que um corpo sofre módulo da força pela área da superfície.
quando colocado num fluido.

Refração – Fenómeno que ocorre quando uma onda


Índice de refração – Característica de um material, passa de um meio para outro com índice de refração
dada pelo quociente entre a velocidade da luz no diferente.
vazio e a velocidade da luz nesse material.

Sistema termodinâmico – Sistema em que a energia


Lente – Meio ótico transparente, limitado por uma ou interna resulta da soma das energias cinéticas das
duas superfícies curvas. partículas do corpo com a energia potencial de
interação entre elas.

Lente côncava – Lente com uma superfície curvada


para dentro, que faz a luz divergir. Temperatura – Medida do grau de agitação das
partículas constituintes de um corpo.

Lente convexa – Lente com a superfície curvada para


fora, que faz a luz convergir. Termómetro – Dispositivo que mede a temperatura de
um corpo.

Máquina térmica – Dispositivo capaz de converter


calor em trabalho. Vergência duma lente – Característica duma lente,
dada pelo inverso da distância focal.

Monocromático – Luz ou outra radiação com uma


única frequência ou comprimento de onda.

Onda – Perturbação oscilante de alguma grandeza


física.

Ondas longitudinais – Aquelas em que a vibração


ocorre na mesma direção de propagação da onda.

Ondas transversais – Aquelas em que a vibração é


perpendicular à direção de propagação da onda.

Glossário | 157
Soluções das Questões para Resolver

Unidade A – Subtema 0 4. cA = 627 kJ/(kg·K); cB = 1254 kJ/(kg·K); cc = 3344 kJ/

1. λ = 470 nm (kg·K)

2. λ = 4,4 × 10⁻⁷ m 5. c = 3000 J/(kg·K)

3. T = 30 °R 6. T = 35 °C

4. T = −25,6 °R = −25,6 °F = −32 °C 7. Tf = 57,9 °C

5. T = 184,15 K 8. (Q/Δt)Al = 3,0 (Q/∆t)Fe

6. T = 25 °C 9. R = 1180 J, da vizinhança para o sistema

7. T = 20 °C 10.1. W = 2220 J

8. ΔT = 117 K 10.2. η = 74%


11. η = 14%

Unidade A – Subtema 1
1. A – F; B – F; C – V; D – F Unidade B – Subtema 0
2.1. Violeta 1. m = 5,07 kg

2.2. T = 9,99 × 10³ K 2. p = 2,6 x 108 N/m²

3.1. Troposfera 3.1. O vetor impulsão tem ponto de aplicação no


centro de massa do corpo, direção vertical, sentido de
3.2. Nuvens, atmosfera e superfície da Terra
baixo para cima e intensidade 0,15 N
3.3. E = 1,51 × 10⁹ J
3.2. m = 25 g
4.1. PX = 4,47 × 10²⁶ W
4. A força resultante no submarino é a diferença
4.2. λy = 2 λx
entre a força gravítica e a impulsão. Quando o lastro
4.3. Será possível se rX = 0,25 ry se enche de água, o módulo da força da gravidade é
5. A – F; B – F; C – V; D – V; E – F superior ao módulo da impulsão fazendo com que o
6.1. Eu = 2,6 kW·h submarino desça. Quando se retira a água do lastro, o

6.2. Eu = 9,36 × 10⁶ J módulo da força da gravidade é inferior ao módulo da


impulsão e o submarino sobe
7.1. PB > PA > PC
5. mq = 0,75 g
7.2. O corpo melhor emissor é o melhor absorsor.
É o corpo B que absorve mais e a sua temperatura
aumenta mais Unidade B – Subtema 1
7.3. B, pois emite mais radiação 1.1. h₁/h₂ = 2
1.2.

Unidade A – Subtema 2
1.1. α = 1,25 × 10⁻⁴ °C⁻¹
1.2. L = 8,09 cm
2. α = 1,0 × 10⁻⁵ °C⁻¹
3. ΔV = 24 cm³

158
2. mb = 167 g Unidade C – Subtema 1
3. V % = 89,8 % 1.1. î = 50°
4. F₂ = F₃ = 1200 N 1.2. θ = 27°
5. R = 1,2 1.3. Vidro
6. F = 3,2 × 10³ N 1.4. nvidro = 1,69
7. h = 39 m 2.1. L1 e L3
2.2. f₁ = 0,50 m; f₂ = −1,0 m; f₃ = 0,33 m

Unidade B – Subtema 2 2.3. L2

1. vB = 5,0 m/s 2.4. L1 e L3

2.1. φ = 200 cm³/s 3.1. Lentes divergentes

2.2. V = 2 × 10³ cm³ 3.2. f = −0,33 m

3. B 3.3. Antes da retina

4. p₂ = 1,2 × 10⁵ N/m² 4.1. v = 2,0 × 10⁸ m/s

5. A 4.2. λ = 500 × 10⁻⁹ m

6. p₂ = 1,5 × 10² kPa 5.1. f = 11,25 cm

7.1. v = 4,0 m/s 5.2. M = 3

7.2. φ = 40 cm³/s 6.1. Espelho côncavo

7.3. D = 1,2 m 6.2. f = 75 cm

8. φ = 0,021 m³/s 7.1.1. Real, invertida e menor do que o objeto


7.1.2. Virtual, direita e maior que o objeto
7.2.1. si = 15 cm
Unidade C – Subtema 0
7.2.2. M = 0,5
1.1. A = 10 m
7.2.3. d = 6,67 cm
1.2. ω = 2π 40 rad/s
7.2.4. M = 1,33
1.3. f = 40 Hz
8.1. Δt = 2,0 × 10⁻⁵ s
1.4. T = 0,025 s
8.2. nr = 1,47
1.5. f = 40 Hz
9.1. nr < nn porque a reflexão total só ocorre se a luz
2. h = 3750 m
incidir na superfície de separação de um meio mais
3.1. Período da A é o dobro
denso para um meio menos denso oticamente
3.2. Frequência de A é metade
9.2. α = 15,0°. Este valor corresponde a um ângulo de
3.3. O comprimento de onda de A é o dobro incidência entre o núcleo e o revestimento de 75,0°,
4. d = 1700 m que é superior ao ângulo crítico. Por isso vai ocorrer
5.1. A₁ / A₂ = �⁄�. reflexão total e o raio propaga-se no interior da fibra
ótica
5.2. f₁ / f₂ = �⁄�� = �⁄�

Soluções das Questões para Resolver | 159


Cooperação entre o Ministério da Educação de Timor-Leste, o Instituto Português de
Apoio ao Desenvolvimento, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Universidade de Aveiro

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